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CLIPPING DO DIA
7 de julho de 2005

Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

 
Política
Hélio Costa é o novo ministro das Comunicações
Hélio Costa assume Comunicações em momento crucial para segmento
Senador é dono de rádio no interior de Minas
Hélio Costa é confirmado oficialmente como novo ministro das Comunicações
Lula oferece Ministério das Comunicações a Hélio Costa
Novo ministro nega relações com Valério
Hélio Costa será o novo ministro das Comunicações
PMDB assume três ministérios
Costa foi repórter do "Fantástico" e locutor de Collor
CPI investiga intermediação de propaganda
Antes do ministério, investigação
Ministério das Comunicações - Hélio Costa
Lula não conseguiu levar Delfim Netto
Wagner deve virar coordenador político
Novos ministros já estão sob fogo do PMDB
Governo anuncia 3 novos ministros
Novos ministros têm experiência parlamentar
Cenário lindo é palco de espetáculo deprimente
Lula dá três pastas ao PMDB
Governadores censuram nomeados
Lula começa a reforma ministerial
Inutilidades
Governadores do PMDB criticam as nomeações
Governadores do PMDB criticam Sarney e Renan
A reforma ministerial começa criando atritos
Governo anuncia novos ministros
Mudanças no time
A noiva da vez
Lula anuncia nomes do PMDB e avisa que haverá novas mudanças
Começa a reforma ministerial
PMDB quer desfiliação de governistas
Valério não explica saques, mas sugere auditoria
Um emaranhado de empresas
Lula
A república dos desavisados
'Sou um brasileiro normal', diz Valério
Faturamento de agência triplicou entre 2003 e 2004
Valério diz que avalizou empréstimo como pessoa física
Valério fez de graça campanhas do PT em 2004
Valério não explica saques milionários no caixa
Gushiken decide sair do governo
Deputado foi flagrado como "pianista"
Para não submergir melancolicamente
Jefferson agora atira contra fundos de pensão
O "CASE" DA GLOBALPREV
Ex-diretores dos Correios sofrem inquérito na CGU
Outra estrela
Fila do INSS
Fui massacrado pela imprensa"
Faturamento da Globalprev aumentou 600%
José Borba complica o PT e o governo
 
Televisão
TV digital móvel ganha impulso nos EUA e Europa
Fernando Meirelles leva desenho animado à Globo
 
Imprensa & Jornalismo
Intermediário da ‘IstoÉ’ fez saques
Presa jornalista do NYT
Jornais criticam prisão nos EUA e defendem sigilo
Repórter é presa nos EUA por não abrir fonte
 
Audiovisual
Ancine padroniza relatório de cotas de tela
Intel investe na criação de uma nova janela para o cinema
Queda na venda de DVDs preocupa executivos
Intel venderá filmes on-line antes do DVD
 
Informática
Lei de software não passa no Parlamento
Parceria para certificação
 
Internet
Juiz nega liberdade a jovens que filmaram sexo
 
Política de TV por Assinatura
Thomas Villena - Eu odeio TV: A dinâmica da TV a cabo
 
Mercado de Comunicação
Mídia negocia patrocínio milionário para a Copa
ABC Táxi Aéreo, do grupo Algar, incorpora a Alfa
 
Rádio
Cultura FM toca Campos ao vivo
 
Telecom
Citi compra participação da Fundação 14 e deixa Opportunity isolado
Fundação 14 vende ações para o Citibank por R$ 200 milhões
Decisão sobre licenças da TIM e BrT GSM fica pendente
Pesquisa aponta mercado de € 7,6 bilhões
AOL registra 175 mil streaming de vídeo simultâneos
Disney lança empresa de telefonia celular
Incluído nos excluídos
Celulares mantêm a expansão acelerada
Celulares mantêm a expansão...
Disney Mobile é a novidade nos EUA
 
Comunicação & Educação
12º Congresso Internacional de Educação a Distância
Documentários de alunos do Marista São José
 
Literatura e Mercado Editorial
Robert Alter defende valor literário da Bíblia
Começa a Festa Literária de Paraty 2005
 

 
Política
Hélio Costa é o novo ministro das Comunicações
06/07/2005, 14h06
A presidência da República acaba de confirmar o nome do Senador Hélio Costa (PMDB/MG) como o novo ministro das Comunicações, no lugar de Eunício Oliveira. A posse deve acontecer na próxima sexta, 8. Hélio Costa ocupava a presidência da Comissão de Educação do Senado, que é a comissão que trata dos assuntos de comunicação naquela casa. O senador foi radiodifusor, apresentador e jornalista. Recentemente, Hélio Costa tem se alinhado aos radiodifusores, sobretudo às teses da Globo e em menor escala da Bandeirantes, na questão da entrada de empresas de telecomunicações no mercado de comunicação, como a transmissão de conteúdo por redes de telefonia celular ou banda larga. Grupos de comunicação nacional defendem a separação clara entre conteúdo e infra-estrutura, deixando a grupos brasileiros a responsabilidade do conteúdo sobre qualquer meio de distribuição. No início de junho, em audiência da Comissão de Educação, Hélio Costa afirmou, dirigindo-se aos radiodifusores presentes: "vocês tomem cuidado com estes senhores das celulares. Transmitindo os programas de televisão na telinha do celular, eles vão aprender a conhecer os seus anunciantes e aos poucos vão roubá-los todos". Ele também se mostrou na ocasião, e em várias outras ao longo de 2004, solidário às empresas de mídia no que se refere à concorrência com as teles.
Em 2003, Hélio Costa foi um dos principais defensores, no Senado, da proposta de ajuda do BNDES às empresas de comunicação. Chegou a fazer críticas à timidez do projeto apresentado pelo banco. De acordo com o senador, o projeto era muito modesto no que dizia respeito ao montante de recursos disponíveis e também em relação aos juros cobrados. "Para uma indústria que emprega 500 mil profissionais, R$ 2 bilhões é muito pouco. As condições oferecidas pelo BNDES podem ser facilmente superadas por instituições financeiras internacionais", criticou o senador na ocasião. "A proposta não resolve o problema do setor. A distribuição de recursos tem que ser democrática e este programa do BNDES vai ser insuficiente para ajudar todas as empresas que precisam", completou Hélio Costa. O projeto do BNDES acabou não saindo do papel por falta de interesse dos principais grupos de comunicação.
O senador também foi muito atuante no período em que se discutiu a proposta de criação de uma agência para o audiovisual, a Ancinav. Foi dos parlamentares que mais falou em sintonia com as teses da radiodifusão. Criticou, por exemplo, a taxa de 4% sobre a publicidade proposta na minuta da Casa Civil e questionou o ministro Gilberto Gil, que falava à Comissão de Educação sobre o tema, a respeito da necessidade de criar uma agência para regular um setor "intimamente ligado à expressão cultural nacional".
Contudo, recentemente Hélio Costa tem mostrado alguns pontos de desalinhamento em relação às TVs. No tema TV digital, ele criticou publicamente a TV de alta definição, a qual classificou como elitista e "para ricos". Como se sabe, os radiodifusores defendem a rápida adoção de um padrão pelo Brasil e pedem para que esse padrão não deixe de priorizar a transmissão em alta definição. Samuel Possebon - TELETIME News
 
Hélio Costa assume Comunicações em momento crucial para segmento
7/7/2005
O senador Hélio Costa (PMDB-MG) chega ao Ministério das Comunicações num momento de profundas mudanças tecnológicas no setor, que colocam em xeque o modelo regulatório atual. Com isso, o novo ministro terá de lidar com interesses conflitantes.
O presidente da Abrafix (associação das concessionárias de telefonia fixa), José Fernandes Pauletti, afirmou esperar que o novo ministro respeite os contratos. "Acredito que ele seguirá a política do governo, que tem sido essa até agora."
Pauletti minimizou declaração feita por Costa segundo a qual poderá rever a assinatura de telefonia. "Imagino que esteja falando ainda como político." Na avaliação dele, o titular das Comunicações deverá se adequar ao papel de estrategista adotado pelo governo. "Assinatura é com o legislador."
Costa terá de lidar com interesses conflitantes. Enquanto as concessionárias pregam a manutenção do modelo atual, operadoras concorrentes pedem mais espaço para a competição. O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), Luiz Cuza, lembrou que o novo ministro terá pela frente definições importantes onde a batuta do Executivo será fundamental.
Duas grandes discussões tomam conta dos setores de telefonia e radiofusão. Uma é a definição das novas regras tratando da convergência tecnológica e da veiculação de conteúdo por meio das operadoras. "O que preocupa é se o novo ministro vai aproveitar a equipe ou trazer uma nova. Fizemos recomendação à Casa Civil (que vinha coordenando as discussões sobre a nova legislação) lembrando que o Ministério das Comunicações precisa ter um papel de Estado. Quando muda o ministro, os projetos para a área de tecnologia, importação, regras para a indústria podem perder a seqüência", disse Cuza.
Outro ponto importante é a definição dos novos contratos de concessão, que entram em vigor em janeiro de 2006. "As discussões estão atrasadas", ressaltou o presidente da Telcomp. O presidente da GVT (operadora que concorre com a Brasil Telecom), Amos Genish, defendeu que o novo ministro aproveite para tornar os contratos mais favoráveis à competição. "Espero que isso esteja no topo da agenda dele", afirmou.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, será importante observar como o ministro - ligado ao setor de radiodifusão - vai se posicionar frente à aproximação imposta pela tecnologia entre radiofusão e telefonia. "É um tema inevitável. Televisão digital e novos marcos regulatórios estarão sobre a mesa do ministro ao longo do mandato." Talita Moreira e Heloisa Magalhães - Valor Econômico
 
Senador é dono de rádio no interior de Minas
07/07/2005
O novo ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), é proprietário de uma FM em Barbacena (MG), sua cidade natal.
Sob a razão social ABC Rádio e Televisão Ltda., a estação tem o nome fantasia de Sucesso FM, com programação popular.
Costa também atuou como locutor de rádio, repórter da TV Globo e diretor da emissora de TV em Nova York. Desde o início deste ano, presidia a Comissão de Educação no Senado, responsável por votar políticas para o setor de radiodifusão e aprovar concessões de rádio e TV. Em sua atuação, demonstrou apoio a reivindicações de radiodifusores.
Defendeu, por exemplo, a proposta de ajuda financeira do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a empresas de comunicação, em 2003. Recentemente se posicionou contrário a tópicos que ferem interesses das redes de televisão no anteprojeto da Ancinav (Agência Nacional de Telecomunicações), engavetado pelo governo federal após uma avalanche de pressão do setor audiovisual.
O perfil do político disponível em seu site (www.heliocosta.com) não citava a Sucesso FM até a noite de ontem. Dizia apenas que ele "aos 15, é locutor de rádio" e que "vence como repórter" e "administra no exterior a quarta maior rede de TV do mundo [a Globo]".
Segundo sua assessoria de imprensa, Costa não iria dar entrevista até assumir a pasta, amanhã. A assessoria afirmou que ele nunca administrou a rádio, sendo apenas cotista, e que a gestão está, por contrato, a cargo dos outros sócios, José Calixto da Costa Filho (seu irmão) e José Rubens Henrique de Albuquerque. A estação, de acordo com a assessoria, foi adquirida em 1984, antes do início de sua carreira política, em 1986.
Eunício Oliveira (PMDB-CE), que deixa o ministério das Comunicações, também é radiodifusor, com rádios no Ceará e em Goiás.
Além disso, sua família foi ligada a uma estação pirata em Lavras de Mangabeira, sua cidade natal. A FM se chamava Elo (as iniciais de Eunício Lopes Oliveira). LAURA MATTOS - Folha de São Paulo
 
Hélio Costa é confirmado oficialmente como novo ministro das Comunicações
6/7/2005
O porta-voz do Palácio do Planalto, André Singer, acabou de anunciar os nomes dos novos ministros das Comunicações, Saúde e Infra-estrutura. O senador Hélio Costa (PMDB-MG) foi anunciado, oficialmente, como o novo titular do Minicom, e a cerimônia de posse está marcada para a tarde de sexta-feira, ainda sem horário exato. Silas Rondeau, presidente da Eletrobrás, foi confirmado no Ministério das Minas e Energia, e o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) é o novo ministro da Saúde. De acordo com Singer, na sexta-feira também serão anunciadas novas mudanças no governo Lula. Patricia Costa - Telecom Online
 
Lula oferece Ministério das Comunicações a Hélio Costa
6/7/2005
O jornalista mineiro Hélio Calixto da Costa será o novo ministro das Comunicações. O convite a Hélio Costa, senador pelo PMDB de Minas Gerais, foi feito pelo presidente Lula na noite de ontem, 5. Esta manhã, antes de o presidente embarcar para a reunião do G-8 na Escócia, o Palácio do Planalto deve fazer o anúncio oficial do nome do senador para a pasta. Também serão anunciados os nomes de Silas Rondeau, presidente da Eletrobrás, para o Ministério de Minas e Energia, e do deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), para o Ministério da Saúde. A reforma ministerial é parte de um esforço do governo para tentar amenizar a crise política, por meio do aumento da presença do PMDB na Esplanada dos Ministérios, reforçando assim sua base de sustentação. Hélio Costa nasceu em 1939 em Barbacena e trabalhou em vários veículos de comunicação como jornalista - com destaque para a Rede Globo, nas décadas de 70 e 80. Teve dois mandatos de deputado federal, o primeiro como constituinte pelo PMDB, o segundo pelo PFL. O senador é co-proprietário da ABC Rádio e Televisão Ltda, FM 269, da cidade de Barbacena (MG). A concessão da rádio data de 1984, antes de sua primeira legislatura. De acordo com dados divulgados em março de 2005 pelo Ministério das Comunicações, os outros proprietários são José Calixto da Costa Filho, irmão do senador, e José Rubens Henrique de Albuquerque. Esses dois nomes constam também como diretores da rádio. A assessoria de Hélio Costa informa que ele não participa da gestão da empresa. O senador é casado e tem seis filhos. Patricia Costa - Telecom Online
 
Novo ministro nega relações com Valério
07/07/2005
O senador Hélio Costa (PMDB-MG), que assume amanhã o Ministério das Comunicações, negou ontem ter relações com o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de operar o suposto esquema do "mensalão". Em depoimento à Polícia Federal, Valério citou Costa como um dos políticos com os quais teria contato.
Costa disse que encontrava Valério com freqüência na ponte aérea Belo Horizonte-Brasília, mas nunca teve encontros formais com ele, e autorizou a quebra de seu sigilo telefônico para verificação. "Se tiver um único telefonema do senhor Marcos Valério, eu renuncio a qualquer posição que eu tenha na vida pública."
"Meu Espírito Santo e o meu anjo da guarda me protegeram para que eu nunca desse ouvidos a um cidadão como Marcos Valério, que vivia encontrando nos aeroportos e falava: "tudo bem", "como é que vai", "quem sabe a gente conversa". Conversar o quê, não tenho nada a conversar. Tem outros que conversaram, que se expliquem", afirmou Costa.
Ele não comentou a desfiliação, anunciada ontem pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), de todos os integrantes do partido que ocupam cargos de confiança no governo Lula. Passou a palavra ao líder do PMDB na Assembléia Legislativa mineira, Adalclever Lopes, que manifestou o apoio da bancada mineira do partido ao Planalto.
Costa afirmou não ver risco de o governo ficar sem o apoio do PMDB na Câmara. Disse que o único fator de desequilíbrio seria uma eventual saída da sigla do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, que levaria consigo até 15 deputados.
Como futuro responsável pela pasta que controla os Correios, Costa defendeu a apuração das denúncias de corrupção na instituição. Criticou ainda o ex-presidente dos Correios João Henrique, indicado por Temer, por não ter defendido publicamente a instituição no início da crise. "Lamentavelmente estamos colocando no foco público do dia-a-dia uma instituição que nada tem a ver com sua cúpula dirigente." THIAGO GUIMARãES - Folha de São Paulo
 
Hélio Costa será o novo ministro das Comunicações
7/7/2005
Posse está marcada para a próxima sexta-feira (08/07)
O senador Hélio Costa (PMDB-MG) será o novo ministro das Comunicações. Costa será empossado na pasta na próxima sexta-feira (08/07), no lugar de Eunício Oliveira. A troca no Minicom, que já se arrastava há três meses, foi definida hoje (06/07). Costa desbancou o atual sercretário executivo do ministério, Paulo Lustosa, que também chegou a ser cotado para o cargo.
Eunício Oliveira deixa a pasta após 17 meses à frente do Minicom e como o político que por mais tempo esteve no cargo durante o governo Lula. Antes dele, Miro Teixeira ocupou a pasta por 13 meses. Revista de Negócios em Telecomunicações
 
PMDB assume três ministérios
6/7/2005
O porta-voz da Presidência da República, André Singer, anunciou, na tarde desta quarta-feira, que três nomes do PMDB farão parte da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Hélio Costa (MG) irá assumir o Ministério das Comunicações, o deputado Saraiva Felipe (MG), ficará com o Ministério da Saúde e Silas Rondeau, com o Ministério de Minas e Energia. Os novos ministros serão empossados na próxima sexta-feira, quando deverão ser anunciadas mais alterações nas pastas.
Singer não informou se serão anunciadas mudanças no comando das estatais. Através do porta-voz, o presidente agradeceu Eunício Oliveira, Humberto Costa, e Maurício Tolmasquim, que deixam respectivamente os ministérios das Comunicações, da Saúde e de Minas e Energia
O anúncio dos novos ministros atrasou devido ao impasse sobre o número de ministérios que a legenda assumiria. O PMDB queria quatro pastas.
Com maior participação no governo, o partido garante o apoio de ao menos de 19 dos 23 senadores e 52 dos 85 deputados. Época
 
Costa foi repórter do "Fantástico" e locutor de Collor
07/07/2005
Indicado pelo PMDB, o novo ministro das Comunicações, o mineiro Hélio Costa, 65, elegeu-se senador por Minas nas últimas eleições. Jornalista, ficou conhecido como repórter dos programas "Fantástico", "Globo Repórter" e "Linha Direta", da TV Globo.
Costa assume o ministério no lugar de seu correligionário Eunício Oliveira (CE), depois de uma disputa interna no partido com o secretário-executivo da pasta, Paulo Lustosa, também cotado para a pasta.
Natural de Barbacena (MG), onde tem hoje uma emissora de rádio (leia texto ao lado), mudou-se para Nova York em 1967, onde trabalhou na cadeia de rádio "A Voz da América".
Em 1974, assumiu a chefia da sucursal da TV Globo em Nova York. Retornou ao Brasil em 1986 e começou sua carreira política como deputado federal constituinte eleito pelo PMDB.
Em 1989, Costa trocou a legenda para se filiar ao PRN (Partido da Reconstrução Nacional), pelo qual Fernando Collor de Melo foi eleito presidente.
Em 1990, foi locutor dos programas de Collor na TV e candidatou-se ao governo de Minas Gerais, ganhando a disputa pelo segundo turno do tucano Pimenta da Veiga. No entanto, acabou perdendo as eleições para Hélio Garcia (PRS).
Voltou a disputar o governo estadual em 1994 pelo PP, quando foi para o segundo turno com o hoje senador e presidente interino do PSDB, Eduardo Azeredo. Costa, que havia ganhado o primeiro turno, perdeu novamente as eleições. Elegeu-se deputado federal em 1998 pelo PFL, que havia apoiado sua candidatura em 1994. Em 2002, ganhou as eleições para o Senado, desta vez pelo seu partido atual.
Como senador, foi vice-líder do governo, vice-líder do PMDB e presidiu a Comissão de Educação e a subcomissão de Comunicação. Costa entra no governo pela reforma ministerial promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Folha de São Paulo
 
CPI investiga intermediação de propaganda
07/07/2005
A participação da empresa Longo Alcance Assessoria em Mídia e Comunicação Ltda. em um esquema supostamente fraudulento de captação de propaganda do governo em emissoras de rádio do interior do país começou a ser investigada pela CPI dos Correios.
A empresa é suspeita de só repassar propaganda oficial a emissoras dispostas a pagar, por fora do contrato, 10% do valor.
Membros da CPI apuram se essa diferença seria destinada ao PT.
Ontem, na CPI, perguntaram ao publicitário Marcos Valério se a empresa atuaria em uma espécie de ponte entre órgãos do governo, como a Caixa Econômica Federal, e emissoras de rádio AM e FM.
Valério confirmou que conhece a Longo Alcance, empresa que, disse, é especializada em contatos publicitários com rádios de todo o país. Os 10% a mais sobre o valor contratual se referem ao que no meio publicitário é conhecido como bonificação de volume -o BV, pago pelos órgãos de comunicação a agências de publicidade que captam muitos de anúncios.
A Folha ouviu o sócio de uma emissora AM no interior do Estado do Rio. Ele contou que em 2004 recebeu da Longo Alcance documento que dizia que, se passasse a pagar o BV, receberia mais publicidade do governo.
Leila Ali, diretora-geral da empresa, não foi encontrada para comentar o caso. SERGIO TORRES E LAURA MATTOS - Folha de São Paulo
 
Antes do ministério, investigação
7/7/2005
Antes de chegar ao cargo, o novo ministro das Comunicações, o jornalista-senador Hélio Costa (PMDB-MG), preparava-se para presidir a CPI que pretende apurar os crimes envolvidos no processo de emigração ilegal de brasileiros, como aliciamento, tráfico de pessoas, falsificação de documentos e passaportes. Costa estava envolvido com o assunto desde o ano passado. Foi aos Estados Unidos para negociar a libertação de mil brasileiros presos como imigrantes ilegais em Miami e no Texas.
O senador foi repórter do "Fantástico". Foi correspondente e diretor da Globo nos Estados Unidos. A popularidade não foi suficiente para elegê-lo governador de Minas Gerais. Em 1990, perdeu por 1% para Hélio Garcia. Em 1994, para Eduardo Azeredo. Em 1998, voltou ao Congresso como deputado. Em 2002, elegeu-se senador com 3,5 milhões de votos. Apoiou Lula desde o início. O Globo
 
Ministério das Comunicações - Hélio Costa
7/7/2005
Senador pelo PMDB, assume o Ministério das Comunicações depois de uma disputa interna com o secretário-executivo da pasta, Paulo Lustosa. Indicado pela bancada no Senado, esteve cotado para assumir a Previdência, mas deixou claro que não aceitaria. Natural de Barbacena, Costa, que é jornalista, iniciou a carreira política motivado pela Constituinte. Elegeu-se deputado federal em 1986 e 1998. Candidatou-se duas vezes ao governo de Minas, sem sucesso. Chegou ao Senado em 2003. Jornal do Brasil
 
Lula não conseguiu levar Delfim Netto
7/7/2005
Para viabilizar o acordo com o PMDB governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu mão de ter o deputado Delfim Netto (PP-SP) como um de seus novos ministros. Delfim foi procurado por emissários de Lula para saber como ele receberia um convite para integrar o Ministério. Diante da resposta afirmativa, caso a oferta fosse o Ministério das Comunicações, Lula tentou demover o PMDB de indicar o titular desta pasta. Mas os entendimentos não evoluíram porque o PMDB não concordou e acabou nomeando o senador Helio Costa (MG) como substituto de Eunício Oliveira.
Nas conversas, que começaram no fim de semana, Delfim respondeu aos emissários do presidente que aceitaria um convite para o Ministério das Comunicações. Um aliado de Delfim disse que sua escolha se deve a dois fatores: a pasta tem peso político e não tem dia-a-dia pesado. O parlamentar já teria até articulado um grupo de empresários paulistas para apoiar Lula, o que serviria como uma demonstração de vitalidade.
O ex-ministro do Trabalho Francisco Dornelles (PP-RJ) disse que Delfim tinha as credenciais para o cargo.
- O Delfim apoiou a candidatura do presidente Lula e sempre foi um crítico do governo do presidente Fernando Henrique - disse Dornelles.
- Nós só abriríamos mão das Comunicações se fosse para o ministro Aldo Rebelo - disse o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), muito próximo de Aldo.
Os entendimentos para o PP participar do governo voltaram à estaca zero depois da negociação frustrada. Dornelles, outro nome de peso no PP, também está fora de cogitação. A parlamentares do PP, Dornelles disse que não poderia integrar o governo, sobretudo no atual clima de guerra que se estabeleceu entre o PT e o PSDB. Dornelles foi ministro de Fernando Henrique. Ilimar Franco - O Globo
 
Wagner deve virar coordenador político
07/07/2005
No dia em que oficializou a nomeação de três novos ministros da cota do PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou de última hora o ministro Jaques Wagner (Conselhão) a viajar com ele para a Escócia. A intenção era oficializar ontem no avião o convite para Wagner ser coordenador político.
Petista, Wagner deve incorporar atribuições da pasta de Aldo Rebelo (Coordenação Política), que será extinta. Há possibilidade de que assuma a Secretaria Geral da Presidência, hoje chefiada pelo correligionário Luiz Dulci.
é que Lula, apesar de poupar o presidente do PT, José Genoino, em seus desabafos irados contra petistas envolvidos na crise política, deseja que o atual secretário-geral assuma o comando do PT. Essa operação, porém, é complicada. Se vingar, Wagner levaria o Conselhão e as funções de Aldo para a Secretaria Geral, fundindo três pastas em uma, o que enxugaria o ministério, como deseja Lula. Wagner deve ser anunciado amanhã na nova função.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ainda busca uma "surpresa" para o ministério. Seria um nome de peso da sociedade -de preferência, um empresário. No entanto está difícil achar alguém disposto a entrar no governo numa hora de crise. Palocci deseja alguém assim para a Previdência ou outra pasta importante. Se falhar, a intenção de Lula é nomear um técnico para a Previdência.
Severino
Lula estuda dar uma pasta ao PP. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), quer contemplar o deputado Ciro Nogueira (PI). Uma vaga aventada é a de Esportes, no caso de Aldo ir para o Trabalho no lugar de Ricardo Berzoini (PT).
Para aumentar sua proteção política no Congresso em meio à pior crise de seu governo, Lula oficializou os três nomes do PMDB para o primeiro escalão: o deputado federal mineiro Saraiva Felipe (Saúde), o presidente da Eletrobras, Silas Rondeau (Minas e Energia), e o senador mineiro Hélio Costa (Comunicações).
Com isso, o petista Humberto Costa (PE) e o peemedebista Eunício Oliveira (CE) deixam a Saúde e as Comunicações, respectivamente. Eles serão candidatos em seus Estados em 2006. O presidente, seguindo a legislação eleitoral, seria obrigado a trocá-los até 30 de abril do ano que vem, prazo limite para a saída de cargos executivos de quem deseja disputar eleição em 2006.
Na pasta de Minas e Energia, Rondeau (nome ligado ao clã Sarney) assume na vaga de Maurício Tolmasquin, interino devido ao remanejamento de Dilma Rousseff à chefia da Casa Civil.
Reunião do G8
Ontem, logo após o anúncio, Lula embarcou para a Escócia, onde hoje participa como convidado de reunião do G-8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia). Na volta, amanhã, promete anunciar outras mudanças, além de dar posse a Felipe, Rondeau e Costa.
A atual reforma, que não tem prazo para ser finalizada, envolverá trocas em estatais. Avalia-se a possível saída do vice-presidente José Alencar (PL) da Defesa.
Já o PMDB, que ontem ganhou duas pastas e manteve outra, perderá a Previdência, com a saída de Romero Jucá (RR), investigado pelo Supremo Tribunal Federal sob suspeita de desvio de recursos públicos. EDUARDO SCOLESE e KENNEDY ALENCAR - Folha de São Paulo
 
Novos ministros já estão sob fogo do PMDB
7/7/2005
BRASÍLIA. Depois de dias de intensas e desgastantes negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem parte da reforma ministerial, com a escolha de três novos ministros do PMDB, partido que chega ao governo como sempre esteve: rachado. Menos de duas horas depois do anúncio, a direção do PMDB e os sete governadores do partido desautorizaram a negociação, afirmando que eles não representam o partido.
Os governadores reuniram-se na casa do presidente do PMDB, Michel Temer (SP), e divulgaram uma nota propondo o desligamento imediato do partido do senador Hélio Costa (MG), escolhido para o Ministério das Comunicações, e do deputado Saraiva Felipe (MG), para o Ministério da Saúde. Também foi anunciada a escolha do presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para o MInistério de Minas e Energia.
Os governadores também censuraram os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), por terem passado por cima da executiva do partido e negociado, sem autorização, a participação no governo.
Por meio do porta-voz da Presidência, jornalista André Singer, o presidente Lula confirmou os novos nomes após um encontro com os três ministeriáveis e mais os senadores Renan e Sarney, na noite de anteontem no Planalto.
- Tendo sido aceitos os convites, as posses dos novos ministros ocorrerão na sexta-feira. O presidente anunciará também na sexta-feira novas alterações no Ministério - disse Singer, que transmitiu os agradecimentos de Lula aos demitidos, pelos "inestimáveis serviços prestados" ao país.
Pouco depois o comando do PMDB anunciava:
- Os governadores definiram que a decisão da convenção precisa ser respeitada e serão desligados todos os que aceitarem cargos no governo. Acompanho esta posição porque houve uma radicalização do Planalto no tratamento não institucional que dá ao PMDB - disse Temer, após divulgar a nota.
Garotinho: 'Estou decepcionado'
O ex-líder do PMDB, José Borba (PR), e o novo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, foram duramente criticados pelos governadores durante o almoço com Temer. Os governadores também reclamaram que o governo Lula não cumpriu os compromissos administrativos e financeiros que assumiu com os estados.
- Estou decepcionado. Mas o Saraiva é mineiro, lembra muito o Silvério dos Reis - disse Garotinho, referindo-se a Joaquim Silvério dos Reis, que traiu a Inconfidência Mineira.
Requião, que foi aliado de Lula nas eleições de 2002, afirmou que os ministérios são o mensalão do PMDB:
- Qual a diferença entre o mensalão e um ministério? O ministério é o mensalato. Agora a compra é por atacado, é porteira fechada. Antigamente contratavam o peão, agora é a fazenda. O Renan e o Sarney enganaram o Lula, o PMDB não dará um voto a mais para o governo.
Os governistas não reclamaram da nota e comentaram que a posição dos governadores reforçará as negociações com o presidente Lula para que o partido tenha um quarto ministério. O líder do partido no Senado, Ney Suassuna (PB), criticou os governadores.
- Nunca se adotou posição tão dura no partido. Nem quando o partido não apoiou a candidatura do Dr. Ulysses para presidente, nem quando o partido não apoiou a candidatura de José Serra. Cristiane Jungblute Ilimar Franco - O Globo
 
Governo anuncia 3 novos ministros
07/07/2005
O porta-voz da presidência André Singer confirmou há pouco que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o deputado José Saraiva Felipe (MG) para assumir o Ministério da Saúde, o senador Hélio Costa (MG) para o Ministério das Comunicações e o atual presidente da Eletrobrás Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia. Todos foram indicados pelo PMDB.
Segundo Singer, a posse dos novos ministros vai acontecer na sexta-feira no Palácio do Planalto. No mesmo dia, o presidente Lula vai anunciar novas alterações na equipe ministerial. Singer disse que o presidente não informou quais serão essas outras mudanças. Os novos ministros vão substituir Humberto Costa (Saúde), Eunício Oliveira (Comunicações) e Maurício Tolmasquim (Minas e Energias), que ocupava o cargo como interino.
O presidente Lula embarca daqui algumas horas para a Escócia, onde participará da reunião do G-8. Carolina Pimentel - Agência Brasil
 
Novos ministros têm experiência parlamentar
07/07/2005
O Planalto oficializou ontem três novos ministros do PMDB que integrarão o ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dois deles, Silas Rondeau e José Saraiva Felipe, têm ligações estreitas com o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP).
O engenheiro eletricista Silas Rondeau Cavalcante Silva, de 53 anos, foi nomeado para a Pasta de Minas e Energia. Maranhense, está em cargos por indicação do PMDB desde o início do governo Lula. Entre janeiro de 2003 e maio de 2004, foi presidente da geradora Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás, por indicação de Sarney. Em maio de 2004, assumiu o cargo do físico Luiz Pinguelli Rosa (colaborador do PT na elaboração do programa de governo) na presidência da estatal de eletricidade, também indicado por Sarney.
Além de aliado do PMDB, Rondeau ganhou preferência do presidente Lula para o Ministério de Minas e Energia por seu perfil técnico. Professor licenciado da Universidade Federal do Maranhão, é formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco e se especializou em engenharia de linhas de transmissão pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rondeau iniciou suas atividades profissionais há mais de 30 anos, nos quadros da Companhia de Eletricidade do Maranhão (Cemar), na área de manutenção.
O recém-nomeado ministro das Comunicações, Hélio Calixto da Costa, assume a pasta num momento de mudanças estrutu-rais dos setores de TV, radiodifusão e telecomunicações. As teles enfrentam a partir de janeiro de 2006 a renovação dos contratos de concessão com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enfrentando novas metas de universalização, novo índice de reajuste de tarifas e sob a introdução da tecnologia do triple player, segundo a qual as operadoras telefônicas e as emissoras de TV a cabo poderão se transformar na única provedora dos lares brasileiros, levando telefonia fixa e celular, conteúdo de televisão a cabo e banda larga. O processo é abrangente e traz a digitação do rádio e da televisão, com discussões da maior relevância para empresários dos segmentos envolvidos no setor.
Jornalista mineiro, Hélio Costa nasceu em Barbacena em 1939, foi deputado federal pelo PFL e pelo PMDB, sendo um dos proprietários da ABC Rádio e Televisão Ltda, na sua cidade natal.
Nos discursos recentes, o novo ministro tem mostrado maior afinidade com os argumentos das empresas radiodifusoras. Costa tem salientado a necessidade de separação entre conteúdo e infra-estrutura, restringindo somente aos grupos brasileiros a responsabilidade pelo conteúdo sobre qualquer meio de distribuição.
A postura pode limitar os planos das empresas de telefonia de explorarem, por exemplo, video on demand, acredita o Brascan. O deputado federal José Saraiva Felipe (PMDB-MG), que ocupará a pasta da Saúde, está em seu terceiro mandato na Câmara e pertence ao PMDB desde 1979. Formado em medicina e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Saraiva Felipe sempre teve suas atividades ligadas à área de Saúde e iniciou sua carreira pública como secretário de Saúde da cidade de Montes Claros (MG), cargo que exerceu de 1983 a 1985.
Em seguida, o deputado trabalhou até 1988 como secretário nacional de serviços médicos do Ministério da Previdência e, de 1989 a 1990, foi secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, os dois cargos exercidos no governo José Sarney (1985-1990). Antes de se tornar deputado, trabalhou por três anos como secretário da Saúde de Minas.
kicker: Dos indicados pelo PMDB, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, tem perfil mais técnico do que os demais  Marcos Seabra, Luciana Collet e Thais Costa - Gazeta Mercantil
 
Cenário lindo é palco de espetáculo deprimente
07/07/2005
O cenário é lindo, mas o espetáculo, deprimente. é duro ver parlamentares fazendo o papel de investigadores, interrogando quem possível - e provavelmente - meteu a mão nos cofres públicos sem cerimônia. Alguns, como não têm essa vocação nem foram eleitos para isso, perguntam mal, se repetem, e desse jeito vai ser difícil chegar às chamadas provas, até porque nessa matéria ninguém passa recibo.
Essa história de roubar o dinheiro público sempre foi meio vaga; todo mundo sabe que é por isso que não temos hospitais nem creches nem escolas. Outro dia, quando fui mandar uma correspondência para São Paulo por Sedex e paguei R$ 20 por uma folha de papel, entendi tudo.
Os políticos são finíssimos: se atacam furiosamente, mas sempre colocando antes um "Vossa Excelência", ou "o ilustre deputado". Depois tomam cafezinho juntos, como se nada fosse.
As assessoras do PT não usam maquiagem nem salto alto nem fazem escova; em compensação, as do PSDB são impecáveis, parecem prontas para irem dali direto para um casamento, sem escala.
O dia começou bem: como os trabalhos da CPI estavam marcados para começar às 9h, cheguei às 8h30 para pegar minha credencial no 21º andar do edifício do Senado; a funcionária chegou às 9h10, e, na descida, o elevador parou no meio dos andares.
Quando o senador Delcídio Amaral entrou no recinto, fez o sinal da cruz e abriu os trabalhos "com a benção de Deus", o que talvez seja pouco.
Pílulas brasilienses
ACM babava com sua cria, o deputado ACM Neto, que masca chicletes sem parar; onde será que ele põe o chiclete quando fala? Debaixo do tampo da mesa, como os colegiais? Outra que tem o mesmo hábito é Luciana Genro, que não consegue esquentar a cadeira nem por cinco minutos.
Heloisa Helena é conhecida por falar muito, por isso sempre fica no fim da fila; sabendo disso, a senadora chegou ontem ao Congresso às 6h30, para ser a primeira. Como o tempo é marcado, assim que acabou de fazer suas perguntas, se inscreveu de novo, para poder falar mais uma vez, mesmo de madrugada.
Marcos Valério chama os deputados e senadores de Vossa Excelência e depois diz "vou te passar os documentos"; declarou possuir várias empresas que nunca funcionaram, nunca tiveram conta em banco, e, conseqüentemente, ninguém entende porque foram abertas -mas ele sabe.
Quanto ao fato de parte de uma dessas empresas estar em nome de sua mulher, foi claro: "ela pensou que eu fosse me separar dela". E acrescentou: "mas eu não queria". Foi quase um consultório sentimental.
O deputado Heráclito Fortes usava um terno que me fez pensar num samba de Paulinho da Viola que diz "Não posso definir aquele azul, não era do céu nem era do mar". Indefinível a cor do terno do parlamentar.
Rola um estresse entre o senador Aloizio Mercadante e o presidente da CPI. Segundo Mercadante, há no PT quem ache que Delcídio Amaral está tratando Roberto Jefferson bem demais.
A razão de o mundo político, governo e oposição, estar unido, em defesa do presidente Lula: se entrar o vice José de Alencar, ele baixa a taxa de juros para zero e explode a economia; e se quebrar uma perna, entra Severino, e aí - bem, passemos.
O novo ministro das Comunicações, Hélio Costa, chamava a atenção: é o único ser que conserva a cabeleira dos anos 60, quando era sucesso no "Fantástico" e as mulheres babavam por ele.
De repente, em plena CPI, entra Severino; mas Severino de terno preto e gravata borboleta? Com uma bandeja na mão? Era um garçom, mas tão igual, tão igual, que parecia irmão gêmeo do presidente da Câmara.
Deixa-se Brasília com a triste sensação de que nossa Câmara e nosso Senado, com sua deslumbrante arquitetura, não merecem passar pelo que estão passando; por outro lado, não existe lugar mais animado em todo o país.
E no restaurante, entre assessores, jornalistas, deputados e lobistas (de ambos os sexos), a paquera rolou solta. Haja o que houver, é só juntar homens e mulheres para que paire uma tensão no ar; e enquanto for assim, pode-se dizer que a pátria está salva. Ou quase. DANUZA LEÃO - Folha de São Paulo
 
Lula dá três pastas ao PMDB
07/07/2005
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início ontem à noite, em reunião no Palácio do Planalto, à primeira etapa da reforma ministerial com a formalização do convite ao peemedebistas mineiros senador Hélio Costa, para o Ministério das Comunicações, e deputado Saraiva Felipe, para o da Saúde, além do atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para o de Minas e Energia.
Com a definição desses nomes, a participação do PMDB no ministério de Lula deverá ficar mesmo com três pastas. Ainda onem, o partido negociava a possibilidade de ficar com quatro. A carta distribuída pelo líder do PMDB, José Borba, atacando o governo e jogando mais lenha na crise, foi decisiva para o presidente Lula encerrar as conversas e convidar, de uma vez por todas Hélio Costa, Saraiva Felipe e Silas Rondeau. Assim, o Ministério das Cidades deve continuar na mão do petista Olívio Dutra. Mas as mudanças nos ministérios em poder do PT deverão ficar para a segunda etapa da re forma, por enquanto prevista para depois da volta de Lula da França, em meados de julho.
O ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, que participou das negociações em que foram definidos os três nomes do PMDB, de acordo com informações no Planalto, estava dando como encerrada a sua participação na coordenação política do governo. Rebelo, que é do PC do B, confidenciou a amigos estar cansado do constante processo de fritura a que estava sendo submetido e que aguarda a sua transferência para o Ministério do Trabalho, no lugar de Ricardo Berzoini, do PT, que deve voltar para a Câmara, embora essa etapa do processo não tenha sido finalizada.
Auxiliares do presidente davam conta de que o presidente Lula segurou Rebelo até o final justamente para mantê-lo no governo. Rebelo já disse a Lula que não disputará eleições no próximo ano. Essa é uma das condições exigidas pelo presidente aos ministros para não afastar do governo ministros que estão sendo substituídos. Mas há nomes que serão mantidos e poderão sair do governo depois, como é o caso de Paulo Bernardo, do Planejamento. O certo, porém, é que, até a noite de ontem, o destino final de Aldo não estava 100% definido.
Pelo menos por enquanto, o PP, partido do presidente de Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PE), continuará sem representante na Esplanada dos Ministérios. O líder do partido, deputado José Janene (PR), disse que "há um contentamento da bancada em fica r fora do governo, neste momento". Segundo ele, os deputados entendem que o melhor para o partido, agora, é dar "apoio eventual" ao Planalto, "sem comprometimento".
A avaliação da bancada era de que a participação em ministérios, neste momento, prejudicaria o partido, que tem chances eleitorais em Estados importantes, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a sigla tem problemas de incompatibilidade grave com o PT do presidente Lula.
As mudanças a serem feitas nos cargos do governo ocupados pelo PT ainda não estão definidas. A crise que assola o partido teria levado o presidente Lula a adiar definições de participação do PT no ministério. é que já se começa a pensar em remanejamento de nomes que estão no governo, como o de Luiz Dulci, na Secretaria Geral da Presidência, para a cúpula do partido, que deverá ser totalmente modificada depois da reunião da Executiva petista marcada para Sábado e Domingo. Assim, o nome de Jacques Wagner para a coordenação política, apesar de ser dado como certo por vários auxiliares de Lula, poderá ficar para a segunda etapa da reforma. Tribuna da Imprensa Online
 
Governadores censuram nomeados
7/7/2005
Partido fica mais dividido e pode colocar em risco a maioria governista no Congresso. O PMDB vai desfiliar os membros do partido que ocuparem cargos de confiança no governo. A decisão foi tomada ontem durante reunião entre o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), e sete governadores, além do senador Pedro Simom (RS), e os ex-governadores Orestes Quércia e Anthony Garotinho.
O anúncio foi feito pouco depois de o Palácio do Planalto confirmar a indicação do senador Hélio Costa (PMDB-MG) para o Ministério das Comunicações, do deputado José Saraiva Felipe (PMDB-MG) para o Ministério da Saúde e do atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para o Ministério de Minas e Energia.
"Nós só estamos cumprindo a decisão da convenção do partido feita em dezembro do ano passado", ressaltou Temer, um dos membros da ala peemedebista que quer independência para eleger candidato próprio nas eleições de 2006.
O PMDB deve entrar com o pedido de desfiliação de Hélio Costa e Saraiva Felipe. No entanto, não vai punir os peemedebistas que já ocupam cargos de confiança entanto, não vai punir os peemedebistas que já ocupam cargos de confiança §a â€" caso do ministro da Previdência, Romero Jucá, e do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa, na hipótese de não se desligarem do governo. Temer afirmou que Rondeau, apesar de ter o apoio do senador José Sarney (AP), não é filiado ao PMDB.
O casal Garotinho (Rosinha Garotinho, governadora do Rio de Janeiro, e Anthony Garotinho, secretário de governo) - foi um dos primeiros integrantes a chegar à reunião partidária que aconteceu na residência de Michel Temer em Brasília. Indignada, Rosinha afirmou que não aceitaria participação direta do partido na reforma ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não servi para ser parceira, não posso servir para ser cúmplice deste governo", afirmou a governadora do Rio, Rosinha Garotinho.
Possível candidato a presidência pelo PMDB em 2006, Garotinho endossou as palavras da mulher e ainda criticou a ida de Saraiva Felipe para o Ministério da Saúde. "Ele é de Minas Gerais e lembra muito Silvério dos Reis", criticou associando o colega ao grande traidor que entregou Tiradentes à morte.
Em nota, o partido censurou os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), que "nunca estiveram autorizados a negociar cargos ou funções em nome do partido". O comunicado reitera ainda que "filiados que integram o governo não representam o partido, tanto que serão desligados do PMDB".
"Os dois senadores esqueceram que o PMDB tem uma executiva e um presidente", disse Temer, que garantiu que a "represália" aos senadores seria apenas por meio de censura pública, e que não pedido de desfiliação.
Temer acredita que a decisão do PMDB vai "aumentar o grau de irritabilidade e oposição" dos membros do partido no Congresso Nacional.
"Eu aconselhei o presidente Lula a deixar as coisas como estavam, que a governabilidade estaria garantida. Agora, acredito que o governo vai perder parte da boa vontade do PMDB", afirmou.
Caso Borba
Governadores e lideranças do PMDB cobraram ontem a apuração sobre a suposta ligação entre o deputado e ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), e o publicitário Marcos Valério , José Borba (PR), e o publicitário Marcos Valério io â€" apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares na Câmara.
Ontem, Borba divulgou nota pedindo afastamento da liderança do partido com o argumento de que a sua saída poderá facilitar as investigações de que estaria envolvido no suposto pagamento de mesadas a parlamentares na Câmara. Ele negou ter recebido do empresário Marcos Valério "qualquer numerário ou recursos financeiros", porém, afirmou conhecê-lo: disse que Valério participava de negociações de cargos no governo junto com dirigentes do PT.
Ao chegar à reunião na casa de Temer, o presidente regional do PMDB em São Paulo, Orestes Quércia, disse à imprensa que achou estranho o conteúdo da nota de Borba. "Estranhei a carta porque fez menção àquela questão do homem da mala, que além de tudo comandava indicações, se é que isso é verdade", comentou. "Espero que nem seja verdade, porque é uma coisa muito grave e tem que ser esclarecida." Lorenna Rodrigues e Renata Moura - Gazeta Mercantil
 
Lula começa a reforma ministerial
7/7/2005
Com o anúncio dos nomes dos três novos ministros do PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início ontem à reforma ministerial, cujo objetivo e recompor sua base base parlamentar no Congresso e tentar retomar a iniciativa política. O PT perdeu para os pemedebistas dois ministérios estratégicos: Minas e Energia, a ser comandado pelo atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, e Saúde, que será ocupado pelo deputado e médico sanitarista mineiro Saraiva Felipe. O Ministério das Comunicações já está em poder do partido e será ocupada pelo senador Hélio Costa (MG).
Deixam o governo os ministros Humberto Costa e Eunício Oliveira, candidatos aos governos de Pernambuco e da Bahia, respectivamente, e Maurício Tolmasquim, interino das Minas e Energia desde que Dilma Rousseff assumiu a Casa Civil. O anúncio faz parte da primeira etapa da reforma ministerial que o presidente fez questão de divulgar antes de viajar para a Escócia, onde participa, hoje, como convidado, da reunião de cúpula do G-8. As outras mudanças devem ser anunciadas amanhã. É certo que o deputado Ricardo Berzoini (Trabalho) volta à Câmara e deve ser substituído pelo ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política).
Na viagem, Lula decide o destino de Olívio Dutra (Cidades) e Agnelo Queiroz (Esportes), demissões dadas como certa ontem por integrantes do PT, mas não confirmadas por assessores diretos do presidente. Lula avalia também nomear um nome não partidário a ser indicado pelo PP. É certa a saída do ministro da Previdência, Romero Jucá, que deve ser o novo líder do governo no Congresso. Para seu lugar, o presidente pensou em deslocar Ciro Gomes (Integração Nacional), mas o ministro resiste. A Previdência pode acabar com um técnico, que pode ser escolhido na própria equipe do ministério.
Os novos ministros tomam posse amanhã à tarde, no Palácio do Planalto, quando Lula anunciará o restante das mudanças nos ministérios. "O presidente não fez nenhum comentário comigo sobre as demais alterações, só me pediu que transmitisse que na próxima sexta-feira ele vai anunciar novas alterações na equipe ministerial", limitou-se a dizer o porta-voz da Presidência.
Uma das surpresas da reforma deve ser a manutenção do Ministério da Coordenação Política, que Lula pensou em extinguir. A Pasta absorveria o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, dirigido por Jaques Wagner, e as subsecretarias de Assuntos Federativos e de Ações Parlamentares. As nomeações para cargos voltariam para os ministérios, ficando no Planalto apenas as indicações para os postos de primeiro escalão, como as diretorias de estatais. Jaques Wagner deve assumir a coordenação política - ele recebeu um convite de última hora para integrar a comitiva presidencial na viagem-relâmpago à Escócia para discutir os últimos detalhes da reforma ministerial.
É certa a mudança no comando de algumas estatais. O presidente da Infraero, Carlos Wilson, por exemplo, sairá porque é candidato às eleições de 2006. Na noite de terça-feira, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, esteve reunido com o presidente. Dutra disse a Lula que é candidato em Sergipe, mas ressalvou que estava disposto a ficar até o fim do governo se esse fosse o desejo do presidente. Lula ainda não decidiu. Há dois nomes citados para seu lugar, em eventual mudança: Rodolfo Landim, presidente da BR Distribuidora, ligado ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), e José Sérgio Gabriele, diretor financeiro da estatal, indicado por Lula para o cargo. Na Itaipu Binacional deve permanecer o petista paranaense Jorge Samek.
Haverá mudanças ainda no setor elétrico - Eletrobrás e Eletronorte, cujas presidências estão vagas -, Furnas e Chesf. Os ministérios do PMDB serão verticalizados, ou seja, as estatais e suas diretorias serão preenchidas pelo partido. O critério serve também para os ministérios da Saúde e das Comunicações.
Na noite terça-feira, os três novos ministros se encontraram com Lula juntamente com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo; o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP); e o senador José Sarney (PMDB-AP), responsável pela indicação de Silas Rondeau.
Os líderes do PMDB reivindicavam mais uma Pasta e o Ministério das Cidades chegou a ser colocado nas discussões, mas, até ontem, a negociação não tinha avançado. O partido vai perder um posto na Esplanada com a saída do ministro da Previdência, senador Romero Jucá (PMDB-RR), alvo de denúncias de irregularidades desde que assumiu o cargo - um técnico deve ser o substituto.
O novo ministro das Comunicações foi indicado pela bancada do PMDB no Senado, chegou a ser cotado para assumir o ministério da Previdência, mas recusou o cargo alegando que preferia atuar em uma área com a qual tivesse afinidade. Confirmado, Hélio Costa deu ontem seu primeiro recado para as operadoras de telefonia. Em entrevista em Belo Horizonte, o futuro ministro sugeriu que poderá tomar medidas práticas como mexer no modelo de cobrança da telefonia fixa, acabando com a assinatura básica. "É um pequeno absurdo", afirmou o senador, referindo-se à cobrança. Segundo ele, não faz sentido pagar R$ 30 por uma assinatura de telefone, como ocorre em Minas Gerais, onde atua a Telemar, quando o salário mínimo é de R$ 300.
O senador mineiro afirmou ainda que, entre as medidas necessárias em sua pasta, está dar maior agilidade ao projeto de TV digital no país. Hélio Costa lembrou que aceitou o cargo de ministro das Comunicações porque trata-se de área onde poderá contribuir com conhecimento técnico. Raymundo Costa e Taciana Collet - Valor Econômico
 
Inutilidades
07/07/2005
A primeira parte da "reforma" ministerial é pobremente frutificante: foram trocados três ananases por três abacaxis. Ou vice-versa.
O resultado prático da entrega de três ministérios ao PMDB governista, a pretexto de fortalecer o governo com adesões peemedebistas na Câmara, é precisamente nenhum. Lula colheu os novos ministros no PMDB já governista. Por quê e para quê? Talvez só para dar a medida da tonteira em que está a cúpula do governo.
Tão inútil assim, pelo menos até que já durara 11 horas, só a sessão da CPI dos Correios destinada ao interrogatório de Marcos Valério de Souza, dado pelo deputado Roberto Jefferson como abastecedor monetário do "mensalão". Se reduzidas às intervenções sérias dos parlamentares, as 11 horas se reduziriam para hora e meia, duas no máximo.
A imensa audiência que tem acompanhado, no país todo, as sessões da CPI teve, ontem, um espetáculo nada divertido, mas muito didático. A maioria dos integrantes da CPI mostrou à grande audiência a desordem, o desrespeito às regras e aos colegas, o desinteresse pelo interesse público, que se instalam com tanta facilidade na Câmara e a assemelham, com freqüência, a um recreio de adolescentes badernosos.
Poucos são capazes de respeitar o tempo de intervenção que lhes cabe. Em parte, sem dúvida, pela dificuldade de desenvolver uma exposição lógica nos 15 minutos disponíveis. Na maior parte, porém, é a predominância da discurseira exibicionista, plantar o rosto na TV e a voz no rádio, em um exagero de ocupação inútil do tempo, que se torna um desaforo para com os cidadãos ansiosos por uma CPI eficaz e respeitável.
Andou por meia-dúzia o número de parlamentares que tiveram a compostura de cumprir com objetividade e competência o seu dever inquiridor, seguindo-se a uma breve introdução. A colheita do interrogatório correspondeu a esse pequeno número. E em termos. Porque a colheita foi quase toda por inferir alguma coisa, a partir da inviolável prática de evasivas e negativas do depoente. No que foi, aliás, muito ajudado por parlamentares do PT, que fizeram o tempo passar com discurseiras infantis e indignações ridículas. Até foi pena que Jorge Bittar, PT-RJ, tivesse que calar, quando já estava tão perto de demonstrar que Valério trabalha com prejuízo para o governo.
Mas na desconsideração com os cidadãos ouvintes/espectadores encontra-se uma boa sugestão de voto. No sentido de eliminar, desde já, a possibilidade de dá-lo aos abusadores. JANIO DE FREITAS - Folha de São Paulo.
 
Governadores do PMDB criticam as nomeações
07/07/2005
No dia em que o Palácio do Planalto anunciou o aumento da participação do PMDB no governo, a ala oposicionista do partido mostrou sua força ao reunir os sete governadores da legenda em um ato contra as nomeações.
Em nota, os governadores e o presidente da legenda, Michel Temer (SP), censuraram os senadores Renan Calheiros (AL), presidente do Congresso, e José Sarney (AP) por terem negociado a ampliação do PMDB no Executivo e disseram que vão expulsar do partido todos aqueles que não abandonarem postos no governo.
Os alvos são Hélio Costa (MG), que assumirá a pasta das Comunicações, e Saraiva Felipe (MG), secretário-geral do partido, que irá para a Saúde. Silas Rondeau, indicado por Sarney para Minas e Energia, não é filiado ao PMDB.
"Os senadores José Sarney e Renan Calheiros nunca estiveram autorizados a negociar cargos ou funções em nome do partido, motivo pelo qual os governadores censuram essas tratativas [e] reiteram que os filiados que integram o governo não representam o partido, tanto que serão desligados do PMDB", diz a nota.
A reunião ocorreu no apartamento de Temer. O primeiro consenso foi que Renan e Sarney (que não quiseram comentar a nota do partido) prometeram o que não podem cumprir: o aumento do apoio partidário ao governo.
Uma segunda avaliação é a de que colar o PMDB ao governo neste momento de crise é um grande erro político. "O Lula só tem o apoio de 14% da população do Distrito Federal", disse Joaquim Roriz (DF) na reunião.
"Se não servi para ser parceira lá atrás, não serei cúmplice agora", disse aos repórteres Rosinha Matheus, que estava acompanhada do marido, Anthony Garotinho. "O PMDB não vai dar um voto a mais [no Congresso] pelos ministérios que recebeu. Renan e Sarney estão enganando o presidente Lula", disse Garotinho, que comparou Saraiva Felipe ao traidor Silvério dos Reis: Saraiva era seu aliado até ser indicado ministro.
"O Lula deveria buscar apoio na sociedade, não em partidos", declarou Jarbas Vasconcelos (PE). Para Temer, a reforma discutida com parte do PMDB "foi inútil, uma radicalização institucional com o partido". Lula chegou a procurar o presidente do PMDB, mas Temer recusou as ofertas. Lula procurou Renan e Sarney.
Também foram ao almoço Germano Rigotto (RS), Luiz Henrique (SC), Roberto Requião (PR) e Marcelo Miranda (TO). Coube a Requião a fala mais inflamada. Ele atacou a política econômica de Lula e acusou os deputados José Janene (PP-PR) e José Borba (PMDB-PR) de serem "ladrões". "Requião é conhecido no Paraná por professar amor ao demônio. Não vou responder a coisas do demônio", disse Janene. A Folha não conseguiu falar com Borba. RANIER BRAGON - Folha de São Paulo.
 
Governadores do PMDB criticam Sarney e Renan
7/7/2005
A indicação dos três novos ministros do PMDB causou insatisfação na bancada pemedebista na Câmara e levou os sete governadores do partido, reunidos em Brasília, a divulgar uma nota na qual censuram os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) por negociar as nomeações com o Planalto, sem a autorização da sigla, e ameaçam desligar os filiados que aceitaram cargos no governo, como o senador Hélio Costa, convidado para o Ministério das Comunicações, e o deputado Saraiva Felipe, novo ministro da Saúde que, aliás, é secretário-geral da legenda.
A nomeação de Felipe, aliás, foi o que causou a insatisfação da bancada governista na Câmara. Felipe sempre se aliou à ala que se opõe ao governo, tendo inclusive tentado conquistar a função de líder na Câmara, apoiado pelo ex-governador Anthony Garotinho (RJ). Os governistas conseguiram 52 assinaturas de deputados em apoio ao governo. Felipe não assinou o documento, mas a seção mineira do PMDB, articulada por ele, deu apoio à proposta de ampliação do espaço do partido no governo.
Com a adesão de Minas, os oposicionistas ficaram em minoria. A cúpula pemedebista então armou as indicações para quatro ministérios, conforme a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Saraiva para a Saúde, Hélio Costa para as Comunicações, Silas Rondeau para Minas e Energia e Paulo Lustosa para as Comunicações, Pasta da qual já era secretário-geral, por indicação da ala governista na Câmara. Ao final, sobrou Lustosa e ficou o oposicionista Saraiva, o que revoltou a bancada.
A ala governista do PMDB ainda articula para conseguir o quarto ministério e recebeu acenos positivos de Lula, antes de o presidente viajar para a reunião do G-8 na Escócia. No Planalto, porém, assessores do presidente falam em fato consumado. Mas Saraiva Felipe não perdeu tempo: ontem mesmo começou um trabalho de aproximação com o grupo governista e acredita que poderá recompor a grande maioria em torno de seu nome. Garotinho praticamente rompeu com o deputado ao dizer ontem, a reunião dos governadores, que Saraiva era "mineiro como Silvério dos Reis".
Após cerca de três horas de reunião seguida de um almoço, no apartamento do deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, os sete governadores da legenda divulgaram uma nota na qual criticam a adesão das bancadas ao governo. Foi a mais dura nota já emitida pelos governadores do PMDB. Tem seis pontos. O primeiro, defende a investigação "de todos os fatos que estão chocando o país", porque só através "da verdade" haverá "estabilidade e governabilidade".
O compromisso com a "governabilidade" foi a tônica de outras notas dos governadores, sempre com a ressalva de que o partido não deveria aceitar cargos no governo. A ressalva permaneceu na nota de ontem, mas o mesmo não ocorreu com o "compromisso com a governabilidade". Os governadores dizem ainda que "os filiados que integram o governo não representam o partido" e ameaça desligá-los de imediato.
O quarto item da nota foi o que causou mais desconforto na cúpula da sigla. Diz: "Os senadores José Sarney e Renan Calheiros nunca estiveram autorizados a negociar os cargos ou funções em nome do partido, motivo pelo qual os governadores censuram essas tratativas". O trecho deixou Sarney e Renan particularmente aborrecidos. Mas alguns dos governadores presentes, entre eles Joaquim Roriz (DF), Marcelo Miranda (TO) e Luiz Henrique (SC), telefonaram a Sarney para dizer que foram votos vencidos. Segundo esses governadores, a proposta partiu do senador Pedro Simon (RS). Como além dele, Simon, estavam presentes também os ex-governadores Orestes Quércia (SP) e Anthony Garotinho (RJ), eles não tiveram como impedir a aprovação da nota com a "censura" ao atual e ao ex-presidente do Senado.
Em sua primeira entrevista coletiva depois da confirmação para o Ministério das Comunicações, Hélio Costa disse ter pena do deputado Michel Temer contrário à participação no governo federal. Para o senador, o partido tem o "dever de atender" o chamado do Palácio do Planalto neste momento delicado para o país. Valor Econômico
 
A reforma ministerial começa criando atritos
7/7/2005
Governadores do PMDB protestam contra os três novos ministros e líder ameaça desfiliá-los. Ao formalizar ontem a indicação dos três nomes do PMDB para integrar o ministério de Luiz Inácio Lula da Silva, em troca do apoio da legenda ao governo, no Congresso, o Palácio do Planalto deu início à tão ansiada reforma ministerial. A posse de Silas Rondeau, na Pasta de Minas e Energia, de Hélio Costa, na Comunicações, e de José Saraiva Felipe, na Saúde, está marcada para amanhã, horas depois de o presidente Lula desembarcar de sua viagem à Escócia. Ainda não está decidido se Paulo Lustosa, outro indicado do PMDB, irá para o Ministério das Cidades.
As mudanças na Esplanada dos Ministérios começaram criando atritos. Ontem, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e os sete governadores da legenda decidiram fazer uma censura pública ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e ao senador José Sarney (PMDB-AP), por terem negociado cargos no governo. Eles querem também desfiliar da legenda os novos ministros anunciados ontem. Além dos governadores, assinaram a nota oficial do encontro os ex-governadores Pedro Simon (RS), Orestes Quércia (SP) e Anthony Garotinho (RJ).
O presidente Lula aproveitará a cerimônia de posse para anunciar novas mudanças na Esplanada, dando seqüência à reforma ministerial, com possíveis modificações também no comando das estatais. Logo depois, fará uma reunião já com seu novo ministério, no Palácio do Planalto.
As nomeações, antecipadas desde a semana passada pelo noticiário, foram comunicadas pelo porta-voz da Presidência, André Singer, no início da tarde de ontem. A lista foi objeto de intensa negociação entre o governo e o PMDB até a noite de terça-feira, quando o presidente da República recebeu pela segunda vez na semana o presidente do Senado e o senador José Sarney para acertar a fatia da legenda na nova composição da Esplanada. Após a reunião, o presidente fez o convite oficial aos indicados.
Até o último minuto, o PMDB, insistiu na obtenção de mais uma pasta para seus quadros. O alvo era o Ministério das Cidades, para o qual o PMDB queria enviar Paulo Lustosa, ex-deputado da legenda e hoje secretário-executivo da pasta de Comunicações. Para Lula, entretanto, seria muito entregar duas pastas com orçamento tão vultosos, como Saúde e Cidades, em troca da garantia do apoio de apenas parte da sigla. A negociação valeria apenas na condição do apoio total do PMDB ao governo, no Congresso.
Por trás da decisão do presidente também estava a resistência do PT em aceitar Lustosa. Um dos motivos seria manter no partido o Ministério das Cidades, desenhado como parte do programa de governo do partido e dono de um dos orçamentos mais expressivos da Esplanada. Com a reforma, a sigla já abriu mão da Saúde, com a saída de Humberto Costa, e de Minas e Energia. E ainda corre o risco de perder o Ministério do Trabalho, nas mãos do petista Ricardo Berzoini. O partido possui 17 ministérios, até agora.
Além disso, Paulo Lustosa é ligado ao ex-líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba , que emperrou o processo da reforma ministerial ao ser citado entre os congressistas que receberam dinheiro do PT para apoiar o governo, no esquema do mensalão. Borba terminou por complicar ainda mais a situação do governo após a divulgação de uma nota desastrosa, na qual afirma ter influenciado, junto com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, no preenchimento de cargos do governo pelas legendas da base de apoio. Marcos Valério é apontado como o principal operador do mensalão.
Mas a negativa a Lustosa pode significar um tiro no pé da reforma ministerial, concebida como o caminho para a ampliação da enfraquecida base de apoio do governo no Congresso com o suporte do PMDB. O Planalto provocou irritação na ala oposicionista do partido ao nomear Saraiva Felipe, ligado ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho e defensor da candidatura própria do PMDB na corrida presidencial de 2006. E desagradou a parcela da sigla que apóia o governo e endossou a indicação de Paulo Lustosa. Karla Correia Gazeta Mercantil
 
Governo anuncia novos ministros
6/7/2005, 23h
O PMDB vai assumir três pastas do governo Lula. A informação foi dada no início da tarde de ontem pelo porta-voz da Presidência da República, André Singer. Os nomes são do senador Helio Costa (MG), que vai para o Ministério das Comunicações; do deputado Saraiva Felipe (MG), que assume o Ministério da Saúde, e de Silas Rondeau, que vai para o Ministério de Minas e Energia. Os novos ministros tomam posse na sexta-feira (8), no Palácio do Planalto.
Segundo Singer, o presidente agradeceu os "inestimáveis serviços prestados" ao país por Eunício Oliveira (Comunicações), Humberto Costa (Saúde) e Maurício Tolmasquim (Minas e Energia).
Natural de Barbacena (MG), o senador Helio Costa é jornalista e iniciou sua carreira política na Constituinte que originou a Constituição Federal de 1988. Foi eleito deputado federal em 1986 e reeleito em 1998.
O novo ministro da Saúde, José Saraiva Felipe, nasceu em 1952. Com 29 anos, ingressou no PMDB. Como deputado, cumpre seu terceiro mandato. É médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. É mestre em saúde pública e tem a mesma especialização do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Chegou a ocupar este ano à liderança do PMDB na Câmara dos Deputados.
Segundo Singer, no dia da posse dos novos ministros, o presidente Lula vai anunciar novas alterações na equipe ministerial. Singer disse que o presidente não informou quais serão essas outras mudanças.
O presidente Lula embarcou ontem para a Escócia, onde participará da reunião do G-8. Informes PT
 
Mudanças no time
7/7/2005
Primeiras alterações
A primeira reforma ministerial do governo Lula foi feita em janeiro de 2004, em uma tarefa que o próprio Lula descreveu como "dolorosa mas necessária". Saíram dez nomes de primeiro escalão. O PT perdeu uma pasta e o PMDB, até então fora da Esplanada, conquistou duas.
Pequenas mudanças
Meses depois, a reforma ministerial voltou a ser assunto em voga, com rumores de que o PP ganharia uma pasta. O PMDB também aumentaria a participação no governo. Depois de um ultimato público do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, entretanto, Lula promoveu apenas pequenas alterações em março deste ano. Foi quando entraram Eunício Oliveira Comunicações) e Romero Jucá (Previdência).
Terceira rodada
Na esteira das denúncias de corrupção, Lula promoveu mais mudanças. Considerado intocável, José Dirceu deixou a Casa Civil, substituído por Dilma Rousseff, até então nas Minas e Energia. Ontem, Lula anunciou três ministros do PMDB, e não quatro, como aventado inicialmente. Até o fim da semana, novas mudanças são esperadas. Jornal do Brasil
 
A noiva da vez
7/7/2005
A indicação do peemedebista Hélio Costa para o Ministério das Comunicações pode complicar os planos da Telemar de comprar a Brasil Telecom. A maior operadora de telefonia fixa do país bateu na porta da Agência Nacional de Telecomunicações para consultar se a operação pode vir a ser aprovada. O martelo seria batido nos próximos dias, mas, agora, tudo fica incerto.
A noiva da vez 2
A Brasil Telecom também provoca suspiros na espanhola Telefônica. Mas, se o namoro ficar sério, a Portugal Telecom vai acabar pedindo o divórcio. Jornal do Brasil
 
Lula anuncia nomes do PMDB e avisa que haverá novas mudanças
7/7/2005
Saraiva Felipe vai para a Saúde, Hélio Costa, para as Comunicações e Silas Rondeau assume as Minas e Energia
Depois de anunciar ontem os três novos ministros do PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoverá amanhã a segunda etapa da reforma do primeiro escalão. Deve ser confirmada a ida de Jaques Wagner, atual responsável pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, para a Secretaria de Coordenação Política, no lugar de Aldo Rebelo, que deve ser transferido para o Ministério do Trabalho. Há expectativa ainda de que Lula anuncie no mesmo dia o nome de Murilo Portugal para o Banco Central e de um técnico ligado ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para a Previdência, substituindo o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
A terceira etapa da reforma deve incluir a nomeação de novos dirigentes nas estatais e a escolha de nomes do PT dos ministérios, como Olívio Dutra, das Cidades, que poderão ser deslocados para postos da direção petista por causa da crise enfrentada pelo partido. Logo após a posse dos novos indicados, marcada para as 16 horas, o presidente Lula fará uma reunião ministerial, no salão oval do Palácio do Planalto.
O porta-voz da Presidência, André Singer, anunciou ontem oficialmente os três novos ministros do PMDB: o deputado Saraiva Felipe vai para a Saúde no lugar de Humberto Costa, o senador Hélio Costa, para as Comunicações, em substituição a Eunício Oliveira, e Silas Rondeau assume Minas e Energia, vaga com a ida de Dilma Rousseff para a Casa Civil. Com este desenho, o PT perde 2 ministérios e passa a ter um total de 17, embora mais perdas possam ocorrer, como as possíveis saídas de Olívio e de Ricardo Berzoini, do Trabalho.
Singer negou que os nomes dos três peemedebistas tenham sido impostos a Lula pelo partido. "As escolhas ministeriais são sempre, exclusivamente, do presidente da República", declarou o porta-voz, ao salientar que Lula informou que ainda anunciará "novas alterações nos ministérios".
Antes de viajar para a Escócia, Lula reuniu-se ontem com Berzoini e outros ministros na Granja do Torto para discutir financiamento para a área agrícola. Segundo informações obtidas no Planalto, porém, o presidente não tratou da eventual substituição de Berzoini, limitando a indicar que terá nova conversa com ele na sexta-feira. O PP deve mesmo ficar de fora do ministério Lula.
VIAGEM
Na noite de terça-feira, enquanto definia os nomes do PMDB, Lula convidou Jaques Wagner para acompanhá-lo à Escócia, para conversar sobre o novo modelo de articulação política que pretende para seu governo. A ida de um petista para o cargo é um antigo desejo dos petistas, que vinham bombardeando Aldo há meses. Só que todas as negociações com o PMDB para as trocas no ministério foram conduzidas por Aldo.
Neste momento, o desenho que se espera para a pasta é um ministério de coordenação política, assuntos institucionais, federativos e de desenvolvimento social, cujo nome deve ser fechado amanhã pela manhã. Ou seja, o Conselhão será absorvido pelo novo ministério, mas não deixaria de existir porque o governo considera esse canal de discussão com a sociedade muito importante. Nele será mantida também a subchefia de assuntos federativos, criada pelo presidente Lula para relações com os prefeitos.
ESTATAIS
Já as discussões sobre mudanças nas estatais estão longe de terminar. Lula gostaria de substituir todos os dirigentes que já anunciaram que serão candidatos. Mas esta não será uma regra absoluta. Além disso, nas estatais o presidente quer fazer mudanças olhando tudo com lupa, para evitar novos problemas. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deve ter participação decisiva na montagem deste quebra-cabeça.
Na Petrobrás, por exemplo, o Planalto pode substituir José Eduardo Dutra, que é candidato ao governo de Sergipe, por Rodolfo Landim, que hoje dirige a BR-Distribuidora e foi nomeado para o posto por Dilma. Na terça-feira à noite Dutra esteve no Planalto, mas ele preferia não deixar o cargo agora.
O governo ainda não bateu o martelo em relação à empresa. Uma decisão, no entanto, já está tomada: não é possível abrir empresas estatais como a Petrobrás para nomeações políticas. Entre outras estatais que podem ter seus comandos trocados estão a Eletronorte, que tem no irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, um dos seus dirigentes, a Eletrobrás e a Infraero, entre outras. Tânia Monteiro - O Estado de São Paulo
 
Começa a reforma ministerial
7/7/2005
Planalto anuncia Helio Costa, Silas Rondeau e Saraiva Felipe como novos ministros na cota do PMDB, que fica com três pastas
BRASÍLIA - O Planalto oficializou ontem os três nomes indicados pelo PMDB para integrar o ministério de Lula, em troca do apoio da legenda no Congresso. A posse de Silas Rondeau, na pasta de Minas e Energia, Hélio Costa, nas Comunicações e José Saraiva Felipe, na Saúde, está marcada para amanhã, horas depois do presidente Lula desembarcar de sua viagem à Escócia.
O presidente aproveitará a cerimônia para anunciar novas mudanças na Esplanada, dando seqüência à reforma ministerial, com possíveis modificações também no comando das estatais. Logo depois, fará uma reunião já com seu novo ministério, no Palácio do Planalto.
As nomeações, antecipadas desde a semana passada pela imprensa, foram comunicadas pelo porta-voz da Presidência, André Singer, ontem. A lista foi objeto de intensa negociação entre o governo e o PMDB até a noite de terça-feira, quando Lula recebeu pela segunda vez na semana o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AM) e o senador José Sarney (PMDB-AP) para acertar a fatia da legenda na nova Esplanada. Após a reunião, Lula fez o convite oficial aos indicados pela sigla.
Até o último minuto, o partido insistiu na obtenção de mais uma pasta. O alvo era o Ministério das Cidades, para o qual o PMDB queria indicar Paulo Lustosa, secretário-executivo das Comunicações. Para Lula, entretanto, seria muito entregar duas pastas com orçamento tão abastado, como Saúde e Cidades, em troca da garantia do apoio de apenas parte da sigla. A negociação valeria apenas na condição do apoio total.
Por trás da decisão do presidente também estava a resistência do PT em aceitar Lustosa. Um dos motivos seria manter no partido o Ministério das Cidades, desenhado como parte do programa de governo e dono de um dos orçamentos mais expressivos da Esplanada. Com a reforma, a sigla abriu mão da Saúde e das Minas e Energia. Ainda corre o risco de perder o Trabalho. O partido tem 17 ministérios, até agora, contra 20 na época da posse.
Além disso, Lustosa é ligado ao ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba , que emperrou o processo da reforma ministerial ao ser citado entre os congressistas que receberam mensalão. Borba terminou por complicar ainda mais a situação após a divulgação de nota, na qual afirma ter influenciado, junto com o publicitário Marcos Valério, o preenchimento de cargos do governo pelas legendas da base.
A negativa a Lustosa, contudo, pode significar um tiro no pé da reforma, concebida como o caminho para a ampliação da enfraquecida bancada governista. O Planalto provocou irritação na ala oposicionista do PMDB ao nomear Saraiva Felipe, ligado a Anthony Garotinho. Desagradou a parcela da sigla que apóia o governo e endossou a indicação de Lustosa. Karla Correia - Jornal do Brasil
 
PMDB quer desfiliação de governistas
7/7/2005
BRASÍLIA - No dia em que o o Planalto anunciou o aumento da participação do PMDB no governo, a ala do partido que se opõe a Lula deu demonstração de força ao reunir os sete governadores da legenda em um ato contra as nomeações. Como o ex-governador Anthony Garotinho havia antecipado ao Jornal do Brasil no domingo, os governadores e o presidente da legenda, Michel Temer (SP), emitiram uma nota na qual censuraram os senadores Renan Calheiros (AL), presidente do Congresso, e José Sarney (AP) por terem negociado a ampliação do PMDB no Executivo e disseram que vão expulsar do partido todos que não abandonarem os postos no governo.
Os alvos são Hélio Costa (MG), que assumirá a pasta das Comunicações, e Saraiva Felipe (MG), secretário-geral do partido, que irá para a Saúde. Silas Rondeau, indicado por Sarney para as Minas e Energia, não é filiado ao PMDB.
- Os senadores Sarney e Renan Calheiros nunca estiveram autorizados a negociar cargos ou funções em nome do partido, motivo pelo qual os governadores censuram essas tratativas e reiteram que os filiados que integram o governo não representam a sigla, tanto que serão desligados do PMDB - diz a nota.
A reunião dos governadores ocorreu no apartamento de Temer, em Brasília. O primeiro consenso foi que Renan e Sarney - que não quiseram comentar a nota do partido - estão prometendo o que não podem cumprir: o aumento do apoio ao governo no Congresso.
Uma segunda avaliação é a de que colar o PMDB ao governo nessa crise política e a pouco mais de um ano das eleições seria um grande erro.
- O Lula só tem o apoio de 14% da população do Distrito Federal - disse Joaquim Roriz (DF) na reunião.
Rosinha Matheus (RJ) foi ao encontro com o marido, Anthony Garotinho.
- O PMDB não vai dar um voto a mais no Congresso pelos ministérios que recebeu. Renan e Sarney estão enganando o presidente - disse Garotinho.
Além de Rosinha, Jarbas e Roriz, estiveram no almoço Germano Rigotto (RS), Luiz Henrique (SC), Roberto Requião (PR) e Marcelo Miranda (TO). Foram ainda o ex-governador Orestes Quércia (SP) e o senador Pedro Simon (RS).
Segundo relato de presentes, coube a Requião a fala mais inflamada. Ele atacou a política econômica e acusou José Janene (PP-PR) e José Borba (PMDB-PR), suspeitos de participação no esquema do mensalão, de serem ''ladrões''. Alguns governadores defenderam que Borba seja submetido ao Conselho de Ética do partido por ter admitido negociação de cargos com Marcos Valério. Jornal do Brasil
 
Valério não explica saques, mas sugere auditoria
7/7/2005
No mais esperado depoimento da semana à CPI dos Correios, o publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do pagamento do "mensalão" a deputados da base governista, esquivou-se de explicar o objetivo dos saques em dinheiro das contas de suas empresas, no valor de R$ 21 milhões, entre março de 2003 e dezembro de 2004.
Em 14 horas de depoimento, o publicitário disse não saber explicar as coincidências entre as datas dos saques, as de suas viagens a Brasília e as de votações importantes para o governo no Congresso. O depoente afirmou enfaticamente que nunca ouvira falar em "mensalão" antes de a imprensa abordar o assunto.
Para a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), não somente a CPI mas o Brasil inteiro quer saber por que ele e suas empresas fizeram saques tão vultosos em dinheiro vivo. Mas Valério limitou-se a dizer que se destinavam a pagar fornecedores, como artistas e pessoal no interior, que preferiam receber em dinheiro.
Em relação à origem do dinheiro, o publicitário negou que fosse decorrente de superfaturamento de contratos com empresas públicas. Ele propôs a realização de uma auditoria independente em suas empresas, pedindo que qualquer irregularidade encontrada seja divulgada à imprensa e à opinião pública.
Ao responder à senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) sobre sua conversa com o líder do PMDB, José Borba (PR), segundo o próprio peemedebista destinada a debater preenchimento de cargos no governo, Valério afirmou que o encontro se destinou, apenas, a discutir campanhas políticas do partido.
O senador César Borges (PFL-BA) quis saber sobre suas relações com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Valério disse ter se encontrado duas vezes com ele, mas negou ter-lhe dado R$ 4 milhões, para campanhas eleitorais do PTB, conforme o deputado petebista declarou. Em um dos encontros, eles teriam tratado apenas de entendimentos sobre as campanhas eleitorais daquele partido.
Valério atribuiu à sua amizade com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a decisão de dar aval ao empréstimo de R$ 2,7 milhões ao partido no BMG, explicando que "aval não é negócio". E frisou ter retirado o aval, depois de ter pago uma das parcelas vencidas, e espera que o partido lhe restitua o dinheiro, em torno de R$ 350 mil. Jornal do Senado
 
Um emaranhado de empresas
7/7/2005
Marcos Valério lista mais 10 firmas para justificar movimentação de R$ 1,2 bilhão
BRASÍLIA - A capacidade empresarial do empresário e publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do mensalão, assustou o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). As empresas DNA e SMP&B, de Valério, de acordo com dados divulgados pela CPI, com base em levantamentos feitos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Caoaf) movimentaram R$ 1,2 bilhão nos últimos seis anos. Seria muito, se ele respondesse apenas por estas duas empresas.
Ontem, Valério apresentou outras dez empresas, misturando eventos, criação de cavalos, campanhas políticas, empresas para comprar imóveis para os filhos, firmas criadas para participar de licitações e fechadas em seguida e até uma para dar emprego ao seu cunhado, Humberto Santiago.
- Me espanta pelo emaranhado de empresas que vossa senhoria participa. Parece algo intencional. Não é comum, mesmo entre os grandes empresários, que se forme uma teia desta natureza - desconfiou Serraglio.
Valério passou o controle das empresas DNA e SMP&B para o nome da mulher, por conta das brigas judiciais com o ex-sócio, Clésio Andrade. Justificou que a mulher não devolveu com ''medo de que eles se separassem''.
- Como isso jamais vai acontecer, eu aceitei - justificou
O publicitário vem sendo investigado pelo Ministério Público Federal há pelo menos cinco anos. As apurações estão concentradas nas unidades do Distrito Federal e de Minas Gerais.
Em 2001, o Ministério Público de Minas Gerais chegou a pedir a condenação do empresário, então diretor financeiro da empresa DNA Propaganda, por sonegação de contribuição previdenciária em valor superior a R$ 5,5 milhões. Nesse processo, Valério foi condenado, em 2003, a 2 anos e 11 meses de reclusão, mas recorreu ao TRF da 1ª Região.
Em Minas Gerais, existem pelo menos duas investigações em andamento envolvendo o publicitário. Uma destas diz respeito a crime de sonegação fiscal no valor de mais de R$ 7 milhões de reais praticado pela SMP&B. A outra trata de empréstimo concedido pelo Credireal à empresa SMP&B Comunicações Ltda. Às vésperas da privatização do banco, a empresa teria entregue ao banco uma fazenda superavaliada como doação em pagamento.
Em Brasília, o Ministério Público investiga o publicitário desde o início do ano passado por supostas irregularidades em contratos de agências de publicidade com estatais, resultantes de licitações públicas. As investigações surgiram a partir de denúncia feita ao MPF de São Paulo de que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, teria feito reunião com dois diretores de uma agência de publicidade paulista.
Na reunião, segundo a denúncia, Delúbio teria recebido um envelope com dinheiro. Dois meses depois desse encontro, a agência teria vencido uma licitação na Caixa Econômica Federal. O Ministério Público não divulga o nome do denunciante. Segundo o MPF do Distrito Federal, os procuradores pediram cópia da fita do circuito interno de TV do hotel em que aconteceu a reunião, e foi confirmada pela investigação. Na gravação, não é possível ver a entrega do envelope.
Na época da denúncia, a Controladoria Geral da União investigou os processos de licitação da Caixa para a contratação de agências de publicidade e constatou que não havia irregularidade. O processo foi arquivado, em agosto de 2004, por absoluta falta de comprovação de irregularidades. Paulo de Tarso Lyra - Jornal do Brasil
 
Lula
7/7/2005
Conheci Lula na segunda metade dos anos 1970, quando ele era ainda Luiz Inácio da Silva, liderança operária maior do sindicalismo brasileiro, que renascia depois da longa noite aberta com o Golpe militar de 1964. Dotado de uma intuição preciosa, Lula sabia, como ninguém, representar a classe trabalhadora, num período em que havia um claro vácuo de representação do trabalho no Brasil, dada a intensa repressão que se abateu junto aos partidos de esquerda e ao sindicalismo político do pré-64.
Sua vivacidade e força em muito suplantavam suas dificuldades. Era impactante presenciar a liderança de Lula no estádio de Vila Euclides, onde os metalúrgicos em greve faziam suas majestosas assembléias. Foi exatamente nesse período singular de nossas lutas sociais, entre 1978 e 1980 que Lula consolidou sua enorme liderança popular.
Lembro, também, que no início de 1981, participei de uma longa entrevista com o líder sindical, realizada em sua casa modesta em São Bernardo do Campo. Num momento de pausa da entrevista e da gravação, e sob o impacto das respostas de Lula, sempre instigantes, lhe perguntei: ''Lula, você já leu alguma literatura socialista?''
Sua resposta foi de bate-pronto: ''Não preciso ler, por que aprendi a mais-valia na fábrica''. Eu lhe respondi algo assim: ''Certamente, sua experiência na fábrica é essencial na sua vida e consciência, mas um dia essa teoria lhe poderá fazer falta...''
Quase 25 anos depois, o Lula de hoje é outro. Ao longo dos anos 90, depois do excepcional embate de 1989, sua primeira candidatura à Presidência, Lula foi pouco a pouco tornando-se um político profissional, distanciando-se de sua origem operária, convertendo num ''homem de classe média'', como confessa em Entreatos, o belíssimo documentário de João Moreira Salles. Lula sonhava ser o exemplo mais bem sucedido do nosso self made man: fora um operário de origem rural que, depois do interregno metalúrgico, caminhava a passos largos para tornar-se presidente da República.
Nesse período, Lula sempre teve o PT em suas mãos. A cada disputa acirrada entre as tendências, ele sempre surgia, ao final, como um tertius, capaz de somar até os contrários. E assim fez ao longo de toda a militância no PT, o que consolidou o lulismo, dentro e fora do PT.
A falta de solidez teórica e política era suprida pela enorme capacidade que Lula sempre demonstrou de captar, de assimilar, ao seu modo original, o que lhe falavam aqueles a quem ele mais ouvia e respeitava. É, assim, a trajetória de Lula saltou do ''sindicalista apolítico'' para o ''sindicalista político'', ainda ao final dos anos 70. Nos primeiros anos do PT, tornou-se dirigente partidário sob ''influência socialista'', bem como um candidato com fala ''radical', que perdurou ao longo da década de 80.
Entre as eleições de 1994 e 1998, foi aproximando-se do candidato-equilibrista, nem tão radical, nem tão assimilado pelo sistema, até converter-se no ''Lulinha, Paz e Amor'', já sob influxo da embalagem publicitária de Duda Mendonça.
De lá para cá, a vacuidade tornou-se quase completa. Preenchidas pelas metáforas, com as jaboticabas, o futebol, o machismo explícito, os traseiros para explicar o sucumbir de sua política de juros etc. Dois episódios são exemplo da monumental alienação política que se abateu sobre o outrora líder operário: quando disse poucas semanas atrás que ''nunca'' havia ficado tão nervoso quanto no jogo entre Brasil e Argentina, quando a crise se avolumava e começava a virar tempestade e, no último sábado, em pleno terremoto político, só equivalente ao período que antecedeu o impeachment de Collor, quando foi comemorar no ''Arraia do Torto'' os inimagináveis desvios de rota de seu governo e partido.
Em pouco mais de 30 anos, Lula migrou do mundo do trabalho industrial para subir a rampa do Planalto. Lá, no passado, ficou estancada sua viva espontaneidade. Antes dessa crise estonteante, imaginava-se como o Messias que vinha do povo e seria capaz de ''ensinar'' e converter as ''elites''. Não conseguiu perceber que foi tranqüilamente tragado por elas. E que hoje depende do PSDB e dos bancos para permanecer onde está. Ricardo Antunes Sociólogo - Jornal do Brasil
 
A república dos desavisados
7/7/2005
No governo, os "de cima" não sabem de nada e os "de baixo" fazem de tudo A boa-vontade nacional, aliada ao estupor ante a velocidade dos fatos e a incerteza com o rumo dos acontecimentos, firmou convenção em torno do desconhecimento total que o presidente Luiz Inácio da Silva tem a respeito dos métodos de montagem de sua base de apoio no Parlamento e dos meios de captação de recursos empregados pelo PT para financiar a máquina de sustentação de seu projeto de poder.
Isto posto em relação ao mandatário número um, a justificativa disseminou-se ao molde de um efeito dominó: o ministro da Casa Civil, José Dirceu, não sabia o que fazia seu grupo de auxiliares mais próximos, o secretário de Gestão Estratégica e Comunicação, Luiz Gushiken, não tem influência sobre as verbas da Secom, o presidente do PT, José Genoino, avaliza empréstimos sem saber por quê, para quê, muito menos com quem.
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não toma conhecimento do que se passa no Instituto de Resseguros do Brasil, o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, mantém-se ao largo de negociatas ocorridas na maior empresa de sua pasta (Correios) o deputado João Paulo Cunha preside a Câmara sem jamais ter ouvido falar no "mensalão" e, pelo visto, é dos poucos.
A Abin investiga, fica amorfa e dá ao País a impressão de que é uma agência de inteligência que, ou não sabe de nada ou se presta às conveniências dos ocupantes do governo quando deveria servir ao Estado.
Isso para não falar da alegada falta de informação de José Dirceu sobre o tipo (Waldomiro Diniz) com quem dividiu apartamento, levou para a Casa Civil para ser a principal ponte com o Congresso e depois foi exibido na televisão em ato explícito de suborno.
Firmar relação de causa e efeito entre os personagens dos escalões superiores e os operadores das esferas inferiores seria, nesta altura, manifestação de açodamento.
Não é, porém, apressada a conclusão a que nos leva tal cenário de desinformação: há, no governo, dois grupos, divididos entre "os de cima" que não sabem de nada e os "de baixo" que fazem de tudo. Se não está, por isso, caracterizado crime de responsabilidade por ação das autoridades já citadas, é impossível ignorar a evidência de ações de improbidade por omissão.
Configura-se, no mínimo, um quadro tenebroso em que a República se vê entregue a uma cúpula de desavisados, dirigentes permanentemente ludibriados por seus subordinados.
Autoridades, portanto, desprovidas de atributos básicos ao exercício da gestão pública: capacidade de comando, conhecimento do assunto, controle da equipe, cobrança de desempenho, exigência de cumprimento às normas e, sobretudo, a posse de uma rede de informações a respeito do que se passa sob os narizes dos chefes.
Sem isso, vigora o desmando que suas desavisadas excelências, premidas pela urgência da defesa, se apressaram em confessar.
Público e privado
Gente experimentada no tema chama atenção para um detalhe: Roberto Jefferson diz que recebeu dinheiro do PT como "pessoa física" porque, se admitir ter transferido recursos para os cofres do PTB e amanhã ficar provado que o dinheiro é público, o partido corre o risco de extinção.
Como entidades de direito privado, agremiações partidárias não podem receber verbas públicas sem justificativa legal, sob pena de terem seus registros cassados na Justiça Eleitoral.
Perante a lei, o partido é como uma empresa ou uma organização não-governamental. É uma associação de pessoas que se juntam pelo interesse de se eleger, fazer política, conquistar o poder. Em última análise não deixa de ser uma junção de propósitos individuais em regime de atuação coletiva.
Quando se fala de verbas públicas que transitam de alguma maneira para o caixa dos partidos, o assunto não diz respeito à relação entre entes públicos. Trata-se, isto sim, de uma confusão dolosa entre o público e o privado.
No caso do PT, se ficar comprovado que recursos do orçamento, a qualquer título, migraram para o partido, abre-se a possibilidade de uma ação judicial para a cassação da legenda.
Está em jogo, portanto, não apenas o destino da atual direção partidária, mas o próprio futuro do partido.
Rota da moeda
No depoimento de ontem, Marcos Valério Fernandes deixou bem claro o motivo do habeas-corpus preventivo pedido ao Supremo Tribunal Federal: garantir silêncio sobre o destino dos monumentais saques em dinheiro que fez de suas contas nos Bancos Rural e do Brasil.
O publicitário, cuja atividade como lobista com interesses primordialmente comerciais admitiu à CPI, tentou desviar o assunto cobrando aos deputados e senadores uma auditoria em seus contratos para que se verifique a lisura da origem do dinheiro.
Há tanta utilidade nessa informação quanto na quebra do sigilo bancário de Delúbio Soares como instrumento de investigação do distribuição, ou não, de mesadas a deputados da base governista.
Por enquanto não são acusados por receber, mas suspeitos de pagar. DORA KRAMER - O Estado de São Paulo
 
'Sou um brasileiro normal', diz Valério
7/7/2005
No depoimento à CPI dos Correios, publicitário defende como 'legal' o aval
pessoal que deu para o empréstimo de R$ 2,4 milhões levantado pelo PT no BMG
"Sou um brasileiro normal", autodefiniu-se ontem o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, pivô principal do escândalo do mensalão, ao se apresentar aos parlamentares, pouco antes de ser inquirido na CPI dos Correios. Ele afirmou que considera "legal" o aval pessoal que deu ao PT para levantar um empréstimo de R$ 2,4 milhões no BMG e contou que foi o ex-tesoureiro Delúbio Soares que lhe pediu para avalizar a operação financeira.
Valério confirmou que levou a diretoria do BMG ao ministro José Dirceu, mas explicou que eles queriam apenas se credenciar para explorar nióbio na Amazônia. Ele disse ter sido apresentado ao ex-tesoureiro Delúbio Soares pelo deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), causador de outra hecatombe petista este ano, quando desestabilizou a candidatura do candidato oficial do PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh. e propiciou a vitória de Severino Cavalcanti.
O publicitário mineiro explicou que quando venceu a primeira parcela o PT não teve condições de pagar. "E iriam executar a dívida, da qual eu era avalista", relatou. Para não se expor à execução financeira, ele disse aos dirigentes do PT que pagaria. Mas em compensação, retirou o seu aval: "Avisei ao Delúbio que retiraria meu nome como avalista. Houve a retirada e não sou mais avalista", disse ele, sem revelar que o substituiu no aval.
AMIZADES NO GOVERNO
Valério contou à CPI que encontrou o ex-ministro José Dirceu "umas quatro vezes". Disse também que não conhece o ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo (Secom); e que conhece pouco José Genoino, presidente do PT: "Encontrei algumas vezes, mas não temos amizade", assinalou. Mas admitiu conhecer João Cláudio Genu, suspeito de ser um dos operadores do mensalão, "lá no gabinete do deputado José Janene (líder do PP)".
O publicitário revelou que está vivendo um drama pessoal e em vários momentos dividiu-se entre contar o que sabe ou se esconder para não ter de falar. "Mesmo tendo o direito de calar, me coloco à disposição para esclarecer qualquer fato", disse, no início. Contou que evitou aparecer na mídia para se explicar e que só deu uma entrevista para a TV Globo por pressão da família. "Falei à revista Veja, mas algumas declarações não coincidiram com o que disse, por engano ou por não me fazer entender", disse. Ele considera que tem sido massacrado: "Fui julgado pela mídia, que exerce o seu direito democrático de informar", assinalou.
Ele rechaçou a hipótese de que teria sido beneficiado na licitação de publicidade dos Correios, por ter a empresa reduzido o teto mínimo de capital registrado das agências de propaganda concorrentes, coincidindo com os interesses da SMPB. "Havia 55 concorrentes. Não foi feito para me favorecer. Muitas outras empresas não tinham o capital financeiro (exigido inicialmente) de R$ 3 milhões". Ele lembrou que três agências venceram a licitação: "Vencemos, junto com outras duas empresas. Não houve facilitação para a SMPB, senão é claro que as outras teriam recorrido. Refuto qualquer insinuação de que houve facilitação", disse ele.
LUCROS POSSÍVEIS
Ele opinou que a conta de publicidade dos Correios não dá grandes margens para superfatura às agências de publicidade. A SMPB, assegurou, teve uma média de lucro líquido de 10%. "Nós faturamos R$ 28 milhões em 2004, o que significa que ganhamos em torno de R$ 2,8 milhões. Tirados os impostos, sobrou R$ 1,9 milhão. Não há condição técnica para superfaturamento", opinou ele.
Ele explicou à CPI dos Correios que o faturamento bruto total do grupo de empresas ao qual pertence é de R$ 400 milhões por ano, aproximadamente. A parte da SMPB é de mais ou menos R$ 200 milhões, dos quais R$ 40 milhões têm origem em contas públicas. Já na DNA, explicou ele, o faturamento é meio a meio -50% vem de governos e empresas públicas e 50% vêm do setor privado.
DOAÇÕES
Ele respondeu de forma sucinta a perguntas sobre eventuais doações que tenha feito para campanhas eleitorais. "Se fiz alguma doação (para campanhas políticas), foi dentro da lei", conjeturou. Em seguida, retomou a explicação: "Doação, que me lembre, não. Como pessoa física, não fiz nenhuma doação", afirmou ele.
Em seu depoimento, Marcos Valério admitiu que esteve na Casa da Moeda e revelou uma nova faceta do universo preenchido por suas relações com o governo Lula e com o PT: "Conversei com o Manoel Severino (presidente da Casa da Moeda) para tratar de política. Ele é do PT e fui discutir política com ele, sobre campanhas políticas no Rio de Janeiro", contou. Ele revelou à CPI que foi responsável pelas campanhas do PT em Petrópolis, no Rio, e em São Bernardo do Campo e Osasco, em São Paulo.
Marcos Valério admitiu aos parlamentares que tem uma condenação por ter sonegado recolhimentos para a previdência, mas frisou que a sentença aplicada está atualmente em grau de recurso.
Ele contou que nas eleições de 1998 apoiou a candidatura de Eduardo Azeredo (hoje senador do PSDB) para o governo de Minas; e que em 2002, apoiou a candidatura de Aécio Neves ao governo mineiro. Na eleição presidencial de 2002 ele diz ter apoiado o candidato Ciro Gomes (que à época era do PPS) no primeiro turno e o presidente Lula, no segundo. O Estado de São Paulo
 
Faturamento de agência triplicou entre 2003 e 2004
7/7/2005
A agência de publicidade DNA, que tem Marcos Valério como sócio, deu um salto, de 2003 para 2004, e foi a que mais cresceu entre as 30 maiores agências segundo ranking do Ibope/Monitor. Conseguiu a façanha de passar do 46.º lugar para 25.º. O faturamento mais que triplicou: saltou de R$ 23,2 milhões em 2003 para R$ 70,5 milhões em 2004, crescimento de 203%. O Ibope leva em conta apenas a compra comprovada de mídia, o espaço pago por clientes das agências em jornais, revistas, TV e rádio, além de outdoor e outros meios.
A DNA faz parte de um time de agências que cresceu muito acima da média de um ano para o outro. A Africa de Nizan Guanaes, o ex-marqueteiro das campanhas de Fernando Henrique Cardoso e José Serra, cresceu 183%, passando do 20.º lugar para o 12.º por conta de um faturamento que saiu de R$ 81,1 milhões para R$ 229,5 milhões. Fato que se explica pela conquista de novas contas, entre as quais as do Pão de Açúcar, Gradiente, Vivo e Banco Itaú.
A agência Duda Mendonça, do marqueteiro da campanha de Lula, cresceu 141%, com o faturamento saindo de R$ 32,6 milhões em 2003 para R$ 78,5 milhões em 2004, deixando a 34.ª posição para a 22.ª. Também a agência de Duda conquistou clientes como o hipermercado Extra e o guaraná Antarctica.
O que intriga publicitários de grandes agências são os valores em torno da DNA e SMPB, sendo que esta última figura em 47º lugar, com faturamento de R$ 27,1 milhões. Segundo Valério, as duas agências faturam R$ 400 milhões por ano, R$ 200 milhões cada uma. O grupo de Valério seria um dos maiores do País. A maior agência do País, a multinacional Y&R, faturou R$ 919,6 milhões em 2004, mas tem a conta do maior anunciante brasileiro, as Casas Bahia. Carlos Franco - O Estado de São Paulo
 
Valério diz que avalizou empréstimo como pessoa física
7/7/2005
Um amplo leque de políticos, do PT ao PFL, foi citado ontem na CPI dos Correios pelo empresário Marcos Valério de Souza, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do mensalão, como seus interlocutores em "conversas políticas" e "discussões sobre campanhas eleitorais". A única relação pecuniária que confirmou foi a com o tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, a quem chamou de amigo e com quem foi avalista solidário em um empréstimo de R$ 2, 4 milhões do BMG ao partido.
Um fato novo no depoimento foi Valério dizer que, apesar de ter sido avalista como pessoa física do empréstimo , quitou o primeiro vencimento (R$ 350 mil) como pessoa jurídica. "Na época, o PT não tinha condições de pagar. Paguei, via antecipação feita pela SMP&B, numa transferência direta ao PT", disse. A razão oficial para a convocação de Valério é que a CPI investiga contratos dos Correios, inclusive um da SMP&B. Mas motivação principal é investigar o suposto esquema do mensalão. Valério negou pagamentos a políticos pelo esquema.
Valério comprometeu o outro avalista solidário do empréstimo, o presidente do PT. Afirmou que só se lembrava da assinatura de Delúbio Soares quando teve em mãos o contrato com o BMG. Um sinal de que Genoino colocou sua assinatura depois da sua e estava ciente de que Valério era co-avalista.
Quase ao final de um depoimento que se estendeu por mais de 12 horas, Marcos Valério decidiu deixar o seu passaporte com a CPI, após ser questionado se tinha planos de viajar ao exterior. Disse ainda que se submete a interrogatório com detetor de mentiras desde que o mesmo seja feito com o deputado Roberto Jefferson, em acareação.
Nas conversas com políticos, tais como o presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino dos Santos, e os deputado Roberto Jefferson, José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), José Borba (PMDB-PR), falava-se de campanhas passadas e futuras, de acordo com o empresário. Em nenhum momento, afirmou, teria dado dinheiro a qualquer deles, inclusive ao petebista, que disse ter recebido de Valério duas malas somando R$ 4 milhões em espécie. Com Jefferson, afirmou que esteve no começo do ano para discutir a campanha eleitoral de 2006 em São Paulo.
Valério disse não ter certeza se suas empresas fizeram doações em dinheiro a políticos. "Se fiz, foi dentro da lei. Doação que eu me lembre não", respondeu, ao ser questionado pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Confirmou ter feito as campanhas eleitorais do PT em Osasco, São Bernardo e Petrópolis. Valério disse que criou em 6 de julho de 2004 a empresa Estratégica Marketing e Promoção para basicamente fazer a publicidade de campanhas políticas.
Marcos Valério foi evasivo quando questionado pelo deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) se algum parente ou filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empregado na Estratégica. Disse que não sabe. "Para falar a verdade, eu não sei nem o nome do filho do presidente da República", respondeu o empresário.
Sobre campanhas, afirmou, ainda, que fez doação em prestação de serviços para o deputado Roberto Brant (PFL-MG) , e para o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Valério explicou que se encontrava constantemente com Delúbio para discutir, entre outras coisas, "a imagem do PT em relação à sociedade". Com Sílvio Pereira, secretário-geral do PT licenciado, disse ter um relacionamento "estritamente político porque ele era o responsável por organizar campanhas de prefeituras do PT".
No início do depoimento, o empresário citou apenas uma campanha do candidato do PT em Petrópolis (RJ), reduto político de Jefferson. Teria atuado na campanha por sua relação de amizade com o presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, do diretório do PT no Rio.
O empresário confirmou também dois encontros com o ex-ministro José Dirceu. Em um, teria intermediado o contato do vice-presidente do Banco Rural José Augusto Dumont, de quem era amigo, com o então ministro da Casa Civil. "O Rural foi noticiar ao ministro que iria explorar uma mina de nióbio no Amazonas", disse o empresário. Em outro encontro, acompanhou executivos do BMG, o banco que fez a operação de crédito ao PT, poucos dias depois do empréstimo. Mas segundo Valério, o encontro foi para fazer um convite a Dirceu para participar da inauguração de uma fábrica do banco em Goiás, da qual cuidava da divulgação.
O depoente disse não ter conversado com o ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação do Governo), mas já com o secretário-adjunto, Marcos Flora, contou ter "um relacionamento de conhecimento". No fim do depoimento de Valério, o deputado mineiro Geraldo Thadeu (PPS-MG) usou a palavra para contar a sua experiência pessoal com o publicitário. Ele tinha prometido fazer as revelações em sessão fechada hoje, mas se antecipou. Thadeu disse que conheceu Valério quando foi prefeito de Poços de Caldas, em 1999. O empresário comprou a agência Feeling, que prestava serviços para a prefeitura. Valério o convidou, então, para um encontro, em que foi "muito gentil e atencioso" e perguntou se ele disputaria a reeleição, pois poderia fazer arrecadação de recursos. O deputado não disputou, e ontem levantou suspeitas de que as empresas de Valério fazem caixa 2 para o financiamento de campanhas.
Com o PSDB, Valério relacionou os contratos celebrados com o Banco do Brasil, Ministério dos Esportes e Eletronorte, no governo FHC. Admitiu ter contratos que lhe rendem R$ 15 milhões com o governo de Minas e ser co-réu em um processo movido pelo Ministério Público junto com o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG).
Sobre o contato com o ex-líder do PMDB na Câmara, José Borba, Valério chegou a ser irônico ao negar que tenha tratado de nomeações nas três ou quatro vezes em que conversaram. Borba disse em nota que no contato com Marcos Valério chegou a discutir o tema. Maria Lúcia Delgado e César Felício - Valor Econômico
 
Valério fez de graça campanhas do PT em 2004
7/7/2005
O publicitário Marcos Valério admitiu ontem em seu depoimento que uma de suas empresas, a Estratégica Arte e Promoção, fez campanhas para candidatos petistas em 2004. Valério disse que sua agência atuou nas eleições municipais em Osasco e São Bernardo do Campo, em São Paulo, e Petrópolis, no Rio. Em diversos casos, ele nada teria cobrado.
Entre os beneficiários está o petista Virgílio Guimarães (PT-MG), que foi quem o apresentou ao tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, e chegou a acompanhá-lo em visitas a diretores do Banco Central. O deputado Roberto Brant (PFL-MG) também não precisou pagar pelos serviços do publicitário.
Em Petrópolis, foi a mesma coisa. O presidente do PT na cidade, Wilson Franca, confirmou ontem que a Estratégica trabalhou sem cobrar nada na campanha do candidato do partido a prefeito, Paulo Mustrangi, ano passado. O serviço entrou na prestação de contas da campanha como doação da Estratégica no valor de R$ 15 mil, segundo Franca.
O envolvimento de Valério nessas campanhas políticas teria sido formalizado a partir de conversas com Sílvio Pereira, secretário-geral do PT afastado do cargo. Com Sílvio, Valério disse que só tratava de política.
Além de serviços gratuitos, Marcos Valério também admitiu ter presenteado o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação do Governo, Marcos Flora, com canetas Mont Blanc. João Paulo recebeu o presente no seu aniversário, na época em que era presidente da Câmara. Ele contratou a SMP&B Comunicação para prestar serviços à instituição pelo valor de R$ 8,8 milhões. Já Flora ganhou a caneta, segundo Valério, como brinde.
Assessoria para Vicentinho em SP
Em São Paulo, o deputado federal Vicente Paulo da Silva (PT-SP) confirmou que Valério assessorou sua campanha a prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a cidade onde mora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da empresa Estratégica. A empresa de Valério lhe foi indicada por Delúbio. Vicentinho, no entanto, não se lembra se a Estratégica repassou algum trabalho ou se contratou para algum serviço de publicidade Fábio Luiz Lula da Silva, um dos filhos do presidente Lula.
- A Estratégica, de Marcos Valério, prestou sim consultoria para minha campanha no ano passado em São Bernardo, por indicação do Delúbio, mas não me lembro de o filho do Lula ter sido contratado por ele. Não me lembro de ter visto o filho do Lula na minha campanha. Só se ele participou como militante, como colaborador. Eu não o contratei - disse ontem Vicentinho.
A informação de que o filho de Lula pode ter feito trabalhos em conjunto com Valério foi dada ontem na CPI dos Correios pelo deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
- Os rumores que ouvi dão conta que se chamaria Fábio o filho do presidente contratado para trabalhar na campanha de São Bernardo do Campo - disse Paes, citando a empresa de comunicação G-4 como supostamente pertencente a Fábio.
Vicentinho disse que nunca ouviu falar na G-4.
A campanha de Vicentinho, contudo, não registrou no TSE que a Estratégica trabalhou para sua campanha. Segundo o tesoureiro da campanha de Vicentinho, José Nelson Banhara, o pagamento de R$ 20 mil à Estratégica foi feito pela Reaquil Assessoria Empresarial, que doou o dinheiro e pagou a empresa. Por isso, a campanha só registrou a doação da Reaquil. No total, a campanha de Vicentinho declarou ter gasto R$ 865 mil.
Vicentinho disse que tomou conhecimento de que a Estratégica também ajudou na campanha do petista Emidio de Souza à prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o PT de Osasco pagou R$ 140 mil à Estratégica. Agora, a SMP&B, agência de Valério, é uma das empresas habilitadas em licitação para receber as contas de publicidade da prefeitura petista de Osasco, no valor de R$ 3 milhões.
Por decisão judicial, a cidade de Petrópolis teve propaganda eleitoral gratuita no ano passado, veiculada por um canal a cabo, a TV Cidade Imperial, que pleiteara na Justiça o direito de veicular a propaganda. Petrópolis, por não ser sede de emissora, não tinha, até o ano passado, propaganda eleitoral gratuita.
Diante da decisão, o diretório local pediu ajuda ao PT estadual e ao nacional, disse Franca, incluindo o presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino dos Santos, e o secretário de comunicação do partido, Marcelo Sereno. Franca afirma não saber, porém, quem indicou a empresa de Marcos Valério.
- Nós não conhecemos o Marcos Valério - disse ele. - Quando saiu a decisão da Justiça, pedimos ajuda à direção nacional e à estadual para fazer a campanha na TV. A nossa campanha foi pobre, tivemos muita dificuldade.
O partido foi então procurado por Márcio Hiram Guimarães Novaes, sócio de Marcos Valério na Estratégica, para doar produção, gravação e edição dos programas. Adriana Vasconcelos, Toni Marques, Germano Oliveira e Adauri Antunes Barbosa - O Globo
 
Valério não explica saques milionários no caixa
7/7/2005
O publicitário Marcos Valério não conseguiu explicar os saques milionários em dinheiro vivo feitos nos últimos dois anos nas contas de suas empresas no Banco do Brasil e no Banco Rural. Ele tentou se esquivar alegando que só tomou conhecimento do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) pela imprensa. Depois, em sua mais recente versão, disse que usou o dinheiro para pagamento de fornecedores e para investimentos das empresas, que recusou-se a esclarecer quais são:
- Os investimentos serão revelados no foro adequado. Me reservo ao direito de não revelar esses investimentos - limitou-se a declarar o publicitário, escorado pelo habeas-corpus conquistado no dia anterior.
"Não uso contas delaranjas, senador"
Valério alegou que os pagamentos de fornecedores estão todos relacionados em sua contabilidade, entregue à CPI, e que a Receita Federal estaria dentro de suas empresas fazendo o levantamento.
- Quando o senhor vai ter condições de detalhar o motivo desses saques mostrados pelo Coaf? - perguntou a senador Ideli Salvati (PT-SC).
- Não confirmo esses dados, contesto esse relatório. Tenho que ver minha contabilidade - respondeu Valério.
Os parlamentares insistiram e Valério citou o pagamento de fornecedores, entre eles cachês de artistas e filmagens de comerciais. Disse que muitos saques feitos em dinheiro vivo eram depositados em outras contas no próprio banco.
- Dinheiro vivo em outras contas, de laranjas? - questionou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
- Não uso contas de laranjas, senador - respondeu ele.
Perguntado se poderia discriminar os pagamentos, ele disse que colocaria os dados à disposição da CPI. Sobre a existência de R$ 450 milhões de origem não identificada em suas empresas, disse que a Receita deverá explicar o que houve:
- Não me lembro de tudo.
Sobre a coincidência das datas dos saques com a de viagens e votações importantes no Congresso, atribuiu ao acaso:
- Foi uma coincidência do acaso.
Insatisfeitos, os membros da CPI avisaram que ele deve ser novamente convocado. Acusado de ser o operador do mensalão e peça importante de um esquema de captação de recursos para financiamento de partidos, Valério chamou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de mentiroso e negou que tenha discutido cargos nos encontros com o líder do PMDB José Borba (PR):
- Daqui a pouco vou ser um ministro sem pasta.
Ele confirmou ter estreitas ligações com dirigentes do PT e do governo, relatou vários encontros com o ex-secretário geral do PT Sílvio Pereira, com o ex-ministro José Dirceu, com Marcos Flora, que pertence à Secretaria de Comunicação de Governo, mas disse que nada que pudesse dizer teria força para derrubar o presidente Lula.
- Não me dou essa importância. Sou um cidadão comum envolvido no maior imbróglio dos últimos tempos e não tem nada que diga que vá tirar o sono das pessoas no governo. A República não vai cair por minha causa, o país vai continuar crescendo, os deputados vão se reeleger. Se eu morrer hoje, só vão chorar a minha mulher e os meus filhos. Eu? Eu acabei, eu morri - desabafou.
Valério chegou a sugerir a contratação de uma auditoria independente para checar as denúncias de superfaturamento dos contratos que tem com empresas públicas.
Valério desmente ter contratado filho de Lula
Os membros da CPI, no entanto, disseram que só podem avançar depois de receberem os dados da quebra de sigilo, já aprovados.
- Ele terá que ser novamente convocado. Não explicou os saques, está mentindo muito. Mas as provas estão começando a chegar - disse o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Valério disse desconhecer que a Estratégica, outra de suas empresas, responsável pelas campanhas de prefeito de Osasco, São Bernardo e Petrópolis, tenha contratado parentes ou filhos do presidente Lula ano passado.
- Que eu saiba não. Eu nem sei o nome dos filhos do presidente Lula. Mas eu não toco essa empresa - disse.
Ele confirmou ter encontrado com Roberto Jefferson duas vezes: uma na sede do PTB e outra num restaurante, no Rio. Mas jura não saber o que é mensalão. Discutiram, segundo ele, campanhas.
- O senhor deu R$ 4 milhões ao PTB? - perguntou o senador César Borges (PFL-BA) Maria Lima, Adriana Vasconcelos e Evandro Éboli - O Globo
 
Gushiken decide sair do governo
7/7/2005
Oministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, o petista Luiz Gushiken, decidiu deixar o governo. Ele conversou ontem sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comunicou que sairá. Em encontro na Granja do Torto, o presidente não fez menção de demovê-lo. Lula ficou irritado com a revelação de que a revista do cunhado do ministro recebe verbas publicitárias crescentes de empresas públicas e também com a de que a empresa de consultoria Globalprev, da qual Gushiken era dono, teve seu faturamento aumentado em 600% no governo atual.
Gushiken comentou com colegas de Ministério que pode deixar o cargo até amanhã. Alguns interlocutores ficaram com a impressão de que sairia ontem mesmo. Será o segundo ministro a cair na crise que também já derrubou José Dirceu, homem forte do primeiro ano do governo Lula, da Casa Civil.
Anteontem, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) dissera que um dos próximos escândalos a estourar seria nos fundos de pensão, setor muito ligado a Gushiken. Ele indicou dirigentes de pelo menos dois grandes fundos de pensão de estatais, Petros (da Petrobras) e Previ (dos funcionários do Banco do Brasil). Ele é amigo de Lula há muitos anos e foi um dos seus mais influentes conselheiros nos dois primeiros anos de mandato.
Marcos Valério levou banqueiro a Dirceu
Já de volta à planície, também se complica a situação do deputado José Dirceu. Em seu depoimento ontem na CPI dos Correios, o publicitário Marcos Valério, acusado de ser o operador do suposto mensalão do PT, revelou ter participado do encontro de diretores do BMG com o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, no início de 2003, no Palácio do Planalto. Em nota divulgada anteontem, Dirceu confirmara a reunião, um dia depois de O GLOBO noticiar que assessores do Planalto tinham admitido o encontro. Na nota Dirceu omitiu, porém, a presença na reunião de Valério, avalista do empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG para o PT.
Na CPI, Valério alegou que apenas acompanhou o grupo do BMG:
-- Não levei o pessoal, apenas acompanhei na visita ao José Dirceu. Foram convidá-lo para a inauguração de uma fábrica de produto alimentício em Luziânia (GO) - disse.
Para conceder o empréstimo ao PT, o BMG teria exigido um encontro com Dirceu. O empréstimo de mais de R$ 2 milhões foi feito em 17 de fevereiro de 2003. Valério não informou a data do encontro de diretores do BMG com o chefe da Casa Civil.
Na nota, Dirceu confirmou ter recebido o presidente da Brasfrigo, Flávio Guimarães, empresa do Grupo BMG. O deputado disse que atendeu a seu convite e foi à inauguração da nova fábrica do grupo, em Luziânia, em 9 de maio de 2003. Dirceu afirmou que encontros como o que teve com dirigentes do BMG são normais e negou ter participado de decisões internas do PT quando era ministro.
Ao interrogar Marcos Valério, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) disse que foi após esse encontro da direção do BMG na Casa Civil que José Dirceu teria determinado ao Ministério da Previdência que autorizasse o banco a operar com empréstimos para aposentados e pensionistas. Mas o deputado não apresentou provas.
-- Eu desconheço essa informação - disse Marcos Valério.
Ele admitiu ter tido quatro encontros com Dirceu. Dois teriam sido audiência na Casa Civil. Além da direção do BMG, ele teria agendado reunião de diretores do Banco Rural com o então ministro. Os outros dois "foram sociais", disse Valério, sem revelar quando ou onde ocorreram os encontros.
Evandro Éboli, Maria Lima e Adriana Vasconcelos - O Globo
 
Deputado foi flagrado como "pianista"
7/7/2005
O líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba (PR), foi alvo de denúncias no passado. Em 1998, quando era filiado ao PTB, Borba foi flagrado pela TV Câmara durante sessão de votação de projeto de reforma da Previdência, atuando como "pianista". Apertou os botões de votação em nome do deputado Valdomiro Merger (PFL-PR), que estava ausente da sessão.
O flagrante provocou uma abertura de processo interno na Câmara contra Borba, mas o deputado escapou da cassação de mandato - que chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. Na época, um dos principais defensores de Borba era o ex-ministro da Agricultura José Eduardo Andrade Vieira.
Borba saiu do PTB e foi para o PMDB por divergências com o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Na bancada peemedebista, até assumir a liderança do partido, conquistada quando Eunício Oliveira foi nomeado ministro das Comunicações pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, Borba sempre teve atuação discreta, mais dedicada à articulação nos bastidores. Mesmo como líder, o deputado paranaense, ruim de retórica e jeitão acaipirado, raramente vai à tribuna ou usa os microfones para falar nas sessões.
Sua permanência na liderança do PMDB, aonde chegou com o aval de Eunício, de quem era vice-líder, é permanentemente questionada pelo grupo que faz oposição ao governo Lula. Várias vezes os oposicionistas tentaram destituí-lo e colocar no seu lugar o deputado Saraiva Felipe (MG). Tribuna da Imprensa
 
Para não submergir melancolicamente
7/7/2005
Lula tem que afastar Dirceu, Gushiken, Genoino, Delubio, Silvinho, todo o pessoal do mensalão.
O PT-PT chegou ao governo inteiramente despreparado, política e administrativamente. Tudo o que apregoam (ou apregoavam) com arrogância, "temos 25 anos de militância partidária", revelou-se simples ficção. E ficção com roteiro escrito por amadores e não por profissionais. Também não ajudaram o presidente a governar, afinal, proclamavam e reconheciam: "Nas 4 vezes em que disputou a presidência, ficamos incondicionalmente com o "companheiro" Lula.
Não era o suficiente. Não perceberam e até mais grave: não quiseram perceber. O PT-PT formado por trabalhadores, que poderiam representar um capítulo à parte e completamente renovador e transformador na História do Brasil, tomou caminhos errados desde o início, ou melhor, a partir da chegada ao governo, da ascensão e agora a queda do Poder. Foram sempre imaturos, ambiciosos, v


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