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CLIPPING DO DIA
22 de junho de 2005

Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

 
Legislação de Comunicação
Conteúdo multimídia é foco de discussão
Lustosa pede proatividade do setor de telecom
Anatel e Lustosa divergem sobre 3G
Entidades questionam encaminhamento do GTI
 
Política de TV por Assinatura
Conselho negocia metas para a TV por assinatura
ABTA é convidada para debater Plano Geral de Metas de Qualidade com CCS e ANATEL
 
Comunicação Comunitária
Rádios comunitárias são censuradas
 
TV a Cabo
TVA leva serviço de voz sobre IP para residências
TVA lança serviço de Voz sobre IP em parceria com a Primeira Escolha
TVA lança serviços VoIP para residências
TVA entra no mercado de telefonia via internet
TVA lança VoIP para uso residencial
TVA lança serviço de telefonia
 
Televisão
Minicom volta a cobrar prazo de pesquisadores
Na TV aberta, Copa está com a Rede Globo
Record e Band entram na disputa por Copa
"Alma Gêmea" propõe trama inverossímil
Primeiro capítulo em tom de 'Era uma vez'...
Concorrência salutar
 
Rádio
Bandnews FM usa vácuo da "Voz do Brasil" contra CBN
 
Sociedade da Comunicação
Casa Brasil quer levar biblioteca, rádios e tecnologia às 27 capitais
Governo lança edital do programa Casa Brasil
Sai edital para parceiros do governo federal no programa Casa Brasil
Pesquisa regional
 
Ciência & Tecnologia
País reduz investimentos em tecnologia
Metade da indústria brasileira tem baixo índice tecnológico
Tecnologia em baixa
 
Audiovisual
Paraná prepara-se para ser um pólo audiovisual
Longa brasileiro tropicaliza Cleópatra
Festival do Minuto de São Paulo escolhe os vencedores
 
Política
O muito que ainda pode ser feito
Gil diz que será mantido no cargo
Ex-secretária de Valério diz que foi ameaçada
'O dinheiro ia para Brasília e eles distribuíam lá'
Secretária muda depoimento
 
Imprensa & Jornalismo
A CPI e os desafios para a imprensa
O valor da cobertura não-burocrática
A batalha das versões
Dez perguntas e um segredo
Ofensa à dramaturgia
O cerco da imprensa ao governo Lula
Circulação cresce, mas crise persiste
O editorial interativo e o martini seco
"Confundir jornalista com ativista é burrice"
Anotações sobre procedimentos jornalísticos
"Mídia étnica" atinge 64 milhões de pessoas nos EUA
'El País' gratuito na rede
 
Informática
PCs no varejo já estão mais baratos
Varejo prepara campanha para PCs populares
Licitação vai escolher centros de informática
Imprensa e informática, desentendimento total
 
Internet
A "webcatarse" do cidadão desiludido
Tia Beeb, a rainha da net
Tão boa que atrapalha
Criança navega on-line antes de saber ler
Internet facilita "contrabando" de dados

Telecom
Anatel promete cumprir prazos de novos contratos
Infovia Brasil já está funcionando, mas lançamento oficial depende de agenda
SCM poderá ter número não-geográfico
Celular é o sexto produto industrial mais vendido no país
Mesmo sem assinatura, marco regulatório garante serviço
Demandas de projetos atingem R$ 400 milhões no Minicom
SCM precisa de plano de numeração para regular VoIP
SCM precisa de plano de numeração para regular VoIP
 
Litertatura e Mercado Editorial
Livraria faz encomenda recorde de 750 mil Harry Porter
 
Mídia Global
Centro austríaco desenvolve programa didático baseado no olhar
 

 
Legislação de Comunicação
Conteúdo multimídia é foco de discussão
21/06/2005, 22h21
O principal tema das discussões do painel que encerrou o seminário "Política de Telecomunicações", promovido pela Revista TELETIME nesta terça, 21, foi a questão dos conteúdos multimídia. Enquanto o "triple play" promete novos negócios para operadoras de telecomunicações e de TV por assinatura com base na convergência tecnológica e de serviços, as tecnologias digitais continuam a preocupar os radiodifusores. Para o conselheiro da Anatel, José Leite Pereira, o regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) é claro e não permite que o serviço se confunda com o prestado pelas televisões abertas. "É uma questão de se examinar caso a caso quando os serviços se confundem, mas não a ponto de impedir o desenvolvimento tecnológico do País", pontua Leite.
O vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, voltou a ressaltar que a radiodifusão é valorizadora dos princípios estabelecidos na Constituição com as especificidades locais e regionais do Brasil e que representa a identidade cultural do Pai, o que o caracteriza como Nação. "Se não examinarmos a regulação sob a ótica da Constituição, vamos analisá-la sob o que?", questiona Guimarães. A Vivo, segundo diretor de marketing de estratégia da operadora, André Mastrobuono, não pretende entrar na produção de conteúdo porque a vocação imediata da empresa é o provimento de acesso, mas pondera: "Quem tem competência não deve ter medo de concorrência, não pode ter medo de assumir o risco na competição. O consumidor deve ser livre para escolher o conteúdo" .
Para o diretor de regulamentação da Telemar, Alain Riviere, a convergência de serviços é importante para aumentar o uso das redes das teles e maximizar os investimentos com uma oferta convergente para atender à necessidade dos usuários por esses serviços. "A idéia de venda integrada é saudável e não significa uma verticalização do monopólio. São ofertas cruzadas, e não casadas. Não há necessidade de proibir a priori", comenta Riviere. Já o diretor executivo de assuntos regulatórios da Embratel, Luiz Tito Cerasoli, acredita que as empresas devem se adaptar à evolução tecnológica e prestar novos serviços. "Vamos oferecer VoIP, vamos ter banda larga e já temos um parceiro de conteúdo que é a Net. Faremos tudo o que a regulamentação nos permitir", afirma Cerasoli.
Regulamentação Como definiu o advogado Marcos Bitelli, há ainda um vazio regulatório no que se refere a conteúdos multimídia. O conselheiro da Anatel concorda, mas afirmou que a Anatel não deve interferir no conteúdo para não ser "atropelada". Ele ironiza: "Ela já vem sendo atropelada na sua área de atuação que é infra-estrutura, imagine o que aconteceria se interferisse no conteúdo?". Para o executivo da Globo, um ponto importante seria a separação clara entre distribuição e produção de conteúdo. "Se distribuição for diferenciada de produção de conteúdo, estamos caminhando para uma solução", conclui Guimarães. Da Redação - TELA VIVA News
 
Lustosa pede proatividade do setor de telecom
21/06/2005, 15h06
O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Paulo Lustosa, ao falar durante o evento "Política em Telecomunicações", organizado pela revista TELETIME, evitou entrar em detalhes em relação às possibilidades de uma reforma ministerial atingirem o Minicom, mas disse que a idéia é manter a orientação que vêm sendo dada ao setor de infra-estrutura, sem mudanças
bruscas.
Lustosa cobrou mais proatividade dos players do setor de telecomunicações.
"Vocês têm demandas, querem mudar algumas coisas, então é hora de buscar o ministério, a Anatel, e apresentar soluções. A sociedade tem que colocar suas demandas para o Estado". Segundo ele, até agora as empresas de telecomunicações ainda não se posicionaram formalmente. "Não esperem muletas oficiais."
Lustosa provocou as concessionárias fixas, que se queixam das obrigações colocadas em contrato e reivindicam regras mais flexíveis. "As regras existem desde sempre, isso nunca foi escondido de nenhum investidor", diz Lustosa.
Ele voltou a dizer que o Ministério das Comunicações está disposto a trabalhar em uma revisão das diretrizes regulatórias para os próximos dez anos, mas que isso deverá ser feito de forma flexível, com a ajuda dos setores envolvidos. "Não é ser governo de menos. Temos que buscar o governo essencial."
Radiodifusão
Lustosa voltou a criticar a postura dos setores de radiodifusão, que demandam proteções com o argumento de preservação do conteúdo nacional. "Não existe isso de 'faz uma lei aí para proteger o conteúdo nacional'. A tecnologia é dinâmica, as coisas estão mudando, e as soluções precisam ser criativas. As trocas culturais são inevitáveis", disse o secretário executivo. Da Redação - TELA VIVA News
 
Anatel e Lustosa divergem sobre 3G
21/06/2005, 21h16
São divergentes as visões da Anatel e do secretário executivo do Ministério das Comunicações sobre a questão da terceira geração de serviços móveis (3G). Elifas Gurgel do Amaral, presidente da agência, diz que está tudo preparado para a licitação de uma nova faixa de serviços móveis, mas isso dependeria de uma decisão política do governo, ou seja, de um sinal verde do Ministério das Comunicações. "Tenho certeza de que haveria demanda, porque já fomos procurados por operadoras interessadas", diz Amaral. Já Paulo Lustosa, secretário executivo do Minicom, não manifesta tanta convicção de que este seja o melhor momento para a introdução da nova tecnologia. "É uma opinião minha, não do ministério, mas tenho a impressão que ainda é cedo, que é uma coisa de uma operadora só, ou coisa para quem tem muito dinheiro", diz Paulo Lustosa, que também manifesta muita resistência em relação, por exemplo, à demanda de radiodifusores à TV de alta definição quando falam em TV digital. "Será que não vale mais a pena aproveitar mais a 2G?", pondera o secretário.
Lustosa disse que a Anatel ainda não enviou nenhuma solicitação sobre 3G para o ministério. "Quando isso chegar até nós, vamos avaliar." De acordo com o conselheiro da agência José Leite Pereira Filho, a Anatel tem condições de colocar o edital de 3G em consulta nos próximos meses, o que viabilizaria a licitação este ano. Leite é um dos defensores de que o processo para a 3G seja rápido, e também defende a alta definição para a TV aberta, ainda que essa não seja uma questão da agência, diz. Sondagens Ao sondar operadoras estrangeiras ainda não presentes no Brasil, como Vodafone e Hutchison, o conselheiro da agência tem ouvido mais ou menos o seguinte: "Lance as licenças que analisaremos se participaremos da licitação." O problema é que a Anatel primeiro gostaria de saber quem são os interessados antes de lançar a oferta. De qualquer forma, a agência trabalha no edital para este ano. "O importante é não querer ter arrecadação enorme na venda das licenças", afirmou o conselheiro. "Ganha quem oferecer infra-estrutura melhor, como cobertura, no sistema de pontuação." O conselheiro disse que a agência deverá fazer o possível para ter ao menos a quarta licença de serviço móvel em São Paulo, onde a densidade é menor que em outras praças, como o Rio de Janeiro. Outra questão é a baixa qualidade que, segundo Pereira Filho, se deve, em parte, a pouca competição no serviço móvel. Ainda há demanda no mercado e as operadoras se preocupam em conquistar clientes ao invés de melhorar o nível de serviço. Ele acredita que quando aumentar a competição com o quarto ou quinto competidor, ou quando a densidade atingir 50%, o serviço melhorará.
O conselheiro lembra que o core band do IMT2000 (padrão para a 3G) está totalmente disponível: "Temos muito espectro. Está na hora de ofertar essas freqüências." Ele acredita que a inclusão digital será facilitada quando houver 3G no Brasil e que aí se abre uma imensa oportunidade para desenvolvimento de software. "Não podemos perder a oportunidade de vender software", reafirmou o conselheiro. Da Redação - TELETIME News
 
Entidades questionam encaminhamento do GTI
21/6/2005
Quatro entidades da sociedade civil - o FNDC, a Campanha pela Ética na TV, o Congresso Brasileiro de Cinema e a articulação CRIS-Brasil -, enviaram na sexta-feira (17/6) uma segunda carta à Casa Civil da Presidência da República e ao Ministério da Cultura sobre o processo de construção da lei da comunicação eletrônica de massa (LCEM). O documento [veja a íntegra abaixo] questiona a ausência dos artigos 220, 223 e 224 da Constituição Federal na abrangência do decreto que estabelece um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para a elaboração do anteprojeto da LCEM, também conhecida como lei geral.
O texto aborda a importância do conteúdo dos dispositivos que não foram objeto do decreto mas que constam do rol de cinco artigos que compõem o capítulo de Comunicação Social na Constituição Brasileira. Em abril, as mesmas entidades haviam divulgado uma carta aberta onde reivindicavam assento no Comitê Consultivo vinculado ao GTI.
Entre outras questões, os signatários destacam o artigo 220, cujo parágrafo quinto define que os meios de comunicação social não podem ser objeto de monopólio ou oligopólio. Sobre este prisma, sustentam as entidades, enquanto o artigo não for regulamentado não haverá "uma definição formal sobre o que configura monopólio ou oligopólio". No artigo 223, que trata das concessões de emissoras de rádio e TV e define o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal, as entidades atentam para o fato de que, no Brasil, o sistema público é praticamente inexistente e precisa ser desenvolvido considerando a participação da sociedade e a representação de sua diversidade nos meios de comunicação. As entidades concluem que é indispensável, na elaboração da Lei, que todas as preocupações sejam levadas em conta, para que não se corra o risco de construir uma Lei Geral de Comunicação de Massa sem abrangência.
***
São Paulo, 17 de junho de 2005.
Aos Excelentíssimos senhores:
André Barbosa - Assessor especial, Casa Civil da Presidência da República
Israel Bayma - Assessor especial, Casa Civil da Presidência da República
João Luiz Silva Ferreira - Secretário Executivo, Ministério da Cultura
Orlando de Salles Senna - Secretário do Audiovisual, Ministério da Cultura
Prezados senhores,
A intenção do governo em promover a elaboração de uma Lei Geral de Comunicação de Massa, anunciada em janeiro pelo Presidente Lula, foi encaminhada por meio de decreto de 26 de abril de 2005, que estabelece um Grupo de Trabalho Interministerial "com a finalidade de elaborar anteprojeto de lei de regulamentação dos arts. 221 e 222 da Constituição e da organização e exploração dos serviços de comunicação social eletrônica".
Pelo decreto citado, não serão tratados na Lei, portanto, os artigos 220, 223 e 224 da Constituição Federal, que completam o rol de cinco artigos do capítulo de Comunicação Social. Não entendemos o motivo da não inclusão desses artigos no escopo de uma Lei Geral de Comunicação de Massa, uma vez que eles tratam de questões fundamentais para a redefinição democrática do marco legal do setor.
O artigo 220, entre outras questões, define que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio" (§ 5°). Esse parágrafo nunca foi regulamentado, o que faz com que não haja definição formal sobre o que configura monopólio ou oligopólio. Os únicos (poucos) limites de propriedade existentes datam da década de 60.
O mesmo artigo diz, em seu parágrafo 3°, que compete à lei federal "estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente". Essa definição relaciona o artigo 220 ao 221; é fundamental, portanto, que haja regulamentação também do primeiro.
O artigo 223, por sua vez, diz respeito às concessões de rádio e TV, e define o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. No Brasil, o sistema privado e o estatal, em especial o primeiro, são consolidados, mas o sistema público é praticamente inexistente e, a nosso ver, precisa ser desenvolvido e redefinido à luz do crescimento da participação da sociedade nos processos de comunicação e da necessidade de representação de sua diversidade nos meios de comunicação. Consideramos essa uma questão central a ser tratada pela nova lei, definindo condições para o estabelecimento de um sistema público, não-estatal e não-privado, e estabelecendo sua modalidade de gestão e financiamento.
O mesmo artigo 223 aponta, no parágrafo 4º, que "o cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão judicial". Contudo, hoje o Poder Judiciário praticamente não conta com referências legais que possam levar ao cancelamento da concessão. Essa ausência de referências permite que as emissoras de radiodifusão passem até quinze anos detendo uma concessão pública sem obrigação formal de prestar contas à sociedade. É essencial que esta relação seja regulada.
Por fim, o artigo 224, que estabelece o Conselho de Comunicação Social (CCS), também merece atenção, embora já tenha sido regulamentado em 1991. Uma Lei Geral de Comunicação de Massa que pretenda estabelecer a participação democrática nas definições sobre o setor não pode ignorar o papel desse Conselho. A existência de espaços que permitam a ampliação da participação da sociedade civil no processo de debate e formulação sobre políticas públicas deve ser assegurada e reforçada.
Tendo em vista as considerações acima, parece-nos fundamental que o governo reveja a decisão de tratar apenas dos artigos 221 e 222, e possa incluir também no escopo da Lei Geral de Comunicação de Massa os outros três artigos do capítulo da Comunicação Social na Constituição Federal.
Aproveitamos a oportunidade para afirmar também que, pari passu a estas questões, não podem ser ignorados dois processos fundamentais em curso: a discussão acerca da migração para a plataforma digital na radiodifusão de sons e imagens e a convergência tecnológica entre os diversos suportes para produção e difusão de conteúdos eletrônicos.
É fundamental que sejam levadas em conta essas preocupações na continuidade do processo de elaboração da lei, sem o que corremos o risco de termos uma Lei Geral sem a abrangência que se faz indispensável.
Atenciosamente,
** Campanha pela Ética na TV
** Congresso Brasileiro de Cinema
** CRIS Brasil - Articulação Nacional pelo Direito à Comunicação
** FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
e-Fórum - Observatório da Imprensa
 

 
Política de TV por Assinatura
Conselho negocia metas para a TV por assinatura
21/6/2005
Membros da Comissão de TV por Assinatura do Conselho de Comunicação Social (CCS) estiveram reunidos em Brasília na quarta-feira (15/6) com o superintendente de Fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ara Apkar Minassian, para tratar da proposta do Plano Geral de Metas de Qualidade para os Serviços de Comunicação Eletrônica de Massa por Assinatura (PGMQ-SCEMa).
No encontro, os representantes do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) na Comissão, Daniel Herz e Berenice Bezerra, apresentaram suas primeiras impressões sobre o texto aprovado pelo Conselho Diretor da agência reguladora. "Em princípio, estamos concordando com a Anatel em sua abordagem, mas achamos que ainda é restrita, que eles devem prosseguir com o processo de pesquisa e abranger outros itens", diz Herz. O CCS marcou uma reunião extraordinária para o próximo dia 30 de junho a fim de debater o tema e aprovar ou não o encaminhamento da Comissão.
Segundo Herz, até o momento a proposta da Anatel se apresenta limitada ao tratamento da qualidade nos serviços de atendimento ao público - telefone, balcão de serviços, assistência técnica, cobrança. Um sentido mais amplo na qualidade dos serviços deveria abranger, conforme solicitação da Comissão do CCS numa primeira análise do documento, itens como a satisfação do usuário e direitos do consumidor. Nesse aspecto, a Anatel já tem em andamento as consultas públicas n.º 584 e 582, ambas de dezembro de 2004, que tratam, respectivamente, da Proposta de Norma do Processo de Aferição do Grau de Satisfação da Sociedade com relação à telefonia fixa e móvel, à TV paga e a outros serviços de telecomunicações que vierem a ser agregados e da Proposta de Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes dos Serviços de Comunicação Eletrônica de Massa por Assinatura.
A Comissão pretende convencer a Anatel a incluir os resultados destas consultas no texto final do Plano Geral de Metas de Qualidade para que a norma fique completa a ponto de garantir o direito dos cidadãos de reivindicar, por exemplo, melhorias no conteúdo da programação das operadoras.
Fato inédito
A coordenadora da Comissão de TV por Assinatura do CCS, Berenice Mendes Bezerra, avalia que a Anatel foi receptiva às colocações da Comissão, inclusive sobre a impropriedade do uso da terminologia SCEMa, utilizada pela Agência para designar o conjunto dos serviços de TV por assinatura (cabo, DTH e MMDS). "Sugerimos que esse termo não fosse utilizado, porque é um serviço que ainda não está regulamentado", argumenta.
Daniel Herz considera que a sociedade em geral deve comemorar este feito já que é a primeira vez que a Anatel convoca o órgão auxiliar do Congresso Nacional para participar da formulação de uma norma. A consulta ao CCS sobre alterações na regulamentação do segmento está prevista na Lei do Cabo (lei 8.977/95), mas o governo federal nunca havia cumprido esta determinação. Ana Rita Marini - e-Fórum - Observatório da Imprensa
ABTA é convidada para debater Plano Geral de Metas de Qualidade com CCS e ANATEL
Na semana passada, dia 15, a ABTA participou, como convidada, da reunião realizada entre membros da Comissão de TV por Assinatura do Conselho de Comunicação Social (CCS) e a ANATEL, que teve como objetivo debater a proposta do Plano Geral de Metas de Qualidade para os Serviços de Comunicação Eletrônica de Massa por Assinatura, expostos ao setor através da consulta pública 575. Estiveram presentes na reunião o diretor-executivo da ABTA, Alexandre Annenberg, e Diône Craveiro, diretor do escritório da associação em Brasília. As observações apresentadas pela ABTA reiteraram a necessidade de a proposta não coibir a competitividade do setor, que pode ser entendida como o melhor instrumento indutor da qualidade dos serviços prestados aos assinantes, bem como as diferenças existentes entre as diversas empresas operadoras da indústria de televisão por assinatura, que abrangem espectro muito amplo com relação a tecnologia, abrangência territorial e tamanho (número de assinantes).
Até o dia 30 deste mês, a comissão deverá apresentar suas considerações finais ao Plenário do CCS. ABTA em Ação - Assessoria de Imprensa ABTA
 

 
Comunicação Comunitária
Rádios comunitárias são censuradas
21/6/2005
Até o dia 20 de maio, seis rádios comunitárias foram fechadas em São Gonçalo, no Estado do Rio, por funcionários da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As rádios Novo Ar, Virtual, Itaúna, Redenção, Vibração e Adonai tiveram seus equipamentos lacrados.
Entretanto, a Radiodifusão Comunitária Novo Ar, situada no bairro de Alcântara, voltou às atividades normais no dia seguinte. A reação, que pode ser vista como um ato de rebeldia por alguns, teve fundamento na constatação de ilegalidade do lacre, uma vez que o município dispõe da Lei 019/2001, amparada na Constituição Federal, que garante o funcionamento das rádios em território gonçalense.
O artigo 223 da Constituição, porém, limita a permissão da licença ao Congresso Nacional; o Ministério das Comunicações entrou com processo de inconstitucionalidade da lei municipal de São Gonçalo. Todavia, as rádios não poderiam ter sido fechadas, já que a contradição entre as duas leis ainda não foi julgada.
Serviços à comunidade
No ato de fechamento, os ouvintes da Novo Ar, 105,9 FM, fizeram um protesto, pessoas passaram mal e a polícia interveio para conter o tumulto. Também foram organizadas 11 mil assinaturas em 15 dias em forma de abaixo-assinado contra a Anatel.
O pedido de concessão foi feito em 2000, de acordo com a Lei 9.612/1998, que regula o funcionamento das rádios comunitárias no Brasil. Mas está arquivado no Ministério das Comunicações. Segundo a pesquisa de Cristiano Aguiar Lopes, da UNB, é praticamente impossível a conquista da concessão sem apadrinhamento político. "Apadrinhar vários partidos querem, mas os partidos querem fechar um apoio, e nós somos comunitários", afirma Rubenir Rocha, diretor de programação da Novo Ar.
A rádio funciona há nove anos, prestando serviços à comunidade, sem fins lucrativos. Transmite programas educativos e de utilidade pública; já ganhou prêmios, promove cursos de capacitação, como um pré-vestibular comunitário da Comnar (Comunidade Novo Ar), que conta com 26 professores e 250 alunos entre 18 e 60 anos e um curso de informática. Na Comnar há também uma estação digital, coordenada por Graciene Cunha, com 14 computadores no Telecentro e 915 usuários e quatro computadores na sala de leitura, que comporta 4 mil livros. Além disso, a comunidade reúne 45 artesãos cadastrados: a exposição e venda dos trabalhos na sede contribui para o orçamento familiar. Júlia Gaspar - Estudante de Jornalismo das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro - Observatório da Imprensa
 

 
TV a Cabo
TVA leva serviço de voz sobre IP para residências
22/6/2005
A TVA, operadora de telecomunicações via cabo do grupo Abril, lançou ontem em São Paulo um serviço de voz sobre IP para o mercado residencial na capital paulista. O serviço será alternativa de telefonia em São Paulo, com oferta de linha com numeração diferenciada e transmissão da voz pelo aparelho telefônico tradicional.
A empresa se associou à Primeira Escolha, operadora com licença de telefonia fixa local, para poder oferecer a linha com numeração.
O serviço não está restrito a assinantes do serviço de TV por assinatura da TVA ou do Ajato, sua opção de internet em banda larga. A expectativa é que, até o final deste ano, 3.000 usuários adquiram o produto. Valor Online - Folha de São Paulo
 
TVA lança serviço de Voz sobre IP em parceria com a Primeira Escolha
21/6/2005
A TVA lançou hoje, 21, o TVA Voz, serviço de Voz sobre Ip que irá oferecer ao usuários de banda larga na cidade de São Paulo, em parceria com a operadora Primeira Escolha. Segundo a empresa, esse lançamento abrange o conceito de triple play (TV por assinatura, Internet banda larga e telefonia) o que a consoldaria como uma operadora de multisserviços. Até o final do ano, o serviço estará disponível também no Rio de Janeiro. O diferencial em relação aos outros serviços, de acordo com a TVA, é a possibilidade de o assinante ter um número telefônico para receber e realizar chamadas. O serviço será comercializado por meio do sistema pré-pago e por minutos, e os preços serão iguais em qualquer horário do dia e da semana. Além disto, as ligações, utilizando um número local com o prefixo 11-2424.XXXX, serão gratuitas entre usuários do TVA Voz, ou seja, assinante TVA para outro assinante da operadora. Telecom Online
 
TVA lança serviços VoIP para residências
21/06/2005, 17h38
Foi anunciado nesta terça-feira, dia 21, o lançamento comercial do serviço de VoIP da TVA para os clientes residenciais, o TVA Voz. O serviço, que requer uma conexão de banda larga, está sendo ofertado em parceria com a prestadora de serviços telefônicos de longa distância Primeira Escolha - a detentora de licença de STFC, e dona do código 24 - e tem como um dos seus atrativos a portabilidade (o cliente pode "carregar" consigo sua própria linha), a exemplo dos outros modelos baseados em VoIP disponíveis. O modelo proposto pela operadora é o da auto-instalação. O assinante que contratar o serviço da TVA ganha o prefixo 2424. Os primeiros clientes em potencial da TVA Voz são os seus 35 mil assinantes do serviço de banda larga, o Ajato, e também os assinantes do serviço de TV - todos têm descontos na mensalidade do serviço. Mas a operadora espera atrair, sob o argumento da maior economia em especial nas ligações internacionais de longa distância, todo cliente de banda larga - a TVA se baseia em pesquisas de mercado mundiais que indicam que 70% dos clientes de banda larga desejam ter VoIP. O custo de entrada na TVA Voz é de R$ 399, preço da caixa, que é fornecida pela Inomedia e fruto de uma negociação global feita pela Net2Phone (parceira tecnológica do projeto) e feita via Coréia. Até dezembro deste ano, as ligações entre assinantes TVA Voz serão gratuitas. Interconexão De acordo com Amilton de Lucca, diretor de novos negócios da TVA, e Mário Leonel Neto, presidente da Primeira Escolha, o fato de o serviço gerar uma situação em que ligações internacionais saem mais em conta do que as próprias ligações locais se deve às próprias regras de interconexão praticadas no Brasil. "O preço do 'pedágio' pago pelas entrantes no segmento é muito alto, mas temos esperanças de que isto melhore", afirma Mario Leonel, admitindo que a tarifa de interconexão é de longe o maior custo da Primeira Escolha - responde por mais de 50% dos seus custos hoje. O modelo de cobrança inicial do TVA Voz será mesmo o de minutagem, mas a idéia dos operadores é ao longo do tempo transformá-lo em "flat fee", ou seja, uma tarifa mensal fixa. Os assinantes de TV paga da TVA, bem como os assinantes do Ajato, têm descontos na mensalidade do serviço, cujo valor mínimo fica em R$ 25. Quanto à compra dos minutos, ela acontece pelo sistema pré-pago, ao valor mínimo de R$ 99 - não há prazo de expiração para estes créditos. O serviço foi formatado para aquisição total via internet, através dos sites da operadora. O acesso às contas também poderá ser feito online. "Imaginamos que em até dois meses nosso cliente recupere seu custo de entrada, uma vez que se trata de um público-alvo com gastos médios de telefonia fixa de R$ 300 a R$ 400 ao mês", afirma Lucca.
Preços
As tarifas por minuto da TVA Voz estão em: R$ 0,16/minuto para ligações internacionais; R$ 0,19/min para ligações locais; e R$ 0,79/minuto para telefones móveis celulares. As estimativas para os primeiros meses parecem modestas: a TVA Voz espera vender 3 mil linhas residenciais em São Paulo (capital) até o final do ano e dobrar o número das atuais mil linhas corporativas. "Vemos o primeiro ano de oferta como um período de apredizado", afirma Amilton de Lucca; ele não crê que a operadora vá disputar neste momento mercado com as redes de telefonia fixa, pois acha que num primeiro estágio o TVA Voz entrará mesmo como a segunda linha do domicílio. Para Vito Chiarella, diretor comercial e de relacionamento com clientes da TVA, a oferta inaugura de fato na operadora o "triple play" - que tem como vantagem as maiores taxas de retenção e fidelização de assinantes e possibilitada pelo "bundle" de serviços. Edianez Parente - TELETIME News
 
TVA entra no mercado de telefonia via internet
21/6/2005
Em parceria com a operadora paulista Primeira Escolha, empresa de TV por assinatura e internet rápida entra no mercado de VoIP para brigar pela economia As diferenças entre uma empresa de televisão paga e uma operadora de telefonia agora são zero. A TVA, empresa de TV por assinatura do grupo Abril, que edita EXAME, lançou nesta terça-feira (21/6) o TVA Voz, serviço de telefonia pública, baseado na tecnologia VoIP (voz sobre internet protocol). O negócio foi estruturado junto com a Primeira Escolha, operadora de telefonia com licença para atuar na região do DDD 11, no estado de São Paulo. Segundo Amilton de Lucca, diretor de Novos Negócios da TVA, o novo serviço vai, num primeiro momento, concorrer pela demanda pela segunda linha telefônica da residência Mais do que aumentar a base de clientes dos serviços de TV por assinatura e internet banda larga da TVA - hoje, cerca de 293 mil, sendo 250 mil só em São Paulo e Rio de Janeiro -, o TVA Voz permitirá a redução do número de assinantes que cancelam os serviços. A desistência dos clientes da TV por assinatura está em torno de 1%, e a saída dos usuários do Ajato, serviço de internet rápida da companhia, é de 0,5%. "Com a fidelização do cliente com o TVA Voz, poderemos chegar a zero nesses dois percentuais", diz Lucca. Com o novo serviço, o usuário conseguirá reduzir em até 50% os custos com ligações internacionais e interurbanas com uma surpresa: o custo da chamada para 18 países será mais barato do que para uma cidade em outro estado. (Veja tabela abaixo). Quem for assinante Ajato ou assinar Ajato e TVA estará isento da mensalidade de 35 reais. Quem for assinante somente da TVA terá um desconto de 10 reais.
Para aderir ao serviço, o usuário precisa comprar o aparelho que permite o uso simultâneo do computador, ligado em conexão banda larga, e do telefone. Ao contrário de outros serviços VoIP, em que a pessoa faz uma ligação telefônica utilizando o microfone e a caixa de som do computador, o TVA Voz permite que a ligação seja feita direto do aparelho telefônico. O usuário ganhará um número que terá como DDD e prefixo 11-2424 e permanece com esse mesmo número independentemente de onde ele esteja. Apesar de não estar presente com sua rede de cabos em estados como Pernambuco, um consumidor pernambucano pode comprar o serviço e usar a sua linha VoIP. "Da mesma forma, o usuário do serviço pode levar o seu número [conectando-se em uma rede de internet rápida através do seu aparelho decodificador] para qualquer lugar do mundo", afirma o presidente da Primeira Escolha, Mario Leonel Neto.
Rede WI-FI
A evolução do TVA Voz já está sendo estudada. Segundo Lucca, uma possibilidade é transformar o telefone do serviço em móvel, utilizando a rede Wi-FI. Testes já estão sendo feitos mas não há uma data precisa para o lançamento. Confira os preços:
Veja os custos pelo TVA Voz
Ligação interurbana  R$ 0,19/ minuto
Ligação internacional  R$ 0,16/ minuto
Ligação para celular  R$ 0,79/ minuto
Ligação entre usuários do TVA Voz  gratuito até dezembro
Fonte: TVA
Karla Spotorno - Portal Exame
 
TVA lança VoIP para uso residencial
22/6/2005
A TVA anunciou ontem o lançamento de seu serviço de Voz sobre Internet Protocol (VoIP) para clientes residenciais, em parceria com a operadora de telefonia Primeira Escolha e a americana Net2Phone. A TV por assinatura do grupo Abril espera conquistar 3 mil clientes para o TVA Voz até o fim do ano. O número representa quase 10% da base atual de 35 mil de assinantes de banda larga da TVA, que está isenta da mensalidade de R$ 35 cobrada dos usuários de acesso rápido de outros provedores para utilizar o novo serviço.
Os clientes de TV por assinatura da operadora, hoje em 293 mil, pagarão uma taxa mensal de R$ 25. A TVA venderá ainda o aparelho adaptador, que divide a conexão de banda larga entre o computador e telefone, por R$ 399. O alvo inicial para o serviço de VoIP são as pessoas com gastos entre R$ 300 e R$ 400. O diretor estima uma economia média de 50% na conta telefônica do usuário. "Se ele ligar para outro TVA Voz, não pagará nada (até dezembro). Nas chamadas locais, os benefícios não são tão grandes", afirmou o diretor de novos negócios da operadora, Amilton de Lucca.
O serviço será oferecido no modelo pré-prago. A carga mínima de crédito é de R$ 99, com prazo de uso indeterminado. O cliente pagará R$ 0,16 o minuto, sem contar impostos, nas ligações internacionais, para 18 países. Nas locais, o valor é superior, de R$ 0,19, e para celulares, de 0,79. "As operadoras entrantes têm de pagar o famoso pedágio, o que não é barato. O usuário paga mais para fazer uma chamada doméstica do que uma ligação para fora do País", afirmou o presidente da Primeira Escolha, Mário Leonel, acrescentando que a tarifa de interconexão representa o maior custo para a operadora. "Varia de acordo com o local, mas sem dúvida é superior a 50%", disse.
Diferentemente do serviço de VoIP lançado pela TVA para o mercado corporativo no final de 2004, o assinante residencial terá um número de telefone para realizar e receber chamadas. A operadora conta hoje com mil linhas para o serviço corporativo. A meta é atingir 2 mil neste ano. Ana Carolina Saito - Gazeta Mercantil
 
TVA lança serviço de telefonia
22/6/2005
Operadora inicia oferta para cliente residencial e corporativo em parceria com a Primeira Escolha
 A TVA anunciou, nesta terça-feira (21/06), o início da oferta de serviço de telefonia. A operadora de TV a cabo passa agora a contar com o chamado Triple Play: voz, dados e imagem, todos por um mesmo acesso. Qualquer consumidor poderá contratar a TVA para telefonia fixa, mesmo não sendo cliente da empresa em banda larga ou TV por assinatura. O produto batizado de "TVA Voz" utilizará a estrutura da operadora de telefonia IP Primeira Escolha, que é quem detém a licença de STFC para operar.
Os assinantes do Ajato (banda larga da TVA) pagam somente pelas ligações. Clientes somente da TV por assinatura pagam uma mensalidade de R$ 25, além do custo das chamadas, enquanto quem não possuir nenhum produto da TVA terá que pagar R$ 35 de mensalidade, mais tarifa das chamadas. Em todos os casos, o assinante precisa comprar um modem que transforma a voz em dados e vice-versa, que custa R$ 400. De acordo com o diretor de novos negócios da TVA, Amilton de Lucca, o investimento no equipamento tem retorno em dois ou três meses. "Depende da quantidade de ligações que o cliente faz, mas a economia média chega a 50%." A estimativa é de que sejam vendidas 5 mil linhas do TVA Voz até o final de 2005. Atualmente, a operadora de TV a cabo possui 35 mil assinantes de seu serviço banda larga e 295 mil de TV. Gustavo Casadio - Revista de Negócios em Telecomunicações
 

 
Televisão
Minicom volta a cobrar prazo de pesquisadores
21/06/2005, 21h32
O Ministério das Comunicações volta a afirmar que a escolha do padrão de TV digital precisa acontecer no prazo estabelecido. "Tem o prazo de 10 de dezembro que os pesquisadores precisãrão cumprir. Com todo respeito às instituições de pesquisa, não podemos esperar mais. A América Latina espera o Brasil para tomar uma decisão, e as coisas estão acontecendo no mundo, não dá para esperar mais", diz Paulo Lustosa, secretário executivo do Minicom, se referindo ao prazo que as entidades de pesquisa contratadas para trabalhar no Sistema Brasileiro de TV Digital têm para entregar seus estudos. A partir desta data, o governo tem dois meses para chegar a uma decisão. Lustosa, contudo, não se alinha aos radiodifusores no que diz respeito à defesa da alta definição. "Na minha opinião, isso é coisa para rico e não pode ser uma prioridade", pondera, repetindo a mesma consideração em relação à terceira geração dos serviços móveis. Da Redação - TELA VIVA News
 
Na TV aberta, Copa está com a Rede Globo
21/06/2005, 16h33
Na TV aberta brasileira, a única emissora a ter os direitos garantidos para a transmissão da Copa da Alemanha é a Globo. A rede ainda não divulgou seus planos comerciais e de transmissão do evento - nem mesmo se existe a possibilidade de repassar seus direitos a alguma outra emissora, uma vez que a Globo dificilmente vai ter interesse e espaço para transmitir todas as partidas do campeonato, em especial as das primeiras rodadas. Espera-se para agosto uma definição por parte da emissora. No evento da Fifa Copa das Confederações, atualmente em curso também na Alemanha, a Globo repassou os jogos com a TV Cultura - que diz que pagou pelos direitos, em cifras não divulgadas. A Cultura transmite o torneio na íntegra - que na TV fechada também está com Bandsports e SporTV (exceto jogos da seleção do Brasil). A Rede Record também tem sido uma parceira na divisão dos direitos com a Globo, tendo exibido torneios como a Copa do Brasil, o atual Campeonato Brasileiro e o torneio Mundial Sub-21, também da Fifa. Edianez Parente - TELA VIVA News
 
Record e Band entram na disputa por Copa
22/6/2005
As TVs Record e Bandeirantes decidiram negociar com a Globo a compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2006. A Globo, que detém os direitos, deve abrir negociações em julho, após a Copa das Confederações, que ocorre na Alemanha.
A Folha apurou que a Globo pedirá US$ 15 milhões de cada uma das TVs abertas interessadas em dividir com ela as transmissões. Há dúvidas se esse valor é viável comercialmente para Record e Band. Estima-se que elas terão que faturar pelo menos R$ 120 milhões para bancar esse custo.
Ao contrário da Copa de 2002, a Globo decidiu abrir mão da exclusividade no Mundial de 2006. Com o Mundial do Japão e Coréia, pelo qual pagou US$ 220 milhões, a Globo declarou em balanço um prejuízo de R$ 315 milhões (incluindo o canal pago SporTV).
Pela Copa de 2006, a Globo tinha se comprometido em 1998 a pagar US$ 240 milhões. Conseguiu, após disputa judicial, renegociar esse custo para US$ 80 milhões (dos quais US$ 8 milhões serão arcados pelo SporTV). Mesmo assim, a Copa de 2006 está cara para a rede, que teria que faturar cerca R$ 500 milhões (todo o faturamento anual declarado da Record) para ter lucro.
Assim, a Globo vai tentar tirar das emissoras concorrentes US$ 30 milhões. Se conseguir, já terá um bom resultado caso fature com publicidade na Copa entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões.
OUTRO CANAL
Passaporte Além de Globo e SporTV, a Copa de 2006 já está confirmada no canal pago BandSports, do grupo Bandeirantes. O canal pagará US$ 1,5 milhão pelo Mundial mais a Copa das Confederações. Daniel Castro - Folha de São Paulo
 
"Alma Gêmea" propõe trama inverossímil
22/6/2005
"Alma Gêmea ", a nova novela das 18h da Globo, é uma superprodução, um exagero do exagero "melô" com doses de misticismos, regados a efeitos especiais fantásticos: da ascensão da alma à queda do labirinto da vida para encarnar em um inverossímil parto indígena.
A novela de Walcyr Carrasco, dirigida por Jorge Fernando, desperdiça qualidade de produção em uma fábula moralista.
A força inexorável do destino define, nos acasos e acidentes da vida, a sorte dos personagens. Rafael (Eduardo Moscovis), moço bem comportado, faz fortuna graças ao trabalho sério na pesquisa e cultivo de um dos símbolos máximos do amor romântico: a rosa. Sua felicidade encantada é interrompida pela morte trágica e prematura da mulher amada, a bailarina Luna (Liliana Castro).
O sofrimento genuíno do jovem viúvo será, no entanto, recompensado pela volta da mulher reencarnada em uma índia (sic), que será magicamente atraída ao varão pela imagem onírica da rosa. As referências são literais demais. O roseiral vermelho onde o personagem colhe todo ano um buquê-oferenda constitui o cenário bucólico ideal para o romantismo barato da história.
Foi com a negação dessa fórmula anódina que a novela se estabeleceu nos anos 70 como um produto estratégico na televisão brasileira.
Perversamente, é com a afirmação da receita que o gênero mantém uma certa posição de destaque na grade das emissoras de TV aberta nesse início de milênio.
Novelas como "Alma Gêmea" ou "A Escrava Isaura", remake recente e bem-sucedido da Record pouco exigem do público. Tampouco estimulam. Pertencem a uma categoria de programa que se adequa bem às definições mais pejorativas da TV. Não fazem diferença, a não ser como reforço de estereótipos e maniqueísmos. Apostam na mera reprodução de idéias, por isso podem ser logo esquecidos. ESTHER HAMBURGER - Folha de São Paulo
 
Primeiro capítulo em tom de 'Era uma vez'...
22/6/2005
O primeiro capítulo de "Alma gêmea", nova novela das seis da Globo, foi, para usar uma expressão adolescente, muito fofo. A trama tentou conquistar o público com um estilo conto de fadas. Walcyr Carrasco, o autor, deixou que a personagem de Walderez de Barros, a Adelaide, avó de Luna (Liliana Castro), ilustrasse o tom: "Diz a lenda que cada um de nós procura sua alma gêmea para se tornar um só corpo. E que quando este encontro mágico acontece é porque uma alma gêmea reconheceu a outra".
Beleza plástica e muita caricatura
Seguem-se cenas de muita beleza plástica, algum equívoco em figurinos (sobretudo o de Luna) e interpretações bem caricatas. A alegria de Raphael (Du Moscovis) ficava estampada o tempo todo num sorriso que não deixava a menor dúvida. Cristina (Flávia Alessandra), a vilã desprezada, também não escondeu do público seu ódio com caretas transparentes. Era quase um teatro e os atores pegaram bem esse espírito.
Para ilustrar o clima de alegria total que imperou durante os quase 60 minutos, o diretor Jorge Fernando pôs um desfile circense, como já se viu em outras obras dele ("Chocolate com pimenta"). A passagem do tempo foi bem feita e proporcionou ao público uma cena rara em início de novela: o casal se casou, teve um filho e viveu feliz. Até que...
Como é perigoso falar em linguagem nova para um estilo quarentão de telenovelas com seguidores de excelente memória, arrisco a dizer que o fenômeno da morte de Luna foi, pelo menos, diferente. Carrasco mergulhou fundo no misticismo espiritualista. A idéia é fazer o público pensar que Luna renasceu em Serena (Priscila Fantin), indiazinha que vinha ao mundo no exato momento que a estrela cadente caiu na Terra.
Pode dar certo. Afinal, exemplos seguidos mostraram que o público desse horário quer sonhar e prefere novelas de época. "Alma gêmea" cumpre bem este objetivo e, já no primeiro capítulo, em São Paulo, conquistou 35 pontos de média e 53% de share , muito bom para o horário. O Globo
 
Concorrência salutar
22/6/2005
Sílvio Santos pode ser acusado de tudo, mas desse negócio chamado televisão ele entende. Bastaram dois simples golpes, o relançamento da novela "Xica da Silva", exibida na década passada na falecida Manchete, e o simples anúncio da contratação da jornalista Ana Paula Padrão, para neutralizar as principais concorrentes e tranqüilizar a vidinha do seu SBT. Cessou por completo todo barulho que vinha sendo feito sobre o risco da sua vice-liderança ser incomodada.
De qualquer forma, o aumento dessa competitividade entre as nossas emissoras é altamente salutar e acaba proporcionando bons resultados para todo mundo. é inegável reconhecer que a Record deu um salto de qualidade na sua programação, inclusive abrindo mão de programas que só serviam de escada para a elevação dos seus índices. Um desses casos é o "Cidade alerta", que depois de ameaçar várias vezes, foi definitivamente para o "chuveiro".
E o que é melhor: fontes responsáveis da emissora revelam que, no caso desse policialesco, não tem volta. é uma decisão definitiva. O "panorama das corridas" é animador e com perspectivas interessantes ao longo de toda a tempo, se as principais redes, incluindo-se aí SBT, Record e até Bandeirantes colocarem em prática todas as suas promessas. Tribuna da Imprensa
 

 
Rádio
Bandnews FM usa vácuo da "Voz do Brasil" contra CBN
22/6/2005
Emissora da Band mantém programação normal das 19h às 20h, quando a da rádio da Globo sai do ar
Se na TV a Bandeirantes está longe de incomodar a Globo, no rádio a história é bem diferente.
Há um mês no ar, a Bandnews FM tirou da CBN -do grupo Globo- o status de única FM jornalística e, nesse novo Fla-Flu do dial, conta com ao menos três vantagens em relação à concorrente: permanece no ar durante "A Voz do Brasil", anuncia seus destaques na TV e é veiculada apenas em FM, o que possibilita o uso de linguagem mais "jovem".
No ar também em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio, a Bandnews é transmitida em São Paulo pelos 96,9 MHz, da antiga Sucesso. Com pagode, sertanejo e afins, foi número um no Ibope de 1996 (quando chamava-se Cidade) até 2001. No último ranking antes de ser vendida para a Band, estava em 8º lugar (a CBN, em 15º).
é numa liminar obtida pela Sucesso que a Bandnews se respalda para não levar ao ar a obrigatória "Voz do Brasil". Não é o caso da CBN (90,5 MHz em SP), que retransmite o programa gerado pela Radiobrás (empresa de comunicação do governo). A Bandnews aproveita o vácuo, das 19h às 20h, para conquistar os ouvintes da CBN, principalmente com informações sobre trânsito.
Deita e rola também em dias "quentes", como quando José Dirceu pediu demissão da Casa Civil. Livre da concorrente, mantém transmissões de discursos ao vivo e entrada de repórteres com as últimas informações políticas.
Outra arma da Bandnews FM é a utilização das demais mídias do grupo para anunciar sua programação. Há duas semanas, por exemplo, um programa da TV Bandeirantes divulgou debate entre governadores que seria realizado pela FM. Um outro embate entre governantes na rádio foi transmitido simultaneamente pelo canal pago de TV Bandnews.
Marcello D'Angelo, diretor-geral da Bandnews FM, afirma que há uma busca por "sinergia" com os outros veículos da casa.
"Prova disso é o fato de termos colocado o Carlos Nascimento [apresentador da TV Bandeirantes] no ar na FM das 7h às 9h, horário nobre do rádio", diz.
Não é o caso da Globo, que resiste em inserir emissoras de rádio no chamado "cross media".
Linguagem
D'Angelo encara o fato de a Bandnews não ser veiculada simultaneamente em AM, como é o caso da CBN, como uma vantagem. "Podemos utilizar uma linguagem própria da FM, mais arejada, dinâmica", afirma.
Ele diz que a Bandnews utiliza um formato inovador no país, com jornais completos de 20 em 20 minutos. "é um conceito inspirado em uma rádio que faz muito sucesso em Nova York, a 10 10 Wins. A cada 20 minutos, um âncora diferente entra no ar."
Segundo o diretor, é uma maneira de o ouvinte obter as principais informações do dia durante um trajeto de carro.
"Temos pesquisas mostrando ser esse o tempo mínimo que uma pessoa permanece no veículo. Se ficar mais, não terá repetição, porque os três jornais de cada hora são diferentes."
Ainda é cedo para dizer se a Bandnews já conseguiu "roubar" ouvintes da concorrência.
Tão ágil no caso da TV -com audiência medida em tempo real, o Ibope ainda faz relatórios trimestrais para o rádio. Assim, só daqui a dois meses o mercado poderá saber como ficou a disputa após a estréia da Bandnews.
A favor da CBN pesam a tradição, a infra-estrutura das Organizações Globo e uma pesquisa que mostra resistência dos ouvintes em alterar as estações memorizadas nos aparelhos de rádio. Laura Mattos - Folha de São Paulo
 

 
Sociedade da Comunicação
Casa Brasil quer levar biblioteca, rádios e tecnologia às 27 capitais
21/06/2005, 19h11
Brasília - "Sem conhecimento e educação, não há como superar as condições de miséria. E este é um projeto barato que mobiliza a comunidade e distribui conhecimento", avalia Sérgio Amadeu, presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). Junto com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o instituto lançou hoje (21) o edital do Programa Casa Brasil, que visa combater a exclusão digital e social.
O projeto vai receber investimento de quase R$25 milhões do governo federal para a implantação de 90 unidades do Casa Brasil, contemplando todas as capitais brasileiras. A Casa Brasil funcionará como centros de alfabetização tecnológica e de lazer.
Em cada unidade constará um telecentro comunitário composto de, no mínimo, dez computadores, auditório, sala de leitura, espaço multimídia, rádio comunitária, biblioteca popular, laboratório de popularização da ciência e módulos de presença do governo federal. As Casas Brasil serão implantadas nos locais com menor qualidade de vida, maior índice de violência e grande densidade populacional.
O ITI espera que o projeto atinja de 3 a 5 mil usuários por mês, em cada unidade do Casa Brasil. O secretário de Inclusão Digital, Rodrigo Rollemberg, acredita que o Casa Brasil será uma oportunidade de melhoria da qualidade de vida da população. "Para disputar o mercado ou fazer alguma atividade que gere renda é preciso estar sintonizado com as tecnologias de informação e de comunicação. Esse programa melhorará a capacitação desses trabalhadores e abrirá novos horizontes", afirmou.
O governo federal financiará a instalação das unidades e a manutenção delas no primeiro ano de implantação. Nesse período está prevista a compra de equipamentos e móveis, além de gastos com reformas, adaptação do local e pagamento de bolsas para os monitores de cada unidade. Os parceiros locais deverão disponibilzar o espaço para a instalação das unidades e realizar outras ações que visem à sustentabilidade do projeto. Karina Cardoso - Portal da Cidadania - Radiobrás
 
Governo lança edital do programa Casa Brasil
21/06/2005, 6h46
Brasília - O Ministério da Ciência e Tecnologia e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), da Casa Civil da Presidência da República, lançam hoje, às 15 horas, o edital de criação do Programa Casa Brasil, destinado a facilitar o acesso da população de baixa renda à internet. O governo federal vai investir no programa R$ 24,3 milhões.
Ao todo, serão instaladas 90 unidades do Casa Brasil, onde funcionarão, reunidos em cada uma delas, um telecentro comunitário composto de pelo menos 10 computadores com conexão banda larga, um estúdio multimídia capaz de oferecer oficinas de gravação e tratamento de áudio e vídeo, uma oficina de rádio, uma biblioteca popular, um auditório para 50 pessoas, um laboratório de divulgação da ciência, módulos de representação do governo federal, além de acesso a informações sobre a obtenção do microcrédito.
Além de servir como ponto de acesso público e gratuito, a Casa Brasil atuará como centro de aprendizado, permitindo a familiarização de seu público alvo com as novas tecnologias de informação e comunicação. Na fase inicial do projeto serão instaladas unidades em bairros das capitais brasileiras com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e grande densidade populacional, preferencialmente que tenham níveis de violência e desemprego elevados.
Para o lançamento do edital de criação do programa, que será realizado no auditório do MCT, está prevista a presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, do secretário de Inclusão Social do MCT, Rodrigo Rollemberg, do presidente do ITI, Sérgio Amadeu, e do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Erney Camargo. Portal da Cidadania - Radiobrás
 
Sai edital para parceiros do governo federal no programa Casa Brasil
21/6/2005
O edital para seleção de parceiros da União no programa Casa Brasil, lançado nesta terça-feira no MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), prevê o financiamento de até 90 espaços comunitários com acesso livre e gratuito à internet para a população carente. "A Casa Brasil é um espaço público de difusão da ciência e tecnologia nas regiões mais pobres do país, um locus de promoção da inclusão digital", disse Luis Fernandes, secretário-executivo do MCT. Os núcleos das Casas serão os telecentros, com 10 a 20 computadores conectados à internet em alta velocidade. As propostas para implantação das unidades - que podem partir de associações, fundações, ONGs, universidades, institutos de pesquisa, prefeituras e governos estaduais, entre outros - devem ser encaminhadas ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) até 5 de agosto. Terão prioridade localidades de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), grande densidade populacional, alto nível de desemprego e violência. As Casas Brasil serão instaladas em prédios públicos já existentes e o governo federal ficará responsável por: reforma, contratação de bolsistas e sua capacitação, mobiliário, equipamento de informática, pacotes de software livre e manutenção por um ano. Os parceiros devem comprometer-se a manter as Casas funcionando por pelo menos mais dois anos. O governo prevê que as unidades estejam em funcionamento até o final de 2005. O investimento nas primeiras 90 unidades é de R$ 25 milhões. A intenção é que no futuro o programa chegue a mil unidades. O edital para compra de equipamentos e mobiliário, ainda sem data para publicação, ficará a cargo do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação). Patricia Costa - Telecom Online
 
Pesquisa regional
22/6/2005
Boris Tabacof, diretor do Departamento de Economia (Decon) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), divulga hoje os resultados da pesquisa sobre o nível de emprego regional referente ao mês de maio de 2005. Estarão presentes o diretor adjunto do Ciesp Piracicaba, Pedro Luiz da Cruz, o diretor corporativo de Recursos Humanos do grupo Cosan, Luiz Carlos Veguin, e o diretor de Assuntos Governamentais e Institucionais da Caterpillar Brasil, José Otávio Bruller.
Parintins via satétile
A Amazônia Celular inova este ano na tradicional Festa de Parintins, de 24 a 26 de junho na ilha amazonense. Parte dos R$ 800 mil investidos na ação de marketing garantirá que, pela primeira vez no mundo, seja disponibilizado por satélite a tecnologia GSM EDGE (serviço de transmissão de dados em alta velocidade). A meta é garantir que os visitantes do Brasil e de outras partes do mundo estejam bem servidos com qualidade para originar e receber ligações durante todo o evento.
Acima da média
O setor de segurança continua em velocidade de cruzeiro. A Fort Knox, empresa especializada na área de segurança patrimonial, fechou o primeiro trimestre do ano com faturamento de R$ 12,8 milhões, um aumento de 23,5% em relação ao mesmo período de 2004. No ano passado, as vendas atingiram R$ 46,8 milhões, com crescimento de 36% em comparação a 2003. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança, o setor cresceu 10% em 2004.
Telecom em debate
A Motorola estará presente no 49 Painel Telebrasil, que acontece no Hotel Sofitel, na Costa do Sauípe (BA), de 23 a 26 de junho, e reúne representantes do governo, operadoras de telefonia fixa e móvel, provedoras de serviços corporativos, TV por assinatura e radiodifusão, bem como executivos de alto nível das principais empresas nacionais e internacionais de tecnologia. Durante o evento, no sábado, José Geraldo de Almeida, diretor de desenvolvimento de novos negócios de Soluções de Rede da Motorola, fará uma palestra sobre o tema "Além da Inclusão Digital - sociedade de informação móvel e possíveis adaptações do modelo regulatório".
Sem medo do dentista
A Nobel Biocare, líder mundial em soluções estéticas dentárias inovadoras, acaba de apresentar ao mercado, durante o World Conference em Las Vegas, o lançamento de 560 produtos. Baseadas em implantes, coroas e pontes, todas as soluções visam minimizar o tempo do paciente no consultório, melhorar a produtividade e gerar resultados mais duradouros e bem-sucedidos para dentistas, pacientes e laboratórios. A empresa, que atua no setor de dentisteria estética há 40 anos, teve em 2004 uma receita de laboratórios. A empresa, que atua no setor de dentisteria estética há 40 anos, teve em 2004 uma receita de de € 338 milhões.
Ocesp, 35 anos
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, confirmou presença na festa de 35 anos da Organização das Cooperativas do Estado de S. Paulo (Ocesp), entidade fundada pelo seu pai, Antonio Rodrigues Filho. Ex-presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e dirigente cooperativista, Rodrigues prestigia o evento que marca também o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado no primeiro sábado de julho por mais de 800 milhões de cooperativistas do mundo.
Relação entre empresas
A Amcham Brasil realiza nesta quinta-feira, em sua sede em São Paulo, a 3 Networking Night, que tem como objetivo promover a melhoria das relações entre as empresas e criar um ambiente favorável para os negócios. A expectativa é de 500 participantes. Na ocasião, produtos e serviços serão apresentados aos presentes. Inscrições gratuitas no site www.amcham.com.br/eventos.
Mercado de capitais
Uma das mais bem-sucedidas estratégias da Bovespa - o programa Bovespa Vai Até Você - chega a Belo Horizonte, entre hoje e sexta-feira, para um ciclo de seminários didáticos sobre o mercado de capitais exclusivo aos empregados da Usiminas. A siderúrgica tem se destacado na Bovespa, com suas ações figurando entre as de maior liquidez. Gazeta Mercantil
 

 
Ciência & Tecnologia
País reduz investimentos em tecnologia
22/6/2005
Indústria brasileira só aplica 0,6% do faturamento em inovação, um terço do nível de países desenvolvidos
Na contramão do mundo, a indústria brasileira retrocedeu em pesquisa e desenvolvimento, alheia à política industrial do governo. Empresas com os piores níveis de investimento em tecnologia aumentaram a participação no valor da transformação industrial - o que se poderia chamar de PIB do setor, o total de riquezas geradas - de 50,56% em 2000 para 52,49% em 2003. São unidades que aplicam menos de 0,36% da receita em desenvolvimento tecnológico, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Industrial Anual (PIA).
O dado colocou o Brasil na lanterna dos países que buscam agregar valor a seus produtos. O setor investe apenas 0,6% da receita em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, um terço do que aplicam os países ricos, com média de 1,8% do faturamento destinado à tecnologia. Só 9,9% das empresas da indústria possuem alta tecnologia.
- A pauta de exportações em expansão, ainda que venha se diversificando, apresenta forte contribuição da agroindústria, em segmentos que não possuem alta tecnologia - explica o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales. - E o consumo interno em 2003 perdeu fôlego por causa da queda da renda, afetando possivelmente os investimentos.
O economista David Kupfer, do grupo de Indústria da UFRJ, acredita que o avanço percentual das empresas com investimento em inovação muito baixo sinaliza que a indústria brasileira vive uma ''especialização regressiva''.
- Em 2003, só o setor exportador foi bem. Assim, os resultados indicam que estamos nos especializando cada vez mais em vender commodities. Num prazo maior, será difícil manter positivo o saldo da balança comercial.
Com investimento de 1,3% da receita em pesquisa, as empresas de alta tecnologia são recompensadas por uma produtividade duas vezes superior à média, aponta a PIA. A produtividade média do setor é de R$ 68 mil por cada trabalhador mensalmente. O valor passa a R$ 141 mil no grupo de atividades de alta intensidade tecnológica.
O refino de petróleo apresenta a maior produtividade. Empregando apenas 0,71% da mão-de-obra da indústria - e com pesados investimentos, as refinarias obtêm ganho de R$ 1,3 milhão de produtividade por trabalhador. O refino, sozinho, responde por 20% de todo o investimento do parque fabril, com R$ 249 milhões por empresa. Fábricas de celulose e papel, cigarros, produtos químicos e de material eletrônico e de comunicações completam o ranking da produtividade, nesta ordem. Os maiores investidores em pesquisa e tecnologia são as empresas de transporte, que destinam 2,72% da receita a pesquisas.
Os setores de alimentos, têxteis, mobiliário, mineradoras e combustíveis nucleares são atividades com baixa intensidade tecnológica. Sem aposta em pesquisas, apresentam produtividade 36% menor que a média. A receita média, de R$ 4,2 milhões, também fica aquém da média geral, de R$ 7,1 milhões. Sabrina Lorenzi - Jornal do Brasil
 
Metade da indústria brasileira tem baixo índice tecnológico
21/6/2005
Pesquisa do IBGE mostra que 53% das empresas investem pouco em pesquisa e desenvolvimento. O resultado são receitas 40% menores que a média nacional Quanto maior o investimento em pesquisa e desenvolvimento, maior é o faturamento da empresa e também o salário dos funcionários. A informação faz parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA), divulgada hoje (21/6) pelo IBGE e realizada em 2003. Somente 9,9% das empresas instaladas no país podem ser classificadas como de alta intensidade tecnológica. O título é concedido às companhias que investem entre 0,96% e 2,72% do seu faturamento em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D). O estudo comprova o baixo nível de tecnologia da indústria: 53% do parque instalado tem a pior classificação, ou seja, investem apenas 0,21% do faturamento em P&D. Segundo o IBGE, essas indústrias têm, em geral, receita 40% menor do que a média do país. O resultado não é ruim apenas para a empresa, que tem menos receita e produtividade. Os trabalhadores também sofrem, já que seus salários são bem menores do que os de profissionais em empresas com alto índice tecnológico. Nessa categoria, encontram-se as indústrias de álcool e elaboração de combustíveis nucleares e de bebidas e alimentação. Os grandes investidores em pesquisa e desenvolvimento no Brasil são as empresas de transporte, puxadas sobretudo pelo setor aéreo. Em 2003, eles injetaram 2,7% de seu faturamento em projetos de P&D. Portal Exame
 
Tecnologia em baixa
22/6/2005
Na contramão do que desejam os especialistas, a indústria brasileira de alta intensidade tecnológica (que inclui fabricantes de automóveis, celulares, máquinas e equipamentos de informática, entre outros) emagreceu no triênio 2000-2003. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, nesses três anos, caiu em quase dois pontos percentuais a participação das empresas que mais investem em inovação (de 0,49% a 2,72% das receitas líquidas de vendas) na geração de riqueza do setor. Em 2000, 49,44% do valor da transformação industrial (espécie de PIB do segmento) saíram das firmas de alto ou médio-alto investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Três anos depois, a proporção estava em 47,51%, segundo a Pesquisa Industrial Anual, a PIA Empresa 2003.
Em contrapartida, aumentou de 50,56% para 52,49% a participação das empresas de baixa e média-baixa intensidade tecnológica na riqueza industrial. Não por acaso, são estas indústrias as responsáveis por alguns dos itens mais exportados pelo Brasil nos últimos anos: as matérias-primas básicas e semimanufaturadas. O coordenador de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, acha que o período 2000-2003 é curto para determinar uma mudança estrutural no perfil da indústria. Mas reconhece que a queda de participação das firmas intensivas em tecnologia está relacionada ao crescimento das exportações combinado ao baixo vigor do mercado interno naqueles três anos:
- O período foi marcado pelas exportações de itens básicos e agroindustriais, que estão relacionados às empresas de baixa intensidade tecnológica. Além disso, o mercado interno não foi determinante no crescimento econômico.
Setor tecnológico é mais produtivo
Apesar do recuo, as indústrias de alta intensidade tecnológica continuam sendo as que mais agregam valor à produção do setor. Sozinhas, responderam em 2003 por 30,46% do valor produzido pela indústria (ao todo, R$ 403,7 bilhões). Elas têm os maiores índices de produtividade e pagam os salários mais altos, embora representem menos de um décimo do total de empresas e cerca de 15% da mão-de-obra. Segundo o IBGE, três de cada quatro empregos da indústria estão nas firmas de baixo e médio-baixo investimento em P&D.
- O setor industrial de alta e média-alta intensidade tecnológica tem alta magnitude na produção de riqueza, enquanto os demais são os grandes responsáveis pelo emprego. Portanto, não se pode descuidar nem de um lado nem do outro e a pesquisa, felizmente, mostra um certo equilíbrio - assinala Júlio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Almeida atribui a perda de participação das indústrias intensivas em tecnologia ao intervalo de tempo particularmente negativo. Em 2001, lembra, o país enfrentou o racionamento; em 2002, houve a corrida presidencial; e no ano seguinte, a recessão. Para Almeida, é normal que os setores avançados sofram mais em períodos de conjuntura desfavorável. Ele prevê uma mudança no cenário a partir de 2004, quando a indústria de alta tecnologia teria crescido acima de 10% e a de baixa, menos de 6%.
O mercado interno, no ano passado, também se recuperou, notadamente a demanda por bens duráveis, relacionados à produção intensiva em tecnologia. As exportações de alto valor agregado também têm crescido: automóveis, aviões e bens de capital em 2004; celulares em 2005. Apesar disso, as vendas de produtos básicos e semimanufaturados ainda sejam fortes, especialmente para mercados como o chinês. Estudo recém-concluído pela economista Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, metade das vendas brasileiras para a China é de produtos agrícolas e extrativistas, apesar de as empresas que negociam com aquele país sejam as mais eficientes e inovadoras do Brasil.
A pesquisa do IBGE comparou ainda os níveis de investimento em P&D da indústria brasileira aos dos países da OCDE - que reúne quase todas as nações européias, EUA, Canadá e México, Austrália, Japão, Coréia do Sul e Nova Zelândia. Os gastos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil equivalem a um terço da média da OCDE: 0,6% das receitas líquidas de vendas, contra 1,8%; nas nações mais ricas, como EUA, Alemanha e Franças, o investimento em P&D alcança 3,2% do faturamento.
A PIA Empresa é realizada anualmente desde 1996. Para a edição divulgada ontem, o IBGE investigou 42 mil empresas: todas as 30 mil indústrias do país com 30 ou mais funcionários e 12 mil com cinco a 29 empregados. Ao todo, o setor emprega 5,9 milhões de pessoas e paga salário médio de R$ 1.072 por mês.
Do total produzido, 64% se concentram nas grandes empresas, as que têm mais de 500 funcionários. Elas também respondem por 75% dos investimentos do setor e 56% da massa salarial. Em 2003, a industrial investiu 15,22% de seu PIB (não estão incluídos os setores de construção civil nem os serviços industriais de utilidade pública). O volume de investimentos caiu em relação a 2002, quando alcançou 15,87%, e foi o mais baixo desde 2000 (14,54%). Flávia Oliveira - O Globo
 

 
Audiovisual
Paraná prepara-se para ser um pólo audiovisual
22/6/2005
A atriz e professora Íttala Nandi vai coordenar a Escola Superior de Cinema e TV, que será aberta em agosto para alunos de todo o continente
O Paraná está prestes a ser tornar um novo pólo de cinema. Em agosto, será inaugurada a Escola Superior Sul Americana de Cinema e TV - CineTVParaná. Localizada no Parque Newton Freire Maia, em Pinhais, região Metropolitana de Curitiba, uma área de 100 mil metros quadrados até então utilizada para exposições e feiras de tecnologia, a escola é resultado de investimento audacioso de cerca de R$ 2,5 milhões do governo paranaense e terá coordenação-geral da atriz Íttala Nandi.
Para ela, o desafio foi um presente. "Como tudo na minha vida, o convite para o projeto veio por acaso. Estava em cartaz com a peça DNA - Nossa Comédia quando recebi a notícia. No dia seguinte, estava pegando um avião para conhecer o projeto", conta. "As instalações já estão quase concluídas e a parte administrativa também. Além disso, teremos auditório e várias salas de aulas teóricas."
Segundo Íttala, a central de produção será a área mais importante da escola. "É onde os alunos vão aprender a fazer cinema em parceria com produtores paranaenses e de outros Estados." Haverá também um teatro, para apresentações de grupos locais ou de outros pontos do País, um teatro ao ar livre e um circo (a Intrépida Trupe já foi escalada para fazer a primeira apresentação). "Pretendemos fazer parcerias com indústrias paranaenses, que poderão dar seus nomes às salas de aula. Em troca, seus funcionários ganham descontos e ingressos para nossos eventos. É um trabalho de responsabilidade social."
Na semana passada, Íttala se reuniu com Orlando Senna e Tarso Genro e fechou acordos de cooperação. Destaque para a Mostra de Cinema Latino-Americano, com apoio do Ministério das Relações Exteriores, umas das atrações da inauguração da escola. "Tarso Genro sugeriu que o curso seja um bacharelado e que haja também doutorado. Vamos contar ainda com o apoio do Canal Brasil Internacional. Estou muito satisfeita." Flávia Guerra - O Estado de São Paulo
 
Longa brasileiro tropicaliza Cleópatra
22/6/2005
Novo filme de Julio Bressane traz Alessandra Negrini no papel da rainha egípcia e Miguel Falabella no de Júlio César
No lugar do rio Nilo, o mar de Copacabana. Em vez da aridez da paisagem do deserto egípcio, a exuberância da mata atlântica. No papel de Júlio César, Miguel Falabella; no de Cleópatra, Alessandra Negrini; e no de Marco Antônio, Bruno Garcia.
A primeira versão cinematográfica em língua portuguesa do maior mito feminino da Antigüidade foi tropicalizada. "Cleópatra", novo longa-metragem de Julio Bressane, foi inteiramente rodado no Rio, e teve suas filmagens concluídas anteontem, em estúdio -após percorrer locações como o Parque Lage, o Forte de Copacabana e o Palácio Tiradentes.
A produção -orçada em R$ 4,2 milhões- por si só já é inusitada. Mas a Cleópatra de Bressane ainda guarda outras surpresas. Após se debruçar sobre "Vidas Ilustres", de Plutarco, e de montar uma biblioteca literária e iconográfica sobre Cleópatra, Bressane optou por uma versão lírica, e não épica, do mito. As instituições públicas, a luta pelo poder e as grandes batalhas desenroladas poucas décadas antes do nascimento de Cristo servem de pano de fundo para a vida íntima da rainha.
Esqueça a Cleópatra de franjinha reta, dos cenários suntuosos, do trono de ouro e dos banhos com leite de cabra. A imagem de bela irresistível e sedutora surge entrelaçada à de mulher intelectual e diplomática. "Cleópatra não nasceu Cleópatra. Ela se fez Cleópatra. E o cinema ainda não tratou disso", diz o diretor.
"Cleópatra foi uma intelectual. Uma moça criada dentro de uma biblioteca, com uma educação severíssima. Aprendeu 12 línguas, estudou matemática, astronomia, todas as ciências divinatórias e o que havia de química e de física. Foi preciso um grande esforço e uma tremenda desilusão consigo própria para que ela se abandonasse aos estudos", diz.
Bressane acrescentou a isso descobertas do final dos anos 90 sobre a atuação diplomática da rainha. "Ela tinha uma tolerância com os judeus, a quem prometeu proteção, concedeu liberdade de crença, autorizou a construção de sinagogas no delta do Nilo."
Para ele, esses são aspectos curiosos ao se recompor o mito para uma mulher que reuniu Ocidente (Grécia) e Oriente (Alexandria) além "do sensualismo moralista que os primeiros romanos e os cristãos amaldiçoaram".
Mas a sedução e a educação dos sentidos pelos quais a bela rainha se tornou célebre também estão no filme. Representadas, entre outras, por uma cena de sexo -guardada a sete chaves- em que Cleópatra e Júlio César se deitam numa espécie de cama-concha em Copacabana.
"Essa é uma Cleópatra onírica, íntima, poética. é um filme sobre o feminino. E sobre a grandiosidade de um mito do Egito, de uma mulher que é várias mulheres. E a modernidade do filme está justamente nessa personagem multifacetada", diz Negrini, dentro de um longo vestido lilás, com cabelos cacheados e uma coroa da qual pendem serpentes douradas.
Para Bruno Garcia, apesar de toda a ludicidade de evocar um tempo por meio de cenários e vestes, "é preciso muito mais do que uma roupa de romano para se tornar um romano".
Como se reconstrói uma época perdida? Fellini certa vez disse que, no limite, isso é impossível e que fazer um filme histórico é criar uma ficção científica sobre o passado. E Bressane prepara a sua ficção, para "inserir o mito de Cleópatra na memória e no imaginário da língua portuguesa". FERNANDA MENA - Folha de São Paulo
 
Festival do Minuto de São Paulo escolhe os vencedores
21/06/2005, 18h40
Foram divulgados, nesta segunda, 20, em cerimônia em São Paulo, os nomes dos três trabalhos vencedores do 2º Festival do Minuto Regional de São Paulo. Em primeiro lugar ficou "02. Conjunto Residencial", de Adams Teixeira de Carvalho e Olívia Brenga. "Sombras", de Tadeu Luiz da Cunha, foi o segundo colocado enquanto que "Corpo Enigmático", de Hermes Vago Júnior, ficou com a terceira colocação. Cada um recebeu R$ 1 mil de prêmio. Ao todo, foram selecionados 20 trabalhos, sob o tema "Corpo".
Até o dia 26 de junho, às 14h00 e às 19h00, todos os selecionados paulistanos serão exibidos no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, acompanhados dos títulos participantes dos festivais regionais de Brasília e do Rio de Janeiro. Os espectadores podem votar no seu favorito, que receberá o Prêmio do Público. Da Redação - TELA VIVA News
 

 
Política
O muito que ainda pode ser feito
21/6/2005
Em artigo anterior - "Regulação e o jogo pesado do poder" -, argumentei que, ao contrário dos setores de saúde, emprego e educação, por exemplo, a comunicação ainda não é percebida como um direito humano fundamental pela imensa maioria da população. Essa é, certamente, uma das razões pelas quais, entre nós, os grupos dominantes da grande mídia privada e comercial sempre se recusaram a admitir avanços no sentido da democratização das comunicações e consegue fazer prevalecer seus interesses na regulação do setor.
Esse argumento não significa que nada há por fazer. Ao contrário. Existem várias iniciativas que podem e devem ser tomadas por instituições e movimentos da sociedade civil que trabalham na perspectiva de que "um outro mundo é possível" nas comunicações brasileiras. Alguns exemplos, não necessariamente na ordem de sua relevância:
1. A criação de jornais, revistas, emissoras de rádio, de televisão e agências online, alternativos à grande mídia, deveria constituir prioridade absoluta. É preciso que grupos empresariais alternativos e organizações da sociedade civil disputem as novas concessões de radiodifusão quando licitadas pelo Ministério das Comunicações.
Ao contrário de países como México, Espanha, Itália e França - para citar apenas alguns - até hoje não se conseguiu, a não ser por curtos períodos, constituir no Brasil uma mídia alternativa e economicamente viável. Existem experiências, em andamento, com histórico e potencial para se firmarem definitivamente no "mercado" brasileiro. Exemplos importantes são a CartaCapital, a Agência Carta Maior e a Caros Amigos.
2. A municipalização da competência para legislar sobre rádios comunitárias, apoiada em interpretação específica do inciso IV do Artigo 22 da Constituição, defendida pelo jurista Paulo Fernando Silveira, abre uma nova perspectiva para a comunicação comunitária. Projetos de lei nesse sentido já foram aprovados em importantes cidades, inclusive em São Paulo, onde aguarda sanção do prefeito José Serra.
São bandeiras fundamentais a modificação da atual legislação da radiodifusão comunitária; a regularização das emissoras de rádio que a grande mídia chama de "piratas"; a criação de um fundo de apoio público permanente para a radiodifusão comunitária; a suspensão do fechamento de emissoras de rádio pela Anatel e o fim das prisões que continuam sendo feitas pela Polícia Federal.
3. Uma das explicações oficiais utilizadas para justificar o recuo do governo federal em relação às RTVIs (Retransmissoras de Televisão Institucionais) foi a necessidade de que primeiramente funcionem os Conselhos Municipais de Comunicação Social (CMCS). Esses CMCS podem ser criados por iniciativa de qualquer vereador e basta a aprovação de uma lei municipal. Uma referência possível, por exemplo, seria o CMCS de Porto Alegre que, embora não tenha sido ainda institucionalizado, funcionou e tem projeto de lei pronto.
4. Acompanhar as renovações e as novas outorgas de concessões das emissoras de rádio e de televisão existentes no município poderia ser uma das primeiras tarefas desses CMCS. Nem todos sabem que as emissoras de rádio e televisão são concessões públicas precárias, de 10 e 15 anos, respectivamente. O verdadeiro dono do serviço público de radiodifusão é o cidadão e não o empresário privado que explora a concessão.
Os CMCS deveriam obter junto ao Ministério das Comunicações a relação das concessões existentes em seu município e as datas de vencimento de cada uma delas. Essa informação deveria ser amplamente divulgada na comunidade. Subcomissões dos CMCS poderiam ser criadas para acompanhar as programações dessas emissoras - e usariam como critério de avaliação as normas estabelecidas no capítulo da Comunicação Social da Constituição (Artigos 220 a 224), ou seja, a ausência de oligopólios e monopólios na mídia; a preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; a promoção da cultura nacional e regional; a regionalização da produção cultural, artística e jornalística; e a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.
À época da renovação dessas concessões, as avaliações feitas nas comunidades deveriam ser encaminhadas à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados - que julga os pedidos - com cópia para os deputados federais da região e como expressão da opinião da comunidade.
Disputas internas
Outra tarefa dos CMCS poderia ser explicitar as relações existentes entre políticos profissionais e entidades concessionárias de rádio e televisão. Como se sabe, há no Brasil um vínculo histórico entre a mídia e as elites políticas locais e regionais, quase sempre escamoteado, e que muitas vezes só se revela pelo conhecimento direto das relações de parentesco nas comunidades.
A existência dos CMCS não é, evidentemente, condição necessária para que se realizem as tarefas acima sugeridas e tantas outras. Qualquer grupo de cidadãos pode realizá-las.
5. Embora a Constituição determine a observação do princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal para a outorga e renovação de concessões, permissões e autorizações de radiodifusão (Artigo 223), até hoje não existe positivação legal do que seja o sistema público. Certamente é da maior importância o debate em torno das diferenças entre os sistemas e a construção conceitual que possa fundamentar uma legislação regulamentando os sistemas público e estatal na sua complementaridade com o sistema privado.
Dentro dessa perspectiva, o fortalecimento da mídia pública e da estatal - federal, estadual e municipal - é necessário na busca do próprio equilíbrio entre os sistemas privado, público e estatal. Elas precisam se consolidar para serem complementares à grande mídia privada. Os movimentos da sociedade civil podem colaborar com sua audiência e com sua participação concreta nessas experiências.
6. Em diversos países do mundo os "observatórios de mídia" exercem um papel permanente de reflexão crítica sobre o setor de comunicações. Eles constituem a melhor maneira de avaliar a mídia de acordo com seus próprios critérios: objetividade, neutralidade, pluralidade e diversidade, dentre outros. O resultado é que, muitas vezes, a grande mídia é flagrada em contradição com suas próprias normas.
Tornar públicas essas contradições, além de aumentar a consciência coletiva crítica sobre como "funciona" a grande mídia, exerce também um importante papel pedagógico. Envolver sindicatos, associações comunitárias, entidades estudantis e cursos de comunicação no trabalho de "observação" permanente da grande mídia é, portanto, tarefa básica.
No Brasil, este Observatório da Imprensa é um dos pioneiros na crítica de mídia. Recentemente foi também criado o Observatório Brasileiro de Mídia, uma iniciativa da ECA-USP em parceria com a ONG Observatório Social e o Media Watch Global - um observatório internacional, com sede na França - que já revelou o forte desequilíbrio na cobertura dos principais jornais locais sobre as eleições municipais de São Paulo, em 2004.
7. Os cursos de comunicação deveriam preparar seus milhares de alunos, prioritariamente, para exercer sua profissão em uma nova mídia que precisa também ser construída como alternativa à grande mídia privada. Isso implica mudar os velhos paradigmas dominantes no ensino e na pesquisa de comunicação. Não é tarefa simples, nem fácil. No entanto, é absolutamente necessária.
Outras iniciativas locais como a introdução nos currículos escolares de disciplinas sobre a mídia, a criação de associações de ouvintes, telespectadores e leitores, e a criação de circuitos alternativos de cinema e vídeo certamente poderão ser tomadas.
Como se vê, apesar do forte desequilíbrio existente na correlação de forças entre os principais atores que têm interesses em jogo, muito pode ser feito. Às vezes, avanços não acontecem em razão das complicadas disputas internas ainda existentes dentro do próprio campo alternativo. Esse é outro obstáculo histórico a ser superado por aqueles que acreditam que "um outro mundo é possível" nas comunicações brasileiras. Venício A. de Lima - Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política (Editora Fundação Perseu Abramo, 2ª ed., 2004) - Observatório da Imprensa
 
Gil diz que será mantido no cargo
22/6/2005
Titular da Cultura descarta sair na reforma ministerial
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou que não sairá do governo na reforma ministerial que o presidente Lula da Silva iniciou anteontem, com a indicação de Dilma Rousseff para a Casa Civil.
Gil disse, no entanto, que está "pronto para sair desde o primeiro dia". O ministro fez as declarações após visitar a quadra da escola de samba Nenê da Vila Matilde, em São Paulo, anteontem.
"Todo ministro tem que estar pronto para sair na hora que for necessário", disse. Questionado se ele deixaria o cargo na atual reforma, afirmou: "Eu não".
Depois de reafirmar sua permanência no ministério, Gil voltou a abordar a escassez de verba destinada à sua pasta.
"Já faltavam recursos, pelo corte de 57% [do orçamento 2005 do MinC, feito pelo governo]. Além disso, os repasses do que ainda temos direito estão sendo prejudicados pela crise [política]."
A influência da crise na liberação do orçamento do ministério, segundo Gil, se deve a que "todo o mundo político está atarefado com a administração da crise. Outras questões tendem a retardar".
Uma fonte do ministério informou à Folha que Gil não tem conseguido falar com o ministro Antonio Palocci (Fazenda) para pedir a liberação de seu orçamento.
Na quadra da Vila Matilde, o ministro acompanhou apresentação de um projeto para o qual a escola solicita do Ministério da Cultura autorização para captar R$ 10,5 milhões com benefício da Lei Rouanet (de renúncia fiscal). SILVANA ARANTES - Folha de São Paulo
 
Ex-secretária de Valério diz que foi ameaçada
22/6/2005
Fernanda Karina Ramos Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza na SMPB Comunicação, disse que a entrevista que deu à revista "Istoé Dinheiro" não foi distorcida. Quando indagada se isso ocorreu, já que recuara depois em depoimento na Polícia Federal, respondeu: "Não, não".
Em novo depoimento prestado ontem à noite à PF, Somaggio falou por cerca de uma hora e meia, disse seu novo advogado [desde a última segunda], Rui Caldas Pimenta. Segundo ele, a ex-secretária foi "convocada por meio de um telefonema" para comparecer à PF. Ele, porém, não explicou os motivos, já que, pelo horário do depoimento, que começou por volta das 19h30, a entrevista que ela concedera à tarde na TV Globo de Belo Horizonte ainda não tinha ido ao ar.
De acordo com Pimenta, Somaggio confirmou à polícia o que dissera à "Istoé Dinheiro", sobre as supostas "malas de dinheiro" e as relações do seu ex-patrão com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o secretário-geral da sigla, Sílvio Pereira. Somaggio está sendo processada por Valério por tentativa de extorsão.
O advogado também disse que foi solicitada proteção policial para sua cliente, já que ela sofreu ameaças e, por isso, teria negado as informações no depoimento que prestou à PF na semana passada. Ele disse que a PF vai dar a segurança. Ninguém na PF foi encontrado ontem à noite para comentar o novo depoimento.
Pimenta disse que tudo que Somaggio falou à PF será dito à CPI dos Correios e ao Conselho de ética da Câmara. Indagado se a ex-secretária de Valério tinha documentos, ele afirmou: "A prova é ela, porque ela é a testemunha".
Como parte da sua estratégia na defesa no processo que Valério move contra Somaggio por suposta "extorsão", segundo o advogado, está a entrevista que ela concedeu ontem ao "Jornal Nacional" da TV Globo.
Na entrevista de ontem, a ex-secretária reafirmou as informações que estavam na revista "Istoé Dinheiro". Além disso, acrescentou novas revelações ao caso.
Disse que, em outubro ou novembro de 2003, acompanhou um depósito de R$ 50 mil da empresa de Valério na conta do ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, tendo providenciado o contato com a pessoa que lidava com Pimenta.
Ao "Jornal Nacional", o ex-ministro disse que a quantia se referia a honorários advocatícios, de quando começou a trabalhar para a SMPB em 2003, um ano após ter deixado o governo FHC.
Somaggio ainda disse que presenciou o despacho de dinheiro para um homem que foi à agência identificando-se como irmão de Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes. Ela afirma que não sabe precisar a quantia, mas que era "em torno de R$ 100 mil, R$ 150 mil". Ao "Jornal Nacional", Adauto disse que seu envolvimento com a agência era devido ao planejamento de sua campanha a prefeito de Uberaba, que a SMPB havia feito.
Questionada sobre qual caso mais a intrigou dentro da empresa, Somaggio disse que foi em relação à licitação dos Correios, vencida pela SMPB. "Chamou atenção porque antes de sair o resultado [da licitação] a festa para a empresa já estava pronta. Já havia festa marcada. Festa regada a Moet Chandon."
Em nota, a SMPB negou todas as acusações feitas pela ex-secretária. A assessoria de Marcos Valério disse que ele só se pronunciará na Justiça.
Depoimento
A Folha solicitou ao advogado uma entrevista com a secretária. Ele disse que ontem não seria possível porque não sabia onde ela estava, mas que ela poderá falar hoje. O telefone da casa dela não foi atendido durante toda a tarde e noite de ontem. O advogado disse que a Procuradoria em Minas também já entrou em contato para tomar seu depoimento.
Sobre a ameaça que ela disse ter recebido, o advogado afirmou: "Ela me disse que foi intimidada. Um motoqueiro avisou que, se ela confirmasse a entrevista, a filha dela ia ser seqüestrada." à Globo, Somaggio confirmou o episódio.
Com a Folha, pela manhã, ela disse que não retirou nenhum documento da agência. Disse que a agenda onde anotava os compromissos de Valério, que entregou à PF, era um objeto de propriedade sua. Devido a um documento publicado pela revista, sobre o suposto pagamento de honorários a Pimenta da Veiga, Valério entrou na Justiça com acusação de fraude qualificada. Quer que isso entre no processo que ela responde. PAULO PEIXOTO - Folha de São Paulo
 
'O dinheiro ia para Brasília e eles distribuíam lá'
22/6/2005
Em entrevista ao 'JN', Karina diz que Valério pegava mala antes de sair da empresa
(Voz do repórter Ismar Madeira: "Fernanda Karina Ramos Somaggio foi secretária do publicitário Marcos Valério de abril de 2003 a janeiro de 2004. Ela afirma ter acompanhado as ligações do ex-patrão com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.")
Foi do dia pra noite. O sr. Marcos começou a ligar para o sr. Delúbio e aí eles ficaram amigos do peito. Só. Esse é o estranho, porque ninguém é amigo de uma hora para a outra.
Eles passaram a se comunicar com freqüência?
Claro. Todos os dias.
(Segundo a secretária, o publicitário Marcos Valério teria o hábito de fazer saques de grandes quantias em dinheiro antes de reuniões com os políticos.)
Quando ele saía para as reuniões, antes de sair, passava no andar de baixo, no departamento financeiro e saía com a mala.
E o que tinha nessa mala?
Acredito que dinheiro.
E levava para a reunião com quem?
Com o pessoal do PT.
(Os saques eram para pagamento) Eram para o mensalão?
Acredito que sim.
Eles iam para quem?
Eles nunca falaram nomes. Esses nomes eu desconheço. Eu sabia que o dinheiro ia para Brasília e que eles distribuíam lá. Mas para quem, quando e onde, eles não falavam. Era entre eles.
Quem entregava o dinheiro?
O sr. Marcos.
(O dinheiro seria movimentado no Banco Rural, que também teria fornecido transporte para as reuniões.)
Já usaram o avião do Banco Rural várias vezes.
Quem usou?
O sr. Delúbio já usou e o sr. Marcos já usou.
(Ela afirma que o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, também participava das negociações.)
Eu confirmo que vi várias negociações na agência.
Entre quem?
Entre o sr. Marcos, o sr. Delúbio e Sílvio Pereira.
E o dinheiro?
Dinheiro eu sabia que tinha dentro de malas, mas nunca foi aberto o dinheiro. Mas sempre sabia. Eles tomavam muito cuidado com o dinheiro, claro.
(Segundo Fernanda, o publicitário teria contatos ainda com o ex-ministro José Dirceu.)
Sei que ele conversava muito com o seu José Dirceu, o ministro. Apesar de o ministro ligar diretamente para o celular dele, eu liguei para o ministro uma vez. Mas ele sempre falava.
(Karina afirma que o publicitário se encontra regularmente com a cúpula do PT.) Como eram os encontros deles?
Eram marcados em hotéis, em Brasília ou São Paulo. Que nós marcávamos e eles se reuniam.
Quem participava das reuniões?
Sr. Marcos e o sr. Delúbio. Ele nunca falava quem eram as outras pessoas do PT e dos outros partidos. Não sei.
(Uma dessas pessoas seria o ex-presidente da Câmara dos Deputados, o petista João Paulo Cunha.) Ele tinha contatos com o sr. Marcos Valério?
Ele tinha.
Qual era a relação do sr. Marcos Valério com o sr. João Paulo?
Estreitas. Sempre que pedia para ligar, eu ligava, falava com a secretária dele em Brasília e ele retornava para o celular do sr. Marcos. (corte) As conversas não eram conversas abertas, né?! Sempre conversavam por código.
(A secretária afirma que viu o publicitário despachar dinheiro para políticos.) A sra. viu o alguém receber dinheiro na agência?
Já.
Quem?
A pessoa que foi se apresentou como irmão do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Ela entrou numa sala e saiu com dinheiro.
A sra. sabe quanto?
A quantia exata não.
Em torno de quanto?
Uns 100 mil, 150.
(Ela disse que acompanhou um depósito para o ex-ministro das Comunicações do governo FHC Pimenta da Veiga.)
Eles fizeram um depósito na conta do ex-ministro.
De quanto?
De 50 mil.
Um depósito?
Sim.
E qual o motivo desse depósito?
Não sei.
E isso aconteceu quando?
Ah... Foi em outubro ou novembro de 2003.
E a sra. mesma providenciou o depósito?
Não. Providenciei a pessoa de contato e passei o fax dizendo que o dinheiro estava na conta.
(Externa. Na rua, em Belo Horizonte, o repórter Ismar Madeira: "Fernanda Karina Somaggio disse que amanhã vai à Polícia Federal pedir proteção e prestar novo depoimento. Ela afirma que na quarta-feira da semana passada negou parte das acusações contra Valério porque foi ameaçada quando parou neste semáforo aponta o semáforo na região oeste de Belo Horizonte.")
Estava com muito medo porque na terça-feira, depois que saí do meu trabalho, na rua onde passo, veio uma pessoa, um motoqueiro e parou a moto ao lado de meu carro, fechou meu carro. E disse que, se falasse qualquer coisa, eu colocaria a vida da minha filha e do meu marido em risco. Então, acho que qualquer pessoa ficaria quieta(...) Entrei em pânico e fiquei com medo de dizer qualquer coisa.
(Karina está sendo processada pelo ex-chefe.)
Ele simplesmente ficou medo d'eu falar. Por isso ele fez isso.
(A secretária diz que agora decidiu confirmar as denúncias por orientação de um novo advogado. Segundo ela, a agenda que entregou à Polícia aparece a imagem da agenda sendo entregue à PF em MG pode ajudar na investigação porque traz registro de reuniões, licitações.) Alguma licitação chamou sua atenção?
Sim. A dos Correios.
Por quê?
Porque antes de sair o resultado, a festa pra empresa já estava pronta.
Como se conhecesse o final?
Claro. Teve uma festa regada a Moet & Chandon.
O Estado de São Paulo
 
Secretária muda depoimento
22/6/2005
A ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Fernanda Karina Ramos Sommagio, voltou atrás novamente e confirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, as declarações que havia dado à IstoÉ Dinheiro. Na quarta-feira da semana passada, mesmo dia em que a revista começou a circular, Fernanda prestou depoimento ao delegado Hélbio Leite, da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, em Belo Horizonte, e negou parte das informações. Agora, afirma que fez isso porque foi ameaçada. De acordo com ela, um dia antes de falar à PF, um motoqueiro teria se aproximado de seu carro, num sinal de trânsito, e dito que as vidas de seu marido e sua filha correriam risco, caso ela revelasse algo que comprometesse Valério.
Na entrevista à TV, Fernanda reafirmou que o publicitário e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, falavam-se com freqüência no período em que ela trabalhou para Valério, de abril de 2003 a janeiro de 2004. Os dois são apontados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operadores do mensalão, o pagamento de propina do PT a partidos da base aliada, para que votassem a favor do governo. A ex-secretária disse ainda que Valério, Delúbio e o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, faziam reuniões em hotéis. Segundo ela, o publicitário deixava o escritório, em algumas ocasiões, com malas que ela disse acreditar que seriam de dinheiro.
Ela citou, também, o ex-ministro e deputado federal José Dirceu (PT-SP) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP). De acordo com Fernanda, o publicitário mantinha relações estreitas com ambos. Ela chegou a mencionar que Valério e Dirceu conversavam "em código" pelo telefone.
A ex-secretária repetiu as informações dadas anteriormente à revista de que o ex-ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), e o irmão do ex-ministro dos Transportes e prefeito de Uberaba, Anderson Adauto (PL), Édson Pinheiro, teriam recebido dinheiro de Valério. O repasse a Pimenta teri a sido de R$ 150 mil. Pinheiro teria embolsado um valor entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.
Fernanda foi secretária de Valério em uma agência de publicidade. O publicitário processa a ex-funcionária por tentativa de extorsão e pelo sumiço de uma agenda, a mesma que agora estaria sendo usada como peça de acusação de Valério. A ex-secretária será chamada a depor na CPI dos Correios, em Brasília.
Advogado
Fernanda Karina tomou a decisão de alterar seu depoimento após trocar de advogado. "No primeiro depoimento, ela não confirmou a entrevista porque foi intimidada. Recebeu ameaças para não revelar os fatos", diz o advogado Rui Pimenta, que assumiu o caso em substituição a Leonardo Poli Macedo. Ela teria negado, à PF, ter visto "malas de dinheiro" saírem da agência para pagamento de políticos. Ontem, na entrevista à rede de TV, disse que acreditava ser dinheiro ao ser questionada sobre o que estaria no interior das malas. Disse ainda "acreditar" que o dinheiro que saía da agência era destinado ao pagamento de políticos.
Com relação à agenda de Fernanda Karina, o advogado confirma a versão da PF. "A agenda dela é pessoal. Contém anotações de coisas pessoais. Evidente que se tivesse alguma coisa na agenda retratando fatos da empresa estaria caracterizado que ela foi mal-intencionada. Se era secretária-executiva de confiança da diretoria, não pode anotar fatos que comprometem a empresa", desconversa o advogado. Mas ele não explica por que ela teria divulgado um fac-símile com depósito de R$ 150 mil, em 2003, feito pelo publicitário a Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso. As motivações de Somaggio, ao recuar novamente em depoimento prometido à PF, são "morais", sustenta o advogado Rui Pimenta.
O presidente nacional do PT, José Genoino, disse ontem, depois da entrevista de Fernanda Karina, que o partido irá se defender na Justiça. "O PT está tranqüilo. É preciso saber qual a declaração dela é a verdadeira. Correio Braziliense
 

 
Imprensa & Jornalismo
A CPI e os desafios para a imprensa
21/6/2005
Não apenas o governo e a oposição, mas também a imprensa começa neste momento a enfrentar um conjunto de desafios de proporções assustadoras. A CPI é um deles; o carrossel paralelo de denúncias, outro. O terceiro, mais perigoso, consiste em impedir que o paradigma conspiratório inventado por Hugo Chávez na Venezuela - e já ensaiado em certos círculos nacionais - empurre nossa imprensa para o ringue da radicalização.
Sob o ponto de vista jornalístico, a CPI começou perigosamente exacerbada: o presidente, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, teoricamente do mesmo partido, engalfinharam-se por causa de informações plantadas num jornalão paulista.
Já o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), esquecido do compromisso liminar de moderação, saiu-se com uma disparatada comparação segundo a qual Lula pode acabar como Fernando Collor de Mello.
Como se não bastasse, temos a metralhadora canora de Roberto Jefferson dizimando um número crescente de desafetos; e a síndrome Nicéia Pitta convertendo desavenças conjugais em explosivos escândalos políticos.
O espectro do fisiologismo materializado com a eleição de Severino Cavalcanti de repente ganhou proporções gigantescas com a troca escancarada de cargos por votos, votos por verbas, nomeações políticas para cargos técnicos, propinas, mesadas, licitações fajutas e chantagens. O Legislativo está definitivamente comprometido, o Executivo foi maculado, os partidos desacreditados, as ideologias convertidas em peças de museu.
Redações fragilizadas
No meio dessa confusão, uma imprensa incapaz de processar e hierarquizar tanta informação. Não bastasse, ela própria começa a ser respingada como o comprovam as gravações da Polícia Federal sobre a ajuda da Schincariol a empresas jornalísticas em dificuldades [veja matérias reproduzidas na seção Entre Aspas clicando aqui e também aqui].
Se antes de instalada a CPI dos Correios era concreto o perigo da pizza insossa e massuda, agora o perigo reside num banquete com excesso de acepipes e o inevitável fastio.
Enquanto a CPI dos Precatórios foi convertida pelo relator, Roberto Requião, num circo para exercícios inquisitoriais, esta nova CPI corre o risco de ser consumida pela competição com a Comissão de Ética e a Corregedoria da Câmara dos Deputados.
Diante da real possibilidade de uma dezena de cassações é evidente que os parlamentares que nada têm com o mensalão farão o possível para atrair os holofotes. E os culpados, inspirados na Lei de Jefferson, farão o impossível para aumentar o número de incriminados e assim desaparecer na multidão.
Para enfrentar a incrível enxurrada de lama temos uma imprensa ainda descapitalizada, desorientada no tocante ao seu papel diante do real interesse da sociedade, fragilizada pela pobreza de recursos humanos, perdida nos excessos de opinionismo e escassez de papel. Os poucos profissionais treinados na cobertura de CPIs agora estão envolvidos pela burocracia em cargos de chefia, a maioria foi para assessorias de imprensa ou consultorias de risco.
As perspectivas não são boas para o país, mas são um pouco piores para a imprensa. Alberto Dines - Observatório da Imprensa
 
O valor da cobertura não-burocrática
21/6/2005
Parecia o Brasil diante do "carrossel" da Holanda na Copa de 1974. Durante os primeiros dias, a maior parte da imprensa procurou os efeitos econômicos da crise nos lugares de sempre, sem levar em conta que o jogo poderia ser diferente. A reação da Bolsa de Valores ao depoimento de Roberto Jefferson foi mínima. O dólar subiu, como se o mercado de câmbio cumprisse uma obrigação, e voltou a cair. Chegou a R$ 2,39 na sexta-feira (17/6).
Nessa altura, com dias de atraso, todos haviam percebido que poderia haver novidade nessa crise. O alerta foi dado pela equipe do diário Valor, a primeira a notar que havia outra história para escrever. O governo poderia fazer o oposto do habitual e responder à crise com uma política fiscal muito mais apertada e mais ambiciosa.
A crise começou com a divulgação da fita em que um chefe dos Correios embolsava um maço de dinheiro. Os primeiros efeitos aparentes foram os previsíveis. O pessoal das Bolsas mostrou nervosismo e o dólar começou a subir. Em Brasília, o governo movimentou-se para disputar as primeiras páginas com uma agenda positiva. A maior parte da agenda era conhecida. Incluía projetos em tramitação no Congresso, alguns em preparação no Executivo e, para efeito político imediato, a "MP do bem", com incentivos fiscais ao investimento e à exportação.
Diante da nova agitação política, o governo poderia ampliar a MP, oferecendo benefícios também à agricultura e à construção civil. O presidente do Senado, Renan Calheiros, aproveitou a oportunidade para fazer um favor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, propondo várias bondades fiscais que a equipe econômica dificilmente aceitaria sem resistência.
Instinto ou reflexão?
Até aí, parecia o script de sempre. O gabinete presidencial pensava em medidas vistosas para desviar as atenções da crise. O presidente do Senado propunha medidas populistas. Grandes devedores da carteira agrícola do Banco do Brasil mobilizavam médios e pequenos produtores para arrancar do governo mais uma renegociação geral das dívidas. Os prejudicados pela seca no Sul, candidatos legítimos ao refinanciamento, funcionariam como escudo e pé-de-cabra para os caloteiros tradicionais.
A equipe econômica parecia, segundo as primeiras notícias, disposta a ceder limitadamente. O superávit primário, número calculado sem o pagamento de juros, vinha ultrapassando a meta fixada para o ano - 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Se fosse indispensável abrir o cofre, haveria alguma folga para bondades maiores que as do projeto original da "MP do bem".
Apesar disso, havia algo estranho nessa história. Parecia evidente, pelo menos para quem acompanha com alguma atenção a política fiscal, que o Ministério da Fazenda vinha tentando, sem alarde, obter um superávit primário maior que o programado. A economia extra não parecia produto do acaso. Haveria disposição, mesmo diante da crise, para afrouxar a política?
Ao apresentar a "MP do bem", na quarta-feira (15/6), o presidente Lula discursou de improviso, como de costume, fez as bravatas de sempre sobre o desenvolvimento econômico e de repente prometeu, de modo um tanto surpreendente, conter com severidade os gastos públicos, mesmo contrariando "os interesses de alguns". O governo, insistiu o presidente, só gastará o que puder. Era preciso naquele momento, segundo Lula, passar uma "mensagem forte" a respeito da política fiscal.
Essas palavras foram um tempero notável para um evento destinado principalmente a desanuviar o cenário político. O presidente, mesmo num improviso, julgou necessário conciliar o pacote de bondades com o compromisso de austeridade fiscal. Todos noticiaram essa passagem, mas sem destaque. A maior parte dos editores pareceu não atribuir grande importância àquele tempero, apesar da referência explícita à "mensagem forte".
Aquelas palavras, no entanto, eram a primeira resposta do presidente à pergunta que se repetia desde o início da crise: estaria a economia brasileira blindada para resistir a um abalo político? De alguma forma, Lula parece ter percebido a solução. A blindagem dependia dele. Seria um erro permitir que a "MP do bem" fosse interpretada como prelúdio de um afrouxamento fiscal. Por instinto ou reflexão, instruído ou não por algum ministro, ele mostrou a percepção do problema.
História diferente
No dia seguinte, o Valor foi o único jornal a noticiar em manchete o debate de uma nova estratégia. O presidente Lula discutia um programa voltado explicitamente para a obtenção do equilíbrio total das contas públicas. Com esse programa, seriam adotadas metas nominais, isto é, resultados finais com inclusão da conta de juros.
Um programa como esse não se realiza necessariamente num ano. Pode ser cumprido num prazo razoável, com resultados progressivos e nítidos. A idéia havia sido proposta por vários economista. Entre estes, Yoshiaki Nakano e Antônio Delfim Netto. Exige ousadia, mas pode proporcionar resultados importantes em pouco tempo, se for implantado com credibilidade. É o caminho mais curto, segundo os defensores da estratégia, para uma redução substancial dos juros.
Além disso, informou a reportagem, o governo poderá tentar, finalmente, propor a emenda constitucional necessária para diminuir ou eliminar as vinculações de verbas. Será um passo enorme para tornar o orçamento menos engessado. Esse tema vem sendo estudado há tempos, sem alarde, no Ministério da Fazenda.
Os outros jornais foram forçados a seguir o Valor. Nada garantia, naquele momento, a adoção da nova estratégia. Mas devia ter ficado evidente para todos que a discussão havia mudado e que a história da crise poderia ser bem diferente da habitual. Com a queda do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, rival do ministro da Fazenda, seria mais fácil, provavelmente, conduzir a política fiscal a um novo patamar.
Informação articulada
Mas não foi só nessa fase que o Valor tomou a dianteira. A vantagem havia começado antes, desde as primeiras pressões para adoção da agenda positiva. Depois, enquanto as demais equipes continuavam olhando para o mercado financeiro, a do Valor foi ouvir as avaliações de líderes da indústria. Isso rendeu manchete no dia 15: "Empresários temem que crise reforce a ortodoxia".
No dia 17, novo salto para a frente. Enquanto os concorrentes ainda entravam na história da possível mudança fiscal, Valor anunciava que o Tesouro tinha reservas de R$ 150 bilhões para enfrentar dificuldades, podendo ficar quatro meses sem lançar novos títulos no mercado. Nessa edição, a combinação das coberturas econômica e política foi mais até mais explícita que nas anteriores, com as colunistas Cláudia Safatle e Maria Cristina Fernandes fazendo um bom exercício de contraponto.
Esse detalhe explica em boa parte a vantagem do Valor em relação aos concorrentes. Sua equipe funcionou como se estivesse cobrindo um único assunto, uma grande crise com efeitos em todos os setores. Repórteres de Economia e de Política trabalharam em conjunto e produziram, até agora, um belo resultado.
Essa articulação é muito menos visível na cobertura da maior parte da imprensa, prejudicada, provavelmente, por uma excessiva burocracia na divisão do trabalho. Convém lembrar, de vez em quando, que o leitor compra o jornal, não a seção Política ou a de Economia, e que o público inteligente espera a informação mais articulada que se possa produzir.
A especialização deve servir para aperfeiçoar o produto, não para burocratizar sua fabricação. Rolf Kuntz - Observatório da Imprensa
 
A batalha das versões
21/6/2005
Não sabemos o que as comissões parlamentares de inquérito vão encontrar, mas sabemos que o campo é minado e que ali será travada a maior de todas as batalhas - a das versões.
A televisão já assestou suas câmeras sobre a Câmara e sobre o Senado. E recomeça, como nos tempos de Collor, a transmitir todas as partidas, ao vivo. Os parlamentares já se arrumam em seu palco preferido, a mídia.
Jornalistas e políticos parecem unidos numa trama obscura em cujos labirintos semelham estar perdidos e raramente iluminam bem os verdadeiros temas. O público espera dos jornalistas um relato crítico que lhe permita entender os objetivos das investigações de que estão encarregados aqueles parlamentares e não outros.
Iluminados por clarões de fotos e vídeos, alguns parlamentares parecem nunca se renovar e semelham um Senado e uma Câmara virtuais, desvinculados das instituições reais. São sempre os mesmos, ainda que o mandato de deputado dure apenas quatro anos e o de senador, oito. E, então, periodicamente, nós, o público, nós, os leitores, nós, os telespectadores, nós, os ouvintes, nós, os eleitores, somos obrigados a assistir a intensas discussões sobre um tema que é a síntese do verdadeiro samba de uma nota só: a reeleição.
Lâmina afiada
Quem mais opina é uma plêiade de reeleitos! Se não reeleitos ali, reeleitos antes de ali chegarem. E como chegaram? "Nos braços do povo", é a velha metáfora preferida, mas faz tempo que o povo tem uma participação que merece ser revista no processo em que a mídia reina soberana. O que interessa não é a reeleição, é o modo de a democracia funcionar no Brasil.
Nessas primeiras batalhas das versões todo cuidado é pouco. Suetônio registrou a desistência de Catão, escalado para apaziguar um tumulto originado pela fome: "É muito difícil explicar alguma coisa ao estômago, que não tem ouvidos". No original: "Per difficile est verba facere ad ventrem auribus carentem".
Por mais que sejam pródigas as explicações e criativamente ornamentadas nos fulgores da mídia, sobrevém uma hora em que é a boca do estômago que fala, não a boca propriamente dita.
Na Revolução Francesa, a queda da Bastilha começou com gritos de "Viva o Rei", como agora saúdam o presidente Lula nas denúncias, preservando-o. Os insurgentes tinham a intenção de obter armas para defender Paris, assustados com a boataria que tinha invadido a França. Todo mundo sabe como terminou: o rei Luís XVI perdeu a cabeça! E somente a perdeu na guilhotina porque a tinha perdido antes, quando deu ouvidos a quem não devia.
Lições de Tocqueville
Não havia rádio nem televisão, mas a literatura e a iconografia se juntaram para, cumprindo funções de uma mídia inexistente, construir a lenda heróica que celebrizou a libertação das vítimas da Bastilha, silenciando sobre detalhes reveladores.
Pois a verdade é que a fortaleza era uma fraqueza só. Foi derrubada a machadadas por um arruaceiro - perdão, um revolucionário, pois a versão que triunfou foi a dos insurgentes - que ousou entrar pelo telhado. Estavam presas lá sete pessoas: dois loucos, quatro estelionatários e, o mais importante deles, o escritor Donatien Alphonse François, o Marquês de Sade.
Será que é preciso crucificar um operário para chegar ao Iluminismo por meios pacíficos? Aprendamos com outro francês, Alexis de Tocqueville, que viu nos primórdios da democracia americana uma estabilidade garantida pela "multidão incontável de homens quase iguais" que, não sendo excessivamente ricos nem excessivamente pobres, era o principal sustentáculo daquele regime.
Todos no Brasil querem a democracia, mas está difícil implementá-la. Deonísio da Silva - Observatório da Imprensa
 
Dez perguntas e um segredo
21/6/2005
1) Por que depois da fala de Roberto Jefferson, na Comissão de Ética da Câmara, a mídia mudou suas orientações? (Veja e o JB amenizaram seus ataques; Globo, Estadão e IstoÉ partiram para a ofensiva.)
2) Por que a imprensa insiste em noticiar como fato novo um mecanismo que é próprio de todos os partidos (o repasse ilegal de verbas em campanhas por partidos cabeça-de-chapa a outros menores), se todos os jornalistas que cobrem política sabem disso?
3) Por que a imprensa não amplia a cobertura sobre o fato de que a agência que tem participação do publicitário Marcos Valério ganhou crédito federal no governo anterior, e hoje é a detentora de importantes contas do atual governo estado de Minas Gerais?
4) Por que mereceu menos crédito a pesquisa do DataFolha, que fotografa a opinião pública após as denúncias de Roberto Jefferson, e priorizou-se a da CNI/Ibope, cujo trabalho de campo é anterior, e ainda assim deu-se pouca ênfase à avaliação de Carlos Augusto Montenegro, fundamental para compreender os números?
5) Por que a população não ficou sabendo que as investigações nas estatais foram desencadeadas pelo próprio governo, semanas antes das denúncias de propina?
6) Por que não se deu repercussão (fora o Globo) à revelação da Época de que o mensalão era prática do PTB e do PP, com pagamento de seus deputados diretamente das estatais que ocupavam sem passar por Delúbio Soares, tesoureiro do PT?
7) Por que não se diz que o PP e o PTB eram da base aliada de Fernando Henrique Cardoso, ou se pergunta se práticas como os mensalões advindos de estatais eram ou não comuns desde lá?
8) Por que ninguém pergunta há quanto tempo as empresas contratadas pelos Correios prestam serviço à estatal?
9) Por que ninguém perguntou à secretária de Marcos Valério quem foi o jornalista que, segundo ela, ofereceu dinheiro para que fizesse as revelações, depois desmentidas?
10) Por que a Época não esclareceu sua própria questão: se Genu ganhou a metade de sua fortuna no período desse governo, quando foi que ganhou a outra metade?
As questões acima não são tanto para se defender partido A ou B, mas para pensar como a mídia consegue, num fato rico como esse, operar discursiva e ideologicamente. É comum na filosofia dizer que as questões determinam as respostas, ou marcam o campo possível em que essas respostas vão ser dadas. Da mesma forma, a mídia, nesses tempos de pouca filosofia e muita técnica, tem a capacidade de pôr pautas em discussão (se deixássemos a teoria da agenda setting se pronunciar...), e ao mesmo tempo retirar de foco outras diretamente relacionadas (em parte como na tese da espiral do silêncio).
Ou seja, se os processos sócio-históricos estão num continuum (veja as perguntas 2, 3, 5, 7, 8, 10), possivelmente ela, a mídia jornalística, fará recortes, com suas questões, iluminando um momento e apagando outro diretamente relacionado.
Engodo herdado
Da mesma forma, a mídia é capaz de focar um particular quando a questão é de ordem geral (especialmente, questão 2); estabelecer mecanismos de transparência de sentido, retirando-se como voz ideológica da cobertura (questão 1); praticando apagamento de informações equivalentes ou mesmo assimétricas, mesmo que contrariem os ditos critérios de noticiabilidade (questão 4); selecionando vozes autorizadas ou desautorizando outras (questão 4, ainda).
Evidentemente, pesa sobre esse tipo de análise o fato de que também, de nossa parte, põem-se "outras questões", e se cometem, da mesma forma, apagamentos e reversões (para sairmos de qualquer pretensão de verdade). Mas, de alguma forma, tudo seria muito mais claro para o leitor (e é a ele que em última instância deve-se respeitar) se as empresas jornalísticas tornassem mais claras suas posições.
Em resumo, o público, com consumidor e cidadão, deveria ter o direito de ser informado de que as pautas são formuladas a partir de certas posições dos atores no jogo político da história. Aspirar ao universal é menos uma contribuição que a mídia pode fazer à sociedade e mais um engodo herdado das teorias da informação, e preservado cuidadosamente como um segredo, que deve ser desfeito. Wedencley Alves - Doutorando em Lingüística na Unicamp, mestre em Comunicação pela UFF - Observatório da Imprensa
 
Ofensa à dramaturgia
21/6/2005
No Estado de S.Paulo, dia 14 de junho: "O líder do PL, Sandro Mabel (GO), fez um pronunciamento exaltado em que chamou o presidente do PTB, Roberto Jefferson, de 'mentiroso' (...)" e acusou "o petebista de 'estar fazendo teatro diante do Brasil'."
No Bom Dia Brasil da TV Globo, dia 15 de junho, José Genoíno admoestou-nos: "Que a opinião pública não aceite que um acusado faça um teatro político na Câmara dos Deputados para fazer acusações irresponsáveis, mentirosas e caluniosas contra o PT e os seus dirigentes".
No Estado de Minas, 14 de junho: "O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), acompanhando o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, disse (...): 'Roberto Jefferson é um deputado que não merece credibilidade. Ele fez um teatro e acabou confirmando um crime: o de receber R$ 4 milhões para campanha eleitoral'."
A corrupção da palavra "teatro" e da noção de teatralidade invadiu a mídia. Ninguém se dá ao cuidado, sequer, de avisar que estamos empregando a palavra em sentido pejorativo. Teatro é mentira mesmo! Seria o caso de acionar os nossos dispositivos politicamente corretos e denunciar que os atores, no palco, manifestam a verdade, usando a máscara do talento.
Mataremos nossa sede
No teatro, hipocrisia é virtude. O ator, encenando o obsceno, sendo o que não é, mostra o avesso da bela sociedade, as entranhas, as vísceras, o funcionamento secreto das paixões. O teatro opera o contrário da hipocrisia. Denominar de teatral aquele que faz caras e bocas, gestos e olhares é uma ofensa à dramaturgia. O que não nos impede de afirmar que o deputado em questão esteja representando muito bem o seu papel.
Nada contra a política como teatro. Os políticos são excelentes atores quando nos convencem de um mundo melhor. E nós aplaudimos. Acreditamos. Sonhamos. Vivemos a estética da esperança.
A tragédia, a comédia, os bastidores, o pano que cai. O sangue de mentira que faz rasgar e explodir o coração. O vestido de noiva, os fantasmas, ser ou não ser, a partilha, a ópera do malandro, a gota d'água!
O poeta Murilo Mendes dizia que, no apocalipse, mataremos nossa sede de teatro. Diante de nós, sem pudor, sem medo de esquecer suas falas, os atores dialogam, xingam, improvisam. Representam com ardor a vida como ela é. Assistimos de camarote. Muitos querem vaiar! Gabriel Perissé - Doutor em Educação pela USP e escritor. Web: (www.perisse.com.br) - Observatório da Imprensa
 
O cerco da imprensa ao governo Lula
21/6/2005
A coluna do jornalista Merval Pereira de O Globo, intitulada "Opinião pública" (10/6/2005), colocou em discussão a noção de opinião pública, que encontraria na imprensa o canal privilegiado de manifestação ao desempenhar o papel de criticar e tornar transparente os atos dos governos, considerando que numa sociedade democrática a liberdade de opinião é um direito garantido constitucionalmente [veja abaixo remissão para comentário de Venício A. de Lima sobre essa coluna do Globo].
O jornalista sustenta que a imprensa no Brasil se transforma no quarto poder por uma desfunção dos demais poderes institucionais. Acrescenta ainda que pesquisa realizada pelo Ibope mostra como é alta a confiança da população nos jornais, enquanto os políticos ficam com os piores índices. A divulgação dos dados da pesquisa ocorre no momento de uma forte crise política originada das denúncias de corrupção que atingiram o governo Lula e sua base partidária de apoio. As denúncias de corrupção motivaram o colunista e alguns atores políticos a fazer comparações entre o governo Lula e o segundo governo Vargas (1951-1954), alvo da CPI do jornal Última Hora, criado a partir de empréstimos do Banco do Brasil.
De fato, o segundo governo Vargas e o caso Última Hora oferecem importantes elementos para uma análise não apenas do papel da imprensa e do conceito de opinião pública por ela divulgada, como também das características de uma cultura enraizada historicamente no país, que resiste à ampliação da democracia através do não-acatamento às regras políticas e desprezo pelas instituições representativas. No caso Última Hora podemos observar como a linguagem é um campo de conflitos ideológicos no qual uma mesma palavra pode tomar diversos significados, conforme seja utilizada por um ou por outro representante da imprensa. Quando a imprensa faz dela própria um tema prioritário de debate, importantes informações são reveladas, possibilitando ao público compreender com mais clareza seu modo de funcionamento, assim como os vínculos políticos que estabelece e as concepções de sociedade que difunde.
Uma das particularidades do caso Última Hora consiste no fato de que denúncias em torno de um único jornal acabaram por colocar em debate as relações do governo com o conjunto da imprensa. Na medida em que o caso ganhou repercussão com a instalação da CPI pedida pelos deputados da UDN, toda a imprensa passou a ser objeto de investigação. As pressões para influenciar seus rumos quanto ao sentido e alcance das investigações fo


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