-----Mensagem Original-----
De: "Emerson Joucoski" <joucoski@...>
Para: <ciencialist@egroups.com>
Enviada em: Domingo, 12 de Novembro de 2000 00:18
Assunto: RES: [ciencialist] Ola, caros colegas de egroup! Tudo bem com
voces?
> o q é memética quântica?
Putz, agora você me pegou. :-))
Em primeiro lugar, a memética não está na minha praia. Como existem muitos
especialistas no assunto aqui na Ciencialist, não vou cair na armadilha de
expor conceitos meus, sob pena de que caiam de paulada em cima de mim.
Vou repetir então um trecho que copiei da Internet e está em
http://www.fmb.mmu.ac.uk/jom-emit.
"Richard Dawkins lançou o conceito de "meme" em 1976, quando escreveu O Gene
Egoísta. Como se tratava de uma proposta inédita, a de investigar os fatos
da cultura através da teoria evolutiva de Charles Darwin, despertou adesões
e controvérsias. Com o tempo, estas contribuições e discussões sobre cultura
neste acabaram por delinear um novo campo, auto-nomeado como memética."
Ou seja, o assunto mistura ciências humanas com biológicas (e eu estou
tentando chacoalhar tudo e colocar uma pitada de exatas - vide abaixo). Por
um lado, a memética pertence ao campo da chamada "teoria da cultura"; por
outro, relaciona-se com os genes e, daí, com a teoria da evolução de Darwin.
Ora, cultura tem a ver com pensamento e pensamento com ação. Por outro lado,
pensamento e ação devem estar de alguma maneira relacionados a nosso código
genético. Creio então, e estou aqui palpitando, que os memes seriam uma das
maneira dos genes se expressarem, quando relacionados a pensamentos e/ou
ações.
Daqui para a frente, repetirei o que expus na msg 6767
(http://www.egroups.com/message/ciencialist/6767) em resposta a outra (6764,
http://www.egroups.com/message/ciencialist/6764) do Manuel Bulcão. Foi o
seguinte (desculpem-me pelo reprise):
Alberto (6767):
"Vamos ver se consigo axiomatizar esta incerteza. Digamos então que exista o
que chamarei Princípio da Indeterminação Comportamental: "É impossível
conhecer simultaneamente e com exatidão o pensamento e a ação de um ser
humano." Quando ele pensa, ele não age; e quando ele age o pensamento já
era". Aceito críticas mas vejo que a "coisa" é mais ou menos por aí. Ao
passarmos do pensamento para a ação haveria um colapso da função pensamento.
Por outro lado, ao passarmos da ação para o pensamento haveria um descolapso
e a ação iria se expandindo até se extinguir totalmente.
Manuel (anterior, 6764):
> Se o determinismo "teleonômico" (teleonomia, segundo o bioquímico
> Jacques Monod, implica a idéia de uma "atividade orientada, coerente
> e construtiva", o que, segundo este cientista, é uma propriedade
> comum a todos os organismos vivos), retomando o fio: se o
> determinismo teleonômico exclui a possibilidade de uma ciência
> "stricto sensu" do comportamento determinado, não se deve,
> entretanto, "em nome da ciência", considerar como uma "falsidade
> apriorística" o determinismo teleonômico. É possível que nossas
> ações, em última análise, sejam determinadas por "algo" que
> transcende a nossa vontade, nossas intenções imediatas, nossa
> consciência. Pode ser, não é certo mas... sei lá!
Alberto:
Eu diria então que ao passarmos do pensamento para a ação o colapso é tal
que nem sempre a ação sai como foi planejada, mas ocorre uma interferência
que talvez pudesse ser explicada pela filosofia da "práxis". Mas isso apenas
confirma a idéia de um princípio de indeterminação comportamental. Putz, até
que enfim encontrei uma aplicação para as elucubrações dos quânticos. Tô
começando a gostar da brincadeira. :-))
Manuel:
> A propósito, ao ler o livro "Questões Epistemológicas" de Hilton
> Japiassu, tomei conhecimento que Albert Einstein, recusando-se a crer
> na liberdade abstrata pregada pelos filósofos, confessou que, desde a
> infância, sua vida foi profundamente marcada por esta máxima de
> Schopenhauer: "Sem dúvida, o homem pode fazer o que quer, MAS NÃO
> PODE QUERER O QUE QUER."
Alberto:
Sim, pois quando ele faz (ação) ele já não mais quer (pensamento). E quando
ele volta a querer (descolapso --> novo pensar) ele não mais está a fazer.
Em resumo, é isso. A memética parece-me ser quântica por natureza (ainda que
num sentido clássico), ou seja, relaciona-se com os memes que seriam talvez
os quanta de pensamento e/ou ação. E estou reforçando sua natureza quântica
(agora já num sentido moderno) ao acrescentar o princípio da indeterminação
e o colapso da função pensamento. Só está faltando a constante memética de
Planck para podermos chegar na equação memética de Schrödinger, com o que a
teoria ficaria perfeita. Ficou faltando aqui a possibilidade da adesão com a
teoria dos universos paralelos, mas se houver interesse isso é citado na msg
original (6767).
Quanto às minhas heresias relativistas, não leve muito a sério (vide a msg
que estou postando em resposta ao questionamento do Daniel L. Freire).
Estude a teoria da relatividade e também a teoria quântica antes que elas
acabem. :-))
[ ]'s
Alberto
http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/indice.htm