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LÓGICA FORMAL E LÓGICA DIALÉTICA
Márcia do Amaral
SUMÁRIO
O texto que ora apresentamos se afigura como uma introdução a dois
vastos e complexos assuntos – LÓGICA FORMAL ARISTOTÉLICA E LÓGICA
DIALÉTICA HEGELIANA. Ele se desenvolve através de cinco tópicos :
No primeiro deles procuramos discutir o "problema do conhecimento"
inaugurado pela Metafísica ao instituir a separação metodológico-
conceitual entre sujeito e objeto.
No segundo tópico tratamos das questões e concepções clássicas acerca
da lógica: O parentesco da Lógica Formal com a Gramática, a Lógica
Material ou Metodologia, a Lógica enquanto estudo das condições do
pensamento verdadeiro e a Lógica como metaconhecimento.
O terceiro tópico é dedicado à abordagem da Lógica Foram Aristotélica.
O quarto tópico diz respeito à Lógica Dialética Hegeliana.
No quinto e último tópico discutimos o processo racionalizante tanto
na Lógica Formal quanto da Lógica Dialética, enquanto instrumentos
ordenadores e reguladores do real.
__________________________________________________________
(") Apresentação a partir de Henry Lefebvre
1 . O CONHECIMENTO – SEPARAÇÃO METAFÍSICA ENTRE SUJEITO E OBJETO: UM
PROBLEMA INSOLÚVEL
Em termos filosóficos conceituamos conhecimento como uma correlação
existente entre o sujeito cognoscente e o objeto a ser conhecido.
O SUJEITO (o pensamento, o homem que conhece) e o OBJETO (os seres
conhecidos) agem e reagem contínua e mutuamente. O sujeito age sobre
as coisas, as explora, as experimenta e elas resistem ou cedem a sua
ação. O SUJEITO e o OBJETO estão em perpétua interação.
Esta interação é expressa por uma palavra que designa a relação entre
dois elementos opostos e, não obstante, partes de um todo, como num
diálogo. Diremos portanto, que se trata de uma interação DIALÉTICA.
(1)
Partimos portanto, da premissa que nosso conhecimento acerca das
coisas é um fato. Que desde a vida prática mais imediata e mais
simples, nós conhecemos objetos, seres, coisa, etc. Partimos da
premissa de que é possível discutir e examinar os meios de aumentar
nosso conhecimento, de aperfeiçoá-lo, de acelerar seu progresso, mas
o conhecimento em si mesmo deve ser aceito como um fato
indiscutível. E, por que afirmamos isso com veemência ?
Procedemos assim pois durante a História da Filosofia o entendimento
que se teve sobre o que é o conhecimento nem sempre ou quase nunca
foi este. Ao tratarmos da questão do conhecimento, nossa primeira
dificuldade se encontra na freqüente análise feita pelos filósofos
metafísicos e por tantos outros tratados de Filosofia, que instituem
o que denominamos aqui como o PROBLEMA DO CONHECIMENTO. (2)
É inegável que ao examinarmos o que é isto, conhecimento, nos
deparamos com um tema que nos propõe certos problemas, todavia, o
conhecimento em si não é um problema. Para que o conhecimento se
transforme num problema, é preciso que a análise deste, separe e
isole o que é dado como indissoluvelmente ligado, ou seja, que ao
analisarmos se o conhecimento se separe e isole os seus elementos: o
SUJEITO e o OBJETO.
Esta operação foi realizada pela maioria das teorias sobre o
conhecimento e merece nossa desconfiança crítica. Elas definem
isoladamente o sujeito e o objeto transformando o conhecimento num
problema insolúvel. Como relacionar duas realidades assim definidas,
ou seja, uma exterior à outra e uma sem a outra? Com este método que
denominamos METAFÍSICO, pois define os seres e as idéias fora de suas
relações e de suas interações, será muito fácil concluir que o
conhecimento é impossível, quando na verdade, trata-se de um fato.
Muitos metafísicos raciocinam do seguinte modo: O sujeito do
conhecimento, o ser humano, é um indivíduo consciente, um eu. Que é
um eu ? É u ser consciente de si e enquanto consciência de si, nele
não pode haver senão estados subjetivos, estados de consciência,
sendo portanto, fechado em si mesmo. Como poderia sair de si,
transportando-se para fora de si a fim de conhecer uma outra coisa
diversa de si mesmo? O objeto, caso exista, está fora de seu
alcance. O pretenso conhecimento dos objetos, a própria existência
deles não é mais que uma ilusão.
A Filosofia empenhou-se tanto e com tanta freqüência no
desenvolvimento destas sutilezas metafísicas, que por várias vezes
chegou a negar a existência do mundo exterior. Estes arroubos
metafísicos esqueceram da constatação primária do BOM SENSO (3) e da
prática: Estamos em relação com o mundo, com os objetos, com os seres
vivos, com os seres humanos. Esta relação faz parte de nosso próprio
ser. Nosso "eu" não pode se isolar, não está fechado em si e posto
fora do mundo, fora da natureza.
A argumentação de que é possível que nada exista fora do sujeito e
que seus conhecimentos sejam resultado de uma projeção inteiramente
ilusória, ou ainda, que pode ser que exista algo fora do sujeito, mas
que o sujeito nunca alcance este algo, torna incompreensível não
apenas o conhecimento e a Ciência, mas até mesmo a mais simples
sensação.
Apesar destes argumentos, o BOM SENSO e a vida prática continuam a
crer na existência dos objetos e num certo conhecimento humano sobre
estes objetos.
As teorias metafísicas atribuem ao conhecimento determinadas
características como:
A Metafísica consiste sempre numa teoria desligada da prática, sem
unidade com a mesma, sem ligação direta e consciente com ela. O
metafísico realiza até as últimas conseqüências a separação entre a
prática e a teoria, entre a vida e o pensamento. Ele se exclui da
vida, se abstrai da prática com a finalidade de extrair sua verdade
do próprio esforço e do seu pensamento individual. Se observarmos
dentro da História da Filosofia, todos os sistemas metafísicos foram
sempre obra de um filósofo que acreditava trazer consigo a chave para
todos os enigmas, de modo que, segundo ele, a história do homem e do
pensamento desembocavam nele e chegavam com ele ao seu ponto terminal.
Mas que verdade é essa que o metafísico nos apresenta ? A verdade
metafísica se apresenta como um bloco, dogmática e sistematicamente;
se apresenta como uma revelação que o metafísico atribui a si mesmo,
ou que generosamente empresta à espécie humana, sob a forma de idéias
inatas, ou sob aquela da participação num pensamento super-humano,
divino. No fundo esta verdade metafísica aparece sempre como pronta
e acabada; ela existe previamente em Deus, por exemplo, que tudo sabe
e que tudo vê. Se nosso pensamento humano muda e se transforma, isso
acontece graças a sua imperfeição, já que é incapaz de apreender de
uma só vez a verdade absoluta.
O caminho do conhecimento, o seu progresso é visto como um mal sinal,
como uma deficiência do pensamento. Desta forma, a Metafísica é
confessadamente anti-histórica. Ela não admite a simples idéia, tão
próxima de nossa experiência prática, de que o homem vai da
ignorância ao conhecimento, que o homem conquista progressivamente,
mediante uma sucessão de vitórias sobre a ignorância, o saber.
Esta questão das relações entre o Ser e o Pensamento, a Natureza e
o Espírito, O Objeto e o Sujeito do conhecimento, foi sempre uma das
questões fundamentais da Filosofia. E durante a História da
Metafísica tratou-se de saber qual das duas séries de termos foi a
primordial. Ou se deu ênfase ao SER, a NATUREZA, ao OBJETO, ou se
enfatizou o PENSAMENTO, o ESPÍRITO, o SUJEITO do conhecimento. Esta
separação metafísica, esta cisão entre o Sujeito e o Objeto, ao mesmo
tempo, colocou e tornou insolúvel o PROBLEMA DO CONHECIMENTO.
Mas por que estamos discutindo aqui esta questão do PROBLEMA DO
CONHECIMENTO? O que ela tem em comum com nosso assunto-tema: Lógica
Formal e Lógica Dialética ?
O PROBLEMA DO CONHECIMENTO instaurado pela Metafísica é um problema
que só tem razão de existir em virtude do instrumental metodológico
usado para examinar o que vem a ser o conhecimento. Se, tomamos como
instrumental metodológico a Lógica Formal Aristotélica para
examinarmos o que é o conhecimento, fatalmente nos conduziremos ao
tão propalado PROBLEMA DO CONHECIMENTO, pois a Lógica Formal, também
conhecida como a Lógica do Conceito é uma Lógica que, para definir as
idéias, os conceitos, os isola, os separa uns dos outros, os
hierarquiza. Ao contrário da Lógica Formal, a Lógica Dialética não
estabelece cisões conceituais, é uma lógica que opera a partir da
interação dos dados da realidade e que os apreende em sua
interação. Portanto, se tomarmos a Lógica Dialética como nosso
instrumental metodológico para examinarmos o que é conhecimento, não
nos depararemos com o PROBLEMA DO CONHECIMENTO pois, por ser uma
lógica da relação, ela não procederá a cisão metafísica entre o
sujeito e o objeto.
Passemos agora ao nosso assunto propriamente dito
2. CONCEPÇÕES DIFERENTES SOBRE A LÓGICA.
QUESTÕES CLÁSSICAS RELATIVAS A SUA DEFINIÇÃO
a) De acordo com a concepção tradicional da Lógica, a concepção
Aristotélica, existe um parentesco estreito entre Lógica e a
Gramática.
A Gramática faz a distinção capital entre CONTEÚDO e FORMA da
linguagem e concentra sua atenção, não no conteúdo, na verdade ou
falsidade da afirmação, mas sim, na maneira como as palavras estão
agrupadas e nas regras de seu emprego numa língua.
A Lógica Aristotélica ou Lógica Formal, opera de maneira parecida.
Aristóteles buscou as condições de uma língua universal, as regras
para o emprego necessário dos termos criados pela prática social,
pela linguagem corrente. Tal como o gramático, que distingue os
termos, as proposições, as frase, a Lógica Formal distingue e define
os termos lógicos, os julgamentos e os raciocínios. Finalmente, a
Lógica Formal, deixando de lado qualquer conteúdo, qualquer sentido
que possam ter os termos lógicos, qualquer objeto por eles designado,
determina, através do puro pensamento as regras de seu emprego
correto, ou seja, as regras gerais de coerência, do acordo do
pensamento consigo mesmo.
Aristóteles ao buscar um ORGANON, um instrumento universal, um método
racional de conhecimento a partir da linguagem, enquanto forma já
elaborada da prática social e do contato ativo com o real, não levou
suficientemente longe seu projeto. Ao tomar a linguagem do ponto
de vista apenas de sua forma, abandonando todo seu conteúdo,
Aristóteles separou a teoria da prática, caindo num formalismo.
A Lógica Formal, como a Gramática tem um alcance apenas relativo e
uma aplicação limitada. Ela não tem sentido fora do conteúdo, mas
assume todo o seu sentido e todo seu alcance, quando nosso pensamento
negligencia expressamente uma grande parte de seu conteúdo e dirige-
se para o limite extremo: para o ponto em que o conteúdo se desvanece
e em que resta quase que somente a forma. Quando tratarmos mais
detalhadamente da Lógica Formal, teremos oportunidade de observar que
nosso pensamento realiza necessariamente uma eliminação parcial e
momentânea de seu conteúdo e que essa é uma fase, uma etapa, um
aspecto, um momento de sua atividade : O momento da ABSTRAÇÃO (4) .
A Lógica Formal, a lógica da forma, é assim a lógica da abstração.
Mas, quando nosso pensamento, após esta redução provisória de
conteúdo, retorna a ele para reaprendê-lo, a Lógica Formal se revela
insuficiente. É preciso substituí-la por uma lógica concreta, uma
lógica do conteúdo, da qual a Lógica Formal é apenas um elemento, um
esboço válido em seu plano formal, mas aproximativo e incompleto.
A FORMA do pensamento é diferente do CONTEÚDO embora esteja sempre
ligada a ele. Assim , sujeito e objeto são realidades distintas, mas
na relação de conhecimento, um não pode estar separado do outro. A
FORMA, é sempre FORMA de um CONTEÚDO. Entre a FORMA e o CONTEÚDO se
opera uma interação e um movimento incessantes. Quando a FORMA é
tomada isoladamente, o que é sempre possível e, quando no processo do
conhecimento enfatiza-se apenas a ela, sem que haja um retorno ao
conteúdo, cai-se no FORMALISMO LÓGICO (5). Aí devemos ter presente
que não é a LÓGICA FORMAL, enquanto tal que deve ser julgada com
severidade, mas sim o FORMALISMO LÓGICO, o que é coisa inteiramente
diversa.
b) Denomina-se freqüentemente com o nome de Lógica, na Filosofia
Moderna, o estudo dos métodos científicos : Métodos das matemáticas,
das ciências experimentais. A este estudo dá-se o nome de METODOLOGIA
ou LÓGICA MATERIAL, ou ainda, LÓGICA APLICADA.
Durante séculos, enquanto as Filosofias discutiam abstratamente sobre
as regras da Lógica Formal ou as empregavam abstratamente sem fazer
progredir o saber, as ciências provavam seus conhecimentos na
prática, experimentando. Elas avançavam, conheciam a natureza e
constituíam seus métodos próprios.
A metodologia das Ciências, ao constituir-se encontra nas diferentes
ciências, ou seja, nos diferentes conteúdos, movimentos de pensamento
e formas compatíveis ou mesmo idênticos. Desta forma, considerando
e analisando o conteúdo do conhecimento, a Lógica Aplicada determina
as vias (métodos) (6) a se seguir para chegar segura e rapidamente à
verdade. A Lógica Aplicada se deterá no estudo dos processos
gerais da demonstração científica (o estudo do método em geral) e
ainda estudará os diferentes métodos de cada ciência particular.
c) A Lógica é freqüentemente definida como o estudo das "condições
de verdade" ou das "condições do pensamento verdadeiro".
Esta definição comporta duas interpretações, sendo uma verdadeira e
outra falsa. É falsa a interpretação que enfatiza que as condições
do pensamento verdadeiro são condições subjetivas, individuais, ou
seja, condições apenas do pensamento. Isto porque esta interpretação
separa a forma do conteúdo, eliminando o conteúdo objetivo,
histórico, prático do conhecimento, retomando a postura do Formalismo
Lógico. Mas, se se estende por "condições do pensamento
verdadeiro" precisamente a análise histórica do conhecimento, que em
contato com a realidade forja os instrumentos, as formas objetivas do
conhecimento, as formas do conteúdo da vida, então, neste caso, pode-
se dizer que a Lógica estuda as condições mais gerais do pensamento
verdadeiro, as formas verdadeiras do pensamento, isto é, aquelas que
correspondem ao conteúdo objetivo.
d) A Lógica seria "o conhecimento do conhecimento? ", ou seja, a
Lógica seria um meta-conhecimento ?
Se considerarmos esta fórmula como uma variante da anterior, ou seja,
se por Lógica entendermos a realização de uma reflexão abstrata,
subjetiva, sobre o conhecimento o conhecimento adquirido, então
diremos que esta lógica elaborada sem levar em conta a parte
prática, o conhecimento efetivo da realidade, não é um conhecimento
sobre o real. É apenas um jogo de regras. Mas se entendermos por
Lógica, a teoria que estabelece as regras diretoras mais gerais do
conhecimento, regras estas que levam em conta o conteúdo do
conhecimento, a relação objetiva entre o sujeito e o objeto, então
podemos considerar esta lógica como um conhecimento do conhecimento,
pois suas leis e regras foram elaboradas com base no conteúdo
concreto da realidade e posteriormente convertidas em "formas", em
regras de pesquisa. Esta Lógica então concebida como a teoria da
prática efetiva do conhecimento.
3. LÓGICA FORMAL ARISTOTÉLICA
Tomando como ponto de partida a concepção não-aristotélica de que o
movimento total do conhecimento compreende dois momentos intimamente
opostos e complementares: A REDUÇÃO DO CONTEÚDO (abstração) e o
RETORNO AO CONCRETO, ou seja, o retorno ao conteúdo analisado e
compreendido, trataremos agora da explicitação do primeiro momento.
Estabelecemos em vez anterior, o fato de que o pensamento tem o poder
de isolar elementos ou aspectos mais ou menos importantes do seu
conteúdo. Esse processo denominado ABSTRAÇÃO põe em evidência a
forma do pensamento. É neste momento que suprimimos o conteúdo do
conhecimento e analisamos sua forma, do ponto de vista de sua
coerência interna.
O movimento de redução de conteúdo acontece na história do
pensamento, de várias maneiras, seguindo várias direções: A noção de
número, por exemplo, procede de uma eliminação momentânea dos objetos
numerados. O número abstrato pode designar todos os tipos de
objetos e, além disso ele pode ser considerado em si mesmo pela
Aritmética. Na linguagem, cada palavra tem um sentido, isto é, um
conteúdo, mas na maioria dos casos, a palavra é empregada sem que seu
conteúdo esteja plenamente presente ou explícito.
A Lógica Formal, igualmente, pode ser considerada como um dos
sistemas de redução do conteúdo, através do qual o entendimento
humano chega às formas puras e rigorosas, nas quais o pensamento
lida apenas consigo mesmo.
Coube a Aristóteles (séc. IV a.c.) a sistematização das regras
ideais do pensamento. É uma exigência do pensamento esta precisão na
formulação das condições de seu acordo consigo mesmo, de sua
coerência e para tanto ele busca em si os princípios dessa coerência.
A LÓGICA DA IDENTIDADE E DO CONCRETO
Antes de tecermos algumas considerações acerca dos princípios nos
quais a Lógica Formal Aristotélica está aventada, pensamos ser
necessária a elucidação dos pressupostos de onde parte Aristóteles
para a elaboração deste sistema lógico.
Aristóteles inaugurou o que conhecemos em Filosofia com o nome de
Filosofia da Identidade. E o que é isto? A Filosofia da Identidade,
considera a IDENTIDADE como princípio primeiro de todo ser e todo
pensar. Para esta filosofia um ser é o que ele é. O ser é sempre
isto ou aquilo, ou seja, o ser é sempre algo determinado e, por ser
determinados, ele pode ser pensado e nomeado. O ser é sempre
idêntico a si mesmo e quando o pensamos, pensamos esta identidade.
A Filosofia da Identidade pressupõe que todos os seres são
determinados, têm uma natureza própria e se distinguem dos outros
seres e, ainda distinguem em si mesmos características essenciais de
características acidentais. (7) (8)
Conhecer um ser é conceituá-lo, e conceituá-lo é enunciar sua
essência. A Metafísica Aristotélica, desta forma pode ser encarada
como um discurso sobre o SER (ontologia) e um discurso sobre o PENSAR
(lógica).
Voltemos ao discurso lógico.
A Lógica Aristotélica repousa sobre três princípios fundamentais:
PRINCÍPIO DA IDENTIDADE : É o princípio da coerência, do acordo
rigoroso do pensamento consigo mesmo. É válido para todo pensamento e
pode ser expresso pela fórmula "A é A", o que significa dizer
que "o que é, é", ou seja, "árvore é árvore", "homem é homem",
etc. Tomado absolutamente, este princípio implica numa pura e
simples repetição : A TAUTOLOGIA. (9)
A Tautologia certamente é rigorosa, mas é estéril, é inaplicável, não
produz conhecimento novo.
O princípio da Identidade explicitado por Aristóteles, apesar de não
nos fornecer um conhecimento novo, representa um avanço
significativo, um marco histórico essencial no estudo da estrutura do
pensamento. A afirmação de que "A é A", representa uma conquista
inestimável para a Lógica, isto porque o Princípio de Identidade
situa o pensamento em seu plano. Vejamos:
Durante um discurso, o sentido de cada palavra deve conservar-se
idêntico; e se isso não ocorre, os interlocutores não sabem mais do
que estão falando e não falam mais da mesma coisa. É preciso definir
o que falamos e conservarmos esta definição, até o momento em que ela
é enriquecida; e este enriquecimento, caso ocorra, deve ser realizado
de modo consciente e o interlocutor deve ser advertido. Desta forma
podemos sustentar um pensamento e um discurso coerentes.
O Princípio de Identidade, apesar de se apresentar como uma
TAUTOLOGIA, ou seja, apesar de se apresentar aparentemente como uma
repetição absurda, "A é A", ele traz em si mesmo um movimento
interno, que pode se apresentar sob dois outros aspectos. Por
exemplo, o Princípio de Identidade pode tomar a forma de PRINCÍPIO DA
NÃO-CONTRADIÇÃO : Este princípio é expresso sob a fórmula " A não é
não-A", onde não-A é qualquer realidade diferente de A . O que
significa dizer, por exemplo que " A não é B". Sob esta forma
introduzem-se na Identidade a DIFERENÇA, a RELAÇÃO e a CONTRADIÇÃO.
O princípio de Identidade apresenta-se ainda sob a forma de PRINCÍPIO
DO TERCEIRO EXCLUÍDO, ou seja, segundo este princípio uma afirmação
não pode, ao mesmo tempo, ser verdadeira e falsa.
A CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO : APREENSÃO E O TERMO, JUÍZO E A
PROPOSIÇÃO, RACIOCÍNIO E A ARGUMENTAÇÃO.
Neste tópico vamos estudar o pensar humano, a construção do
pensamento, enquanto pensado e enquanto expresso por meio de termos.
Em síntese, vamos estudar a idéia, o juízo e o raciocínio, enquanto o
pensado e o termo, a proposição e o argumento enquanto expressão
verbal do pensado.
A divisão que agora vamos apresentar só tem valor didático, pois é
uma maneira possível de analisar esta realidade complexa que é o
pensamento.
Ao pensarmos, realizamos algumas operações mentais as quais
denominamos atos intelectuais. São três estes atos intelectuais:
O CONCEBER, o JULGAR e o RACIOCINAR.
O CONCEBER é apreender uma idéia, que é expressa verbalmente pelo
TERMO; o JULGAR é afirmar ou negar alguma coisa de algo e, é expresso
verbalmente pelo ARGUMENTO.
Vejamos:
A APREENSÃO E O TERMO – Do ponto de vista lógico, apreender é o ato
intelectual pelo qual o espírito concebe uma IDÉIA, sem nada afirmar
ou negar sobre ela.
A IDÉIA é a representação intelectual de um objeto , cuja expressão
verbal é o TERMO. O TERMO pode comportar uma ou mais palavras e não
deve ser confundido com estas.
Ex.: Cadeira, livro, o bom Deus, etc.
O JUÍZO E A PROPOSIÇÃO – Quando afirmamos ou negamos alguma coisa de
outra, estamos produzindo a operação intelectual denominada JUÍZO. A
expressão verbal de um JUÍZO denomina-se PROPOSIÇÃO.
Ex.: O homem é alto.
O homem não é imortal.
A proposição é composta de três elementos constitutivos: Um SUJEITO,
que é o ser de que o que se afirma ou que se nega alguma coisa; um
ATRIBUTO ou PREDICADO, que é o que se afirma ou se nega do sujeito;
uma CÓPULA, que é o verbo ser na sua forma afirmativa ou negativa.
O RACIOCÍNIO E O ARGUMENTO – O RACIOCÍNIO é a terceira operação
intelectual, e é por meio dele que formulamos conhecimentos novos. O
RACIOCÍNIO estabelece relações entre PROPOSIÇÕES conhecidas e delas
retira uma conclusão. A argumentação, ou seja, o ato de se conduzir
de uma proposição à outra até se chegar a uma conclusão é também
denominada INFERÊNCIA. O ARGUMENTO é a expressão verbal de um
RACIOCÍNIO.
A Proposição a que chega o Raciocínio se chama CONCLUSÃO ou
CONSEQUENTE, e as Proposições de onde é retirada a conclusão se
chamam coletivamente ANTECEDENTES.
O Raciocínio consiste em se servir do que se conhece para chegar ao
que se ignora. S o que se conhece inicialmente é uma VERDADE
UNIVERSAL e dela se parte para os CASOS PARTICULARES temos uma
DEDUÇÃO, mas se, ao contrário, partirmos de vários CASOS PARTICULARES
para a formação de uma VERDADE UNIVERSAL temos o raciocínio de tipo
INDUTIVO ou INDUÇÃO.
EXEMPLOS: Raciocínio Dedutivo
Todo homem é mortal. (antecedente)
Sócrates é homem. (antecedente)
Logo, Sócrates é mortal. (conseqüente )
Raciocínio Indutivo
O calor dilata o ferro, o cobre, o bronze.
O ferro, o cobre e o bronze são metais.
Logo, o calor dilata os metais.
Este tipo de argumentação apresentada tanto no primeiro, quanto no
segundo exemplo é também denominada SILOGISMO. O SILOGISMO é um
argumento pelo qual, de um antecedente que une dois termos a um
terceiro, tira-se um conseqüentemente que une estes dois termos
entre si.
O SOFISMA – O Sofisma é um falso raciocínio, que se apresenta com a
aparência de um raciocínio verdadeiro.
EXEMPLOS: Todo cão ladra.
Cão é uma constelação.
Logo uma constelação ladra.
Todos os homens são altos.
Eu sou homem.
Logo, eu sou alto.
4. LÓGICA DIALÉTICA HEGELIANA:
Ao reexaminarmos nossas considerações acerca da Lógica Formal,
observamos que ela não se basta e não basta, enquanto movimento único
que nos põe a caminho da verdade. Pois a Lógica Formal, apesar de
apresentar um conteúdo e não poder se separar dele, executa,
enquanto "forma" lógica, a redução deste conteúdo ao mínimo
estrito. Ao reduzir o conteúdo ao mínimo estrito, a Lógica da Forma,
a Lógica do Conceito apreende o real, imobilizando-o numa "essência"
separada, distinta, abstrata.
Esta lógica é uma lógica estática e estatizante do pensamento e do
real. Ela não comporta o movimento, a contradição, a diversidade, a
multiplicidade, pois o conceito é exatamente o momento de apreensão
da "essência" imóvel, uma, abstrata, idêntica a si mesma.
Ao abdicar do conteúdo do pensamento e ater-se apenas a forma deste,
a Lógica Clássica perde o real, perde o movimento e incorre
novamente no que já denominamos FORMALISMO METAFÍSICO, ou seja, a
Lógica do Conceito estabelece a cisão entre FORMA e CONTEÚDO, entre
RACIONAL e REAL, entre PENSAMENTO e SER, privilegiando somente a
FORMA, o RACIONAL, o PENSAMENTO.
É preciso superar esta oposição e descobrir um novo movimento do
pensamento, que soubesse mergulhar no real abandonado e nele
encontrar as raízes da razão. É preciso estabelecer na razão, o real
com todas as suas características; é preciso tomar o conteúdo não só
no seu movimento, mas refleti-lo, informá-lo, tornando-o claro e
consciente.
Coube a HEGEL (1770-1831) apresentar esta nova lógica, que tem como
finalidade retomar o movimento natural do pensamento e do real.
Podemos denominá-la Lógica do Conteúdo, Lógica Concreta, ou ainda,
por outras palavras, LÓGICA DIALÉTICA (10) .
Segundo Hegel, a DIALÉTICA é o movimento mais elevado da razão, no
qual as aparências separadas passam umas nas outras e se superam, ou
seja, por meio da confrontação de afirmações, o pensamento vivo busca
a unidade superior, a SUPERAÇÃO. Diz Hegel : "Tudo é contraditório;
todo pensamento avança graças às contradições que contém, examina e
supera."
A razão que parecia condenada à abstração, à esterilidade, caso se
mantivesse nos quadros da velha lógica, aprisionada no formalismo
metafísico, não hesita em pesquisar o conteúdo rico, informe,
múltiplo da vida humana e, para tanto, já que o real está em
movimento, então que o pensamento se ponha em movimento e seja o
pensamento dessem movimento. Se o real é contraditório, então que o
pensamento seja consciente da contradição.
Desta forma, a Lógica Dialética apresenta algumas exigências
internas:
Em primeiro lugar, a ligação dos termos que a metafísica conserva
separados: Forma-conteúdo, racional-real, pensamento-ser. O
pensamento dialético é o pensamento da relação e não da separação, do
isolamento. Em segundo lugar, o pensamento se afirma como movimento
de pensamento e ao mesmo tempo como pensamento do movimento, pois ele
se imobiliza e se torna pensamento da imobilidade, da separação, ele
se destrói. Em terceiro lugar, o pensamento caminha por meio de
contradições. Ele as atravessa, as relaciona, descobre a relação e a
unidade entre elas e determina seu movimento. E, aqui vale aclarar
esta noção de CONTRADIÇÃO no âmbito da Dialética. Descobrir um termo
contraditório de outro não significa destruir o primeiro, ou
esquecê-lo, ou pô-lo de lado. Ao contrário, significa descobrir um
complemento deste. A relação entre dois termos contraditórios é
descoberta como algo preciso: Cada um é aquele que nega o outro e
diz faz parte dele mesmo.
A Dialética Hegeliana é, ao mesmo tempo a teoria das leis
universais do movimento do pensamento e do real. Ela é a estrutura
contraditória do próprio real, que no seu movimento de constituição
passa por três momentos distintos: O momento da IDENTIDADE (tese); o
momento da CONTRADIÇÃO ou NEGAÇÃO (antítese) e o momento da NEGAÇÃO
DA NEGAÇÃO (síntese).
Para um melhor entendimento deste processo, convém elucidar dois
conceitos básicos da Lógica Dialética : A noção de CONTRADIÇÃO e a
noção de SUPERAÇÃO DIALÉTICA.
A Dialética considera a contradição inerente à realidade das coisas.
Ela é justamente, a força motriz que provoca o movimento e a
transformação. Hegel, repudiando o Princípio de Não-Contradição
Aristotélico, em virtude do qual uma coisa não pode ser e, ao mesmo
tempo, não ser , põe a contradição no próprio núcleo do pensamento e
das coisas, simultaneamente. A contradição é a luta, é o atrito
entre os contrários que , não obstante são inseparáveis. A isso
chamamos de UNIDADE DOS CONTRÁRIOS, pois mesmo em oposição, eles
estão em relação recíproca. Da interação destas forças
contraditórias, em que uma nega a outra, deriva o terceiro
momento: A síntese , ou a negação da negação, que é o surgimento do
novo. A síntese se põe como momento de SUPERAÇÃO DIALÉTICA entre a
tese e a antítese. E, aí temos o segundo termo a aclarar.
Hegel expressa sua concepção sobre a Superação Dialética usando a
palavra AUFHEBEN, um verbo que significa SUSPENDER. Este verbo
pode ser entendido de três maneiras diferentes: O primeiro sentidos
é o de negar, anular, cancelar; o segundo sentido é o de erguer
alguma coisa e mantê-la erguida; o terceiro sentido é o de elevar
a qualidade, promover a passagem de alguma coisa para um plano
superior. Hegel emprega a palavra suspender (aufheben) nestes
três sentidos ao mesmo tempo.
Para ele, a Superação Dialética é simultaneamente a negação de uma
determinada realidade, a conservação de algo de essencial que existe
nesta realidade negada e a elevação dela a um nível superior. Por
exemplo: Na relação trabalho-natureza. A matéria-prima é "negada",
quer dizer destruída em sua forma natural, mas ao mesmo tempo
é "conservada", é aproveitada e assume uma forma nova,
modificada, "elevada" a uma forma qualitativamente diferente . (11)
Hegel restituiu as coisas e os seres em suas relações e assim os
restituiu no movimento. Nada é absolutamente estático e isolado.
O estabelecimento da noção de unidade dos contrários e da noção de
relação foi outro passo de fundamental importância para o
desenvolvimento do pensamento lógico; tão importante quanto o
estabelecimento do conceito aristotélico.
5. "LOGOS" (12) E " PHYSIS" (13): UMA QUESTÃO PROBLEMÁTICA
Tendo surgido na Grécia Antiga, a Lógica Formal tendeu sempre a
assumir o caráter de uma disciplina exata, um rígido conjunto de
regras do pensar, dotada de validade universal.
Se, por uma parte, podemos afirmar a validade intrínseca deste saber,
por outra parte surge um problema inteiramente diverso: Saber-se
até que ponto essas regras formais abstratas podem ser igualmente
aplicadas ao real. Em termos filosóficos, estamos diante do liame
entre a legalidade lógica e a legalidade ontológica.
Nosso objetivo aqui, não é discutir a noção de verdade, mas sim
tentar mostrar algumas nuanças do caminho percorrido pela
racionalidade humana com a natureza.
Aristóteles ao construir sua Lógica, aprisionou o ser, aprisionou o
real no conceito abstrato. Tentando estabelecer as leis universais
do pensamento, o filósofo "fixou as estrelas no céu" eliminando por
completo a relação e o movimento. Conhecer é conceituar, é isolar as
idéias abstratas e gerais, é classificar e hierarquizar suas
propriedades.
Hegel, por sua vez tenta mostrar que as regras rígidas da Lógica
Formal são incapazes de apreender o real; isto por que o real é
movimento, é contradição, é relação. Como um pensamento que se
apresenta como estático e isolacionista pode expressar o movimento
dialético do real?
A proposta Hegeliana apresenta uma tentativa de modificação deste
quadro: Se o real é movimento, que o pensamento também seja
movimento. Se o real se apresenta pela contradição, que o pensamento
a assimile e opere a partir dela. Saímos de um mundo estático
para um mundo em movimento. A concepção lógico-ontológica se
modificou, mas a maneira de apreender e trabalhar com o real
continuou sendo a mesma: A Formalização Racionalizante.
A razão, tanto em Aristóteles quanto em Hegel é a domadora do real.
Seu objetivo é um só desde a Grécia Antiga: Ordenar e regular o
cosmos. Fugir do caos. (14)
Vejamos a História:
A noção de COSMOS foi uma invenção conceitual dos filósofos
materialistas gregos (Demócrito, Leucipo), que expulsaram os deuses
da natureza e a instituíram como um sistema regido por uma certa
RACIONALIDADE, que deve ser descoberta. Os fenômenos naturais não
são mais associados à manifestações de ira ou de prazer dos deuses,
mas eles passam a constituir um sistema regido por uma racionalidade
que deve ser enunciada.
A partir daí, o homem, enquanto ser pensante, assumiu sua empreitada
lógico-sistematizante, que não se limitaria apenas ao terreno da
natureza exterior, mas se estenderia às práticas sociais e à própria
natureza humana. Num universo ordenado, hierarquizado não há lugar
para o distúrbio, tudo deve estar em seu devido lugar e a razão,
através de seu processo simplificatório da abstração cuida para que
isso aconteça.
O projeto lógico-sistematizante do homem se consolida na CIÊNCIA, na
ciência do século XVII, que não é mais ciência reveladora da
natureza, mas sim uma ciência que constrói seu objeto, suas teorias e
que está envolvida apenas com resultados, e cujo objetivo último é a
elevação do poder humano sobre as forças da natureza, de modo a torná-
lo "mestre e possuidor" desta.
O desenvolvimento científico traz em seu bojo o aprimoramento
técnico, o desenvolvimento tecnológico responsável pela primeira,
pela segunda e, hoje pela terceira revolução industrial. É a ciência
feito técnica voltada para a produção. Nesta fase do
desenvolvimento da racionalidade, já ficou para trás o desejo do
saber pelo saber, que tão bem caracterizou a Filosofia Grega. O
saber moderno está comprometido com a manipulação, com a
operacionalização do real com vistas a um fim bem específico dentro
da sociedade capitalista : o lucro.
Goethe, através de Fausto, exprime muito bem o arquétipo da
identidade cultural do "homo industrialis" moderno, que opta pela
ação em detrimento do ser: "... será que o objetivo superior da
Lógica é argumentar habilmente? Se esta arte não oferece milagres
maiores então não leio mais."
Optando por esta postura o homem viverá uma dupla ruptura: Com a
Physis e consigo mesmo. O homem trata a si mesmo e a natureza como
objetos passíveis de manipulação, controle e dominação.
Fiz MARCUSE: A ciência, em virtude de seu próprio método, e de seus
conceitos, projetou e promoveu um universo no qual a dominação da
natureza está vinculada à dominação do homem.
Vejamos como isso se dá na prática: A natureza, cientificamente
compreendida e dominada, reaparece no aparato técnico de produção
que mantém e aprimora a vida dos indivíduos, ao mesmo tempo que os
subordina aos senhores deste aparato. Assim, a dominação racional se
estende da natureza ao homem.
Este é o lugar onde chegamos, este é o lugar para onde a
racionalidade, que é nossa nos conduziu. Mas se, posto desta forma
nos parece que a racionalidade nos colocou num caminho bastante
difícil e tortuoso, este caminho, no entanto deve ter mão e contra-
mão e a resposta para todos estes problemas criados pela razão, deve
ser encontrada na própria razão. E aqui lembrando Höderlin : "...
ali onde está o perigo, lá também cresce a salvação."
E hoje já divisamos no horizonte o que o Prof. Roberto Bartholo
denomina "metamorfose da modernidade no rumo de uma ecologia do
espírito".
O poder técnico-científico da moderna civilização industrial cria
uma vulnerabilidade tão grande na biosfera que transforma a pseudo-
neutralidade ética do evento técnico , no grande escândalo produzido
pela razão e a partir deste fato, o homem tem de obrigatoriamente
se repensar, repensar seus valores, repensar suas prioridades e
optar entre uma cosmo-visão embebida na modernidade, cujo objetivo é
o ordenamento e controle empírico da natureza, ou optar por uma
outra cosmo-visão que tenha como objetivo a sabedoria, a beleza, a
harmonia fraterna entre o homem e a natureza.
NOTAS
(1) DIALÉTICA – Etimologicamente Dialética vem do grego DIA, que
expressa a idéia de dualidade, troca, e LEKTIKÓS, "apto à
palavra", "capaz de falar". É a rate de discutir; a tensão entre
opostos. Em Hegel significa a marcha do pensamento que procede por
TESE, ANTÍTESE e SÍNTESE. É o próprio movimento contraditório do
real.
(2) PROBLEMA DO CONHECIMENTO – É o impasse criado pelo pensamento
metafísico, que ao separar o sujeito do objeto no momento de definir
o que é conhecimento, instaura a impossibilidade da existência do
próprio conhecimento.
(3) BOM SENSO – É a Lógica que rege o conhecimento de Senso Comum.
(4) ABSTRAÇÃO – (Do latim ABSTRATO) . Abstrair
significa "isolar", "separar de". Fazemos uma abstração quando
isolamos mentalmente um elemento de uma representação para considerá-
lo à parte. Ao conceituarmos o ser, por exemplo, estamos promovendo
uma abstração, pois o conceito refere-se sempre à essência do ser,
deixando de lado seus acidentes. Abstrair ,ainda diz respeito à
eliminação parcial e momentânea do conteúdo do discurso para
considerar-se apenas a sua forma.
(5) FORMALISMO LÓGICO – Concepção metafísica que evidencia a forma do
discurso em detrimento do conteúdo deste.
(6) MÉTODO - A palavra método vem do grego META, "na direção de" ,
e ODOS, "caminho". Literalmente significa seguir um caminho.
Método é portanto, um modo sistemático e fundamentado de
investigação, cujas regras tem como objetivo chegar a algum resultado
que se deseja.
(7 e 8) ESSÊNCIA e ACIDENTE - Aristóteles define o SER como um
composto de ATO, POTÊNCIA, MATÉRIA e FORMA, ESSÊNCIA e ACIDENTE. A
essência é a natureza mesma de um ser, com suas características
peculiares, que o distingue de outros seres. Acidente é aquilo que
não constitui o que é essencial em um ser. São os atributos
secundários deste ser.
(9) TAUTOLOGIA – É a repetição de uma idéia corrente em termos
diferentes como se fosse uma nova idéia. Exemplo: todos os homens
são mortais e nenhum homem é imortal.
(10) HERÁCLITO DE EFESO – A dialética remonta ao século VI a.c. com
Heráclito que afirmava que a natureza é um perpétuo vir-a-ser, isto
é, está em constante movimento e transformação: "Não nos banhamos
duas vezes no mesmo rio." Ou "É uma e mesma coisa ser vivo e ser
morto, desperto ou adormecido, jovem e velho, essas coisas se
transformam umas nas outras e são de novo transformadas."
(Fragmento 88)
(11) Um Exemplo: "É o que se vê, por exemplo, no uso do trigo para
o fabrico do pão: O trigo é triturado, transformado em pasta, porém
não desaparece de todo, passa a fazer parte do pão, que vai ao forno
e – depois de assado – se torna humanamente comestível."
(KONDER, Leandro – O QUE É DIALÉTICA. P.27)
(12) LOGOS – Radical grego que significa razão, discurso, palavra,
expressão, pensamento, conceito.
(13) PHYSIS – Radical grego que designa a natureza.
(14) CAOS - (do grego CHAOS – abismo) Confusão geral dos elementos
antes da sua separação e da formação do mundo.
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Qui, 31 de Mar de 2005 4:17 pm
"Marcello Anelhi" <manelhi@...>
manelhi
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