LIBERTAÇÃO pelo espírito André Luiz, psicografado por
Francisco Cândido Xavier - 16ª ed. 1949 FEB.
"Os superiores que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores, em
ação substancial, não lhes podem utilizar as armas, sob pena de se
precipitarem no baixo nível deles. A severidade pertencerá ao que instrui,
mas o amor é o companheiro daquele que serve." (p.14)
"Somos entidades ainda infinitamente humildes e imperfeitas para nos
candidatarmos de pronto, à condição de anjos." (p.16)
"Enquanto o homem, nosso irmão, desintegra assombrado as formações atômicas,
nós outros, distanciados do corpo denso, estudamos essa mesma energia,
através de aspectos que a ciência terrestre, por agora, mal conseguiria
imaginar." (p.16/17)
"Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo,
abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada
freqüência do Universo. E o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do
Sol que abraça os sábios e os vermes. Todavia, quem avança demora-se em
ligação com quem se localiza na esfera próxima." (p.17)
"Rebelados filhos da Providência, tentam desacreditar a grandeza divina,
(...) para a dilatação indefinida do ódio e da revolta, da vaidade e da
criminalidade, como se o planeta, em sua expressão inferior, lhes fosse
paraíso único(...). É que, confinados ao berço escabroso da ignorância em
que o medo e a maldade, com inquietações e perseguições recíprocas, lhes
consomem as forças e lhes inutilizam o tempo, não se apercebem da situação
dolorosa em que se acham. Fora do amor verdadeiro, toda união é temporária e
a guerra será sempre o estado natural daqueles que perseveram na posição de
indisciplina." (p.19)
"Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não
souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias
de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a dominação da Terra.
Conservam, igualmente, quanto ocorre a nós mesmos, largos e valiosos
patrimônios intelectuais e, anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de
tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária."
(p.20)
"- Grande benfeitor, reconhecemos a veracidade de vossas afirmativas;
todavia, porque não suprime o Senhor Compassivo e Sábio tão pavoroso quadro?
- Não será o mesmo que interrogar pela tardança de nossa própria adesão ao
reino Divino? Sente-se o meu amigo suficientemente iluminado para negar o
lado sombrio da própria individualidade? (p.22)
"Nós outros e a humanidade militante na carne não representamos senão
diminuta parcela da família universal, confinados à faixa vibratória que nos
é peculiar.
Somos simplesmente alguns bilhões de seres perante a Eternidade. E estejamos
convencidos de que se o diamante é lapidado pelo diamante, o mau só pode ser
corrigido pelo mau. Funciona a justiça através da injustiça aparente, até
que o amor nasça e redima os que se condenaram a longas e dolorosas
sentenças diante da Boa Lei." (p.23)
"Os homens encarnados, de maneira geral, permanecem cercados pelas escuras e
degradantes irradiações de entidades imperfeitas e indecisas, quanto eles
próprios, criaturas que lhes são invisíveis ao olhar, mas que lhes partilham
a residência." (p. 23)
"Em razão disso, o planeta, por enquanto, ainda não passa de vasto crivo de
aprimoramento, ao qual somente os indivíduos excepcionalmente aperfeiçoafos
pelo próprio esforço conseguem escapar na direção das esferas sublimes."
(p.24)
"Sem nosso esforço pessoal no bem, a obra regenerativa será adiada
indefinidamente, compreendendo-se por precioso e indispensável nosso
concurso fraterno para que irmãos nossos, provisoriamente impermeáveis no
mal, se convertam aos Desígnios Divinos, aprendendo a utilizar os poderes da
luz potencial de que são detentores. Somente o amor sentido, crido e vivido
por nós provocará a eclosão dos raios de amor em nossos semelhantes. Sem
polarizar as energias da alma na direção divina, ajustando-lhes o magnetismo
ao Centro do Universo, todo programa de redenção é um conjunto de palavras,
pecando pela improbabilidade flagrante." (p.25)
"- Notemos que nós mesmos, os desencarnados, nos movemos num campo de
matéria que se caracteriza por densidade específica, embora rarefeita,
quando confrontada com as antigas formas físicas, (...) O espírito encarnado
respira zona de vibrações mais lentas, (...)" (p.29)
"Abstendo-nos de mobilizar a vontade, seremos invariáveis joguetes das
circunstâncias predominantes, no ambiente que nos rodeia; contudo, tão logo
deliberemos manobrá-la, é indispensável resolvamos o problema de direção,
porquanto nossos estados pessoais nos refletirão a escolha íntima." (p.30)
"(...) o espírito em reajustamento, quando reage, valoroso contra o mal,
ainda mesmo que benéfico e merecido, encontra imensos recursos de
concentrar-se no bem, integrando-se na corrente da vida vitoriosa." (p.31)
"Educação para a eternidade não se circunscreve à ilustração superficial de
que um homem comum se reveste, sentando-se, por alguns anos, num banco de
universidade - é obra de paciência nos séculos." (p.32)
"(...) e, não obstante cuidarmos devotadamente da crença deles, com a mesma
ternura consagrada pelo lavrador vigilante à plantinha tenra que encerra a
esperança do porvir, basta que espíritos perturbadores ou maliciosos os
visitem, sutis, à maneira de melros num arrozal, e lá se vão os germes
superiores que lhes confiamos, incessantemente, no solo do coração." (p.198)
"Além disso, quando esse ou aquele irmão revela disposições mais avançadas
para servir a bem de todos, em favor do império da luz, costuma ser
visitado, nas horas do sono físico, por entidades renitentes na prática do
mal, interessadas na extensão do domínio das sombras, que lhe desintegram
convicções e propósitos nascentes com insinuações menos dignas, quando o
espírito do trabalhador não está convenientemente apoiado no desejo robusto
de progredir, redimir-se e marchar para a frente." (p.199)
"A dor, o obstáculo e o conflito são bem-aventuradas ferramentas de
melhoria, funcionando em nosso favor.(...) Modifica as mais íntimas
disposições, com referência aos adversários. O inimigo nem sempre é uma
consciência agindo deliberadamente no mal. Na maioria das vezes, atende à
incompreensão quanto qualquer de nós; procede em determinada linha de
pensamento, porque se acredita em roteiro infalível aos próprios olhos, nos
lances do trabalho a que se empenhou nos círculos da vida; enfrenta, qual
ocorre a nós mesmos, problemas de visão que só o tempo, aliado ao esforço
pessoal na execução do bem, conseguirá decidir. (...) É necessário,
Margarida, sabermos utilizar o inimigo, nele situando nossa lição
benfeitora. A rigor, em vista da nossa posição de inferioridade, seremos
adversários naturais da obra dos anjos, na esfera menos elevada que
atravessamos presentemente; todavia, as Potências Angélicas não nos punem a
incapacidade temporária de compreensão ante os serviços divinos que lhes
cabem na economia do Universo. Ao invés de condenar-nos, identificam-nos as
deficências compadecidamente e estendem-nos braços fraternos.(p.240)
"(...)Tudo agora é consolação e esperança; todavia, amanhã serei novamente
prisioneira no cárcere físico e caminharei de memória anestesiada, em
conflito incessante com os monstros que me assediam!
- Este, filha - acrescentou Matilde, afetuosa - , é o imperativo da tarefa
que te compete realizar. Entretanto, não percas os tesouros do tempo em
considerações inúteis. Enche as tuas horas de trabalho salutar com a
possível harmonia, fonte de toda a beleza. (...) Não fujas ao óbice valioso
na corrida de aperfeiçoamento, nem sorvas o mentiroso elixir da ilusão,
apaixonadamente usado por todos os que se deixaram vencer pelas tentações do
desânimo, incapazes de aceitar o desafio que o mundo lhes endereça. A vida,
para toda alma que triunfa no carreiro áspero, é serviço, movimento,
ascensão. (p.241)
" - Mãezinha, querida, ensina-me a continuar. Desejo honrar a bendita
oportunidade que recebi!
- Não procures ser atendida em todos os teus desejos - falou a benfeitora,
suavemente -, mas procura servir, fraternalmente, a quantos te reclamam
arrimo e braço forte.
Ajuda, antes de procurares auxílio.
Compreende, sem exigir compreensão imediata.
Desculpa os outros, sem desculpar a ti mesma.
Ampara, sem a intenção de ser amparada.
Dá, sem o propósito de receber.
Não persigas o respeito humano que te faça aparecer melhor do que és, mas
busca, em todo tempo e lugar, a benção divina na aprovação da própria
consciência.
Não procures destacada posição, diante dos outros; antes de tudo,
aperfeiçoa os teus sentimentos, cada vez mais, sem propaganda de tuas
virtudes vacilantes e problemáticas.
Age corretamente e esquece as frases vazias ou venenosas da maledicência
contumaz.
Em te socorrendo das diretrizes alheias, desconfia das palavras que te
lisonjeiem a fantasiosa superioridade pessoal ou que te inclinem à dureza de
coração." (p.242)
"Da alma cerrada ao interesse pela felicidade do próximo, jamais
encontrarás a própria felicidade.
(...) É indispensável, Margarida, aprenderes a sair de ti mesma, auscultando
a necessidade e a dor daqueles que te cercam." (p.243)
(...) a ternura absoluta é tão nociva quanto a absoluta aspereza. Não
ignoras, filha amada, que a entidade mais enobrecida, em retomando o veículo
da carne, é compelida a sofrer-lhe os regulamentos. As leis fisiológicas,
que dominam na Crosta, não fazem excessão. Impõe-se sobre os justos com o
mesmo rigor dentro do qual funcionam para os pecadores. O anjo que desça ao
fundo da mina de carvão continuará naturalmente a ser um anjo na vida
íntima; entretanto, não escapará ao clima deprimente do sub-solo." (p.245)
"A estufa pode alimentar as flores mais lindas da Terra, mas não prescindirá
do carinho e da assistência constante do pomicultor. É imperioso reconhecer,
porém, que somente se fortalecerá, sob a temperatura atormentadora da
canícula, debaixo de aguaceiros salutares ou aos golpes da ventania forte. A
luta e o atrito são bençãos sublimes, através das quais realizamos a
superação de nossos velhos obstáculos. É necessário não menosprezá-los,
identificando neles o ensejo bendito de elevação." (p.246)
"Aprende a renunciar, nas questões pequeninas, para recolheres com
facilidade a luz que emana do sacrifício. Não comprometas, por bagatelas, o
êxito espiritual que a experiência te pode oferecer. Estás livre dos males
exteriores, mas ainda te não libertastes dos males próprios. Confia no
Divino Poder e não desfaleças, ainda mesmo quando a tempestade te açoite as
fibras mais íntimas do coração." (p. 247)
"A prece ajuda, a esperança balsamiza, a fé sustenta, o entusiasmo revigora,
o ideal ilumina, mas o esforço próprio na direção do bem é a alma da
realização esperada." (p.250)
"A Graça Celestial, sem dúvida, é um sol permanente e sublime. Urge, porém,
a criação de qualidades superiores em nós, para fixar-lhe os raios e
recebê-los. (p.250/251)
"Emissões de mágoa ou revide colocar-nos-iam em trabalho contraproducente,
As vibrações de amor fraternal, quais as que o Cristo nos legou, são as
verdadeiras energias dissolventes da vingança, da perseguição, da
indisciplina, da vaidade e do egoísmo que atormentam a experiência humana."
(p.252)
"Não acredites que um golpe possa desaparecer com outro golpe. Não se cura a
ferida, aprofundando o sulco da carne em sangue. A cicatriz abençoada surge
sempre à custa de enfermagem, remédio ou retificação, com ascendentes de
amor. Quem pretende o Reinado do Cristo entrega-se a Ele. Somos servos. A
defesa, qualquer que seja, pertence ao Senhor." (p.253)
"Nunca te esqueças de que o amor vence todo ódio e de que o bem aniquila
todo mal." (p.262)