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Responder | Encaminhar Mensagem #1159 de 1170 |
Wei Wu Wei
No mundo da objetividade, ação é muito importante. Tem-se que ser ativo porque
só a ação é pertinente no mundo das coisas. Se você fizer algo terá mais coisas;
só fazendo algo é que se pode mudar no mundo da objetividade. Já no mundo da
subjetividade... inação. Fazer não é importante, mas sentir é.

A pessoa subjetiva é mais sonolenta, é sonhadora, preguiçosa; a pessoa
objetiva é ativa, obcecada pela ação. A pessoa objetiva sempre precisa fazer
isto ou aquilo, ela não pode sentar-se só, não pode descansar. Pode dormir - mas
acordando, tem que fazer algo. A pessoa subjetiva é inativa. É muito difícil ela
passar para a ação.

A pessoa espiritualizada é a reunião dos opostos: ação em inação, inação em
ação. Ela faz coisas, mas faz de tal maneira que nunca se torna um fazedor. Ela
permanece um veículo de Deus, uma passagem - mesmo se estiver fazendo algo, não
está fazendo... O fazer dela é muito brincalhão, não há nenhuma tensão nisto,
nenhuma ansiedade, nenhuma obsessão. E até mesmo quando é inativa, não é pesada;
mesmo sentada, ou deitada descansando, está cheia de energia. Ela não é
letárgica - tem uma energia radiante. Porque os opostos encontraram-se nela numa
síntese superior, ela pode agir como se estivesse num estado de inação e, ainda
assim, você pode sentir a energia, você pode sentir uma vibração de tremenda
atividade ao redor de seu ser. Onde quer que ela se mova, traz vida às pessoas.
Só pela sua presença as pessoas mortas ficam vivas; só pelo seu toque as pessoas
mortas voltam à vida.

Isto é wei wu wei: não movendo uma única polegada você chegou. Aqueles que lhe
dão metas são seus inimigos. Esses que lhe recomendam tornar-se algo, e como,
são os envenenadores. O real mestre simplesmente diz,"não há nada em que se
tornar. Você já é desde sempre. Deixe de correr atrás de sombras. Sente-se
silenciosamente e SEJA." Sentando silenciosamente, não fazendo nada, a primavera
vem e a grama cresce por si só.

Atividade é SANSARA, atividade é o mundo; e quando as pessoas de Zen disserem
"abandone o mundo, eles não querem dizer "deixe sua casa, deixe a sociedade",
eles querem dizer "abandonem os apelos para agir", “abandonem os apegos”. Até
mesmo se você tiver que fazer algo, faça mui passivamente. Se você está
caminhando na rua faça-o passivamente. Dentro, o zazen continua, dentro você
permanece sentado, movendo-se só no exterior. Se você estiver comendo, coma, mas
dentro você permanece sentado. Pouco a pouco essa postura interna é atingida -
em que você pode fazer coisas sem atividade. Uma vez aprendido isto, você pode
fazer coisas e não será uma perturbação. Mas primeiro a pessoa tem que chegar às
raízes, num centramento profundo.

Relaxar não é uma questão simples; é um dos mais complexos fenômenos, porque
tudo aquilo que nos ensinaram foi tensão, ansiedade, angústia. Uma testemunha
não é uma espectadora. Então o que é uma testemunha? Uma testemunha é aquele que
mesmo participando permanece alerta. Uma testemunha está em um estado de WEI WU
WEI.
Uma testemunha não é aquele que escapou da vida. Experimente caminhando na
rua: lembre-se que você é uma consciência. O caminhar continua, mas uma coisa
nova é adicionada, uma riqueza nova. Você terá que aprender - é uma ação
negativa. É uma das coisas mais significantes a serem aprendidas. Sabemos fazer
coisas; este é o modo positivo, agressivo, masculino. Há outro enfoque, mais
sutil, mais gracioso, mais feminino: estar em um estado de deixar-se levar,
estar em um estado de rendição, e permitir a existência fluir por você. Isto é o
fazer através do não-fazer. De certo modo é negativo, porque você não está
fazendo nada. Significa permitir que as coisas aconteçam. Não faça nada, permita
acontecer. E este é o caminho do coração.

O caminho do coração significa o caminho do amor. Você pode fazer o amor? É
impossível fazer o amor. Você pode estar apaixonado, mas você não pode fazer o
amor. Mas usamos expressões, como 'fazendo amor', que tolice! Como você pode
fazer o amor? Quando amor é, você não é. Quando amor acontecer, o manipulador, o
fazedor desaparece. O amor não permite nenhuma manipulação de sua parte.
Acontece. Acontece repentinamente, inesperadamente. É um presente. Da mesma
maneira que vida é um presente, amor é um presente.

Estes são momentos raros, quando não há nenhuma ação e nenhuma inação, e você
está imóvel. Não que você fique letárgico. Você tem energia, mas a energia não
vai a nenhum lugar porque não há nenhum objetivo. A energia simplesmente está lá
como um reservatório que sobe cada vez mais alto, mais e mais. Você está a ponto
de explodir em algo absolutamente novo do qual você nem imagina. Você está à
beira de um modo novo de vida: ação em inação. Então uma atividade nova começa
na qual você não é o ator, no qual você é só um veículo, uma passagem.

Para ir até o seu centro, a pessoa precisa ser feminina, passiva, inativa,
não-fazedor, não interferir, WEI WU WEI, meditativa; é preciso meditação,
relaxamento, não concentração. A pessoa tem que relaxar-se completa e
totalmente. Quando você não está fazendo nada você está no seu centro (*);
quando você está fazendo algo você saiu dele. Quando você fez muito, você
afastou-se demais de seu centro. Chegar mais perto dele significa que você está
abandonando todas as atividades, você está aprendendo a ser inativo, você está
aprendendo a ser um não-fazedor.

Primeiro fique feminino, depois masculino. Primeiro seja passivo, depois
introduza a ação. E quando ação vier da inação, floresce a beatitude; algo do
além. Mas a inação tem que ser aprendida primeiro e depois a ação. Então esta
ação não é, de jeito nenhum, agressiva, e é isto que a faz bela, graciosa,
meditativa. E quando ambos são equilibrados a verdade acontece e a verdade
liberta.

O conceito taoista do wu-wei tem que ser lembrado por todo terapeuta - não
interferir. Ele só abre as possibilidades, torna as oportunidades disponíveis.
Apenas abre a porta.
(Osho) (tradução livre de prashanto)

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]




Dom, 9 de Set de 2007 12:51 pm

robertocnat
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Wei Wu Wei No mundo da objetividade, ação é muito importante. Tem-se que ser ativo porque só a ação é pertinente no mundo das coisas. Se você fizer...
Roberto Caldeira
robertocnat
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9 de Set de 2007
12:52 pm
Avançado

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