Eu não havia pensado nessa hipótese, mas há outras:
1. A viagem no tempo não é possível.
2. A viagem no tempo é possível, mas, do ponto de vista dos turistas do futuro, nossa época é selvagem e desinteressante.
3. A viagem no tempo é possível, mas nossa época é proibida aos turistas do futuro (como em "Fim da Eternidade", de Isaac Asimov).
4. A viagem no tempo é possível, mas só uma vez, pois a energia liberada pela máquina do tempo é tão grande que destroi a civilização que a construiu...
Abraços,
----- Original Message -----From: Belmiro WolskiTo: ciencialist@...Sent: Monday, February 09, 2009 10:15 AMSubject: Re: [ciencialist] O tempo na Física
Mas a proposta é que teríamos que construir a infraestrutura agora para que no futuro viessem os turistas do futuro.[],sDe: Alvaro Augusto (L) <alvaro@...>
Assunto: Re: [ciencialist] O tempo na Física
Para: ciencialist@...
Data: Sábado, 7 de Fevereiro de 2009, 15:08
O problema com a máquina do tempo é o "paradoxo de Hawkins": se tal máquina é possível, onde estão os turistas vindos do futuro?Abraços,----- Original Message -----From: VictorSent: Saturday, February 07, 2009 12:17 AMSubject: Re: [ciencialist] O tempo na FísicaÂngela: "... artigo sobre a possível construção de uma máquina do tempo.Será que isto será mesmo possível?"Victor: Não há nenhuma lei da física que proíba retornos ao passado, viagens no tempo,para o passado ou para o futuro. Contudo, apesar disso, não temos meios ou materiaisou meras noções tecnológicas de como implementar algo absurdo dessa natureza.A mim, pessoalmente, repugna-me a idéia. As leis físicas, também, são "coniventes" com besteiras do tipo!...Não concebo voltar ao passado e presenciar o namoro de minha mãe com meu pai!Coisas assim são muito boas para os imaginosos autores de ficção científica.Contudo, as conclusões e propostas do Dr. Ori estão corretas, do ponto de vista teórico. Mas são merossonhos de uma noite de verão, impossíveis de serem implementadas. É preciso, em ciência,que se saiba separar o que é possível e o que não é possível, no que se refere a soluções matemáticas,apontando para este ou aquele comportamento do universo. O Dr. Ori sabe disso.Ele só quer espantar!...Mas pensar é bom e não doi.Sds,Victor..----- Original Message -----Sent: Friday, February 06, 2009 11:30 AMSubject: Re: [ciencialist] O tempo na FísicaOlá J.VitorMuito instigante o texto que você postou.O parágrafo que sobre a "flecha do tempo" me remeteu à história do filme "O Curioso Caso de Benjamin Button", baseado no conto de F. Scott Fitzgerald escrito em 1922. Fitzgerald teve a idéia a partir de uma frase de Mark Twain: "A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18″. A idéia do filósofo certamente já passou pela cabeça de muita gente.A questão do tempo sempre esteve no imaginário das pessoas. The Time Machine (A máquina do tempo, em português) é um romance de ficção científica de H. G. Wells, com primeira edição em 1895, provavelmente o primeiro a propor o conceito da viagem no tempo usando um veículo que permite ao seu operador viajar propositadamente e de forma selectiva.Dei uma navegada e encontrei este artigo sobre a possível construção de uma máquina do tempo.Será que isto será mesmo possível?AbraçosAngelaMáquina do tempo poderia ser construída com tecido do espaço-tempo
Redação do Site Inovação Tecnológica
24/08/2007
Cientistas criaram o modelo teórico de uma máquina do tempo que, segundo eles, num futuro distante, poderá permitir que homem viaje rumo ao passado. Ao contrário de um equipamento complexo, a máquina do tempo vislumbrada pela equipe do Dr. Amos Ori, é o próprio tecido do espaço-tempo.Espaço-tempo"Para viajar de volta no tempo, a estrutura do espaço-tempo deve ser rearranjada adequadamente, " diz o professor Ori. "É com isto que a teoria da relatividade geral de Einstein lida. Ela diz que o espaço-tempo pode ser plano. Ou seja, ele tem uma estrutura banal, simples. Mas ele também pode ser encurvado em várias configurações. De acordo com a teoria da relatividade, a essência dos campos gravitacionais está na curvatura do espaço-tempo. A teoria da relatividade também define como o espaço se curva e como essa estrutura se desenvolve ao longo do tempo."A questão que se sobressai, portanto, é: seguindo os princípios do processo de curvatura do espaço-tempo, poderia o homem construir uma máquina do tempo que manipule essa curvatura e tire proveito dela?Seguindo esse raciocínio, bastaria que curvássemos o tecido do espaço-tempo de forma adequada, fazendo-o fechar um "loop" no qual o presente se encontraria com o passado.Máquina do tempoNo passado, vários cientistas já colocaram objeções a esse raciocínio. Um desses argumentos era de que seria impossível construir-se uma máquina do tempo porque ela precisaria conter material com densidade negativa. E, como o homem não dispõe de um material assim - na verdade, não está claro para os cientistas se as leis da física permitiriam a construção de tal material - então não seria possível a construção de uma máquina do tempo.A teoria do Dr. Ori propõe que dá para construir a máquina do tempo sem a necessidade de um material com densidade negativa. O modelo proposto por ele consiste em um vácuo contendo apenas matéria tradicional, com densidade positiva."A máquina é o próprio espaço-tempo, diz ele. "Hoje, se criássemos uma máquina do tempo - uma área com uma dobra no espaço que permita que as linhas do tempo se cruzem - isso poderia permitir que as futuras gerações voltassem para visitar nosso tempo. Nós, aparentemente, não podemos retornar ao nosso passado porque nos antepassados não poderiam criar essa infraestrutura para nós."Problemas para o futuroMesmo que nenhum outro estudioso encontre falhas no raciocínio do Dr. Ori, o fato é que não possuímos a tecnologia necessária para controlar os campos gravitacionais ao nosso bel prazer, o que é suficiente para manter a máquina do tempo no campo das teorias.O próprio pesquisador levanta outra questão, que ele chama de "não-trivial" : o problema da instabilidade, segundo o qual haveria distúrbios em um espaço-tempo que possua uma máquina do tempo. Esses distúrbios seriam crescentes, a ponto de rasgar o espaço-tempo, cancelando a máquina tão sonhada.
2009/2/5 J.Victor <j.victor.neto@ uol.com.br>
*Olá Todos,
*
*
Mais um artigo do Fleming. Observem como ele descreve as coisas bastante
difíceis relacionadas a causalidade de maneira tão didática, precisa e
objetiva. Isto é que é poder de síntese! Os que deploram esta teoria,
a mais bela entre todas(cfe. espoletou Landau, com o q,
particularmente, concordo), deveriam dar uma chance a si próprios e ler
com atenção a fala do mestre da simplicidade e objetividade nessas
coisas. Bem, digo que não aceitar essas coisas, cfe. reza a bíblia
relativista, dá, no mínimo, purgatório. E prá subir fica difícil.. Quem
avisa amigo é...
*
*Sds.
Victor.
*
*
*
*O TEMPO NA FÍSICA*
*Henrique Fleming*
Neste artigo, destinado a leitores não-especialistas, mas afeitos ao
pensamento teórico, pretendemos descrever as contribuições da física, em
especial da física deste século, à elucidação da natureza do tempo e de
suas relações com outros conceitos fundamentais usados na ciência. O
tempo de que vamos falar não é nenhuma construção especial da física
moderna, mas é o tempo mesmo, de domínio público, e sobre o qual se
manifestaram muitos filósofos importantes, dois dos quais, Santo
Agostinho e Kant, exerceram e exercem grande influência sobre os físicos
mais indagadores. Kant, por sua origem, nos está mais próximo, em suas
considerações sobre o tempo (nas Antinomias, por exemplo). Mas mesmo
filósofos deliberadamente distantes da ciência, como Benedetto Croce,
influem sobre a conceituação do tempo na física, ou iluminam a
interpretação daquilo que a estrutura formal das teorias nos propõe ou
impõe. Pois o que é um resultado importante na física? A resposta
esperada, de que importante é o resultado que encontra aplicação na vida
prática, é correta, mas aborda só um lado da questão e nem mesmo o mais
importante. Em 1957, Chen Ning Yang e Tsung Dao Lee receberam o prêmio
Nobel de física pela descoberta de que a natureza permite que se defina
a mão esquerda de maneira absoluta (ou seja, sem ser por comparação com
uma mão direita). Nenhum prêmio Nobel de física foi considerado tão
importante quanto este, desde então. As aplicações práticas (dentro da
física) da descoberta de Yang e Lee foram surgindo com o tempo, na
teoria dos neutrinos, nas modernas teorias de grande unificação, etc.
Mas o seu grande impacto se deve ao fato de que ensinou algo sobre um
problema de antiga tradição na filosofia, tema dos debates
Leibnitz-Clarke, e que ainda não se esgotou até hoje. Vale dizer, um
problema que está na raiz mesma do nosso conhecimento do Universo, ou do
conhecimento tout court. Enfim, um resultado é tanto mais importante na
física quanto mais nobre o pedigree do problema ao qual ele se refere.
Uma ocasião, foi perguntado a Einstein por que, tendo ele estudado em
uma escola mais forte em matemática do que em física, tinha escolhido
esta última como carreira. "Porque, respondeu, na física sou capaz de
discernir os problemas importantes, enquanto que na matemática não." Não
há duvida de que ele se referia ao critério de importância a que nos
referimos acima. Pois bem, a física moderna obteve resultados que nos
parecem importantes sobre o conceito de tempo e suas relações, algumas
totalmente inesperadas, com outros conceitos fundamentais na descrição
da realidade. Apresentaremos uma descrição das relações entre tempo e
espaço (teoria da relatividade restrita) e entre tempo, espaço e massa
(teoria da relatividade geral) que transcendem a província da física e
são do interesse de todos.
Existe um único conceito de tempo, ou uma profusão de homônimos
pouco aparentados espalhados pelas várias áreas do conhecimento teórico
e prático? O tempo que, conquanto idéia clara, não cabia nas palavras de
Santo Agostinho, tem algo a ver com o conceito para cujo estudo Einstein
lançou as bases em 1916? Até que ponto as propostas da física moderna
satisfariam o grande pensador de Tegesta? É difícil dizer. Às vezes o
que para um físico é um grande progresso pode, para um filósofo, parecer
um detalhe irrelevante. Contudo, há descobertas novas sobre temas que já
preocupavam antigos pensadores. Muito do que se fez pode ser pensado
como formalização de idéias desses filósofos proféticos, mas não tudo. O
alto grau de abstração da física teórica moderna permitiu a escalada de
patamares dificilmente concebíveis para mentes desaparelhadas do
instrumental matemático adequado.
Três problemas
O tempo flui em um sentido bem definido, cuja manifestação mais
dramática é o nosso envelhecimento biológico. Surpreendentemente, a
inclusão deste dado da realidade (a "flecha do tempo") no ideário da
física teórica constituiu um dos grandes problemas dos últimos cem anos.
Se deixarmos de lado as ínfimas forças ligadas ao decaimento beta dos
núcleos, as teorias fundamentais da física colocam passado e futuro em
situações simétricas: se uma sucessão de fenômenos ocorre, a sucessão
inversa, como um filme passado ao contrário, também ocorre. De acordo
com as leis da física, um ancião pode, com o passar dos anos, evoluir
para uma criança! Ludwig Boltzmann, numa das maiores realizações da
história da física, mostrou que a flecha do tempo é um fenômeno
estatístico. A probabilidade de o ancião rejuvenescer é essencialmente
zero, enquanto que a de um jovem envelhecer é essencialmente 1. Mas,
levando o reducionismo físico ao extremo, ambos os processos são
permitidos pelas leis. Debates furiosos subsistem até hoje sobre isso,
mas, em minha opinião, há só alguns detalhes a acrescentar à obra de
Boltzmann. O primeiro problema dos três que vou citar consiste em
digerir esse surpreendente resultado, cabendo aos físicos recuperar,
dentro do seu formalismo, a naturalidade das concepções intuitivas de
passado e futuro. É uma tarefa muito técnica e por isso não será tratada
aqui, bastando esta menção: só para sistemas com um grande número de
constituintes existe, nítido (mas probabilístico) , o sentido do tempo.
Para sistemas constituídos por um pequeno número de elementos, perde-se
a sua flecha.
O segundo problema diz respeito à individualidade (e objetividade)
do conceito de tempo. Em 1908, após ter estudado a teoria da
relatividade, o grande matemático Hermann Minkowski iniciou sua célebre
conferência dizendo: "As visões do espaço e do tempo que eu desejo expor
diante dos senhores brotaram do solo da física experimental, e aí está a
sua forca. São radicais. De agora em diante o espaço em si mesmo, e o
tempo em si mesmo, estão designados a dissolver-se em meras sombras, e
somente em uma espécie de união dos dois subsistirá uma realidade
independente" . Esta união é o espaço-tempo, e aprendemos com a teoria da
relatividade que a sua decomposição em espaço e tempo separados depende
do observador, isto é, é subjetiva. Eis o segundo problema. Mais
surpreendente ainda é o terceiro, fruto da relatividade geral, lançada
por Einstein em 1916. Aqui aprenderemos que é possível agir sobre o
espaço-tempo, e, portanto, sobre o tempo. Deixa o espaço-tempo seu papel
passivo de palco dos acontecimentos para tornar-se, ele mesmo, um
sistema físico, e atinge-se, finalmente, a possibilidade de estudar o
sistema físico por excelência: o Universo como um todo. A história do
Universo é a história do tempo, como bem a designou S. W. Hawking,
grande físico teórico inglês contemporâneo.
A relatividade restrita
Como foi dito acima, o conceito objetivo, independente do
observador, é o de espaço-tempo, e se trata de uma "superfície"
quadridimensional. Como não somos capazes de visualizar um objeto assim,
temos que nos valer, nos nossos trabalhos acadêmicos, dos métodos da
matemática, para a qual essa extensão dimensional é simples e bem
conhecida. O leitor poderá usar a imagem de uma superfície usual,
bidimensional, considerando que uma dessas duas dimensões é o tempo. O
espaço-tempo e o conjunto de todos os pontos e todos os instantes. O
movimento de um corpo puntiforme é nele representado por uma curva
chamada de linha de universo da partícula. Uma propriedade básica dessa
curva é que, conhecido um de seus pontos e a velocidade do móvel naquele
ponto, todo o resto da curva está determinado, ou seja, para um ser
hipotético que vivesse além do espaço e do tempo e contemplasse o
espaço-tempo, a linha de universo de cada partícula estaria
completamente desenhada, representando o movimento em sua totalidade
(passado, presente e futuro). Em imagens simples, a inclusão do tempo na
geometria do movimento transforma o filme do movimento numa fotografia
estática de idêntico conteúdo. O ingrediente revolucionário que injeta
física nessa representação (até aqui) formal é a descoberta de Einstein
de que existe uma distância bem definida nesse espaço-tempo. As
conseqüências disso têm direito ao adjetivo extraordinárias. Cito aqui
só duas, as duas de interesse mais geral. A simultaneidade de dois
acontecimentos é relativa, depende de quem está observando os fenômenos.
Diante de mim, e em repouso em relação a mim, duas luzes piscam
"simultaneamente" . Por essa ocasião, passava por mim a grande velocidade
outro observador. Ele as verá como não-simultâneas, e, se não estiver
familiarizado com a teoria da relatividade, se surpreenderá com a minha
insistência na simultaneidade. A diferença só é perceptível quando a
velocidade relativa entre os observadores for enorme, próxima da
velocidade da luz, o que explica que esse fato seja antiintuitivo. Por
fim, teremos alguma novidade sobre a independência da ordenação temporal
dos acontecimentos em relação a quem os observa. Este é um problema caro
a Hume. A causa deve preceder o efeito, e a discriminação do que é causa
e do que é efeito deve ser, se serve para alguma coisa, independente do
observador. Informa a teoria da relatividade o seguinte: suponhamos que,
para um determinado par de acontecimentos, exista um observador para o
qual eles são simultâneos. Então haverá um observador que os verá numa
certa ordem causal, e outro que os verá na ordem inversa.
Conseqüentemente, acontecimentos que são simultâneos para alguém não
podem ter qualquer relação causal um com o outro. Ao contrário,
consideremos agora dois pares de acontecimentos que, para um observador,
acontecem em um mesmo lugar, e um depois do outro. Mostra a teoria da
relatividade que a ordenação temporal determinada por esse observador
privilegiado (seu privilégio está em ver os dois acontecimentos no mesmo
ponto espacial) se mantém para qualquer outro observador. Para essa
classe de acontecimentos, então, existe uma ordenação que pode ser
chamada de causal. Várias outras manifestações da relatividade da
simultaneidade, de caráter mais ou menos circense, existem, como a
dilatação do tempo, e o exemplo associado a ela denominado "paradoxo dos
gêmeos". Mas são bem conhecidos e amplamente tratados.
Relatividade geral
A idéia de espaço-tempo só desenvolve sua potencialidade nos
trabalhos de Einstein de 1916 e 1917, sobre a Relatividade Geral e a
aplicação desta à descrição do Universo como um todo, isto é, à
Cosmologia. Já na relatividade restrita o conceito de tempo sofrera
modificações profundas, advindas da descoberta de seu caráter subjetivo.
A simultaneidade passou a depender do observador; qualquer relógio tem o
seu ritmo modificado, para um observador que se move em relação a ele.
Com o advento da relatividade geral as surpresas serão ainda maiores: o
tempo, amalgamado ao espaço no espaço-tempo, passa a ser um fenômeno.
Não flui mais de maneira uniforme, indiferente aos fenômenos, que se
limitava a ordenar. Passa a ser possível agir sobre ele. A evolução da
matéria do Universo não se limita a exibir a ordem no tempo, mas atua
sobre o tempo e estabelece, dentro de certas condições, que o tempo tem
um começo e pode ter um fim.
A relatividade geral é a teoria do espaço-tempo. Segundo ela, as
forças gravitacionais resultam da curvatura do espaço-tempo. Onde não há
forças gravitacionais o espaço-tempo é plano, e um corpo se move em
linha reta. As forças gravitacionais são conseqüências do encurvamento
do espaço-tempo devido à presença de massas. Os corpos continuam a
percorrer, entre dois pontos desse espaço-tempo curvo, o caminho mais
curto, mas numa superfície curva o caminho mais curto entre dois pontos
não é uma reta, e sim uma curva que depende dos detalhes do
espaço-tempo. Por causa dos nossos hábitos tridimensionais, preferimos
interpretar essa trajetória como causada por forças, no caso
gravitacionais.
A relatividade geral abriu o caminho para a cosmologia quantitativa,
pois as equações de Einstein podem ser aplicadas ao Universo como um
todo. O tecido do Universo é o espaço-tempo: onde o espaço-tempo acaba,
acaba o Universo, e acaba o tempo.
As equações de Einstein não possuem uma solução única para o
Universo: apresentam um catálogo de possibilidades, e cabe às
observações experimentais determinar qual delas descreve o Universo que
efetivamente se realizou. No nosso estágio atual de conhecimento a
escolha se resume a três possibilidades, que são os universos de
Friedmann aberto, chato e fechado. O preferido de Einstein, e também o
mais fácil de descrever para não-especialistas, é o fechado. Todos são
universos em expansão, no sentido de que, para a imensa maioria das
galáxias, a distância entre duas galáxias cresce continuamente. Um
modelo que descreve bem as principais propriedades do Universo de
Friedmann fechado é o de uma bexiga de borracha que, inflada, expande-se
mantendo a forma esférica. A superfície da bexiga, que está ela mesma
crescendo, seria o espaço em expansão. O espaço é finito e se fecha
sobre si mesmo (forma esférica), mas é ilimitado, já que nunca se chega
ao seu fim, como descobriu, em outras circunstâncias, Fernão de
Magalhães. A descrição dinâmica deste universo é a seguinte: no estado
inicial está concentrado em um ponto, e expandindo-se vertiginosamente.
A taxa de expansão diminui gradualmente e chega um momento em que o
Universo cessa de se expandir para, depois, começar a se contrair,
refazendo, ao contrário, a primeira parte da evolução, e retornando ao
ponto singular inicial. Nesta descrição temos, então, o início do tempo,
quando se inicia a expansão, e o seu fim, quando se conclui a contração.
Fora deste intervalo não existe Universo, ou espaço, ou tempo. Como
disse acima, esta não é a única possibilidade. As duas outras, os
universos de Friedmann aberto e chato, são, neste nível de descrição,
muito semelhantes e podem ser tratados simultaneamente. Ambos possuem
uma singularidade inicial (reduzem-se, no início, a um ponto), como o
modelo descrito anteriormente, ou seja, possuem um início do tempo. Mas,
à diferença dele, não possuem um fim do tempo. São universos de vida
infinita e são infinitos também espacialmente, ou seja, não são
circunavegáveis. Na presente situação experimental o candidato mais
forte é o modelo de Friedmann aberto, mas não é possível, com segurança,
excluir os outros dois.
Resumindo, a aplicação da relatividade geral ao Universo sugere
fortemente a existência de um início para o tempo, e abre a
possibilidade para que também exista um fim para ele. Uma belíssima
crônica da evolução do Universo é apresentada por S.W. Hawking em seu
famoso livro, apropriadamente intitulado Uma breve história do tempo.
Como era de se esperar, não há nenhuma luz lançada sobre a antinomia
de Kant relativa à duração do Universo na Crítica da razão pura. O
dilema ali apontado, alegadamente inerente ao pensamento humano, não
pode ser resolvido "por uma conta". Há sempre uma sensação de perda,
quando a física apresenta um tratamento quantitativo de um problema que
anteriormente era abordado sob outra forma, com ênfase nos "porquês", e
não nos "comos". Mesmo que, inequivocamente, se chegue a saber que o
tempo teve um começo, não se poderá eliminar a pergunta "e antes?". Como
disse Ezra Pound no Guide to Kulchur, "In our time Al Einstein
scandalized the professing philosophists by saying, with truth, that his
theories of relativity had no philosophic bearing".
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KANT, I. "Crítica da razão pura' tradução de Valério Rohden", São Paulo,
1981.
HAWKING, S.W. "Uma breve história do tempo", Rio de Janeiro, 1988.
POUND, E. "Guide to Kulchu" 3rd impression, London, 1960.
HENRIQUE FLEMING é professor do Instituto de Física da USP, no
departamento de Física Matemática
--
Angela
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Seja Feliz
