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Agradeço o envio desta matéria publicada
no JN em 19/03/02, e que sabemos estar acontecendo desde 1998, principalmente
na região sul do país.
Chamo a atenção para a postura tendenciosa
em direção à oligarquia global ao mentirem dizendo
que a sojaGM seria mais produtiva
Abraços
Luiz Meira
Produtores do Paraná misturam grãos de soja
transgênicos aos naturais
Produtores do Paraná estão plantando soja geneticamente modificada
e
misturando grãos transgênicos aos grãos naturais. Além
de ser contra
a lei, isso pode prejudicar as exportações brasileiras. O
governo do
estado já começou a punir os infratores.
Os técnicos da Secretaria da Agricultura já identificaram
soja
transgênica em 13 plantações do Paraná. Elas
foram interditadas e a
produção será apreendida. Outras duas lavouras, onde
já foram
coletados grãos para exames, estão sob suspeita.
No Brasil, plantar soja transgênica é crime ambiental e pode
dar até
cinco anos de cadeia, além de uma multa de R$ 50 mil por dia. Mesmo
assim, os produtores estão arriscando, já que a soja transgênica
tem
maior produtividade.
"Hoje 25% da produção nacional de soja é transgênica",
afirma o
presidente da associação brasileira de produtores de soja,
Iwao
Miamoto.
A Secretaria da Agricultura do Paraná intensificou a fiscalização
e está
investigando duas empresas de produtos agrícolas na região
de
Londrina, que teriam distribuído os grãos transgênicos
misturados com
os convencionais. Segundo os técnicos, a soja modificada
geneticamente veio do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul.
O Paraná é responsável por 25% da soja nacional e
sempre teve
mercado garantido no exterior. Mas a entrada de soja transgênica
nas
lavouras brasileiras é uma ameaça aos negócios, já
que os maiores
compradores, que são Europa e Ásia, não aceitam produtos
geneticamente modificados.
"Se nós tivermos então oferecendo produtos que criem suspeita
nos
nossos compradores a nossa credibilidade vai por água abaixo e isso
afetaria evidentemente as exportações do complexo de soja
brasileira",
disse o chefe de fiscalização da Secretaria de Agricultura,
Alvir Jacob.
TUDO POR
DINHEIROMonsanto
joga pesado, mas transgênicos produzem menos O
professor de Genética e Melhoramento da Universidade Federal de
Santa Catarina (RS), Rubens Onofre Nodari (nodari@...)
e Deonisio Destro, professor de Genética e Melhoramento da Universidade
Estadual de Londrina (ddestro@...),
apresentaram um novo estudo que confirma uma série de outros estudos
publicados por cientistas americanos segundo os quais as plantações
de soja transgênica são menos produtivas e provocam o uso
maior de agrotóxicos do que aquele necessário em plantações
de soja "natural". Ontem,
quinta-feira, o grupo ambientalista Greenpeace (www.greenpeace.org.br)
divulgou o estudo em Brasília, "zona de guerra" na qual empresas
como a Monsanto (www.monsanto.com.br)
estão investindo tudo o que podem para convencer políticos,
geralmente sem formação científica, de que os transgênicos
não constituem nenhum tipo de perigo e devem ser permitidos no Brasil
sem nenhum controle ---- posição pela qual luta o Departamento
de Comércio dos Estados Unidos, que pretende (e deve conseguir)
evitar a todo custo que o Brasil permaneça livre das sementes patenteadas
e pertencentes ao complexo industrial americano. Segundo
o novo estudo, houve uma queda de produção de até
540 kg por hectare na lavoura transgênica. A produtividade
da soja modificada foi de 1.020 kg a 1.6 kg por hectare, enquanto a da
lavoura tradicional ficou entre 1.680 kg e 1.8 mil kg. OUTROS
PROBLEMAS Os organizadores
da campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos afirmam que os pesquisadores
verificaram o aparecimento de rachaduras no caule da soja transgênica
exposta ao calor ou às aplicações de agrotóxicos
com trator devido ao seu maior teor de lignina no caule; Mas não
é só isso: houve, também, o ataque inusitado de
insetos, como o “burrinho”, que até então só atacava
a batatinha; Além disso foi detectada a falta de imunidade
da soja às pragas e ervas daninhas, obrigando os agricultores a
usar duas ou três vezes mais herbicida, pois as pragas ficaram mais
resistentes. Mesmo
com todos os estudos independentes indicando que o Brasil não deve
usar transgênicos, o governo federal e uma série de parlamentares
continuam repetindo as mesmas explicações vendidas pelo lobby
patrocinado pela Monsanto e pelo Departamento de Comércio dos Estados
Unidos. Sem contar agricultores brasileiros que, como marionetes, estão
entrando no jogo das grandes corporações, se questionar nada
(Aldo Novak).
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s
O Canal Rural, do sistema RBS do Rio Grande do Sul, divulgou esta semana
que os produtores de soja já estão ameaçando processar o governo federal
caso algum carregamento do grão seja recusado no exterior por conter
organismos geneticamente modificados.
Segundo a matéria, “Agricultores afirmam ter sido condicionados a
cultivar o grão modificado mediante a garantia do governo de que iria
liberar o cultivo de OGMs no País. Seria uma questão de tempo, já que a
Justiça estava prestes a decidir pelo plantio do grão transgênico. Mas a
decisão final ainda não foi tomada, e o projeto regulamentado os
organismos modificados no país deve demorar a ser aprovado no Congresso
Nacional. Por isso, dirigentes do setor falam em processar o governo por
eventuais prejuízos.”
A matéria diz ainda que, segundo o assessor da Federação de Agricultura
do Paraná, Carlos Augusto Albuquerque, “o custo dos embarques aumentou
por que os países compradores exigem a classificação do material. Mas a
participação da soja brasileira no mercado internacional pulou de 23%
para 30% nos últimos anos. Esse crescimento é atribuído à soja
convencional, uma vez que alguns países decidiram recusar os
transgênicos, e os Estados Unidos e a Argentina - principais concorrentes
do Brasil - plantam transgênicos.”
A idéia de processar o Governo Federal pelos prejuízos decorrentes do
cultivo ilegal de soja transgênica no País faz total sentido.
De fato, o Governo sinalizou diversas vezes aos agricultores a brevíssima
liberação de transgênicos no País. Todos se lembram, por exemplo, das
declarações de Pratini de Morais, Ministro da Agricultura, em julho do
ano passado dizendo que "a autorização para liberação da produção e
da comercialização de sementes de soja transgênica no país ocorrerá na
próxima segunda-feira (30/07/01)", o que motivou duas manifestação
da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” em frente ao
Ministério, chamando a atenção para o fato de que o Ministro não tinha
poderes para efetuar esta liberação.
Nossas manifestações foram seguidas de declarações de outras entidades e
órgãos, como a AJUFE (Associação dos Juízes Federais) e o TRF (Tribunal
Regional Federal), alertando o Ministro para o fato de que ele teria que
cumprir sanções penais se liberasse a soja transgênica desrespeitando uma
decisão judicial (que continua em vigor).
Muitos também devem se lembrar de declarações de Leila Oda em novembro de
2000, então presidente da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia), dizendo aos jornais
que “o plantio e a comercialização de transgênicos no Brasil estão
liberados”.
Declarações deste tipo, absolutamente irresponsáveis, sem dúvida
encorajaram muitos agricultores a arriscar o cultivo ilegal da soja
transgênica.
Como se isto não bastasse, o Governo fez questão de não controlar as
fronteiras para impedir (ou ao menos inibir) o contrabando de sementes
transgênicas provenientes da Argentina.
O resultado disto é que agora a situação no estado do Rio Grande do Sul
-- que foi o que teve maior acesso às sementes contrabandeadas da
Argentina -- está realmente alarmante. Embora não haja dados oficiais
quanto ao tamanho da área cultivada com a soja ilegal, sabe-se que ela é
grande e que o número de agricultores que entraram nesta furada (ainda
que experimentando uma pequena parcela de sua propriedade) é também
elevado.
É quase certo que, com uma alta taxa de contaminação, a soja gaúcha
exportada para a Europa começará a ser rejeitada.
Mais grave que isso, se algum mecanismo jurídico conseguir fazer com que
a lei seja cumprida, toda esta soja deverá ser incinerada, o que
representará uma catástrofe para milhares de agricultores, além das
indústrias moageiras e das exportadoras.
Fica evidente que é mais do que justo o Governo ser responsabilizado.
Terá que pagar pela sua arrogância, que possibilitou que o problema
chegasse a este ponto.
1. Europeus esconderam estudos que mostram que transgênicos custarão
mais
2. EUA vão reduzir embarques de grão
3. Negado pedido de suspensão de inquérito que investiga plantio de soja
transgênica
4. Venezuela exige proibição dos transgênicos
5. Cientista israelense cria 'galinha careca'
6. Criada a Comissão Indígena de Propriedade Intelectual Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Arroz orgânico em Santa Catarina:
qualidade de vida para agricultores e consumidores
Declaração do Seminário de Biodiversidade e
Transgênicos, realizado na Bahia
1. Europeus esconderam estudos que mostram
que transgênicos custarão mais
Os agricultores terão que enfrentar custos de produção mais
altos e, em certos casos, insustentáveis, caso as plantações transgênicas
sejam usadas comercialmente na Europa, de acordo com uma investigação
secreta da União Européia, que foi "vazada" quinta-feira pelo
Greenpeace e divulgada ontem pelo ENS (Serviço de Notícias
Ambientais).
O estudo intitulado "Coexistência na Agricultura Européia"
prevê que a situação se tornará insustentável para muitos agricultores
pois em diversos casos não é possível que uma região produza plantações
naturais junto com transgênicas, já que as sementes transgênicas
contaminariam as plantações não-transgênicas em níveis diversos.
Segundo o estudo da União Européia o uso de plantações transgênicas
elevaria o custo da produção de batata, colza e milho em até 41% (ao
contrário do que afirmam todos os "estudos" da Monsanto). Esse
aumento brutal nos custos de produção elevariam os preços ao
consumidor.
O estudo vinha sendo desenvolvido pelo Instituto de Estudos para
Prospecção Tecnológica do Centro de Pesquisa Conjunta da União Européia
por requisição direta da Comissão Européia e foi entregue em janeiro
deste ano, mas por razões ainda não esclarecidas, foi escondido por
quatro meses. Somente na última quinta-feira foi "vazado" para
o Greenpeace Internacional que o distribuiu para a imprensa.
Dentro do relatório estava a explicação: havia uma carta do Diretor Geral
do Centro de Pesquisas da Comunidade Européia, Barry McSweeney,
afirmando: "sendo este um assunto sensível eu sugiro, enfaticamente,
que este relatório seja mantido somente para uso interno da
Comissão". Relatório Alfa - Notas & Notícias, 22/05/02. Para ler um resumo do documento, acesse o site
http://www.greenpeace.org/~geneng/highlights/gmo/may16coexist_report.htm
2. EUA vão reduzir embarques de
grão Os EUA terão na safra 2002/03 sua menor exportação de soja em
três anos, por conta de queda na produção e crescente concorrência do
Brasil e da Argentina. É o que informa o Departamento da Agricultura dos
EUA (USDA). Ao mesmo tempo, o governo brasileiro examina e se queixa
contra subsídios dados aos produtores americanos de soja, que afetariam
as vendas brasileiras em terceiros mercados.
“Nossas exportações de soja estão aumentando”, diz um representante
brasileiro, para sublinhar a complexidade de uma disputa com os EUA na
Organização Mundial de Comércio (OMC). No lado oposto, outro membro do
governo diz que o caso contra a soja norte-americana “é cristalino” como
exemplo de violação dos acordos da OMC. (...)
Quanto aos estoques, o USDA prevê que ficarão em sete milhões de
toneladas. Analistas informam que a existência de estoques elevados
agrícolas são indicação clara de superprodução gerada por altos
subsídios. Por outro lado, a maior parte da soja norte-americana é
produzida com semente geneticamente modificada, o que tem menor aceitação
em mercados como o da União Européia. (...) Gazeta Mercantil, 17/05/02.
3. Negado pedido de suspensão de inquérito
que investiga plantio de soja transgênica O desembargador federal Élcio Pinheiro de Castro, do Tribunal
Regional Federal (TRF) da 4a. Região, negou o pedido de suspensão do
inquérito policial que investiga o plantio de soja transgênica na Fazenda
Guabiju, em Jóia (RS). O magistrado determinou que o dono da propriedade,
Roberto Mascarenhas de Souza, não seja indiciado até o julgamento do
mérito da questão.
A Procuradoria da República no município de Santo Ângelo (RS) requisitou
a abertura de inquérito policial depois da denúncia do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sobre a plantação ilegal na
Guabiju. Os advogados do produtor ingressaram com pedido de habeas
corpus no TRF para suspender a investigação, alegando não haver
legislação que regule expressamente o assunto.
O desembargador considerou precipitado suspender o inquérito. Lembrou
ainda que a própria defesa de Souza não negou o plantio de soja
transgênica no local. Zero Hora, 18/05/02.
4. Venezuela exige proibição dos
transgênicos No dia 10/05/02, durante um Fórum para discutir o regulamento
parcial da lei de diversidade biológica sobre o registro, controle e
fiscalização de organismos geneticamente modificados, derivados e
produtos que o contenham, a Rede de Ação em Alternativas aos Agrotóxicos
da Venezuela (RAPAL-VE, na sigla em espanhol), entregou à Dra. Ana Elisa
Osório, Ministra do Meio Ambiente, uma proposta de resolução ministerial
para proibir todas as atividades com transgênicos. (...)
A professora Lorna Haynes, coordenadora nacional da RAPAL-VE, explica
que, na ausência de uma infra-estrutura e meios de fiscalização, é
imprescindível que os importadores atestem que os produtos que vendem não
são transgênicos; para tanto, terão que demandar a certificação dos
países que exportam para a Venezuela.
“Existem pesquisadores que estão trabalhando com transgênicos em seus
laboratórios sem nenhuma supervisão, nem normas estritas de biossegurança
(...)”, afirmou a professora Lorna Haynes. “Além disso, temos evidências
de que as empresas multinacionais estão desenvolvendo atividades ilegais
e clandestinas com transgênicos sem controle algum. A Venezuela é o
segundo maior importador de milho dos EUA, onde aproximadamente 40% do
milho é transgênico, e não existe segregação, o que significa que a
Venezuela está importando milho transgênico”, acrescenta. (...) Ecoportal.net, 16/05/02.
5. Cientista israelense cria 'galinha
careca' Cientistas em Israel provocaram controvérsia ao criar uma
galinha sem penas que, segundo eles, cresce mais rápido - e pode ser mais
humana.
Os frangos, criados na Universidade Hebraica de Israel, não precisam ser
depenados, economizando dinheiro nas granjas.
O professor Avigdor Cahaner, responsável pelo "frango careca",
afirma que eles não se adaptariam bem em países mais frios mas, em
compensação, estariam bem melhor em países quentes. No entanto, os
críticos acham que as mudanças não beneficiam os frangos e,
provavelmente, tornam suas vidas muito pior.
O professor Avigdor Cahaner, que liderou o projeto, disse à BBC:
"Esta não é uma galinha geneticamente modificada - se trata de um
cruzamento natural entre raças -, cujas características são conhecidas há
50 anos". (...)
"É um frango normal, a não ser pelo fato de que não tem penas",
disse ele. (...)
As galinhas sem penas tendem a ter menos gordura e, provavelmente, a
crescer mais rápido, o que melhoraria a qualidade da carne e ajudaria os
produtores a economizar dinheiro. (...)
Grupos de defesa dos animais alertam que as penas são importantes para
ajudar as galinhas a se proteger de parasitas, e que elas provavelmente
vão ser "queimadas" pelo sol.
Além disso, os frangos macho podem não conseguir se reproduzir. Para ver em vídeo a reportagem sobre as galinhas sem penas: http://news.bbc.co.uk/media/video/37941000/rm/_37941000_chicken13_nelson_vi.ram GMT, 21/05/02.
6. Criada a Comissão Indígena de Propriedade
Intelectual Com o objetivo de promover a articulação dos povos indígenas
brasileiros para a discussão da temática da propriedade intelectual e da
proteção dos conhecimentos tradicionais, foi criada a Comissão Indígena
de Propriedade Intelectual.
Sua estratégia de funcionamento será montar um cronograma para a
participação em eventos e cursos de formação, com o objetivo de
qualificar profissionais indígenas sobre a matéria; estabelecer parcerias
com universidades, órgãos governamentais nacionais e internacionais e
entidades indígenas para o desenvolvimento de mecanismos de defesa e
proteção dos conhecimentos tradicionais; e criar um espaço permanente que
sirva de referência às comunidades em suas demandas concernentes à
proteção do Patrimônio Cultural das Coletividades Indígenas. Perequê Vieira, Instituto Nacional de Propriedade Intelectual,
22/05/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Arroz orgânico em Santa Catarina:
qualidade de vida para agricultores e consumidores
Com aproximadamente 300 ha cultivados, consolida-se um novo
núcleo de produtores de arroz orgânico em alguns dos principais
municípios orizícolas do sul de Santa Catarina. O grupo conta com 28
agricultores que apostam na agricultura orgânica.
O trabalho é desenvolvido através de uma parceria entre agricultores, a
Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense (Coopersulca) e a
Indústria de Beneficiamento de Arroz Fortaleza de Topanote.
Os agricultores envolvidos no projeto estão motivados pelo retorno
financeiro garantido pela indústria e pela crença nos benefícios que a
agricultura orgânica pode lhes trazer. Estes benefícios dizem respeito à
qualidade do solo e da água, que são fatores fundamentais para o
cultivo do arroz, e o não uso de agrotóxicos.
Os números atuais de intoxicações, doenças e contaminações ambientais
causadas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos em Santa Catarina são
alarmantes. Registram-se anualmente quinhentos novos casos de
intoxicação. No último ano foram quinze mortes.
As produtividades alcançadas nesses três anos de trabalho são muito boas.
As lavouras orgânicas produziram em média 6.000 kg/ha, enquanto a média
regional para o cultivo convencional é de 7.500 kg/ha.
Para obter estes resultados conta-se com a rizipiscicultura, consórcio de
arroz e criação de peixes, uma das práticas de cultivo orgânico de arroz
mais eficientes e utilizadas, onde os peixes fazem todo o trabalho de
preparo do solo, fertilização e controle de pragas e plantas invasoras.
Esta experiência mostra que o investimento em técnicas alternativas traz
bons resultados e aponta para a necessidade de sensibilização dos
consumidores para a proposta. Adaptado de: Bressan, Guilherme N. Arroz orgânico em Santa Catarina:
garantia de qualidade de vida para produtores, consumidores e indústrias.
Agroecologia Hoje, Agroecológica eventos & publicações,
out./nov., 2001, ano II, n. 11, p.11-12.
Declaração do Seminário de Biodiversidade e
Transgênicos, realizado na Bahia Os transgênicos e a fome no mundo As organizações presentes em Salvador, durante o Seminário de
Biodiversidade e Transgênicos, realizado pelo Conselho Regional de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia-CREA, com apoio da Campanha
“Por um Brasil Livre de Transgênicos”, considerando que:
1. O plantio de lavouras transgênicas, bioinseticidas ou resistentes a
herbicidas, acarretará danos irreversíveis não apenas ao meio ambiente,
mas à própria espécie humana, ameaçando à soberania do povo
brasileiro.
2. A introdução ilegal dos organismos geneticamente modificados na
agricultura e na dieta da família brasileira, que conta com a omissão do
Governo, pode trazer prejuízos a saúde pública e perdas econômicas
significativas aos agricultores brasileiros, dificultando as exportações
agrícolas e projetando um cenário de insolvência a esse setor, em
especial no Sul do Brasil, facilitando o monopólio das
multinacionais.
3. As legislações em tramitação no Congresso Nacional, que dispõe sobre a
liberação dos alimentos transgênicos, caso aprovadas de acordo com os
interesses das empresas multinacionais, envolverão violações dos direitos
da cidadania e dos direitos do consumidor. Recomendam: - que, em vista das notícias veiculadas pela imprensa sobre a
expansão das lavouras transgênicas ilegais, o governo passe a fiscalizar
e penalizar de acordo com o rigor da lei e aloque recursos suficientes
para que os Ministérios da Agricultura, da Saúde e Meio Ambiente, possam
cumprir com as suas obrigações.
- que se coloque em prática o “Princípio da Precaução”, garantido na
Constituição Federal, conforme preconizado pela SBPC-Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência e a convenção de biodiversidade.
- que se reestruture, a Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança-CTNBio, adotando critérios de paridade em seus Conselhos -
sociedade civil e governo -, para que seus processos deliberativos sejam
transparentes, democráticos e abertos para a sociedade.
- que os parlamentares federais, estaduais e municipais, se empenhem no
sentido de aprovar legislações que preservem os direitos do consumidor,
do agricultor familiar e das comunidades tradicionais, diante da
flexibilização imposta pelos tratados internacionais, tais como os de
Direitos de Propriedade Intelectual, à legislação nacional;
- que seja aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, Minorias e Meio
Ambiente da Câmara dos Deputados, o Relatório Final do deputado federal
Ronaldo Vasconcellos, da Comissão de Fiscalização que denuncia a omissão
do governo em fiscalizar e controlar os campos experimentais.
- que os deputados federais rejeitem o substitutivo do deputado Confúcio
Moura, que advoga a liberação do plantio para fins comerciais dos
organizamos geneticamente modificados no país;
- que o Poder Executivo ratifique o Protocolo de Biossegurança.
Por fim, alerta as autoridades executivas e legislativas, em todos os
níveis, que a sociedade civil está organizada e atenta na defesa da
cidadania, da soberania, do meio ambiente e da saúde pública. Salvador, 8 e 9 maio de 2002.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
=> Acesse a Cartilha
"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não
desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço
<campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de
nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s
A Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos se reuniu
com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em seu gabinete em
Brasília na última quarta-feira, 08/05/02.
O objetivo do encontro foi cobrar do Governo Federal a adoção de medidas
para impedir o contrabando e o cultivo ilegal de transgênicos e de
fiscalização de produtos importados e nacionais que contenham organismos
geneticamente modificados, em obediência à decisão judicial que proíbe o
cultivo e a comercialização de transgênicos no Brasil.
A Campanha também solicitou uma postura imparcial do Governo nas questões
que envolvem a regulamentação e o processo de liberação dos transgênicos
no País e a atenção para os impactos à saúde (hoje ignorados), ao meio
ambiente e à agricultura (muitos já comprovados) e à economia
(freqüentemente citados pela imprensa).
Entre as críticas apresentadas pela Campanha ao ministro estava a pressão
que o Governo vem fazendo sobre o Ministério do Meio Ambiente para
silenciar sua posição sobre a necessidade da exigência de avaliação de
impacto ambiental para os transgênicos (ver, por exemplo,
Boletim 99), além das várias
irregularidades cometidas pelo Governo e denunciadas no relatório da
Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), instalada pela Comissão de
Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados
(ver Boletim 106).
O Governo também foi criticado por impedir, através de uma enorme
manobra, a votação no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) da
minuta sobre os critérios e procedimentos para o licenciamento ambiental
de atividades e empreendimentos que envolvam transgênicos, no dia
21/03/02 (ver Boletim 106), e pela
edição do decreto sobre a rotulagem de alimentos produzidos a partir de
ingredientes geneticamente modificados, em julho de 2001, em desacordo
com o Código de Defesa do Consumidor, privando a população brasileira do
direito à informação (ver Boletim
74).
O ministro disse desconhecer as denúncias, afirmou que o Governo não tem,
em princípio, uma posição definida em favor dos transgênicos (o que é
desmentido por toda a prática citada acima) e que irá analisar as
reivindicações. Comprometeu-se a procurar o Ministério da Agricultura e a
Polícia Federal, para cobrar ações de fiscalização sobre o contrabando de
sementes e sobre os cultivos ilegais, e também o Ministério da Saúde,
para cobrar a realização das avaliações de riscos do consumo de
transgênicos para a saúde humana, conforme determinação
judicial.
Nós da Campanha também procuraremos conversar com os Ministérios da
Agricultura e da Saúde, para fazermos as mesmas cobranças. E
continuaremos a cobrar o cumprimento da lei e a denunciar as
irregularidades e os atropelos do governo.
******************************* Neste número:
1. Perdigão faz acordo com Ministério Público
2. PT tenta proibir transgênicos no DF e criar selo de produtos sem
mudança genética
3. Soja convencional ganha mercado
4. Comida transgênica representa preços mais altos para o consumidor
5. Testes com transgênicos são falhos
6. Relatório da FAO mostra que o Brasil é o 3º maior consumidor de
agrotóxicos domundo Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Lagoas artificiais enriquecem
agricultura do semi-árido boliviano Evento: Seminário
"O PAPEL DAS ONGs NAS POLÍTICAS PÚBLICAS” Leitura fundamental:
“Futuro Roubado” e “O plástico nosso de cada dia -
seus ascendentes, descendentes e correlatos”
*******************************
1. Perdigão faz acordo com Ministério Público O Ministério Público (MP) de Santa Catarina firmou com a
Perdigão um "termo de ajustamento de conduta" após ter
encontrado traços de soja geneticamente modificada em 10 toneladas de
produto depositado em um dos silos da empresa em Guarujá do Sul (SC).
Pelo termo, assinado no dia 22 de abril por iniciativa do promotor de
Justiça de São José do Cedro, Fernando da Silva Comin, a Perdigão assume
que "não manterá em depósito, manipulará, transportará ou
comercializará" soja com a proteína CP4 EPSPS, que a qualifica como
geneticamente modificada.
A Perdigão também se comprometeu a elaborar, em 30 dias, um cadastro com
identificação e descrição dos fornecedores rurais, com especificação de
volumes entregues. Deverá ainda realizar testes preliminares de detecção
da proteína CP4 EPSPS a cada três cargas recebidas pelo produtor (ou cada
carga superior a 10 toneladas).
Até a descoberta do lote contaminado, a empresa exigia de seus
fornecedores de soja uma declaração na nota fiscal de que o produto era
livre de transgênicos. A Perdigão informou que o fornecedor do lote
contaminado vai destruir o produto.
Pelo termo, em caso de presença de transgênico, a empresa não poderá
receber a carga e terá de notificar o ministério e a prefeitura. Havendo
reincidência, o produtor será excluído da lista de fornecedores. Caso não
cumpra o acordo, a Perdigão será multada em R$ 5 mil por dia.
O "termo de ajustamento de conduta" foi o instrumento
encontrado pelo MP de Santa Catarina para resolver mais rapidamente casos
de ocorrência de transgênicos. Em 2001, foram assinados termos com Nestlé
e Josapar, entre outras. Valor Econômico, 07/05/02.
2. PT tenta proibir transgênicos no DF e
criar selo de produtos sem mudança genética O Distrito Federal poderá proibir por cinco anos o plantio e a
comercialização de transgênicos, ao mesmo tempo que concede certificado
de alimentos sem organismos geneticamente modificados para efeito de
exportação agrícola. Projetos neste sentido começaram a tramitar ontem
(06/05) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, apresentados pelo
líder do Partido dos Trabalhadores, Chico Floresta.
Um dos projetos de lei proíbe durante cinco anos o plantio e o comércio
de plantas a partir de sementes de organismos geneticamente modificados,
"para dar tempo às pesquisas sobre os efeitos sobre a saúde humana e
o meio ambiente", de acordo com Floresta, ex-secretário do meio
ambiente no Governo Cristóvam Buarque. "Temos pesquisas na Europa
mostrando alguns efeitos maléficos, o que justifica a cautela",
afirma.
O outro projeto de lei institui o Certificado de Produto Geneticamente
Autêntico (GPGA), para fins de comercialização e exportação de produtos
agrícolas, alimentares e derivados, a ser concedido pela Secretaria de
Agricultura do DF. (...) Via Ecológica,07/05/02.
3. Soja convencional ganha mercado Para a UFRJ, a oferta de produtos não-transgênicos ajuda as
exportações brasileiras. A não produção de transgênicos ajudou o Brasil a
aumentar as exportações de soja, segundo pesquisa da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). No período de 1995 -- início da produção
comercial mundial do grão geneticamente modificado -- até 1999, as
exportações do grão brasileiro cresceram em volume o equivalente à perda
de mercado externo dos Estados Unidos e da Argentina, principais
concorrentes, ou seja, 4 milhões de toneladas.
Com a introdução ilegal do plantio no Brasil, estimado* em até 15% da
área da safra em todo País pela Associação Brasileira de Produtores de
Sementes (Abrasem), porém, há uma tendência de perda de mercado e procura
por opções mais seguras como, por exemplo, a soja do cerrado.
Nos últimos três anos, as exportações do complexo soja cresceram muito
mais no Centro-Oeste do que no Sul. Segundo o Ministério da Agricultura,
entre 1999 e 2001 houve variação de 85% nas vendas externas da soja do
Centro-Oeste, para 8,7 milhões de toneladas, em relação a um crescimento
de 15% no Sul, que vendeu 14 milhões de toneladas.
A pesquisadora Rafaela Guerrante, da UFRJ, disse que a situação do Brasil
parecia favorável à produção de culturas convencionais, pois quando os
importadores não pagavam adicional, compravam em maior volume. "Mas
já não são tão evidentes as vantagens econômicas para o Brasil se manter
produtor de sementes não alteradas geneticamente."
Segundo ela, isso se deve ao fato de ter entrado o grão transgênico
ilegalmente no País, o que provoca aumento de custos para a segregação.
(...) Gazeta Mercantil, 07/05/02. N.E.: Não há dados oficiais sobre a área plantada com soja
transgênica no País. A atividade é ilegal e há estimativas bastante
divergentes sobre este número.
4. Comida transgênica representa preços mais
altos para o consumidor Segundo Glenn Ashton, ativista da campanha contra transgênicos
na África do Sul, os produtos geneticamente modificados contribuem com a
tendência inflacionária no custo dos alimentos.
A questão foi levantada na terceira Conferência Anual de Segurança em
Alimentos e Bebidas, em Rosebank, Joanesburgo, realizada na última semana
sob o patrocínio do Instituto de Pesquisa Internacional. Também foram
levantadas preocupações com relação à falta de consulta sobre a
introdução dos cultivos e alimentos transgênicos na África do Sul.
(...)
Ashton disse que foi estimado um aumento de 0,5% a 5% nos custos dos
alimentos devido à segregação entre cultivos transgênicos e
não-transgênicos, introduzindo uma desnecessária e desagradável tendência
inflacionária. Ele disse que nenhum agricultor ou processador de
alimentos aceitará com boa vontade arcar com os custos da segregação e
que, no fim, este custoserá repassado para os consumidores.
Muitos dos conferencistas disseram que os tipos atuais de cultivos
transgênicos não oferecem qualquer vantagem para os consumidores.
(...)
Recentemente as empresas de seguros das indústrias australianas e
britânicas declararam que alimentos e cultivos transgênicos, assim como
os acidentes nucleares e acidentes de guerra, não são asseguráveis.
“Parece absurdo o fato de que aqueles que mais se beneficiam destes
cultivos -- as corporações multinacionais que estão os introduzindo na
cadeia alimentar -- não assumem a responsabilidade pelos riscos. Por
outro lado, espera-se que a indústria de alimentos e bebidas e os
consumidores assumam não apenas os custos de segregação, como também os
significativos riscos introduzidos por estas pouco testadas tecnologias”,
disse Ashton.
Ashton citou vários estudos sobre alimentação animal que relacionam
problemas no sistema digestivo e outras sérias doenças com a utilização
de produtos transgênicos. Estes estudos alertaram para os problemas
colocados pela introdução do milho branco transgênico no mercado este ano
no país.
“É realmente irônico que nosso governo levante questões científicas e
econômicas acerca do debate sobre a AIDS e os interesses das indústrias
farmacêuticas por um lado e, por outro lado, permita que a grande maioria
pobre e desinformada da nossa nação seja involuntariamente envolvida em
um inédito experimento alimentar de corporações multinacionais”.
(...) Mail & Guardian, via Africa News, 03/05/02.
5. Testes com transgênicos são falhos Descobriu-se que testes de segurança com o milho transgênico
atualmente conduzidos na Inglaterra apresentam falhas.
O milho transgênico T-25 foi testado em galinhas em experimentos
laboratoriais. Durante os testes, o dobro das galinhas alimentadas com o
milho transgênico T-25 morreram, em comparação com as que se alimentaram
do milho convencional.
Esta pesquisa foi supervisionada quando o cultivo foi aprovado em 1996
pelo Comitê Consultivo para Liberação no Ambiente (Acre, na sigla em
inglês). (...)
Mas, após a investigação feita pela Rádio BBC no programa “4´s Farming
Today”, o presidente da Acre, Lord Alan Gray, admitiu que a pesquisa
deveria ser re-analisada e que os testes de segurança não eram bons o
suficiente para dar uma verdadeira idéia dos riscos envolvidos.
(...)
O milho transgênico T-25 está sendo plantado em experimentos de campo por
toda a Inglaterra e o governo tem a intenção de usá-lo em ração
bovina.
O Dr. Stephen Keston, pesquisador sênior do departamento de ciência
veterinária da Escola Veterinária de Bistol, estudou os testes
iniciais.
“Surpreende-me o fato de termos ido tão longe no processo de
licenciamento de um cultivo transgênico baseados numa ciência tão pouco
consistente”, disse ele. (...)
Peter Ainsworth, sub-secretário de estado do Departamento Ambiental
(Defra, na sigla em inglês), está pedindo por uma revisão completa de
todo o processo de liberação para os cultivos transgênicos.
Em janeiro, o governo anunciou mais 44 locais do país que serão usados
para testes agrícolas com canola e beterraba transgênica. (...) BBC, 27/04/02.
6. Relatório da FAO mostra que o Brasil é o
3º maior consumidor de agrotóxicos domundo Recente relatório da FAO classifica o Brasil como o terceiro
maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com o emprego anual de 1,5 kg
de ingrediente ativo por hectare cultivado. Isso em média global,
considerando todo o universo agrícola nacional. Em determinados tipos de
lavoura, o consumo é extremamente alarmante (na cultura do tomate, a
média é de 40 kg/ha a cada safra). E, não por acaso, em matéria de
mortalidade por câncer, o Brasil é o terceiro no ranking mundial.
Mas o câncer não é a única doença grave causada por pesticida, conquanto
seja a mais aterrorizante. Na longa esteira de suas terríveis
conseqüências, incluem-se a cirrose hepática, a impotência sexual,
fibrose pulmonar, distúrbios do sistema nervoso central (implicando
depressão, loucura e/ou paralisia facial) e muitas outras doenças de
natureza toxicológica, a que estão mais sujeitos, não só os que lidam
diretamente com agrotóxicos no campo, mas, sim, os consumidores.
(...)
Por mais paradoxal que possa parecer, esse exagerado investimento em
agrotóxicos, crescente a cada ano, não correspondeu, em nosso país, a uma
redução significativa das perdas agrícolas, devido a pragas e doenças. Ao
contrário, os resultados foram contraproducentes, em função da
intensidade dos desequilíbrios biológicos causados pelo coquetel de
pesticidas, culminando com o extermínio dos inimigos naturais dos agentes
de pragas e fitomoléstias.
Em correspondência com a assertiva acima exposta, tal investimento foi,
em linhas gerais, economicamente frustrante. Com efeito, no período de
dez anos (1976/85), cresceu em 500% o consumo de agrotóxicos no Brasil,
enquanto, no mesmo período, registrava-se um aumento de produtividade de
5% apenas, ganho que, além de irrisório, não pode ser creditado
exclusivamente a pesticidas. A enorme discrepância entre tais números
sinaliza o malogro de tão pesado investimento em agrotóxicos. Não
obstante, por força de uma campanha tenaz e massificante, indo da
persistente propaganda na mídia à corrupção de pesquisadores e técnicos,
o faturamento das multinacionais dos agroquímicos continua em alta.
Conscientes da gravidade do problema, pesquisadores da Universidade
Federal do Ceará instituíram, desde 1979, uma linha de pesquisa que
objetiva a descoberta de defensivos naturais, a partir de extratos e
derivados vegetais. Foram obtidos excelentes resultados com a manipueira
(extrato líquido ou sumo das raízes de mandioca), um resíduo industrial
abundante e gratuito em todas as regiões onde se cultiva essa planta.
(...)
A equipe da Universidade criou uma campanha contra os agrotóxicos e está
organizando, através da Academia Cearense de Ciências (Aceci), o
Congresso Brasileiro de Defensivos Agrícolas Naturais (já agora em
segunda edição), que será realizado em Fortaleza, de 23 a 27 de setembro
de 2002. O Povo, Fortaleza,0 4/05/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Lagoas artificiais enriquecem
agricultura do semi-árido boliviano
Em uma comunidade em Oloy, perto de Cochabamba, na Bolívia,
região localizada no semi-árido a uma altitude de 2.100 m, desenvolveu-se
uma alternativa para a captação de água, que representava uma das maiores
dificuldades para a agricultura local.
A solução foi a criação de lagoas artificiais nas propriedades de
agricultura familiar, que proporcionaram um processo acelerado de mudança
na vida dos agricultores.
Com a ajuda das lagoas, os agricultores da região, que anteriormente só
produziam milho, melhoraram seu sistema agrícola desenvolvendo novas
estratégias para produzir hortaliças, grãos, árvores frutíferas e criarem
animais.
A água para encher as lagoas é proveniente do escoamento de áreas mais
altas durante a temporada de chuva.
Devido à ausência de água constante de outras fontes permanentes, as
lagoas rapidamente se convertem em fonte de água para uso doméstico e
para o consumo de animais, além de proporcionarem irrigação dos cultivos
na época da seca.
Em geral, os rendimentos da agricultura com lagoas artificiais na região
são quatro vezes mais altos que os níveis normais da produção na seca e
cada vez é maior a contribuição que este tipo de agricultura vem trazendo
a segurança alimentar local.
Os agricultores perceberam, no entanto, que somente a introdução das
lagoas artificiais não solucionou seus problemas, pois o sistema de
manejo convencional continuou proporcionando o encarecimento de sua
produção devido a gastos com insumos agrícolas, esgotamento do solo e o
incremento da população de pragas nas lavouras. Assim, eles viram a
necessidade de buscar alternativas para a agricultura e começaram a
experimentar o que chamam de agricultura integrada, onde buscam
diversificar seu sistema de cultivo e integrá-la à criação animal.
Ao diversificarem nas seus sistemas, os agricultores da região alcançaram
uma maior segurança econômica, combinando os objetivos do mercado com o
auto-abastecimento e baixaram para 1/3 os gastos que tinham anteriormente
com a agricultura. Michael Verweij. Hacia uma agricultura sostenible com lagunas
artificiales. Boletín ILEIA, Fundación ILEIA, dezembro de 2001
vol.17 nº3, p.26-28.
Evento: O Observatório de Políticas Ambientais (OPA) do Estado do
Rio de Janeiro convida você para o seminário "O PAPEL DAS ONGs
NAS POLÍTICAS PÚBLICAS”, uma análise da importância do acompanhamento
das políticas públicas pelas ONGs, com vistas à construção de uma Agenda
Positiva do Meio Ambiente.
O evento será realizado no dia 14/05/02, às 18:00 horas, no ISER -
Ladeira da Glória 98 - Glória - Rio de Janeiro.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2556-5004.
Na ocasião, será servido um coquetel de lançamento do site do OPA,
que estará aberto a novas filiações.
Leitura fundamental A editora gaúcha L&PM Editores acaba de lançar
a segunda edição do livro “Futuro Roubado”, de Theo Colborn
(editado pela primeira vez em 1997). Este livro apresenta dados
impressionantes sobre princípios ativos e moléculas, presentes sobretudo
em plásticos e agrotóxicos, que têm a característica de imitar hormônios
femininos, alterar o aparelho reprodutor masculino e causar
interferências no organismo das fêmeas.
A obra pode ser adquirida na Cooperativa Coolméia, pelo valor de R$
35,00, com o Sr. Rafael, pelo telefone (51) 3286-3304.
Rejane Ludwig (engenheira química e ambientalista) e Luiz Jacques
Luderitz Saldanha (engenheiro agrônomo) também publicaram um livreto onde
procuram decodificar algumas das informações contidas no livro “Futuro
Roubado”.
Ele se chama "O plástico nosso de cada dia - seus ascendentes,
descendentes e correlatos", e é vendido por R$ 20,00. Quem
compra o livreto recebe, gratuitamente, uma cópia condensada do programa
“O Futuro Roubado”, feito pela BBC de Londres (baseado no livro de
Colborn), que se chama "Agressão ao homem".
Quem quiser também leva, por mais R$ 5,00, uma sacola de pano de algodão
rústico, como estímulo para abandonar o saco plástico do supermercado
quando faz suas compras.
Para adquirir estes materiais, você pode fazer contato com Luiz Jacques,
através do e-mail: <jacques@...>
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
=> Acesse a Cartilha
"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não
desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço
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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim"
> Olá para todos,
> recebemos este e-mail do greenpeace sobre uma vitória sobre a utilização dos
> trangênicos em produtos alimentícios.
> Entre na página e faça um download do guia do consumidor com os produtos que
> contém trangênicos
> um abraço
> pat
>
>
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> UNILEVER E NISSIN DECIDEM NÃO UTILIZAR MAIS TRANSGÊNICOS NO BRASIL
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>
> Graças à sua ajuda, o Greenpeace conseguiu uma vitória importante contra a
> liberação de alimentos transgênicos no país. No início de maio, duas grandes
> indústrias de alimentos que foram denunciadas pelo Greenpeace por
> comercializarem produtos contaminados com transgênicos, a Nissin (com o
> produto Cup Noodles) e a Unilever (proprietária da marca Knorr), garantiram
> que não vão mais utilizar esta matéria-prima em seus produtos. Esta vitória
> é o resultado da pressão que estas empresas receberam de pessoas como você
> através de cyberactions e outras atividades desde que o Greenpeace realizou
> os primeiros testes de produtos, há dois anos atrás.
>
> As atitudes dos consumidores têm um efeito forte e decisivo sobre as
> estratégias e posicionamentos que as empresas tomam. Partindo deste
> princípio, estamos lançando nesta semana o “Guia do Consumidor” com uma
> lista de produtos com ou sem transgênicos. Este guia é parte do trabalho que
> o Greenpeace vem realizando no sentido de pressionar as indústrias de
> alimento para que elas deixem de utilizar transgênicos em seus produtos. O
> objetivo principal é de evitar riscos desnecessários ao meio ambiente e à
> saúde humana, já que não existem estudos conclusivos sobre os efeitos da
> liberação de transgênicos para as pessoas e a natureza.
>
> O guia do consumidor é uma publicação inédita no Brasil, mas já foi lançado
> pelo Greenpeace em diversos países com muito sucesso. Ele é um instrumento
> para que você possa atuar diretamente nesta campanha e possa exercer seus
> direitos de consumidor e cidadão.
>
> A introdução do guia contém informações sobre alimentos transgênicos e o
> porquê de evitá-los. O guia divide os produtos vendidos no país em duas
> listas: a verde, dos produtos livres de transgênicos e a vermelha, dos
> produtos contaminados por transgênicos ou dos quais as empresas fabricantes
> não deram garantias quanto a não-utilização desta matéria-prima.
>
> Além de procurar evitar os produtos da lista vermelha, você pode colaborar
> divulgando o guia para amigos, parentes, vizinhos e colegas. Quanto mais
> pessoas conhecerem e utilizarem este guia, maior a pressão nas industrias
> alimentícias para mudarem sua política com relação aos transgênicos no país.
> Em tempo: organismos geneticamente modificados são proibidos no Brasil,
> logo, a comercialização destes produtos também é ilegal.
>
> Você pode baixar o guia agora mesmo em nosso site. Além disso, ele estará
> sendo distribuído gratuitamente nas lojas do Greenpeace, em São Paulo e
> Salvador, e junto ao Grupo Local de Porto Alegre. Durante a semana do meio
> ambiente estaremos distribuindo este Guia em diversas cidades do país: São
> Paulo, Porto Alegre, Manaus, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio
> de Janeiro e Santos. Depois desta semana, iremos estender esta atividade
> para outras cidades também.
>
> ------------------------------------------------------------------------
> O QUE VOCÊ PODE FAZER
> ------------------------------------------------------------------------
> 1. Entre em nossa página e baixe a versão digital do Guia:
> http://www.greenpeace.org.br/guia
>
> 2. Entenda melhor o que são transgênicos e porque você deve evitá-los em:
> http://www.greenpeace.org.br/transgenicos
>
> 3. Veja os endereços e locais onde estaremos divulgando o Guia:
> http://www.greenpeace.org.br
>
> 4. Envie esta mensagem para seus amigos e ajude a divulgar estas
> informações.
>
> 5. Filie-se ao Greenpeace
> Você pode imaginar a extinção de toda uma espécie, como a borboleta monarca?
> E de muitos outros animais e vegetais, alguns essenciais a todos nós, como
> variedades inteiras de milho? A perda da biodiversidade é uma conseqüência
> grave e irreversível do uso de transgênicos.
> Junte-se ao Greenpeace em nosso trabalho de preservação da vida no planeta!
> http://www.greenpeace.org.br/filie-se
>
> ------------------------------------------------------------------
> MANTENHA-SE INFORMADO ACESSANDO SEMPRE:
> http://www.greenpeace.org.br
> ------------------------------------------------------------------
Segunda-Feira, 10 de Junho, 10:32 PM
Países pobres sofrem com debate sobre comida transgênica doada
(O milho doado pelos EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK, variedade
aprovada pelo governo norte-americano somente para uso animal.)
Por Richard Cowan
WASHINGTON (Reuters) - Enquanto os Estados Unidos e a Europa lutam pelo futuro
dos alimentos geneticamente modificados, países pobres que precisam de doação de
milho e soja ficam na rebarba dos debates sobre biotecnologia.
A Europa demonstra preocupações com os efeitos ambientais e à saúde que os
alimentos transgênicos podem causar. Os Estados Unidos dizem que a segurança já
foi provada cientificamente.
A disputa ficou mais aparente nesse mês, quando uma doação de 10 mil toneladas
de milho do governo norte-americano para o Zimbábue foi retida por causa de
preocupações com a biotecnologia.
O milho irá para outros países do sul da África, mesmo com metade dos 11,5
milhões de habitantes do Zimbábue em risco de passar fome.
Autoridades da ONU dizem que não haveria problema com a doação dos EUA se o
milho fosse moído e não em grãos inteiros. Mas os grãos poderiam ser usados como
sementes e não para o consumo. Isso criaria um problema duplo.
Se o milho fosse comido por animais, as exportações de carne do Zimbábue para a
Europa ficariam ameaçadas.
Segundo uma autoridade do Programa Mundial de Alimentação, o governo do Zimbábue
poderá aceitar uma doação de milho transgênico dos EUA em julho, se "acompanhada
de uma campanha de educação e conscientização" para que não seja usado como
alimento para animais ou como semente.
Os Estados Unidos acusam a Europa de usar a biotecnologia para erguer barreiras
comerciais injustas.
Em 1999, após um ciclone no Estado de Orissa, Índia, grupos ambientalistas
fizeram uma campanha contra a doação de uma mistura de soja e milho transgênica.
O governo indiano acabou aceitando a doação.
Na segunda-feira, o grupo Amigos da Terra afirmou que parte do milho doado pelos
EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK, variedade aprovada pelo
governo norte-americano somente para uso animal.
A empresa Aventis SA, que fez o StarLink, recusou-se a comentar o assunto.
OPOSIÇÃO
De acordo com um estudo privado, cerca de 25 por cento da comida doada no mundo
vem de sementes modificadas para repelir insetos ou resistir a herbicidas.
O percentual pode subir para 82 por cento com o aparecimento da farinha
biotecnológica, daqui a muitos anos, segundo relatório do grupo Agricultural
Cooperative Development International/Volunteers.
As primeiras plantas transgênicas foram desenvolvidas por cientistas nos anos
1980s. Desde então, vêm sendo usadas em grandes fazendas dos Estados Unidos,
onde quase 70 por cento da soja e 25 por cento do milho tem origem geneticamente
modificada.
A tecnologia se encaixa no objetivo da ONU de reduzir a fome no mundo pela
metade até 2015, mas sofre oposição de grupos de consumidores e ambientais.
"Quando o assunto é comida geneticamente modificada ou nada, a maioria das
pessoas diz que prefere comer," disse Marc Cohen, do Instituto de Pesquisa de
Políticas Internacionais de Alimentação.
http://br.news.yahoo.com/020703/16/6y43.html
Quarta-Feira, 3 de Julho, 01:40 PM
UE aprova lei de identificação de alimentos modificados
ESTRASBURGO, França (Reuters) - O Parlamento Europeu
aprovou na quarta-feira, em primeiro turno, uma lei rígida
exigindo a identificação de alimentos geneticamente
modificados (GM).
A nova lei pode detonar a ira dos agricultores
norte-americanos, além de desencadear uma nova disputa
comercial.
Mas, segundo os parlamentares, a lei deve na verdade
reabrir os mercados europeus às comidas GM, apelidadas de
"comidas Frankenstein" por opositores do gênero. No
momento, há uma moratória informal na União Européia (UE)
na autorização da venda ou do cultivo de grãos GM.
As novas regras, aprovadas em uma primeira votação, exigem
que qualquer ração animal ou alimento vendido na UE tenha
um selo alertando os consumidores sobre a presença de
ingredientes GM.
Isso se aplica até mesmo a material geneticamente alterado
que não pode ser detectado por ser destruído durante o
processo de fabricação, como acontece com óleos e açúcares.
O projeto de regulamentação, que ainda tem de ser aprovado
pelos governos dos países-membros da UE, são a peça mais
recente das leis européias criadas para aplacar os temores
dos consumidores a respeito de alimentos GM, que, segundo
alguns, poderiam provocar prejuízos à saúde ou ao meio
ambiente.
As novas regras podem colocar o bloco europeu em rota de
colisão com os EUA, para quem a engenharia genética é algo
comum na agricultura e que já questionaram a legalidade das
restrições da UE sobre produtos GM com base nas leis
internacionais de comércio.
O projeto, elogiado pelos deputados ambientalistas, será
agora discutido pelos países-membros da UE e depois volta
para uma segunda votação no Parlamento.
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################
Número 123 - 26 de julho de 2002
Car@s Amig@s,
As entidades da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos têm o
prazer de convidá-los a participar do debate "Por um Brasil
Ecológico, sem Transgênicos e sem Agrotóxicos", que será aberto
ao público se realizará às 19:30 h do dia 1º de agosto, próxima
quinta-feira, no Auditório Odílio Costa Filho - Universidade Estadual do
Rio de Janeiro - UERJ*, durante a
programação do Encontro Nacional de Agroecologia (ENA).
Farão parte da mesa de debate, Jean Marc von der Weid, coordenador do
Programa de Políticas Públicas da AS-PTA, Marilena Lazzarini,
coordenadora executiva do IDEC (ambos coordenadores da Campanha Por um
Brasil Livre de Transgênicos), Liszt Benjamin Vieira, Secretário de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro, e
Adélia Schmitz, dirigente da Articulação Nacional das Mulheres
Trabalhadoras Rurais. Adriano Campolina, coordenador de Campanhas da
ActionAid Brasil (e também da Campanha Por um Brasil Livre de
Transgênicos) presidirá a mesa.
Contamos com sua presença!
* Local: Auditório Odílio Costa Filho
- Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ.
Campus da UERJ, Rua São Francisco Xavier, 524 - bairro Maracanã, Rio de
Janeiro RJ.
*************************************************
Neste número:
1. Russos vetam frango americano por ser alimentado com ração
transgênica
2. RS propõe comissão para discutir safra
3. Sementes de algodão Bt queimadas na Índia
4. Monsanto tem perda no semestre Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Honduras, Guatemala e Nicarágua: avanços
no cultivo em montanhas
*************************************************
1. Russos vetam frango americano por ser alimentado com ração
transgênica A partir de 1º de agosto a Federação Russa pode vetar o
desembarque de carne de frango dos EUA nos portos do país. A decisão pode
favorecer as exportações paranaenses. O veto russo está fundamentado na
exigência de certificado sanitário que restringe carne de aves
alimentadas com produtos transgênicos.
Fontes da Federação da Agricultura (FAEP) dizem que esta é uma indicação
segura de que o Paraná deve se manter livre dos produtos geneticamente
modificados. "O Paraná está no caminho certo", comentou o
assessor de pecuária da entidade, Alexandre Jacewicz. Segundo ele, há um
mercado seguro e diferenciado de produtos convencionais de consumo.
(...)
O Brasil este ano exportou cerca de 70 mil toneladas de aves para os
países da Federação Russa (US$ 42 milhões). O Paraná participou com 30%
da movimentação. Recentemente, a Secretaria de Agricultura do estado
promoveu uma série de quatro fóruns regionais para orientar os produtores
de soja e milho a preservar suas lavouras convencionais como um
diferencial competitivo. Gazeta do Paraná, 23/08/02.
2. RS propõe comissão para discutir
safra O governo do estado (do RS) quer compor um grupo de trabalho,
com representantes da cadeia produtiva de soja e milho, para discutir
estratégias de produção e comercialização na safra 2002/2003.
O objetivo é conscientizar os produtores sobre os riscos do plantio de
transgênicos, ilegal no país. A proposta foi apresentada ontem pelo
diretor geral da Secretaria da Agricultura, Carlos Guedes de Guedes, a
representantes de mais de 20 entidades, em reunião da Divisão de
Agribusiness da Federação das Associações Comerciais (Federasul).
A idéia é definir uma política comum que permita ao Estado eliminar
dificuldades para a entrada dos produtos gaúchos nos mercados, disse
Guedes.
Guedes citou como proposta a regulamentação da rotulagem de transgênicos,
controle da entrada de sementes e criação de uma campanha educativa para
desestimular o plantio clandestino. O vice-presidente da Federasul,
Antônio Sartori, manifestou preocupação com a disponibilidade de sementes
certificadas para a área de soja na próxima safra, de 3,3 milhões de
hectares. O representante da Associação dos Produtores de Sementes,
Antônio Loureiro da Silva, disse que a produção atual é suficiente para 1
milhão de hectares. Zero Hora ,19/07/02.
3. Sementes de algodão Bt queimadas
na Índia Em 17 de junho, ativistas da Associação de Produtores do
Estado de Karnatak (KRRS) e do Exército Verde (Green Army) invadiram uma
loja que vendia sementes de algodão Bt, perto de Chamaraj, e
puseram fogo nas sementes.
Entre os ativistas estavam o presidente do Distrito de Raitha Sangha,
Kuruva Ganesh, o Secretário Manjunath e outras pessoas de renome. Segundo
os ativistas, o cultivo de algodão Bt coloca uma série de riscos
aos agricultores. Eles já tinham avisado o governo que se as sementes
Bt fossem colocadas à venda, seriam destruídas imediatamente.
Karnataka State Farmer's Association, 18/06/02.
4. Monsanto tem perda no semestre A queda das vendas do herbicida Roundup nos EUA, em razão de
problemas climáticos no país, e o fraco desempenho das operações na
América Latina, principalmente na Argentina e no Brasil, derrubaram os
resultados da americana Monsanto no primeiro semestre. (...)
A Monsanto dividiu seus resultados em duas divisões: "Agricultural
Productivity" (Produtividade Agrícola) e "Seeds and
Genomics" (Sementes e Genômica). Na primeira as vendas caíram 16,7%
de janeiro a julho deste ano, para US$ 2 bilhões; na segunda, o recuo foi
de 11,7%, para US$ 826 milhões no período. (...) Valor Econômico, 24/07/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Honduras, Guatemala e Nicarágua: avanços
no cultivo em montanhas
Cerca de 45.000 famílias de Honduras, Guatemala e Nicarágua se
beneficiaram da adoção da agricultura sustentável. Os agricultores usam
adubação verde, plantios de cobertura, faixas de contorno com capim,
plantio em nível, muretas de pedras para conter erosão e adubo animal,
que são utilizados de acordo com experimentos de ajustes às condições
locais. Estes programas regeneraram as economias locais. Dentro das áreas
dos projetos, os preços pagos pela terra e pelo trabalho são mais altos e
as famílias têm se mudado de volta das capitais para o interior. As
florestas também se beneficiaram. Os agricultores dizem que não precisam
mais cortar as florestas, já que têm as tecnologias para produzir sempre
no mesmo pedaço de terra. Por toda a América Central, várias ONGs têm
promovido o uso de leguminosas, especialmente mucuna (Mucuna
pruriens), como adubação verde, uma forma barata de adubo orgânico
para repor matéria orgânica ao solo e, conseqüentemente, aumentar sua
fertilidade. Aproveitando os escritórios da rede
“agricultor-a-agricultor” de geração e difusão de tecnologias, como o
movimento campesino a campesino, da Nicarágua, o uso
conservacionista do solo tem se espalhado rapidamente e proporcionado
aumentos no rendimento das colheitas de 400-600 kg/ha para 2.000-2.500
kg/ha. Roland Bunch. Honduras, Guatemala and Nicaragua: Hillside
improvement. In PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food
poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence.
Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.114.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 124 - 09 de agosto de 2002 _____________________________________________
Atenção:
Houve um erro no envio do último número do Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos.
O Boletim enviado em 09 de agosto de 2002 é o Boletim 124 -- e não 123, como o "subject" indicava.
Segue, agora corrigido, o Boletim 124. _____________________________________________
Car@s Amig@s,
Vários jornais deram destaque esta semana ao Parecer publicado pela Advocacia Geral da União (AGU) na última segunda-feira (05/08), que interpreta que a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia) é quem tem competência para identificar organismos transgênicos que possam causar danos ao meio ambiente e estabelece como irrefutáveis suas conclusões por qualquer órgão ambiental do Governo.
Segundo o Parecer, uma vez adotada a posição final da CTNBio, “vedado se torna qualquer outro procedimento administrativo que tenha por objeto investigar a existência ou reavaliar esse risco potencial em qualquer das matérias em que atuem quaisquer outros órgãos e entidades da Administração Pública”.
A observância desse entendimento da AGU por parte dos órgãos de fiscalização, como IBAMA e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde), significaria a obrigatoriedade desses órgãos se calarem diante de evidências de lesão à saúde e ao meio ambiente encontradas no cumprimento de seu dever. Mais ainda, de acordo com o Parecer, tais órgãos estariam proibidos de investigar o risco potencial dos transgênicos em qualquer das matérias em que atuem! Mesmo uma reavaliação motivada por novos critérios surgidos com evolução tecnológica seria impedida de ser feita.
É fundamental deixar claro que, ao contrário do que deu a entender grande parte das matérias publicadas na grande imprensa ao longo desta semana, o Parecer da AGU não tem valor prático algum. Ele não é uma “decisão”, como se referiu o jornal Valor Econômico nos dias 07 e 08 de agosto. Nem tampouco “torna soberanas as determinações da CTNBio referentes a questões sobre organismos geneticamente modificados”, como explicou o jornal Gazeta Mercantil em 08/08.
O parecer trata-se apenas de uma opinião do órgão que exerce a defesa jurídica da União Federal, e não de uma lei ou interpretação do Poder Judiciário.
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ENA - Encontro Nacional de Agroecologia
O Encontro Nacional de Agroecologia reuniu 1.100 participantes de todo o Brasil (dos quais 700 agricultores e os demais técnicos de ONGs e órgãos públicos, pesquisadores, professores, extensionistas, estudantes etc.) entre os dias 30 de julho e 02 de agosto, no campus da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), na cidade do Rio.
Os espaços de discussão do encontro envolveram temas como o acesso aos recursos naturais, reforma agrária, recursos genéticos e transgênicos, desenvolvimento local sustentável, geração e apropriação social do conhecimento agroecológico e acesso aos mercados. Sobre todos estes temas saíram propostas que estão apresentadas no documento chamado “Carta Política do Encontro Nacional de Agroecologia”, que está sendo encaminhado aos candidatos a mandatos do executivo e do legislativo nos níveis federal e estadual.
No que diz respeito aos transgênicos, a Carta propõe a criação de “uma legislação adotando uma moratória por tempo indeterminado até que seja comprovada, com controle público, a inexistência de quaisquer riscos à saúde pública, ao meio ambiente e à autonomia tecnológica e econômica dos produtores familiares.” O documento também propõe “apoiar processos locais de uso e manejo conservacionista da agrobiodiversidade que combinem estratégias de revalorização social dos recursos genéticos vegetais e animais utilizados tradicionalmente e a manutenção de sistemas produtivos diversificados.”
Foram convidados para receber o documento no encerramento do encontro, representantes das quatro principais candidaturas à Presidência da República. Dos quatro, o único que compareceu foi o Prof. José Graziano, assessor de Lula para a área rural.
Graziano acompanhou a aprovação do documento, apontou os pontos de convergência entre ele e o programa de governo da chapa Lula - José de Alencar e se comprometeu a levá-lo ao candidato e à comissão responsável pela elaboração do Programa.
A Carta do ENA está agora sendo encaminhada aos outros candidatos à presidência.
Um dos pontos altos do encontro -- além da Feira de Saberes e Sabores, onde se podia visitar todas as regiões do País e conhecer, através de exposições feitas por agricultores, seus produtos e sua cultura -- foi o Debate "Por um Brasil Ecológico, sem Transgênicos e sem Agrotóxicos".
O Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, compôs a mesa de debate e levou da Governadora Benedita da Silva o compromisso de assinar, nos próximos dias, um Projeto de Lei proibindo o cultivo, o comércio e o consumo de transgênicos no Estado do Rio (ficando permitida somente a pesquisa). Este Projeto de Lei será encaminhado à Assembléia Legislativa do Estado.
Liszt também apresentou a Deliberação da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA), que determina a obrigatoriedade da realização de EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto no Meio Ambiente) nos processos de Licenciamento Ambiental envolvendo organismos transgênicos que venham a ocorrer no Estado do Rio, publicada no Diário Oficial em 23/07/02.
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Neste número:
1. Transgênicos fora da merenda no estado do Rio de Janeiro
2. Greenpeace leva à Perdigão laudo que confirma uso de transgênicos em seus produtos
3. Itália investigará fraude sobre soja transgênica
4. Monsanto fecha unidades de beneficiamento de sementes
5. Monsanto deve pedir aprovação para trigo transgênico nos EUA ainda este ano
6. Soja terá comissão internacional
7. Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome propõe Brasil livre de transgênicos Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Benin: Mucuna - uma regeneradora da fertilidade dos solos Convite: palestra “Regulação de Transgênicos - Conflitos entre os EUA e a União Européia” Enquete sobre transgênicos no sitewww.ambientebrasil.com.br Evento: Seminário Educação e Comunicação - Quem faz a nossa cabeça? Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos: quem tiver interesse em receber...
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1. Transgênicos fora da merenda no estado do Rio de Janeiro As escolas públicas do Estado do Rio estão proibidas de usar alimentos geneticamente modificados, os transgênicos, na merenda dos estudantes. A lei, do deputado Paulo Melo (PMDB), foi sancionada pela governadora Benedita da Silva (PT). Para o deputado, não houve discussão suficiente em torno da modificação genética em alimentos no Brasil. “A gente não tem um controle de qualidade, de risco; não podemos permitir que as crianças sejam expostas a algo que desconhecemos e que pode prejudicá-las”, afirmou Melo. A Secretaria de Educação está obrigada a informar, nos editais de licitação, que produtos transgênicos não serão adquiridos pelo Estado. “A lei sanitária obriga que o rótulo indique se o alimento foi modificado ou não. Mas é apenas uma sugestão. Cabe ao executivo regulamentar a lei”, diz o deputado. Jornal do Comércio, 6/08/2002.
2. Greenpeace leva à Perdigão laudo que confirma uso de transgênicos em seus produtos O Greenpeace foi à sede da Perdigão, em São Paulo, comunicar o resultado de um novo teste que encontrou soja transgênica em três produtos: Lanche Chester, Hamburguer de Frango e Almôndegas de Carne. O Greenpeace tentou entregar uma cópia do laudo emitido pelo laboratório chinês DNA Chips, que realizou o teste, à diretoria da empresa, juntamente com uma carta solicitando que a Perdigão deixe de usar transgênicos em seus produtos. O DNA Chips foi considerado o melhor laboratório do mundo por um levantamento realizado pelo Central Science Laboratory de York, a pedido do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimento da Inglaterra.
A empresa se recusou a receber o material e sequer permitiu que a carta e o laudo fossem protocolados na portaria do prédio.
O Greenpeace já testou seis produtos da Perdigão* e, em todos eles, o resultado foi positivo.
A soja transgênica leva ao aumento do uso de agrotóxicos e pode causar a perda de biodiversidade. Além disso, ainda não existe consenso na comunidade científica de que os transgênicos sejam seguros para o consumo humano.
O Greenpeace está encaminhando os laudos laboratoriais à ANVISA (Agência Nacional da Vigilância Sanitária), às Agências de Vigilância Sanitária Estaduais e ao PROCON de todos os estados. Junto com o laudo, está sendo enviada uma carta que requer o imediato recolhimento dos lotes testados das prateleiras dos supermercados. * Os produtos já testados que acusaram a presença da soja Roundup Ready: a) em fevereiro: Salsicha de frango (2,8%), Mortadela Bolognella, (12%); b) em julho: Hamburguer de Frango (0.4%), Lanche Chester (2.3%), Almôndegas de carne (1,4%) e Salsicha Viena (5%). Os laudos estão disponíveis no site do Greenpeace (www.greenpeace.org.br)
Greenpeace e Agência Brasil, 01/08/2002.
3. Itália investigará fraude sobre soja transgênica A polícia italiana lançou hoje uma investigação para apurar possível fraude em embalagens de alimentos que usam soja transgênica. A informação foi divulgada por um porta-voz da corporação. As amostras serão analisadas para detectar a presença de organismo geneticamente modificados que não constam na embalagem do produto -- disse o porta-voz da polícia, que pediu para não ser identificado. A investigação da polícia italiana ocorre após a divulgação de uma pesquisa publicada neste fim de semana pelo jornal de esquerda “La Repubblica”, com uma lista de produtos com ingredientes transgênicos. A reportagem afirmava que de 31 produtos comprados em um mercado de Turim, dez traziam material geneticamente modificados. Deste total, quatro produtos continham ingredientes transgênicos que não haviam sido indicados em suas embalagens. O Globo, 29/07/2002.
4. Monsanto fecha unidades de beneficiamento de sementes Em comunicado oficial, a Monsanto anunciou ontem o fechamento da unidade de produção e beneficiamento de sementes de soja em Não-Me-Toque. A medida, que atinge também outras duas afiliadas no país, faz parte de um realinhamento estratégico dos negócios da empresa. As áreas de pesquisa serão preservadas. No documento, o presidente da Mosanto, Rick Greubel, afirma que o objetivo é assegurar um modelo mais saudável de negócios para as operações no Brasil, independentemente do início da venda de transgênicos. A empresa, segundo Greubel, otimizará a produção de sementes no país, realocando o beneficiamento entre outras unidades e, conseqüentemente, tendo que reduzir o atual quadro de 1,6 mil funcionários. Também encerrarão as atividades de produção de sementes as unidades de Morrinhos (GO) e Andirá (PR). (...) Zero Hora, 27/07/2002.
5. Monsanto deve pedir aprovação para trigo transgênico nos EUA ainda este ano A Monsanto negou ter adiado o lançamento, nos EUA, da primeira versão de trigo geneticamente modificado, conforme publicado pelo jornal “The New York Times”. De acordo com a reportagem, a empresa teria desistido de colocar o novo transgênico no mercado até 2005, por ainda não contar com um mercado favorável ao produto. Segundo o diretor de comunicação da empresa, Jim Prendergast, entretanto, a data foi abandonada “há muito tempo” e não há prazo estabelecido para o lançamento do produto. O Estado de SP, 010/8/2002.
6. Soja terá comissão internacional A criação de uma comissão internacional, composta por entidades da agricultura familiar e ONGs brasileiras e de outros países, foi a principal definição do Seminário Internacional Sobre a Cultura da Soja, promovido pela Fetraf-Sul, realizado em Chapecó - SC, entre os dias 26 e 27 de julho. O coordenador de Política Agrícola da Fetraf-Sul, Celso Ludwig, cita como principais focos a implantação de um sistema de pesquisa para apresentação de novos produtos a base de soja para o consumo humano e a ampliação de estratégicas de exportação de soja orgânica por cooperativas e sindicatos de trabalhadores rurais. O desenvolvimento de uma campanha nacional para aumentar o consumo da soja in natura também foi proposto. Ludwig calcula que, juntos, RS, SC e PR, produzem só 40 mil toneladas de soja orgânica. “Com essa estratégia, queremos aumentar a produção e a rentabilidade na pequena propriedade”, enfatiza. O primeiro encontro da comissão será realizado até setembro, em São Paulo. Correio do Povo, 29/07/2002.
7. Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome propõe Brasil livre de transgênicos As entidades reunidas em Brasília, de 22 a 24 de julho de 2002, no I Seminário do Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome publicaram uma declaração dirigida aos candidatos a postos eletivos -- executivos e legislativos -- e aos homens e às mulheres em todo o país, manifestando a sua posição visando à superação da Miséria e da Fome no Brasil, bem como reafirmam o Direito Humano à Alimentação e à Nutrição, na sua universalidade e indivisibilidade. Esta declaração surgiu da mobilização da sociedade civil brasileira em torno do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome, lançado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em abril de 2002.
Entre as propostas de mobilização apresentadas na Carta, estão Fortalecer a agroecologia no âmbito rural e urbano e Pleitear um Brasil livre de transgênicos.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Benin: Mucuna - uma regeneradora da fertilidade dos solos
Os solos do platô do sudeste de Benin e Togo (África) estão beirando a exaustão. A utilização de fertilizantes é baixa entre a maioria dos pequenos produtores e o benefício de sua utilização é pequeno devido ao empobrecimento crescente do solo.
Pesquisadores do Projeto de Pesquisa Aplicada em Millieu Reel introduziram a mucuna (Mucuna pruriens) como plantio de cobertura para controlar ervas daninhas (entre elas a Imperata cylindrica, de difícil controle manual), e para aumentar a disponibilidade de nutrientes para o milho (cultura principal). A mucuna, em cultivo solteiro ou consorciada, incorpora mais de 100 Kg de nitrogênio/ha para a lavoura seguinte. O rendimento do milho cultivado sobre os restos da mucuna foi de 3-4 t/ha (produtividade similar a cultivos adubados com 130 Kg de nitrogênio/ha), enquanto campos cultivados com milho e feijão-caupi tiveram uma produção de 1,3 t/ha. Equipes dos serviços de extensão governamentais (CARDER) e de grandes ONGs se envolveram no programa e hoje cerca de 14.000 produtores usam a mucuna. A análise da relação benefício/custo num período de 8 anos indica uma taxa de 1,24 quando a mucuna foi incluída no sistema, alcançando 3,56 quando as sementes foram vendidas. A taxa ficou em 0,62 sem mucuna. A adoção da mucuna na província de Mono resultaria numa economia de cerca de 6,5 milhões de Kg de nitrogênio, o equivalente a US$ 1,85 milhões/ano. Entretanto, análises recentes mostram que há um declínio em todos os sistemas ao longo do tempo sugerindo que para alcançar maior sustentabilidade, seria necessário o aporte de insumos externos, provavelmente fertilizantes a base de fósforo e potássio. Fonte: Bob Carsky, Victor Manyong. Benin: Mucuna (velvetbean) cover cropping. In PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.116.
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Convite:
O ETTERN/IPPUR/UFRJ, o PCDH/UERJ, o projeto Brasil Democrático e Sustentável e a Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos convidam para a palestra
“Regulação de Transgênicos - Conflitos entre os EUA e a União Européia”
Expositor: Les Levidow, do Grupo de Políticas Biotecnológicas, Centre for Technology Strategy da Open University, Inglaterra, e editor da revista Science as Culture. Dia: Quinta feira, 15 de agosto de 2002, às 14 horas. Local: UERJ rua São Francisco Xavier, 524 Maracanã.
Centro de Treinamento 1o. andar Bloco E, sala 15.
Haverá tradução!
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Enquete: A pesquisa de opinião desta semana do site Ambiente Brasil é sobre o consumo de alimentos transgênicos.
Para votar, acesse o sitewww.ambientebrasil.com.br.
********************************* Evento: O Jornal Mundo Jovem convida para o Seminário Educação e Comunicação Quem faz a nossa cabeça? 12 e 13 de setembro - PUCRS Prédio 50
Av. Ipiranga, 6681 Porto Alegre / Rio Grande do Sul
Inscrições: pelo telefone 0800-515200 ou pelo e-mail mundojovem@...
********************************* Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos A AS-PTA, uma das entidades coordenadoras da Campanha, acaba de re-imprimir o Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos, dirigido a agricultores de todo o Brasil e publicado originalmente em setembro de 2001.
Quem tiver interesse em recebê-lo, pode solicitar o envio gratuito através do e-mail (campanhatransg@...) ou do telefone (21) 2253-8317.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s,
Comunicamos que, excepcionalmente, não publicaremos
o Boletim Por um Brasil Livre de
Transgênicos esta semana.
A equipe que produz o Boletim semanal, assim como toda a equipe da AS-PTA
(Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), esteve
envolvida na organização do Encontro Nacional de Agroecologia, que está
se realizando no campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(UERJ), na cidade do Rio, entre os dias 30 de julho e 02 de
agosto.
Ficamos impossibilitados de nos dedicarmos ao Boletim neste
período.
Na próxima semana estaremos de volta, com o
Boletim 124.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 129 - 13 de setembro
de 2002
Car@s Amig@s,
Finalmente, a Perdigão se compromete a não usar transgênicos em seus
produtos.
Em carta encaminhada ao Greenpeace, a Perdigão se comprometeu
publicamente a não utilizar qualquer transgênico em produtos processados
e na alimentação de animais para corte (1). A decisão foi tomada depois
que a empresa reconheceu que seus métodos de controle não eram
suficientes e decidiu reavaliar suas regras de segurança, introduzindo
novos mecanismos de proteção a fim de evitar a contaminação de organismos
geneticamente modificados.
Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos
estejam proibidos no País por determinação judicial, dada a omissão do
governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização no
campo, apenas a compra de matéria prima nacional não garante a isenção de
transgênicos. Somente as indústrias de alimentos que adotam medidas de
controle rigorosas podem garantir que não estão comprando e utilizando
soja transgênica.
A Perdigão afirmou que os produtos fabricados a partir de 01 de dezembro
deste ano, serão produzidos dentro dos novos mecanismos de controle, sem
risco de estarem contaminados por transgênicos. O Greenpeace informou que
somente quando os produtos fabricados antes desta data não estiverem mais
disponíveis no mercado, os produtos da Perdigão passarão a constar da
lista verde do "Guia do Consumidor - lista de produtos com e sem
transgênicos do Greenpeace (2)". O Greenpeace continuará
testando os produtos da Perdigão para verificar o controle adotado.
A Perdigão é uma das maiores empresas nacionais do ramo alimentício.
Domina 25,4% do mercado nacional de produtos processados à base de carne,
31,8% de carnes congeladas, e 36,6% de pratos prontos, segundo o
relatório interno do primeiro trimestre de 2002, disponível no
site da empresa.
O comprometimento da Perdigão em não aceitar transgênicos reafirma a
crescente demanda pelo grão não transgênico no mercado nacional e
internacional (3). Outras grandes empresas atuantes no mercado nacional,
como a Sadia, a Nissin e a Unilever, também já assumiram este compromisso
(as cartas que documentam o compromisso destas empresas em garantir
alimentos livres de transgênicos estão disponíveis no site do
Greenpeace: www.greenpeace.org.br),
em atenção à exigência dos consumidores que não estão dispostos a ser
cobaias dos alimentos transgênicos, cujos efeitos na saúde ainda são
desconhecidos.
1. Percy Schmeiser, agricultor processado pela Monsanto por violar patente da empresa ao ter sua lavoura contaminada por transgênicos, perde novamente na justiça
2. Ibama publicará Instrução Normativa para emissão de RET para cultivos inseticidas
3. Anomalias em ratos mostram riscos do processo de clonagem
4. Embrapa não fará testes com transgênicos em humanos
5. Ministro do Meio Ambiente admite que sociedade civil foi excluída do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e propõe mudança
6. Transgênicos contra calvície
7. Mortes no campo e agrotóxicos - suicídios continuam sem atenção do governo
8. Produtos da agricultura familiar em feira da Itália Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Avicultores de SC lançam o “frango orgânico” Eventos: - Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos"
- III Seminário Internacional sobre Agroecologia, IV Seminário Estadual sobre Agroecologia e IV Encontro Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia
- Curso de agrofloresta
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1. Percy Schmeiser, agricultor processado pela Monsanto por violar patente da empresa ao ter sua lavoura contaminada por transgênicos, perde novamente na justiça O julgamento de um recurso na corte federal canadense manteve a decisão de instância inferior determinando que o agricultor Percy Schmeiser, de Saskatchewan, Canadá, violou a patente da empresa Monsanto sobre canola resistente a herbicida.
A Monsanto processou o agricultor por cultivar canola transgênica Roundup Ready sem a permissão da empresa.
Schmeiser foi obrigado a pagar, no ano passado, 19.000 dólares canadenses (US$ 12.450) por danos e mais as custas processuais da Monsanto, de 153.000 dólares canadenses (US$ 100.000).
O agricultor alega que a semente de canola resistente a herbicida chegou ao seu campo acidentalmente, ou por polinização cruzada, ou caída de caminhões que passaram pelo local. O juiz da instância inferior havia rejeitado a explicação, dizendo ser mais provável que Schmeiser tenha plantado a semente conscientemente. (…)
Schmeiser não estava disponível para entrevistas após o julgamento, mas seu advogado informou que ele estava decepcionado e que ainda é possível uma apelação à Corte Suprema.
Apesar de sua perda nas côrtes, Schmeiser, que tem 71 anos, se tornou um palestrante bastante presente em eventos de oposição aos alimentos transgênicos e seu uso na agricultura, viajando a países distantes, como a Austrália, para contar sua história. Dow Jones Business News, 06/09/02. http://biz.yahoo.com/djus/020906/1227000448_1.html
2. Ibama publicará Instrução Normativa para emissão de RET para cultivos inseticidas O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve apresentar dentro de 15 dias nova legislação para autorizar pesquisas de campo com plantas geneticamente modificadas que contenham propriedades bioinseticidas, paralizadas há mais de um ano por uma decisão judicial. (...)
A ordem judicial, emitida em março de 2000, exige a obtenção de Registro Especial Temporário (RET) para pesquisas com organismos geneticamente modificados (OGMs) que possam ser considerados “agrotóxicos ou afins”. (...) O Estado de São Paulo, 10/09/02. N.E.: Ao contrário do que deram a entender esta e outras matérias publicadas na grande imprensa esta semana, o Ibama não publicará uma nova legislação autorizando os experimentos com transgênicos inseticidas (como, por exemplo os cultivos Bt, que são letais para lagartas). Seguindo a legislação vigente, o Ministério da Agricultura publicará uma Instrução Normativa Conjunta (envolvendo também o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente). Para a emissão do RET, são necessárias ainda duas outras Instruções Normativas específicas, uma do Ibama e outra da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde). Estas Instruções Normativas serão publicadas em atenção à decisão judicial que condiciona a liberação de experimentos com transgênicos agrotóxicos ao RET.
3. Anomalias em ratos mostram riscos do processo de clonagem Cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) disseram que os ratos clonados têm centenas de genes anômalos, o que explica por que tantos animais criados por esse processo morrem durante o nascimento, ou depois dele, e prova quão irresponsável seria clonar seres humanos.
A clonagem introduz mutações genéticas e não parece haver solução imediata para o problema, alertaram Rudolf Jaenisch e seus colegas do MIT. (...)
A equipe de Jaenisch trabalhou com o primeiro cientista a clonar um rato, Ryuzo Yanagimachi, da Universidade do Havaí. Eles clonaram dezenas de ratos e observaram a atividade de 10 mil genes. O resultado do estudo será publicado nesta semana na revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências.
“Não há razão para supor que outro mamífero, inclusive o homem, seria diferente do rato”, disse Jaenisch, que no mês passado polemizou com especialistas em clonagem e três cientistas que afirmaram ter planos para clonar bebês, com o objetivo de ajudar casais estéreis.
Esses especialistas alegam que muitos animais clonados, como vacas e ovelhas, se desenvolvem em condições normais e saudáveis. Jaenisch, porém, acredita que até nesses animais “normais” se pode achar anomalias genéticas. Só que algumas delas não são fatais. O Estado de São Paulo, 12/09/02.
4. Embrapa não fará testes com transgênicos em humanos Ao contrário do publicado pelo jornal O Globo, no dia 10 de setembro de 2002, em matéria intitulada "Brasil testa transgênico em humanos este ano", a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) NÃO FARÁ TESTES COM TRANSGÊNICOS EM SERES HUMANOS.
Os testes que a Embrapa fará são de segurança alimentar e ambiental, a serem realizados em laboratórios, em casa de vegetação e no campo, com o objetivo de avaliar as características agronômicas e o impacto ambiental que tais tecnologias eventualmente produzam. Além disso, serão utilizados animais para avaliação toxicológica e nutricional, bem como realizados testes de alergenicidade em laboratórios, sem, inicialmente, a utilização de animais. (...)
Vale ressaltar também que, de acordo com a legislação vigente no país, testes com humanos devem ser conduzidos por instituições da área de saúde, fugindo, portanto, da competência da Embrapa, que é pesquisa agropecuária. Assessoria de Comunicação Social da Embrapa, 11/09/02.
5. Ministro do Meio Ambiente admite que sociedade civil foi excluída do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético e propõe mudança Está sendo analisada pela Câmara dos Deputados proposta do Ministério do Meio Ambiente que altera a composição do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. Segundo o Projeto de Lei 7135/02, o Conselho será composto por representantes de órgãos e entidades da administração pública federal que tenham competência sobre o assunto e por representantes de setores da sociedade civil ligados ao tema, na proporção de até 20% de seus membros.
O ministro José Carlos Carvalho admitiu que, embora o Brasil esteja empreendendo todos os esforços para adequar suas políticas públicas às exigências da utilização e da conservação dos recursos biológicos, o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, criado por decreto presidencial no ano passado, não privilegiou a presença daqueles que ele considera fundamentais no processo de gestão desses recursos -- os representantes da sociedade civil.
A competência do Conselho é estabelecer normas técnicas e critérios para as autorizações de acesso e remessa de componentes do patrimônio genético; assegurar a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, à repartição de benefícios e à tecnologia para sua conservação e utilização. (...) Agência Câmara, 11/09/02.
6. Transgênicos contra calvície Camundongos de pêlo verde podem representar o primeiro passo para se usar terapia genética no tratamento da calvície, e também no desenvolvimento de métodos para mudar permanentemente a cor dos cabelos.
Os pesquisadores responsáveis pela experiência inseriram genes de água-viva no folículo capilar de camundongos. Em poucos dias, começaram a crescer nos animais pêlos verdes fluorescentes sob determinada luminosidade.
-- O pêlo está crescendo verde porque a proteína para a fluorescência verde foi colocada no bulbo capilar -- explicou Robert Hoffman, da Anticancer, empresa que coordena o estudo. -- Vimos montes de pêlos verdes fluorescentes.
O estudo foi publicado na última edição da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” e abre caminho para o tratamento da calvície porque, se o gene que determina a coloração funciona, tudo indica que outros devem funcionar também.
-- Falta muito para que algum produto chegue ao mercado -- disse Hoffman. -- Mas agora temos um bom sistema para inserir genes em folículos capilares. O Globo, 13/09/02.
7. Mortes no campo e agrotóxicos - suicídios continuam sem atenção do governo Após mais de um mês do primeiro contato com a reportagem de Galileu, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tomou nenhuma medida com relação às elevadas taxas de suicídios entre agricultores de fumo usuários de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. A agência, que em julho havia sido informada também sobre suicídios de plantadores de morango e batata no Sul de Minas, não tomou providências nem mesmo após a publicação da edição de agosto da revista.
A Anvisa declarou que só poderá tomar alguma medida, como tirar produtos de circulação, a partir da iniciativa de órgãos de pesquisa. “A Anvisa não faz o inquérito. Quem faz são as instituições de pesquisa”, afirmou o gerente geral de Toxicologia da agência, Luiz Claudio Meirelles. No entanto, o órgão tem competência para “propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária”, segundo o seu próprio regulamento, definido por decreto presidencial. A agência é vinculada ao Ministério da Saúde. (...)
A edição de agosto de GALILEU* mostrou que o índice de suicídios em cidades agrícolas do Rio Grande do Sul e do sul de Minas Gerais é muito maior que a taxa média brasileira. Em Santa Cruz do Sul (RS), considerada a capital nacional do fumo, houve no ano passado 21 suicídios por 100 mil habitantes, a maioria de agricultores, contra a média nacional de 4 por 100 mil. O problema teve destaque em 1996, quando a cidade vizinha Venâncio Aires registrou a taxa de 37,22 por 100 mil. O Ministério da Saúde chegou a encomendar um inquérito epidemiológico, mas ele não foi adiante.
Agora que o assunto voltou à tona, nem a Anvisa e nem a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), que representa as indústrias dos agrotóxicos, se mobilizaram. A associação nem sequer emitiu opiniões a respeito e afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda está avaliando o caso.
A reportagem de GALILEU motivou outros pesquisadores a entrarem em contato com a revista para mostrar que o problema dos agrotóxicos atinge outras cidades brasileiras.
(...)
Todas essas culturas (tomate, fumo, milho, feijão, soja, morango, batata e flores) utilizam os agrotóxicos conhecidos como organofosforados e ditiocarbamatos, que são considerados por pesquisadores como os prováveis causadores das doenças neurocomportamentais, depressão e do conseqüente suicídio. Agricultores x fumageiras José Wanderlei da Silva e Valdemar dos Santos começaram a trabalhar na lavoura do fumo quando ainda eram adolescentes. Ambos sofreram intoxicações crônicas pelos agrotóxicos usados na plantação e hoje estão inválidos para o trabalho agrícola. As coincidências não param por aí, mas o que realmente os une é o ineditismo do modo como tentam resolver esses problemas. Os dois agricultores entraram com uma ação sem precedentes na Justiça acusando as empresas fumageiras de tê-los envenenado.
Os processos contra a Souza Cruz, de Silva, e a Universal Tabacos, de Santos, levam em conta que o agrotóxico aplicado na lavoura e que causou as doenças dos dois agricultores foi fornecido pelas empresas. Isso porque nos contratos de trabalho, os fumicultores se responsabilizam a fornecer sua produção exclusivamente a uma única indústria e comprar dela as sementes e os agrotóxicos em uma venda casada. (...)
Valdemar, de 37 anos, ficou dois anos e meio em uma cadeira de rodas, não conseguiu mais trabalhar e adquiriu uma depressão profunda, não raro tendo pensamentos suicidas. “Ele (o agrotóxico) traz cada coisa na cabeça que nunca na vida eu imaginei. A gente não faz bobagem porque tem alguém sempre por perto, mas já pensei em me suicidar. Eu fiquei nessa situação e não tenho mais como voltar. Não posso mais trabalhar. Estou debaixo de calmante.”
Com Wanderlei da Silva, 33 anos, as intoxicações causaram, de acordo com os advogados, lesões cerebrais que levaram a problemas de locomoção e neurocomportamentais: ele também tem depressão profunda e sintomas de esquizofrenia, “que tem sido relatada na literatura médica como um dos desfechos de intoxicação crônica por organofosforado”, afirma o epidemiologista Lenine Alves de Carvalho, que acompanha o caso como perito colaborador. (...)
Nos dois processos, os advogados acionaram as empresas fumageiras para que elas cubram as despesas com os tratamentos médicos dos agricultores, paguem a cada ano o equivalente à safra que os agricultores entregariam se não estivessem incapacitados de trabalhar e os indenizem por danos à saúde.
Tanto Silva quanto Santos dizem estar gastando o que não têm com remédios e tratamento. Santos foi aposentado por invalidez e recebe R$ 200 por mês, valor muito inferior ao que precisa para se tratar. (...) José Wanderlei da Silva ainda está numa situação pior. “Ele está vendendo tudo o que tinha. Não sei se ele vai sobreviver até o fim do processo”, afirma a advogada Clarisse Barcellos Lima.
A Souza Cruz, que está sendo processada por José Wanderlei da Silva, alega que não existe na literatura médica relação causal entre as doenças de Silva e o uso de agrotóxicos. O gerente jurídico da empresa, Mario Oscar Oliveira, ainda afirma que, se houver tal comprovação, as doenças teriam sido causadas pela má utilização do produto, eximindo a Souza Cruz de responsabilidade sobre o problema. (...) GIOVANA GIRARDI ggirardi@... *Leia mais - Exclusivo Online: Íntegra da reportagem 'A última colheita', publicada na edição de agosto de 2002 da GALILEU: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT351671-1706,00.html
8. Produtos da agricultura familiar em feira da Itália Mais de 130 produtos naturais, alimentos orgânicos e peças de artesanato feitos por agricultores familiares brasileiros serão mostrados em Bolonha (Itália), entre 12 e 15 de setembro, no XIV Salão de Alimentação Natural, Saúde e Ambiente (Sana). Os produtos integram o programa Brasil Equo, executado pela Fundação Lyndolpho Silva, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), com apoio da Agência de Promoção de Exportações (Apex).
O Brasil Equo é um programa que objetiva a criação de uma nova possibilidade para viabilizar os estabelecimentos familiares rurais, identificando oportunidades de negócios no mercado externo adequadas às capacidades e necessidades da produção rural de base familiar do Brasil. Para isso, procura, também, aprimorar essas capacidades e desenvolver diferenciais com enfoque na exportação da agricultura familiar brasileira e promover sua integração com o mercado internacional.
O mercado consumidor de produtos orgânicos e ecológicos está em franca expansão em todo o mundo. Na Europa e nos Estados Unidos ele cresce entre 20% e 25% ao ano. Somente na Alemanha, movimenta cerca de U$ 2,2 bilhões. Ultrapassando as fronteiras dos pequenos armazéns, esses produtos alcançaram as redes de supermercados, que hoje respondem por 20% da comercialização. Na área de produtos naturais e fitoterápicos, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o mercado europeu movimentou cerca de U$ 500 bilhões no ano de 2000.
No Brasil, a produção orgânica cresceu 500% entre 1997 e 1999. (...) NEAD - Notícias Agrárias - 09 a 15 de Setembro de 2002 Nº 151 INFORMES PT - 09/09/2002 - N° 2.618 - Ano XII
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Avicultores de SC lançam o “frango orgânico”
O Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais e a Prefeitura Municipal de Rio do Oeste, na região do Alto Vale do Itajaí (SC), vai lançar o frango colonial orgânico, que representa uma nova e rentável atividade econômica aos pequenos avicultores. O sistema exige baixo investimento e a alimentação das aves é produzida nas propriedades. Cada avicultor mantém um aviário-padrão de 50 metros quadrados, com capacidade para 100 a 500 aves, que são criadas no sistema de semi-confinamento. Os vegetais e tubérculos correspondem a 30% da alimentação do frango colonial, e o restante são rações orgânicas, sem produtos sintéticos ou proteína animal. A ave tem um desenvolvimento mais lento e só chega na fase adulta aos 90 dias, enquanto o frango industrial de corte, criado em confinamento total, é abatido com 42 dias de vida. O frango colonial orgânico deve chegar ao consumidor a um preço médio de R$ 3,50 o quilo, proporcionando lucros de 35% para o avicultor. Segundo o Senar, o mercado para o produto é de aproximadamente 8% em nível nacional, mas a tendência é que haja um aumento progressivo devido à crescente preocupação dos consumidores com a saúde.
Agência Brasil, 18/08/2002.
Eventos:
Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos"
Será realizado no dia 18 de setembro, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Fórum Técnico "Biotecnologia e Você: Mitos, Verdades e Fatos".
O evento, promovido pela Assembléia em parceria com entidades ligadas à biotecnologia, acontecerá no Plenário, a partir das 8h30.
O deputado do PT, Dr. Edson Rezende, coordena o debate "Impactos da Biotecnologia na Saúde", com a participação da secretária da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Produtivos, Maria de Fátima Oliveira. No fórum regional, realizado em Barbacena, a secretária alertou para os riscos ligados ao consumo de alimentos transgênicos, como aumento de alergias, toxidades e resistência a antibióticos. Segundo ela, as pesquisas ainda são experimentais e, por isso, os cientistas ainda não conhecem os efeitos destes produtos. Maiores informações pelo telefone (31) 3290-7800.
III Seminário Internacional sobre Agroecologia
IV Seminário Estadual sobre Agroecologia
IV Encontro Nacional sobre Pesquisa em Agroecologia Data: 24 a 26 de setembro de 2002 Local: Auditório Araújo Viana - Avenida Osvaldo Aranha, s/n, Bairro Bom Fim, em Porto Alegre (RS). Inscrições ao evento são gratuitas e já podem ser efetuadas tanto por telefone como por correio eletrônico, através dos seguintes endereços:
Por telefone: Plantão Técnico da EMATER/RS: (51) 3233-3144 - Ramal 2449
Por e-mail: plantec@...
As inscrições também poderão ser efetuadas no próprio local e na data de realização do evento, desde que ainda existam vagas. Outras informações estão disponíveis na página da EMATER/RS <www.emater.tche.br>, enquanto a equipe organizadora seguirá a disposição através do e-mail <seminario.agroecologia@...>. Realização: Governo do Estado do Rio Grande do Sul; Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento; EMATER/RS - Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural; Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia; FEPAGRO - Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária; Secretaria de Estado do Meio Ambiente; e FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Coordenação Geral: EMATER/RS: Rua Botafogo, 1051
90150-053 Porto Alegre (RS)
E-mail: seminario.agroecologia@...
Página www.emater.tche.br
Curso de agrofloresta O Instituto dePermacultura da Mata Atlântica (IPEMA), realizará, entre os dias 27 e 29 de setembro, o Curso de Agrofloresta, com aulas práticas eteóricasde planejamento e plantio em Agrofloresta.
Local: Monte Valério / Ubatuba - SP
Custo: R$150,00eR$80,00 - estudantes
Maiores informações pelo e-mail: cadastroipema@...
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 126 - 23 de agosto
de 2002
Car@s Amig@s,
Graças à pressão da população, a Unilever e a
Nissin, proprietárias das marcas Knorr e Cup
Noodles, garantiram que não vão mais utilizar transgênicos em seus
produtos.
Em maio e junho de 2000, o Greenpeace e o Idec (Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor), duas das entidades que compõem a Campanha “Por um
Brasil Livre de Transgênicos”, realizaram os primeiros testes que
comprovaram que ingredientes transgênicos estavam sendo utilizados
ilegalmente em produtos alimentícios destas marcas no Brasil.
De junho de 2000 até julho de 2002 foram realizados seis outros testes,
vários dos quais mostraram a reincidência da contaminação nas marcas
citadas. As empresas que fabricam os alimentos foram informadas sobre os
resultados dos testes, que também foram divulgados para a
população.
A partir destas informações, o Greenpeace organizou uma grande campanha
para pressionar as indústrias alimentícias a deixarem de utilizar
ingredientes transgênicos em seus produtos. Foram realizadas várias
atividades públicas para denunciar o uso indevido de transgênicos, além
de campanhas de envio de cartas, cartões postais, fax, e-mails e
telefonemas para as empresas. Só a Knorr recebeu mais de 10.000
e-mails da população exigindo providências!
O recente comprometimento da Unilever e da Nissn é uma
vitória a ser comemorada por todos que participaram deste trabalho,
denunciando o problema e se manifestando junto às empresas. Ela nos
mostra que a pressão da sociedade é capaz de mudar a realidade que lhe é
imposta -- a população não pode aceitar ser obrigada a consumir alimentos
transgênicos sem sequer ter o direito de ser informada sobre o fato.
Esta vitória também é um estímulo para que continuemos a pressionar as
empresas que ainda não deram garantias de que evitam a contaminação de
seus produtos com ingredientes transgênicos.
Como você pode ver no “Guia do Consumidor Lista dos Produtos Com
ou Sem Transgênicos”, publicação do Greenpeace que pode ser acessada
pelo endereço
www.greenpeace.org.br,
muitas empresas ainda não se sensibilizaram com os apelos da população e
não demonstraram qualquer preocupação com o assunto.
Você pode fazer a sua parte, divulgando o “Guia do Consumidor” para o
maior número de pessoas que puder e telefonando e enviando mensagens de
protesto às empresas que ainda não se comprometeram a evitar a
contaminação.
Mais uma vez, contamos com a sua participação. Quanto maior o número de
pessoas conscientes e atuantes, maior será o sucesso desta campanha.
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Neste número:
1. Transgênicos dividem candidatos à Presidência
2. EUA pressionam Inglaterra a liberar transgênicos
3. Painel sugere cautela com animais transgênicos
4. Bezerra clonada no Brasil morre com suspeita de infecção
5. Cientistas criam vírus transgênicos para esterilizar coelhos na
Austrália
6. Plataforma Política Feminista contra os transgênicos Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Agricultura familiar resolve o problema
da fome na Etiópia
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1. Transgênicos dividem candidatos à Presidência
Em meio a propostas semelhantes para o futuro da agricultura
brasileira, os principais candidatos à Presidência da República divergem
em um ponto polêmico: a comercialização dos transgênicos no Brasil.
O Partido dos Trabalhadores (PT) defende a moratória de quatro anos para
a adoção dos transgênicos. “Não somos contra por princípio e não propomos
a proibição para pesquisa, mas o assunto precisa ser debatido”, afirmou o
assessor do candidato Luis Inácio Lula da Silva, José Graziano da Silva,
em seminário realizado ontem em São Paulo pela Associação Brasileira de
Marketing Rural (ABMR).
Discursando logo após o assessor de Lula, o candidato ao governo de São
Paulo, Antonio Cabrera Mano Filho, representando Ciro Gomes (PPS), foi
contra a moratória. “Não é necessário pedir tempo. É necessário discutir
o que nos fará mais competitivos”, afirmou.
A posição é semelhante a adotada por Francisco Graziano, representante do
candidato José Serra (PSDB). Embora ressalte que o candidato aguarda a
decisão judicial, Graziano afirma que os dilemas em torno do assunto são
comerciais. “Precisamos pensar nos mercados que serão ocupados ou
perdidos”. Japão e União Européia restringem a importação de
transgênicos, enquanto os EUA utilizam a tecnologia. Christino Áureo,
representante de Anthony Garotinho (PSB), não falou sobre o assunto. Valor Econômico, 21/08/02.
2. EUA pressionam Inglaterra a liberar
transgênicos O ministro de Meio Ambiente da Grã-Bretanha, Michael Meacher,
disse ontem, em Londres, que o governo dos Estados Unidos está
pressionando o Governo Britânico para que permita os cultivos de
organismos geneticamente modificados (transgênicos) para fins comerciais.
Em entrevista ao jornal Independent, Michael Meacher reclamou. Jornal do Commercio, 20/08/02.
3. Painel sugere cautela com animais
transgênicos Embora não haja evidências de que animais produzidos por meio
de clonagem sejam perigosos para o consumo humano, um painel de
cientistas americanos disse ontem que mais cuidado é necessário com
animais geneticamente modificados que possuem trechos de DNA de outras
espécies. O comitê, montado pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos
Estados Unidos, fez uma análise a pedido do FDA (agência do governo
americano que regulamenta alimentos e medicamentos nos EUA). O painel
apontou perigos como a liberação no ambiente de peixes geneticamente
modificados para crescer mais rápido, os quais substituíram seus parentes
selvagens, ou o risco de substâncias alergênicas na carne de animais
transgênicos. Folha de São Paulo, 22/08/02.
4. Bezerra clonada no Brasil morre com
suspeita de infecção A bezerra Penta, primeiro mamífero do país clonado a partir de
material genético de um animal adulto, morreu na última segunda-feira em
Jaboticabal (344 km de São Paulo). A informação só foi confirmada ontem
(16/08) pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), responsável pelo
projeto que criou o animal.
A causa da morte ainda não foi descoberta, mas a hipótese mais provável é
que uma infecção generalizada tenha causado a morte de Penta. O resultado
dos exames deve ser divulgado na próxima semana. Penta tinha um pouco
mais de um mês de vida. (...). Folha de São Paulo, 17/08/02.
5. Cientistas criam vírus transgênicos para
esterilizar coelhos na Austrália Cientistas de Canberra, na Austrália, esperam controlar a
população de coelhos que destroem as plantações agrícolas com vírus
transgênico que tornam o animal estéril.
Pesquisadores do Centro de Pesquisa “Pest Animal Control Co-operative”
revelaram que o vírus anticoncepcional foi criado pela inserção de um
gene do vírus myxomatosis, que faz com que as fêmeas produzam
anticorpos contra seus próprios óvulos.
Um casal de coelhos consegue produzir de 30-40 filhotes a cada ano,
porém, espera-se que a liberação do vírus torne 70 a 80% das fêmeas
selvagens estéreis, fazendo que a população de coelhos na Austrália
diminuir para um nível similar ao europeu. (...) just-food.com, 09/08/02. N.E.: Imaginem os impactos da disseminação descontrolada deste
vírus no ambiente. É simplesmente inaceitável a liberação de organismos
como este, cujos impactos serão impossíveis de serem detidos caso
qualquer coisa não saia como o esperado.
6. Plataforma Política Feminista contra os
transgênicos O texto da Plataforma Política Feminista aprovado na
Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, em Brasília em 6 e 7 de
junho de 2002, está estruturado em 269 parágrafos, contendo análises e
desafios para a sociedade, o Estado e outros movimentos. As ênfases vão
desde os temas da democracia política, da justiça social e da inserção do
Brasil no contexto internacional, chegando até a democratização da vida
social, liberdade sexual e reprodutiva, à igualdade, redistribuição de
riquezas e pela justiça social. Neste contexto, no parágrafo (86) a
conferência se posiciona contra os transgênicos, pois, os agricultor@s
estão perdendo sua autonomia em relação ao acesso e controle de sementes
devido ao incentivo dos governos ao plantio de sementes híbridas e
transgênicas, altamente dependentes de insumos químicos, o que favorece
as grandes indústrias deste setor. Os critérios definidos pelo Ministério
da Agricultura para a produção e comercialização de sementes excluem a
agricultura familiar. No parágrafo (89), os movimentos de mulheres
trabalhadoras rurais posicionam-se por um modelo de agricultura
sustentável, agroecológico, equilibrado e diversificado, em que a
produção seja voltada para a auto-sustentação familiar, capaz de garantir
a permanência d@s agricultor@s no campo. Este novo modelo de agricultura
exige novas relações entre as pessoas, a terra, as sementes, as plantas,
a água e os meios de produção. www.articulacaodemulheres.org.br
Sistemas agroecológicos mostram
que transgênicos não são solução para a agricultura Agricultura familiar resolve o problema
da fome na Etiópia
Dr. Tewolde Egziabher, chefe da Agência de Proteção Ambiental
da Etiópia, anunciou os resultados de um estudo mostrando que a Etiópia
está produzindo excedente de alimentos pelo sétimo ano seguido. Os
alimentos são produzidos por agricultores familiares que utilizam
práticas tradicionais. A única produção comercial é a de algodão. Não há
sementes produzidas por empresas. Todas as sementes são melhoradas,
selecionadas e trocadas pelos próprios agricultores. Não se utilizam
cultivos transgênicos e o uso de fertilizantes é mínimo. O país está
construindo um bom estoque de alimentos vindos destes pequenos produtores
a fim de garantir a alimentação de seu povo no caso de seca ou falta de
suprimentos. Os ecossistemas das áreas antes afetadas pela seca foram
recuperados através de práticas integradas de manejo dos recursos
naturais, tais como armazenamento de água, proteção das fontes de água,
prevenção da erosão, controle de pastoreio etc. O exemplo etíope é
particularmente importante para a Rio+10 de Joanesburgo, onde posições
muito contrárias se enfrentarão. De um lado, instituições
pró-globalização como o NEPAD (New Partnership for Africa’s
Development), o Banco Mundial, o FMI, a OMC etc., que irão promover a
agricultura industrial, ou seja, o uso de sementes híbridas,
monoculturas, agrotóxicos, agricultura de exportação e a agricultura
biotecnológica com transgênicos. De outro lado estarão mais de 300
pequenos produtores de toda a África que irão continuar a defender seus
sistemas de produção e de soberania alimentar, a fim de continuar a
alimentar a crescente população africana. A Etiópia mostra que sistemas
de produção diversificados, ecologicamente e culturalmente adaptados,
controlados por milhões de pequenos produtores, podem prover a segurança
alimentar de seu povo e proteger seu país do controle estrangeiro do
mercado de alimentos. A segurança alimentar é o pilar fundamental da
construção das democracias. Dr. Tewolde Berhane Gebre Egzhiaber,
envpa@...,
13/07/02.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 125 - 16 de agosto de
2002
Car@s Amig@s,
A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” está encaminhando aos
quatro principais candidatos à presidência da República um pequeno
questionário envolvendo a liberação dos transgênicos no País.
Nossa proposta é a de tornar públicas as posições dos candidatos sobre
este tema, de maneira que os eleitores brasileiros possam levá-las em
conta no momento de escolher seu candidato.
Orientamos a todos que também cobrem de cada candidato uma posição clara
sobre o tema.
Você pode fazer suas perguntas diretamente a eles, através dos
e-mails:
LULA:
ouvidoria@...
lula.pt@...
CIRO GOMES:
comite@...
JOSÉ SERRA:
joseserra@...
GAROTINHO:
garotinho@...
Você também pode visitar os sites dos candidatos e fazer suas
perguntas através dos links “Fale Conosco” ou “Fale com o
Candidato”. Os sites sempre informam os endereços dos comitês de
campanha, para onde se pode telefonar ou enviar cartas e fax.
Da mesma forma, é importante aproveitar todas as oportunidades de
exposição pública dos candidatos, como entrevistas ou comícios, para
questioná-los sobre este tema.
As perguntas que estamos enviando são do seguinte teor:
1) O senhor apóia a proposta de uma moratória à liberação do cultivo
comercial e da comercialização de transgênicos no Brasil por tempo
indeterminado, até que pesquisas independentes garantam a necessária
segurança destes produtos para a saúde humana e o meio ambiente? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
2) O senhor se compromete a coibir efetivamente os plantios ilegais de
transgênicos no País? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
3) O senhor se compromete a garantir a fiscalização sobre a segurança
dos plantios experimentais de transgênicos, a fim de evitar problemas de
contaminação? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
4) O senhor se compromete a fiscalizar a comercialização ilegal de
alimentos contaminados por transgênicos importados dos países que os
produzem, como a Argentina e os Estados Unidos? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
5) O senhor se compromete a revogar o decreto 3.871, de 18 de julho de
2001,que disciplina a rotulagem de alimentos transgênicos, e substitui-lo
por outra norma que exija a plena informação no rótulo de todo e
qualquer alimento contendo ingrediente geneticamente modificado, conforme
determina o Código de Defesa do Consumidor? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
6) O senhor garantirá que o Protocolo de Biossegurança seja ratificado
pelo Brasil? SIM (
)NÃO
(
)NÃO SEI
( )
É importante também cobrar posições claras sobre este tema dos candidatos
a vagas nos legislativos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado
Federal. Afinal, deles depende a criação de leis para regulamentar a
questão no Brasil.
A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” dará ampla publicidade
às respostas que obtiver dos candidatos à presidência. Da mesma forma,
divulgará a omissão dos que não se posicionarem.
**********************************
Neste número:
1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para
China
2. Mais evidências: planta transgênica pode dar origem a super-erva
daninha
3. Monsanto mal das pernas
4. Peixe de aquário transgênico que brilha no escuro já é vendido em
Taiwan
5. Zâmbia aceita ajuda alimentar transgênica Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Republica Dominicana: Plano Sierra de
conservação de solos Eventos 1. Agricultura Familiar na Expointer 2002 - Esteio-RS
2. II BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção
Orgânica
************************************
1. Brasil aumenta controle de soja transgênica para exportar para
China O governo brasileiro está trabalhando para garantir que nenhum
grão de soja transgênica desembarque na China juntamente com a soja
convencional brasileira. Na próxima semana, o Ministério da Agricultura
deve publicar no Diário Oficial da União uma instrução normativa
proibindo que a soja não-transgênica brasileira seja transportada para a
China nas mesmas embarcações onde são colocadas a soja transgênica de
outros países. A informação é do diretor do Departamento de Inspeção
Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Odílson
Ribeiro.
Odílson disse que a medida é para impedir o "top-off" para o
mercado chinês - prática utilizada nos porões de navios em que grãos de
soja convencional são sobrepostos à soja transgênica de outros países,
durante o transporte do produto.
Segundo protocolo acertado entre os governos do Brasil e da China, a
partir de 20 de dezembro deste ano, o governo chinês ficará ainda mais
rígido quanto a fiscalização que impede a entrada de soja transgênica no
país. (...)
Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exporta atualmente
para o mercado chinês 3,6 milhões de toneladas de soja convencional por
ano. Com a mudança das normas, a expectativa do governo é de que esse
volume atinja 5 milhões de toneladas anuais. Agência Brasil, 10/08/02.
2. Mais evidências: planta transgênica pode
dar origem a super-erva daninha Os genes inseridos em plantas transgênicas para torná-las mais
resistentes a
pragas podem migrar naturalmente para ervas daninhas e beneficiá-las
também. O fenômeno foi verificado em um experimento com girassóis
geneticamente modificados plantados por pesquisadores dos EUA.
Cientistas de universidades de Ohio, Nebraska e Indiana estudaram o
girassol Bt, que tem inserido em seu DNA um de gene da bactéria
Bacillus thuringiensis, que produz uma toxina mortal para larvas
de insetos comedoras de folhas.
O experimento foi relatado hoje em uma conferência no encontro anual da
Sociedade Ecológica da América em Tucson, no Arizona.
As ervas daninhas beneficiadas pelo transgene são plantas selvagens
aparentadas com girassol, mas sem valor comercial. O que os cientistas
fizeram foi cultivar híbridos - plantas mestiças entre o girassol e as
ervas daninhas - para verificar sua capacidade de se espalhar. Os
híbridos descendentes de girassóis transgênicos se tornaram resistentes a
pragas e conseguiram gerar 50% mais sementes do que os híbridos
comuns.
Segundo a líder do estudo, Allison Snow, da Universidade do Estado de
Ohio, seu trabalho mostra o risco de que um gene inserido na planta para
defendê-la de insetos saia como um tiro pela culatra, fortalecendo
ervas daninhas. (...) Galileu, 11/08/02.
3. Monsanto mal das pernas A Monsanto, uma das maiores multinacionais de defensivos,
sementes e biotecnologia do mundo, com vendas líquidas de US$ 5,462
bilhões em 2001, se separou ontem da também americana Pharmacia, que
detinha 84% de suas ações. Para os analistas de mercado a empresa entra
em uma nova era, mas dificilmente conseguirá caminhar sozinha. (...)
“Uma empresa agrícola como a Monsanto ligada a uma farmacêutica como a
Pharmacia é como um estranho no ninho. Era uma situação que, com certeza,
incomodava as duas partes”, diz um especialista. “Agora”, continua,
“existem três opções: a Monsanto se firma como independente, é comprada
por outro grupo ou parte para uma fusão. Dessas três a mais forte é a
última”.
Nesse caso, o mercado trabalha com duas alternativas, Dupont ou Dow
AgroSciences, com vantagem para a segunda -- cujas vendas anuais são da
ordem de US$ 3 bilhões. Segundo analistas, seria um casamento vantajoso
porque a Dow é vulnerável em sementes e biotecnologia, pontos fortes da
Monsanto. (...)
Ao abrir seu capital nos EUA, em 18 de outubro de 2000, as ações da
empresa valiam US$ 20. Chegaram a atingir o pico de US$ 38,12 em 13 de
junho de 2001, e fecharem, ontem, a US$ 15,81 com queda de 4,24% no dia.
Em 2002 a retração chegou a 53,22%. Em relação aos US$ 20 de outubro de
2000, a desvalorização é de 21%.
“Parte dessa queda decorre da turbulência financeira mundial, mas parte é
conseqüência das dificuldades dos avanços da biotecnologia em alguns
mercados, entre os quais União Européia e Brasil. A verdade é que os
transgênicos não pegaram o fogo que a Monsanto esperava”, observa um
especialista. Valor Econômico, 14/08/02.
4. Peixe de aquário transgênico que brilha
no escuro já é vendido em Taiwan A mais nova atração nas pet shops de Taiwan é um peixe
transgênico que brilha no escuro, o primeiro animal de estimação
geneticamente modificado do mundo. Vendido com o nome de TK-1, o animal é
resultado de uma combinação genética do peixe zebra albino (de água doce)
com um gene de água-viva. (...)
Criado por um a equipe da Universidade Nacional de Taiwan, o peixe está
sendo vendido, apesar dos protestos de ambientalistas. Especialista em
engenharia genética do Greenpeace, Juan Felipe Carrasco, afirmou que o
peixe fosforescente é uma ameaça a “saúde global do ecossistema” e
questionou a utilidade de se investir dinheiro em criações deste tipo. A
empresa nega que o peixe represente uma ameaça, garantindo que o peixe é
estéril. (...)
Carrasco argumenta que ainda que o peixe seja estéril “a alteração
genética é irreversível” e uma simples falha poderia desencadear uma
reprodução descontrolada da nova espécie. Ele teme também que o TK-1 seja
apenas o primeiro de uma longa lista de animais geneticamente modificados
a serem vendidos. (...) O Globo, 10/08/02.
5. Zâmbia aceita ajuda alimentar
transgênica A Zâmbia deverá aceitar uma oferta de ajuda de alimentos
transgênicos dos EUA, para impedir que a fome continue a crescer no país,
disseram congressistas norte-americanos. (...) Os EUA estão dispostos a
suprir cerca da metade do déficit de milho do país africano. (...) Gazeta Mercantil, 12/08/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Republica Dominicana: Plano Sierra de
conservação de solos
O Plano Sierra de Ecodesenvolvimento aceitou o desafio de
quebrar a ligação entre pobreza e degradação ambiental na cordilheira
central da República Dominicana. Além de melhorar a qualidade de vida dos
produtores, o controle da erosão dos solos na Sierra aumentou seu
potencial hidrelétrico e permitiu a irrigação de 50.000 hectares de terra
rio abaixo no Vale Cibao. A estratégia do Plano Sierra foi desenvolver e
difundir sistemas agrícolas alternativos de forma a incrementar a
produtividade e a auto-suficiência das famílias da região. O objetivo era
permitir aos produtores usar eficientemente os recursos disponíveis, tais
como umidade e nutrientes do solo, estercos animais, resíduos das
colheitas, vegetação natural, diversidade genética e trabalho familiar.
Desta forma seria possível satisfazer as necessidades básicas por
alimentação, lenha, materiais de construção, plantas medicinais e
aumentar o rendimento familiar. Várias técnicas passaram a ser usadas de
maneira integrada: a) práticas de conservação de solo, como
terraceamento, cultivo mínimo, cultivo em aléias e barreiras vivas; b)
uso de leguminosas arbóreas e arbustivas para fixação de nitrogênio,
intensificação da produção de biomassa, adubação verde e produção de
forragem; c) uso de fertilizantes orgânicos e de resíduos vegetais para
otimizar reciclagens internas; d) combinações de policultivos e/ou
rotação de culturas semeadas em datas e densidades adequadas; e)
conservação e estocagem de água através de cobertura morta e técnicas de
captação de água. Mais de 2000 produtores dominicanos se beneficiaram com
a adoção destas técnicas. Miguel Altieri. Dominican Republic: Plan Sierra soil
conservation. In: PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food
poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence.
Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.114.
Eventos
A Agricultura Familiar marcará sua presença na Expointer
2002, de 24 de agosto a 1 de setembro, em Esteio-RS. Maiores informações: Altemir Tortelli (49) 99670238, Salete Escher
(41) 99570372 e Eloir Griseli (54) 99771872.
Nos dias 30 e 31 de agosto, no Auditório da Faculdade de Ciências
Agronômicas UNESP - Campus de Botucatu, se realizará o encontro II
BIOMASSA: Adubos e Manejo da Biomassa em Sistemas de Produção
Orgânica. O evento relacionará os fundamentos científicos com o
manejo prático. Maiores informações:
agroecologica@...;
eventos@... ou pelos
telefones (14) 6821-9797 / 6821-1866.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
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"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 130 - 19 de setembro
de 2002
Car@s Amig@s,
A Associação de Solos do Reino Unido (Soil Association) publicou
em este mês um relatório intitulado “Sementes da Discórdia -- A
experiência dos agricultores da América do Norte com cultivos
transgênicos”, cujos dados demonstram que os transgênicos representam
um desastre econômico para a agricultura.
Considerando que o governo inglês deverá em breve tomar uma decisão
fundamental e de longo prazo, a de permitir ou não a produção comercial
de cultivos geneticamente modificados, a Associação decidiu verificar se
a imagem apresentada pela indústria de biotecnologia sobre cultivos
transgênicos na América do Norte -- de sucesso absoluto -- é verdadeira
e, se não, que problemas ocorreram. Com este objetivo, o relatório
apresenta entrevistas com agricultores americanos e canadenses sobre suas
experiências com a soja, o milho e a canola transgênicos, além de revisar
algumas pesquisas independentes. As evidências reunidas demonstram que os
cultivos transgênicos estão longe de serem “uma história de
sucesso”.
Em completo contraste com a impressão dada pela indústria de
biotecnologia, ficou claro que a maioria dos benefícios prometidos não se
realizou, além de as lavouras modificadas terem se mostrado uma tragédia
econômica. A contaminação descontrolada de transgênicos afetou
severamente a produção alimentos “livres de transgênicos”, incluindo a
produção orgânica, destruiu o mercado e arruinou a competitividade da
agricultura americana. Os cultivos transgênicos ainda aumentaram a
dependência dos agricultores aos herbicidas e os levaram a inúmeros
problemas legais, envolvendo uma proliferação de ações
judiciais.
Estima-se que a soja, o milho e a canola transgênicos tenham custado U$
12 bilhões (£ 8 bilhões) à economia dos Estados Unidos desde 1999 em
subsídios governamentais, preços mais baixos dos produtos agrícolas e
perda nas exportações. A difusão da contaminação dos transgênicos em
todos os níveis da indústria alimentícia é a principal causa destas
dificuldades.
Segundo o relatório, alguns anos depois do início da introdução dos
transgênicos, praticamente todas as exportações de milho dos EUA para a
União Européia e as exportações canadenses de canola também para a União
Européia, ambas estimadas em 300 milhões de dólares anuais,
desapareceram, e a participação dos EUA no mercado mundial de soja também
diminuiu.
Passados seis anos desde a primeira liberação comercial de transgênicos,
o uso da engenharia genética na agricultura ainda é limitado. Apenas
quatro países, incluindo os Estados Unidos e o Canadá, produzem 99% dos
transgênicos do mundo, e apenas quatro culturas (soja, milho, algodão e
canola) representam 99% da área total plantada com transgênicos.
Entre os principais impactos diretos das sementes transgênicas nas
lavouras norte-americanas, são citados a menor rentabilidade da soja
resistente ao herbicida glifosato (princípio ativo do Roundup, da
empresa Monsanto) e do milho Bt, tóxico para lagartas, devido ao maior
custo das sementes modificadas associado ao menor valor de mercado dos
produtos transgênicos; o fato de o suposto aumento de produtividade não
ter ocorrido em nível global (observou-se um pequeno aumento de
produtividade no milho Bt, contra um rendimento da soja Roundup
Ready, resistente ao glifosato, 6 a 11% menor do que das lavouras
convencionais); e os problemas surgidos com o aparecimento de ervas
daninhas resistentes a herbicida, tornando os agricultores mais
dependentes dos agrotóxicos (os herbicidas estão sendo aplicados
repetidas vezes, contrariando o argumento de que uma aplicação seria
suficiente nas lavouras transgênicas).
O documento assegura ainda que os agricultores que optaram por não
plantar transgênicos estão tendo muita dificuldade em manter suas
lavouras livres destes organismos. Grande parte dos estoques de sementes
está contaminado por sementes transgênicas. Além disso, tornou-se difícil
comprar variedades não transgênicas de boa qualidade e há um sério risco
de contaminação das lavouras.
Em função de todos estes problemas, a Associação de Solos relata que
muitas organizações agrícolas dos EUA têm incentivado agricultores a não
plantar transgênicos este ano. As associações nacionais de agricultores
dos Estados Unidos e do Canadá, a Associação Americana de Produtores de
Milho, o Conselho Canadense de Trigo, grupos de agricultores orgânicos e
mais de 200 outros grupos estão pressionando por uma proibição ou
moratória (proibição temporária) à introdução da próxima grande variedade
transgênica a ser liberada: o trigo. Além disso, com o apoio de diversas
organizações agrícolas, uma lei federal foi proposta no Congresso dos EUA
em maio de 2002, buscando a introdução de normas de rotulagem e de
responsabilidade sobre danos causados pelo cultivo de transgênicos no
país.
Na conclusão do documento, a Associação de Solos argumenta que as
evidências encontradas mostram que a introdução de cultivos transgênicos
no Reino Unido impediria o governo de cumprir os compromissos públicos e
os objetivos políticos que assumiu: assegurar que a expansão da
agricultura orgânica não seja afetada pela introdução dos transgênicos e
que a agricultura deve ser competitiva e ir de encontro às exigências dos
consumidores.
1. Chefes de cozinha em guerra contra o salmão transgênico
2. Organizações da Escócia e do Canadá também estão preocupadas com o salmão transgênico
3. Academia de Ciência dos EUA expressa preocupação sobre biotecnologia animal
4. Custos da contaminação transgênica
5. Seguradoras australianas não se arriscam em seguros para transgênicos
6. Chile propõe novas normas sobre transgênicos
7. Rússia impõe rotulagem de alimentos transgênicos
8. Governo de Blair apóia transgênicos
1. Chefes de cozinha em guerra contra o salmão transgênico NOVA YORK - Num ataque preventivo contra a mais nova comida geneticamente modificada, 200 chefes de cozinha, comerciantes e distribuidores de frutos do mar em 40 Estados americanos estão anunciando o compromisso de não comprar peixe que tenha sido alterado pela biotecnologia.
Os participantes da campanha dizem temer que, se o salmão geneticamente modificado for aprovado pela Administração de Alimentos e Drogas (FDA), ele escape dos locais onde é criado e cruze com o salmão selvagem, pondo algumas espécies em perigo. A FDA está estudando um pedido de comercialização de salmão transgênico. Se a solicitação for aprovada, o salmão se tornará o primeiro animal geneticamente modificado permitido nas mesas de jantar americanas, onde fará companhia ao milho e à batata transgênicos, já disponíveis.
A companhia de biotecnologia que produz o salmão diz que ele será mais benéfico para o meio ambiente que o atual.
O boicote está sendo liderado pelos grupos Centro para a Segurança Alimentar, Ação pela Água Limpa e Amigos da Terra, todos críticos dos alimentos transgênicos. A lista de chefes de cozinha aliados a eles inclui nomes prestigiados, como Thomas Keller, do French Laundry, em Yountville, Califórnia; Michel Richard, do Citronelle, em Washington; e, em Nova York, Mario Batali, do Babbo, e Jean-Georges Vongerichten, do Jean-Georges. A principal preocupação é ambiental -- se o peixe geneticamente modificado é perigoso para as espécies nativas. Os grupos citam um estudo encomendado pela FDA e divulgado pelo Conselho Nacional de Pesquisa, segundo o qual o salmão transgênico, criado em viveiros no mar, poderia escapar, cruzar com seus primos selvagens e superá-los na disputa por comida e acasalamento, pondo em perigo a já decadente pesca de salmão no Atlântico.
Todd Gray, chefe de cozinha e proprietário do Equinox, em Washington, descreveu o peixe transgênico como "comida Frankenstein". Outros grupos ambientalistas apóiam o boicote, que inclui 42 mil indivíduos. Mesmo alguns criadores de salmão dizem estar preocupados com o peixe transgênico. A nova espécie de salmão pode crescer duas vezes mais rápido que seus primos das criações tradicionais. O Estado de São Paulo, 19/09/2002.
2. Organizações da Escócia e do Canadá também estão preocupadas com o salmão transgênico Um informe elaborado pela Comissão de Biotecnologia, Agricultura e Meio Ambiente (AEBC, na sigla em inglês) da Escócia descreve brevemente sua preocupação com respeito à clonagem animal no Reino Unido e recomenda que não se criem peixes geneticamente modificados no mar até que se avalie profundamente toda a possibilidade de escape gênico.
Um porta-voz daorganização SQS (Salmão Escocês de Qualidade) disse: “A SQS declara publicamente que se opõe ao emprego da modificação genética para produção de salmões. Não existe tal atividade nas fazendas escocesas e dado o peso da opinião pública, não se prevêem circunstâncias que afirmem o contrário no futuro”.
A SQS fala em nome de cerca de 65% da indústria dedicada à produção de salmão cultivado na Escócia e de todas as partes envolvidas na cadeia produtiva, desde as empresas de alimentos, até os produtores de alevinos, defumadores de salmão e processadores.
Uma empresa dos EUA desenvolveu um salmão geneticamente modificado conhecido como AquaAdvantage ®, que foi geneticamente modificado para que cresça duas a três vezes mais que o salmão comum. A empresa apresentou uma solicitação para obter licença para a comercialização deste salmão, que deverá ser aprovada pela Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA). (...)
Hoje existe uma oposição científica generalizada à comercialização de peixes geneticamente modificados em fazendas que cultivam espécies de alto mar. A Sociedade Real do Canadá pediu uma moratória à criação de peixes transgênicos em fazendas aquáticas e solicitou que a aprovação de sua produção comercial se condicione à criação em cativeiro em instalações fechadas (muitos produtores criam peixes em gaiolas colocadas no mar). A Sociedade Real referendou estas medidas. (...) Ayaba Diario Medioambiental, Internet, 09/09/02. http://www.ayaba.com/modules.php?name=News&file=article&sid=131
3. Academia de Ciência dos EUA expressa preocupação sobre biotecnologia animal A Academia Americana de Ciências divulgou relatório patrocinado pelo FDA (Agência do Governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos, na sigla em inglês) mostrando sua preocupação sobre o impacto da biotecnologia animal, incluindo os animais clonados, sobre o meio ambiente e a saúde humana.
O relatório mostra preocupação sobre a possibilidade de escape de organismos geneticamente modificados, tais como insetos, moluscos e peixes, no meio ambiente, levando à sua proliferação, o que poderia causar contaminação e até mesmo a extinção de espécies selvagens.
O relatório observou que embora até o momento não tenham sido encontradas evidências de danos à saúde humana em comer animais clonados ou geneticamente modificados e seus derivados, como leite e ovos, estudos adicionais são necessários para determinar seus reais efeitos na saúde.
Após a publicação do relatório, o FDA solicitou a uma centena de produtores de vacas clonadas nos EUA para suspenderem a venda de carne e leite dos animais e para não deixarem que eles procriem, esperando aprovação regulatória. No relatório, a Academia também pede esforços para assegurar que os animais geneticamente modificados para produzir substâncias não alimentícias, como vacas que produzem drogas em seu leite, não entrem na cadeia alimentar. (...)
O relatório completo pode ser lido na homepage da Academia Nacional de Ciências dos EUA: http://www4.nationalacademies.org/nas/nashome.nsf Serviço de Informação do Terceiro Mundo em Biossegurança, 13/09/2002.
4. Custos da contaminação transgênica A Revista Nature Biotechnology de junho de 2002 está dedicada aos riscos econômicos e responsabilidades associadas aos cultivos transgênicos no Canadá e EUA. O caso mais custoso foi o do milho StarLink dos EUA, cuja retirada do mercado custou um bilhão de dólares.
O informe assinala que a Comunidade Européia proibiu recentemente as importações de mel do Canadá, porque os produtores canadenses não podem garantir mel livre de pólen transgênico. Esta medida abaixou os preços do mel no Canadá e causou uma perda de um mercado de 5,3 milhões de dólares na última década. Os cultivos transgênicos também têm destruído o crescente mercado para a canola orgânica do Canadá, estimado em 100 a 200 mil dólares anuais. Os agricultores orgânicos têm levado o conflito contra as companhias biotecnológicas até aos tribunais. Biotech Activists, jun/2002
Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.
5. Seguradoras australianas não se arriscam em seguros para transgênicos As companhias de seguros da Austrália têm admitido sua reticência em vender seguros para a indústria biotecnológica. Temem que se repita o desastre com o amianto, em que as companhias mineradoras tiveram que pagar milhões de dólares pelos danos causados à saúde dos trabalhadores. Assinalam que os riscos desconhecidos dos alimentos transgênicos poderiam significar altos custos às seguradoras e temem ações de consumidores com reações alérgicas, ou de agricultores por contaminação transgênica e desenvolvimento de ervas daninhas resistentes a herbicidas. As seguradoras assinalam que, como a tecnologia é nova e complexa, não há maneira de avaliar os riscos de danos que poderiam aparecer no futuro, o que dificulta o estabelecimento dos prêmios. Biotech Activists, 05/04/02.
Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.
6. Chile propõe novas normas sobre transgênicos Foram elaborados dois projetos de lei sobre transgênicos no Chile.
A Câmara de Deputados apresentou uma moção para modificar a lei 19.300 de Bases Gerais do Meio Ambiente, a fim de incluir no Sistema de Impacto Ambiental os projetos científicos ou de produção que visem a liberar organismos geneticamente modificados no meio ambiente, devido risco que eles representam para as áreas de produção limpa e orgânica. O projeto também considera o direito das associações ou cooperativas de produtores agropecuários locais de declarar zonas de produção limpa ou zonas sem transgênicos no país, em comum acordo com os municípios ou autoridades regionais. Se este projeto for aprovado, significará um grande avanço para o desenvolvimento da agricultura orgânica no país e um freio à expansão dos transgênicos.
O Senado propôs ainda um projeto de lei sobre a rotulagem obrigatória dos produtos transgênicos. O projeto estabelece que todos os produtos alimentares que sejam transgênicos ou que tenham usado ingredientes ou aditivos transgênicos em sua fabricação, deverão levar uma etiqueta em lugar destacado da embalagem em que apareça escrito “Transgênico” ou “OGM”. Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.
7. Rússia impõe rotulagem de alimentos transgênicos A Rússia está introduzindo a rotulagem obrigatória de todos os alimentos produzidos a partir de ingredientes geneticamente modificados, segundo informa o jornal russo Itar-Tass. Em 1° de setembro deste ano, os fabricantes foram informados que teriam que embalar seus produtos com rótulos bem compreensíveis. A matéria do Itar-Tass citou fontes do órgão de Inspeção Sanitária do governo, que disseram que os rótulos devem ser totalmente informativos e conter inclusive informações sobre, por exemplo, proteínas. LabConsS www.ufrj.br/consumo
8. Governo de Blair apóia transgênicos O governo de Tony Blair, da Inglaterra, planeja modificar a lei para dificultar que o público opine sobre o desenvolvimento comercial de cultivos transgênicos. Mais de 200 grupos ambientalistas se opuseram no passado à liberação comercial do milho transgênico Chardon LL. Da sua parte, o Primeiro Ministro advertiu que os grupos contrários aos transgênicos arriscam colocar a Grã-Bretanha para trás em sua liderança científica e que não vê nenhum dano nos alimentos transgênicos, emboratenha reconhecido que as preocupações quanto à contaminação de cultivos não transgênicos seja legítima.
Estas declarações suscitaram pressão do movimento ambiental e, recentemente, Blair anunciou planos para realizar um debate nacional sobre esta tecnologia. O governo inglês também se opôs às novas normas de rotulagem que o Parlamento Europeu aprovou em julho deste ano. Genet News, 21/05/02, 29/05/02, 4/06/02, 12/07/02 e 3/07/02, in Boletín de Actualidad sobre Transgênicos n° 10, setembro/2002 - Fundación Sociedades Sustentables.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Produção familiar domina a produção orgânica
A produção de alimentos orgânicos no Brasil está concentrada em pequenos produtores familiares -- com propriedades de até 20 hectares --, quase sempre ligados a associações e grupos de movimentos sociais. Eles representam 90% do total, localizados basicamente na região Sul. Os outros 10% estão com grandes produtores empresariais, quase sempre no Sudeste.
Os dados fazem parte da pesquisa desenvolvida pelo agrônomo Moacir Darolt para sua tese de doutorado publicada no livro “Agricultura Orgânica -- Inventando o Futuro”. Os pequenos produtores, diz ele, exportam através de associações ou de empresas exportadoras, que compram sua produção. Minas, por exemplo, exporta café, bem como o Paraná, que vende ao exterior também soja e açúcar mascavo. A Bahia exporta cacau e São Paulo, suco de laranja, açúcar mascavo e frutas secas. (...)
Segundo Darolt, o avanço da produção orgânica está entre 40-50% ao ano e é superior ao de países da União Européia e Estados Unidos, onde o mercado cresce, em média, de 20% a 30% ao ano. Segundo o pesquisador, também começa a tomar vulto a pecuária orgânica em áreas extensivas, com destaque para Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O Instituto Biodinâmico (IBD) calcula que 600 mil bovinos passam por conversão ao manejo orgânico.
Para o presidente da Emater-PR, Rubens Ernesto Niederheitmann, os orgânicos colaboram para viabilizar pequenas propriedades. (...) Valor Econômico, 02/08/02.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 131 - 27 de setembro
de 2002
Car@s Amig@s,
Uma grande vitória da Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” e da
população fluminense foi alcançada na última semana. A governadora do
Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT), sancionou no dia 17 de
setembro a Lei 3.967, que veda no estado do RJ o cultivo comercial de
transgênicos e a comercialização de produtos que contenham em sua
composição substâncias provenientes de organismos geneticamente
modificados, que tenham como finalidade a alimentação humana ou animal. A
Lei foi publicada no Diário Oficial do Estado em 20 de setembro.
Esta Lei é fruto do empenho da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (SEMADS) e da Secretaria de Estado da
Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior (SEAAPI)
que, a partir da sugestão de entidades da Campanha “Por um Brasil Livre
de Transgênicos”, encaminharam e defenderam a proposta junto à
governadora. Em 07 de agosto a governadora a encaminhou à Assembléia
Legislativa, que a aprovou em pouco tempo.
O Rio de Janeiro é o quarto estado brasileiro a aprovar lei estadual
proibindo os transgênicos, depois do Pará, do Mato Grosso do Sul e de
Santa Catarina.
A criação de leis estaduais neste sentido é de suma importância,
especialmente se considerarmos como está sendo conduzida a tramitação do
Projeto de Lei Federal sobre o assunto. Em março deste ano, a Comissão
Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos
Deputados aprovou -- sob muitos protestos -- o Projeto de Lei (PL) de
autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), que visa a liberar os
transgênicos no Brasil de forma rápida e irrestrita, sem as necessárias
avaliações de riscos para a saúde dos consumidores e para o meio ambiente
e sem garantias mínimas para proteger a economia nacional e os direitos
dos agricultores brasileiros.
Este PL aguarda votação no Plenário da Câmara. Se aprovado, seguirá para
o Senado Federal.
A Constituição brasileira permite que municípios tenham leis mais
restritivas que os estados (nunca menos restritivas) e que os estados
tenham leis mais restritivas que a União. Ou seja, mesmo que a lei
federal não proíba o cultivo comercial de transgênicos, uma lei estadual
pode fazê-lo. Em contrapartida, se a lei federal proibisse o cultivo,
nenhuma lei estadual poderia permiti-lo.
Dessa forma, a criação de leis estaduais proibindo o cultivo comercial e
o comércio de transgênicos até que se prove que eles não trazem danos à
saúde ou ao meio ambiente representa uma garantia importante para a
população neste momento.
Você também pode incentivar a criação de leis proibindo transgênicos no
seu estado e no seu município. No estado do Paraná, mais de dez
municípios tiveram leis aprovadas a partir da mobilização de grupos de
jovens e agricultores. Procure os deputados estaduais de sua região e os
vereadores da sua cidade e faça esta proposta. Sem dúvida você encontrará
algum que se interesse pelo tema. Se a proposta for encaminhada através
de grupos ou entidades, ela ganhará ainda mais força. Mãos a
obra!
1. Projeto de Lei do Senado visa a suspender comércio de
transgênicos
2. Parlamento Europeu: países têm direito de rejeitar transgênicos
3. Europa continua a rejeitar produto transgênico
4. ONU cria tratado contra clonagem humana
5. EUA querem pulverizar herbicidas em florestas para combater incêndios
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Banco de Sementes é alternativa para
combate à fome no sertão de Alagoas
1. Projeto de Lei do Senado visa a suspender comércio de
transgênicos
Projeto que suspende até 2004 qualquer ação que legalize a
produção e comercialização de organismos geneticamente modificados,
também chamados de transgênicos, aguarda votação na CCJ -- Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. De iniciativa do senador
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a matéria será relatada por Sebastião
Rocha (PDT-AP).
Apresentado no ano 2000, o projeto alcança tanto os transgênicos
nacionais quanto os importados. A proposta tem por base a preocupação
desencadeada pelos movimentos sociais que enxergam na evolução daqueles
organismos questões que envolvem o meio ambiente, o desemprego rural, a
saúde pública e o futuro da Humanidade.
Na justificação do projeto, Valadares diz que as pesquisas e estudos
científicos realizados não produzem um nível de segurança nem sequer
razoável para a completa liberação desses organismos. Ele argumenta ainda
mencionando a reação européia contra a importação de produtos
transgênicos, cultivados em larga escala nos Estados Unidos e no Canadá.
O senador afirmou que a liberação em escala comercial, já ocorrida em
alguns países, demonstra que não existe nenhum benefício real para o
consumidor. Segundo ele, “ninguém pode garantir que os transgênicos sejam
mais baratos, mais nutritivos ou mais gostosos”, não podendo ser
considerados mais seguros que os alimentos convencionais. Valadares
acrescentou que a liberação dos transgênicos significaria assumir riscos
que podem ser evitados. Jornal do Senado, 17/09/02.
2. Parlamento Europeu: países têm direito de
rejeitar transgênicos BRUXELAS -- Os países devem ter o direito de rejeitar
organismos geneticamente modificados, decidiram membros do Parlamento
Europeu nesta terça-feira (24/09).
A assembléia da União Européia votou a favor de um projeto de lei que vai
alinhar as leis do bloco ao Protocolo de Cartagena, um tratado global que
aborda o comércio de organismos geneticamente modificados e requer dos
países exportadores que peçam permissão dos países importadores antes de
enviar este tipo de produto.
O tema espinhoso da movimentação internacional de colheitas geneticamente
alteradas - que alguns países dizem que poderiam representar risco à
saúde humana e ao meio ambiente - voltou a causar polêmica recentemente,
quando países africanos rejeitaram ajuda humanitária dos Estados Unidos
em forma de grãos transgênicos.
Jonas Sjostedt, parlamentar da Suécia que liderou os trabalhos sobre o
tema, disse que está clara a necessidade de regras claras para o comércio
de organismos modificados.
- A necessidade urgente de regras rígidas para a exportação de organismos
geneticamente modificados foi demonstrada recentemente com a rejeição de
comida transgênica por Zâmbia, Zimbábue e Moçambique - disse Sjostedt.
O Parlamento também está finalizando um conjunto de regras para assegurar
que os organismos modificados cultivados ou usados na Europa sejam
claramente segregados das colheitas convencionais e que ingredientes
possam ser rastreados até sua origem caso ocorra algum problema.
Agricultores americanos dizem que as regras são supérfluas e custosas.
O Globo Online, 24/09/02
www.oglobo.globo.com/oglobo/plantao/44861675.htm
3. Europa continua a rejeitar produto
transgênico O milho geneticamente modificado produzido na Espanha não se
destina a seres humanos -- é para alimentar os porcos. A batata
transgênica da Alemanha supre a necessidade de amido a ser utilizada em
revestimentos de papel. Na Itália, pesquisadores desenvolvem um trigo
geneticamente modificado para produzir massas destinadas à exportação.
Por toda a Europa, pesquisadores em empresas de biotecnologia, institutos
governamentais e universidades trabalham no desenvolvimento de novos
produtos como uvas, trigo, feijões e bananas geneticamente alterados que
os europeus dificilmente vão consumir algum dia. O uso comercial
destina-se à países em desenvolvimento ou aos Estados Unidos e não à
União Européia, onde os rótulos obrigatórios e outras restrições baniram
os produtos transgênicos. Há apenas uma cultura transgênica em toda a
União Européia, com fins comerciais, que é a de milho destinado à
alimentação de porcos. Nos Estados Unidos, são mais de 30, incluindo o
milho.
Nos supermercados europeus é difícil encontrar estes produtos. Sob
pressão dos ambientalistas, a UE estabeleceu uma série de restrições à
venda, entre elas o rótulo obrigatório. Na Bélgica, existem menos de 10
campos experimentais -- para centenas de pedidos que tinham sido feitos
na década passada. Hoje, nas 15 nações da UE, existem apenas 35 campos
experimentais. Em 1996, o número era de 239. “A Europa está se tornando
uma ilha”, diz Herman Van Mellaert, executivo da CropDesign, da Bélgica,
a maior companhia de biotecnologia da Europa. Gazeta Mercantil, 25/09/02.
4. ONU cria tratado contra clonagem
humana Preocupado com as implicações éticas da clonagem humana, um
comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) começou a trabalhar na
elaboração de um tratado internacional que proíba a criação de cópias de
seres humanos.
O comitê legal da Assembléia Geral da ONU recrutou um grupo de trabalho
para começar a esboçar o acordo. O grupo vai se reunir ao longo desta
semana e, como primeira tarefa, vai começar a listar os aspectos legais
do novo tratado.
A assembléia votou pela elaboração de um esboço no ano passado, a pedido
da França e da Alemanha, depois que o especialista em fertilização humana
Severino Antinori anunciou sua intenção de tornar-se o primeiro cientista
a produzir um clone humano. Várias empresas e instituições de pesquisa,
desde então, fizeram progressos no estudo dos mecanismos da clonagem de
uma variedade de animais e em seres humanos -- mas estes apenas para a
clonagem de células, tecidos e talvez órgãos.
O processo de esboço do tratado deve levar anos e todos os 190 países
membros estão livres para participar das deliberações do comitê. Extra, 26/09/02.
5. EUA querem pulverizar herbicidas em
florestas para combater incêndios O Serviço de Florestas dos Estados Unidos (USFS, na sigla em
inglês) aprovou um plano para pulverizar os herbicidas glifosato e
triclopyr em aproximadamente 5.000 acres (12.345,67 hectares) de mata
para reduzir o risco de incêndio florestal. A área do projeto fica
próxima à Floresta Nacional Eldorado, pertencente à bacia hidrográfica da
Baía de São Francisco e local de coleta de água potável para a área da
baía. Herbicidas são normalmente aplicados pela USFS e empresas privadas
de produção de madeira durante o plantio de árvores para diminuir a
competição com plantas espontâneas. Entretanto, na Floresta Nacional de
Eldorado os herbicidas serão aplicados em árvores adultas -- neste caso
de 40 a 60 anos -- que proporcionam abrigo e alimento à variada vida
selvagem. A associação dos índios Basketweavers (CIBA, na sigla em
inglês) e a entidade local Sierrans for Safe Passage (SSP) apelaram
contra a decisão do Serviço Florestal argumentando que o uso de
herbicidas para reduzir a quantidade de massa inflamável na mata abre um
precedente perigoso tanto para pessoas como para a vida selvagem. Estes
grupos defendem que o corte mecânico e o raleamento de folhas são
técnicas apropriadas para serem usadas.
"O Serviço de Florestas já foi muito longe com esta proposta",
disse Vivian Parker, bióloga do CIBA. "Eles querem transformar o
chão da floresta numa zona morta e estéril, matando valiosos arbustos e
ervas nativas em 4.522 acres de terras públicas. Estas plantas nativas
provêm importante fonte de alimentação e abrigo para muitas espécies,
incluindo o urso preto, a codorna e o veado. (...) Esta proposta não tem
sentido ecológico, científico ou moral."
Os grupos de conservação também discordam da teoria do Serviço de
Florestas de que pulverizar herbicidas reduzirá o risco de incêndios.
"Na verdade os herbicidas vão aumentar o risco de incêndios no curto
prazo devido à camada de folhas secas que se acumulará no chão", diz
Dan Zimmerman, do SSP.
O Serviço de Florestas propôs o uso de herbicidas a despeito de várias
determinações judiciais que solicitam mais estudos sobre os impactos. O
grupo Californianos por Alternativas aos Tóxicos (CATS) entrou com uma
ação judicial contra o Projeto Cottonwood da UFSF, que pretendia usar
herbicidas em 22.000 acres da Floresta Nacional Tahoe, depois do incêndio
florestal de 1994. Nesse caso, um juiz federal julgou que a agência
falhou em avaliar adequadamente os efeitos do herbicida para a saúde
humana e a vida selvagem, que podem atuar como disruptores endócrinos,
neurotoxinas e supressores do sistema imunológico.
As associações CIBA e SSP entraram com uma ação contra o Serviço de
Florestas. A utilização dos herbicidas está suspensa até que saia a
decisão judicial. PANUPS - Pesticide Action Network Updates Service, 13/09/02. -
www.panna.org
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Banco de Sementes é alternativa para
combate à fome no sertão de Alagoas
Armazenar sementes em bancos comunitários para utilizar no
próximo plantio. Esta tem sido a alternativa utilizada por mais de 600
famílias de agricultores de Alagoas no combate à fome. O projeto é
desenvolvido pela Visão Mundial, ONG que há 27 anos atua no Brasil,
através de 74 projetos sociais. (...)
O programa faz parte de um conjunto de ações que visam o desenvolvimento
sustentável das comunidades situadas na região do semi-árido brasileiro.
Anualmente, mais de 600 famílias -- aproximadamente 6 mil pessoas --
recebem, cada uma, através de doações, cerca de 30 kg de sementes de
feijão da seca, milho e hortaliças. Uma parte das sementes (assim como
parte da colheita) é plantada e o restante armazenado nos bancos
comunitários de sementes. As sementes de hortaliças destinam-se também às
hortas comunitárias organizadas e administradas pelas mulheres das
famílias que utilizam o Banco de Sementes.
A cada ano, novas famílias são atendidas graças ao efeito multiplicador
da ação: com 15 toneladas de sementes distribuídas em 2001, foram
colhidas 412 toneladas de feijão, sendo que uma parte dessa colheita vai
gerar, neste ano, ainda mais alimento, somando-se ao resultado de 2002.
(...)
De acordo com a instituição, o projeto garante alimentação de qualidade,
com baixo custo. Assim, para proporcionar alimentos para uma família por
seis meses, são necessários R$ 39,00. O valor de R$ 78,00 garante o
sustento de uma família por um ano, e R$ 156,00 alimentam duas famílias
por um ano inteiro.
O projeto é mantido por meio de recursos doados à Visão Mundial. Boletim Eletrônico da Associação Brasileira de
Organizações Não Governamentais - ABONG, 27 de junho a 03 de julho de
2002 - N º 191.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
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"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 132 - 04 de outubro
de 2002
Car@s Amig@s,
Pela primeira vez, em relatório oficial, o USDA (Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) admitiu que a maior
parte das prometidas vantagens econômicas dos cultivos transgênicos são
falsas ou muito duvidosas.
Em julho deste ano, o Serviço de Pesquisa Econômica (ERS, na sigla em
inglês) do USDA divulgou uma análise detalhada do desempenho econômico
dos cultivos transgênicos nos Estados Unidos, intitulada “Adoção de
Cultivos Bioengenheirados”, que chega a concluir que “Talvez a maior
questão levantada por estes resultados seja como explicar a rápida adoção
dos cultivos transgênicos quando os impactos financeiros na agricultura
parecem ser confusos ou mesmo negativos.”
Mesmo sem entrar na questão do mercado, o relatório revela que os
cultivos transgênicos não trouxeram vantagens econômicas para os
agricultores americanos -- embora muitos deles tenham a ilusão do
contrário.
Um outro estudo, financiado pela Universidade de Iowa e desenvolvido em
1998, revela que a percepção sobre os cultivos transgênicos pelos
agricultores pode ser influenciada tanto pela avaliação subjetiva que
eles fazem do desenvolvimento de suas lavouras, como pelos dados reais de
sua performance.
O estudo de Iowa confirmou que mais da metade dos agricultores que
plantavam soja transgênica resistente a herbicida o fazia porque
acreditava que ela proporcionava produtividades maiores se comparada com
as variedades convencionais de soja. No entanto, quando a universidade
analisou os resultados destas colheitas, descobriu que as variedades
transgênicas produziam menos, apesar da crença dos agricultores do
contrário.
Um estudo subseqüente da universidade avaliou em detalhe a performance
financeira nas lavouras de soja transgênica em Iowa (levando em conta
sementes, herbicidas, fertilizantes, operações de maquinaria, seguro e
encargos sobre a terra) e concluiu inexistirem diferenças de custos de
produção entre os cultivos de variedades transgênicas e convencionais. No
entanto, por causa de sua melhor produtividade, as lavouras não
transgênicas deram lucro para os produtores, enquanto as variedades
transgênicas não deram.
O estudo sugere a pressão de propaganda como uma possível causa
para a expansão do cultivo de soja resistente a herbicida, apesar de sua
performance econômica decepcionante.
Outro ponto particularmente interessante do relatório do USDA é referente
à adoção do plantio direto pelos agricultores que adotaram a soja
transgênica. Ao contrário do que alegavam os defensores da engenharia
genética -- que a introdução da soja transgênica promoveria o aumento da
adoção do plantio direto (método de cultivo que diminui drasticamente a
erosão do solo ao dispensar seu preparo) -- o estudo mostra que o plantio
direto, que estava em franco crescimento antes da introdução dos
transgênicos, estagnou nos Estados Unidos, enquanto cresce nos países
latino-americanos.
Sobre o algodão Bt (que é letal para determinados insetos), o relatório
do USDA confirma que a maioria dos agricultores (63%) não o adotou em
2001 -- provavelmente porque o consideraram desnecessário ou
anti-econômico.
Felizmente, além do algodão e das culturas que servem para a ração animal
-- soja e milho --, poucos produtores americanos estão adotando os
transgênicos.
Até um estudo do Centro Nacional de Políticas para a Alimentação e
Agricultura (NCFAP, na sigla em inglês) que foi parcialmente financiado
pela Monsanto e pela Organização das Indústrias de Biotecnologia (BIO, na
sigla em inglês), confirma que as culturas utilizadas diretamente
na alimentação humana, como milho doce, beterraba açucareira e batata,
não estão sendo plantadas pelos produtores nas suas versões transgênicas,
apesar delas já estarem registradas. O estudo do NCFAP relata que as
indústrias de alimentos não estão aceitando variedades transgênicas e que
a divisão da Monsanto para batata fechou em 2001.
Estas informações reforçam a nossa teoria de que os cultivos transgênicos
representam uma tecnologia pouco promissora e absolutamente dispensável.
Mais que isso, representam uma proposta de modelo agrícola insustentável:
ambientalmente perigoso, desvantajoso economicamente e socialmente
inapropriado (aumentando a dependência dos agricultores à
indústria).
A agroecologia vem mostrando, nos mais diversos contextos
sócio-ambientais, sua capacidade de responder às atuais necessidades da
população mundial. O uso conservacionista de recursos associado ao
conhecimento e à diversidade local vem mostrando é que possível produzir
alimentos saudáveis e em quantidade a baixos custos. É neste campo que as
grandes instituições de pesquisa deveriam investir recursos humanos e
financeiros de forma a trazer significativas contribuições para a
construção de um modelo sustentável para a agricultura.
1. Instrução Normativa Conjunta submete pesquisa em plantas transgênicas
à legislação de agrotóxicos
2. Nova Zelândia impõe regras rigorosas para evitar a importação de
transgênicos
3. Pratini insiste em defender a Monsanto ao invés de defender os
brasileiros
4. Como os transgênicos estão destruindo o meio ambiente e a vida das
pessoas na Argentina
5. Banco Mundial promove transgênicos
6. Participantes do III Seminário Internacional sobre Agroecologia
aprovam Carta Agroecológica em Porto Alegre Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Árvores no pasto, uma forma de aumentar
a produção animal Artigo: “Palavras ao
Vento”, de Jean Marc von der Weid, no site da revista Caros Amigos
1. Instrução Normativa Conjunta submete pesquisa em plantas transgênicas
à legislação de agrotóxicos O Ministério da Agricultura divulgou ontem (01/10) novas
normas para pesquisas com plantas geneticamente modificadas, também
conhecidas como transgênicas. As novas diretrizes permitem que algumas
destas plantas sejam consideradas como agrotóxicos, e tenham que seguir a
rigorosa legislação que estrutura este tipo de estudo. As novas normas
foram saudadas pelos ambientalistas. "É um avanço importante",
diz David Hathaway, consultor da ONG Assessoria de Serviços a projetos em
Tecnologia Alternativa (AS-PTA), do Rio de Janeiro.
A atual legislação diz que agrtotóxicos são aqueles produtos químicos ou
biológicos capazes de modificar a flora e a fauna. Muitas das plantas
geneticamente modificadas já desenvolvidas têm este efeito. Elas agem
como herbicidas e fungicidas, ou seja, destróem outros organismos. Entre
as mais utilizadas na lavoura estão as que contém o gene para a toxina
BT, que têm efeito inseticida. "Nos Estados Unidos o governo
registra essas plantas como defensivos agrícolas. Para mim são uma nova
geração de inseticidas, só que em forma de vegetal", afirma
Hathaway.
Já há pesquisas com plantas transgênicas em andamento no Brasil. A
estatal Embrapa por exemplo, desenvolve uma variedade geneticamente
modificada de feijão. Já a CODETEC faz pesquisas com cana-de-açúcar. O
objetivo das pesquisas é criar plantas que sejam mais resistentes à ação
de vírus e bactérias. Boletim Galileu, 02/10/02 -
http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT404537-1939,00.html
2. Nova Zelândia impõe regras
rigorosas para evitar a importação de transgênicos O ministro de Agricultura e Silvicultura da Nova Zelândia
anunciou em agosto deste ano que se estabeleceu um novo regime de
controle das importações de sementes para assegurar que nenhuma semente
transgênica entre no país. A Nova Zelândia realizará testes em todos os
carregamentos importados de sementes de milho, milho doce, colza e soja
para comprovar que o material não contenha transgênicos.
Este novo regime começou em 1o. de agosto
para sementes de milho e se estenderá às sementes de colza e soja em
1o. de outubro e de janeiro,
respectivamente.
Esta decisão foi tomada logo depois das eleições gerais, cujo debate se
centrou na conveniência ou não de se introduzir os transgênicos na
agricultura do país. (...) Boletim OMG - Amigos de la Tierra Españ -, número 22, setembro de
2002.
3. Pratini insiste em defender a Monsanto ao
invés de defender os brasileiros Se a Europa quiser que o Brasil continue a cultivar produtos
não-transgênicos, terá que pagar mais por eles, do contrário o país
também partirá para os transgênicos, disse nesta terça-feira, em Paris, o
ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcus Vinicius
Pratini de Moraes.
“Nós queremos uma diferenciação no preço. Eu não posso obrigar os
brasileiros a cultivar um produto não-transgênico que custa mais caro,
recebendo o mesmo preço. Se a Europa quiser importar o brasileiro
não-transgênico, vai ter que pagar um prêmio”, disse.
De acordo com o ministro, o custo de um produto não-transgênico chega a
ser entre 15% e 20% maior do que o similar transgênico. Pratini foi a
Paris em defesa do frango brasileiro. Uma reinterpretação de regulamento
da União Européia pode fazer a tarifa de exportação do frango salgado
passar de 15% a 75% do preço, com prejuízos para o Brasil. Folha de São Paulo, 2/10/02. N.E.: É impressionante a desfaçatez com a qual o ministro
procura defender os interesses norte-americanos ao invés de defender os
interesses brasileiros. Já estão mais do que claras -- e amplamente
noticiadas na grande imprensa -- as vantagens competitivas no mercado
internacional que o Brasil veio acumulando ao longo dos últimos cinco
anos, justamente por não produzir transgênicos. Os dados de custos de
produção por ele apresentados são irreais, conforme mostra a apresentação
deste Boletim.
4. Como os transgênicos estão destruindo o
meio ambiente e a vida das pessoas na Argentina “Nossa breve história de submissão às gigantes mundiais de
biotecnologia foi tão desastrosa que fervorosamente esperamos que as
outras nações da América Latina nos tomem como exemplo sobre o que não se
deve fazer”, disse Jorge Eduardo Rulli, um dos mais importantes agrônomos
da Argentina, apenas seis anos após o país ter decidido abraçar a
tecnologia dos transgênicos.
Quando a Monsanto chegou na Argentina em 1996 com a primeira de suas
culturas transgênicas, a soja Round-Up Ready (RR), fez promessas
atrativas para os produtores argentinos. (...) Eles foram cativados pela
conversa dos vendedores. Cerca de 90% aceitaram adotar a tecnologia, o
que deu à Monsanto uma taxa maior de adesão até do que nos Estados
Unidos. (...)
Apesar das promessas iniciais, a soja RR teve colheitas 5 a 6% menores do
que a soja convencional. Também não houve o tão propalado declínio na
aplicação de herbicida. Graças ao desenvolvimento de novas ervas
invasoras, os produtores tiveram que usar duas ou três vezes mais
herbicidas do que usavam anteriormente. No total, os custos de produção
subiram em 14%. Os preços da soja caíram como resultado da superprodução
mundial, e os produtores estão atualmente pior do que antes.
Existem conseqüências mais sérias mas não tão óbvias. A única vantagem da
soja RR é que ela economiza tempo. (...) Isto significa que um único
produtor pode ser responsável por uma área maior -- o que tem sido
necessário com a queda dos preços da soja. Não tendo como competir, os
pequenos produtores irão falir.
O Greenpeace da Argentina diz que o número de produtores caiu para 1/3 ao
longo da última década. (...)
Mais alarmante ainda são os danos ambientais. Florestas nativas
desapareceram com o avanço da soja. Os números sugerem que a cada ano os
produtores têm inundado 10 milhões de hectares sob o cultivo de
soja transgênica com 80 milhões de litros de herbicida. Isto está matando
todas as formas de vida, exceto a soja RR, e interrompendo o ciclo
biológico natural. O solo está se transformando em cinza ou areia e
nenhuma das duas, diz Rulli, pode reter água. Não é surpresa que o país
esteja sofrendo com enchentes. (...)
O povo é forçado a deixar a terra e emigrar para as cidades. Eles têm
pouca esperança de encontrar um emprego, já que a Argentina está engolida
por uma das crises mais sérias de sua história. A previsão é de que o
crescimento econômico cairá pelo menos 15% este ano. Rulli acredita que
só há uma solução real: “Nós temos que mudar o modelo rural, repovoar o
campo e começar a produzir comida de qualidade”, diz ele. (...)
Até o momento, existem poucos sinais de que isto vá acontecer. O
Presidente Duhalde tenta manter o país unido até as eleições em Março
2003. Para prevenir greves gerais, o governo está fornecendo cestas
básicas aos mais necessitados. Poderíamos pensar que o governo teria
comprado comida dos produtores argentinos. Nem pense nisso. Está
importando comida barata de fora e -- a humilhação final -- encorajando
as famílias empobrecidas, que cresceram comendo bife, a comer soja RR que
tanto mal faz ao país. The Ecologist, vol. 32, n. 8, October 2002.
5. Banco Mundial promove transgênicos Na Cúpula Mundial em Joanesburgo, no mês passado, o Banco
Mundial anunciou planos para lançar uma avaliação internacional de três
anos sobre riscos e oportunidades do uso da ciência agronômicapara reduzir a fome e melhorar o meio de vida nos países em
desenvolvimento. O estudo irá examinar uma gama de tecnologias agrícolas
incluindo a engenharia genética. O que o Banco Mundial não disse,
entretanto, é que já está moldando o resultado ao financiar cultivos
transgênicos em países em desenvolvimento como Índia e Quênia. (...)
De acordo com uma nota interna do Banco Mundial, datada de 7 de janeiro
de 2002, os empréstimos do banco para cultivos biotecnólogicos já estão
em andamento em vários países. Como exemplo, o banco está emprestando U$
20 milhões para a Índia pesquisar arroz e algodão transgênicos. (...)
No Quênia, o banco está financiando batata doce transgênica através do
“Projeto Nacional de Pesquisa em Agricultura (NARP, na sigla em inglês) -
Fase II”. O comunicado técnico do banco inclui uma fotografia dos
experimentos de campo de batata transgênica, já em andamento no Quênia.
De acordo com o PAN (Rede de Ação contra Pesticidas, em inglês) da África
oriental, a primeira fase deste projeto começou como um esforço
colaborativo entre a Monsanto e o Instituto de Pesquisa em Agricultura do
Quênia (KARI, em inglês) enfocando a pesquisa e o desenvolvimento de
cultivos transgênicos. A segunda fase, financiada em parte com dinheiro
do Banco Mundial, inclui testes de campo com a batata doce transgênica.
O comunicado técnico do Banco Mundial também se refere à pesquisa
biotecnológica na Etiópia, Brasil, Indonésia e Peru.
“O Banco Mundial não está nem esperando pelos resultados do estudo de
três anos antes de embarcar no trem dos transgênicos”, observou Márcia
Ishii-Eiteman, cientista da Rede de Ação Norte-Americana contra
Pesticidas (PANNA, em inglês). O PANNA está pedindo que o Banco suspenda
imediatamente o seu apoio a projetos em andamento e planejados com
transgênicos e que redirecione estes fundos para programas
comprovadamente seguros, de baixo custo e baseados em princípios
ecológicos, tais como manejo da fertilidade do solo e manejo integrado de
pragas (MIP).
O Banco Mundial esteve recentemente sob intensa crítica internacional das
organizações não governamentais (ONGs) por promover a biotecnologia num
tempo em que seus riscos para a saúde e para o meio ambiente permanecem
desconhecidos e que os países do terceiro mundo correm o risco de perder
cruciais mercados de exportação para países cujos consumidores rejeitaram
os transgênicos, como o Japão, a Coréia os países da Europa. (...) PANUPS, 27/09/02.
6. Participantes do III Seminário
Internacional sobre Agroecologia aprovam Carta Agroecológica em Porto
Alegre A promoção do desenvolvimento local, a criação de mecanismos
legais que permitam aos agricultores a apropriação dos recursos genéticos
disponíveis e o desenvolvimento de pesquisas e políticas públicas que
estimulem a adoção dos sistemas agroflorestais são alguns dos pontos
defendidos na Carta Agroecológica 2002, aprovada pelos 3,1 mil
participantes do III Seminário Internacional sobre Agroecologia, em Porto
Alegre. Os participantes do evento também propõem a organização de
circuitos locais e regionais de comercialização, o uso da água como
elemento fundamental para a vida e que, na busca de padrões de
desenvolvimento, sejam incorporadas ações que conduzam a um estilo de
vida parcimonioso com o uso dos recursos naturais.
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Árvores no pasto: uma forma de aumentar
a produção animal
No Brasil, cresce a tendência de se plantar árvores e arbustos
nos pastos a fim de aumentar a produção dos rebanhos. Para isso, é
preciso melhorar o rendimento das pastagens e o conforto animal. Afinal,
o animal não é uma máquina que se alimenta com forragem para produzir
leite e carne, é um ser vivo que necessita de conforto para render
adequadamente.
O rendimento das plantas forrageiras depende muito da disponibilidade de
água, principalmente no semi-árido brasileiro. As plantas absorvem água
do solo e a transpiram para o ar, e quando este está saturado com vapor
d’água, a transpiração cessa. Mas, quando o vento dispersa o vapor
d’água, elas voltam a absorver a água do solo, transpirando-a para o ar e
consequentemente secando o solo.
As árvores de raízes profundas atuam como reguladores da umidade e da
temperatura do ambiente ao extrair água do subsolo e liberá-la pela
transpiração. Servem também como quebra-vento. Assim, à sombra das
árvores mantém-se uma temperatura de 3 a 4°C mais alta que na pastagem na
época mais fria, e na temporada mais quente, 3 a 4°C mais baixa.
Pastos com pelo menos 50 árvores por hectare aumentam o rendimento de
leite em 15 a 30%, e o de carne em 20%. Entretanto, em pastagens degradas
é difícil o estabelecimento de árvores.
A Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveu uma tecnologia de inoculação de
mudas de leguminosas com rizóbios e micorrizas, que são bactérias e
fungos que favorecem a nutrição da planta. A produção de matéria orgânica
e sua acumulação nos solos é surpreendentemente rápida, o que aumenta a
permeabilidade e o armazenamento de água no solo. Num solo bem
estruturado, as raízes são capazes de explorar mais água e nutrientes.
Assim, as plantas podem se desenvolver melhor e ser menos afetadas pelas
secas. PRIMAVESI, A. e PRIMAVESI, O. En Brasil, optimizando las
interacciones entre el clima, el suelo, los pastizales y el ganado.
In Leisa - Revista de Agroecologia. Peru: Ileia, junho de 2002.
vol. 18, nº 1, p. 15.
Artigo: Leia o artigo “Palavras ao Vento”, de Jean Marc von der Weid,
sobre as eleições e a geração de empregos, no site da revista
Caros Amigos -
www.carosamigos.com.br
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(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
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Número 133 - 11 de outubro
de 2002
Car@s Amig@s,
Dezesseis de Outubro é o Dia Mundial da Alimentação. Um dia importante
para a discussão sobre os alimentos transgênicos, sobre o problema dos
agrotóxicos e seus impactos na saúde dos consumidores, a segurança
alimentar e a agroecologia.
Aproveitando a data (próxima quarta-feira), diversas organizações em todo
o País estão programando atividades relacionadas ao tema dos
transgênicos, visando a chamar a atenção da sociedade para a questão e a
reforçar para as indústrias alimentícias a exigência dos brasileiros da
garantia de que seus produtos sejam livres de contaminação por
ingredientes transgênicos.
Você e sua organização também podem se juntar a este movimento,
organizando atividades na sua região.
Se você estiver em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC),
Tubarão (SC), Natal (RN), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Curitiba
(PR), pode procurar as organizações ambientalistas e de defesa dos
consumidores que estão articulando ações nestes
lugares*. Participe!
1. O Estado de Oregon, nos EUA, votará rotulagem de transgênicos
2. Experimentos genéticos em Porto Rico
3. Tumulto em audiência sobre liberação de milho transgênico no
Uruguai
4. Nova Ameaça dos produtos transgênicos aos ecológicos e convencionais
5. África busca uma solução para a ajuda alimentar transgênica
6. Paraquat, o perigoso herbicida da Syngenta Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Rumo à sustentabilidade com sistemas
integrados de produção pecuária
Eventos:
2º Encontro Maranhense de Agroecologia (2º
EMA)
Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e
Segurança Alimentar - São Paulo Debate: Alimento do Presente ou do Futuro? - Rio de
Janeiro
1. O Estado de Oregon, nos EUA, votará
rotulagem de transgênicos
No dia 05 de novembro haverá um plebiscito no Estado de
Oregon, EUA, com seis questionamentos, entre eles a rotulagem dos
alimentos fabricados a partir de ingredientes transgênicos (o Projeto de
Lei 27). Este plebiscito, o primeiro do tipo para os eleitores
americanos, pode fazer o que o Congresso e o FDA desistiram de fazer --
exigir que as companhias de alimentos rotulem produtos que contenham
ingredientes transgênicos. Cerca de 70% dos alimentos processados no país
contêm milho, soja ou outro ingrediente geneticamente modificado, de
acordo com a indústria. Com esta iniciativa, os proponentes da rotulagem
talvez tenham encontrado o calcanhar de Aquiles da indústria de
alimentos: ao levar a questão aos consumidores ao invés dos políticos, a
lei tem mais chances de ser aprovada.
Nas pesquisas de opinião, repetidamente a maioria dos consumidores tem
dito que gostaria de ter informações sobre ingredientes
transgênicos no rótulo dos alimentos. Os proponentes do projeto de lei
coletaram mais de 100 mil assinaturas para conseguir incluir a questão no
plebiscito de Oregon. Eles ouviram proponentes de normas de rotulagem em
sete outros estados, que estão interessados em produzir iniciativas
semelhantes.
“Se a comida é segura e a tecnologia é boa, por que não por um rótulo e
deixar que eu faça a escolha?” diz Donna Harris, uma mãe de Portland que
formou o grupo “Cidadãos de Oregon Preocupados por Alimentos Seguros”,
que lidera a campanha pela rotulagem.
As indústrias de alimentos e de biotecnologia estão travando uma guerra
contra o plebiscito. O grupo da indústria “Coalizão Contra a Custosa Lei
de Rotulagem” arrecadou U$ 4,6 milhões em dinheiro em sete semanas para
financiar a campanha. Segundo Pat McCormick, chefe da campanha
anti-rotulagem, somente o grupo de biotecnologia Crop Life International
doou de U$ 3,7 milhões. A maior parte do restante do dinheiro veio de
empresas de alimentos, incluindo a PespsiCo Inc., General Mills Inc.,
Kellogg Co., ConAgra Foods Inc., Sara Lee Corp. and H.J. Heinz Co.
(...)
Em contraste, a campanha pró-rotulagem arrecadou U$ 84 mil em dinheiro,
empréstimos e contribuições em espécie, e já gastou U$ 72 mil no último
ano e meio, de acordo com o secretário do estado de Oregon. O maior
contribuinte do grupo é Mel Bankoff, fundador da Emerald Valley Kitchen
Inc., uma empresa de alimentos orgânicos, que deu U$ 47.500, a maior
parte em empréstimos.
O projeto de lei de Oregon, que provavelmente enfrentará processos
judiciais se for aprovado, exigirá que sejam rotulados todos os alimentos
vendidos no estado, assim como os alimentos produzidos ou armazenados em
Oregon e distribuídos para outros estados. Os ingredientes usados nos
produtos terão que ser cuidadosamente rastreados. Por exemplo, um
produtor de mistura para bolo tem que saber se seus ovos são provenientes
de aves alimentadas com transgênicos.
A campanha está esquentando. Um documento oficial do Estado sobre o
plebiscito, que será enviado a todos os eleitores, tem 20 páginas com
comentários e publicidade a favor e contra a rotulagem. Oregon é o único
estado onde as propostas são enviados por correio para os eleitores.
O grupo anti-rotulagem planeja fazer anúncios impressos, na TV e por
correio. Cerca de 330 outdoors já estão nas estradas dizendo “Vote não à
proposta 27, a Custosa Lei de Rotulagem”. Donna Harris, de 41 anos,
insiste que ela e sua campanha não são financiadas por nenhuma indústria:
“eu sou só uma mãe”.
Para saber mais, visite:
http://www.labelgefoods.org
ou http://www.thecampaign.org/oregon27.htm
O texto da proposição a ser votada pode ser encontrado em: http://labelgefoods.org/about.html The Wall Street Journal, 30/09/2002
2. Experimentos genéticos em Porto Rico Porto Rico é cenário de experimentos secretos com plantas transgênicas não aptas para o consumo humano, segundo um informe divulgado por uma coalizão de organizações ecologistas e de defesa do consumidor dos EUA.
As plantas em questão, que incluem milho, soja, arroz e tabaco, produzem químicos industriais e farmacêuticos em seus tecidos e portanto não são comestíveis. Estes químicos incluem vacinas, hormônios de crescimento, agentes coagulantes, enzimas industriais, anticorpos humanos, anticoncepcionais e medicamentos para induzir o aborto.
O informe intitulado “Fabricando Drogas e Químicos em Cultivos Agrícolas”, aponta Porto Rico como um dos quatro lugares onde mais experimentos estão sendo realizados. Os outros três são os Estados de Nebraska, Wisconsin, e Hawaii. Estes experimentos (foram realizados 300 desde 1991) foram conduzidos sigilosamente e sem nenhum debate público. O governo federal classifica a informação específica sobre estes cultivos como confidencial, segundo a reportagem da Environmental News Service (ENS). (…)
O informe da coalizão adverte que estes cultivos trazem perigos inimagináveis para a ecologia, a agricultura e a saúde humana. A questão fundamental apresentada é: será possível isolar e segregar estas plantas e seus frutos e grãos, de modo que se evite uma espécie de “Chernobyl biológico” que resulte em uma tragédia ecológica e de saúde pública?
Deste questionamento desdobram-se duas perguntas mais específicas: que garantia existe de que estes produtos não acabarão acidentalmente no supermercado? Como evitar que o pólen destas plantas fertilize outras plantas e estas se reproduzam descontroladamente no ambiente? “Somente um erro das empresas de biotecnologia e estaremos consumindo medicamentos prescritos para outras pessoas em nosso prato”, adverte Larry Bohlen, porta voz do grupo internacional Amigos da Terra, que participa da coalizão e que relatou o informe sobre os biofármacos. (…)
Os editores da revista científica “Nature Biotechnology” e o empresário Wiliam Haseltine, chefe da Human Genome Sciences, também expressaram dúvidas sobre a segurança dos biofármacos. De sua parte, o professor Philip Regal, da Universidade de Minnesota, afirma que é possível que não exista e nem vá existir uma maneira efetiva de conter os genes dos cultivos transgênicos. (…) Red Por una América Latina Libre de Transgénicos: www.biodiversidadla.org
3. Tumulto em audiência sobre liberação de milho transgênico no Uruguai Uma audiência pública realizada para que os cidadãos pudessem opinar sobre a liberação de uma variedade de milho transgênico Bt, da empresa Monsanto, foi abruptamente finalizada na última semana, na sede dos Serviços Agrícolas do Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP, na sigla em espanhol) do Uruguai, quando os participantes, incomodados com o desenvolvimento dos trabalhos, não deixaram os representantes da empresa fazerem sua exposição, provocando tumulto e jogando a água mineral que havia sobre a mesa nos delegados do MGAP.
A audiência pública é um mecanismo previsto no Decreto 249/2000, instância que se cumpre logo que uma comissão de avaliação de riscos (neste caso, integrada por representantes de Saúde Pública, Meio Ambiente, do MGAP e de dois outros órgãos) analisa todos os temas de biossegurança em relação à variedade transgênica para a qual se solicita aprovação. Esta informação, junto com outros documentos, é exposta para que o público possa se expressar durante determinado período, recebendo-se os comentários e terminando com a audiência pública. Nesta, se complementa a informação para o público, mediante uma exposição da empresa solicitante de seus fundamentos para introduzir e comercializar seu produto. (...)
Eduardo Gudynas, do Centro Latino Americano de Ecologia Social, disse que “ficou evidente que o mecanismo do MGAP de audiência é inadequado e insuficiente” para apresentar documentos com dúvidas técnicas. A este respeito, argumentou que o Ministério de Meio Ambiente realiza encontros deste tipo onde se pode expor e discutir, enquanto “esta estrutura rígida disposta pelo MGAP resultou nesta dinâmica caótica”. (…) El País, Uruguai, 27/09/02. ---------------------------------------------- Organizações e cidadãos da sociedade civil uruguaia elaboraram um documento contestando a proposta da Comissão de Avaliação de Riscos de Vegetais Transgênicos, que recomenda liberar a variedade do milho transgênico para a produção e o consumo, apresentando diversos questionamentos. Um dos pontos levantados é o fato de que a Comissão baseou sua recomendação principalmente na informação aportada pela própria Monsanto (o mesmo que aconteceu no Brasil, quando a CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia autorizou a produção comercial da soja RR, também da empresa Monsanto. Este foi um dos motivos que levaram à suspensão desta autorização pela Justiça). (…)
No documento, as diversas organizações da sociedade uruguaia manifestam sua decisão de trabalhar por um Uruguai livre de transgênicos, somando vozes e braços à corrente que, em inúmeras partes do planeta, lutam por um mundo livre de transgênicos. Red Por una América Latina Libre de Transgénicos - www.biodiversidadla.org
4. Nova Ameaça dos produtos transgênicos aos ecológicos e convencionais O Comitê Permanente das Sementes da União Européia deve se pronunciar nos próximos dias sobre o projeto de diretiva da Comissão Européia relativa à presença de sementes transgênicas em variedades convencionais. O projeto contempla diferentes níveis de contaminação transgênica para alguns produtos agrícolas, que são os seguintes: 0,3% para as sementes de colza, 0,5% para milho, beterraba, tomate e batata e 0,7% para a soja. (...)
Este nível de contaminação transgênica que pretende admitir a Comissão Européia já está tendo forte rejeição por parte das organizações e produtores ecologistas. O Greenpeace considera que o nível de tolerância dos transgênicos não deveria superar em nenhum caso 0,1%, porcentagem que considera indetectável.
O Greenpeace destaca a grande importância de diminuir ao máximo a porcentagem de contaminação admitida para assegurar a proteção do entorno, garantir a liberdade de escolha dos agricultores, produtores de alimentos e consumidores e a viabilidade dos setores não transgênicos da cadeia alimentar. (...) Gara-net, 17/09/02 - www.biodiversidadla.org
5. África busca uma solução para a ajuda alimentar transgênica Ministros Sul-Africanos disseram que desejam maiores esclarecimentos da Organização Mundial da Saúde sobre a segurança dos alimentos transgênicos fornecidos como ajuda no combate à crise de fome na região.
Cerca de 14 milhões de pessoas em Zimbábue, Zâmbia, Malaui, Moçambique, Lesoto e Suazilândia estão enfrentando severa escassez de alimentos, mas a relutância em aceitar a ajuda alimentar transgênica em alguns países levou a atrasos no embarque dos suprimentos.
As seis nações fazem parte dos 14 membros da Comunidade de Desenvolvimento Sul-Africana (SADC, na sigla em inglês), cujo conselho de ministros terminou um encontro na última semana, durante a cúpula anual dos chefes de Estado do SADC.
Ana Dias Lourenço, ministra de planejamento angolana e presidente do conselho ministerial da SADC, disse numa conferência de imprensa em Angola que os ministros não chegaram a um consenso sobre os transgênicos, acrescentando que o tema terá alta prioridade na agenda do grupo. (...)
Segundo Ana Lourenço, uma delegação composta por 20 biotecnologistas e outros pesquisadores da SADC irão visitar os EUA para revisar as últimas pesquisas em biotecnologia e resultados de estudos sobre saúde e testes de segurança em alimentos transgênicos.
Zimbábue, Malaui e Moçambique disseram que só aceitarão suprimentos de ajuda com alimentos transgênicos se estiverem moídos (inviáveis como sementes), mas a Zâmbia baniu os alimentos transgênicos e não permitirá sequer que sejam distribuídos para cerca de 255.000 refugiados de Angola e do Congo que estão vivendo em campos no país.
O presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, disse que seu país está preparado para impedir a insuficiência de alimentos com a importação comercial.
Lesoto e Suazilândia não apresentaram uma posição formal sobre os transgênicos.
Na última semana, os ministros da SADC aprovaram a criação de um comitê consultivo sobre os transgênicos que deverá elaborar orientações sobre como os membros da SADC devem lidar com a questão. O comitê se reuniu pela primeira vez esta semana para discutir os atrasos dos embarques de alimentos devido à discussão em torno dos transgênicos.
A SADC é constituída por Botswana, Angola, Congo, Lesoto, Malaui, Moçambique, Ilhas Maurício, Namíbia, Seychelles, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue. Reuters News Service, 03/10/02 - www.planetark.org/dailynewsstory.cfm/newsid/18029/story.htm
6. Paraquat, o perigoso herbicida da Syngenta Dos herbicidas produzidos pela empresa Syngenta, o Paraquat, é o mais controverso e vem sendo amplamente comercializado em todo o mundo.
Uma pesquisa realizada na Malásia aponta inúmeras intoxicações e mortes de pessoas que faziam uso regular do produto. Não existem condições seguras para o seu uso, particularmente nas plantações dos pequenos agricultores, e tampouco existe antídoto.Os piores problemas de saúde se encontram entre os trabalhadores dos países em desenvolvimento, que sofrem danos nos pulmões, na pele, olhos, nariz e unhas das mãos e dos pés. No mundo industrializado também existe preocupação, inclusive quanto aos impactos ambientais provocados pelo produto.
Os centros regionais da RAP-AL (Rede de Ação sobre Pesticidas - América Latina) decidiram divulgar um informe com o propósito de chamar a atenção sobre estas preocupações em escala mundial e exigir que se tomem as medidas pertinentes para a eliminação progressiva de produtos que contém o Paraquat, realizar ações visando à proibição deste agrotóxico no maior número possível de países, assim como apoiar uma campanha de pressão sobre a Syngenta para que pare de produzir o Paraquat.
Maiores informações em www.evb.ch/stopparaquat_en.htm RAP-AL, 22/09/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Rumo à sustentabilidade com sistemas integrados de produção pecuária
A produção pecuária atual, na maioria dos países industrializados, usa sistemas intensivos que causam desemprego, contaminam a água e o solo com seus dejetos e, o mais importante, consomem cerca de 50% da produção mundial de cereais, competindo diretamente com as necessidades alimentares humanas. É necessário desenvolver sistemas que não dependam dos cereais. Nos países tropicais, especialmente os da zona úmida, existem muitas plantas e sistemas agrícolas que excedem consideravelmente a capacidade produtiva dos cereais, tais como a cana-de-açúcar, a mandioca e plantas da família das palmeiras, especialmente as que produzem açúcar e óleo. Altos rendimentos de proteína podem ser alcançados com árvores, arbustos e plantas aquáticas, não só com soja. A família de Lemmacaeas, da qual a lentilha-d’água é a mais difundida, tem importante função para o uso eficiente dos recursos, devido à sua capacidade de extrair nutrientes da água enriquecida com dejetos da atividade pecuária. O seu conteúdo de proteínas pode ser manejado de acordo com a variação dos nutrientes fornecidos na água. Quando o conteúdo de nitrogênio da água é de 20 a 30mg por litro, os valores de proteína ficam em torno de 35 a 40% na matéria seca, o que representa um alto rendimento. A lentilha-d’água é de fácil cozimento, não precisa de processamento antes de ser usada como alimento para os animais, tem proteína altamente digerível e o balanço de aminoácidos essenciais forma um excelente suplemento alimentar para frangos, patos e porcos. Os rendimentos médios equivalem a 8 toneladas de proteína por hectare/ano.
A mandioca é utilizada como cultivo forrageiro perene com repetidas colheitas a intervalos de 50-70 dias. O rendimento da folhagem se incrementa com colheitas sucessivas e cortes repetidos estimulam novos pontos de crescimento. Neste regime, é possível conseguir rendimentos de 3 a 4 toneladas de proteína/ha/ano. As folhas frescas são uma excelente fonte de proteínas para ruminantes e, depois de sua compressão em fardos (que converte o cianeto tóxico em cianatos não tóxicos), podem servir como alimentos para porcos. Manejar a mandioca em associação com leguminosas fixadoras de nitrogênio, ou com grandes camadas de esterco de animais ou com efluentes de biodigestores são maneiras de cultivá-la sustentavelmente, incrementando ainda mais a fertilidade do solo. A presença de compostos de cianeto nas folhas de mandioca pode servir como um pesticida orgânico.
Nestes sistemas, onde se reciclam todos os dejetos, os recursos locais são melhor aproveitados contribuindo para criar novos postos de trabalho, aliviar a pobreza, proteger o meio ambiente e incrementar a biodiversidade, tornando-se a base para uma agricultura que pode ser sustentável e altamente produtiva. T. R. PRESTON. Hacia sistemas integrados a partir de recursos locales. In Leisa - Revista de Agroecologia. Peru: Ileia, junho de 2002. vol. 18, nº 1, p. 17.
Eventos: 2º Encontro Maranhense de Agroecologia (2º EMA)
Local: CONASA - Centro Nossa Senhora da Aparecida, município de Bacabal - MA Data: 18 e 19 de outubro de 2002. Objetivos: Socializar as discussões e os resultados do ENA - Encontro Nacional de Agroecologia, realizado entre 30 de julho e 02 de agosto, no Rio de Janeiro; debater a importância da adequação do crédito rural para a consolidação da agroecologia; estabelecer ações regionais e temáticas baseadas nas resoluções do ENA; a partir de experiências agroecológicas concretas que estão sendo desenvolvidas, as entidades que compõem a RAMA precisam formular propostas de políticas públicas e desenvolver lutas em favor da generalização da agroecologia no Maranhão. Organização: Coordenação da RAMA - Rede de Agroecologia do Maranhão. Maiores informações: Associação Agroecológica Tijupá - telefone (98) 245-3236 / e-mail: coospat@...
ACESA - telefone (99) 621-5535 / e-mail: acesa@...
Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar O Instituto de Estudos Formação e Assessoria em Políticas Sociais - PÓLIS está organizando a “Oficina de Capacitação em Plano Diretor Rural, Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar”, a ser realizada no dia 28/10/02, às 9:00, em sua sede na Rua Araújo, 124 - Centro - São Paulo-SP. Maiores informações: Patrícia Gaturamo, pelo telefone (11) 3258-6121, ramal 224, ou pelo endereço eletrônico secretaria@...
Alimento do Presente ou do Futuro? A Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, realizará no Rio de Janeiro, no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro de 2002, a partir das 8:00 h, um dia de discussão com o tema Alimento do Presente ou do Futuro?
Local: Rio’s Presidente Hotel, Rua Pedro I, 19, Praça Tiradentes - Centro (Próximo à estação de Metrô Carioca). Maiores informações pelo telefone (21) 2297-0110. Inscrição grátis. Os participantes deverão contribuir com 1kg (ou lata) de alimento não perecível, que será doado a instituições filantrópicas. As declarações de participação podem ser solicitadas no ato da inscrição, mediante pagamento de R$ 20,00.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
###########################
POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################
Car@s amig@s,
Devido a limitações internas na produção do Boletim Por um Brasil Livre
de Transgênicos, os boletins da última semana (13-19/10) e desta
(20-26/10) serão fundidos num só. Será o Boletim 134, que será enviado
até o dia 25 de outubro.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
(coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
[Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha
"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço
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nossa lista.
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notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 135 - 31 de outubro
de 2002
Car@s Amig@s,
No Boletim 133 contamos que em 05 de
novembro haverá um plebiscito oficial no Estado de Oregon, EUA, em que
será votada, entre outras, a proposta de rotulagem dos alimentos
fabricados a partir de ingredientes transgênicos (o Projeto de Lei
27).
Contamos também que o grupo de entidades que lidera a campanha pela
rotulagem, chamado “Cidadãos de Oregon Preocupados por Alimentos
Seguros”, arrecadou U$ 84 mil em dinheiro, empréstimos e contribuições em
espécie, e já gastou U$ 72 mil no último ano e meio (foi este grupo que
conseguiu incluir a proposta entre as questões do plebiscito, após
coletar 100 mil assinaturas).
Do outro lado, em apenas sete semanas, as indústrias de alimentos e de
biotecnologia arrecadaram U$ 4,6 milhões em dinheiro para financiar a
campanha que chamaram de “Coalizão Contra a Custosa Lei de Rotulagem”
(somente o grupo de biotecnologia Crop Life International doou U$
3,7 milhões, e a maior parte do restante do dinheiro veio de empresas de
alimentos, incluindo a PespsiCo Inc., General Mills Inc., Kellogg Co.,
entre outras).
O grupo anti-rotulagem está fazendo anúncios impressos, na TV e por
correio. Cerca de 330 outdoors já estão nas estradas dizendo “Vote não à
proposta 27, a Custosa Lei de Rotulagem”.
Mais recentemente, o FDA (Food and Drug Administration), agência
do governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos, se
pronunciou contrariamente à proposta.
No Boletim 134 contamos como se deu a
liberação dos alimentos transgênicos nos Estados Unidos e como o FDA
“dispensou” estes produtos das avaliações de riscos antes de liberá-los,
inclusive omitindo alertas de perigo de cientistas do próprio órgão.
Conforme relatamos, esta política foi adotada depois que, por orientação
da administração do então presidente Ronald Reagan, o órgão criou um novo
cargo: "deputy commissioner for policy" - uma espécie de
conselheiro para políticas, cuja principal função é a de supervisionar a
formulação e finalização da política sobre alimentos geneticamente
modificados. Nesta ocasião o escolhido para ocupar o cargo foi um
ex-advogado da Monsanto (maior produtora de transgênicos do
mundo).
Em 04 de outubro último, o atual Conselheiro para Políticas, Lester M.
Crawford, enviou uma carta ao Governador de Oregon, John Kitzhaber,
argumentando que a rotulagem dos alimentos transgênicos, além de
desnecessária, contraria as orientações do FDA.
“As avaliações científicas do FDA sobre os alimentos bioengenheirados
continuam a mostrar que estes alimentos, vendidos normalmente no mercado
americano, são tão seguros quanto seus similares convencionais”, diz a
carta de Crawford.
Um porta-voz do governador disse, dois dias após o recebimento da carta,
que Kitzhaber ainda não tinha tomado uma posição sobre a Proposta
27.
Pat McCormick, porta-voz da Coalizão contra a rotulagem, disse que a
oposição do FDA ajudará a educar os eleitores.
No contra-ataque, Steven Drucker, procurador pelo interesse público que
fundou a ONG Alliance for Bio-Integrity (Aliança pela Integridade
Biológica) e coordenou a ação judicial contra o FDA, que obrigou o órgão
a tornar públicos seus arquivos internos em que constavam os alertas de
seus cientistas, está desafiando Crawford a apresentar evidências
científicas que suportem seus argumentos.
Segundo Drucker, “como o FDA não exige testes com alimentos transgênicos,
admite que não realiza revisões abrangentes sobre eles e não tem
evidências empíricas formais de que determinados alimentos transgênicos
sejam seguros, é impressionante que a Agência afirme agora que seus
processos de avaliação mostram que estes alimentos são tão seguros como
os outros. Não existe base científica para tal afirmação. Até onde o FDA
fez avaliações, seus cientistas concluíram que estes alimentos
apresentavam riscos únicos.”
Em 10 de outubro, Drucker mandou outra carta ao Governador de Oregon
clareando os fatos. Drucker também viajou ao Estado de Oregon, onde
permaneceu de 13 a 25 de outubro e esteve disponível para a
imprensa.
O caso está quente. Como já dissemos, pela primeira vez nos Estados
Unidos a questão está sendo levada aos consumidores ao invés de
políticos, o que faz com que a medida tenha grande chances de ser
aprovada. Nas pesquisas de opinião, repetidamente a maioria dos
consumidores tem dito que gostaria de ter informações sobre ingredientes
transgênicos no rótulo dos alimentos.
A aprovação desta proposta será uma vitória histórica do movimento
anti-transgênicos nos Estados Unidos. Em vários outros estados já há
grupos interessados em deslanchar iniciativas semelhantes. Desafio
grande, pois o país que se auto-denomina o país da democracia, não deixa
o interesse popular valer facilmente não...
1. Governo da Zâmbia toma decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica
2. Lobby pró transgênicos nos palcos -- cheio de globais e de graça!
3. Por unanimidade, Junta Departamental de Montevidéu se opõe aos transgênicos
4. Estados Unidos desenvolvem armas biológicas transgênicas
5. Bayer transfere experimentos com transgênicos para a Inglaterra em busca de normas menos rigorosas
6. Diminui o número de campos experimentais de transgênicos na Europa
7. Monsanto tem perda de US$ 1,7 bi até setembro Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Controle integrado de pragas nas lavouras de tomate Evento: Festa das Sementes Crioulas em Ipê - RS
1. Governo da Zâmbia toma decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica O governo da Zâmbia anunciou que tomou, na última terça-feira (29/10), a decisão final de não aceitar ajuda alimentar transgênica dos Estados Unidos. O Ministro da Agricultura Zambiano, Mundia Sikatana, disse que o gabinete tomou esta decisão com base nas avaliações dos melhores cientistas locais, que passaram três semanas na África do Sul, Estados Unidos e Europa estudando a segurança dos alimentos transgênicos.
Segundo o Ministro, os cientistas concluíram que não é possível ter certeza de que estes alimentos sejam seguros. A principal recomendação foi para o governo manter sua posição de não aceitar alimentos transgênicos. “O governo aceitou esta recomendação”, disse Sikatana. (...)
Sakwiba Sikota, um político do principal partido de oposição ao governo, disse que o país deveria aceitar o milho transgênico na forma triturada, como o governo de Zimbábue e outros países acometidos pelo problema da fome fizeram. Mas Sikatana disse que o governo obteve US$ 50 milhões em empréstimo para comprar milho do Kênia, Uganda e, principalmente, África do Sul. Ele disse que o governo deverá em breve pedir ao WFP (Programa Mundial de Alimentação, na sigla em inglês -- Organização das Nações Unidas para a Ajuda Alimentar) para remover o milho transgênico dos estoques para evitar saque por pessoas famintas. Independent Online, 29/10/02.
2. Lobby pró transgênicos nos palcos -- cheio de globais e de graça! Lobby das multinacionais pró-transgênicos, a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) financiou a peça DNA, estrelada por Ítala Nandi, Cláudio Marzo, Claudia Alencar, Lavínia Vlasak e dirigida por Bibi Ferreira. Gratuita, a peça foi escrita pela lobista-mor Leila Oda, presidente da ANBio. O Dia - RJ, Coluna Cláudio Humberto, 30/10/02.
3. Por unanimidade, Junta Departamental de Montevidéu se opõe aos transgênicos No último dia 17, a partir de uma moção apresentada pelo Edil* do “Espaço 90”*, Dr. Pablo Tailanián, do Movimento Socialista Emilio Frugoni, a Junta Departamental de Montevidéu* -- com a provação de todos os partidos por unanimidade -- resolveu promover a proibição da importação e/ou produção de organismos transgênicos e reiterar sua aspiração de que se proceda à rotulagem dos alimentos de origem transgênica que se encontram no mercado.
Esta iniciativa, aprovada primeiro na bancada do Encontro Progressista e levada à consideração da Comissão de Meio Ambiente da Junta, levanta em seus “considerandos” aspectos ambientais, de saúde pública, sociais e econômicos de importante repercussão para o Uruguai.
Esta decisão foi comunicada às Câmaras de Senadores e Deputados, às Juntas Departamentais do Interior, à Universidade da República e aos Ministérios de Saúde Pública, de Pecuária, Agricultura e Pesca, de Economia e Finanças e de Relações Internacionais. Junta Departamental de Montevideo, 17/10/02, inwww.biodiversidadla.org * A Junta Departamental é o órgão legislativo e de controle do Governo Departamental (o que equivale, mais ou menos, ao nosso governo estadual). É composta por 31 membros que, de acordo com a lei, se denominam “Ediles”, e permanecem no cargo por cinco anos, podendo ser reeleitos. Maiores informações em http://www.juntamvd.gub.uy * Criado em 1994, o Espaço 90 se define como “a confluência de setores políticos (Partido Socialista, Corrente Popular, Movimento Socialista) e de cidadãos independentes que, mantendo suas identidades de origem, decidiram conformar um espaço político de frente ampla e progressista, com o objetivo de levar adiante um projeto político, econômico e social a serviço das grandes maiorias”.
4. Estados Unidos desenvolvem armas biológicas transgênicas O exército e a Força Aérea dos EUA propõem o desenvolvimento de armas biológicas ofensivas, micróbios transgênicos que atacam combustíveis, plástico e asfalto, de modo a destruir os instrumentos e a capacidade de guerra do inimigo. Segundo o Projeto Sunshine*, a iniciativa viola leis federais e internacionais e expõe o duplo discurso dos EUA, que acusa outros países de desenvolverem armas biológicas. Estas armas estão proibidas pela Convenção de Armas Biológicas e Tóxicas, de 1975. O Projeto Sunshine clama por uma maior colaboração entre o Protocolo de Biossegurança e esta Convenção. The Sunshine Project, 22/04/02 e 08/05/02, in Boletín de Actualidad sobre Transgênicos, nº 10, set. 2002. * Projeto Sunshine: http://www.sunshine-project.org
5. Bayer transfere experimentos com transgênicos para a Inglaterra em busca de normas menos rigorosas A indústria química alemã Bayer, anunciou que mudará seu programa de campos experimentais de transgênicos da Alemanha para a Inglaterra. A firma está sendo pressionada pelo lobby verde na Alemanha, que pretende proibir todos os campos experimentais naquele país. A estratégia da Bayer foi comprar a francesa Aventis CropScience para beneficiar-se dos 66 campos experimentais que possui na Inglaterra. Os grupos ambientalistas condenam as ações da Bayer, que tenta se aproveitar de leis ambientais mais leves da Inglaterra, e acusam as firmas biotecnológicas de criarem altos níveis de contaminação antes que as legislações as alcancem, chegando a um ponto sem retorno, onde qualquer limite (de contaminação tolerável) que se determine não tenha sentido. Genet News, 01/04/02 - www.cbc.ca N.E.: É importante observar que estes campos experimentais das empresas de biotecnologia não são conduzidos para avaliar qualquer tipo de impacto dos transgênicos sobre o meio ambiente ou coisa parecida. São testes agronômicos apenas, de adaptação das variedades transgênicas ao solo, ao clima e a outras variáveis locais. Via de regra, estes experimentos não são controlados de forma rigorosa e acabam contaminando lavouras próximas. Em julho de 2001, a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (AFSSA) anunciou a descoberta de traços de organismos geneticamente modificados em diversas culturas convencionais no país. No caso do milho, o nível de contaminação foi de 41%. A principal suspeita levantada pelo órgão foi a de que a contaminação ocorreu por polinização a partir das lavouras experimentais existentes no país.
6. Diminui o número de campos experimentais de transgênicos na Europa O número de campos experimentais de plantas transgênicas na Europa tem diminuído bastante devido à forte oposição do público, que em muitos casos, chegou a destruí-los. A firma Advanta assinala que em 1996, tinha 40 campos, restando somente um em 2001. A Europabio diz que dos 240 campos experimentais em 1997, só restam 40 em 2001. (...) Biotech Activists, 01/04/02 - www.ddh.nl
7. Monsanto tem perda de US$ 1,7 bi até setembro A queda das vendas do herbicida Roundup nos Estados Unidos e a turbulência econômica na América Latina, principalmente na Argentina e no Brasil, voltaram a pressionar os resultados globais da americana Monsanto no terceiro trimestre.
De acordo com números divulgados ontem pela empresa, seu prejuízo líquido foi de US$ 167 milhões no período, ante perdas de US$ 45 milhões em igual intervalo de 2001, enquanto suas vendas líquidas caíram 27%, para US$ 679 milhões.
Com isso, no acumulado dos primeiros nove meses do ano o prejuízo líquido saltou para US$ 1,754 bilhão, ante lucro de US$ 399 milhões de janeiro a setembro do ano passado, e as vendas líquidas somaram US$ 3,453 bilhões, uma retração de 19%. (...) N.E.: A Monsanto, líder mundial em sementes transgênicas, briga na justiça brasileira pela liberação de sua Soja RR (Roundup Ready), resistente ao herbicida Roundup.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Controle integrado de pragas nas lavouras de tomate Bemisia tabaci, um inseto popularmente chamado de mosca-branca, é bastante conhecido no meio agrícola por ser vetor de doenças viróticas principalmente nas lavouras de feijão e soja no norte do Paraná e no sul de São Paulo. Já no México, este mesmo inseto é conhecido por ocasionar sérios prejuízos à cultura do tomate e da pimenta.
O uso intensivo e continuado de produtos químicos nestas lavouras tornou a mosca-branca resistente à maioria dos inseticidas disponíveis no mercado. Buscando encontrar uma alternativa mais econômica e ecológica para viabilizar o plantio dessas culturas, pesquisadores mexicanos estudaram o efeito de cultivos intercalares associados à aplicação de fungos patogênicos da mosca-branca nos cultivos de tomate e pimenta.
O experimento mostrou que o plantio de fileiras de milho em meio às culturas principais conjugados à aplicação do fungo entomófago controlou de forma satisfatória o inseto, e as lavouras apresentaram rendimentos iguais àquelas tratadas com aplicações de inseticidas químicos. Explica-se tal fato pelas mudanças que as fileiras de milho proporcionaram nas condições de temperatura e umidade do ambiente da lavoura. Com o aumento da umidade e redução da temperatura, o fungo aspergido encontrou condições ideais para desenvolver-se, enquanto a mosca-branca, que desenvolve-se melhor em altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, foi prejudicada pelas condições adversas.
Esta técnica, baseada no conceito de manejo integrado de pragas, mostrou que com custos reduzidos e prescindindo do uso de agrotóxicos os agricultores podem obter resultados satisfatórios e evitar a manipulação de produtos perigosos. Fonte: GALLO et al. Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo: CERES, 1988. 949p.
Manejo de Bemisia tabaci mediante barreiras vivas y Paecilomyces en Oaxaca, México. Ruiz V.,J. & Aquino B.,J. Manejo Integrado de Plagas. Costa Rica: CATIE, n. 52, p. 68-73, junho, 1999.
Evento
Festa das Sementes Crioulas em Ipê - RS
Uma festividade que promete se transformar em tradição e que já se consagra entre os agricultores familiares e consumidores do município de Ipê, na região da Serra Gaúcha, é a Festa das Sementes Crioulas. A 4ª edição desta festa acontecerá no dia 06 de novembro de 2002, na comunidade de Vila Segredo.
A Festa e a Feira terão início às 17h. Às 19h, acontecerá a bênção das sementes crioulas, seguida pelo Jantar da Biodiversidade (às 20h) e pela apresentação de atividades artístico-culturais (às 21h). Maiores informações: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipê: (54) 233-1229, com Flávio ou Ana; Casa das Sementes: (54) 233-1134; Emater/RS (escritório municipal de Ipê): (54) 233-1168; e Centro Ecológico de Ipê: (54) 504-5573.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 136 - 08 de novembro
de 2002
Car@s Amig@s,
No último Boletim (nº 135) festejamos a votação que aconteceria esta
semana no Estado de Oregon, Estados Unidos, no plebiscito que incluía uma
medida para tornar obrigatória a rotulagem de todos os alimentos
produzidos a partir de ingredientes transgênicos e derivados.
Como dissemos, pela primeira vez a pergunta seria feita diretamente aos
consumidores, e não a políticos. Tínhamos como indicativo positivo para o
sucesso da votação o fato de diversas pesquisas de opinião terem sempre
indicado que a maioria esmagadora da população americana era favorável à
rotulagem dos alimentos transgênicos (que nunca foi implementada em
nenhuma parte do país).
Pois bem, quando pôde votar (na última terça-feira, 05/11), a população
de Oregon rejeitou a proposta. Os últimos resultados disponíveis no
site CNN.com apresentam o seguinte resultado: 71% dos eleitores
contra a lei da rotulagem, versus 29% a favor (com 97% dos votos
apurados). Just amazing! (simplesmente espantoso!), é a primeira
coisa que nos vem à cabeça.
Está certo, sabemos que, imediatamente após o tema ter sido incluído no
plebiscito (depois que um grupo de entidades locais coletou 100 mil
assinaturas solicitando a inclusão da proposta), organizou-se uma
coalizão de indústrias de biotecnologia e alimentícias (como a PespsiCo
Inc., a General Mills Inc., a Kellogg Co., entre outras) que, em apenas
sete semanas, arrecadou nada menos que 4,6 milhões de dólares e lançou
uma massiva campanha contra o que chamaram de “a Custosa Lei da
Rotulagem” no Estado, que contou com centenas de outdoors nas
estradas e anúncios impressos, na TV e por correio. Mas, apesar disso,
esperávamos que os eleitores não se deixariam enganar por uma campanha
milionária, quando uma questão tão explícita de violação dos direitos dos
consumidores estava colocada. Ledo engano...
Na busca de uma explicação para o fato, vale à pena um olhar mais
cuidadoso sobre o contexto que envolve a situação e sobre outras medidas
aprovadas e rejeitadas pelos americanos nestas eleições -- a começar pela
incrível vitória dos republicanos apoiadores de George W. Bush na câmara
e no senado. Jamais posições tão conservadoras tiveram tanta força no
país. A população legitimou um governo beligerante, que não esconde seus
propósitos de dominar política e economicamente o resto do mundo,
aprovando inclusive medidas que violam os direitos humanos, como a que
permite à CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA, em inglês) matar
pessoas suspeitas de envolvimento com o “terrorismo”, conceito em
que Bush enquadra simplesmente o que quer.
O Plebiscito de Oregon apresentava apenas duas questões. Lá, além de
rejeitarem a rotulagem dos alimentos transgênicos, os eleitores
rejeitaram a criação de um Plano Abrangente de Assistência à Saúde com
financiamento do governo.
Em outros estados houve decisões não menos assustadoras.
Uma medida que propunha que pessoas acusadas de porte ou consumo ilegal
de drogas, em determinadas circunstâncias, pudessem escolher tratamento
médico ao invés de prisão foi rejeitada no Estado de Ohio (proposta
semelhante havia sido aprovada em 1996 no Arizona e em 2000 na
Califórnia).
Em Nevada, uma medida reforçando a proibição do casamento entre pessoas
do mesmo sexo foi aprovada.
O que dizer sobre tudo isso? Será que os alimentos transgênicos
amplamente consumidos pelos americanos estão afetando o cérebro das
pessoas? Quem sabe...
1. Prêmio Nobel da medicina alerta sobre as ligações perigosas entre a
ciência e a indústria
2. China compra menos soja dos EUA
3. Comida transgênica para bebês no Canadá
4. Nature sob suspeita por se recusar a publicar pesquisa do
governo mexicano
5. Chile suspende importação e comercialização de alimentos transgênicos
não rotulados
6. ONGs denunciam e abandonam o CGIAR
7. Aprovado projeto de lei sobre produção de sementes em comissão da
Câmara
8. O nim como opção para controle de insetos Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Controle de pragas através da rotação de
cultivos no Equador
1. Prêmio Nobel da medicina alerta sobre as ligações perigosas entre a
ciência e a indústria
Um prêmio Nobel da Medicina alertou sobre a armadilha que é
colocar lucros antes da ciência no desenvolvimento de uma indústria
biotecnológica.
Falando no Simpósio BioMalásia 2002, o Prof. Arthur Kornberg, disse que a
biotecnologia é um risco comercial, sujeito a ingerências.
Acionistas querem lucros. Isto abriu a porta para o exagero sobre as
descobertas e fraude, disse ele em suas observações sobre pesquisa
básica.
Kornberg, agora na Escola de Medicina da Universidade de Standford,
ganhou o prêmio Nobel com o Dr. Severo Ochoa, da Universidade de
Nova York, por descobrir o mecanismo da síntese biológica de RNA e
DNA.
Kornberg reivindicou um balanço entre o lucro e a pesquisa. Ele falou
sobre a tendência atual de comercializar rapidamente novas idéias sem uma
compreensão completa da descoberta, e sobre a pressão dos cientistas para
trabalhar em busca de negócios ao invés de conhecimento.
Explicou também que, da forma como funciona a indústria de biotecnologia
nos EUA, os cientistas mais conceituados correm o risco de ser drenados
dos institutos de pesquisa para ocupar cargos executivos nas companhias
de biotecnologia.
A confiança do público na ciência também pode se esvair assim que o
público perceber as ligações dos cientistas com os negócios. O que
poderia levar a uma queda do financiamento governamental à pesquisa,
adicionou. (...) The New Straits Times, Malaysia, 02/10/02.
2. China compra menos soja dos EUA Caíram em 23% as exportações de soja dos Estados Unidos para a
China no período de janeiro a setembro de 2002, comparadas ao mesmo
período de 2001. A diminuição das exportações do grão se devem, segundo
autoridades chinesas, ao aumento das restrições a produtos transgênicos
no mercado daquele país. Recentemente, o país adotou critérios mais
rígidos para testar e rotular também arroz e tabaco. Os EUA são o maior
produtor de soja transgênica do mundo.
Há poucos meses, as autoridades chinesas cancelaram investimentos que
seriam feitos pelas empresas americanas Monsanto e Syngenta para a
produção na China de sementes geneticamente modificadas de milho, soja e
arroz.
O Ministério da Agricultura da China quer aumentar ainda mais as
restrições à comida transgênica devido, tanto a preocupações quanto à
segurança à saúde dos consumidores chineses, quanto às perdas das
exportações para mercados que também impõem obstáculos legais aos OGMs,
como a Europa, a Coréia e o Japão. Pesquisas de opinião mostraram que os
lojistas chineses preferem comida não alterada geneticamente.
As restrições atuais também derivam de mal sucedidos experimentos locais
com tabaco transgênico durante os anos 1990 e das notícias de que em 1999
cultivos de milho orgânico no México foram contaminados por espécies
geneticamente modificadas, ilegalmente introduzidas naquele país e
possivelmente originadas dos EUA. New York Times, 22/10/02.
3. Comida transgênica para bebês no Canadá
As principais marcas de comidas para bebês vendidas em
supermercados do Canadá estão contaminadas com organismos geneticamente
modificados (OGMs), os transgênicos. A descoberta foi feita pelas
organizações não governamentais Greenpeace e InFact Canada, com base em
testes científicos. A legislação do Canadá não exige o aviso de que os
produtos contêm OGMs.
A Real Sociedade de Medicina do país já expressou preocupação quanto à
inclusão de proteínas em OGMs. Elas podem criar novas toxinas e
alergênicos agressivos aos bebês. As organizações não governamentais
solicitaram aos fabricantes desses produtos para bebês a confirmação do
uso de milho ou soja transgênicos.
A pesquisa foi feita com produtos da Loblaws, Nestlé, Mead Johnson, Kraft
e Ross Products. As empresas Earth's Best, Milupa, Healthy Times e Tiny
Bites já retiraram OGMs de seus produtos. The Canadian Press, 30/10/02.
4. Nature sob suspeita por se recusar
a publicar pesquisa do governo mexicano Frente à recusa da Revista Nature em publicar os
estudos do governo mexicano que confirmam a tese de Ignacio Chapela, de
que existem transgênicos nos cultivos tradicionais de milho de Oaxaca,
cientistas americanos enviaram cartas de protesto ao editor da publicação
exigindo que se divulgue a pesquisa.
A revista primeiro difundiu estudo do mexicano Ignacio Chapela e do
americano David Quist, que revelava a contaminação do milho crioulo por
sementes transgênicas, o que agora foi confirmado pelas autoridades
mexicanas. Assim, o México é o primeiro país que é centro de origem de um
produto, no caso o milho, que estaria contaminado.
Logo depois, foram divulgados outros estudos que refutavam a contaminação
e a revista apresentou um editorial retratando-se por ter publicado a
pesquisa inicial.
Agora, o governo mexicano confirmou os resultados com estudos do Centro
de Ecologia da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México). No
entanto, a Revista rechaçou esta publicação com argumentações técnicas e
explicações contraditórias dos especialistas que a revisaram. Um dizia
que a descoberta era tão óbvia que não merecia ser publicada, e outro,
que era necessário se investigar mais, segundo explicou o presidente do
Instituto Nacional de Ecologia, Exequiel Ezcurra.
Em cartas enviadas à Nature, especialistas como Robert Anderson,
membro da organização “Físicos e Cientistas pela Responsabilidade
Genética”, pediram que a revista mantenha seu bom nome publicando o novo
estudo. (...)
O investigador Peter Rosset, da organização americana Food First, diz que
depois que a Nature gerou a controvérsia sobre o assunto, tem a
obrigação para com a comunidade científica internacional de abrir suas
páginas aos estudos das autoridades e não fazê-lo poderia parecer estar
encobrindo algo, quem sabe motivada pela indústria biotecnológica que
anuncia em suas páginas. La Jornada, 25/10/02.
5. Chile suspende importação e
comercialização de alimentos transgênicos não rotulados A Sexta Sala da Corte de Apelações de Santiago ordenou
suspender a comercialização e a importação de todos os alimentos
transgênicos ou derivados que não estejam devidamente rotulados pelos
organismos de saúde competentes.
A medida deve-se a uma ordem de não renovação que o tribunal de alçada
acolheu, correspondente a um recurso de proteção apresentado pelo
Consórcio de Sociedades Agrícolas do Sul, que solicitam proibir a venda
destes produtos no Chile.
Determinou-se que o Presidente Ricardo Lagos e o Ministro de Saúde,
Osvaldo Artaza, deverão colocar ao conhecimento da justiça todo o
material que se acumula sobre estudos científicos acerca das
conseqüências do consumo de alimentos transgênicos.
A instância judicial estava integrada pelos ministros Jorge Zepeda,
Amanda Valdovinos e o advogado integrante Claudio Díaz, que adotaram a
medida de forma preventiva, enquanto resolvem esta polêmica. Terra Chile, 19/10/02.
6. ONGs denunciam e abandonam o CGIAR Pela primeira vez na sua história de mais de 30 anos, uma
reunião do Grupo Consultivo Internacional de Pesquisa Agrícola (CGIAR, na
sigla em inglês) -- uma rede de 16 grandes centros de pesquisa agrícola
em todo mundo, financiada por doações públicas e privadas -- foi
realizada fora dos confins do Banco Mundial, em Washington (EUA). O CGIAR
é o maior esforço para a pesquisa agrícola pública existente e sua missão
é servir aos agricultores pobres do terceiro mundo. Também pela primeira
vez a reunião, que dura uma semana, foi literalmente rodeada de massivos
protestos de camponeses e de manifestações e críticas à estrutura de
gestão do Grupo, sua orientação para a pesquisa e à falta de
responsabilidade e de respostas aos agricultores do terceiro mundo.
A reunião também foi cenário de revisão por parte do Comitê de
Organizações Não-Governamentais (ONGs) do CGIAR. O Grupo Consultivo
estabeleceu este comitê para receber insumos da sociedade civil. Durante
o último ano, metade dos membros do comitê renunciou. (...) Em 31/10/02,
o co-presidente do Comitê de ONGs, Patrick Mulvany, anunciou que o Comitê
suspenderia sua participação no CGIAR durante todo o próximo ano. A
principal razão alegada foi o fracasso do CGIAR em tomar ações
construtivas logo após a descoberta (há mais de 13 meses) de que o milho
transgênico havia contaminado o centro de diversidade deste cultivo no
México.
O CIMMYT (Centro de Melhoramento de Milho e Trigo), integrante do CGIAR
com sede no México, não respondeu às repetidas demandas da sociedade
civil para que medisse a realidade da contaminação, limitando-se a fazer
breves declarações sobre a necessidade de clareza científica e a prometer
ajuda por qualquer via que não implicasse em ação real.
Para uma instituição como o CGIAR, cujo objetivo é apoiar a segurança
alimentar, aliviar a pobreza e proteger o meio ambiente, a renúncia do
Comitê de ONGs representa uma forte desconfiança da sociedade civil.
Outro dado que reforça esta desconfiança é que as empresas multinacionais
de transgênicos têm cada vez mais influência e membros no CGIAR. Um
exemplo disto é que a Fundação Syngenta para a Agricultura Sustentável
(propriedade da Syngenta, a maior corporação do mundo de agroquímicos e
uma das maiores produtoras de transgênicos) se tornou este ano o mais
recente membro do sistema CGIAR. O Diretor Executivo da Fundação Syngenta
é membro do conselho diretor do CIMMYT. Comunicado - 01/11/02, Grupo ETC (Erosion, Techology and
Concentration, ex-RAFI).
7. Aprovado projeto de lei sobre produção de
sementes em comissão da Câmara Foi aprovado nesta quarta-feira (06/11), na Comissão Especial
(da Câmara dos Deputados) que trata do assunto, o substitutivo do
deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) ao Projeto de Lei 4828/98, do
Executivo, que regulamenta a produção, o comércio e a fiscalização das
sementes.
O projeto resgata e legitima o conceito de semente crioula, aquela
utilizada na agricultura familiar, sem mudanças tecnológicas ou
genéticas. Hoje, o agricultor que trabalha com esse tipo de semente não
tem acesso aos financiamentos oficiais, que são destinados apenas aos que
utilizam as sementes certificadas pelo Ministério da Agricultura.
O texto favorece, assim, o pequeno produtor familiar. (...)
O substitutivo redefine os conceitos de semente, grão e muda, e cria o
Cadastro Nacional de Sementes, o que, segundo o relator, vai permitir a
centralização do controle de qualidade do produto comercializado no País.
(...)
A responsabilidade do plantio, cultivo e qualidade passa a ser do
pequeno, médio ou grande produtor cadastrado, com apoio do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsável por fiscalizar e
supervisionar as atividades por meio do Renasem - Registro Nacional de
Produção, Comércio e Fiscalização de Sementes e do Registro Nacional de
Cultivares. (...)
O projeto segue agora para votação no Plenário da Câmara. Agência Câmara, 07/11/02. N.E. As emendas ao Projeto de Lei que permitiram legitimar o
conceito de semente crioula e garantiram aos agricultores familiares o
acesso aos financiamentos oficiais são de autoria do Dep. João Grandão
(PT-MS).
8. O nim como opção para controle de insetos
Nos dias 18 e 19 de outubro, ocorreu no município de Tauá,
Ceará, o Seminário Estadual sobre “Possibilidades do Nim para Agricultura
Familiar”. O evento foi organizado pela Adec e pelo Esplar, que expôs
sobre as possibilidade do nim para o semi-árido e o cultivo do nim no
município de Tauá.
Se você quiser exemplares do Cordel “NIM, uma árvore de mil e uma
utilidades”, de autoria de Rogaciano Oliveira, técnico do Esplar, ou
maiores informações sobre Nim, procure o Esplar. Fone: (85) 252.2410;
E-mail: esplar@...
Sistemas agroecológicos mostram
que transgênicos não são solução para a agricultura Controle de pragas através da rotação de
cultivos no Equador
Na localidade de Huacona La Merced, no Equador, estão
ocorrendo dois graves problemas: o desaparecimento de variedades nativas
de plantas e a ocorrência de novas doenças e pragas agrícolas resistentes
aos controles fitossanitários normalmente empregados.
A prática dos agricultores de semear leguminosas (favas e ervilhaca, por
exemplo) após a colheita de tubérculos (como batata, oca eulucu)
provocou uma série de problemas, como a presença do fungo Rhizoctonia
fusarium, que praticamente dizimou a produção de favas na região. E,
como conseqüência do cultivo intensivo de batata, o gusano branco
(Premnotripex vorax, larva de coleóptero) se transformou em praga
de considerável magnitude para a cultura.
Tradicionalmente os agricultores da região usavam sistemas de
policultivos, mas havia pouco conhecimento sobre as práticas de rotação e
associação de culturas. Começou-se então a experimentar um sistema de
produção alternando pastagens, tubérculos, cereais, leguminosas e pasto
novamente. Além de controlar o fungo e o gusano, este sistema propicia
inúmeros benefícios, tais como o aporte de matéria orgânica para
incorporação no solo pelo pastejo animal, o aproveitamento dos resíduos
orgânicos dos cereais e a melhora nas condições físicas e químicas do
solo proporcionada pela simbiose entre as bactérias nitrificantes e as
leguminosas.
Outras fórmulas de rotação que também proporcionaram bons resultados
foram tubérculos-cereais-leguminosas-tubérculos ou, ao inverso,
leguminosas-cereais-tubérculo-cereais, obedecendo o critério de evitar o
plantio de leguminosas depois de tubérculos.
CARLOS BONILLA Y SEGUNDO CRUZ, Rotación de cultivos. In IRRR:
Manual de Practicas Agroecologicas de Los Andes Ecuatorianos.
Equador, junho de 2000, p. 126-127.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 139 - 29 de novembro
de 2002
Car@s Amig@s,
No último domingo (24/11), o jornal Folha de São Paulo publicou,
sob o título “Multis usam fome para lobby transgênico”, a denúncia de que
“existe uma agenda paralela sob a promessa do governo americano de
colaborar com o programa Fome Zero do presidente eleito, Luiz Inácio Lula
da Silva (PT). Aos poucos, os EUA e companhias de biotecnologia
americanas começam a utilizar o debate sobre a fome no Brasil para
reintroduzir a polêmica sobre o uso de transgênicos no país”.
O jornal relata contatos feitos pela Monsanto com o coordenador do
programa Fome Zero, José Graziano, e convites da empresa a técnicos da
Embrapa ligados ao PT para visitarem sua sede nos EUA, além de citar
declarações do secretário-assistente para a América Latina do
Departamento de Estado dos EUA, Otto Reich, do diretor de produtos
globais da Monsanto, Harvey Glick, e do diretor de assuntos corporativos
da Monsanto no Brasil, Rodrigo Almeida, ressaltando que “a biotecnlogia e
os transgênicos podem ajudar o Brasil a erradicar a fome”.
À Folha, Graziano afirma que “a posição do partido sobre o assunto
continuará sendo a mesma, independentemente dos esforços da Monsanto ou
do governo americano para fazê-lo mudar de idéia”, sustentando que “as
vantagens dos transgênicos não estão comprovadas e que alguns destes
produtos tendem a cortar mão-de-obra rural”. Mas admite que “sua posição
não é ‘dogmática’ ou ‘ideológica’”, declaração que o jornal interpreta
como uma sinalização de que está aberto ao debate.
Além de pressionar o governo eleito, segundo publicou hoje o jornal
Valor Econômico, a Monsanto está também iniciando uma maciça
campanha na TV em defesa dos transgênicos, dirigida aos agricultores.
Inserções de 90 segundos intituladas “Momento Monsanto” já estão indo ao
ar em horário nobre (durante o Jornal Nacional e o Fantástico, via
transmissoras locais da Rede Globo, por exemplo) nos principais estados
produtores de soja (Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e, em
breve, Mato Grosso do Sul). Segundo o jornal, o custo de veiculação
destas propagandas será de, no mínimo 500 mil reais.
O trabalho de “esclarecimento” da Monsanto também inclui workshops,
seminários, palestras, viagens e campanhas em emisoras de rádio de
regiões produtoras, e deverá consumir boa parte do orçamento de marketing
da multinacional no país, de aproximadamente 5 milhões de dólares por
ano.
O argumento de que os transgênicos poderiam resolver o problema da fome
já foi amplamente rebatido pela Campanha “Por um Brasil Livre de
Transgênicos” e por diversas organizações e personalidades
internacionais, como, por exemplo, o Relator das Nações Unidas para o
Direito à Alimentação, Jean Ziegler.
O que está em jogo por trás desta e de outras promessas mágicas é a
pressão pela liberação da soja transgênica resistente a herbicidas, que
representa um mercado de bilhões de dólares para a Monsanto. Aliás, é bom
lembrar que os dois produtos (a soja transgênica e o seu herbicida) são
de propriedade exclusiva desta empresa e que o fato de o Brasil, segundo
maior produtor mundial de soja, não ter aderido aos cultivos transgênicos
tem causado gigantescos prejuízos à empresa -- inclusive porque tem
possibilitado aos países importadores de grãos que não querem consumir
transgênicos, como os da União Européia, sustentarem sua rejeição. É mais
do que evidente que a fome é conseqüência da má distribuição de recursos
e não de qualquer problema de produção.
No dia seguinte à publicação da Folha de São Paulo, lideranças do
PT, como o senador Eduardo Suplicy, a senadora Marina Silva, o senador
eleito Cristovam Buarque e o governador do Acre Jorge Viana repudiaram as
pressões americanas. “O combate à fome não pode servir de argumento para
o ‘vale-tudo’”, afirmou o governador. Lideranças do MST também reagiram à
notícia, dizendo que trata-se de “oportunismo e golpe associar a luta
contra a fome à liberação dos transgênicos”.
A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos”, junto com o Fórum
Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional, escreveu uma carta ao
presidente eleito Lula, que foi entregue ontem (28/11) pelo Dep. Federal
eleito João Alfredo (PT/CE) a Lula, ao coordenador da equipe de transição
Antônio Palocci, ao líder do PT no Senado Eduardo Suplicy, ao líder do PT
na Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, e ao coordenador do Fome Zero
José Graziano, durante a reunião de Lula com parlamentares do PT, em
Brasília.
Na carta, assinada por mais de 100 organizações, expomos nossa
preocupação quanto à iniciativa americana junto à equipe de transição e
reafirmamos nossa confiança de que os compromissos assumidos pelo
presidente eleito em seu programa de governo, em especial aqueles
presentes nas páginas 47 e 48 do caderno “Meio Ambiente e Qualidade de
Vida no Brasil”, na página 92 do “Projeto Fome Zero”, além dos
compromissos assumidos junto à Campanha “Por um Brasil Livre de
Transgênicos” através da enquete respondida em 29/08/2002 e ao Greenpeace
em enquete respondida no fim de setembro,não serão esquecidos.
1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
2. Monsanto lança campanha pelos transgênicos na TV
3. Brasil terá dificuldade de exportar soja à China devido à contaminação
gaúcha
4. Conselho de Agricultura da União Européia aprova novas regras de
rotulagem de transgênicos
5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace produtos sem
transgênicos
6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos
7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia
8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos
9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta! Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Cana orgânica promove aumento da
biodiversidade
Eventos:
1º Seminário para Consumidores de Produtos
Agroecológicos
Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis -
SC
1. Dom Mauro Morelli subscreve carta a Lula
Dom Mauro Morelli, cotado para a área social no governo Lula,
subscreveu carta que será entregue hoje ao presidente eleito pelo
deputado João Alfredo (PT-CE). Pede que Lula não se esqueça de manter
proibido o comércio de transgênicos. Painel da Folha de São Paulo, 28/11/02.
2. Monsanto lança campanha pelos
transgênicos na TV Após quatro anos longe das telinhas brasileiras, a Monsanto
volta neste domingo a veicular uma campanha na TV em defesa dos
controvertidos transgênicos.
Serão inserções de 90 segundos, criadas pela agência Fischer América, que
vão ao ar em regiões produtoras de soja dos Estados do Rio Grande do Sul,
Paraná, Goiás e Mato Grosso.
Felipe Osório, diretor de marketing da Monsanto, diz que foram fechados
contratos com retransmissoras locais e que o custo de veiculação será de,
no mínimo, R$ 500 mil. A idéia é manter a campanha até às vésperas do
Natal, em periodicidade ainda indefinida, e há negociações com canais do
Mato Grosso do Sul.
De acordo com Osório, o objetivo é chegar aos agricultores, não a
consumidores, e complementar um trabalho de esclarecimento sobre os
transgênicos que a Monsanto já realiza no país desde o fim da década de
90, quando o cultivo e a comercialização da soja modificada foram
proibidos no Brasil -- em batalha jurídica que dura até hoje.
Esse trabalho de esclarecimento, que inclui workshops, seminários,
palestras, viagens e campanhas em emissoras de rádio de regiões
produtoras, já consome boa parte do orçamento de marketing da
multinacional do país, que no total é de aproximadamente US$ 5 milhões
por ano.
Em formato jornalístico, o “Momento Monsanto” trará depoimentos de
produtores que já estiveram em lavouras de soja nos Estados Unidos e na
Argentina -- países que permitem o cultivo de transgênicos --, além da
opinião de especialistas favoráveis aos frutos da biotecnologia.
A volta da Monsanto à televisão acontece num momento de transição
política no país e de reforço do lobby pró-transgênicos junto ao novo
governo eleito, mas Osório nega a relação. Segundo ele, trata-se apenas
da “continuidade de um trabalho de esclarecimento sobre os benefícios dos
transgênicos”.
E, de acordo com Lúcio Mocsanyi, diretor de comunicação da empresa no
país, a mídia eletrônica pode ajudar a reforçar uma imagem de
“transparência”. Valor Econômico, 29/11/02.
3. Brasil terá dificuldade de exportar soja
à China devido à contaminação gaúcha O governo brasileiro está tentando reverter a decisão do
governo da China, anunciada na sexta-feira (22/11), de não mais aceitar
certificado provisório para as exportações de soja, emitido pelo país
importador. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio
Fortes de Almeida, disse ontem que as negociações estão sendo feitas com
a embaixada da China. Mas, se até o final desta semana não houver uma
decisão favorável, ele está disposto a ir a Pequim para falar com as
autoridades sanitárias do Ministério da Agricultura chinês.
A argumentação do governo brasileiro é que o Brasil não pode emitir a
certificação de que a soja exportada não é transgênica, porque há risco
de mistura com produto argentino nos carregamentos. Isso ocorre porque os
navios que deixam o porto de Buenos Aires complementam suas cargas no
Brasil. “A carga colocada no porão do navio é separada de outras apenas
por uma lona, o que facilita a mistura”, observa o secretário.
Mas a razão principal, é que o Brasil não pode fornecer esta certificação
porque há plantios ilegais de soja transgênica no País, apesar de o
cultivo e a comercialização de produtos geneticamente modificados serem
proibidos no Brasil.
As mudanças introduzidas no certificado provisório, comunicadas à
embaixada brasileira em Pequim, têm caráter provisório e vigorarão entre
21 de dezembro e 20 de setembro do ano que vem, quando para continuar
exportando soja para a China, o Brasil terá de emitir um certificado
atestando se o produto é transgênico ou não.
A partir do dia 21, mesmo este certificado provisório, terá de ser
expedido pelo governo do país exportador. Até agora, o documento era
fornecido pelo importador, sendo que este declarava que o produto
importado poderia conter elementos geneticamente modificados.
A mudança atingirá em cheio as exportações de soja da próxima safra,
cujos embarques começam a partir de março de 2003.
(...) O Brasil vende, anualmente, cerca de 3 milhões de toneladas de soja
para a China. No ano passado, essas exportações foram de US$ 537
milhões. O Estado de São Paulo e Jornal do Comércio, 26/11/02.
4. Conselho de Agricultura da União Européia
aprova novas regras de rotulagem de transgênicos O Conselho de Agricultura da União Européia (que reúne os 15
ministros europeus de agricultura e pesca) fechou um acordo, em Bruxelas,
impondo mais rigor às regras de controle dos organismos geneticamente
modificados (OGMs) nos alimentos.
O acordo abre caminho para que a Europa adote normas mais estritas e
abrangentes sobre rotulagem de alimentos transgênicos para humanos e
animais.
Pela primeira vez, as rações animais serão rotuladas na União
Européia.
Quando a nova legislação entrar em vigor, todos os alimentos e
ingredientes transgênicos, incluindo os derivados altamente processados
como açúcar, óleo e amido produzidos a partir de ingredientes
transgênicos, terão que ser claramente rotulados. Como nestes produtos
altamente processados a detecção da origem transgênica é tecnicamente
inviável, a rotulagem só é possível a partir do rastreamento até a
origem, o que atualmente não é feito. Uma nova legislação à parte
determinará um sistema de rastreabilidade a fim de identificar alimentos
ou ingredientes que consistam de, contenham ou sejam produzidos a partir
de transgênicos em todas as etapas de processamento do alimento e da
cadeia de distribuição até o produto final.
A partir do compromisso adotado, todos os alimentos que contenham a
partir de 0,9% de contaminação deverão conter rótulos indicativos da
presença de transgênicos. Atualmente, as normas permitem o máximo de 1%
de matéria-prima com OGMs.
A decisão foi resultado de uma queda de braço durante toda a
quinta-feira. De um lado, estavam oito países membros (Espanha, Grécia,
Bélgica, Holanda, Suécia, Finlândia, Reino-Unido e Irlanda) que preferiam
manter as regras tais como elas são hoje, ou a etiquetagem obrigatória a
partir de 1% de OGM. De outro, incluindo a presidência dinamarquesa,
estavam França, Itália, Portugal, Áustria e Luxemburgo, que defendiam a
etiquetagem a partir de 0,5%, que foi o limite indicado pelo Parlamento
Europeu.
Os ambientalistas lamentaram a decisão do Conselho de permitir até 0,5%
de contaminação acidental em alimentos e rações por organismos
transgênicos que não tenham sido autorizados na União Européia, embora
isto vá vigorar apenas para os próximos três anos num regime de
transição, após o qual será retomado o regime de "tolerância
zero". No entanto, a redução acordada sobre o índice de tolerância,
para o qual a sugestão da Comissão era de 1%, foi um avanço.
Mas, a discussão sobre até onde permitir a presença de transgênicos em
alimentos e rações ainda não terminou. A proposta aprovada agora volta
para revisão no Parlamento Europeu, onde o debate deverá ser quente, já
que a assembléia já tinha determinado claramente que queria normas ainda
mais restritas do que as que os ministros estão propondo (a norma
aprovada pelo Parlamento Europeu permitia um máximo de 0,5% de
contaminação, contra 0,9% proposto pelo Conselho).
"As normas de rotulagem mais restritas da União Européia farão
aumentar ainda mais a demanda por soja não transgênica brasileira. Seria
contra o bom senso de negócios se o Brasil começasse a plantar grãos
transgênicos no mesmo momento em que a rejeição do mercado internacional
em relação aos grãos transgênicos está crescendo", observou Mariana
Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
Reuters, 28/11/02; Greenpeace e Agência Estado, 29/11/02.
5. Makro e Carrefour garantem ao Greenpeace
produtos sem transgênicos O Greenpeace divulgou em 22/11 o comprometimento de mais duas
grandes empresas com a não utilização de transgênicos em produtos
alimentícios. O Makro garantiu a ausência de qualquer ingrediente
derivado de organismos transgênicos em todos os produtos da marca ARO.
O Carrefour já havia garantido, em maio deste ano, produtos processados
livres de transgênicos. Seguindo o padrão de qualidade oferecido aos
consumidores europeus, está agora garantindo também a ausência de
transgênicos na alimentação de animais. Produtos frescos, como carne,
leite e ovos, encontrados nas lojas Carrefour com o selo “Garantia de
Origem”, são derivados de animais alimentados sem transgênicos.
“A maior parte da soja e milho transgênicos é usada para a alimentação de
animais. Se queremos evitar danos ambientais, precisamos exigir das
indústrias de alimentos a ausência de transgênicos também na alimentação
animal”, afirmou Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia
Genética do Greenpeace.
Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos
estejam proibidos no país, dada a omissão do governo federal em realizar
qualquer tipo de controle e fiscalização no campo, apenas a compra de
matéria prima nacional não garante a isenção de transgênicos. Somente as
indústrias de alimentos que adotam medidas de controle podem garantir que
não estão comprando e utilizando soja transgênica.
“O comprometimento de grandes empresas, como o Carrefour, o Makro, a
Unilever, a Sadia e a Nissin, demonstra que é perfeitamente possível
garantir ao consumidor produtos livres de transgênicos. Não existe motivo
para outras marcas, como a Nestlé, continuarem se recusando a oferecer
garantias semelhantes”, completou Tatiana. Greenpeace, 22/11/02.
As cartas enviadas pelo Makro e o Carrefour estão disponíveis no site do
Greenpeace
www.greenpeace.org.br
6. Médicos querem banir experimentos de campo com transgênicos Experimentos de campo com cultivos transgênicos deveriam ser imediatamente banidos da Escócia como uma “medida de precaução” para salvaguardar a saúde pública, disseram médicos renomados.
A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) está submetendo um pedido de moratória à subcomissão de saúde do Parlamento Escocês.
Em seu relatório, a BMA, diz que “cuidado insuficiente” tem sido tomado em relação à saúde pública e que tem preocupações suficientes para justificar um término imediato destes experimentos.
O pedido da associação tem apoio de alguns partidos de oposição, mas o executivo escocês diz que “não há evidências” de que os campos experimentais “sejam perigosos”.
A associação representa mais de 13.500 médicos na Escócia e mais de 80% dos médicos ingleses.
O texto do relatório apresentado pela BMA diz: “ainda não foi feito um estudo suficientemente amplo e profundo sobre os potenciais efeitos prejudiciais de alimentos transgênicos para a saúde humana. Com base no princípio da precaução, as experiências em campo aberto não devem ter permissão para continuar”.
O documento diz ainda: “As preocupações dos médicos quanto aos impactos que os alimentos transgênicos podem causar sobre a saúde no longo prazo são sérias o suficiente para garantir uma abordagem de precaução”.
“O mais preocupante”, de acordo com o BMA, é o perigo potencial dos transgênicos criarem resistência a antibióticos nos seres humanos, levando ao surgimento de novas doenças.
A Associação também solicita ao executivo que monitore a saúde das pessoas vivendo perto de campos experimentais, que conduza mais pesquisa e forneça mais informações ao público.
O porta-voz do Partido Nacional Escocês, Bruce Crawford, apoiou a petição do BMA e disse que “os ministros têm que agir agora para evitar riscos futuros para o público”.
Ele acrescenta: “Está claro que os cultivos transgênicos não estão sendo regulamentados corretamente e que não tem havido pesquisas suficientes sobre seus efeitos colaterais negativos para a saúde pública”.
“O executivo deve ouvir o conselho dos médicos e não permitir que mais nenhum experimento seja plantado”, disse Robin Harper, do Partido Verde, que apresentou uma moção no Parlamento solicitando que os experimentos com transgênicos sejam suspensos devido às preocupações da BMA. BBC News, 20/11/02.
Maiores informações em: http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/scotland/2494267.stm
7. Grãos não-transgênicos para a Zâmbia A União Européia (UE) vai ajudar a Zâmbia a conseguir milho não-transgênico para alimentar 2,2 milhões de habitantes ameaçados de passar fome, disse o encarregado da Comissão de Comércio da UE, Pascal Lamy. O país africano enfrenta grave escassez de alimentos em decorrência de uma seca na região que deixou até 14,4 milhões de pessoas ameaçadas de inanição. A UE vai comprar de outros países africanos a maior parte da ajuda alimentar que fornecer à Zâmbia e a outros países sul-africanos que têm problemas. Gazeta Mercantil, 29/11/02.
8. Criador de Dolly pede para clonar embriões humanos O professor Ian Wilmut, criador da famosa ovelha clonada Dolly, pediu permissão à Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA) da Grã-Bretanha para clonar embriões humanos com fins terapêuticos. (...) O professor quer a permissão do organismo regulador para fazer experiências com embriões humanos com o fim de investigar tratamentos para doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer. (...)
Provavelmente ele obterá a autorização, tendo em vista que deixou claro que acata in totum a Lei de Embriologia Humana britânica, que veda a clonagem de seres humanos. O objetivo de seu laboratório é cultivar esses embriões partenogênicos em um tubo de ensaio durante vários dias para que os especialistas possam extrair as células-tronco para estudos. (...) Jornal do Commercio & Folha de São Paulo, 26/11/2002.
9. Agrotóxicos - lavar com vinagre e bicarbonato não adianta! “Gostaria de comentar matéria divulgada pela Rede Globo e outros veículos recentemente sobre a questão dos agrotóxicos nos alimentos e como evitá-los. O Instituto Biodinâmico, com sua experiência de dez anos em certificação orgânica e biodinâmica e em análises químicas de culturas agrícolas e alimentos, pode afirmar que dezenas de princípios ativos são introduzidos todos os dias em todas as culturas agrícolas do planeta, o que causa prejuízos irreparáveis à saúde da população e ao ambiente. O Brasil é um dos maiores nichos do mercado de agrotóxico, o terceiro no ranking mundial. Formas simplistas e erradas têm sido usadas para orientar as donas-de-casa sobre como diminuir os riscos de contaminação com agrotóxicos, como o uso de bicarbonato de sódio. Essa recomendação está errada. O bicarbonato de sódio tem uma reação superficial na folha e nos alimentos. Os agrotóxicos estão dentro, os principais resíduos encontram-se dentro da estrutura celular das plantas. Existem relatos de contaminação superficial e, mesmo nesse caso, a lavagem com substâncias pode resultar em eliminação parcial, mas não 100% garantida. O uso de bicarbonatos, vinagres e água sanitária é mais coerente para esterilizar a solução da água e da superfície dos vegetais contra bactérias e agentes vivos. O consumidor só reduzirá os riscos de contaminação alimentando-se com produtos isentos de agrotóxico.” Alexandre Harkaly, do Instituto Biodinâmico
Folha de São Paulo, 28/11/2002.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura Cana orgânica promove aumento da biodiversidade
A opção pela cana-de-açúcar orgânica alterou radicalmente o cotidiano de sete fazendas e da Usina São Francisco, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Entre 1986 e 1997, período em que os plantios tradicionais deram lugar a 100% de cana orgânica, todos tiveram que se adaptar a funções "estranhas" e conceitos novos.
Para o manejo integrado de pragas, por exemplo, foram formadas equipes de monitoramento de formigas, cupins, cigarrinhas e brocas. (...) Para controlar nematóides, os venenos cederam lugar à rotação de culturas com crotalária, uma leguminosa usada para adubação verde (...). Para substituir as queimadas, não bastou mecanizar a colheita de cana crua: entraram em cena especialistas para discutir as formas de decomposição da palhada, com o estímulo à microfauna e microflora detritívoras, isto é, animais, bactérias, fungos e plantas minúsculas do solo, capazes de transformar a palha da cana em matéria orgânica. Para lidar com o solo vivo, passou-se a investir na alimentação das minhocas, hoje estimadas em 1 a 2 milhões por hectare, movimentando 500 toneladas de terra por ano, sem que ninguém veja, sem gastar o diesel dos tratores e garantindo um solo muito mais fértil, aerado e mais bem estruturado do que qualquer ação humana.
O resultado, na ponta do lápis, é um aumento real de produtividade de 10%, em canaviais que já estavam entre os mais produtivos do país. (...)
Aos poucos, diversos representantes da fauna silvestre também notaram a ausência de agrotóxicos, fertilizantes químicos e queimadas e foram se instalando entre os talhões de cana. Para eles, algumas áreas foram abandonadas e já apresentam um bom nível de regeneração natural; outras estão sendo ativamente reflorestadas com espécies nativas e existe até um pequeno corredor ecológico, de cerca de 70 metros, ligando uma mata vigorosa, de 50 hectares, a uma várzea, de 110 ha. Os antigos 5% das terras da usina, cobertos com vegetação natural, em 1986, agora constituem um mosaico de ecossistemas, em diferentes estágios de recuperação, totalizando 14% das terras. E desde abril deste ano, tanto o mosaico com 10 tipos de ecossistemas como as áreas de cultura, vêm sendo monitorados por uma equipe de 8 pesquisadores, ligados à entidade ambientalista Ecoforça, à Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM) e às universidades de São Paulo (USP) e Mackenzie. Eles vão inventariar, qualificar e acompanhar os povoamentos e populações de fauna, durante um ano, de modo a contabilizar a biodiversidade local. (...)
Na verdade, em breve, a biodiversidade crescente do agroecossistema formado pela cana orgânica, várzeas e matas, poderá até gerar uma receita extra para a Usina São Francisco. Balbo Jr. tem recebido visitas técnicas de conservacionistas e observadores de aves, interessados em montar trilhas e pequenas torres de observação para um projeto experimental de agroecoturismo. (...) A usina já recebe anualmente cerca de 2 mil alunos de escolas da região e até de São Paulo, num programa de educação ambiental, com o objetivo de promover a conscientização sobre a produção orgânica. http://www.agenciaestado.com.br/ - Novembro de 2002
Eventos:
1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos
O CEPAGRO -- Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, entidade não governamental, com sede em Florianópolis/SC, tem a satisfação de convidar os consumidores de produtos agroecológicos e interessados em geral para participar do 1º Seminário para Consumidores de Produtos Agroecológicos. Tema central: O Papel Social do Consumidor de Produtos Agroecológicos O evento acontecerá no dia 12 de dezembro de 2002, das 8:00 às 17:30 horas, no Auditório da EPAGRI: Rodovia Admar Gonzaga, 1347, Itacorubi - Florianópolis/SC.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no Cepagro pelo tel. (48) 334-3176, pelo e-mail cepagro@..., ou no dia do evento. O auditório tem capacidade para 140 lugares.
Agricultura Familiar e Agroecologia fazem festa em Irineópolis - SC No próximo domingo, dia 1º de dezembro, o município de Irineópolis, no Planalto Norte catarinense, vai estar em festa. É a III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar, na comunidade Santo Antônio, que deve reunir famílias de agricultores, artesãos e visitantes de toda a região.
Às 8h, terão início as exposições de artesanato e a feira de produtos ecológicos. Os organizadores da festa convidaram agricultores, grupos e associações para exibirem produtos da terra, artesanatos, fotos, ferramentas de trabalho, objetos históricos e cartazes na decoração do ambiente.
A III Festa Regional da Agroecologia e da Agricultura Familiar é uma promoção do Sindicato Regional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) do Planalto Norte, Agrupar, Afruta, Cepagri, Pastoral da Juventude Rural, Rede Ecovida de Agroecologia e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT). A festa conta com apoio da empresa Terra Preservada, de comercialização de produtos ecológicos, e, também, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, por intermédio da oficina de comercialização solidária da Rede Ecovida. Contatos: João Altanir Grein -- coordenador do Sintraf Planalto Norte -- (47) 622-7743.
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, IDEC, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
Minha carta ao Correio Brasiliense ---------------------------------------------------
Prezado Sr Ari,
Acho interessante que a mesma fraseologia usada para justificar a adoção dos transgênicos seja a mesma fraseologia usada há várias décadas atrás para justificar o advento do DDT hoje, graças a Deus, banido em todo o mundo. Na época falava-se que o DDT pelo fato de controlar os insetos era necessário para “acabar com a fome no mundo”. Também se dizia à época que o DDT “iria reduzir os custos de produção” e “tornar a vida dos agricultores menos penosa “e que “era uma coisa boa pois era fruto da pesquisa científica”. De fato o DDT foi inventado em uma Universidade de prestígio e o seu inventor (que hoje poucas pessoas se lembram do nome dele) ganhou inclusive o Prêmio Nobel. Quanta falta de imaginação! Quanta falta de memória! Quero deixar claro o fato de que cientistas não são infalíveis. Quantos PhDs o Sr acha que trabalhavam na NASA no projeto do ônibus espacial que explodiu na frente de todo o mundo provocando o maior fiasco tecnológico de toda a história da humanidade? Já parou para pensar um pouco sobre a “infalibilidade” dos PhDs e da tecnologia? Quantos fedas trabalhavam no maior Fundo de Investimentos de Walt Street que teve de ter aporte de mais de 1.5 Bilhões de Dólares do governo americano para evitar o colapso do sistema financeiro americano na década passada? Repense a sua posição pois do contrário vou começar a pensar que existem outra$$ razõe$$ por trás da sua verbologia.
Atenciosamente
Jose Luiz M Garcia
"Every man takes the limits of its own field of vision for the limits of the world" Arthur Schopenhauer Shortcut URL to this page: http://www.onelist.com/community/ALT_HEP_C
Clonagem humana, bioterrorismo com agentes geneticamente modificados, alimentos transgênicos, mercado de sementes transgênicas, controle social da atividade científica, bioética, procedimentos de contenção biológica e bem-estar animal são alguns dos temas reunidos no livro Bioética & biorrisco: abordagem transdisciplinar, organizado pelos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, Silvio Valle e José Luiz Telles.
A publicação, segundo os autores, pretende preencher uma lacuna no mercado editorial em tempos de grandes polêmicas e apreensões acerca da temática envolvendo as modernas biotecnologias. Com o apoio do CNPq, da Universidade Federal do Amazonas e da Fundação Oswaldo Cruz, o livro é editado pela Editora Interciência.
Com uma linguagem acessível e a devida profundidade que a temática exige, o livro está dividido em duas partes. Na primeira, o leitor poderá entrar em contato com os principais conceitos na área da biotecnologia e da bioética, inserindo-se em um mundo ainda pouco claro ao público leigo. Já na segunda parte, a segurança em laboratórios é abordada em suas mais variadas maneiras, possibilitando um quadro panorâmico do estado da arte na área de biossegurança.
Diante de tantos embates acalorados sobre a temática da biotecnologia, o lançamento do livro ocorre em momento oportuno. No mundo inteiro, a sociedade vem sendo chamada a opinar e a participar das decisões políticas acerca dos transgênicos e das infinitas possibilidades das modernas biotecnologias. O desafio de construir leis que possibilitem o desenvolvimento científico e tecnológico voltado às reais necessidades de nossa população ao mesmo tempo em que os princípios da bioética e da biossegurança sejam respeitados está cada vez mais em destaque.
O livro Bioética e biorrisco deverá virar referência obrigatória não só aos gestores de instituições públicas e privadas de biotecnologia como também para legisladores, pesquisadores e o público interessado sobre o tema.
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 150 - 14 de março de
2003
Car@s Amig@s,
Os abaixo assinados, representantes de organizações da sociedade civil no
CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), vêm manifestar sua
preocupação com notícias veiculadas por várias fontes indicando que o
Governo Brasileiro está submetido a fortíssimas pressões internas e
externas visando a liberação da comercialização no mercado interno da
safra de soja contaminada por transgênicos do Rio Grande do Sul.
O Governo Brasileiro manifestou-se na quinta-feira passada através de seu
porta-voz, André Singer, apontando corretamente a responsabilidade do
governo anterior pela contaminação da safra e afirmando tanto a
disposição de garantir o cumprimento das medidas judiciais que impedem o
cultivo e comercialização da safra contaminada como o propósito de
impedir a ruína dos agricultores gaúchos envolvidos no cultivo
clandestino. O porta-voz também anunciou que a Advocacia Geral da União
buscaria uma solução legal para escoar a safra contaminada sem violar a
proibição do cultivo e comercialização no mercado interno.
Nos últimos dias, entretanto, veio crescendo um verdadeiro rolo
compressor de entidades pró transgênicos lideradas pela FARSUL (Federação
da Agricultura do RS) que utilizam como massa de manobra os milhares de
agricultores familiares daquele estado que caíram na promessa da
“liberação iminente” da soja transgênica e plantaram sementes
contaminadas. Estas entidades afirmam, incorretamente, que toda cultura
de soja do país está contaminada e que, portanto, nada mais resta ao
governo senão aceitar a situação de fato e legalizar a comercialização no
mercado interno.
A responsabilidade pela contaminação e pelos riscos ambientais implicados
no cultivo de soja transgênica ilegal são do governo anterior, da
propaganda maciça da Monsanto e da aberta promoção do uso deste produto
pela FARSUL. Ao novo governo cabe premido pelas circunstâncias antes
criadas zelar pela saúde dos consumidores brasileiros, não
transigindo com a possibilidade de deliberação desta safra para o consumo
interno.
Não acreditamos que o Governo Lula venha ceder a estas pressões até
porque o Governo sabe que esta liberação da soja transgênica para o
mercado interno seria ilegal e contestada na Justiça pela sociedade civil
organizada. Nem o governo FHC tentou tal violação da lei, apesar de todo
o seu empenho a favor dos transgênicos.
A sociedade civil organizada defende que não se aprofunde a violação da
lei e que se tomem medidas para escoar a safra contaminada para o mercado
externo, nos países em que ainda existem brechas para receber este
produto. Aos que dizem que não há como fazer isto, asseguramos que só
depende de uma firme intervenção do governo no sentido de facilitar a
exportação e articular os diferentes atores econômicos que serão afetados
pelo redirecionamento de metade da safra gaúcha.
Nos próximos dias 19 e 20 cerca de 100 representantes de organizações de
agricultores familiares, organizações ambientalistas e entidades de
defesa dos consumidores estarão reunidos em Brasília para formular
propostas para o governo visando enfrentar esta crise herdada do governo
anterior sem concessões ainda maiores à ilegalidade. Os Ministros que
participam da comissão Inter-Ministerial que trata da questão dos
transgênicos estão convidados a assistir ao encerramento do evento para
escutar a voz deste amplo setor da sociedade.
Os abaixo assinados estão seguros de estar defendendo os interesses de
todos os agricultores, inclusive dos grandes e pequenos produtores do Rio
Grande do Sul, dos consumidores, da proteção ao meio ambiente e da
economia nacional, ameaçada de perder grandes vantagens no mercado
externo pela irresponsabilidade do governo anterior.
Assinado:
- Silvio Caccia Bava - POLIS/ABONG (Instituto de
Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais/Associação Brasileira
de ONGs)
- Daniel de Souza - AÇÃO DA CIDADANIA
- Naidison de Quintella Baptista - ASA/MOC
(Articulação do Semi-Árido/Movimento de Organização Comunitária)
- Jean Marc von der Weid - AS-PTA/ANA (Assessoria e
Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa/Articulação Nacional de
Agroecologia)
- Pe. Matias Martinho Lenz - Mutirão Nacional para a
Superação da Miséria e da Fome da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil)
- Alberto Ercílio Broch - CONTAG (Confederação
Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura)
- Adalberto Martins - CPT/MST (Comissão Pastoral da
Terra/Movimento dos Sem-Terra)
- Altemir Tortelli - FETRAF Sul (Federação dos
Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul)
- D. Mauro Morelli - FBSAN (Fórum Brasileiro de
Segurança Alimentar e Nutricional)
- Francisco Menezes - IBASE/FBSAN (Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas/ Fórum Brasileiro de
Segurança Alimentar e Nutricional)
- Marilena Lazzarini - IDEC (Instituto Brasileiro de
Defesa do Consumidor)
- Renato Maluf - UFRRJ/FBSAN (Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro/ Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e
Nutricional)
As entidades acima são participantes do CONSEA.
Assina ainda este comunicado o Greenpeace Brasil, co-autor junto com o
IDEC da ação na justiça que impede a liberação dos transgênicos.
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Neste número:
1. Panorama
2. PT propõe a reconversão das lavouras gaúchas
3. Agricultores do MST no RS têm lavouras com soja transgênica
4. Paraná poderá barrar a soja gaúcha transgênica
5. Canola transgênica contamina carregamento de mostarda
6. Via Campesina bloqueia escritório da Monsanto em Porto Alegre
7. EUA buscam aliados para liberar transgênicos na UE Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura Produtores do Ceará lançam café
ecológico Eventos: Vigília: Por um Brasil Livre de
Transgênicos - em defesa da vida e da soberania alimentar - Uberlândia -
MG
VI Seminário sobre Homeopatia na Produção Orgânica
Curso de Elaboração de Preparados Biodinâmicos
XVIII Encontro Latino Americano de Agricultura Biodinâmica
Feira Rio Zen debaterá orgânicos e transgênicos
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1. Panorama
O governo federal discutiu o destino da safra de soja
transgênica do RS. Ficou decidida a manutenção da proibição de plantio,
com a intenção de aumentar o rigor na fiscalização e na punição de
produtores infratores. A reunião contou com a presença do presidente Lula
e membros de cinco ministérios e duas secretarias e da Advocacia Geral da
União. Por enquanto o governo buscará uma saída jurídica que permita a
venda da soja transgênica gaúcha. Para o governo atual, a administração
anterior, ao não fiscalizar, causou um problema de ordem econômica e
social. Havendo a aprovação da venda da safra transgênica, o Brasil
poderá ter receita de exportações em torno de US$ 1bilhão, segundo
cálculos não-oficiais do Ministério da Agricultura. Estima-se que cerca
de 70% da safra gaúcha seja transgênica. Mas a decisão da proibição se
mantém, com a intenção de promover um ajuste de conduta por parte dos
agricultores, aumentando o rigor na observância da lei. O Estado de São Paulo, 12/03/2003.
2. PT propõe a reconversão das lavouras
gaúchas A bancada do PT na Assembléia Legislativa gaúcha apresentou
ontem o Plano de Reconversão da Sojicultura Gaúcha, com medidas para
promover o desenvolvimento da soja e a substituição das lavouras
transgênicas por tradicionais. O plano envolve ações emergenciais e
estruturais, atendendo a quatro objetivos: promover o comércio em bases
sustentáveis; regularizar o cultivo, a armazenagem e a industrialização;
estimular a pesquisa, o ensino e a assistência técnica; e garantir os
direitos dos consumidores. Das 91 medidas previstas, sete visam garantir
a comercialização da safra deste ano.
Antes de enviar o material à comissão interministerial que trata da
questão dos transgênicos, a bancada petista vai apresentar a proposta a
entidades representativas dos agricultores, consumidores, indústria
processadora de soja, comércio de alimentos e exportadores. “Queremos
construir um grande acordo com a sociedade gaúcha para evitar o prejuízo
nesta e em futuras safras”, diz o líder do governo na Assembléia, Adão
Villaverde.
De acordo com o Deputado, o programa foi elaborado principalmente com o
objetivo de atingir as próximas safras. “Esse é um plano para o futuro,
até porque o governo federal já encaminhou uma solução jurídica para o
impasse presente”, disse Villaverde, referindo-se à decisão da União de
reconhecer o plantio ilegal de soja transgênica. Gazeta Mercantil, 12/03/2003.
3. Agricultores do MST no RS têm lavouras
com soja transgênica O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) admitiu
ontem o fato de que há agricultores a ele ligados que plantam
transgênicos e decidiu abrir investigação para determinar a extensão do
fenômeno.
“Na crise, tudo leva as pessoas a serem iludidas. Essas pessoas que estão
plantando transgênicos são assentadas, e não temos controle sobre elas.
São uma minoria e não participam mais das nossas reuniões”, afirmou
ontem, para a Agência Folha, o coordenador do MST gaúcho, Paulo da
Rosa.
A utilização de transgênicos por assentados do MST foi mostrada em
entrevistas divulgadas pela Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. O MST, porém,
confirma que há casos, mesmo que ‘minoritários’, nessa situação. “Acho
que tem muita gente plantando sem nem saber direito do que se trata”,
disse Rosa.
Questionado a respeito de possíveis punições aos plantadores de
transgênicos, Rosa afirmou que “o MST não é contra as pessoas que
plantam, mas, sim, contra o sistema que as leva (a tomar tal atitude).
Trataremos de mostrar-lhes que não vale a pena entrar nessa”, disse.
O MST é contra o plantio de sementes geneticamente modificadas e afirma
que, além das conseqüências desconhecidas para a saúde, o comércio desses
produtos fica suscetível ao domínio das multinacionais que monopolizam a
comercialização das sementes, o que seria ruim para o pequeno
agricultor.
Outra alegação para a não-utilização de transgênicos é a de que o
comércio europeu se fecharia para a produção gaúcha. Isso porque esse
mercado tem interesse em alimentos orgânicos.
Esse argumento tem sido utilizado pela direção do MST para mostrar aos
integrantes do movimento que não há vantagens em plantar transgênicos.
“Quem planta depois vê que não vale a pena. O comércio europeu se abre
para nós justamente porque temos sementes orgânicas”, afirmou o deputado
estadual Frei Sérgio Görgen (PT). Folha de São Paulo, 13/03/2003.
4. Paraná poderá barrar a soja gaúcha
transgênica O Paraná pode ser o primeiro estado a criar problemas para o
governo em relação aos transgênicos. A secretaria de agricultura informou
que pode fechar as portas aos organismos geneticamente modificados
(OGMs), o que significaria proibir o escoamento de soja transgênica pelo
porto de Paranaguá.
Segundo a secretaria, caso o governo federal decida liberar a
comercialização da soja transgênica no mercado interno, o estado
preservará a integração da lavoura paranaense, exigindo um certificado
negativo para transgênicos. O governo paranaense tem interesse em manter
os mercados de soja convencional, que pagariam um percentual a mais por
um produto não transgênico.
Para solucionar a questão e não liberar o comércio, os paranaenses
sugerem duas opções. A primeira seria o governo federal comprar a soja
gaúcha transgênica, ou então, fazer valer a Lei Delegada 4, que permite o
confisco e retenção da produção, dentro das propriedades.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse domingo que o governo
fará de tudo para que a soja transgênica, que é ilegal, seja vendida, de
preferência ao exterior. Estimativas extra-oficiais apontam que 30% da
produção nacional, de 49 milhões de toneladas, e 70% da gaúcha, que é de
8,6 milhões de toneladas, seria transgênica. A Advocacia Geral da União
deve anunciar as normas para a venda do grão.
Segundo o Ministro, se a Justiça mantiver a decisão de proibição da venda
e plantio de transgênicos, o Congresso poderia modificar a lei.
"Espero que pelo Congresso Nacional haja horizonte mais
progressista”. O governo, diz, poderá fornecer certificado semelhante ao
dado à China, que diz que a soja brasileira é convencional, com
possibilidade de contaminação pela Rondup Ready. Gazeta Mercantil, 11/03/2003.
5. Canola transgênica contamina carregamento
de mostarda Traços de material transgênico foram encontrados em um
carregamento canadense de mostarda não-transgênica exportada para a
Europa em novembro e dezembro, declarou o chefe da Associação Canadense
de Mostarda.
“Os compradores da comunidade européia sabem que o Canadá não produz
variedades transgênicas de mostarda, entretanto, quando fizeram um teste,
foram encontrados traços de transgênicos na mostarda”, disse Walter Dyck,
que trabalha na Demeter Agro, a divisão de mostarda da Agricore
United.
Ele disse que inicialmente os compradores europeus ficaram preocupados,
mas testes posteriores revelaram que o material transgênico era de canola
que estava misturada à mostarda.
É permitido até 1% de mistura de canola com mostarda para exportação,
disse Dyck, mas este valor fica normalmente em 0,1%.
“O Canadá agora tem que reassegurar para seus consumidores europeus que
tomará as providências para reduzir as quantidades de canola mistura à
mostarda, afinal de contas, somos líderes mundiais em qualidade”, disse
Dyck.
Há muitos lugares onde a canola pode ter se misturado com a mostarda:
como planta espontânea no campo, no transporte por caminhão ou trem, em
silos e armazéns, ou no terminal de exportação.
A Associação de Mostarda planeja publicar boletins na época de plantio e
de colheita para lembrar aos produtores que sejam rigorosos em manter os
campos de cultivo separados. (...) The Western Producer, 07/03/2003. N.E.: A canola e a mostarda (usada para a fabricação da mostarda
em grão tipo Dijon) são plantas quase idênticas.
O Canadá é um grande produtor de mostarda em grãos e grande parte da
mostarda processada na França, inclusive em Dijon, é importada do
Canadá.
6. Via Campesina bloqueia escritório da
Monsanto em Porto Alegre As trabalhadoras ruraisque participam do III Acampamento
Estadual de Mulheres da Via Campesina, em Porto Alegre, bloquearam o
Escritório Regional da empresa Monsanto. As agricultoras protestaram
contra a contaminação da produçãogaúcha por sementes transgênicas
contrabandeadas e contra a liberação do cultivo e comercialização destas
plantasno Brasil.
Além da investigação para descobrir quem são os responsáveis pela
introdução das sementes transgênicas no Brasil, as agricultoras exigem a
prisão daqueles que, publicamente, incentivaram o plantio ilegal
transgênicos, como a FARSUL, federação que congrega os latifundiários
gaúchos.
Após a manifestação,as trabalhadoras rurais dirigiram-se ao centro de
Porto Alegre, onde realizaram um ato contra a Guerra de Bush ao
Iraque.
O Acampamento de Mulheres da Via Campesina, que reúne trabalhadoras
organizadas pelo Movimento Sem Terra (MST), Movimento de Atingidos por
Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Pastoral da
Juventude Rural (PJR) permaneceu mobilizado até 8 de março, dia
internacional da mulher. Novedades de Biodiversidad en América Latina Nº 67 http://www.biodiversidadla.org
7. EUA buscam aliados para liberar
transgênicos na UE Os Estados Unidos estão em busca de aliados para denunciar e
contestar, na Organização Mundial do Comércio (OMC), a decisão da União
Européia (UE) de restringir drasticamente a entrada de produtos
geneticamente modificados (transgênicos).
Pressionado pela indústria agrícola americana, que alega perdas de pelo
menos US$ 275 milhões por causa das barreiras, o Governo Bush quer abrir
mais uma frente de batalha contra a UE na OMC, informou ontem o jornal
econômico espanhol Cinco Dias.
França, Dinamarca, Bélgica, Itália, Alemanha, Suécia, Luxemburgo e
Grécia, por exemplo, evitam a importação de alimentos geneticamente
modificados. Apesar disso, a Comissão Européia, órgão executivo da UE,
acredita que Washington não tem motivos para iniciar uma nova guerra
comercial, já que a União Européia regulamentou a entrada de produtos
transgênicos em dezembro do ano passado e ainda está estudando normas
para sementes e alimentos para animais. (...) “O aumento das alíquotas de
importação de aço imposto pelo governo americano, a nova lei agrícola dos
EUA que aumentou em 67% os subsídios internos, as leis antidumping e as
vantagens fiscais concedidas a empresas americanas que operam no exterior
são conflitos mais do que suficientes entre os EUA e Europa para se
pensar em outros”, opina a Comissão Européia. Jornal do Comércio, 11/03/2003.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura Produtores do Ceará lançam café
ecológico
Com uma sessão de degustação para o público, o Café Ecológico
"Pico Alto", certificado pela Fundação CEPEMA, foi lançado no
dia 12 de março em Fortaleza. O café é produzido pela Cooperativa Mista
dos Cafeicultores Ecológicos do Maciço de Maturité - Comcafé, na Área de
Proteção Ambiental do Maciço de Baturité, em região de Mata Atlântica,
através de sistemas agroflorestais.
O café chegou ao Ceará em 1747 pela Serra da Meruoca, sendo cultivado na
Serra de Baturité desde 1824. O café ecológico certificado do Maciço de
Baturité já foi exportado para a Suécia em duas ocasiões, sob a forma de
grãos. Industrializado no Ceará, o café ecológico agregará preço ao
produto, trazendo benefícios ecológicos, econômicos e sociais, segundo
afirmou o presidente da Comcafé, Fernando Barros. Boletim Informativo da Rede de ONG´s da Mata Atlântica
Eventos: Vigília: Por um Brasil Livre de
Transgênicos
Em defesa da vida e da soberania alimentar Uberlândia - MG No município de Uberlândia movimentos de luta pela terra,
pastorais e entidades sindicais, em ato conjunto, em frente ao complexo
de pesquisa da Monsanto, deram início, no dia 10 de março de 2003, a uma
VIGÍLIA de 5 semanas, em defesa da vida e da soberania alimentar.
A vigília tem o tema Por um Brasil Livre de Transgênicos. Nesse
ato, com a presença de 800 pessoas, uma barraca de lona foi montada e
foram hasteadas as bandeiras do Brasil, de Minas e dos movimentos.
Simbolicamente, grupos dos movimentos de agricultores sem terra se
revezarão na barraca montada em frente a Monsanto, com o apoio de
pastorais da Igreja Católica e de entidades sindicais. Cada semana
contará com um tema:
1a. Semana 10 - 17 de março / MTL /
Sementes Patrimônio da Humanidade
2a. Semana 17 - 24 de março / CLST / Pela
Soberania Alimentar
3a. Semana 24 - 31 de março / MLT /
Transgênicos: Não Engula Essa
4a. Semana 31março - 07 de abril / MST /
Por um Brasil Sem Fome
5a. Semana 07 - 14 de abril / MLST /
Monsanto Fora do Nosso Prato
Entidades participantes: APR-Animação Pastoral e Social no Meio
Rural, CLST-Caminho de Libertação de Sem Terra, CPT/MG-Comissão Pastoral
da Terra, MLT-Movimento de Luta pela Terra, MLST-Movimento de Libertação
do Sem Terra, MST-Movimento dos Sem Terra, MTL-Movimento Terra Trabalho e
Liberdade, STIAU-Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação
de Uberlândia, Sindicato dos Comerciários, SindUTE-Sindicato dos
Trabalhadores do Ensino.
Maiores informações: Tel. 3214-2493
VI Seminário sobre Homeopatia na Produção
Orgânica Organização: Grupo de Agricultura Orgânica Amaranthus -
ESALQ/USP. Maiores informações:organico@...ou http://www.agroecologia.com.br/amaranthus
Curso de Elaboração de Preparados Biodinâmicos De 27 a 30 de Março, maiores informações: Tel: (51) 501-8792 ou volkmannjb@...
XVIII Encontro Latino Americano de Agricultura Biodinâmica De 24 a 27 de Abril, maiores informações: Tel: (51) 501-8792 ou volkmannjb@...
Feira Rio Zen debaterá orgânicos e transgênicos De 4 a 6 de abril no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Maiores informações: (21) 3970-6687
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID BRASIL, ESPLAR, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail: campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.
"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Boletim extra - 12 de março
de 2002
Car@s Amig@s,
Existe a possibilidade de o Governo Federal resolver o impasse da soja
transgênica produzida ilegalmente no Rio Grande do Sul autorizando que
parte dela seja consumida no País. Isso significa que nós, consumidores,
poderemos “pagar o pato” e acabar comendo a soja transgênica, em
desrespeito à legislação e à ordem judicial.
É muito importante que a sociedade se manifeste para tentar impedir que
isso aconteça. Segue abaixo uma carta a ser enviada ao Presidente Lula e
aos Ministros (e-mails abaixo) que estão decidindo sobre esse assunto. É
preciso que o maior número de pessoas se manifeste e
rapidamente.
“Senhor Presidente, Eu não quero ser cobaia da soja transgênica plantada ilegalmente no
País. Não acho justo que a sociedade seja obrigada a consumir alimentos
contendo a soja transgênica. Essa soja não pode ser comercializada no
país, sob nenhuma hipótese, seja para consumo humano ou animal.
É necessário o desenvolvimento de pesquisas sobre os impactos à saúde
e ao meio ambiente e um amplo debate com os diversos segmentos da
sociedade - o que até agora não foi feito.
Espero que o Governo Lula demonstre que é diferente do governo anterior,
Governo Fernando Henrique Cardoso, não admitindo que os consumidores
sejam obrigados a comer soja transgênica e ilegal. (Nome e RG)”
A partir de amanhã (12/03), esta carta estará disponível
no site do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) -
www.idec.org.br,
de onde poderá ser enviada diretamente ao presidente e aos ministros.
Mais uma vez contamos com o apoio de todos vocês, para impedir que os
direitos da população brasileira sejam desrespeitados.
E-mails para o envio da carta:
Comissão Interministerial de Alimentos Transgênicos
Presidente: Luís Inácio Lula da Silva
e-mail: protocolo@...
Ministro Chefe da Casa Civil: José Dirceu
e-mail: josedirceu@...
Ministra do Meio Ambiente: Marina Silva
e-mail: marina.silva@...
Ministro do Desenvolvimento: Luiz Fernando Furlan
e-mail: gabmin@...
Ministro da Agricultura: Roberto Rodrigues
e-mail: gm@...
Ministro da Saúde: Humberto Costa
e-mail: gabmin@...
Ministro da Ciência e Tecnologia: Roberto Amaral
Secretário Executivo: Wanderley de Souza
e-mail: wsouza@...
Ministro do Desenvolvimento Agrário: Miguel Rossetto
e-mail: luciene.mendes@...(o e-mail oficial do ministro será criado amanhã). Tel: (61)223-8076
Ministro da Justiça: Márcio Thomaz Bastos
e-mail: gabinetemj@...
Advogado Geral da União: Álvaro Ribeiro Costa
e-mail: secretaria-gab.agu@...
A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA, ACTIONAID
BRASIL, ESPLAR, INESC, GREENPEACE, CE-IPÊ, e FASE.
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notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim"
ANBioGente...
Para antagonizar os transgênicos...
Lembrar-se das ALERGIAS que são dose independente
Abraços
Luiz Meira
http://luizmeira.cjb.net//transgen.htm
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 161 - 30 de maio de 2003
Car@s Amig@s,
Já se passaram duas semanas desde a votação da MP 113 pelo plenário da
Câmara dos Deputados, quando o governo federal se comprometeu a enviar ao
Congresso Nacional, no prazo de 30 dias, um projeto de lei regulamentando
definitivamente a questão dos transgênicos no País (a MP foi votada pelo
plenário do Senado na quinta-feira da semana passada, 22/05, sem nenhuma
alteração, e já seguiu para sanção presidencial).
Até agora, não se viu na imprensa nenhum sinal sobre como este projeto está
sendo elaborado, nem se ele está sendo elaborado. Não há nenhuma indicação
sobre como se dará este processo de elaboração e se a sociedade civil terá,
desta vez, a oportunidade de ser ouvida e contribuir.
Preocupadas com este cenário, as entidades da Campanha Por um Brasil Livre
de Transgênicos foram investigar como o governo está procedendo sobre este
assunto.
Esta semana, representantes de diversas entidades estiveram em Brasília,
onde puderam conversar com o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel
Rosseto, com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e com dois
representantes da Casa Civil, assessores do Ministro José Dirceu, Johaness
Eck e Érico Feltrin.
Os representantes da Casa Civil não confirmaram que o PL que o governo
elaborará tomará como base o PL do Dep. Confúcio Moura (aprovado em
Comissão Especial da Câmara em março de 2002 e que visa a liberar os
transgênicos no país dispensando a realização de estudos de impacto),
conforme declararam vários parlamentares no dia da votação da MP 113 na Câmara.
Segundo a Casa Civil, “O Brasil já possui uma legislação sobre o tema, e
esta legislação é muito avançada. Há, no entanto, algumas arestas a serem
aparadas, algumas questões que precisam ser esclarecidas. A nova legislação
não diferirá muito da atual, apenas a aprimorará em alguns pontos”.
O único ponto citado pelo Sr. Johanes como exemplo do que precisa ser
esclarecido foi a competência da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia). Segundo ele (e
conforme diz a lei atualmente) a CTNBio deve ser um órgão consultivo, que
preserva a competência dos demais órgãos do governo de estabelecer
exigências e procedimentos adicionais específicos às suas respectivas áreas.
Os assessores não disseram que outros pontos da legislação precisam ser
esclarecidos e, quando cobrados pela abertura do debate em torno da
elaboração do PL, afirmaram que o debate com a sociedade se dará no âmbito
do Congresso Nacional, após o envio do PL pelo Poder Executivo.
Ora, sabemos que, seja qual for o conteúdo do PL que o governo encaminhará,
ele terá um peso fortíssimo ao tramitar no Congresso. O que estamos
cobrando é a participação na discussão durante a elaboração do texto ainda
no governo. E, ao que parece, novamente o governo não está disposto a abrir
este espaço.
Propusemos que o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) fosse o
espaço apropriado para organizar o debate entre o governo e a sociedade na
construção deste projeto, num processo que deveria levar alguns meses, de
modo a permitir o real aprofundamento sobre o tema e a participação de
todos os segmentos da sociedade, a favor e contra a liberação dos
transgênicos no País. O governo não pareceu se interessar pela proposta.
O Ministro Miguel Rosseto nos disse que conversaria em breve com o Ministro
José Dirceu e que defenderia a derrubada do regime de Urgência
Constitucional do PL. Comprometeu-se também em propor a abertura do
processo de elaboração do projeto.
A Ministra Marina Silva confirmou as informações dadas pela Casa Civil, de
que a “elaboração do novo PL” se restringiria a fazer pequenas correções e
aprimoramentos sobre a legislação atual, com grande ênfase no
esclarecimento do papel da CTNBio, e afirmou que seu ministério já está
estudando a legislação atual sobre a matéria e elaborando suas
contribuições ao projeto. Para ampliar a participação em torno deste tema,
a ministra também está propondo ao governo a reconstituição da comissão
interministerial criada pelo Presidente Lula em fevereiro de 2003 para
decidir o destino da safra de soja transgênica deste ano e dissolvida após
a publicação da MP 113 e do Decreto da rotulagem (em abril). Desta comissão
participavam nove ministérios, mais a AGU (Advocacia Geral da União).
As entidades da Campanha, por sua vez, estão organizando uma série de
manifestações e atividades públicas com o objetivo de mostrar ao governo
que a sociedade brasileira está alerta e não aceitará o descumprimento dos
compromissos assumidos pelo governo Lula sobre o tema. Como vimos dizendo,
é hora de concentrarmos todas as nossas energias para pressionar o governo
a cumprir o que prometeu e conduzir este processo com seriedade e
responsabilidade. É hora de fazer barulho.
****************************************
Durante esta semana em Brasília, as entidades a Campanha também tiveram a
oportunidade de conversar com a Secretária Executiva da CTNBio, Dra. Eliane
Moreira, e questionaram as declarações do Presidente do órgão, Dr. Erney
Camargo, a respeito do caráter vinculante das decisões da Comissão (ver
Boletim 160).
Conforme relatamos no Boletim 160, segundo manda a lei, a CTNBio é apenas a
primeira porta de entrada para a liberação de produtos transgênicos no
Brasil e seu parecer só vincula os outros órgãos da administração pública
federal quando é negativo. Ou seja, se a CTNBio avalia que determinado
produto não é seguro, a questão se encerra ali. Mas nos casos em que a
Comissão declara a segurança do produto, ficam preservadas as competências
dos outros órgãos para realizar outras avaliações de riscos, solicitar
novos estudos ou mesmo questionar o parecer da CTNBio.
A Dra. Eliane afirmou que o entendimento do Dr. Erney Camargo, assim como o
entendimento do Ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, é
exatamente este. Disse que a imprensa está tentando criar a idéia de que há
divergências na interpretação da lei, mas que esta divergência não existe.
Cá entre nós, a lei é clara e este argumento de que a CTNBio é a palavra
final do governo para a liberação dos transgênicos não se sustenta.
Tanto melhor que a CTNBio comece a admiti-lo. Mas, que o Dr. Erney se
pronunciou em sentido contrário, se pronunciou. Esperamos que o próprio Dr.
Erney se esforce em esclarecer o “mal entendido”.
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Neste Número:
1. A vigorosa produtividade da soja tradicional
2. MP 113 não é cumprida -- mercado ignora leis sobre transgênicos
3. China prorroga regra para compra de soja
4. Egito abandona briga contra a Europa na OMC
5. Promotoria do Paraná pede vistoria na Monsanto
6. Canadá pede à Monsanto que retire pedido de liberação de trigo transgênico
7. Unilever, Monsanto e outras multinacionais envolvidas em trabalho
infantil em larga escala na produção de sementes de algodão na Índia
8. Primeiro agricultor sentenciado à prisão nos EUA
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Projeto de Segurança Alimentar em Chivi, Zimbábue
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1. A vigorosa produtividade da soja tradicional
Região não planta sementes transgênicas e obtêm 2.960 quilos por hectare.
EUA colhem apenas 2.372 quilos
Sem a ajuda das sementes alteradas geneticamente em laboratório para
incorporar genes resistentes a herbicidas, a produtividade da soja na
região Centro-Oeste, nesta safra, deve superar em 24,7% o rendimento obtido
pelos agricultores norte-americanos e será quase 7% maior do que os
resultados obtidos por hectare colhido na Argentina. A análise, baseada em
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da
empresa de consultoria agrícola SoloBrazil, é do chefe da assessoria
técnica da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Pedro Arantes.
"É preciso derrubar alguns mitos que cercam o debate sobre a introdução da
soja transgênica no país. A semente alterada geneticamente oferece ao
produtor uma simples facilidade operacional, sem vantagens financeiras",
declarou Arantes, em entrevista ao Gazeta do Brasil.
O economista, que é produtor de soja nos campos férteis do sudoeste goiano,
aponta como uma das questões centrais nesse debate a discussão sobre o
papel futuro que o país poderá desempenhar no mercado internacional da
commoditie. "O que os Estados Unidos e a Argentina pretendem é empurrar o
Brasil para a ‘vala’ comum do mercado. Por que vamos meter a mão em cumbuca
e embarcar nesta opção, dos transgênicos, se temos a oportunidade de
oferecer um produto diferenciado aos maiores consumidores mundiais",
questiona Arantes.
Dados de empresas de consultoria internacionais estimam que a soja
brasileira deverá responder, no ano safra 2003/2004, por 36,5% das vendas
mundiais do grão, aproximando-se dos Estados Unidos, que deverão assistir
sua fatia no bolo murchar de 52% no ano passado para 40,5%. "Hoje, na ponta
do mercado, há uma certa vantagem para o grão não transgênico", prossegue
Arantes.
O economista e diretores da Faeg percorreram em duas ocasiões, nos últimos
dois anos, as principais áreas de plantio de soja nos Estados Unidos,
inclusive Illinois, lowa e outros Estados. Ouviram mais de três dezenas de
produtores. “A variedade transgênica da Monsanto, continua Arantes, permite
que as aplicações de herbicida possam ser feitas depois de um certo nível
de desenvolvimento da planta. Isto possibilita ao produtor manter limpa a
área de plantio", o que significa que a semente alterada facilita o manejo.
Nas condições de clima e solo dos cerrados, onde as taxas de umidade são
mais baixas do que nos Estados Unidos e na região Sul do Brasil, Arantes
afirma que as plantas invasoras registram desenvolvimento mais lento. "Isso
permite que a soja, em lavouras tradicionais bem manejadas, cubra o solo
antes do crescimento das invasoras (pragas e ervas daninhas)", aponta.
Nestes casos, "não há a necessidade de aplicar herbicidas depois que a soja
estiver desenvolvida. Os produtores da região sudoeste de Goiás já colhem a
soja com área limpa".
Além disso, afIrma ele, há o inconveniente dos custos mais salgados da
semente transgênica. Nos EUA, ela chega a custar 56% a mais que a não
transgênica. Na média, Arantes acredita que essa diferença no Brasil
poderia estar ao redor de 30%, mas já há cálculos no mercado que estimam
custos até duas vezes maiores para as sementes transgênicas. (...)
Mas Arantes acha que o País deve mesmo regulamentar o plantio da soja
transgênica, com a defInição de normas e mecanismos de controle rigorosos.
A sugestão de Arantes exigiria a adoção de uma espécie de segregação para a
soja transgênica, com a definição de áreas específicas e isoladas de
cultivo, além de maquinário, caminhões, armazéns e terminais portuários
exclusivos, "para não contaminar as áreas tradicionais".
Gazeta Mercantil, 28/05/03.
N.E.: A experiência dos outros países mostra que a segregação dos cultivos
transgênicos dos não transgênicos, na prática, não funciona. Ficou notório
o caso do milho Bt StarLink, liberado nos EUA apenas para consumo animal e
que em 2000 contaminou toda a cadeia produtiva do país, tendo sido
encontrado em mais de 300 produtos alimentícios no mercado americano e
causando um prejuízo de milhões de dólares. No Brasil, já tivemos a
informação de que a Cooperativa COAMO, a maior da América Latina, teve no
final de 2002 um carregamento de soja certificada como não transgênica
devolvido por importadores europeus devido à contaminação por transgênicos.
A cooperativa não confirma a informação, mas diversas fontes do setor
produtivo do Paraná relatam o caso.
2. MP 113 não é cumprida -- mercado ignora leis sobre transgênicos
Passados dois meses da edição da MP113, que liberou a comercialização da
soja brasileira transgênica desta safra 2002/03, e um mês da publicação do
decreto 4.680, que regulamentou a rotulagem de organismos geneticamente
modificados no país, quase nada foi feito para que as regras sejam
respeitadas e os setores público e privado ainda falam em adaptação.
Com a colheita da safra encerrada e mais da metade dela já comercializada,
os agricultores não certificaram a soja, as cooperativas não segregaram o
grão, as esmagadoras não rotularam os produtos e o governo ainda estuda
como fiscalizar as medidas. Há muitas desculpas para justificar o
não-cumprimento das leis. Uma delas é a indefinição sobre o futuro dos
transgênicos no Brasil, que demandará nova legislação.
Editada em 27 de março, a MP 113 liberou a comercialização da soja
transgênica da safra 2002/03 desde que rotulada. Com o decreto de 24 de
abril, tornou-se obrigatório rotular produtos com mais de 1% de transgenia,
exceto a própria soja. lnicialmente, todos os derivados do grão teriam de
ser rotulados, independentemente do percentual. Criticada por
especialistas, a MP foi alterada no Congresso e, agora, também para esses
casos passou a valer o limite de 1%.
A mudança, apesar de amenizar o controle, preserva a segregação da soja.
Mas, sem estrutura para identificar e separar cargas convencionais das
transgênicas, mesmo as cooperativas do Rio Grande do Sul -- onde estima-se
que 70% da produção é modificada --, armazenaram a colheita (8,8 milhões de
toneladas) sem distinção.
"É tudo soja", minimiza Dionísio Cargmelutti, gerente operacional da
Agropan, de Tupanciretã. Ele acredita que mais de 90% dos 111 mil hectares
de soja plantados por seus cooperados abrigaram transgênicos. A Cotrisal,
de Sarandi, informou que tentou segregar as 300 mil toneladas que recebeu,
mas desistiu. Conforme seu gerente-geral, Célio Gabriel, em primeiro lugar
porque o volume de soja não-transgênica era pequeno; em segundo, porque não
houve tempo para adequar o recebimento nos 20 municípios em que opera.
Segundo Rui Polidoro, presidente da Federação das Cooperativas
Agropecuárias do Estado (FecoAgro), as associadas não segregaram porque
quando a MP foi editada quando a colheita já estava adiantada. "E os
compradores não fizeram grandes exigências".
Para Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira da Indústria de
Óleos Vegetais (Abiove), a fase é de transição. Ele reconhece, porém, que
as esmagadoras não estão rotulando produtos como farelo e proteína; no óleo
de soja, não é possível detectar transgenia. "Há uma gentileza dos órgãos
reguladores, que compreendem que a iniciativa privada precisa de um tempo
para se adaptar", afirma. Conforme o tipo de produto, a fiscalização da
rotulagem cabe ao Ministério da Agricultura ou à Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério da Saúde. Segundo
Marcus Vinícius Coelho, assessor do Departamento de Defesa e Inspeção
Vegetal do Ministério da Agricultura, estão sendo levantados os produtos
que serão fiscalizados e não há prazo para o início do controle.
De acordo com Ricardo Oliva, diretor de Alimentos e Toxocologia da Anvisa,
o cumprimento da lei deve acontecer por meio da rastreabilidade da cadeia.
“A Anvisa fará testes. Mas esse não pode ser o mecanismo de controle".
Oliva defende, também, que a questão dos transgênicos não é sanitária, mas
de informação ao consumidor.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia),
Edmundo KIotz, garante que as empresas do setor estão cumprindo as regras,
já que seus produtos têm menos de 1% de transgenia. “As companhias fizeram
em algum momento essa análise". Caso fosse necessária uma revisão, diz
KIotz, os laboratórios credenciados pelo governo para os testes seriam
insuficientes.
O Ministério da Agricultura credenciou cinco laboratórios para detecção de
transgenia na soja. Nos três consultados pelo Valor (Embrapa Trigo,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Unilab), contudo, a demanda é
pequena. “A maior parte é por certificação de sementes", diz Ana Christina
Zanatta, da Embrapa Trigo. Em razão de uma nova legislação no Paraná, os
gaúchos precisam de um selo "livre de transgênicos" para vender ou
transitar com sementes pelo território paranaense.
Valor Econômico, 29/05/03.
3. China prorroga regra para compra de soja
A China decidiu prorrogar as regras interinas que adotou para a importação
de organismos geneticamente modificados, confirmou na quinta-feira o
Ministério da Agricultura do país. O prazo de vigência das normas, que
expiraria em 30 de setembro, foi postergado para 20 de abril de 2004. Uma
fonte do ministério alegou “razões técnicas” para justificar a decisão.
Publicadas pela primeira vez no fim de 2001, as novas leis chinesas para
importação de transgênicos foram motivo de preocupação para os exportadores
brasileiros de soja. O Brasil não permite o cultivo de transgênicos, mas
tem parte de sua produção contaminada pela soja transgênica Roundup Ready,
desenvolvida pela Monsanto.
O temor em relação aos reflexos das normas chinesas chegou a erodir os
preços da soja nacional. Em janeiro último, lembram fontes do setor, a
cotação chegou a ceder US$ 10 em relação à soja americana. A solução
encontrada pelo governo brasileiro foi certificar a soja como convencional,
mas passível de conter traços de transgênicos.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) comemorou a
decisão chinesa de ampliar o prazo. “Isso nos dá mais tempo para resolver a
situação dos transgênicos no Brasil”, diz Sérgio Mendes,
secretário-executivo da Anec. No início de março, funcionários do governo
chinês já haviam dito que as regras interinas seriam prorrogadas, mas só
agora a decisão foi oficializada.
Valor Econômico, 30/05/03.
4. Egito abandona briga contra a Europa na OMC
O Egito retirou sua participação da contestação liderada pelos EUA
contrária à proibição da União Européia (UE) imposta a alimentos
transgênicos, o que representa um golpe para a tentativa do governo Bush de
dirigir uma coalizão global contra as normas da UE.
O Ministro do Comércio Exterior dos EUA, Robert Zoellick, afirmou no início
deste mês que Egito, Canadá e Argentina se juntariam aos EUA para solicitar
à Organização Mundial do Comércio (OMC) para adotar uma decisão contra a
proibição que os agricultores norte-americanos dizem que já lhes custou US$
1 bilhão.
“O Egito decidiu não fazer parte do movimento”, segundo uma carta de
Soliman Awaad embaixador do país em Bruxelas, endereçada à Organização de
Defesa dos Consumidores Europeus.
O governo decidiu que quer “preservar uma adequada e efetiva proteção
ambiental e dos consumidores”, informou a carta, entregue à Bloomberg News
pela entidade de defesa dos consumidores, que se opõe à posição dos EUA.
As exportações de alimentos e de produtos agrícolas constituem 15% dos US$
4 bilhões das exportações anuais do Egito, segundo o Banco Mundial. O Egito
é um dos maiores importadores de trigo americano, e foi relacionado por
Zoellick como candidato ao acordo de livre comércio com os EUA.
O país contudo exporta mais para a Europa do que para os Estados Unidos, e
já mantêm um acordo de livre comércio com a UE que reduziu tarifas, segundo
o Banco Mundial. O Egito se arriscaria a pôr em perigo este relacionamento
comercial ao dar prosseguimento à ação na OMC.
Gazeta Mercantil, 29/05/03.
5. Promotoria do Paraná pede vistoria na Monsanto
O Ministério Público do Paraná solicitou à Secretaria da Agricultura e
Abastecimento do Estado uma vistoria na unidade experimental da Monsanto do
Brasil em Ponta Grossa (PR). O órgão suspeita que a multinacional estaria
realizando pesquisas com erva-mate e fazendo, ilegalmente, multiplicação de
sementes geneticamente modificadas.
O pedido foi feito pelo procurador Saint Clair Honorato Santos, coordenador
do Centro de Apoio a Promotorias do Meio Ambiente, depois que ONGs
denunciaram que a empresa estaria realizando aquelas práticas, não só
pesquisas com transgênicos. “Pedi vistoria e o levantamento de tudo o que
for de plantio que exista na estação”, disse o procurador.
Invadida no último dia 16 por 150 sem-terra, a unidade experimental da
Monsanto do Brasil em Ponta Grossa (PR) continua ocupada, apesar de
decisão da justiça pela reintegração de posse.
Darci Frigo, da organização civil Terra de Direitos, estava na comitiva que
visitou a unidade anteontem. Segundo Frigo, foram encontradas 27 sacas, de
20 kg, de soja RR (Roundup Ready) “com inscrições para multiplicação, que é
uma fase já não de pesquisa experimental, mas de plantio para reprodução de
sementes”.
Frigo disse que causou surpresa que nos freezers da empresa existisse
grande quantidade de folhas verdes de erva-mate, com informação que eram
originárias do Rio Grande do Sul. “É mais um indício Claro de que a
Monsanto fazia experimentos com erva-mate e não existe autorização da
CTNBio para este tipo de experimento”, disse.
Folha de São Paulo, 24/05/03.
6. Canadá pede à Monsanto que retire pedido de liberação de trigo transgênico
O Conselho do Trigo do Canadá (CWB, em inglês) solicitou à Monsanto Canadá
que retire seu pedido de avaliação da segurança ao meio ambiente do trigo
transgênico Roundup Ready (RRW), informou o conselho.
O pedido da Monsanto referente a esta espécie de trigo se encontra na
Agência Canadense de Inspeção Alimentar. Em carta de 22 de maio e dirigida
ao presidente da Monsanto Canadá, Peter Turner, o CWB detalhou sua
avaliação dos efeitos para a economia que a introdução do trigo Roundup
Ready poderia ter para os produtores do oeste do Canadá.
“Os prejuízos econômicos poderiam incluir a perda do acesso a mercados
importantes, multas pela recusa de embarques, e o aumento dos custos do
gerenciamento das plantações e do manejo do cereal”, informou a carta.
“A Monsanto afirmou que não introduziria o RRW se não trouxesse benefícios
para os produtores”, afirmou o presidente do conselho, Kem Ritter. “A
questão é que não há nenhum benefício. Então pedimos à companhia que
coloque os interesses de seu cliente, os produtores do oeste do Canadá, à
frente de seus próprios interesses comerciais e suste a introdução do RRW,
antes que os produtores sofram conseqüências financeiras”.
A porta-voz da companhia, Trish Jordan, afirmou que sua empresa “enviará
resposta em caráter pessoal. Precisamos encontrar pontos de contato para
discutirmos nossos problemas”,disse.
Adrian Measner, diretor e principal executivo do CWB, disse que os clientes
“em mais de 80% dos nossos mercados expressaram profundas dúvidas quanto ao
trigo geneticamente modificado”.
Gazeta Mercantil, 28/05/03.
7. Unilever, Monsanto e outras multinacionais envolvidas em trabalho
infantil em larga escala na produção de sementes de algodão na Índia
Início da campanha européia: “Não ao trabalho infantil - A Escola é o
melhor trabalho”
A Hindustan Lever Ltda., uma subsidiária indiana da multinacional
Inglesa-Alemã Unilever, e a americana Monsanto estão fazendo uso de
trabalho infantil na produção de sementes de algodão na Índia. Um número
estimado de 25 mil crianças, a maioria meninas, trabalha em média 10 a 13
horas por dia para a Hindustan Lever, enquanto 17 mil crianças trabalham
para a Monsanto e sua subsidiária indiana Mahyco. Estas crianças não têm
escola, ganham menos de 40 centavos de Euro (aproximandamente 0,40 dólares)
por dia e são expostas a pesticidas perigosos como Endosulfan durante o
trabalho. Mas de 11 mil crianças trabalham em condições similares para as
multinacionais Syngenta (Suíça), Advanta (alemã-britânica) e Proagro (da
alemã Bayer).
Este é o resultado de uma pesquisa feita pelo pesquisador indiano Dr.
Davuluri Venkateswarlu para o Comitê Indiano das Terras Baixas.
Sementes de algodão: o maior empregador de crianças
Só no estado indiano de Andhra Pradesh, 247.800 crianças trabalham na
produção de sementes de algodão e cerca de 450 mil em toda Índia, a maioria
delas em companhias nacionais. Nenhuma outra indústria emprega tantas
crianças. As companhias de algodão não empregam as crianças diretamente,
mas através de agentes que se chamam “organizadores de sementes”. O preço
pago pelas companhias aos produtores torna quase impossível a contratação
de adultos. Uma criança ganha menos 30% que uma mulher e 55% menos que um
homem.
A produção de sementes de algodão é um trabalho especialmente árduo. O
setor é “especial” no sentido de que 9 entre 10 empregados são crianças
entre 6 e 14 anos. Geralmente quem recebe seus pagamentos são seus pais,
empregados dos mesmos patrões. Estas crianças trabalham 12 a 13 horas por
dia, dormem nos estábulos das vacas, uma espécie de “campo de crianças”,
onde chegam a viver de 10 a 30 crianças.
Vejamos Narasamma como exemplo. Ela tem 12 anos e trabalha na produção de
sementes há 3 anos, dorme no estábulo com outras crianças imigrantes que
trabalham mais de 13 horas/dia, com dois intervalos. Ela costuma ficar
doente depois da aplicação de pesticidas, e recebe 800 rúpias/mês.
Leia mais: http://www.indianet.nl/cotseed.html 'Child Labour and
Trans-National Seed Companies in Hybrid Cotton Seed Production in Andhra
Pradesh' by Dr. Davuluri Venkateswarlu. Dr. Venkasteswarlu, director of
Global Research and Consultancy Services, is also the author of the report
'Seeds of Bondage - Female Child Bonded Labour in Hybrid Cotton Seed
Production in Andhra Pradesh' published by Business and Community
Foundation and Plan International (India Chapter) in 2001.
Veja também: http://www.unilever.com/news/pressreleases/EnglishNews_8517.asphttp://www.schoolisthebestplacetowork.org
See position paper: http://www.indianet.nl/ppchled.html
archived at: http://ngin.tripod.com/nginlist.htm
NGMWATCH site: http://www.ngin.org.uk
Campanha “Não ao trabalho infantil - a Escola é o melhor trabalho”, 14/05/03.
8. Primeiro agricultor sentenciado à prisão nos EUA
Produtor do Tennessee foi preso por fraude envolvendo a Monsanto
Kem Ralph, 47 anos, de Tennessee, nos EUA, foi sentenciado a 8 meses de
prisão pela corte federal de St. Louis, por mentir sobre um carregamento de
semente de algodão que ele guardou para um amigo.
A prisão pela fraude cometida é a primeira condenação criminal ligada à
Monsanto pela violação dos acordos de patente na utilização de sementes
transgênicas.
Ralph também admitiu ter queimado um carregamento da semente, em desafio à
ordem da corte, para evitar que a Monsanto a usasse como prova no processo
contra ele. Ele se disse culpado por mentir sob juramento durante o processo.
Guardar sementes para o plantio seguinte é uma prática comum dos
agricultores. Entretanto, ao comprar a semente transgênica, os produtores
assinam um contrato que proíbe a reutilização da semente transgênica para
novo plantio, ao que os produtores se opõem.
O juiz Richard Webber ordenou que Ralph cumpra a prisão e pague à Monsanto
US$ 165.649,00 pelas cerca de 41 toneladas de algodão e soja transgênicos
encontradas guardadas na sua propriedade para a próxima safra.
A Monsanto disse que já processou 73 produtores nos últimos 5 anos.
Representantes da companhia esperam que o caso Ralph mande sirva de lição
aos produtores. A Monsanto está distribuindo informativos sobre os casos de
litígio como alerta.
Ralph não fez comentários na corte. Seu caso judicial com a Monsanto não
está terminado e a empresa já está reivindicando que o agricultor tenha que
pagar U$ 1,7 milhão.
Mas, no ano de 2000, Ralph disse que foi sua oposição à postura da Monsanto
que o levou a queimar os sacos de sementes.
“Eu e meu irmão conversamos sobre como essa atitude da Monsanto é baixa.
Estávamos cansados de ser pressionados o tempo todo pela Monsanto”, disse
ele na época. “Nós estamos sendo empurrados e subjugados como um bando de
cães. E decidimos queimar tudo”. (...)
Muitos críticos acham que os preços da Monsanto são excessivos e muito
duros para os produtores.
“Os agricultores sempre puderam guardar suas sementes para o próximo
plantio. É realmente uma questão de lucro da companhia -- é isto que está
sendo protegido. Se você não pode guardar suas sementes, tem que
comprá-las”, disse Lou Leonatti, o advogado mexicano que defende Ralph.
Jefferson City News Tribune, 08/05/03.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Projeto de Segurança Alimentar em Chivi, Zimbábue
O objetivo do Projeto de Segurança Alimentar de Chivi é desenvolver
economias rurais ativas baseadas na agricultura sustentável e em outros
recursos naturais localmente disponíveis. O projeto afetou positivamente a
disponibilidade local de alimentos ao enfatizar o uso de variedades locais
resistentes à seca, como por exemplo o sorgo e o milheto. Os agricultores
da região, que é altamente propensa a secas, relatam que suas colheitas
mais que duplicaram desde que o projeto começou. Alguns deles agora têm
possibilidades até de consumir alimentos fora da estação, como o milho e
algumas variedades de verduras. Boas técnicas de coleta e armazenamento de
água contribuíram para aumentar a produção de alimentos para consumo local,
mas também com uma parte destinada ao comércio. Outras mudanças incluem o
uso de esterco, de pesticidas naturais e do plantio consorciado. Os mais de
500 agricultores que participaram de treinamentos agora repassam seus
conhecimentos a outros agricultores, que progressivamente adotam novas
práticas. Pelo menos 20 grupos locais emergiram e os participantes
descobriram sua imensa capacidade de ajuda através da ativa participação em
suas próprias iniciativas, com o mínimo apoio externo.
Intermediate Technology Development Group and University of Essex SAFE
Research Database 2001.
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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em
Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail:
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma
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Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim.
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Boletimtransgenicos mailing list
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 163 - 13 de junho de 2003
Car@s Amig@s,
O Presidente Luis Inácio Lula da Silva, além dos Ministros do Meio
Ambiente, Agricultura, Ciência & Tecnologia, Saúde e a Casa Civil receberam
nesta sexta-feira (13 de junho) um documento com seis pontos mínimos que,
de acordo com o entendimento da sociedade civil, precisam constar do
Projeto de Lei (PL) sobre transgênicos que o governo está elaborando.
No documento, que é assinado por várias entidades como o MST, a
Fetraf-Sul/CUT, a CNBB, o Greenpeace, o Idec, o ISA e a AS-PTA, entre
outros (quase todos membro da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos)
as organizações observam que o conhecimento acumulado nos últimos anos
pelas entidades signatárias em matéria de alimentos transgênicos e seus
impactos econômicos, sociais, ambientais e aos direitos básicos dos
cidadãos brasileiros à informação e à possibilidade de escolha não pode ser
desprezado pelo governo Lula.
No texto, ressaltamos que não há qualquer justificativa técnica, jurídica
ou econômica para a apresentação do PL no limitado prazo de 30 dias,
conforme se anunciou no dia 14 de maio, dia da votação da MP 113 (que
liberou a comercialização desta safra de soja transgênica produzida
ilegalmente no País) pela Câmara dos Deputados, quando foi feito o acordo
entre o governo federal e a bancada ruralista da Câmara.
Trinta dias seria um prazo demasiadamente curto para qualquer elaboração de
projeto de lei de forma minimamente participativa com a sociedade.
Considerando que este é um tema profundamente polêmico, envolvendo
interesses de poderossímas empresas multinacionais, a saúde da população e
a conservação dos recursos naturais e agrícolas do país, cobramos do
governo federal uma atitude responsável, incluindo o prolongamento do prazo
de elaboração do PL e a abertura do processo de elaboração ao debate com a
sociedade.
Sugerimos que o espaço organizador do debate entre o governo e a sociedade
seja o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar), garantindo igual
participação de defensores e opositores dos transgênicos.
Os seis pontos mínimos que na nossa opinião devem necessariamente constar
do PL são os seguintes:
1. Estudo de impacto ambiental (EIA) previamente à liberação de qualquer
espécie transgênica no meio ambiente;
2. Avaliação de riscos à saúde pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária -- ANVISA / Ministério da Saúde;
3. Reformulação da composição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio, do Ministério de C&T), para que constem cientistas de outras
áreas, como toxicologia e ética, além de representantes de outros segmentos
da sociedade excluídos da atual Comissão (agricultura familiar e
ambientalista) e representante do Ministério da Justiça;
4. Esclarecimento quanto à natureza do parecer técnico da CTNBio, que, no
nosso entendimento, é opinativo e não deliberativo, não podendo impedir ou
limitar, sob qualquer hipótese, as competências técnicas e legais de outros
órgãos da Administração Pública (ANVISA, IBAMA, etc.).
5. Rotulagem plena de qualquer produto produzido ou contendo espécie
transgênica, independentemente do percentual.
6. Instituição da responsabilidade objetiva daquele que decidir plantar
espécie geneticamente modificada pela não contaminação das propriedades
vizinhas.
Você também pode cobrar do governo federal a participação neste debate e a
garantia de que o Presidente Lula cumprirá o que prometeu em sua campanha
eleitoral: o respeito ao Princípio da Precaução e o apoio à moratória aos
produtos transgênicos até que haja consenso na comunidade científica quanto
à sua segurança para a saúde da população e o meio ambiente.
Mande mensagens para o Presidente Lula e os Ministros, exigindo que o
governo brasileiro escute a sua opinião e permita a participação de toda a
sociedade civil no processo de elaboração deste PL, através dos sites do
Greenpeace e do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), nos
endereços
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/ciber_pljunho2003.asp
e
http://www.idec.org.br/paginas/carta_modelo.asp?id=17
******************************************
O Presidente Lula e os ministros se reuniram na última quinta-feira à tarde
para discutir as diretrizes que orientarão a elaboração do PL sobre
transgênicos. A reunião foi fechada e após seu término, nada foi declarado:
“Reunião sobre transgênicos termina sem declarações oficiais
Terminou por volta das 21 horas, desta quinta-feira (12) a reunião
comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os transgênicos
no país, com nove ministros. Participaram dessa reunião, no Palácio da
Alvorada, os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, da Casa Civil, José
Dirceu, da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, da
Secretaria de Comunicação e Governo, Luiz Gushiken, da Agricultura, Roberto
Rodrigues, da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, do Desenvolvimento,
Luiz Fernando Furlan, do Meio Ambiente, Marina Silva e do Planejamento,
Guido Mantega. Os ministros saíram sem dar declarações à imprensa.
(ambientebrasil com informações Agência Brasil), 12/06/2003
http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=11054
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Neste número:
1. Monsanto cobrará royalties da soja transgênica exportada a partir de agosto
2. Pesquisa mostra os primeiros impactos dos transgênicos na agricultura
orgânica
3. Gaúchos continuam não cumprindo MP 113 e ameaçam: vão plantar soja RR de
novo
4. Monsanto realiza semana de lobby no Brasil / Lobby nada sadio
5. Europa ratifica Protocolo de Biossegurança
6. Comitê Europeu de Meio Ambiente é favorável a regras mais rígidas para
transgênicos
7. Princípio poluidor-pagador será proposto pelo Partido Verde na reforma
tributária
8. Cientistas criam Painel Científico independente sobre transgênicos
9. Governo do Sudão rejeita alimentos transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Produção de algodão orgânico no Senegal
Eventos:
IV Seminário de Agricultura Orgânica
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1. Monsanto cobrará royalties da soja transgênica exportada a partir de agosto
Monsanto irá cobrar royalties de transgênico
A Monsanto divulgou ontem que irá cobrar royalties das tradings
exportadoras que comercializarem soja transgênica com países onde a empresa
detém a patente da Roundup Ready - União Européia, Japão, Canadá e Estados
Unidos.
A partir de julho, a Monsanto começa a conceder licenças as tradings. O
processo de licenciamento deverá se encerrar até o final de agosto, quando
o solo começa a ser preparado para o próximo plantio.
Segundo o diretor de marketing da empresa, Felipe Osorio, neste ano a
Monsanto não cobrará a concessão da licença, apenas uma porcentagem sobre o
volume exportado. Apesar de o valor da cobrança ainda estar sendo negociado
com produtores e associações do setor, Osorio diz que deve ficar entre US$
15 e US$ 66 por hectare de soja transgênica plantado.
O ônus final, porém, deve ficar com o produtor, já que as tradings, de
acordo com Osorio, devem repassar a cobrança.
Cerca de 35 empresas, diz o diretor de marketing, são responsáveis por 80%
das exportações brasileiras de soja. Segundo ele, as empresas que forem
flagradas exportando soja ou farelo de soja com tecnologia Roundup Ready
sem licença estarão sujeitas a punições, tais como retenção do embarque nos
portos de destino e processo judicial por uso não autorizado de propriedade
patenteada.
A Monsanto pretende manter a cobrança de royalties pelo uso da tecnologia
nas próximas safras. A medida provisória que liberou a comercialização da
soja transgênica nesta safra proíbe o plantio e a comercialização do
produto para as próximas produções.
Folha de São Paulo, 12/06/03.
Monsanto vai licenciar venda de soja RR
A Monsanto, empresa que detém a patente sobre a soja transgênica Roundup
Ready (RR), anunciou ontem sua estratégia para garantir o pagamento de
royalties e regulamentar o comércio da soja geneticamente modificada
plantada no Brasil. A partir de julho, quem quiser exportar soja
transgênica brasileira deverá obter uma licença da empresa, reconhecendo
seus direitos de propriedade intelectual. Quem não se licenciar correrá o
risco de ser processado e ter seu produto retido nos portos.
"A soja que não tiver licença será recebida na alfândega como produto
ilegal", disse o diretor de Marketing da Monsanto, Felipe Osório. A empresa
vai monitorar os embarques de soja do Brasil e possíveis carregamentos de
soja RR não licenciada serão comunicados às autoridades do país de destino.
(...)
Osório afastou a possibilidade da Monsanto cobrar royalties sobre as safras
passadas, mas disse que o programa de licenciamento será permanente. Os
royalties serão cobrados ou na venda de sementes - caso o produto seja
legalizado - ou na entrega dos grãos. Este ano, o licenciamento será gratuito.
O Estado de São Paulo, 12/06/03.
2. Pesquisa mostra os primeiros impactos dos transgênicos na agricultura
orgânica
Santa Cruz, Califórnia. Numa ampla pesquisa nacional, a Fundação de
Pesquisa Orgânica (OFRF, na sigla em inglês), mostra os primeiros impactos
econômicos e operacionais ligados ao perigo de contaminação com
transgênicos. As normas para os produtos orgânicos, recentemente
implementadas pelo departamento de agricultura dos EUA (USDA) proíbem o uso
das tecnologias transgênicas. Além disso, são estreitos os limites de
contaminação tolerados pelos consumidores nacionais e estrangeiros.
De acordo com o presidente da OFRF, Ron Rosmann, um produtor orgânico de
Harlan, em Iowa, “Os dados desta pesquisa (baseados no ano agrícola de
2001) são suficientes para pedirmos uma moratória sobre a liberação dos
transgênicos até que haja uma sólida regulação para prevenir a poluição
genética e a devida responsabilidade pelos danos causados”.
Entre os resultados da pesquisa estão os seguintes:
- 17% dos produtores fizeram testes com transgênicos em parte de sua
propriedade; destes, 11% indicaram que houve contaminação de suas sementes
orgânicas com transgênicos.
- 8% tiveram aumento de custos e prejuízos com a produção devido à
contaminação com transgênicos. Estes custos incluíam: testes de
contaminação por transgênicos, perda de vendas e/ou mercado devido à
contaminação ou a percepção do risco de contaminação, perda de mercado
devido à contaminação em si, perda da certificação orgânica devido à
contaminação.
- 48% tomaram medidas para prevenir a contaminação de suas produções
orgânicas, tais como: 19% aumentaram a área da zona tampão, 18% deixaram de
usar insumos suspeitos de conter transgênicos, 15% ajustaram o tempo de
plantio para evitar a contaminação, 13% mudaram de cultivo, 9% mudaram o
local de plantio.
- 46% acham o risco de contaminação média ou alta e 30% acham o risco alto
ou muito alto.
- Os insumos suspeitos de contaminação incluem inoculantes para sementes e
composto feito com materiais obtidos fora da propriedade.
- Somente 10% dos pesquisados acha que as regras atuais são adequadas para
proteger seus cultivos orgânicos.
A apresentação em power point da pesquisa com os transgênicos está
disponível no site: http://ofrf.org/publications/survey/GMO.SurveyResults.PDF
3. Gaúchos continuam não cumprindo MP 113 e ameaçam: vão plantar soja RR de
novo
Ministério da Agricultura anuncia fiscalização do cultivo, mas defende
projeto para liberação a médio prazo.
A maioria dos produtores gaúchos vai plantar soja transgênica na próxima
safra, apostando que o governo seguirá dividido em relação ao cultivo do
produto e vai liberá-lo na hora da colheita. A ameaça, porém, pode
prejudicar a estratégia do Ministério da Agricultura, que tenta dar aval ao
plantio de transgênicos junto à cúpula do governo, e já negocia a liberação
a médio prazo. A proposta do ministério já está pronta e prevê a abertura
para os OGMs assim que a indústria nacional estiver apta a oferecer
sementes modificadas. O ministro interino da Agricultura, José Amauri
Dimarzio -- empresário que já cultivou milho transgênico quando estava à
frente de experimentos autorizados --, pede cautela aos agricultores.
-- É preciso um pouco mais de paciência. Em breve teremos variedades da
Embrapa dentro das regras de segurança ambiental -- acredita.
A estratégia do ministério consiste em cumprir a MP 113, que proíbe o
cultivo na próxima safra, promovendo uma fiscalização rigorosa e uma
campanha nacional contra o plantio no período 2003/2004. Dimarzio diz que,
da maneira como está, o produtor acaba cometendo dois delitos: planta
transgênicos, o que ainda é proibido, e ainda utiliza uma semente
não-registrada, de origem desconhecida. Para coibir essa prática em 2003, o
ministério pretende contratar mais de 500 fiscais para evitar a semeadura
da soja pirata. Para não haver queixa por parte dos pequenos agricultores,
Dimarzio adianta que o governo deverá lançar uma linha de financiamento
para a compra de sementes. O próprio ministro do Desenvolvimento Agrário,
Miguel Rossetto, já declarou que em julho uma campanha de esclarecimento
será lançada, atendendo à MP que preserva a proibição do plantio de
transgênicos.
-- Para a próxima safra, não vai ter volta. Enquanto o plantio for é ilegal
temos que obedecer a legislação -- avisa Dimarzio.
Os produtores gaúchos, no entanto, não parecem estar dispostos a esperar. O
recado foi dado na última sexta-feira no 1° Fórum Nacional da Soja
Transgênica, que reuniu em Ibirubá milhares de agricultores dispostos a não
acatar ameaças do governo, com a adoção de fiscalização, campanha e até
financiamento para quem optar pelo grão convencional. Os manifestantes
falaram, inclusive, em "desobediência civil", sinal de que não pretendem
voltar atrás na decisão.
Os produtores não acreditam que o governo Lula conseguirá resistir, e
apostam em mudanças mais imediatas. O governo está elaborando um projeto de
lei para regulamentar essa questão no Brasil, enquanto a Justiça não decide
sobre a liberação. (...)
Zero Hora, 11/06/02.
4. Monsanto realiza semana de lobby no Brasil
Brasília, - Enquanto o governo decide se libera definitivamente a
comercialização da soja transgênica no Brasil, a empresa multinacional
Monsanto - responsável pela produção da soja geneticamente modificada Round
Up Ready - cuida de fazer uma série de sondagens junto ao governo federal
para definir a nova estratégia de investimentos a ser implementada no país.
Um dos encontros para discutir o assunto ocorreu hoje entre o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o
presidente do Conselho de Administração da Monsanto, Frank Atlee.
As perspectivas da agricultura brasileira e as ações do governo federal no
que diz respeito às pesquisas ligadas à área de biotecnologia foram o tema
dominante na reunião. Segundo nota divulgada pela Assessoria de Imprensa da
Monsanto, a empresa ainda vê o Brasil como uma importante indústria
agrícola dos negócios internacionais da companhia. Nos últimos cinco anos,
a Monsanto investiu no país mais de US$ 800 milhões.
Agência Brasil - Abr, 10/06/03.
http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=129707&editoria=
Lobby nada sadio
A multinacional Monsanto concentra agora o Lobby pró-transgênicos no
ministro Luiz Furlan (Desenvolvimento), cuja empresa, Sadia, prometeu ao
Greenpeace não usar produtos geneticamente modificados.
O Dia, 12/06/03.
5. Europa ratifica Protocolo de Biossegurança
O Parlamento da União Européia (EU) ratificou, ontem (05/06), protocolo
sobre biossegurança das Nações Unidas, aprovado há três anos, que
regulamenta o comércio internacional de alimentos geneticamente
modificados. A medida permite que os governos da EU confiram ao acordo da
ONU, negociado há três anos, em Montreal, no Canadá, efeito jurídico para
os 15 países do bloco, até o final deste mês.
Até agora, apenas Dinamarca, Áustria, Espanha, Suécia e Holanda ratificaram
o acordo da ONU. Outros países, queriam primeiro que o protocolo recebesse
a aprovação dos Estados Unidos.
O protocolo tenta proteger a diversidade biológica dos prováveis riscos
suscitados pelas tecnologias modernas. Ele permite que os países proíbam
importações de produtos transgênicos, se perceberem que não há suficiente
prova científica de que o produto é seguro, e exige que os exportadores
rotulem as remessas que contenham commodities geneticamente modificadas
como milho, ou algodão.
Os Estados Unidos, principal produtor de produtos agrícolas baseados em
biotecnologia, não firmaram o protocolo. Os americanos se opõe à rotulagem.
Espera-se que o protocolo da ONU entre em vigor no outono do Hemisfério
Norte. Cinqüenta países têm de ratificar o acordo que foi firmado por 103
países, em 2000. Apenas 49 países, até o momento, endossaram o acordo.
Jonas Sjöstedt, membro da esquerda sueca do Parlamento Europeu, afirmou que
a ratificação do protocolo pelo Legislativo europeu vai ajudar a UE a se
opor às críticas de que a Europa não quer lidar com os transgênicos.
“As novas normas deixam claro que o comércio de transgênicos, que são
produtos de tecnologia recentemente desenvolvida e podem por em perigo a
saúde humana, ou o meio ambiente, deverão se basear no princípio da
prevenção”, disse Sjöstedt.
Esse princípio permite que países em desenvolvimento conciliem saúde
pública com benefícios econômicos e lhes permite proibir produtos que
contenham alimentos geneticamente modificados.
“Essa legislação também ajudará a UE a defender-se das acusações feitas
pelos Estados Unidos, segundo as quais, a UE é responsável pela rejeição
africana à ajuda em alimentos transgênicos”, afirmou Sjöstedt. “Ao
concordar com estas novas normas, a UE ajuda os países importadores de
alimentos a escolher se querem transgênicos”.
Gazeta Mercantil, 05/06/03.
6. Comitê Europeu de Meio Ambiente é favorável a regras mais rígidas para
transgênicos
O Comitê para o Desenvolvimento do Parlamento Europeu votou, no último dia
22, a favor do aumento do rigor das regras de rotulagem e identificação de
alimentos e rações transgênicas. O Comitê diminuiu de 0,9 para 0,5% o
limite mínimo necessário para a rotulagem dos produtos que contenham
transgênicos. E também votou a favor de uma legislação para regular a
coexistência de cultivos transgênicos, convencionais e orgânicos.
Grupos industriais europeus expressaram suas preocupações de que se estas
emendas forem aceitas pelo Parlamento Europeu em julho, poderá ser adiada a
adoção dos transgênicos e se atrasar a suspensão da moratória nas
aprovações de transgênicos. Os críticos da decisão também foram ouvidos
pela Comissão Européia. “O Parlamento esnobou os Estados Unidos”, disse o
porta-voz da Comissão Beate Gminder, referindo-se à recente consulta dos
USA à OMC sobre a moratória. (veja
http://www.ictsd.org/weekly/03-05014/story1.htm). A Comissão disse que a
coexistência entre as lavouras já está sendo tratada como um assunto
separado e que não deve entrar na lei de rotulagem (veja
http://www.ictsd.org/biores/03-03-10/story1.htm).
O grupo ambiental “Amigos da Terra” (Friends of the Earth) comemorou a
decisão do Comitê, que segundo eles “pavimenta o caminho para uma melhor
escolha do consumidor e para proteger os produtores orgânicos da
contaminação genética”.
Reuters, 22 & 24/05/03.
Bridges Weekly Trade News Digest, vol. 7 number 20, 04/06/03.
7. Princípio poluidor-pagador será proposto pelo Partido Verde na reforma
tributária
O princípio poluidor-pagador poderá vir a se incorporar ao texto em
discussão da reforma tributária, atualmente na Câmara dos Deputados, de
acordo com moção que o Partido Verde está preparando. O anúncio foi feito
durante a Convenção Nacional do PV, que ocorreu em Brasília de 30 de maio a
1 de junho, quando foram eleitos os novos dirigentes do partido que mais
cresceu nas últimas eleições, passando de apenas um para seis deputados
federais e elegendo em todo o país deputados estaduais, prefeitos e
vereadores. Durante a convenção, na manhã deste sábado, foi discutida
longamente a posição que o partido deve adotar diante das reformas
propostas pelo governo Lula, de cuja base de sustentação faz parte o PV.
"Não votaremos nada que possa prejudicar o meio ambiente", prometeu o
deputado federal e líder na Câmara, Zequinha Sarney (PV-MA), aos
convencionais, lembrando que a bancada já votou há poucos dias contra a
medida provisória dos transgênicos. Um dos principais problemas do partido
é que a presidência da Câmara ainda não lhe concedeu a estrutura necessária
para funcionar como liderança. (...)
www.partidoverde.org, www.viaecologica.com.br e www.camara.gov.br
8. Cientistas criam Painel Científico independente sobre transgênicos
Dúzias de proeminentes cientistas de vários países, englobando as
disciplinas de agroecologia, agronomia, biomatemática, botânica,
farmacologia, ecologia, histopatologia, ecologia microbiana, genética
molecular, bioquímica, fisiologia, toxicologia e virologia, uniram forças
para lançar um Painel Científico Independente sobre transgênicos numa
conferência pública, assistida pelo ministro do meio ambiente inglês,
Michael Meacher e outros 200 participantes, em Londres, no dia 10 de maio.
A conferência coincidiu com a publicação de uma versão preliminar do
relatório “Um mundo sustentável sem transgênicos”, clamando por um
banimento dos cultivos transgênicos e propondo a adoção das técnicas de
agricultura sustentável. O relatório, que foi chamado de “o mais forte e
completo dossiê de evidências” já compilado sobre os problemas e perigos
que os cultivos transgênicos representam e sobre os múltiplos benefícios da
agricultura sustentável, será finalizado em 15 de junho de 2003.
Antes do lançamento do relatório final de 120 páginas, o Painel Científico
Independente apresentou um resumo de quatro páginas a fim de contribuir
para o debate nacional sobre transgênicos no Reino Unido.
O resumo está disponível no site: http://www.i-sis.org.uk/ispr-summary.php
Isis Press Release, 02/06/03.
9. Governo do Sudão rejeita alimentos transgênicos
O governo do Sudão proibiu a entrada de produtos transgênicos no país. A
notícia não foi bem recebida pelo governo norte-americano que alegou que
esta decisão deixará em torno de 97% das crianças do país sem acesso a
estes alimentos.
The AgbioIndia Bulletin, 11/06/03.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Produção orgânica algodão no Senegal
Em 1993, uma parceria entre ENDA-Pronat (ONG africana), o Pesticides Trust
e um grupo de produtores de Koussanar (ávidos para tornar suas produções
mais sustentáveis) resultou no estabelecimento de experimentos de cultivo
orgânico.
O projeto tinha como objetivo reduzir o uso de agrotóxicos na produção de
algodão e também seus impactos na saúde humana, animal e no meio ambiente.
Também se buscava melhorar a renda dos produtores e reduzir suas dívidas.
A organização resultante da parceria era assessorada por um agrônomo e dois
extensionistas. Suas recomendações técnicas incluíam semeio precoce, uso de
Nim para o controle de pragas, uso de urina de vaca como fertilizante e
repelente de insetos, e colheita manual do algodão.
Em 1998, 23 toneladas de sementes de algodão foram produzidas enquanto eram
estabelecidos mercados para o algodão orgânico no Senegal e na Europa.
O projeto também foi bem sucedido ao lidar com questões que envolvem as
relações sociais de gênero. Foram criados grupos femininos responsáveis
pela preparação e venda de produtos a base de Nim e o número de produtoras
de algodão orgânico aumentou muito -- primeiro porque elas não tinham que
gastar dinheiro em produtos químicos e, segundo, porque a aplicação de
pesticidas é uma atividade predominantemente masculina. Além disso, as
mulheres agora estão representadas nas novas estruturas de organização dos
produtores. Apesar de ainda ter muito caminho a percorrer, o projeto vem
mostrando a viabilidade da produção orgânica de algodão no Senegal.
Organic Cotton in IT, University of Essex SAFE Research Database 2001.
Eventos:
IV Seminário de Agricultura Orgânica
O IV Seminário de Agricultura Orgânica será realizado no dia 14 de junho de
2003, com o tema “Desenvolvimento Sustentável e Agroecologia”. A Profa.
Ana Maria Primavesi dará palestra sobre Agroecologia.
O evento é parte da Expo Petrópolis 2003, e acontece no Hotel Quitandinha
em Petrópolis, de 8 às 18horas.
Inscrições gratuitas no local, entre 8 e 9hs da manhã.
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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em
Agricultura Alternativa [Tel.: (21) 2253-8317 / E-mail:
campanhatransg@...]
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgeni\
cos
=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:
http://server.digipronto.com.br/idec.org.br/paginas/campanha_transgenicos_livre.\
asp
ou
http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm
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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma
mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a
exclusão do seu nome de nossa lista.
Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de
notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se
cadastrar para receber o Boletim.
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Boletimtransgenicos mailing list
Boletimtransgenicos@...
http://listas.rits.org.br/mailman/listinfo/boletimtransgenicos
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
De: Edu de Souza <edubrasil@...>
Para: <luizmeira@...>
Enviada em: segunda-feira, 16 de junho de 2003 14:56
Assunto: Híbridos
> Acabei de ler o porque dos híbridos nâo...
> Tinha esquecido completamente a característica do fator reproductor nos
híbridos.
> Interesante
> Será possível realizar a "hibridagem" cordenando com os elementales sutís
para que o aspecto reproductor possa ser "configurado"? Houve estudos nessa
direçâo?
Híbridos intra-espécie, que mantenham-se produzindo por 10 gerações
seriam uma seleção harmônica. Provisoriamente tenho indicado para utilização
alimentar e terapêutica acima de 3 gerações.
As variedades preservadas em diversos nichos culturais, alheios ao
agronegócio cosmopolita, com por exemplo milho andino, seriam "estudos nesta
direção".
Além do Guaraci, chamo também o César para esta conversa.
Abraços
Luiz
PS
> Envié el mensaje equivocado a la lista. Ojala que no em vea Calvo :o))
Considero o assunto dos híbridos o preâmbulo das discussões sobre os
transgênicos, pois a liberalidade com a mistura de espécies é que permitiu a
transgenia. Coloquei esta perspectiva anos atrás na lista, e o consenso foi
que face ao perigo dos transgênicos seria melhor não se preocupar com os
híbridos...
Face à intensa progressão que as doenças alérgicas estão desempenhando, informo
atualização dos arquivos sobre alergia e transgênicos.
http://luizmeira.cjb.net//ai.htmhttp://luizmeira.cjb.net//transgen.htm
Faço votos que desfrutem.
Luiz Meira
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]