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Clipping FNDC - Governo estuda distribuição de 1 milhão de laptop   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #586 de 730 |

CLIPPING DO DIA
31 de maio de 2005

Seleção de textos coletada da pesquisa diária do Epcom - Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação

 
Sociedade da Comunicação
Governo estuda distribuição de 1 milhão de laptops
Universidade apresenta ao governo programa de laptop a US$ 100
Governo analisa projeto norte-americano de levar laptop a alunos da rede pública
Falta de verba paralisa programas federais
 
Rádio Comunitária
Rádio Comunitária leva cerca de 18 meses para ser regularizada, segundo secretário de Comunicações
Comunidade carioca mobiliza-se para reabrir rádio fechada pela Anatel
 
Política de TV por Assinatura
Projeto que amplia acesso a canais universitários vai a votação
 
Televisão
ATSC traz especialistas para demonstrar padrão
Campanha contra baixaria pode ser adotada em outros países
TV Cultura já reativou núcleo de dramaturgia
TV dos EUA veta 'América' no horário nobre
Globo quer replay de gols no visor dos celulares
 
TV a Cabo
TVA chega a 295 mil assinantes no primeiro trimestre
Divisão de mídia da Vivax aposta em cobertura regional
 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova nove concessões de radiodifusão
Projeto obriga TV e rádio a veicularem cultura indígena
 
Audiovisual
Filmes nacionais serão 10% do mercado em 2005, diz Gil
Ancine renova sua diretoria
Filme nacional perde espaço
Ingresso nacional custa até R$ 1,7 mil
Gil pede pacto entre Estado e setor de cinema
Gil diz que cinema brasileiro precisa de "choque de capitalismo"
Para ministro Gil, cinema brasileiro precisa de ''choque de capitalismo''
Novos diretores da Ancine tomam posse
"Cinema latino atrai a Europa", diz executivo de TV
Francês investe em produção de filmes no Brasil
Encontros políticos na telona
O2 Filmes terá braço dedicado ao conteúdo para Internet e celulares
Novas tecnologias desafiam os estúdios de cinema
Universal Studios disponibiliza conteúdo visual online
 
Cultura
Deputados votam projeto para criação de fundo para a cultura
Gil diz que fumou maconha até 50 anos
Câmaras Setoriais começam a funcionar
Decreto para regulamentação da lei Rouanet vai para a Casa Civil na próxima semana
Câmaras setoriais do Ministério da Cultura começam a funcionar
Regulamentação de lei Rouanet pode beneficiar regiões mais distantes e pequenas empresas
Ministro defende que drogas deixem de ser crime no país
O boato
Projeto rememora "O Grande Teatro Tupi"
 
Política
Linha de Frente
'É um político bisonho', diz fundador do PT
Gil só sai do MinC se ''Lula pedir'', mesmo após o PV ter deixado base aliada do governo
 
DTH
Após parceria com Hughes, Transit busca TV paga
 
Imprensa & Jornalismo
Opinião não é crime
Circulação de jornais cresceu 2,1% em 2004
O legado de Tim
Coceira danada
Jornalistas lutam contra a censura no Dia da Imprensa
 
Internet
Internet tem espaço para vários vencedores, diz presidente do Google
 
Mercado de Comunicação
Anúncios interativos ganham espaço na TV a cabo e via satélite
Série Carandiru tem anúncios na mídia
 
Telecom
Usuários de telefonia terão instituto de defesa
Justiça não libera adendo a acordo de acionistas da Solpart
Justiça exige apresentação do contrato de compra de ações dentro de 48 horas
Fundos querem devassa em gastos da BrT com advogados
Invitel marca AGE para volta do Citi
Justiça torna sem efeitos aditivo ao acordo de acionistas de Solpart
Conselho confirma a assembléia da Invitel para 23 de junho
 
Literatura e Mercado Editorial
Câmara estuda propostas de estímulo à leitura
A paixão na prateleira
Cheiro de livro novo, gosto por livro velho
O fornecedor
Bibliófilo dormente
Os demônios de Fernando Pessoa Ferreira
O desafio de levar Machado às telas
 
Mídia Global
Decreto anulado

 
Sociedade da Comunicação
Governo estuda distribuição de 1 milhão de laptops
31/5/2005
Programa de inclusão digital do MIT será apresentado ao ministro das Comunicações no final de junho
O Ministério das Comunicações estuda um programa de inclusão digital, que prevê a distribuição de laptops, no valor de US$ 100,00 (R$ 260,00), a crianças de escolas públicas.
A proposta vem sendo desenvolvida pelo Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, e será apresentada no dia 28 de junho ao ministro das Comunicações, Eunício Oliveira.
A idéia, caso seja aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é distribuir o primeiro milhão de computadores portáteis para alunos de escolas que já tenham conexão com a Internet. Segundo o assessor especial do Ministério das Comunicações, Jean-Claude Frajmund, os primeiros laptops seriam importados, mas a intenção do governo é produzi-los no Brasil.
O laptop de US$ 100,00 seria utilizado como alternativa a outros programas de inclusão digital, como o PC Conectado, que prevê a comercialização de computadores a R$ 1.400,00. Esse programa ainda precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. As regras do PC Conectado serão incluídas na "MP do Bem", em estudos no governo.
A intenção do governo, com a distribuição dos laptops de US$ 100,00, é beneficiar os 40 milhões de alunos de cerca de 200 mil escolas públicas. "Precisamos achar alternativas viáveis", disse o assessor, esclarecendo que 80% da população brasileira nunca mexeram em um computador e 90% nunca navegaram pela Internet.
De acordo com o diretor-executivo do Media Lab, Walter Bender, que fez ontem uma apresentação prévia da proposta no auditório do Ministério das Comunicações, o laptop de US$ 100,00 estará pronto no próximo ano, com condição de ser utilizado em qualquer parte do mundo.
O computador será produzido por um consórcio industrial, sem fins lucrativos. De acordo com o pesquisador americano, o MIT está oferecendo a idéia a ministros das áreas de educação e comunicação em vários países.
O laptop, de acordo com a proposta do MIT, usará software livre, mas ainda não há definição da capacidade de memória. "O importante são as parcerias com a indústria e a sua disseminação no mundo", disse Bender, durante a apresentação prévia. Ele vê no projeto uma forma de mudar o aprendizado das crianças e avalia que, com a redução do custo do computador, aumenta-se a possibilidade de acesso da população à tecnologia e à informação. Gerusa Marques - O Estado de São Paulo
 
Universidade apresenta ao governo programa de laptop a US$ 100
30/5/2005, 22h40
Brasília - Os alunos das escolas públicas brasileiras poderão modernizar o aprendizado com o uso de computadores portáteis por meio do Projeto Laptop de US$ 100, voltado para a promoção do uso da tecnologia como ferramenta da educação. No dia 28 de junho, o criador do programa e Fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), Nicholas Negroponte, apresentará a proposta ao ministro da Educação, Tarso Genro. O anúncio foi feito hoje pelo diretor do Media Lab Walter Bender, durante palestra no Ministério das Comunicações.
O programa, desenvolvido no MIT, instituto criador do movimento do software livre, também utilizará a plataforma aberta. De acordo com Bender, a primeira geração desses laptops deverá estar acessível até o ano que vem. Para ele, "o laptop dever ser visto não apenas como tecnologia,mas como uma forma de expressão de idéias, como uma extensão da mente e principalmente como uma ferramenta para o aprendizado".
Bender e David Cavallo, outro participante do projeto, vieram ao Brasil a convite do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) para participar do Fórum Internacional de Software Livre, que acontecerá em Porto Alegre no dias entre os dias 1 e 5 de junho. Projetos de inclusão digital como o de laptop de US$ 100 também estão desenvolvidos na Índia, Tailândia e China.
Para Cavallo, os laptops podem funcionar como um catalisador do compartilhamento de conhecimento. "Por meio dos computadores as comunidades poderão desenvolver outras formas de usar a tecnologia. Nosso objetivo está do lado da educação e de poder disseminar o acesso a todos. É a abertura da tecnologia que transfere o conhecimento para o crescimento local e para o empreendedorismo". Bender também ressaltou a importância social do acesso ao computador. "É importante que o computador seja usado ao vivo, não apenas nas escolas. Ele deve ser levado para casa; deve ser usado em família; deve fazer parte da vida da comunidade e transformá-la".
O assessor do ministro das Comunicações, Jean Claude Frajmund, lembrou que essa é apenas uma das ferramentas do Programa Brasileiro de Inclusão Digital. Segundo ele, se o Brasil não encontrar uma solução para a questão poderá perder a corrida tecnológica para países como a China. "Estamos falando da melhoria da distribuição do conhecimento, que no Brasil é muito centralizada.O governo precisa traçar diretrizes públicas e ser estimulado, mas a indústria, as escolas e a sociedade também precisam se interessar". Para Frajmund, "se nós continuarmos nesse passo, o Brasil levará 150 anos para colocar computadores em todos as escolas".
No Brasil 79% da população nunca usaram computador; 89% nunca acessaram a Internet e apenas 14,4% têm acesso regular a computador. Entre os programas do governo voltado para a inclusão digital estão o PC Conectado, que possibilita a concessão de crédito e isenção fiscal para a compra de computadores.
Os alunos das escolas públicas brasileiras poderão modernizar o aprendizado com o uso de computadores portáteis por meio do Projeto Laptop de US$ 100, voltado para a promoção do uso da tecnologia como ferramenta da educação. No dia 28 de junho, o criador do programa e Fundador do Media Lab do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), Nicholas Negroponte, apresentará a proposta ao ministro da Educação, Tarso Genro. O anúncio foi feito hoje pelo diretor do Media Lab Walter Bender, durante palestra no Ministério das Comunicações.
O programa, desenvolvido no MIT, instituto criador do movimento do software livre, também utilizará a plataforma aberta. De acordo com Bender, a primeira geração desses laptops deverá estar acessível até o ano que vem. Para ele, "o laptop dever ser visto não apenas como tecnologia,mas como uma forma de expressão de idéias, como uma extensão da mente e principalmente como uma ferramenta para o aprendizado".
Bender e David Cavallo, outro participante do projeto, vieram ao Brasil a convite do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) para participar do Fórum Internacional de Software Livre, que acontecerá em Porto Alegre no dias entre os dias 1 e 5 de junho. Projetos de inclusão digital como o de laptop de US$ 100 também estão desenvolvidos na Índia, Tailândia e China.
Para Cavallo, os laptops podem funcionar como um catalisador do compartilhamento de conhecimento. "Por meio dos computadores as comunidades poderão desenvolver outras formas de usar a tecnologia.Nosso objetivo está do lado da educação e de poder disseminar o acesso a todos. É a abertura da tecnologia que transfere o conhecimento para o crescimento local e para o empreendedorismo". Bender também ressaltou a importância social do acesso ao computador. "É importante que o computador seja usado ao vivo, não apenas nas escolas. Ele deve ser levado para casa; deve ser usado em família; deve fazer parte da vida da comunidade e transforma-la".
O assessor do ministro das Comunicações, Jean Claude Frajmund, lembrou que essa é apenas uma das ferramentas do Programa Brasileiro de Inclusão Digital. Segundo ele, se o Brasil não encontrar uma solução para a questão poderá perder a corrida tecnológica para países como a China. "Estamos falando da melhoria da distribuição do conhecimento, que no Brasil é muito centralizada.O governo precisa traçar diretrizes públicas e ser estimulado, mas a indústria, as escolas e a sociedade também precisam se interessar". Para Frajmund, "se nós continuarmos nesse passo, o Brasil levará 150 anos para colocar computadores em todos as escolas".
No Brasil 79% da população nunca usaram computador; 89% nunca acessaram a Internet e apenas 14,4% têm acesso regular a computador. Entre os programas do governo voltado para a inclusão digital estão o PC Conectado, que possibilita a concessão de crédito e isenção fiscal para a compra de computadores. Érica Santana - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Governo analisa projeto norte-americano de levar laptop a alunos da rede pública
30/05/2005
Depois do PC Conectado e do Casa Brasil, o governo fará uma nova tentativa para ampliar seu programa de inclusão digital e desta vez o parceiro poderá ser o MIT (Massachusetts Institute of Tecnology), da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos. O Media Laboratory do MIT pesquisa a criação, para posterior fabricação, de um laptop que possa ser usado pelos alunos das escolas públicas, custe US$ 100 e possa conter programas voltados para a educação. No próximo dia 28 de junho, o professor do Media Lab, Nicolas Negroponte, idealizador do programa, irá se reunir com o ministro Eunício Oliveira para explicar detalhes do projeto. Hoje, 30, dois pesquisadores do Media Lab, Walter Bender e David Cavallo, estiveram no Minicom para falar sobre o programa a integrantes do governo. Segundo Jean Claude Frajmund, assessor especial do Minicom, que esteve há cerca de dois meses no MIT para conhecer o programa, a idéia do MIT ainda está sendo analisada, mas haveria a possibilidade de o governo desembolsar recursos para uma aquisição inicial de 1 milhão de laptops que seriam distribuídos a escolas públicas que já tivessem infra-estrutura de conexão à Internet. De acordo com Frajmund, a idéia é que os laptops fossem produzidos no Brasil, mas se o governo tiver pressa em implantar o projeto o primeiro 1 milhão de unidades poderia ser importado. O problema é que o laptop de 100 dólares ainda não existe comercialmente, em grande escala. O Media Lab tem apenas um protótipo, em teste. Segundo Walter Bender, diretor do Media Lab, haveria condições de se iniciar a fabricação em larga escala já a partir do ano que vem. Cristiana Nepomuceno - Telecom Online
 
Falta de verba paralisa programas federais
31/5/2005
Os programas de inclusão digital, de controle da malária e de manutenção de rodovias federais estão entre os que contribuíram para o novo recorde de economia de gastos exibido ontem pelo governo.
Uma visita ao Siafi (sistema de acompanhamento de gastos da União) revela o ritmo lento dos investimentos públicos mesmo em raras áreas que escaparam do corte decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro e estariam teoricamente liberadas para gastar, como os ministérios da Saúde e de Ciência e Tecnologia.
De acordo com o mais recente boletim de acompanhamento de gastos divulgado pelo Ministério do Planejamento, esses dois ministérios só gastaram 1% e 2,3%, respectivamente, do dinheiro que têm para investimentos.
O mais caro programa de investimento do Ministério da Saúde, destinado a obras de saneamento ambiental urbano, está praticamente parado. Dos R$ 717,7 milhões de gastos autorizados pelo Orçamento, apenas 0,11% havia sido pago até o dia 20 de maio.
Também seguem quase parados os investimentos em assistência farmacêutica e insumos estratégicos, que apóiam laboratórios públicos. Idem para o programa de resíduos sólidos urbanos. O programa de controle da malária não registrou gastos até o momento.
Essa situação -gasto zero- pode ser verificada em vários investimentos autorizados no Ministério de Ciência e Tecnologia. Ainda de acordo com o Siafi, estão paralisados os programas de inclusão digital (o mais caro da pasta), de mudanças climáticas globais e de combate ao desmatamento e às queimadas.
Dono do maior orçamento de investimentos da Esplanada, o Ministério dos Transportes também ajudou o superávit recorde. Só teria gasto, segundo o acompanhamento do Ministério do Planejamento, 1,35% do limite autorizado após os cortes.
O programa que destina quase R$ 2 bilhões à manutenção da malha rodoviária federal é um exemplo. Desembolsou 0,06% até 20 de maio, embora os compromissos de gastos, considerados urgentes pelo setor, já alcançassem na data R$ 826,8 milhões.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) acredita que será difícil chegar ao final do ano com um superávit primário maior do que a meta de economia de gastos já definida (equivalente a 4,25% do PIB) porque o ritmo dos gastos tende a se acelerar nos próximos meses. MARTA SALOMON - Folha de São Paulo
 

 
Rádio Comunitária
Rádio Comunitária leva cerca de 18 meses para ser regularizada, segundo secretário de Comunicações
30/5/2005, 16h32
Rio - Dezoito meses é o tempo médio que leva para uma rádio comunitária ser legalizada pelo Ministério das Comunicações. Segundo informou o secretário nacional de Serviços de Comunicação Eletrônica, Sérgio Luiz de Moraes Diniz, essa demora é provocada, em grande parte, por problemas na documentação enviada pelas emissoras.
Por isso, o Ministério deve lançar, nos próximos 30 dias, uma nova cartilha para mostrar quais são os procedimentos para a autorização de rádios comunitárias. O manual estará disponível em agências dos Correios do Brasil inteiro. "Vamos ver se a gente consegue fazer com que as associações errem menos", disse Diniz.
Para conseguir a autorização, as rádios comunitárias têm que preencher 16 formulários e ainda mostrar manifestações de apoio da sociedade. Atualmente, o processo de autorização começa no Ministério das Comunicações. Depois, é enviado à Casa Civil e ao Congresso Nacional. Depois de aprovado por todas essas instâncias, o pedido retorna ao ministério para que a emissora possa ser legalizada.
Desde 1998, quando foram criadas as normas que regulam as rádios comunitárias, até hoje, o Ministério das Comunicações autorizou o funcionamento de 2.331 rádios comunitárias. Até 17 de dezembro de 2004, havia ainda 8.388 processos em andamento. Vítor Abdala - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Comunidade carioca mobiliza-se para reabrir rádio fechada pela Anatel
30/5/2005, 16h31
Rio - A comunidade onde funcionava a rádio Novo Ar, fechada por agentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entrou na Justiça para tentar recomeçar legalmente as transmissões. "Fizemos o pedido de mandado de segurança para o juiz e agora estamos aguardando", disse a presidente da Comunidade Novo Ar, entidade responsável pela Rádio Novo Ar, Maria da Graça Rocha.
O caso aconteceu na sexta-feira (20), em São Gonçalo (RJ). Por volta das 14h, agentes da Anatel chegaram à Rádio Comunitária Novo Ar e informaram que teriam de interditar o espaço, já que a emissora não tinha licença do Ministério das Comunicações. No mesmo dia, pessoas da comunidade já mobilizavam-se contra o fechamento, buscando a Justiça para colocar no ar a emissora comunitária que existe desde 1996.
E não foi a primeira vez. Em 1997, a Anatel já havia tentado fechar a rádio, mas fora impedida pela população local. Em 2000 e 2004, a história se repetiu: mesmo acompanhados pela polícia, os agentes da Agência foram barrados pela população, que se colocou à frente dos oficiais. "Acabamos até deixando que acontecesse. São nove anos de tensão", disse Maria da Graça.
"Não sei de onde apareceu tanta gente na hora em que a Anatel fechou a rádio. A população veio em peso. A comunidade se uniu, mostrando que a rádio é realmente comunitária, é do povo", relatou a comunicadora Márcia Rodrigues, que estava "no ar" quando a Anatel lacrou os equipamentos. "O povo tem voz e vez em uma rádio comunitária. A qualquer hora que precisar, o ouvinte entra no ar e faz a reclamação que ele quiser."
A situação ilustra bem a dificuldade enfrentada por diversas rádios comunitárias no Brasil. Sem conseguirem autorização do Ministério das Comunicações, muitas emissoras atuam irregularmente em suas localidades, sob o risco de sofrerem as sanções previstas pela legislação da radiodifusão brasileira.
De acordo com a Federação das Associações de Radiodifusão Comunitária do Rio de Janeiro (Farc), das 396 rádios comunitárias do estado, apenas 52 têm autorização do governo para funcionar.
Segundo a presidente da Comunidade Novo Ar, Maria da Graça Rocha, as emissoras enfrentam muitos empecilhos ao tentar regularizar sua situação. A própria Novo Ar tenta, desde 1999 conseguir a autorização do Ministério das Comunicações.
Um dos problemas enfrentados pela rádio é o impedimento legal de duas emissoras comunitárias ocuparem o mesmo espaço geográfico, já que a Anatel destina apenas uma única freqüência para este tipo de mídia, enquanto as emissoras comerciais recebem dezenas de canais.
"Queremos uma mudança na legislação, com o fim da freqüência única, que, na maioria das vezes, está fora do dial. Queremos mais freqüência e mais potência. Queremos falar para a nossa cidade. As rádios comunitárias do país não pretendem ficar apenas em suas vilas e guetos. E nenhum município quer uma rádio só. Queremos várias rádios e que o povo tenha voz", disse Maria da Graça, que também é diretora da Farc e da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço Nacional).
Segundo o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Sergio Diniz, a Rádio Novo Ar não conseguiu autorização porque não atende aos requisitos legais de uma rádio comunitária. Por isso, o pedido feito pela emissora acabou sendo arquivado no mesmo ano. "Um dos maiores problemas que temos é o não-cumprimento de exigências. As rádios não mandam direito a documentação e não cumprem os prazos. A gente tem prazo, tem uma legislação para cumprir."
O secretário explicou ainda que a Anatel está realizando um estudo para avaliar a possibilidade de, em algumas cidades, serem disponibilizados dois ou três canais para as rádios comunitárias.
A Rádio Novo Ar funciona desde 1996. Além de ser um canal de comunicação para a população de São Gonçalo, a emissora também oferece serviços como uma estação de computadores, um pré-vestibular comunitário, uma rede de economia solidária, e cursos de formação para ladrilheiros e pedreiros. Vítor Abdala e André Deak - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 

 
Política de TV por Assinatura
Projeto que amplia acesso a canais universitários vai a votação
30/05/2005, 17h08
A Comissão de Educação do Senado Federal aprecia em sua reunião ordinária desta terça, 31, o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP) que dá nova redação ao dispositivo da Lei de TV a Cabo que determina a transmissão obrigatório e gratuita dos canais universitários. A proposta de Rebelo, aprovada na Câmara, ampliava para as demais Instituições de Ensino Superior (IES) as que não se caracterizam como universidades, o acesso aos canais universitários. No Senado, a proposta recebeu um substitutivo do Senador Sérgio Cabral (PMDB/RJ) vinculando esta participação à nota que a IES receba na avaliação anual de desempenho realizada pelo Ministério da Educação. Da Redação - PAY-TV News
 

 
Televisão
ATSC traz especialistas para demonstrar padrão
30/05/2005, 18h32
Nos dias 2 e 3 de junho, especialistas apresentarão em um evento nas dependências do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), em Campinas, as vantagens do padrão americano de TV digital para modulação e transmissão. O encontro dá continuidade aos debates realizados nos dias 24 e 25 de maio, que reuniu especialistas do setor para tratarem de serviços de vídeo interativo e aplicações de transmissão de dados.
Segundo o consórcio defensor do padrão norte-americano, o ATSC Forum, os eventos ocorrem por uma solicitação da Anatel para que o consórcio demonstre no país serviços e aplicações interativos de DTV.
O primeiro evento contou a participação do Dr. Young Moo Lee, vice-diretor do Ministério de Informação e Comunicação da Coréia do Sul; representantes do Electronics and Telecommunications Research Institute (ETRI) da Coréia, do Korean Broadcasting System, da LG Electronics, da Triveni Digital, da Associação de Emissoras Americana de TVs Educativas, e da CBC. Da Redação - TELA VIVA News
 
Campanha contra baixaria pode ser adotada em outros países
27/5/2005, 18h04
A campanha promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara "Quem financia a baixaria é contra a cidadania" pode ser adotada por outros países. O coordenador da campanha, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), participou nesta sexta-feira, em Genebra, na Suíça, de seminário sobre Liberdade de Expressão. Durante o evento, Fantazzini lançou um exemplar da cartilha da campanha em inglês e espanhol.
De Genebra, ele informou que foi grande a aceitação da campanha, considerada pelos países que participaram do evento uma maneira inovadora de garantir limites à liberdade de expressão. "A receptividade foi excelente. Muitos parlamentares pediram autorização para utilizar os nossos textos, a nossa metodologia, que nós já deixamos à disposição, uma vez que se trata de uma campanha pública. Todo parlamento que tiver interesse já ficou autorizado a fazer em seus países campanha idêntica ou similar a nossa."
O evento em Genebra foi organizado pela União Interparlamentar, organização internacional fundada em 1889, composta pelos poderes legislativos de diversos países com o objetivo de promover a participação parlamentar no sistema internacional. A entidade também defende os direitos humanos e trabalha para garantir a liberdade de expressão.
Negro na mídia
A pedido da União Interparlamentar, o deputado Orlando Fantazzini também falou sobre a situação do negro na mídia brasileira. Ele explicou que há um problema sério de racismo no País e criticou que nas telenovelas praticamente não há a participação de negros. Fantazzini destacou ainda a vitória da ação na Justiça que obrigou a TV Record a produzir programa sobre as religiões afro-descendentes. A decisão contra a emissora garantiu direito de resposta às críticas de grupos evangélicos às religiões afro-descendentes. Geórgia Moraes - Agência Câmara de Notícias
 
TV Cultura já reativou núcleo de dramaturgia
31/5/2005
A TV Cultura de São Paulo reativou seu núcleo de dramaturgia e mantém no ar, há três semanas, o projeto "Senta que Lá Vem Comédia", um teleteatro gravado.
Aos sábados, sempre às 22h, é apresentada uma comédia de autor brasileiro, justamente na faixa dos humorísticos "A Praça é Nossa" (SBT) e "Zorra Total" (Globo).
As gravações acontecem no teatro Maria Della Costa. O quarto teleteatro da série vai ao ar no próximo sábado: "Um Edifício Chamado 200", texto de Paulo Pontes, dos anos 70, agora dirigido por José Renato.
No elenco, Tuca Andrada, Rachel Ripani, Verônica Lo Turco e outros.
As próximas atrações são "O Primo da Califórnia", de Joaquim Manuel de Macedo (11/ 6); "Fulaninha e Dona Coisa" (18/6), de Noemi Marinho; e "Onde Canta o Sabiá" (25/6), de Gastão Tojeiro.
"O projeto pretende mostrar para o público que existem novas linguagens e caminhos para a teledramaturgia na televisão brasileira, fora as tradicionais novelas", diz a coordenadora do núcleo de dramaturgia, Analy Alvarez.
Já foram exibidos "Defeito de Família", de França Junior, dirigido por John Herbert; "Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera", de Gláucio Gil, por Roberto Lage; e "O Noviço", de Martins Pena, com direção de Antônio Petrin. Folha de São Paulo
 
TV dos EUA veta 'América' no horário nobre
31/5/2005
Novela que a autora Glória Perez concebeu sonhando com um grande sucesso internacional, "América" corre o risco de não ser exibida nos Estados Unidos, onde vivem 38 milhões de hispânicos, ou ir ao ar em um horário ridículo, o das 10h (da manhã mesmo).
As relações entre a Globo e sua parceira nos EUA, a rede hispânica Telemundo, da NBC, estão estremecidas. O acordo firmado em 2001 vence em abril de 2006 e pode não ser renovado. A Globo não está satisfeita com a Telemundo, que passou a exibir suas novelas de manhã, e não mais no horário nobre. A Telemundo, que já exibiu mais de uma novela da Globo ao mesmo tempo e logo depois da estréia no Brasil, reduziu a cota da parceira a apenas uma produção.
A Telemundo tem interesse em "América", por tratar de imigração nos EUA, mas a novela não está inclusa no atual contrato. E a Globo exige que seja exibida no horário nobre (entre 19h e 23h). A próxima produção da Globo a estrear nos EUA será "Senhora do Destino", em setembro, às 10h.
Diretor de comunicação da Telemundo, Alfredo Richard disse à Folha que a emissora decidiu exibir no horário nobre apenas co-produções próprias, gravadas em Miami, México, Colômbia e Argentina. "Nossa estratégia é ter conteúdo 100% original no horário nobre. Ademais, as novelas da Globo estão indo muito bem durante o dia", afirmou.
A Globo não se manifestou. Daniel Castro - Folha de São Paulo
 
Globo quer replay de gols no visor dos celulares
30/5/2005, 10h46
Preço por exibição deverá ficar em torno de R$ 2
A Rede Globo prepara-se para mostrar os gols do Campeo­nato Brasileiro de Futebol no visor de telefones celulares. A emissora negocia com as operadoras a possibilidade de que o vídeo seja transmitido logo após o lance. Nos testes realizados, os gols têm sido liberados três minutos após ocorrerem, depois são editados e enviados para as operadoras. As imagens, porém, chegam ao telefone móvel entre seis e nove minutos depois. A meta é reduzir para cinco minutos. O preço por exibição deverá ficar em torno de R$ 2. MMOnline
 

 
TV a Cabo
TVA chega a 295 mil assinantes no primeiro trimestre
30/05/2005, 19h44
A TVA anuncia ter chegado à marca de 295 mil assinantes de cabo e MMDS no primeiro trimestre, cerca de 10 mil a mais em relação ao mesmo trimestre de 2004. Já o serviço Ajato chegou a 33 mil clientes, contra 22 mil em março de 2004 clientes no mesmo período de 2004. O crescimento na cidade de São Paulo, segundo a TVA, foi de 7% no ano em serviços de TV por assinatura.
O Ebitda da operadora entre janeiro e março de 2005 foi de R$ 21 milhões, com margem de 31% sobre a receita líquida, que foi de R$ 69 milhões no período (contra R$ 61 milhões no ano passado). A TVA vendeu 16 mil novos clientes de TV paga no primeiro trimestre deste ano (9% a mais do que em 2004) e 4,7 mil novos clientes de banda larga.
Da Redação - PAY-TV News
 
Divisão de mídia da Vivax aposta em cobertura regional
30/05/2005, 19h52
A operadora Vivax criou a divisão Vivax Mídia para impulsionar a venda de publicidade em suas principais operação. O foco atual é a região do ABC paulista, onde a empresa tem 100 mil assinantes somando as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá, todas na Grande São Paulo. A Vivax Mídia atua visitando empresas locais e divulgando o conteúdo dos canais. A prioridade na região deve-se ao fato de não haver, em televisão, opção de cobertura local, já que os sinais de TV aberta são gerados na capital. Da Redação - PAY-TV News
 

 
Política de Rádio e TV
Câmara aprova nove concessões de radiodifusão
30/5/2005, 15h20
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na semana passada nove projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados. As propostas, de autoria da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, serão agora analisadas pelo Senado Federal.
As concessões são as seguintes:
CEARÁ
Fundação Jean Cavalcante - Potiretama
ESPÍRITO SANTO
Associação Educacional e Cultural de São Gabriel da Palha - São Gabriel da Palha
GOIÁS
Associação Cultural e Educativa de Goiatuba - Goiatuba
MINAS GERAIS
Associação de Radiodifusão de Inconfidentes - Inconfidentes
Associação Comunitária da Cidade de Matutina - Matutina
Sistema Santamariense de Comunicações Ltda. - Pedra Azul
PARAÍBA
Rádio Liberdade FM de Santa Rita Ltda. - Santa Rita
PERNAMBUCO
Associação e Movimento Comunitário Aliança - Arco Verde
SÃO PAULO
Fundação Assistencial Educacional e Cultural Áudio - Sumaré
Agência Câmara de Notícias
 
Projeto obriga TV e rádio a veicularem cultura indígena
30/5/2005 16h30
Emissoras e retransmissoras de rádio e televisão cuja área de cobertura atinja terras indígenas poderão ser obrigadas a veicular programas de valorização do índio, caso seja aprovado o Projeto de Lei 5043/05. De autoria do deputado Badu Picanço (PL-AP), a proposta determina que os programas comecem a ser transmitidos a partir de janeiro de 2006, entre 6 e 22 horas, ocupando, no mínimo, 2% do tempo diário de operação das rádios e televisões.
Entre 2007 e 2009, esse percentual será elevado para 3% da programação total do dia, passando a 4% a partir de 2010.
O projeto estabelece que a programação obrigatória deverá enfocar o folclore, as tradições e a situação econômica e social do índio. Além de supervisionar o conteúdo dos programas, o Poder Executivo será responsável pela produção de um jornal diário, com no mínimo dez minutos de duração, destinado à divulgação de notícias relativas à população indígena em estações de radiodifusão obrigadas a cumprir a nova lei.
Imagem do índio
Badu Picanço observa que grande parte da população indígena brasileira já está integrada à sociedade e é espectadora dos meios de comunicação de massa. Apesar disso, as televisões retratam o índio, na avaliação do deputado, como incapaz de interagir com a sociedade e o Estado. "Tais imagens, além de inverídicas, são humilhantes e incompatíveis com a complexidade intelectual, a forte carga de tradições e a noção de dignidade pessoal que o índio carrega", considera.
Para o deputado, é preciso assegurar tratamento digno e reconhecimento social compatível com a importância histórica do índio na formação do Brasil. "Nada mais justo que as emissoras e retransmissoras cuja área de cobertura atinja reservas indígenas passem a veicular programas de interesse da comunidade, conforme é da natureza desses serviços públicos", afirmou.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, está na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Depois, será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Joseana Paganine - Agência Câmara de Notícias
 

 
Audiovisual
Filmes nacionais serão 10% do mercado em 2005, diz Gil
30/05/2005, 20h33
A participação dos filmes nacionais na bilheteria dos cinemas brasileiros deve cair de 14,5%, registrados em 2004, para 10% este ano, afirmou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante a solenidade de posse dos novos diretores da Ancine. "O ciclo de crescimento do cinema nacional mostra traços nítidos de fadiga. Entendo que 2005 é o ano de cair na real e preparar mudanças", disse Gil em seu discurso.
O ministro atribui a queda a diversos fatores, entre eles a ausência conjuntural de blockbusters. "É preciso um choque de capitalismo no cinema brasileiro", repetindo o discurso que vem fazendo desde o início do governo. "Filmes precisam ser pensados como produtos e, portanto, gerar retorno aos seus investidores. O investimento público deve ser um estímulo, mas não a única fonte de receita", propôs Gil. Ele lembrou que não é por falta de recursos públicos que a bilheteria está diminuindo: o investimento do governo no setor cinematográfico tem crescido ano após ano.
Para superar o problema, o ministro sugeriu a expansão do parque exibidor, a redução do preço dos ingressos, maior parceria com a TV, mais investimentos privados e novos instrumentos de fomento público além da simples renúncia fiscal.
Ancinav
Gil explicou que a maior dificuldade neste momento no trabalho de remodelação do projeto da Ancinav é a negociação com o Ministério da Fazenda para a criação de um fundo para o setor. "A parte sobre o poder fiscalizador da agência já está bem equacionada", disse o ministro, sem fornecer maiores detalhes. A respeito da Lei Geral de Comunicação, Gil não tem idéia de quando a primeira minuta ficará pronta. Da Redação - TELA VIVA News
 
Ancine renova sua diretoria
31/5/2005
Especialistas em gestão pública, Manoel Rangel e Nilson Rodrigues prometem alternativas para viabilizar o cinema nacional
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) ganhou ontem reforço de dois nomes de prestígio junto ao governo federal para compor sua diretoria. Manoel Rangel Neto, ex-assessor especial do Ministério da Cultura, e Nilson Rodrigues da Fonseca, filiado ao PT e ex-diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal, tomaram posse ontem em cerimônia na Firjan, no Centro, com a missão de ajudar a agência reguladora a melhorar o desempenho do cinema nacional, que fechou 2004 com participação na bilheteria um terço menor que em 2003 (leia ao lado).
Nilson Rodrigues está otimista:
- Recuperamos o gosto pelo cinema nacional e não podemos deixar esse momento passar. O brasileiro quer se ver na tela. É possível fazer um cinema mais competitivo sem sucumbir à estética hollywoodiana.
Nilson apontou para a necessidade de se rever os mecanismos de apoio à indústria do cinema e disse que a televisão é um parceiro estratégico para a difusão da produção, uma vez que, no Brasil, mais de 90% dos municípios não possuem salas de exibição.
- Estados e municípios têm que entrar nessa rede de fomento, ao lado da União, para, por exemplo, oferecerem incentivos que ajudem a ampliar o parque exibidor - pondera Nilson.
Manoel Rangel defendeu que a renúncia fiscal não é a única alternativa de financiamento para a produção audiovisual:
- A questão está na estrutura atual, que não estimula a busca de resultados efetivos. O filme brasileiro precisa ser competitivo.
O discurso de Manoel estava afinado com o do ministro Gilberto Gil, que convocou os novos diretores ''para uma cruzada'' e reiterou que o que falta ao cinema nacional não é dinheiro público:
- A empresa privada precisa acreditar no cinema. Há várias alternativas à renúncia fiscal, como o Fundo Nacional para o Desenvolvimento do Cinema e do Audiovisual (Funcinav) e a abertura de novas linhas de crédito, via BNDES, para toda a cadeia de produção cinematográfica.
O ministro também citou como solução o fortalecimento de uma rede alternativa de distribuidores e, aproveitando a presença de produtores e cineastas na solenidade, como os diretores Andrucha Waddington e Paulo Thiago, convocou a classe a pensar o filme brasileiro como um produto que satisfaça o público e dê retorno aos investidores.
Manoel Rangel e Nilson Rodrigues passam a compor o colegiado da Ancine ao lado de João da Silveira e de Gustavo Dahl, que preside a agência. Sobre a transformação da Ancine em Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), Dahl afirmou apenas que a agência reguladora está aberta a evoluções:
- A Ancine tem crescido no governo Lula e se empenha para dar conta do cinema brasileiro.
O projeto de lei que cria a Ancinav está em fase de avaliação no Conselho Superior de Cinema e, entre outros pontos, defende o incentivo fiscal para emissoras de rádio e TV que anunciarem filmes nacionais em sua programação. Monique Cardoso - Jornal do Brasil
 
Filme nacional perde espaço
31/5/2005
O público que freqüenta cinema não pára de crescer. Mas os filmes nacionais perderam para os estrangeiros, no ano passado, uma gorda parcela da fatia de mercado conquistada no ano anterior. Relatório divulgado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) mostra que o número de ingressos vendidos para filmes nacionais caiu de 22 milhões, em 2003, para 16,5 milhões, ano passado, uma redução de 25%. Os filmes estrangeiros, no mesmo período, aumentaram sua fatia de público de 80,9 milhões para 98,3 milhões de ingressos (21,5% a mais).
Segundo o relatório, quase 115 milhões de ingressos foram vendidos ano passado, um aumento de 11,4% em relação ao ano anterior. Em 2003, o número de pagantes já tinha subido 13% em relação a 2002, pulando de 90,8 milhões para 102 milhões.
O que se viu em 2003 foi uma explosão da participação do cinema nacional nas bilheterias, subindo de 7,2 milhões para 22 milhões de ingressos (202% a mais). O cinema estrangeiro perdeu 3% de pagantes em 2003, caindo de 83 milhões para 80,9 milhões de ingressos. Nesse período a taxa de participação (share) de filmes brasileiros no mercado de salas de exibição subiu de 8% para 20%. No ano passado, a fatia caiu para 14,4%.
Em 2003, Carandiru, de Hector Babenco, levou 4,69 milhões de pessoas ao cinema. No ano passado o campeão foi Cazuza - O tempo não pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, mas com uma bilheteria inferior, de 3 milhões de ingressos e renda de R$ 21 milhões. Cazuza também ficou atrás do segundo lugar do ranking de 2003, Lisbela e o prisioneiro, de Guel Arraes, com 3,1 milhões de espectadores.
No ano passado, Olga, de Jayme Monjardim, ficou com o segundo lugar, atingindo também a marca dos 3 milhões de ingressos, com faturamento de R$ 20 milhões. Sexo, amor e traição, de Jorge Fernando, abocanhou no ano passado o terceiro lugar em bilheteria, com 2,2 milhões de ingressos e R$ 15 milhões de renda.
O relatório da Ancine traz números positivos de fomento à distribuição e comercialização de obras cinematográficas e videofonográficas no país e no exterior que envolvem negociação de acordos internacionais para o incremento da distribuição. O número de projetos apoiados ficou em 102. A emissão de certificado de produto brasileiro atingiu 810 títulos no ano. Foram liberadas 266 autorizações para filmagens estrangeiras no Brasil, entre elas 148 obras publicitárias, 105 documentários e seis longas.
Na captação pela Lei do Audiovisual, O casamento de Romeu e Julieta aparece em primeiro lugar, com R$ 1,8 milhão, e Casa de areia em segundo, com R$ 1,6 milhão. Pela Lei Rouanet, Miguilim levou R$ 1,1 milhão e Casa de areia, mais R$ 1 milhão. Hugo Marques - Jornal do Brasil
 
Ingresso nacional custa até R$ 1,7 mil
31/5/2005
Relatório da Ancine mostra relação de custos e arrecadação de 207 longas produzidos no País entre 1995 e 2004
Relatório da Agência Nacional do Cinema (Ancine), divulgado na semana passada, mostra os valores captados pelos filmes de longa-metragem brasileiros entre 1995 e 2000, constituindo-se num dos mais amplos estudos sobre o mercado brasileiro até agora. O estudo informa os valores captados nesse período por 207 filmes de ficção e animação, além do público e da renda obtidos.
Pelo estudo, é possível concluir que, sim, o cinema brasileiro já tem uma indústria cinematográfica, mas ela está restrita ainda a apenas uma dúzia de empresas - como a Diler & Associados, do Rio, que produziu 12 longas no período e faturou cerca de R$ 87 milhões - metade do que fatura, por exemplo, uma grande livraria, como a Siciliano, ou uma rede média de fast-food no Brasil. Entre os filmes produzidos pela Diler estão quatro das sete maiores bilheterias do cinema nacional, Xuxa e os Duendes (2,6 milhões de espectadores), Pop Star (2,4 milhões), Xuxa e os Duendes 2 - No Caminho das Fadas (2,3 espectadores) e Xuxa Requebra (2,1 milhões), além do sucesso recente de Maria, Mãe do Filho de Deus, com o padre Marcelo Rossi (2,3 milhões).
O faturamento e a quantidade de filmes de produtoras como Filmes do Equador, Sky Light Cinema, Conspiração Filmes, Videofilmes, HB Filmes (de Hector Babenco, do sucesso Carandiru), Rio Vermelho Filmes e Morena Filmes mostram que há um setor consolidado no meio cinematográfico. Juntas, as 10 maiores faturaram R$ 235 milhões nas bilheterias nacionais.
Na outra ponta dessa indústria, estão empresas cujo desempenho - num mercado de fato - as credenciaria imediatamente a fecharem as portas. É o caso, por exemplo, da Nova Era Produções de Arte, que realizou o filme Lara, de Ana Maria Magalhães. Cada ingresso de Lara custou cerca de R$ 1,7 mil, computados os valores captados pelo filme por meio das leis de incentivo (R$ 3,9 milhões), a bilheteria que arrecadou (2 mil pessoas viram o filme) e a renda obtida (R$ 14 mil).
Há dezenas de outros exemplos de produtoras cujo desempenho foi pífio nas bilheterias, mas não na hora de montar o orçamento. Dos produtores, 73 captaram mais de R$ 1 milhão em recursos incentivados, mas, destes, 40 não conseguiram romper a barreira dos 100 mil espectadores.
O relatório informa que a Globo Filmes produziu no período três filmes, sem recorrer à captação de recursos, e obteve uma renda, na bilheteria, de R$ 16 milhões, com 3,3 milhões de espectadores.
Há casos de empresas extremamente bem-sucedidas no período. Um deles é a Natasha Enterprises, da mulher de Caetano Veloso, Paulo Lavigne. Com um único filme, Lisbela e O Prisioneiro, de 2002, fez 3 milhões de espectadores e uma bilheteria de R$ 20 milhões. A Missão Impossível Cinco, que produziu Os Normais, captou R$ 1,5 milhão e fez quase 3 milhões de espectadores, faturando cerca de R$ 20 milhões.
O subsídio da produção é o preço pago pelos Estados nacionais para não serem marginalizados da possibilidade de terem um cinema seu", escreveu o diretor-presidente da Ancine, Gustavo Dahl.
Segundo Dahl, "o primeiro conteúdo de um filme é seu orçamento" e, portanto, não há como não levá-lo em consideração na análise do mercado cinematográfico. "A produção cinematográfica, todos sabem, é investimento de alto, altíssimo risco. Mas é ela que movimenta os demais elos da cadeia econômica. Milhões e milhões de reais podem virar pó e isso é do jogo, aqui e no mundo todo. Por isso mesmo é que a indústria cinematográfica transnacional se estrutura em torno da diminuição do risco. Não há como deixar de levar isso em conta, se existe a idéia extremamente saudável, de concorrer, de competir com ela. E não apenas ficar bradando contra sua hegemonia", afirmou. Jotabê Medeiros - O Estado de São Paulo
 
Gil pede pacto entre Estado e setor de cinema
31/5/2005
A promessa de continuidade dos trabalhos marcou os discursos de posse dos novos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Nilson Rodrigues e Manoel Rangel, ontem de manhã, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Eles substituirão Lia Gomensoro e Alberto Sevá.
Também presente na cerimônia, ao lado do diretor João Silveira, e do diretor-presidente, Gustavo Dahl, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, chamou a atenção para o fato de que a queda da participação do filme nacional no mercado de cinema do país deve ser contida.
- Depois do fenômeno de 21% de 2003, voltamos ao patamar de 10%, de 2000 e 2001, que é o possível, mas não o desejável - disse Gil. - É preciso mudar a mentalidade para que Estado e setor façam um pacto antes que a estagnação se instale.
Rangel disse que tomará as palavras do ministro Gilberto Gil como diretrizes.
- O objetivo continua a ser a construção da auto-sustentabilidade do setor, através de iniciativas na produção, distribuição e exibição de filmes.
Brasiliense, Rangel é cineasta, formado pela Universidade de São Paulo, e desde 2004 era assessor especial do Ministério da Cultura. Mineiro, Rodrigues é produtor cultural e trabalhou como Diretor da Fundação Cultural do Distrito Federal entre 1995 e 1998. O mandato dos dois, como membros da Diretoria Colegiada da Ancine, termina em 2009. Eduardo Simões - O Globo
 
Gil diz que cinema brasileiro precisa de "choque de capitalismo"
31/5/2005
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem no Rio que o cinema brasileiro precisa de um "choque de capitalismo" para recuperar a parcela de mercado que vem perdendo desde 2003. Na solenidade de posse dos novos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Nilson Rodrigues e Manoel Rangel, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o ministro defendeu que o cinema nacional procure cobrir seus custos com a renda das bilheterias e não com o investimento público, como acontece desde a retomada da produção, há dez anos.
"Este (o investimento público) deve ser um estímulo e não a única fonte de recursos e deve chegar equilibradamente ao conjunto da atividade, nas formas de incentivo fiscal, como agora, e também de crédito barato, fundos públicos e prêmio de performance", observou Gil em seu discurso. O ministro, que esteve fora do Brasil até domingo, lembrou ainda que a bilheteria dos filmes nacionais deve servir também para o financiamento das próximas produções. "é fundamental que a gente possa dar um choque de capitalismo no cinema nacional", defendeu.
O ministro observou que a queda da participação do cinema nacional, no total de bilhetes vendidos no País de 21%, em 2003, para cerca de 14,5%, no ano passado, é fruto de problemas estruturais do setor e apontou deficiências nos processos de produção, divulgação e distribuição. Para o ministro, além da formulação de uma política de incentivo mais eficiente, a expansão do número de salas de cinema poderia aumentar o número de expectadores dos filmes brasileiros.
Atualmente, menos de 10% das cidades do País têm cinemas. Entre as outras necessidades citadas pelo ministro estão o fortalecimento dos distribuidores, o estímulo a parcerias com a televisão, o fomento à exportação de produções e a busca de oportunidades comerciais para os filmes brasileiros nos países da América do Sul, o aumento de parcerias com a iniciativa privada e novas formas de incentivo estatal. Tribuna da Imprensa
 
Para ministro Gil, cinema brasileiro precisa de ''choque de capitalismo''
30/5/2005, 14h13
Teresina - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, diz que é preciso dar um "choque de capitalismo" no cinema brasileiro para tirar o setor da atual crise. Ele criticou o atual modelo de produção e distribuição dos filmes nacionais. O ministro participou da solenidade de posse dos dois novos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Manoel Rangel Neto e Nilson Rodrigues foram nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e terão um mandato de quatro na Diretoria Colegiada da agência.
De acordo com Gil, o desempenho dos filmes nacionais vem caindo no mercado de exibição nos últimos 18 meses e isso se torna ainda mais evidente quando se compara a situação atual com o resultado obtido há dois anos. Em 2003, considerado o auge de um ciclo de sucesso, os filmes brasileiros haviam conquistado 21% do mercado. No ano passado, essa participação caiu para 14,5%, e em 2005 a previsão é de que fique em 10%. Para o ministro da cultura, a queda na bilheteria não é problema de falta de recursos públicos. Em 2004, segundo Gil, o governo federal liberou aproximadamente R$160 milhões para o setor; em 2003, haviam sido R$ 140 milhões. Ele disse ainda que no primeiro ano do atual governo, os 29 filmes nacionais lançados no circuito interno foram vistos por aproximadamente 22 milhões de espectadores, o que gerou uma receita de US$ 50 milhões. Para o Ministro, crise no setor é motivada por problemas estruturais e pela falta de uma polícia eficiente de produção, divulgação e distribuição do cinema nacional: "A cadeia produtiva deve se remunerar na bilheteria, não com o investimento público", afirmou. "Este, por sua vez, deve ser um estímulo, não a única fonte de recursos; e deve chegar equilibradamente ao conjunto da atividade, nas formas de incentivo fiscal, como agora, e também de crédito barato, fundos públicos e prêmio de performance."
Gil defendeu também a expansão do parque exibidor - atualmente 93% das cidades brasileiras não têm salas de cinema -, a redução nos preços dos ingressos, o fortalecimento dos distribuidores, melhoria na relação com a televisão, ampliação do programa de exportação de filmes, integração com os outros mercados da América do Sul, criação de novos instrumentos de fomento público e a busca de novas parcerias na iniciativa privada. Daisy Nascimento - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Novos diretores da Ancine tomam posse
30/05/2005, 20h32
Tomaram posse nesta segunda-feira, 30, durante cerimônia no Rio de Janeiro, os dois novos diretores da Ancine: Nilson Rodrigues e Manoel Rangel.
Em seu discurso, Rodrigues sugeriu a criação de um novo plano de desenvolvimento do cinema brasileiro, que conte com a participação não somente do governo federal, mas também de municípios e estados da federação. Na opinião do novo diretor da Ancine, as prefeituras poderiam abrir mão de parte do IPTU ou do ISS para incentivar a instalação de salas de cinema, enquanto os governos estaduais poderiam reduzir os impostos sobre importação de equipamentos. "Temos que fortalecer as distribuidoras nacionais. Estamos investindo muito em produção e pouco em distribuição e exibição", comentou Rodrigues à imprensa, ao fim da solenidade.
Rangel, por sua vez, afirmou em seu discurso que o papel da Ancine é garantir a autosustentabilidade do cinema brasileiro e a isonomia competitiva para as produções nacionais. O ministro Gilberto Gil e o presidente da Ancine, Gustavo Dahl, também participaram da cerimônia. Da Redação - TELA VIVA News
 
"Cinema latino atrai a Europa", diz executivo de TV
31/5/2005
François Sauvagnargues, diretor do canal francês Arte, que debaterá em SP, analisa o mercado regional
Embora "as telenovelas sejam o arquétipo da produção audiovisual que a América Latina vende para o resto do mundo", é o cinema desta região que atualmente atrai os olhares da Europa.
Quem expõe a mudança de foco é o francês François Sauvagnargues, diretor do canal de TV franco-alemão Arte. Amanhã, Sauvagnargues debaterá em SP o tópico "TV Globalizada: Explorando os Mercados Internacionais", no 6º Fórum Brasil de Programação e Produção, que começa hoje.
"Na Europa, a percepção que se tem é que as coisas interessantes, os jovens diretores inovadores, estão sobretudo na América Latina. Há uma tendência de cinema latino-americano, como já houve há alguns anos do iraniano ou chinês", disse à Folha, de Paris.
Sauvagnargues diz que a telenovela brasileira "talvez por uma resistência cultural, até hoje não funcionou bem nem na França nem na Alemanha, diferentemente do que ocorre em países como Espanha, Itália e Portugal".
Por se tratar de uma produção "extremamente formatada", o diretor avalia que "a novela é um gênero que não permite aos talentos se exprimirem plenamente". é a partir desse ponto que ele dirige uma crítica ao papel da TV Globo no cenário audiovisual brasileiro.
"Creio que, para os atores locais, a Globo é um mercado de trabalho importante. Mas, pelo que ouvimos daqui, produtores têm dificuldade de financiar seus filmes no Brasil, onde o sistema é muito complicado e, diferentemente do que ocorre na França, a TV não investe no desenvolvimento do cinema. Na verdade, uma situação de monopólio é sempre problemática."
Sauvagnargues, no entanto, faz uma ressalva positiva à emissora: "O papel da Globo na imagem do Brasil e em sua presença no mercado internacional é indubitável. Ela permitiu ao Brasil se posicionar como um grande exportador de imagens. Apesar de todas as novelas, temos vontade de conhecer o Brasil, porque ela exporta uma imagem do Brasil e da vida brasileira".
As opiniões de Jacques Gibout, diretor do mercado de produção audiovisual MIPCom, que ocorre em Cannes e cuja edição de outubro terá enfoque no Brasil, são semelhantes às de Sauvagnargues, com quem dividirá o painel de amanhã.
Gibout diz que "todo mundo na Europa sonha com o Brasil e sua mistura cultural de pessoas, música, cores e dança". Ele afirma que "o alto nível de qualidade da telenovela brasileira é reconhecido mundialmente", e diz que o formato vem sendo cada vez mais adotado por canais de TV de outros países.
Em outra coincidência com Sauvagnargues, o diretor do MIPCom ressalta o recente impulso da "produção local de filmes" como um fator que chama a atenção dos mercados internacionais.
6º Fórum Brasil de Programação e Produção
O quê: debates com especialistas nacionais e internacionais sobre o mercado de TV
Quando: hoje e amanhã
Onde: ITM Expo (av. Eng. Roberto Zuccolo, 555); informações: tel. 0/xx/11/ 3120-2351
Quanto: de R$ 500 a R$ 900
SILVANA ARANTES - Folha de São Paulo
 
Francês investe em produção de filmes no Brasil
31/5/2005
Uma adaptação da obra literária de Guimarães Rosa (1908-1967) dirigida pela cineasta Sandra Kogut ("Um Passaporte Húngaro") é o próximo investimento no cinema brasileiro previsto pelo canal franco-alemão Arte.
François Sauvagnargues, diretor do núcleo de ficção do canal, diz que o projeto está aprovado e que seus detalhes vêm sendo discutidos com o produtor e diretor brasileiro Flávio Tambellini (do filme "Bufo & Spallanzani").
Não é a primeira experiência da Arte na co-produção de um filme brasileiro. O canal assina, por exemplo, "O Primeiro Dia" (1999), de Daniela Thomas e Walter Salles, que Sauvagnargues considera "um pioneiro" na onda do cinema latino-americano, hoje alvo da atenção mundial.
Criado com a missão de divulgar produções "de caráter cultural e internacional em sentido amplo", o Arte funciona em lógica inversa à das emissoras comerciais, segundo seu diretor.
"Temos uma política de oferta. Não somos tributários da lógica da demanda, onde é necessário seguir de uma maneira quase cega e marqueteira as tendências do mercado, como fazem os canais comerciais", afirma.
Os acordos de co-produção e os convites a cineastas estrangeiros para se integrarem ao canal são freqüentes no modo de operação do Arte.
"Nosso objetivo é fazer os filmes mais audaciosos em todos os gêneros da criação e trazer os autores e diretores mais interessantes, não só da França e da Alemanha mas do mundo todo, para trabalhar conosco."
Debate
No debate de amanhã, em São Paulo, sobre os caminhos da TV mundial, Sauvagnargues provavelmente exporá opinião à contracorrente, quando o assunto for a revolução que se avista com a popularização das novas mídias.
"Sou um pouco daquela velha-guarda que não está certa de que o cinema é ameaçado pelo fato de as pessoas quererem ver filmes no espaço mínimo do celular ou equiparem suas casas com telas cada vez mais gigantes. Para mim, a verdadeira revolução é a internet."
Nem na internet, porém, Sauvagnargues enxerga o fim dos tempos para o cinema. "A transmissão de dados em alta velocidade e a garantia de qualidade da imagem abrem a possibilidade de se construir uma cinemateca mundial. Para os cinéfilos, essa é uma grande perspectiva." Silvana Arantes - Folha de São Paulo
 
Encontros políticos na telona
31/5/2005
Lúcia Murat abre a mostra com a autoridade de quem viveu e sofreu na ditadura
Um envolvente painel que intercala os anos dourados da década de 50, os de chumbo dos idos de 70 e a atual conjuntura política do Brasil invade a sala de projeções do Centro Cultural Banco do Brasil. De hoje a domingo, os brasilienses terão a chance de conferir a terceira edição do Encontro com o Cinema Brasileiro - Cinema e Política, com oito longas-metragens que colocam em foco as relações políticas do País.
- Vivemos um tempo em que o cinema político é visto com muita rejeição e cineasta político é sinônimo de chato. Hoje, o problema é que a política foi reduzida a uma disputa eleitoreira e marketeira e as pessoas não querem entender o conceito de política no seu sentido mais amplo, filosófico, de idéias - reclama a cineasta Lúcia Murat, que participa da sessão-debate hoje, após a exibição do filme Doces poderes, dirigido por ela em 96.
Lúcia Murat carrega ainda hoje as marcas da repressão nos idos dos anos 60 e 70. Logo após entrar na faculdade de economia, a cineasta passou a militar em grupos estudantis. Viveu na clandestinidade após o AI-5, em 1968, foi presa em 71 e torturada física, psicológica e sexualmente, saindo da prisão somente em 1974. Sofreu também a perda clínica nas pernas. Parte da história de sua perseguição e dos horrores vividos na época por outras mulheres está no longa Que bom te ver viva. Em cartaz na sexta-feira, às 21h, o filme mistura fantasias de uma personagem anônima, interpretada por Irene Ravache, com depoimentos de oito ex-presas políticas.
- Eu vivi a geração anos 60, vivi a ditadura, eu fui presa, e isso me marca. Não vou negar a minha vida nem as minhas provocações. A minha preocupação é política, no sentido mais amplo do termo - afirma.
A existência da tortura e da repressão militar foi mencionada pela primeira vez no cinema em Ele não usam black-tie (1981), de Leon Hirzman, que tinha como mote o movimento operário e suas lutas. Dois anos depois, Pra frente, Brasil, de Roberto Farias (exibido amanhã, às 19h), trouxe os temas para as rodas de amigos ao contar a história de um sujeito de classe média que é preso e torturado pelos militantes, enquanto a população segue no embalo do ''milagre econômico'' e da Copa de 1970.
Outros destaques da mostra são Peões, de Eduardo Coutinho, e Entreatos, de João Moreira Salles. As produções acompanham a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. A mostra também é uma boa oportunidade para ver- ou rever - clássicos como O bom burguês (1983), de Oswaldo Caldeira, com José Wilker, Betty Faria, Christiane Torloni e o saudoso Jardel Filho. O filme é baseado num episódio real sobre um funcionário do Banco do Brasil acusado de desfalcar milhões. O velho, a história de Luiz Carlos Prestes, de Toni Venturi (1997), e Os Herdeiros, de Cacá Diegues (1970) completam a programação.
Conforme Marco Altberg, idealizador e organizador do Encontro com o Cinema Brasileiro, os filmes foram selecionados de acordo com sua aproximação da política , a fim de que mostrasse um ''painel da história brasileira, desde os tempos do governo de Getúlio Vargas e até os dias de hoje, passando pelos negros anos da ditadura militar''.
- São títulos produzidos em diferentes períodos, entre filmes recentes e mais antigos, de cineastas que têm visões diferentes - conclui.
Serviço
Encontro com o Cinema Brasileiro - Cinema e Política. De hoje a domingo, no CCBB (SCES, Tr. 2). Preço: R$ 4 e R$ 2. Informações: 310-7087. Paula Porto - Jornal do Brasil
 
O2 Filmes terá braço dedicado ao conteúdo para Internet e celulares
30/05/2005, 18h37
As grandes produtoras do setor audiovisual começam a investir com força na produção de conteúdo para telefonia móvel. A O2 Filmes, uma das maiores produtoras de publicidade do Brasil e também responsável pela série de TV "Cidade dos Homens" e pelos longas-metragens "Cidade de Deus", "Viva Voz" e "Contra Todos", anunciou nesta segunda, 30, que terá uma produtora dedicada exclusivamente à propaganda na Internet e telefonia móvel. Trata-se da O2 Dois, uma segunda produtora criada há nove anos para se dedicar à pesquisa e renovação, que agora muda seu foco de atuação.
A O2 Dois será o núcleo de atendimento ao novo mercado e diz que terá uma parceria com a Rede Globo para a criação e produção de produtos. Segundo a produtora, o leque de trabalhos com a Globo vai desde a programação atual até idéias originais. Esse novo acordo, segundo a O2 Filmes, é um adendo ao contrato que a O2 Filmes tem com a Rede Globo, com quem realiza a série "Cidade dos Homens".
A produtora diz ainda que deverá buscar parcerias com universidades para descobrir novos talentos e que a decisão da mudança no foco de atuação se deu a partir de algumas consultas feitas por clientes, somada à percepção de que o mercado publicitário está passando por mudanças. Os diretores da O2 Dois passarão a atuar na O2 Filmes. Da Redação - TELA VIVA News
 
Novas tecnologias desafiam os estúdios de cinema
30/5/2005
DVDs, gravadores digitais de vídeo e internet estão mudando o modo como os americanos se divertem
Os grandes estúdios de cinema dos Estados Unidos começam a se preocupar com o impacto que as novas tecnologias terão sobre seus negócios. O avanço de alguns equipamentos, como os DVDs e os gravadores digitais de vídeo, bem como a expansão dos usuários de internet e dos aficcionados em videogames estão mudando o modo como os americanos se divertem e reduzindo o público nas salas de cinema.
Segundo a Motion Picture Association of America, que representa a indústria cinematográfica do país, o movimento nos cinemas cresceu 8,1% entre 2000 e 2004. O problema, de acordo com o jornal americano The New York Times, é que essa expansão de público concentrou-se em apenas dois dos cinco anos analisados e deveu-se, sobretudo, ao grande sucesso de dois filmes: O Homem Aranha e Star Wars Episódio II O Ataque dos Clones. Em 2003, por exemplo, o público nas salas de exibição caiu 4%; em 2004, houve nova queda de 2%; e os dados mais recentes de 2005 mostram um recuo de 8%.
Isto não significa que Hollywood esteja em franca decadência, segundo o The New York Times. No ano passado, os estúdios americanos faturaram 9,5 bilhões de dólares com bilheteria. Mas o recuo na audiência mostra uma mudança mais profunda de comportamento dos consumidores para a qual os executivos do setor ainda não encontraram uma resposta.
Em 2004, os americanos gastaram, em média, 78 horas assistindo a vídeos e DVDs, um incremento de 53% sobre 2000. As receitas com vendas e locação de DVDs subiram 676,5% no mesmo período. O tempo de navegação dos usuários na internet aumentou 76,6% e os jogadores de videogame, 20,3%. "É muito mais difícil atrair a audiência, hoje, porque as pessoas contam com diversas opções de entretenimento e costumam desfrutar de serviços e produtos sob medida para suas necessidades", afirma Paul Dergarabedian, presidente da Exhibitor Relations Company, uma empresa de fiscalização de bilheterias. Portal Exame
 
Universal Studios disponibiliza conteúdo visual online
30/5/2005, 16h53
Parceria com Getty Images oferece cenas de filmes do estúdio para locação
A Universal Studios firmou parceria com a provedora de conteúdo visual Getty Images e passa a disponibilizar seu conteúdo visual para locação exclusiva no site da empresa. A partir de agora, as áreas de comunicação têm acesso online imediato a imagens dos longa-metragens do estúdio. Os produtores podem adquirir cenas de fogo, explosões, acrobacias e toda uma série de efeitos especiais, natureza, temas militares e de negócios. A Universal é o primeiro grande estúdio cinematográfico a disponibilizar trechos de filmes de sua biblioteca para busca, através do portal. MMOnline
 

 
Cultura
Deputados votam projeto para criação de fundo para a cultura
31/5/2005
Entidades devem acompanhar sessão
A Assembléia Legislativa vota hoje o projeto de lei que permite a criação do Fundo Estadual de Arte e Cultura, cujo objetivo é "apoiar a pesquisa, criação e circulação de obras e atividades artísticas e/ou culturais".
Para tanto, o projeto prevê verba de cerca de R$ 115 milhões (8,7 milhões de Ufesps -Unidade Fiscal do Estado de São Paulo). A liberação do valor seria em três anos. De acordo com o projeto, o montante deve fazer parte do orçamento da Secretaria Estadual da Cultura, à qual o fundo seria vinculado.
"Quando entrei, a questão já estava colocada. Posso oferecer mediação política, é preciso sempre pensar na viabilização do projeto", afirma João Batista de Andrade, secretário estadual de Cultura.
Andrade lembra que, depois de aprovado pelos deputados, o projeto precisa ainda ser sancionado pelo governador para vigorar.
"Proponho uma política mais ampla, não só o fundo com recursos destinados a certas produções culturais. é preciso pensar mais na sociedade, no interesse que o governo tem na cultura como um todo, e não nas pessoas que estão querendo os recursos. Isso é uma inversão", diz o secretário.
Segundo ele, o montante para a criação do fundo não existe hoje no orçamento da secretaria.
"O governo vai ter até 2010 para adaptar a lei ao orçamento. Não é a partir do ano que vem que o Estado vai desembolsar todo o dinheiro. No próximo ano, serão apenas R$ 12 milhões, caso o projeto entre em vigor", defende Nei Piacentini, diretor da Cooperativa Paulista de Teatro.
A cooperativa e outras 24 entidades artísticas estão mobilizadas para a criação do fundo, através da Comissão Pró-Fundo Estadual de Arte e Cultura.
A mobilização deve resultar numa manifestação dos artistas durante a votação hoje, às 19h. São esperadas 2.000 pessoas.
De acordo com o texto da lei, o dinheiro deve financiar ações em nove áreas da cultura. Por exemplo: circo receberia 6%; música, 11%, e audiovisual, 20%, o maior percentual.
Segundo Piacentini, o projeto vem sendo debatido há três anos e foi colocado no papel pela equipe que desenvolveu o texto da Lei Municipal de Fomento ao Teatro.
"Tenho as melhores expectativas em relação ao João Batista de Andrade. Ele tem discernimento estético e político incontestável."
"A nossa proposta é essa, o governo não pode deixar de dizer a que veio. O fundo seria um financiamento direto. O governo não pode ignorar o seu direito de intervir na cultura", diz Piacentini. Folha de São Paulo
 
Gil diz que fumou maconha até 50 anos
31/5/2005
Em sabatina, ministro da Cultura defende legalização da droga no Brasil
Entre os tantos temas abordados em mais de duas horas de sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, causou frisson na platéia ao se posicionar positivamente, e de maneira enfática, à descriminalização da maconha. O assunto veio à tona quando chegou à mesa de entrevista uma pergunta escrita, vinda da platéia. "Eu vou mudar um pouco esta pergunta, ministro, porque me parece um tanto agressiva", enunciou o mediador, Marcos Augusto Gonçalves. "Não mude, não. Faça agressiva mesmo", rebateu Gil, bem-humorado e desafiador. "O senhor ainda fuma maconha?", leu, então, o jornalista. "Não, parei quando fiz 50 anos", respondeu o ministro, que tem 62 anos.
Gil observou que "todo mundo sabe" do seu posicionamento sobre o assunto. Durante seus mais de 40 anos de carreira, ele nunca se furtou a discutir o assunto. "Todo mundo sabe minha posição. Sou a favor da transformação de um problema policial em um problema de saúde", ponderou o ministro. Gil foi preso em 1976 por porte de maconha. Na ocasião, disse ao juiz que a maconha não lhe fazia mal, nem o levava a fazer o mal. Agora, garante que parou, mas continua com o pensamento contundente de que a proibição das drogas leva a males sociais da mais alta gravidade. "Por que ser proibido? Para que tráfico, traficante e toda essa cadeia extraordinária que é gerada pela proibição?", questionou o ministro. "(Com a legalização) o governo poderia fazer políticas de desestímulo ao uso, como é feito com o fumo", sugeriu. "Claro que é difícil, mas ainda assim deve ser recompensador. É um progresso socialmente interessante."
Em meio aos aplausos entusiasmados da platéia, composta de maioria jovem e que contava com a presença do dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa, alguém gritou: "O senhor acha que eles (os usuários) deveriam organizar a 'parada dos drogados'?", em referência à Parada Gay, do último domingo. "Olha, não sei se eles conseguiriam...", brincou o ministro.
Gil foi amplamente cobrado como ministro e integrante do governo Lula. A mudança de planos na criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), o corte brutal no orçamento do Ministério da Cultura, a pirataria de CDs, os boatos de que deixaria o cargo e até mesmo o desmatamento e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entraram no debate. Mas ele também recebeu defesa de se tomar nota. Zé Celso, ao fim da sabatina, se levantou e com seu característico ar de espetáculo conclamou: "Podemos aproveitar o momento para manifestar nosso apoio a este homem que é o próprio movimento cultural."
BLOQUEIO
Por mais de uma vez, Gil teve a oportunidade de criticar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a quem cabe decidir o descontingenciamento dos recursos do MinC, mas, polido, não o fez. A pasta enfrenta graves problemas com a contenção de recursos. Dos R$ 480 milhões previstos neste ano para o Ministério da Cultura, mais da metade está bloqueado.
A situação deu margem a boatos, nas últimas semanas, de que Gil poderia deixar o ministério. Ontem, ele voltou a garantir que fica e defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diversas vezes. "Pretendo continuar colaborando com o presidente Lula à medida que as dificuldades não forem incontornáveis", disse. ""É preciso deixar claro que essa situação não é novidadeiramente do governo Lula. Nos últimos anos, chegamos a 0,6% do orçamento (da União), que é mais do que havia no governo anterior."
O ministro ressaltou que não lhe interessa "politizar a questão" e que seu trabalho é "convencer os menos convencidos" da importância estratégica da Cultura para o País. Por "menos convencidos" pode-se tomar os membros da equipe econômica.
Questionado se aceitaria ser ministro da Cultura se o convite lhe fosse feito hoje, Gil respondeu: "Sua pergunta leva à conclusão de que eu estou arrependido. Não estou, não". Com a mesma ênfase, disse que não se sente decepcionado com a agenda de governo do PT. "Eu sei que não é fácil conciliar um ideário reformista e revolucionário com o status quo. O deslocamento é muito difícil", ponderou, para citar o amigo Chico Buarque: "Como disse o Chico, ainda que o Lula não tenha atendido a todas as minhas expectativas, eu voto nele de novo."
Ao fim, sabatina já tropicalizada, a pedido da platéia ele pegou o violão. Cantou De Manhã, de Caetano Veloso. Patrícia Villalba - O Estado de São Paulo
 
Câmaras Setoriais começam a funcionar
31/5/2005
Câmaras setoriais não são novidade. Desde a implantação da primeira delas, na década de 90, elas se mostraram eficazes para alavancar cadeias produtivas. Na área cultural foi desencadeado, ano passado, o processo de formação das diversas Câmaras Setoriais de Cultura. São órgãos consultivos vinculados ao recém-criado Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) e comemoraram ontem novo avanço com a instalação das Câmaras de Música e de Teatro, no Palácio da Cultura Gustavo Capanema (RJ).
"Pela primeira vez, além de tratar a cultura como produto simbólico, o governo valoriza seu papel no fortalecimento da cidadania e da economia, três dimensões incontestáveis da cultura. A área tem enorme capacidade de emprego. Acreditamos que seja responsável por mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB)", avalia Juca Ferreira, secretário executivo do Ministério da Cultura.
De todos os setores, a música e audiovisual são os mais complexos, por apresentarem, em sua estrutura de produção e distribuição, interfaces com vários setores da economia. "A cadeia produtiva da música, desorganizada, emprega mais que o setor automobilístico. É preciso organizá-la e desfazer entraves ao seu crescimento", pondera o maestro e produtor cultural Rênio Quintas, um dos coordenadores do Fórum Permanente de Música de Brasília - suporte da Câmara Setorial.
Para alavancar o setor, Rênio considera necessária maior transparência nos critérios de arrecadação e distribuição do Ecad, a democratização da Ordem dos Músicos, a dinamização do mercado interno, com a proibição do pagamento para execução de músicas nas rádios comerciais (o conhecido jabá), previdência social para músicos. "A gente pleiteia assento na Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) para produtos culturais - parceria entre os ministérios da Cultura e Indústria e Comércio. Vamos colocar nossos produtos no mercado externo sem intermediários", completa Rênio. Os interessados em fortalecer as discussões podem acessar o site www.mobilizacaomusical.com.br ou comparecer às reuniões da classe, todas as segundas-feiras, às 19h, na Sala Cássia Eller da Funarte.
As Câmaras Setoriais de Cultura terão a atribuição de fornecer subsídios às diretrizes, estratégias e políticas públicas para o setor. "Uma das funções será se posicionar sobre projetos que tramitam no Congresso em sintonia com a cultura", ressalta Juca Ferreira.
Entre eles está o Projeto de Lei 1048/03, do deputado Fernando Ferro (PT-PE). Aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara, proíbe emissoras de rádio e televisão de receber dinheiro ou outra vantagem para privilegiar a execução de uma música, prática conhecida no mercado como jabaculê ou jabá. A proposta, que acrescenta dispositivo ao Código Brasileiro de Telecomunicações, prevê pena de detenção para proprietário, gerente ou funcionário de emissora que a descumprir. A emissora estará sujeita a multa, suspensão ou cassação da concessão.
Na seqüência, serão instaladas Câmaras Setoriais de Dança, Artes Visuais e do Livro e Leitura. Com exceção desta última, que será coordenada pela Biblioteca Nacional, as demais serão responsabilidade da Funarte. Naiobe Quelem - Correio Braziliense
 
Decreto para regulamentação da lei Rouanet vai para a Casa Civil na próxima semana
30/5/2005, 21h18
São Paulo - O decreto para regulamentação da Lei Rouanet (lei Federal de Incentivo à Cultura nº 8.313/91) deverá ser enviado na próxima semana à Casa Civil. O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante entrevista em São Paulo.
Segundo Gil, a partir do decreto, a nova regulamentação pode resgatar o papel do ministério na formulação de projetos, pois ampliará a possibilidade de patrocínio a projetos do governo por meio de editais, complementando a lei atual, em que os artistas e a iniciativa privada propõem os projetos para aprovação, sem que sua finalidade pública seja comprovada.
Em seqüência, outro passo do ministério é o de assegurar os critérios de avaliação por meio da criação de um Plano Anual de Cultura e de um Sistema Federal de Cultura.
Sobre a criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), Gil disse que o governo continua com a intenção de implementá-lo como um órgão fiscalizador e fomentador, baseado na Ancine, e voltado apenas ao cinema.
O ministro falou ainda que não está desapontado com o governo e ressaltou que "o Brasil está somando uma série de requisitos para se qualificar internacionalmente".
Sobre o programa de Pontos de Cultura, Gil prevê que "as iniciativas já existentes na área cultural, por parte das comunidades ou centro culturais, devem ser consideradas, e os recursos repassados para elas". O ministro espera que até o fim do ano o número de pontos ultrapasse 400. Atualmente, 80 unidades já estão em funcionamento e outras 40 foram propostas. Segundo ele, 20 pontos estão previstos para o exterior. O objetivo dos Pontos de Cultura é dar apoio à comunidade em risco social, além de possibilitar uma estrutura multimídia, bolsas, capacitação para o mercado de trabalho e acesso aos canais públicos de televisão.
O ministro da Cultura disse que, mesmo não concordando com o contingenciamento de mais de 50% das verbas para a área cultural, ele não pensa em deixar de colaborar com o governo, pois é característica sua "a capacidade de superar dificuldades". Ressaltou ser o trabalho dele o de convencer outros ministros e governantes sobre a importância de mais investimentos para as questões culturais. Melina Fernandes - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Câmaras setoriais do Ministério da Cultura começam a funcionar
30/5/2005, 19h52
Rio - O Ministério da Cultura já instalou duas das sete câmaras setoriais criadas para analisar o mercado artístico brasileiro e ajudar o governo na formulação de políticas no campo das artes e das manifestações culturais. A primeira foi a Câmara de Dança, que iniciou seus trabalhos no último dia 28. Já a Câmara de Música terá sua primeira reunião amanhã (31).
Mais cinco câmaras deverão ser instaladas nos próximos meses: a primeira é a de teatro, que tem início previsto para o meio de junho. As outras são as de circo, artes visuais, livro e culturas populares. Todas são formadas por representantes do governo e da sociedade civil, além de profissionais do ramo.
A Fundação Nacional de Arte (Funarte) ficará responsável pelas câmaras de dança, música, teatro, circo e artes visuais. O grupo de trabalho do livro ficará sob o comando da Biblioteca Nacional e o das culturas populares, sob responsabilidade da Secretaria Nacional da Identidade e Diversidade Cultural.
Segundo o coordenador das cinco câmaras da Funarte, Vitor Ortiz, a Câmara de Dança, em suas primeiras reuniões, já discutiu os principais problemas que atingem o setor, como a falta de investimentos para a pesquisa e para a difusão da dança, em todo o Brasil.
Já a Câmara de Música deve discutir principalmente a questão da educação musical. "A Câmara vai tratar da importância da formação do profissional de música e da situação do quadro para a formação de profissionais. Além disso, um dos temas mais instigantes para o encontro (do grupo de trabalho) é a questão da volta do ensino da música nas escolas", afirmou Ortiz. Vitor Abdala - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Regulamentação de lei Rouanet pode beneficiar regiões mais distantes e pequenas empresas
30/5/2005, 21h42
São Paulo - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, destacou hoje, após debate em São Paulo, que a nova regulamentação da Lei Rouanet incluirá requisitos importantes para aumentar a abrangência da lei, a participação de micro e pequenas empresas e a avaliação dos projetos.
"A modificação será a da questão do atendimento às regiões, de como criar mecanismos para que regiões mais remotas, distantes, possam ser atendidas; mecanismos para que médias e pequenas empresas possam ter acesso à lei de incentivo, que é uma coisa complicada, também, porque isso depende de uma transparência fiscal que nem sempre se obtém no conjunto das empresas brasileiras", argumentou o ministro. "São contrapartidas várias que a gente pretende propor; adequação dos projetos as políticas públicas e a avaliação deles a partir dessa adequação."
Segundo Gil, o decreto que propõe essas modificações será encaminhado na próxima semana para a Casa Civil. Liésio Pereira - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 
Ministro defende que drogas deixem de ser crime no país
31/5/2005
Gil diz que parou de fumar maconha aos 50 e acha que vício é questão de saúde pública
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu ontem a descriminação da maconha e afirmou que deixou de fumar a droga há 12 anos. ""Não fumo mais. Deixei quando fiz 50 anos", afirmou Gil durante sabatina promovida pela Folha em São Paulo.
""Sou a favor da legalização e todo mundo sabe disso. A favor de transferir o problema, que hoje é policial, para o plano da saúde. Não fumo e não quero saber de droga. Não se trata disso", disse.
Ele afirmou que as drogas deveriam ter tratamento mais próximo, em termos comportamentais e de medidas públicas, ao dado aos cigarros e à bebida: ""Por que tem de ser proibido? Para se ter tráfico, traficante e toda uma cadeia que existe só para manter o que é ilegal? A gestão desse problema precisa ser de saúde pública, pois é mais tranqüila".
A transferência do problema para a área da saúde traria uma maior ""agregação da sociedade" e ""salvaria vários talentos". Questionado pela platéia se os consumidores de drogas deveriam fazer uma parada, a exemplo da manifestação gay em São Paulo, Gil afirmou: ""Drogados fazerem parada ... é complicado para eles".
Gil comentou as recentes manifestações de racismo no futebol. ""Elas têm sido mais freqüentes e nascem de uma autorização que a sociedade vai tendo pelo pluralismo de idéias e crenças. Há de tudo e acho que o tratamento que se quer dar no Brasil com a lei, pela punição e criminalização, é o razoável e o adequado."
Em um dos pontos que mais geraram polêmica entre o ministro e e a platéia, Gil fez uma defesa categórica da política de cotas para negros em universidades. ""Temos de ter políticas compensatórias para restaurar o equilíbrio. Nós, a sociedade, é que inventamos as diferenças [entre negros e brancos] e precisamos consertar isso."
""As estatísticas estão cansadas de mostrar as diferenças entre negros e brancos em termos sociais e econômicos." Gil contou que, nos anos 60, quando ainda trabalhava na multinacional Gessy Lever, perdeu a oportunidade de alugar um apartamento em São Paulo só pelo fato de ser negro: "Quando a dona me viu, o apartamento já estava alugado".
Perguntas da platéia também quiseram saber como Gil concilia o cargo de ministro com o de artista. Ele disse que trabalha no ministério de segunda a sexta e que faz shows nos finais de semana e nas noites de sexta. Nas férias, faz turnês na Europa. Gil disse porém que não compôs nenhuma canção desde que assumiu o cargo.
Questionado sobre o fato de ter aparecido, ocupando um cargo de ministro, no final da novela da Rede Globo ""Celebridade". ""Muita gente me disse que achava legítimo, já que a TV e a novela são meios importantes. Outros achavam um absurdo. Sociedade democrática é assim". "Mas isso não foi merchandising do ministro?", gritou uma voz na platéia. ""Quem quiser ver assim, veja", disse. Folha de São Paulo
 
O boato
31/5/2005
Vendo que a sabatina estava acabando sem que sua questão tivesse sido lida a Gilberto Gil, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, levantou-se, interrompeu o evento e perguntou se o ministro iria deixar o governo Lula. "Estou aqui paranóico com o boato de que você vai deixar o ministério", disse.
E Gil respondeu: "Muita gente quer que eu saia, mas eu não quero". Ao ser questionado sobre como o boato de que ele deixaria o ministério tinha surgido, o sabatinado disse: "Há muitos candidatos a ministro. E a imprensa também gosta de ministro demissionário, ela precisa apimentar".
Após o término da sabatina, Zé Celso afirmou à Folha ter ido ao evento somente para saber se o ministro iria deixar o ministério de Lula. "Eu vim aqui por isso, para trazer essa questão."
"Nós temos que dar muito apoio a ter esse poeta como ministro, uma oportunidade rara no mundo. Eu sei que há muita pressão das oligarquias do cinema, do teatrão, dos que não compreendem como são as pessoas da área econômica. (...) Tem todo um movimento de pessoas que amam a cultura que tem de dizer não nesse momento. é um absurdo jogar esse luxo fora", afirmou.
E Zé Celso teceu mais elogios: "O que eu adoro no Gil é que o pensamento dele é a arte dele, é a poesia dele, a desmistificação dos preconceitos". Folha de São Paulo
 
Projeto rememora "O Grande Teatro Tupi"
31/5/2005
Vídeo, publicação de peças e mostra fotográfica relembram teleteatros de 1956 a 1965 de emissoras do Rio
Numa semana, podia-se assistir a "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, com Glauce Rocha (1930-71) como Alaíde, uma das irmãs que se apaixonam pelo mesmo homem. Noutra, Jayme Costa (1897-1967) surgia como o fracassado Willy Loman de "A Morte do Caixeiro-Viajante", de Arthur Miller. São exemplos de atrações exibidas ao vivo pela televisão nas noites de segunda-feira, entre 1956 e 1965.
Infelizmente, não se conhece nenhum videotape dos teleteatros da TV Tupi (1956-62), da TV Rio (1963-64) e da então recém-nascida TV Globo (1965), todos no Rio de Janeiro. "Mesmo depois do surgimento do videotape no Brasil [1962], a TV Tupi e a TV Rio gravavam outros programas por cima das fitas do teleteatro. Era a mentalidade da época, não havia respeito aos profissionais", diz o ator Sérgio Britto, 82.
Na Globo, o "4 no Teatro" teve vida curta, apenas 16 edições. Foi interrompido por falta de patrocínio, conforme relata Britto. Nessa emissora, as apresentações eram gravadas, mas os videotapes desapareceram num incêndio.
Para rebobinar a história, havia pelo menos duas alternativas práticas: colher depoimento dos artistas que protagonizaram aquele período e garimpar fotografias nos respectivos acervos pessoais.
Foi o que fez a jornalista Ana Lúcia Vacchiano, curadora do projeto "Na Caixa - O Grande Teatro Tupi", que vem do Rio e ganha temporada paulistana no Conjunto Cultural da Caixa, praça da Sé. A iniciativa inclui exposição de 50 fotos dos principais teleteatros realizados em "O Grande Teatro Tupi" (pertencentes aos acervos de Britto e do dramaturgo Manoel Carlos), vitrines com os originais dos textos e um vídeo documental de 18 minutos com depoimentos de artistas.
Hoje, na noite de abertura, serão lançados os "Cadernos do Grande Teatro". O primeiro livro reúne duas adaptações assinadas por Manoel Carlos e encenadas na telinha em 1957: "Em Cada Coração, um Pecado", de Henry Bellamann, e "Madame Bovary", de Flaubert. Com tiragem de mil exemplares, a publicação será distribuída gratuitamente para convidados e entidades culturais e educacionais.
A um só tempo, formavam-se (tel)espectadores, leitores e mão-de-obra para o que depois viraria a indústria do folhetim. "Que escola eu poderia ter melhor do que essa, com liberdade total para escrever e adaptar obras-primas da literatura universal?", pergunta Manoel Carlos, 72.
Das cerca de 400 peças do programa "O Grande Teatro", pelo menos cem foram adaptadas ou escritas por ele.
"Minha preocupação era com a diversidade, não apenas de países mas de escolas literárias. Textos românticos, realistas, naturalistas, tudo nos interessava. E fazíamos isso com escritores russos, franceses, ingleses, alemães, espanhóis, portugueses e americanos, sem esquecer os brasileiros. Muitos desses textos eram originais meus, que eu escrevia às vezes com o meu nome, outras vezes com o pseudônimo de Doroty Blay", diz o autor de novelas como "Mulheres Apaixonadas" e "Laços de Família".
Também estarão presentes Britto (que revezava a direção do programa semanal com Fernando Torres e Flávio Rangel), Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e ítalo Rossi -núcleo recorrente da Cia. de Teleteatro que desaguaria, em parte, no grupo carioca Teatro dos Sete (1959-64).
Timberg foi escalada para ler a peça "A Voz Humana", de Jean Cocteau.
Mas o time de atores era maior. Alguns freqüentavam os palcos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, a principal companhia da época. Entre eles, Bibi Ferreira, Leonardo Vilar, Francisco Cuoco, Berta Zemel, Milton Moraes, Zilka Salaberry, Paulo Padilha, Sadi Cabral, Elísio de Albuquerque, Cláudio Cavalcanti, Monah Delacy, Norma Blum, Mario Lago, Fábio Sabag, Sergio Viotti, Yoná Magalhães e Vanda Lacerda.
"Nossa boemia era fazer "O Grande Teatro'", diz Britto. Os ensaios chegavam a varar a madrugada. As representações duravam até quatro horas e os "reclames" aconteciam durante a passagem de um ato para outro.
"éramos todos muito jovens, entre 18 e 25 anos. A televisão estava dando seus primeiros passos. A dramaturgia era influenciada pelo cinema, pois já queríamos fugir do teatro, por achá-lo menos adequado à linguagem da TV. Estávamos certos. O cinema estava mais próximo. Tanto é assim que todos os meus textos obedecem ao formato dos roteiros cinematográficos. Era assim que fazíamos na época. Não apenas eu, mas o [Walter Goerge] Durst, o Cassiano Gabus Mendes, o Silas Roberg e o álvaro Moya. Nós que copiamos esse formato e que os novelistas seguem até hoje. Pegue um script nosso feito há 50 anos e compare com os capítulos de novelas de hoje: são idênticos", afirma Manoel Carlos.
O "TV Vanguarda", na mesma Tupi, e o "Teledrama", na TV Paulista, foram outros teleteatros importantes.
Na Caixa: O Grande Teatro Tupi
Quando: hoje, às 20h, para convidados; a partir de amanhã, para o público; ter. a dom., das 9h às 21h; até 31/7
Onde: Conjunto Cultural da Caixa (pça. da Sé, 111, tel. 0/xx/11/ 3107-0498)
Quanto: entrada franca
VALMIR SANTOS - Folha de São Paulo
 

 
Política
Linha de Frente
31/5/2005
A Associação Brasileira de Radiodifusores, nova entidade que reúne mais de 440 emissoras de rádio e TV, nasce hoje, às 21h, no Blue Tree Park Brasília. Johnny Saad, da Rede Bandeirantes, e Marcos Henrique Costa, da TV Cidade, serão empossados, respectivamente, como presidente e vice-presidente. Informe Econômico - Jornal do Brasil
 
'É um político bisonho', diz fundador do PT
31/5/2005
CRÍTICA: O sociólogo Francisco de Oliveira disse ontem que o presidente Lula é um "político bisonho". Em entrevista concedida à rádio Eldorado, Oliveira afirmou que Lula foi elevado à categoria de líder de massas por um movimento que veio do período em que o poder estava nas mãos dos militares. Ele estendeu as críticas aos atuais dirigentes do PT, legenda que ele ajudou a fundar: "Como políticos, todos que estão no PT hoje, nos organismos de direção, revelaram-se bisonhos, tacanhos, aquém da esperança do povo brasileiro. Toda vez que o presidente Lula entra nas crises políticas, ele piora as coisas." Segundo ele, o atual cenário de dificuldades políticas não será alterado até as eleições de 2006. O sociólogo observou que mantém a opinião de que o fim do governo Lula será de desempenho "medíocre", porque o PT insiste numa idéia errada de ser um partido único em um país onde existe atualmente uma pluralidade de idéias e posições. "Mantenho (a opinião), não só pelo desempenho frouxo das políticas sociais, que eram a marca registrada do PT, como pelo fato de conseguir uma política econômica conservadora", analisou. Flavio Leonel - O Estado de São Paulo
 
Gil só sai do MinC se ''Lula pedir'', mesmo após o PV ter deixado base aliada do governo
30/5/2005, 22h09
São Paulo - Após a bancada do Partido Verde (PV) na Câmara dos Deputados, composta de sete parlamentares, ter saído da base aliada do governo, neste mês, o ministro Gilberto Gil, que é do PV, negou a possibilidade de abrir mão de seu cargo no governo. Durante debate ocorrido em São Paulo, ele disse ao diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, do grupo Oficina, que só deixaria o MinC "se o presidente Lula pedir".
Gil negou ainda que o seu partido (PV) tenha saído da base aliada. Segundo ele, houve uma reivindicação dos parlamentares por autonomia, para "se posicionarem de forma aliada ou criticamente ao governo". A executiva do PV, ressaltou Gil, "manifestou a compreensão, o entendimento de que (o partido) continua fazendo parte da base aliada".
Segundo o ministro, o convite para ministério da Cultura foi feito diretamente pelo presidente Lula e não por meio do partido. Por esse motivo, Gil declarou que se sente responsável pela decisão de permanecer ou não no governo, caso PV solicite sua saída. "Se eu achar que o partido tem razão, que ele apresenta justificativas razoáveis para que eu deixo o cargo, eu o deixarei. Se não for o caso, não tenho sair porque o partido está me pedindo", falou. Liésio Pereira - Portal da Cidadania - Agência Brasil
 

 
DTH
Após parceria com Hughes, Transit busca TV paga
30/05/2005, 20h33
A direção da Transit Telecom espera fechar o próximo ano fiscal, em março de 2006, com seis parceiros provedores de TV a cabo e de acesso a internet via banda larga. A Transit começou sua atividade como uma espelhinho e hoje aposta em telefonia sobre IP.
Volume de serviços de voz por meio da rede desses parceiros deverá, então, equivaler entre 15% e 20% da receita total da Transit, estimada em, no mínimo, R$ 200 milhões para o período, com uma base de 60 mil a 70 mil clientes. Em março último, a empresa de telefonia já havia fechado parceria com a empresa de banda larga por satélite Hughes para atender clientes da empresa localizados em fazendas do Mato Grosso, do Paraná e interior de São Paulo. Com isto, após um ano de lançamento do serviço a Transit espera ter incorporado até 2 mil clientes, inclusive corporativos, da base da Hughes para sua carteira. Ivone Santana - PAY-TV News
 

 
Imprensa & Jornalismo
Opinião não é crime
31/5/2005
Eu sou aquele cara da TV, gordo, feio e que anda meio infeliz.
Sou também um cara "bocudo", freqüentemente exagerado, que pesa nos adjetivos, mas, e isso é essencial, que jamais fez uma acusação sem estar respaldado por provas documentais.
E é por isso que quero sua atenção para o que vou relatar aqui sobre o processo que redundou em minha condenação a 18 meses de prisão em regime aberto, dormindo em albergue, pela Justiça de Goiás -condenação que foi suspensa liminarmente pelo STJ até que se julgue o mérito do pedido de anulação da sentença.
Condenação, é importante que se diga, fruto também do descuido de um advogado, que perdeu o prazo para minha última defesa em Goiás.
Mas imagine que o governo de São Paulo tivesse feito um acordo com os clubes do futebol paulista para reduzir o preço dos ingressos nos estádios em promoção que envolvesse troca por notas fiscais.
Que, em seguida, todos os temas ligados ao campeonato fossem decididos em palácio.
Que o novo presidente da Liga dos Clubes fosse um dos coordenadores financeiros da última campanha eleitoral que elegeu o governador.
Que, do acordo, resultasse a venda, com exclusividade, para um canal de TV por cinco anos.
Que, no primeiro ano, os clubes não recebessem nenhum tostão e, nos quatro seguintes, recebessem muito menos do que contratos semelhantes pagam aos participantes de outros campeonatos estaduais.
Que outras emissoras tentassem entrar na concorrência, oferecendo valores até cinco vezes maiores e o governo os recusasse, sem que os clubes pudessem reagir.
Daí, uma rádio bota o imbróglio no ar porque, digamos, o Corinthians reagiu ao saber que em outros Estados há acordos infinitamente melhores. Reação em vão, porque tudo já estava decidido, até mesmo que o governo paulista seria o patrocinador das transmissões -em nome do próprio governo, não de alguma estatal.
O que você faria se fosse jornalista? Estranharia, denunciaria ou ficaria calado? Pois é. Eu estranhei, documentei e denunciei.
Dizem que sou polêmico e encrenqueiro. Devo mesmo ser e não discutirei com a imagem que existe a meu respeito. Mas sei que louco eu não sou e jamais entraria numa briga com o governo goiano e com a principal empresa de comunicação de Goiás, a Jaime Câmara, se não pudesse provar o que levei ao ar e que resultou no processo movido pela segunda.
Quem vive em São Paulo não imagina até que ponto sobrevivem em outras regiões algumas práticas políticas que normalmente são atribuídas ao velho coronelismo. Pressões, ameaças, estrangulamento financeiro -vale tudo.
E é por isso que quero ser julgado pelo que é substantivo -não por adjetivos que possa ter cometido no calor de um programa de rádio, feito ao vivo e movido por autêntica indignação. E o substantivo está fartamente documentado, como você poderá verificar em www.observatoriodaimprensa.com.br, artifício de que me utilizo aqui para não cansar o leitor com as minúcias de um contrato que nada tem de ficção. é realidade pura e dramática sobre a promiscuidade que caracteriza o tripé, no caso, governo/mídia/futebol.
Lá está o contrato do governo de Goiás, que, no ano em questão (2001) -imediatamente anterior ao da campanha eleitoral-, segundo números oficiais do Tribunal de Contas do Estado, gastou mais com propaganda que os governos de São Paulo e Rio de Janeiro juntos: precisamente R$ 79.981.491,24. Pasmem! Quase R$ 80 milhões. Mais da metade com a Jaime Câmara.
Leia e tente não ficar estarrecido, sem se esquecer de que sou jornalista esportivo, ou seja, que tem tudo a ver com o meu ofício.
Em resumo, um contrato que repassa aos clubes míseros R$ 200 mil anuais em quatro de seus cinco anos de vigência (no primeiro não repassa nada) e tão leonino que não dá margem a nenhum respiro. Diferentemente do contrato feito na mesma época pela Federação Catarinense de Futebol com outra afiliada da Globo, a RBS, cujo valor atingiu R$ 2,3 milhões já no primeiro ano.
Ora, a missão principal do jornalista é fiscalizar o poder e cabe à Justiça não inibir o exercício da crítica e da opinião -ao contrário.
Além do mais, estivesse eu sendo acusado de ter mentido, não tenha dúvida de que a condenação teria vindo antes e da própria opinião pública, além dos veículos sérios de comunicação, que não me concederiam espaço nem emprego. Mas não. Fui condenado por ter chamado a empresa de "oportunista", e reitero meu desafio para que ela mostre que menti.
Porque não há pior pena para um jornalista do que a perda da credibilidade e, neste episódio, por contraditório que pareça, a minha só fez aumentar, tanto entre os pares que respeito como, fundamentalmente, nas ruas.
Resta dizer que estou confiante no que os ministros do STJ decidirão, não só porque acredito na Justiça como porque, agora, tenho como defensor um advogado com as qualidades do ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias.
Além do mais, quero crer que a concessão do habeas-corpus pelo ministro Arnaldo Esteves Lima significa a demonstração de que algum equívoco houve em minha condenação. Jorge Kajuru - Jornalista, é comentarista dos programas "Fora do Ar", pelo SBT, e "Linha de Passe", pela ESPN Brasil - Folha de São Paulo
 
Circulação de jornais cresceu 2,1% em 2004
31/5/2005
A circulação mundial de jornais cresceu 2,1% no ano passado, e a receita publicitária subiu 5,3%, o melhor resultado em 4 anos, informou Timothy Balding, diretor-geral da Associação Mundial de Jornais (WAN, da sigla em inglês). "Foram 12 meses extraordinariamente positivos para a indústria jornalística global", acrescentou. "Os jornais estão passando por um renascimento, com novos produtos, novos formatos, novos mercados, melhor distribuição e melhor política de marketing".
Na abertura do 58.º Congresso Mundial de Jornais e do 12.º Fórum Mundial de Editores, em Seul, a WAN fez um relato do mais completo levantamento da indústria feito até hoje, envolvendo todos os países e territórios em que são impressos jornais - 215, no total. Gavin O'Reilly, presidente do Conselho Gestor da entidade, disse aos 1.300 participantes que "os meios impressos de comunicação defenderam-se com êxito da concorrência do rádio, da televisão e da nova era digital. Investimos milhões em equipamentos de produção, somos líderes em merchandising, investimos milhões em nossas marcas e nos dirigimos agressivamente ao consumidor".
Os números divulgados pela WAN são, em muitos casos, surpreendentes. São vendidos por dia, nos 215 países e territórios, 395 milhões de jornais; o número de leitores chega em torno de 1 bilhão; o número de diários cresceu 2,1% em 2004; três quartos dos 100 jornais mais vendidos do mundo são publicados na Ásia; a China superou o Japão como o país com o maior número de publicações; o japonês Yomiuri Shimbun, com suas diversas edições, é o jornal de maior circulação no mundo, com 14.067.000 de exemplares por dia; os 5 maiores mercados são China (93,5 milhões de exemplares diários), Índia (78,8 milhões), Japão (70,4 milhões), Estados Unidos (55,6 milhões) e Alemanha (22,1 milhões); a participação dos jornais na publicidade global caiu de 30,5% em 2003 para 30,1%, mas ele continua sendo o segundo veículo preferido das agências, perdendo só para a TV.
Quanto ao Brasil, a WAN diz que a circulação subiu 0,8% em 2004, mas caiu 17,2% nos últimos 5 anos. Agências internacionais - O Estado de São Paulo
 
O legado de Tim
31/5/2005
Quando me ligaram na madrugada da última quarta-feira para dar a notícia da condenação do assassino de Tim Lopes, eu me lembrei imediatamente do telefonema de três anos antes, mais ou menos no mesmo horário, quando me disseram que Tim não voltara da reportagem que fora fazer. O primeiro telefonema foi aterrorizante, prenúncio da tragédia que se abateria sobre a família de Tim, seus amigos e seus companheiros de trabalho. O telefonema da semana passada, porém, não trouxe conforto, sentimento de vingança ou satisfação. Reagi como se aquela condenação fosse a única resposta que a sociedade poderia oferecer, o mínimo, o absolutamente necessário diante do sacrifício de Tim.
A resposta que ainda está por vir é aquela pela qual Tim entregou a vida com suas denúncias: libertar as comunidades carentes do jugo do tráfico. Dizer isso soa grandiloqüente, pura retórica, porque inalcançável. Mas, hoje, véspera do aniversário do assassinato dele, uma coisa para mim é clara. Se em vida Tim contribuiu para aprimorar o jornalismo brasileiro, sua morte trouxe como conseqüência uma mudança de postura decisiva no nosso trabalho como jornalistas.
Antes, nós, repórteres de todas as redações, víamos o tráfico ora como uma aberração, ora como parte da paisagem. Não era uma distinção feita de maneira consciente, porém. Era algo ditado pela necessidade, o caminho mais fácil. Quando saía da rotina, quando "barbarizava", o tráfico era retratado inequivocamente como inimigo, como chaga. Mas, em outras ocasiões, era apenas ignorado, tomado como algo que todo mundo sabe que existe, como algo que simplesmente está lá. Uma postura, digamos, resignada.
Eu me lembro de quando comecei na profissão, há mais de vinte anos. Num mês de dezembro, um deslizamento de terra matara nove moradores do Pavão-Pavãozinho. Com poucos meses na redação, eu, que nunca tinha entrado numa favela, fui escalado para participar da cobertura daquela tragédia. Ao subir o morro, vi muitos bandidos armados, não tão ostensivamente como hoje (eles, "respeitosamente", cobriam as armas quando nós passávamos). Apurei tudo e cheguei à redação acreditando que tinha outra matéria além daquela sobre as mortes: bandidos armados circulavam livremente na favela. Fui tratado como o foca que de fato era: "Nunca foi ao morro, não sabe o que é notícia. Aquilo tem todo dia, não é novidade. Faz só o deslizamento", disse-me o editor, achando graça de minha falta de experiência.
O mesmo tipo de atitude que nos levou, durante muitos anos, a estabelecer uma norma de conduta que, implicitamente, aceitava o poder do tráfico. Reportagem sobre um deslizamento, falta d'água, um morador da favela, um artista, um estudante, um artesão, um trabalhador, uma professora, um mestre-de-obras, uma passista, um policial? Tudo bem, mas, antes de entrar, procurávamos sempre aquele sinal sutil, vindo de qualquer um, mas geralmente de um membro da associação de moradores: "Pode subir, tá limpo." Pronto, subíamos, fazíamos o trabalho e voltávamos seguros para as redações. Homens armados? Se não estivessem perturbando, eram paisagem. A não-matéria.
O assassinato de Tim mudou tudo. Em muitos encontros, reuniões e seminários, foi como se toda uma categoria despertasse ao mesmo tempo para um erro de muitos anos: não há nada de natural no tráfico, ele não deve ser nunca visto como paisagem e jamais se deve aceitar o consentimento do tráfico, mesmo que sutil, mesmo que dado de forma velada, indireta, para que façamos o nosso trabalho. Os traficantes estão ali indevidamente e é nosso papel mantê-los sempre nessa condição de estranhos, de usurpadores.
A questão é delicada, porque o trabalho jornalístico em comunidades carentes se tornou muito mais complicado, muito mais difícil. Se deixaram de ser paisagem, se não há consentimentos sutis, o risco é sempre maior. Este é o maior desafio do jornalismo brasileiro: continuar cobrindo o que acontece nas comunidades carentes, porque não fazê-lo é criar zonas de exclusão, num ambiente dominado por um inimigo declarado. Um retrospecto do nosso trabalho, nestes últimos três anos, mostra que temos conseguido. Com muitas, imensas dificuldades, é verdade. Mas com êxito.
Os menos otimistas estavam certos de que essa mudança de atitude seria efêmera. Não foi. Três anos depois, a postura de nós, jornalistas, não mudou um milímetro. Devemos isso ao Tim, um colega de quem não consigo falar sem me emocionar profundamente. Tim era especial: reunia ao mesmo tempo exuberância profissional e simplicidade no trato com os colegas, dedicação total ao trabalho e um espírito leve e brincalhão, vocação enorme para o furo, para a grande reportagem, e a disposição para trabalhar também nas tarefas mais rotineiras. Tim será sempre uma referência porque representava o que de melhor um profissional pode ser. Em tempos em que o estrelismo é tão freqüente, ele tinha a consciência de que a reportagem é sempre mais importante que o repórter. Sua morte, eu digo sempre, transformou-o num mártir. Algumas pessoas não gostam dessa palavra, mas ela é exata. E justa. Tim é um mártir do jornalismo brasileiro.
O martírio de Tim provocou em nós essa mudança. Temo, porém, que ela custe muito a chegar a outros setores da sociedade. Submetidos à equação cruel de que o trabalho social, cultural e comunitário em áreas dominadas pelo tráfico não pode ser levado adiante em confronto aberto com o tráfico, muitos continuam agindo como os jornalistas agíamos antes: vendo o tráfico ora como aberração, ora como paisagem.
Este é um nó que eu não sei como desatar. Mas, no meu íntimo, eu tenho uma certeza: se encarado como paisagem, é como paisagem que o tráfico se perpetuará. ALI KAMEL - O Globo
 
Coceira danada
31/5/2005
Aafirmação de que a primeira vítima de uma guerra é a verdade data de mais de um século, e até hoje nenhum conflito a desmentiu. No entanto, ela permanece ambígua. Seus carrascos tanto podem ser os protagonistas do conflito como a mídia, sua principal testemunha. Talvez não seja injusto, em muitos casos, culpar uns e outros.
Raras vezes isso tem sido tão visível quanto no conflito do Iraque. Nele, a verdade não tem sido apenas a primeira baixa: a guerra oficialmente acabou e a coitada continua levando pancada dos dois lados.
Já se falou o suficiente sobre o visível cinismo da Casa Branca. O governo americano tinha comprovadamente razão quando definia Saddam Hussein como um déspota muito pouco esclarecido. Mas até hoje não conseguiu provar por que, num mundo de tantos regimes totalitários nada esclarecidos, alguns deles até cortejados aliados dos EUA, ele teria de ser a bola da vez.
Por outro lado, é inegável que a mídia - não exclusivamente a americana, mas ela de forma mais tristemente flagrante - também tem atropelado a verdade com freqüência de acabrunhar. Durante muito tempo, por ter aceitado sem discutir a idéia de que a invasão do Iraque era resposta adequada e moralmente válida ao morticínio no World Trade Center. Mais recentemente, pela leviandade com que, num esforço para melhorar sua imagem, tem apontado crimes de guerra cometidos por autoridades americanas.
Já fora patético o erro de jornalistas de televisão ao tentar provar a suposta covardia do presidente George W. Bush, evitando ser recrutado para a guerra no Vietnam. Documentos falsos foram exibidos e logo desmentidos. Ficou provado o açodamento leviano da TV - e as suspeitas contra Bush tiveram de ser abandonadas, ainda que pudessem ter fundamento. A pressa, mais uma vez se provou, pode ser a inimiga da verdade.
Por estes dias, nova trapalhada mostrou como o mau jornalismo atropela a boa informação.
Primeiro, a revista "Newsweek" informou que, como parte do tratamento cruel de prisioneiros de guerra - solidamente comprovado em inúmeros casos, com abundante documentação fotográfica (torturador que fotografa a tortura é torturador acima de tudo burro, não?) - exemplares do Alcorão foram jogados em privadas. A repercussão no mundo árabe foi o desastre que se pode imaginar.
Mas a revista cometera erro mortal: não podia provar a autenticidade da denúncia. E foi forçada a se desmentir. Não é deslize perdoável: ele desmoraliza não apenas aquela denúncia, mas todas as revelações sobre tratamento cruel de prisioneiros. A "Newsweek" publicou retratação humilhante.
Dias depois, o "Washington Post", jornal da mesma empresa que edita a revista, e que lamentara o erro publicamente, informou que a agressão ao Alcorão realmente acontecera. Novamente o governo desmentiu o que foi publicado, e ficou tudo por isso mesmo.
Pelo visto, o jornalismo americano não vive um momento de alto brilho. Mas é simples, pelo menos em tese, definir certos cuidados óbvios. Por exemplo: não há notícia com apuração pela metade. E, quanto mais grave a denúncia, mais sólidas precisam ser as provas. Mais: a certeza moral deve ser apenas um estímulo à busca dos fatos - não uma desculpa para acusar. Por maior que seja a coceira nos dedos ou na garganta. Uma coceira danada, podem crer. Luiz Garcia - O Globo
 
Jornalistas lutam contra a censura no Dia da Imprensa
30/05/2005, 19h24
Nesta quarta-feira (1º de junho), Dia Nacional da Imprensa, será lançada a "Campanha de Defesa da Liberdade de Imprensa no Brasil". A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas, estão programando atividades em diversos estados, principalmente atos em frente aos Tribunais de Justiça, protestando contra a postura do judiciário em casos de censura prévia e contra as violências e ameaças a profissionais da comunicação.
Materiais de divulgação da Campanha foram confeccionados pela Federação Nacional dos Jornalistas e remetidos aos Sindicatos, que estão afixando-os em escolas de comunicação, locais de trabalho e instituições. A FENAJ está organizando, também, uma pesquisa para apurar a situação da violência contra jornalistas.
Protesto em São Paulo será marcado com mordaça preta
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e a Associação dos Jornalistas Aposentados do Estado de São Paulo (AJAESP) organizam um ato para as 12h do dia 1º, na Praça Clóvis Beviláqua (ao lado da Praça da Sé). Os manifestantes usarão uma mordaça preta para simbolizar a luta contra a censura, em frente ao TJSP. Foram especialmente convidados a participar os colegas Fernando Morais, Jorge Kajuru, Fernando de Santis e Joacir Gonçalves, que foram recentemente atingidos por censura judicial e ameaças que ferem a liberdade de imprensa e de expressão.
Debate, ato público e mostra de cinema na Semana da Imprensa no Pará
O debate "Reforma Sindical e os Rumos do Sindicalismo no Brasil", às 20 horas desta terça, 31 de maio, na sala Líbero Luxardo do Centur, em Belém, abrirá a programação da Semana da Imprensa. Estarão presentes o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, José Cláudio Brito Filho, e Otávio Pinheiro Neto, representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT). No dia 1º haverá ato público às 12 horas, em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, e à noite se iniciará a Mostra "Jornalismo no Cinema", que prossegue até domingo, 5 de junho, em parceria do Sindijor/PA com a Fundação Cultural do Pará.
Sindicato do Piauí lança portal de notícias
Um café da manhã comemorativo ao Dia Nacional da Imprensa e uma assembléia geral a realizarem-se às 8h na sede da entidade, com lançamento de seu portal de notícias e transmissão de cargo, estão programados pelo sindicato dos Jornalistas do Piauí para o dia 1º de junho. Por motivos profissionais, Tereza Val está se licenciando da presidência, que passará a ser exercida pelo vice-presidente, Edmundo Moreira.
A eleição para renovação da diretoria da entidade deverá ocorrer em outubro ou novembro de 2005.
No Ceará haverá sessão solene na Assembléia Legislativa
A Assembléia Legislativa do Estado do Ceará atendeu ao convite do SINDJORCE e da FENAJ, assumindo a parceria na realização de ato em defesa da liberdade de imprensa. Uma sessão solene será realizada às 11h do dia 1º de junho, no Plenário da ALEC, protestando contra o autoritarismo, a censura, a coerção física e moral e em defesa da liberdade de imprensa.
Tribunal do Júri será palco do Dia da Imprensa no Acre
Os jornalistas do Acre resolveram registrar o Dia Nacional da Imprensa com uma "ocupação". Realizarão uma palestra no Auditório do Tribunal de Júri, no Fórum Barão do Rio Branco, tendo como convidados o juiz federal Jair de Araújo Fagundes e o professor Francisco de Moura Pinheiro, que abordarão questões como a censura, ameaças e violências contra a mídia e seus profissionais.
Jornalistas de Sergipe fazem atos públicos e forró da liberdade de imprensa
O (Sindijor/SE) e a Associação Sergipana de Imprensa (ASI) programaram atividades para o dia 1º de junho em Aracajú com afixação de faixas, utilização de carro de som e distribuição de panfletos no centro da cidade. Além de um dia de luta em defesa da implantação real da liberdade de imprensa, a programação será completada com uma festa na Casa de Forró Cariri.
ANJ quer criar Conselho dos patrões
O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, manifestou surpresa e saudou a intenção da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) de criar um Conselho para regrar a atuação dos jornais. Diverge, porém, de qualquer tentativa de um único segmento da sociedade - principalmente o patronal - exercer o controle sobre a mídia. "Não se pode deixar a raposa tomar conta do galinheiro", disse.
A informação sobre a intenção da ANJ, contando com apoio da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), foi divulgada pela MMOnline, segundo a qual o presidente da ANJ, Nelson Sirotski, revelou tal objetivo no encerramento do evento "Virada de Página - A nova era dos jornais", realizado em São Paulo dia 24 de maio. Tal iniciativa seria uma resposta da indústria da comunicação ao Conselho Federal de Jornalismo, proposto pela FENAJ, "para garantir a liberdade de expressão editorial e comercial". Para Sirotski, tal órgão, funcionaria como uma espécie de conselho de ética dos profissionais da área.
O presidente da FENAJ não considera que o conselho dos patrões substitua as funções do CFJ propostas pelos jornalistas. Saudando a iniciativa, "embora eles [ANJ] tenham demorado", Sérgio Murillo, disse que os empresários não podem pretender exercer o controle da mídia. Ele sustenta que tal controle tem que ser efetivamente público e exercido por toda a sociedade. Boletim Fenaj
 

 
Internet
Internet tem espaço para vários vencedores, diz presidente do Google
30/5/2005
Para Eric Schmidt, cada empresa tem uma estratégia diferenciada e há espaço para todos na rede mundial de computadores
EXAME O presidente do Google, Eric Schmidt, não parece preocupado com a crescente competição entre gigantes da nova economia pelos usuários da internet. Para Schmidt, a guerra entre as companhias para desenvolver ferramentas cada vez melhores de busca de informações pode terminar não com um, mas com vários vencedores. "Há razões para acreditar que cada empresa segue uma tática própria e que há espaço para todos os competidores", afirmou ao americano The Wall Street Journal.
Segundo Schmidt, o Google já se consolidou nos serviços de busca da internet, enquanto o Yahoo! tem despontado como seu principal concorrente. Já a Microsoft estaria "apenas começando" a tatear esse mercado. O próximo passo do Google, segundo o executivo, é desenvolver soluções cada vez mais personalizadas para seus clientes, que envolvem também a criação de homepages personalizadas.
Schmidt afirmou, ainda, que o maior desafio do Google, atualmente, não é enfrentar a concorrência, mas promover uma melhoria substancial de sua própria mão-de-obra. Para elevar o nível da equipe, a companhia está abrindo novas unidades pelos Estados Unidos e em outros países, como a Índia. "Mas, mesmo com essas ações, nós estamos bem abaixo do que desejamos", disse. Os novos centros de desenvolvimento devem contar com 150 a 200 funcionários volume grande o bastante para estimular a criatividade, mas pequeno o suficiente para encorajar iniciativas individuais. Portal Exame
 

 
Mercado de Comunicação
Anúncios interativos ganham espaço na TV a cabo e via satélite
30/5/2005
Modelo de negócios que vigorou até hoje, baseado nos filmes publicitários de 30 segundos, já corre um risco real de desaparecer diante das novas tecnologias
O tradicional modo de anunciar produtos e serviços na TV, por meio de uma chamada de 30 segundos, já corre um risco real de sucumbir diante dos anúncios interativos, cada vez mais presentes nas operadoras americanas de televisão a cabo ou via satélite. Durante muitos anos, executivos do setor previram uma mudança radical na publicidade televisiva, deixando de lado as estratégias para atingir uma grande audiência e se concentrando em despertar a interação com consumidores específicos.
De acordo com o americano The Wall Street Journal, experiências recentes mostram que essa era já se materializou. No início deste ano, uma propaganda interativa da Mercedes, exibida pela operadora de TV paga via satélite EchoStar, gerou mais de 15 000 pedidos de maiores informações sobre o modelo anunciado num intervalo de três semanas. O retorno foi quatro vezes maior que o esperado pela empresa. Outras companhias, como a Sony e a Chrysler que pertence ao grupo DaimlerChrysler, assim como a Mercedes também preparam peças interativas para a TV a cabo ou via satélite.
Na base desta mudança de estratégia, está o surgimento de novas tecnologias que estão mudando a forma como o público assiste à TV. A popularização dos pacotes de vídeo sob encomenda (como os pay-per-view) e o avanço dos gravadores digitais de vídeo podem tornar obsoleto o anúncio tradicional de 30 segundos. Os especialistas afirmam que, em cinco anos, metade da audiência americana estará assistindo deste modo. E, deste grupo, 80% simplesmente vão acelerar a gravação para pular os comerciais. Portal Exame
 
Série Carandiru tem anúncios na mídia
30/5/2005, 16h48
Divulgação acontece em revistas e jornais, com criação da Divisão de Propaganda da Central Globo de Comunicação
A TV Globo estréia no dia 10 de junho a série Carandiru - Outras Histórias. Com direção geral de Hector Babenco, a série mostra em dez capítulos as histórias de vários personagens, contadas pelo olhar de um médico que freqüentou a Casa de Detenção de São Paulo e ouviu dos detentos depoimentos familiares, de amor, crime e amizade. A experiência foi vivida por Drauzio Varella, que deu origem ao livro "Estação Carandiru".
A divulgação terá anúncios impressos em jornais e revistas, com criação da Divisão de Propaganda da Central Globo de Comunicação. As peças trabalham elementos típicos das celas de presídios como cartazes colados e palavras grafitadas na parede descascada. A criação é de André Regnier e de Marcos Pedrosa, que também assina a direção de criação. MMOnline
 

 
Telecom
Usuários de telefonia terão instituto de defesa
31/5/2005
SãO PAULO - A partir de hoje à noite, os usuários de telefonia fixa e celular terão um órgão específico para fazer suas queixas. Será lançado, às 19 horas, o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor em Telecomunicações (Indec Telecom), em cerimônia na Assembléia Legislativa de São Paulo. O instituto terá como principal objetivo a defesa dos direitos e interesses dos consumidores exclusivamente no setor de telecomunicações. O órgão, único neste sentido, atuará em todo País.
As reclamações voltadas para esse setor ocupam o topo dos registros recebidos por entidades de defesa do consumidor como o Procon e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e, por esta razão, seus usuários mereceram a criação de uma entidade específica. De acordo com pesquisa realizada em 2004 pelo Procon-SP, o setor de telefonia lidera o ranking das queixas, com 39% do total das reclamações, como cobrança indevida, serviço não fornecido, reajustes, venda casada, produtos danificados, propaganda enganosa, entre outros.
Segundo comunicado sobre lançamento do instituto, o Indec Telecom atuará por meio de convênios firmados com entidades representativas de classe como sindicatos, associações e fundações. O consumidor que sentir lesado contará com advogados, administradores e técnicos, dentre outros especialistas para buscar os meios legais para a garantia de seus direitos. Tribuna da Imprensa
 
Justiça não libera adendo a acordo de acionistas da Solpart
30/05/2005, 20h05
A juíza Márcia Cunha Araújo de Carvalho, da 2a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tomou nesta segunda-feira, 30, uma decisão confusa no processo a respeito do segundo aditivo do contrato de acionistas de Solpart, firmado dia 28 de abril deste ano entre o Opportunity e a Telecom Italia. Por um lado ela revogou a liminar que suspendia os efeitos deste segundo aditivo. Por outro, decidiu que a Telecom Italia volta à situação jurídica em relação à Brasil Telecom na qual se encontrava em 27 de abril, portanto, um dia antes da celebração do referido aditivo. Na prática, o segundo aditivo continua sem validade. A juíza informou também que só tomará uma decisão final depois que a 8a Vara Empresarial do Rio de Janeiro julgar a ação contra a fusão entre TIM e BrT GSM, pois considera


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