Debate
empobrecido<http://www.agencia.fapesp.br/materia/9480/especiais/debate-empobreci\
do.htm>
Por Alex Sander Alcântara
*Agência FAPESP –* Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar) avaliou a percepção pública sobre os riscos potenciais dos
produtos transgênicos na cadeia alimentar. A conclusão é que o debate está
demasiadamente restrito à discussão sobre a rotulagem dos produtos
geneticamente modificados, polarizando-se entre os que são "contra" ou a
"favor".
Além da polêmica, a falta de discussão a respeito das incertezas científicas
sobre o assunto também contribui para aumentar a desconfiança e a
desinformação. De acordo com a autora principal do estudo, Ariadne Chloë
Furnival, professora adjunta do Departamento de Ciências da Informação da
UFSCar, a predominância de uma contínua justaposição de opiniões "a favor" e
"contra" a rotulagem pouco ajuda para o esclarecimento do público. O estudo
foi publicado na revista *História, Ciências, Saúde – Manguinhos*.
"Há muita informação disponível sobre os organismos geneticamente
modificados, sobretudo nos artigos acadêmicos e na mídia. Mas, como não
existe consenso, inclusive na própria comunidade científica, sobre os
possíveis riscos que essa tecnologia possa desencadear na cadeia alimentar,
muitas informações existentes sobre o assunto são conflitantes,
comprometendo a compreensão pelo público", disse Ariadne à *Agência FAPESP*.
Uma compreensão consolidada, segundo a pesquisadora, não poderá ser
conseguida a curto e médio prazo, pois haveria ainda muitas incertezas em
torno dos transgênicos e de seus possíveis efeitos. Para ela, a polarização
em torno do assunto dificulta que essas incertezas sejam abertamente
discutidas na mídia brasileira.
"O paradigma predominante de divulgação científica não gosta de conjugar
incerteza com ciência. Mas, quando consideramos que a difusão dos organismos
transgênicos já é extremamente ampla na cadeia alimentar que atinge a todos
nós, a abertura da discussão em torno das incertezas e possíveis riscos se
torna uma questão de direitos da cidadania", afirmou.
O trabalho utilizou o método de grupos focais em cidades do interior de São
Paulo. Os participantes foram divididos em oito grupos, formados por
estudantes de escolas técnicas, estudantes de engenharia, idosos, catadores
de coleta seletiva e trabalhadores no setor de avicultura, entre outros.
Os participantes identificaram a falta de informação compreensível, tanto na
mídia como nos rótulos de produtos, como principal fonte de desconfiança em
relação aos transgênicos.
Do material reunido junto aos grupos focais, os pesquisadores selecionaram
três temas para discussão: alimentos e meio ambiente; percepção de riscos
nos transgênicos; e informações sobre organismos geneticamente modificados.
Segundo Ariadne, o estudo parte de uma concepção construtivista. O método
que utiliza grupos focais permite a menor intervenção possível dos
pesquisadores e do moderador. "A força do método reside no pressuposto de
que o indivíduo é um ser social cujas opiniões, atitudes e percepções são
formuladas, em grande medida, por meio da interação com outras pessoas e não
em isolamento."
"Como as enquetes consistem de perguntas fechadas, é questionável até que
ponto conseguem captar as formas complexas e às vezes ambivalentes com que
as pessoas pensam sobre os assuntos polêmicos ainda sob construção na
sociedade, como o dos transgênicos na cadeia alimentar", afirmou.
Dentre as categorias analíticas, o assunto do meio ambiente surgiu
espontaneamente, levantado pelos participantes. "Em geral, eles evocaram um
passado mais natural, saudável, com mais tempo para cozinhar alimentos
frescos, ou mais tempo para até cultivar suas próprias verduras", disse.
*Rótulos e informações*
De acordo com a professora da UFSCar, a maioria dos participantes relacionou
os alimentos atuais com um meio ambiente danificado e com o uso de
agrotóxicos nocivos. "Os participantes de todos os grupos viram esse cenário
como inevitável. Pare eles, o passado bucólico e mais saudável não é mais
atingível", disse.
Para Ariadne, foi interessante notar que, mesmo não havendo um debate
transparente e aberto na sociedade brasileira sobre os possíveis riscos dos
transgênicos na cadeia alimentar, vários participantes apontaram para o fato
de que a falta de consenso nas informações divulgadas atesta as incertezas
sobre o assunto.
"Os participantes demonstraram uma postura de cautela e mostraram que
percebem o risco como algo de longo prazo. Mencionaram efeitos e doenças em
gerações futuras ou os efeitos imprevisíveis de, por exemplo, comer muito
soja por conta de efeitos supostamente benéficos para a menopausa, exemplo
apontado por um grupo de senhoras", explicou.
A questão da rotulagem dos produtos foi uma das principais discutidas pelo
público. Segundo o estudo, essa é apenas uma das dimensões multifacetadas de
um debate mais amplo que deveria ocorrer em fóruns públicos. A questão,
segundo Ariadne, é se de fato o público lê os rótulos, compreende e consegue
assimilar as informações contidas neles.
"Realizamos uma pesquisa subseqüente sobre a leitura dos rótulos e
constatamos que eles são lidos por uma minoria, com a exceção da data de
validade. E, entre esses, poucos entendem as informações, sobretudo os
símbolos como um "T" inserido em um triângulo, que sinaliza a presença de
transgênicos", disse.
Os participantes, segundo ela, acham que a rotulagem é importante, pois pode
teoricamente fornecer informações que subsidiem a decisão de compra.
"No entanto, os grupos discutiram o que vem a ser realmente informativo em
um rótulo. Ele pode meramente sinalizar a presença dos transgênicos num dado
alimento, mas sem uma informação mais aberta e substantiva sobre o que tal
presença pode implicar, seja ela positiva ou negativa. A informação torna-se
vazia", afirmou.
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Um grande abraço,
Cláudio Lima - Terapeuta Naturalista
+15 9137-9908
www.reformadesaude.org
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