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filosofiadialetica · A Filosofia do Movimento
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AULA VI

Breve Introdução
"Conhece-te, a ti mesmo."
...

INTRODUÇÃO À ÉTICA DIALÉTICA

Diante da investigação sobre lógica dialética interpretamos que tudo
está em movimento e, no movimento, tudo devém.

Movimento esse gerado pela contradição, que gera o movimento, que
gera a contradição. Em constante processo.

Vimos também, que, nesse processo, não existe importância primeira.
No Devir, contradição e movimento se misturam numa unidade. Isso é
Dialética. O Devir está imanente em todas as "coisas".

Na unidade, nunca devemos desprezar sua parte espírito nem sua parte
matéria.

Vimos também que o movimento segue por um caminho e esse caminho
também não pode ser definido, acontece por acaso.

Diante dos movimentos do acaso será o comportamento criativo que nos
protegerá. Aumentando muito nossa qualidade de vida.

Investigando o que vem a ser ética dialética e política dialética,
interpretaremos o movimento do comportamento capaz de efetivar uma
vida mais saudável, para nós mesmos, e para tudo e todos que estejam
além de nós.

Nesse bloco, investigaremos o livre conceito do que vem a ser ética
dialética. Porém, não devemos esquecer que ética e política também
formam uma unidade. Assim, diante de um comportamento que se faltou
com ética, faltou-se também com política. Do contrário também.

Diante das limitações formais da linguagem escrita, iremos tentar
interpretar o conceito de ética dialética e depois de política
dialética, acreditando que, com o pensamento em movimento (a
imaginação) a unidade seja estabelecida em nossa consciência. O Livre
Conceito.


O Indivíduo

Iniciando a investigação sobre o livre conceito de ética dialética,
primeiramente precisamos ressaltar que ética é uma "ciência prática"
que diz respeito, tão somente, à atitude do homem como indivíduo.

Logo, devemos considerar, de agora em diante, que, toda vez que um
indivíduo estiver diante de uma questão ética está diante da
necessidade de investigar sobre os movimentos do comportamento
criativo do indivíduo para consigo mesmo.


As Premissas e a Atitude

Para investigar o movimento ético dialético será necessário observar
duas premissas e uma atitude:


As Premissas

1ª Premissa - A aceitação da existência contraditória em movimento, o
devir.

"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo muda o
tempo todo no mundo..."
Lulu Santos

Diante da interpretação do conceito de que vivemos num eterno devir,
conforme já apresentado nos estudos de lógica dialética, fica
estabelecido, como primeira premissa à ética dialética, a aceitação
do próprio devir.

Para melhor entender essa premissa, e visualizar a importância do
comportamento ético em movimento, usaremos, como exemplo, os
movimentos gerados pela força da correnteza de um rio, onde, a força
dessa correnteza equivale a força da contradição/movimento, o Devir.

De cara percebemos que, independentemente de nós acreditarmos ou não
na força da correnteza desse rio, até mesmo, independentemente do
fato de nós existirmos ou não, o rio continuará existindo através da
força da sua correnteza.

Porém, a partir do momento que eu resolvo entrar nesse rio, entrar no
movimento desse rio, estarei mais protegido e aumentarei a
probabilidade de conservar a minha integridade (atitude criativa),
considerando a existência da força da correnteza desse rio.

Como o rio está em eterno movimento preciso fazer uma criativa
investigação de conduta e comportamento para avaliar a melhor maneira
de mergulhar nesse rio, sem que eu ponha a minha própria vida em
risco. Assim, estou agindo com ética dialética.

Para iniciar a investigação do que vem a ser um criativo movimento
ético dialético, preciso saber reconhecer a existência das leis da
correnteza do rio (primeira premissa: reconhecer a existência
contraditória, em movimento, o Devir.) e saber meus limites. Conhecer-
me (segunda premissa: a autoconsciência).


2ª. Premissa - A Autoconsciência (Texto baseado no livro Introdução à
Leitura de Hegel de Alexandre Kojève.)

"Devemos ser impiedosos com nós mesmos e fazer a dissecação do Eu com
o tremendo bisturi da autocrítica."
Samael Aun Weor

Para investigar os caminhos que nos levam a autoconsciência vamos
repercutir as relações dialéticas entre Sabedoria e Filosofia.

Todos os filósofos estão de acordo quanto à definição do sábio: o
sábio é o homem capaz de responder de modo compreensível, e
satisfatório, a todas as perguntas que lhe sejam feitas a respeito de
seus atos, e responder de tal modo que o conjunto de suas respostas
forme um discurso coerente. Ou seja: o sábio é o homem consciente-de-
si.

Porém, não consideramos apenas a consciência-de-si que o homem possuí
através da razão, que o faz diferenciar-se dos animais. Acreditamos
na consciência-de-si que reúne a tendência natural e necessária de
estender-se ao máximo, em devir dialético. Para que o movimento
dialético possa chegar ao seu termo, marcado pela realização da
sabedoria, do processo dialético que engendra o saber-de-si, é
preciso que, a cada encruzilhada dialética, exista um filósofo pronto
para tomar consciência da nova realidade constituída. De fato, é o
filósofo (aquele que examina a própria vida), e somente ele, que
quer, a todo preço, saber a quantas anda, dar-se conta do que ele é,
que não avança enquanto não se tiver dado conta disso.

Os outros, mesmo consciêntes-de-si, fecham-se naquilo que já tomaram
consciência e ficam impenetráveis aos fatos novos que ocorrem com
eles e fora deles. Para eles: "quando mais se muda, mais fica na
mesma." Ou, em outras palavras, "eles permanecem fieis a seus
princípios."

Enfim, não é por eles mesmos, mas unicamente pelo filósofo que eles
se dão conta - e isso contra a vontade - de uma mudança essencial da
situação, isto é, do mundo em que vivem e, por conseguinte, deles
mesmos.

O filósofo é o homem que deseja chegar ao ideal do sábio, devenir, em
processos, à consciência-de-si, feliz e satisfeito.
Se a sabedoria é a arte de responder as perguntas que possam ser
feitas a respeito da busca da consciência-de-si, a filosofia é a arte
de às fazer.

Ora, já que a consciência-de-si se traduz por um discurso (logos) e
já que o discurso que revela a mudança se chama discurso dialético, é
possível afirmar que todo filósofo é necessariamente um dialético.
O discurso dialético do filósofo, que revela sua mudança, revela;
portanto, um progresso. E já que todo progresso revelado tem valor
pedagógico, pode-se afirmar, em resumo, que toda filosofia é
necessariamente uma dialética pedagógica, ou, uma pedagogia
dialética, que devêm daquele que enuncia, em busca da sabedoria, isto
é, em busca da consciência-de-si.

O Fato de um indivíduo ter decidido estudar Filosofia Dialética,
prova que ele(a) ama a si próprio. O fato dele(a) compreender a
Filosofia Dialética prova que ele(a) devenir sabedoria, já que, ao
compreendê-la; faz crescer a consciência que tinha de si mesmo.
O(A) filósofo(a) aprende que, sendo um(a) filósofo(a), é amante da
sabedoria. Isto é, compreende que quer tornar-se um(a) sábio(a): um
homem (uma mulher) tomado(a) pelo desejo de devir consciência-de-si.
Satisfeito(a) por essa tomada de consciência, amante de si mesmo(a) e
de todas as coisas, servindo, assim, de modelo a todos os(as) seus
(suas) colegas. E, ao ver no devir da sabedoria, o caminho humano em
geral, o(a) filósofo(a) atribui a si, como filósofo(a), um valor
humano ímpar."

Para a Filosofia Dialética, é a alienação (em todas as interpretações
possíveis para tal conceito) que separa as perguntas filosóficas do
indivíduo, das sábias respostas contidas no poder de
investigação e interpretação do próprio indivíduo.
Portanto, consideramos a busca pela autoconsciência, através do
devir, premissa necessária à ética dialética.

Mas o que faz com que eu despreze a apreensão da realidade do Devir,
e mergulhe na perversidade do comportamento alienado, agindo contra
meu próprio interesse, e, assim, faltando claramente com ética (e com
política)?

O medo da morte e a servidão da força do trabalho.

"Nós evitamos encarar a morte, fugimos dela. Mas a vida do espírito
não recua diante da morte, o movimento da consciência é capaz de
olhar a morte de frente, aproximar-se dela, permanecer na sua
vizinhança e suportar a desolação dessa proximidade."

"Nessa situação terrível, a "autoconsciência" começa a se superar a
si mesma, porque é obrigada a pensar criticamente sua finitude: ela
se abre para a incorporação da "força mágica" do negativo, que lhe
permite começar a caminhar na direção da busca da universalidade."
"Para avançar na direção da universalidade, entretanto,
a `autoconsciência' ainda necessita de outra conquista: ela deve se
dar conta da importância do trabalho. Apesar da rudeza das formas que
assumiu, o trabalho é a atividade básica pela qual os sujeitos
humanos afirmam, inicialmente, seu poder de intervir na realidade
objetiva, dominando-a e pondo-a, astuciosamente, a seu serviço."
Curiosamente, na unidade do comportamento, a incorporação da "força
mágica" do negativo é uma atitude tão ética quanto política. Assim
como, o fim da servidão da força do trabalho também o é. Isso quer
dizer que um criativo comportamento Ético Dialético e Político
Dialético só é possível através do trabalho livre e da coragem diante
da morte.

Porém, ainda estamos diante da necessidade de saber escolher,
eticamente, como devemos entrar no movimento gerado pelas diversas
contradições da existência/conceito.

Apesar de ser um promissor aluno deu mesmo, ou seja, estar, através
da Filosofia Dialética aprendendo tudo sobre mim mesmo,
autoconsciência, (sem dar chance para a alienação do real), a
autoconsciência, apenas, não garantirá qualidade criativa na nossa
conduta e comportamento. Será necessária uma atitude à ética
dialética: a mediania.


A Atitude

"Não adianta fugir, nem mentir, pra si mesmo..." Lulu Santos

A atitude capaz de conduzir o indivíduo no movimento criativo do
comportamento ético, é o hábito da mediania.

O que vem a ser mediania?

Encontramos, nos dicionários em geral, esses conceitos sobre mediania
e mediano:

Mediania. [Qualidade ou condição de mediano.]

Mediano. [Que está no meio, ou entre dois extremos, que não é bom nem
mau.]

Porém, o sentido filosófico que queremos enfatizar numa atitude de
mediania é a capacidade do indivíduo para encontrar, através da
investigação dialética, o meio termo da contradição
espírito<=>matéria na questão; a harmonia, o ritmo.

Acreditamos que o meio termo está no equilíbrio do movimento, ou
seja, a mediania na unidade contraditória: a harmonia entre
espírito<=>matéria na unidade. A Supressão Criativa.


A Supressão Criativa

Diante de uma questão, onde teremos que decidir sobre o nosso
comportamento criativo de modo a não faltar com ética dialética,
precisamos criar o hábito de investigar os valores materiais e os
valores espirituais que, logicamente, existem na unidade em questão.
Ao decidirmos pelo caminho a ser tomado numa determinada questão
usando a mediania entre os "desejos" da matéria e os "desejos" do
espírito, estamos agindo com ética dialética. Agindo assim,
suprimimos a contradição no sentido criativo da vida, da evolução, do
amor. No ritmo de todas as coisas.


Reflexão Prática

A Ética Dialética e o "Valor Econômico"

Observemos o valor da nota de R$ 100,00!

Todos saberão citar muitos valores materiais da nota de R$ 100,00.

Logo de cara aparecem, facilmente, os exemplos: podemos comprar um
tênis, ou duas entradas para uma determinada peça de teatro, ou pagar
uma conta de telefone celular, ou comprar um belo vestido, etc..

Mas, para a Filosofia Dialética a matéria nunca separa do espírito.
Logo, se tenho consciência dos valores materiais da nota de R$ 100,00
preciso saber os valores espirituais da nota de R$ 100,00.

Então, qual de nós poderá responder sobre os valores espirituais da
nota de R$100,00?

Parece confuso não?

Mas não é!

Precisamos considerar como nosso espírito (consciência) valorizou
essa nota de R$ 100,00, e isso só é possível, num primeiro momento,
através da investigação de como eu adquiri essa quantia.

O valor espiritual da nota de R$ 100,00 dependerá da forma pela qual
eu (agente do devir) adquiri essa quantia. Se eu trabalhei
honestamente para receber R$ 100,00, essa nota terá um valor
espiritual; se eu ganhei de maneira muito fácil essa quantia, terá
outro valor espiritual; se roubei R$ 100,00 de alguém ou se peguei
emprestado, serão outros valores espirituais; se eu achei R$ 100,00
na calçada da minha rua,
ou se ganhei R$ 100,00 numa negociata escusa, também serão valores
espirituais diferentes, e assim sucessivamente.

Desprezar o espírito nesse movimento é faltar com ética dialética, É
UM COMPORTAMENTO COVARDE! Agindo assim, mesmo que seja de forma
alienada, provocamos movimentos que irão de encontro a nós mesmos,
mais à frente.


NADA ESCAPA AO MOVIMENTO!

Diante do exposto, podemos observar como matéria<=>espírito nunca se
separam. Aparentemente pode parecer que ou o espírito ou a matéria
está predominando, porém, na realidade, estão lado a lado o tempo
todo. No movimento dialético, espírito<=>matéria manifestam
(existência/conceito) o Devir.

Diante desse exemplo fica evidente que sempre precisamos investigar
onde está à parte matéria e onde está a parte espírito na unidade em
questão, de todas as questões.

De posse da unidade matéria<=>espírito em questão, a atitude deve ser
de mediania. Intervir inteligentemente diante das contradições.

Agindo assim, formularemos um criativo movimento de conduta e
comportamento, evitando faltar com ética dialética e evitando que o
movimento se volte contra nós mesmos.


Sugestão de Estudos

Como complemento a esse módulo introdutório sugiro que assistam o
vídeo:

ÉTICA: A ARTE DE VIVER – JOSÉ AMÉRICO PESSANHA

Ética: A Arte do Viver / A Culpa dos Reis
JOSÉ AMÉRICO PESSANA
RENATO JANINE RIBEIRO
ANTÔNIO CÂNDIDO
ALFREDO BOSI
Cultura Marcas








Ter, 23 de Ago de 2005 12:21 pm

manelhi
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Marcello Anelhi
manelhi
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23 de Ago de 2005
12:39 pm
Avançado

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