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grupo_cabiounb · Centro Acadêmico de Biologia Unb, CABIO

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Enc: Enc: Res: Re: Res: Re: Re: Res: [grupo_cabiounb] Res: Re: TERRO   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #2828 de 6372 |
Re: Enc: Enc: Res: Re: Res: Re: Re: Res: [grupo_cabiounb] Res: Re: TERRORISMO NA UNB

Novamente a lógica distorcida. Denovo a afirmação de que se foram só os apartamentos dos africanos atacados isso significa que o que eles têm em comum como vítimas é só a cor da pele, e que essa é a única característica que têm em comum que foi alvo dos que fizeram o ataque. Não é. A hipótese de xenofobia é sim tão plausível quanto a de racismo, se não melhor.

"Novamente o racismo aparece como um tabu insuperável, procuram-se outros motivos que explique o racismo, e agora o da xenofobia, tudo com o intuito em negar o fato de sermos racistas."

Que FATO é este? Eu não nego que existe o interesse de negar cegamente que existe racismo, até por ingenuidade, e às vezes por interesse ideológico também. Também me pergunto por que é que há esse interesse de dizer que somos todos racistas e que isso é um fato.

"de etnia negra" - e novamente a simplificação da heterogeneidade dos povos africanos em favor de uma classificação do senso comum nem um pouco criteriosa. Não se devia usar o senso comum arbitrariamente como régua de criação de políticas públicas também.


"Os movimentos sociais que defendem as cotas e outras medidas afirmativas para os negros, indígenas e mulheres precisam se valer de políticas que assegurem a identidade destes grupos, já que são elas que, de alguma forma, por causa do preconceito, do racismo, da xenofobia e afins, os impossibilitam de fazerem jus aos mesmos direitos universais a que poucos têm acesso."

Assegurar a identidade não precisa ser segregação. Uma vez vi um cartaz de um movimento negro com citações de vários escritores em defesa da igualdade étnica. Nenhum dos escritores, até onde sei, era não-negro. Será que esse tipo de segregação está mesmo ajudando a identidade de alguém?

O movimento feminista chegou a extremos tais que provocam até risos. Afirmou-se até que a Mecânica dos Fluidos é machista nas suas teorias. Em vez de ficar fazendo barulho irritadiço, eu aconselharia um fomento maior à socialização, e um pouco mais de estudo sobre o que é pertencer a uma etnia afinal, ou até mesmo o que é pertencer a um sexo, o que é pertencer a uma nação.

"mas são os veículos pelos quais nosso racismo jogado pra debaixo do tapete acha para se locomover entre nós disfarçadamente, através da pecha de discurso lógico e racional, nunca racista."

O que posso concluir do trecho acima é que o racismo é uma força etérea, uma entidade sobrenatural, quase um demônio, e vaga entre nós sob diversas formas, e é capaz até de possessão ideológica. É muito comum em debates demonizar a opinião "adversária", transformá-la num boneco de Judas que fica mais fácil de ser surrado.
O que muito pouca gente quer é analisar os fatos com um pouco menos de paixão e um pouco mais de ceticismo.

Daqui a pouco vou ler respostas a estes email (se é que alguma aparecerá) ao estilo "ideologia X, ame-a ou deixe-a". Ou "se não está comigo está contra mim". Nesse caso eu abraçarei de bom grado o rótulo e sacrificarei alguns bodes ao meu racismo etéreo que se esconde no âmago mais profundo do meu epitélio intestinal.

Esperançosamente,
Eli
Soha Chabrawi <soha_bio@...> escreveu:


----- Mensagem encaminhada ----
De: Zahra Osman <zahraunb@yahoo.com.br>
Para: Soha Chabrawi <soha_bio@yahoo.com.br>
Enviadas: Domingo, 8 de Abril de 2007 22:58:51
Assunto: Re: Enc: Res: Re: Res: Re: Re: Res: [grupo_cabiounb] Res: Re: TERRORISMO NA UNB

O fato de existirem festas, música alta, ilícitos, roubos, modos e costumes diversos não pode ser explicativo do que ocorreu no CEU. Todo mundo sabe que isto rola e todo mundo sabe que em vários dos apartamentos, mas não foi o dos brancos, o dos nordestinos, nem o dos japoneses o apartamento atacado. Foram três apartamentos de estudantes africanos de etnia negra. O argumento da pobreza é pior ainda, pressupõe outro tipo de preconceito, o de classe social. Novamente o racismo aparece como um tabu insuperável, procuram-se outros motivos que explique o racismo, e agora o da xenofobia, tudo com o intuito em negar o fato de sermos racistas.
Os movimentos sociais que defendem as cotas e outras medidas afirmativas para os negros, indígenas e mulheres precisam se valer de políticas que assegurem a identidade destes grupos, já que são elas que, de alguma forma, por causa do preconceito, do racismo, da xenofobia e afins, os impossibilitam de fazerem jus aos mesmos direitos universais a que poucos têm acesso. Primeiro negamos a existência do racismo, depois negamos a existência do negro, depois negamos a existência da necessidade das cotas e por fim cruzamos os braços e deixamos que as leis do mercado resolvam o problema secular do fato de o final da escravidão não ter assegurado nenhuma, nenhuminha, política pública de inclusão do ex-escravo negro. Enquanto nos EUA  construíram-se escolas e universidades para que eles se integrassem à sociedade, aqui eles ficaram literalmente a Deus-dará. Como não fazer uma política identitária nestas condições se já está provado que o negro pobre terá 10 vezes menos condições de superar sua pobreza do que o branco pobre? acaba que além do racismo, ele terá que superar um círculo vicioso de injustiça social que data desde a libertação da escravatura.
O discurso anti-sectarista é antes um discurso de negação das injustiças e racismos que estamos cansados de conhecer. Não querem dar às minorias, aos grupos fodidos da sociedade a possibilidade de pensarem e executarem políticas sociais de superação do alijamento do espcaço público, da pobreza, da exclusão intelectual e social. Estes argumentos usados pelo Rafael já estão datados, que pena que a maioria ainda os repete como se fossem a luz que faltava para a resolução dos nossos problemas. Já estão datados, mas são os veículos pelos quais nosso racismo jogado pra debaixo do tapete acha para se locomover entre nós disfarçadamente, através da pecha de discurso lógico e racional, nunca racista.
Soha Chabrawi <soha_bio@yahoo.com.br> escreveu:

Gente, olha o texto abaixo. Não o do Daniel, mas do cara de REL. Achei bem coerente!
Amo vcs,
Sosô.
----- Mensagem encaminhada ----
De: Daniel Pessoa <danielmapessoa@yahoo.com.br>
Para: grupo_cabiounb@yahoogrupos.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 6 de Abril de 2007 2:14:23
Assunto: Res: Re: Res: Re: Re: Res: [grupo_cabiounb] Res: Re: TERRORISMO NA UNB

Pois é, o negócio é mesmo complicado.
Concordo plenamente quando ele fala de grupos sectários.
Também abomino este tipo de pensamento. Até os dias de hoje, por mais que eu tenha me esforçado, ainda não consegui compreender as cotas raciais da UnB. Porque não beneficiar a população de baixa renda? Seria muito mais lógico e natural.
Contudo, mesmo que aceitemos a existência de um forte sentimento xenofóbico na CEU, não podemos negar a presença de racismo.
Na verdade, na minha opinião, o ocorrido se deve a um grande misto de fatores. É até possível que a xenofobia esteja presente em maior escala, afinal, esta acaba sendo de mais fácil aceitação. Confesso, com pesar, que como morador de uma cidade dominada pelos turistas estrangeiros, que inflacionam o mercado, sustentam uma poderosa máfia de prostituição e não fazem a mínima questão de serem educados, já me peguei maldizendo certas nacionalidades. Mas também não podemos esquecer que o racismo está sempre à espreita, "presente no dia-a-dia, nas gavetas mais recônditas dos corações e mentes", para citar o Rafael.
O fato de existirem grupos sectários querendo lucrar com incidentes desse tipo, não nos demanda a adoção de uma posição diametralmente oposta, de negação do racismo.
Nestes casos, ainda creio que o melhor seja trabalhar com diferentes hipóteses.
 
-------Mensagem original---- ---
 
Data: 6/4/2007 01:29:31
Assunto: Re: Res: Re: Re: Res: [grupo_cabiounb] Res: Re: TERRORISMO NA UNB
 
Texto de um amigo meu, q fez Rel e viu as coisas por outro lado, só pra enriquecer nossa discussão:

"Meus amigos,
Não se trata de negar o racismo no Brasil ou na UnB. Ele existe, e é tão cruel quanto silencioso. Está presente no dia-a-dia, nas gavetas mais recônditas dos corações e mentes de colegas, professores e funcionários. Fica lá, se escondendo, covarde que é. Mas ele fala alto, manifesta-se em pequenas e grandes coisas, é influente nos juízos e decisões cotidianas. Difícil será o caminho para que um dia tenhamos uma sociedade que respeite minimamente o direito que todos temos de sermos o que somos: diferentes.
Mas convém não misturar alhos e bugalhos se quisermos enfretar esse problema de forma eficaz. Racismo e xenofobia são males próximos, mas definitivamente longe de serem a mesma coisa. Em meus anos de graduação e mestrado (sete, para ser mais preciso) tive a oportunidade de conviver intensamente com colegas moradores da CEU. E sempre tive notícia de problemas sérios de convivência entre os moradores, boletins de ocorrência por roubo, discussões, brigas, em muito causados pelo abandono das instâncias decisoras da universidade com um espaço tão importante na vida de qualquer campus.
Sabemos também que nossos colegas de países africanos têm costumes bem diferentes dos nossos e também entre si - arrisco-me a dizer que tão diferentes que faz qualquer generalização como "africano" no mínimo inapropriada. Cabo-verdianos, angolanos e nigerianos têm a cor da pele em comum, mas podem ser tão diferentes como nós e os argentinos. Conviver com a diversidade gera riqueza de experiências, mas também tensões. E se lidar com a diferença em uma relação a dois já é complicadíssimo, no coletivo as coisas tornam-se um constante exercício de caminhar sobre ovos. Junte-se o estado de abandono completo da CEU, e temos um barril de pólvora.
A rádio-corredor da UnB tem ruídos, mas funciona muito bem. E com a informação que temos, sabemos que as tensões com os alunos africanos se dão pelo fato de serem estrangeiros e de um estrato social mais pobre. As reclamações mais comuns que já ouvi diziam respeito ao horário das festas e outros encontros, ao asseio nas instalações, ao barulho, à recorrência de atividades "ilícitas". Pergunto-me: seria diferente se fossem com estudantes russos, indianos ou chineses? Creio que não. Mais uma vez repito: não se trata de se negar o racismo na UnB ou no Brasil. Mas deste humilde ponto-de-vista, não há sistemática racista com relação a esse caso. Há sim xenofobia. E ela deve ser combatida com igual seriedade.
Mas o que mais me impressiona é a agilidade oportunista com que grupos sectários de nossa universidade se apropriaram do ocorrido como bandeira de luta. Chamo-os de sectários porque têm por finalidade dividir, não de integrar; de aprofundar as diferenças, e não a de estimular sua aceitação. Acho de uma ironia sarcástica a existência desses grupos em um Campus que leva o nome de Darcy Ribeiro. Um tempo atrás deparei-me com um "Espaço de Convivência Negra", corrijam-me se eu estiver errado. Não era um "espaço para a diversidade cultural" ou qualquer coisa do tipo: o título estava bastante claro. Perguntei-me se eu, nordestino e semita, seria bem-vindo. Preferi não pagar pra ver.
Não venceremos a batalha por corações e mentes se insistirmos em um modelo de confrontação, aprovando cotas e demarcando espaços como trincheiras. A palavra convence, mas o exemplo arrasta. Só venceremos o racismo se pregarmos e agirmos com tolerância, em pequenas vitórias, no dia-a-dia. Aos sectários, recomendo a leitura da vida de Gandhi. Esse sim conseguiu praticar o que pregava.
Abraços,
Rafa"


Daniel Pessoa <danielmapessoa@ yahoo.com. br> escreveu:

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Qua, 11 de Abr de 2007 8:17 pm

eli23032003
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... De: Zahra Osman <zahraunb@...> Para: Soha Chabrawi <soha_bio@...> Enviadas: Domingo, 8 de Abril de 2007 22:58:51 Assunto: Re: Enc: Res:...
Soha Chabrawi
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11 de Abr de 2007
5:17 pm

Novamente a lógica distorcida. Denovo a afirmação de que se foram só os apartamentos dos africanos atacados isso significa que o que eles têm em comum...
Eli Vieira
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