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Clipping FNDC - TV digital: liberação de recursos ainda depende do   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #602 de 730 |

CLIPPING DO DIA
20 de junho de 2005

Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

 
Televisão
TV digital: liberação de recursos ainda depende do Ministério da Fazenda
O mercado de televisão digital no Reino Unido continua a crescer
A evolução das plataformas digitais no Reino Unido
Caracterização do mercado de televisão no Reino Unido
Evolução das vendas de equipamentos para TDT no Reino Unido
Programa da Globo exibe reportagem paga
Entrelinhas
Pensa que é fácil dirigir o patrão?
 
Política de TV por Assinatura
CCS discute com Anatel novas regras para a TV paga
 
Comunicação Comunitária
Universidades poderão operar emissora de rádio comunitária
 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova doze concessões de radiodifusão
 
Programação de TV por Assinatura
Terra Viva fecha distribuição via cabo
 
Audiovisual
Orçamento de longas nacionais ultrapassa R$ 1 bi
Filmes brasileiros ganham distribuidora na França
Argentina deve criar mecanismos de exportação de conteúdo para TV
"Diários de Motocicleta" é premiado nos EUA
Rebeldia indomável
Projeto cinematográfico "une" a Iugoslávia
Projete filmes e idéias no telão
'Cazuza' é grande vencedor do Festival de Miami
 
Política
Acusado de extorsão recebeu da União
Praga de Dirceu
"Star Wars"
Rosinha gasta mais com publicidade em 2004
''Lula não pode esperar mais''
Gil afirma que 'governo está sabendo reagir à crise'
Testemunha
Frustração e esperança
Serraglio teme pelo pior
Bornhausen diz que apuração de denúncias ''é o papel de uma oposição responsável e fiscalizadora"
Denúncias contra PT são falsas e seus ''agentes'' têm ''vínculo'' com oposição, afirma documento
'Mensalão' prejudica imagem do governo, diz CNI/Ibope
Denúncias não afetam imagem de Lula, diz Datafolha
Deputado critica parcialidade da imprensa
Eunício tira cargo de consultor de ex-diretores dos Correios demitidos por Lula
Agência não libera biografia de novos superintendentes
 
Imprensa & Jornalismo
"A Globo é a desgraça do Brasil"
Wall Street Journal' de sábado chega em setembro
 
Informática
Populares precisam de um pouco mais de memória
PC pré-pago
Parceiros Intel oferecem modelos alternativos de PCs
Programa formará técnicos em software livre e acabará com pretextos para a pirataria
União Européia vota patente de software
 
Mercado de Comunicação
Fusão vai criar gigante do setor de cabo
 
Regulação
Riscos dos telemóveis para as crianças e jovens
Ameaças pelos telemóveis: problema e risco crescente entre crianças
Acções e estratégias para combater os riscos dos telemóveis
 
Sociedade da Comunicação
Rede fortalece amizade entre jovens
 
Cultura
A confusão dos fios na tomada
 
Telecom
Venda da Brasil Telecom é prioridade
Transmissão de voz não garante o futuro das empresas de telefonia
Estudo mostra reaquecimento do mercado de redes e telecom
Google testa serviço de busca para telefonia celular
Analista prevê demora em mudanças na BrT
Os serviços de telecomunicações em 2005: perspectivas de mercado
Banda larga com crescimento robusto mas diminuição de lucros
O VoIP acelera mas mantém-se um nicho de mercado
Operadores de redes fixas lutam para manterem liderança
 
Indústria Fonográfica
A metralhadora Lobão
 
Literatura e Mercado Editorial
Ano da Leitura terá 100 mil ações no Brasil
 

 
Televisão
TV digital: liberação de recursos ainda depende do Ministério da Fazenda
17/6/2005
A liberação de recursos para o Sistema Brasileiro de TV Digital, que é financiado pela Finep, continua dependendo do Ministério da Fazenda. Segundo o Ministério das Comunicações, a autorização dada na semana passada para o empenho de R$ 9,5 milhões para o projeto "se dará somente quando da ampliação, pelo Ministério da Fazenda, do limite de pagamento do Minicom". Uma nota do órgão, em resposta a matéria publicada na newsletter Telecom Urgente, diz ainda que o Minicom tem feito gestões junto aos Ministérios da Fazenda e Planejamento para descontingenciar o seu orçamento de 2005. De acordo com a newsletter, os recursos, os já liberados e o pagamento de novas parcelas dos lotes de financiamento da Finep, têm que chegar na Agência até o próximo mês para que comecem a ser liberados em agosto, para não comprometer o cronograma de entrega das pesquisas, cujo prazo final foi marcado para 10 de dezembro. Wanise Ferreira - Telecom Online

O mercado de televisão digital no Reino Unido continua a crescer
17/6/2005
A televisão digital no Reino Unido continua a crescer, tornando este país num dos mercados mais dinâmicos em termos de penetração digital. No final de Março de 2005, estes valores já atingiam os 61,9%. No final de Março de 2005 a penetração de televisão digital atingia os 61,9% dos lares do Reino Unido, face aos 59,4% registados no final de Dezembro de 2004.
O número total de lares com televisão digital cresceu 643,517 nesse trimestre, aumentando a penetração digital em 2,5 pontos percentuais, de acordo com o relatório da OFCOM. O número de subscritores da BSkyB no Reino Unido cresceu 87,000 atingindo os 7,349,000 no final de Março de 2005.
Em termos de plataformas, a Freeview (Televisão Digital Terrestre) assinalou um crescimento significativo, com o número de lares a chegar aos 5,059,350 nesse período. A Televisão Digital Terrestre também registou, nesse trimestre, um aumento significativo das vendas de equipamentos. Actualmente, existem cerca de 445,000 lares com satélite digital free-to-view. No total, há agora mais de 5,5 milhões de lares com free-to-view digital (TDT Freeview, mais satélite free-to-view).
O número total de subscritores de televisão por cabo encontra-se nos 3,3 milhões. O cabo digital aumentou cerca de 30,000 e atinge neste momento mais de 2,5 milhões em termos totais. Observatório da Comunicação
 
A evolução das plataformas digitais no Reino Unido
17/6/2005
Apesar do ligeiro decréscimo, o satélite digital Pay-TV domina a quota de lares no Reino Unido. Ainda assim, nos últimos anos a Televisão Digital terrestre tem registado um crescimento acentuado, ultrapassando o cabo digital e aproximando-se da quota do satélite digital.
A quota de lares digitais da BSkyB sofreu um decréscimo de 1,5%, passando dos 49,2% no final de 2004 para os 47,7% no final de Março de 2005, segundo dados da OFCOM. Esta queda deveu-se, essencialmente, ao aumento da quota de lares digitais com TDT (Televisão Digital Terrestre). A quota de lares com Pay-TV da BSkyB aumentou ligeiramente no trimestre, passando dos 68,6% no final de 2004 para os 69% no final de Março de 2005.
O cabo sofreu uma queda na sua quota de lares com televisão digital no primeiro trimestre de 2005, agora à volta dos 16,5%, face aos 17% no final de 2004. A quota do cabo no mercado da Pay-TV mantinha-se a mesma à volta dos 31% no final de Março de 2005. A TDT teve outro trimestre de crescimento, aumentando a quota do mercado de televisão digital em 1,7%, passando dos 31,1% no final de 2004 para os 32,8% no final de Março de 2005.
Para mais informações consulte o relatório "Digital Television Update - Q1 2005" da OFCOM. Observatório da Comunicação
 
Caracterização do mercado de televisão no Reino Unido
17/6/2005
Os esquemas de subscrição de plataformas digitais no Reino Unido têm vindo a ser alterados consoante a evolução do mercado. O satélite digital regista a maior quota de mercado, assim como a maior taxa de penetração, ao passo que o cabo sofreu uma queda em termos gerais, exceptuando em termos de subscritores de cabo digital.
Com a decisão da BBC de parar de encriptar os seus serviços no satélite, o esquema levado a cabo pela empresa de providenciar cartões de visionamento de acesso condicionado "Solus" free-to-view chegou ao fim. Durante o ano de 2003, a Sky actualizou o seu sistema de acesso condicionado, substituindo os cartões "P1" de acesso condicionado pelos cartões "P2". Qualquer telespectador "Solus" com o cartão "P1" perdeu o acesso aos serviços de satélite digital da ITV 1, Channel 4, Five e S4C deixando, assim, de serem considerados lares digitais (apesar de continuarem a poder receber os serviços digitais da BBC). O mesmo aconteceu aos telespectadores com cartões "P1" que subscreviam os serviços Pay-TV da Sky mas que desligaram o serviço, tornando-se lares free-to-view.
Esses telespectadores que perderam os serviços free-to-view tiveram a oportunidade de obter um novo cartão "Solus" mediante um esquema levado a cabo pelo Channel 4 entre Julho de 2003 e Janeiro de 2004. Cerca de 145,000 telespectadores adquiriram novos cartões "P2" e este esquema chegou agora ao seu final. Dos telespectadores que terminaram a subscrição de serviços Sky, cerca de 300,000 ainda usam a sua set-top-box para receber todos os canais free-to-view de serviço público.
Segundo a OFCOM, no final de Março de 2005, o número total de lares com cabo no Reino Unido era de 3,288,262. Destes, 1,960,000 eram subscritores da ntl, 1,320,487 subscreviam a Telewest Broadband, e os restantes a Wightcable. A indústria do cabo sofreu um decréscimo no número total de subscritores em cerca de 13,400. Contudo, o número de subscritores de cabo digital aumentou 30,000, atingindo os 2,544,048 no final de Março de 2005 - um aumento de 1,2% desde Dezembro de 2004. Em termos de penetração digital total, o mercado do Reino Unido cresceu de forma acentuada desde o terceiro trimestre de 2003 (48%) até ao primeiro trimestre de 2005 (61,9%). O satélite digital mantém-se como a plataforma com maior penetração, chegando aos 31,3% no final de Março de 2005, logo seguido pela Televisão Digital Terrestre (TDT), com 20,3%. No mercado da Pay-TV o satélite digital mantém o seu domínio, com 29,5% nesse período, muito afastado do cabo que obtém apenas 13,2%. No que diz respeito à quota de mercado, destaca-se a evolução da TDT, que passou dos 17,8% no terceiro trimestre de 2003 para os 32,8% no final de Março de 2005. Observatório da Comunicação
 
Evolução das vendas de equipamentos para TDT no Reino Unido
17/6/2005
As vendas de equipamentos para Televisão Digital Terrestre no Reino Unido têm aumentando exponencialmente e, cada vez mais, esta tecnologia é adquirida para utilização num segundo televisor no lar.
De acordo com a OFCOM, a TDT (Televisão Digital Terrestre) teve outro trimestre de crescimento, com 858,800 vendas durante o primeiro trimestre de 2005. Estes valores excederam o trimestre homólogo de 2004 quando se registaram 652,200 vendas. Estima-se que o número total de unidades de TDT no mercado esteja agora perto dos 7,2 milhões.
Com cerca de 7 milhões de televisores com capacidade para receber TDT no mercado, o número total de lares capazes de receber emissões TDT encontra-se à volta dos 5.5 milhões. Estima-se que cerca de 1,72 milhões de televisores TDT tenham sido comprados para utilização enquanto segundo televisor por telespectadores que já tinham televisão digital no seu televisor principal (ou Freeview ou Sky ou cabo). As últimas estimativas sugerem que, no primeiro trimestre de 2005, cerca de 25% das set-top-boxes Freeview tenham sido adquiridas com esse propósito. Observatório da Comunicação
 
Programa da Globo exibe reportagem paga
20/6/2005
Programa sobre automóveis da Globo, o "Auto Esporte" exibe merchandising embutido em reportagens. O programa dominical fala de carros, competições e manutenção de veículos.
Em boletim distribuído ao mercado publicitário neste mês, a Globo oferece "oportunidades diferenciadas de exposição de marcas por meio de ações de merchandising" no programa. Diz que isso apresenta "um alto poder persuasivo", porque "acontece no momento de maior atenção do telespectador, está integrado ao assunto e não quebra a linearidade da matéria". No jargão jornalístico, matéria é reportagem.
O boletim traz relatos de três anunciantes do "Auto Esporte". Uma executiva da Peugeot fala que o escolheu para divulgar um lançamento. A italiana Maserati revela que contratou o programa para a cobertura de um torneio. Já a Mitsubishi diz que o "Auto Esporte" "tem sido uma mídia de divulgação da resistência e qualidade dos nossos carros, por meio das cenas exibidas na TV".
A Globo afirma que o "Auto Esporte" não é um "programa jornalístico, mas de entretenimento". Não é feito pela Central Globo de Jornalismo, mas por uma produtora independente (a GW). Diz que o programa não oferece a anunciantes "matérias pagas", mas "oportunidades comerciais para atender à peculiaridade da publicidade no mercado e nas competições automobilísticas". Daniel Castro - Folha de São Paulo
 
Entrelinhas
20/6/2005
Ana Paula Padrão terá de fato muito trabalho pela frente no SBT. Enquanto a casa literalmente caía, na quinta-feira, com o pedido de demissão do chefe da Casa Civil, José Dirceu, a TV de Silvio Santos reexibia, pela enésima vez, o seriado mexicano Chaves.
Por falar em SBT, a migração Brooklin-Anhangüera não pára: com carta branca do patrão, Ana Paula tem seduzido uma fila de profissionais do jornalismo da Globo a trocar de canal. Uma das novas aquisições do SBT ganhava R$ 4 mil na Globo, que lhe ofereceu R$ 5 mil para ficar, ante R$ 10 mil do SBT. O Estado de São Paulo
 
Pensa que é fácil dirigir o patrão?
20/6/2005
Diretor do 'Family Feud' fala sobre o novo show de Silvio
Feito raro no SBT é diretor de programa do patrão dar entrevistas. E não é que César Scarpatto, incumbido dessa missão no Family Feud, ou O Jogo das Famílias, como batizou Silvio Santos, falou ao Estado? À primeira curiosidade de qualquer mortal - afinal, Silvio Santos se permite ser dirigido? - Scarpatto responde que sim: "É uma grade parceria" trabalhar com ele.
"É uma escola imensa, a gente aprende muito com o Silvio. Ele tinha exatamente na cabeça a forma e a cara que ele queria dar ao produto", conta Scarpatto. "Junto com a equipe da Freemantle (produtora que detém os direitos do formato) fizemos a versão para o Brasil", fala.
O programa vai ao ar de segunda a sexta, às 19h50, e é um game com prêmios em dinheiro, claro - ou isso não seria Silvio Santos - que prevê um embate de perguntas entre duas famílias. Os clãs (cinco membros cada) se cadastraram pelo site do SBT. Foi também pelo site, segundo o diretor, que a emissora coletou respostas, nas cinco regiões do País, para perguntas simples como "cite uma fruta verde", ou "qual parte do corpo você lava primeiro no banho?" "Não são perguntas com a pretensão de informar ou educar, como no Show do Milhão, são questões divertidas", explica Scarpatto. Por meio de múltipla escolha, a família que mais se aproximar das respostas de maior incidência na pesquisa prévia acumulará mais pontos.
O Family Feud já foi feito em vários países, incluindo o México da Televisa, menina dos olhos do patrão. Aliás, para entender o jogo, as famílias daqui assistem à versão mexicana antes de gravar. Cristina Padiglione - O Estado de São Paulo
 

 
Política de TV por Assinatura
CCS discute com Anatel novas regras para a TV paga
17/06/2005, 17h16
Os conselheiros da sub-comissão de televisão por assinatura do Conselho de Comunicação Social discutiram esta semana com a equipe técnica da Anatel o plano de metas de qualidade para os serviços de TV paga. O diretor executivo da ABTA, Alexandre Annenberg também participou das reuniões à convite do CCS. Por enquanto, os questionamentos da subcomissão foram praticamente formais. Entre outros pontos, os conselheiros questionam a utilização do nome Serviços de Comunicação Eletrônica de Massas e a sigla SCEMa na designação no plano e em diversos de seus artigos, pela simples razão de que não existe um serviço com este nome. De acordo com o superintendente de serviços de comunicação eletrônica de massas da Anatel, Ara Apkar Minassian, aparentemente, os conselheiros do CCS aceitariam a designação desde que fosse feita em caracteres minúsculos de forma a caracterizar uma denominação genérica, como seria se os serviços STFC e SMP fossem designados como "telefonia".
A parte que falta
Um segundo questionamento dos conselheiros diz respeito à dificuldade de se avaliar a efetividade do plano de metas dos serviços de Tv paga sem que tenham sido concluídos os trabalhos de avaliação dos outros regulamentos que afetam a TV por assinatur (satisfação do usuários e proteção do consumidor), também submetidos à consulta pública, mas cuja análise ainda não foi concluída pelo conselho diretor da Anatel. Na visão dos conselheiros do CCS, uma boa análise da questão exigiria muito mais do que fez o plano de metas de qualidade, que ficou restrito à qualidade da infra-estrutura de telecomunicações utilizada para a prestação do serviço e ao atendimento do usuário. Não se abordou a qualidade da programação, um item considerado essencial pelo CCS. Segundo Ara Minassian, esta discussão está apenas começando. "Para definir pontos objetivos como os que foram considerados no PGMQ, nós utilizamos a experiência da telefonia fixa e do SMP. Para estabelecer quesitos mais subjetivos, como os que sugere o CCS, muito estudo ainda será necessário. No momento, nós dispomos de uma única pesquisa realizada sobre este assunto", lembrou Minassian. A comissão do CCS terá uma segunda reunião com a equipe da Anatel antes de apresentar seu parecer ao pleno do CCS na reunião extraordinária marcada para o próximo dia 30. Da Redação - PAY-TV News
 

 
Comunicação Comunitária
Universidades poderão operar emissora de rádio comunitária
17/6/2005 12h42
As instituições de ensino superior poderão receber concessão para operar emissoras de rádio comunitárias, caso seja aprovado no Congresso o Projeto de Lei 5172/05, do deputado Celso Russomanno (PP-SP). O objetivo da proposta é contribuir para a preparação acadêmica e para o aperfeiçoamento profissional do estudante. "As instituições que oferecem cursos na área de comunicação social consideram relevante poder contar com uma rádio que sirva de laboratório para os alunos", afirma Russomanno. A legislação atual autoriza as universidades a executarem serviços de radiodifusão em emissoras educativas. Para o autor da proposta, porém, os custos de instalação e de manutenção da infra-estrutura de uma rádio educativa inviabilizam o seu funcionamento nas instituições de ensino públicas. Ele diz que o serviço comunitário seria mais compatível à realidade universitária.
Cobertura restrita
A Lei 9612/98, que institui a radiodifusão comunitária, define esse serviço como aquele sem fins lucrativos, que opera em baixa potência e com uma cobertura restrita à localidade de prestação do serviço.
As rádios comunitárias são exigidas a priorizar, em sua programação, o incentivo à cultura, ao lazer e ao convívio social da comunidade. A legislação brasileira assegura ainda a qualquer cidadão da comunidade beneficiada o direito a expressar suas opiniões sobre os assuntos abordados na emissora. Também é direito do cidadão fazer sugestões, reclamações ou reivindicações à direção da rádio.
Tramitação
A proposta está sendo analisada na Comissão de Educação e Cultura, onde foi designado relator o deputado Walter Pinheiro (PT-BA). O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será encaminhado também às comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Agência Câmara de Notícias
 

 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova doze concessões de radiodifusão
17/6/2005 15h55
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou ontem 12 projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados. As propostas, de autoria da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, serão agora analisadas pelo Senado Federal. As concessões são as seguintes:
CEARÁ
Associação Comunitária de Desterro - Quiterianópolis Associação Comunitária de Radiodifusão de Independência - Independência Centro Comunitário de Radiodifusão de Santa Quitéria - Santa Quitéria
Fundação José Possidônio Peixoto - Caucaia
MATO GROSSO DO SUL
Associação Comunitária de Bodoquena-ACB - Bodoquena
MINAS GERAIS
Associação Comunitária de Radiodifusão Phoenix FM - Novo Cruzeiro
Sistema Casson de Radiodifusão Ltda. - Bicas
PARAÍBA
Rádio Cidade de Piancó Ltda. - Piancó
PERNAMBUCO
Associação de Rádio Comunitária - Itapetim
Associação Cultural e Comunitária Luiz Moraes - Vicência
SÃO PAULO
Associação Cultural para Difusão das Tradições e Hábitos Luizenses - São
Luís do Paraitinga
Legal-Cat Catanduva Comunicações Ltda - Pirangi
Agência Câmara de Notícias
 

 
Programação de TV por Assinatura
Terra Viva fecha distribuição via cabo
17/06/2005, 16h38
O canal Terra Viva, canal rural do Grupo Band, que estreou aberto em satélite na banda C e está no line-up da Tecsat, foi incluído também no cabo. As operadoras TV N (Cuiabá) e Cabo Mais (Recife) incluíram o sinal no seu line-up. O Terra Viva traz telejornais, cotações, meteorologia, entrevistas e debates, links ao vivo da BM&F, dicas de negócios para produtores rurais, além de "cases" do setor. No canal, os leilões de animais têm destaque especial, com possibilidade de lances e remates ao vivo e online. Da Redação - PAY-TV News
 

 
Audiovisual
Orçamento de longas nacionais ultrapassa R$ 1 bi
20/6/2005
Existem atualmente 455 projetos de longas-metragens brasileiros em produção, segundo relatório da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Os orçamentos desses projetos somam R$ 1,056 bilhão. Esse é o total autorizado pelo governo para captação de recursos (patrocínio) com benefício das leis renúncia fiscal (que destinam parte do IR à produção cultural). A captação de fato realizada até agora pelos projetos é de R$ 116,8 milhões. Folha de São Paulo
 
Filmes brasileiros ganham distribuidora na França
20/6/2005
Jangada Association inaugura o braço Distribution e assegura chegada de produções nacionais
Em meio a tantos eventos oficiais programados para este ano, uma iniciativa não governamental chama a atenção. A Jangada Association, que organiza há sete anos o Festival do Cinema Brasileiro de Paris, ganhou o braço Jangada Distribution, a primeira distribuidora de filmes brasileiros na França. "Aproveitei o ano especial, mas sempre quis colocar os filmes que mostramos no festival em circuito comercial. Essa foi a oportunidade perfeita", conta Katia Adler, organizadora do festival.
Para este ano, já está assegurada a distribuição de sete filmes nacionais: Villa Lobos - Uma Vida de Paixão (de Zelito Viana), Gêmeas (de Andrucha Waddington), Veja Esta Canção (de Cacá Diegues), Verger: Mensageiro entre Dois Mundos (de Lula Buarque de Hollanda), O Dia da Caça (de Alberto Graça), Latitude Zero (de Toni Venturi), e Quase Nada (de Sérgio Rezende). "A princípio, cada filme deverá ter duas cópias e ficará de uma a duas semanas em cartaz. Mas, conforme o desempenho, poderá continuar. Vamos distribuir, além de Paris, para várias pequenas e médias cidades da França", ressalta ela.
A iniciativa pode parecer pequena, mas é representativa. "Não há nada parecido na Europa. Além disso, pudemos ver pela experiência que temos com o Festival do Cinema Brasileiro de Paris, que há público interessado no cinema produzido no País", conta Katia Adler.
PARCERIAS
"Para se ter uma idéia, fomos a quarta bilheteria da semana durante o festival deste ano, em abril, e olha que só competimos com blockbusters americanos", completa. Ainda para este ano, a Jangada planeja vender produções brasileiras para Bruxelas e Luxemburgo. "Esperamos também poder contar com um futuro apoio dos governos brasileiro e francês. Até agora, está tudo por nossa conta e das parcerias que firmamos com a Rain e com os produtores brasileiros", finaliza a organizadora do evento. Flávia Guerra - O Estado de São Paulo
 
Argentina deve criar mecanismos de exportação de conteúdo para TV
17/06/2005, 18h22
A Argentina quer criar mecanismos internos para aumentar a exportação de conteúdo para televisão. É o que diz Juan Jose Ross, um dos diretores da Comfer, órgão que regula o setor de televisão naquele país, ao noticiário norte-americano Daily Variety. Segundo a notícia publicada nesta sexta, 17, a Comfer está preparando isenções de impostos e investimentos públicos e privados para incentivar a exportação de produtos audiovisuais prontos e de formatos. Entre as propostas para fomentar o setor, está o corte nos impostos sobre a importação de equipamentos e tecnologia para produção audiovisual. Ainda segundo a notícia da Variety, o pacote fiscal está sendo desenvolvido com a associação dos radiodifusores argentinos e não deve ter problemas para ser aprovado no congresso. Da Redação - TELA VIVA News
 
"Diários de Motocicleta" é premiado nos EUA
20/6/2005
O longa-metragem "Diários de Motocicleta", do diretor brasileiro Walter Salles, sobre Che Guevara, levou na última sexta-feira, em Los Angeles, os prêmios de melhor filme, diretor e ator coadjuvante no Imagen Awards, que consagra os trabalhos que dão destaque a cidadãos de origem hispânica no cinema. O roteirista de "Diários", José Rivera, ficou com um prêmio de criatividade. Já Catalina Sandino Moreno, de "Maria Cheia de Graça", venceu na categoria de melhor atriz. Folha de São Paulo
 
Rebeldia indomável
20/6/2005
James Dean é parente próximo da Coca-Cola. Símbolo que é citado tanto em músicas do R.E.M. como em filme de David Cronenberg, o ator não é muito diferente da bebida, uma vez que ambos são ícones da cultura pop. No aniversário de 50 anos da sua morte, Dean ainda conserva o mito de rebelde sem causa e, como a bebida, segue fresco e gasoso.
Sua imagem inspirou controversas teorias sobre por que possuía um gênio atormentado e era, ao mesmo tempo, introspectivo, brincalhão, misterioso e melancólico. Mas o que interessa é que Dean fez bonito nos três filmes em que atuou e traduziu um estado de espírito juvenil dos anos 50 que até aos hippies encantaria.
Sim, Marlon Brando (1924-2004), outro selvagem das telas, foi o maior ator da história, mas teve seu mito "humanizado" pelo tempo. Além disso, não teve sua vida marcada por uma tragédia tão espetacular como a de Dean, que morreu aos 24 anos, em 30 de setembro de 1955, num acidente de carro na Califórnia.
A tragédia aconteceu quando seu primeiro filme estava em cartaz, "Vidas Amargas" (55), de Elia Kazan, sobre um caçula revoltado que disputa o amor do pai. Dean estabeleceu sua marca com interpretações dramáticas e intensas, mas modernas e cheias de improvisos. Já no ano seguinte, com "Assim Caminha a Humanidade" (56), de George Stevens, Dean recebeu a indicação póstuma ao Oscar de ator coadjuvante.
Mas foi "Juventude Transviada" (55), de Nicholas Ray, lançado dois dias depois de sua morte, que lhe pôs a coroa de ícone da rebeldia dos jovens que surgiam naqueles anos 50, após a Segunda Guerra Mundial. O protagonista brigava, bebia e tirava rachas para tentar compreender aquele mundo adulto e enigmático dos seus pais. Até então, era inédito um filme que se colocasse junto aos jovens que peitavam o conservadorismo e a hipocrisia do modelo familiar.
Dean passou também pela TV e o teatro, mas sua carreira aconteceu mesmo nos 15 meses em que realizou esses três filmes.
Neles, cedeu um modelo para a geração que surgia no pós-guerra, menos careta e um tanto atordoada e órfã de referências.
O espaço de liberdade que os adolescentes possuem hoje, enfim, tem muito do que foi projetado por James Dean. PAULO SANTOS LIMA - Folha de São Paulo
 
Projeto cinematográfico "une" a Iugoslávia
20/6/2005
No alto de uma montanha macedônia, um projeto único de colaboração está em curso entre países que no passado faziam parte da Iugoslávia, para revisitar a calma antes da tempestade que causou a cisão do país.
"Karaula" (posto de fronteira) é o primeiro filme co-financiado e co-produzido pelas antigas repúblicas da federação socialista depois que irrompeu a Guerra da Croácia em 1991, seguida de maneira tão feroz pelo conflito bósnio iniciado no ano seguinte.
"Trata-se de uma história que mais ou menos constitui nossa memória coletiva", diz o diretor croata Rajko Grlic sobre o filme, que toma por tema a vida em uma complicada unidade de fronteira do Exército iugoslavo em 1987.
"Estamos brincando com essa memória e tentando descobrir por que e como a guerra chegou tão facilmente aqui", disse.
O veterano diretor em 1991 dirigiu o último dos filmes pan-iugoslavos, "Caruga", sobre um bandido no leste da Croácia, logo depois da Primeira Guerra Mundial, cujos sonhos de um Estado comunista desaparecem gradualmente à medida que sua pilhagem se torna mais e mais lucrativa.
A guerra na Croácia, de 1991 a 1995, e a na Bósnia, de 1992 a 1995, custaram 300 mil vidas e causaram sérios problemas a outros milhões de pessoas. Também serviram de inspiração a uma série de filmes sombrios, satíricos e contrários à guerra, como "Pretty Village, Pretty Flame" (bela aldeia, bela chama), marcante trabalho do sérvio Srdjan Dragojevic, em 1996, e o agridoce "Terra de Ninguém", dirigido pelo bósnio Danis Tanovic, co-produção de Eslovênia, França e Itália que conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2002.
Tanovic não recebeu verba de seu país empobrecido, e Grlic admite que a colaboração em "Karaula" foi ditada mais pelo pragmatismo do que por ideais elevados de catarse ou reconciliação.
"Todos esses países são muito pequenos e bastante pobres e, para realizar uma produção maior, é preciso co-produzir filmes", diz. "Assim, decidimos concorrer por verbas em todos os países, que usam mais ou menos o mesmo idioma e foram todos parte do mesmo país."
O resultado é um orçamento de cerca de US$ 2,4 milhões (cerca de R$ 4,7 milhões), boa parte do qual na forma de verbas dos governos de cada uma das antigas repúblicas, e uma equipe técnica e elenco de 120 pessoas vindos de toda a antiga Iugoslávia. Uma produtora de Kosovo, a Província sérvia ocupada por uma minoria albanesa cuja autonomia continua a ser contestada, também está representada. "Queríamos as melhores pessoas para criar uma atmosfera autêntica", diz o produtor bósnio Ademir Kenovic.
Grlic descreve o filme como uma comédia simples sobre um pequeno grupo de soldados, "um momento de silêncio" antes da tragédia. "Era um período em que todo mundo sabia que algo aconteceria, mas ninguém sabia o quê", diz, com um sorriso irônico.
Observar o interior do posto de fronteira revela uma coleção empoeirada de discos de rock iugoslavo dos anos 80 e uma esmaecida fotografia em preto-e-branco do Partizan, um time de futebol então multiétnico em Belgrado.
Uma pichação em letras grandes, na parede, evoca o lema da velha Iugoslávia: "Devemos proteger a irmandade e a união como protegeríamos nossos olhos".
O filme, que deve chegar aos cinemas dentro de um ano, traz o estudante de teatro croata Tonu Sgojanovic, o galã sérvio Sergej Trifunovic e o veterano ator bósnio Emil Hadzihafizbegovic.
Grlic diz que reuniu toda a equipe diversas semanas antes da filmagem para quebrar o gelo. "é a primeira vez que todos voltam a se reunir, com todas aquelas más lembranças e frustrações", disse.
"é difícil para eles, especialmente para as crianças que vêm de lugares com tanto nacionalismo. é por isso que os reunimos aqui, para que convivessem durante algumas semanas e aceitassem que são diferentes, mas ainda assim podem trabalhar juntos."
Grlic espera que "Karaula" seja o primeiro de muitos trabalhos colaborativos entre os problemáticos vizinhos dos Bálcãs, especialmente em um momento em que tentam avançar para além de filmes imputando culpa pelas guerras. "Todos aqueles filmes que tentavam lutar pelo meu lado, ou pelo lado dele, aqueles filmes meio de propaganda, acho que acabaram", diz.
Trifunovic, conhecido como o "James Dean da Sérvia", tinha apenas 18 anos e mal começara a carreira quando a guerra estourou. Diz que a cooperação e a camaradagem que encontrou no estúdio foram "especiais". "Esse é meu 13º filme, mas meu primeiro filme iugoslavo. Um filme de um país inexistente!" MATTHEW ROBINSON - Folha de São Paulo
 
Projete filmes e idéias no telão
20/6/2005
O equipamento certo faz toda a diferença, se você quer uma sessão pipoca com amigos ou valorizar apresentações gráficas
Velhos conhecidos de auditórios e salas de reunião de empresas, os projetores portáteis de cristal líquido (LCD) viraram o objeto de desejo de quem está atrás de ampliar, literalmente, a diversão. Em casa, eles substituem a TV na exibição de filmes e produzem aquela sensação de tela de cinema.
O que pouca gente sabe, entretanto, é que, apesar de muito parecidos, projetores para apresentações e para curtir um bom filme possuem diferenças importantes. E elas devem ser levadas em consideração no momento da compra.
Não é proibido usar o projetor de trabalho para assistir a um filme em casa. Mas saiba que o resultado não será o mesmo. Os fabricantes, pensando nisso, desenvolvem linhas bastante distintas de produtos para os dois públicos.
Feitos para serem usados em ambientes mais claros, os projetores corporativos vêm com lâmpadas mais potentes para que a apresentação possa ser vista com clareza por todos os presentes na sala. Quando são usados na projeção de um filme, eles acabam "chapando" a imagem, tirando sua nitidez.
Nos projetores domésticos, a luminescência (quantidade de luz emitida por uma lâmpada) deve ser mais baixa e o contraste, maior. Enquanto especialistas recomendam que equipamentos para projeções de planilhas e gráficos tenham pelo menos 1.500 lumens (medida da luminescência), os aparelhos para residências devem ter de 700 a 1.200 lumens.
Trocando a telinha pelo telão
Os projetores de LCD usam telas de cristal líquido na formação das imagens exibidas. Seja para projeção na parede ou em sofisticadas telas de vidro, que mostram imagens dos dois lados, esses equipamentos passaram a ser vistos como uma alternativa muitas vezes mais barata aos televisores de plasma.
Enquanto modelos mais simples dessas TVs custam de R$ 10 mil a R$ 15 mil, um projetor de cristal líquido custa a partir de R$ 4 mil.
"O sucesso em ter uma tela de cinema em casa está justamente nessa relação entre luminescência e contraste", diz Josias Cordeiro Junior, dono de um estúdio de projetos de home theater na capital paulista que leva seu nome. "É preciso tomar cuidado, porque muita gente compra errado. E muita gente vende errado", sentencia.
Quem pretende assistir a filmes em casa na tela grande também precisa levar em conta fatores externos, ou seja, do ambiente onde a projeção será feita.
A primeira coisa é decidir o tamanho de tela que se deseja obter. Projetores domésticos exibem imagens que vão de 30 a 300 polegadas. A medida varia de aparelho para aparelho.
Se a sala for muito pequena, comprar um projetor para assistir à novela em 30 polegadas acaba não trazendo vantagem nenhuma para o bolso do usuário. Nesse caso, o ganho acaba sendo apenas de espaço.
Outro fator a ser levado em conta é que ter um telão em casa atrai mais visitas. "Provavelmente, o usuário vai querer fazer sessões de cinema. É importante receber todo mundo com conforto, e que todos assistam à projeção de frente, para as imagens não ficarem distorcidas", aponta Cordeiro Júnior.
Indispensável também é pensar em uma vedação para a luz, para poder assistir a filmes e programas a qualquer momento. Uma cortina ou persiana blackout resolve a questão. Além disso, lembra o especialista, durante a projeção o equipamento deve ser mantido no escuro.
Os projetores domésticos de LCD também acabam sendo uma alternativa mais versátil que a TV de plasma. Grande parte dos modelos mais modernos pode ser ligada não só ao DVD, ao videocassete e ao decodificador da TV por assinatura como também ao PC, levando partidas de games e a navegação na internet para o telão.
Tendo o aparelho certo em casa, a diversão é garantida.
O artista plástico Newton Mesquita, que já foi diretor do Museu da Imagem e do Som e é cinéfilo de carteirinha, há quase três anos trocou as salas de cinema pelo conforto da sua casa. "Não tem nada igual. Aqui eu posso assistir a um filme tomando uma taça de vinho, uma cerveja, fumando meu charuto. Não pego fila e não fico ouvindo o barulho da pipoca nem o cara da cadeira ao lado contando o filme para o vizinho. Além disso, me livro do estacionamento e dos flanelinhas", diz ele, que promove pelo menos uma sessão por dia, após o jantar, na parede de sua sala.
Já o designer Gabriel Blasko promove maratonas de séries e coleções como Guerra nas Estrelas para a mulher e os amigos. Também treina suas habilidades em games como Need for Speed Underground 2 e Half -Life 2. "Os convidados agüentam no máximo dois filmes, mas eu vou a noite inteira na frente do telão", conta. Renata Mesquita - O Estado de São Paulo
 
'Cazuza' é grande vencedor do Festival de Miami
20/6/2005
Cazuza - O Tempo não Pára foi o vencedor do IX Festival de Cinema de Miami. O longa-metragem de Sandra Werneck e Walter Carvalho também levou o prêmio de melhor ator para Daniel Oliveira. O resultado agradou ao público que lotou o Jackie Gleason Theater na noite de sábado. Sandra também estava satisfeita. "Estou muito feliz com meu primeiro prêmio internacional. Ganhamos prestígio. Isso facilita o lançamento do filme no exterior. A Columbia e o Grupo Novo de Cinema já estão trabalhando nisso. Devemos fechar contrato com a Áustria e a Alemanha em breve", declarou. Marieta Severo foi escolhida melhor atriz por A Dona da História e Jorge Furtado foi o melhor diretor por Meu Tio Matou um Cara, que também levou o Lente de Cristal de melhor roteiro (Jorge Furtado).
Redentor, de Claudio Torres, levou os prêmios de edição (Vicente Kubrusly) e direção de Arte (Tule Peake). Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach, foi a melhor fotografia (Jacob Solitrenick). A Dona da História conquistou a platéia e levou o prêmio do público. Cadu Rodrigues, diretor da Globo Filmes, subiu ao palco para receber o prêmio. Esta foi só uma das sete vezes que Cadu subiu ao palco para receber todos os filmes da Globo Filmes.
Entre os curtas, o melhor filme foi para O Retrato do Artista, de Hugo Moss, que também levou melhor roteiro. A melhor direção foi para o competente Ricardo Mehedff, de Capital Circulante. Flávia Guerra - O Estado de São Paulo
 

 
Política
Acusado de extorsão recebeu da União
20/6/2005
Arlindo Gerardo Molina Gonçalves, acusado de tentativa de extorsão, e a Comam (Comercial Alvorada de Manufaturados Ltda.), do empresário que contratou o grampo nos Correios, têm algo em comum, além da participação no episódio que deflagrou a mais grave crise política do governo Lula. Constam, ambos, da lista de pagamentos da União.
O "comandante" Molina, que estava preso desde o dia 9, foi solto anteontem. Há menos de seis meses, ele recebeu R$ 5.660 em sua conta no Bank Boston, por serviços de "pesquisa bibliográfica e documental". A ordem bancária foi lançada no Siafi (sistema de acompanhamento dos gastos da União) pela Fundação Biblioteca Nacional, subordinada ao Ministério da Cultura.
Molina foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de tentar extorquir dinheiro dele. Ele teria tentado negociar a fita na qual Maurício Marinho, ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, é flagrado recebendo propina para um suposto esquema comandado por Jefferson.
A empresa Comam pertence a Arthur Wasneck, que afirmou ser o único mentor da gravação. à Polícia Federal, ele disse que providenciou os vídeos clandestinos em abril porque estava sendo prejudicado por Marinho em negócios com os Correios.
Com a administração direta, cujas compras são lançadas no Siafi, os negócios da Comam não vão mal. No primeiro ano de mandato do presidente Lula, a empresa recebeu R$ 6,6 milhões por vendas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde. Em 2004, a Comam ganhou contratos nos comandos da Marinha e do Exército em valor semelhante ao do ano anterior e dos quais foram pagos, até o final de 2004, mais R$ 1,8 milhão.
Neste ano, a Comam já recebeu da administração direta R$ 3,5 milhões, segundo os registros lançados até a última quarta-feira no Siafi. A pesquisa no sistema foi feita pelo gabinete do deputado distrital Augusto Carvalho (PPS).
O pagamento em 2004 a Molina foi o único registrado desde 1995. Molina se apresenta como consultor da Fundação Getúlio Vargas, embora não tenha vínculo com a instituição. à PF, ele negou a tentativa de extorsão. MARTA SALOMON - Folha de São Paulo
 
Praga de Dirceu
20/6/2005
Além das agências de publicidade, outro feudo do ministro Luiz Gushiken (Secom) tem tudo para engrossar o caldo que provoca indigestão no governo Lula: os fundos de pensão. Painel - Folha de São Paulo
 
"Star Wars"
20/6/2005
Do "Fantástico":
- Na próxima quarta, José Dirceu reassume o mandato de deputado federal. No mesmo dia, o deputado Roberto Jefferson é esperado para depor na Câmara. Podem até se encontrar pelos corredores.
Comenta então um deputado petebista:
- Temos dois leões aí que vão se enfrentar na arena.
Franklin Martins, ontem no programa de bastidores "Fatos & Versões", na Globo News, recorreu a outra imagem para descrever o que promete a semana promete:
- O retorno de Jedi ao Congresso, para enfrentar Darth Vader.
O comentarista das Globos, ao que parece, acredita que o lado sombrio da força vai sair derrotado:
- Jefferson bateu no teto... Vai dizer "foi meu grande momento", porque a partir de agora ele vai começar a descer. Porque vai ter que responder a muita coisa agora... Nem tudo, no final das contas, vai ser como apareceu no início do filme.
Seja lá qual for o filme, no entender da Globo, é certo que os dois "vão se enfrentar no Conselho de ética, na Corregedoria da Câmara dos Deputados e na CPI dos Correios":
- Eles podem até ser chamados para acareações... é esperar pelo duelo. Nelson de Sá - Folha de São Paulo
 
Rosinha gasta mais com publicidade em 2004
20/6/2005
A governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), colocou o Estado na liderança do ranking dos governos (estaduais e municipais) que mais gastaram com publicidade em 2004.
No ano passado, o Rio gastou R$ 22,429 milhões com publicidade. O valor só leva em conta anúncios relacionados diretamente com a imagem do Estado. Neste ano, o Estado já gastou R$ 51 milhões em nova campanha.
O segundo lugar é do governo do Estado de São Paulo: R$ 16,481 milhões em 2004. A Prefeitura de São Paulo ficou na terceira posição. Na época, administrada pela petista Marta Suplicy, gastou R$ 15,030 milhões em anúncios.
O dinheiro pago por outras estatais ligadas ao governo não são contabilizados nos R$ 22,429 milhões gastos no ano passado. Em 2004, só a Loterj (Loteria do Estado do Rio) gastou outros R$ 7,969 milhões, valor desvinculado da conta de publicidade de Rosinha.
A liderança do governo do Rio é constatada no ranking da revista "Meio & Mensagem", especializada no mercado publicitário.
Entre as prefeituras, a do Rio, administrada pelo pefelista Cesar Maia, foi a segunda que mais gastou, com desembolso de R$ 4,256 milhões, quase três vezes menos que a paulistana. A de Belo Horizonte, sob a gestão do petista Fernando Pimentel, ficou em terceiro lugar, com R$ 3,526 milhões.
"Esta é uma boa notícia" foi a principal peça publicitária veiculada pelo governo do Estado do Rio em 2004. Segundo o secretário estadual de Comunicação do governo do Rio, Ricardo Bruno, era uma "campanha publicitária de fundo jornalístico", veiculada basicamente na TV e no rádio.
Apesar das altas cifras movimentadas pelo governo fluminense nas agências de publicidade, Bruno disse que o dinheiro usado "valeu muito a pena". "Cumprimos o papel republicano de informar a sociedade das ações concretas e objetivas do governo do Estado. Este é o papel do Estado: Fazer e mostrar o que fez".
Para este ano, Bruno disse que o Estado já reservou R$ 100 milhões para investir em propaganda. Ele não sabia estimar quanto já foi gasto em 2005. "Não dá para fazer esse tipo de previsão. é muito temerário", disse o secretário.
Segundo dados do Sistema de Informações do Acompanhamento Financeiro de Estados e Municípios da Alerj, a Secretaria de Estado de Comunicação Social gastou R$ 51 milhões neste ano.
Neste ano, o Rio faz campanha mais agressiva que em 2004. Com o tema "O Rio está dando a volta para cima", o governo contratou personalidades para estrelar os anúncios, como as atrizes Débora Secco e Cássia Kiss.
O deputado estadual Alessandro Molon (PT-RJ) disse que o alto gasto com a propaganda serve só para "colocar combustível" na possível candidatura de Anthony Garotinho, marido de Rosinha, à Presidência. "é aquela história. Uma mentira dita várias vezes acaba virando verdade", diz ele, que enviou projeto de lei que pretende impedir a suplementação de verba para publicidade. SéRGIO RANGEL - Folha de São Paulo
 
''Lula não pode esperar mais''
20/6/2005
Entrevista: Pedro Simon
O senador Pedro Simon foi peça importante em CPIs famosas, como a do impeachment de Fernando Collor e a dos anões do Orçamento. Tribuno respeitado e reserva moral do Congresso, seus atributos e o seu passado não foram suficientes, no entanto, para que tivesse o nome lembrado pelo PMDB como um dos representantes do partido na CPI dos Correios. Magoado, diz que não entendeu e "nem quer entender". Talvez a alcunha "chapa branca", com a qual a oposição se encarregou de rotular a comissão, explique o veto, ao mesmo tempo em que governistas fiéis eram escolhidos pelo partido.
Aos 75 anos, com 39 de vida legislativa, Simon enxerga justamente nesse tipo de manobra orquestrada pelo Planalto a essência da crise enfrentada por um governante a quem admira muito: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
- Vitoriazinhas de Pirro como esta eleição para a CPI mostram que o governo está marcando passo.
O antigo advogado criminalista de Caxias do Sul se surpreendeu com a habilidade cênica de um deputado que também se destacou na especialidade, e concluiu - após a lavagem de roupa suja entre altos dirigentes dos partidos aliados - que as entranhas da máquina partidária do governo ficaram à mostra. Para se recuperarem - avisa - tanto o Planalto como o PT terão de mudar de atitude: é urgente reconhecer os erros e sinalizar o caminho para o futuro.
Simon torce para que o governo acerte e dá alguns conselhos: além da firmeza no combate à corrupção, o Planalto precisa organizar sua agenda e formar uma boa equipe executiva com técnicos de alto nível que se dediquem a tocar projetos de forma competente.
- Lula não pode esperar mais. Tem que tomar decisões como a de demitir logo o presidente do Banco Central e o ministro da Previdência, que estão sendo processados - alerta.
O PMDB se esqueceu do senhor na hora de escolher representantes para a CPI?
- Até agora não consegui entender e prefiro continuar não entendendo o que aconteceu. Fiquei machucado. Conseguiram me atingir. Mesmo assim estou querendo ajudar. O governo não pode continuar cometendo os mesmos erros.
Qual a origem desses erros?
- A coisa começou a desandar com essas alianças. O Fernando Henrique fez alianças com partidos mais tradicionais e bem estruturados, como o PFL e o PMDB, este último no tempo em que ainda tinha uma boa biografia. Hoje a situação não é tão boa. Na realidade, o meu partido está há oito anos em declínio.
Essa é a única diferença?
- O Fernando Henrique fez acordos com partidos políticos. Ele não se metia em brigas internas. No atual governo, resolveram pinçar gente de cada partido e inchar algumas legendas, como o PTB o PL e o PP, praticamente dobrando suas representações, aliciando gente de outras agremiações. Quiseram preservar o PT como imaculado.
Como o senhor tomou conhecimento da história do mensalão?
- Par ser sincero, fui informado do mensalão quando vocês da imprensa também ficaram sabendo. No começo, não queria acreditar. Depois senti que, de fato, estavam acontecendo coisas estranhas. Algumas votações eram puxadas por aqueles que haviam trocado de partido.
E como o senhor avalia a atitude do governo em relação à CPI dos Correios?
- O governo já havia agindo da mesma forma no episódio da CPI dos Bingos. Quiseram, de todas as formas, boicotar a comissão. No caso dos bingos, disseram que a CPI só poderia ser instalada quando o PT e o PMDB concordassem em indicar representantes. A comissão acabou não saindo. Entramos no Supremo, pedindo a abertura da CPI e, no momento, estamos ganhando por cinco a zero.
E a atual estratégia?
- No caso atual, como a comissão era mista, o governo entrou com tudo, entrou para valer. O ministro da Fazenda abriu os cofres para tentar derrotar a comissão, mas não adiantou. Também liberaram as emendas para os parlamentares, igualmente sem resultados. E a própria vitória apertada para a direção da CPI mostra que a situação está complicada para o governo.
Como o senhor classifica a tarde da última terça-feira, quando o país parou para ver Roberto Jefferson?
- Naquela tarde, por meio das acusações mútuas dos seus vários representantes, pudemos ver as estranhas da máquina partidária do governo. Tudo ficou exposto. Não diria que foi um dia deprimente nem memorável. Nunca se viu um deputado tomar conta do noticiário em todo o país, como naquela tarde. Além disso, Roberto Jefferson mostrou uma grande vocação perdida para o teatro. Ele deveria trabalhar com o Paulo Autran.
E José Dirceu acabou saindo...
- Foi uma saída oportuna e um sinal positivo do governo. Finalmente o presidente Lula começou a agir. A partir de agora, ou ele faz a hora ou vai ver a hora passar.
Dirceu vai ser útil no Parlamento?
- Não tenho nada contra o Dirceu. Pelo contrário, gosto dele. É um político de gabarito, e não se pode misturar a sua figura com qualquer forma de corrupção. Mas temos de admitir que ele não foi bem nem como articulador político, nem como coordenador administrativo do governo. Creio que vai fazer um bom trabalho na Câmara. Vai ser melhor para ele se defender lá dentro. Certamente não vai ter mais essa história de o Jefferson ficar falando sete horas seguidas.
E o que presidente Lula deve fazer para não "perder a hora"?
- O Lula é um baita cara. Um brilhante político, um líder de gabarito e hoje tem prestígio mundial. Mas não é um tocador de obras nem costuma ficar sentado, analisando detidamente as perspectivas e alternativas de governo. O governo deve ter uma boa equipe executiva. Um grupo de alto nível, que se dedique a tocar os projetos.
Alguma providência específica na área de combate à corrupção?
- Nesse ponto, o presidente Lula deveria imitar o Itamar Franco, que criou em seu governo uma comissão especialmente incumbida do combate à corrupção. Era uma comissão de investigação, diretamente ligada a ele, e da qual recebia levantamentos periódicos.
Mas o Planalto alega que a Controladoria Geral da União funciona muito bem...
- Talvez ela funcione com eficácia em grandes casos, mas não sei se atua tão bem em alguns casos específicos. O presidente Lula cometeu um erro gravíssimo não insistindo para que o procurador Claudio Fonteles ficasse na Procuradoria Geral da República. Se insistisse, ele ficava. O que Lula deveria fazer agora era levar o Fonteles, que é um procurador fantástico, para dentro do Palácio, como seu assessor especial, no campo do combate à corrupção.
Setores do governo consideram que parte da imprensa está superdimensionando a crise.
- Essa crise não foi criada pela imprensa nem pela oposição. É uma crise interna do governo. Presidentes da partidos da base do governo se acusaram. Não sei se o que eles falam é verdade mas já começam a surgir evidências, com pessoas dizendo que foram procuradas e que receberam ofertas em dinheiro. É plausível que aquilo que foi relatado por Jefferson tenha foros de veracidade.
Como o governo deve se comportar de agora em diante?
- O governo e o PT chegaram ao limite. Nas pesquisas, a maioria diz que há corrupção no governo. Ou o Planalto e o PT se firmam e tomam posições claras, reconhecem erros e acenam com mudanças, ou ficam marcando passo com vitoriazinhas de Pirro, como essa eleição para a direção da CPI.
Alguma sugestão específica?
- Lula não pode esperar mais. Tem de tomar decisões. Tem que demitir logo o presidente do Banco Central e o ministro da Previdência, que estão sendo processados. É inadmissível que fiquem nos cargos até o fim dos processos. Além disso, tem que tomar outras providências, antes do término da CPI, afastando mais pessoas importantes consideradas suspeitas.
E na área administrativa?
- É preciso pôr em marcha a agenda positiva, diminuir impostos, tocar obras. Estou falando como amigo. Não sou governo nem oposição. Não quero que o governo vá mal. Isso é muito ruim para o Brasil. Uma revisão constitucional ajudaria?
Na realidade, fizeram uma revisão constitcional, em 1993, que foi um fracasso. Vejo a idéia com simpatia, embora ainda não tenha feito uma análise profunda. O problema básico é que hoje não temos federação. A União impõe tudo. A centralização é absoluta. Estados e municípios viram cordeirinhos. Isso precisa ser revisto.
E como dar maior seriedade à vida política?
- O financiamento público das campanhas e a fidelidade partidária são medidas que têm que vir para valer. E campanha no rádio e na TV não é novela. Tem que ser ao vivo, sem empresa de publicidade, que esconde o candidato e só serve para tornar menos democrática a disputa eleitoral. Israel Tabak - Jornal do Brasil
 
Gil afirma que 'governo está sabendo reagir à crise'
20/6/2005
RIO - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem que presidente Lula é "um dos pilares da democracia brasileira" e que o governo federal está sabendo reagir à crise política atual. "Todas elas (as medidas) são satisfatórias, até o momento. Estão de acordo com o nível das denúncias, das dúvidas, das suspeitas", comentou o ministro.
"No momento, as providências foram tomadas, a polícia, o Ministério Público, o próprio Congresso, através do Conselho de Ética, o próprio presidente da República, fazendo demissões, propondo mudanças dos seus quadros de governança. Enfim, através dos instrumentos democráticos, que são esses. Não é à toa que a opinião pública está reagindo positivamente às ações do presidente, ao seu modo de agir.".
Gil defendeu Lula e a democracia no País ontem, na inauguração de um parque em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele argumentou que País deve muito a Lula. O Estado de São Paulo
 
Testemunha
22/6/2005
sob pressão Secretária nega parte de entrevista, mas denúncias são confirmadas pelos envolvidos
A secretária Fernanda Karina Somaggio está assustada. Na tarde da terça-feira 14, ela deixou de ser uma cidadã comum para se tornar personagem conhecida nacionalmente. Karina foi apresentada para todo o País em uma reportagem de dez páginas da revista ISTOé Dinheiro, que a colocou na condição de primeira testemunha capaz de apontar parte da origem do dinheiro usado no mensalão parlamentar denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). "Minha vida virou um inferno", disse Karina ao jornalista Leonardo Attuch horas depois de a revista circular. Na conversa, gravada, Karina não se referia apenas ao previsível assédio que passou a sofrer, mas basicamente às pressões que enfrenta desde setembro do ano passado, quando concedeu uma primeira entrevista a ISTOé Dinheiro.
Na ocasião, muito antes de Roberto Jefferson trajar a beca de paladino da moralidade, essa mineira de 32 anos, moradora de um bairro de classe média em Belo Horizonte, ex-secretária do publicitário Marcos Valério, posou para fotografias e afirmou com todas as letras, entre outras coisas, que:
1) O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, fazia negociatas em parceria com Valério e que da agência SMP&B saíam malas de dinheiro.
2) No final de 2003, R$ 100 mil foram entregues ao irmão do então ministro dos Transportes, Anderson Adauto.
3) Delúbio e o deputado José Mentor (PT-SP) usavam jatinhos do Banco Rural, que foi poupado no relatório da CPI do Banestado, cujo responsável era o próprio Mentor.
4) Eram constantes as reuniões de Valério com a cúpula do PT em diversos hotéis de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
5) Valério pagou viagem aérea e hospedagem para a secretária do ex-presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP).
6) Um boy da empresa chegou a sacar R$ 1 milhão do Banco Rural para que Delúbio e Valério fizessem vários pagamentos em Brasília.
7) Houve um pagamento de R$ 150 mil para Pimenta da Veiga, ex-ministro
das Comunicações no governo de Fernando Henrique Cardoso, divididos
em duas contas.
Na ocasião da entrevista, o publicitário Valério era tão anônimo quanto Karina e as denúncias feitas por ela passaram a ser investigadas pela revista, antes de qualquer publicação. Mesmo assim, o publicitário tomou conhecimento do que fora narrado pela secretária e partiu para o ataque. "Ele teve acesso a e-mails meus", disse a secretária. Karina, então, recebeu telefonemas ameaçadores e em outubro Valério foi à Justiça mover um processo contra a ex-secretária, dizendo-se vítima de extorsão, em processo que tramita na 6ª Vara Criminal de Belo Horizonte. Assustada com a possibilidade de vir a ser condenada, Karina depôs em 20 de maio último e disse não saber de nada desabonador sobre o ex-patrão.
Quando as denúncias de Roberto Jefferson se tornaram públicas, Karina voltou a procurar a reportagem de ISTOé Dinheiro. Em nova entrevista, também gravada, ela reafirmou tudo o que dissera em setembro e acrescentou detalhes, como os nomes dos hotéis onde o ex-patrão costumava se reunir com a cúpula petista e datas desses encontros. Para comprovar o que dizia, encaminhou via fax algumas páginas de uma agenda na qual registrava os encontros do patrão.
Eleição de 2004: assessoria do prefeito Anderson Adauto diz que dinheiro se refere a acerto de contas da campanha
Novas pressões - Na terça-feira 14, quando o deputado Roberto Jefferson anunciou na Comissão de ética da Câmara que a entrevista seria publicada, Karina voltou a sofrer pressões. Quando a revista estava sendo impressa, ela entrou em contato com a redação de ISTOé Dinheiro tentando impedir a publicação. "Eu não tenho provas, só a agenda", disse. "Eles vão vir com os dois pés no meu peito. Todo mundo virá atrás de mim. A gente vive em um país onde quem manda é quem tem dinheiro e eu vou passar por mentirosa, pois tive que dizer ao juiz que não tinha nada contra o Valério." Após a publicação da reportagem, a pressão ficou ainda mais forte. Na quarta-feira 15, Karina foi à Polícia Federal em Belo Horizonte e prestou um depoimento de aproximadamente três horas, sem a presença de procuradores da República.
No depoimento, Karina acabou negando parte do que dissera à revista. Negou, por exemplo, ter visto malas de dinheiro saírem da agência. Mesmo assim, apresentou sua agenda. Ela saiu do depoimento sem falar com os jornalistas que a aguardavam, mas o delegado Ricardo Amaro, assessor de imprensa da PF em Minas Gerais, declarou que a agenda nada comprovava e que não haveria motivos para iniciar uma investigação. Não é verdade. Na agenda entregue pela secretária estão as cópias de alguns fac-símiles, entre eles uma ordem de pagamento ao BMG em que a agência de Valério pede que seja feito depósito de R$ 150 mil para Pimenta da Veiga, R$ 100 mil em uma conta no Bradesco e R$ 50 mil em outra conta no Banco Rural. Depois do depoimento, Karina voltou a fazer contato com o jornalista Leonardo Attuch: "Estou com medo. A porta de casa está cheia de gente e vou passar a ser vista como mentirosa."
Pimenta da Veiga: ex-ministro afirma que recebeu R$ 150 mil da SMP&B a título de honorários por serviços de advocacia
Estratégia de defesa - Karina, que atualmente é secretária da Geosol - Geologia e Sondagens, em Belo Horizonte, tem medo de ser condenada no processo de extorsão e negar parece fazer parte do que declarou à revista faz parte de sua estratégia de defesa. Para se manter fiel ao que disse em maio na 6ª Vara Criminal, é possível que ela mantenha essa mesma estratégia na CPI e na Comissão de ética da Câmara. Mas tudo o que ela disse nas entrevistas concedidas a ISTOé Dinheiro vem sendo confirmado.
A secretária de João Paulo Cunha (PT-SP), Silvana Japiassú, afirmou, na tarde da quarta-feira 15, que recebeu, de Marcos Valério, para ela e para sua filha, passagens aéreas e hospedagem no Rio de Janeiro. O Banco Rural confirma os saques em dinheiro, mas não pode informar a destinação dada aos recursos. O ex-ministro Pimenta da Veiga também não negou ter recebido recursos da SMP&B, embora tenha explicado que o dinheiro era referente a prestação de serviços de advocacia realizados depois de ter deixado o
Ministério das Comunicações. Por fim, a assessoria de imprensa do ex-ministro Anderson Adauto também confirmou o pagamento. Explicou que se tratava de um acerto de contas, uma vez que a SMP&B trabalhou na campanha de Adauto à Prefeitura de Uberada em 2004. Mário Simas Filho Colaboraram: Luiza Villaméa e Alan Rodrigues - IstoÉ
 
Frustração e esperança
22/6/2005
Antigos militantes do PT se dividem entre a desilusão com os rumos do governo e a defesa de Lula
O endereço, a decoração, os pratos fartos e os garçons cheios de paciência continuam os mesmos, mas há algo estranho no ar. Fundado em 1874, o restaurante Lamas, no Flamengo, foi sempre um templo da esquerda etílica da zona sul carioca. Sediou os confrontos aguerridos entre brizolistas e petistas em 1989, quando o Rio de Janeiro parecia decidir quem levaria a faixa presidencial. Como o Brasil não freqüenta o Lamas, Fernando Collor acabou vencendo, mas o restaurante resistiu com bandeiras vermelhas até explodir de euforia com Lula em 2002. Dois anos e meio depois, quem chega ao salão barulhento e enfumaçado não vê mais camisetas ou bottons com a estrela de cinco pontas e dificilmente encontra um socialista elevando a voz em defesa do governo. "Meu sentimento é de decepção e fracasso", define a médica Alice Daflon, 49 anos. "O meu é de perda", emenda a estudante gaúcha Juliana Carneiro, 20 anos. Em duas horas de polêmica, ISTOé acompanhou o debate que rachou a mesa, composta por mais quatro petistas constrangidos com as denúncias que ameaçam o outrora imaculado Partido dos Trabalhadores.
As dúvidas centrais, que não deixam o chope descer redondo como antes, são duas. A primeira: o PT aderiu definitivamente à "receita neoliberal" ou está na transição para criar a "contra-hegemonia"? A segunda: o PT ainda pode cumprir a promessa de mudar as relações políticas no País ou é impossível romper a corrupção? Ao fim do duelo entre frustrados e esperançosos, um consenso: Lula precisa aprovar a reforma política no Congresso Nacional o mais rapidamente possível.
A jovem Juliana, exemplo típico dos militantes que carregaram anos a fio o andor do PT sem ganhar um centavo, começa dizendo que já decidiu se filiar ao PSOL, o partido liderado pela senadora Heloísa Helena (AL), que foi expulsa do PT depois de um longo processo de enfrentamento com a cúpula. A médica Alice também tem uma certeza: reeleição, nem pensar. "Foi tudo para o brejo. Se tivessem me avisado que iriam aderir ao esquemão, eu teria votado no (José) Serra (PSDB). Pelo menos faria algo pela saúde." O produtor Rico Cavalcanti, 43 anos, pede o segundo chope e tenta injetar esperança. Para festejar a posse de Lula, ele partiu em carreata com as duas filhas e vários amigos rumo à capital e hoje acha difícil explicar os acontecimentos às meninas, de 12 e nove anos, mas mantém a confiança. "O governo descentralizou a política cultural para fora do eixo Rio-São Paulo. O problema é que o (Gilberto) Gil está à míngua." Ao seu lado, o professor Wanderley Quêdo, 46 anos, diz que o governo "cometeu o erro estúpido de jogar fora os 53 milhões de votos e optar pela arrogância do isolamento."
Autismo - Wanderley é dirigente do sindicato dos professores e diz que seus sentimentos em relação ao governo oscilam entre "perda" e "esperança". A esperança é de que o presidente demita alguns ministros e recupere nomes como Frei Betto, Maria da Conceição Tavares, Paul Singer, Carlos Lessa e Cristovam Buarque. Ele identifica uma espécie de autismo no núcleo do governo, "como os puxa-sacos de Hitler nas últimas horas do nazismo". O amigo Rico lembra que, no Rio, os petistas têm decepções extras com Lula, como o descaso federal com a segurança pública e o desprezo pelo Estado na montagem do governo, principalmente no primeiro escalão.
"A questão do paulistério é importante, mas a principal é que o medo de ser reprovado pelas elites aprisionou o presidente. Ele ficou encaixotado pelo medo", rebate Alice. Wanderley insiste no diagnóstico de que o problema são as más companhias. "Precisava jantar na casa desse Roberto Jefferson? Como é que ele freqüenta a casa de um cara desses, meu Deus?" A radical Juliana aproveita para atacar. O problema, segundo ela, não é de intenção, mas de projeto: "O povo votou em um projeto de nação e ele trocou por um projeto de poder. Não aproveitou a força popular para fazer o enfrentamento e jogou fora o esforço de 20 anos dos petistas na formulação de projetos." Alice concorda: "O que fizeram com tanto amadurecimento teórico? Era brincadeira? Nossa geração desembarcou no PT com suas esperanças, mas e os jovens de hoje, o que vão fazer?" Com a disposição de quem tem a vida pela frente, a gaúcha diz que a única saída é começar tudo de novo, em um partido revolucionário. "Vou lutar sempre pelo que acredito."
A mineira Camila Miranda, 30 anos, doutora em letras, toma as dores do PT. Para ela, o jogo político "sempre foi assim" e o esquema só foi revelado agora porque o governo é mais vigiado. "Não há como mudar sem alterar a estrutura partidária. O importante é que o governo tirou a economia do risco e faz uma ótima política externa." Rico ressalta que nunca tantos corruptos foram presos como agora. "Ele segurou a inflação com juros que matam a classe média", retruca o sindicalista Wanderley. Ele joga na mesa uma questão que o atormenta, mas que a médica e a estudante já não se interessam em responder: "O que vamos fazer para evitar a volta dos conservadores? Vamos fazer o que com nosso governo?" Alice volta ao ataque e compara Lula ao argentino Néstor Kirchner. "As pesquisas medem o apoio a Kirchner para enfrentar o FMI, mas aqui nunca vemos pesquisas sobre o que o povo pensa. O povo foi deletado e o governo só tem olhos para o joguinho do Congresso." Camila, a petista convicta, rechaça a comparação: "Leve em conta a diferença cultural. O analfabetismo na Argentina é menor e o povo lê, participa."
"Um canalha" - O último a chegar é Antônio Amaral, 39 anos, professor de uma escola "de esquerda" em Santa Teresa. "Fiquei preocupado quando o Roberto Jefferson insistiu que Lula não sabia do mensalão. Pode ressuscitar o preconceito de que ele não está preparado para governar porque não tem estudo." Wanderley concorda: "é estranho quando um canalha diz que um homem probo é inocente. Toda a fala do Roberto Jefferson é para desestabilizar, como uma ratazana acuada." Abre-se uma catarse de impropérios contra o deputado, mas Lula logo volta à mesa. "Não sei se ele está preservado. Ninguém que conheço quer a reeleição do PT", descarta a desiludida Alice.
Camila tenta uma última cartada contra o desânimo, dizendo que "não se deve confundir o governo com o PT". O tiro sai pela culatra e a resposta é o tom melancólico de Wanderley: "é esse divórcio que causa nossa tristeza." Três segundos de silêncio e olhares perdidos nas tulipas de chope, até que Rico joga na mesa um apelo ao consenso: "Que tal a saideira para discutir a reforma política?" é a segunda unanimidade da noite no Lamas. Aziz Filho - IstoÉ
 
Serraglio teme pelo pior
20/6/2005
Apesar de aliado ao governo, relator garante que CPI dos Correios não acabará em pizza
O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, retorna hoje a Brasília e promete rigor nas investigações das denúncias de corrupção. Apesar de pertencer à ala governista de seu partido, ele criticou o preenchimento de cargos públicos na gestão Lula e fez análise pessimista sobre o atual momento, comparando-o ao processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
Em entrevista na sexta-feira à noite à TV Taroba, de Cascavél (PR), Serraglio garantiu firmeza na condução dos trabalhos da CPI e ir até as últimas conseqüências para que as apurações não terminem em pizza. O parlamentar disse ainda acreditar na existência de um "mensalão" e que o Brasil poderá voltar a viver momentos de seu passado recente, caso as acusações e a conivência do governo do PT sejam confirmadas. "Vamos ver acontecer o que aconteceu com Collor", afirmou.
Nos últimos dois dias, em casa no Paraná, Osmar Serraglio se dedicou a estudar o discurso de Roberto Jefferson (PTB-RJ) na Comissão de Ética da Câmara na última terça-feira. Hoje, assim que retornar ao Congresso, ele pretende se reunir com assessores técnicos da CPI dos Correios para discutir o roteiro dos trabalhos. Todas as sugestões, no entanto, serão decididas em plenário - a comissão é composta por 16 senadores e 16 deputados (leia quadro).
Uma das preocupações do relator é com a amplitude das denúncias. "Precisamos definir linhas de trabalho e vencer uma por vez", adiantou ontem ao Correio Braziliense. Representante da oposição na CPI, Gustavo Fruet (PSDB-PR) também demonstrou tal preocupação. "Os integrantes da comissão não devem atirar para todos os lados", afirmou à Agência Estado, quando manifestou temer manobras do governo para impedir o avanço das investigações.
Depoimentos
Osmar Serraglio pretende sugerir que os nomes citados pelo ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT Maurício Marinho, como participantes do esquema de corrupção operado por parlamentares do PTB, comecem a depor ainda esta semana. Marinho, filmado ao receber R$ 3 mil de supostos empresários interessados em fechar contratos de prestação de serviços aos Correios, será ouvido amanhã, às 18h, na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado.
No vídeo, de cerca de uma hora e 50 minutos, Marinho menciona outras pessoas que também estariam envolvidas: entre elas estão o ex-diretor de Administração dos Correios, Antônio Osório Batista, e seu assessor Fernando Godoy. As indicações de Marinho, Batista e Godoy para a ocupação de cargos nos Correios foram feitas por Jefferson.
As denúncias de corrupção também chegaram à área de informática dos Correios. Em seu depoimento na última terça-feira no Conselho de Ética, Jefferson disse que grande parte das denúncias na estatal estaria ligada à Diretoria de Tecnologia, cargo ocupado pelo petista Eduardo Medeiros de Morais. Medeiros foi afastado de suas funções, assim como os demais diretores da estatal, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A CPI também convocará os envolvidos na produção da fita que registrou o flagrante de corrupção protagonizado por Maurício Marinho. Pela apuração da PF, as imagens foram encomendadas pelo empresário Artur Wascheck, dono da Comam Alvorada de Manufaturados, que se sentia prejudicado em concorrências públicas promovidas pela estatal. Amigo de Wascheck, Joel dos Santos Filho confessou ter gravado o material com o auxílio de microcâmera. Arlindo Molina - acusado por Jefferson de extorsão depois de saber da existência da gravação - também estará na lista dos convocados.
Na sexta-feira passada à noite, a CPI dos Correios recebeu da Polícia Federal documentos sobre tudo o que já foi apurado em relação às denúncias de corrupção nos Correios. Osmar Serraglio deixou Brasília antes da chegada do dossiê. Um delegado da PF, segundo o peemedebista, faz parte do corpo técnico da CPI. O policial fará um resumo sobre o que já existe. Marcelo Rocha - Correio Braziliense
 
Bornhausen diz que apuração de denúncias ''é o papel de uma oposição responsável e fiscalizadora"
19/06/2005, 19h39
Brasília - "Os fatos e crimes devem ser apurados para que os responsáveis, que estão no governo e que corromperam gente da base aliada, sejam punidos", afirma o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), em resposta ao documento final da reunião do Diretório Nacional do PT, realizada ontem (18). O texto aponta "um evidente vínculo entre os agentes das falsas denúncias contra o PT com setores da oposição - especialmente do PSDB e do PFL". De acordo com Bornhausen, promover essa apuração "é o papel de uma oposição responsável e fiscalizadora".
O senador do PFL qualifica a reação do PT como uma "tática de desespero, de quem não tem argumento, de quem quer iludir todos aqueles que estão assistindo". "O PT quer impedir as investigações, não tem argumentos e então começa a ter esse tipo de reações desconcentradas e sem qualquer tipo de consistência", diz Bornhausen.
Ele ressalta que o PSDB e o PFL não fizeram as denúncias, "apenas acompanharam as que surgiram na imprensa e foram confirmadas por parlamentares, que não são da oposição". Segundo ele, o PT "demonstra temor, (seus integrantes) se amedrontam, primeiro tentando impedir assinaturas, depois tentando retirar assinaturas". Segundo ele, os petistas "fizeram com que fossem rompidos os critérios de escolha dos comandantes da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) e agora querem atribuir denúncias ao PFL e ao PSDB".
Em relação às comparações feitas pelo PT ao governo de Fernando Henrique Cardoso - o documento aprovado ressalta que FHC "abafou todas as investigações", como a da privatização das Telecomunicações -, Jorge Bonhausen comenta serem "um cinismo e uma hipocrisia": "Não há razão para comparação. A privatização foi examinada e deram o resultado da conclusão das fitas", destaca.
Sobre a acusação do diretório do PT de que o depoimento de Roberto Jefferson, "além de disseminar uma grande mentira para todo o Brasil, serviu para produzir uma peça de propaganda do PSDB", o senador afirma que as denúncias do deputado também podem fazer parte das propagandas do PFL. "O PFL pode usar normalmente aquilo que está nos jornais e na imprensa. Não há censura nesse país, quem quis fazer censura criando o Conselho Nacional de Jornalismo e a Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual) foi o PT, um governo autoritário". Alessandra Bastos - Portal da Cidadania - Radiobrás
 
Denúncias contra PT são falsas e seus ''agentes'' têm ''vínculo'' com oposição, afirma documento
19/06/2005, 19h22
Brasília - No documento final da reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), "Em Defesa do PT, da Ética e da Democracia", o partido afirma que as denúncias de corrupção feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) são "falsas" e são usadas com a intenção de "comprometer o governo Lula e a história do partido". O encontro aconteceu ontem (18), em São Paulo. De acordo com o documento, aprovado em votação, "existe um evidente vínculo entre os agentes de falsas denúncias contra o PT com setores da oposição - especialmente do PSDB e do PFL".
O texto diz ainda que o depoimento de Jefferson na Câmara serviu para produzir uma peça de propaganda do PSDB veiculada na televisão. "Não contentes com as falsas acusações, setores da oposição (...) começam a agir de forma desinibida para desestabilizar o governo de forma artificial e irresponsável", afirma o diretório do PT.
O partido define as denúncias como "uma campanha patrocinada por setores da oposição e pela direita que se expressa numa tentativa de condenar política e moralmente o PT num processo sem fatos e sem provas".
Ao chegar para a reunião do diretório, realizada ontem (18), o ministro da Educação, Tarso Genro, afirmou que exsite uma tentativa de "deslegitimação premeditada" do governo Lula pela oposição. Para o ministro, a queda na avaliação do governo, indicada em pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada na última sexta-feira (17) - os dados, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, apontavam a confiança no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 56%, contra 60% em março -, reflete um momento de intensa disputa: "Isso é o que estão fazendo o PSDB e o PFL, a centro-direita. Eles estão inconformados. Queriam que o país desse errado nas mãos do presidente", ressaltou Tarso. No entanto, ele ponderou que a postura é "natural do processo democrático" e que "não existe crise institucional nem processo conspirativo".
A resolução do PT estabelece também uma comparação com o governo passado, de Fernando Henrique Cardoso: "no governo Lula as CPIs podem funcionar sem pressão, desde que obedeçam a prerrogativas constitucionais de investigar fatos determinados", enquanto "o governo FHC, ao contrário, abafou todas as investigações, mesmo quando as CPIs eram apoiadas por um milhão e meio de assinaturas e por manifestações populares na frente do Congresso. (...) Foram abafadas as CPIs da compra de votos para a reeleição, do caso Sivam, da privatização das telecomunicações, da pasta rosa."
O documento do diretório nacional do partido aponta ainda que o governo Lula "já demonstrou seus compromissos no combate à corrupção" e cita que, das 77 operações especiais realizadas pela polícia federal, 40 "resultaram em prisões de servidores públicos e integrantes da própria PF. Em 20 desses casos, foram desmontados esquemas de corrupção, extorsão e desvio de dinheiro público." Alessandra Bastos - Portal da Cidadania - Radiobrás
 
'Mensalão' prejudica imagem do governo, diz CNI/Ibope
17/6/2005
Porcentagem dos entrevistados que consideram o governo ótimo ou bom caiu de
39% para 35% em junho As investigações sobre um suposto esquema de suborno no governo estão apenas começando, mas as denúncias já foram suficientes para diminuir a popularidade do presidente Lula. A confiança dos brasileiros caiu 4 pontos percentuais em junho, segundo pesquisa do Ibope em parceria com a Confederação Nacional da Indústria divulgada hoje (17/5).
As entrevistas foram realizadas entre os dias 9 e 13 de junho, antes do depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. No entanto, as denúncias do deputado sobre o "mensalão" já haviam sido publicadas pela imprensa.
Das 2 002 pessoas entrevistadas, 35% avaliaram o governo Lula como ótimo ou bom. Em maio, esse número era de 39%. Já os que consideram a administração federal ruim ou péssima subiram de 17% para 22% dos entrevistados.
Segundo a pesquisa, o resultado é semelhante ao registrado em março do ano passado, logo após as denúncias envolvendo o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz. "Naquele momento, além das denúncias de irregularidades, o cenário econômico mostrava-se bem mais complexo, o que contribuiu para o forte impacto observado na opinião pública", diz a pesquisa CNI/Ibope. Já a pesquisa Datafolha, também divulgada hoje, mostra que não houve alteração significativa na popularidade do presidente Lula, apesar de as entrevistas terem sido realizadas após o depoimento de Jefferson. Das 2 124 pessoas entrevistadas, 36% consideram o governo ótimo ou bom, contra 35% observados na pesquisa anterior, realizada entre os dias 31 de maio e 1º de junho. Portal Exame
 
Denúncias não afetam imagem de Lula, diz Datafolha
17/6/2005, 19h30
As denúncias sobre um suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares do PP e do PL não alteraram a avaliação do governo Lula, de acordo com pesquisa Datafolha, divulgada na Folha de S.Paulo da última sexta-feira. A pesquisa, realizada entre quarta-feira e quinta-feira da semana passada, mostra que 36% da população avalia o governo Lula como ótimo ou bom. Há 15 dias, antes do escândalo do "mensalão", esse percentual era de 35%.
A pesquisa anterior, feita entre 31 de maio e 1º de junho, já refletia as denúncias de corrupção nos Correios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.124 pessoas em 134 municípios. Campanha - Para os deputados petistas o índice de popularidade do presidente Lula está praticamente inalterado porque a população percebe que as denúncias fazem parte de uma campanha patrocinada principalmente pelo PSDB tendo em vista a sucessão eleitoral.
Segundo o deputado Zarattini (PT-SP), essa campanha visaria atingir não apenas o PT como os principais integrantes do governo e o próprio presidente Lula. "Nenhum deputado do PT e nenhum senador do partido jamais recebeu qualquer "mensalão" e o PT jamais pagou mensalão. É uma calúnia que faz parte de uma campanha centrada num clima de histeria e onde fica a presunção da culpabilidade", afirmou.
Na opinião do deputado Fernando Ferro (PT-PE), o resultado da pesquisa revela o respeito que a população tem em relação ao governo Lula. Ele também criticou o que chamou de campanha desigual orquestrada na tentativa de desqualificar o governo Lula. "Tentam criminalizar o PT sem oferecer direito de igualdade de cobertura na mídia para o partido, de modo que a população possa fazer um juízo crítico em cima do contraditório existente", disse.
Números - Entre os entrevistados, 44% avaliam o governo como regular, pouco abaixo dos 45% da pesquisa anterior. Os que avaliam o governo como ruim ou péssimo passaram de 18% para 19% entre as duas pesquisas. Na pesquisa anterior, a nota média dada ao governo Lula era de 6,2. Agora, oscilou para 6,1%.
Apesar de praticamente não ter tido impacto na avaliação do governo, o Datafolha mostrou que o escândalo do "mensalão" arranhou a imagem dos senadores e dos deputados. A parcela dos entrevistados que considera ruim ou péssima a atuação dos parlamentares passou de 36%, antes do escândalo, para 42% após as denúncias do deputado Roberto Jefferson (RJ). Os que acham a atuação boa ou ótima dos parlamentares permaneceram nos mesmos 15%. Reeleição - Apesar da crise, o presidente Lula seria reeleito com facilidade se a eleição fosse hoje. Mas teria de enfrentar um segundo turno, conforme já mostrou a pesquisa Datafolha divulgada há 15 dias. Agência Informes
 
Deputado critica parcialidade da imprensa
17/6/2005, 19h30
Em duro discurso em plenário na última sexta-feira, o deputado Fernando Ferro (PT-PE), criticou a parcialidade de alguns órgãos da imprensa em relação ao governo Lula. "Não queremos imprensa chapa-branca, queremos apenas que seja dada a mesma oportunidade a quem ataca e a quem defende. Trata-se de um preceito elementar do jornalismo", afirmou o parlamentar, que citou nominalmente a revista Veja e o jornal Folha de S.Paulo, que, na opinião dele, tentaram "impiedosamente" vincular o governo atual com a corrupção.
Segundo Fernando Ferro, em nome da democracia e da convivência minimamente
civilizada, a imprensa deveria refletir sobre sua atitude marqueteira ao levar o Governo a uma situação de crise, para aprofundar o caos institucional, secundada pelo PSDB e PFL.
"E ainda temos que ouvir Fernando Henrique Cardoso, com aquele tom solene de Doutor de Sorbonne, dizer: Este é o momento de profunda e rigorosa investigação. Ele deveria ter agido assim quando ocupava a Presidência da República, a respeito das inúmeras denúncias varridas para debaixo do tapete", ressaltou.
Ferro salientou, contudo, que todo o esforço para desqualificar o governo Lula não tem dado resultado. "A pesquisa Datafolha nos dá um bom exemplo. Mostra que a opinião dos articulistas da Folha de S.Paulo e da Veja não interferiu na opinião do povo brasileiro. Não conseguiram destruir o Governo. Não conseguiram sequer arranhar a imagem do Governo", avaliou. Para ele, somente quem pode interromper o mandato de Lula é o povo brasileiro, por meio do voto. Portal Exame
 
Eunício tira cargo de consultor de ex-diretores dos Correios demitidos por Lula
17/06/2005
Dois dos ex-diretores dos Correios demitidos pelo presidente Lula após o escândalo na estatal, nomeados consultores da diretoria da empresa no início desta semana, perderam seus cargos por determinação do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira. Funcionários de carreira da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), Maurício Coelho Madureira, ex-diretor de Operações, e Eduardo Medeiros de Morais, ex-diretor de Tecnologia e Infra-estrutura, retornam a seus cargos originais, de administradores postais. Ambos eram indicações do PT na diretoria. Outros quatro ex-diretores, indicados do PMDB, permaneceram longe da cúpula dos Correios desde a demissão coletiva determinada por Lula. De acordo com o Ministério, a ida de ex-diretores para cargos de consultoria é uma prática normal, que consta do manual de pessoal da empresa, mas a recontratação dos dois foi revista devido à investigação das denúncias de corrupção com suposto envolvimento da antiga diretoria dos Correios. Patricia Costa - Telecom Online
 
Agência não libera biografia de novos superintendentes
17/06/2005, 18h38
Após a escolha dos novos superintendentes pelo Conselho Diretor da Anatel, esperava-se que a agência disponibilizasse imediatamente os currículos dos indicados, como é de praxe. A indicação foi feita há mais de uma semana, mas nesta sexta, 17, a assessoria de imprensa da Anatel informou oficialmente que os currículos somente serão fornecidos após a publicação dos nomes no Diário Oficial da União. A atitude é inusitada. Na prática, como a maioria dos escolhidos vem de fora da agência, não sendo conhecidos além de sua área específica de atuação, especula-se que os currículos não estariam sendo divulgados como forma de não revelar as ligações que os escolhidos teriam com os conselheiros que os indicaram. Também não se descarta eventuais inadequações curriculares, ou seja, históricos pessoais pouco ou nada relacionados aos cargos. O que se ouve dentro e fora da Anatel é que a reação à escolha destes superintendentes foi tão controvertida que haveria um movimento no conselho para efetivamente convencer alguns deles a não aceitar a indicação, abrindo espaço para outros nomes. Por exemplo, fala-se que um dos indicados, o aposentado da Embratel Amâncio Fernandes Pulcherio, já teria declinado do convite, pois o cargo de superintendente não teria remuneração suficiente para justificar o afastamento da administração do haras de sua propriedade. Nada confirmado oficialmente. Recursos
O fato de ainda não ter sido efetivada a nomeação dos novos superintendentes, o que só vai acontecer no momento em que formalmente mudar a estrutura de gestão com a publicação do novo regimento interno da agência, também está dificultando a aceiação de alguns dos indicados. Esta nomeação, na melhor das hipóteses, somente será feita quando todas as indicações para as gerências estiverem discutidas e aprovadas pelo Conselho Diretor. Os gerentes são os cargos hierarquicamente abaixo aos dos superintendentes. Na melhor das hipóteses isso não aconteceria antes do final do próximo mês. Carlos Eduardo Zanatta - PAY-TV News
 

 
Imprensa & Jornalismo
"A Globo é a desgraça do Brasil"
20/6/2005
Mino Carta é jornalista, diretor de redação da revista CartaCapital.
Breno Costa - Hoje, na era da Internet, da televisão, enfim, de outros meios de informação, qual é o papel do livro para você, que é mais tradicionalista, ainda usa máquina de escrever? É, é verdade... Veja, para mim o livro ainda é o caroço, ainda é a semente. A leitura ainda é fundamental. O homem não pode abandonar a leitura em proveito da observação das imagens. Claro que a imagem também tem seu papel, mas eu acho que valorizar a escrita é fundamental. Eu, pessoalmente, sou um pobre diabo que tem medo do computador. Eu receio que o computador vá, de uma hora para outra, me engolir, literalmente. Me engolir: ele abre a bocarra e me puxa para dentro dele e me tritura lá dentro, mastiga, me engole e me digere. Então, eu sou a favor do livro até por uma razão de defesa. Eu tento desesperadamente me defender. E acho que, ao defender a causa do livro, eu estou defendendo todo mundo. Espero que o homem não perca de vista que a leitura é fundamental.
Carolina Rangel - Eu tenho visto no jornalismo literário hoje em dia a teoria do agendamento: um livro é lançado numa grande editora, por um grande autor, sai em todos os jornais e acaba deixando de lado quem não é conhecido. O que você acha? Eu encaro essa questão de dois pontos de vista. Primeiro, o ponto de vista, digamos, mais específico. Eu acho que o país padece de um mal gravíssimo, que é a ausência de crítica. Não me refiro somente à crítica literária, mas à crítica em geral, em total decadência. Em alguns casos ela nem existe mais, como nas artes plásticas. Mas eu acho que você propôs a pergunta muito corretamente. Existe o registro, existe uma história exclusivamente jornalística e não existe a reflexão sobre aquele livro. Não existe a indicação, para os leitores possíveis, relativa à qualidade do livro, aos problemas que o livro levanta, à discussão do que está nas páginas. Isso não tem e é gravíssimo. Do outro canto, eu acho que, de um modo geral, a imprensa - e quando eu falo em imprensa eu falo em jornalismo escrito - não contribui em nada, ela tem se esmerado no propósito de nivelar por baixo, na crença de que o leitor é um pobre diabo, ignorante e cuja ignorância tende a ser secundária. Então, a qualidade da língua nos nossos jornais e revistas é muito ruim, com um desrespeito ao vernáculo, com uma lida tão complicada com a língua, que realmente não é estímulo para quem gosta de ler. Houve um incentivo a reduzir tudo a um palavreado pobre, a uma língua medíocre, enquanto o português é uma língua belíssima, riquíssima, flexível, forte e suave. Enfim, uma língua extraordinária. E ela foi aviltada pela imprensa brasileira.
Breno Costa - É papel do jornalista lutar por uma sociedade melhor, tem que haver esse compromisso? O papel do jornalista pode ter suas peculiaridades em relação ao papel do escritor. Eu contestaria a tese de que não se deve escrever ficção, porque a ficção é sempre proposta de uma situação que evoca a realidade. O bom escritor cria personagens que são absolutamente plausíveis. A seu modo, têm vida própria. Eu, por exemplo, os dois livros que eu escrevi (O Castelo de Âmbar e A Sombra do Silêncio) são livros que remetem a personagens. Não, o personagem sou eu colocado num contexto metafórico, mas sou eu descrevendo situações que eu vivi. É absolutamente a realidade. Mas eu acho que sempre se escreve, inevitavelmente, sobre a realidade. Tudo contribui para um melhor conhecimento das coisas, tudo contribui para a iluminação do leitor. Quanto ao jornalista, eu acho que este tem sim obrigações específicas. Eu acho que não se pratica jornalismo sem se obedecer a três princípio básicos: a fidelidade canina à verdade factual; o exercício desabrido e constante do espírito crítico; e, importantíssimo, a fiscalização do poder, onde quer que ele se manifeste. Sem isso, não há jornalismo. Agora, repare: o jornalismo brasileiro trabalha a favor de uma minoria privilegiada, não está interessado no país. Por quê? Porque está na mão de senhores que pertencem a essa minoria privilegiada e nunca farão concessões. Digamos, o Lula. O Lula é burro, o Lula é ignorante, o Lula só fala bobagem. Aqui não estou defendendo o governo do PT, veja bem. Mas por que eles fazem isso? Porque não admitem que um metalúrgico seja presidente deles! Essa é a concepção do jornalismo brasileiro hoje e, aliás, de alguma forma, sempre foi. Só que o Brasil já foi um país bem mais inteligente, teve jornalistas de muito mais qualidade.
Breno Costa - De que maneira essa concepção do jornalismo pode se alastrar para a sociedade como um todo? O jornalista deveria praticar esse tipo de jornalismo apenas para a sociedade, sem impor verdades absolutas, mas oferecendo visões diversas, situações igualmente diversas, oferecendo aos leitores a oportunidade de meditar efetivamente sobre a realidade e perceberem isso ou aquilo que convenha ser percebido. Não esse bombardeio constante, essa manipulação vergonhosa que está sendo cometida diariamente. Nem se fale, então, da mídia eletrônica, não se fale da Globo, que é a desgraça do Brasil. Julianna Sá - O que você acha da iniciativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de criar uma TV para a América Latina? Talvez. Eu confesso que não conheço bem a proposta do Hugo Chávez, mas acho que tudo aquilo que permite escapar à manipulação é bem-vindo. Se for assim, né? Teremos que ver se será assim.
Victor Ribeiro - Para você a mídia é democrática? Não, não há democracia no Brasil. Nós não somos um país democrático. Você acha possível um país democrático onde o desequilíbrio social é tão profundo, onde as pessoas são, efetivamente, manipuladas? Não adianta virem dizer que o povo vota de quatro em quatro anos; isso não prova democracia alguma. Além de tudo, o voto é obrigatório. Nos países civilizados, o voto não é obrigatório.
Victor Ribeiro - E qual seria a saída para democratizar a comunicação brasileira? Precisaria democratizar o governo brasileiro? Precisaria democratizar o país, mas isso, evidentemente, é um processo excepcionalmente lento. Não é algo que acontece da noite para o dia. Carolina Rangel - Falando um pouco da sua trajetória como jornalista, você que fundou a Veja, a Istoé e agora está na CartaCapital, que se distingue totalmente das outras... Atuais. Não quando eu as fazia... Carolina Rangel - Você conseguiu concretizar na CartaCapital esse jornalismo que você carregou durante toda a sua trajetória? Eu acho que sim, eu acho que CartaCapital é a melhor coisa que eu fiz como jornalista. Mas acho que a Veja e a Istoé, no meu tempo, tiveram seu papel. Agora, os patrões são o que são; eles querem servir ao poder, querem fazer o negócio pessoal deles. Estão apenas interessados em predar, estão pouco ligando para o país. Eu trabalhei para muitos patrões e posso garantir para vocês que é uma vergonha. Eles só pensam na grana deles, no poder deles e dos pares deles. Estão minimamente interessados no país e no povo brasileiro.
Breno Costa - Você chegou a ser empregado do Roberto Civita? Claro... Breno Costa - E ele está nessa lista aí? Roberto Civita? Além do fato de que Roberto Civita é um bobão, ele não merece meu respeito, inclusive porque é bobo. Mas, além de bobo, ele também pertence à categoria dos predadores. Ele é bobo; eu tive outros patrões que não eram tão bobos quanto ele.
Breno Costa - Como é que pode uma revista que atinge milhões de leitores ter como chefe editorial uma pessoa com esses adjetivos? Chefe editorial eu nem sei mais se ele é. Você veja o quanto ele é incompetente: a editora Abril deve US$ 400 milhões, está falida, né? Toda a nossa mídia está falida, está quebrada, a começar pela Globo. E resiste porque a política ainda acha que precisa deles, são instrumentos que estão na mão de quem manda no país.
Carolina Rangel - Mas como se explica o número de leitores que a Veja tem? Mas a Veja dá pena, né? Se você compara a Veja com os grandes jornais brasileiros, com os grandes jornais do mundo, você fica com pena. E são exemplos irretorquíveis de exigência mental, porque a manipulação é total. A classe média brasileira também acha que o Jornal Nacional da Globo é uma maravilha e não perdem um único e escasso capítulo da novela. E o que a gente vai fazer? As pessoas assistem ao Faustão, ao Gugu, a não sei mais quem... É ou não é? Então, porque a manipulação é selvagem. Carolina Rangel - E ainda tem aquela imagem da imparcialidade, que não existe, né?
Não sei se o melhor termo é imparcialidade, acho que o melhor seria isenção. Eu acho que não se deve exigir do jornalista a objetividade. Quando me falam em objetividade eu não entendo, porque não há um jornalista de verdade que possa ser objetivo, porque nós somos subjetivos ao colocar uma vírgula numa frase. Agora, você tem que exigir a honestidade, ou seja, o relato fiel daquilo que ele viu, que é o respeito pela verdade factual. A partir daí, o jornalista tem todo o direito e o dever de expor a postura dele, a posição dele, e é fundamental que ele fiscalize o poder, senão não existiria jornalista. Jornal Fazendo Media 
 
Wall Street Journal' de sábado chega em setembro
20/6/2005
NOVA YORK. Há décadas os leitores procuram o "Wall Street Journal" para saber como os negócios e a política eram jogados nos bastidores dos Estados Unidos. Mas será que eles vão procurar o "Journal" para saber fazer um suflê perfeito?
A partir de 17 de setembro, o "Journal" sairá também aos sábados, na chamada edição de fim de semana, com ênfase em assuntos leves: lazer, viagem, esportes, artes, livros, imóveis e, claro, receitas. O objetivo é atrair uma base diversificada de anunciantes, para tirar o "Journal" da atual estagnação de sua receita com publicidade.
O jornal de sábado, que será entregue - pelo menos inicialmente - aos assinantes sem custo adicional, vai ter uma apresentação mais arejada que as edições de segunda a sexta-feira, mas ainda será perfeitamente reconhecível como o "Wall Street Journal".
Ele terá três seções: notícias, dinheiro e investimentos, e atividades - esta devotada ao lazer. É nesta seção, que terá reportagens sobre "os negócios da vida", com mais espaços em branco e cores, que repousam as esperanças do "Journal".
- O objetivo é permitir que as pessoas relaxem com o "Wall Street Journal" - disse Karen Elliott House, editora do diário e vice-presidente sênior da Dow Jones, que controla o "Journal".
A edição de sábado é uma das maiores apostas feitas pelo jornal em seus 116 anos de história. O "Journal" está certo de que isso pode arejar seu conteúdo editorial, conquistar a atenção de seus leitores ricos e atrair mais anunciantes - tudo isso sem canibalizar sua edição dos dias úteis e, mais importante, sem enfraquecer uma das mais definidas e reconhecidas franquias do jornalismo.
Dentro da Dow Jones, muitas pessoas dizem que o jornal não tinha muita escolha. Desde o estouro da bolha das pontocom, em 2000, o "Journal" viu sua receita com publicidade cair nos últimos quatro anos. Só no primeiro trimestre de 2005, os anúncios de financeiras no "Journal" caíram 24%, e os de empresas da área tecnológica, 23%. Com isso, o lucro da Dow Jones caiu 54% no período.
A empresa estima que terá um prejuízo operacional de US$ 12,5 milhões este ano com a edição de sábado, devido a custos de impressão, distribuição e contratação de 150 empregados. Para compensar essa perda, o "Journal" está economizando em outras áreas: as edições européia e asiática adotaram o formato tablóide e o número de correspondentes foi reduzido. Os repórteres do "Journal", por sua vez, temem que as contratações anunciadas não bastem para manter o padrão do "Journal".
E também há uma certa relutância dos anunciantes quanto aos chamados "jornais de sábado".
- Eles vão atuar num teatro vazio - diz Mike Neiss, vice-presidente sênior da agência de publicidade Universal McCann. - Eles podem atrair alguns anunciantes que querem exposição, mas isso será uma experiência de reciclagem. O Globo
 

 
Informática
Populares precisam de um pouco mais de memória
20/6/2005
PC "conectado" da Positivo e outros econômicos no mercado vêm com apenas 128 MB de RAM, o que não é suficiente para rodar sistema operacional e aplicativos
Mesmo antes de o governo Lula anunciar, em maio, a redução de impostos incidentes sobre computadores de até R$ 2,5 mil, empresas como Positivo, Itautec, Novadata e Neo PC se apressaram em desenvolver PCs mais baratos, com configurações semelhantes àquela que o governo quer estabelecer em seu programa de inclusão digital, apelidado de PC Conectado.
Em 13 de maio, após meses de idas e vindas, o governo anunciou um pacote de medidas para facilitar o acesso da população com menos recursos a computadores ligados à internet. O PC proposto pelo governo deverá custar cerca de R$ 1,4 mil, em até 24 prestações mensais.
Enquanto as autoridades em Brasília ainda definem os últimos detalhes do programa, algumas máquinas semelhantes àquela que o governo pretende subsidiar já estão no mercado. O Link testou o PC Positivo D-315, com sistema operacional Windows XP Starter Edition, versão mais simples do Windows XP, que custa R$ 1.599.
Tivemos acesso também a um protótipo da Cobra, ainda não disponível ao consumidor, que funciona com o sistema operacional Freedows, desenvolvido com base no sistema de código aberto Linux (que o governo pretende tornar obrigatório para micros subsidiados). A empresa promete lançá-lo com o nome de PC Cidadão, a um preço um pouco superior a R$ 1 mil, mas não definiu data para isso.
Geralmente, computadores na faixa dos R$ 1.400 apresentam características - e, em alguns casos, limitações - semelhantes. É importante ter conhecimento delas, ainda que máquinas mais simples possam resolver o problema de usuários mais básicos e/ou iniciantes.
Micros econômicos em geral são equipados com processadores Celeron, da Intel, ou Sempron, da AMD. Mais baratos do que um Pentium ou um Athlon, são chips que trabalham bem. Os dois modelos testados possuíam processador Celeron.
A maioria dos modelos mais baratos vem com disco rígido (o famoso HD) de 30 gigabytes (GB), caso da Positivo, a 40 GB, como o protótipo da Cobra. Não é muito, mas o suficiente.
O problema maior está na quantidade de memória RAM, importante para definir a velocidade com que programas em execução rodam. Até o momento, todos os micros "populares" à disposição no mercado, inclusive o da Positivo, têm apenas 128 megabytes (MB) de memória RAM. É pouco. Para ter uma idéia, apenas o sistema operacional Windows XP, usado na maior parte dos micros novos, necessita de quase 90 MB de RAM para funcionar, sem considerar outros programas abertos.
É bom lembrar ainda que, se o computador for compartilhado por toda a família, incluindo filhos adolescentes, é provável que em poucos meses a máquina esteja lotada de arquivos (como fotos digitais e músicas em MP3) e programas (como MSN, Skype, entre outros). A memória RAM de 128 MB será certamente insuficiente.
Nesse quesito, o PC da Cobra saiu ganhando, pois veio com 256 MB. Entretanto, é fundamental lembrar que o micro testado era apenas um protótipo.
Por outro lado, o Positivo D-315 apresentou uma clara vantagem: veio com gravador de CD, ao contrário da maioria dos outros PCs econômicos (inclusive o da Cobra), e que vem apenas com leitor de CD.
Isso é importante? Claro que sim. Nos tempos da fotografia digital e do MP3, não adianta mais ter apenas o antigo disquete como opção para gravar dados e arquivos. A capacidade de um disquete é de apenas 1,44 MB, sendo que cada minuto de música em MP3 tem aproximadamente 1 MB. Um CD armazena de 600 a 720 MB. O gravador de CD é, portanto, imprescindível para a gravação de cópias de segurança ou de músicas e fotos. Em computadores um pouco mais poderosos, o gravador de DVD já se torna padrão, pois um único DVD pode armazenar mais de 5 gigabytes (GB). Bruno Vieira Feijó - O Estado de São Paulo
 
PC pré-pago
22/6/2005
Microsoft testa no Brasil novo modelo do Windows que funciona à base de créditos, como os celulares
A Microsoft transformou o Brasil no laboratório de testes daquilo que pode ser a redenção da companhia em mercados de países emergentes, onde a pirataria é tão crescente quanto o uso de softwares livres semelhantes ao Linux. Desde o final de abril, vinte empregados da subsidiária brasileira e outros 30 engenheiros de software, baseados na sede da empresa, em Seattle, nos Estados Unidos, acompanham uma experiência que ocorre no interior de São Paulo. A rede de varejo popular Magazine Luiza está vendendo um computador com Windows que funciona à base de créditos, como os telefones celulares pré-pagos. Três mil clientes do Magazine foram selecionados e receberam uma carta com a oferta de venda dessas máquinas. Por uma pequena parcela de entrada, que pode ser dividida em até 24 vezes, eles podem levar para casa o PC e o primeiro cartão de créditos. Quando o tempo acaba, o consumidor precisa voltar à loja e comprar outro cartão para liberar o uso dos programas da máquina. O processo se repete o número de vezes necessário até o cliente pagar em créditos o valor restante do computador. A partir desse momento, o PC passa a ser usado sem restrições. "é um teste mundial, sem similar e muito importante para a companhia porque mexe com a maneira como comercializamos o Windows", afirma Alexandre Leite, gerente de marketing da Microsoft Brasil. é mais do que um teste. A Microsoft tenta encontrar estradas para responder à altura aos ataques do governo federal que acusa a companhia de impedir a expansão do mercado nacional de PCs em razão dos altos preços cobrados pelos programas. "Nossa meta é atingir pessoas de renda mais baixa", diz Leite.
Marisa Cauduro/Valor
Trajano, do Magazine Luiza: Seleção de 3 mil clientes 
A tentativa da Microsoft está sendo monitorada com extremo cuidado. Antes de lançar uma operação de venda em massa, a companhia quer entender os hábitos de compra e uso desse tipo de consumidor. No caso dos clientes do Magazine Luiza, eles são submetidos a entrevistas, analisadas no Brasil e nos EUA. O próprio vice-presidente mundial da Microsoft que cuida das operações Windows, Will Poole, se envolveu no projeto que está sendo executado em 15 lojas da rede varejista em São Paulo e Minas Gerais, e começou a ser desenhado há um ano e meio. O fabricante do PC é a própria Rede Luiza e dentro das máquinas, além do Windows, há mais alguns programas da Microsoft, como um editor de texto. Os compradores selecionados escolhem entre vários planos de pagamento que variam entre R$ 600 e R$ 1 100. Quem paga menos terá de desembolsar mais créditos para quitar a máquina. No final, o PC Pré-Pago pode sair por R$ 3 000. "Nas primeiras semanas, sem muita propaganda, vendemos 500 computadores", afirma Frederico Trajano, diretor da Rede Luiza. "Acreditamos muito nesse modelo de negócio." O teste do PC Pré-Pago não tem data para terminar e pode durar até o final do ano. Tanto a Microsoft quanto o Magazine Luiza são cuidadosos em avaliar os primeiros momentos da experiência. "Vamos olhar os detalhes antes de expandir a iniciativa para outros lugares", diz Alexandre Leite.
Aos poucos a Microsoft está saindo da linha de defesa que adotou desde a chegada do PT ao governo federal. Como a disseminação do uso de softwares livres é uma política pública bem clara, a empresa americana se tornou a vilã do momento. Desde o início do ano, a empresa tenta amenizar a imagem negativa. A primeira medida foi reduzir em até 30% o valor do Windows vendido para alguns fabricantes nacionais. Nessa versão, batizada de Starter Edition, o programa tem menos recursos, mas pode viabilizar a venda de máquinas mais baratas. Manoel Fernandes - IstoÉ Dinheiro
 
Parceiros Intel oferecem modelos alternativos de PCs
17/06/2005
Um computador em formato de carteira escolar e um equipamento voltado à casa digital são as novidades dos integradores Syntax e Compujob Alinhados com a visão da Intel, que prevê um movimento de adaptação dos computadores pessoais a ambientes específicos, os integradores Syntax e Compujob apresentam equipamentos voltados ao ramo escolar e à casa digital, respectivamente.
Com a previsão de ser implementada em uma Universidade do Estado de São Paulo, ainda neste ano, a Carteira Inteligente reúne em um único móvel um PC e uma mesa de trabalho para o estudante. Na configuração padrão, é equipada com processador Intel Celeron D 320 2.4Ghz, com 256MB de memória Ram, monitor LCD de 15 polegadas, áudio interno, saídas USB e seu preço estimado é de R$ 2,7 mil - sem sistema operacional e disco rígido. O produto pode ser financiado pelo Cartão BNDES, com taxa de juros de 5% ao ano (mais TJLP), o que resultaria em 24 parcelas de R$131,00. "Já estamos em negociação com alguns clientes", conta Roberto Aguiari, diretor técnico da Syntax.
Já o Focus Digital Home - o PC da Compujob - traz algumas adaptações que permitem ao usuário otimizar a sua interação com o computador em casa, como joystick, mouse e teclado sem-fio. O modelo também traz uma interface de software que permite a usuários menos sofisticados interagir com música, vídeo e imagens de forma intuitiva, além de oferecer identificação por meio de impressão digital.
O equipamento também permite utilizar mais de uma função ao mesmo tempo, como assistir a um filme e responder um e-mail, ou baixar uma música em MP3. Com processador Pentium 4 HT 3.2 Ghz, memória Ram de 1 Gb (2X 512Mb em Dual Channel) e HD de 120 Gb Samsung, o Focus Digital Home pode ser adquirido no site da Compujob por R$ 5699 (sem monitor). A integradora já comercializou 15 sistemas completos desde o lançamento do produto. Daniela Moreira - CRN Brasil - ResellerWeb - ITWeb
 
Programa formará técnicos em software livre e acabará com pretextos para a pirataria
13/6/2005
Quando um computador quebra, em geral leva-se a máquina a uma pequena loja
ou chama-se um técnico que, via de regra, só sabe mexer no Windows, o sistema de propriedade da Microsoft. Como o sistema da empresa de Bill Gates é usado em aproximadamente 95% dos computadores pessoais do mundo, dificilmente esses técnicos são requisitados a dar manutenção em outro tipo de sistema. Porém, o PC Conectado - programa federal de financiamento e isenção de impostos para a compra de computadores dirigido à classe C - deve mudar esse quadro, inundando o mercado com computadores equipados com GNU/Linux, o sistema operacional livre, e mais outros 26 aplicativos também
livres.
Essa é uma das maiores críticas ao PC Conectado (ou PC Cidadão, como preferem alguns). Afirma-se que, ao se deparar com o primeiro problema técnico e sem haver assistência técnica disponível, os usuários tenderão a formatar seus computadores e instalar um Windows pirata. Ciente do problema, o governo federal prepara-se para tentar romper esse círculo vicioso. Na próxima terça-feira, dia 14, deverá ser lançado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), em conjunto com a Sun Microsystems, um novo programa destinado a treinar 500 jovens em quatro cidades do país para oferecer manutenção e suporte em GNU/Linux e em aplicativos livres em geral. O anúncio foi feito pelo presidente do ITI, Sérgio Amadeu, durante o último Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre. Será um curso de seis meses. Ao final do curso os alunos passarão por uma prova e, os aprovados, receberão uma certificação da Sun e terão sua foto e telefone de contato publicados em um site. Assim, poderão ser contatados e prestar serviços aos usuários. "Linux avançado, Solaris (o sistema operacional da Sun cujo código deverá ser aberto nos próximos dias), linguagem java, manutenção de hardware e empreendedorismo estão entre os conteúdos do curso", afirma André Echeverria, diretor de marketing da empresa.
Quebrar a espinha da pirataria
Embora o acordo a ser assinado na terça-feira envolva também o Ministério de Ciência e Tecnologia e do Trabalho, quem vai bancar tudo é a Sun. "Esse número de alunos é para a fase piloto. Deve ser expandido no futuro, assim que surgirem novas parcerias com instituições educacionais", diz Echeverria. A idéia é que esses alunos atendam principalmente o mercado de usuários residenciais. Os conteúdos das aulas atualmente são de direito exclusivo da Sun Serviços Educacionais, mas a empresa estuda liberá-los no futuro, para que o curso possa ser reproduzido por quem se interessar.
Amarrado pelos frequentes contingenciamentos de recursos o ITI, no convênio, entrou com a idéia. De acordo com Sérgio Amadeu, é preciso quebrar de algum modo a "rede corsária", o processo em que o usuário final adquire softwares piratas a baixo custo e não aprende a usar os sistemas livres. Os únicos que realmente pagam por licenças de software são as empresas e o governo. Em sua apresentação, Amadeu defendeu que quem se beneficia da pirataria é a indústria de software proprietário. "Quando a IBM tornou o seu padrão de hardware aberto [o IBM PC] e permitiu a replicação, Bill Gates se aproveitou da oportunidade para disseminar, via pirataria, sem abdicar dos direitos exclusivos, seu sistema operacional", afirmou. Sendo conivente com a cópia não autorizada feita pelos usuários e oferecendo inicialmente de graça para certas empresas o seu sistema, a empresa conseguiu monopolizar o mercado e viu seus lucros crescerem a longo prazo.
Com essa estratégia, a Microsoft teria conseguido amealhar um faturamento bilionário, com uma margem de lucro gigantesca. "Só em 2004, a empresa obteve um faturamento de US$ 36,6 bi e um lucro líquido de US$ 8,2, correspondendo a 22%, percentual de lucro muito maior que o obtido pela absoluta maioria dos empreendimentos de outros setores da economia. Esse lucro líquido é maior que o mercado brasileiro e o indiano de software", apontou Amadeu. A monopolização da Microsoft teria atingido tal grau que o economista Alan Story, especialista em propriedade intelectual, definiu o acordo Trips da Organização Mundial de Comércio (OMC), aquele que permite o monopólio do conhecimento via patentes, como uma tentativa de "Microsoftzação" do mundo. O presidente do ITI também questionou o uso da palavra pirataria para a definição da cópia não autorizada de software. Amadeu prefere o termo "corsários digitais". Corsários eram aqueles que, no século XVI, tinham uma carta da rainha da Inglaterra que os autorizava a saquear e pilhar navios portugueses e espanhóis. Agiam, assim, a serviço do poder. O s corsários digitais, que fazem pirataria de software, estão a serviço da manutenção do monopólio dos códigos de computador de empresas como a Microsoft. Notícias ComCiência
 
União Européia vota patente de software
20/6/2005
Francês quer limitar aplicação da lei
BRUXELAS - Os legisladores da União Européia se preparam para um embate em relação à adoção de patentes de software no bloco. Um comitê de assuntos legais discutirá a lei hoje e a votará amanhã.
- Não é como um orçamento que pode ser dimensionado. Ou você adota as patentes, ou não. É uma decisão política - disse Laurence van de Walle, conselheira do Partido Verde para a lei.
O socialista francês Michel Rocard é o padrinho de uma proposta à lei. Ele tem agradado aos que desejam uma regulamentação suave, mas os partidos liberais e de centro-direita querem mais.
Uma fonte do bloco EPP, de centro-direita e que é a maior representação no comitê, disse que a versão de Rocard para a legislação ''ainda é inaceitável''.
Os legisladores têm sofrido com o lobby intenso. Os que apóiam os movimentos de open source ou software livre dizem que o copyright é melhor que a patente. Eles gostam da versão de Rocard e dizem que ela permitirá entrar em mercados que seriam fechados pelas patentes.
Rocard defende uma abordagem restrita das patentes, limitada apenas aos ''aparatos programáveis'', aplicações com hardware, como o sistema de freios ABS ou uma máquina para bombear insulina.
Mas a versão dos Estados-membros inclui inovações relacionadas a software, agradando grandes empresas como Microsoft e Nokia.
A Eicta, organização da indústria de informática européia, representa 51 multinacionais e espera que os legisladores esqueçam a versão de Rocard e fiquem com a original. Os Verdes apóiam Rocard e esperam que a votação seja concorrida:
- Já vi vários casos em que o resultado do comitê de assuntos legais é modificado no plenário - disse van de Walle. A votação no parlamento acontecerá em julho.
A maioria simples aprovará a lei no comitê, mas a qualificada é exigida no parlamento.
Na sua versão da lei, Rocard propôs a mudança do nome de patentes de ''invenções controladas pelo computador'' para ''invenções implementadas pelo computador''.
''A idéia é que a patente sirva para o hardware que usa o software que o controla'', escreveu o político francês em um documento.
A Eicta diz que mudar o título alteraria o escopo da lei e deixaria o computador fora da invenção, o que não representa a realidade. Jornal do Brasil
 

 
Mercado de Comunicação
Fusão vai criar gigante do setor de cabo
16/6/2005
UGC e Liberty Media International unem operações internacionais para criar a Liberty Global, com receita anual de US$ 4 bilhões Os acionistas da UnitedGlobalCom (UGC) e da Liberty Media International concordaram com a unificação de suas operações internacionais de televisão a cabo, formando a Liberty Global Inc. A companhia terá 11 milhões de clientes em 18 países, gerando uma receita anual superior a 4 bilhões de dólares. O valor de mercado da nova gigante do setor será de 11 bilhões de dólares. A decisão, diz The Wall Street Journal, é uma vitória para o magnata John Malone, envolvido numa campanha de convencimento dos investidores. A criação de uma companhia única é o primeiro passo para o plano de investir pesadamente em seus mercados mais importantes, Europa e Japão, para expandir os negócios. A UGC é a maior operadora de cabo em países como França, Holanda e Polônia. Já a Liberty é proprietária de uma grande participação acionária na maior operadora de cabo do Japão. Portal Exame
 

 
Regulação
Riscos dos telemóveis para as crianças e jovens
17/6/2005
Os jovens e as crianças constituem um número significativo de utilizadores de telemóveis, os quais através de funcionalidades cada vez mais sofisticadas lhes proporcionam novas formas de entretenimento. Ao mesmo tempo, aumenta o risco de exploração destas novas tecnologias para fins criminosos, sendo difícil a restrição de certos conteúdos apenas a adultos. De acordo com a Childnet International, quase 60% das crianças no ensino secundário e cerca de 20% das crianças no ensino primário possuem telemóveis, no Reino Unido. Noutras áreas do globo, como o Japão e a Escandinávia, o número é ainda mais significativo. Segundo esta associação internacional, as crianças e jovens em todo o mundo devem ter o direito a conhecer o potencial uso destas tecnologias, mas também a serem protegidas daqueles que procuram tirar vantagens e oportunidades ilícitas da "revolução móvel".
Os últimos modelos dos telemóveis oferecem possibilidades de entretenimento através de serviços SMS, MMS, assinatura de chat, etc. Para além desta diversidade de ofertas, existem factores que tornam os telemóveis essencialmente atractivos para os jovens e crianças, de tal forma que a Internet fixa começa a ser vista como um meio antiquado. Esses factores são os seguintes:
* A natureza privada e pessoal dos telemóveis, tornando a supervisão dos
pais quase impossível;
* A facilidade de comunicação com os amigos e de espontaneidade das
respostas;
* A importância dos telemóveis no contexto da imagem, status e moda;
* O factor "diversão" proporcionado pela diversidade de funcionalidades que
torna o aparelho num instrumento de entretenimento poderoso;
* O preço do telemóvel, uma vez que os aparelhos e o acesso aos serviços
estão ao alcance da maioria dos consumidores jovens.
De acordo com a Childnet International, a utilização incorrecta destas funções pode colocar as crianças em risco. A maior preocupação prende-se em particular com a 3G e a proliferação das câmaras incorporadas nos telemóveis, que promete uma melhor qualidade dos ecrãs, vídeo móvel e vídeo-conferência.
A procura dos consumidores faz verificar que os aparelhos de telemóvel estão-se a tornar um canal para conteúdos de adultos, como pornografia, jogos de apostas, serviços financeiros e outros que podem ser inapropriados para as crianças. Além disto, os operadores devem estabelecer um equilíbrio entre a oferta destes serviços geradores de receitas e o facto de deverem ter em conta a saúde e segurança das crianças, de acordo com um estudo pago da eWireless News ("Preventing child abuse in 3G services"). Os riscos para as crianças e jovens a partir da utilização dos telemóveis envolvem conteúdos ilegais e nocivos, contactos perigosos e exploração de marketing, de acordo com a Childnet International. É necessário desenvolver acções e estratégias a nível internacional para combater os riscos desta tecnologia, segundo a mesma associação.
As imagens e vídeos de abuso sexual são ilegais na maior parte dos países, mas os criminosos exploram o potencial da Internet em conjunto com outras tecnologias digitais - cada vez mais com os telemóveis - facilitando a criação e distribuição abusiva deste material nocivo para as crianças. A pornografia de adultos está-se a tornar cada vez mais acessível através dos telemóveis, e o facto dos jovens preferirem telemóveis pré-pagos torna difícil estabelecer a idade dos consumidores. Os operadores devem assim procurar meios de controlo da idade dos utilizadores, para assegurar que as crianças não acedam a conteúdos específicos para adultos. Também os conteúdos de racismo, violência, sobre seitas ou drogas, caracterizam outros materiais disponíveis gratuitamente e que podem causar danos às crianças e aos jovens.
A proliferação de telemóveis entre os jovens fez desenvolver as possibilidades de estabelecimento de contactos directos com crianças, com objectivos de exploração sexual. Entre os jovens, as ameaças a partir de mensagens ou fotografias podem ser potencialmente intensificadas a partir do uso de telemóveis, tornando este delito muito mais nocivo. O uso das tecnologias dos telemóveis para objectivos de marketing entre jovens influentes leva ao incremento desta actividade, tornando o telemóvel num forte instrumento de marketing. Verifica-se uma notável pressão nos jovens no sentido da compra do produto, de serviços ou de informação personalizada e em particular para adquirirem os aparelhos mais avançados, considerados parte da imagem e do status para os jovens utilizadores. Observatório da Comunicação
 
Ameaças pelos telemóveis: problema e risco crescente entre crianças
17/6/2005
As ameaças ou coacções via telemóvel são uma forma nova de delito que começa a ser combatida nomeadamente pela NCH e pelo operador Tesco Mobile, no Reino Unido, e que prejudica cada vez mais crianças.
São várias as formas de fazer coacção via telemóvel, sendo o maior problema as mensagens de texto indesejáveis ameaçadoras ou causando desconforto a quem as recebe. Muitas vezes, os provocadores disfarçam os seus números e outras vezes usam os telemóveis de outras pessoas para evitarem ser identificados.
No Reino Unido, quase quatro milhões de jovens possuem um aparelho de telemóvel com câmara, de acordo com a W2F Mobile Youth. As câmaras dos telemóveis podem ser usadas para ameaçar ou embaraçar a vítima. Muitos adolescentes recebem chamadas em silêncio, ou mensagens abusivas. Para além disso, mensagens intimidadoras chegam a ser enviadas para Websites usando nomes e números de telemóvel de pessoas desconhecidas.
O facto do telemóvel ser uma das posses pessoais mais valiosas para as crianças faz com que estejam sempre com ele. Deste modo, se o telemóvel começa a ser usado para perturbar uma criança, parece difícil encontrar solução para o problema, visto que elas sentem que não há maneira de escapar a quem as incomoda. E como têm medo que lhes retirem o telemóvel, não contam
aos pais nem a outros adultos.
A partir de um inquérito a 770 jovens no Reino Unido, com idades entre os 11 e os 19 anos, a NCH e o operador Tesco mobile verificaram que 20% dos respondentes admitiu ter sido vítima de ameaça via e-mail, chat de Internet ou mensagens de texto. E concluiu-se que a forma mais significativa de coacção é por mensagens de telemóvel, com 14% de respostas.
Dos inquirid


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Seg, 20 de Jun de 2005 2:30 pm

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