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historia-ufba · História UFBa

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#2731 De: Carolina Mendonca <carolinacunhamendonca@...>
Data: Dom, 1 de Jul de 2007 6:44 pm
Assunto: Matrícula Web
carolinacunh...
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Já está disponível na internet os horários e professores das matérias do 2º semestre de 2007. O site é http://www.supac.ufba.br/GuiaColeg/310.html.
 
Segundo o calendário que está no site da SUPAC, o período de matricula web é de 18 à 31 de julho; o reajuste no colegiado ou matrícula de quem não se cadastrou no sistema de matrícula web será nos dias 2 e 3 de agosto.


Carolina Silva Cunha de Mendonça
CAHis Luiza Mahin - UFBa
Coletivo de Mulheres Dorcelina Folador 
(71) 8894 4884 / 3329 0264


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#2732 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Dom, 1 de Jul de 2007 9:13 pm
Assunto: CARAVANA PARA OCUPAÇÃO Rio São Francisco Urgente
comunajuvenil
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Observação: mensagem anexa encaminhada.

GUSTAVO MERCÊS - PSOL
71 33210932/ 71 87093265
"NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA" - FOE - CEP
 
 
 


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Urgente: Rio São Francisco pede socorro

Acabei de retornar de Cabrobó Pernambuco, vindo do
acampamento contra a transposição do rio São Francisco onde se encontram
Indios, pequenos agricultores, quilombolas, sem terras, pescadores e
ribeirinhos que ocuparam o canteiro de obras do exército para impedir a
transposição, o governo pretende desocupar a área e o acampamento precisa de
reforço urgente, estamos organizando uma nova caravana, alem de mobilizações
localizadas, as pessoas interessadas em ir para o local devem estar prontas
pra viajar a qualquer momento e passar no mínimo uma semana lá, haverá uma
reunião na AATR(assoc. de Advg. de trab. rurais) terça-feira 03/07/07 16:h,
fica na ladeira dos Barris 145, Barris, todos os paticipantes da caravana
devem ir nesta reunião.
Abração inté.
Repasse a informação.

__________________________________________________________
O Windows Live Spaces é seu espaço na internet com fotos (500 por mês), blog
e agora com rede social http://spaces.live.com/


#2733 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Ter, 3 de Jul de 2007 12:41 pm
Assunto: TESE PARA O CONUNE
comunajuvenil
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NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA!
Tese ao 50º Congresso da UNE
         Por um Movimento Estudantil autônomo, democrático e combativo!
 
Quem somos?
 
“Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas originais
Significa também e, sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas,
Socializá-las, por assim dizer; e, portanto,
Transformá-las em base de ações vitais,
Em elemento de coordenação e ordem intelectual e moral.”
Antonio Gramsci
 
                        Somos estudantes, permanecemos lutando pela universidade pública, gratuita e de qualidade, sem aceitar a adaptação a esse modelo de sociedade desigual, machista, racista e poluidor onde se reproduz dia-a-dia a opressão e a exploração entre os seres humanos. Sonhos e utopia ainda nos impulsionam para construir um novo mundo no cotidiano. Para isso, buscamos um movimento em que os estudantes possam ser sujeitos e não espectadores do espetáculo de alguns. Não queremos formas fáceis, prontas e acabadas de se falar, de se fazer, mas expressar nossa liberdade e criatividade.
                        Identificamos na cultura política vigente, reproduzida pelo movimento estudantil presente na UNE, o problema central a ser resolvido para a construção de um movimento estudantil que opte pela solução dos problemas com radicalidade. É importante salientar que uma nova cultura política é mais que a forma da política, que o tom do debate, que a cor da camisa, que um tambor, mas, sobretudo é a construção de um novo padrão de valores relacionais e ideológicos no intento de ultrapassar a cultura política atual que admite consensos em torno de uma sociabilidade de opressão e exploração. Uma nova cultura política no movimento estudantil redireciona a concepção de movimento estudantil para novas bases.
                        Um movimento estudantil autônomo e democrático são elementos fundamentais para viabilizar a mais ampla mobilização de massas. Uma pratica política coerente com o projeto de sociedade que defendemos: auto-organizaçã o dos oprimidos e explorados e emancipação dos mesmos. Autonomia não implica em rejeitar o acúmulo que os partidos, movimentos e organizações políticas da esquerda oferecem como instrumentos importantes para construção da luta dos oprimidos e explorados, e muito menos perseguir ou impedir a plena participação de militantes organizados no movimento. Ao contrário, autonomia requer o mais amplo respeito à pluralidade de posições e opções organizativas, cuidando para que os próprios fóruns do movimento estudantil definam seu futuro e não grupos e organizações externas a esse movimento.
 
Sonho que se sonha só é só um sonho.
                        Buscar alternativas que sejam eficazes para essa crise que passa o movimento estudantil como um todo é uma grande tarefa que vale a pena para aqueles que ainda acreditam em transformações radicais em nossa sociedade. Existe hoje uma grande divisão colocada para a esquerda do ME, isto é, aqueles que lutam em oposição à burocratização da direção majoritária da UNE. Como tentativa de superação desse quadro formamos em abril de 2006, a Frente de Oposição de Esquerda da UNE. Composta por distintos campos nacionais e vários estudantes, a FOE parte do princípio de reivindicar as bandeiras históricas do ME e lutar contra essa reforma universitária. Mais do que isso, tentar quebrar a prática sectária que envolvia o ME combativo, apontando para a unidade entre aqueles que atuam dentro e fora da UNE. Com uma intervenção inicial repleta de dificuldades, diferenças e desconfianças, a FOE chega para a disputa do 50º Congresso da UNE com uma grande tarefa nas mãos, unir os diferentes em busca de ideais comuns.
 
Sonha que se sonha junto é realidade.
            O futuro da FOE está nas mãos daqueles que constroem um movimento diferente do hegemônico no dia-a-dia. Para esses estudantes, a FOE é um grupo ainda pouco conhecido. Nossa grande tarefa é impulsionar a construção na base dessa nova esquerda combativa. Tão importante quanto nossas bandeiras gerais, temos que ter uma prática transformadora, pedagógica, fraterna, inovadora e construtiva para o movimento social. Nossa luta também é um dialogo paciente com muitos militantes que não se encontram diante de tanto caos no ME. Unir militantes que hoje estão iludidos com os rumos da UNE, mas não deixaram de sonhar com um projeto de universidade democrático e socialmente referenciado seja nas instituições pagas ou públicas, e nosso principal objetivo.
 
Coerência política para nós é defender a educação pública de forma combativa.
            Não queremos perder mais nenhum direito. Queremos avançar em propostas de transformação real da educação no Brasil, propostas que dêem voz e vez aos explorados e oprimidos. Temos posição e não deixaremos que nossas vozes sejam abafadas pela burocracia e autoritarismo da direção majoritária da UNE. Um movimento estudantil engajado, para além do corporativismo no debate de educação. Apesar de identificar no debate de educação o elemento de coesão e legitimação central no movimento estudantil, a construção de uma nova cultura política implica ampliar as pautas do movimento para além de bandeiras corporativas. O desenvolvimento de alianças entre o movimento estudantil e outros movimentos sociais e a reflexão crítica sobre a totalidade das decisões políticas que são tomadas ou que deveriam ser tomadas são essenciais para essa ampliação das bandeiras que extravase o movimento estudantil para além dos muros da Universidade.
 
 
Neoliberalismo: a desertificação da vida
 
“Não existe guerra alguma, apesar desse barulho infernal.
É só o capital cruzando o mar”
Mundo Livre S/A
 
            Vivemos em uma sociedade capitalista na qual é indispensável a exploração do trabalho, pois é daí que se retira o que vai fazer crescer o lucro e, consequentemente, a miséria. Ao mesmo tempo, constantemente as tecnologias são revolucionadas para se reduzir a necessidade de trabalhadores na produção e diminuir os custos do capitalista. Surge, então, uma crise, que é estrutural nesse modelo de sociedade: quanto mais ele quer acumular, menos força de trabalho empregará e diminui a parte mais importante do lucro do capitalista – as horas não pagas e trabalhadas no processo de produção.É a forma como os países compensam a instabilidade do capitalismo entre si: guerras, intervenções econômicas, dívidas e fusão de capitais internacionalmente – melhor representado pelas multinacionais.
            Para essa crise, o próprio capitalismo aplica duas soluções intermediárias. A primeira delas é a intensificação da exploração do trabalhador empregado, numa tentativa desesperada de elevar a lucratividade, através do desemprego – que é também o que garante os salários baixos. A segunda solução é a mercantilizaçã o de tudo. No momento atual, caracterizado pela insuficiência de novos mercados, atacam-se os direitos sociais, tornando-os mercadorias: a educação, a previdência social, a saúde, a energia elétrica, a água, a segurança, os transportes, a alimentação etc. É o que chamamos neoliberalismo.
 
Quem é quem no neoliberalismo?
            O imperialismo caracteriza- se como a hegemonia liderada pelo Império estadunidense. A fome que assola o mundo é resultado direto da opção que a humanidade toma a cada dia, com mais de 1 bilhão de vítimas. Quase um terço da população sobrevive, come, mas não tem sequer saneamento básico. Enquanto isso, o norte-americano Bill Gates, dono da Microsoft, acumula uma fortuna de US$ 52,8 bilhões – 26 vezes maior que toda a produção do Congo, país Africano.
            Vivemos em um mundo para poucos. Nele, enquanto uma pequena elite lucra bilhões de dólares, milhões sofrem na miséria. Nesse cenário, uma guerra como a do Iraque, que completou quatro anos em março de 2007, cumpre um papel muito cruel. Ao contrário do que muitos vêm afirmando não é uma mera ação isolada, pois George W. Bush concretiza uma agenda. Apesar do discurso “contra o terrorismo e da possibilidade de o Iraque possuir armas de destruição em massa”, o que está por trás do ataque são os interesses econômicos da indústria bélica, do setor petrolífero e de financistas dos Estados Unidos.
 
A resistência.
            Desde que existe capitalismo existe resistência, e a luta travada historicamente contra a opressão sobrevive apesar do discurso ideológico pós-queda do muro de Berlim. Bons exemplos disso são os mais de quinze anos de resistência indígena e popular em Chiapas (México), iniciada em meados da década de 1990 com o EZLN, a força demonstrada já há alguns anos pelo povo iraquiano frente à ofensiva bélica dos EUA, as mobilizações estudantis e de trabalhadores que levaram às ruas milhões na França contra a precarização do trabalho jovem, além dos avanços nos governos Venezuelano, Boliviano, do Equador e em Cuba.
            A ambição desenfreada pelo poder e capital explica o imenso ataque ideológico e econômico feito ao governo Venezuelano de Hugo Chávez. A Venezuela tem uma construção nacionalista que interfere nos interesses do pensamento imperialista e neoliberal, lutando por sua soberania. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou em janeiro desse ano plano de nacionalizar as empresas de eletricidade e de educação. Recentemente, não renovou a concessão da RCTV, grande empresa de telecomunicaçõ es do país. As nacionalizações seriam seguidas por emendas à Constituição venezuelana para avançar o país em direção a um Estado socialista. Além disso, Chávez disse também quer fazer emendas à Constituição da Venezuela para eliminar a autonomia do Banco Central do país. Esse e outros exemplos dão um caráter de inimigo número 2 do EUA na América Latina, somente perdendo para Cuba.
            Aliás, Cuba, mesmo com 47 anos de bloqueio econômico dos Estados Unidos, conseguiu o maior crescimento da América Latina em 2006: 12,5% de aumento na soma das riquezas produzidas pelo país - o Produto Interno Bruto (PIB). Em segundo novamente vemos a Venezuela, com um índice de 9,3% de crescimento do PIB. Não por um acaso tratam-se dos maiores inimigos do capitalismo internacional. Importante ressaltar que o crescimento desses países é seguido de um avanço social muito grande, com derrubadas de epidemias, analfabetismo e miséria em grandes somas.
 
O Brasil: ligações perigosas.
“Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial”
Chico Buarque e Rui Guerra
 
            Grande esperança para os povos da América Latina, o Brasil governado pelo ex-operário Lula da Silva é hoje um dos maiores aliados do neoliberalismo na América Latina. A visita do presidente dos EUA no Brasil, no dia 8 de março de 2007,demonstrou isso através dos vários acordos comerciais firmados entre Lula e Bush com fundamento na política de produção, para exportação, do etanol, derivado do álcool – em substituição do petróleo, matéria-prima da gasolina. Neste caso, o Brasil se transformará num mero entreposto de álcool e permitirá à potência hegemônica uma fonte energética inesgotável e eterna, substituta do petróleo, que vai, paulatinamente, perdendo seu lugar.
            Com isso, o Brasil aprofundará sua subserviência ao capital internacional e, em especial, aos Estados Unidos. A produção do etanol contribui para a manutenção da estrutura latifundiária, aprofundando as relações de trabalho exploradoras no campo. Além disso, o Governo brasileiro reproduz regionalmente o imperialismo, por exemplo, ao manter tropas brasileiras no Haiti, colaborando para o controle militar desse país pelas tropas de coalizão estadunidenses.
            Vê-se, portanto, o não comprometimento do governo Lula com os interesses da classe trabalhadora. As eleições presidenciais de 2006 realizaram-se no momento em que o país ostentava as menores taxas de crescimento econômico dos chamados emergentes. Desde o seu primeiro mandato, Lula sacrificou o meio ambiente, a saúde, a educação, a infra-estrutura, etc. A retomada do crescimento econômico implicou em conseqüências negativas para os trabalhadores: o corte de direitos com as Reformas Sindical e Trabalhista, o super-simples, além das metas a serem atingidas no atual governo, além das novas medidas da Reforma Universitária, que aprofunda o ajuste na estrutura de especialização, fragmentação, precarização e (des)qualificaçã o do mundo do trabalho.
            O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é atual o carro-chefe da ilusória possibilidade de conciliar o lucro capitalista com os interesses dos trabalhadores. Prevê incentivo a grandes empreiteiras, setores de exportação e rentistas, com a esperança de que os capitalistas locais e os "investidores internacionais" promovam o crescimento. Aos trabalhadores resta o arrocho salarial e o corte no dinheiro do FGTS. Há, ainda, a política compensatória assistencialista – como o Bolsa-Família –, que não busca sanar as profundas desigualdades sociais, pois não geram nem garantem empregos ou direitos sociais. Os capitalistas nacionais são sócios menores das grandes multinacionais, que compram e monopolizam a produção de bens no Brasil e a financeirizaçã o da bolsa de valores.
            No último dia 25 de março, passamos por uma experiência importante para as lutadoras e os lutadores do país, com a realização do Encontro Nacional dos Trabalhadores contra as Reformas Neoliberais em São Paulo. Com a presença de mais de 5000 militantes, entre trabalhadores do campo, da cidade, jovens e movimentos populares, o evento marcou uma retomada de grandes mobilizações que seguem com bandeiras de transformação social e defesa dos direitos que estão sendo retirados pelo atual governo. Seguimos em luta!
 
Pela Reestatização da Cia. Vale do Rio Doce (CVRD)
“Não estamos apenas discutindo a anulação do leilão ou exigindo a reestatização da companhia. Com este plebiscito, queremos debater o papel do Estado, a soberania nacional, a participação popular e o papel protagonista do povo brasileiro na construção de um projeto popular para o Brasil.”
Luiz Bassegio, secretários do Serviço Pastoral dos Migrantes e do Grito dos Excluídos/as Continental
 
                        Há dez anos, em maio de 1997, o governo FHC, executando a agenda neoliberal, realizou a privatização da Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas estatais do Brasil, uma das maiores empresas mineradoras do mundo. Houve muita resistência das organizações, sindicatos e movimentos sociais, com protestos e ações populares na Justiça, questionando a legalidade do processo de privatização e o projeto político por trás disso. Ainda assim, o governo FHC atropelou e realizou o leilão de privatização, vendendo um dos maiores patrimônios nacionais por 3,3 bilhões de reais para grupos de investidores e acionistas estrangeiros (no Brasil, o responsável pela operação foi o Bradesco).
            Já naquela época, o próprio comitê financeiro da Vale avaliava a empresa em 40 bilhões de dólares (ou 100 bilhões de reais), e estudos independentes chegaram a avaliar a empresa em mais de 1 trilhão de reais. A empresa atua em 14 estados do Brasil, tem 9 mil quilômetros de estradas de ferro e é proprietária de 10 portos. Seu lucro foi de 13,4 bilhões de reais no ano passado – mais de quatro vezes o valor pelo qual ela foi vendida. O leilão, fraudado, foi o maior saque que o capital internacional impôs ao povo brasileiro. A empresa que sub-avaliou o leilão – Merril Lynch – e estipulou o preço da CVRD também faz parte dos compradores.
            O governo Lula, dando continuidade às políticas de FHC, não se pronuncia sobre o assunto. Apesar de sua campanha de segundo turno ter se colocado contrária às privatizações, Lula (além de outros deputados e governadores) recebeu volumosos recursos da Vale na eleição. Mas há ações populares e, em 2005, deu-se entrada a uma ação na justiça federal pedindo a anulação do leilão. Houve avanços no sentido do reconhecimento das irregularidades do processo de privatização.
            Diante dessa possibilidade júridica, partidos, sindicatos, organizações populares e movimentos sociais estão se articulando na luta pela anulação do leilão e reestatização da Companhia Vale do Rio Doce. Há um debate político, econômico e social por trás disso. O solo brasileiro é um dos mais ricos do mundo, e cabe à população decidir sobre os rumos de seu patrimônio nacional. Os lucros que a CVRD proporcionaria ao Estado brasileiro poderiam ser investidos em saúde, educação e cultura. Em um momento em que a esquerda está fragmentada, essa campanha tem a capacidade de unir os diversos setores na luta pelos direitos do povo, contra o capital financeiro, contra o neoliberalismo e sua política privatista.
            O ápice dessa campanha será a semana da pátria (semana de 7 de setembro), quando, junto ao Grito das/os Excluídas/os, será realizado o Plebiscito Nacional pela Anulação do Leilão de Privatização da Cia. Vale do Rio Doce. O movimento estudantil deve participar ativamente deste processo e de sua organização, levando o debate sobre as privatizações e sobre o neoliberalismo para dentro e para fora das universidades.
 

 

Meio Ambiente: o mundo no fio da navalha

“Vai ter barragem no salto do Sobradinho
e o povo vai se embora com medo de se afogar.
O sertão vai virar mar,
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão.”
Sá e Guarabira
 
            Contestar a degradação intensiva das florestas, com conseqüente perda da biodiversidade da fauna e flora; a contaminação dos solos e rios pelo uso intensivo de agrotóxicos; as doenças decorrentes do aquecimento global, como por exemplo, a onda de dengue que se instalou na América Latina; o fortalecimento das indústrias de biotecnologia; a liberação dos transgênicos etc. é contestar um modelo de sociedade pautado no consumismo desenfreado e desordenado do meio ambiente, que transforma elementos essenciais à vida em mercadorias, como o acesso à água, à alimentação e à energia.
 
Transposição do Rio São Francisco
            O governo brasileiro, alegando a reparação social do país com as comunidades do semi-árido nordestino, ignora as críticas dos movimentos sociais e das próprias comunidades ribeirinhas quanto ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Ao contrário da defesa: “a obra no São Francisco pretende dar água de graça para matar a sede”, o projeto atenderá diretamente apenas 5% da superfície do semi-árido. Sem contar que a definição dos critérios e das formas como a água transportada será distribuída e cobradas dos usuários ficará a cargo das companhias estaduais, deixando dúvidas de quem realmente terá acesso a essa água. De fato, a transposição é para usos econômicos intensivos em água voltados para exportação, visando atender as metas do Programa de Aceleração do Crescimento, em detrimento de uma política de fortalecimento da soberania e da autonomia local da produção alimentícia.
 
Nova lei de Biossegurança
            Marcando o fortalecimento do agronegócio e de indústrias de biotecnologia e, em conseqüência, afirmando a pouca sensibilidade com os impactos socioambientais e culturais do plantio de transgênicos, a nova lei de biossegurança do governo Lula, em síntese: garante o plantio da soja transgênica, atribui a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) o poder de decisão sobre a liberação dos transgênicos e revoga todas as disposições anteriores sobre o tema após a entrada em vigor da nova lei. Essa lei fere, de qualquer maneira, três princípios do Direito Ambiental, sobre os quais o texto se quer faz menção: a precaução, a sustentabilidade e a indenização. Configura-se, portanto, em uma medida que dá as costas para um projeto de biossegurança brasileiro.
 
Produção de Etanol para exportação
            Para incrementar o rol de acontecimentos pró-devastação ambiental, em recente conversa com o presidente dos EUA, o presidente Lula inicia as negociações pela produção de álcool combustível para exportação, colaborando para a política americana de redução do consumo de gasolina em 20% até 2017. A substância, extraída da cana-de-açúcar, é vista como uma das grandes apostas na geração de energia “limpa” e renovável. Mascarada na defesa de energia “limpa”, a produção de etanol traz inúmeros problemas: a monocultura da cana-de-açúcar que substitui a produção de alimentos em diversas regiões, ameaçando nossa soberania alimentar; prejudica o meio ambiente pelo uso intensivo e extensivo de agrotóxicos; provoca doenças respiratórias por conta das queimadas, superexplora os cortadores de cana e abre margem para se intensificar a concentração de terra no território brasileiro. Então que energia “limpa” é essa? Sem contar que todas as máquinas usadas no plantio da cana-de-açúcar são movidas a óleo diesel e não a álcool.
 
Descaso com a Amazônia
            A devastação anual na Amazônia no governo Lula volta a superar os índices do regime militar e só perde para o primeiro ano de FHC, o número equivale a mais de 8,6mil campos de futebol desmatadas em um único dia. Isso representa uma lamentável perda de biodiversidade e de diversidade de ecossistemas, além de comprometer a vida de milhões de pessoas que habitam a região. Quase a metade desse total desmatado na Amazônia Legal se deu no estado do Mato Grosso, governado pelo maior produtor individual de soja do mundo, Blairo Maggi. Enquanto as árvores caíam na floresta, o grupo do agronégócio de Maggi comemorava aumentos de 28% no faturamento.
Esses valores sinalizam um duro golpe no programa de desenvolvimento sustentável da Amazônia, visto seu objetivo em obter uma forte redução nos índices de desmatamento e queimadas ilegais na região da Amazônia. E vai além, demonstra a contradição fundamental que vive o governo Lula: conter o desmatamento ou promover o crescimento acelerado do agronegócio de exportação para pagar a dívida? O atual patamar de destruição florestal é inaceitável.
 
Reforma Agrária, Soberania e Segurança Alimentar
 
            No Brasil, desde sua colonização, a terra foi monopolizada por poucos, privilegiando a produção para o mercado externo e ignorando as necessidades do povo que nela vive e trabalha. Com a terra nas mãos de poucos, produzindo para fora, a maior parte da população permanece sem acesso à terra e a seu produto – a alimentação –, gerando o conflito agrário e a fome e a necessidade de uma reforma que elimine o latifúndio, distribua terra para quem nela quiser trabalhar e dê condições para nela sobreviver.
No entanto, vivemos um momento distinto. Nosso conhecido "Agronegócio" transformou completamente a produção e o uso da terra, modificando a "questão agrária". Fez-se uma aliança entre poderosas empresas transnacionais (Monsanto, Bayer, Syngenta, etc.) e os antigos latifundiários brasileiros. Esses latifundiários seguem com seu monopólio da terra, e as transnacionais monopolizaram os capitais de investimento (as sementes) e os mercados. A produção, como faz desde a colonização, ainda privilegia o mercado externo, a terra segue concentrada e a maioria dos que querem trabalhar na terra (os sem-terra) continuam sem acesso a ela. O milho e a soja, por exemplo, são plantados mundialmente e as variedades produzidas por empresas são destinadas a agricultores de alto poder aquisitivo. Ou seja, pequenos e médios produtores não têm acesso a essas tecnologias. Em regiões onde isto ocorre, o que se vê? Concentração de renda.
            Assim, para que o país possa manter e ampliar seu desenvolvimento agrícola, equilibrado nas suas diversas regiões; promover a sustentabilidade econômica, social e ambiental; promover distribuição de renda igualitária e gerar mais empregos no campo é imprescindível a luta pela reforma agrária.
            E diante desse quadro, a luta pela Reforma Agrária ganha elementos novos. Passa a ser não só uma luta pela terra para plantar, mas também uma luta pela semente nativa contra a semente transgênica; uma luta contra a propriedade intelectual do patrimônio genético mundial; pela soberania nacional e o direito dos povos de definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos; contra o imperialismo e que atenda às necessidades do povo brasileiro; uma luta por uma agricultura orgânica, sem agrotóxicos e que não destrua a natureza, e principalmente  uma luta que assegure uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente trazendo o contexto do Direito Humano á Alimentação como Lei e Política pública.
            A “questão agrária” nacional encontra-se diante de uma disputa de modelos: De um lado o agronegócio, excluindo o povo trabalhador, precarizando o trabalho, produzindo para fora, monopolizando terra e sementes, poluindo o ambiente e o alimento. De outro lado, a agricultura sustentável, familiar; que emprega mais força de trabalho e alimenta o povo, garantindo sua saúde e a sustentabilidade ambiental.
                         Nós, assim como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), optamos pela vida humana, pela semente livre, pela alimentação saudável, pelo trabalho valorizado, pela reforma agrária já!
 

Educação pública e a Reforma Universitária

 
“Eu não aceito que a ética do mercado, que é profundamente malvada,
perversa, a ética da venda, do lucro, seja a que satisfaz o ser humano.”
Paulo Freire
 
            Os movimentos sociais historicamente se referenciaram no princípio público de educação e construíram pressupostos de universalidade no acesso, gratuidade, qualidade e democracia. E para construção, na prática, deste principio, movimento de educação (formado por professores, estudantes, trabalhadores da educação etc.) passou a se dedicar à atualização de seus projetos para o ensino público. Das sucessivas greves, paralisações, passeatas e articulação entre entidades como a UNE, ANDES, FASUBRA, CUT, executivas e federações de curso, além dos partidos de esquerda, nasceu uma proposta “síntese” para a educação brasileira: o Plano Nacional de Educação (PNE). O PNE previa investimentos maciços no ensino básico e fundamental, além do aumento das verbas públicas também no ensino superior. Isso tudo em 10 anos. Colocava ainda a democratização interna das estruturas das instituições, além da integração do sistema educacional entre os municípios e os governos estaduais e federal.
            Entretanto, na década de 1990, ao mesmo tempo em que se consolidava uma perspectiva emancipadora para a educação, o Brasil conheceria a desertificação dos direitos e expansão do ensino privado em seguidos Governos de caráter neoliberal – Collor, Itamar, FHC. Apesar do “PNE da sociedade” ter sido aprovado no Congresso – mostrando a força da luta organizada contra a precarização da educação –, o então presidente FHC aplicou 09 vetos ao Plano, especialmente sob pontos referentes ao financiamento da educação pelo Estado.
            Assim, as universidades pagas cresceram brutalmente a partir do período em que se intensificou a aplicação do capitalismo neoliberal no Brasil, contrariando a Constituição de 1988 que previa a educação como um direito público e dever do Estado. Esse crescimento, principalmente na era Paulo Renato/FHC, deu-se por conta da planejada desregulamentaçã o e pela política de incentivos fiscais à filantropia, visando salvar uma elite empresarial em decadência. A prestação de serviço educacional privado mostrou que é capaz de trazer, com investimentos relativamente baixos, lucros extraordinários.
 
A Contra-Reforma da Educação.
            No governo Lula, há continuidade do processo neoliberal de sucateamento e privatização da universidade pelo distanciamento do tripé da mesma: ensino, pesquisa e extensão. Através da desresponsabilizaçã o com o caráter de universalismo na educação e descaracterizando na totalidade o conceito de público, a universidade distancia-se de discurso e práticas emancipatórias e de cunho social.
            Com o aumento desenfreado das instituições pagas, a concorrência aumentou. Essa situação somada grande número de estudantes que não possuíam condições de pagar altos preços cobrados construiu um cenário de crises nas universidades. Enquanto algumas universidades bateram recordes de lucro outras fecharam ou reduziram drasticamente seus investimentos, precarizando ainda mais a prestação de serviços da instituição. A partir daí começaram as pressões para a construção de um ensino altamente padronizado, que para as empresas passa necessariamente pelo corte de qualquer gasto considerado desnecessário, aos olhos do mercado. Em plenária do CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras) , realizado em 11 de setembro de 2002, em Sergipe, os reitores reconheceram que a situação das universidades privadas era grave.
            A UNE, presente como convidada na ocasião, teve uma intervenção superficial, restringindo- se a defender o Plano Emergencial para as Universidades Públicas, sem aprofundar os problemas existentes no ensino pago. Dentre as mudanças que os empresários reivindicavam estava a necessidade de um subsídio público que o evitasse a falência de suas empresas. Essa demanda veio a ser atendida no Prouni – Programa Universidade para Todos, no pacote da chamada Reforma Universitária, que hoje tem como principal projeto o PL 7200/06. A Reforma serve então como uma luva para salvar o rico negócio enquanto as Universidades Públicas agonizam sem recursos.
            Além do Prouni, o Governo encaminhou de forma autoritária uma série de medidas, compondo uma política fragmentada e precarizante para o ensino superior público, como as Medidas Provisórias que autoritariamente aplicou (especialmente o Prouni e o Enade), Emendas, Decretos, além do Projeto de Lei (PL) 7.200, apresentado ao Congresso para votação e que regula a educação como “bem” público e não como direito inalienável. Vamos entender melhor como a mercantilizaçã o existe no projeto para a educação superior o atual Governo:
 
SINAES/ENADE
            Apesar de construído com importante participação dos movimentos sociais, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior sofreu um processo de depuração política enquanto tramitava no Congresso. A principal mudança foi a inserção do ENADE, prova de avaliação discente muito parecida ao Provão que o Governo FHC aplicava e o movimento estudantil boicotava dado o ranqueamento institucional que premiava as escolas em detrimento de um plano de qualidade único. Na sua essência, no entanto, o ENADE é idêntico ao antigo “Provão”, reproduzindo os mesmos vícios do Antigo Exame, contra os quais os estudantes lutaram – obrigatoriedade, produtivismo, caráter punitivo etc. Mas o ENADE e o “Provão” não são idênticos apenas por seus atributos, mas em particular pelo papel que cumprem. Considerando o restante das avaliações, a relevância dada às Comissão Próprias de Avaliação (CPAs), que são avaliações internas das universidades, e outras avaliações institucionais, como CONAES, poderiam constituir um diferencial da avaliação institucional de FHC para Lula. Porém, o fato é que inexiste a garantia da composição democrática dessas comissões.
 
PROUNI
            Sob o argumento da democratização do ensino, o Programa “Universidade para Todos” aplica a abertura de vagas em IES pagas (das “pilantrópicas” às tipicamente empresariais! ) através de subsídio fiscal aos donos dessas Instituições. A contradição começa ao se calcular que o montante “gasto” pelo Governo no Prouni garantiria 1 milhão de vagas no Ensino Superior público. Além disso, o discurso do Governo esquece que a vaga de qualidade no ensino superior é a que garante assistência estudantil, acesso à pesquisa e extensão. Nada disso o Prouni garante ou poderia garantir – de cada três bolsas do Programa, duas são parciais - dado que a quase totalidade das IES pagas não possui essas políticas internas. Assim, fica claro que o Prouni não é democratizante, mas uma forma de salvar as dívidas dos empresários da educação.
 
LEI DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA
            Projeto que regula a pesquisa nas Universidades. Talvez uma das medidas mais nefastas da contra-Reforma para educação superior. A lógica desse PL é garantir que as empresas e pesquisadores se relacionem com os espaços e estrutura física e humana das Universidades públicas através da idéia de “prestação de serviço”. A pesquisa adquire fim eminentemente comercial e de reprodução tecnológica, o que fortalece a política de privatização interna já iniciada com os cursos pagos e fundações privadas. Vale colocar que esse projeto só foi passível de aplicação graças a aprovação das PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS pelo Governo (ou os convênios entre Estado e iniciativa privada para investimentos em áreas estratégicas – como transporte, educação e saúde).
 
PROJETO DE LEI 7.200/06
            Depois de formuladas 4 versões de anteprojeto sobre uma lei geral da reforma do ensino superior, o PL 7200/06 se concretiza um processo de articulação institucional a cerca dos rumos do ensino superior no país. Após 368 emendas parlamentares, dentre estas, 93 do PMDB, 83 do PSDB, 56 do PFL, 33 do PP e 11 do PL, com teor privatizante, temos a coroação da contra-reforma colocada para as universidades. Vale a pena citar alguns pontos importantes do PL: reduz o montante de recursos destinado às universidades federais, na medida em que, com a Desvinculação de Receitas da União, a subvinculação de 75% dos recursos do MEC mencionados pelo PL correspondem na verdade a um valor bem menor do que este; legaliza os cursos pagos oferecidos pelas universidades públicas na forma de cursos de extensão e de especialização; permite que as universidades públicas cobrem mensalidade nos cursos seqüênciais (cursos de curta duração, pois estes são caracterizados como "cursos de formação continuada" e não como ensino; legaliza os Centros Universitários e Faculdades tais como foram concebidos por FHC, ou seja, como "fábricas de diplomas" onde não há pesquisa nem extensão, e, como se não bastasse, prevê a criação de centros universitários federais; e legaliza a graduação e a pó-sgraduação a distância, ou seja, expande o ensino à distância para além de seu papel, que é o de complementar a formação presencial em determinadas situações.
 
REUNI, A UNIVERSIDADE “NOVA” - No início desse ano fomos surpreendidos com uma nova proposta de reestruturação das universidades, partindo da UFBA, denominado naquele momento por Universidade Nova. Era uma proposta explicitamente para atender demandas do mercado com ampliação de vagas no ensino superior sem aumento dos investimentos sociais. O projeto foi incorporado pelo Governo Lula a partir do Decreto 6.096/07 – o REUNI, no qual dedicamos um espaço em nossa tese para o debate com os estudantes.
 
REUNI e o PDE – O Plano de Desenvolvimento da Educação, também conhecido como PAC da Educação tem sua expressão mais clara o Decreto do REUNI. Acenando com verbas que não ultrapassam 10% a 20% do que atualmente é destinado às IFES, esse Programa pretende induzir os órgãos superiores das instituições a se comprometerem com expansões da ordem de 100%, no número de ingressantes, e de 200%, no das matrículas. De fato, esse decreto institui que num prazo de 5 anos, a taxa média de conclusão dos cursos de graduação presenciais para 90% e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais passe 12 para 18 professores por aluno. Está dada então a expansão das universidades públicas tão sonhada pela UNE e outros movimentos de educação, não é? Vamos olhar melhor...
           
Mas como duplicar os alunos e não duplicar os professores (nem contratar mais já que o PAC limitou, por 10 anos, a expansão das folhas de pagamento a apenas 1,5% ao ano, o que corresponde aproximadamente ao crescimento vegetativo da despesa com pessoal) ainda assim ampliar as aprovações dos estudantes de 60% para 90% dentro das instituições de ensino superior? Qual é a mágica?
           
Professor Equivalente – O aumento da taxa de conclusão média passando de 60% para 90% triplicaria a demanda de concluintes. Para “resolver” esse problema foi criado o “banco de professores- equivalentes” . Na prática, todos os professores são comparados quantitativamente, isto é, um professor Dedicação Exclusiva vale 3 professores em regime de 20h; 4 docentes em 40h equivalem a 5 professores substitutos, todos também em regime de 40h ou a 10 professores substitutos em regime de 20h. Sendo assim, para garantir as metas do MEC, vale muito mais a pena ter 10 professores substitutos do que 1 um professor em Dedicação Exclusiva. Só esqueceram a pesquisa e a extensão, que hoje sofrem com carência de bolsas e projetos mais voltados para a sociedade e não para o mercado.
 
Coerção nos CONSUNIs – A adesão das instituições a esse modelo de “reforma” se daria por “manifestação de seu representante legal, definida em deliberação de seus órgãos superiores de gestão”. Os conselhos universitários poderem decidir sobre um projeto do governo deveria significar um grande avanço, contudo trata-se da imposição de um Decreto às Universidades, que ao se negarem ao Decreto, terão prejuízos na alocação de verbas do MEC. Uma chantagem que vem sendo repudiada nas várias Federais (IFES) que se tentou aprovar o REUNI. A mais importante manifestação nesse sentido foi a de estudantes da UFRJ, que ocuparam por 24h a reitoria e exigiram a não aprovação do REUNI. 
 
BI – No Decreto ainda temos a concretização dessa reestruturação das universidades com a criação do Bacharelado Interdisciplinar. Nesse processo seria proporcionado acesso mais amplo aos bacharelados (a tal expansão de vagas) dividindo-os os cursos básicos das universidades em 4 grandes áreas (Artes, Humanidades, Ciências e Tecnologia), a ser realizado em dois ou três anos, dando um diploma aos estudantes. Somente concluída essa etapa, o “universitário” conquistaria o seu direito a um curso profissionalizante, como Direito, História, Medicina, etc. Portanto, a fase “interdisciplinar” consistiria numa competição mais acirrada que o vestibular em busca da sua profissão, entendendo que a expansão de vagas é, obviamente, somente para a primeira etapa do curso superior. O governo Lula com isso ilude mais uma vez a sociedade, para depois covardemente transformar a realidade dos jovens mais desesperadora ainda, com diploma e sem emprego.
 
Como podemos ver, o Decreto é um grave ataque a nossas propostas de defesa de uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, isto é, com projetos no seu interior que contraponham- se a mercantilizaçã o da educação e da vida. Educação assim não nunca se fez por decreto e muitos estudantes já estão mostrando que não vão aceitar mais esse golpe. Acreditamos que o próximo período será marcado por esse debate nas principais universidades do país e a UNE deve ter como principal meta o de Barrar o Decreto do REUNI e unir os movimentos de educação na disputa dos Conselhos Universitários para que não caiam nessa armadilha.
 
 
Enquanto isso, nas pagas: o lucro a qualquer custo.
 
            Nas instituições privadas o lucro é perseguido com unhas e dentes. Além das mensalidades, as altas taxas cobradas por serviços mínimos e as multas pelo atraso na entrega dos documentos, livros ou no pagamento das mensalidades são assustadoras. A legislação atual (Lei 9870/99) assegura às entidades estudantis o direito de exigir as chamadas planilhas de custo – documentos em que devem constar os gastos da Universidade, a sua receita e os investimentos realizados. Sem a análise das planilhas, os aumentos de mensalidades são realizados de forma desregrada. Nesse sentido, é importante pensar e defender formas de participação estudantil nas decisões sobre o destino de verbas, exercendo o controle do mesmo. É necessário organizar em cada Universidade a luta pela “Redução já!” dos valores das mensalidades e contra o pagamento das taxas extra-mensalidade.
 
Inadimplência não é crime!
            O índice de inadimplência em todo o país beira a casa dos 40%. Para garantir seus lucros, as mantenedoras buscam criminalizar os inadimplentes, impedindo a rematrícula dos mesmos e utilizando os mais eficazes instrumentos de cobrança, inclusive do Serviço de Proteção ao Crédito, que marca o nome do estudante em todo o comércio brasileiro. É preciso lutar intensamente contra o desligamento dos estudantes inadimplentes, defendendo que estes possam continuar até o fim do curso independentemente da sua condição. A educação precisa ser um direito assegurado a partir do momento da matrícula até a conclusão do curso.
 
Precarização do trabalho de funcionários e professores.
            A primeira constatação que devemos fazer ao falar sobre os professores e corpo técnico administrativo (funcionários em geral) nas instituições pagas, é que estes se encontram em uma situação de extrema precarização de seu trabalho. Inexiste plano de carreira nas universidades, sendo que muitas delas super-exploram os professores e funcionários e atrasam o pagamento de seus vencimentos. Nesse sentido, várias universidades de São Paulo passaram, em 2006, por greves de funcionários em defesa de seus direitos. Na contramão dessas lutas, as reitorias reprimem a atuação dos sindicatos e punem (até mesmo com demissão) os ativistas. É famigerado o caso da UNIT (Universidade do Triangula Mineiro) de Uberlândia, em que foram demitidos cerca de 100 professores quando estes tentavam montar uma seção do ANDES-SN, em seu local de trabalho. Podemos citar ainda as recentes crises que consumiram as PUCs em  todo o país através de demissões de professores em massa.
 
Não à repressão!
            Um grave problema existente tanto nas instituições pagas como nas públicas é a repressão ao movimento estudantil. Nas pagas, por exemplo, os estudantes que ousam se organizar são duramente reprimidos com amparo em regimentos internos repletos de ilegalidades, a maioria com instrumentos verdadeiramente ditatoriais que ferem diretamente a Constituição. As manifestações geralmente são punidas com perseguição. Os conhecidos Processos Disciplinares funcionam de forma flagrantemente inquisitorial, o que inviabiliza qualquer defesa do estudante criminalizado. São criadas comissões disciplinares que consideram incompatíveis com a “ordem da instituição” quaisquer manifestações ou panfletagem que afrontem a “normalidade dos trabalhos” ou “perturbem a sua ordem”. No caso das públicas, também vale comentar que, apesar do falso discurso da democracia interna, a repressão é feroz. Um exemplo: o primeiro semestre de 2007 foi marcado por intensas mobilizações estudantis nas Universidades estaduais paulistas (USP, UNESP, UNICAMP) contrárias aos Decretos do governo Serra, outorgados no início de 2007. Como resposta, as reitorias e o governo estadual criminalizaram o movimento, inclusive através de prisões de estudantes (como no caso da ocupação da Diretoria da UNESP de Araraquara).
            Os estudantes devem combater as tentativas de retrocesso à ditadura na Universidade. A luta deve se dar no campo da justiça e do confronto político direto (manifestações, ocupações, panfletagens, passeatas públicas, etc.) pela revogação de todos os termos que atentem a liberdade de organização estudantil. Vale lembrar que a Constituição Federal assegura a distribuição indiscriminada do veículo impresso de comunicação (art. 220 parágrafo 6) e assegura a liberdade de expressão (art. 5º). Além da Constituição é conhecida a Lei Aldo Arantes (7395/85) que garante a livre organização discente através de suas entidades de representação nas Universidades e escolas de ensino médio. Os estudantes sozinhos têm muitas dificuldades, mesmo com a lei a seu favor, de suportar os ataques ditatoriais das reitorias conservadoras. Nesse cenário é fundamental que a luta se dê de forma ampla e envolvendo toda a sociedade.
 
O melhor amigo do povo é o povo organizado.
 
 
“Ninguém liberta ninguém,
ninguém se liberta sozinho:
os seres humanos se libertam em comunhão."
 
Paulo Freire
 
            A difícil conjuntura de fragmentação trazida desde a vitória de Lula em 2002 impõe o desafio de construção de campanhas em torno de bandeiras históricas, que foram consensuais durante anos no seio da esquerda. Estas ações são importantes, pois é na prática coerente com o discurso, que se percebe de que lado se está. E assim, de forma não sectária, sem vanguardismo, a UNE e o conjunto do ME deve construir relações com os diversos movimentos sociais (MST, MAB, Luta por Moradia, INTERSINDICAL, ...). Nesse sentido, destacamos dois espaços complementares como centrais para a atuação da UNE: O Fórum Nacional de Mobilização por Direitos e Contras as Reformas Neoliberais, que surgiu em Março deste ano; e a Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil que surgiu em Outubro de 2005. Neste processo de lutas devemos sempre priorizar o trabalho de base, aliado à formação política, junto com o processo de luta social. Assim, aumentaremos nosso grau de organização, mas não podemos esquecer que ainda vivemos um momento em que devemos priorizar o acúmulo de força social, aumentar o grau de unidade dos movimentos combativos, fortalecendo os oprimidos em oposição à opressão.
            No que diz respeito à educação, é possível colocar muitas contradições no que tange a prática do atual Governo e a Reforma Universitária relacionada com o modelo de educação que queremos. Nesse sentido, é fundamental unificar o movimento social para pensar a construção de um projeto de Universidade que cumpra o seu papel social de expor os conflitos sociais, que caminhe verdadeiramente para a universalizaçã o do ensino e da radicalização da democracia brasileira.  Além disso, acusar a necessidade imediata de democratização da Universidade, da administração dos recursos públicos até a participação paritária (igual peso de decisão entre professores, trabalhadores e estudantes) nos órgãos deliberativos.
            É sob essa orientação que surgiu, no final de 2006, a FRENTE DE LUTA CONTRA A REFORMA UNIVERSITÁRIA, uma forma de organizar entidades estudantis, sindicatos, movimentos, organizações, enfim, todos que acreditam na mobilização unificada e massiva dos estudantes e trabalhadores como meio para interromper o processo da Reforma Universitária pela esquerda. A Frente de Luta organizou no dia 26 de março uma grande plenária com participação de mais de 1000 militantes. A Plenária Nacional Contra a Reforma Universitária em Defesa da Educação Pública foi um marco de retomada de grandes mobilizações no intuito de barrar a Reforma Universitária.
 
Passe-Livre já!
            Uma das principais lutas da juventude no momento é pelo Passe-livre. Uma reivindicação histórica da qual a UNE não pode deixar de encampar. Não podemos compreender uma educação de fato gratuita se o deslocamento casa/trabalho para a sala de aula é pago. As altas tarifas de transporte coletivo atacam nosso direito à educação pública, gratuita e de qualidade e fomentam a evasão escolar. A constituição e a Lei de Diretrizes de Bases da Educação instituem e resguardam o direito dos estudantes ao Passe-Livre. Portanto, é um direito que vem sendo descumprido pelos poderes públicos municipal, estadual e federal. O Passe-Livre é uma realidade conquistada com muita luta e organização da juventude em diversas cidades do Brasil, como Laguna, Florianópolis, Cuiabá, etc. O nosso dever é impulsionar a luta pelo Passe Livre, exigindo o fim do monopólio das empresas de ônibus e a rediscussão do sistema de transporte coletivo. Sair às ruas e mobilizar os estudantes é papel fundamental da UNE e de todas as entidades estudantis.
 
Saúde pública e de qualidade é direito!
 
“(...) Aos esfarrapados do mundo
E aos que neles se descobrem e,
Assim descobrindo- se, com eles sofrem,
Mas sobretudo, com eles lutam (...)”
Paulo Freire
 
            Hoje nos deparamos com uma concepção de saúde individualista, centrada no poder médico, que fragmenta as profissões cada vez mais concentradas nas mãos dos setores privados em detrimento do investimento em que pelas políticas de saúde pública de Estado. A rede de saúde pública é precarizada, bem como o trabalho, pois existe uma avenida de parcerias com o setor privado e pouco se avança na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). possui enormes filas e é sucateada por falta de verbas. O atual governo mantém o pouco financiamento para o setor e abre diversos cursos superiores da área da saúde sem nenhum critério.
            O movimento da reforma sanitária não pode se esgotar nem deixar de atuar nesta difícil conjuntura. Entendemos que ele tem que agir de forma cotidiana, sendo re-atualizado e disputado na sociedade, na política atual, mantendo sua autonomia perante os governos. Deve estar em constante movimento no cotidiano dos serviços, dentro das instituições formadoras e junto de lutadores e lutadoras sociais que levantam como bandeira de luta a defesa da universalidade do acesso ao serviço de saúde, a equidade e a integralidade.
            Os estudantes estão distantes do debate das potencialidades e dos desafios do SUS. O atual percurso de formação acadêmica, os marcos da reforma sanitária, dos princípios e diretrizes do SUS, da organização da atenção à saúde são temas ausentes nas grades curriculares. A inadequação da formação profissional para atender às reais necessidades dos usuários do SUS, uma formação na grande maioria de vezes fragmentada em campos de práticas, e inclusive despolitizada, dificulta as possibilidades de transformação da formação, apesar das várias tentativas das reformas curriculares e do protagonismo dos estudantes tentando mudar esta realidade.
            Este ano ocorrerá a XIII Conferencia Nacional de Saúde. Este deve ser um espaço importante para a atuação de todo o movimento. É importante impulsionar a participação estudantil nas etapas municipais, estaduais e no encontro nacional. Além disso, ao longo deste ano, o movimento estudantil deve procurar colocar na ordem da sua agenda este espaço do controle social para uma atuação articulada e crítica junto com a atuação no Conselho Nacional de Saúde. Espaços reais de debates, de construção de propostas, de formulação de políticas devem ser impulsionados tanto quanto nos níveis locais, quanto em âmbito nacional, num espaço para além de um GT de saúde da UNE, que consiga ser mais amplo e representativo para o conjunto do movimento tendo como protagonistas as executivas de curso.
 

Violência: a criminalização dos pobres e dos Movimentos Sociais

“Paz sem voz não é paz, é medo.”
Marcelo Yuka
 
            Vivemos uma crise social na qual a vida é subjugada pela violência e que pode ser identificada nas constantes chacinas de moradores de Favelas do Rio de Janeiro, por exemplo. O Estado assume caráter cada vez mais mínimo, isentando-se da prestação de serviços essenciais à existência digna; entretanto, mostra sua faceta de Estado máximo no que tange à repressão e ao controle social. Em nome do combate à violência, o Brasil tem orientado sua política de (in)segurança pública à luz da doutrina estadunidense de “tolerância zero”. Permeados por esta mentalidade, os aparatos repressivos voltam-se contra os bolsões de miséria como que a combater os “inimigos da sociedade”. A polícia brasileira é a que mais mata no mundo. O uso do caveirão (veículo blindado do BOPE), incursões militares nas favelas, tortura, execução de inocentes, e chacinas, são exemplos corriqueiros do que podemos chamar de criminalização da pobreza. O panorama da violência se agrava com a expansão do crime organizado e domínio das milícias, frutos da corrupção generalizada e política equivocada das polícias. Outro perverso elemento compõe este cenário – a crise do sistema prisional e as constantes violações de direitos humanos.
            Temos uma justiça de classes! A absoluta maioria da população carcerária é composta por negros, pobres, moradores de periferia, em grande parte condenados por crimes patrimoniais leves e envolvimento com tráfico de drogas.  Dentro deste paradigma, é cada vez mais presente a criminalização dos movimentos sociais. Temos a tradicional perseguição sindical. O governo Lula “avançou” nesta questão propondo em 2005 o corte de ponto dos professores grevistas, e, recentemente, a proibição de greve de trabalhadores em pontos estratégicos. Um exemplo é o caso dos controladores de vôo, chamados de “traidores da pátria” por reivindicar seus direitos.
            Os movimentos sem-teto e as ocupações urbanas sofrem a repressão, na forma do despejo, além da perniciosa campanha pela remoção de favelas, capitaneada pelo capital imobiliário. Vale lembrar a realidade encarada pelos camelôs, que buscam seu sustento digno, perseguidos e reprimidos pelas guardas municipais das metrópoles. Os movimentos de favela que batalham pela afirmação da auto-estima e combate à violência são relegados à indiferença pelo poder público. Estas são tarefas imediatas para a juventude e para os socialistas. Parece-nos mais atual do que nunca a máxima de Rosa Luxemburgo – “ou o socialismo, ou a barbárie”, para vislumbrarmos a superação da violência sistêmica. Basta de guerra aos pobres! Basta de opressão aos movimentos sociais! Construamos desde já uma sociedade fraterna e solidária, com respeito à vida e à dignidade humana. É urgente e necessário construirmos pontes do Movimento Estudantil para além dos muros da universidade.
 

Combate ao racismo!

 
“É marca de nascença, é um passado que não se apaga (...)
Não vejo grades nem portões de ferro,
Por mais que eu corra nem chego nos muros,
Algo me prende aqui, a fuga é impossível,
Que porra, detenção sem muro, meu maldito mundo”
Facção Central
 
            Se pudéssemos fazer uma excursão pela história humana, veríamos que vários povos já foram subjugados e escravizados por outros. No entanto, poucos desses processos se aproximaram de tamanha vastidão, crueldade e causaram tantos danos históricos como a “escravização” aos negros africanos pelos brancos europeus. Os negros africanos foram vitimados em navios negreiros onde a maior parte dos africanos morria, por fome ou doença, antes de alcançar o seu destino, e tinham seus corpos lançados ao mar.O “azar” estava lançado e até hoje não findou.
            Ao contrário do que conta a historia oficial, preservadora da ordem vigente, os negros resistiram bravamente contra a opressão e exploração branca. Nos quilombos, nas revoltas e nos cultos clandestinos, vários foram os heróis da etnia negra no Brasil: Maira, Zumbi, Nizinga, João Candido entre tantos. Um dos passos para transformar a realidade negra no Brasil é recontar e reinventar a nossa história, informando a importância que a luta dos negros e negras brasileiras teve na abolição da sociedade escravocrata no Brasil. É preciso reescrever autonomamente a história da etnia negra derrubando os mitos de igualdade racial e da passividade negra.
 
Somos realmente livres da escravidão?
            A abolição oficial gerou escravos sem senhor, sem senzala pra dormir, mas com tronco e esfoliação policial, sem nenhum acesso a políticas públicas, sem saúde, educação e habitação e centralmente sem nenhum direito político. Aos negros, restaram a criatividade e, a luta pela existência e contra a opressão. Foram criados, então, os morros, favelas, subúrbios e periferias onde os negros “se viram” para sobreviver. Isto gerou um fenômeno de subalternizaçã o espacial que se reproduz até hoje nos subúrbios, favelas e periferias, sendo durante a semana apenas bairro dormitório para a maior parte da mão de obra trabalhadora.
            Sobre o debate mais geral acerca da opressão sobre os negros, é ainda dificultoso travá-lo, pois envolve o enfrentamento de uma subjetividade preconceituosa e valores muito rígidos no senso comum. O principal mito a ser enfrentado é o mito de que o Brasil é um país de democracia racial, onde não há opressão. Para elucidar essa questão é necessária a organização para denúncia e conquistas, contestando as mais variadas formas de opressão e exploração: desde a questão econômica que sustenta a exploração, até a questão estética – passando pelo debate cultural e denunciando a linguagem racista. É preciso que o movimento estudantil debata essa questão e se esforce por exterminar as práticas racistas de nosso cotidiano, alem de lutar pela efetivação de políticas públicas anti-racistas.
 

Mulheres de Atenas: até Quando?

 
“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios”
Chico Buarque e Augusto Boal
 
            Historicamente, as relações sociais colocaram as mulheres em posição de subordinação aos homens. Estão expostas à violência sexual, psicológica, moral e patrimonial. Essa desigualdade tem sido tratada como natural e imutável e colabora, junto com o Estado, para manter a opressão no sistema capitalista. O Estado – hoje representado pelo governo Lula –, portador de um interesse de classe hegemônico e, assim, não articulador de políticas públicas de caráter transformador, reproduz os papéis sociais imersos no senso comum: para as mulheres, as responsabilidades do trabalho doméstico e o cuidado com as crianças e idosos.
            A fragilidade da rede pública de proteção à mulher fica evidenciada no número reduzido de delegacia de mulheres – e, nelas, no não atendimento de mulheres divorciadas –; na ausência de políticas de proteção àquelas que denunciam seus agressores; na agressão e no abuso policial – no processo de criminalização da pobreza, que vitimiza e expõe à opressão mulheres e mães. O desemprego é outro fantasma que atormenta a classe trabalhadora e tortura a mulher: alcança 58% a mais de mulheres em relação aos homens, e as submete às opressões domiciliares – mais de 63% das mulheres brasileiras apanham dentro de suas próprias casas (Fonte: Sindicato dos Químicos Unificados, Campinas-Osasco- Vinhedo).
            Atualmente, no Brasil, 56% das meninas (de 15 a 17 anos) estão fora da escola (dados da pesquisa da UNESCO, realizada em 2003, em 26 estados do país). O índice tende a crescer e as mulheres trabalhadoras não têm onde deixar seus filhos para que possam estudar, pois as creches só atendem 28% das crianças, e só funcionam no período noturno: o estudo é uma enorme batalha para a mulher. Assim, quando um filho é muitas vezes sinônimo de mais dificuldades na vida,  não é de se espantar que as mulheres pobres sejam as que mais cometem abortos clandestinos, que colocam em risco suas próprias vidas. Tratado como questão de saúde pública, defendemos a legalização do aborto – e não somente sua descriminalizaçã o –, acompanhado de amplo acesso a métodos contraceptivos, maior investimento no sistema público de saúde – para um pré-natal e uma maternidade seguros – e em projetos de educação sexual nas escolas e comunidades marginalizadas. Isso porque nos países onde houve a legalização acompanhada da reestruturação da saúde pública e do sistema educacional, o número de realizações não aumentou. Não basta, portanto, garantir que as mulheres que optarem por abortar não sejam presas; há que se garantir o direito ao aborto, o respeito da sociedade às mulheres que optam por fazê-lo e a responsabilidade do Estado em prever condições dignas para que este não seja causa de morte nem de agressão física ou psicológica de mulheres pobres. Aborto legalizado: as mulheres decidem, o Estado garante, a sociedade respeita!
 

Homofobia: Diga Não!

 
 “Somos iguais
Na anatomia.
E, quem diria...
Iguais se atraem;
Desfrutamos da paz,
Amor e Alegria.
Tristeza, Agonia,
De fraqueza caem.”
Anita Costa Prado
 
            Na luta pelo Direito à Diversidade, Lésbicas, Gays Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (os LGBTTs) correspondem a um dos setores mais discriminados e oprimidos da nossa sociedade. A estrutura familiar tradicional patriarcal e conservadora garante a reprodução não apenas da mão-de-obra a ser explorada, mas também de um sistema de valores hierárquicos, no qual LGBTTs são incômodos para os que desejam manter a estrutura familiar e social. Entretanto, escuta-se diariamente que o preconceito já foi superado. Isso porque lésbicas e gays também têm seus interesses mercantilizados, e representam um mercado que faz circular muito dinheiro. Trata-se de uma lógica perversa que legitima a discriminação, pautada na lógica do consumo: “se eles consomem, não devem ser discriminados” .
            Mas a realidade não é bem assim. LGBTTs continuam a sofrer constrangimentos e discriminações nos locais de trabalho, nas universidades, escolas, nas redes públicas de saúde e de segurança. A maioria tem dificuldade em conseguir emprego, caso assumam sua orientação sexual. Lésbicas e gays são muitas vezes preteridos nas promoções e quase nunca ocupam cargos públicos importantes. Os que passam pelo sistema prisional sofrem humilhações. Os que, ao contrário, sofrem alguma forma de violência têm ainda menos chances de ver seu agressor punido.
Constatamos que a sociedade brasileira é fortemente homofóbica. Uma pesquisa realizada com professores do ensino fundamental e médio revelou que 59,7% deles acham inadmissível que uma pessoa possa vir a ter experiências homossexuais e 21% deles disseram que não gostariam de ter um gay ou uma lésbica como vizinhos. Quantos aos alunos, 25% responderam que não gostariam de ter um colega de classe homo ou bissexual. Esses dados explicam a grande evasão de homossexuais das escolas, pois tamanho é o preconceito vindo por colegas e professores, além da falta de condições materiais, que torna inviável o término da formação. Pesquisa recente do IBOPE demonstrou que somente 36% dos heterossexuais têm LGBTTs em seus círculos de amizade, e 51% desaprovam a presença de casais homossexuais em novelas. No caso de travestis e transexuais, as estatísticas são ainda mais assustadoras: cerca de 42,3% já declararam terem sido vítimas de algum tipo de violência física, e em muitos casos pela própria polícia.
            É necessário, ainda, esclarecer a população de que homossexualidade não é doença, disfunção nem opção: cada um possui uma orientação sexual que lhe é dada, e a sociedade deve trabalhar para conviver com as diferenças. Precisamos nos manter atentos, organizados e lutando por um mundo no qual todas as pessoas possam ser felizes, livres da exploração, livres para expressar e realizar seus desejos, livres de toda forma de opressão.
 
 
Tolerância religiosa
 
          Tolerância Religiosa” não é um tema que se refere às discussões simplesmente acerca de uma determinada fé. Pensar o Brasil nesse aspecto é refletir sobre uma imensa diversidade expressada em variadas manifestações em nosso país que refletem distinções e sincretismos religiosos de diferentes ordens, cristãs, espíritas, candomblecistas e umbandistas, judaicas, muçulmanas, budistas, xamânicas, espiritualistas (sem uma especificação religiosa), atéias, agnósticas, etc.
            Existindo esta amplitude religiosa brasileira, por que é necessário discutir tolerância religiosa? É preciso salientar que a “democracia religiosa” pode existir com aspectos críticos, afinal diferentes crenças podem dialogar (seja em construção conjunta ou contraposição) . Porém em nossa sociedade a crítica confunde-se com o desrespeito, fruto mesmo do aspecto individualista que é culturalmente imposto pelas orientações capitalistas com as quais vivemos. Este individualismo, quando aplicado, interrompe a construção de uma “democracia religiosa”, onde o respeito a esta diversidade seja concreto e isento de preconceitos. É o que observamos como expressões de Intolerância religiosa, onde cada indivíduo se manifesta de forma pejorativa, e até mesmo simbolicamente violenta, a alguma expressão de religiosidade diferente da sua, e que pode culminar até mesmo em perseguição.
            E o que o movimento estudantil tem a ver com isso? Rompendo as barreiras, o ME se constitui como representativo de todos os estudantes de nossas universidades, e que expressam essa diversidade religiosa. O caráter secular do ME acaba muitas vezes por inibir o estudante que tenha vínculo religioso das discussões deste espaço. Não só no Brasil, mas também no mundo, as religiões só se expandem, e não cabe um combate à expansão da fé, mas sim colocar para estes diferentes grupos a necessidade de se somarem à luta pela educação pública, pelo fim da desigualdade social, pela soberania popular de nosso povo, expressando que a constituição de uma sociedade verdadeiramente igualitária, democrática, plural e que preze pela dignidade humana é que poderá trazer definitivamente o respeito à diversidade e à liberdade de expressão religiosa.
 

Democratização da Comunicação

            Como pode existir sociedade justa sem comunicação democrática? - As seis redes de comunicação do Brasil - Globo, SBT, Record, Bandeirantes, Rede TV! e CNT - controlam ou estão associadas de diversas maneiras a 309 canais de tevê, 308 emissoras de rádio e 50 jornais diários. Somados às "seis irmãs" outros quatro grandes conglomerados de mídia - Abril, RBS, Folha e Estado – calcula-se que estas dez empresas dominam algo em torno de 98% do se vê, ouve ou lê no Brasil. Alguém considera essa estrutura de comunicação justa? Isso seria normal?
            O monopólio, ou melhor, oligopólio da mídia concentra o poder da informação nas mãos de poucas pessoas. É uma meia dúzia de grandes empresários que decide o tipo de comunicação que recebemos: o ponto de vista da cobertura jornalística, o teor das produções dramatúrgicas, o conteúdo dos programas. Essa comunicação concentrada acaba por moldar consensos falsos, criar um senso comum tendencioso e sempre trabalha na perspectiva da reprodução do sistema vigente. Coloca o lucro na frente das vidas, estimula ao consumismo, naturaliza as desigualdades sociais e trabalha a lógica do cada um por si em detrimento dos interesses coletivos.
 
Lula na contramão da democratização da comunicação
            Quando se fala em democratizar os meios de comunicação está se evocando uma das maiores lutas sociais em curso hoje no Brasil. Pluralidade de idéias, comunicação libertária, estímulo e valorização da cultura regional, disseminação do incentivo à produção de comunicação, combate a concentração da mídia, políticas públicas que ampliem o acesso à obtenção e produção de informação diversificada são algumas das bandeiras norteadoras do movimento pela democratização da comunicação.
            Esse é um ano de lutas na área da comunicação. E o governo Lula já escolheu o lado dos grandes empresários da comunicação. Repressão violenta às rádios comunitárias. Empréstimos do BNDES e volumosas isenções de impostos às emissoras comerciais. Não adesão do governo brasileiro ao projeto de integração de comunicação e cultura latino-americana, a partir da TeleSur, canal de televisão com programação regionalizada e que sintetiza bem sua idéia no slogan: “Nosso norte é o sul”. Total falta de incentivo à comunicação PÚBLICA (aqui falamos do público e não do estatal, mera reprodução da visão do governo!). Utilização do Ministério das Comunicações como moeda de troca. Manutenção de Hélio Costa, aliado histórico da empresa global, como ministro da área. As emissoras de rádio e TV prestam um serviço público para a sociedade e devem ser submetidas a um controle social. A partir dessa fiscalização, a sociedade deve definir as organizações que devem receber concessão e o papel que devem desempenhar. Nesse sentido, é fundamental o espaço aos movimentos sociais e à comunicação comunitária.
            Outra questão é a forma como o governo Lula vem conduzindo os processos da radiodifusão digital. Trata-se de uma transição autoritária do sistema analógico para o digital nas transmissões de rádio e televisão. O Ministério das Comunicações atende todos os interesses da Rede Globo, excluindo quase que por completo a sociedade civil desse processo. A nomeação de Hélio Costa para o Ministério das Comunicações foi bastante indicativa do que vinha pela frente. O ministro não tem medido esforços para implementar o modelo de TV digital que favorece as grandes empresas de comunicação, em especial a Rede Globo, e que perpetua a situação alarmante de oligopólio dos meios de comunicação que temos no Brasil. O governo e a mídia optaram pelo padrão de modulação japonês a despeito de todas as reivindicações dos movimentos sociais. Pior, essa discussão sequer foi travada abertamente e nem pelo Congresso Nacional passou. A escolha foi uma opção política do presidente Lula que a impôs ao povo brasileiro por decreto. Dessa forma, fez questão de ignorar a possibilidade de implantação do padrão nacional, fruto de pesquisas de muitas universidades e institutos brasileiros.
 
Movimento Estudantil: amplo, combativo, democrático e unificado pra barrar essa Reforma Universitária!
 
“Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem Sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,
Nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”
 
Bertold Brecht
 
Direção majoritária da UNE na contramão da educação pública.
 
            A UNE foi uma das principais entidades nos movimentos sociais que impulsionou a construção desse projeto de mudanças radicais no passado. Em 2001, mesmo com uma situação dirigida pela UJS e uma oposição bem maior, a principal luta era unitária, a greve das federais, e levava milhares às ruas. Mesmo sendo na prática tocada pela oposição, nossas bandeiras eram as mesmas, as bandeiras da UNE. Mais verbas para a educação! Assistência Estudantil! Pela democracia na universidade! No entanto, quando confrontada com o dilema governo Lula x Bandeiras históricas, a opção da UNE, pela direção majoritária foi o governo que aplicou ao longo de 4 anos de seu primeiro mandato o conjunto de medidas neoliberais para a educação.
            No ano de 2006 a direção majoritária da UNE aprovou no CONEB a defesa da entidade a Reforma Universitária, naquela época representada pelo 4º Anteprojeto de Lei do Ensino Superior e transformado no PL 7200/06. O caráter privatizante da defesa de educação do governo Lula ficava claro nas medidas já aprovadas em anos anteriores e, por atrelamento ao governo, a posição da UJS e cia. foi apoiar também o PL, ainda afirmando que o mesmo deveria ser votado em caráter de urgência. A principal argumentação para essa defesa era a “disputa contra a direita do congresso nacional”, caracterizado pelos partidos da ordem tradicional, como PSDB e PMDB. No entanto, foram esses mesmos partidos os que mais ajudaram na formatação do PL da Reforma, a ser votado ainda esse ano. Com isso, posição da UJS passou para defesa de alguns pontos e críticas a outros, que, de fato, eram os únicos poucos pontos positivos que o Anteprojeto possuía (como o de eleições diretas para reitor) modificado pela regulamentação da famigerada lista tríplice.
 
 
 
Um passo à Frente. Você não está no mesmo lugar!
            Para tentar mudar esse quadro, construímos a Frente de Oposição de Esquerda da UNE, como tentativa de unidade entre aqueles que lutam para barrar a reforma universitária e ainda participam da UNE. Com a bandeira de unidade na oposição à direção majoritária dentro e fora da entidade, buscamos superar o sectarismo na esquerda do movimento com propostas de democracia nos espaços do mesmo, sem deixar de afirmar nossas principais bandeiras históricas. A forma como a FOE se constitui é uma união de diferentes campos (locais e nacionais) que encaminham tarefas e formulações conjuntas para o seio do movimento social. Sobretudo na maneira como é feita essa unidade, a FOE aposta na pluralidade de idéias e na compreensão de que mais importante do que a autoconstrução serão vitórias para a esquerda no futuro. É imprescindível uma retomada da esquerda da UNE nos espaços da entidade, sejam encontros, congressos ou seminários, para que nossa referência seja a mais pública o possível. Para isso também é preciso que nossas posições sejam disputadas em todos os espaços da UNE, desde sua reunião de executiva até o CONUNE.
            É difícil a UNE mudar seus rumos. Sabemos que sua direção dispõe de um forte aparato burocrático que não reflete apenas a falta de democracia interna, mas também a utilização da UNE como grife ou extensão partidária. Além disso, o atrelamento com o governo Lula reflete um acordo político existente entre as partes, além da subordinação que decorre do investimento do governo sobre a entidade. A tarefa central colocada para o movimento é a luta contra a mercantilizaçã o do ensino, expresso na reforma universitária do Governo Lula e suas mais variadas faces. A UNE, “fiel escudeiro” do Governo, defende sem reservas a reforma universitária que vai de encontro às bandeiras históricas do movimento. Diante deste quadro, a FOE não deve restringir sua ação aos espaços da UNE. A crise dessa entidade, que historicamente cumpriu um papel importante em algumas lutas, revela, de fato, uma crise no movimento estudantil e na juventude, potencializado pela crise estrutural da entidade.
            Por isso, é necessário construir uma alternativa que coloque a juventude em luta e unifique todos os setores combativos em defesa da educação pública e de um novo projeto de sociedade. Para que o movimento avance na conquista de suas bandeiras, acreditamos que a proposta de uma frente de oposição de esquerda funcione para além dos fóruns da UNE e congregue os setores inseridos nos movimentos sociais. O papel da FOE deve ser o de impulsionar o processo de aglutinação de um amplo setor de esquerda para avançar rumo a uma real e conseqüente, alternativa para o ME e para a juventude.
Nossa tarefa central é ampliar e fortalecer em cada CA , DCE e universidade deste país, conjuntamente com federações e executivas de curso a Frente de Luta Contra a reforma Universitária do governo Lula. Portanto é hora de tomar as ruas, e seguir com os lutadores até a vitória. A partir da Frente de Luta contra a Reforma Universitária, devemos fortalecer entidades que lutam, tomam as ruas e reivindicam o real papel que a UNE deveria ter e teve em sua história.
 
Mudar a UNE e avançar rumo a novas conquistas!
             Pra mudar os rumos da UNE é preciso estabelecer a mais ampla democracia na entidade, com fóruns regulares que permitam a expressão de diversas opiniões e a real disputa do projeto que será assumido pela entidade. Em nome de uma manutenção de hegemonias consolidadas ao longo do tempo, os fóruns da UNE tem se transformado em um caldeirão que reúne um movimento artificial em uma disputa mais artificial ainda. A UNE que queremos tem espaços de discussão e trocas, não é uma guerra de torcidas mal ensaiadas que nada servem para a construção de um projeto alternativo de sociedade. Queremos expressar nossa rebeldia, gritar, cantar, dançar ciranda, sem medo de ser taxado de divisionistas só porque temos lado, queremos debater discutir convencer ser convencido, não queremos torcer pelo nosso time sabendo que o vencedor (de sempre) só nos leva à derrota.
 
Diretas já! Por maior participação estudantil na UNE!
 
            Hoje, a UNE e as entidades sofrem com a deslegitimação de seus fóruns e a queda no referencial de luta que possuía a entidade. A direção da UNE colabora para manter a situação; o movimento somente tomará novo fôlego se tivermos a ousadia de propor modos diferentes de atuar. Queremos uma UNE horizontal e reconhecida pelos estudantes, por isso defendemos o fim do presidencialismo e uma direção colegiada.
            Acreditamos que as eleições diretas para a direção da UNE feitas em cada universidade credenciada, onde cada estudante vota, é a melhor forma de alterar a conjuntura de apatia da entidade. As diretas são a possibilidade de dar novo gás à organização estudantil e de inserir o debate sobre a UNE no cotidiano dos estudantes. Além disso, a forma mais democrática de tiragem de delegados para os congressos da UNE é por curso. Além de aproximar a entidade da sua base, fortalecendo os Centros e Diretórios Acadêmicos, as eleições por curso também ampliam a participação estudantil, rompendo com o paternalismo de lideranças antigas. Para ampliar a participação estudantil, ainda, devem ser realizados rodízios de localidades para os fóruns deliberativos, como os Congressos e Conselhos – que devem contar com amplos espaços de discussão –; reestruturação das UEEs democraticamente e pela base; elaboração de um caderno de teses com os textos de todos os grupos que gozem de um número mínimo de apoiadores, a fim de acabar com a ditadura do dinheiro na divulgação das teses e circulação de publicações da UNE que manifestem a pluralidade do movimento estudantil.
 
Preço de custo para as carteirinhas: Direito não se vende!
            Propomos que as carteirinhas sejam cedidas a preço de custo. Sua venda privatiza uma série de direitos que são condicionados muitas vezes a sua utilização. Somos contra a mercantilizaçã o de direitos e, portanto, contra a venda de carteirinhas.
 
CONEBs periódicos e com participação do ME de área.
            Como foi aprovado no ultimo conselho nacional de entidades, precisamos realizar bienalmente nosso Conselho Nacional de Entidades de Base. É preciso repensar, no entanto, a forma de construção desse fórum, evitando a corrida desenfreada pela formação de centros e diretórios acadêmicos, muitas vezes artificiais e não refletindo o avanço na organização autônoma das lutas em cada curso espalhado pelo país. É imprescindível, ainda, a abertura de vagas para as executivas e federações de curso na comissão organizadora dos CONEBs, um fórum que reúne entidades de base não pode abrir mão das entidades que organizam e aglutinam o movimento estudantil de base do Brasil.
 
Finanças
            Que a UNE publique bimestralmente o balanço de sua atividade financeira (quanto entra, quanto sai e de onde vem o dinheiro) e constitua um conselho fiscal formado por diretores de vários grupos que se debrucem sobre as movimentações monetárias da entidade. Propomos ainda que a UNE faça, junto aos estudantes, campanha para contribuição voluntária, além da constituição de materiais, como vídeos e camisetas, que sendo vendidos em DCEs e CAs por todo país, gerariam renda para a UNE.
 
Fóruns comprometidos com o debate ambiental e feminista
            O compromisso com o debate ambiental deve ser visto também na prática dos fóruns da UNE. É preciso eliminar os copos descartáveis de nossos fóruns substituindo por canecas, utilizarmos papel reciclado. Além disso, todos os fóruns da UNE devem dispor de creches gratuitas para que as estudantes que são mães possam participar.
 
Alojamento por estado no Conune
            Queremos o fim dos alojamentos por tese que só contribuem pra falta de debate no Congresso da UNE, queremos alojamentos por estados onde as diferentes teses possam estar juntas, aonde as delegações sejam apenas para se alojar e não para manter seus redutos políticos.
 
Propostas para o 50º CONUNE
 
Conjuntura: outro mundo é possível! Abaixo o neoliberalismo!
- Fora Bush do Iraque! Fora Lula do Haiti!
- Contra os acordos firmados entre o Governo Lula e o Governo Bush para exploração do Etanol no Brasil.
- Oposição ao Governo Lula. Contra o PAC e as reformas neoliberais. Nenhum direito a menos: em defesa da recuperação dos direitos trabalhistas e de investimentos públicos massivos para aumento do acesso à saúde, educação e previdência de qualidade.
- Reforma Agrária e Urbana já!
- Apoio à medida de Chávez da não-renovação da concessão da RCTV.
- Que a UNE encampe fortemente as campanhas do Plebiscito Popular sobre a anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce, a Campanha pela Redução da Tarifa de Energia e a discussão sobre um outro modelo energético para o país
 - Participação na construção do Grito d@s Excluíd@s de 2007
- Construção do calendário de lutas e participação mais efetiva na Assembléia Popular: Multirão por um Novo Brasil
- Construção do calendário de lutas e entrada no Fórum Nacional de Mobilização
 
Em defesa do meio ambiente e contra o latifúndio!
- Não à transposição: Pela vida do Rio São Francisco. Pela interrupção imediata das obras, segundo a vontade das comunidades ribeirinhas e povos indígenas da região.
- Pela cassação da licença ambiental para a obra no rio São Francisco e pela cassação prévia.
- Revogação imediata do quorum mínimo da CTNBio.
- Pela reestatização da Vale do Rio Doce!
- Valorização das sementes crioulas. Não ao monopólio de sementes pelas transnacionais!
- Por um projeto de biossegurança brasileiro coerente com um desenvolvimento sustentável, pelo fortalecimento da agricultura familiar e da biodiversidade.
- Em defesa da saúde e da Soberania Alimentar brasileira: não ao acordo com os EUA.
- Uma campanha em defesa da Amazônia que paute além da manutenção da biodiversidade local (“Campanha a Amazônia é do Brasil”), a contestação do fortalecimento do agronegócio para fins de pagamento da dívida.
- Que a UNE acompanhe o espaço do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (COMSEA) pautando a questão da soberania alimentar neste espaço em conjunto com os movimentos da Via Campesina e as redes de agroecologia.
- Participação da UNE na campanha por um Brasil Livre de Transgênicos, em defesa da soberania alimentar do país.
- Articulação da UNE com redes de pequenos agricultores agroecológicos, incentivando a participação destes nos seus fóruns e impulsionando as redes locais.
- Posição crítica ao programa Fome Zero. Por um Projeto Real de segurança alimentar para o país, em defesa da Lei Federal de Segurança Alimentar (LOSAN).
- Construção de um seminário sobre Reforma Agrária, Segurança e Soberania Alimentar da UNE em conjunto com a Via Campesina e Executivas e Federações de curso.
 
Em defesa da Educação Pública para todos e todas! Em defesa dos estudantes das pagas!
- Contra a Reforma Universitária do Governo Lula e contra qualquer projeto privatista da educação; em defesa da educação pública!
- Por 10% do PIB para educação!
- Retirada imediata dos vetos ao PNE feitos por FHC e mantidos por Lula, e reestruturação do mesmo.
- Retirada imediata do PL 7.200/06 e de qualquer outro projeto que privatize a educação superior pública.
- Revogação imediata: das Leis de Inovação Tecnologia e das Parcerias Público-Privadas; Decretos das Fundações.
- Boicote ao ENADE em 2007!
- Contra o REUNI, Educação não se faz por decreto!
- Revogação imediata do Prouni. Por uma política de inclusão sócio-econômica imediata que realmente abra espaço para a formação de qualidade (ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil) aos estudantes de baixa renda no ensino superior público.
- Redução das mensalidades já! Pela apresentação imediata das planilhas de custo!
- Pelo fim das taxas extra-mensalidades.
- Pela participação estudantil na destinação de verbas para as universidades privadas.
- Pela revogação de todos os dispositivos dos regimentos que atentem a livre manifestação dos estudantes.
- Universidades abertas à população! Pela pesquisa e extensão socialmente referenciadas.
- Pela melhoria imediata dos acervos das bibliotecas das IPES.
- Pela defesa do plano de carreiras para os professores. Pela liberdade de organização dos professores e funcionários.
- Pelo fim do vestibular meritocrata!
- Pela luta dos estudantes em conjunto dos trabalhadores!
- Pela liberdade de organização e manifestação estudantil! Abaixo a repressão!
- Passe livre já!
 
Saúde pública e de qualidade é direito!
- Defesa intransigente do Sistema Único de Saúde e de seu financiamento inteiramente público!
- Contra a implantação de Exame de Ordem em todos os cursos de graduação da área de saúde
- Por Reformas Curriculares em todos os cursos da área de saúde que permita ao estudante vivenciar o SUS. - Luta de maiores investimentos para a saúde, defendendo a regulamentação da Emenda Constitucional 29 e sendo contra a Desvinculação da Receita da União (DRU), que retira da saúde para outros fins.
- Articulação de estágios de vivência no SUS, baseado na multi-disciplinarid ade e integralidade e na convivência com as comunidades, construído com os movimentos sociais, promovendo a troca e a construção mútua de saberes e práticas, fugindo de qualquer caráter assistencialista e hierárquico.
- Por uma nova regulamentação das profissões da Saúde, feita com a participação da sociedade e em conjunto por todas as profissões; contra o Projeto de Lei 25/2002 que regulamenta o ato médico e pela revogação de todas as Leis anteriores ao SUS que regulamentam as outras profissões da área da saúde.
- Contra o corte de verbas da saúde promovido pelo PAC.
- Participação na XIII Conferência Nacional de Saúde.
- Representação no Conselho Nacional de Saúde pelas Federações e Executivas de curso.
- Destinação de 100% dos leitos de Hospitais Universitários e de Ensino públicos para o SUS.
- Ampliação da rede estatal de laboratórios oficiais.
- Contra a transformação dos Hospitais Universitários em Fundações de Direito Privado
 
Contra a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais!
- Penas alternativas, trabalho e educação no sistema prisional!
- Legalização progressiva das drogas.
- Contra o pacote pan-penalista proposto pelo Congresso! Contra a redução da maioridade penal!
- Participar da Campanha Contra o Caveirão e campanhas contra a violência.
- Realização de atividades conjuntas com movimentos sociais do campo e da cidade.
- Realização de um Encontro Nacional de juventude, movimentos de favela e movimentos sociais do campo.
- Estimular a criação de assessorias jurídicas populares no ME.
- Contra a criminalização da pobreza! Pelo respeito aos direitos da comunidades!
- Contra a criminalização dos movimentos sociais! Pelo respeito ao direito constitucional de greve!
- Participar da construção dos Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIVs) do MST.
- Pela abertura imediata dos arquivos secretos da ditadura militar!
 
Mulheres de Atenas: até quando?
- Assistência médica estatal, pública e gratuita às mulheres: pela legalização do aborto já!
- Por políticas de investimentos nas áreas sociais como educação, saúde, moradia, transporte. Por um maior número de delegacias de mulheres, e campanhas de conscientizaçã o.
- Garantia de participação e atuação das mulheres nos espaços políticos.
- Defesa da auto-organizaçã o das mulheres.
- Defesa de creches nos espaços movimento estudantil e Universidades para as estudantes mães.
 
Homofobia: diga não!
- Pela criminalização da homofobia!
- Pela garantia total aos LGBTT´s dos direitos civis, humanos e sociais reconhecidos aos heterossexuais.
- Pela livre manifestação afetiva-sexual dos LGBTT´s.
- Direito à união civil já! E adoção de crianças para casais do mesmo sexo! Por campanhas de conscientizaçã o política sobre o tema.
- Que todas as entidades representativas do movimento estudantil e de trabalhadores organizem lutas pelos direitos dos LGBTT´s!
- Por um programa de Educação para a Diversidade Sexual.
 
Combate ao racismo!
- Por políticas de ações afirmativas (cotas raciais casadas com cotas sócio-econômicas) nas Universidades públicas.
- Contra a prorrogação do Prazo para implantação de ações afirmativas realizada pelo governo.
- Reparação já. Políticas de reparação econômica a afrodescendentes.
- Pela articulação com pré-vestibulares comunitários.
- Manutenção do ENUNE no calendário da UNE.
- Por incentivo ao fortalecimento da identidade negra nos fóruns da UNE.
- Contra a intolerância a religiões africanas.
- Participação efetiva da UNE nos espaços do movimento negro.
- Que a UNE defenda incentivos a produção acadêmica relacionada a questão étnica.
- Contra a violência policial!
 
Tolerância religiosa
- Respeito aos diversos movimentos religiosos dentro das universidades, e apoio à livre expressão de manifestar a fé.
- Pelo apoio a atividades de integração entre os diferentes tipos de religiões, filosofias e crenças.
- Em defesa do ensino laico, condizente com o Estado laico.
- Pelo envolvimento e participação desses estudantes que ficam constrangidos no Movimento estudantil, promovendo debates com temas como: Fé e Razão, política, saúde, ética e bioética, meio ambiente, desigualdade social, violência e outros à luz da fé.
- Pela desmistificaçã o da relação entre fé e política, entendendo-as, a partir de nosso objetivo essencial, a consolidação de anseios coletivos. Pois nessas duas formas de expressão, a participação livre e, sobretudo, tolerante, fortalece os espaços estudantis.    
 
Democratização da comunicação
- Fim de qualquer parceria da UNE com grandes veículos de comunicação, em especial, a rede Globo.
- Participação orgânica na Frente Nacional por um Sistema Democrático de TV e Rádio Digital.
- Construção ativa do ato nacional do dia 26 de abril em 2008, aniversário da Rede Globo, contra o monopólio da mídia, inclusive com investimento de recursos da UNE para realização de uma atividade de grande porte e que contribua significativamente para a democratização da comunicação e para desmascarar a Globo junto ao grande público.
- Construção de carta de repúdio ao ministro das comunicações Hélio Costa (PMDB) e à política do Governo Lula para comunicação.
- Construção de carta de denúncia da UNE à concentração midiática existente em nosso país, com enfoque especial na atuação das organizações Globo, a ser entregue a direção da empresa da família Marinho como presente dos estudantes no dia 26 de abril de 2008.
- Apoio à comunicação universitária, comunitária e livre em todas as suas formas (rádio, TV, jornal, site, etc).
- Que a UNE tenha na ENECOS a principal interlocutora para suas políticas na área de comunicação.
- Construção de um grupo de estudo e trabalho que coordene, junto ao diretor da entidade para a área de comunicação, todas as políticas da entidade no que tange comunicação. Esse grupo será aberto à participação de todos os estudantes, tendo divulgação com no mínimo uma semana de antecedência de suas reuniões na site da UNE e na lista da ENEX.
- Criação de pólos alternativos de comunicação da UNE nas universidades brasileiras, se relacionando organicamente com os DCEs, DAs e veículos universitários autônomos das reitorias. Que ajudem a articular e potencializar a comunicação libertária dentro das universidades, inclusive com a UNE ajudando no financiamento, dentro da sua viabilidade econômica, desses veículos alternativos.
 
Movimento Estudantil: amplo, combativo, democrático e unificado em defesa da educação pública!
- Diretas já!
- Eleições de delegados por curso.
- Horizontalidade na direção: direção colegiada, presidencialismo, não!
- CONEB´S Regulares e legítimos
- Reestruturação das UEE´S
- Executivas de curso na Comissão Organizadora dos CONEB’s.
- Rodízio nas cidades do Brasil para sediar Congressos e Conselhos.
- Sem a ditadura do dinheiro: Teses para todos!
- Publicização bimestral do balanço de sua atividade e constituição de um conselho fiscal formado por diretores de vários grupos.
- Campanha, junto aos estudantes, para contribuição voluntária.
- Desenvolvimento de um projeto de memória da UNE, em conjunto com Executivas de curso.
- Alojamento por estados
- Preço de custo para as carteirinhas: Direito não se vende!
- Promoção do I Seminário de Movimento Estudantil e Luta Ambiental.
- Que a UNE se desligue do Projeto Rondon, e construa uma extensão socialmente referenciada.
 
 
Assinam essa contribuição:
 
Bahia UFBA – Economia: Washington Dias, Everton Carvalho, Thiago Paixão. Geografia: Edson Freitas. História: Gustavo Mercês. Ceará UEVA – Ciências Sociais: Paula Queiroz. UNIFOR - Fisioterapia: Juliana de Sant' Anna. Direito: Vanessa Frota. Nutrição - Débora Jucá.  UECE – Letras: Ailton Lopes. UFC - Engª Química: Misael Torres. História: Walter. Ciências Sociais - Rogério Santiago, Rodrigo Santaella Gonçalves. Medicina: Ramon Rawache. Direito: Rodrigo Barbosa Maranhão FAMA (Imperatriz) – Administração: Adevaldo Filho. UEMA (Açailândia) – Ciências Biológicas: José Marques. Minas Gerais UFMG – Música: Igor Reyner. Rio de Janeiro UFRJ – Ciências Sociais: Luiz Guilherme Santos, Maria Kallás, Mário Barreto, Clarice Green, Willyam Viégas. História: Ricardo “Didi”, Marília Trajtenberg, Dejais Dias. Belas Artes: Diego Lacerda, Marina Giacomelli. Economia: João Sérgio “Poste”, Allan Mesentier, Rodrigo Fernandes, Anderson Walther, Ana Elisa, Leandro da Silva, Amália Hirakawa, Natália Dias, Juliana Nascimento, Laura Beraldo. Física: Daniel Scal. Letras: Bruno Barcelos. Seso: Lucas Rangoni, Anastácia Mariana. Música: Caio “Dimba”. Medicina: Ingrid Guimarães. Farmácia: Rodrigo Couto. UERJCiências Sociais: Luciane Barbosa, Rafael Maieiro. Direito: Guilherme Pimentel, Rafael “Mau Mau”, Bruno Vieira. Rafael Rodrigo. História: Raphael Malta. Nutrição: Elisa Mendonça. Medicina: Rodolfo Rodrigues. UFF – Nutrição: Gustavo Dantas; Ariana de Oliveira; Juliana Gagno; Rodrigo Balduci; Marcela Augusta; Cristine Herdy; Eduardo Lucena; Raled Aguiar. Geografia: Nilton Afonso Madureira; Aline Magalhães; Rafael Chaves. Direito: Flavio Sueth; Alexandre Franco; Gabriel Barbosa; Lucas de Mello; Taiguara Souza; Bernardo Lopre; Breno Coulamy; Fernanda Souto; Bruno Carvalho; Rafael Queiroz. Farmácia: Fernanda Afonso; Adriana Oliveira; Michelle Magalhães; Joyce Flores. História: Danielle Jardim; Daniel Nunes; Vinicius Almeida; Douglas Mota; Juan Libañez; Luiz Arthur. Estatística: Renato de Almeida; Paula Erthal. Ciências Sociais: Juliana Forte;  Vinicius Codeço; Marcela Martins; Vanessa Marques; Bruna Sichi; Indira Luiza; Henrique Viana; Francisco Rebel; Ana Beatriz; Fernando de Oliveira; Keila Lúcio; Ricardo Bruno; Daniel Do Valle. Física: Diego Sá, Vitor Rios. Turismo: Suellen Suzano. Serviço Social: José Rodolfo. Economia: Igor Leitão; Lázaro Borges, Anselmo Macedo. Engenharia: Frederico Gonçalvez; Henrique Pentagna; Gustavo Motta. Letras: Paulo Felizardo; Carlos. Psicologia: Veridiana Gatto; Beatriz Chagas; Uiara Mendonça. Geofísica:  Lis Franco. Pedagogia: Michele de Jesus. Química: Nelson Moreira; Bruno Amantes. Arquitetura: Lucas Faulhaber. Ciências Contábeis: Gláucia Avellar. Comunicação: Sarah Gomes, Rafael Duarte. Estudos de Mídia:  Marina Vedder. Turismo: Suellen Suzano.UFF – Pádua - Mariana Gigante; Rafael do Nascimento; Simara Nunes; Jéssica Ganri; Welington Luiz; Wesley Bum; Isabel Cristina. UFF – CAMPOS - Fagno Pereira; Maria Carolina; Fernanda Benedito. UFF –QUISSAMÃ -  Flavia Aires; Juliana. UFF – Rio das Ostras - Guilherme Seixas.  UFF- Macaé - Mauricio  Ferreira, Pedro Henrique; Vitor Aguaiar; Suelen; Juninho; Gabriel. UFF – Itaperuna -Roberto Lanes; Callos Vinícius; Caludia Dois. UFF – MIRACEMA  - Gean; Gilmara. UFF – CABO FRIO - Flavia Orlando; Wallace Silva. UFF – Arraial do Cabo - Rafael . Estáio de SáFarmácia  - Carlos Alexandre. Uni-Rio – Nutrição: Christina Sorgine. PUC-RJ - Comunicação (Jornalismo) : Ana Carolina Podgorski. Direito: Bruno “Ruivo”. UCAM – Direito: Karine da Silva Duarte. Rio Grande do Sul UFRGS – Ciências Sociais: Beliza Lopes, Pablo Santos, Vanessa Voltaire. Jornalismo: Bruna Menezes. História: Mario Segundo, Laurence Gonçalves. UNISINOS – História: Alexandre Costa. Jornalismo: Felipe de Oliveira. Engenharia Civil: Deivid de Matos. PUC-RS – Direito: Karen da Silva. Economia: Daiana Ribeiro. FAPA – História: Lauren Nunes. FEEVALE – Engenharia Mecânica: Marco Aurélio. DOM ALBERTO Ciências Contábeis: Rejane Aretz, Roberto Muller São Paulo Unicamp - Ciências Sociais: Stella Paterniani, Sydnei de Mello, Daniela Mussi, João Victor Barison. História: Tatiana Kapor, Carlos Eduardo – Física: Antonio Celso. PUCCampinas Serviço Social: Josiele Matos, Rodrigo Vaz, Suelen Morais, Thais Ribeiro, João Ricardo Andreta. Psicologia: Caroline Cruz, Fernando Lacerda (Pós), Antonio Euzébio (Pós). Ciências Sociais: Ronaldo Bragança, Eric Kachinski. Comunicação: Antonio Costa. Geografia: Wendel Machado, Renato Piton Unifev - Serviço Social: Mateus Mendonça, Carmem Soares. Letras: José Francisco Bertolo. Ed. Física: Luiz Varnei Appy USP - Filosofia: João Pedro. Mestrado/Educaçã o: Elias Gomes. FSJ – Administração: Michele de Almeida. FSFServiço Social: Sabrina Santa. UNIFAIFilosofia: Marcelo de Barros. Sergipe UFS – Direito: João Paulo “Jopas”. UNIT – Direito: Igor Frederico, Adão de Alencar.
 
 
 

Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drumond  de Andrade

 
 
 
 
 
 
 
Contatos do Paga-Nada:
RJ – Vinicius Almeida (21) 9586-4506, vini_foeune@ yahoo.com. br
SP – Daniela Mussi (19) 9658-7543, danixhm@yahoo. com.br
RS – Beliza (51) 9728-6947, beliza6@yahoo. com.br
SE – Jopas (79)8134-3528, jopas_ufs@yahoo. com.br
CE – Misael (85) 9117-2284, mtorresmbr@gmail. com
BA – Gustavo Mercês (71) 87093265,  comunajuvenil@ yahoo.com. br



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#2734 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Ter, 3 de Jul de 2007 3:32 pm
Assunto: FRENTE DE ESQUERDA SOCIALISTA NO 2 DE JULHO
comunajuvenil
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Manifestações
Como acontece todos os anos, a festa de comemoração da Independência da Bahia foi marcada pela presença de políticos. A primeira ala do desfile, após o carro com a imagem da Cabocla, foi composta pelo governador do estado, Jaques Wagner, acompanhado da primeira-dama Fátima Mendonça e outros políticos, a exemplo do deputado federal Nelson Pellegrino e o diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima. Em alguns pontos do trajeto, como no Largo da Soledade, o grupo petista foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam o desfile cívico.
Na seqüência, porém bem mais atrás, o prefeito João Henrique acenava e sorria para o povo. O prefeito desfilou ao lado de bandeiras e bolas com a sigla do seu novo partido, PMDB, agremiação à qual se filiou em meados de junho. Depois dele, desfilaram o ex-governador do estado, Paulo Souto, ao lado do deputado federal ACM Neto, ambos filiados ao Democratas (DEM). O senador Antônio Carlos Magalhães não participou este ano porque está internado no Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas, em São Paulo, devido a uma insuficiência cardíaca e disfunção renal.
Durante a passagem dos políticos, a reação de quem assistia ao desfile variava. Alguns aplaudiam enquanto outros vaiavam e gritavam palavras contrárias à participação deles na festa. “A festa é dos heróis da independência e do povo da Bahia. Fora corruptos”, gritava o poeta José Fernando Araújo, 55.
O desfile do 2 de julho também é palco para manifestações de diversas organizações e segmentos sociais. Escolas de capoeira, associações da terceira idade e outros grupos populares defendiam seus direitos e faziam apresentações durante o trajeto. “Para mim essa festa significa a liberdade. Fico feliz de poder, com a minha idade, participar da festa da Independência, que é uma data muito representativa”, destacou a aposentada Vivaldina Silva, de 73 anos, que integrava o desfile do grupo da maior idade.
Em meio às imagens da Cabocla e do Caboclo, alguns protestos foram realizados durante o cortejo. Na Praça Thomé de Souza (Praça Municipal), no Centro Histórico, um grupo de pais e estudantes de colégios públicos reclamava da greve dos professores, que dura mais de 50 dias.
Com faixas e cartazes, protestaram em frente à sede da Prefeitura. “Nosso direito constitucional está sendo aviltado. Queremos que o impasse entre governo e professores seja resolvido para que as aulas sejam retomadas o mais rápido possível”, afirmou o líder comunitário Domingos Araújo, pai de três jovens que estudam na rede pública de ensino.
O vestibulando Dalton Santana, de 18 anos, também lamentou a falta de aula. “Estamos preocupados com o andamento do ano letivo. No próximo mês teremos que fazer as provas do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e não estamos sendo preparados para isso. Como vamos fazer vestibular sem aulas?”, questionou.
Do outro lado, um grupo de torcedores do Bahia também aproveitou o desfile para protestar pela reforma do clube. “Diretas Já. Fora Corja”, dizia um dos panfletos distribuídos. Voluntários da organização em defesa do meio ambiente Greenpeace distribuíram panfletos educativos que ensinam a amenizar os danos causados ao meio ambiente. Também na Praça Municipal, outro grupo protestava contra a transposição do Rio São Francisco. “Não à transposição”, lia-se numa grande faixa estendida.
O desfile também foi palco de reivindicações dos professores da rede estadual de ensino que recentemente tiveram os contra-cheques zerados por causa da greve. Vestidos de preto, fizeram o trajeto do cortejo.
A programação prossegue à tarde, com a caminhada em direção ao Campo Grande, onde as figuras dos Caboclos devem chegar por voltas das 16h30. A partir das 15 horas, recomeça, saindo da Praça Municipal e seguindo pela Rua Chile, Praça Castro Alves, Av. Sete de Setembro (São Bento, São Pedro, Piedade, Rosário, Mercês, Passeio Público) e Largo do Campo Grande.
 
ATARDE
 
 
 


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#2735 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Ter, 3 de Jul de 2007 5:49 pm
Assunto: o pessoal do DEM NO CONUNE
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volnei batista de carvalho <volneibc@...> escreveu:
UNE
O Democratas resolveu acabar com a hegemonia dos partidos de esquerda
no controle da UNE. Vai mandar 400 membros do partido para a firmar
posição no Congresso da Une, nesta semana em Basília.




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#2736 De: marcelo renato siquara silva <marcelosiquara@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 1:35 am
Assunto: Inusitadas
marcelosiquara
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Inusitadas
Motel faz promoção: casal que fizer mais posições será premiado


Enviada por Manoel Messias - Rádio Difusora de Itabuna
02/07/2007 - 21:52




Um motel, localizado na cidade de Feira de Santana, localizada a 102 Km de Salvador, no Estado da Bahia, está prometendo para o ano que vem, uma promoção, no mínimo inusitada.

O casal que comparecer no estabelecimento, no dia 12 de junho de 2008, a partir da meia-noite, dia dos namorados, e que durante as duas primeiras horas fizer o maior número de posições sexuais com a sua parceira, será premiado com um televisor de 29 polegadas, um aparelho de DVD, um DVD contendo as gravações e mais uma gratificação de R$ 5.000 (cinco mil reais).

Para isto, o gerente do motel, que não quer ter ainda seu nome revelado, declarou que para aceitar o convite, o casal terá que assinar um termo, pois em todos os 36 quartos serão colocadas câmeras de gravações para que depois, cinco jurados, que fazem parte do setor administrativo do motel, possam realizar o julgamento.

Há informações de que ao tomarem conhecimento, cinco casais já fizeram a reserva, que já tem preço estabelecido de R$ 200 (Duzentos Reais) por hora. Durante o período, todos os casais receberão uma garrafa de champagne e um buquê de rosas vermelhas para comemorar seu grande dia.


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#2737 De: ave.tgz <ave.tgz@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 6:15 am
Assunto: Ameaça de despejo em acampamento contra a transposição
ave.tgz@...
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Ameaça de despejo em acampamento contra a transposição

por Tatiana Merlino,  03/07/2007
da redação

Policiais já estão no local e impedem a entrada de novas pessoas na ocupação; manifestantes prometem resistência

Os 700 manifestantes que integram o acampamento montado com o objetivo de barrar as obras da transposição do Rio São Francisco estão ameaçados de despejo. Desde o final da tarde desta terça-feira (dia 3), homens da Polícia Militar estão barrando a estrada de acesso ao acampamento organizado por movimentos sociais e indígenas. A reintegração de posse está marcada para a quarta-feira (4), como confirmou  a representante do Ministério da Integração Nacional de Salgueiro (PE), Elianeiva de Queiroz Viana. Batalhões da PM deste município já estariam sendo deslocados para a área às 4 horas de amanhã.

O governo federal obteve decisão favorável para o despejo no dia 29, mas até hoje os acampados alegam que não foram notificados da decisão. Elianeiva afirma que a Justiça Federal informou os manifestantes sobre a reintegração. O documento expedido pelo juiz da 20ª Vara Federal afirma que ação deve ter a presença da Funai e comandada pela Polícia Federal que poderá solicitar reforços da PM.

De acordo com fontes não oficiais, a PF tem a intenção de ir ao local do acampamento para tentar negociação com os indígenas da etnia Truká, que pretendem retomar o território cuja posse reivindicam. "Se não houver acordo, eles vão resistir. A idéia é continuar na área, mas sem colocar nenhuma vida em risco", afirma Clarice Maia, da Articulação Popular São Francisco Vivo.

"Ninguém passa"

Os cerca de 15 policiais militares - todos sem identificação - em quatro viaturas, que fecharam a entrada para o acampamento, afirmaram estar ali por "determinação do comando da polícia". De acordo com Clarice, ao questionar um dos policiais sobre a necessidade de um documento que explicasse o fechamento do acesso, ouviu: "não precisamos de documento nenhum. O documento somos nós. Por aqui ninguém passa".

Segundo fonte que pediu para não ser identificada, durante a tarde de hoje, representantes do Ministério da Integração Nacional teriam telefonado ao cartório de Cabrobó para passar a terra para o nome da União, já que a fazenda estaria ainda no nome do fazendeiro Antônio Simões de Almeida. O governo desapropriou a Fazenda Mãe Rosa para as obras e negociou uma indenização no valor de R$ 1,29 milhão ao fazendeiro.

Ação truculenta

Nenhuma pessoa do Ministério da Integração Nacional ou outra instância do governo esteve no local para tentar algum tipo de negociação, o que "consideramos uma postura extremamente truculenta", afirma Clarice. O acampamento completa uma semana nesta terça-feira (dia 3) e começou com 1200 manifestantes - ligados a organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais dos estados de Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Ceará. Em menos de dois dias, o número de acampados subiu para 1500. No final da semana, várias caravanas que participaram da ocupação retornaram para suas regiões para aumentar a mobilização e reunir outros grupos para aderir à ocupação. Hoje, o acampamento conta com cerca de 700 pessoas, a maioria indígenas.

De acordo com nota, os manifestantes do acampamento consideram lamentável a informação de que o Ministério da Integração Nacional deverá doar o material da campanha em favor de obras da transposição que será deflagrada pelos governadores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará. "O ato é considerado manipulador e impossível de facilitar o debate amplo e democrático com a sociedade. O Ministério da Integração está sendo, na prática, ministério da desintegração, pois está espalhando a cizânia entre estados irmãos e entre povos irmãos", diz Clarice.


MAIS:
http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2648&eid=245
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/06/386749.shtml
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/06/387072.shtml

#2738 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 5:10 pm
Assunto: [campoetnicoepopular] Egito fecha clínicas de circuncisão feminina
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Observação: mensagem anexa encaminhada.

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>From: INSTITUTO BÚZIOS <buzios@institutobuzios.org.br>
>To: campoetnicoepopular@hotmail.com
>Subject: Marcha das Margaridas
>Date: Sun, 1 Jul 2007 19:35:54 -0300 (BRT)
>
Egito fecha clínicas de circuncisão feminina

Andrea Wellbaum
Do Cairo

Após a proibição da circuncisão feminina, anunciada pelo Ministério da Saúde
do Egito nesta quinta-feira, 36 clínicas particulares foram fechadas no
Estado de Minya, no centro do país.
O governo egípcio decidiu proibir a circuncisão depois que uma menina de 12
anos morreu na semana passada, durante uma operação em uma clínica
particular em Minya.
O incidente levou vários grupos de defesa de direitos humanos a reforçarem a
pressão contra o governo egípcio para banir a prática.
De acordo com um relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a
Infância e Adolescência) de 2005 sobre a mutilação genital feminina, 97% das
mulheres de 15 a 49 anos no Egito tinham sido submetidas à operação.
“Qualquer circuncisão será considerada uma violação da lei e todas as
contravenções serão punidas”, afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde,
acrescentando que a proibição é “permanente”.
Proteção da castidade
A operação, que consiste na remoção de parte do clitóris e dos lábios
vaginais, serviria para diminuir o desejo sexual feminino e é considerada
por famílias conservadoras uma forma de proteger a castidade da filha.
Tanto garotas muçulmanas como cristãs são submetidas à circuncisão no Egito
e no Sudão, especialmente nas áreas rurais destes países.
A prática também é comum na Eritréia, Etiópia e Somália, mas é rara no mundo
árabe.
Há vários anos, a primeira-dama do Egito, Susanne Mubarak, vem se
manifestando contra a circuncisão feminina, dizendo que a operação é um
exemplo da violência física e psicológica contínua contra crianças.
Ceticismo
As autoridades religiosas do Egito também repudiaram a prática.
Após a morte da menina de 12 anos, o grande mufti do Egito, o árbitro
oficial do governo sobre a lei islâmica, disse que a “mutilação genital
feminina é proibida”.
O grande xeque da mesquita Al-Azhar, no Cairo, Mohammed Sayed Tantawi,
também disse que a prática é “anti-islâmica” e que o Alcorão não exige a
mutilação genital feminina.
O líder da comunidade cristã egípcia, o papa Shenouda, também afirmou que a
Bíblia não menciona a prática.
Apesar de todas as declarações e da proibição do governo, o
diretor-executivo da Rede Árabe para Informação sobre Direitos Humanos,
Gamal Eid, se mostrou cético em relação ao fim da mutilação.
“O governo não é sério no combate da prática e fechar estas clínicas é uma
forma de dizer que está tudo sob controle”, afirmou Eid.
Ele lembra que o governo já tinha anunciado uma série de restrições à
circuncisão em 1996, após uma menina de 11 anos ter morrido durante uma
operação, “mas elas nunca foram implementadas na prática”.

Fonte: BBC Brasil, 29 de junho, 2007 - 12h21 GMT (09h21 Brasília)

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#2739 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 5:21 pm
Assunto: Cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo são debatidos em seminário
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Cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo são debatidos em seminário
internacional

Salvador vai sediar, de 16 a 18 de julho, o Seminário Internacional “A
Constituição do Comum – Cultura e Conflitos no Capitalismo Contemporâneo” .
Durante o encontro, professores e pesquisadores de todo o país discutem a
comunicação e a cultura, analisando as mudanças ocorridas na economia e na
sociedade capitalistas. O desemprego, o trabalho cooperativo em rede, as
novas formas da produção intelectual, a centralidade econômica da cultura e
a democratização da produção de bens culturais são alguns dos temas em
debate.
O Seminário acontece sempre a partir das 9 horas, no auditório da Faculdade
de Comunicação da Ufba, no Campus de Ondina. A realização é do Ministério da
Cultura, em parceria com a Secretaria de Cultura da Bahia, o Programa de
Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Ufba, o Cult (Centro de Estudos
Multidisciplinares em Cultura) e a Fapex. O evento tem patrocínio da
Petrobras.
Entrada Franca
Mais informações pelo telefone (71) 3116-4032 ou no site www.ocomum.com. br
Gabriela Diniz – ascom@cultura. ba.gov.br



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#2740 De: "pretobaiano" <pretobaiano@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 6:26 pm
Assunto: GOVERNO LULA,USINEIROS E BUSH UNIDOS CONTRA OS TRABALHADORES.
pretobaiano
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Dalton e  Zé Leandro de Cabrobó (PE), Brasil

No Brasil, a qualquer custo, o governo Lula quer executar a obra de
transposição das águas do Rio São Francisco - que nasce na Serra da
Canastra no Estado das Minas Gerais, passa pelos Estados da Bahia,
Pernambuco, Sergipe e Alagoas - para beneficiar também os
mega-latifundiários do semi-árido nordestino, pioneiros do rentável
negócio agro-energético no território brasileiro.

O governo federal comprou a Fazenda Toco Preto, também chamada de Mãe
Rosa, em Cabrobó (PE), limitada pelo Rio São Francisco, para garantir
o sucesso do mega-projeto do imperialismo ianque (dos Estados Unidos)
que está faminto por energia.

O governo Lula, os Usineiros e o imperialismo querem derrotar o povo
indígena que ocupa a Fazenda Toco Preto e lutam contra a transposição
das águas do Rio São Francisco que lhe garantem a sobrevivência.

Desde a madrugada do dia 26 de junho de 2007, terça-feira, que
diversas organizações de trabalhadores oprimidos brasileiros
instalaram acampamento na Fazenda Mãe Rosa (ou Toco Preto), no
Município de Cabrobó, Estado de Pernambuco, Brasil. Nessa localidade
o
Rio São Francisco possui suas maiores profundidades. Por isso, a
Fazenda Toco Preto foi o local escolhido pelo governo Lula para fazer
a sangria do Velho Chico que já está quase morto.

Está consolidada a ocupação na Fazenda Toco Preto (ou Mãe Rosa), em
Cabrobó (PE). Já passam de 1500 pessoas acampadas. Ontem o juiz da
20ª
Vara Federal recebeu o pedido de reintegração de posse da área. Na
manhã de ontem o bispo Dom Luiz Cappio esteve no acampamento e
participou de uma celebração. A tarde foi dada entrada em uma ação
junto ao MPF. Todos sabem que essa etapa antecede a preparação da
repressão que com certeza será praticada pelas forças policiais do
governo Lula.

A entrada para o acampamento no sentido Floresta – Cabrobó ou
Salgueiro – Cabrobó fica no km 29 da BR 428, depois de Cabrobó.

O governo Lula fiel servente ao imperialismo dos Estados Unidos é o
co-piloto do carro chefe do projeto IIRSA (Integração da
Infra-estrutura Regional Sul-americana) que recentemente foi
rebatizado pelo governo Lula de PAC (Plano de Aceleração de
Crescimento).

Por tanto, nesse momento, em que o imperialismo que está a serviço de
garantir o negócio das multinacionais e os altíssimos lucros das
empresas ligadas ao Complexo Militar-Industrial que neste exato
momento continua praticando genocídio também no Iraque e Haiti, é
preciso a luta unitária de todas as organizações sociais, sindicais e
políticas antiimperialistas. Nenhuma das organizações de
trabalhadores
não pode nem deve estar submetida às pressões e/ou tensões de setores
do governo e do próprio governo Lula.
Infelizmente, quem mais faz esse tipo de pressão e tensionamento
sobre
as organizações de trabalhadores no sentido de desmobilizar suas
lutas
são os governadores do PT, Jacques Wagner, da Bahia e Marcelo Déda,
de
Sergipe.

O IIRSA tem como estratégia principal a remodelagem da geografia do
continente latino americano e caribenho e das leis. A fim de que os
recursos naturais e minerais e fósseis do Hemisfério Sul Americano
possam ser apoderados pelas multinacionais e pelas empresas ligadas
ao
Complexo Militar-Industrial, o IIRSA ou PAC é necessário para a
sobrevivência do capitalismo imperialista. Ou seja, a América Latina
e
Caribe foram escolhidos pelo imperialismo para serem ilhas de
escravidão.

Marx e Engels já destacavam que ao apropriar-se destas riquezas os
países imperialistas acrescentavam às suas riquezas obtidas através
da
crescente industrialização e a comercialização, uma renda que não era
sua. Enfim, a exploração colonial anexava as riquezas naturais das
colônias a suas próprias riquezas industriais, em um processo de
acumulação primitiva dos países metrópoles, relegando os países
colônias a uma eterna pobreza.

Marx e Engels, Acerca da Nacionalização do Solo e da Terra, afirmam
que "a propriedade do solo e da terra, essa fonte originária de toda
a
riqueza, tornou-se o grande problema de cuja solução depende o futuro
da classe trabalhadora". Significa que "as riquezas naturais e
minerais (incluindo os rios e as fontes de água doce) e fósseis são
qualidades particulares da terra, não são frutos de engenhos ou
trabalhos desenvolvidos pelos seres humanos, e sim um legado
natural".
Por tanto, por mais que o governo Lula, imperialismo, empresas
multinacionais e aquelas ligadas ao complexo militar-industrial
queiram justificar seu domínio sobre os recursos naturais, minerais e
as reservas petrolíferas, com a justificativa que exploram essas
riquezas há décadas, e se arroguem como as impulsionadoras do
processo
produtivo a elas não lhes foi outorgado este legado natural. Este um
direito intrínseco e imanente dos povos que habitam estas terras que
possuem este legado natural como é o caso das tribos indígenas que
habitam as terras ao longo da bacia hidrográfica do Rio São
Francisco.

O mesmo processo prepotente do imperialismo se desenvolve no Equador.
Um acelerado extermínio do ecossistema e agressivo aniquilamento da
biodiversidade (as diferentes espécies de seres vivos) do Parque
Nacional Yasuni poderá ser o espólio deixado pelas transnacionais
petrolíferas para a imensa maioria da humanidade. A abertura
irrestrita para a exploração e extração de riquezas da natureza,
concedida pelos governos dos países latino-americanos, atendendo aos
interesses lucrativos das multinacionais petroleiras  - que convertem
em mercadoria os produtos de origem natural de uma determinada região
-, é a motivação do crime hediondo cometido também contra os nativos
que lá moram e o planeta terra. Enfim, o governo do Equador, como tem
feito todos os governos latino-americanos e caribenhos fieis
serventes
do imperialismo, promove a aplicação da lógica essencial ao
capitalismo que é a de acumular riquezas à custa da destruição dos
seres humanos oprimidos e da natureza.

Não temos tempo mais a perder. A unidade do conjunto da classe
trabalhadora e dos povos oprimidos e indígenas é fundamental para
barrar o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.


Dalton Francisco dos Santos – diretor do Sindipetro de Alagoas e
Sergipe – Conlutas e José Leandro de Jesus Santos – de Capela,
Sergipe, Brasil

#2741 De: marcelo renato siquara silva <marcelosiquara@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 8:11 pm
Assunto: Hálito ...
marcelosiquara
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NOTÍCIAS - ESPECIAIS

Hálito do mal

A halitose não é uma doença e, na maioria dos casos, o tratamento é simples: basta fazer a higiene adequada da boca

Por Larissa Coldibeli



Foto: Stck.Xchng

Por melhor que tenha sido a noite anterior, quem é que não fica com vergonha de beijar a pessoa amada com aquele bafo matinal? Imagine então o drama de quem sofre com o mau hálito constante, e não apenas ao acordar. A halitose, como é cientificamente chamada, é mais comum do que se pensa: atinge quatro em cada dez brasileiros, segundo a ABPO (Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca) e, para piorar, as pessoas que sofrem do problema não percebem, pois as células olfativas acostumam-se com o cheiro.

É bom lembrar que a halitose não é uma doença, e sim, um sintoma de que algo não vai bem no organismo. Existem mais de 72 causas para o problema, que podem ser fisiológicas, como jejuns prolongados e alimentação inadequada; problemas locais, como má higiene e doenças da gengiva; ou razões sistêmicas, como problemas renais ou hepáticos e prisão de ventre. O que muita gente não sabe é que em 95% dos casos, a boca é a grande responsável.

Foto: Stck.Xchng
A maior vilã é a saburra lingual, um material viscoso e esbranquiçado que se deposita sobre a língua. Segundo a Dra. Vera Lucia de Brito, periodontista pós-graduada em halitose, o maior problema dos adolescentes é com a higiene. Além da escovação e do fio dental, que são indispensáveis, ela explica como limpar a língua: "Usar a escova de dentes não adianta, tem que ser com o limpador lingual. Se a pessoa não tiver, ela pode improvisar e usar uma colher, como se estivesse raspando a língua. Além disso, o enxaguatório bucal deve ser sem álcool, para não ressecar a boca. Já existem vários no mercado, inclusive os específicos para adolescentes", lembra.

Aparelhos ortodônticos também são vilões do hálito da galera teen. O atrito dos brackets com a mucosa bucal aumenta a descamação das células, que alimentam os microorganismos da saburra. Mas não precisa ficar paranóico e ficar raspar a língua de hora em hora ou depois de cada refeição: "A última escovação do dia é a mais importante. A limpeza tem que ser profunda, porque as bactérias ficam principalmente no fundo, longe da luz e onde há menos oxigênio. Limpar a língua depois de comer dá enjôo", explica a periodontista. Quem tem piercing na língua deve ter cuidados redobrados, principalmente para evitar infecções.

Teste seu hálito!
Existem vários testes para avaliar o mais objetivamente possível a situação do seu hálito. Um deles, nem sempre possível, consiste em pedir a uma pessoa de sua confiança que avalie seu hálito expirando na direção do seu nariz. Mas para evitar uma situação constrangedora, talvez seja preferível recorrer a uma auto-avaliação. Confira alguns testes:

• Umedeça o pulso com saliva, deixe secar e depois cheire.
• Passe o fio dental entre os dentes. Além do cheiro, observe a coloração do fio. Se estiver alterada, é sinal de algum problema. O fio dental usado deve ser branco e sem sabor.
• Use dois pedaços de gaze. Com um, você segura e força a língua para frente. Com o outro, você esfrega a região posterior da língua. Espere aproximadamente um minuto e cheire.

Se o odor estiver forte, procure um especialista. Mau hálito tem cura.

Fonte: www.drhalito.com


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#2742 De: "wesley francisco" <wesleyfrancisco@...>
Data: Qua, 4 de Jul de 2007 9:18 pm
Assunto: artigo para livro Löwy, Boitempo, 2007
wesleyfranci...
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História e revolução no marxismo de Michael Löwy

                                                                                                   Valerio Arcary[1]

 

Toda ciência implica uma escolha(...) As visões do mundo das classes sociais condicionam, pois, não somente a ultima etapa da pesquisa científica social, a interpretação dos fatos, a formulação das teorias, mas a escolha mesma do objeto de estudo.                  

                                                                               Michael Löwy[2]

 

 

 A variada obra teórica de Michael Löwy confessa, até pela escolha de seus temas de investigação, um compromisso com uma práxis emancipatória e uma pesquisa inventiva. Inspirado na herança político-programática construída por Leon Trotsky (aquela que, intelectualmente, melhor resistiu aos desenlaces sombrios do século XX) se alimentou de um marxismo enriquecido, entre outros, por Rosa Luxemburgo e Gramsci, Georgy Luckács e Ernst Bloch, Walter Benjamin e Herbert Marcuse e leituras críticas de inúmeros autores não marxistas, para interpretar os desafios colocados para a luta pelo socialismo.

A revolução política e social foi o fenômeno histórico novo mais significativo do século XX, e não surpreende, portanto, que os marxistas que não sucumbiram às pressões sociais hostis, porque mantiveram vínculos com o movimento dos trabalhadores, tenham-lhe dedicado a sua atenção. Em nenhuma outra época da história as sociedades recorreram, com tamanha freqüência, aos métodos revolucionários para resolverem suas crises. A aceleração histórica das transformações, uma das previsões visionárias de Marx, foi vertiginosa. Encontrou pela frente, contudo, em uma proporção impensável, há cem anos atrás, uma força de resistência social e reação política que a humanidade, até então, desconhecia. A expressão mais dramática da contra-revolução política e militar do capitalismo no século XX foi o nazi-fascismo, nos trágicos anos trinta, mas esteve longe de ser a única. A publicação, ainda em 1970, de A Teoria da revolução no jovem Marx, revelava o interesse de Löwy na pesquisa de um marxismo crítico e independente: sensível às novas experiências de luta dos trabalhadores, mas engajado no resgate da obra dos clássicos; obstinado na defesa dos combates dos explorados e oprimidos, mas adversário do dogmatismo estéril.

A longevidade do capitalismo, na aurora do século XXI, não diminui a importância dos processos revolucionários que desafiaram as relações sociais dominantes em quatro vagas sucessivas: entre 1917 e 1923, na Europa do Leste e Central, em especial, na Alemanha depois da vitória da revolução russa; na seqüência da crise de 1929, na Europa do Mediterrâneo, em especial, na Espanha e na França entre 1936-37; depois da, talvez, mais espetacular vitória da revolução mundial no século passado, a desintegração do exército nazista em Stalingrado, nas montanhas da Grécia, Itália e França, onde partigianni e maquis comunistas, com armas nas mãos, incendiaram a vontade de lutar de seus povos contra os fascistas, abrindo o caminho para a descolonização na Ásia e na África; e nos anos que se seguiram ao maio francês de 1968. Por mais de uma vez, o destino do capitalismo esteve, seriamente, ameaçado. Revoluções anti-capitalistas triunfaram na Rússia dos Czares ao final da Primeira Guerra Mundial; nos Balcãs, ao final da segunda Guerra; a ocupação do Exército da URSS levou à expropriação burguesa no Leste europeu; a maior revolução camponesa da história venceu na China, e seu impulso favoreceu vitórias anti-coloniais na Coréia e no Vietnam. Por último, mas não menos importante, na pequena e corajosa Cuba, a ditadura de Batista foi derrotada e com ela a burguesia compradora gusana. Mas, essas vitórias nacionais, portanto, parciais, não impediram que o imperialismo mantivesse a supremacia mundial, e fosse vitorioso – porque, o que não avança, recua - logrando desviar, conter, congelar e derrotar os sucessivos assaltos da revolução mundial à fortaleza do capital.

No entanto, não nos impressionemos, as sociedades contemporâneas sempre se atrasaram, em maior ou menor medida, em relação à maturidade das condições objetivas que exigiam a sua transformação. A solução das crises sociais e políticas exige mudanças, e essas podem vir pela via de revoluções ou reformas. As mudanças podem ocorrer como rupturas sociais provocadas pelas mobilizações de massas, e pela via política negociada de pactos, ou podem ser adiadas, mas não indefinidamente. A percepção subjetiva da gravidade da crise esteve sempre defasada em relação à gravidade da situação que se deteriora, enquanto na luta de classes a hora do confronto é postergada e se ganha tempo, porque se procura uma posição mais favorável. A relação de forças sociais entre as classes dominantes e as classes exploradas flutua de acordo com a maior ou menor disposição de luta, da experiência histórica acumulada e da qualidade da organização popular. Aquilo que se demonstrou intolerável em uma sociedade, foi aceitável em outras. Revoluções não são, portanto, processos prematuros. As revoluções tardias, aliás, foram as mais radicais. As mudanças por reformas preventivas estabeleceram como padrão que as concessões negociadas pelas classes proprietárias, só se concretizaram como uma tentativa de impedir o perigo de revoluções. Aquelas nações onde as classes dominadas foram incapazes de impor as mudanças, e onde as classes dominantes foram mais obstinadas - e obtusamente – inimigas das transformações, mergulharam em decadência.

Estas premissas do marxismo foram criticadas por Bernstein, no final do século XIX, e depois por muitos outros, como uma ideologia exaltada do progresso, herdeira de uma concepção finalista que tinha a sua raiz na influência hegeliana. A Teoria da revolução no jovem Marx, de Michael Löwy, é um daqueles livros que respondeu à altura ao desafio da crítica. Resgatou a teoria da história elaborada por Marx e Engels a partir do seu núcleo central: a primazia da luta de classes como força de impulso das transformações das sociedades. As revoluções políticas e sociais não deveriam ser consideradas, em suas palavras, como “o passado de uma ilusão, mas o futuro de uma esperança”, ou seja, como um movimento prático de experiência histórica do proletariado e de seus aliados sociais.  

A fórmula marxista de que uma época de revolução social só se abriria quando as relações sociais se convertessem em obstáculos ao desenvolvimento das forças produtivas, não autoriza a conclusão inversa de que as transições históricas seriam conseqüência direta de impasses econômicos. A estagnação das forças produtivas e o crescimento das destrutivas foram identificados como condição necessária, mas não suficiente para transformações que exigem rupturas políticas que dependem de muitos outros fatores: em primeiríssimo lugar, o despertar de uma disposição revolucionária de luta daqueles sujeitos sociais em posição de classe para agir. O marxismo de Löwy bebeu nessa promessa de uma subjetividade auto-libertadora dos trabalhadores, o que ele mesmo reivindicou como um “messianismo” ativo, ou seja, uma aposta de que, mais cedo do que tarde, se unirão as resistências diretas a um discurso estratégico, e esteve distante do economicismo. Comungava com Sartre a defesa de que o marxismo seria o horizonte intelectual de nossa época: “as tentativas de o superar conduzem apenas à regressão a níveis inferiores do pensamento, não além, mas aquém de Marx”.[3]

Na elaboração marxista, passagens de modo de produção seriam impossíveis sem crises estruturais nas relações sociais. Na época do capitalismo financeirizado, pensar o socialismo como o desafio de uma civilização em agonia seria impossível sem que as crises nacionais se desdobrem em crises continentais ou até mundiais. Crises, porém, podem potencializar transformações progressivas ou catastróficas. Uma época de revolução social deveria ser compreendida, portanto, como um extenso intervalo histórico de lutas com inevitáveis reviravoltas. Michael Löwy foi um dos marxistas que insistiu que o socialismo seria uma aposta, não uma certeza; uma alternativa, não uma fatalidade; um projeto, não um destino. Relendo o Manifesto Comunista, Löwy conclui: “Marx, afirma que, a cada época, a luta de classes pode terminar seja por uma reestruturação revolucionária da sociedade, seja pela ruína em conjunto das classes em conflito”. [4]

O prognóstico é anti-fatalista, mas não é descrente, porque o futuro é uma invenção das lutas do presente, e o marxismo de Löwy não alimenta a prostração, mas o máximo ativismo. A terrível lentidão das mudanças históricas repousa nessa dialética de desenvolvimento desigual entre os fatores objetivos e subjetivos quando se abre uma época de revolução social. As sociedades se vêem mergulhadas em crises porque mudanças são necessárias, mas estas não acontecem quando são necessárias. Regimes políticos monstruosos, como o nazi-fascismo, sobreviveram muitos anos, até décadas em alguns países, mas a sua existência não demonstra que eram necessários. Sistemas arcaicos sobreviveram muito tempo depois de terem entrado em crise. Relações sociais retrógradas se perpetuaram, mesmo quando sua permanência era, historicamente, obsoleta. O modo de produção que dominou o mundo agrário na Europa depois da desagregação das relações escravistas se alimentava do apetite insaciável de uma nobreza parasitária por terra e servos e belicismo crônico, o que não impediu que o feudalismo resistisse durante séculos, mesmo depois que as relações capitalistas mais dinâmicas pulsavam dentro das sociedades medievais. O escravismo brasileiro atravessou o século XIX, incólume até 1888, mais de meio século depois da independência de Portugal. Ou seja, a dialética do progresso, nos diz Löwy, animado por Walter Benjamin, é um processo muito mais perturbador do que uma linha ascendente e linear, porque tem duas dimensões, já que as forças destrutivas podem estar se desenvolvendo em proporção e ritmos superiores às produtivas: “Para Benjamin, a revolução não é ‘inevitável’ (...) ele a concebe como uma interrupção de um progresso catastrófico, cujo indicador era o aperfeiçoamento crescente das técnicas militares”.[5]

A história, para Löwy, não foi uma longa elevação da humanidade, com eventuais acidentes de percurso, que à maneira hegeliana, confirmam uma trajetória ascendente, nem, tampouco, um confronto entre sistemas - uma competição “ideal” entre modos de produção mais ou menos eficientes. Os modos de produção não lutam entre si. O século XX não foi somente o cenário de uma luta ideológica entre capitalismo e socialismo, mas a história de uma luta concreta entre classes e entre Estados. O resultado destas lutas continua sendo um processo histórico inacabado. Se hoje predomina a dominação do capital no mercado mundial, há menos de meio século atrás a indefinição sobre o futuro do capitalismo foi muito grande. Assim como foram ligeiras, nos anos sessenta e setenta, as ilusões gradualistas, portanto, excessivamente otimistas, em uma possível transição reformista, são hoje perigosas as conclusões pessimistas que se apressam em retirar conclusões céticas sobre o futuro do socialismo depois da restauração capitalista do início dos anos noventa.

 

O desenvolvimento desigual e combinado como lei mais geral da história

 

Não foram poucos aqueles que concluíram que os processos de restauração capitalista asseguravam, senão a superioridade do capitalismo, pelo menos a sua hegemonia por um longo intervalo histórico. O marxismo que Löwy tem defendido em sua obra tem sido, na contra-corrente, confessadamente, anti-economicista. A originalidade da aproximação de Löwy ao tema da dialética da história evoca uma leitura heterodoxa: “antes de tudo pela descoberta (...) da importância da crítica romântica da civilização burguesa, a um só tempo como dimensão (...) do pensamento do próprio Marx e como poderosa fonte de uma renovação da imaginação socialista. Por romantismo não entendo somente uma corrente literária do século XIX, mas um vasto movimento cultural de protesto contra a sociedade industrial capitalista (...) Trata-se de um movimento que começa em meados do XVIII – Rousseau é uma das figuras emblemáticas dessa origem – e que até hoje continua ativo, em revolta contra o desencantamento do mundo, a quantificação de todos os valores, a mecanização da vida e a destruição da comunidade”.[6]

 Não existiu uma via evolutiva ascendente linear de modos de produção que foram se sucedendo em seqüência fixa uns aos outros, mas um processo mais complexo. O materialismo histórico compreende a história como uma seqüência de modos de produção, o que não permite concluir nem uma diretividade imanente ou finalidade implícita, nem sequer um único padrão nas passagens de uns a outros. Tampouco autoriza a conclusão de uma seqüência rígida. O processo de desenvolvimento na história teve descontinuidades. Não encontramos, tampouco, uma coerência interna na história. Houve percalços. Inúmeras sociedades encontraram obstáculos e não puderam superá-los.

O desenvolvimento desigual e combinado manifestou-se como a lei mais geral da história. Relações sociais que corresponderiam a diferentes modos de produção conviveram em combinações inusitadas. A experiência econômico-social das Missões jesuíticas na América do Sul com a população indígena de língua guarani, por exemplo, não foi, historicamente, inferior ao escravismo colonial dos portugueses, mas foi destruída. Seria impossível encontrar critérios consensuais para julgar o Quilombo de Palmares como uma experiência inferior ao regime das plantações de monocultura do açúcar no Nordeste brasileiro, mas Palmares foi aniquilado.

As sociedades se transformaram porque mudanças se demonstraram imprescindíveis, mas não o fizeram quando era necessário. Um atraso inevitável separou as crises sociais e políticas das condições em que se encontraram soluções para as crises. O marxismo teve de argumentar tanto sobre a relativa autonomia dos processos econômicos frente aos processos políticos e sociais, quanto sobre a relativa autonomia da esfera política em relação às dinâmicas econômicas.  

A internacionalização do capital nos últimos 30 anos, por exemplo, teve uma dinâmica própria de impulso, a busca imperativa de máxima valorização, sobrepondo-se sobre quaisquer limites sociais, regulações ambientais e fronteiras nacionais. Por outro lado, a crise do regime democrático-liberal nos últimos 15 anos – destituição de dez presidentes eleitos na Argentina, Brasil, Paraguai, Equador, Bolívia e Venezuela antes de completarem seus mandatos – não atingiu somente as sociedades latino-americanas que estão, em graus maiores ou menores, economicamente, estagnadas há um quarto de século, mas se manifesta também em países centrais, como os Estados Unidos, onde a primeira eleição de Bush permanece sendo questionada, ou a França, que tremeu quando um fascista chegou ao segundo turno das eleições presidenciais. O marxismo de Löwy se amparou na tradição internacionalista para concluir: “Enquanto à célebre frase lapidária e sarcástica de Marx: ‘os proletários não têm pátria’, haveria que interpretá-la antes de tudo no sentido de que os proletários de todas as nações têm o mesmo interesse (...) na medida em que a nação não é para o proletariado mais do o marco político imediato da luta pelo poder.”[7] (tradução nossa)

 A internacionalização do capital foi uniforme à escala mundial, e suas seqüelas se sentiram para além de todas as fronteiras: deslocamento de indústrias, elevação do desemprego, queda do salário médio, recolonização de continentes. A sincronização mundial das crises econômicas tem sido, também, cada vez maior. Mas, a globalização econômica não diminuiu as especificidades das situações continentais diferentes: o domínio dos EUA e dos seus sócios europeus e japoneses no sistema internacional de Estados exigiu a invasão do Afeganistão e do Iraque; a crise social na América Latina foi incomparavelmente mais séria que na Europa. Confirmou-se, mais uma vez, uma margem de autonomia significativa entre os processos econômicos mundiais e os processos políticos nacionais.

A estagnação econômica e a decadência social da América Latina permaneceram crônicas nos últimos 25 anos, não importando muito se governavam ditaduras ou governos eleitos e, menos ainda, se eram governos de centro-direita ou de centro-esquerda. A mundialização financeira estendeu-se a todo o planeta tornando mais necessário do que nunca um renascer do internacionalismo socialista. Löwy é contundente: “O socialismo marxista é fundamentalmente oposto ao nacionalismo. Primeiro, porque ele se recusa a considerar a nação como um todo indiferenciado: todas as nações são divididas em classes sociais distintas (...). Mas, sobretudo. Ele rejeita a ideologia nacionalista e sua escala de valores porque sua fidelidade suprema não se dirige a uma nação, qualquer que seja ela, mas para um sujeito histórico internacional (o proletariado) e para um objetivo histórico internacional: a transformação socialista do mundo. Ele é internacionalista por razões éticas e materiais ao mesmo tempo”.[8]

 O marxismo de Löwy realizou, também, um resgate da dimensão utópica do socialismo como desafio: “O que as leituras positivistas de Marx não compreendem é que a emancipação histórica, diferentemente da previsão física, exprime-se num projeto estratégico”. [9] A revolução é, paradoxalmente, um processo que resulta de uma acumulação de forças que foi prevista e construída conscientemente, mas é também uma surpresa histórica, algo de intempestivo. O determinismo economicista não é marxista, nem é histórico, e seu endereço político tem sido o gradualismo e o nacionalismo. Não é marxista porque a duração do capitalismo remete mais às peripécias e reviravoltas da revolução mundial, do que a um suposto vigor econômico irrefreável do capitalismo. Não é histórico porque retira a avaliação do capitalismo do contexto de crise crônica na qual está mergulhada a sociedade contemporânea, há quase cem anos, com suas guerras mundiais entre imperialismos rivais, suas guerras regionais de recolonização, suas crescentes desigualdades sociais, o perigo de catástrofe ambiental e a ameaça de holocausto nuclear. As conseqüências políticas do reducionismo teórico fatalista foram, invariavelmente, o recuo para diferentes variedades de possibilismo socialdemocrata nos países imperialistas, e para novas versões de nacional-desenvolvimentismo de capitalismo controlado nos países periféricos.

 

As revoluções na história

 

        As sociedades não se transformam na medida em que a mudança é necessária. As mudanças econômico-sociais em condições políticas reacionárias, por mais necessárias que sejam, parecem impossíveis. A revolução parece, politicamente, uma extravagância de sonhadores, ou visionários. Esta antecipação histórica é, no entanto, o projeto intelectual do marxismo. Um intervalo maior ou menor de tempo foi indispensável para que as classes em luta compreendessem a gravidade dos impasses em que estavam mergulhadas. Estes impasses têm fundamentos econômicos, mas não há crise econômica sem saída para o capitalismo, porque a burguesia pode descarregar sobre as outras classes o custo da crise. Só quando as crises econômicas se manifestam na forma de crises sociais, ou seja, transbordam em crises políticas que afetam não só o governo, mas o regime de dominação, é que as classes populares despertam do estado de resignação social e apatia política. A arquitetura das instituições perde então a sua aura de legitimidade e tudo o que parecia impossível, passa a ser admissível.

          Mas, é o ponto de vista da classe dominada que ao defender, egoisticamente, os seus interesses, representa a solução historicamente progressiva que permite uma percepção mais próxima da realidade. Löwy foi um dos marxistas a enfrentar de frente um dos temas metodológicos mais difíceis da pesquisa em ciências sociais: “O método das ciências sociais se distingue do científico-naturalista não somente no nível dos modelos teóricos, técnicas de pesquisa e processos de análise, mas também e principalmente no nível da relação com as classes sociais. As visões do mundo, as "ideologias" (no sentido amplo de sistemas coerentes de idéias e de valores) das classes sociais modelam de maneira decisiva (direta ou indireta, consciente ou inconsciente) as ciências sociais, colocando assim o problema de sua objetividade em termos totalmente distintos das ciências da natureza”. [10]

 Um atraso maior ou menor separa o momento em que o agravamento da crise histórica se manifesta, do momento em que as forças sociais em luta estão dispostas a medir forças. A crise econômica amadurece mais rápido do que a percepção que a sociedade tem da crise social. Este processo decorre da resistência das classes das sociedades contemporâneas em aceitar a gravidade da crise. Os tempos da política estão sempre atrasados em relação aos tempos da história. Toda ordem político-social se apoiou no extremo conservadorismo das sociedades humanas.

Os tempos de espera foram sempre tempos de uma calmaria aparente, que antecede a precipitação das tempestades. Mudanças são lentas, e as revoluções são sempre processos que se atrasam, porque tanto as classes proprietárias, quanto as classes populares evitaram, enquanto foi possível, a hora do confronto. As primeiras porque sempre tiveram muito a perder. As segundas porque desconheciam, invariavelmente, a sua própria força. Todas as sociedades modernas adiaram a colisão com os desafios do seu tempo. Transferiram para o futuro, enquanto isso foi possível, as tarefas do presente. Iludiram-se a si mesmas durante muito tempo, mas não indefinidamente, sobre quais são os seus interesses e como defendê-los. As ilusões das classes proprietárias foram, contudo, menores que as ilusões das classes dominadas. A força das ideologias foi, portanto, um dos fatores da lentidão das transformações históricas. Löwy dedicou um livro ao tema da consciência de classe e tomou como referência a elaboração clássica de Luckács: “A concepção dialética parte da situação dada, do interesse imediato (...) para transformá-lo em passos para o objetivo final. Nesta perspectiva, a consciência de classe aparece como uma possibilidade objetiva, a expressão racional dos interesses históricos do proletariado, que não é um além, mas surge da evolução histórica e da praxis real de classe.” [11]

Uma crise histórica não pode se resolver sem combates que encerram perigos tão imponentes quanto possibilidades. As classes em luta contemporizam, enquanto podem, para ganhar tempo. Até que o momento do enfrentamento não é mais adiável, e o tempo passa ser escasso, porque chegou a hora das batalhas decisivas, e vencerão os mais fortes, que foram sempre os melhor preparados. Em situações revolucionárias, o improviso foi sempre fatal. Nunca bastou que as condições objetivas estivessem maduras para que uma sociedade pudesse realizar as transformações que eram necessárias para resolver a crise. As mudanças exigem, irredutivelmente, que os interesses de alguns poucos, mas muito poderosos, sejam contrariados. Foi preciso que as condições objetivas estivessem mais do que maduras, foi necessário que elas já tivessem apodrecido, ou seja, que a catástrofe desmoronasse como um pesadelo sobre a cabeça das massas populares, para que elas acordassem da indiferença política e despertassem para a luta franca e aberta. Esse marasmo das massas trabalhadoras e das outras classes oprimidas repousa, em primeiro lugar, no medo, ou seja, no temor das represálias sociais. O medo das retaliações foi sempre a maior força de inércia na história. Quis a ironia da história que o proletariado latino-americano substituísse, na segunda metade do século XX, o lugar que coube ao proletariado europeu na primeira metade. O continente latino-americano escreveu sua primeira página de glória na história da revolução socialista com o triunfo da revolução cubana em 1959. Löwy compreendeu esta profunda mudança e concluiu em sua Introdução ao O marxismo na América Latina: “Um novo período revolucionário para o marxismo teve início após 1960 – um período que recuperou algumas das idéias vigorosas do ‘comunismo original’ da década de 1920”.[12]

A onda revolucionária que começou com as mobilizações de massas nas ruas de Salvador e do Rio de Janeiro contra o nazi-fascismo e transformaram o PCB em um partido com influência de massas em 1945, se estendeu à Bolívia em 1952, atingiu a Guatemala durante o Governo Arbenz, e culminou com a queda de Batista em Havana.  O medo de que a revolução se alastrasse de Cuba para todo o continente explicou, para o fundamental, a política burguesa nos vinte anos que vão de 1960 a 1980: a contra-revolução usou os métodos de guerra civil e cobriu o cone sul do continente de ditaduras. Mas, enquanto a quarta vaga da revolução mundial no pós-68 se alastrava na Europa de Paris para a Itália e Lisboa, e seus ecos instigavam a juventude mexicana a ocupar a Praça do Zócalo na terceira maior cidade do mundo, ao mesmo tempo em que 100.000 saiam às ruas do Rio de Janeiro para gritar ‘abaixo a ditadura’, a situação na América Latina evoluía, desfavoravelmente, para a causa da revolução.

A vaga latino-americana já tinha sido derrotada, anos antes, no golpe do 31 de Março no Rio de Janeiro e a esquerda inspirada no exemplo guevarista foi dizimada. A geração mais velha da esquerda latino-americana tinha medido forças com a contra-revolução e tinha sido esmagada. Um fio de continuidade histórica tinha sido interrompido. No início dos anos oitenta, as ditaduras latino-americanas foram caindo, umas após as outras, pela força de mobilizações de massas, como na Argentina depois da derrota nas Malvinas, e as Diretas no Brasil, mas as classes dominantes lograram estabilizar os regimes democrático-liberais com a promessa da alternância eleitoral.

Na hora em que a América Latina vive, nos alvores do século XXI, a terceira vaga revolucionária de sua história parecem oportunas as observações de Löwy: “O marxismo na América Latina foi ameaçado por duas tentações opostas; o excepcionalismo indo-americano e o eurocentrismo. O excepcionalismo indo-americano tende a absolutizar a especificidade da América Latina e da sua cultura, história ou estrutura social. Levado às suas últimas conseqüências, esse particularismo americano acaba por colocar em questão o próprio marxismo como teoria exclusivamente européia(...)Foi o eurocentrismo, mais do que qualquer outra tendência que devastou o marxismo latino-americano. Com esse termo queremos nos referir a uma teoria que se limita a transplantar mecanicamente para a América Latina os modelos do desenvolvimento socioeconômico que explicam a evolução histórica da Europa ao longo do século XIX.”[13]



[1] Professor do Centro Federal de Educação de São Paulo, doutor em História pela USP, iniciou os estudos superiores cursando sociologia na Universidade de Paris-X em Nanterre, quando aderiu à Quarta Internacional e integrou-se a um núcleo da Liga Comunista Revolucionária que era coordenado por Michael Löwy.  Umas poucas linhas pessoais: vindo de Lisboa em 1974 onde fiz o ensino secundário, tinha trazido o contato de Michael Löwy, à época já estabelecido como professor universitário em Paris. Uma carta de Francisco Louçã, amigo do movimento dos liceus - hoje prestigiado economista, e deputado pelo Bloco de Esquerda em Portugal - apresentava as minhas “credenciais” políticas que, aos dezessete anos, como é óbvio, eram ridículas. Michael me recebeu com imensa consideração. Foi, de longe, a influência intelectual mais significativa de minha estadia parisiense: era brasileiro, erudito, marxista, e antes de tudo, militante, portanto, uma referência e tanto. Ele era sofisticado sem presunção, e empolgado sem impressionismo. Conheci o seu livro Método dialético e Teoria Política, um trabalho de epistemologia que me foi útil em uma das disciplinas introdutórias do curso e, em uma semana, tinha-o decorado de trás para frente. Reuníamo-nos semanalmente, e eu esperava, fascinado, contando os dias, aquela reunião como um bálsamo. Era mais educativa que a semana inteira de aulas. Não havia um só francês. Éramos todos brasileiros e portugueses que ainda não tinham voltado, logo, falávamos português. A distância geracional que me separava de todos era enorme. Naqueles dias, a diferença de alguns anos não era secundária. Exilados e refugiados, eram todos muito mais maduros e experientes do que eu. A integração social foi mínima, embora, às vezes, terminássemos a reunião bebendo algo em um café próximo da Praça da Bastille. Nada além da cortesia entre camaradas. No entanto, me lembro que não poupava o paciente Michel, pedindo ao final das reuniões indicações de leitura, e exibindo os meus limitados progressos. Através dele, descobri Lucien Goldman, que tinha sido orientador de Michael, e o Luckás, de História e consciência de classe. Nossa atividade militante se concentrava na elaboração, em mimeógrafo, e divulgação de um jornal mensal chamado Combate, dirigido à comunidade de trabalhadores portugueses. Devo acrescentar que minha colaboração era mais do que modesta: estava resumida à venda. Essa atividade estava longe de ser eletrizante: como eram difíceis aquelas vendas! Quem conseguiu vender literatura socialista para a emigração portuguesa no banlieu de Paris, vende qualquer coisa. Sem falsa modéstia, o caminho da militância me ensinou, ao longo dos anos, tudo o que há para saber sobre vendas. Michel me ensinou aquilo que não cabe em palavras de agradecimento. Durante a revolução portuguesa me uni à tendência internacional animada por Nahuel Moreno em polêmica contra a maioria européia e, mais tarde, nos anos oitenta, apreciações opostas da dinâmica da direção do PT – a minha muito severa - nos levaram para destinos políticos diferentes.

[2] LÖWY, Michael, Método dialético e Teoria política. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1975. p. 17.

[3] LÖWY, Michael, A teoria da revolução no jovem Marx, Petrópolis, Vozes, 2002, p.18.  

[4] LÖWY, Michael, Marxismo, modernidade, utopia. São Paulo, Xamã, 2000, p.81.

[5] LÖWY, Michael, Ibidem. São Paulo, Xamã, 2000, p.83.

 

[6] LÖWY, Michael, A teoria da revolução no jovem Marx. Petrópolis, Vozes, 2002, p.19.

[7] LÖWY, Michael, HAUPT, George, WEILL, Claudie, Los marxistas y la cuestión nacional. Barcelona, Fontamara, 1982, p.87. 

[8] LÖWY, Michael, Nacionalismos e Internacionalismos.  São Paulo, Xamã, 2000, p.80.

[9] LÖWY, Michael, A teoria da revolução no jovem Marx. Petrópolis, Vozes, 2002, p.22.

[10]  LÖWY, Michael, Método dialético e Teoria política. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1975. p. 17

[11] LÖWY, Michael, Para uma sociologia dos intelectuais revolucionários, São Paulo, LECH, Livraria editora Ciências Humanas, 1979, p.195.

[12] LÖWY, Michael, O marxismo na América latina, uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2000, p.45.

[13] LÖWY, Michael, O marxismo na América latina, uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2000, p.10.



 



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#2743 De: "wesley francisco" <wesleyfrancisco@...>
Data: Qui, 5 de Jul de 2007 8:08 pm
Assunto: DEPUTADO LANÇA "CAMPANHA DO LAÇO BRANCO"
wesleyfranci...
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DEPUTADO LANÇA "CAMPANHA DO LAÇO BRANCO"
O deputado estadual Yulo Oiticica e o presidente do PT, Marcelino Galo, lançaram na abertura da II Conferência Estadual de Políticas para Mulheres, a Campanha do Laço Branco: Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Um dos objetivos da campanha é a redução da discriminação e da violência contra a mulher. Na ocasião, eles distribuíram centenas de laços brancos entre as cerca de 600 pessoas que participaram da conferência, no Centro de Convenções. "Não podemos mais tolerar a covardia de homens que espancam mulheres em casa ou nas calçadas, seja por serem advogadas ou médicas, empregadas domésticas ou prostitutas", defendeu Yulo.

fonte: www.samuelcelestino.com.br



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#2744 De: "pretobaiano" <pretobaiano@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 1:17 pm
Assunto: cabrobó urgente!!!!
pretobaiano
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Companheirada,

É urgente apoio político e econômico aos acampados em Cabrobó. Falta recursos sobretudo para que novas caravanas possam chegar até lá. Tem várias caravanas do Ceará e Paraíba – trabalhadores, claro – que querem ir até Cabrobó e estão sem recursos. Segue abaixo a convocatória e uma conta para ajudas rápidas e espontâneas. O problema não é comida e lona preta, é o transporte.

O mutirão pela vida do povo e do rio São Francisco, contra o projeto de transposição, do governo federal, ganha cada vez mais força e adesões. Dentro do clima de resistência as organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais iniciam uma campanha para arrecadação de doações para manutenção do acampamento de Cabrobó (PE) e reforço à retomada das terras pelos índios Truká.

É grande e forte a quantidade de pessoas e organizações que querem se envolver em mais essa luta pela vida, mesmo que não seja presencialmente, e todas as contribuições são importantes nesse momento. É preciso garantir as condições de manutenção e infra-estrutura.

Em caso de doações em dinheiro, segue abaixo os dados bancários:

Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orocó (PE)

Banco do Brasil / Agência: 2067-2 / C/C: 4105-X

Após todas as doações devem ser enviadas as cópias dos depósitos realizados para: (87) 3887.1050

O acampamento está montado no Km 29 da BR 428, entre os municípios de Cabrobó e Orocó, ambos em Pernambuco. Teve início na madrugada entre os dias 25 e 26 e junho e não tem estimativa de terminar. O juiz da 20ª Vara Federal concedeu liminar de reintegração de posse da área, mas a expectativa dos acampados é se manter na área onde também acontece a retomada das terras pelo povo Truká.

Estão envolvidos na organização: MPA - MST - MMC - MAB - APOINME - MONAPE - CETA - SINDAE - CÁRITAS - CIMI - CPP - CPT - ASA - AATR - PJMP - CREA/BA - SINDIPETRO AL/SE - CONLUTAS - Federação Sindical e Democrática de Metalúrgicos do Estado de MG - Terra de Direitos - Fórum Nacional da Reforma Agrária - Rede Brasileira de Justiça Ambiental - Fórum Permanente em Defesa do Rio São Francisco / BA - Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Norte de MG – Fóruns de Organizações Populares do Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco - Frente Cearense Por uma Nova Cultura da Água.

Maiores contatos: Clarice Maia (Comunicação): (71) 92369841 e (87) 38871050 / sfvivo@gmail.com


#2745 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 1:21 pm
Assunto: atentado no Conune
comunajuvenil
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Observação: mensagem anexa encaminhada.

GUSTAVO MERCÊS - PSOL
71 33210932/ 71 87093265
"NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA" - FOE - CEP
 
 
 


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ALGUÉM PODE DAR INFORMES EM RELÇÃO A ISSO?
 
AGRADECIDOA


Danilo de Santana Bezerra
---------------------------------------------
Partido Socialismo e Liberdade
Coletivo Socialismo e liberdade
Movimento Resistência e Luta
Movimento pelo Passe Livre
DCE-UFS Gestão - "Amanhã há de ser outro dia"
---------------------------------------------


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#2746 De: "pretobaiano" <pretobaiano@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 1:39 pm
Assunto: O QUE DISSERAM OS DITOS INTELECTUAIS DE ESQUERDA SOBRE A USP.
pretobaiano
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Invasão na USP revela um desejo paradoxal por ordem
Os sociólogos Francisco de Oliveira e Laymert Garcia dos Santos e o
filósofo Paulo Eduardo Arantes discutem o significado da crise na USP

Movimento estudantil rompeu hiato de apatia, mas seu objetivo é
conservador

UIRÁ MACHADO
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

"O período das grandes marchas acabou", afirma o filósofo Paulo
Arantes. A invasão da reitoria da USP também. E agora?
Seria um equívoco procurar no passado -e na mística de 68- a chave de
compreensão do movimento liderado pelos estudantes contra o governo
do Estado e o comando da universidade. Parece haver algo de novo no
ar, embora ainda não seja possível dizer exatamente o que nem afirmar
qual o legado que deixará para a esquerda.
O que já se sabe é que nasce com o mérito de romper um hiato de
apatia e desmobilização, mas marcado por um paradoxo: o movimento que
se pretende revolucionário e desafia a ordem legal é o mesmo que luta
por pautas conservadoras e para restabelecer a ordem.
A análise é de Paulo Arantes e dos sociólogos Francisco de Oliveira e
Laymert Garcia dos Santos, três dos mais importantes intelectuais da
esquerda brasileira, próximos dos estudantes e simpáticos ao
movimento. A Folha os convidou na última terça-feira para debater o
significado da crise na USP, quando o cenário para o fim da invasão
já estava desenhado.
Naquele dia, Arantes e Oliveira -e mais alguns colegas- participaram
de uma reunião com a reitora da USP, Suely Vilela, para discutir os
rumos da crise na universidade. Ficaram ainda mais convencidos da
irrelevância da política.
"A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a
política tradicional não tem mais capacidade de processar os
conflitos sociais", afirma Oliveira. "É essa incapacidade que eu
venho chamando de irrelevância da política."

Adeus às marchas
"Simplesmente estamos nos dando conta de que política pode ser outra
coisa. Um pontapé na porta rompeu uma rotina de decretos, de apatia.
E fez com que um governo prepotente revogasse os decretos. Pode ser
que o movimento não tenha um futuro. Daqui a dois dias [última quinta-
feira] vão desocupar e não se sabe o que vai acontecer. Estamos
vivendo um tempo inesperado, porque não entra nos parâmetros antigos.
O período das grandes marchas acabou", diz Arantes.
O filósofo compara a situação atual com a de 2000, quando os alunos
se associaram a outros setores em greve e conseguiram mobilizar 50
mil pessoas na avenida Paulista (15 mil, segundo a Polícia Militar).
Ele diz que o movimento de agora, "do ponto de vista política, é uma
molécula", mas produziu "um deus-nos-acuda que não havia sido visto".
A reação, diz Arantes, é desproporcional.
Se a política tradicional está em xeque, dizem eles, é preciso buscar
outras formas de olhar para a crise na USP. E uma delas é justamente
a reação da sociedade -mas, sobretudo, a da própria universidade.
Quando os estudantes estavam havia poucos dias na reitoria,
professores da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas), unidade tradicionalmente de esquerda, escreveram textos
condenando a violência da ocupação. Outros professores organizaram
uma passeata anti-invasão.
"São manifestações de extrema-direita que nem na ditadura nós
tivemos", diz Arantes.
"O grau de apatia, letargia e neutralização da política chegou a um
ponto que reivindicar o que os alunos estão reivindicando e apontar
os limites das ações do governo já é uma coisa escandalosa", diz
Laymert.
Aí apontam o que, para eles, é o grande mérito dos estudantes: se
manifestar contra algo com o que não concordavam.
Essa linha de raciocínio os leva a considerar que a ordem, na
verdade, é uma desordem aceita por todos. O primeiro ato de
violência, dizem, não partiu dos estudantes, mas de José Serra, que
decidiu governar por decreto e atacar a autonomia das universidades.
O mesmo vale para o plano federal, em que, desde FHC, a prática é
governar por medidas provisórias.
"A surpresa foi que ainda existe gás para reagir quando tudo vinha
sendo engolido passivamente", diz Laymert.
No começo do ano, o governador José Serra (PSDB) editou uma série de
decretos que, segundo parte da comunidade acadêmica, ameaçavam a
autonomia universitária. No dia 31 de maio, publicou um inédito
decreto declaratório e revogou quase todos os itens que estavam sob a
mira dos alunos.

Paradoxo
A medida foi considerada um recuo de Serra e uma vitória dos
estudantes. Mas essa conquista encerra um paradoxo.
"Eu já disse isso a eles [os alunos], e eles ficam meio aborrecidos:
foi uma ação de subversão -que parece subversão, mas não existe
subversão numa sociedade permissiva- para o retorno ao statu quo
ante. Zapatistas, ex-maoístas, trotskistas, independentes se
juntaram, ocuparam a reitoria para que o reitor tivesse o direito do
pleno exercício da execução orçamentária e financeira de uma
universidade, que é puro establishment. É uma subversão pela ordem",
afirma Arantes, o mais próximo dos alunos.
"O famoso Estado democrático de Direito sendo violado nas suas regras
elementares -que é o funcionamento de uma autarquia- provocou um ato
considerado de subversão revolucionária para colocar as coisas no seu
lugar, que é um lugar conservador", completa.
Para Arantes, as demais reivindicações vão na mesma linha. A pauta
inclui, entre outras, medidas de inclusão social ("assistencialismo")
e a Estatuinte ("dentro da normalidade de uma vida institucional").
"A pauta de reivindicações, a própria reitora o disse, é
perfeitamente realizável. Um dos pontos é o serviço de ônibus da USP.
Ora, o que isso quer dizer para uma universidade como a de São Paulo?
Não vejo como isso possa estar dizendo que se trata de nova forma de
política", diz Oliveira.

Contágio
Os três concordam quanto ao caráter algo conservador das
reivindicações dos estudantes. Ao mesmo tempo, enxergam uma certa
novidade no movimento: além da capacidade de quebrar o silêncio,
apontam a forma de manifestação.
"No conteúdo, não há nenhuma alternativa política substantiva. Na
forma, é uma ação política inédita, que tende a se multiplicar, como
fórmula, independentemente do conteúdo. O contágio então vem da
tecnologia política, do modo de fazer. O conteúdo está na forma", diz
Arantes.
Se a novidade está na forma, é porque os tempos são outros. Os modos
antigos de fazer política, insistem eles, não têm mais alcance nem
sentido.




baiano,vulgo André Leitão.

#2747 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 3:27 pm
Assunto: Estudantes da UFBA poderão conhecer países do Oriente
rejanefazhis...
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Estudantes da UFBA poderão conhecer países do Oriente

A Assessoria Internacional da UFBA e o MEC, juntamente com a Embaixada do Japão em Brasília, selecionarão dois estudantes desta Universidade para participar do Programa Ship for World Youth, destinado a promover o intercâmbio de estudantes brasileiros com seus colegas japoneses. A UFBA disporá de duas vagas nesse programa e os estudantes selecionados (um de cada gênero) deverão integrar a delegação estudantil brasileira que visitará o Japão entre 5 de janeiro e 15 de março de 2008. A longa viagem, totalmente financiada pelo governo japonês, será também estendida a três outros países: Singapura, Índia e Sultanato de Omã. Estudantes (18 a 30 anos) de qualquer área do conhecimento, podem participar do programa, sendo exigida prova documental de elevada proficiência em inglês (Cambridge, TOEFL, IELTS ou equivalente) e excelente desempenho acadêmico (CR maior que 8,5). Para a Assessoria Internacional da UFBA, esta é uma oportunidade única que permitirá aos estudantes o conhecimento da cultura oriental em países economicamente importantes da Ásia e com os quais o Brasil tenderá a reforçar seus laços de cooperação no futuro imediato. As inscrições serão feitas na Assessoria para Assuntos Internacionais da UFBA, com Jefferson (jaa@...), entre os dias 9 e 27 de julho.


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#2748 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 3:30 pm
Assunto: Seminário debate cultura e conflitos no capitalismo
rejanefazhis...
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Seminário debate cultura e conflitos no capitalismo
 
Salvador sedia, de 16 a 18 de julho, o Seminário Internacional “A constituição do comum – cultura e conflitos no capitalismo contemporâneo”. Durante o encontro, professores e pesquisadores de todo o país discutem a comunicação e a cultura, analisando as mudanças ocorridas na economia e na sociedade capitalistas. O desemprego, o trabalho cooperativo em rede, as novas formas da produção intelectual, a centralidade econômica da cultura e a democratização da produção de bens culturais são alguns dos temas em debate. O Seminário tem entrada franca e acontece sempre a partir das 9 horas, no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA (Facom, no Campus de Ondina). A abertura, dia 16 de julho, contará com as participações do secretário estadual de Cultura, Márcio Meirelles, o reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, além de representantes do Ministério da Cultura e da Universidade Nômade do Rio de Janeiro. O superintendente de Promoção Cultural da Secretaria de Cultura da Bahia, Paulo Henrique de Almeida, coordena no dia 17, às 9 horas, a mesa-redonda “Território, rede e movimentos”, tema que será debatido pelo coordenador do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult), professor Albino Rubim, Gerardo Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Alexandre Nascimento, da Universidade Nômade. Ainda no dia 17, às 15 horas, Paulo Henrique fala sobre o “Trabalho da metrópole”, ao lado dos professores da UFBA Ihering Alcoforado e Tânia Fisher. O embate da TV Digital também será abordado, dia 18, às 9 horas, pelo diretor do Irdeb, Pola Ribeiro, o secretário de Comunicação do Governo da Bahia, Robinson Almeida, e os professores Fábio Malini (UFES) e Sérgio Amadeu (Casper Líbero). O encontro será encerrado dia 18, com a mesa-redonda “Novas tecnologias e mídias táticas”. O seminário é uma realização do Ministério da Cultura, em parceria com a Secretaria de Cultura da Bahia, o Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA, o Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Cult, da Facom) e a Fapex. O evento tem patrocínio da Petrobras.


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#2749 De: "zumbiredivivo" <zumbiredivivo@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 4:58 pm
Assunto: Peça Édipo Rei. E se um herói grego fosse negro.
zumbiredivivo
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Peça O coletivo de Estudantes Negr@s -Denegrir,juntamente
a turma do curso "Teatro e Festa na
Pólis Grega" do IFCS/UFRJ,  têm a satisfação de convidar a todos para
a apresentação da peça,agora na UERJ...

ÉDIPO TIRANO DE SÓFOCLES

E se um herói grego
fosse negro?
Data: 10/07
Hora
18 hs
Local
Teatro Noel Rosa - UERJ
ENTRADA FRANCA

Entrega do prêmio
"Negros Diálogos" à Profª Mestre e Pesquisadora Maria José Lopes da
Silva,seguida de debate que  contará com as presenças da  homenageada
e do Prof.Mestre Rogério José


Organização: e Prof. Dr. André Chevitarese e Prof.Mestre Rogério José
Direção: Ludymilla Penna Assistente de direção: Lucas Mattos Elenco:
Angela
Neves, Carolina Rocha, Cláudia Gomes, Danielle Oliveira, Jéssica da
Silva, Leonardo Bento, Rogério José, Valdir Borges, Vanessa
Codeço, Victor Newlands, Vitor Lopes
Música: Daniel Gonçalves, René Vettori Cenário e figurino: Carine
Rebonatto, Carolina
Rocha, Daiane Lopes, Eduarda Angelim, Flávia Ferreira, Iara Macedo,
Janaina Wu, Joselita do Nascimento, Katiúscia Ribeiro,Tatiana da
Silva
Divulgação: Antônio Cantisani Neto, Juliana Abramo, Marcelo Corrêa,
Rui da Cruz Jr. Projeto gráfico: Luciana Lassance


Édipo Rei. E se um herói grego fosse negro.

#2750 De: "Fred Bruno Tomaz" <fredvermelho@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 5:33 pm
Assunto: DCE UFPB TRAIDOR vota a favor do aumento de passagem, galera mais uma vergonha do movimento estudantil!
fredvermelho
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DCE UFPB TRAIDOR vota a favor do aumento de passagem, galera mais uma vergonha do movimento estudantil!

o DCE da PB, (formado pela juventude do PSDB), tem voz e voto no Conselho Tarifário de João Pessoa e defende bem o bolso do patrao. com o voto do DCE o conselho aprovou por unanimidade o aumento das passagens... defendendo os empresarios e mostrando como as empresas de onibus dominam o ministerio publico e os vereadores que baixaram a cabeça e garantiram lucros extras pros tubaroes do trnsporte.

veja o video -------> http://br.youtube.com/watch?v=MdspXp7tVc8

#2751 De: "wesley francisco" <wesleyfrancisco@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 7:24 pm
Assunto: O Senado e a democracia - Valter Pomar
wesleyfranci...
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O Senado e a democracia

 

Um reconhecimento inicial: deve ser muito difícil ser petista e senador da República.

 

A correlação de forças existente naquela “casa” (bem como os hábitos senatoriais) exige, dos senadores petistas, muitas flexões táticas e verbais. Sem isso, provavelmente não seria possível aprovar posições de interesse do governo e do Partido.

 

É nestes marcos que interpreto o artigo intitulado “Uma crítica injusta”, do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), publicado no jornal O Globo e na página eletrônica do PT, no dia 5 de julho. Noutras palavras: trata-se de garantir o fundamental (aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul).

 

Ademais, as declarações recentes do presidente da Venezuela colocaram os parlamentares petistas na defensiva. O pedido aprovado por senadores, dirigido ao governo da Venezuela, pedindo que fosse revista a decisão sobre a RCTV, só ganhou repercussão devido a resposta desproporcional do presidente Hugo Chavez.  E a cobrança, feita aos congressos do Paraguai e do Brasil, de uma aprovação rápida da adesão da Venezuela ao Mercosul, sob pena da Venezuela desistir de entrar, foi um tiro no pé, ajudando os inimigos da integração.

 

Isto posto, acho que o Senador Mercadante, no justo propósito de convencer seus pares e a sociedade de que continua sendo fundamental aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul, lançou mão de alguns argumentos totalmente incorretos.

 

Em primeiro lugar, é um erro defender a entrada da Venezuela no Mercosul com o argumento de que o “jovem Mercosul” pode desempenhar um papel “civilizador” para com a Venezuela. Desde a colonização, os que prometem civilização e democracia, costumam entregar barbárie e ditadura. Ademais, é inaceitável comparar (mesmo que indiretamente) o governo Chavez com as ditaduras de Franco e Salazar.

 

O que a direita mais deseja é, exatamente, convencer as pessoas do caráter “ditatorial” e “totalitário” do “populista” Chavez. Não vejo por qual motivo devemos alimentar, ainda que com mediações, esta linha de argumentação.

 

Mercadante erra, também, quando coloca no mesmo plano o golpe de 2002 e a não-renovação da concessão da RCTV.  

 

Quando Chavez foi vítima de golpe militar, em 2002, o então deputado Mercadante conseguiu “aprovar, na Câmara, moção que repudiava quaisquer tentativas de interromper o processo democrático na Venezuela. Não se tratava de manifestar solidariedade a um governante, mas de apoiar a democracia na Venezuela (...). Agora, quando o Senado apela para que seja revista a decisão de fechar o canal RCTV, que apoiou o golpe de 2002, não o faz para manifestar repúdio ao governo venezuelano, mas essencialmente para dar suporte à democracia na Venezuela”.

 

Segundo Mercadante, num e noutro caso, o Congresso Nacional brasileiro age com a intenção de “proteger a democracia e os interesses” da Venezuela.

 

Podemos concordar ou discordar da não-renovação da concessão, mas dizer que a retomada de um bem público (a concessão) constitui ameaça a democracia, comparável a um golpe de Estado, é aceitar o argumento da direita, segundo o qual a existência da mídia privada (monopolista, por sinal) seria um indicador de excelência democrática.

 

Um comentário final sobre o texto do senador Mercadante. O fato de fazermos parte de certas instituições não deve nos levar a assumir um patriotismo institucional. Isto vale, por exemplo, para os senadores eleitos por nós do PT.

 

O Senado brasileiro é uma instituição profundamente anti-democrática. Ao contrário da Câmara, que representa o povo, o Senado deveria representar a federação. Mas a Constituinte deu ao Senado o papel de Câmara revisora. Com oito anos de mandato, com suplentes que não são eleitos pelo povo, com o poder de revisar as decisões dos deputados, o Senado precisa mudar muito, antes de poder ensinar democracia a quem quer que seja.

 

Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT

 



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#2752 De: "wesley francisco" <wesleyfrancisco@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 8:11 pm
Assunto: Entrevista com a futura presidenta da UNE
wesleyfranci...
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Leia entrevista com candidata da UJS à presidência da UNE


Leia entrevista exclusiva ao Vermelho com a gaúcha Lúcia Stumpf, 25 anos, candidata a presidência da UNE do movimento, liderado pela UJS, ''Eu quero é botar meu bloco na rua'' pelo notório reconhecimento de sua capacidade política na atuação da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). A estudante de jornalismo da FMU paulista, que filiou-se ao PCdoB pela internet, revelou passo a passo a sua trajetória desde o começo da militância no movimento estudantil até os dias atuais. 


Lúcia atua desde de 1.996
Lúcia, que iniciou a sua militância em 1.996 na presidência do grêmio estudantil do Colégio portoalegrense Leonardo da Vinci, pode ser a quarta mulher a presidir a UNE em 70 anos de existência da entidade que realizará o seu 50º Congresso na cidade de Brasília dos dia 4 a 8 de julho.
 
A entrevista, concedida a Carla Santos e transcrita por Érika Finati, foi realizada no dia 13 de junho na redação do Vermelho, um dia depois da reunião da Direção Nacional da UJS e do movimento Bloco na Rua ter definido seu nome para a candidatura à presidência da UNE.
 
Como começou sua militância? Como você conheceu o movimento estudantil?
 
Lúcia – Eu comecei a participar do movimento estudantil no grêmio do colégio em que eu estudava, o Leonardo da Vinci, uma escola particular em Porto Alegre. Daí eu fui presidente do grêmio no ano de 1996, quando eu estava no primeiro ou segundo ano do colégio. Fiquei um ano na presidência do grêmio, fui atrás da entidade estadual de estudantes secundaristas do Rio Grande do Sul, a União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (Uges). Fiquei curiosa com os assuntos do movimento estudantil e um ano depois, em 1998, quando eu saí do grêmio e tinha acabado de me formar no colégio, fui atrás de conhecer os partidos, porque estava muito motivada pela eleição de 1998 – uma eleição que mobilizou muito Porto Alegre. Eu me lembro de ter ido conhecer a sede do PT, a sede do PSB e conheci o PCdoB pela internet.
 
Não tinha ainda o Vermelho, mas tinha o site do PCdoB. Pedi minha filiação por e-mail, enviando também meu telefone, meus dados. Assim eu tirei o título com 17 anos, porque quando eu tinha 16 não tinha eleição, e pedi filiação. Eu tinha que ter o número do título para me filiar. Então isso foi o que me motivou a tirar o título. Pensei: `Nossa eu quero me filiar ao PCdoB e tal...` Então eu fui tirar o meu título eleitoral. E dei um tempo. Uma semana, uns 10 dias depois, um pessoal que disse ser da União da Juventude Socialista (UJS) me ligou e me convidou para ir a uma reunião na sede do PCdoB, para que eu conhecesse mais a juventude. A partir disso eu comecei a militar na UJS. Então desde 1998 eu sou militante e tenho atuado na UJS, sempre no movimento estudantil, primeiro o secundarista e hoje o universitário.
 
Quem conhece você de tempos atrás sabe que a Lúcia adorava um rock and roll e tinha uma estética muito marcante, aquela coisa de quebrar mesmo o visual, de pintar o cabelo de várias cores, de usar umas roupas pretas, uns metais e tal. A gente identificava essa rebeldia na sua personalidade. Essa atitude rebelde foi importante para que você pensasse em se organizar?
 
Lúcia – É, eu acho que sempre tive muito isso. Mesmo quando eu fui ao grêmio, e ainda não era filiada à UJS e nem conhecia a organização de juventude nem o movimento estudantil, eu fazia jornalzinhos com o Che Guevara, porque eu sempre tive essa questão das injustiças. Eu acho que o que me levou foi uma vontade de lutar contra as injustiças, contra as desigualdades. Eu acho que este foi o primeiro motivador : olhar em volta e achar que as coisas estavam erradas e que eu tinha um papel importante a cumprir. Se estavam erradas então eu deveria atuar para modificá-las, eu não poderia ficar parada sabendo ou achando que aquilo ali não era justo, que a sociedade não deveria continuar da maneira como estava, dividida. Eu acho que essa minha rebeldia veio... Essa minha vontade de mudar, essa minha inconformidade com o mundo se juntou à época da adolescência e daí teve todo esse momento mais rebelde, mais punk meu mesmo. Punk na estética, nas músicas que eu ouvia, nas pessoas com quem eu convivia, nos bares que eu freqüentava e mesmo punk eu já era comunista.
 
Eu não passei pela fase anarquista, ideologicamente, porque quando eu tive essa fase mais punk na minha vida eu já era filiada ao PCdoB, já era militante e foi até uma coisa diferente... A minha estética eu acho que no início agredia a militância. A militância comunista é diferente; tem um estilo muito próprio... E eu dentro da UJS, convivendo com as pessoas da UJS, mas com um estilo diferente... Com o mesmo compromisso, com a mesma dedicação, mas daquele meu 'jeitão' mesmo – cabelo roxo, coleira e de preto indo em um bar punk toda noite na Osvaldo Aranha, em Porto Alegre. Daí durante o dia eu estava lá, séria, militando, viajando se tinha que viajar ou fazendo a campanha que tinha que fazer, de filiação ou de grêmio, ou de Centro Acadêmico...
 
Foi um negócio que destoou dentro da UJS, mas que nunca me incomodou. São as inconformidades minhas com a vida, com as injustiças, com as coisas que eu achava que estavam erradas. 
 
Então, você pegou o final da década de 90, uma geração que foi muito marcada por essa onda do fim do muro de Berlim, do fim das ideologias. No Brasil a gente vivia ainda a implementação do neoliberalismo e depois o Fora Collor. Como você enxerga essa geração dos anos 90?
 
Lúcia – Eu acompanhei esse negócio da queda, do fim do muro. A queda do muro eu me lembro bem. Eu era pequena e estava em casa à tarde, e a minha mãe me ligou e me disse para eu ficar acompanhando pela televisão [as notícias sobre a queda do muro] e ficar ligando para ela; Ela disse para eu acompanhar os plantões da Rede Globo e ficar ligando para ela, que estava trabalhando, para contar o que estava acontecendo, se havia caído, e eles estavam derrubando. Então eu me lembro. Foi marcante para mim essa questão da queda do muro, esse rompimento, esse fim dessa era socialista no leste europeu.
 
E aqui no Brasil eu participei, quando cursava o ensino fundamental, de uma ou duas passeatas do Fora Collor em um outro colégio que eu estudava, o João 23. Eu também fui com a minha mãe.
 
A gente fez essa campanha do Fora Collor grande, nessa perspectiva aí de luta contra o neoliberalismo, que talvez eu ainda não entendesse dessa forma, com tanta clareza, mas era isso, essa luta contra as privatizações, contra a corrupção, contra o fim do Estado. E eu acho que isso sempre foi determinante na minha militância. Daí, quando eu entrei no movimento estudantil universitário eram os anos do Fernando Henrique, do Paulo Renato, das greves das universidades federais, essa questão bem intensa do neoliberalismo implementado até às últimas conseqüências; tentando ser implementado no Brasil, o Fernando Henrique vendendo as estatais. Eu participei intensamente das mobilizações que a gente fazia contra a venda das estatais, das privatizações e em defesa da educação pública. Participei de um comando de greve na UFRGS [Universidade Federal do RS] ainda, acampamentos, na greve de 2001, no ataque ao ministro da Educação, Paulo Renato, por causa da privatização branca que ele fazia das universidades públicas brasileiras e contra a abertura que ele fez, naquele período, ao capital privado na educação superior do país, o que gerou esse ‘boom’ de universidades privadas com as quais a gente tem que conviver até hoje no Brasil.
 
Então eu acho que esse período de resistência ao neoliberalismo foi o que marcou minha militância desde o início. Foi onde eu entrei, foi onde eu comecei e foi o período em que eu mais atuei, mais participei, em que a gente teve lutas com maior combatividade, com maior ênfase...
 
E essa nova geração dos anos 2000? Como você vê essa juventude de hoje, essa juventude extremamente midiática que convive com a convergência digital? Existe algum paralelo com a juventude da década de 90?
 
Lúcia – Eu acho que é uma juventude com muito mais condições de conhecer o mundo. Enfim, essas mídias, essas tecnologias às quais a juventude hoje tem acesso, faz com que ela tenha mais condições de conhecer o mundo. Isto se a curiosidade a incentivar a saber o que está acontecendo nos EUA, o que é que está acontecendo na guerra e porque é que a África está sofrendo o que está sofrendo. Eu acho que é uma juventude que não tende á alienação maior ou menor por conta da tecnologia que está sendo oferecida. Pelo contrário, a juventude tem mais condições de se rebelar por ter mais condições de conhecer e de entender o que está acontecendo.
 
Então eu acho que é uma geração que tem desafios, vai ter quê se organizar para lutar por outras conquistas e para resistir a outros ataques, mas eu acho que é uma geração que não vai perder essa combatividade que a juventude, eu acredito, tem ‘ao natural’, aquele desejo de mudar, aquele altruísmo maior, que é o que marca a juventude; aquele desprendimento com a sua vida, aquela pouca preocupação com o cotidiano, com o pagamento de contas, com o filho que ainda não tem. A vida da juventude ela está disposta a dar pelas causas que acha serem justas. Eu acho que é o momento mais rico da vida de uma pessoa justamente por isso. Eu acho que esta geração vai ter as suas lutas, vão ser outras, vão ser outras resistências, mas não vai ser uma geração menos batalhadora do que foi a de 90, do que foi a geração do fim do neoliberalismo.
 
De 1996 para cá quais foram as figuras que lhe marcaram nesse caminho?
 
Lúcia – Foram várias. Antes de eu ser da UJS mesmo, eu não tenho como negar, naquela época do Fora Collor eu tinha uma foto do Lindberg [Farias, presidente da UNE em 1.992, atual prefeito pelo PT de Nova Iguaçu (RJ)] na parede do meu quarto. Era uma matéria, alguma coisa falando de dinossauro, dinossauro sai do armário... Era uma matéria da Veja sobre o Fora Collor e tinha o Lindberg pousando com o joelhinho dobrado. Eu achava ele lindo e o achava legal. Então ele foi uma figura marcante assim no início, numa época em que eu nem militante era.
 
Depois o Orlando Silva Júnior [atual ministro dos Esportes], ele era presidente da UJS quando eu entrei. Então eu acho que foi uma das principais referências que eu tive sempre e até hoje às vezes eu me lembro, quando estou com alguma dúvida, alguma coisa me lembra o Orlando falando e eu penso: 'Pô, e o Orlando, o que ele pensaria?' Então eu tive aquela referência muito forte, o Orlando, a vida toda. As figuras do Rio Grande do Sul, também não dá para negar, foram os companheiros que começaram a militância comigo, também me ajudaram a formar minha consciência, minha disciplina, minha noção de coletivo, de UJS.
 
Mas acho que foram várias. No primeiro congresso da UNE que eu participei teve a eleição do Wadson, em 1999. Então também foi muito marcante para mim, o Capelli passando para o Wadson a presidência da UNE. O Wadson também marcou fortemente o início da minha vida universitária. O presidente de UNE que eu conhecia quando eu entrei na universidade era ele. Isso também foi determinante. E de lá para cá diversos companheiros da UJS têm sempre me ensinado muito.
 
Fora as referências da trajetória política que outras te marcaram?
 
Lúcia – Livro assim que marcou a minha vida, mas mais nesse aspecto lúdico, de incentivar e de me ajudar a passar por esta fase da adolescência e a canalizar para a transformação essa rebeldia da adolescência, foi O Apanhador no Campo de Centeio [de J.D. Salinger]. Quando eu li marcou muito, foi importante para mim o livro. Um escritor que eu sempre admirei, que desde que estou na UNE sempre tento trazer para todas as atividades de UNE e ainda não consegui é o Eduardo Galeano, um grande escritor. Ele é o meu escritor preferido. O Livro dos Abraços é o livro mais bonito que ele tem, e é muito poético. Ele [Galeano] também é comunista, ele tem esse espírito também. Então ele escreve coisas muito bonitas. Cem Anos de Solidão [do Gabriel García Márquez] é um livro que eu gostei. A minha formação teórica não tem novidades. Os nossos clássicos, as nossas referências me formaram.
 
Mudando de assunto... Como você tem avaliado esses anos do governo Lula?
 
Lúcia – Eu acho que a gente vive um momento de possibilidades, de conquistas muito maior do que a gente tinha antes. No início da minha militância foi esse negócio de resistência, de ficar contra a privatização, de lutar contra a abertura dessas universidades particulares e hoje nós temos a possibilidade de discutir com o presidente, sentados na mesma sala que ele pautando a necessidade de aprovar uma rubrica orçamentária específica para a assistência estudantil nas universidades federais, por exemplo.
 
A gente tem a possibilidade de sentar junto com o ministro da Educação e exigir que o projeto de lei da reforma universitária contenha alguns aspectos que os estudantes consideram importantes, como a obrigatoriedade de cursos noturnos, o aumento de 9 para 14% no valor da assistência estudantil, a questão da ampliação de vagas no Prouni, que ainda é um programa paliativo. Ele [Prouni] é muito importante para a inclusão da juventude brasileira na universidade, do jovem que não teria condição de entrar em uma universidade particular porque não poderia pagar a mensalidade, e que também não consegue passar no vestibular excludente da universidade pública, mas que, através do Prouni, tem condição de estudar.
 
O Lula na presidência guarda também muitas insuficiências, ainda são muitas coisas e a gente tem condições para avançar; mas é uma outra realidade que a gente vive; é um outro, um novo momento em que a gente tem mais condições de transformar o Brasil que a gente vive. A gente, nós dos movimentos sociais (CUT, UNE, MST), tem mais condições de pressionar pelas transformações do que a gente tinha antes. E acredito que o movimento social está sabendo usar isso muito bem, como muita autonomia, muita independência, com o distanciamento que tem que ter frente a qualquer instância do poder público. Acho que os movimentos sociais estão sabendo aproveitar o momento para exigir as transformações, as mudanças que ainda não foram feitas nesses primeiros cinco anos de governo Lula.
 
A gente espera que através da nossa pressão, da nossa mobilização constante nesse último período que ele ainda tem à frente da presidência, a gente consiga ver concluído esse segundo mandato com um Brasil diferente na estrutura, não só nessas medidas paliativas, mas estruturalmente diferente. Com uma política econômica diferente, com uma reforma política que seja democrática e inclusiva, não uma reforma política com as propostas que estão sendo colocadas hoje aí, como essa medida antidemocrática da cláusula de barreiras, mas uma reforma política que traga a população para a participação, com a criação de plebiscitos, de consultas, de referendos.
 
Acho que o Lula ainda pode fazer um grande debate público e transformar radicalmente a questão dos meios de comunicação do Brasil, a questão é urgente. Um debate maior com a sociedade sobre a democratização dos meios de comunicação. Eu acho que é isso que o Lula tem que fazer, foi isso que ele se comprometeu a fazer no seu programa de eleição para o segundo mandato, e é isso que o povo exige que ele faça. E nós dos movimentos sociais vamos pressionar para que ele conclua o seu segundo mandato com essas transformações conduzidas.
 
Como você avalia a gestão que está se encerrando na UNE?
 
Lúcia – Acho que foi uma gestão essencialmente vitoriosa e muito mobilizadora. Foi uma gestão que mexeu com os estudantes universitários porque construiu o Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), onde reuniram-se centros acadêmicos e diretórios acadêmicos em Campinas (SP) no ano passado, que organizou a estrutura do movimento estudantil, permitiu que a gente construísse uma bienal no Rio de Janeiro no início desse ano, como foi a 5ª Bienal de Arte e Cultura da UNE. Bienal que gerou a reconquista do terreno da Praia do Flamengo, o que foi um dos maiores feitos dos últimos anos na história da UNE, foi um resgate da história do povo brasileiro reconquistar aquele terreno – que era dos estudantes e sempre foi um espaço de ebulição da cultura popular brasileira e das idéias políticas da juventude brasileira –, e que foi nos tirado na época da ditadura militar, e só agora, 40 anos depois, a gente consegui retomar, reconquistar para a UNE aquele terreno. A próxima gestão agora terá a responsabilidade de reconstruir um prédio com o projeto do Niemeyer, no Aterro do Flamengo.
 
Então foi isso, uma gestão vitoriosa e mobilizadora. Conseguiu mexer com a base do movimento estudantil, fazer com que a UNE chegasse dentro de cada sala de aula e, com isso, conquistou grandes vitórias, como foi o encaminhamento do projeto de lei da reforma universitária no Congresso, a reconquista do terreno da UNE e, enfim, tantas outras vitórias que a gente conseguiu conquistar nesses últimos dois anos.
 
Quem está próximo do movimento e acompanha a gestão da UNE sabe que tudo isso que você está falando é realmente uma marca importante, 70 anos da UNE, e tudo o mais... Mas uma grande quantidade de jovens no nosso país ainda está distante desse debate, não se interessa e nem procura saber o que é que está acontecendo. Para essa próxima gestão que vai rolar depois do Congresso, você acha que esse é um desafio?
 
Lúcia – Eu acho que são muitos os desafios que se avizinham. A próxima gestão da UNE tem que ser uma gestão que não sairá das ruas. Acho que esta tem que ser a marca da gestão. Quando a gente fala em colocar o bloco na rua é para manter os estudantes o tempo todo mobilizados pelas causas que são justas e pelas quais temos que lutar: por uma nova universidade, por uma universidade pública mais valorizada, por uma universidade particular com uma qualidade de ensino maior e mensalidades mais justas, pela democratização dos meios de comunicação, pela mudança na política econômica.
 
Eu acho que a gente tem que ficar constantemente em alerta e em mobilização para garantir as vitórias que a gente tem a possibilidade de conquistar nesses próximos dois anos. Tem que ser uma gestão de muita luta, muita vontade e com muita consciência de confiança de que a gente pode transformar o Brasil, e que a gente vive hoje junto dos outros movimentos sociais brasileiros.
 
Fora isso, essa é uma gestão que terá o desafio de organizar esses jovens que, como você falou, são muitos. Somos quase 4 milhões de estudantes universitários no Brasil com um perfil muito diverso. Então tem a elite na universidade, mas hoje tem o filho do trabalhador na universidade particular através de programas, como o Prouni ou algum financiamento estudantil. A UNE tem que conseguir dialogar com toda essa juventude que está na universidade brasileira e trazer todos esses jovens para essa luta, que é a luta por um Brasil diferente, por uma educação melhor para todo mundo.
 
Para conseguir trazer esses jovens para essa nossa luta, a gente vai ter que continuar com esses espaços que a UNE tem construído constantemente, como aperfeiçoamento dos fóruns de DCE’s, de centros acadêmicos, a Bienal. Além disso, acho que a UNE tem que construir nesse próximo período uma nova caravana que percorra todas as universidades ou todas as capitais do Brasil, dialogando com os universitários sobre os desafios que a gente tem pela frente.
 
Vai ser a gestão que vai concluir os 70 anos da UNE que a gente comemora agora em agosto. Então eu acho que vai ter o compromisso com esses 70 anos, com a retomada do terreno já tendo sido feita, tendo o compromisso de conseguir levantar ali no Flamengo 132, esse novo prédio que vai ser a nova sede, o novo espaço dos estudantes brasileiros. São vários desafios que se avizinham e que a gente vai ter que conseguir vencer um a um, todos os dias, na luta, na mobilização e na pressão por um Brasil melhor.
 
Uma das marcas dessa gestão que vai acabar agora em julho é a valorização da diversificação do trabalho da UNE. Tiveram encontros de mulheres, encontros de negras e negros cotistas, a UNE na Parada do Orgulho Gay, enfim, houve uma série de iniciativas. Mas há temas que ainda não pegaram na UNE, como a questão do meio ambiente e do esporte, por exemplo. Você acha que vai ser possível desenvolver outros temas na próxima gestão?
 
Lúcia – Eu acho que o meio ambiente é uma questão que está latente, é um debate latente na sociedade mundial. O G-8 mesmo está reunido para debater as questões do Tratado de Kyoto que se encerra. É uma questão em relação à qual toda a juventude tem muita sensibilidade, porque é o mundo em que a gente vive, é a gente saber se o nosso futuro vai ser só daqui há 20 anos ou se agente vai ter condições de criar nossos filhos e nosso netos em um país, em um planeta que está sendo destruído pelo avanço de todo o sistema capitalista com as condições de exploração do meio ambiente desenfreada e inconseqüente que a gente vem vendo acontecer. Acho que o meio ambiente tem que ser de fato um tema a ser desenvolvido com mais cuidado pela UNE.
 
A UNE sempre deu atenção à questão da Amazônia e sempre fez campanhas em defesa da Amazônia, pela soberania e pela defesa da floresta Amazônica. Eu acho que tem que desenvolver isso e ir mais além.Tratar da questão do meio ambiente da forma e com a seriedade como essa questão merece ser tratada e que eu acho que é uma coisa que a juventude tem muita sensibilidade, talvez mais sensibilidade que qualquer outra geração já teve. É uma geração que tem muito mais noção, muito mais consciência dos perigos que a gente vive hoje, que o nosso planeta vem sofrendo pelas questões ambientais. Eu acho que a próxima questão da UNE vai ter um desafio sim, de saber desenrolar melhor, de saber organizar os estudantes e a juventude brasileira na luta em defesa do meio ambiente.
 
E o esporte também. O esporte universitário é muito importante no dia-a-dia de quem está em sala de aula. As atléticas são muito organizadas, os jogos universitários brasileiros acontecem e a UNE, por 'falta de perna' mesmo, não consegue organizar tudo, não consegue organizar todos os trabalhos possíveis que a gente teria. Mas eu também acho que o esporte é uma das questões mais aparentes agora, com o Pan sendo no Brasil, com a possibilidade da Copa vir para o Brasil em 2014. Enfim, são muitas coisas que vêm trazendo o esporte cada vez mais presente no dia-a-dia aí da vida dos estudantes universitários. Eu acho que a UNE vai ter que voltar a estar à frente da organização dos Jubes [Jogos Universitários], voltar a estar à frente da organização dos jovens que fazem esportes e se desenvolvem, desenvolvem seu trabalho universitário por meio do esporte.
 
Lúcia, você é a quarta mulher a liderar a UNE em 70 anos. A penúltima foi a Patrícia de Angelis, que também era gaúcha e antecedeu a gestão que mobilizou o Fora Collor. Como você pensa em enfrentar essa relação tensa que rola, às vezes, de mulher na política, na liderança?
 
Lúcia – Essa questão de em 70 anos eu poder ser a quarta mulher presidente demonstra que, mesmo no movimento estudantil, por mais que cada vez mais a gente adquira consciência da importância da organização das mulheres nos espaços públicos, eu acho que demonstra que a gente ainda não alcançou o grau de consciência e de inclusão necessário das mulheres, porque é mais difícil para a mulher se posicionar enquanto liderança em qualquer espaço.
 
Em cada dia, em cada reunião em que a gente vai tem que se colocar com colegas do centro acadêmico, ou em uma plenária na qual a gente tem que falar para milhares de pessoas em cima de um palco. Cada coisa dessas para a mulher é sempre mais difícil. A gente sofre uma opressão maior e que às vezes as pessoas até naturalizam, acham que é normal uma mulher subir para fazer a defesa de uma proposta política e ter lá em baixo pessoas gritando ''ô gostosa''. E as pessoas acham que é normal, que isso não agride a mulher liderança que está ali, e não se dão conta de que é isso o que afasta tantas jovens do movimento estudantil, do trabalho de base do movimento estudantil.
 
Então eu acho que vai ser um desafio grande, que de fato já se colocou em outros momentos da minha militância por outras tarefas que eu assumi, mas nunca com o tamanho, com a proporção que deverá ter agora, tendo esse trabalho à frente da presidência da UNE. Mas eu espero que essa gestão e essas dificuldades que eu venha a passar sirvam para ajudar a conscientizar sobre a importância da organização das mulheres no movimento social, sobre a importância da participação das mulheres na vida política do Brasil. Que a gente consiga ver cada vez mais mulheres participando de disputas eleitorais, de cargos executivos e legislativos.
 
Que seja uma gestão da UNE que, tendo uma mulher na presidência, tendo diversas mulheres na diretoria, como eu tenho certeza de que vamos ter, a gente consiga levantar alto essa bandeira em defesa da autodeterminação, pela auto-organização das mulheres no movimento social.
 
Existia uma vontade grande por parte de outras correntes de opinião do movimento social, para além da UJS, que você fosse a nova presidente da UNE. Quais as qualidades que você acha que levam a essa vontade?
 
Lúcia – Eu tive a chance de estar participando de diversas pastas da UNE. Essa experiência me ensinou muito a importância do diálogo com as outras forças políticas, a importância da construção coletiva, a importância de entender que o movimento estudantil e a UNE são patrimônios muito grandes de todo o povo brasileiro, e não só da força política que estiver à frente dela, e nem só de todas as forças políticas que estão à frente da UNE.
 
A UNE é um patrimônio grande demais para a gente tentar dirigir, conduzir sozinho. Acho que foi isso que a UJS me ensinou nesse tempo em que eu estive à frente da UNE. Isso que eu desenvolvi muito, que tive a chance de exercitar nesses últimos anos em que eu estive à frente da UNE, esse diálogo, esse respeito e essa compreensão da importância que tem a diversidade de organizações e de forças, e de opiniões políticas que participam e constroem a UNE, e a diversidade que é aquela que enriquece e permite que a entidade seja cada vez maior, como vem sendo.
 
Se não fosse essa diversidade de opiniões, de concepções, a UNE hoje não teria tantos fóruns, como a gente já mencionou aqui. E outras forças, outras pessoas que levantam a bandeira do software livre e construíram isso dentro da UNE. Eu acho que essa construção com as diferentes forças políticas foi o que ajudou a UNE a crescer e a aprender com o diálogo, aprender com a diferença, sempre saber o que tirar de bom de cada opinião divergente da sua, eu acho que foi isso que me ajudou a crescer, ajudou a UNE a crescer e talvez tenha sido o que motivou outras forças políticas a acharem que eu poderia estar à frente nesse próximo período pelo respeito e o aprendizado constante e permanente com as diferenças e com o diverso que a UNE nos proporciona.
 
A maior escola política do Brasil eu acho que é a UNE, justamente por isso, pela possibilidade que a gente tem de conviver com opiniões tão divergentes às vezes, tão opostas, e saber tirar disso sempre a melhor síntese de toda essa diversidade.
 
Você acha complicado ser militante da UNE? Dá tempo de ir ao cinema, namorar, visitar os pais. Como é que é isso?
 
Lúcia – Não é outra vida, faz parte da mesma vida. A gente é completo tendo todas essas possibilidades de vivências diferentes. Eu acho que sem isso, sem esse outro lado, a questão de ter um companheiro, de ter uma família, de conseguir curtir isso, a gente não conseguiria desenvolver a militância de forma tão plena como desenvolve. Só na atuação do movimento estudantil, só no cotidiano da militância que é muito desgastante e às vezes é cansativo, enfim, é difícil, é desafiante. Se a gente não tivesse essa possibilidade de poder relaxar, descansar, de poder às vezes ser mais a gente e menos o conjunto, e menos o coletivo, eu acho que seria ainda mais difícil.
 
Então eu acho que é determinante para o militante ter toda a disposição de militar que tem que ter – quanto mais destacada a tarefa maior será a dedicação que ele terá que ter com a vida militante – mas conseguir junto disso ter esse lado da família, esse lado de ter um namorado, de ir ao cinema, de jantar fora, ‘de viajar quando dá, dar uma fugida quando pode eu acho que é determinante para a gente conseguir desenvolver com plenitude as tarefas o os desafios que a militância nos impõe.
 
Qual é o maior sonho da Lúcia?
 
Lúcia – Acho que o sonho é esse de conseguir ajudar, ser parte da transformação do mundo que a gente vive, ser uma parte de todo esse conjunto de pessoas e de ações que visam transformar o Brasil, o mundo, em um lugar melhor para se viver, em um lugar mais justo, um lugar onde as pessoas possam desenvolver suas capacidades, seus desejos com plenitude. Acho que é isso. Meu sonho é viver em um mundo diferente e conseguir ser um dos agentes transformadores desse mundo.


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#2753 De: "wesley francisco" <wesleyfrancisco@...>
Data: Sex, 6 de Jul de 2007 9:28 pm
Assunto: Camaçari: Prefeito petista comprova inocência e cobra tratamento igual da mídia
wesleyfranci...
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Camaçari: Prefeito petista comprova inocência e cobra tratamento igual da mídia

Ponto

Desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Navalha, em 17 de maio deste ano, visando desmantelar uma quadrilha responsável por inúmeras fraudes em licitações de obras públicas, o prefeito de Camaçari (BA), Luiz Carlos Caetano, do PT, vem lutando para demonstrar que a sua prisão não passou de um grande equívoco cometido pela PF e amplificado pelos meios de comunicação.

 

Preso pela operação — apesar de não haver nenhum indício de qualquer envolvimento seu com a Gautama, já que nenhuma obra foi construída em Camaçari pela empresa do chefe do esquema de fraudes, o empreiteiro Zuleido Veras —, ele teve a sua imagem exposta pela mídia e a sua vida pessoal e pública devastada. Mas ele jamais perdeu a esperança de poder provar a sua inocência, o que começou a fazer assim que deixou a PF, através de habeas corpus do STF.

 

A luta justa do prefeito petista da segunda cidade mais importante da Bahia ganhou mais força ainda com a decisão da ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de acatar o parecer do Ministério Público Federal e excluir do processo principal da Operação Navalha os fatos relativos a Camaçari, principalmente no que se refere ao prefeito Luiz Caetano. A decisão teve por base o fato de nunca ter havido licitação com a participação da Gautama e tampouco contrato entre a prefeitura com a construtora ou qualquer pagamento a ela.


Na decisão, a ministra afirma que "não houve incorporação de verba federal ao patrimônio municipal (...) e que "não houve consumação de dano aos cofres públicos, eis que, embora formalizado o convênio, não se completou sequer o procedimento licitatório para a escolha da empresa que realizaria as obras".

 

Mas, apesar de ter a seu favor diversas comprovações emitidas por órgãos governamentais e da Justiça, ele reclama da ação da mídia que, ao contrário do estardalhaço promovido quando da sua prisão, praticamente ignorou a decisão do STJ a seu favor.

 

Em entrevista ao Portal do PT, Luiz Caetano, com confiança na Justiça, defende as ações da Polícia Federal contra o crime organizado e diz que  a sua maior ansiedade no momento é poder restituir a verdade e provar, em definitivo, à população de Camaçari, da Bahia e do Brasil, que a sua prisão foi um ato de injustiça.

 

Leia na íntegra a entrevista do prefeito Luiz Carlos Caetano, de Camaçari (BA).

 

 

Como o senhor se sentiu com a decisão da ministra Eliana Calmon do Superior Tribunal de Justiça que excluiu o seu nome do processo principal da Operação Navalha?

 

Na prática, está se corrigindo uma injustiça que fizeram comigo. Desde o momento em que fui preso, eu disse que não tinha nada a ver com a Gautama e com a Operação Navalha, mesmo porque os fundamentos dessa operação não se aplicavam e não se aplicam a Camaçari. E essa decisão da ministra do STJ me dá um alento, uma perspectiva de poder restituir a verdade para a Bahia e o Brasil.

 

Daqui para a frente como fica o processo que foi enviado para o Tribunal de Justiça da Bahia? O senhor acredita que o processo será arquivado, diante dos próprios argumentos da ministra sobre a falta de comprovação de qualquer envolvimento da prefeitura de Camaçari com a Gautama?

 

Eu creio que sim, porque não tem obra, não tem pagamento, não teve licitação feita por nós. A licitação foi feita pelo governo passado, que nós cancelamos. Não teve nenhuma ordem de serviço. Portanto, como diz o próprio despacho da ministra e o parecer do Ministério Público Federal, não tem incorporação de verba federal ao patrimônio do município. Na minha opinião, não tem nenhum sentido dar continuidade a esse processo.

 

O anúncio da exclusão do seu nome do processo principal não foi divulgado de forma ampla na mídia nacional, como foi o da sua prisão. Como o senhor avalia o papel da mídia nesse episódio?

 

Realmente, pouquíssimos veículos divulgaram o fato e mesmo assim em rodapés. Isso é uma coisa muito maléfica, muito ruim para a democracia. A mídia, de certa forma, só divulga fatos com a intenção de provocar estardalhaço. Por exemplo, teve uma emissora de televisão que sobrevoou Camaçari para dizer que "a obra" tinha características técnicas equivocadas, errada, mal feitas, sendo que não havia obra nenhuma aqui. O jornal A Tarde, aqui da Bahia, colocou uma foto e divulgou uma matéria dizendo que a União vai investigar a obra em Camaçari, mesmo o jornal já sabendo que não existe obra alguma, conhecendo o parecer da ministra e do Ministério Público Federal. Então, passei um constrangimento muito grande, ficando vários dias preso, tendo a minha imagem exposta na televisão, sendo preso pela Operação Navalha, e consciente de que não tinha nada a ver com aquilo, mas estava incomunicável e não podia dar a minha versão. E aí saiu a notícia da minha prisão em toda a mídia nacional, escrita, radiofônica e televisiva, até o dia 20 (de maio). Agora, depois que a ministra acatou o parecer do Ministério Público, que denunciou o pessoal do Maranhão, denunciou o Zuleido, mas não me denunciou, afirmando que não tem indício nenhum de crime em Camaçari, aí a mídia nacional não noticia nada.

 

Qual a sua avaliação do trabalho da Polícia Federal neste caso? O senhor já tomou ou pretende tomar alguma medida para reparar os danos sofridos pela sua imagem durante o episódio?

 

Eu acho que a Polícia Federal deve continuar agindo para coibir o crime. Eu disse em todas as minhas entrevistas que concordo com as ações realizadas pela Polícia Federal, mas acho que ela deve ter o cuidado para evitar os excessos, como os que ocorreram comigo. Não tomei nenhuma medida ainda. Sabe qual é a minha ansiedade agora? É mostrar em definitivo que sou inocente e estamos mostrando isso. Primeiro, houve o habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, depois uma entrevista do ministro Jorge Hage (da Controladoria Geral da União), dizendo que em Camaçari não existia obra feita pela Gautama e que a licitação ganha pela empresa foi feita em 1999, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso, na gestão do então prefeito Tude (José Eudoro Reis Tude, do PFL), mas que acabou cancelada e a obra não chegou a ser executada. Depois, nós conseguimos uma certidão do Tribunal de Contas da Bahia dizendo que não teve obra aqui em Camaçari, envolvendo a Gautama, durante os dois anos e meio da minha gestão. E agora essa decisão da ministra do STJ e o parecer do Ministério Público Federal. Então, são cinco atos da Justiça e de pessoas ligadas à Justiça reafirmando tudo o que eu dizia desde o início, que não havia cometido nenhuma ilegalidade, nenhum crime.

 

Durante todo este período em que tem trabalhado para provar a sua inocência, o senhor recebeu o apoio da maioria do povo de Camaçari?

 

Recebi, sim, um apoio muito grande por parte da população desde que eu retornei. Mas é óbvio que a população quer conhecer a verdade, quer ver a questão totalmente esclarecida. Porque fica uma preocupação na cabeça das pessoas, assim: "Se ele não tem nada a ver, por que então foi preso pela Polícia Federal?" Trata-se do prefeito da cidade economicamente mais importante da Bahia, depois de Salvador, uma grande cidade e um pólo industrial. Mas a mídia não está me ajudando muito, não fala a verdade, não diz para a população de maneira clara que tudo não passou de um equívoco. Ainda mais por eu ser um prefeito do PT, da Bahia, uma cidade do interior, então eles aproveitam para bater no prefeito e bater no partido.

 

É a primeira vez que o PT governa Camaçari. Qual a avaliação que o senhor faz da sua administração neste período de dois anos e meio de governo? O que o senhor destacaria alguma realização importante do seu governo?

 

Em dois anos e meio, nós conseguimos fazer por Camaçari mais do que foi feito pelos outros gestores nos últimos oito anos. Nós implantamos aqui, por exemplo, um projeto que está tendo uma grande repercussão em todo o estado da Bahia, que é o "Cidade do Saber". É um mix de educação, cultura, esporte e lazer, que funciona em dois grandes prédios, com um teatro de 600 lugares, vários auditórios para qualificação permanente de professores, várias salas para oficinas, sala  de dança, lan houses, bibliotecas, videotecas, sala de contar de histórias e diversos equipamentos para a prática de esportes. Enfim, é um projeto de inclusão social para a busca do conhecimento. Temos já mais de 300 crianças da periferia participando de balé clássico e de outros cursos. É um projeto de grande repercussão, sendo visitado por várias prefeituras e delegações estrangeiras, e que está dentro de um processo de mudanças que a gente tem na educação, saúde e infra-estrutura, além de investimentos na geração de empregos, onde já inserimos mais de dez mil pessoas no mercado de trabalho desde que assumimos a prefeitura. Então é uma gestão que tem se pautado por promover transformações nos vários aspectos de administração do município e que está muito bem avaliada em várias pesquisas de opinião. Temos também boas parcerias governamentais, tanto na esfera federal, dentro das ações previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), como também com o governo estadual, com o companheiro Jaques Wagner, que ainda está no início do seu governo, num processo de planejamento e arrumação da casa, mas já há iniciativas importantes por parte do seu governo.

 

O PT de Camaçari já está aprofundando as discussões em torno das eleições municipais de 2008? O senhor pretende se candidatar à reeleição?

 

Bem, isso já vem sendo discutido internamente. Obviamente que o partido defende que eu seja candidato à reeleição e outras forças políticas também defendem. Mas nós estamos em um processo de avaliação e de discussão, para que até o final deste ano possamos definir.

 

Leia também:

Em entrevista, Berzoini comenta o caso do prefeito de Camaçari.




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#2754 De: "Caio Barbosa" <caiobarbo@...>
Data: Dom, 8 de Jul de 2007 4:09 pm
Assunto: Re: DEPUTADO LANÇA "CAMPANHA DO LAÇO BRANCO"
caioprimitivo
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Muito massa!!

Em 05/07/07, wesley francisco <wesleyfrancisco@...> escreveu:





DEPUTADO LANÇA "CAMPANHA DO LAÇO BRANCO"
O deputado estadual Yulo Oiticica e o presidente do PT, Marcelino Galo, lançaram na abertura da II Conferência Estadual de Políticas para Mulheres, a Campanha do Laço Branco: Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Um dos objetivos da campanha é a redução da discriminação e da violência contra a mulher. Na ocasião, eles distribuíram centenas de laços brancos entre as cerca de 600 pessoas que participaram da conferência, no Centro de Convenções. "Não podemos mais tolerar a covardia de homens que espancam mulheres em casa ou nas calçadas, seja por serem advogadas ou médicas, empregadas domésticas ou prostitutas", defendeu Yulo.

fonte: www.samuelcelestino.com.br



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Caio Fernandes
"QUILOMBO"
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Centro Acadêmico Luiza Mahin-UFBA

#2755 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Seg, 25 de Jun de 2007 12:24 pm
Assunto: Francês nas férias
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Francês nas Férias
Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da UNEB promove Curso Intensivo de Francês para iniciantes, durante as férias escolares - Inscrições dias 27 e 28/junho, Campus I, em Salvador
O Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) abre inscrições para o Curso Intensivo de Extensão em Língua Francesa nível 1.
Para se matricular, é preciso preencher a ficha de inscrição e assinar o contrato disponível no NEC. A taxa única de inscrição, no valor de R$200, deverá ser paga a vista no ato da inscrição.
As aulas serão ministradas pela professora Lucila Carneiro, de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 21h30. O curso é intensivo, começando no dia 3 de julho e com término previsto para 23 de julho.
Os interessados deverão se inscrever nos dias 27 e 28 de junho, das 9h às 12h e das 14h às 17h , na sede do NEC, que fica no Campus I da UNEB, no bairro do Cabula, em Salvador.
Informações: tel. (71) 3117-2303 / e-mail necba@...
[Texto: Michele Louvores – Ascom/UNEB]03


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#2756 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Seg, 25 de Jun de 2007 11:57 pm
Assunto: Francês nas férias
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Francês nas Férias
Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da UNEB promove Curso Intensivo de Francês para iniciantes, durante as férias escolares - Inscrições dias 27 e 28/junho, Campus I, em Salvador
O Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) abre inscrições para o Curso Intensivo de Extensão em Língua Francesa nível 1.
Para se matricular, é preciso preencher a ficha de inscrição e assinar o contrato disponível no NEC. A taxa única de inscrição, no valor de R$200, deverá ser paga a vista no ato da inscrição.
As aulas serão ministradas pela professora Lucila Carneiro, de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 21h30. O curso é intensivo, começando no dia 3 de julho e com término previsto para 23 de julho.
Os interessados deverão se inscrever nos dias 27 e 28 de junho, das 9h às 12h e das 14h às 17h , na sede do NEC, que fica no Campus I da UNEB, no bairro do Cabula, em Salvador.
Informações: tel. (71) 3117-2303 / e-mail necba@...
[Texto: Michele Louvores – Ascom/UNEB]03


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#2757 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Seg, 25 de Jun de 2007 3:10 pm
Assunto: Bolsa de estudos para curso de especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina
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Direitos Humanos
UNEB e Ministério Público (MPE) oferecem duas Bolsas de Estudo para Curso de Especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina, no Equador – INSCRIÇÕES PRORROGADAS até 30/junho, Fesmip, em Salvador
Foram prorrogadas, até o dia 30 de junho, as inscrições para o Curso de Especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina, que será realizado em Quito, capital do Equador.

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e o Ministério Público do Estado (MPE) dispõem de duas bolsas de estudos para o curso, destinadas a profissionais graduados, cujas pesquisas estejam ligadas à temática dos Direitos Humanos.

As inscrições devem ser realizadas na Fesmip, localizada na Rua Arquimedes Gonçalves, 142, Nazaré, em Salvador. Os candidatos devem apresentar cópia do RG e do histórico escolar, além de uma mostra de trabalho acadêmico prévio. Após essa data, as inscrições devem ser realizadas diretamente na Uasb.

O curso é fruto de convênio de cooperação técnica firmado entre a UNEB, o MPE - através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip) - e a Universidade Andina Simon Bolívar (Uasb), sediada no Equador.

 “Essa especialização é muito interessante, pois estuda a relação entre Direitos Humanos, focando na América latina, com uma visão interdisciplinar e crítica”, salienta a coordenadora do curso pela UNEB, Nayde Baptista Costa.

Rede Internacional de Cooperação


A especialização é parte do Programa Andino de Direitos Humanos (PAHD), financiado pela União Européia, que buscar formar uma rede internacional de cooperação em prol do fortalecimento dos Direitos Humanos na América Latina.

O programa conta com a participação de estudantes e professores universitários do Equador, Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Venezuela e Colômbia. A UNEB é a única universidade brasileira participante.

Após a realização do curso de especialização, em Quito, os coordenadores da UNEB e do MPE pretendem implantar um programa de pós-graduação stricto sensu em Direitos Humanos em Salvador.

O Brasil ainda não possui cursos de mestrado e doutorado na área. O pioneirismo do convênio visa valorizar e fomentar uma cultura de respeito aos cidadãos na América Latina, região que ainda guarda marcas de períodos de governos totalitários.

Informações
- telefone (71) 3321-1724 e no endereço eletrônico
http://www.uasb.edu.ec/padh/
maestria2007/Maestria2007.htm
 


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#2758 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Ter, 26 de Jun de 2007 11:56 am
Assunto: En: Francês nas férias
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Francês nas Férias
Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da UNEB promove Curso Intensivo de Francês para iniciantes, durante as férias escolares - Inscrições dias 27 e 28/junho, Campus I, em Salvador
O Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) abre inscrições para o Curso Intensivo de Extensão em Língua Francesa nível 1.
Para se matricular, é preciso preencher a ficha de inscrição e assinar o contrato disponível no NEC. A taxa única de inscrição, no valor de R$200, deverá ser paga a vista no ato da inscrição.
As aulas serão ministradas pela professora Lucila Carneiro, de segunda a sexta-feira, das 18h30 às 21h30. O curso é intensivo, começando no dia 3 de julho e com término previsto para 23 de julho.
Os interessados deverão se inscrever nos dias 27 e 28 de junho, das 9h às 12h e das 14h às 17h , na sede do NEC, que fica no Campus I da UNEB, no bairro do Cabula, em Salvador.
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#2759 De: rejane pereira correia <rejanefazhistoria@...>
Data: Seg, 25 de Jun de 2007 11:52 pm
Assunto: En: Bolsa de estudos para curso de especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina
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Direitos Humanos
UNEB e Ministério Público (MPE) oferecem duas Bolsas de Estudo para Curso de Especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina, no Equador – INSCRIÇÕES PRORROGADAS até 30/junho, Fesmip, em Salvador
Foram prorrogadas, até o dia 30 de junho, as inscrições para o Curso de Especialização em Direitos Humanos e Democracia na América Latina, que será realizado em Quito, capital do Equador.

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e o Ministério Público do Estado (MPE) dispõem de duas bolsas de estudos para o curso, destinadas a profissionais graduados, cujas pesquisas estejam ligadas à temática dos Direitos Humanos.

As inscrições devem ser realizadas na Fesmip, localizada na Rua Arquimedes Gonçalves, 142, Nazaré, em Salvador. Os candidatos devem apresentar cópia do RG e do histórico escolar, além de uma mostra de trabalho acadêmico prévio. Após essa data, as inscrições devem ser realizadas diretamente na Uasb.

O curso é fruto de convênio de cooperação técnica firmado entre a UNEB, o MPE - através da Fundação Escola Superior do MP (Fesmip) - e a Universidade Andina Simon Bolívar (Uasb), sediada no Equador.

 “Essa especialização é muito interessante, pois estuda a relação entre Direitos Humanos, focando na América latina, com uma visão interdisciplinar e crítica”, salienta a coordenadora do curso pela UNEB, Nayde Baptista Costa.

Rede Internacional de Cooperação


A especialização é parte do Programa Andino de Direitos Humanos (PAHD), financiado pela União Européia, que buscar formar uma rede internacional de cooperação em prol do fortalecimento dos Direitos Humanos na América Latina.

O programa conta com a participação de estudantes e professores universitários do Equador, Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Venezuela e Colômbia. A UNEB é a única universidade brasileira participante.

Após a realização do curso de especialização, em Quito, os coordenadores da UNEB e do MPE pretendem implantar um programa de pós-graduação stricto sensu em Direitos Humanos em Salvador.

O Brasil ainda não possui cursos de mestrado e doutorado na área. O pioneirismo do convênio visa valorizar e fomentar uma cultura de respeito aos cidadãos na América Latina, região que ainda guarda marcas de períodos de governos totalitários.

Informações
- telefone (71) 3321-1724 e no endereço eletrônico
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maestria2007/Maestria2007.htm
 


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#2760 De: "GUSTAVO MERCÊS - PSOL - 50.222" <comunajuvenil@...>
Data: Sex, 29 de Jun de 2007 8:58 pm
Assunto: [campoetnicoepopular] USP um movimento vitorioso
comunajuvenil
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GUSTAVO MERCÊS - PSOL
71 33210932/ 71 87093265
"NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA" - FOE - CEP
 
 
 


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>From: Gilson <gilsonmhjr@gmail.com>
>Reply-To: Lista ecosocialista <ecosocialismo@grupos.com.br>
>To: ecosocialismo@grupos.com.br
>Subject: [ecosocialismo] Leia na página do Revolutas
>Date: Wed, 27 Jun 2007 23:49:44 -0300

USP um movimento vitorioso

A greve e invasão da Reitoria da USP chega a seu final com vitória dos
estudantes, funcionários e professores mobilizados pelos interesses públicos
da universidade. Fazia tempo que um movimento dessa ordem não conseguia
tanta adesão – das três categorias -, tanta repercussão política, tanta
simpatia da população e, como resultado, uma vitória tão clara.
Seus participantes diretos estão de parabéns, deram uma lição de mobilização
popular, de espírito de defesa da universidade pública, de criatividade de
métodos de ação e de capacidade de negociação política – intermediados pela
excelente comissão de professores que serviram como facilitadores. A USP,
seus professores, estudantes, funcionários, tem que sair muito contentes e
incentivados a seguir na organização e na luta pelo fortalecimento do
caráter público da USP.
Grande parte das reivindicações internas à USP foram conseguidas, foi freado
o projeto do governador de São Paulo para violar mais ainda a autonomia
universitária, foi impedida a intervenção militar preparada pelo governo
tucano no campus da universidade, foi chamada a atenção sobre a situação da
USP e ficou claro que há força entre os estudantes, professores e
funcionários, para defender os interesses da universidade. O que não é pouco
em tempos de grandes desmobilização – em particular da juventude -, de
ataques sistemáticos às universidades públicas – veja a violenta ação da
polícia em Araraquara -, de ideologia da privatização do ensino, de mídia
que desqualifica tudo o que é público, de desvalorização das mobilizações e
das lutas de massa diretas.
O ódio concentrado da direita e de seus porta-vozes, a ação totalitária da
mídia contra a mobilização servem para confirmar como ela tocou em um ponto
sensível do neoliberalismo – a autonomia das universidades públicas – e como
incomoda ao coro uniforme dos papagaios bushistas na imprensa oligárquica.
Saem derrotados, uma vez mais.
É assim que se combate ao neoliberalismo. Com um Congresso como o do MST, em
Brasilia, com 18 mil participantes fazendo um balanço sério e profundo das
lutas pela reforma agrária e elaborando novo plano político e de massas para
dar seguimento a suas lutas –que são as de todo o Brasil – e com
mobilizações como a de 50 dias na USP. A ação desinformadora da mídia
oligopólica, o enfoque redutivo nos escândalos no Congresso, a
desqualificação de tudo o que não seja neoliberal – saem derrotados dessas
mobilizações. Querem demonstrar que as lutas não valem a pena, que estão
derrotados de antemão, que não há força contra o poder do dinheiro e o do
monopólio da palavra que pretendem exercer.
Quando as lutas unificam, fortalecem a confiança em todos de que governos
prepotentes como o de São Paulo podem ser derrotados, que as mobilizações
populares previsam ser revigoradas, com uma nova plataforma anti-neoliberal,
que articule reivindicações dos mais amplos setores sociais, que concentre
seus esforços na ruptura do modelo predominante e proponha não apenas
objetivos, mas meios pelos quais chegar até eles.
O pós-neoliberalismo terá no fortalecimento da esfera pública um eixo
fundamental de reorganização do Estado e de sua relação com a sociedade no
seu conjunto. Nessa direção, a vitoriosa luta dos estudantes, funcionários e
professores da USP pode ser um passo na construção da força social e
política do movimento popular brasileiro.

Emir Sader

FONTE: AGÊNCIA CARTA MAIOR
SITE: http://www.agenciacartamaior.com.br
PUBLICAÇÃO: 26/06/2007

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