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ciencialist · Ciência

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#81115 De: "mauro" <bombaspr@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 12:00 pm
Assunto: Re: O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.
bombaspr
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--- Em ciencialist@..., "Pesky Bee" <peskybee2@...> escreveu
>
Ainda bem! Porque
> o dia que as emoções forem extirpadas do Homo Sapiens,
> esta espécie irá se extinguir...

Mauro: Bem, de certa forma a natureza agradeceria... enfim, me permita viajar na
maionese.

De qualquer forma, não me parece estarmos muito distantes da aptidão em
desenvolver uma espécie mais avançada que a nossa. Poderíamos desenvolver uma
"espécie" não biológica, por ex, e com muitas vantagens. É só uma questão de
tempo, ao meu ver de pouco tempo.

Naturalmente desejamos que nossa prole seja melhor que nós mesmos. Isto
implicaria em retirarmos muitas das falhas de projeto do nosso próprio cerebro.
Certamente muitas das emoções que nos fazem tipicamente humanos (e falhos)
seriam anuladas.

Mas será que primeiramente nossas emoções egocêntricas nos permitiriam o
rebaixamento no pódio em termos de espécie? A possibilidade de coexistência
entre nós e uma superespécie poderia travar o desenvolvimento e a evolução?
Somente aceitaríamos 'startar' uma nova espécie em caso de eminente extinção?

Bem, pelo menos dá um enredo para um filme de ficção científica.

Inté+
Mauro

#81116 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 7:59 am
Assunto: Uma abordagem neuropsiquiátrica da agressividade humana
mtnos_calil
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No caso de Bush e outros amalucados da direita americana, a causa da violência que massacrou civis, inclusive crianças no Iraque (apenas para citar um exemplo), seria cerebral ou meramente politica? Como ninguém vai poder examinar o cérebro de Bush, não há como respondermos a esta pergunta.
 
Abraços
M.Calil
 

Cérebro e Violência

 

Existe alguma configuração cerebral envolvida com o comportamento violento?


Não é objetivo aqui, tratar a agressão e a violência sob a ótica dos elementos psicodinâmicos, das variáveis sócio-culturais ou do ponto de vista ético e estético. Esse trabalho se atrelaria mais à psicologia, antropologia, à moral e à ética. Nossa questão será neuropsiquiátrica, por excelência.

Como analogia, para fins didáticos, vamos considerar a relação mente-cérebro como se fosse uma unidade de trabalho composta de um cavalo e um cavaleiro. O cavalo, nesse exemplo, representa a parte cerebral e o cavaleiro a parte mental. Assim, podemos aventar a possibilidade de um cavaleiro muito virtuoso, capaz de conduzir com maestria um animal pouco domado, ainda que esse animal fosse portador de alguma impetuosidade constitucional. Um cavaleiro frágil, entretanto, pode fazer um mau trabalho mesmo se o cavalo for bom.

Durante um relacionamento agressivo, geralmente o cérebro (eixo hipotálamo-hipofisário) envia um sinal às glândulas supra-renais determinando a liberação de adrenalina na corrente sangüínea. Tal como acontece na Reação de Alarme da Síndrome Geral de Adaptação. Há, rapidamente, um aumento da excitação fisiológica e do nível de vigilância do organismo. Simultaneamente, também procedente das supra-renais, os níveis sangüíneos de cortisol livre aumentam, numa clara demonstração da interação entre os estímulos externos e a fisiologia interna (veja Suprarenais e Emoção).

Experimentalmente, o inverso da seqüência acima parece ser também verdadeiro, de acordo com o que sugere os experimentos de Raynes (1970) com peixes lutadores. O pesquisador estimulou a agressividade nestes peixes colocando álcool na água, enquanto A mesma coisa foi feita com noradrenalina. Outros experimentos demonstram que a agressividade pode ser alterada modificando-se a taxa metabólica de certos neurotransmissores do sistema nervoso central, mais precisamente da noradrenalina, serotonina e dopamina. Parece ser também de importância fundamental o papel dos hormônios sexuais no perfil da agressividade do indivíduo.

Existe, inegavelmente, uma sólida inter-relação entre estímulos externos e a fisiologia interna no mundo animal. Mais importante ainda, é a relação entre a fisiologia interna e a resposta comportamental. Vimos que um estímulo estressor pode determinar um aumento na secreção de substâncias químicas do tipo adrenalina, hormônios e neurotransmissores, colocando o indivíduo numa posição de alarme, pronto para a luta ou para a fuga. Por outro lado, esta posição de alarme também pode ser determinada a partir do aumento (experimental) destas substâncias sem, necessariamente, a presença do agente estressor vivencial.

Os neurotransmissores alterados na agressão são fisiologicamente encontrados no Sistema Límbico, e isso dirigiu a atenção dos pesquisadores para esta área do Sistema Nervoso Central (SNC), cuja fisiologia descrevemos mais abaixo. E é aí que entra o elemento topográfico e anatômico da agressão. O Sistema Límbico é fisiologicamente relacionado ao controle e elaboração da maioria dos comportamentos motivados.

Em relação aos hormônios sexuais, durante séculos o conhecimento geral atesta o fato de um garanhão selvagem castrado tornar-se muito mais dócil. Da mesma forma que a castração de um touro selvagem transforma-o num boi trabalhador e submisso. Nos seres humanos a castração terapêutica foi institucionalizada nos países escandinavos, particularmente na Dinamarca, e seu uso restringe-se praticamente aos criminosos sexuais.

A legislação desses países coloca a castração terapêutica como uma opção voluntária do prisioneiro, cuja não concordância implica em reduzidas chances de sair da prisão. Baseado nas poucas centenas de casos estudados, pode-se dizer que a castração proporciona uma pacificação geral nestes prisioneiros e há um número relativamente pequeno de recidivas, segundo Johnson.

Psicopatologicamente, a violência e a agressão não podem ser considerados características de nenhum estado psicopatológico particular. Sabemos, como também deve saber qualquer profissional da área com bom senso e observação, das relações entre a Epilepsia do Lobo Temporal e crises de furor e agressividade extremada. Também lembramos os casos de Embriagues Patológica, como um bom exemplo de agressividade exagerada e responsável por inúmeros crimes de agressão. Este estado se caracteriza por uma mudança abrupta e profunda na personalidade motivada pela ingestão de bebida alcoólica (mesmo em pequena dose).

Psicodinamicamente, a agressão deve ser considerada à luz da conjuntura sócio-cultural. Há inúmeras reflexões filosóficas acerca do natural (ou não) potencial agressivo e violento do ser humano. Rousseau teimava em reconhecer uma certa bondade natural do indivíduo, o qual, colocado diante de uma sociedade corruptora transformaria sua boa natureza em atuação social condenável. Thomas Hobbes, por outro lado, afirmava ser vil e mau uma condição natural do ser humano. Sua sociabilidade aceitável e meritosa devia-se à atuação modeladora da sociedade, normalmente através dos mecanismos de coerção e gratificação (valores).

Entre estas duas correntes principais e opostas devemos entender todos os casos de nossa observação de forma individualizada, considerando as peculiares circunstanciais de cada um, lembrando sempre que comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções costumam ultrapassar os conhecimentos que temos dos neurotransmissores, da topografia e fisiologia cerebrais.

Enfim, a fisiopatologia da agressão e violência é um vasto campo por onde deverão desfilar infindáveis hipóteses e pesquisas. Além disso, as circunstâncias existenciais a que se submete o indivíduo durante sua trajetória de vida tendem a inviabilizar uma sistematização mecanicista acerca deste tipo de comportamento motivado.

Sistema Límbico: O Centro das Emoções
Organicamente, o comportamento agressivo e violento pode ser determinado tanto por fatores químicos quanto anatômicos, ou seja, tanto microscópicos, incluindo os elementos atrelados à eletrofisiologia cerebral, quanto macroscópicos, atrelados à integridade anatômica do órgão.

O Sistema Límbico inteiro pode ser considerado o substrato neural para o comportamento relacionado à motivação e à emoção. Desta forma, o Sistema Límbico inclui estruturas como o Tálamo, o Epitálamo, o Hipocampo, o Hipotálamo, as Amígdalas, o Cíngulo e a região do Septo. Todas estas áreas têm sido aplicadas na regulação do comportamento agressivo, juntamente com os lobos temporais.

Filogeneticamente o cérebro humano poderia ser dividido em 3 unidades:
1. cérebro primitivo (autopreservação, agressão)
2. cérebro intermediário (emoções)
3. cérebro racional (tarefas intelectuais)

 Evolução do SNC

A figura mostra a evolução filogenética do Sistema Nervoso Central. Pela falta do Sistema Límbico os répteis (e inferiores) não mostram sinais de emoções.

O Cérebro Primitivo é constituído pelas estruturas do tronco cerebral, ou seja, pelo bulbo, cerebelo, ponte e mesencéfalo, pelos bulbos olfatórios e pelo mais antigo núcleo da base cerebral, o chamado Globo Pálido. Esse cérebro, anatomicamente delimitado da forma descrita, corresponde ao cérebro dos répteis.

O Cérebro Intermediário, que aparece inicialmente nos primitivos mamíferos, já é formado pelas estruturas do Sistema Límbico e corresponde ao cérebro dos mamíferos inferiores.

O Cérebro Superior, encontrado filogeneticamente nos atuais mamíferos superiores, tais como nos primatas, golfinhos e seres humanos, compreende a maior parte dos hemisférios cerebrais, formado por um tipo de córtex mais recente e denominado neocórtex e por alguns grupos neuronais subcorticais.

Essas três camadas cerebrais vão aparecendo, uma após a outra, durante o desenvolvimento do embrião e do feto (ontogenia), representando cronologicamente, a evolução (filogenia) das espécies, do lagarto até o Homo Sapiens.

Observou-se na superfície medial do cérebro dos mamíferos uma região constituída por células cinzentas (neurônios) que foi chamado de Lobo Límbico. Uma vez que ela forma uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico.

Como vimos então, a parte de nosso cérebro mais primitiva é herança evolutiva dos répteis, e abriga os mecanismos neuronais básicos da reprodução e da autoconservação, o que inclui o ritmo cardíaco, circulação sanguínea e respiração. Num anfíbio, este é quase todo Sistema Nervoso Central que existe.

Os elementos comportamentais comuns entre seres humanos e répteis, supostamente relacionados a essas estruturas primitivas, seriam a seleção do lugar (do lar), a territorialidade, o envolvimento na caça, o acasalamento, cuidar da cria e a formação de hierarquias sociais e seleção de líderes. Tem origem aqui também a participação nos comportamentos ritualistas.

Salvo algumas exceções, parece que estes comportamentos formam parte das condutas burocráticas e políticas do ser humano atual. Talvez, conforme diz Eduardo A. Mata, quando falamos que "matou a sangue frio", estamos fazendo uma didática metáfora ao sangue frio dos répteis.

O Sistema Límbico já se encontra em torno desse cérebro de réptil primitivo, sob a forma de rudimentos do Sistema Límbico que existe no ser humano. O comportamento dos mamíferos, desde as classes mais inferiores, até as mais desenvolvidas, incluindo os humanos, difere dos répteis não só na maior quantidade de comportamentos possíveis, mas também na qualidade desses comportamentos, surgindo nos mamíferos mais evoluídos a emoção.

É muito importante saber que as expressões da fúria, gerenciadas por este Sistema Límbico, são notavelmente similares entre um gato, um cão e um ser humano submetidos à mesma situação. Isto significa que esse tipo de reação não sofreu mudanças na escala filogenética evolutiva dos mamíferos.

Chama atenção também, para a importância do Sistema Límbico, o fato da quase totalidade dos psicofármacos atuarem exatamente nesse local. Os sistemas neuroendócrino, neuroimune, neurovegetativo e os ritmos circadianos, todos têm no Sistema Límbico sua sede e, por isso, são todos fortemente influenciados pelas emoções.

A chamada Amígdala, que veremos mais detalhadamente adiante, é uma parte importantíssima dessa região límbica e tem um papel transcendente na agressividade. Também existem motivos para acreditar que a base do comportamento altruísta se encontra no Sistema Límbico. O amor, que pode corresponder ao instinto de vida, parece ser uma aquisição deste Sistema Límbico. Muitas investigações documentam que as emoções são patrimônio dos mamíferos e de algumas aves. Precisamente as espécies que, fora os insetos sociais, cuidam de sus crias.

As regiões cerebrais mais primitivas da agressão, precisamente da agressão predatória, têm sido amplamente estudadas e numerosas estruturas filogeneticamente mais primitivas têm sido implicadas nesse tipo de agressão. Essas estruturas incluem o hipotálamo, o tálamo, o mesencéfalo, o hipocampo e o núcleo amigdalino. A Amígdala e o hipotálamo trabalham em estreita harmonia, e o comportamento de ataque pode ser acelerado ou retardado segundo a interação entre estas duas estruturas.

Por último, aparece o Neocórtex, que se apresenta em estado rudimentar nos mamíferos inferiores, sofre uma modificação impressionante nos primatas e, finalmente, tem um desenvolvimento explosivo nos hominídeos e nos grandes mamíferos aquáticos.

A agressão e seu subproduto perverso, a destrutividade, requerem a participação das estruturas cerebrais primitivas. Sem elas não haveria a verdadeira agressão. A verdadeira força da agressão reside num conjunto de "assembléias neuronais" ou "armazéns neuronais" (Grisgby, 1991) e na emoção processada pelo Sistema Límbico.

Assim, o cérebro humano traz em si reflexos da história da evolução (Carter, 1998), tanto em sua função quanto em sua anatomia. Possivelmente tenha começado na água, quando os peixes desenvolveram um tubo para transportar os nervos de partes distantes de seu corpo para um lugar central de controle.

O Sistema Límbico atua no controle de nossas atividades emocionais e comportamentais, assim como nos impulsos motivacionais. Em 1978, o neurologista francês Paul Broca observou que na superfície medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do córtex, existe uma região constituída por núcleos de células cinzentas (neurônios) a qual ele deu o nome de lobo límbico, que traduz a idéia de círculo, anel, em torno de, etc.

Uma vez que ela forma uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico esse conjunto de estruturas mais tarde foi denominado Sistema Límbico. É esse sistema que comanda certos comportamentos necessários á sobrevivência de todos os mamíferos.

As Estruturas Cerebrais do Sistema Límbico envolvidas na formação das emoções são as seguintes:

Amídala
A destruição experimental das Amígdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indistinto, afetivamente descaracterizado e indiferente ás situações de risco. O estímulo elétrico agindo nessas estruturas provoca crises de violenta agressividade.

Em humanos, a lesão da Amígdalas faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como por exemplo, a perdavaloração de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

Localizada na profundidade de cada lobo temporal anterior, a Amígdala funciona de modo íntimo com o Hipotálamo. É o centro identificador de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, preparando-o para fugir ou lutar.

Hipocampo
O Hipocampo é envolvido com os fenômenos da memória de longa duração. Quando ambos os hipocampos (direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na memória.

Um Hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação.

Tálamo
As lesões ou estimulações do dorso medial e dos núcleos anteriores do Tálamo estão correlacionadas com a reatividade emocional do homem e dos animais. A importância dos núcleos na regulação do comportamento emocional, possivelmente não decorre de uma atividade própria do Tálamo, mas das conexões com outras estruturas do Sistema Límbico.

O núcleo dorso-medial do Tálamo se conecta com as estruturas corticais da área pré-frontal e com o hipotálamo. Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no Hipotálamo e, através destes, via fórnix, com o hipocampo e com o giro cingulado.

Hipotálamo
O Hipotálamo é uma das áreas mais importante do Sistema Límbico. Além de seus papéis no controle do comportamento, essa área também controla várias condições internas do corpo, como por exemplo, a temperatura, o impulso para comer e beber, etc. Essas funções internas são, em conjunto, denominadas funções vegetativas do encéfalo, e seu controle está relacionado com o comportamento. O Hipotálamo mantém vias de comunicação com todos níveis do Sistema Límbico.

O Hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável.

De um modo geral, contudo, a participação do Hipotálamo é mais importante na expressão e manifestações somáticas dos estados emocionais do que na gênese destes. A via ou trajetória dos estímulos emocionais se faz em dois sentidos, tomando-se o Hipotálamo como ponto de referência. Passam pelo Hipotálamo, vindo do Sistema Límbico (Amígdala) e se dirigem aos órgãos efetores (glândulas), porém, retornam ao Sistema Límbico, vindos do próprio Hipotálamo aos centros límbicos e, destes, aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um mecanismo de feed-back negativo, a ansiedade, a qual poderá até um estado de pânico.

Giro Cingulo
O Giro Cingulado está situado na face medial do cérebro entre o sulco cingulado e o corpo caloso, que é um feixe nervoso que liga os 2 hemisférios cerebrais.

Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal coordena odores e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região ainda participa da reação emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo. A ablação do giro cingulado (cingulectomia) em animais selvagens, domestica-os totalmente. A simples secção de um feixe desse giro (cingulomia), interrompendo a comunicação neural do circuito de Papez, reduz o nível de depressão e de ansiedade pré-existentes.

Tronco Cerebral
O Tronco Cerebral também é a região responsável pelas reações emocionais, porém, de forma mais primitiva. Na verdade, apenas respostas reflexas, de vertebrados inferiores, como répteis e os anfíbios.

O Tronco Cerebral se compõe da Formação Reticular e do Locus Ceruleus, que é uma massa concentrada de neurônios secretores de noradrenalina. É importante assinalar que, até mesmo em humanos, essas estruturas primitivas continuam participando, não só dos mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono.

Área Tegmental Ventral
Esta Área Tegmental Ventral se compõe de um grupo de neurônios localizados em uma parte do tronco cerebral que secreta dopamina. A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios da região dopaminérgica mesolímbica produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo.

Indivíduos que apresentam, por defeito genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área, tornam-se incapazes de se sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas "prazerosas" atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocainomania, compulsividade por alimentos doces e pelo jogo desenfreado.

Septo
O Septo é uma estrutura situada à frente do Tálamo, por cima do Hipotálamo. A estimulação de diferentes partes desse septo pode causar muitos efeitos comportamentais distintos. Na frente do Tálamo, situa-se a área septal onde estão localizados os centros do orgasmo (quatro para mulher e um para o homem). Certamente por isto, esta região se relaciona com as sensações de prazer, mormente aquelas associadas às experiências sexuais.

Área Pré-Frontal
A Área Pré-Frontal não faz parte do circuito límbico tradicional, mas suas intensas conexões com o tálamo, amígdala e outras áreas sub-corticais, explicam o importante papel que desempenha na expressão dos estados afetivos.

Quando o córtex da Área Pré-Frontal é lesado, o indivíduo perde o senso das responsabilidades sociais, bem como a capacidade de concentração e de abstração. Em alguns casos, a pessoa, mantém intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, mas não consegue resolver problemas mais elementares.

Quando se praticava a lobotomia pré-frontal, para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de "tamponamento afetivo", e não demonstravam mais quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se viam quaisquer resquícios de afetividade.

O Cérebro e a Regulação Emocional
O cérebro humano possui sistemas de regulação naturais que controlam as emoções negativas e alterações nesses sistemas parecem aumentar dramaticamente o risco de comportamento impulsivo violento, conforme pesquisas da Universidade de Wisconsin-Madison (Science, 28/07/2000).

Essas pesquisas são baseadas fortemente nas imagens funcionais cerebrais (possíveis depois do advento do SPECT), em pessoas violentas ou predispostas à violência, ou seja, em pessoas que preenchem os critérios para diagnóstico de Transtorno Explosivo da Personalidade, bem como aquelas com lesões cerebrais ocorridas na infância e assassinos condenados.

A pesquisa publicada neste número da revista Science (28/07/2000), mostrou a existência de elementos neurológicos comuns em 500 pessoas consideradas com dificuldades em regular impulsos agressivos apropriadamente. Este estudo avaliou várias regiões interconectadas do córtex pré-frontal do cérebro, áreas estas relacionadas ao controle das emoções negativas e o autor da pesquisa, o psicólogo Richard Davidson, acha que essas conexões recém-encontradas entre violência e tais disfunções cerebrais abrem um novo caminho para a compreensão e o tratamento da violência e agressão.

Uma das constatações (confirmação) de Davidson se refere ao inter-relacionamento entre áreas distintas da região cerebral, tais como o córtex frontal orbital, o córtex cingulado anterior e a tonsila cerebelar. O Córtex Frontal Orbital, por exemplo, tem um papel crucial no refreamento da explosão impulsiva enquanto que o Córtex Cingulado Anterior ativa outras regiões para responder ao conflito. A Amígdala (tonsila cerebelar), um pequena mas importante porção do cérebro, estaria envolvida na produção de uma resposta ao medo e outras emoções negativas.

As pesquisas de Davidson e colegas encontraram atividade anormal ou falta de atividade nas regiões orbital e anterior em vários grupos de estudo, enquanto que a Amigdala mostrava uma atividade normal ou aumentada. Os pesquisadores encontraram disfunções em regiões cerebrais comuns em estudos com base em imagens cerebrais de 41 assassinos pertencentes a um grupo de estudo que sofria de Distúrbio da Personalidade Impulsiva Agressiva (na CID.1O, fazendo parte da Personalidade Borderline) e a outro grupo diagnosticado com Distúrbio da Personalidade Anti-social.

Também foram reavaliadas informações sobre dois indivíduos que sofriam de dano precoce em duas importantes regiões do cérebro, os quais apresentavam histórias de abuso físico e verbal e explosões intermitentes de ira.

para referir:
Ballone GJ, Moura EC - Cérebro e Violência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.




 

 

Epilepsia do Lobo Temporal
Além da natureza tumoral de lesões produtoras de comportamento violento, o tipo mais comum de doença cerebral associada à agressão e violência tem sido a Epilepsia do Lobo Temporal. Mark e Ervin documentaram muito bem o caso de Jennie, uma adolescente considerada como criança modelo.

Um dia, ao ser criticada por ouvir alto demais seus discos, teve um acesso destrutivo e quebrou tudo que estava em seu quarto. Seus estados de ânimo variavam entre o angelical e o demoníaco e, finalmente, depois de estrangular um bebê de meses por não suportar seu choro. Jennie foi institucionalizada. Como seu irmão tinha epilepsia, aventou-se a possibilidade de sua extrema agressividade ser ocasionada por uma doença cerebral orgânica.

Posteriormente constatou-se um foco irritativo temporal esquerdo, o qual entrava em atividade quando a paciente era estimulada a sentir raiva. O eletroencefalograma conseguido durante a estimulação por choro de bebê mostrou claramente a alteração desencadeada pela irritação da paciente.

_________________

COMPORTAMENTOS VIOLENTOS
Veja um exemplo de Lesão ocasionando o comportamento violento. Em 1966 o mundo ficou estarrecido com o comportamento de Charles Whitman, no Texas, o qual promoveu um assassinato em massa que vitimou 16 pessoas e feriu 24. Muitos outros casos semelhantes tornaram-se manchetes de jornais, às vezes até com maior violência.
Os escritos de Charles Whitman, encontrados depois da tragédia, diziam o seguinte:

"... eu realmente não me compreendo estes dias. Supostamente sou um jovem médio, razoável e inteligente. Contudo ultimamente venho sendo vítima de pensamentos pouco comuns. ...Falei com um médico uma vez durante duas horas, e tentei transmitir-lhe meus medos de que eu me sentia subjugado por impulsos violentos extremamente fortes. ...Venho tendo tremendas dores de cabeça e consumi dois grandes vidros de Excedrin nos últimos três meses".
"Foi depois de muito pensar que decidi matar minha esposa Kathy esta noite, depois que eu a apanhar no trabalho. ...Amo-a muito e ela tem sido boa esposa para mim, tão boa quanto qualquer homem possa desejar. Racionalmente não encontro nenhuma razão para fazer isso. ...Neste momento, porém, a razão predominante em minha mente é que em verdade não considero que valha a pena viver neste mundo, e eu estou preparado para morrer, e não desejo deixá-la sofrer sozinha nele. Pretendo matá-la de forma tão indolor quanto possível..."

Na noite do dia em que escreveu esta carta Whitman matou, não só sua esposa, como também a sua mãe. Na manhã seguinte ele se escondeu atrás de barricadas no topo de uma torre da Universidade do Texas com um rifle de caça equipado de luneta e, durante 90 minutos, atirou em tudo que se movia, quando finalmente mataram-no a tiros. Um exame post-mortem de seu cérebro evidenciou um glioblastoma, tumor altamente maligno, na área do núcleo amigdalóide.

GENÉTICA E AGRESSIVIDADE
Geneticamente podemos dizer da fisiopatologia da agressão que, de fato, não se trata de um traço de personalidade invariavelmente herdado, mas os fatores de influência na agressão podem ser, seguramente, transmitidos geneticamente. Tais fatores incluem o perfil de atividade hormonal, os limiares de ativação das estruturas cerebrais e, evidentemente, as epilepsias geneticamente transmitidas.

Em cães, é bem sabida a potencialidade agressiva de determinadas linhagens, entretanto, nos seres humanos, tendo em vista as inúmeras variáveis ambientais e culturais essa conclusão não tem sido possível.

A citogenética tem permitido uma eficiente identificação dos cromossomos humanos e algumas alterações relacionadas ao comportamento mais agressivo. Somente um, entre os 23 pares de cromossomos, difere os machos das fêmeas: a mulher tem um par igual (XX) enquanto o homem tem um cromossomo igual ao da mulher (X) e um outro diferente (Y), portanto, o XY, característico do sexo masculino, determina a distribuição hormonal e as demais características do homem. No estudo da agressão tem particular interesse uma anomalia cromossômica caracterizada por um Y a mais, ou seja, um genótipo aberrante XYY ao invés do XY normal.

Numa população de prisioneiros violentos, Moyano encontrou uma incidência de 3,5% de homens XYY, enquanto na população geral é estimada uma incidência entre 0,7 e 0,2%. O mesmo autor termina seu trabalho concluindo que a configuração XYY se constitui num fator predisponente à conduta agressiva exagerada, embora não pareça ser um elemento exclusivo como determinante da mesma.

Neste sentido, poderia aventar-se a hipótese de que o cérebro dos sujeitos portadores de um cromossomo Y extra estaria semi-programado para a conduta agressiva e anti-social, mas que esta só se manifestaria, em toda sua amplitude, quando se somasse uma série de elementos ambientais adversos. Ainda que esta anomalia cromossômica possa, de fato, estar associada à agressividade e violência, não se trata aqui de doença mental.

Os opositores da hipótese XYY para a agressividade argumentam que a maior estatura e maior compleição dos portadores dessa anomalia favoreceriam, psicodinamicamente, uma tendência à agressão. Isso se daria em decorrência da maior possibilidade de êxito social através da violência, já que, normalmente, são indivíduos mais fortes. Além disso, tais pessoas são bastante estimuladas ao comportamento violento pelo fato de despertarem, nos demais, a expectativa de atuação agressiva. A sociedade atribui naturalmente aos fortes um papel social de homens mais capazes fisicamente.

HORMÔNIOS E AGRESSIVIDADE
Em relação à relação da agressão com hormônios, a testosterona tem sido o hormônio sexual mais importante. Experimentos têm demonstrado que a agressividade determinada pelo isolamento prolongado pode ser diminuída com tratamento a base de estrogênio e, em menor proporção, com progesterona. As relações entre agressividade e impulso sexual têm merecido especial destaque por parte dos pesquisadores, notadamente em relação à morfologia e função do diencéfalo, área que parece controlar a secreção gonadal dos hormônios sexuais.


#81117 De: "JVictor" <j.victor.neto@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 9:14 am
Assunto: RES: Em tempo: RES: Re: Relatividade - respondendo ao Victor
josevictorde...
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Hélio: “Quero uma experiência real (não de pensamento) em MRU.â€

 

Victor:  Quer? Acho que você está com a faca e o queijo na mão: é físico, segundo diz; e físico experimentalista!. Então, ninguém mais habilitado que você para desenvolver experimentos, reais, reais, que refutem a TR, a TN, ou as confirme. Tem o seu prestígio na Universidade, como físico experimentalista que é, tem sua experiência e tem também seus conhecimentos na área. Que lhe falta, então? Pois o ônus da prova cabe a quem discorda.

 

Agora eu duvido de uma coisa: se uma experiência real não passou, ainda, pelo pensamento?...Pensamento nela, com gosto e carinho,  pois.

 

Victor.

 

 

De: ciencialist@... [mailto:ciencialist@...] Em nome de Hélio Carvalho
Enviada em: terça-feira, 27 de março de 2012 16:26
Para: ciencialist@...
Assunto: Re: Em tempo: RES: [ciencialist] Re: Relatividade - respondendo ao Victor

 

 

Oi Alberto,

 

Novamente estou sem tempo para responder toda sua MSG, Vai só algumas partes.

 

Desta vez eu creio que entendi melhor a sua (ou do Newton) proposta.

 

Alberto disse:

> Sim, mas ele foi além disso, se não

> experimentalmente, pelo menos em pensamentos.

> Ele não falou em aceleração absoluta mas sim em

> movimento absoluto (aquele que seria criado pela

> ação de forças).

> Ou seja, um corpo em MRU poderá ser considerado

> em movimento absoluto se ficar comprovado, na

> história deste movimento, a ação (passada) de uma

> força. Por outro lado, se na história deste movimento

>  ficar comprovada tão somente a mudança de

> referencial, este será um movimento relativo.

 

É, Newton aqui fala em movimento absoluto (ou verdadeiro), acho que o sentido de "absoluto" usado por ele tem a ver com o que eu disse na MSG:

 

Helio na 80941

>> E mais, acho que o "movimento verdadeiro" que 

>> só é modificado por forças não é propriamente o 

>> movimento medido por este referencial privilegiado.

>> Mas sim o movimento (relativo como todos)

>> deduzido de uma análise inteligente dos dados

>> experimentais. 

>> 

>> Por exemplo: se dois corpos estão em MRU,

>> eles estarão em MRU vistos de qualquer referencial

>> inercial (considere v=0 como um caso especial de

>> MRU). Mas se você for ingênuo e medir a evolução

>> temporal da distância entre eles, esta grandeza não

>> variará de forma constante (a menos que estejam

>> na mesma linha).

>> 

 

E aí fico ainda em dúvida sobre nossas (Hélio e Alberto) diferenças. (?)

 

Acho que Newton está falando que o "movimento verdadeiro", que é também chamado por ele de "absoluto" e que só pode ser modificado por forças, é um MRU qualquer (relativo como todos MRUs).

Num caso particular em que, para um determinado observador inercial, v=0, para este, uma aceleração "cria movimento", mas podemos generalizar dizendo somente que um MRU verdadeiro só pode ser modificado de verdade por uma força verdadeira.

Na palavra "modificar" está incluída a palavra "criar" como caso especial.

 

Então a nossa confusão está nos significados da palavra "absoluto". Nesta parte dos escritos de Newton ela NÃO tem o significado algo cujo valor é independente do observador desde que ele esteja num estado inercial. E aí pode ser aplicada à velocidade.

 

Mas no sentido de valor independente do observado inercial, não pode para velocidade e pode para aceleração (a verdadeira).

 

Isto é tudo por ora sobre esta confusão, preciso pensar mais no assunto.

 

Mas vou aproveitar aqui para falar do famoso méson cadente.

 

Alberto:

> A experiência com mésons também me

> parece ser bastante sugestiva. Só não

> acredito que, para os mésons, o percurso

> seria reduzido (contração do espaço). Não

> obstante, a mesma fórmula que prevê uma

> contração dp espaço a meu ver inexistente,

> leva a uma alteração no ritmo dos relógios

> e que, a meu ver, é bastante coerente.

 

Poderia responder isto de uma forma bem radical.

Por exemplo:

Usando os dados mostrados aqui pelo Victor, o méson atravessa 10000 m em 2x10^(-8) s, logo a velocidade dele é v=10000/2x10^(-8) = 5x10^11 m/s.

Simples assim!

:-)

:-)

 

Mas, sem ser tão radical assim, vamos a outra alternativa:

Este méson não está em MRU. O tempo todo ele está submetido à força gravitacional.

São trilhões de trilhões de agentes da força gravitacional que o atravessam. Ele está absorvendo alguns destes agentes e os incorporando na sua estrutura enquanto expele também. Isto pode modificar o tempo natural de sua estabilidade.

Acho que esta explicação ficou até mais radical que a primeira.

:-)

:-) 

 

Quero uma experiência real (não de pensamento) em MRU.

 

 

Hélio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De: Alberto Mesquita Filho <albmesq@...>
Para: ciencialist@...
Enviadas: Terça-feira, 27 de Março de 2012 0:09
Assunto: Re: Em tempo: RES: [ciencialist] Re: Relatividade - respondendo ao Victor

 

 

-----Mensagem Original-----
From: Hélio Carvalho
Sent: Sunday, March 25, 2012 11:45 PM
Subject: Re: Em tempo: RES: [ciencialist] Re: Relatividade - respondendo
ao Victor

> > Alberto: ... não havia como e nem porquê se pensar em contração do
> > espaço e muito menos dilatação do tempo no século XVII. [...] O que
> > eu digo então é que estes conhecimentos, hoje sufragados pela
> > experimentação, sob certos aspectos não são incompatíveis com
> > determinadas afirmações newtonianas (se bem que sejam incompatíveis
> > com a física de seus seguidores.

> Hélio: Se o que você chama de "estes conhecimentos, hoje sufragados
> pela experimentação" são as "contração do espaço e ... dilatação do
> tempo", acho que o Victor está conseguindo te levar aos poucos para o
> "nirvana". :-)

Para começar, parece-me que você não está levando em consideração a
diferença sutil, porém de elevado valor epistemológico, entre os termos
«contração do espaço» e «dilatação do tempo». Esclareço: note que no
paradoxo dos gêmeos, apenas a diferença final de idade entre os mesmos
dá suporte ao paradoxo. Qualquer régua que o gêmeo viajante leve
retornará exatamente do mesmo tamanho. Já os relógios retornarão não
sincronizados. Digamos então que a «contração do espaço» seria um
artifício ou um algoritmo relativístico e não propriamente uma
contração. Algoritmo este que está fortemente comprometido com o
postulado 1 de Einstein (o da constância da velocidade da luz e a
independer dos referenciais). Encaixa-se então naquelas situações em que
a manobra dá certo para o cálculo de muitas coisas sem que se saiba o
porquê. E, a meu ver, sem nenhuma justificativa experimental. Como algo
sob certos aspectos notável, essas mesmas manobras (Lorentz) prestam-se
a dar uma estimativa para a «dilatação do tempo».

O postulado 1 de Einstein é, a meu ver, aquele que vai contra o senso
comum. O postulado 2 já é o princípio da relatividade de Galileu
expandido para situações não mecânicas (o eletromagnetismo de Maxwell
é irredutível à mecânica, assim como a natureza eletromagnética da luz -
chamam a luz de onda apenas pelo fato de ser descrita por equações a se
assemelharem àquelas relacionadas às ondas mecânicas). Este postulado 2
a meu ver é o que acaba sendo comprometido com o paradoxo dos relógios
(ou dos gêmeos). Pelo menos foi a conclusão a que cheguei após toda essa
discussão ;-)

Diria então que o postulado 1, a meu ver, é absurdo e o postulado 2 é
inconsistente. Seria este o nirvana para o qual o Victor está
pretendendo me levar? Se for, irei de bom grado. ;-)

> Hélio: A quais experiências você se refere? Seriam as "milhões de
> experiências feita durante todo século XX e início do XXI que provam
> de forma indiscutível que a TR de Einstein é correta"?

A «contração do tempo», a meu ver, e salvo maior juízo, já foi
constatada experimentalmente. Por exemplo, experiências com relógios
atômicos no interior de aviões. Digo «salvo maior juízo» posto que não
conheço os detalhes íntimos da experiência (mecanismo dos relógios
etc.). A experiência com mésons também me parece ser bastante sugestiva.
Só não acredito que, para os mésons, o percurso seria reduzido
(contração do espaço). Não obstante, a mesma fórmula que prevê uma
contração dp espaço a meu ver inexistente, leva a uma alteração no ritmo
dos relógios e que, a meu ver, é bastante coerente. Foi neste sentido
que eu disse em outra msg que «Einstein escreveu torto por linhas
certas», ao contrário do ditado popular a dizer que «Deus escreve certo
por linhas tortas».

> Hélio: Estas mesmas experiências indicam para mim que Galileu, Ritz e
> Newton (o Newton segundo Hélio e não segundo Alberto) estão corretos.
> Mas elas indicam para você que as conjecturas do espaço e tempo
> absoluto de Newton (que você chama de "a FÍSICA de Newton")estão
> corretas. E dão ao Victor a fé inquebrantável que Einstein é o máximo
> que a espécie humana já atingiu e nunca mais haverá outro igual e
> muito menos superior a ele!

Bem, o Victor que pense o que ele quiser. Se ele se satisfizer com as
explicações que dei (coisa que acho muito difícil), esta fé
inquebrantável irá para a cucuia.

Que mal pergunte: Como você vê esta «contração do tempo», frente à
relatividade de Galileu e quiçá segundo Ritz, Newton (o Newton segundo
Hélio) e Hélio? Seria um artefato? Os gêmeos ao se encontrarem teriam a
mesma idade? Os relógios continuariam sincronizados? Pois do contrário
me parece que o princípio da relatividade de Galileu também sairia
prejudicado. Ou não?

> Hélio: E se perguntarmos ao seguidores do éter (digo o éter do séc.
> XIX e não o AETHER de Einstein) eles dirão que todas estas
> experiências confirmam sua teoria.

Bem, agora quem não está sabendo quais são as experiências sou eu. Digo
apenas que aquela experiência proposta por Maxwell (Michelson-Morley),
com a finalidade de falsear a sua teoria da luz, fala a favor das
teorias de emissão e contra as teorias que se apoiavam no éter (a
incluir a teoria da luz de Maxwell). A teoria de Einstein sem dúvida fez
um remendo no conceito de éter e, desta forma, «salvou» a teoria de
Maxwell-Lorentz.

> Hélio: Por estas e outras que falo: "A física não é uma ciência exata!
> Na verdade ciência não é exata. Matemática é exata mas não é ciência"
> Hélio: Me dá a impressão, lendo esta sua MSG e relendo a página no
> link indicado por você e a página seguinte, que você quer provar que o
> que você chama de "verdadeira FÍSICA de Newton" explica estes
> resultados pelo absolutismo do espaço. Ver:
> http://ecientificocultural.com.br/ECC3/movab04.htm
> http://ecientificocultural.com.br/ECC3/movab07.htm

Se é verdadeira, ou se é de Newton, ou não, essa é uma história que pode
ser deixada de lado, como já expus em msgs anteriores. Newton já morreu
e não deixou isto explícito. Na atualidade eu defendo um absolutismo
como aquele que está aí escrito. Quanto a sugerir que a ideia pode ter
sido de Newton, estou apenas me precavendo contra possíveis críticos,
para que não me julguem um plagiário.

> Hélio: Eu estou confuso: Lendo o item 8 (visões mecanicistas) da sua
> página (movab07) tentei me encaixar em alguma classificação daquelas:
> Nenhuma delas bate. A mais simpática (ou melhor, a menos antipática)
> para mim foi a do item "a" (relativista num sentido light). Mas não me
> atende completamente.

Este item 8 realmente fica muito a desejar. Não está completo, dando
apenas um apanhado geral e/ou algumas dentre as possíveis visões
mecanicistas.

> Hélio: Mas em relação a estas milhões de experiências e Ritz, lembre
> do artigo do teu xará Alberto Martinez:
> https://webspace.utexas.edu/aam829/1/m/Relativity_files/RitzEinstein.pdf
> E que você até colocou um link em
> http://ecientificocultural.com/ECC3/nov_teor.htm

As teorias de Ritz parecem-me irem contra o primeiro postulado de
Einstein. Naquela época a indicação de que o tempo pudesse vir a se
«dilatar» com a mudança de referencial decorria das elucubrações de
Einstein e/ou de seus seguidores. E isto graças à aceitação do primeiro
postulado. Nenhuma experiência de dilatação do tempo havia sido feita
até então. Hoje isto parece-me ser algo observado experimentalmente,
logo independente do fato do primeiro postulado ser ou não ser
verdadeiro. Sob certos aspectos isto corrobora a teoria de Einstein
(e/ou o primeiro postulado) mas, por outro lado, e frente ao paradoxo
dos gêmeos, torna a teoria inconsistente (segundo postulado), logo fica
o dito pelo não dito, ou o corroborado pelo não corroborado.

> > Continuando, Alberto: Por outro lado, a experiência do balde (ou a
> > experiência de pensamento dos globos giratórios) fala a favor sim de
> > um movimento absoluto em um sentido que vai além daquele que você
> > está propondo. A meu ver, a única justificativa em contrário seria
> > aquela apresentada por Mach, ainda que recheada de argumentações
> > místicas e a contrariarem o senso comum.

> Hélio: A justificativa de Mach é esoterismo puro. É astrologia
> barata!!! Isto não é uma crítica ao esoterismo ou à astrologia mas aos
> que "adoram" Mach.
> Não entendi a que proposta minha você se refere quando diz "..vai além
> daquele que você está propondo...", pois eu não falo no trecho
> anterior. Mas eu sempre repito aqui (não sei se é isto que você estava
> falando): Newton tentou provar seu espaço absoluto com várias
> experiências mas ele só provou que a aceleração é absoluta. E de fato
> ela é (onde "absoluto" significa que é a mesma em relação a qualquer
> referencial inercial).

Sim, mas ele foi além disso, se não experimentalmente, pelo menos em
pensamentos. Ele não falou em aceleração absoluta mas sim em movimento
absoluto (aquele que seria criado pela ação de forças). Ou seja, um
corpo em MRU poderá ser considerado em movimento absoluto se ficar
comprovado, na história deste movimento, a ação (passada) de uma força.
Por outro lado, se na história deste movimento ficar comprovada tão
somente a mudança de referencial, este será um movimento relativo. Eu
sei que isto soa de maneira esquisita, mesmo porque acostumamo-nos a
aceitar uma relatividade que nega qualquer tipo de absolutismo. Até
mesmo este que Newton chegou a definir (o absolutismo do movimento). E
como já disse anteriormente, relatividade e absolutismo não são coisas
excludentes. É só questão de não supervalorizar o princípio da
relatividade (qualquer que ele seja, a incluir o de Galileu). Ora, se
Newton aceitava esta relatividade como algo a dar certo, porque não a
destacou como uma das leis de seu modelo? Simplesmente porque era uma
«regra» que dava certo nas mesmas condições em que seu modelo de três
leis também dá certo.

> Hélio: Para tornar a discussão mais organizada deixe-me tentar mostrar
> a minha visão que é diferente de todas as mostradas em:
> http://ecientificocultural.com.br/ECC3/movab07.htm
> Ela está em todas (ou quase) MSGs que já mandei para a lista. Eu terei
> que explicar os termos, pois percebi que o meu uso do termo "física de
> Newton" é diferente do "FÍSICA de Newton" dito por você.
> Já respondendo outras coisas da sua MSG: Velocidade é relativa,
> consequentemente energia também é. Veja minha MSG:
> http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/80823

OK, mas veja que aí você está considerando o MRUV e não o MRU. E eu
estou considerando um objeto em MRU e que «no passado» estava em repouso
em relação a nós. Obviamente ele passou por uma fase de MRUV (foi
submetido a uma força) mas no momento esta força não existe mais. Como
eu não consigo localizar o referencial absoluto, posso dizer apenas, e
num sentido teleológico (ou causal), que este objeto em MRU teve o seu
movimento absoluto acrescido de uma velocidade «escalar» v (a velocidade
que agora ele tem em relação a nós). Note que enfatizei o escalar. Note
também que energia é um escalar. Essas são algumas pequenas sutilezas a
meu ver importantíssimas para quem pretender entender o que eu penso
sobre movimento absoluto.

> Hélio: A experiência do balde mostra que a aceleração é absoluta (com
> estrelas ou sem estrelas). Parece que o Leo e o Victor acha estranho
> quando as pessoas "são projetadas para a frente" na freada do ônibus.
> Eu acho normal pois isto significa que nada aconteceu com elas. Eu
> acharia estranho se as pessoas parassem junto com o ônibus sem nenhuma
> justificativa, sem nenhuma força nelas. Assim como é para mim um
> completo absurdo livros didáticos mostrarem um desenho de uma pessoa
> rodando em cima de um disco próximo da borda com estrelas no céu e
> segurando um mastro para não cair; ao lado de outro desenho igual mas
> sem estrelas no céu e a pessoa não necessitando segurar no
> mastro!!!??? E eu pergunto: Que força estranha é esta que o seguraria
> lá no segundo caso??

No primeiro caso (freada do ônibus) eu diria que a discordância é de
natureza semântica. No segundo, eu só admitiria esta possibilidade se o
disco estiver em repouso (em relação a um referencial absoluto - e, pelo
menos para o estudo das rotações as estrelas fixas estão bem próximas
disto) e quem gira é a câmera que está registrando o processo. Ou seja,
trata-se de um giro relativo e não absoluto.

> Hélio: E sobre sua experiência com as naves, no final, você fala:

> > Alberto: Em particular, pretendo mostrar que esse absolutismo do
> > movimento não implica na existência de um referencial absoluto,
> > pensado como algo a ser fixado num hipotético espaço absoluto. Este
> > espaço absoluto poderia até mesmo existir, a retratar o que
> > considerarei como sendo uma propriedade histórica (e/ou
> > teleológica), mas isso não implica que um referencial fixo a um
> > corpo em repouso neste espaço seria um referencial absoluto (essa
> > não implicação será discutida oportunamente).

> Hélio: Acho que isto significa que a aceleração é absoluta e não a
> velocidade.

Não. Isto significa que a velocidade deve ser pensada como um escalar,
haja vista que o nosso espaço é isotrópico.

Pense, por exemplo, em uma nave mãe que foi enviada da Terra para o
espaço sideral e agora está se afastando da Terra a uma velocidade v.
Para chegar a esta velocidade ela foi, de alguma maneira, acelerada no
passado, mas agora está em MRU. Está então dotada de um movimento
absoluto em relação à Terra e que pode ser caracterizado por esta
velocidade v. Imagine agora que desta nave mãe partam duas pequenas
naves em sentidos opostos, na mesma velocidade v e na direção da reta
que une a nave-mãe à Terra.

Em relação à Terra, uma delas estará em repouso e a outra estará se
afastando na velocidade 2v.

Pergunto: Existe alguma diferença no movimento das duas naves? Respondo:
Depende dos pressupostos que estão sendo levados em consideração.

Do ponto de vista relativístico, dependerá de onde fixarmos o
referencial. Se na Terra, os movimentos relativos são diferentes (uma
estará em repouso e a outra em MRU). Se na nave mãe, os movimentos serão
semelhantes ainda que de sentidos opostos. Mas... e do ponto de vista
absoluto?

Do ponto de vista absoluto as duas naves sofreram duas acelerações. Uma
juntamente com a nave mãe, quando esta foi lançada da Terra. A outra
quando as naves se desgarraram da nave mãe. Esta segunda aceleração
promoveu efeitos idênticos neste referencial inercial, ainda que para
lados opostos. Como o espaço, por si só, é isotrópico, não há porque
privilegiar um sentido em relação a outro. Logo os movimentos absolutos
de cada uma das pequenas naves são equivalentes e relacionados a 2v e
não a v (quando pensado por um observador situado na Terra).

Mas se em relação à Terra uma das naves está em repouso (v=0) e a outra
em movimento (v=2v)... Em que referencial as duas estariam em movimentos
absolutos equivalentes? Apenas em relação à nave mãe? Mas se este fosse
o caso, o absolutismo estaria despersonalizado, pois seria uma
propriedade relativista, ou seja, a depender do referencial. Foi nesse
sentido que afirmei o seguinte: «esse absolutismo do movimento não
implica na existência de um referencial absoluto, pensado como algo a
ser fixado num hipotético espaço absoluto». Ou seja, segundo o
absolutismo que estou propondo, falar em referencial absoluto equivale a
não entender a proposição.

> Hélio: Vou dizer rápido um resumo da minha visão das teorias de
> Newton, pois quero e preciso dormir: As 3 leis + "potenciais
> retardados" + comprimento de extinção; explicam todas as milhões de
> experiências "com os pés nas costas" (usando o teu bordão).

Talvez sim, mas não estou tão seguro disto. E como também preciso dormir
;-), vou persistir, por ora, com esta insegurança.

[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.

 


#81118 De: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 9:51 am
Assunto: Re: Neutrinos x luz Não sei uma punição seria necessária
ecientificoc...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Victor

Também não acredito que ele tenha agido de má fé. Enfim, só o tempo para
esclarecer a situação, mesmo porque a notícia diz muito e não diz quase
nada. Por exemplo: De que maneira o Eridato estaria contestando os novos
experimentos? Será que nesta contestação ele não teria entrado em atrito
com seus colegas? Não é fácil assumir um erro, admitindo-se que este
erro realmente aconteceu.

Creio que ainda é muito cedo para qualquer conclusão. De minha parte,
continuo com a postura apresentada na msg
http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/79169 .

Se por um lado os neutrinos superluminais falariam contra a TR, por
outro não seria fácil justificar este v > c nas condições em que a
experiência foi feita. Eu acredito sim na possibilidade de velocidades
superluminais, mas na forma como expus aqui há algum tempo, ou seja, num
lançamento em pelo menos dois estágios como mostrado na msg 54489:
http://ecientificocultural.com.br/ECC3/vesuplu.htm .

Antes que digam que estou caminhando para o nirvana apontado pelo
Victor, diria que esta é uma outra faceta do que tenho chamado dualidade
absolutismo/relativismo ;-).

[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
*******************************

-----Mensagem Original-----
From: JVictor
Sent: Saturday, March 31, 2012 1:12 AM
Subject: [ciencialist] Neutrinos x luz Não sei uma punição seria
necessária

Não acredito que Ereditato tenha agido de má fé, anunciando algo para
enganar seus pares, e toda a comunidade cientifica, numa espécie de
“litigação de má féâ€.  O grupo que pediu sua cabeça deve ter pensado
isso.  Será?  Pois, a publicação dos resultados não foi consenso também
desses  seus colegas no projeto que   “...apresentaram uma proposta na
qual defenderam sua demissão.â€?  Cobra engolindo cobra. Agora querem
tirar onda de vestais iludidas, que foram desfeitas de seus etcéteras e
tal de nascença(como diria o genial escritor JCC, em o Cel. e o
Lobisomen).

Tinha muita graça mesmo!

Sds,
Victor.

#81119 De: Hélio Carvalho <helicar_br@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 1:57 pm
Assunto: Re: Neutrinos x luz Não sei uma punição seria necessária
helicar_br
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Victor,

Como resposta indico a leitura da minha MSG recente em resposta ao Álvaro:
http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/80812

Hélio


De: JVictor <j.victor.neto@...>
Para: ciencialist@...
Enviadas: Sábado, 31 de Março de 2012 1:12
Assunto: [ciencialist] Neutrinos x luz Não sei uma punição seria necessária

 
Olá,
 
Não acredito que Ereditato tenha agido de má fé, anunciando algo para enganar seus pares, e toda a comunidade cientifica, numa espécie de “litigação de má féâ€.  O grupo que pediu sua cabeça deve ter pensado isso.  Será?  Pois, a publicação dos resultados não foi consenso também  desses  seus colegas no projeto que   â€œ...apresentaram uma proposta na qual defenderam sua demissão.â€?  Cobra engolindo cobra. Agora querem tirar onda de vestais iludidas, que foram desfeitas de seus etcéteras e tal de nascença(como diria o genial escritor JCC, em o Cel. e o Lobisomen).   
Tinha muita graça mesmo!
 
Sds,
Victor.  
 

30/03/2012 - 15h37

Cientista de experimento com neutrinos pede demissão

http://n.i.uol.com.br/ultnot/home/efe.gif
O físico italiano Antonio Ereditato, porta-voz do experimento Opera, que detectou neutrinos que supostamente viajavam mais rápido do que a luz, o que contraria a teoria da relatividade de Einstein, apresentou sua demissão.
O anúncio nesta sexta-feira é do INFN (Instituto Nacional de Física Nuclear italiano).
A decisão de Ereditato foi tomada depois que alguns de seus colegas no projeto apresentaram uma proposta na qual defenderam sua demissão.
Apesar não ter sido aprovada, a manifestação gerou uma divisão entre os pesquisadores que levou o cientista italiano a apresentar a renúncia, segundo a imprensa italiana.
Em setembro, os responsáveis do experimento Opera confirmaram ter constatado a existência de neutrinos, um tipo de partículas subatômicas, que viajavam a uma velocidade superior à da luz, algo que a física considerava impossível até o momento.
O experimento consistiu em lançar feixes dessa partícula subatômica por terra da Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), em Genebra, para o italiano de Gran Sasso, situado a 730 quilômetros de distância, com o qual foi obtida em várias ocasiões uma conclusão surpreendente: os neutrinos chegavam 60 nanossegundos antes da luz.
No entanto, em fevereiro, os responsáveis do Opera na Cern advertiram que as conclusões do experimento que questionou a Teoria da Relatividade de Einstein poderiam ter sido produzidas por uma série de problemas técnicos nos aparelhos.
Um mês depois, um novo experimento do laboratório italiano de Gran Sasso refutou as conclusões preliminares do Opera e confirmou que os neutrinos não são mais velozes do que a luz.
 
 



#81120 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:28 pm
Assunto: Re: 2a. sessão de Pesky Bee no divã freudiano.
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Como você está se afastando a cada dia que passa da seita fundamentalista dos anti-freudianos que foram vitimados por um surto ainda não tipificado, quando
passaram a comparar as teorias de Freud com a astrologia
 
Mas Calilzão, eu continuo achando que muito das freudificações
são comparáveis às teorias astrológicas. Teus zóios costumam
enxergar coisas que não estão acontecendo. Mais ou menos
como eu fico, depois do quarto copo de cerveja.
 
Fala pra ele que a definição de Ética como ciência da conduta
humana já foi criada há muito tempo.
 
Mas quem falou que precisamos respeitar definições "de muito
tempo atrás"? Naquelas épocas passadas, a cambada achava que
o cérebro era um órgão de refrigeração dos fluidos do corpo.
Dá para confiar cegamente em uma definição formulada por
aqueles manos hiper-antigóides?
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 3:55 PM
Subject: [ciencialist] 2a. sessão de Pesky Bee no divã freudiano.
 


O nosso divã é um pouco diferente do inventado pelo Freud há cerca de 120 anos.
A tecnologia na construção de sofás evoluiu muito neste periodo.
 
Vamos agora à 2a. sessão com o divã peskyano.
 
Legal Pesky! Você começou bem seu processo de libertação da ideologia cientificóide segundo a qual só é cientifica a teoria que passa pela prova do
experimentalismo. Para acelerar o seu processo de libertação, inventaram uma definição cientifica de Ética que é a seguinte: ética é a ciência da conduta humana.
Não sei porque resolveram manter a ética presa no sanatório da esquizo-filosofias. Me parece que a filosofia tem a função de evitar a ditadura cientifica.
Pura ilusão, pois a própria ciência é dominada pela ditadura genética da Seleção Natural, que o neurocientificóides adoram.
A ética tem um papel muito importante neste contexto histórico por ser o principal agente do processo civilizatório.
Da obviedade de que o homem não pode se livrar de  seu equipamento genético selvagem só os esquizo-metafisicos rousseaunianos duvidam.
 
Como você está se afastando a cada dia que passa da seita fundamentalista dos anti-freudianos que foram  vitimados por um surto ainda não tipificado, quando
passaram a comparar as teorias de Freud com a astrologia, recomendo a leitura de alguns livrinhos antropológicos de Freud onde ele demonstra, valendo-se das teorias dos antropólogos e não dos misticos rousseaunianos, que a ética foi criada pelos próprios selvagens para controlar a total promiscuidade sexual em que viviam. Curiosamente essa violenta repressão sexual que as religiões  aproveitaram  politicamente para transformar o sexo em pecado, não foi acompanhada pela repressão à violência. Como a violência só é passivel de repressão com a propria violência, temos aí um dilema interessante para resolver: como acabar com a violência sem recorrer à violência? Bem... aí só tem um jeito: instalar no cérebro  de todos os politicos e (des) governantes de todas as nações um chip anti-violência.
 
Enquanto isso vamos ver a abordagem cientifica que Sam Harris,  indicado pelo Pesky Bee, propõe.
 
Harris - Human well-being is not a random phenomenon.
 
Shii... começamos mal. O Harris parece o Einstein que não gostava que Deus jogasse dados.... Para se livrar do determinismo, um bom remédio para essa randomfobia é a leitura de "O acaso e a necessidade" do premio Nobel de Medicina de 1965, Jacques Monod.
 
But can’t moral claims be in conflict? Aren’t there many situations in which one person’s happiness means another’s suffering?

Harris -There are some circumstances like this, and we call these contests “zero-sum.” Generally speaking, however, the most important moral occasions are not like this. If we could eliminate war, nuclear proliferation, malaria, chronic hunger, child abuse, etc.—these changes would be good, on balance, for everyone.

A questão fulcral para é essa:  como a ciência pode eliminar esses males de origem genética/selvagem?

Harris -There are surely neurobiological, psychological, and sociological reasons why this is so—which is to say that science could potentially tell us exactly why a phenomenon like child abuse diminishes human well-being. But we don’t have to wait for science to do this. We already have very good reasons to believe that mistreating children is bad for everyone. I think it is important for us to admit that this is not a claim about our personal preferences, or merely something our culture has conditioned us to believe. It is a claim about the architecture of our minds and the social architecture of our world. Moral truths of this kind must find their place in any scientific understanding of human experience.

Não respondeu à pergunta!

What if some people simply have different notions about what is truly important in life? How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?

Harris -As I discuss in my book, there may be different ways for people to thrive, but there are clearly many more ways for them not to thrive. The Taliban are a perfect example of a group of people who are struggling to build a society that is obviously less good than many of the other societies on offer. Afghan women have a 12% literacy rate and a life expectancy of 44 years. Afghanistan has nearly the highest maternal and infant mortality rates in the world. It also has one of the highest birthrates. Consequently, it is one of the best places on earth to watch women and infants die. And Afghanistan’s GDP is currently lower than the world’s average was in the year 1820.  It is safe to say that the optimal response to this dire situation—that is to say, the most moral response—is not to throw battery acid in the faces of little girls for the crime of learning to read. This may seem like common sense to us—and it is—but I am saying that it is also, at bottom, a claim about biology, psychology, sociology, and economics. It is not, therefore, unscientific to say that the Taliban are wrong about morality. In fact, we must say this, the moment we admit that we know anything at all about human well-being.

DE NOVO: NÃO RESPONDEU À PERGUNTA "How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?" O Harris não está confundindo ciência com filosofia? A filosofia faz perguntas para a ciência responder e ele como representante da ciência no mundo da ética, não responde? Vamos ver se ele responde à próxima pergunta - última chance.

7. How could science guide us on the moral landscape?

Harris -In so far as we can understand human wellbeing, we will understand the conditions that best secure it. Some are obvious, of course. Positive social emotions like compassion and empathy are generally good for us, and we want to encourage them. But do we know how to most reliably raise children to care about the suffering of other people? I’m not sure we do. Are there genes that make certain people more compassionate than others? What social systems and institutions could maximize our sense of connectedness to the rest of humanity? These questions have answers, and only a science of morality could deliver them. 

Ué... Harris ao invés de responder a pergunta declara que que só uma "ciência da moralidade" poderia responder outras perguntas?

Pesky, seu amigo tá precisando é de um banho de lógica na comunicação. Fala pra ele que a definição de Ética como ciência da conduta humana já foi criada há muito tempo. Informe também a ele, que a humanidade sabe há muito tempo o que deveria fazer para viver sob um regime de ética social, e que até a religião produziu pérolas da ética como esta: "ama a teu próximo como a ti mesmo". O Harris é mesmo neurocientista? Parece que tem muito mais vocação para a filosofia do que para a ciência.  Ah, ele é um ótimo marketeiro!

Abraços e até a 3a. sessão de psicanálise sem Freud. (depois eu falo de um filósofo francês adoidado que inventou uma psicanálise sem Freud).

M.Calil

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The Moral Landscape: Q & A with Sam Harris

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1. Are there right and wrong answers to moral questions?

Morality must relate, at some level, to the well-being of conscious creatures. If there are more and less effective ways for us to seek happiness and to avoid misery in this world—and there clearly are—then there are right and wrong answers to questions of morality.

2. Are you saying that science can answer such questions?

Yes, in principle. Human well-being is not a random phenomenon. It depends on many factors—ranging from genetics and neurobiology to sociology and economics. But, clearly, there are scientific truths to be known about how we can flourish in this world. Wherever we can have an impact on the well-being of others, questions of morality apply.

3. But can’t moral claims be in conflict? Aren’t there many situations in which one person’s happiness means another’s suffering?

There are some circumstances like this, and we call these contests “zero-sum.” Generally speaking, however, the most important moral occasions are not like this. If we could eliminate war, nuclear proliferation, malaria, chronic hunger, child abuse, etc.—these changes would be good, on balance, for everyone. There are surely neurobiological, psychological, and sociological reasons why this is so—which is to say that science could potentially tell us exactly why a phenomenon like child abuse diminishes human well-being.

But we don’t have to wait for science to do this. We already have very good reasons to believe that mistreating children is bad for everyone. I think it is important for us to admit that this is not a claim about our personal preferences, or merely something our culture has conditioned us to believe. It is a claim about the architecture of our minds and the social architecture of our world. Moral truths of this kind must find their place in any scientific understanding of human experience.

4. What if some people simply have different notions about what is truly important in life? How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?

As I discuss in my book, there may be different ways for people to thrive, but there are clearly many more ways for them not to thrive. The Taliban are a perfect example of a group of people who are struggling to build a society that is obviously less good than many of the other societies on offer. Afghan women have a 12% literacy rate and a life expectancy of 44 years. Afghanistan has nearly the highest maternal and infant mortality rates in the world. It also has one of the highest birthrates. Consequently, it is one of the best places on earth to watch women and infants die. And Afghanistan’s GDP is currently lower than the world’s average was in the year 1820.  It is safe to say that the optimal response to this dire situation—that is to say, the most moral response—is not to throw battery acid in the faces of little girls for the crime of learning to read. This may seem like common sense to us—and it is—but I am saying that it is also, at bottom, a claim about biology, psychology, sociology, and economics. It is not, therefore, unscientific to say that the Taliban are wrong about morality. In fact, we must say this, the moment we admit that we know anything at all about human well-being.

5. But what if the Taliban simply have different goals in life?

Well, the short answer is—they don’t. They are clearly seeking happiness in this life, and, more importantly, they imagine that they are securing it in a life to come. They believe that they will enjoy an eternity of happiness after death by following the strictest interpretation of Islamic law here on earth. This is also a claim about which science should have an opinion—as it is almost certainly untrue. There is no question, however, that the Taliban are seeking well-being, in some sense—they just have some very strange beliefs about how to attain it.

In my book, I try to spell out why moral disagreements do not put the concept of moral truth in jeopardy. In the moral sphere, as in all others, some people don’t know what they are missing. In fact, I suspect that most of us don’t know what we are missing: It must be possible to change human experience in ways that would uncover levels of human flourishing that most of us cannot imagine. In every area of genuine discovery, there are horizons past which we cannot see.

6. What do you mean when you talk about a “moral landscape”?

This is the phrase I use to describe the space of all possible experience—where the peaks correspond to the heights of well-being and valleys represent the worst possible suffering. We are all someplace on this landscape, faced with the prospect of moving up or down. Given that our experience is fully constrained by the laws of the universe, there must be scientific answers to the question of how best to move upwards, toward greater happiness.

This is not to say that there is only one right way for human beings to live. There might be many peaks on this landscape—but there are clearly many ways not to be on a peak.

7. How could science guide us on the moral landscape?

In so far as we can understand human wellbeing, we will understand the conditions that best secure it. Some are obvious, of course. Positive social emotions like compassion and empathy are generally good for us, and we want to encourage them. But do we know how to most reliably raise children to care about the suffering of other people? I’m not sure we do. Are there genes that make certain people more compassionate than others? What social systems and institutions could maximize our sense of connectedness to the rest of humanity? These questions have answers, and only a science of morality could deliver them. 

8. Why is it taboo for a scientist to attempt to answer moral questions?

I think there are two primary reasons why scientists hesitate to do this. The first, and most defensible, is borne of their appreciation for how difficult it is to understand complex systems. Our investigation of the human mind is in its infancy, even after nearly two centuries of studying the brain. So scientists fear that answers to specific questions about human well-being may be very difficult to come by, and confidence on many points is surely premature. This is true. But, as I argue in my book, mistaking no answers in practice for no answers in principle is a huge mistake.

The second reason is that many scientists have been misled by a combination of bad philosophy and political correctness. This leads them to feel that the only intellectually defensible position to take when in the presence of moral disagreement is to consider all opinions equally valid or equally nonsensical. On one level, this is an understandable and even noble over-correction for our history of racism, ethnocentrism, and imperialism.  But it is an over-correction nonetheless. As I try to show in my book, it is not a sign of intolerance for us to notice that some cultures and sub-cultures do a terrible job of producing human lives worth living.

9. What is the difference between there being no answers in practice and no answers in principle, and why is this distinction important in understanding the relationship between human knowledge and human values?

There are an infinite number of questions that we will never answer, but which clearly have answers. How many fish are there in the world’s oceans at this moment? We will never know. And yet, we know that this question, along with an infinite number of questions like it, have correct answers. We simply can’t get access to the data in any practical way.

There are many questions about human subjectivity—and about the experience of conscious creatures generally—that have this same structure. Which causes more human suffering, stealing or lying? Questions like this are not at all meaningless, in that they must have answers, but it could be hopeless to try to answer them with any precision. Still, once we admit that any discussion of human values must relate to a larger reality in which actual answers exist, we can then reject many answers as obviously wrong. If, in response to the question about the world’s fish, someone were to say, “There are exactly a thousand fish in the sea.” We know that this person is not worth listening to. And many people who have strong opinions on moral questions have no more credibility than this. Anyone who thinks that gay marriage is the greatest problem of the 21st century, or that women should be forced to live in burqas, is not worth listening to on the subject of morality.

10. What do you think the role of religion is in determining human morality?

I think it is generally an unhelpful one. Religious ideas about good and evil tend to focus on how to achieve well-being in the next life, and this makes them terrible guides to securing it in this one. Of course, there are a few gems to be found in every religious tradition, but in so far as these precepts are wise and useful they are not, in principle, religious. You do not need to believe that the Bible was dictated by the Creator of the Universe, or that Jesus Christ was his son, to see the wisdom and utility of following the Golden Rule.

The problem with religious morality is that it often causes people to care about the wrong things, leading them to make choices that needlessly perpetuate human suffering. Consider the Catholic Church: This is an institution that excommunicates women who want to become priests, but it does not excommunicate male priests who rape children. The Church is more concerned about stopping contraception than stopping genocide. It is more worried about gay marriage than about nuclear proliferation. When we realize that morality relates to questions of human and animal well-being, we can see that the Catholic Church is as confused about morality as it is about cosmology.  It is not offering an alternative moral framework; it is offering a false one.

11. So people don’t need religion to live an ethical life?

No. And a glance at the lives of most atheists, and at the most atheistic societies on earth—Denmark, Sweden, etc.—proves that this is so. Even the faithful can’t really get their deepest moral principles from religion—because books like the Bible and the Qur’an are full of barbaric injunctions that all decent and sane people must now reinterpret or ignore. How is it that most Jews, Christians, and Muslims are opposed to slavery? You don’t get this moral insight from scripture, because the God of Abraham expects us to keep slaves. Consequently, even religious fundamentalists draw many of their moral positions from a wider conversation about human values that is not, in principle, religious. We are the guarantors of the wisdom we find in scripture, such as it is. And we are the ones who must ignore God when he tells us to kill people for working on the Sabbath.

12. How will admitting that there are right and wrong answers to issues of human and animal flourishing transform the way we think and talk about morality?

What I’ve tried to do in my book is give a framework in which we can think about human values in universal terms. Currently, the most important questions in human life—questions about what constitutes a good life, which wars we should fight or not fight, which diseases should be cured first, etc.—are thought to lie outside the purview of science, in principle. Therefore, we have divorced the most important questions in human life from the context in which our most rigorous and intellectually honest thinking gets done.

Moral truth entirely depends on actual and potential changes in the well-being of conscious creatures. As such, there are things to be discovered about it through careful observation and honest reasoning. It seems to me that the only way we are going to build a global civilization based on shared values—allowing us to converge on the same political, economic, and environmental goals—is to admit that questions about right and wrong and good and evil have answers, in the same way the questions about human health do.

 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:47 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 
 

Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética?
 
Concordo contigo que a ética/moral são campos bastante
complicados para uma análise empírica/científica. Eu
mesmo achava que isso seria sempre uma carta "fora do
baralho". Mas aí eu tomei contato com algumas ideias
do Sam Harris em seu livro "The Moral Landscape", e vi
que é um bom começo. Quem quiser saber um pouco mais
sobre isso basta assistir:
 
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:35 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 


Desculpe, meu amigo Pesky, a sua postura em relação à psicanálise é fundamentalista.
 
Existem duas seitas na psicanálise: 
 
a seita dos psicanalistas ortodoxos que seguem à risca a biblia freudiana e a seita dos anti-freudianos.
 
Eu não pertenço a nenhuma das duas. Fiquei 5 anos pesquisando em São Paulo até achar um psicanalista que atendeesse aos pré-requisitos que eu defini.
 
Tive a sorte de encontrá-lo (um verdadeiro milagre) e fiquei com ele durante cerca de 20 anos, até ele encerrar as atividades da clinica.
 
Se eu conhecesse alguém do nivel dele indicaria para você fazer uma verificação no campo.
 
O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância.
 
Você acha mesmo que não foi acometido por nenhuma neurose? Ou acha que as neuroses não existem?
 
Abraços e muita calma por favor.
 
M.Calil
 
Ps. Essa frase "proposições testadas empiricamente" começa a me soar fundamentalista. Afinal o empirismo é uma ideologia. Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética? Vai ver que é por isso que a ética não saiu do seu estágio pré-histórico  - porque os cientistas não conseguiram testá-la empiricamente... rsrsrsrsrsr
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é precisoconhecer!
 
 

A psicanálise ou é pseudo-ciência ou, no máximo, apenas
uma disciplina da filosofia. Na psicanálise não há
proposições que possam ser testadas empiricamente.
Existem apenas historinhas bonitinhas, que algumas pessoas
"sentem" que são corretas. Mas há tantas coisas que as
pessoas "sentem" que estão certas e que no final
das contas se mostraram apenas falsas...
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 2:39 PM
Subject: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer!
 


Já disse várias vezes que existem inúmeras teorias psicanaliticas.
A análise do que é cientifico ou não em tudo que Freud escreveu (e "experimentou") requer um esforço que muitos preferem substituir pela análise pseudo-cientifica
da pseudo-ciência. A qualificação do que é pseudo-cientifico facilmente é distorcida por uma postura pseudo-cientifica. É o pensamento pseudo-cientifico julgando a pseudo- ciência.
 
Uma das coisas mais escandalosamente óbvias da psicanálise é a constatação de que de que muitos transtornos de comportamento são provocados
pela má educação dos pais. Mas a mente humana é dotada de um monte de mecanismos irracionais, sendo um deles a negação da mais óbvia realidade.
E o que não se nega aqui? Até o fato de uma menina de 2 anos ser educada por dois homens já foi considerado como algo que não vai prejudicar em nada
o desenvolvimento emocional da criança. A lógica e o senso comum são as premissas básicas do conhecimento cientifico. E essas duas premissas não
se aprendem nos livros.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Ai vai o trecho 2 de O Ego e o ID.
 
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 02
 

Mas nós chegamos ao termo ou conceito de inconsciente ao longo de

outro caminho, pela consideração de certas experiências em que a

dinâmica mental desempenha um papel. Descobrimos — isto é, fomos

obrigados a presumir — que existem idéias ou processos mentais

muito poderosos (e aqui um fator quantitativo ou econômico entra em

questão pela primeira vez) que podem produzir na vida mental todos os

efeitos que as idéias comuns produzem (inclusive certos efeitos que

podem, por sua vez, tornar-se conscientes como idéias), embora eles

próprios não se tornem conscientes. É desnecessário repetir em

pormenor aqui o que foi explicado com tanta freqüência antes. Basta

dizer que, neste ponto, a teoria psicanalítica intervém e assevera que a

razão pela qual tais idéias não podem tornar-se conscientes é que uma

certa força se lhes opõe; que, de outra maneira, se tornariam

conscientes, e que seria então aparente quão pouco elas diferem de

outros elementos que são admitidamente psíquicos. O fato de se ter

encontrado, na técnica da psicanálise, um meio pelo qual a força

opositora pode ser removida e as idéias em questão tornadas

conscientes, torna irrefutável essa teoria. O estado em que as idéias

existiam antes de se tornarem conscientes é chamado por nós de

repressão, e asseveramos que a força que instituiu a repressão e a

mantém é percebida como resistência durante o trabalho de análise.

Obtemos assim o nosso conceito de inconsciente a partir da teoria da

repressão. O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente.

Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é

latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e

não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se

consciente. Esta compreensão interna (insight) da dinâmica psíquica

não pode deixar de afetar a terminologia e a descrição. Ao latente, que

é inconsciente apenas descritivamente, não no sentido dinâmico,

chamamos de pré-consciente; restringimos o termo inconsciente ao

reprimido dinamicamente inconsciente, de maneira que temos agora

três termos, consciente (Cs.), pré-consciente (Pcs.) e inconsciente

(Ics.), cujo sentido não é mais puramente descritivo. O Pcs. acha-se

provavelmente muito mais próximo do Cs. que o Ics., e desde que

chamamos o Ics. de psíquico, chamaremos, ainda com menos

hesitação, o Pcs. latente de psíquico. Mas por que, ao invés disto, não

concordamos com os filósofos e, de maneira coerente, distinguimos o

Pcs., assim como o Ics., do psíquico consciente? Os filósofos

proporiam então que o Pcs. e o Ics. fossem descritos como duas

espécies ou estágios do ‘psicóide’ e a harmonia se estabeleceria.

Porém, dificuldades infindáveis de exposição se seguiriam, e o fato

importante de que estes dois tipos de ‘psicóide’ coincidem em quase

todos os outros aspectos com o que é admitidamente psíquico seria

forçado para o segundo plano, nos interesses de um preconceito que

data de um período em que esses psicóides, ou a parte mais

importante deles, eram ainda desconhecidos.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 12:47 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 

O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:

Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


#81121 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:29 pm
Assunto: Re: O sonho de Pesky Beeliscando o Freud.
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Porém eu não me lembro de Freud ter dito que "transtornos e desvios tem todos origens de traumas de infância"
 
Ele pode não ter dito explicitamente isso, mas tudo o
que ele recomenda em termos terapêuticos tem um gosto
disso. Ou seja, Freud foi sim um importantíssimo desbravador,
mas o mal maior não foi dele, e sim de todos os seus
seguidores, que tiveram uma chance de tomar aquelas
ideias por base e caminhar em uma rota científica, com
experimentos e corroborações/refutações empíricas.
 
HOJE EU VOU SONHAR QUE SOU UMA ABELHA BELISCANDO O FREUD.
(não mude a frase: o experimento tem que ser feito com esta frase, please!)
Logo que acordar, escreva o sonho para a gente interpretar juntos.
 
Sonhei que estava "picando" a Ísis Valverde, todinha!
Devo ser um pervertido mesmo, hahahaha
 
*PB*
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 4:47 PM
Subject: [ciencialist] O sonho de Pesky Beeliscando o Freud.
 


Olá Pesky.
 
Vou responder a sua pergunta fora do "setting" psicanalitico. Portanto não estamos numa sessão.
Como eu já disse (e vou ter que repetir muitas vezes para quem sabe os membros da seita anti-freudiana acordarem...), existem muitas teorias freudianas.
Porém eu não me lembro de Freud ter dito que  "transtornos e desvios tem todos origens de traumas de infância"
Você pode me informar em que livro, artigo ou carta, Freud escreveu  essa bobagem? Freud, antes de inventar a psicanálise era neurologista. Mas se ele disse a bobagem vamos verificar.
 
Qualquer leigo em psicologia sabe que, por exemplo, entre dois irmãos educados pelos mesmos pais, podem ter personalidades e comportamentos tão distintos, que um pode virar bandido e outro pastor da Igreja Universal do Reino do Diabo.
 
Ocorre que ao contrário do que pensam os neurocientificólogos, os genes criam configurações distintas nos diferentes embriões, gerados pelo mesmo casal heterossexual. O bebê nasce com alguns traços de caráter já definidos.
 
Aproveito para lhe perguntar quando você vai parar de repetir os dogmas da seita anti-freudiana do ciencialist. Você não é membro desta seita e por isso precisa começar a aceitar que existem dois Freuds, assim como existem dois Peskys, sendo este que escreve no grupo,  a representação do verdadeiro. Como você tem múltiplos Egos, resolveu concentrar uma parte deles num inseto melado e aborrecido. Essa divisão será objeto de nossas futuras sessões. Essa linguagem abelhuda tem semelhança com a linguagem dos sonhos. Hoje antes de dormir, repita  a seguinte frase 10 vezes:
 
HOJE EU VOU SONHAR QUE SOU UMA ABELHA BELISCANDO O FREUD.
 
(não mude a frase: o experimento tem que ser feito com esta frase, please!)
 
Logo que acordar, escreva o  sonho para a gente interpretar juntos.
 
Abraços
Mtnos Calil
 
Ps1. Freud foi bem complicadinho, bem neurótico e não convivia com o "demônio da simplificação". Ele foi tão neurótico que não parou de fumar preferindo fazer mais de 30 cirurgias no maxiliar, devido a um câncer. Nada a estranhar no fato de um neurótico de 1a. linha criar uma técnica para tratar das neuroses (dos outros, é claro!).
 
Ps2. Agradeço ao grupo Ciencialist, pela enxurrada de mensagens sobre os temas do Projeto X, que em sua grande maioria vão compor a versão eletrônica de uma miscelânia de livros virtuais abordando estes temas:
 
a) Ideologia Zero: a cura da esquizofrenia linguistica
b) Matematização da linguagem
c) O pensamento lógico ao alcance de todos
d) A linguagem enigmática dos sonhos
e) A função do inconsciente no processo das ilusões, auto-enganos, manipulações e mentiras.
f)  Os elementos de uma ética cientifica
g) Outros temas correlatos
 
 
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Friday, March 30, 2012 10:23 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo - novaestratégia anti-freudiana
 
 

Mas Calilzão, eu só queria uma explicação do porque pessoas
criadas no mesmo tipo de ambiente acabam saindo, quando
adultas, tão diferentes. Para mim, isso é refutação das
freudificações, que assumem que os transtornos e desvios
tem todos origens de traumas de infância. Será que esse
meu pensamento é fruto do "demônio da simplificação"?  ;-)
 
*PB*
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 1:58 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo - nova estratégia anti-freudiana
 


 
Nossa Senhora da Ciência, me acuda por favor!
 
Que aconteceu Pesky, você ficou muito aborrecido?
Tranquilize-se por favor, pois, para a sua felicidade, descobri a cura para sua freudofobia: 
 
Considere que a psicanálise é uma falácia em termos de psicoterapia, até porque, nas mãos de Freud só podia produzir mesmo resultados parciais e duvidosos, pois era uma técnica em fase de construção numa época em que neurose era sinônimo de psicopatologia sexual.
Esqueça as neuroses e o divã.
Jogue tudo que Freud escreveu no lixo, menos uma coisinha: a teoria do inconsciente. Comece lendo uma obra divertida. Na pior das hipóteses você terá bons momentos de lazer. O livro é Interpretação dos Sonhos, um prato cheio para aqueles que comparam a psicanálise com a astrologia.
Será que Freud foi um astrólogo frustrado?
 
 
Este é mais um livro essencial para ser escrito: O INCONSCIENTE AO ALCANCE DE TODOS.... (ninguém que tenha a cachola no lugar poderá dizer que o inconsciente é uma falácia - existe uma seita anti-freudiana chamada NOERGOLOGIA).
 
Se boa parte da linguagem se processa ao nivel inconsciente, até os linguistas deveriam estudar o inconsciente. Mas um dos efeitos da especialização é CEGAR A INTELIGÊNCIA. (cf. Edgar Morin).
 
Abraços sem nenhum aborrecimento.
 
Mtnos Calil
Pela ciência sem tecnocracia e sem filosofias. (não é a filosofia que vai curar as perturbações da ciência, e sim o pensamento lógico - em pleno século XXI a lógica continua sendo uma seção da filosofia???  Que vergonha, Dona Lógica!  Quem sabe uma terapiasinha cognitiva possa libertá-la deste mal.
 
Ps1. "Pai Nosso que estais nos céus. Peço-vos encarecidamente que ilumine o pensamento lógico da nosso aborrecido (Pesky) abelha (Bee) de modo que ele possa expulsar o demônio da simplificação"
 
Ps2. Não tem muita lógica gramatical  uma abelha - macho ser considerada um substantivo feminino. Uai... desde quando gramática é sinônimo de lógica? Existem duas gramáticas: a feita da lógica dos neurônios e a produzida pelos homens que fizeram da linguagem um divertidissimo brinquedo, para assim obedecer às ordens do Centro do Prazer. Se até no cérebro existe um centro de prazer, nada mais natural que o homem adore  toda espécie de orgias. Mas se os fisicos nos ajudarem com sua  "particula -Deus" quem sabe  um dia o homem consiga fazer deste "centro" a plataforma da felicidade. (de prefêrencia sem chips e prosacs...).
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:46 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 
 

O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância
 
Mas Calilzão, quando digo que a psicanálise não explica
muito (para não dizer nada) é porque conhecemos casos de
pessoas que, quando crianças, foram criadas em ambientes
horríveis e viraram, quando adultos, horrorosas e frustradas
pessoas. Ao mesmo tempo temos conhecimento de pessoas
criadas nesse mesmo tipo de ambiente e que saem pessoas
ajustadas, otimistas e batalhadoras. Algumas vezes isso
ocorre na mesma família, sob as mesmas condições de
criação. E saem diferentes! Como é que a psicanálise iria
explicar essas coisaradas todas? Oras, não explica! Esse
fato refuta a psicanálise! Ela apenas inventa historinhas
em que o Id batalha com o Superego e aí o Ego desenvolve uma
neurose do olho do buraco traseiro inferior, que provoca uma
dissipação de flatos no Id, e assim por diante. No máximo,
isso é divertido!
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:35 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 


Desculpe, meu amigo Pesky, a sua postura em relação à psicanálise é fundamentalista.
 
Existem duas seitas na psicanálise: 
 
a seita dos psicanalistas ortodoxos que seguem à risca a biblia freudiana e a seita dos anti-freudianos.
 
Eu não pertenço a nenhuma das duas. Fiquei 5 anos pesquisando em São Paulo até achar um psicanalista que atendeesse aos pré-requisitos que eu defini.
 
Tive a sorte de encontrá-lo (um verdadeiro milagre) e fiquei com ele durante cerca de 20 anos, até ele encerrar as atividades da clinica.
 
Se eu conhecesse alguém do nivel dele indicaria para você fazer uma verificação no campo.
 
O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância.
 
Você acha mesmo que não foi acometido por nenhuma neurose? Ou acha que as neuroses não existem?
 
Abraços e muita calma por favor.
 
M.Calil
 
Ps. Essa frase "proposições testadas empiricamente" começa a me soar fundamentalista. Afinal o empirismo é uma ideologia. Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética? Vai ver que é por isso que a ética não saiu do seu estágio pré-histórico  - porque os cientistas não conseguiram testá-la empiricamente... rsrsrsrsrsr
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é precisoconhecer!
 
 

A psicanálise ou é pseudo-ciência ou, no máximo, apenas
uma disciplina da filosofia. Na psicanálise não há
proposições que possam ser testadas empiricamente.
Existem apenas historinhas bonitinhas, que algumas pessoas
"sentem" que são corretas. Mas há tantas coisas que as
pessoas "sentem" que estão certas e que no final
das contas se mostraram apenas falsas...
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 2:39 PM
Subject: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer!
 


Já disse várias vezes que existem inúmeras teorias psicanaliticas.
A análise do que é cientifico ou não em tudo que Freud escreveu (e "experimentou") requer um esforço que muitos preferem substituir pela análise pseudo-cientifica
da pseudo-ciência. A qualificação do que é pseudo-cientifico facilmente é distorcida por uma postura pseudo-cientifica. É o pensamento pseudo-cientifico julgando a pseudo- ciência.
 
Uma das coisas mais escandalosamente óbvias da psicanálise é a constatação de que de que muitos transtornos de comportamento são provocados
pela má educação dos pais. Mas a mente humana é dotada de um monte de mecanismos irracionais, sendo um deles a negação da mais óbvia realidade.
E o que não se nega aqui? Até o fato de uma menina de 2 anos ser educada por dois homens já foi considerado como algo que não vai prejudicar em nada
o desenvolvimento emocional da criança. A lógica e o senso comum são as premissas básicas do conhecimento cientifico. E essas duas premissas não
se aprendem nos livros.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Ai vai o trecho 2 de O Ego e o ID.
 
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 02
 

Mas nós chegamos ao termo ou conceito de inconsciente ao longo de

outro caminho, pela consideração de certas experiências em que a

dinâmica mental desempenha um papel. Descobrimos — isto é, fomos

obrigados a presumir — que existem idéias ou processos mentais

muito poderosos (e aqui um fator quantitativo ou econômico entra em

questão pela primeira vez) que podem produzir na vida mental todos os

efeitos que as idéias comuns produzem (inclusive certos efeitos que

podem, por sua vez, tornar-se conscientes como idéias), embora eles

próprios não se tornem conscientes. É desnecessário repetir em

pormenor aqui o que foi explicado com tanta freqüência antes. Basta

dizer que, neste ponto, a teoria psicanalítica intervém e assevera que a

razão pela qual tais idéias não podem tornar-se conscientes é que uma

certa força se lhes opõe; que, de outra maneira, se tornariam

conscientes, e que seria então aparente quão pouco elas diferem de

outros elementos que são admitidamente psíquicos. O fato de se ter

encontrado, na técnica da psicanálise, um meio pelo qual a força

opositora pode ser removida e as idéias em questão tornadas

conscientes, torna irrefutável essa teoria. O estado em que as idéias

existiam antes de se tornarem conscientes é chamado por nós de

repressão, e asseveramos que a força que instituiu a repressão e a

mantém é percebida como resistência durante o trabalho de análise.

Obtemos assim o nosso conceito de inconsciente a partir da teoria da

repressão. O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente.

Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é

latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e

não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se

consciente. Esta compreensão interna (insight) da dinâmica psíquica

não pode deixar de afetar a terminologia e a descrição. Ao latente, que

é inconsciente apenas descritivamente, não no sentido dinâmico,

chamamos de pré-consciente; restringimos o termo inconsciente ao

reprimido dinamicamente inconsciente, de maneira que temos agora

três termos, consciente (Cs.), pré-consciente (Pcs.) e inconsciente

(Ics.), cujo sentido não é mais puramente descritivo. O Pcs. acha-se

provavelmente muito mais próximo do Cs. que o Ics., e desde que

chamamos o Ics. de psíquico, chamaremos, ainda com menos

hesitação, o Pcs. latente de psíquico. Mas por que, ao invés disto, não

concordamos com os filósofos e, de maneira coerente, distinguimos o

Pcs., assim como o Ics., do psíquico consciente? Os filósofos

proporiam então que o Pcs. e o Ics. fossem descritos como duas

espécies ou estágios do ‘psicóide’ e a harmonia se estabeleceria.

Porém, dificuldades infindáveis de exposição se seguiriam, e o fato

importante de que estes dois tipos de ‘psicóide’ coincidem em quase

todos os outros aspectos com o que é admitidamente psíquico seria

forçado para o segundo plano, nos interesses de um preconceito que

data de um período em que esses psicóides, ou a parte mais

importante deles, eram ainda desconhecidos.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 12:47 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 

O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:

Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


#81122 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Qui, 29 de Mar de 2012 7:46 pm
Assunto: A linguagem dos sonhos - em busca de uma abordagem cientifica
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
 
Os sonhos são uma forma de linguagem visual e verbal.  São produtos da mente que continua trabalhando enquanto dormimos. O sonho é uma forma de pensamento alucinatório pois nos dá a sensação de que tudo que está ocorrendo nele é real. O incômodo emocional que nos provocam os pesadelos é a prova evidente do caráter alucinatório dos sonhos. O que nos interessa neste estudo é a linguagem dos sonhos, a par de suas vinculações com a psicopatologia. A linguagem dos sonhos é a linguagem do pensamento manifestada  em geral de uma forma extravagante. A mente humana não é uma fábrica de pensamentos e idéias lineares. Todo e qualquer tipo de pensamento ocorre inclusive às mentes das pessoas normais, como por exemplo, a idéia de acabar com a vida de alguém que não para de nos perturbar com o suposto charlatanismo de Freud. (rsrs) Os sonhos como qualquer pensamento têm um SIGNIFICADO. O sonho é a materialização visual e desorganizada de pensamentos. Essa desorganização dificulta obviamente a interpretação dos significados. Ocorre porém, que os mesmos distúrbios de pensamento ocorrem também em estado de vigilia.
 
A difereça entre as duas formas de pensamento, é que no sonho não há nenhuma censura - a mente trabalha livremente para criar as imagens mais estapafúrdias.
O significado destas imagens deve ser pesquisado no conteúdo latente (assim denominado por Freud),  que está por trás das cenas manifestas. A importância dos sonhos para a compreensão dos processos da linguagem humana reside precisamente no seu conteúdo não manifesto.  Este é nosso objetivo com o estudo da técnica  de interpretação de sonhos adotada por Freud: investigar a linguagem do pensamento inconsciente que domina os sonhos e que certamente opera de forma semelhante nos estados de vigilia.
 
Segue um trecho de uma sessão de Freud com uma de suas pacientes, onde um sonho é analisado.
Abraços
Mtnos Calil
 
==========================================================================

 

“O senhor sempre me diz”, começou uma inteligente paciente minha, “que o sonho é um desejo realizado.” Pois bem, vou lhe contar um sonho cujo tema foi exatamente o oposto — um sonho em que um de meus desejos não foi realizado. Como o senhor enquadra isso em sua teoria? Foi este o sonho:

 

"Eu queria oferecer uma ceia, mas não tinha nada em casa além de um pequeno salmão defumado. Pensei em sair e comprar alguma coisa, mas então me lembrei que era domingo à tarde e que todas as lojas estariam fechadas. Em seguida, tentei telefonar para alguns fornecedores, mas o telefone estava com defeito.

Assim, tive de abandonar meu desejo de oferecer uma ceia.”

 

 

Respondi, naturalmente, que a análise era a única forma de decidir quanto ao sentido do sonho, embora admitisse que, à primeira vista, ele se afigurava sensato e coerente e parecia ser o inverso da realização de um desejo. “Mas de que material decorreu o sonho? Como sabe, a instigação de um sonho é sempre encontrada nos acontecimentos da véspera.”

 

ANÁLISE. — O marido de minha paciente, um açougueiro atacadista, honesto e competente, comentara com ela, na véspera, que estava ficando muito gordo e que, por isso, pretendia começar um regime de emagrecimento. Propunha-se levantar cedo, fazer exercícios físicos, ater-se a uma dieta rigorosa e, acima de tudo, não aceitar mais convites para cear. — Ela acrescentou, rindo, que o marido, no lugar onde almoçava regularmente, tratava conhecimento com um pintor que o pressionara a lhe permitir que pintasse seu retrato, pois nunca vira feições tão expressivas. O marido, contudo, replicara, à sua maneira rude, que ficava muito agradecido, mas tinha a certeza de que o pintor preferiria parte do traseiro de uma bonita garota a todo o seu rosto. Ela estava muito apaixonada pelo marido e caçoava muito dele. Ela também implorara a ele que não lhe desse nenhum caviar.

 

Perguntei-lhe o que significava isso, e ela explicou que há muito tempo desejava comer um sanduíche de caviar todas as manhãs, mas relutava em fazer essa despesa. Naturalmente, o marido a deixara obtê-lo imediatamente, se ela lhe tivesse pedido. Mas, ao contrário, ela lhe pedira que não lhe desse caviar, para poder continuar a mexer com ele por causa disso. Essa explicação me pareceu pouco convincente. Em geral, essas razões insuficientes ocultam motivos inconfessáveis. Fazem-nos lembrar os pacientes hipnotizados de Bernheim. Quando um deles executa uma sugestão pós-hipnótica e lhe perguntam por que está agindo daquela maneira, em vez de dizer que não tem a menor idéia, ele se sente compelido a inventar alguma razão obviamente insatisfatória. O mesmo, sem dúvida, se aplicava a minha paciente e ao caviar. Vi que ela fora obrigada a criar para si mesma um desejo não realizado na vida real, e o sonho representava essa renúncia posta em prática. Mas por que precisaria ela de um desejo não realizado?

 

As associações que ela apresentara até então não tinham sido suficientes para interpretar o sonho. Pressionei-a para que apresentasse outras. Após uma pausa curta, como a que corresponderia à superação de uma resistência, ela prosseguiu dizendo que, na véspera, visitara uma amiga de quem confessava ter ciúmes porque seu marido (de minha paciente) estava constantemente a elogiá-la. Felizmente, essa sua amiga é muito ossuda e magra, e o marido de minha paciente admira figuras mais cheinhas. Perguntei-lhe o que havia conversado com sua amiga magra. Naturalmente, respondeu, sobre o desejo dela de engordar um pouco. A amiga também lhe perguntara: “Quando é que você vai nos convidar para outro jantar? Os que você oferece são sempre ótimos.”

 

Agora o sentido do sonho estava claro, e pude dizer a minha paciente: “É como se, quando ela fez essa sugestão, a senhora tivesse dito a si mesma: ‘Pois sim! Vou convidá-la para comer em minha casa só para que você possa engordar e atrair meu marido ainda mais! Prefiro nunca mais oferecer um jantar.’

 

O que o sonho lhe disse foi que a senhora não podia oferecer nenhuma ceia, e assim estava realizando seu desejo de não ajudar sua amiga a ficar mais cheinha. O fato de que o que as pessoas comem nas festas as engorda lhe fora lembrado pela decisão de seu marido de não mais aceitar convites para jantar, em benefício de seu plano de emagrecer.” Só faltava agora alguma coincidência que confirmasse a solução. O salmão defumado do sonho ainda não fora explicado. “Como foi”, perguntei, “que a senhora chegou ao salmão que apareceu em seu sonho?” “Oh”, exclamou ela, “salmão defumado é o prato predileto de minha amiga!” Acontece que eu mesmo conheço a senhora em questão e posso afirmar o fato de que ela se ressente tanto de não comer salmão quanto minha paciente de não comer caviar.

 

O mesmo sonho admite uma outra interpretação, mais sutil, que de fato se torna inevitável se levarmos em conta um detalhe adicional. (As duas interpretações não são mutuamente contraditórias, mas ambas cobrem o mesmo terreno; constituem um bom exemplo do fato de que os sonhos, como todas as outras estruturas psicopatológicas, têm regularmente mais de um sentido.) Minha paciente, como se pode lembrar, ao mesmo tempo que estava ocupada com seu sonho de renúncia a um desejo, também tentava efetivar um desejo renunciado (pelo sanduíche de caviar) na vida real. Sua amiga também dera expressão a um desejo — de engordar —, e não seria de surpreender que minha paciente tivesse sonhado que o desejo de sua amiga não fora realizado, pois o próprio desejo de minha paciente era que o de sua amiga (engordar) não se realizasse. Mas, em vez disso, ela sonhou que um de seus próprios desejos não era realizado. Portanto, o sonho adquirirá nova interpretação se supusermos que a pessoa nele indicada não era ela mesma, e sim a amiga: que ela se colocara no lugar da amiga, ou, como poderíamos dizer, que se “identificara” com a amiga.


#81123 De: Thiago Guimarães <guimaraesbsb@...>
Data: Qui, 29 de Mar de 2012 9:00 pm
Assunto: Filosofia não é ciência?
guimaraesbsb
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Filosofia não é ciência? 
 
Agora estou decidido (definitivamente!) a escrever um livro sobre isto. Pode não ser agora, pode ser daqui 10 anos. Vou fazê-lo enquanto este corpo andar (e pensar).
 
Quando Machado de Assis observou o uso deliberado do determinismo, do cientificismo positivista, e do racionalismo Europeu e criticou isto, ele foi chamado de quê? Pessimista! Pessimista, veja bem. Chegue hoje a um grande conhecedor de literatura e diga que Machado de Assis foi um pessimista e veja o longo contexto que transcorria. A melhor resposta sem dúvida é: Machado de Assis foi um realista por excelência! E quais foram as consequências desse suposto "pessimismo" Machadiano, afinal, por que a ciência salvaria o mundo?
 
Existe ciência maior que este "pessimismo"?
O que é "ciência", então?

Vamos começar falando de interregno que vivemos (termo usado recentemente pelo sociólogo Zygmunt Bauman) e decadência (do filósofo Martin Heidegger):
 
 
1) Interregno: entrevista com Zygmunt Bauman (Globo News):
 http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2012/01/nos-hipotecamos-o-futuro-critica-sociologo-polones.html
 
 

2) Decadência: A decadência da civilização (Martin Heidegger, por Antonio Ambujamra) 
www.youtube.com/watch?v=YKzDNQ3R1qE
 
 
3) A superação da filosofia. O filósofo Paulo Ghiraldelli explica como foi o processo da construção da dialética grega:
www.youtube.com/watch?v=1RlhQpNN9Tg
 
Agora ao centro da questão: o que é este interregno?
Tempos que se diz que filosofia não é ciência? 
Então, vivemos novamente em tempos de SOFISMOS?
 
A filosofia tem observado e transcorrido sobre a história dos homens (a história que os próprios homens provocam a si mesmos), inclusive em tempos de racionalismo científico. Diga-se, a "separação" do que é "vivido" ao "teórico", do "corpo" e da "alma", do de "dentro" e do de "fora", da "crença" e da "fé", da "ciência" e "religião", e (pasme) "filosofia" (para mim não existe absurdo maior que este!). Vivemos tempo de Secularismo. Vale saber que em 1984 Michel Foucault publica dois ensaios sobre o Sujeito e o Poder, lançando bases para responder a questão Kantiana, em "Que é o Iluminismo" (19784, quer dizer, exatamente duzentos anos depois), sob o ponto de vista pós-moderno:
 
 

"lluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é

culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem

a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria [...]

Se, pois, se fizer a pergunta – Vivemos nós agora numa época esclarecida?

– a resposta é: não. Mas vivemos numa época do Iluminismo. Falta ainda

muito para que os homens tomados em conjunto, da maneira como as coisas

agora estão, se encontrem já numa situação ou nela se possam apenas vir a pôr

de, em matéria de religião, se servirem bem e com segurança do seu próprio

entendimento, sem a orientação de outrem. Temos apenas claros indícios de

que se lhes abre agora o campo em que podem actuar livremente, e diminuem

pouco a pouco os obstáculos à ilustração geral ou à saída dos homens da

menoridade de que são culpados."
 
 

1 - Que é o Iluminismo (em Kant):
http://www.lusosofia.net/textos/kant_o_iluminismo_1784.pdf

2 - Dois Ensaios Sobre o Sujeito e o Poder (em Foucault):
http://portalgens.com.br/portal/images/stories/pdf/sujeitopoder.pdf

 
 
Pronto para as críticas.
Por favor só não me digam que "ah, isso foi o que o homem fez com a coisa!". Porque ai vamos voltar a mesma questão: "quente" ou "frio", "bom" ou "ruim", "bem" ou "mau", "certo" ou "errado", "melhor" ou "pior"; entre os infindos "sofismos" atualmente empregados: o secularismo e o cientificismo.
 
 
Thiago.
 
 
 

#81124 De: Marcelo C Pinto <mpinto2009@...>
Data: Qui, 29 de Mar de 2012 11:05 pm
Assunto: Re: Re: Viva os hereges
marcelop6
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Em 29-03-2012 13:15, Homero escreveu:
> Adorei mesmo, nunca vi um crackpot tão completo e abrangente.:-)

Eu já vi, e rondava por aqui :-)

Marcelo C Pinto

#81125 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:30 pm
Assunto: Re: Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Thiagão, é essa a posição que vejo como relevante. A filosofia
parece ter sido a "mãe de todas as ciências", mas hoje em
dia ela virou aprendiz. Alguns filósofos inspiram-se no que
a ciência descobre, e disso tiram importantes contribuições.
É o caso de Daniel Dennett, que produziu filosofia relevante
sendo diretamente instruído pela ciência.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 5:48 PM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


PB,
voltamos à dificuldade linguistica: Natureza, no sentido de princípio da coisa? Ou da natureza no sentido de "in natura" (Latim). Pois tudo seria "natureza", afinal, antes de pensar e termos cérebros, eramos apenas matérias dispersas no universo.
 
Como acredito que seja a segunda hipótese então vamos considerar o seguinte:
- Eu quis mostrar que existe um processo histórico da filosofia, que seria o processo histórico da humanidade (o que ainda assim não foi suficiente).
 
No mundo antigo, poderia até pôr aqui alguns dados dos filósofos pré-socráticos sobre o mundo, por exemplo no caso de Tales de Mileto, onde ele sugeria que "tudo era água", ou da citação do Sofista Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas", que hoje é objeto de estudo da epistemologia, isto é, de todas as ciências disciplinares. Os antigos, por exemplo, acreditavam na "ciência oculta" da decomposição da matéria e dos organismos vivos. Seria algo como o pressuposto da "auto-decomposição" da matéria. O que atualmente não é aceito e totalmente refutado, uma vez que se tem o entendimento da biologia e da bioquímica dos microrganismos vivos, bem como da física e da química dos metais (por exemplo, do ferro - a oxidação). O que era "metafísica" para eles, não é para nós, pois houve uma "expansão" do nosso conceito de verdade, desde aquele tempo até hoje.
 
Na ciência moderna, existem casos curiosos como o da Síndrome das Pernas Inquietas (Síndrome de Ekbom), onde uma abordagem psicológica e filosófica fora completamente modificada após o descobrimento de uma "natureza" orgânica-neurológica do problema (em grande parte ainda desconhecida). Existem casos semelhantes de outras doenças, como parkinson e alzheimer, o que só encontra paradoxos. Alheimer, por exemplo, é uma doença orgânica, que pode ter natureza filosófica, o que é completamente paradoxal (assim como outros problemas de demência). Outras doenças tem natureza orgânica e repercussão filosófica, por exemplo, no caso da Esclerose Lateral Amiotrófica. Alguém já assistiu o escafandro e a borboleta? É disto a que me refiro. Mas desse ponto de vista, da prevenção, promoção, da recuperação, da reabilitação e da reinserção social, não seria o caso de analisar dessa forma todas as doenças?
 
Por fim, contemporaneamente enfrentamos um problema epistemológico no Brasil. O confronto da crença e da certeza humana no uso da sacola plástica versus a verdade da natureza. Nesse ponto, ficou demonstrado que o custo causado ao meio ambiente, diante da dificuldade da decomposição desse material, não encontrava respaldo na certeza humana. Portanto, a síntese (verdade) encontrada foi a perda da objetividade da sacolinha plástica (por motivo de "força maior") foi a sua inutilização. Mas veja bem, ai ocorreu a pergunta: Como inovar (transcender)? Pois nem por isso o uso do transporte da mercadoria ficou prejudicado, uma vez que se passou a utilizar outros tipos de compostos que tivesse menor grau de dificuldade na sua decomposição, isto é, que prejudicasse menos o meio ao qual vivemos.
 
Voltando no período clássico, vou fazer uma citação do wikipédia (texto fácil):
 
[Sobre Tales de Mileto]

(...) No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", disse ele, aproximadamente 2460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado". Tales foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.

Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela. A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.


 
 
A verdade é que vivemos em tempos de Secularismo e Racionalismo. Para se compreender isto, tem-se que estudar um contexto de quinhentos anos de história da filosofia.
 
Mas obrigado por me fazer pensar sobre isto: como os processos ditos "naturais" influenciam os processos filosóficos. Parece-se bastante com a dialética materialista, mas com abordagem diferenciada, pois adentra no campo disciplinar. Isto é difícil de pensar, visto que não é o objetivo da filosofia: a epistemologia e a transcendência. É fácil quando essa busca pela verdade parte da filosofia para a compreensão epistemológica do mundo, mas é difícil quando parte da disciplina modificar a própria epistemologia. Mas é totalmente possível, uma vez que não existe "verdade maior" que a outra.
 
Por isso é que se diz...
viver e aprender!
 
Thiago.

 
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Fri, 30 Mar 2012 10:42:22 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Mas Thiagão, eu só queria uma evidência (algo que se possa
constatar na natureza) capaz de alterar (ou refutar) um aspecto
filosófico. Eu cá com meus botões não acredito que isso exista,
mas estou pronto para rever minha posição. Mas tu não vai se
incomodar se eu esperar deitado, né?  ;-)
 
*PB*
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 4:38 PM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 



Prezado,
Suas questões são as questões do milênio: as perguntas do milênio e a resposta de "um bilhão de dólares", como diria o Prof. Clemente Nobrega.
 
"> tu consegues me dar algum exemplo de questão
> filosófica que tenha sido abandonada por força de evidências
> em contrário?"
 
 
Vale saber que o discurso Socrático (dialética) foi a superação do discurso Sofista (mitológico).
 
Há superações na filosofia, que são bem conhecidas na História da Filosofia (que é a história "do mundo").
O maior problema encontra-se aqui: como superar Platão se nem sequer o compreendemos? Como tornar ultrapassado aquilo que simplesmente não se sabe? Está escrito, basta conhecer, mas não se compreende e não se sabe. Os "princípios republicanos" e os conceitos de "justiça" escritos em A República, inclusive a alegoria da caverna (Livro VII), tem mais de dois mil anos. E nossa sociedade vive hoje sob tais princípios e premissas "republicanas"? A resposta é simples: Não.
 
O desespero de qualquer arqueólogo é pensar na destruição da biblioteca de Alexandria. Estima-se que ainda hoje não exista um registro histórico como aquele. Inclusive as bases da civilização, que é a suméria, não deixou muitos vestígios, mas existem paradoxos e antagonismos inexplicáveis (e até anacrônicos!). Sabe-se atualmente que muitos conhecimentos registrados em Alexandria não foram ainda descobertos. Pensa-se que se sabia mais naquela época do que hoje, sobre diversos assuntos e aspectos.
 
Absurdo?
 
Ai voltamos a mesma questão: vivemos hoje sob premissas republicanas (A República, em Platão, mais de dois mail anos)? Não. Os homens da antiguidade eram mais ou menos espertos? Mais ou menos inteligentes? Então não é nada absurdo. Não é absurdo para arqueologia e não será absurdo para muitos historiadores. Os aspectos jurídicos da nossa sociedade por exemplo são tão atrasados, que sequer chegam perto daqueles que eram praticados na Roma antiga (e há inúmeros estudos, dados e aspectos registrado sobre isto).
 
Nossa sociedade então "retrocedeu" (em vários aspectos)?
Provavelmente sim.
 
Fatos modernos:
Em 1955 Max Horkheimer, um dos maiores filósofosos e sociólogos (alemão, pra "variar"), escreveu um livro chamado Eclipse da Razão, onde o autor tenta explicar exatamente (com método!) por que  o mundo da "máxima razão" - "Dubigo, ergo cogito, ergo sum" ao "Cogito ergo sum" (Penso logo existo, Cartesiano), culminou na formação não de homens mais humanos e mais "racionais", mas de abutres.
 
Tanto em Kant, quanto em Hegel, você encontra críticas à postura da ciência positivista, ao cientificismo. Analisando com cuidado, percebe-se que o período da Idade Média, baseado nas "crenças absolutas" em Deus foi substituído por outros tipos de "crenças absolutas", agora na ciência (não em qualquer ciência, mas na conveniência científica). Sucintamente, Hegel chegou a surgerir em um de seus ensaios que a ciência não poderia justificar a ciência por suas próprias premissas racionais, pois isto seria o cachorro correndo atrás do próprio rabo.
 
Não estudamos isto na escola. Por que será?

De certa forma e em grande parte, tanto a dialática Kantiana, quanto a dialética Hegeliana, por suas premissas racionalistas e abstractas foram superadas pela dialática Marxista: o materialismo histórico. Inspirando toda uma escola de pensadores. Mas é verificado ainda hoje que o idealismo Marxista predominou em grande parte a sua dialética nos anos que se sucederam, especialmente pelos aspectos revolucionários. A dialética Marxista inspirou fortemente a necessidade do empirismo científico (o materialismo), bem como o discurso niilista e ateísta.
 
E foi assim, entre idas e vindas, que surgiu a escola de Frankfurt, predominante do período pós-guerras, da qual Horkheimer faz parte, que é exatamente a releitura da dialética Marxista, não como os "papagaios" do idealismo, mas como a verificação do "capitalismo tardio" exposto por Mandel, preceituado no Capital, de Marx.
 
Trata-se assim do processo histórico. A filosofia, ao seu tempo, se verifica sobretudo no discurso. O discurso filosófico inspira as gerações. Parafraseando Jean-Paul Sartre, o "homem está condenado ser livre", a inovar e a superar suas contradições. Se o homem não supera suas contradições, ele mesmo se anula (como ocorre em grande parte atualmente).
 
Por exemplo:
- O pragmatismo.
O pragmatismo é a institucionalização do ascetismo capitalista emancipado dos princípios religiosos (e também ao que se chama hoje de "fundamentalismos de mercado"), das crenças católico-cristãos ainda marcantes no século XIX. Observado isto foi Max Weber (o "pai" da sociologia), quem descreveu esta relação no "lívro do século XX", em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" (vale pena a leitura!). O mais engraçado (se não tragi-cômico) disto é que Weber propõe que a emancipação do Capitalismo (e do cientificismo) dos princípios religiosos-cristãos foi o "Desencantamento do mundo" (vide wikipédia, há uma boa referência), onde Weber propõe através de METODOLOGIA CIENTÍFICA (objetiva!), que o capitalismo deveria se "revestir" novamente pela égide da racionalidade cristã e que os "ricos" deveriam novamente "procurar a Deus". E o que os americanos fazem? É a nação do protestantismo.
 
Quando se diz ser "pragmático", é bem verdade que muitos usam este termo sem saber o que diz, dizem até o "pragmático", ser "científico", como se fossem almas gêmeas, pois poucos sabem que se trata de uma escola da filosofia Estadunidense proposto no século XX, apoiando todo o imperialismo americano. A Globalização que se tem atualmente, é o quê? Pragmática. O pragmatismo é por muitos considerado a reinvenção do formalismo soviético, que é uma visão utilitarista convencional dos recursos da realidade para os fins de benefício próprio. Isto Horkheimer chamou de "Racionalismo Instrumental", e a formação de sujeitos naturais, ou o naturalismo dos sujeitos (formação de abutres).
 
Foucault, embora não adentre à escola de Frankfurt, estudou também este tipo de dominação e influência na sujeição (objetivação) dos indivíduos. A esta relação desproporcional de poder, ele chamou de "Biopoder", trabalhando a fundo o termo na "Microfísica do Poder". Foucault é por muitos considerado um dos filósofos que mais inovaram este final de século, por tratar da sujeição (objetividade), e aquilo que ele chamou de "instituições disciplinares", que é justamente a doutrinação e domesticação dos sujeitos.
 
Atualmente os estudos vão de encontro frontalmente ao Iluminismo e ao Estado burguês, na tentativa de superá-lo. Superar assim a ética da idéia do "homem de dentro", do "homem de fora", "corpo e alma". O que se encontra no epicentro da atual crise capitalista (contemporaneidade). A isto entitula-se o "capitalismo tardio" e a "pós-modernidade".
 
Aqui eu me encontro: O que é exatamente esta pós-modernidade? A superação da modernidade. Como ela se manifesta? Como inová-lo (a pergunta de um bilhão de dólares), isto é, a "expectativa zero". Recentemente o geógrafo brasileiro, Milton Santos, defendeu a solidariedade e a fraternidade como a resposta mais adequada a este show de horrores, que ele chamou de a "fábula do mundo" e que o mundo cientificista-capitalista, das técnicas e dos fundamentalismos vivem de FABULAÇÕES e idealismos, àquilo que foi chamado de "esquizofrenia do território" e a "deformação dos sujeitos".
 
- Que uma coisa é a ciência estudada como objeto científico (como um projeto de vida). E outra coisa é a ciência publicada, trazida ao conhecimento da grande mídia a ser do Capital e do Mercado, das Oragnizações Globais.
 
Embora todas as superações ocorram (e de fato elas ocorrem), vivemos hoje em tempo de menos "verdades" (e honestidades), portanto, e mais "invenções". De menos valores e mais "sucesso!". Um mundo, afinal, onde o termo "inocência" (contrário a culpa), tornou-se termo pejorativo.
 
Quer uma prova mais empírica do que a experiência indígena?
Ainda hoje existem tribos indígenas isoladas e em grande parte desconhecidas. Sabe por que? Porque o contato da civilização com estes grupos significa o extermínio destes. Extermínio: essa é a palavra utilizada. Por diversos motivos (e são tantos!) considera-se que os indígenas devem ser preservados distantes desta civilização e das suas "perversidades" (em Milton Santos).
 
Escrevi demais.
 
Mas espero ter sido claro diante dos rigores de Vossas Senhorias (e dos meus também) para responder isto:
 
"Filosofia e ciência podem ter sido colegas de quarto há
alguns séculos, mas hoje elas moram em edifícios separados.
Não estão brigadas, mas raramente escrevem carta uma para
a outra..."
 
Thiago.
 
 
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Thu, 29 Mar 2012 12:48:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Mas Thiagão, tu consegues me dar algum exemplo de questão
filosófica que tenha sido abandonada por força de evidências
em contrário? O platonismo é coisa que poderia sofrer
alterações por causa de alguma coisa que descubramos?
A epistemologia deve ser modificada ao descobrirmos algum
novo tipo de funcionamento dos neurônios no cérebro humano?
Filosofia e ciência podem ter sido colegas de quarto há
alguns séculos, mas hoje elas moram em edifícios separados.
Não estão brigadas, mas raramente escrevem carta uma para
a outra...
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Tuesday, March 27, 2012 11:47 AM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


Caro PB,
 
Devemos perguntar novamente: qual o objeto de estudo da psicanálise? Neste ponto temos consenso.
Diante disso reformular toda uma escola, examinar em busca de definições e resultados verificáveis, ainda que dinâmicos aos perfis  (e os padrões) orgânicos e psicológicos conhecidos (sem esquartejá-los). Sabemos que boa parte da escola dos psicologismos formam escravos dos psicologistas (mercadológicos). Isto já é bem conhecido. E o que existe para além disto? Para além do CID 10F e as centenas de dianósticos e pacientes com dezenas de dianósticos diferentes. Um diagnóstico para cada circunstância do mesmo indivíduo (ora tudo, ora coisa alguma).
 
Sugiro a leitura de um livro de Michel Fouacult: A História da Loucura. Vale a pena! Na história da filosofia há grandes esclarecimentos.
 
Mas continuo na contradição, quando você diz (em outro texto):
> Por exemplo a hipnose: - substituir uma anestesia de altíssimo
> risco cirúrgico por hipnose, isto não o torna empírico?
"Claro que torna! Mas isso está do lado da ciência, e não do lado da filosofia."
 
E existe, meu caro, honestamente, alguma separação?
Para mim é muito claro: O que é "filosófico" e não é empiricamente verificável, experimentável, não pode ser filosófico.
Parece filosófico para você? Para mim não tem nada de "filosófico". Se é a filosofia a própria ciênciada verdade: a epistemologia, como poderia a
filosofia ser o que diz ser. Não pode ser outra coisa, se não a própria verdade.
 
A pergunta é: Meus amigos, vivemos novamente em tempos de sofismo (pré-socrático)?
A morte da filosofia é o fim do homem e da ciência. O regresso às cavernas. Este é o caminho que tomamos rumo?

 
Thiago.
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Tue, 27 Mar 2012 09:50:08 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Calilzão, o que digo é que essa estratégia freudiana de
"rever a formação da neurose na infância" deve ser avaliada
empiricamente. E com isso quero dizer: que os psicanalistas
façam uma avaliação crítica daquilo que receitam a seus
pacientes, de maneira a obter generalizações testáveis.
Disso deve-se estipular grupos de controle e aplicar essa
técnica a metade do grupo, enquanto no outro não se aplica
e depois confirma-se (ou refuta-se) o resultado. Isso é chato
de fazer, é difícil, é custoso, mas é assim que a ciência poderia
progredir na psicanálise (é assim que os novos medicamentos
são testados).
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:51 PM
Subject: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


O empirismo, como se manifesta no discurso fundamentalista do meu amigo Pesky apresenta agora
um sintoma grave expresso nesta frase:
 
"cada caso é 'particular', específico, sui-generis, especial, requer interpretação do analista)  e disso não se tira nada que possa ser empiricamente
corroborado"
 
Quando se trata de seres humanos que vão a um médico, dentista ou psicanalista, eles constituem obviamente um caso especifico, cujos sintomas vão se repetindo no consultorio, confirmando ou não as teorias médicas, odontológicas e psicanalíticas.
 
O empirismo é um dos sintomas clássicos de uma categoria de pacientes, que só querem ver os problemas resolvidos "na prática", quando eles em geral exigem uma pesquisa sobre a formação da neurose que começa lá na infância e que precisa ser em parte revivida no consultório para que o paciente tenham contato "experimental" com o período critico de sua infância que causou o transtorno. O que estou falando é de uma obviedade acassiana. Mas infelizmente, como estamos numa fase regressiva da história, tudo que diz respeito aos transtornos emocionais vai sendo incorporado à patologia da normalidade - a loucura está se transformando numa
moda cultural, promovida é claro, pela "indústria cultural".
 
Existem centenas de pesquisas bem conduzidas pelos melhores profissionais da área e que estão numa vasta literatura. John Bowlby é um dos autores mais indicados para reverter este quadro de empirismo obsessivo.
 
Abraços
Mtnos Calil
 
Ps. Não se conhece a psicanálise lendo-se meia duzia de livros.
 
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 
Realmente a psicanálise não morreu. E isso é mais uma
evidência de que ela é ou filosofia ou pseudo-ciência.
Basta comparar com a alquimia, que morreu para que
nascesse a moderna química. A alquimia propunha coisas
que poderiam ser refutadas empiricamente, e por isso
deu lugar a uma outra disciplina que consegue progresso
através da refutação. A psicanálise não propõe nada
de caráter empírico (cada caso é "particular", específico,
sui-generis, especial, requer interpretação do analista)
e disso não se tira nada que possa ser empiricamente
corroborado.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 3:23 PM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 


 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


 
 
 

#81126 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:30 pm
Assunto: Re: Re: Viva os hereges
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Melhor recomendação para fazer com os textos daquele
sujeito: encaminhá-los ao Rafinha Bastos e ao Danilo
Gentili para incorporação no próximo show de humor deles.
 
*PB*
 
 
-----Mensagem Original-----
From: Nikola Tesla
Sent: Thursday, March 29, 2012 4:46 PM
To: ciencialist@...
Subject: Re: [ciencialist] Re: Viva os hereges
 
kkkkkkkkkkkk
 
Foi só pra provocar mesmo... Não analisei com calma suficiente os
argumentos do dito cujo....
 
Em 29/03/12, Pesky Bee<peskybee2@...> escreveu:
> Motivado pelos comentários do Homero, dignei-me a dar
> uma olhadinha no tal do "Miles Davis". Selecionei
> um trecho ao acaso, no meio daquela textarada desvairada,
> e acabei encontrando a alegação do dito sujeito de que
> o número PI, em vez de ser 3.1415, deve ser entendido
> como sendo 4. Quatro ponto zero.
>
> Barrabás! Santas periquitas do bigode loiro! É o Samba do
> crioulo doido e lascado! É como dizem por aí, quanto
> mais conheço os homens, mais admiro os cães...
>
> *PB*
>
>
>
> -----Mensagem Original-----
> From: Homero
> Sent: Thursday, March 29, 2012 1:15 PM
> To: ciencialist@...
> Subject: [ciencialist] Re: Viva os hereges
>
> Olá Nikola
>
> Adorei..:-) O maluc..., ops, físico, não não, artista bacharel em artes (e,
> parece, em filosofia e latim), parece pensar que entende o suficiente de
> física para, simplesmente, refutar todos os físicos antes dele, inclusive
> Einstein, e revolucionar toda a física moderna, de uma só tacada.:-)
>
> Adorei, mesmo, ele se sentiria "em casa" na atual formação da
> Ciencialist.:-) Resultaria em "altos papos" como o Mtnos, embora se
> discordassem de algo, poderia correr sangue no processo.:-)
>
> Pelo que li dos títulos de cada capítulo, não sobrou ninguém, pensador ou
> cientista, nos últimos 100 ou 200 anos, que não tenha errado de forma
> crassa, e que ele não "corrigiu" completamente.:-)
>
> E ele de lambuja ainda explica porque o ateísmo é "ilógico" (porque isso não
> me espanta?.:-), além de ter encontrado um "mistério sobre o qual ninguém
> fala" no DNA, que mostra "inteligência" nos processos químicos da célula (o
> fato é que ele parece não entender nada sobre isso, mas o que importa?..:-).
>
> Pena que as únicas referências a Miles Mathis sejam do próprio Miles Mathis
> (nem a Wiki tem uma entrada para ele, algo terrível para quem reconstruiu a
> física moderna e todo universo no processo.:-).
>
> Adorei mesmo, nunca vi um crackpot tão completo e abrangente.:-)
>
> Um abraço.
>
> Homero
>
>
>
>
>
> --- Em ciencialist@..., Nikola Tesla <pontozero36@...>
> escreveu
>>
>> Amigos,
>>
>> Só para compertilhar o link.
>>
>> http://milesmathis.com/index.html
>>
>> [ ]s
>>
>> Tesla
>>
>
>
>
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#81127 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:32 pm
Assunto: Re: Re: O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Maurão, esse tema é bastante extenso, e bastante interessante.
Tenho cá com meus botões que criar uma espécie não biológica
capaz de desempenho racional ("inteligente") é factível e
mais ainda, é inevitável. Mas não será em nada equivalente
a uma versão "upgrade" dos seres humanos.
 
Aquilo que define o desempenho intelectual humano não se limita
na questão cognitiva. Inclui (e é dependente) de aspectos
emocionais, que são vitais mesmo nos casos de decisão mais
simples. E quando se fala em emoções, aí a coisa já não
se restringe ao cérebro: o restante da biologia do corpo é
vital. Então o tal do "ser humano Homo Sapiens racional"
não se reduz apenas ao seu cérebro, inclui idiosincrasias
biológicas que se espalham por todo o seu corpo. Um robô
poderá ser capaz de desempenho cognitivo (inteligência
cognitiva) mas falhará horrivelmente em questões ligadas
às emoções (empatia, altruísmo, sofrimento, felicidade,
vontade de viver, busca de desafios, tristeza, excitação, etc).
Só o futuro irá dizer se essas ideias todas são coerentes
ou se são meras "escorregações em maionese".
 
*PB*
 
 
 
-----Mensagem Original-----
From: mauro
Sent: Saturday, March 31, 2012 9:00 AM
To: ciencialist@...
Subject: [ciencialist] Re: O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.
 
 
 
--- Em ciencialist@..., "Pesky Bee" <peskybee2@...> escreveu
>
Ainda bem! Porque
> o dia que as emoções forem extirpadas do Homo Sapiens,
> esta espécie irá se extinguir...
 
Mauro: Bem, de certa forma a natureza agradeceria... enfim, me permita viajar na maionese.
 
De qualquer forma, não me parece estarmos muito distantes da aptidão em desenvolver uma espécie mais avançada que a nossa. Poderíamos desenvolver uma "espécie" não biológica, por ex, e com muitas vantagens. É só uma questão de tempo, ao meu ver de pouco tempo.
 
Naturalmente desejamos que nossa prole seja melhor que nós mesmos. Isto implicaria em retirarmos muitas das falhas de projeto do nosso próprio cerebro. Certamente muitas das emoções que nos fazem tipicamente humanos (e falhos) seriam anuladas. 
 
Mas será que primeiramente nossas emoções egocêntricas nos permitiriam o rebaixamento no pódio em termos de espécie? A possibilidade de coexistência entre nós e uma superespécie poderia travar o desenvolvimento e a evolução? Somente aceitaríamos 'startar' uma nova espécie em caso de eminente extinção?
 
Bem, pelo menos dá um enredo para um filme de ficção científica.
 
Inté+
Mauro
 
 
 
 
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#81128 De: Jaime Rudas <jrudasl@...>
Data: Sex, 30 de Mar de 2012 1:17 pm
Assunto: Re: RES: Em tempo: RES: Re: Relatividade - respondendo ao Victor
jrudasl
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá, Victor:

[Victor]
> Li com atenção que merece essa sua maneira de explicar a questão da
expansão. Antes de mais nada, parabéns pela oportuna analogia.   Contudo,
fiquei com umas pequenas dúvidas, talvez pela tradução capenga do espanhol. 
Após novas leituras, se for o caso, voltarei ao assunto para comentários.

[Jaime]
Inicialmente eu tentei traduzi-lo, mas logo percebi que eu esqueci o Português
mais do que eu pensava. No entanto, bem-vindos todos os comentários.

Saludos,

Jaime Rudas
Bogotá

#81129 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sex, 30 de Mar de 2012 4:39 pm
Assunto: O que é informação, Mr. Bee? + surto psico-comunicacional de Shannon
mtnos_calil
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Hello, Mr. Bee.
 
1. Quando implantaram os computadores de grande porte no Brasil, os analistas de sistema enfrentaram uma grande dificuldade para montar programas que atendessem às necessidades informacionais das empresas. Foi quando eu passei a distinguir dois tipos de informação: a informatizada e a não informatizada. O que acontece hoje em muitas empresas é que elas têm mais informação do que podem usar, sendo a solução para este problema criar um programa que torne possivel otimizar o uso das informações disponiveis. (otimizar no sentido qualitativo e quantitativo, embora os cientificólogos abominem conceitos como o de qualidade que eles jugam metafisicos).
 
Cientificólogo: aquele que se dedica à atividade cientifica com a mente contaminada por um processo inconsciente de valorização neuropata da ciência. Neuropata é o termo cientifico para neurótico. Um dos elementos desta neuropatia é o narcisisimo que na linguagem popular designa a necessidade dos animais humanos de terem constantemente seu ego massageado.
 
2. Já que a informação navega na sua praia, poderia me presentear com uma definição de  informação? Eu sei que informação é matéria prima da linguagem, que, por sua vez,  é a ferramenta do pensamento e do conhecimento. A informação não é matéria prima da lógica, pois esta tem a função de botar uma ordem sequencial nas informações. Mas também não conheço nenhuma definição lógica de lógica.
 
O QUE É INFORMAÇÃO?
O QUE É LÓGICA?
O QUE É PENSAMENTO?
O QUE É CONHECIMENTO?
O QUE É CONSCIÊNCIA? (ou experiência consciente)
O QUE É INCONSCIÊNCIA? (ou experiência inconsciente).
 
Eu queria ver em algum lugar a definição destas 6 palavras sem ambiguidades e tautologias. Mas parece que este lugar não existe. Espero no prazo de 20 anos poder respoder a essas perguntas sem ambiguidades e tautologias. Melhor seria se no prazo de dez anos alguém se incumbisse desta tarefa.
 
Favor não colocar minhas perguntas no campo da filosofia. Eu tenho o direito de colocar minhas perguntas onde EU quiser. Favor respeitar (ou tolerar) esse direito.
O campo onde estão localizadas estas perguntas não é dos games filosóficos e sim dos games lógico-cientificos (sem videos...). E se me permitem fazer uso pleno da minha liberdade de pensamento, eu removi a lógica da filosofia, que sendo a rainha da ambiguidade linguistica, criou sei lá quantas lógicas... já perdi a conta. Quanta falta de lógica, meu Deus!
 
Com outras palavras como conceito, definição, ciência, método e teoria já consigo navegar sem me deixar levar pelas correntezas metafisicas. O autor de "O que é ciência afinal? " naufragou, pois depois de escrever um livro com esta pergunta chegou à conclusão, acredite se quiser, que não devemos perder tempo com a definição de ciência.
 
Mtnos Calil
 
Ps. Eis a  pergunta cuja resposta é essencial para o futuro feliz  (ou um final feliz) da espécie humana: QUEM SOU EU?     Recomendo a Mr. Bee que comece a pensar nesta pergunta, pois vai precisar de uns dez anos para chegar à resposta. Pena que esta pergunta não interesse aos fisicos que estão mais preocupados em empacotar o "nada", isolar a particula-Deus, etc. O que está acontecendo com a fisica? Se apaixonou pela metafisica, porque não há mais o que descobrir no mundo fisico?
 
Ps2. Shannon disse:
 

"O problema fundamental das comunicações é reproduzir em um determinado ponto, tão exato quanto possível, uma mensagem originada em um outro ponto. Frequentemente as mensagens contêm significado, isto é, elas se referem ou são correlacionadas a algum sistema de entidades físicas ou conceituais. Estes aspectos semânticos da comunicação são irrelevantes ao problema de engenharia. A faceta significativa é aquela em que a mensagem real tenha sido selecionada entre um grupo de possíveis mensagens. O sistema deverá ser projetado de modo a operar com qualquer das possíveis seleções a serem efetuadas, e não unicamente com aquela que realmente foi escolhida, posto que isto é desconhecido quando concebemos ou projetamos o sistema"

O SURTO SHANNONIANO REVELOU-SE NESTA FRASE:
 
Estes aspectos semânticos da comunicação são irrelevantes ao problema de engenharia.
 
A cura deste transtorno linguistico é simples: basta substituir a palavra comunicações por, por exemplo, "fluxo de informações", que é obviamente apenas uma das questões da comunicação.
 
 Em todo "causo", vê aí o que dá para aproveitar para a nossa matematização da linguagem, que continua sendo a principal ferramenta de comunicação entre os homens. (e entre as mulheres também - o homem é tão ambiguo em materia de comunicação que usa a palavra homem, para designar os dois sexos... como vemos prezado Pesky, a esquizofrenia linguistica já existia no tempo de Adão e Eva. Como a psicanálise não servia para tratar de esquizofrênicos, Freud deixou a esquizofrenia linguistica de lado, ficando para "nóis" a tarefa  desatar os "nós" das ligações linguo-esquizóides.
 

O SIGNIFICADO CONTEMPORÂNEO DA

TEORIA MATEMÁTICA DA COMUNICAÇÃO

CONTEMPORARY MEANING OF THE

MATHEMATICAL THEORY OF COMMUNICATION

Christian Hugo Pelegrini

Mestre em História da Ciência, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP;

especialista em Teorias da Comunicação, pela Fundação Cásper Líbero;

formado em Rádio e TV pela Universidade Estadual Paulista - Unesp de Bauru;

coordenador do Núcleo de Pesquisa e Produção Audiovisual e professor dos cursos de

Comunicação Social da Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS;

professor do curso de Tecnologia em Jogos Digitais do Centro Universitário Senac, de São Paulo

Resumo

Este artigo propõe uma aproximação dos aspectos conceituais presentes na Teoria matemática

da comunicação, obra clássica do matemático Claude Elwood Shannon, publicada

em 1947. Ao leigo na linguagem matemática, o artigo reduz a formalização matemática em

favor de uma explanação verbal que esclareça sem corromper os fenômenos, centrando-se

nos conceitos mais relevantes para a Comunicação Social. Além da dimensão conceitual, o

artigo explicita os desdobramentos de tal obra para o estado atual das tecnologias de

comunicação, considerando a chamada revolução digital.

Palavras-chave: informação, Shannon, tecnologia da comunicação.

1. INTRODUÇÃO

O mundo passa por uma transição tecnológica. Quer seja chamada de revolução

digital, quer de era da informação, sociedade em rede etc., é inegável que a

base de tal transição está na crescente mudança das tecnologias analógicas de

comunicação e no armazenamento de informação para as tecnologias digitais.

Os fundamentos científicos de tal mudança foram estabelecidos em 1948, no

livro do matemático e engenheiro americano Claude Elwood Shannon, chamado

Teoria matemática da comunicação. O livro, um clássico das agora convergentes

áreas de informática e telecomunicações, definiu uma série de conceitos e

modelos que atravessaram as décadas de tecnologia analógica e permanece, em

plena era digital, um guia para engenheiros e cientistas que desenvolvem as

onipresentes tecnologias de comunicação. Além disso, o corpo teórico presente em

Teoria matemática da comunicação espalhou-se por diversas áreas do conhecimento

humano com o nome de teoria da informação (PELEGRINI, 2005: 93).

Shannon não é totalmente desconhecido dos pesquisadores de comunicação

social, que estão habituados a ver seu nome ligado ao de Warren Weaver na designação

de um modelo de comunicação (o modelo de Shannon-Weaver).

No entanto, a obra de Shannon é tão vasta e tão presente no contexto tecnológico

pelo qual se passa que surge a demanda pela atualização de sua importância histórica

e uma ressignificação de sua participação na história da comunicação. Ao

analisar o livro Teoria matemática da comunicação, de Shannon, Robert G.

Gallagher (2001) afirmou que:

Este é o mais profundo e influente trabalho de Shannon. Ele estabeleceu as bases

conceituais tanto para as partes individuais quanto para o todo dos modernos

sistemas de comunicação. Era uma visão arquitetônica no sentido de que explicava

como as peças se encaixavam no todo. Também engendrou uma medida da

informação para descrever este todo (GALLAGHER, 2001: 2.683).

Há que se considerar que o acesso do pesquisador de comunicação social a tão

importante obra nem sempre é tão fácil. A formação do comunicólogo geralmente

vem das ciências humanas. E o livro de Shannon é uma obra essencialmente matemática.

Assim, este artigo propõe uma aproximação do pesquisador de comunicação

social – geralmente, oriundo das humanidades – de tão fundamental obra para

a compreensão do momento presente.

Mas o que poderia ser assim tão importante? Que ideias estão neste trabalho e

influenciam os engenheiros até hoje? Qual é o conteúdo de Teoria matemática da

comunicação? Qual a ligação entre a obra e o contexto tecnológico contemporâneo?

Será feita, então, uma breve incursão pela teoria de Shannon.

Antes, cabe uma advertência. O texto integral de Teoria matemática da comunicação

apresenta uma complexa e profunda formalização matemática, totalmente

hermética aos não-matemáticos. Partindo-se deste fato e, também, considerando-

se o escopo deste artigo e sua intenção de aproximar a obra do matemático dos

pesquisadores de comunicação social, é importante ressaltar que o que segue agora

é um resumo sucinto dos pontos mais relevantes da obra para a argumentação

aqui apresentada. O formalismo matemático será o mínimo possível.

2. A TEORIA DA INFORMAÇÃO

Ao iniciar seu mais influente trabalho, Shannon (1975) definiu o escopo de sua

obra.

O problema fundamental das comunicações é reproduzir em um determinado ponto,

tão exato quanto possível, uma mensagem originada em um outro ponto. Frequentemente

as mensagens contêm significado, isto é, elas se referem ou são

correlacionadas a algum sistema de entidades físicas ou conceituais. Estes aspectos

semânticos da comunicação são irrelevantes ao problema de engenharia. A

faceta significativa é aquela em que a mensagem real tenha sido selecionada entre

um grupo de possíveis mensagens. O sistema deverá ser projetado de modo a operar

com qualquer das possíveis seleções a serem efetuadas, e não unicamente com

aquela que realmente foi escolhida, posto que isto é desconhecido quando concebemos

ou projetamos o sistema (SHANNON, 1975: 33).

É interessante observar que, para a teoria de Shannon, a questão acerca do

significado do que está sendo transmitido não é nada importante. Uma vez que a

abordagem dos sistemas ocorre pelo viés da engenharia, o importante em um sistema

de comunicação não é o quê, mas quanto está sendo transmitido. Ou, em

outras palavras, qual é a quantidade da informação que está sendo transmitida?

A quantidade da informação tem relação direta com o desconhecimento que ela

elimina entre fenômenos ou mensagens possíveis. Se for realizado um sorteio de

“cara ou coroa”, os resultados possíveis se limitam a dois: ou cara ou coroa. Assim,

a dúvida (ou, como preferiu Shannon, a “incerteza”) sobre o resultado está entre

duas possibilidades. Por outro lado, ao se jogar um dado, os resultados possíveis são

seis; a incerteza com relação ao resultado do dado é maior que a incerteza com

relação ao resultado do “cara ou coroa”. Da mesma forma, ao se retirar uma carta

qualquer de um baralho completo, a incerteza com relação ao resultado está entre

52 possibilidades. No entanto, ao se retirar uma carta qualquer do mesmo baralho

completo, e for perguntado qual é a cor do naipe desta carta (se vermelho ou

preto), a dúvida volta a dois resultados possíveis. Desta forma, a quantidade de

informação presente no resultado de um “cara ou coroa” e no resultado sobre a cor

do naipe de uma carta de um baralho completo é exatamente a mesma; note-se que

a quantidade de informação é a mesma por resolver incertezas de mesma dimensão

(uma em duas possibilidades). Este aspecto demonstrado por Shannon dotou a

composição da mensagem de uma natureza estatística.

Shannon retomou a ideia de Hartley, segundo a qual a melhor forma de se medir

a informação de um sistema é fazendo uso da função logarítmica (SHANNON, 1975:

33), ou seja, quando um elemento novo é somado ao repertório de mensagens

possíveis, o número de mensagens possíveis é multiplicado. O tamanho da informação

é um logaritmo do número de mensagens ou eventos possíveis. A escolha da

base do logaritmo ocorre em função da unidade de medida escolhida para a informação.

Neste ponto, Shannon introduziu a noção de bit.

Bit é o acrônimo de Binary Digit (dígito binário). O nome bit foi sugerido por J.

W. Tukey (SHANNON, 1975: 34), matemático e estatístico de carreira nos Laboratórios

Bell e nome de grande importância na análise exploratória de dados e nos

métodos de Fourier. Mas quanto é um bit, a unidade sugerida por Shannon para ser

a medida da informação?

Epstein (2003: 72) definiu bit como “quantidade de informação ou redução da

incerteza proveniente da seleção de um entre dois eventos ou sinais equiprováveis”.

Haveria um bit de informação no resultado de um “cara ou coroa”, na cor do naipe

de um baralho completo, se o resultado do lance de um dado foi par ou ímpar etc.

Shannon (1975: 34) apontou a vantagem prática do bit em função da tecnologia

da época: um bit é o que determina se um relé está aberto ou fechado; da mesma

forma, um bit é o que determina se o telégrafo emitiu um bip curto ou um longo.

Hoje, os bits se manifestam na sequência de 0s e 1s que compõem a informação

digital (qualquer que seja a natureza deste arquivo: texto, vídeo, som, instruções

etc.). Note-se que, tal qual Shannon afirmava que o aspecto semântico não era

importante para a teoria, o significado de tais 0s e 1s pouco importa aqui: bits são

bits, qualquer coisa que estes signifiquem (NEGROPONTE, 1995: 16).

Ao assumir o bit como unidade de medida, Shannon estabeleceu a fórmula da

quantificação da informação:

i = log 2 n

onde n é o número de eventos ou sinais possíveis (e equiprováveis) e i é a quantidade

de informação em bits. Assim, a informação sobre o resultado de um lance de

dados é de 2,58 bits, pois

2,58 = log 2 6

ou, sobre qual é a carta retirada aleatoriamente de um baralho completo, a informação

é de 5,7 bits, pois

5,7 = log 2 52.

Tal fórmula só é aplicável a casos em que os fenômenos ou sinais são

equiprováveis. Nos casos em que há certa tendência, introduz-se a probabilidade

como fator de ponderação, aliada à medida da informação:

i = - log 2 (p) onde p é a probabilidade do fenômeno. Quando se pergunta a alguém se este

nasceu em um dia útil (de segunda-feira à sexta-feira) ou em um fim de semana

(sábado ou domingo), a probabilidade de que tenha nascido em um dia útil é maior.

Assim, a informação entre as duas opções não é a mesma (1 bit), mas inversamente

proporcional à sua probabilidade: há 0,48 bit em ser informado que tal pessoa

nasceu durante a semana e 1,81 bits em ser informado que alguém nasceu no fim

de semana (EPSTEIN, 2003: 46). Quanto mais provável um fenômeno ou sinal, menos

informação ele carrega.

Outro aspecto importante abordado por Shannon, em seu trabalho, é o conceito

de entropia.

A entropia (SHANNON, 1975: 53), dentro dos limites da teoria da informação, é

o conjunto de possibilidades ou, ainda, a variabilidade de eventos e/ou sinais. Assim,

a entropia contida em um simples “cara ou coroa” é relativamente pequena: são

dois os estados possíveis. Já em um sorteio de uma letra do alfabeto, a variabilidade

é muito maior: 23 são as possibilidades. Curiosamente, há que se observar a estreita

relação entre a entropia de um sistema e sua quantidade de informação. Em um

sistema com duas possibilidades, há menos informação (1 bit) que em um com 23

possibilidades (4,52 bits). Em um sistema de dois estados, a tendência à desorganização

é menor que em um sistema de 23 estados. A complexidade do sistema é a

medida da entropia e vice-versa.

Tal aspecto da entropia revela uma das grandes vantagens em se trabalhar com

bits. O registro ou transmissão destes se torna mais resistente aos efeitos da distorção

ou do ruído em função de sua entropia ser menor.

Quando se grava uma informação em código binário, apenas dois estados serão

lidos posteriormente. Assim, é mais fácil para um dispositivo de leitura corrigir

distorções no processo de recuperação: o dispositivo pode aproximar a leitura para

apenas um dos dois valores aceitáveis. Se o registro usasse dígitos decimais, seriam

dez os valores a ser reconhecidos; torna-se mais difícil distinguir entre um valor

distorcido e o mais próximo valor correto.

Da mesma forma, ao se transmitir um bit pela variação de voltagens em um

circuito (por exemplo, 0V = dígito 0 e 5V = dígito 1), ruídos que afetem a voltagem

até certo ponto não afetarão o reconhecimento deste bit na outra ponta do canal de

comunicação. Uma voltagem de, por exemplo, 1V seria reconhecida como 0 e uma

voltagem de, por assim dizer, 4V seria reconhecida como 1. A chance de perder a

informação diminui com a diminuição da entropia do sistema (PENFIELD, 2004: 4).

Outra importante questão introduzida por Shannon diz respeito à capacidade do

canal de comunicação. Cada canal tem, em função de suas especificações técnicas,

uma determinada capacidade C em bits por segundo. Se a fonte for de um tipo simples

em que todos os símbolos se expressam no mesmo tempo de duração (como no caso

específico do teletipo), se a fonte é tal que cada símbolo escolhido representa s bits de

informação (que são livremente selecionados dentre 2s símbolos), e se o canal tiver a

capacidade de transmitir, por exemplo, n símbolos por segundo, então a capacidade C

do canal é definida como sendo ns bits por segundo (WEAVER, 1975: 17).

É possível sentir profundamente as implicações da capacidade do canal na atual

transição de tecnologias de acesso à Internet. O download de um arquivo de

determinado tamanho, feito em uma conexão dial-up (geralmente limitada aos

56Kbps), tomará muito mais tempo que o mesmo download em uma conexão

ADSL1 de 600Kbps.

É importante observar que a definição da capacidade do canal é um dos pontos

mais ressaltados pelos comentadores de Shannon.

Shannon prova matematicamente que, com a codificação apropriada, se a capacidade

do canal C é igual ou maior que a taxa de informação da fonte R, mensagens

da fonte podem ser transmitidas pelo canal com um erro menor que qualquer valor

mensurável (PIERCE, 1993: 39).

Shannon mostrou que comunicação confiável na presença de ruído não depende

apenas de métodos de força bruta, como aumentar a potência em determinada

banda de frequência. Ao invés, demonstrou que há um atributo de qualquer canal

de comunicação, chamado sua capacidade, que representa os limites da comunicação

confiável. Se alguém tentar transmitir a uma taxa de dados acima da capacidade,

não há como prevenir a ocorrência de erros nos bits (KAHN, 2001: 18).

Shannon então provou seu mais dramático e inesperado resultado (...). Ele mostrou

que um canal é caracterizado por um número, sua capacidade. Se a taxa de

informação de uma fonte modelo é menos que a capacidade do canal, então ela

pode ser transmitida virtualmente livre de erros através do canal por um

processamento apropriado (GALLAGHER, 2001: 2.684).

Embora a definição de capacidade do canal tenha implicações muito profundas

também para canais de comunicação em sistemas contínuos, deve-se notar que a

insistência dos comentadores de Shannon ocorre em função de dois importantes

fenômenos relacionados à capacidade C: a correção de erro e a compressão.

O papel da compressão de dados é converter uma fileira de bits representando

uma sucessão de símbolos em uma fileira mais curta para uma transmissão,

armazenamento ou processamento mais econômicos (PENFIELD, 2004: 26).

Para diminuir o tamanho da sequência de bits, duas formas de compressão

podem ser feitas: a lossless e a lossy.

A compressão lossless (sem perda, também chamada de reversível) é aquela

em que a sequência de símbolos que compõem a informação não é aleatória, mas

tem regras probabilísticas que governam tal sequência. O sistema de compressão

gera um algoritmo – “um conjunto completo de regras que permitem a resolução de

um problema determinado” (BRETON, 1991: 59) – a partir de tais regras que permitem

uma posterior reconstrução da mensagem em sua forma original (PENFIELD,

2004: 30). É a forma de compressão mais utilizada em documentos de texto ou

códigos-fonte de programas.

A compressão lossy (com perda ou irreversível) opera extraindo da informação

toda a repetição. Imagens possuem partes do espaço em que não há qualquer

variação; sons também possuem períodos em que não ocorre qualquer mudança.

No caso de vídeos, há a ausência de variação tanto em espaço quanto em tempo.

Tais repetições representam sequências de bits que podem ser extraídos da informação.

Na reconstrução, o sistema “preenche as lacunas”, obedecendo a certos

parâmetros definidos pelo uso que se pretende dar a tais informações.

Longe de ser uma cópia exata do original, tais compressões são aproximações

“boas o suficiente” para o uso que se pretenda (PENFIELD, 2004: 27). É a forma mais

comum de compressão de arquivos audiovisuais (.jpg, .mpg, .avi, .mp3, .wma etc.).

A compressão torna a informação menor, alterando a razão entre esta e a capacidade

do canal ou, em outras palavras, considerando que o canal tem o limite, a

compressão garante que a informação esteja sempre abaixo deste limite (o que se

configura como condição necessária para que haja comunicação).

Além de garantir que a informação seja menor que a capacidade do canal, a

compressão também libera uma parte de tal capacidade para um uso bastante

importante nas comunicações digitais: os bits de correção de erro.

O teorema da codificação de canal de Shannon mostrou que, ao contrário da

crença popular daquela época, se e apenas se a taxa média de transmissão está

abaixo de C, mensagens podem ser transmitidas com probabilidade de erro caindo

a 0 pelo aumento do tamanho do bloco da mensagem. Este teorema fornece o

significado operacional de C como o limite máximo em que o canal pode carregar

comunicação confiável. (...) Esta capacidade está sendo utilizada por sofisticados

métodos de codificação em aplicações como comunicação espacial e via satélite,

transmissão de áudio/vídeo, e CDs e CD-ROMs (RISSANEN & YU, 2000: 989).

O princípio da mudança no tamanho do bloco foi explicado por Breton (1996:

51). Caso se pretenda transmitir uma sequência de bits, diga-se:

1101 0011 0101 1000

Em um canal com incidência de ruído, pode-se codificar tal transmissão de

modo a preservar a integridade da mensagem.

A solução desse problema liga-se à utilização de números de controle que desempenham

um papel importante no processamento da informação. Como proceder?

Dispõem-se inicialmente os números em linhas e em colunas, em seguida atribui-se

um número de controle a cada linha e a cada coluna. Esse número é escolhido de

tal forma que o total em cada linha ou coluna seja sempre par (BRETON, 1996: 51).

Caso um dos dígitos se perca na transmissão, os dígitos de controle indicam ao

sistema como corrigir o problema.

Ainda que se perca algum bit, é possível recuperá-lo em função dos bits de

correção. Para isso, basta que haja compatibilidade entre os sistemas de codificação

e decodificação: ambos precisam entender qual foi o processo usado; neste caso,

(a) o somatório de cada linha e cada coluna deve ser sempre par e (b) os quatro

primeiros números representam os controles das colunas e os quatro seguintes, o

controle das linhas.

No exemplo dado, o bit perdido é um 1. Com a codificação que contenha os bits

de correção de erro, a mensagem transmitida passa a ser:

0011 1001 1101 0011 0101 1000

Aumenta-se o número de bits transmitidos para além do mínimo necessário; no

entanto, garante-se certa margem de proteção contra ruído. Tal uso de bits de

controle exige que o resultado da codificação esteja, ainda, abaixo da capacidade

de canal C definida por Shannon (GALLAGHER, 2001: 2.691).

Tais recursos de compressão e codificação com correção de erro podem assumir

formas muito mais complexas que as descritas aqui. Estes exemplos são mera-

mente ilustrativos. Além disso, não é do escopo deste trabalho aprofundar tais questões.

No entanto, observe-se que os princípios de tais recursos estão profundamente

embasados no trabalho de Shannon.

A correção de erro e a compressão adquirem especial pertinência no fenômeno

da revolução digital. No entanto, não são as únicas manifestações da obra de Shannon

nas mudanças tecnológicas em curso na atualidade. A questão será aprofundada

um pouco mais nesse sentido.

3. O SIGNIFICADO CONTEMPORÂNEO DE

TEORIA MATEMÁTICA DA COMUNICAÇÃO

A Teoria matemática da comunicação, de Claude Shannon, apresentou o corpo

teórico do que hoje é chamado de teoria da informação.

Teoria da Informação incentivou a revolução digital, onde a informação é enviada

em fragmentos discretos ao invés de formas ondulatórias de sinais analógicos,

porque os códigos de correção de erro de Shannon funcionam naturalmente no

digital (LIVERSIDGE, 1992: xx).

Shannon estava ciente das vantagens das formas digitais. Isso fica claro na menção

que ele fez em Teoria matemática da comunicação à então recente tecnologia

do PCM (Pulse-Code Modulation) (SHANNON & WEAVER, 1974: 33), tecnologia que

converte fenômenos ondulatórios em sequências de valores discretos. E, embora o

processo de conversão das tecnologias analógicas em digitais tenha ainda precisado

esperar por certas melhorias em outras áreas (por exemplo, nas tecnologias de estado

sólido), a obra de Shannon já sugeria as vantagens de tal transição.

O uso que Shannon deu à palavra bit definiu seu uso até os dias de hoje. E, além

de ter definido a forma como os engenheiros entenderiam os processos e sistemas

de comunicação, a obra de Shannon também conseguiu extrapolar os limites da

especialização: com a popularização do computador e as novas tecnologias de comunicação,

as ideias de Shannon penetraram no repertório do cidadão médio junto

com os bens de consumo informatizados.

É possível uma primeira avaliação do significado contemporâneo deste corpo

teórico pelo papel que este desempenha em codificação de correção de erro e

compressão.

Um algoritmo de correção de erro ou de compressão é usado quando alguém surfa

na web, ouve um CD, usa o telefone celular, ou trabalha em um computador. Em

particular, quando um arquivo de música é transferido através da Internet, um

arquivo de compressão losslessly [sic] (geralmente tendo um tamanho muito menor)

é transmitido ao invés do arquivo original (RISSANEN & YU, 2000: 986).

Tais algoritmos são herança direta de Teoria matemática da comunicação.

A teoria matemática por trás da codificação de correção de erro e da compressão

começou há pouco mais de 50 anos com a publicação de Teoria matemática da

comunicação, de Claude Shannon, no Bell System Technical Journal (RISSANEN &

YU, 2000: 986).

Quando todos os tipos de informação estão se convertendo em longas

sequências de 0s e 1s (a chamada “convergência das mídias”), o uso da definição

de bit, a capacidade do canal, a correção de erro e a compressão adquirem

especial importância.

É a correção de erro que protege as formas de armazenar e transmitir informação,

seja em CDs1 e DVDs2, seja em pacotes de informação de TCP/IP3. Da

mesma forma, operações em informática usam a correção de erro para se proteger

de falhas nos resultados. A integridade de milhares de operações bancárias é garantida

pelo uso de correção de erro.

A compressão está presente em situações em que se tem a necessidade de

diminuir o tamanho da informação sem afetar o seu uso final. A conversão de

imagens em arquivos de extensão .jpg tem um débito considerável com Claude

Elwood Shannon. Da mesma forma, músicas em .mp3 tornaram-se uma febre

entre usuários da Internet por fazer grandes arquivos de 60Mb (em extensão .wav,

forma pouco comprimida) se transformarem em viáveis arquivos de 4Mb. O mesmo

vale para algoritmos de compressão de filmes em extensão .mpg, .avi etc.

Em um primeiro momento, pode-se objetar que a compressão perde sua importância

em função do aumento gradativo da capacidade do canal (a largura de banda).

No atual estágio da Internet, muitas conexões ainda são feitas via dial-up

(ligação telefônica). No entanto, já se observa uma adoção considerável de formas

de conexão de banda larga (ADSL, CableModem ou rádio). Em um futuro não

muito distante, a fibra óptica oferecerá larguras de banda até então inimagináveis.

Em uma situação de mudança como esta, em que a capacidade do canal aumenta

a cada dia, talvez a importância da compressão possa parecer minimizada. Tal

argumento pode ser respondido de duas formas.

Primeiro, deve-se considerar que os usos dados a tais tecnologias também tendem

a mudar com o tempo. Os usuários da Internet já não se contentam mais com o

mesmo tipo de informação a que tinham acesso nos primórdios da rede. Cada vez

mais, os usuários consomem mais capacidade de canal em seu uso cotidiano. Pesqui-

sas escolares não buscam mais apenas textos escritos e fotos: procuram-se também

vídeos sobre os temas desejados, com resoluções cada vez maiores. Comunicações

pessoais já não se limitam ao e-mail, mas passam a fazer uso de sistemas de voz

sobre IP e web conferences. Mesmo o trânsito intenso de material menos nobre

como e-mails com piadas ou pornografia tendem a abandonar sua forma verbal escrita

ou de imagens estáticas em favor do audiovisual com alta definição. Assim, a

compressão permanece bastante útil, mesmo em tais contextos.

A segunda questão a se considerar é que, embora certas formas de transmissão

venham a aumentar sua capacidade de canal, ainda são usadas certas modalidades

de transmissão cuja capacidade é finita por natureza. Quando se considera o espectro

de frequência, deve-se lembrar que este é limitado. Nestes casos, a compressão

adquire especial significado ao permitir a otimização de tal recurso. Seja na

atual transição para a TV digital no Brasil, seja na penetração da telefonia celular,

a compressão permite uma melhoria no uso do espectro designado para tais formas

de comunicação.

Quando toda transmissão de TV se tornar digital (o marco regulatório estabelece

2016), o espaço usado atualmente por um único canal poderá, graças à compressão,

ser dividido por até quatro canais de TV. Tal possibilidade abre a chance

de uma maior democratização na concessão de canais de comunicação de massa.

Da mesma forma, quando as tecnologias de telefonia celular se tornaram digitais, a

compressão dos dados que carregam a voz dos falantes economizou a banda usada

por cada linha. Assim, um número muito maior de linhas telefônicas pôde ser colocado

em funcionamento, diminuindo consideravelmente o custo de tal tecnologia

para o usuário doméstico.

4. CONCLUSÃO

Teoria matemática da comunicação não foi o único trabalho importante de

Shannon. Antes da obra aqui analisada, Shannon já havia desenvolvido um sistema

algébrico para projeto de sistemas lógicos. O referido autor também tem participação

no desenvolvimento da tecnologia de PCM (técnica que digitaliza sinais

analógicos). Enfim, são muitas as contribuições de Claude Shannon para a comunicação

além do livro analisado. Cada uma destas facetas é merecedora de um

artigo próprio. No entanto, o que este artigo pretendeu mostrar é que a obra Teoria

matemática da comunicação é tão atual quanto os dispositivos de comunicação

que ela fundamenta.

5. REFERÊNCIAS

BRETON, Philippe. História da informática. Tradução de Élcio Fernandes. São

Paulo: Unesp, 1991.

CLAUDE Elwood Shannon. Problems of Information Transmission, v. 37, n. 2, p.

87-90, April, 2001.

COELHO NETTO, José T. Semiótica, informação e comunicação. São Paulo: Perspectiva,

1996.

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SHANNON, Claude E., Collected papers. Piscataway: IEEE Press, 1992.

 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Friday, March 30, 2012 10:39 AM
Subject: Re: [ciencialist] Estatistica da esquizofrenia social para o Pesky

 

> Falou em informação é comigo.
 
Tu já ouviu falar em Claude Shannon? Vale a pena
dar uma olhadela.
 
*PB*
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 2:13 PM
Subject: Re: [ciencialist] Estatistica da esquizofrenia social para o Pesky
 


Não li e já gostei.
Falou em informação é comigo. Só li a primeira frase.
Vou fazer um estudo  informacional da sua mensagem e depois respondo.
Enquanto isso você estuda o inconsciente que é uma poderosa máquina de informações.
Ok?
absmc
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Thursday, March 29, 2012 12:45 PM
Subject: Re: [ciencialist] Estatistica da esquizofrenia social para o Pesky
 
 

Uai... a quantidade de eventos negativos é revelada pela ordem de grandeza do senso comum...
 
Mas Calilzão, tu entendes que aquilo que o senso comum
apreende é fortemente influenciado pela disponibilização de
informação? Quando abrimos um jornal, ou quando entramos em
um site de noticiário na internet, o que vemos não é uma
representação homogênea do que está ocorrendo agora. O que
vemos é uma visão polarizada (biased) dos fatos, tendendo
para as coisas excepcionais, e não para as coisas ordinárias.
Nosso senso comum é literalmente "enrabado" (sem vaselina ;-)
por essa tendência de relato do excepcional.
 
Um exemplo típico seria uma manchete que diga "garoto é morto
por um raio durante tempestade em Curitiba". Essa é uma manchete
que sairia em destaque em um jornal. Já esta daqui não
sairá: "garoto morre afogado na piscina da casa dos avós", e
se sair, sairá sem muito destaque nas últimas páginas de um
jornal. E pasme: o número de mortes de pessoas afogadas em
piscinas anualmente é centenas de vezes maior do que as que
morrem por raios. O risco de morrer afogado é imensamente
maior do que o de levar um choque de raio na cachola. Essa
distorção só se percebe quando se analisa números, deixando
o senso comum trancadinho bem lá no fundo de uma gaveta.
 
*PB*
 
 
 
Sent: Tuesday, March 27, 2012 12:13 PM
Subject: [ciencialist] Estatistica da esquizofrenia social para o Pesky
 


Uai... a quantidade de eventos negativos é revelada pela ordem de grandeza do senso comum... (assim é a frieza da linguagem do cientificisismo que coloca a ciência bem longe dos problemas da vida do homem em sociedade).
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:46 AM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é precisoconhecer! - Trecho 3
 
 

> diante da escalada progressiva de esquizofrenia social de nossos dias
 
Mano Calilzão, tu consegues arrumar alguma evidência que indique
que a tal da "esquizofrenia social" de nossos dias atuais é
maior do que a do passado? "just feeling" não vale...
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 4:57 PM
Subject: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer! - Trecho 3
 


Não estou atacando ninguém. Apenas defendendo o caráter cientifico do trabalho de Freud, o que é de fundamental importância
diante da escalada progressiva de esquizofrenia social de nossos dias.
 
Estou às ordens de todos aqueles que quiserem discutir seriamente as teorias de Freud separando o joio do trigo.
Um dos erros básicos de Freud foi exagerar a importância do sexo na formação das neuroses. Mas mesmo este erro deve contar
com alguma tolerância, pois ele viveu numa época onde a repressão sexual na ainda era muito forte e por isso os pacientes
que procuravam a psicanálise em geral eram vitimados por problemas sexuais.
Porém olhar para a psicanálise como se esta se reduzisse ao pansexualismo é tipico daqueles que julgam sem conhecer.
 
Aí vai o terceiro trecho de o Ego e o Id para ser massacrado por quem quiser, mas com as armas da lógica e sem pré-julgamentos.
O meu objetivo em relação a Freud, como em relação a tudo, é DESIDEOLOGIZAR. Eu jogarei no lixo da pseudo-ciência qualquer
teoria freudiana desprovida de fundamentos cientificos. Aliás já fiz isso com várias teorias ou especulações freudianas.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps1. As pessoas em geral têm dificuldade em admitir que os gênios também falam bobagens. Outro dia mencionei o equivoco de Einstein  em relação à teoria quântica e logo sairam em defesa dele.
 
Ps2. Quem neste grupo ainda tiver a vontade de desqualificar (todas) as teorias de Freud precisa, NO MINIMO MOSTRAR OS EQUIVOCOS DE FREUD EM RELAÇÃO À TEORIA DO INCONSCIENTE, SABENDO DE ANTEMÃO QUE ESTA TEORIA NÃO DEPENDE DE NENHUM PROBLEMA SEXUAL. ELA SOBREVIVERIA MESMO SE O SEXO NÃO EXISTISSE. OS FENOMENOS INCONSCIENTES ESTÃO NA MENTE DAS PESSOAS E NÃO NOS ÓRGÃOS SEXUAIS. Todos os cientistas e pensadores que se afastaram de Freud devido ao pansexualismo fizeram uma leitura apressada de seus textos, sem falar é claro que para conhecer uma técnica é necessário a prática. O camarada que não deitou no divã não pode saber como funciona a psicanálise. A psicanálise pode ser divididida em duas áreas básicas: a teoria e a técnica, sendo que ambas EVOLUIRAM MUITO depois de Freud, que foi apenas o pioneiro. Uma das evoluções resultou na psicanálise de grupo onde as pessoas se sentam em poltronas. Aliás, a psicoterapia em grupo é essencial pela razão óbvia de que o paciente revela como de fato ele se comporta em grupo, reproduzindo nas sessões modelos de comportamento adotados na sua vida quotidiana.
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 03
 
 

Podemos agora trabalhar comodamente com nossos três termos, Cs.,

Pcs., e Ics., enquanto não esquecermos que, no sentido descritivo, há

dois tipos de inconsciente, mas, no sentido dinâmico, apenas um. Para

fins de exposição, esta distinção pode ser ignorada em alguns casos;

noutros, porém ela é, naturalmente, indispensável. Ao mesmo tempo,

acostumamo-nos mais ou menos com essa ambigüidade do

inconsciente e nos demos muito bem com ela. Até onde posso ver, é

impossível evitar esta ambigüidade; a distinção entre consciente e

inconsciente é, em última análise, uma questão de percepção, à qual

deve ser respondido ‘sim’ ou ‘não’, e o próprio ato da percepção nada

nos diz da razão por que uma coisa é ou não percebida. Ninguém tem

o direito de queixar-se porque o fenômeno concreto expressa

ambiguamente o fator dinâmico.No curso ulterior do trabalho

psicanalítico, entretanto, mesmo essas distinções mostraram ser

inadequadas e, para fins práticos, insuficientes. Isso tornou-se claro de

várias maneiras, mas o exemplo decisivo é o seguinte. Formamos a

idéia de que em cada indivíduo existe uma organização coerente de

processos mentais e chamamos a isso o seu ego. É a esse ego que a

consciência se acha ligada: o ego controla as abordagens à motilidade

— isto é, à descarga de excitações para o mundo externo. Ele é a

instância mental que supervisiona todos os seus próprios processos

constituintes e que vai dormir à noite, embora ainda exerça a censura

sobre os sonhos. Desse ego procedem também as repressões, por

meio das quais procura-se excluir certas tendências da mente, não

simplesmente da consciência, mas também de outras formas de

capacidade e atividade. Na análise, essas tendências que foram

deixadas de fora colocam-se em oposição ao ego, e a análise

defronta-se com a tarefa de remover as resistências que o ego

apresentacontra o preocupar-se com o reprimido. Ora, descobrimos

durante a análise que, quando apresentamos certas tarefas ao

paciente, ele entra em dificuldades; as suas associações falham

quando deveriam estar-se aproximando do reprimido. Dizemos-lhe

então que está dominado por uma resistência, mas ele se acha

inteiramente inadvertido do fato e, mesmo que adivinhe, por seus

sentimentos desprazerosos, que uma resistência encontra-se então em

ação nele, não sabe o que é ou como descrevê-la. Entretanto, visto

não poder haver dúvida de que essa resistência emana do seu ego e a

este pertence, encontramo-nos numa situação imprevista.

Deparamo-nos com algo no próprio ego que é também inconsciente,

que se comporta exatamente como o reprimido — isto é, que produz

efeitos poderosos sem ele próprio ser consciente e que exige um

trabalho especial antes de poder ser tornado consciente. Do ponto de

vista da prática analítica, a conseqüência desta descoberta é que

iremos parar em infindáveis obscuridades e dificuldades se nos

ativermos a nossas formas habituais de expressão e tentarmos, por

exemplo, derivar as neuroses de um conflito entre o consciente e o

inconsciente. Teremos de substituir esta antítese por outra, extraída de

nossa compreensão interna (insight) das condições estruturais da

mente — a antítese entre o ego coerente e o reprimido que é expelido

(split off) dele.

Para nossa concepção do inconsciente, contudo, as conseqüências de

nossa descoberta são ainda mais importantes. Considerações

dinâmicas fizeram-nos efetuar a primeira correção; nossa

compreensão interna (insight) da estrutura da mente conduz à

segunda. Reconhecemos que o Ics. não coincide com o reprimido; é

ainda verdade que tudo o que é reprimido é Ics., mas nem tudo o que é

Ics. é reprimido. Também uma parte do ego — e sabem os Céus que

parte tão importante — pode ser Ics., indubitavelmente é Ics. E esse

Ics. que pertence ao ego não é latente como o Pcs., pois, se fosse,

não poderia ser ativado sem tornar-se Cs., e o processo de torná-lo

consciente não encontraria tão grandes dificuldades. Quando nos

vemos assim confrontados pela necessidade de postular um terceiro

Ics., que não é reprimido, temos de admitir que a característica de ser

inconsciente começa a perder significação para nós. Torna-se uma

qualidade quepode ter muitos significados, uma qualidade da qual não

podemos fazer, como esperaríamos, a base de conclusões inevitáveis

e de longo alcance. Não obstante, devemos cuidar para não

ignorarmos esta característica, pois a propriedade de ser consciente ou

não constitui, em última análise, o nosso único farol na treva da

psicologia profunda.
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 4:10 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer!
 
 

De novo o ataque ao argumentador, uma falácia muito conhecida e uma postura não muito lógica...

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 26/03/2012 14:39, Mtnos Calil escreveu:

Já disse várias vezes que existem inúmeras teorias psicanaliticas.
A análise do que é cientifico ou não em tudo que Freud escreveu (e "experimentou") requer um esforço que muitos preferem substituir pela análise pseudo-cientifica
da pseudo-ciência. A qualificação do que é pseudo-cientifico facilmente é distorcida por uma postura pseudo-cientifica. É o pensamento pseudo-cientifico julgando a pseudo- ciência.
 
Uma das coisas mais escandalosamente óbvias da psicanálise é a constatação de que de que muitos transtornos de comportamento são provocados
pela má educação dos pais. Mas a mente humana é dotada de um monte de mecanismos irracionais, sendo um deles a negação da mais óbvia realidade.
E o que não se nega aqui? Até o fato de uma menina de 2 anos ser educada por dois homens já foi considerado como algo que não vai prejudicar em nada
o desenvolvimento emocional da criança. A lógica e o senso comum são as premissas básicas do conhecimento cientifico. E essas duas premissas não
se aprendem nos livros.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Ai vai o trecho 2 de O Ego e o ID.
 
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 02
 

Mas nós chegamos ao termo ou conceito de inconsciente ao longo de

outro caminho, pela consideração de certas experiências em que a

dinâmica mental desempenha um papel. Descobrimos — isto é, fomos

obrigados a presumir — que existem idéias ou processos mentais

muito poderosos (e aqui um fator quantitativo ou econômico entra em

questão pela primeira vez) que podem produzir na vida mental todos os

efeitos que as idéias comuns produzem (inclusive certos efeitos que

podem, por sua vez, tornar-se conscientes como idéias), embora eles

próprios não se tornem conscientes. É desnecessário repetir em

pormenor aqui o que foi explicado com tanta freqüência antes. Basta

dizer que, neste ponto, a teoria psicanalítica intervém e assevera que a

razão pela qual tais idéias não podem tornar-se conscientes é que uma

certa força se lhes opõe; que, de outra maneira, se tornariam

conscientes, e que seria então aparente quão pouco elas diferem de

outros elementos que são admitidamente psíquicos. O fato de se ter

encontrado, na técnica da psicanálise, um meio pelo qual a força

opositora pode ser removida e as idéias em questão tornadas

conscientes, torna irrefutável essa teoria. O estado em que as idéias

existiam antes de se tornarem conscientes é chamado por nós de

repressão, e asseveramos que a força que instituiu a repressão e a

mantém é percebida como resistência durante o trabalho de análise.

Obtemos assim o nosso conceito de inconsciente a partir da teoria da

repressão. O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente.

Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é

latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e

não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se

consciente. Esta compreensão interna (insight) da dinâmica psíquica

não pode deixar de afetar a terminologia e a descrição. Ao latente, que

é inconsciente apenas descritivamente, não no sentido dinâmico,

chamamos de pré-consciente; restringimos o termo inconsciente ao

reprimido dinamicamente inconsciente, de maneira que temos agora

três termos, consciente (Cs.), pré-consciente (Pcs.) e inconsciente

(Ics.), cujo sentido não é mais puramente descritivo. O Pcs. acha-se

provavelmente muito mais próximo do Cs. que o Ics., e desde que

chamamos o Ics. de psíquico, chamaremos, ainda com menos

hesitação, o Pcs. latente de psíquico. Mas por que, ao invés disto, não

concordamos com os filósofos e, de maneira coerente, distinguimos o

Pcs., assim como o Ics., do psíquico consciente? Os filósofos

proporiam então que o Pcs. e o Ics. fossem descritos como duas

espécies ou estágios do ‘psicóide’ e a harmonia se estabeleceria.

Porém, dificuldades infindáveis de exposição se seguiriam, e o fato

importante de que estes dois tipos de ‘psicóide’ coincidem em quase

todos os outros aspectos com o que é admitidamente psíquico seria

forçado para o segundo plano, nos interesses de um preconceito que

data de um período em que esses psicóides, ou a parte mais

importante deles, eram ainda desconhecidos.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 12:47 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 

O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:

Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:



#81130 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 12:03 am
Assunto: Matematizando o pensamento lógico do Pesky. (1)
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
MC- O cérebro não tem tanto poder como os neurocientistas gostariam.
PB - Mas se não é o cérebro a regular o comportamento do ser humano, o que seria? Aquele instrumento pontiagudo que os homens tem no meio das pernas?
MC - Na minha frase anterior nada indica  que eu estaria propondo a substituição do cérebro pelo outro órgão selvagem.
        
==========================================
 
MC - Ele não é uma obra acabada. Tem tantos defeitos, que estão querendo até botar chips dentro dele para melhorar seu desempenho.
 
PB - Certíssimo! E nisso o cérebro está junto de todas as coisas da vida biológica, em constante evolução, adaptação, melhoria.
 
MC - Isso é mito evolucionista. Não houve nenhuma transformação significativa no cérebro nas últimas centenas de anos. O cérebro é um órgão fisico.
A única evolução ocorreu com a mente, que não é fisica (nem sobrenatural).
Como eu disse que o cérebro não é um produto acabado faço este ajuste lógico-matemático:  é possivel que num futuro indeterminado (500 mil anos?) ele consiga desmontar seu centro de detruição selvagem.
 
==========================================
 
MC - O cérebro tem estruturas que não servem mais para o estágio evolucionário em que se encontra o homem. A cultura e a ciência evoluiram muito enquanto ele ficou estacionado nos tempos da caverna.
 
PB - Mais ou menos, né?
 
MC - Mais ou menos???   Nem mais nem menos! NÃO CONHEÇO EXPRESSÃO TÃO AMBIGUA QUANTO ESSA. Gozado isso:  até o sentido da palavra "ou" mudaram para compor essa frase esdrúxula?
 
===============================================
 
PB - Porque a nossa sorte é que podemos modificar o comportamento do cérebro através do aprendizado. O Homo Sapiens das savanas africanas não conhecia silogismos,  probabilidades, teorema de Bayes, etc., e nós conhecemos. Temos um cérebro versátil e multipoderoso! E veja que é o cérebro (com suas idiosincrasias) que também afeta o que ocorre na cultura. É um big de um sistema interdependente.
 
MC - Nossa Senhora dos Neurologistas... me acuda por favor... O Pesky está confundindo o cérebro com a mente...! Será que os neurologistas também não distinguem uma coisa da outra?  Até o Freud que foi neurologista distinguia. Quando ele descobriu a mente, abandonou o cérebro, no que fez muito bem. Afinal a década do cérebro só surgiria 100 anos depois que Freud descobriu a mente, que agora, infelizmente, está sendo sendo ameaçada de extinção pelos neurocientistas. Bem que alguma seita freudiana poderia promover a "Década da Mente". Freud adoraria. E os cientistas sensatos também. Então ciência não requer sensatez? É claro que não! Desde quando sensatez faz parte da metodologia cientifica? A bomba atômica que o diga. O que seria melhor: uma humanidade com a bomba atômica ou sem?
 
================================================
 
MC - A seleção natural não é tão perfeita quanto os fundamentalistas da natureza gostariam.
 
PB - Mas é a única coisa que sai espontaneamente da natureza, por isso a seleção natural é dez! E tem mais, a própria cultura humana também sofre influência da seleção natural (mas em um outro nível descritivo).
 
MC - Nada da minha frase dá a entender que a seleção natural não é espontânea. (a propósito, este termo "espontânea" não me parece nada cientifico).  Quanto ao seu "dez" para a seleção natural pergunto se essa nota levou em conta a bomba atômica, as guerras, a exploração do homem pelo homem, etc. ou as barbaries desumanas não têm nada a ver com a seleção natural?
 
===============================================
 
MC - Prova disso é que ela (seleção natural)  teve que se submeter ao acaso. Só mesmo o acaso pode salvar esta pobre humanidade.  A seleção natural já cumpriu o seu papel pré-histórico.
 
PB -  O acaso é um dos "introdutores de novidades", só isso.
 
MC - Você sabia que o uso das aspas é uma tentativa de legitimar a ambiguidade? A linguagem  matemática não tolera ambiguidades, meu chapa! (chapa no sentido outro que não o de assar os miolos dos nossos cérebros).
 
PB- A recombinação genética (papai em cima da mamãe) também providencia outras fontes de novidade. Mas a maior parte  do trabalho quem faz é a seleção natural. Talvez na  história recente do ser humano a seleção natural (no nível biológico) esteja menos importante, mas ela ainda é importante no aspecto social (cultural, etc.).
E se tu quiseres ver um típico produto da seleção natural cultural, aqui vai um: iPAD.
 
MC -
 
a) Além de não ser plenipotenciário como os neurologistas gostariam, o cérebro tem alguns transtornos e um deles se chama NEOFILIA. (busca incessante por novidades - termo cunhado - não confundir com o seu possivel cunhado - por Konrad Lorenz, prêmio Nobel de medicina em 1973 e pai da etologia). O cérebro sofre de hiperatividade e por isso precisa ser estimulado o tempo tempo, sendo essa uma das razões pelas quais as pessoas vivem jogando conversa fora.
 
b) Confirma-se o mito da seleção natural, que segundo você "faz a maior parte do trabalho". Ela só perderia para Deus que faz tudo, inclusive assistir de camarote o espetáculo promovido por milhões de miseráveis abandonados à propria sorte. O que os neurologistas têm a dizer a respeito? Que os cérebros destes miseráveis é sub-desenvolvido?
 
c) Seleção natural na cultura??? Então está explicado porque a humanidade está caminhando para a beira do precipicio com Ipad nas mãos. Estamos numa fase de tremenda regressão cultural. Cultura é uma coisa. Ciência é outra. Enquanto a ciência progride para atender a hiper-atividade do cérebro, a cultura está indo para o beleléu. Como o cérebro foi construido por genes egoistas,  conceitos como justiça social e direitos (verdadeiramente) humanos são inteiramente desprezados por ele e pela sua atrapalhada companheira a seleção natural, o novo mito da religião cientifica.
 
Ps1. Como você adora brincar, a melhor coisa a fazer mesmo é não esquentar a cabeça e continuar de Ipad na mão e de mitos no cérebro. Um excelente brinquedo para estimular seus neurônios hiper-ativos é a matematização da linguagem, que à diferença dos Ipads e video-games, aprimora o pensamento lógico >  uma das funções da tecnologia pós-moderna  é reduzir ao minimo a capacidade do ser humano de pensar com lógica, para assim acelerar o processo de esquizofrenia social em marcha.  
 
Ps2. Já comprou o livrinho Esquizofrenia Social da Elza Pádua? Há dois anos eu paguei apenas 14 reais.
 
=================================================================
 
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Friday, March 30, 2012 10:38 AM
Subject: Re: [ciencialist] O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.

 

Calilzão, ouso dizer que tu estás chegando bem perto de
um sofisticado discurso humoroso. Sorri várias vezes ao
ler suas textaradas abaixo.
 
O cérebro não tem tanto poder como os neurocientistas gostariam.
 
 
O cérebro tem estruturas que não servem mais para o estágio evolucionário em que se encontra o homem. A cultura e a ciência evoluiram muito enquanto ele ficou estacionado nos tempos da caverna
 
Mais ou menos, né? Porque a nossa sorte é que podemos modificar
o comportamento do cérebro através do aprendizado. O Homo
Sapiens das savanas africanas não conhecia silogismos,
probabilidades, teorema de Bayes, etc., e nós conhecemos.
Temos um cérebro versátil e multifoderoso! E veja que
é o cérebro (com suas idiosincrasias) que também afeta o
que ocorre na cultura. É um big de um sistema interdependente.
 
A seleção natural não é tão perfeita quanto os fundamentalistas da natureza gostariam.
 
Mas é a única coisa que sai espontaneamente da natureza,
por isso a seleção natural é dez! E tem mais, a própria
cultura humana também sofre influência da seleção natural
(mas em um outro nível descritivo).
 
Prova disso é que ela teve que submeter ao acaso.
Só mesmo o acaso pode salvar esta pobre humanidade.
A seleção natural já cumpriu o seu papel pré-histórico.
 
O acaso é um dos "introdutores de novidades", só isso.
A recombinação genética (papai em cima da mamãe) também
providencia outras fontes de novidade. Mas a maior parte
do trabalho quem faz é a seleção natural. Talvez na
história recente do ser humano a seleção natural (no
nível biológico) esteja menos importante, mas ela
ainda é importante no aspecto social (cultural, etc.).
E se tu quiseres ver um típico produto da seleção
natural cultural, aqui vai um: iPAD.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 2:10 PM
Subject: [ciencialist] O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.
 


O cérebro não tem tanto poder como os neurocientistas gostariam.
Ele não é uma obra acabada. Tem tantos defeitos, que estão querendo até botar chips dentro dele para melhorar seu desempenho.
O cérebro tem estruturas que não servem mais para o estágio evolucionário em que se encontra o homem.
A cultura e a ciência evoluiram muito enquanto ele ficou estacionado nos tempos da caverna.
Hoje ele é o maior inimigo do homem, porque continua funcionando com alguns softwares primitivos.
A seleção natural não é tão perfeita quanto os fundamentalistas da natureza gostariam.
Prova disso é que ela teve que submeter ao acaso.
Só mesmo o acaso pode salvar esta pobre humanidade.
A seleção natural já cumpriu o seu papel pré-histórico.
 
Mtnos Calil
Abaixo os mitos da ciência!
 
----- Original Message -----
 
 
         Em fase de teste no mundo macrocósmico - mtnos calil
 
 

#81131 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 1:59 am
Assunto: Definição de ciência - Brainstorm - Participe
mtnos_calil
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Não precisa ser uma "definição acadêmica". Basta um conceito. Ou mesmo um palpite, pois estamos num "toró de palpites" chamado BRAINSTORM.
Até agora apenas 5 membros do Ciencialist deram o seu palpite, conceito ou definição. Seus nomes estão nesta cor.
Você pode também apresentar conceitos ou definições de terceiros.
 
 

Luiz Eduardo                      

Ciência é um método.

Mtnos Calil                           

Ciência é um método de aproximações sucessivas da realidade (ou da verdade).

Homero

Ciência é um método de gerar conhecimento confiável e embasado. Esse método pode variar, dentro de limites, conforme a área de estudo, sua natureza (mais ou menos concreta u abstrata) e seu alcance.

Alberto Mesquita Filho      

Ciência é o processo pelo qual o homem se relaciona com os fenômenos universais que se sujeitam à esta regra científica fundamental: se em dadas condições, um determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, é de se admitir que em futuras verificações o mesmo suceda

Pesky Bee

Ciência é uma metodologia de geração de modelos informacionais abstratos (matemáticos, textuais, diagramáticos) que precisam ser submetidos a  confrontação e refutação empírica e que buscam coerência, parcimônia e abrangência.

Jacques Barzun              

A ciência é, no mais estrito e melhor dos sentidos, uma gloriosa diversão.

Poincaré  

A ciência é construída de fatos, como uma casa é de pedras.

Wikipédia 

Em sentido amplo, ciência (do latim scientia, traduzido por "conhecimento") refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemáticos.      

Wikipédia

Em sentido estrito, ciência refere-se ao sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico bem como ao corpo organizado de conhecimento conseguido através de tais pesquisas.

Wikipédia  

A ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico.

Bertrand Russel

Ciência é o que você sabe. Filosofia é o que você não sabe!

Albert Einstein

A ciência só pode determinar o que é, não o que 'deve ser', e fora de seu domínio permanece a necessidade de juízos de valor de todos os tipos.

Michel Blay

A ciência é o conhecimento claro e evidente de algo, fundado quer sobre princípios evidentes e demonstrações, quer sobre raciocínios experimentais, ou ainda sobre a análise das sociedades e dos fatos humanos.


#81132 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 7:49 am
Assunto: Ciência: a nova fábrica de mitos (p/ JVictor)
mtnos_calil
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Não há porque ficarem escandalizados com essa frase colocada no assunto do e-mail, pois o cientificismo existe e logicamente pode gerar idéias miticas. Estou fazendo algumas leituras a respeito da tremenda onda que estão fazendo em torno do cérebro e fui obrigado a colocar em pauta algo que não era minha prioridade. Como a "cerebromania" não vai sair de moda tão cedo, vou ter que escrever um artigo que terá este titulo - Cerebromania.
Vejamos agora se JVictor já se alinhou ou não  à nova mitologia do século XXI.
 
JVictor -  Com a afirmação “a evolução é o produto da mente”, que precisa do cérebro, inexoravelmente,  você simplesmente corrobora minhas “estranhezas” , que promoveu a fundamentalistas, e se põe, de próprios dedos digitadores(para não dizer de próprio punho), em franca contradição com a sentença que critiquei.
 
M.Calil - Você cortou minha frase que foi essa: “a evolução é o produto da mente que é produto do cérebro". O que há de errado nesta frase?

JVictor - Amigo, suas idéias sobre esse negócio de cérebro:  “cabe à mente controlar os impulsos selvagens do cérebro”, “A guerra é o exemplo mais contundente da selvageria do rcéebro., etc.,   entre outras tão “descabeladas” quanto,  são... “descabeladas”  mesmo!   

A impressão que tenho é esta:  Calil só quer mesmo  é espantar, para ver como os cérebros selvagens e impulsivos desta lista de discussão reagem.

M.Calil -

a) Não, JVictor, eu não estou aqui fazendo pesquisa genético-comportamental com o mesmos do GRUPO (e não lista, pois listas não discutem nem reagem). As minhas provocações têm por objetivo recolher feed-back para o trabalho que estou fazendo. Eu não entrei neste grupo para "discutir" e sim para receber feed-back e também dar feed-back. Considero este grupo bem representantivo do espírito cientifico reinante em nossos dias. Eu me sinto como se tivesse mesmo conversando com cientistas ou seus representantes, alunos, etc. Acho que é um grupo representativo que tem dado excelentes feed-backs.

b) Estas provocações têm tido uma caracteristica dificultante, reconheço, pelo fato de serem muito sintéticas. Quando eu digo por exemplo que a ciência é uma nova fábrica de mitos, espera-se que eu apresente as justificativas deste pensamento extra-terrestre. Mas para isso eu teria que escrever um artigo o que não é possivel, pois como já fiz 37 provocações, teria que escrever 37 artigos. O mesmo se aplica à frase: "cabe à mente controlar os impulsos selvagens do cérebro" . Mas esta idéia acho que você não entendeu. Vou tentar explicar em poucas palavras:

-  agressividade do homem é genética; uma determinada região do cérebro possui softwares da violência que eram utilizados por nossas tribos primitivas e que continuam sendo utilizados hoje no Iraque, na Siria e no Afganistão, por exemplo. O Bush tem um instinto agressivo mortifero. Já o do Obama é mais controlado, mas o coitado é Presidente da maior potência militar e atômica do planeta e vai ser muito dificil ele manter seus instintos primitivos aquietados.

Não sei ainda a que mitologia ou corrente fundamentalista do século XXI você está alinhado. Mas se o problema for apenas de precipitação, tudo bem.

Você pode resolver isso tomando uma dose de calmazén * antes de ler cada mensagem minha. Outra alternativa, para evitar uma ida indesejável ao Hospital da Tamarineira, é você deletar tudo que eu escrevo, tomando o cuidado apenas para não quebrar o teclado. Temos ainda outra alternativa que seria você dar uma lida no livrinho do Edgar Morin "Introdução ao pensamento complexo".

* Calmazén é uma marca criada por mim, mas como não tenho laboratório farmacêutico não posso registrá-la.

Ps1. Estou seriamente desconfiado que o Steven Pinker é um marketeiro da cognição. Ele escreve coisas sobre a agressão humana que já foram ditadas há muito tempo por psicanalistas, como eu vou provar facilmente. Eu o adotei como padrinho para o projeto X, mas quanto mais leio os textos dele mais fico com a impressão de que ele expõe algumas idéias  muito importantes como se fossem dele. Meteu o pau no Freud e repetiu o que Freud escreveu sobre a agressão humana. Pode ser coincidência. Mas como então ele mete pau no Freud sem ter lido? Vou rever os textos do Pinker que eu selecionei para verificar se tem lá alguma idéia original dele. Se não tiver será destituido da função de padrinho passando para o cargo de "intermediador" do banco de dados de terceiros.

Ps2. Veja o que diz a respeito de Freud esse filósofo francês que é um psicopata ou charlatão. Seja o que for, em tempos de esquizofrenia social é um prato cheio para  a nossa midia esquizofrenógena.

A psicanálise é tão científica quanto a ufologia

 
Depois de defender a "morte de Deus" em Tratado de Ateologia, o filósofo francês Michel Onfray ataca agora Freud em Le Créspucule d'une Idole ("Crepúsculo de um Ídolo", sem tradução para o português). Nele, atribui à psicanálise o efeito placebo e ao psicanalista, o charlatanismo - o que lhe rendeu um abaixo-assinado pelo fim de suas audioaulas numa rádio, acusações de nazismo e insinuações sobre sua sexualidade.
por Luiza Sodré

Michel Onfray

=================================

Para você, que aspectos de Freud o caracterizariam como um "charlatão"?
Toda a vida de Freud foi uma fábula criada para sustentar que a psicanálise é uma ciência que trata e cura. Basta apontar suas inúmeras mentiras, sua vontade de destruir anotações e arquivos e de dar sumiço às suas correspondências para, assim, deixar como a única versão de sua epopeia aquilo que ele propôs em suas autobiografias Minha Vida e a Psicanálise e Contribuição à História da Psicanálise.

O que ele omitiu em suas autobiografias?
Não vemos jamais menções aos seus erros médicos, dos quais alguns levaram a mortes, como a do médico Fleischl von Marxow [amigo a quem Freud receitou cocaína para aliviar o vício de morfina]. Ele também inventou casos inexistentes e apresentou outros de cura que jamais se concretizaram. O mais evidente de todos é o de Sergei Pankejeff, o "homem dos lobos". Freud diz tê-lo curado em 1918. Mas esse homem, já octogenário, continuava com suas sessões de terapia em 1974.

Mas, se Freud era um charlatão, por que tanta gente diz ter melhorado com a terapia que ele desenvolveu?
Por puro e simples efeito placebo. [Essa cura] é como a de um curandeiro, de um bruxo, de um exorcista. Só muda a roupagem. Estudos científicos comprovam que o efeito placebo é 30% do efeito de uma substância dita alopática. Se a psicanálise obtivesse esse tipo de resultado, já seria muito.

A psicanalista Elisabeth Roudinesco diz que sua obra busca prejudicar 8 milhões de franceses em terapia.
A sra. Roudinesco mente há muito. Mesmo raspando o fundo da gaveta, existem na França somente 2 mil analistas. Com 20 pacientes por analista, temos 40 mil pessoas em análise. Para as psicoterapias, uma enquete concluiu que 41% dos pacientes ignoram a escola à qual pertencem seus psicoterapeutas, 20% seguem terapia comportamental e cognitiva, e apenas 12% a psicanálise.

A psicanálise, então, não seria uma ciência?
Seria na mesma medida em que a ufologia estuda os discos voadores. A psicanálise é uma parapsicologia, o que Freud deixa transparecer no título de seu livro Metapsicologia. Basta um pouco de reflexão sobre o significado dessa palavra inventada por ele.

E em que sentido ela se compara à religião?
Freud se apoia em transmissões imateriais de geração em geração, da mais antiga Pré-História até os dias de hoje. É assim com o complexo de Édipo, a morte do pai, o banquete canibal... Para ele, tudo isso seria inexplicavelmente inscrito e transmitido no inconsciente de cada um de nós. Para Freud, esse mundo superior do inconsciente filogenético prova a verdade de um mundo superior. Daí o porquê de ser uma religião.

Na sua opinião terapia cura?
Sim, existe a psicanálise não freudiana - tema do meu próximo livro.

 

----- Original Message -----
From: JVictor
Sent: Saturday, March 31, 2012 2:17 AM
Subject: RES: [ciencialist] Como é o fundamentalismo neuro-fisiológico.

 

Calil,

Sim, cérebro e mente são duas coisas diferentes.   “Hardware” e “software”, respectivamente, numa analogia quase light, e tal que sem o primeiro o segundo toma doril.  Com a afirmação “a evolução é o produto da mente”, que precisa do cérebro, inexoravelmente,  você simplesmente corrobora minhas “estranhezas” , que promoveu a fundamentalistas, e se põe, de próprios dedos digitadores(para não dizer de próprio punho), em franca contradição com a sentença que critiquei.

Amigo, suas idéias sobre esse negócio de cérebro:  “cabe à mente controlar os impulsos selvagens do cérebro”, “A guerra é o exemplo mais contundente da selvageria do rcéebro.“, etc.,   entre outras tão “descabeladas” quanto,  são... “descabeladas”  mesmo!   

A impressão que tenho é esta:  Calil só quer mesmo  é espantar, para ver como os cérebros selvagens e impulsivos desta lista de discussão reagem.  

Ave Maria, credo em cruz! Ainda bem que aqui pertinho tem o Hospital da Tamarineira. Qualquer coisa, é só dar um pulinho até lá e pronto.

Sds,

Victor.

De: ciencialist@... [mailto:ciencialist@...] Em nome de Mtnos Calil
Enviada em: sexta-feira, 30 de março de 2012 16:06
Para: ciencialist@...
Assunto: [ciencialist] Como é o fundamentalismo neuro-fisiológico.

Está desculpado, JVictor por seu momento de fundamentalismo.

Aproveito a oportunidade para informá-lo que cérebro e mente são duas coisas diferentes e que a evolução é produto da mente que é produto do cérebro.

Como os discipulos superam os mestres, cabe à mente controlar os impulsos selvagens do cérebro. Todavia ela não encontrou ainda ferramentas para isso e segundo alguns não encontrará nunca, ficando o futuro da humanidade ao "Deus dará", ou "melhor ao cérebro não dará". A guerra é o exemplo mais contundente da selvageria do cérebro.

Abraços

M.Calil

Ps. A ciência nasceu para derrotar os mitos, mas teve uma recaida e começou a criar seus próprios mitos.

----- Original Message -----

From: JVictor

Sent: Friday, March 30, 2012 1:50 PM

Subject: RES: [ciencialist] Re: O cérebro não é um comandante plenipotenciário, Bee.

 

“M.Calil:"...O cérebro tem estruturas que não servem mais para o estágio evolucionário em que se encontra o homem. A cultura e a ciência evoluiram muito enquanto ele ficou estacionado nos tempos da caverna.”

Victor: Calil, a cultura e a ciência evoluíram enquanto o cérebro  ficou estacionado?

 Como, como?  

Cultura e ciência são conhecimentos que só existem em razão de um cérebro.

Não tem sentido tratar dessas coisas, como se estivessem desconcetadas.

Aliás, sequer há o que comentar, em qualquer dos sentidos!  

 Desculpe-me, amigo, mas até agora não vi disparate maior, algo tão descabelado quanto.   

Sds,

Victor.

 

 


#81133 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 2:29 pm
Assunto: Re: Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
peskybee2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Mas Calilzão, nos últimos 40 anos a neurociência descobriu
muito mais acerca do que realmente ocorre durante o sono.
A consolidação de memórias durante o sono vem recebendo
inúmeros estudos (incluindo a consolidação de memórias
semânticas e episódicas) o efeito do REM (Rapid Eyes
Movement, que tem sido questionado recentemente), e muitos
outros aspectos. Isso tudo está atualmente no bojo da
neurociência empírica, com evidências capazes de suportar
ou refutar os modelos sendo propostos.
 
*PB*
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 9:06 PM
Subject: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
 


O inconsciente é sem dúvida o principal objeto de estudo da psicanálise.
M.Calil
 
Ps. Os fenômenos mentais inconscientes são aqueles produzidos por nossa mente sem o nosso conhecimento e controle. O sonho é a prova "experimental" mais elementar do inconsciente. Estou relendo a Intepretação dos sonhos, de Freud com um espirito destruidor, mas infelizmente até agora não consegui encontrar bobagens no livro. Pelo contrário. Por exemplo para o estudo da linguagem em andamento, há processos particularmente importantes dos sonhos, como por exemplo os disfarces aos quais a linguagem onirica recorre. Uma das funções elementares do sonho é realizar desejos de forma alucinatória: quem dorme com muita sede tem boas chances de sonhar que está bebendo água numa cachoeira. (rsrsr).
 
 
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:01 AM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 


Qual o objeto de estudo da psicanálise?

 

To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 23:52:24 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O fato de existir um inconsciente (e parece de fato existir) não significa que a psicanálise seja válida.

[ ]s

Alvaro Augusto


Em 26/03/2012 15:23, Thiago Guimarães escreveu:
 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:





#81134 De: "Homero" <oraculo@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 7:17 pm
Assunto: Re: Neutrinos x luz Não sei uma punição seria necessária
oraculo333
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Alberto: "Também não acredito que ele tenha agido de má fé."

Eu também não, e mais, não vejo necessidade alguma de punição ou afastamento,
até porque a ciência avança e melhora com erros e desafios que dão errado, tanto
quanto (ou mais as vezes) que com acertos.

Cada ajuste, teste, analise, etc, feita para tentar verificar o que houve com o
experimento dos neutrinos, deve ter ensinado e esclarecido muitos pontos, que
servirão para experimentos futuros. Errar é uma excelente forma de aprender, se
mantemos a mente aberta e alerta, me parece.

Homero

--- Em ciencialist@..., "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@...>
escreveu
>
> Olá Victor
>
> Também não acredito que ele tenha agido de má fé. Enfim, só o tempo para
> esclarecer a situação, mesmo porque a notícia diz muito e não diz quase
> nada. Por exemplo: De que maneira o Eridato estaria contestando os novos
> experimentos? Será que nesta contestação ele não teria entrado em atrito
> com seus colegas? Não é fácil assumir um erro, admitindo-se que este
> erro realmente aconteceu.
>
> Creio que ainda é muito cedo para qualquer conclusão. De minha parte,
> continuo com a postura apresentada na msg
> http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/79169 .
>
> Se por um lado os neutrinos superluminais falariam contra a TR, por
> outro não seria fácil justificar este v > c nas condições em que a
> experiência foi feita. Eu acredito sim na possibilidade de velocidades
> superluminais, mas na forma como expus aqui há algum tempo, ou seja, num
> lançamento em pelo menos dois estágios como mostrado na msg 54489:
> http://ecientificocultural.com.br/ECC3/vesuplu.htm .
>
> Antes que digam que estou caminhando para o nirvana apontado pelo
> Victor, diria que esta é uma outra faceta do que tenho chamado dualidade
> absolutismo/relativismo ;-).
>
> [ ]´s
> Alberto
> http://ecientificocultural.com.br
> Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
> coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
> *******************************
>
> -----Mensagem Original-----
> From: JVictor
> Sent: Saturday, March 31, 2012 1:12 AM
> Subject: [ciencialist] Neutrinos x luz Não sei uma punição seria
> necessária
>
> Não acredito que Ereditato tenha agido de má fé, anunciando algo para
> enganar seus pares, e toda a comunidade cientifica, numa espécie de
> “litigação de má féâ€.  O grupo que pediu sua cabeça deve ter pensado
> isso.  Será?  Pois, a publicação dos resultados não foi consenso também
> desses  seus colegas no projeto que   “...apresentaram uma proposta na
> qual defenderam sua demissão.â€?  Cobra engolindo cobra. Agora querem
> tirar onda de vestais iludidas, que foram desfeitas de seus etcéteras e
> tal de nascença(como diria o genial escritor JCC, em o Cel. e o
> Lobisomen).
>
> Tinha muita graça mesmo!
>
> Sds,
> Victor.
>

#81135 De: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 7:14 pm
Assunto: Re: Em tempo: RES: Re: Relatividade - respondendo ao Victor
ecientificoc...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
-----Mensagem Original-----
From: Hélio Carvalho
Sent: Thursday, March 29, 2012 10:20 PM
Subject: Re: Em tempo: RES: [ciencialist] Re: Relatividade - respondendo
ao Victor

Na msg anterior afirmei: «No caso tridimensional eu tenho a impressão
que deve acontecer a mesma coisa, mas a demonstração não me parece ser
muito trivial. Se me sobrar algum tempo procurarei verificar isto.»

Vejamos agora:

> Hélio: Além disto eu pensei em algo bem mais geral (justamente o caso
> tridimensional citado por você). Por exemplo, a trajetória de B
> atravessa o plano do papel (ou da tela do PC) sem cruzar com a
> trajetória de A.
> Claro que se a velocidade for decomposta em três eixos ortogonais,
> cada componente estará em MRU, e esta é a análise  inteligente que
> falei na outra MSG que permite julgar se é um MRU visto de qualquer um
> que esteja em estado inercial.
Mesmo quando a evolução da distância entre eles não seja um MRU.
> d(t)= raiz(x(t)^2 + y(t)^2 +z(t)^2)

Sim, mas se as componentes estão em MRU então:
x(t) = vxt (vx = componente da velocidade no eixo x);
y(t) = vyt; e
z(t) = vzt
Portanto: d(t)=raiz[vx² + vy² + vz²]t = vt
onde v²=vx²+vy²+vz² = constante.
Ou seja, a evolução da distância entre eles é compatível com MRU
Obs.: Neste caso particular os três movimentos estão passando pela
origem. Do contrário teríamos que levar em consideração x0, y0 e z0, mas
a demonstração seria a mesma.

A figura http://ecientificocultural.com/ciencialist/MRU3.gif ilustra
esta tridimensionalidade para três instantes: origem dos tempos
(denotado por 0), após um tempo t (denotado por 1) e após um tempo 2t
(denotado por 2). Entre os intervalos de tempo 0 a t e t a 2t as
distâncias são sempre iguais, seja nos eixos (x, y e z), seja nos planos
(xy, xz e yz) seja no espaço.

[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.

#81136 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 4:51 pm
Assunto: 3a. sessão de Pesky Bee - a resistência
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Sem problemas, Peskysinho, vamos trabalhar a sua resistência.
A resistência é um conceito freudiano bastante simples e se manifesta como um  bloqueio quando você não bebe nenhum copo de cerveja.
Deve ter uma ligação com a censura do superego. Vou consultar Freud a respeito e depois informo o que ele falou.
Por isso que a psicanálise demora muito tempo para funcionar (quando funciona...): os pacientes resistem à mudança. Eles tem um pavor da mudança.
É muito mais que fobia. Remover transtornos da personalidade dói muito mais do que injeção na veia aplicada por uma enfermeira principiante. É semelhante a uma cirurgia sem anestesia. O tratamento indolor seria via hipnose, mas Freud não quis aperfeiçoar essa técnica...que pena!
 
Entretanto, não tenho nada contra você recorrer a outras técnicas indolores de psicoterapia. Contanto que o sintoma seja removido você pode consultar até os velhos
behaviouristas skinnerianos.  Coragem meu amigo!
 
Abraços não fundamentalistas
 
MC
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Saturday, March 31, 2012 11:28 AM
Subject: Re: [ciencialist] 2a. sessão de Pesky Bee no divã freudiano.

 

Como você está se afastando a cada dia que passa da seita fundamentalista dos anti-freudianos que foram vitimados por um surto ainda não tipificado, quando
passaram a comparar as teorias de Freud com a astrologia
 
Mas Calilzão, eu continuo achando que muito das freudificações
são comparáveis às teorias astrológicas. Teus zóios costumam
enxergar coisas que não estão acontecendo. Mais ou menos
como eu fico, depois do quarto copo de cerveja.
 
Fala pra ele que a definição de Ética como ciência da conduta
humana já foi criada há muito tempo.
 
Mas quem falou que precisamos respeitar definições "de muito
tempo atrás"? Naquelas épocas passadas, a cambada achava que
o cérebro era um órgão de refrigeração dos fluidos do corpo.
Dá para confiar cegamente em uma definição formulada por
aqueles manos hiper-antigóides?
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 3:55 PM
Subject: [ciencialist] 2a. sessão de Pesky Bee no divã freudiano.
 


O nosso divã é um pouco diferente do inventado pelo Freud há cerca de 120 anos.
A tecnologia na construção de sofás evoluiu muito neste periodo.
 
Vamos agora à 2a. sessão com o divã peskyano.
 
Legal Pesky! Você começou bem seu processo de libertação da ideologia cientificóide segundo a qual só é cientifica a teoria que passa pela prova do
experimentalismo. Para acelerar o seu processo de libertação, inventaram uma definição cientifica de Ética que é a seguinte: ética é a ciência da conduta humana.
Não sei porque resolveram manter a ética presa no sanatório da esquizo-filosofias. Me parece que a filosofia tem a função de evitar a ditadura cientifica.
Pura ilusão, pois a própria ciência é dominada pela ditadura genética da Seleção Natural, que o neurocientificóides adoram.
A ética tem um papel muito importante neste contexto histórico por ser o principal agente do processo civilizatório.
Da obviedade de que o homem não pode se livrar de  seu equipamento genético selvagem só os esquizo-metafisicos rousseaunianos duvidam.
 
Como você está se afastando a cada dia que passa da seita fundamentalista dos anti-freudianos que foram  vitimados por um surto ainda não tipificado, quando
passaram a comparar as teorias de Freud com a astrologia, recomendo a leitura de alguns livrinhos antropológicos de Freud onde ele demonstra, valendo-se das teorias dos antropólogos e não dos misticos rousseaunianos, que a ética foi criada pelos próprios selvagens para controlar a total promiscuidade sexual em que viviam. Curiosamente essa violenta repressão sexual que as religiões  aproveitaram  politicamente para transformar o sexo em pecado, não foi acompanhada pela repressão à violência. Como a violência só é passivel de repressão com a propria violência, temos aí um dilema interessante para resolver: como acabar com a violência sem recorrer à violência? Bem... aí só tem um jeito: instalar no cérebro  de todos os politicos e (des) governantes de todas as nações um chip anti-violência.
 
Enquanto isso vamos ver a abordagem cientifica que Sam Harris,  indicado pelo Pesky Bee, propõe.
 
Harris - Human well-being is not a random phenomenon.
 
Shii... começamos mal. O Harris parece o Einstein que não gostava que Deus jogasse dados.... Para se livrar do determinismo, um bom remédio para essa randomfobia é a leitura de "O acaso e a necessidade" do premio Nobel de Medicina de 1965, Jacques Monod.
 
But can’t moral claims be in conflict? Aren’t there many situations in which one person’s happiness means another’s suffering?

Harris -There are some circumstances like this, and we call these contests “zero-sum.” Generally speaking, however, the most important moral occasions are not like this. If we could eliminate war, nuclear proliferation, malaria, chronic hunger, child abuse, etc.—these changes would be good, on balance, for everyone.

A questão fulcral para é essa:  como a ciência pode eliminar esses males de origem genética/selvagem?

Harris -There are surely neurobiological, psychological, and sociological reasons why this is so—which is to say that science could potentially tell us exactly why a phenomenon like child abuse diminishes human well-being. But we don’t have to wait for science to do this. We already have very good reasons to believe that mistreating children is bad for everyone. I think it is important for us to admit that this is not a claim about our personal preferences, or merely something our culture has conditioned us to believe. It is a claim about the architecture of our minds and the social architecture of our world. Moral truths of this kind must find their place in any scientific understanding of human experience.

Não respondeu à pergunta!

What if some people simply have different notions about what is truly important in life? How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?

Harris -As I discuss in my book, there may be different ways for people to thrive, but there are clearly many more ways for them not to thrive. The Taliban are a perfect example of a group of people who are struggling to build a society that is obviously less good than many of the other societies on offer. Afghan women have a 12% literacy rate and a life expectancy of 44 years. Afghanistan has nearly the highest maternal and infant mortality rates in the world. It also has one of the highest birthrates. Consequently, it is one of the best places on earth to watch women and infants die. And Afghanistan’s GDP is currently lower than the world’s average was in the year 1820.  It is safe to say that the optimal response to this dire situation—that is to say, the most moral response—is not to throw battery acid in the faces of little girls for the crime of learning to read. This may seem like common sense to us—and it is—but I am saying that it is also, at bottom, a claim about biology, psychology, sociology, and economics. It is not, therefore, unscientific to say that the Taliban are wrong about morality. In fact, we must say this, the moment we admit that we know anything at all about human well-being.

DE NOVO: NÃO RESPONDEU À PERGUNTA "How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?" O Harris não está confundindo ciência com filosofia? A filosofia faz perguntas para a ciência responder e ele como representante da ciência no mundo da ética, não responde? Vamos ver se ele responde à próxima pergunta - última chance.

7. How could science guide us on the moral landscape?

Harris -In so far as we can understand human wellbeing, we will understand the conditions that best secure it. Some are obvious, of course. Positive social emotions like compassion and empathy are generally good for us, and we want to encourage them. But do we know how to most reliably raise children to care about the suffering of other people? I’m not sure we do. Are there genes that make certain people more compassionate than others? What social systems and institutions could maximize our sense of connectedness to the rest of humanity? These questions have answers, and only a science of morality could deliver them. 

Ué... Harris ao invés de responder a pergunta declara que que só uma "ciência da moralidade" poderia responder outras perguntas?

Pesky, seu amigo tá precisando é de um banho de lógica na comunicação. Fala pra ele que a definição de Ética como ciência da conduta humana já foi criada há muito tempo. Informe também a ele, que a humanidade sabe há muito tempo o que deveria fazer para viver sob um regime de ética social, e que até a religião produziu pérolas da ética como esta: "ama a teu próximo como a ti mesmo". O Harris é mesmo neurocientista? Parece que tem muito mais vocação para a filosofia do que para a ciência.  Ah, ele é um ótimo marketeiro!

Abraços e até a 3a. sessão de psicanálise sem Freud. (depois eu falo de um filósofo francês adoidado que inventou uma psicanálise sem Freud).

M.Calil

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The Moral Landscape: Q & A with Sam Harris

image


1. Are there right and wrong answers to moral questions?

Morality must relate, at some level, to the well-being of conscious creatures. If there are more and less effective ways for us to seek happiness and to avoid misery in this world—and there clearly are—then there are right and wrong answers to questions of morality.

2. Are you saying that science can answer such questions?

Yes, in principle. Human well-being is not a random phenomenon. It depends on many factors—ranging from genetics and neurobiology to sociology and economics. But, clearly, there are scientific truths to be known about how we can flourish in this world. Wherever we can have an impact on the well-being of others, questions of morality apply.

3. But can’t moral claims be in conflict? Aren’t there many situations in which one person’s happiness means another’s suffering?

There are some circumstances like this, and we call these contests “zero-sum.” Generally speaking, however, the most important moral occasions are not like this. If we could eliminate war, nuclear proliferation, malaria, chronic hunger, child abuse, etc.—these changes would be good, on balance, for everyone. There are surely neurobiological, psychological, and sociological reasons why this is so—which is to say that science could potentially tell us exactly why a phenomenon like child abuse diminishes human well-being.

But we don’t have to wait for science to do this. We already have very good reasons to believe that mistreating children is bad for everyone. I think it is important for us to admit that this is not a claim about our personal preferences, or merely something our culture has conditioned us to believe. It is a claim about the architecture of our minds and the social architecture of our world. Moral truths of this kind must find their place in any scientific understanding of human experience.

4. What if some people simply have different notions about what is truly important in life? How could science tell us that the actions of the Taliban are in fact immoral, when the Taliban think they are behaving morally?

As I discuss in my book, there may be different ways for people to thrive, but there are clearly many more ways for them not to thrive. The Taliban are a perfect example of a group of people who are struggling to build a society that is obviously less good than many of the other societies on offer. Afghan women have a 12% literacy rate and a life expectancy of 44 years. Afghanistan has nearly the highest maternal and infant mortality rates in the world. It also has one of the highest birthrates. Consequently, it is one of the best places on earth to watch women and infants die. And Afghanistan’s GDP is currently lower than the world’s average was in the year 1820.  It is safe to say that the optimal response to this dire situation—that is to say, the most moral response—is not to throw battery acid in the faces of little girls for the crime of learning to read. This may seem like common sense to us—and it is—but I am saying that it is also, at bottom, a claim about biology, psychology, sociology, and economics. It is not, therefore, unscientific to say that the Taliban are wrong about morality. In fact, we must say this, the moment we admit that we know anything at all about human well-being.

5. But what if the Taliban simply have different goals in life?

Well, the short answer is—they don’t. They are clearly seeking happiness in this life, and, more importantly, they imagine that they are securing it in a life to come. They believe that they will enjoy an eternity of happiness after death by following the strictest interpretation of Islamic law here on earth. This is also a claim about which science should have an opinion—as it is almost certainly untrue. There is no question, however, that the Taliban are seeking well-being, in some sense—they just have some very strange beliefs about how to attain it.

In my book, I try to spell out why moral disagreements do not put the concept of moral truth in jeopardy. In the moral sphere, as in all others, some people don’t know what they are missing. In fact, I suspect that most of us don’t know what we are missing: It must be possible to change human experience in ways that would uncover levels of human flourishing that most of us cannot imagine. In every area of genuine discovery, there are horizons past which we cannot see.

6. What do you mean when you talk about a “moral landscape”?

This is the phrase I use to describe the space of all possible experience—where the peaks correspond to the heights of well-being and valleys represent the worst possible suffering. We are all someplace on this landscape, faced with the prospect of moving up or down. Given that our experience is fully constrained by the laws of the universe, there must be scientific answers to the question of how best to move upwards, toward greater happiness.

This is not to say that there is only one right way for human beings to live. There might be many peaks on this landscape—but there are clearly many ways not to be on a peak.

7. How could science guide us on the moral landscape?

In so far as we can understand human wellbeing, we will understand the conditions that best secure it. Some are obvious, of course. Positive social emotions like compassion and empathy are generally good for us, and we want to encourage them. But do we know how to most reliably raise children to care about the suffering of other people? I’m not sure we do. Are there genes that make certain people more compassionate than others? What social systems and institutions could maximize our sense of connectedness to the rest of humanity? These questions have answers, and only a science of morality could deliver them. 

8. Why is it taboo for a scientist to attempt to answer moral questions?

I think there are two primary reasons why scientists hesitate to do this. The first, and most defensible, is borne of their appreciation for how difficult it is to understand complex systems. Our investigation of the human mind is in its infancy, even after nearly two centuries of studying the brain. So scientists fear that answers to specific questions about human well-being may be very difficult to come by, and confidence on many points is surely premature. This is true. But, as I argue in my book, mistaking no answers in practice for no answers in principle is a huge mistake.

The second reason is that many scientists have been misled by a combination of bad philosophy and political correctness. This leads them to feel that the only intellectually defensible position to take when in the presence of moral disagreement is to consider all opinions equally valid or equally nonsensical. On one level, this is an understandable and even noble over-correction for our history of racism, ethnocentrism, and imperialism.  But it is an over-correction nonetheless. As I try to show in my book, it is not a sign of intolerance for us to notice that some cultures and sub-cultures do a terrible job of producing human lives worth living.

9. What is the difference between there being no answers in practice and no answers in principle, and why is this distinction important in understanding the relationship between human knowledge and human values?

There are an infinite number of questions that we will never answer, but which clearly have answers. How many fish are there in the world’s oceans at this moment? We will never know. And yet, we know that this question, along with an infinite number of questions like it, have correct answers. We simply can’t get access to the data in any practical way.

There are many questions about human subjectivity—and about the experience of conscious creatures generally—that have this same structure. Which causes more human suffering, stealing or lying? Questions like this are not at all meaningless, in that they must have answers, but it could be hopeless to try to answer them with any precision. Still, once we admit that any discussion of human values must relate to a larger reality in which actual answers exist, we can then reject many answers as obviously wrong. If, in response to the question about the world’s fish, someone were to say, “There are exactly a thousand fish in the sea.” We know that this person is not worth listening to. And many people who have strong opinions on moral questions have no more credibility than this. Anyone who thinks that gay marriage is the greatest problem of the 21st century, or that women should be forced to live in burqas, is not worth listening to on the subject of morality.

10. What do you think the role of religion is in determining human morality?

I think it is generally an unhelpful one. Religious ideas about good and evil tend to focus on how to achieve well-being in the next life, and this makes them terrible guides to securing it in this one. Of course, there are a few gems to be found in every religious tradition, but in so far as these precepts are wise and useful they are not, in principle, religious. You do not need to believe that the Bible was dictated by the Creator of the Universe, or that Jesus Christ was his son, to see the wisdom and utility of following the Golden Rule.

The problem with religious morality is that it often causes people to care about the wrong things, leading them to make choices that needlessly perpetuate human suffering. Consider the Catholic Church: This is an institution that excommunicates women who want to become priests, but it does not excommunicate male priests who rape children. The Church is more concerned about stopping contraception than stopping genocide. It is more worried about gay marriage than about nuclear proliferation. When we realize that morality relates to questions of human and animal well-being, we can see that the Catholic Church is as confused about morality as it is about cosmology.  It is not offering an alternative moral framework; it is offering a false one.

11. So people don’t need religion to live an ethical life?

No. And a glance at the lives of most atheists, and at the most atheistic societies on earth—Denmark, Sweden, etc.—proves that this is so. Even the faithful can’t really get their deepest moral principles from religion—because books like the Bible and the Qur’an are full of barbaric injunctions that all decent and sane people must now reinterpret or ignore. How is it that most Jews, Christians, and Muslims are opposed to slavery? You don’t get this moral insight from scripture, because the God of Abraham expects us to keep slaves. Consequently, even religious fundamentalists draw many of their moral positions from a wider conversation about human values that is not, in principle, religious. We are the guarantors of the wisdom we find in scripture, such as it is. And we are the ones who must ignore God when he tells us to kill people for working on the Sabbath.

12. How will admitting that there are right and wrong answers to issues of human and animal flourishing transform the way we think and talk about morality?

What I’ve tried to do in my book is give a framework in which we can think about human values in universal terms. Currently, the most important questions in human life—questions about what constitutes a good life, which wars we should fight or not fight, which diseases should be cured first, etc.—are thought to lie outside the purview of science, in principle. Therefore, we have divorced the most important questions in human life from the context in which our most rigorous and intellectually honest thinking gets done.

Moral truth entirely depends on actual and potential changes in the well-being of conscious creatures. As such, there are things to be discovered about it through careful observation and honest reasoning. It seems to me that the only way we are going to build a global civilization based on shared values—allowing us to converge on the same political, economic, and environmental goals—is to admit that questions about right and wrong and good and evil have answers, in the same way the questions about human health do.

 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:47 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 
 

Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética?
 
Concordo contigo que a ética/moral são campos bastante
complicados para uma análise empírica/científica. Eu
mesmo achava que isso seria sempre uma carta "fora do
baralho". Mas aí eu tomei contato com algumas ideias
do Sam Harris em seu livro "The Moral Landscape", e vi
que é um bom começo. Quem quiser saber um pouco mais
sobre isso basta assistir:
 
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:35 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 


Desculpe, meu amigo Pesky, a sua postura em relação à psicanálise é fundamentalista.
 
Existem duas seitas na psicanálise: 
 
a seita dos psicanalistas ortodoxos que seguem à risca a biblia freudiana e a seita dos anti-freudianos.
 
Eu não pertenço a nenhuma das duas. Fiquei 5 anos pesquisando em São Paulo até achar um psicanalista que atendeesse aos pré-requisitos que eu defini.
 
Tive a sorte de encontrá-lo (um verdadeiro milagre) e fiquei com ele durante cerca de 20 anos, até ele encerrar as atividades da clinica.
 
Se eu conhecesse alguém do nivel dele indicaria para você fazer uma verificação no campo.
 
O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância.
 
Você acha mesmo que não foi acometido por nenhuma neurose? Ou acha que as neuroses não existem?
 
Abraços e muita calma por favor.
 
M.Calil
 
Ps. Essa frase "proposições testadas empiricamente" começa a me soar fundamentalista. Afinal o empirismo é uma ideologia. Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética? Vai ver que é por isso que a ética não saiu do seu estágio pré-histórico  - porque os cientistas não conseguiram testá-la empiricamente... rsrsrsrsrsr
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é precisoconhecer!
 
 

A psicanálise ou é pseudo-ciência ou, no máximo, apenas
uma disciplina da filosofia. Na psicanálise não há
proposições que possam ser testadas empiricamente.
Existem apenas historinhas bonitinhas, que algumas pessoas
"sentem" que são corretas. Mas há tantas coisas que as
pessoas "sentem" que estão certas e que no final
das contas se mostraram apenas falsas...
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 2:39 PM
Subject: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer!
 


Já disse várias vezes que existem inúmeras teorias psicanaliticas.
A análise do que é cientifico ou não em tudo que Freud escreveu (e "experimentou") requer um esforço que muitos preferem substituir pela análise pseudo-cientifica
da pseudo-ciência. A qualificação do que é pseudo-cientifico facilmente é distorcida por uma postura pseudo-cientifica. É o pensamento pseudo-cientifico julgando a pseudo- ciência.
 
Uma das coisas mais escandalosamente óbvias da psicanálise é a constatação de que de que muitos transtornos de comportamento são provocados
pela má educação dos pais. Mas a mente humana é dotada de um monte de mecanismos irracionais, sendo um deles a negação da mais óbvia realidade.
E o que não se nega aqui? Até o fato de uma menina de 2 anos ser educada por dois homens já foi considerado como algo que não vai prejudicar em nada
o desenvolvimento emocional da criança. A lógica e o senso comum são as premissas básicas do conhecimento cientifico. E essas duas premissas não
se aprendem nos livros.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Ai vai o trecho 2 de O Ego e o ID.
 
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 02
 

Mas nós chegamos ao termo ou conceito de inconsciente ao longo de

outro caminho, pela consideração de certas experiências em que a

dinâmica mental desempenha um papel. Descobrimos — isto é, fomos

obrigados a presumir — que existem idéias ou processos mentais

muito poderosos (e aqui um fator quantitativo ou econômico entra em

questão pela primeira vez) que podem produzir na vida mental todos os

efeitos que as idéias comuns produzem (inclusive certos efeitos que

podem, por sua vez, tornar-se conscientes como idéias), embora eles

próprios não se tornem conscientes. É desnecessário repetir em

pormenor aqui o que foi explicado com tanta freqüência antes. Basta

dizer que, neste ponto, a teoria psicanalítica intervém e assevera que a

razão pela qual tais idéias não podem tornar-se conscientes é que uma

certa força se lhes opõe; que, de outra maneira, se tornariam

conscientes, e que seria então aparente quão pouco elas diferem de

outros elementos que são admitidamente psíquicos. O fato de se ter

encontrado, na técnica da psicanálise, um meio pelo qual a força

opositora pode ser removida e as idéias em questão tornadas

conscientes, torna irrefutável essa teoria. O estado em que as idéias

existiam antes de se tornarem conscientes é chamado por nós de

repressão, e asseveramos que a força que instituiu a repressão e a

mantém é percebida como resistência durante o trabalho de análise.

Obtemos assim o nosso conceito de inconsciente a partir da teoria da

repressão. O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente.

Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é

latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e

não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se

consciente. Esta compreensão interna (insight) da dinâmica psíquica

não pode deixar de afetar a terminologia e a descrição. Ao latente, que

é inconsciente apenas descritivamente, não no sentido dinâmico,

chamamos de pré-consciente; restringimos o termo inconsciente ao

reprimido dinamicamente inconsciente, de maneira que temos agora

três termos, consciente (Cs.), pré-consciente (Pcs.) e inconsciente

(Ics.), cujo sentido não é mais puramente descritivo. O Pcs. acha-se

provavelmente muito mais próximo do Cs. que o Ics., e desde que

chamamos o Ics. de psíquico, chamaremos, ainda com menos

hesitação, o Pcs. latente de psíquico. Mas por que, ao invés disto, não

concordamos com os filósofos e, de maneira coerente, distinguimos o

Pcs., assim como o Ics., do psíquico consciente? Os filósofos

proporiam então que o Pcs. e o Ics. fossem descritos como duas

espécies ou estágios do ‘psicóide’ e a harmonia se estabeleceria.

Porém, dificuldades infindáveis de exposição se seguiriam, e o fato

importante de que estes dois tipos de ‘psicóide’ coincidem em quase

todos os outros aspectos com o que é admitidamente psíquico seria

forçado para o segundo plano, nos interesses de um preconceito que

data de um período em que esses psicóides, ou a parte mais

importante deles, eram ainda desconhecidos.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 12:47 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 

O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:

Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


#81137 De: Thiago Guimarães <guimaraesbsb@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 6:25 pm
Assunto: RE: Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
guimaraesbsb
Enviar e-mail Enviar e-mail
 


(depois de Kant, o papel da filosofia é o de impedir a razão de exceder os limites do que é dado pela experiência; mas depois dessa época também - isto é, depois do desenvolvimento do Estado moderno e da gestão política da sociedade - a filosofia tem igualmente por função vigiar os poderes excessivos da racionalidade política. E isto é pedir-lhe muito.)


Muito bem feito, PB.

De certa forma e em certo ponto, sim. Inspira-se nos conhecimentos de sociologia, antropologia e arqueologia, até a teologia nessa "inspiração", bem como a física, a química e a matemática e todas as ciências disciplinares.

Mas cabe ressaltar que é a epistemologia objeto de estudo da filosofia: a busca pela verdade (para além da caixinha) e não de qualquer outra ciência, pelo caráter de abrangência que é imantente à filosofia.

"Alguns filósofos inspiram-se no que a ciência descobre", inspiram-se, criticam, estabelecem dialética, transcendência e consciência epistemológica do termo. Por exemplo: - Por que ainda usamos esses carros com combustível jurássico (literalmente)? - Se se conhece técnicas fundamentadas de dessalinização da água, por que estima-se uma guerra por isto (imperialismo)?

Pois para os carros ao combustível fóssil, já existem energias inovadoras (mas para os magnatas do petróleo, da "ciência",  torna-se muito mais fácil e cômodo especular o combustível atual, pois isto significa lucro desenfreado!).

Para a água já existem sistemas de dessalinização da água do mar através de processos geotérmicos, que podem não enxer novamente os rios e lagoas, mas certamente podem manter a subexistência do humano pelo menos até que se consiga restaurar os recursos naturais. A "ciência" entra em ação quando a guerra começa, dai vão vender as armas, vender a água e vender a dessalinização.

Quando "tudo está perdido" a ciência mercadológica aparece com alguma de suas "mágicas".

Como disse Michel Foucault (leia com atenção antes de criticar!):

"[...] Não é portanto o poder, mas o sujeito, que constitui o tema geral das minhas investigações. 


É verdade que eu fui levado a interessar-me mais de perto pela questão do poder. Rapidamente me apercebi que, se o sujeito humano é apanhado nas relações de produção e nas relações de sentido, ele é igualmente apanhado nas relações de poder de uma grande complexidade. Ora, parece-me que nós dispomos, graças à história e à teoria econômica, de instrumentos adequados para estudar as relações de produção; igualmente, a lingüística e a semiótica fornecem instrumentos para o estudo das relações de sentido. Mas para aquilo que é as relações de poder, não há nenhum instrumento definido; nós temos recorrido a maneiras de pensar o poder que se apóiam quer nos modelos jurídicos (o que é que legitima o poder?), quer nos modelos institucionais (o que é o Estado?). Era por isso necessário alargar as dimensões de uma definição de poder se quiséssemos utilizar esta definição para estudar a objetivação do sujeito. Será que temos necessidade de uma teoria do poder? Visto que toda a teoria supõe uma objetivação prévia, nenhuma pode servir de base ao trabalho de análise. Mas o trabalho de análise não se pode fazer sem uma problematização dos aspectos tratados. E esta problematização implica um pensamento crítico - uma verificação constante. É necessário que nos asseguremos daquilo que chamarei as 'necessidades conceituais'. Isto significa que a problematização não se deve fundar numa teoria do objeto: o objeto problematizado não é o único critério de validade de uma problematização. Precisamos conhecer as condições históricas que motivam este ou aquele tipo de problematização. Precisamos ter uma consciência histórica da situação na qual vivemos. Em segundo lugar, temos que nos assegurar da realidade com que somos confrontados. Um jornalista de um grande jornal exprimia um dia a sua surpresa: "Por que é que tanta gente acentua a questão do poder atualmente? É isso um assunto importante? E tão independente que se possa falar dele sem ter em conta os outros problemas?"


Esta surpresa espantou-me. É-me difícil de acreditar que foi necessário esperar pelo século XX para que esta questão tenha sido enfim levantada. Para nós, de qualquer forma, o poder não é apenas uma questão teórica, mas qualquer coisa que faz parte da nossa experiência. (...) O fascismo e o estalinismo utilizaram e aperfeiçoaram os mecanismo já presentes na maior parte das outras sociedades. Não apenas isso, mas apesar da sua loucura interna, eles utilizaram numa grande medida as idéias e os procedimentos da nossa racionalidade política. O que é necessário, é uma nova economia das relações de poder - e utilizo aqui a palavra 'economia' no seu sentido teórico e prático. Dizendo as coisas de outra forma: depois de Kant, o papel da filosofia é o de impedir a razão de exceder os limites do que é dado pela experiência; mas depois dessa época também - isto é, depois do desenvolvimento do Estado moderno e da gestão política da sociedade - a filosofia tem igualmente por função vigiar os poderes excessivos da racionalidade política. E isto é pedir-lhe muito.


Existem fatos de uma extrema banalidade, que todo o mundo conhece. Mas não é porque são banais que eles não existem. O que é necessário fazer com os fatos banais, é descobrir - ou pelo menos tentar descobrir - qual o problema específico e talvez original que aí se estabelece. A relação entre racionalização e excessos do poder político é evidente. E nós não deveríamos ter de esperar a burocracia ou os campos de concentração para reconhecer a existência de relações desse tipo. Mas o problema que se põe é o seguinte: que fazer de uma tal evidência? Será necessário fazer um processo contra a razão? (...)


(Michel Foucault, Dois Ensaios Sobre o Sujeito e o Poder - 1984).

http://jornalista.tripod.com/teoriapolitica/3.htm





To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Sat, 31 Mar 2012 11:30:38 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 

Thiagão, é essa a posição que vejo como relevante. A filosofia
parece ter sido a "mãe de todas as ciências", mas hoje em
dia ela virou aprendiz. Alguns filósofos inspiram-se no que
a ciência descobre, e disso tiram importantes contribuições.
É o caso de Daniel Dennett, que produziu filosofia relevante
sendo diretamente instruído pela ciência.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 5:48 PM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


PB,
voltamos à dificuldade linguistica: Natureza, no sentido de princípio da coisa? Ou da natureza no sentido de "in natura" (Latim). Pois tudo seria "natureza", afinal, antes de pensar e termos cérebros, eramos apenas matérias dispersas no universo.
 
Como acredito que seja a segunda hipótese então vamos considerar o seguinte:
- Eu quis mostrar que existe um processo histórico da filosofia, que seria o processo histórico da humanidade (o que ainda assim não foi suficiente).
 
No mundo antigo, poderia até pôr aqui alguns dados dos filósofos pré-socráticos sobre o mundo, por exemplo no caso de Tales de Mileto, onde ele sugeria que "tudo era água", ou da citação do Sofista Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas", que hoje é objeto de estudo da epistemologia, isto é, de todas as ciências disciplinares. Os antigos, por exemplo, acreditavam na "ciência oculta" da decomposição da matéria e dos organismos vivos. Seria algo como o pressuposto da "auto-decomposição" da matéria. O que atualmente não é aceito e totalmente refutado, uma vez que se tem o entendimento da biologia e da bioquímica dos microrganismos vivos, bem como da física e da química dos metais (por exemplo, do ferro - a oxidação). O que era "metafísica" para eles, não é para nós, pois houve uma "expansão" do nosso conceito de verdade, desde aquele tempo até hoje.
 
Na ciência moderna, existem casos curiosos como o da Síndrome das Pernas Inquietas (Síndrome de Ekbom), onde uma abordagem psicológica e filosófica fora completamente modificada após o descobrimento de uma "natureza" orgânica-neurológica do problema (em grande parte ainda desconhecida). Existem casos semelhantes de outras doenças, como parkinson e alzheimer, o que só encontra paradoxos. Alheimer, por exemplo, é uma doença orgânica, que pode ter natureza filosófica, o que é completamente paradoxal (assim como outros problemas de demência). Outras doenças tem natureza orgânica e repercussão filosófica, por exemplo, no caso da Esclerose Lateral Amiotrófica. Alguém já assistiu o escafandro e a borboleta? É disto a que me refiro. Mas desse ponto de vista, da prevenção, promoção, da recuperação, da reabilitação e da reinserção social, não seria o caso de analisar dessa forma todas as doenças?
 
Por fim, contemporaneamente enfrentamos um problema epistemológico no Brasil. O confronto da crença e da certeza humana no uso da sacola plástica versus a verdade da natureza. Nesse ponto, ficou demonstrado que o custo causado ao meio ambiente, diante da dificuldade da decomposição desse material, não encontrava respaldo na certeza humana. Portanto, a síntese (verdade) encontrada foi a perda da objetividade da sacolinha plástica (por motivo de "força maior") foi a sua inutilização. Mas veja bem, ai ocorreu a pergunta: Como inovar (transcender)? Pois nem por isso o uso do transporte da mercadoria ficou prejudicado, uma vez que se passou a utilizar outros tipos de compostos que tivesse menor grau de dificuldade na sua decomposição, isto é, que prejudicasse menos o meio ao qual vivemos.
 
Voltando no período clássico, vou fazer uma citação do wikipédia (texto fácil):
 
[Sobre Tales de Mileto]

(...) No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", disse ele, aproximadamente 2460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado". Tales foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.

Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela. A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.


 
 
A verdade é que vivemos em tempos de Secularismo e Racionalismo. Para se compreender isto, tem-se que estudar um contexto de quinhentos anos de história da filosofia.
 
Mas obrigado por me fazer pensar sobre isto: como os processos ditos "naturais" influenciam os processos filosóficos. Parece-se bastante com a dialética materialista, mas com abordagem diferenciada, pois adentra no campo disciplinar. Isto é difícil de pensar, visto que não é o objetivo da filosofia: a epistemologia e a transcendência. É fácil quando essa busca pela verdade parte da filosofia para a compreensão epistemológica do mundo, mas é difícil quando parte da disciplina modificar a própria epistemologia. Mas é totalmente possível, uma vez que não existe "verdade maior" que a outra.
 
Por isso é que se diz...
viver e aprender!
 
Thiago.

 
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Fri, 30 Mar 2012 10:42:22 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Mas Thiagão, eu só queria uma evidência (algo que se possa
constatar na natureza) capaz de alterar (ou refutar) um aspecto
filosófico. Eu cá com meus botões não acredito que isso exista,
mas estou pronto para rever minha posição. Mas tu não vai se
incomodar se eu esperar deitado, né?  ;-)
 
*PB*
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 4:38 PM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 



Prezado,
Suas questões são as questões do milênio: as perguntas do milênio e a resposta de "um bilhão de dólares", como diria o Prof. Clemente Nobrega.
 
"> tu consegues me dar algum exemplo de questão
> filosófica que tenha sido abandonada por força de evidências
> em contrário?"
 
 
Vale saber que o discurso Socrático (dialética) foi a superação do discurso Sofista (mitológico).
 
Há superações na filosofia, que são bem conhecidas na História da Filosofia (que é a história "do mundo").
O maior problema encontra-se aqui: como superar Platão se nem sequer o compreendemos? Como tornar ultrapassado aquilo que simplesmente não se sabe? Está escrito, basta conhecer, mas não se compreende e não se sabe. Os "princípios republicanos" e os conceitos de "justiça" escritos em A República, inclusive a alegoria da caverna (Livro VII), tem mais de dois mil anos. E nossa sociedade vive hoje sob tais princípios e premissas "republicanas"? A resposta é simples: Não.
 
O desespero de qualquer arqueólogo é pensar na destruição da biblioteca de Alexandria. Estima-se que ainda hoje não exista um registro histórico como aquele. Inclusive as bases da civilização, que é a suméria, não deixou muitos vestígios, mas existem paradoxos e antagonismos inexplicáveis (e até anacrônicos!). Sabe-se atualmente que muitos conhecimentos registrados em Alexandria não foram ainda descobertos. Pensa-se que se sabia mais naquela época do que hoje, sobre diversos assuntos e aspectos.
 
Absurdo?
 
Ai voltamos a mesma questão: vivemos hoje sob premissas republicanas (A República, em Platão, mais de dois mail anos)? Não. Os homens da antiguidade eram mais ou menos espertos? Mais ou menos inteligentes? Então não é nada absurdo. Não é absurdo para arqueologia e não será absurdo para muitos historiadores. Os aspectos jurídicos da nossa sociedade por exemplo são tão atrasados, que sequer chegam perto daqueles que eram praticados na Roma antiga (e há inúmeros estudos, dados e aspectos registrado sobre isto).
 
Nossa sociedade então "retrocedeu" (em vários aspectos)?
Provavelmente sim.
 
Fatos modernos:
Em 1955 Max Horkheimer, um dos maiores filósofosos e sociólogos (alemão, pra "variar"), escreveu um livro chamado Eclipse da Razão, onde o autor tenta explicar exatamente (com método!) por que  o mundo da "máxima razão" - "Dubigo, ergo cogito, ergo sum" ao "Cogito ergo sum" (Penso logo existo, Cartesiano), culminou na formação não de homens mais humanos e mais "racionais", mas de abutres.
 
Tanto em Kant, quanto em Hegel, você encontra críticas à postura da ciência positivista, ao cientificismo. Analisando com cuidado, percebe-se que o período da Idade Média, baseado nas "crenças absolutas" em Deus foi substituído por outros tipos de "crenças absolutas", agora na ciência (não em qualquer ciência, mas na conveniência científica). Sucintamente, Hegel chegou a surgerir em um de seus ensaios que a ciência não poderia justificar a ciência por suas próprias premissas racionais, pois isto seria o cachorro correndo atrás do próprio rabo.
 
Não estudamos isto na escola. Por que será?

De certa forma e em grande parte, tanto a dialática Kantiana, quanto a dialética Hegeliana, por suas premissas racionalistas e abstractas foram superadas pela dialática Marxista: o materialismo histórico. Inspirando toda uma escola de pensadores. Mas é verificado ainda hoje que o idealismo Marxista predominou em grande parte a sua dialética nos anos que se sucederam, especialmente pelos aspectos revolucionários. A dialética Marxista inspirou fortemente a necessidade do empirismo científico (o materialismo), bem como o discurso niilista e ateísta.
 
E foi assim, entre idas e vindas, que surgiu a escola de Frankfurt, predominante do período pós-guerras, da qual Horkheimer faz parte, que é exatamente a releitura da dialética Marxista, não como os "papagaios" do idealismo, mas como a verificação do "capitalismo tardio" exposto por Mandel, preceituado no Capital, de Marx.
 
Trata-se assim do processo histórico. A filosofia, ao seu tempo, se verifica sobretudo no discurso. O discurso filosófico inspira as gerações. Parafraseando Jean-Paul Sartre, o "homem está condenado ser livre", a inovar e a superar suas contradições. Se o homem não supera suas contradições, ele mesmo se anula (como ocorre em grande parte atualmente).
 
Por exemplo:
- O pragmatismo.
O pragmatismo é a institucionalização do ascetismo capitalista emancipado dos princípios religiosos (e também ao que se chama hoje de "fundamentalismos de mercado"), das crenças católico-cristãos ainda marcantes no século XIX. Observado isto foi Max Weber (o "pai" da sociologia), quem descreveu esta relação no "lívro do século XX", em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" (vale pena a leitura!). O mais engraçado (se não tragi-cômico) disto é que Weber propõe que a emancipação do Capitalismo (e do cientificismo) dos princípios religiosos-cristãos foi o "Desencantamento do mundo" (vide wikipédia, há uma boa referência), onde Weber propõe através de METODOLOGIA CIENTÍFICA (objetiva!), que o capitalismo deveria se "revestir" novamente pela égide da racionalidade cristã e que os "ricos" deveriam novamente "procurar a Deus". E o que os americanos fazem? É a nação do protestantismo.
 
Quando se diz ser "pragmático", é bem verdade que muitos usam este termo sem saber o que diz, dizem até o "pragmático", ser "científico", como se fossem almas gêmeas, pois poucos sabem que se trata de uma escola da filosofia Estadunidense proposto no século XX, apoiando todo o imperialismo americano. A Globalização que se tem atualmente, é o quê? Pragmática. O pragmatismo é por muitos considerado a reinvenção do formalismo soviético, que é uma visão utilitarista convencional dos recursos da realidade para os fins de benefício próprio. Isto Horkheimer chamou de "Racionalismo Instrumental", e a formação de sujeitos naturais, ou o naturalismo dos sujeitos (formação de abutres).
 
Foucault, embora não adentre à escola de Frankfurt, estudou também este tipo de dominação e influência na sujeição (objetivação) dos indivíduos. A esta relação desproporcional de poder, ele chamou de "Biopoder", trabalhando a fundo o termo na "Microfísica do Poder". Foucault é por muitos considerado um dos filósofos que mais inovaram este final de século, por tratar da sujeição (objetividade), e aquilo que ele chamou de "instituições disciplinares", que é justamente a doutrinação e domesticação dos sujeitos.
 
Atualmente os estudos vão de encontro frontalmente ao Iluminismo e ao Estado burguês, na tentativa de superá-lo. Superar assim a ética da idéia do "homem de dentro", do "homem de fora", "corpo e alma". O que se encontra no epicentro da atual crise capitalista (contemporaneidade). A isto entitula-se o "capitalismo tardio" e a "pós-modernidade".
 
Aqui eu me encontro: O que é exatamente esta pós-modernidade? A superação da modernidade. Como ela se manifesta? Como inová-lo (a pergunta de um bilhão de dólares), isto é, a "expectativa zero". Recentemente o geógrafo brasileiro, Milton Santos, defendeu a solidariedade e a fraternidade como a resposta mais adequada a este show de horrores, que ele chamou de a "fábula do mundo" e que o mundo cientificista-capitalista, das técnicas e dos fundamentalismos vivem de FABULAÇÕES e idealismos, àquilo que foi chamado de "esquizofrenia do território" e a "deformação dos sujeitos".
 
- Que uma coisa é a ciência estudada como objeto científico (como um projeto de vida). E outra coisa é a ciência publicada, trazida ao conhecimento da grande mídia a ser do Capital e do Mercado, das Oragnizações Globais.
 
Embora todas as superações ocorram (e de fato elas ocorrem), vivemos hoje em tempo de menos "verdades" (e honestidades), portanto, e mais "invenções". De menos valores e mais "sucesso!". Um mundo, afinal, onde o termo "inocência" (contrário a culpa), tornou-se termo pejorativo.
 
Quer uma prova mais empírica do que a experiência indígena?
Ainda hoje existem tribos indígenas isoladas e em grande parte desconhecidas. Sabe por que? Porque o contato da civilização com estes grupos significa o extermínio destes. Extermínio: essa é a palavra utilizada. Por diversos motivos (e são tantos!) considera-se que os indígenas devem ser preservados distantes desta civilização e das suas "perversidades" (em Milton Santos).
 
Escrevi demais.
 
Mas espero ter sido claro diante dos rigores de Vossas Senhorias (e dos meus também) para responder isto:
 
"Filosofia e ciência podem ter sido colegas de quarto há
alguns séculos, mas hoje elas moram em edifícios separados.
Não estão brigadas, mas raramente escrevem carta uma para
a outra..."
 
Thiago.
 
 
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Thu, 29 Mar 2012 12:48:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Mas Thiagão, tu consegues me dar algum exemplo de questão
filosófica que tenha sido abandonada por força de evidências
em contrário? O platonismo é coisa que poderia sofrer
alterações por causa de alguma coisa que descubramos?
A epistemologia deve ser modificada ao descobrirmos algum
novo tipo de funcionamento dos neurônios no cérebro humano?
Filosofia e ciência podem ter sido colegas de quarto há
alguns séculos, mas hoje elas moram em edifícios separados.
Não estão brigadas, mas raramente escrevem carta uma para
a outra...
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Tuesday, March 27, 2012 11:47 AM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


Caro PB,
 
Devemos perguntar novamente: qual o objeto de estudo da psicanálise? Neste ponto temos consenso.
Diante disso reformular toda uma escola, examinar em busca de definições e resultados verificáveis, ainda que dinâmicos aos perfis  (e os padrões) orgânicos e psicológicos conhecidos (sem esquartejá-los). Sabemos que boa parte da escola dos psicologismos formam escravos dos psicologistas (mercadológicos). Isto já é bem conhecido. E o que existe para além disto? Para além do CID 10F e as centenas de dianósticos e pacientes com dezenas de dianósticos diferentes. Um diagnóstico para cada circunstância do mesmo indivíduo (ora tudo, ora coisa alguma).
 
Sugiro a leitura de um livro de Michel Fouacult: A História da Loucura. Vale a pena! Na história da filosofia há grandes esclarecimentos.
 
Mas continuo na contradição, quando você diz (em outro texto):
> Por exemplo a hipnose: - substituir uma anestesia de altíssimo
> risco cirúrgico por hipnose, isto não o torna empírico?
"Claro que torna! Mas isso está do lado da ciência, e não do lado da filosofia."
 
E existe, meu caro, honestamente, alguma separação?
Para mim é muito claro: O que é "filosófico" e não é empiricamente verificável, experimentável, não pode ser filosófico.
Parece filosófico para você? Para mim não tem nada de "filosófico". Se é a filosofia a própria ciênciada verdade: a epistemologia, como poderia a
filosofia ser o que diz ser. Não pode ser outra coisa, se não a própria verdade.
 
A pergunta é: Meus amigos, vivemos novamente em tempos de sofismo (pré-socrático)?
A morte da filosofia é o fim do homem e da ciência. O regresso às cavernas. Este é o caminho que tomamos rumo?

 
Thiago.
 

 

To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Tue, 27 Mar 2012 09:50:08 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor

 
Calilzão, o que digo é que essa estratégia freudiana de
"rever a formação da neurose na infância" deve ser avaliada
empiricamente. E com isso quero dizer: que os psicanalistas
façam uma avaliação crítica daquilo que receitam a seus
pacientes, de maneira a obter generalizações testáveis.
Disso deve-se estipular grupos de controle e aplicar essa
técnica a metade do grupo, enquanto no outro não se aplica
e depois confirma-se (ou refuta-se) o resultado. Isso é chato
de fazer, é difícil, é custoso, mas é assim que a ciência poderia
progredir na psicanálise (é assim que os novos medicamentos
são testados).
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:51 PM
Subject: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
 


O empirismo, como se manifesta no discurso fundamentalista do meu amigo Pesky apresenta agora
um sintoma grave expresso nesta frase:
 
"cada caso é 'particular', específico, sui-generis, especial, requer interpretação do analista)  e disso não se tira nada que possa ser empiricamente
corroborado"
 
Quando se trata de seres humanos que vão a um médico, dentista ou psicanalista, eles constituem obviamente um caso especifico, cujos sintomas vão se repetindo no consultorio, confirmando ou não as teorias médicas, odontológicas e psicanalíticas.
 
O empirismo é um dos sintomas clássicos de uma categoria de pacientes, que só querem ver os problemas resolvidos "na prática", quando eles em geral exigem uma pesquisa sobre a formação da neurose que começa lá na infância e que precisa ser em parte revivida no consultório para que o paciente tenham contato "experimental" com o período critico de sua infância que causou o transtorno. O que estou falando é de uma obviedade acassiana. Mas infelizmente, como estamos numa fase regressiva da história, tudo que diz respeito aos transtornos emocionais vai sendo incorporado à patologia da normalidade - a loucura está se transformando numa
moda cultural, promovida é claro, pela "indústria cultural".
 
Existem centenas de pesquisas bem conduzidas pelos melhores profissionais da área e que estão numa vasta literatura. John Bowlby é um dos autores mais indicados para reverter este quadro de empirismo obsessivo.
 
Abraços
Mtnos Calil
 
Ps. Não se conhece a psicanálise lendo-se meia duzia de livros.
 
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 
Realmente a psicanálise não morreu. E isso é mais uma
evidência de que ela é ou filosofia ou pseudo-ciência.
Basta comparar com a alquimia, que morreu para que
nascesse a moderna química. A alquimia propunha coisas
que poderiam ser refutadas empiricamente, e por isso
deu lugar a uma outra disciplina que consegue progresso
através da refutação. A psicanálise não propõe nada
de caráter empírico (cada caso é "particular", específico,
sui-generis, especial, requer interpretação do analista)
e disso não se tira nada que possa ser empiricamente
corroborado.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 3:23 PM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 


 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


 
 
 


#81138 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 6:41 pm
Assunto: Re: Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago e Pesky
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
 
Boa Pesky.
Quando você quer ser sensato consegue! Congratulations.
A primeira aproximação cientifica no assunto dos sonhos foi feita por Freud.
Os neurocientistas têm o dever ético de revelar onde Freud errou e acertou na sua teoria dos sonhos. Desconsiderar pura e simplesmente o que o trabalhão que Freud teve neste assunto não é uma postura ético-cientifica.
Abraços
M.Calil
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Saturday, March 31, 2012 11:29 AM
Subject: Re: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago

 

Mas Calilzão, nos últimos 40 anos a neurociência descobriu
muito mais acerca do que realmente ocorre durante o sono.
A consolidação de memórias durante o sono vem recebendo
inúmeros estudos (incluindo a consolidação de memórias
semânticas e episódicas) o efeito do REM (Rapid Eyes
Movement, que tem sido questionado recentemente), e muitos
outros aspectos. Isso tudo está atualmente no bojo da
neurociência empírica, com evidências capazes de suportar
ou refutar os modelos sendo propostos.
 
*PB*
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 9:06 PM
Subject: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
 


O inconsciente é sem dúvida o principal objeto de estudo da psicanálise.
M.Calil
 
Ps. Os fenômenos mentais inconscientes são aqueles produzidos por nossa mente sem o nosso conhecimento e controle. O sonho é a prova "experimental" mais elementar do inconsciente. Estou relendo a Intepretação dos sonhos, de Freud com um espirito destruidor, mas infelizmente até agora não consegui encontrar bobagens no livro. Pelo contrário. Por exemplo para o estudo da linguagem em andamento, há processos particularmente importantes dos sonhos, como por exemplo os disfarces aos quais a linguagem onirica recorre. Uma das funções elementares do sonho é realizar desejos de forma alucinatória: quem dorme com muita sede tem boas chances de sonhar que está bebendo água numa cachoeira. (rsrsr).
 
 
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:01 AM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 


Qual o objeto de estudo da psicanálise?

 

To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 23:52:24 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O fato de existir um inconsciente (e parece de fato existir) não significa que a psicanálise seja válida.

[ ]s

Alvaro Augusto


Em 26/03/2012 15:23, Thiago Guimarães escreveu:
 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:





#81139 De: Thiago Guimarães <guimaraesbsb@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 7:17 pm
Assunto: RE: Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
guimaraesbsb
Enviar e-mail Enviar e-mail
 

- PB, você mudou sua posição quanto àquilo que fez referência (sobre a filosofia)?


Para mim: Ciência é o estudo do objeto.

Sem tirar nem pôr. Se existe um objeto e se existe estudo sobre este objeto necessariamente existe ciência. O método, a fórmula, a "práxis", o "modus operandi", tudo isso é temporal e transitório. Ciência é uma dialética do esclarecimento (da "iluminação").

Ao longo do século XX foi muito cômodo para os "magnatas" da ciência (sob a égide da racionalidade econômica e do Estado burguês) expropriar a propriedade de estudo do sujeito de si mesmo. Ou seja, tirar do sujeito o "direito" de se estudar o objeto de que ele mesmo faz parte (tirar do sujeito o direito de ser sujeito!). Alguém já assistiu o filme: O Óleo de Lorenzo? Quando o professor é chamado de "arrogante" por não ser do meio científico e tentar "fazer ciência"?

É disto que estou falando. Foucault coloca duas questões as quais a filosofia deveria se debruçar, depois de Kant (o que para ele é pedir muito):

1) A "razão" científica (não deveria exceder aquilo que era permitido pela experiência);
2) A "racionalidade política" (a relação destas experiências - e não-experiências - nas relações humanas);

A verdadeira ciência (ou a "falsa" ciência, o cientificismo - uma ciência SOFISTA), estão NECESSARIAMENTE intrincadas nesse sistema, isto é, nessa relação econômico-politico e social, que é a racionalidade (de tudo). Uma visão auto-centrada e egocêntrica do mundo e das coisas do humano como sendo as próprias coisas do mundo - o pragmatismo (a morte da filosofia, e consequentemente da verdadeira ciência).

Esse contexto é longo, mas este será o meu objeto de estudo a partir de agora: Filosofia não é Ciência? Vou preparar a publicação (nem que seja para daqui vinte anos) e vou citar isto que escrevo aqui agora, neste momento.

DISCUSSÃO:

Calil, você me confunde, ora diz da "metalinguagem", da confusão "filosófica", etc. Com todo respeito, me sinto na obrigação de dizer duas coisas:

1) A Semiótica (em Martin Heidegger) é o objetivo do estudo dessa "confusão" linguística. A filosofia já, em grande parte, desfez essa "bagunça" construída ao longo da sua própria história. A filosofia não é nem o começo e nem o fim; Mas o começo, o fim, e o meio (Raul Seixas, rs). Existe um "processo filosófico", não uma idéia cristalizada. Qualquer coisa que seja estagnada no tempo e no espaço, não pode ser filosofia; assim como sugere Heidegger em "O Ser e o Tempo" (O Devir). Jaques Derrida fez grandes avanços nesse processo de "descontrução filosófica", um processo em pleno vapor, ainda hoje!

2) Prezado Calil, para compreender Freud é preciso sair dele. Já não é mais possível estudar Freud para compreender Freud. É o cachorro correndo atrás do próprio rabo. É preciso dar o próximo passo, meu amigo, "Sapere Aude! Tem a coragem de te servir do teu próprio entendimento!".

Kant já havia falado desse ciclo vicioso, mas os desapercebidos não observam, quando se não o fazem como um "conhecimento das elites"

"Semear preconceitos é tão perigoso exatamente porque terminam por recair sobre seus autores ou sobre os predecessores de seus autores. Por isso o público pode chegar ao esclarecimento apenas lentamente. Talvez uma revolução poderá, sim, determinar a liberação em relação a um despotismo pessoal e de uma opressão ávida de ganho ou de poder, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar. Ao contrário: novos preconceitos servirão da mesma forma que os antigos para colocar no andador a grande multidão de quem não pensa. [...]"
(Kant, Que é o Iluminismo? http://rgirola.sites.uol.com.br/Kant.htm).

Obs.: Para entender Freud eu sugiro duas leituras: A Teoria do Conhecimento (os livros que estiverem à mão) e a escola de Viktor Frankl (a terceira escola de Viena, da qual Freud foi o precursor da primeira, e Adler da segunda - em nenhum momento Frankl se interpõe ao conhecimento de Freud, apenas indica os vazios da teoria e a complementa).

Já não é mais a questão de defender ou acusar Freud, isto é tão inconveniente quanto débil,  mas apenas compreendê-lo. Seu tempo, seu contexto, seu espaço, seus limites, seu objeto de estudo e sua "ciência".

A "ciência", como o PB já fez mostrar, obviamente ofereceu grande avanços para a epistemologia! Ou seja, a "ciência" influencia a filosofia (como se houvesse, de verdade, alguma separação), isto é uma dialética! É preciso pensar fora da caixinha. Essa divisão arbitrária do conhecimento não satisfaz nem a ciência, nem a "filosofia", nem o sujeito, nem a racionalidade econômica (pois o mundo está em crise, senhores!).









Thiago.






To: ciencialist@...
From: peskybee2@...
Date: Sat, 31 Mar 2012 11:29:59 -0300
Subject: Re: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago

 

Mas Calilzão, nos últimos 40 anos a neurociência descobriu
muito mais acerca do que realmente ocorre durante o sono.
A consolidação de memórias durante o sono vem recebendo
inúmeros estudos (incluindo a consolidação de memórias
semânticas e episódicas) o efeito do REM (Rapid Eyes
Movement, que tem sido questionado recentemente), e muitos
outros aspectos. Isso tudo está atualmente no bojo da
neurociência empírica, com evidências capazes de suportar
ou refutar os modelos sendo propostos.
 
*PB*
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 9:06 PM
Subject: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
 


O inconsciente é sem dúvida o principal objeto de estudo da psicanálise.
M.Calil
 
Ps. Os fenômenos mentais inconscientes são aqueles produzidos por nossa mente sem o nosso conhecimento e controle. O sonho é a prova "experimental" mais elementar do inconsciente. Estou relendo a Intepretação dos sonhos, de Freud com um espirito destruidor, mas infelizmente até agora não consegui encontrar bobagens no livro. Pelo contrário. Por exemplo para o estudo da linguagem em andamento, há processos particularmente importantes dos sonhos, como por exemplo os disfarces aos quais a linguagem onirica recorre. Uma das funções elementares do sonho é realizar desejos de forma alucinatória: quem dorme com muita sede tem boas chances de sonhar que está bebendo água numa cachoeira. (rsrsr).
 
 
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:01 AM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 


Qual o objeto de estudo da psicanálise?

 

To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 23:52:24 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O fato de existir um inconsciente (e parece de fato existir) não significa que a psicanálise seja válida.

[ ]s

Alvaro Augusto


Em 26/03/2012 15:23, Thiago Guimarães escreveu:
 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:






#81140 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 6:33 pm
Assunto: 2a. parte da 3a. sessão com Pesky Bee - Movimento Psicanálise ao alcance de todos.
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Obs. Estou mandando cópia para uma psicanalista não ortodoxa para tentar uma aliança estratégica visando colocar a PSICANÁLISE AO ALCANCE DE TODOS, com base nestas diretrizes:
 
a) Formar um ou mais grupos na internet com milhares de participantes, profissionais, não profissionais, pacientes e impacientes. (rsrs)
b) Divulgar conceitos e técnicas de fácil acesso a leigos, como por exemplo a interpretação dos sonhos
c) Estimular a todos a fazerem análise em grupo. (os moderadores se incumbem de estabelecer os limites adequados)
d) Fazer um trabalho didático desvendando todos os mistérios do inconsciente, de modo que as pessoas possam ter acesso ao seu inconsciente sem ter que deitar no divã de Freud.
e) Admitir que Freud, sendo um pioneiro cometeu falhas e que a psicanálise evoluiu MUITO desde que foi criada por Freud, 120 anos atrás.
 
 
========================================== 
 
Prossigo agora em nossa sessão de análise reciproca, lembrando que você pode me analisar recorrendo a qualquer dissidente de Freud (Jung, Lacan, etc. Só peço por favor que não use as teorias de Skinner e Pavlov). Como você adora o humor, para conquistar a sua simpatia vou fazer um trabalho humoristico. A psicanálise só funciona quando o analista e paciente conseguem desenvolver um relacionamento baseado na EMPATIA. O camarada pode ser o melhor analista do mundo, mas se o paciente não for com a cara dele, babau.
 
 
Meu querido paciente resistente.
Você está se repetindo.
Ao invés de formular argumentos com base na leitura dos textos de Freud você recorre a uma "idéia fixa" e vai repetindo, repetindo.
Freud chamou isso muito apropriadamente de "compulsão para a repetição".
 
Quanto ao seu humorismo compulsivo, ele tem uma função "encobridora" anestésica: para evitar a dor do auto-conhecimento você se refugia no humorismo.
De qualquer forma, dos males o menor. Muito pior seria se  você se refugiasse na depressão. Pelo amor de Freud, não faça isso!
 
Porém, você pode tentar esta técnica para controlar seu humor compulsivo:  de cada duas mensagens que você postar no ciencialist, não use do humor em nehuma delas. A propósito você brincava muito ou pouco na sua infância? Foi muito reprimido pelos pais porque só queria saber de brincar? Fez alguma brincadeira que deixou seus pais traumatizados?
 
Abraços não fundamentalistas
 
Mtnos Calil - Criador da Ideologia Zero: nem esquerda nem direita: realidade volver! Nem metafisica nem cientificismo!
Formação aleatória e especialização nula.
Autor do livro "Lógica na comunicação humana" - http://cto.verticce.com/livros/logica_comunicacao/content (download gratuito)
 
 
Ps1. Peskysinho, você está com medo até de sonhar com Freud? Durma então com a luz acesa. Você não é mais experimentalista? É só experimentar um sonho pré-fabricado em nosso laboratório virtual. Não tenha medo, Pesky. O pior que pode acontecer é você ter um pesadelo durante alguns segundos. Logo que acordar você vai ver que está na sua cama e não no divã do Freud.
 
Ps2. Acho que o Steven Pinker tem a mesma resistência sua: criou uma tal aversão ao Freud, que ele expõe idéias de Freud sobre a agressão humana como se fossem criadas por ele. O inconsciente pinkeriano neste caso funciona assim:
 
" O que??? essa idéia foi de Freud...??? Não, não... essa idéia é da psicologia evolucionista. Esse inconsciente freudiano foi um embuste. O verdadeiro inconsciente não tem nada a ver com  obsessão freudiana da repressão. Para ele que só é inconsciente o que foi reprimido. Precisamos extirpar o inconsciente da mente doentia de Freud.
Viva a psicologia evolucionista. Viva eu. Viva meu ego harvardiano" ! Viva a China de Mao Tsé Tung "
 
(uma parte deste sonho é auto-explicativa: o conteúdo manifesto é bem visível e outra parte é bem oculta - o conteúdo latente. Assim há uma razão não revelada no sonho para explicar a citação da China de Mao Tsé Tung).
 
Ps3. O outro treinamento, o de lógica da comunicação vinculado à matematização da linguagem, eu prossigo assim:
para ser mais cientifico na sua comunicação, basta você lançar mão do "rigor linguistico". Quando você for dizer que alguém disse isso ou aquilo, dê uma paradinha na sua mente para verificar se pessoa disse mesmo o que você está dizendo que ela disse. Ocorre que um dos distúrbios crônicos da linguagem humana se deve à existência de um "transformador interno" que muda as frases dos outros para atender a desejos inconscientes ou simplesmente para não ter o trabalho de cansar a memória, fazendo registros atentos. Enfim, como a mente não pára de trabalhar, ela se dá ao luxo de cometer estes e outros deslises. A maior de todos os deslises da mente é usar a palavra para enganar o próximo como a si mesmo. Por falar nisso você já leu o livro do Daniel Goleman "Mentiras Essenciais, Verdades Simples"?
Ele vai explicar diretinho como você tenta se enganar a si mesmo... mas não consegue.... rsrsrsrsrsrsr. Cristo falou: ama a teu próximo como a ti mesmo. O inconsciente respondeu: engana a teu próximo como a ti mesmo. (sem risos).
 
Ps4. O humorismo nas sessões de análise é chamado "play". Ludoderapia não é só para crianças como pensam alguns... rsrsrsrsrs.
 
Ps5. Peskysinho, as obras completas de Freud estão disponiveis gratuitamente na internet. Como você já consegue admitir que o inconsciente existe, proponho que você faça o download (não confundir com descarga) dos textos de Freud que falam do inconsciente. Se você quiser, eu posso e
 
Ps5. Porque tendo tido uma grande dedicação teórica e prática à psicanálise eu desisti de ser psicanalista? Porque durante a minha análise eu descobri que meu analista ficava o dia inteiro ouvindo reclamações incessantes de seus pacientes. DEUS ME LIVRE E GUARDE...!  Por isso que Freud não foi muito feliz na vida... o dia inteiro ouvindo reclamações e histórias tristes???
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Saturday, March 31, 2012 11:29 AM
Subject: Re: [ciencialist] O sonho de Pesky Beeliscando o Freud.

 

Porém eu não me lembro de Freud ter dito que "transtornos e desvios tem todos origens de traumas de infância"
 
Ele pode não ter dito explicitamente isso, mas tudo o
que ele recomenda em termos terapêuticos tem um gosto
disso. Ou seja, Freud foi sim um importantíssimo desbravador,
mas o mal maior não foi dele, e sim de todos os seus
seguidores, que tiveram uma chance de tomar aquelas
ideias por base e caminhar em uma rota científica, com
experimentos e corroborações/refutações empíricas.
 
HOJE EU VOU SONHAR QUE SOU UMA ABELHA BELISCANDO O FREUD.
(não mude a frase: o experimento tem que ser feito com esta frase, please!)
Logo que acordar, escreva o sonho para a gente interpretar juntos.
 
Sonhei que estava "picando" a Ísis Valverde, todinha!
Devo ser um pervertido mesmo, hahahaha
 
*PB*
 
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 4:47 PM
Subject: [ciencialist] O sonho de Pesky Beeliscando o Freud.
 


Olá Pesky.
 
Vou responder a sua pergunta fora do "setting" psicanalitico. Portanto não estamos numa sessão.
Como eu já disse (e vou ter que repetir muitas vezes para quem sabe os membros da seita anti-freudiana acordarem...), existem muitas teorias freudianas.
Porém eu não me lembro de Freud ter dito que  "transtornos e desvios tem todos origens de traumas de infância"
Você pode me informar em que livro, artigo ou carta, Freud escreveu  essa bobagem? Freud, antes de inventar a psicanálise era neurologista. Mas se ele disse a bobagem vamos verificar.
 
Qualquer leigo em psicologia sabe que, por exemplo, entre dois irmãos educados pelos mesmos pais, podem ter personalidades e comportamentos tão distintos, que um pode virar bandido e outro pastor da Igreja Universal do Reino do Diabo.
 
Ocorre que ao contrário do que pensam os neurocientificólogos, os genes criam configurações distintas nos diferentes embriões, gerados pelo mesmo casal heterossexual. O bebê nasce com alguns traços de caráter já definidos.
 
Aproveito para lhe perguntar quando você vai parar de repetir os dogmas da seita anti-freudiana do ciencialist. Você não é membro desta seita e por isso precisa começar a aceitar que existem dois Freuds, assim como existem dois Peskys, sendo este que escreve no grupo,  a representação do verdadeiro. Como você tem múltiplos Egos, resolveu concentrar uma parte deles num inseto melado e aborrecido. Essa divisão será objeto de nossas futuras sessões. Essa linguagem abelhuda tem semelhança com a linguagem dos sonhos. Hoje antes de dormir, repita  a seguinte frase 10 vezes:
 
HOJE EU VOU SONHAR QUE SOU UMA ABELHA BELISCANDO O FREUD.
 
(não mude a frase: o experimento tem que ser feito com esta frase, please!)
 
Logo que acordar, escreva o  sonho para a gente interpretar juntos.
 
Abraços
Mtnos Calil
 
 
Ps2. Agradeço ao grupo Ciencialist, pela enxurrada de mensagens sobre os temas do Projeto X, que em sua grande maioria vão compor a versão eletrônica de uma miscelânia de livros virtuais abordando estes temas:
 
a) Ideologia Zero: a cura da esquizofrenia linguistica
b) Matematização da linguagem
c) O pensamento lógico ao alcance de todos
d) A linguagem enigmática dos sonhos
e) A função do inconsciente no processo das ilusões, auto-enganos, manipulações e mentiras.
f)  Os elementos de uma ética cientifica
g) Outros temas correlatos
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Friday, March 30, 2012 10:23 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo - novaestratégia anti-freudiana
 
 

Mas Calilzão, eu só queria uma explicação do porque pessoas
criadas no mesmo tipo de ambiente acabam saindo, quando
adultas, tão diferentes. Para mim, isso é refutação das
freudificações, que assumem que os transtornos e desvios
tem todos origens de traumas de infância. Será que esse
meu pensamento é fruto do "demônio da simplificação"?  ;-)
 
*PB*
 
 
 
Sent: Thursday, March 29, 2012 1:58 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo - nova estratégia anti-freudiana
 


 
Nossa Senhora da Ciência, me acuda por favor!
 
Que aconteceu Pesky, você ficou muito aborrecido?
Tranquilize-se por favor, pois, para a sua felicidade, descobri a cura para sua freudofobia: 
 
Considere que a psicanálise é uma falácia em termos de psicoterapia, até porque, nas mãos de Freud só podia produzir mesmo resultados parciais e duvidosos, pois era uma técnica em fase de construção numa época em que neurose era sinônimo de psicopatologia sexual.
Esqueça as neuroses e o divã.
Jogue tudo que Freud escreveu no lixo, menos uma coisinha: a teoria do inconsciente. Comece lendo uma obra divertida. Na pior das hipóteses você terá bons momentos de lazer. O livro é Interpretação dos Sonhos, um prato cheio para aqueles que comparam a psicanálise com a astrologia.
Será que Freud foi um astrólogo frustrado?
 
 
Este é mais um livro essencial para ser escrito: O INCONSCIENTE AO ALCANCE DE TODOS.... (ninguém que tenha a cachola no lugar poderá dizer que o inconsciente é uma falácia - existe uma seita anti-freudiana chamada NOERGOLOGIA).
 
Se boa parte da linguagem se processa ao nivel inconsciente, até os linguistas deveriam estudar o inconsciente. Mas um dos efeitos da especialização é CEGAR A INTELIGÊNCIA. (cf. Edgar Morin).
 
Abraços sem nenhum aborrecimento.
 
Mtnos Calil
Pela ciência sem tecnocracia e sem filosofias. (não é a filosofia que vai curar as perturbações da ciência, e sim o pensamento lógico - em pleno século XXI a lógica continua sendo uma seção da filosofia???  Que vergonha, Dona Lógica!  Quem sabe uma terapiasinha cognitiva possa libertá-la deste mal.
 
Ps1. "Pai Nosso que estais nos céus. Peço-vos encarecidamente que ilumine o pensamento lógico da nosso aborrecido (Pesky) abelha (Bee) de modo que ele possa expulsar o demônio da simplificação"
 
Ps2. Não tem muita lógica gramatical  uma abelha - macho ser considerada um substantivo feminino. Uai... desde quando gramática é sinônimo de lógica? Existem duas gramáticas: a feita da lógica dos neurônios e a produzida pelos homens que fizeram da linguagem um divertidissimo brinquedo, para assim obedecer às ordens do Centro do Prazer. Se até no cérebro existe um centro de prazer, nada mais natural que o homem adore  toda espécie de orgias. Mas se os fisicos nos ajudarem com sua  "particula -Deus" quem sabe  um dia o homem consiga fazer deste "centro" a plataforma da felicidade. (de prefêrencia sem chips e prosacs...).
 
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:46 AM
Subject: Re: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 
 

O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância
 
Mas Calilzão, quando digo que a psicanálise não explica
muito (para não dizer nada) é porque conhecemos casos de
pessoas que, quando crianças, foram criadas em ambientes
horríveis e viraram, quando adultos, horrorosas e frustradas
pessoas. Ao mesmo tempo temos conhecimento de pessoas
criadas nesse mesmo tipo de ambiente e que saem pessoas
ajustadas, otimistas e batalhadoras. Algumas vezes isso
ocorre na mesma família, sob as mesmas condições de
criação. E saem diferentes! Como é que a psicanálise iria
explicar essas coisaradas todas? Oras, não explica! Esse
fato refuta a psicanálise! Ela apenas inventa historinhas
em que o Id batalha com o Superego e aí o Ego desenvolve uma
neurose do olho do buraco traseiro inferior, que provoca uma
dissipação de flatos no Id, e assim por diante. No máximo,
isso é divertido!
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 5:35 PM
Subject: [ciencialist] Pesky Bee no divã para tratar do empirismo
 


Desculpe, meu amigo Pesky, a sua postura em relação à psicanálise é fundamentalista.
 
Existem duas seitas na psicanálise: 
 
a seita dos psicanalistas ortodoxos que seguem à risca a biblia freudiana e a seita dos anti-freudianos.
 
Eu não pertenço a nenhuma das duas. Fiquei 5 anos pesquisando em São Paulo até achar um psicanalista que atendeesse aos pré-requisitos que eu defini.
 
Tive a sorte de encontrá-lo (um verdadeiro milagre) e fiquei com ele durante cerca de 20 anos, até ele encerrar as atividades da clinica.
 
Se eu conhecesse alguém do nivel dele indicaria para você fazer uma verificação no campo.
 
O que me estranha é que você, sendo um camarada com o pensamento lógico tão desenvolvido não saiba como se formam as neuroses na infância.
 
Você acha mesmo que não foi acometido por nenhuma neurose? Ou acha que as neuroses não existem?
 
Abraços e muita calma por favor.
 
M.Calil
 
Ps. Essa frase "proposições testadas empiricamente" começa a me soar fundamentalista. Afinal o empirismo é uma ideologia. Se a ciência só se dedicar ao estudo de proposições que possam ser testadas empiricamente, a humanidade vai pro beleléu mesmo! Para começar o que devemos fazer com a ética? Vai ver que é por isso que a ética não saiu do seu estágio pré-histórico  - porque os cientistas não conseguiram testá-la empiricamente... rsrsrsrsrsr
 
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Monday, March 26, 2012 5:06 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é precisoconhecer!
 
 

A psicanálise ou é pseudo-ciência ou, no máximo, apenas
uma disciplina da filosofia. Na psicanálise não há
proposições que possam ser testadas empiricamente.
Existem apenas historinhas bonitinhas, que algumas pessoas
"sentem" que são corretas. Mas há tantas coisas que as
pessoas "sentem" que estão certas e que no final
das contas se mostraram apenas falsas...
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, March 26, 2012 2:39 PM
Subject: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST -Antes de julgar é preciso conhecer!
 


Já disse várias vezes que existem inúmeras teorias psicanaliticas.
A análise do que é cientifico ou não em tudo que Freud escreveu (e "experimentou") requer um esforço que muitos preferem substituir pela análise pseudo-cientifica
da pseudo-ciência. A qualificação do que é pseudo-cientifico facilmente é distorcida por uma postura pseudo-cientifica. É o pensamento pseudo-cientifico julgando a pseudo- ciência.
 
Uma das coisas mais escandalosamente óbvias da psicanálise é a constatação de que de que muitos transtornos de comportamento são provocados
pela má educação dos pais. Mas a mente humana é dotada de um monte de mecanismos irracionais, sendo um deles a negação da mais óbvia realidade.
E o que não se nega aqui? Até o fato de uma menina de 2 anos ser educada por dois homens já foi considerado como algo que não vai prejudicar em nada
o desenvolvimento emocional da criança. A lógica e o senso comum são as premissas básicas do conhecimento cientifico. E essas duas premissas não
se aprendem nos livros.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Ai vai o trecho 2 de O Ego e o ID.
 
 
 
                                                                  TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 02
 

Mas nós chegamos ao termo ou conceito de inconsciente ao longo de

outro caminho, pela consideração de certas experiências em que a

dinâmica mental desempenha um papel. Descobrimos — isto é, fomos

obrigados a presumir — que existem idéias ou processos mentais

muito poderosos (e aqui um fator quantitativo ou econômico entra em

questão pela primeira vez) que podem produzir na vida mental todos os

efeitos que as idéias comuns produzem (inclusive certos efeitos que

podem, por sua vez, tornar-se conscientes como idéias), embora eles

próprios não se tornem conscientes. É desnecessário repetir em

pormenor aqui o que foi explicado com tanta freqüência antes. Basta

dizer que, neste ponto, a teoria psicanalítica intervém e assevera que a

razão pela qual tais idéias não podem tornar-se conscientes é que uma

certa força se lhes opõe; que, de outra maneira, se tornariam

conscientes, e que seria então aparente quão pouco elas diferem de

outros elementos que são admitidamente psíquicos. O fato de se ter

encontrado, na técnica da psicanálise, um meio pelo qual a força

opositora pode ser removida e as idéias em questão tornadas

conscientes, torna irrefutável essa teoria. O estado em que as idéias

existiam antes de se tornarem conscientes é chamado por nós de

repressão, e asseveramos que a força que instituiu a repressão e a

mantém é percebida como resistência durante o trabalho de análise.

Obtemos assim o nosso conceito de inconsciente a partir da teoria da

repressão. O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente.

Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é

latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e

não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se

consciente. Esta compreensão interna (insight) da dinâmica psíquica

não pode deixar de afetar a terminologia e a descrição. Ao latente, que

é inconsciente apenas descritivamente, não no sentido dinâmico,

chamamos de pré-consciente; restringimos o termo inconsciente ao

reprimido dinamicamente inconsciente, de maneira que temos agora

três termos, consciente (Cs.), pré-consciente (Pcs.) e inconsciente

(Ics.), cujo sentido não é mais puramente descritivo. O Pcs. acha-se

provavelmente muito mais próximo do Cs. que o Ics., e desde que

chamamos o Ics. de psíquico, chamaremos, ainda com menos

hesitação, o Pcs. latente de psíquico. Mas por que, ao invés disto, não

concordamos com os filósofos e, de maneira coerente, distinguimos o

Pcs., assim como o Ics., do psíquico consciente? Os filósofos

proporiam então que o Pcs. e o Ics. fossem descritos como duas

espécies ou estágios do ‘psicóide’ e a harmonia se estabeleceria.

Porém, dificuldades infindáveis de exposição se seguiriam, e o fato

importante de que estes dois tipos de ‘psicóide’ coincidem em quase

todos os outros aspectos com o que é admitidamente psíquico seria

forçado para o segundo plano, nos interesses de um preconceito que

data de um período em que esses psicóides, ou a parte mais

importante deles, eram ainda desconhecidos.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 12:47 PM
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 

O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:

Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:


#81141 De: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@...>
Data: Sáb, 31 de Mar de 2012 9:31 pm
Assunto: Re: Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo peskyano. - muita calma por favor
ecientificoc...
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-----Mensagem Original-----
From: Thiago Guimarães
Sent: Saturday, March 31, 2012 3:25 PM
Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo
peskyano. - muita calma por favor

> Pois para os carros ao combustível fóssil, já existem energias
> inovadoras (mas para os magnatas do petróleo, da "ciência",  torna-se
> muito mais fácil e cômodo especular o combustível atual, pois isto
> significa lucro desenfreado!).

Huummmmmm! Magnatas do petróleo sim. Magnatas da «ciência»?!!! Sei não,
acho que está havendo aí algum tipo de impropriedade. Se nós, seres
humanos, permitimos esta desfaçatez, o que os cientistas de boa fé têm
com isso? Se existem mercenários na ciência, esta não é uma falha
inerente à ciência mas sim ao homem (establishment). Sejamos pelo menos
imparciais. Neste caso diria que se existem os magnatas da ciência,
devem existir também os magnatas da filosofia, os magnatas da teologia,
os magnatas das artes, os magnatas da medicina etc. Em resumo, o que
parece existir são os donos do mundo.

> Quando "tudo está perdido" a ciência mercadológica aparece com alguma
> de suas "mágicas".

Sim, e os demais ramos mercadológicos se calam, quando deveriam botar a
boca no trombone. E se calam porquê? Não seria também por razões
mercadológicas? Ou então por puro desinteresse ou negligência (no
sentido do quem cala consente)?

> "[...] Não é portanto o poder, mas o sujeito, que constitui o tema
> geral das minhas investigações.

OK. Diga então que este sujeito decrépito e/ou negligente pode ser um
filósofo, um teólogo, um artista, um engenheiro, um médico, um homem
qualquer enfim, e não apenas um cientista. Mesmo porque a ciência não é
dos cientistas e muito menos dos magnatas. A ciência é nossa, assim como
a filosofia etc.

[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.

#81142 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Dom, 1 de Abr de 2012 1:42 am
Assunto: A defesa não corporativista da ciência.
mtnos_calil
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Existem dois tipos de cientistas: o tecnocrático e o sábio.

De cada 10 cientistas quantos são sábios e quantos são tecnocratas eu não
sei.
Só sei que a sabedoria está acima da ciência, cabendo a todos os grandes
cientistas que quiserem ser sábios, cultivarem a humildade, porque os sábios
são humildes.

É óbvio que a tremenda evolução que a humanidade experimentou nos últimos
100 ou 200 anos se deve à ciência e aos cientistas que movem o mundo para a
frente enquanto os politicos movem o mundo para trás.

Entretanto, nenhum cientista - nem o gênio do Einstein - conseguiu dar
qualquer contribuição para a solução dos problemas sociais que envergonham a
nossa espécie (des)humana.
Como a ciência está cada vez mais dependente da tecnologia, e como os
tecnologos em geral são tecnocratas, os problemas sociais vão continuar
sendo relegados pelos cientistas a segundo plano,
sob o pretexto de quem estuda seriamente a origem da vida, a vida em outros
planetas e tantos outros assuntos relevantes para a ciência mas não para a
vida do homem, não tem tempo para se ocupar com questões sociais.

A defesa não corporativista da ciência começa com uma auto-critica.

Abraços
M.Calil







----- Original Message -----
From: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@...>
To: <ciencialist@...>
Sent: Saturday, March 31, 2012 6:31 PM
Subject: Re: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo
peskyano. - muita calma por favor


> -----Mensagem Original-----
> From: Thiago Guimarães
> Sent: Saturday, March 31, 2012 3:25 PM
> Subject: RE: [ciencialist] Pré-diagnóstico do empirismo obsessivo
> peskyano. - muita calma por favor
>
>> Pois para os carros ao combustível fóssil, já existem energias
>> inovadoras (mas para os magnatas do petróleo, da "ciência",  torna-se
>> muito mais fácil e cômodo especular o combustível atual, pois isto
>> significa lucro desenfreado!).
>
> Huummmmmm! Magnatas do petróleo sim. Magnatas da «ciência»?!!! Sei não,
> acho que está havendo aí algum tipo de impropriedade. Se nós, seres
> humanos, permitimos esta desfaçatez, o que os cientistas de boa fé têm
> com isso? Se existem mercenários na ciência, esta não é uma falha
> inerente à ciência mas sim ao homem (establishment). Sejamos pelo menos
> imparciais. Neste caso diria que se existem os magnatas da ciência,
> devem existir também os magnatas da filosofia, os magnatas da teologia,
> os magnatas das artes, os magnatas da medicina etc. Em resumo, o que
> parece existir são os donos do mundo.
>
>> Quando "tudo está perdido" a ciência mercadológica aparece com alguma
>> de suas "mágicas".
>
> Sim, e os demais ramos mercadológicos se calam, quando deveriam botar a
> boca no trombone. E se calam porquê? Não seria também por razões
> mercadológicas? Ou então por puro desinteresse ou negligência (no
> sentido do quem cala consente)?
>
>> "[...] Não é portanto o poder, mas o sujeito, que constitui o tema
>> geral das minhas investigações.
>
> OK. Diga então que este sujeito decrépito e/ou negligente pode ser um
> filósofo, um teólogo, um artista, um engenheiro, um médico, um homem
> qualquer enfim, e não apenas um cientista. Mesmo porque a ciência não é
> dos cientistas e muito menos dos magnatas. A ciência é nossa, assim como
> a filosofia etc.
>
> [ ]´s
> Alberto
> http://ecientificocultural.com.br
> Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
> coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
>
>
>
> ------------------------------------
>
> #####   #####   #####
>
> Página de apoio
> http://www.ciencialist.com
>
>
> #####   #####   #####   #####Links do Yahoo! Grupos
>
>
>

#81143 De: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@...>
Data: Dom, 1 de Abr de 2012 2:10 am
Assunto: Neurocientificismo com Pesky.
mtnos_calil
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Peskyzinho.
 
Neurociência é uma coisa, psicologia é outra coisa.
O grave erro dos neurocientistas (como sói acontecer com todas as ciências ainda hoje) é olharem para o mundo através do próprio umbigo.
Aqueles que se dedicam ao estudo do sono, onde se manifesta o enigmático fenômeno dos sonhos, têm a OBRIGAÇÃO de ler a interpretação dos sonhos
de Freud. No entanto o que vemos é neurologistas discorrerem sobre a agressão humana, um tema tipico da psicologia freudiana, sem sequer citar o trabalho de Freud.
Isso é um absurdo que só revela o CORPORATIVISMO DOS CIENTISTAS, que se fecham nas suas disciplinas competindo com outras. Seria bom que todos os cientistas
começassem a prestar atenção nos seus genes egoistas. Freud deu uma enorme importância aos instintos e vemos  instintivistas de hoje que nem sequer leram o que Freud escreveu. Acabei de ler o livro  "Como funciona a mente do Steven Pinker" ( mais de 600 págs.)  onde os estudos da mente feitos por Freud foram completamente ignorados. Vamos ver se ele repetiu este grave equivoco no livro "O instinto da linguagem",    que já está no meu computer.
 
O "cerebrismo" (nome provisório para designar as ideologias de todas as ciências que estão fazendo a apologia do cérebro deixando a mente para escanteio) é
a mais recente onda corporativista-ideológica da ciência.
 
A salvação da humanidade (embora salvacionismo seja uma ideologia mítica) só pode ser alcançada pela ciência quando os cientistas acordarem para a sua responsabilidade social.
 
Abraços
M.Calil
 
Ps. Cientista é especialista? Se é, precisa saber que a hiperespecialização mutila o saber, ou seja, a sabedoria.
 
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Saturday, March 31, 2012 11:29 AM
Subject: Re: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago

Mas Calilzão, nos últimos 40 anos a neurociência descobriu
muito mais acerca do que realmente ocorre durante o sono.
A consolidação de memórias durante o sono vem recebendo
inúmeros estudos (incluindo a consolidação de memórias
semânticas e episódicas) o efeito do REM (Rapid Eyes
Movement, que tem sido questionado recentemente), e muitos
outros aspectos. Isso tudo está atualmente no bojo da
neurociência empírica, com evidências capazes de suportar
ou refutar os modelos sendo propostos.
 
*PB*
 
 
Sent: Friday, March 30, 2012 9:06 PM
Subject: [ciencialist] Objeto de estudo cientifico da psicanálise com Thiago
 


O inconsciente é sem dúvida o principal objeto de estudo da psicanálise.
M.Calil
 
Ps. Os fenômenos mentais inconscientes são aqueles produzidos por nossa mente sem o nosso conhecimento e controle. O sonho é a prova "experimental" mais elementar do inconsciente. Estou relendo a Intepretação dos sonhos, de Freud com um espirito destruidor, mas infelizmente até agora não consegui encontrar bobagens no livro. Pelo contrário. Por exemplo para o estudo da linguagem em andamento, há processos particularmente importantes dos sonhos, como por exemplo os disfarces aos quais a linguagem onirica recorre. Uma das funções elementares do sonho é realizar desejos de forma alucinatória: quem dorme com muita sede tem boas chances de sonhar que está bebendo água numa cachoeira. (rsrsr).
 
 
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, March 27, 2012 9:01 AM
Subject: RE: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST
 
 
Qual o objeto de estudo da psicanálise?

 

To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 23:52:24 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O fato de existir um inconsciente (e parece de fato existir) não significa que a psicanálise seja válida.

[ ]s

Alvaro Augusto


Em 26/03/2012 15:23, Thiago Guimarães escreveu:
 
Alvaro, a psicanálise não morreu e nem nunca vai morrer, pois o humano é inconsciente. Tem sim fortes tendências subjetivas. No humano toda objetividade é subjetiva, numa análise mais profunda, basta verificar os estados alterados de consciência.
 
Mas existe sim uma diferença, sutil diferença, entre as escolas Freudianas e as contemporâneas. Essa diferença está principalmente na escola de Frankl, entre estar em um divã e contar as histórias e dizer tudo que quer dizer, o que é terrível de dizer; e estar sentado na mesma posição e ouvir tudo que precisa ouvir, que é terrível de ouvir. Quando os profissionais saem de seus consultórios e tornam-se verdadeiros "coachies" dos clientes, tornando-se verdadeiramente parceiros destes, seus Co-Laboradores.
 
O trabalho da psicanálise de Freud, muito bem sistematizado em Jung, leva em consideração o inconsciente como o "porão" da consciência. Mas vale refletir em uma música do compositor brasileiro, onde o mesmo diz assim (o que é totalmente empírico):
 
"Se na cabeça do homem tem um porão
onde mora o instinto e a repressão
Diz ai, o que é que tem no sótão?"
(Lenine)
 



To: ciencialist@...
From: alvaro@...
Date: Mon, 26 Mar 2012 12:47:30 -0300
Subject: Re: [ciencialist] SIGMUND FREUD NO CIENCIALIST

 
O interessante da psicanálise é que ela explica tudo. Se um sujeito se atira no rio para se matar, Freud explica. Se o amigo dele se atira atrás, arriscando sua vida para salvá-lo, Freud explica também! E, como sabemos, uma teoria que explica tudo, na verdade não explica nada.

Freud foi importante por ter dado início ao estudo científico da mente, mas, no início do século XXI, a psicanálise pode ser confortavelmnente classificada como pseudociência.

[ ]s

Alvaro Augusto



Em 25/03/2012 01:44, Mtnos Calil escreveu:
Prezados amigos.
 
Tenho a grata satisfação de comunicar que recebi hoje uma carta "psicografada" de Freud me autorizando a divulgar as suas obras completas aqui no Ciencialist.
 
Como ele própria reconheceu várias vezes, muitas de suas teorias tinham um caráter meramente especulativo. Assim, certamente ele não ficará chateado com
o rigor cientifico do grupo que poderá separar o joio (especulação) do trigo (ciência) nos textos que aqui forem divulgados.
 
Como o grupo neste momento está discutindo  o "enigma da consciência" vamos dar inicio a essa divulgação  colococando agora alguns trechos do seu livro O Ego e o Id que constitui um dos principais trabalhos teóricos de Freud e que  tem vinculação direta com com o enigma da consciência.
 
Os textos de Freud serão copiados dos arquivos baixados pela internet, da mesma coleção que tenho em minha biblioteca. Portanto é como se eu estivesse escaneando o texto: enquanto eu copio os trechos selecionados, estou com o livro aberto, ao lado do teclado do computador, para conferir. 
Abaixo de cada trecho você poderá ter o surto anti-freudiano que quiser, não devendo, apenas soltar palavrões. Os padrinhos do projeto "Ideologia Zero - a cura da esquizofrenia linguistica", dentre os quais já foram selecionados Steven Pinker, Wittgenstein e Vigotsky - que em geral fizeram um leitura muito mal feita de Freud, receberão os merecidos puxões de orelha. Ocorre que Freud escreveu muita coisa, de forma descontinua e desorganizada, tornando muito dificil uma leitura metódica.
Outro grave erro em que os criticos da psicanálise incorreram foi não considerar que Freud foi o pioneiro e que muitos de seus seguidores aperfeiçoaram tanto a técnica quanto a teoria psicanalítica.
 
Abraços
Mtnos Calil
Pela psicanálise ao alcance de todos, com base numa metodologia multidisciplinar.
 
 
 
                                                                   TRECHOS SELECIONADOS DE O EGO E O ID
 
Trecho 01
 
 'Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo,

que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo. A

experiência demonstra que um elemento psíquico (uma idéia, por

exemplo) não é, via de regra, consciente por um período de tempo

prolongado. Pelo contrário, um estado de consciência é,

caracteristicamente, muito transitório; uma idéia que é consciente agora

não o é mais um momento depois, embora assim possa tornar-se

novamente, em certas condições que são facilmente ocasionadas. No

intervalo, a idéia foi… Não sabemos o quê. Podemos dizer que esteve

latente, e, por isso, queremos dizer que era capaz de tornar-se

consciente a qualquer momento. Ora, se dissermos que era

inconsciente, estaremos também dando uma descrição correta dela.

Aqui ‘inconsciente’ coincide com ‘latente e capaz de tornar-se

consciente’. Os filósofos sem dúvida objetariam: — Não, o termo

‘inconsciente’ não é aplicável aqui; enquanto a idéia esteve em estado

de latência, ela não foi algo psíquico de modo algum. — Contradizê-los

neste ponto não conduziria a nada mais proveitoso que uma disputa

verbal.
 
 
Escreva aqui suas discordâncias, dúvidas ou questionamentos:





#81144 De: "roberto" <roberto.takata@...>
Data: Dom, 1 de Abr de 2012 4:57 am
Assunto: Dia de reflexão
rmtakata
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Depois de pensar muito cá com meus botões, cheguei à conclusão de que Mtnos
Calil está certíssimo em tudo.

Seus pensamentos profundos abriram meus olhos e me fizeram revisar meus
conceitos.

[]s,

Roberto Takata

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