
CLIPPING DO DIA
11 de julho de 2005
Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação
Política
Hélio Costa toma posse no Ministério das Comunicações
Movimentos sociais criticam primeira fase da reforma
Reforma deve terminar amanhã
Fim da reforma ministerial polariza atenções
Lula promete concluir troca de ministros até terça
Governo espera concluir a reforma ministerial amanhã
Novos ministros recebem cargos nesta segunda-feira
A ruína de um modelo partidário
A hora e a vez
'Problemas' de Lula ameaçam interesse dos EUA, diz WSJ
CPI dos Correios retém 166 requerimentos
Genro acalma os ânimos no PT
Peemedebistas pretendem reforçar base
Pente-fino
Tarso vai reestruturar finanças do PT
Advogado de Valério tenta reverter bloqueio
O FATOR REELEIÇÂO
O EXEMPLO QUE NãO HOUVE
A versão de Marcos Valério
Berzoini admite má gestão
José Genoino à disposição da CPI
A morte da esperança
Berzoini diz que PT quer contribuir com apuração de todas as denúncias
Hélio Costa toma posse no Ministério das Comunicações
Movimentos sociais criticam primeira fase da reforma
Reforma deve terminar amanhã
Fim da reforma ministerial polariza atenções
Lula promete concluir troca de ministros até terça
Governo espera concluir a reforma ministerial amanhã
Novos ministros recebem cargos nesta segunda-feira
A ruína de um modelo partidário
A hora e a vez
'Problemas' de Lula ameaçam interesse dos EUA, diz WSJ
CPI dos Correios retém 166 requerimentos
Genro acalma os ânimos no PT
Peemedebistas pretendem reforçar base
Pente-fino
Tarso vai reestruturar finanças do PT
Advogado de Valério tenta reverter bloqueio
O FATOR REELEIÇÂO
O EXEMPLO QUE NãO HOUVE
A versão de Marcos Valério
Berzoini admite má gestão
José Genoino à disposição da CPI
A morte da esperança
Berzoini diz que PT quer contribuir com apuração de todas as denúncias
Rádio
Deputado propõe programas políticos municipais em rádios
Deputado propõe programas políticos municipais em rádios
Comunicação Comunitária
Apoio às rádios e TVs comunitárias
Comunicação comunitária pode ser solução para viabilizar economia local, afirma economista
Apoio às rádios e TVs comunitárias
Comunicação comunitária pode ser solução para viabilizar economia local, afirma economista
Televisão
TV digital: ministro quer debate amplo com países da América Latina.
Samsung faz primeira apresentação da tecnologia T-DMB
A indústria televisiva de entretenimento na Índia
O cenário financeiro da indústria televisiva de entretenimento na Índia
TV Cultura exibe telejornal e "Fantástico" da França
TV Brasil: mais uma opção
TV digital: ministro quer debate amplo com países da América Latina.
Samsung faz primeira apresentação da tecnologia T-DMB
A indústria televisiva de entretenimento na Índia
O cenário financeiro da indústria televisiva de entretenimento na Índia
TV Cultura exibe telejornal e "Fantástico" da França
TV Brasil: mais uma opção
Audiovisual
Globo Filmes faz reserva de elenco
Produção de cinema na Índia: um sector em mudança
Bollywood / Hollywood: dois modelos de gestão da cadeia de valor da produção cinematográfica
Ciclo brasileiro em Nova York tem quatro inéditos
Na abertura
Globo Filmes faz reserva de elenco
Produção de cinema na Índia: um sector em mudança
Bollywood / Hollywood: dois modelos de gestão da cadeia de valor da produção cinematográfica
Ciclo brasileiro em Nova York tem quatro inéditos
Na abertura
Cultura
VIDA CIGANA
VIDA CIGANA
Imprensa & Jornalismo
A imprensa em Xeque
A imprensa em Xeque
Informática
Europa barra patente de software
Microsoft conserta bug em Tablet PC
Ressalvas
Um software nem tão livre, nem tão barato
Intel x AMD, agora nos tribunais
Europa barra patente de software
Microsoft conserta bug em Tablet PC
Ressalvas
Um software nem tão livre, nem tão barato
Intel x AMD, agora nos tribunais
Internet
O dono da Rede
''Brasil tem influência no Icann''
Blog na China: sucesso de público driblando o silêncio
O dono da Rede
''Brasil tem influência no Icann''
Blog na China: sucesso de público driblando o silêncio
Literatura e Mercado Editorial
Para autores, Flip é alternativa a "circo"
Suassuna defende sonho quixotesco na Flip
Flip leva 12 mil pessoas a Paraty
Paraty recebe deserdados
A Flip como palco para o exercício da indignação
De país em país, o fim da utopia
Flip já estuda ajustes para o próximo ano
Para autores, Flip é alternativa a "circo"
Suassuna defende sonho quixotesco na Flip
Flip leva 12 mil pessoas a Paraty
Paraty recebe deserdados
A Flip como palco para o exercício da indignação
De país em país, o fim da utopia
Flip já estuda ajustes para o próximo ano
Mercado de Comunicação
Time Warner quer reforçar negócios na TV paga
Fábricas de aluguel
O Cenp tenta adaptar normas da propaganda...
Time Warner quer reforçar negócios na TV paga
Fábricas de aluguel
O Cenp tenta adaptar normas da propaganda...
Telecom
Novo ministro quer tributar transmissão de imagens e dados por telefone
Fundos e Citi reforçam, em ata, a disposição de substituir a diretoria da Brasil Telecom
Novo regulamento geral de interconexão sai na semana que vem
Citigroup e Fundos aprovam substituição de membros da Brasil Telecom
Walt Disney cria operadora virtual nos EUA; no Brasil, parceria com a Claro
O "boom" dos serviços de comunicações móveis: 1996-2010
O mercado mundial das comunicações móveis: análise no período 1996-2002
O mercado mundial das comunicações móveis: análise no período 2001-2010
Empresas oferecem voz sobre IP
Costa assume e quer rever taxa básica de telefone
Intensa disputa entre operadoras fixas
Queda de 3,5% na semana
Ibovespa perde 3,5% na semana e 2,43% no mês
Citi e fundos decidem nomes para conselho de administração da BrT
DANTAS PERDE UM ALIADO
PFL quer explicações da Telemar sobre sociedade
Novo ministro quer tributar transmissão de imagens e dados por telefone
Fundos e Citi reforçam, em ata, a disposição de substituir a diretoria da Brasil Telecom
Novo regulamento geral de interconexão sai na semana que vem
Citigroup e Fundos aprovam substituição de membros da Brasil Telecom
Walt Disney cria operadora virtual nos EUA; no Brasil, parceria com a Claro
O "boom" dos serviços de comunicações móveis: 1996-2010
O mercado mundial das comunicações móveis: análise no período 1996-2002
O mercado mundial das comunicações móveis: análise no período 2001-2010
Empresas oferecem voz sobre IP
Costa assume e quer rever taxa básica de telefone
Intensa disputa entre operadoras fixas
Queda de 3,5% na semana
Ibovespa perde 3,5% na semana e 2,43% no mês
Citi e fundos decidem nomes para conselho de administração da BrT
DANTAS PERDE UM ALIADO
PFL quer explicações da Telemar sobre sociedade
Comunicação e Educação
Futura faz vinhetas para a Unesco
Futura faz vinhetas para a Unesco
Regulação
Contadores de pulso
Contadores de pulso
Mídia Global
Rede TV Sul e a rebelião das antenas no continente
Terrorismo e tecnologia
Rede TV Sul e a rebelião das antenas no continente
Terrorismo e tecnologia
Política
Hélio Costa toma posse no Ministério das Comunicações
08/07/2005, 18h03
O senador Hélio Costa (PMDB/MG) tomou posse nesta sexta, 8, como ministro das Comunicações. Após a cerimônia, com a presença do presidente Lula, Hélio Costa fez algumas declarações com relação à sua visão sobre os mercados de telecomunicações e televisão. Hélio Costa tem assustado o setor de telecomunicações pela sua proximidade ideológica com as posições da radiodifusão. Ele afirmou, contudo, que seu ministério será ponderado e que todos os setores serão ouvidos. Mas afirmou textualmente: "o que me preocupa é a convergência tecnológica. Tudo isso está sem regulamentação". Costa afirmou que as tecnologias convergentes são uma realidade e que é desta forma que empresas de telecomunicações acabam prestando serviços de comunicação social. Ele exemplificou com a tecnologia de terceira geração para celulares, que, aliás, defende que seja adotada no Brasil. O ministro defendeu o debate, já iniciado no governo, sobre uma Lei Geral de Comunicação, até porque entende que os serviços de valor adicionado são "uma importante fonte de arrecadação que está sendo perdida". O novo ministro lembrou que uma discussão semelhante foi travada quando se debateu a proposta da Ancinav. Proposta esta que, nas palavras do ministro, "não era boa na forma como foi colocada". Hélio Costa afirmou que o conteúdo da antiga proposta da Ancinav está dentro da proposta de Lei de Geral Comunicação, e que isso não é bom. Defendeu que essa discussão seja levada ao Congresso. Digital O novo ministro das Comunicações tem uma postura diferente da defendida atualmente no ministério sobre a questão da TV digital. Para Hélio Costa é fundamental que o Brasil defina rapidamente um padrão, mas não defendeu que seja necessariamente um padrão nacional (o Sistema Brasileiro de TV Digital). Para Hélio Costa as pesquisas em curso avaliam inclusive os três padrões estrangeiros e será, portanto, perfeitamente possível que o Brasil adote um desses padrões. Hélio Costa pretende convidar os demais países da América do Sul para discutir a questão. Fusões Perguntado sobre sua visão a respeito da possibilidade de uma consolidação entre concessionárias de telecomunicações, o novo ministro afirmou que esse é um assunto que precisa ser discutido no Cade, mas que não vê problemas em consolidação entre pequenas empresas. Sobre uma eventual consolidação entre grandes concessionárias, Costa apenas afirmou: "tenho alguma dificuldade em aceitar porque isso pode trazer monopólio". Mas completou: "onde houver uma empresa nacional disputando mercado, terá o nosso apoio", sem deixar claro nem explícito se apoiaria uma eventual fusão entre Telemar e Brasil Telecom. Com relação à sua posição sobre o projeto que acaba com a assinatura básica de telefonia, Hélio Costa disse que já convocou uma reunião com as principais concessionárias para discutir o tema. Essa reunião deve acontecer na próxima semana. O novo ministro ponderou, contudo, que o custo da assinatura básica no Brasil é desproporcional à renda média do brasileiro e que não é possível adotar a mesma estrutura tarifária praticada em países como os Estados Unidos. Perguntado como ele via a repercussão negativa em bolsa de suas declarações sobre assinatura básica, costa afirmou que "quem joga na bolsa, sabe que há riscos". Ele afirmou ainda que sua gestão terá como preocupação central o consumidor e que será necessário, portanto, diálogo com as empresas para que melhores soluções para os usuários sejam encontradas "sem que haja desrespeito aos contratos". Da Redação - PAY-TV News
Movimentos sociais criticam primeira fase da reforma
7/7/2005
Organizações da área da saúde criticam saída de Humberto Costa do Ministério. Nas Comunicações, ativistas acreditam que Hélio Costa deve aprofundar influência de grandes interesses empresariais. E o Movimento dos Atingidos por Barragens rejeita mudança na pasta de Minas e Energia. Brasília - No Planalto, o anúncio de parte da reforma ministerial feito quarta-feira (6) sinalizou uma saída para a crise nem pela esquerda, como queriam os movimentos sociais, nem pela direita, como queriam os partidários de um acordo com o PSDB, mas pelo centro, com a tática de aproximação com o PMDB pretendida pela coordenação política do governo desde o início do ano. O presidente Luis Inácio Lula da Silva tentou sanar o impasse com o PMDB divulgando uma primeira fase da dança das cadeiras na esplanada incluindo três indicados pelo partido de Renan Calheiros. O presidente da Eletronorte, Silas Rondeau, o senador Hélio Costa (MG) e o deputado Saraiva Felipe (MG) irão ocupar as pastas de Minas e Energia, Comunicações e Saúde, respectivamente. Caíram Maurício Tolmasquim, que havia assumido como substituto de Dilma Roussef, Eunício Oliveira e Humberto Costa. Estes dois últimos saíram a pedido de Lula pois irão disputar as eleições para os governos do Ceará e de Pernambuco. Lula deve anunciar na sexta-feira outras mudanças. Especula-se a saída de Ricardo Berzoini, que pode ser ocupada por Aldo Rebelo, que hoje é responsável pela Articulação Política. Outro possível nome para a pasta seria o do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, mas a proposta encontra resistência por parte de sindicalistas. Para o lugar de Aldo, que pode voltar pra Câmara ou ir para o lugar de Berzoini, o nome mais cotado é o de Jacques Wagner, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Outra mudança que passou a ser cogitada é a saída de Gushiken da Secretaria de Comunicação do Governo (Secom). A situação teria ficado difícil com as denúncias de favorecimento em relação à Gushiken tanto na destinação das verbas publicitárias quanto na contratação de consultorias para sua ex-empresa que trabalha com fundos de pensão. Nas secretarias, o ministro da Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, tem grandes chances de permanecer quando era dada como certa sua saída. Já Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, deve sair embora sua pasta não seja extinta. As mudanças nas pastas do Trabalho e dos Direitos Humanos seguem na linha da saída de José Dirceu, fortalecer o partido. Berzoini deve voltar para a Câmara, hoje o principal palco de disputa da crise. Miranda, segundo informações de fontes do Planalto, voltaria a seu Estado para disputar a presidência do PT pelo Campo Majoritário, mesma tendência de Dirceu e Lula. Retrocessos Na avaliação da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas em Educação Popular e Saúde (ANEPS), a saída de Humberto Costa é ruim para a saúde pública do país. "Nunca se avançou tanto no campo da participação popular como nos últimos anos. O fortalecimento dos conselhos de saúde e a nova forma de construir relacionamento e agenda do ministério com os Movimentos Sociais levou os movimentos e práticas de educação popular a produzirem novas formas de construção de agenda para o campo da saúde e da educação popular em saúde através da ANEPS. Humberto foi importante na condução das políticas de saúde, podemos perceber isto a partir quebra de patentes para a produção de medicamento para a AIDS e o projeto de células-tronco. Humberto sempre teve a tese de garantir o direito à saúde e a participação popular", analisa Carlos Silvan, integrante da articulação. Saraiva Felipe, o novo ministro, é um quadro da área e integrante da ala oposicionista do PMDB. Indicado por Michel Temer e ligado a Anthony Garotinho, já foi secretário de saúde de Montes Claros (MG) e do Estado de Minas Gerais, além de já ter ocupado a secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde entre 1989 e 1990. Esteve ligado ao movimento sanitarista, que construiu a proposta do Sistema Único de Saúde, mas sempre junto ao PMDB. Os movimentos sabem do perigo da interrupção de uma série de ações que foram construídas ao longo da gestão de Humberto Costa mas continuarão no "nosso lugar e com o nosso papel de articular e construir agenda pública em defesa do SUS", como informa Carlos Silvan. Na pasta das Comunicações, a avaliação de entidades da área é que o novo ministro deve aprofundar a influência dos interesses empresariais junto ao Ministério, principalmente o das Organizações Globo. O Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social divulgou nota criticando a entrada de Costa. "O senador Hélio Costa foi repórter da TV Globo, apoiador de primeira hora do governo Collor, é dono de emissoras de rádio comerciais - o que por si só já se configura em impedimento ético para o cargo pretendido, que tem como função fiscalizar a radiodifusão - e é um dos principais representantes do lobby da ABERT no Congresso Nacional", apresenta o texto. "Ele mesmo defendeu, em recentes sessões da Comissão de Educação do Senado, que preside, a concessão de empréstimos do BNDES para quitar dívidas de grandes conglomerados de mídia, quando a função do Banco é incentivar o desenvolvimento do país", completa a nota. A entidade olha com receio a entrada de Costa principalmente em um cenário onde o governo havia se proposto a revisar a legislação de rádio e TV e das rádios comunitárias e tem discutido a implantação do sistema de TV digital no país, mudança que pode reorganizar toda a radiodifusão como conhecemos hoje. A organização, integrante de uma articulação formada por várias entidades pelo direito à comunicação, a CRIS Brasil, critica o fato de o Ministério das Comunicações ter sido sempre usado como moeda de troca política e não ter mantido as diretrizes que visavam a democratização do setor elaboradas pela equipe de transição do governo Lula. "Continuar esta lógica e confirmar estas escolhas romperiam os últimos elos de confiança que restam entre o movimento pela democratização da comunicação, pelo direito humano à comunicação e o governo Lula", completa a nota. O senador Hélio Costa foi repórter de TV e é detentor de uma rádio em Barbacena (MG), cidade onde teve início sua carreira política. Já foi eleito pelo PRN, partido de Fernando Collor de Mello, no início da década de 90 e pelo PFL em 1999, voltando ao PMDB para disputar o senado em 2002. Estava presidindo a Comissão de Educação do Senado, instância responsável pelo exame de mérito também dos projetos da área de comunicação e aprovação das concessões de radiodifusão que são enviadas ao Congresso. Já a entrada de Silas Rondeau deve aprofundar a política energética voltada equivocada do governo Lula, avalia Marco Antônio Trierveiler, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Para ele, a presença de Rondeau, ex-presidente da Eletronorte, não sinaliza qualquer mudança no modelo energético brasileiro, caracterizado pelo foco no fornecimento de energia para grandes empresas extraírem e exportarem matérias primas e com baixa industrialização para os países estrangeiros. "O setor energético recebeu muito bem a entrada de Rondeau, assim como recebia a presença de Dilma, por colocar a política da área a serviço de um modelo que não gera emprego, beneficia o capital financeiro e prejudica o meio ambiente", pontua o representante do MAB. Outro problema detectado por Marco Antônio na política brasileira que pode ser aprofundado é o crescimento das barragens denominadas "autogeradoras". São empreendimentos bancados por grupos ligados a atividades de grande consumo de energia, em sua maioria estrangeiros, que não conseguiram mais produzir em países de primeiro mundo por conta das regras restritivas destas nações em relação ao próprio consumo de energia e a danos ambientais. Tensão no PMDB Quando os três novos peemedebistas comemoravam sua mudança para os altos postos em três importantes prédios da esplanada, a ala oposicionista do PMDB atacou. A reforma não havia reduzido a tensão entre os lados pró e contra o governo; pelo contrário, aumentou a tensão com um PMDB agora com mais participação no ministério de Lula e outro radicalmente contrário à participação no governo e favorável à candidatura própria em 2006. Neste clima, o presidente Michel Temer e os governadores da sigla se reuniram ainda na quarta-feira e divulgaram nota criticando as negociações que resultaram no aumento do espaço do partido no governo de Lula. "Os Senadores José Sarney e Renan Calheiros nunca estiveram autorizados a negociar cargos e funções em nome do Partido, motivo pelo qual os governadores censuram essas tratativas", afirma o comunicado. A nota radicaliza reiterando "a decisão tomada na Convenção Nacional do dia 12 de dezembro de 2004, que determinou o afastamento de todos os membros do Partido do Governo Federal" e propondo "o desligamento imediato do PMDB de todos aqueles que continuarem descumprindo a decisão soberana da Convenção Nacional". Jonas Valente - Agência Carta Maior
7/7/2005
Organizações da área da saúde criticam saída de Humberto Costa do Ministério. Nas Comunicações, ativistas acreditam que Hélio Costa deve aprofundar influência de grandes interesses empresariais. E o Movimento dos Atingidos por Barragens rejeita mudança na pasta de Minas e Energia. Brasília - No Planalto, o anúncio de parte da reforma ministerial feito quarta-feira (6) sinalizou uma saída para a crise nem pela esquerda, como queriam os movimentos sociais, nem pela direita, como queriam os partidários de um acordo com o PSDB, mas pelo centro, com a tática de aproximação com o PMDB pretendida pela coordenação política do governo desde o início do ano. O presidente Luis Inácio Lula da Silva tentou sanar o impasse com o PMDB divulgando uma primeira fase da dança das cadeiras na esplanada incluindo três indicados pelo partido de Renan Calheiros. O presidente da Eletronorte, Silas Rondeau, o senador Hélio Costa (MG) e o deputado Saraiva Felipe (MG) irão ocupar as pastas de Minas e Energia, Comunicações e Saúde, respectivamente. Caíram Maurício Tolmasquim, que havia assumido como substituto de Dilma Roussef, Eunício Oliveira e Humberto Costa. Estes dois últimos saíram a pedido de Lula pois irão disputar as eleições para os governos do Ceará e de Pernambuco. Lula deve anunciar na sexta-feira outras mudanças. Especula-se a saída de Ricardo Berzoini, que pode ser ocupada por Aldo Rebelo, que hoje é responsável pela Articulação Política. Outro possível nome para a pasta seria o do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, mas a proposta encontra resistência por parte de sindicalistas. Para o lugar de Aldo, que pode voltar pra Câmara ou ir para o lugar de Berzoini, o nome mais cotado é o de Jacques Wagner, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Outra mudança que passou a ser cogitada é a saída de Gushiken da Secretaria de Comunicação do Governo (Secom). A situação teria ficado difícil com as denúncias de favorecimento em relação à Gushiken tanto na destinação das verbas publicitárias quanto na contratação de consultorias para sua ex-empresa que trabalha com fundos de pensão. Nas secretarias, o ministro da Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, tem grandes chances de permanecer quando era dada como certa sua saída. Já Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, deve sair embora sua pasta não seja extinta. As mudanças nas pastas do Trabalho e dos Direitos Humanos seguem na linha da saída de José Dirceu, fortalecer o partido. Berzoini deve voltar para a Câmara, hoje o principal palco de disputa da crise. Miranda, segundo informações de fontes do Planalto, voltaria a seu Estado para disputar a presidência do PT pelo Campo Majoritário, mesma tendência de Dirceu e Lula. Retrocessos Na avaliação da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas em Educação Popular e Saúde (ANEPS), a saída de Humberto Costa é ruim para a saúde pública do país. "Nunca se avançou tanto no campo da participação popular como nos últimos anos. O fortalecimento dos conselhos de saúde e a nova forma de construir relacionamento e agenda do ministério com os Movimentos Sociais levou os movimentos e práticas de educação popular a produzirem novas formas de construção de agenda para o campo da saúde e da educação popular em saúde através da ANEPS. Humberto foi importante na condução das políticas de saúde, podemos perceber isto a partir quebra de patentes para a produção de medicamento para a AIDS e o projeto de células-tronco. Humberto sempre teve a tese de garantir o direito à saúde e a participação popular", analisa Carlos Silvan, integrante da articulação. Saraiva Felipe, o novo ministro, é um quadro da área e integrante da ala oposicionista do PMDB. Indicado por Michel Temer e ligado a Anthony Garotinho, já foi secretário de saúde de Montes Claros (MG) e do Estado de Minas Gerais, além de já ter ocupado a secretaria de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde entre 1989 e 1990. Esteve ligado ao movimento sanitarista, que construiu a proposta do Sistema Único de Saúde, mas sempre junto ao PMDB. Os movimentos sabem do perigo da interrupção de uma série de ações que foram construídas ao longo da gestão de Humberto Costa mas continuarão no "nosso lugar e com o nosso papel de articular e construir agenda pública em defesa do SUS", como informa Carlos Silvan. Na pasta das Comunicações, a avaliação de entidades da área é que o novo ministro deve aprofundar a influência dos interesses empresariais junto ao Ministério, principalmente o das Organizações Globo. O Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social divulgou nota criticando a entrada de Costa. "O senador Hélio Costa foi repórter da TV Globo, apoiador de primeira hora do governo Collor, é dono de emissoras de rádio comerciais - o que por si só já se configura em impedimento ético para o cargo pretendido, que tem como função fiscalizar a radiodifusão - e é um dos principais representantes do lobby da ABERT no Congresso Nacional", apresenta o texto. "Ele mesmo defendeu, em recentes sessões da Comissão de Educação do Senado, que preside, a concessão de empréstimos do BNDES para quitar dívidas de grandes conglomerados de mídia, quando a função do Banco é incentivar o desenvolvimento do país", completa a nota. A entidade olha com receio a entrada de Costa principalmente em um cenário onde o governo havia se proposto a revisar a legislação de rádio e TV e das rádios comunitárias e tem discutido a implantação do sistema de TV digital no país, mudança que pode reorganizar toda a radiodifusão como conhecemos hoje. A organização, integrante de uma articulação formada por várias entidades pelo direito à comunicação, a CRIS Brasil, critica o fato de o Ministério das Comunicações ter sido sempre usado como moeda de troca política e não ter mantido as diretrizes que visavam a democratização do setor elaboradas pela equipe de transição do governo Lula. "Continuar esta lógica e confirmar estas escolhas romperiam os últimos elos de confiança que restam entre o movimento pela democratização da comunicação, pelo direito humano à comunicação e o governo Lula", completa a nota. O senador Hélio Costa foi repórter de TV e é detentor de uma rádio em Barbacena (MG), cidade onde teve início sua carreira política. Já foi eleito pelo PRN, partido de Fernando Collor de Mello, no início da década de 90 e pelo PFL em 1999, voltando ao PMDB para disputar o senado em 2002. Estava presidindo a Comissão de Educação do Senado, instância responsável pelo exame de mérito também dos projetos da área de comunicação e aprovação das concessões de radiodifusão que são enviadas ao Congresso. Já a entrada de Silas Rondeau deve aprofundar a política energética voltada equivocada do governo Lula, avalia Marco Antônio Trierveiler, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Para ele, a presença de Rondeau, ex-presidente da Eletronorte, não sinaliza qualquer mudança no modelo energético brasileiro, caracterizado pelo foco no fornecimento de energia para grandes empresas extraírem e exportarem matérias primas e com baixa industrialização para os países estrangeiros. "O setor energético recebeu muito bem a entrada de Rondeau, assim como recebia a presença de Dilma, por colocar a política da área a serviço de um modelo que não gera emprego, beneficia o capital financeiro e prejudica o meio ambiente", pontua o representante do MAB. Outro problema detectado por Marco Antônio na política brasileira que pode ser aprofundado é o crescimento das barragens denominadas "autogeradoras". São empreendimentos bancados por grupos ligados a atividades de grande consumo de energia, em sua maioria estrangeiros, que não conseguiram mais produzir em países de primeiro mundo por conta das regras restritivas destas nações em relação ao próprio consumo de energia e a danos ambientais. Tensão no PMDB Quando os três novos peemedebistas comemoravam sua mudança para os altos postos em três importantes prédios da esplanada, a ala oposicionista do PMDB atacou. A reforma não havia reduzido a tensão entre os lados pró e contra o governo; pelo contrário, aumentou a tensão com um PMDB agora com mais participação no ministério de Lula e outro radicalmente contrário à participação no governo e favorável à candidatura própria em 2006. Neste clima, o presidente Michel Temer e os governadores da sigla se reuniram ainda na quarta-feira e divulgaram nota criticando as negociações que resultaram no aumento do espaço do partido no governo de Lula. "Os Senadores José Sarney e Renan Calheiros nunca estiveram autorizados a negociar cargos e funções em nome do Partido, motivo pelo qual os governadores censuram essas tratativas", afirma o comunicado. A nota radicaliza reiterando "a decisão tomada na Convenção Nacional do dia 12 de dezembro de 2004, que determinou o afastamento de todos os membros do Partido do Governo Federal" e propondo "o desligamento imediato do PMDB de todos aqueles que continuarem descumprindo a decisão soberana da Convenção Nacional". Jonas Valente - Agência Carta Maior
Reforma deve terminar amanhã
11/07/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir amanhã aquela que -segundo promete- será a última reforma ministerial do seu governo.
Lula deverá anunciar a troca dos ministros que pretendem concorrer nas eleições do próximo ano, assim como o substituto de Tarso Genro (Educação), escolhido no final de semana para a presidência nacional do PT.
O mais cotado para substituir Genro é o ministro Luiz Dulci (Secretaria-Geral). Professor de literatura, é considerado o "perfil ideal" para a pasta.
Sua saída abriria espaço para outro desejo do presidente: enxugar o número de ministérios. Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) é cotado para assumir, simultaneamente ao Conselhão, a Coordenação Política, cargo ocupado hoje por Aldo Rebelo. Poderia, ainda, acumular a Secretaria-Geral. As três pastas se localizam no Palácio do Planalto.
Wagner retornou ontem da Bahia, onde se reuniu com aliados para discutir os rumos de sua candidatura ao governo do Estado.
Apesar do desejo de manter a candidatura, o ministro avalia que sua permanência no governo é "mais vital" neste momento.
Aldo Rebelo poderia receber outra pasta ou retornar ao Congresso, como deputado -é eleito pelo PC do B de São Paulo. Segundo assessores próximos ao presidente, Lula considera que, na Câmara, Aldo desempenharia um papel mais importante na atual crise que atinge o governo.
Entre os ministros que podem deixar seus cargos em conseqüência de candidatura estão Olívio Dutra (Cidades), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Agnello Queiroz (Esporte), Romero Jucá (Previdência Social) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Na reformulação ministerial, Lula também deverá ceder uma pasta para o PP. A Folha apurou que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), pedirá hoje a Lula para indicar um nome para comandar o Ministério das Cidades. O Planalto insiste em oferecer ao PP a pasta do Esporte, mas o partido recusa.
Outra alternativa estudada por Lula é fundir Cidades ao ministério da Integração Nacional, deixando Ciro Gomes no comando da nova pasta.
Na última sexta, três peemedebistas tomaram posse nos ministérios de Minas e Energia, das Comunicações e da Saúde. Assumiram Saraiva Felipe (Saúde), Silas Rondeau (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações). ANA FLOR e SILVIO NAVARRO - Folha de São Paulo
11/07/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir amanhã aquela que -segundo promete- será a última reforma ministerial do seu governo.
Lula deverá anunciar a troca dos ministros que pretendem concorrer nas eleições do próximo ano, assim como o substituto de Tarso Genro (Educação), escolhido no final de semana para a presidência nacional do PT.
O mais cotado para substituir Genro é o ministro Luiz Dulci (Secretaria-Geral). Professor de literatura, é considerado o "perfil ideal" para a pasta.
Sua saída abriria espaço para outro desejo do presidente: enxugar o número de ministérios. Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) é cotado para assumir, simultaneamente ao Conselhão, a Coordenação Política, cargo ocupado hoje por Aldo Rebelo. Poderia, ainda, acumular a Secretaria-Geral. As três pastas se localizam no Palácio do Planalto.
Wagner retornou ontem da Bahia, onde se reuniu com aliados para discutir os rumos de sua candidatura ao governo do Estado.
Apesar do desejo de manter a candidatura, o ministro avalia que sua permanência no governo é "mais vital" neste momento.
Aldo Rebelo poderia receber outra pasta ou retornar ao Congresso, como deputado -é eleito pelo PC do B de São Paulo. Segundo assessores próximos ao presidente, Lula considera que, na Câmara, Aldo desempenharia um papel mais importante na atual crise que atinge o governo.
Entre os ministros que podem deixar seus cargos em conseqüência de candidatura estão Olívio Dutra (Cidades), Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Agnello Queiroz (Esporte), Romero Jucá (Previdência Social) e Marina Silva (Meio Ambiente).
Na reformulação ministerial, Lula também deverá ceder uma pasta para o PP. A Folha apurou que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), pedirá hoje a Lula para indicar um nome para comandar o Ministério das Cidades. O Planalto insiste em oferecer ao PP a pasta do Esporte, mas o partido recusa.
Outra alternativa estudada por Lula é fundir Cidades ao ministério da Integração Nacional, deixando Ciro Gomes no comando da nova pasta.
Na última sexta, três peemedebistas tomaram posse nos ministérios de Minas e Energia, das Comunicações e da Saúde. Assumiram Saraiva Felipe (Saúde), Silas Rondeau (Minas e Energia) e Hélio Costa (Comunicações). ANA FLOR e SILVIO NAVARRO - Folha de São Paulo
Fim da reforma ministerial polariza atenções
11/07/2005
Divulgação de índice de popularidade de Lula também gera expectativa. A conclusão da reforma ministerial e novos dados sobre a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva medidos pela pesquisa CNT/Sensus concentram as atenções sobre Brasília nesta semana. A pesquisa, que será divulgada amanhã, trará indicadores atualizados sobre o impacto da crise política - que completa 50 dias - na avaliação da imagem do presidente Lula e do governo. Outro dado valioso é em que medida a maior intensidade das turbulências envolvendo a cúpula do PT e integrantes do governo alteraram as últimas simulações para a corrida presidencial do ano que vem. A pesquisa também trará uma avaliação sobre o Congresso, afundado nas denúncias de corrupção.
Na rodada anterior, divulgada no final de maio, o presidente teve 57,4% de aprovação, em uma suave queda em relação a abril (60,1%), com a aprovação subindo de 29,0% para 32,7%. Ao longo do ano, a aprovação declinou oito pontos e a desaprovação avançou seis, quando a comparação é feita com os números de dezembro. Espera-se agora uma queda mais brusca, em decorrência da sucessão de denúncias negativas para o governo.
A nova etapa da reforma que será anunciada entre hoje e amanhã, antes do presidente Lula embarcar para a França, deve incluir o Banco Central, as estatais e contemplar o PMDB com mais um ministério, além dos três já recebidos na semana passada (Saúde, Comunicações e Minas e Energia), empossados na sexta-feira. Abrangerá também o Ministério da Educação, que não estava cogitado entre as mudanças. O atual ministro, Tarso Genro, deixará a Educação para presidir o PT, cargo para o qual foi eleito neste final de semana depois da renúncia de José Genoino, desgastado pelas denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pelo partido. Genro indicou para o Ministério da Educação o secretário-executivo do ministério, Fernando Hadad. O PT quer que o Ministério da Educação continue com o partido. Todos os ministros que pretendem disputar eleições em 2006 deverão deixar os cargos, uma vez que Lula pretende fazer desta a última mudança de peso em sua equipe ministerial. Em abril se encerra o prazo para desincompatibilização dos candidatos em outubro de 2006. Neste critério se encaixam Ricardo Berzoini, que volta à Câmara dos Deputados e na sexta-feira foi substituído pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho; e o ministro das Cidades, Olivio Dutra, cuja Pasta poderá ficar com o PMDB. Berzoini foi eleito novo secretário-geral do PT, em substituição a Silvio Pereira, um dos quatro dirigentes petistas afastados do comando da legenda, cuja exposição negativa cresceu nas últimas semanas.
Embora o presidente da República negue, ontem circulavam em Brasília fortes rumores de que o ministro da Comunicação Institucional e Assuntos Estratégicos, Luiz Gushiken, poderia ser substituído pelo ministro Aldo Rebelo, que deixaria a Coordenação Política. É dado como certa a permanência de Rebelo no governo.
"O ministro Luiz Gushiken só sai do governo se quiser. Digo isso para acabar com os boatos. Não podemos a qualquer insinuação contra um companheiro, achar que ele é culpado. Quem fizer acusações precisa provar porque se não as ilações tomarão conta da política nacional", disse o presidente Lula durante a cerimônia de posse dos novos ministros nomeados semana passada. Ele referia-se às acusações de que Gushiken estaria relacionado ao aumento do faturamento da empresa da qual era sócio, a Globalprev, e que uma revista editada por um irmão dele teria sido beneficiada por anúncios do governo.
A troca de cadeiras também deve substituir políticos por técnicos e o novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, poderá ainda fazer alterações na direção das estatais vinculadas à sua Pasta. Rondeau, no entanto, afirmou que ainda não sabe quem indicará para comandar a Eletrobrás, empresa presidida por ele até ser nomeado ministro das Minas e Energia.
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, deve estar na lista dos dirigentes de estatais que deixarão os cargos. Dutra disse que informou ao presidente Lula sua intenção de disputar uma vaga para o Senado em 2006 pelo seu estado, o Sergipe. "Eu conversei com o presidente e disse que minha vontade é ser candidato", afirmou Dutra na sexta-feira.
O PP poderá ficar com o Ministério dos Esportes. Até sexta-feira, o indicado pelo presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), era Ciro Nogueira (PP-PI).
Lula também deve confirmar o ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, na função de articulador político com o Congresso.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, é um dos cotados para assumir o Ministério da Previdência Social, no lugar de Romero Jucá, que voltará ao Senado. Levy é cogitado na hipótese de a Previdência e Assistência Social ficar com um técnico, mas também há a possibilidade de a Pasta ser entregue a um político.
A dança das cadeiras também pode resultar na substituição de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. Cogita-se na escolha do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, para a função.
kicker: Embora o presidente da República negue, circularam em Brasília rumores de que Gushiken seria substituído por Rebelo Gazeta Mercantil
11/07/2005
Divulgação de índice de popularidade de Lula também gera expectativa. A conclusão da reforma ministerial e novos dados sobre a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva medidos pela pesquisa CNT/Sensus concentram as atenções sobre Brasília nesta semana. A pesquisa, que será divulgada amanhã, trará indicadores atualizados sobre o impacto da crise política - que completa 50 dias - na avaliação da imagem do presidente Lula e do governo. Outro dado valioso é em que medida a maior intensidade das turbulências envolvendo a cúpula do PT e integrantes do governo alteraram as últimas simulações para a corrida presidencial do ano que vem. A pesquisa também trará uma avaliação sobre o Congresso, afundado nas denúncias de corrupção.
Na rodada anterior, divulgada no final de maio, o presidente teve 57,4% de aprovação, em uma suave queda em relação a abril (60,1%), com a aprovação subindo de 29,0% para 32,7%. Ao longo do ano, a aprovação declinou oito pontos e a desaprovação avançou seis, quando a comparação é feita com os números de dezembro. Espera-se agora uma queda mais brusca, em decorrência da sucessão de denúncias negativas para o governo.
A nova etapa da reforma que será anunciada entre hoje e amanhã, antes do presidente Lula embarcar para a França, deve incluir o Banco Central, as estatais e contemplar o PMDB com mais um ministério, além dos três já recebidos na semana passada (Saúde, Comunicações e Minas e Energia), empossados na sexta-feira. Abrangerá também o Ministério da Educação, que não estava cogitado entre as mudanças. O atual ministro, Tarso Genro, deixará a Educação para presidir o PT, cargo para o qual foi eleito neste final de semana depois da renúncia de José Genoino, desgastado pelas denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pelo partido. Genro indicou para o Ministério da Educação o secretário-executivo do ministério, Fernando Hadad. O PT quer que o Ministério da Educação continue com o partido. Todos os ministros que pretendem disputar eleições em 2006 deverão deixar os cargos, uma vez que Lula pretende fazer desta a última mudança de peso em sua equipe ministerial. Em abril se encerra o prazo para desincompatibilização dos candidatos em outubro de 2006. Neste critério se encaixam Ricardo Berzoini, que volta à Câmara dos Deputados e na sexta-feira foi substituído pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho; e o ministro das Cidades, Olivio Dutra, cuja Pasta poderá ficar com o PMDB. Berzoini foi eleito novo secretário-geral do PT, em substituição a Silvio Pereira, um dos quatro dirigentes petistas afastados do comando da legenda, cuja exposição negativa cresceu nas últimas semanas.
Embora o presidente da República negue, ontem circulavam em Brasília fortes rumores de que o ministro da Comunicação Institucional e Assuntos Estratégicos, Luiz Gushiken, poderia ser substituído pelo ministro Aldo Rebelo, que deixaria a Coordenação Política. É dado como certa a permanência de Rebelo no governo.
"O ministro Luiz Gushiken só sai do governo se quiser. Digo isso para acabar com os boatos. Não podemos a qualquer insinuação contra um companheiro, achar que ele é culpado. Quem fizer acusações precisa provar porque se não as ilações tomarão conta da política nacional", disse o presidente Lula durante a cerimônia de posse dos novos ministros nomeados semana passada. Ele referia-se às acusações de que Gushiken estaria relacionado ao aumento do faturamento da empresa da qual era sócio, a Globalprev, e que uma revista editada por um irmão dele teria sido beneficiada por anúncios do governo.
A troca de cadeiras também deve substituir políticos por técnicos e o novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, poderá ainda fazer alterações na direção das estatais vinculadas à sua Pasta. Rondeau, no entanto, afirmou que ainda não sabe quem indicará para comandar a Eletrobrás, empresa presidida por ele até ser nomeado ministro das Minas e Energia.
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, deve estar na lista dos dirigentes de estatais que deixarão os cargos. Dutra disse que informou ao presidente Lula sua intenção de disputar uma vaga para o Senado em 2006 pelo seu estado, o Sergipe. "Eu conversei com o presidente e disse que minha vontade é ser candidato", afirmou Dutra na sexta-feira.
O PP poderá ficar com o Ministério dos Esportes. Até sexta-feira, o indicado pelo presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), era Ciro Nogueira (PP-PI).
Lula também deve confirmar o ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, na função de articulador político com o Congresso.
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, é um dos cotados para assumir o Ministério da Previdência Social, no lugar de Romero Jucá, que voltará ao Senado. Levy é cogitado na hipótese de a Previdência e Assistência Social ficar com um técnico, mas também há a possibilidade de a Pasta ser entregue a um político.
A dança das cadeiras também pode resultar na substituição de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. Cogita-se na escolha do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, para a função.
kicker: Embora o presidente da República negue, circularam em Brasília rumores de que Gushiken seria substituído por Rebelo Gazeta Mercantil
Lula promete concluir troca de ministros até terça
8/7/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, durante a solenidade de posse dos novos ministros, que pretende concluir a reforma ministerial até terça-feira. Ele reafirmou que só vai manter em sua equipe auxiliares que possam continuar nos cargos até o final do mandato, em dezembro de 2006. "Quem for candidato não pode ficar", avisou Lula, acrescentando que já conversou com todos os ministros sobre o assunto. Eunício Oliveira deixou o cargo de ministro das Comunicações, porque quer ser candidato ao governo do estado do Ceará no próximo ano. Seu sucessor, o senador Hélio Costa (PMDB-MG), comprometeu-se a não se candidatar nas próximas eleições. Esta é a terceira troca no comando do Ministério das Comunicações em menos de três anos de governo, processo semelhante ao vivido pela Anatel no governo Lula. Mas o presidente da Anatel, Elifas Gurgel, está otimista: disse que nada deve mudar no relacionamento da agência com o Ministério, mas ele ainda vai conversar com o novo ministro sobre as ações da Anatel e prioridades para o setor de telecomunicações. Para o conselheiro e ex-presidente da Anatel, Pedro Jaime Ziller, a nomeação de Hélio Costa não representa risco de problema de solução de continuidade. Segundo ele, Hélio Costa, como senador, já mantinha um bom relacionamento com a Anatel. No discurso, Lula descartou a possibilidade de demissão do ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação e Ações Estratégicas. "O companheiro Gushiken continuará dirigindo a Secom, a não ser que em algum momento ele ale que não quer ficar", afirmou. Na defesa de Gushiken, o presidente disse que não pode achar que as pessoas são culpadas a partir de qualquer insinuação e ressaltou que quem faz acusação tem que provar. "Estou dizendo isso para acabar com os boatos", acrescentou. Gilson Euzébio - Telecom Online
8/7/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, durante a solenidade de posse dos novos ministros, que pretende concluir a reforma ministerial até terça-feira. Ele reafirmou que só vai manter em sua equipe auxiliares que possam continuar nos cargos até o final do mandato, em dezembro de 2006. "Quem for candidato não pode ficar", avisou Lula, acrescentando que já conversou com todos os ministros sobre o assunto. Eunício Oliveira deixou o cargo de ministro das Comunicações, porque quer ser candidato ao governo do estado do Ceará no próximo ano. Seu sucessor, o senador Hélio Costa (PMDB-MG), comprometeu-se a não se candidatar nas próximas eleições. Esta é a terceira troca no comando do Ministério das Comunicações em menos de três anos de governo, processo semelhante ao vivido pela Anatel no governo Lula. Mas o presidente da Anatel, Elifas Gurgel, está otimista: disse que nada deve mudar no relacionamento da agência com o Ministério, mas ele ainda vai conversar com o novo ministro sobre as ações da Anatel e prioridades para o setor de telecomunicações. Para o conselheiro e ex-presidente da Anatel, Pedro Jaime Ziller, a nomeação de Hélio Costa não representa risco de problema de solução de continuidade. Segundo ele, Hélio Costa, como senador, já mantinha um bom relacionamento com a Anatel. No discurso, Lula descartou a possibilidade de demissão do ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação e Ações Estratégicas. "O companheiro Gushiken continuará dirigindo a Secom, a não ser que em algum momento ele ale que não quer ficar", afirmou. Na defesa de Gushiken, o presidente disse que não pode achar que as pessoas são culpadas a partir de qualquer insinuação e ressaltou que quem faz acusação tem que provar. "Estou dizendo isso para acabar com os boatos", acrescentou. Gilson Euzébio - Telecom Online
Governo espera concluir a reforma ministerial amanhã
11/07/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda a décima reunião ministerial do seu governo amanhã, quando espera concluir todas as mudanças nos ministérios. Lula apresentará formalmente os novos integrantes da equipe e, mais uma vez, pedirá um choque de eficiência na gestão pública. Com a troca de vários ministros e a ampliação do espaço do PMDB no Executivo, Lula tenta retomar a agenda positiva em meio à profunda crise política que abalou o partido do presidente e paralisou mais uma vez o governo.
Além dos novos ministros do PMDB, já empossados, deve ser anunciado hoje o substituto do ministro Romero Jucá, da Previdência, que pediu demissão. O presidente confirmou na sexta-feira a escolha de Luiz Marinho, presidente da CUT, para ser o ministro do Trabalho, no lugar de Ricardo Berzoini, que vai voltar à Câmara e foi escolhido, no fim de semana, para o cargo de secretário geral do PT. Lula também fez questão de desmentir que o ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação, estivesse deixando o governo. Segundo o presidente, Gushiken, que pediu demissão na semana passada, só sai se quiser. Como ele não foi obrigado a pedir demissão, é preciso aguardar o real desfecho desse caso.
Lula terá que escolher também o substituto do ministro da Educação, Tarso Genro, designado no fim de semana para presidir o PT, e do ministro da Previdência, Romero Jucá. O deputado Paulo Delgado (PT-MG), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, é um dos nomes mais cotados para o Ministério da Educação. Junto com Cristovam Buarque, que já foi ministro no primeiro ano do mandato, e Tarso Genro, ministro no segundo ano, Delgado integra o grupo de políticos mais preparados do partido. O presidente Lula ainda poderia indicar, para o MEC, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, que na primeira troca de ministros esteve cotado para o cargo.
A saída de Dulci do Palácio do Planalto abriria a possibilidade para a junção da Secretaria Geral, com a Secretaria Executiva do Conselhão e a Secretaria da Coordenação Política em uma única estrutura, a ser comandada pelo ministro Jaques Wagner. O presidente tinha ainda duas opções para a Educação: Walfrido Mares Guia, que não gostaria de tirar do Ministério do Turismo; e também Aldo Rebelo, mas nestes dois casos o ministério sairia das mãos do PT, que já perdeu o da Saúde.
Tarso Genro anunciou, em São Paulo, que pretende ficar no cargo até o fim do mês, acumulando a função de ministro com a de presidente do PT. A lei não veda esta acumulação, embora seja difícil levá-la adiante com as duas instituições - partido e governo - em crise. Genro anunciou também ter sugerido ao presidente o nome de seu secretário-executivo, Fernando Haddad, para ministro da Educação. No PT, a proposta foi criticada. O ministro estaria com isso guardando lugar, nos dois meses de interinidade de Haddad, para voltar ao ministério caso não seja eleito presidente do PT no processo de eleição direta de setembro. "É claro que ele vai ser presidente e a Educação não pode ficar nesta indefinição", disse uma autoridade próxima ao presidente.
Lula insiste na idéia de ter um empresário neste seu novo ministério. O último que convidou foi Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, para a Previdência. Hoje e amanhã deve ficar definida também a principal medida administrativa do choque de gestão pretendido pelo presidente: a unificação das Receita Federal e da Receita da Previdência, no Ministério da Fazenda, iniciativa acompanhada de outras providências destinadas a dar ao INSS condições de gerir com competência esta área do governo. Podem ser definidas também as mudanças nas estatais. José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, confirmou sexta-feira que está deixando o cargo para se candidatar em 2006.
Lula adiou por duas vezes a reunião ministerial. Primeiro, foi marcada para sexta-feira, depois foi adiada para hoje e, mais tarde, para terça. Para fazer o encontro amanhã, Lula precisou adiar o horário do vôo para Paris, onde participa, até sexta-feira, da Semana Brasileira na França. Taciana Collet e Rosângela Bittar - Valor Econômico
11/07/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda a décima reunião ministerial do seu governo amanhã, quando espera concluir todas as mudanças nos ministérios. Lula apresentará formalmente os novos integrantes da equipe e, mais uma vez, pedirá um choque de eficiência na gestão pública. Com a troca de vários ministros e a ampliação do espaço do PMDB no Executivo, Lula tenta retomar a agenda positiva em meio à profunda crise política que abalou o partido do presidente e paralisou mais uma vez o governo.
Além dos novos ministros do PMDB, já empossados, deve ser anunciado hoje o substituto do ministro Romero Jucá, da Previdência, que pediu demissão. O presidente confirmou na sexta-feira a escolha de Luiz Marinho, presidente da CUT, para ser o ministro do Trabalho, no lugar de Ricardo Berzoini, que vai voltar à Câmara e foi escolhido, no fim de semana, para o cargo de secretário geral do PT. Lula também fez questão de desmentir que o ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação, estivesse deixando o governo. Segundo o presidente, Gushiken, que pediu demissão na semana passada, só sai se quiser. Como ele não foi obrigado a pedir demissão, é preciso aguardar o real desfecho desse caso.
Lula terá que escolher também o substituto do ministro da Educação, Tarso Genro, designado no fim de semana para presidir o PT, e do ministro da Previdência, Romero Jucá. O deputado Paulo Delgado (PT-MG), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, é um dos nomes mais cotados para o Ministério da Educação. Junto com Cristovam Buarque, que já foi ministro no primeiro ano do mandato, e Tarso Genro, ministro no segundo ano, Delgado integra o grupo de políticos mais preparados do partido. O presidente Lula ainda poderia indicar, para o MEC, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, que na primeira troca de ministros esteve cotado para o cargo.
A saída de Dulci do Palácio do Planalto abriria a possibilidade para a junção da Secretaria Geral, com a Secretaria Executiva do Conselhão e a Secretaria da Coordenação Política em uma única estrutura, a ser comandada pelo ministro Jaques Wagner. O presidente tinha ainda duas opções para a Educação: Walfrido Mares Guia, que não gostaria de tirar do Ministério do Turismo; e também Aldo Rebelo, mas nestes dois casos o ministério sairia das mãos do PT, que já perdeu o da Saúde.
Tarso Genro anunciou, em São Paulo, que pretende ficar no cargo até o fim do mês, acumulando a função de ministro com a de presidente do PT. A lei não veda esta acumulação, embora seja difícil levá-la adiante com as duas instituições - partido e governo - em crise. Genro anunciou também ter sugerido ao presidente o nome de seu secretário-executivo, Fernando Haddad, para ministro da Educação. No PT, a proposta foi criticada. O ministro estaria com isso guardando lugar, nos dois meses de interinidade de Haddad, para voltar ao ministério caso não seja eleito presidente do PT no processo de eleição direta de setembro. "É claro que ele vai ser presidente e a Educação não pode ficar nesta indefinição", disse uma autoridade próxima ao presidente.
Lula insiste na idéia de ter um empresário neste seu novo ministério. O último que convidou foi Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, para a Previdência. Hoje e amanhã deve ficar definida também a principal medida administrativa do choque de gestão pretendido pelo presidente: a unificação das Receita Federal e da Receita da Previdência, no Ministério da Fazenda, iniciativa acompanhada de outras providências destinadas a dar ao INSS condições de gerir com competência esta área do governo. Podem ser definidas também as mudanças nas estatais. José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, confirmou sexta-feira que está deixando o cargo para se candidatar em 2006.
Lula adiou por duas vezes a reunião ministerial. Primeiro, foi marcada para sexta-feira, depois foi adiada para hoje e, mais tarde, para terça. Para fazer o encontro amanhã, Lula precisou adiar o horário do vôo para Paris, onde participa, até sexta-feira, da Semana Brasileira na França. Taciana Collet e Rosângela Bittar - Valor Econômico
Novos ministros recebem cargos nesta segunda-feira
11/07/2005
Os três novos ministros do governo Lula assumem efetivamente as pastas nesta segunda-feira (11). A transmissão do cargo por Humberto Costa ao titular da Saúde, Saraiva Felipe, ocorre às 15 horas no estacionamento em frente ao ministério. O novo ministro de Minas e Energia (MME), Silas Rondeau, recebe o cargo de Maurício Tolmasquim, que ocupava interinamente a pasta, às 16 horas, no auditório do MME. A transmissão de cargo por Eunício Oliveira ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, está prevista para as 17 horas. Correio Braziliense
11/07/2005
Os três novos ministros do governo Lula assumem efetivamente as pastas nesta segunda-feira (11). A transmissão do cargo por Humberto Costa ao titular da Saúde, Saraiva Felipe, ocorre às 15 horas no estacionamento em frente ao ministério. O novo ministro de Minas e Energia (MME), Silas Rondeau, recebe o cargo de Maurício Tolmasquim, que ocupava interinamente a pasta, às 16 horas, no auditório do MME. A transmissão de cargo por Eunício Oliveira ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, está prevista para as 17 horas. Correio Braziliense
A ruína de um modelo partidário
7/7/2005
O abandono de uma perspectiva de esquerda, por parte da direção do PT, é uma das principais causas da crise atual. A amplitude de alianças sem identidade programática comprometeu a identidade do próprio PT e não significou avanços importantes. A gravíssima crise política que abala a nação brasileira tem contornos e significados que transcendem os eventuais desfechos factuais - políticos ou legais - que venha a ter. Da mesma forma, os aspectos que conformam a origem da presente crise foram fecundados em períodos muito anteriores à assunção do Partido dos Trabalhadores ao governo central do país. Portanto, suas causas também não são meramente circunstanciais ou fruto de erros contingentes, o que desgraçadamente torna ainda mais dramático seu sentido e suas implicações estratégicas. Independentemente da extensão de verdade que as acusações feitas por um ex-aliado do Governo Lula (que também foi grande artífice do Governo Collor) possam possuir, o fato é que as graves revelações que não têm sido convincentemente refutadas pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores sugerem a existência de nexos que supostamente envolveriam dirigentes partidários com esquemas escabrosos da pior espécie da política oligárquica nacional. Um estado de estupefação, dor e vergonha domina toda a militância e um imenso contingente de simpatizantes do PT. No Brasil e também no exterior, dada a enorme expectativa internacional gerada pelo PT e o Governo Lula na luta pela superação do neoliberalismo e na construção de uma alternativa de esquerda num país com grande importância na geopolítica mundial. E parece ser justamente o abandono de uma perspectiva de esquerda uma das principais causas dos acontecimentos atuais; ou de outra forma: a renúncia, de parte do setor majoritário do PT, da construção de um projeto verdadeiramente democrático e popular para o Brasil, tem como ponto final de condensação o estágio atual em que o Partido e o Governo estacionaram. Da célebre participação eleitoral de 1989, quando o PT foi fraudulentamente derrotado pelas elites nacionais com o conluio dos monopólios de comunicação, lamentavelmente a lição recolhida não foi a do conhecimento e interpretação da estrutura e da natureza perversa da classe dominante do país e de sua disposição intransigente de liquidar qualquer adversário de classe que ameace seus interesses históricos. Ao contrário, foi crescendo ao interior do PT uma vertente teórica e ideológica que preconizou a incondicional adaptação e internação ao jogo político conservador e à "parlamentarização da política" em desfavor das estratégias de acumulação de forças que combinam as conquistas institucionais fundadas (i) na afirmação programática (como a democracia participativa com inclusão social e desenvolvimento endógeno), (ii) na nitidez ideológica (iii) com os avanços das lutas sociais e o apoio popular aos governos de esquerda como mecanismos de construção de uma nova hegemonia na sociedade. O curioso, inclusive, é que o centro de gravidade daquela política majoritária no PT sempre esteve distanciada dos principais centros de experimentação vividos pelo PT, como Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio Grande do Sul. Pode-se alegar que nestas localidades simbólicas, especialmente em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, o PT sofreu derrotas. Sim, é verdade, sofreu tão somente derrotas (embora perfazendo mais de 47% dos votos), mas nunca sofreu tamanha desmoralização como atualmente o PT vem sofrendo. Ainda assim, tais derrotas podem ser em boa medida atribuídas a fatores internos como a primazia da luta interna em detrimento do enfrentamento aos adversários externos ao projeto partidário. Esta parte do PT que "parlamentarizou a política" reservou para si a tarefa de falar, decidir e (mal)agir em nome de todo o PT e de sua apaixonada e inocente militância. Ao invés do fortalecimento do espaço público de participação e deliberação social e da fundação da verdadeira res pública brasileira, esta forma de condução partidária fez da patrimonialização, do clientelismo e do convívio político promíscuo um método natural da atividade política. A confusão vivida na relação Partido-Estado-Governo apresenta contradições tão eloqüentes que ganha ilustração quase enciclopédica, se torna fonte literária com riqueza e refinamento de detalhes do protagonismo de agentes políticos que afrontam as melhores aspirações republicanas e democráticas. Além dessa forma de atuação, desse modus operandi que guarda similitude com a forma tradicional e retrógrada de fazer política no Brasil, é notável também o mimetismo econômico do PT, cujo programa conservador vem comprometendo a possibilidade de desenvolvimento com justiça social e distribuição de renda, ao mesmo tempo em que continua favorecendo os setores rentistas e o capital financeiro. Esta forma de condução partidária definitivamente faliu; demonstrou-se ineficiente em absolutamente todos os seus pressupostos e objetivos. A amplitude de alianças sem identidade programática comprometeu a identidade do próprio PT e não significou avanços e vitórias congressuais importantes. Ao contrário, a eleição do Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados é o melhor sinal deste fracasso, ainda que a divisão da bancada do PT tenha contribuído para tanto. Ao invés da construção de uma maioria social, alicerçada no controle social do Estado e na participação direta da população na definição dos rumos governamentais, prevalece uma visão equivocada de governabilidade focada no Congresso Nacional, que tem sido cada vez mais onerosa política, ética e moralmente. O abrandamento programático - para alguns a "modernização" do PT - tem representado um refluxo político e social importante para a maioria pobre do povo brasileiro. Com exceção de alguns avanços pontuais no Governo - área externa, agricultura familiar, meio ambiente, questão habitacional, etc - no conjunto o PT e a esquerda vêm sofrendo uma derrota histórica de sentido estratégico, pois as atuais orientações preservam fundamentalmente os pilares da dominação, da miséria e da exclusão social no país. Além disso, são políticas que não empolgam as grandes massas, que já não encantam multidões que poderiam sustentar um governo de esquerda com ousadia para superar a ordem secular perversa vigente no país. Este momento representa a ruína definitiva de um modelo de condução partidária que ocasionou um processo acelerado de deterioração ideológica do PT. Este modelo comprometeu o PT e representa o abandono de referenciais estratégicos que sempre fizeram do PT um instrumento estratégico de disputa e construção de um novo poder, democrático, popular e socialista. Dessas ruínas, a tarefa é reconstruir e refundar o PT a partir de sua razão essencial de ser, qual seja, a de um partido de esquerda, ético e construtor de um futuro generoso para o povo brasileiro. Jeferson Miola - integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial - Agência Carta Maior
7/7/2005
O abandono de uma perspectiva de esquerda, por parte da direção do PT, é uma das principais causas da crise atual. A amplitude de alianças sem identidade programática comprometeu a identidade do próprio PT e não significou avanços importantes. A gravíssima crise política que abala a nação brasileira tem contornos e significados que transcendem os eventuais desfechos factuais - políticos ou legais - que venha a ter. Da mesma forma, os aspectos que conformam a origem da presente crise foram fecundados em períodos muito anteriores à assunção do Partido dos Trabalhadores ao governo central do país. Portanto, suas causas também não são meramente circunstanciais ou fruto de erros contingentes, o que desgraçadamente torna ainda mais dramático seu sentido e suas implicações estratégicas. Independentemente da extensão de verdade que as acusações feitas por um ex-aliado do Governo Lula (que também foi grande artífice do Governo Collor) possam possuir, o fato é que as graves revelações que não têm sido convincentemente refutadas pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores sugerem a existência de nexos que supostamente envolveriam dirigentes partidários com esquemas escabrosos da pior espécie da política oligárquica nacional. Um estado de estupefação, dor e vergonha domina toda a militância e um imenso contingente de simpatizantes do PT. No Brasil e também no exterior, dada a enorme expectativa internacional gerada pelo PT e o Governo Lula na luta pela superação do neoliberalismo e na construção de uma alternativa de esquerda num país com grande importância na geopolítica mundial. E parece ser justamente o abandono de uma perspectiva de esquerda uma das principais causas dos acontecimentos atuais; ou de outra forma: a renúncia, de parte do setor majoritário do PT, da construção de um projeto verdadeiramente democrático e popular para o Brasil, tem como ponto final de condensação o estágio atual em que o Partido e o Governo estacionaram. Da célebre participação eleitoral de 1989, quando o PT foi fraudulentamente derrotado pelas elites nacionais com o conluio dos monopólios de comunicação, lamentavelmente a lição recolhida não foi a do conhecimento e interpretação da estrutura e da natureza perversa da classe dominante do país e de sua disposição intransigente de liquidar qualquer adversário de classe que ameace seus interesses históricos. Ao contrário, foi crescendo ao interior do PT uma vertente teórica e ideológica que preconizou a incondicional adaptação e internação ao jogo político conservador e à "parlamentarização da política" em desfavor das estratégias de acumulação de forças que combinam as conquistas institucionais fundadas (i) na afirmação programática (como a democracia participativa com inclusão social e desenvolvimento endógeno), (ii) na nitidez ideológica (iii) com os avanços das lutas sociais e o apoio popular aos governos de esquerda como mecanismos de construção de uma nova hegemonia na sociedade. O curioso, inclusive, é que o centro de gravidade daquela política majoritária no PT sempre esteve distanciada dos principais centros de experimentação vividos pelo PT, como Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio Grande do Sul. Pode-se alegar que nestas localidades simbólicas, especialmente em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, o PT sofreu derrotas. Sim, é verdade, sofreu tão somente derrotas (embora perfazendo mais de 47% dos votos), mas nunca sofreu tamanha desmoralização como atualmente o PT vem sofrendo. Ainda assim, tais derrotas podem ser em boa medida atribuídas a fatores internos como a primazia da luta interna em detrimento do enfrentamento aos adversários externos ao projeto partidário. Esta parte do PT que "parlamentarizou a política" reservou para si a tarefa de falar, decidir e (mal)agir em nome de todo o PT e de sua apaixonada e inocente militância. Ao invés do fortalecimento do espaço público de participação e deliberação social e da fundação da verdadeira res pública brasileira, esta forma de condução partidária fez da patrimonialização, do clientelismo e do convívio político promíscuo um método natural da atividade política. A confusão vivida na relação Partido-Estado-Governo apresenta contradições tão eloqüentes que ganha ilustração quase enciclopédica, se torna fonte literária com riqueza e refinamento de detalhes do protagonismo de agentes políticos que afrontam as melhores aspirações republicanas e democráticas. Além dessa forma de atuação, desse modus operandi que guarda similitude com a forma tradicional e retrógrada de fazer política no Brasil, é notável também o mimetismo econômico do PT, cujo programa conservador vem comprometendo a possibilidade de desenvolvimento com justiça social e distribuição de renda, ao mesmo tempo em que continua favorecendo os setores rentistas e o capital financeiro. Esta forma de condução partidária definitivamente faliu; demonstrou-se ineficiente em absolutamente todos os seus pressupostos e objetivos. A amplitude de alianças sem identidade programática comprometeu a identidade do próprio PT e não significou avanços e vitórias congressuais importantes. Ao contrário, a eleição do Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados é o melhor sinal deste fracasso, ainda que a divisão da bancada do PT tenha contribuído para tanto. Ao invés da construção de uma maioria social, alicerçada no controle social do Estado e na participação direta da população na definição dos rumos governamentais, prevalece uma visão equivocada de governabilidade focada no Congresso Nacional, que tem sido cada vez mais onerosa política, ética e moralmente. O abrandamento programático - para alguns a "modernização" do PT - tem representado um refluxo político e social importante para a maioria pobre do povo brasileiro. Com exceção de alguns avanços pontuais no Governo - área externa, agricultura familiar, meio ambiente, questão habitacional, etc - no conjunto o PT e a esquerda vêm sofrendo uma derrota histórica de sentido estratégico, pois as atuais orientações preservam fundamentalmente os pilares da dominação, da miséria e da exclusão social no país. Além disso, são políticas que não empolgam as grandes massas, que já não encantam multidões que poderiam sustentar um governo de esquerda com ousadia para superar a ordem secular perversa vigente no país. Este momento representa a ruína definitiva de um modelo de condução partidária que ocasionou um processo acelerado de deterioração ideológica do PT. Este modelo comprometeu o PT e representa o abandono de referenciais estratégicos que sempre fizeram do PT um instrumento estratégico de disputa e construção de um novo poder, democrático, popular e socialista. Dessas ruínas, a tarefa é reconstruir e refundar o PT a partir de sua razão essencial de ser, qual seja, a de um partido de esquerda, ético e construtor de um futuro generoso para o povo brasileiro. Jeferson Miola - integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial - Agência Carta Maior
A hora e a vez
4/7/2005
Para obter o controle e o comando do PT não basta à esquerda mostrar que tem as mãos limpas ou prometer o resgate dos valores do partido. É imprescindível que ela apresente uma proposta para enfrentar e debelar a crise. Uma série de paradoxos, de sinais contraditórios, tem dificultado uma compreensão nítida da crise institucional instaurada no Brasil. Uma parte ponderável da esquerda prende-se a análises equivocadas que limitam sua ação política, impedindo-a de aproveitar as oportunidades para se fortalecer numa conjuntura que lhe é favorável. O caráter atípico da crise torna-se evidente quando se levam em conta os fatores, a dinâmica e os desdobramentos de episódios semelhantes na periferia do capitalismo. Não presenciamos uma mobilização popular para contestar as políticas neoliberais do governo, como tem sido regra recentemente na América Latina, mas antes uma ofensiva da direita e dos setores conservadores. Mas tampouco se trata de uma repetição do paradigma leninista do embate entre revolução e contra-revolução, já que a política governamental passa longe de qualquer laivo revolucionário. As tentativas de entender a crise brasileira a partir desses modelos só fazem ressaltar a impossibilidade de enquadrar os eventos atuais nesse padrão, impossibilitando uma resposta adequada à situação. Por exemplo, a partir da observação, verdadeira, de que a política econômica do trio Palocci-FMI-tucanato tem beneficiado a elite econômica infere-se, erroneamente, pela inexistência de uma operação de desestabilização do governo. O dispositivo dessa operação já foi acionado, está em pleno funcionamento e mira no impedimento do presidente que foi eleito em 2002 com uma maioria consagradora. Não ver esse processo é comportar-se como os filósofos idealistas para quem só é real o que é racional ou como um juiz que decide pela não existência de um crime, posto que a motivação não é evidente. O cativeiro categorial não redunda apenas na famosa tese "pior para os fatos", mas gera práticas paralisantes. A direita do PT agarra-se à falsa expectativa de que agradando ao poder econômico não será apeada do poder e dá-lhe cada vez mais do mesmo, ampliando a estratégia de capitulação que é a própria fonte do fracasso. Parte da esquerda assiste a esse movimento como uma confirmação de suas teses, lava as suas mãos, quando não resolve ajudar a pôr álcool na fogueira. Parece oportuno lembrar aqui a famosa piada do Garrincha: tudo bem, as elites não vão querer derrubar o Lula, mas quem combinou isso com elas? O caráter atípico da situação advém do fato de que se trata, sim, de mais um desdobramento de recorrentes e fracassadas tentativas de gerir o Estado e a crise social adotando políticas neoliberais, ainda que em versão mitigada e com políticas compensatórias como amortecedores. Se essa tática da social-democracia européia não deu certo no coração do Estado do bem-estar social não seria no país campeão em desigualdades sociais que haveria de funcionar. Mas o que parece atordoar a todos é que esse fracasso está sendo capitalizado pela direita que tem demonstrado, além da capacidade de antecipação, uma inesperada força social para quem a supunha derrotada e desmoralizada. O "campo majoritário", tendência mais à direita e dominante no PT, assinou sem ler um contrato em que se coloca como avalista da política econômica do trio Palocci-FMI-tucanato. Do mesmo modo que na economia, em lugar de promover rupturas, procurou "manter e aperfeiçoar" as práticas políticas do governo anterior. Por conseguinte, está cumprindo o mesmo destino dos grupos políticos que se apresentaram como fiadores do neoliberalismo, na América do Sul ou na Europa. A direção executiva e o comando do PT é hoje um cadáver político. E é exatamente aí que se encontra a oportunidade da esquerda nessa crise. Ela tem tudo para herdar o espólio do mais organizado e aguerrido partido de massas já construído nesse país e que lhe foi usurpado pelo aparelho e pela burocracia partidária e sindical. Mais para obter o controle e o comando do PT não basta à esquerda mostrar que tem as mãos limpas ou prometer o resgate dos valores do partido. É imprescindível que ela apresente uma proposta para enfrentar e debelar a crise. Não faz sentido, por exemplo, insistir na tese de que é possível governar sem fazer alianças na sociedade e no congresso - mais um ponto em que seu discurso reforça as invectivas dos tucanos, pois é evidente que foi a perda de maioria no congresso que forneceu o combustível da atual crise. Cabe exigir uma política de alianças feitas às claras, em torno de princípios programáticos e que agrupe os setores dispostos a impedir o retrocesso, o que implica um re-direcionamento da política econômica, conjugado com a mobilização da população. Se o Partido dos Trabalhadores for devolvido a quem de direito ele pertence, à militância e aos movimentos sociais, talvez ainda seja possível reverter as ações de um governo acuado pelo fisiologismo, pela corrupção e pelo temor de um desfecho catastrófico e abrir caminho para as necessárias e urgentes transformações sociais. Ricardo Musse - professor no Departamento de Sociologia da USP - Agência Carta Maior
4/7/2005
Para obter o controle e o comando do PT não basta à esquerda mostrar que tem as mãos limpas ou prometer o resgate dos valores do partido. É imprescindível que ela apresente uma proposta para enfrentar e debelar a crise. Uma série de paradoxos, de sinais contraditórios, tem dificultado uma compreensão nítida da crise institucional instaurada no Brasil. Uma parte ponderável da esquerda prende-se a análises equivocadas que limitam sua ação política, impedindo-a de aproveitar as oportunidades para se fortalecer numa conjuntura que lhe é favorável. O caráter atípico da crise torna-se evidente quando se levam em conta os fatores, a dinâmica e os desdobramentos de episódios semelhantes na periferia do capitalismo. Não presenciamos uma mobilização popular para contestar as políticas neoliberais do governo, como tem sido regra recentemente na América Latina, mas antes uma ofensiva da direita e dos setores conservadores. Mas tampouco se trata de uma repetição do paradigma leninista do embate entre revolução e contra-revolução, já que a política governamental passa longe de qualquer laivo revolucionário. As tentativas de entender a crise brasileira a partir desses modelos só fazem ressaltar a impossibilidade de enquadrar os eventos atuais nesse padrão, impossibilitando uma resposta adequada à situação. Por exemplo, a partir da observação, verdadeira, de que a política econômica do trio Palocci-FMI-tucanato tem beneficiado a elite econômica infere-se, erroneamente, pela inexistência de uma operação de desestabilização do governo. O dispositivo dessa operação já foi acionado, está em pleno funcionamento e mira no impedimento do presidente que foi eleito em 2002 com uma maioria consagradora. Não ver esse processo é comportar-se como os filósofos idealistas para quem só é real o que é racional ou como um juiz que decide pela não existência de um crime, posto que a motivação não é evidente. O cativeiro categorial não redunda apenas na famosa tese "pior para os fatos", mas gera práticas paralisantes. A direita do PT agarra-se à falsa expectativa de que agradando ao poder econômico não será apeada do poder e dá-lhe cada vez mais do mesmo, ampliando a estratégia de capitulação que é a própria fonte do fracasso. Parte da esquerda assiste a esse movimento como uma confirmação de suas teses, lava as suas mãos, quando não resolve ajudar a pôr álcool na fogueira. Parece oportuno lembrar aqui a famosa piada do Garrincha: tudo bem, as elites não vão querer derrubar o Lula, mas quem combinou isso com elas? O caráter atípico da situação advém do fato de que se trata, sim, de mais um desdobramento de recorrentes e fracassadas tentativas de gerir o Estado e a crise social adotando políticas neoliberais, ainda que em versão mitigada e com políticas compensatórias como amortecedores. Se essa tática da social-democracia européia não deu certo no coração do Estado do bem-estar social não seria no país campeão em desigualdades sociais que haveria de funcionar. Mas o que parece atordoar a todos é que esse fracasso está sendo capitalizado pela direita que tem demonstrado, além da capacidade de antecipação, uma inesperada força social para quem a supunha derrotada e desmoralizada. O "campo majoritário", tendência mais à direita e dominante no PT, assinou sem ler um contrato em que se coloca como avalista da política econômica do trio Palocci-FMI-tucanato. Do mesmo modo que na economia, em lugar de promover rupturas, procurou "manter e aperfeiçoar" as práticas políticas do governo anterior. Por conseguinte, está cumprindo o mesmo destino dos grupos políticos que se apresentaram como fiadores do neoliberalismo, na América do Sul ou na Europa. A direção executiva e o comando do PT é hoje um cadáver político. E é exatamente aí que se encontra a oportunidade da esquerda nessa crise. Ela tem tudo para herdar o espólio do mais organizado e aguerrido partido de massas já construído nesse país e que lhe foi usurpado pelo aparelho e pela burocracia partidária e sindical. Mais para obter o controle e o comando do PT não basta à esquerda mostrar que tem as mãos limpas ou prometer o resgate dos valores do partido. É imprescindível que ela apresente uma proposta para enfrentar e debelar a crise. Não faz sentido, por exemplo, insistir na tese de que é possível governar sem fazer alianças na sociedade e no congresso - mais um ponto em que seu discurso reforça as invectivas dos tucanos, pois é evidente que foi a perda de maioria no congresso que forneceu o combustível da atual crise. Cabe exigir uma política de alianças feitas às claras, em torno de princípios programáticos e que agrupe os setores dispostos a impedir o retrocesso, o que implica um re-direcionamento da política econômica, conjugado com a mobilização da população. Se o Partido dos Trabalhadores for devolvido a quem de direito ele pertence, à militância e aos movimentos sociais, talvez ainda seja possível reverter as ações de um governo acuado pelo fisiologismo, pela corrupção e pelo temor de um desfecho catastrófico e abrir caminho para as necessárias e urgentes transformações sociais. Ricardo Musse - professor no Departamento de Sociologia da USP - Agência Carta Maior
'Problemas' de Lula ameaçam interesse dos EUA, diz WSJ
8/7/2005, 08h04
Lula e o presidente americano, George W. Bush, durante a cúpula do G8 Estados Unidos estão de olho no que está acontecendo no Brasil O jornal The Wall Street Journal afirma nesta sexta-feira que os "problemas" enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva trazem perspectivas negativas para o "avanço do livre mercado" na América Latina e os "interesses dos Estados Unidos na região". O jornal diz que, em uma região onde políticos de esquerda estão em alta, Lula é "visto por Wall Street e por Washington como um pragmático que tem tentado combinar rigor macroeconômico com justiça social". O caso está "paralisando o governo, frustrando suas aspirações de liderança no exterior e lançando uma sombra sobre suas perspectivas de se reeleger no ano que vem", diz a reportagem. O diário financeiro afirma ainda que, graças aos resultados recordes no comércio exterior e superávits orçamentários do governo, os mercados financeiros brasileiros estão "enfrentando o tumulto com notável estabilidade". "Mas isso pode mudar", diz o texto, acrescentando que já se teme que a atividade econômica do Brasil comece a ser afetada. "O escândalo torna improvável que o governo tenha músculo para aprovar melhorias no sistema tributário e no ambiente regulatório que são necessários para fazer disparar o crescimento", diz o The Wall Street Journal. Kama Sutra de corrupção Outra publicação que costuma freqüentar as mesas dos investidores internacionais, a revista The Economist diz que o "escândalo da propina" no Brasil está indo "de mal a pior". De acordo com a revista, o caso está se movendo das "acusações" para as "evidências" e forçou presidente a mexer em seu gabinete de governo. "Os brasileiros estão espantados", diz o texto. "O PT, um partido que dizia ter os direitos autorais sobre a limpeza do governo, está envolvido em verdadeiro Kama Sutra de corrupção." Notícias BBC Brasil
8/7/2005, 08h04
Lula e o presidente americano, George W. Bush, durante a cúpula do G8 Estados Unidos estão de olho no que está acontecendo no Brasil O jornal The Wall Street Journal afirma nesta sexta-feira que os "problemas" enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva trazem perspectivas negativas para o "avanço do livre mercado" na América Latina e os "interesses dos Estados Unidos na região". O jornal diz que, em uma região onde políticos de esquerda estão em alta, Lula é "visto por Wall Street e por Washington como um pragmático que tem tentado combinar rigor macroeconômico com justiça social". O caso está "paralisando o governo, frustrando suas aspirações de liderança no exterior e lançando uma sombra sobre suas perspectivas de se reeleger no ano que vem", diz a reportagem. O diário financeiro afirma ainda que, graças aos resultados recordes no comércio exterior e superávits orçamentários do governo, os mercados financeiros brasileiros estão "enfrentando o tumulto com notável estabilidade". "Mas isso pode mudar", diz o texto, acrescentando que já se teme que a atividade econômica do Brasil comece a ser afetada. "O escândalo torna improvável que o governo tenha músculo para aprovar melhorias no sistema tributário e no ambiente regulatório que são necessários para fazer disparar o crescimento", diz o The Wall Street Journal. Kama Sutra de corrupção Outra publicação que costuma freqüentar as mesas dos investidores internacionais, a revista The Economist diz que o "escândalo da propina" no Brasil está indo "de mal a pior". De acordo com a revista, o caso está se movendo das "acusações" para as "evidências" e forçou presidente a mexer em seu gabinete de governo. "Os brasileiros estão espantados", diz o texto. "O PT, um partido que dizia ter os direitos autorais sobre a limpeza do governo, está envolvido em verdadeiro Kama Sutra de corrupção." Notícias BBC Brasil
CPI dos Correios retém 166 requerimentos
11/07/2005
A CPI dos Correios retém 166 requerimentos apresentados principalmente por parlamentares de oposição. A tática do sobrestamento de requerimentos, adotada como rotina pelo deputado José Mentor (PT-SP) em sua relatoria na CPI do Banestado, atinge principalmente pedidos do bloco da oposição.
O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que os requerimentos prioritários são "os que têm urgência". "A gente não vai colocando [a voto no plenário], a menos que tenha urgência. A gente tem muita coisa para fazer, não dá para fazer tudo ao mesmo tempo", afirmou Serraglio. Segundo ele, os requerimentos são votados após "um consenso" com os oposicionistas, que são minoria na comissão.
Os requerimentos sobrestados não são levados para decisão no plenário -a partir daí, caem num limbo, podendo ou não serem retomados a qualquer momento.
Entre os pedidos suspensos estão o depoimento e a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Em depoimento à CPI, o deputado Roberto Jefferson acusou Dirceu de ser um dos operadores do suposto "mensalão".
O nome de Dirceu nem sequer aparece mencionado ao longo dos 368 requerimentos já aprovados pela comissão.
Estão parados vários outros requerimentos de alto poder de envolvimento do governo e do PT. O senador álvaro Dias (PSDB-PR) pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro afastado do PT, Delúbio Soares, e do Diretório Nacional.
Também está parado o requerimento pelo qual Heloísa Helena (PSOL-AL) pediu a quebra dos sigilos de Mauro Dutra, dono da empresa de informática Novadata Sistema de Computadores e amigo do presidente Lula. A empresa tem contratos com o governo.
Uma das principais assessoras de Dirceu, Sandra Cabral, a quem Marcos Valério disse ter visitado no Planalto, também não teve pedido de depoimento aprovado. RUBENS VALENTE E MARTA SALOMON - Folha de São Paulo
11/07/2005
A CPI dos Correios retém 166 requerimentos apresentados principalmente por parlamentares de oposição. A tática do sobrestamento de requerimentos, adotada como rotina pelo deputado José Mentor (PT-SP) em sua relatoria na CPI do Banestado, atinge principalmente pedidos do bloco da oposição.
O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que os requerimentos prioritários são "os que têm urgência". "A gente não vai colocando [a voto no plenário], a menos que tenha urgência. A gente tem muita coisa para fazer, não dá para fazer tudo ao mesmo tempo", afirmou Serraglio. Segundo ele, os requerimentos são votados após "um consenso" com os oposicionistas, que são minoria na comissão.
Os requerimentos sobrestados não são levados para decisão no plenário -a partir daí, caem num limbo, podendo ou não serem retomados a qualquer momento.
Entre os pedidos suspensos estão o depoimento e a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Em depoimento à CPI, o deputado Roberto Jefferson acusou Dirceu de ser um dos operadores do suposto "mensalão".
O nome de Dirceu nem sequer aparece mencionado ao longo dos 368 requerimentos já aprovados pela comissão.
Estão parados vários outros requerimentos de alto poder de envolvimento do governo e do PT. O senador álvaro Dias (PSDB-PR) pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro afastado do PT, Delúbio Soares, e do Diretório Nacional.
Também está parado o requerimento pelo qual Heloísa Helena (PSOL-AL) pediu a quebra dos sigilos de Mauro Dutra, dono da empresa de informática Novadata Sistema de Computadores e amigo do presidente Lula. A empresa tem contratos com o governo.
Uma das principais assessoras de Dirceu, Sandra Cabral, a quem Marcos Valério disse ter visitado no Planalto, também não teve pedido de depoimento aprovado. RUBENS VALENTE E MARTA SALOMON - Folha de São Paulo
Genro acalma os ânimos no PT
11/07/2005
E permite maior controle de Lula às decisões do partido, ajudando a gerenciar a crise. para a Secretaria de Comunicação, em substituição aos demais dirigentes afastados.
Genro anunciou ontem a decisão de montar um grupo de trabalho para avaliar as finanças da legenda e uma nova reunião da Executiva Nacional em 19 de julho, quando será apresentado um programa de relacionamento da executiva do partido com os ministros do PT. Nos dias 6 e 7 de agosto, haverá reuniões do Diretório Nacional, quando a comissão executiva apresentará seu plano de trabalho até a data do processo de eleição direita (PED).
O novo presidente do partido disse que será aberto um livro de agenda na tesouraria, no qual serão listadas todas as reuniões de integrantes do PT relacionadas a assuntos financeiros. A lista deverá detalhar data, hora, local e tema dos encontros e qualquer negociação financeira em nome do PT que não estiver registrada no livro será considerada "ilegal".
Em mais uma atitude em busca de transparência, os petistas decidiram acolher pedido de instalação de uma comissão de ética, solicitada pelo ex-secretário geral Silvio Pereira e pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares. O grupo, segundo Genro, avaliará os procedimentos e as denúncias levantadas pela imprensa contra integrantes do partido. De acordo com o novo presidente, isso não significa a presunção de culpa dos envolvidos em suspeitas.
O novo secretário-geral do PT é Berzoini. O Diretório Nacional do partido também escolheu para novo tesoureiro o deputado José Pimentel (CE). Costa assumirá a secretaria de Comunicação do PT no lugar de Marcelo Sereno, que também pediu afastamento no sábado. Sereno era o único dirigente petista envolvido em suspeitas de irregularidades que ainda permanecia no cargo.
Genro deve deixar o ministério no final do mês, após enviar a reforma universitária ao Congresso, para se dedicar apenas à legenda. Seu trabalho deve ser focada no levantamento das finanças do PT e num plano para sanar as suas dívidas. Gazeta Mercantil
11/07/2005
E permite maior controle de Lula às decisões do partido, ajudando a gerenciar a crise. para a Secretaria de Comunicação, em substituição aos demais dirigentes afastados.
Genro anunciou ontem a decisão de montar um grupo de trabalho para avaliar as finanças da legenda e uma nova reunião da Executiva Nacional em 19 de julho, quando será apresentado um programa de relacionamento da executiva do partido com os ministros do PT. Nos dias 6 e 7 de agosto, haverá reuniões do Diretório Nacional, quando a comissão executiva apresentará seu plano de trabalho até a data do processo de eleição direita (PED).
O novo presidente do partido disse que será aberto um livro de agenda na tesouraria, no qual serão listadas todas as reuniões de integrantes do PT relacionadas a assuntos financeiros. A lista deverá detalhar data, hora, local e tema dos encontros e qualquer negociação financeira em nome do PT que não estiver registrada no livro será considerada "ilegal".
Em mais uma atitude em busca de transparência, os petistas decidiram acolher pedido de instalação de uma comissão de ética, solicitada pelo ex-secretário geral Silvio Pereira e pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares. O grupo, segundo Genro, avaliará os procedimentos e as denúncias levantadas pela imprensa contra integrantes do partido. De acordo com o novo presidente, isso não significa a presunção de culpa dos envolvidos em suspeitas.
O novo secretário-geral do PT é Berzoini. O Diretório Nacional do partido também escolheu para novo tesoureiro o deputado José Pimentel (CE). Costa assumirá a secretaria de Comunicação do PT no lugar de Marcelo Sereno, que também pediu afastamento no sábado. Sereno era o único dirigente petista envolvido em suspeitas de irregularidades que ainda permanecia no cargo.
Genro deve deixar o ministério no final do mês, após enviar a reforma universitária ao Congresso, para se dedicar apenas à legenda. Seu trabalho deve ser focada no levantamento das finanças do PT e num plano para sanar as suas dívidas. Gazeta Mercantil
Peemedebistas pretendem reforçar base
11/07/2005
Os novos ministros do PMDB que assumiram seus cargos nesta sexta-feira, apesar de comandarem pastas com perfil mais técnico, ressaltaram a intenção de também vão trabalhar para garantir a consolidação da base governista.
Hélio Costa e Felipe Saraiva, novos ministros das Comunicações e Saúde, respectivamente, têm experiência parlamentar.
Para eles, é importante que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiga ter mais apoio no Congresso Nacional .
"O PMDB sempre teve como tarefa consolidar a base aliada. Sempre foi um partido da base e sabe da importância de reforçar o apoio ao Palácio do Planalto neste momento", afirmou o novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, após cerimônia de posse no Palácio do Planalto, realizada na última sexta-feira.
Na mesma linha, Costa ressaltou que o PMDB tem de fortalecer o atual governo e defendeu sua permanência na base aliada. "O PMDB tem a obrigação institucional e histórica de ajudar o presidente", afirmou Costa. Onze governadores do partido, avalizados pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), querem a expulsão de todos os peemedebistas que aceitaram cargos no governo durante o andamento desta reforma ministerial.
A posse de Costa, Felipe e Rondeau na equipe ministerial oficializou o aumento da presença, no governo, da ala governista do PMDB - encabeçada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), pelo senador José Sarney (PMDB/AP). Gazeta Mercantil
11/07/2005
Os novos ministros do PMDB que assumiram seus cargos nesta sexta-feira, apesar de comandarem pastas com perfil mais técnico, ressaltaram a intenção de também vão trabalhar para garantir a consolidação da base governista.
Hélio Costa e Felipe Saraiva, novos ministros das Comunicações e Saúde, respectivamente, têm experiência parlamentar.
Para eles, é importante que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiga ter mais apoio no Congresso Nacional .
"O PMDB sempre teve como tarefa consolidar a base aliada. Sempre foi um partido da base e sabe da importância de reforçar o apoio ao Palácio do Planalto neste momento", afirmou o novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, após cerimônia de posse no Palácio do Planalto, realizada na última sexta-feira.
Na mesma linha, Costa ressaltou que o PMDB tem de fortalecer o atual governo e defendeu sua permanência na base aliada. "O PMDB tem a obrigação institucional e histórica de ajudar o presidente", afirmou Costa. Onze governadores do partido, avalizados pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), querem a expulsão de todos os peemedebistas que aceitaram cargos no governo durante o andamento desta reforma ministerial.
A posse de Costa, Felipe e Rondeau na equipe ministerial oficializou o aumento da presença, no governo, da ala governista do PMDB - encabeçada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), pelo senador José Sarney (PMDB/AP). Gazeta Mercantil
Pente-fino
11/07/2005
O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda, vai rever os processos nos quais atuou o procurador da Fazenda Glênio Guedes, principalmente os relativos aos últimos quatro anos.
Acusado na CPI dos Correios de ter ligações com o publicitário Marcos Valério, ele é dono de imóveis avaliados em R$ 5 milhões.
Aliás...
Sábado, por três vezes, a Polícia Federal tentou ouvir o depoimento do secretário de Organização do PT do Ceará, José Adalberto Vieira da Silva, aquele que foi preso sexta-feira no Aeroporto de Congonhas, tentando embarcar para Fortaleza com quase meio milhão de reais na mala e na cueca.
Mas ele insiste que só falará em juízo.
Ruídos
A costura da ministra Dilma Rousseff para emplacar na presidência da Petrobrás o engenheiro Rodolfo Landim, hoje na BR Distribuidora, irritou o PMDB governista.
Seus caciques reclamam que o acordo para apoiar Lula incluiu o Ministério de Minas e Energia de ''porteira fechada'' - ou seja, com todas as estatais da pasta.
Landim esteve com o presidente Lula sexta-feira, levado por Dilma.
Agora vai
A Secretaria Nacional de Justiça fará no próximo domingo as provas do concurso para agente penitenciário federal.
Embora sob investigação federal, por supostas fraudes em maio, os testes serão realizados pelo mesmo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília.
É que mudar de empresa agora complicaria a vida dos candidatos.
Mas para evitar surpresas, agentes da Polícia Federal estarão domingo nos locais do exame. Jornal do Brasil
11/07/2005
O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, órgão do Ministério da Fazenda, vai rever os processos nos quais atuou o procurador da Fazenda Glênio Guedes, principalmente os relativos aos últimos quatro anos.
Acusado na CPI dos Correios de ter ligações com o publicitário Marcos Valério, ele é dono de imóveis avaliados em R$ 5 milhões.
Aliás...
Sábado, por três vezes, a Polícia Federal tentou ouvir o depoimento do secretário de Organização do PT do Ceará, José Adalberto Vieira da Silva, aquele que foi preso sexta-feira no Aeroporto de Congonhas, tentando embarcar para Fortaleza com quase meio milhão de reais na mala e na cueca.
Mas ele insiste que só falará em juízo.
Ruídos
A costura da ministra Dilma Rousseff para emplacar na presidência da Petrobrás o engenheiro Rodolfo Landim, hoje na BR Distribuidora, irritou o PMDB governista.
Seus caciques reclamam que o acordo para apoiar Lula incluiu o Ministério de Minas e Energia de ''porteira fechada'' - ou seja, com todas as estatais da pasta.
Landim esteve com o presidente Lula sexta-feira, levado por Dilma.
Agora vai
A Secretaria Nacional de Justiça fará no próximo domingo as provas do concurso para agente penitenciário federal.
Embora sob investigação federal, por supostas fraudes em maio, os testes serão realizados pelo mesmo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília.
É que mudar de empresa agora complicaria a vida dos candidatos.
Mas para evitar surpresas, agentes da Polícia Federal estarão domingo nos locais do exame. Jornal do Brasil
Tarso vai reestruturar finanças do PT
11/07/2005
Um dia depois de José Genoino entregar a presidência do PT e a Executiva passar por uma recomposição, o novo presidente do partido, Tarso Genro, decidiu investigar a gestão do antecessor e definiu ontem as medidas que serão adotadas para conter a maior crise de sua história. O novo presidente atua em dois fronts: reestruturação da área financeira da sigla, reduzindo a autonomia de ação da tesouraria e preparação do partido para as eleições internas, que permanecem marcadas para o dia 18 de setembro.
O novo dirigente prometeu uma gestão transparente da área financeira, cujas possíveis irregularidades são o epicentro da crise que abala a sigla. Foi aberto processo no conselho de ética da sigla contra o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário nacional Sílvio Pereira, ambos acusados de envolvimento nas denúncias de corrupção.
Serão registrados internamente todos os compromissos que o novo tesoureiro do partido, José Pimentel, tiver para tratar dos assuntos financeiros internos. "Todas as relações financeiras em nome do partido que não estiverem registradas nesse livro serão consideradas ilegais pela Executiva e quem tomar essa atitude estará sujeito às penas estatutárias e também à Comissão de Ética", disse Genro.
No campo político, foi estabelecida a manutenção das eleições internas para o dia 18 de setembro. Genoino não será mais candidato e Genro, provavelmente, irá substitui-lo na chapa do campo majoritária, ainda que não pertença a esta tendência. A relação do PT com o governo também mudará, com menor distinção entre os ministros petistas e a direção partidária. Para tanto, o novo secretário-geral, Ricardo Berzoini, que está deixando o ministério do Trabalho, apresentará um programa de relacionamento em que será examinado o trabalho dos ministérios sob o comando de petistas.
"O relacionamento dos ministros petistas com o partido será diferente daqui para a frente, porque nós entendemos que os ministros devem ao partido informação, discussão, explicações a respeito do que estão fazendo, para que o partido possa colaborar com esses ministros, jamais enquadrá-los".
Genro disse que pretende dar uma "grande virada" e chegou a fazer um mea culpa sobre a crise. "Cometemos um erro, na minha avaliação, de jogar exclusivamente nas costas do PT a imagem de que somos os donos da ética e da virtude. Isso não é verdade. Somos sim um referencial da ética e da virtude. Não os únicos e não queremos ser os únicos porque em uma sociedade democrática, ou o sistema político e partidário se aperfeiçoa ou todo ele sucumbe".
Questionado se o fato de assumir o PT seria o fim da hegemonia paulista no partido, o novo presidente afirmou que considerava importante a federalização interna, já que, segundo ele, a concentração de poder em um Estado transmite para dentro do partido, involuntariamente, suas divergências para o plano nacional. "É a socialização da hegemonia política do partido que se torna mais federado e mais democrático". Nos 25 anos de história do partido, apenas um dos seis presidentes anteriores da sigla não era paulista. Foi o gaúcho Olívio Dutra, hoje ministro das Cidades, nos anos 80.
A entrada de Genro e de Berzoini representa o enfraquecimento do Campo Majoritário, que perde espaço dentro da Executiva Nacional sem receber compensações. Além das mudanças na presidência, na tesouraria, e na secretaria-geral do PT, foi decidida a ida do ex-ministro da Saúde Humberto Costa para a Secretaria de Comunicação, no lugar de Marcelo Sereno, também apontado como envolvido nas denúncias de corrupção.
A situação de Genoino foi agravada na sexta-feira com a prisão do assessor parlamentar de seu irmão, em São Paulo com R$ 200 mil em uma mala e U$ 100 mil presos ao corpo, sob a calça. Com isso, todos os quatro petistas acusados pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) de fazerem parte de um esquema de corrupção deixaram o partido. Os novos integrantes da Executiva foram escolhidos pela ala majoritária do partido. Caio Junqueira - Valor Econômico
11/07/2005
Um dia depois de José Genoino entregar a presidência do PT e a Executiva passar por uma recomposição, o novo presidente do partido, Tarso Genro, decidiu investigar a gestão do antecessor e definiu ontem as medidas que serão adotadas para conter a maior crise de sua história. O novo presidente atua em dois fronts: reestruturação da área financeira da sigla, reduzindo a autonomia de ação da tesouraria e preparação do partido para as eleições internas, que permanecem marcadas para o dia 18 de setembro.
O novo dirigente prometeu uma gestão transparente da área financeira, cujas possíveis irregularidades são o epicentro da crise que abala a sigla. Foi aberto processo no conselho de ética da sigla contra o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário nacional Sílvio Pereira, ambos acusados de envolvimento nas denúncias de corrupção.
Serão registrados internamente todos os compromissos que o novo tesoureiro do partido, José Pimentel, tiver para tratar dos assuntos financeiros internos. "Todas as relações financeiras em nome do partido que não estiverem registradas nesse livro serão consideradas ilegais pela Executiva e quem tomar essa atitude estará sujeito às penas estatutárias e também à Comissão de Ética", disse Genro.
No campo político, foi estabelecida a manutenção das eleições internas para o dia 18 de setembro. Genoino não será mais candidato e Genro, provavelmente, irá substitui-lo na chapa do campo majoritária, ainda que não pertença a esta tendência. A relação do PT com o governo também mudará, com menor distinção entre os ministros petistas e a direção partidária. Para tanto, o novo secretário-geral, Ricardo Berzoini, que está deixando o ministério do Trabalho, apresentará um programa de relacionamento em que será examinado o trabalho dos ministérios sob o comando de petistas.
"O relacionamento dos ministros petistas com o partido será diferente daqui para a frente, porque nós entendemos que os ministros devem ao partido informação, discussão, explicações a respeito do que estão fazendo, para que o partido possa colaborar com esses ministros, jamais enquadrá-los".
Genro disse que pretende dar uma "grande virada" e chegou a fazer um mea culpa sobre a crise. "Cometemos um erro, na minha avaliação, de jogar exclusivamente nas costas do PT a imagem de que somos os donos da ética e da virtude. Isso não é verdade. Somos sim um referencial da ética e da virtude. Não os únicos e não queremos ser os únicos porque em uma sociedade democrática, ou o sistema político e partidário se aperfeiçoa ou todo ele sucumbe".
Questionado se o fato de assumir o PT seria o fim da hegemonia paulista no partido, o novo presidente afirmou que considerava importante a federalização interna, já que, segundo ele, a concentração de poder em um Estado transmite para dentro do partido, involuntariamente, suas divergências para o plano nacional. "É a socialização da hegemonia política do partido que se torna mais federado e mais democrático". Nos 25 anos de história do partido, apenas um dos seis presidentes anteriores da sigla não era paulista. Foi o gaúcho Olívio Dutra, hoje ministro das Cidades, nos anos 80.
A entrada de Genro e de Berzoini representa o enfraquecimento do Campo Majoritário, que perde espaço dentro da Executiva Nacional sem receber compensações. Além das mudanças na presidência, na tesouraria, e na secretaria-geral do PT, foi decidida a ida do ex-ministro da Saúde Humberto Costa para a Secretaria de Comunicação, no lugar de Marcelo Sereno, também apontado como envolvido nas denúncias de corrupção.
A situação de Genoino foi agravada na sexta-feira com a prisão do assessor parlamentar de seu irmão, em São Paulo com R$ 200 mil em uma mala e U$ 100 mil presos ao corpo, sob a calça. Com isso, todos os quatro petistas acusados pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) de fazerem parte de um esquema de corrupção deixaram o partido. Os novos integrantes da Executiva foram escolhidos pela ala majoritária do partido. Caio Junqueira - Valor Econômico
Advogado de Valério tenta reverter bloqueio
11/07/2005
Os advogados do empresário Marcos Valério de Souza vão tentar conseguir um mandado de segurança para reverter a decisão da Justiça Federal de bloquear todas as contas correntes dele e da sua agência de publicidade DNA. Por decisão do juiz Amaury Silveira Martins, todos os valores creditados nas contas correntes estão bloqueados para cobrir dívidas de R$ 8,7 milhões com o INSS. Na sexta-feira, os advogados de Marcos Valério já tiveram uma derrota, com um indeferimento de um agravo de instrumento.
"A decisão do juiz não foi fundamentada, pesaram questões políticas", reclamou o advogado Ildeu da Cunha Pereira, um dos sócios do escritório que representa a DNA. O advogado não soube informar qual é o valor total já bloqueado nas contas pelo Banco Central. A DNA deu, em garantia do pagamento da dívida com INSS, seis fazendas na Bahia. Depois das notícias divulgadas pela imprensa de que parte dessas fazendas pode ser fictícia, o instituto resolveu pedir a execução da dívida, com o bloqueio das contas.
Segundo o advogado de Marcos Valério, se a decisão for mantida, a DNA vai quebrar, prejudicando 150 funcionários, afirma o advogado: "A agência está parada."
Ontem, o jornal mineiro "O Tempo" publicou nova denúncia contra outra agência de Marcos Valério, a SMP&B. A reportagem mostra que, antes mesmo de vencer a licitação para atender os Correios, em meados de 2003, a SMP&B já era, na prática, a responsável pela conta da estatal. A agência mineira fechou uma parceria com a paulista Giacometti & Associados Comunicação, vencedora da licitação de 2000, durante a gestão de Pimenta da Veiga (PSDB) no Ministério das Comunicações.
Só entre dezembro de 2003 e março de 2004, a SMP&B recebeu dos Correios R$ 1,96 bilhão, de acordo com notas fiscais obtidas pelo jornal mineiro. Sócio da agência Giacometti, Hiram Castelo Branco confirmou parceria com a SMP&B. Mas a assessoria de comunicação dos Correios negou ter conhecimento dessa terceirização. Ivana Moreira - Valor Econômico
11/07/2005
Os advogados do empresário Marcos Valério de Souza vão tentar conseguir um mandado de segurança para reverter a decisão da Justiça Federal de bloquear todas as contas correntes dele e da sua agência de publicidade DNA. Por decisão do juiz Amaury Silveira Martins, todos os valores creditados nas contas correntes estão bloqueados para cobrir dívidas de R$ 8,7 milhões com o INSS. Na sexta-feira, os advogados de Marcos Valério já tiveram uma derrota, com um indeferimento de um agravo de instrumento.
"A decisão do juiz não foi fundamentada, pesaram questões políticas", reclamou o advogado Ildeu da Cunha Pereira, um dos sócios do escritório que representa a DNA. O advogado não soube informar qual é o valor total já bloqueado nas contas pelo Banco Central. A DNA deu, em garantia do pagamento da dívida com INSS, seis fazendas na Bahia. Depois das notícias divulgadas pela imprensa de que parte dessas fazendas pode ser fictícia, o instituto resolveu pedir a execução da dívida, com o bloqueio das contas.
Segundo o advogado de Marcos Valério, se a decisão for mantida, a DNA vai quebrar, prejudicando 150 funcionários, afirma o advogado: "A agência está parada."
Ontem, o jornal mineiro "O Tempo" publicou nova denúncia contra outra agência de Marcos Valério, a SMP&B. A reportagem mostra que, antes mesmo de vencer a licitação para atender os Correios, em meados de 2003, a SMP&B já era, na prática, a responsável pela conta da estatal. A agência mineira fechou uma parceria com a paulista Giacometti & Associados Comunicação, vencedora da licitação de 2000, durante a gestão de Pimenta da Veiga (PSDB) no Ministério das Comunicações.
Só entre dezembro de 2003 e março de 2004, a SMP&B recebeu dos Correios R$ 1,96 bilhão, de acordo com notas fiscais obtidas pelo jornal mineiro. Sócio da agência Giacometti, Hiram Castelo Branco confirmou parceria com a SMP&B. Mas a assessoria de comunicação dos Correios negou ter conhecimento dessa terceirização. Ivana Moreira - Valor Econômico
O FATOR REELEIÇÂO
11/07/2005
A corrida rumo a 2006 estimula a cruzada denuncista da oposição. Pesquisas mostram que Lula vai bem e o PT vai mal
O ministro Luiz Gushiken entrou na sala do presidente Lula na quarta-feira 6, para o que considerou uma conversa “leal e franca”. Novo alvo de acusações – na seqüência da série que atinge gente do governo e do Partido dos Trabalhadores –, ele deixou o presidente à vontade para ampliar, se quiser, a reforma ministerial que iniciou com a troca de três ministros e a redução do espaço dos petistas na linha de frente da administração federal.
Diante do fogo pesado da oposição, como se estivesse em desvantagem em um jogo de xadrez, Lula rocou. Ou seja, mudou a posição no tabuleiro para se proteger melhor. Em termos reais, aumentou a participação do PMDB no poder, numa tentativa de reorganizar e dar consistência à base governista no Congresso.
Trocou Humberto Costa, da Saúde, por Saraiva Felipe, Eunício Oliveira, das Comunicações, por Hélio Costa e entregou a Silas Rondeau o Ministério das Minas e Energia, vago com o deslocamento de Dilma Rousseff para o lugar de José Dirceu, na Casa Civil. Maurício Dias – Carta Capital
11/07/2005
A corrida rumo a 2006 estimula a cruzada denuncista da oposição. Pesquisas mostram que Lula vai bem e o PT vai mal
O ministro Luiz Gushiken entrou na sala do presidente Lula na quarta-feira 6, para o que considerou uma conversa “leal e franca”. Novo alvo de acusações – na seqüência da série que atinge gente do governo e do Partido dos Trabalhadores –, ele deixou o presidente à vontade para ampliar, se quiser, a reforma ministerial que iniciou com a troca de três ministros e a redução do espaço dos petistas na linha de frente da administração federal.
Diante do fogo pesado da oposição, como se estivesse em desvantagem em um jogo de xadrez, Lula rocou. Ou seja, mudou a posição no tabuleiro para se proteger melhor. Em termos reais, aumentou a participação do PMDB no poder, numa tentativa de reorganizar e dar consistência à base governista no Congresso.
Trocou Humberto Costa, da Saúde, por Saraiva Felipe, Eunício Oliveira, das Comunicações, por Hélio Costa e entregou a Silas Rondeau o Ministério das Minas e Energia, vago com o deslocamento de Dilma Rousseff para o lugar de José Dirceu, na Casa Civil. Maurício Dias – Carta Capital
O EXEMPLO QUE NãO HOUVE
11/07/2005
Já aconteceram crises piores, mas nunca um operário sentara no trono. Do seu governo esperava-se que não repetisseas mazelas e os erros do passado
Célebre jornalista, dona de coluna, insiste em conversar com Luiz Gushiken, tempos de campanha. O conselheiro do candidato Lula costuma evitar a mídia, mas a secretária informa: “A moça diz ter coisas importantes a dizer, boas para nós”. Gushiken cede: que venha.
A moça vem e dispara a pergunta: “Por que Lula não aceita a contribuição de Daniel Dantas?” Gushiken não destoaria em um filme de Kurosawa, eu não excluiria que tenha figurado no épico Os Sete Samurais. Como um dos sete. Assim o imagino naquele momento, no ponto de desembainhar a espada levemente encurvada, lâmina agudíssima. Mãos fulmíneas sobre o longo cabo.
“Diga ao seu patrão...” O samurai foi interrompido. “Não é meu patrão”, apressou-se a jornalista. E Gushiken, espada em punho: “é seu patrão, sim, e diga a ele que enquanto eu estiver aqui não colabora conosco. E ponha-se daqui para fora”.
Sem a ajuda do banqueiro do Opportunity Lula ganhou a eleição. Seu governo começou cheio de dedos, a exibir, em lugar do incendiário, o bombeiro, tanto mais necessário depois dos estragos magistralmente produzidos pelo antecessor tucano.
Quem anda com o diabo cria rabo. Até parece que o governo se adaptou à cautela com gosto. Em que pesem notáveis mudanças na política educacional e na política externa, Lula ancorou-se ao passado, contra o qual a maioria do eleitorado votou em 2002. Sem que isso implicasse adesão ao PT, mas sem deixar de significar o repúdio das escolhas de FHC e Cia.
O passado não se manteve apenas na prática da política econômica, e sim também nos gabinetes e corredores da administração do poder, como se o PT fosse discípulo aplicado dos senhores de sempre. Aqui o pecado se confirma e se agudiza. Falta de coerência, de imaginação e de coragem. O PT terá de repensar em si mesmo, para não encolher tragicamente depois de ter sido o único com fisionomia de partido, em um panorama habitado por clubes recreativos.
O País já sofreu crises e escândalos de todos os gêneros e portes. Esta situação que vivemos, entre atônitos e envergonhados, está longe de ser a pior de todas. Que esperar, porém, na circunstância? Nunca se vira a oposição chegar ao trono, e um metalúrgico sentar-se nele. A lisura administrativa haveria de ser seu primeiro trunfo, muito antes do que a conformidade com os interesses do mercado financeiro.
é inevitável, de todo afinada com a tradição dos predadores nativos, a blitz da mídia, perfeita intérprete dos interesses da minoria e disposta a varrer de vez a ameaça de um partido outrora empenhado em defender a prioridade da justiça social. Donde, nada de surpresas. Pretende-se a manutenção do status quo. Embora sejamos vice-campeões mundiais em má distribuição de renda. Com todas as conseqüências decorrentes.
De resto, perguntamos aos nossos botões: para que o PT, se, no governo, porta-se como todos os anteriores? Não evoquei por acaso, nas primeiras linhas, a justa indignação de Gushiken diante da investida da célebre colunista. E ali não está por acaso Daniel Dantas, o orelhudo, herói da predação verde-amarela. Naquele momento, o samurai foi bom intérprete de um estilo insólito, invocado em 2002 pela maioria do eleitorado. Por Mino Carta - Carta Capital
11/07/2005
Já aconteceram crises piores, mas nunca um operário sentara no trono. Do seu governo esperava-se que não repetisseas mazelas e os erros do passado
Célebre jornalista, dona de coluna, insiste em conversar com Luiz Gushiken, tempos de campanha. O conselheiro do candidato Lula costuma evitar a mídia, mas a secretária informa: “A moça diz ter coisas importantes a dizer, boas para nós”. Gushiken cede: que venha.
A moça vem e dispara a pergunta: “Por que Lula não aceita a contribuição de Daniel Dantas?” Gushiken não destoaria em um filme de Kurosawa, eu não excluiria que tenha figurado no épico Os Sete Samurais. Como um dos sete. Assim o imagino naquele momento, no ponto de desembainhar a espada levemente encurvada, lâmina agudíssima. Mãos fulmíneas sobre o longo cabo.
“Diga ao seu patrão...” O samurai foi interrompido. “Não é meu patrão”, apressou-se a jornalista. E Gushiken, espada em punho: “é seu patrão, sim, e diga a ele que enquanto eu estiver aqui não colabora conosco. E ponha-se daqui para fora”.
Sem a ajuda do banqueiro do Opportunity Lula ganhou a eleição. Seu governo começou cheio de dedos, a exibir, em lugar do incendiário, o bombeiro, tanto mais necessário depois dos estragos magistralmente produzidos pelo antecessor tucano.
Quem anda com o diabo cria rabo. Até parece que o governo se adaptou à cautela com gosto. Em que pesem notáveis mudanças na política educacional e na política externa, Lula ancorou-se ao passado, contra o qual a maioria do eleitorado votou em 2002. Sem que isso implicasse adesão ao PT, mas sem deixar de significar o repúdio das escolhas de FHC e Cia.
O passado não se manteve apenas na prática da política econômica, e sim também nos gabinetes e corredores da administração do poder, como se o PT fosse discípulo aplicado dos senhores de sempre. Aqui o pecado se confirma e se agudiza. Falta de coerência, de imaginação e de coragem. O PT terá de repensar em si mesmo, para não encolher tragicamente depois de ter sido o único com fisionomia de partido, em um panorama habitado por clubes recreativos.
O País já sofreu crises e escândalos de todos os gêneros e portes. Esta situação que vivemos, entre atônitos e envergonhados, está longe de ser a pior de todas. Que esperar, porém, na circunstância? Nunca se vira a oposição chegar ao trono, e um metalúrgico sentar-se nele. A lisura administrativa haveria de ser seu primeiro trunfo, muito antes do que a conformidade com os interesses do mercado financeiro.
é inevitável, de todo afinada com a tradição dos predadores nativos, a blitz da mídia, perfeita intérprete dos interesses da minoria e disposta a varrer de vez a ameaça de um partido outrora empenhado em defender a prioridade da justiça social. Donde, nada de surpresas. Pretende-se a manutenção do status quo. Embora sejamos vice-campeões mundiais em má distribuição de renda. Com todas as conseqüências decorrentes.
De resto, perguntamos aos nossos botões: para que o PT, se, no governo, porta-se como todos os anteriores? Não evoquei por acaso, nas primeiras linhas, a justa indignação de Gushiken diante da investida da célebre colunista. E ali não está por acaso Daniel Dantas, o orelhudo, herói da predação verde-amarela. Naquele momento, o samurai foi bom intérprete de um estilo insólito, invocado em 2002 pela maioria do eleitorado. Por Mino Carta - Carta Capital
A versão de Marcos Valério
11/07/2005
Publicitário depõe na CPI dos Correios e nega acusações de operar o “mensalão”
Previa-se uma sessão curta. Um dia antes de prestar seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para investigar a corrupção nos Correios, o publicitário Marcos Valério de Souza obteve um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal. Com ele, Marcos Valério tinha o direito de permanecer calado e evitar quaisquer declarações que o incriminassem. Mas logo que os trabalhos da CPI foram abertos, às 9h35 da quarta-feira 6, Valério surpreendeu. “Estou aqui para colaborar”, disse a deputados e senadores. E, praticamente impassível, respondeu a centenas de perguntas na sessão mais longa da CPI, que durou quase 14 horas.
Valério esboçou alguma emoção apenas no início, ao falar da morte prematura de um filho, e no fim, quando disse que se pudesse voltar atrás, jamais se relacionaria novamente com governos e partidos políticos. “Sou um homem que não pode mais sair na rua, nem para ir à escola do meu filho”, disse. “Se eu visse um buraco, entraria nele”. Acusado de ser o operador do “mensalão” e de distribuir recursos a deputados, Valério é hoje um dos personagens centrais da CPI. Na sessão, o publicitário negou praticamente todas as acusações feitas contra ele. Mas confirmou que é amigo de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e que foi avalista do empréstimo de R$ 2,4 milhões, feito pelo banco BMG ao PT. Usou o direito de calar-se uma única vez, quando foi indagado sobre o destino dos saques de R$ 20,9 milhões feitos em dinheiro, que foram detectados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Direi no foro adequado”, disse Valério.
Um dia depois do depoimento de Valério, porém, surgiu uma contradição. No depoimento, o empresário foi indagado sobre seu relacionamento com Glênio Guedes, um procurador da Fazenda Nacional encarregado de julgar recursos contra o sistema financeiro. “Nunca houve qualquer saque de minhas empresas para o senhor Glênio Guedes”, disse Valério. Na quinta-feira 7, a Folha de S. Paulo revelou que, de acordo com dados do Coaf, foram feitas duas transferências de dinheiro para Guedes, totalizando R$ 902 mil. Guedes já julgou processos envolvendo o Banco Rural. E Valério confirmou que tentou interceder no governo em favor do Rural. Disse que participou de uma reunião no Banco Central, onde se discutiu a compra de ativos do Banco Mercantil de Pernambuco pelo Rural. “Mas entrei mudo e saí calado”, disse Valério. A atuação de Valério em favor do Rural foi confirmada pelo próprio banco, numa nota divulgada na terça-feira 5 (leia reportagem à página 41).
No tocante às suas relações com a cúpula do PT, Valério mencionou vários nomes. Além da amizade com Delúbio, Valério disse que esteve com o ex-ministro José Dirceu, na Casa Civil, acompanhado de José Augusto Dumont, ex-presidente do Rural. “O Dumont foi informar que ia explorar minas de nióbio na Amazônia”, disse. Em relação a Sílvio Pereira, ex-secretário geral do PT, disse apenas que a relações dos dois era “estritamente política”. Mas Valério não convenceu. “Este senhor é uma lavandeira ambulante”, disparou o deputado Onyx Lorenzonni (PFL-RS). “Seus contratos publicitários não explicam o movimento de dinheiro de suas empresas”. Dados da CPI apontam movimentações superiores a R$ 1 bilhão em cinco anos. Nem os parlamentares governistas ficaram satisfeitos. “Ele não explicou muitas coisas, especialmente o destino dos saques feitos em dinheiro”, disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
Durante o depoimento, Valério negou superfaturamento em seus contratos de publicidade – o dos Correios é de R$ 28 milhões. “Com esses R$ 28 milhões, paguei a Rede Globo, a Veja, a Istoé e gráficas; se houvesse superfaturamento, esses veículos teriam que estar mancomunados comigo”. Valério disse ainda que teve conhecimento da primeira entrevista que sua ex-secretária, Fernanda Karina Somaggio, concedeu à revista DINHEIRO, em setembro do ano passado, por meio do assessor de imprensa Gilberto Mansur, com quem veio à sede da Editora Três. Naquele momento, a senadora Heloísa Helena (P-SOL-AL) levantou uma questão de ordem e indagou Valério sobre um pagamento de R$ 300 mil feito a Gilberto Mansur. Em razão disso, alguns deputados levantaram insinuações de que a primeira entrevista não foi publicada em razão da atuação de Mansur. Ele esclareceu que recebeu R$ 300 mil no início de 2004, muitos meses antes da entrevista de Karina à DINHEIRO, em razão de outros trabalhos prestados às agências de Valério. A respeito disso, Domingo Alzugaray, editor-responsável da Editora Três, que publica DINHEIRO, divulgou uma nota. Sobre o fato de a entrevista não ter sido publicada em setembro de 2004, Alzugaray esclareceu: “Nove meses atrás, Karina fazia acusações sem provas; em junho deste ano, quando o deputado Roberto Jefferson acusou Valério, Karina deixou de estar na condição de acusadora para se transformar numa testemunha central do caso”.
Na quinta-feira 7, foi a vez da ex-secretária de Valério, Karina Somaggio, depor na CPI. Karina confirmou o que já havia dito à DINHEIRO. Negou que tenha recebido qualquer oferta de dinheiro para dar suas entrevistas, quando foi indagada por alguns parlamentares. “Fui eu que procurei a revista e não pedi dinheiro algum, nem me ofereceram”, disse Karina. Sobre as suas motivações, Karina, mais uma vez, falou em patriotismo. “Quero um país melhor para minha filha e para os meus netos, se eu os vier a ter”. Leonardo Attuch e Gustavo Gantois - Istoé Dinheiro
11/07/2005
Publicitário depõe na CPI dos Correios e nega acusações de operar o “mensalão”
Previa-se uma sessão curta. Um dia antes de prestar seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito criada para investigar a corrupção nos Correios, o publicitário Marcos Valério de Souza obteve um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal. Com ele, Marcos Valério tinha o direito de permanecer calado e evitar quaisquer declarações que o incriminassem. Mas logo que os trabalhos da CPI foram abertos, às 9h35 da quarta-feira 6, Valério surpreendeu. “Estou aqui para colaborar”, disse a deputados e senadores. E, praticamente impassível, respondeu a centenas de perguntas na sessão mais longa da CPI, que durou quase 14 horas.
Valério esboçou alguma emoção apenas no início, ao falar da morte prematura de um filho, e no fim, quando disse que se pudesse voltar atrás, jamais se relacionaria novamente com governos e partidos políticos. “Sou um homem que não pode mais sair na rua, nem para ir à escola do meu filho”, disse. “Se eu visse um buraco, entraria nele”. Acusado de ser o operador do “mensalão” e de distribuir recursos a deputados, Valério é hoje um dos personagens centrais da CPI. Na sessão, o publicitário negou praticamente todas as acusações feitas contra ele. Mas confirmou que é amigo de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e que foi avalista do empréstimo de R$ 2,4 milhões, feito pelo banco BMG ao PT. Usou o direito de calar-se uma única vez, quando foi indagado sobre o destino dos saques de R$ 20,9 milhões feitos em dinheiro, que foram detectados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Direi no foro adequado”, disse Valério.
Um dia depois do depoimento de Valério, porém, surgiu uma contradição. No depoimento, o empresário foi indagado sobre seu relacionamento com Glênio Guedes, um procurador da Fazenda Nacional encarregado de julgar recursos contra o sistema financeiro. “Nunca houve qualquer saque de minhas empresas para o senhor Glênio Guedes”, disse Valério. Na quinta-feira 7, a Folha de S. Paulo revelou que, de acordo com dados do Coaf, foram feitas duas transferências de dinheiro para Guedes, totalizando R$ 902 mil. Guedes já julgou processos envolvendo o Banco Rural. E Valério confirmou que tentou interceder no governo em favor do Rural. Disse que participou de uma reunião no Banco Central, onde se discutiu a compra de ativos do Banco Mercantil de Pernambuco pelo Rural. “Mas entrei mudo e saí calado”, disse Valério. A atuação de Valério em favor do Rural foi confirmada pelo próprio banco, numa nota divulgada na terça-feira 5 (leia reportagem à página 41).
No tocante às suas relações com a cúpula do PT, Valério mencionou vários nomes. Além da amizade com Delúbio, Valério disse que esteve com o ex-ministro José Dirceu, na Casa Civil, acompanhado de José Augusto Dumont, ex-presidente do Rural. “O Dumont foi informar que ia explorar minas de nióbio na Amazônia”, disse. Em relação a Sílvio Pereira, ex-secretário geral do PT, disse apenas que a relações dos dois era “estritamente política”. Mas Valério não convenceu. “Este senhor é uma lavandeira ambulante”, disparou o deputado Onyx Lorenzonni (PFL-RS). “Seus contratos publicitários não explicam o movimento de dinheiro de suas empresas”. Dados da CPI apontam movimentações superiores a R$ 1 bilhão em cinco anos. Nem os parlamentares governistas ficaram satisfeitos. “Ele não explicou muitas coisas, especialmente o destino dos saques feitos em dinheiro”, disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).
Durante o depoimento, Valério negou superfaturamento em seus contratos de publicidade – o dos Correios é de R$ 28 milhões. “Com esses R$ 28 milhões, paguei a Rede Globo, a Veja, a Istoé e gráficas; se houvesse superfaturamento, esses veículos teriam que estar mancomunados comigo”. Valério disse ainda que teve conhecimento da primeira entrevista que sua ex-secretária, Fernanda Karina Somaggio, concedeu à revista DINHEIRO, em setembro do ano passado, por meio do assessor de imprensa Gilberto Mansur, com quem veio à sede da Editora Três. Naquele momento, a senadora Heloísa Helena (P-SOL-AL) levantou uma questão de ordem e indagou Valério sobre um pagamento de R$ 300 mil feito a Gilberto Mansur. Em razão disso, alguns deputados levantaram insinuações de que a primeira entrevista não foi publicada em razão da atuação de Mansur. Ele esclareceu que recebeu R$ 300 mil no início de 2004, muitos meses antes da entrevista de Karina à DINHEIRO, em razão de outros trabalhos prestados às agências de Valério. A respeito disso, Domingo Alzugaray, editor-responsável da Editora Três, que publica DINHEIRO, divulgou uma nota. Sobre o fato de a entrevista não ter sido publicada em setembro de 2004, Alzugaray esclareceu: “Nove meses atrás, Karina fazia acusações sem provas; em junho deste ano, quando o deputado Roberto Jefferson acusou Valério, Karina deixou de estar na condição de acusadora para se transformar numa testemunha central do caso”.
Na quinta-feira 7, foi a vez da ex-secretária de Valério, Karina Somaggio, depor na CPI. Karina confirmou o que já havia dito à DINHEIRO. Negou que tenha recebido qualquer oferta de dinheiro para dar suas entrevistas, quando foi indagada por alguns parlamentares. “Fui eu que procurei a revista e não pedi dinheiro algum, nem me ofereceram”, disse Karina. Sobre as suas motivações, Karina, mais uma vez, falou em patriotismo. “Quero um país melhor para minha filha e para os meus netos, se eu os vier a ter”. Leonardo Attuch e Gustavo Gantois - Istoé Dinheiro
Berzoini admite má gestão
11/07/2005
Novo secretário-geral do PT alega ter ocorrido equívocos na administração de dinheiro destinado a campanhas eleitorais, mas garante que ninguém do partido se beneficiou individualmente
Ricardo Berzoini disse que os partidos de oposição se aproveitam de contas mal explicadas para colar no PT a marca da corrupção
Com o PT marcado pela mancha da corrupção, a nova direção do partido, escolhida no sábado pelo Diretório Nacional, tem como tarefa principal recuperar a credibilidade da legenda perante a opinião pública. O novo secretário-geral da legenda, Ricardo Berzoini, ex-ministro do Trabalho, admite, por exemplo, “má gestão” de dinheiro pelo PT para financiar campanhas eleitorais. Mas acredita ser possível explicar à população que não houve favorecimento pessoal de dirigentes petistas. “Nosso papel é tentar esclarecer para a sociedade que não houve corrupção, não houve gente se beneficiando individualmente”, argumenta. “Creio eu que houve operação equivocada em financiamento de campanha.”
Berzoini diz que todo partido tem dificuldade em ter as contas de campanha totalmente transparentes. Até porque, no atual sistema eleitoral, muitos dos financiadores não querem aparecer com doações legais, o que estimula a formação de caixas-dois — receitas que não são declaradas à Justiça Eleitoral. Por isso, a necessidade de uma reforma política e da medida de abrir todas as contas do PT para a militância e a opinião pública. “Todo o universo partidário acaba enfrentando dificuldades para organizar a prestação de contas, em função de pessoas que não querem se expor doando legalmente. A crise só amplia a necessidade de resolver a questão.”
De acordo com Berzoini, os partidos de oposição se aproveitam de contas mal explicadas para colar no PT a marca da corrupção. Para ele, o partido ainda se diferencia nesse aspecto. E terá de utilizar a comunicação e mostrar essa diferença. “Não podemos aceitar que o PT possa ser confundido com práticas políticas com que não concordamos, que é a lógica do favorecimento pessoal”, defende. Segundo o secretário-geral, porém, a estratégia oposicionista funcionou com a postura equivocada da antiga direção do partido diante da crise. “No período de ataques, a direção ficou na defensiva em vez de decidir esclarecer todas as informações”, acusou.
Programa
Integrante do Campo Majoritário, onde se aglutina a maioria dos petistas, Berzoini descarta uma mudança profunda na posição do PT em relação, por exemplo, ao governo e ao programa partidário, como cobram os radicais da legenda. O ex-ministro abre espaço para uma postura mais individualizada do partido. Defende a idéia de o PT adotar posicionamentos “mais à esquerda” e divergir em alguns momentos do governo. “Partido é partido e governo é governo. São papéis diferentes”, diz. A posição difere da pregação do ex-presidente do PT José Genoino, que conduzia o partido para dar sustentação automática às medidas do governo federal.
Mas, em dois temas fundamentais para a esquerda petista — a política de alianças e a condução da economia — Berzoini lembra que a decisão final sempre será do governo. “Quem faz política de aliança no Parlamento é o partido, do seu ponto de vista, e a coordenação política de governo, de outro ponto de vista”, argumenta. Para ele, o governo até pode reavaliar a política de alianças, segundo a necessidade de aprovar projetos no Congresso de agora em diante. Mas nunca poderá abrir mão de fazer alianças com legendas conservadoras. “Não adianta ficar sem dialogar com a vida real, senão não aprovamos nem o Orçamento.”
Mudar a política econômica, então, não é decisão fácil para o governo, já que não existe consenso nem dentro do partido. Ele lembra que apenas no Campo Majoritário, há diferentes pontos de vista sobre a proposta de déficit nominal zero, que levaria à redução ainda maior dos investimentos. “Em relação à questão programática há divergências. Eu, por exemplo, acho bobagem discutir o déficit nominal zero. É uma política equivocada.”
Petistas vão depor na Câmara
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados elaborou uma nova agenda de depoimentos para o mês de julho e tentará antecipar a presença dos ex-dirigentes do PT citados no escândalo do mensalão para esta semana.
Os depoimentos dos petistas Delúbio Soares (ex-tesoureiro do partido), Silvio Pereira (ex-secretário-geral) e José Genoino (ex-presidente) estavam marcados para agosto devido ao recesso de julho. Com o atraso na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, entretanto, a tendência é que o Congresso não paralise os trabalhos neste mês.
O Conselho analisa requerimento do PL que pede a cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) por quebra de decoro. Jefferson acusou o PT de pagar mesada a deputados do PL e do PP em troca de apoio na Câmara.
Segundo o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), o grupo também pretende ouvir na terça os depoimentos de Simone Vasconcelos e Geiza dos Santos, funcionárias da SMPB, da qual é sócio o publicitário Marcos Valério, mas os advogados delas tentam adiar os depoimentos. Elas são acusadas de separar dinheiro do suposto mensalão, que seria operado por Valério.
Outro depoimento já marcado no Conselho de Ética será o da ex-mulher de Costa Neto, a publicitária Maria Christina Mendes Caldeira, para o dia 19. Ela acusou o ex-marido de uso indevido de verbas do fundo partidário para a compra de bens particulares.
A comissão também tenta antecipar os depoimentos do ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, e do ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba. Na quinta-feira, Izar e o relator, Jairo Carneiro, se reúnem com o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral, para trocar informações.
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), entregará por escrito, na quarta-feira, um depoimento ao Conselho confirmando que relatou ao presidente Lula o assédio a dois parlamentares tucanos, chamados a ingressar na base aliada do governo em troca de dinheiro. Perillo diz ter conversado, em maio do ano passado, com o presidente sobre a proposta para que os deputados goianos trocassem de partido: pagamento de mesada de R$ 40 mil mais bônus de R$ 1 milhão. O conselho encaminhou perguntas ao governador, que levará as respostas pessoalmente ao presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP).
Os presidentes e relatores do Conselho de Ética e da CPI dos Correios terão reunião também esta semana para trocar informações e documentos. Izar espera que o conselho possa ter acesso ao dados obtidos com a quebra de sigilo bancário e fiscal de Valério e de suas empresas. A CPI tem autoridade para quebrar o sigilo, enquanto o conselho depende de decisões da Mesa Diretora da Câmara, do plenário e da Justiça.
Gushiken acusado
O nome do ministro da Secretaria de Comunicação voltou a ser vinculado a irregularidades na administração petista. Luiz Gushiken agora é suspeito de favorecer os bancos Rural e BMG, as instituições que emprestaram dinheiro ao PT. Ele teria usado o prestígio que desfruta junto aos fundos de pensão de estatais para beneficiar as duas instituições bancárias. A Petros, fundação da Petrobras, e a Real Grandeza, de Furnas, segundo notícia da revista Veja e do jornal O Globo, fizeram aplicações no Rural e no BMG no valor total de R$ 458,4 milhões em 2004 — um ano depois de o PT ter recebido um total de R$ 5,4 milhões em empréstimos. As operações não constituem ilegalidade, mas trazem indícios de favorecimento, como sugerem as reportagens. O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), anunciou que vai propor intervenção nos dois bancos e nos fundos de pensão, além de cobrar o afastamento das diretorias da Petros e da Real Grandeza.
11/07/2005
Novo secretário-geral do PT alega ter ocorrido equívocos na administração de dinheiro destinado a campanhas eleitorais, mas garante que ninguém do partido se beneficiou individualmente
Ricardo Berzoini disse que os partidos de oposição se aproveitam de contas mal explicadas para colar no PT a marca da corrupção
Com o PT marcado pela mancha da corrupção, a nova direção do partido, escolhida no sábado pelo Diretório Nacional, tem como tarefa principal recuperar a credibilidade da legenda perante a opinião pública. O novo secretário-geral da legenda, Ricardo Berzoini, ex-ministro do Trabalho, admite, por exemplo, “má gestão” de dinheiro pelo PT para financiar campanhas eleitorais. Mas acredita ser possível explicar à população que não houve favorecimento pessoal de dirigentes petistas. “Nosso papel é tentar esclarecer para a sociedade que não houve corrupção, não houve gente se beneficiando individualmente”, argumenta. “Creio eu que houve operação equivocada em financiamento de campanha.”
Berzoini diz que todo partido tem dificuldade em ter as contas de campanha totalmente transparentes. Até porque, no atual sistema eleitoral, muitos dos financiadores não querem aparecer com doações legais, o que estimula a formação de caixas-dois — receitas que não são declaradas à Justiça Eleitoral. Por isso, a necessidade de uma reforma política e da medida de abrir todas as contas do PT para a militância e a opinião pública. “Todo o universo partidário acaba enfrentando dificuldades para organizar a prestação de contas, em função de pessoas que não querem se expor doando legalmente. A crise só amplia a necessidade de resolver a questão.”
De acordo com Berzoini, os partidos de oposição se aproveitam de contas mal explicadas para colar no PT a marca da corrupção. Para ele, o partido ainda se diferencia nesse aspecto. E terá de utilizar a comunicação e mostrar essa diferença. “Não podemos aceitar que o PT possa ser confundido com práticas políticas com que não concordamos, que é a lógica do favorecimento pessoal”, defende. Segundo o secretário-geral, porém, a estratégia oposicionista funcionou com a postura equivocada da antiga direção do partido diante da crise. “No período de ataques, a direção ficou na defensiva em vez de decidir esclarecer todas as informações”, acusou.
Programa
Integrante do Campo Majoritário, onde se aglutina a maioria dos petistas, Berzoini descarta uma mudança profunda na posição do PT em relação, por exemplo, ao governo e ao programa partidário, como cobram os radicais da legenda. O ex-ministro abre espaço para uma postura mais individualizada do partido. Defende a idéia de o PT adotar posicionamentos “mais à esquerda” e divergir em alguns momentos do governo. “Partido é partido e governo é governo. São papéis diferentes”, diz. A posição difere da pregação do ex-presidente do PT José Genoino, que conduzia o partido para dar sustentação automática às medidas do governo federal.
Mas, em dois temas fundamentais para a esquerda petista — a política de alianças e a condução da economia — Berzoini lembra que a decisão final sempre será do governo. “Quem faz política de aliança no Parlamento é o partido, do seu ponto de vista, e a coordenação política de governo, de outro ponto de vista”, argumenta. Para ele, o governo até pode reavaliar a política de alianças, segundo a necessidade de aprovar projetos no Congresso de agora em diante. Mas nunca poderá abrir mão de fazer alianças com legendas conservadoras. “Não adianta ficar sem dialogar com a vida real, senão não aprovamos nem o Orçamento.”
Mudar a política econômica, então, não é decisão fácil para o governo, já que não existe consenso nem dentro do partido. Ele lembra que apenas no Campo Majoritário, há diferentes pontos de vista sobre a proposta de déficit nominal zero, que levaria à redução ainda maior dos investimentos. “Em relação à questão programática há divergências. Eu, por exemplo, acho bobagem discutir o déficit nominal zero. É uma política equivocada.”
Petistas vão depor na Câmara
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados elaborou uma nova agenda de depoimentos para o mês de julho e tentará antecipar a presença dos ex-dirigentes do PT citados no escândalo do mensalão para esta semana.
Os depoimentos dos petistas Delúbio Soares (ex-tesoureiro do partido), Silvio Pereira (ex-secretário-geral) e José Genoino (ex-presidente) estavam marcados para agosto devido ao recesso de julho. Com o atraso na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, entretanto, a tendência é que o Congresso não paralise os trabalhos neste mês.
O Conselho analisa requerimento do PL que pede a cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) por quebra de decoro. Jefferson acusou o PT de pagar mesada a deputados do PL e do PP em troca de apoio na Câmara.
Segundo o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), o grupo também pretende ouvir na terça os depoimentos de Simone Vasconcelos e Geiza dos Santos, funcionárias da SMPB, da qual é sócio o publicitário Marcos Valério, mas os advogados delas tentam adiar os depoimentos. Elas são acusadas de separar dinheiro do suposto mensalão, que seria operado por Valério.
Outro depoimento já marcado no Conselho de Ética será o da ex-mulher de Costa Neto, a publicitária Maria Christina Mendes Caldeira, para o dia 19. Ela acusou o ex-marido de uso indevido de verbas do fundo partidário para a compra de bens particulares.
A comissão também tenta antecipar os depoimentos do ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, e do ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba. Na quinta-feira, Izar e o relator, Jairo Carneiro, se reúnem com o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral, para trocar informações.
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), entregará por escrito, na quarta-feira, um depoimento ao Conselho confirmando que relatou ao presidente Lula o assédio a dois parlamentares tucanos, chamados a ingressar na base aliada do governo em troca de dinheiro. Perillo diz ter conversado, em maio do ano passado, com o presidente sobre a proposta para que os deputados goianos trocassem de partido: pagamento de mesada de R$ 40 mil mais bônus de R$ 1 milhão. O conselho encaminhou perguntas ao governador, que levará as respostas pessoalmente ao presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP).
Os presidentes e relatores do Conselho de Ética e da CPI dos Correios terão reunião também esta semana para trocar informações e documentos. Izar espera que o conselho possa ter acesso ao dados obtidos com a quebra de sigilo bancário e fiscal de Valério e de suas empresas. A CPI tem autoridade para quebrar o sigilo, enquanto o conselho depende de decisões da Mesa Diretora da Câmara, do plenário e da Justiça.
Gushiken acusado
O nome do ministro da Secretaria de Comunicação voltou a ser vinculado a irregularidades na administração petista. Luiz Gushiken agora é suspeito de favorecer os bancos Rural e BMG, as instituições que emprestaram dinheiro ao PT. Ele teria usado o prestígio que desfruta junto aos fundos de pensão de estatais para beneficiar as duas instituições bancárias. A Petros, fundação da Petrobras, e a Real Grandeza, de Furnas, segundo notícia da revista Veja e do jornal O Globo, fizeram aplicações no Rural e no BMG no valor total de R$ 458,4 milhões em 2004 — um ano depois de o PT ter recebido um total de R$ 5,4 milhões em empréstimos. As operações não constituem ilegalidade, mas trazem indícios de favorecimento, como sugerem as reportagens. O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), anunciou que vai propor intervenção nos dois bancos e nos fundos de pensão, além de cobrar o afastamento das diretorias da Petros e da Real Grandeza.
José Genoino à disposição da CPI
11/7/2005
O ex-presidente do PT José Genoino disse ontem que está à disposição da CPI dos Correios, antecipando-se assim a parlamentares da oposição que querem ouvi-lo ainda nesta semana sobre a prisão de José Adalberto Vieira da Silva. Assessor do irmão de Genoino, o deputado estadual José Nobre (PT-CE), Vieira da Silva foi preso na sexta-feira no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ao tentar embarcar com R$ 200 mil na bagagem e mais US$ 100 mil dentro da cueca.
Genoino reiterou que continua “aturdido e perplexo” com o fato. “Eu não sou citado pela CPI, esse episódio não tem nada a ver comigo, nem de longe nem de perto, mas estou à disposição da comissão”, afirmou. O ex-presidente petista disse torcer para que as investigações da Polícia Federal identifiquem o quanto antes os envolvidos na coleta e na tentativa de esconder o dinheiro.
A oposição alega, porém, que a CPI não pode ignorar a prisão, diante da suspeita de que os Correios seriam uma das fontes de arrecadação dos integrantes do esquema do mensalão. “A prisão do assessor e o nome na agenda derrubam a tese de que as ligações de Valério se restringiriam ao Delúbio Soares”, alegou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), ao lembrar que o nome do irmão de Genoino consta na agenda do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.
A senadora Heloisa Helena (PSol-AL) disse que o PT mostra incoerência, ao aceitar a saída de Genoino da presidência do partido, mas tentar impedir a CPI de ouvi-lo. “Ao aceitar seu afastamento, a direção partidário termina por responsabilizá-lo pelo fato”, argumentou. “No mínimo, no mínimo, estamos diante de um caso concreto de tráfico de influência”, disse ela.
O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), defendeu “mais cuidado” no trato de novas denúncias, sobretudo para que o excesso de investigações não prejudique os trabalhos da comissão. “Vamos examinar a agenda em que aparece o nome do deputado José Nobre Guimarães e todos os fatos novos, mas não podemos abrir demais o leque das investigações”, alegou.
José Nobre está na lista das pessoas a serem ouvidas no inquérito da Polícia Federal que apura a origem do dinheiro apreendido no Aeroporto de Congonhas. Notícias de que seu nome, entre outros deputados federais e estaduais, aparece na agenda de Marcos Valério reforçam a necessidade de colher seu depoimento, segundo avaliação da polícia. O caso está sob a responsabilidade da Delegacia de Crimes Fazendários, na Superintendência da PF, em São Paulo.
Hoje, em Fortaleza, dirigentes do PT regional se reúnem, às 15h, para votar o afastamento de Vieira da Silva. O assessor parlamentar foi demitido por Nobre no sábado. Ele continua preso na carceragem da PF, em São Paulo.
Dirigentes do PT suspeitam que Vieira da Silva pode ter sido apenas um laranja em uma trama para derrubar Genoino do partido. Eles estão convencidos de que Silva não era o dono do dinheiro e não acreditam que a prisão tenha sido mera coincidência. “Foi uma traição”, suspeita Sônia Braga, presidente do PT cearense. Correio Braziliense
11/7/2005
O ex-presidente do PT José Genoino disse ontem que está à disposição da CPI dos Correios, antecipando-se assim a parlamentares da oposição que querem ouvi-lo ainda nesta semana sobre a prisão de José Adalberto Vieira da Silva. Assessor do irmão de Genoino, o deputado estadual José Nobre (PT-CE), Vieira da Silva foi preso na sexta-feira no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ao tentar embarcar com R$ 200 mil na bagagem e mais US$ 100 mil dentro da cueca.
Genoino reiterou que continua “aturdido e perplexo” com o fato. “Eu não sou citado pela CPI, esse episódio não tem nada a ver comigo, nem de longe nem de perto, mas estou à disposição da comissão”, afirmou. O ex-presidente petista disse torcer para que as investigações da Polícia Federal identifiquem o quanto antes os envolvidos na coleta e na tentativa de esconder o dinheiro.
A oposição alega, porém, que a CPI não pode ignorar a prisão, diante da suspeita de que os Correios seriam uma das fontes de arrecadação dos integrantes do esquema do mensalão. “A prisão do assessor e o nome na agenda derrubam a tese de que as ligações de Valério se restringiriam ao Delúbio Soares”, alegou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), ao lembrar que o nome do irmão de Genoino consta na agenda do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.
A senadora Heloisa Helena (PSol-AL) disse que o PT mostra incoerência, ao aceitar a saída de Genoino da presidência do partido, mas tentar impedir a CPI de ouvi-lo. “Ao aceitar seu afastamento, a direção partidário termina por responsabilizá-lo pelo fato”, argumentou. “No mínimo, no mínimo, estamos diante de um caso concreto de tráfico de influência”, disse ela.
O presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), defendeu “mais cuidado” no trato de novas denúncias, sobretudo para que o excesso de investigações não prejudique os trabalhos da comissão. “Vamos examinar a agenda em que aparece o nome do deputado José Nobre Guimarães e todos os fatos novos, mas não podemos abrir demais o leque das investigações”, alegou.
José Nobre está na lista das pessoas a serem ouvidas no inquérito da Polícia Federal que apura a origem do dinheiro apreendido no Aeroporto de Congonhas. Notícias de que seu nome, entre outros deputados federais e estaduais, aparece na agenda de Marcos Valério reforçam a necessidade de colher seu depoimento, segundo avaliação da polícia. O caso está sob a responsabilidade da Delegacia de Crimes Fazendários, na Superintendência da PF, em São Paulo.
Hoje, em Fortaleza, dirigentes do PT regional se reúnem, às 15h, para votar o afastamento de Vieira da Silva. O assessor parlamentar foi demitido por Nobre no sábado. Ele continua preso na carceragem da PF, em São Paulo.
Dirigentes do PT suspeitam que Vieira da Silva pode ter sido apenas um laranja em uma trama para derrubar Genoino do partido. Eles estão convencidos de que Silva não era o dono do dinheiro e não acreditam que a prisão tenha sido mera coincidência. “Foi uma traição”, suspeita Sônia Braga, presidente do PT cearense. Correio Braziliense
A morte da esperança
11/07/2005
Talvez um dos aspectos mais relevantes do processo de corrupção que atinge o PT e o governo federal resida na morte da esperança. No momento em que a “ética na política” como bandeira partidária foi atingida, todo um mundo ruiu, o mundo da moralidade pública, o que estruturava o imaginário petista e soldava a aderência dos militantes ao seu partido e aos seus ideais. Os eleitores, ao longo de vários anos, acostumaram-se a identificar o PT à moralidade, como se a luta por um novo Brasil fosse simplesmente a luta pela conduta de um partido moralmente puro ao poder.
Quando as primeiras denúncias surgiram, elas “colavam” dificilmente ao PT, pois havia uma certa aura que fornecia uma blindagem eficaz. Celso Daniel foi assassinado, a situação foi e é particularmente escabrosa. Tudo, então, foi feito, porém, para “descolar” o partido e seus membros do acontecido. Os protestos foram múltiplos, mas, fato grave, o partido da moralidade já mostrava o seu pouco compromisso com a ética. No episódio Waldomiro Diniz, quando foram comprovadas suas estreitas relações com um bicheiro, a reação foi a mesma, a de abafar o caso, com a obstaculização, inclusive, de uma CPI, agora autorizada pelo STF. Aqui a cola começava a não aderir. No entanto, o então ministro José Dirceu, já tendo o seu nome insistentemente citado pela mídia, foi objeto de uma festa de desagravo. Era um crime de lesa-majestade implicar o PT com a corrupção. Agora, já não houve festa, nem desagravo.
A questão, no entanto, é que a esperança também partiu. E não partiu por uma manobra qualquer da oposição, que foi pega de surpresa. Ela se tornou espectadora de um espetáculo que lhe favorece. As teses estapafúrdias de um “golpe” em curso, de uma ação concertada das “elites conservadoras” ou de uma orquestração da “direita” não resistem a uma mínima análise objetiva. Os problemas surgiram entre os partidos aliados e não tiveram o PSDB ou o PFL como causa. A política macroeconômica, por exemplo, tem beneficiado as “elites” que o PT diz combater. Só se essas elites fossem masoquistas, tramariam a queda de um governo que lhes beneficia diretamente. Elites conservadoras como as representadas pelos senadores José Sarney e Renan Calheiros são os mais firmes suportes do governo. Se há golpe, é o de o PT ter renegado suas bandeiras históricas e, entre elas, a mais preciosa, a da “ética na política”.
A imprensa e a mídia foram as grandes protagonistas dessa história. Graças a uma imprensa livre, em que vige a competição e uma economia de mercado, os fatos puderam aparecer e ser desvendados. Se a opção autoritária do Conselho Federal de Jornalismo e da Ancinav tivesse vencido, a situação seria hoje provavelmente outra, com tudo sendo abafado. Entende-se agora melhor o porquê dessas iniciativas que afrontaram tão diretamente a liberdade. A PF, o MP e as Comissões do Congresso vieram a reboque de uma investigação conduzida por revistas e jornais, que estão balizando o processo. Neste sentido, pode-se dizer que a sociedade brasileira está à frente de seu Estado e de seus partidos, sendo o motor da liberdade. Quem não se lembra das declarações, há poucos dias, de dirigentes partidários que asseguravam que não havia nada a investigar, que tudo estava devidamente elucidado? Será que a nova elite política, que está atualmente no poder, pegou os cacoetes da antiga?
Quando das eleições de 2002, a publicidade do partido vencedor foi extremamente bem-feita. Guardamos todos na memória aquelas belas imagens que sugeriam moralidade e competência, como se a esperança fosse concreta e prestes a se realizar. A aposta foi muito elevada e a queda tanto mais abrupta. Poder-se-ia dizer que a irresponsabilidade foi total. Limites morais foram claramente transpostos, pois ao inexeqüível foi, agora, acrescentada a desfaçatez. Nada mais se sustenta e os discursos presidenciais mais se parecem palavras ao léu conduzidas pelo medo que reaparece. O problema, hoje, é se o povo brasileiro fará um saudável exercício de ceticismo, de descrença em relação a promessas vazias e a condutas de fachada, ou se ele procurará um novo destinatário, um salvador da pátria, aquele que poderá encarnar a crença perdida. Onde depositar a esperança? DENIS LERRER ROSENFIELD - O Globo
11/07/2005
Talvez um dos aspectos mais relevantes do processo de corrupção que atinge o PT e o governo federal resida na morte da esperança. No momento em que a “ética na política” como bandeira partidária foi atingida, todo um mundo ruiu, o mundo da moralidade pública, o que estruturava o imaginário petista e soldava a aderência dos militantes ao seu partido e aos seus ideais. Os eleitores, ao longo de vários anos, acostumaram-se a identificar o PT à moralidade, como se a luta por um novo Brasil fosse simplesmente a luta pela conduta de um partido moralmente puro ao poder.
Quando as primeiras denúncias surgiram, elas “colavam” dificilmente ao PT, pois havia uma certa aura que fornecia uma blindagem eficaz. Celso Daniel foi assassinado, a situação foi e é particularmente escabrosa. Tudo, então, foi feito, porém, para “descolar” o partido e seus membros do acontecido. Os protestos foram múltiplos, mas, fato grave, o partido da moralidade já mostrava o seu pouco compromisso com a ética. No episódio Waldomiro Diniz, quando foram comprovadas suas estreitas relações com um bicheiro, a reação foi a mesma, a de abafar o caso, com a obstaculização, inclusive, de uma CPI, agora autorizada pelo STF. Aqui a cola começava a não aderir. No entanto, o então ministro José Dirceu, já tendo o seu nome insistentemente citado pela mídia, foi objeto de uma festa de desagravo. Era um crime de lesa-majestade implicar o PT com a corrupção. Agora, já não houve festa, nem desagravo.
A questão, no entanto, é que a esperança também partiu. E não partiu por uma manobra qualquer da oposição, que foi pega de surpresa. Ela se tornou espectadora de um espetáculo que lhe favorece. As teses estapafúrdias de um “golpe” em curso, de uma ação concertada das “elites conservadoras” ou de uma orquestração da “direita” não resistem a uma mínima análise objetiva. Os problemas surgiram entre os partidos aliados e não tiveram o PSDB ou o PFL como causa. A política macroeconômica, por exemplo, tem beneficiado as “elites” que o PT diz combater. Só se essas elites fossem masoquistas, tramariam a queda de um governo que lhes beneficia diretamente. Elites conservadoras como as representadas pelos senadores José Sarney e Renan Calheiros são os mais firmes suportes do governo. Se há golpe, é o de o PT ter renegado suas bandeiras históricas e, entre elas, a mais preciosa, a da “ética na política”.
A imprensa e a mídia foram as grandes protagonistas dessa história. Graças a uma imprensa livre, em que vige a competição e uma economia de mercado, os fatos puderam aparecer e ser desvendados. Se a opção autoritária do Conselho Federal de Jornalismo e da Ancinav tivesse vencido, a situação seria hoje provavelmente outra, com tudo sendo abafado. Entende-se agora melhor o porquê dessas iniciativas que afrontaram tão diretamente a liberdade. A PF, o MP e as Comissões do Congresso vieram a reboque de uma investigação conduzida por revistas e jornais, que estão balizando o processo. Neste sentido, pode-se dizer que a sociedade brasileira está à frente de seu Estado e de seus partidos, sendo o motor da liberdade. Quem não se lembra das declarações, há poucos dias, de dirigentes partidários que asseguravam que não havia nada a investigar, que tudo estava devidamente elucidado? Será que a nova elite política, que está atualmente no poder, pegou os cacoetes da antiga?
Quando das eleições de 2002, a publicidade do partido vencedor foi extremamente bem-feita. Guardamos todos na memória aquelas belas imagens que sugeriam moralidade e competência, como se a esperança fosse concreta e prestes a se realizar. A aposta foi muito elevada e a queda tanto mais abrupta. Poder-se-ia dizer que a irresponsabilidade foi total. Limites morais foram claramente transpostos, pois ao inexeqüível foi, agora, acrescentada a desfaçatez. Nada mais se sustenta e os discursos presidenciais mais se parecem palavras ao léu conduzidas pelo medo que reaparece. O problema, hoje, é se o povo brasileiro fará um saudável exercício de ceticismo, de descrença em relação a promessas vazias e a condutas de fachada, ou se ele procurará um novo destinatário, um salvador da pátria, aquele que poderá encarnar a crença perdida. Onde depositar a esperança? DENIS LERRER ROSENFIELD - O Globo
Berzoini diz que PT quer contribuir com apuração de todas as denúncias
11/07/2005
O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse hoje que a posição do Partido dos Trabalhadores é de contribuir com a apuração de tudo o que está sendo denunciado. "Para isso, estamos agindo com a máxima transparência e objetividade, ou seja, vamos trabalhar para que fique clara a disposição em fazer da verdade a única forma de informação que chega à população", disse. "Evidentemente, não temos controle de boatos, de denúncias infundadas, mas aquilo que for, de fato, irregularidade apurada, será comunicado e as providências serão tomadas", acrescentou.
Ricardo Berzoini será o novo secretário-geral do PT. Ele foi escolhido nesse sábado (9), durante reunião do diretório nacional do partido em São Paulo. Também foram eleitos o ministro da Educação, Tarso Genro, para a presidência, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa para a Secretaria de Comunicação, e o deputado José Pimentel (PT-CE) para a Secretaria de Finanças.
Segundo Berzoini, o que for apurado pela Comissão de Ética do PT poderá ajudar nas investigações que estão sendo feitas em várias instâncias, como a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instalada no Congresso Nacional.
O ministro Tarso Genro explicou que a Comissão de Ética vai avaliar a atuação dos ex-secretários licenciados Silvio Pereira (Secretaria Geral) e Delúbio Soares (Secretaria Nacional de Finanças)."Essa comissão fará uma avaliação exaustiva do procedimento que tiveram esses companheiros em relação à situação em que eles estão envolvidos através de denúncias feitas pela imprensa." Segundo o ministro, essas denúncias, em última análise, "têm produzido um abalo na referência que o partido tinha criado em relação à ética pública, à ética, particularmente, desses companheiros, relacionada com a situação político-partidária."
Tarso explicou que a comissão será coordenada pelo novo secretário geral Ricardo Berzoini. Segundo Tarso, a decisão não significa que o partido presuma a culpa dos ex-secretários, mas tem como objetivo verificar se as denúncias procedem. "A instalação dessa comissão de ética não estabelece nenhuma presunção de culpabilidade e a decisão da comissão executiva é para verificar e fazer um trabalho exemplar", afirmou.
A nova executiva nacional do PT reuniu-se hoje pela primeira vez na capital paulista. Liésio Pereira – Agência Brasil
11/07/2005
O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse hoje que a posição do Partido dos Trabalhadores é de contribuir com a apuração de tudo o que está sendo denunciado. "Para isso, estamos agindo com a máxima transparência e objetividade, ou seja, vamos trabalhar para que fique clara a disposição em fazer da verdade a única forma de informação que chega à população", disse. "Evidentemente, não temos controle de boatos, de denúncias infundadas, mas aquilo que for, de fato, irregularidade apurada, será comunicado e as providências serão tomadas", acrescentou.
Ricardo Berzoini será o novo secretário-geral do PT. Ele foi escolhido nesse sábado (9), durante reunião do diretório nacional do partido em São Paulo. Também foram eleitos o ministro da Educação, Tarso Genro, para a presidência, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa para a Secretaria de Comunicação, e o deputado José Pimentel (PT-CE) para a Secretaria de Finanças.
Segundo Berzoini, o que for apurado pela Comissão de Ética do PT poderá ajudar nas investigações que estão sendo feitas em várias instâncias, como a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instalada no Congresso Nacional.
O ministro Tarso Genro explicou que a Comissão de Ética vai avaliar a atuação dos ex-secretários licenciados Silvio Pereira (Secretaria Geral) e Delúbio Soares (Secretaria Nacional de Finanças)."Essa comissão fará uma avaliação exaustiva do procedimento que tiveram esses companheiros em relação à situação em que eles estão envolvidos através de denúncias feitas pela imprensa." Segundo o ministro, essas denúncias, em última análise, "têm produzido um abalo na referência que o partido tinha criado em relação à ética pública, à ética, particularmente, desses companheiros, relacionada com a situação político-partidária."
Tarso explicou que a comissão será coordenada pelo novo secretário geral Ricardo Berzoini. Segundo Tarso, a decisão não significa que o partido presuma a culpa dos ex-secretários, mas tem como objetivo verificar se as denúncias procedem. "A instalação dessa comissão de ética não estabelece nenhuma presunção de culpabilidade e a decisão da comissão executiva é para verificar e fazer um trabalho exemplar", afirmou.
A nova executiva nacional do PT reuniu-se hoje pela primeira vez na capital paulista. Liésio Pereira – Agência Brasil
Rádio
Deputado propõe programas políticos municipais em rádios
8/7/2005, 10h20
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5385/05, que dá aos partidos direito à veiculação de programas políticos municipais de até 30 minutos de duração, uma vez por trimestre, em rádios locais. A proposta, do deputado Durval Orlato (PT-SP), beneficia os partidos que tenham pelo menos um vereador eleito. O tempo do programa, pelo projeto, será proporcional ao número de representantes do partido nas câmaras municipais. O programa, cujo tempo mínimo será de cinco minutos, aumentará em cinco minutos para cada vereador que exceder a representação mínima. Esse tempo também poderá ser trocado por pequenas inserções diárias, de segunda-feira a sexta-feira das 6 horas às 19 horas. Segundo o parlamentar, hoje só existem programas locais de rádio para os partidos de quatro em quatro anos (durante o horário eleitoral gratuito). "A Constituição deu mais força aos municípios, mas mesmo assim os partidos políticos ainda não têm, no âmbito municipal, o acesso ao meio de comunicação mais popular nas pequenas e médias cidades, que é o rádio", argumenta o deputado. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde espera a designação de relator. Depois de ser votado pela CCJ, a proposta será analisada pelo Plenário. João Pitella Junior - Agência Câmara de Notícias 140 Receitas da indústria cinematográfica indiana 8/7/2005 De acordo com a KPMG, na distribuição das fontes de receita da indústria cinematográfica indiana, a exibição em sala representa cerca de 70 por cento do volume de negócios (cerca de 80 por cento das receitas legítimas), estimado em 59 mil milhões de rupias. Este modelo contrasta com países como os Estados Unidos, onde o peso da exibição em sala é consideravelmente inferior, rondando os 35 por cento. Os restantes 65 por cento provêm de outras fontes de receita: DVD/VHS/cabo-satélite, pay-per-view, etc. A pirataria representa na Índia, de acordo com a estimativa divulgada no relatório, 14 por cento das receitas geradas pelo conjunto da indústria. Apesar da baixa penetração de filmes estrangeiros neste mercado, alguns filmes norte-americanos têm obtido nos últimos anos bons resultados de bilheteira, em versões dobradas, como sucedeu com Spiderman 2. Entre 2003 e 2004, o número de filmes estrangeiros estreados passou de 60 para 72, o que correspondeu a um aumento da receita de 1,5 mil milhões de rupias para 1,8 mil milhões. Com a redução dos custos e a maximização dos processos de produção e gestão no cinema indiano, o potencial de crescimento das receitas é forte, apesar de ainda não totalmente concretizado. No conjunto, espera-se que as receitas aumentem a uma taxa média anual de 16 por cento, ultrapassando 100 mil milhões de rupias em 2007 e 143 mil milhões em 2010. Observatório da Comunicação
Deputado propõe programas políticos municipais em rádios
8/7/2005, 10h20
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5385/05, que dá aos partidos direito à veiculação de programas políticos municipais de até 30 minutos de duração, uma vez por trimestre, em rádios locais. A proposta, do deputado Durval Orlato (PT-SP), beneficia os partidos que tenham pelo menos um vereador eleito. O tempo do programa, pelo projeto, será proporcional ao número de representantes do partido nas câmaras municipais. O programa, cujo tempo mínimo será de cinco minutos, aumentará em cinco minutos para cada vereador que exceder a representação mínima. Esse tempo também poderá ser trocado por pequenas inserções diárias, de segunda-feira a sexta-feira das 6 horas às 19 horas. Segundo o parlamentar, hoje só existem programas locais de rádio para os partidos de quatro em quatro anos (durante o horário eleitoral gratuito). "A Constituição deu mais força aos municípios, mas mesmo assim os partidos políticos ainda não têm, no âmbito municipal, o acesso ao meio de comunicação mais popular nas pequenas e médias cidades, que é o rádio", argumenta o deputado. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, onde espera a designação de relator. Depois de ser votado pela CCJ, a proposta será analisada pelo Plenário. João Pitella Junior - Agência Câmara de Notícias 140 Receitas da indústria cinematográfica indiana 8/7/2005 De acordo com a KPMG, na distribuição das fontes de receita da indústria cinematográfica indiana, a exibição em sala representa cerca de 70 por cento do volume de negócios (cerca de 80 por cento das receitas legítimas), estimado em 59 mil milhões de rupias. Este modelo contrasta com países como os Estados Unidos, onde o peso da exibição em sala é consideravelmente inferior, rondando os 35 por cento. Os restantes 65 por cento provêm de outras fontes de receita: DVD/VHS/cabo-satélite, pay-per-view, etc. A pirataria representa na Índia, de acordo com a estimativa divulgada no relatório, 14 por cento das receitas geradas pelo conjunto da indústria. Apesar da baixa penetração de filmes estrangeiros neste mercado, alguns filmes norte-americanos têm obtido nos últimos anos bons resultados de bilheteira, em versões dobradas, como sucedeu com Spiderman 2. Entre 2003 e 2004, o número de filmes estrangeiros estreados passou de 60 para 72, o que correspondeu a um aumento da receita de 1,5 mil milhões de rupias para 1,8 mil milhões. Com a redução dos custos e a maximização dos processos de produção e gestão no cinema indiano, o potencial de crescimento das receitas é forte, apesar de ainda não totalmente concretizado. No conjunto, espera-se que as receitas aumentem a uma taxa média anual de 16 por cento, ultrapassando 100 mil milhões de rupias em 2007 e 143 mil milhões em 2010. Observatório da Comunicação
Comunicação Comunitária
Apoio às rádios e TVs comunitárias
8/7/2005
Manhã de segunda-feira, véspera do Dia da Independência da Venezuela, conquistada em 5 de julho de 1911. O taxista Tony Julio dirige em meio ao caótico trânsito da capital Caracas. A programação de umas das rádios locais o acompanha. "Hoje, também temos que comemorar. É Dia da Independência", comenta uma das locutoras, em alusão ao 4 de julho estadunidense. Tony Julio se indigna. "Por isso, ninguém acredita no que esses jornalistas dizem. Vivem aqui mas pensam que são gringos". Esta pequena cena da vida cotidiana reflete a atuação dos meios de comunicação venezuelanos. Nos quatro cantos do país, ouve-se a falta de credibilidade que resultou do golpe midiático de abril de 2002. "Os meios de comunicação tomaram o lugar dos partidos políticos e esqueceram do principal: a informação. Tudo que fazem tem como fim derrubar o presidente, mais nada", comenta Tony Julio. Diante desse cenário, o presidente venezuelano Hugo Chávez, passou a estimular a criação de rádios e televisões comunitárias. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) entregou mais de mil concessões de rádios comunitárias ou livres, nesse esforço de contra-atacar a força dos meios de comunicação privados, que detêm o controle de 90% do espaço radioelétrico venezuelano. Outra iniciativa do governo, que se estendeu a âmbito continental (veja reportagem abaixo), foi a ofensiva televisiva com os canais de televisão estatais. Nesse sentido, o lema de uma das principais TVs comunitárias do país passou a ser regra quando o assunto é reiventar a maneira de fazer televisão: "Não veja TV, faça-a", divulga a Catia TV, criada pela jornalista Blanca Eeekhout, hoje à frente da presidência dos dois canais estatais. Há 18 meses, surgiu a Vive TV. Um novo canal público, de caráter educativo, cultural e informativo que tem como missão dar voz à população ignorada durante anos pelas telas dos grandes meios comerciais. O vice-presidente do canal, o jornalista Thierry Deronne, explica que a Vive nasceu para ser umas das "ferramentas de consolidação" da revolução bolivariana: "O povo venezuelano com suas organizações sociais está resgatando um espaço que sempre lhes pertenceu e que o capitalismo historicamente havia roubado". Responsável pela criação da Escola Latino-Americana de Cinema, que hoje funciona no interior de Vive, Deronne explica em uma das oficinas de linguagem audiovisual o conceito de TV que se pretende criar. "Estamos tratando de construir uma TV pública revolucionária, feita pelo e para o povo, capaz de romper os modelos comerciais de fazer televisão imposto durante décadas". PARTICIPAÇÃO POPULAR Pelos corredores do canal, é corriqueiro encontrar pequenos grupos formados por motoristas, faxineiros, vigilantes e jornalistas que se aventuram a aprender a manusear uma câmera ou a operar uma ilha de edição. A formação ocorre na Escola de Cinema, onde dezenas de jovens da periferia aprendem a fazer televisão sob o conceito da participação popular. Hoje, parte desses jovens produz o "Noticiero del Cambio" (Noticiário da Mudança), um dos programas mais contundentes no que se refere à crítica ao Estado. "Não podemos maquiar a realidade, caso contrário, estaremos debilitando o processo revolucionário. Com o exemplo das comunidades organizadas, vamos avançando na tomada de consciência", afirma Luis Ortuño, de 25 anos, um dos produtores do programa. O conceito da Vive - uma grande TV comunitária - é alterar a maneira paternalista de contar uma história. Os trabalhadores da fábrica de papel Invepal, tomada pelos operários depois de decretada sua falência, durante uma semana participaram de oficinas de capacitação audiovisual e de linguagem de documentário. Nesse momento, foi criado o Noticiero de los Trabajadores. Nesse espaço, os próprios operários gravam as assembléias onde tomam decisões, contam parte de seu cotidiano e os desafios que têm enfrentado para recuperar a produção da fábrica, operada em modelo de cogestão com o Estado. Um conselho social, integrado por representantes dos movimentos sociais e das comunidades organizadas, se reúne quinzenalmente no Canal com os coordenadores de cada unidade de informação para avaliar e opinar sobre a linha das produções. Claudia Jardim - Jornal Brasil de Fato
Apoio às rádios e TVs comunitárias
8/7/2005
Manhã de segunda-feira, véspera do Dia da Independência da Venezuela, conquistada em 5 de julho de 1911. O taxista Tony Julio dirige em meio ao caótico trânsito da capital Caracas. A programação de umas das rádios locais o acompanha. "Hoje, também temos que comemorar. É Dia da Independência", comenta uma das locutoras, em alusão ao 4 de julho estadunidense. Tony Julio se indigna. "Por isso, ninguém acredita no que esses jornalistas dizem. Vivem aqui mas pensam que são gringos". Esta pequena cena da vida cotidiana reflete a atuação dos meios de comunicação venezuelanos. Nos quatro cantos do país, ouve-se a falta de credibilidade que resultou do golpe midiático de abril de 2002. "Os meios de comunicação tomaram o lugar dos partidos políticos e esqueceram do principal: a informação. Tudo que fazem tem como fim derrubar o presidente, mais nada", comenta Tony Julio. Diante desse cenário, o presidente venezuelano Hugo Chávez, passou a estimular a criação de rádios e televisões comunitárias. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) entregou mais de mil concessões de rádios comunitárias ou livres, nesse esforço de contra-atacar a força dos meios de comunicação privados, que detêm o controle de 90% do espaço radioelétrico venezuelano. Outra iniciativa do governo, que se estendeu a âmbito continental (veja reportagem abaixo), foi a ofensiva televisiva com os canais de televisão estatais. Nesse sentido, o lema de uma das principais TVs comunitárias do país passou a ser regra quando o assunto é reiventar a maneira de fazer televisão: "Não veja TV, faça-a", divulga a Catia TV, criada pela jornalista Blanca Eeekhout, hoje à frente da presidência dos dois canais estatais. Há 18 meses, surgiu a Vive TV. Um novo canal público, de caráter educativo, cultural e informativo que tem como missão dar voz à população ignorada durante anos pelas telas dos grandes meios comerciais. O vice-presidente do canal, o jornalista Thierry Deronne, explica que a Vive nasceu para ser umas das "ferramentas de consolidação" da revolução bolivariana: "O povo venezuelano com suas organizações sociais está resgatando um espaço que sempre lhes pertenceu e que o capitalismo historicamente havia roubado". Responsável pela criação da Escola Latino-Americana de Cinema, que hoje funciona no interior de Vive, Deronne explica em uma das oficinas de linguagem audiovisual o conceito de TV que se pretende criar. "Estamos tratando de construir uma TV pública revolucionária, feita pelo e para o povo, capaz de romper os modelos comerciais de fazer televisão imposto durante décadas". PARTICIPAÇÃO POPULAR Pelos corredores do canal, é corriqueiro encontrar pequenos grupos formados por motoristas, faxineiros, vigilantes e jornalistas que se aventuram a aprender a manusear uma câmera ou a operar uma ilha de edição. A formação ocorre na Escola de Cinema, onde dezenas de jovens da periferia aprendem a fazer televisão sob o conceito da participação popular. Hoje, parte desses jovens produz o "Noticiero del Cambio" (Noticiário da Mudança), um dos programas mais contundentes no que se refere à crítica ao Estado. "Não podemos maquiar a realidade, caso contrário, estaremos debilitando o processo revolucionário. Com o exemplo das comunidades organizadas, vamos avançando na tomada de consciência", afirma Luis Ortuño, de 25 anos, um dos produtores do programa. O conceito da Vive - uma grande TV comunitária - é alterar a maneira paternalista de contar uma história. Os trabalhadores da fábrica de papel Invepal, tomada pelos operários depois de decretada sua falência, durante uma semana participaram de oficinas de capacitação audiovisual e de linguagem de documentário. Nesse momento, foi criado o Noticiero de los Trabajadores. Nesse espaço, os próprios operários gravam as assembléias onde tomam decisões, contam parte de seu cotidiano e os desafios que têm enfrentado para recuperar a produção da fábrica, operada em modelo de cogestão com o Estado. Um conselho social, integrado por representantes dos movimentos sociais e das comunidades organizadas, se reúne quinzenalmente no Canal com os coordenadores de cada unidade de informação para avaliar e opinar sobre a linha das produções. Claudia Jardim - Jornal Brasil de Fato
Comunicação comunitária pode ser solução para viabilizar economia local, afirma economista
8/7/2005, 16h24
Um dos problemas mais comuns enfrentados pelos pequenos empreendedores do país pode ser solucionado com a difusão dos veículos de comunicação comunitários, avalia o economista Ladislau Dowbor. "Temos que liberar o acesso a rádios e TVs locais e comunitárias. É uma questão de civilização." Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Dowbor é um dos coordenadores do projeto para formatação de uma Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local, uma parceria entre o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto Cidadania, organização não governamental fundada por Luiz Inácio Lula da Silva que criou o Fome Zero. Dowbor fez a sugestão sobre o uso da mídia comunitária aos debatedores presentes ao primeiro seminário do projeto, que acontece hoje em Florianópolis. Vários participantes do evento citaram a dificuldade de comercialização dos produtos locais como um entrave ao desenvolvimento. Segundo o economista, a divulgação nos meios comunitários de comunicação dos produtos locais poderia oferecer um contraponto à publicidade massiva que as grandes empresas promovem na mídia comercial. Spensy Pimentel - Agência Brasil
8/7/2005, 16h24
Um dos problemas mais comuns enfrentados pelos pequenos empreendedores do país pode ser solucionado com a difusão dos veículos de comunicação comunitários, avalia o economista Ladislau Dowbor. "Temos que liberar o acesso a rádios e TVs locais e comunitárias. É uma questão de civilização." Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Dowbor é um dos coordenadores do projeto para formatação de uma Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local, uma parceria entre o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto Cidadania, organização não governamental fundada por Luiz Inácio Lula da Silva que criou o Fome Zero. Dowbor fez a sugestão sobre o uso da mídia comunitária aos debatedores presentes ao primeiro seminário do projeto, que acontece hoje em Florianópolis. Vários participantes do evento citaram a dificuldade de comercialização dos produtos locais como um entrave ao desenvolvimento. Segundo o economista, a divulgação nos meios comunitários de comunicação dos produtos locais poderia oferecer um contraponto à publicidade massiva que as grandes empresas promovem na mídia comercial. Spensy Pimentel - Agência Brasil
Televisão
TV digital: ministro quer debate amplo com países da América Latina.
8/7/2005
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, fará na próxima semana sua primeira reunião sobre a TV digital, para acelerar a discussão sobre o assunto. Ele quer o apoio do Itamaraty para convidar todos os ministros das Comunicações da América Latina para vir a Brasília "discutir amplamente a questão do padrão da TV digital". Na opinião do ministro, a TV e o rádio digital são "tecnologias modernas que precisam imediatamente ser aprovadas no Brasil". O antigo ministro, Eunício Oliveira, deixou a pasta qualificando como "improrrogável" o prazo até 10 de dezembro para entrega dos estudos a serem usados pelo novo chefe da pasta na escolha do modelo de referência da TV digital. "Precisamos entender qual é o melhor padrão para o Brasil", disse Hélio Costa logo após sua posse. "Não é necessariamente um padrão nacional. O padrão japonês, o europeu, o americano estão sendo estudados", e será escolhido "o que for melhor para o Brasil, o que der ao Brasil uma
participação no mercado mundial de televisão". Patricia Costa - Telecom Online
Samsung faz primeira apresentação da tecnologia T-DMB
08/07/2005, 16h47
A Samsung e a operadora móvel T-Systems, da Deutsche Telekom, fizeram a primeira demonstração de serviços sobre a tecnologia T-DMB (Terrestrial Digital Multimedia Broadcasting), com base em um handset T-DMB/banda L/GSM na Alemanha. Ambas as companhias têm trabalhado para desenvolver e comercializar essa tecnologia desde que fecharam uma parceria na CeBIT deste ano, em Hannover. Durante a própria CeBIT, as empresas fizeram demonstração de protótipos de terminais terrestres. Copa O objetivo da Samsung e da T-Systems é garantir a tecnologia para os serviços de TV móvel na Copa do Mundo do ano que vem, a ser realizada na Alemanha. O próximo passo depende de uma alocação de licença para oferecer esse tipo de serviço, mas isso poderá ser feito através da tecnologia DAB/DMB, que é um padrão público do Instituto Europeu de Padrões de Telecomunicações (ETSI) e que tem sido levada em consideração. Os serviços em DMB podem coexistir com os serviços DAB e as freqüências de banda L já estão disponíveis para que o serviço tenha início em toda a Alemanha no ano que vem. Da Redação - TELETIME News
8/7/2005
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, fará na próxima semana sua primeira reunião sobre a TV digital, para acelerar a discussão sobre o assunto. Ele quer o apoio do Itamaraty para convidar todos os ministros das Comunicações da América Latina para vir a Brasília "discutir amplamente a questão do padrão da TV digital". Na opinião do ministro, a TV e o rádio digital são "tecnologias modernas que precisam imediatamente ser aprovadas no Brasil". O antigo ministro, Eunício Oliveira, deixou a pasta qualificando como "improrrogável" o prazo até 10 de dezembro para entrega dos estudos a serem usados pelo novo chefe da pasta na escolha do modelo de referência da TV digital. "Precisamos entender qual é o melhor padrão para o Brasil", disse Hélio Costa logo após sua posse. "Não é necessariamente um padrão nacional. O padrão japonês, o europeu, o americano estão sendo estudados", e será escolhido "o que for melhor para o Brasil, o que der ao Brasil uma
participação no mercado mundial de televisão". Patricia Costa - Telecom Online
Samsung faz primeira apresentação da tecnologia T-DMB
08/07/2005, 16h47
A Samsung e a operadora móvel T-Systems, da Deutsche Telekom, fizeram a primeira demonstração de serviços sobre a tecnologia T-DMB (Terrestrial Digital Multimedia Broadcasting), com base em um handset T-DMB/banda L/GSM na Alemanha. Ambas as companhias têm trabalhado para desenvolver e comercializar essa tecnologia desde que fecharam uma parceria na CeBIT deste ano, em Hannover. Durante a própria CeBIT, as empresas fizeram demonstração de protótipos de terminais terrestres. Copa O objetivo da Samsung e da T-Systems é garantir a tecnologia para os serviços de TV móvel na Copa do Mundo do ano que vem, a ser realizada na Alemanha. O próximo passo depende de uma alocação de licença para oferecer esse tipo de serviço, mas isso poderá ser feito através da tecnologia DAB/DMB, que é um padrão público do Instituto Europeu de Padrões de Telecomunicações (ETSI) e que tem sido levada em consideração. Os serviços em DMB podem coexistir com os serviços DAB e as freqüências de banda L já estão disponíveis para que o serviço tenha início em toda a Alemanha no ano que vem. Da Redação - TELETIME News
A indústria televisiva de entretenimento na Índia
8/7/2005
O sector televisivo é o grande impulsionador do crescimento da indústria de entretenimento na Índia. Com a entrada na era digital e a disponibilização de novas plataformas de distribuição, o sector deverá atingir os 371 mil milhões INR em 2010. Actualmente, na Índia, os gastos em entretenimento são significativamente mais baixos do que nos países desenvolvidos. Porém, há uma classe consumidora em ascensão com propensão para gastar que irá conduzir o crescimento da indústria de entretenimento indiana, de acordo com um estudo da KPMG. Ao longo dos últimos anos, tem-se estudado as possibilidades de crescimento da indústria de entretenimento na Índia, impulsionada por novas plataformas de distribuição e avanços tecnológicos, a par com o aumento da variedade de conteúdos e iniciativas ao nível da regulação. Espera-se que a conjugação destes factores transforme a paisagem do entretenimento, com mais actores de mercado a surgirem e os actores tradicionais a serem forçados a adaptar-se. A crescente penetração de plataformas de distribuição é um dos factores chave da indústria dos media e do entretenimento, com o potencial de mudar a forma como as pessoas recebem os conteúdos. Estas plataformas, resultantes de avanços tecnológicos fundamentais, provavelmente terão a sua actuação mais importante nos próximos anos - por exemplo, a introdução do DTH (Direct to Home) e da IPTV (Internet Protocol based Television). Novas formas de conteúdos irão também emergir atraindo os telespectadores, à medida que a indústria se desenvolve. Conteúdos como a televisão local, irão surgir através de novos formatos de distribuição. Para além disso, será necessária a inovação ao nível dos conteúdos para suster o interesse da crescente população urbana. A indústria de entretenimento está a prosperar na actual situação económica e está estimada, actualmente, em 222 mil milhões INR (Rupias indianas). A televisão tem sido o principal impulsionador do crescimento da indústria, com um contributo de 62% para o total do crescimento da indústria. A televisão foi o primeiro impulsionador do crescimento que a indústria de entretenimento indiana sofreu na última década, com um total de receitas em 2004 de 139 mil milhões INR. O sector privado entrou na cadeia de valor da televisão nos anos 90 e alterou a paisagem do sector. Espera-se que a televisão continue a impulsionar a indústria na era digital, através de várias inovações como o DTH, televisão interactiva, etc. Neste momento, o sector televisivo encontra-se preparado para avançar para a próxima fase desta evolução, aproveitando as oportunidades apresentadas pela era digital, que irão mudar completamente a paisagem do entretenimento nos lares. Estima-se que continue o seu rápido crescimento e atinja 371 mil milhões INR em 2010. Algumas das transformações esperadas são: * Mais plataformas de distribuição: o sector da distribuição de televisão irá ser alvo de um grande dinamismo num futuro próximo devido à entrada de radiodifusores DTH, IPTV, serviços de radiodifusão usando tecnologia DSL (Digital Subscriber Line), etc. Por outro lado, estas plataformas permitirão aos radiodifusores dar acesso directo aos consumidores através da disponibilização de serviços de valor acrescentado, como o VOD (Vídeo-on-Demand). * Surgimento de géneros minoritários através de uma oferta variada de conteúdos aos telespectadores: os géneros minoritários fortaleceram significativamente o seu valor e espera-se o seu desenvolvimento em áreas como a animação, negócios e estilos de vida, entre outros. Para mais informações consulte o estudo "Indian entertainment industry - Focus 2010: Dreams to reality" da KPMG. Observatório da Comunicação
8/7/2005
O sector televisivo é o grande impulsionador do crescimento da indústria de entretenimento na Índia. Com a entrada na era digital e a disponibilização de novas plataformas de distribuição, o sector deverá atingir os 371 mil milhões INR em 2010. Actualmente, na Índia, os gastos em entretenimento são significativamente mais baixos do que nos países desenvolvidos. Porém, há uma classe consumidora em ascensão com propensão para gastar que irá conduzir o crescimento da indústria de entretenimento indiana, de acordo com um estudo da KPMG. Ao longo dos últimos anos, tem-se estudado as possibilidades de crescimento da indústria de entretenimento na Índia, impulsionada por novas plataformas de distribuição e avanços tecnológicos, a par com o aumento da variedade de conteúdos e iniciativas ao nível da regulação. Espera-se que a conjugação destes factores transforme a paisagem do entretenimento, com mais actores de mercado a surgirem e os actores tradicionais a serem forçados a adaptar-se. A crescente penetração de plataformas de distribuição é um dos factores chave da indústria dos media e do entretenimento, com o potencial de mudar a forma como as pessoas recebem os conteúdos. Estas plataformas, resultantes de avanços tecnológicos fundamentais, provavelmente terão a sua actuação mais importante nos próximos anos - por exemplo, a introdução do DTH (Direct to Home) e da IPTV (Internet Protocol based Television). Novas formas de conteúdos irão também emergir atraindo os telespectadores, à medida que a indústria se desenvolve. Conteúdos como a televisão local, irão surgir através de novos formatos de distribuição. Para além disso, será necessária a inovação ao nível dos conteúdos para suster o interesse da crescente população urbana. A indústria de entretenimento está a prosperar na actual situação económica e está estimada, actualmente, em 222 mil milhões INR (Rupias indianas). A televisão tem sido o principal impulsionador do crescimento da indústria, com um contributo de 62% para o total do crescimento da indústria. A televisão foi o primeiro impulsionador do crescimento que a indústria de entretenimento indiana sofreu na última década, com um total de receitas em 2004 de 139 mil milhões INR. O sector privado entrou na cadeia de valor da televisão nos anos 90 e alterou a paisagem do sector. Espera-se que a televisão continue a impulsionar a indústria na era digital, através de várias inovações como o DTH, televisão interactiva, etc. Neste momento, o sector televisivo encontra-se preparado para avançar para a próxima fase desta evolução, aproveitando as oportunidades apresentadas pela era digital, que irão mudar completamente a paisagem do entretenimento nos lares. Estima-se que continue o seu rápido crescimento e atinja 371 mil milhões INR em 2010. Algumas das transformações esperadas são: * Mais plataformas de distribuição: o sector da distribuição de televisão irá ser alvo de um grande dinamismo num futuro próximo devido à entrada de radiodifusores DTH, IPTV, serviços de radiodifusão usando tecnologia DSL (Digital Subscriber Line), etc. Por outro lado, estas plataformas permitirão aos radiodifusores dar acesso directo aos consumidores através da disponibilização de serviços de valor acrescentado, como o VOD (Vídeo-on-Demand). * Surgimento de géneros minoritários através de uma oferta variada de conteúdos aos telespectadores: os géneros minoritários fortaleceram significativamente o seu valor e espera-se o seu desenvolvimento em áreas como a animação, negócios e estilos de vida, entre outros. Para mais informações consulte o estudo "Indian entertainment industry - Focus 2010: Dreams to reality" da KPMG. Observatório da Comunicação
O cenário financeiro da indústria televisiva de entretenimento na Índia
8/7/2005
O sector da televisão contribui com 62% para o total das receitas da indústria de entretenimento na Índia. As receitas de subscrição são as que têm a maior fatia, sendo que o sector publicitário tem um contributo menor. O crescimento significativo da indústria de entretenimento na última década do século XX foi largamente impulsionado pela televisão. Nos últimos 50 anos, era um monopólio do sector público. Contudo, os anos 90 marcaram a entrada do sector privado na cadeia de valor da televisão. Desde essa altura, o rápido crescimento da indústria da televisão tornou-a a componente mais significativa, em termos de valor, do sector do entretenimento. Com um número crescente de horas de programação de entretenimento de massa no prime-time e uma melhor cobertura de eventos populares, o sector começou a atrair cada vez mais consumidores. Do total de 139 mil milhões INR (Rupias indianas) de receitas, as subscrições contribuem com 53%, isto é, 73 mil milhões INR. Este valor ultrapassa largamente as receitas de publicidade, que se ficam pelos 49 mil milhões INR. A quota das receitas de Pay-TV dos radiodifusores não vai além dos 17%, ou 12,5 mil milhões INR. Outras receitas, que incluem direitos de distribuição internacionais, chegam aos 14 mil milhões INR. Nesta nova fase de crescimento, de acordo com a KPMG, espera-se que o sector cresça a um ritmo anual de quase 18% até atingir os 371 mil milhões INR em 2010; com as receitas de subscrição a abarcarem a maior parte com 250 mil milhões INR. As receitas publicitárias deverão crescer a um ritmo modesto de 8% para tingir 78 mil milhões INR em seis anos. * Estimativas O verdadeiro potencial da publicidade em televisão é, no entanto, muito maior. Poderia chegar aos 150 mil milhões INR em 2010, dependendo destes factores: * Rapidez e eficiência do desenvolvimento das reformas do sector da radiodifusão; * A quantidade de investimentos feitos pelos vários actores do mercado nos próximos anos relativamente ao desenvolvimento de plataformas digitais; * A entrada das empresas de telecomunicações no sector da distribuição. No contexto indiano, há mais potencial para a televisão aumentar a sua quota. Espera-se que nos próximos anos o sector alcance cerca de 43% do mercado. Uma análise da programação televisiva indica que a publicidade na Índia, em média, chega aos 3,2 minutos por hora - valor muito abaixo daqueles registados noutros países. Ainda que, no caso do prime-time em canais de entretenimento de massa, este número possa chegar aos 10 minutos por hora. A televisão atinge cerca de 40% dos mil milhões de pessoas na Índia. Actualmente, 91 milhões de lares têm televisão, dos quais 48 milhões de lares têm cabo ou satélite; o radiodifusor terrestre atinge 43 milhões de lares. Apesar da penetração de televisão por cabo na Índia continuar a crescer a um ritmo rápido, o potencial por descobrir é ainda significativo. Nos próximos anos, espera-se que o cabo e o satélite, junto com as plataformas de distribuição emergentes como DTH (Direct to Home) e IPTV (Internet Protocol based Television), se desenvolvam. Estima-se que as ligações de televisão na Índia alcancem 134 milhões de lares em 2010, dos quais cerca de 85 milhões, ou 63,5%, ligados através de cabo e satélite, DTH, IPTV ou outra plataforma não terrestre. Observatório da Comunicação
8/7/2005
O sector da televisão contribui com 62% para o total das receitas da indústria de entretenimento na Índia. As receitas de subscrição são as que têm a maior fatia, sendo que o sector publicitário tem um contributo menor. O crescimento significativo da indústria de entretenimento na última década do século XX foi largamente impulsionado pela televisão. Nos últimos 50 anos, era um monopólio do sector público. Contudo, os anos 90 marcaram a entrada do sector privado na cadeia de valor da televisão. Desde essa altura, o rápido crescimento da indústria da televisão tornou-a a componente mais significativa, em termos de valor, do sector do entretenimento. Com um número crescente de horas de programação de entretenimento de massa no prime-time e uma melhor cobertura de eventos populares, o sector começou a atrair cada vez mais consumidores. Do total de 139 mil milhões INR (Rupias indianas) de receitas, as subscrições contribuem com 53%, isto é, 73 mil milhões INR. Este valor ultrapassa largamente as receitas de publicidade, que se ficam pelos 49 mil milhões INR. A quota das receitas de Pay-TV dos radiodifusores não vai além dos 17%, ou 12,5 mil milhões INR. Outras receitas, que incluem direitos de distribuição internacionais, chegam aos 14 mil milhões INR. Nesta nova fase de crescimento, de acordo com a KPMG, espera-se que o sector cresça a um ritmo anual de quase 18% até atingir os 371 mil milhões INR em 2010; com as receitas de subscrição a abarcarem a maior parte com 250 mil milhões INR. As receitas publicitárias deverão crescer a um ritmo modesto de 8% para tingir 78 mil milhões INR em seis anos. * Estimativas O verdadeiro potencial da publicidade em televisão é, no entanto, muito maior. Poderia chegar aos 150 mil milhões INR em 2010, dependendo destes factores: * Rapidez e eficiência do desenvolvimento das reformas do sector da radiodifusão; * A quantidade de investimentos feitos pelos vários actores do mercado nos próximos anos relativamente ao desenvolvimento de plataformas digitais; * A entrada das empresas de telecomunicações no sector da distribuição. No contexto indiano, há mais potencial para a televisão aumentar a sua quota. Espera-se que nos próximos anos o sector alcance cerca de 43% do mercado. Uma análise da programação televisiva indica que a publicidade na Índia, em média, chega aos 3,2 minutos por hora - valor muito abaixo daqueles registados noutros países. Ainda que, no caso do prime-time em canais de entretenimento de massa, este número possa chegar aos 10 minutos por hora. A televisão atinge cerca de 40% dos mil milhões de pessoas na Índia. Actualmente, 91 milhões de lares têm televisão, dos quais 48 milhões de lares têm cabo ou satélite; o radiodifusor terrestre atinge 43 milhões de lares. Apesar da penetração de televisão por cabo na Índia continuar a crescer a um ritmo rápido, o potencial por descobrir é ainda significativo. Nos próximos anos, espera-se que o cabo e o satélite, junto com as plataformas de distribuição emergentes como DTH (Direct to Home) e IPTV (Internet Protocol based Television), se desenvolvam. Estima-se que as ligações de televisão na Índia alcancem 134 milhões de lares em 2010, dos quais cerca de 85 milhões, ou 63,5%, ligados através de cabo e satélite, DTH, IPTV ou outra plataforma não terrestre. Observatório da Comunicação
TV Cultura exibe telejornal e "Fantástico" da França
11/07/2005
A TV Cultura exibe a partir da primeira semana de agosto um telejornal diário da TV5, emissora pública sediada na França. O "TV 5 Le Journal" irá ao ar de segunda a sexta, da 0h30 à 1h, com legendas em português.
A emissora também se prepara para colocar em sua programação uma espécie de "Fantástico" dos franceses, já batizado em português de "Quiosque". A revista eletrônica poderá ser veiculada na íntegra semanalmente ou ter suas reportagens distribuídas por programas da TV Cultura.
O acordo entre a TV5, mantida pelos governos de países de língua francesa, e a Cultura, prevê a troca de conteúdos e a co-produção. "Planejamos fazer com eles longas-metragens e telefilmes, já que na França há mecanismos legais de incentivo à produção audiovisual pelas redes de TV", afirma Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta (que administra a Cultura).
O telejornal "TV 5 Le Journal" não irá ao ar ao vivo, já que na França é transmitido no final da noite pelo horário de Brasília. O intervalo até a exibição brasileira facilitará a inserção de legendas. "Esse noticiário nos trará a visão política européia de temas internacionais", diz Mendonça.
As imagens da TV5 passarão a fazer parte do acervo da Cultura.
Rede internacional
Outro projeto de parceria é deixar a cargo da Cultura a implementação de correspondentes para a TV5 no Brasil e, talvez, em outro país sul-americano. A rede tem jornalistas em várias regiões do mundo, inclusive na áfrica, mas não na América Latina.
"Devemos coordenar essa operação aqui", conta Mendonça.
Além disso, já está acertada a produção de um documentário em São Paulo por uma equipe da TV5. Serão 24 horas de reportagens sobre a capital paulista exibidos na rede francesa -presente em vários países- veiculadas ao longo de uma semana.
Segundo Mendonça, a TV5 planeja utilizar da Cultura principalmente os conteúdos relacionados à música brasileira. Tem também interesse nos infantis. O convênio entre os canais, diz o presidente, foi fruto de eventos relacionados ao Ano do Brasil na França.
A TV5, um canal aberto na França, é distribuída no Brasil por televisão paga e recentemente renovou contrato para continuar nas operadoras Net e Sky.
Um representante da direção da rede virá ao Brasil para a estréia do noticiário francês na Cultura. LAURA MATTOS – Folha de São Paulo
11/07/2005
A TV Cultura exibe a partir da primeira semana de agosto um telejornal diário da TV5, emissora pública sediada na França. O "TV 5 Le Journal" irá ao ar de segunda a sexta, da 0h30 à 1h, com legendas em português.
A emissora também se prepara para colocar em sua programação uma espécie de "Fantástico" dos franceses, já batizado em português de "Quiosque". A revista eletrônica poderá ser veiculada na íntegra semanalmente ou ter suas reportagens distribuídas por programas da TV Cultura.
O acordo entre a TV5, mantida pelos governos de países de língua francesa, e a Cultura, prevê a troca de conteúdos e a co-produção. "Planejamos fazer com eles longas-metragens e telefilmes, já que na França há mecanismos legais de incentivo à produção audiovisual pelas redes de TV", afirma Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta (que administra a Cultura).
O telejornal "TV 5 Le Journal" não irá ao ar ao vivo, já que na França é transmitido no final da noite pelo horário de Brasília. O intervalo até a exibição brasileira facilitará a inserção de legendas. "Esse noticiário nos trará a visão política européia de temas internacionais", diz Mendonça.
As imagens da TV5 passarão a fazer parte do acervo da Cultura.
Rede internacional
Outro projeto de parceria é deixar a cargo da Cultura a implementação de correspondentes para a TV5 no Brasil e, talvez, em outro país sul-americano. A rede tem jornalistas em várias regiões do mundo, inclusive na áfrica, mas não na América Latina.
"Devemos coordenar essa operação aqui", conta Mendonça.
Além disso, já está acertada a produção de um documentário em São Paulo por uma equipe da TV5. Serão 24 horas de reportagens sobre a capital paulista exibidos na rede francesa -presente em vários países- veiculadas ao longo de uma semana.
Segundo Mendonça, a TV5 planeja utilizar da Cultura principalmente os conteúdos relacionados à música brasileira. Tem também interesse nos infantis. O convênio entre os canais, diz o presidente, foi fruto de eventos relacionados ao Ano do Brasil na França.
A TV5, um canal aberto na França, é distribuída no Brasil por televisão paga e recentemente renovou contrato para continuar nas operadoras Net e Sky.
Um representante da direção da rede virá ao Brasil para a estréia do noticiário francês na Cultura. LAURA MATTOS – Folha de São Paulo
TV Brasil: mais uma opção
7/7/2005
Em paralelo ao surgimento da TV Sul, o Brasil trabalha também na criação de um canal de televisão voltado para a América do Sul. O novo projeto, batizado de TV Brasil, está em andamento na empresa pública de comunicação do governo, a Radiobrás. De acordo com Eugênio Bucci, presidente da empresa, a TV Brasil já estava em um curso adiantado no qual não se podia mais abrir mão, quando se tomou conhecimento da iniciativa da TV Sul. "Mas o nível de cooperação entre as emissoras é total. Houve inclusive uma proposta da Telesur para um convênio com a Radiobrás, que deve sair em breve. E o Brasil certamente vai participar, mesmo sem ser um dos sócios", garante. A TV Brasil, um canal de notícias e programas brasileiros e latinos, é resultado de uma ação conjunta dos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em fase de implementação, sua programação será, em princípio, transmitida a partir da parceria com outras emissoras do continente. O Conselho Consultivo - que gerencia a TV Brasil e é formado por seis órgãos da União (Radiobrás, Senado, Câmara, Secretaria de Comunicação, Supremo Tribunal Federal e Itamaraty) - tem visitado outros países em busca de possibilidades de acordos e negócios, como a troca de programas com emissoras locais. A TV Brasil já conta com dois históricos de produção e transmissão experimental. A primeira ocorreu no 5º Fórum Social Mundial, realizado em janeiro deste ano em Porto Alegre, e a segunda durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes, em maio, em Brasília. A previsão para estréia oficial é entre o final de 2005 e começo de 2006. Bucci garante que "o grande esforço, agora, é colocar a TV Brasil no ar". A idéia do projeto surgiu durante uma viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim que assumiu o cargo. Na ocasião, o senador pelo Amapá José Sarney contou-lhe sobre uma antiga idéia que tinha: um canal de televisão brasileiro na América Latina. Lula gostou e, em abril de 2004, transformou- o em decreto presidencial. Segundo Bucci, um projeto como esse, que visa a integração do continente, é essencial. "Existe um espaço público internacional que nasce na América do Sul, e isso significa que haverá uma arena de trocas muito grande, que requer meios de comunicação para construir aos poucos essa estrutura." Ele acredita que o "sonho de integração do continente vai se tornar realidade via a comunicação". A TV Brasil poderá ser assistida, no Brasil e nos outros países, por canais de assinatura ou via satélite. A língua oficial será o espanhol, e os programas em português devem ser legendados. Bel Mercês - Jornal Brasil de Fato
7/7/2005
Em paralelo ao surgimento da TV Sul, o Brasil trabalha também na criação de um canal de televisão voltado para a América do Sul. O novo projeto, batizado de TV Brasil, está em andamento na empresa pública de comunicação do governo, a Radiobrás. De acordo com Eugênio Bucci, presidente da empresa, a TV Brasil já estava em um curso adiantado no qual não se podia mais abrir mão, quando se tomou conhecimento da iniciativa da TV Sul. "Mas o nível de cooperação entre as emissoras é total. Houve inclusive uma proposta da Telesur para um convênio com a Radiobrás, que deve sair em breve. E o Brasil certamente vai participar, mesmo sem ser um dos sócios", garante. A TV Brasil, um canal de notícias e programas brasileiros e latinos, é resultado de uma ação conjunta dos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em fase de implementação, sua programação será, em princípio, transmitida a partir da parceria com outras emissoras do continente. O Conselho Consultivo - que gerencia a TV Brasil e é formado por seis órgãos da União (Radiobrás, Senado, Câmara, Secretaria de Comunicação, Supremo Tribunal Federal e Itamaraty) - tem visitado outros países em busca de possibilidades de acordos e negócios, como a troca de programas com emissoras locais. A TV Brasil já conta com dois históricos de produção e transmissão experimental. A primeira ocorreu no 5º Fórum Social Mundial, realizado em janeiro deste ano em Porto Alegre, e a segunda durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes, em maio, em Brasília. A previsão para estréia oficial é entre o final de 2005 e começo de 2006. Bucci garante que "o grande esforço, agora, é colocar a TV Brasil no ar". A idéia do projeto surgiu durante uma viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim que assumiu o cargo. Na ocasião, o senador pelo Amapá José Sarney contou-lhe sobre uma antiga idéia que tinha: um canal de televisão brasileiro na América Latina. Lula gostou e, em abril de 2004, transformou- o em decreto presidencial. Segundo Bucci, um projeto como esse, que visa a integração do continente, é essencial. "Existe um espaço público internacional que nasce na América do Sul, e isso significa que haverá uma arena de trocas muito grande, que requer meios de comunicação para construir aos poucos essa estrutura." Ele acredita que o "sonho de integração do continente vai se tornar realidade via a comunicação". A TV Brasil poderá ser assistida, no Brasil e nos outros países, por canais de assinatura ou via satélite. A língua oficial será o espanhol, e os programas em português devem ser legendados. Bel Mercês - Jornal Brasil de Fato
Audiovisual
Globo Filmes faz reserva de elenco
11/07/2005
Cast da rede não pode atuar nos filmes da Band e do SBT
Na teoria, é linda a iniciativa da Band e do SBT de entrarem no mercado cinematográfico, seguindo caminho já trilhado pela Globo Filmes. Na prática, o SBT Filmes e a Band Filmes, lançados no início do ano, enfrentam o mesmo problema que suas produções da TV: reserva de mercado.
Isso mesmo. A maioria dos atores com contrato em vigor na Globo está presa a uma cláusula contratual. O item os proíbe, enquanto funcionários da rede, de participarem de filmes de outras produtoras que não os da Globo Filmes. Se um deles receber um convite de Fábio Barreto para fazer um filme com co-produção da Band Filmes, por exemplo, o ator só pode aceitar se aquele mesmo filme já tiver sido oferecido e recusado pela Globo Filmes.
Resumindo: SBT e Band ficam com a sobra, com aquilo que a Globo não quis. O mesmo se aplica a outras produtoras de cinema.
A cláusula, que existe há algum tempo nos contratos da Globo, garante os direitos de imagem exclusivos de seu cast ao grupo e põe areia nos planos das novas produtoras do mercado.
Basta olhar os lançamentos das duas produtoras para perceber como o negócio funciona. No longa Coisa de Mulher, do SBT Filmes, a estrela é Adriane Galisteu e o grupo Grelo Falante. Garrincha - Estrela Solitária, aposta da Band Filmes, só tem em seu elenco os globais Thaís Araújo e André Gonçalves porque na época das filmagens estavam sem contrato com a Globo. André, por exemplo, é um dos atores que fecham contrato por obra certa, sem vínculo longo com a rede. Keila Jimenez – O Estado de São Paulo
Globo Filmes faz reserva de elenco
11/07/2005
Cast da rede não pode atuar nos filmes da Band e do SBT
Na teoria, é linda a iniciativa da Band e do SBT de entrarem no mercado cinematográfico, seguindo caminho já trilhado pela Globo Filmes. Na prática, o SBT Filmes e a Band Filmes, lançados no início do ano, enfrentam o mesmo problema que suas produções da TV: reserva de mercado.
Isso mesmo. A maioria dos atores com contrato em vigor na Globo está presa a uma cláusula contratual. O item os proíbe, enquanto funcionários da rede, de participarem de filmes de outras produtoras que não os da Globo Filmes. Se um deles receber um convite de Fábio Barreto para fazer um filme com co-produção da Band Filmes, por exemplo, o ator só pode aceitar se aquele mesmo filme já tiver sido oferecido e recusado pela Globo Filmes.
Resumindo: SBT e Band ficam com a sobra, com aquilo que a Globo não quis. O mesmo se aplica a outras produtoras de cinema.
A cláusula, que existe há algum tempo nos contratos da Globo, garante os direitos de imagem exclusivos de seu cast ao grupo e põe areia nos planos das novas produtoras do mercado.
Basta olhar os lançamentos das duas produtoras para perceber como o negócio funciona. No longa Coisa de Mulher, do SBT Filmes, a estrela é Adriane Galisteu e o grupo Grelo Falante. Garrincha - Estrela Solitária, aposta da Band Filmes, só tem em seu elenco os globais Thaís Araújo e André Gonçalves porque na época das filmagens estavam sem contrato com a Globo. André, por exemplo, é um dos atores que fecham contrato por obra certa, sem vínculo longo com a rede. Keila Jimenez – O Estado de São Paulo
Produção de cinema na Índia: um sector em mudança
8/7/2005
Actualmente, a indústria cinematográfica indiana encontra-se em transição gradual de uma situação fragmentada e com baixo nível de organização para uma estrutura organizada e centrada em parâmetros comerciais. Para consolidar esta transição, será necessário adaptar e assimilar novos processos empresariais, alargar as fontes de receita pela modernização tecnológica e adopção de processos produtivos para optimização de recursos. Estas são algumas das questões tratadas no relatório Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality, produzido pela KPMG para a Confederation of Indian Industry. De acordo com este estudo, a Índia é, em termos de volume de produção cinematográfica, o primeiro país do mundo, com mais de mil produções por ano. No entanto, as receitas geradas pela Índia representam apenas um por cento da indústria de produção cinematográfica a nível mundial. E se o peso da cinematografia indiana na indústria de entretenimento nacional ronda os 27 por cento, a sua visibilidade e popularidade são muito superiores, especialmente os filmes mainstream da indústria cinematográfica hindu, produzidos em Bollywood - onde é produzida anualmente uma média de 150 filmes e cujas receitas correspondem a 40 por cento das receitas totais da indústria cinematográfica indiana (actualmente estimada em 59 mil milhões de rupias). Também no estrangeiro tem crescido o interesse pela cinematografia de Bollywood - prova disso é o sucesso obtido nos últimos anos por produções como "Monson Wedding" ou "Bend It Like Beckham". Nos últimos cinco anos, o modo de financiamento do sector tem vindo a alterar-se, com a entrada de organizações que antes se recusaram a assumir o risco associado ao investimento em produção de cinema: bancos, instituições financeiras e fundos de investimento e de capital de risco. Em 2004, o financiamento proveniente destas organizações totalizou sete mil milhões de rupias. Uma das características sectoriais em mudança é a adopção de formas elementares de integração vertical entre produtores de conteúdos, distribuidores, exibidores, difusores e empresas de música, facilitada pela maior receptividade que uma nova geração de produtores, realizadores e artistas tem demonstrado relativamente a boas práticas de gestão internacionais. A integração vertical no sector cinematográfico apresenta vantagens, em termos de eficiência, que no estudo são identificadas em detalhe: aumento do poder de mercado, incremento de economias de escala (através da partilha de recursos comuns a áreas distintas da cadeia de valor) e iniciativas para reduzir o risco (que no modelo "fragmentado" era transferido, tanto quanto possível, para o agente seguinte da cadeia). O estudo identifica, com base nestas mudanças, a emergência de um novo paradigma de negócios para a área do cinema na Índia, caracterizado: * pela abertura a novos mercados internacionais, * pela distribuição de produções de qualidade, de médio/alto orçamento, à escala nacional, * pela crescente penetração do sector do vídeo doméstico e pela crescente procura de serviços pay-per-view, * pelo aumento da frequência de cinema, devido à melhoria do parque de salas, * pelo aumento do investimento em tecnologias e redes de distribuição digital e subsequente redução de fugas para pirataria. Estas alterações, de acordo com o relatório da KPMG, permitirão à Índia estabelecer-se como importante pólo mundial da produção cinematográfica mundial fora de Hollywood. Em termos de organização empresarial, este novo paradigma de funcionamento implica: * uma selecção dos argumentos que tome em consideração as preferências dos consumidores e as tendências do mercado, * uma análise da viabilidade dos projectos e da viabilidade da história nos mercados nacionais e internacionais, * participação activa e consentimento de todos os responsáveis pelas actividades de produção na decisão de "luz verde" para o projecto, * investimento em equipamento, tecnologias e sistemas de informação para gestão, * controlo dos calendários de produção, dos orçamentos e da qualidade, através de monitorização periódica, * outsourcing de funções que não sejam críticas para a obra, para permitir uma concentração nos aspectos nucleares da produção de um filme, * introdução de um modelo de distribuição de receitas que reduza o risco inicial envolvido na produção. Consultar o relatório integral: Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality Nota: A 31 de Dezembro de 2004, 1 Rupia = 0,01678 Euro. Observatório da Comunicação
8/7/2005
Actualmente, a indústria cinematográfica indiana encontra-se em transição gradual de uma situação fragmentada e com baixo nível de organização para uma estrutura organizada e centrada em parâmetros comerciais. Para consolidar esta transição, será necessário adaptar e assimilar novos processos empresariais, alargar as fontes de receita pela modernização tecnológica e adopção de processos produtivos para optimização de recursos. Estas são algumas das questões tratadas no relatório Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality, produzido pela KPMG para a Confederation of Indian Industry. De acordo com este estudo, a Índia é, em termos de volume de produção cinematográfica, o primeiro país do mundo, com mais de mil produções por ano. No entanto, as receitas geradas pela Índia representam apenas um por cento da indústria de produção cinematográfica a nível mundial. E se o peso da cinematografia indiana na indústria de entretenimento nacional ronda os 27 por cento, a sua visibilidade e popularidade são muito superiores, especialmente os filmes mainstream da indústria cinematográfica hindu, produzidos em Bollywood - onde é produzida anualmente uma média de 150 filmes e cujas receitas correspondem a 40 por cento das receitas totais da indústria cinematográfica indiana (actualmente estimada em 59 mil milhões de rupias). Também no estrangeiro tem crescido o interesse pela cinematografia de Bollywood - prova disso é o sucesso obtido nos últimos anos por produções como "Monson Wedding" ou "Bend It Like Beckham". Nos últimos cinco anos, o modo de financiamento do sector tem vindo a alterar-se, com a entrada de organizações que antes se recusaram a assumir o risco associado ao investimento em produção de cinema: bancos, instituições financeiras e fundos de investimento e de capital de risco. Em 2004, o financiamento proveniente destas organizações totalizou sete mil milhões de rupias. Uma das características sectoriais em mudança é a adopção de formas elementares de integração vertical entre produtores de conteúdos, distribuidores, exibidores, difusores e empresas de música, facilitada pela maior receptividade que uma nova geração de produtores, realizadores e artistas tem demonstrado relativamente a boas práticas de gestão internacionais. A integração vertical no sector cinematográfico apresenta vantagens, em termos de eficiência, que no estudo são identificadas em detalhe: aumento do poder de mercado, incremento de economias de escala (através da partilha de recursos comuns a áreas distintas da cadeia de valor) e iniciativas para reduzir o risco (que no modelo "fragmentado" era transferido, tanto quanto possível, para o agente seguinte da cadeia). O estudo identifica, com base nestas mudanças, a emergência de um novo paradigma de negócios para a área do cinema na Índia, caracterizado: * pela abertura a novos mercados internacionais, * pela distribuição de produções de qualidade, de médio/alto orçamento, à escala nacional, * pela crescente penetração do sector do vídeo doméstico e pela crescente procura de serviços pay-per-view, * pelo aumento da frequência de cinema, devido à melhoria do parque de salas, * pelo aumento do investimento em tecnologias e redes de distribuição digital e subsequente redução de fugas para pirataria. Estas alterações, de acordo com o relatório da KPMG, permitirão à Índia estabelecer-se como importante pólo mundial da produção cinematográfica mundial fora de Hollywood. Em termos de organização empresarial, este novo paradigma de funcionamento implica: * uma selecção dos argumentos que tome em consideração as preferências dos consumidores e as tendências do mercado, * uma análise da viabilidade dos projectos e da viabilidade da história nos mercados nacionais e internacionais, * participação activa e consentimento de todos os responsáveis pelas actividades de produção na decisão de "luz verde" para o projecto, * investimento em equipamento, tecnologias e sistemas de informação para gestão, * controlo dos calendários de produção, dos orçamentos e da qualidade, através de monitorização periódica, * outsourcing de funções que não sejam críticas para a obra, para permitir uma concentração nos aspectos nucleares da produção de um filme, * introdução de um modelo de distribuição de receitas que reduza o risco inicial envolvido na produção. Consultar o relatório integral: Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality Nota: A 31 de Dezembro de 2004, 1 Rupia = 0,01678 Euro. Observatório da Comunicação
Bollywood / Hollywood: dois modelos de gestão da cadeia de valor da produção cinematográfica
8/7/2005
Grande parte da produção cinematográfica indiana, estimada actualmente em 59 mil milhões de rupias, tem um contexto regional; o pólo de produção com maior visibilidade e penetração nacional e internacional, e com maior peso nas receitas do sector (40 por cento) é o de Bollywood, localizado em Mumbai. No entanto, algumas indústrias cinematográficas regionais, como a de Tamil, demonstram maior profissionalismo que Bollywood em termos de controlo de custos e de tempos de produção, com ilustra o estudo Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality (KPMG/Confederation of Indian Industry). Em Tamil, o tempo médio de produção de um filme são 4-9 meses, enquanto em Bollywood o período se alarga para 15-18 meses. A maior eficiência do processo produtivo depende de factores como: * importância concedida à fase de desenvolvimento e pré-produção; * participação simultânea dos actores principais num número limitado de produções (uma a duas); * economias de escala por parte dos estúdios, permitindo maior flexibilidade na amortização e dispersão de custos e do risco pela gestão de um vasto catálogo de títulos. Uma comparação das etapas da produção de cinema na Índia - tomando Bollywood como referência - e nos Estados Unidos - em Hollywood - acentua a negligência, por parte da primeira, relativamente a algumas fases da cadeia de valor. O tempo despendido em cada uma das fases do processo é consideravelmente inferior em Bollywood, à excepção da etapa de produção propriamente dita. A fase de desenvolvimento, que demora entre dois e quatro anos, em média, em Hollywood (e da qual passam à fase seguinte apenas 20 por cento dos projectos), demora na Índia pouco mais de meio ano, em média. O facto de a pós-produção ser a fase mais breve relaciona-se com a falta de disponibilidade de verbas (decorrente do mau planeamento e esgotamento de recursos durante a fase de produção) e com a urgência em lançar o filme no mercado, de forma a recuperar rapidamente o investimento realizado. Contudo a indústria de efeitos visuais e de animação, na Índia, tem ganho importância no estrangeiro como destino de outsourcing. No entanto, é essencial que as empresas especializadas nesta actividade invistam na modernização técnica e de recursos humanos, uma vez que o baixo custo dos serviços não é garantia de competitividade para mercados que, como o norte-americano, valorizam a qualidade do serviço acima do preço. Outro aspecto de acentuado contraste entre Hollywood e Bollywood é o investimento realizado na promoção e marketing dos filmes. Na Índia, essa tarefa é encargo quase exclusivo dos distribuidores, aumentando o risco associado a esta actividade e com prejuízo de uma adequada campanha de colocação das obras no mercado. Observatório da Comunicação
8/7/2005
Grande parte da produção cinematográfica indiana, estimada actualmente em 59 mil milhões de rupias, tem um contexto regional; o pólo de produção com maior visibilidade e penetração nacional e internacional, e com maior peso nas receitas do sector (40 por cento) é o de Bollywood, localizado em Mumbai. No entanto, algumas indústrias cinematográficas regionais, como a de Tamil, demonstram maior profissionalismo que Bollywood em termos de controlo de custos e de tempos de produção, com ilustra o estudo Indian Entertainment Industry. Focus 2010: Dreams to Reality (KPMG/Confederation of Indian Industry). Em Tamil, o tempo médio de produção de um filme são 4-9 meses, enquanto em Bollywood o período se alarga para 15-18 meses. A maior eficiência do processo produtivo depende de factores como: * importância concedida à fase de desenvolvimento e pré-produção; * participação simultânea dos actores principais num número limitado de produções (uma a duas); * economias de escala por parte dos estúdios, permitindo maior flexibilidade na amortização e dispersão de custos e do risco pela gestão de um vasto catálogo de títulos. Uma comparação das etapas da produção de cinema na Índia - tomando Bollywood como referência - e nos Estados Unidos - em Hollywood - acentua a negligência, por parte da primeira, relativamente a algumas fases da cadeia de valor. O tempo despendido em cada uma das fases do processo é consideravelmente inferior em Bollywood, à excepção da etapa de produção propriamente dita. A fase de desenvolvimento, que demora entre dois e quatro anos, em média, em Hollywood (e da qual passam à fase seguinte apenas 20 por cento dos projectos), demora na Índia pouco mais de meio ano, em média. O facto de a pós-produção ser a fase mais breve relaciona-se com a falta de disponibilidade de verbas (decorrente do mau planeamento e esgotamento de recursos durante a fase de produção) e com a urgência em lançar o filme no mercado, de forma a recuperar rapidamente o investimento realizado. Contudo a indústria de efeitos visuais e de animação, na Índia, tem ganho importância no estrangeiro como destino de outsourcing. No entanto, é essencial que as empresas especializadas nesta actividade invistam na modernização técnica e de recursos humanos, uma vez que o baixo custo dos serviços não é garantia de competitividade para mercados que, como o norte-americano, valorizam a qualidade do serviço acima do preço. Outro aspecto de acentuado contraste entre Hollywood e Bollywood é o investimento realizado na promoção e marketing dos filmes. Na Índia, essa tarefa é encargo quase exclusivo dos distribuidores, aumentando o risco associado a esta actividade e com prejuízo de uma adequada campanha de colocação das obras no mercado. Observatório da Comunicação
Ciclo brasileiro em Nova York tem quatro inéditos
11/07/2005
A programação prometia, mas quem roubou a cena na noite de abertura de um dos principais festivais de cinema brasileiro em Nova York foi a chuva. A organização chegou a imaginar que o show de Gabriel, O Pensador e a exibição de "Bendito é o Fruto" seriam cancelados, mas a platéia de cerca de mil pessoas no gramado do Central Park, na última sexta-feira, agüentou firme até o final.
O show e o filme marcaram o início do 3º Brazilian Film Festival de Nova York, que segue até o dia 16 de julho. O evento terá 17 filmes brasileiros, quatro deles ainda inéditos no Brasil: "Cafundó", de Paulo Betti e Clóvis Bueno; "Doutores da Alegria", de Marta Mourão; "O Cinema é Meu Jardim", de Sérgio Rezende; e "O Vestido de Noiva", de Joffre Rodrigues, filho de Nelson.
No sábado à noite, desta vez com um tempo que prometia ser melhor, estava programado novo show de Gabriel, O Pensador, no lugar dos músicos do grupo pernambucano Nação Zumbi, que não conseguiram visto para entrar nos Estados Unidos e tiveram de cancelar sua apresentação.
A organização tentou até o último momento trazer a banda, mas na quinta-feira passada teve de desistir da Nação Zumbi e anunciar as mudanças.
Além de um novo show do Pensador, no sábado seria exibido o filme "A Dona da História", de Daniel Filho -a expectativa dos organizadores era de um público de 6.000 pessoas.
Maratona de shows
Os eventos de sexta-feira e de sábado fazem parte do roteiro do maior palco do verão nova-iorquino, o SummerStage, no Central Park. De junho a agosto, o parque mais famoso da cidade tem shows de graça e ao ar livre, de bandas de rock a música clássica, como acontece em vários outros pontos de Nova York.
Os outros 15 filmes terão exibição em Tribeca, bairro que tem sua imagem ligada ao cinema -em 2005, o festival lançado pelo ator Robert de Niro apresentou mais de 250 filmes de 44 países.
O Brazilian Film Festival de Nova York foi criado na esteira do evento de Miami, que já está em sua nona edição. Juntos, são os maiores festivais de filmes brasileiros dos Estados Unidos. Nesta edição, a previsão é que o público total chegue a 20 mil pessoas em Nova York. No de Miami, que aconteceu no mês passado, foram 30 mil espectadores.
Além dos inéditos, serão projetados filmes que tiveram boas passagens pelos cinemas brasileiros, como "Meu Tio Matou um Cara", de Jorge Furtado.
Overdose brasileira
O Brazilian Film Festival começa no momento em que está acabando outro festival de cinema, também brasileiro, também em Nova York, também em sua terceira edição.
O MoMA exibiu do dia 1º até ontem nove filmes brasileiros, em sua maioria também produções novas.
A coincidência de datas era tão grande que, na sexta-feira, havia dois almoços, no mesmo horário, com diretores e organizadores dos festivais, um em cada restaurante da churrascaria Plataforma em Nova York.
Em parceria com o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o festival do MoMA apresentou filmes como "Quase Dois Irmãos", de Lucia Murat, e "Cabra-Cega", de Toni Venturi.
Mas a atração que mais chamou a atenção foi a presença do ex-jogador de futebol Pelé, que compareceria à exibição do filme sobre sua carreira, "Pelé Eterno", anteontem à tarde, no MoMA. PEDRO DIAS LEITE – Folha de São Paulo
11/07/2005
A programação prometia, mas quem roubou a cena na noite de abertura de um dos principais festivais de cinema brasileiro em Nova York foi a chuva. A organização chegou a imaginar que o show de Gabriel, O Pensador e a exibição de "Bendito é o Fruto" seriam cancelados, mas a platéia de cerca de mil pessoas no gramado do Central Park, na última sexta-feira, agüentou firme até o final.
O show e o filme marcaram o início do 3º Brazilian Film Festival de Nova York, que segue até o dia 16 de julho. O evento terá 17 filmes brasileiros, quatro deles ainda inéditos no Brasil: "Cafundó", de Paulo Betti e Clóvis Bueno; "Doutores da Alegria", de Marta Mourão; "O Cinema é Meu Jardim", de Sérgio Rezende; e "O Vestido de Noiva", de Joffre Rodrigues, filho de Nelson.
No sábado à noite, desta vez com um tempo que prometia ser melhor, estava programado novo show de Gabriel, O Pensador, no lugar dos músicos do grupo pernambucano Nação Zumbi, que não conseguiram visto para entrar nos Estados Unidos e tiveram de cancelar sua apresentação.
A organização tentou até o último momento trazer a banda, mas na quinta-feira passada teve de desistir da Nação Zumbi e anunciar as mudanças.
Além de um novo show do Pensador, no sábado seria exibido o filme "A Dona da História", de Daniel Filho -a expectativa dos organizadores era de um público de 6.000 pessoas.
Maratona de shows
Os eventos de sexta-feira e de sábado fazem parte do roteiro do maior palco do verão nova-iorquino, o SummerStage, no Central Park. De junho a agosto, o parque mais famoso da cidade tem shows de graça e ao ar livre, de bandas de rock a música clássica, como acontece em vários outros pontos de Nova York.
Os outros 15 filmes terão exibição em Tribeca, bairro que tem sua imagem ligada ao cinema -em 2005, o festival lançado pelo ator Robert de Niro apresentou mais de 250 filmes de 44 países.
O Brazilian Film Festival de Nova York foi criado na esteira do evento de Miami, que já está em sua nona edição. Juntos, são os maiores festivais de filmes brasileiros dos Estados Unidos. Nesta edição, a previsão é que o público total chegue a 20 mil pessoas em Nova York. No de Miami, que aconteceu no mês passado, foram 30 mil espectadores.
Além dos inéditos, serão projetados filmes que tiveram boas passagens pelos cinemas brasileiros, como "Meu Tio Matou um Cara", de Jorge Furtado.
Overdose brasileira
O Brazilian Film Festival começa no momento em que está acabando outro festival de cinema, também brasileiro, também em Nova York, também em sua terceira edição.
O MoMA exibiu do dia 1º até ontem nove filmes brasileiros, em sua maioria também produções novas.
A coincidência de datas era tão grande que, na sexta-feira, havia dois almoços, no mesmo horário, com diretores e organizadores dos festivais, um em cada restaurante da churrascaria Plataforma em Nova York.
Em parceria com o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o festival do MoMA apresentou filmes como "Quase Dois Irmãos", de Lucia Murat, e "Cabra-Cega", de Toni Venturi.
Mas a atração que mais chamou a atenção foi a presença do ex-jogador de futebol Pelé, que compareceria à exibição do filme sobre sua carreira, "Pelé Eterno", anteontem à tarde, no MoMA. PEDRO DIAS LEITE – Folha de São Paulo
Na abertura
11/07/2005
Criada em 2001 para fomentar a indústria nacional do cinema, a Ancine surpreendeu milhares de pessoas neste domingo.
A primeira questão da prova do concurso de ''especialistas em regulação da atividade cinematográfica'' pedia uma análise sobre Robôs, filme de animação americano no qual se ouve a voz da estonteante atriz Halle Berry (a Mulher Gato).
Tela grande
Quarta-feira, em Paris, Lula e seu colega Jacques Chirac vão assinar um acordo de cooperação na área de cinema.
Filmes feitos em parceria entre produtores dos dois países ganharão incentivos diversos lá e cá.
Um deles é a cota mínima de exibição.Primeira fã
Um dos destaques na Seleção Brasileira de Vôlei, que ontem ganhou o pentacampeonato da Liga Mundial, o atacante Giba teve marcação especial na fase final do torneio, em Belgrado.
Na terra das belas mulheres, o atacante pop star foi vigiado de perto pela esposa Cristina Pirv. Jornal do Brasil
11/07/2005
Criada em 2001 para fomentar a indústria nacional do cinema, a Ancine surpreendeu milhares de pessoas neste domingo.
A primeira questão da prova do concurso de ''especialistas em regulação da atividade cinematográfica'' pedia uma análise sobre Robôs, filme de animação americano no qual se ouve a voz da estonteante atriz Halle Berry (a Mulher Gato).
Tela grande
Quarta-feira, em Paris, Lula e seu colega Jacques Chirac vão assinar um acordo de cooperação na área de cinema.
Filmes feitos em parceria entre produtores dos dois países ganharão incentivos diversos lá e cá.
Um deles é a cota mínima de exibição.Primeira fã
Um dos destaques na Seleção Brasileira de Vôlei, que ontem ganhou o pentacampeonato da Liga Mundial, o atacante Giba teve marcação especial na fase final do torneio, em Belgrado.
Na terra das belas mulheres, o atacante pop star foi vigiado de perto pela esposa Cristina Pirv. Jornal do Brasil
Cultura
VIDA CIGANA
11/07/2005
Herdeiros de uma milenar cultura nômade, eles lutam contra o preconceito e pela cidadania
"Somos a minoria das minorias, o elo mais fraco da corrente", afirmava pelos corredores de uma conferência sobre igualdade racial, na semana passada, em Brasília, o cigano curitibano Cláudio Domingos Iovanovitchi, de 48 anos.
É fato: a delegação cigana só conseguiu levar a Brasília 25 representantes, que se diluíram numa população flutuante de cerca de 6 mil participantes. Dentro de uma forte maioria negra e mulata, distribuíam-se minorias de brasileiros descendentes de indígenas, caboclos, árabes, judeus, palestinos e... ciganos.
A 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, note-se, era ocasião especial. A diluição dos ciganos se agrava se for considerada a população brasileira como um todo. Você, por exemplo, já viu um cigano em sua cidade, em seu bairro, em sua rua? Pode não ter visto, mas, segundo estimativas variáveis e pouco precisas, a população cigana estaria hoje entre 600 mil e 1 milhão de pessoas dispersas por todo o território nacional.
Seja como for, algo de novo acontecia sob o céu azul de Brasília (e do Brasil). Pode ser fato a condição de minoria entre minorias (“aqui na conferência, somos nós os negros”, cravou o espanhol abrasileirado Gagu Emanuel Moreno). Mas a presença da delegação cigana numa conferência promovida pelo governo Lul
VIDA CIGANA
11/07/2005
Herdeiros de uma milenar cultura nômade, eles lutam contra o preconceito e pela cidadania
"Somos a minoria das minorias, o elo mais fraco da corrente", afirmava pelos corredores de uma conferência sobre igualdade racial, na semana passada, em Brasília, o cigano curitibano Cláudio Domingos Iovanovitchi, de 48 anos.
É fato: a delegação cigana só conseguiu levar a Brasília 25 representantes, que se diluíram numa população flutuante de cerca de 6 mil participantes. Dentro de uma forte maioria negra e mulata, distribuíam-se minorias de brasileiros descendentes de indígenas, caboclos, árabes, judeus, palestinos e... ciganos.
A 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, note-se, era ocasião especial. A diluição dos ciganos se agrava se for considerada a população brasileira como um todo. Você, por exemplo, já viu um cigano em sua cidade, em seu bairro, em sua rua? Pode não ter visto, mas, segundo estimativas variáveis e pouco precisas, a população cigana estaria hoje entre 600 mil e 1 milhão de pessoas dispersas por todo o território nacional.
Seja como for, algo de novo acontecia sob o céu azul de Brasília (e do Brasil). Pode ser fato a condição de minoria entre minorias (“aqui na conferência, somos nós os negros”, cravou o espanhol abrasileirado Gagu Emanuel Moreno). Mas a presença da delegação cigana numa conferência promovida pelo governo Lul
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