escrita por um menino de apenas 10 aninhos, filho de minha amiga Nin@.
Beijinhos,
Lúcia Brunetti
Frio No Coração
Numa rua de uma cidade grande, um homem andava devagar. Ninguém reparava nele, porque todas as pessoas corriam. Não corriam para abraçar alguém, não corriam para procurar o pássaro escondido na árvore, não!
Corriam , porque já não sabem viver de outra maneira.
Dormem a correr, comem a correr, trabalham a correr, amam a correr, e quanto mais correm menos tempo têm. Nunca chegam a lugar nenhum.
Há muito tempo que deixaram de olhar o sol, há muito tempo que não escutam a música do silêncio. Há muito tempo que não saboreiam um luar. Acham que isso é para poetas. Se assim é, eu quero ser poeta toda a vida!
E numa rua de uma cidade grande, aquele homem caminhava em sentido contrário à multidão. Andava devagar.
Não ía triste, não. Ele sorria.
Tinha dito não à vida de corrida.
Tinha compreendido que um abraço que se merece tem mais valor que carros, casa, roupas caras, festas com direito a reportagem nas revistas.
Aquele homem cansou-se de ter frio no coração.
Nesse dia, descobriu o que significa a palavra NATAL.
Não Andes Totalmente Ausente (da) LUZ.
E vocês?
Sentem frio no coração?
Segurem a minha mão!
Filipe Miguel
10 anos
Sou filho da Nina
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O menino voltou-se para a mãe e perguntou: - "Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum." Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas,
até encontrar um anjo. - "É uma boa idéia"
- falou a mãe.
"Irei com você". - "Mas você anda muito devagar"
- argumentou o garoto.
"Você tem um pé aleijado". A mãe insistiu que o acompanharia.
Afinal,
ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava. Lá se foram.
O menino saltitando e correndo e a mãe mancando,
seguindo atrás. De repente,
uma carruagem apareceu na estrada.
Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda,
envolta em veludos e sedas, com plumas brancas
nos cabelos escuros.
As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora: - "Você é um anjo?" Ela nem respondeu.
Resmungou alguma coisa ao cocheiro
que chicoteou os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada.
Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira.
Ele esfregou os olhos e tossiu bastante.
Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul. - "Ela não era um anjo, não é, mamãe?" - "Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um",
respondeu a mãe. Mais adiante uma jovem belíssima,
em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou: - "Você é um anjo?" Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz: - "Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo". Enquanto acariciava o menino e o beijava,
ela viu seu namorado chegando.
Mais do que depressa,
colocou o garoto no chão.
Tudo foi tão rápido
que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu. - "Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho!",
disse ela,
enquanto corria ao
encontro do seu amado.
O menino ficou no chão, chorando,
até que chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas
com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo. O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado. - "Você me carrega?" - "É claro" - disse a mãe. "Foi para isso que eu vim." Com o precioso fardo nos braços,
a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou: - "Mãe, você é um anjo?" A mãe sorriu e falou mansinho: - "Imagine,
nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu..."
Autor:
(William J. Bennett)
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Os dias se sucedem tão rápidos que nem nos damos conta... e amanhã já é Natal outra vez... Você certamente teve problemas, trabalhou, sofreu, sorriu... como todo mundo. Foram tantos os obstáculos... mas as forças foram ainda maiores, que permitiram superá-los. Os desentendimentos familiares não foram poucos... mas a fraternidade logrou êxito. Um filho querido talvez tenha adentrado pelos escuros caminhos das drogas, mas a coragem foi tanta que deu suporte nos momentos amargos. O lar, tão tranqüilo outrora, esteve ameaçado por terríveis tempestades... Quase sucumbiu... mas os laços fortes do amor o sustentaram... A separação promovida pela morte dilacerou as fibras mais sutis da alma... mas a fé em Deus e a certeza da imortalidade conseguiram cicatrizá-las. A enfermidade cruel nos visitou ou visitou os entes queridos, mas a confiança e a dedicação conseguiram afastá-la. Enfim, foram tantas dores, tantos momentos amargos... mas também tantas alegrias, tantas vitórias... Amanhã é Natal... E Natal é tempo de fraternidade, perdão, solidariedade... E porque amanhã é Natal, reunamo-nos todos os que lutamos juntos, na alegria e na dor, e que permanecemos unidos. Olhemos para a mãezinha a quem chamamos o ano inteiro para pedir roupa limpa, comida, e digamos: mãe, o que seria da minha vida sem você? Eu a amo mãezinha querida. Ao pai a quem só nos dirigimos para pedir dinheiro, carro emprestado, cartão de crédito... Falemos com carinho: olá, velho! Apesar de não ter o costume de dizer, eu o amo! Tenho certeza de que minha vida não teria sentido sem você. Acerquemo-nos daquele irmão com quem não conversamos, olhemos nos seus olhos e falemos: olá, mano! Que bom ter você no meu caminho! Aproximemo-nos daquele filho drogado, infeliz, e falemos com ternura: filho, você é a estrela da minha estrada! Sem você a vida não teria sentido... E, porque amanhã é Natal... Busquemos a serviçal doméstica, que chega ao nosso lar muitas vezes antes do sol nascer e só vai embora depois que o último filho chega do colégio para lavar a louça e deixar tudo em ordem, e digamos: minha amiga, precisamos uns dos outros, que bom poder contar com você por mais um ano! E, porque amanhã é Natal... Olhemos para nosso patrão e falemos o quanto ele tem sido importante em nossa vida, pois nos ajuda a ganhar o pão de cada dia. E, porque amanhã é Natal..., Busquemos um lar pobre, onde a fome insiste em se fazer presente e a expulsemos, ainda que por um dia... Levemos uma alimentação saborosa, temperada com o nosso mais puro afeto e permaneçamos por algum tempo junto aos habitantes, irmãos financeiramente mais carentes do que nós. ................................ E, porque amanhã é Natal... lembremo-nos do Aniversariante mais ilustre de que a Terra teve notícias... Arrebentemos os laços da discórdia que porventura haja entre os familiares e amigos e abracemo-nos com ternura. E, porque amanhã é Natal... mostremos ao aniversariante que a Sua vinda à Terra não foi em vão... Roguemos que nos perdoe por tê-Lo crucificado... E deixemos que Ele nos abrace e nos aconchegue junto ao Seu coração magnânimo... Porque amanhã... amanhã é Natal.
Sabedoria, parar para ouvir, esperanças e compromisso com o universo
são alguns dos significados dessas tres runas do jogo de hoje. O principal conselho é mais uma vez de advertência. A runa de Odin por si só representa a Grande Lei Universal e remete ao velho e sábio conselho de desfazer-se de karmas antigos e tornar-se uno com a lei (iluminar-se). Claro que para o homem moderno é um grande desafio, mas as duas outras runas reforçam a advertência. Dagaz aparece bem no clima das festas de fim de ano, é a runa que governa as esperanças. Sua presença neste contexto diz que este é o momento decisivo para buscar novas filosofias de vida. Ansuz reforça as outras runas e nos convida a ouvir os sinais da sabedoria interior,
ouvir os grandes mestres.
No plano físico-material, o conjunto das tres runas indica um bom momento para começar um tratamento dentário.
Eu gosto da hora que o sol se põe O sol fica bonito colorido de lilás com toques de dourado. Esfria um pouco E a brisa que vem do mar, me acalma. Mas, gosto da hora em que o sol nasce ainda mais. Ver o mar parindo o sol, o cinza da noite banhado em ouro, é como ver meu coração sorrir de esperanças. Me sinto renascer a cada manhã.
Ingressos para o Reveillon em Salvador chegam a 500 reais por cabeça. Pior é que muitos desses reveillons mais caros estão com a lotação esgotada...
Neste sábado, 28.12, 20 horas, ritual de fim de ano no Espaço Mahatma Gandhi, Pituba.Maiores informações pelo telefone 248-7533.
Nem só de igreja e terreiros vivem o baiano. Na semana passada, Divaldo Franco, uma das principais lideranças kardecistas brasileiras falou para um publico de mais de 20 mil pessoas numa palestra sobre a paz.
Ousadia baiana: para a secretaria da saúde, um administrador de empresas, José Antônio Rodrigues Alves, prefeito de São Felix, cuja administração tem sido considerada modelo no estado.
E eis que Waldir Pires ressurge das cinzas para o ministério de Lula, dos quais farão parte Gilberto Gil e Jacques Wagner, este último candidato ao governo do estado nas ultimas eleições.
Outra do reveillon baiano. Uma festa no ferry-boat, embarcação que faz a ligação Salvador - itaparica.
Enquanto o mundo quer a paz, Saddan Hussein e GeorgeW Bush só faltam trocar tapas e ameaça o planeta.
Civilidade: Lula posa na Isto É ao lado de FHC em clima de só sorrisos. Aprendeu rapido.
E a novela das 8, heim? Pura queimação de filme e nem fãs incondicionais do Gianecchini aguentam o xarope.
".... Um garotinho de 5 anos queria ganhar 100 reais e rezou durante 2 semanas para Deus. Como nada acontecia, ele resolveu mandar uma carta para o Todo Poderoso, com o seu pedido. O correio recebeu uma carta endereçada para Deus-BRASIL. Resolveram mandá-la para o Antonio Carlos Magalhães. O ACM ficou muito comovido com o pedido e resolveu mandar uma nota de 10 reais para o garotinho, pois achou que 100 reais era muito dinheiro para uma criança tão pequena. O garotinho recebeu os 10 reais e imediatamente sentou-se para escrever uma carta de agradecimento: "Prezado Deus: Muito obrigado por me mandar o dinheiro que eu pedi. Contudo, notei que por alguma razão, o Senhor mandou-o através de BRASÍLIA e, como sempre, aqueles filhos da p.... ficaram com 90% de comissão e só me mandaram 10!...."
O Natal é uma festa de aniversário onde a maioria das pessoas anda se esquecendo de convidar o próprio aniversariante. No final do ano todos se preocupam com a comida e com a bebida, porém se esquecem do mais importante da festa.
A cada ano que passa, as pessoas parecem afastar-se cada vez mais do verdadeiro significado deste dia tão importante: o nascimento daquele que mudou a história do mundo e até hoje é o mais completo e perfeito exemplo do verdadeiro amor.
Todos estão preocupados em comprar presentes e, se a família for numerosa, têm o cuidado de não esquecer ninguém. Escolhem quem vai vestir a roupa do Papai Noel na noite de Natal. Será que as crianças vão gostar? Até parece que o Natal é a festa do Papai Noel !!
NATAL É A FESTA DE CRISTO !! É o momento de reafirmarmos Sua presença em nossas vidas e as dádivas que nos deu. Por mais que as dificuldades tenham persistido em cruzar nosso caminho, vamos refletir sobre as boas coisas que Deus nos mandou. E não digo coisas materiais. Falo dos beijos que seus filhos te deram, dos abraços dos amigos, do carinho da pessoa amada, e até do simples sorriso de um desconhecido na rua.
Neste ano, antes da ceia, mesmo que você esteja entre muitas pessoas, reúna seus amigos, dêem as mãos e façam uma oração. Lembrem-se sempre que somos abençoados por Deus !!
Tenha certeza que Ele sempre estará ao seu lado, e faça deste Natal o mais feliz da sua vida.
Roberto Shinyashiki
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publicada no Correio da Manhã de 14 de outubro de 1966.
A Banda
Ojeito no momento, é ver a banda passar, cantando
coisas de amor. Pois de amor andamos todos precisados,
em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija,
nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.
A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não, escancará-la, é subir ao terraço como fez o velho que era fraco mas subiu assim mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa.
Viva a música, viva o sopro de amor que a música e a banda vêm trazendo, Chico Buarque de Holanda à frente, e que restaura em nós hipotecados palácios em ruínas, jardins pisoteados, cisternas secas, compensando-nos da confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda de sonhos que o desamor puniu e lixou, e que são agora como o paletó roído de traça, a pele escarificada de onde fugiu a beleza, o pó no ar, na falta de ar.
A felicidade geral com que foi recebida a passagem dessa banda tão simples, tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, que um rapaz de pouco mais de vinte anos botou na rua, alvoroçando novos e velhos, dá bem a idéia de como andávamos precisando de amor. Pois a banda não vem entoando marchas militares, dobrados de guerra, não convida a matar o inimigo, ela não tem inimigos, nem a festejar com uma pirâmide de camélias e discursos as conquistas da violência. Esta banda é de amor, prefere rasgar corações, na receita do sábio maestro Anacleto Medeiros, fazendo penetrar neles o fogo que arde sem se ver, o contentamento descontente, a dor que desatina sem doer, abrindo a ferida que dói e não se sente, como explicou um velho e imortal especialista português nessas matérias cordiais.
Meu partido está tomado, não sou da ARENA nem do MDB, sou desse partido congregacional e superior às classificações de emergência, que encontra na banda o remédio, a angra, o roteiro, a solução. Ele não obedece a cálculos da conveniência momentânea, não admite cassações nem acomodações para evitá-las, e principalmente não é um partido, mas o desejo, a vontade de compreender, pelo amor, e de amar pela compreensão.
Se uma banda sozinha faz a cidade toda se enfeitar e provoca até o aparecimento da lua cheia no céu confuso e soturno, crivado de signos ameaçadores, é porque há uma beleza generosa e solidária na banda, há uma indicação clara para todos, os que têm responsabilidade de mandar e os que são mandados, os que estão contando dinheiro e os que não o têm para contar e muito menos para gastar, os espertos e os zangados, os vingadores e os ressentidos, os ambiciosos e todos, mas todos os etecéteras que eu poderia alinhar aqui se dispusesse da página inteira. Coisas de amor são finezas que se oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las e distribuí-las, começando por querer que elas floresçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos que cobre a área de nossa vida particular: abrange terreno infinito, nas relações humanas, no país como entidade social carente de amor, no universo-mundo onde a voz do Papa soa como uma trompa longínqua, chamando o velho fraco, a mocinha feia, o homem sério, o faroleiro... todos que viram a banda passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente.
recebi da Aninha Calixto com
Milsssss beijinsssssss Sua Tobosy® :))))))
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Esoterismo diz que a festa de Natal é anterior a Jesus Cristo
Estudos esotéricos indicam que as origens da festa natalina são anteriores ao nascimento de Jesus Cristo. Os sabás comemoravam o tempo de renascimento do Sol, na mesma época do Natal. As árvores de Natal, as luzes, os enfeites nas portas e o próprio Papai Noel tiveram origem nessa tradição dos druidas. Para os esoteristas, a época é propícia para a magia.
Festa natalina é mais antiga que Jesus
A festa do Natal é muito mais antiga do que a cristandade e remonta ao tempo e religiões do paganismo. A tradicional festa do Natal contém em si uma simbologia toda alheia ao dogma cristão moderno. Inicia-se pela data: Jesus não nasceu realmente aos 25 dias de dezembro. A Igreja Católica, no Concílio de Nicéia - mais de 400 anos após o nascimento e morte de Jesus, resolveu convencionar o nascimento de Jesus nesta data.
Na antigüidade, sempre que um país ou terra era conquistado, o novo governo e a religião sempre procuravam se utilizar das datas comemorativas antigas da cultura conquistada, para evitar entrar em choques com ela e aproveitar para introduzir sutilmente uma nova crença, utilizando-se das grandes festas populares.
Desde a antigüidade a humanidade cultua os Deuses, pois o homem necessita antropomorfizar as coisas para ter um referencial sobre si mesmo. As religiões primevas surgiram do culto das fontes que saciavam as necessidades físicas básicas do ser humano. Na forma de religião havia a satisfação do espírito de um corpo já saciado. Assim cultuava-se as plantas, árvores, montanhas, a chuva, o mar.
Daí surgiu o culto ao trigo, do qual é feito o pão ázimo dos judeus (origem do cristianismo) ou a hóstia. Há também o culto da parreira e do vinho, utilizado pelos sacerdotes cristãos até hoje. Este culto antigo era quase que totalmente devoto da Mãe Natureza. Do culto à Mãe Natureza originou-se o culto aos seus ciclos (estações do ano), necessários para a agropecuária. Estes ciclos são muito bem marcados ao longo do caminho solar (do Sol), denominado "ano terrestre", na forma de equinócios e solstícios.
Normalmente é difícil questionar a origem da simbologia que acompanha estas grandes festas religiosas. O que tem a ver a figura do Papai Noel com o nascimento de Jesus? E as renas que levam o carrinho do Papai Noel para o norte? Porque o norte?
E ainda temos as tradicionais bolinhas que enfeitam as também tradicionais árvores de natal. O que tem a ver a árvore e bolas com o nascimento de Jesus, o Cristo? Será que alguém já explicou isso?
A tradição das festas religiosas vêm quase que todas do hemisfério norte. A simbologia natalina provém quase que totalmente do paganismo, de religiões tais como o druidismo e que também contém símbolos cabalísticos da tradição judaica.
Sabás invocam o renascimento do Sol no Natal
As principais festas pagãs são oito ao total no ano e seguem um determinado ciclo da natureza. Destas festas quatro são solares e quatro lunares (uma festa lunar, por exemplo é o Halloween). Elas se intercalam como numa relação sexual sagrada que gera, mantém, perdura, tira e renova a vida. As festas solares são definidas pelo movimento do Sol e dos pontos originados por seu cruzamento sobre a projeção do equador terrestre no céu, bem como pelos pontos definidos por sua maior distância dos mesmos.
Estes pontos são denominados por equinócios (quando o Sol cruza o equador celeste e os dias têm duração igual às noites); e, por solstícios (quando o Sol está mais distante do equador celeste e a duração dos dias e noites são desiguais ao máximo). Estas quatro datas do ano marcam festas comemorativas espirituais conhecidas por sabás (que nada têm a ver com os sabás negros, missas negras ou coisa do gênero).
A festa cristã do Natal foi definida para o dia 25 de dezembro, quando a data pagã de comemoração do solstício é próxima ao dia 23 de dezembro, variando em horário e até dia, de ano para ano. O Solstício de Inverno, para o hemisfério norte, ocorre sempre por vota desta data.
Druidas
A comemoração do Solstício de Inverno na tradição druídica chama-se "Alban Arthuan" (a Luz de Arthur"). Representa o tempo em que se podemos nos abrir para as forças de inspiração e concepção. É tempo de morte e renascimento. O Sol parede estar abandonando a Terra enquanto a noite mais longa chega. As palavras cerimoniais dos druidas são: "Liberte-se, oh homem/mulher, do que quer que lhe esteja impedindo o aparecimento da Luz!". O Solstício de Verão é quando a luz penetra na escuridão do mundo.
A sacerdotisa diz: "Esta é a noite do solstício, a noite mais comprida do ano. Agora, a escuridão triunfa: no entanto, recua e transforma-se em luz. O fôlego da Natureza está em suspenso: todos aguardam, enquanto dentro do caldeirão o Rei da escuridão é transformado em Criança da Luz (saída do útero para fora do corpo da mãe). Aguardamos a chegada do amanhecer, quando a grande mãe dará à luz novamente a divina criança do Sol, que é portadora da esperança e da promessa de verão... estamos todos acordados na noite. Giramos a roda para que ela traga a luz. Invocamos o Sol (Sol Invictus) do ventre da noite (vigília)...". Uma simbologia muito parecida, senão análoga, à tradição cristã.
Chifres
Na tradição da Natureza ou pagã, o Natal é data de festejar o renascimento do Sol e glorificar o deus Chifrudo. O aspecto do deus invocado nesse Sabá é por certas tradições wiccanianas a do Deus Frey, o deus escandinavo da fertilidade. Outros Deuses chifrudos são Pã ("tudo" ou cosmos, em grego) e Hernes/Cernnutos (celta). É bom ressaltar que "Sabá", nesta tradição, nada tem a ver com Satanismo.
Também no Velho Testamento os chifres são símbolo de poder divino. No Salmo 18:3 Deus é simbolizado como chifre como fonte de poder; em Êxodo 27:2 estabelece-se que deve haver chifres nos quatro cantos do altar; em Deuteronômio 33:17 fala-se acerca dos chifres de Deus; em 1 Reis fala-se dos chifres do profeta; em Salmos 132:17 coloca-se os chifres como bênção semelhando à de Davi. Em algumas bíblias ilustradas o próprio Moisés é retratado com chifres após seu contato com "Deus".
O deus Chifrudo é integrado com a Natureza. Nos tempos antigos, o Solstício de Inverno correspondia à Saturnália romana (17 a 24 de dezembro), a ritos de fertilidade e a vários ritos de adoração ao Sol.
Natal equivale ao Solstício de Verão para o Brasil
Os druidas celebravam o princípio da escuridão
No hemisfério sul ocorre o Solstício de Verão em dezembro. Pela tradição pagã, celebra-se a festa chamada "Alban Heruin", a Luz do Litoral. É quando os druidas realizavam sua cerimônia mais complexa. Eles faziam uma vigília durante toda a noite, a partir da meia-noite da véspera do solstício, sentados ao redor da fogueira do solstício.
A noite acaba numa questão de horas (é a menor noite do ano) e, quando a luz irrompe, a Cerimônia da Aurora marca a hora do nascer do Sol no seu dia mais poderoso. Ao meio-dia outra cerimônia era realizada. Era celebrada em "Stonehenge".
Alban Heruin está no Sul, é tempo da expressão quando podemos nos abrir para realizar nossos sonhos e trabalharmos na arena do mundo exterior. Simboliza o poder do Sol. Em certas tradições wiccanianas o Solstício de Verão chama-se "Litah" e simboliza o término do reinado do ano crescente do Rei do Carvalho, que é, então substituído pelo seu sucessor, o Rei do Azevinho do ano decrescente.
Papai Noel
Estes reis são gêmeos, um é claro e outro escuro e cada qual é o "eu" do outro. São rivais quanto aos favores da grande Deusa. A verdadeira origem do Papai Noel é o Rei do Azevinho (verde, com frutas vermelhas, enquanto todas as outras plantas estão sem frutos) e não o bispo de Mira do século IV.
É um dia mágico, adequado para a colheita das ervas mágicas, para as adivinhações, os rituais de cura. Todas as formas de magia são extremamente potentes na véspera do Solstício de Verão.
A partida da luz
Nesta cerimônia do Solstício de Verão a sacerdotisa diz: "Este é o tempo da rosa, florescência e espinho, fragrância e sangue. Agora, neste dia mais longo a luz triunfa e, no entanto, começa a declinar para a escuridão. O Rei Sol amadurecido abraça a Rainha do Verão no amor que é morte, pois ele é tão completo que tudo se dissolve na única canção de êxtase que move os mundos. Portanto, o Senhor da Luz morre para si mesmo e navega através dos mares misteriosos do tempo, buscando a ilha da luz que é o renascimento. Giramos a roda e partilhamos seu destino, pois plantamos as sementes de nossas próprias transformações e, a fim de crescermos, devemos aceitar até mesmo a partida do sol..."
Celebração pode ser feita em casa
A tradição do hemisfério norte pode ser seguida por qualquer pessoa no Brasil. Quem quiser celebrar a festa do Solstício de Inverno neste Natal, deve decorar a árvore, pendurar o visco e queimar o azevinho em ramos de carvalho.
Também é preciso decorar o altar com visco e azevinho. Pode-se dizer as palavras do druida e da sacerdotisa (já citados na matéria). O incenso pode ser feito de louro, cedro, pinho e alecrim. As velas podem ser douradas, verdes, vermelhas e brancas. As pedras indicadas para se levar no corpo e no altar são o olho-de-gato e o rubi.
Quem preferir adequar a celebração ao clima tropical celebrando o Solstício de Verão, deve se alimentar com vegetais frescos, frutas do verão, pão de centeio integral, cerveja e hidromel. O incenso é feito de olíbano, limão, mirra, pinho, rosa e glicínia. As velas podem ter cores azul e verde. As pedras são todas as verdes.
O altar é decorado com rosas e flores de verão. É preciso colocar no altar uma figura de Deus feita de paus entrelaçados com um pão dentro dele (envolto em papel alumínio). Pode-se repetir o que a sacerdotisa diz (leia acima). Dançar com a figura de Deus e meditar ao ver as flores murcharem e queimarem. Depois tirar o pão de dentro e imaginar a força do que se queimou interiorizando-se no pão.
Símbolos natalinos surgiram com druidas
A maioria dos símbolos do Natal têm origem nos druidas, os sacerdotes dos celtas. O termo druida significa "carvalho", mas também mago e encantamento. Eles eram sábios especialistas em medicina natural e filosofia.
As velas que usamos na festa do Natal, por exemplo, são a simplificação das antigas fogueiras. A festa de 25 de dezembro é celebrada por definição, graças à proximidade com o dia 22/23. O Papai Noel é representado morando no Hemisfério Norte pois é simbolizado no Norte o tempo do frio, da noite e da morte em geral. Também e no norte que fia "posicionado" o reino dos gnomos - elementais da terra que aparecem ajudando o Papai Noel de forma oculta. As renas também eram cultuadas pelos druidas.
Missa do Galo
A tradicional Missa do Galo cristã também segue a tradição da cerimônia pagã. O galo é um animal sagrado para os ciganos e há quem diga que eles são um ramo perdido dos atlantes e que os druidas/celtas são outro ramo de atlantes sacerdotes. O galo é quem diz: "Eu sou aquele que canta o raiar de um novo dia, de uma nova esperança, de uma nova vida!", em uma clara alusão ao Sol como deus e origem da vida.
Também o costume dependurar nas portas os enfeites de vegetais tem a ver com a tradição celta de pendurar visco sobre a porta, que era considerado extremamente mágico e conferia poderes a quem o usasse na data do solstício. Os druidas cultuavam as árvores, daí a origem da Árvore de Natal.
Uma contribuição judaica
Outra relação é com a Árvore da Vida cabalística e seus Sefirotes (esferas, bolas). As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua, das estrelas, dos anjos cabalísticos, como aparecem na Árvore Cósmica da Vida. A Árvore de Natal é geralmente encimada por uma estrela de cinco pontas. Trata-se do símbolo mágico e cabalístico do pentagrama, o homem cósmico, o adan-cadmon, o domínio dos cinco elementos. É a expressão máxima da magia.
Papai Noel tem uma relação direta com o Pai (Deus) em sua versão Noel. El é o sufixo hebraico que designa a maioria dos anjos e é relativo à séfira Hesed (Misericórdia). Esta séfira abriga o coro angélico das Dominações e as cores jupiterianas (violeta, púrpura) a dominam. As vestes do Papai Noel é toda nestas cores e em dourado, cor da verdade e do espírito. "EL" é o aspecto de Deus da justiça pacífica e , da virtude e da misericórdia. Ele distribui "presentes" e liberdade aos que merecem e até aos que não merecem. Ele assiste nos assuntos relacionados com os assuntos religiosos. Em hebraico "No" (de Noel) é formado por N + O, que valem 14 e 6 respectivamente, "A Temperança" e "Os Enamorados" respectivamente no Tarô (no Tarô cada arcano maior corresponde à uma letra hebraica). São arcanos de paz e de harmonia. É interessante observar-mos que a 14a letra hebraica e a 6a correspondem respectivamente ao signos de Escorpião e de Touro (segundo o Sefer Yetzirah, livro sagrado na Cabala). Estes signos regem, em astrologia, o Eixo do Prazer, da segurança e do bem estar no mundo da matéria. São os responsáveis pela distribuição da saúde, do dinheiro, dos bens materiais e do prazer sexual e sensorial. Somando-se 14 + 6 resulta 20, o arcano "A Ressurreição" que nos traz um momento de reflexão sobre o que se foi para se aproveitar o melhor do passado em prol de um futuro melhor. Neste arcano as coisas boas do passado podem ser a "matéria prima" para um futuro melhor.
As luzes e os enfeites da Árvore de Natal representam também as almas dos que já partiram e que são lembrados no final do ano, segundo o xamanismo.
Por: Juarez de Fausto Prestupa Astrólogo, cabalista, hermetista e pesquisador de religiões antigas
(Texto recebido de Anjo Lúcifer)
Paz, Luz e Sabedoria !!!
Com carinho... Beijinhos,
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Amo a Tomikko, Amor velho e manso. Amo a Tomiko como quem ama uma ikebana, um bonsai, um haikai. Ela é pura simplicidade nipônica. Pois a Tomiko, no dia mesmo em que ingressei na idade do sexo, isto é, quando me tornei Sex/Age/nário, telefonou-me com uma surpreendente informação que, de imediato, transformou-se em desafio. Disse-me que, no Japão, quando um homem faz 60 anos, ele compra um blazer vermelho. Antes dessa idade ele não tem direito a essa cor - atributo dos deuses. somente com os 60 anos essa liberdade lhe é concedida. Quem tem permissão para usar o vermelho tem permissão para tudo.
Por aqui é justamente o contrário. À medida que envelhecemos as cores devem ir ficando sóbrias e tristes. Esse costume, eu acho, tem a ver com a nossa idéia de que o velho está a um pé da sepultura, e que é bom ir deixando os vermelhos, azuis e amarelos para trás, assumindo a gravidade de quem vai se encontrar com Deus, o mesmo que criou o arco-íris e as suas sete cores, mas que nunca se veste de amarelo com bolas roxas.
A moda que a sociedade escolheu para os velhos é uma preparatio mortis. Outra não é a razão por que, em certas regiões da Península Ibérica e da Itália, as mulheres velhas e viúvas (é costume geral que os homens morram primeiro) se cobrem de negro da cabeça aos pés, lúgubre imitação das vestimentas dos padres e dos urubus, especialistas em cadáveres. Com suas roupas negras, elas estão proclamando: "Deixei a vida ! Abandonei o amor ! Que nenhum homem se atreva a me desejar!".
O costume chegou até nós de forma atenuada, mas chegou. em tempos não muito distantes, o pudor e o respeito exigiam que as senhoras, a partir dos 50 anos, usassem vestidos tipo tubinho, indo até os tornozelos, golinha fechada no pescoço, mangas compridas, azul com bolinhas brancas, e birote. Também os homens de respeito tinham que andar sempre de paletó, colete e gravata, obrigatoriamente de cores sóbrias. Blazer vermelho só em bailes de carnaval e no manicômio.
Mas eu resolvi comprar o tal blazer vermelho. Tenho prazer em ver a cara espantada dos outros. Resolvi mas não cumpri. Faltou-me coragem. Aí fomos viajar, eu, minha mulher, e um casal de amigos, Jether e Lucilia. Gente maravilhosa. Basta dizer que somos capazes de viajar um mês inteiro, no mesmo carro, sem jamais nos irritarmos uns com os outros. Concordamos até sobre a hora de levantar. O Jether já fez 70 anos. Mas quem vê não acredita. Elegante, cabelo preto, pele lisa, topa tudo, sobe morro, entra no mato, toma banho de cachoeira, mergulha em lago de água gelada - e a mulher dele não fica atrás. Jether e Lucilia são adolescentes. Pois fomos a Berlim e ficamos hospedados na casa do filho deles, Luiz, que mora lá faz 20 anos. Numa bela manhã, para o café, aparece o Luiz com um lindo blazer, finíssimo, cor de vinho, bordeaux. A antiga decisão se acendeu dentro de mim. O Luiz me disse que comprara aquele blazer numa casa de roupas usadas. Terminamos o café e lá fomos atrás do blazer vermelho. encontrei um lindo, novíssimo, baratíssimo. (...), era um número menor que o meu. entrava muito justo. Mas ficou perfeito para o Jether. Fiquei logo com inveja: ele com o blazer, eu sem blazer. Mas aí veio o desapontamento: ele não comprou o blazer vermelho embora achasse linda a cor de vinho. Alegou que não combinava com a sua idade. Não ficaria bem. Os outros estranhariam.
Os outros: a sociedade tem um lugar preciso para os velhos. Antigamente dizia-se de um negro bom: "Ele conhece o seu lugar". Coisa parecida se pode dizer do velho bom: "Ele conhece o seu papel", o papel que as gerações mais novas lhe atribui. Os jovens acusam os velhos pais de serem quadrados. Com isso querem dizer que os pais não compreendem os seus valores, os seus gostos estéticos, os seus hábitos sexuais, as suas músicas. Portanto, é inútil conversar com eles.
Agora imagine que o pai ou a mãe de algum jovem, de repente, em decorrência de um acidente vascular cerebral, virasse a cabeça, começasse a gostar de rock, passasse a freqüentar barzinhos, trocasse as roupas antigas pelos jeans e as cores jovens e comprasse um conversível - o que a aconteceria? O filho ficaria feliz com o fato de o pai ou a mãe ter deixado de ser quadrado? De forma alguma. cobrir-se-ia de vergonha. É só na cabeça que o pai e a mãe não devem ser quadrados. Na vida prática, o certo é que sejam quadrados. Velho que não é quadrado, na prática, é motivo de embaraço e vergonha.
Estou lendo de novo o livro da Simone Beauvoir intitulado A Velhice. Terrível. A sociedade tem um lindíssimo ideal para os velhos: cabelos brancos, ricos em experiências, pacientes, sábios tolerantes, perdoadores. A sociedade lhes atribui virtudes de seres angelicais muito diferentes dos seres humanos normais. Os direitos comuns a jovens e adultos, os velhos deixaram de ter. Diz a Simone: "Se os velhos apresentarem os mesmos desejos, os mesmos sentimentos e as mesmas exigências dos jovens, o mundo olhará para eles com repulsa: Neles o amor e o ciúme parecem revoltantes e absurdos, a sexualidade é repulsiva, a violência, ridícula".
Mas a verdade sobre os velhos foi Marcel Proust quem disse: "Um velho é apenas um adolescente que viveu demais". No corpo de um velho continua vivo um adolescente. A sociedade tudo faz para se livrar desse intruso inconveniente. Esconde-o atrás de uma máscara sorridente, mata-o secretamente e enterra-o num túmulo de hipocrisias. Mas o adolescente ressurge da morte ao terceiro dia.
Hoje portanto, convido você, classificado como velho, a soltar o adolescente que mora no seu corpo. Faça uma coisa insólita, proibida, que horrorizaria os jovens. Vá com a sua mulher a um motel. Compre uma cueca, jovem, colorida. Compre uma calcinha sexy, com rendinhas. Vá a um barzinho, Meta-se no meio dos moços. Cancele sua viagem para Fátima: prefira a chapada Diamantina ou vá nadar em Bonito. Compre jeans, tênis e camisetas. E, se você tiver coragem compre um blazer vermelho. Eu comprei e vou usá-lo. Depois descobri que o Jether não comprou só pra não despertar suspeitas. O adolescente dele está sempre solto. Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. Aleluia!
Natal é um tempo para lembrar as pessoas queridas tanto as daqui, como as do céu. Depois da perda de uma pessoa querida, as festas natalinas trazem memórias especiais e suaves momentos de tristeza. Que o toque curativo de Deus seja cheio de esperança! Que você encontre alegria no dom da memória, paz no abraço dos familiares e amigos e a cura na promessa da vida eterna.
Para você que perdeu uma pessoa querida, as festas natalinas podem ser uma lembrança dolorosa da perda. Os primeiros anos são os mais difíceis, mas nos anos seguintes também pode faltar a alegria que você costumava sentir no tempo de Natal. Listo algumas idéias que podem ajudá-lo a dar novo significado a essas festas:
Seja paciente e realista. Algumas vezes, grandes expectativas do Natal tornam nossa frustração mais aguda. Temos uma imagem mental de como as coisas deveriam ser. No entanto, nossas expectativas são geralmente baseadas em fantasia. É difícil ser realista e se concentrar quando se está em luto, mas é uma importante estratégia para a saúde e bem estar. Planeje com antecedência. Faça uma lista e priorize as coisas. Decida o que é importante para você.
Ouça o seu coração e reconheça seus limites. Passe um certo tempo quieto diante da correria do fim de ano, ouvindo seu coração. Tome consciência de suas necessidades e expresse-as para os membros da família e amigos, com quem planeja passar as festas. Encoraje outras pessoas a também partilharem seus sentimentos. Lembre-se de que é compreensível dizer "não." Você não tem a obrigação de aceitar todos os convites. Faça o que for possível e o suficiente. Se a casa for muito grande para ser decorada, decore uma sala, um canto ou uma mesa. Não há nada de errado na simplicidade. O luto é difícil também para o corpo e trás stress. Evite a tentação de buscar compensações nos deleites da culinária desta época.
Adapte as tradições queridas. Não descarte tudo. Conserve as tradições vivas. Por exemplo, se o fato de não comprar presente para a pessoa querida que partiu lhe causa tristeza, compre um presente simples e dê para alguém que não o receberia um presente. Lembre-se de que é a troca de amor, o dar, que mais importa. Se você está sozinho, em conseqüência da perda, encontre uma forma de passar as festas com outras pessoas. Pare num asilo. Você encontrará novos laços com essa partilha.
Permita que as lágrimas caiam, mas procure alegria em meio à dor. Não se prive do presente das lágrimas que curam. Não se surpreenda se elas chegam quando você menos espera. Neste Natal, experimente recordar os momentos maravilhosos da vida de sua pessoa querida. Pense nos presentes que ela tem sido para você: alegria, riso, afeto, companhia. Escreva esses dons em tiras de papel e decore a árvore de Natal, coloque-as em um livro de memórias ou numa gaveta. Celebre a alegria que ela lhe proporcionou.
Focalize a atenção na dimensão espiritual da festa. Na tradição cristã, o Advento é um tempo de reflexão silenciosa e preparação espiritual. Deixe que este tempo de esperançosa antecipação toque seu coração. Nesse tempo de luz, lembre-se da luz que ela trouxe para sua vida. Acenda uma vela especial - celebrando a vida e o amor partilhados. À medida em que aprende a criar uma nova realidade para você, tempere sua expectativa com compaixão e gentileza. Você encontrará a cura, mas se permitir a si mesmo experimentar um leque de emoções no caminho do luto. Que o amor seja a sua lembrança!
Fonte: Getting Through the Holidays When You´ve Lost a Loved One - By Darcie D. Sims
A manhã chegava devagar e silenciosa, trazendo sopros de luz e suavidade. Pela janela, os raios de sol entravam lentamente, iluminando seu cantinho, seus livros, seus retratos, sua textura, tensa e magoada. Parecia cansada, sem vontade de ir
em busca de um novo começo. Abria os olhos devagar, para fechá-los em seguida. Tantas coisas nos acontecem! Onde está nosso bom Deus nestes
momentos de tanta dor? Não estava interessada em passar pela dor,
para aprender o seu real significado... Olhou para o quarto e percebeu a presença
da Luz e perguntou: Por que desejas iluminar meu momento? Não percebes que podes mostrar além
do que estou preparada para ver? E a Luz, mansamente, lhe disse: Ilumino por que esta é a minha natureza e, não há nada que queira te mostrar
que dentro de ti já não esteja. Vem contemplar o dia, não podes
demorar-te em tanta tristeza. Acabarás por ocupar todo o espaço
ao que está reservado, neste dia, para ti. E ela, cheia de tristeza em sua alma, disse: Não tenho tanto conhecimento para juntar ao seu, e minha tristeza parece maior do que sua alegria. E a Luz falou: Podes sentir tua dor, mas te digo que esta mesma dor passará quando a deixares de alimentar em teu ser. Por ser passageira, a dor é feita
apenas para que percebas que não estás no caminho certo. Valoriza o que é eterno em ti, para que aprendas a ser constante em teu ser; valoriza o que te faz florescer, para que sintas que és o perfume da criação de Deus; valoriza o que não pode dividi-la ao meio, para que aprendas a fortalecer tua unidade
aos olhos de Quem te criou. Um pouco de boa vontade, por favor.
Textos extraídosda Revista Veja, Edição 1783, de 25 de dezembro de 2002
As faces de Jesus
Isabela Boscov
No primeiro século da era cristã, os judeus da Palestina não tinham sobrenome. Quando o prenome não bastava para a identificação, juntava-se a ele o local de origem – daí Jesus ter ficado conhecido como Jesus de Nazaré, a cidade da Galiléia onde foi criado. Pouco se sabe de sua vida. Jesus era pobre, mas não destituído. Abaixo de sua classe, a dos pequenos artesãos e agricultores, havia ainda uma legião de miseráveis.Numa atitude incomum em seu tempo, Jesus contemplou essas pessoas com compaixão destacada em suas pregações. Dedicou igual atenção às prostitutas, aos adúlteros, aos ladrões e à odiada categoria dos cobradores de impostos, símbolo da dominação romana sobre a Palestina.
Ao longo dos séculos, consolidou-se a idéia de que a palavra de Jesus foi como uma febre a varrer a Palestina. No entanto, de uma perspectiva estritamente histórica, tudo indica que não foi bem assim. A pregação do Nazareno provavelmente não durou um ano inteiro, e profetas não eram um artigo tão raro naqueles tempos. Os milagres, exorcismos, profecias e ensinamentos de Jesus atraíam muita gente, mas é provável que não se tratasse de multidões. Sinal disso é que, só alguns dias após sua entrada em Jerusalém para celebrar a Páscoa, Jesus foi preso, julgado e crucificado por Pôncio Pilatos. Na Páscoa, a guarda romana em Jerusalém se punha em alerta máximo – com a cidade repleta de gente inflamada por um festival religioso, era uma oportunidade quase certeira para rebeliões contra Roma. Se a comoção provocada pela chegada de Jesus tivesse sido excepcional, a reação teria sido imediata. Aos olhos de Caifás, o sumo-sacerdote judeu de Jerusalém que o denunciou, e do governador romano Pilatos, Jesus provavelmente não passava de mais um entre muitos indícios de instabilidade na região.
Como foi possível, então, que esse homem humilde e obscuro se convertesse na peça central da fé que mais tem adeptos em todo o planeta – cerca de 2 bilhões de cristãos, ou um terço da humanidade –, e que vem resistindo com surpreendente vitalidade às mudanças dramáticas por que o mundo passou nesses vinte séculos? Todas as respostas a essa pergunta têm de começar por um ponto crucial: o mundo de significados contidos na figura de Jesus, que parecem não se esgotar nunca, seja para seus fiéis, seja para os adeptos de outras religiões, que se viram inexoravelmente tocados por aquela que foi a grande força escultora da civilização ocidental.
O tempo de Jesus foi pródigo nos chamados profetas escatológicos – não no sentido que se dá hoje ao termo, claro, mas na acepção da palavra escatologia, que quer dizer "a doutrina das últimas coisas". Ou seja, a doutrina do fim dos tempos, uma parte fundamental do judaísmo nessa época. Também Jesus era um profeta escatológico e anunciava a instauração iminente do Reino de Deus na Terra. A diferença é que só de Jesus se disse ser o Filho de Deus. Desde os primeiros judeus que se converteram ao seu chamado, todos que o atendem ainda hoje o fazem por um ato supremo de fé: a crença de que Deus se fez homem (e nunca o contrário), como prova do amor por Seu rebanho.
Não custa lembrar que, no tempo de Jesus, só os judeus acreditavam num único Deus. Todo o restante da Antiguidade seguia magotes de divindades. Poder-se-ia presumir, portanto, que a pregação de Jesus só se dirigia aos judeus, e só interessaria a eles. Mas, durante os meses em que peregrinou pela Palestina, Jesus teve oportunidade de se indispor com todo poder político e religioso que houvesse ali. Pelo que se depreende dos Evangelhos Sinópticos – aqueles escritos por Marcos, Lucas e Mateus, que se julga serem a mais fidedigna fonte sobre a obra de Jesus –, o Nazareno nunca pediu fidelidade a si nem deu sinal de que pretendia fundar uma Igreja. Ao contrário, deixou claro que, para Deus, não havia eleitos: a salvação poderia pertencer a todos os que se arrependessem de seus pecados e que amassem não só o próximo, mas também seus inimigos. Mais do que fundar uma religião, o intento parecia ser o de formar uma comunidade em moldes inéditos. Para Helmut Koester, professor de estudos do Novo Testamento da Universidade Harvard, a fórmula de batismo com que se iniciam as Cartas de Paulo é, na verdade, uma fórmula sociológica. São Paulo escreve que em Cristo não há nem judeus nem gregos, nem homens nem mulheres, nem escravos nem libertos. "Aí está uma comunidade que convida a todos e que transforma todos em iguais, sem desvantagens", diz Koester.
Hoje é fácil enxergar a beleza da mensagem de Jesus, mesmo que não se acredite em sua origem sagrada. Por volta do ano 30, contudo, essa beleza tinha algo de subversivo. Ao Império Romano, não agradava que alguém andasse por seu território dizendo que o Reino de Deus era o único verdadeiro. À hierarquia religiosa judaica, também não soava bem que um jovem sem profissão ou título definidos fosse anunciado como o Filho de Deus – e mais ainda que convidasse imorais e gente de outras religiões a compartilhar desse Deus. Essas duas coisas já bastariam para fazer de Jesus um alvo. Mas ele tinha ainda, segundo os Evangelhos, o dom de operar imensos milagres, como curar leprosos, multiplicar os alimentos ou ressuscitar os mortos. Ou seja, sua fama crescia e suas palavras cada vez mais se faziam ouvir. Num acordo político nebuloso para os historiadores, o sacerdote Caifás e o governador Pilatos decidiram, então, condenar Jesus, que atraíra os olhares para si naquela Páscoa ao invadir o Templo de Jerusalém para desbaratar os comerciantes que trabalhavam ali. Num ritual destinado a produzir o máximo de humilhação, o Nazareno teve uma coroa de espinhos fincada em sua cabeça e carregou sua própria cruz até o monte chamado Gólgota, onde foi crucificado entre dois ladrões.
É certo que nem os doze apóstolos de Jesus esperavam por um desfecho tão trágico. Mas foi por causa desse fim prematuro e aparentemente inglório que, nos anos seguintes à morte de Jesus, um embrião de Igreja começou a surgir em torno dele. A razão está num dos maiores mistérios ligados a Jesus, e também um dos dogmas mais sagrados do cristianismo – a Ressurreição. São taxativos os relatos transmitidos pelos evangelistas de que, após sua morte, Jesus se fez ver em várias ocasiões por seus discípulos. De acordo com Lucas, na segunda vez em que apareceu, comeu até peixe assado. "Se Deus o fez ressurgir dos mortos, ele não era apenas um mensageiro divino, como seus seguidores provavelmente julgavam de início. Teria de ser o próprio Messias", explica o pesquisador Michael L. White, diretor de estudos religiosos da Universidade do Texas em Austin. Daí o título Cristo – em grego, "o ungido" – ter se agregado a seu nome desde cedo.
Séculos de debates teológicos ainda não deram conta de todas as implicações da Paixão e Ressurreição. Mas elas estão na essência da maneira como os cristãos enxergaram e enxergam Jesus no decorrer desses 2000 anos. A doutrina que foi se cimentando nos primeiros séculos da Igreja ensina que Cristo tem uma dupla natureza: é integralmente divino e integralmente humano. É divino porque é uma das três formas de Deus – a Santíssima Trindade, composta por Pai, Filho e Espírito Santo – e, como tal, existe desde antes da Criação. Jesus é, assim, Deus encarnado em homem, e por ser o Filho é que seu sacrifício tem poder para redimir toda a humanidade de seus pecados. Mas Jesus é também humano porque nasceu de uma mulher e viveu entre os homens. E, mais importante, porque se entregou à cruz com um temor e um coração humanos. A salvação, assim, não é algo a que só o Filho de Deus possa almejar, mas o ideal por que cada ser humano deve se nortear. A Ressurreição, por sua vez, confirma a crença na vida eterna e indica que os homens podem ganhar um lugar ao lado do Criador.
São tantas as facetas contidas nessa equação que não é de admirar que Jesus tenha adquirido representações tão diversas ao longo dos séculos – e que elas muitas vezes convivam no tempo, já que a cristandade nunca primou pelo caráter homogêneo. Nos primeiros séculos da Igreja, Jesus era quase sempre representado num trono, com uma esfera que simboliza o mundo nas mãos. Era o chamado Pantocrator, a palavra grega para "senhor de todas as coisas". Sob forte influência da filosofia helênica, o que se acentuava aí não era a dimensão humana de Jesus, mas, ao contrário, a sua majestade – a garantia de que o mundo seria regido por uma ordem eterna e superior. Talvez não por coincidência, esse era o momento em que o Império Romano se esfacelava e a sensação de caos institucional se aguçava – embora associações diretas entre os eventos históricos e a espiritualidade cristã quase sempre resultem em explicações demasiadamente simplificadas de uma coisa e de outra.
O interregno entre a Antiguidade e a Idade Média é um dos períodos mais obscuros da história da civilização. Mas o que emergiu dele, nos séculos XII a XIV, é um outro Jesus – o Cristo humano. Vêm dessa época as imagens de Cristo crucificado e a ênfase nas suas chagas, seu sangue e sua dor. Um emblema dessa guinada é São Francisco de Assis, que devolveu suas vestes ao seu pai rico e renunciou a todas as posses materiais. Atribui-se a Francisco a invenção do presépio, que é um conduto para esse Cristo de carne e osso – a criança, o pobre, aquele que partilha a condição humana no que ela tem de mais simples e humilde. É como se Francisco e as santas místicas como Catarina de Siena e Santa Brígida tivessem em Cristo uma pessoa próxima e amiga, uma figura de conforto à qual se ligavam de forma quase que afetiva.
Essa tendência a acentuar a concretude de Cristo teve um seguimento dos mais relevantes para a história ocidental com Santo Inácio de Loyola, que fundou a Companhia de Jesus, no século XVI. Para os jesuítas, que se tornariam altamente influentes tanto em assuntos religiosos como terrenos, o sentimento para com Cristo beirava o companheirismo. Os jesuítas se consideravam soldados de Jesus e o tinham como um modelo, ético e de vida, do qual todos poderiam se aproximar. Se essa noção parece moderna, não é por acaso. A espiritualidade cristã passava por um momento de descoberta do eu, do sujeito, e buscava um caminho para incorporá-lo à dimensão religiosa. No século XVII, São Francisco de Salles escreveu um livro de grande impacto, Introdução à Vida Devota, no qual defendia que não era preciso se recolher a um mosteiro para imitar Cristo. As pessoas que tinham família ou profissão na vida comum e não tencionavam deixá-las também podiam viver uma vida cristã plena. Com modificações e alguma simplificação, é essa a linha de pensamento que guia importantes correntes da atualidade, como o protestantismo liberal e o espiritismo kardecista. Jesus, para essas denominações, é fundamentalmente um exemplo ético – aquele que ensinou a praticar o bem e a solidariedade. Ou, no caso dos kardecistas, o mais iluminado entre os espíritos de luz e o comandante de um colegiado de espíritos encarregados de transmitir a sua boa-nova – é esse o significado da palavra evangelho. Não há dúvida de que esses são preceitos positivos. Mas eles se colocam relativamente à margem da tradição cristã por tirar de Jesus a dimensão mística que esta considera inalienável, a da ligação com o Pai.
Não é coincidência que a diocese de São Francisco de Salles ficasse na Suíça, onde então se desenrolava a Reforma Protestante. Ela aflorou na Europa por razões políticas e também como resposta ao anseio por uma espiritualidade mais interiorizada, sem o exagero de festas, procissões e sinais de fé quase sempre exteriores que marcaram o cristianismo medieval. Por causa disso, e também por causa da revolta contra a riqueza da Igreja Católica, luteranos, calvinistas e as várias outras correntes protestantes viriam a se desfazer de símbolos que, em seu entender, haviam nascido da instituição, e não da religião. Pode-se até dizer que os protestantes viam na profusão de santos, imagens e crucifixos e na imensa devoção católica à figura da Virgem Maria um quê de panteísmo. Tudo isso foi recusado pelo protestantismo, que passou a se pautar por ideais de austeridade absoluta e por uma consciência aguda do pecado, num ideal de renúncia que sempre foi uma forte inspiração dentro do cristianismo.
Um dos aspectos mais impressionantes do cristianismo é a maneira como ele se misturou à trama das civilizações – quando não é o próprio fio de que elas foram tecidas. Num mundo pós-11 de setembro, em que as tensões entre o Ocidente e o mundo muçulmano se tornaram tão acirradas, pode ser difícil imaginar que a figura de Jesus seja um dos tijolos do islamismo. Mas Maomé, o grande profeta do Islã, costumava se retirar no deserto para refletir sobre os ensinamentos de Cristo, e tanto este quanto a Virgem Maria são citados em vários pontos do Corão, o livro sagrado do islamismo. Os seguidores de Maomé não acreditam que Jesus seja o Filho de Deus, já que o Corão diz que Alá não gerou nem foi gerado, e repudiam a Santíssima Trindade, que violaria o conceito da unicidade de Deus. Mas consideram Jesus um dos grandes profetas e admitem a concepção imaculada – Maria teria engravidado de Cristo, ainda virgem, por intercessão divina. Os muçulmanos também aguardam a volta de Jesus, mas não crêem na crucificação. Segundo eles, Alá teria poupado Cristo, fazendo com que aqueles que olhassem para a cruz vissem seu rosto no de um outro homem. Essas diferenças teológicas mais séculos de hostilidades, das quais as Cruzadas são um dos ápices mais trágicos, fizeram os caminhos de cristãos e maometanos divergir, mas não suas perspectivas sobre a religião como instrumento de fraternidade.
Como no caso das Cruzadas ou da Inquisição medieval, em que os padres atiravam à fogueira os suspeitos de heresia, os pecados da Igreja Católica muitas vezes se confundiram com a fé cristã. Mas apenas momentaneamente. O cristianismo tem mostrado uma resistência espetacular, e se recompõe a cada revés ou ataque. "Apesar de toda a decadência da Igreja, Jesus Cristo nunca foi perdido", observa o teólogo suíço Hans Küng, que participou do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965, e anos mais tarde se indispôs violentamente com a instituição. "O nome de Jesus Cristo é como um fio de ouro na tapeçaria da história da Igreja. Embora muitas vezes a tapeçaria esteja rota e encardida, aquele fio é sempre usado de novo", completa Küng. Como na parábola, Jesus sempre tem outra face a oferecer.
Poucos episódios ilustram tão bem essa perenidade quanto os golpes desferidos contra a religião pelo iluminismo, nos séculos XVIII e XIX, e os subseqüentes movimentos racionais e materialistas. Quanto mais se sofisticavam os métodos de pesquisa histórica e mais se afinavam os instrumentos da filosofia, menos lugar parecia haver para o dogma e os atos de fé. Tudo aquilo que está no Novo Testamento era tido como de origem duvidosa. Chegou-se a dizer que a existência de Jesus – hoje amplamente comprovada – era uma fraude. As marcas deixadas por essa maré foram profundas. O protestantismo se abriu para algum questionamento, a separação entre Igreja e Estado se consumou em todo o mundo ocidental e, nos países que adotaram regimes socialistas, as religiões foram proibidas. Mas o mundo cristão não encolheu. O padre Alberto Antoniazzi, teólogo e diretor do projeto Pastoral de Belo Horizonte, lembra-se de uma passagem ilustrativa: "Em 1850, o francês Auguste Comte sonhava que, em poucos anos, ele pregaria o racionalismo na Catedral de Notre-Dame. Mas o iluminismo não deixou de ser um fenômeno restrito a algumas elites, e Notre-Dame continua consagrada. Comte, enfim, se mostrou um mau profeta".
Abolir a fé cristã, como desejava Comte, é uma operação impossível, por obra da riqueza de significados de Jesus. Basta dizer que, no século XIX, ele inspirou vários movimentos de operários, que viam em Cristo o primeiro socialista. É uma espécie de licença poética, ou política, que na história recente foi adotada também pela Teologia da Libertação, uma ala de esquerda da Igreja Católica que floresceu durante o apogeu das ditaduras latino-americanas. Trata-se de uma licença porque, embora Jesus de fato tenha visado a instaurar relações humanas mais solidárias, ele sempre o fez pela ótica da reforma religiosa. A mensagem dos Evangelhos é clara: os homens devem amar-se uns aos outros porque essa é uma forma imprescindível de manifestar o amor a Deus. Essas visões corretas, mas incompletas, de Cristo são um dos maiores desafios que a cristandade enfrenta hoje. Quantas vezes, por exemplo, não se ouve alguém pedindo a ajuda de Jesus para os assuntos mais banais? No trato popular, ele virou quase que um intercessor entre os crentes e uma esfera que mal-e-mal se poderia chamar de divina. "É humanamente compreensível, claro. Mas o que a Igreja quer é que Jesus seja um exemplo, e não um orixá a mais", diz o padre Antoniazzi.
Mesmo correntes que vieram engrossar os cordões do cristianismo em tempos recentes não escapariam a essas críticas. A ênfase, hoje, se coloca sobre a festa, o louvor e a celebração. São sentimentos legítimos. Mas, para quem deseja compreender Cristo com algum equilíbrio, eles não podem se manifestar em detrimento de outros, menos prazerosos. Também fazem parte da experiência de Jesus o recolhimento, a dor, a penitência e a abnegação. Estes, porém, andam em franco desuso, e a causa pode ser mais cultural do que espiritual. O despreparo para lidar com a contrariedade é um efeito perverso da atual capacidade do homem de dominar seu mundo. Assim como qualquer amenidade tecnológica, espera-se que Deus nos sirva e nos seja fiel, quando o sentido da cristandade sempre esteve no contrário.
No reverso da medalha, a liberdade para abraçar a fé como uma opção pessoal, e não como uma imposição, é uma conquista a ser comemorada. Ela é um caminho para uma espiritualidade nascida da convicção e capaz de devolver ao homem uma dimensão que não raro é triturada por uma sociedade que valoriza tanto o poder e a eficácia. Sem essa liberdade, não haveria também o ecumenismo, ao qual o Concílio Vaticano II promovido pelo papa João XXIII dedicou tanta atenção no início dos anos 60, no intuito de reafirmar a supremacia do Evangelho sobre os detalhes da liturgia. Quando protestantes, católicos, ortodoxos e todos os outros cristãos dão mais valor àquilo que os une do que às barreiras que os separam, pode-se imaginar o sentido de comunhão propiciado pela expressão "irmãos em Cristo", com que os primeiros convertidos se saudavam. O significado é ainda maior quando as celebrações envolvem cristãos, judeus, muçulmanos, budistas ou quem mais queira se juntar a elas: trata-se de reconhecer que os caminhos, embora diversos, visam a levar a um mesmo destino. Como lembra o americano Wayne A. Meeks, professor de estudos bíblicos da Universidade Yale, é mais ou menos isso que imaginava Paulo de Tarso, um judeu que se converteu ao ter uma visão de Jesus. Fundador, junto com São Pedro, da Igreja cristã, São Paulo estava convencido de que, nos planos de Deus, a separação entre judeus e gentios não poderia ser permanente. Os fatos provam, contudo, que essa união só é possível no campo da ética. Para os judeus, a idéia de que Deus tenha sacrificado Seu filho na cruz, ou que um inocente deva morrer pelos pecados de outros, é inaceitável. Nos meios judaicos mais liberais, que não rejeitam o cristianismo como uma religião espúria, Jesus é, no entanto, objeto de respeito como pregador dos ideais universais da fé judaica, e seus ensinamentos são refutados apenas na medida em que conflitam com as escrituras.
Tanto São Paulo como São Pedro foram torturados e executados em Roma, numa das inúmeras levas de perseguição promovidas pelo Império nos primórdios da era cristã. Milhares de outros cristãos menos ilustres tiveram um fim idêntico, na maioria das vezes sem que isso os demovesse de testemunhar sua fé em Cristo. Essa determinação levanta uma questão fundamental: o que, afinal, há de tão particular nessa crença que levou tanta gente a, em nome dela, arriscar-se ao ostracismo social e até à morte dolorosa? O sociólogo Rodney Stark dedicou um livro, A Ascensão do Cristianismo, a responder a essa pergunta, e chegou a conclusões que são motivo de regozijo para boa parte daqueles que viveram nesses dois milênios seguintes ao advento de Cristo. Stark lembra que, aos olhos atuais, os deuses pagãos da Antiguidade parecem entidades triviais. Seus poderes e preocupações tinham limites meio ridículos, e sua moral era duvidosa. Conforme acreditavam seus seguidores, os deuses brigavam entre si e pregavam peças de mau gosto nos homens. Para um pagão, a noção de que um deus poderia amar o mundo ou se preocupar com a maneira como os seres humanos tratam uns aos outros soaria absurda. Nunca, no mundo antigo, uma religião formulou um preceito como o que norteia o judaísmo e o cristianismo – o de que Deus ama aqueles que O amam. Ao contrário, a filosofia clássica dizia que a misericórdia era um defeito de caráter. Por conferir alívio sem que algum preço tivesse sido pago por ele, ela seria contrária à justiça. Para ir da teoria à prática, basta dizer que esse era um tempo em que se festejava o aniversário do filho do imperador lançando homens e mulheres às feras, para deleite do menino e da plebe.
Foi nesse clima, que hoje apreendemos como abominável, que Jesus trouxe o ensinamento de que a misericórdia e a caridade são virtudes cardeais, e que não é possível agradar a Deus a não ser que nos amemos uns aos outros – não só à família, à tribo ou aos cristãos, mas também aos que estão fora desse círculo e porventura sejam nossos inimigos. Aí estava uma idéia revolucionária, diz Stark, à qual valia a pena se agarrar no brutal mundo romano. Os cristãos transformaram em metáfora o seu desejo, herdado do judaísmo, de ser um único povo sob um único Deus. Puseram-se a demolir as infinitas barreiras étnicas (e os ódios acarretados por elas) do Império Romano, para receber todo e qualquer convertido em suas fileiras. Com isso, conceberam uma cultura sem raça, de tons cosmopolitas. Essa herança permanece. Dentre as grandes religiões praticadas hoje no planeta, o cristianismo é a única que não está primariamente vinculada a traços étnicos. O mundo cristão foi, por assim dizer, o primeiro mundo globalizado da história da humanidade.
Rodney Stark afirma ainda que o cristianismo modulou as diferenças de classe e de sexo que eram tão gritantes na Antiguidade. O uso do "irmãos em Cristo", proferido mutuamente por nobres e escravos, homens e mulheres, não era mera retórica. Desses costumes nasceram a solidariedade e a noção de assistência social (além de um embrião de democracia popular), que hoje é tão cara ao mundo civilizado. Foram os cristãos – ainda na condição de proscritos – os fundadores dos primeiros hospitais e asilos. Quando o cristianismo já era a religião oficial do Império – condição que alcançou com a conversão do imperador Constantino, em 313 –, o papa Gregório Magno fez do assistencialismo uma prioridade, empregando as doações dos poderosos para criar um ambiente de estabilidade social que os próprios governantes não eram capazes de proporcionar. Acima de tudo, porém, o cristianismo trouxe uma nova moral a um mundo saturado de crueldade casual e de paixão pela morte alheia, nas palavras de Stark. Uma moral que conferiu aos homens sua humanidade e na qual a virtude é a sua própria recompensa – sob cuja égide ainda vivemos, independentemente de crença, e que ainda estamos muito longe de alcançar plenamente. Está aí uma prova cabal de modernidade.
(Extraído da Revista Veja, Edição 1783, de 25 de dezembro de 2002)
A ciência à procura de Cristo
AFP
Uma revisão do passado Com base no crânio de um judeu palestino do século I, cientistas ingleses reconstruíram um rosto que se aproximaria do tipo físico de Cristo. Os ossos de um homem que foi crucificado na mesma época que Jesus indicam que a forma de execução na cruz era diferente: o condenado era pregado pelos dois calcanhares e tinha os braços amarrados pelos punhos. O Santo Sudário (à esq.) foi considerado uma fraude há catorze anos. Acabou reabilitado em 1999
Dois mil e dois anos se passaram e a história de Jesus de Nazaré ainda é um desafio. Quase tudo que se sabe sobre ele está nos Evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. Em sua brevidade – umas 130 páginas nas edições em português –, podem ser lidos numa única noite. O restante do Novo Testamento quase nada nos conta sobre sua vida. Do nascimento até o batismo, na idade adulta, praticamente não há referência, nem mesmo nos Evangelhos. Apesar da névoa espessa que cerca sua biografia, Jesus foi, individualmente, a mais influente personalidade de toda a história humana. O impacto de seus ensinamentos ultrapassa os 2 bilhões de cristãos, atingindo, em alguma dimensão, cada habitante do planeta. Do ponto de vista teológico, o que se sabe de seu ministério na Palestina do século I é um assunto bem resolvido. Mas a curiosidade a respeito da vida do homem mais conhecido de todos os tempos vai muito além da fé. É isso que o faz objeto de uma incessante busca científica e arqueológica. Descobriu-se mais sobre Jesus Cristo nos últimos trinta anos que nos 2.000 anos anteriores. O que se tem de novo é uma impressionante coleção de objetos e documentos que coincidem com os relatos bíblicos e que ajudam a dar contornos mais nítidos à figura histórica de Jesus.
A mais eletrizante descoberta foi anunciada há apenas dois meses. Trata-se de uma urna funerária do século I, considerada a mais antiga referência escrita existente de Jesus. Feita de pedra, tem dimensões reduzidas (50 centímetros de comprimento, 25 de largura e 30 de altura). O tesouro é a frase gravada do lado externo, em aramaico, a língua falada pelos judeus da Palestina há 2.000 anos: Yaakov, bar Yosef, akhui di Yeshua. Significa "Tiago, filho de José, irmão de Jesus". Sim, tudo indica que se trata daquele Tiago, daquele José e daquele Jesus. Como a descoberta é muito recente, deve ser melhor examinada pelos especialistas. Os indícios apontam, contudo, para a autenticidade da peça, o que faz dela a mais importante descoberta da história da arqueologia bíblica. Os três nomes eram bem comuns entre os judeus. Mas qual seria a possibilidade estatística de três pessoas os terem nessa exata ordem? O filólogo francês André Lemaire, que descobriu a urna na casa de um colecionador de antiguidades de Jerusalém, calculou que não mais de vinte pessoas poderiam ter essa combinação específica em Jerusalém no ano 62, quando Tiago morreu.
O Museu de Israel, em Jerusalém, guarda outras duas peças que servem de provas arqueológicas da existência de personagens ligadas diretamente a Jesus. A primeira é o ossário de Caifás, o sumo sacerdote judeu que presidiu o primeiro julgamento de Cristo. Foi encontrado acidentalmente em 1990, quando operários construíam um parque nos arredores de Jerusalém. Diferentemente da urna de Tiago, que está vazia, a de Caifás continha os esqueletos de seis pessoas. Um deles, o de um homem de 60 anos, seria do sumo sacerdote. A outra preciosidade é um pedaço de uma placa comemorativa encontrado há quarenta anos, durante as obras de limpeza e restauração de um teatro romano na antiga cidade de Cesaréia. Sua importância é ter a gravação do nome de Pôncio Pilatos e seu cargo, prefeito romano da Judéia. Até então, só havia referências literárias sobre Pilatos, o governador romano que condenou Cristo à morte na cruz. Poucos duvidam hoje em dia que Jesus tenha vivido realmente, como nos contam os Evangelhos. Mas há algo especial, até emocionante, quanto às provas marcadas em pedra.
Escavações ainda em curso em Nazaré, a cidade em que Jesus cresceu, e Cafarnaum, onde pregou, revelaram muito sobre o ambiente em que viveu. Em seu tempo, Nazaré era um lugar pobre, com 300 ou 400 habitantes. Não foram encontrados por lá prédios públicos, apesar de Lucas descrever, no Evangelho, como Jesus ia à sinagoga para ler e comentar trechos bíblicos. As casas eram muito simples, com teto de palha. Algumas eram semi-enterradas no solo ou construídas diante de cavernas naturais, usadas pela família como depósito ou curral.
A imagem de Jesus está bem assentada pela iconografia cristã. Mas, na verdade, os Evangelhos não dão nenhuma pista sobre o aspecto pessoal do filho de Maria. A imagem que se tem de Jesus é um produto artístico de pintores europeus que viveram um milênio e meio depois de Cristo. Nessas pinturas, ele tem cabelos castanhos e olhos claros, uma combinação altamente improvável. No ano passado, cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, lançaram mão de recursos da medicina forense para uma experiência: criar um rosto que, supostamente, se aproximaria de alguém como Jesus. Partiram do pressuposto de que ele teria aparência compatível com a dos judeus palestinos de sua época. Por isso reconstituíram o rosto usando como base um crânio do século I, retirado de uma sepultura em Jerusalém. O resultado, um Cristo com uma aparência levantina, surpreende, embora o bom senso apóie a nova imagem: Jesus teria o rosto arredondado, com o nariz grosso, barba mais espessa e, como não podia deixar de ser, uma vez que vivia sob o sol mediterrâneo, sua pele seria mais morena que a que se vê nas pinturas renascentistas que o retratam. Se o rosto precisa ser imaginado, não há dúvidas quanto às roupas que usava. Arqueólogos israelenses encontraram tecidos bem conservados em tumbas no deserto e podem afirmar que os judeus do tempo de Jesus se vestiam com túnicas de lã de ovelha ou cabra, tingidas de vermelho ou marrom. Vestes brancas, como as que Jesus usa nos quadros, simbolizavam luto.
Valdemir Cunha
Os textos das cavernas Os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados em cavernas no deserto da Judéia (à esq.), em 1947. O texto não menciona Jesus, mas descreve rituais muito parecidos com os praticados pelos primeiros cristãos
Das relíquias relacionadas a Jesus, a mais intrigante é uma peça de linho com 4,36 metros de comprimento por 1,10 de largura, o chamado Santo Sudário. Diz a tradição católica que a peça serviu de mortalha para o corpo do filho de Deus, assim que o desceram da cruz. O pano tem as marcas nítidas de um rosto com barba e manchas condizentes com as chagas de Cristo. A relíquia, guardada em Turim, é conhecida e venerada desde 1350. Curiosamente, foi o avanço da tecnologia que tornou sua autenticidade polêmica. No final dos anos 80, o tecido foi analisado por três equipes independentes e datado com radioatividade. A conclusão foi unânime: o pano tinha sido produzido na Idade Média, entre 1260 e 1390. O diagnóstico não encerrou o assunto. Estudos mais recentes encontraram vários indícios de que seria muito mais antigo. Primeiro, foram traços de sangue humano no tecido. Depois, submetido a exames tridimensionais por computador, mostrou que só se poderia ter aquela imagem se o sudário realmente envolvesse um corpo. O achado mais instigante são vestígios de pólen nas tramas do tecido. São de uma flor típica do Oriente Médio, que floresce numa época condizente com a da crucificação. A Igreja Católica, que havia aceitado a conclusão dos especialistas de 1988, hoje considera o sudário um assunto em aberto que exige novas e apuradas análises científicas. Não é considerado oficialmente como autêntico. A conclusão sobre o manto é que nada há de certo sobre ele.
Há também informações novas sobre a crucificação. A cruz era um castigo reservado no Império Romano às classes baixas, aos escravos e aos estrangeiros. Nunca se soube exatamente como era feita a crucificação. O mistério esclareceu-se com os estudos realizados com o esqueleto de um homem de aproximadamente 30 anos, descoberto em Jerusalém, que foi crucificado no século I. Seu nome, escrito no ossário, era Yehochanan. O mais impressionante é o prego de 11 centímetros transfixado em seu calcanhar. Daí se conclui que o condenado foi preso à cruz com dois pregos, cada um num pé. Pelos furos, imagina-se que foi fixado à cruz com as pernas abertas, cada uma colada a um lado da barra vertical. Os braços não foram pregados, mas provavelmente amarrados pelos punhos nas traves. Por que até agora só se encontrou um esqueleto se milhares de judeus foram crucificados pelos romanos? A explicação é que fazia parte da punição deixar que o corpo fosse comido pelos abutres e pelos cães, de modo a não sobrar nada para a família enterrar. "Yehochanan provavelmente pertencia a uma família influente, que intercedeu junto às autoridades pelo seu sepultamento", disse a VEJA o arqueólogo Gidon Avni, diretor de escavações e pesquisa do departamento de antiguidades de Israel.
Descobertas arqueológicas como essas reviraram os rumos das pesquisas bíblicas inúmeras vezes. Estima-se que mais de 5.000 acadêmicos estejam neste momento pesquisando as Escrituras, só nos Estados Unidos. Um exemplo notável do trabalho de garimpagem em textos antigos foi o realizado com os Manuscritos do Mar Morto, coleção de documentos produzidos entre 200 a.C. e 70 d.C. descoberta em 1947 numa caverna no deserto da Judéia. Por décadas, enquanto era examinada por uma centena de especialistas de todo o mundo, correram soltas especulações de que talvez Jesus e João Batista fossem membros da seita monástica judaica que produziu os documentos, os essênios. Neste ano, finalmente, foi concluída a edição dos manuscritos. Não se encontrou neles referência direta a Jesus ou Batista. Mas isso está longe de ser uma decepção, visto que ajudaram a conhecer melhor o modo de vida das pessoas naquela época e a compreender as mudanças pelas quais o sentimento religioso passou. Isso é, também, uma forma de dissipar o mistério e conhecer melhor a figura de Jesus.
E disse Jesus...
Nas suas narrativas da vida e dos feitos de Jesus, os quatro evangelistas lhe atribuíram vários ditos. A maioria aparece em meio a diálogos e carece de sentido se retirada do contexto bíblico. Em outros momentos, Cristo fala por meio de parábolas e uma leitura ao pé da letra, evidentemente, pode levar a interpretações equivocadas. Muitas frases dos Evangelhos, no entanto, têm a força de aforismos que condensam os temas centrais da pregação de Jesus. Elas tratam, sobretudo, da necessidade de perdoar o próximo e de levar uma vida pautada pelo desapego material e pelo amor a Deus. A pedido de VEJA, o padre Paulo Bazaglia, estudioso do assunto, selecionou, da Bíblia de Jerusalém, 35 frases de Jesus que expressam a base da doutrina cristã.
"Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados,e com a medida com quemedis sereis medidos."
"Caso teu irmão peque contra ti sete vezes por dia e sete vezes retorne, dizendo 'Estou arrependido', tu o perdoarás."
"Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu?"
"Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado,mais será reclamado."
"Amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo."
"A quem te ferir numa face, oferece a outra; a quemte arrebatar o manto, não recuses a túnica."
"Bendizei os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos difamam."
"Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado."
"Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles."
"Àquele que quer pleitear contigo, para tomar-te a túnica, deixa-lhe também o manto; e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas. Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que te pede emprestado."
"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos."
"É de dentro do coração dos homens que saem as intenções malignas."
"A boca fala daquilo de que o coração está cheio. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, mas o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más."
"Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei."
"Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados pela devassidão, pela embriaguez, pelas preocupações da vida."
"Tudo é possível àquele que crê."
"Todos os que pegam a espada pela espada perecerão."
"Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal."
"Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma."
"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar sua própria vida?"
"Se um cego conduz outro cego, ambos acabarão caindo num buraco."
"Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais."
"Sabeis que os governadores das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Entre vós não deverá ser assim. Ao contrário, aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve."
"Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus."
"Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, pois Deus faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos."
"Não jureis em hipótese alguma. Seja o vosso 'sim', sim, e o vosso 'não', não."
"Quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, paraque se manifeste que suas obras são feitas em Deus."
"É pelo fruto que se conhece a árvore."
"Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus."
"Ao homem pode ser impossível, mas a Deus tudo é possível."
"Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos."
"Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde está vosso tesouro aí estará também vosso coração."
"Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens."
"Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna."
"Não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas?"
Paz, Luz e Sabedoria !!!
Com carinho... Beijinhos...
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Tudo em silêncio. Já faz mais ou menos uma hora que o Richard Widmarch venceu (de novo) os japoneses na sessão coruja. E a hora em que tenho as melhores conversas com você. Não que a gente não fale um com o outro durante o dia, mas, de madrugada, eu me sinto melhor, e, o que é mais importante, estamos aqui só nós dois. Pergunto como é que você vai, acho você mais bonita ainda que na noite passada, dou só uma pista de um presente secreto que vou conseguir pra você e passo tantas vezes os dedos na tua boca que você mal pode falar. Agora você botou os pés no meu colo e eu tô contando uma porção de mentiras, das pequenas, das que não magoam: não bebo mais, sigo a dieta rigorosamente e ando tranqüilo, tranqüilo. Juro. Digo prá você uns pedaços da Canção do Amor Imprevisto, do Mário Quintana: “Eu sou um homem fechado... Mas você apareceu com a boca fresca de madrugada, com teu passo leve, com esses cabelos... E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita... A súbita e dolorosa alegria de um espantalho inútil aonde viessem pousar os passarinhos”.
Você acha bacana e eu te dou o livro, com dedicatória e tudo. A dedicatória é assim:
esse livro conversou comigo nas horas mais noturnas da noite, naquelas horas em que não passam mais bondes e em que as estrelas apagam a luz e vão dormir. Isso foi antes de você aparecer. E um livro bonito, gentil e que, de vez em quando, me faz sofrer bastante. Eu gosto tanto desse livro que não quero demonstrar nenhum sinal de sofrimento. E um livro parecido com você.
Você sorri, fala baixinho que nem dá pra escutar e me olha bem nos olhos. Acho que ninguém sabe, mas essa é a tua maneira de agradecer. Acaricio devagar os teus cabelos e digo uma porção de frases, dessas que a gente ouve no cinema e faz coleção, feito titulo de fox-trote: não sei porque estou dizendo tudo isto... Por favor, não ria... Eu podia escrever um livro sobre nós dois... Nunca mais vou ser o mesmo... A mesma velha história...
E invento uns troços malucos; você mudou - igualzinho no blue, você mudou - e, pra esquecer, me alisto na Legião Estrangeira, me engajo na tripulação de um navio baleeiro, vou ser palhaço de circo... Até que um dia, o circo passa pela cidadezinha onde você mora. “O Maior Espetáculo da Terra! Você não pode me reconhecer nesses trajes e, além do mais, você já me esqueceu. Mas - arrá1 - eu não. O Amor dói tanto que o palhaço abandona o tambor colorido e a máquina fotográfica lambe-lambe, daquelas que explodem, e sobe até o lugar dos trapezistas. ~á um salto mortal, em meio aos risos, só pra você. Todo mundo, na saída, tem a mesma opinião: ficou doido!
Você fica triste e eu garanto que é só história. Não vai acontecer. Epa, pra quem é esse papo tranquilizador?
Me abraço contigo e te faço muito carinho, um carinho que vem da infância até hoje, em riso e desespero. Toca um despertador, canta um pardal, passa o padeiro. Faço cara de Richard Widmark suburbano para encarar a manha. Tá chegando a hora. Brinco de assustar meu coração: não falta de jeito nenhum, tá legal?
Você responde lá de mim: só falto se você me esquecer Então, tranqüilizo meu coração: não há perigo. Os elefantes jamais esquecem.
Falta pouco pra clarear. Ur. JekyII ainda está dormindo. Mr Hidde vai abrir outra cerveja e comemorar outra vitória passageira, No meu caso, o monstro e melhor que o médico. Tem levado umas cacetadas, como todo mundo de respeito, mas está vivo. O pessoal que joga pedra não sabe, mas os monstros são muito fiéis.
Nesses últimos instantes da madrugada é que acontecem os milagres. Está nevando em Vila Isabel e dá pra escutar um piano tocando uma valsa de Nazareth. Você me pede, antes de ir embora, pra contar a história dos Três Príncipes com Estrelas de Ouro na Testa. E, como sempre, dorme antes daquela parte do banquete recheado com pérolas. Pela expressão do teu rosto, você está sonhando. E é um belo sonho. Acompanho, cheio de assombro, as transformações do teu rosto. Nessas horas, eu não preciso dormir pra sonhar. Estamos, de repente, num bar, e é muito tarde. As cadeiras já foram viradas sobre quase todas as mesas e as luzes são poucas. O dono do bar é meu chapa e tem a cara daquele italiano da Dama e o Vagabundo. Antes da gente sair, te dou um verso escrito num guardanapo. Hoje, você vai embora de trem. Te levo na estação, ou melhor, na gare (eu sempre quis usar essa palavra!), e você só embarca no último instante, com a máquina começando a andar. O chefe da estação, acostumado a infinitas despedidas, balança a lanterna, apita de novo, faz um comercial de cigarro, e avisa: vai partir! Acendo o cigarro que não satisfaz e fico vendo as luzes diminuindo. Me sinto o próprio Humphrey Bogart. Levanto a garota do sobretudo (tá um frio danado) e vou tomar um conhaque onde nos encontramos pela primeira vez em Viena, em Paris, ou em Vila Isabel, ou nos remos da China e do Japao. Nesse momento, eu sou capaz de tudo. Se eu disser o teu nome de maneira certa, prolongo a madrugada e a esperança.
Mas tem que ser amanhã. Amanheceu. Me sinto velho de novo e quem passa me olha de uma forma entre a descrença e a ironia, como se eu fosse um lampião ridículo que teimasse em permanecer aceso pra implicar com o dia.
Antes se arrepender do que se fez um dia por sincero prazer pondo tudo de lado, do que o arrependimento de se ter deixado de fazer, por temor.... - se o coração pedia.
Se colheste a emoção com intensa alegria e se foste feliz e marcaste o passado, bendiz esse segundo ou essa hora, - esse dia em que o mundo foi teu, vencido e conquistado...
A vida é uma aventura e é preciso vivê-la! Nada há que justifique uma abstinência ao mundo, - ergue a mão para o céu e colhe a tua estrela!
É a hora do Natal... A estrela é o teu presente! Mesmo que ela cintile apenas um segundo, contigo hás de levá-la indefinidamente.
J.G de Araujo Jorge Mensagem formatada em 21 dez 2002
Natal é a festa do Amor. Nem todos percebem que atrás da arrumação da ceia, dos presentes, estamos buscando a manifestação do Amor de uma forma mais concreta em nossas vidas.
Só podemos sentir o Amor em sua plenitude se nossa disposição interna for de serenidade, compreensão e se estivermos 'centrados', em equilíbrio.
Como o Feng Shui é o estudo que busca esse equilíbrio interno e externo, através dessa técnica podemos tornar esse dia mais especial e estarmos mais receptivos para usufruir as dádivas de uma data tão bela.
É claro que o verdadeiro espírito do Natal se processa dentro de cada um de nós, e é preparado todos os dias do ano. Porém, a natureza nos brinda com símbolos que podem ser utilizados para melhor compreensão desse espírito já que a Natureza é o Livro do Criador.
Os sentimentos que nos movem são muito importantes. Durante a preparação, nossos gestos devem ser cheios de significado e intenções definidas do que pretendemos.
O Feng Shui tem algumas dicas para a preparação da sala onde a ceia vai se realizar:
- Um dia antes, acenda um incenso de limpeza, visualizando a entrada da luz solar penetrando no ambiente e energizando - o positivamente.
- No dia de Natal, acenda um incenso de limão ou eucalipto e mentalize o Amor Universal preenchendo todo esse espaço.
- Mentalizando a harmonia familiar, prepare um vaso com flores frescas coloridas e coloque, se possível, no canto da Família dessa sala.
- O canto da Espiritualidade é o melhor local para se colocar o presépio. Se quiser, enfeite com uma pedra de ametista, símbolo de evolução espiritual.
- No canto superior direito dessa sala, ou o mais próximo dele, coloque dois objetos iguais simbolizando a harmonia de relacionamentos.
- O canto superior esquerdo (em relação à porta de entrada da sala) pertence à prosperidade. Ative-o através de algum objeto valioso, luz ou planta de folhas arredondadas e de aparência exuberante.
- O sino de vento na porta de entrada é um alegre acolhimento para quem chega (o sino precisa ter som agradável e melodioso).
- Na arrumação da mesa, use toalhas alegres e evite que coisas altas fiquem no centro dela, como garrafas de refrigerantes ou mesmo enfeites altos.
- Procure preencher com luzes e /ou plantas os cantos mais distantes da sala. Preencha os espaços, sem excesso, trazendo uma sensação de suavidade e alegria.
- Perto da mesa principal é muito bom colocar tigelas com 1/3 de água e pétalas ou flores na superfície.
Um Feliz Natal a todos !!!
Com carinho... Beijinhos...
Lúcia Brunetti
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