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gen-ocidio · Transgênicos

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#319 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 2 de Ago de 2002 4:46 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] Nota sobre o Boletim 124
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s,

Comunicamos que, excepcionalmente, não publicaremos o Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos esta semana.

A equipe que produz o Boletim semanal, assim como toda a equipe da AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), esteve envolvida na organização do Encontro Nacional de Agroecologia, que está se realizando no campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na cidade do Rio, entre os dias 30 de julho e 02 de agosto.

Ficamos impossibilitados de nos dedicarmos ao Boletim neste período.

Na próxima semana estaremos de volta, com o Boletim 124.

Até lá!

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#320 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 13 de Set de 2002 10:51 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 129 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 129 - 13 de setembro de 2002

Car@s Amig@s,

Finalmente, a Perdigão se compromete a não usar transgênicos em seus produtos.

Em carta encaminhada ao Greenpeace, a Perdigão se comprometeu publicamente a não utilizar qualquer transgênico em produtos processados e na alimentação de animais para corte (1). A decisão foi tomada depois que a empresa reconheceu que seus métodos de controle não eram suficientes e decidiu reavaliar suas regras de segurança, introduzindo novos mecanismos de proteção a fim de evitar a contaminação de organismos geneticamente modificados.

Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos no País por determinação judicial, dada a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização no campo, apenas a compra de matéria prima nacional não garante a isenção de transgênicos. Somente as indústrias de alimentos que adotam medidas de controle rigorosas podem garantir que não estão comprando e utilizando soja transgênica.

A Perdigão afirmou que os produtos fabricados a partir de 01 de dezembro deste ano, serão produzidos dentro dos novos mecanismos de controle, sem risco de estarem contaminados por transgênicos. O Greenpeace informou que somente quando os produtos fabricados antes desta data não estiverem mais disponíveis no mercado, os produtos da Perdigão passarão a constar da lista verde do "Guia do Consumidor - lista de produtos com e sem transgênicos do Greenpeace (2)". O Greenpeace continuará testando os produtos da Perdigão para verificar o controle adotado.

A Perdigão é uma das maiores empresas nacionais do ramo alimentício. Domina 25,4% do mercado nacional de produtos processados à base de carne, 31,8% de carnes congeladas, e 36,6% de pratos prontos, segundo o relatório interno do primeiro trimestre de 2002, disponível no site da empresa.

O comprometimento da Perdigão em não aceitar transgênicos reafirma a crescente demanda pelo grão não transgênico no mercado nacional e internacional (3). Outras grandes empresas atuantes no mercado nacional, como a Sadia, a Nissin e a Unilever, também já assumiram este compromisso (as cartas que documentam o compromisso destas empresas em garantir alimentos livres de transgênicos estão disponíveis no site do Greenpeace: www.greenpeace.org.br), em atenção à exigência dos consumidores que não estão dispostos a ser cobaias dos alimentos transgênicos, cujos efeitos na saúde ainda são desconhecidos.

(1) A carta da Perdigão está disponível no site do Greenpeace:
www.greenpeace.org.br/transgenicos/consumidores/cartas
(2) O "Guia do Consumidor - Lista de produtos com e sem transgênicos", elaborado pelo Greenpeace com base na declaração das empresas, está disponível em www.greenpeace.org.br/transgenicos/consumidores
(3) O Greenpeace lançou, no dia 10 de junho de 2002, o relatório "As vantagens da soja e de milho não-transgênicos para o mercado brasileiro". A íntegra deste relatório está disponível em http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/relatorio_mercado_20020610.pdf


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Neste número:

1. Percy Schmeiser, agricultor processado pela Monsanto por violar patente da empresa ao ter sua lavoura contaminada por transgênicos, perde novamente na justiça
2. Ibama publicará Instrução Normativa para emissão de RET para cultivos inseticidas
3. Anomalias em ratos mostram riscos do processo de clonagem
4. Embrapa não fará testes com transgênicos em humanos
5. Ministro do Meio Ambiente admite que sociedade civil foi excluída do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e propõe mudança
6. Transgênicos contra calvície
7. Mortes no campo e agrotóxicos - suicídios continuam sem atenção do governo
8. Produtos da agricultura familiar em feira da Itália
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Avicultores de SC lançam o “frango orgânico”
Eventos:
- Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos"
- III Seminário Internacional sobre Agroecologia, IV Seminário Estadual sobre Agroecologia e IV Encontro Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia
- Curso de agrofloresta

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1. Percy Schmeiser, agricultor processado pela Monsanto por violar patente da empresa ao ter sua lavoura contaminada por transgênicos, perde novamente na justiça
O julgamento de um recurso na corte federal canadense manteve a decisão de instância inferior determinando que o agricultor Percy Schmeiser, de Saskatchewan, Canadá, violou a patente da empresa Monsanto sobre canola resistente a herbicida.
A Monsanto processou o agricultor por cultivar canola transgênica Roundup Ready sem a permissão da empresa.
Schmeiser foi obrigado a pagar, no ano passado, 19.000 dólares canadenses (US$ 12.450) por danos e mais as custas processuais da Monsanto, de 153.000 dólares canadenses (US$ 100.000).
O agricultor alega que a semente de canola resistente a herbicida chegou ao seu campo acidentalmente, ou por polinização cruzada, ou caída de caminhões que passaram pelo local. O juiz da instância inferior havia rejeitado a explicação, dizendo ser mais provável que Schmeiser tenha plantado a semente conscientemente. (…)
Schmeiser não estava disponível para entrevistas após o julgamento, mas seu advogado informou que ele estava decepcionado e que ainda é possível uma apelação à Corte Suprema.
Apesar de sua perda nas côrtes, Schmeiser, que tem 71 anos, se tornou um palestrante bastante presente em eventos de oposição aos alimentos transgênicos e seu uso na agricultura, viajando a países distantes, como a Austrália, para contar sua história.
Dow Jones Business News, 06/09/02. http://biz.yahoo.com/djus/020906/1227000448_1.html

2. Ibama publicará Instrução Normativa para emissão de RET para cultivos inseticidas
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve apresentar dentro de 15 dias nova legislação para autorizar pesquisas de campo com plantas geneticamente modificadas que contenham propriedades bioinseticidas, paralizadas há mais de um ano por uma decisão judicial. (...)
A ordem judicial, emitida em março de 2000, exige a obtenção de Registro Especial Temporário (RET) para pesquisas com organismos geneticamente modificados (OGMs) que possam ser considerados “agrotóxicos ou afins”. (...)
O Estado de São Paulo, 10/09/02.
N.E.: Ao contrário do que deram a entender esta e outras matérias publicadas na grande imprensa esta semana, o Ibama não publicará uma nova legislação autorizando os experimentos com transgênicos inseticidas (como, por exemplo os cultivos Bt, que são letais para lagartas). Seguindo a legislação vigente, o Ministério da Agricultura publicará uma Instrução Normativa Conjunta (envolvendo também o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente). Para a emissão do RET, são necessárias ainda duas outras Instruções Normativas específicas, uma do Ibama e outra da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde). Estas Instruções Normativas serão publicadas em atenção à decisão judicial que condiciona a liberação de experimentos com transgênicos agrotóxicos ao RET.

3. Anomalias em ratos mostram riscos do processo de clonagem
Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) disseram que os ratos clonados têm centenas de genes anômalos, o que explica por que tantos animais criados por esse processo morrem durante o nascimento, ou depois dele, e prova quão irresponsável seria clonar seres humanos.
A clonagem introduz mutações genéticas e não parece haver solução imediata para o problema, alertaram Rudolf Jaenisch e seus colegas do MIT. (...)
A equipe de Jaenisch trabalhou com o primeiro cientista a clonar um rato, Ryuzo Yanagimachi, da Universidade do Havaí. Eles clonaram dezenas de ratos e observaram a atividade de 10 mil genes. O resultado do estudo será publicado nesta semana na revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências.
“Não há razão para supor que outro mamífero, inclusive o homem, seria diferente do rato”, disse Jaenisch, que no mês passado polemizou com especialistas em clonagem e três cientistas que afirmaram ter planos para clonar bebês, com o objetivo de ajudar casais estéreis.
Esses especialistas alegam que muitos animais clonados, como vacas e ovelhas, se desenvolvem em condições normais e saudáveis. Jaenisch, porém, acredita que até nesses animais “normais” se pode achar anomalias genéticas. Só que algumas delas não são fatais.
O Estado de São Paulo, 12/09/02.

4. Embrapa não fará testes com transgênicos em humanos
Ao contrário do publicado pelo jornal O Globo, no dia 10 de setembro de 2002, em matéria intitulada "Brasil testa transgênico em humanos este ano", a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) NÃO FARÁ TESTES COM TRANSGÊNICOS EM SERES HUMANOS.
Os testes que a Embrapa fará são de segurança alimentar e ambiental, a serem realizados em laboratórios, em casa de vegetação e no campo, com o objetivo de avaliar as características agronômicas e o impacto ambiental que tais tecnologias eventualmente produzam. Além disso, serão utilizados animais para avaliação toxicológica e nutricional, bem como realizados testes de alergenicidade em laboratórios, sem, inicialmente, a utilização de animais. (...)
Vale ressaltar também que, de acordo com a legislação vigente no país, testes com humanos devem ser conduzidos por instituições da área de saúde, fugindo, portanto, da competência da Embrapa, que é pesquisa agropecuária.
Assessoria de Comunicação Social da Embrapa, 11/09/02.

5. Ministro do Meio Ambiente admite que sociedade civil foi excluída do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e propõe mudança
Está sendo analisada pela Câmara dos Deputados proposta do Ministério do Meio Ambiente que altera a composição do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. Segundo o Projeto de Lei 7135/02, o Conselho será composto por representantes de órgãos e entidades da administração pública federal que tenham competência sobre o assunto e por representantes de setores da sociedade civil ligados ao tema, na proporção de até 20% de seus membros.
O ministro José Carlos Carvalho admitiu que, embora o Brasil esteja empreendendo todos os esforços para adequar suas políticas públicas às exigências da utilização e da conservação dos recursos biológicos, o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, criado por decreto presidencial no ano passado, não privilegiou a presença daqueles que ele considera fundamentais no processo de gestão desses recursos -- os representantes da sociedade civil.
A competência do Conselho é estabelecer normas técnicas e critérios para as autorizações de acesso e remessa de componentes do patrimônio genético; assegurar a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, à repartição de benefícios e à tecnologia para sua conservação e utilização. (...)
Agência Câmara, 11/09/02.

6. Transgênicos contra calvície
Camundongos de pêlo verde podem representar o primeiro passo para se usar terapia genética no tratamento da calvície, e também no desenvolvimento de métodos para mudar permanentemente a cor dos cabelos.
Os pesquisadores responsáveis pela experiência inseriram genes de água-viva no folículo capilar de camundongos. Em poucos dias, começaram a crescer nos animais pêlos verdes fluorescentes sob determinada luminosidade.
-- O pêlo está crescendo verde porque a proteína para a fluorescência verde foi colocada no bulbo capilar -- explicou Robert Hoffman, da Anticancer, empresa que coordena o estudo. -- Vimos montes de pêlos verdes fluorescentes.
O estudo foi publicado na última edição da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” e abre caminho para o tratamento da calvície porque, se o gene que determina a coloração funciona, tudo indica que outros devem funcionar também.
-- Falta muito para que algum produto chegue ao mercado -- disse Hoffman. -- Mas agora temos um bom sistema para inserir genes em folículos capilares.
O Globo, 13/09/02.

7. Mortes no campo e agrotóxicos - suicídios continuam sem atenção do governo
Após mais de um mês do primeiro contato com a reportagem de Galileu, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tomou nenhuma medida com relação às elevadas taxas de suicídios entre agricultores de fumo usuários de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. A agência, que em julho havia sido informada também sobre suicídios de plantadores de morango e batata no Sul de Minas, não tomou providências nem mesmo após a publicação da edição de agosto da revista.
A Anvisa declarou que só poderá tomar alguma medida, como tirar produtos de circulação, a partir da iniciativa de órgãos de pesquisa. “A Anvisa não faz o inquérito. Quem faz são as instituições de pesquisa”, afirmou o gerente geral de Toxicologia da agência, Luiz Claudio Meirelles. No entanto, o órgão tem competência para “propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária”, segundo o seu próprio regulamento, definido por decreto presidencial. A agência é vinculada ao Ministério da Saúde. (...)
A edição de agosto de GALILEU* mostrou que o índice de suicídios em cidades agrícolas do Rio Grande do Sul e do sul de Minas Gerais é muito maior que a taxa média brasileira. Em Santa Cruz do Sul (RS), considerada a capital nacional do fumo, houve no ano passado 21 suicídios por 100 mil habitantes, a maioria de agricultores, contra a média nacional de 4 por 100 mil. O problema teve destaque em 1996, quando a cidade vizinha Venâncio Aires registrou a taxa de 37,22 por 100 mil. O Ministério da Saúde chegou a encomendar um inquérito epidemiológico, mas ele não foi adiante.
Agora que o assunto voltou à tona, nem a Anvisa e nem a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que representa as indústrias dos agrotóxicos, se mobilizaram. A associação nem sequer emitiu opiniões a respeito e afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda está avaliando o caso.
A reportagem de GALILEU motivou outros pesquisadores a entrarem em contato com a revista para mostrar que o problema dos agrotóxicos atinge outras cidades brasileiras.
(...)
Todas essas culturas (tomate, fumo, milho, feijão, soja, morango, batata e flores) utilizam os agrotóxicos conhecidos como organofosforados e ditiocarbamatos, que são considerados por pesquisadores como os prováveis causadores das doenças neurocomportamentais, depressão e do conseqüente suicídio.
Agricultores x fumageiras
José Wanderlei da Silva e Valdemar dos Santos começaram a trabalhar na lavoura do fumo quando ainda eram adolescentes. Ambos sofreram intoxicações crônicas pelos agrotóxicos usados na plantação e hoje estão inválidos para o trabalho agrícola. As coincidências não param por aí, mas o que realmente os une é o ineditismo do modo como tentam resolver esses problemas. Os dois agricultores entraram com uma ação sem precedentes na Justiça acusando as empresas fumageiras de tê-los envenenado.
Os processos contra a Souza Cruz, de Silva, e a Universal Tabacos, de Santos, levam em conta que o agrotóxico aplicado na lavoura e que causou as doenças dos dois agricultores foi fornecido pelas empresas. Isso porque nos contratos de trabalho, os fumicultores se responsabilizam a fornecer sua produção exclusivamente a uma única indústria e comprar dela as sementes e os agrotóxicos em uma venda casada. (...)
Valdemar, de 37 anos, ficou dois anos e meio em uma cadeira de rodas, não conseguiu mais trabalhar e adquiriu uma depressão profunda, não raro tendo pensamentos suicidas. “Ele (o agrotóxico) traz cada coisa na cabeça que nunca na vida eu imaginei. A gente não faz bobagem porque tem alguém sempre por perto, mas já pensei em me suicidar. Eu fiquei nessa situação e não tenho mais como voltar. Não posso mais trabalhar. Estou debaixo de calmante.”
Com Wanderlei da Silva, 33 anos, as intoxicações causaram, de acordo com os advogados, lesões cerebrais que levaram a problemas de locomoção e neurocomportamentais: ele também tem depressão profunda e sintomas de esquizofrenia, “que tem sido relatada na literatura médica como um dos desfechos de intoxicação crônica por organofosforado”, afirma o epidemiologista Lenine Alves de Carvalho, que acompanha o caso como perito colaborador. (...)
Nos dois processos, os advogados acionaram as empresas fumageiras para que elas cubram as despesas com os tratamentos médicos dos agricultores, paguem a cada ano o equivalente à safra que os agricultores entregariam se não estivessem incapacitados de trabalhar e os indenizem por danos à saúde.
Tanto Silva quanto Santos dizem estar gastando o que não têm com remédios e tratamento. Santos foi aposentado por invalidez e recebe R$ 200 por mês, valor muito inferior ao que precisa para se tratar. (...) José Wanderlei da Silva ainda está numa situação pior. “Ele está vendendo tudo o que tinha. Não sei se ele vai sobreviver até o fim do processo”, afirma a advogada Clarisse Barcellos Lima.
A Souza Cruz, que está sendo processada por José Wanderlei da Silva, alega que não existe na literatura médica relação causal entre as doenças de Silva e o uso de agrotóxicos. O gerente jurídico da empresa, Mario Oscar Oliveira, ainda afirma que, se houver tal comprovação, as doenças teriam sido causadas pela má utilização do produto, eximindo a Souza Cruz de responsabilidade sobre o problema. (...)
GIOVANA GIRARDI ggirardi@...
*Leia mais - Exclusivo Online:
Íntegra da reportagem 'A última colheita', publicada na edição de agosto de 2002 da GALILEU: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT351671-1706,00.html

8. Produtos da agricultura familiar em feira da Itália
Mais de 130 produtos naturais, alimentos orgânicos e peças de artesanato feitos por agricultores familiares brasileiros serão mostrados em Bolonha (Itália), entre 12 e 15 de setembro, no XIV Salão de Alimentação Natural, Saúde e Ambiente (Sana). Os produtos integram o programa Brasil Equo, executado pela Fundação Lyndolpho Silva, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), com apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex).
O Brasil Equo é um programa que objetiva a criação de uma nova possibilidade para viabilizar os estabelecimentos familiares rurais, identificando oportunidades de negócios no mercado externo adequadas às capacidades e necessidades da produção rural de base familiar do Brasil. Para isso, procura, também, aprimorar essas capacidades e desenvolver diferenciais com enfoque na exportação da agricultura familiar brasileira e promover sua integração com o mercado internacional.
O mercado consumidor de produtos orgânicos e ecológicos está em franca expansão em todo o mundo. Na Europa e nos Estados Unidos ele cresce entre 20% e 25% ao ano. Somente na Alemanha, movimenta cerca de U$ 2,2 bilhões. Ultrapassando as fronteiras dos pequenos armazéns, esses produtos alcançaram as redes de supermercados, que hoje respondem por 20% da comercialização. Na área de produtos naturais e fitoterápicos, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o mercado europeu movimentou cerca de U$ 500 bilhões no ano de 2000.
No Brasil, a produção orgânica cresceu 500% entre 1997 e 1999. (...)
NEAD - Notícias Agrárias - 09 a 15 de Setembro de 2002 Nº 151
INFORMES PT - 09/09/2002 - N° 2.618 - Ano XII

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Avicultores de SC lançam o “frango orgânico”
O Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a Prefeitura Municipal de Rio do Oeste, na região do Alto Vale do Itajaí (SC), vai lançar o frango colonial orgânico, que representa uma nova e rentável atividade econômica aos pequenos avicultores. O sistema exige baixo investimento e a alimentação das aves é produzida nas propriedades. Cada avicultor mantém um aviário-padrão de 50 metros quadrados, com capacidade para 100 a 500 aves, que são criadas no sistema de semi-confinamento. Os vegetais e tubérculos correspondem a 30% da alimentação do frango colonial, e o restante são rações orgânicas, sem produtos sintéticos ou proteína animal. A ave tem um desenvolvimento mais lento e só chega na fase adulta aos 90 dias, enquanto o frango industrial de corte, criado em confinamento total, é abatido com 42 dias de vida. O frango colonial orgânico deve chegar ao consumidor a um preço médio de R$ 3,50 o quilo, proporcionando lucros de 35% para o avicultor. Segundo o Senar, o mercado para o produto é de aproximadamente 8% em nível nacional, mas a tendência é que haja um aumento progressivo devido à crescente preocupação dos consumidores com a saúde.
Agência Brasil, 18/08/2002.

Eventos:

Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos"
Será realizado no dia 18 de setembro, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos".
O evento, promovido pela Assembléia em parceria com entidades ligadas à biotecnologia, acontecerá no Plenário, a partir das 8h30.
O deputado do PT, Dr. Edson Rezende, coordena o debate "Impactos da Biotecnologia na Saúde", com a participação da secretária da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Produtivos, Maria de Fátima Oliveira. No fórum regional, realizado em Barbacena, a secretária alertou para os riscos ligados ao consumo de alimentos transgênicos, como aumento de alergias, toxidades e resistência a antibióticos. Segundo ela, as pesquisas ainda são experimentais e, por isso, os cientistas ainda não conhecem os efeitos destes produtos.
Maiores informações pelo telefone (31) 3290-7800.

III Seminário Internacional sobre Agroecologia
IV Seminário Estadual sobre Agroecologia
IV Encontro Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia
Data: 24 a 26 de setembro de 2002
Local: Auditório Araújo Viana - Avenida Osvaldo Aranha, s/n, Bairro Bom Fim, em Porto Alegre (RS).
Inscrições ao evento são gratuitas
e já podem ser efetuadas tanto por telefone como por correio eletrônico, através dos seguintes endereços:
Por telefone: Plantão Técnico da EMATER/RS: (51) 3233-3144 - Ramal 2449
Por e-mail: plantec@...
As inscrições também poderão ser efetuadas no próprio local e na data de realização do evento, desde que ainda existam vagas. Outras informações estão disponíveis na página da EMATER/RS <www.emater.tche.br>, enquanto a equipe organizadora seguirá a disposição através do e-mail <seminario.agroecologia@...>.
Realização: Governo do Estado do Rio Grande do Sul; Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento; EMATER/RS - Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural; Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia; FEPAGRO - Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária; Secretaria de Estado do Meio Ambiente; e FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental.
Coordenação Geral:
EMATER/RS: Rua Botafogo, 1051
90150-053  Porto Alegre (RS)
E-mail: seminario.agroecologia@...
Página www.emater.tche.br

Curso de agrofloresta
O Instituto de Permacultura da Mata Atlântica (IPEMA), realizará, entre os dias 27 e 29 de setembro, o Curso de Agrofloresta, com aulas práticas eteóricasde planejamento e plantio em Agrofloresta.
Local: Monte Valério / Ubatuba - SP
Custo: R$150,00eR$80,00 - estudantes
Maiores informações pelo e-mail: cadastroipema@...
 
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

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#321 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 23 de Ago de 2002 9:42 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 126 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 126 - 23 de agosto de 2002

Car@s Amig@s,

Graças à pressão da população, a Unilever e a Nissin, proprietárias das marcas Knorr e Cup Noodles, garantiram que não vão mais utilizar transgênicos em seus produtos.

Em maio e junho de 2000, o Greenpeace e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), duas das entidades que compõem a Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, realizaram os primeiros testes que comprovaram que ingredientes transgênicos estavam sendo utilizados ilegalmente em produtos alimentícios destas marcas no Brasil.

De junho de 2000 até julho de 2002 foram realizados seis outros testes, vários dos quais mostraram a reincidência da contaminação nas marcas citadas. As empresas que fabricam os alimentos foram informadas sobre os resultados dos testes, que também foram divulgados para a população.

A partir destas informações, o Greenpeace organizou uma grande campanha para pressionar as indústrias alimentícias a deixarem de utilizar ingredientes transgênicos em seus produtos. Foram realizadas várias atividades públicas para denunciar o uso indevido de transgênicos, além de campanhas de envio de cartas, cartões postais, fax, e-mails e telefonemas para as empresas. Só a Knorr recebeu mais de 10.000 e-mails da população exigindo providências!

O recente comprometimento da Unilever e da Nissn é uma vitória a ser comemorada por todos que participaram deste trabalho, denunciando o problema e se manifestando junto às empresas. Ela nos mostra que a pressão da sociedade é capaz de mudar a realidade que lhe é imposta -- a população não pode aceitar ser obrigada a consumir alimentos transgênicos sem sequer ter o direito de ser informada sobre o fato.

Esta vitória também é um estímulo para que continuemos a pressionar as empresas que ainda não deram garantias de que evitam a contaminação de seus produtos com ingredientes transgênicos.

Como você pode ver no “Guia do Consumidor  Lista dos Produtos Com ou Sem Transgênicos”, publicação do Greenpeace que pode ser acessada pelo endereço www.greenpeace.org.br, muitas empresas ainda não se sensibilizaram com os apelos da população e não demonstraram qualquer preocupação com o assunto.

Você pode fazer a sua parte, divulgando o “Guia do Consumidor” para o maior número de pessoas que puder e telefonando e enviando mensagens de protesto às empresas que ainda não se comprometeram a evitar a contaminação.

Mais uma vez, contamos com a sua participação. Quanto maior o número de pessoas conscientes e atuantes, maior será o sucesso desta campanha.
 
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Neste número:
1. Transgênicos dividem candidatos à Presidência
2. EUA pressionam Inglaterra a liberar transgênicos
3. Painel sugere cautela com animais transgênicos
4. Bezerra clonada no Brasil morre com suspeita de infecção
5. Cientistas criam vírus transgênicos para esterilizar coelhos na Austrália
6. Plataforma Política Feminista contra os transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultura familiar resolve o problema da fome na Etiópia

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1. Transgênicos dividem candidatos à Presidência
Em meio a propostas semelhantes para o futuro da agricultura brasileira, os principais candidatos à Presidência da República divergem em um ponto polêmico: a comercialização dos transgênicos no Brasil.
O Partido dos Trabalhadores (PT) defende a moratória de quatro anos para a adoção dos transgênicos. “Não somos contra por princípio e não propomos a proibição para pesquisa, mas o assunto precisa ser debatido”, afirmou o assessor do candidato Luis Inácio Lula da Silva, José Graziano da Silva, em seminário realizado ontem em São Paulo pela Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR).
Discursando logo após o assessor de Lula, o candidato ao governo de São Paulo, Antonio Cabrera Mano Filho, representando Ciro Gomes (PPS), foi contra a moratória. “Não é necessário pedir tempo. É necessário discutir o que nos fará mais competitivos”, afirmou.
A posição é semelhante a adotada por Francisco Graziano, representante do candidato José Serra (PSDB). Embora ressalte que o candidato aguarda a decisão judicial, Graziano afirma que os dilemas em torno do assunto são comerciais. “Precisamos pensar nos mercados que serão ocupados ou perdidos”. Japão e União Européia restringem a importação de transgênicos, enquanto os EUA utilizam a tecnologia. Christino Áureo, representante de Anthony Garotinho (PSB), não falou sobre o assunto.
Valor Econômico, 21/08/02.

2. EUA pressionam Inglaterra a liberar transgênicos
O ministro de Meio Ambiente da Grã-Bretanha, Michael Meacher, disse ontem, em Londres, que o governo dos Estados Unidos está pressionando o Governo Britânico para que permita os cultivos de organismos geneticamente modificados (transgênicos) para fins comerciais. Em entrevista ao jornal Independent, Michael Meacher reclamou.
Jornal do Commercio, 20/08/02.

3. Painel sugere cautela com animais transgênicos
Embora não haja evidências de que animais produzidos por meio de clonagem sejam perigosos para o consumo humano, um painel de cientistas americanos disse ontem que mais cuidado é necessário com animais geneticamente modificados que possuem trechos de DNA de outras espécies. O comitê, montado pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, fez uma análise a pedido do FDA (agência do governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos nos EUA). O painel apontou perigos como a liberação no ambiente de peixes geneticamente modificados para crescer mais rápido, os quais substituíram seus parentes selvagens, ou o risco de substâncias alergênicas na carne de animais transgênicos.
Folha de São Paulo, 22/08/02.

4. Bezerra clonada no Brasil morre com suspeita de infecção
A bezerra Penta, primeiro mamífero do país clonado a partir de material genético de um animal adulto, morreu na última segunda-feira em Jaboticabal (344 km de São Paulo). A informação só foi confirmada ontem (16/08) pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), responsável pelo projeto que criou o animal.
A causa da morte ainda não foi descoberta, mas a hipótese mais provável é que uma infecção generalizada tenha causado a morte de Penta. O resultado dos exames deve ser divulgado na próxima semana. Penta tinha um pouco mais de um mês de vida. (...).
Folha de São Paulo, 17/08/02.

5. Cientistas criam vírus transgênicos para esterilizar coelhos na Austrália
Cientistas de Canberra, na Austrália, esperam controlar a população de coelhos que destroem as plantações agrícolas com vírus transgênico que tornam o animal estéril.
Pesquisadores do Centro de Pesquisa “Pest Animal Control Co-operative” revelaram que o vírus anticoncepcional foi criado pela inserção de um gene do vírus myxomatosis, que faz com que as fêmeas produzam anticorpos contra seus próprios óvulos.
Um casal de coelhos consegue produzir de 30-40 filhotes a cada ano, porém, espera-se que a liberação do vírus torne 70 a 80% das fêmeas selvagens estéreis, fazendo que a população de coelhos na Austrália diminuir para um nível similar ao europeu. (...)
just-food.com, 09/08/02.
N.E.: Imaginem os impactos da disseminação descontrolada deste vírus no ambiente. É simplesmente inaceitável a liberação de organismos como este, cujos impactos serão impossíveis de serem detidos caso qualquer coisa não saia como o esperado.

6. Plataforma Política Feminista contra os transgênicos
O texto da Plataforma Política Feminista aprovado na  Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, em Brasília em 6 e 7 de junho de 2002, está estruturado em 269 parágrafos, contendo análises e desafios para a sociedade, o Estado e outros movimentos. As ênfases vão desde os temas da democracia política, da justiça social e da inserção do Brasil no contexto internacional, chegando até a democratização da vida social, liberdade sexual e reprodutiva, à igualdade, redistribuição de riquezas e pela justiça social. Neste contexto, no parágrafo (86) a conferência se posiciona contra os transgênicos, pois, os agricultor@s estão perdendo sua autonomia em relação ao acesso e controle de sementes devido ao incentivo dos governos ao plantio de sementes híbridas e transgênicas, altamente dependentes de insumos químicos, o que favorece as grandes indústrias deste setor. Os critérios definidos pelo Ministério da Agricultura para a produção e comercialização de sementes excluem a agricultura familiar. No parágrafo (89), os movimentos de mulheres trabalhadoras rurais posicionam-se por um modelo de agricultura sustentável, agroecológico, equilibrado e diversificado, em que a produção seja voltada para a auto-sustentação familiar, capaz de garantir a permanência d@s agricultor@s no campo. Este novo modelo de agricultura exige novas relações entre as pessoas, a terra, as sementes, as plantas, a água e os meios de produção.
www.articulacaodemulheres.org.br

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultura familiar resolve o problema da fome na Etiópia
Dr. Tewolde Egziabher, chefe da Agência de Proteção Ambiental da Etiópia, anunciou os resultados de um estudo mostrando que a Etiópia está produzindo excedente de alimentos pelo sétimo ano seguido. Os alimentos são produzidos por agricultores familiares que utilizam práticas tradicionais. A única produção comercial é a de algodão. Não há sementes produzidas por empresas. Todas as sementes são melhoradas, selecionadas e trocadas pelos próprios agricultores. Não se utilizam cultivos transgênicos e o uso de fertilizantes é mínimo. O país está construindo um bom estoque de alimentos vindos destes pequenos produtores a fim de garantir a alimentação de seu povo no caso de seca ou falta de suprimentos. Os ecossistemas das áreas antes afetadas pela seca foram recuperados através de práticas integradas de manejo dos recursos naturais, tais como armazenamento de água, proteção das fontes de água, prevenção da erosão, controle de pastoreio etc. O exemplo etíope é particularmente importante para a Rio+10 de Joanesburgo, onde posições muito contrárias se enfrentarão. De um lado, instituições pró-globalização como o NEPAD (New Partnership for Africa’s Development), o Banco Mundial, o FMI, a OMC etc., que irão promover a agricultura industrial, ou seja, o uso de sementes híbridas, monoculturas, agrotóxicos, agricultura de exportação e a agricultura biotecnológica com transgênicos. De outro lado estarão mais de 300 pequenos produtores de toda a África que irão continuar a defender seus sistemas de produção e de soberania alimentar, a fim de continuar a alimentar a crescente população africana. A Etiópia mostra que sistemas de produção diversificados, ecologicamente e culturalmente adaptados, controlados por milhões de pequenos produtores, podem prover a segurança alimentar de seu povo e proteger seu país do controle estrangeiro do mercado de alimentos. A segurança alimentar é o pilar fundamental da construção das democracias.
Dr. Tewolde Berhane Gebre Egzhiaber, envpa@..., 13/07/02.


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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

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#322 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 16 de Ago de 2002 9:28 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 125 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 125 - 16 de agosto de 2002

Car@s Amig@s,

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” está encaminhando aos quatro principais candidatos à presidência da República um pequeno questionário envolvendo a liberação dos transgênicos no País.

Nossa proposta é a de tornar públicas as posições dos candidatos sobre este tema, de maneira que os eleitores brasileiros possam levá-las em conta no momento de escolher seu candidato.

Orientamos a todos que também cobrem de cada candidato uma posição clara sobre o tema.

Você pode fazer suas perguntas diretamente a eles, através dos e-mails:

LULA:   ouvidoria@...
            lula.pt@...

CIRO GOMES:  comite@...

JOSÉ SERRA:  joseserra@...

GAROTINHO:   garotinho@...

Você também pode visitar os sites dos candidatos e fazer suas perguntas através dos links “Fale Conosco” ou “Fale com o Candidato”. Os sites sempre informam os endereços dos comitês de campanha, para onde se pode telefonar ou enviar cartas e fax.

Da mesma forma, é importante aproveitar todas as oportunidades de exposição pública dos candidatos, como entrevistas ou comícios, para questioná-los sobre este tema.

As perguntas que estamos enviando são do seguinte teor:

1) O senhor apóia a proposta de uma moratória à liberação do cultivo comercial e da comercialização de transgênicos no Brasil por tempo indeterminado, até que pesquisas independentes garantam a necessária segurança destes produtos para a saúde humana e o meio ambiente?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  

2) O senhor se compromete a coibir efetivamente os plantios ilegais de transgênicos no País?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  

3) O senhor se compromete a garantir a fiscalização sobre a segurança dos plantios experimentais de transgênicos, a fim de evitar problemas de contaminação?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  

4) O senhor se compromete a fiscalizar a comercialização ilegal de alimentos contaminados por transgênicos importados dos países que os produzem, como a Argentina e os Estados Unidos?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  

5) O senhor se compromete a revogar o decreto 3.871, de 18 de julho de 2001,que disciplina a rotulagem de alimentos transgênicos, e substitui-lo por outra norma que exija a plena informação no rótulo de todo e qualquer alimento contendo ingrediente geneticamente modificado, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  

6) O senhor garantirá que o Protocolo de Biossegurança seja ratificado pelo Brasil?
SIM (  )        NÃO (  )        NÃO SEI (  )  


É importante também cobrar posições claras sobre este tema dos candidatos a vagas nos legislativos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Afinal, deles depende a criação de leis para regulamentar a questão no Brasil.

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” dará ampla publicidade às respostas que obtiver dos candidatos à presidência. Da mesma forma, divulgará a omissão dos que não se posicionarem.

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Neste número:

1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para China
2. Mais evidências: planta transgênica pode dar origem a super-erva daninha
3. Monsanto mal das pernas
4. Peixe de aquário transgênico que brilha no escuro já é vendido em Taiwan
5. Zâmbia aceita ajuda alimentar transgênica
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Republica Dominicana: Plano Sierra de conservação de solos
Eventos
1. Agricultura Familiar na Expointer 2002 - Esteio-RS
2. II BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção Orgânica

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1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para China
O governo brasileiro está trabalhando para garantir que nenhum grão de soja transgênica desembarque na China juntamente com a soja convencional brasileira. Na próxima semana, o Ministério da Agricultura deve publicar no Diário Oficial da União uma instrução normativa proibindo que a soja não-transgênica brasileira seja transportada para a China nas mesmas embarcações onde são colocadas a soja transgênica de outros países. A informação é do diretor do Departamento de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Odílson Ribeiro.
Odílson disse que a medida é para impedir o "top-off" para o mercado chinês - prática utilizada nos porões de navios em que grãos de soja convencional são sobrepostos à soja transgênica de outros países, durante o transporte do produto.
Segundo protocolo acertado entre os governos do Brasil e da China, a partir de 20 de dezembro deste ano, o governo chinês ficará ainda mais rígido quanto a fiscalização que impede a entrada de soja transgênica no país. (...)
Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exporta atualmente para o mercado chinês 3,6 milhões de toneladas de soja convencional por ano. Com a mudança das normas, a expectativa do governo é de que esse volume atinja 5 milhões de toneladas anuais.
Agência Brasil, 10/08/02.

2. Mais evidências: planta transgênica pode dar origem a super-erva daninha
Os genes inseridos em plantas transgênicas para torná-las mais resistentes a
pragas podem migrar naturalmente para ervas daninhas e beneficiá-las também. O fenômeno foi verificado em um experimento com girassóis geneticamente modificados plantados por pesquisadores dos EUA.
Cientistas de universidades de Ohio, Nebraska e Indiana estudaram o girassol Bt, que tem inserido em seu DNA um de gene da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz uma toxina mortal para larvas de insetos comedoras de folhas.
O experimento foi relatado hoje em uma conferência no encontro anual da Sociedade Ecológica da América em Tucson, no Arizona.
As ervas daninhas beneficiadas pelo transgene são plantas selvagens aparentadas com girassol, mas sem valor comercial. O que os cientistas fizeram foi cultivar híbridos - plantas mestiças entre o girassol e as ervas daninhas - para verificar sua capacidade de se espalhar. Os híbridos descendentes de girassóis transgênicos se tornaram resistentes a pragas e conseguiram gerar 50% mais sementes do que os híbridos comuns.
Segundo a líder do estudo, Allison Snow, da Universidade do Estado de Ohio, seu trabalho mostra o risco de que um gene inserido na planta para defendê-la de insetos saia como um tiro pela culatra,  fortalecendo ervas daninhas. (...)
Galileu, 11/08/02.

3. Monsanto mal das pernas
A Monsanto, uma das maiores multinacionais de defensivos, sementes e biotecnologia do mundo, com vendas líquidas de US$ 5,462 bilhões em 2001, se separou ontem da também americana Pharmacia, que detinha 84% de suas ações. Para os analistas de mercado a empresa entra em uma nova era, mas dificilmente conseguirá caminhar sozinha. (...)
“Uma empresa agrícola como a Monsanto ligada a uma farmacêutica como a Pharmacia é como um estranho no ninho. Era uma situação que, com certeza, incomodava as duas partes”, diz um especialista. “Agora”, continua, “existem três opções: a Monsanto se firma como independente, é comprada por outro grupo ou parte para uma fusão. Dessas três a mais forte é a última”.
Nesse caso, o mercado trabalha com duas alternativas, Dupont ou Dow AgroSciences, com vantagem para a segunda -- cujas vendas anuais são da ordem de US$ 3 bilhões. Segundo analistas, seria um casamento vantajoso porque a Dow é vulnerável em sementes e biotecnologia, pontos fortes da Monsanto. (...)
Ao abrir seu capital nos EUA, em 18 de outubro de 2000, as ações da empresa valiam US$ 20. Chegaram a atingir o pico de US$ 38,12 em 13 de junho de 2001, e fecharem, ontem, a US$ 15,81 com queda de 4,24% no dia. Em 2002 a retração chegou a 53,22%. Em relação aos US$ 20 de outubro de 2000, a desvalorização é de 21%.
“Parte dessa queda decorre da turbulência financeira mundial, mas parte é conseqüência das dificuldades dos avanços da biotecnologia em alguns mercados, entre os quais União Européia e Brasil. A verdade é que os transgênicos não pegaram o fogo que a Monsanto esperava”, observa um especialista.
Valor Econômico, 14/08/02.

4. Peixe de aquário transgênico que brilha no escuro já é vendido em Taiwan
A mais nova atração nas pet shops de Taiwan é um peixe transgênico que brilha no escuro, o primeiro animal de estimação geneticamente modificado do mundo. Vendido com o nome de TK-1, o animal é resultado de uma combinação genética do peixe zebra albino (de água doce) com um gene de água-viva. (...)
Criado por um a equipe da Universidade Nacional de Taiwan, o peixe está sendo vendido, apesar dos protestos de ambientalistas. Especialista em engenharia genética do Greenpeace, Juan Felipe Carrasco, afirmou que o peixe fosforescente é uma ameaça a “saúde global do ecossistema” e questionou a utilidade de se investir dinheiro em criações deste tipo. A empresa nega que o peixe represente uma ameaça, garantindo que o peixe é estéril. (...)
Carrasco argumenta que ainda que o peixe seja estéril “a alteração genética é irreversível” e uma simples falha poderia desencadear uma reprodução descontrolada da nova espécie. Ele teme também que o TK-1 seja apenas o primeiro de uma longa lista de animais geneticamente modificados a serem vendidos. (...)
O Globo, 10/08/02.

5. Zâmbia aceita ajuda alimentar transgênica
A Zâmbia deverá aceitar uma oferta de ajuda de alimentos transgênicos dos EUA, para impedir que a fome continue a crescer no país, disseram congressistas norte-americanos. (...) Os EUA estão dispostos a suprir cerca da metade do déficit de milho do país africano. (...)
Gazeta Mercantil, 12/08/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Republica Dominicana: Plano Sierra de conservação de solos
O Plano Sierra de Ecodesenvolvimento aceitou o desafio de quebrar a ligação entre pobreza e degradação ambiental na cordilheira central da República Dominicana. Além de melhorar a qualidade de vida dos produtores, o controle da erosão dos solos na Sierra aumentou seu potencial hidrelétrico e permitiu a irrigação de 50.000 hectares de terra rio abaixo no Vale Cibao. A estratégia do Plano Sierra foi desenvolver e difundir sistemas agrícolas alternativos de forma a incrementar a produtividade e a auto-suficiência das famílias da região. O objetivo era permitir aos produtores usar eficientemente os recursos disponíveis, tais como umidade e nutrientes do solo, estercos animais, resíduos das colheitas, vegetação natural, diversidade genética e trabalho familiar. Desta forma seria possível satisfazer as necessidades básicas por alimentação, lenha, materiais de construção, plantas medicinais e aumentar o rendimento familiar. Várias técnicas passaram a ser usadas de maneira integrada: a) práticas de conservação de solo, como terraceamento, cultivo mínimo, cultivo em aléias e barreiras vivas; b) uso de leguminosas arbóreas e arbustivas para fixação de nitrogênio, intensificação da produção de biomassa, adubação verde e produção de forragem; c) uso de fertilizantes orgânicos e de resíduos vegetais para otimizar reciclagens internas; d) combinações de policultivos e/ou rotação de culturas semeadas em datas e densidades adequadas; e) conservação e estocagem de água através de cobertura morta e técnicas de captação de água. Mais de 2000 produtores dominicanos se beneficiaram com a adoção destas técnicas.
Miguel Altieri. Dominican Republic: Plan Sierra soil conservation.  In: PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.114.

Eventos

A Agricultura Familiar marcará sua presença na Expointer 2002, de 24 de agosto a 1 de setembro, em Esteio-RS.
Maiores informações: Altemir Tortelli (49) 99670238, Salete Escher (41) 99570372 e Eloir Griseli (54) 99771872.

Nos dias 30 e 31 de agosto, no Auditório da Faculdade de Ciências Agronômicas UNESP - Campus de Botucatu, se realizará o encontro II BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção Orgânica. O evento relacionará os fundamentos científicos com o manejo prático.
Maiores informações: agroecologica@...; eventos@... ou pelos telefones (14) 6821-9797 / 6821-1866.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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#323 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qui, 19 de Set de 2002 11:03 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 130 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 130 - 19 de setembro de 2002

Car@s Amig@s,

A Associação de Solos do Reino Unido (Soil Association) publicou em este mês um relatório intitulado “Sementes da Discórdia -- A experiência dos agricultores da América do Norte com cultivos transgênicos”, cujos dados demonstram que os transgênicos representam um desastre econômico para a agricultura.

Considerando que o governo inglês deverá em breve tomar uma decisão fundamental e de longo prazo, a de permitir ou não a produção comercial de cultivos geneticamente modificados, a Associação decidiu verificar se a imagem apresentada pela indústria de biotecnologia sobre cultivos transgênicos na América do Norte -- de sucesso absoluto -- é verdadeira e, se não, que problemas ocorreram. Com este objetivo, o relatório apresenta entrevistas com agricultores americanos e canadenses sobre suas experiências com a soja, o milho e a canola transgênicos, além de revisar algumas pesquisas independentes. As evidências reunidas demonstram que os cultivos transgênicos estão longe de serem “uma história de sucesso”.

Em completo contraste com a impressão dada pela indústria de biotecnologia, ficou claro que a maioria dos benefícios prometidos não se realizou, além de as lavouras modificadas terem se mostrado uma tragédia econômica. A contaminação descontrolada de transgênicos afetou severamente a produção alimentos “livres de transgênicos”, incluindo a produção orgânica, destruiu o mercado e arruinou a competitividade da agricultura americana. Os cultivos transgênicos ainda aumentaram a dependência dos agricultores aos herbicidas e os levaram a inúmeros problemas legais, envolvendo uma proliferação de ações judiciais.

Estima-se que a soja, o milho e a canola transgênicos tenham custado U$ 12 bilhões (£ 8 bilhões) à economia dos Estados Unidos desde 1999 em subsídios governamentais, preços mais baixos dos produtos agrícolas e perda nas exportações. A difusão da contaminação dos transgênicos em todos os níveis da indústria alimentícia é a principal causa destas dificuldades.

Segundo o relatório, alguns anos depois do início da introdução dos transgênicos, praticamente todas as exportações de milho dos EUA para a União Européia e as exportações canadenses de canola também para a União Européia, ambas estimadas em 300 milhões de dólares anuais, desapareceram, e a participação dos EUA no mercado mundial de soja também diminuiu.

Passados seis anos desde a primeira liberação comercial de transgênicos, o uso da engenharia genética na agricultura ainda é limitado. Apenas quatro países, incluindo os Estados Unidos e o Canadá, produzem 99% dos transgênicos do mundo, e apenas quatro culturas (soja, milho, algodão e canola) representam 99% da área total plantada com transgênicos.

Entre os principais impactos diretos das sementes transgênicas nas lavouras norte-americanas, são citados a menor rentabilidade da soja resistente ao herbicida glifosato (princípio ativo do Roundup, da empresa Monsanto) e do milho Bt, tóxico para lagartas, devido ao maior custo das sementes modificadas associado ao menor valor de mercado dos produtos transgênicos; o fato de o suposto aumento de produtividade não ter ocorrido em nível global (observou-se um pequeno aumento de produtividade no milho Bt, contra um rendimento da soja Roundup Ready, resistente ao glifosato, 6 a 11% menor do que das lavouras convencionais); e os problemas surgidos com o aparecimento de ervas daninhas resistentes a herbicida, tornando os agricultores mais dependentes dos agrotóxicos (os herbicidas estão sendo aplicados repetidas vezes, contrariando o argumento de que uma aplicação seria suficiente nas lavouras transgênicas).

O documento assegura ainda que os agricultores que optaram por não plantar transgênicos estão tendo muita dificuldade em manter suas lavouras livres destes organismos. Grande parte dos estoques de sementes está contaminado por sementes transgênicas. Além disso, tornou-se difícil comprar variedades não transgênicas de boa qualidade e há um sério risco de contaminação das lavouras.

Em função de todos estes problemas, a Associação de Solos relata que muitas organizações agrícolas dos EUA têm incentivado agricultores a não plantar transgênicos este ano. As associações nacionais de agricultores dos Estados Unidos e do Canadá, a Associação Americana de Produtores de Milho, o Conselho Canadense de Trigo, grupos de agricultores orgânicos e mais de 200 outros grupos estão pressionando por uma proibição ou moratória (proibição temporária) à introdução da próxima grande variedade transgênica a ser liberada: o trigo. Além disso, com o apoio de diversas organizações agrícolas, uma lei federal foi proposta no Congresso dos EUA em maio de 2002, buscando a introdução de normas de rotulagem e de responsabilidade sobre danos causados pelo cultivo de transgênicos no país.

Na conclusão do documento, a Associação de Solos argumenta que as evidências encontradas mostram que a introdução de cultivos transgênicos no Reino Unido impediria o governo de cumprir os compromissos públicos e os objetivos políticos que assumiu: assegurar que a expansão da agricultura orgânica não seja afetada pela introdução dos transgênicos e que a agricultura deve ser competitiva e ir de encontro às exigências dos consumidores.

Leia o Sumário Executivo do documento em português no endereço www.greenpeace.org.br/transgenicos.
A versão em inglês do relatório está disponível nos sites www.greenpeace.org.br/transgenicos e http://www.soilassociation.org/gm

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Neste número:

1. Chefes de cozinha em guerra contra o salmão transgênico
2. Organizações da Escócia e do Canadá também estão preocupadas com o salmão transgênico
3. Academia de Ciência dos EUA expressa preocupação sobre biotecnologia animal
4. Custos da contaminação transgênica
5. Seguradoras australianas não se arriscam em seguros para transgênicos
6. Chile propõe novas normas sobre transgênicos
7. Rússia impõe rotulagem de alimentos transgênicos
8. Governo de Blair apóia transgênicos

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1. Chefes de cozinha em guerra contra o salmão transgênico
NOVA YORK - Num ataque preventivo contra a mais nova comida geneticamente modificada, 200 chefes de cozinha, comerciantes e distribuidores de frutos do mar em 40 Estados americanos estão anunciando o compromisso de não comprar peixe que tenha sido alterado pela biotecnologia.
Os participantes da campanha dizem temer que, se o salmão geneticamente modificado for aprovado pela Administração de Alimentos e Drogas (FDA), ele escape dos locais onde é criado e cruze com o salmão selvagem, pondo algumas espécies em perigo. A FDA está estudando um pedido de comercialização de salmão transgênico. Se a solicitação for aprovada, o salmão se tornará o primeiro animal geneticamente modificado permitido nas mesas de jantar americanas, onde fará companhia ao milho e à batata transgênicos, já disponíveis.
A companhia de biotecnologia que produz o salmão diz que ele será mais benéfico para o meio ambiente que o atual.
O boicote está sendo liderado pelos grupos Centro para a Segurança Alimentar, Ação pela Água Limpa e Amigos da Terra, todos críticos dos alimentos transgênicos. A lista de chefes de cozinha aliados a eles inclui nomes prestigiados, como Thomas Keller, do French Laundry, em Yountville, Califórnia; Michel Richard, do Citronelle, em Washington; e, em Nova York, Mario Batali, do Babbo, e Jean-Georges Vongerichten, do Jean-Georges. A principal preocupação é ambiental -- se o peixe geneticamente modificado é perigoso para as espécies nativas. Os grupos citam um estudo encomendado pela FDA e divulgado pelo Conselho Nacional de Pesquisa, segundo o qual o salmão transgênico, criado em viveiros no mar, poderia escapar, cruzar com seus primos selvagens e superá-los na disputa por comida e acasalamento, pondo em perigo a já decadente pesca de salmão no Atlântico.
Todd Gray, chefe de cozinha e proprietário do Equinox, em Washington, descreveu o peixe transgênico como "comida Frankenstein". Outros grupos ambientalistas apóiam o boicote, que inclui 42 mil indivíduos. Mesmo alguns criadores de salmão dizem estar preocupados com o peixe transgênico. A nova espécie de salmão pode crescer duas vezes mais rápido que seus primos das criações tradicionais.
O Estado de São Paulo, 19/09/2002.

2. Organizações da Escócia e do Canadá também estão preocupadas com o salmão transgênico
Um informe elaborado pela Comissão de Biotecnologia, Agricultura e Meio Ambiente (AEBC, na sigla em inglês) da Escócia descreve brevemente sua preocupação com respeito à clonagem animal no Reino Unido e recomenda que não se criem peixes geneticamente modificados no mar até que se avalie profundamente toda a possibilidade de escape gênico.
Um porta-voz da organização SQS (Salmão Escocês de Qualidade) disse: “A SQS declara publicamente que se opõe ao emprego da modificação genética para produção de salmões. Não existe tal atividade nas fazendas escocesas e dado o peso da opinião pública, não se prevêem circunstâncias que afirmem o contrário no futuro”.
A SQS fala em nome de cerca de 65% da indústria dedicada à produção de salmão cultivado na Escócia e de todas as partes envolvidas na cadeia produtiva, desde as empresas de alimentos, até os produtores de alevinos, defumadores de salmão e processadores.
Uma empresa dos EUA desenvolveu um salmão geneticamente modificado conhecido como AquaAdvantage ®, que foi geneticamente modificado para que cresça duas a três vezes mais que o salmão comum. A empresa apresentou uma solicitação para obter licença para a comercialização deste salmão, que deverá ser aprovada pela Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA). (...)
Hoje existe uma oposição científica generalizada à comercialização de peixes geneticamente modificados em fazendas que cultivam espécies de alto mar. A Sociedade Real do Canadá pediu uma moratória à criação de peixes transgênicos em fazendas aquáticas e solicitou que a aprovação de sua produção comercial se condicione à criação em cativeiro em instalações fechadas (muitos produtores criam peixes em gaiolas colocadas no mar). A Sociedade Real referendou estas medidas. (...)
Ayaba Diario Medioambiental, Internet, 09/09/02.
http://www.ayaba.com/modules.php?name=News&file=article&sid=131

3. Academia de Ciência dos EUA expressa preocupação sobre biotecnologia animal
A Academia Americana de Ciências divulgou relatório patrocinado pelo FDA (Agência do Governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos, na sigla em inglês) mostrando sua preocupação sobre o impacto da biotecnologia animal, incluindo os animais clonados, sobre o meio ambiente e a saúde humana.
O relatório mostra preocupação sobre a possibilidade de escape de organismos geneticamente modificados, tais como insetos, moluscos e peixes, no meio ambiente, levando à sua proliferação, o que poderia causar contaminação e até mesmo a extinção de espécies selvagens.
O relatório observou que embora até o momento não tenham sido encontradas evidências de danos à saúde humana em comer animais clonados ou geneticamente modificados e seus derivados, como leite e ovos, estudos adicionais são necessários para determinar seus reais efeitos na saúde.
Após a publicação do relatório, o FDA solicitou a uma centena de produtores de vacas clonadas nos EUA para suspenderem a venda de carne e leite dos animais e para não deixarem que eles procriem, esperando aprovação regulatória. No relatório, a Academia também pede esforços para assegurar que os animais geneticamente modificados para produzir substâncias não alimentícias, como vacas que produzem drogas em seu leite, não entrem na cadeia alimentar. (...)
O relatório completo pode ser lido na homepage da Academia Nacional de Ciências dos EUA:  http://www4.nationalacademies.org/nas/nashome.nsf
Serviço de Informação do Terceiro Mundo em Biossegurança, 13/09/2002.

4. Custos da contaminação transgênica
A Revista Nature Biotechnology de junho de 2002 está dedicada aos riscos econômicos e responsabilidades associadas aos cultivos transgênicos no Canadá e EUA. O caso mais custoso foi o do milho StarLink dos EUA, cuja retirada do mercado custou um bilhão de dólares.
O informe assinala que a Comunidade Européia proibiu recentemente as importações de mel do Canadá, porque os produtores canadenses não podem garantir mel livre de pólen transgênico. Esta medida abaixou os preços do mel no Canadá e causou uma perda de um mercado de 5,3 milhões de dólares na última década. Os cultivos transgênicos também têm destruído o crescente mercado para a canola orgânica do Canadá, estimado em 100 a 200 mil dólares anuais. Os agricultores orgânicos têm levado o conflito contra as companhias biotecnológicas até aos tribunais.
Biotech Activists, jun/2002
Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.

5. Seguradoras australianas não se arriscam em seguros para transgênicos
As companhias de seguros da Austrália têm admitido sua reticência em vender seguros para a indústria biotecnológica. Temem que se repita o desastre com o amianto, em que as companhias mineradoras tiveram que pagar milhões de dólares pelos danos causados à saúde dos trabalhadores. Assinalam que os riscos desconhecidos dos alimentos transgênicos poderiam significar altos custos às seguradoras e temem ações de consumidores com reações alérgicas, ou de agricultores por contaminação transgênica e desenvolvimento de ervas daninhas resistentes a herbicidas. As seguradoras assinalam que, como a tecnologia é nova e complexa, não há maneira de avaliar os riscos de danos que poderiam aparecer no futuro, o que dificulta o estabelecimento dos prêmios.
Biotech Activists, 05/04/02.
Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.

6. Chile propõe novas normas sobre transgênicos
Foram elaborados dois projetos de lei sobre transgênicos no Chile.
A Câmara de Deputados apresentou uma moção para modificar a lei 19.300 de Bases Gerais do Meio Ambiente, a fim de incluir no Sistema de Impacto Ambiental os projetos científicos ou de produção que visem a liberar organismos geneticamente modificados no meio ambiente, devido risco que eles representam para as áreas de produção limpa e orgânica. O projeto também considera o direito das associações ou cooperativas de produtores agropecuários locais de declarar zonas de produção limpa ou zonas sem transgênicos no país, em comum acordo com os municípios ou autoridades regionais. Se este projeto for aprovado, significará um grande avanço para o desenvolvimento da agricultura orgânica no país e um freio à expansão dos transgênicos.
O Senado propôs ainda um projeto de lei sobre a rotulagem obrigatória dos produtos transgênicos. O projeto estabelece que todos os produtos alimentares que sejam transgênicos ou que tenham usado ingredientes ou aditivos transgênicos em sua fabricação, deverão levar uma etiqueta em lugar destacado da embalagem em que apareça escrito “Transgênico” ou “OGM”.
Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.

7. Rússia impõe rotulagem de alimentos transgênicos
A Rússia está introduzindo a rotulagem obrigatória de todos os alimentos produzidos a partir de ingredientes geneticamente modificados, segundo informa o jornal russo Itar-Tass. Em 1° de setembro deste ano, os fabricantes foram informados que teriam que embalar seus produtos com rótulos bem compreensíveis. A matéria do Itar-Tass citou fontes do órgão de Inspeção Sanitária do governo, que disseram que os rótulos devem ser totalmente informativos e conter inclusive informações sobre, por exemplo, proteínas.
LabConsS  www.ufrj.br/consumo

8. Governo de Blair apóia transgênicos
O governo de Tony Blair, da Inglaterra, planeja modificar a lei para dificultar que o público opine sobre o desenvolvimento comercial de cultivos transgênicos. Mais de 200 grupos ambientalistas se opuseram no passado à liberação comercial do milho transgênico Chardon LL. Da sua parte, o Primeiro Ministro advertiu que os grupos contrários aos transgênicos arriscam colocar a Grã-Bretanha para trás em sua liderança científica e que não vê nenhum dano nos alimentos transgênicos, embora tenha reconhecido que as preocupações quanto à contaminação de cultivos não transgênicos seja legítima.
Estas declarações suscitaram pressão do movimento ambiental e, recentemente, Blair anunciou planos para realizar um debate nacional sobre esta tecnologia. O governo inglês também se opôs às novas normas de rotulagem que o Parlamento Europeu aprovou em julho deste ano.
Genet News, 21/05/02, 29/05/02, 4/06/02, 12/07/02 e 3/07/02, in Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Produção familiar domina a produção orgânica
A produção de alimentos orgânicos no Brasil está concentrada em pequenos produtores familiares -- com propriedades de até 20 hectares --, quase sempre ligados a associações e grupos de movimentos sociais. Eles representam 90% do total, localizados basicamente na região Sul. Os outros 10% estão com grandes produtores empresariais, quase sempre no Sudeste.
Os dados fazem parte da pesquisa desenvolvida pelo agrônomo Moacir Darolt para sua tese de doutorado publicada no livro “Agricultura Orgânica -- Inventando o Futuro”. Os pequenos produtores, diz ele, exportam através de associações ou de empresas exportadoras, que compram sua produção. Minas, por exemplo, exporta café, bem como o Paraná, que vende ao exterior também soja e açúcar mascavo. A Bahia exporta cacau e São Paulo, suco de laranja, açúcar mascavo e frutas secas. (...)
Segundo Darolt, o avanço da produção orgânica está entre 40-50% ao ano e é superior ao de países da União Européia e Estados Unidos, onde o mercado cresce, em média, de 20% a 30% ao ano. Segundo o pesquisador, também começa a tomar vulto a pecuária orgânica em áreas extensivas, com destaque para Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O Instituto Biodinâmico (IBD) calcula que 600 mil bovinos passam por conversão ao manejo orgânico.
Para o presidente da Emater-PR, Rubens Ernesto Niederheitmann, os orgânicos colaboram para viabilizar pequenas propriedades. (...)
Valor Econômico, 02/08/02.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

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#324 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 27 de Set de 2002 9:54 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 131 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 131 - 27 de setembro de 2002

Car@s Amig@s,

Uma grande vitória da Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” e da população fluminense foi alcançada na última semana. A governadora do Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT), sancionou no dia 17 de setembro a Lei 3.967, que veda no estado do RJ o cultivo comercial de transgênicos e a comercialização de produtos que contenham em sua composição substâncias provenientes de organismos geneticamente modificados, que tenham como finalidade a alimentação humana ou animal. A Lei foi publicada no Diário Oficial do Estado em 20 de setembro.

Esta Lei é fruto do empenho da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMADS) e da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior (SEAAPI) que, a partir da sugestão de entidades da Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, encaminharam e defenderam a proposta junto à governadora. Em 07 de agosto a governadora a encaminhou à Assembléia Legislativa, que a aprovou em pouco tempo.

O Rio de Janeiro é o quarto estado brasileiro a aprovar lei estadual proibindo os transgênicos, depois do Pará, do Mato Grosso do Sul e de Santa Catarina.

A criação de leis estaduais neste sentido é de suma importância, especialmente se considerarmos como está sendo conduzida a tramitação do Projeto de Lei Federal sobre o assunto. Em março deste ano, a Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos Deputados aprovou -- sob muitos protestos -- o Projeto de Lei (PL) de autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), que visa a liberar os transgênicos no Brasil de forma rápida e irrestrita, sem as necessárias avaliações de riscos para a saúde dos consumidores e para o meio ambiente e sem garantias mínimas para proteger a economia nacional e os direitos dos agricultores brasileiros.

Este PL aguarda votação no Plenário da Câmara. Se aprovado, seguirá para o Senado Federal.

A Constituição brasileira permite que municípios tenham leis mais restritivas que os estados (nunca menos restritivas) e que os estados tenham leis mais restritivas que a União. Ou seja, mesmo que a lei federal não proíba o cultivo comercial de transgênicos, uma lei estadual pode fazê-lo. Em contrapartida, se a lei federal proibisse o cultivo, nenhuma lei estadual poderia permiti-lo.

Dessa forma, a criação de leis estaduais proibindo o cultivo comercial e o comércio de transgênicos até que se prove que eles não trazem danos à saúde ou ao meio ambiente representa uma garantia importante para a população neste momento.

Você também pode incentivar a criação de leis proibindo transgênicos no seu estado e no seu município. No estado do Paraná, mais de dez municípios tiveram leis aprovadas a partir da mobilização de grupos de jovens e agricultores. Procure os deputados estaduais de sua região e os vereadores da sua cidade e faça esta proposta. Sem dúvida você encontrará algum que se interesse pelo tema. Se a proposta for encaminhada através de grupos ou entidades, ela ganhará ainda mais força. Mãos a obra!

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Neste número:

1. Projeto de Lei do Senado visa a suspender comércio de transgênicos
2. Parlamento Europeu: países têm direito de rejeitar transgênicos
3. Europa continua a rejeitar produto transgênico
4. ONU cria tratado contra clonagem humana
5. EUA querem pulverizar herbicidas em florestas para combater incêndios
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Banco de Sementes é alternativa para combate à fome no sertão de Alagoas

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1. Projeto de Lei do Senado visa a suspender comércio de transgênicos
Projeto que suspende até 2004 qualquer ação que legalize a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados, também chamados de transgênicos, aguarda votação na CCJ -- Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. De iniciativa do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a matéria será relatada por Sebastião Rocha (PDT-AP).
Apresentado no ano 2000, o projeto alcança tanto os transgênicos nacionais quanto os importados. A proposta tem por base a preocupação desencadeada pelos movimentos sociais que enxergam na evolução daqueles organismos questões que envolvem o meio ambiente, o desemprego rural, a saúde pública e o futuro da Humanidade.
Na justificação do projeto, Valadares diz que as pesquisas e estudos científicos realizados não produzem um nível de segurança nem sequer razoável para a completa liberação desses organismos. Ele argumenta ainda mencionando a reação européia contra a importação de produtos transgênicos, cultivados em larga escala nos Estados Unidos e no Canadá.
O senador afirmou que a liberação em escala comercial, já ocorrida em alguns países, demonstra que não existe nenhum benefício real para o consumidor. Segundo ele, “ninguém pode garantir que os transgênicos sejam mais baratos, mais nutritivos ou mais gostosos”, não podendo ser considerados mais seguros que os alimentos convencionais. Valadares acrescentou que a liberação dos transgênicos significaria assumir riscos que podem ser evitados.
Jornal do Senado, 17/09/02.

2. Parlamento Europeu: países têm direito de rejeitar transgênicos
BRUXELAS -- Os países devem ter o direito de rejeitar organismos geneticamente modificados, decidiram membros do Parlamento Europeu nesta terça-feira (24/09).
A assembléia da União Européia votou a favor de um projeto de lei que vai alinhar as leis do bloco ao Protocolo de Cartagena, um tratado global que aborda o comércio de organismos geneticamente modificados e requer dos países exportadores que peçam permissão dos países importadores antes de enviar este tipo de produto.
O tema espinhoso da movimentação internacional de colheitas geneticamente alteradas - que alguns países dizem que poderiam representar risco à saúde humana e ao meio ambiente - voltou a causar polêmica recentemente, quando países africanos rejeitaram ajuda humanitária dos Estados Unidos em forma de grãos transgênicos.
Jonas Sjostedt, parlamentar da Suécia que liderou os trabalhos sobre o tema, disse que está clara a necessidade de regras claras para o comércio de organismos modificados.
- A necessidade urgente de regras rígidas para a exportação de organismos geneticamente modificados foi demonstrada recentemente com a rejeição de comida transgênica por Zâmbia, Zimbábue e Moçambique - disse Sjostedt.
O Parlamento também está finalizando um conjunto de regras para assegurar que os organismos modificados cultivados ou usados na Europa sejam claramente segregados das colheitas convencionais e que ingredientes possam ser rastreados até sua origem caso ocorra algum problema.
Agricultores americanos dizem que as regras são supérfluas e custosas.
O Globo Online, 24/09/02  www.oglobo.globo.com/oglobo/plantao/44861675.htm

3. Europa continua a rejeitar produto transgênico
O milho geneticamente modificado produzido na Espanha não se destina a seres humanos -- é para alimentar os porcos. A batata transgênica da Alemanha supre a necessidade de amido a ser utilizada em revestimentos de papel. Na Itália, pesquisadores desenvolvem um trigo geneticamente modificado para produzir massas destinadas à exportação.
Por toda a Europa, pesquisadores em empresas de biotecnologia, institutos governamentais e universidades trabalham no desenvolvimento de novos produtos como uvas, trigo, feijões e bananas geneticamente alterados que os europeus dificilmente vão consumir algum dia. O uso comercial destina-se à países em desenvolvimento ou aos Estados Unidos e não à União Européia, onde os rótulos obrigatórios e outras restrições baniram os produtos transgênicos. Há apenas uma cultura transgênica em toda a União Européia, com fins comerciais, que é a de milho destinado à alimentação de porcos. Nos Estados Unidos, são mais de 30, incluindo o milho.
Nos supermercados europeus é difícil encontrar estes produtos. Sob pressão dos ambientalistas, a UE estabeleceu uma série de restrições à venda, entre elas o rótulo obrigatório. Na Bélgica, existem menos de 10 campos experimentais -- para centenas de pedidos que tinham sido feitos na década passada. Hoje, nas 15 nações da UE, existem apenas 35 campos experimentais. Em 1996, o número era de 239. “A Europa está se tornando uma ilha”, diz Herman Van Mellaert, executivo da CropDesign, da Bélgica, a maior companhia de biotecnologia da Europa.
Gazeta Mercantil, 25/09/02.

4. ONU cria tratado contra clonagem humana
Preocupado com as implicações éticas da clonagem humana, um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) começou a trabalhar na elaboração de um tratado internacional que proíba a criação de cópias de seres humanos.
O comitê legal da Assembléia Geral da ONU recrutou um grupo de trabalho para começar a esboçar o acordo. O grupo vai se reunir ao longo desta semana e, como primeira tarefa, vai começar a listar os aspectos legais do novo tratado.
A assembléia votou pela elaboração de um esboço no ano passado, a pedido da França e da Alemanha, depois que o especialista em fertilização humana Severino Antinori anunciou sua intenção de tornar-se o primeiro cientista a produzir um clone humano. Várias empresas e instituições de pesquisa, desde então, fizeram progressos no estudo dos mecanismos da clonagem de uma variedade de animais e em seres humanos -- mas estes apenas para a clonagem de células, tecidos e talvez órgãos.
O processo de esboço do tratado deve levar anos e todos os 190 países membros estão livres para participar das deliberações do comitê.
Extra, 26/09/02.

5. EUA querem pulverizar herbicidas em florestas para combater incêndios
O Serviço de Florestas dos Estados Unidos (USFS, na sigla em inglês) aprovou um plano para pulverizar os herbicidas glifosato e triclopyr em aproximadamente 5.000 acres (12.345,67 hectares) de mata para reduzir o risco de incêndio florestal. A área do projeto fica próxima à Floresta Nacional Eldorado, pertencente à bacia hidrográfica da Baía de São Francisco e local de coleta de água potável para a área da baía. Herbicidas são normalmente aplicados pela USFS e empresas privadas de produção de madeira durante o plantio de árvores para diminuir a competição com plantas espontâneas. Entretanto, na Floresta Nacional de Eldorado os herbicidas serão aplicados em árvores adultas -- neste caso de 40 a 60 anos -- que proporcionam abrigo e alimento à variada vida selvagem. A associação dos índios Basketweavers (CIBA, na sigla em inglês) e a entidade local Sierrans for Safe Passage (SSP) apelaram contra a decisão do Serviço Florestal argumentando que o uso de herbicidas para reduzir a quantidade de massa inflamável na mata abre um precedente perigoso tanto para pessoas como para a vida selvagem. Estes grupos defendem que o corte mecânico e o raleamento de folhas são técnicas apropriadas para serem usadas.
"O Serviço de Florestas já foi muito longe com esta proposta", disse Vivian Parker, bióloga do CIBA. "Eles querem transformar o chão da floresta numa zona morta e estéril, matando valiosos arbustos e ervas nativas em 4.522 acres de terras públicas. Estas plantas nativas provêm importante fonte de alimentação e abrigo para muitas espécies, incluindo o urso preto, a codorna e o veado. (...) Esta proposta não tem sentido ecológico, científico ou moral."
Os grupos de conservação também discordam da teoria do Serviço de Florestas de que pulverizar herbicidas reduzirá o risco de incêndios. "Na verdade os herbicidas vão aumentar o risco de incêndios no curto prazo devido à camada de folhas secas que se acumulará no chão", diz Dan Zimmerman, do SSP.
O Serviço de Florestas propôs o uso de herbicidas a despeito de várias determinações judiciais que solicitam mais estudos sobre os impactos. O grupo Californianos por Alternativas aos Tóxicos (CATS) entrou com uma ação judicial contra o Projeto Cottonwood da UFSF, que pretendia usar herbicidas em 22.000 acres da Floresta Nacional Tahoe, depois do incêndio florestal de 1994. Nesse caso, um juiz federal julgou que a agência falhou em avaliar adequadamente os efeitos do herbicida para a saúde humana e a vida selvagem, que podem atuar como disruptores endócrinos, neurotoxinas e supressores do sistema imunológico.
As associações CIBA e SSP entraram com uma ação contra o Serviço de Florestas. A utilização dos herbicidas está suspensa até que saia a decisão judicial.
PANUPS - Pesticide Action Network Updates Service, 13/09/02. - www.panna.org

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Banco de Sementes é alternativa para combate à fome no sertão de Alagoas
Armazenar sementes em bancos comunitários para utilizar no próximo plantio. Esta tem sido a alternativa utilizada por mais de 600 famílias de agricultores de Alagoas no combate à fome. O projeto é desenvolvido pela Visão Mundial, ONG que há 27 anos atua no Brasil, através de 74 projetos sociais. (...)
O programa faz parte de um conjunto de ações que visam o desenvolvimento sustentável das comunidades situadas na região do semi-árido brasileiro. Anualmente, mais de 600 famílias -- aproximadamente 6 mil pessoas -- recebem, cada uma, através de doações, cerca de 30 kg de sementes de feijão da seca, milho e hortaliças. Uma parte das sementes (assim como parte da colheita) é plantada e o restante armazenado nos bancos comunitários de sementes. As sementes de hortaliças destinam-se também às hortas comunitárias organizadas e administradas pelas mulheres das famílias que utilizam o Banco de Sementes.
A cada ano, novas famílias são atendidas graças ao efeito multiplicador da ação:  com 15 toneladas de sementes distribuídas em 2001, foram colhidas 412 toneladas de feijão, sendo que uma parte dessa colheita vai gerar, neste ano, ainda mais alimento, somando-se ao resultado de 2002. (...)
De acordo com a instituição, o projeto garante alimentação de qualidade, com baixo custo. Assim, para proporcionar alimentos para uma família por seis meses, são necessários R$ 39,00. O valor de R$ 78,00 garante o sustento de uma família por um ano, e R$ 156,00 alimentam duas famílias por um ano inteiro.
O projeto é mantido por meio de recursos doados à Visão Mundial.
Boletim  Eletrônico da  Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - ABONG, 27 de junho a 03 de julho de 2002 - N º 191.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

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#325 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 4 de Out de 2002 11:05 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 132 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 132 - 04 de outubro de 2002

Car@s Amig@s,

Pela primeira vez, em relatório oficial, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) admitiu que a maior parte das prometidas vantagens econômicas dos cultivos transgênicos são falsas ou muito duvidosas.

Em julho deste ano, o Serviço de Pesquisa Econômica (ERS, na sigla em inglês) do USDA divulgou uma análise detalhada do desempenho econômico dos cultivos transgênicos nos Estados Unidos, intitulada “Adoção de Cultivos Bioengenheirados”, que chega a concluir que “Talvez a maior questão levantada por estes resultados seja como explicar a rápida adoção dos cultivos transgênicos quando os impactos financeiros na agricultura parecem ser confusos ou mesmo negativos.”

Mesmo sem entrar na questão do mercado, o relatório revela que os cultivos transgênicos não trouxeram vantagens econômicas para os agricultores americanos -- embora muitos deles tenham a ilusão do contrário.

Um outro estudo, financiado pela Universidade de Iowa e desenvolvido em 1998, revela que a percepção sobre os cultivos transgênicos pelos agricultores pode ser influenciada tanto pela avaliação subjetiva que eles fazem do desenvolvimento de suas lavouras, como pelos dados reais de sua performance.

O estudo de Iowa confirmou que mais da metade dos agricultores que plantavam soja transgênica resistente a herbicida o fazia porque acreditava que ela proporcionava produtividades maiores se comparada com as variedades convencionais de soja. No entanto, quando a universidade analisou os resultados destas colheitas, descobriu que as variedades transgênicas produziam menos, apesar da crença dos agricultores do contrário.

Um estudo subseqüente da universidade avaliou em detalhe a performance financeira nas lavouras de soja transgênica em Iowa (levando em conta sementes, herbicidas, fertilizantes, operações de maquinaria, seguro e encargos sobre a terra) e concluiu inexistirem diferenças de custos de produção entre os cultivos de variedades transgênicas e convencionais. No entanto, por causa de sua melhor produtividade, as lavouras não transgênicas deram lucro para os produtores, enquanto as variedades transgênicas não deram.

O estudo sugere a pressão de propaganda como uma possível causa para a expansão do cultivo de soja resistente a herbicida, apesar de sua performance econômica decepcionante.

Outro ponto particularmente interessante do relatório do USDA é referente à adoção do plantio direto pelos agricultores que adotaram a soja transgênica. Ao contrário do que alegavam os defensores da engenharia genética -- que a introdução da soja transgênica promoveria o aumento da adoção do plantio direto (método de cultivo que diminui drasticamente a erosão do solo ao dispensar seu preparo) -- o estudo mostra que o plantio direto, que estava em franco crescimento antes da introdução dos transgênicos, estagnou nos Estados Unidos, enquanto cresce nos países latino-americanos.

Sobre o algodão Bt (que é letal para determinados insetos), o relatório do USDA confirma que a maioria dos agricultores (63%) não o adotou em 2001 -- provavelmente porque o consideraram desnecessário ou anti-econômico.

Felizmente, além do algodão e das culturas que servem para a ração animal -- soja e milho --, poucos produtores americanos estão adotando os transgênicos.

Até um estudo do Centro Nacional de Políticas para a Alimentação e Agricultura (NCFAP, na sigla em inglês) que foi parcialmente financiado pela Monsanto e pela Organização das Indústrias de Biotecnologia (BIO, na sigla em inglês), confirma que  as culturas utilizadas diretamente na alimentação humana, como milho doce, beterraba açucareira e batata, não estão sendo plantadas pelos produtores nas suas versões transgênicas, apesar delas já estarem registradas. O estudo do NCFAP relata que as indústrias de alimentos não estão aceitando variedades transgênicas e que a divisão da Monsanto para batata fechou em 2001.

Estas informações reforçam a nossa teoria de que os cultivos transgênicos representam uma tecnologia pouco promissora e absolutamente dispensável. Mais que isso, representam uma proposta de modelo agrícola insustentável: ambientalmente perigoso, desvantajoso economicamente e socialmente inapropriado (aumentando a dependência dos agricultores à indústria).

A agroecologia vem mostrando, nos mais diversos contextos sócio-ambientais, sua capacidade de responder às atuais necessidades da população mundial. O uso conservacionista de recursos associado ao conhecimento e à diversidade local vem mostrando é que possível produzir alimentos saudáveis e em quantidade a baixos custos. É neste campo que as grandes instituições de pesquisa deveriam investir recursos humanos e financeiros de forma a trazer significativas contribuições para a construção de um modelo sustentável para a agricultura.

O relatório da USDA “A adoção de cultivos bioengenheirados” está disponível em: http://www.ers.usda.gov/publications/aer810/

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Neste número:

1. Instrução Normativa Conjunta submete pesquisa em plantas transgênicas à legislação de agrotóxicos
2. Nova Zelândia impõe regras rigorosas para evitar a importação de transgênicos
3. Pratini insiste em defender a Monsanto ao invés de defender os brasileiros
4. Como os transgênicos estão destruindo o meio ambiente e a vida das pessoas na Argentina
5. Banco Mundial promove transgênicos
6. Participantes do III Seminário Internacional sobre Agroecologia aprovam Carta Agroecológica em Porto Alegre
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Árvores no pasto, uma forma de aumentar a produção animal
Artigo
: “Palavras ao Vento”, de Jean Marc von der Weid, no site da revista Caros Amigos

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1. Instrução Normativa Conjunta submete pesquisa em plantas transgênicas à legislação de agrotóxicos
O Ministério da Agricultura divulgou ontem (01/10) novas normas para pesquisas com plantas geneticamente modificadas, também conhecidas como transgênicas. As novas diretrizes permitem que algumas destas plantas sejam consideradas como agrotóxicos, e tenham que seguir a rigorosa legislação que estrutura este tipo de estudo. As novas normas foram saudadas pelos ambientalistas. "É um avanço importante", diz David Hathaway, consultor da ONG Assessoria de Serviços a projetos em Tecnologia Alternativa (AS-PTA), do Rio de Janeiro.
A atual legislação diz que agrtotóxicos são aqueles produtos químicos ou biológicos capazes de modificar a flora e a fauna. Muitas das plantas geneticamente modificadas já desenvolvidas têm este efeito. Elas agem como herbicidas e fungicidas, ou seja, destróem outros organismos. Entre as mais utilizadas na lavoura estão as que contém o gene para a toxina BT, que têm efeito inseticida. "Nos Estados Unidos o governo registra essas plantas como defensivos agrícolas. Para mim são uma nova geração de inseticidas, só que em forma de vegetal", afirma Hathaway.
Já há pesquisas com plantas transgênicas em andamento no Brasil. A estatal Embrapa por exemplo, desenvolve uma variedade geneticamente modificada de feijão. Já a CODETEC faz pesquisas com cana-de-açúcar. O objetivo das pesquisas é criar plantas que sejam mais resistentes à ação de vírus e bactérias.
Boletim Galileu, 02/10/02 - http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT404537-1939,00.html

2. Nova Zelândia impõe regras rigorosas para evitar a importação de transgênicos
O ministro de Agricultura e Silvicultura da Nova Zelândia anunciou em agosto deste ano que se estabeleceu um novo regime de controle das importações de sementes para assegurar que nenhuma semente transgênica entre no país. A Nova Zelândia realizará testes em todos os carregamentos importados de sementes de milho, milho doce, colza e soja para comprovar que o material não contenha transgênicos.
Este novo regime começou em 1o. de agosto para sementes de milho e se estenderá às sementes de colza e soja em 1o. de outubro e de janeiro, respectivamente.
Esta decisão foi tomada logo depois das eleições gerais, cujo debate se centrou na conveniência ou não de se introduzir os transgênicos na agricultura do país. (...)
Boletim OMG - Amigos de la Tierra Españ -, número 22, setembro de 2002.

3. Pratini insiste em defender a Monsanto ao invés de defender os brasileiros
Se a Europa quiser que o Brasil continue a cultivar produtos não-transgênicos, terá que pagar mais por eles, do contrário o país também partirá para os transgênicos, disse nesta terça-feira, em Paris, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes.
“Nós queremos uma diferenciação no preço. Eu não posso obrigar os brasileiros a cultivar um produto não-transgênico que custa mais caro, recebendo o mesmo preço. Se a Europa quiser importar o brasileiro não-transgênico, vai ter que pagar um prêmio”, disse.
De acordo com o ministro, o custo de um produto não-transgênico chega a ser entre 15% e 20% maior do que o similar transgênico. Pratini foi a Paris em defesa do frango brasileiro. Uma reinterpretação de regulamento da União Européia pode fazer a tarifa de exportação do frango salgado passar de 15% a 75% do preço, com prejuízos para o Brasil.
Folha de São Paulo, 2/10/02.
N.E.: É impressionante a desfaçatez com a qual o ministro procura defender os interesses norte-americanos ao invés de defender os interesses brasileiros. Já estão mais do que claras -- e amplamente noticiadas na grande imprensa -- as vantagens competitivas no mercado internacional que o Brasil veio acumulando ao longo dos últimos cinco anos, justamente por não produzir transgênicos. Os dados de custos de produção por ele apresentados são irreais, conforme mostra a apresentação deste Boletim.

4. Como os transgênicos estão destruindo o meio ambiente e a vida das pessoas na Argentina
“Nossa breve história de submissão às gigantes mundiais de biotecnologia foi tão desastrosa que fervorosamente esperamos que as outras nações da América Latina nos tomem como exemplo sobre o que não se deve fazer”, disse Jorge Eduardo Rulli, um dos mais importantes agrônomos da Argentina, apenas seis anos após o país ter decidido abraçar a tecnologia dos transgênicos.
Quando a Monsanto chegou na Argentina em 1996 com a primeira de suas culturas transgênicas, a soja Round-Up Ready (RR), fez promessas atrativas para os produtores argentinos. (...) Eles foram cativados pela conversa dos vendedores. Cerca de 90% aceitaram adotar a tecnologia, o que deu à Monsanto uma taxa maior de adesão até do que nos Estados Unidos. (...)
Apesar das promessas iniciais, a soja RR teve colheitas 5 a 6% menores do que a soja convencional. Também não houve o tão propalado declínio na aplicação de herbicida.  Graças ao desenvolvimento de novas ervas invasoras, os produtores tiveram que usar duas ou três vezes mais herbicidas do que usavam anteriormente. No total, os custos de produção subiram em 14%. Os preços da soja caíram como resultado da superprodução mundial, e os produtores estão atualmente pior do que antes.
Existem conseqüências mais sérias mas não tão óbvias. A única vantagem da soja RR é que ela economiza tempo. (...) Isto significa que um único produtor pode ser responsável por uma área maior -- o que tem sido necessário com a queda dos preços da soja. Não tendo como competir, os pequenos produtores irão falir.
O Greenpeace da Argentina diz que o número de produtores caiu para 1/3 ao longo da última década. (...)
Mais alarmante ainda são os danos ambientais. Florestas nativas desapareceram com o avanço da soja. Os números sugerem que a cada ano os produtores têm inundado  10 milhões de hectares sob o cultivo de soja transgênica com 80 milhões de litros de herbicida. Isto está matando todas as formas de vida, exceto a soja RR, e interrompendo o ciclo biológico natural. O solo está se transformando em cinza ou areia e nenhuma das duas, diz Rulli, pode reter água. Não é surpresa que o país esteja sofrendo com enchentes. (...)
O povo é forçado a deixar a terra e emigrar para as cidades. Eles têm pouca esperança de encontrar um emprego, já que a Argentina está engolida por uma das crises mais sérias de sua história. A previsão é de que o crescimento econômico cairá pelo menos 15% este ano. Rulli acredita que só há uma solução real: “Nós temos que mudar o modelo rural, repovoar o campo e começar a produzir comida de qualidade”, diz ele. (...)
Até o momento, existem poucos sinais de que isto vá acontecer. O Presidente Duhalde tenta manter o país unido até as eleições em Março 2003. Para prevenir greves gerais, o governo está fornecendo cestas básicas aos mais necessitados. Poderíamos pensar que o governo teria comprado comida dos produtores argentinos. Nem pense nisso. Está importando comida barata de fora e -- a humilhação final -- encorajando as famílias empobrecidas, que cresceram comendo bife, a comer soja RR que tanto mal faz ao país.
The Ecologist, vol. 32, n. 8, October 2002.

5. Banco Mundial promove transgênicos
Na Cúpula Mundial em Joanesburgo, no mês passado, o Banco Mundial anunciou planos para lançar uma avaliação internacional de três anos sobre riscos e oportunidades do uso da ciência agronômica para reduzir a fome e melhorar o meio de vida nos países em desenvolvimento. O estudo irá examinar uma gama de tecnologias agrícolas incluindo a engenharia genética. O que o Banco Mundial não disse, entretanto, é que já está moldando o resultado ao financiar cultivos transgênicos em países em desenvolvimento como Índia e Quênia. (...)
De acordo com uma nota interna do Banco Mundial, datada de 7 de janeiro de 2002, os empréstimos do banco para cultivos biotecnólogicos já estão em andamento em vários países. Como exemplo, o banco está emprestando U$ 20 milhões para a Índia pesquisar arroz e algodão transgênicos. (...)
No Quênia, o banco está financiando batata doce transgênica através do “Projeto Nacional de Pesquisa em Agricultura (NARP, na sigla em inglês) - Fase II”. O comunicado técnico do banco inclui uma fotografia dos experimentos de campo de batata transgênica, já em andamento no Quênia. De acordo com o PAN (Rede de Ação contra Pesticidas, em inglês) da África oriental, a primeira fase deste projeto começou como um esforço colaborativo entre a Monsanto e o Instituto de Pesquisa em Agricultura do Quênia (KARI, em inglês) enfocando a pesquisa e o desenvolvimento de cultivos transgênicos. A segunda fase, financiada em parte com dinheiro do Banco Mundial, inclui testes de campo com a batata doce transgênica.
O comunicado técnico do Banco Mundial também se refere à pesquisa biotecnológica na Etiópia, Brasil, Indonésia e Peru.
“O Banco Mundial não está nem esperando pelos resultados do estudo de três anos antes de embarcar no trem dos transgênicos”, observou Márcia Ishii-Eiteman, cientista da Rede de Ação Norte-Americana contra Pesticidas (PANNA, em inglês). O PANNA está pedindo que o Banco suspenda imediatamente o seu apoio a projetos em andamento e planejados com transgênicos e que redirecione estes fundos para programas comprovadamente seguros, de baixo custo e baseados em princípios ecológicos, tais como manejo da fertilidade do solo e manejo integrado de pragas (MIP).
O Banco Mundial esteve recentemente sob intensa crítica internacional das organizações não governamentais (ONGs) por promover a biotecnologia num tempo em que seus riscos para a saúde e para o meio ambiente permanecem desconhecidos e que os países do terceiro mundo correm o risco de perder cruciais mercados de exportação para países cujos consumidores rejeitaram os transgênicos, como o Japão, a Coréia os países da Europa. (...)
PANUPS, 27/09/02.

6. Participantes do III Seminário Internacional sobre Agroecologia aprovam Carta Agroecológica em Porto Alegre
A promoção do desenvolvimento local, a criação de mecanismos legais que permitam aos agricultores a apropriação dos recursos genéticos disponíveis e o desenvolvimento de pesquisas e políticas públicas que estimulem a adoção dos sistemas agroflorestais são alguns dos pontos defendidos na Carta Agroecológica 2002, aprovada pelos 3,1 mil participantes do III Seminário Internacional sobre Agroecologia, em Porto Alegre. Os participantes do evento também propõem a organização de circuitos locais e regionais de comercialização, o uso da água como elemento fundamental para a vida e que, na busca de padrões de desenvolvimento, sejam incorporadas ações que conduzam a um estilo de vida parcimonioso com o uso dos recursos naturais.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Árvores no pasto: uma forma de aumentar a produção animal
No Brasil, cresce a tendência de se plantar árvores e arbustos nos pastos a fim de aumentar a produção dos rebanhos. Para isso, é preciso melhorar o rendimento das pastagens e o conforto animal. Afinal, o animal não é uma máquina que se alimenta com forragem para produzir leite e carne, é um ser vivo que necessita de conforto para render adequadamente.
O rendimento das plantas forrageiras depende muito da disponibilidade de água, principalmente no semi-árido brasileiro. As plantas absorvem água do solo e a transpiram para o ar, e quando este está saturado com vapor d’água, a transpiração cessa. Mas, quando o vento dispersa o vapor d’água, elas voltam a absorver a água do solo, transpirando-a para o ar e consequentemente secando o solo.
As árvores de raízes profundas atuam como reguladores da umidade e da temperatura do ambiente ao extrair água do subsolo e liberá-la pela transpiração. Servem também como quebra-vento. Assim, à sombra das árvores mantém-se uma temperatura de 3 a 4°C mais alta que na pastagem na época mais fria, e na temporada mais quente, 3 a 4°C mais baixa.
Pastos com pelo menos 50 árvores por hectare aumentam o rendimento de leite em 15 a 30%, e o de carne em 20%. Entretanto, em pastagens degradas é difícil o estabelecimento de árvores.
A Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveu uma tecnologia de inoculação de mudas de leguminosas com rizóbios e micorrizas, que são bactérias e fungos que favorecem a nutrição da planta. A produção de matéria orgânica e sua acumulação nos solos é surpreendentemente rápida, o que aumenta a permeabilidade e o armazenamento de água no solo. Num solo bem estruturado, as raízes são capazes de explorar mais água e nutrientes. Assim, as plantas podem se desenvolver melhor e ser menos afetadas pelas secas.
PRIMAVESI, A. e PRIMAVESI, O. En Brasil, optimizando las interacciones entre el clima, el suelo, los pastizales y el ganado. In Leisa - Revista de Agroecologia. Peru: Ileia, junho de 2002. vol. 18, nº 1, p. 15.

Artigo:
Leia o artigo “Palavras ao Vento”, de Jean Marc von der Weid, sobre as eleições e a geração de empregos, no site da revista Caros Amigos - www.carosamigos.com.br


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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#326 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 11 de Out de 2002 11:52 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 133 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 133 - 11 de outubro de 2002

Car@s Amig@s,

Dezesseis de Outubro é o Dia Mundial da Alimentação. Um dia importante para a discussão sobre os alimentos transgênicos, sobre o problema dos agrotóxicos e seus impactos na saúde dos consumidores, a segurança alimentar e a agroecologia.

Aproveitando a data (próxima quarta-feira), diversas organizações em todo o País estão programando atividades relacionadas ao tema dos transgênicos, visando a chamar a atenção da sociedade para a questão e a reforçar para as indústrias alimentícias a exigência dos brasileiros da garantia de que seus produtos sejam livres de contaminação por ingredientes transgênicos.

Você e sua organização também podem se juntar a este movimento, organizando atividades na sua região.
 
Se você estiver em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Tubarão (SC), Natal (RN), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Curitiba (PR), pode procurar  as organizações ambientalistas e de defesa dos consumidores que estão articulando ações nestes lugares*. Participe!

* Curitiba (PR) - ADOC/PR - Fernando Kosteski. Tel.: (41) 322-5255.
Belo Horizonte (MG) - MDC/MG - Maria do Céu. Tel.: (31)3465-1167.
Tubarão (SC) - ADACON/TB - Reneuza Borba. Tel.: (48) 622-1605.
Fortaleza (CE) - ABED/CE - Shandra Aguiar. Tel.: (85) 288-7462.
Natal (RN) - CDC/RN - Lúcia de Fátima. Tel.: (84) 211-4847.
Porto Alegre (RS) - Greenpeace - Guilherme Zambarda. Tel.: (51) 9966-8952.
São Paulo (SP) - Greenpeace - Tatiana Carvalho. Tel.: (11) 3066-1184.
Florianópolis (SC) - ADOCON/SC - Maria Therezinha Blatt. Tel.: (48) 324-3030.

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Neste número:

1. O Estado de Oregon, nos EUA, votará rotulagem de transgênicos
2. Experimentos genéticos em Porto Rico
3. Tumulto em audiência sobre liberação de milho transgênico no Uruguai
4. Nova Ameaça dos produtos transgênicos aos ecológicos e convencionais
5. África busca uma solução para a ajuda alimentar transgênica
6. Paraquat, o perigoso herbicida da Syngenta
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Rumo à sustentabilidade com sistemas integrados de produção pecuária
Eventos:
2º Encontro Maranhense de Agroecologia (2º EMA)
Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar
- São Paulo
Debate: Alimento do Presente ou do Futuro? - Rio de Janeiro

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1. O Estado de Oregon, nos EUA, votará rotulagem de transgênicos
No dia 05 de novembro haverá um plebiscito no Estado de Oregon, EUA, com seis questionamentos, entre eles a rotulagem dos alimentos fabricados a partir de ingredientes transgênicos (o Projeto de Lei 27). Este plebiscito, o primeiro do tipo para os eleitores americanos, pode fazer o que o Congresso e o FDA desistiram de fazer -- exigir que as companhias de alimentos rotulem produtos que contenham ingredientes transgênicos. Cerca de 70% dos alimentos processados no país contêm milho, soja ou outro ingrediente geneticamente modificado, de acordo com a indústria. Com esta iniciativa, os proponentes da rotulagem talvez tenham encontrado o calcanhar de Aquiles da indústria de alimentos: ao levar a questão aos consumidores ao invés dos políticos, a lei tem mais chances de ser aprovada.
Nas pesquisas de opinião, repetidamente a maioria dos consumidores tem dito que  gostaria de ter informações sobre ingredientes transgênicos no rótulo dos alimentos. Os proponentes do projeto de lei coletaram mais de 100 mil assinaturas para conseguir incluir a questão no plebiscito de Oregon. Eles ouviram proponentes de normas de rotulagem em sete outros estados, que estão interessados em produzir iniciativas semelhantes.
“Se a comida é segura e a tecnologia é boa, por que não por um rótulo e deixar que eu faça a escolha?” diz Donna Harris, uma mãe de Portland que formou o grupo “Cidadãos de Oregon Preocupados por Alimentos Seguros”, que lidera a campanha pela rotulagem.
As indústrias de alimentos e de biotecnologia estão travando uma guerra contra o plebiscito. O grupo da indústria “Coalizão Contra a Custosa Lei de Rotulagem” arrecadou U$ 4,6 milhões em dinheiro em sete semanas para financiar a campanha. Segundo Pat McCormick, chefe da campanha anti-rotulagem, somente o grupo de biotecnologia Crop Life International doou de U$ 3,7 milhões. A maior parte do restante do dinheiro veio de empresas de alimentos, incluindo a PespsiCo Inc., General Mills Inc., Kellogg Co., ConAgra Foods Inc., Sara Lee Corp. and H.J. Heinz Co. (...)
Em contraste, a campanha pró-rotulagem arrecadou U$ 84 mil em dinheiro, empréstimos e contribuições em espécie, e já gastou U$ 72 mil no último ano e meio, de acordo com o secretário do estado de Oregon. O maior contribuinte do grupo é Mel Bankoff, fundador da Emerald Valley Kitchen Inc., uma empresa de alimentos orgânicos, que deu U$ 47.500, a maior parte em empréstimos.
O projeto de lei de Oregon, que provavelmente enfrentará processos judiciais se for aprovado, exigirá que sejam rotulados todos os alimentos vendidos no estado, assim como os alimentos produzidos ou armazenados em Oregon e distribuídos para outros estados. Os ingredientes usados nos produtos terão que ser cuidadosamente rastreados. Por exemplo, um produtor de mistura para bolo tem que saber se seus ovos são provenientes de aves alimentadas com transgênicos.
A campanha está esquentando. Um documento oficial do Estado sobre o plebiscito, que será enviado a todos os eleitores, tem 20 páginas com comentários e publicidade a favor e contra a rotulagem. Oregon é o único estado onde as propostas são enviados por correio para os eleitores.
O grupo anti-rotulagem planeja fazer anúncios impressos, na TV e por correio. Cerca de 330 outdoors já estão nas estradas dizendo “Vote não à proposta 27, a Custosa Lei de Rotulagem”. Donna Harris, de 41 anos, insiste que ela e sua campanha não são financiadas por nenhuma indústria: “eu sou só uma mãe”.
Para saber mais, visite: http://www.labelgefoods.org ou http://www.thecampaign.org/oregon27.htm
O texto da proposição a ser votada pode ser encontrado em: http://labelgefoods.org/about.html
The Wall Street Journal, 30/09/2002

2. Experimentos genéticos em Porto Rico
Porto Rico é cenário de experimentos secretos com plantas transgênicas não aptas para o consumo humano, segundo um informe divulgado por uma coalizão de organizações ecologistas e de defesa do consumidor dos EUA.
As plantas em questão, que incluem milho, soja, arroz e tabaco, produzem químicos industriais e farmacêuticos em seus tecidos e portanto não são comestíveis. Estes químicos incluem vacinas, hormônios de crescimento, agentes coagulantes, enzimas industriais, anticorpos humanos, anticoncepcionais e medicamentos para induzir o aborto.
O informe intitulado “Fabricando Drogas e Químicos em Cultivos Agrícolas”, aponta Porto Rico como um dos quatro lugares onde mais experimentos estão sendo realizados. Os outros três são os Estados de Nebraska, Wisconsin, e Hawaii. Estes experimentos (foram realizados 300 desde 1991) foram conduzidos sigilosamente e sem nenhum debate público. O governo federal classifica a informação específica sobre estes cultivos como confidencial, segundo a reportagem da Environmental News Service (ENS). (…)
O informe da coalizão adverte que estes cultivos trazem perigos inimagináveis para a ecologia, a agricultura e a saúde humana. A questão fundamental apresentada é: será possível isolar e segregar estas plantas e seus frutos e grãos, de modo que se evite uma espécie de “Chernobyl biológico” que resulte em uma tragédia ecológica e de saúde pública?
Deste questionamento desdobram-se duas perguntas mais específicas: que garantia existe de que estes produtos não acabarão acidentalmente no supermercado? Como evitar que o pólen destas plantas fertilize outras plantas e estas se reproduzam descontroladamente no ambiente? “Somente um erro das empresas de biotecnologia e estaremos consumindo medicamentos prescritos para outras pessoas em nosso prato”, adverte Larry Bohlen, porta voz do grupo internacional Amigos da Terra, que participa da coalizão e que relatou o informe sobre os biofármacos. (…)
Os editores da revista científica “Nature Biotechnology” e o empresário Wiliam  Haseltine, chefe da Human Genome Sciences, também expressaram dúvidas sobre a segurança dos biofármacos. De sua parte, o professor Philip Regal, da Universidade de Minnesota, afirma que é possível que não exista e nem vá existir uma maneira efetiva de conter os genes dos cultivos transgênicos. (…)
Red Por una América Latina Libre de Transgénicos: www.biodiversidadla.org

3. Tumulto em audiência sobre liberação de milho transgênico no Uruguai
Uma audiência pública realizada para que os cidadãos pudessem opinar sobre a liberação de uma variedade de milho transgênico Bt, da empresa Monsanto, foi abruptamente finalizada na última semana, na sede dos Serviços Agrícolas do Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP, na sigla em espanhol) do Uruguai, quando os participantes, incomodados com o desenvolvimento dos trabalhos, não deixaram os representantes da empresa fazerem sua exposição, provocando tumulto e jogando a água mineral que havia sobre a mesa nos delegados do MGAP.
A audiência pública é um mecanismo previsto no Decreto 249/2000, instância que se cumpre logo que uma comissão de avaliação de riscos (neste caso, integrada por representantes de Saúde Pública, Meio Ambiente, do MGAP e de dois outros órgãos) analisa todos os temas de biossegurança em relação à variedade transgênica para a qual se solicita aprovação. Esta informação, junto com outros documentos, é exposta para que o público possa se expressar durante determinado período, recebendo-se os comentários e terminando com a audiência pública. Nesta, se complementa a informação para o público, mediante uma exposição da empresa solicitante de seus fundamentos para introduzir e comercializar seu produto. (...)
Eduardo Gudynas, do Centro Latino Americano de Ecologia Social, disse que “ficou evidente que o mecanismo do MGAP de audiência é inadequado e insuficiente” para apresentar documentos com dúvidas técnicas. A este respeito, argumentou que o Ministério de Meio Ambiente realiza encontros deste tipo onde se pode expor e discutir, enquanto “esta estrutura rígida disposta pelo MGAP resultou nesta dinâmica caótica”. (…)
El País, Uruguai, 27/09/02.
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Organizações e cidadãos da sociedade civil uruguaia elaboraram um documento contestando a proposta da Comissão de Avaliação de Riscos de Vegetais Transgênicos, que recomenda liberar a variedade do milho transgênico para a produção e o consumo, apresentando diversos questionamentos. Um dos pontos levantados é o fato de que a Comissão baseou sua recomendação principalmente na informação aportada pela própria Monsanto (o mesmo que aconteceu no Brasil, quando a CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia autorizou a produção comercial da soja RR, também da empresa Monsanto. Este foi um dos motivos que levaram à suspensão desta autorização pela Justiça). (…)
No documento, as diversas organizações da sociedade uruguaia manifestam sua decisão de trabalhar por um Uruguai livre de transgênicos, somando vozes e braços à corrente que, em inúmeras partes do planeta, lutam por um mundo livre de transgênicos.
Red Por una América Latina Libre de Transgénicos - www.biodiversidadla.org

4. Nova Ameaça dos produtos transgênicos aos ecológicos e convencionais
O Comitê Permanente das Sementes da União Européia deve se pronunciar nos próximos dias sobre o projeto de diretiva da Comissão Européia relativa à presença de sementes transgênicas em variedades convencionais. O projeto contempla diferentes níveis de contaminação transgênica para alguns produtos agrícolas, que são os seguintes: 0,3% para as sementes de colza, 0,5% para milho, beterraba, tomate e batata e 0,7% para a soja. (...)
Este nível de contaminação transgênica que pretende admitir a Comissão Européia já está tendo forte rejeição por parte das organizações e produtores ecologistas. O Greenpeace considera que o nível de tolerância dos transgênicos não deveria superar em nenhum caso 0,1%, porcentagem que considera indetectável.
O Greenpeace destaca a grande importância de diminuir ao máximo a porcentagem de contaminação admitida para assegurar a proteção do entorno, garantir a liberdade de escolha dos agricultores, produtores de alimentos e consumidores e a viabilidade dos setores não transgênicos da cadeia alimentar. (...)
Gara-net, 17/09/02 - www.biodiversidadla.org

5. África busca uma solução para a ajuda alimentar transgênica
Ministros Sul-Africanos disseram que desejam maiores esclarecimentos da Organização Mundial da Saúde sobre a segurança dos alimentos transgênicos fornecidos como ajuda no combate à crise de fome na região.
Cerca de 14 milhões de pessoas em Zimbábue, Zâmbia, Malaui, Moçambique, Lesoto e Suazilândia estão enfrentando severa escassez de alimentos, mas a relutância em aceitar a ajuda alimentar transgênica em alguns países levou a atrasos no embarque dos suprimentos.
As seis nações fazem parte dos 14 membros da Comunidade de Desenvolvimento Sul-Africana (SADC, na sigla em inglês), cujo conselho de ministros terminou um encontro na última semana, durante a cúpula anual dos chefes de Estado do SADC.
Ana Dias Lourenço, ministra de planejamento angolana e presidente do conselho ministerial da SADC, disse numa conferência de imprensa em Angola que os ministros não chegaram a um consenso sobre os transgênicos, acrescentando que o tema terá alta prioridade na agenda do grupo. (...)
Segundo Ana Lourenço, uma delegação composta por 20 biotecnologistas e outros pesquisadores da SADC irão visitar os EUA para revisar as últimas pesquisas em biotecnologia e resultados de estudos sobre saúde e testes de segurança em alimentos transgênicos.
Zimbábue, Malaui e Moçambique disseram que só aceitarão suprimentos de ajuda com alimentos transgênicos se estiverem moídos (inviáveis como sementes), mas a Zâmbia baniu os alimentos transgênicos e não permitirá sequer que sejam distribuídos para cerca de 255.000 refugiados de Angola e do Congo que estão vivendo em campos no país.
O presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, disse que seu país está preparado para impedir a insuficiência de alimentos com a importação comercial.
Lesoto e Suazilândia não apresentaram uma posição formal sobre os transgênicos.
Na última semana, os ministros da SADC aprovaram a criação de um comitê consultivo sobre os transgênicos que deverá elaborar orientações sobre como os membros da SADC devem lidar com a questão. O comitê se reuniu pela primeira vez esta semana para discutir os atrasos dos embarques de alimentos devido à discussão em torno dos transgênicos.
A SADC é constituída por Botswana, Angola, Congo, Lesoto, Malaui, Moçambique, Ilhas Maurício, Namíbia, Seychelles, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.
Reuters News Service, 03/10/02 - www.planetark.org/dailynewsstory.cfm/newsid/18029/story.htm

6. Paraquat, o perigoso herbicida da Syngenta
Dos herbicidas produzidos pela empresa Syngenta, o Paraquat, é o mais controverso e vem sendo amplamente comercializado em todo o mundo.
Uma pesquisa realizada na Malásia aponta inúmeras intoxicações e mortes de pessoas que faziam uso regular do produto. Não existem condições seguras para o seu uso, particularmente nas plantações dos pequenos agricultores, e tampouco existe antídoto. Os piores problemas de saúde se encontram entre os trabalhadores dos países em desenvolvimento, que sofrem danos nos pulmões, na pele, olhos, nariz e unhas das mãos e dos pés. No mundo industrializado também existe preocupação, inclusive quanto aos impactos ambientais provocados pelo produto.
Os centros regionais da RAP-AL (Rede de Ação sobre Pesticidas - América Latina) decidiram divulgar um informe com o propósito de chamar a atenção sobre estas preocupações em escala mundial e exigir que se tomem as medidas pertinentes para a eliminação progressiva de produtos que contém o Paraquat, realizar ações visando à proibição deste agrotóxico no maior número possível de países, assim como apoiar uma campanha de pressão sobre a Syngenta para que pare de produzir o Paraquat.
Maiores informações em www.evb.ch/stopparaquat_en.htm
RAP-AL, 22/09/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Rumo à sustentabilidade com sistemas integrados de produção pecuária
A produção pecuária atual, na maioria dos países industrializados, usa sistemas intensivos que causam desemprego, contaminam a água e o solo com seus dejetos e, o mais importante, consomem cerca de 50% da produção mundial de cereais, competindo diretamente com as necessidades alimentares humanas. É necessário desenvolver sistemas que não dependam dos cereais. Nos países tropicais, especialmente os da zona úmida, existem muitas plantas e sistemas agrícolas que excedem consideravelmente a capacidade produtiva dos cereais, tais como a cana-de-açúcar, a mandioca e plantas da família das palmeiras, especialmente as que produzem açúcar e óleo. Altos rendimentos de proteína podem ser alcançados com árvores, arbustos e plantas aquáticas, não só com soja. A família de Lemmacaeas, da qual a lentilha-d’água é a mais difundida, tem importante função para o uso eficiente dos recursos, devido à sua capacidade de extrair nutrientes da água enriquecida com dejetos da atividade pecuária. O seu conteúdo de proteínas pode ser manejado de acordo com a variação dos nutrientes fornecidos na água. Quando o conteúdo de nitrogênio da água é de 20 a 30mg por litro, os valores de proteína ficam em torno de 35 a 40% na matéria seca, o que representa um alto rendimento. A lentilha-d’água é de fácil cozimento, não precisa de processamento antes de ser usada como alimento para os animais, tem proteína altamente digerível e o balanço de aminoácidos essenciais forma um excelente suplemento alimentar para frangos, patos e porcos. Os rendimentos médios equivalem a 8 toneladas de proteína por hectare/ano.
A mandioca é utilizada como cultivo forrageiro perene com repetidas colheitas a intervalos de 50-70 dias. O rendimento da folhagem se incrementa com colheitas sucessivas e cortes repetidos estimulam novos pontos de crescimento. Neste regime, é possível conseguir rendimentos de 3 a 4 toneladas de proteína/ha/ano. As folhas frescas são uma excelente fonte de proteínas para ruminantes e, depois de sua compressão em fardos (que converte o cianeto tóxico em cianatos não tóxicos), podem servir como alimentos para porcos. Manejar a mandioca em associação com leguminosas fixadoras de nitrogênio, ou com grandes camadas de esterco de animais ou com efluentes de biodigestores são maneiras de cultivá-la sustentavelmente, incrementando ainda mais a fertilidade do solo. A presença de compostos de cianeto nas folhas de mandioca pode servir como um pesticida orgânico.
Nestes sistemas, onde se reciclam todos os dejetos, os recursos locais são melhor aproveitados contribuindo para criar novos postos de trabalho, aliviar a pobreza, proteger o meio ambiente e incrementar a biodiversidade, tornando-se a base para uma agricultura que pode ser sustentável e altamente produtiva.
T. R. PRESTON. Hacia sistemas integrados a partir de recursos locales. In Leisa - Revista de Agroecologia. Peru: Ileia, junho de 2002. vol. 18, nº 1, p. 17.

Eventos:
2º Encontro Maranhense de Agroecologia (2º EMA)
Local:
CONASA - Centro Nossa Senhora da Aparecida, município de Bacabal - MA
Data: 18 e 19 de outubro de 2002.
Objetivos: Socializar as discussões e os resultados do ENA - Encontro Nacional de Agroecologia, realizado entre 30 de julho e 02 de agosto, no Rio de Janeiro; debater a importância da adequação do crédito rural para a consolidação da agroecologia; estabelecer ações regionais e temáticas baseadas nas resoluções do ENA; a partir de experiências agroecológicas concretas que estão sendo desenvolvidas, as entidades que compõem a RAMA precisam formular propostas de políticas públicas e desenvolver lutas em favor da generalização da agroecologia no Maranhão.
Organização: Coordenação da RAMA - Rede de Agroecologia do Maranhão.
Maiores informações:
Associação Agroecológica Tijupá - telefone (98) 245-3236  / e-mail: coospat@...
ACESA - telefone (99) 621-5535 / e-mail: acesa@...

Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar
O Instituto de Estudos Formação e Assessoria em Políticas Sociais - PÓLIS está organizando a “Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar”, a ser realizada no dia 28/10/02, às 9:00, em sua sede na Rua Araújo, 124 - Centro - São Paulo-SP.
Maiores informações: Patrícia Gaturamo, pelo telefone (11) 3258-6121, ramal 224, ou pelo endereço eletrônico secretaria@...

Alimento do Presente ou do Futuro?
A Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, realizará no Rio de Janeiro, no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro de 2002, a partir das 8:00 h, um dia de discussão com o tema Alimento do Presente ou do Futuro?
Local:
Rio’s Presidente Hotel, Rua Pedro I, 19, Praça Tiradentes - Centro (Próximo à estação de Metrô Carioca).
Maiores informações pelo telefone (21) 2297-0110.
Inscrição grátis. Os participantes  deverão contribuir com 1kg (ou lata) de alimento não perecível, que será doado a instituições filantrópicas. As declarações de participação podem ser solicitadas no ato da inscrição, mediante pagamento de R$ 20,00.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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ou

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#327 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Ter, 22 de Out de 2002 9:17 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] SOBRE O BOLETIM 134 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s,

Devido a limitações internas na produção do Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos, os boletins da última semana (13-19/10) e desta (20-26/10) serão fundidos num só. Será o Boletim 134, que será enviado até o dia 25 de outubro.

Até lá!

Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”

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#328 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qui, 31 de Out de 2002 8:29 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 135 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 135 - 31 de outubro de 2002

Car@s Amig@s,

No Boletim 133 contamos que em 05 de novembro haverá um plebiscito oficial no Estado de Oregon, EUA, em que será votada, entre outras, a proposta de rotulagem dos alimentos fabricados a partir de ingredientes transgênicos (o Projeto de Lei 27).

Contamos também que o grupo de entidades que lidera a campanha pela rotulagem, chamado “Cidadãos de Oregon Preocupados por Alimentos Seguros”, arrecadou U$ 84 mil em dinheiro, empréstimos e contribuições em espécie, e já gastou U$ 72 mil no último ano e meio (foi este grupo que conseguiu incluir a proposta entre as questões do plebiscito, após coletar 100 mil assinaturas).

Do outro lado, em apenas sete semanas, as indústrias de alimentos e de biotecnologia arrecadaram U$ 4,6 milhões em dinheiro para financiar a campanha que chamaram de “Coalizão Contra a Custosa Lei de Rotulagem” (somente o grupo de biotecnologia Crop Life International doou U$ 3,7 milhões, e a maior parte do restante do dinheiro veio de empresas de alimentos, incluindo a PespsiCo Inc., General Mills Inc., Kellogg Co., entre outras).

O grupo anti-rotulagem está fazendo anúncios impressos, na TV e por correio. Cerca de 330 outdoors já estão nas estradas dizendo “Vote não à proposta 27, a Custosa Lei de Rotulagem”.

Mais recentemente, o FDA (Food and Drug Administration), agência do governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos, se pronunciou contrariamente à proposta.

No Boletim 134 contamos como se deu a liberação dos alimentos transgênicos nos Estados Unidos e como o FDA “dispensou” estes produtos das avaliações de riscos antes de liberá-los, inclusive omitindo alertas de perigo de cientistas do próprio órgão. Conforme relatamos, esta política foi adotada depois que, por orientação da administração do então presidente Ronald Reagan, o órgão criou um novo cargo: "deputy commissioner for policy" - uma espécie de conselheiro para políticas, cuja principal função é a de supervisionar a formulação e finalização da política sobre alimentos geneticamente modificados. Nesta ocasião o escolhido para ocupar o cargo foi um ex-advogado da Monsanto (maior produtora de transgênicos do mundo).

Em 04 de outubro último, o atual Conselheiro para Políticas, Lester M. Crawford, enviou uma carta ao Governador de Oregon, John Kitzhaber, argumentando que a rotulagem dos alimentos transgênicos, além de desnecessária, contraria as orientações do FDA.

“As avaliações científicas do FDA sobre os alimentos bioengenheirados continuam a mostrar que estes alimentos, vendidos normalmente no mercado americano, são tão seguros quanto seus similares convencionais”, diz a carta de Crawford.

Um porta-voz do governador disse, dois dias após o recebimento da carta, que Kitzhaber ainda não tinha tomado uma posição sobre a Proposta 27.

Pat McCormick, porta-voz da Coalizão contra a rotulagem, disse que a oposição do FDA ajudará a educar os eleitores.

No contra-ataque, Steven Drucker, procurador pelo interesse público que fundou a ONG Alliance for Bio-Integrity (Aliança pela Integridade Biológica) e coordenou a ação judicial contra o FDA, que obrigou o órgão a tornar públicos seus arquivos internos em que constavam os alertas de seus cientistas, está desafiando Crawford a apresentar evidências científicas que suportem seus argumentos.

Segundo Drucker, “como o FDA não exige testes com alimentos transgênicos, admite que não realiza revisões abrangentes sobre eles e não tem evidências empíricas formais de que determinados alimentos transgênicos sejam seguros, é impressionante que a Agência afirme agora que seus processos de avaliação mostram que estes alimentos são tão seguros como os outros. Não existe base científica para tal afirmação. Até onde o FDA fez avaliações, seus cientistas concluíram que estes alimentos apresentavam riscos únicos.”

Em 10 de outubro, Drucker mandou outra carta ao Governador de Oregon clareando os fatos. Drucker também viajou ao Estado de Oregon, onde permaneceu de 13 a 25 de outubro e esteve disponível para a imprensa.

O caso está quente. Como já dissemos, pela primeira vez nos Estados Unidos a questão está sendo levada aos consumidores ao invés de políticos, o que faz com que a medida tenha grande chances de ser aprovada. Nas pesquisas de opinião, repetidamente a maioria dos consumidores tem dito que gostaria de ter informações sobre ingredientes transgênicos no rótulo dos alimentos.

A aprovação desta proposta será uma vitória histórica do movimento anti-transgênicos nos Estados Unidos. Em vários outros estados já há grupos interessados em deslanchar iniciativas semelhantes. Desafio grande, pois o país que se auto-denomina o país da democracia, não deixa o interesse popular valer facilmente não...

Para saber mais, visite: http://www.labelgefoods.org ou http://www.thecampaign.org/oregon27.htm
O texto da proposição a ser votada pode ser encontrado em: http://labelgefoods.org/about.html

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Neste número:

1. Governo da Zâmbia toma decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica
2. Lobby pró transgênicos nos palcos -- cheio de globais e de graça!
3. Por unanimidade, Junta Departamental de Montevidéu se opõe aos transgênicos
4. Estados Unidos desenvolvem armas biológicas transgênicas
5. Bayer transfere experimentos com transgênicos para a Inglaterra em busca de normas menos rigorosas
6. Diminui o número de campos experimentais de transgênicos na Europa
7. Monsanto tem perda de US$ 1,7 bi até setembro
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle integrado de pragas nas lavouras de tomate
Evento:
Festa das Sementes Crioulas em Ipê - RS

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1. Governo da Zâmbia toma decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica
O governo da Zâmbia anunciou que tomou, na última terça-feira (29/10), a decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica dos Estados Unidos. O Ministro da Agricultura Zambiano, Mundia Sikatana, disse que o gabinete tomou esta decisão com base nas avaliações dos melhores cientistas locais, que passaram três semanas na África do Sul, Estados Unidos e Europa estudando a segurança dos alimentos transgênicos.
Segundo o Ministro, os cientistas concluíram que não é possível ter certeza de que estes alimentos sejam seguros. A principal recomendação foi para o governo manter sua posição de não aceitar alimentos transgênicos. “O governo aceitou esta recomendação”, disse Sikatana. (...)
Sakwiba Sikota, um político do principal partido de oposição ao governo, disse que o país deveria aceitar o milho transgênico na forma triturada, como o governo de Zimbábue e outros países acometidos pelo problema da fome fizeram. Mas Sikatana disse que o governo obteve US$ 50 milhões em empréstimo para comprar milho do Kênia, Uganda e, principalmente, África do Sul. Ele disse que o governo deverá em breve pedir ao WFP (Programa Mundial de Alimentação, na sigla em inglês -- Organização das Nações Unidas para a Ajuda Alimentar) para remover o milho transgênico dos estoques para evitar saque por pessoas famintas.
Independent Online, 29/10/02.

2. Lobby pró transgênicos nos palcos -- cheio de globais e de graça!
Lobby das multinacionais pró-transgênicos, a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) financiou a peça DNA, estrelada por Ítala Nandi, Cláudio Marzo, Claudia Alencar, Lavínia Vlasak e dirigida por Bibi Ferreira. Gratuita, a peça foi escrita pela lobista-mor Leila Oda, presidente da ANBio.
O Dia - RJ, Coluna Cláudio Humberto, 30/10/02.

3. Por unanimidade, Junta Departamental de Montevidéu se opõe aos transgênicos
No último dia 17, a partir de uma moção apresentada pelo Edil* do “Espaço 90”*, Dr. Pablo Tailanián, do Movimento Socialista Emilio Frugoni, a Junta Departamental de Montevidéu* -- com a provação de todos os partidos por unanimidade -- resolveu promover a proibição da importação e/ou produção de organismos transgênicos e reiterar sua aspiração de que se proceda à rotulagem dos alimentos de origem transgênica que se encontram no mercado.
Esta iniciativa, aprovada primeiro na bancada do Encontro Progressista e levada à consideração da Comissão de Meio Ambiente da Junta, levanta em seus “considerandos” aspectos ambientais, de saúde pública, sociais e econômicos de importante repercussão para o Uruguai.
Esta decisão foi comunicada às Câmaras de Senadores e Deputados, às Juntas Departamentais do Interior, à Universidade da República e aos Ministérios de Saúde Pública, de Pecuária, Agricultura e Pesca, de Economia e Finanças e de Relações Internacionais.
Junta Departamental de Montevideo, 17/10/02, in www.biodiversidadla.org
* A Junta Departamental é o órgão legislativo e de controle do Governo Departamental (o que equivale, mais ou menos, ao nosso governo estadual). É composta por 31 membros que, de acordo com a lei, se denominam “Ediles”, e permanecem no cargo por cinco anos, podendo ser reeleitos. Maiores informações em http://www.juntamvd.gub.uy
* Criado em 1994, o Espaço 90 se define como “a confluência de setores políticos (Partido Socialista, Corrente Popular, Movimento Socialista) e de cidadãos independentes que, mantendo suas identidades de origem, decidiram conformar um espaço político de frente ampla e progressista, com o objetivo de levar adiante um projeto político, econômico e social a serviço das grandes maiorias”.

4. Estados Unidos desenvolvem armas biológicas transgênicas
O exército e a Força Aérea dos EUA propõem o desenvolvimento de armas biológicas ofensivas, micróbios transgênicos que atacam combustíveis, plástico e asfalto, de modo a destruir os instrumentos e a capacidade de guerra do inimigo. Segundo o Projeto Sunshine*, a iniciativa viola leis federais e internacionais e expõe o duplo discurso dos EUA, que acusa outros países de desenvolverem armas biológicas. Estas armas estão proibidas pela Convenção de Armas Biológicas e Tóxicas, de 1975. O Projeto Sunshine clama por uma maior colaboração entre o Protocolo de Biossegurança e esta Convenção.
The Sunshine Project, 22/04/02 e 08/05/02, in Boletín de Actualidad sobre Transgênicos, nº 10, set. 2002.
* Projeto Sunshine: http://www.sunshine-project.org

5. Bayer transfere experimentos com transgênicos para a Inglaterra em busca de normas menos rigorosas
A indústria química alemã Bayer, anunciou que mudará seu programa de campos experimentais de transgênicos da Alemanha para a Inglaterra. A firma está sendo pressionada pelo lobby verde na Alemanha, que pretende proibir todos os campos experimentais naquele país. A estratégia da Bayer foi comprar a francesa Aventis CropScience para beneficiar-se dos 66 campos experimentais que possui na Inglaterra. Os grupos ambientalistas condenam as ações da Bayer, que tenta se aproveitar de leis ambientais mais leves da Inglaterra, e acusam as firmas biotecnológicas de criarem altos níveis de contaminação antes que as legislações as alcancem, chegando a um ponto sem retorno, onde qualquer limite (de contaminação tolerável) que se determine não tenha sentido.
Genet News, 01/04/02 - www.cbc.ca
N.E.: É importante observar que estes campos experimentais das empresas de biotecnologia não são conduzidos para avaliar qualquer tipo de impacto dos transgênicos sobre o meio ambiente ou coisa parecida. São testes agronômicos apenas, de adaptação das variedades transgênicas ao solo, ao clima e a outras variáveis locais. Via de regra, estes experimentos não são controlados de forma rigorosa e acabam contaminando lavouras próximas. Em julho de 2001, a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (AFSSA) anunciou a descoberta de traços de organismos geneticamente modificados em diversas culturas convencionais no país. No caso do milho, o nível de contaminação foi de 41%. A principal suspeita levantada pelo órgão foi a de que a contaminação ocorreu por polinização a partir das lavouras experimentais existentes no país.

6. Diminui o número de campos experimentais de transgênicos na Europa
O número de campos experimentais de plantas transgênicas na Europa tem diminuído bastante devido à forte oposição do público, que em muitos casos, chegou a destruí-los. A firma Advanta assinala que em 1996, tinha 40 campos, restando somente um em 2001. A Europabio diz que dos 240 campos experimentais em 1997, só restam 40 em 2001. (...)
Biotech Activists, 01/04/02 - www.ddh.nl

7. Monsanto tem perda de US$ 1,7 bi até setembro
A queda das vendas do herbicida Roundup nos Estados Unidos e a turbulência econômica na América Latina, principalmente na Argentina e no Brasil, voltaram a pressionar os resultados globais da americana Monsanto no terceiro trimestre.
De acordo com números divulgados ontem pela empresa, seu prejuízo líquido foi de US$ 167 milhões no período, ante perdas de US$ 45 milhões em igual intervalo de 2001, enquanto suas vendas líquidas caíram 27%, para US$ 679 milhões.
Com isso, no acumulado dos primeiros nove meses do ano o prejuízo líquido saltou para US$ 1,754 bilhão, ante lucro de US$ 399 milhões de janeiro a setembro do ano passado, e as vendas líquidas somaram US$ 3,453 bilhões, uma retração de 19%. (...)
N.E.: A Monsanto, líder mundial em sementes transgênicas, briga na justiça brasileira pela liberação de sua Soja RR (Roundup Ready), resistente ao herbicida Roundup.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle integrado de pragas nas lavouras de tomate
Bemisia tabaci, um inseto popularmente chamado de mosca-branca, é bastante conhecido no meio agrícola por ser vetor de doenças viróticas principalmente nas lavouras de feijão e soja no norte do Paraná e no sul de São Paulo. Já no México, este mesmo inseto é conhecido por ocasionar sérios prejuízos à cultura do tomate e da pimenta.
O uso intensivo e continuado de produtos químicos nestas lavouras tornou a mosca-branca resistente à maioria dos inseticidas disponíveis no mercado. Buscando encontrar uma alternativa mais econômica e ecológica para viabilizar o plantio dessas culturas, pesquisadores mexicanos estudaram o efeito de cultivos intercalares associados à aplicação de fungos patogênicos da mosca-branca nos cultivos de tomate e pimenta.
O experimento mostrou que o plantio de fileiras de milho em meio às culturas principais conjugados à aplicação do fungo entomófago controlou de forma satisfatória o inseto, e as lavouras apresentaram rendimentos iguais àquelas tratadas com aplicações de inseticidas químicos. Explica-se tal fato pelas mudanças que as fileiras de milho proporcionaram nas condições de temperatura e umidade do ambiente da lavoura. Com o aumento da umidade e redução da temperatura, o fungo aspergido encontrou condições ideais para desenvolver-se, enquanto a mosca-branca, que desenvolve-se melhor em altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, foi prejudicada pelas condições adversas.
Esta técnica, baseada no conceito de manejo integrado de pragas, mostrou que com custos reduzidos e prescindindo do uso de agrotóxicos os agricultores podem obter resultados satisfatórios e evitar a manipulação de produtos perigosos.
Fonte: GALLO et al. Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo: CERES, 1988. 949p.
Manejo de Bemisia tabaci mediante barreiras vivas y Paecilomyces en Oaxaca, México. Ruiz V.,J. & Aquino B.,J. Manejo Integrado de Plagas. Costa Rica: CATIE, n. 52, p. 68-73, junho, 1999.

Evento

Festa das Sementes Crioulas em Ipê - RS
Uma festividade que promete se transformar em tradição e que já se consagra entre os agricultores familiares e consumidores do município de Ipê, na região da Serra Gaúcha, é a Festa das Sementes Crioulas. A 4ª edição desta festa acontecerá no dia 06 de novembro de 2002, na comunidade de Vila Segredo.
A Festa e a Feira terão início às 17h. Às 19h, acontecerá a bênção das sementes crioulas, seguida pelo Jantar da Biodiversidade (às 20h) e pela apresentação de atividades artístico-culturais (às 21h).
Maiores informações: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipê: (54) 233-1229, com Flávio ou Ana; Casa das Sementes: (54) 233-1134; Emater/RS (escritório municipal de Ipê): (54) 233-1168; e Centro Ecológico de Ipê: (54) 504-5573.

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Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

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#329 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 8 de Nov de 2002 10:26 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 136 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 136 - 08 de novembro de 2002

Car@s Amig@s,

No último Boletim (nº 135) festejamos a votação que aconteceria esta semana no Estado de Oregon, Estados Unidos, no plebiscito que incluía uma medida para tornar obrigatória a rotulagem de todos os alimentos produzidos a partir de ingredientes transgênicos e derivados.

Como dissemos, pela primeira vez a pergunta seria feita diretamente aos consumidores, e não a políticos. Tínhamos como indicativo positivo para o sucesso da votação o fato de diversas pesquisas de opinião terem sempre indicado que a maioria esmagadora da população americana era favorável à rotulagem dos alimentos transgênicos (que nunca foi implementada em nenhuma parte do país).

Pois bem, quando pôde votar (na última terça-feira, 05/11), a população de Oregon rejeitou a proposta. Os últimos resultados disponíveis no site CNN.com apresentam o seguinte resultado: 71% dos eleitores contra a lei da rotulagem, versus 29% a favor (com 97% dos votos apurados). Just amazing! (simplesmente espantoso!), é a primeira coisa que nos vem à cabeça.

Está certo, sabemos que, imediatamente após o tema ter sido incluído no plebiscito (depois que um grupo de entidades locais coletou 100 mil assinaturas solicitando a inclusão da proposta), organizou-se uma coalizão de indústrias de biotecnologia e alimentícias (como a PespsiCo Inc., a General Mills Inc., a Kellogg Co., entre outras) que, em apenas sete semanas, arrecadou nada menos que 4,6 milhões de dólares e lançou uma massiva campanha contra o que chamaram de “a Custosa Lei da Rotulagem” no Estado, que contou com centenas de outdoors nas estradas e anúncios impressos, na TV e por correio. Mas, apesar disso, esperávamos que os eleitores não se deixariam enganar por uma campanha milionária, quando uma questão tão explícita de violação dos direitos dos consumidores estava colocada. Ledo engano...

Na busca de uma explicação para o fato, vale à pena um olhar mais cuidadoso sobre o contexto que envolve a situação e sobre outras medidas aprovadas e rejeitadas pelos americanos nestas eleições -- a começar pela incrível vitória dos republicanos apoiadores de George W. Bush na câmara e no senado. Jamais posições tão conservadoras tiveram tanta força no país. A população legitimou um governo beligerante, que não esconde seus propósitos de dominar política e economicamente o resto do mundo, aprovando inclusive medidas que violam os direitos humanos, como a que permite à CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA, em inglês) matar pessoas suspeitas de envolvimento com o “terrorismo”, conceito em que Bush enquadra simplesmente o que quer.

O Plebiscito de Oregon apresentava apenas duas questões. Lá, além de rejeitarem a rotulagem dos alimentos transgênicos, os eleitores rejeitaram a criação de um Plano Abrangente de Assistência à Saúde com financiamento do governo.

Em outros estados houve decisões não menos assustadoras.

Uma medida que propunha que pessoas acusadas de porte ou consumo ilegal de drogas, em determinadas circunstâncias, pudessem escolher tratamento médico ao invés de prisão foi rejeitada no Estado de Ohio (proposta semelhante havia sido aprovada em 1996 no Arizona e em 2000 na Califórnia).

Em Nevada, uma medida reforçando a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada.

O que dizer sobre tudo isso? Será que os alimentos transgênicos amplamente consumidos pelos americanos estão afetando o cérebro das pessoas? Quem sabe...


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Neste número:

1. Prêmio Nobel da medicina alerta sobre as ligações perigosas entre a ciência e a indústria
2. China compra menos soja dos EUA
3. Comida transgênica para bebês no Canadá
4. Nature sob suspeita por se recusar a publicar pesquisa do governo mexicano
5. Chile suspende importação e comercialização de alimentos transgênicos não rotulados
6. ONGs denunciam e abandonam o CGIAR
7. Aprovado projeto de lei sobre produção de sementes em comissão da Câmara
8. O nim como opção para controle de insetos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle de pragas através da rotação de cultivos no Equador

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1. Prêmio Nobel da medicina alerta sobre as ligações perigosas entre a ciência e a indústria
Um prêmio Nobel da Medicina alertou sobre a armadilha que é colocar lucros antes da ciência no desenvolvimento de uma indústria biotecnológica.
Falando no Simpósio BioMalásia 2002, o Prof. Arthur Kornberg, disse que a biotecnologia é um risco comercial, sujeito a ingerências.
Acionistas querem lucros. Isto abriu a porta para o exagero sobre as descobertas e fraude, disse ele em suas observações sobre pesquisa básica.
Kornberg, agora na Escola de Medicina da Universidade de Standford, ganhou  o prêmio Nobel com o Dr. Severo Ochoa, da Universidade de Nova York, por descobrir o mecanismo da síntese biológica de RNA e DNA.
Kornberg reivindicou um balanço entre o lucro e a pesquisa. Ele falou sobre a tendência atual de comercializar rapidamente novas idéias sem uma compreensão completa da descoberta, e sobre a pressão dos cientistas para trabalhar em busca de negócios ao invés de conhecimento.
Explicou também que, da forma como funciona a indústria de biotecnologia nos EUA, os cientistas mais conceituados correm o risco de ser drenados dos institutos de pesquisa para ocupar cargos executivos nas companhias de biotecnologia.
A confiança do público na ciência também pode se esvair assim que o público perceber as ligações dos cientistas com os negócios. O que poderia levar a uma queda do financiamento governamental à pesquisa, adicionou. (...)
The New Straits Times, Malaysia, 02/10/02.

2. China compra menos soja dos EUA
Caíram em 23% as exportações de soja dos Estados Unidos para a China no período de janeiro a setembro de 2002, comparadas ao mesmo período de 2001. A diminuição das exportações do grão se devem, segundo autoridades chinesas, ao aumento das restrições a produtos transgênicos no mercado daquele país. Recentemente, o país adotou critérios mais rígidos para testar e rotular também arroz e tabaco. Os EUA são o maior produtor de soja transgênica do mundo.
Há poucos meses, as autoridades chinesas cancelaram investimentos que seriam feitos pelas empresas americanas Monsanto e Syngenta para a produção na China de sementes geneticamente modificadas de milho, soja e arroz.
O Ministério da Agricultura da China quer aumentar ainda mais as restrições à comida transgênica devido, tanto a preocupações quanto à segurança à saúde dos consumidores chineses, quanto às perdas das exportações para mercados que também impõem obstáculos legais aos OGMs, como a Europa, a Coréia e o Japão. Pesquisas de opinião mostraram que os lojistas chineses preferem comida não alterada geneticamente.
As restrições atuais também derivam de mal sucedidos experimentos locais com tabaco transgênico durante os anos 1990 e das notícias de que em 1999 cultivos de milho orgânico no México foram contaminados por espécies geneticamente modificadas, ilegalmente introduzidas naquele país e possivelmente originadas dos EUA.
New York Times, 22/10/02.

3. Comida transgênica para bebês no Canadá
As principais marcas de comidas para bebês vendidas em supermercados do Canadá estão contaminadas com organismos geneticamente modificados (OGMs), os transgênicos. A descoberta foi feita pelas organizações não governamentais Greenpeace e InFact Canada, com base em testes científicos. A legislação do Canadá não exige o aviso de que os produtos contêm OGMs.
A Real Sociedade de Medicina do país já expressou preocupação quanto à inclusão de proteínas em OGMs. Elas podem criar novas toxinas e alergênicos agressivos aos bebês. As organizações não governamentais solicitaram aos fabricantes desses produtos para bebês a confirmação do uso de milho ou soja transgênicos.
A pesquisa foi feita com produtos da Loblaws, Nestlé, Mead Johnson, Kraft e Ross Products. As empresas Earth's Best, Milupa, Healthy Times e Tiny Bites já retiraram OGMs de seus produtos.
The Canadian Press, 30/10/02.

4. Nature sob suspeita por se recusar a publicar pesquisa do governo mexicano
Frente à recusa da Revista Nature em publicar os estudos do governo mexicano que confirmam a tese de Ignacio Chapela, de que existem transgênicos nos cultivos tradicionais de milho de Oaxaca, cientistas americanos enviaram cartas de protesto ao editor da publicação exigindo que se divulgue a pesquisa.
A revista primeiro difundiu estudo do mexicano Ignacio Chapela e do americano David Quist, que revelava a contaminação do milho crioulo por sementes transgênicas, o que agora foi confirmado pelas autoridades mexicanas. Assim, o México é o primeiro país que é centro de origem de um produto, no caso o milho, que estaria contaminado.
Logo depois, foram divulgados outros estudos que refutavam a contaminação e a revista apresentou um editorial retratando-se por ter publicado a pesquisa inicial.
Agora, o governo mexicano confirmou os resultados com estudos do Centro de Ecologia da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México). No entanto, a Revista rechaçou esta publicação com argumentações técnicas e explicações contraditórias dos especialistas que a revisaram. Um dizia que a descoberta era tão óbvia que não merecia ser publicada, e outro, que era necessário se investigar mais, segundo explicou o presidente do Instituto Nacional de Ecologia, Exequiel Ezcurra.
Em cartas enviadas à Nature, especialistas como Robert Anderson, membro da organização “Físicos e Cientistas pela Responsabilidade Genética”, pediram que a revista mantenha seu bom nome publicando o novo estudo. (...)
O investigador Peter Rosset, da organização americana Food First, diz que depois que a Nature gerou a controvérsia sobre o assunto, tem a obrigação para com a comunidade científica internacional de abrir suas páginas aos estudos das autoridades e não fazê-lo poderia parecer estar encobrindo algo, quem sabe motivada pela indústria biotecnológica que anuncia em suas páginas.
La Jornada, 25/10/02.

5. Chile suspende importação e comercialização de alimentos transgênicos não rotulados
A Sexta Sala da Corte de Apelações de Santiago ordenou suspender a comercialização e a importação de todos os alimentos transgênicos ou derivados que não estejam devidamente rotulados pelos organismos de saúde competentes.
A medida deve-se a uma ordem de não renovação que o tribunal de alçada acolheu, correspondente a um recurso de proteção apresentado pelo Consórcio de Sociedades Agrícolas do Sul, que solicitam proibir a venda destes produtos no Chile.
Determinou-se que o Presidente Ricardo Lagos e o Ministro de Saúde, Osvaldo Artaza, deverão colocar ao conhecimento da justiça todo o material que se acumula sobre estudos científicos acerca das conseqüências do consumo de alimentos transgênicos.
A instância judicial estava integrada pelos ministros Jorge Zepeda, Amanda Valdovinos e o advogado integrante Claudio Díaz, que adotaram a medida de forma preventiva, enquanto resolvem esta polêmica.
Terra Chile, 19/10/02.

6. ONGs denunciam e abandonam o CGIAR
Pela primeira vez na sua história de mais de 30 anos, uma reunião do Grupo Consultivo Internacional de Pesquisa Agrícola (CGIAR, na sigla em inglês) -- uma rede de 16 grandes centros de pesquisa agrícola em todo mundo, financiada por doações públicas e privadas -- foi realizada fora dos confins do Banco Mundial, em Washington (EUA). O CGIAR é o maior esforço para a pesquisa agrícola pública existente e sua missão é servir aos agricultores pobres do terceiro mundo. Também pela primeira vez a reunião, que dura uma semana, foi literalmente rodeada de massivos protestos de camponeses e de manifestações e críticas à estrutura de gestão do Grupo, sua orientação para a pesquisa e à falta de responsabilidade e de respostas aos agricultores do terceiro mundo.
A reunião também foi cenário de revisão por parte do Comitê de Organizações Não-Governamentais (ONGs) do CGIAR. O Grupo Consultivo estabeleceu este comitê para receber insumos da sociedade civil. Durante o último ano, metade dos membros do comitê renunciou. (...) Em 31/10/02, o co-presidente do Comitê de ONGs, Patrick Mulvany, anunciou que o Comitê suspenderia sua participação no CGIAR durante todo o próximo ano. A principal razão alegada foi o fracasso do CGIAR em tomar ações construtivas logo após a descoberta (há mais de 13 meses) de que o milho transgênico havia contaminado o centro de diversidade deste cultivo no México.
O CIMMYT (Centro de Melhoramento de Milho e Trigo), integrante do CGIAR com sede no México, não respondeu às repetidas demandas da sociedade civil para que medisse a realidade da contaminação, limitando-se a fazer breves declarações sobre a necessidade de clareza científica e a prometer ajuda por qualquer via que não implicasse em ação real.
Para uma instituição como o CGIAR, cujo objetivo é apoiar a segurança alimentar, aliviar a pobreza e proteger o meio ambiente, a renúncia do Comitê de ONGs representa uma forte desconfiança da sociedade civil. Outro dado que reforça esta desconfiança é que as empresas multinacionais de transgênicos têm cada vez mais influência e membros no CGIAR. Um exemplo disto é que a Fundação Syngenta para a Agricultura Sustentável (propriedade da Syngenta, a maior corporação do mundo de agroquímicos e uma das maiores produtoras de transgênicos) se tornou este ano o mais recente membro do sistema CGIAR. O Diretor Executivo da Fundação Syngenta é membro do conselho diretor do CIMMYT.
Comunicado - 01/11/02, Grupo ETC (Erosion, Techology and Concentration, ex-RAFI).

7. Aprovado projeto de lei sobre produção de sementes em comissão da Câmara
Foi aprovado nesta quarta-feira (06/11), na Comissão Especial (da Câmara dos Deputados) que trata do assunto, o substitutivo do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) ao Projeto de Lei 4828/98, do Executivo, que regulamenta a produção, o comércio e a fiscalização das sementes.
O projeto resgata e legitima o conceito de semente crioula, aquela utilizada na agricultura familiar, sem mudanças tecnológicas ou genéticas. Hoje, o agricultor que trabalha com esse tipo de semente não tem acesso aos financiamentos oficiais, que são destinados apenas aos que utilizam as sementes certificadas pelo Ministério da Agricultura.
O texto favorece, assim, o pequeno produtor familiar. (...)
O substitutivo redefine os conceitos de semente, grão e muda, e cria o Cadastro Nacional de Sementes, o que, segundo o relator, vai permitir a centralização do controle de qualidade do produto comercializado no País. (...)
A responsabilidade do plantio, cultivo e qualidade passa a ser do pequeno, médio ou grande produtor cadastrado, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsável por fiscalizar e supervisionar as atividades por meio do Renasem - Registro Nacional de Produção, Comércio e Fiscalização de Sementes e do Registro Nacional de Cultivares. (...)
O projeto segue agora para votação no Plenário da Câmara.
Agência Câmara, 07/11/02.
N.E. As emendas ao Projeto de Lei que permitiram legitimar o conceito de semente crioula e garantiram aos agricultores familiares o acesso aos financiamentos oficiais são de autoria do Dep. João Grandão (PT-MS).

8. O nim como opção para controle de insetos
Nos dias 18 e 19 de outubro, ocorreu no município de Tauá, Ceará, o Seminário Estadual sobre “Possibilidades do Nim para Agricultura Familiar”. O evento foi organizado pela Adec e pelo Esplar, que expôs sobre as possibilidade do nim para o semi-árido e o cultivo do nim no município de Tauá.
Se você quiser exemplares do Cordel “NIM, uma árvore de mil e uma utilidades”, de autoria de Rogaciano Oliveira, técnico do Esplar, ou maiores informações sobre Nim, procure o Esplar. Fone: (85) 252.2410; E-mail: esplar@...

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle de pragas através da rotação de cultivos no Equador
Na localidade de Huacona La Merced, no Equador, estão ocorrendo dois graves problemas: o desaparecimento de variedades nativas de plantas e a ocorrência de novas doenças e pragas agrícolas resistentes aos controles fitossanitários normalmente empregados.
A prática dos agricultores de semear leguminosas (favas e ervilhaca, por exemplo) após a colheita de tubérculos (como batata, oca e ulucu) provocou uma série de problemas, como a presença do fungo Rhizoctonia fusarium, que praticamente dizimou a produção de favas na região. E, como conseqüência do cultivo intensivo de batata, o gusano branco (Premnotripex vorax, larva de coleóptero) se transformou em praga de considerável magnitude para a cultura.
Tradicionalmente os agricultores da região usavam sistemas de policultivos, mas havia pouco conhecimento sobre as práticas de rotação e associação de culturas. Começou-se então a experimentar um sistema de produção alternando pastagens, tubérculos, cereais, leguminosas e pasto novamente. Além de controlar o fungo e o gusano, este sistema propicia inúmeros benefícios, tais como o aporte de matéria orgânica para incorporação no solo pelo pastejo animal, o aproveitamento dos resíduos orgânicos dos cereais e a melhora nas condições físicas e químicas do solo proporcionada pela simbiose entre as bactérias nitrificantes e as leguminosas.
Outras fórmulas de rotação que também proporcionaram bons resultados foram tubérculos-cereais-leguminosas-tubérculos ou, ao inverso, leguminosas-cereais-tubérculo-cereais, obedecendo o critério de evitar o plantio de leguminosas depois de tubérculos.
CARLOS BONILLA Y SEGUNDO CRUZ, Rotación de cultivos. In IRRR: Manual de Practicas Agroecologicas de Los Andes Ecuatorianos. Equador, junho de 2000, p. 126-127.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

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#330 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 29 de Nov de 2002 10:34 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 139 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 139 - 29 de novembro de 2002

Car@s Amig@s,

No último domingo (24/11), o jornal Folha de São Paulo publicou, sob o título “Multis usam fome para lobby transgênico”, a denúncia de que “existe uma agenda paralela sob a promessa do governo americano de colaborar com o programa Fome Zero do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aos poucos, os EUA e companhias de biotecnologia americanas começam a utilizar o debate sobre a fome no Brasil para reintroduzir a polêmica sobre o uso de transgênicos no país”.

O jornal relata contatos feitos pela Monsanto com o coordenador do programa Fome Zero, José Graziano, e convites da empresa a técnicos da Embrapa ligados ao PT para visitarem sua sede nos EUA, além de citar declarações do secretário-assistente para a América Latina do Departamento de Estado dos EUA, Otto Reich, do diretor de produtos globais da Monsanto, Harvey Glick, e do diretor de assuntos corporativos da Monsanto no Brasil, Rodrigo Almeida, ressaltando que “a biotecnlogia e os transgênicos podem ajudar o Brasil a erradicar a fome”.

À Folha, Graziano afirma que “a posição do partido sobre o assunto continuará sendo a mesma, independentemente dos esforços da Monsanto ou do governo americano para fazê-lo mudar de idéia”, sustentando que “as vantagens dos transgênicos não estão comprovadas e que alguns destes produtos tendem a cortar mão-de-obra rural”. Mas admite que “sua posição não é ‘dogmática’ ou ‘ideológica’”, declaração que o jornal interpreta como uma sinalização de que está aberto ao debate.

Além de pressionar o governo eleito, segundo publicou hoje o jornal Valor Econômico, a Monsanto está também iniciando uma maciça campanha na TV em defesa dos transgênicos, dirigida aos agricultores. Inserções de 90 segundos intituladas “Momento Monsanto” já estão indo ao ar em horário nobre (durante o Jornal Nacional e o Fantástico, via transmissoras locais da Rede Globo, por exemplo) nos principais estados produtores de soja (Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e, em breve, Mato Grosso do Sul). Segundo o jornal, o custo de veiculação destas propagandas será de, no mínimo 500 mil reais.

O trabalho de “esclarecimento” da Monsanto também inclui workshops, seminários, palestras, viagens e campanhas em emisoras de rádio de regiões produtoras, e deverá consumir boa parte do orçamento de marketing da multinacional no país, de aproximadamente 5 milhões de dólares por ano.

O argumento de que os transgênicos poderiam resolver o problema da fome já foi amplamente rebatido pela Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” e por diversas organizações e personalidades internacionais, como, por exemplo, o Relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler.

O que está em jogo por trás desta e de outras promessas mágicas é a pressão pela liberação da soja transgênica resistente a herbicidas, que representa um mercado de bilhões de dólares para a Monsanto. Aliás, é bom lembrar que os dois produtos (a soja transgênica e o seu herbicida) são de propriedade exclusiva desta empresa e que o fato de o Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, não ter aderido aos cultivos transgênicos tem causado gigantescos prejuízos à empresa -- inclusive porque tem possibilitado aos países importadores de grãos que não querem consumir transgênicos, como os da União Européia, sustentarem sua rejeição. É mais do que evidente que a fome é conseqüência da má distribuição de recursos e não de qualquer problema de produção.

No dia seguinte à publicação da Folha de São Paulo, lideranças do PT, como o senador Eduardo Suplicy, a senadora Marina Silva, o senador eleito Cristovam Buarque e o governador do Acre Jorge Viana repudiaram as pressões americanas. “O combate à fome não pode servir de argumento para o ‘vale-tudo’”, afirmou o governador. Lideranças do MST também reagiram à notícia, dizendo que trata-se de “oportunismo e golpe associar a luta contra a fome à liberação dos transgênicos”.

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, junto com o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional, escreveu uma carta ao presidente eleito Lula, que foi entregue ontem (28/11) pelo Dep. Federal eleito João Alfredo (PT/CE) a Lula, ao coordenador da equipe de transição Antônio Palocci, ao líder do PT no Senado Eduardo Suplicy, ao líder do PT na Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, e ao coordenador do Fome Zero José Graziano, durante a reunião de Lula com parlamentares do PT, em Brasília.

Na carta, assinada por mais de 100 organizações, expomos nossa preocupação quanto à iniciativa americana junto à equipe de transição e reafirmamos nossa confiança de que os compromissos assumidos pelo presidente eleito em seu programa de governo, em especial aqueles presentes nas páginas 47 e 48 do caderno “Meio Ambiente e Qualidade de Vida no Brasil”, na página 92 do “Projeto Fome Zero”, além dos compromissos assumidos junto à Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” através da enquete respondida em 29/08/2002 e ao Greenpeace em enquete respondida no fim de setembro,não serão esquecidos.

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Neste número:

1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
2. Monsanto lança campanha pelos transgênicos na TV
3. Brasil terá dificuldade de exportar soja à China devido à contaminação gaúcha
4. Conselho de Agricultura da União Européia aprova novas regras de rotulagem de transgênicos
5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace produtos sem transgênicos
6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos
7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia
8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos
9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta!
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cana orgânica promove aumento da biodiversidade
Eventos:
1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos
Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis - SC

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1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
Dom Mauro Morelli, cotado para a área social no governo Lula, subscreveu carta que será entregue hoje ao presidente eleito pelo deputado João Alfredo (PT-CE). Pede que Lula não se esqueça de manter proibido o comércio de transgênicos.
Painel da Folha de São Paulo, 28/11/02.

2. Monsanto lança campanha pelos transgênicos na TV
Após quatro anos longe das telinhas brasileiras, a Monsanto volta neste domingo a veicular uma campanha na TV em defesa dos controvertidos transgênicos.
Serão inserções de 90 segundos, criadas pela agência Fischer América, que vão ao ar em regiões produtoras de soja dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso.
Felipe Osório, diretor de marketing da Monsanto, diz que foram fechados contratos com retransmissoras locais e que o custo de veiculação será de, no mínimo, R$ 500 mil. A idéia é manter a campanha até às vésperas do Natal, em periodicidade ainda indefinida, e há negociações com canais do Mato Grosso do Sul.
De acordo com Osório, o objetivo é chegar aos agricultores, não a consumidores, e complementar um trabalho de esclarecimento sobre os transgênicos que a Monsanto já realiza no país desde o fim da década de 90, quando o cultivo e a comercialização da soja modificada foram proibidos no Brasil -- em batalha jurídica que dura até hoje.
Esse trabalho de esclarecimento, que inclui workshops, seminários, palestras, viagens e campanhas em emissoras de rádio de regiões produtoras, já consome boa parte do orçamento de marketing da multinacional do país, que no total é de aproximadamente US$ 5 milhões por ano.
Em formato jornalístico, o “Momento Monsanto” trará depoimentos de produtores que já estiveram em lavouras de soja nos Estados Unidos e na Argentina -- países que permitem o cultivo de transgênicos --, além da opinião de especialistas favoráveis aos frutos da biotecnologia.
A volta da Monsanto à televisão acontece num momento de transição política no país e de reforço do lobby pró-transgênicos junto ao novo governo eleito, mas Osório nega a relação. Segundo ele, trata-se apenas da “continuidade de um trabalho de esclarecimento sobre os benefícios dos transgênicos”.
E, de acordo com Lúcio Mocsanyi, diretor de comunicação da empresa no país, a mídia eletrônica pode ajudar a reforçar uma imagem de “transparência”.
Valor Econômico, 29/11/02.

3. Brasil terá dificuldade de exportar soja à China devido à contaminação gaúcha
O governo brasileiro está tentando reverter a decisão do governo da China, anunciada na sexta-feira (22/11), de não mais aceitar certificado provisório para as exportações de soja, emitido pelo país importador. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida, disse ontem que as negociações estão sendo feitas com a embaixada da China. Mas, se até o final desta semana não houver uma decisão favorável, ele está disposto a ir a Pequim para falar com as autoridades sanitárias do Ministério da Agricultura chinês.
A argumentação do governo brasileiro é que o Brasil não pode emitir a certificação de que a soja exportada não é transgênica, porque há risco de mistura com produto argentino nos carregamentos. Isso ocorre porque os navios que deixam o porto de Buenos Aires complementam suas cargas no Brasil. “A carga colocada no porão do navio é separada de outras apenas por uma lona, o que facilita a mistura”, observa o secretário.
Mas a razão principal, é que o Brasil não pode fornecer esta certificação porque há plantios ilegais de soja transgênica no País, apesar de o cultivo e a comercialização de produtos geneticamente modificados serem proibidos no Brasil.
As mudanças introduzidas no certificado provisório, comunicadas à embaixada brasileira em Pequim, têm caráter provisório e vigorarão entre 21 de dezembro e 20 de setembro do ano que vem, quando para continuar exportando soja para a China, o Brasil terá de emitir um certificado atestando se o produto é transgênico ou não.
A partir do dia 21, mesmo este certificado provisório, terá de ser expedido pelo governo do país exportador. Até agora, o documento era fornecido pelo importador, sendo que este declarava que o produto importado poderia conter elementos geneticamente modificados.
A mudança atingirá em cheio as exportações de soja da próxima safra, cujos embarques começam a partir de março de 2003.
(...) O Brasil vende, anualmente, cerca de 3 milhões de toneladas de soja para a China. No ano passado, essas exportações foram de US$ 537 milhões.
O Estado de São Paulo e Jornal do Comércio, 26/11/02.

4. Conselho de Agricultura da União Européia aprova novas regras de rotulagem de transgênicos
O Conselho de Agricultura da União Européia (que reúne os 15 ministros europeus de agricultura e pesca) fechou um acordo, em Bruxelas, impondo mais rigor às regras de controle dos organismos geneticamente modificados (OGMs) nos alimentos.
O acordo abre caminho para que a Europa adote normas mais estritas e abrangentes sobre rotulagem de alimentos transgênicos para humanos e animais.
Pela primeira vez, as rações animais serão rotuladas na União Européia.
Quando a nova legislação entrar em vigor, todos os alimentos e ingredientes transgênicos, incluindo os derivados altamente processados como açúcar, óleo e amido produzidos a partir de ingredientes transgênicos, terão que ser claramente rotulados. Como nestes produtos altamente processados a detecção da origem transgênica é tecnicamente inviável, a rotulagem só é possível a partir do rastreamento até a origem, o que atualmente não é feito. Uma nova legislação à parte determinará um sistema de rastreabilidade a fim de identificar alimentos ou ingredientes que consistam de, contenham ou sejam produzidos a partir de transgênicos em todas as etapas de processamento do alimento e da cadeia de distribuição até o produto final.
A partir do compromisso adotado, todos os alimentos que contenham a partir de 0,9% de contaminação deverão conter rótulos indicativos da presença de transgênicos. Atualmente, as normas permitem o máximo de 1% de matéria-prima com OGMs.
A decisão foi resultado de uma queda de braço durante toda a quinta-feira. De um lado, estavam oito países membros (Espanha, Grécia, Bélgica, Holanda, Suécia, Finlândia, Reino-Unido e Irlanda) que preferiam manter as regras tais como elas são hoje, ou a etiquetagem obrigatória a partir de 1% de OGM. De outro, incluindo a presidência dinamarquesa, estavam França, Itália, Portugal, Áustria e Luxemburgo, que defendiam a etiquetagem a partir de 0,5%, que foi o limite indicado pelo Parlamento Europeu.
Os ambientalistas lamentaram a decisão do Conselho de permitir até 0,5% de contaminação acidental em alimentos e rações por organismos transgênicos que não tenham sido autorizados na União Européia, embora isto vá vigorar apenas para os próximos três anos num regime de transição, após o qual será retomado o regime de "tolerância zero". No entanto, a redução acordada sobre o índice de tolerância, para o qual a sugestão da Comissão era de 1%, foi um avanço.
Mas, a discussão sobre até onde permitir a presença de transgênicos em alimentos e rações ainda não terminou. A proposta aprovada agora volta para revisão no Parlamento Europeu, onde o debate deverá ser quente, já que a assembléia já tinha determinado claramente que queria normas ainda mais restritas do que as que os ministros estão propondo (a norma aprovada pelo Parlamento Europeu permitia um máximo de 0,5% de contaminação, contra 0,9% proposto pelo Conselho).
"As normas de rotulagem mais restritas da União Européia farão aumentar ainda mais a demanda por soja não transgênica brasileira. Seria contra o bom senso de negócios se o Brasil começasse a plantar grãos transgênicos no mesmo momento em que a rejeição do mercado internacional em relação aos grãos transgênicos está crescendo", observou Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
Reuters, 28/11/02; Greenpeace e Agência Estado, 29/11/02.

5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace produtos sem transgênicos
O Greenpeace divulgou em 22/11 o comprometimento de mais duas grandes empresas com a não utilização de transgênicos em produtos alimentícios. O Makro garantiu a ausência de qualquer ingrediente derivado de organismos transgênicos em todos os produtos da marca ARO.
O Carrefour já havia garantido, em maio deste ano, produtos processados livres de transgênicos. Seguindo o padrão de qualidade oferecido aos consumidores europeus, está agora garantindo também a ausência de transgênicos na alimentação de animais. Produtos frescos, como carne, leite e ovos, encontrados nas lojas Carrefour com o selo “Garantia de Origem”, são derivados de animais alimentados sem transgênicos.
“A maior parte da soja e milho transgênicos é usada para a alimentação de animais. Se queremos evitar danos ambientais, precisamos exigir das indústrias de alimentos a ausência de transgênicos também na alimentação animal”, afirmou Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos no país, dada a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização no campo, apenas a compra de matéria prima nacional não garante a isenção de transgênicos. Somente as indústrias de alimentos que adotam medidas de controle podem garantir que não estão comprando e utilizando soja transgênica.
“O comprometimento de grandes empresas, como o Carrefour, o Makro, a Unilever, a Sadia e a Nissin, demonstra que é perfeitamente possível garantir ao consumidor produtos livres de transgênicos. Não existe motivo para outras marcas, como a Nestlé, continuarem se recusando a oferecer garantias semelhantes”, completou Tatiana.
Greenpeace, 22/11/02.
As cartas enviadas pelo Makro e o Carrefour estão disponíveis no site do Greenpeace www.greenpeace.org.br

6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos
Experimentos de campo com cultivos transgênicos deveriam ser imediatamente banidos da Escócia como uma “medida de precaução” para salvaguardar a saúde pública, disseram médicos renomados.
A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) está submetendo um pedido de moratória à subcomissão de saúde do Parlamento Escocês.
Em seu relatório, a BMA, diz que “cuidado insuficiente” tem sido tomado em relação à saúde pública e que tem preocupações suficientes para justificar um término imediato destes experimentos.
O pedido da associação tem apoio de alguns partidos de oposição, mas o executivo escocês diz que “não há evidências” de que os campos experimentais “sejam perigosos”.
A associação representa mais de 13.500 médicos na Escócia e mais de 80% dos médicos ingleses.
O texto do relatório apresentado pela BMA diz: “ainda não foi feito um estudo suficientemente amplo e profundo sobre os potenciais efeitos prejudiciais de alimentos transgênicos para a saúde humana. Com base no princípio da precaução, as experiências em campo aberto não devem ter permissão para continuar”.
O documento diz ainda: “As preocupações dos médicos quanto aos impactos que os alimentos transgênicos podem causar sobre a saúde no longo prazo são sérias o suficiente para garantir uma abordagem de precaução”.
“O mais preocupante”, de acordo com o BMA, é o perigo potencial dos transgênicos criarem resistência a antibióticos nos seres humanos, levando ao surgimento de novas doenças.
A Associação também solicita ao executivo que monitore a saúde das pessoas vivendo perto de campos experimentais, que conduza mais pesquisa e forneça mais informações ao público.
O porta-voz do Partido Nacional Escocês, Bruce Crawford, apoiou a petição do BMA e disse que “os ministros têm que agir agora para evitar riscos futuros para o público”.
Ele acrescenta: “Está claro que os cultivos transgênicos não estão sendo regulamentados corretamente e que não tem havido pesquisas suficientes sobre seus efeitos colaterais negativos para a saúde pública”.
“O executivo deve ouvir o conselho dos médicos e não permitir que mais nenhum experimento seja plantado”, disse Robin Harper, do Partido Verde, que apresentou uma moção no Parlamento solicitando que os experimentos com transgênicos sejam suspensos devido às preocupações da BMA.
BBC News, 20/11/02.
Maiores informações em:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/scotland/2494267.stm

7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia
A União Européia (UE) vai ajudar a Zâmbia a conseguir milho não-transgênico para alimentar 2,2 milhões de habitantes ameaçados de passar fome, disse o encarregado da Comissão de Comércio da UE, Pascal Lamy. O país africano enfrenta grave escassez de alimentos em decorrência de uma seca na região que deixou até 14,4 milhões de pessoas ameaçadas de inanição. A UE vai comprar de outros países africanos a maior parte da ajuda alimentar que fornecer à Zâmbia e a outros países sul-africanos que têm problemas.
Gazeta Mercantil, 29/11/02.

8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos
O professor Ian Wilmut, criador da famosa ovelha clonada Dolly, pediu permissão à Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA) da Grã-Bretanha para clonar embriões humanos com fins terapêuticos. (...) O professor quer a permissão do organismo regulador para fazer experiências com embriões humanos com o fim de investigar tratamentos para doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer. (...)
Provavelmente ele obterá a autorização, tendo em vista que deixou claro que acata in totum a Lei de Embriologia Humana britânica, que veda a clonagem de seres humanos. O objetivo de seu laboratório é cultivar esses embriões partenogênicos em um tubo de ensaio durante vários dias para que os especialistas possam extrair as células-tronco para estudos. (...)
Jornal do Commercio & Folha de São Paulo, 26/11/2002.

9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta!
“Gostaria de comentar matéria divulgada pela Rede Globo e outros veículos recentemente sobre a questão dos agrotóxicos nos alimentos e como evitá-los. O Instituto Biodinâmico, com sua experiência de dez anos em certificação orgânica e biodinâmica e em análises químicas de culturas agrícolas e alimentos, pode afirmar que dezenas de princípios ativos são introduzidos todos os dias em todas as culturas agrícolas do planeta, o que causa prejuízos irreparáveis à saúde da população e ao ambiente. O Brasil é um dos maiores nichos do mercado de agrotóxico, o terceiro no ranking mundial. Formas simplistas e erradas têm sido usadas para orientar as donas-de-casa sobre como diminuir os riscos de contaminação com agrotóxicos, como o uso de bicarbonato de sódio. Essa recomendação está errada. O bicarbonato de sódio tem uma reação superficial na folha e nos alimentos. Os agrotóxicos estão dentro, os principais resíduos encontram-se dentro da estrutura celular das plantas. Existem relatos de contaminação superficial e, mesmo nesse caso, a lavagem com substâncias pode resultar em eliminação parcial, mas não 100% garantida. O uso de bicarbonatos, vinagres e água sanitária é mais coerente para esterilizar a solução da água e da superfície dos vegetais contra bactérias e agentes vivos. O consumidor só reduzirá os riscos de contaminação alimentando-se com produtos isentos de agrotóxico.”
Alexandre Harkaly, do Instituto Biodinâmico
Folha de São Paulo, 28/11/2002.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cana orgânica promove aumento da biodiversidade
A opção pela cana-de-açúcar orgânica alterou radicalmente o cotidiano de sete fazendas e da Usina São Francisco, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Entre 1986 e 1997, período em que os plantios tradicionais deram lugar a 100% de cana orgânica, todos tiveram que se adaptar a funções "estranhas" e conceitos novos.
Para o manejo integrado de pragas, por exemplo, foram formadas equipes de monitoramento de formigas, cupins, cigarrinhas e brocas. (...) Para controlar nematóides, os venenos cederam lugar à rotação de culturas com crotalária, uma leguminosa usada para adubação verde (...). Para substituir as queimadas, não bastou mecanizar a colheita de cana crua: entraram em cena especialistas para discutir as formas de decomposição da palhada, com o estímulo à microfauna e microflora detritívoras, isto é, animais, bactérias, fungos e plantas minúsculas do solo, capazes de transformar a palha da cana em matéria orgânica. Para lidar com o solo vivo, passou-se a investir na alimentação das minhocas, hoje estimadas em 1 a 2 milhões por hectare, movimentando 500 toneladas de terra por ano, sem que ninguém veja, sem gastar o diesel dos tratores e garantindo um solo muito mais fértil, aerado e mais bem estruturado do que qualquer ação humana.
O resultado, na ponta do lápis, é um aumento real de produtividade de 10%, em canaviais que já estavam entre os mais produtivos do país. (...)
Aos poucos, diversos representantes da fauna silvestre também notaram a ausência de agrotóxicos, fertilizantes químicos e queimadas e foram se instalando entre os talhões de cana. Para eles, algumas áreas foram abandonadas e já apresentam um bom nível de regeneração natural; outras estão sendo ativamente reflorestadas com espécies nativas e existe até um pequeno corredor ecológico, de cerca de 70 metros, ligando uma mata vigorosa, de 50 hectares, a uma várzea, de 110 ha. Os antigos 5% das terras da usina, cobertos com vegetação natural, em 1986, agora constituem um mosaico de ecossistemas, em diferentes estágios de recuperação, totalizando 14% das terras. E desde abril deste ano, tanto o mosaico com 10 tipos de ecossistemas como as áreas de cultura, vêm sendo monitorados por uma equipe de 8 pesquisadores, ligados à entidade ambientalista Ecoforça, à Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM) e às universidades de São Paulo (USP) e Mackenzie. Eles vão inventariar, qualificar e acompanhar os povoamentos e populações de fauna, durante um ano, de modo a contabilizar a biodiversidade local. (...)
Na verdade, em breve, a biodiversidade crescente do agroecossistema formado pela cana orgânica, várzeas e matas, poderá até gerar uma receita extra para a Usina São Francisco. Balbo Jr. tem recebido visitas técnicas de conservacionistas e observadores de aves, interessados em montar trilhas e pequenas torres de observação para um projeto experimental de agroecoturismo. (...) A usina já recebe anualmente cerca de 2 mil alunos de escolas da região e até de São Paulo, num programa de educação ambiental, com o objetivo de promover a conscientização sobre a produção orgânica.
http://www.agenciaestado.com.br/ - Novembro de 2002

Eventos:

1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos
O CEPAGRO -- Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, entidade não governamental, com sede em Florianópolis/SC, tem a satisfação de convidar os consumidores de produtos agroecológicos e interessados em geral para participar do 1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos.
Tema central: O Papel Social do Consumidor de Produtos Agroecológicos
O evento acontecerá no dia 12 de dezembro de 2002, das 8:00 às 17:30 horas, no Auditório da EPAGRI: Rodovia Admar Gonzaga, 1347, Itacorubi - Florianópolis/SC.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no Cepagro pelo tel. (48) 334-3176, pelo e-mail cepagro@..., ou no dia do evento.
O auditório tem capacidade para 140 lugares.

Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis - SC
No próximo domingo, dia 1º de dezembro, o município de Irineópolis, no Planalto Norte catarinense, vai estar em festa. É a III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar, na comunidade Santo Antônio, que deve reunir famílias de agricultores, artesãos e visitantes de toda a região.
Às 8h, terão início as exposições de artesanato e a feira de produtos ecológicos. Os organizadores da festa convidaram agricultores, grupos e associações para exibirem produtos da terra, artesanatos, fotos, ferramentas de trabalho, objetos históricos e cartazes na decoração do ambiente.
A III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar é uma promoção do Sindicato Regional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) do Planalto Norte, Agrupar, Afruta, Cepagri, Pastoral da Juventude Rural, Rede Ecovida de Agroecologia e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT). A festa conta com apoio da empresa Terra Preservada, de comercialização de produtos ecológicos, e, também, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por intermédio da oficina de comercialização solidária da Rede Ecovida.
Contatos: João Altanir Grein -- coordenador do Sintraf Planalto Norte -- (47) 622-7743.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, IDEC, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://server.digipronto.com.br/idec.org.br/paginas/campanha_transgenicos_livre.asp

ou

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#331 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Qui, 23 de Jan de 2003 11:49 am
Assunto: En: [ALT_HEP_C] Não aos Transgênicos
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
-----Mensagem Original-----
Enviada em: domingo, 19 de janeiro de 2003 13:40
Assunto: [ALT_HEP_C] Não aos Transgênicos


Minha carta ao Correio Brasiliense
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Prezado Sr Ari,

Acho interessante que a mesma fraseologia usada para justificar a adoção dos transgênicos seja a mesma fraseologia usada há várias décadas atrás para justificar o advento do DDT hoje, graças a Deus, banido em todo o mundo.
Na época falava-se que o DDT pelo fato de controlar os insetos era necessário para “acabar com a fome no mundo”. Também se dizia à época que o DDT “iria reduzir os custos de produção” e “tornar a vida dos agricultores menos penosa “e que “era uma coisa boa pois era fruto da pesquisa científica”.
De fato o DDT foi inventado em uma Universidade de prestígio e o seu inventor (que hoje poucas pessoas se lembram do nome dele) ganhou
inclusive o Prêmio Nobel.
Quanta falta de imaginação! Quanta falta de memória!
Quero deixar claro o fato de que cientistas não são infalíveis. Quantos PhDs o Sr acha que trabalhavam na NASA no projeto do ônibus espacial que explodiu na frente de todo o mundo provocando o maior fiasco tecnológico de toda
a história da humanidade?
Já parou para pensar um pouco sobre a “infalibilidade” dos PhDs e da tecnologia?
Quantos fedas trabalhavam no maior Fundo de Investimentos de Walt Street que teve de ter aporte de mais de 1.5 Bilhões de Dólares do governo americano para evitar o colapso do sistema financeiro americano na década passada?
Repense a sua posição pois do contrário vou começar a pensar que existem outra$$ razõe$$ por trás da sua verbologia.

Atenciosamente


Jose Luiz M Garcia


"Every man takes the limits of its own
  field of vision for the limits of the world"
  Arthur Schopenhauer

Shortcut URL to this page:
  http://www.onelist.com/community/ALT_HEP_C

#332 De: "Silvio Valle" <valle@...>
Data: Seg, 3 de Fev de 2003 2:32 pm
Assunto: Livro
valle@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Colegas,
Solicito divulgar na sua lista de mail o nosso livro.
Atenciosamente.
Silvio Valle
 
 

Bioética & biorrisco: abordagem transdisciplinar


Bioética & biorrisco: abordagem transdisciplinar
Organizado por Silvio Valle e José Luiz Telles.
Editora Interciência
417p. R$ 40,00

Informações:
Silvio Valle
Tel.: (0**) (21) 2598-4407
Fax: (0**) (21) 2590-0293

Clonagem humana, bioterrorismo com agentes geneticamente modificados, alimentos transgênicos, mercado de sementes transgênicas, controle social da atividade científica, bioética, procedimentos de contenção biológica e bem-estar animal são alguns dos temas reunidos no livro Bioética & biorrisco: abordagem transdisciplinar, organizado pelos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, Silvio Valle e José Luiz Telles.

A publicação, segundo os autores, pretende preencher uma lacuna no mercado editorial em tempos de grandes polêmicas e apreensões acerca da temática envolvendo as modernas biotecnologias. Com o apoio do CNPq, da Universidade Federal do Amazonas e da Fundação Oswaldo Cruz, o livro é editado pela Editora Interciência.

Com uma linguagem acessível e a devida profundidade que a temática exige, o livro está dividido em duas partes. Na primeira, o leitor poderá entrar em contato com os principais conceitos na área da biotecnologia e da bioética, inserindo-se em um mundo ainda pouco claro ao público leigo. Já na segunda parte, a segurança em laboratórios é abordada em suas mais variadas maneiras, possibilitando um quadro panorâmico do estado da arte na área de biossegurança.

Diante de tantos embates acalorados sobre a temática da biotecnologia, o lançamento do livro ocorre em momento oportuno. No mundo inteiro, a sociedade vem sendo chamada a opinar e a participar das decisões políticas acerca dos transgênicos e das infinitas possibilidades das modernas biotecnologias. O desafio de construir leis que possibilitem o desenvolvimento científico e tecnológico voltado às reais necessidades de nossa população ao mesmo tempo em que os princípios da bioética e da biossegurança sejam respeitados está cada vez mais em destaque.

O livro Bioética e biorrisco deverá virar referência obrigatória não só aos gestores de instituições públicas e privadas de biotecnologia como também para legisladores, pesquisadores e o público interessado sobre o tema.

 

#333 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 14 de Mar de 2003 11:16 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 150 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 150 - 14 de março de 2003

Car@s Amig@s,

Os abaixo assinados, representantes de organizações da sociedade civil no CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), vêm manifestar sua preocupação com notícias veiculadas por várias fontes indicando que o Governo Brasileiro está submetido a fortíssimas pressões internas e externas visando a liberação da comercialização no mercado interno da safra de soja contaminada por transgênicos do Rio Grande do Sul.

O Governo Brasileiro manifestou-se na quinta-feira passada através de seu porta-voz, André Singer, apontando corretamente a responsabilidade do governo anterior pela contaminação da safra e afirmando tanto a disposição de garantir o cumprimento das medidas judiciais que impedem o cultivo e comercialização da safra contaminada como o propósito de impedir a ruína dos agricultores gaúchos envolvidos no cultivo clandestino. O porta-voz também anunciou que a Advocacia Geral da União buscaria uma solução legal para escoar a safra contaminada sem violar a proibição do cultivo e comercialização no mercado interno.

Nos últimos dias, entretanto, veio crescendo um verdadeiro rolo compressor de entidades pró transgênicos lideradas pela FARSUL (Federação da Agricultura do RS) que utilizam como massa de manobra os milhares de agricultores familiares daquele estado que caíram na promessa da “liberação iminente” da soja transgênica e plantaram sementes contaminadas. Estas entidades afirmam, incorretamente, que toda cultura de soja do país está contaminada e que, portanto, nada mais resta ao governo senão aceitar a situação de fato e legalizar a comercialização no mercado interno.

A responsabilidade pela contaminação e pelos riscos ambientais implicados no cultivo de soja transgênica ilegal são do governo anterior, da propaganda maciça da Monsanto e da aberta promoção do uso deste produto pela FARSUL. Ao novo governo cabe premido pelas circunstâncias antes criadas  zelar pela saúde dos consumidores brasileiros, não transigindo com a possibilidade de deliberação desta safra para o consumo interno.

Não acreditamos que o Governo Lula venha ceder a estas pressões até porque o Governo sabe que esta liberação da soja transgênica para o mercado interno seria ilegal e contestada na Justiça pela sociedade civil organizada. Nem o governo FHC tentou tal violação da lei, apesar de todo o seu empenho a favor dos transgênicos.

A sociedade civil organizada defende que não se aprofunde a violação da lei e que se tomem medidas para escoar a safra contaminada para o mercado externo, nos países em que ainda existem brechas para receber este produto. Aos que dizem que não há como fazer isto, asseguramos que só depende de uma firme intervenção do governo no sentido de facilitar a exportação e articular os diferentes atores econômicos que serão afetados pelo redirecionamento de metade da safra gaúcha.

Nos próximos dias 19 e 20 cerca de 100 representantes de organizações de agricultores familiares, organizações ambientalistas e entidades de defesa dos consumidores estarão reunidos em Brasília para formular propostas para o governo visando enfrentar esta crise herdada do governo anterior sem concessões ainda maiores à ilegalidade. Os Ministros que participam da comissão Inter-Ministerial que trata da questão dos transgênicos estão convidados a assistir ao encerramento do evento para escutar a voz deste amplo setor da sociedade.

Os abaixo assinados estão seguros de estar defendendo os interesses de todos os agricultores, inclusive dos grandes e pequenos produtores do Rio Grande do Sul, dos consumidores, da proteção ao meio ambiente e da economia nacional, ameaçada de perder grandes vantagens no mercado externo pela irresponsabilidade do governo anterior.

Assinado:

- Silvio Caccia Bava - POLIS/ABONG (Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais/Associação Brasileira de ONGs)
- Daniel de Souza - AÇÃO DA CIDADANIA
- Naidison de Quintella Baptista - ASA/MOC (Articulação do Semi-Árido/Movimento de Organização Comunitária)
- Jean Marc von der Weid - AS-PTA/ANA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa/Articulação Nacional de Agroecologia)
- Pe. Matias Martinho Lenz - Mutirão Nacional para a Superação da Miséria e da Fome da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
- Alberto Ercílio Broch - CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura)
- Adalberto Martins - CPT/MST (Comissão Pastoral da Terra/Movimento dos Sem-Terra)
- Altemir Tortelli - FETRAF Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul)
- D. Mauro Morelli - FBSAN (Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional)
- Francisco Menezes - IBASE/FBSAN (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas/ Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional)
- Marilena Lazzarini - IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor)
- Renato Maluf - UFRRJ/FBSAN (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/ Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional)

As entidades acima são participantes do CONSEA.

Assina ainda este comunicado o Greenpeace Brasil, co-autor junto com o IDEC da ação na justiça que impede a liberação dos transgênicos.
 
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Neste número:

1. Panorama
2. PT propõe a reconversão das lavouras gaúchas
3. Agricultores do MST no RS têm lavouras com soja transgênica
4. Paraná poderá barrar a soja gaúcha transgênica
5. Canola transgênica contamina carregamento de mostarda
6. Via Campesina bloqueia escritório da Monsanto em Porto Alegre
7. EUA buscam aliados para liberar transgênicos na UE
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Produtores do Ceará lançam café ecológico

Eventos:
Vigília: Por um Brasil Livre de Transgênicos - em defesa da vida e da soberania alimentar - Uberlândia - MG
VI Seminário sobre Homeopatia na Produção Orgânica
Curso de Elaboração de Preparados Biodinâmicos
XVIII Encontro Latino Americano de Agricultura Biodinâmica
Feira Rio Zen debaterá orgânicos e transgênicos

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1. Panorama
O governo federal discutiu o destino da safra de soja transgênica do RS. Ficou decidida a manutenção da proibição de plantio, com a intenção de aumentar o rigor na fiscalização e na punição de produtores infratores. A reunião contou com a presença do presidente Lula e membros de cinco ministérios e duas secretarias e da Advocacia Geral da União. Por enquanto o governo buscará uma saída jurídica que permita a venda da soja transgênica gaúcha. Para o governo atual, a administração anterior, ao não fiscalizar, causou um problema de ordem econômica e social. Havendo a aprovação da venda da safra transgênica, o Brasil poderá ter receita de exportações em torno de US$ 1bilhão, segundo cálculos não-oficiais do Ministério da Agricultura. Estima-se que cerca de 70% da safra gaúcha seja transgênica. Mas a decisão da proibição se mantém, com a intenção de promover um ajuste de conduta por parte dos agricultores, aumentando o rigor na observância da lei.
O Estado de São Paulo, 12/03/2003.

2. PT propõe a reconversão das lavouras gaúchas
A bancada do PT na Assembléia Legislativa gaúcha apresentou ontem o Plano de Reconversão da Sojicultura Gaúcha, com medidas para promover o desenvolvimento da soja e a substituição das lavouras transgênicas por tradicionais. O plano envolve ações emergenciais e estruturais, atendendo a quatro objetivos: promover o comércio em bases sustentáveis; regularizar o cultivo, a armazenagem e a industrialização; estimular a pesquisa, o ensino e a assistência técnica; e garantir os direitos dos consumidores. Das 91 medidas previstas, sete visam garantir a comercialização da safra deste ano.
Antes de enviar o material à comissão interministerial que trata da questão dos transgênicos, a bancada petista vai apresentar a proposta a entidades representativas dos agricultores, consumidores, indústria processadora de soja, comércio de alimentos e exportadores. “Queremos construir um grande acordo com a sociedade gaúcha para evitar o prejuízo nesta e em futuras safras”, diz o líder do governo na Assembléia, Adão Villaverde.
De acordo com o Deputado, o programa foi elaborado principalmente com o objetivo de atingir as próximas safras. “Esse é um plano para o futuro, até porque o governo federal já encaminhou uma solução jurídica para o impasse presente”, disse Villaverde, referindo-se à decisão da União de reconhecer o plantio ilegal de soja transgênica.
Gazeta Mercantil, 12/03/2003.

3. Agricultores do MST no RS têm lavouras com soja transgênica
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) admitiu ontem o fato de que há agricultores a ele ligados que plantam transgênicos e decidiu abrir investigação para determinar a extensão do fenômeno.
“Na crise, tudo leva as pessoas a serem iludidas. Essas pessoas que estão plantando transgênicos são assentadas, e não temos controle sobre elas. São uma minoria e não participam mais das nossas reuniões”, afirmou ontem, para a Agência Folha, o coordenador do MST gaúcho, Paulo da Rosa.
A utilização de transgênicos por assentados do MST foi mostrada em entrevistas divulgadas pela Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. O MST, porém, confirma que há casos, mesmo que ‘minoritários’, nessa situação. “Acho que tem muita gente plantando sem nem saber direito do que se trata”, disse Rosa.
Questionado a respeito de possíveis punições aos plantadores de transgênicos, Rosa afirmou que “o MST não é contra as pessoas que plantam, mas, sim, contra o sistema que as leva (a tomar tal atitude). Trataremos de mostrar-lhes que não vale a pena entrar nessa”, disse.
O MST é contra o plantio de sementes geneticamente modificadas e afirma que, além das conseqüências desconhecidas para a saúde, o comércio desses produtos fica suscetível ao domínio das multinacionais que monopolizam a comercialização das sementes, o que seria ruim para o pequeno agricultor.
Outra alegação para a não-utilização de transgênicos é a de que o comércio europeu se fecharia para a produção gaúcha. Isso porque esse mercado tem interesse em alimentos orgânicos.
Esse argumento tem sido utilizado pela direção do MST para mostrar aos integrantes do movimento que não há vantagens em plantar transgênicos. “Quem planta depois vê que não vale a pena. O comércio europeu se abre para nós justamente porque temos sementes orgânicas”, afirmou o deputado estadual Frei Sérgio Görgen (PT).
Folha de São Paulo, 13/03/2003.

4. Paraná poderá barrar a soja gaúcha transgênica
O Paraná pode ser o primeiro estado a criar problemas para o governo em relação aos transgênicos. A secretaria de agricultura informou que pode fechar as portas aos organismos geneticamente modificados (OGMs), o que significaria proibir o escoamento de soja transgênica pelo porto de Paranaguá.
Segundo a secretaria, caso o governo federal decida liberar a comercialização da soja transgênica no mercado interno, o estado preservará a integração da lavoura paranaense, exigindo um certificado negativo para transgênicos. O governo paranaense tem interesse em manter os mercados de soja convencional, que pagariam um percentual a mais por um produto não transgênico.
Para solucionar a questão e não liberar o comércio, os paranaenses sugerem duas opções. A primeira seria o governo federal comprar a soja gaúcha transgênica, ou então, fazer valer a Lei Delegada 4, que permite o confisco e retenção da produção, dentro das propriedades.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse domingo que o governo fará de tudo para que a soja transgênica, que é ilegal, seja vendida, de preferência ao exterior. Estimativas extra-oficiais apontam que 30% da produção nacional, de 49 milhões de toneladas, e 70% da gaúcha, que é de 8,6 milhões de toneladas, seria transgênica. A Advocacia Geral da União deve anunciar as normas para a venda do grão.
Segundo o Ministro, se a Justiça mantiver a decisão de proibição da venda e plantio de transgênicos, o Congresso poderia modificar a lei. "Espero que pelo Congresso Nacional haja horizonte mais progressista”. O governo, diz, poderá fornecer certificado semelhante ao dado à China, que diz que a soja brasileira é convencional, com possibilidade de contaminação pela Rondup Ready.
Gazeta Mercantil, 11/03/2003.

5. Canola transgênica contamina carregamento de mostarda
Traços de material transgênico foram encontrados em um carregamento canadense de mostarda não-transgênica exportada para a Europa em novembro e dezembro, declarou o chefe da Associação Canadense de Mostarda.
“Os compradores da comunidade européia sabem que o Canadá não produz variedades transgênicas de mostarda, entretanto, quando fizeram um teste, foram encontrados traços de transgênicos na mostarda”, disse Walter Dyck, que trabalha na Demeter Agro, a divisão de mostarda da Agricore United.
Ele disse que inicialmente os compradores europeus ficaram preocupados, mas testes posteriores revelaram que o material transgênico era de canola que estava misturada à mostarda.
É permitido até 1% de mistura de canola com mostarda para exportação, disse Dyck, mas este valor fica normalmente em 0,1%.
“O Canadá agora tem que reassegurar para seus consumidores europeus que tomará as providências para reduzir as quantidades de canola mistura à mostarda, afinal de contas, somos líderes mundiais em qualidade”, disse Dyck.
Há muitos lugares onde a canola pode ter se misturado com a mostarda: como planta espontânea no campo, no transporte por caminhão ou trem, em silos e armazéns, ou no terminal de exportação.
A Associação de Mostarda planeja publicar boletins na época de plantio e de colheita para lembrar aos produtores que sejam rigorosos em manter os campos de cultivo separados. (...)
The Western Producer, 07/03/2003.
N.E.: A canola e a mostarda (usada para a fabricação da mostarda em grão tipo Dijon) são plantas quase idênticas.
O Canadá é um grande produtor de mostarda em grãos e grande parte da mostarda processada na França, inclusive em Dijon, é importada do Canadá.

6. Via Campesina bloqueia escritório da Monsanto em Porto Alegre
As trabalhadoras ruraisque participam do III Acampamento Estadual de Mulheres da Via Campesina, em Porto Alegre, bloquearam o Escritório Regional da empresa Monsanto. As agricultoras protestaram contra a contaminação da produçãogaúcha por sementes transgênicas contrabandeadas e contra a liberação do cultivo e comercialização destas plantasno Brasil.
Além da investigação para descobrir quem são os responsáveis pela introdução das sementes transgênicas no Brasil, as agricultoras exigem a prisão daqueles que, publicamente, incentivaram o plantio ilegal transgênicos, como a FARSUL, federação que congrega os latifundiários gaúchos.
Após a manifestação,as trabalhadoras rurais dirigiram-se ao centro de Porto Alegre, onde realizaram um ato contra a Guerra de Bush ao Iraque.
O Acampamento de Mulheres da Via Campesina, que reúne trabalhadoras organizadas pelo Movimento Sem Terra (MST), Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Pastoral da Juventude Rural (PJR) permaneceu mobilizado até 8 de março, dia internacional da mulher.
Novedades de Biodiversidad en América Latina Nº 67
http://www.biodiversidadla.org

7. EUA buscam aliados para liberar transgênicos na UE
Os Estados Unidos estão em busca de aliados para denunciar e contestar, na Organização Mundial do Comércio (OMC), a decisão da União Européia (UE) de restringir drasticamente a entrada de produtos geneticamente modificados (transgênicos).
Pressionado pela indústria agrícola americana, que alega perdas de pelo menos US$ 275 milhões por causa das barreiras, o Governo Bush quer abrir mais uma frente de batalha contra a UE na OMC, informou ontem o jornal econômico espanhol Cinco Dias.
França, Dinamarca, Bélgica, Itália, Alemanha, Suécia, Luxemburgo e Grécia, por exemplo, evitam a importação de alimentos geneticamente modificados. Apesar disso, a Comissão Européia, órgão executivo da UE, acredita que Washington não tem motivos para iniciar uma nova guerra comercial, já que a União Européia regulamentou a entrada de produtos transgênicos em dezembro do ano passado e ainda está estudando normas para sementes e alimentos para animais. (...) “O aumento das alíquotas de importação de aço imposto pelo governo americano, a nova lei agrícola dos EUA que aumentou em 67% os subsídios internos, as leis antidumping e as vantagens fiscais concedidas a empresas americanas que operam no exterior são conflitos mais do que suficientes entre os EUA e Europa para se pensar em outros”, opina a Comissão Européia.
Jornal do Comércio, 11/03/2003.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Produtores do Ceará lançam café ecológico
Com uma sessão de degustação para o público, o Café Ecológico "Pico Alto", certificado pela Fundação CEPEMA, foi lançado no dia 12 de março em Fortaleza. O café é produzido pela Cooperativa Mista dos Cafeicultores Ecológicos do Maciço de Maturité - Comcafé, na Área de Proteção Ambiental do Maciço de Baturité, em região de Mata Atlântica, através de sistemas agroflorestais.
O café chegou ao Ceará em 1747 pela Serra da Meruoca, sendo cultivado na Serra de Baturité desde 1824. O café ecológico certificado do Maciço de Baturité já foi exportado para a Suécia em duas ocasiões, sob a forma de grãos. Industrializado no Ceará, o café ecológico agregará preço ao produto, trazendo benefícios ecológicos, econômicos e sociais, segundo afirmou o presidente da Comcafé, Fernando Barros.
Boletim Informativo da Rede de ONG´s da Mata Atlântica

Eventos: 
Vigília: Por um Brasil Livre de Transgênicos
Em defesa da vida e da soberania alimentar  Uberlândia - MG
No município de Uberlândia movimentos de luta pela terra, pastorais e entidades sindicais, em ato conjunto, em frente ao complexo de pesquisa da Monsanto, deram início, no dia 10 de março de 2003, a uma VIGÍLIA de 5 semanas, em defesa da vida e da soberania alimentar.
A vigília tem o tema Por um Brasil Livre de Transgênicos. Nesse ato, com a presença de 800 pessoas, uma barraca de lona foi montada e foram hasteadas as bandeiras do Brasil, de Minas e dos movimentos. Simbolicamente, grupos dos movimentos de agricultores sem terra se revezarão na barraca montada em frente a Monsanto, com o apoio de pastorais da Igreja Católica e de entidades sindicais. Cada semana contará com um tema:

1a. Semana 10 - 17 de março / MTL / Sementes Patrimônio da Humanidade
2a. Semana 17 - 24 de março / CLST / Pela Soberania Alimentar
3a. Semana 24 - 31 de março / MLT / Transgênicos: Não Engula Essa
4a. Semana 31março - 07 de abril / MST / Por um Brasil Sem Fome
5a. Semana 07 - 14 de abril / MLST / Monsanto Fora do Nosso Prato

Entidades participantes: APR-Animação Pastoral e Social no Meio Rural, CLST-Caminho de Libertação de Sem Terra, CPT/MG-Comissão Pastoral da Terra, MLT-Movimento de Luta pela Terra, MLST-Movimento de Libertação do Sem Terra, MST-Movimento dos Sem Terra, MTL-Movimento Terra Trabalho e Liberdade, STIAU-Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Uberlândia, Sindicato dos Comerciários, SindUTE-Sindicato dos Trabalhadores do Ensino.
Maiores informações: Tel. 3214-2493

VI Seminário sobre Homeopatia na Produção Orgânica
Organização: Grupo de Agricultura Orgânica Amaranthus - ESALQ/USP.
Maiores informações: organico@...ou http://www.agroecologia.com.br/amaranthus

Curso de Elaboração de Preparados Biodinâmicos
De 27 a 30 de Março, maiores informações: Tel: (51) 501-8792 ou volkmannjb@...

XVIII Encontro Latino Americano de Agricultura Biodinâmica
De 24 a 27 de Abril, maiores informações: Tel: (51) 501-8792 ou volkmannjb@...

Feira Rio Zen debaterá orgânicos e transgênicos
De 4 a 6 de abril no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Maiores informações: (21) 3970-6687

 
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://server.digipronto.com.br/idec.org.br/paginas/campanha_transgenicos_livre.asp

ou

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#334 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Ter, 11 de Mar de 2003 9:35 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] Boletim Extra - comunicado urgente
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Boletim extra - 12 de março de 2002

Car@s Amig@s,

Existe a possibilidade de o Governo Federal resolver o impasse da soja transgênica produzida ilegalmente no Rio Grande do Sul autorizando que parte dela seja consumida no País. Isso significa que nós, consumidores, poderemos “pagar o pato” e acabar comendo a soja transgênica, em desrespeito à legislação e à ordem judicial.

É muito importante que a sociedade se manifeste para tentar impedir que isso aconteça. Segue abaixo uma carta a ser enviada ao Presidente Lula e aos Ministros (e-mails abaixo) que estão decidindo sobre esse assunto. É preciso que o maior número de pessoas se manifeste e rapidamente.

“Senhor Presidente,
Eu não quero ser cobaia da soja transgênica plantada ilegalmente no País. Não acho justo que a sociedade seja obrigada a consumir alimentos contendo a soja transgênica. Essa soja não pode ser comercializada no país, sob nenhuma hipótese, seja para consumo humano ou animal. 
É necessário o desenvolvimento de pesquisas sobre os impactos à saúde e ao meio ambiente e um amplo debate com os diversos segmentos da sociedade - o que até agora não foi feito.
Espero que o Governo Lula demonstre que é diferente do governo anterior, Governo Fernando Henrique Cardoso, não admitindo que os consumidores sejam obrigados a comer soja transgênica e ilegal.
(Nome e RG)”

A partir de amanhã (12/03), esta carta estará disponível no site do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) - www.idec.org.br, de onde poderá ser enviada diretamente ao presidente e aos ministros.

Mais uma vez contamos com o apoio de todos vocês, para impedir que os direitos da população brasileira sejam desrespeitados.

E-mails para o envio da carta:

Comissão Interministerial de Alimentos Transgênicos

Presidente: Luís Inácio Lula da Silva
e-mail: protocolo@...

Ministro Chefe da Casa Civil: José Dirceu
e-mail: josedirceu@...

Ministra do Meio Ambiente: Marina Silva
e-mail: marina.silva@...

Ministro do Desenvolvimento: Luiz Fernando Furlan
e-mail: gabmin@...

Ministro da Agricultura: Roberto Rodrigues
e-mail: gm@...

Ministro da Saúde: Humberto Costa
e-mail: gabmin@...

Ministro da Ciência e Tecnologia: Roberto Amaral
Secretário Executivo: Wanderley de Souza
e-mail: wsouza@...

Ministro do Desenvolvimento Agrário: Miguel Rossetto
e-mail: luciene.mendes@... (o e-mail oficial do ministro será criado amanhã).
Tel: (61)223-8076

Ministro da Justiça: Márcio Thomaz Bastos
e-mail: gabinetemj@...

Advogado Geral da União: Álvaro Ribeiro Costa
e-mail: secretaria-gab.agu@...

 
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#335 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Qua, 16 de Abr de 2003 11:30 pm
Assunto: Re: Newsletter da Semana
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
ANBioGente...

     Para antagonizar os transgênicos...

     Lembrar-se das ALERGIAS     que são dose independente

    Abraços

Luiz Meira
http://luizmeira.cjb.net//transgen.htm



[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#336 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 30 de Mai de 2003 11:34 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 161 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 161 - 30 de maio de 2003

Car@s Amig@s,

Já se passaram duas semanas desde a votação da MP 113 pelo plenário da
Câmara dos Deputados, quando o governo federal se comprometeu a enviar ao
Congresso Nacional, no prazo de 30 dias, um projeto de lei regulamentando
definitivamente a questão dos transgênicos no País (a MP foi votada pelo
plenário do Senado na quinta-feira da semana passada, 22/05, sem nenhuma
alteração, e já seguiu para sanção presidencial).

Até agora, não se viu na imprensa nenhum sinal sobre como este projeto está
sendo elaborado, nem se ele está sendo elaborado. Não há nenhuma indicação
sobre como se dará este processo de elaboração e se a sociedade civil terá,
desta vez, a oportunidade de ser ouvida e contribuir.

Preocupadas com este cenário, as entidades da Campanha Por um Brasil Livre
de Transgênicos foram investigar como o governo está procedendo sobre este
assunto.

Esta semana, representantes de diversas entidades estiveram em Brasília,
onde puderam conversar com o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel
Rosseto, com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e com dois
representantes da Casa Civil, assessores do Ministro José Dirceu, Johaness
Eck e Érico Feltrin.

Os representantes da Casa Civil não confirmaram que o PL que o governo
elaborará tomará como base o PL do Dep. Confúcio Moura (aprovado em
Comissão Especial da Câmara em março de 2002 e que visa a liberar os
transgênicos no país dispensando a realização de estudos de impacto),
conforme declararam vários parlamentares no dia da votação da MP 113 na Câmara.

Segundo a Casa Civil, “O Brasil já possui uma legislação sobre o tema, e
esta legislação é muito avançada. Há, no entanto, algumas arestas a serem
aparadas, algumas questões que precisam ser esclarecidas. A nova legislação
não diferirá muito da atual, apenas a aprimorará em alguns pontos”.

O único ponto citado pelo Sr. Johanes como exemplo do que precisa ser
esclarecido foi a competência da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia). Segundo ele (e
conforme diz a lei atualmente) a CTNBio deve ser um órgão consultivo, que
preserva a competência dos demais órgãos do governo de estabelecer
exigências e procedimentos adicionais específicos às suas respectivas áreas.

Os assessores não disseram que outros pontos da legislação precisam ser
esclarecidos e, quando cobrados pela abertura do debate em torno da
elaboração do PL, afirmaram que o debate com a sociedade se dará no âmbito
do Congresso Nacional, após o envio do PL pelo Poder Executivo.

Ora, sabemos que, seja qual for o conteúdo do PL que o governo encaminhará,
ele terá um peso fortíssimo ao tramitar no Congresso. O que estamos
cobrando é a participação na discussão durante a elaboração do texto ainda
no governo. E, ao que parece, novamente o governo não está disposto a abrir
este espaço.

Propusemos que o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) fosse o
espaço apropriado para organizar o debate entre o governo e a sociedade na
construção deste projeto, num processo que deveria levar alguns meses, de
modo a permitir o real aprofundamento sobre o tema e a participação de
todos os segmentos da sociedade, a favor e contra a liberação dos
transgênicos no País. O governo não pareceu se interessar pela proposta.

O Ministro Miguel Rosseto nos disse que conversaria em breve com o Ministro
José Dirceu e que defenderia a derrubada do regime de Urgência
Constitucional do PL. Comprometeu-se também em propor a abertura do
processo de elaboração do projeto.

A Ministra Marina Silva confirmou as informações dadas pela Casa Civil, de
que a “elaboração do novo PL” se restringiria a fazer pequenas correções e
aprimoramentos sobre a legislação atual, com grande ênfase no
esclarecimento do papel da CTNBio, e afirmou que seu ministério já está
estudando a legislação atual sobre a matéria e elaborando suas
contribuições ao projeto. Para ampliar a participação em torno deste tema,
a ministra também está propondo ao governo a reconstituição da comissão
interministerial criada pelo Presidente Lula em fevereiro de 2003 para
decidir o destino da safra de soja transgênica deste ano e dissolvida após
a publicação da MP 113 e do Decreto da rotulagem (em abril). Desta comissão
participavam nove ministérios, mais a AGU (Advocacia Geral da União).

As entidades da Campanha, por sua vez, estão organizando uma série de
manifestações e atividades públicas com o objetivo de mostrar ao governo
que a sociedade brasileira está alerta e não aceitará o descumprimento dos
compromissos assumidos pelo governo Lula sobre o tema. Como vimos dizendo,
é hora de concentrarmos todas as nossas energias para pressionar o governo
a cumprir o que prometeu e conduzir este processo com seriedade e
responsabilidade. É hora de fazer barulho.

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Durante esta semana em Brasília, as entidades a Campanha também tiveram a
oportunidade de conversar com a Secretária Executiva da CTNBio, Dra. Eliane
Moreira, e questionaram as declarações do Presidente do órgão, Dr. Erney
Camargo, a respeito do caráter vinculante das decisões da Comissão (ver
Boletim 160).

Conforme relatamos no Boletim 160, segundo manda a lei, a CTNBio é apenas a
primeira porta de entrada para a liberação de produtos transgênicos no
Brasil e seu parecer só vincula os outros órgãos da administração pública
federal quando é negativo. Ou seja, se a CTNBio avalia que determinado
produto não é seguro, a questão se encerra ali. Mas nos casos em que a
Comissão declara a segurança do produto, ficam preservadas as competências
dos outros órgãos para realizar outras avaliações de riscos, solicitar
novos estudos ou mesmo questionar o parecer da CTNBio.

A Dra. Eliane afirmou que o entendimento do Dr. Erney Camargo, assim como o
entendimento do Ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, é
exatamente este. Disse que a imprensa está tentando criar a idéia de que há
divergências na interpretação da lei, mas que esta divergência não existe.
Cá entre nós, a lei é clara e este argumento de que a CTNBio é a palavra
final do governo para a liberação dos transgênicos não se sustenta.

Tanto melhor que a CTNBio comece a admiti-lo. Mas, que o Dr. Erney se
pronunciou em sentido contrário, se pronunciou. Esperamos que o próprio Dr.
Erney se esforce em esclarecer o “mal entendido”.

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Neste Número:

1. A vigorosa produtividade da soja tradicional
2. MP 113 não é cumprida -- mercado ignora leis sobre transgênicos
3. China prorroga regra para compra de soja
4.  Egito abandona briga contra a Europa na OMC
5. Promotoria do Paraná pede vistoria na Monsanto
6. Canadá pede à Monsanto que retire pedido de liberação de trigo transgênico
7. Unilever, Monsanto e outras multinacionais envolvidas em trabalho
infantil em larga escala na produção de sementes de algodão na Índia
8. Primeiro agricultor sentenciado à prisão nos EUA
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Projeto de Segurança Alimentar em Chivi, Zimbábue

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1. A vigorosa produtividade da soja tradicional
Região não planta sementes transgênicas e obtêm 2.960 quilos por hectare.
EUA colhem apenas 2.372 quilos
Sem a ajuda das sementes alteradas geneticamente em laboratório para
incorporar genes resistentes a herbicidas, a produtividade da soja na
região Centro-Oeste, nesta safra, deve superar em 24,7% o rendimento obtido
pelos agricultores norte-americanos e será quase 7% maior do que os
resultados obtidos por hectare colhido na Argentina. A análise, baseada em
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da
empresa de consultoria agrícola SoloBrazil, é do chefe da assessoria
técnica da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Pedro Arantes.
"É preciso derrubar alguns mitos que cercam o debate sobre a introdução da
soja transgênica no país. A semente alterada geneticamente oferece ao
produtor uma simples facilidade operacional, sem vantagens financeiras",
declarou Arantes, em entrevista ao Gazeta do Brasil.
O economista, que é produtor de soja nos campos férteis do sudoeste goiano,
aponta como uma das questões centrais nesse debate a discussão sobre o
papel futuro que o país poderá desempenhar no mercado internacional da
commoditie. "O que os Estados Unidos e a Argentina pretendem é empurrar o
Brasil para a ‘vala’ comum do mercado. Por que vamos meter a mão em cumbuca
e embarcar nesta opção, dos transgênicos, se temos a oportunidade de
oferecer um produto diferenciado aos maiores consumidores mundiais",
questiona Arantes.
Dados de empresas de consultoria internacionais estimam que a soja
brasileira deverá responder, no ano safra 2003/2004, por 36,5% das vendas
mundiais do grão, aproximando-se dos Estados Unidos, que deverão assistir
sua fatia no bolo murchar de 52% no ano passado para 40,5%. "Hoje, na ponta
do mercado, há uma certa vantagem para o grão não transgênico", prossegue
Arantes.
O economista e diretores da Faeg percorreram em duas ocasiões, nos últimos
dois anos, as principais áreas de plantio de soja nos Estados Unidos,
inclusive Illinois, lowa e outros Estados. Ouviram mais de três dezenas de
produtores. “A variedade transgênica da Monsanto, continua Arantes, permite
que as aplicações de herbicida possam ser feitas depois de um certo nível
de desenvolvimento da planta. Isto possibilita ao produtor manter limpa a
área de plantio", o que significa que a semente alterada facilita o manejo.
Nas condições de clima e solo dos cerrados, onde as taxas de umidade são
mais baixas do que nos Estados Unidos e na região Sul do Brasil, Arantes
afirma que as plantas invasoras registram desenvolvimento mais lento. "Isso
permite que a soja, em lavouras tradicionais bem manejadas, cubra o solo
antes do crescimento das invasoras (pragas e ervas daninhas)", aponta.
Nestes casos, "não há a necessidade de aplicar herbicidas depois que a soja
estiver desenvolvida. Os produtores da região sudoeste de Goiás já colhem a
soja com área limpa".
Além disso, afIrma ele, há o inconveniente dos custos mais salgados da
semente transgênica. Nos EUA, ela chega a custar 56% a mais que a não
transgênica. Na média, Arantes acredita que essa diferença no Brasil
poderia estar ao redor de 30%, mas já há cálculos no mercado que estimam
custos até duas vezes maiores para as sementes transgênicas. (...)
Mas Arantes acha que o País deve mesmo regulamentar o plantio da soja
transgênica, com a defInição de normas e mecanismos de controle rigorosos.
A sugestão de Arantes exigiria a adoção de uma espécie de segregação para a
soja transgênica, com a definição de áreas específicas e isoladas de
cultivo, além de maquinário, caminhões, armazéns e terminais portuários
exclusivos, "para não contaminar as áreas tradicionais".
Gazeta Mercantil, 28/05/03.
N.E.: A experiência dos outros países mostra que a segregação dos cultivos
transgênicos dos não transgênicos, na prática, não funciona. Ficou notório
o caso do milho Bt StarLink, liberado nos EUA apenas para consumo animal e
que em 2000 contaminou toda a cadeia produtiva do país, tendo sido
encontrado em mais de 300 produtos alimentícios no mercado americano e
causando um prejuízo de milhões de dólares. No Brasil, já tivemos a
informação de que a Cooperativa COAMO, a maior da América Latina, teve no
final de 2002 um carregamento de soja certificada como não transgênica
devolvido por importadores europeus devido à contaminação por transgênicos.
A cooperativa não confirma a informação, mas diversas fontes do setor
produtivo do Paraná relatam o caso.

2. MP 113 não é cumprida -- mercado ignora leis sobre transgênicos
Passados dois meses da edição da MP113, que liberou a comercialização da
soja brasileira transgênica desta safra 2002/03, e um mês da publicação do
decreto 4.680, que regulamentou a rotulagem de organismos geneticamente
modificados no país, quase nada foi feito para que as regras sejam
respeitadas e os setores público e privado ainda falam em adaptação.
Com a colheita da safra encerrada e mais da metade dela já comercializada,
os agricultores não certificaram a soja, as cooperativas não segregaram o
grão, as esmagadoras não rotularam os produtos e o governo ainda estuda
como fiscalizar as medidas. Há muitas desculpas para justificar o
não-cumprimento das leis. Uma delas é a indefinição sobre o futuro dos
transgênicos no Brasil, que demandará nova legislação.
Editada em 27 de março, a MP 113 liberou a comercialização da soja
transgênica da safra 2002/03 desde que rotulada. Com o decreto de 24 de
abril, tornou-se obrigatório rotular produtos com mais de 1% de transgenia,
exceto a própria soja. lnicialmente, todos os derivados do grão teriam de
ser rotulados, independentemente do percentual. Criticada por
especialistas, a MP foi alterada no Congresso e, agora, também para esses
casos passou a valer o limite de 1%.
A mudança, apesar de amenizar o controle, preserva a segregação da soja.
Mas, sem estrutura para identificar e separar cargas convencionais das
transgênicas, mesmo as cooperativas do Rio Grande do Sul -- onde estima-se
que 70% da produção é modificada --, armazenaram a colheita (8,8 milhões de
toneladas) sem distinção.
"É tudo soja", minimiza Dionísio Cargmelutti, gerente operacional da
Agropan, de Tupanciretã. Ele acredita que mais de 90% dos 111 mil hectares
de soja plantados por seus cooperados abrigaram transgênicos. A Cotrisal,
de Sarandi, informou que tentou segregar as 300 mil toneladas que recebeu,
mas desistiu. Conforme seu gerente-geral, Célio Gabriel, em primeiro lugar
porque o volume de soja não-transgênica era pequeno; em segundo, porque não
houve tempo para adequar o recebimento nos 20 municípios em que opera.
Segundo Rui Polidoro, presidente da Federação das Cooperativas
Agropecuárias do Estado (FecoAgro), as associadas não segregaram porque
quando a MP foi editada quando a colheita já estava adiantada. "E os
compradores não fizeram grandes exigências".
Para Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira da Indústria de
Óleos Vegetais (Abiove), a fase é de transição. Ele reconhece, porém, que
as esmagadoras não estão rotulando produtos como farelo e proteína; no óleo
de soja, não é possível detectar transgenia. "Há uma gentileza dos órgãos
reguladores, que compreendem que a iniciativa privada precisa de um tempo
para se adaptar", afirma. Conforme o tipo de produto, a fiscalização da
rotulagem cabe ao Ministério da Agricultura ou à Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério da Saúde. Segundo
Marcus Vinícius Coelho, assessor do Departamento de Defesa e Inspeção
Vegetal do Ministério da Agricultura, estão sendo levantados os produtos
que serão fiscalizados e não há prazo para o início do controle.
De acordo com Ricardo Oliva, diretor de Alimentos e Toxocologia da Anvisa,
o cumprimento da lei deve acontecer por meio da rastreabilidade da cadeia.
“A Anvisa fará testes. Mas esse não pode ser o mecanismo de controle".
Oliva defende, também, que a questão dos transgênicos não é sanitária, mas
de informação ao consumidor.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia),
Edmundo KIotz, garante que as empresas do setor estão cumprindo as regras,
já que seus produtos têm menos de 1% de transgenia. “As companhias fizeram
em algum momento essa análise". Caso fosse necessária uma revisão, diz
KIotz, os laboratórios credenciados pelo governo para os testes seriam
insuficientes.
O Ministério da Agricultura credenciou cinco laboratórios para detecção de
transgenia na soja. Nos três consultados pelo Valor (Embrapa Trigo,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Unilab), contudo, a demanda é
pequena. “A maior parte é por certificação de sementes", diz Ana Christina
Zanatta, da Embrapa Trigo. Em razão de uma nova legislação no Paraná, os
gaúchos precisam de um selo "livre de transgênicos" para vender ou
transitar com sementes pelo território paranaense.
Valor Econômico, 29/05/03.

3. China prorroga regra para compra de soja
A China decidiu prorrogar as regras interinas que adotou para a importação
de organismos geneticamente modificados, confirmou na quinta-feira o
Ministério da Agricultura do país. O prazo de vigência das normas, que
expiraria em 30 de setembro, foi postergado para 20 de abril de 2004. Uma
fonte do ministério alegou “razões técnicas” para justificar a decisão.
Publicadas pela primeira vez no fim de 2001, as novas leis chinesas para
importação de transgênicos foram motivo de preocupação para os exportadores
brasileiros de soja. O Brasil não permite o cultivo de transgênicos, mas
tem parte de sua produção contaminada pela soja transgênica Roundup Ready,
desenvolvida pela Monsanto.
O temor em relação aos reflexos das normas chinesas chegou a erodir os
preços da soja nacional. Em janeiro último, lembram fontes do setor, a
cotação chegou a ceder US$ 10 em relação à soja americana. A solução
encontrada pelo governo brasileiro foi certificar a soja como convencional,
mas passível de conter traços de transgênicos.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) comemorou a
decisão chinesa de ampliar o prazo. “Isso nos dá mais tempo para resolver a
situação dos transgênicos no Brasil”, diz Sérgio Mendes,
secretário-executivo da Anec. No início de março, funcionários do governo
chinês já haviam dito que as regras interinas seriam prorrogadas, mas só
agora a decisão foi oficializada.
Valor Econômico, 30/05/03.

4.  Egito abandona briga contra a Europa na OMC
O Egito retirou sua participação da contestação liderada pelos EUA
contrária à proibição da União Européia (UE) imposta a alimentos
transgênicos, o que representa um golpe para a tentativa do governo Bush de
dirigir uma coalizão global contra as normas da UE.
O Ministro do Comércio Exterior dos EUA, Robert Zoellick, afirmou no início
deste mês que Egito, Canadá e Argentina se juntariam aos EUA para solicitar
à Organização Mundial do Comércio (OMC) para adotar uma decisão contra a
proibição que os agricultores norte-americanos dizem que já lhes custou US$
1 bilhão.
   “O Egito decidiu não fazer parte do movimento”, segundo uma carta de
Soliman Awaad embaixador do país em Bruxelas, endereçada à Organização de
Defesa dos Consumidores Europeus.
O governo decidiu que quer “preservar uma adequada e efetiva proteção
ambiental e dos consumidores”, informou a carta, entregue à Bloomberg News
pela entidade de defesa dos consumidores, que se opõe à posição dos EUA.
As exportações de alimentos e de produtos agrícolas constituem 15% dos US$
4 bilhões das exportações anuais do Egito, segundo o Banco Mundial. O Egito
é um dos maiores importadores de trigo americano, e foi relacionado por
Zoellick como candidato ao acordo de livre comércio com os EUA.
O país contudo exporta mais para a Europa do que para os Estados Unidos, e
já mantêm um acordo de livre comércio com a UE que reduziu tarifas, segundo
o Banco Mundial. O Egito se arriscaria a pôr em perigo este relacionamento
comercial ao dar prosseguimento à ação na OMC.
Gazeta Mercantil, 29/05/03.

5. Promotoria do Paraná pede vistoria na Monsanto
O Ministério Público do Paraná solicitou à Secretaria da Agricultura e
Abastecimento do Estado uma vistoria na unidade experimental da Monsanto do
Brasil em Ponta Grossa (PR). O órgão suspeita que a multinacional estaria
realizando pesquisas com erva-mate e fazendo, ilegalmente, multiplicação de
sementes geneticamente modificadas.
O pedido foi feito pelo procurador Saint Clair Honorato Santos, coordenador
do Centro de Apoio a Promotorias do Meio Ambiente, depois que ONGs
denunciaram que a empresa estaria realizando aquelas práticas, não só
pesquisas com transgênicos. “Pedi vistoria e o levantamento de tudo o que
for de plantio que exista na estação”, disse o procurador.
Invadida no último dia 16 por 150 sem-terra, a unidade experimental da
Monsanto do Brasil em Ponta Grossa (PR) continua ocupada,  apesar de
decisão da justiça pela reintegração de posse.
Darci Frigo, da organização civil Terra de Direitos, estava na comitiva que
visitou a unidade anteontem. Segundo Frigo, foram encontradas 27 sacas, de
20 kg, de soja RR (Roundup Ready) “com inscrições para multiplicação, que é
uma fase já não de pesquisa experimental, mas de plantio para reprodução de
sementes”.
Frigo disse que causou surpresa que nos freezers da empresa existisse
grande quantidade de folhas verdes de erva-mate, com informação que eram
originárias do Rio Grande do Sul. “É mais um indício Claro de que a
Monsanto fazia experimentos com erva-mate e não existe autorização da
CTNBio para este tipo de experimento”, disse.
Folha de São Paulo, 24/05/03.

6. Canadá pede à Monsanto que retire pedido de liberação de trigo transgênico
O Conselho do Trigo do Canadá (CWB, em inglês) solicitou à Monsanto Canadá
que retire seu pedido de avaliação da segurança ao meio ambiente do trigo
transgênico Roundup Ready (RRW), informou o conselho.
O pedido da Monsanto referente a esta espécie de trigo se encontra na
Agência Canadense de Inspeção Alimentar. Em carta de 22 de maio e dirigida
ao presidente da Monsanto Canadá, Peter Turner, o CWB detalhou sua
avaliação dos efeitos para a economia que a introdução do trigo Roundup
Ready poderia ter para os produtores do oeste do Canadá.
“Os prejuízos econômicos poderiam incluir a perda do acesso a mercados
importantes, multas pela recusa de embarques, e o aumento dos custos do
gerenciamento das plantações e do manejo do cereal”, informou a carta.
“A Monsanto afirmou que não introduziria o RRW se não trouxesse benefícios
para os produtores”, afirmou o presidente do conselho, Kem Ritter. “A
questão é que não há nenhum benefício. Então pedimos à companhia que
coloque os interesses de seu cliente, os produtores do oeste do Canadá, à
frente de seus próprios interesses comerciais e suste a introdução do RRW,
antes que os produtores sofram conseqüências financeiras”.
A porta-voz da companhia, Trish Jordan, afirmou que sua empresa “enviará
resposta em caráter pessoal. Precisamos encontrar pontos de contato para
discutirmos nossos problemas”,disse.
Adrian Measner, diretor e principal executivo do CWB, disse que os clientes
“em mais de 80% dos nossos mercados expressaram profundas dúvidas quanto ao
trigo geneticamente modificado”.
Gazeta Mercantil, 28/05/03.

7. Unilever, Monsanto e outras multinacionais envolvidas em trabalho
infantil em larga escala na produção de sementes de algodão na Índia
Início da campanha européia: “Não ao trabalho infantil - A Escola é o
melhor trabalho”
A Hindustan Lever Ltda., uma subsidiária indiana da multinacional
Inglesa-Alemã Unilever, e a americana Monsanto estão fazendo uso de
trabalho infantil na produção de sementes de algodão na Índia. Um número
estimado de 25 mil crianças, a maioria meninas, trabalha em média 10 a 13
horas por dia para a Hindustan Lever, enquanto 17 mil crianças trabalham
para a Monsanto e sua subsidiária indiana Mahyco. Estas crianças não têm
escola, ganham menos de 40 centavos de Euro (aproximandamente 0,40 dólares)
por dia e são expostas a pesticidas perigosos como Endosulfan durante o
trabalho. Mas de 11 mil crianças trabalham em condições similares para as
multinacionais Syngenta (Suíça), Advanta (alemã-britânica) e Proagro (da
alemã Bayer).
Este é o resultado de uma pesquisa feita pelo pesquisador indiano Dr.
Davuluri Venkateswarlu para o Comitê Indiano das Terras Baixas.
Sementes de algodão: o maior empregador de crianças
Só no estado indiano de Andhra Pradesh, 247.800 crianças trabalham na
produção de sementes de algodão e cerca de 450 mil em toda Índia, a maioria
delas em companhias nacionais. Nenhuma outra indústria emprega tantas
crianças. As companhias de algodão não empregam as crianças diretamente,
mas através de agentes que se chamam “organizadores de sementes”. O preço
pago pelas companhias aos produtores torna quase impossível a contratação
de adultos. Uma criança ganha menos 30% que uma mulher e 55% menos que um
homem.
A produção de sementes de algodão é um trabalho especialmente árduo. O
setor é “especial” no sentido de que 9 entre 10 empregados são crianças
entre 6 e 14 anos. Geralmente quem recebe seus pagamentos são seus pais,
empregados dos mesmos patrões. Estas crianças trabalham 12 a 13 horas por
dia, dormem nos estábulos das vacas, uma espécie de “campo de crianças”,
onde chegam a viver de 10 a 30 crianças.
Vejamos Narasamma como exemplo. Ela tem 12 anos e trabalha na produção de
sementes há 3 anos, dorme no estábulo com outras crianças imigrantes que
trabalham mais de 13 horas/dia, com dois intervalos. Ela costuma ficar
doente depois da aplicação de pesticidas, e recebe 800 rúpias/mês.
Leia mais:  http://www.indianet.nl/cotseed.html 'Child Labour and
Trans-National Seed Companies in Hybrid Cotton Seed Production in Andhra
Pradesh' by Dr. Davuluri Venkateswarlu. Dr. Venkasteswarlu, director of
Global Research and Consultancy Services, is also the author of the report
'Seeds of Bondage - Female Child Bonded Labour in Hybrid Cotton Seed
Production in Andhra Pradesh' published by Business and Community
Foundation and Plan International (India Chapter) in 2001.
Veja também: http://www.unilever.com/news/pressreleases/EnglishNews_8517.asp
http://www.schoolisthebestplacetowork.org
See position paper: http://www.indianet.nl/ppchled.html
archived at: http://ngin.tripod.com/nginlist.htm
NGMWATCH site: http://www.ngin.org.uk
Campanha “Não ao trabalho infantil - a Escola é o melhor trabalho”, 14/05/03.

8. Primeiro agricultor sentenciado à prisão nos EUA
Produtor do Tennessee foi preso por fraude envolvendo a Monsanto
Kem Ralph, 47 anos, de Tennessee, nos EUA, foi sentenciado a 8 meses de
prisão pela corte federal de St. Louis, por mentir sobre um carregamento de
semente de algodão que ele guardou para um amigo.
A prisão pela fraude cometida é a primeira condenação criminal ligada à
Monsanto pela violação dos acordos de patente na utilização de sementes
transgênicas.
Ralph também admitiu ter queimado um carregamento da semente, em desafio à
ordem da corte, para evitar que a Monsanto a usasse como prova no processo
contra ele. Ele se disse culpado por mentir sob juramento durante o processo.
Guardar sementes para o plantio seguinte é uma prática comum dos
agricultores. Entretanto, ao comprar a semente transgênica, os produtores
assinam um contrato que proíbe a reutilização da semente transgênica para
novo plantio, ao que os produtores se opõem.
O juiz Richard Webber ordenou que Ralph cumpra a prisão e pague à Monsanto
US$ 165.649,00 pelas cerca de 41 toneladas de algodão e soja transgênicos
encontradas guardadas na sua propriedade para a próxima safra.
A Monsanto disse que já processou 73 produtores nos últimos 5 anos.
Representantes da companhia esperam que o caso Ralph mande sirva de lição
aos produtores. A Monsanto está distribuindo informativos sobre os casos de
litígio como alerta.
Ralph não fez comentários na corte. Seu caso judicial com a Monsanto não
está terminado e a empresa já está reivindicando que o agricultor tenha que
pagar U$ 1,7 milhão.
Mas, no ano de 2000, Ralph disse que foi sua oposição à postura da Monsanto
que o levou a queimar os sacos de sementes.
“Eu e meu irmão conversamos sobre como essa atitude da Monsanto é baixa.
Estávamos cansados de ser pressionados o tempo todo pela Monsanto”, disse
ele na época. “Nós estamos sendo empurrados e subjugados como um bando de
cães. E decidimos queimar tudo”. (...)
Muitos críticos acham que os preços da Monsanto são excessivos e muito
duros para os produtores.
“Os agricultores sempre puderam guardar suas sementes para o próximo
plantio. É realmente uma questão de lucro da companhia -- é isto que está
sendo protegido. Se você não pode guardar suas sementes, tem que
comprá-las”, disse Lou Leonatti, o advogado mexicano que defende Ralph.
Jefferson City News Tribune, 08/05/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Projeto de Segurança Alimentar em Chivi, Zimbábue
O objetivo do Projeto de Segurança Alimentar de Chivi é desenvolver
economias rurais ativas baseadas na agricultura sustentável e em outros
recursos naturais localmente disponíveis. O projeto afetou positivamente a
disponibilidade local de alimentos ao enfatizar o uso de variedades locais
resistentes à seca, como por exemplo o sorgo e o milheto. Os agricultores
da região, que é altamente propensa a secas, relatam que suas colheitas
mais que duplicaram desde que o projeto começou. Alguns deles agora têm
possibilidades até de consumir alimentos fora da estação, como o milho e
algumas variedades de verduras. Boas técnicas de coleta e armazenamento de
água contribuíram para aumentar a produção de alimentos para consumo local,
mas também com uma parte destinada ao comércio. Outras mudanças incluem o
uso de esterco, de pesticidas naturais e do plantio consorciado. Os mais de
500 agricultores que participaram de treinamentos agora repassam seus
conhecimentos a outros agricultores, que progressivamente adotam novas
práticas. Pelo menos 20 grupos locais emergiram e os participantes
descobriram sua imensa capacidade de ajuda através da ativa participação em
suas próprias iniciativas, com o mínimo apoio externo.
Intermediate Technology Development Group and University of Essex SAFE
Research Database 2001.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em
Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail:
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma
mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a
exclusão do seu nome de nossa lista.

Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#337 De: Campanha Livre de Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sáb, 14 de Jun de 2003 12:57 am
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 163 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Número 163 - 13 de junho de 2003

Car@s Amig@s,

O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, além dos Ministros do Meio
Ambiente, Agricultura, Ciência & Tecnologia, Saúde e a Casa Civil receberam
nesta sexta-feira (13 de junho) um documento com seis pontos mínimos que,
de acordo com o entendimento da sociedade civil, precisam constar do
Projeto de Lei (PL) sobre transgênicos que o governo está elaborando.

No documento, que é assinado por várias entidades como o MST, a
Fetraf-Sul/CUT, a CNBB, o Greenpeace, o Idec, o ISA e a AS-PTA, entre
outros (quase todos membro da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos)
as organizações observam que o conhecimento acumulado nos últimos anos
pelas entidades signatárias em matéria de alimentos transgênicos e seus
impactos econômicos, sociais, ambientais e aos direitos básicos dos
cidadãos brasileiros à informação e à possibilidade de escolha não pode ser
desprezado pelo governo Lula.

No texto, ressaltamos que não há qualquer justificativa técnica, jurídica
ou econômica para a apresentação do PL no limitado prazo de 30 dias,
conforme se anunciou no dia 14 de maio, dia da votação da MP 113 (que
liberou a comercialização desta safra de soja transgênica produzida
ilegalmente no País) pela Câmara dos Deputados, quando foi feito o acordo
entre o governo federal e a bancada ruralista da Câmara.

Trinta dias seria um prazo demasiadamente curto para qualquer elaboração de
projeto de lei de forma minimamente participativa com a sociedade.
Considerando que este é um tema profundamente polêmico, envolvendo
interesses de poderossímas empresas multinacionais, a saúde da população e
a conservação dos recursos naturais e agrícolas do país, cobramos do
governo federal uma atitude responsável, incluindo o prolongamento do prazo
de elaboração do PL e a abertura do processo de elaboração ao debate com a
sociedade.

Sugerimos que o espaço organizador do debate entre o governo e a sociedade
seja o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), garantindo igual
participação de defensores e opositores dos transgênicos.

Os seis pontos mínimos que na nossa opinião devem necessariamente constar
do PL são os seguintes:

1. Estudo de impacto ambiental (EIA) previamente à liberação de qualquer
espécie transgênica no meio ambiente;

2. Avaliação de riscos à saúde pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária -- ANVISA / Ministério da Saúde;

3. Reformulação da composição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio, do Ministério de C&T), para que constem cientistas de outras
áreas, como toxicologia e ética, além de representantes de outros segmentos
da sociedade excluídos da atual Comissão (agricultura familiar e
ambientalista) e representante do Ministério da Justiça;

4. Esclarecimento quanto à natureza do parecer técnico da CTNBio, que, no
nosso entendimento, é opinativo e não deliberativo, não podendo impedir ou
limitar, sob qualquer hipótese, as competências técnicas e legais de outros
órgãos da Administração Pública (ANVISA, IBAMA, etc.).

5. Rotulagem plena de qualquer produto produzido ou contendo espécie
transgênica, independentemente do percentual.

6. Instituição da responsabilidade objetiva daquele que decidir plantar
espécie geneticamente modificada pela não contaminação das propriedades
vizinhas.

Você também pode cobrar do governo federal a participação neste debate e a
garantia de que o Presidente Lula cumprirá o que prometeu em sua campanha
eleitoral: o respeito ao Princípio da Precaução e o apoio à moratória aos
produtos transgênicos até que haja consenso na comunidade científica quanto
à sua segurança para a saúde da população e o meio ambiente.

Mande mensagens para o Presidente Lula e os Ministros, exigindo que o
governo brasileiro escute a sua opinião e permita a participação de toda a
sociedade civil no processo de elaboração deste PL, através dos sites do
Greenpeace e do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), nos
endereços

http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/ciber_pljunho2003.asp
e
http://www.idec.org.br/paginas/carta_modelo.asp?id=17

******************************************

O Presidente Lula e os ministros se reuniram na última quinta-feira à tarde
para discutir as diretrizes que orientarão a elaboração do PL sobre
transgênicos. A reunião foi fechada e após seu término, nada foi declarado:

“Reunião sobre transgênicos termina sem declarações oficiais

Terminou  por volta das 21 horas, desta quinta-feira (12) a reunião
comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os transgênicos
no país, com nove ministros. Participaram dessa reunião, no Palácio da
Alvorada, os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, da Casa Civil, José
Dirceu, da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, da
Secretaria de Comunicação e Governo, Luiz Gushiken, da Agricultura, Roberto
Rodrigues, da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, do Desenvolvimento,
Luiz Fernando Furlan, do Meio Ambiente, Marina Silva e do Planejamento,
Guido Mantega. Os ministros saíram sem dar declarações à imprensa.

(ambientebrasil com informações  Agência Brasil), 12/06/2003
http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=11054

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Neste número:

1. Monsanto cobrará royalties da soja transgênica exportada a partir de agosto
2. Pesquisa mostra os primeiros impactos dos transgênicos na agricultura
orgânica
3. Gaúchos continuam não cumprindo MP 113 e ameaçam: vão plantar soja RR de
novo
4. Monsanto realiza semana de lobby no Brasil / Lobby nada sadio
5. Europa ratifica Protocolo de Biossegurança
6. Comitê Europeu de Meio Ambiente é favorável a regras mais rígidas para
transgênicos
7. Princípio poluidor-pagador será proposto pelo Partido Verde na reforma
tributária
8. Cientistas criam Painel Científico independente sobre transgênicos
9. Governo do Sudão rejeita alimentos transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Produção de algodão orgânico no Senegal
Eventos:
IV Seminário de Agricultura Orgânica

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1. Monsanto cobrará royalties da soja transgênica exportada a partir de agosto
Monsanto irá cobrar royalties de transgênico
A Monsanto divulgou ontem que irá cobrar royalties das tradings
exportadoras que comercializarem soja transgênica com países onde a empresa
detém a patente da Roundup Ready - União Européia, Japão, Canadá e Estados
Unidos.
A partir de julho, a Monsanto começa a conceder licenças as tradings. O
processo de licenciamento deverá se encerrar até o final de agosto, quando
o solo começa a ser preparado para o próximo plantio.
Segundo o diretor de marketing da empresa, Felipe Osorio, neste ano a
Monsanto não cobrará a concessão da licença, apenas uma porcentagem sobre o
volume exportado. Apesar de o valor da cobrança ainda estar sendo negociado
com produtores e associações do setor, Osorio diz que deve ficar entre US$
15 e US$ 66 por hectare de soja transgênica plantado.
O ônus final, porém, deve ficar com o produtor, já que as tradings, de
acordo com Osorio, devem repassar a cobrança.
Cerca de 35 empresas, diz o diretor de marketing, são responsáveis por 80%
das exportações brasileiras de soja. Segundo ele, as empresas que forem
flagradas exportando soja ou farelo de soja com tecnologia Roundup Ready
sem licença estarão sujeitas a punições, tais como retenção do embarque nos
portos de destino e processo judicial por uso não autorizado de propriedade
patenteada.
A Monsanto pretende manter a cobrança de royalties pelo uso da tecnologia
nas próximas safras. A medida provisória que liberou a comercialização da
soja transgênica nesta safra proíbe o plantio e a comercialização do
produto para as próximas produções.
Folha de São Paulo, 12/06/03.

Monsanto vai licenciar venda de soja RR
A Monsanto, empresa que detém a patente sobre a soja transgênica Roundup
Ready (RR), anunciou ontem sua estratégia para garantir o pagamento de
royalties e regulamentar o comércio da soja geneticamente modificada
plantada no Brasil. A partir de julho, quem quiser exportar soja
transgênica brasileira deverá obter uma licença da empresa, reconhecendo
seus direitos de propriedade intelectual. Quem não se licenciar correrá o
risco de ser processado e ter seu produto retido nos portos.
"A soja que não tiver licença será recebida na alfândega como produto
ilegal", disse o diretor de Marketing da Monsanto, Felipe Osório. A empresa
vai monitorar os embarques de soja do Brasil e possíveis carregamentos de
soja RR não licenciada serão comunicados às autoridades do país de destino.
(...)
Osório afastou a possibilidade da Monsanto cobrar royalties sobre as safras
passadas, mas disse que o programa de licenciamento será permanente. Os
royalties serão cobrados ou na venda de sementes - caso o produto seja
legalizado - ou na entrega dos grãos. Este ano, o licenciamento será gratuito.
O Estado de São Paulo, 12/06/03.

2. Pesquisa mostra os primeiros impactos dos transgênicos na agricultura
orgânica
Santa Cruz, Califórnia. Numa ampla pesquisa nacional, a Fundação de
Pesquisa Orgânica (OFRF, na sigla em inglês), mostra os primeiros impactos
econômicos e operacionais ligados ao perigo de contaminação com
transgênicos. As normas para os produtos orgânicos, recentemente
implementadas pelo departamento de agricultura dos EUA (USDA) proíbem o uso
das tecnologias transgênicas. Além disso, são estreitos os limites de
contaminação tolerados pelos consumidores nacionais e estrangeiros.
De acordo com o presidente da OFRF, Ron Rosmann, um produtor orgânico de
Harlan, em Iowa, “Os dados desta pesquisa (baseados no ano agrícola de
2001) são suficientes para pedirmos uma moratória sobre a liberação dos
transgênicos até que haja uma sólida regulação para prevenir a poluição
genética e a devida responsabilidade pelos danos causados”.
Entre os resultados da pesquisa estão os seguintes:
- 17% dos produtores fizeram testes com transgênicos em parte de sua
propriedade; destes, 11% indicaram que houve contaminação de suas sementes
orgânicas com transgênicos.
- 8% tiveram aumento de custos e prejuízos com a produção devido à
contaminação com transgênicos. Estes custos incluíam: testes de
contaminação por transgênicos, perda de vendas e/ou mercado devido à
contaminação ou a percepção do risco de contaminação, perda de mercado
devido à contaminação em si, perda da certificação orgânica devido à
contaminação.
- 48% tomaram medidas para prevenir a contaminação de suas produções
orgânicas, tais como: 19% aumentaram a área da zona tampão, 18% deixaram de
usar insumos suspeitos de conter transgênicos, 15% ajustaram o tempo de
plantio para evitar a contaminação, 13% mudaram de cultivo, 9% mudaram o
local de plantio.
- 46% acham o risco de contaminação média ou alta e 30% acham o risco alto
ou muito alto.
- Os insumos suspeitos de contaminação incluem inoculantes para sementes e
composto feito com materiais obtidos fora da propriedade.
- Somente 10% dos pesquisados acha que as regras atuais são adequadas para
proteger seus cultivos orgânicos.
A apresentação em power point da pesquisa com os transgênicos está
disponível no site: http://ofrf.org/publications/survey/GMO.SurveyResults.PDF

3. Gaúchos continuam não cumprindo MP 113 e ameaçam: vão plantar soja RR de
novo
Ministério da Agricultura anuncia fiscalização do cultivo, mas defende
projeto para liberação a médio prazo.
A maioria dos produtores gaúchos vai plantar soja transgênica na próxima
safra, apostando que o governo seguirá dividido em relação ao cultivo do
produto e vai liberá-lo na hora da colheita. A ameaça, porém, pode
prejudicar a estratégia do Ministério da Agricultura, que tenta dar aval ao
plantio de transgênicos junto à cúpula do governo, e já negocia a liberação
a médio prazo. A proposta do ministério já está pronta e prevê a abertura
para os OGMs assim que a indústria nacional estiver apta a oferecer
sementes modificadas. O ministro interino da Agricultura, José Amauri
Dimarzio -- empresário que já cultivou milho transgênico quando estava à
frente de experimentos autorizados --, pede cautela aos agricultores.
-- É preciso um pouco mais de paciência. Em breve teremos variedades da
Embrapa dentro das regras de segurança ambiental -- acredita.
A estratégia do ministério consiste em cumprir a MP 113, que proíbe o
cultivo na próxima safra, promovendo uma fiscalização rigorosa e uma
campanha nacional contra o plantio no período 2003/2004. Dimarzio diz que,
da maneira como está, o produtor acaba cometendo dois delitos: planta
transgênicos, o que ainda é proibido, e ainda utiliza uma semente
não-registrada, de origem desconhecida. Para coibir essa prática em 2003, o
ministério pretende contratar mais de 500 fiscais para evitar a semeadura
da soja pirata. Para não haver queixa por parte dos pequenos agricultores,
Dimarzio adianta que o governo deverá lançar uma linha de financiamento
para a compra de sementes. O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário,
Miguel Rossetto, já declarou que em julho uma campanha de esclarecimento
será lançada, atendendo à MP que preserva a proibição do plantio de
transgênicos.
-- Para a próxima safra, não vai ter volta. Enquanto o plantio for é ilegal
temos que obedecer a legislação -- avisa Dimarzio.
Os produtores gaúchos, no entanto, não parecem estar dispostos a esperar. O
recado foi dado na última sexta-feira no 1° Fórum Nacional da Soja
Transgênica, que reuniu em Ibirubá milhares de agricultores dispostos a não
acatar ameaças do governo, com a adoção de fiscalização, campanha e até
financiamento para quem optar pelo grão convencional. Os manifestantes
falaram, inclusive, em "desobediência civil", sinal de que não pretendem
voltar atrás na decisão.
Os produtores não acreditam que o governo Lula conseguirá resistir, e
apostam em mudanças mais imediatas. O governo está elaborando um projeto de
lei para regulamentar essa questão no Brasil, enquanto a Justiça não decide
sobre a liberação. (...)
Zero Hora, 11/06/02.

4. Monsanto realiza semana de lobby no Brasil
Brasília, - Enquanto o governo decide se libera definitivamente a
comercialização da soja transgênica no Brasil, a empresa multinacional
Monsanto - responsável pela produção da soja geneticamente modificada Round
Up Ready - cuida de fazer uma série de sondagens junto ao governo federal
para definir a nova estratégia de investimentos a ser implementada no país.
Um dos encontros para discutir o assunto ocorreu hoje entre o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o
presidente do Conselho de Administração da Monsanto, Frank Atlee.
As perspectivas da agricultura brasileira e as ações do governo federal no
que diz respeito às pesquisas ligadas à área de biotecnologia foram o tema
dominante na reunião. Segundo nota divulgada pela Assessoria de Imprensa da
Monsanto, a empresa ainda vê o Brasil como uma importante indústria
agrícola dos negócios internacionais da companhia. Nos últimos cinco anos,
a Monsanto investiu no país mais de US$ 800 milhões.
Agência Brasil - Abr, 10/06/03.
http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=129707&editoria=
Lobby nada sadio
A multinacional Monsanto concentra agora o Lobby pró-transgênicos no
ministro Luiz Furlan (Desenvolvimento), cuja empresa, Sadia, prometeu ao
Greenpeace não usar produtos geneticamente modificados.
O Dia, 12/06/03.

5. Europa ratifica Protocolo de Biossegurança
O Parlamento da União Européia (EU) ratificou, ontem (05/06), protocolo
sobre biossegurança das Nações Unidas, aprovado há três anos, que
regulamenta o comércio internacional de alimentos geneticamente
modificados. A medida permite que os governos da EU confiram ao acordo da
ONU, negociado há três anos, em Montreal, no Canadá, efeito jurídico para
os 15 países do bloco, até o final deste mês.
Até agora, apenas Dinamarca, Áustria, Espanha, Suécia e Holanda ratificaram
o acordo da ONU. Outros países, queriam primeiro que o protocolo recebesse
a aprovação dos Estados Unidos.
O protocolo tenta proteger a diversidade biológica dos prováveis riscos
suscitados pelas tecnologias modernas. Ele permite que os países proíbam
importações de produtos transgênicos, se perceberem que não há suficiente
prova científica de que o produto é seguro, e exige que os exportadores
rotulem as remessas que contenham commodities geneticamente modificadas
como milho, ou algodão.
Os Estados Unidos, principal produtor de produtos agrícolas baseados em
biotecnologia, não firmaram o protocolo. Os americanos se opõe à rotulagem.
Espera-se que o protocolo da ONU entre em vigor no outono do Hemisfério
Norte. Cinqüenta países têm de ratificar o acordo que foi firmado por 103
países, em 2000. Apenas 49 países, até o momento, endossaram o acordo.
Jonas Sjöstedt, membro da esquerda sueca do Parlamento Europeu, afirmou que
a ratificação do protocolo pelo Legislativo europeu vai ajudar a UE a se
opor às críticas de que a Europa não quer lidar com os transgênicos.
“As novas normas deixam claro que o comércio de transgênicos, que são
produtos de tecnologia recentemente desenvolvida e podem por em perigo a
saúde humana, ou o meio ambiente, deverão se basear no princípio da
prevenção”, disse Sjöstedt.
Esse princípio permite que países em desenvolvimento conciliem saúde
pública com benefícios econômicos e lhes permite proibir produtos que
contenham alimentos geneticamente modificados.
“Essa legislação também ajudará a UE a defender-se das acusações feitas
pelos Estados Unidos, segundo as quais, a UE é responsável pela rejeição
africana à ajuda em alimentos transgênicos”, afirmou Sjöstedt. “Ao
concordar com estas novas normas, a UE ajuda os países importadores de
alimentos a escolher se querem transgênicos”.
Gazeta Mercantil, 05/06/03.

6. Comitê Europeu de Meio Ambiente é favorável a regras mais rígidas para
transgênicos
O Comitê para o Desenvolvimento do Parlamento Europeu votou, no último dia
22, a favor do aumento do rigor das regras de rotulagem e identificação de
alimentos e rações transgênicas. O Comitê diminuiu de 0,9 para 0,5% o
limite mínimo necessário para a rotulagem dos produtos que contenham
transgênicos. E também votou a favor de uma legislação para regular a
coexistência de cultivos transgênicos, convencionais e orgânicos.
Grupos industriais europeus expressaram suas preocupações de que se estas
emendas forem aceitas pelo Parlamento Europeu em julho, poderá ser adiada a
adoção dos transgênicos e se atrasar a suspensão da moratória nas
aprovações de transgênicos. Os críticos da decisão também foram ouvidos
pela Comissão Européia. “O Parlamento esnobou os Estados Unidos”, disse o
porta-voz da Comissão Beate Gminder, referindo-se à recente consulta dos
USA à OMC sobre a moratória. (veja
http://www.ictsd.org/weekly/03-05014/story1.htm). A Comissão disse que a
coexistência entre as lavouras já está sendo tratada como um assunto
separado e que não deve entrar na lei de rotulagem (veja
http://www.ictsd.org/biores/03-03-10/story1.htm).
O grupo ambiental “Amigos da Terra” (Friends of the Earth) comemorou a
decisão do Comitê, que segundo eles “pavimenta o caminho para uma melhor
escolha do consumidor e para proteger os produtores orgânicos da
contaminação genética”.
Reuters, 22 & 24/05/03.
Bridges Weekly Trade News Digest, vol. 7 number 20, 04/06/03.

7. Princípio poluidor-pagador será proposto pelo Partido Verde na reforma
tributária
O princípio poluidor-pagador poderá vir a se incorporar ao texto em
discussão da reforma tributária, atualmente na Câmara dos Deputados, de
acordo com moção que o Partido Verde está preparando. O anúncio foi feito
durante a Convenção Nacional do PV, que ocorreu em Brasília de 30 de maio a
1 de junho, quando foram eleitos os novos dirigentes do partido que mais
cresceu nas últimas eleições, passando de apenas um para seis deputados
federais e elegendo em todo o país deputados estaduais, prefeitos e
vereadores. Durante a convenção, na manhã deste sábado, foi discutida
longamente a posição que o partido deve adotar diante das reformas
propostas pelo governo Lula, de cuja base de sustentação faz parte o PV.
"Não votaremos nada que possa prejudicar o meio ambiente", prometeu o
deputado federal e líder na Câmara, Zequinha Sarney (PV-MA), aos
convencionais, lembrando que a bancada já votou há poucos dias contra a
medida provisória dos transgênicos. Um dos principais problemas do partido
é que a presidência da Câmara ainda não lhe concedeu a estrutura necessária
para funcionar como liderança. (...)
www.partidoverde.org, www.viaecologica.com.br e www.camara.gov.br

8. Cientistas criam Painel Científico independente sobre transgênicos
Dúzias de proeminentes cientistas de vários países, englobando as
disciplinas de agroecologia, agronomia, biomatemática, botânica,
farmacologia, ecologia, histopatologia, ecologia microbiana, genética
molecular, bioquímica, fisiologia, toxicologia e virologia, uniram forças
para lançar um Painel Científico Independente sobre transgênicos numa
conferência pública, assistida pelo ministro do meio ambiente inglês,
Michael Meacher e outros 200 participantes, em Londres, no dia 10 de maio.
A conferência coincidiu com a publicação de uma versão preliminar do
relatório “Um mundo sustentável sem transgênicos”, clamando por um
banimento dos cultivos transgênicos e propondo a adoção das técnicas de
agricultura sustentável. O relatório, que foi chamado de “o mais forte e
completo dossiê de evidências” já compilado sobre os problemas e perigos
que os cultivos transgênicos representam e sobre os múltiplos benefícios da
agricultura sustentável, será finalizado em 15 de junho de 2003.
Antes do lançamento do relatório final de 120 páginas, o Painel Científico
Independente apresentou um resumo de quatro páginas a fim de contribuir
para o debate nacional sobre transgênicos no Reino Unido.
O resumo está disponível no site: http://www.i-sis.org.uk/ispr-summary.php
Isis Press Release, 02/06/03.

9. Governo do Sudão rejeita alimentos transgênicos
O governo do Sudão proibiu a entrada de produtos transgênicos no país. A
notícia não foi bem recebida pelo governo norte-americano que alegou que
esta decisão deixará em torno de 97% das crianças do país sem acesso a
estes alimentos.
The AgbioIndia Bulletin, 11/06/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Produção orgânica algodão no Senegal
Em 1993, uma parceria entre ENDA-Pronat (ONG africana), o Pesticides Trust
e um grupo de produtores de Koussanar (ávidos para tornar suas produções
mais sustentáveis) resultou no estabelecimento de experimentos de cultivo
orgânico.
O projeto tinha como objetivo reduzir o uso de agrotóxicos na produção de
algodão e também seus impactos na saúde humana, animal e no meio ambiente.
Também se buscava melhorar a renda dos produtores e reduzir suas dívidas.
A organização resultante da parceria era assessorada por um agrônomo e dois
extensionistas. Suas recomendações técnicas incluíam semeio precoce, uso de
Nim para o controle de pragas, uso de urina de vaca como fertilizante e
repelente de insetos, e colheita manual do algodão.
Em 1998, 23 toneladas de sementes de algodão foram produzidas enquanto eram
estabelecidos mercados para o algodão orgânico no Senegal e na Europa.
O projeto também foi bem sucedido ao lidar com questões que envolvem as
relações sociais de gênero. Foram criados grupos femininos responsáveis
pela preparação e venda de produtos a base de Nim e o número de produtoras
de algodão orgânico aumentou muito -- primeiro porque elas não tinham que
gastar dinheiro em produtos químicos e, segundo, porque a aplicação de
pesticidas é uma atividade predominantemente masculina. Além disso, as
mulheres agora estão representadas nas novas estruturas de organização dos
produtores. Apesar de ainda ter muito caminho a percorrer, o projeto vem
mostrando a viabilidade da produção orgânica de algodão no Senegal.
Organic Cotton in IT, University of Essex SAFE Research Database 2001.

Eventos:
IV Seminário de Agricultura Orgânica
O IV Seminário de Agricultura Orgânica será realizado no dia 14 de junho de
2003, com o tema “Desenvolvimento Sustentável e Agroecologia”. A  Profa.
Ana Maria Primavesi dará palestra sobre Agroecologia.
O evento é parte da Expo Petrópolis 2003, e acontece no Hotel Quitandinha
em Petrópolis, de 8 às 18horas.
Inscrições gratuitas no local, entre 8 e 9hs da manhã.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em
Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail:
campanhatransg@...]

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgeni\
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=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://server.digipronto.com.br/idec.org.br/paginas/campanha_transgenicos_livre.\
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http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma
mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a
exclusão do seu nome de nossa lista.

Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim.

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Boletimtransgenicos mailing list
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#338 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Qui, 19 de Jun de 2003 10:37 pm
Assunto: Re: Hibridos
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
De: Edu de Souza <edubrasil@...>
Para: <luizmeira@...>
Enviada em: segunda-feira, 16 de junho de 2003 14:56
Assunto: Híbridos


> Acabei de ler o porque dos híbridos nâo...
> Tinha esquecido completamente a característica do fator reproductor nos
híbridos.
> Interesante

> Será possível realizar a "hibridagem" cordenando com os elementales sutís
para que o aspecto reproductor possa ser "configurado"? Houve estudos nessa
direçâo?

     Híbridos intra-espécie, que mantenham-se produzindo por 10 gerações
seriam uma seleção harmônica. Provisoriamente tenho indicado para utilização
alimentar e terapêutica acima de 3 gerações.

     As variedades preservadas em diversos nichos culturais, alheios ao
agronegócio cosmopolita, com por exemplo milho andino, seriam "estudos nesta
direção".

     Além do Guaraci, chamo também o César para esta conversa.

     Abraços

Luiz

PS
> Envié el mensaje equivocado a la lista. Ojala que no em vea Calvo :o))

     Considero o assunto dos híbridos o preâmbulo das discussões sobre os
transgênicos, pois a liberalidade com a mistura de espécies é que permitiu a
transgenia. Coloquei esta perspectiva anos atrás na lista, e o consenso foi
que face ao perigo dos transgênicos seria melhor não se preocupar com os
híbridos...

#339 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Sex, 27 de Jun de 2003 3:41 pm
Assunto: Alergia
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Face à intensa progressão que as doenças alérgicas estão desempenhando, informo
atualização dos arquivos sobre alergia e transgênicos.

http://luizmeira.cjb.net//ai.htm

http://luizmeira.cjb.net//transgen.htm

     Faço votos que desfrutem.

Luiz Meira


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#340 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Sáb, 28 de Jun de 2003 5:10 pm
Assunto: En: [Transgénicos] LA GUERRA DE LOS TRANSGENICOS-GRUPO DE REFLEXION RURAL-
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
-----Mensagem Original-----
De: Edu de Souza
Para: noticias-bt-discusion@yahoogroups.com
Enviada em: sábado, 28 de junho de 2003 00:33
Assunto: [Transgénicos] LA GUERRA DE LOS TRANSGENICOS-GRUPO DE REFLEXION RURAL-


Rubén TonzarReenviando información sin leerla completamente todavía queridos
"listeros".
Saludos Cordiales
Edu

                                                     
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::\
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
:::::::::::::::::::::::::::::BOLETÍN DE NOTICIAS Y
DEBATES:::::::::::::::::::::::::::::::

:::::::::::::::::::::::::::::DEL GRUPO DE REFLEXIÓN
RURAL::::::::::::::::::::::::::::::
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::\
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::



Lea esta semana en GRR:
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

FRACASARON NEGOCIACIONES ENTRE EEUU
Y EUROPA SOBRE ALIMENTOS TRANSGÉNICOS
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/EEUU-UE.htm
Los reclamos se trasladarán a la mesa de negociaciones de la OMC.
"Estamos decepcionados pero no sorprendidos de que estas consultas
no hayan resultado en ningún cambio en la moratoria ilegal y no científica",
expresó el vocero de la oficina de Comercio Exterior de los EE UU, Richard
Mills.



BRASIL: EL PELIGRO DE LOS TRANSGÉNICOS,
LOS INTERESES DE LAS MULTINACIONALES,
Y LA MANIPULACIÓN EN LOS MEDIOS DE COMUNICACIÓN
Joao Pedro Stédile
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/transg-multis-medios.html
La sociedad brasileña está siendo bombardeada todos los días por falsas noticias
producidas por los lobbys de las grandes empresas multinacionales que quieren
imponernos las semillas transgénicas como si fuesen una necesidad, una cuestión
de progreso.



¿AHORA LOS "BIOPIRATAS" SON LOS CAMPESINOS?
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/biopiratas.html
Silvia Ribeiro / Grupo ETC
Después de un juicio de más de nueve años, Monsanto logró quedarse

con una patente (la europea 301 749) sobre todas las variedades de soya
transgénica que existen -y las que podrían existir- mientras sea válida.



EL ESPEJO DEL NORTE Y LAS POLÍTICAS
AMBIENTALES LATINOAMERICANAS
Diego Martino y Eduardo Gudynas (*)
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/amb-latin.html
Una vez más, durante las celebraciones del Día Mundial del Medio Ambiente de
este año, se han sucedido los informes, actos y denuncias sobre el estado del
ambiente en todo el mundo. También una vez más, en América Latina, se ha
repetido la actitud de evaluar la situación ambiental de la región en relación a
lo que sucede en los países industrializados.
Si bien se citan ejemplos de los graves impactos ambientales en EEUU,
Europa y los países industrializados de Asia, por otro lado se pone a esas
naciones como ejemplo a seguir en materia de acciones y normas ambientales.



VI Jornada de Actualización Técnica
EL MONOCULTIVO DE SOJA ES
UNA TENDENCIA CON FUTURO PELIGROSO
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/monocultivo.htm
Lo advirtieron autoridades del semillero Don Mario, organizador del encuentro.
Unas 1100 personas asistieron a las charlas realizadas en Pergamino. Aconsejan
el recambio varietal, la rotación y una mayor inversión en fertilización.
Mercado de granos


ENTRE UN MAR DE SOJA Y EL DESIERTO DE MAÍZ
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/mardesoja.htm
Tras cada nuevo informe del Departamento de Agricultura de los Estados Unidos
(USDA) la producción de soja en el nivel mundial se ajusta en aumento y lo mismo
sucede con las existencias finales.



SIEMBRA DIRECTA, BARBECHO QUÍMICO
Y UNA NUEVA MALEZA
Por el Ing. Agr. Adolfo Boy
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/Boy.htm
Son numerosos los trabajos donde se ha presentado la alteración ocasionada por
la agriculturización del paisaje pampeano y su incidencia en los flujos de
materia y energía que eran soporte del ecosistema natural.
Sin embargo, parece no prestarse atención a la profundidad del deterioro
en los agroecosistemas, provocado por la actividad agrícola y una compulsiva
utilización de tecnologías altamente dependientes de subsidios externos.



LAS REGALÍAS AGROPECUARIAS
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/REGALIASAGRO.htm
Las provincias que tienen petróleo cobran regalías especiales. En cambio
la producción de trigo, maíz, soja y carnes tiene retenciones.
La justicia de los reclamos de Salta y Buenos Aires.



ICARE QUIERE DEROGAR LA ORDENANZA
DE LOS TRANSGÉNICOS
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/ICAREDEROGAR.htm
El Intendente de Bariloche reclamó al Deliberante la derogación de una
ordenanza aprobada hace dos años que obliga a los comercios a identificar los
alimentos transgénicos, que jamás se aplicó. Asegura que la norma
cuestionada "no indica exactamente qué riesgo se intenta prevenir" y
observa que la publicación de transgénicos "se opone a la política adoptada" por
la Argentina en materia alimentaria.



EL ALCA Y LA INDUSTRIA DE LA BASURA
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/basura-alca.html
Óscar René Vargas (*)
La palabra basura ha significado y aún significa, para mucha gente, algo
despectivo, algo que carece de valor y de lo que hay que deshacerse,
de esta manera lo útil, que no siempre necesario, se convierte en un estorbo y
es causa del problema de cómo deshacernos de lo que consumimos.
En el medio rural nunca fue un verdadero problema, pues los residuos
orgánicos seguían el ciclo de la vida sirviendo de abono o de alimento
para animales, los vertidos arrojados a los ríos eran depurados por las
propias aguas, el gran poder depurador de la naturaleza todavía no
había sido derrotado por el ansia de poder del hombre.



LA SOJA TRANSGÉNICA Y EL TRIUNFO DE LA MONSANTO
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/TRIUNFOMONSANTO.htm
"Además de explicitar esas informaciones falsas que han rodeado el tema
de los transgénicos, es nuestro deber comunicar nuestras desconfianzas
con relación a los problemas que la liberación de la soja transgénica va a
producir de forma inmediata. No se trata de problemas remotos e hipotéticos,
sino de problemas claramente discernibles a la luz de hechos de dominio
público".



Los productos deben estar identificados
TRANSGÉNICOS: BRASIL FIJA NUEVAS REGLAS
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/TRANSGEN-BRASIL.htm
El Gobierno de Brasil tomará esta semana una medida que podría complicar
notablemente el comercio de alimentos argentinos en el vecino país. Con el
presidente Lula Da Silva metido de lleno en la discusión, el Gabinete brasileño
definirá nuevas reglas para la identificación de productos que contengan
Organismos Genéticamente Modificados. De la rigidez de esa norma dependerá
cuánto pierde la Argentina.



URUGUAY: ¿NATURAL, O TRANSGÉNICO?
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/OPCIONCRUCIAL.htm
Leonardo de León
El maíz Bt de la transnacional Monsanto es resistente a la plaga Barrenador
del tallo europeo. La Comisión de Evaluación de Riesgos recomienda su
utilización en Uruguay. Lo insólito es que esta plaga no existe en el país.
Se quiere introducir un transgénico para resolver un problema sanitario
que no existe en la agricultura uruguaya.



Entrevista con Tony Clarke
AGUA PARA RICOS: EL NEGOCIO DE LAS TRANSNACIONALES
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/AGUAPARARICOS.html
Mientras crece en todo el mundo la preocupación por el avance a paso
redoblado de las corporaciones transnacionales sobre el agua del mundo,
con el apoyo de estructuras multilaterales globales, también se desarrolla
la resistencia a este "golpe de mano" sobre los recursos naturales.
Clarke es uno de los más conocidos activistas en este tema, y analiza aquí
la importancia del sector industrial de agua embotellada en este contexto
planetario.



LA ARGENTINA Y EL CORRALITO
DE LA SOJA TRANSGÉNICA
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/ARGENT-CORRAL.htm
Por Jorge Eduardo Rulli
El proceso de globalización le impuso a la Argentina en los años 90 un modelo de
producción de transgénicos y de exportación de forrajes. Las consecuencias son
fáciles de advertir, excepto para la inepta y corrompida dirigencia política.
Inmensos territorios vaciados de sus poblaciones rurales, cientos de pueblos en
estado de extinción, cuatrocientos mil pequeños productores arruinados y muchos
más endeudados con los bancos debido a la incorporación de nuevos paquetes
tecnológicos con gran dependencia a insumos, semillas OGM, herbicidas de
Monsanto y carísimas maquinarias de siembra directa.



LA PLAGA DE LOS AGROTÓXICOS
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/AGROTXICOS.htm
Christian Sellés Abonos, pesticidas y plaguicidas químicos son medios empleados
por algunas multinacionales que buscan beneficios elevados a toda costa en los
países pobres donde actúan. El abuso de estos métodos es práctica habitual de
empresas que sólo buscan incrementar la producción, sin tener en cuenta los
problemas de salud que puedan conllevar. La sustitución del modelo de la
agricultura tradicional por modelos agroindustriales intensivos ha dejado
postergado al medio ambiente y a sus habitantes, frente a la pujanza de los
resultados económicos.



TRANSGÉNICOS: SEGURIDAD ALIMENTARIA
O BENEFICIO EMPRESARIAL
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/SEGUR-ALIMENTAR.htm
Íñigo Herráiz
La Cumbre Mundial de la Alimentación en Roma concluía con una clara
apuesta por la biotecnología: "Estamos resueltos -decía la declaración final- a
estudiar, compartir y facilitar el uso responsable de la biotecnología con miras
a hacer frente a las necesidades de desarrollo". Pero, ese "uso responsable" se
había puesto en entredicho en el transcurso de la Cumbre. Las delegaciones de
distintas ONG sacaron a relucir la presencia de alimentos transgénicos
prohibidos en los envíos de ayuda humanitaria a América Latina.



MONSANTO CONTRA LOS AGRICULTORES
http://www32.brinkster.com/grrlaplata/MONSANTOvsAGRIC.htm
Entrevista con Percy Schmeiser
Por Brian Halweil, Danielle Nierenberg y Curtis Runyan
Tradujo: José Santamarta
En la última década, la empresa química Monsanto se ha transformado en una
compañía de biotecnología que proporciona a los agricultores muchos de sus
insumos, desde plaguicidas a semillas. Pero estas semillas, que los agricultores
deben comprar cada año, han sido manipuladas genéticamente para sobrevivir a
dosis de herbicidas químicos producidos por la misma empresa.



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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#341 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Seg, 4 de Ago de 2003 5:49 am
Assunto: Arboles Transgenicos en USA
luizmeira
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
> Desde: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u9727.shtml
>
> 01/08/2003 - 11h48
> EUA realizam experiências com árvores transgênicas
> da agência Lusa
>
> Os Estados Unidos autorizaram a plantação de árvores transgênicas no país,
> com fins científicos, o que tem provocado a crítica de ecologistas.
>
> Até agora, foram feitos 230 pedidos de autorização ao Departamento da
> Agricultura desde 1998 para experiências com essas plantas.
>
> O objetivo dos cientistas é criar árvores que cresçam mais depressa, com
> melhor madeira, produzam colheitas mais abundantes, combatam a poluição e
> sirvam até de sentinelas para detectar ataques com agentes biológicos e
> químicos.
>
> "Não será tão generalizado como a agricultura biotecnológica, mas muito
mais
> destrutivo", disse o ecologista Jim Diamond, da organização Sierra Club.
"As
> árvores são o que resta do nosso ambiente natural e são refúgio de
espécies
> em perigo."
>
> A Sierra Club defende uma moratória à plantação de árvores geneticamente
> modificadas ao ar livre até que a ciência seja melhor compreendida, mas a
> sua posição tem sido ignorada. Temem sobretudo cruzamentos entre essas
> árvores e as naturais, que poderão arruinar a diversidade genética das
> florestas.

#342 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Sex, 8 de Ago de 2003 10:23 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 171 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
livredetransgenicos@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
###########################
POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Número 171 - 08 de agosto de 2003

Car@s Amig@s,


Marcada para a ser realizada entre 4 e 8 de agosto, ficou adiada por mais
pelo menos uma semana a reunião da Casa Civil da Presidência da República
com oito Ministérios, para discutir os últimos detalhes do Projeto de Lei
(PL) sobre o cultivo e a comercialização de transgênicos no Brasil. A meta
inicial do governo era enviar o PL à Câmara dos Deputados até meados de
agosto, para atender a pressões da bancada ruralista no Congresso, e
definir uma posição nacional que fosse válida já para a safra 2003/2004,
que começa a ser plantada em setembro.
Mas, justamente nesse período da semana passada o governo federal dedicou
toda a sua atenção à votação da reforma da Previdência Social no parlamento
e não convocou a reunião. Na prática, esse cancelamento vai atrasar entre
uma e duas semanas o envio do Projeto à Câmara e ultrapassar a data-limite
de 15 de agosto que a Casa Civil havia definido como alvo.
O adiamento foi bom, entre outras razões, porque evita que, ao colocar o PL
no Congresso para debate ao mesmo tempo em que é discutida a reforma da
Previdência, a bancada ruralista, pró-transgênica, tente usar o apoio de
seus membros na votação da reforma como peça de barganha política no PL dos
organismos geneticamente modificados.
Espera-se que a Casa Civil convoque a reunião para algum dia da semana que
se inicia em 11 de agosto. Após as decisões políticas a serem tomadas pelos
Ministros, novamente os técnicos deverão ser consultados para dar a redação
ao PL e outra vez o texto retorna aos Ministros.
Em paralelo, o Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, comprometeu-se
coma  bancada do PT, em reunião realizada no sábado, dia 2 de agosto, a
enviar o PL para apreciação dos parlamentares do partido antes que ele
chegue à Comissão de Agricultura da Câmara.
Esse acordo com os deputados também abre espaço para que todas as entidades
e indivíduos preocupados com os rumos do assunto transgênicos no Brasil
procurem os parlamentares e exijam que eles adotem uma postura de
precaução, não aceitando que o PL seja votado de forma precipitada.
Por ora, boa parte da discussão dos técnicos e dos ministros está centrada
no papel que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio, do
Ministério da Ciência e Tecnologia) deverá ter. E pelo menos três posições
estão em disputa. Todos, entretanto, concordam que a composição da Comissão
precisa ser alterada, para dar
O caráter mais prudente e correto para a CTNBio deveria ser o de que a
Comissão tenha poder de decisão sobre transgênicos sempre que o veredicto
seja o de rejeitar algum pedido de cultivo experimental ou comercial. Se a
CTNBio, por esse novo papel, aceitar algum pedido, então sua decisão
deveria ser apreciada por instâncias dos Ministérios do Meio Ambiente, da
Saúde e da Agricultura.
Com esse caráter, a Comissão teria assegurado o respaldo e os critérios
científicos e legais para cumprir a sua função. Qualquer coisa diferente
disso transforma o órgão em mero carimbador de pedidos de liberação de
transgênicos.
O governo federal tem tudo para aprovar uma boa lei sobre organismos
geneticamente modificados, que atenda aos critérios de segurança e de
precaução com assunto tão polêmicos  aliás, como está registrado em quatro
oportunidades diferentes no Programa de Governo do Presidente Lula.
Essa condição foi demonstrada na própria votação da reforma da previdência,
vencida pelos comandados de Lula. Como a Folha de São Paulo registrou, “ O
governo precisava de 308 dos 513 votos da Câmara dos Deputados para manter
a tributação. Acabou conseguindo 326...”.
Isto significa que se o governo jogar o seu peso, consegue aprovar no
Congresso o PL que quiser
Prevendo que a votação do PL pode se estender além de setembro e ameaçar os
objetivos do lobby pró-transgênicos, já se comenta em Brasília que um grupo
de parlamentares e representantes do agronegócio do Rio Grande do Sul, à
frente o governador do Estado, Germano Rigotto, cogitam de pedir ao
presidente Lula que edite nova Medida Provisória liberando mais uma safra
transgênica. Espera-se que o governo não aceite o pedido, se ele se
configurar, evitando que uma situação emergencial se transforme em permanente.
   ****************************************

Neste número:
1. Fome é questão política, afirma Greenpeace
2. O ativista francês José Bové é solto
3. Peixe fosforescente transgênico de Taiwan levanta preocupações ecológicas
4. Parque do Xingu: Plantio de soja invade reserva
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Casa Familiar Rural adota agroecologia na formação dos jovens

****************************************

1. Fome é questão política, afirma Greenpeace
Para entidade, Vaticano erra ao defender transgênicos, virtual monopólio da
Monsanto
Os recentes pronunciamentos do Vaticano em favor dos transgênicos não
amenizaram em nada a oposição do Greenpeace a essa tecnologia. A Santa Sé,
segundo os ambientalistas, engana-se ao propor o cultivo de alimentos
geneticamente modificados como uma das soluções para a fome no mundo. "O
mundo já produz alimentos suficientes, tanto que temos safras recordes e
fome recorde ao mesmo tempo", argumenta a coordenadora da campanha de
Engenharia Genética do Greenpeace no Brasil, Mariana Paoli.
A fome, segundo ela, é uma questão política e social, e não de tecnologia.
A liberação dos transgênicos, acreditam os ambientalistas, deixaria a
produção de alimentos sob o controle de multinacionais. Nesse cenário, a
maior criticada é a Monsanto, empresa que desenvolveu a tecnologia de
plantas transgênicas. "Mais de 90% das sementes transgênicas plantadas hoje
no mundo são da Monsanto", acusa Mariana. "Não podemos deixar a produção de
alimentos nas mãos de umas poucas empresas." (...)
O Estado de São Paulo, 06/08/03.

2. O ativista francês José Bové é solto
José Bové, o ativista francês que vem se destacando internacionalmente na
luta contra os transgênicos, deixou a cadeia na última semana, após passar
cerca de 40 dias encarcerado por ter participado de um protesto
anti-imperialista e destruído uma loja do MacDonald´s que estava sendo
construída na cidade de Milau, na França.
O juiz que cuida do caso aceitou o pedido de transformar o comprimento de
sua pena na cadeia em “trabalhos que tragam benefícios à comunidade”,
durante seis meses. Bové deverá exercer seu trabalho em uma associação
ligada a Confédération Paysanne, escolhida por ele, continuando assim seu
trabalho sindical.
Para a Via Campesina e outros movimentos sociais a liberdade de Bové foi
considerada uma vitória depois de ampla solidariedade internacional nos
últimos meses, além de representar também uma conquista dos movimentos
sociais frente ao modelo neoliberal que vem perdendo sua credibilidade
frente à opinião pública visto a violência e a pobreza que causada.
Via Campesina, 02/08/03.

3. Peixe fosforescente transgênico de Taiwan levanta preocupações ecológicas
Taipei  Quando o primeiro peixe transgênico, o brilhante “Pérola da Noite”,
chegou ao mercado dois meses atrás, o seu inventor pensou que teria um mar
de lucros.
Mas pelo contrário, a empresa Taikong Corp mergulhou num mar de críticas de
ecologista que dizem que o peixe fosforescente de 5 cm é uma perigo ao
ecossistema da Terra.
Ecologistas europeus tem há meses, protestado contra o peixe geneticamente
engenheirado  injetado com um gene de água vida, e o governo de Cingapura
impediu a importação de milhares deles, disse Fisher Lin, pesquisador da
companhia Taikong, que era um criador de peixes que se transformou em
companhia de biotecnologia.
“É difícil fazer um avanço no campo da engenharia genética, mas é mais
difícil ainda comercializar o produto”, disse Lin.
Ecologistas dizem que se o peixe que agora se torna fosforecente no escuro,
for libertado na natureza, pode provocar um desastre ecológico.
Mas Lin insiste que todos os peixes transgênicos desenvolvidos pela Taikong
são ambientalmente seguros, uma vez que são todos estéreis. (...)
http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/TP298168.htm

4. Parque do Xingu: Plantio de soja invade reserva
Lideranças indígenas do Parque Nacional do Xingu denunciam o avanço das
lavouras de soja nos limites da reserva criada em 1961. As comunidades das
14 etnias convivem com o temor da contaminação por agrotóxicos das águas de
diversos rios que deságuam no Xingu, responsáveis pela sobrevivência de
aproximadamente quatro mil pessoas.
O índio Alupá Kaiabi, da diretoria da Associação Terra Indígena Xingu
(ATIX), revela que a presença das lavouras foi registrada ano passado e,
desde então, vem ampliando em extensão. "No início deste ano, teve um
desmatamento muito, mas muito grande mesmo aqui por perto", revela, ao se
dizer impossibilitado de quantificar a área devastada para o plantio do grão.
Segundo Alupá Kaiabi, até então, o desmatamento na região era comum para a
atividade pecuária. Ele avalia a entrada da sojicultura como uma prática
que deve obedecer critérios capazes de assegurar o direito à terra aos
índios, de forma não predatória. Afirma que as grandes fazendas estão
localizadas nas cabeceiras de rios como o Arraia, Baturi, Culueni,
Curiservo e Suyá Missu.
"Quando chove, a água da chuva arrasta todos os produtos químicos para as
águas dos rios, que acabam formando o Xingu. Os venenos vão todos para a
reserva", contextualiza. Já existem propriedades encostadas nos limites da
reserva, contrariando a legislação.
As lideranças indígenas estão se mobilizando para se manifestar em reunião
ordinária a ser realizada em setembro, no posto Diauarune, no baixo Xingu.
Acreditam que, se for feito um estudo da qualidade da água, a contaminação
será verificada. Estará também na pauta do debate a fiscalização da
reserva, que é de responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai),
mas deficitária por falta de estrutura.
"São os próprios índios que fiscalizam. A Funai está com os veículos
parados, sem manutenção", critica o índio, que denuncia ainda turistas que
visitam a região para a prática da pesca, em pacotes contratados em
pousadas, mas não cuidam de seus resíduos. "É comum ver garrafas de
refrigerante, boiando no rio Xingu".(...)
Gazeta de Cuiabá, 29/07/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Casa Familiar Rural adota agroecologia na formação dos jovens
A Casa Familiar Rural (CFR) do município de São José do Cerrito foi a
primeira do Brasil a adotar a Agroecologia como modelo tecnológico no
processo de ensino/aprendizagem, fato ocorrido ainda no período de sua
criação, em 1997. O estabelecimento destina-se à formação técnica,
humanística e escolar (com ensino reconhecido de 5a a 8a série) aos filhos
de agricultores daquele município.
Os alunos estão se tornando na prática bons referenciais do ponto de vista
técnico, organizativo e até humanístico no município. Além de aprenderem
diversas tecnologias agroecológicas e de colocá-las em prática ainda
durante o processo de formação, eles estão implementando uma série de
projetos inovadores. Trata-se da produção, armazenamento, beneficiamento e
comercialização de feijão e de outros grãos cultivados de forma orgânica. (...)
Eles reúnem todo o feijão produzido pelas famílias dos alunos, efetuam a
limpeza e a secagem, além do empacotamento com a marca “Produtos da
Colônia”. Após é feita a comercialização, que por se tratar de feijão
orgânico, consegue preços que variam de 30% a 40% superiores ao do feijão
convencional.
No próximo ano os alunos e suas famílias passarão a cultivar e beneficiar
na unidade, além do feijão, outros produtos como arroz, milho e trigo. (...)
Outros alunos e famílias estão realizando trabalhos de produção de leite à
base de pasto, além de hortas ecológicas para o consumo próprio.
“Temos verificado que a qualidade de vida das famílias dos alunos tem
melhorado muito. Além da produção de alimentos ecológicos, que atingem
melhor preço, eles estão procurando agregar valor através do
beneficiamento, sem contar na melhora da qualidade de vida com o consumo e
a preocupação geral com a qualidade de água, do solo e do ar”, declarou a
monitora Maria Bottega. (...)
“Com muitas dificuldades iniciais, hoje estamos provando na prática que
viver no meio rural ainda é uma boa opção, tanto do ponto de vista
econômico, ecológico, social e cultural”, declarou a monitora e diretora da
CFR, Maria dos Passos Bottega.
Emater/RS: Agroecologia e Agricultura Familiar, n° 4, setembro de 2001,
pág. 12-13.


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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#343 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Sex, 15 de Ago de 2003 9:12 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 172 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
livredetransgenicos@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 172 - 15 de agosto de 2003

Car@s Amig@s,


A quem interessa a confusão sobre os transgênicos?

A incerteza generalizada sobre a legalidade do cultivo comercial e da
pesquisa com transgênicos no Brasil ganhou um reforço de peso na semana
passada. A aparente liberação proporcionada pela decisão da desembargadora
Selene Maria de Almeida, da 1a Região do Tribunal Regional Federal (TRF) da
Primeira Região, que segundo a conclusão apressada da imprensa nacional
teria dado “ganho de causa” à ação em que a Monsanto e a União pedem o
cultivo da soja modificada geneticamente RR, favoreceu a estratégia
estimulada pela multinacional e autoridades como o Ministro Roberto
Rodrigues, da Agricultura e o governador do Rio Grande do Sul, Germano
Rigotto  os líderes da parcela do lobby pró-transgênicos que bota a cara à
tapa.
Ambos pertencem ao grupo dos que planejam criar uma situação de
contaminação generalizada, de fato, para depois forçar a negociação de uma
nova lei que escancare o Brasil aos OGMs. Mas, ao defenderem o açodamento
como política pública, e eventualmente até uma nova Medida Provisória que
libere a soja para plantio da próxima safra, que começa em setembro agora,
apenas evidenciaram que a contaminação, ao contrário do que antes diziam,
restringe-se ao território gaúcho, o que torna mais fácil a descontaminação.
É bom notar também a sincronia entre a pretensa liberação judicial e a
divulgação ampliada e precipitada que Rodrigues fez do envio ao Congresso
do Projeto de Lei (PL) sobre OGMs que nove ministérios mais a Casa Civil
gestam no interior do governo federal. Na segunda (11 de agosto), o
Ministro vai ao Rio Grande do Sul, em uma solenidade dos que plantam
ilegalmente soja modificada, e de lá avisa que a Casa Civil enviaria o PL
ao Congresso na sexta-feira passada (15 de agosto).
Dois dias depois, em 13/06 a desembargadora divulga a “liberação”, quase um
ano e meio após ter tornado público seu voto no recurso à ação em que o
Greenpeace Brasil e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)
questionam a competência legal da Comissão Nacional de Biossegurança
(CTNBIO, do Ministério de Ciência e Tecnologia) para “liberar” transgênicos.
Aliás, é bom recuperar a nota divulgada pelo Idec, a respeito desse
imbróglio: “a soja RR não está liberada para comercialização e plantio no
Brasil” porque a Monsanto deve cumprir o licenciamento ambiental da RR,
como exige a Resolução 305 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)
e, a própria Constituição da República Federativa do Brasil, que exige
Estudo de Impacto Ambiental para toda atividade potencialmente agressiva ao
meio ambiente.
O Idec também lembra que “a Lei n°. 10.688/03 (convertida da MP n°.
113/03), que liberou a safra da soja ilegal do Rio Grande do Sul de
2002/03, em seu art 5°, reforça isso, ao estabelecer que "Para o plantio da
safra 2004 e posteriores, deverão ser observados os termos da legislação
vigente, especialmente as leis n°. 8974, de 5 de janeiro de 1995, e n°.
8078, de 11 de setembro de 1990 e demais instrumentos legais pertinentes".
Também precisam ser atendidas as Legislações de vigilância sanitária e a
Lei de Agrotóxicos, que exige que qualquer transgênico obtenha na
Coordenação de Fiscalização de Agrotóxicos (CFA, do Ministério da
Agricultura, o Registro Especial Temporário (RET), que a Monsanto não
requisitou. E o glifosato (agrotóxico a ser aplicado na soja RR) ainda não
possui registro para aplicação em soja transgênica, o que torna ilegal
qualquer tipo de utilização para este fim.
Mais: os procuradores federais Aurélio Rios, co-patrocinador da Ação Civil
Pública que impede a comercialização de OGMs, e o presidente da Associação
Nacional dos Procuradores da República, Nicolao Dinolsso afirmaram que é
inócua a decisão da Juíza Selene. Esses a também parecem ser os
entendimentos da Advocacia Geral da União (AGU), que representa a União no
pedido de liberação da RR, junto com a Monsanto..
Os procuradores também fizeram coro com o Idec para lembrar que “os
agricultores que plantarem soja transgênica e utilizarem o herbicida na
parte aérea, assim como os agrônomos que prescreverem o herbicida para este
uso estarão cometendo uma infração à Lei 7802/89 (Lei dos Agrotóxicos) e
poderão responder perante os órgãos de fiscalização e a Justiça”.
Como se não bastasse, o art. 6°. da Lei 10.688/03, diz que "É vedado às
instituições financeiras oficiais de crédito aplicar recursos no
financiamento da produção, plantio, processamento e comercialização de
variedades de soja obtidas em desacordo com a legislação em vigor".
Traduzindo: quem não apresentar aos órgãos de financiamento agrícola a nota
fiscal da compra de semente convencional não terá dinheiro para financiar
sua lavoura.
Se a intenção dos pró-transgênicos foi o de aumentar o clima de incerteza
na semana passada, talvez tenham metido os pés pelas mãos. Apenas
conseguiram adiar de sexta a pelo menos quarta-feira (20 de agosto) o envio
do PL ao Congresso, porque a bancada do PT na Câmara dos Deputados exigiu
de José Dirceu, chefe da Casa Civil, o cumprimento do acordo firmado entre
ambos no dia 2 de agosto. Dirceu prometeu enviar aos parlamentares petistas
o texto do PL antes mesmo de mandá-lo ao Congresso. Com essas duas partes
têm reunião da terça (19), conclui-se que somente a partir do dia seguinte
o Congresso terá o PL.
A quem interessa toda a confusão sobre os transgênicos, criada na semana
passada?

****************************************

Neste número:

1. Governo diz que transgênico segue proibido
2. Transgênicos, só em prateleiras separadas
3. Cultivo de soja transgênica usa herbicida altamente tóxico
4. Agricultura sem agrotóxicos é superior à que usa transgênico
5. Altieri defende moratória para plantio de transgênicos
6. Bush protesta contra a China
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
A Agroindústria Familiar e o Programa Desenvolver

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1. Governo diz que transgênico segue proibido
O cultivo de soja transgênica continua proibido no país, mesmo depois da
decisão judicial que considerou conclusivo o parecer da CTNBio (Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança) que em tese autorizaria o plantio e a
comercialização do produto. "A compreensão de que essa liminar iria isentar
as empresas dos estudos de impacto ambiental é completamente equivocada",
disse ontem a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, por meio de nota da
sua assessoria.
Ontem (13/08), a Folha e outros órgãos de imprensa, a partir de informações
da assessoria de imprensa do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, da
Monsanto e do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor),
informaram que o plantio e a comercialização de soja transgênica estavam
liberados até que o caso fosse julgado pela 5ª turma do TRF.
O advogado-geral da União, Álvaro Ribeiro Costa, concorda que é preciso
preencher outros requisitos antes da liberação da soja transgênica: "A
decisão não altera em nada a lei em vigor. As condições legais exigíveis
persistem a despeito da decisão judicial". Os produtores que insistirem em
plantar soja geneticamente modificada estarão sujeitos à multa de pelo
menos R$ 16.110 e ficarão impedidos de ter acesso a financiamentos oficiais.
Confusão
Anteontem, a juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Selene Maria
de Almeida suspendeu a sentença de primeira instância que desautorizava a
CTNBio a emitir pareceres conclusivos sobre a utilização de organismos
geneticamente modificados. Após a decisão, a assessoria de imprensa do TRF
divulgou uma nota com o título "liberação da soja roundup ready",
informando que, com a decisão, ficava suspensa a sentença de primeira
instância que proibia o cultivo e a comercialização da soja transgênica.
Com base nessa informação, a coordenadora-executiva do Idec (Instituto de
Defesa do Consumidor), Marilena Lazzarini, disse que "a próxima safra vai
começar daqui a quase dois meses". Ontem, divulgou uma nota na qual afirma
que, apesar da notícia veiculada pelo site do TRF, essa soja "não está
liberada para o plantio". O Idec informou ainda que sua assessoria jurídica
só havia chegado a essa conclusão ontem.
A interpretação de que a decisão do TRF liberava o plantio e a
comercialização também foi confirmada pela Monsanto em nota à imprensa.
Também por meio de nota, o Ministério do Meio Ambiente lamentava a
liberação. (...)
Com a liminar da juíza, que tem caráter temporário, pois a questão ainda
não foi julgada, os relatórios da comissão voltam a ter caráter conclusivo.
"A CTNBio vai retomar, de forma normal, uma atribuição dela, prevista em
lei e que estava suspensa por determinação da Justiça", afirmou o
secretário-executivo da CTNBio, Jairon Alcir do Nascimento. Marina insiste
que é preciso ter estudos de impacto ambiental antes de cultivar a soja
transgênica.
Folha de São Paulo, 14/08/2003

2. Transgênicos, só em prateleiras separadas
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou projeto que obriga os
estabelecimentos comerciais a separarem produtos que contêm substâncias
transgênicas. A idéia, apresentada pelo verde Rodrigo Bethlem, foi adotada
recentemente pela União Européia.
O Dia, 09/08/03.

3. Cultivo de soja transgênica usa herbicida altamente tóxico
O herbicida glifosato, ao qual a soja transgênica Roundup Ready® (RR) é
resistente, foi o principal causador de intoxicação no Brasil entre 1996 e
2000, com 11,2% das ocorrências, diz a tese de mestrado pela Faculdade de
Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A matéria
está no sítio do idec na internet..
O herbicida já é amplamente utilizado na cultura tradicional da soja e caso
a soja transgênica seja liberada, aumentará o consumo do glifosato na
agricultura porque ele pode ser usado durante todo o ciclo de vida da soja
RR e não somente no pré-plantio, como ocorre com a soja normal.
Trata-se de um herbicida de amplo espectro usado para eliminar ervas
daninhas. A maioria dos produtos comerciais à base de glifosato possui na
sua composição um surfactante (substância que se adiciona a um líquido para
aumentar as suas propriedades de se espalhar e de molhar por redução de sua
tensão superficial, que auxilia o princípio ativo a penetrar e se manter na
planta). Esse produto usado comumente é mais tóxico do que o próprio
glifosato, e naturalmente a combinação dos dois, ainda mais tóxica.
http://www.idec.org.br/paginas/emacao.asp?id=429

4.  Agricultura sem agrotóxicos é superior à que usa transgênico
O físico Fritjof Capra e cientistas do Brasil e do exterior apresentaram
exemplos da superioridade da agricultura ecológica em relação ao cultivo de
transgênicos durante o evento “Diálogos para um Brasil Sustentável”,
realizado na semana passada, em Brasília, pelo Ministério do Meio Ambiente.
Será uma tentativa de reforçar a posição da ministra Marina Silva, que
defende o princípio da precaução em relação aos alimentos transgênicos. (...)
O encontro reunirá pensadores e cientistas do Brasil e do exterior e foi
estrelado pelo físico Capra, autor do best seller O ponto de mutação/The
Turning Point.
AmbienteBrasil, 13/08/03.

5. Altieri defende moratória para plantio de transgênicos
O professor em agroecologia da Universidade da Califórnia (EUA), Miguel
Altieri, defendeu na terça-feira (12) a moratória no plantio de
transgênicos como uma das formas de fortalecer a agricultura familiar e
combater a fome e a pobreza. Segundo Altieri, um dos maiores especialistas
mundiais no campo da agroecologia, o plantio de transgênicos favorece
apenas à monocultura, prejudicando a diversidade biológica.
Para ele, o cultivo de transgênicos retira da cadeia produtiva milhares de
pequenos agricultores, incapazes de aportar o capital necessário para se
adaptarem a essa tecnologia, como na Argentina, em que o avanço das
culturas transgênicas retirou da cadeia produtiva 60 mil agricultores.
“O desafio histórico do novo Governo brasileiro, das organizações não
governamentais e da comunidade mais ampla de pesquisa agrícola devem dar
novo foco a seus esforços ligados aos agricultores familiares e assumir a
responsabilidade pelo bem estar de sua agricultura”, disse.
AmbienteBrasil, 13/08/03.

6.Bush protesta contra a China
O governo George Bush requisitou à China o fim da proibição às importações
de soja da Cargill e de outras exportadores, ao informar que a medida é
“inaceitável”.
Allen Johnson, assistente do representante americano do Comércio, disse que
“estamos muito surpresos com a medida tomada pela China. As autoridades
chinesas precisam resolver o problema rapidamente, sem afetar o mercado”.
A China, maior importadora mundial de soja, impediu a Cargill, a Bunge, a
unidade Toepfer International da Archer Daniels Midland (ADM), e outras
empresas, de fornecer soja das Américas.
A proibição pode impedir que as importações do país em 2003 alcancem as
estimativas de 18 milhões de toneladas, ou US$ 3,5 bilhões, e segue-se a
atraso no fornecimento de permissões, que está deixando muito navios
atracados, à espera de descarregar os grãos.
O departamento de inspeção de qualidade da China revogou as licenças de
importação, porque encontrou muitas impurezas nos carregamentos, segundo
informou o Departamento Estatal de Grãos do país. Os Estados Unidos, que
produziram US$ 14,8 bilhões de soja no ano passado, são o maior exportador
da commodity para a China, seguido pelo Brasil e a Argentina. (...)
Nos últimos meses, Johnson foi à China para obter a prorrogação de uma
decisão governamental que permite importar soja transgênica. As importações
de soja da China nos primeiros seis meses de 2002 recuaram 35%, em relação
ao mesmo período do ano anterior, devido à preocupação de que a soja
Roundup Ready, da Monsanto, a mais plantada nos EUA, não teria sua
importação aprovada ao chegar ao território chinês. (...)
Gazeta Mercantil, 13/08/03.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
A Agroindústria Familiar e o Programa Desenvolver
O Programa de Desenvolvimento da Agricultura Familiar Catarinense pela
Verticalização da Produção -- DESENVOLVER -- é visa a contribuir com o
desenvolvimento rural sustentável no Estado por meio do assessoramento às
iniciativas de verticalização da produção oriunda da agricultura familiar.
O Desenvolver vem nos últimos três anos apoiando o(a) agricultor(a)
familiar a criar, adaptar e consolidar unidades de beneficiamento e
transformação da produção primária resultante dos trabalho de suas
famílias. São agroindústrias que estão produzindo embutidos, queijos, mel,
geléias, iogurtes, leite, conservas, melado, açúcar mascavo e hortaliças
minimamente processadas. Este apoio acontece em todas as fases do processo.
Trabalhar no dia a dia junto com os agricultores familiares é o objetivo do
Programa. (...)
As ações estão centradas em quatro grandes áreas: 1) Infra-estrutura: Todas
as unidades construídas e acompanhadas pelo Programa possuem um sistema de
tratamento de dejetos sem poluírem o meio ambiente, o que difere das
grandes agroindústrias do estado. Existe orientação para o aproveitamento
de resíduos, evitando a contaminação do meio ambiente e o desperdício. Cada
unidade construída gera em média quatro postos de trabalho temporário.
2) Extensão: Adoção da Agroecologia pelos agricultores e técnicos
envolvidos. Produção de leite orgânico.
3) Controle de qualidade dos produtos: através da utilização de corantes e
conservantes orgânicos no processamento dos produtos. Assessoria no
desenvolvimento de equipamentos adaptados/alternativos. Assessoria no
controle de qualidade da matéria-prima e de seu processamento.
4) Marketing e Comunicação: Elaboração de materiais de propaganda, com os
rótulos que identificam os produtos de origem da agricultura familiar e da
agroecologia.  (...)
Emater/RS: Agroecologia e Agricultura Familiar, n° 4, setembro de 2001,
pág. 18-19.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#344 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Sex, 22 de Ago de 2003 6:53 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 173 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
livredetransgenicos@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Car@s amig@s,

Por favor desconsiderem o Boletim enviado há pouco, com data de 21 de
agosto. Devido a problemas no provedor da lista ele não foi enviado ontem e
desatualizou-se. Hoje, após sua atualização, o provedor enviou a versão
antiga por engano.
Segue agora a versão correta do Boletim 173.

Pedimos desculpas pelo incômodo,
Atenciosamente,
Flavia Londres / AS-PTA.

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 173 - 22 de agosto de 2003

Car@s Amig@s,

Na última terça-feira, 19 de agosto, o Ministro-Chefe da Casa Civil, José
Dirceu, reuniu-se com os núcleos agrário, de meio ambiente e de saúde do PT
para discutir o Projeto de Lei sobre transgênicos que o governo está
elaborando para enviar ao Congresso Nacional.

Na semana passada, apesar da expectativa geral anunciada pela imprensa e
pelo Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de que o PL seria
encaminhado ao Congresso até o dia 15 de agosto, sexta-feira, os
parlamentares do PT conseguiram o compromisso de José Dirceu de que o PL
não seria encaminhado antes de ser apresentado à bancada do partido.

Segundo os deputados que participaram da reunião, vitórias significativas
foram conquistadas. Primeiro, dizem ter conseguido do ministro o
compromisso de não carimbar o PL com o caráter de “urgência urgentíssima”.
Com isso se garante que haverá tempo na Câmara Federal para a realização de
debates, envolvendo inclusive a sociedade civil. Segundo, afirmam que o
ministro garantiu que o governo assumirá uma posição de cautela com relação
aos riscos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente. “O ministro
garantiu que o projeto será muito rigoroso no sentido de que sejam
realizados estudos para proteger o meio ambiente e a saúde dos
consumidores, e disse que serão realizados debates com os parlamentares e
com a sociedade para ajudar a elaborar o texto”, declarou o Deputado Adão
Pretto, um dos coordenadores do Núcleo Agrário do PT, ao jornal O Estado de
São Paulo ao término do encontro.

Sobre a nova reivindicação da Farsul (Federação da Agricultura do Rio
Grande do Sul) e do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, para
que o governo publique uma nova Medida Provisória autorizando o uso de
sementes de soja transgênica na safra 2003/2004, que começa a ser plantada
em setembro/outubro, o Dep. João Alfredo, coordenador do Núcleo de Meio
Ambiente do PT, afirma que o governo não autorizará o plantio. O pedido
resulta da constatação dos sojicultores gaúchos de que o PL não estará
aprovado antes da época de semeadura. Segundo O Estado de São Paulo,
“Dirceu lembrou, durante reunião no Planalto, que há uma lei em vigor,
votada no Congresso, que precisa ser respeitada”. A lei em rigor mencionada
se trata da 10.688, convertida da MP 113, que autorizou a comercialização
da soja transgênica plantada ilegalmente na safra 2002/2003 mas preservou
as restrições ao plantio para as próximas safras.

No mesmo jornal, o Deputado Orlando Desconsi, PT/RS, lembrou que “não há
necessidade de autorizar plantio de soja transgênica neste momento porque o
próprio Ministério da Agricultura, favorável à liberação do produto, já
assegurou que há sementes convencionais suficientes para a atual safra em
todo o País”.

Uma informação importante relatada pelos deputados que não foi divulgada
nos jornais é a de que os parlamentares dos três núcleos petistas ainda
terão uma conversa com o Presidente Lula antes de o PL ser finalizado.
Segundo eles, esta foi uma idéia dada pelo próprio José Dirceu, após ouvir
os argumentos contrários à liberação precipitada dos transgênicos no País.
A reunião com o Presidente Lula ainda não foi agendada.

Neste meio tempo, a bancada do PT pretende ainda reunir-se com todos os
ministros que formam a Comissão Interministerial que, ao longo dos últimos
meses, trabalhou na elaboração do PL, além de organizar duas viagens, à
China e à Europa, para colher mais subsídios sobre o tema.

Pelo que indicam as últimas notícias, o PL não deverá ser encaminhado ao
Congresso antes de setembro. Tanto melhor, se realmente acontecerem os
debates anunciados.

****************************************

Neste número:

1. MPF recorre contra despacho da juíza Selene Maria de Almeida
2. Greenpeace e Idec também recorrem
3. Parceiro de planta transgênica ajuda um fungo letal
4. Argentina, EUA e Canadá reclamam da moratória da UE na OMC
5. Chegou a conta -- Monsanto quer US$ 16 por hectare de soja transgênica
6. Semente transgênica da Monsanto contamina o México e força legalização
7. Recurso contra o milho transgênico no Uruguai
8. Australianos dizem não aos transgênicos
9. Comissão da Assembléia Legislativa aprova projeto que proíbe
transgênicos no Paraná
Experiências agroecológicas mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Agroecologia no Rio Grande do Sul
Evento
Seminário no Vale do Ribeira para discutir “Primeira Terra”

****************************************

1. MPF recorre contra despacho da juíza Selene Maria de Almeida
O Ministério Público Federal pediu, na quinta-feira, a reconsideração da
decisão da desembargadora Selene Maria de Almeida que liberou o cultivo e a
venda de soja transgênica no Brasil.
A procuradora da República no Distrito Federal Deborah Macedo Duprat
interpôs um recurso (agravo regimental) junto ao Tribunal Regional Federal
(TRF) de Brasília para suspender os efeitos da decisão da desembargadora.
A decisão foi publicada no “Diário da Justiça” no dia 12 de agosto. A
medida suspendeu os efeitos de uma sentença da Justiça Federal de Brasília
que proibia o cultivo e a comercialização de organismos geneticamente
modificados. A Monsanto e a União são rés nesse processo.
A procuradora alegou que a competência para suspender a sentença é do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não da desembargadora do TRF. Duprat
também reclamou do fato de a sentença ter sido suspensa por apenas uma
desembargadora do TRF, e não por um colegiado.
Ela também questiona os efeitos dos transgênicos na saúde dos consumidores.
“Enquanto houver a mais remota suspeita da lesividade da soja transgênica à
vida, à saúde e ao meio ambiente, recomenda o bom senso e impõe a
Constituição sejam estes os bens a serem acautelados incondicionalmente”,
disse a procuradora no recurso.
Apesar da decisão de Selene, o governo declarou que não aceitará o cultivo
dos transgênicos pois uma lei deste ano determinou que os agricultores
estão autorizados apenas a escoar a produção de soja geneticamente
modificada até 31 de janeiro do ano que vem. O cultivo, segundo o governo,
está proibido.
Valor Econômico, 22/08/03.

2. Greenpeace e Idec também recorrem
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a organização
não-governamental Greenpeace também recorreram da decisão da desembargadora
Selene Maria de Almeida, que suspendeu a sentença que proibia o cultivo e
venda de soja transgênica no país. A juíza deu parecer favorável ao pedido
de anulação, feito pela Monsanto, dos efeitos da sentença até que o caso
seja julgado.
“O ecossistema e a saúde da população são mais importantes do que os
prejuízos das multinacionais”, argumenta a coordenadora do departamento
jurídico do Idec, Dulce Pontes, referindo-se aos prejuízos que a sentença
causou à multinacional e sua subsidiária Monsoy. “Não faz sentido liberar
os transgênicos até que o tribunal se pronuncie”, faz coro a coordenadora
de campanha do Greenpeace, Mariana Paoli. Não há prazo para que tribunal
analise os recursos.
As duas entidades, contudo, defendem a tese jurídica de que a sentença da
desembargadora não liberou o cultivo de transgênicos no país. O argumento
tem respaldo na lei que define os OGMs como uma atividade potencialmente
poluidora e passiva de Estudo de Impacto Ambiental. Ao aprovar a soja
Roundup Ready, da Monsanto, a CTNBio dispensou o estudo, baseada na lei de
biossegurança.
Valor Econômico, 22/05/03.

3. Parceiro de planta transgênica ajuda um fungo letal
Num momento em que reina a confusão no Brasil sobre a liberação da soja
transgênica Roundup Ready da Monsanto, mais um estudo esquenta a discussão
sobre vantagens e benefícios desse tipo específico de planta, modificado
para ganhar resistência ao herbicida glifosato. A pesquisa foi realizada
com trigo, e não com soja, mas seus resultados são preocupantes.
Pesquisadores a serviço do governo do Canadá descobriram que o glifosato
favorece a proliferação de um fungo tóxico, que devasta plantações. O fungo
pertence ao gênero Fusarium, que produz toxinas capazes de matar homens e
animais. Isto é, o agricultor troca um problema por outro. Ele planta o
trigo transgênico resistente ao glifosato para poder usar mais herbicida e,
assim, se ver livre de ervas daninhas, mas passa a ter dores de cabeça com
outra praga, potencialmente mais perigosa. Por enquanto, só há resultados
de laboratório e não dá para tirar conclusões precipitadas, mas o assunto
deveria ser acompanhado com atenção.
O Globo, 18/08/03.

4. Argentina, EUA e Canadá reclamam da moratória da UE na OMC
Os EUA, Argentina e Canadá justificaram ontem o pedido à Organização
Mundial do Comércio para que seja criada uma comissão de arbitragem que
resolva a disputa com a UE em tomo dos alimentos transgênicos devido à
persistência da moratória de Bruxelas sobre esse tipo de organismos e
produtos derivados.
“A existência da moratória está fora de toda dúvida: a Comissão Européia
não admitiu a aprovação de um só produto transgênico em quase cinco anos",
denunciou hoje a embaixadora dos Estados Unidos na OMC, Linnet F. Deiley,
acrescentando que mais de trinta produtos do tipo foram afetados por essa
medida.
Além disso, seis países membros da União Européia "mantêm a proibição de
importar e comercializar certos produtos transgênicos, embora a própria UE
tenha autorizado antes de aplicar sua moratória", denunciou também a
embaixadora.
O embaixador do Canadá, Sergio Marchi, citou a França, a Grécia, a Áustria
e a Itália como países que continuam proibindo a nível nacional a
importação, comercialização e venda de transgênicos aprovados por Bruxelas
antes de outubro de 1998. A moratória européia e as proibições particulares
dos Estados membros restringiram as importações de produtos agrícolas e
alimentícios americanos.
Jornal do Commercio, 19/08/03.

5. Chegou a conta -- Monsanto quer US$ 16 por hectare de soja transgênica
Após estimular o contrabando de sementes transgênicas de soja, a
multinacional Monsanto mostra suas garras, cobrando dos produtores gaúchos
royalties de US$ 16 por hectare plantado com sua semente RR.
O Dia-RJ, 20/08/03.

6. Semente transgênica da Monsanto contamina o México e força legalização
Às vésperas da 5ª reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio,
EUA promovem invasão de sementes de milho transgênico no México
Ativistas do Greenpeace bloquearam a passagem de um trem de carga que
transportava milho norte-americano, na fronteira do México com os EUA, como
resposta às recentes evidências de que os EUA estão enviando grãos
transgênicos ao país, desrespeitando acordos internacionais e ameaçando a
biodiversidade e a saúde da população mexicana. Ativistas se dependuraram
no eixo dos trilhos do trem sob a ponte do Rio Grande, que faz fronteira
com os EUA, enquanto representantes do Greenpeace negociavam com
autoridades governamentais mexicanas a proibição da importação de milho
transgênico norte-americano para o México.
Análises científicas feitas por um laboratório americano independente
demonstraram que quase um terço das amostras de milho provenientes dos EUA
coletadas no México contém variedades transgênicas da gigante de
biotecnologia Monsanto. O Protocolo de Cartagena, tratado internacional
acordado em janeiro de 2000, estabelece claramente que os países precisam
agir para prevenir os efeitos adversos das plantações geneticamente
modificadas sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.
"Os mexicanos estão sendo forçados a engolir a destruição da nossa fonte de
alimento número um, assim como da saúde e do ambiente em que vivem pessoas
que dependem dela. Isso porque os governos ao redor do mundo, ao não se
manifestarem, permitem que os EUA os pressionem em favor dos interesses de
suas empresas de biotecnologia e de seus próprios interesses comerciais",
disse a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace
México, Liza Covantes.
Nos EUA, a Monsanto não pode cultivar sua variedade geneticamente
modificada de algodão no sul da Flórida, devido à preocupação de que ela
pode contaminar outras espécies. Porém, os EUA e a multinacional seguem
depositando seu milho transgênico no México, que é o centro da origem da
espécie, que tem centenas de variedades selvagens. O milho é hoje um dos
três mais importantes produtos cultivados no mundo. Pesquisas científicas
recentes realizadas nos EUA descobriram que genes de safras transgênicas
poderiam rapidamente dominar aquelas presentes em seus parentes selvagens.
(...)
Os governos ao redor do mundo estão permitindo que as grandes empresas
atuem sob as regras comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC), e
forcem a entrada de safras transgênicas (como o milho geneticamente
modificado) em países pequenos - que são incapazes de proteger a saúde de
sua população e seu meio ambiente, a não ser por meio de acordos
internacionais. Os EUA já utilizaram regras da OMC para obrigar países como
o Sri Lanka e a Bolívia a aceitar alimentos transgênicos, e atualmente
querem forçar a Europa a aceitar os produtos transgênicos de suas
multinacionais.
No 5º encontro ministerial da OMC, que será realizado no México em
setembro, o país anfitrião e outras nações devem apoiar os tratados já
existentes, para garantir que o Protocolo de Biossegurança prevaleça sobre
os interesses corporativos.
Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, 19/08/03.

7. Recurso contra o milho transgênico no Uruguai
Um recurso judicial solicitando a suspensão da autorização governamental
para a introdução das sementes de milho transgênico produzidas pela
multinacional Monsanto foi apresentado no dia 01/08/03 à justiça Uruguaia
por Carlos Abin, membro da direção do Instituto do Terceiro Mundo,
representando a Associação de Produtores Orgânicos do Uruguai.
Recentemente, o governo uruguaio -- mediante a resolução dos Ministérios de
Pecuária, Agricultura e Pesca e de Economia e Finanças -- autorizou a
introdução no país do milho transgênico MON 810, conhecido como “milho Bt”,
contra a opinião da Faculdade de Agronomia, das associações de produtores
agropecuários e da maioria dos deputados de quatro dos cinco partidos
políticos do país. Esta resolução também ignorou as recomendações da
Direção Nacional de Meio Ambiente do Ministério de Habitação, Urbanismo e
Meio Ambiente, que estabelecia algumas restrições, mecanismos de controle e
medidas de precaução e proteção.
O recurso solicita da justiça que torne o decreto que autoriza importar,
plantar e vender o milho Bt sem efeito até que sejam realizados os estudos
científicos, as provas e os testes correspondentes e seja estabelecida com
certeza a inexistência de impactos negativos sobre o meio ambiente, saúde e
higiene pública, direitos dos consumidores, comércio exterior de
alimentação e a imagem internacional do Uruguai como país produtor de
alimentos naturais. (...)
www.biodiversidadla.org, 14/08/03.

8. Australianos dizem não aos transgênicos
Quase metade dos produtores rurais da Austrália se negam a cultivar
alimentos geneticamente modificados, desenvolvidos pela Bayer e outras
fabricantes, em parte devido ao temor que a resistência dos consumidores
limite o acesso aos mercados.
Segundo estudo da Market Attitude Research, cerca de três entre quatro
produtores rurais do segundo maior exportador mundial de canola se recusam
a cultivar alimentos transgênicos. Porém 57% dos entrevistados disseram que
podem mudar de idéia caso os obstáculos comerciais e a resistência dos
consumidores sejam vencidos.
A Monsanto, maior empresa produtora mundial de sementes transgênicas, quer
se unir à Bayer para obter a aprovação federal para a venda na Austrália de
sementes de canola geneticamente modificada. A maioria dos estados
australianos seguiu o exemplo da União Européia (EU) e proibiu tais
plantações. Segundo produtores rurais dos Estados Unidos, tal medida lhes
custou US$ 1 bilhão em prejuízos com vendas perdidas, no período de cinco
anos. (...).
Gazeta Mercantil, 22/85/03.

9. Comissão da Assembléia Legislativa aprova projeto que proíbe
transgênicos no Paraná
O Projeto de Lei 307/03 que veda a produção, o transporte e o comércio de
transgênicos no Paraná e cria o Conselho Técnico Estadual de Biossegurança
foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia
Legislativa em 19 de agosto. Agora, ele segue para a Comissão de
Agricultura e em seguida para a Comissão de Finanças.
O projeto havia sido apresentado pela bancada do PT no final de maio. Para
o deputado Elton Welter, presidente do Bloco Parlamentar Agropecuário e
integrante da CCJ, esta legislação garantirá mercado à soja paranaense, uma
vez que muitos países compradores rejeitam o produto transgênico.
Assessoria do gabinete do Dep. Elton Welter, 19/08/03.

Experiências agroecológicas mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Agroecologia no Rio Grande do Sul
Insatisfeitas com a forma de vida e o retorno financeiro que estavam
obtendo no meio rural, seis famílias de pequenos agricultores de Cândido
Godói, em 1995, buscaram na Agroecologia uma alternativa para sua
sobrevivência. Com o apoio da Emater/RS, o grupo começou a produzir
alimentos sem o uso de agrotóxicos para sua subsistência. Em pouco tempo,
porém, mercados consumidores para os produtos começaram a surgir em todo o
estado. Hoje, o grupo produz ecologicamente soja, trigo, milho, citrus,
pêssego, cana-de-açúcar, amendoim e rapadura. Os produtos são vendidos
semanalmente em feiras ecológicas de Porto Alegre e em exposições e
eventos. Entre as técnicas utilizadas pelos agricultores estão a rotação e
diversificação de culturas, adubação verde e orgânica, compostagem e
receitas alternativas para o controle de pragas e doenças. A partir deste
grupo, foi organizada uma cooperativa, a Cooperal, que hoje reúne 26 famílias.
30 experiências em Agroecologia e Participação Popular, Emater/RS,
setembro/2002.

Evento
Seminário no Vale do Ribeira para discutir “Primeira Terra”
Para discutir alternativas e participar do “Primeira Terra”, programa do
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), além de planejar sua atuação
organizada, jovens rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na
Agricultura Familiar (Fetraf-Sul/CUT) vêm realizando cerca de 20 encontros
microrregionais nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
que já reuniram mais de cinco mil pessoas em torno dessas atividades.
É o caso do seminário que acontecerá em Rio Branco do Sul, região do Vale
do Ribeira paranaense, nos dias 26 e 27 de agosto. Promovido pelo Sindicato
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) de Itaperuçu, em
parceria com a Emater-PR, o Sistema Cresol, a Fetraf-Sul/CUT e o Deser, ele
vai reunir jovens rurais das regiões metropolitana de Curitiba e Vale do
Ribeira.
Informações:
(41) 603-2895 ou (41) 9972-4559, com Zeni Ribas (Sintraf Itaperuçu);
(41) 9103-0409, com Joaquim Hausis (Rio Branco do Sul);
(49) 324-7768, com Severine Macedo (Fetraf-Sul/CUT).

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em
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solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#345 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Qua, 24 de Set de 2003 9:13 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] URGENTE: E-MAILS JOSE ALENCAR
livredetransgenicos@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2003

EMAILS URGENTES PARA JOSÉ ALENCAR
O Vice-Presidente da República manifestou ao longo do dia 24 ressalvas
quanto à possibilidade de assinar a Medida Provisória de liberação da soja
transgênica. Precisamos expressar nosso apoio a ele enviando a Alencar, ao
Presidente Lula e aos Ministros das áreas correlatas mensagens de repúdio
aos transgênicos.
Seguem o texto de repúdio e os emails

          Não há qualquer fundamentação concreta -- além do lobby da
Monsanto e do ministro Roberto Rodrigues -- que justifique tamanho
desrespeito à legislação vigente no País, às decisões judiciais em vigor e
à população brasileira que acreditou nos compromissos assumidos por Lula
durante sua campanha eleitoral em que prometeu que, no governo, trataria
desse tema com a devida cautela e garantindo a participação da sociedade.

          Pedimos uma campanha maciça e urgente de envio de mensagens a
todos os envolvidos no problema, presidente e seus ministros. Seguem abaixo
os endereços eletrônicos para o envio e uma sugestão de texto.

          Contamos com a mobilização de todos, pois o momento é dramático!

**********************************************

Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2003

V. Exa. Sr. Vice-Presidente da República José Alencar
Excelentíssimos Sr(a)s. Ministro(a)s de Estado,

Venho por meio desta solicitar a suspensão imediata do envio de Medida
Provisória ao Congresso Nacional para nova liberação de transgênicos no
Brasil até que este assunto, de extrema importância e gravidade, seja
apropriadamente debatido com os opositores dessa idéia que necessitam, tal
e qual os seus defensores, terem a oportunidade de exporem a V. Exa. e aos
Sr(a)s Ministro(a)s seus argumentos, de forma igualitária -- critério que
deve nortear todo governo minimamente democrático.

Ressalto que em nenhum país há estudos que comprovem a segurança desses
organismos geneticamente modificados para a saúde dos consumidores e para o
ambiente, e que esta liberação atenta contra a soberania alimentar dos
brasileiros e contra a economia do Brasil, que tem alcançado sucessivos
superávits de sua pauta de exportação devido justamente ao fato de o País
ser reconhecido nos mercados internacionais como livre de transgênicos.

Reitero, ainda, que até a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) afirma, em documento pública e amplamente divulgado em 02 de
setembro de 2003, que: “A Embrapa está consciente de que praticamente
inexistem pesquisas conclusivas sobre os riscos para a saúde dos
consumidores que venham a ingerir alimentos geneticamente modificados, bem
como de que não há ainda no País pesquisas conclusivas sobre os riscos
decorrentes da liberação de OGMs no meio ambiente, o que deve ser estudado
caso a caso”.

Faço questão de também expressar a minha confiança em que o governo não
trairá os compromissos assumidos durante a sua vitoriosa campanha quando
assumiu, em quatro momentos de seu Programa de Governo, o compromisso de
adotar na análise do problema dos transgênicos o princípio científico da
Precaução.

Sem mais,
(nome).

Para:
vpr@...
presidente@...

Com cópia para:
josedirceu@...
lassane@...
marina.silva@...
gabinetemj@...
gabmin@...
gm@...
gabmin@...
gm@...
gabmin@...
luiz.nelsis@...
mesa@...
graziano@...

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Campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos"

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#346 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Sex, 17 de Out de 2003 10:07 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 181 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
livredetransgenicos@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Número 181 - 17 de outubro de 2003

Car@s Amig@s,

O Governo Federal está preparando mais uma bomba visando à liberação dos
transgênicos no Brasil.

Na última quarta-feira (15/10), o Presidente Lula convocou todos os
ministros (*) que compõem a Comissão Interministerial criada para elaborar
o projeto de lei do governo sobre biotecnologia e biossegurança para
definir a versão final do texto a ser encaminhado em breve ao Congresso
Nacional.

Segundo informações dispersas em diversos veículos da imprensa, o PL
apresentado por Lula não é o mesmo preparado pela Comissão Interministerial
ao longo dos últimos quatro meses. É uma espécie de montagem, cheia de
problemas técnicos, que pretende facilitar de maneira inaceitável a
liberação de transgênicos no País.

Segundo também divulgado pela imprensa, Lula deu um prazo de até
terça-feira da próxima semana (quando haverá nova reunião) para os
ministros opinarem sobre este texto.

A Folha de São Paulo de 16/10 informou que o PL apresentado por Lula
recebeu tarja de “reservado”. A Agência Brasil informou em 15/10 que “o
encontro foi fechado e nenhum ministro falou após a reunião”.

Lula baixou, nesta reunião, uma “lei da mordaça”, proibindo todos os
ministros e assessores presentes de se pronunciar sobre o assunto. Não só
não podem divulgar o conteúdo deste PL, como não podem fazer qualquer
comentário a respeito.

Fica difícil entendermos o que leva o Presidente Lula a assumir postura tão
autoritária e parcial, assim como é difícil aceitar que os ministros se
submetam a este procedimento.

Diante deste acontecimento, mais uma vez conclamamos a todos a se
manifestarem e pressionarem o governo federal (Presidente e ministros) para
que este absurdo não seja levado adiante e que, ao contrário, Lula retome
seus compromissos de campanha e promova um debate amplo e democrático para
a elaboração deste PL, que é de interesse de toda a população brasileira.

Para participar, envie mensagens para os seguintes endereços eletrônicos:

Para:
vpr@...
protocolo@...
pr@...

Com cópia para:
josedirceu@...
secom@...
lassance@...
marina.silva@...
gabinetemj@...
gabmin@...
gm@...
gm@...
gabmin@...
luiz.nelsis@...
mesa@...
graziano@...

As mensagens podem ser do seguinte teor:

Excelentíssimo Sr. Presidente da República,
Sr. Luiz Inácio Lula da Silva,
Excelentíssimos Senhores Ministros de Estado,

Não posso acreditar que o Governo brasileiro vá se render às pressões da
multinacional Monsanto e do governo americano que querem, a todo custo, que
o Brasil autorize, de forma rápida e desregulamentada, o uso de produtos
transgênicos na sua agricultura.

Confio que o Presidente Lula irá retomar seus compromissos de Campanha,
notadamente aqueles expressos em seu Programa de Governo nas páginas 12 e
28 do Caderno “Meio Ambiente e Qualidade de Vida”, na página 22 do Caderno
“Vida Digna no Campo”, e nas páginas 50, 87 e 92 do Caderno “Fome Zero”, e
assim garantir o respeito ao Princípio da Precaução, não permitindo que
produtos transgênicos sejam liberados no País antes que estudos
independentes garantam sua segurança para a saúde da população e para o
meio ambiente.

Sr. Presidente, quando o elegemos, elegemos um programa de governo que deve
ser respeitado, e não esquecido.

Exijo que a condução deste tema pelo Governo Federal se dê de forma aberta
e democrática, permitindo inclusive a participação da sociedade brasileira
no debate -- que foi mínima até o momento.

Exijo que o PL a ser apresentado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo
seja ainda objeto de discussão pública e responda aos anseios da sociedade
brasileira, que pede mais cautela sobre o tema.

Cordialmente,
(nome).

(*) Participaram da reunião com Lula os ministros José Dirceu (Casa Civil),
Roberto Rodrigues (Agricultura), Marina Silva (Meio Ambiente), Miguel
Rosseto (Desenvolvimento Agrário), Humberto Costa (Saúde), Márcio Tomás
Bastos (Justiça), Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia), Luiz Fernando
Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Luiz Dulci
(Secretário Geral da Presidência da República) e o Advogado Geral da União,
Álvaro Ribeiro da Costa.

N.E.: Veja os cadernos (acima citados) que compõem o Programa de Governo do
PT no site http://200.155.6.3/site/arquivos/documentos.asp

********************************************

Aprovada a Lei que proíbe o cultivo e o comércio de transgênicos no estado
do Paraná

Foi aprovada nesta terça-feira (14/10) a Lei estadual do Paraná que proíbe
o cultivo, a manipulação, a industrialização e a comercialização de
organismos transgênicos destinados à produção agrícola e à alimentação
humana e animal no estado do Paraná, exceto para fins de pesquisa científica.

A Lei também proíbe a utilização do Porto de Paranaguá para a exportação e
a importação de produtos transgênicos.

Vale lembrar que o Paraná é o segundo estado maior produtor de soja do País
e o maior exportador nacional do produto, sendo cerca de 80% de suas
exportações dirigidas ao mercado europeu.

Vale lembrar também que o Porto de Paranaguá é o principal porto graneleiro
da região Sul, que costuma exportar boa parte da produção gaúcha de soja.
Sem dúvida, a proibição da exportação de transgênicos pelo porto será mais
um problema a ser enfrentado pelos produtores do Rio Grande do Sul que
optarem pelas sementes transgênicas este ano.

O projeto de lei foi aprovado por 36 votos contra 12, após quatro horas de
disputa e discussões no Plenário da Assembléia Legislativa. As galerias do
edifício passaram a tarde tomadas por integrantes de movimentos populares,
pequenos agricultores e ONGs que apoiavam a proposta.

Antes da votação, a proposta original havia sofrido alterações na Comissão
de Constituição e Justiça, onde foi retirada a proibição do transporte de
transgênicos pelo território paranaense.

Outra alteração importante determinou que a proibição aos transgênicos, que
entra em vigor na data da publicação da lei no diário oficial, valerá por
três anos, até 31 de dezembro de 2006. Ou seja, trata-se em verdade de uma
moratória aos transgênicos e espera-se que, ao longo deste período,
desenvolvam-se pesquisas que possam indicar com mais segurança os reais
impactos destes produtos sobre o meio ambiente e a saúde humana.

A nova Lei também cria o Conselho Técnico Estadual de Biossegurança -
CTEBio, a quem caberá, dentre outras atribuições, autorizar e fiscalizar
todas as atividades envolvendo organismos geneticamente modificados no estado.

Outro fato importante a se observar é que a aprovação da nova lei estadual
reforça o isolamento do Rio Grande do Sul como único estado “produtor” de
soja transgênica. Santa Catarina já havia aprovado, em 2002, uma lei
estadual semelhante à do Paraná, proibindo o cultivo comercial de
transgênicos por cinco anos. E, conforme esclarece o Ministério Público
Estadual de SC, a lei estadual se sobrepõe à Medida Provisória 131, que
liberou o plantio de sementes de soja transgênica na safra 2003/04, ou a
qualquer legislação federal que se venha a aprovar liberando os transgênicos.

Agrega-se à questão legal o fato de que a soja é uma planta altamente
sensível ao fotoperíodo (horas de luz por dia), portanto, altamente
sensível a mudanças de latitude. Ou seja, a soja adaptada à Argentina pode
produzir relativamente bem nos estados do Sul do Brasil, mas seria um
desastre no Centro-Oeste ou no Norte. Como as sementes transgênicas
plantadas no Brasil foram contrabandeadas da Argentina, é altamente
improvável que ela tenha se espalhado por outras regiões -- ao contrário do
que afirmam o Ministério da Agricultura (que não fez o levantamento da
produção de transgênicos na safra 2002/03, conforme sua atribuição) e o
governador do RS, Germano Rigotto.

O governador do Paraná, Roberto Requião, comemorou a aprovação da Lei. Em
declaração à Agência Estadual de Notícias do PR em 14/10, ele afirmou que
“não se trata de uma postura fundamentalista, nem de intransigência. Pesam,
também, fortes razões comerciais”. E acrescentou: “Isso é mais lucro, mais
desenvolvimento e mais renda para o nosso estado. Espero que o governo
federal declare, agora, o Paraná como área livre de transgênicos, já que
essa é a vontade do nosso povo, expressada pela maioria dos seus
representantes na Assembléia Legislativa”, referindo-se ao dispositivo da
MP 131 que dá ao Ministério da Agricultura a atribuição de excluir dos seus
efeitos os estados que não produzem soja transgênica.

********************************************

Uma outra agricultura é possível - organizações do campo promovem Mutirão
da Agroecologia em Ponta Grossa - PR

Quatro variedades crioulas de milho, vinte e três de feijão, seis de arroz,
três de batatinha, oito de mandioca, além de hortaliças e árvores
frutíferas, serão plantadas entre os dias 17 e 18 de outubro, na área
anteriormente usada pela Monsanto para experimentos transgênicos, no
município de Ponta Grossa, no Paraná.

Trata-se do Mutirão da Agroecologia, do qual participarão cerca de 200
agricultores vinculados às organizações promotoras da Jornada Paranaense de
AgroEcologia (ver site www.jornadadeagroecologia.com.br), cujo último
encontro aconteceu entre os dias 7 e 10 de maio deste ano em Ponta Grossa.
Na ocasião, agricultores queimaram uma das plantações de milho da Monsanto,
em protesto contra a introdução de organismos geneticamente modificados na
agricultura brasileira. No dia 16 de maio, a área foi ocupada por
trabalhadores rurais.

Além das lavouras, da horta e do pomar, também será dado início à
recomposição da mata ciliar do rio que corta a região e da reserva de mata
legal com espécies nativas.

O principal objetivo do Mutirão é demonstrar que é possível um novo modelo
de agricultura, que respeite o meio ambiente e a saúde e que garanta a
soberania alimentar do Brasil.

As organizações também lançarão, durante o evento, a proposta de
transformação da área num centro de formação e prática agroecológica.

Veja a programação de atividades do Mutirão no site
http://www.jornadadeagroecologia.com.br/news_detail.asp?cod=296

Informações:
José Maria Tardin - AS-PTA: (42) 9975-0355
Darci Frigo - Terra de Direitos: (41) 232-4660
Joaquim E. Madruga - Jornada Paranaense de Agroecologia: (41) 9148-6880

********************************************

Está sendo criada no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Mista em
Defesa da Biossegurança e pelo Princípio da Precaução (FPBio).

Está circulando na Câmara e no Senado um “Termo de Adesão” à Frente, que já
foi assinado por diversos deputados e senadores de diferentes partidos.

A Frente será lançada na próxima quarta-feira (22/10), às 9:00 horas, no
Plenário 8 do Anexo II da Câmara dos Deputados (corredor das Comissões).

******************************************************

Neste número:

1. Transgênico prejudica ambiente, diz estudo inglês
2. Santa Catarina proíbe cultivo de transgênicos
3. Empresas americanas tentaram mentir sobre produtos geneticamente
modificados, diz a União Européia
4. Agora, RS pressiona por uso de agrotóxico
5. Caramuru Alimentos testa varejo e decide lançar óleo não-transgênico
6. Gabeira: “Houve retrocesso em relação a FH”
7. Para Embrapa, transgênico carece de estudo
8. Cresce prejuízo da Monsanto
9. Deputado coleta assinaturas para CPI dos transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
A democracia das águas -- Safra recorde, de água

******************************************************

1. Transgênico prejudica ambiente, diz estudo inglês
O jornal britânico “The Guardian” estava certo quando adiantou, há 15 dias,
os resultados dos maiores estudos de campo sobre os efeitos ambientais de
alguns organismos geneticamente modificados: pelo menos em dois (canola e
beterraba) dos três casos específicos estudados, eles prejudicam a vida
selvagem. No caso do milho, há benefício, mas já se discute se esse
resultado particular pode se considerado válido.
Uma bateria de oito artigos foi publicada ontem pela revista científica
“Philosophical Transactions B” (www.pubs.royalsoc.ac.uk/FSEresults), da
Real Sociedade, a academia de ciências do Reino Unido. São 138 páginas de
informações técnicas colhidas em 60 campos de cultivo espalhados por aquele
país, um projeto que custou 6 milhões de libra esterlinas (cerca de US$ 9,6
milhões).
Todos os três vegetais estudados eram resistentes a herbicidas: a canola e
a beterraba são imunes ao glifosato (a mesma substância associada com a
soja transgênica brasileira) e o milho é resistente ao glufosinato. Ou
seja, seu DNA foi enxertado com genes antes inexistentes nas espécies para
que os vegetais passassem a tolerar esses dois venenos de plantas, cuja
função é matar ervas daninhas.
Graças à resistência assim adquirida pelos vegetais, os campos podem ser
tratados com os herbicidas mesmo quando as plantas de cultivo já emergiram.
O veneno só mata as ervas daninhas.
Os estudos investigaram unicamente o efeito dos três sistemas transgênicos
sobre as populações de ervas daninhas e de invertebrados (insetos e lesmas,
por exemplo) nos campos e na sua vizinhança. Elas foram comparadas com as
de terrenos de mesmo tamanho e no mesmo local, nos quais as mesmas culturas
foram plantadas pelo método convencional (ou seja, variedades
não-transgênicas).
Não foram, portanto, examinados outros efeitos atribuídos aos transgênicos,
como danos para a saúde humana e poluição genética (transferência dos
transgenes para outros organismos).
Verificou-se, como seria de esperar, uma população diminuída de ervas
daninhas nos campos de canola e beterraba. Mais que isso, sobraram 20%
menos sementes de ervas na terra depois da colheita. Isso quer dizer que a
quantidade dessas ervas tende a diminuir nas gerações seguintes, afetando
populações de outros organismos que delas se alimentam, como insetos,
caracóis e passarinhos.
No caso do milho, o efeito foi oposto: cresceu a população de ervas.
Adversários dos transgênicos já criticam esse resultado, alegando que o
plantio convencional de milho usado para comparação foi tratado com um
produto muito agressivo, a atrazina, que está para ser banido na UE.
Folha de São Paulo, 17/10/03.

2. Santa Catarina proíbe cultivo de transgênicos
O cultivo de transgênicos está proibido em Santa Catarina. Na quarta-feira
(9), durante reunião na sede da Secretaria de Estado da Agricultura, em
Florianópolis (SC), representantes do Ministério Público de Santa Catarina
entregaram ao secretário Moacir Sopelsa parecer no qual o órgão defende o
cumprimento da Lei Estadual 12.128, de 15 de janeiro de 2002, que proíbe
por cinco anos o plantio e comercialização de transgênicos.
Com isso, a aplicação da Medida Provisória nº 131, editada recentemente
pelo governo federal, não pode se sobrepor à lei estadual, a menos que a
Justiça assim o determine. "A briga promete ser grande", comenta o
secretário Sopelsa.
Segundo ele, com base no parecer do Ministério Público de Santa Catarina, a
Secretaria irá buscar uma orientação junto à Procuradoria Geral do Estado
para saber como agir daqui para a frente. "Por enquanto nós vamos cumprir a
nossa lei. Não somos contra a posição do governo federal, mas queremos
obedecer o que diz a nossa lei estadual", afirma Sopelsa, sem esconder as
dúvidas que ainda cercam a polêmica dos transgênicos em território
catarinense.
De acordo com o parecer assinado pelo procurador de Justiça Jacson Corrêa,
e pelo promotor de Justiça Fábio de Souza Trajano, ambos do Centro de Apoio
Operacional do Consumidor do Ministério Público do Estado, "permanecem
proibidos o cultivo e o plantio de qualquer organismo geneticamente
modificado no território catarinense, por expressa disposição da Lei
Estadual n.º 12.128/02". (...)
Diário Catarinense, 12/10/2003.

3. Empresas americanas tentaram mentir sobre produtos geneticamente
modificados, diz a União Européia
Ontem (13/10), em Londres, a comissária da União Européia para o
meio-ambiente, Margot Wallstrom, disse a jornalistas que as companhias de
biotecnologia americanas mentiram para a Europa, tentando forçar a
introdução de plantas geneticamente modificadas. "Essas companhias dizem
que os produtos geneticamente modificados vão salvar a humanidade da fome,
mas o que elas tentam fazer é matar a fome de seus acionistas", destaca
ela. (...)
A comissária, uma sueca de 49 anos que normalmente é muito comedida em suas
palavras, lamentou a crise entre Europa e os Estados Unidos relacionada aos
produtos geneticamente modificados, que levou o governo dos Estados Unidos
a processar na OMC as nações européias por demorarem na liberação dos
transgênicos.
Os comentários de Margot Wallstrom aumentam a temperatura política antes da
publicação, na próxima quinta-feira, de pesquisas científicas que talvez
venham a mostrar que cultivos geneticamente modificados constituem um
perigo para o meio-ambiente, o que pode levar à proibição destes produtos.
Durante um almoço com os jornalistas, a comissária falou sobre as
preocupações legítimas dos cidadãos, agricultores e outros grupos europeus
no que diz respeito ao efeito dos transgênicos sobre a saúde humana e o
meio ambiente.(...)
The Independent (de Londres), 14/10/03.

4. Agora, RS pressiona por uso de agrotóxico
Governador gaúcho pede a liberação do uso do glifosato, produto que confere
a vantagem de plantar transgênico
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), começou ontem a
pressionar o governo pela liberação do uso do agrotóxico glifosato,
necessário para o plantio da soja geneticamente modificada.
"Não adianta ter liberado a medida provisória para a safra deste ano se
houver a decisão de não autorizar o uso de um produto fundamental para o
desenvolvimento da produção", disse Rigotto, após reunião com o
ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O produto ao qual Rigotto se referia é o glifosato. Na semana passada, o
CTA (Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxico) negou um pedido do
Ministério da Agricultura, que queria a liberação do uso do glifosato nos
pés de soja transgênica.
Sem o glifosato, não há vantagem no uso da semente modificada
geneticamente. A utilização do agrotóxico torna, inclusive, o procedimento
ilegal. A avaliação é consenso na Esplanada dos Ministérios. O Ministério
da Agricultura, um dos principais defensores da medida provisória, concorda
com a interpretação.
A situação do governo é delicada, pois há menos de um mês editou a medida
provisória para permitir aos agricultores plantarem soja transgênica
protegidos pela lei. O agricultor, no entanto, que plantar transgênicos e
usar o glifosato corre o risco de ser preso.
Um dos assessores de Dirceu disse à Folha que não será possível autorizar o
uso do glifosato por meio de uma decisão política, como foi feito com a
semente.
"Nós consideramos correta a decisão do CTA. Reconhecemos que há um impasse
e não vemos alternativa para superá-lo", disse Claudio Langone,
secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente.
Diante da situação, setores do governo avaliam que quem saiu vitoriosa
nessa disputa foi a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) -- contrária à MP.
"Os grandes vitoriosos desse imbróglio foram o movimento ambientalista e a
ministra Marina Silva, e não Rodrigues (Agricultura)", afirma a consultora
da ONG ASPTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa)
e integrante da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos, Flávia Londres.
A Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) e a Agricultura
ainda têm esperanças de virar o jogo. O presidente da Comissão de Grãos da
Farsul, Jorge Rodrigues, espera que os problemas da MP sejam resolvidos na
sua votação no Congresso.
A Agricultura espera resolver o assunto em 120 dias. O uso do glifosato nas
plantações seria ilegal sem a autorização, mas dificilmente a fiscalização
conseguiria agir. Após a colheita, fica mais fácil analisar os grãos e
averiguar se houve uso do glifosato.
Folha de São Paulo, 15/10/03.

5. Caramuru Alimentos testa varejo e decide lançar óleo não-transgênico
Pesquisa do Ibope alardeada pelos ambientalistas garante que 71% dos
brasileiros preferem alimentos não-transgênicos. Essa tese poderá ser
comprovada em breve nas prateleiras dos supermercados nacionais. Apostando
na resistência do consumidor à biotecnologia, a Caramuru Alimentos decidiu
rotular seu óleo de soja como não-transgênico. A empresa comercializa o
produto no país com a marca Sinhá.
Distribuído por Goiás, Minas Gerais, pelos estados do Nordeste e uma
pequena parcela em São Paulo, o óleo de soja não-transgênico é o primeiro
do gênero no mercado nacional. A empresa vende por ano cerca de 120 mil
toneladas do óleo de soja Sinhá no mercado interno.
“Nosso objetivo é criar um diferencial para a marca Sinhá e atender a uma
necessidade do consumidor”, afirma César Borges, vice-presidente da
Caramuru. Questionado sobre se o produto custará mais caro que o óleo de
soja tradicional, o executivo garante que, por enquanto, não. “Isso é o
mercado quem dirá. Tudo isso é muito novo”, afirma. Em mercados como Europa
e Estados Unidos, os consumidores pagam um prêmio pelos produtos livres de
organismos geneticamente modificados (OGMs).
Ao contrário do farelo de soja, não é possível provar por meio de testes se
o óleo é transgênico, pois a proteína é destruída durante o processo de
industrialização. A Caramuru garante que seu óleo de soja é livre de
organismos geneticamente modificados, pois todo o processo é rastreado,
desde a semente da soja até o produto final. As fábricas da Caramuru são
garantidas como livres de OGM por certificadoras internacionais.
Valor Econômico, 17/10/03.

6. Gabeira: “Houve retrocesso em relação a FH”
Brasília -- O deputado Fernando Gabeira (RJ) oficializou ontem seu
desligamento do PT fazendo barulho. Da tribuna da Câmara, fez críticas
contundentes às políticas ambiental, externa e de direitos humanos do
governo Lula. Segundo Gabeira, ao liberar o cultivo de transgênicos, o
governo brasileiro se equipara ao “nível dos dirigentes comunistas europeus
escravos de um produtivismo estreito”. Em entrevista, ele disse que, na
política ambiental, houve retrocesso em relação ao governo Fernando
Henrique e que até Fernando Collor teve política mais ousada que o petista
em favor dos índios:
-- Em relação ao governo Fernando Henrique houve retrocesso. Fernando
Henrique conviveu com a soja transgênica, mas jamais deu esse passo de
legalizar o plantio clandestino. Quanto à discussão das terras indígenas, o
governo Collor era muito melhor, foi mais ambicioso e conseguiu demarcar a
reserva ianomâmi.
Gabeira compara plantio de transgênicos a canibalismo
Ainda sobre os transgênicos, o deputado criticou o argumento do governo,
que se baseia na questão científica: -- Vamos abstrair questões econômicas,
políticas e sociais? Senhor presidente da República, não há nenhuma
contradição em relação ao canibalismo, mas não comemos carne humana.
Sem esconder sua decepção, Gabeira lembrou que, quando entrou no PT,
acreditava que as mudanças pudessem ser feitas pelo Estado e imaginava que
a chegada de petistas ao poder pudesse repetir a ascensão da
social-democracia na Europa. -- Hoje não digo claramente para todos que meu
sonho acabou. Digo que sonhei um sonho errado -- disse.
Ao enumerar suas divergências em relação ao governo Lula, o deputado
lamentou que o presidente não tenha assumido a defesa dos direitos humanos
em sua recente viagem a Cuba: -- Era preciso denunciar as violações dos
direitos humanos, pedir pelo poeta Raul Rivero, por jornalistas e
intelectuais presos, condenar a execução a toque de caixa dos
seqüestradores de um barco. Nada tenho contra afetos, gratidões pessoais,
mas são faculdades humanas admiráveis que não podem prevalecer sobre nossos
interesses de Estado. (...)
O Globo, 15/10/2003.

7. Para Embrapa, transgênico carece de estudo
Presidente do órgão vê falta de dados que garantam que produto não causa
danos ao ambiente e aos consumidores
A eventual liberação definitiva do plantio de soja transgênica carece de
experimentos adequados à realidade ambiental do Brasil, diz o presidente da
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Clayton Campanhola.
Em outras palavras, não há garantia de que o plantio do transgênico,
liberado por medida provisória, não comprometa o solo e a saúde de
consumidores.
"Há muitos dados, inclusive do exterior (sobre a suposta segurança da soja
transgênica). São nesses dados que os pesquisadores da Embrapa têm se
baseado para se posicionar", diz Campanhola. "Precisamos de informações
mais direcionadas às nossas condições, até porque o país é extremamente
heterogêneo e tem uma diversidade muito grande em termos de recursos
naturais", completou, em entrevista concedida na sexta.
O presidente da Embrapa argumenta que se poderia "validar" parte dos testes
promovidos em outros países, mas, em outros casos -- que ele não
especificou --, seriam necessários estudos locais. "Não significa
generalizar, dizer: ‘Foi feito estudo no exterior, logo está tudo bem’".
A Embrapa se encontra no epicentro da discussão de transgênicos no Brasil.
O órgão de pesquisa é subordinado ao ministro da Agricultura, Roberto
Rodrigues, que defende a liberação do cultivo de transgênicos.
Simultaneamente, a Embrapa mantém acordos assinados, desde 1997, com a
Monsanto, multinacional do setor de biotecnologia. Nos últimos anos, a
Embrapa desenvolveu sementes de soja modificadas a partir de genes cujos
direitos de patente pertencem à Monsanto.
As sementes contrabandeadas (da Argentina) usadas nas plantações no Brasil
têm tecnologia patenteada pela Monsanto.
De acordo com o presidente da Embrapa, não caberia à empresa do governo
promover a análise científica para verificar a "segurança" dos
transgênicos. "Cabe a quem registra, quem detém a patente cumprir essa
legislação. Na verdade, a Embrapa não está se antecipando a isso (ou seja,
não estaria se preparando ou promovendo testes com as sementes usadas pelos
agricultores)", sustentou o executivo. (...)
Folha de São Paulo, 12/10/2003

8. Cresce prejuízo da Monsanto
A Monsanto, principal responsável pelo plantio de lavouras transgênicas,
informou que seu balanço apresentou prejuízo no quarto trimestre do ano
fiscal. O resultado foi agravado por conta do elevado custo de seus
processos de produção.
A companhia planeja eliminar até 9% de sua folha de pagamento no próximo
ano. O prejuízo líquido, no trimestre terminado em 31 de agosto, aumentou
para US$ 188 milhões, em relação aos US$ 27 milhões em igual período de
2002. A receita da empresa cresceu de US$ 1,19 bilhão para US$ 1,3 bilhão.
O principal executivo, Hugh Grant, está empenhado em cortar custos e
ampliar as receitas. O foco é a crescente venda de sementes transgênicas.
Isso ocorre, ao mesmo tempo que o herbicida Roundup continua perdendo
participação no mercado para produtos genéricos concorrentes nos últimos
três anos.
Gazeta Mercantil, 16/10/03.

9. Deputado coleta assinaturas para CPI dos transgênicos
O deputado Edson Duarte (PV-BA) iniciou em 14/10 a coleta de assinaturas
para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai
tratar da difusão ilegal de sementes de soja transgênica no Sul do país, a
omissão do Estado no combate ao contrabando dessas sementes, a possível
cumplicidade de empresas de biotecnologia neste processo. O deputado
precisa de no mínimo 171 assinaturas para que o requerimento de instalação
da CPI seja aceito.
De acordo com Edson Duarte, há pelo menos 5 anos se planta ilegalmente nos
estados do Sul. Há denúncias de que parlamentares, entidades representantes
dos agricultores e empresas de biotecnologia tenham estimulado o crime. O
crime foi de certa forma anistiado pelo Governo com a edição de duas
Medidas Provisórias, uma que liberou a colheita da safra 2002/03 e outra
que liberou o plantio da safra 2003/04. "Não aceitamos que a impunidade
permaneça, por isso queremos investigar quem cometeu o crime e chamar o
Ministério Público para que faça cumprir a lei", diz o deputado.
Na opinião do deputado os suspeitos são evidentes. "O primeiro é a
multinacional Monsanto, dona e, portanto, principal interessada na
liberação da soja Roundup Ready, e que agora pretende faturar cobrando
royalties pelo uso da patente". Edson acredita, porém, que esta CPI tem
muito mais a apurar. "Não podemos permitir que se oculte da história deste
país um crime e os criminosos, ainda mais que isso tem repercussões graves
à saúde da população e ao meio ambiente", concluiu o deputado.
Gabinete do Deputado Federal Edson Duarte (PV-BA)
N.E.: No Boletim 180 divulgamos que o Senador João Capiberibe (PSB/AP) já
havia coletado 28 assinaturas para a instalação de uma CPI sobre o mesmo
tema. A CPI do Senador Capiberibe agora só depende de aprovação pelo
Plenário do Senado. A CPI da Câmara é independente da CPI do Senado. Se
aprovada, poderá correr em paralelo ou poderá se juntar à do Senado, a
partir de solicitação de uma das casas legislativas.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
A democracia das águas -- Safra recorde, de água
O projeto Água e Cidadania faz parte do P1MC -- Programa 1 Milhão de
Cisternas, desenvolvido pela ASA -- Articulação do Semi-Árido, um dos mais
abrangentes, organizados e ativos fóruns de entidades civis já
implementados no País, que atua em prol do desenvolvimento social,
econômico, político e cultural do Nordeste.
Ao contrário do que muita gente pensa, o semi-árido brasileiro é um dos
menos secos do mundo, com precipitação pluviométrica de 750 milímetros
anuais, em média. O problema é a camada de rochas cristalinas quase à flor
da terra. O solo geralmente é raso e não retém água. Quando a chuva cai, a
água penetra na terra e escoa.
Por isso, as cisternas são adotadas como solução. Cada cisterna custa 900
reais no máximo, incluindo a mão-de-obra. Geralmente são construídas em
mutirão pelos moradores, que recebem capacitação técnica e aulas sobre
gerenciamento, tratamento (fervura, filtração, cloração) e uso.
O projeto é mais amplo do que parece. Os pequenos agricultores costumam
dizer que, junto com a água as cisternas trazem sabedoria. “Cansei de ver
famílias investindo em outras atividades e mulheres arrumando a casa com
entusiasmo, fazendo horta e jardins, cuidando mais de si e dos seus. Há
quatro anos, o povo de Serrote (distrito de Pilão Arcado, no submédio São
Francisco) construiu várias cisternas e desde então nenhuma criança
morreu”, complementa Salete Ferreira, coordenada da ASA na Bahia e do P1MC
na região de Juazeiro. Segundo dados do Ministério da Saúde, a diarréia e
outras doenças decorrentes do consumo de água imprópria respondem por 25%
dos óbitos no semi-árido. A cisterna é capaz de armazenar 16 mil litros de
água potável, volume suficiente para sustentar seis pessoas durante oito
meses.
“Agora não dependemos mais de ninguém”, comemora Amílton, na expectativa de
não precisar comprar água nem esperar dias ou semanas pelos carros-pipas
das prefeituras, como ainda acontece no semi-árido, a critério de políticos
cuja prioridade pode não ser o bem-estar da população e sim o deles.
A cisterna é um reservatório simples, usado há mais de mil anos no Oriente
Médio, e só não adotado em massa no Brasil anteriormente por desinteresse
político.
Durante séculos, milhões de nordestinos abandonaram o semi-árido. Agora,
outros milhões estão aprendendo a superar a seca e a vida Severina para
fazer prosperar o sertão.
Adaptado da Revista Globo Rural (Editora Globo), setembro de 2003.

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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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#347 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Qui, 24 de Jul de 2003 8:37 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 169 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
livredetransgenicos@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Número 169 - 24 de julho de 2003

Car@s Amig@s,

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) protocolou no dia 23 de julho em
Brasília uma representação contra o agrônomo Érico Feltrin, assessor da
Casa Civil da Presidência da República, encarregado de redigir o Projeto de
Lei (PL) sobre transgênicos que o governo federal deve encaminhar ao
Congresso em agosto.

A CPT observa que, de acordo com o jornal Folha de São Paulo (em 14 de
junho) e a revista Carta Capital (de 16 de julho), Feltrin infringiu o
Código de Conduta da Alta Administração Federal e a Lei nº 8.429/92, que
definem o comportamento dos servidores públicos diante de ofertas de
agentes privados.

Feltrin, observa a representação protocolada ao Procurador-Chefe da
Procuradoria da República no Distrito federal, Dr. Marcus da Penha Souza
Lima, integrou a comitiva de sete deputados federais, representantes da
sociedade organizada e funcionários públicos que desfrutou das delícias de
uma viagem aos Estados Unidos e à África do Sul financiada pela Embaixada
dos Estados Unidos e pela Associação Brasileira de Sementes (Abrasem), da
qual a Monsanto é uma das principais filiadas. O pretexto oficial do tour
era adquirir informações sobre transgênicos, como subsídios ao PL brasileiro.

Feltrin, ex-assessor DAS 1 do antigo Ministro da Agricultura Pratini de
Morais (aquele que várias vezes "anunciou" a liberação de transgênicos no
Brasil, sempre às vésperas de a Monsanto nos EUA divulgar seus balanços)
agora foi incumbido pelo Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, de
redigir o novo PL transgênico.

A comitiva preferiu ignorar que 100% dos "subsídios" vêm sendo fornecidos
há seis anos pelas organizações não governamentais e movimentos sociais que
integram a Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos. Inclusive a
informação, tida como novidade pelos membros da tal comitiva, que a FDA, o
órgão dos EUA que regula alimentos e drogas, aprovou a comercialização de
transgênicos sem estudos de impacto destes na saúde dos consumidores e no
meio ambiente.

Na representação, a CPT observa que "notícias veiculadas pela imprensa, de
que o Representado [Feltrin] teria tido todas as suas despesas arcadas por
interessados diretos na liberação da comercialização de organismos
geneticamente modificados em território brasileiro, bem como recebido US$
600,00 (seiscentos dólares) a título de “ajuda de custo".

"Pelo código de conduta da alta administração federal, servidores podem
participar em eventos do tipo, desde que o promotor não tenha interesse em
decisão a ser tomada pela autoridade. No caso, há interesse do governo dos
Estados Unidos, o organizador oficial da viagem, e da ABRASEM, que pagou as
passagens dos participantes”.

São incompatíveis as atribuições de Feltrin com a aceitação dos mimos
internacionais oferecidos pelos estadunidenses - que estão loucos para
derrubarem a condição brasileira de sermos livres de transgênicos para,
assim, acabar com a vantagem comparativa que até o final de 2003 nos levará
a condição de maior exportador mundial de soja. Superando os EUA.

Alerta a CPT que o Código de Conduta da Alta Administração Federal, em seu
artigo 7º dispõe: “A autoridade pública não poderá receber salário ou
qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem
receber transporte, hospedagem, ou quaisquer favores de particulares de
forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre sua probidade ou
honorabilidade. Parágrafo Único. É permitida a participação em seminários,
congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual
remuneração, bem como pagamento das despesas de viagem pelo promotor do
evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela
autoridade.”

Já a Lei nº 8.429/92, em seu artigo 9º, inciso I, estabelece: em seu artigo
9º: "Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento
ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do
exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades
mencionadas no art. 1º desta Lei, e notadamente: I.receber, para si ou para
outrem, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta
ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de
quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou
amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público”.

A penalidade é "ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de 8 (oito) a 10 (dez)
anos, pagamento de multa civil de até 3 (três) vezes o valor do acréscimo
patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente,
ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de 10 (dez) anos”.

Com a palavra, o Ministério Público. E José Dirceu, chefe de Feltrin.

****************************************

Neste número:

1. China prorroga prazo
2. Indústrias chinesas rotulam produtos
3. Piauí ameaça tomar e queimar produção transgênica
4. Deputado pede revisão de processo que liberou soja transgênica
5. Transgênicos põem ambiente em risco, diz estudo
6. Novos temores associados à fecundação cruzada das plantas
7. OMC sufoca direito de dizer NÃO aos transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Pastoreio rotativo no RS
Eventos:
I Simpósio: A Pesquisa em Agricultura Orgânica

****************************************

1. China prorroga prazo
O Ministério da Agricultura da China anunciou ontem que estendeu o prazo
das regras interinas de importação de produtos geneticamente modificados
para 20 de abril de 2004. Anteriormente as regras valiam até 20 de setembro
(de 2003). O governo chinês alegou problemas técnicos.
Valor Econômico, 23/07/03.

2. Indústrias chinesas rotulam produtos
Unilever, National Foods, Grupo Danone e outras 29 companhias do setor de
alimentos anunciaram que alguns de seus produtos vendidos na China estarão
isentos de ingredientes geneticamente modificados. As empresas estão
apostando que os consumidores daquele país preferem alimentos sem
transgênicos, segundo informou o grupo ambientalista Greenpeace em um
documento divulgado na China.
As marcas que não incluirão ingredientes geneticamente modificados na China
são, entre outras, os produtos da marca Lipton da Unilever, o Vitasoy da
National Foods, molhos de soja Amoy da Danone, e temperos vendidos por
alguns produtores locais, esclarece o documento.
Direito de escolha
“O governo chinês está encarando com toda seriedade o direito de escolha
dos consumidores chineses. Os produtores de alimentos poderão optar por
especificar nos rótulos que seus produtos são transgênicos, e encarar a
recusa dos consumidores, ou correr o risco de infringir as normas”, disse
Sze Pang-cheung, diretor do Greenpeace na China.
No ano passado, o Ministério da Saúde chinês implementou normas que exigiam
que os produtos alimentícios fabricados com soja, milho ou canola
transgênicos, ou ingredientes deles derivados, tivessem nos rótulos
explicações sobre a sua presença. Alguns produtores de óleo de cozinha
fabricado com soja transgênica foram multados por não incluírem no rótulo
essa informação, noticiou na semana passada o “China Food Newspaper”.
Gazeta Mercantil, 21/07/03.

3. Piauí ameaça tomar e queimar produção transgênica
Os secretários de Desenvolvimento Rural, Sérgio Vilela, e de Agronegócios,
João Batista Alves, revelaram que o Piauí vai confiscar e queimar a soja
transgênica produzida no Estado. Eles argumentaram que há uma legislação
específica e os produtores podem ser responsabilizados até mesmo com prisão.
Jornal do Commercio, 17/07/03.

4. Deputado pede revisão de processo que liberou soja transgênica
"A liberação da soja Roundup Ready (RR), da Monsanto, em 1998, pela
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), aconteceu dentro de um
processo irregular, suspeito, ilegal e imoral". A declaração é do deputado
Edson Duarte (PV-BA), que apresentou em 22 de julho no plenário da Câmara
um Requerimento ao Executivo para que faça uma revisão do processo que
culminou na primeira liberação comercial (e a única, até o momento) de
cultivar transgênica, no Brasil.
O deputado resolveu adotar estes procedimentos depois de ter acesso às
notas taquigráficas da 5ª reunião extraordinária da CTNBio, de 24 de
setembro de 1998, quando se aprovou a liberação da soja RR. Essas notas
mostram que o processo decorreu numa rapidez impressionante - somente 3
meses, quando na Argentina demorou 3/4 anos. "O presidente da CTNBio, na
época, Luiz Antonio Barreto de Castro, levou o texto pronto, como se fosse
uma nota à imprensa, pediu pressa na sua aprovação, sem considerar que era
um ato que dizia respeito à biossegurança de todos os brasileiros". Outro
aspecto indecente apontado pelo deputado, é o fato dos membros da CTNBio
demonstrarem ignorância no assunto.
De acordo com o deputado, as notas taquigráficas mostram que membros da
CTNBio mantinham relação direta com a Monsanto, a quem solicitaram opinião
sobre o texto. E mais: o representante da Monsanto esteve presente à
reunião que aprovou a soja produzida por sua empresa. "Além dessa
promiscuidade entre um órgão público e uma empresa multinacional, o que
mais nos choca é a irresponsabilidade; é o fato da liberação ter ocorrido
sem que os membros da CTNBio, cientistas eméritos, tivessem à mão um só
estudo feito no Brasil ou no mundo, que garantissem que a saúde da
população não corria risco", disse Edson Duarte.
Também com o objetivo de revisar o processo da soja RR e punir os que
agiram contra os interesses públicos, o deputado está dando entrada numa
Representação junto ao Ministério Público Federal e solicitando abertura de
investigação à Controladoria Geral da União.
Depois que a CTNBio liberou a soja RR, as pretensões da Monsanto foram
barradas graças a uma ação judicial apresentada pelo IDEC e Greenpeace em
1999. Em 2003, diante do volume da colheita de soja ilegal colhida no Sul
do país, o Governo Federal aprovou uma Medida Provisória que libera a
comercialização da soja RR até o início de 2004. A proposta do deputado
mexe nas origens do processo. "Ele começou errado, com o Governo querendo
impor uma nova tecnologia, passando por cima do bom senso e da ética",
concluiu o parlamentar.
Gabinete do Deputado Federal EDSON DUARTE (PV-BA), 22/07/03.

5. Transgênicos põem ambiente em risco, diz estudo
Apesar de serem provavelmente seguros para o consumo, os transgênicos podem
afetar de forma grave aves e insetos no Reino Unido. A conclusão é de um
relatório coordenado por David King, conselheiro científico do premier Tony
Blair. O relatório, que será publicado hoje, diz que algumas das sementes
transgênicas cuja introdução é estudada hoje no país podem afetar animais
como cotovias, que se alimentam de plantas que crescem nas lavouras.
O relatório não condena o plantio e diz que o licenciamento deve ser feito
caso a caso.
Folha de São Paulo (do “Independent”), 21/07/03.

6. Novos temores associados à fecundação cruzada das plantas
Organismos geneticamente modificados podem se cruzar com parentes selvagens
não só através de seu pólen, mas também através de suas sementes
dispersadas no meio ambiente pelos seres humanos e pelo maquinário
utilizado nas fazendas.
O novo estudo realizado pela Royal Society diverge substancialmente do
senso comum, que dizia que a dispersão de pólen era o principal veículo
para as prováveis fecundações cruzadas. E terá importantes impactos sobre a
localização de cultivos transgênicos, de acordo com Jean-François Arnaud,
que conduziu o estudo.
O Sr. Arnaud, da universidade francesa de Lille, estudou três diferentes
lavouras de beterraba comercial, beterraba selvagem e beterraba invasora
cultivadas em campos separados por mais de uma milha, perto de Boulogne.
Ele comparou o DNA dos três cultivos e descobriu que ao contrário das
expectativas, o fluxo genético através do pólen era limitado. Ao invés
disso, a beterraba invasora atuou como uma ponte entre a beterraba selvagem
e a comercial através de fluxo acidental de sementes, dispersadas no solo
pelas rodas de veículos.
Nenhuma das beterrabas era transgênica, mas os achados “mostram a
possibilidade de escape dos transgênicos” e da hibridização através da
dispersão de sementes. “A localização de tais cultivos teve que ser
estudada cuidadosamente”, concluiu Arnaud.
“Fluxo genético e hibridização entre plantas cultivadas e selvagens têm
importantes conseqüências ecológicas”, alertou Arnaud. Se os cultivos de
beterraba transgênica forem estabelecidos onde ocorrem as formas selvagens
da planta, o fluxo genético será quase inevitável.
Pete Riley, da Campanha contra transgênicos da ONG Friends of the Earth,
disse: “A pesquisa mostra que só estamos começando a compreender os
potenciais impactos de longo prazo dos transgênicos no meio ambiente. E que
a atividade humana tem um papel na dispersão dos transgênicos a longas
distâncias. Com estes dados, deveríamos repensar os impactos que os
transgênicos podem ter em nossos alimentos, fármacos e meio ambiente”. Ele
alertou que o governo britânico deveria tomar conhecimento destas
informações e recusar-se a cultivar transgênicos comercialmente no país.
The Guardian, 18/07/03.
http://www.guardian.co.uk/gmdebate/Story/0,2763,979947,00.html

7. OMC sufoca direito de dizer NÃO aos transgênicos
Ativistas do Greenpeace substituíram o significado da sigla WTO -
Organização Mundial do Comércio (OMC) na sigla em inglês, na sede da
organização, em Genebra, por WTO - Ordem Transgênica Mundial, denunciando a
OMC por promover interesses corporativos da indústria de engenharia genética.
Ativistas do Greenpeace vestidos de Tio Sam colocaram camisas de força em
outros ativistas que representavam os consumidores, sufocando sua demanda
pelo direito de dizer NÃO aos alimentos transgênicos e despejando milho
transgênico sobre eles.
O Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) da OMC deve discutir em breve a
reclamação dos EUA contra a moratória da União Européia sobre organismos
geneticamente modificados (OGMs).
“A OMC está, mais uma vez, perto de trabalhar em nome de interesses
corporativos ao ajudar os EUA e sua indústria de engenharia genética a
forçar consumidores a se alimentar com transgênicos. Para uma organização
que já sofre com a falta de legitimidade perante a opinião pública, esse é
um grande erro”, disse Bruno Heinzer, da campanha de engenharia genética do
Greenpeace na Suíça.
Greenpeace Brasil - 21/7/2003 - Genebra, Suíça
http://www.greenpeace.org.br/noticias.asp?NoticiaID=488

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Pastoreio rotativo no RS
Uma das experiências de pecuária de base ecológica bastante difundida é o
sistema de pastoreio rotativo. O sistema está garantindo que uma parcela de
agricultores familiares, que estava sendo excluída do processo produtivo,
continue trabalhando. “É na região noroeste do estado que o pastoreio
rotativo vem se expandido mais”, garante o assistente técnico regional de
criações da EMATER/RS, Jorge Lunardi.
O pastoreio rotativo visa a usar racionalmente as pastagens de uma área,
dividida em parcelas, na forma de rodízio, nas quais as vacas trocam de
piquete todos os dias. Pode ser implantando em qualquer propriedade,
explica Lunardi, inclusive nas de pequena área e descapitalizadas. Cada
hectare pode manter de cinco a seis vacas, divididas em piquetes, com áreas
de 50 a 70 metros quadrados por vaca ao dia, disponibilizando boa pastagem
durante quase todo o ano e garantindo diminuição dos custos de produção. As
pastagens implantadas são tifton, florakirk, tanzânia, hemartria e pensacola.
Conforme Lunardi, mais de 70 municípios da região Noroeste têm unidades com
o pastoreio rotativo e alguns chegam a ter 50% da área com gado leiteiro
nesse sistema. São aproximadamente mil propriedades, somando cinco mil
hectares com o sistema, a maioria produtora de até 50 litros/dia.
A propriedade da família de Anselmo Lorenzi, de Vista Gaúcha do Sul, é um
exemplo das que passaram a produzir nesse sistema. A propriedade tem sete
hectares, dos quais seis mil metros quadrados são destinados ao pastoreio
rotativo. No período de um ano, a produção passou de 400 para 3.000
litros/mês, subindo o plantel de 7 para 14 vacas.
Lunardi explica que o trabalho com o pastoreio rotativo leva a outras ações
como a produção de leite com menor uso de produtos químicos, a produção de
queijo com maior qualidade e o uso da medicina alternativa no rebanho. No
noroeste, são 32 mil produtores de leite e a meta do Governo no Estado é
levar o sistema para o maior número possível de produtores interessados
nessa alternativa de produção.
Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v. 1, n. 2, abr/jun. 2000.

Eventos:
I Simpósio: A Pesquisa em Agricultura Orgânica
Considerando a importância da agricultura orgânica no âmbito científico e a
crescente demanda por informações, o NEAGRO em conjunto com a UFLA,
realizará o “1º Simpósio em Agricultura Orgânica” tendo como tema a
pesquisa em agricultura orgânica, com o objetivo de subsidiar a comunidade
científica para que esta demanda nesta área possa ser atendida. O foco do
simpósio na pesquisa se deve ao fato de que a agricultura orgânica vem se
desenvolvendo através de experiências dos produtores e que, a falta de
informações científicas pode, muitas vezes, levar ao insucesso.
Local: Salão de Convenções da Universidade Federal de Lavras
Organização: Departamento de Agricultura - Núcleo de Estudos em Agricultura
Orgânica (Neagro)
Data:  21 a 23 de agosto de 2003.


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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

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#348 De: Campanha Livre de Transgenicos <livredetransgenicos@...>
Data: Qui, 21 de Ago de 2003 8:28 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 173 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 173 - 21 de agosto de 2003

Car@s Amig@s,

Na última terça-feira, 19 de agosto, o Ministro-Chefe da Casa Civil, José
Dirceu, reuniu-se com os núcleos agrário, de meio ambiente e de saúde do PT
para discutir o Projeto de Lei sobre transgênicos que o governo está
elaborando para enviar ao Congresso Nacional.

Na semana passada, apesar da expectativa geral anunciada pela imprensa e
pelo Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de que o PL seria
encaminhado ao Congresso até o dia 15 de agosto, sexta-feira, os
parlamentares do PT conseguiram o compromisso de José Dirceu de que o PL
não seria encaminhado antes de ser apresentado à bancada do partido.

Segundo os deputados que participaram da reunião, vitórias significativas
foram conquistadas. Primeiro, dizem ter conseguido do ministro o
compromisso de não carimbar o PL com o caráter de “urgência urgentíssima”.
Com isso se garante que haverá tempo na Câmara Federal para a realização de
debates, envolvendo inclusive a sociedade civil. Segundo, afirmam que o
ministro garantiu que o governo assumirá uma posição de cautela com relação
aos riscos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente. “O ministro
garantiu que o projeto será muito rigoroso no sentido de que sejam
realizados estudos para proteger o meio ambiente e a saúde dos
consumidores, e disse que serão realizados debates com os parlamentares e
com a sociedade para ajudar a elaborar o texto”, declarou o Deputado Adão
Pretto, um dos coordenadores do Núcleo Agrário do PT, ao jornal O Estado de
São Paulo ao término do encontro.

Sobre a nova reivindicação da Farsul (Federação da Agricultura do Rio
Grande do Sul) e do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, para
que o governo publique uma nova Medida Provisória autorizando o uso de
sementes de soja transgênica na safra 2003/2004, que começa a ser plantada
em setembro/outubro, o Dep. João Alfredo, coordenador do Núcleo de Meio
Ambiente do PT, afirma que o governo não autorizará o plantio. O pedido
resulta da constatação dos sojicultores gaúchos de que o PL não estará
aprovado antes da época de semeadura. Segundo O Estado de São Paulo,
“Dirceu lembrou, durante reunião no Planalto, que há uma lei em vigor,
votada no Congresso, que precisa ser respeitada”. A lei em rigor mencionada
se trata da 10.688, convertida da MP 113, que autorizou a comercialização
da soja transgênica plantada ilegalmente na safra 2002/2003 mas preservou
as restrições ao plantio para as próximas safras.

No mesmo jornal, o Deputado Orlando Desconsi, PT/RS, lembrou que “não há
necessidade de autorizar plantio de soja transgênica neste momento porque o
próprio Ministério da Agricultura, favorável à liberação do produto, já
assegurou que há sementes convencionais suficientes para a atual safra em
todo o País”.

Uma informação importante relatada pelos deputados que não foi divulgada
nos jornais é a de que os parlamentares dos três núcleos petistas ainda
terão uma conversa com o Presidente Lula antes de o PL ser finalizado.
Segundo eles, esta foi uma idéia dada pelo próprio José Dirceu, após ouvir
os argumentos contrários à liberação precipitada dos transgênicos no País.
A reunião com o Presidente Lula ainda não foi agendada.

Neste meio tempo, a bancada do PT pretende ainda reunir-se com os ministros
que formam a Comissão Interministerial que, ao longo dos últimos meses,
trabalhou na elaboração do PL. Duas reuniões já estão marcadas. A primeira,
com o Ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, acontece hoje,
21/08. O encontro com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deverá
acontecer em 17 de setembro.

Pelo que indicam as últimas notícias, o PL não deverá ser encaminhado ao
Congresso antes de setembro. Tanto melhor, se realmente acontecerem os
debates anunciados.

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Neste número:

1. Parceiro de planta transgênica ajuda um fungo letal
2. Argentina, EUA e Canadá reclamam da moratória da UE na OMC
3. Chegou a conta -- Monsanto quer US$ 16 por hectare de soja transgênica
4. Semente transgênica da Monsanto contamina o México e força legalização
5. Recurso contra o milho transgênico no Uruguai
6. Comissão da Assembléia Legislativa aprova projeto que proíbe
transgênicos no Paraná
7. Cientistas são contra os transgênicos
Experiências agroecológicas mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Agroecologia no Rio Grande do Sul
Evento
Seminário no Vale do Ribeira para discutir “Primeira Terra”

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1. Parceiro de planta transgênica ajuda um fungo letal
Num momento em que reina a confusão no Brasil sobre a liberação da soja
transgênica Roundup Ready da Monsanto, mais um estudo esquenta a discussão
sobre vantagens e benefícios desse tipo específico de planta, modificado
para ganhar resistência ao herbicida glifosato. A pesquisa foi realizada
com trigo, e não com soja, mas seus resultados são preocupantes.
Pesquisadores a serviço do governo do Canadá descobriram que o glifosato
favorece a proliferação de um fungo tóxico, que devasta plantações. O fungo
pertence ao gênero Fusarium, que produz toxinas capazes de matar homens e
animais. Isto é, o agricultor troca um problema por outro. Ele planta o
trigo transgênico resistente ao glifosato para poder usar mais herbicida e,
assim, se ver livre de ervas daninhas, mas passa a ter dores de cabeça com
outra praga, potencialmente mais perigosa. Por enquanto, só há resultados
de laboratório e não dá para tirar conclusões precipitadas, mas o assunto
deveria ser acompanhado com atenção.
O Globo, 18/08/03.

2. Argentina, EUA e Canadá reclamam da moratória da UE na OMC
Os EUA, Argentina e Canadá justificaram ontem o pedido à Organização
Mundial do Comércio para que seja criada uma comissão de arbitragem que
resolva a disputa com a UE em tomo dos alimentos transgênicos devido à
persistência da moratória de Bruxelas sobre esse tipo de organismos e
produtos derivados.
“A existência da moratória está fora de toda dúvida: a Comissão Européia
não admitiu a aprovação de um só produto transgênico em quase cinco anos",
denunciou hoje a embaixadora dos Estados Unidos na OMC, Linnet F. Deiley,
acrescentando que mais de trinta produtos do tipo foram afetados por essa
medida.
Além disso, seis países membros da União Européia "mantêm a proibição de
importar e comercializar certos produtos transgênicos, embora a própria UE
tenha autorizado antes de aplicar sua moratória", denunciou também a
embaixadora.
O embaixador do Canadá, Sergio Marchi, citou a França, a Grécia, a Áustria
e a Itália como países que continuam proibindo a nível nacional a
importação, comercialização e venda de transgênicos aprovados por Bruxelas
antes de outubro de 1998. A moratória européia e as proibições particulares
dos Estados membros restringiram as importações de produtos agrícolas e
alimentícios americanos.
Jornal do Commercio, 19/08/03.

3. Chegou a conta -- Monsanto quer US$ 16 por hectare de soja transgênica
Após estimular o contrabando de sementes transgênicas de soja, a
multinacional Monsanto mostra suas garras, cobrando dos produtores gaúchos
royalties de US$ 16 por hectare plantado com sua semente RR.
O Dia-RJ, 20/08/03.

4. Semente transgênica da Monsanto contamina o México e força legalização
Às vésperas da 5ª reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio,
EUA promovem invasão de sementes de milho transgênico no México
Ativistas do Greenpeace bloquearam a passagem de um trem de carga que
transportava milho norte-americano, na fronteira do México com os EUA, como
resposta às recentes evidências de que os EUA estão enviando grãos
transgênicos ao país, desrespeitando acordos internacionais e ameaçando a
biodiversidade e a saúde da população mexicana. Ativistas se dependuraram
no eixo dos trilhos do trem sob a ponte do Rio Grande, que faz fronteira
com os EUA, enquanto representantes do Greenpeace negociavam com
autoridades governamentais mexicanas a proibição da importação de milho
transgênico norte-americano para o México.
Análises científicas feitas por um laboratório americano independente
demonstraram que quase um terço das amostras de milho provenientes dos EUA
coletadas no México contém variedades transgênicas da gigante de
biotecnologia Monsanto. O Protocolo de Cartagena, tratado internacional
acordado em janeiro de 2000, estabelece claramente que os países precisam
agir para prevenir os efeitos adversos das plantações geneticamente
modificadas sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.
"Os mexicanos estão sendo forçados a engolir a destruição da nossa fonte de
alimento número um, assim como da saúde e do ambiente em que vivem pessoas
que dependem dela. Isso porque os governos ao redor do mundo, ao não se
manifestarem, permitem que os EUA os pressionem em favor dos interesses de
suas empresas de biotecnologia e de seus próprios interesses comerciais",
disse a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace
México, Liza Covantes.
Nos EUA, a Monsanto não pode cultivar sua variedade geneticamente
modificada de algodão no sul da Flórida, devido à preocupação de que ela
pode contaminar outras espécies. Porém, os EUA e a multinacional seguem
depositando seu milho transgênico no México, que é o centro da origem da
espécie, que tem centenas de variedades selvagens. O milho é hoje um dos
três mais importantes produtos cultivados no mundo. Pesquisas científicas
recentes realizadas nos EUA descobriram que genes de safras transgênicas
poderiam rapidamente dominar aquelas presentes em seus parentes selvagens.
(...)
Os governos ao redor do mundo estão permitindo que as grandes empresas
atuem sob as regras comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC), e
forcem a entrada de safras transgênicas (como o milho geneticamente
modificado) em países pequenos - que são incapazes de proteger a saúde de
sua população e seu meio ambiente, a não ser por meio de acordos
internacionais. Os EUA já utilizaram regras da OMC para obrigar países como
o Sri Lanka e a Bolívia a aceitar alimentos transgênicos, e atualmente
querem forçar a Europa a aceitar os produtos transgênicos de suas
multinacionais.
No 5º encontro ministerial da OMC, que será realizado no México em
setembro, o país anfitrião e outras nações devem apoiar os tratados já
existentes, para garantir que o Protocolo de Biossegurança prevaleça sobre
os interesses corporativos.
Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, 19/08/03.

5. Recurso contra o milho transgênico no Uruguai
Um recurso judicial solicitando a suspensão da autorização governamental
para a introdução das sementes de milho transgênico produzidas pela
multinacional Monsanto foi apresentado no dia 01/08/03 à justiça Uruguaia
por Carlos Abin, membro da direção do Instituto do Terceiro Mundo,
representando a Associação de Produtores Orgânicos do Uruguai.
Recentemente, o governo uruguaio -- mediante a resolução dos Ministérios de
Pecuária, Agricultura e Pesca e de Economia e Finanças -- autorizou a
introdução no país do milho transgênico MON 810, conhecido como “milho Bt”,
contra a opinião da Faculdade de Agronomia, das associações de produtores
agropecuários e da maioria dos deputados de quatro dos cinco partidos
políticos do país. Esta resolução também ignorou as recomendações da
Direção Nacional de Meio Ambiente do Ministério de Habitação, Urbanismo e
Meio Ambiente, que estabelecia algumas restrições, mecanismos de controle e
medidas de precaução e proteção.
O recurso solicita da justiça que torne o decreto que autoriza importar,
plantar e vender o milho Bt sem efeito até que sejam realizados os estudos
científicos, as provas e os testes correspondentes e seja estabelecida com
certeza a inexistência de impactos negativos sobre o meio ambiente, saúde e
higiene pública, direitos dos consumidores, comércio exterior de
alimentação e a imagem internacional do Uruguai como país produtor de
alimentos naturais. (...)
www.biodiversidadla.org, 14/08/03.

6. Comissão da Assembléia Legislativa aprova projeto que proíbe
transgênicos no Paraná
O Projeto de Lei 307/03 que veda a produção, o transporte e o comércio de
transgênicos no Paraná e cria o Conselho Técnico Estadual de Biossegurança
foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia
Legislativa em 19 de agosto. Agora, ele segue para a Comissão de
Agricultura e em seguida para a Comissão de Finanças.
O projeto havia sido apresentado pela bancada do PT no final de maio. Para
o deputado Elton Welter, presidente do Bloco Parlamentar Agropecuário e
integrante da CCJ, esta legislação garantirá mercado à soja paranaense, uma
vez que muitos países compradores rejeitam o produto transgênico.
Assessoria do gabinete do Dep. Elton Welter, 19/08/03.

7. Cientistas são contra os transgênicos
O Brasil não deveria plantar transgênicos, recomendam cientistas e
ambientalistas que participaram do seminário Diálogo para um Brasil
Sustentável. Porta-voz do grupo, o físico Fritjof Capra, disse que o uso de
organismos geneticamente modificados são incompatíveis com a agricultura
sustentável. O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), Klaus Topfer, afirmou que os países em desenvolvimento
são os que mais sofrem com os danos ambientais produzidos pelo
desenvolvimento nos países ricos. Topfer defendeu que os países
desenvolvidos devem compensar financeiramente os países em desenvolvimento
pelos prejuízos ambientais.
Durante quatro dias, pesquisadores brasileiros e estrangeiros discutiram
caminhos para o Brasil transformar-se em modelo na área ambiental. As
sugestões servirão de subsídios para a I Conferência Brasileira de Meio
Ambiente. (...)
Jornal do Comércio, 16/08/03.

Experiências agroecológicas mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Agroecologia no Rio Grande do Sul
Insatisfeitas com a forma de vida e o retorno financeiro que estavam
obtendo no meio rural, seis famílias de pequenos agricultores de Cândido
Godói, em 1995, buscaram na Agroecologia uma alternativa para sua
sobrevivência. Com o apoio da Emater/RS, o grupo começou a produzir
alimentos sem o uso de agrotóxicos para sua subsistência. Em pouco tempo,
porém, mercados consumidores para os produtos começaram a surgir em todo o
estado. Hoje, o grupo produz ecologicamente soja, trigo, milho, citrus,
pêssego, cana-de-açúcar, amendoim e rapadura. Os produtos são vendidos
semanalmente em feiras ecológicas de Porto Alegre e em exposições e
eventos. Entre as técnicas utilizadas pelos agricultores estão a rotação e
diversificação de culturas, adubação verde e orgânica, compostagem e
receitas alternativas para o controle de pragas e doenças. A partir deste
grupo, foi organizada uma cooperativa, a Cooperal, que hoje reúne 26 famílias.
30 experiências em Agroecologia e Participação Popular, Emater/RS,
setembro/2002.

Evento
Seminário no Vale do Ribeira para discutir “Primeira Terra”
Para discutir alternativas e participar do “Primeira Terra”, programa do
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), além de planejar sua atuação
organizada, jovens rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na
Agricultura Familiar (Fetraf-Sul/CUT) vêm realizando cerca de 20 encontros
microrregionais nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
que já reuniram mais de cinco mil pessoas em torno dessas atividades.
É o caso do seminário que acontecerá em Rio Branco do Sul, região do Vale
do Ribeira paranaense, nos dias 26 e 27 de agosto. Promovido pelo Sindicato
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) de Itaperuçu, em
parceria com a Emater-PR, o Sistema Cresol, a Fetraf-Sul/CUT e o Deser, ele
vai reunir jovens rurais das regiões metropolitana de Curitiba e Vale do
Ribeira.
Informações:
(41) 603-2895 ou (41) 9972-4559, com Zeni Ribas (Sintraf Itaperuçu);
(41) 9103-0409, com Joaquim Hausis (Rio Branco do Sul);
(49) 324-7768, com Severine Macedo (Fetraf-Sul/CUT).

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