-----Mensagem Original-----
De: "Marcello Antonio A. Talarico"
Enviada em: Domingo, 14 de Maio de 2000 22:05
Assunto: [ciencialist] Bolinhas elementares
> Estranho vc citar Newton como um rebelde, se ele foi, após
> propor o Principa, um dos mais conservadores presidentes da Royal Academy
> ofScience,...
Tanto quanto Fidel Castro após a revolução cubana :-), Stalin após a
revolução russa, etc. Isto não os desqualifica como "jovem" rebelde. Já
Guevara foi rebelde a vida toda, assim como Einstein, Schrôdinger, David
Bohm e tantos outros que, conquanto reconhecidos, pagaram caro por sua
rebeldia.
> basta lembrar o que ele fez com Huygens(está correto a o
> nome?)...
Está. Alguns colocam um "h" entre o "g" e o "e" e a Enciclopédia Britânica
dá as duas formas.
>...na discussão sobre a natureza da luz. Newton defendia a
> idéia corpuscular( por que será?)...
Parece-me que Newton apoiou suas convicções em dados experimentais
(curvatura da luz precedendo a refração, refração incomum do cristal de
Islândia, difração "a partir da sombra", reflexão total de raios de luz
observada após a passagem pelo vidro em direção ao vácuo --seria uma
resistência de um vácuo absoluto?--, etc).
> ...e Huygens a ondulatória, Newton usou do
> cargo dele para tentar rebater a teoria ondulatótia.
Você está sugerindo que ele teria sido um mau caráter? E o que isso tem a
ver com a sua teoria? Tem gente que afirma que tudo de bom que Newton fez
ele teria "roubado" de Hooke. Será verdade? Se for eu passarei a defender a
física de Hooke. Não é o caráter de Newton que está em discussão mas as
idéias que ele nos deixou, roubadas ou não. E, roubadas ou não, elas somente
foram aceitas na Inglaterra anos após terem sido consagradas na França. Por
outro lado, se você julga que Huygens foi também um mártir da ciência, você
está apenas reforçando meu argumento.
> o caso de Boltzman, foi na verdade devido a derrota filosófica que
> sofreu para Mach e não por propor revoluções( pois em vida
> Boltzman já gozava de prestígio pelo que fez para a Mecânica Estatistica.
Eu não falei nada a respeito de Mecânica Estatística. Disse apenas que ele
foi ridicularizado por seus pares graças a seu espírito rebelde.
> Concordo que a discussão é o único caminho para a
> ciência, mas discordo que se deva conclamar a sociedade ciêntifica para
> cada idéia que aparece, pois com isso vc. pode dar crédito a coisas
> absurdas.
É verdade mas nem sempre é fácil separar o jôio do trigo. E também não creio
que fosse necessário "conclamar a sociedade científica" para isso. Você está
propondo que se jogue o trigo no lixo? Pois isto é feito com grande
freqûência. Há dez anos, ou pouco mais, uma cientista aos oitenta anos
recebeu o prêmio Nobel de medicina por um trabalho publicado aos quarenta
anos de idade. Este trabalho sequer chegou a receber uma critica decente na
época e só ressurgiu das cinzas porque os paradigmas começaram a se mostrar
inconsistentes, e estavam prestes a reinventar a roda. Onde estavam os
críticos de então? Tiveram medo de concordar com um erro? Tiveram medo de
emitir uma opinião contrária a algo que poderia estar certo? Ou alguma coisa
está errada com o sistema ou estamos frente a atitudes covardes encobertadas
por uma filosofia a protegê-las.
> (A exemplo do caso da matéria escura ao qual chegou-se ao ponto de em
> uma época de se propor o axion; uma particula que tem massa mas
> não pode ser detectada por uma questão de princípio).
Pois então que se diga, a respeito, pelo menos o que você disse. Isso já é
uma crítica. Pois se algo não pode ser detectado por uma questão de
princípio, que mais dizer? Mas eu dei um exemplo diferente (e existem
muitos) relativo a um estudo que após 40 anos de ignorância completa,
recebeu o prêmio Nobel de medicina. Um verdadeiro "salto quântico" do
fracasso para a glória, sem nada a intermediar entre um e outro.
Some-se ao absurdo citado, os táquions e o universo paralelo. São tão
absurdos quanto o que você citou e pelo mesmo motivo. Não obstante, estão
por aí, pois não ferem os paradigmas da moda. Graças a isso estão liberados
até mesmo para serem repetidos nas revistas "dignas de crédito", ainda que
em tom místico.
[ ]'s
Alberto
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