“Quantas estradas precisará um homem
andar antes que possam chamá-lo de um homem?..Quantas vezes precisará um homem
olhar para cima até poder ver o céu?â€( Blowing in the Wind, trecho da
canção de Bob
Dylan)
Tenho uma coisa a dizer,
quero eliminar o medo, assim acaba a angústia, farei isso lá no espaço que
existe entre as sinapses, apagar as más lembranças do passado e desistir das
vãs
esperanças no futuro, em algum momento conseguir deixar o pensamento como se
fosse água pura, insípido, inodoro e incolor. Quero continuar sendo doce sem
ser melado.Escrevo no mesmo ritmo da respiração, porque se ao invés de
escrever
as palavras eu pudesse soprá-las assim eu faria.
Com o tempo a gente perdoa,
não porque é bobo ou é mole, mas porque guardar magoa ou acumular
ressentimento
pode provocar doença ruim. Há o que depende e o que não depende de mim, ao
separar essas duas substancias de destino, tenho reencontrado a paz.
Digo sempre ao meu respeito
que aprendi com o tempo a me proteger com uma concha, mas andei mudando de
estado físico e de espírito, hoje tenho camadas, uma sobre a outra se
sobrepondo e resguardando o meu tesouro. Não sei quantas são, sei que uma é
feita daquilo que leio e falo, outra daquilo que já vivi e mais uma das idéias
que
os outros fazem ao meu respeito, e que uma a uma vão se depositando sobre mim.
E fico assim parecendo uma
coisa e sendo outra, não só eu, na verdade com todo mundo isso acontece,
ninguém
nos conhece totalmente, por isso tenho me esforçado muito para usar menos a
primeira pessoa do verbo ser quando sou.
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Andre Luis Aquino
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