Olá Luiz
Luiz: "Se consideramos que Deus (como ele é considerado) é um ser transcendente,
fora do nosso universo, onde tempo e espaço, da maneira como os concebemos, são
inixistentes, a pergunta "o que causou Deus?" passa a não ter sentido , sendo
ela mesma equivocada, e não sua consequência um paradoxo."
Por que, porque você assim o diz?..:-) Não é um argumento muito bom, Luiz, nem
mesmo é um argumento.
Mesmo sendo "transcendente", nada impede que se questione sobre seu surgimento,
sobre quem criou deus. É consequência da premissa "tudo tem uma causa". Postular
uma "propriedade especial", a transcendencia, não muda nem libera seu deus dela.
Observe que eu poderia alegar uma "propriedade especial" para o próprio
universo, não ter causa. O universo não foi criado porque, veja bem, é uma
propriedade especial do universo não precisar ser criado, e surgir
expontâneamente (como deus?..:-).
Você considera "deus" dessa forma, mesmo que não existe nenhuma evidência de
deus, de sua existência, e, portanto, muito menos de propriedades especiais. É
um argumento circular, criado para manter uma fé prévia: deus é tão especial que
não precisa ser criado, está além da premissa que eu mesmo defini inicialmente,
tudo tem uma causa.
Se permitir que sua criação imaginária, deus, seja "especial", precisa admitir
que outros podem definir como "especial" o que quiserem, inclusive o universo.
Homero
--- Em ciencialist@..., luiz silva <luizfelipecsrj@...> escreveu
>
> Olá Kentaro,
>
> Eu li Semantic Stopsigns .
>
> O tempo e espaço são "propriedades" do nosso universo, surgiram com o nosso
universo. Como causa-efeito depende de uma relação espacial-temporal (não
necessariamente na ordem apresentada, segundo a MQ, e podendo até relacionar
objetos distantes no espaço, instantaneamente, como nos fenômenos não
locais), este tipo de análise/questionamento só faz sentido em nosso universo.
>
> Se consideramos que Deus (como ele é considerado) é um ser transcendente, fora
do nosso universo, onde tempo e espaço, da maneira como os concebemos, são
inixistentes, a pergunta "o que causou Deus?" passa a não ter sentido , sendo
ela mesma equivocada, e não sua consequência um paradoxo.
>
> Abs
> Felipe
>
>
> --- Em ter, 14/7/09, Kentaro Mori <kentaro.mori@...> escreveu:
>
>
> De: Kentaro Mori <kentaro.mori@...>
> Assunto: [ciencialist] Argumentando com Deus
> Para:
> Data: Terça-feira, 14 de Julho de 2009, 21:50
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> Argumentando com Deus
>
> Uma adaptação do original de Michael Anissimov, que indica ensaios ótimos de
Eliezer Yudkowsky como Semantic Stopsigns e "Science" as Curiosity-Stopper para
maior reflexão. Antes de criticar a imagem por sua caricaturizaçã o ou mesmo por
algum tropeço epistemológico fatal, confira os ensaios indicados."Porque sim"
não é resposta. "Porque Deus quis" também não. Se descobrir os infinitos
mecanismos e fenômenos interligados que explicam o funcionamento de algo ainda
não nos levou à "resposta", e talvez nunca leve, o ponto é que não nos leva a
falsas respostas. É preciso evitar os pontos finais semânticos do
questionamento.
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