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Samora Machel portou-se como Estaline   Lista de mensagens  
Responder | Encaminhar Mensagem #519 de 525 |
RELATIVAMENTE À POPULAÇÃO BRANCA PORTUGUESA
JOSÉ MILHAZES *
Diplomatas soviéticos que deram início às relações diplomáticas entre URSS e
Moçambique criticam a política de Samora Machel face à população portuguesa
branca, sublinhando que, nesta área, o Presidente moçambicano se comportou de
forma semelhante ao ditador soviético, José Estaline.
"De forma dura, como Estaline, Samora Machel tratou os portugueses que viviam em
Moçambique. Muitos deles receberam com entusiasmo os combatentes pela
independência quando entraram em Lourenço Marques e estavam prontos a cooperar
de todas as formas
com a FRELIMO", escreve Piotr Evsiukov, primeiro embaixador soviético em
Moçambique, em "Memórias sobre o trabalho em Moçambique", a que a LUSA teve
acesso.
"Não obstante, também aqui se revelou o extremismo de Samora Machel. Ele
apresentou condições tais de cidadania e residência aos portugueses em
Moçambique que eles foram obrigados, na sua esmagadora maioria, a abandonar o
país... Com a fuga dos portugueses, a economia de Moçambique entrou em
declínio", recorda.
Piotr Evsiukov recorda que Machel era um convicto admirador de José Estaline.
"Samora Machel falou-me várias vezes do seu apego e respeito por J. Estaline.
Durante a visita oficial de uma delegação de Moçambique à URSS, Samora Machel
terminou a viagem na Geórgia.
Depois das conversações com Eduard Chevarnadzé, Sérgio Vieira, membro da
direcção da FRELIMO, veio ter comigo e pediu-me, em nome do Presidente, para
arranjar um retrato de Estaline. Claro que os camaradas georgianos satisfizeram
o pedido com agrado", escreve Evsiukov.
Arkadi Glukhov, diplomata soviético que chegou antes de Evsiukov para abrir a
embaixada da URSS em Lourenço Marques, escreve:
"Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Lisboa, tendo perante si os exemplos da
queda dos impérios coloniais da Inglaterra e França, enveredou pela via da
reforma intensa do seu sistema colonial, nomeadamente no campo das relações
entre raças, da política social e cultural. Tudo isso foi levado à prática na
chamada política de `assimilação', cujos rastos sentimos com evidência quando
chegámos a Moçambique".
"Porém", continua o diplomata soviético, "esses rastos começaram a desaparecer
rapidamente, principalmente depois da entrada na cidade (Lourenço Marques) das
unidades militares da FRELIMO e da intensificação de medidas e de todo o tipo de
limitações (frequentemente inventadas) contra a população portuguesa, não
obstante, em geral, ela ser leal e estar pronta a cooperar com os novos
poderes".
Segundo Glukhov, "no fim de contas, isso levou à partida em massa dos
portugueses do país, o que se reflectiu de forma grave na sua vida económica e
aumentou a tensão nas relações entre raças".
Segundo os diplomatas soviéticos, a política de Samora Machel provocou atritos
com Joaquim Chissano, primeiro-ministro moçambicano, que defendia o diálogo com
a população branca.
Evsiukov escreve que Machel reconheceu o seu erro e, "ao aconselhar Robert
Mugabe, seu amigo e pretendente ao cargo de Presidente do Zimbabué, disse-lhe
para não expulsar os rodesianos brancos da antiga Rodésia do Sul".
* da Agência LUSA – CORREIO DA MANHÃ – 23.04.2009




Qui, 23 de Abr de 2009 1:25 pm

macuamoz
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RELATIVAMENTE À POPULAÇÃO BRANCA PORTUGUESA JOSÉ MILHAZES * Diplomatas soviéticos que deram início às relações diplomáticas entre URSS e Moçambique...
Fernando Gil
macuamoz
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23 de Abr de 2009
1:26 pm
Avançado

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