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ciencialist · Ciência

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#12613 De: "Marco Aurelio" <clave@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 12:01 pm
Assunto: Re: Re: O Mito Popperiano
clave@...
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In ciencialist@..., "Manuel Bulcão" <manuelbulcao@...>
wrote:

>A psicanálise como técnica terapêutica não serve para tratar
> psicóticos. Também é inadequada para tratar o que alguns psicanalistas
>como Karen Horney) chama de neurose de situação, isto é, um quadro de
>ansiedade e tristeza causado por desemprego, isolamento cultural, chifre,
>etc.

Esta é uma informação já velha. Quando se pensava assim, também se pensava
que toda psicose era esquizofênica. Hoje se sabe que só 1% das doenças
mentais são esquizofrenia. É certo, contra a esquizofrenia, até hoje,
ninguém pode, com uma única técnica, fazer nada. Já se identificaram gens,
mas, como não é de estranhar, muitos portadores destes gens, não
desenvolveram a doença, o que não pode ser comprovado é que os que, sim, a
desenvolveram não eram portadores dos referidos gens. Não é nada do outro
mundo esta realidade.

O que se faz com os esquizofrênicos é um procedimento que se chama impacto
múltiplo (varias técnicas num só paciente) Se conseguem maravilhas, os
esquizofrênicos se integram na sociedade e até casa, só que seguem sendo
esquizofrênicos, raros, mas sem loucura, ou seja se integram, mas não
enlouquecem (não deliram, não alucinam nem demonstram comportamentos raros).
É um procedimento discutível (as pessoas são adaptadas à cultura, por certa
imposição) porque, além de caro, promove uma espécie de robotização das
pessoas. Até hoje niguém conseguiu chegar na subjetividade de um
esquizofrênico.

Existem outros estados psicóticos que são perfeitamente tratáveis pelas
psicanálise. Existe um capítulo que se chama "patologias graves" em que se
progrediu muito. Quando volte das ferias, se for do interesse posso informar
sobre os progressos nesta área. Um dos meus mestres foi um psicanalista que
morreu no ano passado (com 92 anos) chamado Egardo Rolla que foi um genio
que desenvolveu técnicas espetaculares para tratar psicóticos. Eu o vi
demonstrando como com uma intervenção podia desencadear o delirio de um
louco e com outra o cortava. Aprendi com ele uma excelente técnica para
eliminar aluciações só com nossa "talking cure". É eficaz em 85% dos casos
e, sem medicação. Não é bravata Para quem quiser posso explicar. Só que não
creio que seja numa lista. É enorme a fundamentação. Se quizerem,
escrevam-me particularmente.

Também existem as psicoterapias psicanalíticas de crise e psicoterapias
psicanalíticas de emergência. É toda uma conquista. O que as pessoas pensam
é que a psicanálise não evolui. Há coisas importantes que se conquistam,
novas técnicas perfeitamente psicanalíticas. Os estudos dos discursos são
muito prometedores. Certas doenças que antes se chamavam "de situação", hoje
tem nomes mais específicos como reativas, de crise, luto, etc.

Existe uma enorme quantidade de neuroses de caráter que já são tratáveis.


Como podem ver, meu genio polêmico me domina. Vou necessitar um psicanalista
para nelhorar. (re, re, re...). 5 minutos antes de sair o avião vou seguir
respondendo ...(meus familiares dizem: "estás louco").

[]s

Marco A. Andrade
clave@...

#12614 De: "rmtakata" <rmtakata@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 2:28 pm
Assunto: Re: RES: Ferias
rmtakata
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--- In ciencialist@y..., "Luiz Ferraz Netto" <leo@b...> wrote:
> Se o trabalhador já tem parte do sábado (talvez todo ele) e o
domingo para descanso ele tem 'férias' semanalmente; inclua-se nisso
os feriados todos e teremos, por ano, um bocado de dias não
trabalhados sob a denominação de 'férias'. Será que 'férias' é
prática mundial?

Bem, em havendo 365 dias no ano.
Tirando-se os 30 dias de férias anuais,
temos 335 dias de trabalho.
Tirando-se os domingos (52 por ano -
menos os 4 do mês de férias):
sao 287 dias. Menos metade dos sábados:
263 dias.

Tirando 2 dias e meio de carnaval, 7 de setembro,
15 de novembro, Natal, Ano Novo, 12 de
outubro (sim, e' o dia das criancas, mas
o feriado e' da padroeira do Brasil),
21 de abril, 1 de maio, Corpus Christi teremos:
252,5 dias trabalhados. Com as emendas dos
feriados de meio de semana os dias de feriado
chegam a dobrar: 242 dias.

Gripe anual: 3 dias de falta. 239 dias.
Levar o filho ao médico, 'a final do
campeonato escolar, ir pegar o cunhado
no aeroporto, a sogra na rodoviária,
pagar as contas porq. sua mulher esta'
'indisposta' ou seu maridao um tto
'borocoxo': 5 dias. 234 dias.

Mas so' se trabalha 8 horas por dia.
Sao entao 78 dias de trampo efetivo.

Uma hora por dia de conversa fiada
fora (quem no trampo nao esta' navegando
na internet agora?), cafezinho, pausa
para o cigarro: 68,25 dias.

[]s,

Roberto Takata

#12615 De: "andrediasbaptista" <andrebaptista@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 2:35 pm
Assunto: Re: O Mito Popperiano
andrediasbap...
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--- In ciencialist@y..., Manuel Bulcão <manuelbulcao@u...> wrote:

Aliás, numa roda de cerveja o neurótico é quase sempre aquele chato
que, ao invés de se divertir, fica o tempo todo a) implicando com o
garçon; b) cutucando a comida e a bebida em busca de moscas , fios de
cabelo, cusparadas, etc.; c) buscando nas entrelinhas da conversa dos
amigos algum sinal de hostilidade contra ele; d) achando que tá todo
mundo paquerando a sua namorada; d) pedindo desculpas por implicar
com o garçon, por cutucar a comida, por ter entendido mal o que o
outro disse ou por ter sido tão estúpido ao ponto de pensar que o
cara da mesa ao lado estava paquerando a sua namorada. Muitos vezes o
neurótico, depois de uma noitada, está mais angustiado e deprimido do
que antes.

André:

Será que podemos acrescentar: e)em vez de prestar atenção a conversa,
fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper,
Freud et caterva; f)fica examinando os outros participantes em busca
dos sintomas neuróticos a), b), c) e d); g) fica lembrando os fatos
científicos que aprendeu sobre os malefícios do alcool e do cigarro;
h) fica ansioso para que a divertida reunião termine logo para que
ele possa voltar para casa, ligar o computador e entrar em
intermináveis debates sobre ciência e filosofia.

Não seria toda atividade intelectual essencialmente neurótica? Por
exemplo, quando Isaac Newton deixou de cuidar adequadamente da
fazenda de família para tentar resolver o mistério da órbita da lua e
inventar o cálculo integral, não tratava-se de um desvio neurótico?
Imagino que quem inventou a roda deve ter sido um neurótico também.
Pessoas 100% saudáveis dificilmente sacrificariam sua saúde, seu bem-
estar físico atrás de visões, da busca de soluções de problemas
abstratos sem consequencia imediata. Como seria um mundo de pessoas
absolutamente saudáveis? Uma espécie de "ilha de caras" , com pessoas
saudáveis e sorridentes praticando esportes ao ar livre? Quem iria
descobrir as leis da física neste mundo? Dúvido que alguma pessoa não
neurótica pudesse formular a equação de schrödinger. Nossa
civilização é neurótica, nossa espécie é neurótica. Saudáveis são os
bonobos.

abraços neuróticos,

André Baptista, neurótico não analisável

#12616 De: "evoluindo" <rcordeiro@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 5:33 pm
Assunto: Re: O Mito Popperiano
evoluindo
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--- In ciencialist@y..., "andrediasbaptista" <andrebaptista@u...>
wrote:
> ...
> Como seria um mundo de pessoas
> absolutamente saudáveis? Uma espécie de "ilha de caras" , com
pessoas
> saudáveis e sorridentes praticando esportes ao ar livre? Quem iria
> descobrir as leis da física neste mundo? Dúvido que alguma pessoa
não
> neurótica pudesse formular a equação de schrödinger. Nossa
> civilização é neurótica, nossa espécie é neurótica. Saudáveis são
os
> bonobos.



André, vou guardar essa sua frase!

[]s
Ronaldo

#12617 De: "andrediasbaptista" <andrebaptista@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 6:46 pm
Assunto: re: Férias
andrediasbap...
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Oi Pessoal.

Para não perder a viagem, posto aqui também comentário postado na
lista sbcr sobre o artigo de Stephen Kanitz:

Férias? Nem pensar
http://www2.uol.com.br/veja/300102/ponto_de_vista.html

O que o Kanitz quis dizer é que em economia vale a famosa
máxima: "Não existe almoço grátis" (s não me engano de M. Friedman).
Essa história de que você está tirando férias é ao mesmo tempo
recebendo seu salário é pura ilusão, criada por nossas leis
paternalistas. O salário que você recebe nas férias é uma espécie
de "poupança forçada" descontada nos 11 meses em que você trabalha.
Simplesmente seu salário de 11 meses é pago em 13 parcelas (11 mesmes
+ férias e décimo terceiro). 15,4% do que você receberia nos onze
meses trabalhados é descontado para que a empresa possa pagar as
férias e o décimo terceiro. Só que, como o dinheiro descontado só
retorna ao final do período, o assalariado acaba perdendo os ganhos
de capital.

Pode-se alegar que, quando foram criados, as férias pagas e décimo
terceiro representaram um ganho imediato ao trabalhador, que de uma
hora para outra passou a ganhar por 11 meses de trabalho o que antes
ganhava em 13. Mas a longo prazo esse ganho se perde, pois o mercado
tende a ajustar os salários para baixo. Outra alternativa seria criar
mecanismos legais para impedir essas perdas e manter os ganhos
salariais, mas tais medidas seriam inócuas pois os salários acabariam
sendo ajustados para baixo via inflação. Aumentos de salário sem
ganhos de produtividade sempre geram inflação, e o ganho salarial
desaparece.

Sem as leis paternalistas, as empresas poderiam pagar em 11 meses o
que pagam em um ano. No décimo segundo mês você poderia viajar com o
dinheiro poupado ou trabalhar e ganhar ainda mais. Muito mais
racional. Mas o povo brasileiro está acostumado ao paternalismo e
adora essa "poupança forçada", que provavelmente não seria capaz de
fazer por conta própria.

[]´s

André

#12618 De: "rmtakata" <rmtakata@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 7:04 pm
Assunto: Re: Férias
rmtakata
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--- In ciencialist@y..., "andrediasbaptista" <andrebaptista@u...>
> Sem as leis paternalistas, as empresas poderiam pagar em 11 meses o
> que pagam em um ano. No décimo segundo mês você poderia viajar com

Poder, poderiam. Se querem e' outra coisa.

Cortando-se os beneficios, nao estou certo
de q. havera' incorporacao proporcial no
salario.

[]s,

Roberto Takata

#12619 De: "Medeiros, Alexandre Pimentel Cabral de" <alxmpub@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 9:28 pm
Assunto: RES: Re: O Mito Popperiano
alxmpub@...
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> Manuel:
> Aliás, numa roda de cerveja o neurótico é quase sempre aquele chato
> que, ao invés de se divertir, fica o tempo todo a) implicando com o
> garçon; b) cutucando a comida e a bebida em busca de moscas , fios de
> cabelo, cusparadas, etc.; c) buscando nas entrelinhas da conversa dos
> amigos algum sinal de hostilidade contra ele; d) achando que tá todo
> mundo paquerando a sua namorada; d) pedindo desculpas por implicar
> com o garçon, por cutucar a comida, por ter entendido mal o que o
> outro disse ou por ter sido tão estúpido ao ponto de pensar que o
> cara da mesa ao lado estava paquerando a sua namorada. Muitos vezes o
> neurótico, depois de uma noitada, está mais angustiado e deprimido do
> que antes.
>
> Andre:
> Será que podemos acrescentar: e)em vez de prestar atenção a conversa,
> fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper,
> Freud et caterva; f)fica examinando os outros participantes em busca
> dos sintomas neuróticos a), b), c) e d); g) fica lembrando os fatos
> científicos que aprendeu sobre os malefícios do alcool e do cigarro;
> h) fica ansioso para que a divertida reunião termine logo para que
> ele possa voltar para casa, ligar o computador e entrar em
> intermináveis debates sobre ciência e filosofia.
>
> Não seria toda atividade intelectual essencialmente neurótica? Por
> exemplo, quando Isaac Newton deixou de cuidar adequadamente da
> fazenda de família para tentar resolver o mistério da órbita da lua e
> inventar o cálculo integral, não tratava-se de um desvio neurótico?
> Imagino que quem inventou a roda deve ter sido um neurótico também.
> Pessoas 100% saudáveis dificilmente sacrificariam sua saúde, seu bem-
> estar físico atrás de visões, da busca de soluções de problemas
> abstratos sem consequencia imediata. Como seria um mundo de pessoas
> absolutamente saudáveis? Uma espécie de "ilha de caras" , com pessoas
> saudáveis e sorridentes praticando esportes ao ar livre? Quem iria
> descobrir as leis da física neste mundo? Dúvido que alguma pessoa não
> neurótica pudesse formular a equação de schrödinger. Nossa
> civilização é neurótica, nossa espécie é neurótica. Saudáveis são os
> bonobos.

Mas no lugar de "Ilha de Caras" seria a "Caverna de Caras". Todas
as descobertas e invenções não são realizadas por pessoas ordinárias,
mas por homens de excessão. E como bem observou Aristóteles: "todo
homem de excessão é melancólico". É o ônus do benefício. Quanto mais
genial, mais atormentado ou mais louco ou mais esquisito.

[]'s

Alexandre Medeiros


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#12620 De: "andrediasbaptista" <andrebaptista@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 8:38 pm
Assunto: Re: Férias
andrediasbap...
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André:

> > Sem as leis paternalistas, as empresas poderiam pagar em 11 meses
o  que pagam em um ano. No décimo segundo mês você poderia viajar com
>

Roberto:
> Poder, poderiam. Se querem e' outra coisa.
>
> Cortando-se os beneficios, nao estou certo
> de q. havera' incorporacao proporcial no
> salario.
>

Numa economia de salários livres, como a nossa, os salários totais
são determinados pela lei da oferta e da procura (com exceção do
salário mínimo).
Cortando-se os benefícios, sem que haja incorporação total, ocorre
uma perda a curto prazo. Mas a longo prazo os salários totais
tenderão a se reequilibrar no mesmo patamar. Não dá para aumentar os
salários totais reais por decreto, senão bastava instituir o 14o. ,
15o., etc...

A única "vantagem" dos benefícios, se é que se pode chamar de
vantagem, é o paternalismo. O trabalhador não precisa economizar para
as férias e para os gastos de fim de ano - o empregador é obrigado a
fazer isso por ele.

Claro que o salário mínimo, que não é dado pelas leis de mercado,
deveria ser corrigido proporcionalmente, e isso em nada alteraria os
pagamentos totais. Como forma de transição, talvez pudesse ser criada
uma poupança mensal obrigatória para os gastos de férias e fim de ano
- uma forma de ir acostumando o povo (lá venho eu com paternalismo!).

As férias anuais continuariam sendo um direito, porém não
remuneradas. O trabalhador poderia optar entre tirar férias ou
trabalhar e aumentar sua produção anual, e como consequencia sua
renda. Bom para ele e para o país.

[]'s

André

#12621 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 12:55 pm
Assunto: Fw: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.
leo_barretos
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Alguém pode me dar uma ajuda nisso? Percebam a idade e a imposição da escola ...
e o pedido da mãe.
Será que uma criança norte-americana (7 anos) tem 'lastro mental' para
desenvolver uma 'experiência' por conta própria?

[]'
Léo
=============
-----Mensagem Original-----
De: Lpguimaraes
Para: leo@...
Enviada em: quinta-feira, 31 de janeiro de 2002 23:33
Assunto: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.





E-mail: Lpguimaraes
Nome: Leila
Endereço: 4312 valley Avenue
Complemento: Ap C
Bairro: Pleasanton
CEP: 94566
Cidade: Pleasanton
UF: US
Pessoa: F
DDD:
Telefone: 6997029
Data de Nascimento: 26/12/64
Sexo: F
Nível de Escolaridade: 3
Profissão: 9
Sala de Dúvida/Sugestão: Sala 02
Dúvida/Sugestão: Oi, Minha filha esta na 1 serie (7 anos). Ela quer participar
da Feira de Ciencias que ira acontecer em fevereiro. Porem ela precisara fazer o
projeto praticamente sozinha (imposicao da escola, a ajuda so podera ser dada o
minimo possivel). Voces poderiam me dar alguma sugestao de projeto?
Atenciosamente, Leila (Mae)


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#12622 De: "Jose Colucci Jr. \(Home\)" <j.colucci@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 10:23 pm
Assunto: RE: Fw: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.
josecolucci
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Léo escreveu:

>Alguém pode me dar uma ajuda nisso? Percebam a
>idade e a imposição da escola ... e o pedido da
>mãe. Será que uma criança norte-americana (7 anos)
>tem 'lastro mental' para desenvolver uma
>'experiência' por conta própria?

Léo,

Vivo esse problema há muito tempo, já que a tradição das feiras de
ciência aqui nos EUA é bem estabelecida. Aos sete anos minha filha
construiu pontes de materiais frágeis (macarrão espaguete seco é um dos
melhores) e viu quantos bloquinhos de madeira (peso) aguentavam conforme
o modelo. Agora, aos onze, está medindo o conteúdo de vitamina C em
plantas que cresceram na luz e na sombra. Idéia de um livro.

Vendo os projetos das outras crianças da escola, concluo que *nenhum
deles* foi feito pela própria criança. Querer que isso aconteça é
ridículo, pois não se pode ser mestre de obras sem antes ser servente,
auxiliar, meio-oficial, pedreiro, etc. A própria ciência profissional
tem essa hierarquia de aprendizes e mestres, através dos estudantes de
pós-graduação, auxiliares de pesquisa, doutores, etc.

Há distorções. Quando vejo uma criança de dez anos fazendo experiência
com DNA recombinante acho que os pais passaram do limite. Na região onde
vivo (Boston) muitos pais são ligados a Harvard, MIT, biotecnologia,
eletrônica, e exageram um pouco.

Tenho uns livros sobre projetos para feiras de ciências lá em casa
(estou agora no escritório, três horas atrás de vocês) e vou ver se
consigo fazer uma listinha de projetos adequados a essa idade. Não sei
se já disse que trabalhei dez anos na FUNBEC, que foi a pioneira no
ensino de ciências no Brasil.

Colucci

#12623 De: "Marco Aurelio" <clave@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 10:31 pm
Assunto: Re: Re: Duvida radical
clave@...
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In ciencialist@..., "Medeiros, Alexandre Pimentel Cabral de"
<alxmpub@...> wrote:

> Dá pra compensar ou descontar o tempo da mijadinha?
> Senão é uma baita sacanagem o terapeuta cobrar para
> dar uma mijadinha, né? :-)

Alexandre

É interessante o tema da mijadinha. Se a terapeuta é mulher, a exploração é
maior. Sem querer, as normas se tornam machistas. As mulheres tardam mais em
na mijadinha que os homens ( a menos que o sujeito passe mais tempo
acudindo - suspeitas masturbatorias). :-)

Seriamente considerado, o tema se toca durante a formação do analista. Não
se pode mijar durante uma sessão (se fôr necessario, que mije nas calças).
Nunca me passou de ter tanta urgência. Mas não se deve interromper a sessão.
Só quem o faz, muitas vezes é o paciente, por muitíssimos motivos
diferentes.

Diz-se que os analistas da escola lacaniana trabalham com escessivos
silencios. Um não-lacaniano inventou uma anedota muito pitoresca.

Conta-se que um analista lacaniano começava a atender sempre às 8:00 hs e
terminava às 20:00 hs. Um determinado dia, ele começou, como sempre, na hora
de costume e lá pelas 11:00 hs. teve um infarto e morreu. Os pacientes e
todos os que o conheciam juram que ele atendeu até as 20:00 hs.

Como se vê, este não interrompeu nem para morrer.

[]s

Marco A. Andrade
clave@...

#12624 De: "rmtakata" <rmtakata@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 10:40 pm
Assunto: Re: Férias
rmtakata
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--- In ciencialist@y..., "andrediasbaptista" <andrebaptista@u...>
> Numa economia de salários livres, como a nossa, os salários totais
> são determinados pela lei da oferta e da procura (com exceção do
> salário mínimo).

A lei da oferta e da procura funciona
em um sistema idealizado perfeito.

O mercado de trabalho se caracteriza
por oligopsonios, cartelizacao e
assimetria das relacoes -- os sindicatos
patronais notadamente tEm muito mais
forca do q. os sindicatos de trabalhadores
na maioria das vezes.

Nao ha' transparencia nas relacoes tbm.

Enfim, nao ha' livre-concorrencia
entre os compradores da mao-de-obra.

[]s,

Roberto Takata

#12625 De: "andrediasbaptista" <andrebaptista@...>
Data: Sex, 1 de Fev de 2002 11:40 pm
Assunto: Re: Fw: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.
andrediasbap...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Colucci

Não sei se já disse que trabalhei dez anos na FUNBEC, que foi a
pioneira no ensino de ciências no Brasil.
>
> Colucci

Saudosa FUNBEC. Comprei uns kits legais lá a mais de 20 anos. Depois
que meus filhos nasceram, passei por lá novamente e só encontrei um
barracão fechado e cercado de mato. snif, snif... :(

[]´s

André

#12626 De: "andrediasbaptista" <andrebaptista@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 12:09 am
Assunto: Re: Férias
andrediasbap...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
--- In ciencialist@y..., "rmtakata" <rmtakata@a...> wrote:
> A lei da oferta e da procura funciona
> em um sistema idealizado perfeito.
>
> O mercado de trabalho se caracteriza
> por oligopsonios, cartelizacao e
> assimetria das relacoes -- os sindicatos
> patronais notadamente tEm muito mais
> forca do q. os sindicatos de trabalhadores
> na maioria das vezes.
>
> Nao ha' transparencia nas relacoes tbm.
>
> Enfim, nao ha' livre-concorrencia
> entre os compradores da mao-de-obra.
>

Que seja. Mas as férias pagas continuam onerando o sistema produtivo.
Quem paga é sempre o trabalhador, seja via redução dos salários ou
via imposto inflacionário.

Mas repito mais uma vez: mesmo que houvesse concorrência perfeita e
os sindicatos de trabalhadores fossem poderosos, não seria possível
aumentar os salários reais sem um correspondente aumento da
produtividade.

Você pode propor tributar o lucro das empresas e repassar diretamente
para os salários, mas isso a longo prazo desestimula os
investimentos. A tributação só compensa se o dinheiro arrecadado for
investido de forma a aumentar a produtividade geral (via melhoria da
infra-estrutura, da qualidade de vida e da educação).

Simples né :))

"Todo problema complexo tem uma solução simples e errada"

[]´s

André

#12627 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 12:17 am
Assunto: Re: Re: Duvida radical
leo_barretos
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|
| Conta-se que um analista lacaniano começava a atender sempre às 8:00 hs e
| terminava às 20:00 hs. Um determinado dia, ele começou, como sempre, na hora
| de costume e lá pelas 11:00 hs. teve um infarto e morreu. Os pacientes e
| todos os que o conheciam juram que ele atendeu até as 20:00 hs.
|
| Como se vê, este não interrompeu nem para morrer.
|

Então eram pacientes espirituais. Os outros que o conheciam não estavam
presentes, apenas deram suas opiniões.

[]'
Léo
==============

#12628 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 12:22 am
Assunto: Re: Duvida radical
leo_barretos
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
|
| > Marco Aurélio: A capacidade de representar é inesgotável.
| > Takata: A capacidade de criar explicacoes tbm parece ser.
| > Manuel: Outra capacidade inesgotável é a de duvidar.
|  Oi,
|
| Creio que ficou sentada a tríada da criatividade: representar, explicar e
| duvidar. Parece-me genial e a criamos entre os tres. Joia.
|

Incrível  é a nossa capacidade de generalizar!

[]'
Léo
=============

#12629 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 1:33 am
Assunto: Re: Fw: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.
leo_barretos
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Colucci,

gostei desse 'recado'. Por vezes dou uma olhada nas várias High School pela NET
e vejo os trabalhos apresentados e fico matutando como uma criança daquela idade
poderia ter apresentado aquele trabalho. Sente-se a completa "mão-de-gato". Será
que eles se 'auto-tapeiam'?
É tremendamente diferente saber manusear um experimento e/ou entender a
profundidade que ele atinge.

Meu filhote tem três anos, tem sua própria bancada de serviço com fonte para 12
V, tomadas para 110V (cada qual com seu interruptor), morsa, paquímetro, chaves
de boca, chaves de fenda, motores para 12 e 110 V (vários modelos), serra de
aço, pequeno serrote, martelo, pincéis, panos de limpeza etc. Sabe o nome de
tudo, liga e desliga os cabos dos motores e quem vem aqui em casa fica
impressionado com o relato do material e uso que ele faz.
Olha, acabei de virar a webcam creative prá lá:

Essa amigona ai no chão é a MISS, onde estou, ela está (pastora alemã capa-preta
-- 5 anos -- que serve até de travesseiro para meus rebentos!). Nesse canto ai o
filhote faz e desfaz.
Entretanto, isso é ensinamento diário, cada dia ensino uma pequena novidade, com
todo cuidado, nome, função, perigo etc.
Essa semana ensinei algumas propriedades dos ímãs (inclusive arrastar clips
sobre a bancada com o ímã por debaixo) e foi uma alegria para ele saber "onde
tem ferro gruda; onde tem madeira, plástico não gruda".
Na próxima semana pretendo tentar algo (estou matutando como fazer): usar a
palavra 'atrair' e mostrar uma 'meia verdade' --- "o ímã atrai uma peça de
ferro" (por enquanto ele só tem a idéia de 'grudar'); o que está  me atrasando
esse papo com ele é como mostrar a outra metade da verdade "a peça de ferro
atrai o ímã". Claro que vou colocar na mão dele ora o imã (atraíndo a arruela)
ora a arruela (atraindo o ímã) ... mas isso não é suficiente (é apenas
necessário). Estou matutando.
Ah! Aquele armário (direita da foto) está entulhado de aparelho de demonstração
para ele. Ele tem uma manuseabilidade incrível, os familiares que assistem ás
suas demonstrações ficam pasmados ao vê-lo pegar as lâmpadas, os fios, fazer as
devidas ligações (simples ou série) e ligar os jacarés nos terminais; ligar o
devido interruptor e acender as ditas lâmpadas. Hoje meu irmão nos visitou e
*obviamente* ele foi mostrar seu motorzinho ... ligou tudo direitinho e pôs a
funcionar. Meu irmão perguntou: --- E se inverter os fios? Resposta imediata:
--- O motor vai girar pro outro lado ué!  * Meu filho! * ---- tem 3 anos! Dia de
festa prá ele é quando eu o convido a entrar no meu laboratório.
Será que todos os norte-americanos fazem isso com sua prole?

Em continuação ao seu 'recado', ... que saudades da FUNBEC! Tinha lá no barracão
o amigo "Zé Carlos' para nos atender e ia lá com o Johnson (para os não íntimos,
Tore Nils Olof Folmer-Johnson) para comprarmos material para as aulas práticas
do Di Tullio (no mesmo ano em que fazia cursinho já auxiliava o Prof. Johnson
nas aulas de laboratório --- no ano seguinte eu já lecionava "Estática" (teoria)
e era o Prof. de laboratório ---. Conheci o material da FUNBEC em detalhes. Por
vezes ia lá com o Mauro e Barone (para os não íntimos, Mauro de Oliveira Cesar e
Ângelo Barone Netto) os quais eram incapazes de manusear uma chave de fenda e
ajustar o kit marcador de tempo (talvez porque são apenas doutores matemáticos)
enão era nada difícil encontrar por lá o Dr. Isaias Raw (não fomos íntimos
amigos).
Como os estudos decaíram ... decaem bem mais depressa que o urânio!

Tenho salutar inveja de vc. Não posso conseguir os livros de experimentos os
quais vc tem toda facilidade de encontrar por ai. Pelo que me consta o 'Manual
das Feiras de Ciências' - 2 volumes (esgotada a única edição de 1000 exemplares
cada) é o único título de pura física experimental no Brasil dedicado ao tema
Feira de Ciências. O autor, um ilustre desconhecido Luiz Ferraz Netto, deveria
ter re-editado, ampliado e lançado o volume 3  que ficou no papel.

Vou aguardar dos demais colegas algumas sugestões sobre a resposta que devo
enviar á mãe consulentes do Imperdível.

Aquele abraço,

Léo
====================



-----Mensagem Original-----
De: "Jose Colucci Jr. (Home)" <j.colucci@...>
Para: <ciencialist@...>
Enviada em: sexta-feira, 1 de fevereiro de 2002 20:23
Assunto: RE: [ciencialist] Fw: Perfil Feira de Ciências, dúvidas e sugestões.


Léo escreveu:

>Alguém pode me dar uma ajuda nisso? Percebam a
>idade e a imposição da escola ... e o pedido da
>mãe. Será que uma criança norte-americana (7 anos)
>tem 'lastro mental' para desenvolver uma
>'experiência' por conta própria?

Léo,

Vivo esse problema há muito tempo, já que a tradição das feiras de
ciência aqui nos EUA é bem estabelecida. Aos sete anos minha filha
construiu pontes de materiais frágeis (macarrão espaguete seco é um dos
melhores) e viu quantos bloquinhos de madeira (peso) aguentavam conforme
o modelo. Agora, aos onze, está medindo o conteúdo de vitamina C em
plantas que cresceram na luz e na sombra. Idéia de um livro.

Vendo os projetos das outras crianças da escola, concluo que *nenhum
deles* foi feito pela própria criança. Querer que isso aconteça é
ridículo, pois não se pode ser mestre de obras sem antes ser servente,
auxiliar, meio-oficial, pedreiro, etc. A própria ciência profissional
tem essa hierarquia de aprendizes e mestres, através dos estudantes de
pós-graduação, auxiliares de pesquisa, doutores, etc.

Há distorções. Quando vejo uma criança de dez anos fazendo experiência
com DNA recombinante acho que os pais passaram do limite. Na região onde
vivo (Boston) muitos pais são ligados a Harvard, MIT, biotecnologia,
eletrônica, e exageram um pouco.

Tenho uns livros sobre projetos para feiras de ciências lá em casa
(estou agora no escritório, três horas atrás de vocês) e vou ver se
consigo fazer uma listinha de projetos adequados a essa idade. Não sei
se já disse que trabalhei dez anos na FUNBEC, que foi a pioneira no
ensino de ciências no Brasil.

Colucci


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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#12630 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 1:55 am
Assunto: bolas! esqueci que a ciencialist não aceita html
leo_barretos
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Tentando enviar a figura que faltou

     Luiz Ferraz Netto [Léo]
        UIN#: 31028111
      leo@...
      leo@...
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#12631 De: "Marco Aurelio" <clave@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 2:59 am
Assunto: Re: Re: Duvida radical
clave@...
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In ciencialist@..., "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
wrote:


> Então eram pacientes espirituais. Os outros que o conheciam não estavam
>presentes, apenas deram suas opiniões.

Luiz

É interessante ver como esta piada foi feita para os que têm familiaridade
com o contexto das diferentes "escolas" analíticas. Eu postei esta anedota
para ver até que ponto era "hermética". Sua resposta demonstrou que só podia
ser captada por quem estava dentro do contexto.

A graça reside em que as pessoas imaginam um analista que tem por norma não
falar. A ortodoxia deste lacaniano seria tão estrita que ele talvez nem
sequer se levantava. Como aparentemente ele não se movia  em nenhum dia até
sua hora de saída, ninguém notou que ele morreu durante o trabalho, porque.
como nunca se movia nem falava, tudo se deu como se ele continuasse
atendendo.

Alem disso existe uma metáfora lacaniana que diz que o analista ocupa o
lugar do morto. Aí estava o proprio e, por isso, não podía ser mais efetiva
sua análise. Claro, a piada só funciona como piada quando se capta todo seu
"non sense" de uma só vez. Explicada assim, perde a graça.

[]s

Marco A. Andrade
clave@...

#12632 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 4:52 am
Assunto: Re: Re: O Mito Popperiano
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá,

José  Baptista uróite:

Zé Mané: Aliás, numa roda de cerveja o neurótico é quase sempre aquele chato
> que, ao invés de se divertir, fica o tempo todo a) implicando com o
> garçon; b) cutucando a comida e a bebida em busca de moscas , fios de
> cabelo, cusparadas, etc.; c) buscando nas entrelinhas da conversa dos
> amigos algum sinal de hostilidade contra ele; d) achando que tá todo
> mundo paquerando a sua namorada; d) pedindo desculpas por implicar
> com o garçon, por cutucar a comida, por ter entendido mal o que o
> outro disse ou por ter sido tão estúpido ao ponto de pensar que o
> cara da mesa ao lado estava paquerando a sua namorada. Muitos vezes o
> neurótico, depois de uma noitada, está mais angustiado e deprimido do
> que antes.
>
> André: Será que podemos acrescentar: e) em vez de prestar atenção a
conversa,
> fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper,
> Freud et caterva;

Manuel:  Se estás querendo insinuar que sou um chato e, por conseguinte, um
neurótico, então acertou. Sim, meu caro André, não tenho vergonha de
admitir, sou um neurótico, mas um neurótico em caminho da cura, presumo
(claro que vc vai duvidar disso, problema seu.)

Até porque ninguém é normal quando se olha de perto.

Mas num ponto muito importante você, meu "saudável" André (quanta saúde!),
equivocou-se. Ao contrário do que vc afirma, eu presto muita atenção nas
conversas.

Abraços,
Manuel Bulcão

#12633 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 4:53 am
Assunto: Re: Re: O Mito Popperiano
manuelbulcao
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Olá,

José  Baptista uróite:

Zé Mané: Aliás, numa roda de cerveja o neurótico é quase sempre aquele chato
> que, ao invés de se divertir, fica o tempo todo a) implicando com o
> garçon; b) cutucando a comida e a bebida em busca de moscas , fios de
> cabelo, cusparadas, etc.; c) buscando nas entrelinhas da conversa dos
> amigos algum sinal de hostilidade contra ele; d) achando que tá todo
> mundo paquerando a sua namorada; d) pedindo desculpas por implicar
> com o garçon, por cutucar a comida, por ter entendido mal o que o
> outro disse ou por ter sido tão estúpido ao ponto de pensar que o
> cara da mesa ao lado estava paquerando a sua namorada. Muitos vezes o
> neurótico, depois de uma noitada, está mais angustiado e deprimido do
> que antes.

André: Será que podemos acrescentar: e) em vez de prestar atenção a
conversa, fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper,
Freud et caterva;

Manuel: André, estáis

#12634 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 5:05 am
Assunto: Andre Dias Baptista
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá,

André Dias Baptista (o normal) uróite:

Zé Mané: Aliás, numa roda de cerveja o neurótico é quase sempre aquele chato
que, ao invés de se divertir, fica o tempo todo a) implicando com o garçon; b)
cutucando a comida e a bebida em busca de moscas , fios de cabelo, cusparadas,
etc.; c) buscando nas entrelinhas da conversa dos amigos algum sinal de
hostilidade contra ele; d) achando que tá todo mundo paquerando a sua namorada;
d) pedindo desculpas por implicar com o garçon, por cutucar a comida, por ter
entendido mal o que  outro disse ou por ter sido tão estúpido ao ponto de pensar
que o cara da mesa ao lado estava paquerando a sua namorada. Muitos vezes  o
neurótico, depois de uma noitada, está mais angustiado e deprimido do que antes.

André: Será que podemos acrescentar: e) em vez de prestar atenção a conversa,
fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper, Freud et
caterva;

Manuel:  Se estás querendo insinuar que sou um chato e, por conseguinte, um
neurótico, então acertou. Sim, meu caro André, não tenho vergonha de
admitir, sou um neurótico, mas um neurótico em caminho da cura, presumo
(claro que vc vai duvidar disso, problema seu.)

Até porque ninguém é normal quando se olha de perto.

Mas num ponto muito importante você, meu "saudável" André (quanta saúde!),
equivocou-se. Ao contrário do que vc afirma, eu presto muita atenção nas
conversas.

Abraços,
Manuel Bulcão



[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#12635 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 5:32 am
Assunto: Re: Duvida radical
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
> Incrível  é a nossa capacidade de generalizar!

Manuel: Muito mais incrível é a nossa capacidade de ironizar.

[]s
Manuel Bulcão

#12636 De: "danni_scully" <stargirl@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 5:51 am
Assunto: descoberta de 99
danni_scully
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
alguem sabe que fim levou essa descoberta em outubro de 1999?

http://www.msnbc.com/news/320182.asp?cp1=1

#12637 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 6:27 am
Assunto: Re: Re: Férias
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi André, o normal:

> As férias anuais continuariam sendo um direito, porém não
> remuneradas. O trabalhador poderia optar entre tirar férias ou
> trabalhar e aumentar sua produção anual, e como consequencia sua
> renda. Bom para ele e para o país.

Manuel: Tirar férias mas sem dinheiro no bolso... o pobre-diabo tem duas
opões: a) vender as férias e continuar trabalhando ou então; b) passar fome
ou, no mínimo, entediar-se durante as férias.

De um modo ou de outro, o trabalhador não terá descanso. Nessas
circunstâncias, não á como relaxar.

É claro que o André Baptista está brincando. Não creio que alguém seria tão
estúpido ou idiota ao ponto de defender uma proposta desta.

[]s
Manuel Bulcão

#12638 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 6:38 am
Assunto: Re: Re: Férias
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Errei, ao invés de "a´", escreva-se "há".

Olá André, o normal:

> > As férias anuais continuariam sendo um direito, porém não
> > remuneradas. O trabalhador poderia optar entre tirar férias ou
> > trabalhar e aumentar sua produção anual, e como consequencia sua
> > renda. Bom para ele e para o país.

Manuel: Tirar férias mas sem dinheiro no bolso... o pobre-diabo tem duas
opções: a) vender as férias e continuar trabalhando ou então; b) passar fome
ou, no mínimo, entediar-se durante as férias.

De um modo ou de outro, o trabalhador não terá descanso. Nessas
circunstâncias, não há como relaxar.

É claro que o André Baptista está brincando. Não creio que alguém seria tão
estúpido ou idiota ao ponto de defender uma proposta desta.

  []s
Manuel Bulcão

#12639 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 7:07 am
Assunto: Re: Duvida radical
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
> | > Marco Aurélio: A capacidade de representar é inesgotável.
> | > Takata: A capacidade de criar explicacoes tbm parece ser.
> | > Manuel: Outra capacidade inesgotável é a de duvidar.

Manuel: Há quem exija critérios objetivos... O problema é que todo critério
objetivo é dubitável..

O problema é saber quando a dúvida é racionalmente justificável ou quando se
trata de uma  simples técnica discursiva auto-imunizante.

[]s
Manuel Bulcão

#12640 De: Manuel Bulcão <manuelbulcao@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 8:28 am
Assunto: Re: Andre Dias Baptista
manuelbulcao
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi,

André: Será que podemos acrescentar: e) em vez de prestar atenção a
conversa, fica relembrando e analisando discussões abstratas sobre Popper,
Freud et caterva;

Manuel: Eu costumo repetir esses argumentos "abstratos acerca de Popper e
Freud" pelo simples fato de que ninguém, seja você ou qualquer outro,
demonstraram a capacidade de contestá-los.  Não creio que o silêncio seja
argumento. Se eu os reapresento mais de duas vezes, é porque estou sequioso
de contra-argumentos. Infelizmente, você ou qualquer outro ainda não
apresentaram absolutamente nada que os conteste.

Já mostrei que a teoria da libido de Freud é falseável. e que, entretanto,
não foi falseada. Malgrado isso, nem vc nem outro qualquer
contra-argumentaram. Entretanto, continuam repetindo: " continuo reticente
quanto aos fundamentos da psicanálise".

Certa vez, para argumentar a favor da multifuncionalidade da sexualidade
entre os homens e os pongídeos (o que vai ao encontro da teoria da libido do
Freud, ao menos em parte), citei, para embasar minha teoria, um exemplo do
que Darwin denominou de "deslocamento funcional".  Criticaram  o exemplo que
citei como se estivessem criticando a tese em si. Falácia.

Realmente, caro André, meu discurso anda muito monomaníaco. Acho até que
estou caindo no ridículo.

Bem, fique você com suas certezas, fique outros com suas incertezas (duvidar
muitas vezes não passa de uma técnica discursiva auto-imunizante) e que
sejam felizes.

Abraços,
Manuel Bulcão

#12641 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 12:47 pm
Assunto: Re: Re: Duvida radical
leo_barretos
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Agradeço os 'explicamentos'.
Como se pode constatar, a ignorância é genética ... e me pegou com carga total.
Creio que preciso 'estudar 20 anos' para ficar por dentro desse contexto. Fazer
o que? Vivendo e aprendendo.
Continuem me suportando, releguem o dito pois a intenção é honesta.

[]'
Léo
===================
-----Mensagem Original-----
De: "Marco Aurelio" <clave@...>
Para: <ciencialist@...>
Enviada em: sábado, 2 de fevereiro de 2002 00:59
Assunto: Re: [ciencialist] Re: Duvida radical


| In ciencialist@..., "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
| wrote:
|
|
| > Então eram pacientes espirituais. Os outros que o conheciam não estavam
| >presentes, apenas deram suas opiniões.
|
| Luiz
|
| É interessante ver como esta piada foi feita para os que têm familiaridade
| com o contexto das diferentes "escolas" analíticas. Eu postei esta anedota
| para ver até que ponto era "hermética". Sua resposta demonstrou que só podia
| ser captada por quem estava dentro do contexto.
|
| A graça reside em que as pessoas imaginam um analista que tem por norma não
| falar. A ortodoxia deste lacaniano seria tão estrita que ele talvez nem
| sequer se levantava. Como aparentemente ele não se movia  em nenhum dia até
| sua hora de saída, ninguém notou que ele morreu durante o trabalho, porque.
| como nunca se movia nem falava, tudo se deu como se ele continuasse
| atendendo.
|
| Alem disso existe uma metáfora lacaniana que diz que o analista ocupa o
| lugar do morto. Aí estava o proprio e, por isso, não podía ser mais efetiva
| sua análise. Claro, a piada só funciona como piada quando se capta todo seu
| "non sense" de uma só vez. Explicada assim, perde a graça.
|
| []s
|
| Marco A. Andrade
| clave@...
|
|
|
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http://br.yahoo.com/info/utos.html
|
|

#12642 De: "Luiz Ferraz Netto" <leo@...>
Data: Sáb, 2 de Fev de 2002 12:53 pm
Assunto: Re: Duvida radical
leo_barretos
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Bulcão escreve:

|
| > Incrível  é a nossa capacidade de generalizar!
|
| Manuel: Muito mais incrível é a nossa capacidade de ironizar.
|

Hoje parece-me ser o dia ideal para ficar me desculpado das bobagens que
escrevo. Ai está, levei mais uma cacetada. Novas desculpas.
Acredito que preciso de umas férias!

[]'
Léo
=============

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