Meus
queridos!
Chegou
o momento de eu colocar aqui as razões técnicas da minha mudança de critério quanto
ao Calendário da Paz! Como eu disse anteriormente, essa questão de não haver
kin no dia 29 de fevereiro sempre me intrigou! A justificativa do Dr. José Argüeles
de que isso acarretaria uma desordem nas famílias terrestres, criadas
por ele no Encantamento do Sonho, quebrando a sincronicidade existente entre o
ciclo de translação da Terra e a Conta Sagrada (Tzolkin), não me convencia de
forma alguma. Eu nunca aceitei a explicação de que esse é um dia 0.0.Hunab Ku e que recebemos uma energia “especial”,
que vem diretamente do centro da galáxia, e que não seria motivo para
preocupação o fato de não haver um kin do dia. Sua afirmação de que o 29 de
fevereiro é uma ficção do tempo gregoriano, que nada tem a ver com o tempo real,
não me foi convincente pois não podemos ignorar
o fato de que nesse dia o Sol, incontestavelmente, nasce...
Diante
disso, resolvi intensificar minhas pesquisas! Tenho um amigo estudiosíssimo dos
maias que vai ao México de seis em seis meses, sempre com a finalidade de se
aprofundar mais e mais! Quando iniciei meus estudos, através da Rede de Arte
Planetária comentei com esse amigo a questão do 29 de fevereiro! Na hora ele me
disse: “Cris, é simples: se no dia 29 de fevereiro não há Kin, então o
sistema é furado! Deve haver algum erro nas contas! O Tzolkin não pára... se o
Argueles o faz parar em cada dia 29 de fevereiro, então o erro é bem
grande!” E realmente, pelo cálculo do Argüeles somos um kin, pelo cálculo
dos Maias Clássicos, somos outro kin! O fato da ferramenta do Argüeles ser tão
mastigadinha, tão energeticamente “ao ponto”, me fez seguir em
frente sem questionamentos! Pedi também para uma outra pessoa, que também
sempre tentou me informar do erro, que me explicasse de forma mais concreta! (Dados
abaixo)
Meu
coração sempre esteve com o intento legítimo de levar Luz à humanidade através
do conhecimento do tempo natural... e esse intento eu acho que consegui! Mas,
como nossos próprios filhos, gestados em nossos ventres, este também se vai! E
espero que esteja indo muito bem cuidado e alimentado enquanto ficou sob minha
guarda!
Enfim,
quero crer na afirmação de uma amiga/irmã de que toda vez que deixamos algo tão
grande "ir", abrimos espaço para o novo e o novo é sempre bem-vindo!
Que seja saudável essa desconstrução! Tenho certeza de que tudo o que fiz teve
um valor muito grande, mas é chegado o momento de derrubar tudo e, aproveitando
os tijolos antigos, reconstruir pacientemente tudo de novo para, quem sabe,
mais tarde desconstruir também. É a Roda da Vida atuando - é movimento - é
crescimento!
Coloco
à disposição de todos aqueles que queiram se aprofundar mais nesse estudo, os
dois textos que me fizeram entender, com provas, o erro na contagem de dias do
Calendário da Paz de José Argüeles.
Como
sempre... Informação é Luz!
In
Lake’ch!
Cris
P.S. Peço desculpas se em algum momento
essa minha atitude de reconsiderar os fatos pareceu leviandade ou
superficialidade. Ela é apenas a eterna busca do ser humano pela verdade!
Dados fornecidos por
Aloha Cris!!.... segue o email que escrevi e enviei para a Patricia logo depois do
último bi-sexto.......
Agradeço o seu interesse nos meus
estudos sobre o calendário Maya, e o seu pedido de dar uma pincelada rápida
sobre as coisas que tenho lido; intuído, e concluído. É sempre bom poder
compartilhar as nossas paixões com outras pessoas apaixonadas pelos mesmos
assuntos.
Antes mais nada, eu vim a saber do
Arguelles tarde na minha gincana de leituras. Essa gincana começou um dia
assistindo um videozinho daqueles fraquinhos da Time-Life; esse em específico
era sobre os Mayas. Até então, eu tinha passado uns 20 anos do nosso “new
age” vacinado contra as mais diversas profecias apocalípticas. Fiquei
surpreso comigo mesmo quando eu, o cético; me vi boquiaberto ao ouvir pela
primeira vez da profecia Maya; dizendo que o tempo, ou o mundo, ou ambos, iriam
acabar no dia 21/12/2012.
Não sei por que, mas aquele “end-date” tão específico, tão
preciso, mexeu no meu DNA de um jeito inexplicável, e desencadeou uma nova gincana
literária que deixou o Amazon.com
mais rico, e eu cada vez mais curioso. Fui de livro em livro procurando alguém
que pudesse me explicar o ‘Por Que’ do 2012. Levei mais de um ano,
pulando de autor em autor, escovando as bibliografias de cada um, até que
comecei (repito: apenas comecei) a entender o que considero a mola propulsora
por trás do 2012.
Eu cheguei na etapa Arguelles só no fim desse processo, quando
eu já tinha entrado pela porta dos fundos do calendário Maya. Antes de ouvir
falar do Arguelles, eu já tinha passado horas e horas dentro do Chichen Itza, totalmente
sozinho, durante a semana do equinócio da primavera do 2003. Por tanto,
antes de ler o “Fator Maya”,
eu já tinha desbravado um caminho próprio para dentro das engrenagens celestes
que movem a máquina do tempo Maya.
Descobri que o Maya era
fascinado/obcecado com o Tempo... Mais precisamente, com os ciclos
sincrônicos de tempo, assinalados pela movimentação dos corpos celestes, e
suas eventuais conjugações. Vi, graças ao Humbatz Men, que o grande maestro de
toda essa movimentação celestial é o Hunab Ku;
teoricamente o buraco negro no centro da galáxia que comanda o movimento de
mais de 100 bilhões de sois, e que fica aproximadamente a 26,000 anos
luz da gente. (Guarda esse número). Descobri que o grande ciclo que inclua os
demais, é o que chamamos da “precessão
dos equinócios”. Descobri que os Mayas eram experts na área
de medição, e que, entre ´otras cositas mas´ definiram que um ciclo completo de
cambaleamento da terra, (o movimento que chamamos de precessão) leva
(coincidentemente) 26,000 anos-Maya; ou seja, 26,000 Tuns.
Ai, lendo o trabalho de um autor
chamado de John Jenkins, eu entrei na área de termos calendricos para saber o
que era um Tun. Cada Tun é um ano aparentemente esquisito que
tem 360 kins, ou dias. Cada ciclo
de cambaleamento precessional demora uma quantidade enorme de tuns, e 360 vezes mais do que isso em kins!! Mas reparei que mesmo assim, os
Mayas se deram o trabalho de construir o seu calendário mais em cima de kins, do que em cima de tuns. Um dos seus calendários principais é
uma prova dessa preferência de medir o tempo em dias; pois como sabe, esse é
chamado de o “Tzolkin”
....que por coincidência tem 260
dias. (guarde esse número). Tanto é a ênfase na unidade “dia”, que
os parentes/sobreviventes reclusos e misteriosos dos Mayas, os
“Lacandons” (nome deles em inglês) tem o apelido de: “The Keepers of the Days”.... Pelo
fato que eles monitoram a passagem do tempo; não em anos, mas sim,
É aqui que entra o Arguelles, que eu
acho o máximo... o Mister Maya! Seu trabalho de ter levado o calendário Maya
para o nosso mundo moderno e ocidental, que seguia/segue o calendário Católico
Romano conhecido com o Gregoriano, é estupendo!!! Maaasssss, ao tentar
apresentar os que seguem o Gregoriano, aos conceitos profundos por trás do
calendário Maya, é capaz de ele ter cometido um pequeno erro de calculo. Esse
erro de cálculo fica aparente a cada ano bissexto. No meio dos tons e selos,
etc. o que deve ser feito com o dia 29 de fevereiro, que não está mapeado no calendário
do Arguelles??? Ninguém soube me explicar esse problema que surgiu este ano
(por ser bissexto). Obviamente já surgiu quatro anos atrás, mas: ou ninguém notou, ou não tinha tanta gente quanto hoje
seguindo o calendario Arguelliano para que, entre tantos, alguém tivesse
perguntado:
“Pera ai...E o dia 29 de fevereiro??”
Acontece que, (isso é na minha
opinião...e questiono o meu direito de questionar uma autoridade como o
Arguelles...) na tentativa de instruir o mundo moderno algo fundamental sobre o
mundo antigo dos Mayas, o Arguelles se baseou na principal unidade de tempo que
o ocidental está acostumado a usar para medir períodos longos; que é ....o ano. Exemplo... Estamos a dois mil e
quatro anos desde o nascimento do Jesus Cristo.... Mas ninguém, nem o papa,
sabe quantos dias se
passaram desde aquele primeiro natal; concorda!? Se fossemos Mayas, motivados
pelos conceitos por traz do calendário Maya, saberíamos....
O Arguelles foi hiper bem intencionado,
mas talvez não deu a devida atenção ao “porque” dos Mayas se
focarem na contagem longa de dias consecutivos; mesmo que esse enfoque
gere muito mais trabalho numérico (365 vezes mais). Dá para entender a posição
do Arguelles. Quem em sã consciência vai relatar a distancia entre Rio e São
Paulo em milímetros, quando poderia usar metros ou kilómetros para facilitar a
notação numérica?!? O Arguelles pode ter se atrapalhado no momento em que ele
acabou inserindo conceitos Maya, (construídos
em cima de kins corridos) num contexto Gregoriano, (construído em
cima de ‘anos’, imprecisos, de 365 dias). Estamos descobrindo que
esse enxerto está gerando uma reação de incompatibilidade...e corre o risco de
provocar uma subseqüente rejeição.
Acho importante lembrar que o
calendário divulgado pelo Arguelles não é o calendário Maya; e sim, é uma
versão Arguelliana do mesmo. Eu diria que é uma tabela caléndrica híbrida
que reflete dois modos diferentes, e quase incompatíveis, de encarar o Tempo.
Também acho super importante frisar que cada pessoa interessada deveria ler muito sobre a mola propulsora que está
por trás disso tudo...a precessão.
Temos que consultar o ponto de vista dos Gregos, dos Egípcios, dos Hindus, e de
vários outros povos astrónomos (talvez ainda mais antigos), que construíram
cosmologias religiosas inteiras em cima do rastreamento da precessão. (curiosidade:
O Egípcios e os Hindus também usavam um “ano” de 360 dias, igual a
do tun.) A astrologia, e seu
zodíaco, por exemplo, é uma herança dos povos que monitoravam a precessão.
Quando o interessado se inteirar nesses assuntos de uma forma mais abrangente;
ai sim, ele vai ter os recursos necessários para poder julgar o calendário
Arguelliano por si só; sem depender do ponto de vista de terceiros como eu; que
podem também estar errados.
In Lake´ch
Mark
Diferença entre os calendários e a contagem
longa
Hoje vemos uma grande expansão do sistema do Sr. José
Argüelles, conhecido como Calendário da Paz ou Encantamento do Sonho, mas
devemos ter em mente que esse não é um calendário genuinamente maia, mas sim
moderno.
Pq ?
A contagem longa dos maias inclui 5 tipos de ciclos
diferentes, derivados entre si. São eles:
Baktun - 144.000 dias
Katun - 7.200 dias
Tun - 360 dias
Vinal - 20 dias
Kin - 1 dia
(Note que a progressão da matematica maia de 20 é
respeitada, salvo pelo Tun, que é resultado de 18x20 para se aproximar ao ciclo
de translação da Terra)
Analisando o dia de hoje, 30/8/2006,
segundo a correlação GMT1 (Goodman-Martinez-Thompson), chegamos ao seguinte:
12.19.13.10.15, sendo o primeiro número (12) relativo ao
ciclo mais longo de 144.000
pois bem, esse ultimo ciclo não se chama kin a toa...
quando abrimos um novo ciclo vinal (e consequentemente um
novo ciclo kin) o número é 0, número que corresponde ao kin Ahau ou Sol.
Por isso se diz que os maias contavam de
Logo, se hoje é 12.19.13.10.15, só poderia ser dia de Men
(Águia), e na verdade é. (hoje, 30/8/2006, é 13 Men, kin 195.)
A grande questão é que o Sr. Argüelles não respeita tal
regra, mas ao mesmo tempo segue essa mesma contagem longa para hoje.
A data mais aceita para o começo do grande ciclo atual
(0.0.0.0.0) é 11 de Agosto de
Logo, ele terminaria em 21 de Dezembro de 2012, que
corresponde a 13.0.0.0.0 segundo GMT1
Os maias deixaram registros que indicam que um novo ciclo
começa com em 4 Ahau (Sol auto-existente, kin 260), coisa que acontece tanto em
11/8/3113a.C. quanto em 21/12/2012
A diferença do sistema de Argüelles é que o Tzolkin pára em
cada 29 de Fevereiro, mas a contagem longa que determina a profecia e que corre
junto com o Tzolkin nunca pára...
Isso faz com que seja desrespeitada a lei da contagem longa,
que diz que o ultimo numero da mesma determina o kin diario, sendo 0 = Ahau ou
"Sol" e 19 = Cauac ou "Tormenta"
Ele fez isso em nome de "sincronizar" o calendário
que ele diz estar errado com o calendário maia
Ele quis fixar o calendário maia dentro do calendário
gregoriano, coisa que jamais poderia acontecer, pois o Haab (ano civil) tem 365
dias, enquanto o calendário gregoriano (que usamos) adiciona um dia a mais a
cada quatro anos, fazendo o "ano novo maia" retroceder um dia a cada
4 anos, pois se o Sol nasceu 365 vezes, é um novo ano !
Ele acabou criando uma harmonia sim, mas uma harmonia com as
datas gregorianas que ele mesmo condena !
Mas acabou quebrando a harmonia com a contagem longa, pois
vocês podem ver que 13.0.0.0.0 no sistema de Argüelles é 12 Manik !
Sendo que pelos fatos apresentados a vocês, para ser Manik
um dia tem que ter final 7 na contagem longa !
Essa é a grande questão atualmente para essa comunidade que
acompanha o Tzolkin
o marketing do Sr. Argüelles ou a contagem nativa ?
Certamente eu fico com a segunda, e é nessa contagem que eu
sou 13 Lamat, um dia genuinamente com final 8 na contagem longa, como é hoje
Desmembrando a
contagem longa de hoje (30/08/2006)
12.19.13.10.15
12x144000 = 1728000
19x7200 = 136800
13x360 = 4680
10x20 = 200
15x1 = 15
1728000+136800+4680+200+15 = 1869695
Sabendo que o ciclo se encerra em 13.0.0.0.0 ou seja
13x144000 = 1872000, podemos calcular quantos dias faltam para o fim do mesmo:
1872000 -1869695 = 2305
Encerrando agora a questão sobre a contagem longa:
O próprio Argüelles se contradiz em seu livro "O Fator Maia" na página 140 que
diz:
"hoje, 20 de junho de 1986 é 10 BEN (Caminhante
planetário) 9 Kayeb (dia no Haab)"
E segue, dando a contagem longa do dia:
"12.18.14.18.9, o q significa que estamos no baktun 12,
katun 18, ano (TUN) 14, vinal 18, dia 9"
E fazendo as contas que eu expus agora ele chegou a seguinte
conclusão:
"Ou poderíamos dizer que é kin 1862599, numero de dias
decorridos desde o inicio do Grande Ciclo..."
Eis a questão...
Primeiro: O número não termina em 3 (e teria
de terminar para ser um dia do "Caminhante")
Segundo: Ele justificou que o ultimo número
da uma contagem longa se refere ao dia dentro do Haab, coisa que é impossível,
pois o Haab tem um mês extra de 5 dias, que acarretaria numa pane no sistema de
contagem longa que ele propõe. Além disso foi provado que o ciclo atual não
começou num "dia 0" dentro do Haab, muito menos no inicio do mesmo.
Terceiro: Esse dia citado por ele era, na
verdade, 12.18.13.1.19, "8 Cauac 12 Zotz", ou kin 1862319.
Quarto: Alguém poderia justificar que isso
são erros do passado, mas nesse mesmo livro ele reafirma a data da profecia
para Dezembro de 2012. Mas vejam bem, o número que ele deu para o dia 20 de
Junho de 1986 acarreta em uma data para a profecia diferente, pois se 13x144000
= 1872000, essa data cairia em Março de 2012, e não em Dezembro, pelo que ele
disse na página 140 (é só calcular, está claro)!
Há realmente uma falha alarmante no seu sistema, ao ignorar
dias e sincronizar o calendário com o calendário errado que ele tanto critica
Basicamente é essa a grande questão de diferenças entre os
calendários.
E lembre-se:
1 - Alguns nomes/significados dos kins são pura invenção
do Professor Argüelles
2 - O Calendário Sagrado de 260 dias era uma ferramenta
não só maia, mas de vários povos mesoamericanos, cada etnia tinha suas próprias
maneiras de nomear os kins.
Mas essas são questões para uma outra hora...
Abraço, muita paz e muita luz...
In Lak' Ech (Eu sou outro você) !
Texto escrito por Thiago Cavalcanti e
atualizado em 30 de agosto de 2006.