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#29 De: "ccrispim2001" <crispacfo@...>
Data: Sáb, 21 de Nov de 2009 12:43 am
Assunto: ... então, conhecereis a Verdade
ccrispim2001
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... então, conhecereis a Verdade

 

Os verdadeiros discípulos

Certa feita o Senhor Jesus alertou os judeus que `criam' n'Ele dizendo: "Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos..." ( Jo 8:31 ).

Através deste alerta, o Mestre por excelência, além de evidenciar o que havia no coração de alguns dos seus seguidores, também nos deixou uma grande lição.

Jesus deixa claro aos seus ouvintes que há uma condição a ser satisfeita para que os judeus pudessem ser seguidores verdadeiros "Se vós permanecerdes na minha palavra...". A partícula `se' introduz uma condição.

Caso os judeus que criam em Cristo permanecessem no seu ensino, verdadeiramente seriam seguidores (discípulos) de Cristo. Após serem verdadeiros discípulos, então conheceriam a verdade, e a verdade haveria de libertá-los.

O alerta solene do Mestre demonstra que os judeus, que o apóstolo João enfatizou que criam em Cristo, na verdade:

a)    Não criam n'Ele como diz as escrituras;

b)    Não eram seus discípulos;

c)    Não conheciam a Verdade, e;

d)    Eram escravos do pecado.

Por definição, discípulo é aquele que segue outrem em suas ideias, ensinamentos ou posições ideológicas. Não basta dizer ser discípulo, antes é necessário comungar das mesmas ideias do Mestre.

O verdadeiro discípulo é aquele que acata o ensinamento do seu mestre e permanece naquilo que foi ensinado. Ora, para tanto é necessário ao discípulo renunciar os seus próprios conceitos e acatar o ensinamento do Mestre. É necessário haver no discípulo uma mudança de concepção acerca da matéria que lhe foi transmitida pelo Mestre.

Esta mudança de pensamento ou de ponto de vista é o que se denomina de arrependimento. O verdadeiro arrependimento diz de uma mudança de entendimento, mudança de pensamento, de propósito, ou de ponto de vista referente a uma determinada matéria.

O verdadeiro discípulo é aquele que adquire outra atitude mental com base no do que lhe foi ensinado pelo Mestre. No discípulo deve ocorrer uma revolução de entendimento no seu ponto de vista, deixando para trás o entendimento que lhe era tão caro. Abandonar os próprios conceitos diante da mensagem de Cristo é o que denominamos de arrependimento.

Os judeus que criam em Cristo haviam se arrependido? Eles sofreram uma revolução de pensamento a respeito de seus pontos de vista? Não! Eles não se arrependeram, e nem acataram o ensinamento de Cristo, visto que retrucaram o Mestre dizendo: "Somos descendência de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém" ( Jo 8:33 ).

A atitude mental dos judeus que criam em Cristo é idêntica a dos escribas e fariseus que iam ao batismo de João Batista. Apesar de serem alertados que deviam mudar de concepção porque era chegado o reino dos céus, permaneciam acreditando que haviam herdado os céus por serem descendentes de Abraão.

João Batista já havia alertado os escribas e fariseus a mudarem de ponto de vista (arrependei-vos), visto que era chegado o Cristo, o reino dos céus entre os homens ( Mt 3:2 ). Porém, mesmo após serem batizados, continuavam professando que eram salvos por serem descendentes de Abraão "E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por Pai a Abraão" ( Mt 3:9 ).

O verdadeiro discípulo não presume de si mesmo, antes acata o ensinamento do seu Mestre. O verdadeiro discípulo muda de concepção, ou seja, arrepende-se, quando aprende do Mestre, e não segue dizendo como os judeus: "Somos descendência de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém" ( Jo 8:33 ).

 

O Conhecer

Que tipo de conhecimento Jesus propõe aos seus ouvintes?

O lexicógrafo Aurélio assim define o verbo conhecer: "v.t.d. 1. Ter noção ou conhecimento de; saber. 2. Ser muito versado em; saber bem. 3. Ter relações ou convivência com. 4. Travar conhecimento com. 5. Reconhecer. 6. Apreciar, avaliar. 7. Ter experimentado (algo). 8. Ter estado em (certo lugar). 9. Ter relações sexuais com. T.i. 10. Ter grande saber, ou competência: O juiz conhecia da causa. P. 11. Ser consciente de si mesmo, dos seus valores e limitações".

Dentre tantas possibilidades, qual o sentido exato da palavra `conhecer' na frase: "... então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" ( Jo 8:32 ).

Um estudioso mais cauteloso busca aprimorar o seu campo de pesquisa analisando a palavra grega traduzida por `conhecer' (`gínomai' ou `ginosco' ou `gignósko' são, na sua forma, um verbo), pois o Novo Testamento foi redigido na língua grega.

Outros, na tentativa de encontrar o melhor significado semântico da palavra "gnôsesthe" que foi utilizado por Jesus, estudam a literatura grega e os seus diversos escritores, como Sócrates, Platão, Aristóteles, etc. Desta pesquisa, nem os escritos apócrifos e gnósticos escapam a análise.

Palavras como `gnose', um substantivo que deu origem a outra palavra, `gnóstico', detém o significado de um conhecimento espiritual, místico. Daí percebe-se que, desde aquele tempo a palavra deixou de ter o significado de mero conhecimento cultural, para contemplar algo que dá sentido a existência humana.

Tais buscas esgotam as possibilidades? Não!

O leitor do Novo Testamento precisa estar atento, pois o melhor significado das palavras empregadas por Cristo e os seus apóstolos não são provenientes das tragédias gregas, ou das religiões que surgiram à época. Antes, os termos empregados pelos escritores do Novo Testamento estão intimamente ligados semanticamente aos termos e idéias dos vocábulos e textos do Antigo Testamento. 

Diante desta busca por saber, os estudiosos mais cautelosos não podem deixar de considerar que a doutrina de Cristo tem por base o Antigo Testamento, pois Ele mesmo assevera: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" ( Jo 5:39 ).

 

Qualquer tentativa de interpretar as palavras de Cristo e dos apóstolos utilizando somente o significado semântico pertinente à literatura e a filosofia grega, é temerário.

 

Com base no Antigo Testamento, qual o significado do termo `conhecer' nos versos seguintes:

 

"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais" ( Gn 3:7 );

"Conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu e teve a Enoque" ( Gn 4:25 ).

 

O primeiro uso do termo hebraico traduzido por `conhecer' (Ya.dhá‛ ) refere-se a `ter noção ou conhecimento que' estavam despidos. O segundo verso apresenta outro sentido para o mesmo termo: coabitar, união intima.

Os termos `Ya.dhá'' (hebraico) e `gi.nó.sko' (grego) são utilizados de modo similar. Compare: Gn 4:17 com Mt 1:25 e Lc 1:34 . Esta similaridade semântica entre as palavras hebraicas do A.T, e as idéias aplicadas ao grego do N. T., demonstra que o significado primário das palavras utilizadas por Jesus e seus discípulos derivam do Antigo Testamento.

 

`Conhecer' a Verdade

"Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?" ( Jo 8:31 -33)

 

Antes de permanecer na palavra de Jesus tornando-se um verdadeiro discípulo é necessário aprender d'Ele. Como aprender do Mestre? Adquirindo saber, conhecimento, ou seja, inteirando-se das palavras do Mestre. Só é possível tornar-se discípulo de Cristo quando se aceita o convite solene: "... aprendei de mim, que sou humilde e manso de coração" ( Mt 11:23 ).

Para aprender de Cristo é necessário ouvir e compreender, conforme se lê: "Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem" ( Mt 13:13 ; Mc 7:18 ; Lc 2:51 ; 1Jo 2:27 ).

 

A fase anterior ao permanecer na palavra de Jesus, momento em que o homem ainda não é um verdadeiro discípulo, refere-se a necessidade de um conhecer definido pelos lexicógrafos como: `Ter noção ou conhecimento de...'. Para conhecer o evangelho de Cristo é necessário que alguém anuncie a palavra da verdade, e que ouçam acerca desta verdade, pois `a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus' ( Rm 10:17 ).

 

Sem ouvir é impossível compreender. Sem compreender é impossível permanecer no ensino de Cristo, pois "Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho (...) Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta" ( Mt 13: 19 e 23 ).

 

Este ouvir, aprender e compreender a palavra da verdade envolve conhecimento, que pode ser designado através do vocábulo "gnôsesthe", palavra que foi utilizada por Jesus, pelos apóstolos e também por muitos escritores e filósofos gregos significando "ter noção, saber, ou conhecimento de".

 

Porém, a segunda parte do versículo, onde Jesus declara que: "... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" ( Rm 8:32 ), o significado do vocábulo traduzido por `conhecer' não se depreende da literatura e nem da filosofia grega. Só é possível compreender a proposta de Jesus quando depreende o significado semântico da palavra conhecer com o auxílio do A. T.

 

Quando lemos que: "Conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu e teve a Enoque" ( Gn 4:25 ), a palavra `conhecer' tem em seu escopo o significado primário a idéia de `relação sexual'. Porém, se observarmos o verso que se segue: "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" ( Gn 2:24 ), veremos que o sentido da palavra `Ya.dhá‛' é ampliado, deixando de contemplar somente a idéia de `relação sexual', para demonstrar que o homem e a mulher se `conhecerem' "... não são mais dois, mas uma só carne" ( Mt 19:6 ).

 

Quando Jesus fez esta citação do Antigo Testamento, seus interlocutores passaram a formular questões somente acerca do casamento e do adultério, porém, o apóstolo Paulo nos desvenda o mistério que há por trás desta citação, quando aplica o texto a Cristo e a sua igreja "Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja" ( Ef 5:31 -32 ).

 

Por que é grande o mistério? Porque nem de longe os gregos e os judeus consideravam a idéia de que os cristãos `conhecem' a Cristo porque são membros do seu corpo, carne e ossos "Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos" ( Ef 5:30 ).

 

O mistério é grande:

 

 

a)    Porque o sentido bíblico da palavra `conhecer' agrega a ideia de que o homem ao unir-se a sua mulher, ambos tornam-se uma só carne, ou seja, a palavra grega traduzida por `conhecer' na bíblia transcende o seu sentido primário;

b)    Porque nem de longe qualquer evolução semântica da palavra `conhecer' proveniente da filosofia ou literatura grega contempla ou traduz a idéia de Cristo como o noivo, e a igreja como noiva;

c)     Porque o `conhecer' grego, ora diz de um saber intelectual, ora, diz de um saber espiritual, místico, ou seja, de um saber (gnóstico) que dê sentido a existência humana, e;

d)    Porque a `verdade' é considerada pelos gregos somente do ponto de vista filosófico, e nem de longe consideravam que Cristo é a Verdade eterna personificada.

 

 

Os gregos e os judeus não compreenderam este grande mistério, visto que o homem natural não pode compreender os mistérios de Deus, pois lhes parece loucura ou escândalo ( 1Co 2:14 ).

 

Quando Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" ( Jo 14:6 ), Ele demonstrou que só é possível ir ao Pai por intermédio d'Ele, ou seja, tornando-se um com Ele. Para tornar-se um com Cristo é necessário `conhecê-lo', a verdade que liberta. Individualmente o homem torna-se membro dos outros cristãos, e um só corpo em Cristo, formando a Igreja, a noiva de Cristo ( Rm 12:5 ).

 

Ora, para ser livre o homem precisa `conhecer' a `verdade', ou seja, tornar-se membro do corpo de Cristo, ser participante da sua carne e do seu sangue, tornar-se um com Ele, pois Ele é a Verdade ( Ef 5:30 ).

 

É por isso que Ele conclama: "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;" ( Mt 16:24 ); "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" ( Jo 6:56 ).

 

É por isso que o apóstolo João testificou em sua epístola: "E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" ( 1Jo 5:20 ). O `sabemos' é um tipo de conhecimento intelectual. O `entendimento' concedido é outro tipo de conhecimento proveniente da mensagem do evangelho, porém, `conhecer o que é verdadeiro' só ocorre quando se está unido a Cristo, após tornar-se um só corpo e um só espírito "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" ( 1Co 10:17 ); "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também" ( 1Co 12:12 ).

 

É neste diapasão que o apóstolo Paulo declara: "Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?" ( Gl 4:9 ). Após tornarem-se um (conhecer) com o Pai e o Filho, como era possível aos cristãos voltarem aos rudimentos fracos que antes serviam? "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste" ( Jo 17:21 ). Há algum conhecimento (saber) ou prática que possa suplantar o fato do cristão ser um com o Pai e o Filho?

 

O apóstolo Paulo queria que soubessem que todos os que crêem são um com o Pai e com o Filho. O dia anunciado por Cristo na qual os cristãos conheceriam que o Filho estava no Pai já havia chegado, e os cristãos em Cristo, e Cristo nos cristãos "Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós" ( Jo 14:20 ).

 

Foi para isto que Deus concedeu o seu Espírito aos cristãos, para que conhecessem que estavam n'Ele e Ele nos cristãos ( 1Jo 4:13 ).

 

O `conhecer' o amor de Cristo excede todo entendimento, pois ao `conhecer' (união) a Cristo o homem torna-se pleno de Deus, participante da natureza divina ( Ef 3:19 ; 2Pe 1:4 ).

 

Através deste estudo também é possível compreender como o homem `conheceu' o pecado, ou seja, tornou-se um com o pecado "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" ( Rm 7:7 ).

 

Cristo não conheceu o pecado, ou seja, Ele nunca esteve unido ao pecado, embora soubesse tudo a respeito do pecado e dos pecadores "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" ( 2Co 5:21 ).

 

Quando Jesus disse: "... então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", Ele estava demonstrando aos seus ouvintes a necessidade de estarem unidos a ele, pois Ele é a verdade que liberta. Qualquer que permanece em Cristo tornar-se um com Ele, sendo membro do seu corpo, carne e ossos, e o homem é verdadeiramente livre do pecado ( 1Co 10:17 ).

Deste modo, temos que qualquer que não o `viu' e nem o `conheceu' ainda é escravo do pecado "Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu" ( 1Jo 3:6 ). Somente após estar em comunhão íntima com Cristo, sendo um só pão e um só corpo, o homem é livre do pecado "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado" ( Jo 8:34 ).

 

Neste diapasão, como se lê este verso?

 

a)    "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" ( Jo 17:3 );

b)    "Ora, a vida eterna é esta: que conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" ( Jo 17:3 ).

 

O Novo Testamento Interlinear Grego Português assim reza este verso: "esta[2] E[1] é a eterna [2] vida[1] que conheçam a ti o único verdadeiro Deus e a quem enviaste, Jesus Cristo", ou seja, a melhor tradução é aquela que omite a preposição `por'.

 

Ora, saber que Deus é o único Deus os judeus `conheciam', no entanto, precisavam de salvação, pois Jesus foi enviado para os seus, e eles não O receberam.

 

Do mesmo modo, o que se podia conhecer de Deus foi manifesto ( Rm 1:21 ), mas o mundo não O `conheceu', pois não receberam o Filho ( Jo 1:10 ), e, conseqüentemente, não receberam o Pai ( 1Jo 2:23 ). Portanto, para conhecer a Cristo, a Verdade que liberta da escravidão do pecado ( Jo 1:10 ), é necessário crer n'Ele, ou seja, tornar-se um com Ele, plenos de Deus ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).


#28 De: "ccrispim2001" <crispacfo@...>
Data: Sex, 25 de Set de 2009 9:05 pm
Assunto: A Salvação em Cristo
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A Salvação em Cristo

A Bíblia apresenta à humanidade uma oferta de salvação. Ora, se há uma oferta de salvação é porque a humanidade está perdida.

Antes de entender como o homem é salvo por Deus, é necessário compreender do que o homem é salvo e como a humanidade se perdeu.

 

Adão – A Porta Larga

O homem é salvo por intermédio do evangelho de uma condição herdada do primeiro Pai da humanidade. Foi Adão quem pecou, e por causa da ofensa dele, todos os homens pecaram ( Rm 5:19 ).

Através da ofensa de Adão todos os homens tornaram-se pecadores, ou seja, separados de Deus, alienados da vida que há em Deus, destituídos da glória de Deus.

Não importa a posição social, a religiosidade, a moral, o comportamento, a nacionalidade, o cargo, etc., todos os homens gerados segundo a carne e do sangue de Adão são pecadores. Ora, são pecadores em conseqüência da condição herdada de Adão, e não por causa do comportamento ou moral que adotaram.

A bíblia compara a condição do pecador como sendo semelhante à condição de um escravo.

Na antiguidade havia homens `livres' e `escravos'. A diferença entre livres e servos não estava na constituição física, mental ou comportamental do homem, antes a diferença era produto de uma condição social.

O homem livre era submetido a servidão quando não saldava suas dívidas, por ser despojo de guerra ou quando gerado de pais escravos!

Assim como os filhos de escravos também eram escravos, todos os homens tornaram-se servos do pecado por serem filhos de Adão. Adão vendeu-se ao pecado tornando-se escravo do pecado, e todos os seus descendentes vêem ao mundo em igual condição ao pai ( Is 43:27 ).

 

Não são as ações dos homens que determina se ele é ou não pecador, antes é da sua origem que decorre a condição de sujeição ao pecado.

Jesus demonstrou que todo aquele que comente pecado é escravo do pecado, ou seja, por ser escravo do pecado é que o homem peca. A condição de sujeição ao pecado é que determina a condição do homem: pecador. Na condição de pecador todas as suas ações são reputadas como sendo pecado.

O apóstolo Paulo demonstra que todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus ( Rm 3:23 ). A doutrina anunciada pelo apóstolo Paulo também foi anunciada pelos profetas, visto que Davi declarou ter sido formado em iniqüidade e concebido em pecado ( Sl 51:5 ).

Davi demonstrou que todos os homens se desviaram e num mesmo evento (juntamente) se tornaram imundos ( Sl 14:3 ). A queda de Adão foi o único evento que comprometeu toda a humanidade, e após a queda, todos os homens tornaram-se abomináveis em suas obras: não há quem faça o bem ( Sl 14:1 ).

A condição do homem é miserável, visto que o melhor dentre os homens é comparável a um espinho, e o mais justo a uma sebe de espinhos. Desde que Adão pecou (pereceu), não há entre os filhos dos homens um que seja reto ( Mq 7:2 e Mq 7:4 ).

Desde o ventre materno os homens estão desviados, pois entraram por um caminho que os conduz a perdição, em decorrência da desobediência, julgamento e condenação de Adão ( Sl 58:3 e Sl 53:2- 3).

Não importa condição social, religiosa, boas ações, comportamento, moral, sacrifícios, votos, etc., a condição herdada de Adão tornou todos os homens pecadores, ou seja, homens a serviço do pecado. Pecam por que são pecadores! Não fazem o bem porque são maus.

 

O Evangelho

Por intermédio do evangelho, os homens são informados que Deus é rico para com todos que o invocam. Não importa a condição social, moral ou comportamental, Deus é generoso para com todos os homens ( Rm 10:12 ).

O evangelho de Cristo alcança tanto Nicodemos que era mestre, juiz e religioso, quanto a samaritana, que teve cinco maridos e o que agora tinha, não lhe pertencia.

Através da fé que se manifestou, o homem reconhece a sua condição de pecador que decorre da condenação em Adão, e compreende o quanto necessita de salvação ( Gl 3:23 ; Rm 5:18 ).

Nos dias atuais as pessoas procuram as igrejas em busca de um milagre, de um emprego, de um casamento, porém, a graça de Deus se revelou salvadora, ou seja, o evangelho destina-se tão somente a salvar os pecadores da condenação herdada de Adão.

Caso o homem não aceite a Cristo como Senhor, o seu destino é o inferno de fogo e enxofre, pois entrou por um porta larga (Adão) que o faz andar por um caminho largo que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).

Qualquer que não aceitar a mensagem que concede nova vida não pode entrar no reino dos céus ( Jo 3:3 ). Basta ao homem ouvir e crer que será salvo da condição que o leva para um tormento eterno.

A bíblia demonstra que o evangelho foi anunciado primeiramente a Abraão. Abraão creu na promessa e isto lhe foi imputado por justiça ( Gl 3:8 ). Do mesmo modo, todo aquele que crê na mensagem do evangelho, será justificado.

Para ser salvo, basta crer na mensagem do evangelho, ou seja, conforme diz as Escrituras ( Jo 7:38 ).

Crer em Cristo não tem relação com um sentimento de medo, tremor, terror do inferno, antes decorre da mensagem anunciada, a fé que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

O evangelho é poder de Deus para todo que crê. Por intermédio do evangelho o homem ganha nova vida, uma vez que Deus concede ao que crê um novo coração e um novo espírito ( Is 57:15 ).

Observe que o evangelho de Cristo, a fé que foi manifesta aos homens, também é nomeado de: poder de Deus, fé, esperança, promessa, etc. Observe o emprego da palavra fé e crer em um mesmo verso:

·        "...sabemos que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, também temos crido em Jesus Cristo..." ( Gl 2:16 );

·        "Pois nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé" ( Rm 1:17 ).

Nestes versos o apóstolo Paulo faz referência à fé contrastando-a com a lei, ou seja, ele fez referência à mensagem do evangelho quando utilizou o substantivo `fé'. Em seguida, ele demonstra que, por meio da fé, os cristãos têm crido, ou seja, no evangelho se descobre que a justiça de Deus se dá por intermédio da mensagem do evangelho (fé), quando o homem descansa (fé) na esperança proposta.

 

A Salvação

Jesus demonstrou que quem ouve a sua palavra e crê em Deus, tem a vida eterna, ou seja, não entrará na condenação, pois passou da morte para a vida ( Jo 5:24 ).

A condição do pecador é morte, o mesmo que escravo do pecado, destituído da glória de Deus, filho da desobediência, filho da ira, etc. Quem crê deixa a condição de morto e passa a condição de vida. Quem crê em Cristo não é condenado, mas quem não crê já está condenado, pois permanece sob a condenação imputada a Adão e todos os seus descendentes ( Jo 3:18 ).

A condenação e a ira de Deus veio sobre todos os homens por causa da ofensa de Adão. Através da ofensa de Adão todos pecaram e morreram, ou seja, foram separados d'Aquele que é a vida. Qualquer que crê em Cristo possui vida eterna e não mais será alvo da ira de Deus ( Jo 3:26 ).

A todos que ouvirem a mensagem do evangelho e confessar a Cristo, o sumo sacerdote da nossa confissão, crendo que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória de Deus Pai, serão salvos ( Rm 10:9 -10 ).

Serão salvos de que? Da atual condição financeira? Da família problemática? Dos problemas socioeconômicos? Etc. Não! Jesus alertou que os que n'Ele crê serão salvos da condenação estabelecida em Adão, porém, não seriam tirados do mundo e continuariam tendo aflições ( Jo 16:33 ).

Qualquer que crer em um pseudo-evangelho que anuncia que Deus mudará a condição social do homem, ou que haverá uma mudança financeira radical daquele que segue a Cristo, não será salvo, nem da ira vindoura, nem das questões relativo a este mundo, pois o evangelho de Deus é segundo as escrituras e não se constitui programa social.

A bíblia é clara: "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" ( Rm 10:13 ), porém, a promessa de Deus diz da esperança futura, e não das coisas deste mundo.

Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, ou seja, o evangelho não veio promover riquezas deste mundo ( Jo 3:16 ). Por que é necessário ao homem crer em Cristo? Para justificação de todo que crê ( Rm 10:4 ).

Qual a preocupação do carcereiro que guardava Paulo e Silas? Aumento de salário? Mudança na sua posição social? Comandar uma empresa? Ser um magistrado? Não! A pergunta dele é clara: "E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?" ( At 16:30 ).

 

O Novo Nascimento – Cristo: a Porta Estreita

Quando o pecador crê em Cristo, ao mesmo tempo está recebendo a Cristo. Crer e receber refere-se ao mesmo evento "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" ( Jo 1:12 ).

 

Há quem diga que é necessário crer e depois receber, porém, o apóstolo João demonstra que, crer é o mesmo que receber.

 

Que mudança será operada por Deus na vida de quem crê?

 

·         Será filho de Deus – "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome"  ( Jo 1:12 ; Gl 3:26 );

·         Gerado de Novo – "Segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição dos mortos..." ( 1Pd 1:3 );

·         Nova Criação - "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" ( 2Co 5:17 );

·         Nova condição – "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus..." ( Rm 8:1 );

·         Nova Natureza - "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo" ( 2Pe 1:4 ).

 

Assim como a morte (condenação) veio por um homem, assim também a salvação, pois assim como todos morrem em Adão, somente em Cristo serão vivificados ( 1Co 15:21 –22).

 

A relação que o apóstolo Paulo estabelece entre Cristo e Adão demonstra que Adão é a porta larga por onde a humanidade entrou e segue para perdição. E que Cristo é a porta estreita, por onde todos que entram são salvos.

 

Em Cristo e em Adão temos o espiritual e o carnal. Os nascidos de Adão são carnais, e os nascidos do último Adão, espirituais. Primeiro veio o homem carnal, para depois vir a existência os homens espirituais ( 1Co 15:46 ).

 

Adão, o primeiro homem, por ser da terra era terreno, feito por Deus alma vivente ( 1Co 15:47 ). Mas Cristo, o último Adão, pertence ao céu.

 

Ambos, Cristo e Adão, concedem as suas imagens aos seus descendentes: Do mesmo modo que os homens terrenos têm a imagem de Adão, os homens espirituais possuem a imagem de Cristo, visto que, assim como o terreno, assim também são os terrenos, e `qual o celestial, tais também os celestiais' ( 1Co 15:48 ).

 

Através do novo nascimento (regeneração) o homem de novo gerado passa a ser participante da natureza divina ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ). A nova condição da nova criatura se efetiva ainda neste mundo "Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" ( 1Jo 4:17 ).

 

Por ter sido gerado de uma semente incorruptível, que é a palavra de Deus, os cristãos tem uma viva esperança ( 1Pe 1:23 e 1Pe 1:3 ). Foi de novo criado na condição de idôneo para participar da herança dos santos ( Cl 1:12 ). É herdeiro de Deus ( Gl 4:7 ), e co-herdeiro com Cristo ( Rm 8:17 ). É templo e morada do Espírito ( 1Co 3:16 ), pois tem em si mesmo o penhor da herança ( Ef 1:13 ).

 

Qualquer que crê em Cristo é testemunha fiel, pois de Deus vem o fruto dos lábios, que confessam a Cristo ( Os 14:8 ; Hb 13:15 ).

 

 

Eterna Redenção

 

Sabemos que Cristo efetuou eterna redenção "Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção" ( Hb 9:12 ).

 

Que, além da salvação os cristãos foram agraciados com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais, visto que estão assentados em Cristo ( Ef 1:3 ). Tudo que diz respeito a vida e a piedade foi concedido aos que creem no seu divino poder (evangelho) ( 2Pe 1:3 ; 1Co 1:18 ).

 

Além de ser salvo da condenação estabelecida em Adão, não há outro destino para os que são salvos pela fé em Cristo: são filhos de Deus, ou seja, predestinados a serem filhos por Adoção, ou seja, condição diferente da dos salvos em outras dispensações.

 

As novas criaturas geradas segundo Deus em Cristo foram predestinadas a serem filhos. A predestinação não diz da velha criatura, antes se refere ao destino da nova criatura. Como sabemos, aquele que está `em Cristo' nova criatura é, e foi `em amor', ou seja, `em Cristo' que a nova criatura foi predestinada a ser filho por Adoção, visto que somente por intermédio de Cristo são conduzidos muitos filhos à glória de Deus "Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles" ( Hb 2:10 ).

 

A salvação de Deus se dá por meio da fé em todas as dispensações, porém, a filiação divina é concedida especificamente a igreja de Cristo, pois toda a criação geme na expectativa da revelação dos filhos de Deus "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" ( 1Jo 3:2 ; Rm 8:21 ).

 

Os que crêem em Cristo foram escolhidos para serem santos e irrepreensíveis, visto que, `em Cristo' foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

 

Antes da fundação do mundo Deus elegeu os cristãos para serem santos e irrepreensíveis porque em Cristo seriam criados nesta condição. Aquele que fez dos cristãos herança em Cristo ( Ef 1:11 ), também é o que operou a nova criação, concedendo poder aos que crêem para que fossem feitos filhos de Deus, santos e irrepreensíveis.

 

Porém, há um adendo do apóstolo Paulo: "TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão" ( 1Co 15:2 ).

 

O apóstolo procura relembrar aos cristãos o evangelho anunciado, o mesmo que receberam e permaneciam nele. Os cristãos foram salvos por que creram na mensagem do evangelho, porém, se não o retiver o evangelho tal qual ele foi anunciado, ou seja, se abraçar um outro evangelho, terão crido em vão ( 1Co 15:2 ).

 

Qualquer que se distanciar da verdade do evangelho sofrerá as conseqüências de ter caído da graça: separado está de Cristo "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído" ( Gl 5:4 ).

 

Qualquer que está separado de Cristo continua sob condenação, pois a salvação pertence somente aos que conhecem a Deus, ou antes, são conhecidos d'Ele.

 

Claudio Crispim

 

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#27 De: "ccrispim2001" <crispacfo@...>
Data: Seg, 24 de Ago de 2009 3:26 pm
Assunto: Salmo 23 – O Bom Pastor
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Salmo 23 – O Bom Pastor

Não podemos esquecer que os salmos são profecias, conforme lemos em 1Cr 25:1 : "E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério".

Para entendermos a composição do Salmo 23, faz-se necessário entendermos o verso 1 do salmo 110, que diz: "DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés" ( Sl 110:1 ).

Este salmo foi citado por Jesus ao interrogar os fariseus, que não souberam responde-lo.  Acompanhe a narração do evangelista Mateus: "E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo" ( Mt 22:41 -43).

 

Após a exposição de Cristo, é possível definir que Cristo, o filho de Davi, é o Senhor que se assentou a destra da Majestade nas alturas ( Hb 1:3 ). Ora, o Senhor Jesus interpretou o Salmo 110, demonstrando que Davi, ao profetizar, lhe chamou de Senhor.

 

No salmo 110, verso 1, Davi chamou o Messias de Senhor dizendo: `... meu Senhor...". Em espírito Davi ouviu o 'Senhor' (o Pai) dizer ao 'seu Senhor' (o Filho) para se assentar a sua mão direita e aguardar um período de tempo determinado: até que os seus inimigos fossem postos por escabelos dos seus pés.

 

Agora, estamos de posse de alguns elementos que nos auxiliarão na interpretação do Salmo 23.

 

 

"O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará"

 

Levando-se em conta o Salmo 110, de qual Senhor o salmista declarou: "O Senhor é o meu pastor..." ?( Sl 23:1 ). Do Pai ou do Filho?

 

No Salmo 110, Davi `em espírito' chamou o Filho de `meu Senhor', e no Salmo 23 ele aponta para o seu (meu) Senhor, o Pastor.

 

"O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará" ( Sl 23:1 );

"DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés" ( Sl 110:1 ).

Vemos na plenitude dos tempos, o Senhor Jesus Cristo anunciar ser o Pastor há muito predito pelo salmista Davi, quando disse: "Eu sou o bom Pastor... " ( Jo 10:11 e Jo 10:14 ; Ef 1:10 ; Gl 4;4 ).

O Pastor do Salmo 23 é o Senhor que se assentou à destra do Altíssimo quando retornou a sua glória, conforme o que foi predito no Salmo 110 ( Jo 17:1 ).

Por que Jesus utilizou o predicativo `bom' ao identificar-se como o Pastor do Salmo 23? Porque Ele é o Verbo de Deus encarnado ( Jo 1:14 ), o Deus Altíssimo ( Is 57:15 ), o Senhor entronizado conforme prediz o Salmo 45: "O Teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a retidão e odeias a impiedade; portanto Deus, o teu Deus te ungiu com o óleo de alegria, mais do que a teus companheiros" ( Sl 45:6 -7).

Compare:

"DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés" ( Sl 110:1 ).

"O Teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo (...); portanto Deus, o teu Deus te ungiu com o óleo de alegria, mais do que a teus companheiros" ( Sl 45:6 -7).

 

No salmo 45 Jesus é apresentado pelo salmista no reino da sua glória, o Senhor Deus que reina com justiça e equidade, do mesmo modo que foi apresentado no salmo 110 em igualdade com o Pai. O escritor aos Hebreus destaca este fato: "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino" ( Hb 1:8 ).

 

Sem sombras de dúvidas Jesus Cristo é o bom Pastor, visto que:

a)    Somente Deus é bom "Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus" ( Lc 18:19 ), e;

b)    Deus e Cristo são um "Eu e o Pai somos um" ( Jo 10:30 ), conforme o estabelecido na eternidade: "Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai,  e ele me será por Filho?" ( Hb 1:5 ). 

 

O salmo 23 através da declaração `nada me faltará' apresenta o predicativo `bom' pertinente ao Pastor. Quando lemos que `nada faltará' a `ovelha', é certo que o Pastor é bom.

Os que recebem a Cristo como Pastor em tudo têm toda suficiência, ou seja, de '... nada têm falta'! "Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem" ( Sl 34:9 ; 2Co 9:8 ).

Há os que pensam que a promessa de que `nada faltará' àqueles que têm a Cristo como Senhor lhes proporcionará farturas de bens materiais aqui neste mundo, porém enfatuados estão em suas mentes carnais.

O apóstolo Paulo explica que Deus é poderoso para fazer abundar toda graça com o objetivo de que os cristãos tenham sempre, em tudo, toda suficiência. A promessa é que os cristãos terão fartura (abundeis) em toda boa obra, e não em riquezas materiais.

Aquele que tem Cristo como Pastor (meu), é ovelha do seu aprisco "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem" ( Jo 10:27 ). Entram no aprisco do Senhor e encontraram paz e descanso para a suas almas ( Mt 11:29 ), porém, as aflições deste mundo persistem ( Jo 16:33 ).

A condição da ovelha do bom pastor é perene, visto que de nada tem falta hoje e nada há de faltar no futuro. O verbo no futuro não é uma promessa para o futuro, antes conota provisão agora e para sempre.


"Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome"

 

Jesus anunciou ser:

a)    A Porta – `Eu sou a porta' ( Jo 10:9 ) – Ou seja, Cristo é a porta das ovelhas, pela qual os homens que ouvirem a sua voz necessitam entrar para serem salvos ( Mt 7:13 );

b)    O Bom Pastor ( Sl 10:11 )- `Eu sou o bom Pastor' ( Jo 10:11 ) – Aquele que dá a sua vida em prol das ovelhas.

Aqueles que entram por Cristo, a porta estreita, são comparados a ovelhas, visto que o Pastor é quem guia pelas veredas eternas. Ora, qualquer que entra pela porta estreita que é Cristo, está num caminho estreito que o conduz a vida eterna "Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida..." ( Mt 7:14 ), e encontra descanso (deitar-me) para a alma ( Mt 11:29 ).

Ora, tanto a figura do `caminho apertado', quanto à figura do `Bom Pastor' é Cristo, duas parábolas que ilustram como se dá a salvação em Cristo, visto que:

a)     `o caminho apertado' conduz o homem a Vida, e;

b)    O Bom Pastor conduz `as ovelhas' as águas tranqüilas.

A confiança no `Bom Pastor' vem expresso na frase `nada me faltará'. Qualquer que crê em Cristo de nada tem falta e alcança o descanso prometido.

"Deitar em verdes pastos" refere-se ao descanso prometido por Cristo: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" ( Mt 11:29 ).

 

Aquele que confia em Cristo encontra descanso, conforme o escritor aos Hebreus escreveu: "Ora, nós que temos crido, entramos no descanso..." ( Hb 4:3 ). Após crer no Bom Pastor, que é Cristo Jesus, as suas 'ovelhas' descansam, pois é Ele quem guia as 'ovelhas' em segurança às águas tranqüilas (vida eterna).

Cristo é a fonte de água que jorra para a vida eterna ( Jo 4:14 ). Ele também é o pão vivo que desceu dos céus ( Jo 6:51 ). Quem crê em Cristo passa a viver especificamente da palavra que sai da boca de Deus ( Jo 6:58 )!

Para as ovelhas, os verdes pastos (pão) e a água perene (vida eterna) são suficientes para a subsistência, ou seja, de nada tem falta ( Ef 1:3 ; 1Co 1:5 ; 2Pe 1:3 ).

A confiança em Cristo como pastor proporciona aos seus seguidores descanso, segurança e refrigério. Tal condição é descrita pelo apóstolo Paulo como `estar assentado' em Cristo Jesus nas regiões celestiais ( Ef 1:3 ).

Jesus, o Bom Pastor, é o caminho de Justiça que conduz os homens a Deus "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" ( Jo 14:6 ). Somente trilham o novo e vivo caminho aqueles que são nascidos da água (palavra) e do Espírito (Deus) ( Hb 10:20 ).

O salmista Davi enumerou através do Salmo 23 algumas das características da salvação de Deus em Cristo: Descanso (deitar-me); segurança (guia-me) e refrigério (águas tranqüilas) ( Sl 23:2 -3).

Em Cristo o homem está seguro, pois tudo Ele fará pelo amor do seu nome "Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder" ( Sl 106:8 ).

A salvação não é proveniente de méritos ou sentimentos próprios aos homens, antes a salvação decorre do poder de Deus, que salva o homem segundo o seu beneplácito ( Ef 1:9 ). A salvação é proveniente da fé (evangelho) que produz no homem confiança (fé) ( Rm 1:17 ).

 

"Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo"

Mesmo que seja necessário andar `pelo vale da sombra da morte', a segurança daqueles que confiam em Cristo, o Bom Pastor, não se abala. Por quê? A resposta decorre da fidelidade de Deus, pois Ele prometeu estar com os que confiam todos os dias ( Mt 28:20 ).

A confiança do Cristão vem expressa na frase `... porque tu estais comigo'. Qualquer que está em Cristo lança fora o medo, pois "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor" ( 1Jo 4:18 ).

Qualquer que teme é porque não conhece a largura, a profundidade, a altura e o comprimento do amor de Deus ( Ef 3:17 ). Desconhece que Cristo habita pela fé no coração dos que lançam fora o medo proveniente da servidão ao pecado ( Jo 14:23 ; Hb 10:19 ).

O medo é pertinente aos que estão sujeitos a servidão ( Hb 2:15 ), pois todos que tem o `Bom Pastor' como Senhor foram transportados das trevas para o reino do Filho do amor de Deus ( Cl 1:13 ).  

Todos quantos tem o Senhor Jesus como Pastor desceram as regiões da morte quando foram crucificados e sepultados com Cristo ( Rm 6:6 ), porém, ressurgiram vitoriosos em Cristo, sendo criados de novo em verdadeira justiça e santidade.

O bordão e o cajado do Pastor constituem-se em amparo para os que nele confiam. O bordão é uma vara curta e o cajado uma vara longa com um gancho numa das extremidades. Este serve para trazer a ovelha para junto do pastor e aquela para guiá-la.

As palavras do Pastor, a verdade do evangelho, desempenham a função da vara e do cajado: guia, correção e consolo ( Jo 10:4 ; João 5 :24 ).

 

"a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda"

É o Senhor quem peleja em favor daqueles que crêem no bom Pastor ( Ex 14:14 ). Quantos inimigos o Senhor Jesus derrotou na sua morte? O mundo, a carne, o pecado, satanás e as potestades!

Diante dos inimigos é necessário a ovelha ser participante da mesa do Senhor! E pelo Senhor os cristãos são mais que vencedores ( Rm 8:37 ), porém, necessitam participar da mesa preparada para que possam se fortalecer no Senhor  e na força do seu poder ( Ef :10 ).

Qual o poder de Deus? Ora, o evangelho é o poder de Deus, para todo que crê "E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder" ( Ef 1:19 ; Rm 1:16 ; Jo 1:12 ; 1Co 1:24 ).

A mesa preparada (banquete) na presença dos inimigos equivale à figura da vara e do cajado que consolam. Como o Pastor guia as ovelhas às águas? Como conduz por veredas de justiça? Através do bordão e do cajado.

O escritor aos Hebreus alerta que Deus falou de muitas maneiras (até mesmo pelo Filho), portanto, o Cristão deve atentar para o que já foi anunciado, para que não se desvie ( Hb 1:1 e Hb 2:1 ).

Qualquer que ouve a palavra do Senhor alimenta-se do que é bom. Torna-se participante do banquete (mesa) do Senhor ( Hb 4:2 ; Is :2 -3). Por que o banquete é na presença dos inimigos? Por que não temos que lutar contra carne e sangue, antes contras os principados, contra as potestades, contras os poderes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da maldade nos lugares celestiais.

Ora, as ovelhas descansam nos prados verdejantes, que é o banquete preparado pelo Pastor. E é neste lugar maravilhoso em que as ovelhas descansam que permanecem na presença dos inimigos, pois o adversário fica ao derredor "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar"  ( 1Pe 5:8 ).

E onde se dá a batalha do Cristão? Nas regiões celestiais, ou seja, em pastos verdejantes! Enquanto participa da mesa do Senhor (assentado nas regiões celestiais) o cristão luta contra os inimigos (nas regiões celestes). A luta se dá onde o cristão está assentado, repousando ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 e Ef 6:12)!

E qual o teor da batalha? É estar revestido da armadura de Deus (participando da mesa) que é a verdade do evangelho ( Ef 6:13 ), para que possa lutar pela fé que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ; Fl 1:27 )   

A unção com óleo era uma prática comum na palestina, e neste caso demonstra que a `ovelha' é convidada do `Pastor'. A unção (eleição, escolha) do Senhor permanece sobre os que recebem a Cristo por Pastor.

Assim como o cálice `transborda', significa que aqueles que se alimenta da carne e do sangue de Cristo estão plenos d'Ele "Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça" ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).

 

"Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias"

As ovelhas do rebanho do Senhor estarão protegidas todos os dias pela bondade e pela misericórdia do Bom Pastor.

A Bondade e a Misericórdia estão com as ovelhas do aprisco do Senhor, ou seja, Ele permanecerá com elas. Se algo `segue' todos os dias da vida é porque está junto, unido.

É por isso que o escritor aos Hebreus diz: "Seguia a paz com todos, e a santificação, sem a santificação ninguém verá o Senhor" ( Hb 12:16 ). Muitos pensam que é necessário o cristão aplicar-se a seguir a Cristo, porém, o Salmo demonstra que a bondade e a misericórdia é que seguirá as ovelhas do Senhor.

Ora, seguir a santificação é o mesmo que seguir a justiça, a fé, o amor e a paz ( 2Tm 2:22 ). Observe que devemos seguir a Cristo, a nossa santificação ( 1Co 1:30 ), juntamente com todos que invocam ao Senhor.

Como seguir a santificação? Ora, basta crer em Cristo que o homem adquire um novo coração puro ( Sl 51:10 ), onde Deus, que é Bondade e Misericórdia, habita ( Is 51:17 ; Is 57:15 ). 

As "ovelhas" habitarão para sempre com o Bom Pastor, pois são templo e morada do Espírito ( Jo 14:3 ).

Observe que a santificação não é progressiva pelo fato de o cristão seguir a santificação, visto que também seria progressiva a justiça, a fé, o amor e a paz ( 2Tm 2:22 ).

Ora, se o cristão deve seguir a paz juntamente com todos que invocam a Cristo como Senhor, é certo que seguirá a santificação, a fé, o amor, a misericórdia a benignidade, a justiça, etc.  

 

Claudio Crispim

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#26 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Seg, 17 de Ago de 2009 1:04 am
Assunto: O Corpo de Cristo
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O Corpo de Cristo

 

Cada cristão constitui o corpo de Cristo, ou melhor, o corpo de Cristo é constituído de pessoas que professam a Cristo segundo as Escrituras.

Quando Jesus partiu o pão, disse: "Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim" ( 1Co 11:24 ), ou seja, demonstrou por meio do pão que o seu corpo seria repartido entre os seus seguidores. Assim como cada discípulo estava com um pedaço do pão que fora partido, cada um deles em particular constituiria o corpo de Cristo.

O pão que foi partido por Cristo simbolizava o seu corpo, e todos que se alimentam de Cristo viverá por Ele, tornando-se o seu corpo ( Gl 2:20 ; Jo 6:57 ). Assim como cada pedaço do pão que estava nas mãos dos discípulos fazia parte do mesmo pão, cada um daqueles que crêem em Cristo faz parte do mesmo corpo. Cada um que tomar e comer da sua carne, constitui o seu corpo ( Jo 6:51 ; Jo 6:53 ).

É um erro entender que Jesus estava indicando o sacrifício do seu corpo quando disse: "isto é o meu corpo que é partido (entregue) por vós" ( 1Co 11:24 ), pois, neste evento Jesus estava tratando especificamente da constituição do seu corpo, como se organizaria a sua igreja. O corpo de Cristo seria cada um dos seus discípulos, ou seja.  

           

Para fazer parte do corpo de Cristo é necessário comer da sua carne e beber do seu sangue. Como comer e beber de Cristo? Ora, qualquer que ouve e aprende de Deus come e bebe de Cristo (compare Jo 6:45 com Jo 6:51 e Is 55:2 e 3).

Todo aquele que ouviu e aprendeu de Deus ( Is 54:13 ), come e bebe o que é bom ( Is 55:3 ; Jo 6:45 ).

Com base no que Jesus anunciou na noite que partiu o pão ( 1Co 11:24 ), o apóstolo Paulo declarou: "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" ( 1Co 10:17 ).

 

O apóstolo demonstra que há muitos cristãos "Porque nós, sendo muitos...", porém, todos são `um só pão e um só corpo'. Por que um só pão e um só corpo? Porque ao crer na `mensagem do evangelho' todos os cristãos tornaram-se participantes do mesmo `pão'.

 

Ora, ser `participante do pão' não é o mesmo que `participar do pão e do beber do cálice anunciando a morte do Senhor'.  Ser participante do pão é comer da carne e beber do sangue de Cristo, ou seja, crer na mensagem do evangelho ( Jo 6:35 ).

 

Ora, é impossível ser participante do pão (corpo de Cristo) indignamente, porém, é possível `anunciar a morte do Senhor' indignamente ( 1Co 11:26 com 1Co 11:29 ).

 

Conclui-se que cada cristão é o corpo de Cristo, ou seja, individualmente cada cristão é membro deste corpo ( 1Co 12:27 ). Por quê? Por que cada cristão foi batizado em um só Espírito, formando um só corpo: judeus, gregos, servos e livres. Todos beberam de um só Espírito ( 1Co 12:13 ).

 

Quando foram batizados e beberam de um só Espírito? Quando creram em Cristo segundo as Escrituras.

 

Como corpo de Cristo, cada cristão deve compreender que é superior as ordenanças (representação): cerimonial da ceia ou do batismo em águas.

 

Com relação a ceia do Senhor, cada cristãos deve ter em mente que, individualmente é membro do corpo de Cristo, porque é o pão, o corpo de Cristo ( 1Co 10:17 ). Cônscio desta verdade, o apóstolo Paulo argumenta: "Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo?" ( 1Co 10:16 ).

 

Cada cristão deve compreender que o cálice da ceia distribuído nas reuniões solenes é abençoado por aqueles em comunhão do sangue de Cristo. O cálice de bênção é abençoado pelos cristãos, ou seja, o cálice somente representa o que se efetivou na vida dos cristãos.

 

O pão repartido na ceia representa a comunhão que os cristãos possuem com Cristo. O cálice e o pão foram constituídos em memória de Cristo, porém, cada cristão é uma memória viva daquilo que Deus realizou. Os cristãos são superiores aos cerimoniais instituídos por Cristo, pois Cristo é a cabeça da igreja ( Ef 5:23 ).

 

Há um só corpo e um só Espírito, e todos que creram tornaram-se participantes deste corpo ( Ef 4:4 ). Há um só Senhor, uma só fé (evangelho) e um só batismo ( Ef 4:5 ). De que batismo Paulo faz referência aos cristãos em Éfeso? Batismo em águas? Não! Ele aponta para o batismo na morte de Cristo, quando o homem torna-se o pão e o corpo ( Rm 6:4 ; 1Co 10:17 ).

 

Há um só evangelho (fé), da mesma forma que há um só batismo, ou seja, um só batismo na morte, pois todos que morreram com Cristo ressurgiram para uma viva esperança ( Cl 2:12 ). Ora, se alguém já ressuscitou com Cristo, jamais será batizado na morte de Cristo outra vez, porque foi batizado em um só corpo "...todos nós somos batizados em um corpo..." ( 1Co 12:13 ; Ef 4:5 ).

 

Por não compreender a extensão do que é ser o corpo de Cristo, muitos acreditam que as ordenanças do batismo e da ceia do Senhor são sagradas.  Ora, o que é sagrado é o corpo de Cristo, pois assim demonstrou o apóstolo Paulo: "... pois o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado ( 1Co 3:17 ).

 

Assim como o sábado da Antiga Aliança, as ordenanças da Nova Aliança foram estabelecidas por Cristo em função dos cristãos, e não os cristãos em função das ordenanças ( Mc 2:27 ). A ceia foi instituída em memória de Cristo, pois todas as vezes que beber e comer em memória de Cristo, os cristãos anunciam a morte de Cristo.

 

A realização das ordenanças não transmite bênçãos ou concede graça. Nada há de miraculoso ou misterioso. Porém, algumas instituições acabam por `institucionalizar' as ordenanças de Cristo, conferindo valor diverso daquele que Cristo deixou.

 

Transformar as ordenanças de Cristo em praticas ritualísticas e formalistas é distorcer a idéia bíblica. Crer que o batismo cristão é a imersão ou aspersão de água não é o mesmo que crer que o cristão é batizado na morte de Cristo quando crê na mensagem do evangelho ( Cl 2:12 ; Rm 6:4 ).

 

Todos os cristãos devem estar esclarecidos que ingressaram no corpo de Cristo quando creram na mensagem do evangelho. Quando creram foram batizados ( 1Co 12:13 ), e tornaram-se um só pão e um só corpo ( 1Co 10:17 ), pois beberam do sangue e comeram do corpo de Cristo ( Jo 6:56 ).

 

Quando come a carne e bebe o sangue de Cristo, o cristão é sepultado com Ele, ou seja, é batizado na morte de Cristo, e, depois, é submetido ao batismo em águas.

 

Primeiro o cristão come da carne e bebe do sangue de Cristo, e, depois anuncia a morte do Senhor através da ceia. Evidenciar a verdade do evangelho é essencial aos cristãos para que não sejam levados pela astucia de homens que induzem ao erro ( Ef 4:14 ).

 

Claudio Crispim

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#25 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Seg, 27 de Jul de 2009 4:29 pm
Assunto: A Incredulidade
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A Incredulidade

"Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos" ( Ex 19:5 )

Após Moisés, o servo fiel em toda a casa de Deus ( Hb 3:5 ), expor ao povo as palavras que Deus lhe havia anunciado "Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos" ( Ex 19:5 ), todo o povo a uma só voz respondeu: "Tudo o que o Senhor falou, faremos" ( Ex 19:8 ).

A unanimidade do povo ao dizer: `Tudo que o Senhor falou, faremos', demonstra espontaneidade, voluntariedade e disposição quanto a prestar um serviço a Deus.

A resposta dada pelo povo ao profeta Moisés ecoou ao longo dos séculos, e novamente foi repetida na presença do Messias, que como Filho sobre sua própria casa, foi fiel ao que O constituiu ( Hb 3:2 ): "Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?" ( Jo 6:28 ).

 

Há um paralelo sem precedentes entre Moisés com o povo no deserto, e Jesus com o povo de Israel sob o domínio dos Romanos. Ambos, servos de Deus, aquele como servo e este como Filho ( Hb 3:2 -6).

 

Este paralelo demonstra que Israel, como povo de Deus, em todos os tempos nunca confiou em Deus. Apesar de serem voluntariosos e dispostos a prestar serviço a Deus ( Rm 10:2 ), sempre desprezaram os seus servos, e por último, lançaram mão do Filho ( Mt 21:37- 39).

 

Recapitulemos alguns momentos históricos:

 

Logo após a travessia do mar vermelho, ao chegar em Mara, o povo de Israel murmurou contra Moisés, dizendo: "Que haveremos de beber?" ( Ex 15:25 ). Por causa da murmuração do povo, Deus lhes deu estatutos e ordenanças com o objetivo de prová-los ( Ex 15:25 ).

 

Pouco tempo depois, no deserto de Sim, o povo novamente murmurou contra Moisés e Arão ( Ex 16:2 ), e Deus fez `chover' carne e pão dos céus para prová-los, se seguiam a sua lei ou não ( Ex 16:4 ; Dt 8:2 ).

 

A ordenança do Senhor não era difícil de realizar, pois bastava o povo crer na palavra do Senhor, atendo-se a colher uma porção do maná para cada dia, porém, não deram ouvidos a Moisés ( Ex 16:20 ).

O povo no deserto viu e comeu o pão que Deus deu a comer, porém, não deu ouvidos à palavra de Deus, o verdadeiro pão que dá vida aos homens, e foram reprovados.  A vida é proveniente da palavra de Deus ( Dt 8:3 ), ou seja, não deriva dos sentidos (ver) ou da satisfação das necessidades física do homem (comer)( Ex 16:28 ). Por não confiarem em Deus, logo a seguir, tentaram ao Senhor em Redifim dizendo: "Está o Senhor no meio de nós, ou não?" ( Ex 17:7 ).

 

Quando o povo chegou ao monte Sinai, Deus lhes disse: "Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos" ( Ex 19:5 ). O povo foi novamente instruído a ouvir a voz de Deus.

 

Naquele momento (agora) Deus estava estabelecendo uma aliança com base na Sua fidelidade, tendo como exigência somente o ouvir diligentemente à voz de Deus, ou seja, bastava confiar (ouvir), porém, o povo queria realizar algo ( Ex 19:8 ).

 

Em seguida Deus anunciou a Moisés que viria em uma nuvem expessa para que o povo ouvisse quando Ele falasse com Moisés, para que cressem também em Moisés ( Ex 19:9 ). Entretanto, quando Moisés levou o povo para fora do arraial e Deus começou a falar, o povo temeu e fugiu ( Ex 20:18 ).

 

Apesar da voluntariedade e espontaneidade, o povo não atendeu a ordem divina: "Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz..." ( Ex 19:5 ), rejeitaram a voz de Deus "Fala tu conosco, e ouviremos. Mas não fale Deus conosco..." ( Ex 20:19 ), pois não confiavam em Deus que firmou a aliança "...para que não morramos" ( Ex 20:19 ; Ex 19:5 ).

 

Não foi diferente à época de Cristo, pois o povo lia os escritos de Moisés, mas não criam em Deus ( Jo 5:46 -47).

 

À semelhança dos milagres realizados no Egito para libertação do povo de Israel, Jesus operou muitos sinais miraculosos visando a libertação espiritual do povo.

 

Jesus atravessou o mar da Galiléia, e grande multidão O seguia por causa dos milagres ( Jo 6:1 ). Ao ver a grande multidão que se aproximava, Jesus tinha um plano, porém, perguntou a Filipe: "Onde compraremos pão para toda essa gente?" ( Jo 6:5 ).

 

Em seguida houve a multiplicação dos pães e peixes, e a multidão comeu carne e pão até estarem saciados, de modo semelhante ao povo que comeu carne e maná (pão) no deserto. Após o milagre foi recolhido doze cestos de pães que sobejaram ( Jo 6:13 ).

 

A multidão viu o milagre realizado por Jesus e disseram: "Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo" ( Jo 6:14 ). Ora, para o homem, um profeta verdadeiro é aquele que se ocupa das mazelas sócio-econômicas do povo. Se comer carne e pão a se fartar, a multidão procura fazer do profeta rei, porém, quando o profeta transmite a palavra de Deus, rejeitam-no.

 

Quando a multidão encontrou Jesus do outro lado do mar, ele alertou: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará..." ( Jo 6:27 ).

 

Diante da oferta de comida (vinho e leite) sem dinheiro e sem preço que o Filho do homem fez ( Is 55:1 ), o povo fez a pergunta emblemática: "Que faremos para executar as obras de Deus?" ( Jo 6:28 ). E Jesus respondeu: "A obra de Deus é esta: crede naquele que Ele enviou" ( Jo 6:29 ).

 

Deus enviou o seu servo Moisés para que cressem e não creram. Enviou muitos outros profetas e continuaram não crendo. Por último, Deus enviou o Filho, e o povo permaneceu firme na incredulidade, não se demoveu de suas convicções: "Tudo que o Senhor falou, faremos" ( Jo 6:28 ; Ex 19:8 ), e permaneceram longe do Senhor, por não ouvirem a Sua voz "O povo permaneceu de pé de longe, enquanto Moisés se chegou às densas trevas, onde Deus estava" ( Ex 20:21 ).

 

Quando Jesus anunciou que a obra que Deus tem a realizar se vincula à sua Palavra, a multidão, como o povo em Redifim, tentaram a Cristo dizendo: "Que sinais miraculosos, pois, fazes tu, para que vejamos e creiamos em ti? Que farás? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu" ( Jo 6:30 -31).

 

O sinal miraculoso da multiplicação dos pães, que o povo viu e comeu, ficou no esquecimento. Com base em suas necessidades pessoais, tentaram a Cristo "Está o Senhor no meio de nós, ou não?" ( Ex 17:7 ). Ver sinais miraculosos, comer carne e pão, ou beber água que sai da rocha em pleno deserto, não traz fé aos homens.

 

Enquanto buscavam saciedade, Jesus se apresentou como sendo o pão da vida. Jesus anunciou que, qualquer que vem (crê) até Ele, jamais terá fome ou sede. Qualquer que ficar de longe, mesmo que prestando serviço voluntariamente, e não der ouvido à palavra anunciada, não terá vida em si mesmo ( Jo 6:53 ).

 

O povo não queria ouvir a palavra de Deus junto ao monte Sinai, e não deram ouvido ao que Cristo anunciava, porém, desejava ver sinais miraculosos como condição essencial para crerem.

 

Deus providenciou o Verbo encarnado porque o povo exigia `ver'. Deus providenciou a Pedra Angular, o que é muito mais maravilhoso do que qualquer sinal miraculoso, e mesmo assim rejeitaram-no "Isto foi feito pelo Senhor e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?"  ( Mc 12:11 ; Sl 118:23 ).

 

Deus alertou para que o povo O ouvisse diligentemente, porém o povo exigia ver e queria fazer. A voluntariedade do povo em prestar serviço fez com que se afastasse do Deus vivo ( Ex 19:8 ; Ex  20:18 ; Hb 3:12 ). O povo foi convidado a confiar (ouvir) no cuidado de Deus, o garantidor da aliança, mas pensaram que o `favor' de Deus era a paga pelas suas realizações. Erraram em seus corações e não conheceram o caminho de Deus ( Hb 3:10 ).

 

Por que Deus concitou o povo no deserto a ouvir? Porque a fé (confiança) e a vida (ouvir) vêm pela palavra de Deus "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" ( Rm 10:17 ). Só ouve a palavra de Deus aquele que tem vida, vida que é concedida através da palavra de Deus ( Dt 8:3 ).

 

Jesus, por sua vez, convidou o povo a comer da sua carne e a beber do seu sangue, para que alcançassem vida "Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos" ( Jo 6:53 ). Ora, a carne e o sangue de Cristo é verdadeiramente comida, e por isso ele concitou os seus ouvintes a trabalhar pela comida que permanece para a vida, ou seja, que cressem em seu nome ( Jo 6:27 ).

 

Em todos os tempos Deus nunca desistiu da humanidade, visto que a mensagem é a mesma em todos os tempos:  "Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz..." ( Ex 19:5 ); "Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom (...) Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim, ouvi, e a vossa alma viverá" ( IS 55:2 -3 ; Jo 6:63 e Hb 2:1 ).

 

Ora, `nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus' ( Mt 4:4 ), porque as palavras ditas por Cristo `... são espírito e vida' ( Jo 6:63 ).

 

Por que confiar? Porque a palavra de Deus não volta vazia. É a palavra de Deus que realiza tudo o que é aprazível a Deus ( Is 55:11 ). Basta somente o homem comprar sem dinheiro e sem preço, ou seja, ouvir, que receberá as firmes beneficências prometidas a Davi, conforme a aliança que ele estabeleceu ( Is 55:3 ).

 

Certa feita Jesus foi abordado por um homem de posição, e ao ouvi-lo dizer que fazia todas as coisas pertinentes à lei desde a sua mocidade, recebeu o seguinte alerta: "Ainda te falta uma coisa" ( Lc18:22 ). O alerta de Jesus foi motivado pela convicção do homem "Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. Quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: `Ainda te falta uma coisa'" ( Lc 18:21 -22).

 

A fala do homem de posição reproduziu o mesmo pensamento do povo no deserto que pereceu e não entrou no descanso prometido por Deus ( Hb 3:17 )! Tanto o povo do deserto quanto o homem de posição estavam confiados em suas próprias realizações. Ele estava seguro de que realizava o necessário para ter direito a vida eterna.

 

Este também era o entendimento dos escribas e fariseus, visto que sabiam os mandamentos de cor, não matavam, não roubavam, não adulteravam, não diziam falso testemunho, honravam pai e mãe, etc ( Lc 18:11 compare Lc 18:20 -21), porém, faltava a todos uma única coisa: comprar sem dinheiro e sem preço, vinho e leite, ou seja: ouvir atentamente ( Is 55:1 ).

 

Por descenderem da carne de Abraão, os fariseus estavam confiados na sua carne, ou seja, faziam dela a sua força ( Jr 17:5 ; Fl 3:4 ). Honravam a Deus com os lábios, mas o coração apartava-se do Senhor ( Jr 17:5 ; Is 29:13 ). O temor deles consiste em mandamentos de homens, pois não deram ouvido à palavra do Senhor "E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim" ( Jr 32:40 ).

 

Na palavra de Deus (temor) há fidelidade perpétua, pois Ele estabeleceu uma aliança eterna "No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos" ( Pr 14:26). Mas, qualquer que não ouve a sua palavra, em vez de se refugiar, se lança da presença de Deus (Ex 20:18 ). 

 

Deus falou ao povo de Israel através de profetas, mas nestes últimos dias falou ao seu povo através do Filho ( Hb 1:1 ). A proposta é a mesma que foi apresentada no deserto: que o homem atente diligentemente para as coisas que já foram anunciadas ( Hb 2:1 ; Ex 19:5 ).

 

O alerta do Espírito Santo é para que o homem ouça a sua voz ( Hb 3:7 ), para que possa ter acesso ao descanso prometido ( Hb 3:11 ; Sl 95:11 ). Sendo certo que, todos que crêem entram no descanso prometido, tal qual foi anunciado pelo Senhor ( Hb 4:3 ).

 

Aquele que confia na palavra de Deus entra para o repouso do Senhor, e assim como o Senhor, descansa de suas obras ( Hb 4:10 ). Passa a assentar (descanso) nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 2:6 ).

Enquanto os sacerdotes da antiga aliança não podiam assentar no tabernáculo porque o povo não quis ouvir a palavra de Deus, os sacerdotes da nova aliança estão descansados, pois estão assentados nas regiões celestiais em Cristo ( 1Pe 2:5 ). 

 

Mas, qualquer que queira fazer alguma obra, não confia em Deus, que trabalha para aqueles que nele esperam "SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras" ( Is 26:12 ; Is 64:4 ).  A paz e o descanso prometido decorrem das obras que Deus realiza-nos que crêem.

 

Como o povo de Israel recuou no monte Sinai e se pôs ao longe para não ouvir a palavra do Senhor, o escritor aos Hebreus concita aos cristãos a se achegarem com confiança diante do trono da graça ( Hb 4:16 ).

 

Ora, o povo no deserto rejeitou ouvir a palavra de Deus, por isso ela foi impressa na pedra. Por não confiarem em Deus, a palavra de Deus que é viva e eficaz, rocha para quem confia, tornou-se pedra de tropeço para o povo de Israel ( Rm 9:33 ).

 

A promessa de Deus é de salvação a todos que crêem. A única coisa que faz o homem afastar-se de Deus é o coração perverso herdado de Adão ( Hb 3:12 ).  O coração é perverso por causa da ofensa de Adão, e nomeado incrédulo, por não se aproximar do Deus vivo ( Ef 4:18 ). Ao ouvir a mensagem do evangelho a ignorância é desfeita ( Ef 4:21 ).

 

Qualquer que crê que, por intermédio de sua palavra Deus cria (Bara) um novo coração e renova o espírito do homem, certamente entrou para o descanso do Senhor ( Sl 51:10 ).

 

No deserto, por meio da sua palavra, Deus daria ao povo um novo coração e um novo espírito, porém, por não darem ouvido à palavra (incredulidade), Deus imprimiu a sua palavra em uma pedra ( 2Co 3:3 ). Bastava o povo ouvir à voz de Deus, que Ele imprimiria sua Palavra em seus corações. Mas, como o povo não ouviu, Deus imprimiu sua palavra nas tabuas de pedra.

 

É necessário àquele que deseja a vida conscientizar-se de que as boas ou as más ações não mudam a condição do homem diante de Deus. Em Adão todos pecaram, e não há diferença diante de Deus entre os pecadores: o melhor é um espinho, e o mais reto é uma sebe de espinhos! ( Mq 7:4 ).

 

Quando o homem compreende que é impossível salvar-se por meio de suas ações, e refugia-se na palavra de Deus, então Deus realiza a sua obra ( Jo 6:29 ). Para que Deus realize a sua obra no homem, basta dar ouvido à palavra, que é espírito e vida ( Jo 6:63 ; 1Co 2:4 ). A obra que Deus realiza naqueles que ouvem a sua palavra (treme) é fazê-los nova criatura, o que torna as suas obras aceitáveis diante d'Ele "Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra" ( Is 66:2 ).

 

Após anunciar no Sermão da Montanha que os pobres de espírito são bem-aventurados, Jesus concluiu o sermão dizendo: "Portanto todo aquele que ouve estas palavras e as pratica, será semelhante ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha" ( Mt 7:24 ; 1Co 10:4 ; Rm 9:32 ; At 4:11 ; Dn 2:45 e Ex 20:25 ).

 

Ou seja, o Sermão da Montanha deriva da mensagem anunciada por Deus através de Isaias. O pobre de espírito é bem-aventurado porque ouve a palavra de Deus ( Mt 5:3 ; Mt 7:24 e Is 66:2 ), porque come (treme) o que é bom ( Is 55:2 ).

 

Quem ouve e pratica as palavras de Cristo é comparável ao homem prudente que edifica sua casa sobre a rocha. Quem ouve e pratica vê que quem edificou todas as coisas é Deus ( Hb 3:4 ). É prudente pois sabe que está sobre edificado na pedra angular ( Ef 2:20 ), como pedras vivas ( 1Pe 2:5 ).

 

Após crer na mensagem do evangelho, basta conservar firme a confiança e a glória da esperança ( Hb 3:6 ; Hb 3:14 ). O temor (palavra) do Senhor deve estar no coração ( Hb 4:1 ), pois as boas novas também foi anunciado ao povo de Israel no deserto, mas foram incrédulos ( Hb 4:2 ).

 

E o que propõe um coração incrédulo? Propõe fazer tudo o que o Senhor ordena ( Ex 19:8 ), porém, o que é agradável a Deus não fazem: ouvir (temer, crer) a palavra de Deus ( Is 66:4 ; Jr 32:40 ). Escolhem os seus próprios caminhos porque tremem de medo e rejeitam o Senhor ( Ex 20:18 ; Is 66:3 ).

 

Claudio Crispim

 

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#24 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Qui, 23 de Jul de 2009 2:14 am
Assunto: Como exceder a Justiça dos Escribas e Fariseus?
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Como exceder a Justiça dos Escribas e Fariseus?

 

"Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" ( Mt 5:20 )

 

Diante de uma multidão sequiosa de milagres e pão, Jesus alertou: "... se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" ( Mt 5:20 ).

Para compreender a declaração de Jesus, precisamos nos socorrer de outra declaração do Mestre por excelência feita a um fariseu: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" ( Jo 3:3 ).

Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade" (Mateus 23: 28).

Em nossos dias a palavra fariseu é utilizada de modo pejorativo, sinônimo de hipocrisia, mas à época de Cristo nomeava um grupo específico de seguidores do judaísmo.

O farisaísmo era uma das mais severas seitas do judaísmo e seus seguidores lideravam um movimento para trazer o povo a `submeter-se' à lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas, formalistas e tradicionalistas.

O que há em comum entre as declarações que Jesus fez a Nicodemos, um fariseu, e à multidão que ouviu o Sermão do Monte, que pouco entendia da lei?

As declarações de Jesus demonstram que, tanto a multidão julgada como maldita pelos fariseus quanto os próprios fariseus não podiam entrar no reino dos céus.

·         "...se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" ( Mt 5:20 ).

·         "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" ( Jo 3:3 ).

A impossibilidade de o homem se salvar é destacada nos dois versos, sendo algo comum ao mestre, juiz e fariseu Nicodemos, e à multidão que estava ao pé do monte ( Jo 3:10 ; Jo 7:49 ). Em ambas as declarações, Jesus demonstra que não importa a condição social, econômica ou cultural: está vetado a entrada do homem no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:5 ).

Ao revelar que Nicodemos precisava nascer de novo, Jesus demonstrou que a justiça do juiz, mestre e fariseu estava aquém da justiça exigida por Deus. Nicodemos precisava obter justiça superior, assim como os outros fariseus e a multidão.

Ora, como seguidor da lei, Nicodemos não matava ( Mt 5:21 ), não roubava, não dizia falso testemunho ( Jo 3:11), não adulterava ( Mt 5:27 ), se necessário daria a carta de divórcio ( Mt 5:31 ), não perjurava ( Mt 5:33 ), amava o próximo ( Mt 5:43 ), ou seja, fazia tudo aquilo que os Antigos ensinaram.

Do mesmo modo que Nicodemos, a multidão tinha como meta fazer tudo conforme os seus mestres ensinavam, mas Jesus demonstrou que, mesmo que fizessem conforme os escribas e fariseus ensinavam, jamais entrariam no reino dos céus.

Jesus demonstrou no Sermão do Monte que é impossível ao homem salvar-se através das suas obras. Ora, quem dentre o povo nunca ficou nervoso com o irmão? Quem nunca chamou o próximo de tolo ( Mt 5:22 )? Como controlar os impulsos do corpo e os anseios do coração e dos pensamentos ( Mt 5:28 )? Quem consegue arrancar um braço, ou um olho? Quem consegue amar o inimigo? ( Mt 5:44 ), etc.

Através do Sermão da Montanha Jesus demonstrou que tudo que o povo de Israel fazia não era superior ao que os outros povos realizavam. Eles repousavam na lei, porém, os gentios também fazem naturalmente as mesmas coisas que a lei contemplava ( Rm 2:14 ).

Diante do que Jesus propôs no Sermão da Montanha, os seus ouvintes viram a impossibilidade de se salvarem! ( Tg 2:10 ) Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus se é impossível fazer tudo quanto Jesus recomendou? Tanto a multidão quanto os escribas e fariseus precisavam alcançar justiça superior, mas qual justiça é superior a dos escribas e fariseus? Como alcançá-la.

Quando Jesus disse a Nicodemos que é necessário nascer de novo, o mestre fariseu também se viu envolto em uma impossibilidade: como poderia um homem voltar ao ventre materno e nascer? ( Jo 3:4 )

Após ter um encontro com Cristo, o apóstolo Paulo, que também foi fariseu, compreendeu que, qualquer que busque estabelecer uma justiça com base em suas ações, por mais nobres que sejam, rejeita a justiça de Deus "Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus" ( Rm 10:3 ).

 

O povo de Israel procurava servir a Deus, porém, sem entendimento ( Rm 10:2 ), e por mais que os profetas protestavam, não atinavam que estabelecer uma justiça com base em preceitos de homens é rejeitar a justiça de Deus.

 

O jovem rico é um exemplo de serviço sem entendimento, visto que desde a mocidade realizava tudo o que a lei preceituava, porém, faltava-lhe uma coisa: não tinha alcançado a justiça que excede a dos escribas e fariseus ( Mt 19:20 ).

 

O que ele fazia diante de Deus não passava de trapos de imundície. Tudo o que ele fazia não passava de obras de violência, ou seja, continuava culpado diante de Deus "Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão" ( Is 57:12 ); "As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há em suas mãos" ( Is 59:6 ).

 

O fariseu que subiu ao templo para orar é outro exemplo esclarecedor, quando em oração agradeceu a Deus por não ser como os outros homens: roubadores, adúlteros, injustos, porém, não foi justificado por Deus ( Lc 18:14 ). Ora, ele fazia tudo quanto os Antigos prescreveram, porém, não alcançou a justiça que vem do alto.

 

A justiça que excede a dos escribas e fariseus é somente a justiça que vem de Deus.

Como obter justiça maior que a dos escribas e fariseus?

Ora, se para entrar no reino dos céus é necessário nascer de novo, segue-se que, em nascer de novo está a justiça que vem de Deus. Se não nascer de novo o homem não entra no reino dos céus, portanto, para obter a justiça que exceda a dos escribas e fariseus é necessário nascer de novo.

"Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus", ou seja, "se não nascer de novo": de modo nenhum entrareis no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:3 ). Ao fariseu Nicodemos, Jesus recomendou nascer de novo, e à multidão que entrassem pela porta estreita. Ora, Cristo é a porta e o caminho que conduz à vida, e para entrar por ele é necessário nascer de novo ( Mt 7:13 ).

Jesus apontou a necessidade do novo nascimento porque o primeiro homem pecou ( Is 43:27 ). Desde a queda de Adão todos os homens são formados em iniqüidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ). Todos os homens se desviaram desde a madre. Andam errados e falam mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ). Depois que o homem piedoso pereceu (Adão), não há entre os homens um que seja reto ( Mq 7:2 ). Todos os descendentes de Adão se desviaram e não há quem faça o bem ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ), visto que, mesmo sem causa alguma transgridem ( Sl 25:3 ).

 

Mas, para nascer de novo, primeiro o pecador precisa morrer, pois Deus determinou que a alma que pecar, esta morrerá. Para estabelecer a justiça que excede a dos escribas e fariseus é necessário a morte do transgressor, visto que a pena imposta não pode passar da pessoa do transgressor ( Ez 18:20 ). Somente é justificado dentre os descendentes de Adão aquele que morre com Cristo, visto que `...aquele que está morto está justificado do pecado' ( Rm 6:7 ).

 

Somente quando o homem morre com Cristo é que se dá a justiça de Deus. Somente após o velho homem ser crucificado com Cristo, Deus trás a existência o novo homem, gerado em verdadeira justiça e santidade. Após o corpo do pecado ser desfeito ( Cl 2:11 ), e sepultado com Cristo ( Cl 2:12 ), o homem é vivificado com Cristo ( Cl 2:13 ).

 

Através de Cristo o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ez 18:31 ; Ez 36:25 -27), pois em Cristo é circuncidado para receber vida com Deus ( Dt 30:6 ; Cl 2:11 ). Deus não somente declara o homem justo, antes ele cria o novo homem segundo a sua justiça, e o novo homem é declarado justo.

 

A justiça que vem do alto é imputada por meio da fé em Cristo ( Rm 10:6 ). Ela vem do alto porque não se vincula a elementos humanos tais como comportamento, moral, caráter, sacrifícios, religiosidade, etc.

Conclui-se que  a justiça que ultrapassa a dos escribas e fariseus decorre do novo nascimento. Enquanto os fariseus e saduceus não conseguiram ser justificados por intermédio das obras da lei, aqueles que crêem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) filhos de Deus, nascidos de semente incorruptível (da água e do Espírito), que é a palavra de Deus, e declarados justos por Deus.

Os fariseus e a multidão que seguia a Cristo jamais seriam justificados por suas próprias obras, visto que em Adão já estavam condenados, e as suas obras reprováveis por não serem feitas em Deus ( Jo 3:18- 19). Já a nova criatura, é livre da condenação estabelecida em Adão porque é Deus quem os justifica, e as suas obras são aceitáveis, pois são feitas em Deus que as preparou para que andassem nelas ( Jo 3:21 : Ef 2:10 ).

Claudio Crispim

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#23 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Seg, 6 de Jul de 2009 12:07 am
Assunto: Louvor Verdadeiro
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Para entendermos a distinção que há entre adoração e louvor, verifiquemos este verso: "Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas" ( Pv 31:31 ).

Os provérbios suplementares de Lemuel apresentam uma mulher virtuosa que se dedica ao marido e aos filhos. Após apresentar as virtudes da ditosa mulher, Lemuel demonstra que todos que a cercam hão de bendizê-la ( Pv 31:28 –30), porém, a despeito do testemunho dos seus filhos e do marido, Lemuel diz que ela será recompensada pelas suas próprias realizações, e que suas obras hão de render-lhe o devido louvor ( Pv 31:31 ).

O que se depreende do texto? Depreende-se um princípio do louvor! Fica demonstrado no provérbio que as obras da mulher virtuosa lhe conferem o louvor devido. Por conseguinte, as pessoas que a cercam passam a bendizê-la em função de suas realizações. Ou seja, não podemos confundir `louvor' com `bendizer'. O louvor é intrínseco à obra realizada, tributo a quem a realizou, enquanto `bendizer' é `falar bem de'.

Do mesmo modo que `as obras' da mulher virtuosa a louvam, são `as obras' de Deus que O louvam "Todas as tuas obras te louvarão, ó SENHOR, e os teus santos te bendirão" ( Sl 145:10 ). Enquanto os santos bendizem, as obras de Deus O louvam.

 

Deste modo, entendemos a extensão das palavras do salmista quando diz: "Louvai ao SENHOR desde a terra: vós, baleias, e todos os abismos; Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua palavra; Montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros; As feras e todos os gados, répteis e aves voadoras; Reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra; Moços e moças, velhos e crianças" ( Sl 148:7 -12), pois tudo que foi elencado são obras de Deus que O louva, mesmo as obras que não possuem fôlego de vida ou voz, como se segue: "Louvem o nome do SENHOR, pois mandou, e logo foram criados" ( Sl 148:5 ).

 

Todas as obras de Deus constituem-se em louvor à sua onipotência e os seus santos bendizem ao Senhor por tudo que Ele tem realizado. Deus mandou e tudo foi criado para Seu louvor.

 

Sobre o louvor, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos em Éfeso: "Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo" ( Ef 1:12 ). Ou seja, os que creram (esperaram) em Cristo foram feitos herança e predestinados a serem filhos por adoção, e tal obra divina constitui-se louvor à Sua glória.

 

Todas as obras de Deus O louvam, visto que testemunham acerca da grandeza e do poder de Deus, porém, os que esperam em Cristo, segundo o propósito e conselho de sua vontade, louvam e glorificam especificamente à Sua graça "...segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça..." ( Ef 1:5 ).

 

Ao predestinar os que crêem para serem filhos por adoção por Jesus Cristo, Deus assim o fez para louvor e glória de sua graça ( Ef 1:5 ), ou seja, a sua própria obra é fonte do seu louvor. Do mesmo modo que os céus e a natureza constituem-se em louvor ao poder de Deus, sua fidelidade constitui-se em Seu louvor na assembléia dos santos "E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó SENHOR, a tua fidelidade também na congregação dos santos" ( Sl 89:5 ).

 

Os céus louvam as maravilhas de Deus, da mesma forma que a fidelidade de Deus O louva na assembléia dos santos, pois os santos, obras exclusiva de Deus, passaram a existir em função da fidelidade de Deus.

 

Concluímos que, o verdadeiro louvor procede da obra que Deus realiza em prol das suas criaturas, e aos seus servos cabe reconhecer, bendizer e adorá-lo.

 

Somente os mansos, aqueles que aprendem de Cristo, comerão e se fartarão de justiça ( Mt 11:29 ). Somente os que buscam ao Senhor verdadeiramente O louvam. Somente aqueles que receberam um novo coração e um novo espírito viverão eternamente ( Ez 36:26 ; Sl 51:10 ), pois todas estas obras são realizadas exclusivamente por Deus "Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao SENHOR os que o buscam; o vosso coração viverá eternamente" ( Sl 22:26 ).

 

O apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Éfeso deixou claro que, Deus faz todas as coisas conforme o conselho de sua vontade com o único objetivo: que os homens agraciados em Cristo sejam constituídos em louvor de sua glória ( Ef 1:12 ).

 

Ou seja, o verdadeiro louvor não parte do reconhecimento dos homens, antes tem origem na obra realizada por Deus. A obra realizada por Deus é que o louva, e ao reconhecer as dádivas de Deus proveniente desta obra, resta aos homens bendizerem, anunciarem e adorarem o seu Santo nome ( Sl 103:1 ; Ef 1:3 ; 1Pe 1:3 ).

 

O povo de Israel pensava que estavam louvando a Deus quando entoavam cânticos no templo ou nas suas casas, porém, o protesto de Deus para com eles dá conta que o coração deles estava longe de Deus. Por quê? Porque o temor deles consistia somente em seguir mandamentos de homens e não acataram o mandamento que diz: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz" ( Dt 10:16 ).

 

Ora, a circuncisão do prepúcio ocorria especificamente no oitavo dia após a criança nascer, isto conforme foram instruídos ( Lv 12:3 ; Jo 7:22 – 23), porém, a circuncisão que Deus exige, a circuncisão do coração, quem efetuaria? Como efetuariam? E as mulheres, como seriam circuncidadas?

 

Enquanto a circuncisão do prepúcio era quesito para ser membro da nação, a circuncisão do coração é imprescindível para que fossem participantes do Israel de Deus ( Rm 9:6 ). Somente Deus pode realizar a circuncisão do coração do homem "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas" ( Dt 30:6 ).

 

Só um coração circuncidado pelo Senhor pode amá-Lo de todo. Somente após a obra realizada por Deus, a circuncisão do coração, é que o homem e a mulher podem amar a Deus com toda a sua alma. Enquanto um coração incircunciso está morto diante de Deus, somente um coração circuncidado, obra realizável somente por Deus, vive perante Ele "E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (...) para que vivas" ( Dt 30:6 ).

 

Ora, se a circuncisão é necessária para que o homem viva, segue-se que, sem a circuncisão de Deus o homem está morto, continua na incircuncisão da carne herdada de Adão, mesmo após circuncidar o prepúcio.

 

Após ser circuncidado pelo Senhor, o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ), sendo de novo criado em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Após receber novo coração e novo espírito, o homem criado de novo passa a adorar a Deus em espírito e em verdade.

 

Em espírito porque foi gerado do Espírito Eterno, e em verdade porque foi gerado através da semente incorruptível ( 1Pe 1:23 ), que é a palavra de Deus (verdade). Desde os profetas a obra de Deus é espargir água pura sobre os homens, concedendo novo coração e novo espírito ( Ez 36:25 -27). É Deus quem executa a obra de espargir água (nascer do Espírito). Água pura é a palavra de Deus, que lava o homem completamente de sua imundície ( Jo 3:5 ).

 

A obra que Deus realiza ao criar o novo homem em Cristo constitui-se em louvor e glória da Sua graça. Aqueles que são gerados de novo, por sua vez, tornam-se verdadeiros adoradores, pois adoram em espírito e em verdade ( Jo 4:24 ). Quando o homem entoa cânticos e anunciam as obras de Deus, bendiz o santo nome de Deus ( Sl 103:1 e Sl 104:1 ). Ao ser gerado de novo, segundo o poder que Deus concede aos que crêem ( Jo 1:12 ), todo o ser da nova criatura constitui-se em louvor e glória à graça de Deus.

 

Porém, em nossos dias, há uma confusão de nomenclatura, visto que reputam como `louvor' o `bendizer' a Deus. O problema não reside no simples fato de se designar o bendizer como louvor, antes está em não abstrairmos o verdadeiro significado do louvor, quando se adota como louvor o que é produzido pelas emoções humanas através das cordas vocais e instrumentos musicais.


Claudio Crispim


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#22 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Qua, 1 de Jul de 2009 6:02 pm
Assunto: Salmo 49 – Resolva o Enigma do Oráculo
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Salmo 49 – Resolva o Enigma do Oráculo

 

 

1  OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo,

2  Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.

3  A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento.

4  Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa.

5  Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniqüidade dos que me armam ciladas?

6  Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,

7  Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele

8  (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre),

9  Para que viva para sempre, e não veja corrupção.

10  Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.

11  O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes.

12  Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem.

13  Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras. (Selá.)

14  Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles.

15  Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá. (Selá.)

16  Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece.

17  Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará.

18  Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo,

19  Irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz.

20  O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem.

 

"OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo"

A mensagem que um dos filhos de Coré deixou registrado neste salmo é inclusiva. Todos os habitantes da terra em todos os tempos necessitam ouvi-la.

Aparentemente o salmista compôs somente um cântico, porém, podemos ouvi-lo anunciando aos brados uma mensagem importantíssima à humanidade.

Mas, como fazê-la ecoar ao longo dos anos? Que recurso o salmista poderia utilizar à época para que toda a humanidade fosse informada da mensagem? A poesia aliada ao canto era o melhor recurso disponível na antiguidade para se propagar uma mensagem através dos tempos.

O salmista clama a todos os povos, ou seja, tanto judeus quanto gentios. Não há acepção de pessoas: os destinatários da mensagem são todos os moradores do mundo! ( Sl 49:1 ).

 

"Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres"

Para não restar dúvidas, o salmista deixa claro que a mensagem abrange tanto as pessoas proeminentes, quanto as sem expressão social. A condição financeira não é causa excludente: tanto ricos quanto os pobres devem ouvir e atender a mensagem ( Sl 49:2 ).

 

"A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento"

O motivo da poesia e canto não é um ode ao moralismo, ao legalismo, à consciência ou ao bom caráter, antes, o salmista se propõe a falar de uma sabedoria e de um entendimento específico ( Sl 49:3 ).

A mensagem do salmista também não se ocupa das mazelas socioculturais da humanidade. Não tem em vista a sabedoria ou o conhecimento de cunho filosófico, sociológico ou científico. Por quê? Porque as Escrituras demonstram que tal sabedoria diante da mensagem divina é destruída, aniquilada "Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes" ( 1Co 1:19 ).

Que tipo de sabedoria e entendimento o salmista propõe revelar então? A sabedoria deste mundo? Ele produziria conhecimento científico? Que tipo de entendimento? A resposta encontra-se no verso seguinte: "Ouvirei o oráculo, e revelarei o meu enigma ao som da harpa", ou seja, uma profecia.

 

 

"Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa"

 

O salmista daria ouvidos à `palavra da profecia' e haveria de revelá-la aos seus interlocutores ao som da harpa (v. 5), tudo isto conforme o que foi estipulado para o seu ministério "E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:" ( 1Cr 25:1 ).

 

A mensagem anunciada ao som da harpa, além de profética, é um grande enigma. Para compreender a grandeza da mensagem anunciada pelo salmista é necessário descobrir o significado dos seus enigmas.

 

Qual a natureza do enigma, da parábola, ou do oráculo? A palavra da profecia diz da sabedoria do alto, e não do conhecimento terreno "Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia" ( Tg 3:17 ). O salmista declarou a sabedoria que faz o homem perfeito em Deus "A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo" ( Cl 1:28 ).

 

Diante do enigma do evangelho o conhecimento humano torna-se loucura "Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?" (  1Co 1:20 ), pois a parábola anunciada ao som da harpa do salmista é Espírito e poder "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" ( 1Co 2:4 ); "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus"  ( 1Co 1:18 ).

 

O que a humanidade pede ou busca não se encontra nas Escrituras "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" ( 1Co 1:22 - 23 ); "Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria teriam?" ( Jr 8:8 -9).

 

Haveria algum motivo específico para que o salmista profetizasse acerca de si mesmo? A vida de um dos filhos de Coré seria de importância mundial? Ao menos o filho de Coré, que redigiu este salmo, fazia parte da linhagem de Cristo? O que havia neste filho de Coré que serviria de instrução para Israel e o mundo? Nada! A importância reside única e exclusivamente na profecia que o salmista anunciou ao som da harpa.

 

De quem fala o oráculo? Qual o evento posterior à profecia que é de interesse mundial? (v. 1 e 2) Por acaso não seria o advento do Messias?

 

A vida do salmista não é de interesse da humanidade, tanto que nada sabemos acerca do filho de Coré, mas o que foi profetizado por ele nos conduz a uma pessoa que é de interesse de toda a humanidade: Jesus, o Cristo de Deus.

 

Esta profecia redigida por um dos filhos de Coré e cantada ao som da harpa compõe o Livro dos Salmos, o que a torna parte das Escrituras. Portanto, ao examinar o Salmo 49, examinamos as Escrituras, e este salmo testifica do Cristo "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" ( Jo 5:39 ).

 

O salmo 49 não versa sobre a vida de um dos filhos de Coré, antes a mensagem enigmática, de importância mundial, diz de Cristo, que é sabedoria de Deus. Diz do Verbo de Deus encarnado, que todos os moradores do mundo necessitam conhecer.  

 

Observe a seguinte relação: Jesus nomeou as Escrituras de sabedoria de Deus "Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros" ( Lc 11:49 ), e, por sua vez, Cristo foi `feito' por Deus sabedoria "Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" ( 1Co 1:30 ).

 

 

"Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniqüidade dos que me armam ciladas?"

 

Inúmeras ciladas e armadilhas ao longo dos séculos foram implementadas pelos servos da iniqüidade, porém, que interesse haveria para o mundo as ciladas anunciadas por um dos filhos de Coré? De que tipo de cilada o salmista faz referência?

 

As palavras dos ímpios são ciladas "As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue..." ( Pv 12:6 ), e os lideres religiosos de Israel se encaixam na descrição do salmista, pois suas palavras eram verdadeiras ciladas. As características dos iníquos que a profecia apresenta remontam o caráter, a conduta e a intenção dos lideres da religião à época de Cristo "Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação" ( Jo 11:48 ); "Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem" ( Mt 26:3 -4).

 

Os lideres de Israel eram os interpretes das Escrituras e prezavam o cumprimento da lei, porém, no afã de preservarem seus lugares ( Jo 11:48 ), violaram a própria lei: emboscaram e derramaram sangue do Inocente ( Mt 26:4 ).

 

Além de prevaricarem em relação as suas atribuições ( Is 43:27 ), tornaram-se os agentes que implementaram o que fora predito por um dos filhos de Coré. Não observaram as Escrituras e com palavras armaram uma cilada para o Inocente: "Se disserem: Vem conosco a tocaias de sangue; embosquemos o inocente sem motivo" ( Pv 1:11 ).

 

Os lideres religiosos que tinham o dever de interpretar as Escrituras prevaricaram quanto às suas atribuições ( Pv 6:17 ; Is 59:7 ; Mt 27:4 ; Mt 27:24 ). As palavras deles eram verdadeiras ciladas para derramar sangue do Inocente, que por sua vez não temeu os dias maus "Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas" ( Jr 9:8 ; Mt 12:34 ; Lc 6:45 ).

 

O filho de Coré profetizou acerca de um tempo específico: os `dias maus', ou seja, os dias em que os lideres judeus armariam ciladas contra o Inocente para matá-Lo.

 

Os `dias maus' não apontam para os tempos em que o povo de Israel estivesse em guerra com os povos vizinhos. Não! O salmista deixa especificado que os dias maus ocorreriam quando homens iníquos armassem ciladas com palavras contra Àquele que não temeria.

 

O salmista anuncia palavras que demonstram total confiança em Deus, ou seja, total confiança no Autor do oráculo.

 

O versículo 5 do salmo 49 é ilustrado pelo salmo 59: "LIVRA-ME, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me daqueles que se levantam contra mim. Livra-me dos que praticam a iniqüidade, e salva-me dos homens sanguinários. Pois eis que põem ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por pecado meu, ó SENHOR" ( Sl 59:1 -3).

 

O Senhor Jesus não temeu os dias maus, pois ele deu ouvidos aos oráculos de Deus "E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" ( Fl 2:8 ), pois convinha que ele padecesse pelo povo "Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação" ( Jo 11:50 ; Is 53:4 ).

 

Porém, os filhos do povo (os judeus) permaneciam fiados na própria sabedoria, e não deram ouvidos à palavra do Senhor expressa nos seus oráculos "Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios, fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que falam" ( Sl 59:12 ).

 

 

"Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas"

 

Descobrimos até aqui dois enigmas:

 

a)    Que o oráculo do salmista refere-se ao Messias;

b)    Que as ciladas utilizadas pelos iníquos seriam `ciladas com palavras'.

 

O significado do terceiro enigma deve ser depreendido do verso 6.

 

Que relação há entre a `iniqüidade' e as `riquezas' dos iníquos que armariam ciladas contra o Cristo? Podemos considerar que os desprovidos de bens materiais são justos diante de Deus? Podemos considerar que possuir bens e herdades é causa de eterna perdição? Não! Se riquezas materiais fossem causa da perdição dos ricos e dos nobres, o salmista não direcionaria sua mensagem também aos pobres ( Sl 49:2 ).

 

Ora, o salmista estende o seu convite a ricos e pobres, isto porque tanto ricos quanto pobres podem ser iníquos. Tanto plebeus quanto nobres podem ser iníquos. Tanto judeus quanto gregos podem ser iníquos, pois não há sobre a face da terra homem que seja justo (pobres ou ricos, judeus ou gregos, etc.) ( Sl 14:3 ).

 

Iniqüidade refere-se especificamente à condição do homem divorciado do Criador, sem qualquer relação com a sua posição sócio-econômica ou cultural. O homem é gerado em iniqüidade e concebido em pecado ( Sl 51:5 ).

 

No que consiste confiar nas riquezas? Por que o salmista protesta contra os que se gloriam nas suas posses? Quais são as riquezas e bens que o salmista faz referência?

 

Ora, este é mais um enigma declarado pelo salmista ao som da sua harpa!

 

Para decifrá-lo, analisemos esta passagem bíblica: "Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" ( Lc 18:10 -12).

 

O cobrador de impostos é alguém necessitado (pobre) que espera ser agraciado (misericórdia) por Deus. Já o fariseu é um homem abastado (rico), ou seja, um religioso, que apesar de agradecer a Deus, confia em seus méritos, na sua moral e no seu comportamento ilibado quando se dirige a Deus em oração.

 

A atitude do publicano de ficar em pé ao longe, sem ao menos levantar os olhos ao céu batendo no peito, demonstra que ele reconhecia a sua miserável condição diante de Deus: pecador. Um pecador é alguém que carece da graça de Deus. É alguém necessitado, pobre, miserável.

 

A atitude do fariseu é de alguém abastado (rico). Ele considerava estar em uma condição privilegiada, se comparado a outros homens. Para ele os homens eram pecadores por serem roubadores, injustos e adúlteros. Ora, como o fariseu não roubava, era fiel no trato, não adulterava, não era como o publicano, jejuava e dizimava, considerava ser alguém abastado e rico.

 

O fariseu é um dos que confiavam em suas `fazendas', que se gloriava das suas `riquezas' e que não foi declarado justo por Deus. Quais riquezas ele possuía? Não roubar, não adulterar, não matar, dar o dízimo, não ser como os outros homens, etc. Não vemos na oração do fariseu ele declarando que possuía herdades e bens.

Apesar de se aplicar as boas ações, a Jesus declarou que ele não foi justificado. Por que ele não foi justificado? Porque confiava em suas virtudes, em seus méritos e na sua origem. Ele deixou de confiar em Deus, passando a considerar as suas virtudes, méritos e origem como requisitos para salvação.

 

Mais um enigma é decifrado: `riquezas' e `fazendas' referem-se aos méritos e obras dos homens. As riquezas e herdades referem-se a tudo que o homem executa e se estriba na intenção de alcançar a salvação. A salvação só é possível àqueles que confiam em Deus, do modo que fez o publicano ( Sl 62:7 ).

 

Após resolver o enigma seria possível prever as virtudes e os méritos daqueles que haveriam de armar ciladas com palavras contra o primogênito de Deus. Quem seriam os iníquos que armariam ciladas contra o primogênito de Deus? Homens que `confiam em suas posses, que se gloriam em suas riquezas', ou seja, homens que eram justos aos seus próprios olhos, pois estavam fiados em suas origens, religiosidade, méritos e virtudes "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade" ( Mt 23:28 ).

 

 

"Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre), Para que viva para sempre, e não veja corrupção"

 

Nenhum dos religiosos à época de Cristo, de modo algum, poderia remir seu irmão. Nenhum dos lideres possuía `fazenda' ou `riquezas' que pudesse dar a Deus o resgate por seus irmãos. Por que não? Porque a redenção da alma de um único homem é caríssima, ou seja, as possessões (riquezas) que os homens angariam com a força de seus braços não é suficiente para pagar o valor do resgate de uma única alma.

 

Deus conhece as obras dos homens iníquos, pois elas não são feitas n'Ele ( Is 55:2 ; Ap 3:16 ; Jo 3:20 ). Deus em todos os tempos aconselha: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas" ( Ap 3:18 ).

 

Embora os lideres judaicos falassem cada um com o seu companheiro de paz, justiça e equidade social, eram iníquos, pois não confiavam em Deus, antes confiavam em suas boas ações, no produto de suas próprias realizações (trabalho).

 

Eles pensavam ter `posses', que eram `ricos' segundo as suas realizações, que eram abastados o suficiente para adquirir salvação ( Is 55:2 ), porém, esqueceram que Deus olha o coração e vê quem são os homens que ajuntam riquezas com violência ( Jr 17:10 -11 ; Is 59:6 ; Jr 17:11 ), sem acatar a recomendação de Deus: que comprem ouro provado no fogo ( Ap 3:18 ).

 

Nenhum dos iníquos tinha condição de dar o resgate pelos seus entes, para que eles vivessem eternamente, e não mais vissem a corrupção ( Sl 49:9 ).

 

 

"Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens. O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes. Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem"

 

O salmista lembra que todos os homens podem ver que os sábios morrem (v. 10), o que confirma que ninguém pode remir o seu irmão (v. 7), para que eles não vejam a corrupção (v. 9).

 

Do ponto de vista dos homens, todos podem constatar que os sábios morrem. Do `ponto de vista' divino, perecem igualmente o louco (os homens que são sábios aos seus próprios olhos e o homem ignorante (bruto). Os homens sem entendimento, simples, brutos são iguais aos `sábios' que rejeitam a palavra de Deus: igualmente perecem "Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria, pois, têm eles?" ( Jr 8:9 ; Is 8:15 ).

 

No verso 10 há uma figura de linguagem (antítese) entre as palavras `sábios' e `loucos', pois ambas refere-se às mesmas pessoas: "Vê-se os sábios morrer, perecer o louco e o bruto, deixando seus bens a outros" (v. 10). Os homens `sábios' aos seus próprios olhos são `loucos', pois a sabedoria dos homens é loucura diante de Deus. Diante desta relação entre as palavras `sábios' e `loucos' é que se estabelece o mesmo fim para `loucos' e `brutos' "Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia" ( 1Co 3:19 ).

 

Tanto os `loucos', quanto os `brutos' deixam aos seus semelhantes os seus bens, ou seja, um legado.

 

Após apresentar a real condição dos homens iníquos (v. 5) , o salmista traz a lume o pensamento deles. Eles acreditavam "...que suas casas" seriam "perpétuas" e suas "habitações de geração em geração", ou seja, pensavam que haviam alcançado eterna salvação.

 

Casa fala de segurança: outro enigma! Pensavam que habitariam seguros perpetuamente. Consideram que herdaram (terra) o direito à salvação pelo nome (judeus) que possuem: descendentes de Abraão, Isaque e Jacó! Qual o motivo de se dar às terras os seus nomes? Para que os seus filhos fossem herdeiros. Terras falam de herdades, e nome refere-se a direito. Pelo nome que possuíam, pensavam ter direito a salvação ( Sl 49:11 ).

 

Porém, a realidade é totalmente diferente da concepção que os iníquos nutrem "Todavia..." ( Sl 49:12 ). Apesar da `riquezas' que possuem (v. 6), inexoravelmente perecerão ( Sl 1:5 ). Na bíblia a palavra `perecer' refere-se a existência alienada de Deus.

 

Eterna perdição é o destino do caminho daqueles que confiam em si mesmos, ou seja, que confiam em suas riquezas, que confiam na força do seu próprio braço, assim como Cristo demonstrou na parábola do publicano e do fariseu que subiram ao templo para adorar "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" ( Jr 17:5 ). Resumindo: "Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato" ( Jr 17:11 ; Is 59:6 ).

 

O homem que está em honra e não permanece (v. 12), além de se referir aos iníquos que armaram ciladas com palavras, também se refere àqueles líderes religiosos, que apesar do dever de proclamar a palavra da verdade, cerceiam aos seus seguidores o reino dos céus, pois utilizam palavras de engano ( Mt  23:13 ). 

 

Tais líderes promovem a confiança em riquezas mal adquiridas, pois não orientam que se compre ouro provado ( Ap 3:18 ; Sl 49:6 ).

 

 

 

"Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras" (Selá)

 

 

O caminho deles é único e específico: "Este caminho..." (v. 13).

 

A `loucura' dos `sábios' não é a ciência, a filosofia, a sociologia, a moral, e nem mesmo a religiosidade. Antes, a `loucura' dos que `confiam em si mesmos' é o caminho deles! Como pode ser isso? O caminho é a loucura? Temos aqui um novo enigma!

 

O salmista no salmo primeiro anunciou: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores (...) Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpio perecerá" ( Sl 1:1 e 6).

 

É anunciado de modo `velado' (implícito) neste salmo dois caminhos:

 

a) um caminho dos justos, e;

b) um caminho dos ímpios.

 

Não podemos deixar de considerar que existem inúmeros ímpios, porém, há um único conselho para eles; muitos pecadores, só um caminho para eles; muitos escarnecedores, e uma só roda (v. 1). Por fim, conclui-se que existem somente dois caminhos!

 

Neste diapasão, Cristo anunciou haver dois caminhos:

 

a)    Um caminho largo que conduz à perdição, e;

b)    Um caminho estreito, que conduz à vida eterna ( Mt 7:13 -14).

 

Diante de uma platéia perplexa, Jesus fez um convite a todos como a mesma abrangência que fez o salmista ( Sl 49:1 -2), para que entrassem pela porta estreita ( Mt 7:13 ). Em seguida Jesus apresentou o motivo do convite: "Porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição" ( Mt 7:13 ).

 

Ora, para entender a relação que há entre o salmo 1, o salmo 49 e a parábola dos dois caminhos ( Mt 7:13 ), é necessário ser `sábio', instruído pela palavra da profecia, ou seja, deixar de ser sábio aos seus próprios olhos "Quem é sábio, para que entenda estas coisas, e prudente, para que as saiba? Os caminhos do Senhor são retos; os justos andam neles, mas os transgressores neles tropeçam" ( Os 14:9 ; Sl 49:3 ).

 

Os `sábios' aos próprios olhos não sabem que ao nascer entraram por uma porta larga (Adão), e que seguem por um caminho espaçoso que os conduz à perdição. Os tolos não entendem que o nascimento natural é a porta larga por onde todos os homens entram e passam a trilhar o caminho largo, que por sua vez os conduz à perdição.

 

O caminho dos que confiam em si mesmo é caminho de perdição (v. 12 e 13). E o caminho dos seus seguidores, ou seja, daqueles que `aprovam' as suas palavras também e de perdição "Todavia, o homem, apesar das suas riquezas, não permanecem (...) este é o caminho daqueles que confiam em si mesmos, e dos seus seguidores, que aprovam as suas palavras" ( Sl 49:12 -13).

 

Por quê? Porque tanto os que confiam em si mesmos, quanto os seus seguidores, igualmente entraram pela porta larga ao nascerem. Igualmente passaram a andar por um caminho que os levará a perdição. Quem é sábio compreende que os ímpios desviam-se desde a madre. Os que aprendem com os oráculos de Deus e entende os seus enigmas compreende que os ímpios andam errados desde que nascem, pois ao nascer entram por uma porta larga, passando a trilhar um caminho que conduz à perdição ( Sl 58:3 ).

 

Andam errados desde que nascem, proferindo mentiras! Por conseguinte, os seus seguidores, aqueles que aprovam suas palavras, não se desviam do caminho de perdição ( Sl 49:13 ). A posteridade dos ímpios não se desvia do caminho de perdição, que é a loucura de toda a posteridade de Adão.

 

 

"Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles"

 

 

O salmista compara a impotência dos ímpios à das reses quando a caminho do abatedouro. Como as `ovelhas' estão destinados ao abate, eles estão destinados à sepultura, aos cuidados da morte!

 

A morte não significa aniquilação dos ímpios, como alguns apregoam, visto que, para Deus todos os homens vivem. Além do mais, como será possível os retos terem domínio sobre os ímpios, se ao romper da manhã eles não mais existirem?

 

Enquanto a formosura dos ímpios que armam ciladas se consome na sepultura, vislumbremos porque o Messias confia inteiramente em Deus ( Sl 49:5).

 

 

"Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá" (Selá)

 

O Messias tinha consciência que passaria pelos dias maus, quando homens iníquos o cercariam com ciladas de palavras para o matarem. Ele estava ciente que desceria a sepultura, porém, era certo que Deus haveria de remir a sua alma do poder da morte, e que O receberia ( Sl 49:15 ).

 

Os ímpios perecerão e a morte se alimentará deles, ou seja, a morte `existe' por causa da existência dos ímpios. Em função da transgressão de Adão a morte passou a se alimentar dele e de todos os seus descendentes, porém, a morte não tem tal poder sobre o Cristo e os muitos filhos de Deus que são conduzidos à glória ( Hb 2:10 ).

 

Cristo, o último Adão, foi feito por Deus espírito vivificante. Ele é a porta estreita. Os muitos filhos que são conduzidos por Cristo à glória foram gerados por Deus por intermédio de Cristo. Todos os homens que crêem nascem de novo, ou seja, entram pela porta estreita, e passam a percorrer um novo e vivo caminho que os conduz à vida eterna.

 

Com base no livramento que Cristo recebeu do Pai, seguem-se uma alerta solene:

 

 

"Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece. Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. Ainda que durante a sua vida ele bendisse a sua alma, e os homens o louvem quando prospera, irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz. O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem"

 

 

Após desvendar os enigmas do salmo, é possível compreender o alerta solene: "Não temas!". O cristão não deve temer homens como o fariseu que subiu ao templo para adorar, e que, por ser religioso e seguidor da lei, recriminou o publicano.

 

Até em nossos dias muitos se consideram afortunados por serem regrados e possuírem uma religião. Gloriam-se no fato de não serem iguais aos homens comuns, porém, rejeitam o que a palavra de Deus preceitua. Para ele os homens são pecadores por serem roubadores e adúlteros, porém, esquecem que desde a madre a humanidade segue um caminho que conduz à perdição.

 

Alguns religiosos consideram que, para alcançar a graça de Deus é necessário um ascetismo pessoal rígido, e chegam a proibir o casamento. A doutrina que anunciam apóia-se nas tradições dos homens, conforme suas filosofias.

 

Os servos de Cristo não podem se submeter àqueles que querem fazê-los presas suas. Muitos líderes religiosos procuram submeter os seus seguidores através de filosofias, vãs sutilezas, que são conforme a tradição dos homens.

 

Os seguidores de cristo não devem temer o julgamento que os homens fazem por causa do comer, do beber, de festas, ou por causa de dias das semanas. O temor a estas pessoas fará com que o cristão se prive do prêmio da salvação, isto porque tais homens se apresentam com uma pseudo-humildade, baseiam-se em visões e seguem o erro de suas mentes carnais.

 

O que muitos religiosos fazem tem apenas aparência de sabedoria, de voluntariedade, humildade, ascetismo pessoal, pois se baseiam em preceitos humanos, mas não podem aniquilar a carne ( Cl 2:23 ), o que é possível somente em Cristo ( Cl 2:11 ).

 

O Cristão deve identificar esses homens que, dissimuladamente, se introduziram entre os cristãos e querem converter em dissolução a graça de Deus ( Jd 1:4 ). São falsos mestres, difamam o que não compreendem ( Jd 1:10 ), e o que se deve compreender de modo natural, como animais irracionais, até nisto se corrompem.

 

Aparentemente estes homens são ricos e cheios de glória pela vida de austeridade que se propuseram seguir. Suas riquezas e glória firmam-se em práticas virtuosas.

 

Porém, tais homens nada levam consigo quando morrem, nem a glória de suas práticas os seguirá ( Sl 49:17 ). O fato de ser feliz nesta vida não é sinal de bem-aventurança eterna. Ainda que os ímpios se considerem felizes e sejam louvados por suas realizações, irá ter com a geração dos seus pais: jamais verão a luz da vida! ( Sl 49:19 )

 

Uma é a geração dos ímpios e outra é a geração dos justos. A geração dos ímpios se perpetua através da descendência de Adão ( Jo 1:12 ), e a geração dos justo só e possível através do novo nascimento, quando Deus concede aos homens um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Jo 1:13 ; Ez 36:25 – 27).

 

"O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem"

 

O último verso do salmo encerra a moral do enigma desvendado. O homem que está em uma posição privilegiada diante dos seus, como era o caso dos lideres religiosos à época de Cristo, e não compreende a parábola exposta ao som da harpa (oráculo), é semelhante às reses que são abatidas, seguem por um caminho que os conduz à perdição.

 

Ter zelo de Deus sem entendimento é permanecer no caminho de perdição, visto que, ao estabelecer a sua própria justiça (confiar em suas riquezas), o homem não se sujeita a justiça que vem de Deus ( Rm 10:1 -4).

 

A Editora Abril Cultural publicou uma Bíblia sob a coordenação do Pe. Antônio Charbel e do Pe. Joaquim Salvador, tendo o Pe. Ernesto Vogt como tradutor e comentarista do Livro dos Salmos. Temos o seguinte comentário ao Salmo 49 sob o título `A futilidade das riquezas': "Um sábio, de cítara na mão, convida os peregrinos reunidos no Templo a ouvirem a solução do grande problema, provocado pela riqueza dos maus, o que parece desmentir a justiça divina. Mas a providência serve-se precisamente deste enigma e da inabalável fé na justiça divina, para fazer raiar na mente do salmista a certeza de que, depois da morte, será feita a justiça. Esta é a solução que ele achou, ou antes, que o oráculo divino lhe manifestou (v. 8). Os piedosos pobres e aflitos nada tem que invejar aos ricos ímpios, porque estes, apesar de todas suas riquezas, não se poderão resgatar da morte, abandonando o que possuíam e descendo às trevas para nunca mais ver a luz. Quanto aos fiéis, porém, Deus os livrará da morte acolhendo-os junto de Si (v. 16)" A Bíblia, Vol. 4, Os Livros Sapienciais, Editora Abril Cultural, 2° Edição, 1976, Pag. 112.

 

No comentário do Pe. Ernesto há uma certa influência da teologia da libertação, que se baseia na opção pelos pobres contra a miséria, através de um engajamento político da cristandade na construção de uma sociedade mais justa e solidária, denunciando a pobreza como um pecado estrutural das sociedades modernas.

 

Porém, não é esta a temática do Salmo 49. Em primeiro lugar a mensagem do salmista não se restringe aos freqüentadores do templo em Jerusalém, antes tem como alvo a humanidade. Em segundo lugar, o grande problema da humanidade não é a pobreza ou a riqueza dos homens. Em terceiro lugar, não é depois da morte que a justiça de Deus se estabelece, antes ela se deu no princípio, visto que a humanidade foi julgada e condenada em Adão. Em quarto lugar, o Salmo não trata das mazelas socioculturais da humanidade, ou das estruturas econômicas e sociais dos reinos deste mundo.

 

O fato de alguém ser rico não o torna ímpio, e a pobreza não torna ninguém piedoso. Todos os homens gerados segundo a carne e o sangue (pobres ou ricos, judeus ou gentios, nobres ou escravos, religiosos ou ateus), são ímpios por terem entrado pela porta larga (Adão) que os conduz à perdição.

 

Não obstante, temos o seguinte comentário extraído de uma bíblia comentada evangélica: "Devemo-nos lembrar, contudo, de que o ponto de vista é o de Israel, e que nem uma ressurreição nem um quinhão celestial aparece no salmo (...) Embora este salmo, naturalmente, nada revele do Evangelho da graça de Deus, encontramos nele algumas palavras que no N.T. têm um sentido abundante e precioso" McNair S.E, A Bíblia Explicada, 4ª Ed, Rio de Janeiro, Editora CPAD, 1983, Pág. 184.

 

Ora, o ponto de vista do salmo não se restringe ao povo de Israel, visto que trata de uma problemática pertinente a todos os moradores do mundo ( Sl 49:1 ). No salmo não aparece nem um quinhão celestial, ou nada acerca da ressurreição? O que dizer do verso 15? Como os retos terão domínio sobre os ímpios, se o salmo nada diz acerca da ressurreição? ( Sl 49:14 ) O salmo nada revela acerca do Evangelho da graça de Deus? Ora, assim como o evangelho é para todos os povos, para todos os moradores do mundo, tanto pobres quanto ricos, percebe-se que o salmo tem muita coisa em comum com a graça de Deus revelada através do Evangelho "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" ( Jo 5:39 ).


Claudio Crispim


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#21 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Sex, 19 de Jun de 2009 12:08 am
Assunto: Morreu o homem piedoso!
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Morreu o Homem Piedoso!

 

"Já pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja justo" ( Mq 7:2 )

 

Temos duas premissas no verso acima:

 

a)    Já pereceu da terra o homem piedoso, e;

b)    Não há entre os homens um que seja justo.

 

A primeira premissa é intrigante, pois: como é possível ter perecido da terra o homem justo, se Cristo, o Justo de Deus, ainda estava por nascer? Cristo ainda não havia nascido, e como era possível o homem piedoso já ter perecido?

 

Estas perguntas nos levam a concluir que o homem justo que pereceu da terra não era o Cristo de Deus.

 

Ora, se por volta do oitavo século antes de Cristo já não existia entre os homens um justo se quer ( Mq 7:2 ; Sl 14:1 -4), quem foi, quando existiu e como pereceu o homem piedoso de sobre a terra? Se `já pereceu da terra o homem piedoso', quando, onde e como ele pereceu?

 

Os salmistas anunciaram que não havia sobre a face da terra homem que fosse justo ( Sl 143:2 ), que todos os homens são gerados em iniqüidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ), que desde a madre desviaram-se, e andam errados desde que nascem ( Sl 58:3 ).

 

Porém, a mensagem do profeta Miquéias amplia o exposto pelos salmistas ( Rm 3:10 ; Sl 14:3 ; Sl 143:2 ), pois demonstra que já existiu sobre a terra alguém que era justo, e aponta para alguém específico, que usufruiu de uma condição diferenciada dos outros homens, mas que veio a perecer.

 

Investiguemos!

 

 

 

Quem Foi?

 

O profeta Miquéias apresenta fatos: "Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto" ( Mq 7:2 ).

 

Somos informados pelas Escrituras que Deus criou o homem justo "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" ( Gn 1:26 ). O primeiro homem criado do pó da terra é o homem piedoso.

 

O único homem piedoso que temos conhecimento antes de Cristo foi Adão, pois todos os seus descendentes foram gerados em iniqüidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ). Dentre os descendentes de Adão não houve um homem justo diante de Deus ( Sl 14:3 ; Rm 3:10 ; Sl 143:2 ).

 

Quando?

 

Conforme o relato da criação, no princípio Deus criou os céus e a terra. No sexto dia Deus formou o homem do pó da terra, a partir de então, o homem piedoso passou a existir sobre a terra  "Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente" ( Gn 2:7 ).

 

 

Onde?

 

O homem foi criado por Deus e posto num jardim "E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado" ( Gn 2:8 ), para lavrá-lo e guardá-lo ( Gn 2:15 ).

 

 

A Condição

 

O homem que veio ao mundo em uma condição diferenciada dos seus semelhantes foi Adão. Ele foi criado por Deus santo, justo e bom "Viu Deus tudo o que tinha feito, e que era muito bom..." ( Gn 1:31 ). O que entender por santo, justo e bom?

 

Que Adão era separado? Que ele praticava atos de justiça? Que ele era bondoso? Ora, quando Adão foi criado não havia com quem se relacionar, porém, era santo, justo e bom. Não precisou fazer nenhum ato de `bondade' ou de `justiça', estava só no Éden e já era santo, ou seja, ele não precisou se separar de ninguém para ser santo.

 

Isto quer dizer que santidade, justiça, retidão e bondade estão diretamente ligadas ao fato de ser participante da natureza divina, ou seja, não depende das relações humanas. Adão era santo, justo e bom porque era participante da glória de Deus. Assim como Deus é santo, justo e bom por natureza, o homem criado por Ele era participante da sua natureza. 

 

 

 

Como?

 

Deus alertou o homem piedoso de como poderia vir a perecer. Embora desfrutasse da vida (natureza de Deus), no dia em que comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele pereceria. Valendo-se da liberdade que possuía, Adão ignorou o alerta solene, lançou mão do fruto da árvore e pereceu.

 

Após desobedecer ao seu Criador, este homem justo que habitava o Éden pereceu. Adão, que vivia para Deus, foi destituído da glória de Deus e morreu (pecador, condenável, corruptível), e passou a viver para o pecado. Desde então, dentre os homens não houve um justo se quer.

 

 

 

A Condição da Humanidade

 

Sabemos que em Adão todos os homens pereceram, ou seja, foram destituídos da glória de Deus e tornaram-se filhos da ira, filhos da desobediência, filhos das trevas, escravos do pecado, ímpios, iníquos, pecadores, etc "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" ( Rm 5:12 ).

 

O pai da humanidade pecou, e por isso todos os homens pecaram. Após a queda, Adão tornou-se a `porta larga' pela qual todos os seus descendentes entram e seguem por um caminho que os conduz à perdição. Assim como Adão foi julgado, condenado e destituído da glória de Deus, todos os seus descendentes compartilham da mesma condição "Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais" ( 1Co 15:48 ).

 

Ao nascer do sangue, da vontade da carne e da vontade do varão o homem passa pela `porta larga', e trilha o caminho largo, o caminho de perdição, sendo certo que todos os homens entram por esta porta, pois todos são descendentes da carne, do sangue e da vontade de Adão ( Jo 1:13 ). O juízo e a condenação que pesa sobre a humanidade já foi estabelecido ( Rm 5:18 ), e decorre da desobediência do homem piedoso que há muito pereceu ( Is 43:27 ).

 

Não é da vontade de Deus que os homens permaneçam no caminho de perdição, antes que todos se salvem, e sejam participantes da sua natureza "Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" ( 1Tm 2:4 ).

 

Ora, se já pereceu o homem piedoso de sobre a face da terra e não há mais nenhum justo se quer entre os homens, como ser declarado justo por Deus? Como alcançar a justificação? Como ser participante da glória de Deus?

 

 

 

Cristo é a resposta

 

Morreu o homem piedoso e toda a humanidade com ele, porém, em Cristo, o último Adão, todos que crêem recebem de Deus poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ). São de novo criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Em Cristo surgem os filhos de Deus e os homens justos voltam a andar sobre a face da terra ( 1Jo 4:17 ; 1Co 15:48 ).

 

Enquanto Adão, o homem piedoso, foi feito alma vivente, Cristo, o último Adão, foi feito espírito vivificante ( 1Co 15:45 ). A morte veio por Adão, e a ressurreição por Cristo. Todos os homens morreram em Adão, e todos são vivificados em Cristo ( 1Co 15:22 ). Adão é a porta larga por onde todos os homens entram ao nascer, e Cristo é a porta estreita, por onde entraram todos que nascerem de novo ( Mt 7:13 ).

 

Quando nascem, os homens entram pela porta larga (Adão), ou seja, desde a madre o homem é ímpio, desviado (alienado) de Deus "Desviam-se os ímpios desde a madre..." ( Sl 58:3 ). Após ser formado em iniqüidade e concebido em pecado, trilham um caminho que o conduz à perdição, ou seja, andam errado desde que nascem "Andam errados desde que nascem, proferindo mentiras" ( Sl 58:3 ). Esta é a condição de todos os homens gerados de Adão.

 

Diferente dos descendentes de Adão, que são alienados desde a madre, Cristo foi gerado de Deus através da ação do Espírito Santo no ventre de Maria "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel" ( Is 7:14). Caso fosse gerado de Maria e José, Cristo nasceria sob a mesma condenação que pesa sobre a humanidade: alienado de Deus. Porém, Cristo foi `lançado' da madre de modo diferenciado "Sobre Ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe" ( Sl 22:10 ; Mt 1:18 ).

 

Ao introduzir o Primogênito de toda a criação no mundo, Deus agiu de modo miraculoso sobre o ventre de Maria ( Mt 1:20 ).

 

Sobre a terra não havia um justo se quer, porém, o Verbo de Deus encarnado tornou-se o último Adão, visto que, por meio d'Ele muitos justos são gerados para a glória de Deus ( Mt 1:21 ).

 

Diferente do homem piedoso que pereceu, o último Adão foi morto por causa da condenação que pesava sobre todos os homens ( Rm 5:19 ). Através do seu corpo que foi entregue, Cristo abriu um novo e vivo caminho, segundo a vontade de Deus, pelo qual os homens tem livre acesso à glória de Deus ( Hb 10:20 ).

 

Adão, a figura daquele que estava por vir, veio ao mundo sem pecado, porém, pecou e condenou a humanidade ( Rm 5:14 ; Rm 5:19 ). Cristo, o último Adão, a imagem do Deus invisível, na plenitude dos tempos veio ao mundo sem pecado e resgatou a humanidade ( Cl 1:15 ).

 

Claudio Crispim

 

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#20 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Seg, 25 de Mai de 2009 4:29 pm
Assunto: Salmo 133 - A Verdadeira União
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Salmo 133 - União

 

1  OH! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.

2  É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes.

3  Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre.

 

Parte I

O Salmista Davi faz referência à união fraterna. O verso 1 expressa o desejo do salmista para com o seu povo.

Ele faz referência a um `viver em união', diferente de estar unidos ou reunidos. Ele qualifica esta `vida' em união de boa e suave.

No verso 2 o salmista compara a união ao óleo precioso "É Com o óleo precioso...". A qual óleo precioso o salmista faz referência?

 

É sabido que os orientais costumeiramente se perfumavam, ungindo-se, em tempos de festas e alegria. Não estar `ungido' representava tristeza profunda  "Enviou Joabe a Tecoa, e tomou de lá uma mulher e disse-lhe: Ora, finge que estás de luto; veste roupas de luto, e não te unjas com óleo, e sê como uma mulher que há já muitos dias está de luto por algum morto" ( 2Sm 14:2 ).

 

O `óleo de alegria' era um bem precioso no passado "E, estando ele em Betânia, assentado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com ungüento de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça" ( Mc 14:3 ), com um significado especial "Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento" ( Lc 7:46 ).

 

A comparação que o salmista estabelece não é com o `óleo da alegria', antes ele compara a união ao óleo da unção que era de uso exclusivo dos sacerdotes "É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes" (v. 2).

 

O óleo da unção após ser derramado sobre a fronte do sacerdote, escorria sobre a barba até atingir a orla do manto sacerdotal.

 

A união fraternal é comparável ao óleo `sagrado da unção' que era utilizado na unção dos sacerdotes e dos utensílios da tenda da congregação ( Ex 30:31). O óleo era composto das principais especiarias da época ( Ex 30:23), feito por um artista perfumista ( Ex 30:25 ).

 

Enquanto o óleo da unção era proibido ao povo ( Ex 30:33 ), a união fraternal não é vetada. Embora a união tenha o mesmo valor que o óleo da unção, dela todos deviam e podiam utilizarem sem restrição alguma.

 

O salmista compara a união ao orvalho do monte Hermon, que descia sobre os montes da preciosa Sião ( Dt 3:8 ; Js 12:1 ). O monte Hermon atinge uma altitude de 2.814 metros, tendo o cume coberto de neve, enquanto as terras ao redor são causticantes em decorrência do sol de verão, nomeado também de monte sagrado ou monte nevado.

 

O orvalho proveneiente do monte Hermon acabava por contemplar todos os montes em redor, caracteristica que tornou possível o salmista utilizá-lo como comparativo a união.

 

Temos dois elementos: o óleo da unção que, após derramdo sobre o sacerdote, abrangia o seu corpo e vestes, e o orvalho do monte Hermon, que se espandia sobre os montes em redor (v. 2 e 3 a).

 

 

Parte II

 

 

"... porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre"

 

 

A chave para interpretação deste salmo encontra-se na última afirmação do salmista. Somente após respondermos: `onde o Senhor ordena a bênção? De qual bênção o salmista trata? O que é bênção e vida para sempre? Que tipo de união é preciosa?', compreenderemos a proposta deste salmo. 

 

Bênção

Após a queda Deus determinou que a mulher tivesse filhos com dores, e o homem, por sua vez, obtivesse o seu sustento com dores "E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida" ( Gn 3:17 ).

 

A determinação divina vinculou o trabalho como meio de obtenção de seu sustento diário e bens deste mundo "No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás" ( Gn 3:19 ). O homem precisamente comerá e viverá daquilo que trabalhar a terra, pois a terra por si só produzirá cardos e espinhos. O sustento do homem é a retribuição pelo seu trabalho.

 

Enquanto que o sustento diário e os bens materiais que o homem adquire nesta vida são concedidos como retribuição pelo seu labor, a bênção de Deus é de graça e concedida a todos que O busca "A bênção do SENHOR é que enriquece; e não traz consigo dores" ( Pv 10:22 ).

 

Somente a bênção do Senhor torna o homem pleno. As riquezas deste mundo são adquiridas pelo homem através do labor e dores, no entanto, a riqueza que o homem adquire de Deus não resulta do seu trabalho, antes graciosamente Deus lhe concede.

 

Deus estipulou que o homem haveria de comer do fruto do seu trabalho. O apóstolo Paulo alertou que, aqueles que buscam riquezas deste mundo traspassariam suas almas com muitas dores "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" ( 1Tm 6:10 ).

 

Diante do exposto, é certo que a bênção que o Senhor ordena não diz do sustento diário ou bens materiais, pois se assim fosse Deus invalidaria a Sua própria palavra. Até mesmo o Cristo não se furtou à determinação divina, pois ao ser encarnado, o Verbo de Deus se sujeito as mesmas fraquezas e obrigações "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum" ( Is 53:3 ).

 

Digo isto porque em nossos dias é comum propagarem a idéia de que tudo é bênção de Deus. Muitos prometem e profetizam bênçãos como emprego, casa, carro, casamento, etc. É comum apresentarem um veículo como `bênção' de Deus, mas esquecem que a bênção de Deus não acrescenta dores tais como um carnê, impostos, combustível, pedágios, assaltos, etc. Esquecem que o vizinho, que não serve a Deus, também adquire casa, carro, emprego, etc., e nem por isso é participante da bênção que verdadeiramente enriquece.

 

Observe o que diz o apóstolo Paulo: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" ( Fl 4:19 ). Todas as necessidades dos cristãos serão supridas por Deus, segundo as suas riquezas, EM GLÓRIA, por intermédio de Cristo Jesus. Ele não prometeu riquezas, antes suprirá as necessidades, em glória, por Cristo Jesus. Por quê? Porque Ele não invalidará a sua palavra, visto que o homem comerá todos os dias da sua vida o que a terra produzir segundo o trabalho de quem a lavrar com dores.

 

De qual bênção trata o salmista Davi?

 

 

Ali? Onde?

 

Porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre! Ali, onde? O "ali" do salmista aponta especificamente para Sião!

 

O salmista faz referência à cidade de Sião, Jerusalém, a cidade do grande Deus "GRANDE é o SENHOR e mui digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no seu monte santo" ( Sl 48:1 ). Sião pertence ao grande Senhor. Ela é a cidade de Deus, estabelecida sobre um dos montes que recebem do orvalho que vem do monte Hermon.

 

Por que Sião é o lugar que o Senhor ordena a bênção? Por que de Sião haveria de vir o salvador "E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades" ( Rm 11:26 ).

 

Quando apontou para Sião como sendo o lugar que o Senhor ordena a bênção, o salmista não tinha em mente carros, cavaleiros, mulheres e reinos, antes visava a bênção da salvação. De Sião viria o Libertador. De lá viria redenção que desviará de Jacó as impiedades. De Sião veio o Senhor Jesus que tira o pecado do mundo!

 

Carros, cavaleiros, reinos e mulheres são conquistados através da força do seu trabalho, porém, a salvação somente através d'Aquele que viria de Sião.

 

O homem se sustém de pão adquirido com dores, porém, a bênção da vida eterna só é possível através das palavras que saem da boca de Deus ( Mt 4:4 ). Somente em tais palavras se adquire a bênção e a vida para sempre ( Jo 4:14 ). É o Senhor que concede a bênção e a vida eterna. A salvação do Senhor é a verdadeira riqueza, pois diz de bens eternos que não acrescenta dores.

 

O Senhor ordena a sua bênção somente sobre os que obedecem a sua palavra. E, qual bênção o homem espera alcançar de Deus? A bênção da salvação "A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção" ( Sl 3:8 ).

                                                                                                             

Basta esperar em Deus porque é Ele quem trabalha para prover o homem de bênçãos eternas "Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera" ( Is 64:4 ). Com relação ao labor diário é da alçada do homem prover o seu próprio sustento, mas com relação à salvação o homem deve esperar n'Aquele que  trabalha em seu favor.

 

Em nossos dias muitos querem inverter os papéis. Com relação ao sustento diário querem que Deus lhes dê o sustento, o que contraria a determinação divina dada no Éden ( Gn 3:19 ), e dizem `viver da fé'. Quanto à salvação, querem fazer a `obra do Senhor', sendo que expressamente Deus diz: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura" ( Is 55:2 ).

 

Aquele que ouve atentamente a voz do Senhor, que diz: "Crede naquele que Ele enviou" ( Jo 5:38), se deleitará com alegria com a obra que o Senhor realizará. Muitos desejam e outros dizem que realizam a `obra de Deus'. Fazem como os ouvintes de Jesus, ficam se perguntando como realizar a obra de Deus "Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?" ( Jo 6:28 ).

 

A obra que Deus é fazer com que os homens creiam no enviado por ele "Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" ( Jo 6:29 ). Ora, é impossível o homem realizar a obra de Deus, visto que a sua obra consiste em convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo.

 

A multidão que foi atrás de Jesus queria saber como realizar a obra de Deus, porém, esperavam Deus realizasse o que foi determinado a todos os homens fazerem "Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes" ( Jo 6:26 ).

 

Jesus demonstra saber qual a intenção da multidão que o seguia: buscavam ser saciados com pão, e não porque creram em sua palavra. Jesus alerta para que qualquer que queira segui-lo, que o buscasse (trabalho) pela comida que permanece para a vida eterna, e não pelo pão diário "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou" ( Jo 6:27 ).

 

 

 

 

O que o Senhor ordena como bênção?

 

 

Que bênção o Senhor prometeu a Davi, seu servo? Prometeu abençoar a casa de Davi para que ela permanecesse para sempre "Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo" ( 2Sm 7:29 ).

 

Por que a casa do salmista seria bendita? Porque a salvação do Senhor, que viria de Sião, surgiria como um renovo através de sua descendência "Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre" ( 2 Sm 7:12 -16).

 

Do mesmo modo que o orvalho do monte Hermon alcança os montes em redor, a mesma bênção ( Gn 22:18 ), estabelecida no monte denominado de `O Senhor proverá' ( Gn 22:14 ), propagou-se até chegar ao monte Sião na linhagem de Davi ( Rm 11:26 ), e dali a bem-aventurança alcançou os confins da terra através do Descendente prometido.

 

Abraão alcançou a bênção do Senhor porque obedeceu "E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz" ( Gn 22:18 ); "A bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que hoje vos mando" ( Dt 11:27 ). Qualquer que queira ser participante da bênção que Abraão alcançou necessita obedecer a voz do Senhor, pois é dela que advém a bênção a todas as nações da terra, ou seja, através do Descendente, que é Cristo, o Filho de Davi.

 

A palavra que ordena a bênção é clara: "Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi" ( Is 55:1 -3).

 

Basta `obedecer' como fez o crente Abraão que todos os homens será participantes da mesma bênção prometida a Davi, proveniente do Descendente, que é Cristo. Basta ouvir atentamente que receberá vida eterna. Fará parte de uma aliança perpétua, pois adquirirá da mesma firme bênção concedida a Davi: co-herdeiro com o Descendente.

 

 

União fraternal

 

 

De qual união o salmista fez referência?

 

É comum à maioria das religiões apregoarem união na família, na nação, na igreja (como instituição) e no mundo. Para tanto apontam o altruísmo, a tolerância, a simpatia e o acordo. Sabemos que a harmonia é imprescindível para o convívio em qualquer seguimento social, porém, a união que o salmista fez referência neste salmo diz de bons relacionamentos humanos?

 

Antes de responder, observe o que o apóstolo Paulo destaca: "Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas" ( Rm 9:6 ). Ou seja, nem todos os que pertenciam ao povo de Israel eram de fato irmãos. Todos de Israel eram descendentes de Abraão, porém, nem todos eram de fato filhos de Abraão "Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência" ( Rm 9:7 ).

 

De que união o salmo 133 trata: da união dos descendentes da carne de Abraão, ou da união pertinente aos filhos de Deus? O que é bom e suave? Bom e suave é ter fardo e jugo de filho!

 

O Cristo recomendou que aprendessem d'Ele, porque Ele era manso e humilde de coração "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" ( Mt 11:29 -30). Todos aqueles que tomam o jugo de Cristo e aprendem d'Ele, recebem de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13). O salmo 133 fala especificamente da união pertinente aos filhos de Deus!

 

`Quão bom' levar o fardo de filho! Quão `suave' é ter o jugo de filho!  Tudo isto é proporcionado a todos quantos se unem ao Descendente, que receberam a bênção e a vida eterna do Senhor (v. 3b).

 

Ora, o salmista nos informa através do verso 3, parte `b' que `em Sião' o Senhor ordena a bênção, concedendo-lhes vida para sempre. Ora, a bênção de Sião é concedida aos filhos, e os filhos são aqueles que compartilham da vida para sempre, ou seja, que `vivem em união', que `vivem em Deus'.

 

O apóstolo João fala desta união: "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo" ( 1Jo 1:3 ).

 

O apóstolo Paulo contendeu com Barnabé "E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre" ( At 15:39 ), e, apesar de se apartarem um do outro, contudo `viviam' em união. Como pode ser isto? `Viver em união' transcende a idéia do convívio social amistoso. Quando Paulo e Barnabé aceitaram a Cristo, tornaram-se nova criatura, por estarem em Cristo ( 2Co 5:17 ).

 

O fato de estarem `em Cristo' é o que determina o `viver em união'. Ambos, Paulo e Barnabé, eram filhos de Deus pela fé em Cristo, e a contenda que houve entre eles não desfez a união perfeita em Cristo.

 

A Paz que Cristo concede não é conforme a paz do mundo ( Jo 16:33 ), pois a paz de Cristo só é possível n'Ele ( Jo 16:33 ). Cristo não veio resolver a falta de paz que há no mundo, antes veio estabelecer a paz entre Deus e os homens. Quando ao mundo é pertinente a aflição, e, portanto, resta aos que tem paz com Deus não se atemorizar.

 

Do mesmo modo, a união que Cristo promove não é conforme a união que o mundo busca estabelecer. Enquanto o mundo busca promover um bom convívio social através de valores tais como: religiosidade, altruísmo, tolerância, simpatia e o acordo, porém, a mensagem de Cristo é: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada" ( Mt 10:34 ).

 

Claudio Crispim

 

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#19 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Qui, 8 de Jan de 2009 4:03 pm
Assunto: O que é adorar em espírito e em verdade?
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O que é adorar em espírito e em verdade?

 

"Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4: 24)

 

 

 

O que é adorar em espírito e em verdade? Como adorar em espírito e em verdade? Adorar em espírito e em verdade é uma atitude? Depende do local? É necessário um ambiente propício? É possível adorar em espírito somente? É possível adorar só em verdade?

 

 

O que é a verdade?

 

O que é a Verdade? Do ponto de vista filosófico seria quase impossível dar uma resposta satisfatória a esta pergunta. Pilatos diante de Jesus fez esta pergunta do ponto de vista filosófico de modo sarcástico (João 18: 38).

 

Porém, deixando os problemas filosóficos de lado, Jesus anunciou que veio dar testemunho da verdade, e que todos quantos davam crédito à sua palavra pertenciam à verdade (João 18: 37).

 

O apóstolo Paulo, por sua vez, deixou registrado que Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso "De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado" (Romanos 3: 4).

 

Sabemos que Deus é verdadeiro do mesmo modo que Ele é luz (I João 1: 5; 5: 20). Também sabemos que quem não está em Deus é trevas, ou seja, é mentiroso (I João 1: 5). Através destes versículos percebemos que quando Paulo disse que Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso, ele estava fazendo referência à condição dos homens sem Deus (Romanos 3: 10- 18).

 

Assim como os pecadores foram destituídos da glória de Deus e passaram à condição de trevas, todos os homens alienados de Deus tornaram-se mentirosos. Ao dizer que todos os homens são mentirosos, Paulo não estava se referindo a um tipo de conduta reprovável pela moral humana. Paulo fez referência à natureza humana decaída que foi herdada de Adão!

 

Deus é luz, e todos quantos não estão em Deus são trevas. Deus é verdadeiro, e todos quantos não são participantes da sua natureza são mentirosos. Do mesmo modo que a injustiça dos homens contrapõe a justiça de Deus, a mentira dos homens contrapõe a verdade de Deus.

 

Paulo ao fazer referência ao seu antigo estado de alienação de Deus disse: "Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para sua glória, por que sou eu ainda julgado como pecador?" (Romanos 3: 7). Ora, percebe-se que a condição de pecador é o mesmo que mentira.

 

Quando analisamos asserções como "Deus é luz", ou "Deus é verdadeiro", não devemos analisá-las do ponto de vista científico ou filosófico. Antes, é preciso compreender tais asserções como atributo de Deus. Quando a bíblia estabelece o contraponto: "Deus é luz, e não há nele travas alguma", a asserção "Deus é luz" demonstra que tudo que não está unido a Deus não tem relação alguma com Ele.

 

Jesus se apresentou como sendo o caminho, a verdade e a vida, a única pessoa capaz de estabelecer comunhão com Deus "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14: 6). Paulo demonstrou que todos os homens pecaram e foram alienados da glória de Deus por causa da desobediência de Adão. Jesus, por sua vez, ao se apresentar como o caminho, a verdade e a vida, promove a união do homem com Deus. O homem por intermédio de Cristo passa a ser participante da glória de Deus.

 

Jesus compartilhou da sua glória com os que crêem para que possam voltar à comunhão com o Pai "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um" (João 17: 22), pois tal glória foi perdida quando o homem pecou (Romanos 3: 23).

 

De posse da glória concedida por Cristo, o homem deixa a condição de mentira e passa a ser verdadeiro, pois está na verdade.

 

 

 

"Em Verdade"

 

 

"E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (I João 5: 20)

 

 

O apóstolo João é claro ao demonstrar que Cristo é verdadeiro. Além dos cristãos terem ciência (saber) de que O Filho de Deus veio em carne, foi concedido o entendimento (revelação) para que os cristãos passassem a estar unidos a Cristo (conhecermos).

 

A idéia da palavra `conhecer' empregada pelo apóstolo João neste versículo é `estar unido a...', `em comunhão com...', um só corpo. Quando lemos que conhecemos a Deus, ou antes, Ele nos conheceu, é o mesmo que dizer que estamos em plena comunhão com Ele ( Gálatas 4: 9 ). Ex: Quando a bíblia diz que `conheceu' o homem a mulher, ela aponta comunhão íntima, um só corpo.

 

Quando o homem sem Deus (mentiroso) alcança o entendimento através da mensagem do evangelho, passa a conhecer (comunhão) o que é verdadeiro, ou seja, deixa a condição de mentira e passa a compartilhar a verdade. João, ciente desta maravilhosa verdade, anuncia: "... no que é verdadeiro estamos...", ou seja, estar `em Cristo' é o mesmo que estar `em verdade'.

 

A condição `em verdade' é proveniente de uma nova criação, como bem assevera o apóstolo Paulo: "E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4: 24). O novo homem é criado por Deus `em verdadeira' justiça e santidade. É por isso que todo aquele que está `em Cristo' é uma nova criatura.

Muitos gramáticos são unânimes em reconhecer que a sintaxe e o estilo dos escritores do Novo Testamento possuem características que são próprias e exclusiva do evangelho. Vale salientar uma destas características, pois ela ajudará na composição da idéia 'em verdade'.

A frase preposicional 'em Cristo' no grego é um uso específico do dativo. Como é sabido, antes dos escritores do Novo Testamento não há registro de que alguém dentre os gregos tenha utilizado o dativo preposicionado para expressar idéias como 'em Platão', 'em Sócrates', etc. Somente no Novo Testamento encontramos frases com este uso específico do dativo.

O capítulo 1 da carta aos Efésios aponta este uso do dativo em frase preposicional. O elemento gramatical mais repetido é a preposição grega 'en', correspondente ao nosso "em", seguida do dativo 'ΧÏιστv'. Ela vem com o pronome pessoal ("nele"), ou com um nome ("em Cristo", "no Amado").

A nova criatura resulta de uma nova criação de Deus. A nova criação é feita em verdadeira justiça e santidade. Cristo é a verdade, e todos que estão em Cristo são igualmente verdadeiros, porque no que é verdadeiro os que crêem estão ( 1Jo 5:20 ).

Com base no que analisamos, adorar `em verdade' é o mesmo que estar em comunhão com Cristo. Ou seja, não se refere à atitude do adorador, ou ao ambiente que o adorador se encontra.

 

 

Como ser Verdadeiro?

A idéia de verdadeiro que Jesus apresenta não tem relação com sentimento e práticas cotidianas. A idéia de que ser verdadeiro é ser autêntico, ou seja, cercado das virtudes humanas, não se refere à verdade que Cristo estabeleceu.

Para que o homem seja verdadeiro é preciso estar unido a Cristo, em comunhão com Deus. Como? Ora, a comunhão com Deus é estabelecida através da mensagem do evangelho "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo" (I João 1: 3). O que João ouviu estava retransmitindo aos Cristãos para que tivessem comunhão com Deus? A mensagem do evangelho!

 

A mensagem do evangelho constitui-se no chamado de Deus para que os homens estejam unidos a Ele "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (I Coríntios 1: 9).

 

Após ouvir a mensagem do evangelho e crer em Cristo como o enviado de Deus, conforme diz as escrituras, o homem passa a viver em verdade. Passa a compartilhar da vida que há em Deus, como luzeiros no mundo que jaz em trevas.

 

O homem que crê na mensagem do evangelho é novamente criado em verdade. Ocorre o milagre da regeneração. O novo nascimento é o acesso para a glória de Deus. Quem estava alienado passa a ver a glória de Deus, como está escrito: "Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?" (João 11: 40).

 

Através do ouvir a mensagem do evangelho o homem passa a crer na esperança proposta. O evangelho é poder de Deus para os que crêem, fazendo-os filhos de Deus (João 1: 12- 13; Romanos 1: 16). O poder regenerador da fé (evangelho) faz com que o homem passe a compartilhar a glória de Deus (João 17: 22- 23).

 

 

Em espírito

 

"O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3: 6)

 

O fato de os homens serem descendentes de Adão os fez carnais. Além de possuir um corpo constituído de carne, a natureza dos homens sem Deus também é designada `carnal'.

 

O que é ser carnal? Carnal refere-se à natureza decaída herdada de Adão alienada de Deus. Quem é carnal não pode agradar a Deus. Esta é uma condição intrínseca a natureza herdada de Adão. Por mais que uma pessoa tenha a intenção e a vontade de adorar a Deus, mas não é nascida de novo conforme o que propõe o evangelho, não poderá agradar a Deus (Romanos 8: 8)

 

  

Por ser gerada de Adão a tendência nata da carne é a morte. Quando falamos da tendência da carne como sendo morte, não nos referimos à morte física, antes à alienação (separação) de Deus (Romanos 8: 7).

 

Porém, do mesmo modo que os nascidos de Adão são carnais, os nascidos segundo o último Adão são espirituais. Como? Ora, do mesmo modo que o Espírito Eterno, que fez ressurgir a Cristo dentre os mortos, fez ressurgirem e habita naqueles que crêem, (Romanos 8: 9).

 

Pelo fato de os cristãos terem o Espírito de Cristo, isto indica que também são filhos de Deus, portanto, espirituais. Todos quantos são nascidos de Deus (Espírito) são filhos de Deus (espírito).

 

 

Adorar em espírito e em verdade

 

 

Muitos pensam que para adorar a Deus é necessário estar em um templo cercado de pessoas em atitude reverente. Para elas é preciso um momento de concentração, reforçado com meditação, rezas e orações. É o que chamam de ambiente propício. Este ambiente geralmente surge de um envolvimento emocional promovido pela expectativa de milagres, profecias, manifestações, etc.

Consideram que adorar a Deus em espírito e em verdade é fruto das emoções, da vontade e do intelecto do homem. Para Eles adoração sem emoção, ou sem intelecto não é adoração, e é possível adorar em verdade sem ter nascido do Espírito, ou adorar em espírito sem ter nascido da verdade.

 

Porém, a Bíblia demonstra que se o homem adora em espírito concomitantemente ele está na Verdade, e se adora em verdade é porque vive em Espírito! Adoração não é um estilo de vida como apregoam. Adorar em espírito e em verdade só é possível quando se conhece a Deus, ou seja, quando Deus passa a habitar no homem "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós" (João 14: 17).

 

Quando é que Deus passa a estar em Deus e Deus no homem, fazendo morada? (I Coríntios 3: 16). Somente após crer na mensagem do evangelho "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Efésios 1: 13).

 

Muitos se escudam no legalismo, outros no formalismo, sem nos esquecermos dos tradicionalistas. Os emocionalistas acusam os racionalistas, e surgem inúmeras forma de fanatismos. Porém, todos se esquecem que somente os nascidos de novo podem adora a Deus em espírito e em verdade.

Quando o homem nasce de novo através da mensagem do evangelho, não há um tempo ou lugar específico para adorar. Os verdadeiros adoradores adoram em todo tempo e em todos os lugares.

·         Um verdadeiro adorador não está vinculado a templos, pois é templo e morada do Espírito Santo (I Coríntios 3: 16);

·         Um verdadeiro adorador não necessita de sacrifícios, pois é sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12: 1);

·         Um verdadeiro adorador oferta a Deus sacrifício de louvor, ou seja, o fruto dos lábios que professam a Cristo (Hebreus 13: 15);

·         Um verdadeiro adorador exerce sacerdócio santo oferecendo sacrifícios de espirituais a Deus (I Pedro 2: 5);

·         Um verdadeiro adorador não precisa de tempo, pois o momento é chegado, em que os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade (João 4: 23).

Em suma: para adorar em espírito e em verdade é preciso crer no que anunciou os profetas: "Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e um espírito novo (...) Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis" (Ezequiel 18: 31; 36: 25- 27).

 

Somente Deus "Então (Deus) aspergirei..." (v. 31), pode purificar o homem através da palavra do evangelho (água pura). Aspergir água pura é o mesmo que nascer da água e do Espírito. Somente Deus pode fazer do homem uma nova criatura, com novo coração e um novo espírito (Salmo 51: 10; Isaias 57: 15).

 

Claudio Crispim

 

http://www.estudobiblico.org

 


#18 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 11 de Nov de 2008 7:55 pm
Assunto: O Barro nas Mãos do Oleiro e a Doutrina Calvinista
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Uma Lição na Casa do Oleiro 

"A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer" (Jeremias 18: 1- 4).

 

Após escutar a voz de Deus, Jeremias desceu à casa do oleiro e passou a observar o oleiro trabalhando o barro.

O profeta observou que o oleiro em questão fazia a sua obra sobre as rodas. Perceba que o ato de trabalhar o barro até formar os vasos é uma obra específica do oleiro. Em determinado momento, o vaso que estava sendo moldado quebrou-se, e o oleiro tornou a fazer do vaso quebrado outro vaso. Tudo que foi realizado pelo oleiro era conforme o seu parecer.

De tudo que o profeta Jeremias observou podemos destacar o seguinte:

  • A matéria prima que o oleiro utiliza sobre as rodas é o barro;
  • O produto final da obra do oleiro é o vaso;
  • Quando um vaso, que esta sendo moldado, se quebra o oleiro pode utilizar a mesma massa, porém, o resultado final é outro vaso;
  • O oleiro tem autonomia para fazer o vaso segundo o seu parecer.

O Profeta Isaias complementa o exposto por Jeremias: "Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 45: 9).

  • Para os que contendem com o Criador não há salvação;
  • A obra soberana de Deus é formar vasos a partir do barro;
  • O caco de barro que contende com o Oleiro Eterno questiona as ações como se as mãos do Criador não pudessem salvar.

Após o profeta observar o oleiro exercendo o seu ofício, Deus falou com Jeremias:

"Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel"
(Jeremias 18: 6- 7)

A palavra de Deus teve inicio com uma pergunta: "Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?". A pergunta é respondida com um sonoro `Sim'! Assim como o barro inerte depende do oleiro para tomar forma, o povo de Israel precisava descansar (confiar) nas mãos do Oleiro Eterno, que tem poder para fazer novamente todas as coisas.

Para os calvinistas a soberania de Deus se estabelece quando Deus salva ou condena o homem, porém, o que se depreende da palavra de Deus anunciada pelo profeta Jeremias é que a soberania de Deus é exercida na criação do homem.

O apóstolo Paulo ciente desta verdade escreveu aos cristãos em Roma e alertou aqueles que achavam que a palavra de Deus havia falhado para com o povo de Israel (Romanos 9: 6).

 

Princípios

"Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9: 21)

Para rebater os judeus contradizentes e enfatizar que a palavra de Deus não falhou (Romanos 9: 6), o apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Roma introduziu as mesmas figuras que Deus apresentou ao profeta Jeremias: o oleiro, o barro e o vaso.

É assente entre os cristãos que Deus é o oleiro, visto que, através de algumas referências bíblicas é possível aos leitores das Escrituras chegarem a esta conclusão "Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos" (Isaías 64: 8).

Seguindo o exposto no versículo anterior é fácil concluir que os homens são `feitos' a partir do barro. Não importa se salvos ou não, todos os homens são provenientes do `barro', como é demonstrado no Gênesis (Gênesis 2: 7). Do mesmo modo que se conclui que todos os homens são vasos `confeccionados' (formados) a partir do barro, conclui-se também que todos os homens (salvos e perdidos) são obras da mão de Deus "... da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9: 21).

O apóstolo Paulo apresenta duas categoriais de vasos: vasos para honra e vasos para desonra. Daí surgem outras perguntas: Quem são os vasos para honra e os vasos para desonra? Quando são `modelados'? No que diferem os vasos para honra dos vasos para desonra?

Analisemos a argumentação paulina:

  • Deus é o oleiro"... não tem o oleiro poder sobre o barro...?" – a figura do oleiro foi utilizada por vários escritores do Antigo Testamento e Paulo utilizou a mesma figura de modo singular, visto que é da alçada de quem exerce o ofício de oleiro modelar o barro segundo a sua livre vontade, decisão e agência;
  • Deus é Todo Poder "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro...?" – é incontestável o poder criativo de Deus. Ele é todo poder (soberano) "Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus" (Hebreus 3: 4). Soberanamente Deus cria (forma) os homens tendo por matéria prima o barro;
  • O Oleiro e o barro - Deus exerce o seu poder sobre o barro, ou seja, o poder do Oleiro Eterno é exercido especificamente sobre o barro, diferente da idéia difundida de que o poder de Deus ou a sua soberania é a imposição da sua vontade sobre alguns vasos. O `barro' é a matéria prima onde o `oleiro' exerce soberanamente o seu oficio.  O comparativo estabelecido por Paulo demonstra que Deus exerce o seu eterno poder criativo (soberania) sobre o barro (massa), para trazer a existência os homens (vasos) "... ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso...". Este verso demonstra que Deus exerce poder quanto à criação dos homens (poder sobre o barro para fazer vasos), porém, como é próprio à sua santidade, Deus a ninguém oprime, ou seja, Ele não exerce o seu poder criativo com o fito de obrigar as suas criaturas (vasos) a submeterem-se ao seu senhorio. O oleiro não exerce o seu poder sobre os vasos, antes o seu poder é exercido sobre o barro, podendo fazê-los (criar) conforme o estabelecido pelo seu propósito eterno: vasos para honra e vasos para desonra.
  • O homem é feito do barro - "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro...?" – utilizaremos Isaias 64: 8 para compreender melhor a atuação de Deus sobre o barro. Em Isaias 64: 5, o profeta indaga sobre como é possível ao homem alcançar salvação; no verso 6 ele demonstra que todos os homens são comparados ao que é imundo; os atos de justiça dos homens são comparáveis a trapos de imundície; todos os homens estão sujeitos a morte (folha que cai) devido ao pecado (salário do pecado). Devido à condição da humanidade não há quem esteja vivo (acordado), que invoque a Deus e detenha a sua ira; Porém, mesmo diante deste quadro horrível, o profeta clama a Deus invocando-o como Pai, pois ele sabia que, para ser salvo é necessário a filiação divina, e este milagre só é operado por Deus quando o homem reconhece a sua condição de miséria herdada de Adão e descansa (fé) em Deus. A massa (barro) utilizada para fazer os vasos para honra e desonra é a mesma. Isaias profetizou neste texto, por figura, a idéia da doutrina do novo nascimento;
  • A massa utilizada é única "... para da mesma massa..." - a matéria prima utilizada para moldar os vasos para honra e desonra é a mesma: o barro! Da mesma massa Deus faz vasos para honra e desonra. Como isto é possível? Os homens (vasos para desonra) são gerados através da semente corruptível de Adão (barro), e por serem gerados de novo através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus (evangelho), Deus usa a mesma `massa' para fazer vasos para honra em Cristo.

Através da análise anterior foi possível determinar que:

  • Deus é o oleiro;
  • Os homens são vasos (para honra ou desonra);
  • Ambos os vasos são feitos de uma mesma massa: o barro;
  • Deus exerce o seu poder sobre o barro para fazer vasos (homens), diferente da idéia de que Deus exerce poder sobre os vasos; Obs.: o senhorio do pecado ou da obediência sobre os homens vincula-se respectivamente a Adão e Cristo, visto que, a quem o homem se oferecer por servo para obedecer, será servo de quem obedecer: ou do pecado ou da obediência (Romanos 6: 16);
  • Adão vendeu-se ao pecado, e com ele todos os seus descendentes (humanidade).

 

Honra

Resta determinar quem são os vasos para honra. Ora, o apóstolo Paulo demonstra que `nós', ou seja, os cristãos (aqueles que são chamados através do evangelho dentre judeus e gentios) são os vasos de honra "... a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para a glória já dantes preparou, os quais somos nós..." (Romanos 9: 23- 24).

"Vasos de misericórdia" é o mesmo que "vasos de honra", de acordo com o que se depreende da argumentação paulina. Todos que crêem em Cristo, conforme diz as Escrituras, são vasos para honra, visto que, em Cristo todos são feitos participantes da natureza divina, contados como filhos de Deus.

Os vasos para honra são os cristãos. Todos os que creram foram de novo modelados (criados) segundo o evangelho que é poder de Deus (João 1: 12- 13; Romanos 1: 16). Deixam a condição de filhos da ira para serem vasos de misericórdia. Deixaram a condição de pecado proveniente da desobediência de Adão, e passaram a condição de filhos de Deus proveniente da obediência do último Adão (Cristo).

 

Desonra

Ora, se os vasos para honra são provenientes da obediência do último Adão, que é Cristo, segue-se que os vasos para desonra são provenientes da desobediência do primeiro Adão. Todos os homens sem Cristo são vasos para desonra, visto que são nascidos segundo a vontade do varão, da vontade da carne e do sangue, e por isso todos os homens nascem sob o senhorio (jugo) do pecado (João 1: 13 – 13). Em Adão os vasos para desonra são `criados'.

Ora, o poder de Deus trás à existência tanto os `vasos' para desonra quanto os `vasos para honra. O barro utilizado para fazer os vasos para a honra e desonra é o mesmo. Porém, não podemos esquecer que, primeiro são feitos os vasos para desonra, para depois vir à existência os vasos para honra (I Coríntios 15: 46- 48). Primeiro o homem natural, depois o espiritual.

Através da análise anterior chega-se a conclusão que:

  • Todos os homens são vasos;
  • Os homens sem Cristo são vasos para desonra;
  • Os que crêem em Cristo são vasos para honra;
  • Os `vasos' para desonra passam somente uma vez pela `olaria' de Deus, e isto se dá quando do nascimento natural; já os vasos para honra passam pela segunda vez na mão do Oleiro, visto que, é necessário que o vaso para desonra seja quebrado, e novamente modelado, ou seja, o homem necessita nascer de novo para ser feito vaso para honra.

 

O Barro nas Mãos do Oleiro e a Teologia da Reforma

A teologia reformada ou calvinista considera que o homem sem Deus é semelhante a uma porção de barro, desprovido de vida e de poder.

Com base nos versos analisados anteriormente, podemos demonstrar que o homem sem Deus não é uma porção de barro, antes é um vaso "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Romanos 9: 22).

O Oleiro Eterno exerceu o seu ofício quando criou o primeiro homem a partir do pó da terra, utilizando o barro como massa "Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra..." (Gênesis 2: 7), porém, esta obra não parou, visto que, ao conceder aos homens a dádiva de trazerem a existência os seus semelhantes, Deus continua a exercer o ofício de oleiro.

A bíblia demonstra que o caminho dos ventos e a formação da criança no útero da mãe é obra exclusiva d'Ele "Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos..." (Gênesis 1: 28). Porém, devemos lembrar que, foi Adão quem gerou filhos segundo a sua espécie, e não Deus. Deus gera filhos para si através da sua palavra, e Adão segundo a carne. A carne gera homens carnais e o Espírito gera homens espirituais (João 3: 6). Para o homem nascer de Deus é necessário nascer da água, ou seja, da palavra de Deus (João 3: 5).

Nicodemos ficou perplexo diante do ensinamento de Jesus e perguntou: "Como pode ser isso?" (João 3: 4). Jesus respondeu com uma citação de Eclesiastes: "Assim como não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas" (Eclesiastes 11: 5).

Ora, todos os homens descendem de Adão, e, portanto, são obras da mão de Deus. Todos os homens passaram pela olaria de Deus na condição de barro e foram modelados assumindo a condição de vasos.

Porém, por causa da queda de Adão, todos os vasos (descendentes de Adão) que são moldados são vasos para desonra. São destituídos da vida que há em Deus.

(Sobre a origem da parte imaterial do homem será feito uma exposição em outra ocasião)

Outra afirmativa dos reformadores dá conta que não há diferença intrínseca entre os eleitos de Deus e os não eleitos. Ambos são feitos do mesmo barro. Concordo com este posicionamento, de que não há diferença entre salvo e perdidos quanto à substância da qual foram formados: ambos são formados do barro "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra, e outro para desonra?" (Romanos 9: 21).

No entanto, vale salientar que, como não há diferença intrínseca entre os salvos e os não salvos, é possível demonstrar uma falha na declaração de que o homem sem Deus é uma porção de barro. Ora, tanto os salvos quanto os não salvos são feitos e uma mesma massa, porém, após saírem da olaria de Deus são vasos. Os vasos para honra, embora feitos da mesma massa utilizada para fazer os vasos de ira, foram refeitos participantes da vida que há em Deus, enquanto os vasos para desonra, aqueles que permanecem na condição oriunda do primeiro nascimento, permanecem divorciados da vida que há em Deus.

A idéia calvinista também dá conta que o destino final dos homens é decidido (soberanamente) por Deus, porém, o que se depreende das figuras do oleiro, do barro e do vaso não coaduna com este posicionamento.

Observe que soberanamente Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gêneses 1: 26), e, segundo o que propôs na eternidade, o Oleiro Eterno formou o homem do pó da terra.  Quem era Adão para se queixar do Criador? Ora, acaso a coisa formada poderia queixar-se do Criador, dizendo: "Por que me fizeste assim?" Não! Embora alguém possa questionar a soberania de Deus, o homem na condição de vaso jamais poderia fazê-lo, pois o Oleiro é detentor de todo poder.

O que se observa na leitura do Gênesis, Jeremias e Romanos é que o poder de Deus e a sua soberania se estabelecem sobre o barro, ou seja, quando Ele cria o homem. A soberania de Deus não se dá sobre os vasos, visto que, Adão como vaso perfeito, recém saído da olaria de Deus, rebelou-se contra o Criador. De vaso para honra Adão passou a condição de vaso para desonra. De filho de Deus passou a condição de filho da desobediência. De agradável a Deus passou à condição de filho da ira.

Ora, se a soberania de Deus se dá sobre os vasos, como dizem os calvinistas, era da vontade de Deus a queda de Adão? Adão não conseguiu resistir à sugestão da serpente ou a queda foi da vontade de Deus? Se um calvinista responder que Adão não conseguiu resistir à vontade da serpente, conclui-se que a soberania de Deus não engessa a vontade do homem. Se responder que a vontade de Deus não era a queda de Adão, como ele conseguiu resistir à vontade de Deus?

O que se verifica nos textos que fazem referência ao poder e soberania de Deus é que ambos, poder e soberania, se demonstram quando o Oleiro Eterno trabalha o barro, e não quando os vasos estão formados "... tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer" (Jeremias 18: 4).

Todos os homens são obras das mãos de Deus, visto que ele os faz conforme o que parece bem aos seus olhos: vasos para honra e vasos para desonra "Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos" (Isaías 64: 8).

Paulo destaca que Deus tem poder sobre o barro para fazer vasos conforme bem parece aos seus olhos "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9: 21).  Observe que o poder do Oleiro se manifesta sobre a massa para tão somente fazer vasos, ou seja, em momento algum temos a idéia de que Deus intervém ou influência o destino final dos vasos.

O que determinou o destino dos vasos para desonra foi a desobediência de Adão e não Deus, como dizem os seguidores da reforma.

Através de Adão Deus faz do barro vasos para desonra, e através do último Adão, que é Cristo, Deus faz vasos para honra. A desobediência de Adão fez surgir os vasos para desonra, e a obediência de Cristo os vasos para honra. Ora, o que se percebe é que Deus não decidiu o destino da humanidade, antes todos os homens podem decidir-se por Cristo para se verem livres da condenação estabelecida em Adão.

Como é possível Deus ter determinado o destino final das pessoas segundo a sua vontade, se são muitos os que entram pela porta larga? Ora, se a vontade expressa de Deus é que ninguém pereça e que muitos venham ao conhecimento da verdade, como conciliar a parábola dos dois caminhos com a idéia de que o destino final das pessoas é segundo a vontade de Deus?

Jesus demonstrou que são muitos os que entram pela porta larga e seguem o caminho que conduz à perdição (Mateus 7: 13), porém, o apóstolo Paulo demonstra que a vontade de Deus é que nenhum homem se perca, antes que todos venham ao conhecimento da verdade (I Timóteo 2: 4).

Ora, se são muitos os que seguem pelo caminho de perdição, isto demonstra claramente que Deus não impõe a sua vontade sobre os homens, pois ela é clara: Ele deseja que todos venham ao conhecimento da verdade. Embora soberano, Ele não é ditador, visto que não oprime as suas criaturas para que façam ou se submetam a sua vontade.

Como é possível Deus decidir o destino final dos homens se a desobediência de Adão deu origem à porta larga por onde todos os homens entram? Como é possível Deus estipular o destino final das pessoas se elas entraram pelo caminho que as conduz à perdição? É Deus que conduz os homens à perdição ou à salvação, ou é o caminho que trilham que os conduz? "Entrai pela porta estreita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13)

Jesus demonstrou que é o caminho em que os homens estão que os conduz à perdição ou à salvação. Embora muitos homens não desejem conscientemente a perdição, esta vontade não muda e nem influência o destinou final deles. Caso continuem sem se decidirem pelo caminho estreito, seguirão inexoravelmente para a perdição.

Sabemos que a porta estreita é Cristo e que Ele é o caminho que conduz os homens a Deus. Também sabemos que Adão é a porta larga, por onde os homens entram ao nascer, e que a porta larga dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição.

Para os calvinistas, Deus molda os vasos segundo o seu propósito e consentimento. É o que denominam de eleição incondicional, ou seja, para eles Deus decidiu unilateralmente onde cada um dos homens passará a eternidade. O que se observa através da leitura da bíblia é que o pensamento que teve origem na reforma não é conforme a verdade do evangelho!

Claudio Crispim

http://www.bibliafacil.com


#17 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Dom, 9 de Nov de 2008 2:28 pm
Assunto: Maus até os Ossos?
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Maus até os Ossos?  

O calvinista Phil Johnson fez o seguinte comentário ao livro de Efésios, capítulo dois, versos um a três: "Observem de perto o que ele diz ali: Toda pessoa não regenerada está espiritualmente morta, andando de acordo com Satanás, sendo por natureza filha da ira. Nós nascemos neste mundo como completos pecadores - não simplesmente um pouco manchado pelo pecado, mas completamente, desesperadamente, em escravidão a ele. Todo aspecto de nosso ser - mente, emoções, desejos, e até mesmo nossa constituição física - é corrompido, controlado, e desfigurado pelo pecado e seus efeitos. Ninguém escapa desse veredicto. Nós somos totalmente depravados" Phil Johnson, Maus até os Ossos, artigo publicado no Site Bom Caminho, tradução de Juliano Heyse, título original: B-b-b-b-bad to the bone, Blog Pyromaniacs (grifo nosso).

Neste pequeno parágrafo o Sr. Johnson nomeia a condição do homem sem Cristo de `totalmente depravados', ou de `completos pecadores'. Para descrever a condição de sujeição ao pecado ele utiliza algumas palavras como: todo, completos, desesperadamente, totalmente, etc. Até mesmo a constituição emocional e física do homem é descrita por Johnson como sendo corrompida, controlada e desfigurada pelo pecado.

Analisemos o comentário do Sr. Phil Johnson à luz da bíblia.

 

Princípios Bíblicos

A bíblia demonstra que o melhor dos homens é comparável a uma sebe de espinhos e o mais reto dos homens comparável a um espinho, ou seja, todos os homens gerados segundo Adão são pecadores "O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão" (Miquéias 7: 4).

Não importa as questões morais ou físicas do homem: tanto o melhor quanto o mais reto dos homens são igualmente pecadores (sebe de espinhos ou um espinho) por serem gerados participantes da natureza decaída de Adão. Todos os homens `germinaram' de uma semente corruptível (espinheiro), a semente de Adão.

Outra figura que ilustra esta realidade foi exposta por Jesus no famoso Sermão do Monte. Os homens quando nascem entram por uma porta larga (Adão) e seguem por um caminho largo que CONDUZ à perdição. Jesus demonstrou que, para o homem ver-se livre de tal condenação, é necessário ao homem nascer de novo (João 3: 3- 7; Mateus 7: 13- 14).

 

Aplicação Prática

Compare o que a bíblia diz acerca destas quatro pessoas e aponte qual delas eram mais ou menos pecadoras (segundo Phil, depravados)?

  • Nicodemos era mestre, juiz, judeu e um religioso exemplar (João 3: 1);
  • A mulher samaritana, que teve cinco maridos e o que tinham não lhe pertencia (João 4: 18);
  • O paralítico do tanque de Betesda, que esteve à beira do tanque por trinta e oito longos anos (João 5: 5);
  • O jovem rico que, apesar da religiosidade e cumpridor dos `mandamentos', era apegado a sua riqueza.

Com base no alerta que Jesus deu a alguns judeus (que pensavam estarem em uma condição melhor que a dos galileus que foram mortos por Pilatos por serem descendentes de Abraão), conclui-se que todos os homens precisam mudar a concepção de como se alcança a salvação de Deus (arrependimento), pois se não mudarem de conceito, igualmente perecerão (Lucas 13: 1- 5).

Percebe-se que, diante de Deus, tanto Nicodemos quanto a mulher samaritana precisavam nascer de novo. Tanto o paralítico no tanque de Betesda quanto o Jovem rico precisavam arrepender-se, pois ambos, de igual modo pereceriam "Não, vos digo! Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis" (Lucas 13: 5).

Percebe-se que, embora não fosse dado à promiscuidade, Nicodemos não estava em uma posição melhor diante de Deus se comparado a condição da mulher samaritana. Do mesmo modo, tanto o Jovem rico, cumpridor dos mandamentos, quanto o paralítico que passou trinta e oito anos deitado à beira do tanque, haveriam de perecer.

 

Considerações Essenciais

Segundo a concepção humana, qualquer evento catastrófico, enfermidade, calamidade, deformidade, etc., são provenientes ou causados pelo pecado. Por sua vez, Jesus demonstrou que tal concepção não condiz com a verdade, visto que ele rebateu o comentário de alguns judeus que pensavam que os galileus que foram mortos, cujo sangue Pilatos misturou aos sacrifícios que realizavam, eram mais pecadores que todos os outros galileus (Lucas 13: 1- 5).

Como aqueles judeus gostavam de atualidades, Jesus os fez lembrarem-se da queda da torre de Siloé, onde dezoito pessoas morreram, e nem por isso elas eram mais pecadoras que os moradores de Jerusalém. Como os judeus se consideravam filhos de Abraão por serem descendentes de Abraão, acabavam por apontar as catástrofes envolvendo outros povos como sendo resultado do pecado, porém, esqueciam que também eram sujeitos de catástrofes.  

Segundo o que dispõe o profeta Miquéias, tanto o melhor quanto o mais justo dos homens são reprováveis diante de Deus e precisavam nascer de novo. A reprovação divina não é por causa da moral, do comportamento, da psique, da condição física ou financeira dos homens. Os homens tornaram-se reprováveis (desagradáveis) diante de Deus por causa da condenação estabelecida em Adão. Em Adão `pereceu' da terra o homem piedoso. Todos deixaram de ser retos diante de Deus (Miquéias 7: 2; Romanos 3: 23).

A bíblia informa que toda humanidade estava destituída da glória de Deus porque pecaram (Romanos 3: 23). Ora, pecaram não por causa de questões psíquicas, físicas, morais, comportamentais, etc., antes pecaram porque foram vendidos ao pecado como escravos. É por isso que as escrituras protestam contra os judeus, pois eles pensavam que eram salvos por serem descendentes de Abraão: "Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim" (Isaías 43: 27).

Assim como os descendestes de escravos nos regimes escravocratas já nasciam sob o jugo da servidão pelo simples fato de descenderem de escravos, o homem gerado da semente corruptível (Adão) vem ao mundo sob o jugo (escravidão) do pecado, e, portanto, são pecadores (João 8: 34).

À época de Jesus os escravos eram iguais aos homens `livres', tanto no físico quanto na psique, ou seja, o fato de serem escravos não os tornava `menos' humanos que os homens livres. Porém, o que pesava (diferencial) sobre eles era o jugo imposto pela sociedade escravocrata. Semelhantemente, não é a psique, nem as emoções e nem os desejos dos homens nascidos sob a égide do pecado que os tornam diferentes dos nascidos de novo.

As emoções são pertinentes aos homens e contempla tanto os que estão sob o jugo do pecado quanto os que estão sob o jugo da justiça (Romanos 6: 18). O homem com Cristo é alvo das mesmas emoções que os homens sem Deus. Ambos ficam tristes, alegres, deprimidos, motivados, choram, riem, etc. Ambos pensam, raciocinam, trabalham, etc. Ambos tem fome, sede, apetite sexual, sonham, etc.

Através do comparativo acima se conclui que, nem o pecado e nem a justiça subjugam as emoções, as sensações, os desejos e a psique do homem. Nem o pecado nem a justiça subjugam os homens através das emoções, fraquezas, desejos, etc.

Cristo chorou, esteve aflito, angustiou-se, alegrou-se, comeu, bebeu, foi às festas, ou seja, as emoções e sensações físicas de Jesus eram idênticas as dos seus irmãos carnais, porém, é certo que ele não foi sujeito ao pecado pelo fato de ter ficado aflito ou chorado (Hebreus 4: 15).

Por outro lado, não é por que os monges budistas vivem uma vida de meditação perene para afastar ou reprimir alguns sentimentos e emoções que serão livres do pecado.

Em que Jesus foi semelhante aos seus irmãos, se não nas fraquezas, emoções, sensações, desejos e psique? (Hebreus 2: 14; Mateus 26: 37)

O verbo de Deus se fez carne o que demonstra que o corpo físico não é o que vincula o homem a servidão do pecado. Assim como os filhos participam da carne e do sangue, Jesus também participou das mesmas coisas (carne, sangue, fraquezas...), porém, sem pecado, visto que ele foi gerado de Deus (Hebreus 2: 14).

O que diferenciava o Cristo de Deus dos outros homens não era a psique (inteligência e moral superior), ou o físico (carne e sangue), antes o diferencial estava no fato de Ele ser gerado de Deus, ou seja, sem pecado "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus" (I João 3: 9).

Do mesmo modo, o diferencial entre os que crêem no evangelho de Cristo e os descrentes não estão na psique ou no corpo, antes, no fato de quem crê é de novo gerado segundo Deus, em espírito e em verdade. O diferencial entre aqueles que servem e os que não servem a Deus está em eu os que servem são nascidos de Deus.

Para ser homem, ou seja, como `um de nós', o verbo de Deus teve que ser participante da carne e sangue, compartilhando das mesmas fraquezas e limitações pertinentes a natureza humana (João 1: 14). O fato de os homens serem sujeitos às fraquezas não se vincula e nem deriva do pecado, pois o Verbo de Deus teve que participar das mesmas fraquezas e limitações humanas para ser como `um de nós'.

Como seria possível Jesus `compartilhar' das fraquezas humanas se `as fraquezas' derivassem ou fossem produzidas pelo pecado?

O que se observa através das escrituras é que os sentimentos e as emoções humanas vinculam-se diretamente à natureza humana. Deus criou o homem na condição e posição de homem, ou seja, fraquezas, necessidades, prazeres, sonhos, desejos, medos, coragens, etc., são elementos pertinentes à natureza humana "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4: 15).

Acaso o apóstolo Paulo sentiria prazer nas fraquezas e necessidades se tais sentimentos e emoções fossem provenientes do pecado? A bíblia é clara: "O salário do pecado é a morte", e quando Adão pecou trouxe sobre si e sua descendência um julgamento com uma pena única, que resultou em destituição (alienação) da glória de Deus (condenação).

Ou seja, não podemos ser mais `realistas' que a bíblia e dizer que a condenação estabelecida em Adão influenciou a constituição física e emocional do homem "Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (II Coríntios 12: 10).

A pena estabelecida antes da desobediência de Adão foi única: "...certamente morrerás" (Genesis 2: 17). Quando Deus falou com Adão e Eva na viração do dia, eles já estavam mortos, ou seja, destituídos da glória de Deus. Logo em seguida, por causa da queda:

  • Deus promete o descendente (Genesis 3: 15);
  • Estabelece a sujeição da mulher ao marido e a dor na gestação (Gênesis 3: 16);
  • Por causa do homem Deus amaldiçoa a terra, institui o trabalho e apresenta a morte física "Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; pois és pó, e ao pó tornarás" (Gênesis 3: 19).

Quando o Verbo de Deus foi introduzido no mundo dos homens, ele se tornou pó, porém, como Filho de Deus sempre esteve unido ao Pai. Ao despir-se da sua glória, o Verbo que se fez carne tornou-se como `um de nós', e necessariamente teve que tornar ao pó (morte física). Ora, se a morte física veio sobre os homens em conseqüência da transgressão de Adão, Jesus como Filho de Deus jamais poderia ser sofrido a morte física.

Porém, vemos a relação estabelecida por Deus: "Tu és pó, e ao pó tornarás". Ao assumir a condição de Servo, Jesus teve que se sujeitar as mesmas fraquezas pertinente aos homens. Devemos ver nitidamente o que o escritor aos Hebreus apresenta acerca de Jesus: "Vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e de honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" (Hebreus 2: 9).

Jesus foi feito menor que os anjos por causa da paixão da morte. Ele se fez homem para que provasse a morte física, diferente da morte espiritual, que é destituição da glória de Deus! Isto indica que, provar a morte física não é conseqüência do pecado, antes é algo pertinente a fragilidade e fraqueza daqueles que foram tomados do pó da terra. Cristo provou a morte física, e isto demonstra que ela não está atrelada ou que deriva da desobediência de Adão.

A condenação da humanidade é (apenas) destituição da glória de Deus, isto, e tão somente isto, já é por `demais' funesto. É indiscutível o fato da condenação e perdição do homem sem Deus. A alienação de Deus não precisa ser enfatizada ou descrita através de palavras tais como: `todo', `completamente', `terrivelmente', `maus até os ossos' ou `totalmente depravados'.

Se admitirmos que o homem sem Cristo é `completamente', `totalmente' perdido, também teríamos que admitir que os salvos são `completamente', `totalmente', `terrivelmente' salvos. Isto é possível?

O julgamento e condenação da humanidade ocorreram em Adão, e a pena estabelecida foi alienação de Deus (Romanos 5: 18; João 3: 18). A bíblia descreve este estado como sendo separação, destituição, alienação de Deus. Ora, não há necessidade de superlativos ou de adjetivos adicionais para se enfatizar ou demonstrar a condição da humanidade sem Cristo, visto que não há na bíblia o uso de superlativo para descrever a condição do homem sem Deus. Um condenado é condenado, e não totalmente condenado. Um perdido é somente perdido, o que de per si é uma condição terrível.

Não podemos confundir a universalidade do pecado quando se diz: "... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus", com a idéia de que o perdido é totalmente, completamente, irremediavelmente perdido.

 

O homem sem Cristo é totalmente depravado?

Se a idéia contida na palavra `depravado' refere-se à condição de alienação de Deus daqueles que não crêem em Cristo, podemos dizer que o homem é (totalmente) depravado (completamente perdido). Porém, por que não simplificar e falarmos como dizia o apóstolo Paulo: todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Por que transtornam a idéia apresentada por Paulo introduzindo a palavra totalmente? É certo dizer que todos pecaram e estão `totalmente' destituídos da glória de Deus? Que idéia a fala procura transmitir com `totalmente depravado'?

Porém, se a idéia que procuram enfatizar através da palavra `depravado' denota perversão é fácil perceber que nem todos os homens são `totalmente' pervertidos. Os judeus a época de Cristo eram pervertidos? Os monges que se isolam nos mosteiros são pervertidos? Que dizer das pessoas regradas que vivem nas sociedades orientais? Nicodemos era um homem depravado? Que dizer do homem comum da nossa sociedade?

O que se depreende do texto do calvinista Phil Johnson é que a `depravação total' refere-se a um possível `controle' que o pecado exerce sobre a psique, emoções e desejos, influenciando até mesmo a constituição física do homem, causando todos os males.

Diante desta afirmativa, vale questionar: O pecado desfigura o homem? Ora, os discípulos perguntaram ao Messias sobre quem pecou quando avistaram um paraplégico. A resposta de Cristo foi enfática: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus" (João 9: 3).

Diante da resposta de Cristo fica demonstrado cabalmente que o pecado não é a causa de qualquer deformidade ou deficiência física. Ora, o interprete das Escrituras não pode confundir os vários comparativos que as Escrituras estabelecem entre o pecado e as enfermidades e admitir que as enfermidades físicas sejam provenientes do pecado. O pecado é comparado à lepra, porém, a lepra não decorre do pecado, pois o salário do pecado é proveniente de uma justa pena: destituição da glória de Deus.

O pecado não decorre de um dilema moral, pois se assim fosse teríamos diferentes níveis de pecado e uma só punição. Porém, a bíblia demonstra que o pecado é uma condição pertinente à natureza destituída de Deus. Quando Davi foi concebido e gerado, ele foi concebido e gerado na condição de destituído da glória de Deus, pois esta é a condição dos gerados segundo Adão (Salmos 51: 5).

O pecado é uma condição da qual o homem não consegue por si só livrar-se, porque tal condição está vinculada a natureza herdada de Adão. Para se ver livre do pecado é necessário o poder de Deus contido no evangelho, visto que, através do evangelho Deus faz nova todas às coisas: concede um novo espírito e um novo coração aos homens (Salmos 51: 10).

Quando Paulo disse que os cristãos estavam mortos em delitos e pecados antes de conhecerem a Cristo, ele somente estava demonstrando que todos estavam destituídos da glória de Deus (Efésios 2: 1); que eles seguiam o curso deste mundo, ou seja, de alienação eterna de Deus, que é o mesmo curso do príncipe da potestade do ar.

O apóstolo Paulo estava descrevendo a condição do homem sem Deus, e não os feitos do homem em sujeição ao pecado (filhos da ira e da desobediência, ou seja, filhos de Adão).

Qual a vontade da carne, ou seja, a vontade da natureza decaída? A carne em Efésios 2: 1- 3 não diz da constituição física do homem, antes diz da natureza decaída proveniente de Adão. Ora, não podemos esquecer que, o que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito. A `vontade' da carne é o mesmo que `inclinação', e verifica-se que é da vontade da carne (inclinação) que todos os homens sem Cristo sigam para a morte (Romanos 8: 6).

Os que estão na carne, ou seja, que foram gerados de Adão não pode agradar a Deus. Estão em inimizade contra Deus. Inclina-se para a morte. Fazem a vontade da carne. Diferem dos nascidos do Espírito, que estão em amizade com Deus e inclina-se para a vida e a paz.

É por isso que Paulo ao escrever aos Gálatas disse: "Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõe-se um ao outro, para que não façais o que quereis" (Gálatas 5: 17). A oposição carne versus Espírito resume-se em morte e vida, conforme depreendemos o que lemos em Romanos 8: 6: "A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser".

Não comungo com o pensamento calvinista porque acrescenta à palavra de Deus (a graça e poder de Deus manifesta aos homens) algumas palavras para dar ênfase a doutrinas calvinista, tais como: o homem é totalmente depravado, para dizerem que é impossível o homem que tem sede beber da água que faz jorrar uma fonte para a vida eterna oferecida através do evangelho. Para eles o simples fato de o homem aceitar a água ofertada por Cristo seria como se o homem estivesse se salvando.

Para demonstrar que alguns homens foram escolhidos para serem salvos, acrescentam a palavra `eleitos' em versículos que demonstram que a salvação é para todos os homens.

O pensamento calvinista não leva em consideração que a soberania de Deus se estabelece na criação dos homens, e não em estabelecer aqueles que serão salvos, como se lê: "Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel" (Jeremias 18: 6).

Claudio Crispim

Bíblia Fácil 


#16 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Qui, 11 de Set de 2008 3:52 pm
Assunto: Adoração
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Adoração 

Em nossos dias tem-se multiplicado nos templos `evangélicos/protestantes' o número de espetáculos e cantores "cristãos" que embriagam a emoção da massa dos espectadores. Seriam estes `cultos/espetáculos' o verdadeiro louvor e adoração? O que a bíblia ensina acerca da adoração? Qual a relação entre cânticos, louvor e adoração?

A idéia de que Lúcifer foi regente do coral celestial propagou-se em meio ao cristianismo e tornou-se consenso. As pessoas não questionam as idéias consensuais e acabam incorrendo e divulgando erros grosseiros. Por causa desta idéia equivoca de que Satanás era o regente das hostes angelicais surgiu à concepção de que Satanás era um exímio músico, conhecedor do poder da música e que por meio dela leva muitos à perdição.

A bíblia não possui este posicionamento:

a)      Lúcifer nunca regeu o `coral celestial' - A bíblia demonstra que Satanás exercia especificamente a função de vigia (guarda) do monte santo de Deus "Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas" (Ezequiel 28: 14). Ora, o querubim foi ungido para a função de vigia do monte santo de Deus, e o lugar que ele montava guarda era o Éden, o jardim de Deus, e não os céus "Estavas no Éden, jardim de Deus..." (Ezequiel 28: 13). Como Lúcifer poderia reger o coral celestial se ele foi criado e ungido para guardar o monte santo de Deus que ficava nas bandas do norte do jardim do Éden?

b)      Não é Satanás que conduz os homens à perdição – A bíblia demonstra que todos os homens entram por uma porta larga (Adão) ao serem gerados segundo a semente corruptível de Adão e seguem por um caminho que conduz à perdição. Ora, é o caminho no qual os homens estão que os leva à perdição, e não Satanás. Satanás não tem a atribuição de conduzir os homens à perdição. A perdição é resultante da queda de Adão, onde todos os homens foram julgados e condenados.

A função de Satanás é promover a mentira, fazendo o homem permanecer na ignorância. Ou seja, os homens sem Deus permanecem na condição de perdição por causa da ignorância e dureza de coração "... separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza de coração..." (Efésios 4: 18). 

Cristo é salvação poderosa para todos os homens, e basta crer na mensagem do evangelho que o homem entrará por Cristo (porta estreita), nascendo de novo (último Adão). Porém, a ação de Satanás é semear o joio, arrebatar a palavra semeada, estabelecer falsos mestres e falsos profetas para que os homens creiam na mentira, permanecendo no engodo do pecado "E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem" (II Tessalonicenses 2: 10).

Um consenso acerca das atribuições de Satanás antes da queda levou muitos cristãos ao engano de que ele era responsável pela regência do coral celestial; que há um poder indescritível na música e que Satanás sabe usá-la para arregimentar os homens para o inferno; Se esta estória acerca da música virou consenso e ludibriou muitos, qual será o consenso acerca da idéia de adoração?

 

O que é adoração?

 

Um leproso prostrou-se diante de Cristo dizendo que somente Ele poderia curá-lo e O adorou dizendo: "Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo". Ou seja, o simples fato de reconhecer que somente Jesus poderia curá-lo constitui-se em adoração "E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo" (Mateus 8: 2).

 

Uma mulher suplicou o auxilio de Jesus, e este fato constitui-se em adoração "Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!" (Mateus 15: 25).

 

Por que pedir auxílio a Deus constitui-se em adoração? Qual o elemento comum a todos os pedidos? Porque o pedido (oração) expressa confiança, fé em exercício, descasar na esperança proposta. Somente pede quem crê que Deus é poderoso e gracioso em socorrer suas criaturas "Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou" (João 9: 38).

 

O elemento essencial a adoração é a fé. Sem fé é impossível agradar a Deus! Quando me refiro à fé, não é a mera crença. A fé que é o elemento essencial a adoração é a fé (confiança) na pessoa do Filho Unigênito de Deus "Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito para contigo como tu desejas" (Mateus 15: 28).

 

Através de várias passagens bíblicas é possível abstrair que o simples fato de o cristão dirigir a Deus um pedido, uma oração, já está adorando a Deus, visto que, somente ora ao Pai quem crê que será atendido "Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11: 6).

 

A adoração também pode ser um ato de reconhecimento, o que se depreende do texto a seguir: "E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes" (Marcos 5: 6- 7). Ou seja, os demônios adoraram a Jesus pelo fato de Ele ser o Cristo de Deus, porém, ao intentar revelar Cristo aos homens pretendia adquirir credibilidade "E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam" (Marcos 1: 34).

 

Que relação tem a Luz com as trevas? Jesus proibia os demônios de anunciar que Ele era o Cristo porque o reino dos céus não depende do testemunho de demônio para ser estabelecido. Muitos pretensos adoradores em nossos dias dão mais credito ao que os possessos por demônios dizem, do que a verdade do evangelho. Observe a atitude de Paulo com a advinha que o seguia "Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu" (Atos 16: 17- 18).

 

Porém, seria esta adoração que Deus espera de suas criaturas? Um reconhecimento somente?

 

A verdadeira adoração só ocorrer quando o homem é gerado de novo da semente incorruptível em espírito e verdade, como lemos: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4: 23). Somente aqueles que são nascidos do Espírito, ou seja, que nasceram de novo são espirituais e adoram a Deus verdadeiramente(João 3: 6), o que só é possível através da fé (João 1: 12- 13; Efésios 4: 24; Romanos 1: 16).

 

Todos os descendentes de Adão são carnais e precisam nascer de novo do Espírito Eterno para que sejam contados como filhos de Deus. Somente através da obediência a palavra da verdade do evangelho, a semente incorruptível, ou seja, o poder de Deus dado aos homens, o homem é de novo gerado, e passa a adorar a Deus em espírito e em verdade.

 

Há muitos homens que fazem odes, músicas, poesias, gravuras, quadros, etc., em reconhecimento a existência de Deus, porém, eles não `adoram' em espírito e verdade. Outros, como é o caso dos judeus, tem zelo de Deus, porém, sem entendimento, pois não deixaram se iluminar pela luz do evangelho (Romanos 10: 2).

 

Vários artistas, religiosos ou não, compõem canções, mas nem por isso adoram a Deus em verdade. A mentira faz parte da natureza que herdaram de Adão. A separação de Deus, que é a verdade fez surgir uma nova natureza segundo a mentira. Deus é luz, e os que não são nascidos de Deus, são trevas. As trevas ou a mentira só é dissipada através do novo nascimento (Romanos 3: 7). Fica a pergunta: será que os espetáculos e cultos que são realizados constituem-se em verdadeira adoração a Deus? Não são modismos e uma imitação barata dos cultos que são dedicados aos ídolos?

 

Se nestas reuniões estiverem falando a verdade do evangelho, ou seja, professando a Cristo segundo diz as escrituras, é certo que estão adorando a Deus em espírito e em verdade. Porém, se não professam a Cristo segundo o que diz a bíblia, não há adoração verdadeira, antes, estas reuniões constitui-se em deleite da carne, ou seja, são reuniões cheias de emocionalismo carnal, mas desprovida do Espírito de Deus.

 

As pessoas que fazem shows bendizem a Deus, porém, o bendizer por si só não é a verdadeira adoração, pois não procede dos lábios de verdadeiros adoradores (homens nascidos de novo). Acaso monges, padres e sacerdotes que reverenciam a Deus em suas reuniões adoram a Deus simplesmente por bendizê-lo? Dizer "Senhor, Senhor" não se constitui em adoração, antes, para ser conhecido do Senhor é necessário crer conforme diz as Escrituras.

 

Os salmos 103 e 104 são exemplos típicos de adoração a Deus, pois o salmista Davi era um verdadeiro adorador, visto que recebeu um novo coração e um novo espírito (Salmo 51: 10), bendiz ao Senhor por tudo que Ele faz pelos homens que N'Ele esperam (Salmo 103), e em seguida bendiz a Deus pela sua magnificência (Salmos 104). Não se esqueça que o salmo 51 também é adoração, pois se constitui em oração a Deus, onde temos o salmista esperando em Deus que venha conceder um novo coração e um novo espírito (novo nascimento).

 

Somente adora a Deus em espírito e em verdade aqueles que são agradáveis a Deus. Apesar de ser bonito ver uma pessoa que, quando diz o nome de Deus tira o chapéu de sobre a cabeça em sinal de reverência, não é este o modo pelo qual os homens se submetem ao Senhorio de Deus, antes só é possível tomar o jugo da justiça obedecendo à palavra de Deus, que é: Crede naquele que Ele enviou. Gesto e sinais de reverência não tornam os homens agradáveis a Deus. Entrar nos templos descalço não é reverência ao Altíssimo. Falar baixinho não se constitui em reverencia a Deus. Entrar em um templo não é o mesmo que se apresentar ante o trono da graça. Somente por meio da verdade do evangelho (a fé que foi dada aos santos) o homem tem acesso à presença de Deus.

 

Quando a adoração de certos seguimentos evangélico/protestante foca-se na ritualística, na forma, na legalidade, na moral, em costumes, na tradição, e outros quesitos, simplesmente seguem o curso natural de outros seguimentos religiosos pagãos.  Todas as religiões baseiam-se em conceitos, cerimônias, liturgia, rito padronizado, organização, liderança e experiência emocional ou mística.

 

O evangelho de Cristo não segue padrões humanos, visto que é pela fé e por fé somente. A fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos é a ancora da alma, segura e firme, que penetra além do véu, onde os que crêem se refugiam e descansam (fé) na esperança proposta (Hebreus 6: 13- 20); Judas 3; Filipenses 1: 27).

 

Para muitos a adoração vincula-se aos templos, sacrifícios, campanhas, peregrinações e cânticos e por um determinado espaço de tempo. Este modelo de culto segue a concepção carnal dos cultos das religiões em geral, visto que acabou por fomentar a idéia de que a adoração depende do comprometimento do homem com a instituição que freqüenta, com a contribuição, com os sacrifícios, meditação, êxtase, transe, orações repetitivas, etc.

 

Mas o que Jesus anunciou acerca da verdadeira adoração? Que ela não está atrelada a templos (igrejas, mesquitas ou sinagogas), lugares (Jerusalém, Samaria, Gilgal), tempo (dias de festas e sábados), nação (judeus ou gentios), antes se vincula a nova natureza concedida na regeneração (novo nascimento).

 

O que o Pai procura nos verdadeiros adoradores? A conversa de Jesus com a mulher samaritana trás um escopo geral do que é essencial a adoração.

 

Qual o lugar de adoração dos verdadeiros adoradores? Ora, sabemos que Deus é Espírito, e que os seus adoradores o adoram em espírito e em verdade. Onde o espírito de Deus está ai há liberdade, ou seja, não importa o lugar, ou antes, em todos os lugares há liberdade para o homem estar na presença de Deus.

 

Como? Ora, não é necessário templos feitos por mãos humanas, pois todos os que crêem foram edificados templos e casas espirituais, são templos e morada do Espírito "No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Efésios 2: 22). Não é necessário sacerdotes, pois todos que creram foram comissionados a sacerdócio real (II Pedro 2: 9). Aonde quer que o cristão vá, ali ele é templo e habitação do Altíssimo. Os verdadeiros adoradores adoram ao Pai em espírito e em verdade, para que de fato sejam livres.

 

Qualquer sistema religioso que aponta um determinado templo, cidade ou monte como sendo o lugar da manifestação da graça divina é um engodo. Você já ouviu do seu pastor que você é o templo onde Deus habita? Que você é a casa do Deus vivo? Que você adora o Pai em espírito e em verdade? Que não são as instituições e nem os homens que lhe conduziu a glória de Deus?

 

Se você é templo; Se você é sacerdote do Rei; Se você é o próprio sacrifício VIVO; se você é o ofertante, o que mais lhe falta para prestar o culto racional a Deus onde, quando e com quem estiver? Você é adorador em todos os momentos da sua nova vida em Cristo, e são estes adoradores que o Pai procura através da mensagem do evangelho. Se você crê em Cristo conforme as escrituras, você é um dos adoradores que o Pai `encontrou' "E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida" (Lucas 15: 6).

 

Em nossos dias crêem em promessas vazias de prosperidade, em bênçãos materiais, em visões provenientes de mentes carnais, em profecias de homens corruptos de entendimento, porém, estas pessoas que demonstram ser crédulas, diante da mensagem do evangelho que diz que todos os cristãos são como pedras vivas, e que foram edificados como casa espiritual sobre a Pedra Viva que foi rejeitada pelos homens, não crêem. Rejeitam a palavra que diz que os cristãos são sacerdotes santos; rejeitam que os que crêem oferecem sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus (I Pedro 2: 4- 5). 

 

Não será cânticos gregorianos que fará os filhos da ira e da desobediência verdadeiros adoradores; cânticos e poesias sussurrados na penumbra de templos suntuosos não farão do homem natural um verdadeiro adorador. Não são os espetáculos de luzes e vozes em coro, acompanhado de instrumentos musicais, que servem somente para emocionar a platéia, que dará ao homem a alegria da salvação. Antes, necessário é nascer de novo, adquirindo um novo coração e um novo espírito.

 

Muitas pessoas pensam que o cântico é um modo do homem se aproximar de Deus e agradá-lo. Acham que nos hinos está o verdadeiro louvor. Enganoso é o coração dos homens. O povo de Israel em uma determinada guerra pensou deste modo, e a derrota na batalha foi maior! Pensaram que a vitória estaria na arca e cantaram e jubilaram com grande júbilo, que acabou por perturbar os inimigos. Porém, Deus não se sensibilizou com o espetáculo, com os cânticos e com as danças.  O povo foi à guerra, foram derrotados e voltaram sem a arca da aliança, o ícone que elegeram para conduzi-los a vitória "E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu" (I Samuel 4: 5).

 

Na emoção não há vitória, antes a vitória está na obediência à palavra de Deus. Mas, como obedecer sem descansar (fé) naquele que prometeu? Não era melhor obedecer a Deus e não levar a arca da aliança para a guerra.

 

Davi deixou a emoção guiá-lo e trouxe sobre si o peso do Senhor "Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com todo tipo de instrumento..." (II Samuel 6: 5).

 

Deus não exige cânticos, júbilos, músicas, poesias e danças, antes quer que O obedeçam segundo a sua palavra (Deuteronômio 10: 12- 13). O temor é o princípio da sabedoria, e ao temer, Davi foi à fonte da sabedoria para inteirar-se da vontade de Deus: "Temeu Davi ao Senhor naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca do Senhor" (II Samuel 6: 9).

 

Muitos deixam de perguntar à sabedoria qual a verdadeira adoração e se deixam levar pelos grandes espetáculos e show de luzes, que na essência é um culto a Mamon. Tal ajuntamento simplesmente serve a interesses do capital. Tais cultos sevem aos interesses de homens movidos pela ganância e que busca o prêmio de Balaão (Judas 11).

 

Porém, parece que nestes últimos dias o aviso solene que ecoa pela escrituras não sensibiliza as massas, e temos na bíblia dois motivos como causa desta realidade:

 

A)     Em nossos dias proliferaram os pastores que apascentam a si mesmos, que andam segundo a concupiscência dos olhos e consideram que o evangelho é fonte de lucro "Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências..." (Judas 12- 16);

B)      O público que atraem não é outro, a não ser àqueles que têm comichão nos ouvidos e que não querem receber a sã doutrina do evangelho "Porque virá tempo em que não suportarão a doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (II Timóteo 4: 3).

 

Observe que a concupiscência é algo comum aos `pastores' que apascentam a si mesmo e as `ovelhas' que sofrem de comichão nos ouvidos e que buscam amontoar estes `pastores'.

Não sou contra o ajuntamento solene, pois a bíblia demonstra que é imprescindível que os cristãos congreguem e se exercitem no amor; é nas reuniões que as escrituras são lidas, analisada e entoadas para que haja o consolo mútuo entre os cristãos através do que lhes é comum: a verdade do evangelho.

 

Qual a função dos cânticos e salmos? Adoração? Ora, é de conhecimento geral que a maioria do povo não sabia ler. Há época os livros eram caríssimos, e poucas pessoas possuíam um exemplar dalgum livros das escrituras. Por causa desta carência de livros e de pessoas que soubessem ler os cânticos, os provérbios e os salmos foram instituídos para auxiliar o povo a gravar na memória o que aprenderam acerca da vontade de Deus.

 

Este era um dos motivos das escrituras ser lida nas sinagogas todos os sábados em voz alta. Tal rotina não constituía um ritual de per si, antes tina em vista uma carência do povo. Ora, a adoração não estava atrelada aos cânticos, salmos e provérbios, visto que a adoração verdadeira é proveniente do novo espírito e do novo coração concedidos por Deus (Ezequiel 18: 31; Salmos 51: 10).

 

O objeto manipulado nas reuniões dos primeiros cristãos eram os salmos e cânticos espirituais, pois fixava na memória dos irmãos a verdade do evangelho "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração" (Colossenses 3: 16); "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Efésios 5: 19).

 

Perceba que ensinar, ou admoestar e falar uns com os outros não se constitui em adoração como muitos entendem em nossos dias. Ou seja, cânticos, hinos e salmos eram utilizados no processo de ensino, admoestação e comentários à palavra do evangelho, o que é diferente da idéia de adoração, que só é possível em espírito e em verdade.

 

Ou seja, os cristãos devem reunir-se periodicamente (congregar), porém, as reuniões não se constituíram adoração ou culto ao Senhor. As reuniões têm como objetivo o ensino da palavra, visto que o culto é racional e a adoração perene (nunca cessa).

Claudio Crispim


#15 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Sex, 29 de Ago de 2008 2:11 am
Assunto: É possível vender a ‘alma’ ao diabo?
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É possível vender a `alma' ao diabo?

 

No imaginário popular é corrente a idéia de que é possível ao homem vender a sua alma ao diabo e tal pensamento também está tomando corpo nas igrejas evangélicas.

Circula um vídeo na internet do Pastor Josue Yrion que aponta uma apresentadora de programa infantil brasileira de ter vendido a alma ao diabo por 100 milhões de dólares e de doar duas vezes por ano o seu sangue a uma igreja satanista situada na Califórnia.

O que a bíblia diz? É possível a alguém vender-se ao diabo? De onde surgiu tal concepção?

A bíblia demonstra que todos os homens pecaram e que todos estão destituídos da glória de Deus (Romanos 3: 23).  Ela demonstra que toda humanidade foi vendida como escrava ao pecado por Adão (I Coríntios 15: 21).

Nenhum descendente de Adão precisou escolher conscientemente estar sujeito ao pecado para ser pecador. Independentemente da consciência, do conhecimento, da moral, do costume, do comportamento, do bem e do mal todos os homens ao nascer (simplesmente por nascer segundo Adão) tornaram-se escravos do pecado (Romanos 5: 12).

A humanidade está sob o jugo do pecado porque Adão e Eva conscientemente ignoraram a informação concedida por Deus e resolveram comer do fruto proibido tendo em vista um prêmio (Gênesis 3: 6) sem importar-se com as conseqüências (Gênesis 2: 17).

Depois da queda de Adão, nenhum dos seus descendentes tem a possibilidade de pecar do mesmo modo que Adão, visto que ele se vendeu como escravo ao pecado e todos os seus descendentes com ele.

Os descendentes de Adão são escravos do pecado (propriedade), e, portanto, é impossível serem novamente vendidos ou venderem-se ao pecado. O mundo está morto no maligno (jaz no maligno) por causa da corrupção da natureza herdada de Adão.

A bíblia também demonstra que o diabo não possui propriedades ou herdades. O inferno e o lago de fogo foram preparados para ele e os seus anjos (e todas as gentes que se esquecem de Deus), porém, ele não gerencia e nem administra o inferno. Antes, ele é réu do fogo do inferno "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mateus 25: 41).

 

A bíblia não atribui ao diabo à posição de senhor. Ele não exerce senhorio sobre os homens e nem sobre os anjos caídos. Todas as criaturas sem Deus estão sujeitas ao pecado por causa da natureza destituída de Deus, e não ao diabo. Entre as criaturas destituídas de Deus está o diabo e os seus anjos, que também são escravos do pecado.

O diabo é o pai da mentira, porém, do mesmo modo que os homens gerados de Adão, ele também é escravo do pecado. Ao buscar a semelhança do Altíssimo (desobedeceu e não guardou o seu principado) ele tornou-se escravo do pecado, ou seja, destituído da vida que há em Deus.

Somente quem obedece à palavra de Deus pode ser participante de sua natureza, tanto homens quanto anjos "Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardais os seus mandamentos, obedecendo à voz da sua palavra" (Salmos 103: 20). A soberba do diabo o conduziu à desobediência, e conseqüentemente a queda.

 

Por sua vez, levado pelo engano do diabo e pela concupiscência dos olhos, o homem (Adão e Eva) desobedeceu ao Criador e foi destituído da gloria de Deus, e conseqüentemente arrastou todos os seus descendentes para a mesma condição.

 

Após serem lançados da presença de Deus, tanto o `anjo de luz' quanto `o primeiro homem', ambos passaram à condição de trevas. Enquanto o diabo seduziu um terço da ordem angelical, o homem, por sua vez, através da sua capacidade de trazer outros semelhantes à existência passou a gerar filhos segundo a sua desobediência e destinados a ira (João 3: 6).

Por que o pecado é comparado a um senhor e os destituídos de Deus a escravos?  Porque os que estão em sujeição ao pecado, e isto inclui o diabo e seus anjos, mesmo que queiram, a eles é impossível mudarem a condição pertinente a natureza caída.

Em linhas gerais, o pecado é uma condição pertinente a natureza destituída (lançada da presença) de Deus "Do pecado, porque não crêem em mim" (João 16: 9). Por ser impossível à criatura mudar a sua própria natureza, ela está sujeita à condição adquirida pela desobediência. A sujeição da criatura destituída de Deus ao pecado compara-se a sujeição de um escravo ao seu senhor (João 8: 34).

 

Diante do que a bíblia expõe é seguro afirmar que é impossível a todos (quaisquer) os homens venderem-se ao diabo pelos seguintes motivos:

a)     Um escravo não dispõe de nada que possa oferecer ou negociar – todos os homens gerados segundo Adão são escravos do pecado, e, portanto, propriedades do pecado (objeto ou instrumento). Segundo a lei que norteava o regime escravocrata, uma `coisa' (escravo) não dispunha de bens e não podia negociar por seu uma `coisa' do seu senhor. Ora, se todos os homens são escravos do pecado por causa de Adão, segue-se que o homem não pode vender-se ao diabo;

b)    Cristo resgata o homem das garras do pecado, e qualquer contrato com o diabo é um engodo satânico - ao admitir a possibilidade de alguém vender-se ao diabo, teríamos de admitir também que tal pessoa estaria irremediavelmente perdida. Caso alguém tenha `vendido a sua alma' ao diabo e ouça acerca de Cristo e queira aceitá-lo, o contrato com o diabo impedirá a salvação, caso ele se arrependa? Por certo que não, visto que o homem sem Cristo pertence ao pecado, e não ao diabo;

c)     Um escravo não compra ou vende-se a outro escravo - Haveria validade em um contrato estabelecido entre escravos? Se ambos, o diabo e o pecador estão perdidos (escravos do pecado), como é possível alguém perdido vender-se a outro perdido?

 

A bíblia aponta a existência de dois senhores: o pecado e a obediência (Romanos 6: 16). Quando o homem é salvo do pecado, automaticamente também é liberto do engano do diabo que se fixava na ignorância (Efésios 4: 18).

Como bem sabemos, o diabo é o pai da mentira e a especialidade dele é enganar os incautos. Ora, todos os homens estão perdidos por serem descendentes de Adão, porém, o diabo propaga a idéia de que é possível o homem vender sua alma em troca de bens materiais para prendê-los ainda mais à ignorância, pois nem mesmo sabem que estão perdidos por causa da desobediência de Adão.

Se os homens soubessem que a perdição da humanidade sem Cristo está na origem proveniente de Adão, compreenderiam que precisavam nascer de novo. Porém, tal verdade não é divulgada, e o diabo propaga inúmeras idéias que prende os homens a ignorância.

Por ignorarem que estão perdidos em Adão, os homens aceitam a idéia de que somente estarão perdidos caso vendam (de algum modo) a alma ao diabo. A ignorância somada a vaidade dos pensamentos, faz com que o homem acredite que certas práticas levam a perdição, ou que através delas o homem vende a alma ao diabo.

Para muitos o homem nasce livre de condenação, e ao fazer certas escolhas consciente, pautadas pela moral, consciência, costumes, leis, regras religiosas, etc, alcançará a salvação no juízo final, e que, só através de ritos e oferendas ao diabo estará irremediavelmente perdido, ou seja, quando vender a alma ao diabo.

A estratégia usada pelo diabo nos cultos aos demônios repletos de oferendas, rezas, rituais, templos, sacerdotes, seguidores, etc., está em fazer com que o homem não veja que está perdido por causa da condenação estabelecida em Adão. É objetivo do diabo que o homem permaneça na ignorância, acreditando que é um perdido por ter vendido a alma ao diabo.

Porém, a estratégia do diabo presente nas inúmeras religiões é para que o homem acredite que será salvo por não ter participado de tais cultos demoníacos onde fazem a tal `venda' da alma ao diabo.

As religiões que estabelecem regras comportamentais e cerimoniais como sendo o caminho de acesso a Deus, também são um engodo do diabo, pois ao adotar tais praticas, o homem considera-se salvo, e ignora a verdade: que é gerado de Adão, e que precisa nascer de novo.

O homem está vendido como escravo ao pecado (perdido) e é impossível o diabo comprá-lo, porque os homens sem Cristo já estão em um caminho largo que conduz à perdição. Ao propagar a idéia de que é possível o homem vender a sua alma em troca de bens materiais suguem vários mitos e lendas que fazem com que os homens fiquem presos a ignorância.

Um mito popular da conta de que Robert Johnson, um famoso cantor e guitarrista americano de Blues, vendeu a sua alma na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, no Mississippi, em troca da proeza de tocar guitarra. Soma-se a isto, o fato de algumas letras de suas canções fazerem referência ao diabo, como "Crossroads Blues".

Diante deste mito, algumas pessoas engodadas pela soberba da vida, acabam por acreditar que é possível estabelecer tal contrato e que acabam por procurar templos satanistas. Elas estão perdidas? É claro que sim, porém, a perdição delas está no fato de serem descendentes de Adão, e não por praticarem certos rituais.

Outras pessoas repudiam a idéia de servirem o diabo, porém, procuram nas religiões um caminho que leve a Deus. Elas serão salvas? É claro que não, visto que só é salvo quem entra pelo caminho estreito, que é Cristo, ao nascer de novo.

Para alguém que não conhece a verdade do evangelho é compreensível que aceitem a idéia de que é possível vender a alma ao diabo, porém, para aqueles que conhecem a verdade do evangelho é inadmissível tal argumento.

Ora, é bem provável que Robert Johnson tenha de fato realizado certos ritos e oferecido oferendas pensando que estava vendendo a sua alma ao diabo. Porém, a verdade do evangelho demonstra que a ação do diabo é cegar o entendimento dos perdidos para que não vejam a verdade "Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" (II Coríntios 4: 4).

Não há qualquer referência bíblica que aponte a idéia de que é possível estabelecer um contrato entre o diabo e os homens. Que valor há em um contrato, mesmo que assinado com sangue, a meia-noite, numa encruzilhada, com inúmeros sacrifícios? O que a bíblia diz? "Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?" (I Coríntios 10: 19).

 

Ora, se o que é sacrificado aos ídolos não é nada, que se dirá dos contratos `celebrados' nos templos construídos aos demônios?

 

Geralmente a concepção de alguns pregadores está embotada por se apoiarem em visões, e não na verdade, que é o evangelho. Sobre estes alerta o apóstolo Paulo, que estão enganados por causa da mente carnal (Colossenses 2: 18). Ora, se é impossível ao homem sem Cristo vender a alma ao diabo, que espírito trouxe tal mensagem ao pregador?

 

Acerca do diabo sabemos que ele é homicida desde o principio. Que nunca se firmou na verdade por não haver Deus nele. Quando ele profere mentiras, é algo próprio da sua natureza. É mentiroso e pai da mentira. Ora, o que Cristo demonstrou acerca do diabo é suficiente para que o cristão conheça as armas do inimigo, ou seja, a bíblia basta "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira" (João 8: 44).

 

Pra que conhecer as práticas pagãs? Que instrução ou edificação há em saber de certos ritos e práticas pagãs? Desde a antiguidade a humanidade faz oferendas e sacrifícios, chegando ao cumulo de sacrificar os seus próprios filhos (salmos 106: 37). Isto demonstra que nada há de novo na face da terra, e que a temática do cristão é o evangelho de Cristo.

 

Não é imprimindo medo nas pessoas que elas serão salvas, antes o amor lança fora o medo "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor" (I João 4: 18). Basta ao cristão anunciar o perfeito amor de Deus aos homens (evangelho) que eles se converterão, sem qualquer artifício meramente emocionalista ou referências a engodos do diabo.

 

 

Claudio Crispim


#14 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Dom, 17 de Ago de 2008 11:47 pm
Assunto: A Doutrina da Predestinação e a parábola dos Dois Caminhos
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A Doutrina da Predestinação e a parábola dos Dois Caminhos

 

Duas Portas e Dois Caminhos

Jesus demonstrou haver `duas portas' e `dois caminhos' e que todos os homens que desejam salvação precisam entrar pela porta estreita, uma vez que trilham um caminho de perdição (Mateus 7: 13).

Jesus é a `porta estreita' pelo qual todos os homens necessitam entrar para que possam deixar de trilhar o caminho de perdição. Cristo é o `caminho apertado' pelo qual somente os homens que crêem têm acesso a Deus.

Cristo e Adão são dois personagens antagônicos (Adão conduz à morte e Cristo à vida). Cristo é o último Adão (espírito vivificante), diferente de Adão, que foi criado alma vivente (I Coríntios 15: 45). Enquanto este foi criado por Deus, aquele foi gerado de Deus. Por causa da transgressão de Adão todos os homens (que dele são gerados) tornaram-se escravos do pecado. Todos os homens são concebidos e gerados em pecado (Salmos 51: 5).

Portanto, Adão é a `porta larga' pelo qual todos os homens ao serem concebidos (segundo a vontade do varão, segundo a vontade da carne e do sangue) entram ao nascer. O nascimento natural segundo Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho largo de perdição. Por causa desta realidade Jesus disse a Nicodemos: "Necessário vos é nascer de novo" (João 3: 7), ou ainda: `entrai pela porta estreita'. Sem Cristo o homem seguirá rumo a um destino de perdição, porém, tal destino não pode ser tido como um fado, um destino (fatum), fatalismo ou predestinação.

Em Adão ocorreu o juízo por causa da ofensa (pecado) para condenação. O juízo e a condenação foram estabelecidos em Adão e alcançaram todos os homens, por isso todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Romanos 5: 18).

 

Destino e Predestinação

Ao nascer, por ser descendente de Adão, o homem entra por uma porta larga e segue por um caminho que fatalmente o levará à perdição (I Coríntios 15: 47). Isto significa que o homem está `destinado' à perdição?

Antes de uma resposta afirmativa ou negativa, precisamos definir qual o significado das palavras `destino' e `predestinação'.

Destino sm. 1. Sucessão de fatos que podem ou não ocorrer, e que constituem a vida do homem, considerados como resultantes de causas independentes de sua vontade; sorte; fado. 2. O futuro. 3. Aplicação, emprego. 4. Lugar aonde se dirige alguém ou algo; direção.

Dos quatro sentidos pertinentes a palavra destino, qual é o utilizado na parábola dos dois caminhos? A sucessão de fatos e eventos cotidianos determinará a sorte (fado) do homem sem Deus? Não! A parábola dos `dois caminhos' definem o `lugar' para onde se dirige alguém após trilhar o caminho largo ou estreito? Sim!

Por causa de algumas crendices geralmente as pessoas aplicam a palavra destino a idéia proveniente do conceito grego, a `moira', ou do pensamento romano, o `fatum'. O fado, sina, sorte ou destino surge como uma ameaça implacável que determina a inexorável punição diante da falta cometida.

Segundo a mitologia, o `Destino' nasceu da noite e do Caos. Ele estava acima das divindades, submetendo-as ao seu poder. Era descrito como cego e inexorável, exercia domínio sobre o universo.

Da filosofia estóica temos o `fatum' ou `destino implacável' que aparece também acima de todos os deuses e homens. O `fatum' estabelecia as leis do universo, e ninguém podia furtar-se a seu alcance.

No evangelho não existe a idéia de um destino (sina, fado) implacável e inevitável como é o caso da mitologia grega ou da filosofia estóica.

1)      Jesus apontou a existência de dois caminhos e a possibilidade de mudar para o caminho estreito;

2)      A idéia de `destino' que o evangelho contém aponta para um lugar especifico para onde o homem se dirige.

A parábola dos dois caminhos demonstra que os caminhos (largo e estreito) possuem destino, e não o viajante, por isso é factível ao homem que segue o caminho de perdição entrar pela porta estreita que dá acesso ao caminho que conduz à vida.

Quem está em um caminho que `conduz' a uma determinada cidade tem a opção de mudar de caminho a qualquer momento, porém, tal pessoa não está predestinada a seguir para tal cidade, pois pode mudar de caminho. Todo caminho possui um destino, porém, quem segue pelo caminho não é predestinado.

Se houvesse predestinação para a salvação, ao nascer, alguns homens nasceriam trilhando o caminho apertado, porém, a bíblia demonstra que todos os homens nascem no caminho de perdição e são convidados a entrar por Cristo.

De igual modo, não há predestinação para perdição, visto que, todos os homens nascem no caminho de perdição. É o caminho que conduz à perdição, o que difere do argumento que diz que o homem (viajante) está predestinado à perdição "Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição..." (Mateus 7: 13).

É possível ao homem mudar o seu `destino', visto que ninguém nasce predestinado à perdição. Todos ao nascerem entram pela porta larga e trilham um caminho de perdição, mas ao decidir-se por Cristo, a porta estreita, obterá poder para alcançar a salvação. Esta verdade é evidente no alerta que Jesus apresenta a Nicodemos "Necessário vos é nascer de novo" (João 3: 3).

Existem dois caminhos bem definidos que conduzem a dois lugares distintos: perdição e salvação. O homem sem Cristo segue o caminho que conduz à perdição. Não é o homem que tem um destino, antes é o caminho que conduz, ou seja, há um lugar específico para onde o caminho conduz.

Do mesmo modo, todos que entrarem por Cristo terá um novo rumo, uma nova direção, que lhes conduz à vida. Cristo é o caminho que conduz à salvação. O homem não é predestinado à salvação, antes é Cristo, o caminho estreito que conduz à salvação "Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida..." (Mateus 7: 14).

Haveria predestinação para salvação se em qualquer das portas que o homem entrasse (Adão ou Cristo) alcançasse salvação. Porém, todos os homens nascem em um caminho que conduz à perdição, e precisam nascer de novo para que possam ver a Deus.

Entrar por Adão e seguir pelo caminho que conduz à perdição não é resultado de escolhas por parte da humanidade. Os homens gerados segundo Adão trilham o caminho de perdição por causa da escolha de Adão. É por isso que Jesus disse que muitos entram pelo caminho de perdição sem fazer qualquer alusão a uma escolha ou decisão por parte dos homens.

Entrar por Adão não depende da consciência, conhecimento, moral, comportamento (bem ou mal). Basta nascer! Em contra partida, para entrar pela porta estreita demanda conhecimento da verdade contida no evangelho tais como: a vontade de Deus, a oferta de salvação e decisão consciente tal qual a decisão de Adão no Éden "Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (João 6: 68).

 

Só escapará quem atentar para porta estreita "Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram" (Hebreus 2: 3).

 

 

Salvação e Predestinação

Temos duas portas (Adão e Cristo), dois nascimentos (natural e espiritual), dois caminhos (largo e apertado) que conduzem a dois destinos (morte e vida). Onde a doutrina da predestinação se encaixa neste quadro?

Adão e Cristo são as duas portas apresentadas na da parábola dos dois caminhos, sendo que todos os homens obrigatoriamente entram por Adão quando nascem (exceto Cristo, porque ele foi gerado de Deus), porém, para todos que entram por Adão e estão caminhando para a perdição é anunciado o caminho de salvação.

O nascimento é o modo pelo qual o homem entra pelas portas (larga e estreita). Enquanto o nascimento natural faz com que o homem seja conduzido à perdição (caminho largo), através do novo nascimento o homem percorre o caminho (Jesus) que conduz a Deus.

Enquanto o homem percorre o caminho que conduz à perdição, não significa que ele está predestinado à perdição. Do mesmo modo, enquanto o homem percorre o caminho que conduz à salvação, não significa que ele foi predestinado à salvação. Perdição e salvação são destinos pertinentes aos caminhos, e não aos homens, pois cabe aos homens decidirem-se a trilhar o caminho do demonstrado no evangelho de Cristo.

Oferecer salvação a quem está predestinado a perdição é plausível? Caso não houvesse uma oportunidade para os perdidos através do evangelho de Cristo, o evangelho não seria de boas novas, antes seria um engodo. Enquanto há uma oportunidade para o homem deixar o caminho que está trilhando, não há o que se falar em predestinação.

·         Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem nunca se perdeu?

·         Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem não foi predestinado para ser salvo?

·         Como é possível Deus providenciar salvação poderosa a todos os homens, se ele mesmo predestinou àqueles que haveriam de ser salvos e perdidos?

Nenhum homem nasce predestinado à perdição porque não seria plausível ter que lhes anunciar o evangelho sem haver a possibilidade real de salvação (I Timóteo 2: 4). Pelo fato de Jesus ter ordenado: "Entrai pela porta estreita" (Mateus 7: 13), demonstra que não é possível rotular a condição da humanidade sem Cristo de predestinada à morte.

Não há predestinação para perdição porque há dois caminhos, porque todos os homens obrigatoriamente entram por Adão e segue pelo caminho que conduz a perdição. Todos os cristãos, necessariamente, foram de novo gerados pela semente incorruptível, o que demonstra que estavam efetivamente perdidos, contrastando com a idéia da predestinação para salvação.  

Os homens sem Cristo entraram por uma `porta larga' ao serem gerado segundo Adão e seguem um caminho que conduz à perdição, porém, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos salvação poderosa o bastante para todos os homens, uma vez que o Cordeiro de Deus foi morto antes mesmo da fundação do mundo, o que demonstra que pecador algum foi destinado à morte.

 

Salvos e Predestinados

No que consiste a doutrina da predestinação?

Desde os reformadores alguns estudiosos apontam que a predestinação é para salvação. Porém, sabemos que a perdição se deu em Adão e a salvação está em Cristo "Entrai pela porta estreita" (Mateus 7: 13). É provável que este pensamento tenha surgido por causa de distorções quanto ao entendimento acerca da porta larga e de como ter acesso a ela.

O propósito deste texto não é negar a doutrina da predestinação, e sim, corrigir erros quanto ao seu entendimento.

Sobre as duas portas e os dois caminhos escreveu o apóstolo Paulo: "Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" (I Coríntios 15: 21-22).

Adão é a porta larga pela qual todos os homens entram ao nascer. Todos eles ao nascer morrem em Adão. Porém, do mesmo modo que todos os homens morrem em Adão, assim também todos são vivificados em Cristo!

Não há predestinação para salvação, visto que, assim como todos morrem ao entrar pela porta larga, todos quantos entrarem pela porta estreita serão vivificados. Ora, basta atender a ordem solene: "Entrai pela porta estreita" que serão vivificados.

Até este ponto falamos de salvação da perdição proveniente da queda de Adão. Agora, analisemos a predestinação.

Adão era terreno, e todos os seus descendentes terrenos. Todos os seus descendentes trouxeram a imagem exata de Adão (I Coríntios 15: 47- 49). Porém, o último Adão (Cristo) é do céu, e todos quantos foram gerados de Deus são semelhantes a Ele "... e qual o celestial, tais também os celestiais" (I Coríntios 15: 48b).

Do mesmo modo que os homens gerados de Adão trouxeram a imagem do terreno, os gerados de Deus trarão a imagem do celestial (do último Adão). Ou seja, assim como Jesus foi feito as primícias dos que dormem (I Coríntios 15: 20), os que entram pela porta estreita são feitos primícias "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas" (Tiago 1: 18).

 

Para entrar pela porta estreita e livrar-se do caminho que conduz à perdição é necessário nascer de novo. No novo nascimento, quando o homem é regenerado, ocorrem dois eventos simultaneamente: o homem livra-se da condenação de Adão (salvação) e adquire também a filiação divina (primícias das criaturas).

 

Em Adão o homem encontrou a morte, em Cristo a vida, porém, para obter a eterna redenção em Cristo (salvação), o homem tem que ser gerado pelo Espírito Eterno, o que concede aos homens (regenerados) a condição de `filhos de Deus' (Hebreus 2: 10).

 

No Antigo Testamento houve salvação, porém, os salvos do Antigo Testamento não foram alçados à categoria de filhos de Deus.

 

Os homens de novo gerados, além de adquirirem salvação que os livra da condenação em Adão, são filhos de Deus. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos ( O Sublime entre sublimes), para que em tudo tenha a preeminência.

 

Predestinação significa determinar de antemão, ou seja, preordenar, estabelecendo um evento futuro. Ora, por causa da condenação em Adão, Deus providenciou em Cristo um novo e vivo caminho pelo qual os homens têm acesso a Deus (Hebreus 10: 20). Porém, além da salvação dos homens em Cristo, o propósito eterno de Deus é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas (primogênito dentre os mortos, e primogênito entre muitos irmãos).

Para levar a efeito o propósito eterno, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos que, todos quantos entrassem pela porta estreita, que é Cristo, estariam predestinados a serem filhos do Altíssimo. Deus determinou de antemão que os de novo gerados (que entraram por Cristo), herdariam com Cristo todas as coisas.

Todos os versículos do Novo Testamento que fazem referência à idéia da predestinação apontam para a filiação divina:

 

·         "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8: 29);

·         "E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Efésios 1: 5);

·         "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Efésios 1: 11).

                                       

Qual elemento é comum aos versículos citados acima? Ora, o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos foram predestinados para serem filhos, ou seja, para que Cristo alcançasse a condição de primogênito precisaria de irmãos. Ao nascer de novo, o homem é gerado do Espírito. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos porque na eternidade Deus estabeleceu (predestinou) a todos quantos fossem gerados de novo a serem filhos para Deus.

 

Quem pode receber herança se não os filhos? Por que os cristãos são co-herdeiros com Cristo? Quem são os herdeiros de Deus?

 

Ora, o beneplácito da vontade divina estabeleceu antes dos tempos eternos que Cristo haveria de ser mui sublime "Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime" (Isaías 52: 13), e para levar a efeito ao seu propósito eterno, Deus constituiu dentre os homens filhos para si (não nascidos da vontade do varão, da vontade da carne e do sangue).

 

Verifica-se que, todos os que entram por Cristo alcançam salvação. Porém, além da salvação, não lhes resta outro `destino', serão filhos por adoção. Resta que a predestinação é para alcançar a filiação divina, imagem de Cristo, e não para salvação.

 

Quem aceita a Cristo como salvador, além da salvação da condenação em Adão, receberá a filiação divina, conforme o que foi pré-estabelecido antes dos tempos eternos.

 

O nascimento natural é a porta de entrada que dá acesso ao caminho que conduz à perdição. O novo nascimento (nascimento espiritual) é a porta de entrada que dá acesso ao Caminho que conduz à vida. Porém, além da salvação adquirida após entrar pela porta estreita, o homem de novo gerado alcança a filiação divina, pois para isso os de novo gerados foram predestinados.

 

A predestinação não é para salvação, antes é concernente a filiação divina. No Antigo Testamento, na grande tribulação e no milênio haverá homens salvos pela graça e misericórdia de Deus, porém, somente os salvos em Cristo, que hoje constituem o seu corpo, que é a igreja, alcançam a filiação divina.

 

É possível ser salvo sem ter sido predestinado à filiação divina, como foi o caso dos justos do Antigo Testamento.

 

Em última instância, quem não quiser ser um dos filhos de Deus tal qual Cristo é, que não entre pela porta estreita, que é Cristo; não deve nascer de novo; não deve beber da água que faz jorrar uma fonte que salta para a eternidade, visto que, todos quantos aceitarem a verdade do evangelho serão constituídos filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

 

Para filhos por Adoção é que Deus predestinou todos quantos entrarem por Cristo.

 

A salvação é fato para todos quantos se refugiam em Deus. Desde o Antigo Testamento é possível aos homens alcançar salvação ofertada por Deus. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara e muitos outros homens que alcançaram o testemunho de que agradaram a Deus, antes eram pecadores (desagradáveis), pois eram descendentes de Adão. Todos eles alcançaram o testemunho de que eram justos e agradáveis, porém, não são filhos por adoção; eles não são um corpo com Cristo; não são pedras espirituais; não fazem parte da igreja.

 

Há um grande diferencial entre os justos do Antigo Testamento e os justos do Novo Testamento. Enquanto estes são recebidos e nomeados filhos de Deus, feitos herança pela fé em Cristo, aqueles são somente salvos da condenação.

É por isso que o apóstolo João argumenta que os cristãos receberam `graça' sobre `graça', visto que foram salvos da condenação de Adão (graça), e ao mesmo tempo, por terem sido gerados de novo, receberam também a filiação divina (graça).

 

A salvação ofertada por Deus livra o homem da condenação proveniente da queda de Adão, ou seja, o homem deixa de ser conduzido à perdição e passa a ser conduzido a Deus. A bíblia demonstra que os que são conhecidos por Deus, salvos em Cristo, são os predestinados a serem filhos e herdeiros de Deus.

 

Perseverança e Salvação

É por isso que os apóstolos enfatizaram que, após crer na mensagem do evangelho (entrar pela porta que é Cristo e passar a percorrer o novo e vivo caminho), é preciso a perseverança: a obra perfeita da fé "Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa" (Hebreus 10: 36).

 

Qual a vontade de Deus que os cristãos fizeram? A resposta é clara: eles creram no enviado por Deus (João 6: 29). Somente aqueles que crêem em Cristo, O enviado de Deus, permanecerão para sempre "E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (I João 2: 17).

 

Os cristãos haviam crido em Cristo, porém, necessitavam de perseverança para alcançar a promessa. Mas, de que tipo de perseverança os cristãos precisavam? Eles precisavam perseverar na esperança proposta "Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta" (Hebreus 6: 18).

 

Haveria necessidade de perseverança caso a salvação fosse pré-determinada? Não! Mas, como a salvação é segundo a promessa, após a confissão é necessário estar seguro em quem prometeu "Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu" (Hebreus 10: 23); "E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus" (I Pedro 1: 21).

 

Tiago falou acerca da perseverança, pois somente a perseverança termina a obra que teve inicio através da fé "... sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos..." (Tiago 1: 2- 3).

 

Qual a obra pela qual a fé é aperfeiçoada? (Tiago 2: 22) Não é a perseverança?

 

As obras que Tiago faz referência não são boas ações. Interpretar o comparativo estabelecido nos versos 15 a 17 como sendo as obras exigíveis por Deus é um engodo. O comparativo "Assim também a fé..." (Tiago 2: 17), demonstra que a fé sem a perseverança é semelhante a alguém que, mesmo após saber que o irmão tem fome, despede-o irmão sem dar-lhe mantimento.

 

Do mesmo modo, de que adianta professar a verdade do evangelho e não perseverar na verdade? Ora, a perseverança é a perfeita obra da fé! Sem perseverança a fé é morta. Sem a perseverança o cristão é incompleto e menino, podendo ser levado por vários ventos de doutrinas.

Claudio Crispim


#13 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Dom, 3 de Ago de 2008 8:22 pm
Assunto: As religiões são a porta larga que conduz à perdição?
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As Religiões são a `Porta Larga' que conduz à perdição?

porta larga

porta larga

As religiões são `pseudo' caminhos que os homens seguem na tentativa de achegar-se a Deus. Eles seguem os desvarios dos seus corações, porém, o caminho deles é caminho de perdição. Não imposta a religião que professem, o comportamento que adotem, todos entraram por uma porta larga quando nasceram segundo Adão. Muitos dizem que todos os caminhos levam a Deus, porém esquecem que existem somente `dois caminhos', o que contrasta com o grande número de religiões que existem. A porta larga é Adão e o modo de entrar pela porta larga é através do nascimento natural, que é segundo a carne, o sangue e a vontade do homem. A porta estreita é Cristo e o único modo de entrar por Ele, a porta estreita, é nascendo de novo segundo a verdade do evangelho (João 3: 3).

 


 

Sobre o Sermão do Monte o Dr. J. Dwight Pentecost, autor do Manual de Escatologia, escreveu: "A primeira bem-aventurança do Senhor está em Mateus 5: 3: `Bem-aventurado os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Só Deus é bem-aventurado. Ele é digno de receber benção em virtude de sua santidade absoluta, inalterável" Pentecost, J. Dwight, O Sermão do monte, Capítulo Os humildes de espírito, Ed Vida.

Não consegui abstrair (entender) a declaração do Dr. Pentecost. Só Deus é bem aventurado? (Mateus 5: 11) Deus é digno de receber bênçãos? (Jó 41: 11) Quem abençoaria Deus?

Não há quem possa dar algo ou retribuir uma dádiva divina. Não há quem possa abençoá-lo, visto que só ele habita a eternidade e detém todo poder e concede dádivas às suas criaturas. É impossível o menor abençoar o maior, e quem é maior que o Altíssimo?

De modo enfático, o Dr. Pentecost reitera na seqüência que só Deus é digno de ser chamado bem aventurado ou bendito por aquilo que ele é em seu caráter.

Ora, Deus possui vários atributos, porém, dentre eles não encontramos a humildade. A humildade é pertinente ao homem. Humilde é aquele que reconhece suas limitações, e Deus não é limitado. Não encontramos qualquer referência a um Deus humilde. Antes, Ele é o que é. É o Eu Sou, e habita a eternidade.

"Só Deus é bem-aventurado" Idem. Se considerarmos que tal comentário refere-se a Cristo, como é possível Ele oferecer bem-aventurança aos seus ouvintes? Jesus apontou os seus discípulos como sendo bem-aventurados, o que contraria a idéia em destaque.

Vemos que a bem-aventurança é uma dádiva pertinente aos homens, e, por isso Jesus convida os seus ouvintes a aprenderem dele que é manso e humilde de coração "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

A mansidão da qual Jesus fez referência não diz de uma característica pertinente ao caráter ou comportamento humano. Antes a mansidão e a humildade de coração é uma característica pertinente à nova natureza do novo homem que é gerado em Cristo, que é semelhante à natureza de Cristo.

Somente os gerados de Deus são mansos e humildes de coração! Somente os que recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus (João 1: 12), são criados em verdadeira justiça e santidade, recebendo a plenitude de Deus em Cristo (Colossenses 2: 10).

Sobre este aspecto da nova criatura (plenitude da divindade) João disse: "… porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo" (João 4: 17). Ora, neste mundo não somos semelhantes a Jesus com relação ao corpo glorificado, ou seja, ainda não fomos revestidos da imortalidade. Porém, assim como ele é, nós também somos neste mundo: mansos e humildes de coração, isto porque aprendemos deste modo de Cristo "Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus" Efésios 4: 21.

Sabemos que o homem gerado segundo a carne é `mentiroso', pois a verdade encontra-se em Cristo (Romanos 3: 7). Os filhos de Adão não possuem um coração manso e humilde, pois esta característica pertence tão somente aos filhos de Deus.

Os monges, padres, hindus e todos que procuram uma vida de ascetismo pessoal, pensam alcançar a bem-aventurança prometida por Cristo despojando-se de bens materiais e dos prazeres. Porém, a verdade do evangelho demonstra que só é possível ser bem-aventurado após o homem despojar-se da carne, recebendo a circuncisão de Cristo.

Só são bem-aventurados aqueles que recebem a Cristo por meio da verdade do evangelho (fé que uma vez foi dada aos santos), e descansam na proposta de vida eterna (fé ou descansar em Cristo). É por isso que Paulo diz que a justiça do evangelho descobre-se de fé em fé: a) a primeira fé refere-se à verdade do evangelho, e; b) a segunda fé refere-se a confiança do crente.

Ora, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Sem a `fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos' é impossível confiar (fé) em Deus. Primeiro é preciso ouvir a verdade do evangelho (fé), para depois crer para salvação.

O Dr. Pentecost não incorreria no erro de afirma que só Deus é bem-aventurado se compreendesse a parábola dos dois caminhos. Para ele o caminho largo refere-se à doutrina dos fariseus: "Contrastando seu ensino como o dos fariseus, ele havia comparado o farisaísmo a uma porta muito larga pela qual muitas pessoas podiam entrar" Idem, Capítulo Alicerçado na Rocha.

Analisando a parábola dos dois caminhos "Entrai pela porta estrita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13- 14), percebe-se que Cristo é a porta estreita, e o único caminho que conduz a salvação. Não há outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Mas, seria a doutrina dos fariseus o caminho largo que conduz muitos a perdição? E quem não segue a doutrina dos fariseus, mas seguem outros posicionamentos religiosos ou filosóficos, porventura não teriam entrado no caminho largo?

Apontar sistemas religiosos ou pensamento filosóficos como sendo o caminho largo que conduz a perdição não condiz com a verdade que a parábola contada por Jesus busca ilustrar "Jesus refere-se à religião humana, como o `caminho largo' e espaçoso" Pág. 158, Idem.

Ora, um interprete não pode prevaricar "Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim" (Isaías 43: 27). Como os interpretes judeus prevaricaram? Ora, adotaram o mesmo posicionamento do Dr. Pentecost, uma vez que esqueceram que a porta larga é o primeiro pai da humanidade (Adão), e não as religiões.

As religiões são `pseudo' caminhos que os homens pensam existir para alcançar a Deus. Eles seguem os desvarios de seus corações, mas é certo que trilham um caminho de perdição, pois entraram pela porta larga. É por isso que alguns dizem que todos os caminhos levam a Deus. Esquecem que existem somente `dois caminhos' em contraste com inúmeras religiões.

A porta larga é Adão e o modo de entrar pela porta larga é o nascimento natural segundo a carne. A porta estreita é Cristo e o único modo de entrar pela porta estreita é nascendo de novo (João 3: 3).

Os fariseus prevaricaram porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Esqueceram do primeiro pai (Adão), e que em decorrência do nascimento carnal eram iguais a todos os outros homens: carnais e destituídos da glória de Deus.

Todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se escusáveis diante de Deus por causa do primeiro pai que pecou (Adão), mas os judeus se achavam abastados espiritualmente (privilegiados) por terem por pai Abraão. Tremendo engano!

O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente, e após pecar todos os seus descendentes foram destituídos da glória de Deus. De modo distinto, Cristo, o último Adão, é espírito vivificante, a porta estreita, e todos os que por ele `entram' (nascem de novo), são filhos de Deus.

A parábola dos dois caminhos é um resumo da idéia contida no Sermão do Monte. Se não houver uma interpretação fidedigna de tal parábola, qualquer tentativa de interpretar o Sermão do Monte será um fracasso.

Claudio Crispim



#12 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Sex, 1 de Ago de 2008 4:34 pm
Assunto: Por que Deus exigiu de Abraão o sacrifício de Isaque?
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Como é possível a bíblia apontar Abraão como sendo um exemplo de fé, sendo que em determinado momento da sua vida ele riu da promessa e apresentou o seu filho Ismael como alternativa para o cumprimento da promessa? Não era para ele ter perdido a bênção neste evento? Por que Abraão tentou `ajudar' Deus cumprir a promessa através de Ismael? Uma leitura superficial da história de Abraão faz com que o leitor não perceba este detalhes de suma importância ao contexto geral das escrituras.

 


 

A ordem direta de Deus a Abraão para imolar Isaque fomenta várias discussões, distorções e interpretações errôneas acerca do objetivo de tal ordem.

A despeito da onisciência de Deus, muitos questionam qual o propósito de Deus em mandar Abraão imolar o seu filho. Deus queria saber até onde Abraão era obediente? Deus queria mensurar a fé de Abraão?

A resposta é simples, porém, demanda conhecimento bíblico e raciocínio. Para responder tal indagação é necessário relembrar alguns eventos específicos concernentes a vida de Abraão. Analisemos estes três pontos principais:

 

  • O chamado de Abraão

Abraão era gentil, morava na cidade de Ur, terra dos Caldeus. Seu pai saiu da cidade de Ur com destino a terra de Canaã. Porém, quando chegou a Harã, passou a habitar naquele lugar.

Abraão foi orientado por Deus a sair do meio de seus parentes seguindo para uma terra que ainda seria mostrada. Abraão saiu confiado em Deus tendo em vista uma promessa (Gênesis 12: 2). Obedeceu à voz divina, porém, levou consigo o seu sobrinho Ló até a terra de Canaã (Gênesis 12: 5).

Após passar pela terra de Canaã, novamente Deus apareceu a Abraão e prometeu aquela terra à sua descendência. Abraão, que à época chamava-se Abrão, ali edificou um altar ao Senhor, e seguiu em direção ao sul.

Abraão desceu ao Egito por causa da escassez de alimento e quando se estabeleceu no Egito adquirindo riquezas. Após ter alcançado bens o patriarca foi compelido a deixar o Egito, pois Deus feriu o rei do Egito por causa de Sara, mulher de Abraão. Em seguida, Abraão subiu do Egito para as regiões do Nequebe juntamente com Ló.

Perceba que Abraão poderia continuar morando no Egito, porém, a grande praga que sobreveio ao rei do Egito fez com que Abraão saísse de lá.

Abraão seguiu do Egito para a região do Neguebe e retornou ao local que fez o primeiro altar ao Senhor, Betel, ou seja, voltou ao ponto inicial de sua peregrinação. Após uma contenda entre os servos de Ló e os servos de Abraão, eles se separaram. Ló foi levado cativo e Abraão teve que lutar contra quatro reis para libertá-lo.

Após a guerra, saiu ao encontro de Abraão o rei de Sodoma e o rei de Salém. O rei de Salém abençoou Abraão, e o rei de Sodoma fez uma proposta a Abraão, que foi rejeitada de pronto: "Levantei a minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra, jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio nem uma correia de sapato, para que não digas: eu enriqueci a Abrão" (Gênesis 14: 22- 23).

De tudo que relembramos até aqui, surgem algumas considerações: Por que Abraão precisou sair do Egito, se ele não alcançou a promessa e viveu como peregrino na terra? Por que Abraão não aceitou a proposta do rei de Sodoma se era legitimo ele aceitar tal prêmio?

Diante da proposta do rei de Sodoma Abraão entendeu que, caso aceitasse, no futuro alguém poderia interpretar que Abraão foi enriquecido através dos bens da cidade que foi subvertida por Deus. Se Abraão ficasse com os bens do rei de Sodoma, ficaria `constado na história' que, o rei de Sodoma, e não Deus havia abençoado Abraão.

Abraão foi tentado a lançar mão de bens, que no futuro poderia dar a entender a Abraão que a promessa de Deus efetivou-se por uma conquista própria. Como bem sabemos posteriormente a cidade de Sodoma foi subvertida devido a sua promiscuidade excessiva.

Porém, fica uma questão sem resposta: onde e quando Abraão alcançou o discernimento para não fazer aliança com o rei de Sodoma, rejeitando o que lhe era de direito? A saída do Egito motivada pela praga na casa do rei proporcionou a Abraão uma lição de vida que o capacitou a rejeitar a aliança com o rei de Sodoma.

Com relação às questões materiais Abraão estava consciente de que deveria esperar em Deus.

 

  • A promessa de um descendente

Deus prometeu a Abraão que a sua descendência herdaria a terra que os seus olhos estavam enxergando no momento da reiteração da promessa (Gênesis 13: 14), porém, Deus ainda não havia prometido um filho a Abraão gerado por Sara.

Em face da promessa à sua `descendência' (Gênesis 15: 1), Abraão ficou incomodado por não ter filho, e pretendia fazer o damasceno Elieser, o seu servo, o seu herdeiro.

Foi quando Deus prometeu a Abraão um filho de suas entranhas, sem qualquer referência a Sara, e creu Abraão e isto lhe foi imputado por justiça (Gênesis 15: 4).

Para Abraão Deus prometeu o impossível, visto que a época da promessa era de conhecimento que Sara era estéril, porém ele creu firmado no poder e na fidelidade de Deus, sendo declarado justo diante de Deus.

Apesar de Abraão crer em Deus e ser justificado, o tempo passava e ele continuava sem filho. Diante deste quadro, a mulher de Abraão resolveu providenciar filho a Abraão, e ele aceitou dar a Sara um filho através da escrava (Gênesis 16: 2).

É bem provável que Abraão tenha interpretado a atitude de sua mulher como sendo a providência divina: 1) Ismael foi gerado segundo a carne de Abraão, e; 2) o nascimento de Ismael encaixou `perfeitamente' no que Deus lhe falara (um filho de suas entranhas).

Este entendimento decorre do fato de Abraão ter feito menção do nome de Ismael quando Deus reiterou a promessa: "Oxalá viva Ismael diante de ti!" (Gênesis 17: 18). Abraão já estava compreendendo que Ismael era o filho da promessa, o seu `primogênito' e herdeiro.

Algum tempo depois, Abraão foi interpelado por sua mulher, que exigiu que Ismael não herdasse juntamente com Isaque. Abraão ficou temeroso, visto que Ismael seria o seu `primogênito', porém, descansou em Deus quando foi orientado a esperar na providência divina e que ele não estaria fazendo nenhum mal (Gênesis 21: 12).

 

  • O milagre

A despeito do riso de Abraão no coração, a promessa de Deus continuou de pé (Gênesis 17: 17), e no tempo determinado nasceu Isaque.

Isto demonstra que a fidelidade de Deus é a causa de Abraão ter sido justificado e abençoado segundo a promessa, visto que Abraão riu da promessa.

Em nossos dias a fé é tida como agente catalisador que desencadeia milagres, porém, o que a palavra de Deus demonstra é que a fidelidade e o poder de Deus devem ser à base da fé cristã.

Mesmo após Abraão apresentar seu servo damasceno e seu filho Ismael como opção diante de Deus, mesmo após rir da promessa, Deus permaneceu fiel à sua palavra.

Sara era estéril, de avançada idade (mais de 90 anos) e segundo a promessa de Deus concebeu Isaque. A bíblia demonstra que Abraão estava ciente das impossibilidades para se alcançar um filho com Sara:

  • Um homem de cem anos;
  • Sará com noventa anos;
  • Sará estéril (Gênesis 17: 17).

Diante das impossibilidades, o homem ri, pois não tem idéia da dimensão do poder de Deus. Diante do mar vermelho o homem fica temeroso, pois a impossibilidade do homem fica em evidência. Diante da necessidade de salvação o homem descobre que está à mercê do pecado e da morte, porém, o que é impossível aos homens, para Deus é possível.

 

Por que Deus exigiu o sacrifício de Isaque?

Através da análise anterior, fica demonstrado que certos eventos relatados na história de Abraão são difíceis de captar. O relato da história do patriarca Abraão não se prende a explicar certos porquês, antes se fixa somente nos fatos.

Como é possível a bíblia apontar Abraão como sendo um exemplo de fé, sendo que em determinado momento da sua vida ele riu da promessa, e apresentou uma alternativa diante de Deus? Não era para ele ter perdido a bênção neste evento?

Por que Abraão tentou `ajudar' Deus cumprir a promessa através de Ismael? Uma leitura superficial da história de Abraão faz com que o leitor não perceba este detalhes de suma importância ao contexto geral das escrituras.

Outro ponto a se destacar é concernente a aliança proposta pelo rei de Sodoma. Abraão foi tentado a ajudar Deus com riquezas provenientes do fruto de suas conquistas pessoais, porém, rejeitou-a, pois entendeu que a sua prosperidade deveria ser fruto da promessa divina.

Isto é maravilhoso, porém, onde Abraão aprendeu esta lição? Se levarmos em conta o fato de Abraão ter sido expulso do Egito por causa de uma praga que sobreveio ao Faraó, veremos que neste evento ele aprendeu que rei algum seria o pivô da riqueza pertinente a sua descendência.

Se Abraão não aprendesse a lição no Egito, certamente sucumbiria diante da aliança e oferta do rei de Sodoma. Observe que o perigo rondava Abraão de perto. Se Abraão fizesse uma aliança com Sodoma, certamente diriam que:

  • Sodoma foi responsável pela prosperidade de Abraão, ou;
  • Abraão poderia reputar que as suas riquezas era fruto de suas conquistas pessoais.

Surge outra pergunta: havia algum risco para Abraão acerca do nascimento de Isaque, caso Deus não tivesse posto Abraão a prova. Como? Isto mesmo! Analisemos se havia algum risco para Abraão, caso ele não fosse submetido à provação.

Observe como é fácil o homem confundir-se:

É notório para nós que Isaque foi quem nasceu segundo a promessa de Deus, porém, Abraão fez menção de Ismael perante Deus, pois estava esperançoso que o filho da escrava fosse o seu herdeiro;

Embora Isaque tenha nascido segundo a promessa, Abraão ainda podia e continuou a gerar filhos, mesmo após os cem anos (Gênesis 25: 1- 2).

Neste ponto em específico (b) havia um grande perigo rondando o patriarca. Havia um risco para Abraão decorrente do fato de ele gerar filhos segundo a sua carne, mesmo em avançada idade. Havia o risco de Abraão se gloria da sua carne, pois mesmo em avançada idade ainda gerava filhos.

Hoje seria tema de discussão cientifica se Isaque era mesmo filho segundo a promessa, ou se Sara nunca foi estéril de fato. O cuidado que Abraão teve com relação ao rei de Sodoma, para que ninguém dissesse no futuro: "O rei de Sodoma foi quem enriqueceu a Abraão", seria sem valia, visto que questionariam se Isaque foi realmente fruto da providência divina.

Quando nasceu Isaque, Abraão reputava com base na fé, que a promessa estava sendo cumprida. Mas, após Sara morrer e Abraão casar-se com Quetura, obtendo outros filhos, havia o risco de Abraão ser dissuadido da fé, e voltar a rir da promessa, visto que ele ainda podia gerar filhos, mesmo após considerar impossível obtê-los por causa da idade avançada (Gênesis 17: 17).

Quando Deus mandou Abraão imolar Isaque, Isaque era o seu `único' filho, e não era cogitado Abraão ter mais filhos (Gênesis 17: 17). O evento demonstra que Deus não estava `testando' e nem `mensurando' a fé de Abrão. Deus não estava pondo à fé de Abraão a prova, uma vez que ele já havia sido justificado por Deus.

Deus não estava em dúvidas quanto à fé de Abraão quando o submeteu a prova!

O que Deus pretendia com a `provação'?

Deus estava cuidando de Abraão! Como?

Pedro nos diz: "Essas provações são para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (I Pedro 1: 7 e 4: 12- 14).

Ora, as provações não são instrumentos de medida para se mensurar a fé daqueles que professam a Cristo, antes tem o fito de `redundar' em louvor, glória e honra na revelação de Cristo "Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam" (Tiago 1: 12).

Ou seja, a provação é conforme o propósito e segundo o conselho da vontade de Deus, `afim de sermos para louvor da sua glória' (Efésios 1: 11- 12). Abraão foi chamado por Deus para louvor de sua glória!

Como Abraão riu-se da promessa quando vislumbrou as impossibilidades (Gênesis 17: 17), ele poderia novamente rir-se da providência divina após gerar filhos de Quetura (Gênesis 25: 1- 52).

As seguintes questões poderiam sobressaltar Abraão: Será que Sara era estéril mesmo? Ismael, Isaque, Zinrá, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Sua não foram filhos da minha carne? Será que a falta do "costume das mulheres" em Sara era mesmo uma impossibilidade de ter filhos? A idade de Sara era um real impedimento para ela conceber? Visto que pude ter filhos com mais de cem anos com Quetura, o filho de Sara não poderia ser produto da minha `virilidade'?

Todas estas questões não poderiam levar Abraão a gloriar-se da sua carne?

Ao ser exigido o sacrifício de Isaque, Abraão teve que recobrar o seu filho dentre os mortos, confiado no poder de Deus "Abraão julgou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar, e daí também em figura o recobrou" (Hebreus 11: 19).

Ou seja, quando Abraão se predispôs obedecer à ordem divina para oferecem em holocausto o seu filho, ele deixou de ter um filho segundo a sua carne (embora o filho segundo a promessa de Deus fosse proveniente das `entranhas' de Abraão e Sara), para receber o seu filho dentre os mortos.

Daquele momento em diante, Abraão estava desprovido de qualquer elemento que o levasse a considerar posteriormente que Isaque era fruto de sua carne, ou que a sua própria carne havia lhe concedido Isaque. Após o evento da oferta de Isaque, Abraão, segundo a providencia divina, teve a confirmação de que nada alcançou segundo a carne "Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?" (Romanos 4: 1).

Ao recobrar o seu filho dentre os mortos, o que Deus proporcionou a Abraão além do seu filho Isaque? Uma âncora que penetrou até o interior do que estava oculto. Ele foi ensinado a lançar mão da esperança proposta, e não do que era aparente e que desvanece (Hebreus 6: 18- 19).

Isaque não era a segurança de Abraão, antes a segurança estava na esperança proposta. A consolação esta em Deus que não mente e é imutável, o que faz o homem peregrinar em busca da pátria celestial! (Hebreus 6: 14- 18).

Para alcançar Isaque, Abraão teve que recobrá-lo dentre os mortos, agindo de modo a dar cabo da própria promessa. Naquele momento em que Abraão ofereceu o seu único filho, a palavra de Deus foi posta acima de evidências físicas da promessa.

Abraão descansou na providência divina, pois o descendente sobre quem a promessa repousaria ainda estava por vir!

Abraão alcançou esta graça em Deus, porém, o povo de Israel, os seus descendentes não compreenderam e nem fizeram como o crente Abraão. Apesar do exemplo concedido por Abraão, o povo não foi aprovado na prova do maná concedido no deserto. As pessoas estavam confiadas no maná que aparecia no deserto, porém, não confiavam na palavra de Deus, que deu origem ao maná. Não consideravam que `nem só de pão viverá o homem' (Deuteronômio 8: 3).

A prova da fé do homem não é porque Deus quer saber ou mensurar algo a respeito do homem. Antes, a prova da fé tem em vista a preservação da confiança do homem, o que redunda em louvor, glória e honra a Deus (I Pedro 1: 7).

 

Outra questão

 

Com relação ao versículo que diz: "Agora sei que temes a Deus, pois não me negaste o teu filho, o teu único filho" (Gênesis 22: 12), temos uma caso típico de antropomorfismo, ou melhor, é um dos `modos' de Deus se manifestar ou comunicar-se utilizando a forma, o modo, a características ou a linguagem humana.

O homem geralmente compara o desconhecido ou compreende algo desconhecido através de elementos e fatos conhecido. Por exemplo, ao descrever algum animal desconhecido, o homem utiliza-se do que conhece para descrevê-lo: tinha pés como o de homem; cabeça como a de cavalo, rabo como o de peru, etc (Ezequiel 1: 10).

Do mesmo modo, ao fazer referência a Deus, diz-se que Deus descansou, uma vez que o homem descansa. Porém, surgem as questões: sendo Deus onisciente, onipresente e onipotente Ele pensa? Faz considerações? Chega a conclusões? Precisa descansar segundo a concepção humana? (Isaias 40: 28- 31).

Por certo que os `caminhos de Deus' são muito elevados, e os seus `pensamentos' inatingíveis! "Mas não sabem os pensamentos do SENHOR, nem entendem o seu conselho; porque as ajuntou como gavelas numa eira" (Miquéias 4: 12). Como expressar o que nunca se viu ou ouviu? O que nunca subiu ao pensamento do homem? "Mas, como está escrito: As coisas que os olhos não viram, e os ouvidos não ouviram, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam" (I Coríntios 2: 9).

Além das questões antropomorfista, é preciso considerar que a linguagem humana é dinâmica e transforma-se constantemente. Como alcançar o pensamento original de uma única palavra ou de uma frase escrita a milhares de anos? Por mais que muitos escribas procuraram ser fiéis à transcrição de textos, impressões pessoais podem afetar a idéia do texto.

É por isso que o estudo da bíblia deve ser sistemático, seguindo regras e princípios pertinentes a hermenêutica e a exegese. Não é o que um texto expressa que fará surgir ou que extirpará uma doutrina bíblica, antes o contexto geral das escrituras é observado para fazermos um juízo de valores e idéias.

Hoje já é difícil para um interprete ou tradutor secular transmitir a idéia contida em uma expressão idiomática, porém, esta é uma limitação humana.

A bíblia diz que Deus descansou no sétimo dia, porém, através da carta aos Hebreus fica demonstrado que a idéia de descanso que a bíblia imprime não tem relação com a necessidade de repouso. Através da palavra `descansar' a bíblia quer evidenciar que não mais havia obras a serem realizadas.

Após o dia sexto nenhuma outra obra concernente a criação do universo foi realizada, pois tudo foi criado e estabelecido com perfeição.

`Descansar' no Gênesis significa não ter obrar a realizar, diferente da idéia que muitos querem dar: repouso por causa de cansaço "Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas" (Hebreus 4: 10). Ora, quando a bíblia diz que Cristo entrou no seu repouso, ela quer dar a entender que a obra de Cristo é perfeita como a do Pai.

Com relação ao registro: `agora sei que temes a Deus', verifica-se que o temor (confiança) de Abraão foi levado em conta quanto da justificação por Deus (Genesis 15: 6), ou seja, ao provar Abraão, Deus não tinha como objetivo mensurar a fé do patriarca.

Se considerarmos um dos recursos lingüístico próprio à retórica, percebe-se que o texto tem por objetivo transmitir (noticiar) a Abraão que ele foi provado e aprovado para louvor e glória de Deus, segundo a fé. Este verso não enfatiza falta de conhecimento em Deus, antes, a ênfase da frase está em tornar Abraão ciente de que estava aprovado.

Quando o Anjo do Senhor disse: `agora sei que temes a Deus', o objetivo era louvar o homem que foi provado e aprovado com base na fé "Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva" (II Coríntios 10: 18).

Claudio Crispim

http://www.bibliacomentada.org


#11 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 1 de Jul de 2008 12:13 am
Assunto: Definição Bíblica de Justificação
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A JUSTIFICAÇÃO bíblica diz da nova condição pertinente àqueles que
crêem (descansam) em Cristo mediante a verdade do evangelho (fé),
como resultado de um ato criativo de DEUS, sendo que o homem gerado
em Adão, culpável diante de Deus, após morrer com Cristo é novamente
criado (feito) um novo homem justo, livre de culpa e de castigo.

É de conhecimento que as palavras `justificado' e `justiça' são
traduções de palavras gregas semelhantes (verbo dikaioo, tornar,
declarar justo, justificar; substantivo, dikaiosune, justiça;
adjetivo, dikaios, justo). Quando Deus justifica o homem, Ele cria
um novo homem justo, ou seja, o homem é tornado justo, declarado
justo e reto.

Um ato judicial ou ato de clemência nunca estabeleceria a condição
de justo (inocência) que é pertinente a nova criatura. O novo homem
gerado em Cristo é declarado justo por ser inocente, ou seja, o novo
homem é filho da Obediência, o que contrasta com a sua antiga
condição: culpável, condenável, filho da ira e da desobediência.

Para muitos teólogos, e dentre eles destacamos E. H. Bancroft, a
justificação é `o ato judicial de Deus, mediante o qual aquele que
deposita sua confiança em Cristo é declarado justo a Seus olhos, e
livre de toda culpa e punição' Bancroft, Emery H., Teologia
Elementar, 3º Ed, 1960, Décima Impressão, 2001, Editora Batista
Regular, Pág 255.

Para Scofield, embora justificado, o crente ainda é pecador. Deus o
trata como sendo justo, porém, isto não significa que Deus torne
alguém justo "A Justificação é um ato de reconhecimento divino e não
significa tornar uma pessoa justa" Scofield, C. I., Bíblia Scofield
com Referências, Romanos 3: 28.

Verifica-se que a Justificação não é um ato judicial. Não há
paralelo entre a justiça dos tribunais humanos e a justiça de Deus.
A Justificação é proveniente de um ato criativo de Deus, mediante o
qual é gerado o novo homem, segundo Deus em verdadeira justiça e
santidade (Efésios 4: 24). A justificação não é ato judicial, pois
mesmo em um tribunal humano o culpado não pode ser declarado
inocente.

A justificação é mediante a verdade do evangelho, ou seja, por meio
da fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos. Não é a `fé' que
o homem deposita em Deus que o justifica, antes, a justificação é
proveniente da `mensagem do evangelho' que contém o poder que
concede vida ao novo homem.

Tal poder é concedido aos que crêem (fé), ou seja, que descansam em
Cristo, Aquele que tem poder para fazer dos filhos de Adão, filhos
para Si (João 1: 12- 13). É por isso que Paulo diz que a justiça de
Deus é de `fé em fé'.

Para Scofield, Deus não torna uma pessoa justa, antes só a reconhece
e trata como sendo justa. Ora, a palavra traduzida por justificação
é fazer, tornar, declarar justo, e ao criar o novo homem em Cristo,
Deus faz nova todas as coisas. Em Cristo surge um novo homem, com
uma nova condição e para um novo tempo!

O novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade, e,
portanto, a declaração que Deus faz recai sobre a nova criatura,
nunca sobre o velho homem gerado em Adão. Deus não é o homem para
que minta. Ele não declara falsidades. Somente os justos são
declarados justos. Caso Deus reconhecesse e declarasse uma pessoa
justa, embora não fosse, não seria verdadeiro.

Porém, sabemos que Deus é verdadeiro: "Para que por duas coisas
imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme
consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança
proposta" (Hebreus 6: 18).

Louis Berkhof em sua Teologia Sistemática define a justificação como
sendo ato judicial, o que difere das considerações acima: "A
justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com
base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei
[tanto em termos daquilo que a Lei exige de nós na forma da
obediência positiva quanto do julgamento do pecador quanto à
condenação e morte] são satisfeitas com vistas ao pecador".

#10 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Dom, 20 de Abr de 2008 1:05 am
Assunto: Olha o Anjo!
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Olha o Anjo!

 

Uma das muitas maneiras que alguns 'pregadores' arrumaram para emocionar as pessoas quando reunidas é apontando para um determinado ponto da nave dos seus templos dizendo: "Há um anjo aqui!".

O que pretendem estes animadores de platéia quando anunciam acintosamente que há um anjo na nave do templo?

Ora, se compreendessem que o Anjo do Senhor é Cristo, o único que é digno de ser temido, e que só Ele tem todo poder para livrar a todos quantos O temerem, não fariam tais colocações.

Só Deus livra! Só Ele é temido! Só Ele é onipresente! Só Ele pode socorrer todos que O temem simultaneamente! Somente Ele pode acampar ao redor de todos quantos O temem!

Paulo ao fazer referência ao Anjo do Senhor, disse o seguinte: "Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo" (Atos 27: 23). Ora, somente o Anjo do Senhor é digno de ser servido, pois Ele é o Anjo de Deus.

Estes pregadores esquecem que a promessa de Jesus diz da sua presença efetiva com os seus servos, sem qualquer alusão ao acompanhamento de anjos. Jesus é enfático, conforme demonstra as Escrituras: "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém" (Mateus 28: 20).

O apóstolo Paulo apresentou aos cristãos em Éfeso um motivo de alegria inefável. Que motivo seria? Saber que há um anjo no recinto em que os cristãos estão reunidos ou que o Espírito Santo é o penhor da herança dos santos?

Por certo que o motivo da alegria é o Espírito Santo, pois Ele é superior a todas as hostes angelicais (Efésios 1: 13- 14).

É de conhecimento geral que o penhor é algo superior a própria promessa, e os cristãos estão de posse (já receberam) d'Aquele que fez a promessa. Ora, se os cristãos já estão de posse da garantia (Espírito Santo), por que os animadores de platéia não demonstram que a alegria do Cristão é completa?

Efetivamente os cristãos devem estar sobre modo alegres, uma vez que o penhor do Espírito foi concedido a todos que creram na mensagem do evangelho, sem distinção alguma. Todos são filhos de Deus pela fé em Cristo (Gálatas 3: 25).

É comum ouvirmos que o cristão precisa estar preparado, se não, o anjo passará, e aquele que não estiver na posição, não receberá a bênção. É coerente este argumento com o que demonstra a bíblia?

Somos informados pela palavra de Deus que os cristãos já receberam todas as bênção espirituais, e, inclusive, já está assentado nas regiões celestiais em Cristo (Efésios 1: 3). Como aceitar a idéia de que é preciso se preparar para receber uma bênção, se Deus já concedeu toda as bênçãos espirituais? É plausível a idéia de que é preciso estar na posição para se receber uma bênção da mão de uma anjo, se pela fé Cristo concedeu tudo que diz respeito à vida e à piedade? (II Pedro 1: 3).

Para receber a bênção sobreexcelente, a salvação da alma, não houve a necessidade de se preparar, ou de estar na posição. Ao nascer de novo pela fé em Cristo, o novo homem recebeu tudo o que diz respeito à vida e à piedade. De que bênção o novo homem ainda necessita? Ora, se o cristão é herdeiro com Cristo de todas as coisas, de nada tem falta! "Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem" (Salmos 34: 9).

Paulo mesmo disse: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" (Filipenses 4: 19), de modo que não tem falta de coisa alguma quem teme ao Anjo do Senhor.

Que bênção é superior ao Espírito Santo, já que é preciso estar preparado ou permanecer na posição para ser possível recebê-la? Como explicar que é possível aos que crêem receber o penhor do Espírito, e não podem receber qualquer outra bênção? Como é possível receber o Autor da bênção e não receber a bênção?

É comum ouvir que o anjo levará a Deus as orações dos cristãos. Como poder ser isso, se os ouvidos de Deus não estão agravados? Como é possível um anjo levar a Deus os 'gemidos inexprimíveis' do próprio Deus? Qual a necessidade de um anjo intermediar um oração, se Deus habita nos que crêem?

Ora, se os cristãos não sabem pedir, e o Espírito é quem intercede com gemidos inexprimíveis, como abraçar a idéia de que um anjo é o responsável para levar os pedidos dos que crêem a Deus? "E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Romanos 8: 26).

Ora, se o próprio Espírito intercede pelos cristãos, não há atravessadores entre os filhos de Deus e o Espírito Eterno. Quem é Maria? Quem são os anjos? Se é Deus quem intercede!? Que papel um anjo desempenha na vida de um cristão se é o próprio Espírito Eterno que nos assiste em nossas fraquezas?

Antes de procurar um anjo no interior de um templo é preciso considerar que os cristãos são templos, ou seja, constituem-se casas do Deus vivo. Assim como Cristo é a Pedra Viva, os cristãos como pedras vivas são edificados casa espiritual (I Pedro 2: 4- 5).

É perceptível que os apóstolos procuravam conscientizar os cristãos da nova condição em Cristo "É também nele que vós estais..." (Efésios 1: 13), este cuidado dos apóstolos outorga aos cristãos o discernimento necessário para perceber quem é um fiel ministro de Cristo, e quem não passa de um animador de platéia.

Enquanto os apóstolos tinham o cuidado de demonstrar a nova condição dos cristãos em Cristo, os animadores de platéia buscam emocionar as pessoas, para depois persuadi-las, segundo as sua próprias concupiscências, e não segundo Cristo.

Jesus demonstrou que o seu cuidado é pessoal, não deixando a cargo de qualquer outra criatura o cuidado para com os cristãos. Tudo aquilo que os cristãos precisam devem pedir a Cristo, e Ele há de encarregar-se pessoalmente em realizar (João 14: 13- 14). 

Quando os emocionalistas apontam que há um anjo no interior do templo, o fazem para dar sustentabilidade as suas mentiras, que são alimentadas pela hipocrisia de uma mente cauterizada.

Que maravilha há em ver um anjo? Paulo mesmo diz que não é maravilha, pois '...o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz', quando ele disse acerca dos falsos apóstolos (II Coríntios 11: 14). A maravilha que há na aparição de seres angelicais no passado era com relação a mensagem que anunciavam, e não de uma mera aparição sem uma mensagem proveniente de Deus.

As aparições angelicais são apontadas por estes animadores de platéia para que possam fazer dos seus ouvintes presas suas. Geralmente estão inchados em sua carnal compreensão, e não segundo Cristo. Anunciando coisas com base em visões provenientes de uma mente carnal e até mesmo em coisas que não viu "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão" (Colossenses 2: 18).

Ora, é proveitoso a quem assiste uma reunião solene compreender que, após crer em Cristo, o cristão é efetivamente templo e casa do Altíssimo, enquanto que não há proveito em saber que há um anjo circulando na nave de um templo feito por mãos humanas.

Quem anuncia, e quem se alegra por saber que há um anjo sobrevoando um recinto, é porque esqueceu que:

a) Os cristãos alçaram uma posição superior aos anjos, a posição de filhos de Deus, semelhantes ao Altíssimo "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (I João 3: 2);
b) Os cristãos hão de julgar os anjos (I Coríntios 6: 3);
c) Os cristãos não precisam de um mensageiro (anjo), pois o Espírito de verdade guiará os que crerem a toda verdade "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir" (João 16: 13);
d) Os cristãos são herdeiros de todas as bênçãos (Romanos 8: 17);
e) Todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo (II Coríntios 1: 20).

A função precípua dos anjos com relação aos homens é a de mensageiro. Inúmeras aparições de anjos no passado tinha o fito de trazer uma mensagem de Deus aos homens, e, por isso mesmo, eles são denominados de 'mensageiros'. A palavra anjo deriva do latim, 'angelu', e do grego 'ángelos', com o significado de mensageiro.

Qual o objetivo de uma anjo aparecer sem ter uma mensagem de Deus?

Percebe-se que, por apontar que um anjo se faz presente, os animadores de platéia busca enfatizar o que pregam. Como fazer uma avaliação do evento, quando não há uma mensagem que seja passível de avaliação? (Gálatas 1: 8).

Quando lideres religiosos apontam que um anjo lhes anunciou um 'evangelho', como é o caso dos Mórmons, ou dos seguidores de Maomé, etc., é fácil analisar a mensagem segundo a bíblia. Porém, quando anunciam a presença de uma anjo, não há uma mensagem atribuída ou anunciada pelo suposto anjo, o que impede analisarmos tal evento segundo a bíblia.

Quando você estiver em um templo e ouvir de alguém que se faz presente na reunião um anjo, analise com maior cuidado o que tal pessoa anuncia. A aparição, ou o alegar que um anjo se faz presente não é motivo de crédito à palavra que está sendo anunciada.

A técnica dos animadores de platéia consiste em tocar a emoção dos telespectadores, privilegiando a emoção em detrimento da razão. A razão da fé dos cristãos é proveniente da mensagem do evangelho, e não se baseia em visões, ou aparições.

Os animadores de platéia não apresentam a mensagem do evangelho, e substituem-na por visões, aparições e promessas vazias. Os seus adeptos recusam a verdade e voltam-se para às fábulas, uma vez que não suportam a sã doutrina.
 

Claudio Crispim

www.ibiblia.net


#9 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Qua, 26 de Mar de 2008 1:13 pm
Assunto: Eleição
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Comentário de Pedro sobre a Eleição

Jesus é a pedra viva eleita e preciosa, e os cristãos, após serem criados pedras vivas, também tornaream-se em Cristo, eleitos.

As pedras mortas, ou seja, homens nascidos em Adão não são eleitos, só as pedras vivas são eleitos= santos e irreprenssíveis!

 

(I Pedro 1: 1- 2)

Pedro não teve o mesmo problema que o apóstolo Paulo quanto a ter que defender o seu apostolado. Por ter sido escolhido por Cristo para ser discípulo, e visto o Mestre ainda em carne, não teve dificuldades no exercício do seu ministério.

Paulo demonstra em suas cartas que Pedro possuía uma posição de destaque entre os primeiros cristãos, tanto que foi significativo para Paulo passar quinze dias com Pedro e ser recebido entre os discípulos pelo evangelho que anunciava aos gentios (Gálatas 1: 18; 2: 9).

No decorrer da carta Pedro também se apresenta como o 'Ancião' (I Pedro 5: 1), e que Silvano foi quem escreveu (escriba) a carta, e que eles estavam na companhia de Marcos (I Pedro 5: 12- 13). A maestria na escrita da carta deve-se a Silvano, mas o conteúdo da carta ao apóstolo Pedro.

Muitos questionam a autoria da carta de Pedro por ele ter sido um simples pescador da Galiléia e ter escrito uma carta tão bela em grego semelhante à literatura ática. Estudiosos questionam a autoria da carta por ele citar a Septuaginta, por usar o 'artigo' de modo elegante como nenhuma outra carta do Novo Testamento e por ter um vocabulário próprio e numeroso.

Ora, Pedro mesmo demonstra que não foi ele quem escreveu a carta, e sim Silvano. Percebe-se que Pedro apresentou os argumentos e Silvano, na condição de hábil escriba usou o seu conhecimento para imprimir à carta o estilo próprio as frases da literatura ática.

Quando escreveu, Pedro estava em uma cidade que ele nomeou de Babilônia (I Pedro 5: 13). Os destinatários da carta estavam em cinco províncias Romanas: Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.

Após identificar-se, o apóstolo aponta quem são os destinatários da sua epístola: os estrangeiros dispersos. 'Estrangeiros dispersos' diz dos cristãos que foram perseguidos por causa da mensagem do evangelho (Atos 8: 1; 11: 19). Ora, é certo que os dispersos eram na maioria judeus, porém, ao escrever, Pedro tem como foco os cristãos, sem qualquer referência a origem carnal dos cristãos.

Pedro escreveu aos eleitos, ou seja, aos santos e irrepreensíveis em Cristo (Efésios 1: 4). Os arminianista utilizam-se deste verso para afirmar que a eleição é segundo a presciência de Deus, porém, é necessária uma análise mais rigorosa.

Uma tradução bíblica datada de 1681 diz o seguinte:

 

Novo testamento, Companhia das Indias Oriental, cidade de Amsterdam, Bartholomeus Heynen e Joannes de Vooght, 1681.

Observe o verso em questão: "Elegidos fegundo a providencia de Deus Pae..." (v. I). Ora, a eleição é segundo a presciência ou providência?

Como já demonstramos no artigo O Evangelho Anunciado, a eleição não é o modo pelo qual Deus salva o homem. Deus não escolheu antes dos tempos eternos quem seria salvo ou não, com base na sua presciência ou na sua soberania. As concepções calvinista e arminianistas não são bíblicas.

Para compreender a idéia que o apóstolo Pedro procurou evidenciar, não se pode interpretar um verso fora do contexto, ou isolá-lo do restante da bíblia.

A estrutura da primeira carta de Pedro comparada à carta de Paulo aos Efésios é equivalente na estrutura do texto e na idéia que procuraram demonstrar. Observe:

"Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros da dispersão, no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas" (I Pedro 1: 1- 2).

"Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: a vós outros graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo" (Efésios 1: 1-2).

Tanto Pedro quanto Paulo se apresenta, identificam os destinatários, saúdam com graça e paz, apresentam o local onde os cristãos se reuniam, porém, enquanto Pedro fala da nova condição pertinente aos salvos, 'eleitos' (presente), Paulo faz referência ao evento da eleição (passado).

Ora, Deus elegeu os cristãos em Cristo (Efésios 1: 3), e os cristãos são eleitos (condição atual) por estarem em Cristo (I Pedro 1: 2).

Para os arminianistas a eleição é segundo a presciência de Deus, e os calvinistas apontam a soberania de Deus. Como a maioria dos tradutores segue uma tendência teológica, não sabemos o quanto estes posicionamentos doutrinários influenciam os tradutores.

Porém, é possível extrair do texto uma resposta:  a eleição não é segundo a presciência e nem segundo a providência de Deus Pai, antes é na (em, ou através) Santificação do Espírito. Observe:

 

  segundo a presciência de Deus Pai

Eleitos (condição atual)

na santificação do Espírito
  para a obediência e aspersão do sangue

Se considerarmos que a frase 'segundo a presciência de Deus Pai' é um aposto explicativo, veremos que não imposta à posição que ela é inserida no texto. Ora, têm-se várias cominações possíveis:

"... segundo a presciência de Deus Pai, eleitos na santificação do Espírito para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...", ou;

"... eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...", ou;

"... eleitos na santificação do Espírito, segundo a presciência de Deus Pai, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo...", ou;

"... eleitos na santificação do Espírito para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo, segundo a presciência de Deus Pai...".

Alguém que segue uma visão arminianista prefere agrupar as várias frases que compõe o versículo segundo a sua concepção: eleitos segundo a presciência. Outro, que não prefere a concepção arminianista, mas a calvinista, preferem a providência divina.

Porém, de acordo com o restante das escrituras a eleição não é segundo a presciência, antes segundo o propósito eterno de Deus. Ora, se é segundo o propósito eterno não pode ser segundo a presciência!

Por tanto, para interpretar I Pedro 1: 2, é necessário considerar que:

  • Nenhum ponto das Escrituras deve ser considerado isoladamente do restante das escrituras "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação" (II Pedro 1: 20);
  • Algumas frases contidas nos textos são um tipo de aposto explicativo;
  • É necessário observar a forma do discurso do interlocutor, que neste caso específico é o apóstolo Pedro;
  • Não deixar ser influenciado por tendências doutrinárias, que são muitas;
  • Comparar o versículo com o texto de outros escritores da bíblia;
  • Por ser um versículo complexo deve ser analisado segundo a idéia geral da bíblia.

Segundo o que Paulo demonstra, os cristãos foram eleitos em Cristo "Pois nos elegeu nele...' (Efésios 1: 4), e Pedro do mesmo modo demonstra que os eleitos alcançaram está condição '... em santificação do Espírito...' (I Pedro 1: 2).

Perceba que tanto Pedro quanto Paulo utiliza o dativo de forma especial (en Cristo = em Cristo) ao escreverem acerca da eleição. É um uso específico do dativo preposicionado, característica própria à sintaxe cristã ao utilizarem o grego.

Ora, Paulo disse que os cristãos foram eleitos em Cristo, portanto, não podemos interpretar que a eleição é segundo a presciência, e sim, em santificação do Espírito.

Como? Ora, as palavras de Cristo são Espírito e vida "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida" (João 6: 63). É através da Palavra que Cristo santificou a sua igreja "Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Efésios 5: 26).

A santificação do Espírito é pela palavra do evangelho e a eleição se deu em Cristo, ou seja, 'em santificação do Espírito' (santificação pela palavra), pois Cristo é o Verbo de Deus, a palavra da vida encarnada.

Ora, dizer que os cristãos foram eleitos 'em Cristo', ou que são eleitos 'em santificação do Espírito' evidencia a mesma idéia: a nova criatura (os cristãos) é eleita por estar em Cristo (II Coríntios 5: 17).

Segundo Paulo, os cristãos foram eleitos para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, é para santificação que os cristãos foram eleitos em Cristo antes da fundação do mundo. Temos aqui dois eventos distintos:

  • antes dos tempos eternos, segundo o seu propósito eterno, Deus escolheu a Cristo para ser preeminente sobre todas as coisas;
  • para que Cristo fosse preeminente em tudo, Deus o constituiu como cabeça da igreja, que são os santificados pela palavra, as novas criaturas, homens nascidos segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

Em Cristo Deus escolheu os cristãos para que hoje sejam santos e irrepreensíveis. Paulo apresentou o tempo da eleição para demonstrar que os cristãos agora estavam em Cristo na condição de eleitos de Deus (Efésios 1: 13), e Pedro apresenta a condição dos cristãos hoje (eleitos), e como alcançaram tal condição: em santificação pelo Espírito.

Percebe-se que através da santificação se dá a eleição dos homens, pois para a santificação é necessário ser anunciada a palavra aos homens, estes por sua vez creiam na pregação, e Deus opera a sua maravilhosa obra: a regeneração. Através da regeneração ocorre a justificação e santificação simultaneamente.

Paulo demonstra que os cristãos foram eleitos para santificação (objetivo), e Pedro demonstra que pela santificação do Espírito os Cristãos são eleitos (condição). A condição de eleitos decorre da santificação, mas quando Deus escolheu antes dos tempos eternos aqueles que estariam em Cristo, foi para serem santos e irreprimíveis.

Cristo demonstrou que a santificação é proveniente da sua palavra, que é espírito e vida para todos os que crêem. A regeneração só é operada através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Compare: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas" (I Pedro 1: 2), e "Tendo purificado as vossas almas na obediência a verdade..." (I Pedro 1: 22).

A 'santificação' ou 'purificação' só ocorre através da obediência.

Mas, o que é obediência? Obediência é crer na mensagem do evangelho do mesmo modo que cumprir os mandamentos de Deus é crer em Cristo (I João 3: 23). Qual a verdade que os cristãos da Galácia não estavam obedecendo? À verdade do evangelho "Ó INSENSATOS gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós?" (Gálatas 3: 1).

Como se obedece a verdade do evangelho? Crendo, como está escrito: "Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido" (Romanos 10: 11).

Pedro procurou demonstra em sua saudação inicial que os cristãos são os eleitos de Deus, pois todos são santos por estarem em Cristo (Efésios 1: 2). Eles tornaram-se santos (separados) após serem lavados pela palavra da verdade, a palavra do evangelho que obedeceram.

É através da obediência ao evangelho e aspersão do sangue de Jesus que os cristãos foram purificados, tornaram-se eleitos.

Tudo o que ocorreu com os cristãos após ouvirem e obedecerem à palavra do evangelho (aspersão do sangue, santificação e eleição) já era de conhecido de Deus (presciência) antes dos tempos eternos "Pois os que dantes conheceu..." (Romanos 8: 29).

Quando os apóstolos falaram da eleição, eles tinham em mente a geração que foi escolhida por Deus e a condição dessa geração. A geração dos eleitos ocorre em Cristo, e a geração dos não eleitos, em Adão (I Pedro 2: 9). A geração dos eleitos (justos) se dá em Cristo e a geração dos não eleitos (ímpios) em Adão porque uma é a geração dos justos e outra é a geração dos ímpios.

Todos os homens nascidos segundo Adão não foram eleitos por Deus para serem santos. Mas, todos os homens que crêem em Cristo, ou seja, que obedeceram a verdade do evangelho, são de novo gerados, segundo Deus, para serem santos (separados).

É por isso que Pedro fala que, segundo a presciência (não somente conhecer de antemão) de Deus Pai os leitos são conhecidos d'Ele, aqueles que obedeceram o evangelho e foram santificados pela aspersão do sangue de Cristo.

A idéia que Pedro procurou evidenciar é a mesma que Paulo demonstrou no verso seguinte: "Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?" (Gálatas 4: 9).

Através da sua presciência Deus é conhecedor de todas as coisas, ou seja, nada se exclui do seu conhecimento. Porém, quando os cristãos eram incrédulos, eles não eram conhecidos de Deus. O que isto quer dizer, que Deus não é conhecedor de todas as coisas? (Gálatas 4: 8).

Não! Quando os cristãos não conheciam a Deus, Deus também não os conhecia. Porém, agora que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos por Ele através da aspersão do sangue de Cristo que se da através da obediência à sua palavra, tornaram se filhos, eleitos (escolhidos) conforme o propósito eterno, que é a preeminência de Cristo como cabeça da igreja.

Conhecer a Deus vai além de um simples saber. Fala de união, ou seja, de tornar-se um só corpo com Cristo, conhecendo um ao outro em amor. Quando o cristão torna-se um só corpo com Cristo é o mesmo que Deus ter conhecido os cristãos, tornam-se um só corpo, pois o homem passa a compartilhar da natureza divina (II Pedro 1: 4).

A palavra presciência não é utilizada somente para demonstra que Deus sabe de todas as coisas e eventos através dos séculos. Ela também é utilizada para demonstra que Deus está unido ao homem (Deuteronômio 9: 24; Amós 3: 2; Mateus 7: 23; João 10: 14- 15).

Ora, o sangue da aspersão foi conhecido ainda antes da fundação do mundo do mesmo modo que os eleitos são conhecidos d'Ele através da aspersão deste mesmo sangue (I Pedro 2: 20).

Isto não coaduna com a idéia de que Deus determinou quem seria salvo através da presciência. O que Pedro demonstra não é o atributo da onisciência, antes que Deus determinou tudo o que é relativo à salvação do homem: o cordeiro, a palavra e a fé.

Claudio Crispim

http://www.ibiblia.net/pedro.htm


#8 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 4 de Mar de 2008 3:09 pm
Assunto: Calvino e Armínio
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O Evangelho Anunciado

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema"
(Gálatas 1:6 -9)

 

 

As `boas novas' do evangelho anunciadas por Cristo aos homens é única. Qualquer outra mensagem que destoe da palavra anunciada por Cristo é anátema.

 

O Propósito Eterno

A mensagem do evangelho foi estabelecida antes dos tempos eternos (na eternidade), segundo o eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Ele seja proeminente "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tito 1: 2); "De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Efésios 1: 10); "E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência" (Colossenses 1: 18).

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

Ao escrever aos cristãos em Éfeso, Paulo fala acerca deste evangelho: "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que a tudo criou" (Efésios 3: 8- 9).

Deus é eterno. O Verbo encarnado é eterno. O propósito é eterno. A promessa é eterna. Assim que, todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo "Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós" (II Coríntios 1: 20).

O propósito eterno de Deus não pode ser frustrado porquê:

 

  1. O Verbo de Deus ao ser introduzido no mundo tornou-se o unigênito de Deus (João 1: 14 e 18) e o primogênito de toda a criação (Colossenses 1: 15; Hebreus 1: 6) – O único Filho (unigênito) de Deus também é designado o `primeiro gerado' (primogênito) de Deus, diferente dos outros seres, que foram criados;
  2. Ao ressurgir dentre os mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos (Colossenses 1: 18) – Primeiro gerado dentre os mortos; isto porque todos os que crêem no evangelho a semente incorruptível, são de novo gerados segundo Deus (I Pedro 1: 3);
  3. Através de seu corpo, a igreja, Ele trouxe muitos filhos a Deus (Hebreus 2: 10), tornando-se primogênito entre muitos irmãos (Romanos 8: 29).

 

Na eternidade, Deus (El Eloim) estabeleceu um propósito eterno: a preeminência de Cristo. Para isto, fizeram um acordo que, ao ser introduzido o Verbo de Deus no mundo, seria estabelecida a relação Pai e Filho, e por isso o profeta anunciou: "Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho" (II Samuel 7: 14). Ora, temos uma relação estabelecida entre as pessoas da divindade.

Quando o Verbo se fez carne soou o decreto: "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Salmos 2: 7). Embora feito menor que os anjos (Hebreus 2: 9), por causa da paixão da morte, foi dado ordem aos seres angelicais: "E todos os anjos de Deus o adorem" (Hebreus 1: 6).

Mas, para que Cristo em tudo tivesse preeminência, segundo o beneplácito da vontade de Deus, convinha que fosse consagrado através da aflição na morte, para aniquilar o que tinha o império da morte, o diabo (Hebreus 2: 14).

Hoje e sempre, Jesus é Senhor nos céus e na terra, para a glória de Deus Pai. Os anjos vêem no propósito eterno de Deus a sua multiforme sabedoria, e toda a criação está na expectativa da manifestação dos filhos de Deus que revelará a todos a condição de primogênito entre muitos irmãos que Cristo conquistou na cruz (Romanos 8: 19).

Em resumo, o propósito de Deus é sujeitar todas as coisas a Cristo, e acima de todas as coisas que foram sujeitas, Ele foi constituído como a cabeça do corpo, que é a igreja – a plenitude de Cristo que enche tudo em todos (Efésios 1: 22- 23).

Na ordem crescente: todas as coisas foram sujeitas a Cristo (principado, domínio, autoridade, poder, etc). Acima destas coisas foi dada a condição de cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ora, o seu corpo está acima de tudo o que foi posto abaixo dos seus pés.

 

Convergindo todas as Coisas

Ao implementar (por em prática, dar execução) o Propósito Eterno, temos: "Façamos o homem a nossa imagem e semelhança" (Genesis 1: 26).

A imagem que foi dada ao homem é proveniente de Cristo "... Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir" (Romanos 5: 14), e a semelhança que foi concedida é o domínio sobre a terra "... domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra" (Genesis 1: 26).

Tudo que há em Deus foi concedido ao homem por semelhança: domínio, liberdade e uma natureza perfeita. Porém, Adão não deu crédito à palavra de Deus e atentou contra a sua própria vida quando comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Através da ofensa de Adão veio o juízo e a condenação para todos os homens (Romanos 5: 18). Adão tornou-se a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição. Através do nascimento em Adão todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus.

A Escritura demonstra que o homem é pecador, sem esperança no mundo, morto diante de Deus. Esta condição não é proveniente da moral ou do comportamento humano, antes da natureza herdada de Adão. É por isso que Paulo diz: "Pois assim como a morte veio por um homem (...) Pois assim como todos morreram em Adão..." (I Coríntios 15: 21- 22).

Sobre Adão Jesus disse: "Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13). Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho espaçoso que conduz à perdição, e muitos são os que entram por Adão, exceto Cristo, o unigênito de Deus. É por isso que Ele disse `muitos', e não `todos' que entram por ela.

Ora, se a porta estreita que é Cristo, o último Adão, por quem os homens são vivificados, o primeiro Adão é a porta larga por quem os homens entram no caminho de perdição (I Coríntios 15: 45).

Como Adão tornou-se pecador, destituído da vida que há em Deus, os seus filhos tornaram-se iguais a ele "Qual o terreno, tais são também os terrenos..." (I Coríntios 15: 48). É por isso que os homens são chamados de filhos da ira e filhos da desobediência.

Não importa a conduta, a moral, a religião, os sacrifícios, a origem dos homens nascido segundo Adão, todos entraram pela porta larga ao nascer e seguem para a perdição. Diante de Deus um homem com todas as qualidades morais e intelectuais como era o caso de Nicodemos é igual a alguém sem méritos, como era o caso da mulher samaritana.

Mas, em sua infinita graça e amor, Deus enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para salvá-lo de condenação em Adão, que é anterior à sua vinda. É por isso que Ele disse: "E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo" (João 12: 47).

Isto demonstra que Jesus não veio julgar os homens porque todos já estavam sob condenação. Ele veio salvar porque todos entraram pela porta larga e trilhavam o caminho de perdição.

É por isso que Ele disse: "Entrai pela porta estreita" (Mateus 7: 12), ou seja, entrar pela porta estreita é o mesmo que: "Necessário vos é nascer de novo" (João 3: 7). Entrar pela porta estreita é uma necessidade que só é possível através do novo nascimento.

Nicodemos perguntou: "Como pode um homem nascer sendo velho?" (João 3: 4). Ora, para o homem é impossível nascer de novo! É por isso que a bíblia demonstra que o homem é escravo do pecado, perdido, não pode salvar-se a si mesmo.

Mas, através do chamado do evangelho que diz: `Entrai pela porta estreita' ou `Vinde a mim, vos que estais cansados e oprimidos' é oferecido salvação poderosa a todos os homens. O convite é universal, pois Deus amou o mundo, e deseja que nenhum homem se perca (João 3: 16; I Timóteo 2: 5).

Cristo morreu em resgate por todos os homens (I Timóteo 2: 6), e não por alguns. Deus amou a todos os homens, e não só por alguns. É por isso que Jesus disse: "Muitos são chamados, mas poucos escolhidos" (Mateus 22: 14). Por que `muitos' são chamados, e não `todos'? Porque nem todos ouviram a mensagem do evangelho.

O chamamento do evangelho é universal por destinar-se a todos os homens, porém, muitos não ouviram esta maravilhosa mensagem. Ex: os aborígenes, índios, povos da Ásia e da África, povos da America antes das grandes viagens, etc. Paulo mesmo diz: "Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" (I Coríntios 1: 24).

No momento da pregação do evangelho surgem os chamados, que são muitos, e pertencentes a todos os povos, porém, os escolhidos são poucos.

Quem são os escolhidos? Ora, como são poucos os escolhidos e poucos os que entram pela porta estreita, temos que os escolhidos são aqueles que nasceram de novo e entraram pela porta estreita, que é Cristo.

Há somente um evangelho que foi anunciado pelos apóstolos. Qualquer outro evangelho é anátema.

Esta mensagem de boas novas é direcionada a todos os homens, pois isto foi anunciado: "Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens" (Lucas 2: 14). A boa vontade de Deus é para com todos os homens, e não somente alguns.

Qualquer evangelho que vete a graça de Deus para todos os homens indistintamente é anátema. Qualquer evangelho que estabelece diferentes níveis de graça é anátema. Qualquer evangelho que considere que Deus ama alguns homens em detrimento de outro é anátema. Qualquer evangelho que nega a universalidade e eficácia da mensagem do evangelho é anátema.

 

O Convite à Salvação

Ora, a bíblia demonstra a impossibilidade dos homens salvarem-se a si mesmo pelas suas obras ou méritos pessoais. Por mais regrado e cheio de méritos que o homem seja, ele entrou por Adão, a porta larga, e trilha um caminho de perdição.

Por mais que os homens criem regras, vivam despojados das coisas desta vida, reneguem os prazeres, façam justiça, estejam resignados a sofrerem a injustiça, etc. continuam trilhando um caminho de perdição.

É por isso que Paulo demonstra que através do seu poder, Deus pega o barro (homem) de uma mesma massa e faz vasos honra e desonra. Todos os homens (barro) são provenientes de uma mesma massa, mas em Adão são feitos vasos para desonra, e em Cristo, são feitos vasos para honra (Romanos 9: 21- 24).

Paulo demonstra que os cristãos são vasos para honra para dar a conhecer as riquezas da sua misericórdia. Os cristãos foram chamados dentre todos os povos através da mensagem do evangelho, pois antes de ser feito vaso para honra, éramos todos vasos de desonra, vasos de ira, preparados para a perdição (Efésios 2: 4- 7).

Antes os cristãos eram trevas (vasos de ira preparados para a perdição), agora são luz no Senhor (vasos para honra) "Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor" (Efésios 5: 8).

Que obra ou dignidade há da parte do homem em ser feito vaso para honra? Nenhuma! Da mesma forma que não há obra ou dignidade por parte daquele que foi feito vaso para desonra.

Ora, se quem nasce de Adão entra pela porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz a perdição, que obra, ação, bem ou mal fez quem foi feito vaso para ira destinado a destruição? Isto demonstra que, embora o homem não tenha nascido, nem feito bem ou mal, para que o propósito eterno de Deus segundo a eleição permaneça firme, os nascidos em Adão serão vasos para desonra.

De igual modo, os já nascidos de Adão precisam nascer de novo. E não importa a obra, mérito ou condição do homem, para que o propósito de Deus segundo a eleição continue firme, os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Onde está a jactância? Onde há mérito? Onde há dignidade? Onde há obra?

O evangelho de Cristo é:

  • Boas novas de salvação – Mensagem de Deus a todos os homens perdidos por causa da condenação de Adão;
  • Gratuito – é um convite incondicional a todos os homens, independente das suas ações e condições morais;
  • Para os pecadores – o público alvo da mensagem do evangelho é todos os pecadores, pois Deus não faz acepção de pessoas; o amor de Deus é segundo a sua justiça, ou seja, ele não tem ninguém em preferência;
  • Oferecido – Deus oferece salvação, livre de qualquer imposição. A graça do evangelho é segundo a sua santidade, ou seja, Ele a ninguém oprime "O Todo Poderoso está além do nosso alcance, ele é exaltado em poder; em sua justiça e grande retidão ele ninguém oprime" (Jó 37: 23). Embora todo poder (soberania), Deus é justiça e retidão, ou seja, Ele não oprime a nenhuma de suas criaturas;
  • Incondicional – Deus não exige obras ou méritos por parte dos pecadores para salvá-los. Do mesmo modo que sem obra ou méritos os pecadores foram feitos vasos para desonra (vasos para ira e destruição), ao salvá-los, Ele faz vasos para honra aparte das obras ou dos méritos e utiliza a mesma massa;
  • É poder – A salvação decorre do poder criativo de Deus segundo a sua palavra (bara – só Deus `bara' através da palavra). Ora, todos que recebem a Cristo, ou que crêem na mensagem do evangelho, recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus segundo a sua vontade (Jo 1: 12- 13); o homem não tem poder para operar a sua própria salvação. Somente o poder que faz paralítico andar é que pode dar vida ao novo homem "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa" (Lucas 5: 24);
  • É graça – É um presente de Deus aos homens. Não é imposta aos homens a tal `graça irresistível', pois `todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo' (Joel 2: 32). Somente invoca os necessitados, os pobres de espírito, os que necessitam de socorro, e não aqueles que tem algo a oferecer. Quem ouvir as boas novas e invocar a Deus será salvo, porém, Deus não obriga ninguém a invocá-lo para em seguida salvar. 

 

Como invocarão a Deus? Ele sujeitará o homem subvertendo a sua vontade? Não! Se assim fosse, não haveria a necessidade de o homem esperar em Deus (confiar); não haveria a necessidade da pregação; pra que ouvir ou pregar? Por que Isaias questiona a Deus "Quem creu na nossa pregação?", se Ele impõe a sua vontade?

O evangelho de Cristo não é um ramo do fatalismo, concepção filosófica que considera serem o mundo e os seus acontecimentos produzidos de modo irrevogáveis. Ora, a concepção calvinista e a arminianista, em última análise, são fatalistas, pois alguns homens estão fadados à perdição, e outros, mesmo que não invoquem a Deus, à salvação.

O fatalismo fazia parte da cultura grega antiga e do estoicismo grego romano. Certas idéias `pseudo' cristãs fundam-se na idéia da `divina providência' ou no `determinismo', ramo equivalente ao fatalismo.

Ora, sabemos que se fé é impossível agradar a Deus. Agradá-lo ou aproximar-se dele constitui-se em mérito por parte do homem? (Hebreus 11: 6). É preciso ser salvo para depois invocar a Deus? A bíblia recomenda invocar para ser salvo, mas se o homem primeiro é salvo para depois invocar a Deus, já não é preciso invocá-lo (Joel 2: 32).

O evangelho da graça não é regeneração para crer (invocar), antes é invocar (crer) para regeneração (salvação).

 

Propósito Segundo a Eleição

Como os vasos para honra fazem parte do propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas?

A preeminência de Cristo está em Ele ser o primogênito de toda a criação, primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos (Colossenses 1: 15 e 18; Romanos 8: 29).

Mas, para que Jesus fosse constituído por Deus primogênito entre muitos irmãos, fez-se necessário Deus constituir filhos para si. Para ele constituir filhos para si, fez-se necessário Cristo morrer e ressurgir, tornando-se primogênito dentre os mortos.

Para Cristo tornar-se primogênito dentre os mortos, fez-se necessário participar da carne e do sangue, tornando se o Unigênito de Deus, o primogênito de toda criação.

Para tornar-se o primogênito de toda criação, o Unigênito de Deus, o Verbo que se fez carne e que habitou entre nós teve que deixar a Sua glória.

Isto demonstra que, na eternidade, antes de virem à existência, os homens já eram alvos do eterno propósito de Deus, visto que, para Cristo ser primogênito entre muitos irmãos, Deus constituiu dentre os homens regenerados filhos para si. Ora, é impossível ser primogênito sem que haja outros irmãos.

Mas, como Deus constitui dentre os homens filhos para si? Todos que entrarem pela porta estreita, que é Cristo, são salvos da condenação anterior proveniente da queda de Adão, a porta larga por onde entram todos os homens. A todos que conhecem a Deus, ou antes, que são conhecido dele através do evangelho (Gálatas 4: 9), além da salvação serão semelhantes a Cristo "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (I João 3: 2).

Ora, a salvação em Cristo é oferecida através da mensagem do evangelho a todos os homens "Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (Atos 2: 39), porém, todos que são salvos em Cristo não têm outro destino: são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos "E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados" (Romanos 8: 17).

É por isso que Paulo relata que Deus predestinou os cristãos. Ele demonstra que foi segundo a vontade e beneplácito de Deus que os cristão foram predestinados a serem filhos.

O erro surge quando alguém considera que Deus predestinou dentre não crentes alguns para salvação. O que Paulo nos demonstra é que Deus estabeleceu qual seria o destino eterno dos cristãos, uma vez que eles estavam em Cristo.

Paulo escreve a cristãos e não a incrédulos. Ele reafirma: em amor Deus nos (Paulo e os cristãos de Éfeso) predestinou para sermos filhos (Efésios 1: 5). Ora, os santos que estavam em Éfeso é que tornaram-se filhos, e não os descrentes.

Ora, muitos homens do passado foram salvos pela fé em Deus, porém, eles não fazem parte do corpo de Cristo. Somente os membros do corpo de Cristo, a igreja, que além da salvação não terão outro destino, a não ser, serem filhos de Deus. Este destino reservado por Deus antes dos tempos dos séculos à igreja é por causa do eterno propósito de Deus, pois os salvos em Cristo são filhos para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Não encontramos na bíblia predestinados à salvação, antes predestinados a serem filhos. Ao longo da história da humanidade encontramos salvos antes da lei, salvos dentre o povo de Israel, salvos na grande tribulação e salvos no milênio, porém, nenhum destes salvos são predestinados a serem filhos.

Todos os salvos ao longo dos séculos, os anjos, os principados, autoridades e poderes estão sujeitos a Cristo, ou seja, debaixo dos seus pés. Porém, acima de todas estas coisas temos a igreja, o corpo de Cristo, e Ele é a cabeça da igreja (Efésios 1: 22).

É por isso que ao falar da predestinação e da eleição, Paulo estabelece a condição: `em Cristo'.

 

1º) 'em Cristo' é a condição de existência da nova criatura "Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é" (II Coríntios 5: 17);

2º) Somente a nova criatura é filho de Deus, santa e irrepreensível, e por isso todas as vezes que Paulo fala da predestinação ou da eleição ele estabelece: 'em Cristo', 'no Amado', 'nele', etc. (Efésios 1: 3- 13);

3º) Deus determinou antes do séculos, que a nova criatura gerada segundo a sua vontade (Espírito) e palavra (água) seria filho por Adoção (João 1: 12 e 3: 5), por Cristo Jesus, e;

4º) Cristo torna-se primogênito entre muitos irmãos, segundo o propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas, quando Deus cria (bara) a nova criatura, concedendo ao homem um novo coração e um novo espírito (Salmo 51: 10; Efésios 4: 24).

 

O evangelho demonstra que o homem precisa morrer com Cristo, para depois ressurgir um novo homem. Como Deus predestina e elege alguém que tem que morrer à salvação? Ora, se Deus predestinou e elegeu o pecador para ser salvo, ele não poderia morrer.

Mas, o evangelho demonstra que todos quantos crerem em Cristo morrem e ressurgem uma nova criatura. Antes de morrer era vaso para desonra, preparado para perdição. Após morrer e ressurgir, o homem é feito vaso para honra. Antes trevas, agora luz no Senhor.

Quando formularam o posicionamento doutrinário de que algumas pessoas perdidas foram predestinadas e escolhidas para serem salvas, esqueceram que é impossível nascer de novo sem antes morrer. Ora, se o homem precisa morrer com Cristo para depois renascer, percebe-se que os pecadores não são predestinados e nem eleitos, uma vez que não poderiam morrer com Cristo.

Mas, todos que morreram, foram sepultados e ressurgiram com Cristo, estes são feitos filhos de Deus. As novas criaturas foram predestinadas a serem filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Paulo é enfático: "É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da salvação..." (Efésios 1: 13). Ora, aquele que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura, é um dos escolhidos de Deus para ser santo e irrepreensível.  'Em Cristo' (no Amado) é que Deus predestinou para ser filho por Adoção.

Somente após ouvir a mensagem do evangelho da salvação e tendo nele crido é que se opera a regeneração (estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura). Ser regenerado para crer é uma idéia descabia frente ao evangelho de Cristo. Como é possível alguém que não tem mais sede pedir água? Ora, segundo o pensamento calvinista e arminianista Deus forma no homem uma fonte que jorra para a vida eterna (regeneração), de modo que a pessoa não terá mais sede, e então, o homem está apto a pedir a água oferecida (crer)?

Cristo ofereceu água viva à samaritana, e caso ela bebesse a água fornecida gratuitamente, então seria feito nela uma fonte que jorra para a vida eterna, sem nunca mais ter sede (João 4: 14). Como ela pediria água, depois que não tivesse mais sede?

É anti-bíblico o argumento que apresenta a regeneração para crer. Ora, teríamos a regeneração, depois a pregação e por fim a fé. No entanto, o evangelho é a mensagem de Deus que traz fé, o homem crê e morre com Cristo. Ressurge dentre os mortos (regeneração) com Cristo, que é o primogênito dentre os mortos, e na condição de nova criatura herdamos com Cristo todas as coisas (filhos).

Ele é o primogênito entre muitos irmãos, e os que crêem co-herdeiros com Cristo, para que em tudo ele tenha a preeminência: Ele é a cabeça do corpo!

Se anunciarem um outro evangelho, que seja anátema!

 

Claudio Crispim

www.ibiblia.net


#7 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Sex, 29 de Fev de 2008 7:37 pm
Assunto: A 'igreja' dos Miseráveis
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A `Igreja' dos Miseráveis

 

 

"Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas"
 (Filipenses 3: 19)

 

 

Como Surge

 

A igreja dos miseráveis surge da gana de alguns homens corruptos, de entendimento privado da verdade, e que, após curvarem-se diante do próprio ventre, cuidam que o evangelho é fonte de ganho e só pensam nas coisas terrenas.

 

Quem são seus Líderes

 

Jesus alertou os seus seguidores acerca destes homens: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis..." (Mateus 7: 15- 16). Jesus apresenta a única forma possível para identificar um falso profeta: os seus frutos!

 

Qualquer que olhar para um falso profeta verá uma ovelha, pois eles circulam entre os cristãos vestidos como ovelhas, ou seja, através do comportamento é impossível identificá-los.

 

Características dos seus Líderes

 

A função de um profeta é ser mensageiro de Deus (falar segundo a verdade do evangelho). Já o falso profeta não anuncia o que é verdadeiro, mas se posiciona como mensageiro de Deus. O problema principal deles não é a moral ou o comportamento (pele de ovelha), e sim, o que professam. O fruto que Jesus fez referência e que torna possível identificá-los é o fruto dos lábios, ou seja, aquilo que professam acerca de Jesus (Hebreus 13: 15).

 

Os falsos profetas geralmente clamam: "Senhor, Senhor", profetizam em nome de Deus, expulsão demônios e até fazem muitos milagres (Mateus 7: 22)! Porém, não são conhecidos de Deus, e praticam a iniqüidade. Estes ouvirão abertamente de Jesus: "Aparta-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade!" (Mateus 7: 23).

 

Eles não entrarão no reino de Deus por não terem feito a vontade de Deus, que expressamente diz: creia no nome do seu Filho, Jesus Cristo (João 6: 29; I João 3: 23). João avisa: "AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (I João 4: 1).

 

O alerta é específico: "E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos" (Mateus 24: 11); "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mateus 24: 24). Haverá muitos falsos profetas que farão grandes sinais e prodígios e serão benditos (louvados) pelo povo "Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas" (Lucas 6: 26).

 

O que orienta os escolhidos de Deus nos últimos dias é analisar o que os homens dizem(provar os espíritos), comparando com as Escrituras.

 

Estes homens réprobos quanto ao evangelho se auto-intitulam mestres, doutores, apóstolos, pastores, bispos, etc.

 

 

Falsos profetas e anticristos

 

Além dos falsos profetas, há também os anticristos! Estes facilmente são identificáveis, pois negam que Jesus é o Cristo de Deus (I João 2: 22); Negam que Jesus veio em carne (I João 4: 2- 3); Negam a divindade de Cristo (Judas 4); Dizem que a ressurreição já é passada "Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns" (II Timóteo 2: 18).

 

Ora, sabemos que as inúmeras seitas que surgiram ao longo dos tempos foram fomentadas pelos anticristos, mas o que mais causa prejuízo é o grande número de falsos profetas. Enquanto os anticristos saíram do meio daqueles que professam a Cristo (I João 2: 19), os falsos profetas continuam nos ajuntamentos solenes introduzindo dissimuladamente heresias de perdição (II Pe 2: 1).

 

Seus Adeptos

 

Os freqüentadores da igreja dos miseráveis são enganados através de palavras persuasivas e tornam-se presas de homens corruptos de entendimento. Tais homens alimentam-se dos seus seguidores do mesmo modo que um animal predador faz com sua presa (Colossenses 2: 8).

 

A igreja dos miseráveis tem um grande número de seguidores que se cercam de mestres segundo os seus próprios interesses (II Timóteo 4: 3). Muitos seguirão as heresias destruidoras que foram introduzidas encobertamente e serão alvos de negócios por causa da ganância de seus lideres (II Pedro 2: 3).

 

 

O Intento dos Lideres Miseráveis

 

Por não se manterem unidos a Cristo (a cabeça da igreja), tais homens criam ordenanças (não toques, não proves, não manuseies) com o intento de terem motivo para julgarem os seus semelhantes por causa de comida e de bebida ou de dias de festas.

 

Através destas questões, que tem aparência de sabedoria, de culto voluntário, humildade fingida, severidade para com o corpo, mas que não tem valor algum contra a natureza pecaminosa herdada de Adão, privam os homens da salvação em Cristo. Alegam humildade e culto aos anjos e estruturam as suas concepções errôneas em visões provenientes de suas mentes carnais, sem fundamento nas Escrituras (Colossenses 2: 4- 23).

 

Muitos cristãos apostatarão da fé por darem ouvidos a espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Qualquer líder que ordene a abstinência de alimentos ou que proíba o casamento, sabidamente é hipócrita, fala a mentira e não tem consciência (I Timóteo 4: 1- 3).

 

 

O Discurso dos Lideres Miseráveis

 

O discurso difundido pela igreja dos miseráveis contraria dissimuladamente o anunciado por Cristo e os apóstolos.

 

A tônica do discurso na igreja dos miseráveis não e a palavra do evangelho, que é semente incorruptível, poder de Deus para os que crêem. A temática é milagres, predições, riquezas, contribuição, voto, prova, desafio, etc.

 

A bíblia manda os cristãos pensarem nas coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus, os miseráveis focam as suas pregações no que é da terra e nas obras que nela há.

 

Grande parte dos discursos aponta as crendices populares tais como maldições hereditárias, olho gordo, macumbas, feitiçaria, demônios, superstições, etc, como causa dos problemas financeiros e familiares de seus seguidores.

 

A bíblia diz que os cristãos são mais que vencedores, e os da igreja dos miseráveis concitam aos seus membros a `declararem' vitória. Permanecem enlaçados em danças proféticas, imprecações de bênçãos, clamam incessantemente por vitória evidenciando que jamais foram vencedores.

 

A bíblia demonstra que a vida dos cristãos está escondida com Cristo em Deus, porém, os da igreja dos miseráveis promovem o medo sórdido do diabo. Vivem nomeando, entrevistando, sonhando, expulsando e se comunicando com entidades malignas, porém, não oferecem segurança em Cristo.

 

Enquanto a bíblia diz que criatura alguma (e o diabo está incluso neste rol), separa o cristão do amor de Deus, promovem o medo de seus seguidores com algumas figuras bíblicas como o gafanhoto, tendo aquele que foi vencido na cruz do calvário como o responsável pelas vicissitudes da vida de seus adeptos.

 

Enquanto Jesus avisou que seus seguidores teriam aflições neste mundo para que tivessem paz pela confiança nele (João 16: 33), os miseráveis dizem que os problemas que continuamente aparecem é proveniente do diabo, fato que atormenta os seus seguidores.

 

Enquanto Jesus disse aos seus ouvintes para ajuntar tesouro nos céus, onde o ladrão não mina e nem a ferrugem come, o foco dos miseráveis é negar a filiação divina para aqueles que são destituídos de bens materiais.

 

Utilizam argumentos simplistas, tais como: se Deus é rico, porque ele teria um filho pobre? Jesus veio dar vida e vida em abundância, e o que é abundância se não riquezas?

 

Jesus mesmo alertou que não devemos buscá-lo com o fito de obter o pão necessário à subsistência, pois é impossível ao homem violar a pena imposta por Deus sem a devida punição: viverás do suor do teu rosto! Cristo demonstra que o homem deve buscá-lo pela comida que permanece para a vida eterna (João 6: 26).

 

Enquanto a bíblia diz que o crente deve descansar em Deus, Aquele que move as montanhas, os lideres da igreja dos miseráveis concitam os seus congregados a terem fé na fé. Eles não apregoam a fé em Deus, que é para a salvação. Antes concitam os seus seguidores a provarem que possuem fé fazendo votos, sacrifícios, prova, rasgar a bíblia, etc.

 

Jesus prometeu aos que seguirem a sua semelhança, mas a igreja dos miseráveis proclama que os seus seguidores deixarão de ser pobres, doentes e serão lideres na sociedade.

 

O alerta Solene

 

O apóstolo Paulo ao alertar seu filho na fé, Timóteo, demonstrou que nos últimos dias os tempos seriam difíceis, visto que os homens seriam amantes de si mesmos. Contudo, o maior perigo destes homens desprovido de moral é terem aparência de piedade quando no ajuntamento de Cristão, mas negam o poder do amor, quando rejeitam o evangelho de Cristo (II Timóteo 3: 5).

 

Judas alerta que tais homens estariam presentes nas reuniões dos seguidores de Cristo e aponta-lhes uma característica notória: seriam bajuladores, interesseiros (Judas 16).

 

Pedro notifica que tais homens têm interesse em fazer do ajuntamento solene negócios, com palavras fingidas. São inconstantes, gananciosos e deleitam-se em suas mistificações (II Pedro 2: 13).

 

Paulo notifica o fim deles do mesmo modo que Pedro demonstra: são filhos da maldição (II Pedro 2: 14), e por isso mesmo o fim deles é a perdição. A reverência deles é para com o ventre, ou seja, buscam somente a satisfação de seus segundo a concepção carnal, e só pensam nas coisas terrenas (Filipenses 3: 19).

 

Quando se ouve o pseudo-evangelho que proclamam os da igreja dos miseráveis, cuja mensagem claramente demonstra que os seus interesses são terrenos, conclui-se: é um ajuntamento de miseráveis, pois quando se espera em Cristo por questões só desta vida, a maldição do pecado permanece sobre eles.

 

Notadamente quem espera em Cristo somente para as questões diárias, é o mais miserável dos homens. Quão miseráveis aqueles cujo fim é a perdição! "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (I Coríntios 15: 19).

 

O que fazer?

 

É preciso batalhar pela fé acerca da salvação que é comum aos que crêem para salvação (Judas 3- 4).

 

A mensagem dos falsos profetas de nada aproveita aos que crêem.

 

Cuidado com o seguinte argumento: "É possível ao homem de falso coração fazer certas coisas boas. Pode-se até receber edificação pela sua mensagem, porque Deus honra a sua Palavra. Mas a pregação não o salvará da sentença do Juiz: `Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade'" Mateus, O Evangelho do Grande Rei, Myer Pearlman, 1º Ed, RJ, CPAD, 1995, pág. 44.

 

É impossível a um falso profeta trazer edificação através da sua palavra. Jamais Deus honrará a palavra de um falso profeta. Se Deus honrar a palavra de um homem é porque ele não é falso profeta e a palavra é de Deus.

 

É plenamente possível a um falso profeta fazer coisas notadamente boas, pois este é um disfarce para aproximarem-se das ovelhas.

 

Não há edificação nas palavras de um falso profeta, pois introduzem dissimuladamente heresias de perdição que levará a morte. Não é porque dizem `Senhor, Senhor' que são verdadeiramente seus servos. Não é porque expulsam demônios que são servos do Altíssimo. Não é porque operam muitos milagres, que o fazem pelo dedo de Deus (Mateus 24: 24).

 

Os sinais dos falsos profetas são segundo a eficácia de Satanás, pois realizarão sinais e prodígios de mentira. Para os que perecem há todo o engano da injustiça, pois crerão na mentira e operação do erro (II Tessalonicenses 2: 9- 11).

 

 

Claudio Crispim

 

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#6 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 26 de Fev de 2008 11:23 am
Assunto: Você é bem-aventurado?
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A Bem-aventurança pode ser Segmentada?

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus"
(Mateus 5: 10).

 

Segmentar - v.t. Reduzir a segmentos: segmentou o tronco da árvore. / Tirar um segmento de algo. / V.pr. Partir-se em segmentos, dividir-se, parcelar-se.

 
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Qual `justiça' foi alvo do discurso de Jesus quando anunciou a bem-aventura ao povo de Israel e aos seus discípulos? A bem-aventurança é proveniente das virtudes humanas ou é dom de Deus? O homem precisa ser `digno' da bem-aventurança ou é Deus quem os justifica?

Ao ler um artigo intitulado "Bem-aventuranças não alcançadas", não consegui esquivar-me desta análise. Assim diz o artigo: "Percebo que não alcancei algumas virtudes; não me encaixo na bem-aventurança de Mateus 5.10 (...) Não posso me incluir nessa promessa porque nunca fiz vigília solitária nas calçadas dos hospitais públicos que desprezam o direito do pobre, nunca marchei pelos idosos ou me arrisquei por crianças abandonadas; não me amarrei a uma árvore para não permitir que ela fosse cortada pela gula da especulação imobiliária; não fiz greve de fome por nenhuma causa (...) Confesso. Ainda não me vejo digno da felicidade de receber o mesmo galardão dos profetas. Enquanto eles defenderam os órfãos e as viúvas, eu me contentei em pregar uma mensagem desencarnada. Por anos, falei do Céu para fugir das injustiças que me rodeavam; prometi salvação como forma de mitigar o sofrimento dos pobres..." Bem-aventuranças não alcançadas, Ricardo Gondim, Revista Enfoque Gospel, Edição 55, Maturidade Cristã.

Lemos nas escrituras que Deus é um Deus de justiça e que os que nele esperam são bem-aventurados "Pois o Senhor é um Deus de justiça. Bem-aventurados todos os que nele esperam" (Isaias 30: 18b).

Confiar em Deus (esperar) é o único meio de o homem alcançar a bem-aventurança prometida. Assim sendo, Deus alerta o povo a esperar na justiça e salvação providenciada por ele.

Deus aponta o seu próprio braço (destra), Jesus Cristo-homem (o braço do Senhor desnudado perante a humanidade), como justiça e salvação manifesta ao alcance de todos os homens "Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão" (Isaías 51: 5).

Cristo foi manifesto aos homens na condição de servo do Senhor, oferta de bem-aventurança para todos os povos (judeus e gentios) "Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios" (Isaías 42: 6).

A justiça de Deus manifesta em Cristo estabeleceu paz entre Deus e os homens. Deus preparou salvação poderosa a todos "E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre" (Isaías 32: 17).

Deus chama todos os homens à sua justiça, pois todos andavam longe de Deus trilhando o caminho de perdição, longe da justiça "Ouvi-me, ó duros de coração, os que estais longe da justiça" (Isaías 46: 12).

Os apóstolos compreenderam que Cristo é a justiça de Deus manifesta aos homens. Entenderam que a lei e os profetas anunciaram a Cristo, o sol nascente das alturas "Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas" (Romanos 3: 21).

Ora, sabemos que a missão de Jesus não foi a de promover a justiça dos homens, antes tornou patente aos homens à justiça de Deus "Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar" (Isaías 56: 1).

Quando interpelado por alguém na multidão acerca da partilha de uma herdade, Jesus respondeu: "E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?" (Lucas 12: 13- 14). A missão de Jesus não vincula-se as questões judiciais.

Jesus veio conceder vida e vida em abundância (João 10: 10). Ora, ele veio dar vida em abundancia para ricos e pobres, servos e livres, judeus e gregos, pois a vida não consiste na abundância de bens (Lucas 12: 15).

Ao recomendar que Filemom recebesse de volta o seu escravo Onésimo, Paulo não levantou uma bandeira contra o regime de escravidão. Ele também não incita os cristãos que eram escravos a lutarem contra o sistema vigente à época "Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião" (I Coríntios 7: 21).

Por que Deus providenciou justiça aos homens? Porque a justiça dos homens é aquém da justiça de Deus. Porque a bíblia classifica a justiça dos homens como sendo trapos de imundície "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam" (Isaías 64: 6).

Isto por si só demonstra que, apesar dos homens instituírem tribunais e juízes sobre si, fazerem leis que norteiam os seus comportamentos, seguirem a moral e os bons costumes, serem redargüidos pela própria consciência e sabendo dar boas dádivas aos seus filhos, são maus diante de Deus (Mateus 7: 11; 12: 34).

Os profetas protestavam contra o povo de que não havia sequer um homem que clamasse por justiça (Isaias 59: 4). Como? Nunca houve um injustiçado na história da humanidade que não tenha clamado por justiça? Ora, quando as calamidades sociais subverteram as sociedades do passado, nunca houve quem saísse às ruas para clamar pelo que é justo? Nunca houve dentre os homens alguém que tenha protestado veementemente em defesa da causa alheia?

Nunca houve na história da humanidade quem buscasse compreender e teorizar a respeito da justiça? Nunca houve quem buscasse organizar a sociedade através dos ideais de justiça em busca da felicidade coletiva?

Que se dirá das considerações gregas acerca da `polis', que surgiu da `teia social' estruturada na política e na organização sistemática do poder, como sendo o `locus' da racionalidade e da felicidade humana?

A justiça da bem-aventurança deriva da concepção aristotélica: 'virtude ética', e nada mais? Jesus alguma vez demonstrou que o exercício da razão estabelece o que é justo e injusto? Quem praticar `atos justos' é um homem bom diante de Deus? Basta alguém resignar-se a sofrer a injustiça do que praticá-la contra outrem que será um bem-aventurado?

Se não há homem justo sobre a terra, quem dentre os homens herdará o reino dos céus por ter sido perseguido por causa da justiça? (Eclesiastes 7: 20; Mateus 5: 10).

Quais as virtudes humanas devem ser cultivadas para se alcançar a bem-aventurança? Para aqueles que querem alcançar a Deus através de suas obras, boas ações, esmolas, etc., Deus avisa: "Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão" (Isaías 57: 12).

Mas, como Deus é Deus de justiça e aqueles que nele esperam são bem-aventurados, temos que a bem-aventurança prometida por Cristo não tem como ser segmentada. Ou o homem é bem-aventurado ou não é.

Os pobres de espírito e os que choram são as mesmas pessoas. Quando Jesus disse que o reino dos céus pertence aos pobres de espírito, os que choram também são os pobres de espírito. Quem recebe como herança o reino dos céus é porque foi consolado por Deus (Mateus 5: 3- 4).

Não há como ser 'manso' sem ter 'sede e fome de justiça'. Não há como 'herdar a terra' sem antes estar 'saciado de justiça', pois os mansos herdarão uma terra onde habita a justiça "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3: 13; Mateus 5: 5- 6;).

Quem são os misericordiosos, senão aqueles que verão a Deus? Quem são chamados filhos de Deus, senão aqueles que são perseguidos? (II Timóteo 3: 12).

Ora, somente os pobres de espírito reconhecem as suas misérias e aceitam o convite para o banquete divino: "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei! Vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" (Isaias 55: 1).

Quem se considera abastado por ter trabalhado (obra), e que tem recursos para a salvação, rejeita o pão da vida, rejeita o que é bom e que traz deleite para alma sedenta. Só o que é oferecido gratuitamente por Deus pode satisfazer o que Ele exige (Isaias 55: 2).

Os pobres de espírito choram as suas misérias, mas são consolados mediante a justiça de Deus, que é Cristo. O resultado é descanso, repouso, paz e segurança! (Isaias 32: 17).

Os mansos são aqueles que aceitaram o convite de Cristo "Vinde a mim..." (Mateus 11: 28), Aquele que é humilde e manso de coração (Mateus 11: 29). Ora, não basta ser humilde e manso na conduta, pois Moisés foi o homem mais manso da terra, porém, não entrou na terra prometida. Mas, os que vieram a Cristo, o Mestre por excelência, deles é a terra onde habita a justiça.

Quem come da carne e bebe do sangue de Cristo mata a fome e a sede de justiça (João 6: 55). Aqueles que estão de posse da salvação são designados misericordiosos, puros de coração, pois através da palavra de Deus, a semente incorruptível, foi criado neles um novo coração puro e um espírito reto (Salmos 51: 10; Efésios 4: 24).

Os pacificadores também são chamados de filhos de Deus, uma vez que foi lhes confiado o evangelho da reconciliação que estabelece a paz entre Deus e os homens (II Coríntios 5: 19).

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça. Embora sejam felizes por lhes pertencer o reino dos céus, sofrem perseguições, pois a Justiça de Deus revelada aos homens vaticinou: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16: 33).

Cristo predisse as aflições para que os seus seguidores permanecerem descansados, pois bem-aventurados seriam quando fossem injuriados e perseguidos por causa do evangelho "Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?" (Mateus 10: 25).

Ora, basta confiar no Senhor que o crente torna-se participante da bem-aventurança prometida. O que Jesus prometeu e concede aos seus não é conforme as coisas deste mundo. Primeiro porque não somos deste mundo e o mundo nos odeia (João 15: 18). Segundo, a paz de Deus não é conforme a paz do mundo, e Cristo mesmo disse que não a concede do mesmo modo que o mundo a dá (João 14: 27).

A promessa de bem-aventurança foi feita antes dos tempos dos séculos, e todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo "Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós" (II Coríntios 1: 20).

Jesus alertou: "Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes" (João 12: 8). Este alerta demonstra que Jesus não veio apregoar um evangelho de cunho social. Ele não veio trazer uma revolução sócio-econômica. Ele não veio falar contra as injustiças sociais e nem contra o modelo social adotado pelos homens.

Ora, seria um contra-senso Cristo lutar contra o governo constituído à época, se todo poder dado aos homens foi concedido por Deus "Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem" (João 19: 11).

Jesus é claro: "Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará" (Marcos 8: 35), ele não deu esperança com relação a este mundo, pois o seu reino não é deste mundo "Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui"  (João 18: 36).

Enquanto os gregos tinham na sabedoria o meio de estabelecer alegria na `polis', Cristo promete a bem-aventurança no seu reino através da loucura da pregação. Enquanto os judeus criam que teriam pão e um reino aqui, Jesus apresentou o escândalo da cruz, dando a sua carne a comer e o seu sangue a beber.

Ora, Jesus não trouxe paz, mas espada! Ou seja, ele trouxe justiça através da sua morte. Para o velho homem gerado em Adão resta a morte (espada) para que na nova criatura seja estabelecida a justiça de Deus (Mateus 10: 34).

A espada representa morte e justiça. Como o salário do pecado é a morte, e somente a morte livra o escravo do pecado de seu senhor, aquele que toma a sua própria cruz e segue após Cristo, é morto sepultado e ressurge uma nova criatura, onde se estabelece a justiça de Deus.

Que bem o homem fará para alcançar a bem-aventurança? Agarrar-se às suas virtudes? Ser religioso? Virar um mártir? Levantar uma bandeira ideológica? Doar todos os bens? Dar o seu próprio corpo a ser queimado?

Eliú disse bem: "Se és justo, que dás, ou que recebe Ele das suas mãos? A tua impiedade fará mal apenas a outro homem como tu, e a tua justiça só aproveitará aos filhos dos homens" (Jó 35: 7- 8; 41: 11).

É possível a quem espera no Senhor não ter a graça da bem-aventurança prometida? Quem espera no Senhor precisa de suas virtudes para alcançar a alegria da salvação? Como pode um soldado alistado para a guerra se embaraçar com negócios desta vida? (II Timóteo 2: 4).

Ora, é válido a um cristão ser um cidadão ativo em sua comunidade, porém, não pode excluir-se da graça de Deus por causa de questões humanas e sociais. Não somos nos que nos incluímos nas promessas de Deus, antes, Ele as prometeu antes dos tempos dos séculos "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tito 1: 2).

A bem-aventurança não é por obra para que ninguém se glorie, portanto não é fazendo boas ações aos pobres, crianças e velhos que se alcança a alegria prometida. A bem-aventurança prometida é concedida aos homens através da virtude daquele que chama, e não daquele que é chamado (II Pe 1: 3).

A bem-aventurança não é alcançada através de reivindicação, mas por fé, a fé que foi concedida aos santos (Judas 1: 3). Como reivindicar o que Deus nos oferece gratuitamente? Quem tiver fome e sede que venha comprar sem dinheiro e sem preço vinho e leite. Quem trabalha (obra) gastando os seus recursos (dinheiro) com o que não pode satisfazer, não verá a Deus.

Inúmeros religiosos dedicaram-se as causas sociais, mas não são participantes da bem-aventurança. Inúmeras freiras, padres, monges, rabinos, pastores levantaram o estandarte dos fracos e oprimidos e são indignos de receberem o reino dos céus.

A teologia da libertação não é o evangelho de Cristo, pois o evangelho é poder de Deus. Não é uma ideologia, um segmento político, a bandeira dos necessitados de bens materiais, etc. A concepção de que Deus está nos pobres, nos miseráveis, nos mendigos, nos desassistidos, etc., não é conforme o evangelho de Cristo.

Ao anunciar o evangelho, Jesus ocupou-se com os pobres de espírito, e não dos pobres desprovidos de bens. Há pobres de espírito que são ricos e pobres de espírito que são paupérrimos, homens e mulheres, grandes e pequenos, pois todos quantos o receberem, receberão poder para serem feitos (criados) filhos de Deus, com direito a bem-aventurança prometida.

Há ricos e pobres neste mundo que rejeitam a graça de Deus por considerarem que estão abastados espiritualmente. Este foi o caso dos judeus, tanto pobres quanto ricos financeiramente, acharam que já eram bem-aventurados por serem descendestes de Abraão.

Porém, a igreja de Deus, o corpo de Cristo é constituído de judeus, gregos, servos, livres, macho, fêmea, pobres, ricos, pois todos são um em Cristo (Gálatas 3: 28).

Outros, por serem membros ou simpatizantes do zelotes, seita e partido político judaico militar e revolucionário, pensavam estar conquistando a bem-aventurança prometida quando pegavam em armas. Eles pensavam que já estavam abastados espiritualmente, pois eram perseguidos pelos romanos por causa da pretensa causa justa.

Que dizer dos Macabeus? Judas Macabeu foi bem-aventurado por causa da sua resignação e força? É possível alcançar a bem-aventurança proposta quando se esquece da determinação divina: não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito!?

Paulo reitera a condição dos que crêem em Cristo: "Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo" (Gálatas 3: 26). João alerta: "E somos mesmo seus filhos!" (I João 3: 1b). Os cristãos são casas espirituais, templo e morada de Deus "Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado" (I Pedro 4: 14).

Ora, como cristão é dado padecer ou não por amor a justiça. Pedro alerta: "Se padecerdes...", ou seja, padecer não é condição essencial a bem-aventurança, e sim, um de seus aspectos neste mundo "Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis" (I Pedro 3: 14).

É fato que tivemos grandes lideres humanitários ao longo da história da humanidade. Devemos a estes homens inúmeras conquistas nas áreas trabalhistas, sociais, direitos humanos, racial, étnico, liberdade de culto, expressão, etc. Cada um tem seus méritos e virtudes, e se tentarmos enumerar, seremos injustos com muitos, pois não é possível listar todos os grandes homens.

Contudo, quando falamos da bem-aventurança prometida por Deus antes dos tempos eternos, não é a dignidade, a humildade, a resignação, a bondade, etc., que fará do homem imbuído destes valores um dos filhos de Deus (bem-aventurados.

Devemos separar as questões acerca da perseguição por causa do evangelho, e as perseguições por causa de questões institucionais, ideológicas, religiosas e sociais. Enquanto esta surge quando nos intrometemos em questões alheias ou defendemos o que nos é de direito, aquela só ocorre quando se anuncia o evangelho que é poder para os que se salvam e escândalo e loucura para os que perecem.

Que bem-aventurança foi destinada aos profetas do passado, se o menor do reino de Deus é maior que João Batista? "Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mateus 11: 11).

Não podemos transtornar a mensagem da cruz, uma vez que é através da loucura da pregação que se alcança a bem-aventurança "Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação" (I Coríntios 1: 21). Não podemos introduzir questões humanas na mensagem do evangelho, pois surgirá um outro evangelho inócuo para promover a bem-aventurança prometida. Se excluirmos o escândalo e a loucura da pregação, não haverá salvação.

Ora, se alguém ensinar outra doutrina que não se conforma com as sãs palavras de Cristo, doutrina que é segundo o amor de Deus, não guarda o mandamento de Cristo imaculado e irrepreensível (I Timóteo 6: 3 e 14). Acabará corrupto de entendimento e privado da verdade! (I Timóteo 3- 8).

A verdade do evangelho demonstra que é impossível ser um dos filhos de Deus e não ser bem-aventurado. A bem-aventurança não pode ser segmentada!

  

Claudio Crispim

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#5 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 19 de Fev de 2008 11:37 pm
Assunto: Quem tem promessa morre?
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Quem tem promessa não morre?


Tem razão o poeta em dizer que não morre quem tem promessa?

A mesma idéia que invalida a morte por um período de tempo para
aqueles que têm promessa, também invalidaria a volta de Cristo por
igual período. Se fosse desta maneira, muitos que esperam o
cumprimento de alguma `promessa' teriam a certeza de que não seriam
surpreendidos pelo dia do Senhor por um determinado período de tempo
(I Tessalonicenses 5: 1).

A bíblia contraria o argumento do poeta uma vez que quem tem promessa
de Deus também morre!

Ela demonstra que Abraão, Isaque e Jacó tinham uma promessa de Deus,
porém, morreram sem alcançá-las "Todos estes morreram na fé, sem
terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e
abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na
terra" (Hebreus 11: 13).

O escritor aos Hebreus também demonstra que muitos tiveram uma vida
vitoriosa. Ex: Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi,
Samuel e alguns profetas são exemplos de fé, pois venceram as
adversidades confiados em Deus e alcançaram livramento conforme as
promessas de Deus ainda em vida (Hebreus 11: 32- 34).

Do mesmo modo, ou seja, pela fé, muitos outros experimentaram a
morte, a tortura, o escárnio, os açoites, as prisões, o
apedrejamento, foram serrados, mortos à espada, outros eram
necessitados, aflitos, maltratados, etc., o que demonstra que,
muitos, embora crendo, não alcançaram livramento das agruras deste
mundo.

Dentre estes servos de Deus, muitos recusaram o livramento de Deus,
segundo a sua promessa, visando alcançar superior ressurreição
(Hebreus 11: 35b- 38).

O escritor aos hebreus apresenta aos seus leitores um contraste, pois
pela fé muitos venceram reinos, fecharam a boca dos leões, apagaram o
poder do fogo, e outros pela mesma fé somente receberam forças para
suportar toda sorte de reveses na vida. Isto demonstra que Deus faz-
se presente na vida de seus servos em todas as situações e
circunstâncias.

O amor e a graça de Deus são concedidos por intermédio do evangelho
de igual modo para todos os que crêem, porém, o livramento de Deus
diante das agruras desta vida não alcança a todos. Embora muitos
tenham recebido bom testemunho pela fé, não foram vitoriosos segundo
a concepção humana.

A concepção de alguém vitorioso hoje é a de uma pessoa bem sucedida
financeiramente, empreendedor, cheio de bens materiais, mas, não é
assim a vitória que o crente conquistou em Cristo, visto que, muitos
pela fé viveram maltratados, aflitos e necessitados. Isto demonstra
que a promessa de Deus vai além de questões vinculadas a livramentos
com relação às agruras deste mundo "Porque não queremos, irmãos, que
ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos
sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que
até da vida desesperamos"  (II Coríntios 1: 8).

Quem tem promessa de Deus morre, pois para Deus vivem todos! (Lucas
20: 38). A morte física não é empecilho para cumprimento de suas
promessas e Abraão verá o cumprimento cabal das promessas de Deus. Do
modo que se expressou o poeta entende-se que a morte põe termo às
promessas de Deus, e NÃO é assim, pois Deus não é Deus de mortos.

Quem foi mais vitorioso: o evangelista João, que morreu velho e de
morte natural (João 21: 22), ou Estevão, que foi apedrejado no início
do seu ministério? (Atos 7: 55- 58). Quem teve maior fé, Moisés que
rejeitou ser chamado filho da filha de Faraó ou Tiago, irmão de João,
que foi morto ao fio da espada? (Atos 12: 2).

Pela fé `todos' os personagens bíblicos citados anteriormente pelo
escritor da carta aos Hebreus morreram sem alcançar as promessas "E
todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a
promessa..." (Hebreus 11: 39).

Há acepção de pessoas em Deus? Ele é injusto por dar livramento para
alguns e outros não? A promessa de Deus não é para todos os homens?

A idéia de que quem tem promessa não morre surge de uma falta de
compreensão sobre o que é a promessa de Deus e como alcançá-la. Para
uma melhor compreensão é preciso entender estes dois
versos: "Portanto não lanceis fora a vossa confiança, que tem uma
grande recompensa. Necessitais de perseverança, para que, depois de
haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa" (Hebreus 10:
35- 26).

`Não lançar fora a confiança' é o mesmo que `perseverar na fé'. Qual
fé? Ora, a mesma fé que uma vez foi dada aos santos: a verdade do
evangelho (Judas 3). É necessário a todos que crêem na mensagem do
evangelho perseverar, pois esta é a obra perfeita que a fé produz no
cristão: a perseverança (Tiago 1: 4).

A fé sem perseverança é morta, pois esta é a obra perfeita que a fé
produz no cristão!

Só alcança a promessa de Deus aqueles que fazem a sua vontade! Qual é
a vontade de Deus que o homem deve fazer (executar)? Sacrifícios,
rezas, imprecações, orações, jejuns, etc.? Não! A vontade de Deus é
esta: `Que creiais naquele que Ele enviou' (João 3: 23).

Ora, somente alcança a promessa de Deus aqueles que crêem no nome do
seu Filho Jesus Cristo. É pela fé que se alcança a promessa de Deus.
Ou seja, `fazer a vontade de Deus' é o mesmo que `crer em seu Filho'.
Através da crença (fé) o homem torna-se participante de uma promessa,
e só é possível alcançá-la perseverando na fé.

Há uma grande diferença entre a promessa de um homem e a promessa de
Deus. Enquanto o homem é falho, Deus é todo poder para cumprir com a
sua palavra. Ora, desta forma temos que a promessa de Deus vincula-se
a sua palavra. A promessa de Deus é firme, pois ele não pode mentir,
jurou pela sua palavra e o seu eterno poder constitui-se em garantia
para aqueles que nele esperam.

A bíblia apresenta aos homens uma promessa de Deus que é antes dos
tempos eternos "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não
pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tito 1: 2).

Paulo demonstrou que a promessa de Deus é atemporal, visto que foi
feita antes dos tempos que se medem de séculos em séculos, ou seja,
na eternidade. No A. T. as promessas de Deus apontavam para o
Messias, a esperança de vida eterna para a humanidade que jazia em
trevas. Ele também demonstrou que todas as promessas de Deus cumprem-
se em Cristo "Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele
sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós" (II Coríntios 1:
20).

Observe que todas quantas promessas que Deus fez cumpre-se em Cristo
para a sua própria glória. Como é isto?

Ora, quando lemos acerca de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, vemos
que eles foram vencedores em inúmeras batalhas. Mas, qual o propósito
de Deus em conceder-lhes vitória? Eles eram melhores que os demais
homens? Tiveram uma fé superior? Não! Antes, as vitórias que
conquistaram tinham como foco principal preservar a linhagem de
Cristo.

Se considerarmos que Deus escolhe dentre os homens alguns para
satisfazer os seus caprichos pessoais é porque nos esquecemos do
propósito eterno de Deus, que é o de `convergir em Cristo todas às
coisas' (Efésios 1: 10).

Ora, todas as promessas do Antigo Testamento visavam preservar a
linhagem do Messias. Embora muitos não tenham visto o cumprimento
desta promessa, morreram na fé. Estes que morreram na fé, em alguns
momentos de sua vida terrena foram agraciados com livramentos
pontuais, outros, porém, mesmo na fé, não tiveram igual livramento.

Portanto os cristãos não devem embaraçar-se com negócios desta vida,
pois o que importa é a fé que opera pelo amor de Deus revelado em
Cristo, pois em Cristo todas as promessas cumprem-se.

Observe o que disse o apóstolo João: "E esta é a promessa que ele nos
fez: a vida eterna" (I João 2: 25). A promessa de Deus é específica:
a vida eterna. Agregado a promessa de vida eterna àqueles que
permanecem em Cristo, temos a promessa da presença de Cristo em todos
os dias "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação
dos séculos. Amém" (Mateus 28: 20).

A ordem para ensinar a guardar as coisas que Cristo mandou tem como
foco a promessa de vida eterna. A promessa para guardar os
mandamentos de Cristo promove a vida eterna, bem como nunca será
abandonado àqueles que nele confiam.

Cristo prometeu estar com os seus todos os dias até a consumação dos
séculos e está é uma promessa válida a todos os cristãos, e mesmo
assim Estevão morreu apedrejado. Ele estava só? Não!

Isto demonstra que a preocupação dos cristãos não deve se fixar em
problemas, promessas pontuais ou com a morte, visto que: "Porque, se
vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos.
De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Romanos 14:
8).

É de conhecimento que a promessa que Deus fez é a promessa de vida
eterna. Ora, tal promessa é para que amemos a sua vinda e não
estejamos embaraçados com as coisas desta vida "Ninguém que milita se
embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o
alistou para a guerra" (II Timóteo 2: 4).

Paulo recomenda que aqueles que usam deste mundo, que vivam como se
dele não abusassem "E os que usam deste mundo, como se dele não
abusassem, porque a aparência deste mundo passa" (I Coríntios 7: 31).

Agora chegamos à questão principal: Sobre qual tipo de promessa
escreveu o poeta? De onde surgiu à concepção de que não morre quem
tem promessa? De onde pode surgir uma nova promessa?

Se for por meio de profecias temos uma ressalva do apóstolo Paulo que
diz: "Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação
e consolação" (I Coríntios 14: 3). A finalidade da profecia hoje não
é estabelecer novas promessas, e sim exortação, consolação e
edificação, pois já temos a promessa: a vida eterna!

Não é da vontade de Deus que o cristão se fixe nas coisas desta vida,
e as suas promessas não dizem de coisas passageiras, tais como: bens
materiais, relacionamentos humanos, viagens, ministérios, dons, etc.,
antes é preciso viver hoje como se Cristo voltasse agora.

Há um grande misticismo no mundo! Os homens vivem em procura de
prognósticos, adivinhações, oráculos, promessas, etc. Deus não
contraria a sua palavra, concedendo uma promessa pontual para o
amanhã, uma vez que o dia de amanhã não nos pertence "Não vos
inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará
de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Mateus 6: 34); "Digo-vos
que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É
um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece" (Tiago 4:
14).

Deus não invalida a sua palavra através de uma promessa pontual. Como
conciliar uma promessa tendo em vista questões deste mundo com o que
diz a sua palavra: o homem viverá do suor do seu rosto (Genesis 3:
19); tudo sucede igualmente a todos os homens (Eclesiastes 9: 2); o
tempo e a sorte ocorrem a todos e o homem não sabe a sua hora
(Eclesiastes 9: 11- 12); o homem não tem como descobrir o que há de
ser (Eclesiastes 7: 14).

Alguém pode citar Simeão. Dele temos que era homem temente a Deus e
que esperava a consolação de Israel (Lucas 2: 25). Ora, foi lhe
revelado pelo Espírito, que antes de morrer haveria de ver a Salvação
de Israel. Temos uma revelação, da mesma forma que teve José e Maria.

Tal revelação de Deus a Simeão serviu de sinal e testemunho aos pais
do menino Jesus e àqueles que estavam no templo (Lucas 2: 33). De
igual modo serviu de sinal ao povo o anunciado pela profetiza Ana.
Ora, o anunciado pela profetiza Ana e a revelação que teve Simeão
foram a respeito do Cristo, e não de questões particulares.

Perceba que a revelação de Simeão serviu de sinal e testemunho ao
povo de que o menino é a consolação de Israel (Lucas 2: 34- 35),
porém, ele morreu e não viu o seu povo consolado, pois a promessa
ainda se dará no futuro.

A única profecia acerca da preservação de uma vida foi feita ao rei
Ezequias: "Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi
teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que
acrescentarei aos teus dias quinze anos" (Isaías 38: 5), mas tal
promessa era factível à época, pois não havia a promessa da iminente
volta de Jesus.

O que muitos cristãos pensam também subiu ao coração de
Ezequias: "Pois pensava: Haverá paz e segurança em meus dias" (Isaias
39: 8).

Não há promessas condicionais, visto que todas as promessas de Deus
têm em Cristo o cumprimento (o sim) "Porque todas quantas promessas
há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por
nós" (II Coríntios 1: 20).

Quando se estabelece alguma condição para receber algo, já não é
promessa, e sim uma recompensa. Não há promessas condicionais, pois
se assim fosse estabeleceria uma dívida entre o Criador e a criatura
(Romanos 4: 4).

Todos os homens são falhos e nenhuma promessa de Deus esteve ou
estará vinculada a fidelidade do homem. Abraão, um exemplo de fé,
mesmo após receber o testemunho de que creu em Deus, cometeu várias
falhas. Na tentativa de auxiliar Deus a cumprir a sua promessa
apresentou o seu servo damasceno Eliéser (Genesis 15: 3- 4), o seu
filho Ismael (Genesis 17: 18) e riu-se da promessa (Genesis 17: 17).

Os cristãos são fiéis por estarem em Cristo, ou seja, ninguém é fiel
a Cristo, antes, por estar em Cristo, na condição de nova criatura, é
fiel EM Cristo (Efésios 1: 1). Por andar na presença de Deus Abraão
foi declarado perfeito (justificado) (Genesis 17: 1). Como andar como
Abraão? Por fé!

As promessas de Deus são incondicionais para que o homem possa
descansar nele, pois é Ele quem trabalha para os que nele esperam
(crêem) (Isaias 64: 4).

Algumas pessoas consideram o capítulo 28 de Deuteronômio como
promessas condicionais, porém, é uma expressão da lei. Por que
expressão da lei? Porque só é possível servir a Deus (ou obedecê-lo,
ou cumprir os seus mandamentos) por meio da fé. Se fosse possível aos
ouvintes da lei cumpri-la, não haveria necessidade da vinda do
Messias, pois o mandamento de Deus só é possível cumprir por
intermédio de Cristo.

As promessas de Deus são todas sustentadas pela sua fidelidade e Ele
não fica a mercê das realizações pessoais de homem algum (Hebreus 6:
13; Amós 6: 8).

É factível a promessa da vinda de Cristo ser protelada
pela `promessa' particular de um filho a alguém? A `promessa' de uma
vida farta neste mundo, ou como dizem, `Deus virará o seu cativeiro',
mudará os tempos que Deus estabeleceu por seu próprio poder?

O que Jesus realmente prometeu? "E Jesus, respondendo, disse: Em
verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos,
ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor
de mim e do evangelho,
Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e
irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século
futuro a vida eterna" (Marcos 10: 29- 30).

Enquanto Jesus disse que no mundo os seus seguidores teriam aflições,
muitos cristãos se valem de pretensas promessas para reclamar de Deus
como fez Baruque "Ai de mim! Acrescentou o Senhor tristeza à minha
dor; estou cansado do meu gemido, e não acho descanso" (Jeremias 45:
3).

Porque fizeram algo, como fez Baruque ao ser escriba de Jeremias,
pensam que Deus lhes deve alguma coisa. O descanso que procuram é
concernente a esta vida, e desprezam o verdadeiro descanso do Senhor!

Para estes diz o Senhor: "Procuras grandezas? Não as busques. Pois eu
trarei mal sobre toda a humanidade, diz o Senhor, mas a ti darei a
tua alma por despojo, em todos os lugares para onde fores" (Jeremias
45: 5).




Claudio Crispim

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#4 De: "Claudio Crispim" <crispacfo@...>
Data: Ter, 13 de Fev de 2007 11:59 pm
Assunto: Por que Deus permite que os inocentes sofram?
ccrispim2001
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Respondendo a Pergunta: "Porque Deus permite que inocentes morram?"

O caso da morte do menino João no Rio de Janeiro fomenta estes
questionamentos!

Muitos espíritas questionam a justiça divina por causa destes eventos.





Saudações em Cristo!



Uma irmã questionou o motivo pela qual Deus não intervém em casos
brutais, semelhante ao que ocorreu no rio. Se Ele conhece todas as
coisas e é justo, por que permite estes eventos?



É certo que Deus conhece todas as coisas! É isto o que a bíblia nos
ensina.



Deus, antes que qualquer evento ocorra, sabe o que haverá de vir!

Por que ele permite estes eventos? Esta pergunta incomoda!



A bíblia nos dá a resposta:





1º Tudo o que o homem intentar ou programar Deus permitirá que
ocorra.

Da mesma forma que ele permitiu Adão pecar, ele permitirá que os
homens tracem os seus caminhos. É o que chamamos de livre- arbítrio.

Por que Deus permitiu que Adão pecasse? Porque `Onde o Espírito de
Deus está, ai está a liberdade' II Co 3: 17, ou seja, no Éden, Deus
concedeu plena liberdade a Adão, visto que de todas as árvores do
jardim ele podia comer livremente Gn 3: 16 . Observe que Deus deu
liberdade para Adão comer de todas as árvores do jardim.



Houve um porém na liberdade concedida! No dia em que Adão comesse da
árvore do conhecimento do bem e do mal, ele haveria de morrer (Deus
deu o motivo pela qual não se deveria comer da árvore do
conhecimento). O conceito de morte apresentado em Gênesis é o
conceito de morte presente em Deus, e não o conceito que hoje
entendemos. Ou seja, se para Deus vivem todos, como podemos entender
a morte como pena? O novo testamento nos esclarece o conceito de
morte para Deus: Quem está morto para ele passa a viver para o mundo!
Quem está morto para o mundo passa a viver para Deus (Rm 6: 11)!



Caim intentou matar Abel. Abel era justo, e mesmo assim Deus
permitiu. Deus foi injusto em permitir a morte de Abel? É o que
descobriremos.

Mesmo quando foi morto, para Deus Abel continuou vivo! (Lc 20: 38).

Este raciocínio de outra maneira: no passado (Paulo fala de outro
tempo), mesmo quando vivos, para Deus estávamos mortos! (Ef 2: 5)



2º Deus poderia ter impedido o acesso de Adão à árvore do
conhecimento do bem e do mal, mas mesmo sabendo do intento do homem,
ele não interferiu.

Quando o homem foi criado, ele foi criado a imagem e semelhança do
seu Criador.

A imagem do homem advém de Cristo, o segundo Adão, visto que Deus é
Espírito, e espírito não tem forma. A forma que o homem recebeu advém
de Cristo, pois Adão era a figura daquele que havia de vir (Rm 5: 14).

A semelhança que alcançamos é quanto ao domínio, ou seja, a vontade
do homem, dentro da sua esfera de atribuição, é soberana. Deus deu o
domínio ao homem sobre tudo na face da terra, e o próprio tempo é uma
garantia desta soberania (Gn 1: 26). Caso o homem queira concertar
uma decisão que tenha tomado anteriormente, terá que tomar uma nova
decisão. Nem mesmo o homem muda as suas decisões, é preciso uma nova
decisão para alterar a anterior.



Deus não volta atrás em seus intentos. Ele não volta atrás em sua
vontade, pois é soberana. Por semelhança as decisões do homem são
soberanas, visto que se ele quiser alterar uma decisão não
conseguira. Terá de tomar uma nova decisão.



(Observe que Satanás não quis ser Deus, visto que tal intento é
impossível de ser alcançado pelas suas criaturas. Satanás mesmo
reconhecia a posição de Deus: o Altíssimo. Satanás almejou ser
semelhante (Is 14: 13- 14) . Para tentar alcançar o seu intento, ele
calculou mal, visto que pensou que para alcançar a semelhança deveria
subir acima das estrelas de Deus (anjos). Porém, a semelhança não se
alcança, visto que Deus desceu, e deu a sua semelhança aos homens.
Isto é comentário para outra oportunidade, visto que é um erro
gravíssimo dizer que Satanás quis ser Deus, ou que intentou roubar a
glória de Deus).





3º Muitos questionam a justiça de Deus quando uma criança morre, ou
quando se vê crianças morrendo de fome, guerras, misérias, etc.

Mas, o que a bíblia nos mostra? Primeiro devemos observar que sobre a
humanidade já pesa uma condenação. Ou seja, não há como o homem
questionar que Deus é tolerante com os injustos e para com os seus
atos injustos, visto que todos os homens estão condenados perante
ele. Eles já nascem sob condenação!

Observe que o Juízo de Deus já foi estabelecido. O juízo já veio de
uma só ofensa, e para a condenação. Quando Adão pecou, ele trouxe um
juízo, e uma condenação, conforme Romanos 5: 16 e 18.



(Obs.: Ao desobedecer, Adão foi julgado conforme a liberdade
oferecida, condenado e recebeu a pena estabelecida: morte! (I Co 15:
22). Toda a humanidade morreu.



"Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens,
para a condenação..." Rm 5: 18.



Como questionar a justiça de Deus se todos já estão debaixo de uma
condenação? É verdadeira a colocação que a justiça de Deus tarda, mas
não falha?



(Outro erro é considerarmos que o juízo de Deus será estabelecido no
futuro, na consumação de todas as coisas. Terrível engano! O juízo já
foi estabelecido em Adão. O que se dará no futuro é o julgamento
quanto as obras "Já está condenado" João 3: 18. Se o homem sem Cristo
já está condenado, é porque o julgamento já se deu no passado da
humanidade).



4º Deus não é tolerante com a injustiça, visto que, mesmo quando
todos estão condenados, ele ainda estabelece dois tribunais para
julgamento das ações dos homens, e isto no futuro.



O tribunal de Cristo será estabelecido para julgamento das ações dos
salvos, e o Grande Trono Branco, será estabelecido para os não
salvos, uma vez que Deus trará a juízo as ações de todos os homens, e
isto sem exceção. Não há acepção de pessoas quanto ao julgamento
divino.



a) A humanidade já está sob condenação, ou seja, já foram julgados em
Adão;

b) Deus recompensará a cada um segundo as suas obras, sem acepção de
pessoas (Rm 2: 11) , e isto se dará no futuro: no tribunal de Cristo
(Rm 14: 10 e II Co 5: 10) e no Grande Trono Branco (Ap 20: 11).
Observe que as referencias dizem das obras dos homens, salvos e o não
salvos respectivamente.





5º Todos os que crêem em Cristo, estes morrem com ele, e ressurgem
uma nova Criatura. Sobre este não pesa mais a condenação de Adão,
pois passaram da morte para a vida e vivem para Deus. Mas, mesmo
vivendo para Deus, o novo homem ainda pode praticar más ações, porém,
isto será alvo de acerto no Tribunal de Cristo.

Assim poderemos entender o versículo seguinte:



"Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo
Jesus..." (Rm 8: 1).



Porque nenhuma? Se Paulo dissesse: 'não há condenação', entenderíamos
que só há uma condenação possível para os homens.

Mas, quando o apóstolo diz que 'nenhuma condenação há', é porque
pesava sobre o homem mais que uma condenação. A condenação de Adão, e
a condenação no futuro, no Grande Trono Branco.

Hoje, em Cristo, estamos livres da condenação em Adão, e
compareceremos ante o Tribunal de Cristo, onde não há condenação,
antes haveremos de receber o que houvermos feito por meio do corpo:
bem ou mal.

"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que
cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem,
ou mal" (II Coríntios 5 : 10).



Por todos esses motivos apresentados não podemos questionar a Deus
quanto a sua justiça:



1º Ele é o oleiro, e tem poder sobre o barro (homem) para de uma
mesma massa fazer vasos com distintas destinações (Rm 9: 21); É um
erro gravíssimo pensar que na igreja de Cristo há vasos para honra e
vasos para desonra!





2º Quando Deus cria os vasos para desonra?

Em Adão todos os vasos são criados para a Desonra. Todos os homens
que nascem da semente corruptível, ou seja, que são provenientes da
vontade da carne, da vontade do varão e do sangue, ou de Adão, são
vasos para desonra, visto que eles estão destinados a perdição. Mas,
Deus suporta com paciência os vasos da ira, ou seja, os vasos da
desobediência que surgiram em Adão.





3º Os vasos para honra são criados em Cristo, o segundo Adão. Deus
tem poder sobre o barro (os homens), para da mesma massa fazer vasos
para honra, demonstrando que Ele é misericordioso. Ao fazer vasos
para honra (ao qual somos nós Rm 9: 24), Deus dá a conhecer a sua
glória e misericórdia.

E aos anjos é revelado a multiforme sabedoria, etc. (Ef  3: 10).





Por isso Paulo diz: "Quem és tu, que a Deus replicas?" (Rm 9: 20).



Precisamos conhecer os propósitos de nosso Deus, visto que o diabo
esta sempre fazendo com que questionemos aquilo que não
compreendemos...





Espero ter esclarecido alguns pontos. Caso algum irmão tenha maiores
dúvidas sobre a justiça de Deus, leia comentário ao livro de
Malaquias disponível no site ibiblia.



Claudio Crispim





Acesse: http://www.ibiblia.net





Desculpe-me por possíveis erros de português.



Reenviem e comentem!!!

#3 De: "Claudio" <crispacfo@...>
Data: Seg, 2 de Out de 2006 9:58 pm
Assunto: Comentário a carta de Paulo aos Efésios
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Saudações em Cristo!

 

Já está disponível comentário ao I e II Capítulo da carta de Paulo aos Cristãos em Efésios.

 

Arquivo disponível no site http://www.ibiblia.t5.com.br , na alça Downloads.

 

Grato em Cristo

 

Claudio

 

 


#2 De: "ccrispim2001" <crispacfo@...>
Data: Seg, 22 de Mai de 2006 1:10 pm
Assunto: O Sermão do Monte - As bem-aventuranças
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A bem-aventurança


E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se,
aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os
ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos
céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão
fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão
misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos
de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e,
mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Mt 5.  1- 11



Há várias teorias sobre o sermão do monte. Para alguns o sermão do
monte representa o `evangelho do reino'; para outros representa
princípios pertinentes ao reino do messias; alguns relacionam o
sermão à degradação do gênero humano e a moral elevada dos que
participam do reino de Deus. Há tantas análises sobre esta passagem
que algumas acabam em contradições.
O sermão do monte resume-se em princípios para se por em prática? Ele
expressa conselhos de ordem moral? Seria um estatuto do reino de Deus?
Quantas questões e teorias sobre a declaração que Cristo fez ao povo!

Mas, para iniciarmos a análise deste texto, há a necessidade de
olharmos para algumas passagens do Antigo Testamento:

"Bem-aventurado tu, ó Israel! Quem é como tu? Um povo salvo pelo
SENHOR, o escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade; por
isso os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas
alturas" Dt 33:29;
"Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele
confia" Sl 65:4;
"Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para
que habite em teus átrios" Sl 34:8;
"Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão
os caminhos aplanados" Sl 84:5.

Observa-se que em vários livros do Antigo Testamento há uma
referência a bem-aventurança. Os livros de provérbios e salmos são os
que mais referências fazem as bem-aventuranças.
Os livros do Antigo Testamento eram constantemente lidos na
congregação; mesmo aqueles que não sabiam ler conheciam de ouvir
alguma citação que envolvesse a bem-aventurança.
Uma outra característica presente nas citações do antigo testamento é
que a bem-aventurança sempre aparece em conexão, ou fazem referência
ao Deus de Israel.

Jesus já havia percorrido toda a Galiléia curando os enfermos,
ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho e a noticia de suas
ações percorria todas as cidades.
A bíblia relata que uma grande multidão vinda de várias cidades o
seguia Mt 4. 25.
Vendo Jesus a grande multidão subiu a um monte e assentou-se Mt 5. 1;
os seus discípulos aproximaram-se e ele passou a ensiná-los!
Observe que todas as vezes que algum mestre ensinava, primeiramente
ele se assentava Mt 5. 1; Lc 4. 20.

Quando Jesus proclamou a bem-aventurança, ou o sermão do monte, ele
utilizou uma linguagem própria ao povo, segundo a Escritura.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus

As pessoas que estavam em volta de Cristo ao ouvirem: "Bem-
aventurados...", logo faziam conexão com algumas das citações
bíblicas. Será um dos provérbios? Será que ele citou Salmos? Ou ele
citou a lei?
A bem-aventurança é um dos elementos presente na mensagem de Cristo
que prende a atenção dos ouvintes, e em nossos dias, dos leitores.
Quem não quer ser bem-aventurado?
Quando Jesus complementa: "Bem-aventurados OS POBRES..." a mensagem
toca ainda mais os ouvintes. Será uma revolução social? É agora que o
Messias trará o reino de hegemonia política e paz?
Mas o que entender do qualificativo adicionado ao substantivo
pobre? "Bem-aventurados os pobres de espírito...". Quem são os pobres
de espírito?
Jesus estava rodeado de pobres de várias cidades circunvizinhas e se
a mensagem fosse somente: `bem-aventurados os pobres', ela seria
aceita e ovacionada pela multidão! Mas, como um povo que professava
uma religião, que consideravam a melhor, poderia aceitar ou
reconhecer ser um `pobre de espírito'?
Como alguém observador da lei poderia reconhecer ser um pobre de
espírito?
Nas citações do Antigo testamento não consta o conceito `pobre de
espírito', e Jesus apresenta ao povo um novo elemento para que o
homem fosse participante da bem-aventurança proposta.
Jesus complementa a frase: "...porque deles é o reino dos céus".
O povo estava a procura de curas, de pão, de peixe, de um reino
terreno, mas Jesus estava falando de um outro reino: o reino dos céus!
Onde fica este reino? O que é o reino dos céus?


Para responder essas perguntas devemos observar a mensagem que foi
anunciada desde o nascimento de Cristo:
"E, naqueles dias, apareceu João batista pregando no deserto da
Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus"
Mt 3. 1- 2;
"Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: arrependei-vos,
porque é chegado o reino dos céus" Mt 4. 17;
Verifica-se que o reino dos céus diz da pessoa de Cristo, como
profetizou Isaias e afirmou João Batista: "Porque este é o anunciado
pelo profeta Isaias, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai
o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" Mt 3. 3.

Quando Jesus disse: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque
deles é o reino dos céus", Ele não estava denunciando a moral do
povo; Ele não estava apregoando um reino humano Jo 18. 36; Ele não
estava em busca de uma melhoria na condição socioeconômica do povo Jo
12. 8; Antes Jesus estava, por parábolas, se apresentando ao povo.
Com a sua mensagem, Jesus expôs ao povo que Ele é o reino dos céus, e
que todos aqueles que reconhecessem que eram pobres de espírito,
estes seriam bem-aventurados. Aqueles que reconhecessem a precária
condição espiritual que se encontravam, a estes pertencia o reino dos
céus, que é Cristo.

Esta mensagem não foi aceita pelos fariseus e escribas, isto porque
eles se consideravam abastados espiritualmente.


Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

A mensagem é complementada: "Bem-aventurados OS QUE CHORAM...". É só
se emocionar e chorar que será consolado? O choro como conseqüência
direta de uma emoção humana concede o ser consolado?

Não! A idéia apresentada neste versículo complementa a anterior.
Aqueles que choram ao reconhecer a sua miserável condição espiritual,
estes serão consolados!
Se há a necessidade de ser consolado é porque o choro parte do mais
profundo da alma. O desejo de alcançar `o reino dos céus' só é
possível por meio do choro, pois o choro é a expressão humana que
demonstra o coração contrito "Porque assim diz o Alto e o Sublime,
que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar
habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para
vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos
contritos" Is 57.15; Sl 51. 17 .
Compare:
"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos
céus" Mt 5. 3.
"...como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar
o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos" Is
57. 15.

	 Os que choram haveriam de ser consolados por quem?
	 O reino dos céus pertence aos pobres de espírito, e aquele
que consola aos que choram!
A resposta está em Isaias: "O espírito do Senhor DEUS está sobre mim;
porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-
me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos
cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano
aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar
todos os tristes" Is 61. 1- 2.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

Quem conhece a história do povo de Israel sabe que Moisés foi
considerado o homem mais manso da terra "E era o homem Moisés mui
manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra" Nm 12: 3.

Jesus estava assentado e ensinado os seus discípulos e uma grande
multidão de várias cidades circunvizinhas escutando. A mensagem de
Jesus possivelmente deve ter formado um impasse na consciência dos
ouvintes: Sendo Moisés o homem mais manso da terra, não pode herdar a
terra que foi prometida a todo o povo, com que finalidade Jesus
estava prometendo aos mansos a terra? Haveria alguém dentre o povo
manso o bastante a ponto de ter o direito de herdar a terra?
As perguntas persistem: Quem são os mansos? Qual é a terra a se
herdar?

"E os mansos terão gozo sobre gozo no SENHOR; e os necessitados entre
os homens se alegrarão no Santo de Israel" Is 29. 19.
"Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao SENHOR os que o buscam;
o vosso coração viverá eternamente" Sl 22. 26.
"Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundancia de
paz" Sl 37. 11.

Novamente verifica-se que Jesus não muda de tema ao citar as bem-
aventuranças, antes cada citação complementa a idéia da bem-
aventurança anterior.
Como ser manso a ponto de tornar possível herdar a terra? E qual
terra?
Cristo tem a resposta: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para
as vossas almas" Mt 11.  29.

"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;"
"....aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e
encontrareis descanso para as vossas almas"

Quando Jesus falou aos discípulos `bem-aventurados os mansos, porque
eles herdarão a terra', não foi no intuito de concitar os ouvintes a
que tivessem uma personalidade semelhante a de Moisés.

A mansidão que Jesus apresenta aos discípulos não é de cunho
comportamental, antes é a mansidão que decorre dos ensinos de Jesus.
A mansidão que as pessoas precisão experimentar através dos ensinos
de Jesus está vinculado ao coração do homem, ou a natureza do homem,
e não em seu comportamento.
Da mesma forma, ao falar que os mansos herdarão a terra, Jesus não
estava apontando para elementos pertinentes a este mundo, mas ao
descanso preparado por Deus. A terra representa o local de descanso
que Deus reservou para os que aprenderam daquele que é por excelência
manso de coração.
A promessa da terra no antigo testamento estava atrelada a idéia do
descanso, e no novo testamento a referência a terra diz de coisas
melhores: o descanso de Deus. Aqueles que aprenderem com Cristo,
estes terão descanso para as suas almas.
Aquele que encontra descanso para a sua alma em Cristo não receberá
um torrão de terra, antes será herdeiro de novos céus e nova
terra "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova
terra, em que habita a justiça" II Pe 3. 13 .
O apóstolo Pedro ao referir-se aos mansos de coração, não fala do
homem natural, mas daquele homem que não conseguimos visualizar, que
está `encoberto no coração', do homem regenerado, que possui um
incorruptível traje de um espírito manso e quieto "Mas o homem
encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e
quieto, que é  precioso diante de Deus" I Pe 3. 4.
O que é precioso diante de Deus? O que possui valor para com Deus?
Segundo o apóstolo Paulo o que tem valor, o que tem virtude diante de
Deus, é o ser uma nova Criatura: "Porque em Jesus Cristo nem a
circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que
opera pelo amor" Gl 5. 6;  "Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão,
nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova
criatura" Gl 6. 15.



Como a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus, quando
Jesus diz que devemos aprender dele, é porque precisamos de fé, a fé
que nós faz alcançar uma nova vida e que nos dá o direito de sermos
herdeiros com Cristo.
Através da regeneração se adquire a natureza de Cristo, ou seja, o
novo homem é gerado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade,
características pertinentes a pessoa de Cristo; desta maneira o novo
homem é manso e humilde de coração.


Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão
fartos;

Claro está que Jesus não esta falando da justiça dos homens! Jesus
não esta falando daquele que está a procura de justiça social, da
justiça que se administra nos tribunais, ou daquele que exerce obras
de caridade.
Se assim fosse Jesus não teria protocolado um protesto aos ouvintes:
"Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e
fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" Mt 5. 20.

Você já observou o nível de obras justas que os fariseus praticavam?
Para os homens os fariseus e escribas eram o que a sociedade podia
apresentar de melhor, mas a análise de Cristo é diferente: "Assim
também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas
interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade" Mt 23. 28.
Como entender o ter fome e sede de justiça? Onde encontrar fartura de
justiça? Se conseguirmos responder a estas perguntas, estaremos bem
próximo de entender todos os conceitos apresentados no sermão do
monte.

Claudio Crispim
Continua...

http://www.ibiblia.t5.com.br

#1 De: "ccrispim2001" <crispacfo@...>
Data: Seg, 15 de Mai de 2006 9:51 pm
Assunto: A regeneração I
ccrispim2001
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A REGENERAÇÃO


Introdução


	 A regeneração é uma obra essencialmente divina, e como
doutrina expressa os pontos fundamentais da nossa salvação. Por meio
da regeneração é que ocorre a justificação e a santificação.


O  homem natural não compreende a regeneração

"Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo"
Jo 3. 7

	 Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo por nome
Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus durante a
noite. Neste encontro Nicodemos chamou Jesus de `Rabi', que quer
dizer mestre. Em sua abordagem inicial Nicodemos fez uma afirmação:

"Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode
fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele" Jo 3. 2.

Observe que Nicodemos chamou Cristo de mestre por causa dos milagres
realizados. Embora reconhecesse que Jesus era Mestre e que Deus era
com ele, Nicodemos não reconhecia a doutrina de Cristo como sendo
divina.
A importância de Jesus para Nicodemos firmou-se nos sinais, e não nos
ensinamentos.
	 E em nossos dias a idéia de Nicodemos ainda persiste: as
pessoas querem conhecer Deus por meio de milagres, e não por meio de
sua palavra.

"Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas
palavras?" Jo 5:47

	 Nicodemos estava maravilhado com os milagres operados por
Cristo "porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus
não for com ele", entretanto, os ensinamentos de Cristo não lhe havia
tocado o coração.

Cristo por sua vez respondeu:
"Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo,
não pode ver o reino de Deus." Jo 3. 3.

Nicodemos ficou abismado por Cristo ter-lhe apontado a necessidade de
um novo nascimento. Para alguém que representava o melhor da nação e
da religião judaica não ter o direito de ver o reino de Deus, sem
antes nascer de novo, soava no mínimo como absurdo.
Nicodemos contrapõe: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode,
porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?" Jo 3. 4.
	 Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstra
que ser judeu, ser fariseu, ser mestre ou ser religioso, não habilita
ninguém a ter acesso ao reino de Deus.

É sob estes aspectos que comentaremos o novo nascimento:
Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo
nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de
Deus?






"Necessário vos é nascer de novo"

Ao falar a Nicodemos, Cristo demonstra que todos os homens têm que
nascer de novo. É imprescindível o novo nascimento para se ter acesso
ao reino de Deus.
Observe que a religião, a origem, o comportamento, a moral, a justiça
humana, não são levados em conta quando se fala em novo nascimento. O
homem mais religioso, o mais justo, o de moral mais elevada, o
certinho, todos, sem exceção precisam nascer de novo.
	 Nicodemos teve uma dificuldade em compreender, e a dúvida foi
dirimida por Cristo: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode,
porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?" Jo 3. 4.
Cristo complementa que o nascer de novo não se refere ao nascimento
materno, mas ao nascer da água e do Espírito "Na verdade, na verdade
te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode
entrar no reino de Deus" Jo 3. 6.

Neste versículo está revelado o grande segredo do novo nascimento.
Quando a bíblia faz referência ao novo nascimento preserva uma idéia:
a vinda de um novo ser a existência – nascer – idéia esta que não
pode ser descartada. Mas, quanto a origem do novo nascimento há uma
distinção clara: enquanto o velho homem é gerado pela vontade da
carne, pela vontade do varão e do sangue, o novo nascimento se dá por
meio da palavra de Deus (água) e pelo Espírito de Deus "Mas, a todos
quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus,
aos que crêem no seu nome. Os quais não nasceram do sangue, nem da
vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" Jo 1. 12- 13.
A regeneração ocorre por meio da água e do Espírito, isto é, por meio
da palavra de Deus e do Espírito de Deus.




"Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da
vontade do homem, mas de Deus" Jo 1. 13

Observe que há uma distinção nítida entre a vontade do homem e a
vontade de Deus. Os homens quando vem ao mundo, nascem da vontade do
homem, do sangue e da carne. O novo homem quando nasce, nasce da
vontade de Deus por meio da água e do Espírito.
O versículo demonstra que os nascidos de Deus nascem da vontade de
Deus, demonstrando que a vontade do homem é independente da vontade
de Deus.
Mesmo quando regenerado, ao gerar filhos, o homem gera filhos segundo
a sua vontade (carne, sangue e vontade do varão), o que torna os seus
filhos, filhos de Adão. Este fato por si só demonstra que a vontade
de Deus é completamente diferente da vontade do homem, e que de
maneira alguma Deus controla a vontade do homem.



O novo nascimento refere-se ao nascer do ESPÍRITO e da VONTADE de Deus

O mesmo princípio que envolve o nascimento carnal, envolve o nascer
de novo. Observe:
"O que é nascido da carne é carne..."

Os anjos comparados ao homem são maiores em poder, mas não possuem a
capacidade de trazer um outro ser ao mundo. Ao homem foi dada esta
capacidade. Embora o poder de conceder vida a uma criança em formação
seja de Deus, a vontade, no entanto, é centrada no homem.
A vontade do homem, segundo a sua capacidade concedida por Deus, gera
filhos: filhos nascidos da vontade do varão e segundo a carne. Segue-
se que: "O que é nascido da carne, é carne", pois é nascido "do
sangue, da vontade da carne e da vontade do homem" Jo 1. 13 combinado
com Jo 3. 6.

"... e o que é nascido do Espírito é espírito" Jo 3. 6.

Da mesma forma que ao nascer uma criança a vontade é do homem, mas o
poder de conceder vida decorre de Deus segundo o seu mandamento "Mas
vós frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e
multiplicai-vos nela." Gn 9. 7, segue-se que o poder de nascer de
novo decorre de Deus.
Para que o homem venha nascer de novo há a necessidade de crer na
palavra de Deus, que é o nascer da água "Estes, porém, foram escritos
para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em seu nome" Jo 20. 31.
Na introdução ao seu evangelho, o apóstolo João demonstra que todos
que crêem no nome de Jesus recebem poder para se tornar filhos de
Deus. Serão filhos de Deus porque nascem da vontade de Deus e não da
vontade da carne, do sangue ou dos homens; quem é nascido da vontade
da carne, do sangue ou dos homens é carnal, mas quem nasce do
Espírito de Deus é espiritual "Mas a todos os que o receberam,
aqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos
filhos de Deus - Filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da
carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". Jo 1. 12 e 13.
Paulo complementa dizendo: "Porque não me envergonho do evangelho de
Cristo, pois é poder de Deus para a salvação de todo Aquele que crê"
Rm 1. 16

"Não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo. O
vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem,
nem para onde vai; assim é todo aquele que e nascido do Espírito" Jo
3. 7-8.

	 Jesus ao falar da necessidade de se nascer de novo, aponta
através da citação de um texto de Eclesiastes os parâmetros
necessários para se compreender como ocorre o novo nascimento: "Assim
como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os
ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras
de Deus, que faz todas as coisas" Eclesiastes 11. 5.
	 Quando Jesus cita Eclesiastes, fica demonstra a total
ignorância de um mestre judeu à respeito das obras de Deus. Da mesma
forma que o homem não consegue precisar os caminhos do vento, ou como
ocorre o milagre da formação dos ossos no ventre materno, assim
também não sabe analisar ou precisar como ocorrem as obras de Deus.
O nascer do Espírito é obra de Deus da mesma forma que o são as
maravilhas da natureza. É por esse motivo que o homem não pode
compreender o princípio e o fim das maravilhas do universo. O vento e
a sua trajetória, que não se pode precisar ou determinar, serve para
demonstrar que o homem natural não sabe nada a respeito das obras de
Deus.
Para Deus o nascer de novo é tão natural quanto o formar dos ossos da
criança no ventre materno. O nascer de novo está em pé de igualdade
com o velho nascimento, sendo tanto o velho quanto o novo nascimento
obras exclusivas de Deus. Este segundo a palavra e vontade de Deus, e
aquele segundo a vontade do homem, a carne e o sangue.


Nicodemos diante da exposição do Mestre questionou: "Como pode ser
isso?" Jo 3. 9.
Neste ponto Jesus censurou Nicodemos: "Tu és mestre de Israel, e não
sabes isto?"
Cristo não censurou o mestre Nicodemos por não saber das coisas
concernente ao novo nascimento, mas porque foi exposto a doutrina do
novo nascimento e Nicodemos, sendo mestre, não conseguiu compreender.
Cristo sempre se preocupou com a compreensão que os homens tem sobre
as coisas concernente a vida eterna, e a parábola do semeador ilustra
esta preocupação Lc 8. 4- 15.
	 Novamente Cristo começa a explicar e conscientizar o membro
do Sinédrio, supremo tribunal dos Judeus e um dos mestres de Israel.
	 Note que:

1. O que era dito por Cristo era confirmado por Deus através de
milagres, mesmo assim não aceitavam o testemunho de Cristo, mas se
admiravam dos milagres Jo 3. 11.
2. Quando Cristo falava ao povo, ele tratava de coisas terrenas,
e não criam. Agora Nicodemos queria saber das coisas celestiais. Como
creriam nas coisas celestiais se já não criam quando lhes era falado
das materiais? Jo 3.12.
3. Jesus faz referência a um provérbio de Israel: "Quem subiu ao
céu e desceu?" Pv 30. 4.

Provérbios

Um provérbio é de conhecimento geral de uma nação, e qualquer
referência ou citação semelhante ao provérbio traz de imediato a
memória do ouvinte àquela citação em específico, principalmente a um
mestre.
"Quem subiu ao céu e desceu?" Desta maneira Cristo passa a falar com
uma linguagem adequada a um mestre que não compreendia o que Cristo
estava falando.
Provérbio significa ilustrações da vida tiradas das coisas do dia-a-
dia, e Cristo havia citado Eclesiastes, e mesmo assim Nicodemos não
entendeu nada "Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como
crereis, se vos falar das celestiais?" Jo 3. 12. Se Nicodemos não
creu na exposição que comparava as coisas celestiais com as
materiais, como ele haveria de crer nas celestiais?

"Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do
Homem, que está no céu" Jo 3. 13

Agur, filho de Jaqué de Massa disse a Itel e a Ucal um provérbio e
fez várias perguntas: "Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os
ventos em seus punhos? Quem..? Qual é o seu nome, e qual é o nome de
seu filho¹, se é que o sabes? Toda palavra de Deus é perfeita; escudo
ele é para os que nele confiam². Há uma geração que amaldiçoa a seu
pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus
olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia³". Pv 30. 4-5 e 12.
Jesus demonstra que:
• `Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu' Ninguém
subiu a não ser o que de lá desceu: O Filho do homem. Esta
complementação `que está nos céus' pode ser uma colocação
providencial do escritor do evangelho.
• Jesus várias vezes se identificou como sendo o Filho do
homem, e, portanto, foi ele quem desceu e que, posteriormente,
subiria aos céus;
• Todas as perguntas feitas por Agur no livro de Provérbios
aponta para Deus, e o mais interessante está em que o texto demonstra
que Deus tem um Filho¹ "Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu
Filho, se é que o sabes?" Pv 30. 4. Jesus na conversa com Nicodemos
demonstrou que ele é o Filho unigênito enviado ao mundo Jo 3. 16-17,
e caso Nicodemos questionasse sobre a existência do Filho de Deus,
nas escrituras estava explicito que Deus tem um Filho;
• Nicodemos deveria crer na palavra que é perfeita², e que
revela a vontade de Deus Sl 19 "Toda a palavra de Deus é pura; escudo
é para os que confiam nele" Pv 30. 5, e não somente nos sinais;
•  Nicodemos deveria se conscientizar da sua atual condição
como fariseu. A referencia: "Há uma geração que amaldiçoa a seu pai,
e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus olhos,
e que nunca foi lavada da sua imundícia" Pv 30. 11- 12, é uma
referencia clara sobre a condição dos fariseus³ Mt 15. 5 e Lc 15. 7.

A mensagem que Jesus traz é completa.
Jesus demonstrou que não era só por causa dos milagres que Nicodemos
deveria afirmar que Ele era mestre vindo da parte de Deus; antes,
deveria verificar que a palavra de Deus era perfeita! Que nela está
demonstrado que Cristo é o Filho de Deus. Que Ele desceu dos céus.
Que a geração da qual Nicodemos fazia parte não estava dentro da
vontade de Deus.
Após esta colocação Jesus complementa com um comparativo: "E, como
Moisés levantou a serpente no deserto, a assim importa que o Filho do
homem seja levantado: para que todo aquele que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna" Jo 3.14- 15.
Este versículo aponta três aspectos:
1. "E..." da mesma maneira que ninguém subiu ao céu, a não ser o
Filho do homem, importava também que Ele fosse levantado como a
serpente foi levantada no deserto.
2. "Assim como...": Moisés levantou a serpente a mando de Deus,
pois a população de Israel estava sendo atacada por uma praga de
serpentes venenosas. A morte que atingia o povo de Israel era em
decorrência da murmuração do povo, e só a providência divina é que
afastou o mal. A providência divina estava na serpente de metal que
Moisés levantou, mas para que se chegasse ao livramento havia a
necessidade de se acreditar que tão somente um olhar livraria da
morte quem fosse picado pelas serpentes. O segundo aspecto esta em
Crer na palavra de Deus.
3. "...da mesma forma..." Cristo demonstra que da mesma forma
que foi levantada a serpente no deserto,  havia a necessidade de que
Ele também fosse levantado. Ao homem é necessário nascer de novo, e
ao Filho do homem foi necessário passar pela morte segundo a vontade
de Deus.

Cristo passaria pela morte com a finalidade de dar vida eterna a
todos aqueles que cressem.
Nicodemos foi inteirado de todos os aspectos concernentes ao novo
nascimento:
a) a crença em Cristo;
b) o amor de Deus;
c) salvação para todos;
d) o mundo está debaixo de condenação;
e) o amor dos homens e suas obras, e;
f) as obras devem ser feitas em Deus.

Jesus explicou detalhadamente o nascer de novo a Nicodemos, isto
porque o homem natural não pode compreender por si só os mistérios de
Deus; o conhecer a Deus depende única  e exclusivamente da revelação
divina, pois a mente do homem natural não pode alcançar a plenitude
de Deus.

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