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gen-ocidio · Transgênicos

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#290 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qui, 6 de Dez de 2001 8:40 pm
Assunto: APOIO URGENTE - TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s

Precisamos do apoio de todos vocês, urgentemente!!

Está marcada para a próxima terça-feira (11/12) a votação do Projeto de Lei do Deputado Federal Confúcio Moura (PMDB/RO) na Comissão Especial dedicada a avaliar os 19 Projetos de Lei (PLs) sobre transgênicos que tramitavam na Câmara dos Deputados.

O Dep. Confúcio é o relator da Comissão e elaborou um PL substitutivo aos 19 originais.
Se aprovado, será o PL oficial da Câmara para votação no Congresso.

O PL do Dep. Confúcio é dos piores possíveis, liberando os transgênicos para cultivo e comercialização no Brasil de forma ampla e irrestrita, sem as necessárias avaliações de riscos para a saúde dos consumidores e para o meio ambiente, sem garantias mínimas para proteger a economia nacional e os direitos dos agricultores brasileiros e sem garantir os direitos de plena informação aos consumidores.

Somos minoria nesta Comissão. Uma tropa de choque de deputados da base governamental, muitos dos quais ruralistas, estará presente para "pagar" o não veto do governo ao Projeto de Lei que praticamente perdoa a dívida de 45 bilhões de reais dos grandes produtores agrícolas.

Precisamos da sua ajuda para fazer pressão sobre os deputados integrantes da Comissão Especial, para que não permitam que este PL seja aprovado.

Atue já!

Ligue para os Deputados da sua região, exija que eles compareçam à votação no dia 11/12 e que se posicionem contrariamente à aprovação do PL do Dep. Confúcio Moura.
Lembre-os que 2002 é um ano eleitoral e que daremos ampla divulgação à posição tomada por eles nesta votação!

Mande e-mails para todos os deputados da Comissão, exigindo que eles assumam uma postura responsável e lutem pela criação de uma lei séria, que garanta a segurança da população brasileira e do meio ambiente.

Você pode escrever mensagens como a que segue:

“Prezado Sr(a) Deputado(a) Federal
Membro da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados,

Confiamos que os senhores, Deputados membros da Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito nacional, não permitirão a aprovação de um Projeto de Lei que dispense os organismos transgênicos de Estudos de Impacto Ambiental, de avaliação de riscos para a saúde e de rotulagem plena. Acreditamos que os senhores lutarão por uma lei que garanta que nenhum organismo transgênico seja liberado no Brasil antes que haja certeza científica sobre sua segurança para a saúde da população e para o meio ambiente e que os direitos de plena informação aos consumidores sejam garantidos.
Nós acompanharemos a votação e daremos ampla divulgação de seu voto em prol dos direitos do consumidor e do meio ambiente.”

Para mandar e-mails para todos os deputados da Comissão, você pode clicar nos dois links abaixo:

Comissão-Transgênicos1
Comissão-Transgênicos2

Para telefonar para os Deputados ou mandar e-mails específicos, segue abaixo a lista dos Deputados membros da Comissão Especial, com seus telefones e e-mails
:

Dep. Adauto Pereira (PFL / PB)
Tel.: (61) 318-5221
dep.adautopereira@...

Dep. Alberto Fraga (PMDB / DF)
Tel.: (61) 318-5321
dep.albertofraga@...

Dep. Alceu Collares (PDT / RS)
Tel.: (61) 318-5807
dep.alceucollares@...

Dep. Aldo Arantes (PC do B / SP)
Tel.: (61) 318-5842
dep.aldoarantes@...

Dep. Betinho Rosado (PFL / RN)
Tel.: (61) 318-5558
dep.betinhorosado@...

Dep. Carlos Batata (PSDB / PE)
Tel.: (61) 318-5334
dep.carlosbatata@...

Dep. Carlos Dunga (PTB / PB)
Tel.: (61) 318-5236
dep.carlosdunga@...

Dep. Celcita Pinheiro (PFL / MT)
Tel.: (61) 318-5528
dep.celcitapinheiro@...

Cleonâncio Fonseca (PPB / SE)
Tel.: (61) 318-5824
dep.cleonanciofonseca@...

Dep. Chico Graziano (PSDB / SP)
Tel.: (61) 318-5816
dep.xicograziano@...

Dep. Clovis Volpi (PV / SP)
Tel.: (61) 318-5626
dep.clovisvolpi@...

Dep. Confúcio Moura (PMDB / RO)
Tel.: (61) 318-5537
dep.confuciomoura@...

Dep. Darcísio Perondi (PMDB / RS)
Tel.: (61) 318-5518
dep.darcisioperondi@...

Dep. Deusdeth Pantoja (PFL / PA)
Tel.: (61) 318-5854
dep.deusdethpantoja@...

Dep. Diceu Sperafico (PPB / PR)
Tel.: (61) 318-5746
dep.dilceusperafico@...

Dep. Elias Murad (PSDB / MG)
Tel.: (61) 318-5450
dep.eliasmurad@...

Dep. Emerson Kapaz (PPS / SP)
Tel.: (61) 318-5222
dep.emersonkapaz@...

Dep. Fernando Ferro (PT / PE)
Tel.: (61) 318-5427
dep.fernandoferro@...

Dep. Fernando Gabeira (PT / RJ)
Tel.: (61) 318-5374
dep.fernandogabeira@...

Dep. Fetter Júnior (PPB / RJ)
Tel.: (61) 318-5316
dep.fetterjunior@...

Dep. Francisco Coelho (PFL / MA)
Tel.: (61) 318-5525
dep.franciscocoelho@...

Dep. Freire Junior (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-5601
dep.freirejunior@...

Dep. Hugo Biehl (PPB / SC)
Tel.: (61) 318-5332
dep.hugobiehl@...

Dep. Iara Bernardi (PT / SP)
Tel.: (61) 318-5360
dep.iarabernardi@...

Dep. Igor Avelino (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-2466
dep.igoravelino@...

Dep. Jaime Martins (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5333
dep.jaimemartins@...

Dep. Jaime Fernandes (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5906
dep.jaimefernandes@...

Dep. João Grandão (PT / MS)
Tel.: (61) 318-5484
dep.joaograndao@...

Dep. Joaquim Francisco (PFL / PE)
Tel.: (61) 318-5425
dep.joaquimfrancisco@...

Dep. José Borba (PMDB / PR)
Tel.: (61) 318-5616
dep.joseborba@...

Dep. José Carlos Elias (PTB / ES)
Tel.: (61) 318-5230
dep.josecarloselias@...

Dep. José Carlos Martinez (PTB / PR)
Tel.: (61) 318-5513
dep.josecarlosmartinez@...

Dep. José Rocha (PFL / BA)
Tel.: (61) 318-5908
dep.joserocha@...

Dep. Luciano Pizzatto (PFL / RN)
Tel.: (61) 318-5541
dep.lucianopizzatto@...

Dep. Luci Choinacki (PT / SC)
Tel.: (61) 318-5282
dep.lucichoinacki@...

Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh (PDT / RJ)
Tel.: (61) 318-5517
dep.luizeduardogreenhalgh@...

Dep. Luiz Ribeiro (PSDB / RJ)
Tel.: (61) 318-5583
dep.luizribeiro@...

Dep. Marcelo Castro (PFL / BA)
Tel.: (61) 318-5760
dep.marcelocastro@...

Dep. Márcio Bittar (PPS / AC)
Tel.: (61) 318-5343
dep.marciobittar@...

Dep. Marcos Afonso (PT / AC)
Tel.: (61) 318-5366
dep.marcosafonso1313@...

Dep. Marcos Rolim (PT / RS)
Tel.: (61) 318-5277
dep.marcosrolim@...

Dep. Mário Assad Junior (PL / MG)
Tel.: (61) 318-5243
dep.marioassadjunior@...

Dep. Moarcir Micheletto (PMDB / PR)
Tel.: (61) 318-5481
 dep.moacirmicheletto@...

Dep. Nelson Marquezelli (PTB / SP)
Tel.: (61) 318-5920
dep.nelsonmarquezelli@...

Dep. Odílio Balbinotti (PSDB / PR)
Tel.: (61) 318-5604
dep.odiliobalbinotti@...

Dep. Osvaldo Reis (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-5835
dep.osvaldoreis@...

Dep. Paulo José Gouvea (PL / RS)
Tel.: (61) 318-5641
dep.paulojosegouvea@...

Dep. Paulo Mourão (PSDB / TO)
Tel.: (61) 318-5311
dep.paulomourao@...

Dep. Paulo Octavio (PFL / DF)
Tel.: (61) 318-5446
dep.paulooctavio@...

Dep. Pedro Canedo (PSDB / GO)
Tel.: (61) 318-5611
dep.pedrocanedo@...

Dep. Pedro Pedrossian (PFL / MS)
Tel.: (61) 318-5704
dep.pedropedrossian@...

Dep. Pompeo de Mattos (PDT/RS)
Tel.: (61) 318-5810
dep.pompeodemattos@...

Dep. Ronaldo Vasconcellos (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5473
dep.ronaldovasconcellos@...

Dep. Roberto Balestra (PPB / GO)
Tel.: (61) 318-5262
dep.robertobalestra@...

Dep. Rose de Freitas (PSDB / ES)
Tel.: (61) 318-5618
dep.rosedefreitas@...

Dep. Salomão Cruz (PFL / RR)
Tel.: (61) 318-5739
dep.salomaocruz@...

Dep. Saulo Pedrosa (PSDB / BA)
Tel.: (61) 318-5308
dep.saulopedrosa@...

Dep. Silas Brasileiro (PMDB / MG)
Tel.: (61) 318-5932
dep.silasbrasileiro@...

Dep. Vanessa Grazziotin (PC do B / AM)
Tel.: (61) 318-5735
dep.vanessagrazziotin@...

Dep. Welinton Fagundes (PSDB / MT)
Tel.: (61) 318-5523
dep.welintonfagundes@...

Dep. Wilson Santos (PMDB / MT)
Tel.: (61) 318-5808
dep.wilsonsantos@...


#291 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 7 de Dez de 2001 6:42 pm
Assunto: BOLETIM 93 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Reforçando o apelo de ontem feito através do Boletim Extra “Apoio Urgente -- Transgênicos”, pedimos a todos que se manifestem junto aos deputados federais membros da Comissão Especial da Câmara dedicada a avaliar os Projetos de Lei (PLs) sobre transgênicos que tramitavam anteriormente na Casa e propor um substitutivo.

Como já dissemos, está marcada para a próxima terça-feira (11/12) a votação do Projeto de Lei do Deputado Federal Confúcio Moura (PMDB/RO) na Comissão.

Após algumas sessões fracassadas por falta de quorum, o Dep. Confúcio conseguiu levar 21 deputados da bancada ruralista para sessão da última terça-feira, 04/12 (eram preciso 18 para realizar a votação). A votação só não se concretizou porque o Dep. João Grandão (PT/MS) pediu vistas e, com isso, conseguiu adiá-la por mais uma semana.

Agora a bancada ruralista está decididamente disposta a votar o projeto e voltará a comparecer em peso na próxima terça para a votação (o recurso do pedido de vistas não pode ser usado novamente).

Diz-se no Congresso que a bancada negociou votar pela liberação dos transgênicos em troca do não veto do governo ao projeto de lei que praticamente perdoa a dívida de 45 bilhões de reais dos grandes produtores agrícolas.

Apesar de tudo, experiências anteriores nos mostram que uma população consciente e articulada tem real poder de pressão sobre as decisões parlamentares, sobretudo quando o assunto vira pauta da imprensa.

Por isso reforçamos: não descansem! Enviem aos deputados quantos e-mails puderem, articulem seus amigos e parentes para que também participem. Escrevam para os seus jornais preferidos, liguem para as rádios que ouvem chamando a atenção para este problema.

Contamos com a sua participação neste importante passo de definição do futuro da nossa comida, da nossa agricultura, do nosso ambiente e da nossa economia.

Atue já!

Mande e-mails para todos os deputados da Comissão, exigindo que eles assumam uma postura responsável e lutem pela criação de uma lei séria, que garanta a segurança da população brasileira e do meio ambiente.

Para mandar e-mails para todos os deputados da Comissão, você pode clicar nos dois links abaixo:

Comissão-Transgênicos1
Comissão-Transgênicos2

Você pode escrever mensagens como a que segue:

“Prezado Sr(a) Deputado(a) Federal
Membro da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados,

Confiamos que os senhores, Deputados membros da Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito nacional, não permitirão a aprovação de um Projeto de Lei que dispense os organismos transgênicos de Estudos de Impacto Ambiental, de avaliação de riscos para a saúde e de rotulagem plena. Acreditamos que os senhores lutarão por uma lei que garanta que nenhum organismo transgênico seja liberado no Brasil antes que haja certeza científica sobre sua segurança para a saúde da população e para o meio ambiente e que os direitos de plena informação aos consumidores sejam garantidos.
Nós acompanharemos a votação e daremos ampla divulgação de seu voto em prol dos direitos do consumidor e do meio ambiente.”

Errata:
No Boletim extra divulgado ontem (06/12), os dados referentes ao Deputado Federal Luiz Eduardo Greenhalgh -- na lista de deputados membros da Comissão Especial dos Projetos de Lei sobre transgênicos, ao final da mensagem -- estavam errados. Os dados corretos são os que seguem:
Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh (PT / SP)
Tel.: (61) 318-5466
dep.luizeduardogreenhalgh@...


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Neste número:

1. Ameaças legais dos transgênicos para os agricultores
2. Canola transgênica “espontânea” é encontrada na Inglaterra
3. Custo de produção da soja brasileira é metade da americana
4. Novas normas para animais transgênicos na Colômbia são criticadas por ONGs
5. Brasil rouba mercado argentino ao exportar milho não transgênico para a Espanha
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Safra de arroz 90% maior em culturas mistas

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1. Ameaças legais dos transgênicos para os agricultores
De acordo com um documento publicado pelo IATP (Instituto para Agricultura e Política de Comércio, na sigla em inglês) e o GEFA (Alerta para Alimentos Transgênicos, em inglês) em colaboração à Campanha Contra Transgênicos da entidade ‘Agricultor a Agricultor’, os agricultores têm enfrentado grandes riscos de responsabilidade legal relacionados ao cultivo de transgênicos, sobre os quais as cortes estão apenas começando a lidar.
“Ao avaliar os custos e benefícios do cultivo de transgênicos, os agricultores devem levar em conta não apenas os custos de produção e as produtividades esperadas, mas também as responsabilidades legais às quais eles podem estar sujeitos ao plantar, produzir e comercializar cultivos transgênicos”, disse o autor do documento, David Mueller -- advogado do Grupo de Ação Legal dos Agricultores, em St. Paul, Minnesota (EUA).
O documento “Ameaças Legais dos Transgênicos para os Agricultores” detalha um grande número de riscos legais, incluindo aqueles relacionados à contaminação de cultivos vizinhos através da polinização -- particularmente no caso da canola e do milho. “Agricultores e empresas de sementes que são responsáveis pela contaminação com transgênicos nas lavouras vizinhas, podem ser responsabilizados pelos prejuízos”, observa o autor. (...)
“Agricultores estão sendo processados por terem em suas propriedades transgênicos que eles não compraram, não desejam, não querem utilizar e não conseguem vender”, disse o agricultor de North Dakota, Tom Wiley. “Se eu contaminar a propriedade do meu vizinho eu tenho total responsabilidade. Os agricultores precisam de uma proteção legal que garanta que as indústrias de biotecnologia que contaminarem seus cultivos com transgênicos assumam toda a responsabilidade”.
O documento mostra que os agricultores que possuem contratos de venda de cultivos não-transgênicos podem ser responsabilizados pelos prejuízos se seus cultivos forem contaminados. (...)
Genetically Engineered Food Alert,  www.gefoodalert.org, 4/12/01.
Visite também o site
www.iatp.org

2. Canola transgênica “espontânea” é encontrada na Inglaterra
A ONG Amigos da Terra fez um chamado ao governo inglês para deter os campos experimentais a céu aberto com cultivos transgênicos e para que processe a empresa de transgênicos Aventis, depois da descoberta de plantas transgênicas “invasoras” crescendo ilegalmente em Lincolshire.
A canola transgênica “espontânea”, já em flor, foi encontrada no local usado no início deste ano para experimentos a céu aberto com transgênicos, promovidos pelo governo.
A empresa Aventis é legalmente responsável por assegurar que estas plantas transgênicas “espontâneas” não sobrevivam até a sua floração. Quando florecem, as planta transgênicas podem contaminar a canola não-transgênica e outras plantas nativas aparentadas. A Amigos da Terra escreveu para a Secretária de Estado, Margaret Beckett, exigindo que ela ordene a destruição imediata das plantas e que processe a Aventis por infringir o consentimento para a liberação dos transgênicos.
Na semana passada a revista Nature relatou a descoberta de contaminação do milho nativo mexicano com transgênicos em região remota do México. O milho é uma planta originária do México e todas as variedades comerciais de milho foram desenvolvidas a partir deste estoque selvagem. Similarmente, o centro de diversidade da canola é a Europa. As conseqüências do cruzamento de canola transgênica com plantas selvagens são desconhecidas.
Press Release, 3/12/01  www.ufrj.br/consumo

3. Custo de produção da soja brasileira é metade da americana
Apesar dos pesados subsídios concedidos à lavoura de soja nos EUA, os produtores de Sorriso, no Mato Grosso, são mais eficientes do que a concorrência. A conclusão é do pesquisador Rodolfo Hirsch, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, que passou os últimos meses elaborando um estudo comparativo entre produtores do município mato-grossense e de Illinois, um dos principais Estados produtores de soja dos EUA.
Uma das principais constatações diz respeito aos custos totais de produção, que no Brasil não passam da metade dos verificados nos EUA. Enquanto no Mato Grosso ficam em US$ 386 por hectare, em Illinois alcançam US$ 798 por hectare. (...)
Valor Econômico, 5/12/01.
N.E.: Quase a totalidade da soja plantada em Illinois é transgênica.

4. Novas normas para animais transgênicos na Colômbia são criticadas por ONGs
O Departamento Agricultura da Colômbia divulgou, em 6 de novembro, novas normas para importação, produção, comercialização e pesquisa de organismos transgênicos relacionadas à produção e à saúde animal, seus derivados e produtos que os contenham.
As normas contidas na Resolução No. 2935, foram aprovadas pelo Instituto Colombiano de Agropecuária (ICA), órgão independente do governo que licencia produtos agrícolas, alimentos, sementes, agroquímicos e produtos relacionados. (...)
Um grande número de ONGs ambientalistas colombianas criticou esta resolução. Elas se referiram à resolução como o último exemplo de fracasso do ICA ao não levar em conta o “princípio de precaução” garantido pela Constituição colombiana e pelas leis ambientais. (...)
Germán Vélez, da ONG Sementes, observou que a Colômbia não tem uma lei nacional que permita ao governo ou aos consumidores identificar se alimentos importados têm origem transgênica.
Ele e outros ativistas ambientais já haviam tentado negociar uma norma nacional para transgênicos antes do ICA publicar sua resolução, mas foram ignorados. (...)
Ele ainda criticou as novas normas por darem ao Conselho Técnico Nacional de Biossegurança Agrícola, que ele diz representar a indústria de sementes, as preocupações industriais e os institutos de pesquisa diretamente envolvidos com a biotecnologia, a responsabilidade para avaliar animais transgênicos e seus derivados. Entre os onze membros deste conselho, há apenas um representante de associações de agricultores. (...)
International Environment Reporter, vol. 24, n. 24, 21/11/01.

5. Brasil rouba mercado argentino ao exportar milho não transgênico para a Espanha
A principal empresa de grãos latino-americana, a COAMO, disse que o milho brasileiro não-transgênico continua a ser atrativo para compradores internacionais como a Espanha. (...)
“Se os preços forem mantidos, a Espanha comprará mais milho brasileiro nas próximas safras. Realmente não existem outras opções para a obtenção do milho livre de transgênicos neste momento”, disse o representante da COAMO Roberto de Melo para a Reuters.
A Espanha pagou entre US$ 96 e US$ 97 a tonelada pelo milho comprado em março, enquanto o preço de mercado no momento estava entre US$ 90 e US$ 91 a tonelada, disse Melo. Esta foi a primeira vez que o Brasil vendeu milho para a Espanha desde 1996.
A Argentina, que freqüentemente abastece grande parte das importações anuais de milho da Espanha, esperava ganhar posição de fornecedora exclusiva das 450.000 toneladas pré-determinadas para a Espanha pela União Européia no início de novembro. Mas o Brasil ganhou o contrato para suprir a Espanha com o milho para a alimentação animal pois pode oferecer milho não-transgênico, adicionou Melo. (...)
Reuters, 09/03/01.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Safra de arroz 90% maior em culturas mistas
Os lavradores chineses dão o exemplo. Em vez de seguirem as monoculturas adotadas em todo o mundo, os lavradores da província de Yunnan plantaram uma mistura de diversos tipos de arroz. Um método usado antigamente de forma padronizada leva hoje a resultados surpreendentes. Os lavradores colheram quase 90% mais arroz do que seus colegas com as monoculturas e puderam reduzir em 94% o ataque severo de fungos.
A razão disso está no fato de que os predadores avançam facilmente no campo em que todas as plantas são geneticamente idênticas. Vencem rapidamente a resistência natural das plantas e também se tornam resistentes aos pesticidas e fungicidas aplicados. Por isso, a monocultura exige o uso constante de agrotóxicos novos e venenosos. Um círculo vicioso infernal que pode ser combatido com o método simples das culturas mistas, pois multiplicidade genética produz estabilidade. Plantas resistentes que são atacadas, mas não infectadas por um fungo, desenvolvem um tipo de imunidade que as protege também de outros fungos. Um campo onde há diversidade genética dificulta a adaptação do parasita, pois ele encontrará sempre novos obstáculos. O ataque de fungos nas áreas de teste está atualmente tão reduzido que os lavradores podem dispensar a aplicação de fungicidas.
Com meios simples obtiveram aquilo que a tecnologia genética promete há muito tempo, mas até agora não conseguiu concretizar. O uso de organismos geneticamente manipulados ainda não permitiu aumentar a safra, nem reduzir o uso de pesticidas (segundo informação dos Ministérios da Agricultura dos Estados Unidos e do Canadá).
Nature, vol 406, pp 681-718.
http://www.taps.org.br/aorganica03.htm

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#292 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 14 de Dez de 2001 9:41 pm
Assunto: BOLETIM 94 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Vocês devem ter lido nos principais jornais brasileiros sobre o adiamento da votação do Projeto de Lei do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), na Comissão Especial da Câmara sobre Alimentos Geneticamente Modificados, para a próxima terça-feira (18/12).

A sessão de votação estava marcada para a última terça-feira (11/12) e foi, na última hora, transferida para quarta-feira (12/12) por falta de salas disponíveis no corredor das comissões da Câmara. Esta mudança não foi suficiente para desanimar o público contrário à aprovação do PL, que compareceu em massa ao plenário da votação.

Diga-se de passagem, o “público” foi excelente em mostrar a posição da população brasileira sobre o assunto. Além dos deputados membros da Comissão terem recebido uma média de 800 mensagens diárias nas vésperas da sessão pedindo pela não aprovação do PL, foi entregue na Comissão um abaixo-assinado de cerca de 1.500 entidades com o mesmo apelo.

Os deputados contrários ao PL também compareceram em peso à reunião. Infelizmente, eles são minoria na composição da Comissão, contra uma maioria de ruralistas da pior espécie, como Moacir Micheleto (PMDB/PR), Xico Graziano (PSDB/SP) e Silas Brasileiro (PMDB/MG).

O Dep. João Grandão (PT/MS) propôs um Voto Separado -- um substitutivo ao PL do Dep. Confúcio -- que foi assinado também pelos deputados Fernando Ferro (PT/PE), Nilson Mourão (PT/AC), Iara Bernardi (PT/SP) e Marcos Afonso (PT/AC). Este PL proíbe, pelo prazo mínimo de cinco anos, a produção, a importação, a comercialização e a liberação no meio ambiente de transgênicos, salvo para pesquisa científica. Ele estabelece que durante este prazo os órgãos competentes do governo devem elaborar mecanismos para a avaliação de riscos (este Voto Separado só vai a votação se o PL do Dep. Confúcio for rejeitado pela Comissão).

Além disto, muitos dos deputados, inclusive da base governista, propuseram alterações ao PL do Dep. Confúcio Moura.

No entanto, todas as considerações e propostas levantadas foram ignoradas e a bancada ruralista conseguiu votar pelo fim da discussão e pela instalação da votação do PL do Dep. Confúcio, que somente não ocorreu devido à chegada da Ordem do Dia, momento em que o Plenário da Câmara exige a presença de todos os deputados e os trabalhos das Comissões são obrigatoriamente encerrados.

Isto significa que a próxima sessão da Comissão começará com a votação, ou seja, não haverá mais nenhum espaço para discussão.

Para complicar um pouco mais este cenário, o Congresso Nacional se auto-convocou para mais uma semana de atividades antes de entrar em recesso -- a semana de 17 a 21 de dezembro. Normalmente, as atividades se encerrariam no dia 15/12.

Ainda não está definido se as Comissões poderão funcionar nesta semana. Se de fato funcionarem, a votação do PL acontecerá na próxima terça (18/12).

Esta é, portanto, a reta final este ano. Precisamos continuar pressionando os deputados por mais alguns dias para que não permitam que um PL que simplesmente atende a todas as exigências do governo e das multinacionais de biotecnologia, deixando de lado a segurança da população, do meio ambiente e da economia brasileira seja aprovado.

Neste sentido novamente pedimos a todos que continuem mandando mensagens para os deputados, exigindo a não aprovação deste PL vergonhoso.

Se conseguirmos ao menos que o PL novamente não seja votado na próxima semana, a votação se adia para o próximo ano. Neste caso, teremos mais tempo para articular a sua oposição.

Portanto, mais uma vez pedimos: mandem mensagens para todos os deputados da Comissão Especial de Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos Deputados, clicando nos dois links abaixo:

Comissão-Transgênicos1
Comissão-Transgênicos2

As mensagens podem ser do seguinte teor:

“Prezado Sr(a) Deputado(a) Federal
Membro da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados,

Confiamos que os senhores, Deputados membros da Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito nacional, não permitirão a aprovação de um Projeto de Lei que dispense os organismos transgênicos de Estudos de Impacto Ambiental, de avaliação de riscos para a saúde e de rotulagem plena. Acreditamos que os senhores lutarão por uma lei que garanta que nenhum organismo transgênico seja liberado no Brasil antes que haja certeza científica sobre sua segurança para a saúde da população e para o meio ambiente e que os direitos de plena informação aos consumidores sejam garantidos.
Nós acompanharemos a votação e daremos ampla divulgação de seu voto em prol dos direitos do consumidor e do meio ambiente.”

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Neste número:
1. Greenpeace protesta contra o PL que visa a liberar os transgênicos no Brasil
2. Estudo comprova: milho Bt dá prejuízo!
3. Governo Americano pressiona Croácia a não aprovar lei banindo os transgênicos
4. Unanimidade no Congresso mexicano pela a proibição dos transgênicos
5. Rejeição a transgênico atinge 71% na Europa
6. EUA perdem mercado de soja para o Brasil
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cresce a procura por soja orgânica

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1. Greenpeace protesta contra o PL que visa a liberar os transgênicos no Brasil
Ativistas do Greenpeace colocaram na última segunda-feira no lago em frente ao Congresso Nacional um prato de espuma, com três metros de diâmetro, com uma faca e um garfo, representando uma pesquisa que mostra que 74% dos brasileiros preferem os alimentos convencionais aos geneticamente modificados. O alvo do protesto é o substitutivo do deputado Confúcio Moura (PMDB-RO), favorável à produção de alimentos transgênicos no país. (...)
A pesquisa foi realizada pelo Ibope entre os dias 18 e 24 de julho, com 2 mil pessoas, em todo o Brasil. De acordo com os resultados, 74% preferem não consumir um alimento geneticamente modificado e 67% são contrários ao plantio comercial de transgênicos enquanto não houver consenso na comunidade científica sobre a segurança destes alimentos.
“O substitutivo não propõe a avaliação dos impactos da produção de transgênicos no meio ambiente ou na saúde humana”, protestou a coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace, Mariana Paoli. (...)
Estado de São Paulo, 11/12/01.

2. Estudo comprova: milho Bt dá prejuízo!
Nos últimos seis anos, agricultores que cultivaram o milho transgênico Bt perderam US$ 92 milhões, ou uma média de cerca de US$ 1,31 por acre, de acordo com a primeira análise econômica do produto em propriedades agrícolas. (...)
O documento chamado “Quando a plantação de milho Bt se paga: impactos econômicos do milho Bt nas propriedades agrícolas, 1996-2001”, do Dr. Charles Benbrook, da empresa Serviços de Consultoria Benbrook. O Dr. Benbrook trabalhava anteriormente como diretor executivo do Conselho de Agricultura da Academia Nacional de Ciência dos EUA.
O relatório mostra que, entre 1996 e 2001, agricultores americanos pagaram no mínimo US$ 659 milhões em prêmios para plantar o milho Bt, enquanto aumentaram suas colheitas somente em 276 milhões de bushels -- o que vale algo em torno de US$ 567 milhões em ganhos econômicos. O resultado para os agricultores foi um prejuízo liquido de US$ 92 milhões -- cerca de US$ 1,31 por ano.
“Em média, o aumento na renda ocasionado pelo milho Bt não aumentou o rendimento dos agricultores o suficiente para cobrir os altos custos da semente Bt”, disse o Dr. Benbroook. “O salto dos gastos por acre com semente de milho Bt é de longe o maior na história, relacionado a uma única nova característica.” (...)
“Nós estimamos que os EUA perderam cerca de 350 milhões de bushels na exportação de milho para a União Européia de 1996-1997, devido principalmente à não aceitação dos transgênicos pela União Européia”, disse Dan McGuire, da Associação Americana dos Produtores de Milho (ACGA, na sigla em inglês). “As conclusões do relatório são parte do tripé de aspectos negativos para os agricultores: perda nas exportações de milho, diminuição dos preços do milho e menor lucro líquido com o milho transgênico (Bt), motivos pelos quais a ACGA está alertando os agricultores sobre suas escolhas de sementes.” (...)
Institute for Agriculture and Trade Policy, 13/12/01.

3. Governo Americano pressiona Croácia a não aprovar lei banindo os transgênicos
As ONG’s ANPED e Amigos da Terra Internacional denunciaram a intimação americana sobre o governo da Croácia contra seu plano de introduzir uma lei que visa à proibição dos transgênicos.
O grupo ambientalista Green Action-FoE, da Croácia, descobriu um documento emitido pela Embaixada dos EUA para o Ministro do Meio Ambiente da Croácia. Neste documento, a Croácia é ameaçada de ser sancionada pela a OMC caso adote a lei que bane os transgênicos. Grupos americanos ambientalistas também receberam uma cópia do documento americano responderam rapidamente, criticando a atitude do governo dos EUA sobre a Croácia. Uma nota denunciando as ameaças foi divulgada na imprensa por grupos da Croácia, Bruxelas, Viena e Washington.
Friends of the Earth Internacional, 12/12/01.

4. Unanimidade no Congresso mexicano pela a proibição dos transgênicos
O congresso mexicano exigiu esta semana, unanimemente, que o presidente Vicente Fox proíba a importação de milho geneticamente modificado e alertou que o milho transgênico pode afetar a integridade genética dos cultivos mexicanos e ameaçar o abastecimento alimentar do país. (...)
O senado exigiu o acesso ao resultado do estudo da Secretaria da Agricultura sobre o milho contaminado em Oaxaca, bem como os avanços na criação de uma Comissão Federal em Biossegurança. Enquanto isso, a Assembléia Legislativa do Estado de Oaxaca está se esforçando para que oficiais da agricultura dêem informações sobre a situação do milho em seu estado, o que “pode ter repercussões na saúde dos moradores de Oaxaca e prejudicar a capacidade de se auto-abastecer”, disseram os legisladores.
TheNewsMexico.com, 6/12/01.

5. Rejeição a transgênico atinge 71% na Europa
Os europeus não confiam nos transgênicos e não os querem em sua alimentação. Aqueles que dizem ter mais conhecimento sobre o assunto se declaram ainda mais desconfiados que a média.
Segundo resultados do Eurobarômetro (pesquisa nesse caso dedicada a ciência e tecnologia na Europa) apresentados em Bruxelas, 70,9% dos cidadãos são totalmente contra o uso de transgênicos em produtos alimentícios. E 59,4% crêem que os transgênicos podem ter efeitos negativos no ambiente, porcentagem que sobe para 66% entre europeus que declararam estar bem informados. (...)
De qualquer forma, quase todos (94,6%) desejam poder saber quais alimentos são transgênicos, demanda que corresponde à política européia de promover a obrigatoriedade de rótulos específicos para esses produtos.
El país, 10/12/01.
Folha de São Paulo, 10/12/01.

6. EUA perdem mercado de soja para o Brasil
Maior produtor mundial de soja, os EUA estão perdendo a participação no mercado internacional, sobretudo para o Brasil e a Argentina. Os norte-americanos dominavam mais da metade do mercado mundial na safra 1999/00, com uma fatia 57% nas exportações. A previsão no momento é de que abocanhem 46% na safra 2001/02, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Neste mesmo período, prevaleceu a maior agressividade dos países sul-americanos. A participação brasileira subiu de 24% para 30%, praticamente um terço do mercado mundial. (...)
Nas últimas duas safras, o Brasil aumentou sua produção em quase 22%, para 41,5 milhões de toneladas, de acordo com fontes do mercado. (...)
Mesmo com o volume de embarque maior a cada safra, os EUA têm perdido espaço para mercados que priorizam o grão não-transgênico, o que favorece diretamente o Brasil, diz Vinicius Ito, operador da Firmat Futures. Por conta deste fator, os norte americanos deixaram de crescer nos mercados da União Européia (EU) e da Ásia, sobretudo na China. “Cerca de 70% dos grãos do EUA são geneticamente modificados”, afirma Ito.(...) Com o receio de importar grão transgênico, a importação norte-americana se retraiu.
A expectativa é de que as exportações norte-americanas atinjam 27,22 milhões de toneladas nesta safra, alta de 0,1% sobre o ano anterior, de 27,17 milhões de toneladas. Em contrapartida, os países sul-americanos crescerão mais. O Brasil elevará os embarques em 13%, ou 2 milhões de toneladas a mais, para 17,5 milhão de toneladas do grão.
Gazeta Mercantil, 14/12/01.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Cresce a procura por soja orgânica
O Brasil está ampliando mercados para a soja orgânica. Tamanha é a procura pela oleaginosa que os agricultores já estão conseguindo exportar até o grão oriundo de sistemas em conversão. Para atender a esta demanda, estima-se que na próxima safra a área aumente 30%.
Em média, 95% da produção orgânica de soja é vendida para países europeus, Estados Unidos e Japão. "Este salto se deve a uma reativação de áreas antigamente paradas e ao aumento da demanda por este produto", explica Jorge Vailati, gerente do IBD. Segundo ele, o mal da vaca louca provocou maior procura por proteína vegetal. O prêmio para o produto certificado pode chegar a 100% sobre o valor pago a soja convencional, enquanto os custos muitas vezes são menores. Vailati diz que entre os agricultores familiares o custo de produção da soja orgânica é inferior à convencional, aumentando à medida que a mecanização se torna necessária.
Em termos de produtividade, o índice alcançado pelo grão sem agrotóxico não fica muito abaixo do convencional; 2,1 toneladas por hectare frente às 2,6 ton/ha.
Apesar de o Centro-Oeste ser a principal região produtora de soja no País, as experiências com soja orgânica ainda não estão diversificadas. Parte cultivada em pequenas propriedades, no Sul do País e, o restante, em Mato Grosso - maior produtor nacional do grão convencional. No Mato Grosso do Sul inicia-se um projeto na Fazenda Itamarati com assentados que irão comercializar através da Organics Corporation. No Mato Grosso, a experiência limita-se ao município de Tangará da Serra. No Distrito Federal, a área cultivada com soja orgânica terá um incremento de 50%. Este é o segundo ano em que os produtores plantam soja sem agrotóxico na região.
Todo o cultivo será comercializado através da empresa Cabinet Boyer, da França. "Imaginamos que, com o contrato concretizado, aumente a área no próximo ano", diz Joe Carlo Vale, coordenador do Programa de Agricultura Orgânica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Deste modo, os agricultores do Distrito Federal venderão o grão a US$ 250 a tonelada - quando a convencional é comercializada a US$ 160 a tonelada. Para o próximo ano a Cabinet Boyer promete desembolsar US$ 400 por tonelada, segundo Vale.
O custo da produção orgânica é discutível. O agricultor Alberto Figueira acha que gastará menos em insumos que no cultivo convencional, no entanto, garante que a burocracia da certificação para a venda internacional deve absorver boa parte de seu prêmio. O controle de insetos será feito por técnicas de controle biológico e a adubação será orgânica. Para o controle de ervas daninhas, Figueira precisará contratar mais mão-de-obra, o que pode encarecer o cultivo.
In: Gazeta Mercantil, 22/11/01.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

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#293 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qui, 20 de Dez de 2001 2:49 pm
Assunto: BOLETIM 95 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Estamos vencendo mais um ano de trabalho intenso e de enormes desafios. E felizmente, livres de transgênicos. É, temos do quê nos orgulhar!

Apesar da Medida Provisória publicada pelo governo FHC ampliando os poderes da CTNBio, das veementes declarações do nosso Ministro da Agricultura, Pratini de Morais, de que liberaria a soja Roundup Ready da Monsanto para cultivo comercial no Brasil em julho, do Termo de Referência “estranhamente” publicado pelo Ibama para a Monsanto realizar o EIA/RIMA da sua soja, atropelando todo o trabalho e o esforço de mais de um ano do Conama, do escandaloso decreto “regulamentando” a rotulagem dos alimentos industrializados contendo transgênicos... fechamos mais um ano de forma vitoriosa.

Por outro lado, mais um ano se passou sem que estudos completos e independentes de avaliação dos impactos dos transgênicos no meio ambiente e na saúde humana fossem realizados. O tempo passa, e a indústria e o governo continuam insistindo em tentar nos impor estes produtos à força, sem cumprir procedimentos de precaução mínimos e necessários.

Mas a sociedade civil se fortalece, se organiza cada vez mais e resiste! É o pequeno Davi -- com mínimos recursos -- lutando contra os milhões de dólares do gigante Golias. Sem desanimar!

Também não podemos deixar de dar parabéns a todos os que vêm participando desta luta conosco. O apoio maciço da população nos momentos-chave é, sem dúvida, fundamental.

Desejamos a todos ótimas festas e um bom descanso, para entrarmos no novo ano com energia para o trabalho que teremos. Votação do Projeto de Lei do Deputado Confúcio Moura (PMDB/RO) na Comissão Especial em fevereiro*, julgamento da nossa Ação Civil Pública no TRF (Tribunal Regional Federal) também no início do ano, Fórum Social Mundial... teremos muito o que fazer e contamos com a participação de todos vocês.

Um grande abraço e até janeiro de 2002!

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* Finalmente a votação do Projeto de Lei do Deputado Confúcio Moura na Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara não aconteceu. Na última segunda-feira (17/12) de manhã foi publicado o Ato Convocatório com a pauta para os trabalhos da Câmara para esta semana (de auto-convocação), que se restringia a assuntos relacionados a Orçamento. Ou seja, as comissões não puderam funcionar. Assim, a votação fica adiada para o próximo ano, a partir de meados de fevereiro, quando o Congresso volta do recesso parlamentar.

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Neste número:

1. A soja que não nasce
2. Monsanto abre fábrica na Bahia
3. Americanos voltam a testar pesticidas em seres humanos
4. Coréia do Sul importará 300 mil toneladas de soja não-transgênica da China.
5. Novas regras para rotulagem de transgênicos na Austrália e na Nova Zelândia
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Projetos de promoção da agricultura sustentável apresentam resultados excelentes

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1. A soja que não nasce
Movimento dos Pequenos Agricultores comunica e denuncia - soja transgênica plantada clandestinamente no Rio Grande do Sul apresenta graves problemas de germinação
Até poucos dias ouvíamos à boca pequena da parte de agricultores ressabiados e com medo de serem denunciados. Agora já é um murmúrio generalizado em várias partes do estado do Rio Grande do Sul. Há sérios problemas de germinação na soja transgênica. Alguns têm nos falado que nasce menos que 50%, outros que nasce no máximo 60% dos grãos plantados.
Os agricultores enganados procuram os vendedores de sementes que imediatamente substituem por semente convencional e pedem silêncio. O serviço duplo - plantar de novo - fica contabilizado como prejuízo para quem foi atrás de propaganda enganosa.
Um agricultor enganado ouviu do vendedor de sementes a brilhante sugestão de que no caso da soja transgênica ele deveria colocar o dobro de sementes do que ele colocaria no caso da semente convencional! Mas o mais importante disto tudo é entender o fenômeno. O que está acontecendo com esta soja?
Com a palavra os técnicos da Monsanto, da Embrapa e os pesquisadores da área. O fenômeno merece uma pesquisa em profundidade. O que faz uma semente de soja trazida há três anos da Argentina e reproduzida pelos agricultores, perder em tal grau seu potencial germinativo? Sugerimos à imprensa, sempre tão atenta em provar que há soja clandestina no Rio Grande do Sul, comprovar e divulgar que a mesma não nasce.
Por onde iniciar a pesquisa? Nada difícil. Pode-se começar pela região Médio Alto Uruguai, pela região Celeiro ou pelo Planalto Central do Rio Grande do Sul, que não terão nenhuma dificuldade de ouvir muitos murmúrios por todos os cantos. Mas quem precisar, por razões legais, científicas ou jornalísticas, que sejamos mais precisos, não teremos dificuldades em sê-lo.
Movimento dos Pequenos Agricultores  MPA, 18/12/01.

2. Monsanto abre fábrica na Bahia
Segundo maior investimento na Bahia nos últimos 15 anos - primeiro é a Ford -, a fábrica da Monsanto em Camaçari (região metropolitana de Salvador) foi inaugurada ontem. Na primeira fase do projeto foram investidos US$ 350 milhões, de um total de US$ 550 milhões.
A unidade, inaugurada pelo vice-presidente da República, Marco Maciel, pelo governador César Borges (PFL) e pelo ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), vai gerar 350 empregos, segundo a Monsanto. A fábrica vai produzir o glifosato, matéria-prima do Roundup, herbicida usado no cultivo da soja transgênica.
Folha de São Paulo, 15/12/2001.
N.R.: Há muito tempo vimos denunciando o absurdo da construção desta fábrica. Ela recebeu R$ 285.887.830,00
de financiamento do FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste), cujo orçamento para 2000 era de R$ 468 milhões. Tudo isso para gerar 350 empregos diretos, apenas.

3. Americanos voltam a testar pesticidas em seres humanos
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) irá aceitar dados de testes com pesticidas feitos em seres humanos, anunciou um representante da EPA em novembro.
O pronunciamento -- feito num encontro do maior grupo de lobby da indústria de pesticidas da nação, a Associação Americana de Defesa Vegetal -- derruba a moratória de testes em seres humanos estabelecida durante o governo Clinton. Embora o governo tenha dito que a linha de ação para aceitar os testes ainda não tenha sido finalizada, ele admite que a EPA recentemente revisou dados para estudos envolvendo cobaias humanas, realizados pelas empresas de pesticidas.
Em 1998, um Conselho Consultivo Científico de médicos, cientistas e especialistas em ética reunidos pela EPA concluiu que testes com pesticidas em seres humanos “para facilitar os interesses da indústria ou da agricultura” são injustificáveis. Testes humanos se justificam somente se “prometerem razoáveis benefícios para a saúde individual ou de toda a sociedade”, disse o relato do Conselho em fevereiro de 2000.
Críticos argumentam que testes em seres humanos sobre a segurança de pesticidas violam o Código de Nuremburg, que orienta os direitos da pesquisa médica com cobaias, estabelecidos pelos juizes americanos nos tribunais de guerra sobre os crimes nazistas em 1947. O Código de Estado para testes em seres humanos só é justificado se forem plausíveis “para produção de resultados proveitosos para benefício da sociedade, não prováveis de serem conseguidos por outros meios e métodos de estudo”. Os testes da indústria de pesticidas recentemente aceitos pela EPA só levariam ao aumento do uso dos pesticidas testados, além de poderem ser feitos em animais, e portanto não se enquadram neste Código. De acordo com Lynn Goldman, o ex-diretor do Programa de Pesticidas da EPA, a única razão para estes testes começarem a ser conduzidos é gerar mais lucro para as empresas de pesticidas. (...)
PANUPS, 14/12/01.

4. Coréia do Sul importará 300 mil toneladas de soja não-transgênica da China.
A Coréia do Sul importará 300.000 toneladas de soja não-transgênica da China a cada ano, começando pelo ano de 2002, disseram fontes da indústria em Beijing, segundo mencionou um relatório do Serviço de Inspeção de Entrada e Saída da província de Liaoning e do Quarantine Bureau.
A Coréia do Sul irá requerer que os exportadores da China providenciem certificados de não-transgenia para a soja importada, emitidos pelo Serviço de Inspeção chinês e pelas da autoridades Quarantine. Fontes disseram que existem diversas agências que podem emitir estes certificados, mas a Coréia do Sul pede uniformidade na certificação e portanto requer que a certificação seja feita pela Inspeção Oficial.
Normalmente a Coréia do Sul importa cerca de 300.000 toneladas de soja a cada ano para atender as demandas domésticas para uso alimentar, cuja maior parte costumava vir dos EUA.
A Coréia do Sul passou a rotular transgênicos como milho, a soja e o feijão em março de 2001, de acordo com o Ministério Coreano da Agricultura e Silvicultura. (...)
FWN Financial via COMTEX, 11/12/01.

5. Novas regras para rotulagem de transgênicos na Austrália e na Nova Zelândia
A Autoridade em Alimentação da Austrália e Nova Zelândia (ANZFA, na sigla em inglês) divulgou em 4/12/01 um novo panfleto de esclarecimento -- Alimentos Geneticamente Modificados -- expondo para os consumidores as novas regras de rotulagem para alimentos transgênicos, que será efetivada no próximo dia 7.
A partir desta data, os produtos alimentícios à venda na Austrália e na Nova Zelândia que sejam transgênicos ou que contenham ingredientes transgênicos deverão ser identificados, caso existam proteínas ou material geneticamente modificado no produto final. (...)
O diretor da ANZFA, Ian Lidenmayer, disse que no ano passado algumas indústrias alimentícias indicaram a intenção de utilizar preferencialmente ingredientes oriundos de cultivos convencionais. (...)
“Sob os padrões atuais para alimentos, nenhum alimento transgênicos será permitido no mercado  da Austrália e da Nova Zelândia, a menos que passe por rigoroso estudos científicos feitos pela ANZFA e se descubra que seja ao menos tão seguro quanto seu equivalente convencional”, diz Lindenmayer.
A nova regra para rotulagem será implementada por cada estado e território e pelo Governo da Nova Zelândia.
Maiores informações; no site da ANZFA www.anzfa.gov.au ou www.anzfa.govt.nz
Just Food, 4/12/01.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Projetos de promoção da agricultura sustentável apresentam resultados excelentes
O professor Jules Pretty e sua equipe da Universidade de Essex, Inglaterra, avaliaram 208 projetos de promoção da agricultura sustentável em 52 países da Ásia, África e América Latina.
Para todos os projetos, foram levantados dados sobre produtividade, área e número de agricultores envolvidos.
Os resultados foram os seguintes:
- para os 4,42 milhões de agricultores, que cultivam uma área de 3,58 milhões de hectares, a produção de alimentos por família aumentou 1,71 toneladas por ano (um aumento de 73%);
- para os 146 mil agricultores, que cultivam 542 mil hectares com batata, batata-doce e mandioca, o aumento anual na produção de alimentos foi de 17 toneladas por ano; e
- para os grandes produtores da América Latina (com área média de 90 ha), a produção total aumentou em 150 toneladas por unidade produtiva (46%).
Em geral, o sucesso obtido é devido à incorporação de uma ou mais das seguintes inovações tecnológicas:
- intensificação de um dos componentes do sistema produtivo;
- incorporação de um novo elemento produtivo ao sistema;
- práticas conservacionistas de uso de recursos naturais, sobretudo solo e água;
- práticas regenerativas das bases produtivas; e
- adoção e resgate de sementes e raças animais adaptadas às condições locais.
Esses incrementos, tanto na produtividade quanto na produção de alimentos por unidade produtiva, levantam a seguinte questão: por que esses resultados ainda não foram incluídos nas estatísticas nacionais?
Nossa hipótese é a de que existe uma elasticidade significativa no consumo alimentar na maioria das famílias rurais e dos pobres urbanos. O aumento da produção de alimentos está sendo consumido localmente, com substanciais benefícios para a saúde de crianças e adultos. Isto se reflete no número de refeições por dia e/ou numa maior ingestão de proteínas vegetais e leite.
Somente quando esta demanda alimentar for amplamente atendida, será possível vermos estes aumentos de produtividade alimentar em escalas significativas nos mercados nacionais e inclusive nos internacionais.
Fonte: adaptado de http://www2.essex.ac.uk/ces/ResearchProgrammes/ListofSusag.htm

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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#294 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qua, 30 de Jan de 2002 8:11 pm
Assunto: BOLETIM 99 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” protocolou hoje (30/01/02) uma carta ao Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, solicitando uma audiência em caráter de urgência para esclarecer os fatos que vêm sendo divulgados durante os últimos dias em importantes jornais brasileiros, como o Valor Econômico, o Estado de São Paulo e o Zero Hora.

Tratam-se das decisões tiradas da reunião inter-ministerial, convocada por FHC e realizada no dia 24/01 para discutir o tema dos transgênicos, que contou com a presença dos ministros Marcus Vinícius Pratini de Moraes (Agricultura), José Sarney Filho (Meio Ambiente), Ronaldo Sardenberg (Ciência e Tecnologia), Sérgio Amaral (Desenvolvimento), Pedro Parente (Casa Civil) e Gilmar Mendes (Advocacia Geral da União).

Segundo matéria publicada em 28/01 no jornal Valor, “O governo decidiu acelerar a liberação comercial dos organismos geneticamente modificados no país e acabar com as dissidências internas sobre o tema. Em reunião no Planalto, na quinta-feira passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso determinou pessoalmente a unificação das várias interpretações legais dos ministérios e concedeu total aval para a desobstrução do caminho aos transgênicos no país”. (...) “A partir de agora, os ministérios não poderão divergir publicamente. Todas as questões técnicas deverão ser tratadas internamente e quem discordar em público será repreendido”.

Esta determinação, como o jornal Valor descreve, já vem sendo chamada em alguns ministérios de “lei da mordaça”.

Sabe-se que o principal alvo desta “lei” é o ministro José Sarney Filho, que vem assumindo uma postura mais cautelosa quanto à liberação precoce e descontrolada dos transgênicos no Brasil.

Outra informação escandalosa divulgada nos jornais refere-se a uma interferência do governo sobre o trabalho de elaboração dos critérios e procedimentos para o licenciamento ambiental de transgênicos que o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) vem conduzindo.

Segundo o Valor, “FHC determinou o ‘monitoramento’ das regras de licenciamento ambiental, em discussão no Conama. O governo quer evitar uma resolução que dificulte a licença para transgênicos.”

Para tanto, o governo determinou a criação de um Grupo de Trabalho, liderado pela Casa Civil, que buscará evitar que o Conama finalize e aprove sua proposta de licenciamento ambiental que exige Estudos de Impacto Ambiental para a introdução de transgênicos no meio ambiente.

As entidades que compõe a Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” têm plena convicção de que a liberação dos transgênicos causará enormes prejuízos à economia brasileira e são conhecedoras dos riscos que eles representam para a saúde humana e o meio ambiente.

Apesar de saberem que há uma decisão judicial que condiciona a liberação dos transgênicos no Brasil a procedimentos de controle e avaliação de riscos que ainda não foram cumpridos -- ou seja, no momento a liberação dos transgênicos no País não depende apenas da vontade do Poder Executivo -- as entidades da Campanha se colocam extremamente preocupadas com o cenário acima descrito e esperam que o governo assuma uma postura democrática e conceda a audiência solicitada o mais rápido possível.

As Organizações Não Governamentais aproveitarão a audiência para, além de esclarecer as informações acima citadas, se prontificar a fornecer maiores informações sobre o assunto e ajudar o Governo brasileiro a traçar uma séria e completa política de biossegurança.

 ATENÇÃO

O Seminário “Ação contra transgênicos: construindo alianças - mobilizando a sociedade”, a ser realizado nos dias 3 e 4 de fevereiro das 14:00 às 18:00 h, no Fórum Social Mundial II, em Porto Alegre / RS, mudou de endereço. Tome nota do novo local:

PUC - Pontifícia Universidade Católica
Av. Ipiranga, 6681 - Porto Alegre / RS
Auditório da Faculdade de Direito (sala P-11)

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Neste número:

1. Abia “força a barra” para tentar vender alimentos transgênicos no Brasil
2. Nova lei chinesa favorece soja do Brasil
3. Supermercados britânicos mantêm sua oposição sobre transgênicos
4. Estudante holandês comprova transgênicos são prejudiciais à saúde de ratos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultores optam pela “nova agricultura” em Bangladesh

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1. Abia “força a barra” para tentar vender alimentos transgênicos no Brasil
A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) solicitou esta semana à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) parecer conclusivo para autorizar a importação e a comercialização de produtos industrializados derivados de soja geneticamente modificada.
A secretária-executiva da CTNBio, Cristina Possas, confirmou ao Valor, por meio de sua assessoria, o recebimento do pedido. A estratégia da indústria é "se pode rotular, também pode vender". O decreto de rotulagem do governo, que fixou 4% como limite máximo para isentar da informação nas embalagens sobre a presença de transgênico, entrou em vigor em dezembro de 2001. (...)
As ONGs prometem reagir à iniciativa da Abia. "É inútil tentar isso, por que não é a CTNBio quem dá a palavra final sobre o tema. O poder, depois de resolvido o embargo da Justiça Federal, cabe à Anvisa", resume Marilena Lazzarini, coordenadora-executiva do Idec. (...)
Valor Econômico, 25/01/02.

2. Nova lei chinesa favorece soja do Brasil
A nova legislação chinesa para importação de grãos e alimentos ainda gera controvérsias, mas a primeira avaliação é de que deve favorecer as vendas brasileiras de soja para o país asiático. Conforme a lei, que entra em vigor dia 20 de março na China, os exportadores terão de apresentar documentos de agências de inspeção credenciadas pelo governo do país de origem certificando a segurança dos produtos comercializados.
No caso da soja transgênica, o produto terá de ser rotulado como tal e o exportador terá de certificar que o item é liberado no país de origem e que não causa danos ao homem, animais, plantas e meio ambiente.
É neste ponto que as exportações brasileiras podem ser favorecidas, uma vez que os exatos efeitos dos transgênicos ainda são quase desconhecidos. "A legislação chinesa tende a beneficiar a soja brasileira, já que o plantio de transgênicos no Brasil é restrito"*, diz Anderson Galvão, da consultoria MPrado.
Para Renato Sayeg, o produto brasileiro deve ser beneficiado, mas ainda não é possível saber a dimensão do favorecimento. O certo, na visão de Sayeg, é que o fato de ter soja não-transgênica já vem fazendo o Brasil ganhar espaço na China. Entre janeiro e outubro de 2001, as importações chinesas de soja cresceram 31%, para 13,220 milhões de toneladas sobre igual período no ano anterior, segundo Sayeg. Na mesma época, as vendas brasileiras para o país cresceram 78%, para 3,174 milhões de toneladas.
Mas ainda que a legislação favoreça o Brasil, ela também é mais rígida para os produtos convencionais. Pela nova lei, se um carregamento de soja vendido como convencional tiver um percentual mínimo que seja de grãos modificados, será devolvido ao país de origem. "Os exportadores terão de atestar que o produto é não-transgênico antes do embarque", observa Galvão. (...)
Valor Econômico, 29/01/02.
* N.E.: O plantio de transgênicos no Brasil não é “restrito”, e sim  proibido por uma decisão judicial proferida pelo Juiz Titular Antônio Souza Prudente da 6a. Vara Federal do Distrito Federal.

3. Supermercados britânicos mantêm sua oposição sobre transgênicos
O site gmfoodnews.com realizou uma pesquisa nos supermercados britânicos sobre sua posição em relação aos alimentos e ingredientes transgênicos para 2002.
Os resultados demonstram que a oposição aos alimentos transgênicos é tão grande quanto era em 1999, quando os supermercados removeram alimentos e ingredientes transgênicos de suas prateleiras.
Assim como, em 1999, nenhum dos supermercados britânicos usou alimentos ou ingredientes transgênicos nos produtos de suas marcas.
www,ufrj.br/consumo, 08/01/02.

4. Estudante holandês comprova transgênicos são prejudiciais à saúde de ratos
Um jovem estudante holandês, Hinze Hogendoorn, preocupado com a falha da indústria e do governo de não terem feito estudos científicos apropriados sobre a segurança de se consumir milho e outros alimentos transgênicos, decidiu recentemente colocar a mão na massa. A Dr. Mae Wan Ho, geneticista britânica de renome mundial e crítica da biotecnologia, relatou em dezembro os resultados do experimento de alimentação animal simples e notável de Hogendoorn, em seu site www.i-sis.org
Veja alguns trechos do relato da Dr. Mae Wan Ho:
Um agricultor holandês deixou duas pilhas de milho em um celeiro infestado de ratos; uma pilha continha milho transgênico e a outra, milho não-transgênico. A pilha com o milho transgênico não foi nem tocada pelos ratos, enquanto a pilha com o milho não-transgênico foi toda comida. Incrível! O jovem estagiário da University College de Utrecht, Hinze Hogendoorn, criou suas próprias provas de laboratório e confirmou sua descoberta. Um grupo ativista chamado Jongeren Milieu Aktief, apresentou a pesquisa de Hinze por escrito ao parlamento holandês em 11/12/01 e a disponibilizou em seu site www.talk2000.nl
Quando Hinze começou seus experimentos, não pode encontrar na internet nenhuma pesquisa científica com provas sobre a preferência dos animais pelos alimentos transgênicos aos não-transgênicos. Estendendo sua pesquisa sobre os efeitos dos alimentos transgênicos nos animais, encontrou relatos de empresas que desenvolveram alimentos transgênicos, todos declarando que não havia impactos adversos. Hinze também descobriu que pesquisadores independentes detectaram efeitos prejudiciais, incluindo o Dr. Arpad Puzstai, que descobriu que as batatas transgênicas danificaram o rim, baço, timo e intestino de ratos jovens. No princípio Hinze ficou perplexo com a quantidade de trâmites burocráticos necessários para realizar pesquisas com animais. No entanto, conseguiu cumpri-los e receber 30 ratas fêmeas de seis semanas de idade, criadas para alimentar serpentes em um instituto de pesquisa. Hinze deu a elas porções de alimentos contendo os produtos que iriam ser comparados (milho e soja, transgênicos e não-transgênicos), de maneira que as ratas realmente pudessem manifestar sua preferência sem passar fome.
As ratas foram postas em gaiolas grandes para que tivessem bastante espaço para se movimentar. No começo do experimento todas as ratas foram pesadas. Não haviam comido por algum tempo, mas de maneira surpreendente e imediata mostraram preferência definitiva pelo alimento não-transgênico. Durante as nove semanas seguintes, Hinze continuou alimentando as ratas com milho e soja transgênico e não-transgênico. As ratas consumiram 61% do alimento não-transgênico e 39% do alimento transgênico quando tiveram oportunidade de escolha.
Para o experimento seguinte, Hinze realizou provas sobre os efeitos na saúde com a ingestão de alimentos transgênicos. Durante os dez dias seguintes registrou a quantidade de alimento que dois grupos de ratos consumiram a cada dia e pesou os ratos na metade e no final do experimento.
O grupo de ratos alimentados com transgênicos ingeriu mais alimento (provavelmente porque os ratos eram, no início, em média ligeiramente mais pesados), mas ganhou menos peso. No final, estes ratos perderam peso. Em contraste, o grupo que ingeriu alimentos não-transgênicos comeu menos e ganhou mais peso, continuando a ganhar peso até o final do experimento. Os resultados foram significativos estatisticamente.
Esta não foi a única diferença observada. Houve diferenças marcantes de comportamento. Os ratos que comeram alimentos transgênicos “pareciam menos ativos dentro da gaiola”. A diferença mais surpreendente foi no último dia do experimento. Quando os animais foram pesados, os que haviam comido alimentos transgênicos estavam “mais angustiados” que os outros. “Muitos corriam várias vezes ao redor da cesta, se sacudiam desesperadamente na serragem e brincavam pelos lados quase frenéticos, algo que nunca tinha visto antes”; claramente estavam mais nervosos que os ratos da outra gaiola. “Esta foi para mim a evidência mais desconcertante de que os alimentos transgênicos não são normais”.
Outro “resultado interessante” foi que no final do experimento encontramos morto um dos ratos da gaiola que recebeu alimentos transgênicos.“No fim de tudo, devo admitir que o experimento não fez nada para aliviar minhas preocupações sobre os alimentos transgênicos”, concluiu Hinze.
Organic Consumers Association, 28/01/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultores optam pela “nova agricultura” em Bangladesh
Korshed Alam é um dos milhares de agricultores de Bangladesh (um dos países mais pobres do mundo) que sentiu a necessidade de modificar seu modelo de agricultura abandonando insumos químicos e sementes híbridas. “Mudou minha vida”, declara, agachado junto a outros agricultores no povoado de Nandoria. “Antes de mudarmos, todos tínhamos doenças de pele por causa da química. Chegou a um ponto em que não podíamos comer peixe porque estava envenenado. As plantas silvestres haviam morrido ou ficaram amargas”.
A visão da agricultura convencional prega a eficiência e a maximização do rendimento da produção de uma cultura única, como o arroz ou o milho. Korshed trabalhava assim. Ele comprava as sementes de “alto rendimento” no mercado local e espalhava adubos artificiais no solo. Obediente à doutrina de técnicos oficiais, pulverizava a lavoura com agrotóxicos várias vezes para controlar pragas e doenças. Mesmo quando o veneno começou a contaminar todo o solo e água, Korshed não via alternativas.
“Antes de adotarmos os produtos químicos, o solo era bom e o uso de um pouco de adubo dava grande impulso à produtividade. Mas o rendimento começou a cair e tivemos que elevar a concentração de fertilizantes por hectare. Ao final das contas, o volume que passamos a usar foi elevado em mais de cem vezes num intervalo de trinta anos. Pior ainda, o preço dos produtos químicos triplicou neste mesmo período. Dessa maneira, todos perdiam, mas tinham que prosseguir utilizando a química para colher boa safra e ganhar dinheiro suficiente para pagar as sementes no próximo ano”. Presos neste círculo vicioso, agricultores do país inteiro faliram, sendo obrigados a vender a terra e migrar para as cidades.
Em 1998, ocorreu em Bangladesh uma enchente mais forte do que todas as que ocorrem normalmente, que perdurou por muitas semanas arrasando os agricultores. Uma das cidades mais atingidas foi Tagail, a três horas da capital Dacca. Foi então que a ONG UBINIG (Pesquisa em Políticas para Alternativas em Desenvolvimento, na sigla em bengali, idioma oficial em Bangladesh), se juntou com agricultores para buscar saídas para o problema causado pela enchente e pelos consecutivos anos da agricultura química. Foram feitas muitas reuniões, que acabaram por dar início a um movimento nacional, agora conhecido como Nayakrishi Andolon, que significa “nova agricultura”. O nome foi escolhido para mostrar que os adeptos ao novo modelo retrocederam para os seus moldes tradicionais, porém com mudanças para algo novo e melhor, e também que houve muito aprendizado com os erros da “revolução verde”.
Em Bangladesh, 65 mil famílias aderiram à “nova agricultura”. Já foram criados cinco centros Nayakrishi em diferentes regiões do país, onde são realizadas oficinas para os agricultores e intercâmbio de conhecimentos entre os povoados. A prática do Nayakrishi consiste na promoção da diversidade, não só em variedades de sementes, mas em todo o ecossistema onde elas são plantadas. A nova agricultura abandona a visão do ser humano separado da natureza. É um conceito muito mais amplo do que o da agricultura orgânica, cuja meta principal é abandonar os insumos químicos. O Nayakrishi, além de rechaçá-los, considera a proteção do ecossistema um elemento fundamental no papel do ser humano.
RECEITAS CONTRA A FOME. Histórias de sucesso para o futuro da agricultura. São Paulo:
Greenpeace, 2001.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#295 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 8 de Fev de 2002 8:31 pm
Assunto: BOLETIM 100 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Chegamos ao Boletim 100! Cem semanas no ar, sem transgênicos no Brasil!
Se por um lado temos que comemorar, por outro, é hora de colocar a mão na massa, apesar do carnaval.

Está marcada para o dia 19 de fevereiro, primeira terça-feira após o carnaval, a votação do Projeto de Lei (PL) do Deputado Confúcio Moura (PMDB/RO) na Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados na Câmara dos Deputados.

Este PL é dos piores possíveis, liberando os transgênicos para cultivo e comercialização no Brasil de forma ampla e irrestrita, sem as necessárias avaliações de riscos para a saúde dos consumidores e para o meio ambiente, sem garantias mínimas para proteger a economia nacional e os direitos dos agricultores brasileiros e sem garantir os direitos de plena informação aos consumidores.

Como vocês acompanharam no final de 2001, os deputados desta Comissão conseguiram, na última sessão do ano, votar pelo fim da discussão. Ou seja, a próxima reunião da Comissão começará já com a votação -- a não ser que o Dep. Confúcio, relator da Comissão e autor do Projeto de Lei, resolva acatar alguma(s) das várias sugestões de alteração no texto sugeridas por outros deputados da Comissão, já que, para tanto, teria que reabrir a discussão.

No entanto, se nos lembrarmos da postura que o Dep. Confúcio assumiu durante os últimos meses, concluímos que a hipótese disto acontecer é extremamente remota.

O governo FHC está realmente empenhado em usar todos os recursos possíveis para liberar os transgênicos no País ainda este semestre.

Uma informação triste e importante é a de que dias antes da reunião interministerial convocada pelo Presidente Fernando Henrique no dia 24 de fevereiro último (onde, conforme relatado no Boletim 99, foi instituída a “lei da mordaça” para unificar as posições do governo no discurso pró-transgênicos”), o próprio Fernando Henrique recebeu a visita de Anthony Harrington, embaixador dos EUA no Brasil até o ano passado e atual lobbista da Monsanto.

Como parte deste empenho “pró-Monsanto”, o governo federal está pressionando a Comissão Especial para que aprove de uma vez o PL na Comissão, para levá-lo à plenária da Câmara o mais rapidamente possível.

A orientação da Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos” para todos os brasileiros preocupados com os riscos desta perigosa tecnologia é a de procurar os deputados da Comissão em cada estado mostrando-lhes que se votarem a favor terão que prestar contas à sociedade nas eleições de outubro próximo.

Na comissão existem 13 votos potenciais contra e 20 a favor do substitutivo do deputado Confúcio. Como os deputados da base do governo foram escolhidos a dedo para aprovarem os transgênicos, não acreditamos que possam ser convencidos a mudar de posição com os nossos muitos argumentos contrários. A única linguagem que terá efeito será a pressão política e a ameaça das urnas.

Para ter efeito, a pressão política terá que ser pública e tão ampla quanto possível. Se possível, devem ser organizadas visitas aos deputados nos seus estados por delegações dos mais variados setores da sociedade civil. Manifestações de entidades e personalidades políticas, sociais, religiosas, culturais, etc. deverão ser dirigidas à mídia e aos deputados. Campanhas de telefonemas e mensagens por e-mail também terão um efeito importante. Panfletagens em supermercados denunciando a posição dos deputados também servirão para atrair a mídia. Panelaços na frente das casas dos deputados terão o mesmo efeito.

Como estamos entrando no carnaval -- razão pela qual FHC montou sua ofensiva agora -- devemos concentrar as manifestações no dia 18, véspera da votação, para que o efeito de intimidação possa se fazer sentir.

Para mandar mensagens aos deputados pedindo pela não aprovação do PL do Dep. Confúcio, você pode clicar nos dois links abaixo.

Deputados-Comissão 1
Deputados-Comissão 2

Você pode mandar mensagens como a seguinte.

“Prezado Sr(a) Deputado(a) Federal
Membro da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados,

Confiamos que os senhores, Deputados membros da Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito nacional, não permitirão a aprovação de um Projeto de Lei que dispense os organismos transgênicos de Estudos de Impacto Ambiental, de avaliação de riscos para a saúde e de rotulagem plena. Acreditamos que os senhores lutarão por uma lei que garanta que nenhum organismo transgênico seja liberado no Brasil antes que haja certeza científica sobre sua segurança para a saúde da população e para o meio ambiente e que os direitos de plena informação aos consumidores sejam garantidos.
Nós acompanharemos a votação e daremos ampla divulgação de seu voto em prol dos direitos do consumidor e do meio ambiente.”

Para a mobilização nos estados, levantamos os números de telefone e fax dos escritórios locais dos deputados.
Segue abaixo a lista de todos os deputados da Comissão, com seus respectivos contatos.

Indicamos ainda os que sabidamente votam conosco e os que votam contra nós. Concentrem-se nos últimos mas não deixem de mobilizar os nossos para que não faltem à votação!

Mais uma vez, contamos com o apoio de todos vocês neste importante trabalho de ajudar a garantir a segurança da população brasileira e do nosso riquíssimo meio ambiente (já que nossos representantes não estão cumprindo este dever).

Mãos à obra, Amig@s!

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Deputados da Comissão Especial:

NORTE:

Rondônia
: Confúcio Moura (PMDB), relator da comissão. Pró transgênicos. Titular.
                 Fone/fax: (69) 535-3500.

Pará: Deusdeth Pantoja (Bloco PFL/PST). Pró. Suplente. Fone/fax: (91) 222-8778.

Acre: Marcos Afonso (PT). Contra. Titular. Fone: (61) 318-5366.
          Nilson Mourão (PT). Contra. Titular. Fone: (68) 224-0793/ Fax: (68) 224-5877.
          Márcio Bittar (Bloco PDT/PPS). Contra. Suplente. Fone/fax: (68) 224-3268.

Amazonas: Vanessa Grazziotin (Bloco PSB/PC do B). Contra. Suplente.
                    Fone/fax: (92) 633-8076.

Tocantins: Paulo Mourão (Bloco PSDB/PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (63) 215-1875.
                  Igor Avelino (PMDB). Pró. Titular. Fone/fax: (63) 225-1720.
                  Freire Júnior (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (63) 213-2000.
                  Osvaldo Reis (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5835.

Roraima: Salomão Cruz (PFL). Pró. Titular. Fone: (95) 623-4944/ Fax: (95) 623-4919.


CENTRO OESTE

Mato Grosso
: Celcita Pinheiro (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (61) 318-5529.
                      Wilson Santos (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (65) 642-4646/ 642-4477.
                      Welinton Fagundes (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (66) 423-1949.

Mato Grosso do Sul: João Grandão (PT). Contra. Titular. Fone: (67) 423-0080.
                                 Fone/fax: (67) 423-0128.
                                 Pedro Pedrossian (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (67) 387-2200.

Goiás: Pedro Canedo (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone: (62) 3111144.
           Fax: (61) 318-2611.
           Roberto Balestra (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (62) 224-9445.
           Aldo Arantes (Bloco PSS, PC do B). Contra. Titular. Fone: (061) 318-5475.

Distrito Federal: Paulo Octávio (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente.  Fone/fax: (61) 318-5446.
                          Alberto Fraga (PMDB). Pró. Titular. Fone/fax: (61) 318-5321.


NORDESTE

Maranhão
: Francisco Coelho (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (61) 318-5525.

Piauí: Marcelo Castro (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (86) 233-4432.

Ceará: Sérgio Novais (PSB). Contra. Titular. Fone: (85) 252-1388. Fax: (85) 226-0267.

Rio Grande do Norte: Carlos Alberto Rosado (Bloco PFL, PST). Pró. Titular.
                                   Fone: (61) 318-5558.

Paraíba: Carlos Dunga (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone: (61) 318-5238.
              Adauto Pereira (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (83) 222-3515.
              Fax: (83) 222-7275/ 222-2435
.

Pernambuco: Carlos Batata (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone/fax: (61) 318-5334.
                      Joaquim Francisco (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5425.
                      Fernando Ferro (PT). Contra. Suplente. Fone: (81) 3423-9274. Fax: (81) 3423-9953.
                     
Sergipe: Cleonâncio Fonseca (PPB). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5824.

Bahia: Saulo Pedrosa (PSDB). Contra. Titular. Fone: (61) 318-5308.
            Jaime Fernandes (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (71) 375-4244.
            José Rocha (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (71) 342-2525.


SUDESTE

Espírito Santo
: Rose de Freitas (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone: (27) 3223-4704.
                        Fax: (27) 3222-4753.
                        José Carlos Elias (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone/fax: (27) 3264-2691.
                          
Rio de Janeiro: Fernando Gabeira (PT). Contra. Titular. Fone: (21) 2548-2044.
                         Jandira Feghali (PC do B). Contra. Titular. Fone: (21) 2232-8360.
                         Luiz Ribeiro (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone/fax: (21) 2742-8783.

São Paulo: Nelson Marquezelli (Bloco PSDB, PDB). Pró. Titular. Fone: (19) 561-3244.
                   Fax: (19) 561-335
.
                   Xico Graziano (PSDB). Pró. Titular. Fone/fax: (11) 3255-7203.
                   Luiz Eduardo Greenhalg (PT). Contra. Titular. Fone/fax: (11) 3875-3384.
                   Iara Bernardi (PT). Contra. Titular. Fone/fax: (15) 234-1788.
                   Kincas Mattos (Bloco PSB, BC do B). Suplente.
                   Emerson Kapaz (Bloco PDT, PPS). Titular. Fone/fax: (11) 3037-7263.
                   Celma de Souza (PT). Contra. Suplente.
                   Clóvis Volpi (Bloco PSDB, PTB). Suplente. Fone/fax: (11) 4827-5951.

Minas Gerais: Elias Murad (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (31) 3225-2700.
                      Mário Assad Júnior (PFL). Pró. Titular. Fone: (31) 3224-1557.Fax: (31) 318-2243.
                      Jaime Martins (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (37) 3222-8027.
                      Fax: 3222-8251.
                      Silas Brasileiro (PMDB). Pró. Suplente. Fone: (34) 3831-4800.
                      Fax: (34) 3831-2419
.
                      Ronaldo Vasconcelos (PL). Titular. Fone/fax: (31) 3292-3145 / 3292-4116.


SUL

Paraná
: José Carlos Martinez (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente.
              Fone/fax: (41) 338-4848/ 338-4636.
              Odílio Balbinoti (Bloco PSDB, PTB). Suplente. Fone: (44) 223-3865. Fax: 223-2476.
              Luciano Pizzatto (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (41) 257-3164.
              José Borba (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (43) 432-2355.
              Dilceu Sperafico (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (45) 252-1191.

Santa Catarina: Luci Choinacki (PT). Contra. Suplente. Fone: (61) 318-5282.
                          Hugo Biehl (PPB). Pró. Titular. Fone/fax: (49) 322-4719.

Rio Grande do Sul: Darcísio Perondi (PMDB). Titular. Fone/fax: (55) 332-6468.
                               Marcos Rolim (PT). Contra. Suplente. Fone/fax: (51) 3225-1702 /
                               3221-4337
.
                               Fetter Junior (PPB). Pró. Titular. Fone: (53) 222-8286/ 227-6061.
                               Pompeu de Mattos (PDT). Contra. Titular. Fone/fax: (51) 3225-1942.
                               Alceu Collares (Bloco PDT, PPS). Contra. Suplente.
                               Fone/fax: (51) 3231-1422.
                               Paulo José Gouvêa (Bloco PL, PSL). Suplente.
                               Fone/ fax: (51) 3221-6133/ 318-2641.

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#296 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 11 de Jan de 2002 9:49 pm
Assunto: BOLETIM 96 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Bem vindos a 2002! Mais um ano de grandes desafios.

Começamos com uma pequena reflexão sobre os rumos da pesquisa biotecnológica, hoje concentrada nas mãos das empresas privadas.

O jornal australiano The Daily Telegraph publicou esta semana uma matéria sobre a nova pesquisa multi-bilionária da gigante Monsanto: seu objetivo é criar uma variedade de milho transgênico que possa resistir à umidade, para produzir  flocos de milho que continuem crocantes mesmo após mergulhados no leite. Para obter esta “delícia transgênica”, a empresa pretende descobrir genes capazes de induzir altas taxas de produção de cera no milho.

O aspecto mais esdrúxulo da história é que a Monsanto espera que este novo produto possa ajudar a mudar a opinião pública (hoje extremamente negativa) com relação aos transgênicos.

Vocês conseguem imaginar uma pesquisa mais sem sentido do que esta? Ela nos faz lembrar os argumentos pró-transgênicos, repetidos pela Monsanto mundo afora, de que a pesquisa biotecnológica ajudará a resolver os grandes problemas da humanidade, desde a fome nos países pobres, até o tratamento de doenças hoje incuráveis.

Pode até ser que, se conduzida de maneira independente por instituições públicas de pesquisa, a biotecnologia possa buscar e encontrar soluções para grandes problemas. Mas como está sendo feita, terá sempre como objetivo maior gerar lucro para as empresas, ainda que através da criação de produtos completamente inúteis, mas capazes de abocanhar algum nicho do mercado. Para isto se investe bilhões de dólares e se usa o potencial de cientistas brilhantes e bem preparados (para se desenvolver uma variedade transgênica gasta-se, em média, 300 milhões de dólares -- 5 vezes mais do que o governo brasileiro gastou com saúde no estado de Sergipe em 2001, ou mais que o dobro gasto em Goiás no mesmo período). Uma lástima.

E o pior de tudo é pensar que, além de serem inúteis, estes novos produtos podem trazer danos irreversíveis ao ambiente e imprevisíveis à saúde humana. Responsabilidade dos cientistas que acham que, do alto de sua autoridade, devem definir sozinhos -- sem a participação da sociedade -- para onde a pesquisa científica deve caminhar.

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Neste número:

1. Chapecó (SC) proíbe transgênicos
2. Irlanda descobre transgênicos em produtos rotulados como não-transgênicos e orgânicos
3. Processadoras de grãos nos EUA querem segregação de transgênicos
4. China divulga regras para a importação de transgênicos
5. Soja ilegal preocupa Abrasem
6. Ovelha Dolly sofre de envelhecimento precoce
7. Ex-Monsanto responde a ação milionária nos EUA
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Revolução nos arrozais

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1. Chapecó (SC) proíbe transgênicos
O cultivo, comercialização, transporte e distribuição de produtos geneticamente modificados (os transgênicos) estão proibidos no município de Chapecó. O prefeito José Fritsch (PT) sancionou nesta quinta-feira, dia 3, a lei de autoria da Câmara de Vereadores, que trata sobre o tema. Fritsch destacou que a Europa exige certificados que comprovem a inexistência de produtos transgênicos nas áreas de onde importam mercadorias. O município de Chapecó é um dos principais pólos de exportação de carne do país.
Segundo o vereador Cláudio Vignatti (PT), já existem leis federais* e estaduais que proíbem o cultivo de transgênicos, mas a fiscalização não está sendo eficiente. Com a lei local, o objetivo é dar ao município o poder de polícia para controlar esta prática.
O diretor do Departamento de Agricultura de Chapecó, Luiz Carlos Borsuck, destaca que o objetivo é primeiro orientar produtores e supermercados, para depois tomar medidas de repressão e apreensão.
A fiscalização será feita pelo Departamento de Agricultura e Vigilância Sanitária. Borsuck disse que existe suspeita do cultivo de oito lavouras de soja transgênica no município.
ClicRBS, 03/01/02.
* Na verdade, os transgênicos estão proibidos em nível nacional através de uma decisão judicial e não de uma lei federal. O Congresso Nacional está tentando passar uma lei sobre o tema, mas o Projeto de Lei que está em discussão é muito ruim. Propõe a  liberação dos transgênicos no Brasil sem a necessidade de estudos de impacto para o ambiente ou para a saúde humana.

2. Irlanda descobre transgênicos em produtos rotulados como não-transgênicos e orgânicos
A Autoridade em Segurança dos Alimentos (FSA, na sigla em inglês) da Irlanda descobriu que alguns dos produtos alimentares rotulados como livres de transgênicos e orgânicos contêm traços de elementos transgênicos em sua composição.
“Esta atitude, além de confundir os consumidores, é extremamente oportunista devido aos benefícios de mercado obtidos pelos alimentos descritos como livres de transgênicos e orgânicos”, disse Dr. Patrick O’Manhony, especialista-chefe em biotecnologia da FSA. (...)
A pesquisa se concentrou no nível de transgênicos contidos em produtos de soja desidratada, leite de soja e alimentos infantis a base de soja.
O Dr. O’Mahony disse que já fez contato com a maior parte das indústrias alimentícias envolvidas e que elas estão cooperando para corrigir seus rótulos. (...)
Contudo, ele admite que as indústrias possam ter tido problemas em alguns casos em que produtos transgênicos e não-transgênicos plantados nos EUA foram despachados para o mesmo silo e ocorreu contaminação acidental. (...)
Irish Independent, 04/01/02.

3. Processadoras de grãos nos EUA querem segregação de transgênicos
Na divulgação dos resultados da terceira pesquisa anual com os processadores de grãos dos EUA, a Associação Americana dos Produtores de Milho (ACGA, na sigla em inglês) mostra que mais da metade das processadoras pesquisadas está requisitando segregação das variedades transgênicas das não-transgênicas, tanto na entrega às processadoras, quanto no campo. Quase 20% oferecem prêmios para o milho não-transgênico. A pesquisa abrangeu 1.149 processadoras de grãos em 11 estados do meio-oeste americano.
“Os resultados deixam claro o crescente nível de preocupação das processadoras quanto à sua capacidade de satisfazer seus clientes internacionais e de manter seus mercados de exportação”, disse Larry Mitchell, da ACGA.
“O número de acres plantados com variedades de milho transgênico despencou de cerca de 25 milhões, em 1999, para aproximadamente 16,4 milhões em 2001. Ao menos em parte, tal fato reflete as preocupações relativas ao mercado e a outros problemas que os agricultores relacionam ao cultivo de transgênicos”, disse Dan McGuire, diretor do programa ‘Escolha do agricultor - o cliente em primeiro lugar’, da ACGA.
“As dificuldades da segregação no campo, combinadas com os prêmios que têm sido oferecidos para as variedades não-transgênicas e com a constatação de que os transgênicos estão prejudicando as exportações, estão aparentemente se tornando incentivos mais fortes para que os agricultores optem por não cultivar transgênicos. (...)
Maiores informações sobre os dados da pesquisa no site http://www.acga.org
American Corn Growers Association, 19/12/01.

4. China divulga regras para a importação de transgênicos
Novas regras para produtos transgênicos entrarão em vigor na China a partir de 20 de março de 2002, disse o Ministro da Agricultura chinês na última segunda-feira. A definição encerrará a indecisão que durante seis meses causou o rompimento das negociações de importação de soja dos EUA. (...)
As novas regras incluem inspeção de certificados de segurança, classificação de importações e rotulagem dos transgênicos.
As regras de rotulagem publicadas na China em junho do último ano determinavam que a importação de transgênicos deveria ser acompanhada por um certificado de segurança, mas não trazia uma definição para este certificado e nem dizia como se poderia obter um, o que deixou os importadores inseguros.
As novas regras, agora publicadas em detalhes, explicam também que será criado um Comitê Nacional de Avaliação para aspectos relacionados à segurança dos transgênicos. O Ministro da Agricultura também criará um departamento para administrar a emissão de certificados de segurança para produtos transgênicos.
Dow Jones Newsires, 06/01/02.

5. Soja ilegal preocupa Abrasem
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem) vai encaminhar um alerta ao Ministério Público e ao Ministério da Agricultura sobre o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja no Brasil. A entidade quer providências das autoridades contra a atividade irregular, cujo crescimento ameaça desestruturar seu mercado, disse o diretor executivo da Abrasem, João
Henrique Hummel. O dirigente ressaltou que a Abrasem não pretende denunciar agricultores pela possível prática clandestina. Sua intenção, revela, é defender as empresas e a estrutura de pesquisa de cultivares ligada a elas. (...)
A entidade defende a liberação do cultivo de sementes geneticamente modificadas e avalia que o volume de utilização do produto clandestino já começa a assustar. (...)
Para o secretário da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, as declarações do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a favor da liberação dos transgênicos, servem de estímulo ao produtor para buscar este método de cultivo. (...)
Hoffmann considerou ainda que o alerta da Abrasem sobre o cultivo irregular de soja no país chega com atraso e deveria ter sido encaminhado há três anos. (...)
Correio do Povo, 27/12/01.

6. Ovelha Dolly sofre de envelhecimento precoce
Primeiro animal clonado do mundo, a ovelha Dolly está sofrendo de artrite aos cinco anos e meio de idade. O anúncio, feito pelos cientistas, reabriu a polêmica sobre o envelhecimento precoce dos animais clonados e do desenvolvimento de problemas de saúde decorrentes de efeitos genéticos oriundos do processo de clonagem. (...)
O surgimento imprevisto da doença reforça a teoria de que o processo de clonagem pode provocar defeitos genéticos graves.
-- Infelizmente, essa é mais uma prova de que os procedimentos atuais de clonagem são ineficazes. Já sabíamos que somente uma pequena parcela dos embriões clonados chega a nascer, mas, agora, tudo indica que alguns desses animais se tornam mais vulneráveis a algumas doenças -- afirmou  Ian Wilmut, coordenador da equipe responsável pela clonagem da Dolly. (...)
Alguns cientistas defendem a tese de que animais clonados seriam propensos ao envelhecimento precoce. A clonagem é feita a partir do DNA de um indivíduo maduro, inserido num óvulo. Dolly foi criada a partir do material genético de uma ovelha de seis anos e, por isso, os especialistas discutem se ela teria cinco anos (seu tempo de vida) ou onze anos (a idade do DNA usado).
-- Os cientistas acreditam que podem combinar os genes de uma forma controlada, mas não podem. Esse controle é uma ilusão -- afirmou Sarah Kite, diretora de pesquisa da União Britânica pela Abolição da Vivissecção. -- A verdade é que ninguém compreende de que maneira exatamente os genes atuam e que tipo de problema podem desenvolver os animais sujeitos a técnicas de biotecnologia -- disse. (...)
O Globo, 05/01/02.

7. Ex-Monsanto responde a ação milionária nos EUA
A antiga Monsanto, uma das maiores empresas do mundo na área química, está sendo processada pelos moradores de uma cidade americana em um caso que pode valer uma indenização de vários milhões de dólares.
Cerca de 3.500 habitantes de Anniston, no Alabama, afirmam que a empresa poluiu os rios da região com uma substância refrigerante conhecida como PCB, que hoje está proibida, favorecendo o desenvolvimento de doenças como o câncer.
Eles também dizem que a empresa sabia dos danos que poderiam ser causados à saúde dos moradores, e que autoridades estaduais também ajudaram a Monsanto, que hoje se chama Solutia, a acobertar o caso. (...)
A Monsanto produziu PCB (bisfenol policlorotado) em Anniston de 1927 a 1971. Pouco depois, a substância foi proibida pelo governo americano por supostos riscos à saúde.
Um dos moradores da cidade, David Baker, disse à agência de notícias Associated Press que, devido à poluição causada pela fábrica da Monsanto, seu irmão morreu aos 16 anos, vítima de câncer de pulmão e de problemas cardíacos.
O próprio Baker garante que tem lesões de pele e outros problemas por causa do PCB. "Eles nos mentiram durante 25 ou 30 anos", afirmou ele.
A empresa insiste que não dá para afirmar com certeza que há uma relação entre a fabricação de PCBs e esse tipo de problema. "Há um estudo aqui e outro ali, mas nada de conclusivo", disse um advogado da Solutia à AP. (...)
No ano passado, a Solutia (ainda então chamada Monsanto) já foi forçada a fechar um acordo de US$ 40 milhões com 1.600 moradores de Anniston.
A Solutia também teve que gastar outros US$ 40 milhões em trabalhos de recuperação da região.(...)
BBC Brasil, 07/01/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Revolução nos arrozais
O padre francês Henri de Lalaunie é um experiente agricultor. Vindo de Madagascar em 1961, trouxe consigo a esperança de resgatar os pequenos agricultores da miséria. Lalauine observou a maneira como eles cultivavam arroz, alimento básico da ilha, e implantou seus próprios campos experimentais. Vinte anos depois, o padre formulou um novo conceito que permite a colheita de mais arroz plantando-se menos sementes. Assim foi desenvolvido o “Sistema de Intensificação de Arroz” (SIR).
Com o SIR, o arrozal recebe a quantidade exata de água para se desenvolver, evitando excessos ou escassez, mas as plantas invasoras precisam ser eliminadas mecanicamente. Ao fazê-lo, o padre Lalaunie descobriu que arejar a terra com enxada estimulava o crescimento das plantas. Assim, como resultado direto de seu trabalho, a quantidade de arroz colhida por hectare passou a ser o dobro da quantidade média produzida pelo método convencional.
O número de agricultores em diferentes países que adotam o SIR aumenta cada vez mais. Em Madagascar existem 50 mil rizicultores cultivando sob este método. Outros países como a China, Blagadesh, Sri Lanka e Camboja demonstraram boa aceitação pela técnica. Agora especialistas aguardam os resultados de estudos do Camboja, feitos pela Universidade Wageningen, da Holanda. “O grande salto do SIR virá quando ficar realmente provado que o método confere maior eficiência ao uso da água e da terra, ao mesmo tempo que ajuda a preservar o ambiente e proporciona uma produção maior e melhor.
Poucos rizicultores precisam dobrar sua colheita, por isso sobrará espaço na lavoura para o cultivo de outros cereais e hortaliças. As famílias terão mais alimentos e também novas oportunidades de fontes de renda”, afirma Norman Uphoff, professor da Universidade de Cornell, N.Y.
RECEITAS CONTRA A FOME. Histórias de sucesso para o futuro da agricultura. São Paulo: Greenpeace, 2001.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#297 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 25 de Jan de 2002 9:50 pm
Assunto: BOLETIM 98 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” convida a todos para Seminário no II Fórum Social Mundial

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos" tem o prazer de convidar-lhes a participar do Seminário “Ação contra os transgênicos: construindo alianças - mobilizando a sociedade”, que acontecerá no II Fórum Social Mundial - Porto Alegre - RS.

O objetivo deste espaço será o de articular as diferentes iniciativas de trabalho contra a liberação e a disseminação precoce dos transgênicos no mundo e propor ações comuns neste sentido.

O Seminário será realizado entre os dias 3 e 4 de fevereiro de 2002, das 14:00 h às 18:00 h, no salão de artes número 1 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul / UFGRS, localizada na Rua Paulo Gama 110, Porto Alegre - RS.

A programação do evento segue logo abaixo.

Contamos com sua presença!
Vamos juntos lutar por um Mundo Livre de Transgênicos!

Seminário
“Ação contra os transgênicos: construindo alianças - mobilizando a sociedade”
Proponente: Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”

03/02 - 14:00 pm
Impactos dos transgênicos: novas evidências

Coordenador: Sezifredo Paz - IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor / Brasil
ideccampanha@...

Impactos econômicos:
Peter Rosset - Food First / EUA

Impactos ambientais:
Rubens Nodari - Professor da Universidade Federal de Santa Catarina / Brasil

Impactos na saúde:
Mae Wan Ho - Instituto de Ciências na Sociedade / Inglaterra

03/02 - 16:00 pm
Estratégias pró-transgênicos: entender para combater

Coordenadora: Magnólia Said - Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria - Ceará / Brasil
                                            esplarcp@...

Estratégias das empresas
Patrick Mooney - ETC - Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração / Canadá

Comércio International
Mark Ritchie - IATP - Instituto de Políticas Agrícolas e Mercadológicas / EUA
                                     
O Caso do Brasil
Vitor Pelaez - Professor da Universidade Federal do Paraná/ / Brasil
Elvino Bonn Gass - Deputado Estadual do Rio Grande do Sul / Brasil
                                   
04/02 - 14:00 pm
A luta contra os transgênicos no mundo

Coordenadora: Maria Emília Pacheco - Fase - Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional / Brasil
fase@...

América do Norte
Renske Van Staveren - GEAN - Rede de Ação sobre Engenharia Genética / EUA

União Européia
Fréderic Prat

América Latina
Karen Nansen - Rede Por Uma América Latina Livre de Transgênicos

Brasil
Marijane Lisboa - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”
Aurélio Rios - Procurador da República / Brasil

04/02 - 16:00 pm
Propostas de ação comum

Coordenadora: Ana Toni  ActionAid Brasil
                            actionaid@...

Alternativas aos Transgênicos
Jean Marc von der Weid - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”
                                                
Moratória no Brasil
Adriano Campolina - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”    
Francisco Miguel de Lucena - Contag - Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura / Brasil

Moratória Internacional
Gerd Leiopold - Greenpeace Internacional
                    
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Neste número:

1. Nações Unidas investem US$ 38,4 milhões em biossegurança
2. Itália não tolerará a contaminação de sementes com transgênicos
3. Ministério vai lançar manual para fiscalizar transgênicos
4. Distância usada para isolar campos experimentais de transgênicos não é segura
5. Agricultores canadenses processarão Monsanto
6. A polêmica do porco-espinafre japonês
Efeitos colaterais dos herbicidas na produção agrícola
O Roundup
Eventos
Painel Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação
Inauguração de Jardim Permacultural

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1. Nações Unidas investem US$ 38,4 milhões em biossegurança
Um programa milionário de pesquisas para avaliar o impacto dos organismos vivos modificados (Living Modified Organisms, ou LMOs) e capacitar os países que vão comercializá-los foi anunciado pelo diretor do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma), Klaus Toepfer, em Nairóbi, no Quênia.
Organismos Vivos Modificados é o nome atribuído a organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos vivos. O programa prevê investimentos de US$ 38,4 milhões do Fundo Ambiental Mundial (GEF) para estudos de biossegurança, envolvendo avaliações relativas à saúde humana e ao meio ambiente em cerca de 100 países em desenvolvimento, nos próximos 3 anos.
A idéia é preparar tais países para a entrada em vigor do Protocolo de Biossegurança de Cartagena, adotado em janeiro de 2000. O Protocolo conta com 107 assinaturas e 10 ratificações. São necessárias 50 ratificações para sua entrada em vigor. "Apesar das empresas estarem convencidas das vantagens do uso dos LMOs, ainda há muitas dúvidas sobre os riscos ambientais e de saúde a eles relacionados", disse Toepfer. "O Protocolo de Cartagena é uma tentativa de conciliar o comércio e o meio ambiente neste campo. Não apenas como o primeiro tratado ambiental legal a institucionalizar o princípio de precaução, como por estabelecer procedimentos de acordos de informação avançada". Segundo tais acordos, o país exportador de LMOs é obrigado a informar aos países importadores, que então decidem se querem ou não receber a carga. Para que este tipo de decisão seja tomada de forma consciente, é importante que os órgãos encarregados da biossegurança tenham parâmetros nacionais e conheçam o impacto de cada tipo de organismo comercializado, o que, em princípio, deve ser o resultado do programa do Pnuma.
Agência Estado, 16/01/02.
Zero Hora, 17/01/02.

2. Itália não tolerará a contaminação de sementes com transgênicos
A Itália não tolerará contaminações acidentais de sementes com transgênicos e investirá 50 milhões de Euros para executar politicamente esta decisão, disse o ministro da agricultura Giovanni Alemanno, na última semana.
“A posição que temos sobre as sementes é de 'tolerância zero' dentro dos limites técnicos”, disse Alemanno. (...)
Agricultores italianos esperam semear em torno de 1,5 milhões de hectares de milho e soja nesta primavera, declarou um grupo de agricultores.
Oficiais de indústrias de sementes disseram que será muito difícil garantir a ausência completa de transgênicos nos carregamentos de sementes. (...)
Em resposta à reação pública sobre a segurança desta tecnologia a União Européia impôs a moratória para importação de alimentos transgênicos, tolerando somente o nível de 1% de transgênicos em cada produto.
PM ET, 24/01/02.

3. Ministério vai lançar manual para fiscalizar transgênicos
Ainda em fevereiro, o Ministério da Agricultura brasileiro vai lançar um manual para fiscalização de organismos geneticamente modificados (OGMs).
O objetivo é harmonizar as regras, em todo o Brasil, do acompanhamento das pesquisas liberadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e ainda combater as áreas clandestinas, facilitando o trabalho dos fiscais, que saberão como autuar irregularidades.
O diretor de defesa e inspeção vegetal do Ministério, Odilson Ribeiro, explica que o manual está praticamente aprovado, mas ainda falta uma reunião conclusiva. Depois de serem lançadas as regras, o texto final ficará 90 dias disponível para consulta pública e somente então será editado. Para Ribeiro, são informações que darão mais confiabilidade aos fiscais.
Por enquanto, Ribeiro explica que vem recebendo denúncias de entidades ligadas ao setor de sementes de que existem áreas com plantio irregular de soja transgênica, principalmente no Rio Grande do Sul. Mas observa que em nenhum momento as denúncias indicam a área e o produtor responsável pela ilegalidade, o que dificulta o trabalho de uma equipe de fiscalização, que é reduzida. (...)
A CTNBio, órgão técnico e científico ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia que trata da análise dos produtos transgênicos, informa que não tem responsabilidade em caso de plantio de áreas clandestinas, mas que em caso de suspeita de cultivo ilegal é o órgão fiscalizador do Estado que deve comunicar o fato ao Ministério da Agricultura. (...)
No final do mês, uma comissão de japoneses estará no Brasil. O principal interesse do grupo é a produção de alimentos livres de transgênicos. (...)
Zero Hora, 22/01/02.

4. Distância usada para isolar campos experimentais de transgênicos não é segura
A perspectiva para a aprovação comercial dos transgênicos no Reino Unido é ainda mais incerta após as mudanças na política de governo para o futuro das tecnologias transgênicas.
Em uma resposta pouco divulgada a um relato crítico sobre as controvertidas avaliações dos campos experimentais a céu aberto, publicada em 17/01/02, a ministra do meio ambiente, Margaret Beckett, disse que:
* Os resultados das avaliações de transgênicos são insuficientes para a sua permissão comercial;
* Haverá um debate público sobre a liberação comercial dos transgênicos;
* Existe um processo para aumentar massivamente as distâncias entre os cultivos transgênicos e os não-transgênicos para a proteção de agricultores vizinhos contra a contaminação; (...)
A avaliação de ONGs inglesas que estão lutando contra a liberação dos transgênicos é a de que o governo se distanciou dos resultados obtidos nos campos experimentais a céu aberto declarando que as decisões sobre o cultivo de transgênicos deverão agora “se basear não só nos resultados dos experimentos a céu aberto” e  que “deverá haver discussões públicas sobre a possibilidade da introdução comercial dos cultivos transgênicos”.
As distâncias para a separação entre os cultivos transgênicos e os não-transgênicos foram estabelecidas para assegurar uma contaminação máxima de 1%. O governo agora reconhece “que a distância de separação deve ser maior para assegurar que no máximo, por exemplo, a contaminação por polinização cruzada seja de 0,1%”. O que pode representar um enorme aumento nas distâncias para separação dos cultivos. No último ano, a Comissão Ambiental propôs que a produção de canola, para obter a contaminação máxima de 0,3%, irá necessitar de uma distância de separação de 5 km.(...)
As ONGs avaliam que um país pequeno como a Inglaterra não poderá produzir transgênicos e não transgênicos ao mesmo tempo. (...)
Just-food.com, 21/01/02.

5. Agricultores canadenses processarão Monsanto
Um grupo de agricultores do Canadá que cultivam sementes orgânicas disse hoje que vai entrar com uma ação judicial contra os gigantes de biotecnologia Monsanto e Aventis para receber indenização por danos causados pela canola geneticamente modificada que está atingindo seus campos. “Estamos pedindo por danos pelas perdas de canola em nossas plantações no passado, presente e futuro e esperamos obter um mandado para impedir a introdução do trigo geneticamente modificado”, disse Marc Loiselle, presidente da Organização Orgânica de Saskatchewan (SOD), um grupo que representa cerca de mil agricultores orgânicos da Província de Saskatchewan, Canadá.(...)
Eles alegam que as plantações geneticamente modificadas são uma ameaça ao meio ambiente e à pureza genética da indústria da agricultura orgânica. Os órgãos que concedem certificados a produtos orgânicos têm tolerância zero com os organismos geneticamente modificados (OGMs) no suprimento de sementes. Eles também proíbem os agricultores de produtos orgânicos de aplicar nas plantações a maioria das substâncias químicas. Além disso, estes agricultores devem se basear na rotação de culturas, que inclui o plantio alternado de canola e trigo para controlar as pragas. Cerca de 60% da canola cultivada em Saskatchewan é geneticamente modificada para resistir às pragas.
O Globo Online, 11/01/02.

6. A polêmica do porco-espinafre japonês
Pesquisadores de uma universidade japonesa anunciaram ontem ter criado um porco transgênico com um gene de espinafre. O suíno com gene vegetal causou polêmica. Teoricamente, trata-se do primeiro mamífero com gene de planta do mundo. (...)
O coordenador da equipe de pesquisa, Akira Iratini, da Universidade de Kinki reconheceu que seu suíno transgênico teria pouquíssima ou nenhuma utilidade, pois apenas 1% dos filhotes nascem vivos. (...)
Porcos têm sido alvo de experiências bizarras. Numa das mais recentes, foram criados suínos com patas e focinhos fosforescentes, devido à inserção de um gene de água viva.
O Globo, 25/01/02.

Efeitos colaterais dos herbicidas na produção agrícola
O Roundup
A expansão do plantio de soja transgênica merece uma visão abrangente para que possam ser avaliados seus efeitos colaterais no ambiente em geral e, especificamente, nas plantas. Na fruticultura, por exemplo, são usados diversos agrotóxicos que acabam aumentando a incidência de pragas e doenças e/ou aumentando sua resistência aos tratamentos químicos. O uso de agrotóxicos também pode alterar o ecossistema do solo, atuando diretamente sobre os seres vivos nele existentes como minhocas, insetos, bactérias, fungos benéficos e outros, podendo causar também erosão e compactação do solo.
Um destes agrotóxicos de utilização generalizada em plantas transgênicas é o herbicida Round-Up, que tem como princípio ativo o glifosato.
Diversos são os danos comprovados pelo uso de glifosato tanto para o ambiente como para as plantas. Um deles é causado pelo fato do glifosato ter alta capacidade de se fixar à argila (um dos componentes do solo). Ele já foi encontrado no solo em quantidades de 6 a 18% do produto aplicado nas folhas após um ano de sua pulverização em florestas de clima frio.
Outra grave complicação é o fato do glifosato inibir a produção de fitoalexinas, (compostos fenólicos) que participam diretamente do mecanismo geral e básico de defesa das plantas, o que foi comprovado em experimentos com feijoeiro, soja, batata, tomate, pinheiros, citros, macieira e diversas outras espécies. É comprovado também que o glifosato estimula o aumento de esporos de fungos que causam podridões nas raízes. Doses de um centésimo do recomendado que derivam na pulverização são suficientes para inibir a expressão de resistência das plantas à podridão da raíz em soja e em macieira, por exemplo.
As plantas invasoras não são mortas diretamente pelo herbicida e sim pelo ataque de organismos oportunistas que se aproveitam da desativação do mecanismo natural de defesa da planta. O herbicida, portanto, acaba transformando o mato e outras plantas em comida para estes fungos. Isto significa que os fungos do solo é que matam as plantas invasoras. Logo, com o cultivo de plantas transgênicas resistentes ao glifosato, como a Soja Roundup Ready (RR), da Monsanto, o problema de doenças do solo deverá se agravar, levando ao maior uso de herbicidas e, consequentemente, de fungicidas para controlar o agravamento de podridões de raízes gerados pelo uso de glifosato.
Tokeshi, Hasime. A relação entre o uso de agrotóxicos e o aparecimento de pragas e doenças. São Paulo: IV Encontro de produtores de Agricultura Natural.

Eventos
Painel Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação
O Governo do Estado do RGS, através da Secretaria da Agricultura e Abastecimento e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), promove no próximo dia 29/01/02, às 9h, no auditório do BRDE, o painel "Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação".
O evento tem como objetivo discutir uma forma transparente e segura de estabelecer uma relação de confiança entre produtores gaúchos e consumidores europeus na comercialização de grãos. Participarão do evento representantes de entidades européias e gaúchas ligadas à produção e exportação de soja.

Inauguração de Jardim Permacultural
Na próxima quarta-feira, dia 23/01, às 19:30 horas, será inaugurado o Jardim Permacultural , situado em frente ao moinho, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
A proposta é aproveitar as áreas públicas para passar informações às pessoas. Assim o parque deixa de ser contemplativo e passa a ser didático, informativo. O projeto faz parte de uma parceria do Instituto Bem Estar e da prefeitura de Porto Alegre.


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#298 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 18 de Jan de 2002 9:03 pm
Assunto: BOLETIM 97 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) publicou esta semana sua Instrução Normativa Nº 20, que dispõe sobre as normas para avaliação da segurança dos alimentos transgênicos para o consumo humano e animal.

Segundo representantes da CTNBio, o documento foi redigido para atender à decisão judicial, fruto da Ação Civil Pública impetrada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e pelo Greenpeace, ambos membros da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”, que determina que nenhum organismo geneticamente modificado poderá ser liberado ou comercializado no Brasil até que a CTNBio publique normas relativas à segurança alimentar e à rotulagem dos transgênicos, os termos de referência para a elaboração da avaliação dos riscos à saúde e que sejam realizados os Estudos de Impacto Ambiental.

Em matéria publicada no Jornal do Brasil em 17/01/02, Cristina Passos, membro da CTNBio, declara que “a decisão colocou por terra as resistências jurídicas à venda de transgênicos em larga escala”.

Mais uma vez, lamentamos profundamente a conduta da CTNBio pela falta de transparência e de seriedade em suas ações, assim como pela prepotência em falar, sem nenhum fundamento, em nome do Poder Judiciário.

Esta Instrução Normativa foi elaborada sem a participação da sociedade, não tendo havido sequer uma consulta pública -- ao contrário do que Esper Cavalheiro, presidente da Comissão, garantiu aos membros da Campanha quando assumiu o posto, em março de 2001: dali para frente a CTNBio seria um organismo aberto e transparente.

É também simplesmente absurdo o entendimento da Comissão de que a publicação da Normativa “coloca por terra” a decisão judicial.

Como acabamos de dizer, a decisão determina a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental para a liberação de transgênicos -- o que ainda não foi feito. Mais que isso, os critérios para a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental de organismos transgênicos ainda não foram definidos pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente - MMA).

A decisão também determina a publicação de normas de rotulagem para alimentos transgênicos de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. De fato, o presidente da república publicou, em julho de 2002, o Decreto 3.871, que disciplina a rotulagem de alimentos transgênicos no Brasil. O Decreto, no entanto, está em total desacordo com o Código de Defesa do Consumidor, motivo pelo qual está sendo questionado na justiça através de uma Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público Federal e pelo Idec.

Para completar, jamais a publicação de uma Instrução Normativa suspenderia automaticamente o vigor de uma decisão judicial. Para que ela seja suspensa, o caso precisa voltar à Justiça e passar por novo julgamento, considerando os novos fatos.

Há, ainda, uma série de problemas técnicos na nova Instrução Normativa. Em primeiro lugar, ela se refere apenas a plantas geneticamente modificadas, desconsiderando por completo os animais geneticamente modificados e, por conseguinte, os alimentos mistos, como aqueles que contém ingredientes de origem vegetal e animal.

A Normativa também só considera, para fins de análise, efeitos de alergenicidade e toxicidade, deixando de lado um sem número de outros efeitos possíveis, como, por exemplo, disfunções hormonais (como as que ocorrem em decorrência do consumo de alimentos contaminados com agrotóxicos) e riscos epidemiológicos.

Além disso, todas as solicitações do documento -- escandalosamente superficiais e genéricas -- são dirigidas às empresas de biotecnologia que estiverem solicitando a liberação de seus produtos transgênicos. Não está prevista a consulta a organismos científicos independentes.

Está marcada para segunda-feira uma reunião inter-ministerial sobre transgênicos, convocada pela Presidência da República. Teme-se que esta reunião esteja relacionada com a publicação desta Instrução Normativa e que seja mais uma manobra do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério da Agricultura para forçar os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde a aceitar a introdução dos transgênicos no Brasil.

As entidades da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” estão avaliando que providências tomar a esse respeito. Pelo jeito, o Governo está começando o ano com pique total na sua ofensiva para liberar os transgênicos a qualquer custo. Mas nós também estamos com pique total para impedir estes atropelos e nenhuma ação ficará sem reação.

Convocamos a todos para agir contra esta nova investida do governo, mandando e-mails para o Presidente Fernando Henrique Cardoso através do site do Greenpeace:
http://www.greenpeace.org


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Neste número:

1. Novas pesquisas desafiam os fundamentos da engenharia genética
2. Croácia barra transgênicos
3. Pratini teme por negócios com milho
4. Brasil tem 304 empresas de biotecnologia
5. Fim de experimentos com transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Equipamentos para o plantio conservacionista em Santa Catarina
Cursos e eventos
Curso de pós-graduação “lato sensu em Cafeicultura Orgânica
Seminário Em defesa do milho

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1. Novas pesquisas desafiam os fundamentos da engenharia genética
Uma nova revisão da literatura científica, publicada na edição de fevereiro da Harper`s Magazine pelo Dr. Barry Commoner, levanta sérios questionamentos a respeito da segurança dos alimentos geneticamente modificados. O estudo demonstra que a indústria da bioengenharia apóia-se numa teoria de 40 anos de idade, onde os genes desempenham total controle na transmissão de caracteres aos descendentes em todas as formas vivas. De acordo com esse “dogma central”, o resultado da transferência de um gene de um organismo para outro é sempre “específico, preciso e previsível” e, portanto, seguro.
A pesquisa de Commoner reuniu estudos recentes que comprovam que os genes das plantas (não só os transgenes) podem ser alterados e fragmentados nas plantas transgênicas. O Dr. Commoner alerta: “os cultivos transgênicos representam um vultoso experimento não-controlado cujas conseqüências são inerentemente imprevisíveis”. E conclui afirmando que “os resultados podem ser catastróficos”.
Commoner considera que o dogma central, uma explicação sedutoramente simples sobre o processo de herdabilidade, levou a maioria dos biólogos moleculares a acreditar que era "bom demais para não ser verdade". Como resultado, o dogma central tem sido imune ao crescente acúmulo de dados que o contradizem, permitindo que a indústria de biotecnologia imponha sagazmente à agricultura uma tecnologia cientificamente inviável.
O estudo nos permite ter a certeza de que os argumentos sobre segurança sustentados pelas indústrias são baseados em conceitos que não contemplam o rigor científico.
Newswire, NY, 15/01/2002

2. Croácia barra transgênicos
Apesar do lobby americano, a Croácia está prestes a adotar uma legislação banindo a produção e limitando as importações de transgênicos. “Os EUA têm o direito de articular lobbies com oficiais croatas, mas nós temos o direito de proteger nossos interesses nacionais, nosso setor de ecoturismo e nossa produção de alimentos orgânicos”, disse Kovacevic, ministro do meio ambiente da Croácia.
Um dia após a embaixada americana de Viena ter divulgado uma nota à imprensa fazendo uma apologia aos transgênicos, agricultores americanos e canadenses desembarcaram na Croácia para discutir com agricultores e políticos croatas sobre suas desastrosas experiências com o cultivo de plantas transgênicas.
Valor Econômico, 15/01/2002; ANPED e Green Cátion Zagreb

3. Pratini teme por negócios com milho
Preocupado com a oferta de milho, o Ministro da Agricultura, Pratini de Moraes convocou uma reunião emergencial para avaliar o impacto da seca sobre a produção do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A quebra de safra está estimada entre 15% e 25% no Rio Grande do Sul e em até 30% no Oeste de Santa Catarina.
Esta redução poderia justificar a necessidade de compra de milho argentino ou americano, ambos transgênicos. O governo reviu os números da importação e elevou de 600 mil para 1 milhão de toneladas o volume necessário a ser importado. O movimento pode causar novas disputas judiciais, dado que a produção, comercialização e importação de produtos transgênicos no país são proibidos por decisão judicial.
Valor Econômico, 15/01/2002 e 17/01/2002

4. Brasil tem 304 empresas de biotecnologia
Pesquisa patrocinada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e executada pela Fundação Biominas revela que o Brasil já tem 304 empresas atuando na área de biotecnologia. Segundo Valéria Judice, coordenadora do estudo, apesar da relevância e do potencial de expansão da biotecnologia empresarial e da bioindústria, não havia, até então, dados sistematizados do universo do setor atuando no país.
Jornal do Comércio, 11/01/2002

5. Fim de experimentos com transgênicos
A empresa do ramo de sementes, Advanta Seeds BV, fecha definitivamente as portas de seu laboratório para experimentos com plantas transgênicas. A decisão representa que esse tipo de teste será praticamente encerrado na Holanda, dado que a Advanta é, de longe, a maior empresa do setor.
“Em geral, os consumidores daqui não querem nem ouvir falar sobre alimentos geneticamente modificados”, diz Cees Noome, representante da Advanta. Ele está convencido que os produtos transgênicos retornarão à Europa em 10 anos, “mas dessa vez, licenciados por alguma empresa americana de biotecnologia como a Monsanto”.
As indústrias de laticínios e os supermercados da Europa baniram os transgênicos de seus produtos temerosos da rejeição dos consumidores.
NRC Newspaper, Rotterdam, 12/01/2002

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Equipamentos para o plantio conservacionista em Santa Catarina
O preparo do solo é uma fase do processo de produção agrícola que pode apresentar sérios riscos de degradação ambiental. No sistema convencional, ele é feito através da aração e da gradagem. O arado foi introduzido no Brasil pelos primeiros imigrantes europeus e a grade foi tomada de empréstimo da engenharia civil, mais especificamente do preparo de solo para leitos de estradas. Desenvolvidas para atuarem em ambientes e atividades que não a agricultura tropical, não é de se estranhar o fato das duas apresentarem baixa adaptação aos princípios de um manejo do solo que favoreça a manutenção de sua capacidade produtiva ao longo do tempo.
Nos anos 70, frente a uma onda de modernização da agricultura, iniciaram-se os primeiros movimentos de técnicos e agricultores na busca de práticas conservacionistas de manejo do solo como alternativa ao processo de degradação. Em 1978, na região oeste de Santa Catarina, responsável por 2/3 dos grãos colhidos no Estado, um agricultor, com a assessoria de um extensionista, realizou a primeira experiência com cultivo mínimo (técnica que revolve apenas as faixas de solo que receberão as sementes), semeando milho em sulcos abertos por tração animal numa área com resíduos de uma leguminosa, a ervilhaca (Vicia sativa). A partir desse passo, outras práticas, como o uso de adubação verde e de cobertura morta, a adoção do plantio direto (sem aração nem gradagem) e o plantio em nível foram ficando mais presentes na agricultura catarinense.
Todas essas inovações passaram a exigir também uma evolução adaptativa dos implementos agrícolas tracionados por animais. Parcerias entre entidades de pesquisa, pequenos agricultores e fabricantes de maquinaria agrícola resultaram no desenvolvimento de máquinas e equipamentos apropriados às condições da agricultura familiar agroecológica da região, sendo inclusive exportados para mais de 20 países.
Para exemplificar esse processo de experimentação e geração de tecnologia, cita-se o caso de uma família de agricultores do Município de Agrolândia  SC, que desenvolveu uma máquina de plantio direto a tração animal. Com este equipamento a família está conseguindo colher cerca de 7.200 kg/ha de milho (quando a média nacional não passa de 2.000 kg/ha) utilizando adubo verde e aproveitando o esterco de suínos na forma líquida como adubo orgânico.
Manejo del suelo en pequeñas fincas. Estrategias y métodos de introducción, tecnologías y equipos. Roma: FAO, 2000. (Boletín de suelos de la FAO, 77)

Cursos e eventos
Curso de Pós-Graduação "lato-sensu" em Cafeicultura Orgânica
A Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado vem oferecer ao setor agropecuário a oportunidade de aperfeiçoamento tecnológico. O Curso de Especialização em Cafeicultura Orgânica tem por objetivo formar profissionais de nível superior com capacitação tecnológica para exercerem funções de docência e de preservação do meio ambiente em estabelecimentos ligados à cafeicultura e ao beneficiamento de café, estando aptos para a intermediação eficiente entre os níveis de gerenciamento e os de operadores com menor qualificação profissional.
Informações: ESACMA (35) 3295-3578 esacma@...

O Seminário En Defensa Del Maiz terá como objetivo analisar a situação atual do principal cultivo do México, base de sua cultura, de sua alimentação e da produção familiar e patrimônio coletivo da humanidade.
23 e 24 de janeiro, México. Maiores informações ceccam@...

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

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#299 De: "Luiz Meira" <luizmeira@...>
Data: Qui, 3 de Jan de 2002 1:46 am
Assunto: cantaminacao de culturas nativas
luizmeira
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nature 29 November 2001
Letters to Nature
Nature 414, 541 - 543 (2001) © Macmillan Publishers Ltd.

Transgenic DNA introgressed into traditional maize landraces in Oaxaca, Mexico

DAVID QUIST AND IGNACIO H. CHAPELA

Department of Environmental Science, Policy and Management, University of California, Berkeley, California 94720-3110, USA

Correspondence and requests for materials should be addressed to I.H.C. (e-mail: ichapela@...).


Concerns have been raised about the potential effects of transgenic introductions on the genetic diversity of crop landraces and wild relatives in areas of crop origin and diversification, as this diversity is considered essential for global food security. Direct effects on non-target species, and the possibility of unintentionally transferring traits of ecological relevance onto landraces and wild relatives have also been sources of concern. The degree of genetic connectivity between industrial crops and their progenitors in landraces and wild relatives is a principal determinant of the evolutionary history of crops and agroecosystems throughout the world. Recent introductions of transgenic DNA constructs into agricultural fields provide unique markers to measure such connectivity. For these reasons, the detection of transgenic DNA in crop landraces is of critical importance. Here we report the presence of introgressed transgenic DNA constructs in native maize landraces grown in remote mountains in Oaxaca, Mexico, part of the Mesoamerican centre of origin and diversification of this crop.



Macmillan MagazinesNature © Macmillan Publishers Ltd 2001 Registered No. 785998 England.

#300 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Qua, 27 de Mar de 2002 6:35 pm
Assunto: BOLETIM 107 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Para acalorar ainda mais o debate atual acerca da liberação ou não das sementes transgênicas para cultivo no Brasil, alguns veículos da imprensa brasileira (sobretudo do sul) vêm noticiando, durante as últimas duas semanas, dois importantes fatos ocorridos no Paraná.

O primeiro são os resultados de um trabalho acadêmico (já divulgado no Boletim 106) realizado na PUC do Paraná, comparando os custos de produção entre a soja transgênica e a soja convencional.(1)

O trabalho confirma as informações que vimos divulgando há alguns anos: a soja transgênica se mostra (ao longo dos anos) mais cara para o produtor e menos produtiva.

Estas informações colocam por terra os principais argumentos usados pela indústria e pelo governo federal (que costuma repetir os argumentos da indústria).

O outro fato importante vem como resultado do enorme número de apreensões de cultivos transgênicos ilegais no estado do Paraná, realizadas nas últimas semanas. Organizações importantes, como a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) -- que é uma organização de grandes agricultores --, estão se posicionando publicamente sobre a enorme preocupação que os cultivos transgênicos representam para o mercado no estado.

Conforme noticiado no jornal Gazeta do Povo (Curitiba), “segundo a Faep, entre 70% e 80% das exportações de soja paranaense abastecem os mercados europeu e asiático, que não são compradores de alimentos geneticamente modificados”.

Deni Schwartz, Secretário da Agricultura do Estado do Paraná, em entrevista concedida também à Gazeta do Povo, declarou que “o que nos preocupa muito é outra área, que não é a científica nem a ambiental. É a questão do mercado. Recentemente consultei a Sadia sobre transgênicos. A empresa não aceitaria aves alimentadas com este tipo de produto, pois vai perder mercado na Ásia e na Europa. Se perdermos mercado por conta dos transgênicos, teremos uma crise social no Paraná.”

Tanto a Faep, como a Secretaria de Agricultura (Seab), também estão desmistificando as super-projeções das áreas de transgênicos (entre 25% e 30% da produção do estado). As propriedades que plantam soja transgênica identificadas pela Seab representam apenas 0,01% da área estadual dedicada à oleaginosa.

Carlos Augusto Albuquerque, assessor de economia da Faep, considera estas projeções sobre a participação da soja transgênica na safra estadual um exagero. “Dizem que o número é grande para forçar uma situação. São pessoas que vendem sementes ou vendem Roundup”.

Mas o mais curioso de tudo isto é a reação da Monsanto e da Embrapa a estas informações. Segundo matéria publicada na Gazeta Mercantil do Sul, em 19/03, elas “se recusaram a comentar os estudos feitos no Paraná que apontam perda de mercado e renda se o Brasil liberar o cultivo do cereal geneticamente modificado. A assessoria da Monsanto informou que a multinacional não se pronuncia sobre o assunto porque ele está sendo discutido na justiça. (...) A assessoria da Embrapa informou que a estatal de pesquisa se preocupa apenas com os aspectos técnicos, e não comerciais, dos transgênicos (desde 1997, a Embrapa desenvolve, em parceria com a Monsanto, pesquisas com a variedade RR) (2)”.

O silêncio da indústria e da empresa governamental neste momento diz muito.

Estas evidências práticas e científicas sobre os prejuízos que a liberação dos transgênicos traria para o País devem ser avaliadas com atenção pelos parlamentares que irão, em breve, votar o Projeto de Lei que visa à liberação destas sementes em nosso território.

(1) Karly, Ralf, BALCEWICZ, Luiz Carlos. Estudo comparativo de custos de produção entre a cultura de soja (Glicyne Max L. Merril) transgênica e soja convencional nos Estados Unidos da América e no Brasil. Curitiba: PUC-Paraná, 2001.
(2) Roundup Ready (RR) é o nome comercial da soja transgênica desenvolvida e comercializada pela empresa Monsanto, que é resistente ao herbicida Roundup, da mesma empresa.

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Os líderes dos partidos políticos PMDB, PSDB, PFL, PTB e PPB na Câmara dos Deputados assinaram um requerimento para colocar a votação do Projeto de Lei (PL) que visa à liberação dos transgênicos no Brasil dispensando a realização de estudos de impacto ambiental e a avaliação de riscos à saúde humana, de autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), em regime de urgência.

Este requerimento, no entanto, ainda não foi apresentado no plenário da Câmara. Há rumores de que isto acontecerá após a Páscoa.

Se por um lado, um pedido de urgência é algo bastante grave, por outro lado, diante do contexto político atual, o fato de um PL estar em regime de urgência não garante que ele seja votado logo. Há inúmeras outras matérias também neste regime, de importância política e urgência muito maiores do que a liberação dos transgênicos.

As organizações da sociedade civil estão mobilizadas num esforço de articular os deputados e partidos a se posicionarem contra a aprovação deste PL e atentas aos acontecimentos.

É importante que este esforço continue também nos estados. Uma mobilização ampla, mexendo com forças políticas locais e regionais, pode ter resultados maiores do que se imagina.

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Neste número:
1. Transgênico pode reduzir exportações
2. Teste questiona potencial de “biofábricas”
3. Governo suíço liquida experimento com planta transgênica
4. Regras chinesas para soja travam vendas brasileiras
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle biológico ao alcance das crianças

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1. Transgênico pode reduzir exportações
Secretário de Estado da Agricultura, Deni Schwartz, teme uma crise social por conseqüência da adoção de grãos modificados
Os fiscais da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) encerraram a semana contabilizando 17 propriedades paranaenses em que foi confirmado o plantio de soja geneticamente modificada. O cultivo da variedade Roundup Ready, desenvolvida pela multinacional norte-americana Monsanto, está proibido no país por uma decisão judicial.
Em termos de volume, as propriedades identificadas representam cerca de 0,01% da área dedicada à oleaginosa no Paraná. Para o secretário Deni Schwartz, da Agricultura, esse é o principal indicador de que a situação não é para se alarmar. "A questão dos transgênicos está sob controle no estado", afirmou o secretário. Porém, em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, ele disse temer uma crise social no Paraná, caso haja perda de mercado, conseqüência da adoção de transgênicos. (...)
Gazeta do Povo, 24/03/02.

2. Teste questiona potencial de “biofábricas”
Uma droga produzida no leite de ovelhas transgênicas para tratar doenças graves como fibrose cística e enfisema teve seus testes em humanos suspensos, informou a rede de notícias britânica BBC. A suspensão dos testes lança dúvidas sobre o potencial do uso de animais geneticamente alterados como 'fábricas' de proteínas.
Os cientistas da PPL Therapeutics, a empresa britânica que criou a ovelha clonada Dolly, querem entender exatamente por que a substância levou à piora do estado de alguns pacientes do teste clínico antes de seguir com os experimentos em larga escala que abririam o caminho para o mercado.
Essa seria apenas mais uma história de teste clínico interrompido, não fosse pelo fato de o medicamento ter sido isolado do leite de uma ovelha transgênica. O tropeço acende um sinal amarelo sobre as promessas em torno do potencial da biotecnologia para revolucionar a medicina. (...)
Folha de São Paulo, 26/03/03.

3. Governo suíço liquida experimento com planta transgênica
Em um golpe para a biotecnologia suíça, o governo rejeitou um delineamento experimental de campo com trigo geneticamente modificado (GM). A decisão, agora em apelação, causou ampla consternação entre os cientistas suíços, que argumentam que isto significa uma moratória, de fato, para os experimentos de campo com qualquer planta transgênica. Cinco membros da comissão federal de biossegurança protestaram, incluindo o presidente, Riccardo Wittek.
Revista Science, 22/12/01.

4. Regras chinesas para soja travam vendas brasileiras
O Brasil deve deixar de embarcar para a China até abril cerca de 800 mil toneladas de soja em grão, o equivalente a US$ 136 milhões, levando em conta os atuais preços. O número é uma estimativa do mercado com base nos embarques que estavam contratados para o período, e representa volume semelhante ao exportado em igual época de 2001.
A suspensão dos contratos de exportação está sendo causada pelas novas regras impostas às importações de soja pela China. O país flexibilizou algumas de suas exigências, mas continua requerendo um documento do país de origem do produto certificando-o como convencional ou transgênico. Neste último caso, também é necessário um atestado (do governo) de que os grãos não causam danos ao consumidor nem ao meio ambiente.
Até agora, os maiores prejudicados com as novas regras  ainda nebulosas até para os traders chineses  foram os EU, uma vez que o pico da oferta americana concentra-se de outubro a fevereiro. Com o avanço da colheita na América do Sul, o problema começa a doer na cabeça de exportadores argentinos e brasileiros. (...)
Em tese, o Brasil levaria vantagem sobre a concorrência, uma vez que proíbe o plantio e comercialização de organismos geneticamente modificados. Mas, na prática, este é exatamente o principal problema.
O governo brasileiro não pode emitir nenhuma certidão sobre a soja transgênica embarcada e sua segurança, já que o plantio é proibido por lei. Tampouco pode assegurar que é convencional, porque, ilegalmente, o plantio de transgênicos já foi disseminado pelo país. Os exportadores calculam que, com a exportação preferencial da soja convencional para a Europa, não há volume suficiente para atender a China. Por isso a dificuldade do governo.
Para tentar resolver a questão, uma missão técnica do Ministério da Agricultura segue para o país no fim deste mês. Liderado por Odilson Luiz Ribeiro e Silva, diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal, o grupo tentará um “acordo de cavalheiros”, explicando a situação dúbia no país. (...)
Valor Econômico, 26/03/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Controle biológico ao alcance das crianças
No Vale do Mala, principal fornecedor de maçãs para Lima, Peru, após a realização de um processo de incentivo ao desenvolvimento participativo da agricultura ecológica (ver Boletim 106), iniciou-se um trabalho de apoio a projetos de ciências nas escolas.
O Instituto Huayauná e os agricultores do Vale incentivaram a pesquisa sobre o controle biológico do Panoccocus citi, uma praga da maçã, devido ao interesse dos professores e alunos em aprender alternativas ao controle químico de pragas.
Uma característica das crianças, provenientes de famílias de agricultores, é que elas também trabalham nas lavouras ajudando a família.
Foi feito, então, um trabalho com as crianças para que elas reconhecessem insetos agentes de controle biológico e outros animais que cumprem este papel, como ratos e gatos. As crianças passaram a reconhecer os diferentes tipos de insetos e identificar os benéficos e os que causam danos aos cultivos.
No ano de 1998 foi feito o trabalho com 226 crianças, de quatro diferentes escolas. Em 2000 se realizou um convênio com o Ministério da Educação e este número foi ampliado para 741 crianças, de 14 diferentes escolas. Os professores reconheciam a importância do trabalho na formação das crianças.
Posteriormente foi realizado um curso sobre o mesmo tema com os agricultores, que comentaram que seus filhos reconheciam os insetos que fazem controle biológico e seu ciclo de vida e que diziam saber também o que seus pais estavam estudando.
O resultado do programa foi muito positivo. Notou-se que o contato com este tema, sobre o qual os professores dificilmente têm conhecimento, foi muito importante para as crianças do meio rural. Foi observado também que as crianças aprendem conceitos e nomes com mais facilidade que os adultos. Além disso, as crianças que fizeram parte do programa já crescerão com outra visão da agricultura, à qual seus pais tiveram acesso tardiamente.
Cezar de la Cruz, et al. Proceso de elaboración de la propuesta de agricultura ecológica en el Valle de Mala. Boletín ILEIA, Fundación ILEIA, dezembro de 2001 vol.16 nº4, pg.16-17.

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#301 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sáb, 2 de Mar de 2002 12:14 am
Assunto: BOLETIM 103 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Tivemos uma semana riquíssima em acontecimentos, bons e ruins.

Teve início na última segunda-feira, 25/02/02, o julgamento em segunda instância, no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1a. Região, em Brasília, da Ação Civil Pública cuja sentença judicial proíbe até hoje que qualquer organismo transgênico seja liberado no Brasil sem que sejam feitos previamente os Estudos de Impacto Ambiental, as avaliações de riscos para a saúde humana e que seja implementada a rotulagem dos alimentos transgênicos e derivados de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.

Esta Ação foi julgada em primeira instância pela 6a. Vara Federal de Brasília em junho de 2000 e recebeu a brilhante sentença acima citada do juiz Antonio Souza Prudente. A Monsanto e a União recorreram e por isso ela está sendo agora julgada no TRF (instância superior à 6a. Vara).

No TRF a Ação é julgada por uma turma de três juízes. No dia 25/02, apenas a juíza relatora, a Dra. Selene Maria de Almeida, proferiu seu voto, favorável à Monsanto e à União -- defendendo a competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio / Min. de Ciência e Tecnologia) para liberar transgênicos sem a necessidade das avaliações de riscos. Ela ficou desde as 15:00 h até as 23:00 h, quase que ininterruptamente, lendo seu relatório. Quando terminou, os outros dois juízes, o Dr. Antonio Ezequiel e o Dr. João Batista G. Moreira (obviamente, exaustos, como todos os presentes) pediram vistas.

A data da continuação do julgamento ainda não foi definida, mas deverá ser por volta do dia 15/03/02.

Estamos confiantes de que os outros dois juízes não acompanharão o voto da juíza relatora, que
foi inédito em todo o processo que envolve a liberação dos transgênicos até agora. A Constituição Brasileira é clara ao determinar que qualquer empreendimento de potencial degradação ambiental deve ser precedido de Estudo Prévio de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto no Meio Ambiente (EIA/RIMA) e assim já interpretaram cinco juízes em três diferentes situações (julgamento da Ação Cautelar na 6a. Vara Federal - 1 juiz, julgamento da Ação Cautelar no TRF - 3 juizes e julgamento da Ação Civil Pública na 6a. Vara Federal - 1 juiz).

O Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, já manifestou sua posição contra o voto da juíza relatora aos outros dois juízes. Conforme relata o jornal O Estado de São Paulo, “o Ministério do Meio Ambiente (MMA) enviou carta a juízes do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, em Brasília, explicitando as divergências internas do governo em torno do assunto. O tribunal analisa recurso da empresa Monsanto e da União contra decisão de primeira instância, que condicionou o plantio comercial de soja transgênica no País à realização de estudo de impacto ambiental (Eia-Rima). A carta é assinada pelo ministro José Sarney Filho. Segundo ele, os Ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia sustentam que cabe à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)  e não ao MMA nem ao Ibama  a definição sobre a necessidade de estudo de impacto ambiental para a liberação de organismos geneticamente modificados (OGMs), como são chamados os transgênicos. ‘Ocorre que a CTNBio não tem qualquer poder para autorizar a liberação de OGMs, mas apenas a competência de elaborar pareceres técnicos conclusivos’, diz o texto. (...)  No caso da soja transgênica da Monsanto, a comissão entendeu que o estudo não era necessário e concedeu a licença, que foi embargada pela Justiça Federal em ação movida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O caso está sendo julgado no TRF da 1.ª Região. A juíza Selene Maria de Almeida, relatora do processo, votou na última segunda-feira favoravelmente ao recurso da Monsanto e da União. Mas falta ainda o voto de dois juízes, que deverão manifestar-se nas próximas semanas. Foram eles o alvo da carta assinada pelo ministro Sarney Filho, para quem a legislação ambiental não deixa dúvidas quanto à competência do MMA e do Ibama. ‘Por desconhecerem os meandros da legislação ambiental, órgãos governamentais não diretamente ligados ao tema têm conturbado e desvirtuado o emprego dessa legislação, cuja elaboração obedeceu a critérios rigorosos. Isso tem criado dificuldades para o governo, para o setor empresarial e até mesmo gerado desconfiança junto à sociedade’.”

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Mais uma vez, o Projeto de Lei de autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), que libera os transgênicos no Brasil de forma ampla e irrestrita, sem as necessárias avaliações de risco para a saúde humana, sem as avaliações de impacto no meio ambiente e sem garantir a plena informação aos consumidores, não foi votado na Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara, desta vez, por absoluto sucesso da pressão popular!

Compareceram à Câmara dos Deputados cerca de 100 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento Nacional dos Pequenos Agricultores (MPA), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR).

Todas as entradas da Câmara foram fechadas, salvo, obviamente, aos lobbistas engravatados da Monsanto que, desde as 13:30 h (a votação estava marcada para as 14:30 h) ocupavam seus lugares dentro do plenário 8 do Corredor das Comissões.

Após muita negociação entre os deputados da oposição e os seguranças da casa, os trabalhadores puderam entrar na Câmara. Após muito mais negociação entre os deputados e os seguranças, muitos trabalhadores conseguiram entrar no corredor das comissões. E aí ficaram, por cerca de mais 30 minutos protestando para entrarem no plenário 8, onde ocorreria a votação.

Os trabalhadores abriram faixas, empunharam cartazes e gritaram palavras de ordem enquanto os deputados, novamente, negociavam sua entrada na sala com os seguranças. Finalmente, cerca de 50 trabalhadores conseguiram entrar e outros 50 ficaram do lado de fora, no corredor.

Indignados, os trabalhadores não pararam de gritar palavras de ordem contra a aprovação do PL do Dep. Confúcio e de soprar estridentes apitos (dentro e fora da sala).

Com todo este clima, o presidente da Comissão, o Dep. Betinho Rosado (PFL/RN), não conseguia iniciar a reunião -- a estas alturas, a discussão entre os deputados da oposição e os da bancada ruralista era sobre a permanência ou não do público na sala.

No meio deste tumulto, os assessores parlamentares do PT perceberam que o relator havia modificado o Projeto de Lei -- por incrível que pareça, para pior*.

Por volta das 15:00 h o Dep. Rosado iniciou a reunião e o Dep. João Grandão (PT/MS) tentou encaminhar uma questão de ordem, sobre a alteração do Projeto de Lei. O Dep. Rosado, atropelando o regimento, não deu a palavra ao Dep. João Grandão e iniciou a votação do PL.

Indignados, todos os deputados da oposição começaram a gritar (além, é claro, de todo o público) e o Dep. Rosado desligou seus microfones. Começou, então, a verdadeira confusão. Todos os deputados da oposição foram até a mesa tentar conseguir a palavra na marra, os deputados da bancada ruralista foram atrás e começou o empurra-empurra entre deputados.

Pouco depois os deputados se retiraram e voltaram após cinco minutos, anunciando que a votação havia sido adiada para a próxima quarta-feira, 06/03.

É muito pouco provável que a votação seja novamente adiada na próxima semana. O momento é realmente crucial. Continuaremos, portanto, pressionando os deputados da Comissão para que não aprovem este PL escandaloso. Exigimos uma lei que garanta a segurança da população e do meio ambiente.

Segue novamente, no fim deste Boletim, a lista dos contatos dos deputados membros da Comissão, separados por estados.

Pedimos a todas as organizações e pessoas preocupadas com os prejuízos que a liberação precoce e desregulamentada dos transgênicos trará ao Brasil que organizem atividades de pressão sobre os deputados de sua região. Lembrem-se que pressão na base, em ano eleitoral, pode fazer milagres!

Contamos com a participação ativa da população e das organizações para barrar este PL.

* O Dep. Confúcio retirou do projeto os seguintes incisos:
Art. 7º - Comete crime contra a biossegurança quem:
VI - promove a implantação de ensaio, experimento ou pesquisa com OGM, sem a devida autorização da CTNBio ou em desacordo com as normas estabelecidas:
Pena - detenção de um a dois anos.
VII - autoriza a liberação de OGM sem a devida fundamentação técnica e sem o cumprimento dos requisitos estabelecidos na legislação;
Pena - detenção de três meses a um ano e perda do cargo ou função pública.
VIII - armazena, transporta ou comercializa OGM em desacordo com normas de rotulagem e informação ao consumidor estabelecidas na legislação;
Pena - detenção de um a três anos.

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Neste número:

1. MST quer plebiscito para transgênicos
2. Bush não progride
3. Academia de Ciências americana declara que avaliações de transgênicos são superficiais
4. Sementes reutilizadas na mira da Monsanto
5. Se fosse liberado, o trigo transgênico traria prejuízo ao Canadá
6. Aumenta procura por certificação
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Milho sem lagarta, sem herbicidas e sem transgênicos!

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1. MST quer plebiscito para transgênicos
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) propôs para a comissão especial da Câmara dos Deputados que avalia os projetos de lei no Congresso para liberação do cultivo e consumo de transgênicos, a realização de um plebiscito popular antes da votação das mudanças. "Essa questão não está sendo discutida com a sociedade, não se sabe se o povo de fato quer ter em sua mesa produtos geneticamente modificados (OGMs)*", disse João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST. A entidade solicita que a população envie mensagens para o deputado Confúcio Moura (PMDB-RO) para pedir a realização do plebiscito. (...)
"Temos outra preocupação com relação aos pequenos agricultores, que só poderão comprar as sementes da Monsanto”, explicou.
“A compra de sementes ficará restrita a uma multinacional, já que elas não podem ser replantadas", disse Rodrigues, que chama esse monopólio de "privatização das sementes". Segundo ele, não há pesquisas conclusivas sobre o impacto na saúde da população com o consumo de transgênicos, o que também preocupa o MST.
A entidade está organizando debates com partidos, entidades e parlamentares sobre a liberalização dos transgênicos (...) "Agora estamos pedindo que as pessoas enviem mensagem não só para o deputado Confúcio Moura, mas para todos os parlamentares envolvidos, porque a qualquer momento essa lei pode ser aprovada sem ter havido uma discussão com a sociedade", alertou o coordenador do MST. "Não posso comentar nada sobre esse pedido de plebiscito porque é algo que ainda precisa ser analisado pela comissão", explicou o deputado Confúcio Moura. (...)
Agência Estado, 19/02/02.
* Como já foi noticiado neste Boletim, uma pesquisa de opinião nacional do Ibope sobre transgênicos, encomendada pelo Greenpeace, em julho de 2001, constatou que 74% da população prefere consumir um alimento convencional a um transgênico.

2. Bush não progride
O presidente Bush volta para os EUA de mão vazias nas negociações com os chineses sobre a questão da soja transgênica. Os chineses vão impor barreiras ao produto a partir de março, e os americanos podem perder esse mercado de US$1 bilhão.
Folha de São Paulo, 23/02/02.

3. Academia de Ciências americana declara que avaliações de transgênicos são superficiais
A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, em um estudo sobre como o governo avalia os possíveis riscos ambientais colocados pelos cultivos transgênicos, disse que seus técnicos fornecem somente avaliações superficiais dos cultivos transgênicos e guardam consigo muitas informações confidenciais a fim de proteger os segredos comerciais das empresas.
O relato, que deverá ser divulgado no máximo na próxima terça-feira, demonstra que as avaliações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) para os cultivos que apresentam propriedades de pesticidas são “em geral superficiais” no tocante aos seus efeitos em outros organismos e ao desenvolvimento de resistência aos pesticidas nos insetos. (...)
As conclusões do relato podem acalorar a discussão em torno dos cultivos transgênicos. Espera-se que tenham importância significativa para a comunidade científica e que estimulem mudanças nos procedimentos do USDA. (...)
Em um resumo do relato, a Academia disse que a avaliação do USDA sobre os cultivos geneticamente modificados deve “ser feita de forma significativamente mais transparente e rigorosa”, com maior participação pública e apreciação de cientistas externos. Diz que a quantidade de informações que são mantidas em segredo porque são consideradas particulares “dificulta a avaliação externa e a transparência do processo de tomada de decisão”. (...)
A Academia recomenda ao USDA convocar um comitê consultivo antes de modificar os regulamentos e buscar contribuições para diminuir a percepção de que “responde apenas superficialmente” às observações feitas por grupos de fora sobre as avaliações dos cultivos transgênicos.
O relato diz também que o USDA precisa começar a avaliação dos impactos no ambiente de plantas com múltiplos genes alterados. Além disso, avanços no mapeamento genético significam que o USDA deveria olhar para toda a seqüência genética de um planta alterada, e não somente para partes delas, como é feito atualmente.
The Wall Street Journal, 21/02/02.

4. Sementes reutilizadas na mira da Monsanto
A Monsanto contratou investigadores particulares para a suspeita de reciclagem de suas sementes nos Estados Unidos.
“Eles apareceram às seis horas da manhã e mostraram seus distintivos. Não foi nada educado o que disseram. Eles agiram como se fossem agentes do FBI”, afirma Scott Good, produtor de soja de Southamptom Township, Nova Jersey, que agora é alvo de uma ação judicial federal.
Além das ações, a Monsanto apresentou centenas de queixas na justiça contra produtores que estariam fazendo uso indevido de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) de algodão, canola, milho e soja.
“Não se trata só de uma obrigação para com os produtores que cumprem as regras, mas também por temos investido muito nesta tecnologia”, afirmou a porta-voz da Monsanto, Lori Fischer.
No centro da disputa estão as sementes Roundup Ready, manipuladas geneticamente para suportar o herbicida Roundup. Uma saca de sementes Roundup Ready custa bem mais que um saco de sementes convencional.
Gary Woodend, o advogado contratado por Scott Good, disse que o produtor até se dispôs a entregar toda a sua safra  de 2001 à Monsanto, mas que a multinacional americana rejeitou a proposta. “Na minha opinião, a Monsanto quer transformá-lo em um exemplo e levá-lo a falência”, avaliou Woodend. (...)
Valor Econômico, 20/02/02.

5. Se fosse liberado, o trigo transgênico traria prejuízo ao Canadá
Novas pesquisas da Universidade de Saskatchewan, Canadá, indicam que se o plantio de trigo transgênico fosse liberado no Canadá, poderia custar CAN$ 185 milhões por ano em perdas para os agricultores do país, devido à desconfiança dos consumidores com relação à biotecnologia.
Quatro novos estudos da Universidade descobriram que a tecnologia poderia resultar em economia de CAN$ 6,67 por hectare com relação ao trigo convencional, mas que o trigo canadense perderia diversos importantes mercados de exportação caso o trigo transgênico plantado não fosse segregado do trigo convencional. As pesquisas estimam que isto custaria aos produtores cerca de 8,5% do rendimento das vendas.
Além disso, os produtores teriam que pagar pelo uso da tecnologia, o que reduziria ainda mais os benefícios para os agricultores.
Para Richard Gray, pesquisador da Universidade de Saskatchewan, os estudos sugerem que o Canadá não deve aprovar o trigo transgênico até que os consumidores queiram a tecnologia. (...)
The Star Phoenix, 26/02/02.

6. Aumenta procura por certificação
Enquanto a produção de transgênicos avança no mundo, esmagadoras e indústrias brasileiras estrategicamente ampliam o investimento na certificação de soja convencional e seus derivados como "GMO free", isto é, sem a presença de organismos geneticamente modificados.
As principais certificadoras que atuam no Brasil, SGS e Genetic ID, prevêem crescimento dos volumes de produtos certificados este ano pela maior demanda e maior safra de soja no país.
Para Augusto Freire, gerente de negócios da Genetic Id, na safra 2001/2002, a quantidade de farelo de soja certificado no Brasil deve chegar a 4,5 milhões de toneladas, 500 mil a mais que na safra passada.
A SGS estima crescimento semelhante, mas calcula em 2,5 milhões de toneladas o volume de farelo certificado. Ela prevê ainda que a certificação de soja em grão chegue a 800 mil toneladas.
A Incopa, de Araucária (PR), é uma das empresas que apostam na maior demanda por farelo certificado. Em 2001, a esmagadora produziu 550 mil toneladas de farelo certificado e exportou 95% desse volume. (...)
A Caramaru, que também já produz farelo certificado como não-transgênico em São Simão (GO), está investindo numa fábrica de lecitina de soja certificada. O derivado é largamente utilizado na indústria de alimentos, que paga prêmios altos pelo produto certificado. Segundo fontes do setor, o preço chega a ser o triplo do produto não certificado. (...)
A procura por certificação não é mais exclusividade das esmagadoras. "Hoje, já atendemos fábricas de ração e duas cooperativas de produtores", afirma Marcos Antonio Zwir, diretor da divisão agrícola da suíça SGS no país. A maioria delas, acrescenta, são fornecedoras de indústrias de carne e mesmo de esmagadoras de soja que exportam. (...)
Valor Econômico, 18/02/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Milho sem lagarta, sem herbicidas e sem transgênicos!
Uma pesquisa realizada pelo Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos (ICIPE, na sigla em inglês) junto com agricultores da África, chegou a um interessantíssimo sistema ecológico que já está sendo largamente utilizado por produtores de vários países. Três sérios problemas como ataque de lagartas, plantas espontâneas e baixa produtividade nas plantações de milho foram eliminados.
A solução foi simples. O milho foi plantado em consórcio com a leguminosa Desmodium unicatum e em volta da área foram cultivadas três carreiras de capim-elefante.
A leguminosa repele as mariposas/lagartas de dentro da plantação e o capim-elefante atrai em média 80% das lagartas. Dessa forma as lagartas deixam de causar dano econômico ao cultivo de milho. Além disso, a leguminosa cobre o solo e por ação alelopática elimina a principal erva espontânea que prejudica o milho, a erva de São João, sem, no entanto, competir com o cereal. Ocorreu uma interação positiva entre o milho e a leguminosa, que ainda fixa nitrogênio, melhorando atributos químicos, físicos e biológicos do solo.
Os esforços para a pesquisa foram compensados. Hoje os agricultores africanos que adotaram o sistema colhem cinco vezes mais milho do que colhiam anteriormente.
Essas técnicas ecológicas são viáveis para pequenos ou grandes agricultores, com ou sem irrigação, dependendo apenas do desenvolvimento de detalhes operacionais para cada situação. No Brasil, alguns experimentos semelhantes vêm sendo realizados no Centro de Agrobiologia da Embrapa e na Universidade Federal de Viçosa, ressaltando-se o consórcio de milho com feijão-de-porco e com Crotalaria juncea, que levam a resultados importantes como os dos africanos. É preciso, entretanto, que sejam alocados mais recursos para essas pesquisas e que sejam realizados campos experimentais/demonstrativos em fazendas em diversas regiões.
Vale ressaltar que o cultivo de milho no Brasil consome quantidades bastante elevadas de herbicidas, inseticidas e de adubos nitrogenados, que se tornam absolutamente desnecessários nesses sistemas. Segundo planilhas da Embrapa, adubos solúveis e agrotóxicos variam de 58 a 72% do custo de produção.
RECEITAS CONTRA A FOME. Histórias de sucesso para o futuro da agricultura. São Paulo:
Greenpeace, 2001, p.10-13.

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Deputados da Comissão Especial:

NORTE:

Rondônia
:
Confúcio Moura (PMDB), relator da comissão. Pró transgênicos. Titular.
Fone/fax: (69) 535-3500.

Pará:
Deusdeth Pantoja (Bloco PFL/PST). Pró. Suplente. Fone/fax: (91) 222-8778.

Acre:
Marcos Afonso (PT). Contra. Titular. Fone: (61) 318-5366.
Nilson Mourão (PT). Contra. Titular. Fone: (68) 224-0793/ Fax: (68) 224-5877.
Márcio Bittar (Bloco PDT/PPS). Contra. Suplente. Fone/fax: (68) 224-3268.

Amazonas:
Vanessa Grazziotin (Bloco PSB/PC do B). Contra. Suplente.
Fone/fax: (92) 633-8076.

Tocantins:
Paulo Mourão (Bloco PSDB/PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (63) 215-1875.
Igor Avelino (PMDB). Titular. Fone/fax: (63) 225-1720.
Freire Júnior (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (63) 213-2000.
Osvaldo Reis (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5835.

Roraima:
Salomão Cruz (PFL). Pró. Titular. Fone: (95) 623-4944/ Fax: (95) 623-4919.

CENTRO OESTE

Mato Grosso
:
Celcita Pinheiro (Bloco PFL, PST). Titular. Fone: (61) 318-5529.
Wilson Santos (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (65) 642-4646/ 642-4477.
Welinton Fagundes (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (66) 423-1949.

Mato Grosso do Sul:
João Grandão (PT). Contra. Titular. Fone: (67) 423-0080.
Fone/fax: (67) 423-0128.
Pedro Pedrossian (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (67) 387-2200.

Goiás:
Pedro Canedo (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone: (62) 3111144.
Fax: (61) 318-2611.
Roberto Balestra (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (62) 224-9445.
Aldo Arantes (Bloco PSS, PC do B). Contra. Titular. Fone: (061) 318-5475.

Distrito Federal:
Paulo Octávio (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone/fax: (61) 318-5446.
Alberto Fraga (PMDB). Pró. Titular. Fone/fax: (61) 318-5321.

NORDESTE

Maranhão
: Francisco Coelho (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (61) 318-5525.

Piauí: Marcelo Castro (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (86) 233-4432.

Ceará: Sérgio Novais (PSB). Contra. Titular. Fone: (85) 252-1388. Fax: (85) 226-0267.

Rio Grande do Norte:
Carlos Alberto Rosado (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (61) 318-5558.

Paraíba:
Carlos Dunga (Bloco PSDB, PTB). Titular. Fone: (61) 318-5238.
Adauto Pereira (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone: (83) 222-3515.
Fax: (83) 222-7275/ 222-2435
.

Pernambuco:
Carlos Batata (Bloco PSDB, PTB). Titular. Fone/fax: (61) 318-5334.
Joaquim Francisco (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5425.
Fernando Ferro (PT). Contra. Suplente. Fone: (81) 3423-9274. Fax: (81) 3423-9953.

Sergipe: Cleonâncio Fonseca (PPB). Pró. Suplente. Fone: (61) 318-5824.

Bahia:
Saulo Pedrosa (PSDB). Contra. Titular. Fone: (61) 318-5308.
Jaime Fernandes (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (71) 375-4244.
José Rocha (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (71) 342-2525.

SUDESTE

Espírito Santo
:
Rose de Freitas (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone: (27) 3223-4704. Fax: (27) 3222-4753.
José Carlos Elias (Bloco PSDB, PTB). Pró. Titular. Fone/fax: (27) 3264-2691.

Rio de Janeiro:
Fernando Gabeira (PT). Contra. Titular. Fone: (21) 2548-2044.
Jandira Feghali (PC do B). Contra. Titular. Fone: (21) 2232-8360.
Luiz Ribeiro (Bloco PSDB, PTB). Titular. Fone/fax: (21) 2742-8783.

São Paulo:
Nelson Marquezelli (Bloco PSDB, PDB). Pró. Titular. Fone: (19) 561-3244.
Fax: (19) 561-335
.
Xico Graziano (PSDB). Pró. Titular. Fone/fax: (11) 3255-7203.
Luiz Eduardo Greenhalg (PT). Contra. Titular. Fone/fax: (11) 3875-3384.
Iara Bernardi (PT). Contra. Titular. Fone/fax: (15) 234-1788.
Kincas Mattos (Bloco PSB, BC do B). Contra. Suplente.
Emerson Kapaz (Bloco PDT, PPS). Titular. Fone/fax: (11) 3037-7263.
Telma de Souza (PT). Contra. Suplente.
Clóvis Volpi (Bloco PSDB, PTB). Suplente. Fone/fax: (11) 4827-5951.

Minas Gerais:
Elias Murad (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente. Fone/fax: (31) 3225-2700.
Mário Assad Júnior (PFL). Pró. Titular. Fone: (31) 3224-1557.Fax: (31) 318-2243.
Jaime Martins (Bloco PFL, PST). Pró. Suplente. Fone: (37) 3222-8027.
Fax: 3222-8251.
Silas Brasileiro (PMDB). Pró. Suplente. Fone: (34) 3831-4800.
Fax: (34) 3831-2419
.
Ronaldo Vasconcelos (PL). Contra. Titular. Fone/fax: (31) 3292-3145 / 3292-4116.

SUL

Paraná
:
José Carlos Martinez (Bloco PSDB, PTB). Pró. Suplente.
Fone/fax: (41) 338-4848/ 338-4636.
Odílio Balbinoti (Bloco PSDB, PTB). Suplente. Fone: (44) 223-3865. Fax: 223-2476.
Luciano Pizzatto (Bloco PFL, PST). Pró. Titular. Fone/fax: (41) 257-3164.
José Borba (PMDB). Pró. Suplente. Fone/fax: (43) 432-2355.
Dilceu Sperafico (PPB). Pró. Suplente. Fone/fax: (45) 252-1191.

Santa Catarina:
Luci Choinacki (PT). Contra. Suplente. Fone: (61) 318-5282.
Hugo Biehl (PPB). Pró. Titular. Fone/fax: (49) 322-4719.

Rio Grande do Sul:
Darcísio Perondi (PMDB). Pró. Titular. Fone/fax: (55) 332-6468.
Marcos Rolim (PT). Contra. Suplente. Fone/fax: (51) 3225-1702 /
3221-4337
.
Fetter Junior (PPB). Pró. Titular. Fone: (53) 222-8286/ 227-6061.
Pompeu de Mattos (PDT). Contra. Titular. Fone/fax: (51) 3225-1942.
Alceu Collares (Bloco PDT, PPS). Contra. Suplente.
Fone/fax: (51) 3231-1422.
Paulo José Gouvêa (Bloco PL, PSL). Suplente.
Fone/ fax: (51) 3221-6133/ 318-2641.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#302 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 22 de Fev de 2002 8:34 pm
Assunto: BOLETIM 102 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A votação do Projeto de Lei (PL) de autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), relator da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos Deputados, marcada para a última quarta-feira (20/02), foi adiada, oficialmente, por causa de um impedimento regimental.

A votação, agora, está marcada para a próxima quarta-feira, 27/02.

Como vocês se lembram, este PL visa a liberação dos transgênicos no Brasil sem as necessárias avaliações de impacto no meio ambiente e na saúde da população e sem garantir aos consumidores o direito à plena informação.

Apesar de sabermos houve de fato um impedimento regimental, sabemos também que uma das coisas mais comuns no Congresso é o atropelo do Regimento em função dos interesses em jogo. Ou seja, não nos espantaria se a Comissão tivesse funcionado, apesar do impedimento, se assim desejassem o seu presidente e o seu relator. E nestes casos, se “ninguém reclama” (e, às vezes, mesmo sob protestos) a coisa caminha.

Acreditamos, portanto, que o cancelamento da sessão de quarta-feira mostra uma certa atitude de recuo por parte dos deputados favoráveis à liberação dos transgênicos no Brasil, fruto do excelente trabalho de pressão exercido por diversas organizações da sociedade civil nos estados brasileiros, assim como do esforço de centenas de pessoas que mandaram e-mails para os deputados da Comissão durante todos estes dias.

Isso também reforça a necessidade de continuarmos e, mais que isso, intensificarmos nosso trabalho de pressão sobre os deputados nos seus estados, ou seja, nas suas bases eleitorais. Não podemos nos esquecer de que estamos num ano eleitoral e que podemos tirar partido disso. Sabemos que, até o momento, nossas chances de vitória na Comissão Especial são muito reduzidas. No entanto, acreditamos que se a pressão nos estados for bastante significativa, teremos chances de reverter este quadro. E para tanto, contamos com o esforço de todos vocês.

Mais uma vez pedimos a todos que telefonem, mandem fax e mensagens eletrônicas para os deputados da Comissão Especial, pedindo que não aprovem este PL na sua forma atual.

No final deste Boletim você encontrará a lista completa dos contatos dos deputados membros da Comissão.

Para mandar e-mails para todos os deputados da Comissão, você pode clicar nos dois endereços abaixo:

Comissão-Transgênicos1
Comissão-Transgênicos2

As mensagens podem ser como a que segue:

“Prezado Sr(a) Deputado(a) Federal
Membro da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados,

Confiamos que os senhores, Deputados membros da Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito nacional, não permitirão a aprovação de um Projeto de Lei que dispense os organismos transgênicos de Estudos de Impacto Ambiental, de avaliação de riscos para a saúde e de rotulagem plena. Acreditamos que os senhores lutarão por uma lei que garanta que nenhum organismo transgênico seja liberado no Brasil antes que haja certeza científica sobre sua segurança para a saúde da população e para o meio ambiente e que os direitos de plena informação aos consumidores sejam garantidos.
Nós acompanharemos a votação e daremos ampla divulgação de seu voto em prol dos direitos do consumidor e do meio ambiente.


Mais uma vez, contamos com todos vocês!

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AÇÃO CIVIL PÚBLICA SERÁ JULGADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA

Na próxima segunda-feira, 25/02, a Ação Civil Pública cuja sentença judicial proíbe até hoje que qualquer organismo transgênico seja liberado no Brasil sem que sejam feitos os Estudos de Impacto Ambiental, as avaliações de riscos para a saúde humana e seja implementada a rotulagem dos alimentos transgênicos e derivados de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, será julgada em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 1a. Região, em Brasília.

A decisão do TRF será extremamente importante, pois, se o Tribunal mantiver a brilhante decisão proferida pelo Dr. Antonio Souza Prudente, em junho de 2000, os transgênicos continuarão proibidos no Brasil e, caso o Tribunal dê provimento aos recursos da Monsanto e da União Federal, o caminho para a liberação dos transgênicos, sem EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto no Meio Ambiente) e demais cautelas necessárias, estará livre.

Estamos confiantes de que a Justiça Brasileira mais uma vez julgará com seriedade e competência esta importante questão, que diz respeito à sociedade como um todo.

No julgamento em segunda instância da Ação Cautelar que tratava da liberação da soja Roundup Ready, da Monsanto, no mesmo TRF em Brasília, em junho de 2000, houve grande presença da sociedade, em uma clara demonstração da importância desse assunto para todos e para o país (e a decisão que proíbe a liberação comercial dessa soja antes que seja elaborado e avaliado o EIA/RIMA foi mantida).

Seria muito importante, novamente, a participação silenciosa do maior número de cidadãos e entidades preocupadas com a vida no Planeta.

O julgamento acontecerá no Tribunal Regional Federal da 1a. Região, Setor de Autarquias Sul, Quadra 2, Bloco A, às 14 horas, e será aberto ao público.

Os juízes que irão julgar as apelações são a Dra. Selene Maria de Almeida (relatora), o Dr. Antonio Ezequiel e o Dr. João Batista G. Moreira.

Haverá sustentação oral do Professor Paulo Affonso Leme Machado (Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), do Ministro Gilmar Mendes (Advocacia Geral da União) e do Dr. Luciano Mariz Maia (Ministério Público Federal), além de um advogado da Monsanto, cuja identidade ainda não conhecemos.


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Lista de contatos dos Deputados membros da Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara:

Dep. Adauto Pereira (PFL / PB)
Tel.: (61) 318-5221
Fax: (61) 318-2221
dep.adautopereira@...

Dep. Alberto Fraga (PMDB / DF)
Tel.: (61) 318-5321
Fax: (61) 318-2321
dep.albertofraga@...

Dep. Alceu Collares (PDT / RS)
Tel.: (61) 318-5807
Fax: (61) 318-2807
dep.alceucollares@...

Dep. Aldo Arantes (PC do B / SP)
Tel.: (61) 318-3475
Fax: (61) 318-2475
dep.aldoarantes@...

Dep. Betinho Rosado (PFL / RN)
Tel.: (61) 318-5558
Fax: (61) 318-2558
dep.betinhorosado@...

Dep. Carlos Batata (PSDB / PE)
Fax: (61) 318-2334
Tel.: (61) 318-5334
dep.carlosbatata@...

Dep. Carlos Dunga (PTB / PB)
Tel.: (61) 318-5236
Fax: (61) 318-2236
dep.carlosdunga@...

Dep. Celcita Pinheiro (PFL / MT)
Tel.: (61) 318-5528
Fax: (61) 318-2528
dep.celcitapinheiro@...

Dep. Chico Graziano (PSDB / SP)
Tel.: (61) 318-5816
dep.xicograziano@...

Cleonâncio Fonseca (PPB / SE)
Tel.: (61) 318-5824
Fax: (61) 318-2824
dep.cleonanciofonseca@...

Dep. Clovis Volpi (PSDB / SP)
Tel.: (61) 318-5626
Fax: (61)  318-2626
dep.clovisvolpi@...

Dep. Confúcio Moura (PMDB / RO)
Tel.: (61) 318-5573
Fax: (61) 318-2573
dep.confuciomoura@...

Dep. Darcísio Perondi (PMDB / RS)
Tel.: (61) 318-5518
Fax: (61) 318-3518
dep.darcisioperondi@...

Dep. Deusdeth Pantoja (PFL / PA)
Tel.: (61) 318-5854
Fax: (61) 318-2854
dep.deusdethpantoja@...

Dep. Dilceu Sperafico (PPB / PR)
Tel.: (61) 318-5746
Fax: (61) 318-2746
dep.dilceusperafico@...

Dep. Elias Murad (PSDB / MG)
Tel.: (61) 318-5450
Fax: (61) 318-2450
dep.eliasmurad@...

Dep. Emerson Kapaz (PPS / SP)
Tel.: (61) 318-5222
Fax: (61) 318-2222
dep.emersonkapaz@...

Dep. Fernando Ferro (PT / PE)
Tel.: (61) 318-5427
Fax: (61) 31/8-2427
dep.fernandoferro@...

Dep. Fernando Gabeira (PT / RJ)
Tel.: (61) 318-5374
Fax: (61) 318-2374
dep.fernandogabeira@...

Dep. Fetter Júnior (PPB / RS)
Tel.: (61) 318-5316
Fax: (61) 318-2316
dep.fetterjunior@...

Dep. Francisco Coelho (PFL / MA)
Tel.: (61) 318-5525
Fax: (61) 318-2525
dep.franciscocoelho@...

Dep. Freire Junior (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-5601
Fax: (61) 318-2601
dep.freirejunior@...

Dep. Hugo Biehl (PPB / SC)
Tel.: (61) 318-5332
Fax: (61) 318-2332
dep.hugobiehl@...

Dep. Iara Bernardi (PT / SP)
Tel.: (61) 318-5360
Fax: (61) 318-2360
dep.iarabernardi@...

Dep. Igor Avelino (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-5466
Fax: (61) 318-2466
dep.igoravelino@...

Dep. Jaime Martins (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5333
Fax: (61) 318-2333
dep.jaimemartins@...

Dep. Jaime Fernandes (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5906
Fax: (61) 318-2956
dep.jaimefernandes@...

Dep. João Grandão (PT / MS)
Tel.: (61) 318-5484
Fax: (61) 318-2484
dep.joaograndao@...

Dep. Joaquim Francisco (PFL / PE)
Tel.: (61) 318-5425
Fax: (61) 318-2425
dep.joaquimfrancisco@...

Dep. José Borba (PMDB / PR)
Tel.: (61) 318-5616
Fax: (61) 318-2616
dep.joseborba@...

Dep. José Carlos Elias (PTB / ES)
Tel.: (61) 318-5230
Fax: (61) 318-2230
dep.josecarloselias@...

Dep. José Carlos Martinez (PTB / PR)
Tel.: (61) 318-5513
Fax: (61) 318-2513
dep.josecarlosmartinez@...

Dep. José Rocha (PFL / BA)
Tel.: (61) 318-5908
Fax: (61) 318-2908
dep.joserocha@...

Kincas Mattos (PSB/SP)
Tel: (61) 318-5454
Fax: 318-2454
dep.kincasmattos@...

Dep. Luciano Pizzatto (PFL / RN)
Tel.: (61) 318-5541
Fax: (61) 318-2541
dep.lucianopizzatto@...

Dep. Luci Choinacki (PT / SC)
Tel.: (61) 318-5282
Fax: (61) 318-2282
dep.lucichoinacki@...

Dep. Luiz Eduardo Greenhalgh (PT / SP)
Tel.: (61) 318-5466
Fax: (61) 318-2466
dep.luizeduardogreenhalgh@...

Dep. Luiz Ribeiro (PSDB / RJ)
Tel.: (61) 318-5583
Fax: (61) 318-2583
dep.luizribeiro@...

Dep. Marcelo Castro (PFL / BA)
Tel.: (61) 318-5760
Fax: (61) 318-2760
dep.marcelocastro@...

Dep. Márcio Bittar (PPS / AC)
Tel.: (61) 318-5343
Fax: (61) 318-2343
dep.marciobittar@...

Dep. Marcos Afonso (PT / AC)
Tel.: (61) 318-5366
Fax: (61) 318-2366
dep.marcosafonso1313@...

Dep. Marcos Rolim (PT / RS)
Tel.: (61) 318-5277
Fax: (61) 318-2277
dep.marcosrolim@...

Dep. Mário Assad Junior (PL / MG)
Tel.: (61) 318-5243
Fax: (61) 318-2243
dep.marioassadjunior@...

Dep. Moarcir Micheletto (PMDB / PR)
Tel.: (61) 318-5481
Fax: (61) 318-2481
 dep.moacirmicheletto@...

Dep. Nelson Marquezelli (PTB / SP)
Tel.: (61) 318-5920
Fax: (61) 318-2920
dep.nelsonmarquezelli@...

Nilson Mourão (PT / ACRE)
Telefone: (61) 318-5376
Fax: (61) 318-2376
dep.nilsonmourao@...

Dep. Odílio Balbinotti (PSDB / PR)
Tel.: (61) 318-5604
Fax: (61) 318-2604
dep.odiliobalbinotti@...

Dep. Osvaldo Reis (PMDB / TO)
Tel.: (61) 318-5835
Fax: (61) 318-2835
dep.osvaldoreis@...

Dep. Paulo José Gouvea (PL / RS)
Tel.: (61) 318-5641
Fax: (61) 318-2641
dep.paulojosegouvea@...

Dep. Paulo Mourão (PSDB / TO)
Tel.: (61) 318-5311
Fax: 61) 318-2311
dep.paulomourao@...

Dep. Paulo Octavio (PFL / DF)
Tel.: (61) 318-5446
Fax: (61) 318-2446
dep.paulooctavio@...

Dep. Pedro Canedo (PSDB / GO)
Tel.: (61) 318-5611
Fax: (61) 318-2611
dep.pedrocanedo@...

Dep. Pedro Pedrossian (PFL / MS)
Tel.: (61) 318-5704
Fax: (61) 318-2704
dep.pedropedrossian@...

Dep. Pompeo de Mattos (PDT/RS)
Tel.: (61) 318-5810
Fax: (61) 318-2810
dep.pompeodemattos@...

Dep. Ronaldo Vasconcellos (PFL / MG)
Tel.: (61) 318-5473
Fax: (61) 318-2473
dep.ronaldovasconcellos@...

Dep. Roberto Balestra (PPB / GO)
Tel.: (61) 318-5262
Fax: (61) 318-2262
dep.robertobalestra@...

Dep. Rose de Freitas (PSDB / ES)
Tel.: (61) 318-5618
Fax: (61) 318-2618
dep.rosedefreitas@...

Dep. Salomão Cruz (PFL / RR)
Tel.: (61) 318-5739
Fax: (61) 318-2739
dep.salomaocruz@...

Dep. Saulo Pedrosa (PSDB / BA)
Tel.: (61) 318-5308
Fax: (61) 318-2308
dep.saulopedrosa@...

Dep. Silas Brasileiro (PMDB / MG)
Tel.: (61) 318-5932
Fax: (61) 318-2932
dep.silasbrasileiro@...

Dep. Vanessa Grazziotin (PC do B / AM)
Tel.: (61) 318-5735
Fax: (61) 318-2735

Dep. Welinton Fagundes (PSDB / MT)
Tel.: (61) 318-5523
Fax: (61) 318-2523
dep.welintonfagundes@...

Dep. Wilson Santos (PMDB / MT)
Tel.: (61) 318-5808
Fax: (61) 318-2808
dep.wilsonsantos@...

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#303 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 22 de Mar de 2002 10:41 pm
Assunto: BOLETIM 106 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Na última quinta-feira, 21/03/02, uma enorme manobra do Poder Executivo impediu a votação, no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), da minuta sobre os critérios e procedimentos para o licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos que envolvam transgênicos.

A votação havia sido colocada na pauta de votação do plenário do Conama no dia 12/12/02, quando oito conselheiros pediram vistas. Pelo regimento do órgão, a votação deveria, necessariamente, se dar na reunião seguinte. Apesar disto, o governo, que é quem faz a pauta das reuniões, não colocou a matéria na pauta.

No início da reunião, por 60 votos a 6, os conselheiros incluíram a matéria na pauta das votações. Apesar de estarem em minoria, os representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério de Ciência e Tecnologia e da Casa Civil usaram de todos os recursos, regimentais ou não, para impedir que a votação acontecesse (alegando que o órgão ainda não está maduro o suficiente para votar a matéria).

O Congresso está votando um Projeto de Lei que visa a tirar a competência dos órgãos do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) de exigir o licenciamento ambiental de transgênicos -- deixando a atribuição a cargo da CTNBio -- e o Tribunal Regional Federal de Brasília está julgando exatamente a mesma questão.

Indignados, pois consideram ser atribuição constitucional do Conama licenciar os organismos geneticamente modificados, os Conselheiros começaram a abandonar a reunião por volta das 19 horas.

A próxima reunião ordinária do órgão, quando será finalmente votada a minuta, está marcada para o dia 11/04.

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O Deputado Ronaldo Vasconcellos (PL/MG) apresentou esta semana seu relatório referente à Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) que, no âmbito da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados, foi instituída para fiscalizar os procedimentos adotados pelo Poder Executivo para autorizar a liberação de transgênicos no Brasil.

A PFC funciona como uma espécie de “mini-CPI” e foi solicitada pelo Dep. Fernando Ferro (PT/PE) em agosto de 2000.

Este documento é de enorme importância para o País neste momento. Isto porque estamos atravessando um período bastante delicado em que há um Projeto de Lei em tramitação no Congresso e um julgamento em curso no Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília, ambos tratando da liberação dos transgênicos no Brasil. Tanto o Projeto de Lei, como o voto da juíza relatora do TRF (ainda faltam dois juízes proferirem seus votos para que o julgamento seja concluído nesta instância jurídica) são de conteúdo excessivamente permissivo. Ambos defendem a não exigência da realização de estudos de impacto no meio ambiente e avaliação de riscos à saúde humana previamente à liberação dos transgênicos.
E para justificar este absurdo alegam a “incontestável competência” da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia) para avaliar -- sem realizar os estudos -- se estes produtos apresentam ou não riscos.

Para elaborar o relatório (que ainda tem que ser aprovado pela Comissão), o Dep. Vasconcellos, com o apoio de assessores legislativos da Câmara, analisou uma série de denúncias de irregularidades cometidas pela CTNBio e por outros órgãos do Poder Executivo através de audiências públicas, entrevistas e visitas a empresas de pesquisa e produção de transgênicos, diligências e requisição de documentos e informações.

De forma bastante fundamentada, o relatório comprova um enorme número de irregularidades cometidas pelos órgãos acima citados.

As irregularidades mais graves apresentadas no documento são referentes à autorização, por parte da CTNBio e do Ministério da Agricultura, da importação de milho transgênico proveniente da Argentina e dos Estados Unidos para uso em ração animal em junho de 2000 (processo repleto de irregularidades);

à total falta de fiscalização dos experimentos com transgênicos -- muitos dos quais localizados em propriedades de agricultores;

à autorização, por parte da CTBio, de Unidades Demonstrativas de transgênicos antes que a própria CTNBio tivesse chegado a uma conclusão sobre a liberação ou não dos cultivares em questão;

ao tamanho das áreas experimentais aprovadas pela CTNBio -- de até 110 ha (o próprio relatório admite que “não se afasta a possibilidade de que os referidos ensaios fizessem parte da estratégia da empresa de obter rapidamente um estoque de sementes suficiente para alavancar os plantios comerciais, (imediatamente) após a liberação oficial da cultivar” e que o destino das sementes produzidas em tais “experimentos gigantes” não ficou bem esclarecido, o que reforça a tese de que podem ter vazado para os agricultores, facilitando a implantação de lavouras clandestinas no País);

à elevação, em dez vezes, no Limite Máximo de Resíduos (LMR) de glifosato (princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto) em soja pelo Ministério da Saúde (este caso, também, repleto de irregularidades) exatamente no momento em que a CTNBio decidia por autorizar o plantio da soja transgênica, cuja viabilidade está vinculada ao uso daquele agrotóxico;

à omissão do Ministério da Agricultura em fiscalizar os plantios ilegais de transgênicos (nas palavras do relatório, “a visível inoperância do órgão fiscalizador -- no caso, o Ministério da Agricultura -- cuja política, na instância superior, parece dirigida não ao exercício de sua missão mas, sim, à luta pela liberação imediata -- de fato e de direito -- da soja RR”);

à desregulamentação da soja RR (Roundup Ready, da Monsanto), caso em que a CTNBio ignorou as considerações de seus membros representantes do Ministério do Meio Ambiente e liberou a soja RR na ausência de estudos nacionais, de estudos de impacto ambiental, de estudos sobre a compatibilidade da soja transgênica com o processo de fixação biológica de Nitrogênio e de transparência no debate;

à não regulamentação das multas previstas na Lei de Biossegurança (8.974/95) aos infratores das normas e padrões de biossegurança vigentes, o que resultou na não aplicação de qualquer penalidade aos Autos de Infração emitidos pelos fiscais do Ministério da Agricultura;

e, por fim, à falta da criação de uma Política Nacional de Biossegurança, após 7 anos da instalação da Comissão.

O relatório também denuncia a atuação jurídica e política escandalosa da CTNBio, “na medida em que sua atribuição não é, positivamente, a de promover a biotecnologia, senão a de ser a guardiã da sociedade no campo da biossegurança. Lamentavelmente, por um largo tempo de sua existência, essa inversão de seu precípuo papel, de mandato que a sociedade lhe outorgou, foi uma marca da atuação da CTNBio”.

As provas que este documento apresenta vêm de encontro à alegação contida no Projeto de Lei que tramita na Câmara dos deputados e no voto da juíza Selene Maria de Almeida, do TRF, de que a CTNBio seria um órgão de comprovada competência e independência, capaz de avaliar e decidir sobre a segurança dos transgênicos para a saúde da população e para o meio ambiente e liberá-los sem a realização de estudos que comprovem esta segurança.

Diga-se de passagem, se estes produtos fossem de fato seguros, por que as empresas -- e a própria CTNBio -- relutariam tanto em realizar os estudos de impacto? Não deveriam ser elas as maiores interessadas em provar, de acordo com as normas previstas na Constituição Brasileira, a segurança dos produtos transgênicos?

Mais uma vez fica patente a parcialidade e a falta de seriedade e de independência do órgão que vem sendo considerado por nossos legisladores e, agora, por uma juíza, a autoridade máxima competente para decidir sobre nosso futuro num tema de tamanha importância para todos os setores da sociedade.

Não podemos deixar de registrar que a elaboração deste relatório representa um admirável ato de coragem do Dep. Ronaldo Vasconcellos que, assim como todos os outros deputados envolvidos com o processo legislativo referente à liberação de transgênicos no Brasil, não está livre das covardes pressões do poderoso (e milionário) lobby pró-transgênico que paira sobre o Congresso.

Leia a íntegra do Relatório no site
http://www.camara.gov.br/ronaldovasconcellos/relatorio.htm

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Neste número:

1. Estudo aponta benefícios da soja convencional
2. Monsanto desiste de sua batata transgênica
3. Soja transgênica é vendida em beira da estrada no Paraná
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Guinada ecológica na produção de maçãs no Vale de Mala

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1. Estudo aponta benefícios da soja convencional
Estudo desenvolvido na PUC-PR comparou os sistemas de produção da soja paranaense e do estado norte-americano de Iowa e constatou que a tendência, em dez anos, é a soja transgênica aumentar seu custo de produção, enquanto ocorreria o contrário no cultivo de variedades convencionais. A diferença de custo pode chegar a 15%. Foram levados em consideração todos os principais insumos da cultura (semente, calcário, fertilizantes, herbicidas, inseticidas, mão-de-obra, máquinas e equipamentos).
O estudo foi elaborado pelo estudante da PUC Ralf Karly, no final de 2001. O professor Luis Carlos Balcewicz, orientador da pesquisa, alerta para o fato de que o cultivo de variedades transgênicas de soja e milho poderá afetar, além da exportação de grãos, a de carnes. “Os europeus preferem hoje o frango brasileiro por dois motivos: a ração que usamos não utiliza carcaças de animais e nem cereais transgênicos”, afirma o professor.
Gazeta Mercantil, 19/03/02.

2. Monsanto desiste de sua batata transgênica
Na primavera de 2001, a Monsanto -- uma das maiores empresas de biotecnologia do mundo -- surpreendeu agricultores, ambientalistas e consumidores ao retirar sua batata NewLeaf dos mercados dos Estados Unidos e Canadá, após a gigante de fast-food McDonald's cancelar os pedidos de batatas transgênicas.
A batata NewLeaf, o primeiro produto da Monsanto geneticamente modificado, foi introduzido seis anos atrás para ajudar os agricultores a combater o besouro do Colorado -- a praga predominante nas lavouras de batata nos Estados Unidos. A batata recebeu genes de uma bactéria que produz um inseticida natural conhecido como Bt (Bacillus thuringiensis), que mata lagartas. Entretanto, críticos dos transgênicos alertam para o fato que a exposição continuada de um inseto ao seu agente de controle, no caso o Bt, induz ao desenvolvimento precoce de resistência.
Em 2000, a produção da batata da Monsanto caiu aproximadamente 80 %, após o McDonald's e outros grandes compradores de batata, como Burger King, McCain Foods e Frito-Lay, decidirem parar de vender produtos contendo batatas transgênicas.
Após a queda dramática nas vendas de batata, em 2000, a Monsanto lançou uma batata transgênica mais poderosa, equipada com o gene Bt e outro, aumentando a resistência ao vírus Leafroll. Todavia, a empresa não conseguiu recuperar o interesse do consumidor pelas suas batatas transgênicas. (...)
Adaptado da Revista World Watch, www.wwiuma.org.br 20/03/02.

3. Soja transgênica é vendida em beira da estrada no Paraná
Caminhoneiros do Rio Grande do Sul estão vendendo soja transgênica em plena BR-467, no trevo entre Cascavel e Toledo, no Oeste do estado. Foi desta maneira que o produtor Marcelo Velter comprou a semente em setembro do ano passado. Sua lavoura, de nove alqueires, foi interditada esta semana pelo Ministério da Agricultura e a soja transgênica foi recolhida e armazenada. As informações foram prestadas por Delmar Marino Hoffmann, advogado do agricultor.
Ele afirma que a semente foi comprada por R$ 50,00 a saca de 40 quilos, o dobro do preço de uma saca de soja não-transgênica. Hoffmann disse ainda que o agricultor não havia encomendado o produto e sabia que era transgênico, mas mesmo assim resolveu apostar no plantio. “Ele sempre lê jornais do Rio Grande do Sul e como naquele estado o plantio é mais comum, ele resolveu arriscar”, justificou.
Nos últimos dias, a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) recebeu 17 denúncias de lavouras transgênicas, das quais seis são em Toledo, oito na região de São Mateus do Sul e três em Maringá. Em Toledo, as denúncias estão sendo feitas via telefone, por pessoas que informam o nome do produtor e o local da lavoura. As amostras das lavouras suspeitas já foram coletadas e serão enviadas para análise na Universidade Federal do Paraná. O resultado deverá sair na próxima quarta-feira. (...)
Gazeta do Povo, 15/03/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Guinada ecológica na produção de maçãs no Vale de Mala
O Vale de Mala, situado a 85 km ao sul de Lima, Peru, é um ambiente costeiro ocupado por pequenas propriedades (1 ha em média), que apresenta condições ideais para a fruticultura e cujo principal produto agrícola é a maçã.
Por sua proximidade com a capital, os vendedores de agroquímicos desfrutavam no Vale de amplo mercado para seus produtos. Devido ao intensivo uso de agrotóxicos, resultado das recomendações desses técnicos, eram freqüentes os casos de intoxicação entre os agricultores.
O manejo fortemente baseado em insumos químicos propiciou que, no início da década de 90, o Heliothis virescens, que geralmente ataca o algodão, passa-se a atacar as macieiras do Vale. Os agricultores, desesperados e ainda aconselhados pelos vendedores de agroquímicos, aumentaram a quantidade e a freqüência das aplicações de agrotóxicos. O resultado foi o surgimento de uma nova praga, que afetou ainda mais os pomares da região.
O Instituto Huayuná, que trabalha com a promoção da agricultura sustentável na região, convocou os agricultores para encontros com o objetivo de discutir o papel dos venenos e os hábitos e o ciclo biológico dos insetos. A iniciativa não deu muitos resultados, pois os agricultores estavam acostumados com os pacotes de insumos químicos e não havia tempo disponível para que fossem discutidas alternativas de controle de pragas. Além disso, os agricultores não priorizavam reuniões para busca de soluções coletivas.
O Instituto decidiu então iniciar uma pesquisa e ao mesmo tempo desenvolver um processo de capacitação junto a agricultores-promotores buscando as causas do problema e não somente formas de solucioná-lo. Este processo de capacitação favoreceu que os agricultores fossem desenvolvendo e adaptando propostas de manejo integrado das culturas e redescobrindo suas lavouras e as diferentes relações ecológicas que nelas se dão.
Esta formação sensibilizou os agricultores, que desenvolveram uma maior clareza dos problemas do Vale em relação à contaminação ambiental, à qualidade nutricional dos alimentos e aos problemas de saúde e abriu a possibilidade do surgimento de uma proposta de agricultura ecológica para a região.
Hoje as famílias da região já obtiveram grandes avanços na comercialização e contam com a certificação orgânica. Formaram uma pequena empresa para comercialização e instalaram um ponto de venda na região. Fizeram também um acordo com uma ONG em Lima que incluiu as maçãs ecológicas em seu programa de apoio alimentar a crianças. Além de desenvolver propostas de manejo agroecológico para as maçãs, investem em difundir suas experiências para outros agricultores e recebem mais de 200 visitantes por ano, incluindo agricultores de outras regiões, técnicos, professores e estudantes universitários.
Cezar de la Cruz, et al. Proceso de elaboración de la propuesta de agricultura ecológica en el Valle de Mala. Boletín ILEIA, Fundación ILEIA, dezembro de 2001 vol.16 nº4, pg.16-17.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#304 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 8 de Mar de 2002 10:35 pm
Assunto: BOLETIM 104 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A votação do Projeto de Lei do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), que libera os transgênicos no Brasil sem a necessidade de Estudos de Impacto Ambiental e avaliações de riscos para a saúde humana e sem garantir a informação aos consumidores através da rotulagem dos alimentos transgênicos qualquer que seja o percentual de contaminação, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados foi, mais uma vez, adiada.

Pode parecer, aos leitores deste Boletim, que esta história está virando uma rotina e que a Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” vem fazendo um certo alarmismo ao anunciar, uma semana após a outra, uma votação que não acontece.

Bem que gostaríamos de saber estarmos sendo apenas alarmistas. Infelizmente, a situação é grave mesmo. Como vocês acompanharam, nas últimas duas sessões da Comissão para as quais a votação fora marcada, os deputados da oposição e as organizações da sociedade civil conseguiram, “no grito”, protelar a votação  não simplesmente para atrapalhar ou atrasar o processo, mas porque queremos a reabertura da discussão na comissão para melhorar o texto do projeto de lei que, na forma atual, é inaceitável.

Como havíamos anunciado no Boletim 103, esta semana seria muito difícil repetirmos as façanhas anteriores. Os recursos regimentais da oposição estavam esgotados e a segurança da Câmara já estava preparada para “proteger” a bancada ruralista dos movimentos sociais.

É verdade que, apesar do esquema de segurança armado pela casa, desde cedo cerca de 60 mulheres trabalhadoras rurais ocupavam o corredor das Comissões, em frente ao plenário 13, onde ocorreria a votação. “Armadas” com uma cesta de produtos contaminados por ingredientes transgênicos, lançavam Nestogeno com soja* nos ruralistas que por ali passavam enquanto clamavam palavras de ordem pela vida e contra os transgênicos. Cena memorável.

No entanto, apesar desta demonstração de comprometimento e perseverança por parte dos movimentos sociais, o que realmente adiou a votação foi uma espécie de “acaso”: a obstrução do PFL.

Estavam marcadas para quarta-feira, 06/03, para o período da manhã, as eleições anuais das Comissões Permanentes da Câmara. Todos sabem que o Congresso Nacional andou de pernas pro ar durante esta semana, após o episódio Lunus-Roseana Sarney. Desde terça-feira o PFL obstruia as votações da Câmara, o que se estendeu durante a manhã de quarta. As Comissões Permanentes acabaram sendo instaladas no início da tarde, o que inviabilizou o funcionamento de todas as Comissões Especiais (não só a de transgênicos).

A votação está, agora, marcada para a próxima terça-feira (12/03). Estaremos lá novamente. Não abriremos a guarda e lutaremos até o fim contra a aprovação deste Projeto de Lei. E convidamos a todos a fazer o mesmo: não desanimar e continuar as articulações locais e regionais de pressão sobre os deputados membros da Comissão. Aliás, em tempos de “tempestade política” e rupturas, sempre há a chance de angariarmos aliados inesperados.

Desta vez, para mandar mensagens eletrônicas aos deputados da Comissão, sugerimos que acessem o link abaixo:

Mensagem-deputados

Vamos lá. Não seremos vencidos pelo cansaço.

* O Nestogeno com soja é um dos produtos que foram testados pelo Idec e pelo Greenpece e cujos testes acusaram a contaminação com ingredientes transgênicos.
Para ver a lista completa dos produtos contaminados, acesse os sites: www.idec.org.br ou www.greenpeace.org.br

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Neste número:
1. Trabalhadoras rurais protestam contra transgênicos em Porto Alegre
2. Soja transgênica é queimada
3. Novas regras chinesas deverão esperar
4. Greenpeace bloqueia soja contaminada com transgênicos na Espanha
5. Justiça condena Monsanto e Solutia por despejar toxina nos EUA
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Melão orgânico de Baraúna para a Europa
Eventos
1a Jornada Paranaense de Agroecologia
Terra Livre de Transgênicos e sem agrotóxicos
Semana Nacional da Cultura Brasileira e da Reforma Agrária
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1. Trabalhadoras rurais protestam contra transgênicos em Porto Alegre
As mulheres trabalhadoras rurais de todo o Rio Grande do Sul que participam do II Acampamento Estadual de Mulheres da Via Campesina realizaram na tarde de 07/03 uma manifestação contra os alimentos transgênicos no Supermercado Zaffari, Zona Oeste de Porto Alegre.
A manifestação teve início com uma marcha, saindo do Acampamento, e ocupando uma das pistas da Avenida Ipiranga, uma das mais movimentadas de Porto Alegre. Por volta das 17hs, cerca de 800 trabalhadoras rurais entraram no Supermercado Zaffari, onde recolheram produtos transgênicos das prateleiras e panfletaram a lista de produtos contaminados aos consumidores quer se encontravam no local. (...)
Via Campesina, 07/03/02.

2. Soja transgênica é queimada
Uma operação comandada pelo delegado da Polícia Federal Ildo Gasparetto encerrou um processo de inquérito para investigação do plantio de soja transgênica (organismo geneticamente modificado) na região central do Estado do Rio Grande do Sul. Foram incineradas 420 sacas de soja, equivalente a 21 toneladas, por determinação do juiz federal Louraci Flores de Lima, da 2ª Vara Federal da Circunscrição Judiciária de Santa Maria. As 420 sacas de soja estavam armazenadas em duas propriedades - uma em Júlio de Castilhos e outra em Tupanciretã. O delegado Gasparetto informou que no total foram sete inquéritos, sendo que todas as pessoas citadas - sete produtores envolvidos diretamente no plantio de soja transgênica - foram indiciadas. A primeira etapa dessa investigação policial começou em outubro do ano passado e, embora concluída ontem, novas denúncias serão imediatamente investigadas com rigor, garantiu o delegado. A soja geneticamente modificada foi incinerada numa grande vala aberta na estrada que liga os municípios de Júlio de Castilhos e Quevedos. Durante a incineração do produto não houve manifestação política, uma vez que o delegado Gasparetto manteve a operação com discrição, atendendo exclusivamente a determinação judicial.
Correio do Povo, 01/03/02.

3. Novas regras chinesas deverão esperar
Um acordo temporário entre os EUA e a China sobre a importação de grãos transgênicos fez os contratos futuros de soja dispararem ontem na bolsa de Chicago. (...)
Os americanos temiam que as exportações para a China  maior importador mundial de soja  fossem interrompidos a partir de 20 de março, quando entram em vigor as novas regras de importação de transgênicos. Segundo a associação Americana de Soja, o governo americano conseguiu mais 90 dias de liberação das importações. Nesse período serão feitos os esclarecimentos e negociações das regras definitivas. (...)
Valor Econômico, 08/03/02.

4. Greenpeace bloqueia soja contaminada com transgênicos na Espanha
Em fevereiro ativistas do Greenpeace bloquearam as atividades dos meios de transporte da maior importadora de soja da Espanha, a Moyresa, em Barcelona, após a detecção da contaminação com transgênicos no estoque importado dos EUA. O Greenpeace acusou a Moyresa de rotineira e deliberada contaminação depois que as empresas admitiram a mistura de soja não-transgênica do Brasil com soja não rotulada dos EUA e da Argentina.
Os ativistas vindos de dez países pararam os carregamentos se acorrentando na entrada de descarga e no maquinário. Eles carregavam uma faixa dizendo “Contaminação Genética - Não compre”, exigindo que a Moyresa, que controla 70% do mercado local de soja, comprometa-se garantir o fornecimento produtos não-contaminados para a Espanha. (...)
O Greenpeace exige que a Espanha apoie a moratória européia para aprovação de novos cultivos transgênicos, a proposta européia de regulamentação para a alimentos e rações animais, assim como a rastreabilidade de transgênicos e assegure a tolerância zero para a contaminação de sementes. Da mesma forma, solicita que todos os países membros da União Européia sigam o exemplo espanhol e ratifiquem o Protocolo de Biossegurança das Nações Unidas.
Greenpeace Spain, 14/02/02.

5. Justiça condena Monsanto e Solutia por despejar toxina nos EUA
Uma corte do estado americano do Alabama decidiu que as empresas químicas Monsanto e Solutia são responsáveis pela contaminação por produtos tóxicos de 3.500 cidadãos de Anniston, cidade desse estado. (...)
A vitória abre espaço para outras ações semelhantes em curso na Justiça contra as empresas. Após a decisão, mais 15 mil pessoas da região entraram com processo coletivo contra as empresas.
A corte da cidade de Gadsden, onde o caso foi julgado, considerou a Monsanto e a Solutia responsáveis pelos seis crimes de que eram acusadas, como negligência e ultraje. De acordo com as leis do Alabama, o crime de ultraje demanda que a conduta criminosa seja "tão ultrajante em caráter e extrema em intensidade que vá além de todos os limites possíveis de decência e deve ser considerada uma atrocidade totalmente intolerável pela sociedade civilizada". Esse tipo de crime é considerado raro nas cortes do Estado. (...)
A fábrica da Solutia em Anniston produziu PCBs entre 1935 e 1971. A substância era usada como refrigerador não inflamável para a prevenção de explosões em equipamentos elétricos. Em 1979, ela foi banida nos EUA por ser considerada cancerígena.
Durante 40 anos, a Monsanto - a quem a Solutia pertencia até 1997 - despejou toneladas de PCBs na região de Anniston sem notificar seus vizinhos. Mesmo depois de ter conhecimento de possíveis danos à saúde que a substância poderia causar, a empresa continuou a se desfazer do produto na região.
Atualmente, sabe-se que os PCBs podem provocar desde câncer até problemas reprodutivos, causando inclusive o nascimento de bebês com paralisia cerebral.
O executivo-chefe da Solutia, John C. Hunter, disse que a empresa está "extremamente desapontada" com o resultado do julgamento. Mas disse também que o caso ainda não está encerrado. Já o porta-voz da Monsanto, Garry Barton, disse que "a nova Monsanto não tem parte nesse caso" e, portanto, está isenta de responsabilidade nele.
Folha de São Paulo, 26/02/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Melão orgânico de Baraúna para a Europa
A produção de frutas orgânicas está começando a se disseminar pelo Rio Grande do Norte. Em janeiro começa a colheita de aproximadamente três mil caixas de melão orgânico num assentamento em Baraúna, a cerca de 30 quilômetros de Mossoró. A produção faz parte de uma pesquisa promovida pela ONG Associação de Apoio às Comunidades do Campo (AACC), que pretende ampliar a produção para que as frutas comecem a ser exportadas na próxima safra.
A idéia é experimentar o plantio orgânico como forma de incrementar a renda de 150 famílias de agricultores de assentamentos de Baraúna. Como os resultados da pesquisa foram positivos, o próximo plantio será ampliado. Segundo o agrônomo da AACC, César de Oliveira, os assentados já produziam melão convencional. Na safra 2000/2001 foram colhidas 75 mil caixas deste melão. Nesta safra serão produzidas 150 mil caixas da fruta. Hoje, elas são exportadas para a Europa, sobretudo para Inglaterra e Holanda.
“Na agricultura convencional, sementes, agrotóxicos e fertilizantes estão cada vez mais caros”. Além disso, de acordo com o agrônomo, “o preço oscila conforme a economia mundial’’.
As primeiras caixas da fruta orgânica produzidas no assentamento em Baraúna foram vendidas ao supermercado Carrefour de Pernambuco. A idéia da AACC é exportar a produção da safra 2002/2003. No mercado externo, principalmente Europa e Estados Unidos, é crescente o interesse por produtos orgânicos. O melão orgânico é pelo menos 25% mais caro que o convencional e o manejo não oferece risco à saúde do agricultor nem ao meio ambiente.
Mesmo com grandes expectativas em torno da ampliação do plantio para este ano, César diz que ainda é preciso sensibilizar o Governo do Estado e bancos a financiarem a agricultura familiar. Ele conta que a primeira experiência promovida pela AACC com frutas orgânicas foi com abacaxi. Hoje, 27 famílias produzem sem apoio de qualquer instituição financeira. Para a pesquisa com o melão, foi utilizada uma linha de microcrédito da fundação suíça Ameropa.
O próximo passo da AACC será realizar um seminário com produtores de melão convencional de assentamentos de Baraúna para divulgar os exitosos resultados dessa experiência. ‘‘Vamos também discutir com bancos e Governo do Estado a possibilidade de financiamento para o projeto. É preciso sensibilizá-los e mostrar que a agricultura familiar não tem nada de atrasada’’, defende Oliveira.
Diário de Natal, 22/01/02.

Eventos:

1a Jornada Paranaense de Agroecologia
Terra Livre de Transgênicos e sem agrotóxicos
Ponta Grossa - Paraná - Brasil - 17 a 20 de Abril de 2002

17 de abril - Reforma Agrária e Desenvolvimento Sustentável
10:00 hs - Solenidade de Abertura
11:00 hs - Homenagem de Cidadã Honorária do Paraná à Engª Agrª Doutora Ana Maria Primavesi
Palestra: “A evolução e o potencial da agroecologia no desenvolvimento da agricultura brasileira”
14:00 hs - MARCHA DA LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA, AGRICULTURA FAMILIAR E AGROECOLOGIA
20:00 hs - Intercâmbio: A experiência do Assentamento de Hulha Negra - RS, na produção e comercialização de sementes produzidas organicamente
22:00 hs - Atividades culturais

18 de abril - Agricultura Ecológica - Tradição Cultural para o Desenvolvimento Sustentável
08:00 hs - Palestra: Agrotóxicos e Transgênicos - armas químicas e manipulação da vida - descaminhos na agricultura - Engº Agrº Doutor Sebastião Pinheiro, UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
10:30 hs - Palestra: Agroecologia - desafios sociais, técnicos e políticos na prática da conversão ecológica  aplicada no Brasil - palestra do Economista Sílvio Gomes de Almeida, Diretor Executivo da AS-PTA
14:00 hs - Oficinas e cursos temáticos de experiências agroecológicas
20:00 hs - Atividades culturais

19 de abril - Políticas Públicas Aplicadas na Promoção da Sustentabilidade da Agricultura: novos conceitos, novos métodos e novos desafios
8:00 hs - Palestra: As políticas públicas aplicadas pelo Governo de Cuba - Doutor Eduardo Martinez Oliva - Diretor Executivo da Associación Cubana de Técnicos Agrícolas y Forestales
13:30 hs - Palestra: As políticas públicas aplicadas pelo Governo do Rio Grande do Sul - José Hermeto Hoffmann, Secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento do RS
15:00 hs - Palestra: As políticas públicas aplicadas por Governo Municipal - (a definir)
16:00 hs  - Encerramento - Leitura e aprovação da Carta de Ponta Grossa

20 de abril - Mercado Solidário - Feira livre de alimentos produzidos ecologicamente

Página na Internet: www.jornadadeagroecologia.com.br
Endereço Eletrônico: secretaria@...

Participem e divulguem!

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Semana Nacional da Cultura Brasileira e da Reforma Agrária
Data: 18 a 24 de Março de 2002
Local: UERJ / RJ
Organização: MST, UERJ e FAPERJ
A Comunidade científica, cultural e a sociedade estarão juntas neste grande evento. O objetivo é valorizar a cultura brasileira e mostrar a rica produção cultural que é fruto da Reforma Agrária. Brasileiros que conhecem e vivem a realidade brasileira vão discutir e debater questões sociais, culturais, educacionais e políticas. Conheça mais sobre o Brasil e sua cultura e participe de sua história.
Mais informações: culturamst@.../ ou elfi@...
Tel: 21 2509 0660 r. 236

#305 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 15 de Mar de 2002 10:19 pm
Assunto: BOLETIM 105 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Como todos devem ter acompanhado pelos principais jornais brasileiros, foi aprovado, na última terça-feira (12/03), na Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) de autoria do Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), que visa à liberação dos transgênicos no Brasil sem as necessárias avaliações de riscos para a saúde humana, para o meio ambiente e sem garantir ao consumidor o direito à plena informação.

Esta já era a quarta vez que a Comissão tentava votar o PL. Por duas vezes não conseguiu fazê-lo graças à pressão popular. Por este motivo, desta vez foram distribuídas senhas para o acompanhamento da votação. Cada partido ou bloco teve direito a levar três assessores e cada deputado (só os titulares da Comissão) dispôs de uma senha para convidado.

O presidente e o relator da Comissão esperavam, com isso, evitar que novas manifestações atrapalhassem e adiassem mais uma vez votação do PL.

A votação não foi nominal. Houve orientação dos líderes dos blocos e partidos na Comissão para que os deputados votassem ou não pela aprovação do relatório e, numa votação rápida do tipo “Quem vota pela aprovação do relatório do Dep. Confúcio Moura permaneça como está” (Pausa.) “Está aprovado o relatório”, a bancada ruralista venceu.

A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” estava presente na sessão e preparava um painel onde exporia os nomes de todos os deputados que votassem a favor do PL. Mas, antes que a votação nominal fosse solicitada por algum dos deputados, começou um embate físico entre os seguranças da Câmara e os manifestantes dos movimentos sociais também presentes na sessão e indignados com o resultado da votação (entre eles o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e o MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores). Alguns dos deputados acabaram se envolvendo na confusão.

Os seguranças da casa foram de uma agressividade atroz. Retiraram os manifestantes da sala à força e os agrediram violentamente do lado de fora.

Revoltados com o tratamento dado aos trabalhadores, os deputados do PT se retiraram da sessão.

E a Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” teve que realizar seu ato também do lado de fora.

É importante estarmos cientes, no entanto, de que o jogo ainda não terminou. O Projeto de Lei seguirá agora para o Plenário da Câmara. No Plenário, os deputados poderão propor emendas. Isto acontecendo, o PL pode voltar para a Comissão Especial para apreciação das emendas e só então é votado no Plenário.

Do Plenário da Câmara o PL segue para o Senado. No Senado ele também pode ser emendado. Isto acontecendo, ele volta para a Câmara para apreciação das emendas. E só depois de aprovado no Senado ele segue para sanção presidencial.

E tem mais. Caso este PL venha a se tornar uma Lei, com o texto atual, ele pode ser questionado na justiça. Os legitimados da Constituição Federal (Ministério Público, partidos políticos com representação no Congresso, confederações sindicais, entidades de classe de âmbito federal e outros) podem entrar na justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), uma vez que a Constituição determina que qualquer empreendimento de potencial degradação ambiental -- como é o caso da liberação dos organismos transgênicos -- deve ser precedido de Estudo Prévio de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto no Meio Ambiente (EIA/RIMA). Os parlamentares não podem simplesmente dispensar esta exigência.

Ou seja, não temos nenhum motivo para desanimar agora. Há ainda um longo trajeto a ser percorrido.Os movimentos sociais estão juntando forças para mobilizar os deputados federais para se envolverem neste tema e tentarem “arrumar” este PL que, do jeito em que está, é realmente inaceitável.

E agora, mais do que nunca, é hora das organizações intensificarem a pressão sobre os deputados federais nos seus estados. Repetimos: estamos em ano eleitoral. A população tem que se fazer ouvir e exigir que seus representantes defendam seus direitos -- se quiserem continuar sendo seus representantes.

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Neste número:

1. Novo teste comprova: brasileiros comem alimentos contaminados com transgênicos
2. Santa Catarina sanciona legislação sobre transgênicos
3. Agricultores que plantaram soja ilegal são autuados no Paraná
4. Justiça pune produtor de soja modificada no Rio Grande do Sul
5. Soja transgênica pode prejudicar vendas do PR
6. Filipinas barra transgênicos
7. Codex Alimentarius da FAO avança na discussão sobre transgênicos
8. Transgênicos podem afetar lavouras orgânicas na Inglaterra
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não solução para a agricultura
A experiência de agricultores cearenses com algodão ecológico
Dica: Biblioteca Chico Mendes
Eventos
: 1º Jornada Paranaense de Agroecologia - Terra Livre de Transgênicos e Sem Agrotóxicos

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1) Novo teste comprova: brasileiros comem alimentos contaminados com transgênicos
No Dia do Consumidor, o Greenpeace divulgou uma nova lista de alimentos contaminados com transgênicos. Dos 12 produtos testados no laboratório Interlabour Belp Ag, na Suíça, cinco apresentaram contaminação com a soja transgênica Roundup Ready, da Monsanto. São eles: Chocolate Bis, da Lacta, que pertence à Kraft Foods; Salsicha Carrefour; Sopão Maggi de carne com legumes, da Nestlé; Sopão Knorr de galinha com macarrão e legumes e alimento para cães Bonzo, da Purina. É a quinta vez que soja transgênica é encontrada em um produto Knorr, e a terceira em um produto da Nestlé. O Carrefour foi a única empresa a declarar que, em função do resultado dos testes, está tornando suas medidas mais rigorosas a fim de evitar transgênicos em seus produtos. “A Nestlé, a Knorr e a Kraft Foods não utilizam ingredientes geneticamente modificados na Europa, onde os consumidores rejeitam os transgênicos. Por que, então, tratar o consumidor brasileiro como um consumidor de segunda classe?”, questiona Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
Veja a íntegra dos laudos do laboratório Interlabour Belp Ag dos produtos contaminados com transgênicos no site do Greenpeace:
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/laudos_março2002.pdf
Veja as listas anteriores de produtos contaminados com transgênicos: http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/comendo.asp
Veja a íntegra da carta enviada pelo Carrefour ao Greenpeace: http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/carta_carrefour.pdf
Greenpeace, 15/03/02.

2) Santa Catarina sanciona legislação sobre transgênicos
A lei catarinense aprovada em 15 de janeiro último determina, entre outros pontos, que fica vedado durante cinco anos o cultivo comercial de organismos geneticamente modificados e seus derivados para fins de alimentação humana e animal. Determina também que os produtos alimentícios que contenham ou provenham de organismos geneticamente modificados e seus derivados somente serão industrializados em estabelecimentos comerciais no Estado caso sejam devidamente rotulados. A lei também cria o Conselho Técnico Catarinense de Biossegurança -- CTCBio -- órgão normativo-jurisdicional, consultivo e de assessoria, vinculado ao poder executivo, com competência para propor políticas e normas de fiscalização estadual de Biossegurança, emitir pareceres conclusivos para agências de vigilância sanitária e monitorar atividades e projetos relacionados à engenharia genética, organismos geneticamente modificados e seus derivados.
www.alesc.sc.gov.br

3. Agricultores que plantaram soja ilegal são autuados no Paraná
A confirmação da existência de plantações de soja transgênica em duas propriedades do Paraná levou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) do estado a determinar que os 21 núcleos regionais do órgão investiguem a suspeita de que o produto esteja sendo cultivado em todas as regiões. Ontem, o secretário de agricultura, Deni Schwartz enviou ao Ministério Público Estadual do Meio Ambiente e à Delegacia Regional do Ministério da Agricultura um dossiê sobre a entrada no estado de sementes da leguminosa geneticamente modificadas. Em visitas a propriedades, técnicos da secretaria constataram que dez produtores rurais compraram sementes transgênicas oriundas de Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Um deles, o paranaense Marcelo André Welter, segundo fiscais da Seab-PR, confessou o plantio irregular antes mesmo dos resultados das análises laboratoriais sobre a natureza das sementes. O engenheiro agrônomo e fiscal da Seab de Toledo-PR, Roberto Siqueira Filho, afirmou que Welter confessou o crime, mas se negou a dizer onde conseguiu as sementes e quem foi o fornecedor. Segundo Siqueira Filho, Welter terá que responder ainda por crime federal, contrabando de sementes e ainda pode ser processado pelos criadores do produto, que podem cobrar direitos sobre as sementes. Além de multas, que ainda não foram especificadas, Welter pode ser preso.
Gazeta do Paraná, 13/03/02 e Gazeta Mercantil, 14/03/2002.

4. Justiça pune produtor de soja modificada no Rio Grande do Sul
A Justiça Federal de Santo Ângelo realizou nesta semana a primeira audiência sobre soja transgênica. O juiz da 2ª vara da Justiça Federal, Marcelo Furtado Morales, homologou acordo em que o réu deverá comparecer em juízo para comprovar residência a cada três meses, durante dois anos. Determinou ainda a doação de R$ 200,00 ao Projeto Curumim, que atende crianças carentes, e a incineração de 196 sacas de 60 quilos de soja transgênica.
Correio do Povo, 09/03/02.

5. Soja transgênica pode prejudicar vendas do PR
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) está alertando os produtores do estado para os riscos econômicos do plantio da soja geneticamente modificada. Atualmente, entre 70% e 80% da produção estadual são exportados para a União Européia e Ásia (principalmente Japão), que não aceitam produtos transgênicos. Em 2001, o Paraná respondeu por 4,2 milhões das 15,7 milhões de toneladas do grão exportadas pelo Brasil. "Não discutimos a parte científica. Nossa preocupação é com o lado comercial", afirmou o presidente da entidade, Ágide Meneguette. (...)
Gazeta do Povo (Paraná), 10/03/02.

6. Filipinas barra transgênicos
A imprensa divulgou esta semana que empresas que importam produtos agrícolas para as Filipinas em breve deverão apresentar um certificado que ateste se estes produtos contêm ou não transgênicos. O Dow Jones Newswires relatou que Leonardo Montemeyor, secretário de agricultura das Filipinas, disse que este programa de certificação fará parte de um novo conjunto de normas acerca dos transgênicos para serem implantados em breve.
A certificação seria exigida dos importadores de soja, milho, batata e outros cultivos potencialmente transgênicos, importados dos EUA, Argentina, Brasil, África do Sul e outros que plantem cultivos transgênicos. A violação destas normas causará a proibição da importação destes cultivos.
O processo de certificação funcionará por um período de tempo determinado, até 30/06/2003. Até lá, o país terá tempo para conduzir suas próprias avaliações sobre os riscos destes cultivos. (...)
Farm Progress, 03/03/02.

7. Codex Alimentarius da FAO avança na discussão sobre transgênicos
O grupo de trabalho da Comissão do Codex Alimentarius chegou a um acordo sobre a proposta final do documento “Princípios para a análise de riscos dos alimentos derivados da biotecnologia”, segundo anunciaram na última semana a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). (...)
Os princípios favorecerão a avaliação de aspectos nutricionais e de inocuidade dos alimentos transgênicos. Definiram também a necessidade de uma avaliação sobre a inocuidade antes da comercialização de todos os alimentos deste tipo, baseados em uma análise caso a caso. Segundo a FAO e a OMS, a avaliação deve analisar tanto os efeitos previsíveis como os potenciais, identificar os perigos novos e determinar as mudanças relevantes para a saúde dos seres humanos, especialmente no que se refere aos nutrientes chave e aos ingredientes potencialmente causadores de alergias.
Os princípios estabelecem a necessidade de contar com autoridades para que tornem claras as dúvidas quanto à inocuidade dos alimentos transgênicos e para implementar as medidas apropriadas para a gestão destas dúvidas. Um enfoque possível, descrito nos princípios, é o da vigilância após a comercialização. Neste setor, asseguram a FAO e a OMS, o grupo de trabalho “chegou a um novo acordo muito importante relativo a localização dos produtos modificados geneticamente - com o propósito de facilitar sua retirada do mercado quando representar um perigo à saúde humana”. (...)
Para maiores informações: media-relations@...
Comunicado de prensa, FAO.

8. Transgênicos podem afetar lavouras orgânicas na Inglaterra
Pelo menos 100 fazendas orgânicas britânicas estão sob o risco de serem contaminadas por plantios experimentais com espécies geneticamente modificadas, de acordo com pesquisa publicada esta semana por um grupo de agricultores orgânicos da Grã-Bretanha.
As distâncias entre plantações transgênicas e outras têm sido há tempos um motivo de discordância entre autoridades e críticos que reclamam que o governo está impondo os alimentos geneticamente modificados.
A Soil Association disse que sua pesquisa mostrou que 111 propriedades estão próximas a 44 campos de transgênicos - com canola e beterraba -, uma declaração rapidamente negada pelo Ministério da Agricultura britânico.
O grupo também disse que mais campos podem ser afetados pela próxima época de semeadura de milho transgênico, o que deve ser anunciado no final desta semana.
Reuters, 11/03/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não solução para a agricultura
A experiência de agricultores cearenses com algodão ecológico
Há mais de duas décadas, a chamada “crise do algodão” atormenta a região Semi-árida do nordeste brasileiro, atingindo muitos setores da economia da região, mas principalmente os pequenos agricultores que geralmente plantam algodão como principal cultivo para o mercado. Em 1986, quando o bicudo do algodão se espalhou por toda a região, a crise se acentuou.
Em 1990, a ONG ESPLAR, começou a investir na pesquisa e no desenvolvimento de alternativas agroecológicas para o cultivo de algodão como resposta à demanda dos agricultores familiares da região. A partir daí até o ano de 1996, o ESPLAR implantou um projeto de desenvolvimento e pesquisa conhecido como “Manejo ecológico de algodão perene”. Junto com agricultores de diferentes municípios do Ceará foram discutidas as diferentes estratégias para a adoção do manejo e a implementação dos experimentos.
Em 1994 os primeiros resultados foram comprovados e as tecnologias propostas passaram a ser difundidas. Cerca de 130 agricultores cultivaram aproximadamente 250 hectares. Mesmo não alcançando o nível de produção esperado, em muitos casos o manejo adotado deu como resultado a reestruturação do solo e a retomada dos cultivos consorciados.
Em 1997 o ESPLAR iniciou outro projeto para o desenvolvimento do algodão perene, em um momento em que havia um grande desânimo dos agricultores para continuar cultivando o algodão, devido a sucessivas perdas. A partir do novo incentivo, apesar de três anos consecutivos de seca, a quantidade de agricultores que adotaram práticas de conservação do solo, cultivos associados e manejo ecológico de pragas para a produção aumentou consideravelmente. Os agricultores recebiam assistência técnica e certificação de seu produto como orgânico.
Os rendimentos do algodão orgânico nas áreas experimentais no período de 1997-1999 foram maiores que os obtidos nas áreas de monocultivo convencional. Além disso, com o sistema de consórcio pôde-se obter outros cultivos como milho e feijão. A certificação orgânica do algodão fez com que o produto alcançasse um a sobre taxa de 30% em relação ao convencional.
Até agora, o volume de algodão orgânico colhido foi relativamente pequeno, mas apresenta boas perspectivas de mercado em fábricas têxteis internacionais e nacionais.
Pedro Jorge B.F. Lima, et al. Algodón orgánico. Boletín ILEIA, Fundación ILEIA, abril 2001 vol.16 nº4, pg.12-13.

Dica:
Biblioteca Chico Mendes
A Biblioteca Chico Mendes possui aproximadamente 3.000 volumes e seus títulos podem ser visualizados em http://www.geocities.com/chicomendesbr.
Se você estiver interessado em adquirir algum livro ou, se o livro estiver esgotado ou fora do mercado, poderemos fotocopiá-lo. Evidentemente cobramos pelo serviço, mas nossa proposta é essencialmente cultural, já que os melhores títulos editados no Brasil, fundamentais para nosso desenvolvimento cultural e intelectual, dificilmente são reeditados novamente.

Eventos:
1º Jornada Paranaense de Agroecologia - TERRA LIVRE DE TRANSGÊNICOS E SEM AGROTÓXICOS
Articular, em torno da proposta da Agricultura Familiar Ecológica, as organizações, entidades e instituições do campo democrático-popular comprometidas na construção de um processo de Desenvolvimento Rural Sustentável;e
Apresentar a Agricultura Familiar Ecológica como alternativa viável ao projeto neoliberal de desenvolvimento agrícola, com capacidade insubstituível na promoção do Desenvolvimento Rural Sustentável, do abastecimento alimentar da população brasileira e da geração de excedentes exportáveis.
Esses são alguns dos objetivos da Jornada, que será realizada entre 17 e 20 de abril de 2002, em Ponta Grossa.
O evento contará com:
- painéis com especialistas
- experiências agroecológicas
- oficinas e cursos temáticos
- exposição da agricultura familiar
- feira de alimentos ecológicos
- feira estadual da agrobiodiversidade
- atividades culturais e muito mais
Encontre maiores informações e textos no http://www.jornadadeagroecologia.com.br/

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#306 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 5 de Abr de 2002 9:15 pm
Assunto: BOLETIM 108 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Agricultores e autoridades paranaenses já acordaram para os terríveis impactos econômicos que a liberação das sementes transgênicas traria para o estado e para o País.

Vamos ver quanto tempo ainda falta para os agricultores do Rio Grande do Sul terem o mesmo “estalo”.

Uma matéria publicada esta semana no jornal O Estado de São Paulo relata como o mercado internacional já está reagindo à existência de lavouras ilegais de soja transgênica no sul do País, dizendo que os compradores europeus estão segregando as regiões produtoras de soja em função do risco de presença de grãos transgênicos, mesmo que nenhum teste de transgenia tenha sido feito. “Quando o grão de soja destina-se à União Européia (...), o produto dos cerrados é preferido porque o risco de presença de soja transgênica é bem mais baixo do que no Rio Grande do Sul, por exemplo”, diz a matéria.

Apesar disto, o lobby no estado para a liberação dessas sementes continua intenso. Esta semana os Secretários Municipais de Agricultura, liderados pelo ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, se posicionaram a favor da liberação e decidiram pressionar os deputados federais gaúchos a votarem a favor do Projeto de Lei que tramita na Câmara dos Deputados, visando à liberação.

O “irônico” é que, nesta atitude, as regiões agrícolas podem estar assinando sua “sentença de morte” na produção e exportação de soja e milho.

Resta saber que tipo de “milagre” os fará entender. E quando!

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No dia 26/03, os vereadores municipais de São José do Rio Preto (SP) aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio quanto à possível liberação dos transgênicos no Brasil. A moção se dirige ao Presidente da República, ao Presidente do Senado Federal e ao Presidente da Câmara dos Deputados. A iniciativa foi do vereador Edmo Alves, do Partido Verde.

Durante a sessão na qual a moção foi aprovada, dois vereadores do PSDB (além de outros de outros partidos) discursaram contra a liberação dos transgênicos no País e um deles apresentou um Projeto de Lei para proibir o plantio e a comercialização destes produtos no município.

Este é mais um exemplo a ser seguido em outros municípios brasileiros e mostra o poder de influência que a sociedade consegue ter nas esferas políticas locais.

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Neste número:
1. Grão transgênico será incinerado no Paraná
2. Justiça catarinense interdita lavouras transgênicas
3. Especialistas europeus descartam a possibilidade do isolamento total dos cultivos transgênicos
4. Agricultores canadenses se mobilizam para bloquear trigo transgênico
5. Uruguai começa a certificação de milho não-transgênico
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Família produz farinha ecológica
Eventos
Feira de Produtos Orgânicos da Agricultura Familiar
Lançamento da Campanha Comércio com Justiça

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1. Grão transgênico será incinerado no Paraná
O Paraná queimará a soja transgênica apreendida no estado nos últimos 30 dias. Segundo estimativa da Secretaria de Agricultura, o volume é de aproximadamente 1,32 tonelada (22 mil sacas de 60 quilos) e foi apreendido em 32 lavouras, de todas as regiões do estado.
A decisão pela incineração do produto, cujo cultivo e comercialização estão proibidos no País, foi tomada na semana passada pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, órgão do Ministério Público Estadual, e referendada ontem pelo Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa). 
Técnicos das áreas de agricultura e meio ambiente definirão a forma e local de incineração. A legislação em vigor determina que, em caso de apreensão de produtos geneticamente modificados, eles devem ser destruídos.
A comprovação do cultivo de soja transgênica no Paraná ocorreu no início de março. Foram examinadas em laboratório amostras de 233 áreas, das quais 32 tiveram resultado positivo. São pequenas propriedades, que somam 438,5 hectares - menos de 0,02% dos 3,3 milhões de hectares cultivados com a leguminosa no estado. Segundo maior produtor nacional, atrás de Mato Grosso, o Paraná deverá colher 9,5 milhões de toneladas nesta safra.
Apesar do volume pequeno, a situação alarma autoridades e entidades ligadas ao setor. O principal temor é de que, com a disseminação da notícia, o País perca mercado. Hoje, 70% das exportações brasileiras de soja são para os mercados europeu e japonês, contrários à compra de transgênicos. Nessas regiões o Brasil tem clientes cativos, já que EUA e Argentina, principais concorrentes, produzem soja transgênica. Os custos da queima serão bancados pelo estado, que depois buscará ressarcimento.

2. Justiça catarinense interdita lavouras transgênicas
A Justiça de Santa Catarina determinou a interdição de três lavouras de soja transgênica na região oeste do estado. A decisão acatou pedido do Ministério Público Estadual que requereu liminar para suspender a produção do produto alterado geneticamente no município de Campo Erê.
O promotor Alexandre Carrinho Muniz também solicitará à Justiça a destruição dessas lavouras. (...)
JB On-line, 28/03/02.
N.E.: Santa Catarina é um dos estados brasileiros que aprovou lei estadual determinando moratória aos transgênicos.

3. Especialistas europeus descartam a possibilidade do isolamento total dos cultivos transgênicos
Um informe publicado pela Agência Européia do Meio Ambiente (AEMA) sobre a polinização cruzada de seis variedades transgênicas -- canola, batata, milho, beterraba, trigo e cevada -- revela que não se pode conter o pólen de nenhuma destas culturas e que no futuro será necessário medir e controlar em maior proporção o movimento das sementes e pólen destas espécies. (...)
As possíveis implicações da hibridação dos cultivos transgênicos com espécies de plantas selvagens são menos previsíveis, dado que se desconhece como funcionarão os genes modificados na sua interação com as plantas citadas. No entanto, a AEMA considera importante determinar se esta interação poderá causar impactos ecológicos relevantes.
Dentro da classificação realizada pelos especialistas europeus, tanto a canola como a beterraba transgênica são consideradas variedades de alto risco de dispersão entre cultivos mediante polinização. Enquanto no caso da canola é praticamente impossível conseguir o isolamento total de um cultivo, se detectou o pólen da beterraba transgênica a mais de 1,0 km de distância de seu cultivo original.
AMD Press, 01/04/02.

4. Agricultores canadenses se mobilizam para bloquear trigo transgênico
O trigo geneticamente modificado não estará disponível para o plantio nos próximos três anos, mas dois agricultores orgânicos de Saskatchewan, no Canadá, já receiam que ele destrua seus negócios.
Eles estão acionando judicialmente a empresa de biotecnologia Monsanto a fim de prevenir a introdução do trigo. Os agricultores dizem que outros cultivos transgênicos já prejudicaram seus negócios e que o trigo transgênico seria o último golpe. “Eu preciso deter o que está acontecendo, basicamente, porque está afetando meu ganha-pão”, disse Lary Hoffman, de Spalding, Sask.
Hoffman teme que sementes modificadas de agricultores vizinhos sejam disseminadas com o vento e contaminem suas lavouras. O que já está acontecendo com a canola, diz ele. “A engenharia genética tem subestimado grosseiramente a deriva sexual das plantas”, disse Anna Clarck da Universidade de Guelph. “Elas se cruzam mutuamente”. Segundo a Monsanto, o trigo transgênico só será vendido se for aprovado pelo governo e sua produção só será possível dentro de três anos. (...)
No último verão, uma carta endossada por mais de 200 grupos, incluindo o Conselho Canadense de Trigo e a Associação de Prefeituras rurais de Saskattchewan, pediu a Ottawa para adiar a aprovação do trigo transgênico. Eles pedem que todas as questões econômicas, de segurança para a saúde humana e para o meio ambiente sejam devidamente avaliadas e que todos os cuidados regulatórios sejam tomados antes da liberação. O Conselho de Trigo diz que os consumidores rejeitam o trigo transgênico.
CBC News, 29/03/02.

5. Uruguai começa a certificação de milho não-transgênico
Pela primeira vez o Uruguai estará em condições de exportar milho com certificação de identidade preservada. Uma certificadora internacional vem realizando o rastreamento de áreas de cultivo de milho com a finalidade de atestar o caráter de não-transgênico visando a exportação. As estimativas indicam que estarão disponíveis para exportação 15 mil toneladas do grão a partir da próxima colheita
O interessante é destacar que oficialmente o Uruguai não liberou a utilização de milho transgênico com fins comerciais.
Observatorio Ambiental Agropecuario del Mercosur, 31/03/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Família produz farinha ecológica
A consciência de que o produto orgânico é saudável e o desejo de passar este produto para os outros, priorizando a vida do ser humano, fez a família de Otávio e Inês Käfer, do interior de Santo Cristo (RS), iniciar, há quatro anos, a transformação de sua propriedade rural em agroecológica. Tudo começou com um primeiro plantio de milho ecológico. Hoje, além do milho, a família cultiva soja, trigo e centeio. Para adubação da terra são utilizados o húmus produzido na propriedade, esterco de galinha e peru, fosfato natural e BM4 ( mistura de minerais), além do biofertilizante.
Os grãos colhidos nesta área de lavoura, que totaliza cerca de 11 hectares, são processados na propriedade. Em um pequeno e antigo moinho eles fazem manualmente a farinha de trigo, soja, centeio e milho.
A farinha é vendida para a Cooperativa dos Produtores Rurais de Santo Cristo, que faz a comercialização em mercados de todo estado, e para a associações agroecológicas, como a Coolméia. O ganho do casal é de R$ 1,00 por quilo de farinha de trigo e R$ 0,50 centavos por quilo de farinha de soja, centeio e milho. As variedades de grãos que não são adequadas para a produção de farinha são vendidas à Cooperativa Tritícola Santa Rosa. Para a soja orgânica em grão, ele recebe R$ 0,50/ Kg.
Com relação ao ganho financeiro, eles acreditam estar melhor que outras famílias de agricultores que produzem de forma convencional e têm expectativa de lucrar ainda mais. “Para isso estamos fazendo experiências, cursos, adquirindo conhecimentos”, conta Inês. Käfer destacou a sustentabilidade da propriedade, onde se utiliza matéria orgânica produzida no local, se transforma o grão em produto e se gasta menos. O dia-a-dia exige muito trabalho, porém eles vivem com mais qualidade de vida e tranqüilidade. 
O restante da área, de 7 hectares, é utilizado para a conservação de uma parte de mata e para o plantio de produtos de subsistência como mandioca, abóbora, feijão, arroz e criação de vacas leiteiras.
A propriedade está servindo como modelo agroecológico na região e recebendo muitas visitas de agricultores e técnicos. Para averiguar as condições agroecológicas da propriedade, a família recebe freqüentemente vistas de técnicos da Colméia.  
Patrícia Kolling, Notícias da Emater/R, 26/12/01.

Eventos
Feira de Produtos Orgânicos da Agricultura Familiar
A feira é organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca (PB) e agricultores do município.
É realizada todos os sábados, de 6:00 as 11:00 horas da manhã, na rua Antônio Borges - Lagoa Seca - PB.

Lançamento da Campanha Comércio com Justiça
A Oxfam Internacional convida para o debate "Comércio internacional e seus impactos na pobreza", que marca o lançamento da campanha Comércio com Justiça.
Esta campanha questiona um paradoxo que está no centro do debate sobre o comércio internacional: como o comércio,que deveria ser uma fonte de riqueza e prosperidade para todos, tem convivido e produzido níveis tão inaceitáveis de pobreza e desigualdade?
O lançamento ocorrerá no próximo dia 11 de abril, das 14 às 18 horas, no Transamérica Ninety Flat, situado à Alameda Lorena 521 - Cerqueira César - São Paulo.
Devido ao espaço limitado no local do evento, é necessária a confirmação da sua presença pelo telefone (11) 3032-3294.
Se você estiver interessado em obter maiores informações sobre a campanha Comércio com Justiça ou em receber uma cópia do relatório mencionado, entre em contato com o escritório da Oxfam GB, em Brasília:
SCS - Q. 08 - Bloco B-50 - Sala 403 - Edifício Venâncio 2000 - 70333-970
Telefone/fax:(61)225-2979 /Email:kmaia@... ou recife@...
A partir do dia 11 de abril, você também poderá acessar o site da campanha:
www.maketradefair.com ou www.comercioconjusticia.com

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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#307 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Ter, 16 de Abr de 2002 4:46 pm
Assunto: BOLETIM 109 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Gostaríamos de explicar os motivos de nosso “silêncio” recente. Alguns de nossos leitores devem ter notado o não recebimento do Boletim da Campanha na última semana.

Tivemos problemas com nosso computador, que ficou inutilizado durante exatamente uma semana. Fomos infectados pelo vírus Nimda e, simultaneamente, nossa placa de modem começou a apresentar problemas (que custaram a ser identificados devido à presença do vírus).

Felizmente o problema já foi resolvido e nossas atividades estão voltando ao normal.

Divirtam-se agora com o Boletim 109 (um pouco grande, para matar as saudades).

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Foram divulgados na última semana os resultados da primeira avaliação científica de lavouras ilegais de soja transgênica no Rio Grande do Sul. O trabalho foi desenvolvido durante o mês de março de 2002, na região de Palmeira das Missões, por dois conceituados geneticistas brasileiros -- o Dr. Rubens Nodari, prof. da Universidade Federal de Santa Catarina, e o Dr. Deonísio Destro, prof. da Universidade Federal do Paraná -- e demonstra que a soja transgênica plantada apresentou vários problemas agronômicos.

Houve, nas lavouras transgênicas, uma perda média de 9 sacas por hectare -- a produtividade média da lavoura transgênica foi de 17 a 20 sacas/hectare, enquanto a da lavoura convencional é de 28 a 30 sacas.

Também foi constatada pelos especialistas (ambos doutores genética) uma grave alteração oriunda da modificação genética. Trata-se da rachadura no caule devida ao excesso de lignina nas plantas transgênicas, problema que já havia sido detectado em lavouras de soja transgênica nos EUA. Este problema se expressa na presença de temperaturas elevadas e de seca e afeta diretamente a produtividade das plantas.

Outro problema constatado em algumas propriedades foi o ataque inusitado do inseto “burrinho”, que normalmente não ataca a soja (na região ele só atacava a batatinha). Os agricultores supõem que este ataque seja devido à ausência de plantas invasoras nas áreas onde o efeito do herbicida foi total. Segundo os pesquisadores, não se pode descartar a hipótese de que este inseto venha a se tornar uma praga com possibilidade de causar danos econômicos consideráveis.

Mais um problema grave, que também já havia sido identificado nos EUA, foi a presença de colônias de fungos, provavelmente do gênero Fusarium, nas raízes das plantas. Cientistas da Universidade de Missouri, nos EUA, também registraram, em janeiro de 2001, uma incidência de Fusarium significativamente mais alta nas raízes de soja RR que havia recebido as doses recomendadas do herbicida Roundup, comparadas com soja que não havia recebido o herbicida.

Foi constatado também um dos problemas mais evidentes decorrentes do cultivo de plantas resistentes a herbicidas, que recebem doses repetidas de um mesmo produto químico: o desenvolvimento de resistência também nas plantas invasoras.
Os professores registraram o aparecimento de pelo menos três espécies de “mato” resistentes às doses recomendadas do herbicida Roundup: a corda-de-viola ou curriola (Ipomoea purpurea), a leiteira ou amendoim bravo (Euphorbia heterophylla) e a estrela africana (provavelmente Cynodon plectostachys).

Este problema tem levado os agricultores (como nos EUA) a usarem cada vez mais herbicida. Na região avaliada, eles têm feito no mínimo duas aplicações (fora a aplicação de pré-emergência, que se faz também nas lavouras convencionais), com dosagens de mais de três litros do veneno por hectare. Entre as conseqüências deste maior uso de agrotóxico, estão o maior custo de produção para o agricultor, a maior contaminação do meio ambiente (e do próprio agricultor) e maiores resíduos do veneno na soja, trazendo prejuízos para a saúde dos consumidores.

A conclusão dos pesquisadores é de que os prejuízos dos agricultores gaúchos que entraram nesta “barca furada” chegarão a 200 milhões de reais este ano -- considerando que tenham sido cultivados 1 milhão de hectares com as variedades transgênicas.

Para aqueles que vêm acompanhando as informações sobre os problemas que os cultivos transgênicos vêm apresentando nos países onde são permitidos, estas constatações não representam surpresa alguma.

Mas devem estar surpreendendo os fazendeiros gaúchos que ainda estão caindo na conversa das empresas e do governo federal. Mais surpresos ainda eles ficariam se os transgênicos fossem de fato liberados logo. As sementes transgênicas, que nos EUA custam em média 40% mais que as sementes convencionais, estão sendo vendidas aos agricultores do Sul por até metade do preço das sementes comuns -- o que explica em grande parte sua disseminação na região. Uma vez liberadas oficialmente as sementes transgênicas, esta “vantagem” não duraria nem mais um dia.

Veja a íntegra do trabalho e as fotos que registram os problemas identificados no site
http://www.actionaid.org.br

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Muitos de nossos leitores devem ter lido a entrevista de Luiz Antônio Barreto de Castro, presidente do Centro de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa e ex-presidente da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) à revista Isto É da última semana.

É incrível a quantidade de bobagens e mentiras que este senhor, do alto de sua “autoridade científica”, consegue dizer ao público.
 
Vejam as “pérolas”:

(respondendo à pergunta ‘qual a vantagem econômica destes alimentos?’) No caso da soja, os agricultores não precisam arar o terreno para o replantio. As sementes modificadas germinam no meio da palha que sobrou da colheita. Reduz-se assim a mão-de-obra para o preparo do solo.
O que vocês acham que leva este senhor a responder tamanha mentira? A resposta de Castro se refere à técnica de plantio direto, que nada tem a ver com o uso de sementes transgênicas. O plantio direto, que reduz significativamente a erosão do solo, já é amplamente difundido no Brasil, com qualquer tipo de semente. Existem, inclusive, experiências de sucesso com o plantio direto sem herbicidas no sul do Brasil. Como vocês sabem, a soja transgênica que se quer liberar no Brasil, a soja RR (Roundup Ready), da Monsanto, é resistente à aplicação do herbicida Roundup, da mesma empresa. Isto, em tese, facilitaria o controle do mato. Só.

(...) Não é porque se errou com a vaca louca e até com a talidomida (remédio que prevenia o enjôo nas mulheres grávidas, mas provocava má formação nos fetos) que teremos de esperar 20 anos para liberar os transgênicos. E completa: E não adianta dizer que eles não são naturais, porque são. Todos os genes são extraídos da natureza.
A questão não é esperar 20, 30 ou 50 anos para liberar os transgênicos. Devemos, sem sombra de dúvida, esperar até que haja certeza científica sobre a sua segurança, ao invés de apenas confiar nas empresas e nas autoridades, como aconteceu com a talidomida e a vaca louca.
E quanto aos transgênicos serem “naturais”, que bom trocadilho, não? Agora os cruzamentos artificiais, que jamais aconteceriam na natureza, resultam em produtos “naturais”.

Todos os produtos que existem no mercado fazem mal e matam de alguma maneira. Descobriu-se que a Coca-Cola estaria supostamente contaminada com dioxina (essa substância foi empregada como arma química durante a Guerra do Vietnã). Os anabolizantes matam, os agrotóxicos matam aos milhares e nada disso é controlado.”
Moral da história: “Deixa matar! Qual o problema??”

A Europa tem interesse em ser do contra porque não consegue competir nem com o mercado agrícola convencional, quanto mais com um produto de preço menor. Quem vai ganhar dinheiro enquanto os transgênicos estiverem proibidos são as multinacionais de agrotóxicos”.
Vamos lá: primeiro, as multinacionais de agrotóxicos são exatamente as mesmas que produzem e vendem transgênicos. Não é a toa, por exemplo, que a Monsanto desenvolveu sua soja para resistir ao seu herbicida. Com isso ela promove a “venda casada”: compre a semente e seja obrigado a levar também o agrotóxico. E são elas que estão tentando atropelar as leis brasileiras para liberar seus produtos por aqui.
Segundo, quem puxou a reação de resistência aos transgênicos na Europa foram os movimentos ambientalista e de consumidores. No início os governos europeus não eram contra. Mas não puderam resistir à pressão da sociedade civil, que lá tem muita força.
Terceiro, o produto transgênico não tem custo menor. As experiências dos EUA e da Argentina estão mostrando que o custo pode até ser maior. Estes produtos estão com preço menor, devido à rejeição do mercado (o que, até agora, está favorecendo as exportações brasileiras).

Em 2001, os plantadores de algodão do Mato Grosso reduziram em 28% a área cultivada. Não podem competir com o algodão alterado (transgênico) e mais barato dos americanos e chineses.
Passemos à matéria publicada na mesma semana (em 07/04) no jornal O Estado de São Paulo: “(...) em anos mais recentes, a história da soja se repetiu no caso do algodão. O produto pegou carona na leguminosa para crescer no cerrado, preenchendo a lacuna na rotação das lavouras. Na década de 80, o rendimento médio por hectare de algodão estava na faixa de 350 quilos e hoje chega, em algumas regiões, a ser duas vezes maior, observa o presidente as Associação Brasileira de Algodão (Abrapa), João Luiz Pessa. ‘A produtividade brasileira é comparada à do melhor algodão do mundo e só é atingida em países que usam a irrigação, como a Austrália.’ (...) ‘Se os EUA parassem de subsidiar a produção local, a exportação brasileira -- hoje de 150 mil toneladas por ano -- poderia atingir a médio prazo 1 milhão de toneladas.’”
Outra matéria do mesmo jornal deu destaque à qualidade do algodão produzido no País: “(...) O resultado é de causar inveja à China e aos EUA, os maiores produtores. As exportações do produto brasileiro, que há dois anos estava na casa de 50 mil toneladas, triplicaram e a perspectiva seria de crescimento, se não fossem os elevados subsídios dados aos produtores americanos que distorcem os preços no mercado internacional e desestimulam o cultivo. Apesar dos obstáculos, a qualidade do algodão do cerrado já tem fama internacional. ‘Traders alemães, suíços, italianos e ingleses já vieram comprar nosso produto’, diz Adilton Sachet, produtor de Rondonópolis (MT).”
Não são necessários outros comentários a respeito, certo?

 “(...) Os transgênicos não provocaram mal em sete anos, mas será que em 50 vão provocar? A pergunta não tem resposta. Cautela até quando?”
A introdução da Isto É à entrevista cita este comentário: “Ao seu ver (de Castro), a única forma de testar o risco desses produtos seria colocando-os no mercado.”
Esta é a opinião do cientista (não é o único) que diz garantir a segurança dos transgênicos: devemos colocá-los no mercado e fazer o “teste de segurança” na população, em escala mundial e em tempo real -- como se fez com uma enorme lista de produtos tóxicos ao longo da história, proibidos só após comprovadas as inúmeras mortes por eles causadas. Vocês querem confiar?

(respondendo à pergunta ‘O que é melhor para a saúde: o alimento orgânico, o convencional com agrotóxico ou o transgênico?’) O transgênico, claro. O Centro de Controle de Doenças dos EUA estima que o alimento orgânico causa 250 mortes e deixa 20 mil pessoas doentes ao ano em seu país porque utiliza apenas fertilizantes naturais, como esterco de porco e de boi. Não há certeza de que esse estrume esteja livre de microrganismos infecciosos.
Pensemos, apenas, nas seguintes situações:
a) O que acontece quando lavamos um produto orgânico? Os microorganismos são eliminados?
b) O que acontece quando lavamos um produto convencional tratado com agrotóxico sistêmico (do tipo que entra na circulação da planta)? O agrotóxico é eliminado?
c) O que acontece quando lavamos um produto transgênico?
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças do EUA estima que 250 pessoas morram e 20.000 fiquem doentes por ano no seu país devido à contaminação pela bactéria Escherichia coli e não ao consumo de alimentos orgânicos. Esta bactéria apresenta problemas em situações de baixa higiene e falta de saneamento básico e é completamente eliminada dos alimentos na lavagem.
Ninguém afirma que não seja preciso lavar os alimentos orgânicos. E ninguém morre (nem adoece) se consumir alimentos orgânicos bem lavados.

Castro, assim como seus colegas da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / MCT), pretende convencer a população sobre a segurança dos transgênicos apenas com o “argumento da autoridade científica”, ao invés de apresentar dados concretos que atestem sua opinião. E depois nós é que somos “anti-científicos”, retrógrados. São estes “cientistas” que dizem (e o governo assina em baixo) que têm competência para decidir nosso destino como bem entenderem.

De um certo ponto de vista, declarações deste tipo acabam por nos ajudar. Observar o que diz um dos maiores e “mais conceituados” defensores dos transgênicos no Brasil deve deixar qualquer pessoa de mínimo bom senso e espírito crítico, por mais desinformada sobre o assunto que seja, desconfiada.

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A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), através de seu Secretário Geral, o Bispo Dom Damasceno de Assis, enviou a todos os deputados federais uma carta expressando sua preocupação com relação ao Projeto de Lei que visa à liberação comercial dos transgênicos no Brasil.

Segundo o texto, “É necessário dar atenção às advertências firmes e incisivas que fazem muitas das organizações e autoridades reconhecidas pelo seu trabalho em defesa dos valores ecológicos e do meio ambiente. Essas advertências apontam para a necessidade de se exigir evidências claras e definitivas que demonstrem que o emprego das novas tecnologias propostas ao mercado é ecologicamente saudável”.

O texto diz ainda que “há que se advertir quanto ao risco de se reforçar a dependência tecnológica do setor agrícola no seu conjunto vis-à-vis um reduzido número de grandes empresas transnacionais que parecem ter como estratégia o controle da produção em escala global”.

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Neste número:

1. Monsanto perde o controle de sua canola modificada
2. Soja americana em baixa
3. A excelência brasileira mora aqui
4. Brasil terá “show room” permanente na China
5. ONG canadense-americana tenta reduzir plantio de soja no Brasil em 15%
6. Transgênicos vão muito além do RS
7. Mulher estaria grávida do primeiro clone
8. Senado brasileiro discute lei para banir a clonagem de humanos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
1. Desenvolvimento participativo de sistemas de plantio direto sem herbicidas.
Eventos
: 1º Jornada Paranaense de Agroecologia - Terra Livre de Transgênicos e Sem Agrotóxicos
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1. Monsanto perde o controle de sua canola modificada
A Monsanto Co. acredita que sua semente de canola pode conter material geneticamente modificado que não tem aprovação do governo americano. Na esperança de evitar um grande recall de produtos alimentares, a empresa está pedindo ao governo que perdoe qualquer presença desse material que possa surgir no suprimento de alimentos nos Estados Unidos.
A empresa americana ainda não a detectou nas sementes que testou, mas diz que vestígios da versão modificada foram encontrados no ano passado no Canadá, levando-a a acreditar que o mesmo é possível nos EUA. Admitindo que há três anos produtores americanos vêm plantando semente de canola que pode conter um determinado material genético que nunca deveria ter saído do laboratório, a Monsanto se tornou o mais recente exemplo de falha da indústria de biotecnologia em controlar plantas cujos genes ela alterou.
A Monsanto, controlada pela americana Pharmacia Corp., insiste que a semente em questão é segura para o consumo. Mas pelo menos um grupo de ativistas pretende combater o pedido da Monsanto e divulgar suas implicações -- que o setor de biotecnologia não consegue controlar sempre a proliferação de suas próprias criações. “Isso é poluição genética”, diz Joseph Mendelson, diretor jurídico do Centro pela Segurança Alimentar, do EUA.
Se a Monsanto não conseguir receber aprovação para a semente alterada, conhecida como GT200, a descoberta de sua presença na canola americana pode levar fabricantes de alimentos a sofrer pressão de grupos antibiotecnologia para recolher os produtos assim mesmo.
The Wall Street Journal, in O Estado de São Paulo, 15/04/02.

2. Soja americana em baixa
Os preços da soja registraram a maior baixa em um mês no mercado internacional, depois que um relatório do governo norte-americano mostrou o declínio da demanda global da oleaginosa (dos EUA), que é usada em rações animais e alimentos processados. (...)
Processadoras chinesas reduziram suas compras depois da adoção das novas normas sobre importações de soja transgênica, enquanto os compradores europeus passaram a encomendar o produto mais barato produzido pelo Brasil.
A demanda global de soja americana “está baixa porque a China não está comprando”, informa Anne Frick, analista de oleaginosas da Prudential Securities, de Nova York. (...)
Maior mercado consumidor de soja americana no exterior, a China reduziu suas compras dos norte-americanos devido à implementação de novas normas sobre alimentos, que exigem certificados atestando a segurança dos produtos importados produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas, segundo analistas. Cerca de 68% da soja cultivada nos EUA no ano passado tiveram origem transgênicas. (...)
A demanda global de soja está aumentando, pois os fabricantes de rações animais da Europa e Ásia decidiram substituir os ingredientes gados à doença da "vaca louca". (...)
Gazeta Mercantil, 09/04/02.

3. A excelência brasileira mora aqui
O Brasil tem hoje verdadeiras ilhas de prosperidade no setor produtivo, com resultados de causar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo. Soja, celulose, algodão e aço são exemplos de segmentos que alcançaram os mais elevados níveis de eficiência internacional, sem subsídios ou protecionismos.
A produtividade da soja brasileira, por três anos consecutivos, é a mais alta do mundo. Os 2.736 quilos por hectare colhidos no País superam os indicadores dos Estados Unidos (2.663 quilos por hectare) e da Argentina (2.590 quilos por hectare), grandes produtores. (...)
Em anos mais recentes, a história da soja se repetiu no caso do algodão. O produto pegou carona na leguminosa para crescer no Cerrado, preenchendo a lacuna na rotação das lavouras. Na década de 80, o rendimento médio por hectare de algodão estava na faixa de 350 quilos e hoje chega, em algumas regiões, a ser dez vezes maior, observa o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Luiz Pessa. “A produtividade brasileira é comparada à do melhor algodão do mundo e só é atingida em países que usam a irrigação como a Austrália”. (...)
“Se os EUA parassem de subsidiar a produção local, a exportação brasileira -- hoje de 150 mil toneladas por ano -- poderia atingir a médio prazo 1 milhão de toneladas”. (...)
O Estado de São Paulo, 07/04/02.

4. Brasil terá “show room” permanente na China
O Brasil passa a contar, a partir de agora com uma sólida base de apoio para divulgação e venda de seus produtos no mercado chinês: um “show room” permanente na sede da rede de supermercados Shanghai Mart, bem no centro desta cidade, segundo informou ao Estado o presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil-China o empresário brasileiro Charles A.Tang. (...)
Tang disse que o comparecimento, à Feira Comercial, de dirigentes de empresas chinesas compradoras de soja abre boas perspectivas para negócios também nessa área, se bem que as remessas desse grão dependem de certificadoras de qualidade, uma vez que a China não admite a importação de soja transgênica. (...)
O Estado de São Paulo, 06/04/02.

5. ONG canadense-americana tenta reduzir plantio de soja no Brasil em 15%
A ONG canadense-americana Foccus on Sabbatical quer convencer produtores brasileiros a deixar de plantar soja. Quem não plantar, segundo a ONG, receberá o equivalente a US$ 165,00 por hectare (cerca de R$ 380,00). A proposta, considerada absurda pelo governo brasileiro e algumas lideranças rurais, é defendida pelos representantes da ONG sob a alegação de que o não plantio faria reduzir a oferta mundial de soja e o produto, conseqüentemente, teria preços mais vantajosos para o agricultor. O propósito é o de reduzir em 15%, no futuro, a safra brasileira que neste ano agrícola deve ser da ordem de 41,5 milhões de toneladas. (...)
A proposta foi apresentada pela primeira vez no dia 29 de janeiro à Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, pelo presidente da Foccus -- formada por 3.500 agricultores canadenses e 500 norte-americanos --, Joe Whitney. Segundo ele, a ONG estaria disposta a investir cerca de US$ 400 milhões para convencer produtores a não plantarem soja.
Para indenizar o produtor que deixar a terra descansando, a Foccus pagaria US$ 165 para cada hectare e o objetivo, conforme explicou Whitney, seria reduzir em 19,3 milhões a oferta mundial da oleaginosa -- estimada em 182 milhões de toneladas --, para garantir um aumento do preço internacional da commodity e a renda dos sojicultores. (...)
“Somos contra”, diz o representante da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, cujo estado vai colher, nesta safra, 9,460 milhões de toneladas, a segunda maior do País.
“Embora aparentemente a proposta seja benéfica ao sojicultor, já que ele ganharia US$ 165 por hectare para não plantar -- quando ganha, plantando, cerca de US$ 108 por hectare no Paraná --, para o País ela é um desastre”, continua. “Quando você renuncia a um mercado, está deixando o espaço aberto para outros ocuparem”, diz. “E quem garante que os outros países também vão reduzir sua safra ou que a ONG realmente vai pagar os produtores que aderiram ao programa?”, continua, acrescentando que a orientação da Faep aos produtores é a de não aceitar a proposta. (...)
“É muito estranho ouvirmos uma proposta destas, justamente agora que as exportações de soja brasileiras vêm crescendo”, acrescenta o presidente da Federação da Agricultura do Mato grosso do Sul (Famasul), Leôncio de Souza Brito Filho. “Não vamos embarcar numa canoa furada dessas para atender a interesses americanos e canadenses e já levamos esta posição à CNA”, continua Brito Filho. (...)
O Estado de São Paulo, 08/04/02.

6. Transgênicos vão muito além do RS
Ainda não é possível desenhar com precisão um mapa do plantio de soja transgênica no país, mas por certo, ele não se restringe mais ao Rio Grande do Sul, como se imaginava até pouco tempo atrás. E também não fica apenas na lavoura nas lavouras encontradas recentemente no Paraná.
O plantio -- que ainda não é regulamentado no país -- já chegou a outros estados produtores de soja, como Mato Grosso, Barreiras, na Bahia e Tocantins, afirmam fontes dos setores de esmagamento e de certificação, que preferem o anonimato temendo efeitos negativos sobre seus negócios. (...)
“Já encontramos soja ‘contaminada’ com grãos transgênicos nos três estados do Centro-Oeste”, diz um executivo de esmagadora do Sul, que costuma originar produto em outras regiões do país  no início de safra.
Mas o nível de “contaminação” nas demais regiões não é tão alto quanto no Rio Grande do Sul, onde se estima que cerca de 50% das lavouras de soja sejam transgênicas. Na região Centro-Oeste, o risco seria médio e na Bahia e no Tocantins, baixo, avaliam as fontes.
Se as empresas envolvidas com o negócio de soja evitam falar abertamente sobre a propagação do plantio de variedades transgênicas no país, quem acredita que, de alguma forma, pode ser afetado pelo avanço na área  não hesita em se pronunciar.
É o caso da Tesco, a maior rede de varejista britânica, com faturamento anual de US$ 30 bilhões, que proibiu o uso de ingredientes transgênicos nos produtos com sua marca. Há mais de um ano, os fornecedores de carnes de frango e suína da rede adquirem farelo de soja certificado como não-transgênico em esmagadoras brasileiras.
Para Martin Cooke, gerente de desenvolvimento técnico e estratégico da rede, o avanço do plantio de transgênicos no Brasil vai elevar os custos de toda a cadeia de produção de frango e suínos, animais que se alimentam de rações contendo farelo de soja.
“Quanto maior o plantio, mais apurado precisa ser o nível de controle de segregação da soja e maiores os custos logísticos”, explicou Cooke, que esteve há duas semanas no Brasil, para se reunir com os fornecedores e certificadoras. (...)
O executivo da Tesco não esconde a preocupação com o avanço dos transgênicos no Brasil, já que a área de soja modificada é muito maior em outros países e, portanto, é muito difícil obter o grão convencional nestas regiões.
Cooke admite estar contactando outros potenciais fornecedores, como a Índia e até os EUA. “Há pequenas empresas americanas interessadas em fornecer soja certificada como não-transgênica porque eles perderam mercado para o Brasil”. (...)
Valor Econômico, 08/04/02.

7. Mulher estaria grávida do primeiro clone
Uma mulher pode estar na oitava semana de gestação de um clone. A mulher seria uma das milhares inscritas no polêmico programa de clonagem humana do médico italiano Severino Antinori, o maior defensor da criação de bebês clonados. A notícia foi revelada ontem pela revista britânica “NewScientist”, segundo a qual Antinori fez o anúncio durante uma conferência, em Dubai, nos Emirados Árabes Unido, quando perguntado sobre os avanços da pesquisa.
Antinori, de acordo com a “NewScientist”, não revelou o nome ou nacionalidade da mulher. Ao jornal  de Dubai “Gulf News” ele teria dito apenas que ela é uma das cerca de cinco mil inscritas em seu programa, que tem casais de todo o mundo. O sócio de Antinori, o grego radicado nos EUA Panos Zavos, afirmara ano passado que entre os casais há brasileiros. A maioria dos inscritos, porém, é composta por milionários da Ásia e de países árabes. As experiências, banidas na Europa, nos EUA e no Brasil, estariam sendo realizadas secretamente em um país asiático.
Anúncio é recebido com repúdio e desconfiança
Especialistas em clonagem e reprodução humana receberam a notícia com ceticismo. Eles preferem esperar por provas e frisaram que Antinori violou todos os princípios da ética médica ao expor os seres humanos a experiências perigosas. A maioria considera possível que ele tenha obtido um embrião e o implantado em uma mulher. Todos, porém, duvidam que a gestação resulte no nascimento de uma criança viva devido às dificuldades técnicas da clonagem.
Pouco depois a empresa americana ACT ter anunciado a primeira clonagem de embrião humano em novembro passado, Antinori disse que já tinha um embrião de 20 células -- contra o de apenas seis criado nos EUA -- e que faria nascer o primeiro bebê clonado em 2002. Considerado um dos mais ousados e polêmicos especialistas em reprodução do mundo, Antinori  se defende dizendo que sua intenção é ajudar pessoas estéreis.
A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Gro Harlem Bruntland, que está em São Paulo, condenou a clonagem de humanos. O secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Raimundo Damasceno Assis, também repudiou o clone.
O especialista brasileiro em reprodução Roger Abdelmashi alertou sobre os graves riscos da experiência:
- É um absurdo gerar uma criança sem sabermos as conseqüências.
Um dos maiores especialistas do mundo em clonagem, Rudolf Jaenisch, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), se disse chocado com a notícia:
- Isso é irresponsável, repugnante e ignora todas as provas científicas obtidas até agora na clonagem de animais. Antinori usa seres humanos como porquinhos-da-índia para levar adiante seus questionáveis experimentos. Esse homem precisa ser detido.
Para o cientista americano da Universidade A&M do Texas, Mark Westhusi, criador do primeiro clone de um animal doméstico, não há motivos para dizer que Antinori esteja mentindo:
- Eu acho que é possível, levando em conta as experiências com animais. Mas o risco desta gravidez não ter sucesso é muito grande.
Editor da publicação britânica “Bulletin of Medical Ethics”, Richard Nicholson, lembrou da necessidade de se criar uma legislação internacional sobre o tema:
- Enquanto houver Antinoris por aí, será inevitável assistirmos ao nascimento de um clone humano. Mas ele terá uma vida breve e triste.
O Globo, 06/04/02.
Bebê clonado seria cópia de milionário árabe
O primeiro bebê clonado é filho de um milionário árabe, de acordo com um jornalista italiano amigo do especialista italiano em fertilização Severino Antinori.
Ele teria dito que o embrião foi clonado de uma pessoa muito importante e rica do mundo árabe, e que fez experimentos para produzir um clone humano num país islâmico.
O Globo, 08/04/02.

8. Senado brasileiro discute lei para banir a clonagem de humanos
(...) No Brasil, um projeto do senador Sebastião Rocha (PDT-AP) que proíbe qualquer tipo de clonagem humana seria discutido ontem (10/04) pela CCJ, mas acabou não sendo votado. A proposta continua na pauta da comissão.
O projeto recebeu voto favorável do relator da comissão, Leomar Quintanilha (PFL-TO), que recomenda a aprovação da proposta sob forma de uma reformulação à Lei de Biossegurança (Nº 8.974), de 5 de janeiro de 1995. (...)
Folha de São Paulo, 11/04/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
1. Desenvolvimento participativo de sistemas de plantio direto sem herbicidas.
No trabalho realizado pela ONG AS-PTA e pelo Fórum das Organizações dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, na região do Centro-Sul do Paraná, que veio questionar a baixa adoção de sistemas de plantio direto entre os agricultores familiares da região, o uso de herbicidas em sistemas de plantio direto tornou-se um ponto importante a ser refletido.
Com a proposta de promover um novo modelo de desenvolvimento, foi iniciado na região um processo social de experimentação envolvendo, além de testes de sistemas de plantio direto sem uso de herbicidas, temas como manejo da agrobiodiversidade, manejo ecológico do solo, segurança alimentar, entre outros. Com o uso de abordagens participativas, foi possível identificar diversos agricultores experimentadores, incluindo alguns agricultores que já se encontravam familiarizados com o sistema proposto. Um bom exemplo é a família Bischof, do Município de Rebouças, que já possuía 14 anos de experiência no plantio direto sem uso de herbicidas.
Além de ter permitido analisar o comportamento de diferentes espécies de adubos verdes e de plantas de cobertura, foram obtidos outros resultados como o incremento do número de áreas de experimentação e a ampliação das áreas já implantadas, devido à boa aceitação das técnicas experimentadas. Quanto aos resultados agronômicos, foi apontada uma significativa melhoria dos desempenhos produtivos já no curto prazo.
Espera-se que, como resultado de um melhor desempenho produtivo das lavouras, a generalização do sistema de plantio direto sem herbicidas na região ocasione um impacto positivo na renda das famílias.

Eventos:
1º Jornada Paranaense de Agroecologia - TERRA LIVRE DE TRANSGÊNICOS E SEM AGROTÓXICOS
Articular, em torno da proposta da Agricultura Familiar Ecológica, as organizações, entidades e instituições do campo democrático-popular comprometidas na construção de um processo de Desenvolvimento Rural Sustentável;e
Apresentar a Agricultura Familiar Ecológica como alternativa viável ao projeto neoliberal de desenvolvimento agrícola, com capacidade insubstituível na promoção do Desenvolvimento Rural Sustentável, do abastecimento alimentar da população brasileira e da geração de excedentes exportáveis.
Esses são alguns dos objetivos da Jornada, que será realizada entre 17 e 20 de abril de 2002, em Ponta Grossa.
O evento contará com:
- painéis com especialistas
- experiências agroecológicas
- oficinas e cursos temáticos
- exposição da agricultura familiar
- feira de alimentos ecológicos
- feira estadual da agrobiodiversidade
- atividades culturais e muito mais
Encontre maiores informações e textos no http://www.jornadadeagroecologia.com.br/

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#308 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 26 de Abr de 2002 9:29 pm
Assunto: BOLETIM 110 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

O Deputado Federal Paulo Mourão (PSDB/TO) apresentou na Câmara uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a tornar a competência para legislar sobre os organismos transgênicos privativa à União.

Isto significa que, caso esta PEC seja aprovada, os estados e municípios ficarão impedidos de ter suas leis estaduais e municipais sobre esta matéria.

Esta PEC já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Redação da Câmara. Ou seja, foi aprovada a sua admissibilidade.

O próximo passo será a criação de uma Comissão Especial para analisar o tema.

Em sua justificativa, o Deputado Paulo Mourão alega que as leis estaduais e municipais criam uma “balbúrdia legal” capaz de trazer prejuízos para o País, prejudicando a produção e o comércio de sementes.

Este é um tema delicado e bastante perigoso. Sabemos como está se dando a criação da lei federal sobre os transgênicos no Congresso. A bancada ruralista está usando de todos os meios para aprovar uma lei que dispense os transgênicos de estudos de impacto ambiental, de avaliações de riscos à saúde e de rotulagem plena. Uma lei que favoreceria apenas às multinacionais de sementes e agrotóxicos.

Alguns estados brasileiros estão tomando medidas para prevenir problemas resultantes da introdução dos transgênicos em seus territórios (sobretudo esta introdução desregulamentada), através da criação de leis estaduais. Existem hoje três estados com lei aprovada neste sentido: Pará, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Há outros estados com lei tramitando nas assembléias legislativas, como Minas Gerais.

Muitos municípios também têm demonstrado preocupação com o tema e criado leis próprias. Cidades importantes como Belo Horizonte, Juiz de Fora e São Paulo já têm leis aprovadas. No estado do Paraná, por exemplo, já existem mais de 10 leis municipais aprovadas.

De acordo a Constituição Federal, legislar sobre "produção e consumo" e "proteção do meio ambiente", entre outros assuntos, cabe concorrentemente à União, aos estados e ao Distrito Federal.Os municípios também têm competência nesse assunto, para atender aos interesses locais e para suplementar a legislação federal e a estadual, por exemplo, criando regras mais rigorosas. Os estados e os municípios só não podem ter leis menos exigentes do que a União, que impõe as normas gerais. Por exemplo, mesmo que o estado não proíba os transgênicos, os municípios podem proibi-los. Mas, se o estado os proíbe, os municípios não podem liberá-los.

A Proposta de Emenda à Constituição apresentada, se aprovada, irá ferir a autonomia dos estados e municípios nesta questão, o que seria especialmente grave em regiões em que o cultivo de grãos é um componente forte da economia. É o caso do Paraná, segundo maior produtor de soja do País. Setenta a 80% desta produção são exportados para a Europa, que vem rejeitando os grãos transgênicos. As organizações de agricultores do estado, assim como a Secretaria Estadual de Agricultura, estão cientes do fato de que a liberação destas sementes poderia resultar em uma enorme quebra nas exportações, que causaria uma verdadeira crise social no estado.

O Secretário da Agricultura do Paraná, Deni Schuartz, já levantou a possibilidade do estado criar uma lei para proteger os interesses de sua população.
 
Nós da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” acompanharemos a tramitação desta PEC e manteremos todos informados através deste Boletim. E sugerimos que os deputados estaduais e vereadores que estão trabalhando na criação de leis que imponham normas e limites à liberação dos transgênicos em seus territórios, assim como aqueles que já aprovaram suas leis, prestem especial atenção a este tema. Devemos exigir a participação neste processo.

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Neste número:

1. Contaminação de milho no México é confirmada pelo governo Mexicano
2. Autor do estudo é perseguido em sua universidade
3. Suspeita de soja transgênica em Santa Catarina
4. Testes com transgênicos não beneficiam países pobres, diz ONU
5. Propostas de penas para crimes de biopirataria
6. Carta da 1a. Jornada Paranaense de Agroecologia
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultura ecológica na serra

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1. Contaminação de milho no México é confirmada pelo governo Mexicano
O governo mexicano confirmou que, apesar de proibir o milho transgênico, existe uma contaminação massiva nas lavouras de milho das áreas que formam o banco genético da cultura.
O anúncio da pior contaminação de cultivos com variedades transgênicas já existente foi feito este mês na Convenção de Biodiversidade, em Haia, Holanda.
Jorge Soberon, Secretário Executivo da Comissão Nacional de Biodiversidade do México, disse que os testes do governo mostraram que a taxa de contaminação é bem maior do que as divulgadas inicialmente.
O México, centro de origem do milho, abriga centenas de variedades que permitem o melhoramento genético (clássico) para a obtenção de novas variedades que suportem condições extremas. Para preservar este banco genético, em 1998 o governo mexicano baniu o plantio de cultivos transgênicos. (...)
Um total de 1.876 amostras foram coletadas e a evidência de contaminação foi encontrada em 95% dos casos. Em uma das áreas, 35% das plantas estavam contaminadas.
Soberon confirmou que a contaminação das linhagens supostamente puras foi a pior já registrada. “Não há dúvidas sobre isto”, disse ele. (...)
O fator revelador foi a presença do vírus do mosaico da couve-flor, amplamente usado em cultivos transgênicos para “ativar” inseticidas neles introduzidos.
Soberon disse que os todos transgênicos desenvolvidos pela Monsanto, Syngenta e Aventis utilizaram esta mesma tecnologia.
O governo não pôde descobrir qual destas três variedades de milho transgênico foi responsável pela contaminação, pois as empresas se negaram a divulgar qual proteína foi usada em seus projetos.
“Eu acho extremamente difícil aceitar isto”, disse Soberon, “Como se pode monitorar o que está acontecendo se eles não nos dão acesso às informações que precisamos?”.
The Guardian, 19/04/02.

2. Autor do estudo é perseguido em sua universidade
Inácio Chapela, o autor do estudo que identificou a contaminação com transgênicos nas variedades indígenas de milho do México, publicado em novembro de 2001 na revista científica Nature, vem sofrendo enorme perseguição por parte de pesquisadores de sua própria universidade e de algumas outras, que classificam seu estudo de infundado. Diante destas críticas, a própria revista Nature publicou, no início deste mês, uma nota dizendo que o estudo era de fato controverso e que as evidências disponíveis não eram suficientes para justificarem sua publicação.
Muitos dos colegas de Chapela acreditam que ele esteja sofrendo um caso similar ao do Dr. Arpad Pusztai, que foi forçado a deixar o Instituto de Pesquisa Rowet, na Irlanda, depois de revelar que ratos alimentados com batatas transgênicas apresentavam deficiência no sistema imunológico e problemas no desenvolvimento cerebral, o que afetava seriamente a indústria de biotecnologia.
O Professor Miguel Altieri, da Universidade de Berkeley (Califórnia/EUA, a mesma de Chapela) declarou que sua maior preocupação é a possível influência que a poderosa indústria farmacêutica Syngenta possa ter tido nos professores envolvidos com os ataques a Chapela. Em 1998, a Universidade de Berkeley formou uma controversa aliança com esta indústria, na época conhecida como Novartis, que consistiu no financiamento de US$ 25 milhões para pesquisadores de microbiologia.
As novas declarações do governo do México, confirmando contaminação do milho, vêm apoiar a reputação de Chapela.
The Herald, 05/04/02; The Daily California, 09/04/02 e The Associated Press, 21/04/02.

3. Suspeita de soja transgênica em Santa Catarina
Quatro lavouras de soja em Santa Catarina foram embargadas anteontem por suspeita de usarem grãos transgênicos. A intervenção foi decorrente de um pedido do Ministério Público. Pelo menos oito plantações de soja supostamente transgênica foram interditadas pela justiça neste ano no Estado.
A Justiça mandou interditar quatro lotes em Ponte Serrada e estabeleceu multa de R$ 5 mil por hectare de terra cultivada, caso os proprietários modifiquem a área. Após o bloqueio nas lavouras, são feitos novos testes para verificar ou não a modificação das plantas.
A maioria das ocorrências foram no oeste catarinense. Após receberem as denúncias, os promotores de Justiça pedem a realização de um teste nas plantações suspeitas.
A lei estadual 12.128 proíbe a plantação de transgênicos. Alguns agricultores estão procurando o Ministério Público para admitir que têm soja transgênica. Nestes casos, o próprio agricultor destrói sua lavoura.
Folha de São Paulo, 17/04/02.

4. Testes com transgênicos não beneficiam países pobres, diz ONU
Os testes com culturas geneticamente modificadas não servirão para ajudar os países em desenvolvimento, já que grande parte dos experimentos está mais preocupada em desenvolver tolerância a herbicidas e resistência a pestes do que em melhorar a produção, disse este mês a Organização das Nações Unidas (ONU).
Apenas um quarto dos testes nos Estados Unidos e 12,5% na União Européia (EU) estão relacionados diretamente ao rendimento das colheitas, demonstrou uma análise divulgada pelo Instituto de Novas Tecnologias da Universidade das Nações Unidas (UNU/INTECH).
“Uma grande parte da pesquisa com organismos geneticamente modificados não está lidando com as culturas certas ou os problemas importantes dessas plantações para que os países em desenvolvimento sejam beneficiados”, disse a diretora do UNU/INTECH, Lynn Mytelka, em Genebra.
O instituto, com sede na Holanda, pediu que o setor público faça mais pesquisas para preencher esse espaço e usar o potencial da biotecnologia para beneficiar os países em desenvolvimento.
A análise, que incluiu dados de testes da UE até abril de 2001 e dos EUA até janeiro de 2002, ainda mostrou que pesquisas com culturas geneticamente modificadas, ou transgênicas, estão concentradas entre um pequeno número de empresas e um reduzido número de culturas. (...)
Reuters, 16/04/02.

5. Propostas de penas para crimes de biopirataria
O ministro do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, ao instalar ontem, em Brasília, o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, anunciou o encaminhamento à Casa Civil da Presidência da República da minuta de projetos de emenda à Lei de Crimes Ambientais, propondo penas específicas para a biopirataria.
O Conselho que fará a gestão do patrimônio genético animal e vegetal brasileiro estava previsto na Medida Provisória que trata de questões relacionadas ao acesso, remessa e repartição de benefícios derivados do uso dos recursos genéticos, editada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no ano passado.
Foram propostas penas de prisão de até 30 anos para quem utilizar amostras componentes do patrimônio genético para o desenvolvimento de armas biológicas e químicas. E também a reclusão por até seis anos para quem remeter ao exterior amostra de material genético em desacordo com a legislação vigente. (...)
O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético foi instalado sob críticas de organizações não- governamentais, como o WWF, e da senadora Marina Silva (PT-AC). Segundo a senadora trata-se de um conselho chapa-branca, pois todos os integrantes são do Governo e nenhum da sociedade civil. (...)
Jornal do Comércio, 26/04/02.

6. Carta da 1a. Jornada Paranaense de Agroecologia
Os três mil participantes da 1a Jornada Paranaense de Agroecologia, realizada em Ponta Grossa entre os dias 17 e 20 de abril de 2002, afirmaram em sua Carta final a continuidade de suas ações articuladas em torno da proposta da agroecologia. Algumas das lutas assumidas neste sentido seguem abaixo:
1. Impedir a aprovação do Projeto de Lei de liberação dos transgênicos no Brasil, que tramita no Congresso Nacional;
2. Denunciar o cultivo e a comercialização de transgênicos buscando responsabilizar os que fazem esse comércio ilegal e as multinacionais que detém e disseminam criminosamente esta tecnologia;
3. Dinamizar campanhas municipais pela aprovação de leis que proíbam os transgênicos e agrotóxicos;
4. Acelerar o processo de Reforma Agrária, promover a Campanha que estabelece o limite Máximo para a propriedade da terra no Brasil, e nos contrapor a violência e aos despejos com o uso de força da polícia Militar e de milícias privadas;
5. Participar das mobilizações dos pequenos agricultores familiares;
6. Participar da Campanha Nacional e Internacional contra a ALCA, organizando comitês para preparação do Plebiscito Nacional na semana de 01 a 07 de Setembro;
7. Lutar por políticas públicas que promovam a pequena agricultura familiar ecológica.
Participe da enquete “Você é a favor dos Transgênicos” na página da Jornada:
www.jornadadeagroecologia.com.br

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Agricultura ecológica na serra
Nada de agrotóxicos, fertilizantes químicos ou transgênicos. Guaraciaba do Norte, na serra da Ibiapaba, Pernambuco, ensina como se produzem alimentos biológicos ou orgânicos. São frutas e hortaliças cultivadas por famílias que adotaram a idéia de produção de alimentos saudáveis, considerando a conservação do solo e demais recursos naturais.
''Modificamos o ambiente, mas imitamos a natureza. Há menos de dez anos, toda essa terra era de agricultura convencional, onde a gente usava adubo químico, fazia queimada e plantava até esgotar o solo. Hoje a gente trata a terra como algo que tem vida'', diz Leôncio Soares de Oliveira, um dos produtores rurais que cultiva dois hectares de terra no sítio de Limoeiro dos Pompeu.
Ele produz diversos canteiros de repolho, rúcula, salsão, cenoura, vagem, acelga, espinafre, hortelã, couve-flor, brócolis e muitas outras hortaliças orgânicas. Os elementos interagem para a produção natural da horta, como o feijão guandu, plantado para servir tanto de barreira contra o vento, como de divisor de área. Suas folhas, ricas em nitrogênio, também servem de adubo verde. “Além do quê, esse feijão dá um baião-de-dois muito gostoso'', sugere Leôncio.
Já o galã amarelo da plantação (o girassol) serve de trepadeira para as leguminosas, de alimento para os pássaros e atrai muitos insetos. ''Eles vão para o girassol, que dá essa presença bonita na horta, e depois para outra flor chamada de coroa de defunto, que é repelente. Alguns vão de flor em flor e não chegam às hortaliças'', diz o produtor no alto de sua sabedoria, ensinando como ''cansar'' o inseto antes que ele chegue a destruir a plantação.
A produção das hortaliças orgânicas em toda a região é vendida diretamente para 380 famílias em Fortaleza que participam da Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica (Adao).
''Antes, com a cultura convencional, às vezes a gente não podia comer a própria verdura que plantava, porque tinha veneno. Quem lidava com a terra e o uso de agrotóxico já sentia problema de saúde. Eu mesmo tinha dores de cabeça, vômito'', frisa Leôncio, que agora come sem medo, todo orgulhoso de saber que está oferecendo um alimento saudável também para o consumidor.
O Povo, 02/04/02.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

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http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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#309 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 3 de Mai de 2002 9:24 pm
Assunto: BOLETIM 111 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

Foram realizadas no último mês duas importantes reuniões internacionais, na cidade de Haia, na Holanda: a 6a Conferência das Partes sobre a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) e o 3º Encontro do Comitê Intergovernamental para o Protocolo de Cartagena.

A 6a Conferência das Partes (COP-6) aconteceu entre os dias 07 e 19 de abril e contou com aproximadamente 2.000 participantes, representando 176 governos, agências das Nações Unidas, Organizações Intergovernamentais, ONGs, organizações indígenas e outros.

A Convenção da Diversidade Biológica foi aberta para assinaturas em junho de 1992 (por ocasião da Rio-92) e entrou em vigor em dezembro de 1993. Ela hoje conta com a ratificação de 183 países e visa a promover os seguintes objetivos: a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição justa e eqüitativa dos benefícios oriundos do uso de recursos genéticos.

A Conferência das Partes (como são chamados os países membro da Convenção) é o fórum máximo de decisões, por meio do qual a implementação da CBD avança ou não.

Como observou o presidente da 6a Conferência, a CBD encontra-se numa espécie de encruzilhada em que precisa começar a evoluir do desenvolvimento de políticas para a sua implementação. Infelizmente, este objetivo esteve longe de ser alcançado durante o encontro.

Entre os temas mais importantes discutidos na Conferência, estavam a adoção de um programa sobre biodiversidade florestal, de diretrizes para o acesso e a repartição dos benefícios derivados do uso dos recursos genéticos e de um plano estratégico para a implementação da CBD.

Não se avançou muito em nenhuma destas questões. No caso do programa sobre a biodiversidade florestal, a delegação brasileira recebeu o troféu “Motosserra de Ouro”, que é dedicado àqueles que mais atrapalham as negociações e impedem os avanços da promoção do uso sustentável e da conservação das florestas.

Segundo Nurit Bensusan, coordenadora de Biodiversidade do Instituto Socioambiental (ISA), que participou da conferência como observadora, “o posicionamento de nossos representantes nesse fórum de negociação internacional traz à tona a questão da democratização da política externa do País e a participação da sociedade brasileira nesses processos.” Conforme ela relata, “além de não existirem meios institucionalizados para a sociedade civil e os demais setores do governo conhecerem as posições que o País leva para tais encontros, não há uma prestação de contas para a sociedade do ocorrido nos fóruns internacionais de negociação.”

São resultados bastante frustrantes. Vemos que muito pouco avançamos durante os 10 anos que se passaram desde a Rio-92.

O 3º Encontro do Comitê Intergovernamental para o Protocolo de Cartagena (ICCP-3) aconteceu entre os dias 22 e 26 de abril. Estavam lá 580 participantes de 147 países e 100 organizações intergovernamentais e industriais assistiram a reunião.

O Protocolo de Cartagena sobre Biodiversidade surgiu na primeira Conferência Extraordinária das Partes, realizada em Cartagena, Colômbia, em 1999, e foi lançado em 2000, em Montreal, Canadá. Sua criação foi uma grande vitória do movimento ambientalista e de consumidores, pois estabelece um marco legal e internacional amplo de proteção do meio ambiente e da saúde
humana em relação aos danos que possam advir dos transgênicos.

O Protocolo regulamenta a transferência, a manipulação e o uso seguro de Organismos Vivos Modificados (OVMs) que podem causar efeitos adversos sobre a biodiversidade, levando em conta a saúde humana, e reconhecendo também que os países podem rejeitar o envio de transgênicos por avaliarem que sua introdução possa ter impactos socio-econômicos indesejáveis.

Além disso, ele estabelece o Acordo de Consentimento Prévio (AIA, na sigla em inglês). Este Acordo dá aos países "em economia de transição" que não possuam legislação específica sobre o assunto o direito de dizer não, condicionando o envio de grãos transgênicos ao recebimento de autorização explícita por parte do país importador. Ou seja, "o direito de dizer não" fica garantido exatamente para aqueles países que não têm força política nem legislação específica para impedir a entrada de transgênicos em seu território e garantir a sua devolução, caso não os queiram (no caso brasileiro, por exemplo, onde há uma legislação específica, transgênicos só entram se aprovados pela CTNBio e demais ministérios competentes; se enviados sem estas autorizações, são ilegais e devem ser devolvidos).

O Protocolo incorpora também o princípio da precaução como base para a tomada de decisões sobre importação de transgênicos, protegendo todos os países contra acusações de discriminação
comercial ou barreiras não alfandegárias e eventuais reclamações junto à OMC. O ônus de provar que os produtos transgênicos não fazem mal recai sobre seus produtores, como é lógico e justo.

Também fica estabelecida a obrigatoriedade de identificação de grãos transgênicos destinados à alimentação humana ou animal, assim como para processamento, com os dizeres "podem conter transgênicos", o que, apesar de ser relativamente insuficiente do ponto do vista do rastreamento, permite aos países rejeitar aquilo que é transgênico.

No entanto, para entrar em vigor, o Protocolo precisa ser ratificado por 50 países. Até agora 103 países o assinaram, mas apenas 19 o ratificaram. Vergonhosamente, o Brasil, campeão mundial de biodiversidade, ainda sequer o assinou.

E, infelizmente, o 3º Encontro do Comitê Intergovernamental para o Protocolo de Cartagena também não teve resultados animadores. Muito pouco se avançou.

As ONGs presentes no encontro registraram que reiteram seu pedido para uma moratória imediata a todas as liberações de OVMs até que um regime rigoroso de biossegurança seja implementado. Além disso, pedem pela proibição das importações e liberações de OVMs nos seus centros de origem ou de diversidade, assim como em locais próximos a estes centros.

Um dos temas mais importantes discutidos no encontro foi a criação de um regime de responsabilização e reparação e danos causados pela introdução de OVMs. As ONGs também lamentaram o fato de as delegações presentes no encontro não terem chegado a nenhum acordo sobre os termos de referência para este sistema.

As ONGs envolvidas neste debate continuam solicitando a todos os países que ratifiquem o Protocolo e se empenhem em sua implementação.

Para saber mais sobre a CDB, sobre o Protocolo de Cartagena e sobre os encontros referidos acima, visite o site www.iisd.ca/linkages/biodiv

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Neste número:
1. Cientista adverte: clones têm defeitos
2. Sapos se tornam hermafroditas após exposição a herbicida
3. Monsanto coloca em perigo as exportações de milho argentino
4. Festa de subsídios na lei agrícola americana
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Vespa ajuda no combate do pulgão-do-algodão
Evento:
Seminário Internacional Biodiversidade: controle social no uso e na repartição dos benefícios
Moção de apoio a pesquisadores que investigam a Shell

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1. Cientista adverte: clones têm defeitos
Uma revisão de todos os animais clonados do mundo sugere que todos eles são genética e fisicamente defeituosos. Ian Wilmut, um dos criadores da ovelha Dolly - primeiro animal clonado a partir de uma célula adulta -, publicou suas conclusões no último fim de semana.
O estudo coincide com algumas afirmações de médicos que tentam criar o primeiro ser humano clonado. (...)
O Estado de São Paulo, 30/04/02.

2. Sapos se tornam hermafroditas após exposição a herbicida
Doses muito pequenas de um herbicida muito comum nos Estados Unidos fizeram com que sapos machos em formação desenvolvessem múltiplos órgãos sexuais. Os pesquisadores, da Universidade da Califórnia, relatam inclusive casos de hermafroditismo, ou seja, a presença de mais de um órgão, feminino e masculino simultaneamente. A substância ativa usada no estudo foi o atrazine, encontrada não só na água de chuva, em terrenos alagados, como na neve derretida.
Segundo Tyrone Hayes, especialista em endocrinologia da Universidade de Berkeley (EUA), não há ambiente livre de atrazine. Há até uma norma da Agência de Proteção Ambiental norte-americana que estabelece como parâmetro mínimo permitido a presença de três partes de atrazine por bilhão (3 ppb) na água potável. A equipe de Hayes notou que doses menores que 0,1 ppb já afetaram os anfíbios. À medida que iam aumentando a dose, pelo menos 20% dos sapos expostos no início de sua formação produziram múltiplos órgãos, em alguns casos feminino e masculino ao mesmo tempo.
Os pesquisadores concluíram que a presença de atrazine na organismo dos sapos fizeram com que suas células produzissem uma enzima chamada aromatase, presente também nos vertebrados e responsável pela conversão do hormônio masculino testosterona em estrogênio, hormônio feminino. Os efeitos notados nos sapos ocorreram num nível de exposição 600 vezes menor do que a dose que, normalmente, induz a produção de aromatase nas células humanas. (...)
AmbienteBrasil, 24/04/2002.

3. Monsanto coloca em perigo as exportações de milho argentino
Na semana passada o Greenpeace confiscou, em um importante supermercado suíço, milhares de caixas de polenta elaborada com milho transgênico não autorizado para o consumo humano procedente da Argentina. A variedade transgênica detectada é o milho Roundup Ready GA 21, patenteado pela corporação norte americana Monsanto. Esta variedade não foi aprovada para o consumo humano e sua comercialização não foi permitida na Europa e nem na Argentina. Na Suíça, ativistas do Greenpeace empacotaram o milho em uma enorme “encomenda” para ser devolvida à Monsanto na Argentina, exigindo a retirada imediata de todo o milho contaminado do mercado europeu e reivindicando a conclusão da investigação iniciada em maio de 2001 pela Secretaria da Agricultura, após denúncia feita pelo Greenpeace na Argentina. “A Monsanto, a nova, ditadora da alimentação, está deliberadamente pondo em risco as exportações argentinas, enquanto segue sua estratégia global: a contaminação genética. Este escândalo confirma nossas investigações do ano passado na Argentina, que indicaram a existência de plantações ilegais de milho RR GA 21 da Monsanto em províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Cordoba”, disse Emiliano Ezcurra, coordenador  da campanha de biodiversidade do Greenpeace na Argentina.
Tanto a empresa como o governo se negaram a divulgar maiores informações sobre o assunto, apesar desta variedade não ter sido aprovada para a comercialização de sua semente nem para o consumo humano ou animal ou para exportação ao mercado europeu. O ano passado, quando o Greenpeace denunciou o caso, o presidente da Monsanto Argentina, Carlos Popik, qualificou a denúncia como “infantil” e acrescentou: “jamais faríamos uma coisa assim”.
Greenpeace, 26/04/02.

4. Festa de subsídios na lei agrícola americana
A nova lei agrícola americana vai promover uma verdadeira farra de subsídios. Cálculos preliminares mostram que, nos próximos dez anos, os agricultores americanos receberão US$ 180,5 bilhões - US$ 73,5 bilhões em recursos novos e US$ 107 bilhões de programas já existentes - por meio de pagamentos diretos, empréstimos a juros subsidiados, políticas de preço mínimo e outras formas de ajuda oficial.
Resultado de um acordo fechado na noite de quinta-feira entre os líderes da Câmara dos Deputados e do Senado dos Estados Unidos, a nova lei agrícola americana baniu a idéia de se adotar uma política agrícola orientada pelo mercado.
Valor Econômico, 29/04/02.
N.E.: Os Estados Unidos defendem o livre mercado apenas para os outros países. A soja brasileira, por exemplo, sem transgênicos e sem subsídios, é bem mais competitiva que a americana.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Vespa ajuda no combate do pulgão-do-algodão
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificaram um novo inimigo natural do pulgão-do-algodão, responsável pela redução de até 30% das colheitas. Trata-se de uma microvespa que deposita seus ovos no pulgão, provocando a sua morte.
A microvespa, denominada cientificamente de Aphelinus gossypii, foi encontrada num canteiro de algodão herbáceo do Depto. de Zoologia da UFPE em 1998 e pode contribuir para o controle biológico da praga. Antes de depositar seus ovos, ela  imobiliza o pulgão-do-algodão (Aphis gossypii), injetando nele uma substância paralisante. A inoculação é feita pelo próprio ovopositor do inseto, parente das abelhas e marimbondos.
A microvespa completa seu ciclo de vida dentro do inseto. “De ovo passa a larva e de larva a pupa, para depois emergir”, relata Ângela Farias, coordenadora do projeto.
Durante essas etapas, a microvespa se alimenta do conteúdo interno do pulgão, que seca e morre, num processo chamado de mumificação. As microvespas também atacam os pulgões quando emergem.
Ângela Farias explica que a microvespa é capaz de encontrar um algodoeiro a partir do cheiro da planta. “Depois de achar o algodoeiro, ela procura na planta o lugar onde está o pulgão, também através do odor emitido pelo inseto”, explica a pesquisadora. Ela acredita que os resultados da pesquisa poderão contribuir para os planos de manejo integrado de pragas, onde se emprega uma série de medidas, inclusive o controle biológico.
Jornal do Comércio, 28/04/02.

Moção de apoio a pesquisadores que investigam a Shell
Veja no site http://sites.uol.com.br/acpo94 uma moção redigida e aprovada pelo Coletivo das Entidades Ambientalistas de SP, em apoio aos médicos Dra. Claudia e Dr. Igor, processados pela SHELL Brasil S.A. devido às pesquisas de saúde que estão realizando nos moradores expostos aos drins e metais pesados no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia/SP, onde a SHELL é acusada de responsabilidade pelo Ministério Público Estadual.
Aqueles que quiserem prestar solidariedade e apoio, ou ainda subscrever a moção escrevam para recantocontaminado@... com cópia para acpo94@...

Seminário Internacional Biodiversidade: controle social no uso e na repartição dos benefícios
O Seminário Internacional Biodiversidade: controle social no uso e na repartição dos benefícios faz parte do Workshop Internacional de Manejo Local de Agrobiodiversidade, que acontecerá em Rio Branco, Acre, de 09 a 19 de maio de 2002, sendo o ponto culminante e mais importante do Projeto Cultivando a Diversidade, lançado em janeiro de 2000 pelo GRAIN - Genetic Resources Action International (www.grain.org/gd)
Um dos principais objetivos deste Seminário é oportunizar a troca de experiências entre as populações tradicionais e as estratégias para o desenvolvimento sustentável mundial, já que os participantes são homens e mulheres agricultores, pescadores, camponeses, pastores e povos indígenas dos diferentes países da Ásia, África e América Latina.
O seminário acontecerá nos dias 16 e 17 de maio, no Auditório da Secretaria de Educação - Rio Branco, Acre.
Maiores informações: gta@... (A/C Joci - Sec. Executiva). Fone/Fax: (68) 223 1624.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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#310 De: Luiz Meira <luizmeira@...>
Data: Dom, 5 de Mai de 2002 5:27 pm
Assunto: mescla de sojas
luizmeira
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Cláudio,

    Agradeço o envio desta matéria publicada no JN em 19/03/02, e que sabemos estar acontecendo desde 1998, principalmente na região sul do país.

    Chamo a atenção para a postura tendenciosa em direção à oligarquia global ao mentirem dizendo que a sojaGM seria mais produtiva

Abraços
Luiz Meira



                    Produtores do Paraná misturam grãos de soja
                    transgênicos aos naturais
 

                    Produtores do Paraná estão plantando soja geneticamente modificada e
                    misturando grãos transgênicos aos grãos naturais. Além de ser contra
                    a lei, isso pode prejudicar as exportações brasileiras. O governo do
                    estado já começou a punir os infratores.

                    Os técnicos da Secretaria da Agricultura já identificaram soja
                    transgênica em 13 plantações do Paraná. Elas foram interditadas e a
                    produção será apreendida. Outras duas lavouras, onde já foram
                    coletados grãos para exames, estão sob suspeita.

                    No Brasil, plantar soja transgênica é crime ambiental e pode dar até
                    cinco anos de cadeia, além de uma multa de R$ 50 mil por dia. Mesmo
                    assim, os produtores estão arriscando, já que a soja transgênica tem
                    maior produtividade.

                    "Hoje 25% da produção nacional de soja é transgênica", afirma o
                    presidente da associação brasileira de produtores de soja, Iwao
                    Miamoto.

                    A Secretaria da Agricultura do Paraná intensificou a fiscalização e está
                    investigando duas empresas de produtos agrícolas na região de
                    Londrina, que teriam distribuído os grãos transgênicos misturados com
                    os convencionais. Segundo os técnicos, a soja modificada
                    geneticamente veio do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul.

                    O Paraná é responsável por 25% da soja nacional e sempre teve
                    mercado garantido no exterior. Mas a entrada de soja transgênica nas
                    lavouras brasileiras é uma ameaça aos negócios, já que os maiores
                    compradores, que são Europa e Ásia, não aceitam produtos
                    geneticamente modificados.

                    "Se nós tivermos então oferecendo produtos que criem suspeita nos
                    nossos compradores a nossa credibilidade vai por água abaixo e isso
                    afetaria evidentemente as exportações do complexo de soja brasileira",
                    disse o chefe de fiscalização da Secretaria de Agricultura, Alvir Jacob.


#311 De: Luiz Meira <luizmeira@...>
Data: Dom, 5 de Mai de 2002 8:26 pm
Assunto: TRANSGENICOS produzem menos e usam mais agrotóxicos, revela estudo da UFSC
luizmeira
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kan lai ng wrote:


  Editor: Aldo Novak 
R E L A T Ó R I O     A L F A
Notas & Notícias

Este é um canal de notas curtas, enviado aos assinantes da edição semanal do Relatório Alfa
Leia as notícias especiais em http://www.relatorioalfa.com.br/noticias
 TUDO POR DINHEIROMonsanto joga pesado, mas transgênicos produzem menos
 O professor de Genética e Melhoramento da Universidade Federal de Santa Catarina (RS), Rubens Onofre Nodari (nodari@...) e Deonisio Destro, professor de Genética e Melhoramento da Universidade Estadual de Londrina (ddestro@...), apresentaram um novo estudo que confirma uma série de outros estudos publicados por cientistas americanos segundo os quais as plantações de soja transgênica são menos produtivas e provocam o uso maior de agrotóxicos do que aquele necessário em plantações de soja "natural". Ontem, quinta-feira, o grupo ambientalista Greenpeace (www.greenpeace.org.br) divulgou o estudo em Brasília, "zona de guerra" na qual  empresas como a Monsanto (www.monsanto.com.br) estão investindo tudo o que podem para convencer políticos, geralmente sem formação científica, de que os transgênicos não constituem nenhum tipo de perigo e devem ser permitidos no Brasil sem nenhum controle ---- posição pela qual luta o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que pretende (e deve conseguir) evitar a todo custo que o Brasil permaneça livre das sementes patenteadas e pertencentes ao complexo industrial americano. Segundo o novo estudo, houve uma queda de produção de até 540 kg por hectare na lavoura transgênica. A produtividade da soja modificada foi de 1.020 kg a 1.6 kg por hectare, enquanto a da lavoura tradicional ficou entre 1.680 kg e 1.8 mil kg. OUTROS PROBLEMAS 
Os organizadores da campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos afirmam que os pesquisadores verificaram o aparecimento de rachaduras no caule da soja transgênica exposta ao calor ou às aplicações de agrotóxicos com trator devido ao seu maior teor de lignina no caule; Mas não é só isso: houve, também, o ataque inusitado de insetos, como o “burrinho”, que até então só atacava a batatinha; Além disso foi detectada a falta de imunidade da soja às pragas e ervas daninhas, obrigando os agricultores a usar duas ou três vezes mais herbicida, pois as pragas ficaram mais resistentes. Mesmo com todos os estudos independentes indicando que o Brasil não deve usar transgênicos, o governo federal e uma série de parlamentares continuam repetindo as mesmas explicações vendidas pelo lobby patrocinado pela Monsanto e pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Sem contar agricultores brasileiros que, como marionetes, estão entrando no jogo das grandes corporações, se questionar nada (Aldo Novak).

#312 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 24 de Mai de 2002 10:28 pm
Assunto: [boletimtransgenicos] BOLETIM 114 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS {01}
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

O Canal Rural, do sistema RBS do Rio Grande do Sul, divulgou esta semana que os produtores de soja já estão ameaçando processar o governo federal caso algum carregamento do grão seja recusado no exterior por conter organismos geneticamente modificados.

Segundo a matéria, “Agricultores afirmam ter sido condicionados a cultivar o grão modificado mediante a garantia do governo de que iria liberar o cultivo de OGMs no País. Seria uma questão de tempo, já que a Justiça estava prestes a decidir pelo plantio do grão transgênico. Mas a decisão final ainda não foi tomada, e o projeto regulamentado os organismos modificados no país deve demorar a ser aprovado no Congresso Nacional. Por isso, dirigentes do setor falam em processar o governo por eventuais prejuízos.”

A matéria diz ainda que, segundo o assessor da Federação de Agricultura do Paraná, Carlos Augusto Albuquerque, “o custo dos embarques aumentou por que os países compradores exigem a classificação do material. Mas a participação da soja brasileira no mercado internacional pulou de 23% para 30% nos últimos anos. Esse crescimento é atribuído à soja convencional, uma vez que alguns países decidiram recusar os transgênicos, e os Estados Unidos e a Argentina - principais concorrentes do Brasil - plantam transgênicos.”

A idéia de processar o Governo Federal pelos prejuízos decorrentes do cultivo ilegal de soja transgênica no País faz total sentido.

De fato, o Governo sinalizou diversas vezes aos agricultores a brevíssima liberação de transgênicos no País. Todos se lembram, por exemplo, das declarações de Pratini de Morais, Ministro da Agricultura, em julho do ano passado dizendo que "a autorização para liberação da produção e da comercialização de sementes de soja transgênica no país ocorrerá na próxima segunda-feira (30/07/01)", o que motivou duas manifestação da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” em frente ao Ministério, chamando a atenção para o fato de que o Ministro não tinha poderes para efetuar esta liberação.

Nossas manifestações foram seguidas de declarações de outras entidades e órgãos, como a AJUFE (Associação dos Juízes Federais) e o TRF (Tribunal Regional Federal), alertando o Ministro para o fato de que ele teria que cumprir sanções penais se liberasse a soja transgênica desrespeitando uma decisão judicial (que continua em vigor).

Muitos também devem se lembrar de declarações de Leila Oda em novembro de 2000, então presidente da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia), dizendo aos jornais que “o plantio e a comercialização de transgênicos no Brasil estão liberados”.

Declarações deste tipo, absolutamente irresponsáveis, sem dúvida encorajaram muitos agricultores a arriscar o cultivo ilegal da soja transgênica.

Como se isto não bastasse, o Governo fez questão de não controlar as fronteiras para impedir (ou ao menos inibir) o contrabando de sementes transgênicas provenientes da Argentina.

O resultado disto é que agora a situação no estado do Rio Grande do Sul -- que foi o que teve maior acesso às sementes contrabandeadas da Argentina -- está realmente alarmante. Embora não haja dados oficiais quanto ao tamanho da área cultivada com a soja ilegal, sabe-se que ela é grande e que o número de agricultores que entraram nesta furada (ainda que experimentando uma pequena parcela de sua propriedade) é também elevado.

É quase certo que, com uma alta taxa de contaminação, a soja gaúcha exportada para a Europa começará a ser rejeitada.

Mais grave que isso, se algum mecanismo jurídico conseguir fazer com que a lei seja cumprida, toda esta soja deverá ser incinerada, o que representará uma catástrofe para milhares de agricultores, além das indústrias moageiras e das exportadoras.

Fica evidente que é mais do que justo o Governo ser responsabilizado. Terá que pagar pela sua arrogância, que possibilitou que o problema chegasse a este ponto.

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Neste número:

1. Europeus esconderam estudos que mostram que transgênicos custarão mais
2. EUA vão reduzir embarques de grão
3. Negado pedido de suspensão de inquérito que investiga plantio de soja transgênica
4. Venezuela exige proibição dos transgênicos
5. Cientista israelense cria 'galinha careca'
6. Criada a Comissão Indígena de Propriedade Intelectual
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Arroz orgânico em Santa Catarina: qualidade de vida para agricultores e consumidores
Declaração do Seminário de Biodiversidade e Transgênicos, realizado na Bahia

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1. Europeus esconderam estudos que mostram que transgênicos custarão mais
Os agricultores terão que enfrentar custos de produção mais altos e, em certos casos, insustentáveis, caso as plantações transgênicas sejam usadas comercialmente na Europa, de acordo com uma investigação secreta da União Européia, que foi "vazada" quinta-feira pelo Greenpeace e divulgada ontem pelo ENS (Serviço de Notícias Ambientais).
O estudo intitulado "Coexistência na Agricultura Européia" prevê que a situação se tornará insustentável para muitos agricultores pois em diversos casos não é possível que uma região produza plantações naturais junto com transgênicas, já que as sementes transgênicas contaminariam as plantações não-transgênicas em níveis diversos.
Segundo o estudo da União Européia o uso de plantações transgênicas elevaria o custo da produção de batata, colza e milho em até 41% (ao contrário do que afirmam todos os "estudos" da Monsanto). Esse aumento brutal nos custos de produção elevariam os preços ao consumidor.
O estudo vinha sendo desenvolvido pelo Instituto de Estudos para Prospecção Tecnológica do Centro de Pesquisa Conjunta da União Européia por requisição direta da Comissão Européia e foi entregue em janeiro deste ano, mas por razões ainda não esclarecidas, foi escondido por quatro meses. Somente na última quinta-feira foi "vazado" para o Greenpeace Internacional que o distribuiu para a imprensa.
Dentro do relatório estava a explicação: havia uma carta do Diretor Geral do Centro de Pesquisas da Comunidade Européia, Barry McSweeney, afirmando: "sendo este um assunto sensível eu sugiro, enfaticamente, que este relatório seja mantido somente para uso interno da Comissão".
Relatório Alfa - Notas & Notícias, 22/05/02.
Para ler um resumo do documento, acesse o site http://www.greenpeace.org/~geneng/highlights/gmo/may16coexist_report.htm

2. EUA vão reduzir embarques de grão
Os EUA terão na safra 2002/03 sua menor exportação de soja em três anos, por conta de queda na produção e crescente concorrência do Brasil e da Argentina. É o que informa o Departamento da Agricultura dos EUA (USDA). Ao mesmo tempo, o governo brasileiro examina e se queixa contra subsídios dados aos produtores americanos de soja, que afetariam as vendas brasileiras em terceiros mercados.
“Nossas exportações de soja estão aumentando”, diz um representante brasileiro, para sublinhar a complexidade de uma disputa com os EUA na Organização Mundial de Comércio (OMC). No lado oposto, outro membro do governo diz que o caso contra a soja norte-americana “é cristalino” como exemplo de violação dos acordos da OMC. (...)
Quanto aos estoques, o USDA prevê que ficarão em sete milhões de toneladas. Analistas informam que a existência de estoques elevados agrícolas são indicação clara de superprodução gerada por altos subsídios. Por outro lado, a maior parte da soja norte-americana é produzida com semente geneticamente modificada, o que tem menor aceitação em mercados como o da União Européia. (...)
Gazeta Mercantil, 17/05/02.

3. Negado pedido de suspensão de inquérito que investiga plantio de soja transgênica
O desembargador federal Élcio Pinheiro de Castro, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a. Região, negou o pedido de suspensão do inquérito policial que investiga o plantio de soja transgênica na Fazenda Guabiju, em Jóia (RS). O magistrado determinou que o dono da propriedade, Roberto Mascarenhas de Souza, não seja indiciado até o julgamento do mérito da questão.
A Procuradoria da República no município de Santo Ângelo (RS) requisitou a abertura de inquérito policial depois da denúncia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sobre a plantação ilegal na Guabiju. Os advogados do produtor ingressaram com pedido de habeas corpus no TRF para suspender a investigação, alegando não haver legislação que regule expressamente o assunto.
O desembargador considerou precipitado suspender o inquérito. Lembrou ainda que a própria defesa de Souza não negou o plantio de soja transgênica no local.
Zero Hora, 18/05/02.

4. Venezuela exige proibição dos transgênicos
No dia 10/05/02, durante um Fórum para discutir o regulamento parcial da lei de diversidade biológica sobre o registro, controle e fiscalização de organismos geneticamente modificados, derivados e produtos que o contenham, a Rede de Ação em Alternativas aos Agrotóxicos da Venezuela (RAPAL-VE, na sigla em espanhol), entregou à Dra. Ana Elisa Osório, Ministra do Meio Ambiente, uma proposta de resolução ministerial para proibir todas as atividades com transgênicos. (...)
A professora Lorna Haynes, coordenadora nacional da RAPAL-VE, explica que, na ausência de uma infra-estrutura e meios de fiscalização, é imprescindível que os importadores atestem que os produtos que vendem não são transgênicos; para tanto, terão que demandar a certificação dos países que exportam para a Venezuela.
“Existem pesquisadores que estão trabalhando com transgênicos em seus laboratórios sem nenhuma supervisão, nem normas estritas de biossegurança (...)”, afirmou a professora Lorna Haynes. “Além disso, temos evidências de que as empresas multinacionais estão desenvolvendo atividades ilegais e clandestinas com transgênicos sem controle algum. A Venezuela é o segundo maior importador de milho dos EUA, onde aproximadamente 40% do milho é transgênico, e não existe segregação, o que significa que a Venezuela está importando milho transgênico”, acrescenta. (...)
Ecoportal.net, 16/05/02.

5. Cientista israelense cria 'galinha careca'
Cientistas em Israel provocaram controvérsia ao criar uma galinha sem penas que, segundo eles, cresce mais rápido - e pode ser mais humana.
Os frangos, criados na Universidade Hebraica de Israel, não precisam ser depenados, economizando dinheiro nas granjas.
O professor Avigdor Cahaner, responsável pelo "frango careca", afirma que eles não se adaptariam bem em países mais frios mas, em compensação, estariam bem melhor em países quentes. No entanto, os críticos acham que as mudanças não beneficiam os frangos e, provavelmente, tornam suas vidas muito pior.
O professor Avigdor Cahaner, que liderou o projeto, disse à BBC: "Esta não é uma galinha geneticamente modificada - se trata de um cruzamento natural entre raças -, cujas características são conhecidas há 50 anos". (...)
"É um frango normal, a não ser pelo fato de que não tem penas", disse ele. (...)
As galinhas sem penas tendem a ter menos gordura e, provavelmente, a crescer mais rápido, o que melhoraria a qualidade da carne e ajudaria os produtores a economizar dinheiro. (...)
Grupos de defesa dos animais alertam que as penas são importantes para ajudar as galinhas a se proteger de parasitas, e que elas provavelmente vão ser "queimadas" pelo sol.
Além disso, os frangos macho podem não conseguir se reproduzir.
Para ver em vídeo a reportagem sobre as galinhas sem penas:
http://news.bbc.co.uk/media/video/37941000/rm/_37941000_chicken13_nelson_vi.ram
GMT, 21/05/02.

6. Criada a Comissão Indígena de Propriedade Intelectual
Com o objetivo de promover a articulação dos povos indígenas brasileiros para a discussão da temática da propriedade intelectual e da proteção dos conhecimentos tradicionais, foi criada a Comissão Indígena de Propriedade Intelectual.
Sua estratégia de funcionamento será montar um cronograma para a participação em eventos e cursos de formação, com o objetivo de qualificar profissionais indígenas sobre a matéria; estabelecer parcerias com universidades, órgãos governamentais nacionais e internacionais e entidades indígenas para o desenvolvimento de mecanismos de defesa e proteção dos conhecimentos tradicionais; e criar um espaço permanente que sirva de referência às comunidades em suas demandas concernentes à proteção do Patrimônio Cultural das Coletividades Indígenas.
Perequê Vieira, Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, 22/05/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Arroz orgânico em Santa Catarina: qualidade de vida para agricultores e consumidores
Com aproximadamente 300 ha cultivados, consolida-se um novo núcleo de produtores de arroz orgânico em alguns dos principais municípios orizícolas do sul de Santa Catarina. O grupo conta com 28 agricultores que apostam na agricultura orgânica.
O trabalho é desenvolvido através de uma parceria entre agricultores, a Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense (Coopersulca) e a Indústria de Beneficiamento de Arroz Fortaleza de Topanote.
Os agricultores envolvidos no projeto estão motivados pelo retorno financeiro garantido pela indústria e pela crença nos benefícios que a agricultura orgânica pode lhes trazer. Estes benefícios dizem respeito à qualidade do solo e da água, que são  fatores fundamentais para o cultivo do arroz, e o não uso de agrotóxicos.
Os números atuais de intoxicações, doenças e contaminações ambientais causadas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos em Santa Catarina são alarmantes. Registram-se anualmente quinhentos novos casos de intoxicação. No último ano foram quinze mortes.
As produtividades alcançadas nesses três anos de trabalho são muito boas. As lavouras orgânicas produziram em média 6.000 kg/ha, enquanto a média regional para o cultivo convencional é de 7.500 kg/ha.
Para obter estes resultados conta-se com a rizipiscicultura, consórcio de arroz e criação de peixes, uma das práticas de cultivo orgânico de arroz mais eficientes e utilizadas, onde os peixes fazem todo o trabalho de preparo do solo, fertilização e controle de pragas e plantas invasoras.
Esta experiência mostra que o investimento em técnicas alternativas traz bons resultados e aponta para a necessidade de sensibilização dos consumidores para a proposta.
Adaptado de: Bressan, Guilherme N. Arroz orgânico em Santa Catarina: garantia de qualidade de vida para produtores, consumidores e indústrias. Agroecologia Hoje, Agroecológica eventos & publicações, out./nov., 2001, ano II, n. 11, p.11-12.

Declaração do Seminário de Biodiversidade e Transgênicos, realizado na Bahia
Os transgênicos e a fome no mundo
As organizações presentes em Salvador, durante o Seminário de Biodiversidade e Transgênicos, realizado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia-CREA, com apoio da Campanha “Por um Brasil Livre  de Transgênicos”, considerando que:
1. O plantio de lavouras transgênicas, bioinseticidas ou resistentes a herbicidas, acarretará danos irreversíveis não apenas ao meio ambiente, mas à própria espécie humana, ameaçando à soberania do povo brasileiro.
2. A introdução ilegal dos organismos geneticamente modificados na agricultura e na dieta da família brasileira, que conta com a omissão do Governo, pode trazer prejuízos a saúde pública e perdas econômicas significativas aos agricultores brasileiros, dificultando as exportações agrícolas e projetando um cenário de insolvência a esse setor, em especial no Sul do Brasil, facilitando o monopólio das multinacionais.
3. As legislações em tramitação no Congresso Nacional, que dispõe sobre a liberação dos alimentos transgênicos, caso aprovadas de acordo com os interesses das empresas multinacionais, envolverão violações dos direitos da cidadania e dos direitos do consumidor.
Recomendam:
- que, em vista das notícias veiculadas pela imprensa sobre a expansão das lavouras transgênicas ilegais, o governo passe a fiscalizar e penalizar de acordo com o rigor da lei e aloque recursos suficientes para que os Ministérios da Agricultura, da Saúde e Meio Ambiente, possam cumprir com as suas obrigações.
- que se coloque em prática o “Princípio da Precaução”, garantido na Constituição Federal, conforme preconizado pela SBPC-Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a convenção de biodiversidade.
- que se reestruture, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança-CTNBio, adotando critérios de paridade em seus Conselhos - sociedade civil e governo -, para que seus processos deliberativos sejam transparentes, democráticos e abertos para a sociedade.
- que os parlamentares federais, estaduais e municipais, se empenhem no sentido de aprovar legislações que preservem os direitos do consumidor, do agricultor familiar e das comunidades tradicionais, diante da flexibilização imposta pelos tratados internacionais, tais como os de Direitos de Propriedade Intelectual, à legislação nacional;
- que seja aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, Minorias e Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, o Relatório Final do deputado federal Ronaldo Vasconcellos, da Comissão de Fiscalização que denuncia a omissão do governo em fiscalizar e controlar os campos experimentais.
- que os deputados federais rejeitem o substitutivo do deputado Confúcio Moura, que advoga a liberação do plantio para fins comerciais dos organizamos geneticamente modificados no país;
- que o Poder Executivo ratifique o Protocolo de Biossegurança.

Por fim, alerta as autoridades executivas e legislativas, em todos os níveis, que a sociedade civil está organizada e atenta na defesa da cidadania, da soberania, do meio ambiente e da saúde pública.
Salvador, 8 e 9 maio de 2002.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#313 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 10 de Mai de 2002 9:43 pm
Assunto: BOLETIM 112 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s

A Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em seu gabinete em Brasília na última quarta-feira, 08/05/02.

O objetivo do encontro foi cobrar do Governo Federal a adoção de medidas para impedir o contrabando e o cultivo ilegal de transgênicos e de fiscalização de produtos importados e nacionais que contenham organismos geneticamente modificados, em obediência à decisão judicial que proíbe o cultivo e a comercialização de transgênicos no Brasil.

A Campanha também solicitou uma postura imparcial do Governo nas questões que envolvem a regulamentação e o processo de liberação dos transgênicos no País e a atenção para os impactos à saúde (hoje ignorados), ao meio ambiente e à agricultura (muitos já comprovados) e à economia (freqüentemente citados pela imprensa).

Entre as críticas apresentadas pela Campanha ao ministro estava a pressão que o Governo vem fazendo sobre o Ministério do Meio Ambiente para silenciar sua posição sobre a necessidade da exigência de avaliação de impacto ambiental para os transgênicos (ver, por exemplo, Boletim 99), além das várias irregularidades cometidas pelo Governo e denunciadas no relatório da Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), instalada pela Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados (ver Boletim 106).

O Governo também foi criticado por impedir, através de uma enorme manobra, a votação no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) da minuta sobre os critérios e procedimentos para o licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos que envolvam transgênicos, no dia 21/03/02 (ver Boletim 106), e pela edição do decreto sobre a rotulagem de alimentos produzidos a partir de ingredientes geneticamente modificados, em julho de 2001, em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor, privando a população brasileira do direito à informação (ver Boletim 74).

O ministro disse desconhecer as denúncias, afirmou que o Governo não tem, em princípio, uma posição definida em favor dos transgênicos (o que é desmentido por toda a prática citada acima) e que irá analisar as reivindicações. Comprometeu-se a procurar o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal, para cobrar ações de fiscalização sobre o contrabando de sementes e sobre os cultivos ilegais, e também o Ministério da Saúde, para cobrar a realização das avaliações de riscos do consumo de transgênicos para a saúde humana, conforme determinação judicial.

Nós da Campanha também procuraremos conversar com os Ministérios da Agricultura e da Saúde, para fazermos as mesmas cobranças. E continuaremos a cobrar o cumprimento da lei e a denunciar as irregularidades e os atropelos do governo.

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Neste número:

1. Perdigão faz acordo com Ministério Público
2. PT tenta proibir transgênicos no DF e criar selo de produtos sem mudança genética
3. Soja convencional ganha mercado
4. Comida transgênica representa preços mais altos para o consumidor
5. Testes com transgênicos são falhos
6. Relatório da FAO mostra que o Brasil é o 3º maior consumidor de agrotóxicos do
mundo
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Lagoas artificiais enriquecem agricultura do semi-árido boliviano
Evento:
Seminário "O PAPEL DAS ONGs NAS POLÍTICAS PÚBLICAS”
Leitura fundamental: Futuro Roubado” e “O plástico nosso de cada dia - seus ascendentes, descendentes e correlatos

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1. Perdigão faz acordo com Ministério Público
O Ministério Público (MP) de Santa Catarina firmou com a Perdigão um "termo de ajustamento de conduta" após ter encontrado traços de soja geneticamente modificada em 10 toneladas de produto depositado em um dos silos da empresa em Guarujá do Sul (SC). Pelo termo, assinado no dia 22 de abril por iniciativa do promotor de Justiça de São José do Cedro, Fernando da Silva Comin, a Perdigão assume que "não manterá em depósito, manipulará, transportará ou comercializará" soja com a proteína CP4 EPSPS, que a qualifica como geneticamente modificada.
A Perdigão também se comprometeu a elaborar, em 30 dias, um cadastro com identificação e descrição dos fornecedores rurais, com especificação de volumes entregues. Deverá ainda realizar testes preliminares de detecção da proteína CP4 EPSPS a cada três cargas recebidas pelo produtor (ou cada carga superior a 10 toneladas).
Até a descoberta do lote contaminado, a empresa exigia de seus fornecedores de soja uma declaração na nota fiscal de que o produto era livre de transgênicos. A Perdigão informou que o fornecedor do lote contaminado vai destruir o produto.
Pelo termo, em caso de presença de transgênico, a empresa não poderá receber a carga e terá de notificar o ministério e a prefeitura. Havendo reincidência, o produtor será excluído da lista de fornecedores. Caso não cumpra o acordo, a Perdigão será multada em R$ 5 mil por dia.
O "termo de ajustamento de conduta" foi o instrumento encontrado pelo MP de Santa Catarina para resolver mais rapidamente casos de ocorrência de transgênicos. Em 2001, foram assinados termos com Nestlé e Josapar, entre outras.
Valor Econômico, 07/05/02.

2. PT tenta proibir transgênicos no DF e criar selo de produtos sem mudança genética
O Distrito Federal poderá proibir por cinco anos o plantio e a comercialização de transgênicos, ao mesmo tempo que concede certificado de alimentos sem organismos geneticamente modificados para efeito de exportação agrícola. Projetos neste sentido começaram a tramitar ontem (06/05) na Câmara Legislativa do Distrito Federal, apresentados pelo líder do Partido dos Trabalhadores, Chico Floresta.
Um dos projetos de lei proíbe durante cinco anos o plantio e o comércio de plantas a partir de sementes de organismos geneticamente modificados, "para dar tempo às pesquisas sobre os efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente", de acordo com Floresta, ex-secretário do meio ambiente no Governo Cristóvam Buarque. "Temos pesquisas na Europa mostrando alguns efeitos maléficos, o que justifica a cautela", afirma.
O outro projeto de lei institui o Certificado de Produto Geneticamente Autêntico (GPGA), para fins de comercialização e exportação de produtos agrícolas, alimentares e derivados, a ser concedido pela Secretaria de Agricultura do DF. (...)
Via Ecológica,07/05/02.

3. Soja convencional ganha mercado
Para a UFRJ, a oferta de produtos não-transgênicos ajuda as exportações brasileiras. A não produção de transgênicos ajudou o Brasil a aumentar as exportações de soja, segundo pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No período de 1995 -- início da produção comercial mundial do grão geneticamente modificado -- até 1999, as exportações do grão brasileiro cresceram em volume o equivalente à perda de mercado externo dos Estados Unidos e da Argentina, principais concorrentes, ou seja, 4 milhões de toneladas.
Com a introdução ilegal do plantio no Brasil, estimado* em até 15% da área da safra em todo País pela Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem), porém, há uma tendência de perda de mercado e procura por opções mais seguras como, por exemplo, a soja do cerrado.
Nos últimos três anos, as exportações do complexo soja cresceram muito mais no Centro-Oeste do que no Sul. Segundo o Ministério da Agricultura, entre 1999 e 2001 houve variação de 85% nas vendas externas da soja do Centro-Oeste, para 8,7 milhões de toneladas, em relação a um crescimento de 15% no Sul, que vendeu 14 milhões de toneladas.
A pesquisadora Rafaela Guerrante, da UFRJ, disse que a situação do Brasil parecia favorável à produção de culturas convencionais, pois quando os importadores não pagavam adicional, compravam em maior volume. "Mas já não são tão evidentes as vantagens econômicas para o Brasil se manter produtor de sementes não alteradas geneticamente."
Segundo ela, isso se deve ao fato de ter entrado o grão transgênico ilegalmente no País, o que provoca aumento de custos para a segregação. (...)
Gazeta Mercantil, 07/05/02.
N.E.: Não há dados oficiais sobre a área plantada com soja transgênica no País. A atividade é ilegal e há estimativas bastante divergentes sobre este número.

4. Comida transgênica representa preços mais altos para o consumidor
Segundo Glenn Ashton, ativista da campanha contra transgênicos na África do Sul, os produtos geneticamente modificados contribuem com a tendência inflacionária no custo dos alimentos.
A questão foi levantada na terceira Conferência Anual de Segurança em Alimentos e Bebidas, em Rosebank, Joanesburgo, realizada na última semana sob o patrocínio do Instituto de Pesquisa Internacional. Também foram levantadas preocupações com relação à falta de consulta sobre a introdução dos cultivos e alimentos transgênicos na África do Sul. (...)
Ashton disse que foi estimado um aumento de 0,5% a 5% nos custos dos alimentos devido à segregação entre cultivos transgênicos e não-transgênicos, introduzindo uma desnecessária e desagradável tendência inflacionária. Ele disse que nenhum agricultor ou processador de alimentos aceitará com boa vontade arcar com os custos da segregação e que, no fim, este custo será repassado para os consumidores.
Muitos dos conferencistas disseram que os tipos atuais de cultivos transgênicos não oferecem qualquer vantagem para os consumidores. (...)
Recentemente as empresas de seguros das indústrias australianas e britânicas declararam que alimentos e cultivos transgênicos, assim como os acidentes nucleares e acidentes de guerra, não são asseguráveis.
“Parece absurdo o fato de que aqueles que mais se beneficiam destes cultivos -- as corporações multinacionais que estão os introduzindo na cadeia alimentar -- não assumem a responsabilidade pelos riscos. Por outro lado, espera-se que a indústria de alimentos e bebidas e os consumidores assumam não apenas os custos de segregação, como também os significativos riscos introduzidos por estas pouco testadas tecnologias”, disse Ashton.
Ashton citou vários estudos sobre alimentação animal que relacionam problemas no sistema digestivo e outras sérias doenças com a utilização de produtos transgênicos. Estes estudos alertaram para os problemas colocados pela introdução do milho branco transgênico no mercado este ano no país.
“É realmente irônico que nosso governo levante questões científicas e econômicas acerca do debate sobre a AIDS e os interesses das indústrias farmacêuticas por um lado e, por outro lado, permita que a grande maioria pobre e desinformada da nossa nação seja involuntariamente envolvida em um inédito experimento alimentar de corporações multinacionais”. (...)
Mail & Guardian, via Africa News, 03/05/02.

5. Testes com transgênicos são falhos
Descobriu-se que testes de segurança com o milho transgênico atualmente conduzidos na Inglaterra apresentam falhas.
O milho transgênico T-25 foi testado em galinhas em experimentos laboratoriais. Durante os testes, o dobro das galinhas alimentadas com o milho transgênico T-25 morreram, em comparação com as que se alimentaram do milho convencional.
Esta pesquisa foi supervisionada quando o cultivo foi aprovado em 1996 pelo Comitê Consultivo para Liberação no Ambiente (Acre, na sigla em inglês). (...)
Mas, após a investigação feita pela Rádio BBC no programa “4´s Farming Today”, o presidente da Acre, Lord Alan Gray, admitiu que a pesquisa deveria ser re-analisada e que os testes de segurança não eram bons o suficiente para dar uma verdadeira idéia dos riscos envolvidos. (...)
O milho transgênico T-25 está sendo plantado em experimentos de campo por toda a Inglaterra e o governo tem a intenção de usá-lo em ração bovina.
O Dr. Stephen Keston, pesquisador sênior do departamento de ciência veterinária da Escola Veterinária de Bistol, estudou os testes iniciais.
“Surpreende-me o fato de termos ido tão longe no processo de licenciamento de um cultivo transgênico baseados numa ciência tão pouco consistente”, disse ele.  (...)
Peter Ainsworth, sub-secretário de estado do Departamento Ambiental (Defra, na sigla em inglês), está pedindo por uma revisão completa de todo o processo de liberação para os cultivos transgênicos.
Em janeiro, o governo anunciou mais 44 locais do país que serão usados para testes agrícolas com canola e beterraba transgênica. (...)
BBC, 27/04/02.

6. Relatório da FAO mostra que o Brasil é o 3º maior consumidor de agrotóxicos do mundo
Recente relatório da FAO classifica o Brasil como o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com o emprego anual de 1,5 kg de ingrediente ativo por hectare cultivado. Isso em média global, considerando todo o universo agrícola nacional. Em determinados tipos de lavoura, o consumo é extremamente alarmante (na cultura do tomate, a média é de 40 kg/ha a cada safra). E, não por acaso, em matéria de mortalidade por câncer, o Brasil é o terceiro no ranking mundial.
Mas o câncer não é a única doença grave causada por pesticida, conquanto seja a mais aterrorizante. Na longa esteira de suas terríveis conseqüências, incluem-se a cirrose hepática, a impotência sexual, fibrose pulmonar, distúrbios do sistema nervoso central (implicando depressão, loucura e/ou paralisia facial) e muitas outras doenças de natureza toxicológica, a que estão mais sujeitos, não só os que lidam diretamente com agrotóxicos no campo, mas, sim, os consumidores. (...)
Por mais paradoxal que possa parecer, esse exagerado investimento em agrotóxicos, crescente a cada ano, não correspondeu, em nosso país, a uma redução significativa das perdas agrícolas, devido a pragas e doenças. Ao contrário, os resultados foram contraproducentes, em função da intensidade dos desequilíbrios biológicos causados pelo coquetel de pesticidas, culminando com o extermínio dos inimigos naturais dos agentes de pragas e fitomoléstias.
Em correspondência com a assertiva acima exposta, tal investimento foi, em linhas gerais, economicamente frustrante. Com efeito, no período de dez anos (1976/85), cresceu em 500% o consumo de agrotóxicos no Brasil, enquanto, no mesmo período, registrava-se um aumento de produtividade de 5% apenas, ganho que, além de irrisório, não pode ser creditado exclusivamente a pesticidas. A enorme discrepância entre tais números sinaliza o malogro de tão pesado investimento em agrotóxicos. Não obstante, por força de uma campanha tenaz e massificante, indo da persistente propaganda na mídia à corrupção de pesquisadores e técnicos, o faturamento das multinacionais dos agroquímicos continua em alta.
Conscientes da gravidade do problema, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará instituíram, desde 1979, uma linha de pesquisa que objetiva a descoberta de defensivos naturais, a partir de extratos e derivados vegetais. Foram obtidos excelentes resultados com a manipueira (extrato líquido ou sumo das raízes de mandioca), um resíduo industrial abundante e gratuito em todas as regiões onde se cultiva essa planta. (...)
A equipe da Universidade criou uma campanha contra os agrotóxicos e está organizando, através da Academia Cearense de Ciências (Aceci), o Congresso Brasileiro de Defensivos Agrícolas Naturais (já agora em segunda edição), que será realizado em Fortaleza, de 23 a 27 de setembro de 2002.
O Povo, Fortaleza,0 4/05/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Lagoas artificiais enriquecem agricultura do semi-árido boliviano
Em uma comunidade em Oloy, perto de Cochabamba, na Bolívia, região localizada no semi-árido a uma altitude de 2.100 m, desenvolveu-se uma alternativa para a captação de água, que representava uma das maiores dificuldades para a agricultura local.
A solução foi a criação de lagoas artificiais nas propriedades de agricultura familiar, que proporcionaram um processo acelerado de mudança na vida dos agricultores.
Com a ajuda das lagoas, os agricultores da região, que anteriormente só produziam milho, melhoraram seu sistema agrícola desenvolvendo novas estratégias para produzir hortaliças, grãos, árvores frutíferas e criarem animais.
A água para encher as lagoas é proveniente do escoamento de áreas mais altas durante a temporada de chuva.
Devido à ausência de água constante de outras fontes permanentes, as lagoas rapidamente se convertem em fonte de água para uso doméstico e para o consumo de animais, além de proporcionarem irrigação dos cultivos na época da seca.
Em geral, os rendimentos da agricultura com lagoas artificiais na região são quatro vezes mais altos que os níveis normais da produção na seca e cada vez é maior a contribuição que este tipo de agricultura vem trazendo a segurança alimentar local.
Os agricultores perceberam, no entanto, que somente a introdução das lagoas artificiais não solucionou seus problemas, pois o sistema de manejo convencional continuou proporcionando o encarecimento de sua produção devido a gastos com insumos agrícolas, esgotamento do solo e o incremento da população de pragas nas lavouras. Assim, eles viram a necessidade de buscar alternativas para a agricultura e começaram a experimentar o que chamam de agricultura integrada, onde buscam diversificar seu sistema de cultivo e integrá-la à criação animal.
Ao diversificarem nas seus sistemas, os agricultores da região alcançaram uma maior segurança econômica, combinando os objetivos do mercado com o auto-abastecimento e baixaram para 1/3 os gastos que tinham anteriormente com a agricultura.
Michael Verweij. Hacia uma agricultura sostenible com lagunas artificiales. Boletín ILEIA, Fundación ILEIA, dezembro de 2001 vol.17 nº3, p.26-28.

Evento:
O Observatório de Políticas Ambientais (OPA) do Estado do Rio de Janeiro convida você para o seminário "O PAPEL DAS ONGs NAS POLÍTICAS PÚBLICAS”, uma análise da importância do acompanhamento das políticas públicas pelas ONGs, com vistas à construção de uma Agenda Positiva do Meio Ambiente.
O evento será realizado no dia 14/05/02, às 18:00 horas, no ISER - Ladeira da Glória 98 - Glória - Rio de Janeiro.
Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2556-5004.
Na ocasião, será servido um coquetel de lançamento do site do OPA, que estará aberto a novas filiações.

Leitura fundamental
A editora gaúcha L&PM Editores acaba de lançar a segunda edição do livro “Futuro Roubado”, de Theo Colborn (editado pela primeira vez em 1997). Este livro apresenta dados impressionantes sobre princípios ativos e moléculas, presentes sobretudo em plásticos e agrotóxicos, que têm a característica de imitar hormônios femininos, alterar o aparelho reprodutor masculino e causar interferências no organismo das fêmeas.
A obra pode ser adquirida na Cooperativa Coolméia, pelo valor de R$ 35,00, com o Sr. Rafael, pelo telefone (51) 3286-3304.
 
Rejane Ludwig (engenheira química e ambientalista) e Luiz Jacques Luderitz Saldanha (engenheiro agrônomo) também publicaram um livreto onde procuram decodificar algumas das informações contidas no livro “Futuro Roubado”.
Ele se chama "O plástico nosso de cada dia - seus ascendentes, descendentes e correlatos", e é vendido por R$ 20,00. Quem compra o livreto recebe, gratuitamente, uma cópia condensada do programa “O Futuro Roubado”, feito pela BBC de Londres (baseado no livro de Colborn), que se chama "Agressão ao homem".
Quem quiser também leva, por mais R$ 5,00, uma sacola de pano de algodão rústico, como estímulo para abandonar o saco plástico do supermercado quando faz suas compras.
Para adquirir estes materiais, você pode fazer contato com Luiz Jacques, através do e-mail: <jacques@...>
 
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#314 De: luizmeira@...
Data: Ter, 18 de Jun de 2002 2:33 pm
Assunto: guia do consumidor - greenpeace
luizmeira@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
> Olá para todos,
> recebemos este e-mail do greenpeace sobre uma vitória sobre a utilização dos
> trangênicos em produtos alimentícios.
> Entre na página e faça um download do guia do consumidor com os produtos que
> contém trangênicos
> um abraço
> pat
>
>
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> UNILEVER E NISSIN DECIDEM NÃO UTILIZAR MAIS TRANSGÊNICOS NO BRASIL
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>
> Graças à sua ajuda, o Greenpeace conseguiu uma vitória importante contra a
> liberação de alimentos transgênicos no país. No início de maio, duas grandes
> indústrias de alimentos que foram denunciadas pelo Greenpeace por
> comercializarem produtos contaminados com transgênicos, a Nissin (com o
> produto Cup Noodles) e a Unilever (proprietária da marca Knorr), garantiram
> que não vão mais utilizar esta matéria-prima em seus produtos. Esta vitória
> é o resultado da pressão que estas empresas receberam de pessoas como você
> através de cyberactions e outras atividades desde que o Greenpeace realizou
> os primeiros testes de produtos, há dois anos atrás.
>
> As atitudes dos consumidores têm um efeito forte e decisivo sobre as
> estratégias e posicionamentos que as empresas tomam. Partindo deste
> princípio, estamos lançando nesta semana o “Guia do Consumidor” com uma
> lista de produtos com ou sem transgênicos. Este guia é parte do trabalho que
> o Greenpeace vem realizando no sentido de pressionar as indústrias de
> alimento para que elas deixem de utilizar transgênicos em seus produtos. O
> objetivo principal é de evitar riscos desnecessários ao meio ambiente e à
> saúde humana, já que não existem estudos conclusivos sobre os efeitos da
> liberação de transgênicos para as pessoas e a natureza.
>
> O guia do consumidor é uma publicação inédita no Brasil, mas já foi lançado
> pelo Greenpeace em diversos países com muito sucesso. Ele é um instrumento
> para que você possa atuar diretamente nesta campanha e possa exercer seus
> direitos de consumidor e cidadão.
>
> A introdução do guia contém informações sobre alimentos transgênicos e o
> porquê de evitá-los. O guia divide os produtos vendidos no país em duas
> listas: a verde, dos produtos livres de transgênicos e a vermelha, dos
> produtos contaminados por transgênicos ou dos quais as empresas fabricantes
> não deram garantias quanto a não-utilização desta matéria-prima.
>
> Além de procurar evitar os produtos da lista vermelha, você pode colaborar
> divulgando o guia para amigos, parentes, vizinhos e colegas. Quanto mais
> pessoas conhecerem e utilizarem este guia, maior a pressão nas industrias
> alimentícias para mudarem sua política com relação aos transgênicos no país.
> Em tempo: organismos geneticamente modificados são proibidos no Brasil,
> logo, a comercialização destes produtos também é ilegal.
>
> Você pode baixar o guia agora mesmo em nosso site. Além disso, ele estará
> sendo distribuído gratuitamente nas lojas do Greenpeace, em São Paulo e
> Salvador, e junto ao Grupo Local de Porto Alegre. Durante a semana do meio
> ambiente estaremos distribuindo este Guia em diversas cidades do país: São
> Paulo, Porto Alegre, Manaus, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio
> de Janeiro e Santos. Depois desta semana, iremos estender esta atividade
> para outras cidades também.
>
> ------------------------------------------------------------------------
> O QUE VOCÊ PODE FAZER
> ------------------------------------------------------------------------
> 1. Entre em nossa página e baixe a versão digital do Guia:
> http://www.greenpeace.org.br/guia
>
> 2. Entenda melhor o que são transgênicos e porque você deve evitá-los em:
> http://www.greenpeace.org.br/transgenicos
>
> 3. Veja os endereços e locais onde estaremos divulgando o Guia:
> http://www.greenpeace.org.br
>
> 4. Envie esta mensagem para seus amigos e ajude a divulgar estas
> informações.
>
> 5. Filie-se ao Greenpeace
> Você pode imaginar a extinção de toda uma espécie, como a borboleta monarca?
> E de muitos outros animais e vegetais, alguns essenciais a todos nós, como
> variedades inteiras de milho? A perda da biodiversidade é uma conseqüência
> grave e irreversível do uso de transgênicos.
> Junte-se ao Greenpeace em nosso trabalho de preservação da vida no planeta!
> http://www.greenpeace.org.br/filie-se
>
> ------------------------------------------------------------------
> MANTENHA-SE INFORMADO ACESSANDO SEMPRE:
> http://www.greenpeace.org.br
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#315 De: luizmeira@...
Data: Ter, 18 de Jun de 2002 3:36 pm
Assunto: comida permitida somente para animais distribuida a pobres
luizmeira@...
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Segunda-Feira, 10 de Junho, 10:32 PM

Países pobres sofrem com debate sobre comida transgênica doada

(O milho doado pelos EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK, variedade
aprovada pelo governo norte-americano somente para uso animal.)

Por Richard Cowan

WASHINGTON (Reuters) - Enquanto os Estados Unidos e a Europa lutam pelo futuro
dos alimentos geneticamente modificados, países pobres que precisam de doação de
milho e soja ficam na rebarba dos debates sobre biotecnologia.

A Europa demonstra preocupações com os efeitos ambientais e à saúde que os
alimentos transgênicos podem causar. Os Estados Unidos dizem que a segurança já
foi provada cientificamente.

A disputa ficou mais aparente nesse mês, quando uma doação de 10 mil toneladas
de milho do governo norte-americano para o Zimbábue foi retida por causa de
preocupações com a biotecnologia.

O milho irá para outros países do sul da África, mesmo com metade dos 11,5
milhões de habitantes do Zimbábue em risco de passar fome.

Autoridades da ONU dizem que não haveria problema com a doação dos EUA se o
milho fosse moído e não em grãos inteiros. Mas os grãos poderiam ser usados como
sementes e não para o consumo. Isso criaria um problema duplo.

Se o milho fosse comido por animais, as exportações de carne do Zimbábue para a
Europa ficariam ameaçadas.

Segundo uma autoridade do Programa Mundial de Alimentação, o governo do Zimbábue
poderá aceitar uma doação de milho transgênico dos EUA em julho, se "acompanhada
de uma campanha de educação e conscientização" para que não seja usado como
alimento para animais ou como semente.

Os Estados Unidos acusam a Europa de usar a biotecnologia para erguer barreiras
comerciais injustas.

Em 1999, após um ciclone no Estado de Orissa, Índia, grupos ambientalistas
fizeram uma campanha contra a doação de uma mistura de soja e milho transgênica.
O governo indiano acabou aceitando a doação.

Na segunda-feira, o grupo Amigos da Terra afirmou que parte do milho doado pelos
EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK, variedade aprovada pelo
governo norte-americano somente para uso animal.

A empresa Aventis SA, que fez o StarLink, recusou-se a comentar o assunto.


OPOSIÇÃO

De acordo com um estudo privado, cerca de 25 por cento da comida doada no mundo
vem de sementes modificadas para repelir insetos ou resistir a herbicidas.

O percentual pode subir para 82 por cento com o aparecimento da farinha
biotecnológica, daqui a muitos anos, segundo relatório do grupo Agricultural
Cooperative Development International/Volunteers.

As primeiras plantas transgênicas foram desenvolvidas por cientistas nos anos
1980s. Desde então, vêm sendo usadas em grandes fazendas dos Estados Unidos,
onde quase 70 por cento da soja e 25 por cento do milho tem origem geneticamente
modificada.

A tecnologia se encaixa no objetivo da ONU de reduzir a fome no mundo pela
metade até 2015, mas sofre oposição de grupos de consumidores e ambientais.

"Quando o assunto é comida geneticamente modificada ou nada, a maioria das
pessoas diz que prefere comer," disse Marc Cohen, do Instituto de Pesquisa de
Políticas Internacionais de Alimentação.

#316 De: Luiz Meira <luizmeira@...>
Data: Qui, 4 de Jul de 2002 3:55 am
Assunto: Europa contra OGM.
luizmeira
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http://br.news.yahoo.com/020703/16/6y43.html

Quarta-Feira, 3 de Julho, 01:40 PM

UE aprova lei de identificação de alimentos modificados


ESTRASBURGO, França (Reuters) - O Parlamento Europeu
aprovou na quarta-feira, em primeiro turno, uma lei rígida
exigindo a identificação de alimentos geneticamente
modificados (GM).

A nova lei pode detonar a ira dos agricultores
norte-americanos, além de desencadear uma nova disputa
comercial.

Mas, segundo os parlamentares, a lei deve na verdade
reabrir os mercados europeus às comidas GM, apelidadas de
"comidas Frankenstein" por opositores do gênero. No
momento, há uma moratória informal na União Européia (UE)
na autorização da venda ou do cultivo de grãos GM.

As novas regras, aprovadas em uma primeira votação, exigem
que qualquer ração animal ou alimento vendido na UE tenha
um selo alertando os consumidores sobre a presença de
ingredientes GM.

Isso se aplica até mesmo a material geneticamente alterado
que não pode ser detectado por ser destruído durante o
processo de fabricação, como acontece com óleos e açúcares.

O projeto de regulamentação, que ainda tem de ser aprovado
pelos governos dos países-membros da UE, são a peça mais
recente das leis européias criadas para aplacar os temores
dos consumidores a respeito de alimentos GM, que, segundo
alguns, poderiam provocar prejuízos à saúde ou ao meio
ambiente.

As novas regras podem colocar o bloco europeu em rota de
colisão com os EUA, para quem a engenharia genética é algo
comum na agricultura e que já questionaram a legalidade das
restrições da UE sobre produtos GM com base nas leis
internacionais de comércio.

O projeto, elogiado pelos deputados ambientalistas, será
agora discutido pelos países-membros da UE e depois volta
para uma segunda votação no Parlamento.

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#317 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Seg, 29 de Jul de 2002 7:20 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 123
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 123 - 26 de julho de 2002

Car@s Amig@s,

As entidades da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos têm o prazer de convidá-los a participar do debate "Por um Brasil Ecológico, sem Transgênicos e sem Agrotóxicos", que será aberto ao público se realizará às 19:30 h do dia 1º de agosto, próxima quinta-feira, no Auditório Odílio Costa Filho - Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ*, durante a programação do Encontro Nacional de Agroecologia (ENA).

Farão parte da mesa de debate, Jean Marc von der Weid, coordenador do Programa de Políticas Públicas da AS-PTA, Marilena Lazzarini, coordenadora executiva do IDEC (ambos coordenadores da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos), Liszt Benjamin Vieira, Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado do Rio de Janeiro, e Adélia Schmitz, dirigente da Articulação Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais. Adriano Campolina, coordenador de Campanhas da ActionAid Brasil (e também da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos) presidirá a mesa.

Contamos com sua presença!

* Local: Auditório Odílio Costa Filho - Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ.
Campus da UERJ, Rua São Francisco Xavier, 524 - bairro Maracanã, Rio de Janeiro  RJ.

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Neste número:

1. Russos vetam frango americano por ser alimentado com ração transgênica
2. RS propõe comissão para discutir safra
3. Sementes de algodão Bt queimadas na Índia
4. Monsanto tem perda no semestre
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Honduras, Guatemala e Nicarágua: avanços no cultivo em montanhas

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1. Russos vetam frango americano por ser alimentado com ração transgênica
A partir de 1º de agosto a Federação Russa pode vetar o desembarque de carne de frango dos EUA nos portos do país. A decisão pode favorecer as exportações paranaenses. O veto russo está fundamentado na exigência de certificado sanitário que restringe carne de aves alimentadas com produtos transgênicos.
Fontes da Federação da Agricultura (FAEP) dizem que esta é uma indicação segura de que o Paraná deve se manter livre dos produtos geneticamente modificados. "O Paraná está no caminho certo", comentou o assessor de pecuária da entidade, Alexandre Jacewicz. Segundo ele, há um mercado seguro e diferenciado de produtos convencionais de consumo. (...)
O Brasil este ano exportou cerca de 70 mil toneladas de aves para os países da Federação Russa (US$ 42 milhões). O Paraná participou com 30% da movimentação. Recentemente, a Secretaria de Agricultura do estado promoveu uma série de quatro fóruns regionais para orientar os produtores de soja e milho a preservar suas lavouras convencionais como um diferencial competitivo.
Gazeta do Paraná, 23/08/02.

2. RS propõe comissão para discutir safra
O governo do estado (do RS) quer compor um grupo de trabalho, com representantes da cadeia produtiva de soja e milho, para discutir estratégias de produção e comercialização na safra 2002/2003.
O objetivo é conscientizar os produtores sobre os riscos do plantio de transgênicos, ilegal no país. A proposta foi apresentada ontem pelo diretor geral da Secretaria da Agricultura, Carlos Guedes de Guedes, a representantes de mais de 20 entidades, em reunião da Divisão de Agribusiness da Federação das Associações Comerciais (Federasul).
A idéia é definir uma política comum que permita ao Estado eliminar dificuldades para a entrada dos produtos gaúchos nos mercados, disse Guedes.
Guedes citou como proposta a regulamentação da rotulagem de transgênicos, controle da entrada de sementes e criação de uma campanha educativa para desestimular o plantio clandestino. O vice-presidente da Federasul, Antônio Sartori, manifestou preocupação com a disponibilidade de sementes certificadas para a área de soja na próxima safra, de 3,3 milhões de hectares. O representante da Associação dos Produtores de Sementes, Antônio Loureiro da Silva, disse que a produção atual é suficiente para 1 milhão de hectares.
Zero Hora ,19/07/02.

3. Sementes de algodão Bt queimadas na Índia
Em 17 de junho, ativistas da Associação de Produtores do Estado de Karnatak (KRRS) e do Exército Verde (Green Army) invadiram uma loja que vendia sementes de algodão Bt, perto de Chamaraj, e puseram fogo nas sementes.
Entre os ativistas estavam o presidente do Distrito de Raitha Sangha, Kuruva Ganesh, o Secretário Manjunath e outras pessoas de renome. Segundo os ativistas, o cultivo de algodão Bt coloca uma série de riscos aos agricultores. Eles já tinham avisado o governo que se as sementes Bt fossem colocadas à venda, seriam destruídas imediatamente.
Karnataka State Farmer's Association, 18/06/02.

4. Monsanto tem perda no semestre
A queda das vendas do herbicida Roundup nos EUA, em razão de problemas climáticos no país, e o fraco desempenho das operações na América Latina, principalmente na Argentina e no Brasil, derrubaram os resultados da americana Monsanto no primeiro semestre. (...)
A Monsanto dividiu seus resultados em duas divisões: "Agricultural Productivity" (Produtividade Agrícola) e "Seeds and Genomics" (Sementes e Genômica). Na primeira as vendas caíram 16,7% de janeiro a julho deste ano, para US$ 2 bilhões; na segunda, o recuo foi de 11,7%, para US$ 826 milhões no período. (...)
Valor Econômico, 24/07/02.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Honduras, Guatemala e Nicarágua: avanços no cultivo em montanhas
Cerca de 45.000 famílias de Honduras, Guatemala e Nicarágua se beneficiaram da adoção da agricultura sustentável. Os agricultores usam adubação verde, plantios de cobertura, faixas de contorno com capim, plantio em nível, muretas de pedras para conter erosão e adubo animal, que são utilizados de acordo com experimentos de ajustes às condições locais. Estes programas regeneraram as economias locais. Dentro das áreas dos projetos, os preços pagos pela terra e pelo trabalho são mais altos e as famílias têm se mudado de volta das capitais para o interior. As florestas também se beneficiaram. Os agricultores dizem que não precisam mais cortar as florestas, já que têm as tecnologias para produzir sempre no mesmo pedaço de terra. Por toda a América Central, várias ONGs têm promovido o uso de leguminosas, especialmente mucuna (Mucuna pruriens), como adubação verde, uma forma barata de adubo orgânico para repor matéria orgânica ao solo e, conseqüentemente, aumentar sua fertilidade. Aproveitando os escritórios da rede “agricultor-a-agricultor” de geração e difusão de tecnologias, como o movimento campesino a campesino, da Nicarágua, o uso conservacionista do solo tem se espalhado rapidamente e proporcionado aumentos no rendimento das colheitas de 400-600 kg/ha para 2.000-2.500 kg/ha.
Roland Bunch.  Honduras, Guatemala and Nicaragua:  Hillside improvement.  In PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.114.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

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#318 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Seg, 12 de Ago de 2002 9:08 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] BOLETIM 124 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
campanhatransg@...
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 124 - 09 de agosto de 2002
_____________________________________________

Atenção:
Houve um erro no envio do último número do Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos.
O Boletim enviado em 09 de agosto de 2002 é o Boletim 124 -- e não 123, como o "subject" indicava.
Segue, agora corrigido, o Boletim 124.
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Car@s Amig@s,

Vários jornais deram destaque esta semana ao Parecer publicado pela Advocacia Geral da União (AGU) na última segunda-feira (05/08), que interpreta que a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança / Ministério de Ciência e Tecnologia) é quem tem competência para identificar organismos transgênicos que possam causar danos ao meio ambiente e estabelece como irrefutáveis suas conclusões por qualquer órgão ambiental do Governo.

Segundo o Parecer, uma vez adotada a posição final da CTNBio, “vedado se torna qualquer outro procedimento administrativo que tenha por objeto investigar a existência ou reavaliar esse risco potencial em qualquer das matérias em que atuem quaisquer outros órgãos e entidades da Administração Pública”.

A observância desse entendimento da AGU por parte dos órgãos de fiscalização, como IBAMA e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Ministério da Saúde), significaria a obrigatoriedade desses órgãos se calarem diante de evidências de lesão à saúde e ao meio ambiente encontradas no cumprimento de seu dever. Mais ainda, de acordo com o Parecer, tais órgãos estariam proibidos de investigar o risco potencial dos transgênicos em qualquer das matérias em que atuem! Mesmo uma reavaliação motivada por novos critérios surgidos com evolução tecnológica seria impedida de ser feita.

É fundamental deixar claro que, ao contrário do que deu a entender grande parte das matérias publicadas na grande imprensa ao longo desta semana, o Parecer da AGU não tem valor prático algum. Ele não é uma “decisão”, como se referiu o jornal Valor Econômico nos dias 07 e 08 de agosto. Nem tampouco “torna soberanas as determinações da CTNBio referentes a questões sobre organismos geneticamente modificados”, como explicou o jornal Gazeta Mercantil em 08/08.

O parecer trata-se apenas de uma opinião do órgão que exerce a defesa jurídica da União Federal, e não de uma lei ou interpretação do Poder Judiciário.

**********************************

ENA - Encontro Nacional de Agroecologia

O Encontro Nacional de Agroecologia reuniu 1.100 participantes de todo o Brasil (dos quais 700 agricultores e os demais técnicos de ONGs e órgãos públicos, pesquisadores, professores, extensionistas, estudantes etc.) entre os dias 30 de julho e 02 de agosto, no campus da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), na cidade do Rio.

Os espaços de discussão do encontro envolveram temas como o acesso aos recursos naturais, reforma agrária, recursos genéticos e transgênicos, desenvolvimento local sustentável, geração e apropriação social do conhecimento agroecológico e acesso aos mercados. Sobre todos estes temas saíram propostas que estão apresentadas no documento chamado “Carta Política do Encontro Nacional de Agroecologia”, que está sendo encaminhado aos candidatos a mandatos do executivo e do legislativo nos níveis federal e estadual.

No que diz respeito aos transgênicos, a Carta propõe a criação de “uma legislação adotando uma moratória por tempo indeterminado até que seja comprovada, com controle público, a inexistência de quaisquer riscos à saúde pública, ao meio ambiente e à autonomia tecnológica e econômica dos produtores familiares.” O documento também propõe “apoiar processos locais de uso e manejo conservacionista da agrobiodiversidade que combinem estratégias de revalorização social dos recursos genéticos vegetais e animais utilizados tradicionalmente e a manutenção de sistemas produtivos diversificados.”

Foram convidados para receber o documento no encerramento do encontro, representantes das quatro principais candidaturas à Presidência da República. Dos quatro, o único que compareceu foi o Prof. José Graziano, assessor de Lula para a área rural.

Graziano acompanhou a aprovação do documento, apontou os pontos de convergência entre ele e o programa de governo da chapa Lula - José de Alencar e se comprometeu a levá-lo ao candidato e à comissão responsável pela elaboração do Programa.

A Carta do ENA está agora sendo encaminhada aos outros candidatos à presidência.

Um dos pontos altos do encontro -- além da Feira de Saberes e Sabores, onde se podia visitar todas as regiões do País e conhecer, através de exposições feitas por agricultores, seus produtos e sua cultura -- foi o Debate "Por um Brasil Ecológico, sem Transgênicos e sem Agrotóxicos".

O Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, compôs a mesa de debate e levou da Governadora Benedita da Silva o compromisso de assinar, nos próximos dias, um Projeto de Lei proibindo o cultivo, o comércio e o consumo de transgênicos no Estado do Rio (ficando permitida somente a pesquisa). Este Projeto de Lei será encaminhado à Assembléia Legislativa do Estado.

Liszt também apresentou a Deliberação da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA), que determina a obrigatoriedade da realização de EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto no Meio Ambiente) nos processos de Licenciamento Ambiental envolvendo organismos transgênicos que venham a ocorrer no Estado do Rio, publicada no Diário Oficial em 23/07/02.

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Neste número:

1. Transgênicos fora da merenda no estado do Rio de Janeiro
2. Greenpeace leva à Perdigão laudo que confirma uso de transgênicos em seus produtos
3. Itália investigará fraude sobre soja transgênica
4. Monsanto fecha unidades de beneficiamento de sementes
5. Monsanto deve pedir aprovação para trigo transgênico nos EUA ainda este ano
6. Soja terá comissão internacional
7. Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome propõe Brasil livre de transgênicos
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Benin: Mucuna - uma regeneradora da fertilidade dos solos
Convite:
palestra “Regulação de Transgênicos - Conflitos entre os EUA e a União Européia
Enquete sobre transgênicos no site www.ambientebrasil.com.br
Evento: Seminário Educação e Comunicação - Quem faz a nossa cabeça?
Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos: quem tiver interesse em receber...

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1. Transgênicos fora da merenda no estado do Rio de Janeiro
As escolas públicas do Estado do Rio estão proibidas de usar alimentos geneticamente modificados, os transgênicos, na merenda dos estudantes. A lei, do deputado Paulo Melo (PMDB), foi sancionada pela governadora Benedita da Silva (PT). Para o deputado, não houve discussão suficiente em torno da modificação genética em alimentos no Brasil. “A gente não tem um controle de qualidade, de risco; não podemos permitir que as crianças sejam expostas a algo que desconhecemos e que pode prejudicá-las”, afirmou Melo. A Secretaria de Educação está obrigada a informar, nos editais de licitação, que produtos transgênicos não serão adquiridos pelo Estado. “A lei sanitária obriga que o rótulo indique se o alimento foi modificado ou não.  Mas é apenas uma sugestão. Cabe ao executivo regulamentar a lei”, diz o deputado.
Jornal do Comércio, 6/08/2002.

2. Greenpeace leva à Perdigão laudo que confirma uso de transgênicos em seus produtos
O Greenpeace foi à sede da Perdigão, em São Paulo, comunicar o resultado de um novo teste que encontrou soja transgênica em três produtos: Lanche Chester, Hamburguer de Frango e Almôndegas de Carne. O Greenpeace tentou entregar uma cópia do laudo emitido pelo laboratório chinês DNA Chips, que realizou o teste, à diretoria da empresa, juntamente com uma carta solicitando que a Perdigão deixe de usar transgênicos em seus produtos. O DNA Chips foi considerado o melhor laboratório do mundo por um levantamento realizado pelo Central Science Laboratory de York, a pedido do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimento da Inglaterra.
A empresa se recusou a receber o material e sequer permitiu que a carta e o laudo fossem protocolados na portaria do prédio.
O Greenpeace já testou seis produtos da Perdigão* e, em todos eles, o resultado foi positivo.
A soja transgênica leva ao aumento do uso de agrotóxicos e pode causar a perda de biodiversidade. Além disso, ainda não existe consenso na comunidade científica de que os transgênicos sejam seguros para o consumo humano.
O Greenpeace está encaminhando os laudos laboratoriais à ANVISA (Agência Nacional da Vigilância Sanitária), às Agências de Vigilância Sanitária Estaduais e ao PROCON de todos os estados. Junto com o laudo, está sendo enviada uma carta que requer o imediato recolhimento dos lotes testados das prateleiras dos supermercados.
* Os produtos já testados que acusaram a presença da soja Roundup Ready: a) em fevereiro: Salsicha de frango (2,8%), Mortadela Bolognella, (12%); b) em julho: Hamburguer de Frango (0.4%), Lanche Chester (2.3%), Almôndegas de carne (1,4%) e Salsicha Viena (5%). Os laudos estão disponíveis no site do Greenpeace (www.greenpeace.org.br)
Greenpeace e Agência Brasil, 01/08/2002.

3. Itália investigará fraude sobre soja transgênica
A polícia italiana lançou hoje uma investigação para apurar possível fraude em embalagens de alimentos que usam soja transgênica. A informação foi divulgada por um porta-voz da corporação. As amostras serão analisadas para detectar a presença de organismo geneticamente modificados que não constam na embalagem do produto -- disse o porta-voz da polícia, que pediu para não ser identificado. A investigação da polícia italiana ocorre após a divulgação de uma pesquisa publicada neste fim de semana pelo jornal de esquerda “La Repubblica”, com uma lista de produtos com ingredientes transgênicos. A reportagem afirmava que de 31 produtos comprados em um mercado de Turim, dez traziam material geneticamente modificados. Deste total, quatro produtos continham ingredientes transgênicos que não haviam sido indicados em suas embalagens.
O Globo, 29/07/2002.

4. Monsanto fecha unidades de beneficiamento de sementes
Em comunicado oficial, a Monsanto anunciou ontem o fechamento da unidade de produção e beneficiamento de sementes de soja em Não-Me-Toque. A medida, que atinge também outras duas afiliadas no país, faz parte de um realinhamento estratégico dos negócios da empresa. As áreas de pesquisa serão preservadas. No documento, o presidente da Mosanto, Rick Greubel, afirma que o objetivo é assegurar um modelo mais saudável de negócios para as operações no Brasil, independentemente do início da venda de transgênicos. A empresa, segundo Greubel, otimizará a produção de sementes no país, realocando o beneficiamento entre outras unidades e, conseqüentemente, tendo que reduzir o atual quadro de 1,6 mil funcionários. Também encerrarão as atividades de produção de sementes as unidades de Morrinhos (GO) e Andirá (PR). (...)
Zero Hora, 27/07/2002.

5. Monsanto deve pedir aprovação para trigo transgênico nos EUA ainda este ano
A Monsanto negou ter adiado o lançamento, nos EUA, da primeira versão de trigo geneticamente modificado, conforme publicado pelo jornal “The New York Times”. De acordo com a reportagem, a empresa teria desistido de colocar o novo transgênico no mercado até 2005, por ainda não contar com um mercado favorável ao produto. Segundo o diretor de comunicação da empresa, Jim Prendergast, entretanto, a data foi abandonada “há muito tempo” e não há prazo estabelecido para o lançamento do produto.
O Estado de SP, 010/8/2002.

6. Soja terá comissão internacional
A criação de uma comissão internacional, composta por entidades da agricultura familiar e ONGs brasileiras e de outros países, foi a principal definição do Seminário Internacional Sobre a Cultura da Soja, promovido pela Fetraf-Sul, realizado em Chapecó - SC, entre os dias 26 e 27 de julho. O coordenador de Política Agrícola da Fetraf-Sul, Celso Ludwig, cita como principais focos a implantação de um sistema de pesquisa para apresentação de novos produtos a base de soja para o consumo humano e a ampliação de estratégicas de exportação de soja orgânica por cooperativas e sindicatos de trabalhadores rurais. O desenvolvimento de uma campanha nacional para aumentar o consumo da soja in natura também foi proposto. Ludwig calcula que, juntos, RS, SC e PR, produzem só 40 mil toneladas de soja orgânica. “Com essa estratégia, queremos aumentar a produção e a rentabilidade na pequena propriedade”, enfatiza. O primeiro encontro da comissão será realizado até setembro, em São Paulo.
Correio do Povo, 29/07/2002.

7. Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome propõe Brasil livre de transgênicos
As entidades reunidas em Brasília, de 22 a 24 de julho de 2002, no I Seminário do Mutirão Nacional para Superação da Miséria e da Fome publicaram uma declaração dirigida aos candidatos a postos eletivos -- executivos e legislativos -- e aos homens e às mulheres em todo o país, manifestando a sua posição visando à superação da Miséria e da Fome no Brasil, bem como reafirmam o Direito Humano à Alimentação e à Nutrição, na sua universalidade e indivisibilidade. Esta declaração surgiu da mobilização da sociedade civil brasileira em torno do Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome, lançado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em abril de 2002.
Entre as propostas de mobilização apresentadas na Carta, estão Fortalecer a agroecologia no âmbito rural e urbano e Pleitear um Brasil livre de transgênicos.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Benin: Mucuna - uma regeneradora da fertilidade dos solos
Os solos do platô do sudeste de Benin e Togo (África) estão beirando a exaustão. A utilização de fertilizantes é baixa entre a maioria dos pequenos produtores e o benefício de sua utilização é pequeno devido ao empobrecimento crescente do solo.
Pesquisadores do Projeto de Pesquisa Aplicada em Millieu Reel introduziram a mucuna (Mucuna pruriens) como plantio de cobertura para controlar ervas daninhas (entre elas a Imperata cylindrica, de difícil controle manual), e para aumentar a disponibilidade de nutrientes para o milho (cultura principal). A mucuna, em cultivo solteiro ou consorciada, incorpora mais de 100 Kg de nitrogênio/ha para a lavoura seguinte. O rendimento do milho cultivado sobre os restos da mucuna foi de 3-4 t/ha (produtividade similar a cultivos adubados com 130 Kg de nitrogênio/ha),  enquanto campos cultivados com milho e feijão-caupi tiveram uma produção de 1,3 t/ha. Equipes dos serviços de extensão governamentais (CARDER) e de grandes ONGs se envolveram no programa e hoje cerca de 14.000 produtores usam a mucuna. A análise da relação benefício/custo num período de 8 anos indica uma taxa de 1,24 quando a mucuna foi incluída no sistema, alcançando 3,56 quando as sementes foram vendidas. A taxa ficou em 0,62 sem mucuna. A adoção da mucuna na província de Mono resultaria numa economia de cerca de 6,5 milhões de Kg de nitrogênio, o equivalente a US$ 1,85 milhões/ano. Entretanto, análises recentes mostram que há um declínio em todos os sistemas ao longo do tempo sugerindo que para alcançar maior sustentabilidade, seria necessário o aporte de insumos externos, provavelmente fertilizantes a base de fósforo e potássio.
Fonte: Bob Carsky, Victor Manyong. Benin: Mucuna (velvetbean) cover cropping.  In PRETTY, Jules e HINE, Rachel. Reducing food poverty with sustainable agriculture: a summary of new evidence. Colchester/UK: University of Essex, 2001, p.116.

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Convite:

O ETTERN/IPPUR/UFRJ, o PCDH/UERJ, o projeto Brasil Democrático e Sustentável e a Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos convidam para a palestra
Regulação de Transgênicos - Conflitos entre os EUA e a União Européia

Expositor: Les Levidow, do Grupo de Políticas Biotecnológicas, Centre for Technology Strategy da Open University, Inglaterra, e editor da revista Science as Culture.
Dia: Quinta feira, 15 de agosto de 2002, às 14 horas.
Local: UERJ  rua São Francisco Xavier, 524  Maracanã.
Centro de Treinamento  1o. andar  Bloco E, sala 15.

Haverá tradução!

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Enquete:
A pesquisa de opinião desta semana do site Ambiente Brasil é sobre o consumo de alimentos transgênicos.
Para votar, acesse o site www.ambientebrasil.com.br.

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Evento:
O Jornal Mundo Jovem convida para o Seminário Educação e Comunicação  Quem faz a nossa cabeça?
12 e 13 de setembro - PUCRS  Prédio 50
Av. Ipiranga, 6681  Porto Alegre / Rio Grande do Sul
Inscrições: pelo telefone 0800-515200 ou pelo e-mail mundojovem@...

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Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos
A AS-PTA, uma das entidades coordenadoras da Campanha, acaba de re-imprimir o Jornal Por um Brasil Livre de Transgênicos, dirigido a agricultores de todo o Brasil e publicado originalmente em setembro de 2001.
Quem tiver interesse em recebê-lo, pode solicitar o envio gratuito através do e-mail (campanhatransg@...) ou do telefone (21) 2253-8317.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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Se você por alguma razão, não desejar receber este boletim, envie uma mensagem para o nosso endereço <campanhatransg@...> solicitando a exclusão do seu nome de nossa lista.

"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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#319 De: Campanha Transgenicos <campanhatransg@...>
Data: Sex, 2 de Ago de 2002 4:46 pm
Assunto: [Boletimtransgenicos] Nota sobre o Boletim 124
campanhatransg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s,

Comunicamos que, excepcionalmente, não publicaremos o Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos esta semana.

A equipe que produz o Boletim semanal, assim como toda a equipe da AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), esteve envolvida na organização do Encontro Nacional de Agroecologia, que está se realizando no campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), na cidade do Rio, entre os dias 30 de julho e 02 de agosto.

Ficamos impossibilitados de nos dedicarmos ao Boletim neste período.

Na próxima semana estaremos de volta, com o Boletim 124.

Até lá!

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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