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Para quem estiver interessado em saber!!
Sempre que um qualquer vulto é esquecido ou afastado, utilizamos a expressão
«foi votado ao ostracismo».
Trata-se de outra herança da vida política grega. Depois de Clístenes ter
instalado a democracia em Atenas em 508 a.C., foi criada uma lei que permitia à
Assembleia afastar qualquer cidadão que pretendesse instalar um regime pessoal
ou tirânico. Os cidadãos escreviam o nome do indesejado em cacos de cerâmica, os
ostraka, votando-o ao ostracismo, ao exílio, por 10 anos. Mégades, Temístocles,
Aristides, Címon e o próprio Péricles sofreram essa pena. Quando regressaram,
estavam esquecidos, daí o sentido que hoje encontramos na língua portuguesa.
Um vocábulo curioso não muito utilizado em Português é sicofanta. Significando
«patife» ou «impostor», quase se esquece o sentido inicial. Em Atenas, existia
uma lei que proibia a exportação de figos, produto básico na alimentação grega.
Todavia, tentava-se a exportação clandestina. Quem prevaricasse, via a sua carga
apreendida e, se fosse uma denúncia, o seu autor recebia metade, tal como o
Estado. Daí surgirem os sicofantas, «descobridores de figos» (j h m i , «dizer,
nomear» e s u k o n , «figo») ou seja, delatores. Deste sentido negativo, o
vocábulo atingiu uma dimensão semântica ainda mais profunda, resultando no
significado de «malandro».
Na língua portuguesa encontramos ainda palavras híbridas dado que se formam com
elementos de línguas diferentes. Por exemplo, automóvel (primeiro radical grego
e segundo latino) e sociologia (primeiro radical latino e segundo grego). Outras
palavras híbridas são autoclave, bicicleta, bígamo, decímetro, endovenoso,
monóculo, monocultura, neolatino ou oleografia.
O conhecimento da língua grega revela-se de importância capital para a
dissipação de questões linguísticas. Vejamos alguns casos elucidativos:
a) Diabete, diabetes ou diabeta?
O vocábulo grego é d i a b h t h V (de d i a b a i n w , «Ter as pernas
abertas», «atravessar») significando «compasso», «fio de prumo» e «sifão», tendo
sido tomado o último sentido para designar a doença.
Como é um vocábulo comum, chega ao Português através do acusativo latino
diabeten (segundo a flexão grega) ou diabetam (flexão latina) e daí diabeta.
Porém, por analogia com os substantivos masculinos da 1.ª declinação grega em h
V (como A p e l l h V , Apeles), surge diabetes, do género feminino
(concordância ad sensum).
b) Hieróglifo ou Hieroglifo?
Dado que a palavra deriva de i rg o V , sagrado e l u z w , gravar, deve
dizer-se hieróglifo.
c) Ómega ou omega?
O w não existia no alfabeto grego até que os Jónios inventaram este sinal. Os
gramáticos e lexicógrafos escrevem v m e ga ou w m e ga (lit. «O grande»). Na
transliteração para latim, a palavra fica esdrúxula, proparoxítona, porque o e é
breve. Assim, devemos preferir ómega.
ANDREWS, Antony, Greek Society, Harmonsdworth, Penguin Books, 1967.
CHAMOUX, F., La Civilisation Grecque, Paris, Arthaud, 1968
ANDREWS, Antony, Greek Society, Harmonsdworth, Penguin Books, 1967
FLACELIÈRE, R., A vida quotidiana dos Gregos no tempo de Péricles, Lisboa,
Livros do Brasil, 1960.
Na verdade, na Língua Portuguesa de hoje corre a seiva do Grego Antigo - eis o
sortilégio! - e, na Cultura Portuguesa de sempre, refulge o espírito da Cultura
Grega - eis a epifania!
Jordan
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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Ter, 7 de Jul de 2009 11:48 pm
Jordan Maclkey <jordammaclkey@...>
jordammaclkey
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