Alberto Mesquita Filho wrote:
> Acho que não entendi a dúvida apontada. O fato de que num referencial as
> cargas estão em repouso entre si não significa que elas não se chocarão com
> a tela do monitor. Simplesmente, neste referencial quem se move é o tubo de
> raios catódicos e não as cargas. Não obstante, pareceu-me que você está
> considerando algum outro efeito, que seria responsável pela visibilidade
> e/ou funcionamento do monitor, relacionado talvez com um possível campo
> magnético a gerar esse efeito. Como não conheço o funcionamento intrínseco
> de tubos de televisão e/ou monitor, mas apenas de tubos de raios catódicos
> elementares, caso exista esse efeito não sei o que dizer.
O feixe de elétrons é movido por um campo magnético variável, controlado
pelos circuitos do monitor. A TV usa o mesmo sistema.
> Também não entendi. Eu costumo aceitar que, pela teoria de Maxwell, uma
> carga elétrica em movimento sofre a ação de um campo magnético (gerado nas
> condições propostas pela teoria). Pareceu-me que você está considerando que
> um campo magnético gerado por uma carga em movimento age sobre o campo que
> outra carga gera por também estar em movimento; e este campo, talvez por
> estar "preso" à esta segunda carga, transmitiria esta ação à mesma,
> dando-nos a impressão de que o campo agiu sobre a carga.
Precisamente.
> Eu acredito que
> seguindo-se esta idéia à risca, e à luz dos dados experimentais, após
> estudarmos os efeitos magnéticos de duas cargas viajando lado a lado, e sob
> o ponto de vista do referencial das cargas, nós iremos reinventar o campo
> elétrico.
Há um problema aí. A força elétrica seria de repulsão, e a magnética
de atração.
> Não é impossível que esteja ocorrendo também um problema de
> natureza semântica ou de significado das palavras e que não consegui
> interpretar. Mesmo porque hoje em dia, e por motivos óbvios já apontados em
> outras mensagens, me é difícil enxergar uma partícula elementar como
> portadora de carga, como propõe a teoria de Maxwell.
Maxwell não sabia nada sobre elétrons. Não se sabia nada sobre
partículas
atômicas naquele tempo (1865). Em seu clássico livro, ele diz
mesmo que suas "leis" são fundamentadas mais em matemática do que em
observações experimentais. Mas partículas elementares, no caso elétrons,
tem mesmo carga elétrica, do contrário, de novo, os circuitos do meu
monitor não fariam sentido.
> Bem, aqui você já está colocando o problema de outra forma. O campo não está
> "preso" aos elétrons. Por outro lado, os elétrons percebem o campo e, ao
> contrário do dito acima, os "campos magnéticos interagem com os elétrons" e
> não com os campos gerados por estes últimos. Alguma coisa está esquisita.
O campo gerado por um elétron está "preso" ao elétron. Ocorre que em um
feixe, quando um elétron se move vem logo outro, e o campo observado a
alguma distância não parece se modificar.
> Neste caso, duas cargas elétricas em repouso no interior de um trem com
> velocidade constante deveriam perceber um campo magnético. Novamente
> pergunto: Não estaríamos reinventando o campo elétrico? Ou estamos falando
> de alguma outra teoria eletromagnética, que não a de Maxwell?
Eu disse que este caso era difícil de entender...
Piore um pouco a situação. Coloque um par de fios isolados pendurados
do teto do trem e carregue-os com cargas elétricas negativas iguais.
Observando de fora do trem, vê-se corrente elétrica nos fios, deve
aparecer campo magnético em torno deles, e eles deveriam se atrair caso
a força magnética exceda a repulsão eletrostática. Considerando a
relatividade, entretanto, observando de dentro do trem não poderia
aparecer campo magnético, nem atração. Apenas a repulsão eletrostática.
Tire agora o trem e os fios, deixando apenas o excesso de elétrons se
movendo. Mudou alguma coisa? Dois feixes de elétrons em paralelo de
novo,
se movendo muito devagar (Se existe algum efeito, seria minúsculo).
A questão aí é: O que realmente acontece? Feixes de elétrons paralelos
se atraem? Se repelem? Nada disto? Eu realmente não sei agora.
Sei que a teoria eletromagnética tem uma série de paradoxos, que se
resolvem (?) apelando para a relatividade. Este pode ser um deles.
Como a velocidade afeta a carga elétrica, segundo a relatividade?
Antonio Carlos M. de Queiroz