Por razões alheias à minha vontade não tenho
acompanhado os debates da lista. Assim, posso estar
sendo muito injusto ao dizer que temo que a repetição
irredutível, quiçá dogmática ou simplesmente teimosa,
do mesmo tema por poucos debatedores possa levar ao
fastio e ao desinteresse da grande maioria. Peço já
desculpas se minha ótica não for acertada.
O que se segue NADA tem a ver com nenhum participante
desta lista em especial, pois se refere a fatos tão
comuns na sociedade que ninguém a eles escapa. A
menção feita a _marxismo religioso_ na mensagem de
Roberto Ponciano
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/21141
despertou-me a atenção por ser, em meu ver, a
característica mais perniciosa do discurso marxista ou
pretensamente marxista neste início do século XXI no
Brasil.
Não obstante a religiosidade, quem _realmente_ leia
e releia, no original, os textos de Marx e Engels e
outros grandes textos não marxistas das ciências
sociais e filosofia e que também pesquise a história,
fica no mínimo impressionado com a vitalidade, a
profundidade e a atualidade do marxismo (materialismo
dialético). O marxismo é um método de análise
inexcedível do capitalismo do século XXI por seu
caráter científico, já que desvendou a lógica de
funcionamento ou leis fundamentais da sociedade, em
especial as da sociedade capitalista. Isto lhe
possibilita certas antecipações, a exemplo do que
chamo de _anonimização_ generalizada e cada vez
maior da vida social, a começar pela produção (e
distribuição) realizada integradamente em larga escala
ao redor do mundo por conglomerados de empresas
inumeráveis, pequenas e grandes, estas com milhares ou
milhões de sócios. É um dos fenômenos que mostram a
potencialidade comunista universal oculta no
capitalismo. Potencialidade, registro pela enésima
vez, não é determinação ou inevitabilidade, posto que
a maior probabilidade discernível a partir das
perspectivas atuais é a da autodestruição da
humanidade pelas vias econômica, ecológica e
político-militar.
Como se explica, portanto, que os adeptos do marxismo
(materialismo dialético), que são os portadores desse
instrumental teórico insubstituível, sejam
freqüentemente tão _antimarxistas_, mantendo
mumificadamente as alusões e os símbolos? Como é que
conseguem transformá-lo tão facilmente num dos
doutrinarismos retóricos que Marx e Engels tanto
detestavam por seu caráter moralista, místico,
fossilizado e anticientífico? Como é que que
permitem, por conta desta gravíssima falha de
compreensão, que o alegado _marxismo_ se apresente
tão misturado a velhas e novas moedas falsas
incompatíveis com o materialismo dialético, a exemplo
do estatismo autárquico, do moralismo tacanho, da
ideologia do desenvolvimentismo sustentável com
justiça social e do seu gêmeo, o _discurso da
cidadania_ (a praga do terceiro milênio), do zelo pelo
_politically correct_ etc.?
O fenômeno não é novo, pois o próprio Marx, segundo
relatado por Engels em carta a Bloch, ao ler certos
textos já então chamados de _marxistas_, dizia
ironicamente: "se isto é marxismo, então não sou
marxista" A propósito, ele não gostava do termo
_marxista_, embora já então consagrado, por razões
cientificamente compreensíveis. Antonio Labriola,
mestre de Gramsci e introdutor do materialismo
dialético na Itália, já se referia às falsificações
piedosas do marxismo em seu profícuo debate com George
Sorel no final do século XIX. Ocorre desta maneira a
redução religiosa do marxismo, que o transforma num
doutrinarismo pobre e oco dos mais vulgares, em
verdade revelada pior do que as vulgaridades que
acometem outros saberes e correntes do pensamento.
A primeira explicação para a freqüente adulteração
inconsciente do marxismo (materialismo dialético) é a
pura e simples falta de leitura, a comodidade
preguiçosa das _orelhadas_ ocasionais de terceira
mão, a ausência de estudo sistemático e a arrogância
dos ignorantes. Ignorantes todos somos em algum grau:
o problema é a ignorância presunçosa. Posta desta
maneira, contudo, parece que a explicação seria antes
um protesto contra a falta de respeito à ortodoxia.
Ora, nada mais estranho ao marxismo (materialismo
dialético), assim como à ciência em geral, do que a
distinção entre correntes ordotodoxas ou heterodoxas,
distinção que é um apanágio das doutrinas.
A grande explicação para a freqüente adulteração
inconsciente do marxismo (materialismo dialético) é um
fato que parece inamovível e invencível, agravado pelo
monopólio dos meios de comunicação pela burguesia: a
disseminadíssima cosmovisão (Weltschauung) da
sociedade ilaqueada pelo senso comum ou sabedoria
convencional (conventional wisdom), cujo núcleo é o
que chamo de misticismo-moralismo, a face dupla de um
mesmo fenômeno, com vastas conseqüências. Tenho
repetido que o doutrinarismo, religioso ou laico, dos
mais diversos matizes políticos à direita e à esquerda
só consegue entender o mundo, em última análise, como
a _luta eterna do Bem contra o Mal encarnado_.
Percebam como isto é tão disseminado na sociedade,
como, por exemplo, quando as ONG protestam contra o
_modelo perverso_ da política econômica ou quando
alguém trata o desemprego como obra de um ente
misteriorso. Tenho escrito sobre este fato
perniciosíssimo com certa freqüência. Em seguida
transcrevo dois textos meus que dele tratam.
Lembro que a ciência só começa onde acaba o senso
comum ou sabedoria convencional (conventional wisdom).
Lembro também que, se a aparência e a essência dos
fatos da realidade se confundissem, toda ciência seria
supérflua. Aliás, estas afirmativas são de Marx.
Devem constituir o lema do combate científico contra
todas as reduções místico-moralistas do marxismo
(materialismo dialético) a uma doutrina para-religiosa
e, portanto, dogmática e astrológica.
Saudações de Roberto
##########################################
EXCERTOS DO PRIMEIRO TEXTO de ROBERTO MAGELLAN:
"(...) sempre é o lado mau que termina por prevalecer
sobre o lado bom. O lado mau, ao dar origem à luta,
produz o movimento que faz a história."
Karl Marx: _Miséria da Filosofia_, dezembro 1846 /
abril 1847 [ver na nota *, entre o primeiro e
segundo excertos, o texto original ]
A citação acarreta o sério risco de que alguns achem
que o então jovem Marx tivesse sido mais um miserável
crente na luta eterna entre o Bem e o Mal e logo ao
lado do partido satânico. A _Miséria da Filosofia_
e textos correlatos foram voltados contra o pensamento
de Proudhon e as doutrinas da pequena burguesia
_socialiste_ e _humaniste_, que persiste e é
dominante nestes tempos pós-Muro. Textos muito
atuais, portanto.
(...)
Muito mais do que nas décadas passadas, devido ao
aprofundamento da crise geral do capitalismo sob nova
forma e devido à maior recessão política desde a
derrota da Comuna de Paris e desde o oportunismo da II
Internacional, a vigente situação sócio- econômica tem
se tornado muito propícia à difusão dos valores
conservadores e reacionários do senso comum ou
sabedoria convencional (_conventional wisdom_)
Trata-se de uma forma de psiquismo espontâneo, porém
tradicional. Tem como elementos essenciais a
ignorância, que a todos nós atinge em grau maior ou
menor, e, sobretudo, o misticismo e o moralismo, a
dupla face psíquica de um mesmo fenômeno.
Não é à toa que a Santa Bíblia, o Corão e os textos
paulocoelhos da astrologia, esoterismo, hinduísmo,
sufismo, auto-ajuda, _empreendedorismo_ etc.
predominem nestes tempos de refluxo político e derrota
revolucionária. Por analogia, repetem-se a ampla
difusão dos misticismos e seu sincretismo que
aconteceram na área mediterrânea depois do esmagamento
das três últimas grandes revoltas contra Roma: a dos
escravos liderados por Espártaco e, por duas vezes, as
dos zelotes (iscariotes) judeus. A confusão mística
está muito bem retratada numa obra humorística da
época: as _Metamorfoses_, de Apuleio. Do cadinho
místico de desesperança terrena e medo fundidos nesse
invencível império universal surgiu a religião
universal, _katholikós_. Que surgirá do atual?
O senso comum, sabedoria convencional ou
misticismo-moralismo resume-se, mesmo nas suas formas
mais recônditas, à concepção disseminada da realidade
como luta eterna do Bem contra o Mal, posta em termos
laicos ou religiosos e até ateus e pseudocientíficos.
Esta concepção permite ao crente religioso ou laico
comodamente dispensar o árduo caminho da dúvida, da
indagação, da pesquisa, da leitura e da polêmica, que
é o caminho da ciência. Conforma-se o crente com as
verdades evidentes ou aparências, por quase todos
aceitas, «porque é assim, ora, e acabou», porque é
_politically correct_. Todo o medíocre e disseminado
_discurso da cidadania_, por exemplo, a praga do
terceiro milênio, é uma espécie da sabedoria
convencional _politically correct_ e maniqueísta.
Os politiqueiros profissionais das classes dominantes
sempre reforçam o misticismo-moralismo, pois é o
grande instrumento do conformismo, da submissão
voluntária e da dominação consentida. Sem o moralismo
e o misticismo o capitalismo ficaria seriamente
abalado no plano do psiquismo social e os
politiqueiros profissionais desapareceriam.
O pensamento religioso, místico-moralista, assim
exerce sua forte influência perniciosa e deletéria por
toda a sociedade. Inúmeras são as formas disfarçadas
e laicas de escrituras sagradas e soluções
miraculosas; encarnações pervertidas do Mal e
manifestações virtuosas dos auto-arrogados legionários
do Bem; crendices e esoterismos; dogmas de fé e
pontos de doutrina; messias e falsos profetas;
heresias pérfidas, salvações e conversões à Verdade;
anátemas e tabus; dez mandamentos e catecismos;
condenações irremissíveis e adorações indulgentes;
santos e pecadores; utopias e messianismos; fórmulas
de crença, litanias e ladainhas; rezas e penitências
etc.
O conformismo, tão visível na resignação e na
exaltação de cunho religioso ou para-religioso, como a
astrologia, é o padrão do comportamento conservador,
moralista e místico. A grande maioria das pessoas,
talvez todas, na presente etapa histórica são em maior
ou menor grau conformistas. Se não fossem, a
revolução já estaria triunfante nas ruas. Até hoje a
tradição é a força inerte da história e, para citar
Comte, os mortos continuam a governar os vivos.
No plano refinado do pensamento elaborado
intelectualmente, o senso comum ou misticismo-
moralismo, religioso ou laico, torna-se o lugar social
da ideologia, assim assumindo as diversas formas do
pensamento metafísico. A ideologia é, por definição,
oposta à ciência ou a ela precedente, antes do corte
epistemológico, e de ciência só contém vestígios ou
possibilidades, assim como a ciência é continuamente
assediada pela ideologia, já que a realidade é una.
Estes dilemas e problemas concretos, cuja enorme
profundidade e complexidade mal aflorei, estão na raiz
objetiva de vários conflitos insolúveis no campo
anti-imperialista ou das forças populares Constituem
reflexos diretos ou longínquos do jogo de interesses
conflitantes das classes sociais face à realidade
econômico-política, fato que os atores da tragédia
freqüentemente não percebem.
(...)
"Nous allons avoir à parler métaphysique, tout en
parlant économie politique" -- disse Marx, escrevendo
originalmente em francês, no início da segunda parte
da retromencionada _Miséria da Filosofia_.
(...) uma das suas limitações ideológicas é a invenção
metafísica de um "modelo de acumulação rentista", que
tisna como _perverso_ para não fugir à luta eterna do
Bem contra o Mal. O _modelo perverso_, que seria o
atual _capitalismo selvagem_, nada teria a ver com o
_modelo_ --vá lá a palavrinha viciosa-- ideal, que
seria o desenvolvimentista e nacionalista, com forte
intervenção do Estado. Este _modelo_ paradisíaco
magicamente escaparia às leis de funcionamento e
condições objetivas do capitalismo tal como funcionam
neste século XXI e fugiria por encanto à inserção
geopolítica e econômica do Brasil na presente ordem
mundial. Bastariam a _vontade política_ e a _ética na
política_ para adotá-lo e as crises econômicas e
políticas jamais ocorreriam. Neste _modelo_ o
crescimento e o pleno emprego seriam perpétuos.
Estaria imune à especulação _malvada_ e ao capital
financeiro _predatório_, como se pudesse haver
capitalismo sem especulação e sem finanças. O
_modelo_ funcionaria de maneira _cidadã_, como se a
destruição periódica massiva de forças produtivas,
inclusive gente, não fosse a pré- condição para a
retomada de um novo ciclo econômico ascendente.É a
nova lei de Say!
A sabedoria convencional da vaga esquerda _cidadã_ e
seus chavões _politically correct_ é toda alicerçada
na utopia capitalista _humanista_. A ela aderem até
mesmo ditos comunistas ou, pudicamente, «socialistas».
Estamos perante uma ressureição vigorosa da miríade
de doutrinarismos _humanistes_ e _socialistes_ do
século XIX sem que seus novos adeptos se dêem conta,
já que freqüentemente não estudam a história, nem o
materialismo dialético (marxismo), nem as obras mais
importantes do movimento socialista, e, a bem da
verdade, muitos rejeitam ler algo que tenha mais de
uma página formato A3. Essa vaga esquerda limita-se a
tentar preservar e recuperar o passado, como o regime
do trabalho assalariado e o apoio estatal ao que resta
de autêntica burguesia industrial. É incapaz de
avançar revolucionariamente.
Toda utopia, por prescindir da análise científica da
realidade, acaba por se tornar reacionária na
substância, ainda que atraente na forma. Tem os anos
contados, contudo. Entre as causas da extinção
próxima da utopia _cidadã_ e _humanitária_ e da
pueril argumentação neoliberal, sua irmã gêmea, estão:
a) o crescimento espantoso e necessário da miséria
em todo o mundo --necessidade que os utópicos não
conseguem compreender e atribuem à _ ganância malvada
e egoísta_ ou às pecaminosas _perversidades do
mercado_-- miséria em meio à maior abundância de
bens e serviços já conhecida pela humanidade, miséria
e abundância que também _necessariamente_
correspondem à extinção do regime de trabalho
assalariado, típico do capitalismo, que os utópicos
acham que é desejável eternizar, como se isto fosse
possível;
b) a senilidade etária progressiva da população
mundial, o que acontece pela primeira vez na história
e que, entre outras conseqüências, inviabilizará os
sistemas previdenciários por repartição ou por
capitalização e acelerará a deterioração do mercado
financeiro e a automação, assim também acelerando a
autodestruição do capitalismo, seja o _selvagem_ dos
especuladores _malvados_, seja o _humanista e
bonzinho_ das _empresas cidadãs, com
responsabilidade social_;
c) a crise petrolífera mundial, estrutural e
irreversível a partir de 2010 / 2020, sem que exista
sucedâneo perfeito;
d) o crescente aquecimento global, cujas
conseqüências catastróficas mal podemos prever; e
e) o esgotamento visível das possibilidades de
ampliação endógena e exógena do modo capitalista de
produção.
##########################
* O texto original da _Miséria da Filosofia_ foi
escrito por Marx diretamente em francês:
http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_
sciences_sociales/classiques/Marx_karl/misere_philo/
Marx_Misere_philo.doc
http://www.marxists.org/francais/marx/works/1847/06/
km18470615g.htm
La production féodale aussi avait deux éléments
antagonistes, qu'on désigne également sous le nom de
beau côté et de mauvais côté de la féodalité, sans
considérer que c'est toujours le mauvais côté qui
finit par l'emporter sur le côté beau. C'est le
mauvais côté qui produit le mouvement qui fait
l'histoire en constituant la lutte.
K. Marx: _Misère de la philosophie_, II. La
métaphysique de l'économie politique / La méthode /
Septième et dernière observation
A tradução alemã de Berstein e Kautsky (quem diria!),
revista por Engels, está um pouquinho diferente:
Auch die feudale Produktion hatte zwei antagonistische
Elemente, die man gleichfalls als gute und schlechte
Seite des Feudalismus bezeichnet, ohne zu
berücksichtigen, daß es stets die schlechte Seite ist,
welche schließlich den Sieg über die gute Seite
davonträgt. Die schlechte Seite ist es, welche die
Bewegung ins Leben ruft, welche die Geschichte macht,
dadurch, daß sie den Kampf zeitigt.
Karl Marx: _Das Elend der Philosophie, Antwort auf
Proudhons "Philosophie des Elends_" em Karl Marx e
Friedrich Engels: _Werke_, vol. 4, Dietz Verlag,
Berlim, RDA/DDR, 1972, p. 140. Zweites Kapitel, Die
Metaphysik der politischen Ökonomie, § 1. Die Methode,
Siebente und letzte Bemerkung.
#####################################
EXCERTOS DO SEGUNDO TEXTO de ROBERTO MAGELLAN:
(...)
Justamente por concordarmos no anticapitalismo e na
constatação de que a mediocridade domina o mundo atual
e chega a ser sua pré-condição, é que se torna crucial
escolher qual será a forma mais adequada para se
tentar esclarecer o povo em geral e também
esclarecermo-nos:
a) tentar esclarecer à maneira místico-moralista,
extremamente subjetiva, intrigante e recheada de
impropérios e preconceitos --maneira que não se
resume àquele cronista, mas que é disseminada-- ou
b) de maneira científica, objetiva e idônea, vazada
em linguagem acessível e isenta, para fins de ampla
divulgação.
O sentido desses textos seletos é, evidentemente,
anticapitalista, em que pese o vezo moralista e
racista-religioso. (...) não hesita sequer em repetir
a velha falsificação czarista, nazista e dos
clerical-fascismo de que o capital financeiro é
controlado pelos _malignos _ judeus, pois seria parte
da sua sinistra conspiração para dominar o mundo,
assim como chega a insinuar uma nova _solução final
da questão judaica_ (Endlösung der Judenfrage).
A luta contra a chamada globalização e a atual função
estratégica do sionismo no Oriente Médio ressucitam o
«socialismo dos caras tolos» ou _babacas_, para
citar a célebre frase tão atual de August Bebel,
companheiro de Marx e Engels: "Der Antisemitismus ist
der Sozialismus der dummen Kerls.". Foi proferida em
1873, 60 anos antes do início do genocídio, contra os
racistas que já então confundiam os judeus com a
burguesia, em especial a financeira, apesar da forte
presença de trabalhadores e intelectuais judeus no
movimento comunista, a começar pelo próprio Marx, e
passando por Trotsky, Rosa Luxemburg, Wilhelm Reich,
Erich Fromm e, em seus últimos anos, Einstein, além de
inúmeros outros.
Sobre o anticapitalismo racista e os flertes
antiglobalitários com o fascismo reporto-me à minha
mensagem em inglês
http://www.mail-archive.com/leninist-international@lists.econ.utah.edu/msg00052.\
html
From: magellan
Subject: [L-I] Opportunistic alliances (was
Flirtations with Fascism)
Date: Sat, 19 May 2001
onde falo sobre o alerta internacionalista de um grupo
palestino contra o racismo anti-judaico e comento o
racismo clerical-fascista e anticapitalista do poeta
Ezra Pound.
Esse moralismo anticapitalista, tão generoso em
adjetivações insultuosas e impotentes, que para nada
servem e confundem, e que chega ao racismo
anti-judaico e anti-estadunidense, é disseminado nas
esquerdas. Os textos em tela são apenas um exemplo.
Lembra os conservadores empedernidos do regime
militar, os anarquistas mais histéricos e os delírios
do MR-8 e seu jornal sensacionalista "A Hora do Povo".
O cerrado moralismo anticapitalista, ao pretender
moralizar o mundo capitalista, desmoraliza-se e
desmoraliza os que lutam contra o capitalismo, tanto
que freqüentemente os ideólogos neoliberais
apresentam-no como exemplo do que seria a autêntica
crítica «socialista», «esquerdista» ou
pseudomarxista, resumida às ofensas e à
superficialidade, mesmo quando não passa dos limites
da utopia capitalista, como é o caso do _discurso da
cidadania_. A coisa piora quando ao moralismo
juntam-se o preconceito e o desconhecimento ou a
distorção de fatos econômicos e históricos básicos.
A maneira místico-moralista, embora vibrante e
vigorosa, leva a impasses teóricos, por ser
metafísica. É incapaz de compreender e explicar os
fenômenos em tela senão pela paupérrima visão satânica
da _luta eterna do Bem contra o Mal_, geralmente posta
em termos a-históricos, laicos e disfarçados. O fato
de se achar em crônicas singelas e efêmeras não pode
servir de desculpa.
A visão místico-moralista ou satânica é típica do
mediocrizante senso comum ou sabedoria convencional
(conventional wisdom), que, por definição, é o lugar
social da ideologia e oposto à ciência.
Considerações mais extensas sobre as relações entre a
ideologia, o senso comum ou sabedoria convencional, o
fenômeno do moralismo-misticismo, a cosmovisão
negocista da classe média e o reacionário _discurso da
cidadania_, que é o último bastião da utopia
capitalista juntamente com seu irmão gêmeo, o discurso
neoliberal, pode ser achada em meus textos cuja
localização segue. Tais fatos propagam-se
epidemicamente nestes tempos de refluxo político e
derrota revolucionária. Ver:
http://br.groups.yahoo.com/group/politica-br/message/35525
http://br.groups.yahoo.com/group/politica-br/message/33129
De: "ro_magellan" <ro_magellan@y...>
Data: Dom Mar 21, 2004 2:53 am
Assunto: Capitalismo, especulacao e cidadania
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/16531
De: "ro_magellan" <
ro_magellan@...>
Data: Sáb Out 25, 2003 8:00 am
Assunto: Re: Movimentos sociais: projeto alternativo
de desenvolvimento
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13714
De: "ro_magellan <
ro_magellan@...>"
Data: Qui Jun 5, 2003 5:15 am
Assunto: Moralismo e analise politica
http://br.groups.yahoo.com/group/politica-br/message/31606
De: "ro_magellan" <ro_magellan@y...>
Data: Dom Nov 30, 2003 4:07 pm
Assunto: Re: Por Lula!
É a ciência, sobretudo a ciência social, que
precisamos aprender e propagar, não o senso comum ou
sabedoria convencional. Isto não será entendido por
quem reduz o marxismo a uma doutrina fossilizada à
maneira religiosa e chega a falar arrogantemente em
_socialismo pretensamente científico_. Os
anticapitalistas não podemos jogar irresponsavelmente
qualquer coisa às telas ou escrivinhá-las em livros e
palestras, sem reflexão nem pesquisa, se quisermos
exercer uma função didática em nosso benefício e em
benefício alheio.
As transformações sociais radicais requerem a
exposição e compreensão didáticas da realidade, sob
pena de se esgotarem no espontaneísmo cego da luta de
classes e nas catadupas de ofensas ridículas e
inócuas, tudo facilmente batido pelo adversário. Esta
é a única utilidade que vejo em discussões, sobretudo
nas listas eletrônicas. Aliás, a palavra _dialética_
está etimologicamente ligada ao exercício
imprescindível do debate de alto nível.
No texto cuja localização se segue traduzi textos
ontológicos de Marx e dos liberais clássicos Jean
Baptiste Say e Adam Smith. Aquele, de modo muito
sóbrio e tranqüilo, diferencia o indíviduo real
possível do burguês ontologicamente real, promotor da
violência e falta de escrúpulos prevalecentes na vida
burguesa. Todos somos _alienadamente_ prisioneiros
de relações coletivas concretas que escapam ao nosso
controle. Já Say e Smith, ironicamente, tratam a
burguesia como uma _corja de bandidos da pior
espécie_. A localização das traduções é:
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/10777
De: Magellan <
magellan@...>
Data: Ter Nov 5, 2002 3:21 am
Assunto: Liberais contra burguesia e marxistas doceis
Nos seguintes textos também tratei de assuntos
ontológicos:
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/13564
De: "ro_magellan <
ro_magellan@...>"
<
ro_magellan@...>
Data: Ter Mai 27, 2003 11:49 pm
Assunto: Re: Algumas questões sobre a Revolução
Socialista
http://br.groups.yahoo.com/group/eskuerra/message/10849
De: Magellan <
magellan@...>
Data: Dom Nov 10, 2002 12:26 pm
Assunto: Re: sem pedir licença
De tudo isto pode-se concluir que o moralismo e o
misticismo, que são o mesmo fenômeno, têm efeitos
muito contraproducentes ao não contribuir em nada para
a politização das massas e até desvirtuá-la.
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