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Responder | Encaminhar Mensagem #106 de 122 |

Fonjic segue uma inspiração fantesca-machadesca-wanderesca e faz uma
crônica que não deu certo chamada...

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A filha da faxineira


É engraçado como os adultos fazem, às vezes, as maiores
bobagens do mundo, brigam por coisas tolas e sem sentido. Eu tinha oito
anos e lembro bem das brigas infantis lá em casa. Minha mãe por algum
motivo achava um insulto morar com a faxineira e a filha dela na mesma
casa, o que me deixava um tanto revoltado com minha mãe, afinal não havia
nada demais nisso.
O nome da menina era Laura, tinha uns quatro anos e eu achava
ela boa companhia. Apesar da diferença de idade, brincávamos um tanto
juntos e confesso que tínhamos muita coisas em comum, éramos bem parecidos,
até os olhos eram iguais.
Uma vez comentei isso no almoço, o quão éramos parecidos, e vi
meu pai fechar a cara, como se um nuvem cinza passasse por ele. Minha mãe
largou os talheres e foi para a cozinha, chorando. Depois, quando eu estava
longe, começaram a discutir, de novo.
Eu ficava incomodado com isso, com essa frivolidade dos
adultos. Talvez por isso, por verem que eu me incomodava, evitavam discutir
isso na minha frente.
Laura ia no mesmo colégio que eu e era quase como se fosse da
família. Morava ela e a mãe conosco porque ela nascera sem pai, coitadinha.
Minha avó frequentemente tomava parte nessas discussões. Uma
vez ouvi ela e minha mãe discutindo sobre isso, minha mãe achava um insulto
morarem todos juntos, dizia que se sentia humilhada, mas minha avó dizia
que era melhor assim, era preciso preservar a família. Era uma discussão
sem sentido.
Com o tempo os atritos foram crescendo e no final a faxineira
já não fazia mais a faxina lá em casa, mas continuaram ela e a filha
morando lá nos fundos, pois eram quase da família.
Quando eu tinha uns treze e Laura uns nove passamos certa
tarde brincado de luta livre. É claro que eu era muito maior, mas a deixava
ganhar às vezes. Depois, exaustos, deitamos na cama de meus pais.
Quando meu pai chegou e viu aquilo teve um ataque. Gritava, me
xingava, me batia, ou melhor, corria atrás de mim para tentar me bater,
visto que eu já saíra voando dali.
Depois, já de noite, com meu pai mais calmo e minha mãe
trancada no quarto chorando, ele veio ter uma conversa comigo. Me
repreendia duramente, dizia que era errado, que eu jamais deveria me
aproximar dela. Eu tentava me explicar, dizendo que não fora nada disso,
mas ainda assim o tabú persistia. Era quase como se tivéssemos algum
parentesco inexplicável e proibido.
Por fim me mandaram estudar na cidade de meus avós e lá morei
por um tempo. Nunca pude entender aquela histeria que havia lá em casa.
Seria tudo mais fácil se eles pudessem ver o mundo por olhos de criança.





Seg, 29 de Jun de 2009 12:28 pm

anacreontefo...
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Anacreonte
anacreontefo...
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12:31 pm
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