Entrar
Usuário novo? Cadastre-se
laboratoriodapalavra · Revista digital de imagem&poesia
? Você já é um associado? Entre no Yahoo!

Dicas

Você sabia...
Você pode ordenar suas mensagens por data? Basta clicar no link da coluna data. Suas preferências serão lembradas para que você não precise fazer isso novamente sempre que retornar.

Mensagens

  Ajuda
Avançado
A palavra que faltou e não virá   Lista de mensagens  
Responder | Encaminhar Mensagem #712 de 1016 |

 

A palavra que faltou e não virá

Michel Ducruet

 

Era tarde para expressar meu lamento, quando eu soube do 'falecimento' da Meg: já dado como pretenso, foi contribuinte ativo da densidade do final de semana que revolveu parte da intelectualidade brasileira e portuguesa em seus blogs, sites e listas. Em tela, a palavra. Em cena a morte, a doença, a loucura, a farsa, os motivos. Como protagonistas Paulo José Miranda - escritor português residente em São Paulo, vencedor do primeiro Premio José Saramago em 1999 - e Maria Elisa Guimarães (Meg), do Subrosa weblog, professora de Filosofia, crítica e animadora cultural.

Não sei dos motivos ou o que 'encenam' a Meg e o Paulo. Dizer que o conheço pessoalmente é frágil afirmação, embora tenhamos nos encontrado e conversado muito - junto com amigos comuns que nos apresentaram - por duas vezes, em 2006: uma delas num jantar pequeno que lhes ofereci em minha casa. Tampouco a Meg e eu nos conhecíamos pessoalmente: houve um momento – breve -, também no ano passado, em que nos cruzamos e correspondemos por e-mail. O suficiente para que ela visitasse e indicasse meu blog como um dos seus favoritos; para que o texto de Haroldo Maranhão, postado por ela, fosse por mim publicado no periódico digital Laboratório da Palavra. A parte gostosa da rede, agindo.

Sei que a esses nomes correspondem pessoas reais que não me foram indiferentes, pelo contrário. E que esse turbilhão em que se meteram é a parte não-gostosa da rede. A parte que me invade a casa para contar do que não cogito ou quero partilhar.

Uma farsa, essa morte? Uma encenação, uma performance, um espetáculo que tem causas e produz efeitos nas pessoas e personas, nos mundos virtual, real, imaginário – talvez até no simbólico. E jamais se saberá dos danos - que nunca serão qualificados ou quantificados -, se é a vida " uma fúnebre farsa em que nós – mais ou menos inconscientes – representamos os mais diferentes papéis, pobres marionetes nas mãos do destino cego" [ PIRANDELLO].

A citação acima é de A Dúvida de Pirandello, de Gustavo Bernardo, onde também li:

"As discussões entre os dois grupos vão crescendo, bem como as discussões internas de cada grupo, o que leva o Pai a reconhecer o mal exatamente nas palavras, que ora não dizem o que se queria dizer, e portanto são insuficientes, ora dizem o que não se queria dizer, e portanto são excessivas:

Mas aí está todo o mal! Nas palavras! Todos temos dentro de nós um mundo de coisas; cada qual tem um mundo seu de coisas! E como podemos nos entender, senhor, se nas palavras que eu digo ponho o sentido e o valor das coisas como elas são dentro de mim; enquanto quem as ouve, inevitavelmente as assume com o sentido e com o valor que têm para si, do mundo assim como ele o tem dentro de si? Acreditamos nos entender – jamais nos entendemos! Olhe – a minha piedade, toda a minha piedade por esta mulher, ela a assumiu como a mais feroz das crueldades! [Obra citada: 197]

Logo a seguir, lamenta, em fala tipicamente cética: "pudéssemos nós prever todo o mal que pode nascer do bem que acreditamos fazer!". Assim como o mal se encontraria escondido no bem, por baixo da dignidade de cada um se esconde o inconfessável. Ainda que estejamos acostumados a jogar sucessivas capas de herói sobre os ombros, no íntimo seríamos apenas mesquinhos e assustados.

(...)

Pirandello reduz o leitor a uma série de peças de um mosaico, detonando a noção de unidade. O ser humano que surge a partir dessa detonação é irônico como um desenho cubista. Abandonado pelo destino, percebe a contingência em todas as coisas – mas não se resigna a ela.

Sua liberdade é uma ficção – pois que seja."

De todos os ditos, o mais aprisionado me parece ser o da protagonista Meg. É dela a palavra que faltou e não virá, porque morreu. Sem falecer, o que lamento. Este, não é tarde para expressar.

 

 

 Rio de Janeiro, 29.1.07

 

 

 

 

  http://br.groups.yahoo.com/group/laboratoriodapalavra



Seg, 29 de Jan de 2007 7:12 pm

laboratoriod...
Offline Offline
Enviar e-mail Enviar e-mail

Encaminhar Mensagem #712 de 1016 |
Expandir mensagens Nome/E-mail Classificar por data

*A palavra que faltou e não virá* Michel Ducruet Era tarde para expressar meu lamento, quando eu soube do 'falecimento' da Meg: já dado como pretenso, foi...
sonia regina
laboratoriod...
Offline Enviar e-mail
29 de Jan de 2007
7:17 pm
Avançado

Copyright © 2009 Yahoo! do Brasil Internet Ltda. Todos os direitos reservados.
Política de Privacidade - Termos do Serviço - Diretrizes - Ajuda