-----Mensagem Original-----
De: "Daniel Leal Freire"
Para: <ciencialist@egroups.com>
Enviada em: Domingo, 12 de Novembro de 2000 00:31
Assunto: Re: [ciencialist] Ola, caros colegas de egroup! Tudo bem com voces?
> Alberto e demais colegas da lista,
> Estou terminando o 3o ano do ensino medio e pretendo cursar engenharia.
> Você falou do "ultrapassamento" (desculpem o neologismo) das teorias da
> Física.
Olá Daniel
Não leve muito a sério o que eu digo. A esse respeito, costumo utilizar um
pensamento de Einstein (já expus aqui mais de uma vez) e que é válido para
qualquer teorizador, tanto para os medíocres como eu quanto para o autor do
pensamento:
"Se o senhor quer estudar em qualquer dos físicos teóricos os métodos que
emprega, sugiro-lhe firmar-se neste princípio básico: não dê crédito algum
ao que ele diz, mas julgue aquilo que produziu. Porque o criador tem esta
característica: as produções de sua imaginação se impõem a ele, tão
indispensáveis, tão naturais, que não pode considerá-las como imagem de
espírito, mas as conhece como realidades evidentes." (Einstein, "Como Vejo o
Mundo").
Apesar de ter exposto essa idéia aqui na Ciencialist inúmeras vezes, parece
que os colegas não entendem o meu comportamento a primeira vista hostil.
É óbvio que se tenho uma teoria que se contrapõe tanto à teoria quântica
quanto à teoria da relatividade de Einstein, não posso em sã consciência,
pelo menos enquanto acreditar em minha teoria, dizer que concordo com coisas
que parecem-me absurdas (teoria quântica e relatividade). Apesar disso,
ninguém quer julgar o que produzi mas sim, querem que eu justifique porque a
quântica e/ou a relatividade "já eram". Quem tem que se preocupar com a
quântica e/ou com a relatividade não sou eu e sim eles que a defendem. Por
mim estou convencido de que ela é absurda pois apoia-se em uma infinidade de
absurdos e, não obstante, não conseguiu chegar onde seus construtores
pretendiam que chegasse. Heisenberg, por exemplo, assim se referiu:
"Parece-me fascinante pensar que hoje, nos mais modernos países do mundo e
com os meios mais poderosos de que dispõe a moderna tecnologia, se
desenvolve uma luta para resolver em conjunto problemas colocados há dois
milênios e meio pelos filósofos gregos e cuja resposta talvez venhamos a
conhecer dentro de poucos anos ou, quando muito, em uma década ou duas."
Quantas décadas se passaram desde que esta frase foi dita? E não obstante os
problemas continuam sem respostas e sequer avançamos um milímetro no sentido
de obtermos uma solução. A meu ver, sabemos hoje menos do que no tempo de
Newton. Com freqüência confunde-se avanço científico com avanço tecnológico,
e procura-se assim dizer que a física evoluiu. E, não obstante, a física do
século XX não chegou a produzir um décimo dos avanços tecnológicos devidos à
física do século XIX (até mesmo com respeito aos avanços tecnológicos
observados durante o século XX). Confunde-se também precisão com exatidão.
Pois a física moderna apoia-se a meu ver em modelos precisos, porém
inexatos. É como se ao mirarmos um alvo, errássemos sempre no mesmo sentido
e em pontos bem agrupados. Teríamos uma pontaria precisa, porém inexata.
Pois a física moderna está dotada de teorias altamente precisas, porém
inexatas e portanto serão superadas sem deixar vestígio algum. Física
moderna, a meu ver, é pura perda de tempo e dinheiro.
> No ensino médio, onde estudamos a Física Clássica e quase tudo se resolve
> pelas Leis de Newton, pergunto: Por que ainda isso? Por que nao houve uma
> "evolução"?
Simplesmente porque a física moderna não conseguiu superar a física
newtoniana. Alguns hão de dizer que a física clássica é um caso limite da
física moderna e eu digo que os que pensam ou falam assim estão sendo
enganados ou estão tentando nos enganar. A física clássica tem muita coisa
certa, e portanto se perpetuará, e tem muitos pontos que necessitam reparos
mas permanecerá de pé após ligeiras modificações. A física moderna, em
especial a quântica, é uma física "fechada", não admite reparos e só tem um
destino: o lixo.
> Está certo que no ensino médio nao estudamos uma matemática tão avançada,
> mas a Teoria da Relatividade Especial (ou Restrita) pode ser deduzida com
> uma matemática bem simples. Creio eu que deve haver outras coisas assim
> fáceis de se entender e que poderiam muito bem serem ensinadas no ensino
> médio.
O problema é que o jovem é rebelde por natureza. No momento que ele começar
a contestar seu professor com coisas para as quais o professor não tem
resposta, a coisa vira uma baderna pois infelizmente não temos professores
de secundário em número e condições suficientes para segurar essa barra. Por
muito menos os professores ficarão bastante atrapalhados. Por exemplo: O que
é gravitação? O que é campo elétrico? O que é onda eletromagnética? São
coisas que não sabemos o que são e que de uma forma também desconhecida
produzem efeitos que julgamos conhecer. Esses conceitos são ensinados no
secundário mas o aluno sequer percebe que ele aprendeu uma coisa que ele não
sabe o que é. E não sabe não porque seja um ignorante, mas porque a própria
ciência ignora a resposta. Gravitação, campo elétrico e onda
eletromagnética, dentre outros, são nomes que damos para ocultar nossa
ignorância. A partir daí começamos a construir uma ciência e por vezes somos
tentados a postular absurdos. O problema é que as décadas passam, os
absurdos não sempre resolvem os problemas e caímos no marasmo ou na preguiça
de "darmos um passo para trás para a seguir darmos dois passos a frente"
(Lenin).
Na faculdade as coisas ficam mais fáceis pois ou o aluno entra na do
professor ou ele não conseguirá um orientador para sua iniciação científica
e/ou pós-graduação. Infelizmente a educação no país está nesse pé. Ou seja,
na universidade você estará proibido de efetuar perguntas que não tenham
respostas. E a sua criatividade irá para o brejo. Após você ter sido
despersonalizado, o seu orientador virá com uma idéia "dele" para que você
transforme numa tese (existem exceções). E com isso você se transforma num
doutor improdutivo, pois que desaprendeu a ser criativo.
> A "culpa" disso é do vestibular, que cada dia vem "imbecilizando" os
> alunos que ficam totalmente voltados para ele e quase sempre esquecem das
> ciências, ou melhor, esquecem do estudo e de como é fascinante aprender e
> descobrir as coisas.
O vestibular é uma etapa do processo. A meu ver, ainda que concorde contigo,
"o buraco é mais embaixo".
> Bom já acabei meu delírio de hoje, espero que entendam o que eu
> quis dizer no meio dessa zona gramatical.
Idem. Ops, meu delírio ainda não acabou pois chegou uma msg do Emerson. :-)
[ ]'s
Alberto
http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/indice.htm