-----Mensagem Original-----
De: "Claudio Abreu" <bidual@...>
Para: <ciencialist@egroups.com>
Enviada em: Domingo, 17 de Setembro de 2000 01:45
Assunto: En: [ciencialist] Realismo (Era MOUSE-LER)
Alberto:
> > Negar o realismo é quase sinônimo de negar o princípio da repetitividade
>> que sustenta todas as ciências.Não por outro motivo Einstein insistiu na
>> inconsistência do princípio da indeterminação que, a seu ver,
>> representava uma negação ao realismo.
Cláudio:
> Acredito, pela TGBD, que o existe é o dual da determinação e da
> indeterminação.
Alberto reponde now:
Sem dúvida. E é exatamente esse o motivo da existência do que você se refere
como "uma certa bronca que eu teria com relação à teoria da incerteza". Pois
para o físico moderno não existe este dual e sim única e exclusivamente a
incerteza. Parece-me que você está se referindo a uma incerteza lógica,
objeto de estudo da filosofia. A incerteza da física moderna é objeto de
estudo do esoterismo acadêmico. Tratou-se de algo sério no início, quando
foi proposto por Heisenberg. Perdeu sua característica inicial com a morte
dos grandes gênios que desenvolveram a física moderna e caiu no terreno do
dogmatismo, meramente a sustentar os medíocres em seus empregos acadêmicos,
via método de Thomas Khun.
Tenho um artigo sobre a incerteza publicado em meu web site ("Considerações
Sobre a Incerteza", em
http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/Eletron2/incerteza1.htm) no
qual, dentre outras coisas, digo o seguinte: "Existe um princípio oriental
que diz que tudo o que existe no Universo pode ser encarado como constituído
por antagônicos complementares, ou seja, o que chamam de yin e yang. Se o
princípio for verdadeiro deveremos encontrar, na física moderna, o
antagônico complementar da incerteza: a certeza. É claro que ela deverá
estar sempre acompanhada de outras incertezas mas, de qualquer forma, creio
que é melhor estudar o certo do que o incerto."
A incerteza da física moderna apoia-se numa falácia que aponto em meu artigo
com a seguinte argumentação:
"O raciocínio de Heisenberg foi brilhante; e acredito mesmo que ele esteve
próximo de dar um passo muito grande em física. Bastava enxergar um "a
priori" desnecessário que estava admitindo e a incerteza teria se esfacelado
a seus olhos; e ele certamente teria enxergado a verdade. Mas por puro azar
a sua física, corpuscular na origem, estava apoiando a outra física: a
física dualística. Esta última já nasceu incerta e, portanto, só poderia
deduzir uma incerteza. Apesar de incerta, "era a única" em que se apoiar na
época. Mas, na realidade, Heisenberg não estava se apoiando na mesma mas
apoiando-a. E a satisfação por esta contestação deve ter bloqueado seu
raciocínio. Heisenberg admitiu implicitamente, em sua teoria, que a posição
de uma partícula somente podia ser determinada através do choque seguido da
observação de propriedades de outra partícula. Acredito que ninguém o
criticou por este ângulo pois este "a priori" é aceito, inconscientemente,
por quase todos os físicos modernos que estudam partículas. Eliminado este
"a priori", este tipo de indeterminação cai por terra."
Quanto às idéias de Einstein, relativas ao princípio da indeterminação,
creio ter exposto uma síntese do que penso a respeito na última msg que
escrevi para a thread "Teorias Realistas Atuais" (21/05/00). E reafirmo aqui
minha conclusão final: "As idéias de Bell, em hipótese alguma, contradizem
as teorias clássicas da física e a experiência de Aspect, quando muito,
serve como critério para escolha entre o roto e o esfarrapado, qual seja,
entre as teorias locais e as não-locais."
Respeito a opinião do Belisário quando, em sua última msg (14/06/00),
afirmou: "Devo também mencionar - desculpe, Alberto, mas é impossível evitar
este comentário - um certo despreparo por parte do Alberto: para reformular
as explicações sobre os fenômenos físicos de modo a dispensar as grandes
mudanças conceituais da Física Moderna, há que se conhecer muito bem a
Física Moderna." Mas a verdade é que as falhas que apontei não foram
respondidas por nenhum dos físicos que surgiram aqui na ciencialist, seja
para me tratar com respeito, como foi o caso do Belisário, seja para me
agredir gratuitamente e sem nada de útil acrescentar.
Caro Claudio, deixo aqui, quem sabe pela última vez, o seguinte conselho:
Esqueça-se da física moderna. Ela somente lhe trará aborrecimentos e em nada
vai lhe ajudar no desenvolvimento da tgbd. O futuro da tgbd situa-se no
terreno das incertezas. O futuro da física moderna situa-se no terreno das
desilusões. Você está por demais influenciado pelas idéias de Fritjof Kapra,
em o Tao da Física. Pois Krapa não entendeu nada a genuína filosofia
oriental. Ele simplesmente tenta justificar a física moderna apelando para o
esoterismo oriental, algo que nem mesmo os orientais cultos acreditam mais.
A filosofia oriental é algo muito sério e não tem equivalente algum na
física moderna.
> Pela TGBD não pode existir a determinação sem a
> indeterminação, que é o Quarto Uno.
Pela dialética ocidental e/ou pela filosofia oriental também não.
> Uma reta reta só existe se houver o +/-
> infinito como um só ponto, o que é uma indeterminação, uma singularidade.
> Você tem uma certa bronca com relação à teoria da incerteza, por achar que
> ela elimina a possibilidade de uma definição realista. Pela TGBD a
>incerteza é necessária.
Como espero ter deixado claro, não se trata de bronca e sim da convicção de
que os físicos atuais não entenderam o raciocínio lógico dialético de
Heisenberg, apenas gostaram do esoterismo que existia por trás do erro que
ele cometeu. Por outro lado, "minha bronca" não é para com a teoria da
incerteza nem para com a física moderna e sim para com alguns garotos que
deixaram de usar fraldas e foram fazer a pós-graduação nas universidades
atuais, que nada mais fazem senão promover a mediocrização deliberada da
sociedade brasileira (dito por Mário Schenberg, alguém que conheceu muito
bem esses garotos). São esses garotos que postam-se na frente de batalha a
me atacar, assistidos por seus mestres que covardemente, a tudo acompanham
de seus quartéis, superprotegidos pela pedagogia da desmoralização da
universidade.
Leia, a esse respeito, a opinião de um desses moleques (MAFM), o único
brasileiro "físico" brasileiro que se dignou a responder-me, por e-mail, ao
lançamento de minha teoria na Internet. Compare com as mensagens que recebi
do restante do mundo (Vide Primeiras reações em
http://www.geocities.com/ecientificocultural/Eletron/Eletron_primrea.htm - o
dito cujo é o segundo a se manifestar) e perceba a distinção entre países
desenvolvidos e/ou em desenvolvimento e o Brasil, onde a universidade está
nas mãos dos medíocres que ano a ano geram doutores no estilo do MAFM.
Espero ter esclarecido suas dúvidas a meu respeito sobre a dualidade da
incerteza e sobre a "minha bronca" :-))
[ ]'s
Alberto
http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Lab/9378/indice.htm