Alberto Mesquita Filho wrote:
>...
> Ao pensarmos numa corrente elétrica de intensidade constante como sendo um
> feixe de partículas dotadas de "carga", as coisas complicam-se bastante para
> o lado da teoria eletromagnética clássica. Ou seja, se pensarmos apenas nos
> efeitos resultantes, como se as partículas estivessem livres, e sendo a
> corrente contínua, concluiremos que no referencial de uma das partículas
> todas as demais estarão em repouso. Mas esse repouso deve ser interpretado
> com muito cuidado pois as partículas estão num campo que, na idealização
> proposta, seria semelhante ao do estudo de um feixe de elétrons observado,
> por exemplo, ao saltarem do polo negativo de um condensador para o positivo.
> Caso contrário, no referencial considerado teríamos uma carga elétrica com
> as partículas dispostas na periferia do condutor, nunca em seu cerne. Como
> esperar disposições diversas em referenciais diversos?
>...
A princípio o argumento já mencionado de que para cada portador de carga
no feixe os demais parecem em repouso, e que portanto apenas as forças
eletrostáticas apareceriam me pareceu válido.
Mas, primeiramente, se isto acontecesse eu não estaria vendo o que estou
escrevendo, pois o tubo de raios catódicos do meu monitor não
funcionaria... E como campos magnéticos não interagem com cargas
elétricas,
mas com os campos magnéticos gerados pelo movimento destas, um feixe de
elétrons tem ao seu redor um campo magnético. Fato experimental.
O problema de se os elétrons percebem o campo magnético gerado pelos
outros elétrons pode ser explicado considerando que o campo gerado pelos
outros elétrons não anda com eles, mas permanece estático em relação
ao ambiente em volta do feixe. Todos os elétrons se percebem em
movimento
dentro de um campo estático, ou, se quiser, percebem um campo magnético
se movendo em relação a eles (Sendo um feixe contínuo, isto me parece
rezoável. Me pergunto o que aconteceria com dois elétrons, ou dois
feixes
curtos, se movendo em paralelo). Não me pergunte qual é a natureza
destas
interações. Acho que ninguém sabe. Sabemos apenas que elas seguem um
modelo bem descrito pelas equações de Maxwell (e similares).
Antonio Carlos M. de Queiroz