Alberto Mesquita Filho wrote:
> Quando respondi para o Léo cheguei a dizer que "pela minha teoria", que não
> é a clássica e não é aceita como verdadeira, a não ser para mim, chego a
> algumas conclusões semelhantes às que você chegou, "apenas que por outro
> caminho". Pensei na época que você estivesse utilizando a teoria de Maxwell
> e estivesse visualizando algum artifício que não enxerguei, pois a teoria de
> Maxwell leva-nos a uma conclusão totalmente oposta. Agora você parece
> concordar que não está seguindo a teoria de Maxwell e sim uma nova idéia
> relacionada a uma reinterpretação de efeitos de campos eletromagnéticos
> visto por cargas em repouso relativo. Seria isso?
Não, apenas velho eletromagnetismo Maxwelliano. Correntes com mesmo
sentido em fios paralelos provocam atração. Cargas elétricas de mesma
polaridade provocam repulsão.
> Repito o questionamento em outras palavras: Parece-me que você estranhou
> determinados efeitos experimentais citados em sua primeira mensagem como
> "canal estreito por onde passam faíscas elétricas" e "condutor com formato
> de fita operando em alta tensão". Estes efeitos, a sua maneira de ver, e
> como a estou interpretando, não seriam compatíveis com a teoria de Maxwell
> e, para explicá-los você estaria propondo uma nova versão de campo magnético
> a agir em cargas em movimento porém em repouso entre si. Seria isso?
Procurei dizer que estes efeitos são explicáveis pela teoria
convencional.
> Como eu tenho enfatizado muito essa história do elétron ter carga ou não, é
> possível que você esteja se referindo a algo que comentei. O que eu tenho
> dito é que a carga elétrica negativa não é meramente um fluido composto de
> bolinhas amorfas e que por sua vez seriam compostas por bolinhas amorfas
> chamadas elétrons, com todos estes elementos gerando campos do tipo de
> Coulomb. Da mesma forma que a molécula de água não é uma bolinha formada por
> água que se agrupa assumindo o formato de bolinhas maiores formadas por água
> até chegarem á água que visualizamos como amorfa para, a partir daí,
> definimos a primeira bolinha que dissemos ser constituída por aquilo que,
> até visualizarmos, não conhecíamos.
Isto eu sei. Há algum tempo um aluno me perguntou o que era um elétron.
Minha resposta: Ninguém sabe. Sabe-se apenas como ele se comporta.
> Pois bem, voltemos à carga. Certamente
> um elétron gera um campo e sofre o efeito de outros campos. O que eu digo é
> que esse campo gerado não é coulombiano e que o efeito que ele sofre não é o
> mesmo sofrido por uma carga elétrica coulombiana. Jamais disse que o elétron
> não gera campo algum e que não sofre o efeito de campo algum. Apenas disse
> que tanto o que gera quanto a maneira como reage a campos é incompatível com
> aquilo gerado ou sofrido por uma carga coulombiana. Como não fui eu quem
> definiu pela primeira vez o conceito de carga elétrica, simplesmente digo
> que o elétron não é nada disso e portanto, sob esse ponto de vista, não é
> uma carga elétrica. Mas certamente é alguma coisa compatível com o
> funcionamento do seu monitor :-)).
Porquê o elétron não sofreria forças Coulombianas? Há uma infinidade de
dispositivos usando feixes de elétrons interagindo com campos elétricos,
e todos funcionam de acordo com forças Coulombianas. Com correções
relativísticas em muitos casos.
> Mas se o elétron se move e o campo move-se preso a ele, o campo também se
> move; e o elétron que está atrás, e que também se move à mesma velocidade,
> jamais conseguirá enxergar o campo do primeiro em movimento!!! Por outro
> lado, o campo observado a alguma distância dependerá do observador estar ou
> não em movimento. Continuo sem entender.
Um campo é um campo. Tem apenas intensidade e direção, não é afetado se
o que o gera está em movimento, desde que o movimento não afete a
direção ou a intensidade. Por exemplo, o campo magnético gerado por
um ímã cilíndrico com polos nos centros das faces é o mesmo, não
importando se o ímã está parado ou girando em redor de seu eixo.
> E eu digo que você está realmente tentando criar uma nova teoria
> eletromagnética. O que eu não interpretaria como idéia absurda, apenas
> "ainda" não visualizei consistência.
Onde eu estaria criando uma nova teoria?
> Não sei se chamaria isso de corrente elétrica ou fluxo de cargas acopladas
> (presas ao fio). Onde está a f.e.m. do circuito? Onde está o circuito?
> Realmente, pela teoria de Maxwell existirá um campo magnético a ser
> interpretado como tal para quem está fora do trem. Porém, pela própria
> teoria de Maxwell estas cargas ainda estarão presentes e exercerão campos
> elétricos repulsivos pois serão interpretadas como em repouso relativo. A
> diferença entre uma corrente efetiva e este fluxo de cargas é que no caso da
> corrente o conjunto é neutro, ou seja, não tem carga resultante e portanto
> não há campo elétrico (pelo menos esta é a visão interpretativa mais comum
> da teoria de Maxwell).
O campo elétrico existirá em qualquer caso. O problema de referenciais
aí é apenas com o campo magnético.
> Precisaríamos saber a resposta, qual seja: Se atraem? Se repelem? Nada
> disto? Você chegou a apontar algumas evidências de que eles se atraem. Ou eu
> muito me engano ou, salvo maior juizo, isto iria contra as teorias
> tradicionais a respeito (teoria de Maxwell e/ou relatividade especial).
Por Maxwell, se atraem com força proporcional ao produto das correntes
e se repelem com força proporcional ao produto das cargas por unidade
de comprimento.
> > Como a velocidade afeta a carga elétrica, segundo a relatividade?
>
> Sinceramente, este não é o meu departamento e se eu fosse dizer realmente o
> que penso iria desagradar a muitos e convencer a poucos. Já fui fanático
> pela relatividade de Einstein, até o dia em que me convenci de que isto era
> paixão e não ciência. De qualquer forma, além da referência feita acima
> (French), sugiro que você estude o potencial Liénard-Wiechert, realçando
> apenas que relaciona-se a um efeito não trivial e não fácil de ser
> aprendido, a não ser que sob uma visão muito superficial.
É, já ví que vou ter que aprender relatividade direito (ou o que mais
for)
se quiser mesmo entender eletromagnetismo...
Antonio Carlos M. de Queiroz