Na tarde de hoje senti meu
coração pesaroso e para aliviar aquela má sensação fui caminhar na praia.
Fiquei
pensando nos meus tempos de grandes angústias, a minha adolescência, enquanto
todos buscavam as drogas e a diversões eu estava preso em conflitos
ideológicos,
não me contentava com o mundo, achava tudo tão chato e todo mundo idiota.
Nessa
mesma praia vinha buscar as respostas quase vinte anos atrás, na época eu
tinha
uma espécie de mantra, uma oração, algo que me transformava: "Que Deus
transforme todo o meu ódio em raiva e da minha raiva seja feita a mágoa e que
toda essa
minha mágoa reste em apenas água", eu chorava por alguns minutos e
assim aliviava todo aquele peso com algumas lágrimas.
Nessa tarde enquanto
caminhava algo diferente aconteceu, vi um peixe pulando do mar e caindo na
areia, instantaneamente falei para mim, "É deus falando comigo", e corri em
direção ao peixe como se ele fosse eu, não quis pegá-lo com as mãos porque
sei
que ele iria se debater e escapar delas, então fiz uma concha com os pés e por
baixo dele guindei-o com um pouco de areia junto formando uma base e o joguei
de volta ao mar. Ele acabou caindo não muito longe dali, a primeira onda o
pegou e ele deu umas chacoalhadas e voltou a encalhar, mas logo veio a segunda
onda que o arrastou de volta para o oceano. E ele saiu nadando forte em
direção
as águas profundas. Eu salvei a vida daquele peixe como tenho salvado a minha
todos os dias.
Depois que segui meu caminho
estava me sentindo tão leve, sorria como se eu tivesse feito um pequeno
milagre, como se o salvamento daquele peixe tivesse mudado alguma coisa no
mundo no dia de hoje. E mudado algo em mim.
Há um ditado inglês com o
qual vou dormir essa noite "Os anjos voam porque são
leves e são leves porque se riem muito"
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