Fonte: www.fundacaocrianca.org.br
Publicado
no site da ADITAL (www.adital.com.br)
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=39764
19 ANOS
DO ECA: CONSTRUINDO UM NOVO MODELO DE SOCIEDADE
No dia 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente completa 19 anos. A
Lei estabelece a proteção integral às crianças e adolescentes brasileiros,
regulamentando o artigo 227 da Constituição Federal de 1988. A grande mudança é
que, anteriormente, no Código de Menores, vigorava a doutrina da situação
irregular, pela qual o menino de rua, a menina explorada sexualmente, a criança
trabalhando, o adolescente infrator, o menino vítima de tortura, entre outros
exemplos de violações, estavam em “situação irregular” e deveriam ser “objeto”
de intervenção dos adultos e do Estado, já que não eram considerados “sujeitos
de direitos”. Com o ECA, nessas situações acima mencionadas, quem está
irregular é a família, o Estado e toda a sociedade que não garantiram a
proteção integral às crianças e aos adolescentes, colocando- os a salvo de
qualquer violação de seus direitos fundamentais. Um grande equívoco apresentado
pelos opositores do ECA é afirmar que é uma lei boa para a Suíça e não serve
para o Brasil. Na verdade, muito pelo contrário, a Suíça não tem Estatuto e não
precisa de legislação para a infância, já que os direitos infanto-juvenis são
priorizados e respeitados independentemente da existência de lei própria.
Países como o Brasil, com tradição de desrespeito aos direitos da criança e do
adolescente é que precisam de legislação específica. O grande desafio após 19
anos do ECA está na sua efetiva implementação, para tanto é necessária uma
atuação maior do Estado e de toda a Sociedade, principalmente através de
orçamentos públicos e recursos privados destinados aos Fundos que priorizem a
área social e a cidadania.
O ECA simboliza um novo modelo de Sociedade. Já era esperado que esse novo
modelo não seria implantado imediatamente como gostaríamos, mas está sendo
construído aos poucos e com muito esforço e luta de milhares de pessoas,
governos, entidades e conselhos. Devemos considerar os avanços e os desafios:
Conforme o Ministério da Educação e o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a
Infância), 98% das crianças estão matriculadas no ensino fundamental e 82% dos
adolescentes no ensino médio, mas é notória a baixa qualidade do ensino em boa
parte das escolas públicas. Grave mesmo é a falta de acesso às creches
(ensino infantil), já que apenas 1,7 milhão de alunos (15,5%) de um universo de
cerca de 11 milhões de crianças com idades de 0 a 3 anos, estão matriculadas
nas creches, segundo o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas), feito em 2006.
Quase 5 milhões de crianças e adolescentes, segundo a OIT (Organização
Internacional do Trabalho), são exploradas no trabalho infantil. Apesar desse
alto número de crianças e adolescentes trabalhando, nos últimos 19 anos a
redução foi de 50%.
A mortalidade infantil reduziu mais de 50% nos últimos 19 anos. Porém, enquanto
a mortalidade infantil diminuiu, as mortes violentas de crianças e jovens
aumentaram nos últimos anos. Em média, 16 crianças e adolescentes são
assassinados por dia no País. Desde 2003, o disque - denúncia contra a
violência: Disque 100, recebeu mais de 95 mil denúncias de maus-tratos, abusos
e exploração sexual. Atualmente são 92 denúncias por dia. O enfrentamento a
violência certamente é o principal desafio dos próximos 10 anos!
Por isso que esse ano o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente escolheu como tema central da 8ª Conferência Nacional: “Construindo
as Diretrizes do Plano Nacional e Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente”,
para que possamos planejar e executar de forma intersetorial as prioridades dos
próximos 10 anos, visando à concretização deste novo modelo de sociedade
proposto pela Lei mais democrática e revolucionária já produzida e aprovada
pelo Movimento Social e pelo Legislativo Brasileiro.
Ariel de Castro Alves, 32 anos, advogado, especialista em segurança pública
pela PUC-SP; Presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo;
Coordenador do Grupo Técnico Criança Prioridade 1 do Consórcio Intermunicipal
do Grande ABC; Conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da
Pessoa Humana (Condepe) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente (Conanda). Também é membro da Comissão da Criança e do Adolescente
do Conselho Federal da OAB. Email: ariel.alves@...;
Site: www.fundacaocrianca.org.br