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ABSURDOS DA FLIP...Jorge Linhaça   Lista de mensagens  
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Caros amigos:
 
Claro que como escritor interesso-me pelas feiras e congressos que se espalham pelo nosso país. Por motivos pessoais não os posso frequentar como gostaria, mas procuro estar a par do que acontece  fora dos holofotes da mídia.
 
Enquanto nos "espaços oficiais" com mesas de debates, os autores como Chico Buarque de Hollanda vendiam milhares de exemplares de seus livros massivamente apoiados pela mídia e estrutura de grandes editoras, os escritores " auto-sustentados"
eram perseguidos e proibidos de divulgar suas obras.
 
O que ocorreu na FLIP este ano é tão grotesco e absurdo que por certo, quem esteve apenas nas instalações oficiais e acompanhou pela TV há de ter certa dificuldade em acreditar.
 
Quem quiser se inteirar do ocorrido aqui vão os links de quem sentiu na pele como as coisas funcionaram este ano para os autores " desconhecidos" da grande mídia e editoras de grife.
Recebi o e-mail abaixo do amigo Arthur Gomes
 

Repressão na FLIP

 

Rodrigo Ciriaco, fala em seu blog http://efeito-colateral.blogspot.com sobre a repressão que rolou em Parati, por ocasião da última edição da Feira Internacional Literária, a mais badalada desse país de bostas. Onde ser poeta é crime, dá cadeia, enquanto os bandidos de colarinho branco deitam e rolam no Planalto Central e em outras Planícies mais próximas.


E sobre a repressão na FLIP tem mais aqui http://poesiamaloqueirista.blogspot.com e se não bastasse essa onda discriminatória que ronda por quase todas as esquinas, Adriana Medeiros a Preta desabafa sobre a censura que sofreu o elenco da peça Auto do Ururau, no programa da linda Mara, está tudo aqui http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com


Abaixo a minha resposta ao poeta Rodrigo Ciríaco em seu blog
 
Infelizmente vivemos em um país onde  cultura é de grife e não popular.
Basta darem uma passada de olhos em qualquer livraria e vão ver que autores brasileiros são exceção e ainda assim apenas os que contam com a força da mídia chegam a frequentar as suas prateleiras.
 
Aos autores "desconhecidos" resta a armadilha de muitas "editoras" que nada mais são do que gráficas camufladas, cobrando pela edição de livros sem o menor comprometimento com a sua divulgação ou comercialização.

Nos raros casos em que propõe a comercialização dos livros o autor ouve coisas do tipo, acredite quem quiser, que receberá menos da metade do valor que gastou para imprimir cada exemplar por volume comercializado pela mesma.

Vi aqui alguns comentários de despreparados que não sabem do que falam, o que infelizmente tornou-se regra em um mundo em que as pessoas perderam a capacidade de analisar os fatos. São os tais "Maria vai com as outras".

Os eventos culturais em nosso país, via de regra, acabam por ser apenas maquiagem para grandes editoras venderem o seu peixe e algumas empresas abaterem seu investimento em marketing do imposto de renda.
Chega a ser surreal uma feira cultural reprimir as manifestações culturais mais simples como a venda de livros pelo próprio autor.

O que há por trás disso?
Medo das grandes editoras de que deixem de vender algum livro por que o consumidor optou por adquirir um volume de um "escritor desconhecido"?

A necessidade de alguns "trabalhadores" de sentirem o gostinho de se sentirem "otoridade" e assim darem vazão à sua frustração de terem de estar a serviço durante um vento em que gostariam de estar como turistas ?

A necessidade de ceder à pressão das grandes empresas que patrocinam o evento?

Parece-me bastante simbólico que, quanto maior o evento se torna, menor seja o espaço cedido aos "pequenos".
 
Vivemos no país da hipocrisia onde a cultura que não frequenta a mídia, deixa de ser marginal, no sentido de estar à margem dos grandes nomes, para ser considerada marginal no sentido de criminosa.

Pensar diferente, buscar alternativas, contestar a opinião massiva sobre qualquer assunto é visto como um atentado contra os "bons costumes".

Vou divulgar o que aqui li para minha pequena lista de contatos pela internet afora, infelizmente sei que ainda vou ser apedrejado por muitos por fazê-lo, mas ao menos terei a minha consciência tranquila quanto a haver procurado fazer a minha parte.
abraços fraternos
Jorge Linhaça

PS. Para poder publicar um livro meu, tive de fazê-lo nos EUA, já que não dispunha dos valores pedidos por "editoras" nacionais para sua publicação.

http://www.lulu.com/content/5294551
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 



Seg, 20 de Jul de 2009 12:25 pm

jorge_linhaca
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jorge_linhaca
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