Apontamentos sobre o Marx nao comunista, humanismo,
vanguarda, comunismo potencial, hegemonia e
cachorradas
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por Roberto Magellan
Neste feriadão, tive algum tempo para costurar
anotações minhas, em especial tiradas da "Ideolgia
Alemã" e inseri-las num dos debates em curso na
Eskuerra. O roteiro deste longo texto é o seguinte:
--- Estratégia em Engels: reconhecimento das
conseqüências político-miltares das novas realidades e
especial ênfase à construção lenta e paciente da
hegemonia revolucionária. A conquista paulatina da
hegemonia já está embrionária no _Manifesto_ de 1848.
-- A "luta pela consciência" é tida como questão
essencial na _Ideologia Alemã_. Questões
correlacionadas: estratégia; papel educador do
partido revolucionário, vanguarda do proletariado; e
superação da democracia burguesa (logo, do Estado) já
a partir do capitalismo.
-- O ponto decisivo de passagem do jovem Marx
pré-marxista para o _velho_ Marx finalmente marxista.
-- Menção à polêmica _humanista_ no marxismo,
duplamente _datada_. Falseamento deliberado do
humanismo (antropocentrismo ateu) no marxismo. O
dedinho da CIA.
-- Caricatura dos trotsquistas e de Lênin no que tange
à vanguarda revolucionária. O PSOL em formação,
segundo Luciana Genro, já se divide em _companheiros
radicais_ e _companheiros moderados_, sendo assim
natimorto.
-- A concepção da vanguarda revolucionária pode ser
achada no _Manifesto_ de 1848. Como pode haver
revolução sem vanguarda, ou seja, sem o partido
revolucionário e educador?
-- Um gravíssimo empecilho histórico: a burguesia
pôde paulatinamente apropriar-se dos meios de produção
ou inventá-los e desenvolver as relações capitalistas
de produção no seio do mundo feudal. Já o
proletariado só pode fazer isto mediante as tentativas
legais e parciais de expropriação, sempre reversíveis,
e mediante o assalto direto ao poder. Face ao
gravíssimo empecilho histórico, como imaginar que a
revolução possa prescindir
da vanguarda revolucionária? A ilusão anarquista do
abandono da institucionalidade e da sedução pelos
movimentos sociais
-- O Estado nacional e internacional tem que ser
paulatinamente liquidado desde os primeiros instantes
da revolução, e mesmo já no capitalismo.
--- A _profecia_ de Marx e Engels contra o
_socialismo num só país_, combatida pela ideologia
stalinista, porém confirmada com a vitória pacífica da
contra- revolução na URSS.
-- O que realmente livra o comunismo (socialismo) de
ser uma utopia rrealizável são o potencial comunismo
universal sob o capitalismo (ver adiante) e o fato
de que a idéia comunista (socialista) já tomou conta
do mundo de maneira difusa e disfarçada.
-- Sem a organização da vanguarda revolucionária o
proletariado fica _no máximo_ no plano da mera
revolta e da indignação raivosa lastreada no senso
comum ou sabedoria convencional. O mais comum é
descambar para o conformismo.
-- Não basta a vanguarda revolucionária
autoproclamar-se, pois a prática é que realmente
revela o ser. Pode haver vanguarda revolucionária
sem inserção nas massas durante os momentos iniciais
da sua formação.
-- Que vanguarda revolucionária há no Brasil de hoje
e no mundo em geral? Este prolongado retrocesso da
revolução mundial que estamos vivendo talvez seja
historicamente definitivo, o que de maneira nenhuma
significa _o fim da História_.
-- Remissão dos endereços das mensagens de dois
debates que ocorreram nesta lista em 2003 sobre o
partido revolucionário e a vanguarda.
--- A radicalidade, termo que tanto horroriza o
senso comum ou sabedoria convencional, é a pré-
condição das transformações.
--- Exemplo da diferença entre os Marx _jovem_ e
_velho_: um Marx não _humaniste_ e que considerava o
comunismo "uma abstração dogmática". Não obstante,
neste protomarxismo do jovem Marx não comunista já se
encontra a profunda intuição que mais tarde oporá Marx
e Engels aos visionários de paraísos e aos
doutrinarismos (dogmatismos) em geral, que tornam a
abundar neste século XXI.
--- Trecho da carta do jovem Marx, que de maneira
intuitiva percebe que o comunismo doutrinário não
pode conviver com a propriedade privada dos meios de
produção. É preciso _superá-la_ vocábulo dialético
sutil que não se confunde nem se reduz à sua abolição
pela força nem à estatização
-- O potencial comunismo universal sob o capitalismo
constitui-se basicamente do avanço da base material da
sociedade, que gera o desemprego de massa e
irreversível, e das mudanças na sexualidade. São
fatos que muitos que se reinvindicam comunistas ou,
pudicamente, «socialistas», não conseguem perceber.
-- O jovem Marx já marcava toda sua vida futura ao
dizer que não antecipa o mundo dogmaticamente, porém
tenta descobrir o novo mundo por meio da crítica do
velho.
-- Leroux, o lacrimoso inventor do _socialisme_,
também inventou o _humanitarisme_ e o adjetivo
_humanitaire_ ou, jocosamente, a _humanitairerie_.
"Ordem e Progresso" faz da República Federativa uma
entidade humanista...
-- O sábio cachorro Quincas Borba, fundador da
_humanitas_, e seus êmulos cínicos (de _kynos_, cão)
no _New PT_.
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/21651
De: <
sidartha@...>
Data: Qui Out 28, 2004 1:09 pm
Assunto: Re: Leiamos Gramsci (Magellan)
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------->>>> "Roberto, como você sabe, o termo
militar "guerra de posição" é na verdade uma metáfora
de Gramsci para mostrar como deve ser a estratégia de
luta social da classe. Não estamos falando de conflito
ou confronto militar, e
sim de luta pela consciência dos indivíduos, (...)"
------>>>> "A hegemonia burguesa é principalmente
uma dominação na esfera superestrutural (...) e a
luta pela consciência é pelo menos tão importante
quanto a luta pela socialização dos meios de produção.
(...) para Gramsci, é necessário constituir uma
contra-hegemonia anti-capitalista, a ser manifestada
nas inúmeras trincheiras ideológicas que são os fronts
nos quais se dá a luta pela consciência, e aí haverá
bases mais fortes para a superação da ordem social
capitalista."
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Interpretam "guerra de posição" como metáfora. Não
obstante, considerando que a política e a guerra são
dois momentos do mesmo conflito, a expressão não é tão
metafórica assim. No prefácio às _Lutas de Classe
na França_, de Marx, Engels trata a luta política do
proletariado também como luta militar e nota as
enormes transformações tecnológicas e urbanísticas
havidas entre 1848 e o fim do século XIX, que
inviabilizavam as lutas de ruas, as barricadas, a
guerra de movimento. Também no _Anti-Dühring_ há um
trecho sobre o assunto, porém muito preso à realidade
da época, já que antevia que o serviço militar
obrigatório acabaria por ensinar tecnicamente o
proletariado a guerrear a burguesia.
Hoje existem armamentos muito mais potentes e
automatizados, que exigem um número de combatentes
relativamente bem menor, o que torna brinquedos de
soldadinhos de chumbo os enormes avanços da morte
industrial daqueles tempos. O máximo que se
conseguirá hoje é uma desgastante situação iraqueana,
palestina ou colombiana.
Na mencionada _Lutas de Classe na França_ Engels
reconhecia as conseqüências político-miltares das
novas realidades e dá especial ênfase à atuação
parlamentar --a construção lenta e paciente da
hegemonia-- de uma maneira que alguns crêem
pré-gramsciana, talvez influenciados pelos cortes
(censura) que a social-democracia alemã fez
escandalosamente no prefácio desta obra ainda em vida
de Engels. De igual maneira, a questão da conquista
paulatina da hegemonia já está embrionária no
_Manifesto_ de 1848.
A "luta pela consciência" não é somente
"importante": ela é o pré-requisito imprescindível e
fundamental de toda a ação revolucionária e
transformadora, já que sem ela nada pode ser feito,
nem mesmo a "luta pela socialização dos meios de
produção." Não há ação consciente sem pensamento
reflexivo, vontade e emoção. Não haverá
transformações econômicas e de outras naturezas se os
seres humanos, os sujeitos agentes, antes as não
tiverem planejado de alguma maneira.
A "luta pela consciência" é tida como questão
essencial na _Ideologia Alemã_: para transformar
radicalmente o mundo os seres humanos têm
simultaneamente que se autotransformar na
transformação, ou seja, no processo revolucionário.
É o que também está nas _Teses sobre Feuerbach_.
Trata-se da dialética da ação política. Eis o trecho:
"para a produção massiva desta consciência comunista"
(massenhaften Erzeugung dieses kommunistischen
Bewußtseins, anteriormente dita: consciência
imprescindível, que também pode ser suscitada nas
demais classes) "e para o sucesso da própria causa
uma enorme transformação dos humanos é necessária, a
qual somente num movimento prático, numa revolução
pode acontecer; (...) a classe revoltada somente numa
revolução pode ter sucesso em livrar-se de toda a
velha porcaria dos tempos" (_sic_: do pescoço) "e
qualificar-se para uma nova fundação da sociedade."
[original na nota * , adiante]
Aqui convergem as seguintes questões correlacionadas:
a) a da estratégia, que acima esbocei;
b) a que tu mencionas como "bases mais fortes para a
superação da ordem social capitalista", que é a
superação da democracia burguesa (logo, do Estado) por
meio da paulatina assunção direta da gestão da
sociedade pelo ex-proletariado (comunismo), sem
quaisquer mediações, formulada por Lênin no I Programa
do Partido Comunista da Rússia e cujo melhor
comentário é o de Wilhelm Reich;
c) e a questão do papel educador do partido
revolucionário, vale dizer, da vanguarda do
proletariado, já aflorada nas _Teses sobre
Feuerbach_ (1845), de Marx e no _Manifesto_ de 1848.
Considero as _Teses sobre Feuerbach_ (1845),
juntamente com a _Ideologia Alemã_ (1845-1846) e a
_Misère de la philosophie_ (1847), escrita
originalmente em francês, o ponto decisivo de passagem
do Marx pré-marxista, o Marx que era exclusivamente
intérprete crítico do mundo, para o Marx marxista, o
Marx que finalmente casou o materialismo radical e
irreligioso francês e spinoziano (donde, _humanista_,
no sentido renascentista) à dialética
greco-hegeliana, à economia política inglesa e ao
comunismo utópico, em especial Owen e Fourier.
Nasceu então o _velho_ Marx de 27 / 28 anos, o Marx
finalmente marxista. Por sinal, na Liga dos
Comunistas já o chamavam de "velho" antes dos 30
anos...
Engels, com argumento de autoridade, atribuiu a
passagem dele e de Marx para o marxismo --ou o
_corte epistemológico_, como se dirá na segunda metade
do século XX-- à _Ideologia Alemã_, de ambos. Já
Lênin situou-a em obra anterior: _A Sagrada
Família_ (Die heilige Familie oder Kritik der
kritischen Kritik), também de ambos, escrita no final
de 1844.
Há uma evolução nessas obras em relação às anteriores,
que incluem os justamente celebrados
_Ökonomisch-philosophische Manuskripte_ (1844), só
publicados em 1932 e suprimidos (não reeditados nem
comentados) juntamente com seu editor Riazanov pela
repressão stalinista. Em torno deles é que
geralmente se centra a polêmica _humanista_ É que
esta expressão é muito _datada_, duplamente _datada_.
De um lado, tínhamos e hoje voltamos a ter a
concorrência do lacrimoso _socialisme _ francês,
filantrópico, mesquinho e pequeno-burguês, que Marx
detestava --leia-se a primeira parte do _Manifesto_,
entre outros textos-- e que foi a primeira corrente
política na era moderna a se valer do _humanisme_,
como espero futuramente relatar. De outro lado,
esses manuscritos (não confundir com outros) foram
usados politicamente contra a URSS durante a Guerra
Fria.
Então ocorreu um falseamento deliberado do humanismo
(antropocentrismo ateu) no marxismo, considerando que
o humanismo é mencionado nesses manuscritos e
desaparece nos textos subseqüentes, salvo na parte
sarcástica da _Ideologia Alemã_, numa das _Teses_ e no
questionário de Marx feito por suas filhas, no qual
registrou como uma das suas máximas preferidas _nihil
humani a me alienum puto_ (nada que seja humano a mim
reputo alheio), do romano Terêncio. A falsificação
alegava que o Marx pré-marxista ou quase marxista
teria sido o _verdadeiro_ Marx --o que recorda o
"socialismo com face humana" da Tchecoeslováquia de
1968, que teve o dedinho da CIA-- e que o Marx do
_Manifesto_ e do _Capital_ teria sido o
_totalitário_ precursor do stalinismo. Uma
besteira, claro, dirá quem leu estas obras, mas foi
besteira com vida longa durante a Guerra Fria.
A distinção entre ambos os Marx é muito mais sutil, de
caráter evolutivo, pois só os místicos, que crêem em
enviados divinos e proféticos (deterministas, vale
lembrar), podem achar que o marxismo, assim como
qualquer outra corrente de pensamento, haja nascido
pronto e acabado desde o primeiro texto. Não
obstante, é notável a rapidez da evolução do
pensamento marxista na sua gênese. É que Marx via
muito mais rápida e profundamente do que os outros,
como certa vez Engels reconheceu francamente, sem
falar da sua vastíssima cultura.
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------>>>> "os trotskistas não entendem, surdos a tudo
aquilo que não se refira à preparação imediata da
revolução, aferrando-se religiosamente (e o Deniz
achando que não é religioso, pois sim... ;-) ao mito
leniniano- trotskiniano da vanguarda iluminada que nos
conduzirá – nós, os peões que não fazem parte da
direção intelectualizada – ao pós-capitalismo."
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Fazes constantemente uma caricatura dos troskos e,
neste caso, também de Lênin Há troskos --como
também anarquistas e, por confusão deliberada, a
reação em geral, inclusive a travestida na vaga
_esquerda_, para não mencionar os fascistóides
inconscientes que abundam na classe média-- que
pensam que revolução significa, toscamente, tomar em
armas na manhã seguinte para _acabar com tudo isso
que está aí_ e _restaurar a moralidade_.
Não podes considerar alguns imbecis como exemplos da
generalidade, da mesma forma como ninguém pode, por
exemplo, tomar um astrólogo _socialista_
alucinadamente anticomunista e covarde ou adeptos do
profético "socialismo celestial" como síntese
autêntica do que é o PSOL. E olha que o PSOL em
formação, segundo Luciana Genro, já se divide em
_companheiros radicais_ e _companheiros moderados_.
Ora, um partido que já surge no Brasil do século XXI
com os notórios _companheiros moderados_ das décadas
de 80 e 90 é natimorto. Ver o texto "Um P-SOL que
obscurece" de Basílio Abramo e Fredy Lizarrague, texto
de que discordo em parte, em:
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/21660
Por precaução, repito-me:
http://br.groups.yahoo.com/group/TrotskyDebate/message/6949
http://br.groups.yahoo.com/group/politica-br/message/33774
«(...) repito que não pertenço a nenhum partido,
nem sou trotskista, já que não há sentido em antepor à
condição de comunista este qualificativo, (...)»
http://br.groups.yahoo.com/group/TrotskyDebate/message/6822
«Sequer sou do PSTU, nem de nenhum outro partido, e
tampouco sou trotsquista. Acho insensato alguém, em
vez de dizer-se simplesmente comunista, dizer-se
trotsquista, maoísta, guevarista etc e mesmo
leninista, como se fossem coisas diferentes, salvo no
que houver de estritamente específico em relação a
estes personagens históricos. Tenho certeza de que ao
próprio fundador do Exército Vermelho teria
repugnado tornar seu nome um sucedâneo de comunista,
como a Marx repugnava _marxista_. Aliás, não há melhor
ajuda à lenda negra criada por Stálin.»
A concepção da vanguarda revolucionária, vale dizer
consciente e organizada, já pode ser achada no
_Manifesto_ de 1848. É claro que ninguém há de ter
esta e outras obras como escrituras sagradas, dogmas
de fé ou pontos de doutrina, mas convém pensar: como
pode haver revolução sem vanguarda, ou seja, sem o
partido revolucionário e educador? Como vencer o
colossal bloqueio do monopólio e censura pela
burguesia dos meios de comunicação e da instrução em
geral? Esperar que o marxismo ressurja
espontaneamente entre os trabalhadores, sobrepujando o
imenso pântano ideológico conservador do senso comum
ou sabedoria convencional (_conventional wisdom_)?
Esperar que tumultos e atos de terror esporádicos
contra as classes dominantes levem à revolução?
Considere-se ainda, por comparação, um gravíssimo
empecilho histórico: a burguesia pôde apropriar-se
dos meios de produção ou inventá-los e desenvolver as
relações capitalistas de produção no seio do mundo
feudal, sobrepujando-o paulatinamente ao longo dos
séculos XV a XVIII até que _caísse de podre_. O
proletariado não tem como criar relações comunistas de
produção no seio do capitalismo por não poder
apropriar-se dos meios de produção, apesar de as
correntes ideológicas do _capitalismo popular_ e do
_empreendedorismo_ criarem as farsas do empregado
acionista e do patrão de si mesmo. A prática do
primitivo reformismo keynesiano, tanto quanto o
simples estatismo à maneira stalinista --
notadamente nas condições de atraso do Império Russo e
da China semicolonial-- já demonstraram seus limites
históricos.
Portanto, o Estado --ou seja, as relações
jurídico-político-econômicas, instrumento coercitivo
da dominação social de classe num país ou no mundo (as
entidades internacionais, por exemplo), fundado na
violência legalizada-- tem que ser paulatinamente
liquidado desde os primeiros instantes da revolução,
ou, ainda no capitalismo, sob a forma de conselhos
populares e da co-gestão dos trabalhadores. Tem que
ser liquidado simultaneamente em diversos países
importantes. Há que se criar uma _rede social
mundial de produção e poder_ -- o próprio comunismo
internacional-- que é o melhor antídoto face à
contra- revolução. Todavia, o movimento comunista
internacional morreu, talvez para sempre.
A propósito, uma das pouquíssimas _profecias_ de
Marx e Engels era justamente a que a ideologia
stalinista, ao inventar o _socialismo num só país_,
invariavelmente alegava ter sido uma suposição errada:
segundo Marx e Engels, o comunismo não poderia
subsistir localmente, mas teria que surgir,
simultaneamente, em diversos países importantes. A
_profecia_ foi acertada e sua confirmação se deu pela
extinção pacífica da URSS e do mal chamado _socialismo
real_ por decreto da burocracia partidária, que virou
a nova burguesia mafiosa, o que ocorre de maneira bem
mais inteligente na China atual. Ver a íntegra da
_profecia_ na nota ** , adiante.
Face ao gravíssimo empecilho histórico, como imaginar
que a revolução possa prescindir da vanguarda
revolucionária, do partido revolucionário e educador?
Esta é uma concepção tipicamente anarquista e está na
raiz do crescente abandono da institucionalidade e da
sedução pelos movimentos sociais supostamente sem
partido(s). O gravíssimo empecilho histórico
poderia tornar o comunismo uma "abstração
doutrinária", como o jovem Marx originalmente achava,
o que adiante informo. Nas circunstâncias econômicas
históricas já relatadas e face à avassaladora
influência do senso comum e do bloqueio dos meios de
comunicação, o comunismo ou socialismo científico
seria virtualmente uma utopia irrealizável. O que
realmente o livra de ser uma utopia são os seguintes
fatos reais:
1º) O potencial comunismo universal sob o
capitalismo, sobre o qual discorrerei em outro texto,
que o autodestrói de maneira cada vez mais
historicamente acelerada, tanto quanto se autodestruiu
o estatismo stalinista. Nunca se deve esquecer que o
comunismo é o filho ingrato do capitalismo industrial,
como bem exposto no _Manifesto_ de 1848, o que é
reputado paradoxal ou _contraditório_, no sentido
vulgar, por quem não compreende o materialismo
dialético.
2º) A idéia comunista (socialista) já tomou conta do
mundo de maneira difusa e disfarçada, oriunda dos
lemas da burguesia em sua fase revolucionária de
_liberté, égalité, fraternité_ e _life, liberty
and the pursuit of happiness_. Ela já se tornou uma
força material em todo o planeta --força material ou
energia é a capaz de realizar transformações--, tanto
que as classes dominantes combatem-na de duas
maneiras: pelo _discurso da cidadania_, a forma
civilizada de um arremedo patético de socialismo; e
pelo misticismo, a forma trágica e fanática de
protestar contra a miséria econômica ou psíquica
opressiva.
Sem a organização da vanguarda revolucionária o
proletariado e o povo em geral ficam _no máximo_ no
plano da mera revolta e da indignação raivosa
lastreada no senso comum ou sabedoria convencional
(conventional wisdom) e, portanto, no plano do
disseminadíssimo misticismo-moralismo de diversos
matizes. O mais comum é descambarem para o
conformismo, o que é muito ajudado pela religiosidade
de estilo arquiconservador, como a onda pentecostal e
esotérica e por seus sucedâneos laicos, como a
medíocre onda de auto-ajuda. O conformismo laico
acaba sendo o dilema dos movimentos sociais, que ficam
sempre presos a situações específicas e segmentadas,
sem conseguirem unir as diversas lutas numa grande
luta estrategicamente organizada. Ademais, vale
recordar que dos movimentos sociais só o MST tem um
grande cuidado com a educação política, ainda assim
falha.
Por outro lado, não basta a vanguarda revolucionária
autoproclamar-se, já que tanto o marxismo como a
psicanálise descobriram que a prática é que realmente
revela o ser, não as presunções ilusórias que cada
pessoa têm sobre si mesma e sobre as perspectivas e
passado da sua vida.
Trata-se de uma intuição antiga, como em _Dom
Quixote_, de Cervantes, cap. IV: "cada uno es hijo
de sus obras." Também está na Epístola de São Tiago,
o Menor (Epistula Jacobi): "Vide que um homem é
justificado pelas obras e não somente pela fé." [II,
24: videtis quoniam ex operibus iustificatur homo et
non ex fide tantum]; "(...) e a fé, se não tiver
obras, está morta (...) [II, 17 (...) et fides si
non habeat opera mortua est (...)]; "Assim como o
corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras
está morta." [II, 26: sicut enim corpus sine
spiritu emortuum est ita et fides sine operibus mortua
est].
Admito até que possa haver vanguarda revolucionária
sem inserção nas massas durante os momentos iniciais
da sua formação, momentos que podem levar muito tempo,
como Engels notou numa carta. Aliás, a história
primitiva do marxismo é um exemplo vivo ou, no caso
brasileiro, a abortada Inconfidência Mineira.
Contudo, mesmo considerando esta admissão, indago:
que vanguarda revolucionária há no Brasil de hoje e no
mundo em geral? Este prolongado retrocesso da
revolução mundial que estamos vivendo talvez seja
historicamente definitivo, o que de maneira nenhuma
significa _o fim da História_. Afinal, a História
não é deusa, como notado na _Sagrada Família_, nem
está escrito (_maktub_ no Islã) que o comunismo seja
o futuro necessário e irreversível da humanidade. As
maiores probabilidades históricas, como volta e meia
noto, são a da autodestruição da humanidade pela
conjunção das vias econômica, militar e ecológica ou a
passagem para uma nova barbárie, a exemplo do baixo
feudalismo, que destruiu econômica, técnica e
culturalmente a civilização greco-romana e extinguiu
populações inteiras.
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Num debate sobre vanguarda em 2003 disseste;
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13612
------>>>> "A meu ver, os objetivos de Marx e Engels,
quando escreveram o Manifesto (um texto de chamamento
à luta), os levaram a escrever algumas passagens em
que podem não ter tido
maior cuidado ou rigor conceitual relativos à sua
própria teoria geral."
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Ora, Marx e Engels sempre tiveram o máximo cuidado com
o rigor científico, visível até em correspondências
particulares. O rigor científico é perfeitamente
compatível com a linguagem acessível ao grande
público, como a do _Manifesto_ de 1848.
Na nota ***** abaixo faço uma remissão dos endereços
das mensagens de dois debates que ocorreram nesta
lista em 2003 sobre o partido revolucionário e a
vanguarda.
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------>>>> "Roberto, como concordamos com a
manutenção da radicalidade materialista presente no
"jovem" quanto no "velho" Marx, ficaria por ser
esclarecida a "diferença filosófica" existente entre
ambos os Marx."
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Esclareço que radicalidade, termo que tanto horroriza
o senso comum ou sabedoria convencional, é a
pré-condição das transformações, como expus em
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/16229
"Um interessante exemplo de diferença filosófica entre
ambos os Marx, o _jovem_ e o _velho_, está numa carta
sua a Arnold Ruge de setembro de 1843, quando tinha 25
anos. Nela se descobre um Marx não _humaniste_, e
não comunista (o que é diferente de anticomunista), um
Marx que considerava o comunismo "uma abstração
dogmática". Está na carta:
"Devemos procurar ajudar os dogmáticos a esclarecerem
suas frases. Assim, em especial, o comunismo é uma
abstração dogmática, mas não [me refiro] a qualquer
[comunismo] imaginário e possível, mas ao comunismo
verdadeiramente existente nas teorias dos Cabet,
Dézamy, Weitling etc., no sentido que têm. Este
comunismo é, em si, somente uma manifestação
particular do seu antagonismo, a essência privada,
fenômeno infectado do princípio humanista. A
superação da propriedade privada e o comunismo, por
conseguinte, de modo nenhum são idênticos." [ver
original na nota ***]
Neste trecho protomarxista de um jovem Marx não
comunista encontra-se a profunda intuição que mais
tarde, de maneira bem fundamentada, científica, oporá
Marx e Engels aos visionários de paraísos e aos
doutrinarismos (dogmatismos) em geral, que tornam a
abundar neste século XXI com outros nomes e as mesmas
vestes, até mesmo vestes pseudomarxistas.
Voltaram-se contra os anarquistas, que com certa
freqüência também são comunistas muito confusos, bem
como contra os lacrimogêneos _socialistes_ e
_humanistes_ da pequena burguesia francesa, que até
hoje permanecem escondidos entre nós, como moeda falsa
que alguns têm como _marxista_, a exemplo do
_capitalismo humanitário_ , do _discurso da cidadania_
e em certas versões do _socialismo com liberdade_ do
P- Sol.
Está nesse trecho da carta a Ruge, de maneira
intuitiva, a percepção de que o comunismo exemplar de
comunidades ideais --o comunismo doutrinário-- não
pode conviver com a propriedade privada dos meios de
produção no restante da sociedade, como imaginavam os
utópicos. É preciso _superá-la_, vocábulo dialético
sutil --a terceira lei dialética-- que não se
confunde nem se reduz à sua abolição pela força nem à
estatização em massa. Entre outros requisitos a
possibilidade comunista depende, por exemplo, das
circunstâncias internacionais e do grau de avanço da
base material da sociedade e das mudanças na
sexualidade (família, questões de gênero, esfera da
reprodução). Isto constitui o potencial comunismo
universal sob o capitalismo, comunismo oculto que
muitos que se reinvindicam comunistas ou, pudicamente,
«socialistas», não conseguem perceber. Discorrerei
sobre o assunto em futuro texto.
Na retromencionada carta a Ruge o jovem Marx já
marcava toda sua vida futura ao dizer que não antecipa
o mundo dogmaticamente, porém tenta descobrir o novo
mundo por meio da crítica do velho [daß wir nicht
dogmatisch die Welt antizipieren, sondern erst aus der
Kritik der alten Welt die neue finden wollen] e que
a nossa principal tarefa é "_a crítica sem quartel
(brutal) a tudo que existe_" --expressão que
sublinha-- "brutal no sentido de que não recua das
suas descobertas (resultados) nem do conflito com os
poderes existentes" [unsere Sache (...) _die
rücksichtslose Kritik alles Bestehenden_,
rücksichtslos sowohl in dem Sinne, daß die Kritik sich
nicht vor ihren Resultaten fürchtet und ebensowenig
vor dem Konflikte mit den vorhandenen Mächten.].
O mesmo inventor em 1832 do vocábulo _socialisme_,
Pierre Leroux, é o autor da obra mística "De
l'humanité" (1840), que visava substituir a caridade
cristã por uma mística "comunhão moral". Outro
neologismo da época, também da lavra de Pierre Leroux
e inseparável de _socialisme_, é _humanitaire_,
sendo _humanitarisme_, ou de maneira jocosa,
_humanitairerie_, o nome por que veio a ser conhecida
a doutrina de Leroux. Influenciou seu conterrâneo
Auguste Comte (1798 / 1857), que publicou em 1852
_Le Catéchisme positiviste de la Religion de
l'humanité_. A divisa do _Apostolat positiviste_ ou
_religion de l'humanité_ é --é, pois ainda existe--
«L'Amour pour principe, l'Ordre pour base, et le
Progrès pour but» (but, objetivo). Soa familiar,
não? Foi posta na forma mutilada "Ordem e
Progresso" e sem o _amor_, que não é coisa de macho
com ch, no "auriverde pendão de minha terra, / que a
brisa do Brasil beija e balança, / estandarte que a
luz do Sol encerra / e as promessas divinas da
esperança." Isto tornou a República Federativa,
desde 1889, uma entidade humanista, quem diria...
Machado de Assis ecoou ironicamente as doutrinas de
Leroux e Comte ao atribuir ao sábio cachorro Quincas
Borba a fundação da ideologia da _humanitas_. No
_New PT_ há vários sucessores cretinos de Quincas
Borba, que não têm o brilho e a originalidade do
filantrópico cão, como o deputado Marcos Rolim (PT/RS)
[ver a nota ****, adiante].
Reflexos desse confuso _humanismo socialista_
místico-moralista, tão tipicamente francês, pequeno-
burguês e _citoyen_ (cidadão), encontram-se até hoje,
a exemplo da polêmica entre o edulcorado Garaudy, hoje
teólogo muçulmano, e o cerebrino Althusser na década
de sessenta e entre Sartre e Heidegger depois da II
Guerra Mundial, e ora são insensatamente usados contra
o marxismo, ora em seu favor. Espero em outra
oportunidade dissertar historicamente sobre a
polissemia enganosa do _humanismo_.
Gruß, Kameraden !
RM
-- NOTA * , sobre a "a produção massiva desta
consciência comunista", texto da _Ideologia Alemã_:
und 4. daß sowohl zur massenhaften Erzeugung dieses
kommunistischen Bewußtseins wie zur Durchsetzung der
Sache selbst eine massenhafte Veränderung der Menschen
nötig ist, die nur in einer praktischen Bewegung, in
einer Revolution vor sich gehen kann; (...) weil die
stürzende Klasse nur in einer Revolution dahin kommen
kann, sich den ganzen alten Dreck vom Halse zu
schaffen und zu einer neuen Begründung der
Gesellschaft befähigt zu werden.
NOTA ** , sobre as pré-condições ou premissas do
comunismo, texto da _Ideologia Alemã_:
"Esta _alienação_ [Entfremdung], para usar um
termo que seja compreensível pelos filósofos, pode,
naturalmente, somente ser superada dadas duas
premissas práticas [nur unter zwei praktischen
Voraussetzungen aufgehoben werden]: para que se
torne um poder "insuportável" ["unerträgliche"
Macht], isto é, um poder contra o qual os homens fazem
uma revolução, [eine Macht, gegen die man
revolutioniert] deve necessariamente ter expropriado
a grande massa da humanidade [die Masse der
Menschheit als durchaus "Eigentumslos" erzeugt hat]
e ter produzido, ao mesmo tempo, a contradição de um
mundo fundamentado na riqueza e na cultura.
Ambas as circunstâncias pressupõem um grande aumento
na capacidade produtiva [energia potencial, força,
Produktivkraft], um grau elevado de seu
desenvolvimento. De outro lado, este desenvolvimento
das forças produtivas (que implica a existência
empírica real dos homens no seu ser globalizado
[histórico- mundial], em vez de local) [in
weltgeschichtlichem, statt der in lokalem Dasein] é
uma premissa prática absolutamente necessária [eine
absolut notwendige praktische Voraussetzung] sem a
qual somente a penúria [Mangel] é generalizada e, com
a carência [necessidade, Notdurft], a contenda pela
[satisfação da] necessidade novamente começa e toda a
velha merda tem que ser reproduzida [auch der Streit
um das Notwendige wieder beginnen und die ganze alte
Scheiße sich herstellen müßte]; e, ademais, somente
com o desenvolvimento universal das forças produtivas
pode ser estabelecido um intercâmbio _universal_
entre os homens [ein _universeller_ Verkehr der
Menschen], o que de um lado produz simultaneamente em
_todas_ as nações o fenômeno da massa «expropriada»
(competição [generalizada), que faz cada nação
dependente das revoluções [reviravoltas] das outras,
[das Phänomen der "Eigentumslosen" Masse in _Allen_
Völkern gleichzeitig erzeugt (allgemeine Konkurrenz),
jedes derselben von den Umwälzungen der andern
abhängig macht,] e finalmente coloca os indivíduos
empiricamente universais, globalizados
[histórico-mundiais], no lugar dos locais. [und
endlich weltgeschichtliche, empirisch universelle
Individuen an die Stelle der lokalen gesetzt hat.].
Sem isto,
(1) o comunismo somente existiria localmente;
(2) as próprias forças do intercâmbio [Mächte des
Verkehrs] não poderiam ter-se tornado universais, e
portanto poderes insuportáveis [unerträgliche
Machte]: teriam permanecido como «circunstâncias»
[condições, situação] doméstico- supersticiosas [sie
wären heimisch-abergläubige "umstände" geblieben,]; e
(3) cada extensão do intercâmbio teria superado o
comunismo local [würde jede Erweiterung des
Verkehrs den lokalen Kommunismus Aufheben].
Empiricamente, o comunismo é somente possível como
ato dos povos dominantes «de uma vez por todas» e
simultaneamente, o que pressupõe o desenvolvimento
universal das forças produtivas e o intercâmbio
mundial a elas vinculado. [Der Kommunismus ist
empirisch nur als die Tat der herrschenden Völker "auf
einmal" und gleichzeitig möglich, was die universelle
Entwicklung der produktivkraft und den mit ihm
zusammenhängenden Weltverkehr voraussetzt.]
Neste ponto, a edição alemã dos manuscritos, cujos
originais se acham soltos e meio roídos, interpõe
trecho sobre a existência necessariamente
histórico-mundial do proletariado, trecho que não está
neste lugar na reedição soviética de 1965 em inglês.
Todavia, não há prejuízo do entendimento. O trecho
finaliza com um parágrafo que será mais tarde repetido
por Engels em seus textos sobre Gotha, com uma
atualíssima condenação implícita aos doutrinarismos e
dogmatismos místico-moralistas que ainda abundam
irracionalmente no que resta de movimento comunista
(socialista):
"O comunismo não é, para nós, uma situação [condição,
estado, circunstâncias] que deva ser instituída
[engendrada, criada, estabelecida], um ideal ao qual a
realidade tem que se ajustar [torna-se realidade].
Chamamos de comunismo ao movimento _real_ que supera
as circunstâncias [situação] atuais da realidade. As
condições deste movimento resultam da condição prévia
[premissa] já existente."
[Der Kommunismus ist für uns nicht ein Zustand, der
hergestellt werden soll, ein Ideal, wonach die
Wirklichkeit sich zu richten haben [wird]. Wir
nennen Kommunismus die _wirkliche_ Bewegung, welche
den jetzigen Zustand aufhebt. Die Bedingungen dieser
Bewegung ergeben sich aus der jetzt bestehenden
Voraussetzung.]
---NOTA ***
Original do trecho da carta de Marx a Ruge de setembro
de 1843:
Wir müssen den Dogmatikern nachzuhelfen suchen, daß
sie ihre Sätze sich klarmachen. So ist namentlich der
Kommunismus eine dogmatische Abstraktion, wobei ich
aber nicht irgendeinen eingebildeten und möglichen,
sondern den wirklich existierenden Kommunismus, wie
ihn Cabet, Dézamy, Weitling etc. lehren, im Sinn habe.
Dieser Kommunismus ist selbst nur eine aparte, von
seinem Gegensatz, dem Privatwesen, infizierte
Erscheinung des humanistischen Prinzips. Aufhebung des
Privateigentums und Kommunismus sind daher keineswegs
identisch, (...)
-- NOTA ****
Acerca do humanismo cretino de Quincas Borba, isto é,
de Marcos Rolim (PT/RS), ver
http://www.rolim.com.br/2002/modules.php?name=Sections&sop=viewarticle&artid
=1
CONSTRUINDO UMA TENDÊNCIA HUMANISTA
Manifesto para uma tendência de novo tipo
http://www.rolim.com.br/tese1.htm
"Teses pra uma Esquerda Humanista"
Apresentação
O espectro do Socialismo
O "Socialismo Real"
O marxismo
Para uma crítica do marxismo:
Afinal, por que "Socialismo"?
O PT e o Socialismo:
O Capitalismo Real:
A alternativa humanista
Notas:
Acrescente-se-lhe o _republicano_ José Genoíno
(PT/SP):
http://www.genoino.org/pub/arti2000/entr-inf.htm
Temos que construir novas utopias
http://www.genoino.org/pub/artigos/esqrep.htm
Por uma esquerda republicana
http://www.genoino.org/pub/proposta/docsecfor.ht m
Por uma alternativa democrática e reformadora ao
neoliberalismo
--- NOTA *****
Remissão dos endereços das mensagens de dois debates
que ocorreram nesta lista em 2003 sobre o partido
revolucionário e a vanguarda:
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/14780
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/14771
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/14769
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13844
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13778
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13775
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13773
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13765
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13629
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13616
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13612
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13600
(neste texto discorro sobre Einsicht / insight / clara
compreensão / visão penetrante, atributo inerente à
vanguarda no conceito de Marx e Engels)
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13580
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13579
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13573
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13569
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13564
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13563
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13553
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13548
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13544
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13539
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13533
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13528
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13191
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13077
(esta mensagem minha, entre outros assuntos, faz
diversas remissões a textos sobre a decadência do PT)
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