A Roda do Ano em nossas vidas
A Roda do Ano é uma sacralização do real, do que realmente
acontece na Natureza, mas também é cheia de simbolismo. Esse
simbolismo vem da observação daqueles que, durante séculos,
escreveram seus textos sagrados e rituais.
Tudo o que é dito no mito da Roda do Ano é um reflexo do que
acontece na Natureza, tanto em humanos quanto em animais ou plantas.
É a famosa frase: Tanto em cima quanto embaixo. Ou seja: o que
acontece no reino dos deuses acontece conosco.
Assim, a Deusa e o Deus se unirem em Beltane significa toda a
fertilidade da Terra naquele momento. Não é à toa que o mês
de maio é o mês tradicional para casamentos (Beltane é
celebrado em maio no hemisfério norte). Algumas tradições pagãs
realizam em Beltane o ritual de união de casais (também conhecido
como handfasting), onde o casal faz seus votos por um ano e um dia, e em
Beltane próximo decidem se querem renovar esse voto ou se separar.
Simples assim. Em Beltane, a Natureza transborda vida.
No solstício de verão, é o auge do Deus Sol. Trata-se do dia
mais longo do ano e, a partir dali, bem lentamente, os dias começam a
ficar mais curtos. Muitas pessoas não costumam reparar nisso, mas a
partir do momento que você passa a observar você vê como isso
é visível a todos. Não só o Sol começa a enfraquecer, mas
todos nós vamos ficando mais introspectivos à medida que o inverno
vai se aproximando.
Na colheita dos grãos de Lammas você começa a ver como a
decadência do Sol fica mais evidente. Ele está se despedindo.. Se
sacrificando pelos grãos que nasceram. O verão está nitidamente
acabando; podemos sentir isso no alaranjado do céu, na sensação de
"fim de férias" e a volta aos afazeres tradicionais.
O outono chega e você percebe de vez que o inverno vai chegar. Mais
um ano se passou e ficamos com aquela sensação de introspecção;
vontade de ficarmos contemplativos e reflexivos. O inverno está vindo
e o que fizemos de novo? O que podemos realizar no ano novo que virá?
Os dias estão cada vez mais escuros e a reflexão interior nos faz
lembrar do que passou.. Lembramos não só do que fizemos no
último ano, mas em toda a nossa vida. Lembramos de quando éramos
crianças, de nossos pais, de nossos familiares que já se
foram… Samhaim. A escuridão prevalece e o véu entre os mundos
está fino, propício para honramos nossos parentes que já se
foram. Não é momento de ficar triste, mas de fazer festa para que
nossos amigos que já morreram vejam como estamos felizes por eles.
Quem disse que a pessoa quando morre fica triste? Triste ela irá
ficar se vir você triste aqui, portanto, alegre-se! este é o
momento de dizer o quanto a vida é boa, apesar dos problemas comuns,
e como sentimos falta de nossos antepassados.
No solstício de inverno, a noite mais longa do ano, percebemos o
quão conectados estamos com a Deusa e o seu filho que nasce. A Terra
está pura, no início dos tempos novamente. Novas esperanças
renascem; projetos emergem das cinzas. A escuridão nos remete ao
renascimento de todas as coisas, inclusive de nossas próprias
atitudes e sentimentos.
Da mesma forma que a Lua Negra se torna Crescente, a Deusa anciã da
escuridão se torna a Deusa jovem em Imbolc; a donzela dos novos
ventos e esperanças. Os dias vão ficando mais longos e a primavera
está chegando… O inverno já passou.
Cada vez mais o frio vai dizendo adeus e dando lugar ao Sol que volta
forte, como no início, crescendo e amadurecendo até chegar
novamente em Beltane, onde a Terra será fértil novamente. E assim
é a Roda; e assim é a nossa vida.
Sempre que você se deparar com algo na Roda do Ano que não consiga
entender a princípio, reflita. Pode ser necessário você ter que
esperar passar por aquele momento da Roda para entender realmente o que
está sendo dito. talvez você demore anos para entender. Talvez
você já tenha entendido. O que importa é que a Roda é um
reflexo da nossa vida, em todos os aspectos. Observe a Natureza, observe
os animais, observe seus parentes. A roda do Ano está em todo lugar.
Vamos Falar de Yule pois amanha es o dia
O solstício de inverno é a noite mais longa do ano. No entanto, a
partir deste dia, o Sol volta cada vez mais forte, para chegar ao seu
ápice no solstício de verão.
A palavra Yule (pronuncia-se "iúle") provavelmente vem da palavra
escandinava "iul", que significa "roda". Sua data não é fixa, pois
depende das correspondências astrológicas e climáticas de cada
ano. No hemisfério sul, ocorre sempre por volta de 21 de junho, e no
hemisfério norte por volta de 21 de dezembro.
Este dia marca a morte e o renascimento do Deus-Sol; marca também a
derrota do Rei Azevinho, Deus do Ano Minguante, pelo Rei Carvalho, Deus
do Ano Crescente. A Deusa, que era morte-em-vida no solstício de
verão, exibe agora o seu aspecto de vida-em-morte, pois ela é a
Rainha da Escuridão neste sabbat, mas também é a mãe que
dá à luz a criança da promessa, que irá fertilizá-la mais
tarde e trazer de volta luz e calor ao seu reino.
Apesar de no Brasil termos o costume de dizer que trata-se do "primeiro
dia de inverno", a data por volta de 21 de junho simboliza o meio do
inverno, ou seja, quando o inverno está no ápice. Tanto é que,
originalmente, o nome é "middle-winter" (em inglês, meio do
inverno).
Sugestão de ritual para fazer no solstício de inverno
Veja este exemplo de ritual para celebrar o Solstício de Inverno.
Você vai precisar de:
- 1 vela representando a Criança da Promessa (pode ser dourada,
amarela ou branca)
- 1 vela verde
- 1 vela vermelha
- taça com vinho
- seu caldeirão
- incenso de pinho
Coloque a vela dourada (ou da cor que você achou melhor dentro do
caldeirão. Verifique se ela está bem fixa. Em seguida, coloque a
vela vermelha ao lado direito de seu altar e a vela verde do lado
esquerdo. Acenda os incensos.
Trace o círculo mágico da maneira como você costuma traçar e
diga a seguinte invocação:
Eu hoje celebro o nascimento da Criança da promessa!
A Deusa é Mãe e eu invoco os espíritos da luz!
O Sol renasce!
Acenda a vela vermelha que está ao seu lado direito e diga:
Com esta vela eu honro os espíritos do Fogo!
Acenda a vela verde e diga:
Com esta vela eu honro os espíritos da Natureza!
Acenda a vela que está dentro do caldeirão e diga:
Com esta vela, que está no ventre da Deusa, na escuridão, eu
celebro e honro a Criança da Promessa que nasce agora e traz a volta
da luz!
Pelo chifre e pela luz,
Eu celebro e dou as boas-vindas ao filho da Deusa, que é o Sol
renascido. Seja bem-vinda, criança divina!
Entoe um cântico em homenagem ao Deus renascido ou leia algum texto
sagrado em sua homenagem. se quiser, medite sobre as características
deste momento na Natureza e em sua vida. Quando achar que está bom,
diga:
Abençoados sejam a Deusa e o Deus que giram mais uma vez a Roda da
Vida. Dou as boas-vindas ao inverno e celebro o movimento eterno da
Natureza.
Que o Sol volte a brilhar cada dia mais, e que todos sejam beneficiados
com isso!
Eleve a taça com vinho e diga:
Eu bebo este vinho em homenagem à Deusa e à Criança Que Nasce!
Beba o vinho e faça uma libação aos deuses. Agradeça aos deuses
pelo ritual. Finalize da maneira como está acostumado e destrace o
círculo.
Árvore de Yule (árvore de Natal)
A árvore de inverno é um costume essencialmente pagão que já
dura séculos. Esteve sempre tão impregnado entre os povos antigos
que, mesmo após o advento do cristianismo, o costume permaneceu: no
hemisfério norte, o Natal é no inverno (dezembro), e a árvore
faz parte de todas as tradições natalinas.
Montar e enfeitar uma árvore é uma forma singela de homenagear os
elementos e pedir sua proteção. Trata-se de uma representação de
todas as árvores sendo honradas por você, portanto capriche.
Materiais necessários para confeccionar a sua árvore:
- um pequeno pinheiro verde
- pequenas bolas coloridas pintadas por você
- símbolos pagãos como sol, lua, estrelas
- pequenas velas
Na noite do solstício de inverno, acenda todas as velas que você
colocou na árvore, fazendo um pedido para cada uma acesa.
Cante e dance em volta da árvore, festejando e honrando os
espíritos da Natureza e os deuses: a Deusa que é Mãe e o deus
que é a Criança da Promessa renascida nesse dia.
DICAS;
Árvore da Lua
Antigo símbolo que simboliza o curso da Lua, suas fases e seu poder
sobre a Terra. Variações deste símbolo foram encontradas na arte
etrusca, grega, romana e assíria.
A Lua representa o caminho para a iluminação e os frutos brancos da
árvore simbolizam as suas sementes. A árvore da Lua normalmente
é retratada com treze tochas ou treze flores. Na arte assíria, a
árvore aparece muitas vezes ornamentada com fitas, bastante
semelhante ao Mastro de Maio.
Acreditava-se que a Oliveira abrigava a Lua sempre que ela não estava
visível.
Azeviche (âmbar das bruxas)
Termo oculto para uma pedra preta e sólida chamada azeviche, que na
verdade são restos petrificados de florestas antigas.
Suas propriedades mágicas são a atração da harmonia nas
emoções e o poder de equilibrar o mecanismo do corpo.
Como o azeviche é de cor negra, ele é associado á noite. Muitas
bruxas e bruxos usam azeviches como amuletos durante o sono, para evitar
ataques astrais. Combinado com um coral vermelho e uma cornalina, ele se
torna um dos mais poderosos amuletos que uma bruxa ou bruxo pode ter.
Mito da Roda do Ano
Em Samhain, o Festival do retorno da Morte, os portões dos mundos se
abrem e a Deusa transforma-se na Velha Sábia, a Senhora do
Caldeirão, e o Deus é o Rei da Morte que guia as almas perdidas
através dos dias escuros de Inverno
Em Yule, a escuridão reina como se estivéssemos no caldeirão da
Deusa. Assim, o Rei das sombras transforma-se na Criança da Promessa,
o Filho do sol, que deverá nascer para restaurar a Natureza.
Em Imbolc, a luz cresce, o Deus nascido em Yule se manifesta com todo
seu vigor, e a Criança da Promessa cresce com a vitalidade e é
festejada, pois os dias tornam-se visivelmente mais longos e renova-se a
esperança.
Em Ostara, luz e sombras são equilibradas. A luz da vida se eleva e o
Deus quebra as correntes do inverno. A Deusa é a Virgem e o Deus
renascido é jovem e vigoroso. O amor sagrado da Deusa e do Deus é
a promessa do crescimento e da fertilidade.
Em Beltane, a Deusa se transforma em um lindo Cervo Branco e o jovem
Deus é o Caçador alado. Ao ser perseguida pela floresta, o Cervo
Branco se transforma em uma linda mulher, e assim Eles se unem e a sua
paixão sustenta o mundo.
Chega então Litha, A Deusa é a Rainha do Verão e o Deus, um
homem de extrema força e virilidade. O Sol começa a minguar e o
Deus começa a seguir rumo ao País de Verão. A Deusa é pura
satisfação e demonstra isso através das folhas verdes e das lindas
flores do verão.
Em Lammas, a Deusa dá a luz e o Deus novamente morre pela Deusa. A
Deusa precisa de sua energia de vida para que a vida possa crescer e
prosseguir. O Deus se sacrifica para que a humanidade seja nutrida, mas
através do grão Ele renasce. No ápice de sua abundância, ele
retira através Dela.
Em Mabon, as luzes e as trevas se equilibram novamente; porem o Sol
começa a minguar mais rapidamente. O Deus torna-se então o
Ancião, o Senhor das Sombras.
Chega novamente Samhain e então o ciclo recomeça, e assim tudo
retorna a Deusa.
Assim sempre foi e será!
A Roda do Ano no hemisfério sul
As estações do ano aqui no hemisfério sul são invertidas, com
relação ao hemisfério norte. Assim, quando lá é inverno,
aqui é verão e vice-versa.
A Roda do Ano, em seu conceito original, foi criada por bruxas e bruxos
que viviam no hemisfério norte. Dessa forma, é comum encontrarmos
em livros e sites as datas correspondentes a esses países. Existem
tradições em torno dessas celebrações.
Muitos pagãos preferem não alterar o sentido original da Roda e
celebrá-la de acordo com as estações no hemisfério norte, de
acordo com o original. Alguns outros celebram os sabbats menores de
acordo com o hemisfério sul e os maiores de acordo com o
hemisfério norte. Outros celebram a Roda pelo hemisfério sul
mesmo, pois é onde estamos.
Há diversos motivos positivos e negativos para todas essas opções.
Não há uma opção "certa". Se você quiser celebrar pelo sul,
então você terá a chance de acompanhar na pele o frio do
inverno durante a celebração, ou o sol em seu auge no verão, a
chegada da primavera, as folhas caindo no outono. No entanto, ao
celebrar pelo norte, você aproveitará a época de Halloween no
final de outubro mesmo, dará ovos de Páscoa para seus amigos em
Ostara e por aí vai. A celebração mista garante ambas as
situações e acaba sendo a alternativa mais natural, porém depende
muito de cada um. O que vale a pena lembrar é que a Roda do Ano
não se restringe somente ao acompanhamento das estações, e a
simples inversão de datas não é realista.
Trata-se de uma escolha pessoal, na verdade. A pessoa escolhe a maneira
de celebração de acordo com o que pede o seu coração. Não há
uma "dica" ou "fórmula" para escolher como celebrar. O mais adequado
mesmo seria tentar celebrar de todos os jeitos, para ver como você se
sente. De fato você sentirá no primeiro ritual que fizer, se
não for a maneira com a qual você se sente melhor.
O que é muito importante é não se esquecer de que há outras
pessoas celebrando também. Lembre-se da rede; da grande teia que nos
envolve. Por mais que celebremos Beltane em novembro, não podemos nos
esquecer que naquela mesma época nossos amigos do hemisfério norte
estão celebrando Samhaim. E esse é um dos grandes baratos da Roda:
ela não tem começo, nem meio, nem fim. Não há demarcação.
Você pode entrar em qualquer ponto e já estará dançando
junto com todos. E é importante respeitar também a história da
cultura que você "segue". Trazer Samhaim para maio não é a
mesma coisa que celebrar este sabá em outubro, pois não estamos na
Bretanha! Não é só trocar as datas - há muita coisa
diferente.
Em nenhum lugar do planeta a roda é igual. Até no sertão do
Nordeste, onde temos aquela ideia constante de seca, há períodos
de chuvas e inundações. O ideal é você observar tais
mudanças no seu ambiente e adaptá-las para a Roda do Ano. Isso vai
dar o seu toque à Bruxaria que você pratica. Isso que vai fazer
você ter uma experiência realmente íntima com a sua
religiosidade.
Obviamente é interessante você descobrir quais são os alimentos
típicos de sua região para poder usá-los nos rituais para
honrar a Terra e realizar o banquete. Há muito o que se descobrir! E
nós devemos ser criativos!
O sentido de colheita pode nos ser muito mais simbólico que, de fato,
real. No equinócio de outono, por exemplo, procure meditar a respeito
das sementes que você plantou no outro ano, e o que você está
colhendo agora. Foi compensador? O que poderia ter sido diferente? Qual
sua relação nisso tudo? Mas não se esqueça de quem celebrou
tudo isso com colheitas de verdade. Talvez você tenha suas
próprias "colheitas". Observe a Natureza. Preste atenção. Essa
é a dica de ouro.
A verdade é que a Roda do Ano é sem dúvida real, mas também
é riquíssima em simbolismo. Quanto mais você vai lendo sobre,
observa a Natureza em todas as épocas, realiza os rituais, mais
você descobre uma coisinha aqui e outra ali. E é muito importante
você anotar tudo o que está sendo desenvolvido dentro da sua mente
e coração.
Celebrar pelo hemisfério sul pode ser complicado, especialmente para
quem ainda é dependente financeiramente. Tem coisas que são assim
mesmo: enquanto você não tiver a sua própria casa ou o seu
próprio espaço, tudo pode ser bastante difícil.
Imagine celebrar o solstício de inverno em junho. O Natal é
celebrado no dia 25 de dezembro, e tem basicamente o mesmo conceito das
práticas pagãs sobre o solstício de inverno (mesmo porque o
Cristianismo disfarçou muitas práticas pagãs chamando-as de
cristãs). A própria árvore de Natal, com uma estrela no topo,
é uma imagem clara de como as práticas pagãs sobreviveram há
tantos séculos. Enfim, celebrar em junho pode ser bastante
decepcionante, se você procura reunir a sua família, porque eles
não vão entender muito bem o que está acontecendo (e não
são todos aqueles que querem ouvir a sua explicação,
infelizmente). O mesmo ocorre com o equinócio de primavera e a
tradição de pintar ovos. Se você decorar ovos em setembro e der
para seus amigos, possivelmente vão tentar lhe fazer lembrar que a
Páscoa é em abril. Ossos do ofício.
Quem celebra pelo hemisfério sul deve estar preparado para esse tipo
de situação. Se você tem certa liberdade em casa, ou mora
sozinho(a), pode ter mil ideias para celebrar em casa, chamar os amigos,
mesmo a família, e é uma ótima oportunidade de estar junto
deles. Lembre-se que a ancestralidade é muito importante na
prática da Bruxaria. Provavelmente seus amigos ficarão curiosos e
você poderá explicar (sem chatice) porque você está fazendo
aquilo. Com toda a certeza eles acharam bacana e aproveitarão a
oportunidade de ir em uma festinha, hehe. Não se preocupe. Aproveite
a vida e harmonize.
Por mais que existam todos esses "probleminhas" na hora de "escolher" de
que modo celebrar, nada disso é maior do que a sensação de acordar
cedo no dia de solstício de verão e sentir o calor do sol,
honrando a Natureza como um(a) bruxo(a) sabe fazer. Ou ficar em
silêncio no fim da madrugada de Yule, esperando a criança da
promessa nascer. São sensações indescritíveis e estão ao
alcance de todos nós, pois independe de situação financeira,
amorosa ou psicológica para sentirmos. A Natureza é o que é,
sempre, e está aí para todos. Não pire tentando descobrir "qual
a melhor forma de celebrar". Deixe a vivência falar por si
própria.
Gambiarras na roda do ano
A gente sempre ouve as mais diversas discussões sobre celebrar a Roda
do Ano "pelo Norte" ou "pelo Sul", todas com o mesmo blablabla de um
lado e do outro. O fato é que quase ninguém pára para pensar de
verdade no assunto.
Vejamos!
<http://www.submarino.com.br/produto/1/233047/wicca+essencial/?franq=137\
895>
Uma celebração verdadeira da Natureza requer rituais a todo momento.
Em um dia inteiro, temos "uma roda do ano completa" com o nascer do sol,
seu ápice, sua morte etc. Alguém aqui celebra o nascer do sol ou
espera apenas para o solstício de inverno? E o pôr-do-sol?
Claro, é compreensível que seja muito difícil hoje em dia poder
celebrar um pôr-do-sol no dia-a-dia. Geralmente a esse horário
estamos no trânsito da Marginal Tietê ouvindo "A Voz do Brasil" e
apenas desejando desesperadamente chegar em casa, na faculdade ou onde
quer que seja. Mas sabe, existem janelas mesmo nos carros.
O que mais me chateia nessa história de se dizer pagão ou não
é a pessoa não valorizar o paganismo no seu dia-a-dia. Sabe, é
muito fácil celebrar um sabá de equinócio de primavera e, no
mesmo dia, tomar um banho de uma hora. O que tem a ver? Tem a ver que
você não está honrando a água que lava o seu corpo, a
água que te purifica, e está desrespeitando o planeta.
Mas tudo bem, não estou aqui pra dar sermão, mesmo porque eu
não sou ninguém para fazer isso (e nem faria, caso fosse). É
só um simples desabafo.
Aqueles que celebram a roda "pelo hemisfério norte" o dizem que fazem
pela conexão com a egrégora gerada em tantas décadas em torno
de tais datas, mas aí estamos ignorando o que está acontecendo com
a Natureza ao nosso redor.
Você celebra a roda do ano "pelo hemisfério sul"? Puxa,
parabéns pra você. Você acha que está adaptando a roda ao
seu ambiente, mas não está.
Os celtas não celebravam os solstícios e equinócios. Há
rumores de que tais datas sejam observadas, mas não celebradas como
os quatro grandes festivais do fogo. E tais festivais são parte da
cultura de um povo. Sua celebração não envolve só uma data e
descrições superficiais das estações. Não é simplesmente
pegar Samhaim e celebrar em maio porque você inverteu os outros
quatro sabás. Não faz sentido. Ninguém vai celebrar a
Lupercália em outra época que não seja a sua mesmo. E por
quê?
Porque quando falamos de egrégoras e ancestralidade, estamos falando
de pessoas, povos, culturas. Há alguns anos briguei com uma
professora na faculdade porque Baco não é "a mesma coisa" que
Dioniso, e ela dizia que era. Sabe, povos diferentes geram cultos
diferentes e, consequentemente, divindades diferentes, assim como
diferentes formas de cultuá-la.
O que quero dizer é que, da mesma forma como acontece com as
divindades, celebrar um sabá simplesmente invertendo a roda do ano
não o fará mais próximo da sua realidade do que se você
celebrasse "pelo hemisfério norte".
Não estou falando dos solstícios e equinócios. Esses,
obviamente, devem ser celebrados em sua época, onde você está.
Estou falando dos principais festivais da cultura que você estuda e
se dedica. No caso da celta, quantas pessoas sabem as origens do
festival de Imbolc? Ou de Samhaim? E qual o sentido de celebrar Beltane
em outubro? Sim, existe uma simbologia associada à época, mas o
clima europeu é absolutamente diferente do clima brasileiro e existem
outras simbologias também. Ignorar isso é fazer tudo nas coxas
simplesmente porque é mais fácil. Muito bonitinho só inverter
as datas. Mas não tem nada a ver.
Quantas pessoas observam o seu dia-a-dia e as mudanças que ocorrem na
Natureza no decorrer do ano? Muito poucas. A maioria simplesmente lê
em algum livro que no equinócio de outono o deus morre e é tempo
de agradecer. Mas o sol não morre nessa época no Brasil. Nessa
época, temos verde em todo lugar, pois muitas plantações são
mais sensíveis ao sol e crescem apenas nessa época.
Tudo é diferente! Então fico imaginando um culto à Natureza
decente neste país e uma pessoinha nada a ver querendo celebrá-lo
"pelo hemisfério norte", estando na Holanda ou sei lá onde,
simplesmente invertendo as datas. Isso é celebrar a roda do ano?
Só se for a dos outros.
Adaptar a roda do ano não é simplesmente inverter as datas dos
festivais. Não estamos falando de datas, mas de mudanças
significativas na Natureza. A simbologia aqui é totalmente diferente,
tudo é diferente, pois estamos falando de lugares diferentes. E
não adianta ficar caçando analogias porque continua não sendo
certo.
Tantas pessoas escrevem pra cá perguntando como fazem para celebrar
uma colheita se não as têm, e é verdade. Por mais que você
associe a uma "colheita de seus atos, psicológica", isso é
gambiarra. A celebração das colheitas pelos povos celtas era a
celebração das colheitas de verdade, não uma celebração de
colheitas simbólicas.
O que celebrar então? Socorro, eu estou perdido(a)!
Pois é, bem-vindo(a) ao mundo. Ser pagão é ver a Natureza como
sagrada; ser bruxo a) é usar a magia natural a seu favor e para a
geração de resultados. Que tipo de ritual você pode fazer para
algo que não existe em sua realidade?
O que está acontecendo á sua volta hoje? Quais as frutas e
vegetais da época? Você sabe? Costuma visitar a feira? O que
está mais barato é o que está em época, pela abundância.
Tanta gente procurando por mandrágoras para feitiços, ou querendo
seus bastões feitos de bétula ou carvalho, mas não estão nem
aí para o ipê amarelo. Todo mundo preocupado com rituais para
descobrir o seu animal totem, assim como acontece no xamanismo
norte-americano, enquanto milhares de índios vão sendo
assassinados aqui mesmo, no Brasil. Tem índio pedindo esmola na Av.
Paulista e muito pagão ainda ignora! As tradições da Terra vão
se perdendo! Que tipo de pagãos somos? Não que devamos abraçar
todas as causas, pois é impossível, mas precisamos ao menos ter
consciência do que está acontecendo.
Enquanto isso, fica-se discutindo a validade ou não da
autoiniciação, ou se é melhor celebrar pelo sul ou pelo norte.
Parem! Parem e observem a Natureza, pois é isso que vai fazer você
aprender na prática como a magia opera, e o que é ser bruxa ou
bruxo.
Ser pagão não é só usar uma fitinha roxa em setembro, ou um
pentagrama brilhante o ano todo, ou celebrar oito sabás sem
significado algum. Vamos sair da superficialidade; vamos buscar aquilo
que somos em nossa real essência.
O que você celebra?Seja qual for norte ou sul ,venha fazer parte
junto conosco boas festas a todos BruxaZaira
Texto Copilado http://br.groups.yahoo.com/group/BruxaZaira/
<http://br.groups.yahoo.com/group/BruxaZaira/>
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]