Alberto, Antonio Carlos, Belisário, Ozelo e demais participantes da
subthread Feixe de Elétrons, meus agradecimentos pelos ensinamentos.
A ponderação de cada um, o zelo pela retórica (sem trocadilho com Ozelo --
pronuncia-se Ozélo) e o respeito mútuo fazem da ciencialist mais do que uma
'dilatação de idéias'.
Acredito agora que, voltando ao tema, será bem difícil para alguém querer
justificar o comportamento dos elétrons num feixe 'real' (e não quando
comparado com a corrente elétrica), sem optar para as correções relativistas
(e a conseqüente contração do espaço) aplicadas ao eletromagnetismo
clássico. Fiquei convencido disso. Preciso priorizar mais a relatividade
(daí meu interesse em desenvolver um modelo mecânico para o assunto).
Entretanto, ainda tem mais coisa escondida do que na mera questão do feixe
de elétrons.
Creio que há um saco de gatos no problema dos sistemas de unidades. O
eletromagnetismo (já atualizado com as correções relativistas) estudado no
sistema gaussiano (cm, g, s ---carga definida a partir da lei de Coulomb)
apresenta a constante 'c' em praticamente todas as suas formuletas, enquanto
que, no MKS racionalizado, hoje Sistema Internacional de Unidades ( m , kg,
s --- corrente elétrica definida pela força entre condutores paralelos) não
comparece nenhum 'c' . Esse 'c' aparece apenas na correlação entre
permitividade e permissividade no vácuo (raiz quadrada do quociente delas
igual a c).
Em suma, o eletromagnetismo que se vê em livros didáticos para o Ensino
Médio e parte do 3o. grau é simplesmente o velho e tradicional
eletromagnetismo disfarçado. Coisas como "o campo magnético não age sobre
cargas cuja velocidade tenha a mesma direção do campo (ou em repouso)" é
realmente embaraçoso para explicar. F = q.v.B.sen& (proveniente do produto
escalar qv x B) fica intrigante frente à relatividade. Onde está ela?
Concordo que o atual ensino médio, como já o disse o Alberto, não passa de
uma deslavada decoreba (e agora tem professores especializando-se em
musiquinhas para decorar o 'conceito' e as fórmulas --- já há até CD e
cursos para professores aprenderem a cantar!) estimulada pelo vestibular de
'cruzinhas' de (a) até (e). Foi o Isaias Raw quem trouxe isso para cá na
época do CESCEA, CESCEM etc.
E, com a divulgação do jeito que está, presa a bancos acadêmicos, a chance
para nossos jovens está realmente debilitada, senão em fase final.
De bom tamanho .....
[]'
Léo
-----Mensagem Original-----
De: Antonio Carlos M. de Queiroz <acmq@...>
Para: <ciencialist@egroups.com>
Enviada em: quarta-feira, 10 de maio de 2000 21:25
Assunto: Re: [ciencialist] Feixe de Eletrons_2
Alberto Mesquita Filho wrote:
> Quando respondi para o Léo cheguei a dizer que "pela minha teoria", que
não
> é a clássica e não é aceita como verdadeira, a não ser para mim, chego a
> algumas conclusões semelhantes às que você chegou, "apenas que por outro
> caminho". Pensei na época que você estivesse utilizando a teoria de
Maxwell
> e estivesse visualizando algum artifício que não enxerguei, pois a teoria
de
> Maxwell leva-nos a uma conclusão totalmente oposta. Agora você parece
> concordar que não está seguindo a teoria de Maxwell e sim uma nova idéia
> relacionada a uma reinterpretação de efeitos de campos eletromagnéticos
> visto por cargas em repouso relativo. Seria isso?
Não, apenas velho eletromagnetismo Maxwelliano. Correntes com mesmo
sentido em fios paralelos provocam atração. Cargas elétricas de mesma
polaridade provocam repulsão.
> Repito o questionamento em outras palavras: Parece-me que você estranhou
> determinados efeitos experimentais citados em sua primeira mensagem como
> "canal estreito por onde passam faíscas elétricas" e "condutor com formato
> de fita operando em alta tensão". Estes efeitos, a sua maneira de ver, e
> como a estou interpretando, não seriam compatíveis com a teoria de Maxwell
> e, para explicá-los você estaria propondo uma nova versão de campo
magnético
> a agir em cargas em movimento porém em repouso entre si. Seria isso?
Procurei dizer que estes efeitos são explicáveis pela teoria
convencional.
> Como eu tenho enfatizado muito essa história do elétron ter carga ou não,
é
> possível que você esteja se referindo a algo que comentei. O que eu tenho
> dito é que a carga elétrica negativa não é meramente um fluido composto de
> bolinhas amorfas e que por sua vez seriam compostas por bolinhas amorfas
> chamadas elétrons, com todos estes elementos gerando campos do tipo de
> Coulomb. Da mesma forma que a molécula de água não é uma bolinha formada
por
> água que se agrupa assumindo o formato de bolinhas maiores formadas por
água
> até chegarem á água que visualizamos como amorfa para, a partir daí,
> definimos a primeira bolinha que dissemos ser constituída por aquilo que,
> até visualizarmos, não conhecíamos.
Isto eu sei. Há algum tempo um aluno me perguntou o que era um elétron.
Minha resposta: Ninguém sabe. Sabe-se apenas como ele se comporta.
> Pois bem, voltemos à carga. Certamente
> um elétron gera um campo e sofre o efeito de outros campos. O que eu digo
é
> que esse campo gerado não é coulombiano e que o efeito que ele sofre não é
o
> mesmo sofrido por uma carga elétrica coulombiana. Jamais disse que o
elétron
> não gera campo algum e que não sofre o efeito de campo algum. Apenas disse
> que tanto o que gera quanto a maneira como reage a campos é incompatível
com
> aquilo gerado ou sofrido por uma carga coulombiana. Como não fui eu quem
> definiu pela primeira vez o conceito de carga elétrica, simplesmente digo
> que o elétron não é nada disso e portanto, sob esse ponto de vista, não é
> uma carga elétrica. Mas certamente é alguma coisa compatível com o
> funcionamento do seu monitor :-)).
Porquê o elétron não sofreria forças Coulombianas? Há uma infinidade de
dispositivos usando feixes de elétrons interagindo com campos elétricos,
e todos funcionam de acordo com forças Coulombianas. Com correções
relativísticas em muitos casos.
> Mas se o elétron se move e o campo move-se preso a ele, o campo também se
> move; e o elétron que está atrás, e que também se move à mesma velocidade,
> jamais conseguirá enxergar o campo do primeiro em movimento!!! Por outro
> lado, o campo observado a alguma distância dependerá do observador estar
ou
> não em movimento. Continuo sem entender.
Um campo é um campo. Tem apenas intensidade e direção, não é afetado se
o que o gera está em movimento, desde que o movimento não afete a
direção ou a intensidade. Por exemplo, o campo magnético gerado por
um ímã cilíndrico com polos nos centros das faces é o mesmo, não
importando se o ímã está parado ou girando em redor de seu eixo.
> E eu digo que você está realmente tentando criar uma nova teoria
> eletromagnética. O que eu não interpretaria como idéia absurda, apenas
> "ainda" não visualizei consistência.
Onde eu estaria criando uma nova teoria?
> Não sei se chamaria isso de corrente elétrica ou fluxo de cargas acopladas
> (presas ao fio). Onde está a f.e.m. do circuito? Onde está o circuito?
> Realmente, pela teoria de Maxwell existirá um campo magnético a ser
> interpretado como tal para quem está fora do trem. Porém, pela própria
> teoria de Maxwell estas cargas ainda estarão presentes e exercerão campos
> elétricos repulsivos pois serão interpretadas como em repouso relativo. A
> diferença entre uma corrente efetiva e este fluxo de cargas é que no caso
da
> corrente o conjunto é neutro, ou seja, não tem carga resultante e portanto
> não há campo elétrico (pelo menos esta é a visão interpretativa mais comum
> da teoria de Maxwell).
O campo elétrico existirá em qualquer caso. O problema de referenciais
aí é apenas com o campo magnético.
> Precisaríamos saber a resposta, qual seja: Se atraem? Se repelem? Nada
> disto? Você chegou a apontar algumas evidências de que eles se atraem. Ou
eu
> muito me engano ou, salvo maior juizo, isto iria contra as teorias
> tradicionais a respeito (teoria de Maxwell e/ou relatividade especial).
Por Maxwell, se atraem com força proporcional ao produto das correntes
e se repelem com força proporcional ao produto das cargas por unidade
de comprimento.
> > Como a velocidade afeta a carga elétrica, segundo a relatividade?
>
> Sinceramente, este não é o meu departamento e se eu fosse dizer realmente
o
> que penso iria desagradar a muitos e convencer a poucos. Já fui fanático
> pela relatividade de Einstein, até o dia em que me convenci de que isto
era
> paixão e não ciência. De qualquer forma, além da referência feita acima
> (French), sugiro que você estude o potencial Liénard-Wiechert, realçando
> apenas que relaciona-se a um efeito não trivial e não fácil de ser
> aprendido, a não ser que sob uma visão muito superficial.
É, já ví que vou ter que aprender relatividade direito (ou o que mais
for)
se quiser mesmo entender eletromagnetismo...
Antonio Carlos M. de Queiroz
------------------------------------------------------------------------
There's still time to order Calyx & Corolla flowers for mom.
These fresh and elegant bouquets are available for delivery
by Mother's Day. To order, please visit
http://click.egroups.com/1/4103/8/_/19424/_/958094869/
------------------------------------------------------------------------
Use os recursos da Ciencialist em http://www.egroups.com/list/ciencialist/
--- ... ---
ciencialist-unsubscribe@egroups.com (sair da lista)