Entrar
Usuário novo? Cadastre-se
acropolis · Acrópolis

Informações sobre o grupo

  • Associados: 1256
  • Categoria: Filosofia
  • Criado em: Oct 30, 1998
  • Idioma: Inglês
? Você já é um associado? Entre no Yahoo!

Dicas

Você sabia...
Você pode adicionar links relacionados ao seu grupo em uma seção especial.

Mensagens

  Ajuda
Avançado
Robert Kurz - NÃO HÁ REVOLUÇÃO EM LADO NENHUM   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #118671 de 118678 |
NÃO HÁ REVOLUÇÃO EM LADO NENHUM



Carta aberta às pessoas interessadas na EXIT! na passagem de 2011 para 2012





Há muito que a chamada esquerda do movimento se julgou superior à oposição ou
mesmo à simples relação entre reforma e revolução. O que só podia significar que
já não se sabia o que poderia ser tanto uma como a outra. O objectivo da
abolição revolucionária do capitalismo, como catalisador necessário até da mais
pequena reforma social, não foi reformulado, mas apressadamente imputado ao
extinto marxismo de partido e de Estado, para mais facilmente o poder descartar.
A monotonia pós-moderna dum culto das superficialidades habituais e dos detalhes
a-conceptuais, fanfarronando a sua pluralidade, não está para lá do antigo nível
de certeza, mas simplesmente esperneando desamparada ao lado dele.



Na verdade, a ideia de revolução só foi considerada arrumada e selada pela
operação do movimento de esquerda e sua ideologia desconstrutivista porque se
perdeu a força para as habituais reformas dentro do capitalismo. Como é sabido,
o neoliberalismo comum a todos os partidos roubou o conceito de reforma e
transformou-o no seu contrário, sem encontrar qualquer resistência
significativa. Lutas sociais reais não só eram cada vez mais raras, mas também
sem qualquer referência à crítica social radical, permanecendo presas a
interesses particulares tacanhos. Em vez de uma interferência mais forte nas
relações sociais surgiu a performance de acções simbólicas; ou seja, a farsa de
movimentos que já não eram movimentos, mas só queriam representar a sua própria
simulação mediática. Às bolhas financeiras do capital de crise correspondiam as
bolhas do movimento de esquerda, que tinham de estourar do mesmo modo.



Tanto menos credível é a repentina inflação do termo revolução, que teria vivido
a sua segunda primavera por todo o mundo em 2011, sem que as ideias do passado
tivessem sido criticamente revistas e transformadas. Em primeiro lugar surge
naturalmente a chamada revolução árabe, que derrubou alguns regimes autoritários
(Tunísia, Egipto e Líbia) com grande sacrifício de vidas humanas, enquanto
noutros lugares (Síria, Argélia, Bahrein, Iémen) por enquanto tem vindo a ser
metralhada. Em rápida sucessão a agitação cintilou também na Europa. A
Grã-Bretanha testemunhou violentos distúrbios de jovens de classe inferior
desesperados, a que o governo conservador respondeu com um padrão de repressão
por assim dizer arábico. Nos países da crise da dívida do Sul da Europa (Grécia,
Espanha, Portugal, Itália), houve um grau variável de movimentos sociais contra
a brutal política de austeridade, impulsionado principalmente pela geração
jovem. Um quadro semelhante se apresentou em Israel, com manifestações de massa
contra a política anti-social do governo de Netanyahu. No Chile, os estudantes
rebelaram-se contra a orientação neo-conservadora do sistema de ensino.
Finalmente, nos Estados Unidos, deu que falar o chamado movimento occupy que, em
protesto contra a desigualdade crescente e contra o poder dos bancos, foi
entendido como um contrapeso ao ultra-conservador tea party e constituiu
ramificações em muitos países, entre os quais a Alemanha.



A esquerda que cheira o traseiro de cada manifestação social à vista na rua o
que mais gostaria era de se regalar nas paisagens florescentes de um ano
revolucionário em 2011. Para além da falta de vergonha para voltar a desenterrar
e a remoer freneticamente a palavra começada por R, que estava enterrada e
esquecida, a mera adulação dos diversos protestos e levantamentos não ajuda nada
a causa da libertação social. Marx sublinhou com razão que uma transformação
verdadeiramente revolucionária apenas progride na medida em que os seus começos
e fases de transição são criticados sem dó nem piedade, para os superar e para
repelir as suas meias-verdades, falácias e aberrações. Se assim não for, todo o
empreendimento se pode transformar no seu contrário. Decisiva aqui é a
importância da reflexão teórica. Isto é especialmente verdade numa situação como
a de hoje, em que ainda não há uma ideia desenvolvida da ruptura revolucionária
com a ordem estabelecida. A forma de mediação é a polémica contra o estado dos
movimentos, e não o envolvimento disposto a adaptar-se, reagindo de modo
puramente táctico às dificuldades ideológicas e limitando-se a reflectir
afirmativamente para os intervenientes a sua falsa consciência imediatista.
Depois de mais de 250 anos de história da modernização não há mais
espontaneidade inocente.



Para uma análise crítica é preciso em primeiro lugar verificar a diferença de
certo modo existencial no grau de dureza da revolta e da repressão. Os
movimentos de massas árabes pagaram deliberadamente um pesado tributo em vítimas
e na verdade derrubaram governos. No sul da Europa e na Grã-Bretanha os embates
foram violentos para as condições de metrópoles ocidentais, mas muito menos
intensivos e em grande parte ineficazes. O mesmo se pôde ver em Israel e no
Chile. O movimento occupy dos E.U.A., finalmente, caracterizou-se em grande
parte por um mero moralismo superficial e piegas, sem garra, que entre os seus
imitadores na Alemanha ainda foi rebaixado ao nível de gnomos de jardim por
chefes de turma colocando questões bem comportados. É claro que as diferenças na
militância externa não dizem nada sobre um conteúdo revolucionário, que só pode
ser determinado pela profundidade da crítica radical, mas indicam o diferente
nível de ruína e desespero.



A nova crise económica mundial de modo nenhum está terminada e não é apenas
económica, mas em grande parte do mundo também levou a sérias distorções sociais
que não podem resolver-se nas respectivas condições e formas de desenvolvimento
específicas, pois referem-se a estruturas gerais do capitalismo global. Por um
lado, em toda parte se pode ver uma explosão nos preços dos alimentos, que
afecta sobretudo as classes mais baixas, mas também para os consumidores de
renda média se torna cada vez mais dolorosa. Sobrepõem-se aqui o limite interno
económico e o limite externo ecológico do capital. A política geral de inflação
com a inundação de dinheiro dos bancos centrais é agravada para os produtos
agrícolas pela produção crescente de biocombustíveis em vez de alimentos
básicos, que ao mesmo tempo se tornam ainda mais escassos por desastres naturais
socialmente provocados. Isso é notório em todos os países sem excepção, mas tal
tendência torna-se insuportável em primeiro lugar onde, como nos países árabes,
o custo dos alimentos básicos já consome a maior parte do orçamento da maioria
da população.



Por outro lado, a precarização dos jovens académicos há muito latente agravou-se
dramaticamente na crise económica mundial. Também este fenómeno é global; mesmo
na Alemanha é conhecida a "geração estágio" e não é só desde ontem. No sul da
Europa o desemprego juvenil generalizado atingiu a marca dos 50 por cento ou
mais e disparou o corte na formação e o subemprego dos finalistas do ensino
secundário e das universidades. Mesmo na China cada vez menos licenciados
encontram um trabalho adequado. De doutorando para ajudante de empregado de
mesa, diz o slogan da decadência. Claro que também há uma gradação global neste
desenvolvimento. Enquanto na Europa e na América do Norte os rebentos da classe
média qualificada ainda podem conseguir em parte apoio dos pais perante a falta
de perspectivas, noutros lados eles já têm de ajudar a alimentar as famílias
arruinadas. Não é de admirar que o tiro de partida simbólico para a revolta
árabe tenha sido a auto-imolação de um jovem académico tunisino que já nem
sequer como vendedor ambulante conseguia sobreviver.



Na história moderna a degradação social da juventude estudantil sempre foi
fermento de erupções revolucionárias. Mas para que a partir daí ocorresse uma
verdadeira revolução social teve de se criar em primeiro lugar um esboço teórico
actualizado e, em segundo lugar, teve de realizar-se uma organização social
abrangente, incluindo as classes mais baixas. A este respeito se mostra a
completa vergonha intelectual, social e organizacional da geração Facebook. Em
todos os movimentos não há vestígios de uma ideia nova e revolucionária, a
classe média académica comporta-se em grande parte de modo auto-referencial e
sem qualquer conexão sistemática com as classes mais baixas e o encontro não
vinculativo através da Internet permanece sem força organizativa no domínio
social. Além de frases democráticas ocas não há mais nada. Portanto, também em
lado nenhum se pode falar de uma revolução, se se entender isso como mudança
fundamental social e económica e não apenas como substituição das personagens da
administração da crise por outras ainda piores.



Como não há qualquer dialéctica qualitativamente nova entre reforma e revolução,
mesmo as abordagens sindicalmente limitadas não conseguiram implantar-se. A
redistribuição dos rendimentos do petróleo e do turismo não se concretizou. Na
Europa e nos EUA nem sequer exigências sociais específicas atingiram uma
amplitude apreciável. Assim, a revolta está a ser instrumentalizada por forças
muito diferentes que fazem valer a sua tendência para a barbarização perante o
vazio ideal e organizacional. Nos países árabes são os fascistas religiosos
islamistas que vencem uma eleição após a outra, assim pondo a descoberto a
indiferença de conteúdo da democracia aridamente formal como padrão de
legitimação. Eles já usurparam em parte os sindicatos, colocaram a sua política
de caridade no lugar da emancipação social e, assim, ganharam as classes mais
baixas, puseram em marcha o seu terror virtuoso hostil às mulheres e aos
homossexuais e transformaram o incitamento anti-semita contra Israel numa
válvula de escape para a raiva contra a falta de melhorias económicas. No sul e
no leste da Europa está em grande ebulição o anacrónico fascismo nacionalista,
que oferece a superfície de projecção para as formas bárbaras de digerir o vazio
de ideias e a impotência social. Os pogroms contra os roma na Itália e na
Hungria ou o tratamento cruel de refugiados e migrantes na Grécia falam por si.
O complemento ideal para isso é dado pelo tom inequivocamente anti-semita do
movimento occupy.

todo o texto:
http://obeco.planetaclix.pt/





Sex, 3 de Fev de 2012 4:37 pm

jneves_2000
Offline Offline
Enviar e-mail Enviar e-mail

Mensagem #118671 de 118678 |
Expandir mensagens Nome/E-mail Classificar por data

NÃO HÁ REVOLUÇÃO EM LADO NENHUM Carta aberta às pessoas interessadas na EXIT! na passagem de 2011 para 2012 Há muito que a chamada esquerda do movimento...
jneves_2000 Offline Enviar e-mail 3 de Fev de 2012
4:37 pm
Avançado

Copyright © 2010 Yahoo! do Brasil Internet Ltda. Todos os direitos reservados.
Política de Privacidade - Termos do Serviço - Diretrizes - Ajuda