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acropolis · Acrópolis

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#24985 De: "John Constantine" <jconstan@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 4:47 pm
Assunto: Doutores
john_constan...
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Olá,

Se os doutores não errassem, não haveria outros doutores a deles discordar.



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#24986 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 5:31 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Modus Tollens, Modus Populi
amaurijunior2
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Oi Rodrigo

Todos temos  inteligencia ou nossa capacidade, a idéia de humildade foi
introduzida pela igreja cristã para enfraquecer o ego para dominar mais
facilmente. Se sinto capaz de pensar sou inteligente, pois me sobressai dos
demais, se tenho um poder aquisitivo bom, é porque temos mais capacidade de
ganha-lo. O mundo é assim, mas nunca devemos ficar para nós, guardar para nós,
mas sim distribuir ao demais mostrando o caminho para a vitoria.

Abraços
Amauri

Rodrigo Ramiro Ferreira Pereira <RRPereira.IPLAN@...> wrote:


O velho problema da ostentação

Sim, devo ser isso que a sua soberba utilizou para me definir.
Tenho a humildade de reconhecer até onde meu conhecimento e minha cultura
podem chegar. Não me sinto menor nem maior que alguém por isso. Sei que não
pude ir além disso por não dispor das facilidades próprias da origem de uma
classe social detentora de bens materias.
Sei bem até onde o pouco dinheiro que consegui obter pôde ser usado para
estudo, para compra de livros ou em teatros e eventos culturais.
Sei também o quanto o tempo que tive que consagrar ao trabalho, que me
alienou da vida e do mundo e da esfera cultural e crítica da humanidade.
Sim, sou proveniente da lógica popular sim, saí da submersão desse ambiente
em que proliferam as crendices, os sofismas as superstições. Tudo fruto da
alienação e da luta pela sobrevivência na qual somos lançados.
Portanto, se entreter-se com a minha ignorância o faz feliz, o faz
sentir-se mais experto e superior por citar qualquer merdinha em latim ou
desqualificar a ciência e o progresso tecnológico; eu o incentivo a
prosseguir neste caminho.
Você deveria perguntar-se se está sendo sincero consigo próprio e se toda a
sua cultura está tendo algum papel útil.
Se o papel útil da sua cultura (se é que ela sobrevive ao desproporcional
contraste forjado por ti), se o que ela te proporciona são breves momentos
de euforia ao iludir-se com uma postura petulante diante de um merdinha da
zona-oeste do Rio de Janeiro, que com muito esforço conseguiu um emprego e
com o a pouca melhora de vida que este lhe proporcionou tenta superar o seu
atraso e subdesenvolvimento cultural, quão boas instruções o estudo e a
erudição lhe estão proporcionando!
Prefiro continuar assumindo ignorância ao lançar mão de uma postura
entorpecente que, por alguns segundos, me faça sentir-se superior aos
outros.
Antes de mais nada sou sim, popular, vulgar, ignorante, iletrado, mas
respeite. Respeite sim um homem que do fundo do poço da ignorância popular
se agarra no pouco que tem de acesso à cultura, à filosofia, à arte e à
erudição para lançar uma visão menos embotada de sua realiada ao redor.
Respeite um homem assim. Não o desqualifique como não digno de ser membro
do seu grupo seleto. Não desqualifique o seu esforço. Não use de sua
desvantagem perante a ti. Não delimite as suas diferenças, por que quando o
fazes, muito provavelmente, desqualificas as tuas prórprias
características. Por que talvez não tenhas empreendido o mesmo esforça para
conseguir o muito que tem para que ele conseguisse o pouco que conquistou.
Por isso, desça do teu pedestal de ilusões e fale de homem pra homem, para
comigo.


Rodrigo Ramiro,

Modus Tollens, Modus Populi.




                       "Luís"
                       <lufiro@netcabo.         Para:   
<acropolis@...>
                       pt>                      cc:
                                                Assunto: RE: [   Acrópolis] Re:
[Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar(RN) foi aprévia
                       31/10/2003 13:18         reformista do que será o FSB
                       Favor responder
                       a acropolis






Há um bom ditado popular que pode resolver esta disputa: "para bom
entendedor, meia palavra basta". Logo, se você não entendeu é porque? É
um modus tollens simples. Coisas da lógica (popular)


E quanto ao outro colega que cita um trecho de minha fala (Luís)
peço-lhe
que seja mais claro e exponha melhor sua opinião porque me parece que
você
falou muito em quantidade e nada em qualidade, ou pele menos utilizou um
redação e linguagem precárias porque estou até agora me perguntando
sobre o
que você quis dizer com o texto. Não sei se lamenta pelo surgimento da
ciência e dos programadores, e consequentemente da internet, pois
preferia
estar num fórum de filosofia por correspondências escritas em papel...




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#24987 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 5:41 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] O que é a lógica?
amaurijunior2
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Oi Didimo

Simplesmente voce supera o saya-jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O
que seria lógico hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será que
não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?

Aristoteles iventou o silogismo:

Didimo é um homem
Homem é racional
logo só o homem é racional

Gostou? Eh eh eh!!!

Abraços
Amauri


O que é a lógica?
W. H. Newton-Smith
Universidade de Oxford

Diz-se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos; é uma
tentativa sistemática para distinguir os argumentos válidos dos inválidos. Neste
estádio, tal caracterização tem o defeito de explicar o obscuro em termos do
igualmente obscuro. O que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um
argumento? Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que um
argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao avançar um argumento,
damos a entender que a premissa ou premissas apoiam a conclusão. Esta relação de
apoio é habitualmente assinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim»,
«consequentemente», «portanto, como vês». Considere-se esse velho e aborrecido
exemplo de argumento:

Sócrates é um homem.
Todos os homens são mortais.
Logo, Sócrates é mortal.
As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens são mortais». «Logo» é
o sinal de um argumento e a conclusão é «Sócrates é mortal».

A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se todas as pessoas
falassem da maneira como falariam se tivessem lido manuais de lógica a mais numa
idade facilmente impressionável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos
sem apresentar todas as nossas premissas.

Icabod teve negativa.
Logo, não pode passar de ano.

Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma premissa suprimida;
nomeadamente, a de que nenhum estudante que tenha negativa passa de ano. Pode
ser tão óbvio, pelo contexto, qual a premissa que está a ser pressuposta, que
seja pura e simplesmente demasiado aborrecido formulá-la explicitamente.
Formular explicitamente premissas que fazem parte do pano de fundo de premissas
partilhadas é uma forma de pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que
qualquer argumento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que tenha
de se explicitar para que possa ser rigorosamente analisado. Em nome do rigor
completo, praticaremos neste estudo um certo grau de pedantismo.

Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argumentos depois de uma
primeira caracterização da noção de validade. Com este fim em vista, considere-
se os seguintes pequenos argumentos simples:

I

O céu é azul e a relva verde.
Logo, o céu é azul.

Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
Icabod é um estudante do Balliol College.
Logo, Icabod é inteligente.

II

Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
Logo, a relva é cor de laranja.

Icabod é inteligente.
Icabod estuda no Balliol College.
Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.

Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no grupo II. Podemos
imaginar contextos nos quais as premissas seriam verdadeiras e a conclusão
falsa. Os argumentos do grupo I têm conclusões verdadeiras sempre que têm
premissas verdadeiras. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a
seguinte propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira(s), a
conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm claramente esta
propriedade. Como poderia alguma vez acontecer que o céu fosse azul e a relva
verde, sem que o céu fosse azul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no
Balliol College e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligentes
sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carecem da propriedade da
validade. As circunstâncias efectivas do mundo fazem com que a premissa do
primeiro argumento do grupo II seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no
caso do segundo argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas quais
seja
  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol College, mas nas quais
(infelizmente) existam outros estudantes não inteligentes cujos espíritos
obtusos tornem a conclusão falsa. A lógica é o estudo sistemático dos argumentos
válidos. Isto quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para
determinar quais os argumentos que são válidos.



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#24988 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 5:49 pm
Assunto: Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
amaurijunior2
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Oi Geraldinho

Explica para ela que homem gostoso é um doce, um picolé em forma de homem. Sei
lá, mas esses metafisicos da igreja de Calvino tem cada uma!!!!

Abraços Saya-jim
Amauri

"Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...> wrote:
Olá Dídimo !!!

Outro dia minha filha de seis anos me perguntou
o que era um menino gostoso.

Um dos esforços é sintonizar a razão e a emoção,
aí entram as tais brechas epitêmicas, vamos a elas.

Saudações !!!
gemaba
www.gemaba.hpg.com.br

----- Original Message -----
From: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Thursday, October 30, 2003 6:07 PM
Subject: [Acrópolis] razão e emoção


A Razão Tem Emoções Que o Coração Desconhece
Sábado, 25 de Outubro de 2003

%Desidério Murcho

Uma das partes menos saudáveis da infeliz herança romântica e
irracionalista, tantas vezes acriticamente admitida sem discussão, é a da
suposta oposição entre a razão e a emoção. Dylan Evans faz bem em recordar
Mr. Spock, dos filmes "Star Trek", como uma das incarnações deste mito
romântico às avessas. O mesmo se poderia dizer de Sherlock Holmes - e do
ideal do cientista cultivado na época vitoriana: frio, metódico, cerebral,
destituído de emoções. Este ideal de ciência é tonto e o seu reverso é o não
menos tonto relativismo cognitivo, que declara estar a magia negra ao nível
da física quântica, em termos cognitivos e epistemológicos. Como Evans
declara, sem emoções os seres humanos não existiriam; não é biologicamente
possível uma espécie biológica destituída de emoções. Afinal, a emoção é
mais racional do que se diz.

Isto não devia ser surpreendente. Ouvi recentemente o seguinte comentário
como paradigma do que escapa à racionalidade: um rapaz decide casar com uma
rapariga, e isso escapa à razão; é do foro da emoção. Mas ainda antes de nos
metermos pela ciência das emoções adentro esta ideia revela falta de análise
filosófica. Pois sem dúvida que o que seria irracional seria o rapaz estar
apaixonado pela rapariga e não casar com ela, decidindo em vez disso ir para
a Tailândia vender farinha para pombos. E seria também irracional estar
apaixonado por alguém que o despreza, que o tortura, que o faz continuamente
sofrer. A confusão é precisamente esta: nós sabemos que muitas vezes as
emoções roçam a loucura. Mas, precisamente, isso é uma patologia das
emoções, não é a sua natureza própria. A compreensão das emoções éticas que
Aristóteles e Hume tinham perdeu-se; e com isso perdeu-se uma compreensão
mais profunda do ser humano.

E é essa compreensão que nos traz Dylan Evans, num livrinho pequeno,
dirigido ao grande público, e que apresenta alguns dos resultados do estudo
das emoções. Este é um dos dois livros vindos a lume, em língua inglesa, em
resultado directo de um projecto de investigação sobre a evolução das
emoções que decorre no departamento de Filosofia de King's College London.
Urge, pois, publicar o outro volume, de Peter Goldie: "The Emotions: A
Philosophical Exploration" (Oxford).

O livro tem cinco capítulos. No primeiro, aborda-se o problema de saber se
nas emoções há universais humanos, ou se serão todas as emoções
contingências que variam de cultura para cultura. A teoria do relativismo
cultural das emoções, tipicamente colonialista, esteve em vigor até Ekman
ter demonstrado o contrário - não sem enorme resistência dos antropólogos da
altura, mais interessados em manter os seus preconceitos culturais do que em
investigar a verdade. Segundo a teoria do relativismo cultural das emoções,
estas não são parte própria da natureza humana universal, mas antes
idiossincrasias que abrem fossos de incompreensão entre culturas. Um índio
não sofre nem ama nem se espanta como um francês; cada qual está no seu
casulo e as suas emoções são apenas o produto do seu meio cultural. Acontece
que esta teoria é empiricamente falsa. As chamadas emoções básicas são
inatas e universais.

Se as emoções básicas são universais e inatas, que papel evolutivo
desempenham? É este o problema do segundo capítulo. Serão, como os
vitorianos pensavam, e como pensam os românticos, um mero acessório em
oposição frontal à razão? E nesse caso como se explica a sua existência? A
resposta é que as emoções são a mais racional das estratégias da natureza.
Deliberar, pensar, reflectir, consome tempo. Se tivermos um dispositivo,
afinado por milhares de anos de evolução, que nos permita reagir rapidamente
por medo, por exemplo, teremos mais hipóteses de sobrevivência do que se
tivermos de pensar tranquilamente em tudo. O pensamento é uma das
mercadorias mais caras do ponto de vista da evolução; as emoções são atalhos
do processo de decisão.

Evidentemente, todos os atalhos podem, em certas circunstâncias, revelar-se
contraproducentes. No capítulo 3, Evans avalia criticamente as tecnologias
da felicidade e da emoção. A mais antiga dessas tecnologias é a linguagem,
que nos permite partilhar emoções, exprimir anseios, dar e receber conforto.
Freud elevou esta tecnologia ao estatuto de religião revelada, com pós de
alquimia, baseando-se na chamada "teoria hidráulica" das emoções. Segundo
esta teoria, as emoções são como fluidos que provocam tensão, como num cano
prestes a rebentar com a pressão. Falar sobre os motivos dessa tensão é como
abrir uma válvula de segurança. No seu todo, a ideia não é nova - é mero
senso comum, e é comum desde há milhares de anos. Mas Freud transformou-a
numa amálgama de ideias emaranhadas. A perspectiva crítica de Evans merece
reflexão por quem se recusa a pensar que a psicanálise possa estar errada
nos seus fundamentos.

Um dos aspectos curiosos discutidos por Evans, a respeito da tecnologia das
emoções, é a nossa tentativa de encontrar atalhos para a felicidade -
drogas, consumismo, esquecimento de si, passatempos, jogos de computador,
etc. Curiosamente, como Evans faz notar, a felicidade não se obtém com este
tipo de coisas. Os seres humanos sentem-se felizes com valores mais
sólidos - amizade, verdade, justiça. E quando lhes sai a lotaria ficam
eufóricos durante um curto período, mas depois voltam ao que eram: se eram
pessoas deprimidas, voltam a ficar deprimidas, se eram felizes, voltam à
felicidade anterior.

Nos últimos dois capítulos, Evans aborda as relações entre a emoção e a
racionalidade. Um dos dados empíricos interessantes, mas longe de ser
surpreendente, é que quando as pessoas estão bem-dispostas e cheias de
pressa têm tendência para se enganar, admitindo como bons argumentos que na
realidade são péssimos - e este é o segredo dos publicistas, claro: se
conseguirem fazer as pessoas sentir-se bem, é maior a probabilidade de
aceitarem péssimos argumentos para comprar um determinado produto.

A conclusão de Evans é pouco surpreendente para quem partilha a visão
iluminista e aristotélica da harmonia entre as emoções e a razão; mas é uma
revolução para quem labora no mito romântico da oposição cerrada entre o
racional e o emocional. Nada é mais racional do que uma emoção apropriada, e
nada mais irracional do que a falta dela: alguém que não fique horrorizado
com o sofrimento alheio é adequadamente descrito como desumano. E a razão é
também a faculdade mais emocional dos seres humanos: mal conduzida por
emoções erradas, é possível produzir as piores ideias e argumentos -
racismo, fascismo, colonialismo, missionarismo - sem ver que são péssimas,
só porque massajam as nossas emoções mais tontas. O ser humano equilibrado e
feliz cultiva as emoções apropriadas, que respondem à razão, e trabalha para
impedir que as piores emoções lhe toldem a razão. Este é, pois, um pequeno
livrinho que vale a pena ler e reler, se tivermos a coragem de rever os
preconceitos da época em que nos foi dado viver, e que tantas vezes nos
toldam a razão e o coração.



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#24989 De: "Tabajara" <guiminha@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:01 pm
Assunto: Apresentação
guiminha@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá, senhores, por favor, permitam-me apresentar-me:

Meu nome é Rafael Thomé Guimarães, tenho 22 anos e considero-
me um amante do conhecimento, embora não me diga um filósofo
por faltar-me o conhecimento técnico que hoje está implícito
no significado usual da palavra.

Minha relação com a filosofia é bem menos ampla do que eu
gostaria. Sempre me espantou sua beleza e chequei a ingressar
na FFLCH, embora pela curta duração de um mês, tempo que
demorou para que oportunidades profissionais me levassem a
vender-me à informática, área em que atualmente encontro-me
inserido em termos acadêmicos e profissionais. Ademais há
algumas raras leituras mal feitas que desonrariam a
grandiosidade dos filósofos que contemplam.

Dentre as áreas do conhecimento que mais me interessam, visto
que nenhuma me desinteressa, estão a eletrônica em que tenho
formação como técnico de nível médio, a matemática e a física
moderna em que deleito-me com igual desconcerto ao qual causa-
me a filosofia e na mesma posição de leigo.

(Creio que a essa altura já seja possível compreender meu
grande interesse pela lógica, que permeia a filosofia, a
matemática, a eletrônica e a computação)

Sou tambem um amante das artes, cuja discussão se são ou não
área do conhecimento gostaria de ver por aqui um dia. Nestas
aprecio em especial as letras, a música, a pintura, as
plásticas, o cinema e o teatro, este último insulto com
amadora atuação.

Quanto à minha relação com a presente lista, nela inscrevi-me
em 1998, quando minha tenra idade e imatura mente - não que
agora a situação seja outra - ainda não me permitiam
acompanhá-la. Ainda assim, percebendo a altíssima quallidade
do que aqui se escreve, jamais a abandonei. Estive sim por
muito tempo dela a parte consumido pela vida, às vezes
acompanhando um ou outro tema numa espécie de voyerismo
incontido. Mas agora sinto-me mais livre e seguro para
arriscar uma participação um pouco mais ativa, se não lhes
for inconveniente.

Sem mais, Tabajara,como alcunharam-me os amigos


---
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#24990 De: "Tabajara" <guiminha@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:14 pm
Assunto: Re:[Acrópolis] Re: [Acrópolis] Modus Tollens, Modus Populi
guiminha@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Perdoa, colega, mais discordo de ti.

A idéia da humildade, embora fortemente encrustada em nossa
sociedade pelo cristianismo, lhe é anterior. Eu citaria no
mínimo o hinduísmo, mais antiga das religiões modernas, como
exemplo.

Mas permita-me lembrar-lhe também as palavras do grande
Sócrtes: "Só sei que nada sei", que considero altamente
pertinentes e procuro aplicar por crer que tudo aquilo que um
dia eu sei ou possa vir a saber é desprezável frente ao que
ainda tenho/terei a aprender. (Pessoal e humildemente julgo
esta a postura primeira do bom filósofo, que deve despir-se
de preconceitos, como a criança à qual tudo é novo.)

Não que não devamos valorizar o que sabemos, mas por que não
focar-nos no futuro, prezervando-nos da petulância e
amplificando a aprendizagem?

Quanto ao que dizes do poder aquisitivo de cada um, não que
discorde da forma capitalista tomada pela dialética - que em
minha visão permeia o mundo - em nossas relações econômicas,
mas não nos esquecemos do daquele caráter da vida, que
julgamos injusto, em que nem todos temos as mesmas
oportunidades. Caos ou Predestinação?

Abraços, Tabajara

> Oi Rodrigo
>
> Todos temos  inteligencia ou nossa capacidade, a idéia de hu
mildade foi introduzida pela igreja cristã para enfraquecer o
ego para dominar mais facilmente. Se sinto capaz de pensar sou
  inteligente, pois me sobressai dos demais, se tenho um poder
aquisitivo bom, é porque temos mais capacidade de ganha-
lo. O mundo é assim, mas nunca devemos ficar para nós, guardar
  para nós, mas sim distribuir ao demais mostrando o caminho pa
ra a vitoria.
>
> Abraços
> Amauri



---
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#24991 De: "Tabajara" <guiminha@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:18 pm
Assunto: Re:[Acrópolis] Re: [Acrópolis] O que é a lógica?
guiminha@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
pierciana, sem grande entendimento?

Abraços, Tabajara

> Oi Didimo
>
> Simplesmente voce supera o saya-
jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
  hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
>
> Aristoteles iventou o silogismo:
>
> Didimo é um homem
> Homem é racional
> logo só o homem é racional
>
> Gostou? Eh eh eh!!!
>
> Abraços
> Amauri
>
>
> O que é a lógica?
> W. H. Newton-Smith
> Universidade de Oxford
>
> Diz-
se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
  é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
  que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
entemente», «portanto, como vês». Considere-
se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
>
> Sócrates é um homem.
> Todos os homens são mortais.
> Logo, Sócrates é mortal.
> As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
Sócrates é mortal».
>
> A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
  lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
sentar todas as nossas premissas.
>
> Icabod teve negativa.
> Logo, não pode passar de ano.
>
> Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
  qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
implesmente demasiado aborrecido formulá-
la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
  parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
erto grau de pedantismo.
>
> Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
de. Com este fim em vista, considere-
  se os seguintes pequenos argumentos simples:
>
> I
>
> O céu é azul e a relva verde.
> Logo, o céu é azul.
>
> Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
> Icabod é um estudante do Balliol College.
> Logo, Icabod é inteligente.
>
> II
>
> Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
> Logo, a relva é cor de laranja.
>
> Icabod é inteligente.
> Icabod estuda no Balliol College.
> Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
s.
>
> Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
  têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
  propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
(s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
  claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
quais seja
>  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
  A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
rminar quais os argumentos que são válidos.
>
>
>
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#24992 De: "Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:33 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
gemaba@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Tabajara !!!

Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
o que quizeres ou adentrar em discussões que
interessar a ti.

Saudações !!!
gemaba
www.gemaba.cjb.net

----- Original Message -----
From: "Tabajara" <guiminha@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Saturday, November 01, 2003 9:01 PM
Subject: [Acrópolis] Apresentação


Olá, senhores, por favor, permitam-me apresentar-me:

Meu nome é Rafael Thomé Guimarães, tenho 22 anos e considero-
me um amante do conhecimento, embora não me diga um filósofo
por faltar-me o conhecimento técnico que hoje está implícito
no significado usual da palavra.

Minha relação com a filosofia é bem menos ampla do que eu
gostaria. Sempre me espantou sua beleza e chequei a ingressar
na FFLCH, embora pela curta duração de um mês, tempo que
demorou para que oportunidades profissionais me levassem a
vender-me à informática, área em que atualmente encontro-me
inserido em termos acadêmicos e profissionais. Ademais há
algumas raras leituras mal feitas que desonrariam a
grandiosidade dos filósofos que contemplam.

Dentre as áreas do conhecimento que mais me interessam, visto
que nenhuma me desinteressa, estão a eletrônica em que tenho
formação como técnico de nível médio, a matemática e a física
moderna em que deleito-me com igual desconcerto ao qual causa-
me a filosofia e na mesma posição de leigo.

(Creio que a essa altura já seja possível compreender meu
grande interesse pela lógica, que permeia a filosofia, a
matemática, a eletrônica e a computação)

Sou tambem um amante das artes, cuja discussão se são ou não
área do conhecimento gostaria de ver por aqui um dia. Nestas
aprecio em especial as letras, a música, a pintura, as
plásticas, o cinema e o teatro, este último insulto com
amadora atuação.

Quanto à minha relação com a presente lista, nela inscrevi-me
em 1998, quando minha tenra idade e imatura mente - não que
agora a situação seja outra - ainda não me permitiam
acompanhá-la. Ainda assim, percebendo a altíssima quallidade
do que aqui se escreve, jamais a abandonei. Estive sim por
muito tempo dela a parte consumido pela vida, às vezes
acompanhando um ou outro tema numa espécie de voyerismo
incontido. Mas agora sinto-me mais livre e seguro para
arriscar uma participação um pouco mais ativa, se não lhes
for inconveniente.

Sem mais, Tabajara,como alcunharam-me os amigos


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#24993 De: Marco Aurelio <clave@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:42 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
ferronabonec...
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Tabajara wrote:

> Olá, senhores, por favor, permitam-me apresentar-me:
>
> Meu nome é Rafael Thomé Guimarães, tenho 22 anos e considero-
> me um amante do conhecimento, embora não me diga um filósofo
> por faltar-me o conhecimento técnico que hoje está implícito
> no significado usual da palavra.

Benvindo à lista. Gostei do seu estilo pomposo de escrever. Mostra bem
sua juventude. Aliás seu nome, também me pareceu agradavelmente pomposo.
Mais uma vez, seja benvindo e receba um abraço

Marco Aurelio

#24994 De: Marco Aurelio <clave@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:49 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
ferronabonec...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Geraldo M. Barcelos wrote:

> Olá Tabajara !!!
>
> Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> o que quizeres ou adentrar em discussões que
> interessar a ti.

Oi Gemaba.

Permita-me interferir na sua simpática recepção do Tabajara. Quero que
ele saiba que Vc. é um grande esforçado e que segue valerosamente
lutando por superar experências desagradaveis. Digo ao Tabajara que o
tenha em conta, porque acompanho seu progresso e vejo que avança muito
bem. Sua nova aquisição epistemológica é fascinante. Uma nota, espero
que não lhe incomode, ponha-se de acordo com o uso dos pronomes. Eles
não se dão bem exercendo a mesma função.  Só Vc. com seu ímpeto pode
fazer conviver tão bem a segunda com a terceira pessoa.
Um abração e siga em frente.

Marco Aurelio

#24995 De: "Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...>
Data: Sáb, 1 de Nov de 2003 11:54 pm
Assunto: Apresentação
gemaba@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Marco Aurélio !!!

Caro Marco Aurélio, se puder me ajudar sendo mais claro em sua colocação em
relação aos pronomes ficaria grato porque tenho dificuldades em algunhas
coisas e boas dicas são sempre bem vindas.

Aproveito e lembro que já coloquei uma nova gravação de meu CD em
www.gemaba.cjb.net e caso gostem do meu trabalho peço que votem em mim no
festival de música que está rolando em www.sellengine.com.br/festival.

Saudações e obrigado !!!
gemaba
www.gemaba.cjb.net

----- Original Message -----
From: "Marco Aurelio" <clave@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Saturday, November 01, 2003 9:49 PM
Subject: Re: [Acrópolis] Apresentação


> Geraldo M. Barcelos wrote:
>
> > Olá Tabajara !!!
> >
> > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > interessar a ti.
>
> Oi Gemaba.
>
> Permita-me interferir na sua simpática recepção do Tabajara. Quero que
> ele saiba que Vc. é um grande esforçado e que segue valerosamente
> lutando por superar experências desagradaveis. Digo ao Tabajara que o
> tenha em conta, porque acompanho seu progresso e vejo que avança muito
> bem. Sua nova aquisição epistemológica é fascinante. Uma nota, espero
> que não lhe incomode, ponha-se de acordo com o uso dos pronomes. Eles
> não se dão bem exercendo a mesma função.  Só Vc. com seu ímpeto pode
> fazer conviver tão bem a segunda com a terceira pessoa.
> Um abração e siga em frente.
>
> Marco Aurelio
>
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>

#24996 De: "Tabajara" <guiminha@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 12:20 am
Assunto: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
guiminha@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Prezado, em geral concordo com o exposto. Principalmente no
que tange a questão da importância das emoções em nosso
processo de tomada de decisões rápidas, o que nos permitiu
sobreviver enquanto espécie.

Apenas não compreendo tuas restrições à idéia de que uma
(utópica) mente puramente raional embora absurdamente lenta
chegaria a conclusões mais puras do que aquela obscurecida
por emoções, que numa discussão, por exemplo, buscaria muitas
vezes a vitória em lugar da verdade e que poderia ofender-se,
enojar-se, ou dislumbrar-se com um argumento ou outro,
independentemente de sua qualidade lógica.

Será que uma mente lógica chegaria a uma conlusão um dia ou
perder-se-ia contrapondo idéias? Defendes que nossas
conclusões são possíveis graças a atuações emocionais que
muitas vezes impõem freios ao processo dialético em nossas
mentes?

Aguardo parecer.

Permitam-me, agora, um gancho:

Gostaria de indaga-los sobre vossa visão sobre a origem das
emoções na mente humana, que atualmente creio estar nas
pulsões instintuais do ser após processadas por nossa
complexa mente.

Apresento-lhes como exemplos simplórios o egoísmo, que na
minha opinião provém do instinto de auto-preservação do
indivíduo, ou o amor, que proveria de nosso instinto de viver
em sociedade. Digo isso, porque depois de breve passagem
pelas biológicas, cada vez mais me parece um mecanismo
robótico a nossa fisiologia.

Fazendo de um gancho, dois...

Quando falamos em busca de verdade, creio que a primeira
questão a ser decidida seja o método a utilizar.

O conhecimento filosófico se alicerça na faculdade humana que
chamamos razão. Há, no entanto, outras visões, como os
exoterismos e religiões, que primam por outros métodos, como
trasmissão de conhecimento através de livros sagrados, por
exemplo.

Em geral os fiéis de "conhecimento não racional" são
menosprezados pelos acadêmicos e pela sociedade em geral
quando trata-se de tecer argumentos. Não mais, por exemplo,
condena-se uma prostituta por assim estar prescrito no
alcorão.

Nada obstante eu me afilie à razão, quero propor-lhe uma
questão: Até que ponto não seria a razão também uma crença?

Acho que a razão é mais do que uma faculdade, pois sob ela as
coisas nos fazem sentido, e por ela nos guiamos. Mas quando
me pergunto o porquê da razão, não encontro resposta. Creio
que talvez porque o porquê é função da razão e não faça
sentido justificar a escolha de um método já o utilizando,
haja visto que isso não dissiparia o caráter arbitrário da
escolha, oque nos despi totalmente de uma forma de alicerçar
a opção senão na própria arbitrariedade.

Se não se pode ver a razão (enquanto forma de buscar
conhecimento), a não ser como uma crença arbitrária, nunca
será superior à crença na bíblia, exceto por seu poder de
convencer argumentando (e não pela emoção cega) e pelo que é
capaz de produzir enquanto utilitário.

Abraços, Tabajara

>
> ----- Original Message -----
> From: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
> To: <acropolis@...>
> Sent: Thursday, October 30, 2003 6:07 PM
> Subject: [Acrópolis] razão e emoção
>
>
> A Razão Tem Emoções Que o Coração Desconhece
> Sábado, 25 de Outubro de 2003
>
> %Desidério Murcho
>
> Uma das partes menos saudáveis da infeliz herança romântica
e
> irracionalista, tantas vezes acriticamente admitida sem disc
ussão, é a da
> suposta oposição entre a razão e a emoção. Dylan Evans faz b
em em recordar
> Mr. Spock, dos filmes "Star Trek", como uma das incarnações
deste mito
> romântico às avessas. O mesmo se poderia dizer de Sherlock H
olmes - e do
> ideal do cientista cultivado na época vitoriana: frio, metód
ico, cerebral,
> destituído de emoções. Este ideal de ciência é tonto e o seu
  reverso é o não
> menos tonto relativismo cognitivo, que declara estar a magia
  negra ao nível
> da física quântica, em termos cognitivos e epistemológicos.
Como Evans
> declara, sem emoções os seres humanos não existiriam; não é
biologicamente
> possível uma espécie biológica destituída de emoções. Afinal
, a emoção é
> mais racional do que se diz.
>
> Isto não devia ser surpreendente. Ouvi recentemente o seguin
te comentário
> como paradigma do que escapa à racionalidade: um rapaz decid
e casar com uma
> rapariga, e isso escapa à razão; é do foro da emoção. Mas ai
nda antes de nos
> metermos pela ciência das emoções adentro esta ideia revela
falta de análise
> filosófica. Pois sem dúvida que o que seria irracional seria
  o rapaz estar
> apaixonado pela rapariga e não casar com ela, decidindo em v
ez disso ir para
> a Tailândia vender farinha para pombos. E seria também irrac
ional estar
> apaixonado por alguém que o despreza, que o tortura, que o f
az continuamente
> sofrer. A confusão é precisamente esta: nós sabemos que muit
as vezes as
> emoções roçam a loucura. Mas, precisamente, isso é uma patol
ogia das
> emoções, não é a sua natureza própria. A compreensão das emo
ções éticas que
> Aristóteles e Hume tinham perdeu-se; e com isso perdeu-
se uma compreensão
> mais profunda do ser humano.
>
> E é essa compreensão que nos traz Dylan Evans, num livrinho
pequeno,
> dirigido ao grande público, e que apresenta alguns dos resul
tados do estudo
> das emoções. Este é um dos dois livros vindos a lume, em lín
gua inglesa, em
> resultado directo de um projecto de investigação sobre a evo
lução das
> emoções que decorre no departamento de Filosofia de King's C
ollege London.
> Urge, pois, publicar o outro volume, de Peter Goldie: "The E
motions: A
> Philosophical Exploration" (Oxford).
>
> O livro tem cinco capítulos. No primeiro, aborda-
se o problema de saber se
> nas emoções há universais humanos, ou se serão todas as emoç
ões
> contingências que variam de cultura para cultura. A teoria d
o relativismo
> cultural das emoções, tipicamente colonialista, esteve em vi
gor até Ekman
> ter demonstrado o contrário -
  não sem enorme resistência dos antropólogos da
> altura, mais interessados em manter os seus preconceitos cul
turais do que em
> investigar a verdade. Segundo a teoria do relativismo cultur
al das emoções,
> estas não são parte própria da natureza humana universal, ma
s antes
> idiossincrasias que abrem fossos de incompreensão entre cult
uras. Um índio
> não sofre nem ama nem se espanta como um francês; cada qual
está no seu
> casulo e as suas emoções são apenas o produto do seu meio cu
ltural. Acontece
> que esta teoria é empiricamente falsa. As chamadas emoções b
ásicas são
> inatas e universais.
>
> Se as emoções básicas são universais e inatas, que papel evo
lutivo
> desempenham? É este o problema do segundo capítulo. Serão, c
omo os
> vitorianos pensavam, e como pensam os românticos, um mero ac
essório em
> oposição frontal à razão? E nesse caso como se explica a sua
  existência? A
> resposta é que as emoções são a mais racional das estratégia
s da natureza.
> Deliberar, pensar, reflectir, consome tempo. Se tivermos um
dispositivo,
> afinado por milhares de anos de evolução, que nos permita re
agir rapidamente
> por medo, por exemplo, teremos mais hipóteses de sobrevivênc
ia do que se
> tivermos de pensar tranquilamente em tudo. O pensamento é um
a das
> mercadorias mais caras do ponto de vista da evolução; as emo
ções são atalhos
> do processo de decisão.
>
> Evidentemente, todos os atalhos podem, em certas circunstânc
ias, revelar-se
> contraproducentes. No capítulo 3, Evans avalia criticamente
as tecnologias
> da felicidade e da emoção. A mais antiga dessas tecnologias
é a linguagem,
> que nos permite partilhar emoções, exprimir anseios, dar e r
eceber conforto.
> Freud elevou esta tecnologia ao estatuto de religião revelad
a, com pós de
> alquimia, baseando-
se na chamada "teoria hidráulica" das emoções. Segundo
> esta teoria, as emoções são como fluidos que provocam tensão
, como num cano
> prestes a rebentar com a pressão. Falar sobre os motivos des
sa tensão é como
> abrir uma válvula de segurança. No seu todo, a ideia não é n
ova - é mero
> senso comum, e é comum desde há milhares de anos. Mas Freud
transformou-a
> numa amálgama de ideias emaranhadas. A perspectiva crítica d
e Evans merece
> reflexão por quem se recusa a pensar que a psicanálise possa
  estar errada
> nos seus fundamentos.
>
> Um dos aspectos curiosos discutidos por Evans, a respeito da
  tecnologia das
> emoções, é a nossa tentativa de encontrar atalhos para a fel
icidade -
> drogas, consumismo, esquecimento de si, passatempos, jogos d
e computador,
> etc. Curiosamente, como Evans faz notar, a felicidade não se
  obtém com este
> tipo de coisas. Os seres humanos sentem-
se felizes com valores mais
> sólidos -
  amizade, verdade, justiça. E quando lhes sai a lotaria ficam
> eufóricos durante um curto período, mas depois voltam ao que
  eram: se eram
> pessoas deprimidas, voltam a ficar deprimidas, se eram feliz
es, voltam à
> felicidade anterior.
>
> Nos últimos dois capítulos, Evans aborda as relações entre a
  emoção e a
> racionalidade. Um dos dados empíricos interessantes, mas lon
ge de ser
> surpreendente, é que quando as pessoas estão bem-
dispostas e cheias de
> pressa têm tendência para se enganar, admitindo como bons ar
gumentos que na
> realidade são péssimos -
  e este é o segredo dos publicistas, claro: se
> conseguirem fazer as pessoas sentir-
se bem, é maior a probabilidade de
> aceitarem péssimos argumentos para comprar um determinado pr
oduto.
>
> A conclusão de Evans é pouco surpreendente para quem partilh
a a visão
> iluminista e aristotélica da harmonia entre as emoções e a r
azão; mas é uma
> revolução para quem labora no mito romântico da oposição cer
rada entre o
> racional e o emocional. Nada é mais racional do que uma emoç
ão apropriada, e
> nada mais irracional do que a falta dela: alguém que não fiq
ue horrorizado
> com o sofrimento alheio é adequadamente descrito como desuma
no. E a razão é
> também a faculdade mais emocional dos seres humanos: mal con
duzida por
> emoções erradas, é possível produzir as piores ideias e argu
mentos -
> racismo, fascismo, colonialismo, missionarismo -
  sem ver que são péssimas,
> só porque massajam as nossas emoções mais tontas. O ser huma
no equilibrado e
> feliz cultiva as emoções apropriadas, que respondem à razão,
  e trabalha para
> impedir que as piores emoções lhe toldem a razão. Este é, po
is, um pequeno
> livrinho que vale a pena ler e reler, se tivermos a coragem
de rever os
> preconceitos da época em que nos foi dado viver, e que tanta
s vezes nos
> toldam a razão e o coração.
>
>
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#24997 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 12:54 am
Assunto: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi aprévia reformista do que será o FSB
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Meu caro Renato, como já disse antes, acho suas intervenções muito boas,
permanecemos discordando, mas creio que o caminho acabara nos levando por boas
sendas, vou reenviar essa mensagem pra mim mesmo e depois a responderei com
tempo, provavelmente segunda fer]ira, dê-me esse tempo e discordaremos por mais
temo.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Renato Roschel Christie
   To: acropolis@...
   Sent: Friday, October 31, 2003 7:08 PM
   Subject: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi
aprévia reformista do que será o FSB


   Olá Dídimo,


   Renato:  A filosofia não é assim tão apegada à lógica, não. Nietzsche, por
   exemplo,
     atribui a tradição argumentativa de caráter lógico, cuja força do
   argumento
     é derivada da racionalidade das provas, a uma origem socrática,
   desenvolvida
     e sistematizada por Platão e Aristóteles.

   Dídimo:  Como disse algumas vezes, não acho que Nietzsche seja um bom
   referencial em termos filosóficos, e sua análise da história da tradição
   filosófica a partir de Sócrates é muito complicada.

   Renato: Por que?


   Renato:  Essa dialética socrática, com seu
     estilo aporético e propósito maiêutico, está um tanto quanto distante dos
     estilos argumentativos nietzschiano e wittgensteiniano, os quais são
     filosofias, mas fogem, de certa forma, à lógica
     aristotélica-platônica-socrática que você usa como ponto de partida.


   Dídimo:  Não sei se podemos colocar essas duas figuras juntas, mas,
   detendo-me no que acho importante, Wittgenstein inicia e prossegue e publica
   um estudo ligado a lógica e não se desprende dela em nenhum dia de sua vida,
   nem no TLP nem nas investigações. Usar aforismos na construção da filosofia
   não o iguala a Nietzsche enm mostra que prescinde da lógica.

   Renato: Não é caso de prescindir da lógica, mas de não utilizar sempre a
   mesma lógica (que você usa como ponto de partida para ler um texto
   filosófico). A lógica aristotélica, segundo muitos caras importantes não é
   uma ferramenta que abarque e seja suficiente para examinar toda a filosofia.
   É a isso que me refiro. Segundo Jair Minoro Abe, "a lógica não é mais
   concebida como o estudo das inferências ou raciocínios válidos, como muitos
   tratadistas ainda insistem em expor a lógica aristotélica como se
   constituindo em toda a lógica. Na realidade, a lógica atualmente se
   converteu em uma disciplina matemática com características próprias, de
   grande vitalidade e importância'".
   Veja Dídimo, segundo o próprio Aristóteles, a afirmação de uma coisa não é a
   negação de outra (afirmatio unius non est negatio alterius). ;-))
   Segundo o Matemático e professor aposentado da USP Edison Farah, "certas
   coisas que
   a lógica aristotélica não pode resolver, na lógica paraconsistente podem ser
   feitas. O que seria uma contradição, na lógica paraconsistente não é", ou
   seja, se você parte da lógica aristotélica para compreender um texto sem
   deixar pelo menos em aberto a hipótese de que a lógica aristotélica pode não
   ser uma boa ferramenta para compreender esse ou para aquele texto filosófico
   você limita muito a sua leitura (eu também faço muito isso). Nietzsche, por
   exemplo, não pode ser
   lido na chave aristotélica sem que seu texto seja reduzido, empobrecido. O
   problema está em estabelecer novos procedimentos lógicos minimamente
   razoáveis.


   Renato:  Segundo Paulo Margutti, o Tractatus de Wittgenstein "não se
   estrutura
     mediante uma argumentação lógica, mas visa, por meio da clarificação
     conceitual, recorrendo ao paradoxo e ao contra-senso, iniciar-nos à
     descoberta do sentido da vida".

   Dídimo:  O TLP é o resultado de uma investigação lógica e se estrutura em
   torno de inferências consecutivas de um conjunto de teses centrais como num
   sistema axiomático, a ligação entre as teses principais se mostra num
   esquema lógico de numeração que fala muito sobre a precisão que o autor
   pretende, outra coisa, pra não discordar muito da posição do Margutti,
   concordo em relação ao TLP buscar a clarificação conceitual, mas isso é um
   ramo da lógica, procure em livros de lógica pelo termo "definição".

   Renato: Exato, mas Wittgenstein não estrutra seu discurso apenas sobre a
   lógica aristotélica. E tem mais: a filosofia analítica dá, a meu ver, uma
   definição de espírito muito mecanicista. Segundo John Searle, "deve haver um
   fosso entre as causas da ação e a escolha propriamente dita. De outro modo,
   jamais poderíamos dar um sentido a nossas vidas. Isso se torna claro com um
   exemplo dos mais banais: você entra num restaurante, olha o cardápio e vê
   que há contra-filé e rim de vitela. Você tem de escolher. É impossível
   dizer: 'Sou movido por uma lógica prévia, portanto posso esperar e ver o que
   escolherei'. É preciso escolher e para isso se deve agir".


   Renato:  Caras como Pascal e Nietzsche questionaram a lógica dicotômica que
   preside  uma parte da filosofia e a sua busca metafísica de verdades
   abstratas e   eternas e não creio que os textos deles sejam um amontoado de
   grandes   bobagens.


   Dídimo:  Tenho minhas dúvidas se não são mesmo Renato, o Pascal esteve pra
   morrer e atribui a sua não morte as orações da irmã e a Deus e depois disso
   passa a falar uma porção de coisas, mas mesmo assim não prescinde da lógica
   ou da necessidade de algo racional a guiar a ação, é por exemplo o caso da
   famosa aposta.

   Renato: Bem, se são bobagens um excelente exercício seria você mostrar onde
   estão as bobagens e e por que elas são bobagens.

   Renato:  Veja Dídimo, depois que Thomas Kuhn mostrou a falta de lógica no
   progresso
     das ciências, no sentido de que as grandes descobertas dependem menos da
     exatidão que de certas ''intuições'', essa sua crença na lógica já não é
     assim tão imprescindível, por outro lado, não podemos negar que
     utilizamo-nos de um discurso minimamente lógico para afirmar isso.
     ;-)))

   Dídimo:  Não só pra isso, apesar de perceber o papel da intuição meu caro,
   não se prescinde de modo algum de testar a intuição à exaustão por meio da
   lógica e da prática laboratorial, Kuhn não nega isso e não nega isso ninguém
   que tenha o mínimo de juízo, por isso é facil pra Nietzsche negar. Com os
   devidos ajustes a frase seguinte contempla o bigode com precisão: "A
   doutrina pós-modernista de que nada existe além de textos, de que não há um
   mundo a que os textos se reportem, parece plausível aos consumidores dos
   escritos pós-modernistas porque é muitas vezes o que se passa com esses
   escritos, em que se deixa pura e simplesmente a linguagem entregue a si
   mesma. Quem não tem padrões objectivos acha natural negar tais padrões aos
   outros." (Thomas Nagel)


   Renato: Primeiro: Nietzsche foi genial por ter percebido que a lógica
   aristotélica era um instrumento insuficiente para compreender o mundo e o
   homem. Só isso já é um feito memorável. Segundo: a lógica laboratorial não
   dá conta, por exemplo, do problema do princípio da incerteza de Heisenberg,
   que postula ser impossível conhecer todas as características de uma
   partícula individual, já que o mero ato de observá-la altera o resultado. A
   lógica laborial também não da conta de resolver o problema da
   dupla personalidade, isto é, átomos e suas partículas têm uma "dupla
   personalidade": ora agem como pequenos corpos, ora como ondas. A lógica
   laboratorial não dá conta da questão das gêmeas telepáticas. Veja Dídimo, as
   partículas entrelaçadas são as entidades mais bizarras do mundo quântico,
   pois se unem por uma espécie de "comunicação telepática". Depois de criadas
   (G), elas mantém a propriedade de "gêmeas" mesmo separadas por milhões de
   quilômetros. Alterando o estado de uma, a outra responde instantaneamente. A
   lógica ainda não respondeu essas e outras questões e, talvez, seja
   necessário ultrapassá-la para conseguir esse feito. O problema é que o "além
   da lógica" é parte intrínseca do universo e do ser humano. Isso não quer
   dizer que o mistério religioso existe, ao contrário, isso significa que
   nossa capacidade de compreensão é limitadíssima, ou seja, vivemos sempre
   tentando avançar um pouco mais e os nossos limites são postos pela lógica.
   Terceiro: Não estou falando que devemos abandonar a lógica. Estou apenas
   constatando que ela é insuficiente para compreensão do mundo e do homem e
   que Nietzsche percebeu isso antes de todo mundo. Muitos "filósofos", na
   tentativa de desqualificar a reflexão nietzscheniana, consideram Nietzsche
   literato,
   poeta ou, quando muito, poeta-filósofo.
   Mesmo estudiosos de Nietzsche procuraram expulsá-lo da seara filosófica;
   concluíram que não construíra um sistema. É fato que ele não se pretende um
   pensador sistemático. "Não sou limitado o bastante para um sistema'',
   afirma, "nem mesmo para meu sistema...'' Acreditando precisar de amplos
   horizontes para ter grandes idéias, nega-se a encerrar o pensamento numa
   totalidade coesa mas fechada. Se rejeita os sistemas filosóficos, não é por
   apresentarem uma unidade metodológica e sim por fixarem uma dogmática.
   São várias as passagens em que o bigodudo convida o leitor à experimentação,
   seja por entender que nós, humanos, não passamos de experiências ou por
   acreditar que não devemos nos furtar a fazer experiências com nós mesmos.
   Seus aforismos, tentativas renovadas de refletir sobre algumas questões,
   possibilitam experimentos com o próprio pensar. Recusando a alternativa
   entre discurso aforismático e sistema filosófico, seu pensamento
   apresenta-se como um sistema em aforismos. Tanto é que nele se encontram uma
   filosofia da natureza, uma filosofia do espírito e uma teoria do
   conhecimento intimamente relacionadas. É fato que o confronto dos textos de
   Nietzsche traz à tona as contradições neles presentes. Se perseguir uma
   idéia é abandonar várias outras pelo caminho, o que é o aforismo senão a
   possibilidade de perseguir uma mesma idéia a partir de diversos ângulos de
   visão, não é mesmo?
   Aliás, a única certeza que levamos dessa vida é que tudo que é humano é
   contraditório. A contradição é nossa marca mais latente e, a meu ver, ela é
   formadora (também) do nosso discurso "lógico".

   Renato:  Marx, por sua vez, condena a concepção do evolver histórico como
   progresso
     da Idéia. Assim, ao assumir a perspectiva de Feuerbach, ele critica a
   lógica
     hegeliana da história e se atém à realidade social efetiva.


   Dídimo: Temos aqui um fato curioso, como Marx pode criticar o que não
   existe, a visão de Hegel da história não é lógica e sim fenomenológica e
   idealista.


   Renato: Estamos com um problema de comunicação aqui... Veja, segundo Robert
   Kurz, "Hegel sabia que a moeda representa trabalho social; mas trabalho em
   forma abstrata, purificado de sua determinação concreta.
   Na relação com a moeda, o trabalho aparece como puro consumo de energia
   humana abstrata. Hegel falava assim de 'trabalho abstrato', uma expressão
   que seria adotada por Marx. Mas Hegel disse também: 'Fazer valer as
   abstrações no mundo real significa destruir a realidade'. À medida que a
   moeda põe-se a meio caminho entre homem e natureza, esta última é destruída.
   A moeda, portanto, também é a raiz da força destrutiva da economia moderna",
   ou seja, a teoria de Hegel do desenvolvimento da história é a do progresso
   da Idéia. Sacou?
   Segundo Bento Prado Jr., "a Fenomenologia é um retorno à perspectiva
   epistemológica (isto é, "fenomenológica", na linguagem de Hegel, que assim
   define a atitude crítica de Kant, a perspectiva do sujeito finito), mas que
   visa, no final das contas, a dar  fim à finitude e acesso ao Saber
   Absoluto", o qual, a meu ver, é uma impossibilidade.


   Renato:  O problema é que
     a realidade social efetiva é, muita vez, ilógica e caótica, apesa de
   seguir
     alguns padrões.
     Afinal, não há muita lógica mesmo no cotidiano de compaixões
     e incômodos, na mistura de proximidade e de distância de nosso convívio
   com
     a miséria urbana, não é mesmo?


   Dídimo:  Isso é uma impressão e não um fato, mas mesmo que seja assim não
   invalida a lógica e nem é seu objeto.

   Renato: Acho que estamos falando de coisas diferentes aqui também. Estou
   tentando dizer
   que a lógica não dá conta de um mundo que é caótico, nem da linguagem que é
   arbitrária. Ela é uma excelente ferramenta, mas falha em alguns pontos. Ela
   é uma excelente ferramenta, mas surgiu de um meio (linguagem) que é
   arbitrário, portanto, tem um fundo arbitrário e porque não contraditório
   também... Isso é uma bela aporia: Como a lógica (discurso) surge do
   arbitrário (linguagem)?


   Renato: Valéry assim como Wittgenstein, também não acreditava na
   possibilidade de
     conhecimento empírico do mundo por meio da dedução lógica _já que a lógica
     da linguagem, transferida para o mundo, seria ainda uma mirada
     antropomórfica sobre a "realidade". Problemão, né?

   Dídimo:  Na verdade, problema nenhum, pois não pode ser objetivo da lógica
   obter conhecimento empírico do mundo, mas sim testar as afirmações sobre
   esse conhecimento, torná-las claras, retirar-lhe as ambigüidades e evitar ao
   máximo a vagueza.

   Renato: Mas o problema é que o conhecimento se constrói sobre a linguagem
   que é pretensamenta lógica, mas que é, na verdade, arbitrária. Segundo Bento
   Prado Jr., "com Aristóteles, a logologia aparentemente suicida da sofística
   é substituída por uma articulação entre lógica e ontologia que garante ao
   mesmo tempo necessidade e universalidade do conhecimento racional, de um
   lado, e autonomia do objeto do conhecimento (do Ser) ou realismo, de outro
   lado."
   Mas ele concluiu que, "um movimento parece esboçar-se na década de 20, que
   leva a um alargamento da idéia de razão, acompanhada de uma atenção
   crescente pelas formas pré-epistêmicas ou pré-predicativas da consciência ou
   pelas raízes pré-lógicas do conhecimento e da linguagem".
   Isso (que começou com Nietzsche) ocorre porque os filósofos estão tentando
   ultrapassar os obstáculos que a lógica aristotélica não dá conta.

   Renato:  O velho Wittgenstein chegou ao cúmulo de afirmar que "ao filosofar,
   devemos
     mergulhar no Caos primitivo e lá sentirmo-nos bem".

   Dídimo:  Isso é apenas uma figura de retórica pra dizer que o filósofo não
   pode contentar-se com a superficialidade.

   Renato: Errado. Isso é a constatação de que existe uma espécie de barreira
   imposta pela lógica, de que há uma parte do conhecimento que a lógica não
   alcança, que isso é um problemaço, que é o mundo é o conjunto dos factos,
   mas que esses fatos não podem ser totalmente compreendidos pela lógica, que
   a compreensão desses fatos vai está além da lógica convencional, que há um
   certo impedimento no
   saber etc, etc, etc...

     Já pensou uma reunião de
     filósofos mergulhados no Caos primitivo??? Que imagem terrível, não???
   ;-))
     (Gemaba, quando se formar filósofo, vai mergulhar no Caos primitivo junto
     com você e o Prof. J.C.... hehehe)
     Até mesmo o Joyce, no seu Finnegans Wake, percebeu que havia modos de
   narrar
     que não precisavam recorrer à lógica aristotélica; que, na construção de
   uma
     narração, o sistema de relações não precisa obedecer a uma lógica linear,
   e
     aí temos o monólogo interior. Joyce utilizou a psicanálise de uma maneira
     notável e produziu na literatura, no modo de narrar, uma revolução sem
   volta
     e um tanto quanto distante da lógica aristotélica.



   Dídimo:  A arte tem liberdade pra fazer o que quiser, claro que prefiro as
   manifestações deliciosas às dolorosas.

   Renato: A mesma linguagem que possibilita à arte fazer o que quiser, também
   possibilita à filosofia fazer o que quiser, o problema é que uma é mais
   competente que a outra. Veja, não estou falando que  o filósofo deve sair
   pro aí negando a lógica, mas que ele deva sair por aí tentando superá-la.


   Renato:  A meu ver, às vezes, a lógica que você pretende usar como ponto de
   partida
     para a compreensão de um determinado texto filosófico acaba sendo um
     impedimento à compreensão desse texto.


   Dídimo:  A meu ver um texto que não me permite entendê-lo lógica e
   claramente não é
   filosófico.

   Renato: Não estou falando para abolirmos a lógica, estou falando que há
   filosofias que se pretendem "além do bem e do mal" e para elas essa lógica
   simplesmente não é suficiente.
   Mas essa fase passa, fique tranquilo.


   Renato:  Isso acontece muito comigo também.
     ;-)) Segundo Marcos Suzuki, "a linguagem é, já em sua origem,
   'esquematizante', quer dizer, metafórica. A lição de Rousseau e de Herder,
   de que o primeiro sentido é sempre o do tropo, não ficou esquecida. Mas, se,
   de um lado, a
     língua é uma criação individual, por outro lado, pode-se afirmar que ela
     também é uma produção anônima, inconsciente (visão compartilhada por
     Novalis, Schlegel e Schelling), cuja lógica intrínseca determina
   previamente
     se e como um novo sentido pode ser introduzido e aceito", ou seja, a
     linguagem responde a forças lógicas e ilógicas, conscientes e
   inconscientes
     e é dentro dela que o discurso filosófico se constitui, ou seja, não
   podemos
     confundir as coisas da lógica com a lógica das coisas. ;-))

   Dídimo:  Essa é uma grande confusão, um jogo de palavras apenas e
   corroborado por
   especialístas em jogos de palavra.

   Renato: Derrapou total... A língua é arbitrária, porém criou uma lógica que
   se propõe não arbitrária (e que, na maioria da vezes, realmente não é
   arbitrária). Há uma contradição nisso, só não vê quem não quer...


   Renato: Na teoria do caos, por exemplo, a sensibilidade às condições
   iniciais, não
     marca nenhum "limite" ou "cul de sac" da ciência; pelo contrário, tem
   aberto
     novas possibilidades de pesquisa. O caos não significa o fim do
     determinismo,  pois ele é representado em equações perfeitamente
     determinísticas. O caos não significa nem  um descrédito à mecânica
     newtoniana, mas sim, de uma certa forma, seu renascimento.


   Dídimo:  Isso seria uma prova de que lógica é impresscindível??

   Renato: Não! Isso prova que ela tem contradições assim como todas as outras
   criações humanas, prova que há problemas que estão além da lógica, prova que
   limitar todos os discursos filosóficos à lógica pode reduzir a filosofia pra
   diabo, prova que há uma aporia do "além da lógica", prova um caminhão de
   coisas.


   []s
   Renato




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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#24998 De: "Tabajara" <guiminha@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 12:51 am
Assunto: Re:[Acrópolis] Apresentação
guiminha@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá amigos gostaria de agradecer-lhes a hospitalidade e
adicionar que, ao menos a priori, tenho em conta a todos.

Adiciono: a não ser quando estritamente necessário (oque,
convenhamos, ocorre com certa frequência), não me dedico a
julgamentos, pois creio que majoritariamente geram
preconceitos. (Quem, afinal, julga com completo conhecimento
de causa?)

Quanto ao comentário de Marco Aurélio, Gemaba, creio que se
refira ao fato de no parágrafo abaixo teres iniciado em
terceira pessoa ("Seja") e finalizado em segunda ("ti")

> > > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > > interessar a ti.

Nossa lingua nos presenteia com o pronome de
tratamento "você", oculto em teu texto, que causa essa
confusão, por ser amplamente utilizado e possuir função de
segunda pessoa e conjugação de terceira, oque nos permite
escrever "[você] Seja bem vindo" em lugar de "[tu] Sejas bem
vindo". No entanto não convém iniciar numa forma e terminar
noutra.

Mas por favor, não nos prendamos ao português ou passarei
vergonha! (Embora algumas correções sejam sempre bem vindas.)

A ti, Marco Aurélio, pergunto: Porque dizes que minha forma
de escrever reflete minha juventude? Encontras implícita a
insegurança na pomposidade?

Abraços, Tabajara

> Olá Marco Aurélio !!!
>
> Caro Marco Aurélio, se puder me ajudar sendo mais claro em s
ua colocação em
> relação aos pronomes ficaria grato porque tenho dificuldades
  em algunhas
> coisas e boas dicas são sempre bem vindas.
>
> Aproveito e lembro que já coloquei uma nova gravação de meu
CD em
> www.gemaba.cjb.net e caso gostem do meu trabalho peço que vo
tem em mim no
> festival de música que está rolando em www.sellengine.com.br
/festival.
>
> Saudações e obrigado !!!
> gemaba
> www.gemaba.cjb.net
>
> ----- Original Message -----
> From: "Marco Aurelio" <clave@...>
> To: <acropolis@...>
> Sent: Saturday, November 01, 2003 9:49 PM
> Subject: Re: [Acrópolis] Apresentação
>
>
> > Geraldo M. Barcelos wrote:
> >
> > > Olá Tabajara !!!
> > >
> > > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > > interessar a ti.
> >
> > Oi Gemaba.
> >
> > Permita-
me interferir na sua simpática recepção do Tabajara. Quero que
> > ele saiba que Vc. é um grande esforçado e que segue valero
samente
> > lutando por superar experências desagradaveis. Digo ao Tab
ajara que o
> > tenha em conta, porque acompanho seu progresso e vejo que
avança muito
> > bem. Sua nova aquisição epistemológica é fascinante. Uma n
ota, espero
> > que não lhe incomode, ponha-
se de acordo com o uso dos pronomes. Eles
> > não se dão bem exercendo a mesma função.  Só Vc. com seu í
mpeto pode
> > fazer conviver tão bem a segunda com a terceira pessoa.
> > Um abração e siga em frente.
> >
> > Marco Aurelio
> >
> >
> > Só reenvie à lista o estritamente necessário para a compre
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#24999 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:09 am
Assunto: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi aprévia reformista do que será o FSB
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Você já leu "O que é filosofia" de Deleuze e Guatarri...Lá eles dizem que o
filósofo abomina a discussão, o debate, se você concorda com isso e não acha que
seja bobagem, o repeito que tinha por suas posições se acaba e o idiota é você,
ainda mais que eles. Eles são considerados por bobões coo você ídolos. Pra mim
são pura merda. Aliás o pós-modernismo e lixo pra mim não tem muita diferença.
Só não proclamo isso com mais energia por que respeito um filósofo
"nietzschiano" e "pós-moderno" chamado Michel Foucault.

Mas perceba que o péssimo polemista aqui não sou eu, não sou eu que tenho um
monte de mensagens construidas a base de copiar e colar, e o respeito pq faz
isso com muita competência, não queira que perca esse respeito. Faça julgamentos
baseado no que digo e não sobre quem digo.

Deleuze é porcaria pós-moderna. No meio da porcaria há coisas boas, creio que
sim e gosto de algumas. Gosto de A Lógica do Sentido, isso não quer dizer que
concordo com tudo que diz, apenas que acho algumas coisas pertinentes, mas não
ache que sou bom ou ruim por que concordo ou não com o que você gosta.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Renato Roschel Christie
   To: acropolis@...
   Sent: Friday, October 31, 2003 7:57 PM
   Subject: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi
aprévia reformista do que será o FSB


   Dídimo,

   Se Deleuze falava bobagens, você também não fica longe, pois abarrota a
   lista com comentários idiotas e vazios.
   Em sua ânsia de falar que outros falaram bobagens quem acaba sendo o grande
   bobão da lista é você.
   Aliás, bobo e péssimo polemista.

   Cordialmente,
   Renato Roschel





   Sempre imaginei que Deleuze havia falado bobagens, agora tenho certeza.

   Dídimo Matos
     ----- Original Message -----
     From: Renato Roschel Christie
     To: acropolis@...
     Sent: Friday, October 31, 2003 3:28 PM
     Subject: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi
   aprévia reformista do que será o FSB


     Olá,

     > Olá RR !!! Alguns furinhos No seu texto, adescurpa, não resisti.
     >
     > [RR}
     > A filosofia não é assim tão apegada à lógica, não.
     >
     > [gemaba]
     > Argumento contra os céticos. Se partimos do pressuposto que a linguagem
     > é um instrumento lógico, e é, a filosofia é apegada a lógica linguística
     > sim.

     Renato: Gemaba, há, na linguagem, problemas como o da polifonia, ou seja,
   a
     palavra "casa" pra mim tem um significado diferente da palavra "casa" pra
     você, pro Dídimo e etc. Essa diferença é subjetiva e, muita vez,
   irracional.
     Borges chegou ao ponto de dizer que ele vivia em um labirinto chamado
     biblioteca. Nós também estamos dentro desse labirinto da linguagem. A
     linguagem é um instrumento lógico (nunca neguei isso), porém, esse
     instrumento foi criado e funciona sobre as nossas subjetividades,
   instintos,
     irracionalidade e todas as outras coisas que são vistas como além a razão.
     No livro Paradoxos da Irracionalidade, o filósofo Donald Davidson afirma
   que
     tudo o que é mental é racional. Racional, no caso, quer dizer simplesmente
     que há expressões são portadoras de intenção, isto é, são capazes de serem
     justificadas; de serem compreendidas ou explicadas em função de causas que
     são motivos ou razões. O que não é racional nos organismos humanos
     individuais é físico e, por conseguinte, nem racional nem irracional, mas
     ''a-racional''. Uma vez que irracional é o que não pode ser justificado,
   ou
     é insuficientemente justificado, diante de princípios eleitos como norma
   da
     racionalidade, o valor de um ato acrático ou irracional é sempre meramente
     relativo à sua posição no quadro da racionalidade padrão. É dentro dessa
     fratura entre o "a-racional e/ou irracional" e o racional que surge, a meu
     ver, não só coisas como a linguagem religiosa,  mas todas as outras
     linguagens.
     Segundo Cassirer, mito, arte, linguagem e conhecimento filosófico são
     "formações simbólicas que determinam diferentes formas de compreensão do
     mundo", mas você deve concordar comigo que não é o irracional não faz
   parte
     apenas do mito e da arte, ele aparece em todas as criações humanas e a
     linguagem não foge à regra, pois apesar dela ser um instrumento lógico ela
     não redutível apenas à lógica.  Deleuze assim como Bergson, vê na história
     da filosofia o desenvolvimento de uma mesma idéia da filosofia,
   subordinada
     aos princípios da identidade ou da representação soberana, rompida apenas,
     segundo ele, em momentos excepcionais (materialismo antigo, estoicismo,
     Espinosa, Hume, Nietzsche...). Para ele, o que há de comum a toda tradição
     da filosofia é a cegueira para a irredutibilidade do sensível ao lógico ou
     ao conceitual.

     Abraço do
     Renato Roschel


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#25000 De: "Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:05 am
Assunto: Re: Re:[Acrópolis] Apresentação
gemaba@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Tabajara !!!

Agradeço as considerações !!! Sinta-se a vontade
pra adentrar-se e nos brindar esclarecimentos sempre
bem vindos a boa forma linguística, mas lembra-nos
que não nos devemos ater somente a forma escrita e nos esquecer que o
principal é o conteúdo e lutemos para tornar esse espaço mais rico em
conteúdo do que em formas perfeitas.

Como diz uma de nossas divas, avante guerreiros !!!

Saudações !!!
gemaba
www.gemaba.cjb.net

----- Original Message -----
From: "Tabajara" <guiminha@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Saturday, November 01, 2003 10:51 PM
Subject: Re:[Acrópolis] Apresentação


Olá amigos gostaria de agradecer-lhes a hospitalidade e
adicionar que, ao menos a priori, tenho em conta a todos.

Adiciono: a não ser quando estritamente necessário (oque,
convenhamos, ocorre com certa frequência), não me dedico a
julgamentos, pois creio que majoritariamente geram
preconceitos. (Quem, afinal, julga com completo conhecimento
de causa?)

Quanto ao comentário de Marco Aurélio, Gemaba, creio que se
refira ao fato de no parágrafo abaixo teres iniciado em
terceira pessoa ("Seja") e finalizado em segunda ("ti")

> > > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > > interessar a ti.

Nossa lingua nos presenteia com o pronome de
tratamento "você", oculto em teu texto, que causa essa
confusão, por ser amplamente utilizado e possuir função de
segunda pessoa e conjugação de terceira, oque nos permite
escrever "[você] Seja bem vindo" em lugar de "[tu] Sejas bem
vindo". No entanto não convém iniciar numa forma e terminar
noutra.

Mas por favor, não nos prendamos ao português ou passarei
vergonha! (Embora algumas correções sejam sempre bem vindas.)

A ti, Marco Aurélio, pergunto: Porque dizes que minha forma
de escrever reflete minha juventude? Encontras implícita a
insegurança na pomposidade?

Abraços, Tabajara

> Olá Marco Aurélio !!!
>
> Caro Marco Aurélio, se puder me ajudar sendo mais claro em s
ua colocação em
> relação aos pronomes ficaria grato porque tenho dificuldades
  em algunhas
> coisas e boas dicas são sempre bem vindas.
>
> Aproveito e lembro que já coloquei uma nova gravação de meu
CD em
> www.gemaba.cjb.net e caso gostem do meu trabalho peço que vo
tem em mim no
> festival de música que está rolando em www.sellengine.com.br
/festival.
>
> Saudações e obrigado !!!
> gemaba
> www.gemaba.cjb.net
>
> ----- Original Message -----
> From: "Marco Aurelio" <clave@...>
> To: <acropolis@...>
> Sent: Saturday, November 01, 2003 9:49 PM
> Subject: Re: [Acrópolis] Apresentação
>
>
> > Geraldo M. Barcelos wrote:
> >
> > > Olá Tabajara !!!
> > >
> > > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > > interessar a ti.
> >
> > Oi Gemaba.
> >
> > Permita-
me interferir na sua simpática recepção do Tabajara. Quero que
> > ele saiba que Vc. é um grande esforçado e que segue valero
samente
> > lutando por superar experências desagradaveis. Digo ao Tab
ajara que o
> > tenha em conta, porque acompanho seu progresso e vejo que
avança muito
> > bem. Sua nova aquisição epistemológica é fascinante. Uma n
ota, espero
> > que não lhe incomode, ponha-
se de acordo com o uso dos pronomes. Eles
> > não se dão bem exercendo a mesma função.  Só Vc. com seu í
mpeto pode
> > fazer conviver tão bem a segunda com a terceira pessoa.
> > Um abração e siga em frente.
> >
> > Marco Aurelio
> >
> >
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#25001 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:52 am
Assunto: Re: [Acrópolis] Re: [Acrópolis] O que é a lógica?
didimo_george
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A idéia de lógica por trás da pergunta está equivocada. Descubra por que. Sugiro
Aristóteles.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Saturday, November 01, 2003 3:41 PM
   Subject: [Acrópolis] Re: [Acrópolis] O que é a lógica?


   Oi Didimo

   Simplesmente voce supera o saya-jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O
que seria lógico hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será que
não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?

   Aristoteles iventou o silogismo:

   Didimo é um homem
   Homem é racional
   logo só o homem é racional

   Gostou? Eh eh eh!!!

   Abraços
   Amauri


   O que é a lógica?
   W. H. Newton-Smith
   Universidade de Oxford

   Diz-se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos; é uma
tentativa sistemática para distinguir os argumentos válidos dos inválidos. Neste
estádio, tal caracterização tem o defeito de explicar o obscuro em termos do
igualmente obscuro. O que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um
argumento? Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que um
argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao avançar um argumento,
damos a entender que a premissa ou premissas apoiam a conclusão. Esta relação de
apoio é habitualmente assinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim»,
«consequentemente», «portanto, como vês». Considere-se esse velho e aborrecido
exemplo de argumento:

   Sócrates é um homem.
   Todos os homens são mortais.
   Logo, Sócrates é mortal.
   As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens são mortais». «Logo»
é o sinal de um argumento e a conclusão é «Sócrates é mortal».

   A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se todas as pessoas
falassem da maneira como falariam se tivessem lido manuais de lógica a mais numa
idade facilmente impressionável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos
sem apresentar todas as nossas premissas.

   Icabod teve negativa.
   Logo, não pode passar de ano.

   Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma premissa suprimida;
nomeadamente, a de que nenhum estudante que tenha negativa passa de ano. Pode
ser tão óbvio, pelo contexto, qual a premissa que está a ser pressuposta, que
seja pura e simplesmente demasiado aborrecido formulá-la explicitamente.
Formular explicitamente premissas que fazem parte do pano de fundo de premissas
partilhadas é uma forma de pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que
qualquer argumento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que tenha
de se explicitar para que possa ser rigorosamente analisado. Em nome do rigor
completo, praticaremos neste estudo um certo grau de pedantismo.

   Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argumentos depois de
uma primeira caracterização da noção de validade. Com este fim em vista,
considere- se os seguintes pequenos argumentos simples:

   I

   O céu é azul e a relva verde.
   Logo, o céu é azul.

   Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
   Icabod é um estudante do Balliol College.
   Logo, Icabod é inteligente.

   II

   Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
   Logo, a relva é cor de laranja.

   Icabod é inteligente.
   Icabod estuda no Balliol College.
   Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.

   Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no grupo II. Podemos
imaginar contextos nos quais as premissas seriam verdadeiras e a conclusão
falsa. Os argumentos do grupo I têm conclusões verdadeiras sempre que têm
premissas verdadeiras. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a
seguinte propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira(s), a
conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm claramente esta
propriedade. Como poderia alguma vez acontecer que o céu fosse azul e a relva
verde, sem que o céu fosse azul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no
Balliol College e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligentes
sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carecem da propriedade da
validade. As circunstâncias efectivas do mundo fazem com que a premissa do
primeiro argumento do grupo II seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no
caso do segundo argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas quais
seja
   verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol College, mas nas quais
(infelizmente) existam outros estudantes não inteligentes cujos espíritos
obtusos tornem a conclusão falsa. A lógica é o estudo sistemático dos argumentos
válidos. Isto quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para
determinar quais os argumentos que são válidos.



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#25002 De: "Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 2:09 am
Assunto: Re: [ Acrópolis] Re: [Acrópolis] II Fórum SocialPotiguar (RN) foi aprévia reformista do que será o FSB
gemaba@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá RR !!! Como nos bons tempos buscando sintonia.(he! he! he!)
Vou de gemaba1, ok.

[RR]
A filosofia não é assim tão apegada à lógica, não.

[gemaba]
Argumento contra os céticos. Se partimos do pressuposto que a linguagem
é um instrumento lógico, e é, a filosofia é apegada a lógica linguística
sim.

[RR1]
Gemaba, há, na linguagem, problemas como o da polifonia, ou seja, a
palavra "casa" pra mim tem um significado diferente da palavra "casa" pra
você, pro Dídimo e etc. Essa diferença é subjetiva e, muitas vezes,
irracional.

[gemaba1]
Desculpe caro RR, não percebo dessa forma, e te digo porque. Imgine
você e um daltonico em uma sala e uma maça bem vermelha em cima de uma
mesa e você e o daltonico sentados olhando pra maça. Suponha que o daltonico
enxergue o vermelho como verde, nem sei se isso é possivel mas não
interessa.
Pelo que entendo, você supoe o que chamam de uma verdade internalista, que
seja, a verdade da maça se forma nos sujeitos, que seja, cada sujeito mapeia
em seus neuronios a forma da maça e a relaciona com as outras formas de
sua forma particular, certo? Mas podemos falar de uma visão externalista,
o que faz a maça ser internalizada é a maça e não a verdade que você
ou o daltonico fazem da maça. Em casos de formas concretas como uma
maça, a dispeito da cor, não acho que a diferença seja assim tão subtiva,
nem irracional, ela é bem racional e a maça muito objetiva no caso do
exemplo, porque sem isso não existe linguagem.

[RR1]
Borges chegou ao ponto de dizer que ele vivia em um labirinto chamado
biblioteca. Nós também estamos dentro desse labirinto da linguagem. A
linguagem é um instrumento lógico (nunca neguei isso), porém, esse
instrumento foi criado e funciona sobre as nossas subjetividades, instintos,
irracionalidade e todas as outras coisas que são vistas como além a razão.

[gemaba1]
Podemos ser mais técnicos, quiça? Talvez falar do que você aventou com
o dídimo em Acropolis, uma tal forma lógica e aí podemos cair em ética
com certeza. E esse é um ponto interessante e faz parte dos presságios
dessa dita seita do nada porque afinal parece que não existe uma forma
lógica de entender esse processo e podemos querer estabeler em que
bases essa lógica se processa porque ela tem que obedecer uma ordem
lógica porque a libguagem é um protocolo de comunicação e todo e
qualquer protocolo comunicativo requer sincronização. Mas concordo
consigo em relação a linguagem ser um instrumento com diversos elementos
necessários, matéria, espaço, movimento, ser, perceber, sentir, gravar
memórias de interações, comparar vivencias com memórias passadas
e tomar decisões dabeadas nessa técnica de produzir, cham, cham, cham,
razão caro. Pra mim essa é a natureza primeira da razão em termos
evolutivos e aí pra mim ja existe um viés linguistico, já existe um ser
se comunicando com o ambiente em que está iserido, no caso
espaço e matéria em movimento, sendo esse ser uma matéria nesse
espaço que percebe-se enquanto ser nesse espaço e começa
a tomar decisões racionais baseadas em suas interações e
sua capacidade de reter memórias. Se pensarmos em evolução
isso foi se tornando mais complexo, essas capacidades se
estabeleceram e o homem então concebeu o conceito do
conceito e criou a palavra e associou a fala a palavra. Eu diria
que essas seriam revelações da seita do nada, que achas?

[RR1]
No livro Paradoxos da Irracionalidade, o filósofo Donald Davidson afirma que
tudo o que é mental é racional. Racional, no caso, quer dizer simplesmente
que há expressões são portadoras de intenção, isto é, são capazes de serem
justificadas; de serem compreendidas ou explicadas em função de causas que
são motivos ou razões. O que não é racional nos organismos humanos
individuais é físico e, por conseguinte, nem racional nem irracional, mas
''a-racional''. Uma vez que irracional é o que não pode ser justificado, ou
é insuficientemente justificado, diante de princípios eleitos como norma da
racionalidade, o valor de um ato acrático ou irracional é sempre meramente
relativo à sua posição no quadro da racionalidade padrão. É dentro dessa
fratura entre o "a-racional e/ou irracional" e o racional que surge, a meu
ver, não só coisas como a linguagem religiosa,  mas todas as outras
linguagens.

[gemaba1]
Aqui perdemos sintonia e o termo irracional pra mim pouco expressa
e serve apenas pra confundir, o que é irracional? Pondere !!! Dê
exemplos?

[RR1]
Segundo Cassirer, mito, arte, linguagem e conhecimento filosófico são
"formações simbólicas que determinam diferentes formas de compreensão do
mundo", mas você deve concordar comigo que não é o irracional não faz parte
apenas do mito e da arte, ele aparece em todas as criações humanas e a
linguagem não foge à regra, pois apesar dela ser um instrumento lógico ela
não é redutível apenas à lógica.

[gemaba1]
Mas você quer aprisionar a lógica na linguagem porque? A lógica não
é escrava da linguagem, quando uma formiga vai a uma árvore e corta
suas folhas e leva pra casa ela o faz seguindo um instinto, não gosto
dessa palavra, ela segue uma programação lógica, ela o faz através
de conceitos bem estabelecidos em seu ser e apesar de não falar, de
não pronunciar sentenças, vive de forma harmônica e pratica muita
lógica e é um ser expresso em termos lógicos, aí caimos no que
já falamos de lógica harmonica com o Alberto Mesquita.

[RR1]
Deleuze assim como Bergson, vê na história
da filosofia o desenvolvimento de uma mesma idéia da filosofia, subordinada
aos princípios da identidade ou da representação soberana, rompida apenas,
segundo ele, em momentos excepcionais (materialismo antigo, estoicismo,
Espinosa, Hume, Nietzsche...). Para ele, o que há de comum a toda tradição
da filosofia é a cegueira para a irredutibilidade do sensível ao lógico ou
ao conceitual.

[gemaba]
Mas essa identidade parece ser o maior de todos os véos e é dificil escapar
a ela, espero que a seita do nada nos mostre algum caminho para nos
disvencilharmos desse princípio que não atende mais as nuances das
partículas ditas subatomicas, e ficou aquela ideia um tanto tosca
de tudo ser nada e tudo e a matéria se tranformar em espaço e
vice-versa. Mas essa é uma outra estória.

Abraço do
Renato Roschel

#25003 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 2:59 am
Assunto: Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
amaurijunior2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Tabajara

Pq vcs são tao tecnicos?

Abraços
Amauri

Tabajara <guiminha@...> wrote:
Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
pierciana, sem grande entendimento?

Abraços, Tabajara

> Oi Didimo
>
> Simplesmente voce supera o saya-
jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
>
> Aristoteles iventou o silogismo:
>
> Didimo é um homem
> Homem é racional
> logo só o homem é racional
>
> Gostou? Eh eh eh!!!
>
> Abraços
> Amauri
>
>
> O que é a lógica?
> W. H. Newton-Smith
> Universidade de Oxford
>
> Diz-
se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
entemente», «portanto, como vês». Considere-
se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
>
> Sócrates é um homem.
> Todos os homens são mortais.
> Logo, Sócrates é mortal.
> As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
Sócrates é mortal».
>
> A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
sentar todas as nossas premissas.
>
> Icabod teve negativa.
> Logo, não pode passar de ano.
>
> Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
implesmente demasiado aborrecido formulá-
la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
erto grau de pedantismo.
>
> Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
de. Com este fim em vista, considere-
se os seguintes pequenos argumentos simples:
>
> I
>
> O céu é azul e a relva verde.
> Logo, o céu é azul.
>
> Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
> Icabod é um estudante do Balliol College.
> Logo, Icabod é inteligente.
>
> II
>
> Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
> Logo, a relva é cor de laranja.
>
> Icabod é inteligente.
> Icabod estuda no Balliol College.
> Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
s.
>
> Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
(s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
quais seja
>  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
rminar quais os argumentos que são válidos.
>
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#25004 De: "CYBERLANDER" <douglas.cardoso@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 5:58 am
Assunto: Polícia do Rio de Janeiro
cyberlander2002
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
O Rio tem a polícia que merece


Ao procurar os serviços da polícia civil no Rio de Janeiro, é bom lembrar
que terá 94,2% de chances lidar com funcionário público que espera levar
tiro no trabalho e 58,4% de encontrar um profissional que não tira férias
“há três anos ou mais”. É provável que ele esteja “nervoso, tenso ou
  agitado”, porque isso acontece com 48,2% da categoria. Talvez esteja
preocupado com o excesso de peso, como 43,5% de quem trabalha nas
delegacias. Ganhar de 1000 a 1500 reais por mês, que é a faixa onde ficam
57,5% dos salários e gratificações.

É gente com problemas de visão (51,9%), dores no pescoço, nas costas ou na
coluna (41,5%), dores de cabeça freqüentes (23,9%) e hipertensão arterial
(15,7%). Tem entre 36 e 45 anos (52,2%). E curso superior completo (53,2%).
Dorme mal (37,4%), é incapaz de desempenhar um papel útil na vida (33,3%) e
sente-se triste ultimamente (31,5%). Talvez, como diz um deles, porque “que
ninguém vai à delegacia pra dizer que ama o vizinho, que está tudo em paz.
Todo mundo vai lá para reclamar, reclamar”. Além disso, 96,9% acham a
população não dá valor ao que eles fazem. Mas, se pudessem começar de novo,
escolheriam a mesma carreira “com melhores condições” (45%).

Esses dados e muitos outros – ou seja, tudo o que você sempre quis saber
sobre a polícia, mas tinha medo de perguntar ao delegado – estão no livro
“Missão Investigar”, uma pesquisa sobre as condições de trabalho, de saúde e
a qualidade de vida da polícia civil do Rio de Janeiro. Feita por doze
pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, coordenados por Maria Cecília de
Souza Minayo e Edinilsa Ramos de Sousa, ela fez o que raramente se faz com
os policiais: interrogou-os.

Foram quase 1500 entrevistas, inspiradas numa pesquisa americana que
condecorou os policiais uma propensão acima da média a desenvolver tumores
malignos, cirroses e problemas cardíacos, sem falar na tendência da classe
ao suicídio. Entrar nesse mundo não foi fácil. “A equipe de campo teve que
exercitar extrema paciência e mostrar perseverança para conseguir as
informações”, diz o capítulo sobre a metodologia. E explica as dificuldades
num parágrafo que, sozinho, já é uma avaliação do ambiente nas repartições
policiais:

“Ouviu desabafos e xingamentos, foi obrigada a voltar dezenas de vezes às
unidades para buscar questionários que não eram entregues, localizar o
policial que nunca se encontrava na unidade, esperar o dia inteiro na
delegacia pelo funcionário que havia prometido estar ali e não comparecia,
escutar perguntas maliciosas como, por exemplo, sobre quanto as jovens do
grupo estavam ganhando para fazer esta pesquisa e por que não se engajavam
em atividades mais lucrativas”.

Nem por isso o livro desanca os entrevistados. “Temos que ressaltar nossa
avaliação positiva dos policiais civis”, escreve Maria Cecília Minayo, uma
das organizadoras. “Apesar de todas as dificuldades”, segundo ela, eles
apresentam uma clara e inconfundível adesão à missão que a sociedade lhes
confiou. Há tabelas em que os índices de satisfação beiram o inverossímil.
Quase 63% dos funcionários de delegacias consideram seu ambiente de trabalho
“calmo e agradável”, 78,1% dizem que ali “as pessoas se relacionam bem umas
com as outras” e 79,4% acreditam que “podem contar com o apoio dos colegas”.

Para Minayo, pela “dedicação incondicional ao trabalho” o policial até
“ultrapassa os horários prescritos, invade o âmbito da vida privada e
prejudica sua saúde”. A maioria faz cursos e treinamento nos horários de
folga, “às próprias custas”. Mas ele não deixa de ser o “ponto nevrálgico”
da segurança pública. Está debaixo de “elevadíssimos níveis de sofrimento
mental, estresse e várias formas de compensação prejudiciais à sua saúde”.
Trabalha com a metade do efetivo recomendável. E ganha mal. Ou seja, não
funciona.


mscorrea@...




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#25005 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:13 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Por que gostamos de Filosofia.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Sunday, November 02, 2003 12:59 AM
   Subject: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


   Oi Tabajara

   Pq vcs são tao tecnicos?

   Abraços
   Amauri

   Tabajara <guiminha@...> wrote:
   Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
   com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
   pierciana, sem grande entendimento?

   Abraços, Tabajara

   > Oi Didimo
   >
   > Simplesmente voce supera o saya-
   jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
   hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
   ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
   >
   > Aristoteles iventou o silogismo:
   >
   > Didimo é um homem
   > Homem é racional
   > logo só o homem é racional
   >
   > Gostou? Eh eh eh!!!
   >
   > Abraços
   > Amauri
   >
   >
   > O que é a lógica?
   > W. H. Newton-Smith
   > Universidade de Oxford
   >
   > Diz-
   se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
   é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
   idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
   feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
   que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
   Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
   um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
   nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
   s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
   sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
   entemente», «portanto, como vês». Considere-
   se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
   >
   > Sócrates é um homem.
   > Todos os homens são mortais.
   > Logo, Sócrates é mortal.
   > As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
   o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
   Sócrates é mortal».
   >
   > A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
   todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
   lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
   nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
   sentar todas as nossas premissas.
   >
   > Icabod teve negativa.
   > Logo, não pode passar de ano.
   >
   > Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
   missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
   enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
   qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
   implesmente demasiado aborrecido formulá-
   la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
   parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
   e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
   mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
   tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
   ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
   erto grau de pedantismo.
   >
   > Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
   entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
   de. Com este fim em vista, considere-
   se os seguintes pequenos argumentos simples:
   >
   > I
   >
   > O céu é azul e a relva verde.
   > Logo, o céu é azul.
   >
   > Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
   > Icabod é um estudante do Balliol College.
   > Logo, Icabod é inteligente.
   >
   > II
   >
   > Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
   > Logo, a relva é cor de laranja.
   >
   > Icabod é inteligente.
   > Icabod estuda no Balliol College.
   > Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
   s.
   >
   > Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
   grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
   riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
   têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
   as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
   propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
   (s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
   claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
   r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
   ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
   e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
   es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
   m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
   undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
   I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
   do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
   quais seja
   >  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
   e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
   inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
   A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
   quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
   rminar quais os argumentos que são válidos.
   >
   >
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#25006 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:19 pm
Assunto: Re: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Tabajara,

Seja bem vindo.

Repassei essa mensagem ao grupo, ela é de um filósofo português que acho que
será um dos grandes nomes da filosofia do mundo em futuro próximo, é uma resenha
de um livro recém editado pelo Kings College de London, confesso que apesar de
achar  texto fantástico o estudo das emoções não é a minha praia, tenho três
campos de interesse que são a lógica, a epistemologia e a metafísica de um ponto
de partida analítico, mas me comprometo em repassar a sua mensagem a ele e de
retornar aquilo que ele me der como resposta.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Tabajara
   To: acropolis@...
   Sent: Saturday, November 01, 2003 10:20 PM
   Subject: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção


   Prezado, em geral concordo com o exposto. Principalmente no
   que tange a questão da importância das emoções em nosso
   processo de tomada de decisões rápidas, o que nos permitiu
   sobreviver enquanto espécie.

   Apenas não compreendo tuas restrições à idéia de que uma
   (utópica) mente puramente raional embora absurdamente lenta
   chegaria a conclusões mais puras do que aquela obscurecida
   por emoções, que numa discussão, por exemplo, buscaria muitas
   vezes a vitória em lugar da verdade e que poderia ofender-se,
   enojar-se, ou dislumbrar-se com um argumento ou outro,
   independentemente de sua qualidade lógica.

   Será que uma mente lógica chegaria a uma conlusão um dia ou
   perder-se-ia contrapondo idéias? Defendes que nossas
   conclusões são possíveis graças a atuações emocionais que
   muitas vezes impõem freios ao processo dialético em nossas
   mentes?

   Aguardo parecer.

   Permitam-me, agora, um gancho:

   Gostaria de indaga-los sobre vossa visão sobre a origem das
   emoções na mente humana, que atualmente creio estar nas
   pulsões instintuais do ser após processadas por nossa
   complexa mente.

   Apresento-lhes como exemplos simplórios o egoísmo, que na
   minha opinião provém do instinto de auto-preservação do
   indivíduo, ou o amor, que proveria de nosso instinto de viver
   em sociedade. Digo isso, porque depois de breve passagem
   pelas biológicas, cada vez mais me parece um mecanismo
   robótico a nossa fisiologia.

   Fazendo de um gancho, dois...

   Quando falamos em busca de verdade, creio que a primeira
   questão a ser decidida seja o método a utilizar.

   O conhecimento filosófico se alicerça na faculdade humana que
   chamamos razão. Há, no entanto, outras visões, como os
   exoterismos e religiões, que primam por outros métodos, como
   trasmissão de conhecimento através de livros sagrados, por
   exemplo.

   Em geral os fiéis de "conhecimento não racional" são
   menosprezados pelos acadêmicos e pela sociedade em geral
   quando trata-se de tecer argumentos. Não mais, por exemplo,
   condena-se uma prostituta por assim estar prescrito no
   alcorão.

   Nada obstante eu me afilie à razão, quero propor-lhe uma
   questão: Até que ponto não seria a razão também uma crença?

   Acho que a razão é mais do que uma faculdade, pois sob ela as
   coisas nos fazem sentido, e por ela nos guiamos. Mas quando
   me pergunto o porquê da razão, não encontro resposta. Creio
   que talvez porque o porquê é função da razão e não faça
   sentido justificar a escolha de um método já o utilizando,
   haja visto que isso não dissiparia o caráter arbitrário da
   escolha, oque nos despi totalmente de uma forma de alicerçar
   a opção senão na própria arbitrariedade.

   Se não se pode ver a razão (enquanto forma de buscar
   conhecimento), a não ser como uma crença arbitrária, nunca
   será superior à crença na bíblia, exceto por seu poder de
   convencer argumentando (e não pela emoção cega) e pelo que é
   capaz de produzir enquanto utilitário.

   Abraços, Tabajara

   >
   > ----- Original Message -----
   > From: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
   > To: <acropolis@...>
   > Sent: Thursday, October 30, 2003 6:07 PM
   > Subject: [Acrópolis] razão e emoção
   >
   >
   > A Razão Tem Emoções Que o Coração Desconhece
   > Sábado, 25 de Outubro de 2003
   >
   > %Desidério Murcho
   >
   > Uma das partes menos saudáveis da infeliz herança romântica
   e
   > irracionalista, tantas vezes acriticamente admitida sem disc
   ussão, é a da
   > suposta oposição entre a razão e a emoção. Dylan Evans faz b
   em em recordar
   > Mr. Spock, dos filmes "Star Trek", como uma das incarnações
   deste mito
   > romântico às avessas. O mesmo se poderia dizer de Sherlock H
   olmes - e do
   > ideal do cientista cultivado na época vitoriana: frio, metód
   ico, cerebral,
   > destituído de emoções. Este ideal de ciência é tonto e o seu
   reverso é o não
   > menos tonto relativismo cognitivo, que declara estar a magia
   negra ao nível
   > da física quântica, em termos cognitivos e epistemológicos.
   Como Evans
   > declara, sem emoções os seres humanos não existiriam; não é
   biologicamente
   > possível uma espécie biológica destituída de emoções. Afinal
   , a emoção é
   > mais racional do que se diz.
   >
   > Isto não devia ser surpreendente. Ouvi recentemente o seguin
   te comentário
   > como paradigma do que escapa à racionalidade: um rapaz decid
   e casar com uma
   > rapariga, e isso escapa à razão; é do foro da emoção. Mas ai
   nda antes de nos
   > metermos pela ciência das emoções adentro esta ideia revela
   falta de análise
   > filosófica. Pois sem dúvida que o que seria irracional seria
   o rapaz estar
   > apaixonado pela rapariga e não casar com ela, decidindo em v
   ez disso ir para
   > a Tailândia vender farinha para pombos. E seria também irrac
   ional estar
   > apaixonado por alguém que o despreza, que o tortura, que o f
   az continuamente
   > sofrer. A confusão é precisamente esta: nós sabemos que muit
   as vezes as
   > emoções roçam a loucura. Mas, precisamente, isso é uma patol
   ogia das
   > emoções, não é a sua natureza própria. A compreensão das emo
   ções éticas que
   > Aristóteles e Hume tinham perdeu-se; e com isso perdeu-
   se uma compreensão
   > mais profunda do ser humano.
   >
   > E é essa compreensão que nos traz Dylan Evans, num livrinho
   pequeno,
   > dirigido ao grande público, e que apresenta alguns dos resul
   tados do estudo
   > das emoções. Este é um dos dois livros vindos a lume, em lín
   gua inglesa, em
   > resultado directo de um projecto de investigação sobre a evo
   lução das
   > emoções que decorre no departamento de Filosofia de King's C
   ollege London.
   > Urge, pois, publicar o outro volume, de Peter Goldie: "The E
   motions: A
   > Philosophical Exploration" (Oxford).
   >
   > O livro tem cinco capítulos. No primeiro, aborda-
   se o problema de saber se
   > nas emoções há universais humanos, ou se serão todas as emoç
   ões
   > contingências que variam de cultura para cultura. A teoria d
   o relativismo
   > cultural das emoções, tipicamente colonialista, esteve em vi
   gor até Ekman
   > ter demonstrado o contrário -
   não sem enorme resistência dos antropólogos da
   > altura, mais interessados em manter os seus preconceitos cul
   turais do que em
   > investigar a verdade. Segundo a teoria do relativismo cultur
   al das emoções,
   > estas não são parte própria da natureza humana universal, ma
   s antes
   > idiossincrasias que abrem fossos de incompreensão entre cult
   uras. Um índio
   > não sofre nem ama nem se espanta como um francês; cada qual
   está no seu
   > casulo e as suas emoções são apenas o produto do seu meio cu
   ltural. Acontece
   > que esta teoria é empiricamente falsa. As chamadas emoções b
   ásicas são
   > inatas e universais.
   >
   > Se as emoções básicas são universais e inatas, que papel evo
   lutivo
   > desempenham? É este o problema do segundo capítulo. Serão, c
   omo os
   > vitorianos pensavam, e como pensam os românticos, um mero ac
   essório em
   > oposição frontal à razão? E nesse caso como se explica a sua
   existência? A
   > resposta é que as emoções são a mais racional das estratégia
   s da natureza.
   > Deliberar, pensar, reflectir, consome tempo. Se tivermos um
   dispositivo,
   > afinado por milhares de anos de evolução, que nos permita re
   agir rapidamente
   > por medo, por exemplo, teremos mais hipóteses de sobrevivênc
   ia do que se
   > tivermos de pensar tranquilamente em tudo. O pensamento é um
   a das
   > mercadorias mais caras do ponto de vista da evolução; as emo
   ções são atalhos
   > do processo de decisão.
   >
   > Evidentemente, todos os atalhos podem, em certas circunstânc
   ias, revelar-se
   > contraproducentes. No capítulo 3, Evans avalia criticamente
   as tecnologias
   > da felicidade e da emoção. A mais antiga dessas tecnologias
   é a linguagem,
   > que nos permite partilhar emoções, exprimir anseios, dar e r
   eceber conforto.
   > Freud elevou esta tecnologia ao estatuto de religião revelad
   a, com pós de
   > alquimia, baseando-
   se na chamada "teoria hidráulica" das emoções. Segundo
   > esta teoria, as emoções são como fluidos que provocam tensão
   , como num cano
   > prestes a rebentar com a pressão. Falar sobre os motivos des
   sa tensão é como
   > abrir uma válvula de segurança. No seu todo, a ideia não é n
   ova - é mero
   > senso comum, e é comum desde há milhares de anos. Mas Freud
   transformou-a
   > numa amálgama de ideias emaranhadas. A perspectiva crítica d
   e Evans merece
   > reflexão por quem se recusa a pensar que a psicanálise possa
   estar errada
   > nos seus fundamentos.
   >
   > Um dos aspectos curiosos discutidos por Evans, a respeito da
   tecnologia das
   > emoções, é a nossa tentativa de encontrar atalhos para a fel
   icidade -
   > drogas, consumismo, esquecimento de si, passatempos, jogos d
   e computador,
   > etc. Curiosamente, como Evans faz notar, a felicidade não se
   obtém com este
   > tipo de coisas. Os seres humanos sentem-
   se felizes com valores mais
   > sólidos -
   amizade, verdade, justiça. E quando lhes sai a lotaria ficam
   > eufóricos durante um curto período, mas depois voltam ao que
   eram: se eram
   > pessoas deprimidas, voltam a ficar deprimidas, se eram feliz
   es, voltam à
   > felicidade anterior.
   >
   > Nos últimos dois capítulos, Evans aborda as relações entre a
   emoção e a
   > racionalidade. Um dos dados empíricos interessantes, mas lon
   ge de ser
   > surpreendente, é que quando as pessoas estão bem-
   dispostas e cheias de
   > pressa têm tendência para se enganar, admitindo como bons ar
   gumentos que na
   > realidade são péssimos -
   e este é o segredo dos publicistas, claro: se
   > conseguirem fazer as pessoas sentir-
   se bem, é maior a probabilidade de
   > aceitarem péssimos argumentos para comprar um determinado pr
   oduto.
   >
   > A conclusão de Evans é pouco surpreendente para quem partilh
   a a visão
   > iluminista e aristotélica da harmonia entre as emoções e a r
   azão; mas é uma
   > revolução para quem labora no mito romântico da oposição cer
   rada entre o
   > racional e o emocional. Nada é mais racional do que uma emoç
   ão apropriada, e
   > nada mais irracional do que a falta dela: alguém que não fiq
   ue horrorizado
   > com o sofrimento alheio é adequadamente descrito como desuma
   no. E a razão é
   > também a faculdade mais emocional dos seres humanos: mal con
   duzida por
   > emoções erradas, é possível produzir as piores ideias e argu
   mentos -
   > racismo, fascismo, colonialismo, missionarismo -
   sem ver que são péssimas,
   > só porque massajam as nossas emoções mais tontas. O ser huma
   no equilibrado e
   > feliz cultiva as emoções apropriadas, que respondem à razão,
   e trabalha para
   > impedir que as piores emoções lhe toldem a razão. Este é, po
   is, um pequeno
   > livrinho que vale a pena ler e reler, se tivermos a coragem
   de rever os
   > preconceitos da época em que nos foi dado viver, e que tanta
   s vezes nos
   > toldam a razão e o coração.
   >
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#25007 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:33 pm
Assunto: Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
amaurijunior2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Didimo

O ser humano é notavel, ele quer se valer o que ele não sabe. voces usam termos
que numa palavra simples poderia ser explicado, não sei o que ocorre que o
brasileiro aprende algo novo e vai correndo colocar num papel. Muitos escritores
brasileiros perdem nas suas idéias palavras complicadas e sem valor naquele
texto ou conto. Acho desnecessario tais termo serio mesmo....

Agora no termo lógica, acho que nada é totalmente lógico, pois a mente humana na
sua concepção, remonta a realidade com seus conceitos. Uma bola pode rolar no
campo, mas cada pessoa vai reparar como essa bola pode ou não rolar no campo,
depende da visão do expectador. Voce pode ver uma mulher na rua e achar bonita,
o outro pode achar uma "feiura" total, o logico é inlogico, nada tem a mesma
visao.

apenas palavras simples...

Abraços
Amauri

Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
Por que gostamos de Filosofia.

Dídimo Matos
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Sunday, November 02, 2003 12:59 AM
   Subject: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


   Oi Tabajara

   Pq vcs são tao tecnicos?

   Abraços
   Amauri

   Tabajara <guiminha@...> wrote:
   Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
   com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
   pierciana, sem grande entendimento?

   Abraços, Tabajara

   > Oi Didimo
   >
   > Simplesmente voce supera o saya-
   jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
   hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
   ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
   >
   > Aristoteles iventou o silogismo:
   >
   > Didimo é um homem
   > Homem é racional
   > logo só o homem é racional
   >
   > Gostou? Eh eh eh!!!
   >
   > Abraços
   > Amauri
   >
   >
   > O que é a lógica?
   > W. H. Newton-Smith
   > Universidade de Oxford
   >
   > Diz-
   se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
   é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
   idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
   feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
   que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
   Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
   um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
   nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
   s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
   sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
   entemente», «portanto, como vês». Considere-
   se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
   >
   > Sócrates é um homem.
   > Todos os homens são mortais.
   > Logo, Sócrates é mortal.
   > As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
   o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
   Sócrates é mortal».
   >
   > A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
   todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
   lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
   nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
   sentar todas as nossas premissas.
   >
   > Icabod teve negativa.
   > Logo, não pode passar de ano.
   >
   > Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
   missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
   enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
   qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
   implesmente demasiado aborrecido formulá-
   la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
   parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
   e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
   mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
   tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
   ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
   erto grau de pedantismo.
   >
   > Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
   entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
   de. Com este fim em vista, considere-
   se os seguintes pequenos argumentos simples:
   >
   > I
   >
   > O céu é azul e a relva verde.
   > Logo, o céu é azul.
   >
   > Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
   > Icabod é um estudante do Balliol College.
   > Logo, Icabod é inteligente.
   >
   > II
   >
   > Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
   > Logo, a relva é cor de laranja.
   >
   > Icabod é inteligente.
   > Icabod estuda no Balliol College.
   > Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
   s.
   >
   > Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
   grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
   riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
   têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
   as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
   propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
   (s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
   claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
   r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
   ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
   e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
   es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
   m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
   undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
   I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
   do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
   quais seja
   >  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
   e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
   inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
   A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
   quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
   rminar quais os argumentos que são válidos.
   >
   >
   >
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#25008 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 1:38 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
amaurijunior2
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oi Gamamba

Esse é o cara meu, vai e arrebenta....

Abraços
Amauri

"Geraldo M. Barcelos" <gemaba@...> wrote:
Olá Marco Aurélio !!!

Caro Marco Aurélio, se puder me ajudar sendo mais claro em sua colocação em
relação aos pronomes ficaria grato porque tenho dificuldades em algunhas
coisas e boas dicas são sempre bem vindas.

Aproveito e lembro que já coloquei uma nova gravação de meu CD em
www.gemaba.cjb.net e caso gostem do meu trabalho peço que votem em mim no
festival de música que está rolando em www.sellengine.com.br/festival.

Saudações e obrigado !!!
gemaba
www.gemaba.cjb.net

----- Original Message -----
From: "Marco Aurelio" <clave@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Saturday, November 01, 2003 9:49 PM
Subject: Re: [Acrópolis] Apresentação


> Geraldo M. Barcelos wrote:
>
> > Olá Tabajara !!!
> >
> > Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
> > o que quizeres ou adentrar em discussões que
> > interessar a ti.
>
> Oi Gemaba.
>
> Permita-me interferir na sua simpática recepção do Tabajara. Quero que
> ele saiba que Vc. é um grande esforçado e que segue valerosamente
> lutando por superar experências desagradaveis. Digo ao Tabajara que o
> tenha em conta, porque acompanho seu progresso e vejo que avança muito
> bem. Sua nova aquisição epistemológica é fascinante. Uma nota, espero
> que não lhe incomode, ponha-se de acordo com o uso dos pronomes. Eles
> não se dão bem exercendo a mesma função.  Só Vc. com seu ímpeto pode
> fazer conviver tão bem a segunda com a terceira pessoa.
> Um abração e siga em frente.
>
> Marco Aurelio
>
>
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#25009 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 2:14 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
didimo_george
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Não é disso que se trata Amauri, a lógica não é uma luneta, não quero ver o
mundo através da lógica, a lógica é o chamaríamos uma disciplina de segunda
ordem, veja que evito a palavra ciência pra me referir a lógica - evito essa
palavra por que vejo a lógica como instrumental filosófico e penso a lógica a
partir da filosofia - ser de segunda ordem queer dizer que a lógica não analisa
o mundo e sim a "linguagem" que usamos pra descrevê-lo.

Não é o objetivo da lógica descobrir a verdade, mas nos auxiliar a não cometer
erros na sua busca, a lógica é formal, tem preocupações com a forma do
raciocínio e não com o seu conteúdo.

Dídimo Matos

PS. Não há tecnicismo nisso, apenas a tentativa de ser rigoroso, isso não nos
impede de dizer bobagens, temos limites e a lógica também, mas ela é um
excelente ponto de partida pra falarmos menos bobagens a cada dia.
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Sunday, November 02, 2003 11:33 AM
   Subject: [Acrópolis]
Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


   Oi Didimo

   O ser humano é notavel, ele quer se valer o que ele não sabe. voces usam
termos que numa palavra simples poderia ser explicado, não sei o que ocorre que
o brasileiro aprende algo novo e vai correndo colocar num papel. Muitos
escritores brasileiros perdem nas suas idéias palavras complicadas e sem valor
naquele texto ou conto. Acho desnecessario tais termo serio mesmo....

   Agora no termo lógica, acho que nada é totalmente lógico, pois a mente humana
na sua concepção, remonta a realidade com seus conceitos. Uma bola pode rolar no
campo, mas cada pessoa vai reparar como essa bola pode ou não rolar no campo,
depende da visão do expectador. Voce pode ver uma mulher na rua e achar bonita,
o outro pode achar uma "feiura" total, o logico é inlogico, nada tem a mesma
visao.

   apenas palavras simples...

   Abraços
   Amauri

   Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
   Por que gostamos de Filosofia.

   Dídimo Matos
     ----- Original Message -----
     From: Amauri Nolasco Sanches Jr
     To: acropolis@...
     Sent: Sunday, November 02, 2003 12:59 AM
     Subject: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


     Oi Tabajara

     Pq vcs são tao tecnicos?

     Abraços
     Amauri

     Tabajara <guiminha@...> wrote:
     Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
     com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
     pierciana, sem grande entendimento?

     Abraços, Tabajara

     > Oi Didimo
     >
     > Simplesmente voce supera o saya-
     jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
     hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
     ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
     >
     > Aristoteles iventou o silogismo:
     >
     > Didimo é um homem
     > Homem é racional
     > logo só o homem é racional
     >
     > Gostou? Eh eh eh!!!
     >
     > Abraços
     > Amauri
     >
     >
     > O que é a lógica?
     > W. H. Newton-Smith
     > Universidade de Oxford
     >
     > Diz-
     se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
     é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
     idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
     feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
     que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
     Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
     um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
     nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
     s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
     sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
     entemente», «portanto, como vês». Considere-
     se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
     >
     > Sócrates é um homem.
     > Todos os homens são mortais.
     > Logo, Sócrates é mortal.
     > As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
     o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
     Sócrates é mortal».
     >
     > A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
     todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
     lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
     nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
     sentar todas as nossas premissas.
     >
     > Icabod teve negativa.
     > Logo, não pode passar de ano.
     >
     > Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
     missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
     enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
     qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
     implesmente demasiado aborrecido formulá-
     la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
     parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
     e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
     mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
     tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
     ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
     erto grau de pedantismo.
     >
     > Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
     entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
     de. Com este fim em vista, considere-
     se os seguintes pequenos argumentos simples:
     >
     > I
     >
     > O céu é azul e a relva verde.
     > Logo, o céu é azul.
     >
     > Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
     > Icabod é um estudante do Balliol College.
     > Logo, Icabod é inteligente.
     >
     > II
     >
     > Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
     > Logo, a relva é cor de laranja.
     >
     > Icabod é inteligente.
     > Icabod estuda no Balliol College.
     > Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
     s.
     >
     > Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
     grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
     riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
     têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
     as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
     propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
     (s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
     claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
     r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
     ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
     e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
     es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
     m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
     undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
     I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
     do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
     quais seja
     >  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
     e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
     inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
     A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
     quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
     rminar quais os argumentos que são válidos.
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#25010 De: Amauri Nolasco Sanches Jr <amaurijunior2@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 3:00 pm
Assunto: Re:_[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
amaurijunior2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
OI Didimo

Acho que a filosofia se perdeu no meio do caminho, pois a logica pragmatica
norte-americana contaminou o verdadeiro pensamento, o verdadeira busca do saber.
O filosofo não é mais o amigo do saber, ele escravisou o saber e a logica pelo
bem do capital, isso encheu o mundo de bobagens logicas ou pragmaticas.

Acho que a filosofia é mais uma procura de si mesmo, conhecer a si em sua
verdadeira essencia do saber, saber que sabe sem medo de achar ou não essa
essencia, mas ter a certeza que sim, podemos encontra-la.

Abraços
Amauri

Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
Não é disso que se trata Amauri, a lógica não é uma luneta, não quero ver o
mundo através da lógica, a lógica é o chamaríamos uma disciplina de segunda
ordem, veja que evito a palavra ciência pra me referir a lógica - evito essa
palavra por que vejo a lógica como instrumental filosófico e penso a lógica a
partir da filosofia - ser de segunda ordem queer dizer que a lógica não analisa
o mundo e sim a "linguagem" que usamos pra descrevê-lo.

Não é o objetivo da lógica descobrir a verdade, mas nos auxiliar a não cometer
erros na sua busca, a lógica é formal, tem preocupações com a forma do
raciocínio e não com o seu conteúdo.

Dídimo Matos

PS. Não há tecnicismo nisso, apenas a tentativa de ser rigoroso, isso não nos
impede de dizer bobagens, temos limites e a lógica também, mas ela é um
excelente ponto de partida pra falarmos menos bobagens a cada dia.
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Sunday, November 02, 2003 11:33 AM
   Subject: [Acrópolis]
Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


   Oi Didimo

   O ser humano é notavel, ele quer se valer o que ele não sabe. voces usam
termos que numa palavra simples poderia ser explicado, não sei o que ocorre que
o brasileiro aprende algo novo e vai correndo colocar num papel. Muitos
escritores brasileiros perdem nas suas idéias palavras complicadas e sem valor
naquele texto ou conto. Acho desnecessario tais termo serio mesmo....

   Agora no termo lógica, acho que nada é totalmente lógico, pois a mente humana
na sua concepção, remonta a realidade com seus conceitos. Uma bola pode rolar no
campo, mas cada pessoa vai reparar como essa bola pode ou não rolar no campo,
depende da visão do expectador. Voce pode ver uma mulher na rua e achar bonita,
o outro pode achar uma "feiura" total, o logico é inlogico, nada tem a mesma
visao.

   apenas palavras simples...

   Abraços
   Amauri

   Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
   Por que gostamos de Filosofia.

   Dídimo Matos
     ----- Original Message -----
     From: Amauri Nolasco Sanches Jr
     To: acropolis@...
     Sent: Sunday, November 02, 2003 12:59 AM
     Subject: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


     Oi Tabajara

     Pq vcs são tao tecnicos?

     Abraços
     Amauri

     Tabajara <guiminha@...> wrote:
     Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
     com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
     pierciana, sem grande entendimento?

     Abraços, Tabajara

     > Oi Didimo
     >
     > Simplesmente voce supera o saya-
     jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
     hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
     ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
     >
     > Aristoteles iventou o silogismo:
     >
     > Didimo é um homem
     > Homem é racional
     > logo só o homem é racional
     >
     > Gostou? Eh eh eh!!!
     >
     > Abraços
     > Amauri
     >
     >
     > O que é a lógica?
     > W. H. Newton-Smith
     > Universidade de Oxford
     >
     > Diz-
     se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
     é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
     idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
     feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
     que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
     Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
     um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
     nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
     s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
     sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
     entemente», «portanto, como vês». Considere-
     se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
     >
     > Sócrates é um homem.
     > Todos os homens são mortais.
     > Logo, Sócrates é mortal.
     > As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
     o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
     Sócrates é mortal».
     >
     > A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
     todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
     lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
     nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
     sentar todas as nossas premissas.
     >
     > Icabod teve negativa.
     > Logo, não pode passar de ano.
     >
     > Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
     missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
     enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
     qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
     implesmente demasiado aborrecido formulá-
     la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
     parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
     e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
     mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
     tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
     ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
     erto grau de pedantismo.
     >
     > Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
     entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
     de. Com este fim em vista, considere-
     se os seguintes pequenos argumentos simples:
     >
     > I
     >
     > O céu é azul e a relva verde.
     > Logo, o céu é azul.
     >
     > Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
     > Icabod é um estudante do Balliol College.
     > Logo, Icabod é inteligente.
     >
     > II
     >
     > Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
     > Logo, a relva é cor de laranja.
     >
     > Icabod é inteligente.
     > Icabod estuda no Balliol College.
     > Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
     s.
     >
     > Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
     grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
     riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
     têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
     as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
     propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
     (s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
     claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
     r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
     ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
     e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
     es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
     m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
     undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
     I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
     do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
     quais seja
     >  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
     e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
     inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
     A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
     quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
     rminar quais os argumentos que são válidos.
     >
     >
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#25011 De: Marco Aurelio <clave@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 3:05 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
ferronabonec...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Geraldo M. Barcelos wrote:

>
> Caro Marco Aurélio, se puder me ajudar sendo mais claro em sua
> colocação em
> relação aos pronomes ficaria grato porque tenho dificuldades em algunhas
> coisas e boas dicas são sempre bem vindas.


Oi Gemaba

Minha observação tem que ver com o tratamento nas mensagens escrita.
Estas comunicações sempre nos levam a considerar como tratamos a pesoas
ou as pessoas a quem escrevemos. Quando começamos a escrever usando o
tratamento de "você" (terceira pessoa do singular), devemos conservar o
tratamento em todo o escrito. Se Vc. decide usar "tu" (segunda pessoa do
singular), do mesmo modo que nós, os gaúchos, deve conservar este
tratamento até o fim.

Veja, Vc. escreveu:

Seja bem vindo e sinta-se a vontade pra colocar
o que quizeres ou adentrar em discussões que
interessar a ti.

Deveria escrever:

Seja bem vindo e sinta-se à vontade pra colocar
o que quizer ou adentrar em discussões que
interessarem a você.

Se preferir o tratamento"tu"  (segunda pessoa do singular ) ficará um
pouco estranho para quem não é gaúcho. Seria:

Sê bem vindo e sente-te à vontade pra colocar
o que quizeres ou adentrar em discussões que
interessarem a ti

Prefiro evitar o tema da regencia verbal e a melhor forma de dizer
certas coisas. Não gosto da expressão "sente-te". Usaria "fica à
vontade", por exemplo, mas este já seria outro assunto que não me parece
importante. Não quero pecar de soberba. Eu mesmo não sei se o que disse
encerra uma perfeição.

Abração
Marco Aurelio

#25012 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 4:05 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
ok.
   ----- Original Message -----
   From: Amauri Nolasco Sanches Jr
   To: acropolis@...
   Sent: Sunday, November 02, 2003 1:00 PM
   Subject: [Acrópolis]
Re:_[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


   OI Didimo

   Acho que a filosofia se perdeu no meio do caminho, pois a logica pragmatica
norte-americana contaminou o verdadeiro pensamento, o verdadeira busca do saber.
O filosofo não é mais o amigo do saber, ele escravisou o saber e a logica pelo
bem do capital, isso encheu o mundo de bobagens logicas ou pragmaticas.

   Acho que a filosofia é mais uma procura de si mesmo, conhecer a si em sua
verdadeira essencia do saber, saber que sabe sem medo de achar ou não essa
essencia, mas ter a certeza que sim, podemos encontra-la.

   Abraços
   Amauri

   Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
   Não é disso que se trata Amauri, a lógica não é uma luneta, não quero ver o
mundo através da lógica, a lógica é o chamaríamos uma disciplina de segunda
ordem, veja que evito a palavra ciência pra me referir a lógica - evito essa
palavra por que vejo a lógica como instrumental filosófico e penso a lógica a
partir da filosofia - ser de segunda ordem queer dizer que a lógica não analisa
o mundo e sim a "linguagem" que usamos pra descrevê-lo.

   Não é o objetivo da lógica descobrir a verdade, mas nos auxiliar a não cometer
erros na sua busca, a lógica é formal, tem preocupações com a forma do
raciocínio e não com o seu conteúdo.

   Dídimo Matos

   PS. Não há tecnicismo nisso, apenas a tentativa de ser rigoroso, isso não nos
impede de dizer bobagens, temos limites e a lógica também, mas ela é um
excelente ponto de partida pra falarmos menos bobagens a cada dia.
     ----- Original Message -----
     From: Amauri Nolasco Sanches Jr
     To: acropolis@...
     Sent: Sunday, November 02, 2003 11:33 AM
     Subject: [Acrópolis]
Re:_[Acrópolis]_Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


     Oi Didimo

     O ser humano é notavel, ele quer se valer o que ele não sabe. voces usam
termos que numa palavra simples poderia ser explicado, não sei o que ocorre que
o brasileiro aprende algo novo e vai correndo colocar num papel. Muitos
escritores brasileiros perdem nas suas idéias palavras complicadas e sem valor
naquele texto ou conto. Acho desnecessario tais termo serio mesmo....

     Agora no termo lógica, acho que nada é totalmente lógico, pois a mente
humana na sua concepção, remonta a realidade com seus conceitos. Uma bola pode
rolar no campo, mas cada pessoa vai reparar como essa bola pode ou não rolar no
campo, depende da visão do expectador. Voce pode ver uma mulher na rua e achar
bonita, o outro pode achar uma "feiura" total, o logico é inlogico, nada tem a
mesma visao.

     apenas palavras simples...

     Abraços
     Amauri

     Dídimo_Matos <digeorge@...> wrote:
     Por que gostamos de Filosofia.

     Dídimo Matos
       ----- Original Message -----
       From: Amauri Nolasco Sanches Jr
       To: acropolis@...
       Sent: Sunday, November 02, 2003 12:59 AM
       Subject: [Acrópolis] Re:[Acrópolis]_Re:_[Acrópolis]_O_que_é_a_lógica?


       Oi Tabajara

       Pq vcs são tao tecnicos?

       Abraços
       Amauri

       Tabajara <guiminha@...> wrote:
       Permitam-me adicionar um gancho: Oque seria Analógica, termo
       com o qual já me deparei no estudo da eletrônica e semiótica
       pierciana, sem grande entendimento?

       Abraços, Tabajara

       > Oi Didimo
       >
       > Simplesmente voce supera o saya-
       jim Geraldinho, mas lá vai uma perguntinha: O que seria lógico
       hoje, agora, nesse segundo? Será que o mundo é lógico? Será q
       ue não é pretenção minha saber o que ou não seja lógico?
       >
       > Aristoteles iventou o silogismo:
       >
       > Didimo é um homem
       > Homem é racional
       > logo só o homem é racional
       >
       > Gostou? Eh eh eh!!!
       >
       > Abraços
       > Amauri
       >
       >
       > O que é a lógica?
       > W. H. Newton-Smith
       > Universidade de Oxford
       >
       > Diz-
       se, por vezes, que a lógica é o estudo dos argumentos válidos;
       é uma tentativa sistemática para distinguir os argumentos vál
       idos dos inválidos. Neste estádio, tal caracterização tem o de
       feito de explicar o obscuro em termos do igualmente obscuro. O
       que é afinal a validade? Ou, já agora, o que é um argumento?
       Para começar pela última noção, mais fácil, podemos dizer que
       um argumento tem uma ou mais premissas e uma conclusão. Ao ava
       nçar um argumento, damos a entender que a premissa ou premissa
       s apoiam a conclusão. Esta relação de apoio é habitualmente as
       sinalada pelo uso de expressões como «logo», «assim», «consequ
       entemente», «portanto, como vês». Considere-
       se esse velho e aborrecido exemplo de argumento:
       >
       > Sócrates é um homem.
       > Todos os homens são mortais.
       > Logo, Sócrates é mortal.
       > As premissas são «Sócrates é um homem» e «Todos os homens sã
       o mortais». «Logo» é o sinal de um argumento e a conclusão é «
       Sócrates é mortal».
       >
       > A vida real nunca é tão evidente e inequívoca como seria se
       todas as pessoas falassem da maneira como falariam se tivessem
       lido manuais de lógica a mais numa idade facilmente impressio
       nável. Por exemplo, muitas vezes avançamos argumentos sem apre
       sentar todas as nossas premissas.
       >
       > Icabod teve negativa.
       > Logo, não pode passar de ano.
       >
       > Neste argumento está implícita aquilo a que chamamos uma pre
       missa suprimida; nomeadamente, a de que nenhum estudante que t
       enha negativa passa de ano. Pode ser tão óbvio, pelo contexto,
       qual a premissa que está a ser pressuposta, que seja pura e s
       implesmente demasiado aborrecido formulá-
       la explicitamente. Formular explicitamente premissas que fazem
       parte do pano de fundo de premissas partilhadas é uma forma d
       e pedantismo. Contudo, temos de ter em mente que qualquer argu
       mento efectivamente usado pode ter uma premissa suprimida que
       tenha de se explicitar para que possa ser rigorosamente analis
       ado. Em nome do rigor completo, praticaremos neste estudo um c
       erto grau de pedantismo.
       >
       > Regressaremos a outras questões acerca da natureza dos argum
       entos depois de uma primeira caracterização da noção de valida
       de. Com este fim em vista, considere-
       se os seguintes pequenos argumentos simples:
       >
       > I
       >
       > O céu é azul e a relva verde.
       > Logo, o céu é azul.
       >
       > Todos os estudantes do Balliol College são inteligentes.
       > Icabod é um estudante do Balliol College.
       > Logo, Icabod é inteligente.
       >
       > II
       >
       > Ou o céu é azul, ou a relva é cor de laranja.
       > Logo, a relva é cor de laranja.
       >
       > Icabod é inteligente.
       > Icabod estuda no Balliol College.
       > Logo, todos os estudantes do Balliol College são inteligente
       s.
       >
       > Há qualquer coisa de infeliz nos argumentos apresentados no
       grupo II. Podemos imaginar contextos nos quais as premissas se
       riam verdadeiras e a conclusão falsa. Os argumentos do grupo I
       têm conclusões verdadeiras sempre que têm premissas verdadeir
       as. Diremos que são válidos. Isso significa que têm a seguinte
       propriedade: desde que a(s) premissa(s) seja(m) verdadeira
       (s), a conclusão será verdadeira. Os argumentos do grupo I têm
       claramente esta propriedade. Como poderia alguma vez acontece
       r que o céu fosse azul e a relva verde, sem que o céu fosse az
       ul? Não há maneira nenhuma de Icabod estudar no Balliol Colleg
       e e de todos os estudantes do Balliol College serem inteligent
       es sem que Icabod seja inteligente. Os argumentos de II carece
       m da propriedade da validade. As circunstâncias efectivas do m
       undo fazem com que a premissa do primeiro argumento do grupo I
       I seja verdadeira, mas a conclusão é falsa. E no caso do segun
       do argumento do grupo II, podemos imaginar circunstâncias nas
       quais seja
       >  verdade que Icabod é inteligente e estuda no Balliol Colleg
       e, mas nas quais (infelizmente) existam outros estudantes não
       inteligentes cujos espíritos obtusos tornem a conclusão falsa.
       A lógica é o estudo sistemático dos argumentos válidos. Isto
       quer dizer que iremos desenvolver técnicas rigorosas para dete
       rminar quais os argumentos que são válidos.
       >
       >
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#25013 De: Dídimo Matos <digeorge@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 4:09 pm
Assunto: Fw: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
didimo_george
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá Tabajara, estou repassando o e-mal do Desidério, tem um anexo que
acredito que não vai chegar a lista apesar de está-lo mandando, me mande um
e-mail para meu endereço pessoal e te envio o anexo.

Dídimo Matos

----- Original Message -----
From: "Desiderio Murcho" <desiderio.murcho@...>
To: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
Sent: Sunday, November 02, 2003 1:36 PM
Subject: Re: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção


> Caro Dídimo
>
> Fico muito satisfeito pelo interesse que despertei pelo livro. O livro já
> está publicado em Portugal, na editora Temas e Debates. Não posso
enviar-te
> o livro porque não o tenho em versão electrónica.
>
> Quanto a algumas das questões interessantes levantadas por Rafael, elas
são
> respondidas, pelo menos em parte no meu ensaio sobre Zen que junto em
anexo.
>
> Um abraço,
>
> Desidério
>
> ----- Original Message -----
> From: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
> To: "Desidério Murcho" <desiderio.murcho@...>
> Sent: Sunday, November 02, 2003 1:26 PM
> Subject: Fw: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
>
>
> Olá Desi,
>
> Passei seu texto A Razão Tem Emoções Que o Coração Desconhece para a lista
> acrópolis e todos ficaram muito interessados no livro. Essa mensagem que
> repasso é de Rafael "Tabajara" que se interessou pela discussão, caso
possa
> falar algo sobre a mensagem dele, ficarei muito grato.
>
> Dídimo Matos
>
> PS. Passei também pra coordenadora do curso de Filosofia de minha
faculdade
> e ela gostou tanto que adotou em suas aulas de Antropologia Filosófica e
> está interessadíssima no livro, você pensa em traduzí-lo para português?
> ----- Original Message -----
> From: Tabajara
> To: acropolis@...
> Sent: Saturday, November 01, 2003 10:20 PM
> Subject: Re:[Acrópolis] Re:_[Acrópolis]_razão_e_emoção
>
>
> Prezado, em geral concordo com o exposto. Principalmente no
> que tange a questão da importância das emoções em nosso
> processo de tomada de decisões rápidas, o que nos permitiu
> sobreviver enquanto espécie.
>
> Apenas não compreendo tuas restrições à idéia de que uma
> (utópica) mente puramente raional embora absurdamente lenta
> chegaria a conclusões mais puras do que aquela obscurecida
> por emoções, que numa discussão, por exemplo, buscaria muitas
> vezes a vitória em lugar da verdade e que poderia ofender-se,
> enojar-se, ou dislumbrar-se com um argumento ou outro,
> independentemente de sua qualidade lógica.
>
> Será que uma mente lógica chegaria a uma conlusão um dia ou
> perder-se-ia contrapondo idéias? Defendes que nossas
> conclusões são possíveis graças a atuações emocionais que
> muitas vezes impõem freios ao processo dialético em nossas
> mentes?
>
> Aguardo parecer.
>
> Permitam-me, agora, um gancho:
>
> Gostaria de indaga-los sobre vossa visão sobre a origem das
> emoções na mente humana, que atualmente creio estar nas
> pulsões instintuais do ser após processadas por nossa
> complexa mente.
>
> Apresento-lhes como exemplos simplórios o egoísmo, que na
> minha opinião provém do instinto de auto-preservação do
> indivíduo, ou o amor, que proveria de nosso instinto de viver
> em sociedade. Digo isso, porque depois de breve passagem
> pelas biológicas, cada vez mais me parece um mecanismo
> robótico a nossa fisiologia.
>
> Fazendo de um gancho, dois...
>
> Quando falamos em busca de verdade, creio que a primeira
> questão a ser decidida seja o método a utilizar.
>
> O conhecimento filosófico se alicerça na faculdade humana que
> chamamos razão. Há, no entanto, outras visões, como os
> exoterismos e religiões, que primam por outros métodos, como
> trasmissão de conhecimento através de livros sagrados, por
> exemplo.
>
> Em geral os fiéis de "conhecimento não racional" são
> menosprezados pelos acadêmicos e pela sociedade em geral
> quando trata-se de tecer argumentos. Não mais, por exemplo,
> condena-se uma prostituta por assim estar prescrito no
> alcorão.
>
> Nada obstante eu me afilie à razão, quero propor-lhe uma
> questão: Até que ponto não seria a razão também uma crença?
>
> Acho que a razão é mais do que uma faculdade, pois sob ela as
> coisas nos fazem sentido, e por ela nos guiamos. Mas quando
> me pergunto o porquê da razão, não encontro resposta. Creio
> que talvez porque o porquê é função da razão e não faça
> sentido justificar a escolha de um método já o utilizando,
> haja visto que isso não dissiparia o caráter arbitrário da
> escolha, oque nos despi totalmente de uma forma de alicerçar
> a opção senão na própria arbitrariedade.
>
> Se não se pode ver a razão (enquanto forma de buscar
> conhecimento), a não ser como uma crença arbitrária, nunca
> será superior à crença na bíblia, exceto por seu poder de
> convencer argumentando (e não pela emoção cega) e pelo que é
> capaz de produzir enquanto utilitário.
>
> Abraços, Tabajara
>
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: "Dídimo Matos" <digeorge@...>
> > To: <acropolis@...>
> > Sent: Thursday, October 30, 2003 6:07 PM
> > Subject: [Acrópolis] razão e emoção
> >
> >
> > A Razão Tem Emoções Que o Coração Desconhece
> > Sábado, 25 de Outubro de 2003
> >
> > %Desidério Murcho
> >
> > Uma das partes menos saudáveis da infeliz herança romântica
> e
> > irracionalista, tantas vezes acriticamente admitida sem disc
> ussão, é a da
> > suposta oposição entre a razão e a emoção. Dylan Evans faz b
> em em recordar
> > Mr. Spock, dos filmes "Star Trek", como uma das incarnações
> deste mito
> > romântico às avessas. O mesmo se poderia dizer de Sherlock H
> olmes - e do
> > ideal do cientista cultivado na época vitoriana: frio, metód
> ico, cerebral,
> > destituído de emoções. Este ideal de ciência é tonto e o seu
> reverso é o não
> > menos tonto relativismo cognitivo, que declara estar a magia
> negra ao nível
> > da física quântica, em termos cognitivos e epistemológicos.
> Como Evans
> > declara, sem emoções os seres humanos não existiriam; não é
> biologicamente
> > possível uma espécie biológica destituída de emoções. Afinal
> , a emoção é
> > mais racional do que se diz.
> >
> > Isto não devia ser surpreendente. Ouvi recentemente o seguin
> te comentário
> > como paradigma do que escapa à racionalidade: um rapaz decid
> e casar com uma
> > rapariga, e isso escapa à razão; é do foro da emoção. Mas ai
> nda antes de nos
> > metermos pela ciência das emoções adentro esta ideia revela
> falta de análise
> > filosófica. Pois sem dúvida que o que seria irracional seria
> o rapaz estar
> > apaixonado pela rapariga e não casar com ela, decidindo em v
> ez disso ir para
> > a Tailândia vender farinha para pombos. E seria também irrac
> ional estar
> > apaixonado por alguém que o despreza, que o tortura, que o f
> az continuamente
> > sofrer. A confusão é precisamente esta: nós sabemos que muit
> as vezes as
> > emoções roçam a loucura. Mas, precisamente, isso é uma patol
> ogia das
> > emoções, não é a sua natureza própria. A compreensão das emo
> ções éticas que
> > Aristóteles e Hume tinham perdeu-se; e com isso perdeu-
> se uma compreensão
> > mais profunda do ser humano.
> >
> > E é essa compreensão que nos traz Dylan Evans, num livrinho
> pequeno,
> > dirigido ao grande público, e que apresenta alguns dos resul
> tados do estudo
> > das emoções. Este é um dos dois livros vindos a lume, em lín
> gua inglesa, em
> > resultado directo de um projecto de investigação sobre a evo
> lução das
> > emoções que decorre no departamento de Filosofia de King's C
> ollege London.
> > Urge, pois, publicar o outro volume, de Peter Goldie: "The E
> motions: A
> > Philosophical Exploration" (Oxford).
> >
> > O livro tem cinco capítulos. No primeiro, aborda-
> se o problema de saber se
> > nas emoções há universais humanos, ou se serão todas as emoç
> ões
> > contingências que variam de cultura para cultura. A teoria d
> o relativismo
> > cultural das emoções, tipicamente colonialista, esteve em vi
> gor até Ekman
> > ter demonstrado o contrário -
> não sem enorme resistência dos antropólogos da
> > altura, mais interessados em manter os seus preconceitos cul
> turais do que em
> > investigar a verdade. Segundo a teoria do relativismo cultur
> al das emoções,
> > estas não são parte própria da natureza humana universal, ma
> s antes
> > idiossincrasias que abrem fossos de incompreensão entre cult
> uras. Um índio
> > não sofre nem ama nem se espanta como um francês; cada qual
> está no seu
> > casulo e as suas emoções são apenas o produto do seu meio cu
> ltural. Acontece
> > que esta teoria é empiricamente falsa. As chamadas emoções b
> ásicas são
> > inatas e universais.
> >
> > Se as emoções básicas são universais e inatas, que papel evo
> lutivo
> > desempenham? É este o problema do segundo capítulo. Serão, c
> omo os
> > vitorianos pensavam, e como pensam os românticos, um mero ac
> essório em
> > oposição frontal à razão? E nesse caso como se explica a sua
> existência? A
> > resposta é que as emoções são a mais racional das estratégia
> s da natureza.
> > Deliberar, pensar, reflectir, consome tempo. Se tivermos um
> dispositivo,
> > afinado por milhares de anos de evolução, que nos permita re
> agir rapidamente
> > por medo, por exemplo, teremos mais hipóteses de sobrevivênc
> ia do que se
> > tivermos de pensar tranquilamente em tudo. O pensamento é um
> a das
> > mercadorias mais caras do ponto de vista da evolução; as emo
> ções são atalhos
> > do processo de decisão.
> >
> > Evidentemente, todos os atalhos podem, em certas circunstânc
> ias, revelar-se
> > contraproducentes. No capítulo 3, Evans avalia criticamente
> as tecnologias
> > da felicidade e da emoção. A mais antiga dessas tecnologias
> é a linguagem,
> > que nos permite partilhar emoções, exprimir anseios, dar e r
> eceber conforto.
> > Freud elevou esta tecnologia ao estatuto de religião revelad
> a, com pós de
> > alquimia, baseando-
> se na chamada "teoria hidráulica" das emoções. Segundo
> > esta teoria, as emoções são como fluidos que provocam tensão
> , como num cano
> > prestes a rebentar com a pressão. Falar sobre os motivos des
> sa tensão é como
> > abrir uma válvula de segurança. No seu todo, a ideia não é n
> ova - é mero
> > senso comum, e é comum desde há milhares de anos. Mas Freud
> transformou-a
> > numa amálgama de ideias emaranhadas. A perspectiva crítica d
> e Evans merece
> > reflexão por quem se recusa a pensar que a psicanálise possa
> estar errada
> > nos seus fundamentos.
> >
> > Um dos aspectos curiosos discutidos por Evans, a respeito da
> tecnologia das
> > emoções, é a nossa tentativa de encontrar atalhos para a fel
> icidade -
> > drogas, consumismo, esquecimento de si, passatempos, jogos d
> e computador,
> > etc. Curiosamente, como Evans faz notar, a felicidade não se
> obtém com este
> > tipo de coisas. Os seres humanos sentem-
> se felizes com valores mais
> > sólidos -
> amizade, verdade, justiça. E quando lhes sai a lotaria ficam
> > eufóricos durante um curto período, mas depois voltam ao que
> eram: se eram
> > pessoas deprimidas, voltam a ficar deprimidas, se eram feliz
> es, voltam à
> > felicidade anterior.
> >
> > Nos últimos dois capítulos, Evans aborda as relações entre a
> emoção e a
> > racionalidade. Um dos dados empíricos interessantes, mas lon
> ge de ser
> > surpreendente, é que quando as pessoas estão bem-
> dispostas e cheias de
> > pressa têm tendência para se enganar, admitindo como bons ar
> gumentos que na
> > realidade são péssimos -
> e este é o segredo dos publicistas, claro: se
> > conseguirem fazer as pessoas sentir-
> se bem, é maior a probabilidade de
> > aceitarem péssimos argumentos para comprar um determinado pr
> oduto.
> >
> > A conclusão de Evans é pouco surpreendente para quem partilh
> a a visão
> > iluminista e aristotélica da harmonia entre as emoções e a r
> azão; mas é uma
> > revolução para quem labora no mito romântico da oposição cer
> rada entre o
> > racional e o emocional. Nada é mais racional do que uma emoç
> ão apropriada, e
> > nada mais irracional do que a falta dela: alguém que não fiq
> ue horrorizado
> > com o sofrimento alheio é adequadamente descrito como desuma
> no. E a razão é
> > também a faculdade mais emocional dos seres humanos: mal con
> duzida por
> > emoções erradas, é possível produzir as piores ideias e argu
> mentos -
> > racismo, fascismo, colonialismo, missionarismo -
> sem ver que são péssimas,
> > só porque massajam as nossas emoções mais tontas. O ser huma
> no equilibrado e
> > feliz cultiva as emoções apropriadas, que respondem à razão,
> e trabalha para
> > impedir que as piores emoções lhe toldem a razão. Este é, po
> is, um pequeno
> > livrinho que vale a pena ler e reler, se tivermos a coragem
> de rever os
> > preconceitos da época em que nos foi dado viver, e que tanta
> s vezes nos
> > toldam a razão e o coração.
>
>
>


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#25014 De: Marco Aurelio <clave@...>
Data: Dom, 2 de Nov de 2003 4:37 pm
Assunto: Re: [Acrópolis] Apresentação
ferronabonec...
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Tabajara wrote:

> A ti, Marco Aurélio, pergunto: Porque dizes que minha forma
> de escrever reflete minha juventude? Encontras implícita a
> insegurança na pomposidade?

Oi Tabajara.

Nunca passou pela minha cabeça a palavra insegurança. Sua pomposidade
reflete um entusiasmo juvenil e muito respeito e admiração pelas
possíveis opiniões dos outros. Se achase que manifestava algo de
insegurança, eu não diria que gostei de seu estilo. Sinceramente me
parece uma qualidade muito boa, esta sua, porque penso que se torna
agradável de ler. Se surgir a eventualidade de discutir com Vc., será
muito melhor argumentar com alguém que apresenta agradavelmente suas
opiniões. Considero que a lista pode ser enriquecida.

Eu não acredito em interpretações sobre como são as pessoas baseadas
retalhos de informação que são apressadamente considerados como indicios.

Um grande abraço
Marco Aurelio

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