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CLIPPING DO DIA
27 de junho de 2005

Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

 
Legislação de Comunicação
Lei da Comunicação deve mudar a LGT
Consultores esboçam novo modelo encomendado pelas teles
Reformulação do modelo de telecomunicações deve atingir TVs
Novo modelo é o tema central do Painel Telebrasil
 
Política
Possibilidade de extinção do Minicom deixa executivos apreensivos
Fazenda libera R$ 80 milhões para o Minicom. Parte irá para a Anatel
Confronto de números
SMPB diz que só cumpriu pedidos da Fundacentro
O futuro do PT
Agência recebeu por serviço não prestado
Na TV, o PT sai em defesa do governo
Lula põe a mão na massa
MODERNOS
 
Comunicação Comunitária
Cidade de São Paulo legisla sobre rádios comunitárias
 
Televisão
Missão do governo chinês esteve no Brasil para conhecer o projeto de TV digital
Estudo sobre o impacto dos artigos 4 e 5 da directiva TSF na promoção da distribuição e produção dos programas de TV
Telemundo prefere as novelas mexicanas
Xuxa em 3D
TV e cinema são a bola da vez
Queijo
 
Audiovisual
Produção e exportação de programas de televisão no Reino Unido
A actividade de co-produção de programas televisivos no Reino Unido em evolução positiva
Balanço das trocas no Reino Unido: exportações e importações de programas televisivos
O sucesso dos formatos de televisão produzidos no Reino Unido
Cinema pode ser obrigado a exibir mensagens antidrogas
Brasil e Portugal selecionam projetos de co-produção
Belo Horizonte se traveste de São Paulo no cinema
 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova seis concessões de radiodifusão
 
TV a Cabo
Economize até 50% com o telefone
TVA anuncia serviço de voz pela internet
 
Imprensa & Jornalismo
Watergate: fim do mistério
 
Informática
Seis pessoas trabalhando em um só computador
Softwares carregam o PC Conectado
 
Rádio
Consumo de rádio on-line
A audição de rádio on-line
A caracterização dos ouvintes de rádio on-line
As actividades on-line dos ouvintes de rádio on-line
 
Mercado de Comunicação
Copa do Mundo está 100% vendida nas Américas
AOL América Latina pede recuperação judicial
Premiação do país em Cannes é recorde
Cannes celebra a integração dos meios na propaganda
 
Telecom
3G não deve ser para agora, diz Telebrasil
Anatel vai receber verba do Minicom
Mudança de regras para as teles
Governo e teles propõem mudanças
Novas regras para a telefonia fixa
 
Sociedade da Comunicação
Unidos contra a exclusão digital
State of the art da exclusão digital
Plano de acção para ligar o mundo
 
Literatura e Mercado Editorial
Saramago retorna a Cuba depois de 2 anos da polêmica com Havana
Saraus voltam a reunir literatos
Da passarela das bibliotecas, escritores elegem miss
 
Mídia Global
Imigrantes ilegais saem de Minas para cela nos EUA
 

 
Legislação de Comunicação
Lei da Comunicação deve mudar a LGT
24/06/2005, 18h31
O assessor especial da Casa Civil responsável pela condução do processo de elaboração do projeto de Lei de Comunicação Social, André Barbosa, disse aos participantes do Congresso Telebrasil, que acontece na Costa do Sauípe/BA, que o governo espera a participação ativa do setor de telecomunicações nas discussões sobre a nova Lei de Comunicação Eletrônica. Segundo ele, o governo deseja que o setores econômicos envolvidos na prestação dos serviços de comunicações e telecomunicações manifestem seus interesses: "A única coisa que o governo vai garantir neste processo e no seu resultado é o espaço público como espaço de manifestação da sociedade como um todo".
Segundo Barbosa, a nova lei deverá ser flexível para deixar à regulamentação os detalhes e evitar o engessamento do setor e ter maior durabilidade. A nova lei, que deverá também alterar alguns dispositivos da Lei Geral de Telecomunicações, deverá distinguir claramente as regras para a produção, transporte e distribuição de conteúdo no País.
Sem dizer explicitamente que a Anatel seria reformulada para incorporar o setor de radiodifusão, Barbosa demonstrou grande simpatia pelo modelo unificado de uma única agência reguladora para o setor de comunicações, como a Acom em Portugal, ou a Ofcom no Reino Unido, que recentemente fundiu suas diversas agências reguladoras. Barbosa disse ainda que diante da convergência de serviços que será contemplada na nova lei, alguns setores terão que rever os seus modelos de negócio: especialmente o de radiodifusão. Da Redação - PAY-TV News
 
Consultores esboçam novo modelo encomendado pelas teles
24/06/2005, 19h17
Na palestra mais esperada desta sexta feira, 24, durante o Congresso Telebrasil, os consultores Renato Guerreiro, da Guerreiro Teleconsult, e Ricardo Distler, da Accenture, apresentaram aos participantes no evento os primeiros resultados do trabalho que a associação encomendou às consultorias sobre a revisão do modelo de telecomunicações brasileiro. O trabalho, que deve ser concluído em dois meses, identifica inicialmente os problemas que não foram resolvidos pelo modelo atual: o acesso aos serviços de telecomunicações está disponível, mas não é suficientemente utilizado por causa da baixa renda da população brasileira; ainda não ficou definido como utilizar as telecomunicações como indutor do desenvolvimento econômico e social; o papel do Estado como formulador de políticas, regulador e usuário de serviços de telecomunicações ainda não está totalmente claro; não existe competição saudável em todos os setores; e não está claro como estabelecer um novo ciclo de investimentos para o setor.
A análise dos consultores para estabelecer os elementos do novo modelo se fundamenta em cinco vetores:
1) As mudanças tecnológicas, classificadas como o vetor industrial, com destaque para os serviços convergentes (uma inexorabilidade) e as novas modalidades de acesso sem fio, banda larga e interconexão;
2) A demanda dos consumidores, identificada como atendida nos aspectos relativos ao acesso, mas agora empenhada em obter conteúdos;
3) As prestadoras de serviços, que deverão redefinir seus modelos de negócios, uma vez que as mudanças ameaçam a sustentabilidade dos investimentos já realizados;
4) O órgão regulador, que deverá atuar especialmente no sentido de impor e retirar assimetrias para viabilizar o novo modelo em ambiente de convergência tecnológica e estabelecer uma nova fronteira para a universalização dos serviços; e
5) O Estado deverá estabelecer os procedimentos públicos (inclusive legislação, se necessário) para implementar as estratégias definidas.
Os consultores consideram que os três primeiros vetores se retroalimentam continuamente, enquanto os dois últimos fazem parte do ambiente em que se dá a articulação dos primeiros.
Novos elementos
Mesmo com o trabalho inacabado, os consultores da Guerreiro Teleconsult e Accenture já apontam alguns elementos do novo modelo. Numa crítica frontal ao posicionamento do governo Lula, que pretende definir um modelo único para as agências reguladoras, através do projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, Renato Guerreiro considera que as peculiaridades do setor de comunicações exige um órgão regulador com características específicas que não se confundem com qualquer outro setor. Guerreiro considera ainda que o Brasil deve trabalhar no sentido de conceder licenças únicas que permitam a oferta de qualquer serviço de telecomunicações.
Guerreiro também considera que caberá ao Ministério das Comunicações avaliar as demandas da sociedade, e ao órgão regulador definir a regulamentação. Por princípio, o novo modelo não exigiria uma reformulação legal, ou seja, mudanças na LGT, mas se for necessário, ela somente deveria ser proposta depois que os elementos do modelo estivessem claros. Da Redação - PAY-TV News
 
Reformulação do modelo de telecomunicações deve atingir TVs
23/06/2005, 23h26
Na abertura do Painel Telebrasil, realizado na Costa do Sauípe, Bahia, o presidente da Anatel, Elifas Gurgel do Amaral, manifestando-se em apoio ao tema proposto para o painel deste ano, reforçou a necessidade de promover uma reavaliação do modelo de telecomunicações brasileiro e a conseqüente reavaliação da legislação e da regulamentação existentes. Elifas afirmou ainda que na reavaliação será importante garantir as conquistas do modelo atual: universalização, competição, qualidade, direitos dos usuários, otimização dos meios escassos e oferecimento de oportunidades para investimento.
Na visão do presidente da Anatel, o novo modelo deverá considerar os elementos de convergência tecnológica e deverá atingir a radiodifusão para atender de forma integrada os interesses dos usuários. Foi a primeira vez que uma autoridade falou em integrar a radiodifusão às telecomunicações publicamente desde que ressurgiram os planos de uma legislação mais ampla para comunicação social. Trata-se de um ponto extremamente polêmico, pois a radiodifusão, tradicionalmente, refuta a idéia de ser tratada sob o mesmo ambiente regulatório do setor de telecomunicações. Tal mudança implicaria, também, mudanças na Constituição, já que comunicação social, ao lado de radiodifusão, tem um tratamento distindo em relação às telecomunicações.
Referindo-se à capacidade da Anatel de enfrentar os novos tempos, Elifas Amaral afirmou que, com a mudança do sistema de gestão da agência, será possível regulamentar em ambiente de convergência, trabalhando com um modelo de licenciamento híbrido que deverá unificar outorgas e ao mesmo tempo preservar os direitos e as obrigações dos atuais operadores. Na manhã desta sexta, 24, o presidente da Anatel abre os debates com a palestra "Aperfeiçoamento do modelo de telecomunicações na visão da Anatel". Carlos Eduardo Zanatta, da Costa do Sauípe - PAY-TV News
 
Novo modelo é o tema central do Painel Telebrasil
23/06/2005, 23h27
Começou nesta quinta, 23, a 49ª edição do Painel Telebrasil. A solenidade de abertura foi presidida por Luiz Alberto Garcia, presidente do grupo Algar,que neste encontro está se despedindo da presidência da entidade dando lugar pelos próximos três anos a Ronaldo Iabrudi, presidente da Telemar. Além de Elifas Gurgel do Amaral, estiveram presentes na solenidade o secretário de serviços de telecomunicações, Mauro Oliveira, representando o ministro Eunício de Oliveira, e o deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP) representando a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. Saudando os membros da associação Telebrasil, Semeghini disse que nos últimos anos aprendeu muito com o setor de telecomunicações. Referindo-se aos recentes acontecimentos no Congresso Nacional, numa declaração otimista, afirmou que o Congresso Nacional é muito maior que as mazelas pelas quais está passando e que tudo isso "será superado para o bem do país."
Diagnóstico
É grande a expectativa pela palestra de Renato Guerreiro, consultor e ex-presidente da Anatel, que atua ao lado da consultoria Accenture em uma proposta de revisão do modelo atual encomendada pela associação Abrafix, das concessionárias de telefonia fixa.
Guerreiro diz que deverá apresentar um diagnóstico da atual situação do setor de telecomunicações com vistas a identificar os principais elementos que deverão informar um possível novo modelo, entre eles a convergência tecnológica, o avanço da Internet e o uso de transmissão em IP, além da transmissão de conteúdo. Segundo Guerreiro, mais do que necessária, a discussão sobre o novo modelo é urgente e já está atrasada: "o modelo atual termina seu ciclo no final deste ano com a renovação dos contratos de concessão da telefonia fixa. Precisamos de um novo para durar pelo menos mais dez anos", afirmou, lembrando-se sempre que Guerreiro foi parte da equipe que elaborou o modelo atual, em meados da década de 90. Como um dos formuladores do atual modelo, Guerreiro comemora suas conquistas, emendando que "se existe algum problema concreto que precise ser superado, não será mais com o modelo velho". Questionado sobre o fracasso da competição no segmento residencial da telefonia fixa, Guerreiro pondera que "se houve este fracasso, a culpa é das entrantes que não cumpriram sua missão". Para ele, o problema concreto é que não há como se estabelecer competição em segmentos com rentabilidade baixa, como é o caso da telefonia residencial na maior parte das áreas do pais: "tanto que as concessionárias têm telefones fixos desativados porque as pessoas não têm dinheiro para pagar as contas". Vale lembrar, contudo, que as entrantes apontam várias razões pelas quais não conseguiram efetivar a competição, entre elas a inação dos agentes reguladores em relação à portabilidade e ao unbundling, além da deterioração econômica no início da década.
Em sua exposição, Guerreiro deverá defender que o governo, Poder Executivo e Poder Legislativo mobilizem-se para rever o modelo: "cabe às atuais operadoras de telecomunicações no País, apenas dar um 'pipoco' inicial no tema. Já estamos atrasados e precisamos decidir imediatamente se o País quer ser locomotiva ou vagão em relação ao setor de telecomunicações". Paulo Lustosa, secretário executivo do Ministério das Comunicações, declarou esta semana, durante seminário promovido pela revista TELETIME, em São Paulo, que é dever das empresas e os players proporem ao governo o que querem em relação à revisão do modelo. Da Redação - TELETIME News
 

 
Política
Possibilidade de extinção do Minicom deixa executivos apreensivos
24/06/2005, 18h10
A possível intenção do Poder Executivo de acabar com o Ministério das Comunicações, incorporando a pasta a um novo Ministério de Infra-estrutura, provocou muita surpresa entre os participantes do Painel Telebrasil, que acontece na Costa do Sauípe/BA, e discute justamente a reformulação ou aperfeiçoamento do modelo de telecomunicações no País. O que mais se ouviu nesta sexta, 24, foram expressões de surpresa com esta possibilidade. A ausência do ministro das Comunicações, que enviou como representante seu secretário de Telecomunicações, contribuiu para aumentar a apreensão dos participantes do evento. Fala-se até em encaminhar ao governo uma carta contra a idéia de acabar com o Minicom.
Como seria
Na opinião do deputado Walter Pinheiro (PT/BA), esta discussão está sendo conduzida pelo presidente Lula com a participação direta da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Pinheiro acredita que a primeira hipótese em discussão incorporaria no futuro Ministério da Infra-estrutura, além do Ministério das Comunicações, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério de Ciência e Tecnologia. Conseqüentemente, estariam penduradas no novo ministério as três maiores agências reguladoras: a Anatel, a Aneel e a ANP, além dos Correios. Uma segunda hipótese, incorporaria também o Ministério dos Transportes com mais duas agências reguladoras (ANTT e ANTAQ) e o poderosíssimo DENIT, departamento que cuida da infra-estrutura dos transportes terrestres. Apesar de considerar que seria um posicionamento mais lógico, Pinheiro avalia que "seria poder demais para um único ministro" e conclui: "Não deve acontecer".
Mais uma tentativa?
Além da experiência realizada durante o governo Collor, imediatamente interrompida após o impeachment do presidente, a estratégia é considerada muito negativa. Alguns citam ainda que a idéia de criar um ministério nestes moldes foi retomada, mas não implementada, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A criação das agências com funções reguladoras e fiscalizadoras realizando uma atividade de Estado, iniciada naquela época, permitiria a centralização das definições políticas em um único ministério. A morte do ministro Sérgio Motta e depois o escândalo dos grampos sobre a privatização do Sistema Telebrás impediram o governo de ter o que na época se denominava um grande gerente político para conduzir este superministério.
Durante o processo de transição para o governo Lula foram muitas as especulações em torno da retomada daquela proposta, o que não se verificou especialmente pela necessidade de contemplar com ministérios não apenas os membros do PT, mas também os aliados. Aparentemente, o presidente Lula não quis dar tanto poder a um único ministro. Agora, na esteira das denúncias de corrupção no governo, a idéia ressurge. Carlos Eduardo Zanatta - PAY-TV News
 
Fazenda libera R$ 80 milhões para o Minicom. Parte irá para a Anatel
24/6/2005
O Ministério da Fazenda autorizou hoje a liberação de R$ 80 milhões para o Ministério das Comunicações, dos quais uma parte deverá ser destinada para a Anatel. O presidente da Agência, Elifas Gurgel Amaral, foi informado da liberação dos recursos durante sua palestra, no Painel Telebrasil, que se realizada na Costa do Sauípe. Ele disse que não sabe, ainda, quanto desse total liberado para o Minicom será destinado para a Agência, mas adiantou que o crédito suplementar será utilizado, prioritariamente, para a contração de consultorias que vão trabalhar no desenvolvimento das regulamentações que ainda faltam para que os contratos de concessão das operadoras fixas possam ser prorrogados. Segundo Elifas, a Anatel já utilizou, até agora, cerca de R$ 54 milhões do seu orçamento previsto para o ano, que é de R$ 90 milhões. Uma parte dos recursos extras obtidos pelo Minicom deverá ser direcionado para a Finep, para o programa de TV digital. Wanise Ferreira - Telecom Online
 
Confronto de números
29/6/2005
Comparação de 100 indicadores vê diferenças entre governos Lula e FHC
O governo Lula é melhor do que o governo de Fernando Henrique Cardoso? Parece que sim, para 48% da população brasileira, conforme mostrou o Ibope divulgado em 17 de junho. A série histórica da pesquisa - encomendada desde setembro de 2003 pela Confederação Nacional da Indústria - indica que esse resultado positivo não é uma situação ocasional registrada agora, quando Lula atravessa, por sinal, uma tormenta política. A vantagem do governo petista sobre o tucano tem sido freqüente. Já foi maior (55% em setembro de 2003) e menor do que agora (em junho de 2004 baixou para 42%).
Seria essa uma percepção positiva advinda de falsos milagres atribuídos aos marqueteiros? Afinal, Lula tem usado bastante a publicidade para anunciar alguns de seus feitos administrativos. Parece que não, a julgar pela comparação de 100 indicadores de desempenho governamental medidos nos dois primeiros anos dos dois governos. Nesse confronto direto - Lula vs. FHC - a vitória do petista sobre o tucano é incontestável. Assim, os números sustentam o retrato feito pelas pesquisas.
"Nos 100 indicadores de desempenho, os dois primeiros anos do governo Lula bateram os do primeiro biênio FHC em 56 deles, contra 44 médias de FHC superiores às de Lula", afirma o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em texto publicado na revista Insight Inteligência, que, por mala direta, circulará a partir da terça-feira 28 para um seleto número de autoridades, políticos e intelectuais.
O objetivo de Wanderley Guilherme dos Santos é o de oferecer um cardápio capaz de atiçar um debate que vá além das suposições feitas até agora. Estabelecida a comparação entre as variações dos dois primeiros anos do governo Lula - a fase que já possui séries completas - com as variações dos dois anos do primeiro e do segundo mandato de FHC, surge o governo que apresenta os melhores resultados. A consolidação dos indicadores em três categorias - "economia", "produção" e "social" - pode ser o começo de uma reflexão sobre "qual tem sido o melhor governo". Não havia, até então, um conjunto de informações tão grande como o que foi reunido por ele. Os números permitirão um julgamento mais consistente dos dois governos. Um que já acabou (FHC) e outro ainda em andamento.
Para Wanderley Guilherme, o resultado tira o argumento martelado pelas vozes de oposição: "É falsa a propaganda de que a gestão do atual governo inexiste ou é inepta", disse ele a CartaCapital.
Wanderley Guilherme não entra na avaliação das políticas executadas, que, em alguns casos, são iguais ou bastante próximas. Ele convoca os "sérios investigadores" a imaginar e a pesquisar as razões pelas quais "o desempenho do primeiro biênio do governo Luiz Inácio Lula da Silva foi largamente superior ao desempenho dos dois mandatos da era FHC nos dois biênios considerados".
Os resultados da pesquisa Ibope guardam uma relação expressiva com os indicadores. No ranking do instituto, a sondagem de junho mostra que o governo tem maus resultados no capítulo do "combate ao desemprego". Para o Ibope, "as menções a esse tema, que chegaram a 17% em março, a melhor posição no ranking desde o início do governo, recuaram para 13%". Há um crescimento na desaprovação quanto ao combate ao desemprego. Ou seja, uma condenação implícita à política de juros altos, considerada pelos especialistas como o principal entrave ao "espetáculo do crescimento".
Isso está refletido na planilha dos indicadores sociais e pesa contra Lula. A pesquisa confronta indicadores de todo tipo, desde dados de desemprego e concessão de crédito até mesmo consumo de carne. Na rubrica "desemprego aberto", o governo de Fernando Henrique supera o de Lula nos dois biênios. FHC ganha também no consumo de carne e há um empate no indicador "Operações de crédito do sistema financeiro - Habitação", considerada a média dos três biênios. O governo tucano foi melhor, igualmente, na manutenção do salário mínimo real.
O governo Lula tem nítida vantagem sobre o "salário real médio - indústria", no preço do pão francês e no preço do botijão de gás. Assim como vence, na média dos biênios, em relação ao número de famílias assentadas e no custo da cesta básica. Ao final, consideradas as 16 rubricas sociais da planilha, o governo Lula supera o de FHC por 10 a 6 (quadro Melhores Indicadores por Gestão - consolidado).
Quadro.
Na categoria "economia" - em cima de uma política herdada de FHC -, a administração Lula é melhor na balança comercial, em bens de capital, na contribuição da formação bruta de capital fixo para as riquezas do País (o Produto Interno Bruto, PIB). O governo do PT leva vantagem sobre o do PSDB na diminuição da dívida interna e, por conseqüência, na relação da dívida líquida com o PIB. É melhor, na média, o desempenho de Lula na redução da dívida externa. Os tucanos estão melhores na arrecadação de IPI. Lula vence na diminuição dos índices de inflação.
No capítulo da "produção", a taxa de juros de longo prazo (TJLP) favorece Fernando Henrique Cardoso. Mas a Taxa Selic favorece o petista. O governo FHC foi melhor na "produção física - bebidas" e nas vendas de máquinas agrícolas. Lula ganha na produção de caminhões e em "máquinas e equipamentos".
No confronto dos dois primeiros anos de Lula com os dois primeiros do segundo biênio de FHC, a vantagem de Lula aumenta para 59 resultados favoráveis, em 100, contra 40 de FHC, sobrando um empate, analisa Wanderley Guilherme. Na média geral, segundo ele, o desempenho dos dois primeiros anos de Lula é superior ao dos dois mandatos de FHC em 64 dos 100 indicadores comparados.
Há duas semanas, em entrevista a CartaCapital , Wanderley Guilherme dos Santos denunciou a possibilidade de um "golpe branco", pretendido por adversários de Lula, e que seria apoiado pelos tucanos, em particular. Hoje, o cientista político revê parte de sua posição - acha que o ímpeto golpista foi amainado -, mas não deixa de fazer blague, ao considerar o resultado comparativo dos números, a popularidade que Lula ainda mantém e a eleição presidencial de 2006: "Esses números explicam as razões do golpe". Maurício Dias - Carta Capital
 
SMPB diz que só cumpriu pedidos da Fundacentro
27/6/2005
A SMPB informou por meio de nota que não cometeu irregularidades nos serviços prestados à Fundacentro: "A SMPB informa que cumpriu rigorosamente com as determinações da diretoria da entidade na ocasião. A agência já prestou contas, por meio de uma larga documentação hábil e idônea, tendo inclusive procedido à retenção dos impostos devidos".
Humberto Parro, presidente da Fundacentro na época, diz que foi ele quem determinou a checagem dos preços das agências por meio de um instrumento chamado "tomada de contas". A ação que pede ressarcimento para a Fundacentro foi decisão dele, segundo Parro. "Fui eu quem mandei as tomadas de contas para o Ministério Público Federal e para o TCU. Eu não devo nada. Os procuradores me incluíram nessa ação por equívoco." Ele diz que não participou da licitação. "Havia uma comissão de licitação que era soberana."
O diretor administrativo e financeiro da Fundacentro na época dos contratos, Marco Antonio Seabra de Abreu Rocha, disse que é servidor público de carreira e nunca fez "nada errado". Frederico Bolivar Moreira de Lima, seu advogado, afirma que Rocha não tem ligação com as agências.
José Carlos Castilha Crozera diz que nunca atestou serviços não comprovados. "Os relatórios dos auditores do Ministério do Trabalho e do TCU não citam o meu nome. Não fui responsabilizado em nenhuma instância." Ele nega ter determinado a licitação: "Havia uma determinação da Secom de que as assessorias de comunicação deveriam encaminhar as licitações de publicidade".
A reportagem da Folha procurou a Quality Comunicação em Porto Alegre, mas o dono da empresa não ligou de volta. Folha de São Paulo
 
O futuro do PT
27/6/2005
Antes de chegar ao poder, o PT já havia cumprido um papel fundamental na política brasileira. O partido a civilizara como nunca antes em nossa história. Teve tanto sucesso ao pregar a ética na política que corre o risco de ser devorado por ela. Na oposição, exigiu um padrão de conduta que o assombra no Planalto.
A opção do PT pela democracia representativa funcionou como escoadouro de tensões sociais. Evitou que o Brasil vivesse cenas como as que assistimos recentemente na Argentina, na Venezuela, no Peru, no Equador, na Bolívia.
Ao aceitar as regras da "democracia burguesa" ainda na ditadura militar, o PT fez um bem ao país. Com raiz social, criou um guarda-chuva institucional para vocalizar pleitos represados. A CUT e o MST, satélites do partido, cumpriram missões civilizatórias.
Em 1995, José Dirceu chorou na reunião que o elegeu pela primeira vez presidente do PT. César Benjamin, radical e fundador da sigla, criticara doações legais de uma empreiteira à fracassada campanha de Dirceu ao governo paulista no ano anterior. Soava a pecado, mas nascia ali a moderação política e econômica (concessões para governar o Brasil). Dirceu está hoje na berlinda por seus erros, não pela estratégia que arquitetou e levou Lula ao Planalto. A política de alianças não foi um erro. Sua execução, sim.
O PT vive a maior crise em 25 anos de vida. Seu futuro dependerá do desfecho das suspeitas de que tenha derrapado no pantanoso terreno das relações entre governo, partido do poder e empresários vorazes por desencravar unhas de manda-chuvas. O PT sobreviverá ao "mensalão"?
Em política, é arriscado fazer previsões. Mas deverá sobreviver. A demolição do PT geraria um vácuo político que não interessa a ninguém. Risco entendido pelo PSDB, que age com a maturidade que o PT não teve em relação a FHC. Os tucanos sabem que o enfraquecimento petista pode transferir o poder a eles em 2006. A implosão do adversário, talvez não.
Ao final, a experiência Lula será positiva. Madura, a sociedade mostrou os limites quando ele se viu tentado a ultrapassá-los, por exemplo, nos episódios Larry Rohter, Conselho Federal de Jornalismo, MP 232, tentativa de abafar a CPI dos Correios. No entanto será uma pena se Lula se resumir a um grande teste da democracia brasileira, na linha "foi eleito, e o país não acabou". Uma oportunidade histórica terá sido jogada fora. Não se criam um PT e um Lula da noite para o dia.
Quando surgirá outro partido capaz de funcionar como eficiente amortecedor social? Quando será eleito um líder que, síntese do Brasil moderno e arcaico, possa exigir dos mais ricos concessões para diminuir a vexaminosa distribuição de renda e dizer aos mais pobres que a travessia será mais dura do que imaginara?
Lula e o PT precisam estar à altura do momento e abandonar de vez teorias conspiratórias, como o fantasioso golpe da elite. Necessitam conversar a sério com o PSDB -sigla que, ao lado do PT, reúne os melhores quadros do país- para realizar uma reforma política que acabe com um sistema podre de financiamento partidário que vitimará o próximo grupo no poder.
E que Lula não se equivoque. Apesar de desabafos irados no bastidor dizendo que não sabia do "mensalão", não bastará ser honesto. Como a mulher de César, precisará parecer honesto aos olhos do público em tempos de Marcos Valérios e Delúbios. KENNEDY ALENCAR - Folha de São Paulo
 
Agência recebeu por serviço não prestado
27/6/2005
Ai de quem pergunta se Cilene Pereira Botelho é proprietária de uma gráfica chamada Image Solution. O escárnio é geral: "Gráfica? Ela é doméstica", conta uma prima de Cilene. Lá no Jardim Aracaré, um bairro pobre de Itaquaquecetuba (SP), todo mundo sabe que as expressões "Cilene" e "proprietária" são incompatíveis.
Pois a Image Solution de Cilene aparece como a gráfica que prestou serviços que somam R$ 690 mil para a Fundacentro, fundação do Ministério do Trabalho que atua na área de medicina e segurança do trabalho. Quem apresentou as notas da Image Solution foi a SMPB São Paulo Comunicação, o braço paulista da agência mineira que tem entre seus sócios Marcos Valério de Souza. Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusa Valério de ser um dos financiadores do "mensalão" que o PT pagaria a deputados, o que ele nega.
Foi por meio de expedientes como a gráfica de Cilene que a SMPB recebeu R$ 5,4 milhões da Fundacentro por serviços cuja execução não foi comprovada, segundo estimativas do Ministério Público Federal feitas em 2002. Nesse ano, os procuradores propuseram uma ação de improbidade contra os diretores da Fundacentro, a SMPB e a agência Quality, na qual pedem que eles devolvam R$ 5,86 milhões ao erário.
Ainda em 2002, a juíza federal Lesley Gasparini considerou que havia indícios de irregularidades e determinou a quebra do sigilo bancário das agências de publicidade e dos diretores da Fundacentro. Decretou também a indisponibilidade dos bens dos envolvidos para garantir um eventual ressarcimento à Fundacentro. A ação corre sob segredo de Justiça.
A Fundacentro contratou as duas agências de publicidade em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o mineiro Paulo Paiva era ministro do Trabalho. A maior parte do trabalho da SMPB foi usado no 15º Congresso Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, realizado em abril de 1999 em São Paulo.
Auditoria da Secretaria do Controle Interno do Ministério do Trabalho calculou que os pagamentos feitos para as duas agências (R$ 24,9 milhões) seriam suficientes para produzir 6.188.000 peças publicitárias, entre programas, encartes e folhetos. Um milésimo desse número seria suficiente para o porte do congresso, que reuniu cerca de 3.000 pessoas, segundo estimativa dos auditores. Traduzindo: a Fundacentro pagou por mais de 6 milhões de folhetos e só precisava de 6.000.
Os mesmos auditores notaram que muitos dos serviços pagos não foram entregues por três razões: 1) a gráfica que a SMPB dizia ter contratado não existia; 2) ela não tinha porte nem condições técnicas de realizar o serviço; 3) a gráfica existia, mas a nota fiscal que a SMPB apresentou era falsa.
A RBS Gráfica e Editora é um bom exemplo, que sintetiza duas dessas razões. A SMPB apresentou à Fundacentro uma série de 12 notas fiscais, segundo as quais a RBS teria impresso 2.245.000 de folhetos e fascículos, que teriam custado R$ 1.554.428,52. "Nunca fiz um serviço com esse valor. Tenho certeza absoluta. Não tenho capacidade técnica para produzir essa quantidade de folhetos", disse à Folha Dorian Sampaio Filho, um dos sócios da RBS.
Como as notas da auditoria foram numeradas, é possível conferir na RBS se os números checam. A SMPB mostrou a nota 000161, de 1999, no valor de R$ 142.386,00. O primeiro problema, segundo Sampaio Filho, é a data da nota. Só no ano 2000 a RBS emitiu a nota 0161 (outra incongruência é que as notas da gráfica de Fortaleza têm quatro dígitos, e não seis).
O segundo problema é que a nota não foi emitida para a SMPB, mas para a STL Informática. O valor é de R$ 664, e não de R$ 142 mil. A nota que a SMPB apresentou como sendo a 000174, no valor de R$ 101 mil, nem foi emitida pela RBS. Como foi preenchida erroneamente, a primeira via está grampeada no talão da gráfica. "O que essa agência apresentou só pode ser nota fria", diz Sampaio.
Os auditores descobriram um problema idêntico ao da RBS em uma gráfica de Belo Horizonte, a Braga. A SMPB apresentou à Fundacentro seis notas fiscais da Gráfica Braga, as quais atestariam gastos de R$ 783 mil. Os auditores foram conferir e perceberam que as notas apresentadas pela SMPB tinham sido emitidas para outras empresas, com valores menores. A Braga é uma empresa com capital de R$ 15 mil e não teria condições de executar o serviço.
A SMPB falsificou orçamentos de outras empresas. Para que a Fundacentro aprovasse a execução de um serviço, a agência era obrigada a apresentar três propostas de preços. Para acertar com a Image Solution, a SMPB apresentou orçamentos da Colmeiagraf e da Futura, firmas que não existem, segundo a auditoria. MARIO CESAR CARVALHO - Folha de São Paulo
 
Na TV, o PT sai em defesa do governo
27/6/2005
O distanciamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PT não impediu que o partido defendesse o governo nos comerciais de TV levados ao ar na noite de sábado. Em vários Estados, os diretórios petistas cederam seu tempo para divulgar um trecho do pronunciamento feito quinta-feira pelo presidente, em cadeia nacional de rádio e TV, no qual ele responde às recentes acusações de corrupção contra o governo.
"Achamos importante defender o governo e destacar o combate à corrupção que ele vem promovendo", afirmou o presidente do PT, José Genoino. "Temos inteira identidade com o presidente Lula", completou, negando problemas de relacionamento com o Planalto. Genoino disse que Lula não pediu para o partido ser advogado do governo na TV. "Foi uma decisão autônoma e soberana do PT", insistiu, quando questionado pelo Estado.
O presidente do PT não quis comentar as novas denúncias que apareceram neste fim de semana. Uma delas informa que o publicitário Marcos Valério sacou R$ 20,6 milhões em dinheiro, entre julho de 2003 e maio de 2005. Valério é acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o "homem da mala", que pagava mesada a deputados por ordem do tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
A outra acusação envolve o secretário-geral do PT, Silvio Pereira, em um esquema de tráfico de influência nos Correios. "Que falem as investigações", disse Genoino. "Essas denúncias estão virando um vendaval que não tem tamanho. E só quem vai dizer o que aconteceu são as sindicâncias." O Estado de São Paulo
 
Lula põe a mão na massa
27/6/2005
Desde a saída de Dirceu, presidente trata pessoalmente da reforma ministerial e da reação do Planalto às denúncias contra o governo
A crise política desencadeada pelos escândalos de corrupção obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a desempenhar um novo papel: o de efetivo articulador político do governo. Em dois anos e meio de mandato, Lula escapou do posto. Pressionado, chegou a prometer entrar em campo. Mas sempre conseguiu ficar na reserva. Desta vez, com a reeleição ameaçada e a base aliada de pernas para o ar no Congresso, o presidente não teve opção. Nos últimos dias, Lula tomou decisões e realizou encontros que não deixam dúvida sobre sua nova função.
A reforma ministerial em curso é a maior obra do novo Lula coordenador político. Ele tem conduzido todo o processo. Na quinta-feira, conversou pessoalmente com ministros gaúchos e também telefonou para alguns auxiliares como Eduardo Campos (PSB), da Ciência e Tecnologia. O almoço com o PMDB , na sexta, sem a presença do atual coordenador Aldo Rebelo, foi outro exemplo explícito de que Lula conduz a articulação. Mas a maior decisão dele até agora na função foi a saída de José Dirceu da Casa Civil e a escolha de Dilma Rousseff para o posto, mesmo contrariando resistências do PT e do PMDB, que torciam o nariz para a ministra.
Decisões isoladas
A iniciativa de Lula de assumir a coordenação política faz parte de uma mudança de postura do presidente, que tem sido paulatina. No início do governo, o presidente delegava aos auxiliares todo o contato com o Congresso. Dizia-se até que ele evitava o contato político, preferindo as platéias populares e os encontros com chefes de estado. Mas as crises e as dificuldades em fazer mudanças de rota - devido ao jogo de pressões de todos os partidos sobre ele - fizeram-no tomar as decisões de forma cada vez mais isolada. "Chegamos em um ponto de extrema fragilidade do governo. O presidente delegou, muito mas tem coisas que um presidente da República não pode delegar", avalia o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES). "O presidente precisa deixar sua marca pessoal em muitas ações de governo."
Lula agora foi obrigado a arregaçar as mangas e partir ele mesmo para corpo a corpo com a base aliada por uma série de motivos. O principal deles é o desgaste de seus principais auxiliares políticos. Atingido pelas acusações do ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), José Dirceu retornou à Câmara. Cravejado de flechas disparadas pelo PT, Aldo Rebelo também teve o poder esvaziado. Lula cogitou dar o papel ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele despachou durante alguns dias na sala que possui no Palácio do Planalto. Mas a iniciativa caiu mal no mercado, que temia ver a economia contaminada pela crise política caso Palocci atuasse nas duas esferas. Baixada a poeira de sua primeira e mal recebida investida sobre o Congresso, Palocci procurou desfazer a má impressão. Na semana passada, prometeu jamais misturar assuntos econômicos com temas políticos, num claro recado aos que temem medidas populares para agradar o eleitorado sem a devida preocupação com as finanças públicas.
Estoque
Com isso, Lula se deu conta que só ele pode evitar o naufrágio do governo. Mesmo com a aprovação da administração em curva descendente nas pesquisas de opinião, o presidente ainda acumula um bom estoque de popularidade. E ele sabe que será sobre sua biografia que um mau desempenho do governo deixará sua marca. Por isso, em discursos e um pronunciamento feito em cadeia de rádio e TV na semana passada - que seria protagonizado inicialmente pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos - Lula assumiu também o comando da apuração dos escândalos de corrupção. "Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito nesse país", afirmara Lula em Luziânia (GO), na véspera.
Para completar, a desagregação na base governista no Congresso, que já foi definida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como uma "geléia", a falta de confiança entre o PT e os demais aliados chegaram a níveis insustentáveis. Só um nome, acima de todos os partidos como Lula, tem chances de reconstruir as relações. "Acho positivo que o presidente Lula esteja mais presente na articulação política do governo. O PT defende um governo mais amplo e é muito bom que o presidente conduza esse processo como articulador político", argumenta o presidente nacional do PT, José Genoino.
Sem falhar
O contato maior de Lula com os aliados é a conseqüência positiva da nova função do presidente. Os governistas sempre se ressentiram da presença dele na articulação, necessária, dizem, mesmo em tempos de normalidade política. O lado negativo é que, se Lula falhar, não há como substituí-lo. É a derrocada do governo. Tanto que a oposição já tripudia sobre a nova postura. "Eu não tenho a menor dúvida de que Lula jogou a toalha", ironiza o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). "A entrada dele é sinal da falência da articulação política. Por isso ele vai para a exposição e queima o último cartucho."
A única dúvida restante é saber se depois de fechado o acordo com o PMDB e feita a reforma ministerial, Lula continuará a executar o papel de articulador político, cargo para o qual ele já escolheu o ministro Jaques Wagner, atual coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mas ainda sem nomeá-lo. "Ele realmente assumiu a função, mas ele já assumiu a coordenação política em outras ocasiões e depois recuou. Não dá para falar que é permanente. Ele não gosta disso", avalia a cientista política Lucia Hypollito. Helayne Boaventura e Sandro Lima - Correio Braziliense
 
MODERNOS
27/6/2005
E a caravana passa: continua de vento em popa a campanha "Bom exemplo, essa moda pega", concebida pela Secom, do ministro Luiz Gushiken. Depois da TV, o slogan ganhará as ruas de 14 capitais, em 250 outdoors. Todos com fotos de personalidades -o nadador Gustavo Borges, por exemplo, foi convidado a participar -segurando cartazes com frases como: "Por favor, com licença, muito obrigado. Tá na moda ser gentil". Folha de São Paulo
 

 
Comunicação Comunitária
Cidade de São Paulo legisla sobre rádios comunitárias
24/06/2005, 18h45
A Prefeitura de São Paulo sancionou na quinta, 23, a Lei 14.013/05, elaborada pelos vereadores Carlos Nader (PT) e Ricardo Montoro (PSDB) estabelecendo regras para o serviço de radiodifusão comunitária na cidade de São Paulo. O projeto havia sido aprovado pela Câmara de Vereadores em 11 de maio. Pelo projeto, o Poder Executivo Municipal será o poder concedente deste tipo de outorga na capital paulistana. De resto, o serviço se assemelha ao de Radiodifusão Comunitária regido pela Lei Federal 9.612/98. Não é a primeira vez que um município decide legislar sobre assunto de radiodifusão, o que é competência da União, segundo o Artigo 21, inciso XII da Constituição Federal. Mas é a primeira vez que um grande município faz isso. Este noticiário perguntou ao advogado Marcos Bitelli, especializado em comunicação, o significado da Lei Municipal. A resposta é a que se segue: "É impressionante. O artigo 21, inciso XII da Constituição Federal diz que 'compete à União (...) explorar diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão (...) os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens'. O artigo 30 da Constituição diz que compete aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local de forma suplementar. Desde modo, parece que por esta válvula estaria pretendendo o Município de São Paulo atuar. Ocorre que o espectro é um bem ambiental escasso e, lendo a lei, a estação comunitária a que ela se refere é uma radiodifusão sonora, em freqüência modulada, operada em baixa potência e cobertura restrita. Seria importante verificar tecnologicamente o que é esta FM de baixa potência e se isto não causará impacto no loteamento do bem ambiental. Uns dirão que a iniciativa é inconstitucional por invasão de competência estrita da União e outros dirão que a lei é válida por ser de relevância local". Da Redação - TELA VIVA News
 

 
Televisão
Missão do governo chinês esteve no Brasil para conhecer o projeto de TV digital
24/6/2005
Uma missão do governo chinês esteve na semana passada no Ministério das Comunicações para conhecer os trabalhos que estão sendo desenvolvidos para o Sistema Brasileiro de TV digital. Na China, o governo adotou dois padrões de TV digital mas, com a solução brasileira, poderia repensar para um único padrão. Representantes do Minicom e pesquisadores brasileiros foram convidados a ir à China, em breve, para apresentar os estudos. Isso poderá ocorrer em agosto, segundo previsão de membros do Minicom. Wanise Ferreira - Telecom Online
 
Estudo sobre o impacto dos artigos 4 e 5 da directiva TSF na promoção da distribuição e produção dos programas de TV
24/6/2005
A pedido da Comissão Europeia, foi elaborado um estudo sobre o impacto das medidas (comunitárias e nacionais) relativas à promoção da distribuição e produção dos programas televisivos ao abrigo do Artigo 25(a) da directiva Televisão Sem Fronteiras (TSF), tendo como autor a empresa de consultoria David Graham and Associates Limited.
O estudo em apreço abrange o período de 1993 a 2002 e inclui os quinze Estados-membros da União Europeia (UE), mais os Estados-membros da Zona Económica Europeia (Islândia, Liechtenstein e Noruega).
No plano organizativo, o estudo aborda cinco grandes temas:
Tema 1 - Modo de implementação dos artigos 4 e 5: O relatório identifica a forma como os Estados-membros têm vindo a implementar os artigos supracitados na legislação nacional e descreve os requisitos de conteúdo adicional que alguns desses Estados-membros colocam aos operadores televisivos.
O estudo demonstra que os Estados-membros transpuseram os artigos 4 e 5 para a legislação nacional através da combinação da legislação primária e da regulação secundária.
Alguns países - por exemplo, a Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Espanha e Suécia - integraram o termo "quando aplicável", constante dos artigos 4 e 5, na legislação nacional, considerada pelo autor do estudo como uma interpretação mais flexível da directiva.
A metodologia standard utilizada pelos Estados-membros para verificar o cumprimento dos artigos 4 e 5 consiste em requerer aos operadores televisivos os dados atinentes ao volume de obras europeias e de produções independentes difundidas. Neste particular, alguns Estados-membros tomaram medidas adicionais para verificar a fidelidade dos dados: As entidades reguladoras da Irlanda, Grécia, Holanda e Reino Unido levam a cabo actividades de controlo adicional ou de amostragem para verificar a taxa de retorno. Em Espanha e Portugal, os reguladores asseguram a existência dos serviços de um organismo de investigação responsável pelo cumprimento dos artigos 4 e 5 da directiva TSF.
Por outro lado, em países como a Áustria, Alemanha, Islândia e Irlanda, o regulador não tem poderes legais para aplicar sanções. Nos Estados-membros remanescentes (exceptuando a Suécia), as entidades reguladoras dispõem de um conjunto de poderes para encorajar a adesão à directiva TSF, desde advertências à imposição de multas, passando ainda pela redução ou pela revogação das licenças dos operadores televisivos.
Foram identificados quatro "modos de implementação".
Tema 2 - Impacto dos artigos 4 e 5 nos horários televisivos: A avaliação deste impacto baseia-se na análise de uma amostra referente às horas de transmissão dos canais em cada Estado-membro e em entrevistas com os representantes da indústria.
O número de canais abrangidos pelos artigos 4 e 5 e o aumento da duração da média do tempo de transmissão diária significa que tem havido um crescimento significativo no volume de obras europeias e de produções independentes que são difundidas na UE.
Quanto mais impositivo for um Estado-membro na forma como implementa os artigos 4 e 5, maior a proporção média das obras europeias para as horas de transmissão nesse país. Os Estados-membros que apresentam uma média nacional para as obras europeias superior à média da UE - Finlândia, França, Grécia, Itália e Luxemburgo - estão entre os mais impositivos no modo como aplicam os artigos 4 e 5.
A alteração na proporção média nacional de obras europeias na programação, entre 1993 e 2002, está relacionada com a forma estrita como os artigos 4 e 5 têm sido aplicados pelos Estados-membros. Nos países onde os artigos em causa foram aplicados estritamente, tem havido um crescimento substancial no ratio das obras europeias, comparativamente aos Estados-membros onde o artigo 4 tem sido implementado de um modo flexível. De acordo com o presente estudo, este constitui um indicador importante de que o artigo 4 tem tido um impacto considerável na programação das obras europeias.
Por outro lado, os canais tendem a apresentar um share superior de produções independentes nos Estados-membros em que os artigos 4 e 5 são aplicados estritamente.
Tema 3 - Impacto dos objectivos culturais: O estudo estabelece uma avaliação do impacto dos artigos 4 e 5 nos objectivos culturais da directiva TSF.
Considerando que os artigos 4 e 5 permitiram o aumento da proporção das obras europeias e produções independentes difundidas pelos canais na UE, sugerem os autores que esta situação contribuiu para o objectivo cultural de incremento do volume total das obras europeias e para a criação de novos mercados para as obras criativas dos intervenientes no campo cultural.
Os Estados-membros têm beneficiado da sua relativa liberdade para perseguir os objectivos nacionais culturais, através da aplicação de requisitos suplementares e do investimento na produção regional. Estes poderão, contudo, actuar como obstáculos ao mercado no exterior, impedindo, assim, o intercâmbio cultural entre os Estados-membros.
Ao mesmo tempo, o aumento do número de horas das obras estrangeiras não tem sido acompanhado por uma mudança substancial nos gostos e hábitos de visionamento dos europeus, que conduza ao desenvolvimento de uma identidade cultural pan-europeia. De acordo com o estudo agora publicado, continua a existir entre as audiências europeias uma grande apetência pela programação com origem nos Estados Unidos, em detrimento dos programas produzidos em outros Estados-membros.
Tema 4 - Impacto no desempenho económico da indústria audiovisual europeia: É feita uma avaliação do impacto indirecto dos artigos 4 e 5 na performance económica dos radiodifusores e produtores europeus.
Não é possível isolar o impacto dos artigos 4 e 5 no desempenho económico dos canais primários (primary channels)[1] e secundários (secondary channels)[2] dos outros factores. No entanto, concluem os autores que a larga maioria desses canais incorporaram os requisitos dos artigos em questão de forma relativamente fácil.
Os produtores argumentam que o comissionamento dos operadores televisivos é objecto de incentivos insignificantes no que diz respeito à cedência de conteúdos para exploração pelos canais rivais. A retenção dos direitos pelos radiodifusores poderá actuar como um impedimento à comercialização de programas entre os Estados-membros e como uma barreira que impeça os canais secundários de cumprirem os requisitos dos artigos 4 e 5.
Além disso, a procura crescente da programação europeia não parece reflectir-se no desempenho financeiro da maior parte dos produtores. O volume de negócios do sector da produção de TV cresceu de 6,5 biliões em 1997 para 11 biliões em 2001, mas as margens do EBIT (earnings before interest and tax) caíram para entre 1 e 2 por cento.
A aquisição e retenção dos direitos de programação foram amplamente identificadas pelos produtores como um meio que poderá contribuir para a melhoria dos lucros da produção.
Tema 5 - Desafios futuros: O estudo apresenta uma avaliação dos desafios que os operadores televisivos e produtores de conteúdos europeus têm vindo a enfrentar, tais como a fragmentação da audiência, os novos media (serviços audiovisuais não-lineares, televisão interactiva e móvel) e a migração para a televisão digital na UE nos próximos anos, conjuntamente com as suas implicações para a política audiovisual europeia.
Existe a possibilidade real de a fragmentação da audiência colocar alguma pressão nas receitas comerciais dos canais primários (especialmente aqueles que são financiados pela publicidade) e enfraquecer o financiamento público dos canais financiados publicamente.
Os artigos 4 e 5 poderão ter maior impacto caso sejam aplicados com maior rigor e consistência pelos Estados-membros. As medidas de apoio à aplicação estrita destes artigos poderão incluir a criação de definições standard de determinados termos, tais como "produtor independente".
De igual modo, poderá ser dada mais atenção à aplicação dos artigos 4 e 5 aos canais pan-europeus, enquanto que no que respeita à aquisição e retenção dos direitos de programação, deverá desenvolver-se a investigação em alguns Estados-membros, caso da França e do Reino Unido, que introduziram regulações mais favoráveis aos produtores para identificar se os benefícios reivindicados por eles, como o aumento das exportações, foram realizados.
Por outro lado, as novas tecnologias poderão abrir novas oportunidades aos criadores de conteúdos europeus, designadamente, permitindo-lhes a entrada em novos mercados.
Iniciativas com vista à redução da pirataria, concretizadas através da educação dos cidadãos europeus e através de medidas levadas a cabo pela Comissão para introduzir uma Gestão dos Direitos Digitais eficaz, irão ajudar a manter os lucros dos produtores a partir dos seus esforços criativos.
Finalmente, é referida a dificuldade de definição e execução de políticas públicas para a regulação dos conteúdos na internet.
[1] Canal primário (primary channel) é definido neste estudo como o canal com um share de audiência igual ou superior a 3%.
[2] Canal secundário (secondary channel) é definido como o canal com um share de audiência inferior a 3%. Observatório da Comunicação
 
Telemundo prefere as novelas mexicanas
24/06/2005, 17h07
Muito embora seja uma boa cliente da Globo Internacional na compra de telenovelas, a emissora aberta Telemundo, que atua no mercado doméstico norte-americano com programação em espanhol, manifestou sua preferência pelas novelas feitas no México. Em seminário que aconteceu nesta semana na Cidade de México e que foi relatado pelo noticiário The Hollywood Reporter, o presidente da rede, Don Browne, declarou que quem quiser estar nos negócios de língua hispânica nos EUA tem de ter bases no México, uma vez que 66% dos 40 milhões de cidadãos de origem hispânica nos Estados Unidos têm ascendência mexicana.
A Telemundo exibe atualmente a minissérie brasileira "A Casa das sete Mulheres", que substitui "Da Cor do Pecado", também da Rede Globo. No entanto, as produções brasileiras são exibidas no período matutino, às 10h30. Da Redação - TELA VIVA News
 
Xuxa em 3D
27/6/2005
Apresentadora apóia desenho animado produzido no Brasil
A história da animação brasileira se confunde com a própria trajetória do cinema local - a técnica ajudou a criar as primeiras vinhetas para os cinejornais do início do século passado. Mas o país nunca conseguiu manter uma produção regular do gênero, apesar das bravas iniciativas de nomes como Maurício de Sousa (A turma da Mônica) e Walbercy Ribas (O Grilo Feliz). Um novo esforço nessa direção pode estar sendo dado com a realização de Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço, a primeira animação nacional a usar técnicas de 3D (três dimensões), que chega aos cinemas nas próximas férias de verão.
O desenho animado de longa-metragem é o primeiro projeto a sair do estúdio de animação criado pela Labo Cine (que carrega a reputação de ser o mais completo laboratório cinematográfico da América Latina) e de sua divisão digital, a Twister. Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço conta com avais de peso, como o da apresentadora Xuxa Meneghel - que fará pequenas aparições em carne e osso na história -, e com parceiros importantes, como Diler Trindade (produtor dos filmes de Xuxa), a Globo Filmes e a Warner Brothers. Mais da metade dos R$ 6 milhões do orçamento do desenho veio da própria Labo Cine.
- Investimos cerca de R$ 3,5 milhões na construção da plataforma para o projeto de Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço. O resto será captado com as leis de incentivo. Mas agora estamos capacitados para desenvolver outros projetos de animação de curta, média e longa duração. Queremos nos estabelecer como o maior estúdio de animação do país - explicou Sílvia Rabello, presidente da Labo Cine, após a entrevista coletiva que apresentou o filme à imprensa, na sexta-feira.
Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço tem roteiro de Flávio de Souza, autor dos últimos filmes protagonizados pela apresentadora, e direção de Clewerson Saremba, diretor do recém-criado núcleo de animação da Labo Cine. A história gira em torno de Guto, um menino de 7 anos, e Xuxinha, a anja-da-guarda do garoto, que o ajuda a enfrentar os monstros comedores de lixo que vieram do planeta XYZ. Txutxucão, o cão detetive nascido no programa TV Xuxa, é um dos coadjuvantes da trama. Uma equipe de 70 animadores tem trabalhado 24 horas por dia, dividida em turnos, para entregar o desenho totalmente pronto até setembro.
- Desenvolvemos uma tecnologia toda própria, nacional, para que possamos trabalhar com uma equipe menor e em menos tempo do que os praticados pelos estúdios de animação estrangeiros. Planejamos entregar o filme após 11 meses de trabalho. Esperamos em breve poder produzir pelo menos dois longas-metragens de animação por ano - contou Sérgio Schmid, supervisor geral do núcleo de animação da Labo Cine.
Os realizadores acreditam que o apoio de Xuxa Meneghel ao projeto ajudará a tirar o país do atraso tecnológico em relação à animação.
- A Argentina produz pelo menos um longa-metragem de ação por ano. A gente ainda não tinha tido a chance de desenvolver algo parecido até agora. O auxílio da Xuxa, que desfruta de grande popularidade entre o público infantil, é fundamental - avaliou Diler Trindade. Carlos Helí de Almeida - Jornal do Brasil
 
TV e cinema são a bola da vez
27/6/2005
Sabe quando você percebe que a revolução digital invadiu a sua casa? Quando encontra uma cartela lotada de CDs com nomes de músicas desconhecidas no quarto da filha adolescente. E, ao tentar ouvi-los, descobre que, em vez de música, os CDs trazem alguns dos shows mais disputados da TV mundial.
Encontrei ali uma temporada inteira do The Daily Show com Jon Stewart, talkshow irreverente que estava louco para assistir, do canal à cabo norte-americano Comedy Central.
- Mas, peraí Luiza, esse programa não passa no Brasil!
- Claro que não, papai. Uma amiga minha do Rio pega na internet!
- Do Rio? Na internet? Como assim?
Dois cliques depois, lá estava eu falando no Skype pela primeira vez, para entrevistar Priscila, a amiga carioca da Luiza, fã do The Daily Show. O que seria de um colunista de caderno de tecnologia se não fosse uma filha adolescente?
Entre outras, a turminha delas já assistiu toda a temporada do seriado Lost. Até mesmo o último capítulo, que só vai passar no Brasil no próximo mês de setembro (as garotas amam tanto o show, que me proibiram de contar o final a vocês aqui no Link. É uma pena...).
A molecada está trocando filmes e programas de TV pela internet como antigamente trocávamos figurinhas de jogadores de futebol.
O nó dramático do próximo capítulo é evidente. Até agora, as empresas de comunicação afetadas diretamente pelo vendaval da revolução digital eram basicamente aquelas cuja matéria-prima é texto, áudio ou fotografia. Ou seja: notadamente os veículos impressos e o mercado fonográfico.
Não se tratava de uma cruzada do dragão veloz da tecnologia contra gravadoras, revistas ou jornais. Era simplesmente uma questão física: a velocidade da mudança era limitada pelo volume de informação que conseguia atravessar o gargalo da conexão lenta do computador à internet. Até então, uma ligação telefônica.
Agora, a velocidade de conexão se acelera. E com a popularização da famosa banda larga... alô, alô... televisão e mundinho do cinema... acordem e se preparem: chegou a vez de vocês!
Quer ter uma idéia do tamanho da encrenca? Pouco antes da eleição norte-americana, no final do ano passado, Jon Stewart, ele mesmo, o cara do The Daily Show citado acima, fez uma aparição bombástica no Crossfire, um programa de entrevistas da CNN. Com irreverência desconcertante, Stewart convocou os dois apresentadores do programa, claramente conservadores pró-Bush, a ajudar a América deixando de ser "bonecos de ventríloquo" do candidato texano. A transmissão era ao vivo, e a CNN não teve como evitar o vexame dos seus âncoras, para delírio da platéia.
Os espectadores em casa foram rápidos. Imediatamente, colocaram a performance inusitada de Stewart na internet. Nas semanas seguintes, o vídeo foi baixado 2,3 milhões de vezes! Quase três vezes mais do que a própria audiência do Crossfire na TV, estimada em 850 mil telespectadores.
Um dos grandes responsáveis por essa avalanche se chama Bram Cohen, 29 anos. Nos anos 90, depois de trabalhar como um escravo sem ver a luz do dia para empresas de software na Califórnia, decidiu viver como "um artista pobre", conforme declaração dele à revista Wired. Inventou e oferece de graça na internet o BitTorrent, um software que permite troca de grandes arquivos, como filmes e programas de TV, pela rede.
O BitTorrent picota um filme, por exemplo, em vários pacotinhos de informação. Criando uma verdadeira "torrente de bits", daí o nome. Assim, o fardo é repartido entre os internautas que estão atrás do filme completo. Assim que uma pessoa baixa o seu pedacinho imediatamente começa a oferecê-lo para o próximo da fila.
A equação da lentidão foi invertida. Quanto mais popular o download, mais rápido você baixa o novo arquivo para o seu computador. É uma bola-de-neve. O BitTorrent já é responsável por 35% do tráfego da internet mundial!
Resumo: está germinando em velocidade exponencial o embrião de um novo sistema de veiculação de audiovisual via internet. Se você quer ver seu show predileto na TV, não precisa sentar na poltrona determinado dia e hora, apenas clique aqui. Os estúdios de Hollywood já acionaram os advogados. A Microsoft, sempre atrasadinha, se apressa em lançar o seu próprio "BitTorrent" ainda este ano. Você já viu esse filme?
Diante desse imenso universo que me foi apresentado por Luiza e Priscila, só rezo para uma coisa. Que antes de taxarmos grosseiramente essa nova revolução de pirataria, saibamos entendê-la como uma oportunidade de colocarmos o controle da TV cada vez mais nas mãos da sociedade. Que afinal é quem detém, segundo a constituição em vigor em vários países do mundo, o direito das concessões dos canais de televisão. Inclusive aqui no Brasil. Marcelo Tas - O Estado de São Paulo
 
Queijo
27/6/2005
Pode render a visita de Carlos Massa, o Ratinho, à Band na semana passada. O apresentador ouviu da Band que, se conseguir romper amigavelmente com o SBT, sem pagamento de multa, as portas da emissora estão abertas para ele. Daniel Castro - Folha de São Paulo
 

 
Audiovisual
Produção e exportação de programas de televisão no Reino Unido
24/6/2005
A exportação de programas de televisão no Reino Unido tem revelado um crescimento significativo, tanto em termos de horas como de receitas. Apesar do domínio dos Estados neste segmento, o Reino Unido revela um ritmo de crescimento mais elevado do que qualquer outro país.
De acordo com um estudo levado a cabo pela Television Research Partnership, desde 1996/7 que o mercado de televisão no Reino Unido tem sofrido alterações, tais como:
* Tornou-se o líder mundial na criação e distribuição de formatos de televisão internacionais;
* Fortaleceu a sua posição enquanto segundo maior exportador de programas de televisão depois dos Estados Unidos, em termos de total de horas;
* Gerou aumentos reais nas receitas totais de exportação de televisão sob condições de mercado muito competitivas.
Os exportadores do Reino Unido alcançaram uma quota dominante (45%) do mercado internacional de formatos de televisão por horas e uma quota semelhante (49%) de número de títulos nos canais de televisão estudados em 2003. O concorrente mais próximo do Reino Unido, os Estados Unidos, tinham uma quota de 20% seguido pela Holanda com 15% das horas emitidas. Doze do ranking dos 30 títulos de formatos identificados são originários do Reino Unido e os produtores atingiram resultados notáveis no prime-time do mercado tanto dos Estados Unidos como de outros países.
Enquanto os Estados Unidos continuam a dominar o mercado das vendas de programas de televisão em termos de horas (70,6%), a quota de mercado do Reino Unido mantém-se substancialmente à frente (10%) do seu concorrente mais próximo, o Canadá (3,9%), França (3,5%), Alemanha (2,5%), Austrália (2,1%) e Japão (1,4%). Comparando canais semelhantes, a quota do Reino Unido por horas do mercado de programas aumentou de 7,7% para 10% desde 1996/7.
O volume total (por horas) de importações de programas de televisão nas grelhas dos canais analisados decresceu de 34% do total emitido em 1996/7 para 28% em 2003, à medida que os radiodifusores substituíram as importações por produções locais originais. O volume total (por horas) das exportações de programas de televisão do Reino Unido aumentou cerca de 9,4% entre 1996/7 e 2003 - de 7,444 horas para 8,142 horas, respectivamente.
As receitas das exportações de televisão do Reino Unido cresceram a um ritmo anual entre 8,5% e 12,8% desde 1998 (dependendo do indicador utilizado). Em comparação, estima-se que as exportações de televisão dos Estados Unidos tenham crescido 5,2%, a Austrália 6%, enquanto as exportações da França caíram (-2,9%).
A análise das vendas anuais de exportações (publicadas pela DCMS) mostra que as exportações do Reino Unido cresceram em termos reais cerca de £220 milhões desde 1998, com as vendas para os Estados Unidos a contarem cerca de 67% para o crescimento líquido.
Apesar do crescimento das horas exportadas pelo Reino Unido, o valor das exportações de programas caiu em termos reais desde 1998 (-2,5%). Este declínio é indicativo da queda geral dos preços dos programas num mercado cada vez mais competitivo.
O verdadeiro declínio no valor das exportações de programas do Reino Unido foi mais do que compensado pelo rápido crescimento anual das receitas de exportação dos formatos (41,5%), DVD/Vídeo (34,9%), merchandising (36%) e co-produções (19,1%), enfatizando mais uma vez a crescente importância de uma efectiva protecção de direitos de propriedade intelectual para os criadores de conteúdos do Reino Unido na era digital.
Este relatório analisou o volume de programas importados nas grelhas de programação de 57 canais em 10 grandes territórios, como se pode ver na tabela abaixo exposta.
Para mais informações consulte o estudo "Rights of passage - British television in the global market", da Television Research Partnership. Observatório da Comunicação
 
A actividade de co-produção de programas televisivos no Reino Unido em evolução positiva
24/6/2005
As receitas provenientes das co-produções do Reino Unido têm vindo a aumentar desde 1998. Apesar disso, este país ainda se mantêm muito dependente das co-produções com a América do Norte, o que pode pôr em causa o desenvolvimento dos fundos de apoio.
Os dados relativos à actividade de co-produção da DCMS/BTDA revelam um crescimento em termos reais nas receitas das empresas do Reino Unido (desde 1998) de £40 milhões.
De acordo com a Television Research Partnership, o crescimento das receitas de co-produções do Reino Unido é consistente com o aumento no volume de horas de co-produções identificadas na análise das grelhas de programação, que mostram o volume total de horas de co-produções (entre os vários países) a crescer de 3,378 horas em 1996/7 para 4,535 horas em 2003.
Contudo, a actividade de co-produção no Reino Unido, em termos de horas, fica atrás da França e Alemanha, tal como do Canadá e dos Estados Unidos. Para além disso, a actividade de co-produção do Reino Unido está muito concentrada em projectos com parceiros dos Estados Unidos e Canadá, com as parecerias de co-produção da América do Norte a contar para 93% do total das receitas de co-produção deste país em 2003.
As fortes relações de co-produção do Reino Unido com parceiros da América do Norte representam um motor de força internacional e também proporcionam um potencial caminho para a produção directa para o mercado da América do Norte. No entanto, as relações de co-produção subdesenvolvidas  com parceiros para além da América do Norte podem assinalar uma oportunidade perdida e um factor de risco possível à medida que os fundos de co-produções se tornam uma forma cada vez mais importante de suster elevados orçamentos de produção de programas originais e desviam os riscos associados com esses orçamentos elevados.
Apesar do nível da actividade de co-produção no Reino Unido ter crescido neste período, não acompanhou os rácios de crescimento em França, Alemanha e Canadá. O Canadá participou no maior número de horas co-produzidas nos países/canais estudados e 2003, seguido dos Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido. Para além disso, o Reino Unido mantém-se muito dependente da América do Norte - e dos Estados Unidos em particular - para o financiamento de co-produções. Observatório da Comunicação
 
Balanço das trocas no Reino Unido: exportações e importações de programas televisivos
24/6/2005
Em geral, os países começam a diminuir o nível de importações de programas de televisão, à medida que cresce o interesse pela programação doméstica. No entanto, ao contrário da tendência geral, o Reino Unido tem vindo a aumentar as exportações de programas televisivos para outros países.
O número total de canais de televisão na Europa cresceu de 315 para 1,132 entre 1996 e 2003, criando uma forte procura no que diz respeito à aquisição de programas de baixo custo, expandindo rapidamente a possibilidade de escolha do telespectador e intensificando a concorrência pela atenção dos telespectadores. Como resultado, a maior parte dos canais mainstream sofreram declínios significativos nos shares de audiência nesse período, apesar da extensão e impacto variar entre os mercados, dependendo, por exemplo, da estrutura de propriedade, do estado da liberalização e do desenvolvimento digital. O share de visionamento do conjunto de canais analisados caiu de 77% em 1997 para 63% em 2003.
Segundo a Television Research Partnership, a análise das grelhas de programação televisiva dos canais mainstream nos mercados analisados, indica que a percentagem de emissões ocupada pelas horas de programas importados entre 1996/7 e 2003 caiu de 34% do total de emissões para 28%, respectivamente.
Em todos os mercados a percentagem de programas importados em 2003 era igual ou mais baixa do que em 1996/7. A percentagem das importações totais de programas em França e Austrália foi a mesma nos dois períodos, Espanha e Reino Unido sofreram declínios marginais, enquanto as importações no Canadá, Holanda e Suécia caíram entre 10% e 13%, e as importações na Alemanha caíram de 50% para 34% das emissões totais. A mudança em direcção à produção doméstica é conduzida tanto pela observação de que a programação doméstica tende a agregar maiores audiências num mercado cada vez mais competitivo, como pela necessidade estratégica de deter e controlar - em vez de depender totalmente das aquisições - os direitos dos programas na era digital.
O volume total das horas de emissões cresceu cerca de 15% entre 1996/7 e 2003, à medida que um crescente número de canais começou a ter grelhas de programação de 24 horas. Contudo, por outro lado, a percentagem de horas de programas importados caiu cerca de 14,500 horas, para chegar abaixo das 115,000 horas. Os Estados Unidos contaram para mais de metade da queda total do mercado, exportando menos 12,000 horas de programas de televisão em 2003 do que em 1996/7, apesar das suas quotas de mercado se manterem inalteráveis. Então, parece que a queda relativa, em termos de horas, de exportações dos Estados Unidos reflecte o domínio deste país neste segmento.
Ao contrário do declínio geral em horas importadas pelos canais, a exportação de horas do Reino Unido cresceu neste período - de 7,400 horas em 1996/7 para 8,100 horas em 2003. Enquanto segundo maior exportador em 1996/7, as exportações do Reino Unido podem ter estado relativamente vulneráveis à contracção geral do mercado; assim o crescimento aparente em 2003, apesar de modesto em si mesmo, representa um objectivo substancial.
Apesar do Reino Unido continuar a exportar um grande volume de horas de programação de drama comparado com muitos dos seus concorrentes, a performance relativamente fraca deste país no género em causa exerce um impacto desproporcionado nas suas receitas totais de exportação para os Estados Unidos - para o qual as séries de drama têm sido o motor de crescimento de receitas de exportação na última década.
As exportações do Reino Unido cresceram entre 8,5% e 12,8% ao longo deste período e o valor actual das exportações de televisão britânicas em 2003 caiu (num intervalo entre mil milhões de dólares americanos e 1,5 mil milhões de dólares americanos). Ainda assim, o mais baixo dos rácios de crescimento do Reino Unido neste período excede a performance da França (-2,9%), Austrália (6%) e estados Unidos (5,2%).
Segundo a DCMS/BTDA, o total de exportações de televisão do Reino unido cresceu em termos reais, passando de £343 milhões em 1998 para £563 milhões em 2003. Neste período, as exportações de televisão para os Estados Unidos cresceram de £97 milhões (28% do total) pata £244 milhões (43% do total) e para o conjunto da Europa Ocidental passaram de £124 milhões para £171 milhões.
A queda das receitas de exportação por categoria mostra que as vendas de programas de televisão ainda continuam a ser a maior componente do total, seguida pelo merchandising e licenciamento (£146 milhões), DVD e Vídeo (£78 milhões), co-produção (£70 milhões), formatos e produções locais (£39 milhões).
Os movimentos reflectidos no balanço das transacções internacionais na indústria de televisão do Reino Unido, mostram que as receitas (exportações) cresceram, em termos reais, com um rácio mais rápido (13,5%) do que os pagamentos (importações) (9,2%) - sendo que as receitas passaram de £271 milhões em 1996 para £657 milhões em 2003 e os pagamentos de £597 milhões para £1,109 milhões em 2003.
Contudo, apesar do rápido crescimento das receitas sobre os pagamentos, a grande escala de pagamentos significa que o défice geral no balanço de transacções internacionais do Reino Unido tem continuado a crescer em termos reais, passando de £221 milhões em 1996 para £451 milhões em 2003. Observatório da Comunicação
 
O sucesso dos formatos de televisão produzidos no Reino Unido
24/6/2005
O segmento dos formatos de televisão tem vindo a aumentar nos últimos anos, revelando a preferência dos radiodifusores por este tipo de programas. Em 2003, o Reino Unido foi o país que mais exportou formatos para outros países.
No contexto do declínio total no número de horas de importação de programas nas grelhas de 2003 e a par da mudança em direcção a programação doméstica original, o volume de vendas de formatos para os países e canais estudados aumentou para cerca de 2% do total de horas. De uma forma geral, os formatos - na essência, um produtor num país licencia os direitos para produzir um programa existente a um produtor noutro país - são atractivos para os radiodifusores por uma série de razões.
Em claro contraste com a posição do Reino Unido no mercado de programas de televisão, as empresas britânicas asseguraram uma quota dominante (45%) do mercado de formatos por volume - muito à frente dos concorrentes mais próximos, os Estados Unidos (20%) e a Holanda (15%). A quota do Reino Unido em termos de títulos de formatos exportados sublinha o actual domínio deste sector do mercado.
Segundo a Television Research Partnership, os formatos do Reino Unido foram mais numerosos e contaram para mais horas do que os formatos de qualquer outro país exportador - nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Auistrália, Itália e Holanda, em 2003.
No total, o Reino Unido originou 12 do ranking dos 30 formatos exportados por horas nos canais analisados, com programas da BBC Worldwide, Granada, Media, Fremantle Media, Endemol UK e Celador, entre outros. Este ranking inclui nove títulos dos Estados Unidos, quatro da Holanda e um da Argentina, França, Espanha, Austrália e Nova Zelândia. Os formatos dos Estados Unidos parecem ter crescido rapidamente entre 2002 e 2003, especialmente em França, onde contam para 50% do total de horas de formatos importados.
Desde 1996/97, a expansão das horas nas grelhas no que se refere a programação doméstica e formatos foi acompanhada por um crescimento significativo no volume de co-produções nas grelhas - com as horas de co-produções nas grelhas a duplicar entre 1996/7 e 2003 - à medida que os radiodifusores e produtores adquirem fundos externos para cobrir o aumento dos orçamentos para as produções e para minimizar os riscos associados à produção de programas deste tipo. Observatório da Comunicação
 
Cinema pode ser obrigado a exibir mensagens antidrogas
24/6/2005, 10h08
As salas de cinema serão obrigadas a exibir, antes das sessões, informe publicitário alertando sobre os danos causados pelo uso de drogas ilícitas, caso o Projeto de Lei 5237/05, do deputado Carlos Nader (PL-RJ), que tramita na Câmara, seja aprovado pelo Congresso.
Na opinião do deputado, a medida vai servir como forma de prevenção ao uso de drogas: "O cinema é um meio de comunicação que abrange pessoas de diversas idades e camadas sociais, portanto deve ser aproveitado como instrumento de campanhas educativas e esclarecedoras dos problemas sociais urbanos", afirmou.
A sala de cinema que não cumprir a determinação terá de pagar multa por sessão em que o informe não for exibido.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, está na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e será analisada também pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Agência Câmara de Notícias
 
Brasil e Portugal selecionam projetos de co-produção
24/06/2005, 15h49
A Agência Nacional do Cinema e o Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimedia - ICAM, de Portugal, anunciaram nesta sexta, 24, o lançamento do edital de concurso para concessão de apoio financeiro a projetos cinematográficos de longa-metragem, no gênero ficção, em regime de co-producão Brasil - Portugal. O edital, publicado nos diários oficiais dois países, é amparado pelo acordo de co-producão cinematográfica Brasil-Portugal e pelo Protocolo Luso-Brasileiro de Apoio Financeiro de 1997. O concurso irá conceder apoio financeiro para a realização de dois filmes portugueses e dois filmes brasileiros de longa-metragem e prevê o investimento do equivalente em reais a US$ 150 mil para cada filme. O Brasil apoiará dois filmes de co-produção minoritária portuguesa e Portugal apoiará dois filmes de co-produção minoritária brasileira. Ao edital poderão concorrer projetos de realizadores portugueses e brasileiros.
O edital pode ser consultado no site da Ancine (www.ancine.gov.br), no escritório central da agência, no Rio de Janeiro, ou pelo e-mail fernanda.senatori@.... O prazo de inscrição vai até o dia 23 de agosto. Da Redação - TELA VIVA News
 
Belo Horizonte se traveste de São Paulo no cinema
24/6/2005
"Eu sou Ernesto e vou à gráfica hoje." Quando dizia esta senha aos frades dominicanos que o apoiavam, o líder guerrilheiro Carlos Marighella (1911-69) referia-se ao endereço da alameda Casa Branca, em São Paulo, onde o grupo se reunia.
Por capricho do cinema, a alameda Casa Branca foi parar em Belo Horizonte (MG). é onde o diretor mineiro Helvécio Ratton está filmando "Batismo de Sangue", baseado no livro homônimo de Frei Betto.
Na obra literária, o mais conhecido dos frades que estiveram ao lado do líder da ALN (Ação Libertadora Nacional) repassa suas memórias da ditadura militar.
Transformada na alameda Casa Branca de 35 anos atrás, a rua Tomás Gonzaga, na capital mineira, assistiu neste mês ao assassinato de Marighella pelo delegado do DOPS Sérgio Fleury.
"Marighella!", grita a plenos pulmões o ator Cássio Gabus Mendes, na pele de Fleury, abandonando um Fusca em que fingia namorar, naquela noite de 4 de novembro de 1969.
Quem se vira para atender o chamado é o cantor Marku Ribas, novamente levado às telas por Ratton, depois de sua participação em "Uma Onda no Ar" (2002), filme anterior do cineasta.
Mal termina o volteio de Marighella/Ribas, Fleury/Gabus Mendes dispara. Os homens que o acompanham na emboscada surgem de todos os cantos da rua.
E a saraivada de balas atravessa o silêncio da noite. Uma e outra vez, porque, no cinema, morre-se de mentira. E repetidamente, até ficar parecendo pura verdade.
A produção de "Batismo de Sangue" fotografou 620 ruas de Belo Horizonte, possíveis candidatas a alameda Casa Branca.
No trecho escolhido da Tomás Gonzaga, há um único prédio, cuja fachada os condôminos concordaram em disfarçar, para que a aparência ficasse de acordo com o que era a Casa Branca dos 60.
Para as filmagens, a equipe ocupa o quarteirão com toneladas de equipamentos, interrompe o trânsito, convoca um caminhão-pipa para molhar várias vezes a rua -recurso que favorece o brilho típico das cenas "noir". E só então começam os gritos de "Marighella!" e os estampidos.
Mas os vizinhos não reclamam. Parecem satisfeitos de emprestar sua rua a São Paulo e ao cinema. E de outras semelhanças. Diante da parafernália da filmagem noturna, um morador que passeava com seu cão observa: "BH está parecendo Nova York". SILVANA ARANTES - Folha de São Paulo
 

 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova seis concessões de radiodifusão
24/6/2005 14h22
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou ontem seis projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados. As propostas, de autoria da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, serão agora analisadas pelo Senado. As concessões são as seguintes:
BAHIA
Associação Beneficente e Cultural Comunitária de Baixa Grande - Baixa Grande
MARANHÃO
União Associativa Comunitária de Pé do Morro - Governador Luiz Rocha
PARAÍBA
Associação Comunitária Beneficente do Município de Uiraúna - Uiraúna
SANTA CATARINA
Rádio Onda Jovem FM Ltda. - Forquilhinha
SÃO PAULO
Rádio Metropolitana Santista Ltda. - Santos
SERGIPE
Associação Comunitária Padre Nestor - Japoatã
Agência Câmara de Notícias
 

 
TV a Cabo
Economize até 50% com o telefone
27/6/2005
Serviço de telefonia pela internet da TVA, com voz sobre IP, reduz drasticamente custos de longa distância e é fácil de usar
Economia de até 50% na conta telefônica. Essa é a principal vantagem do TVA Voz, serviço de telefonia pela internet lançado pela TVA, operadora de televisão por assinatura, em parceria com a operadora de telefonia fixa Primeira Escolha, na cidade de São Paulo.
A economia pode ser obtida pelos assinantes que contam com uma conexão de banda larga com a internet e fazem muitas ligações interurbanas e/ou internacionais.
Isso porque o novo serviço da TVA usa a tecnologia de voz sobre IP (VoIP), ou seja, ele usa a internet para transmitir as conversas - o que é mais barato do que usar as redes convencionais de telefonia.
Outra vantagem do serviço é a facilidade de uso. Até agora, a maioria dos serviços VoIP disponíveis no País exigia que as chamadas fossem feitas por meio do computador. Com o novo serviço, você pluga um adaptador especial em um telefone comum e sai falando.
O adaptador tem a função de converter a voz em dados e completar as ligações. Ainda é possível receber chamadas - recurso nem sempre oferecido por outros serviços de telefonia pela internet.
Ser assinante de uma conexão de banda larga com a internet - vale qualquer serviço - é condição indispensável para usar o TVA Voz. É essa conexão que será usada para transmitir as conversas. Também é preciso pagar assinatura de R$ 35 e comprar um adaptador especial, chamado Voiceline, vendido pela empresa por R$ 399 (à vista) ou em seis parcelas de R$ 83.
Fazer o serviço funcionar é simples: primeiro, você conecta o modem da internet de alta velocidade ao adaptador Voiceline. Depois, você deve ligar um telefone convencional ao adaptador. Um outro cabo deve ser conectado ao PC, para que você continue navegando pela web em alta velocidade. Assim que todos os cabos forem conectados, você deve ligar o adaptador. O Voiceline configura-se automaticamente e está pronto para ser usado.
Na hora de fazer uma ligação, não há diferença em relação a um telefone comum: basta tirar o fone do gancho e discar um número, como você sempre fez. "Decidimos oferecer algo parecido com o telefone comum, pois é difícil mudar os hábitos das pessoas", disse Amilton de Lucca, diretor de Novos Negócios da TVA.
A principal diferença o assinante só vê na hora de pagar a conta: com o TVA Voz, as ligações interurbanas para qualquer local do País custarão R$ 0,19 por minuto (valor sem impostos). As ligações internacionais para 18 países (entre eles EUA, Argentina, Canadá, Inglaterra, França e Japão) custarão R$ 0,16 por minuto (sem impostos).
TELEFONE PORTÁTIL
Um diferencial do TVA Voz é que ele pode ser levado para qualquer lugar. Isso é possível pois o TVA Voz não depende de um cabo telefônico, como acontece nos telefones comuns. A linha está armazenada no adaptador. Na prática, quer dizer que você pode usá-la em qualquer lugar do mundo, desde que tenha uma conexão de banda larga disponível.
Você pode viajar para Londres, por exemplo, e conectar o adaptador ao serviço de internet do hotel. Na hora de fazer uma ligação, é como se você estivesse usando um telefone de São Paulo. A funcionalidade é atraente para profissionais que viajam muito ou para quem mora em São Paulo, mas tem parentes e amigos morando em outra cidade.
NÃO É PARA TODOS
O TVA Voz oferece vantagens na hora de fazer as chamadas, mas não é uma alternativa às linhas de telefone fixos convencionais. O motivo é o preço das ligações telefônicas dentro da cidade de São Paulo, que também custam R$ 0,19 por minuto (sem impostos). Uma mesma chamada feita por assinantes da Telefônica custa R$ 0,14 por minuto. "A idéia é que ele funcione como uma segunda linha telefônica", admite De Lucca, da TVA
Por isso, explica, o serviço será mais vantajoso para aqueles que fazem muitas ligações interurbanas ou internacionais. "O benefício é maior para esse público", diz.
Ele acredita que os principais usuários do TVA Voz serão aqueles que já são assinantes de algum pacote da TVA. Para esses, a empresa dará um desconto na mensalidade do novo serviço.
Para quem tem TV paga em casa, a assinatura do serviço será de R$ 25. Os assinantes do Ajato, acesso à internet de banda larga da operadora, estarão isentos dos R$ 35 mensais do TVA Voz.
"Nosso objetivo é ter cerca de 3 mil usuários do TVA Voz até o fim deste ano", disse. Atualmente, a TVA tem cerca de 295 mil usuários da TV por assinatura e 35 mil assinantes do Ajato.
Para poder usar o TVA Voz, é preciso ter uma conexão com a internet, mesmo que seja de outra operadora, como a Telefônica ou a Net. O passo seguinte é entrar no site www.tvavoz.com.br, para fazer a assinatura do serviço. Quem já é assinante do Ajato não paga a assinatura de R$ 35. Aqueles que possuem TV por assinatura em casa pagam taxa de R$ 25 por mês e os usuários que ainda não são clientes da TVA terão de pagar mensalidade de R$ 35. Depois, é preciso encomendar o Voiceline, adaptador que é ligado ao telefone e permite fazer as chamadas usando tecnologia VoIP. O aparelho custa R$ 399 e pode ser pago em até seis vezes de R$ 83 no cartão de crédito. Segundo a TVA, o Voiceline deve chegar em 48 horas à casa dos assinantes que moram em São Paulo. O TVA Voz funciona como um telefone celular pré-pago: ou seja, antes de falar, é preciso comprar créditos. Essa compra também é feita por meio do site e os clientes devem comprar, no mínimo, R$ 99,90 em créditos. A vantagem é que não há prazo para a utilização dos créditos. Os usuários ainda podem acompanhar o gasto de créditos pela web, à medida que fizerem as ligações. Pedro Marques - O Estado de São Paulo
 
TVA anuncia serviço de voz pela internet
27/6/2005
Contando com a penetração de sua TV por assinatura para atrair clientes para o serviço de telefonia sobre protocolo de internet (VoIP), a TVA anunciou o lançamento de um novo serviço, o TVA Voz. A iniciativa é uma parceria com a Primeira Escolha e a americana Net2Phone.
- O diferencial é a marca. É complicado associar uma tecnologia nova a uma empresa nova, porque gera desconfiança - afirma o diretor de Novos Negócios da TVA, Amílton de Lucca.
Pelo sistema da TVA, o aparelho telefônico é conectado à rede de banda larga e não é necessário estar com o computador ligado para fazer ou receber chamadas. O custo de aquisição do kit de instalação é de R$ 399 (à vista) e R$ 499 (parcelado em seis vezes) e a tarifação segue o sistema pré-pago. A carga mínima de crédito é de R$ 99, com prazo de utilização indeterminado, e pode ser efetuada através do site do TVA Voz. Além disso, há cobrança mensal de R$ 35 de taxa de manutenção. Assinantes da TVA pagam R$ 25 de mensalidade e usuários do serviço de banda larga AJato estão isentos da taxa.
Para utilizar o serviço, é preciso ter conexão em banda larga, de pelo menos 128 Kbps. De Lucca não recomenda o uso do VoIP em conexões compartilhadas em prédio devido à instabilidade.
A iniciativa completa o portfólio de triple play da TVA. Investidas como essas têm preocupado empresas de telefonia fixa, que vêem no serviço de VoIP uma válvula de escape de recursos.
Em nota ao Jornal do Brasil, a Telemar afirma que ''não faz sentido em qualquer mercado a competição de serviços regulados e fiscalizados com produtos não regulamentados e não fiscalizados. Nesta situação, os produtos não regulamentados são sempre predatórios e no caso do Brasil contrariam ao interesse público''. A empresa refere-se ao fato de o serviço de VoIP não ser regulamentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enfatizando que as teles têm compromisso com metas de universalização da infra-estrutura de telefonia.
Para De Lucca, no entanto, o seviço pode ajudar a quebrar o monopólio da telefonia fixa.
- Não é uma concorrência desleal porque uma tecnologia nova muda os conceitos e introduz características diferentes. Essas operadoras já poderiam oferecer o VoIP, mas não fazem porque podem cobrar muito mais por uma ligação com a estrutura atual. Marcela Canavarro - Jornal do Brasil
 

 
Imprensa & Jornalismo
Watergate: fim do mistério
27/6/2005
Saiba mais sobre as investigações de dois jornalistas que levaram um presidente dos EUA a renunciar ao cargo
Chega ao fim aquele que é considerado o maior mistério da história da imprensa mundial. Em sua edição de 1º de junho último, a revista norte-americana Vanity Fair confirma ser Mark Felt o "Garganta Profunda" ("Deep Throat"), provavelmente o personagem principal da maior história jornalística que o século 19 conheceu. Para avaliar a importância dessa revelação e, principalmente, compreender o extraordinário significado dos fatos que levaram à inédita - e, até agora, única - decisão de um presidente dos Estados Unidos (EUA) renunciar ao cargo, é preciso recuar no tempo.
1972: com esmagadora maioria de votos, tendo vencido em 49 dos 50 estados norte-americanos, Richard Nixon, veterano político direitista, do conservador Partido Republicano, era reconduzido à presidência da maior potência do planeta. Ouviam-se rumores, não mais que isso, de que seu comitê de campanha praticara atos delituosos. Até que um crime, aparentemente comum, permitiu que se começasse a desenrolar o fio da meada.
Esse fato, que se transformou no escândalo que expeliu Nixon da Casa Branca, foi a invasão da sede (edifício Watergate) do Partido Democrata (adversário dos republicanos) para a instalação de aparelhos de escuta clandestina (como se vê, não é de hoje que se fazem gravações dessa natureza...). Presos, os autores do crime foram identificados como militantes da causa anti-castrista, ou seja, direitistas que lutavam pela queda do regime cubano de Fidel Castro.
Dois jovens repórteres do jornal The Washington Post, Carl Bernstein e Bob Woodward, sempre apoiados pelo diretor de redação Ben Bradlee, jamais acreditaram que os autores do "grampo" contra os democratas fossem criminosos comuns, a agir autonomamente. Foram à luta e durante um ano deram sentido ao conceito de jornalismo investigativo. Acreditando que o episódio de Watergate não se esgotava em si mesmo, mas que poderia estar vinculado a "gente graúda", isto é, ao gabinete presidencial, os dois jornalistas perseguiram obsessivamente seu objetivo de desvelar o grau de responsabilidade dos que estavam no poder no ato praticado contra os adversários políticos.
O trabalho investigativo dos repórteres dependeu extraordinariamente do "Garganta Profunda" (apelido retirado de um filme pornô que fazia enorme sucesso à época). O informante se ofereceu para ajudar aos jornalistas, exigindo que sua identidade jamais fosse revelada. Os encontros entre os três aconteciam sempre em uma garagem, às duas horas da madrugada, em datas previamente agendadas. No início, o informante apenas confirmava ou desmentia as pistas seguidas pelos repórteres. Com o passar do tempo, fornecia-lhes dados preciosos.
Agora se sabe quem era "Garganta Profunda". Mark Felt pertencia à cúpula do FBI (a polícia federal norte-americana) e, com a morte de Edgar Hoover, imaginava-se o natural sucessor do todo poderoso homem que chefiou o FBI de 1924 a 1972. Contudo, Nixon optou por nomear outra pessoa. Certamente que um misto de revolta, decepção e a convicção de que poderia fazer algo para desnudar um governante desonesto impeliu Felt a colaborar com os jornalistas, municiando-os com o dossiê sobre a campanha de reeleição de Nixon que sua instituição produzira.
O resto da história é conhecido. Acuado, perdendo o apoio da opinião pública, da imprensa e dos políticos, cada vez mais pressionado pela Justiça, Nixon preferiu renunciar (9 de agosto de 1974), ante a certeza de que seria alcançado pelo impeachment. Acusado de obstruir a ação da justiça, além de abuso do poder presidencial, Nixon foi punido, fundamentalmente, por ter mentido. Três décadas depois, fica difícil imaginar que algo parecido possa novamente ocorrer nos EUA. Afinal, Bill Clinton mentiu ostensivamente no caso Mônica Lewinski e outra coisa não fez George W. Bush quando garantiu que Saddam Hussein dispunha de armas de destruição em massa, pretexto para a invasão do Iraque. Antonio J. Barbosa - Correio Braziliense
 

 
Informática
Seis pessoas trabalhando em um só computador
27/6/2005
Solução 6-em-1, desenvolvida pela empresa Insigne, pode ser uma boa opção para escolas, infocentros e ONGs e representa uma economia de até 60%
Os três estagiários da Anacont tinham de usar um único computador para consultar o andamento de processos judiciais movidos por essa entidade de defesa do consumidor do Rio de Janeiro. Desde o início do mês, eles não precisam mais se revezar no PC para atender os 45 mil associados. Vão ainda ganhar um reforço na equipe, com mais três colegas. O curioso é que todos continuarão usando um único micro - um micro com seis monitores, seis teclados e seis mouses.
Não é uma gambiarra. Trata-se de uma solução simples desenvolvida por uma empresa de Campinas (SP), a Insigne (www.insignesoftware.com), que lançou em abril o chamado Six System. A Anacont é o quinto cliente a adquirir o produto, que recebe só elogios do presidente da associação, José Roberto de Oliveira. "Funciona muito bem, e já estou pensando em usar outro para dar cursos no Sindicato dos Trabalhadores de Informática, onde sou diretor", diz ele.
Problemas nestas primeiras semanas de uso? "Só tive de colocar mais um ventilador na CPU, porque nosso ar condicionado não é bom", relata Oliveira. Não travou nem ficou lento, mesmo quando os três estagiários estavam no rush das consultas, garante. E o melhor: "Gastei um terço do que eu gastaria se fosse comprar seis computadores."
A economia se deve não só à abolição de cinco CPUs, o que já representa um custo até 50% menor, mas também ao fato de o Six System rodar com software livre, que não exige pagamento de licença. No total, o que sairia por R$ 14,3 mil com seis máquinas rodando softwares proprietários sai por R$ 5,3 mil com uma rodando software livre para seis usuários. Economia de pelo menos 60%. Como adicional, o cliente da Insigne paga mais R$ 864 por um ano de suporte técnico. É isso o que a empresa ganha no negócio, segundo João Pereira Júnior, um dos donos . "Damos a solução com software livre, o cliente compra o equipamento e nós vendemos o suporte", explica.
A Anacont tem o perfil do cliente imaginado pela Insigne para esta solução 6-em-1. Pereira conta que o Six System foi concebido para equipar - com orçamentos escassos - escolas, infocentros e ONGs, mas também cybercafés e empresas organizadas em "ilhas" de trabalho. "O Metrô de São Paulo funciona assim, e já apresentei a solução lá", conta.
Eles pensaram também em lan-houses, mas a estrutura em redes exigida nessas casas de games ainda é um obstáculo técnico, segundo o empresário - que trabalha com computadores desde que "a informática" nasceu no Brasil, nos anos 80.
Fora os obstáculos de rede, a CPU solitária do Six System é turbinada e adaptada o suficiente para suportar seis usuários simultâneos sem maiores perdas de desempenho - em tarefas típicas de um micro comum, claro. "Para ser preciso, digo que pode haver uma perda pequena de desempenho, mas não chega a 10%", afirma Pereira.
O Six System leva uma memória de 512MB de RAM, disco rígido de 20GB, seis placas de vídeo e cinco adaptadores USB para espetar teclados e mouses. A reportagem do Link fez um teste rápido num Six System instalado na sede da Insigne, e constatou que a navegação na internet, a execução de vídeos e arquivos de som, envio de mensagens e edição de texto, simultaneamente, não causou perda aparente de desempenho.
A "cara" dos programas também não chega a causar estranheza a quem, como 96% dos usuários brasileiros de computadores, está habituado ao padrão visual do Windows.
É a própria Insigne, com seus cerca de 20 colaboradores e funcionários da área de software, que produz o pacote de programas que rodam no Six System, e há uma preocupação no sentido de fazer uma solução amigável para o usuário. "O Open Office tem um visual muito favorável para quem está acostumado com o Microsoft Office, ele lê arquivos 'doc' e exporta seus arquivos para Microsoft Office, você não fica uma ilha", garante.
O pacote de softwares do Six System vem com exatamente cem programas não-proprietários, selecionados para cobrir todas as necessidades básicas de um usuário típico atual. O navegador de internet é o Mozilla, há o Acrobat Reader, leitor de arquivos PDF, o programa para e-mail Evolution, que ainda tem organizador de contatos e calendário, resumo de notícias e outras funções, há editores de som e fotos, gravador de CDs, etc.
O Six System foi apresentado pela primeira vez em 2004, numa feira em São Paulo, mas a Insigne não conseguiu atrair fabricantes para o projeto. Em abril passado, os sócios decidiram botar a idéia na rua por conta própria, e Pereira começou um road-show pelo Brasil.
"A maior dificuldade está na resistência em relação ao software livre, mas estamos conseguindo vencê-la", diz. Os estagiários da Anacont podem ajudar nessa tarefa. David Moisés - O Estado de São Paulo
 
Softwares carregam o PC Conectado
27/6/2005
A insigne é a mesma empresa que carrega software livre em PCs populares fabricados pela Positivo Informática - líder em vendas de desktops no País -, Semp-Toshiba, Novadata e Kelow. Com a Insigne, a Positivo saiu na frente e lançou um micro com as características do PC Conectado antes de o governo lançar o programa, em maio. O PC Conectado abre uma linha de crédito no BNDES para financiar computadores de até R$ 1.400, que rodem com Linux. Além disso, o governo dá isenção de PIS/Cofins, o que vale também para computadores com qualquer software que custem até R$ 2.500.
João Pereira Júnior, da Insigne, calcula que 230 mil micros com seu pacote já foram vendidos desde abril. O modelo de negócio é simples: cobra do fabricante apenas pelo suporte técnico ao usuário por um ano, o que dá R$ 864 por máquina vendida. O suporte pode ser renovado após um ano, mas Pereira não conta com isso. "Confiamos que nossos produtos não vão precisar de suporte técnico", diz ele, que contratou um pequeno helpdesk.
Pereira não é um militante do software livre, mas aposta nele para ampliar o número de usuários de PCs no País. Se depender da Positivo, o número vai crescer. "Vendemos cerca de 40 mil computadores nesta faixa", relata Hélio Rotenberg, diretor da empresa. Essas vendas "sedimentaram" a liderança no mercado e a tendência é aumentar o uso do software livre, diz ele. Hoje a Positivo produz 10% das máquinas com Linux, 50% com Starter Edition (Windows) e 40% com Windows XP. O Estado de São Paulo
 

 
Rádio
Consumo de rádio on-line
24/6/2005
A Audio Graphics publicou recentemente o relatório Radio Online - It's all about the Audience - V.2, que faz um resumo dos inquéritos RRadio Network já publicados (ao todo 31), desde Outubro de 2001, onde destaca as principais conclusões apuradas sobre as audiências das rádios on-line norte-americanas.
A RRadio Network é uma comunidade em crescimento de estações de rádio on-line que agregam as suas audiências para ganhar competitividade junto dos anunciantes. Desde Outubro de 2001 que os ouvintes das emissores que pertencem à rede RRadio Network respondem a inquéritos sobre os seus hábitos de audiência on-line, actividades on-line, acesso à Internet, percepções sobre a publicidade e anunciantes, entre outros assuntos.
O presente relatório assenta em mais de 45 mil respostas obtidas através de 31 inquéritos realizados pela RRadio Network entre Outubro de 2001 e Maio de 2005.
Neste relatório procede-se à caracterização dos ouvintes de rádio on-line pelo seu grau de escolaridade, religião, estado civil, etnia e rendimento do agregado, de forma a traçar o perfil do ouvinte-tipo deste tipo de emissão. 
São igualmente analisadas neste relatório as actividades que os ouvintes de rádio on-line realizam enquanto fazem a sua audição, os hábitos de audiência dos ouvintes deste tipo de emissão de rádio, e a tipologia de conteúdos das emissões de rádio on-line. Observatório da Comunicação
 
A audição de rádio on-line
24/6/2005
O relatório Radio Online - It's all about the Audience - V.2 publicado pela Audio Graphics, Inc. analisa os hábitos de audiência de rádio on-line.
No 11º inquérito, metade dos inquiridos indicavam já ouvir rádio on-line há mais de um ano, enquanto que cerca de um terço o fazia há cinco meses ou menos. A audiência de rádio on-line regista também frequência de audição elevada, sendo que 68% dos inquiridos afirma que esteve sintonizado em 5 ou mais dias.
Quando inquiridos sobre a satisfação que a rádio on-line oferece, mais de 40% dos inquiridos afirma que a sua rádio preferida o satisfaz a 100%.
Fonte: RRadio Network Online Radio Survey - 17 e 31
Quando questionados sobre quantos dias da semana anterior cada ouvinte acedeu à sua estação de rádio on-line favorita, 41,3% afirmam que o fizeram 5 ou mais dias e metade indica que o fez 4 ou mais dias.
Source: RRadio Network Survey 15 - July 5 - 23, 2003
Para perceber melhor o aumento de audiência das rádios on-line perguntou-se aos inquiridos as razões da sua opção por escutar rádio on-line em detrimento da audiência on-air. Para 33,3% dos inquiridos a principal razão é o facto das emissoras tradicionais não passarem as músicas que querem ouvir, para 28,2% a Rádio on-line é nova, para um quarto dos inquiridos as emissoras tradicionais têm muita publicidade e para 13% o sinal de rádio é fraco na sua zona de recepção. Observatório da Comunicação
 
A caracterização dos ouvintes de rádio on-line
24/6/2005
O relatório Radio Online - It's all about the Audience - V.2, da Audio Graphics caracteriza os ouvintes de rádio on-line pelo seu grau de escolaridade, religião, estado civil, etnia e rendimento do agregado, de forma a traçar o perfil do ouvinte rádio on-line. De uma forma geral o ouvinte de rádio on-line possui um grau superior de escolaridade, como também um rendimento familiar médio de 50 mil dólares por ano.
A audiência de rádio on-line não se limita a uma área geográfica, afirmando-se antes como uma experiência global. A evolução verificada pela comparação de três momentos distintos na série de inquéritos efectuados sobre, revela que, no que diz respeito ao local de residência dos ouvintes, um aumento de audiência um pouco por todo o mundo no período situado entre entre Abril de 2002 e Agosto de 2004, sendo que a diferença percentual entre os Estados Unidos da América tem vindo a diminuir.
Os ouvintes de rádio on-line registam um elevado grau de formação académica, sendo que 57,7% dos inquiridos possuem formação superior ou pós-graduação.
No que diz respeito aos rendimentos do agregado familiar, aqueles em que se inserem ouvintes de rádio on-line têm, de uma forma geral, rendimentos significativos, sendo que 45,1% dos agregados têm rendimentos anuais superiores a 50 mil dólares, verificando-se um crescimento de 2,6% entre Novembro de 2002 e Março de 2005.
Fonte: RRadio Network Survey 30 - Março 2005 e RRadio Network Survey 7 - Novembro de 2002
A nível de estado civil, segundo os dados recolhidos no inquérito 27 (entre Agosto e Outubro de 2004), 41% dos inquiridos são solteiros e 39,6% são casados.
No que respeita à religião e etnia dos inquiridos, a maioria professa uma fé diferente das apresentadas, sendo que entre as pré-indicadas, a religião católica é a que predomina entre os ouvintes de rádio on-line. A nível de etnia, a maioria são brancos (61,5% do total de inquiridos). Observatório da Comunicação
 
As actividades on-line dos ouvintes de rádio on-line
24/6/2005
O relatório Radio Online - It's all about the Audience - V.2, da Audio Graphics analisa as actividades que os ouvintes de rádio on-line realizam enquanto fazem a sua audição, sendo que a actividade mais referida são os negócios, seguidos da navegação na web.
Em relação à música digital, cerca de metade dos ouvintes de rádio on-line afirmam que não pagam pelos downloads de conteúdos de música que fazem na Internet. Observatório da Comunicação
 

 
Mercado de Comunicação
Copa do Mundo está 100% vendida nas Américas
24/06/2005, 17h54
A Copa do Mundo de Futebol 2006, que acontece na Alemanha daqui a um ano, foi 100% vendida para as Américas e também para a África. Curiosamente, na própria Europa, onde ocorre o torneio, as vendas ainda cobrem 75% dos países. A Infront, que desde 2001 comercializa os direitos da Fifa, acaba de fechar o torneio para o canal pago de Portugal Spor TV S.A. (que apesar do nome, nada tem nada a ver com o canal brasileiro, da Globosat), numa disputa acirrada naquele país, cuja seleção ainda está na disputa da vaga de classificação nas eliminatórias. Da Redação - PAY-TV News
 
AOL América Latina pede recuperação judicial
24/6/2005
Empresa recorre ao Chapter 11, que na nova legislação brasileira equivale a um pedido de recuperação judicial
A America Online Latin America Inc. entrou nesta sexta-feira com um pedido de renegociação monitorada de passivos, sob as normas do capítulo 11 da legislação falimentar americana.
O pedido foi protocolado no Tribunal de Falências do estado de Delaware, Estados Unidos. A AOLA arrolou bens avaliados em 28,5 milhões de dólares e débitos que totalizam 181,8 milhões de dólares, informa reportagem do serviço online do jornal americano The Wall Street Journal.
A maior credora da AOLA é sua controladora, a America Online, com dívidas que chegam a 160 milhões de dólares (leia reportagem da EXAME sobre como a história do provedor é uma sucessão de erros). Portal Exame
 
Premiação do país em Cannes é recorde
27/6/2005
Agências de propaganda brasileiras conquistaram um Grand Prix e 43 Leões na 52ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes. O número é recorde para o país. Em 2004, foram 41 prêmios no total.
Cannes é o mais importante festival publicitário do mundo. Neste ano, participaram 81 países da mostra, que reúne propagandas para cinema, TV, rádio, internet e mídia impressa. Folha de São Paulo
 
Cannes celebra a integração dos meios na propaganda
27/6/2005
Festival voltou este ano a premiar a ousadia, decretando o fim do ciclo do politicamente correto
A melhor imagem do Brasil no 52º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que terminou ontem, na francesa Côte d'Azur, foi a conquista, pela DM9DDB, do Grand Prix de propaganda na internet, que conduziu a agência de publicidade presidida por Sergio Valente ao prêmio de Agência do Ano na categoria Cyber Lions.
Essa premiação marca uma mudança importante no festival, pois o prêmio foi para uma agência de propaganda tradicional, e não para uma especializada em internet, a exemplo da AgênciaClick. Para o publicitário Nizan Guanaes, é uma prova de que a integração dos meios de comunicação, seja TV, rádio, jornal, revista, internet ou outdoor, veio para ficar. Segundo ele, mais que uma tendência mundial, é uma necessidade de grandes empresas para fixar suas marcas no mercado globalizado. Para Guanaes, esse movimento de integração tende a se ampliar com novas mídias, como os aparelhos celulares.
O festival deste ano marcou também o recorde brasileiro em premiações. Com os seis leões conquistados no sábado na categoria Film, o País atingiu 43 prêmios, ultrapassando o recorde anterior, de 41 leões, atingido no ano passado.
Com o Grand Prix em internet, porém, o Brasil mostra estar avançado no uso da internet na publicidade em relação à Europa, e encontrou mais rapidamente que os EUA, após o estouro da bolha dos altos e arriscados investimentos nesse meio de comunicação em 2000, caminho mais veloz de inclusão do meio nas estratégias de publicidade.
Mas é inegável que os EUA continuam avançados na construção de sites e novas ferramentas que facilitam o acesso a essa verdadeira aldeia digital nas telas dos computadores e celulares. É uma demonstração de que a chamada convergência de mídia veio para ficar.
MÍDIA
O Grand Prix de Media Lions, que premia trabalhos de escolha de meios de comunicação para a veiculação de uma informação ao consumidor, foi para os publicitários israelenses da Mediacom, de Tel-Aviv, que usou emissoras de televisão, outdoor e pontos-de-venda para veicular propaganda do sabão em pó Biomat, da Procter & Gamble. Um canal remetia para o outro, que completava a informação do anterior, mobilizando os consumidores.
Só que, se a DM9DDB foi a melhor imagem do Brasil em Cannes, a propaganda mundial mostrou grande mudança: a volta à ousadia e o fim das algemas do politicamente correto, para alegria de criadores mais audaciosos.
A seleção dos melhores comerciais de bebida alcoólica, onde as cervejas são o forte, são uma evidência. Se no Brasil, por decisão do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), não vale mais usar animais, que atingem o público infantil, nos EUA essa regra está mais flexível. Um comercial da cerveja Bud Light, a líder mundial na sua categoria, fabricada pelo grupo Anheuser-Busch, arrancou aplausos no famoso salão Debussy do Palais des Festivals de Cannes. Mostrava um rapaz brincando com um macaco que, para seu desespero, apanha a Bud Light, fica imitando os gestos do rapaz e abre alegremente a garrafa de cerveja. Nas peças impressas também predominou essa forte dosagem de irreverência, deixando de lado o politicamente correto ou esteticamente bonito.
O Grand Prix de peça impressa foi para a TBWA/Paris, com campanha para a gravadora EMI, se valendo de pichações em paredes para evidenciar o quanto ídolos da música perdem cada vez que o consumidor compra um CD, DVD ou vídeo pirata. Já o Grand Prix de outdoor, conquistado pelos chilenos da Ogilvy de Santiago para a dinamarquesa Lego, mostra uma peça de encaixe num prédio, dando a entender que foi montado com o famoso brinquedo.
O jurado brasileiro na categoria Press & Outdoor, o diretor da DPZ Carlos Silvério, disse ter saído convencido das extensas reuniões de que a criatividade, especialmente aquela capaz de transformar a realidade ao redor dos consumidores ou externar de forma extrema seus desejos, é que conquistou prêmios em Cannes.
Numa cerimônia em que se exige o smoking, muitos abriram mão da formalidade e usaram até camisetas, como as verde-amarelas com o número 9 que a turma da DM9DDB exibiu ao subir ao palco para domar o Grand Prix. É essa irreverência que aparentemente, na opinião dos jurados de Cannes, vai marcar a publicidade a partir de agora, muito mais integrada com outros meios de comunicação e bem mais disposta a avançar em novas mídias, como o prédio de Lego.
A intenção, é claro, será sempre a mesma: conquistar o consumidor, causar burburinho em torno da marca e a ela agregar valor resultante, sobretudo, do estar na boca do consumidor. Não importa se a campanha seja banida, importa é que seja falada. Carlos Franco - O Estado de São Paulo
 

 
Telecom
3G não deve ser para agora, diz Telebrasil
24/06/2005, 20h27
Na opinião do novo presidente da Telebrasil, Ronaldo Iabrudi, o governo brasileiro não deveria licitar este ano as licenças para 3G, porque os investimentos realizados para a implantação da segunda geração dos serviços móveis ainda não foi totalmente recuperado, e a terceira geração não representa avanços tão significativos que compensem os novos investimentos: "a equação econômico financeira não se verifica", afirma Iabrudi. A opinião do dirigente da, que também preside a Telemar, é a mesma o secretário executivo do ministério das Comunicações, Paulo Lustosa, que também não considera a implantação desta tecnologia prioridade. O ex-presidente da Telebrasil, e presidente do grupo Algar, Luiz Garcia, discorda o colega, contudo: "nós lutamos muito para atingir o atual estágio de desenvolvimento das telecomunicações e não podemos nos atrasar em relação ao que acontece na Europa e nos Estados Unidos. Não podemos ser castrados no nosso desenvolvimento". Iabrudi considera que a prioridade é a inclusão digital coletiva, ou seja: "precisamos oferecer acesso em locais em que se concentrem muitas pessoas, como escolas, postos de saúde, prefeituras, associações entre outras, e não nos preocuparmos tanto com o acesso digital individual".
Concordância
Os dois dirigentes empresariais concordam, porém, que em relação à discussão sobre o novo modelo de telecomunicações o setor saiu na frente: "os grandes objetivos do modelo anterior foram atingidos, e acredito que o governo deverá considerar as nossas ponderações", afirma Iabrudi sobre as propostas que a Telebrasil está discutindo sobre o assunto. Da Redação - TELETIME News
 
Anatel vai receber verba do Minicom
27/6/2005
O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Elifas Gurgel do Amaral, informou que foram liberados R$ 80 milhões ao Ministério das Comunicações, conforme publicado sexta-feira no Diário Oficial da União (DOU). Parte dos recursos será revertida à Anatel, mas Amaral não soube precisar o valor. O executivo garantiu que essa verba não está dentro da dotação orçamentária de R$ 90 milhões aprovada para este ano, dos quais foram liberados até o momento R$ 54 milhões.
Amaral acredita que não faltarão recursos para a contratação das consultorias e demais encaminhamentos da agência, inclusive a fiscalização das operadoras, considerada "altíssima prioridade". "Se faltar um carro, cedo o meu para um fiscal trabalhar", afirmou.
A Anatel conta com 700 concursados trabalhando, mas há falta de pessoal e o presidente da agência acredita que em breve haverá novo concurso.
Aumento único para tarifas
As tarifas telefônicas deverão receber aumento de 7,27% a partir de 2 de julho, de forma plana, ou seja, todos os componentes da cesta de tarifas terão o mesmo reajuste, disse Amaral, referindo-se à assinatura básica, bilhetação e pulso.
Desta vez, as operadoras devem abrir mão da prerrogativa de aumentar um dos itens da cesta mais que os demais. Tal prática ocorreu todos os anos desde a privatização, há sete anos, concentrando o maior peso do índice sobre a assinatura básica, de tal forma que ela foi objeto de aumento superior a 100% desde 1998.
Neste ano, segundo expectativa da Anatel, a assinatura não sofrerá outro impacto além dos 7,27%. Esse índice resulta do IGP-DI, de 8,35%, subtraído de um ponto porcentual devido à produtividade média do setor.
O presidente da Telemar, Ronaldo Iabrudi, confirmou a predisposição por parte das teles. "Contratualmente a gente pode pedir 9% em cima de qualquer item da cesta, mas a sensação é de que isto não vai ocorrer". Iabrudi acredita que o consumidor sai ganhando este ano, já que a Tarifa de Uso da Rede Local (TURL) teve 20% de produtividade e vai aumentar 7,27%, o que significa aumento negativo de 13%. O mesmo ocorreu com relação à tarifa local no Rio, cujo índice de produtividade foi 5%, levando o aumento a 2,94% negativos.
Manter o reajuste da assinatura básica no nível plano indica sensibilidade das teles frente às discussões que ocorrem no Congresso em torno da extinção da assinatura básica. A idéia preocupa seriamente as operadoras, que têm um terço de suas receitas vinculado à tarifa. Thais Costa - Gazeta Mercantil
 
Mudança de regras para as teles
27/6/2005
Do encontro de telecomunicações promovido pelo Painel Telebrasil na Bahia, da última quinta-feira até ontem, e que reuniu 280 executivos, poderá resultar a "Carta de Sauípe". Esta foi a promessa do secretário de Telecomunicações do Ministério de Comunicações, Mauro Oliveira, que enxerga nesta iniciativa um bom começo para se chegar a um novo arcabouço regulamentar das telecomunicações, que deverá ser produzido a partir de uma série de discussões previstas para o 2 semestre.
O objetivo é preparar o aperfeiçoamento do modelo em vigor hoje. Ficou claro durante o Painel Telebrasil que, embora haja muitas divergências entre os representantes do setor, não há quem discorde da necessidade de alterações das regras atuais. "Mesmo que muito se tenha feito nesses dez anos, não se pode dizer que todos os resultados da privatização sejam positivos, inclusive porque o FUST (Fundo de Universalização do Setor de Telecomunicações) não pôde ser utilizado até agora", disse Lopes.
O próprio presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Elifas Gurgel do Amaral, admite que não há concorrência na telefonia fixa. Thais Costa - Gazeta Mercantil
 
Governo e teles propõem mudanças
27/6/2005
Para consultorias dos dois lados, é necessário revisitar as regras que se tornaram obsoletas. Quase ao mesmo tempo, governo e operadoras telefônicas fixas começaram a levantar hipóteses para a formatação de um novo arcabouço de regulamentos para o setor que pode ou não interferir nos contratos de concessão a ser prorrogados em janeiro de 2006. Telefônica, Embratel, Brasil Telecom e Telemar estão comprometidas com a renovação junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A primeira medida tomada por parte das operadoras foi contratar um consórcio de consultorias - Guerreiro Teleconsult e Accenture - para levantar as condições de mercado e a partir das necessidades da sociedade propor novas regras. Ao mesmo tempo, o Ministério das Comunicações colocou-se a campo a fim de buscar a modernização das telecomunicações.
A força do tema ficou visível no Painel Telebrasil 2005, que reuniu 280 executivos de governo, operadoras fixas, fabricantes, fornecedores de serviços e consultores de quinta-feira até ontem, na Costa do Sauípe, na Bahia. Em uma participação inflamada, o assessor especial do ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa Filho, indicou o quadro da radiodifusão como o mais grave entre os problemas a serem resolvidos. As telecomunicações, por sua vez, "embora tenham tido sua divulgação mais recente, em 1997, enfrentam distorções que não podem acompanhar o assombroso dinamismo com que as novidades tecnológicas se apresentam, necessitando uma reestruturação imediata", disse.
O "triple play" (quando a operadora entrega telefonia, vídeo, áudio, acesso à web e banda larga), a transmissão sem fio, o tráfego de voz sobre a rede internet têm se desenvolvido sem que exista um rumo delineado para as companhias seguirem e definirem seus investimentos. "O próprio desenvolvimento tecnológico provocou sérias seqüelas, chegando mesmo a provocar o desaparecimento de magníficas estruturas", disse o assessor à platéia de executivos. "Ao manter o Estado como estupefato direcionador e normatizador das políticas de comunicação, agindo a comboio das satisfações e insatisfações corporativas, pouco se avançou com relação ao estabelecimento de uma estratégia de sustentabilidade e confiabilidade", prosseguiu. "A nova ordem tecnológica agirá como um verdadeiro tsunami, varrerá os ineptos, os métodos conservadores de gestão e os comportamentos vacilantes", continuou.
Segundo estudo da Guerreiro e Accenture, as previsões indicam que a receita proveniente do tráfego de voz diminuirá significativamente: de US$ 784 bilhões em 2004 para US$ 665 bilhões em 2008, em função de um conjunto de variáveis. A média de gastos com telefone móvel tende a cair, a Voz sobre IP (VoIP) ocupa 10% do tráfego sem fio e a tarifa VoIP é 50% da tarifa de fixo. As perspectivas são de um novo modelo de negócios baseado em tarifas flat e alavancado por receitas de conteúdo e novos serviços. Estimativas indicam que prestadoras européias podem alavancar ado em tarifas flat e alavancado por receitas de conteúdo e novos serviços. Estimativas indicam que prestadoras européias podem alavancar ar € 30 sobre a fatura média atual, sendo 7% de TV interativa, 15% de Personal Video Recording (PVR), 13% web browsing, 4% de jogos on-line, 16% de tráfego fixo e celular, 22% de vídeo sob demanda e 23% de vídeo telefonia. Ou seja, os serviços de comunicações deixarão de ser conectividade para representar uma experiência de consumo.
A consolidação de grupos de telecomunicações abrangendo regiões geográficas cada vez mais amplas caminha junto com a evolução tecnológica. Segundo as consultorias, na América Latina há três operadoras atuando: Telefônica, Telmex e TIM.
Os Estados Unidos passaram por um processo de aquisições e hoje cada operadora reúne mais de 40 milhões de clientes. Segundo Renato Guerreiro, o governo tem de ajudar nesse processo complexo de transição e a primeira providência é desfraldar a bandeira de que precisamos revisitar o modelo e atualizá-lo para os próximos dez anos. "Não se trata de uma quebra de modelo e sim de uma adaptação", disse o ex-presidente da Anatel. "Na Coréia, lembrou ele, juntaram o avanço das comunicações à educação, talvez devêssemos fazer o mesmo", concluiu. Afinal, o setor que movimentou 4% do Produto Interno Bruto (PIB) não pode ser maltratado, acredita o consultor. Thais Costa - Gazeta Mercantil
 
Novas regras para a telefonia fixa
27/6/2005
Vem aí uma revolução no setor: no final do ano vencem contratos de concessionárias como Telefonica, Telemar e Brasil Telecom
Sete anos depois da privatização do Sistema Telebrás, os serviços de telefonia fixa do País estão novamente prestes a passar por grandes mudanças. Na virada de 2005 para 2006, vencem os contratos que regulamentam a operação das concessionárias de telefonia fixa, como T


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