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repassando: autor denuncia censura a livro em João Pessoa   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #518 de 1114 |



------------- Segue mensagem encaminhada -------------

De: Elinaldo Rodrigues
Data: Sat, 24 Dec 2005 15:21:51 -0200
Para: evanice@...
Assunto: autor denuncia censura a livro em João Pessoa


Olá amigos,

segue abaixo carta do escritor Agassiz Almeida ao Sindicato dos Jornalistas
da Paraíba narrando censura do dono do Manaíra Shopping à venda de seu
livro, República das Elites (Bertrand Brasil, 2004), na livraria
Siciliano. O autor suspeita que o motivo da censura foi um trecho no
capitulo " As civilizações que o poder criou", onde ele descreve o cenário
de ostentação,de luxo, de sonegação fiscal das elites do país. "Em certa
altura da obra, faço comparações entre construções residênciais nas capitais
européias, como Madri, Paris, Lisboa, Roma com mansões babilônicas erguidas
nas grandes cidades do Brasil, destacadamente, São Paulo, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro e João Pessoa. Apontei palacetes faraônicos, inclusive um em
João Pessoa, construído por um dono de Shopping Center . Do seu Olimpo, o
proprietário daquele empreendimento vestiu a carapuça e, pressionando um
desarticulado gerente, proibiu a venda, na livraria Siciliano, do livro" A
República das Elites"", relata Agassiz na carta. Por telefone, um dos
sub-gerentes da Siciliano, Jean Carlos, alegou que a loja não está vendendo
porque o livro está em falta, aguardando uma remessa da matriz. Mas, segundo
o autor, há cerca de 2 meses eles dão essa mesma justificativa já tendo
recusado alguns exemplares enviados para abastecer a livraria. Curioso
também é que não há motivação comercial na recusa, já que a obra é sucesso
de vendas no Brasil, havendo inclusive interesse da editora em reeditá-lo em
2006.


Vale a união contra mais um caso da arrogância e prepotência do poder
econômico contra a liberdade de expressão.

Grande abraço,

Elinaldo Rodrigues
DRT/PB 1028




João Pessoa, 22 de dezembro de 2005



limo. Sr.

Jornalista Land Seixas de Carvalho

Presidente do Sindicato dos Jornalistas

Rua- Índio Piragibe 98, centro, 1º andar

João Pessoa –Paraíba







Ilustre Jornalista:



Antes que me falem, estas palavras:



As criações literárias esteiam-se na liberdade de divulgá-Ias. Um
livro impedido de ser lido é força sem energia e corpo sem vida .



O que o escritor e a própria sociedade aspiram? O mundo das
liberdades para o livro. Vê desfilar em suas páginas os fatos da vida, o
homem e a humanidade, as ações e as idéias, a vaidade dos bufões, o ódio dos
insensatos, o fluxo e o refluxo do dinamismo universal. Negada a sua leitura
é corpo sem existência. Toda obra necessita dilatar-se no tempo para ouvir
as vozes e os passos dos seus leitores...

Que impulso conduz o formulador de pensamento e que temor o
sobressalta? O esquecimento. O olhar indiferente dos homens no desprezo de
desconhecer a sua criação.

Que é o gênero humano desde a origem dos séculos? Um criador de
idéias; essa criança de seis mil anos, logo que começou a andar, pensou na
escola da natureza. A princípio, soletrou o mundo. Pelas mãos do livro o homem
caminhou pelo dorso dos séculos e pôde melhor compreender o espetáculo do
universo.

Mensageiro do poeta, do pensador, do profeta, enviado do infinito
desconhecido - oh insondável mente humana! - o livro projeta-se pelas
gerações como um fanal iluminando os séculos; vive e têm de viver os fatos e
os homens, advindos de todos os tempos e lugares. É do coração do mundo que
ele emerge; faz parte da realidade primária das coisas .

Que seriam das palavras de Cristo, Buda, Moisés, Maomé, se elas não
fossem materializadas e impressas?

As catedrais, pontificialidades, monumentos erigidos pelo homem na
Terra perdem-se de significados diante da Bíblia, do Alcorão, do Vedas,
do Talmude.

No livro, jaz a alma do passado das coisas e dos homens. E voz
audível depois do corpo e da substância material terem se desvanecido. Tudo
o que o gênero humano tem feito, pensado, produzido corporifica-se na
realidade mágica de suas páginas.

A par com este esboço, deixo a minha indignação sobre fato que
transmito ao conhecimento deste sindicato, cuja história de resistência ao
autoritarismo de qualquer jaez, ressoa com coragem. O direito de divulgar
idéias seja quem for o autor é apanágio deste bastião da liberdade em nosso

Estado e tem um nome: Sindicato dos Jornalistas da Paraíba.

Hoje, esta agressão ocorreu no *Shopping Manaíra*, em João Pessoa;
amanhã poderá ser no *Barra Shopping*, no Rio de Janeiro, ou no *Shopping
Iguatemi* em São Paulo..... e por fim, no futuro, se ninguém detê-Ia, cada
poderoso dono de Shopping investir -se- á na sanha de censor .





O fato, relatemo-Io:



Aos finais do ano de 2004, publiquei pela Editora Bertrand Brasil o
livro "A República das Elites", prefaciado pelo Pe. José Comblin. A obra foi
lançada em várias capitais do país, destacadamente, São Paulo, Rio de
Janeiro, Brasília, João Pessoa e Recife, com o apoio de grandes redes de
livrarias, como a Cultura, a Siciliano, a Nobel, a Saber e Ler, entre
outras, alcançando ampla aceitação, face a qual, prepara a editora
lançamento da 2°edição no próximo ano.

Do corpo de vendas da Siciliano, recebi especial atenção, sobretudo
da gerente do Shopping Iguatemi, em São Paulo, e, na livraria do Recife, da
sua gerente Tatiana .

Em João Pessoa,desata-se a excrescência: o dono do *Manaíra Shopping"
* , Roberto Santiago proibiu a venda do livro "A República das Elites" na
loja da livraria Siciliano, localizada naquele shopping.

Há três semanas, durante visita à citada livraria fui informado por
dois funcionários - que me atenderam muito bem- que o livro " A República
das Elites" não estava à venda por que se esgotara na distribuidora. De
pronto, respondi: Por isso não, na próxima semana, mandarei deixar aqui uns
vinte volumes. Falei com o gerente Josinaldo, por telefone; ele me afirmou
que faria o pedido. No dia 21 de novembro ,uma minha assessora telefonou
para Alessandra, sub gerente da Siciliano, comunicando-lhe o envio dos vinte
exemplares, inclusive com preço de promoção, com o que ela concordou. Por
intermédio do taxista Ivonaldo Rodrigues foi enviado o número de livros
acertado.

O inusitado: o gerente devolveu os livros.

O que deduzimos do ato da devolução é que ele não encerra uma mera
gestão administrativa ou comercial; mas um empastelamento afrontoso
determinado pelo proprietário do *Manaíra Shopping*, que, encilhado no
seu

poder econômico, proíbe a venda, naquela loja da livraria Siciliano, do
livro" A República das Elites".

Por que a ira do empresário?

No livro, eu relato, no capitulo " As civilizações que o poder
criou", o cenário de ostentação,de luxo, de sonegação fiscal das elites do
país, uma das piores do mundo. Em certa altura da obra, faço comparações
entre construções residênciais nas capitais européias, como Madri, Paris,
Lisboa, Roma com mansões babilônicas erguidas nas grandes cidades do Brasil,
destacadamente, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e João Pessoa.
Apontei palacetes faraônicos, inclusive um em João Pessoa, construído por um
dono de *Shopping Center* . Do seu Olimpo, o proprietário daquele
empreendimento vestiu a carapuça e, pressionando um desarticulado gerente,
proibiu a venda, na livraria Siciliano, do livro" A República das Elites".

Deixo esta verberação que não nasce apenas do meu direito violado,
mas da própria liberdade de pensar e divulgar idéias, estraçalhada e
ultrajada.

O arrogante poder econômico quer impor ao livro a condenação de não
ser lido. Na ostentação, as elites, pior ainda as provincianas, desfilam as
suas vaidades e aspiram a receber salamaleques e bajulação. Elas excluem
quaisquer juízos de valor . Só admitem a subserviência.

Pensa aquele empresário converter o seu *shopping *numa cidadela do
mundo, *moenia mundi*.. No seu index, condenou a obra"A República das
Elites" à desventura de não ser lida.

Na imprensa vejo o bastião da liberdade de pensar, de ler e de
divulgar; sob o seu apostolado, a minha indignação .





Saudações cordiais

Agassiz Almeida


Sáb, 24 de Dez de 2005 11:22 pm

fatoseletras...
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Olá amigos,

segue abaixo carta do escritor Agassiz Almeida ao Sindicato dos Jornalistas da Paraíba narrando censura do dono do Manaíra Shopping à venda de seu livro, República das Elites (Bertrand Brasil, 2004), na livraria Siciliano. O autor suspeita que o motivo da censura foi um trecho no capitulo " As civilizações que o poder criou", onde ele descreve o cenário de ostentação,de luxo, de sonegação fiscal das elites do país. "Em certa altura da obra, faço comparações entre construções residênciais nas capitais européias, como Madri, Paris, Lisboa, Roma com mansões babilônicas erguidas nas grandes cidades do Brasil, destacadamente, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e João Pessoa. Apontei palacetes faraônicos, inclusive um em João Pessoa, construído por um dono de Shopping Center . Do seu Olimpo, o proprietário daquele empreendimento vestiu a carapuça e, pressionando um desarticulado gerente, proibiu a venda, na livraria Siciliano, do livro" A República das Elites"", relata Agassiz na carta. Por telefone, um dos sub-gerentes da Siciliano, Jean Carlos, alegou que a loja não está vendendo porque o livro está em falta, aguardando uma remessa da matriz. Mas, segundo o autor, há cerca de 2 meses eles dão essa mesma justificativa já tendo recusado alguns exemplares enviados para abastecer a livraria. Curioso também é que não há motivação comercial na recusa, já que a obra é sucesso de vendas no Brasil, havendo inclusive interesse da editora em reeditá-lo em 2006.

 
Vale a união contra mais um caso da arrogância e prepotência do poder econômico contra a liberdade de expressão. 

Grande abraço,

Elinaldo Rodrigues 
DRT/PB 1028
 

 

João Pessoa, 22 de dezembro de 2005

 

limo. Sr.

Jornalista Land Seixas de Carvalho

Presidente do Sindicato dos Jornalistas

Rua- Índio Piragibe 98, centro, 1º andar

João Pessoa –Paraíba

 

 

 

       Ilustre Jornalista:

 

       Antes que me falem, estas palavras:

             

       As criações literárias esteiam-se na liberdade de divulgá-Ias. Um livro impedido de ser lido é força sem energia e corpo sem vida .

 

       O que o escritor e a própria sociedade aspiram? O mundo das liberdades para o livro. Vê desfilar em suas páginas os fatos da vida, o homem e a humanidade, as ações e as idéias, a vaidade dos bufões, o ódio dos insensatos, o fluxo e o refluxo do dinamismo universal. Negada a sua leitura é corpo sem existência. Toda obra necessita dilatar-se no tempo para ouvir as vozes e os passos dos seus leitores...

       Que impulso conduz o formulador de pensamento e que temor o sobressalta? O esquecimento. O olhar indiferente dos homens no desprezo de desconhecer a sua criação.

       Que é o gênero humano desde a origem dos séculos? Um criador de idéias; essa criança de seis mil anos, logo que começou a andar, pensou na escola da natureza. A princípio, soletrou o mundo. Pelas mãos do livro o homem caminhou pelo dorso dos séculos e pôde melhor compreender o espetáculo do universo.

       Mensageiro do poeta, do pensador, do profeta, enviado do infinito desconhecido - oh insondável mente humana! - o livro projeta-se pelas gerações como um fanal iluminando os séculos; vive e têm de viver os fatos e os homens, advindos de todos os tempos e lugares. É do coração do mundo que ele emerge; faz parte da realidade primária das coisas .

       Que seriam das palavras de Cristo, Buda, Moisés, Maomé, se elas não fossem materializadas e impressas?

       As catedrais, pontificialidades, monumentos erigidos pelo homem na Terra perdem-se de significados diante   da  Bíblia,  do Alcorão, do Vedas, do Talmude.

       No livro, jaz a alma do passado das coisas e dos homens. E voz audível depois do corpo e da substância material terem se desvanecido. Tudo o que o gênero humano tem feito, pensado, produzido corporifica-se na realidade mágica de suas páginas.

       A par com este esboço, deixo a minha indignação sobre fato que transmito ao conhecimento deste sindicato, cuja história de resistência ao autoritarismo de qualquer jaez, ressoa com coragem. O direito de divulgar idéias seja quem for o autor é apanágio deste bastião da liberdade em nosso

Estado e tem um nome: Sindicato dos Jornalistas da Paraíba.

       Hoje, esta agressão ocorreu no Shopping Manaíra, em João Pessoa; amanhã poderá ser no Barra Shopping, no Rio de Janeiro, ou no Shopping Iguatemi em São Paulo..... e por fim, no futuro, se ninguém detê-Ia, cada poderoso dono de Shopping investir -se- á na sanha de censor .

 

 

O fato, relatemo-Io:

 

       Aos finais do ano de 2004, publiquei pela Editora Bertrand Brasil o livro "A República das Elites", prefaciado pelo Pe. José Comblin. A obra foi lançada em várias capitais do país, destacadamente, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, João Pessoa e Recife, com o apoio de grandes redes de livrarias, como a Cultura, a Siciliano, a Nobel, a Saber e Ler, entre outras, alcançando ampla aceitação, face a qual, prepara a editora lançamento da 2°edição no próximo ano.

       Do corpo de vendas da Siciliano, recebi especial atenção, sobretudo da gerente do Shopping Iguatemi, em São Paulo, e, na livraria do Recife, da sua gerente Tatiana .

       Em João Pessoa,desata-se a excrescência: o dono do Manaíra Shopping" , Roberto Santiago proibiu a venda do livro "A República das Elites" na loja da livraria Siciliano, localizada naquele shopping.

       Há três semanas, durante visita à citada livraria fui informado por dois funcionários - que me atenderam muito bem- que o livro " A República das Elites" não estava à venda por que se esgotara na distribuidora. De pronto, respondi: Por isso não, na próxima semana, mandarei deixar aqui uns vinte volumes. Falei com o gerente Josinaldo, por telefone; ele me afirmou que faria o pedido. No dia 21 de novembro ,uma minha assessora telefonou para Alessandra, sub gerente da Siciliano, comunicando-lhe o envio dos vinte exemplares, inclusive com preço de promoção, com o que ela concordou. Por intermédio do taxista Ivonaldo Rodrigues foi enviado o número de livros acertado.

       O inusitado: o gerente devolveu os livros.

       O que deduzimos do ato da devolução é que ele não encerra uma mera gestão administrativa ou comercial; mas um empastelamento afrontoso determinado  pelo   proprietário  do Manaíra Shopping, que, encilhado no seu

poder econômico, proíbe a venda, naquela loja da livraria Siciliano, do livro" A República das Elites".

       Por que a ira do empresário?

       No livro, eu relato, no capitulo " As civilizações que o poder criou", o cenário de ostentação,de luxo, de sonegação fiscal das elites do país, uma das piores do mundo. Em certa altura da obra, faço comparações entre construções residênciais nas capitais européias, como Madri, Paris, Lisboa, Roma com mansões babilônicas erguidas nas grandes cidades do Brasil, destacadamente, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e João Pessoa. Apontei palacetes faraônicos, inclusive um em João Pessoa, construído por um dono de Shopping Center . Do seu Olimpo, o proprietário daquele empreendimento vestiu a carapuça e, pressionando um desarticulado gerente, proibiu a venda, na livraria Siciliano, do livro" A República das Elites".

       Deixo esta verberação que não nasce apenas do meu direito violado, mas da própria liberdade de pensar e divulgar idéias, estraçalhada e ultrajada.

       O arrogante poder econômico quer impor ao livro a condenação de não ser lido. Na ostentação, as elites, pior ainda as provincianas, desfilam as suas vaidades e aspiram a receber salamaleques e bajulação. Elas excluem quaisquer juízos de valor . Só admitem a subserviência.

       Pensa aquele empresário converter o seu shopping numa cidadela do mundo, moenia mundi.. No seu index, condenou a obra"A República das Elites" à desventura de não ser lida.

       Na imprensa vejo o bastião da liberdade de pensar, de ler e de divulgar; sob o seu apostolado, a minha indignação .

 

 

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Agassiz Almeida

 



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Flavio Filho
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27 de Dez de 2005
2:35 am
Avançado

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