Caros(as) Colegas Dialéticos(as),
Após publicação de dez textos de conteúdo dialético, se chegamos até
aqui, podemos considerar que estamos introduzidos no mundo do
movimento.
Daqui pra frente, cabe a todos nós, investigar e interpretar os
conceitos dialeticamente, praticar a legitima democracia através do
comportamento ético<=>político, em movimento, e sempre lembrar de
encontrar a unidade matéria<=>espírito que está imanente em tudo.
O Membro do Grupo que não recebeu alguma mansagem-aula pode solicitar
a aula perdida através do e-mail
filosofiadialetica@... ou
visitar a página principal do nosso Grupo através do endereço
http://br.groups.yahoo.com/group/filosofiadialetica/ , clicar na
opção [mensagens] e será listada as 10 aulas postadas na página do
Grupo.
Gostaríamos que todos os Membros permanecessem do Grupo, pois iremos
publicar um artigo semanal, investigando a dialética do
movimento referente ao tema escolhido para cada semana. Também
estamos abertos a sugestões dos Membros do Grupo quanto a possíveis
temas de interesse dialético.
Importante
Pedimos a todos os Membros do Grupo que nos enviem um e-mail (através
do endereço
filosofiadialetica@...) contendo uma síntese
dialética na visão de cada aluno(a), sobre o conteúdo das 10 aulas
ministradas no Curso. Essas mensagens provocarão uma influência
dialética sobre o atual conteúdo do Curso, para que este evolua no
sentido democrático.
Agradecemos de coração a participação de todos os Membros do Grupo e
esperamos que o conteúdo de nossas aulas dialéticas tenha sido uma
legitima influência positiva no movimento das vidas de todos nós.
Artigo 01
Rio de Janeiro, seis mil anos do aparecimento da escrita.
Tenho medo
por Vanderley Caixe
tenho medo do meu silencio,
tenho medo das palavras que eu não disse,
tenho medo de ter medo,
tenho medo desse enredo, dessa mesmice.
tenho medo desse sonho calado,
tenho medo de calar esse grito de horror,
tenho medo dos apóstolos ajustados,
tenho medo do meu comportado pavor.
tenho medo que essa vaga me incrusta,
tenho medo de ser um sujeito formatado,
tenho medo que me botem saia justa,
tenho medo de me fazer bitolado.
tenho medo que eles pensem que tenho medo
de denunciar a matança de homens, mulheres e crianças.
tenho medo que a minha voz se cale de bruços,
enquanto outras terras eles invadem e matam as esperanças.
tenho medo da torpeza da indiferença,
tenho medo da insensibilidade dos meus versos,
tenho medo de falar em abstrato de flores, dores e amores,
tenho medo de desenquadrá-los do real amores, dores e flores.
tenho medo de amordaçar a minha angústia,
tenho medo de ter medo de chorar essas crianças,
tenho medo de esquecer todos os seus nomes,
tenho medo de caducar todos os pronomes,
tenho medo de confundir-me, na escolha,
entre ser homem ou lobisomem.
tenho medo de ser aceito socialmente,
por não de não ter dito convenientemente,
as verdades duras do nosso presente.
Comentário dialético
O medo é um dos inimigos da imaginação, por medo muitas vezes nossa
criatividade fica limitada ou, até mesmo, inexistente.
Medo de morrer e medo de viver, medo de amar e medo de perder a
pessoa amada, medo de repetir e medo de mudar, medo de perder o
emprego e medo de estar acomodado, medo de ter medo e medo do medo.
O medo aprisiona a liberdade!
O medo é um dogma.
O dogma se estabelece através do medo.
Para curar o medo utilize a coragem da imaginação assim como a
imaginação da coragem.
Coragem devém uma democrática mediania entre o covarde medroso e o
destemido inconseqüente.
Seja corajoso.
Seja Livre.
Destrua o medo.
Seja democrático.
Projeto Academia de Filosofia Dialética
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Sugestão Dialética
Leitura e reflexão sobre essa "denúncia" da cultura do medo!
Baseado no texto de Cláudio Lima
<
claudiolima2@...> Terapeuta Naturista
Assunto: Saúde_Mental_Dia_das_Crianças
Eu, um Brasileiro morando nos Estados Unidos da América, para ajudar
no orçamento, estou fazendo "bico" de babá e estudante. Ao cuidar de
uma das meninas de quem eu "teoricamente" tomo conta, uma vez
cantei "Boi da cara preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e
essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao
colocá-la para dormir.
Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção
que cantávamos (em Inglês) dizia algo como:
"Boa noite, linda menina, durma bem.
Sonhos doces venham para você,
Sonhos doces por toda noite"...
(Que lindo, não é mesmo!?)
Eis que um dia Mary Helen me pergunta o que as palavras em português
da música "Boi da cara preta" queriam dizer em Inglês:
"Boi, boi, boi, boi da cara preta,
pega essa menina que tem medo de careta..." (???)
Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "boi
da cara preta" era uma ameaça, era algo como "dorme logo, senão o boi
vem te comer"?
Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com
uma música que incita um bovino de cor
negra a pegar uma cândida menina?
Comecei a pensar em outras canções infantis, pois não me sentiria bem
ameaçando aquela menina com um temível boi toda noite...
Que tal! "Nana neném que a cuca vai pegar..."?
Caramba... outra ameaça! Agora com um ser ainda mais maligno que um
boi preto!
Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore
brasileiro que fosse positiva e de uma longa reflexão, eu descobri
toda a origem dos problemas do Brasil. O problema do Brasil é que a
sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa.
Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e
ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de
extorsão e exploração, seja interna ou externa.
Por que isso acontece?
Trauma de infância!
Trauma causado pelas canções da infância. Vou explicar:
Nós somos ameaçados, amedrontados e encaramos tragédias desde o berço!
Por isso levamos tanta porrada da vida e ficamos quietos.
Exemplificarei minha tese:
Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-ca-ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu
Miaaau!
Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma
demonstração clara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e
crueldade. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa?
E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob
a alcunha de "D.Chica". Uma vergonha!
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré de si.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré de si.
Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos
tão doces!! É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da
infância com um carrinho cabuloso, de controle remoto, e você
brincando com seu carrinho de plástico... Fala sério!!!!
Vem cá, Bitu! vem cá, Bitu!
Vem cá, meu bem, vem cá!
Não vou lá!
Não vou lá!
Não vou lá!
Tenho medo de apanhar.
Quem é o adulto sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o
pobre Bitú...
Marcha soldado, cabeça de papel!
Quem não marchar direito,
Vai preso pro quartel.
De novo ameaça. Ou obedece ou ... Não é à toa que brasileiro admite
tudo de cabeça baixa...
A canoa virou,
Quem deixou ela virar,
Foi por causa da (nome de pessoa)
Que não soube remar.
Tá vendo? Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio
mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar o dedo e
condenar um semelhante.
Samba-lelê tá doente,
Tá com a cabeça quebrada.
Samba-lelê precisava
É de umas boas palmadas.
A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde
debilitada, necessita de cuidados médicos mas, ao invés de compaixão
e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-
lelê deve ser irmão do tal Bitú...
O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou...
Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa
passagem anos a fio?
O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.
Desgraça, desgraça, desgraça! E ainda incita a violência conjugal
(releia a primeira estrofe).
Precisamos lutar contra essas lembranças, meus amigos!!!
Nossos filhos merecem um futuro melhor!!!
Marcello Anelhi
Projeto Academia de Filosofia Dialética
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