Prezados congressistas,
Acredito que qualquer profissão que lide diretamente com a VIDA HUMANA deveria ser cuidadosamente considerada. O que ocorre, no cenário atual, com a Medicina é débil: vêem-se remunerações tão medíocres quanto R$ 100,00 por uma colecistectomia ou apendicectomia, R$ 200,00 por um parto cesária ou parto normal, consultas remuneradas pelos convênios com valores entre R$ 15,00 e R$ 30,00, além dos procedimentos médicos paralisados na antiga tabela AMB 92.
Os médicos, em tempo atual, sofrem com as agruras das jornadas múltiplas, das doze horas diárias de consultório (que se tornam rotina), da redução do tempo de lazer, sem limitação do tempo de trabalho e muitas vezes sem férias anuais na prática privada. É uma das áreas com maior número de profissionais adoecidos físico e socialmente: são os infartos, os acidentes vasculares cerebrais, os divórcios.
Uma vez que é a profissão com grande corpo de conhecimento agregado que exige a conta de 9.135 horas* para graduação, além das imprescindíveis residências médicas que somam ao tempo, no mínimo, mais 5.760 horas, como a Clínica Médica. Hoje, a formação de um médico conta com alto custo financeiro, familiar e aproximadamente 15.000 horas, em média, de tempo exclusivo dedicado. É também uma das que mais exigem atualizações e reciclagens periódicas.
A Medicina não é só um afazer técnico, o profissional ideal deve somar características humanas especiais, deve saber como tratar aos enfermos e não enfermos, ser responsável individual e social, ético, líder, competente, eficiente e seguro, honrado e confiável, comprometido com o paciente e com a organização social em que se vive.
Avolumam-se os processos judiciais contra os médicos. Crescem as responsabilidades que decaem em suas costas, como um fardo! É uma profissão ao mesmo tempo maravilhosa e temerosa, se não bem cuidada, regulamentada e dirigida.
Enfim, pergunto: é digno que, no cenário profissional e social em que vivemos uma formação de alta capacitação técnico-humana, com longo tempo de formação e enorme responsabilidade permaneça com uma remuneração mínima de três vezes o salário mínimo em vigor no país (base salarial não praticada por ser inconstitucional), o que, nos dias de hoje, corresponderia a um salário de R$ 1.245,00?
Acredito que seja uma questão de urgente revisão, haja vista o desgaste evidente observado na pesquisa de solicitação de estudo para atualização do salário com base nos índices inflacionários oficiais, encomendada à Fundação Getúlio Vargas (FGV) no ano de 2001 pelas entidades da categoria. O estudo partiu do valor do salário mínimo do médico em dezembro de 1961 e a FGV chegou a um valor, em 2001, que corrigido, até 1º de janeiro deste ano, atingiu o montante de R$ 7.503,18.
Rogo aos deputados que recebem este e-mail atenção especial a tal questão tão delicada e importante nos tempos atuais.
OBS: Acrescento ao final, o
discurso proferido pelo Sr. GILVAM
BORGES do PMDB/PA ao Senado Federal e um texto de Cid Carvalhaes, que é médico
e advogado, e então presidente do
Sindicato dos Médicos de São Paulo
(Simesp)
Obrigado.
Dr. Leandro Nunes Azevedo.
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Pronunciamento/detTexto.asp?t=378688
Pronunciamentos
Texto integral
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Autor |
Gilvam Borges (PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro /AP) |
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Data |
02/04/2009 |
Casa |
Senado Federal |
Tipo |
Discurso |
O SR. GILVAM BORGES (PMDB ¿ AP. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) ¿ Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, justiça que tarda não é justiça.
Estive
reunido com 12 importantes representantes dos médicos no Amapá. Conversei com o
Dr. João Bahia, Presidente do Sindicato dos Médicos no meu Estado; com o Dr.
João Batista, da Associação Médica do Amapá, e com conselheiros e diretores do
Conselho Regional de Medicina do meu Estado. Face às colocações que eles me
fizeram, subo a esta tribuna, no dia de hoje, para rogar que se faça justiça
para com os médicos deste País.
A saúde é
o bem primeiro, sem o qual nada mais faz sentido. Pois bem, Sr. Presidente, há
tempos se fala do quanto essa categoria recebe mal. Mas a remuneração é um
acinte para quem lida diuturnamente com a linha divisória que separa a saúde da
doença e a vida da morte. Um médico da rede pública brasileira ¿ pasmem V. Exªs
¿ percebe a irrisória quantia de R$1.245,00. Pior ainda: a Constituição Federal
de 1988 proibiu a vinculação do salário mínimo como fator de reajuste para
qualquer finalidade.
Então,
dessa forma, os dispositivos da Lei nº 3.999, de 1961, que fixa o piso dos
médicos e cirurgiões-dentistas, não podem ser considerados os recepcionados
pela Constituição Federal. Essa foi a orientação do Supremo Tribunal Federal ao
editar a Súmula Vinculante de nº 4, que dispõe: ¿Salvo nos casos previstos na
Constituição Federal, o salário mínimo não pode ser usado como um indexador de
base de cálculo de vantagem de servidores públicos ou de emprego, nem ser
substituído por decisão judicial¿.
Sendo
assim, não se pode mais fixar pisos salariais com base em salários mínimos, mas
em valores nominais.
Faz-se imperioso, portanto, atender aos dispositivos constitucionais e atualizar o valor do salário mínimo profissional dos médicos e, por extensão, dos cirurgiões-dentistas.
Ora, Sr. Presidente, a Lei nº 3.999, de 1961, prevê que o salário mínimo dos médicos é de três vezes o salário mínimo em vigor no País, o que, nos dias de hoje, corresponderia a um salário de R$1.245,00.
Entretanto, entidades da categoria encaminharam à Fundação Getúlio Vargas (FGV), no ano de 2001, uma solicitação de estudo para atualização do salário com base nos índices inflacionários oficiais. O estudo partiu do valor do salário mínimo do médico em dezembro de 1961 e a FGV chegou a um valor, em 2001, que corrigido, até 1º de janeiro deste ano, atingiu o montante de R$ 7.503,18.
O
projeto, nesse sentido, de autoria do Deputado Ribamar Alves (PSB ¿ MA), já
tramita na Câmara dos Deputados. O Relator Mauro Nassif (PDB ¿RO),
manifestou-se a favor da aprovação do Projeto de Lei nº 3.734, de 2008, que
fixa em R$7.000,00 o salário mínimo dos médicos.
Tendo em
vista o estudo desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, essa atualização do
valor remuneratório para os médicos é o mínimo tolerável para o resgate da
dignidade desses profissionais que trabalham nos mais diversos setores, por um
salário aviltante, o que os obriga a serem contratados por vários empregadores,
dar plantões e mais plantões, com humana, previsível e justificável queda na
qualidade de socorro e da medicação prescrita.
E essa
fatura, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, é paga com o sofrimento da
população doente. Assim, após quase meio século de vigência da norma, que não
se enquadra com a Constituição Cidadã, precisamos atualizar a base de
remuneração mínima estabelecida para esses profissionais.
Essa
revisão não é outorga de aumento salarial. É medida de justiça das mais
relevantes e urgentes em prol da valorização da saúde em nosso País, o que,
necessariamente, passa pelo direito dos profissionais de saúde a uma
remuneração digna.
O Sr.
Mozarildo Cavalcanti (PTB ¿
RR) ¿ V. Exª me permite um aparte, Senador Gilvam Borges?
O SR.
GILVAM BORGES (PMDB ¿
AP) ¿ Lembro ainda que, conforme ressaltado ¿ já concedo um aparte a V. Exª,
Senador Mozarildo ¿ pelo Deputado Mauro Nazif, Relator do Projeto de Lei nº
3.734, de 2008, para que o valor do salário mínimo profissional dos médicos
preserve o seu poder aquisitivo, e como não pode haver vinculação ao salário
mínimo, como estabelecido anteriormente, faz-se necessário alterar o art. 7º da
Lei nº 3.999, de 1961, para se estabelecer outro indexador que permita o
reajuste periódico para o salário profissional.
Concedo
um aparte a V. Exª, Senador Mozarildo.
O Sr.
Mozarildo Cavalcanti (PTB ¿
RR) ¿ Senador Gilvam, fico muito feliz que V. Exª, que não é médico, esteja
abordando esse tema muito importante para a população. Como médico, ouço
queixas as mais diversas do sistema público de saúde. Inclusive, hoje, na CAS
(Comissão de Assuntos Sociais), foi aprovada uma proposta da Presidente,
Senadora Rosalba Ciarlini, para nós abrirmos um debate amplo sobre o Sistema
Único de Saúde, visando a corrigir as distorções que hoje existem. A base da
distorção V. Exª está abordando com muita clareza. O médico é um ser humano, o
enfermeiro é um ser humano, o bioquímico é um ser humano, o odontólogo é um ser
humano que precisa sustentar sua família com alimentação, vestuário etc. E com
esse salário que V. Exª acabou de ler aí, é impossível sequer que ele continue
sendo um médico informado, um médico atualizado, tendo que correr de um emprego
para outro, como V. Exª frisou, e atendendo, por conseguinte, mal. Então, é
muito importante que, assim como tem que se dar atenção ao professor ¿ e eu
diria até que em primeiro lugar, porque é ele que termina formando o médico ¿,
também tem que se dar ao médico e aos encarregados da segurança. Este Brasil,
realmente, precisa voltar suas vistas para as necessidades essenciais do ser
humano: educação, saúde e segurança. Portanto, congratulo-me com V. Exª. É
preciso sim fazer urgentemente a revisão salarial da categoria dos médicos e de
todos os profissionais da área de saúde.
O SR.
GILVAM BORGES (PMDB ¿
AP) ¿ Agradeço o aparte, Senador Mozarildo.
O
parâmetro atualmente utilizado para correções salariais tem sido a variação
acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado e
divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
É
evidente que a má remuneração, além de injusta, colabora para que o estado da
saúde pública brasileira seja uma ilha cercada de problemas por todos os lados.
A saúde, peço permissão pelo trocadilho, está na UTI.
Com
frequência, observa-se que, nos hospitais públicos, médicos trabalham em
condições precárias e pacientes padecem com a falta de tratamento adequado,
embora paguem por esse serviço com altos impostos.
Reparar a
situação salarial dos médicos brasileiros reduzirá a necessidade deles de
trabalhar em vários hospitais em regime sub-humano.
(Interrupção
do som.)
O SR.
GILVAM BORGES (PMDB ¿
AP) ¿ Só dois minutos, Sr. Presidente, para concluir.
É
evidente que um plantão atrás do outro, como eles são obrigados a fazer para
sobreviver, acaba esgotando o médico e refletindo-se no tratamento dispensado
aos pacientes.
A
remuneração digna evita o acúmulo de atividades que desgastam o médico.
Portanto, sendo esse médico melhor remunerado, ganhamos todos: Governo e
sociedade.
A
despeito das flutuações da bolsa de valores e da crise financeira
internacional, é importante lembrar que a Carta Magna brasileira, que está
acima de todas as questões conjunturais, prevê ¿salário mínimo fixado em lei,
nacionalmente unificado, capaz de atender às necessidades vitais básicas do
cidadão e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer,
vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente,
de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer
fim¿ (Capítulo II,dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV).
Então,
Sr. Presidente, depois de ter ouvido as principais autoridades representativas
da classe médica no meu Estado, o Amapá, e certo de que esse é um problema
recorrente nos demais Estados e regiões brasileiras, eu me solidarizo ao
projeto do Deputado Ribamar, que atende às demandas dos médicos do Amapá e do
Brasil, e rogo para que haja celeridade na tramitação da matéria naquela Casa e
me disponho, desde já, a relatar o projeto quando da chegada dele a este Senado
Federal.
A
remuneração digna é o único caminho justo...
(Interrupção
do som.)
O SR.
GILVAM BORGES (PMDB ¿ AP) ¿ ...para a excelência profissional.
Sr.
Presidente, sem dúvida, quando falamos da grave crise da saúde pública no País,
acho que precisamos reavaliar. Não é problema de equipamento, não é problema de
estruturação. É problema de reajuste e de dar dignidade a esses profissionais
que, em grande maioria, para ter complementação salarial, prestam serviço a
inúmeras instituições públicas e privadas, o que faz com que caia a qualidade e
haja uma manipulação terrível.
Portanto,
salário justo aos médicos! Dessa forma, tenho certeza de que esses
profissionais haverão, eles mesmos, de resolver definitivamente essa grave
crise por que passa o nosso País. É hora de discutir esses salários, tão
importantes para o País.
Era o que
tinha a dizer.
Obrigado a V. Exª.
http://www.cremesp.org.br/clippings/anteriores_integra.php?codigo=1077
12-12-2005 O médico brasileiro
Cid Carvalhaes e a pesquisa da FGV: a realidade é bem diferente...
A
realidade do médico no Brasil
Estatísticas às vezes mentem; números, não - assim diz antigo ditado inglês. Segundo pesquisa divulgada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, médicos com cursos de mestrado ou doutorado lideram o ranking dos profissionais mais bem remunerados do País. Podem atingir renda mensal média de até R$ 8.966,07. Os sem titulação em programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) aparecem com remuneração média de R$ 6.705,82. Para alcançar esses índices o levantamento indica que médicos mais bem remunerados trabalham muito mais que os profissionais de outras áreas com os mesmos formação e salário. O volume do trabalho médico é de mais de 64 horas semanais, ou seja, além de 12 horas por dia.
Afigura-se
oportuno debater a realidade dos 280 mil médicos em atividade em todo o Brasil.
Apenas 14% têm mestrado e 6,8%, doutorado, conforme dados divulgados pelo
Conselho Federal de Medicina (CFM) em sua última atualização sobre o perfil do
médico no Brasil. Para receber os atuais ganhos os profissionais se
sacrificaram ao longo da vida, investiram mais de 10 ou 11 anos de estudos
(seis anos no curso de graduação e, no mínimo, três ou até mesmo cinco anos em
programas de residência médica).
Os que se graduam em cursos
de mestrado e doutorado acumulam mais tempo de estudos formais, no mínimo,
cinco anos além da residência médica para completá-los. Afeitos à carreira
universitária, abriram mão do direito de ter uma segunda atividade e, assim,têm
mercado de trabalho restrito ao serviço público. Além disso, quando se
aposentam ou se afastam temporária ou definitivamente, passam a receber em média
R$ 1.900 mensais, uma vez que os salários representam a soma de abonos e
gratificações, que desaparecem nos cálculos da Previdência para efeito de
aposentadoria. São os chamados "penduricalhos", artifícios acionados
pelos governantes para, eles próprios, ludibriarem direitos trabalhistas
consagrados.
A verdade é que a maioria dos médicos ganha mal, trabalha demais, em condições desumanas e ainda enfrenta dificuldades crescentes para se manter atualizada no mercado de trabalho. Alguns exemplos: o médico que trabalha para o governo estadual, em São Paulo, recebe R$ 2.400 e os que trabalham para a Prefeitura paulistana, R$ 2.600, com jornada de 20 horas semanais. Tais ganhos representam o acúmulo de todos os abonos, gratificações, incentivos, adicionais por lotação em áreas de difícil provimento, entre outros tantos "esticamentos" artificialmente colados aos salários. Devido às distâncias e às naturais dificuldades de deslocamento pelo trânsito nas grandes metrópoles, o médico perde horas para chegar ao local de trabalho, o que dificulta o acesso a uma segunda atividade.
A precariedade da estrutura da rede de saúde é um outro fator que causa revolta ao médico e ao paciente. Este, cansado de reclamar sem ser ouvido, acaba descarregando sua ira no médico. Pesquisa feita pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo constatou que 41% dos profissionais já sofreram algum tipo de violência, física ou verbal, no ambiente de trabalho. A insensibilidade de alguns gestores públicos provoca a dura realidade de instalar em hospitais gerais unidades prisionais hospitalares, confinando áreas para atendimento de presidiários de alta periculosidade. Como exemplo, o Hospital Heliópolis, em São Paulo, invadido várias vezes, culminando com morte por arma de fogo de um dos invasores, no mês de julho. Os hospitais públicos lideram o ranking das agressões (77,1%), como também os atendimentos nas urgências e emergências, nas mesmas proporções. A violência deixou seqüelas em 39,03% das vítimas.
A situação não é diferente em outras cidades da Região Metropolitana de São Paulo, como Taboão da Serra, onde os médicos ganham bem menos, R$ 1.400 mensais líquidos, e enfrentam problemas semelhantes aos encontrados na capital. Este é um dos motivos porque o CFM constatou que 60% dos médicos em todo o Brasil consideram o exercício da profissão entre muito e totalmente desgastante. Para sobreviver a maioria trabalha para os planos e seguros de saúde. Há planos que pagam por uma consulta R$ 15, valor menor que o pago pelo paciente para estacionar seu carro nas imediações do consultório. Ademais, deve-se destacar prática usual dos planos e seguros de saúde, que, a despeito de controles por auditorias, simplesmente negam autorização para realização de procedimentos propedêuticos e terapêuticos, deixando os doentes à própria sorte e, destarte, suas doenças em evolução, às vezes inexoráveis.
Médicos são responsabilizados e, mesmo com todo o esforço despendido para esclarecimentos, ainda assim assumem preocupações relevantes ao se transformarem em espectadores macabros dos males dos seus pacientes, mercê da ganância desmesurada de empresários incautos. Já os médicos mantenedores de consultórios privados, os poucos que ainda conseguem ser profissionais autônomos, gastam mensalmente cerca de R$ 4.200 para manter suas instalações. Essa é a realidade do trabalho médico no Brasil. Realidade dura, sofrida, desgastante. Para sobreviver com dignidade semelhante a outros profissionais o médico é vítima de incontáveis atropelos a lhe imporem sacrifícios. Precisamos mudar.
Outro ponto de destaque, a formação indiscriminada de profissionais desprovidos dos conhecimentos essenciais para o exercício da arte hipocrática. De forma alarmante, presenciamos aumento preocupante do número de médicos oriundos de Faculdades de Medicina cuja qualidade de ensino é deficiente. De igual maneira se afigura a capacitação especializada. Exige-se especialização e os métodos para alcançá-la são ruins. A qualidade da medicina oferecida à população brasileira está relacionada com as precárias condições em que ela é praticada. Somos impelidos a modificar essa situação.
Cid Carvalhaes, médico e advogado, é presidente do
Sindicato dos Médicos de São Paulo
(Simesp)
Fonte: Estado de São Paulo - Espaço Aberto - 07/12/2005