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filosofiadialetica · A Filosofia do Movimento
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AULA VII
Breve Introdução

"Alguns são culpados, mas todos são responsáveis!" (Desconhecido)

INTRODUÇÃO À POLÍTICA DIALÉTICA

Diante da investigação sobre lógica dialética interpretamos que tudo
está em movimento e, no movimento, tudo devém.
Movimento esse gerado pela contradição, que gera o movimento, que
gera a contradição. Em constante processo.

Vimos também, que, nesse processo, não existe importância primeira.
No Devir, contradição e movimento se misturam numa unidade. Isso é
Dialética. O Devir está imanente em todas as "coisas".

Na unidade, nunca devemos desprezar sua parte espírito nem sua parte
matéria.

Vimos também que o movimento segue por um caminho e esse caminho
também não pode ser definido, acontece por acaso.

Diante dos movimentos do acaso será o comportamento criativo que nos
protegerá. Aumentando muito nossa qualidade de vida.

Investigando o que vem a ser ética dialética e política dialética,
interpretaremos o movimento do comportamento capaz de efetivar uma
vida mais saudável, para nós mesmos, e para tudo e todos que estejam
além de nós.

Nesse bloco, investigaremos o livre conceito do que vem a ser
política dialética. Porém, não devemos esquecer que ética e política
também formam uma unidade. Assim, diante de um comportamento que se
faltou com ética, faltou-se também com política. Do contrário também.
Diante das limitações formais da linguagem escrita, depois de tentar
interpretar o conceito de ética dialética iremos agora interpretar o
conceito de política dialética, acreditando que, com o pensamento em
movimento (a imaginação) a unidade seja estabelecida em nossa
consciência. O Livre Conceito.

Para fora do Indivíduo

Iniciando a investigação sobre o livre conceito de política
dialética, primeiramente precisamos ressaltar que política é
uma "ciência prática" que diz respeito, tão somente, à atitude do
homem como parte de um todo. Logo, devemos considerar, de agora em
diante, que, toda vez que um indivíduo estiver diante de uma questão
política está diante da necessidade de investigar sobre os movimentos
do comportamento criativo do indivíduo para além do próprio
indivíduo. Em sua relação com todas as coisas.

As Premissas e a Atitude

Para investigar o movimento político dialético será necessário
observar duas premissas e uma atitude:

As Premissas

1ª Premissa - A aceitação da existência contraditória em movimento, o
devir.

"Quem não pensa, é pensado por outro."


Diante da interpretação do conceito de que vivemos num eterno devir,
conforme já apresentado nos estudos de lógica dialética, fica
estabelecido, como primeira premissa à política dialética, a
aceitação do próprio devir.

Para melhor entender essa premissa, e visualizar a importância do
comportamento político em movimento, usaremos, como exemplo, as
contradições geradas pelo movimento econômico, onde as leis de
procura e oferta do mercado equivalem à força da contradição
existente no movimento.

Logo percebemos que, independentemente de nós acreditarmos ou não na
existência do movimento econômico de mercado, até mesmo,
independentemente do fato de que eu exista ou não, o movimento
econômico de mercado existirá (ou não, isto é, independe de mim); por
exemplo, através da lei da procura e da oferta.

Porém, a partir do momento que percebo que eu existo
(autoconsciência) e estou inserido num contexto maior, economicamente
em movimento, estarei mais protegido e aumentarei a probabilidade de
conservar uma boa qualidade de vida (atitude criativa), considerando
a existência do movimento econômico de mercado, suas "leis",
sua "história", suas "tendências", seus movimentos, etc..

Como o mercado está em eterno movimento econômico, preciso fazer uma
criativa investigação de conduta e comportamento para avaliar a minha
participação política diante das contradições da economia, evitando
uma queda na qualidade de vida. Dessa maneira estou agindo com
política dialética.

Para iniciar a investigação do que vem a ser um criativo movimento
político dialético, preciso reconhecer a existência dos movimentos
econômicos de mercado (primeira premissa: reconhecer a existência
contraditória, em movimento, o Devir.) e estar consciente do que
aconteceu e está acontecendo com o mercado econômico. Os movimentos
econômicos de mercado através do tempo. (segunda premissa: a
consciência histórica).

2ª Premissa - A Consciência Histórica do Movimento.

"Se não sabes a história, não opina. Se não opina, não participa. Se
não participa, o que fazes?"

O que é Consciência Histórica?

Segundo o dicionário: Consciência. [Do lat. Conscientia.] S. f. 1.
Filosofia. Atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se
define por uma oposição básica: é atributo pelo qual o homem toma em
relação ao mundo (e, posteriormente, em relação aos chamados estados
interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a
possibilidade de níveis mais altos de integração. 2. Por extensão.
Conhecimento desse atributo. 3.Faculdade de estabelecer julgamentos
morais dos atos realizados. 4. Conhecimento imediato da sua própria
atividade psíquica. 5. Conhecimento, noção, idéia. 6. Cuidado com que
se executa um trabalho, se cumpre um dever; senso de
responsabilidade. 7. Honradez, retidão, probidade.

Segundo o Dicionário: História. [Do grego historía, pelo latim
historia.] S. f. 1. Narração metódica dos fatos notáveis ocorridos na
vida dos povos, em particular, e na vida da humanidade, em geral. 2.
Conjunto de conhecimentos adquiridos através da tradição e/ou por
meios de documentos, relativos à evolução, ao passado da humanidade.
Segundo a Filosofia Dialética, objeto do nosso estudo, atingimos a
consciência histórica a partir do momento que investigamos e
conhecemos a história do que está em questão, e, ao mesmo tempo,
temos consciência de nossa participação nesse movimento histórico.
Sem um bom conhecimento do conteúdo histórico do que está em questão
e sem ter consciência sobre a nossa participação nesse movimento
histórico podemos formular uma má interpretação do movimento político
da questão. A conseqüência natural de uma má interpretação do
movimento político, geralmente, é uma atitude equivocada que, mais à
frente (na seqüência do movimento), irá voltar-se contra o indivíduo
alienado.

Diante desta simples constatação percebemos a importância do poder da
informação e como esse poder, aparente "subjetivo" está
dialeticamente sintetizado com a "realidade objetiva". Fica claro
porque o poder econômico dominante domina a informação.

Mas como cultivar uma consciência histórica?

Quais os principais "inimigos" da consciência histórica?

"Como foi possível a humanidade partir para o desbravamento do espaço
cósmico, como foi possível a humanidade ter chegado a dominar as
energias e as leis da natureza a ponto de lançar satélites
artificiais e mandar naves espaciais à lua, sem ter chegado a
suprimir a fome na face da Terra?" Leandro Konder

Consciência Histórica x alienação

A alienação é um fenômeno que deve ser entendido a partir da
atividade criadora do homem, nas condições em que ela se processa.
Deve ser entendido, sobretudo, a partir daquela atividade que
distingue o homem de todos os outros animais, isto é, daquela
atividade através da qual o homem produz os seus meios de vida e se
cria a si mesmo: o trabalho humano.
Esta concepção do homem como autocriação, como ser que se produz a si
mesmo pelo trabalho humano, é um dos fundamentos essenciais da
Filosofia Dialética.

"Certamente o animal também produz - escreve Marx nos Manuscritos
Econômicos e Filosóficos de 1844. Ele constrói para seu uso um ninho,
habitações do tipo das abelhas, etc. Mas só produz aquilo que
necessita imediatamente para ele mesmo ou para a sua progênie. Produz
de modo limitado, ao passo que o homem produz mesmo quando se acha
livre da necessidade física; e não produz verdadeiramente como homem
senão quando se acha livre desta necessidade".

Em O Capital, esta observação acerca da especificidade humana do
trabalho do homem é retomada: "A abelha, com a estrutura das células
de cera, ultrapassa em habilidade muitos arquitetos. Mas o que
distingue o trabalho do arquiteto mais bisonho da atividade mais
hábil das abelhas é o fato de que, antes de construir a célula na
colméia, o arquiteto a constrói na sua cabeça. O resultado a que
chega o trabalho preexiste idealmente na cabeça do trabalhador".

Sendo o trabalho humano a atividade da qual o homem reproduz a si
mesmo, sendo a atividade produtiva do homem uma atividade
humanizadora por natureza, Marx preocupou-se em saber por que e como
se haviam criado condições nas quais o trabalho, de condição natural
para a realização do homem, chegara a se tornar o seu algoz.

Como foi possível que o trabalho produtivo, do qual resultaram todas
as inestimáveis conquistas tecnológicas em que se baseia o
funcionamento do mundo contemporâneo, tenha chegado a se apresentar
diante do trabalhador - precisamente diante do trabalhador -
como "uma atividade que é sofrimento, uma força que é impotência, uma
procriação que é castração? Como foi possível que a realização do
trabalho surgisse, afinal, na economia política, como desrealização
do trabalhador?" (Manuscritos)

Por que o produto do trabalhador se aliena do trabalhador?

Marx concluiu que isso ocorre porque tal produto, antes mesmo da
realização do trabalho, pertence a outrem que não o trabalhador.
Assim, "tudo que aparece no trabalhador como atividade de alienação
aparece no não-trabalhador como condição de alienação."

(Manuscritos), de modo que a alienação, dentro de uma sociedade
dividida em classes, acaba por atingir todos os indivíduos que a
compõem, tanto explorados como exploradores.

Marx estava seguro de ter encontrado a alienação econômica a raiz do
fenômeno global de alienação. Ele sabia que, antes de poder fazer
política, ciência, religião, etc., os homens precisam comer, beber,
vestir, e ter um teto para morar. Sabia que, antes do trabalho
intelectual típico, o homem tem de realizar o trabalho material de
que depende a sua subsistência.

Jamais lhe ocorreu, porém, reduzir o fenômeno da alienação, nas suas
múltiplas formas, aspectos e dimensões, à alienação econômica, tal
como jamais lhe ocorreu reduzir todo o trabalho humano ao trabalho
diretamente empenhado na produção econômica. Leandro Konder. Marxismo
e Alienação, p. 25-27.

Segundo Hegel, alienação é o processo pelo qual ao observador ingênuo
o mundo parece constituído de coisas independentes umas das outras, e
indiferentes à consciência - independência e indiferença serão
negadas pelo conhecimento filosófico.

Porém, como já vimos em Hegel, negar a independência e a indiferença
não é tarefa tão simples como possa parecer.

Para isso, á consciência precisa passar por duas experiências
decisivas: a de vencer o pânico diante da morte e a de reconhecer
todas as potencialidades do trabalho.

Hegel percebia que a "autoconsciência" se encastela numa compreensão
unilateralmente positiva da realidade: com medo do novo, ela tende a
se refugiar num círculo fechado, imune às surpresas. Sua única
possibilidade de sair desse círculo fechado e se abrir para o novo é
assumir o negativo.

O negativo, em sua expressão mais concreta, é a morte. Nós evitamos
encarar a morte, fugimos dela. "Mas a vida do espírito não recua
diante da morte", o movimento da consciência é capaz de olhar a morte
de frente, aproximar-se dela, permanecer na sua vizinhança e suportar
a desolação dessa proximidade.

"O espírito só conquista sua verdade quando é capaz de encontrar a si
mesmo na mais absoluta dilaceração". Nessa situação terrível,
a "autoconsciência" começa a se superar a si mesma, porque é obrigada
a pensar criticamente sua finitude: ela se abre para a incorporação
da "força mágica" do negativo, que lhe permite começar a caminhar na
direção da busca da universalidade."

Consciência Histórica x ideologia

Marx e Engels afirmam, em A ideologia Alemã, que as idéias dominantes
de uma época são idéias da classe então dominante. Poderíamos deduzir
a partir desse pressuposto que, para manter sua dominação, interessa
a essa classe fazer com que os seus próprios valores sejam aceitos
como certos por todas as demais classes sociais.

O discurso ideológico se caracteriza exatamente por pretender anular
a diferença entre o pensar, o dizer e o ser, criando uma lógica que
consiga unificar pensamento, linguagem e realidade, obtendo a
identificação de todos os sujeitos sociais com uma imagem particular
universalizada: a imagem da classe dominante".

Surge daí "um corpo de representações e normas através do qual os
sujeitos sociais e políticos" (as classes sociais) "se representarão
a si mesmos e à vida coletiva" (Marilena Chauí), é exatamente esse "o
campo da ideologia no qual esses sujeitos explicam as formas de suas
relações sociais, econômicas e políticas; a origem da sociedade e do
poder político; explicam as formas "corretas" ou "verdadeiras" de
conhecimento e ação; justificam, através de idéias gerais (o Homem, a
Pátria, o Progresso, a Família, a Ciência, O Estado), as formas reais
da desigualdade, dos conflitos, da exploração, da dominação como
sendo, ao mesmo tempo, "naturais" (isto é, universais e inevitáveis)
e "justas" (ponto de vista dos dominantes) ou "injustas" (ponto de
vista dos dominados).

O Estado será responsável por tentar fazer com que o ponto de vista
da classe dominante (que domina o próprio Estado) apareça para todos
como universal. Segundo Chauí, a idéia de que o Estado representa
toda a sociedade e de que todos os cidadãos estão representados nele
é uma das grandes forças para legitimar a dominação dos dominantes
(isto é, para fazer com que essa dominação seja aceita como normal,
legal, justa.). Nelson Dacio Tomazi. Iniciação à Sociologia, p. 182-
183.

É claro que a propaganda, o monopólio da informação e a mídia em
geral está a serviço da ideologia. porém essas "forças" não conseguem
influenciar o indivíduo consciente de si, de sua história, e dos
movimentos que o rodeia.

A consciência desse poder liberta o indivíduo que passa a decidir
seus movimentos, ao invés de ser movimentado pela ideologia.
Acreditamos que, através do filosofar e somente assim, o indivíduo
consegue uma espécie de imunidade diante da alienação e da ideologia,
reconhecendo ao mesmo tempo sua singularidade e sua universalidade de
maneira sadia e criativa, libertando-se das agonias da alienação, do
dogma e da ideologia.

Porém, ainda estamos diante da necessidade de saber decidir,
politicamente, como devemos entrar no movimento gerado pelas diversas
contradições da existência. E, apesar deu ser um consciente e
promissor aluno da história de todas as coisas e, também estar ciente
e consciente sobre o que acontece à minha volta, através da Filosofia
Dialética, o conhecimento e a consciência dessa história, apenas, não
garantirá qualidade no movimento criativo do comportamento político.
Será necessária uma atitude à política dialética: a mediania.

A Atitude

A atitude capaz de conduzir o indivíduo no movimento criativo do
comportamento ético, é o hábito da mediania.

O que vem a ser mediania?

Encontramos, nos dicionários em geral, esses conceitos sobre mediania
e mediano:

Mediania. [Qualidade ou condição de mediano.]

Mediano. [Que está no meio, ou entre dois extremos, que não é bom nem
mau.]

Porém, o sentido filosófico que queremos enfatizar numa atitude de
mediania é a capacidade do indivíduo para encontrar, através da
investigação dialética, o meio termo da contradição
espírito<=>matéria na questão; a harmonia, o ritmo.

Acreditamos que o meio termo está no equilíbrio do movimento, ou
seja, a mediania na unidade contraditória: a harmonia entre
espírito<=>matéria na unidade. A Supressão Criativa.

A Supressão Criativa

Diante de uma questão, onde teremos que decidir sobre o nosso
Comportamento Criativo de modo a não faltar com política dialética,
precisamos criar o hábito de investigar os valores materiais e os
valores espirituais que, logicamente, existem na unidade em questão.
Ao decidirmos pelo caminho a ser tomado numa determinada questão
usando a mediania entre os "desejos" da matéria e os "desejos" do
espírito, estamos agindo com política dialética. Agindo assim,
suprimimos a contradição no sentido criativo da vida, da evolução, do
amor. No ritmo de todas as coisas.

Na próxima aula investigaremos a supressão criativa do comportamento
sintético ético<=>político: A DEMOCRACIA

Reflexão: Onde está você?

"Os dois momentos de uma mesma realidade - a experiência humana -
torna-se duas realidades autônomas: a realidade objetiva e a
realidade subjetiva. O pensamento ideológico tenderá, naturalmente,
para colocar todo o real ou do lado do sujeito ou do lado do objeto:
isto é; toda vez que é levado a analisar uma contradição entre o
sujeito e objeto da experiência humana, o pensamento ideológico será
constrangido a optar por um dos aspectos do real, incorrendo em
inquestionável unilateralidade. As sociedades divididas entre
idealistas e materialistas constituem, em última análise, uma mesma
impotência para resolver o problema, constitui, mesmo, como que dois
pólos opostos e complementares desta impotência".

E por que se verifica tal impotência? Porque o pensamento ideológico
é levado a optar por uma adesão unilateral, ou do polo subjetivo, ou
do polo objetivo?" Leandro Konder









Ter, 13 de Set de 2005 4:44 pm

manelhi
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AULA VII Breve Introdução "Alguns são culpados, mas todos são responsáveis!" (Desconhecido) INTRODUÇÃO À POLÍTICA DIALÉTICA Diante da investigação...
Marcello Anelhi
manelhi
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13 de Set de 2005
4:46 pm
Avançado

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