Antonio apresenta:
***Monte-se então a seguinte experiência: coloque-se uma fila de
bolinhas carregadas em um grande disco girante (isto parece
uma máquina eletrostática), e monte-se
neste mesmo disco um fio circular portando uma corrente contínua.
Coloque uma bateria, ou use um fio supercondutor.
Assim, pelos argumentos citados, o fio geraria um campo magnético
igualmente observável por quem esteja fora do disco ou girando
com ele, e a fila de bolinhas geraria um campo somente observável
por quem estivesse fora do disco. Com as bolinhas bem juntas,
ambos os campos seriam perfeitamente uniformes.
Como explicar a força observada entre o fio e as bolinhas,
que existiria só para o observador externo? ***
Léo:
Se entendi a geometria da experiência, discordo do "ambos os campos seriam
perfeitamente uniformes". O vetor indução B (identificado como o campo
magnético, no vácuo) não é o mesmo para todos os pontos, em nenhum dos dois
casos. Utilizamos, habitualmente, apenas o valor do B no centro da espira,
no caso do fio, (B = u.i/2r), cujo cálculo é simplificado pela simetria. Se
a corrente de bolinhas for perfeitamente assemelhável à corrente no fio,
para o cálculo do campo, ele apresentará valores distintos para casa ponto.
Posso concordar que o valor do campo devido à corrente no fio, nos pontos
onde se encontra a 'corrente de bolinhas eletrizadas' é constante (supondo
ambas espiras concêntricas com centro no eixo do disco).
Para o campo da corrente no fio, as cargas das bolinhas estão em permanente
repouso. Isso justifica porque o campo magnético da corrente no fio não atua
sobre as cargas das bolinhas.
Mas, para o observador externo, as cargas da corrente elétrica no fio
(alguns milímetros por segundo) não estão em repouso (a menos de um caso
muito especial do ajuste da rotação do disco) em relação ao campo produzido
pelas bolinhas eletrizadas. Nessa situação o campo magnética dessa fila de
cargas deveria agir sobre cada carga negativa da corrente no fio (sobre as
positivas não, essas estão em repouso para o campo das bolinhas). E talvez
ajam. Repare que nessa situação as forças individuais seriam no sentido de
diminuir o raio da espira circular por onde circula corrente. Talvez a
rigidez do fio impeça essa ação de estrangulamento da espira e não seja
observado. Um detalhe: essa força que o campo das bolinhas aplica (?) nos
elétrons da corrente no fio não tem reação (pelo menos não a enxergo de modo
algum).
Antonio:
Repita a mesma experiência com o disco parado e correndo em volta
dele com um magnetômetro. Aparece uma força entre o fio e as
bolinhas quando você corre?
Como podem existir dois tipos de campo magnético, e uniformes
ainda por cima?
Ainda há algo errado.
Léo:
Creio que o magnetômetro funciona quando houver movimento relativo entre ele
e o campo pesquisado (creio que é devido à indução sobre uma bobina do
magnetômetro). Se vc correr sobre uma circunferência concêntrica com o disco
e pertences, o fluxo magnético através dessa tal bobina será constante e,
portanto, não acusará campo algum.
Para a segunda pergunta: o segundo campo (o das bolinhas), pelo que ficou
estabelecido é relativista (pertence a uma seita estranha) ... será que a
força que ele aplica tb o é e seus efeitos não são observáveis nas nossas
velocidades?