Roberto Belisario wrote:
> Cargas num disco girando são um negócio complicado, porque há aceleração
> em jogo, e um dos observadores não está em um sistema inercial. Acho que
> posso recuperar a simplicidade considerando um fio retilíneo sobre uma
> esteira rolante muito longa. A esteira faz o papel do disco. Então há um
> observador preso na esteira e um no chão, olhando.
Ok.
> Assim, se, para um observador em repouso em relação a um fio, existe um
> campo magnético ao seu redor, então, para um observador em movimento em
> relação ao fio, existe um campo magnético e também um campo elétrico.
>
> Logo, para o observador fora da esteira, existe um campo elétrico
> adicional! Feitas as contas, esse campo elétrico vai neutralizar a força
> exercida pelo campo magnético sobre as cargas em movimento, de maneira que a
> resultante é nula para os dois observadores.
>
> Note que, se as bolinhas estivessem se movendo em relação ao fio,
> haveria uma força, e essa força seria a mesma para os dois observadores, mas
> "causada" por campos de natureza diferentes - para um, só pelo campo
> magnético; para o outro, por um campo magnético e por um campo elétrico.
> Isto evidencia a íntima relação entre campos elétricos e magnéticos
> introduzida pela Relatividade.
Humm... Parece fazer sentido e resolver o paradoxo. Vou ainda pensar nas
implicações.
Uma delas parece ser que dois feixes de elétrons no vácuo -não- se
atraem, ao contrário do que eu inicialmente imaginei que fariam.
(Alguém já fez esta experiência? Já ví um dispositivo de demonstração
em um catálogo antigo que gerava justamente dois feixes de elétrons
paralelos, atingindo uma placa fluorescente disposta de modo a mostrar
a trajetória. Não encontrei maiores comentários sobre ele, entretanto.)
Dois fios se atraem porquê os elétrons se movendo em um fio observam
os elétrons no outro fio parados, mas com os átomos com carga positiva
se movendo para trás. A corrente percebida independe da velocidade
do observador. Continua sendo válida portanto a afirmação
de que a corrente em uma fita tende a se mover para o centro da fita.
Talvez isto explique também, pelo menos em parte, porquê faíscas
elétricas no ar, mesmo raios, seguem canais estreitos, enquanto isto
não acontece em ar rarefeito. Enquanto existirem íons se movendo para
trás, como percebido pelos elétrons em movimento, há tendência à
concentração de corrente no centro. Sem íons, não.
> Ex' = Ex
> Ey' = gama (Ey - beta Bz)
> Ez' = gama (Ez + beta By)
>
> Bx' = Bx
> By' = gama (By + beta Ez)
> Bz' = gama (Bz - beta Ey)
>
> onde gama é o fator de Lorentz = 1/raiz quadrada de [1 - beta**2], beta =
> v/c e c = velocidade da luz no vácuo. Repare que, se em S só existe um campo
> Bz na direção z, no sistema S' aparecerá um campo Bz' e também um campo
> elétrico Ey'.
Bem simples até. Obrigado por mostrar isto.
Antonio Carlos M. de Queiroz